Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10580.721217/2017-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2012 a 31/12/2014
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA. FATO GERADOR. EMPRESA SEM EMPREGADOS.
O fato gerador da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta - CPRB instituída pelos artigos 7º a 9º da Lei nº 12.546/11 não é o trabalho remunerado, mas o auferimento de determinadas receitas previstas na lei, podendo ser exigida ainda que a empresa não contrate empregados, trabalhadores avulsos ou contribuintes individuais.
SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA NÃO CONFIGURADA.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis pelos créditos tributários resultantes, desde que caracterizada, adequadamente, a prática de atos infringentes à legislação tributária que não se confundam, em substancial grau, com o inadimplemento do tributo.
Numero da decisão: 2202-005.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir a responsabilidade solidária do diretor.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2012 a 31/12/2014 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA. FATO GERADOR. EMPRESA SEM EMPREGADOS. O fato gerador da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta - CPRB instituída pelos artigos 7º a 9º da Lei nº 12.546/11 não é o trabalho remunerado, mas o auferimento de determinadas receitas previstas na lei, podendo ser exigida ainda que a empresa não contrate empregados, trabalhadores avulsos ou contribuintes individuais. SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA NÃO CONFIGURADA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis pelos créditos tributários resultantes, desde que caracterizada, adequadamente, a prática de atos infringentes à legislação tributária que não se confundam, em substancial grau, com o inadimplemento do tributo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.721217/2017-83
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6044123
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-005.308
nome_arquivo_s : Decisao_10580721217201783.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10580721217201783_6044123.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir a responsabilidade solidária do diretor. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
id : 7847975
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301257605120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1696; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 613 1 612 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721217/201783 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202005.308 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente EXPRESS EMPREENDIMENTOS HOTELEIROS LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2012 a 31/12/2014 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA. FATO GERADOR. EMPRESA SEM EMPREGADOS. O fato gerador da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta CPRB instituída pelos artigos 7º a 9º da Lei nº 12.546/11 não é o trabalho remunerado, mas o auferimento de determinadas receitas previstas na lei, podendo ser exigida ainda que a empresa não contrate empregados, trabalhadores avulsos ou contribuintes individuais. SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA. SÓCIOADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA NÃO CONFIGURADA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis pelos créditos tributários resultantes, desde que caracterizada, adequadamente, a prática de atos infringentes à legislação tributária que não se confundam, em substancial grau, com o inadimplemento do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir a responsabilidade solidária do diretor. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 12 17 /2 01 7- 83 Fl. 613DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA, que julgou procedente auto de infração (fls. 02/18) constituído tendo em vista o não recolhimento da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta CPRB prevista no artigo 7º da Lei nº 12.546/11, referente às competências agosto de 2012 a dezembro de 2014, havendo sido arrolado, na condição de responsável tributário, Celso José Ricci, CPF nº 931.894.27887, sócio administrador da autuada. A instância de piso assim resumiu os termos da autuação: No Relatório Fiscal de fls. 12/18, a autoridade lançadora presta informações acerca da ação fiscal, bem assim no tocante ao auto de infração supramencionado. Esclarece, inicialmente, que a empresa auditada atua no setor hoteleiro, enquadrada no código 55108/01: hotéis e similares, da Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE. Observa que as empresas enquadradas no código 55108/01, nos termos do artigo 7.º da Lei n.º 12.546/2011, alterada pela Medida Provisória n.º 563, de 03 de abril de 2012, com vigência a partir de 1.º de agosto de 2012, passaram a ter a contribuição previdenciária patronal de 20%, calculada sobre o total da folha de pagamento de empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais, substituída pela contribuição de 2% sobre o valor da receita bruta no período de 1.º de agosto de 2012 a 31 de dezembro de 2014. Aduz que a CPRB, nesse período, possuía caráter impositivo e deveria ser apurada de forma centralizada pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica. Assim, a partir da competência agosto de 2012, o setor hoteleiro passou a ser obrigado a recolher o montante de 2% sobre o respectivo faturamento, a título de Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta. Posteriormente, a Medida Provisória n.º 563/2012 foi convertida na Lei n.º 12.715, de 17 de setembro de 2012, mantendo a obrigatoriedade do recolhimento da CPRB para as empresas do setor hoteleiro a partir de agosto de 2012. Quanto aos valores de receita considerados na peça de autuação, observa que, no período de agosto de 2012 a março de 2013, apenas as receitas relacionadas à hotelaria foram incluídas na base de cálculo da CPRB, ao passo que, a partir de abril de 2013, todo o faturamento da empresa ficou sujeito à incidência da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta. Destaca, ainda, que, a partir de dezembro de 2015, a desoneração de que trata a Lei n.º 12.546/2011 passou a ser Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10580.721217/201783 Acórdão n.º 2202005.308 S2C2T2 Fl. 614 3 facultativa, em consequência da alteração promovida pela Lei n.º 13.161, de 31 de agosto de 2015, vigente a partir de 1.º de dezembro de 2015. Observa, finalmente, que os fatos geradores apurados não foram declarados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais DCTF, o que ensejou a lavratura do presente auto de infração. Aduz que “tal constatação será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, em face da ocorrência, em tese, do crime de Sonegação Fiscal, capitulado no art. 337A, inciso III do Código Penal.” Quanto à responsabilidade tributária solidariedade, observa que a auditoria fiscal, com base no artigo 135 do Código Tributário Nacional CTN, “responsabilizou pessoalmente os diretores pelo débito lançado e pela multa aplicada, tendo em vista que a conduta de não informar os valores devidos na DCTF materializa a infração à lei.” Não obstante impugnada pela empresa e pelo sócio (fls. 350/373), a exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 515/524), mediante a prolação do acórdão cuja ementa segue abaixo transcrita: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA. FATO GERADOR. EMPRESA SEM EMPREGADOS. O fato gerador da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta CPRB instituída pelos artigos 7.º a 9.º da Lei n.º 12.546/2011 não é o trabalho remunerado, mas o auferimento de determinadas receitas previstas na lei, podendo ser exigida ainda que a empresa não contrate empregados, trabalhadores avulsos ou contribuintes individuais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2012 a 31/12/2014 SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com infração à legislação tributária. Tal feito deu ensejo à interposição de recurso voluntário, conjuntamente, por parte da autuada e do responsável solidário, em 28/02/2018 (fls. 535/558). Nesse recurso foi arguído, em síntese, que: a Lei nº 12.546/11 foi interpretada pela fiscalização em divergência com seu escopo, que era desonerar a carga tributária dos setores contemplados, e não criar novo tributo, conforme se afere da exposição de motivos da MP nº 540/11, que lhe precedeu; Fl. 615DF CARF MF 4 o recolhimento das contribuições nos moldes dos arts. 8º e 9º da lei em apreço implica em considerável aumento da carga tributária, indo de encontro aos fins da norma, cuja aplicação deve atentar à interpretação teleológica; é descabida e ilegal a inclusão do sócio como responsável pelas obrigações, tendo em vista a ausência de dolo, não sendo o mero inadimplemento de tributo motivo para tanto, de acordo com a jurisprudência do STJ; inexiste fato gerador a respaldar a incidência tributária, pois o objetivo da Lei nº 12.546/11 foi o desonerar as empresas que possuem quadro de funcionários, mas a empresa não possui empregados, nunca tendo sido contribuinte do tributo especificado no art. 22, incisos I e II da Lei nº 8.212/91, ou seja, não havia exação a substituir. Demanda, ao final, o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e, atendendo aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Nos termos do artigo 7º, caput, da Lei nº 12546/11, com a redação dada pela Lei nº 12715/12 resultante da conversão da Medida Provisória nº 563/12 , as empresas do setor hoteleiro enquadradas na subclasse 55108/01 da Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE 2.0 estão obrigadas, até 31 de dezembro de 2014, ao recolhimento da contribuição previdenciária de 2% sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do artigo 22 da Lei nº 8212/91. Vejase, nesse sentido, o que determina o artigo 7º, caput, da Lei nº 12546/11, na redação dada pela Lei n.º 12715/12: Art. 7.º Até 31 de dezembro de 2014, contribuirão sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991, à alíquota de 2% (dois por cento): I as empresas que prestam os serviços referidos nos §§ 4.º e 5.º do art. 14 da Lei n.º 11.774, de 17 de setembro de 2008; II as empresas do setor hoteleiro enquadradas na subclasse 5510 8/01 da Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE 2.0; III as empresas de transporte rodoviário coletivo de passageiros, com itinerário fixo, municipal, intermunicipal em região metropolitana, intermunicipal, interestadual e internacional enquadradas nas classes 49213 e 49221 da CNAE 2.0. (grifei) Tais alterações, introduzidas na Lei n.º 12546/11, entraram em vigor a partir do primeiro dia do quarto mês subsequente à data de sua publicação, vale dizer, a partir de 1º Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10580.721217/201783 Acórdão n.º 2202005.308 S2C2T2 Fl. 615 5 de agosto de 2012, tendo em vista data de publicação da MP nº 563/12, ocorrida em 04 de abril de 2012. Muito embora o recorrente aluda a uma pretensa incompatibilidade de sua situação particular com os fins almejados pela Lei nº 12546/11, que estariam contidos na exposição de motivos da MP nº 540/11, a qual foi convertida na citada lei, não há como prosperar tal vertente de idéias. Ora, a exposição de motivos de uma lei, dada sua natureza eminentemente doutrinária, não passa pelo processo legislativo, nem se submete a votações no Congresso Nacional ou à sanção presidencial. Dessa maneira, ainda que sua leitura possa constituirse em auxiliar relevante na compreensão de certas nuances da norma jurídica, não se cogita de, a partir de seus termos, afastar a aplicação de uma regra jurídica positivada, na análise de um caso concreto. Em outros termos, ainda que em um determinado caso particular a desoneração pretendida pela vontade do legislador, na espécie veiculada pelas disposições da Lei nº 12546/11, não se opere face de certas peculiaridades do contexto, temse que tal motivo não é suficiente, por si só, para dar ensejo à não aplicação de regra vigente no ordenamento jurídico, ao menos em sede administrativa. Noutro giro, a empresa argui tratarse de mera administradora de flats e condomínios residenciais, sendo que os empregados são de responsabilidade e contratados pelos condomínios, não possuindo, ela própria, empregados. Cabe observar, entretanto, que os preceitos relativos à desoneração da folha de pagamentos não são de caráter facultativo, mas sim cogentes, ou seja, se uma empresa do setor hoteleiro está enquadrada na subclasse 55108/01, independentemente de ter ou não funcionários, deverá recolher a contribuição previdenciária sobre a receita bruta, por força de expressa determinação legal. Mister ressaltar, também, que o fato gerador da CPRB é o auferimento de receita, não a existência de empregados na empresa, com relação aos quais teria cabido, em tese, a incidência de contribuição patronal nos moldes previstos no art. 22 da Lei nº 8.212/91. Então, inexiste na norma o condicionante cogitado pelo recorrente, no sentido de que o fato gerador incide sobre a receita, somente se há contribuição a ser substituída. Não, para a norma incidir basta haver receita, no que concerne àquelas empresas que se auto classificaram em determinados registros de CNAE, dada a natureza da atividade ali estipulada. Não é outro o entendimento espelhado na Solução de Consulta Cosit nº 22/14, com o qual se partilha, e cuja ementa parcialmente transcrevese: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: CPRB. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. RECEITA BRUTA. FATO GERADOR. EMPRESA SEM EMPREGADOS. O fato gerador da CPRB instituída pelos arts. 7.º a 9.º da Lei n.º 12.546, de 2011, não é o labor remunerado, mas o auferimento de determinadas receitas previstas na lei. Assim, poderá ser exigida ainda que a empresa não contrate empregados, trabalhadores avulsos ou contribuintes individuais. (Grifouse.) Fl. 617DF CARF MF 6 DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei n.º 12.546, de 2011, arts. 7.º a 9.º; Parecer Normativo RFB n.º 3, de 2012. Por sua vez, o contrato social e alterações consignam que a empresa possui o objeto social genérico de "empreendimentos hoteleiros", sendo que, conforme documentos de fls. 84 e ss (ata de assembléia condominial, convenções de condomínio), a empresa foi contratada para administrar condomínios edilícios (Edifício Athenas Muitliempresarial, Edifício América Towers). As informações constantes nessas peças permitem inferir trataremse de apartamentos com estrutura próxima a aparthotéis, com serviços de lavanderia, restaurante, "business center", etc. Anotese que também foram também colacionados, junto com as DACONs entregues, planilha de demonstrativos de receitas (vg, fls. 146 e ss). A situação foi bem sumarizada no relatório fiscal às fls. 14/15: 1.9 A empresa foi intimada a justificar a ausência de recolhimento da CPRB e através de extenso relatório apresentou a justificativa nos seguintes termos: afirmou que a Express Empreendimentos Hoteleiros é uma empresa que opera um pool hoteleiro. Neste caso, apesar do faturamento do Hotel ser registrado na Express, todos os empregados estão registrados em um condomínio de proprietários das unidades (quartos de hotel) e que a contribuição previdenciária destes trabalhadores foi paga sobre a folha de pagamento do condomínio. 1.10 De fato, a auditoria constatou que o hotel de nome fantasia Express é um pool hoteleiro em que diversos proprietários se associam em condomínio e o faturamento do Hotel é efetuado pela empresa Express Empreendimentos Hoteleiros que o administra, sendo responsável pela emissão de todas as notas fiscais. Como se trata de uma empresa hoteleira, deve pagar a Contribuição Previdenciária Sobre a Receita Bruta, nos termos da Lei 12.546/2011, conforme já explicado. O fato da empresa não contar com um número expressivo de empregados, por ter optado administrativamente por registrar os empregados em um condomínio, não lhe exonera da obrigação de pagar a CPRB. Por outro lado, o condomínio deve recolher os tributos de seus empregados sobre a folha de pagamento, pois não está abrangido pela Lei 12.546/2011. Desta forma, a justificativa apresentada não é compatível com a sistemática imposta pela Lei 12.546/2011. Com efeito, examinandose os contratos firmados entre a empresa e os condomínios ver, por exemplo, o de fls. 380/383, ajustado com o condomínio Athenas Multiempresarial percebese que a ela incumbia uma série de serviços, como arrecadar as taxas condominiais, gerenciar e pagar os funcionários do condomínio, e "pagar as taxas de serviços públicos utilizados, tais como;... impostos previdenciários e demais incidentes sobre a operação do Condomínio, conforme legislação vigente;". Auferia, em contrapartida, remuneração mensal equivalente a 9% das despesas ordinárias mensais do condomínio. Não há comprovação nos autos, porém, que os encargos previdenciários incidentes sobre os empregados dos condomínios tenham sido pagos, seja pelos condomínios, seja pelo autuado. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10580.721217/201783 Acórdão n.º 2202005.308 S2C2T2 Fl. 616 7 Por outro lado, é deveras pouco verossímil a arguição de que a empresa não dispunha de empregados, levandose em consideração a receita auferida nos anos em comento, a qual alcança cifras de milhões de reais (fls. 31/32). Registrese que somente o condomínio Edifício América Towers possuía 200 unidades autônomas (fls. 384 e ss). Difícil conceber como todos os serviços ajustados contratualmente com tais condomínios, tais como administração contábil, financeira, de folha de pagamentos, representação, dentre muitos outros, eram realizados sem quaisquer funcionários. Inexiste documentação nos autos, tal como livros e registros contábeis, que corrobore a versão do contribuinte. Também não trouxe a empresa qualquer justificativa para a manutenção de seu CNAE como sendo de subclasse 55108/01 (hotéis e similares), em todas as declarações transmitidas à RFB, ao invés de providenciar, em linha com o que parece ter sido a linha argumentativa recursal, sua mudança para a subclasse 55108/052 (aparthotéis). Enfim, o que se conclui é que, perante a inconsistência das provas e incoerência dos argumentos trazidos aos autos pelo recorrente, não há razões para desconsiderar a informação por ele circunstanciada no CNAE, antes do início da ação fiscal, no sentido de que exercia a atividade preponderantemente hoteleira, devendo assim operar a incidência das contribuições tal como determinada pelo legislador, ou seja, sobre a receita bruta da empresa, nos termos constantes do lançamento fiscal. De rigor, por conseguinte, manter a autuação. Quanto à imputação de responsabilidade solidária ao sócio Celso José Ricci, ela foi realizada com base no inciso III do art. 135 do CTN, responsabilizandoo, como diretor, pelo débito lançado e pela multa aplicada, tendo em vista que a conduta de não informar os valores devidos na DCTF materializa a infração à lei. Nos termos do precitado dispositivo do CTN, é necessário que o diretor possua poderes de administração no que diz respeito às circunstâncias e eventos que deram origem ao crédito tributário, o que se verifica no caso em tela, pois no contrato social fica bem claro que o referido principal sócio da pessoa jurídica era quem detinha, com exclusividade, os poderes de administração da sociedade, conforme respectiva cláusula 10ª atesta, sendo que das declarações transmitidas consta, efetivamente, o seu nome como responsável. Sem embargo, é também preciso que se verifique excesso de poderes, ou infração de lei, contrato social ou estatutos. E, no caso de infração à lei, essa não pode ser a mero inadimplemento da obrigação tributária, tendo em vista o consolidado posicionamento do STJ de que tal feito não dá ensejo à responsabilização. Apesar da apreensão fiscal de que teria havido infração à lei tributária por não haverem sido informados os valores devidos na DCTF, entendo que tal conduta está insitamente relacionada ao próprio inadimplemento do tributo, tendo em vista estar este submetido à sistemática do lançamento por homologação. Em decorrência, a falta de declaração é, em certa medida, coerente com a percepção, que aqui se entende equivocada, de que não estaria o recorrente sujeito ao recolhimento da CPRB. Fl. 619DF CARF MF 8 Então, a não declaração do tributo não detém independência suficiente frente ao não pagamento da obrigação, a ponto de viabilizar, à míngua de outros elementos, a atribuição de responsabilidade tributária em conformidade com o inciso III do art. 135 do CTN. Vale registrar, ademais, que não houve qualificação da multa de ofício na espécie, o que indica a falta de elementos, percebida pela própria fiscalização, para a configuração de atuação dolosa. Nesse sentido, e sob o entendimento de que não cabe a imputação de responsabilidade solidária sem clara infringência de lei, contrato social ou estatuto, ou evidenciado excesso de poderes, deve ser dado provimento ao recurso nesse ponto. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir a responsabilidade solidária do diretor. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 620DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.720488/2013-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2008
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Notificação de Lançamento lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. Corretamente seguido o Processo Administrativo Fiscal, não há que se falar em cerceamento de defesa.
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ITR. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA.
A não apresentação da documentação comprobatória necessária para fundamentar a Declaração de ITR do Exercício enseja a manutenção da glosa da Área de Pastagem e o arbitramento do Valor da Terra Nua.
SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Indeferida a solicitação de perícia quando não se justifica a sua realização, mormente quando o fato probante puder ser demonstrado pela juntada de documentos por parte do interessado, no momento pertinente.
Numero da decisão: 2202-005.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Leonam Rocha de Medeiros, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2008 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Notificação de Lançamento lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. Corretamente seguido o Processo Administrativo Fiscal, não há que se falar em cerceamento de defesa. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ITR. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. A não apresentação da documentação comprobatória necessária para fundamentar a Declaração de ITR do Exercício enseja a manutenção da glosa da Área de Pastagem e o arbitramento do Valor da Terra Nua. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferida a solicitação de perícia quando não se justifica a sua realização, mormente quando o fato probante puder ser demonstrado pela juntada de documentos por parte do interessado, no momento pertinente.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10630.720488/2013-55
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6050572
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-005.351
nome_arquivo_s : Decisao_10630720488201355.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10630720488201355_6050572.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Leonam Rocha de Medeiros, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
id : 7863780
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301261799424
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-12T22:57:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-12T22:57:32Z; Last-Modified: 2019-08-12T22:57:32Z; dcterms:modified: 2019-08-12T22:57:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-12T22:57:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-12T22:57:32Z; meta:save-date: 2019-08-12T22:57:32Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-12T22:57:32Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-12T22:57:32Z; created: 2019-08-12T22:57:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2019-08-12T22:57:32Z; pdf:charsPerPage: 1764; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-12T22:57:32Z | Conteúdo => S2-C 2T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10630.720488/2013-55 Recurso Voluntário Acórdão nº 2202-005.351 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de agosto de 2019 Recorrente ADAIL JACQUES RODRIGUES Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2008 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Notificação de Lançamento lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. Corretamente seguido o Processo Administrativo Fiscal, não há que se falar em cerceamento de defesa. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ITR. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. A não apresentação da documentação comprobatória necessária para fundamentar a Declaração de ITR do Exercício enseja a manutenção da glosa da Área de Pastagem e o arbitramento do Valor da Terra Nua. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferida a solicitação de perícia quando não se justifica a sua realização, mormente quando o fato probante puder ser demonstrado pela juntada de documentos por parte do interessado, no momento pertinente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 04 88 /2 01 3- 55 Fl. 114DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.351 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720488/2013-55 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Leonam Rocha de Medeiros, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão de Delegacia da Receita Federal de Julgamento que considerou improcedente Impugnação do contribuinte apresentada diante de Notificação Lançamento de Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR que apurou Imposto a Pagar Suplementar acompanhado de Juros de Mora e Multa de Ofício, pela falta de comprovação da Área de Pastagem e do Valor da Terra Nua. 2. A seguir reproduz-se, em sua essência, o relatório do Acórdão combatido. Relatório (...) A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/, iniciou-se com o termo de intimação (...) para o contribuinte apresentar, dentre outros, os seguintes documentos de prova: - fichas de vacinação e movimentação de gado, notas fiscais de aquisição de vacinas e de produtor, referentes ao rebanho existente no período (...), para comprovar a área de pastagem do imóvel informada na DITR(...); - laudo de avaliação do imóvel com ART/CREA, nos termos da NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo; alternativamente, avaliação efetuada por Fazendas Públicas ou pela EMATER. Em atendimento, foram anexados os documentos de fls (...) Após análise desses documentos e da DITR(...), a autoridade fiscal glosou integralmente a área declarada de pastagens (...) e desconsiderou o VTN declarado (...), arbitrando-o (...), embasado no SIPT/RFB (...), com o consequente aumento do VTN tributável e da alíquota de cálculo, pela redução do grau de utilização do imóvel, tendo sido apurado imposto suplementar (...). Cientificado do lançamento (...) o contribuinte (...) apresentou a impugnação (...), com as seguintes alegações, em síntese: - contesta o referido procedimento fiscal, por ser a área real do imóvel (...) explorada com pecuária (...) conforme documentos de prova inclusos, além de o VTN arbitrado diferir do valor declarado pelo chefe do escritório da EMATER no município, (...) Ao final, o impugnante requer, após análise dos documentos anexados, a improcedência da notificação de lançamento questionada, (...), e protesta por todos os meios em Direito admitidos, especialmente prova testemunhal, documental e pericial (...). 3. A Ementa do Acórdão combatido, por bem espelhar a apreciação da lide pela DRJ, é colacionada a seguir: DA PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, para alterar informações da declaração do ITR que não sejam objeto da lide. DA REVISÃO DE OFÍCIO - ERRO DE FATO Fl. 115DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.351 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720488/2013-55 A revisão de ofício, de dados informados pelo contribuinte na sua DITR, somente cabe ser acatada quando comprovada a hipótese de erro de fato, com documentos hábeis, observada a legislação aplicada a cada matéria. DA ÁREA DE PASTAGENS. Não comprovada, por meio de documentos hábeis, a existência de rebanho no imóvel no ano-base (...), deverá ser mantida a glosa, efetuada pela autoridade fiscal, da área de pastagem declarada para o exercício (...), observada a legislação de regência. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN. Deverá ser mantido o VTN/ha arbitrado para o ITR/(...) com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, nos termos da NBR 14.653-3 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor pretendido. DA INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazê-la em outro momento processual. DA PROVA PERICIAL. A perícia técnica tem por finalidade auxiliar o julgador a formar sua convicção, limitando-se a elucidar questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação pertinente. 4. Destaque-se também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ: Voto (...) Da Área de Pastagens A área de pastagens informada na DITR (...), foi glosada integralmente pela autoridade fiscal, por falta de comprovantes hábeis requeridos para mantê-la (...); contudo, com base em documentos trazidos aos autos nesta fase, o impugnante pretende o acatamento de uma área reduzida (...). Registre-se que, observada a legislação aplicada à matéria (alínea “b”, inciso V, art. 10, da Lei nº 9.393/1996 e artigos 24 e 25 da IN/SRF 256/2002), a área servida de pastagem a ser aceita está sujeita à aplicação do índice de rendimento mínimo por zona de pecuária (ZP) fixado para a região do imóvel (...), a ser considerada no grau de utilização do imóvel apurado e na alíquota de cálculo aplicada ao lançamento. No entanto, para comprovar a existência dos animais apascentados (...), o impugnante apresentou apenas fichas (...), não podendo assim ser acatadas para atestar a área de pastagem pretendida para o ITR(...) do imóvel em questão. Portanto, entendo que deva ser mantida a glosa da área de pastagem declarada (...),por falta de comprovação do rebanho bovino existente no imóvel (...), no teor da citada legislação. Do Valor da Terra Nua – VTN A autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação no cálculo do VTN declarado (...), e arbitrou-o (...), com base no menor VTN/ha por aptidão agrícola (matas) do SIPT para o município (...), instituído em consonância com o art. 14 da Lei 9.393/1996, e observado o art. 3º da Portaria SRF nº 447/2002 e a NE/Cofis, aplicável à malha fiscal desse exercício. Fl. 116DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.351 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720488/2013-55 Caracterizada a subavaliação do VTN declarado, não comprovado por documento hábil, a autoridade fiscal arbitrou novo valor de terra nua para efeito de cálculo do ITR(...), em obediência à citada legislação e ao artigo 52 do Decreto nº 4.382/2002 (RITR). Para revisão desse VTN arbitrado, deveria ter sido apresentado laudo técnico de avaliação com ART/CREA, emitido por profissional habilitado ou empresa de reconhecida capacitação técnica, além avaliações de Fazendas Públicas ou da Emater, que demonstrassem de maneira inequívoca o cálculo do VTN tributado, (...) Da Solicitação de Perícia Quanto à perícia aventada, vale observar que o lançamento decorreu de procedimento fiscal de verificação de obrigações tributárias e, portanto, não há nenhum óbice que seja realizado apenas com base nas provas trazidas aos autos. (...). Portanto, a perícia tem por finalidade elucidar questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide, principalmente quando a análise da prova apresentada demande conhecimento técnico especializado, fora do campo de conhecimento da autoridade julgadora. Ressalte-se que o ônus da prova é do contribuinte, tanto na fase inicial do procedimento fiscal, conforme previsto nos artigos 40 e 47 (caput) do Decreto nº 4.382/2002 (RITR), como na fase de impugnação, no teor do art. 28 do Decreto nº 7.574/2011 que, ao regulamentar no âmbito da RFB o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, atribui ao interessado o ônus de provar os fatos que tenha alegado. Dessa forma, observado o art. 18 do Decreto n.º 70.235/1972 (PAF), entendo que deva indeferida a perícia pleiteada, por não haver matéria de complexidade que demande sua realização. (...) Recurso Voluntário 5. Inconformado após cientificado da decisão a quo, o ora Recorrente apresentou seu Recurso, de onde seus argumentos são extraídos e, em síntese, apresentados a seguir. - sustenta ser insanavelmente nula a decisão combatida, por não ter obedecido aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, garantidos na Constituição Federal, no Código de Processo Civil, e em outros diplomas legais; - afirma que protestou pela realização de uma perícia técnica na sua propriedade, o que foi negado e desconsiderado pelos julgadores a quo, e tal negativa impossibilitou a elucidação de questões pertinentes e importantes para a comprovação da legalidade e dos elementos presentes nos autos; - para o recorrente, o indeferimento de prova pericial no processo administrativo caracteriza cerceamento de defesa, pois a negativa do julgador não estaria devidamente fundamentada e as demais provas carreadas aos autos não seriam suficientes para embasar a decisão; - entende que a glosa da Área de Pastagem – AP e a desconsideração do Valor da Terra Nua – VTN declarados não poderiam ter ocorrido sem antes garantir o princípio da ampla defesa; - aduz a importância de sua contestação pois a área é explorada com pecuária, conforme documentos carreados aos autos, e o VTN arbitrado difere do valor declarado pelo chefe do escritório da EMATER e da Prefeitura, além de ser distante da realidade fática dos Fl. 117DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.351 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720488/2013-55 preços de terras da região (valoração da EMATER com data posterior à emissão da Notificação de Lançamento); - registra que a Receita Federal vincula-se aos preceitos Constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, que não estariam atendidos no caso, o que torna nulos o ato administrativo e seus decorrentes; - ressalta também que o princípio da verdade real deve ser atingido, que no caso é diferente da verdade formal; e - entende que deve ser determinada a anulação do julgamento pois houve ilegalidade e nulidade no processo, assim garantindo a ampla defesa, o devido processo legal e o contraditório, além do acesso a todos os documentos dos autos. 6. Seu pedido final é pela procedência de seu recurso. 7. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator. 8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, o recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresenta-se tempestivo. Portanto dele conheço. 9. O recorrente argumenta ser insanavelmente nula a decisão combatida, por não ter obedecido aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, mas tal alegação não é cabível, uma vez que não só o Acórdão combatido, mas todo o presente processo administrativo, obedeceram ao princípio da legalidade, seguindo todos os ditames do Decreto no. 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal – PAF. 10. Não há que se falar em nulidade da notificação, uma vez todos os requisitos previstos no art. 11 do Decreto nº 70.235/72, foram observados quando da lavratura da Notificação de Lançamento. E o artigo 59 do mesmo Decreto enumera os casos que acarretariam a nulidade do lançamento. Transcrevem-se a seguir, os dois artigos citados: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 118DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.351 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720488/2013-55 11. Por outro lado, quaisquer outras irregularidades, incorreções, e omissões cometidas importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (art. 60 do PAF). 12. No presente caso, tais vícios inexistem, pois o agente autuante é competente para efetuar o lançamento fiscal e a infração imputada foi adequadamente descrita e fundamentada, o Acórdão foi da mesma forma proferido por autoridade competente respeitando o prazo impugnatório, de modo que tais atos permitiram ao autuado o mais amplo direito de defesa e o exercício pleno do contraditório, direito este, exercido tanto na impugnação quanto no recurso ora analisado. 13. E sendo a matéria tributada devidamente caracterizada e corretamente tipificada, constata-se que foi perfeitamente compreendida pelo autuado, que revelou conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, detalhadamente, mediante as contestações apresentadas, acompanhadas da documentação que entendeu pertinente, nos prazos concedidos e/ou solicitados. 14. Nesse sentido, não restam dúvidas de que a Notificação e o Acórdão contem todos os requisitos legais estabelecidos no Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, e portanto não ferem o princípio da legalidade. Por consequência, afastados dessa forma o cerceio de defesa ou de descumprimento do devido processo legal administrativo. 15. Por outro lado, o art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, que determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 16. Isto posto, quanto às alegações relativas às incorretas constituições de crédito pela Notificação, não há que se concordar com o notificado que a glosa da Área de Pastagem e a desconsideração do Valor da Terra Nua – VTN declarados não poderiam ter ocorrido sem antes garantir o princípio da ampla defesa, uma vez que o mesmo foi previamente intimado para apresentação da documentação pertinente que teria fundamentado sua própria declaração de ITR do Exercício, a qual originou a Notificação, e ônus do qual não se desincumbiu a contento. 17. Cabe aqui esclarecer que durante a fase de investigação fiscal, ou seja, durante o procedimento de fiscalização, é inaplicável o princípio do contraditório. Os princípios do contraditório e da ampla defesa são cânones constitucionais que se aplicam tão-somente ao processo judicial ou administrativo, e não ao procedimento de investigação fiscal, pois tal procedimento de colheita de provas é inquisitório. 18. Compulsando os autos verifica-se que a parte interessada apenas apresentou documentos pertinentes a atividades pecuária relativos a períodos e propriedades diversos dos envolvidos nesta lide e também não comprovou o Valor da Terra Nua com laudos tempestivos e completos que respeitassem os atos normativos vigentes. Fl. 119DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.351 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720488/2013-55 19. Retome-se então argumento que o recursante expõe como sendo motivo para a nulidade do Acórdão e da Notificação, que seria a negativa da realização de perícia pela DRJ. Mas tal argumento não pode prosperar. 20. De posse das informações constantes na DITR elaborada pelo próprio contribuinte, da documentação acostada pelas partes aos autos e das demais informações fiscais de que já dispunha a RFB, considerou a DRJ já ser suficiente tal arcabouço informativo para prolação de seu Acórdão, sendo então a realização de perícia considerada desnecessária em sede de impugnação, entendimento compartilhado por este Conselheiro. 21. O pressuposto para realização de perícia é a insuficiência de conhecimento técnico do corpo funcional da Administração Pública a respeito de algum elemento que compõe o litígio. Tal não ocorre no caso concreto. A perícia não se destina a suprir prova que pode ser produzida pela juntada de documentos, nem é instrumento para análise da legislação tributária. A matéria não depende de conhecimento técnico especializado de que não disponham os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, nem de dados que não possam ser carreados facilmente ao processo, principalmente pelo contribuinte, que tem a obrigação jurídica de manter seus meios probatórios. Não há necessidade de perícia para verificar declarações elaboradas pelo contribuinte, as quais inclusive motivaram o presente lançamento. 22. A realização de perícia foi e deve ser assim indeferida, por desnecessária, com base no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, abaixo transcrito: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pelo art.1.º da Lei n.º 8.748/1993). 23. Pelo exposto, verifica-se que o indeferimento de prova pericial no processo administrativo legalmente fundamentado também não caracteriza cerceamento de defesa. E as informações presentes na DITR e os documentos carreados aos autos pelas partes, que poderiam no momento normatizado e pertinente terem sido complementados da forma como o impugnante considerasse relevante, mostraram-se plenamente suficientes para a lavratura da notificação e para a consolidação do convencimento do julgador a quo. 24. Assim, plenamente cumprido e respeitado o princípio da legalidade, simultaneamente foram rigorosamente cumpridos pela administração pública os princípios da impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. E mais, não há como no presente caso ser atingido o princípio da verdade real arguido pelo contribuinte, uma vez que o mesmo não se desincumbiu, através da apresentação de elementos comprobatórios sólidos, de provar que a realidade fática seria diversa da verdade formal constatada. 25. Ressalte-se que os contribuintes não necessitam clamar pelo acesso a todos os documentos dos autos, uma vez que tal acesso, ou o do seu procurador devidamente constituído, é plenamente garantido nas unidades de atendimento da Receita Federal, a qualquer instante que lhes convenham. 26. Não vislumbro portanto razões para reforma do Acórdão da DRJ e deve permanecer subsistente a Notificação de Lançamento, uma vez que não se constatam ilegalidade ou nulidade no processo, além de terem sido garantidos ao contribuinte a ampla defesa, o devido processo legal e o contraditório. Fl. 120DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-005.351 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720488/2013-55 Conclusão 27. Isso posto, voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.001144/2005-30
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Cabem Embargos de Declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão. Caracterizada a ocorrência de omissão no julgado, estes devem ser acolhidos para saneamento do vício identificado.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não comprovada sua aquisição ou fornecimento, é cabível a glosa de valores que serviram de base de cálculo dos créditos a descontar, a título de bens e serviços utilizados como insumos.
REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE
Não há previsão legal para o desconto de créditos decorrentes das despesas de atualização ou correção monetária sobre o fornecimento de bens utilizados como insumos na fabricação de produtos próprios, ainda que prevista contratualmente.
REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA E MULTA POR ATRASO NO PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de energia elétrica, não sendo considerados créditos os valores pagos às empresas concessionárias de energia elétrica a outro título.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM SERVIÇOS DE DESPACHANTE ADUANEIRO. IMPOSSIBILIDADE.
Despesas incorridas com serviços de despachante aduaneiro, por não serem como essenciais e/ou relevantes na atividade econômica desempenhada pela contribuinte, não geram créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS A DESCONTAR ATÉ 08 DE AGOSTO DE 2004. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Numero da decisão: 3001-000.879
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, suprindo a omissão apontada no Acórdão no 3001-000.219, para, no mérito, manter a glosa sobre bens e serviços utilizados como insumo, correção monetária, despesas com energia elétrica, serviços de despachante aduaneiro e saldo credor apurado até 08 de agosto de 2004, mantendo a homologação das compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido, negando provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luis Felipe de Barros Reche - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: LUIS FELIPE DE BARROS RECHE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabem Embargos de Declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão. Caracterizada a ocorrência de omissão no julgado, estes devem ser acolhidos para saneamento do vício identificado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não comprovada sua aquisição ou fornecimento, é cabível a glosa de valores que serviram de base de cálculo dos créditos a descontar, a título de bens e serviços utilizados como insumos. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE Não há previsão legal para o desconto de créditos decorrentes das despesas de atualização ou correção monetária sobre o fornecimento de bens utilizados como insumos na fabricação de produtos próprios, ainda que prevista contratualmente. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA E MULTA POR ATRASO NO PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de energia elétrica, não sendo considerados créditos os valores pagos às empresas concessionárias de energia elétrica a outro título. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM SERVIÇOS DE DESPACHANTE ADUANEIRO. IMPOSSIBILIDADE. Despesas incorridas com serviços de despachante aduaneiro, por não serem como essenciais e/ou relevantes na atividade econômica desempenhada pela contribuinte, não geram créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS A DESCONTAR ATÉ 08 DE AGOSTO DE 2004. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10940.001144/2005-30
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6051971
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3001-000.879
nome_arquivo_s : Decisao_10940001144200530.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIS FELIPE DE BARROS RECHE
nome_arquivo_pdf_s : 10940001144200530_6051971.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, suprindo a omissão apontada no Acórdão no 3001-000.219, para, no mérito, manter a glosa sobre bens e serviços utilizados como insumo, correção monetária, despesas com energia elétrica, serviços de despachante aduaneiro e saldo credor apurado até 08 de agosto de 2004, mantendo a homologação das compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido, negando provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
id : 7871286
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301280673792
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-17T03:28:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-17T03:28:34Z; Last-Modified: 2019-08-17T03:28:34Z; dcterms:modified: 2019-08-17T03:28:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-17T03:28:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-17T03:28:34Z; meta:save-date: 2019-08-17T03:28:34Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-17T03:28:34Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-17T03:28:34Z; created: 2019-08-17T03:28:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; Creation-Date: 2019-08-17T03:28:34Z; pdf:charsPerPage: 2016; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-17T03:28:34Z | Conteúdo => S3-TE01 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10940.001144/2005-30 Recurso Embargos Acórdão nº 3001-000.879 – 3ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 18 de julho de 2019 Embargante PISA INDUSTRIA DE PAPEIS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabem Embargos de Declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão. Caracterizada a ocorrência de omissão no julgado, estes devem ser acolhidos para saneamento do vício identificado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não comprovada sua aquisição ou fornecimento, é cabível a glosa de valores que serviram de base de cálculo dos créditos a descontar, a título de bens e serviços utilizados como insumos. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE Não há previsão legal para o desconto de créditos decorrentes das despesas de atualização ou correção monetária sobre o fornecimento de bens utilizados como insumos na fabricação de produtos próprios, ainda que prevista contratualmente. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA E MULTA POR ATRASO NO PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de energia elétrica, não sendo considerados créditos os valores pagos às empresas concessionárias de energia elétrica a outro título. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 11 44 /2 00 5- 30 Fl. 355DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 INCORRIDAS COM SERVIÇOS DE DESPACHANTE ADUANEIRO. IMPOSSIBILIDADE. Despesas incorridas com serviços de despachante aduaneiro, por não serem como essenciais e/ou relevantes na atividade econômica desempenhada pela contribuinte, não geram créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS A DESCONTAR ATÉ 08 DE AGOSTO DE 2004. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP apurado até 8 de agosto de 2004 somente pode ser utilizado para desconto dos valores devidos ao mesmo título, não podendo ser objeto de ressarcimento ou de compensação com outros tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, suprindo a omissão apontada no Acórdão n o 3001-000.219, para, no mérito, manter a glosa sobre bens e serviços utilizados como insumo, correção monetária, despesas com energia elétrica, serviços de despachante aduaneiro e saldo credor apurado até 08 de agosto de 2004, mantendo a homologação das compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido, negando provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Refere-se o presente processo a apresentação de Embargos de Declaração pelo sujeito passivo em razão de alegação de ocorrência de omissão em desfavor do Acórdão n o 3001- 000.219 (doc. fls. 311 a 327) 1 , proferido em sessão de 20/02/2018, que negou provimento ao Recurso Voluntário. A Ementa se transcreve abaixo em sua integralidade. "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004 PIS/PASEP. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMPENSAÇÃO. 1 As referências às folhas dos autos levam em conta a numeração atribuída pelo processo digital. Fl. 356DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 São passíveis de glosa os valores que serviram de base de cálculo dos créditos a descontar, a título de bens e serviços, quando não se coadunam com insumos utilizados na fabricação de produtos próprios e sem previsão ou outra hipótese legal de crédito. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS OPONÍVEIS À COMPENSAÇÃO. ELEMENTOS DE PROVA. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO. A prova deve ser apresentada nos autos sob pena de preclusão. Simples alegação não confere direito a crédito como pretendido pela recorrente." O embargante apontou em seu arrazoado de fls. 335 a 339 a ocorrência de omissão no Acórdão embargado, por este ter deixado de apreciar matérias abordadas pela então recorrente em sede de Recurso Voluntário. Sustenta a embargante que o decisum teria silenciado sobre as glosas de (fls. 339): (i) correção monetária em notas fiscais referentes à complementação de contratos de compra junto à “NORKE Skog Florestal”; (ii) créditos advindos das despesas com energia elétrica relativamente a multas, tributos e outros serviços diversos; (iii) despesas com despachantes; e (iv) créditos de COFINS advindos de períodos anteriores a 09 de agosto de 2004 Após a análise das alegações feitas pela embargante e seu confronto com os elementos constantes dos autos realizada em juízo de admissibilidade, o Presidente da 1ª Turma Extraordinária deu seguimento aos embargos interpostos por meio do despacho de fls. 352 a 353, concluído que: “No caso em tela, de fato, o acórdão embargado não se manifestou expressamente em relação às quatro matérias supramencionadas pela embargante, como se pode atestar no voto proferido (fl. 326). Tais matérias haviam sido arguidas pela interessada tanto na manifestação de inconformidade (fls. 186/198) quanto no recurso voluntário (fls. 245/267). Deste modo vislumbra-se a omissão apontada pela embargante.” Para relembrar os fatos transcorridos ao longo da lide, transcrevo excertos da decisão de primeira instância, que bem destacam os temas constantes da discussão ora postos novamente em debate: Fl. 357DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 Fl. 358DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 Fl. 359DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 Fl. 360DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 Fl. 361DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 O colegiado de piso, analisando o que consta dos autos, concluiu pela improcedência do pedido, em decisão assim ementada: Fl. 362DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 Ainda irresignada, mas já em sede de Recurso Voluntário, a recorrente basicamente reproduz as razões de defesa constantes de sua manifestação de inconformidade, já relatadas linhas acima. Submetido pela primeira vez ao crivo desse E. Conselho, o colegiado, por meio da Resolução n o 3802-000.160 (doc. fls. 001 a 010), entendeu necessária a realização de diligência, para que a fiscalização da Delegacia de origem “discrimine quais os CFOP não considerados como insumo, e o porquê da correspondente glosa (...)” e “após a realização das análises solicitadas, profira parecer conclusivo sobre as devidas glosas e o devido crédito pretendido e abram vistas para que a recorrente se pronuncie, se entender necessário”. Os esclarecimentos solicitados foram então prestados por meio do Parecer SAORT/DRF/PTG. n o s/n, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa - PR (doc. fls. 291 a 292), no qual a autoridade local se manifesta nos seguintes termos (fls. 292 – grifos no original): “2. Inicialmente, insta salientar que há planilhas contendo relação de notas fiscais com os respectivos CFOPs que foram considerados no âmbito de análise. Veja-se que na intimação 192/2007, principalmente em seu anexo I (fls. 122/123), há EXPRESSA RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS com citação específicas do CFOP. Portanto, o contribuinte já tinha ciência dos CFOPs que foram usados como bens de insumo, uma vez que ele mesmo havia entregue a planilha inicial com as notas fiscais. 3. De qualquer sorte, analisando as planilhas apresentadas pelo contribuinte quando da resposta das intimações e que encontram-se nesta Secretaria, é possível verificar que não foram considerados – para o 3º Trimestre de 2004 – como sendo de bens de insumos os seguintes CFOPs das Notas Fiscais de entrada: 1201, 1252, 1352, 1353, 2201, 2252, cujas descrições são as seguintes: · 1201: Devolução de venda de produção do estabelecimento; · 1252: Compra de energia elétrica por estabelecimento industrial; · 1352: Aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial; · 1353: Aquisição de serviço de transporte por estabelecimento comercial; · 2201: Devolução de venda de produção do estabelecimento; Fl. 363DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 · 2252: Compra de energia elétrica por estabelecimento industrial 4. De plano, pode-se verificar que os CFOPs 1252, 1352, 1353 e 2252 foram objeto de análise em itens próprios no Despacho Decisório: itens 2.2 (fl. 173) e item 2.3 (173/175). Os CFOPs 1252 e 2252 referem-se à Energia Elétrica e os CFOPs 1352 e 1353 são relativos aos serviços de transporte. Assim quando tratou dos créditos oriundos de tais itens, o Despacho Decisório esgotou o assunto. 5. No que toca aos CFOPs 1201 e 2201 é de se salientar que aqueles bens que tiveram a saída tributada, foram considerados no item 3.2 do despacho (fl. 175). Contudo os bens não sujeito à cobrança do PIS/COFINS na saída não geram créditos quando devolvidos por expressa determinação legal: art. 3º, VIII da Lei 10.637/2002 e art. 3º, VIII da Lei 10.833/2003. Nos dispositivos legais citados somente é considerado como gerador de créditos os “bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei”. 6. Pelo que se depreende do primeiro parágrafo do item 2.1 do Despacho Decisório, o Auditor-Fiscal responsável pela análise inicial deixa claro que os valores que estão contidos na própria planilha fornecida pelo contribuinte não geram base de cálculo suficiente para que sustentar o pedido de crédito do contribuinte. Também é importante frisar que a Autoridade Fiscal não considerou os créditos de julho/2004 e aqueles até 09/08/2004, em razão da legislação, conforme fundamentado na decisão. 7. Com isso temos que os CFOPs que não foram considerados como bens utilizados como insumos estão devidamente analisados no despacho decisório bem como justificados na presente informação, não havendo razões para alterarem-se os valores reconhecidos no Despacho Decisório proferido pela fiscalização desta DRF”. Instada, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN manifestou-se às fls. 303 a 307, onde conclui que o pleito do contribuinte deve ser rechaçado “para encampar a conclusão exarada pela fiscalização e pela DRJ de origem, com base nos fundamentos ali expostos”, considerando que: 1) o presente feito se iniciou por iniciativa do próprio contribuinte interessado em Declaração de Compensação onde alega possuir indébito a ser restituído/ ressarcido, sendo princípio basilar de direito que quem alega tem o ônus de provar suas afirmações, mas este, desde a apresentação de DCOMP até o presente momento, não trouxe qualquer comprovação da certeza e liquidez do direito creditório que alega possuir; 2) o Parecer SAORT/DRF/PTG esclareceu as questões relativas aos CFOP levantadas pelo contribuinte interessado e pela Turma a quo, de sorte que não há nenhum vício a ser imputado ao trabalho fiscal e, por falta de comprovação do direito creditório, revela-se inviável a compensação pretendida pelo contribuinte. Novamente sob a análise deste Conselho, esta Turma decidiu negar provimento ao Recurso, sob os fundamentos de que “são passíveis de glosa os valores que serviram de base de cálculo dos créditos a descontar, a título de bens e serviços, quando não se coadunam com insumos utilizados na fabricação de produtos próprios e sem previsão ou outra hipótese legal de crédito” e de que “a prova deve ser apresentada nos autos sob pena de preclusão. Simples alegação não confere direito a crédito como pretendido pela recorrente”. É o relatório. Fl. 364DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 Voto Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, Relator. Conhecimento do recurso Como bem tratado pelo despacho de admissibilidade, a embargante tomou ciência do Acórdão de Recurso Voluntário em 19/03/2018 (fl. 332) e apresentou os presentes Embargos de Declaração em 26/03/2018 (fl. 333), sendo os mesmos, portanto, tempestivos. De acordo com o despacho de admissibilidade, com o qual concordo em sua integralidade, os Embargos de Declaração preenchem os requisitos do artigo 65, §3 o do Regimento Interno do CARF - RICARF, com relação às omissões apontadas pela Embargante, de sorte que dele deve-se tomar conhecimento. Assim, passo ao exame do mérito. Análise do mérito A embargante defende a ocorrência de omissões no julgado que negou provimento ao seu Recurso Voluntário, por entender que este deixou de apreciar argumentos capazes de influenciar a decisão, já delineados no juízo de admissibilidade. Esta Turma decidiu por negar provimento ao Recurso, por entender ausentes os elementos comprobatórios do direito a crédito pretendido pela recorrente. Mas, de fato, constato que não foram afastados os argumentos trazidos pela recorrente em sua peça recursal. Assim, entendo que devem ser acolhidos os presentes embargos, passando-se a analisar o mérito relativamente a esses temas. O litígio decorre do reconehcimento parcial de créditos que a recorrente entende fazer jus relativamente à contribuição para o PIS/Pasep, lastreados no art. 16, parágrafo único, da Lei n o 11.116/2005 2 , pelo qual, tratando-se de créditos de insumos vinculados a operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, podem ser compensados os créditos acumulados a partir de 09 de agosto de 2004. Da análise do despacho decisório que reconhece parcialmente o direito ao crédito, observa-se que motivaram as glosas efetuadas pela fiscalização, inicialmente, a constatação de 2 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre- calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Fl. 365DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 que parte dos créditos era advindo de períodos anteriores a 09 de agosto de 2004, razão pela qual não poderiam ser objeto de compensação, consoante a legislação que regia a matéria, ressalvando a manutenção do direito de efetuar os descontos das contribuições eventualmente devidas via escrituração fiscal. Outra parte das glosas decorreu da comprovação de que as notas fiscais apresentadas pela contribuinte totalizavam montantes de crédito inferiores aos declarados nas DACON, além de divergências relativamente à natureza dos bens e serviços utilizados como insumo e seu enquadramento na legislação específica que trata da matéria. Conceito de Insumo A matéria devolvida para esta Turma cinge-se então, além da questão comprobatória, à divergência com relação ao conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições não cumulativas do PIS e da COFINS. No que toca à definição de insumos, a não-cumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos arts 3 o das Leis n o 10.637/2002 e n o 10.833/2003. A regulamentação da definição de insumo foi dada, inicialmente, pelo art. 66 da IN SRF n o 247/2002 e pelo art. 8 o da IN SRF n o 404/2004, os quais adotaram um entendimento restritivo calcado na legislação do IPI, especialmente quanto à expressão de bens utilizados como insumos. Formaram-se então três corrente de entendimento: (i) a defendida pela Receita Federal, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST n o 181/1974 e n o 65/1979; (ii) a que defendia que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99; e (iii) a que defendia um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringia à definição dada pela legislação do IPI e nem deveria ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Em que pese a E. Câmara Superior ter tratado do conceito de insumos em diversos julgados, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 54-3C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), foi estabelecido o conceito de insumo, tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). Fl. 366DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170-PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Em seguida, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, analisando a decisão proferida no REsp 1.221.170/PR, emitiu o Parecer Normativo COSIT n o 5/2018. Em resumo, considerando a decisão proferida pelo STJ e o posicionamento do referido Parecer Normativo, temos as seguintes premissas que devem ser observadas pela empresa para apuração do crédito de PIS/COFINS: 1. Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; 2. Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual - EPI), distanciando- se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Extrai-se do julgado que conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracteriza-se insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou Fl. 367DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa". Restou ainda decidido serem ilegais as IN´s n o 247/2002 e n o 404/2004, que aplicavam conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Tomando como base esses conceitos, passa-se então à análise das glosas dos créditos pleiteados pela recorrente, em relação aos bens e serviços utilizados como insumos pela empresa. Bens utilizados como insumo Após apresentar Declarações de Compensação relativas ao 3 o trimestre de 2004, formalizados em dois processos administrativos juntados, e tendo sido intimado por três vezes pela fiscalização a apresentar documentos e prestar esclarecimentos relativos aos créditos que sustenta ter nessas declarações, a contribuinte apresentou relação, em meio digital, de Notas Fiscais de entrada que em seu entender dariam origem ao crédito objeto do pedido e das declarações em análise. Essas Notas foram agrupadas pela fiscalização a partir dos Códigos Fiscais de Operações e Prestações - CFOP referentes a bens utilizáveis como insumo. Deste conjunto, totalizou uma base de cálculo das contribuições em montante aquém daquela informada pela contribuinte em suas DACON, donde resultou uma glosa relativa à diferença a menor no valor de R$ 313.929,51. Parte dessas Notas supostamente geradoras de crédito representava ainda parcelas de uma complementação de contrato de compra junto à empresa Norske Skog Florestal, sendo referentes a "correção monetária", o que, no entender da fiscalização, se revestem de “caráter meramente financeiro/monetário, não implicando realmente em maior aquisição de insumos”, tendo sido então glosados da base de cálculo valores em montante de R$ 35.485,94. Discute-se desde então, a partir da alegação da interessada na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, que a glosa das notas fiscais careceria de motivação, já que não teriam sido indicados os CFOP cujas operações não teriam sido consideradas relativamente à aquisição de insumos. Segundo a interessada, esta não teria “como verificar, com exatidão, qual foi o critério adotado pela fiscalização para selecionar quais Códigos dão ou não direito a crédito e para demonstrar o equívoco da glosa”. Instada a partir de diligência solicitada por este colegiado, a unidade local, após relcionar todos os CFOP que foram considerados pela fiscalização e os relacionar ao despacho decisório parcialmente denegatório, informou que: (i) há planilhas contendo relação de notas fiscais com os respectivos CFOPs que foram considerados no âmbito de análise e há expressa relação das notas fiscais com citação específicas do CFOP, de forma que o contribuinte já tinha ciência dos CFOPs que foram usados como bens de Fl. 368DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 insumo, uma vez que ele mesmo havia entregue a planilha inicial com a relação das notas fiscais; (ii) a Autoridade Fiscal não considerou os créditos de julho/2004 e aqueles até 09/08/2004, em razão da legislação, conforme fundamentado na decisão; e (iii) a glosa deu-se por falta de base de cálculo para os créditos e não em razão do CFOP, e com isso “temos que os CFOPs que não foram considerados como bens utilizados como insumos estão devidamente analisados no despacho decisório em seus capítulos específicos bem como justificados na presente informação, não havendo razões para alterarem-se os valores reconhecidos no Despacho Decisório proferido pela fiscalização desta DRF”. Tendo sido cientificada do resultado da diligência juntamente com a PGFN, a recorrente não se manifestou. A manifestação da unidade local corrobora meu entendimento e o manifstado na instância a quo de que foi expressa a indicação de que a referida glosa se deu em decorrência da diferença na base de cálculo encontrada pela fiscalização, entre o declarado e o apurado a partir dos documentos e planilhas apresentados pela recorrente. Disse a Autoridade Fiscal (fls. 173): Em pedidos de compensação, é do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. O art. 373 da Lei n o 13.105/2015 3 , aplicável subsidiariamente ao caso, determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Ora, a recorrente foi intimada por três vezes a fornecer a documentação comprobatória de que dispunha e prestar os devidos esclarecimentos, mas somente acostou documentos que demonstravam apenas parcialmente o crédito que declarou ter. 3 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. (...) Fl. 369DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 Tratando-se de direito creditório pleiteado sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovem de forma hábil e idônea o alegado direito creditório, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em homologar apenas parcialmente a compensação declarada. Acertada também a decisão de primeira instância, que manteve a glosa efetuada pela fiscalização, reconhecendo apenas parcialmente o direito creditório. Com relação à glosa de R$ 35.485,94 referentes à pagamentos de complementação de valor a título de correção monetária constante em contrato, efetuada pela autoridade fiscal por entender que tais pagamentos correspondem a despesas financeiras, entendo que também não merece melhor sorte a contribuinte. Sobre essa questão, entendo correto o entendimento da decisão de piso de que não há previsão legal para o desconto de créditos decorrentes das despesas de atualização ou correção monetária sobre o fornecimento de bens utilizados como insumos, ainda que prevista contratualmente. Faço meus os argumentos utilizados pela DRJ/ Rio de Janeiro II, as quais me alinho in totum (fls. 231): À vista do exposto, entendo que deve ser mantida a glosa relativa aos bens utilizados como insumos. Serviços utilizados como insumo - despesas de energia elétrica Com relação à rubrica Serviços Utilizados como lnsumos e aos créditos advindos das despesas de energia elétrica, enetendeu a fiscalização que “ao se analisar essas notas, percebe-se que o interessado, na apuração dos créditos pleiteados, incluiu na base de cálculo multas, taxas municipais de iluminação pública e outros serviços diversos. Sendo que os créditos surgem da energia elétrica consumida no estabelecimento e não de outros custos e despesas relacionadas a esse consumo, tem-se que os mesmos não devem ser incluídos no cálculo do crédito, sendo objeto de glosa (fls. 300 e 301). Também foram glosadas as notas não apresentadas quando da resposta às intimações”. É cediço que o inciso IX do art. 3 o da Lei n o 10.637, de 2002 4 , expressamente prevê o desconto dos créditos calculados em relação à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. 4 “Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica”. Fl. 370DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 Também nesse tópico não há qualquer reparo a ser feito no entendimento esposado pela decisão de primeira instância (fls. 233 e 234): Não há amparo legal para que todo os itens constantes da fatura sejam computados como despesas relativas à energia elétrica consumida. Os valores referentes a multas por atraso no pagamento e a taxas municipais de iluminação pública, apesar de cobrados na fatura conjuntamente com a energia elétrica consumida, não se revelam essenciais, relevantes ou imprescindíveis ao desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, consoante o entendimento jurisprudencial para enquadramento no conceito de insumo. Assim, acertada a decisão de primeira instância. Devem ser mantidas as glosas relativas a despesas com energia elétrica. Serviços utilizados como insumo - despesas com despachantes Em resposta à intimação da unidade local relativamente aos serviços de armazenagem e de frete nas operações de venda que, conforme declarado pela contribuinte, gerariam crédito a ser compensado, a autoridade fiscal constatou que a empresa incluiu no cálculo dos créditos, nessa mesma rubrica, as despesas com despachantes e outras despesas comerciais. Essas despesas, segundo a fiscalização, não têm natureza de frete ou de armazenagem e tampouco se configuram como insumo, não possuindo base legal para aproveitamento de créditos de contribuições. A recorrente, por sua vez, defende que as despesas para pagamento de despachantes são despesas necessárias e ligadas as despesas realizadas com fretes e armazenagem, de sorte que, ainda que a Lei não preveja expressamente a tomada de créditos em relação a essas despesas especificamente consideradas, tais serviços são parte indissociável dos serviços de frete e armazenagem, de maneira que a única interpretação que atinge à finalidade prevista na Lei é a que reconhece a possibilidade da tomada de créditos sobre tais pagamentos. Entende ainda que não se pode deixar de reconhecer a importância dos despachantes nas atividades correntes das empresas, sendo um serviço necessário e indispensável para a perfeita consecução dos objetivos empresariais de uma pessoa jurídica. Nesse quesito, melhor sorte também não socorre a embargante. Fl. 371DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 Estabelece o art. 809 do Decreto n o 6759, de 2009 (Regulamento Aduaneiro) que podem representar o importador no exercício das atividades relacionadas ao despacho aduaneiro e em outras operações de comércio exterior o dirigente ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, o funcionário ou servidor, especialmente designado, o empresário, o sócio da sociedade empresária, o próprio interessado, no caso de operações efetuadas por pessoas físicas, o mandatário de pessoa física residente no País, nos casos de remessa postal internacional, ou bens de viajante, e o despachante aduaneiro, em qualquer caso. A contratação do serviço de despachante aduaneiro é uma faculdade prevista pela legislação aduaneira, ou seja, a escolha de terceirizar o serviço para despachantes aduaneiros é uma opção e não uma exigência legal e, nesse sentido, não se configura a meu sentir, com os critérios de essencialidade, relevância ou imprescindíbilidade para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, consoante o conceito de insumo esposado linhas acima. Esse entendimento está em linha com o entendimento constante do Parecer Normativo COSIT n o 5/2018, ao tratar da terceirização de mão de obra. Vejamos: “129. Nesses termos, pode-se concluir que, na hipótese de contratação de pessoa jurídica fornecedora de mão de obra, somente haverá a subsunção ao conceito de insumos geradores de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins se a mão de obra cedida pela pessoa jurídica contratada atuar diretamente nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços protagonizadas pela pessoa jurídica contratante. Diferentemente, não haverá insumos: a) se a mão de obra cedida pela pessoa jurídica contratada atuar em atividades-meio da pessoa jurídica contratante (setor administrativo, vigilância, preparação de alimentos para funcionários da pessoa jurídica contratante, etc.); b) se, por qualquer motivo, for declarada irregular a terceirização de mão de obra e reconhecido vínculo empregatício entre a pessoa jurídica contratante e as pessoas físicas.” Ante o exposto, entendo que deve ser também mantida a glosa relativamente às despesas relativas à contratação dos serviços de despachante aduaneiro efetuadas pela fiscalização. Créditos de COFINS advindos de períodos anteriores a 09 de agosto de 2004 Por fim, a recorrente também se insurge contra a glosa de créditos oriundos de períodos anteriores a 09 de agosto de 2004. Quanto a essa matéria, também não há razão com a recorrente. Constata-se que o despacho decisório reconheceu como passíveis de compensação ou ressarcimento somente os créditos relativos a períodos posteriores a 09 de agosto de 2004. Fundamentou a glosa sob os argumentos de que: a) o parágrafo único do art. 16 da Lei no 11.116/2005 (transcrito folhas acima), estabelece que, tratando-se de créditos de insumos vinculados a operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, podem ser compensados os créditos acumulados a partir de 09 de agosto de 2004; Fl. 372DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 b) o interessado comercializa papel imune e o art. 28 da Lei no 10.865/2004 reduziu a zero porcento a alíquota do PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno de papéis classificados nos códigos 4801.00.10, 4801.00.90, 4802.61.91, 4802.61.99, 4810.19.89 e 4810.22.90, da TIPI; c) o aproveitamento desses créditos via compensação ou ressarcimento foi regulamentado pela Instrução Normativa SRF n o 460/2004, vigente à época, a qual também estabelecia em seu art. 21, §4 o , inciso I, a possibilidade de compensação a partir de 09/08/2004. Entendo que a legislação é expressa nesse sentido. Também nesse tópico, entendo corretos os fundamentos utilizados pela decisão de piso, os quais adoto como meus (fls. 229 – grifos no original): Assim, tembém devem ser mantidas as glosas dos créditos oriundos de períodos anteriores a 09 de agosto de 2004. Conclusões Por tudo quanto exposto, voto no sentido de acolher os embargos, sem efeitos infringentes, suprindo a omissão apontada no Acórdão n o 3001-000.219, para, no mérito, manter a glosa sobre bens e serviços utilizados como insumo, correção monetária, despesas com energia elétrica, serviços de despachante aduaneiro e créditos anteriores a 09 de agosto de 2004, mantendo a homologação das compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido e negando provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche Fl. 373DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 3001-000.879 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001144/2005-30 Fl. 374DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000065/2010-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9303-009.051
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s :
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12585.000065/2010-91
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6051449
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-009.051
nome_arquivo_s : Decisao_12585000065201091.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 12585000065201091_6051449.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7868270
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301300596736
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-20T18:48:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-20T18:48:36Z; Last-Modified: 2019-08-20T18:48:36Z; dcterms:modified: 2019-08-20T18:48:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-20T18:48:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-20T18:48:36Z; meta:save-date: 2019-08-20T18:48:36Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-20T18:48:36Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-20T18:48:36Z; created: 2019-08-20T18:48:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-08-20T18:48:36Z; pdf:charsPerPage: 1802; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-20T18:48:36Z | Conteúdo => CSRF-T3 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 12585.000065/2010-91 Recurso Especial do Procurador Acórdão nº 9303-009.051 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 17 de julho de 2019 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SYNGENTA PROTECAO DE CULTIVOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização necessários ao curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, apenas não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 65 /2 01 0- 91 Fl. 400DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.051 - CSRF/3ª Turma Processo nº 12585.000065/2010-91 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa. A DERAT em São Paulo não reconheceu integralmente o pedido. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade requerendo o reconhecimento da totalidade do crédito pleiteado, com a consequente homologação das compensações declaradas. Adicionalmente, pede diligência e perícia, para comprovação de suas alegações. A DRJ competente analisou a manifestação da contribuinte, indeferindo o pedido de diligência e perícia e julgando-a improcedente. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual, em síntese, discute: 1. créditos relativos a bens importados e nacionais classificados na NCM 38.08, e tratados todos como defensivos agrícolas pelo Fisco, que supostamente seriam tributados a alíquota zero ou ainda que não caracterizassem insumos, mas que contém uma diversidade de produtos assim classificados mas sujeitos à alíquota regular; 2. créditos sobre insumos utilizados no processo produtivo: a) defende o critério da necessidade em detrimento do critério do desgaste por contato direto; b) materiais de embalagem que não são destinados a mero acondicionamento, mas também para proteger o produto (tóxico) , em face de normas de agências governamentais , tais embalagens não podem ser destruídas pelo adquirente, mas tratada especificamente; c) materiais de limpeza que se inserem no processo produtivo, devendo ser separados aqueles para limpeza do pátio dos utilizados nos dutos evitando a contaminação dos produtos químicos produzidos; d) despesas com energia elétrica erroneamente classificados como despesas de alugueis de máquinas e equipamentos, mas que apesar disso devem ser reconhecidas como necessárias; 3. diferenças no rateio proporcional, a fiscalização não considerou receitas de operações financeiras e venda de imobilizado; 4. pedido de diligência e perícia. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3401-004.875, que deu parcial Fl. 401DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.051 - CSRF/3ª Turma Processo nº 12585.000065/2010-91 provimento ao mesmo, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica resitradas erroneamente como aluguéis, e para produtos importados classificados na posição 3808 da NCM, para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação. Recurso especial da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, que se estribou no acórdão paradigma nº 203-12.448, o qual adotava a tese de que a definição de insumos deveria ser aquela prevista na legislação do IPI, de que os insumos devem ser os bens aplicados diretamente na produção, de forma que sofram desgaste ou consumo, por contato, no processo produtivo enquanto o recorrido admite como insumos bens que integrem o processo produtivo sem necessidade de incidência direta com esses produtos. Tal recurso especial foi apreciado este Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que lhe deu seguimento, Contrarrazões da contribuinte Cientificada, a contribuinte apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-009.049, de 17 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 16349.000356/2009-99, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-009.049): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Tenho por acidentais as diferenças fáticas entre os acórdãos, pois o fato de se tratarem de produtos diferentes, nem mesmo impediria que alguns insumos fossem os mesmos e persistiria a discussão sobre o critério de aplicação direta (critério do IPI) ou indireta no produto (insumo do insumo). Além disso, não há que se falar em tese superada, por inexistência de decisão vinculante sobre a matéria. Por essas razões, conheço do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional . Mérito Admitido o recurso especial, relativamente aos créditos sobre a) material de limpeza e b) material de embalagens, para seu deslinde adoto o entendimento esposado pelo Parecer Normativo COSIT/RFB n° 05, de 17 de dezembro de 2018. Ressalvo não Fl. 402DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.051 - CSRF/3ª Turma Processo nº 12585.000065/2010-91 comungar de todas as argumentações nele postas, entretanto, concordo com suas conclusões e o transcrevo no que se aproveita como razão de decidir deste caso para cada um dos itens: a) Material de limpeza - necessário para garantir processo produtivo e características do produto 100. Malgrado os julgamentos citados refiram-se apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, trata-se de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. b) Material de embalagem - necessário para garantir a segurança do uso do produto 24. Nada obstante, salienta-se que o processo de produção de bens, em regra, encerra-se com a finalização das etapas produtivas do bem e que o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente. Consequentemente, os bens e serviços empregados posteriormente à finalização do processo de produção ou de prestação não são considerados insumos, salvo exceções justificadas, como ocorre com a exceção abordada na seção GASTOS APÓS A PRODUÇÃO relativa aos itens exigidos pela legislação para que o bem ou serviço produzidos possam ser comercializados. ... 60. Nesses termos, como exemplo da regra geral de vedação de creditamento em relação a bens ou serviços utilizados após a finalização da produção do bem ou da prestação do serviço, citam-se os dispêndios da pessoa jurídica relacionados à garantia de adequação do produto vendido ou do serviço prestado. Deveras, essa vedação de creditamento incide mesmo que a garantia de adequação seja exigida por legislação específica, vez que a circunstância geradora dos dispêndios ocorre após a venda do produto ou a prestação do serviço. (Negritei.) CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, negar-lhe provimento.” sujeito passivo.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso especial de divergência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 403DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.051 - CSRF/3ª Turma Processo nº 12585.000065/2010-91 Fl. 404DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917593/2011-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA.
O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido.
Numero da decisão: 9303-008.851
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10480.917593/2011-12
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6051622
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.851
nome_arquivo_s : Decisao_10480917593201112.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10480917593201112_6051622.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7868934
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301303742464
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-21T13:30:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-21T13:30:35Z; Last-Modified: 2019-08-21T13:30:35Z; dcterms:modified: 2019-08-21T13:30:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-21T13:30:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-21T13:30:35Z; meta:save-date: 2019-08-21T13:30:35Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-21T13:30:35Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-21T13:30:35Z; created: 2019-08-21T13:30:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-08-21T13:30:35Z; pdf:charsPerPage: 1836; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-21T13:30:35Z | Conteúdo => CSRF-T3 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10480.917593/2011-12 Recurso Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303-008.851 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 16 de julho de 2019 Recorrente DELTA VEICULOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido eletrônico de restituição de créditos originários de pagamento indevido ou a maior de PIS. A DRF de origem emitiu o despacho decisório eletrônico, no qual informava que os valores constantes do DARF discriminado no PER/DCOMP encontravam-se utilizados para quitação de débitos da contribuinte, sem disponibilidade para restituição. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ competente. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, argumentando, em apertada síntese: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 75 93 /2 01 1- 12 Fl. 204DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.851 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10480.917593/2011-12 - alega falta de aprofundamento da investigação dos fatos, por parte da autoridade administrativa; - discorda do entendimento da decisão recorrida de que as provas juntadas seriam insuficientes para comprovação do direito creditório pleiteado; - defende a inocorrência da preclusão de apresentação de provas, referida pela decisão recorrida, fazendo alusão ao princípio da verdade material; - afirma que seu pleito estaria fundamentado na inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998), declarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF; - ao final, pede que seja reconhecida a integralidade do crédito pleiteado. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinaria da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3201-003.603, que negou provimento ao pleito. Recurso especial da contribuinte Cientificada do acórdão a contribuinte interpôs recurso especial, afirmando haver divergência com relação a possibilidade de valoração das provas por ela apresentadas, competindo à autoridade administrativa, com base na documentação apresentada - balancete e livro razão - efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório, com base nos acórdãos paradigmas nº 3801-003.586 e nº 3801-003.577, em franca oposição ao acórdão recorrido, que afirma ser dela o ônus probatório. O Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte, e, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009, deu-lhe seguimento. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.828, de 16 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10480.900123/2012-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.828): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais, por isso dele conheço. Fl. 205DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.851 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10480.917593/2011-12 No mérito, desde logo saliento que, nos casos de pedido de restituição ou ressarcimento, me alinho com os que entendem ser o ônus probatório do contribuinte, o qual deve demonstrar a certeza e liquidez do direito creditório por ele pleiteado. Invocar a utilização de créditos para compensação apenas com um pedido, desguarnecido das provas necessárias, provas essas que em regra são de posse do requerente, me parece um exagero em afronta à legislação aplicável, iniciando-se com o CTN (art. 170), o Decreto nº 70.235/1972 - PAF (art. 16, § 4º), pela Lei nº 9.784/1999 (art. 36) , a Lei nº 9.430/1996 (art. 74) e chegando ao até ao CPC/2015 (art. 373). Da mesma forma que voto condutor do acórdão recorrido, entendo suficientes as razões de decidir do voto do relator da decisão de piso da DRJ/REC, pois lá se afirmava (e-fls. 61 e 62): 44.( ...) consigno que, para evidenciar o seu direito à restituição, a contribuinte se limitou a apresentar planilha em que lista diversas rubricas que entende escapariam do conceito de receita de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços e, além disto, cópia de Balancete Mensal em que constam registros de diversas receitas, mas não comprovou que, efetivamente, incluiu, na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF, as receitas por ele indicadas na Manifestação de Inconformidade. 45. Para fazer jus à repetição do indébito, a recorrente, além de ter comprovado que auferiu as outras receitas por ela apontada no recurso, deveria ter apresentado demonstrativo, acompanhado dos correspondentes documentos contábeis fiscais/contábeis comprobatórios de sua exatidão, da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, devida à alíquota de 0,65%, sobre as receitas de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, o que aqui é indispensável, pois, diante da atividade exercida pela recorrente, é evidente que ela também comercializa produtos (tais como veículos) cujas receitas sofre a incidência desta contribuição à alíquota zero, pois o produto, a depender do período de apuração, foi submetido em etapa anterior à tributação por substituição tributária ou de forma concentrada5. 46. Ressalto, por oportuno, que as provas de que dispõe a recorrente devem ser apresentadas, sob pena de preclusão ressalvadas as exceções legalmente previstas, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade. É o que preceitua o art. 16, caput, III e §4º, do Decreto 70.235/72. 47. Quanto às provas, convém elucidar, por oportuno, que a faculdade da autoridade julgadora em determinar, ex offício, a realização de diligência ou perícia (art. 18, do Decreto nº 70.235/72) não substitui o ônus processual da parte a quem compete – no caso, o sujeito passivo, que melhor do que ninguém detém amplas condições para promover a comprovação de suas alegações com amparo em documentos hábeis – de trazer aos autos as provas de que dispõe. Nesta vereda, reproduz-se o entendimento de Paulo Celso Bonilha, in “Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997, pp. 77/78 : “(...) o poder instrutório das autoridades de julgamento, deve-se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos e não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições. Inclusive a probatória não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear ao processo." (g.n.) 48. Em análoga diretriz o posicionamento de Humberto Theodoro Júnior (in “Curso de Direito Processual Civil”, Rio de Janeiro, Forense, 1996, pp.417): “(...) Se o direito material é disponível e a parte não cuidou de trazer a prova necessária para demonstrá-lo ou exercê-lo, a presunção lógica é que abriu mão dele. Assim, não seria correto que o juiz viesse sobrepor a essa verdade, passando a advogar a causa da parte.” (g.n.) (Destaques do original) Fl. 206DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.851 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10480.917593/2011-12 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto pela improcedência do recurso especial de divergência do sujeito passivo.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso especial de divergência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.908912/2016-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos.
No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam-se os embargos.
Numero da decisão: 3201-005.655
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam-se os embargos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13896.908912/2016-10
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6062744
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.655
nome_arquivo_s : Decisao_13896908912201610.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13896908912201610_6062744.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7902875
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:52:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301304791040
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-16T13:02:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-09-16T13:02:53Z; Last-Modified: 2019-09-16T13:02:53Z; dcterms:modified: 2019-09-16T13:02:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-16T13:02:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-16T13:02:53Z; meta:save-date: 2019-09-16T13:02:53Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-16T13:02:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-09-16T13:02:53Z; created: 2019-09-16T13:02:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-09-16T13:02:53Z; pdf:charsPerPage: 1811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-16T13:02:53Z | Conteúdo => S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13896.908912/2016-10 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201-005.655 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2019 Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado MANAGER ONLINE SERVICOS DE INTERNET LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam- se os embargos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de embargos opostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão 3201-004.998, prolatado por esta Turma, cuja ementa foi assim redigida: MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 89 12 /2 01 6- 10 Fl. 128DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.655 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908912/2016-10 Ciente da decisão, a Fazenda Nacional, por intermédio de sua Procuradoria, interpôs embargos de declaração sustentando que a decisão recorrida contém omissão, assim explicitada: (...) Esse Eg. Colegiado, ao se manifestar sobre o aproveitamento de um pagamento indevido de Cofins não-cumulativo para liquidar débito apurado no regime cumulativo entendeu que entendeu que “O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes.”. O I. Relator do voto vencedor fundamenta seu entendimento na súmula CARF 76 que trata do aproveitamento de recolhimentos realizados na sistemática do SIMPLES. Analisando a súmula CARF 76 e os precedentes que fundamentaram sua edição, verifica-se que aquelas decisões estão calcadas no disposto no art. 3º da Lei nº 9.317/1996, que cuida do pagamento unificado na sistemática do SIMPLES, inaplicável ao presente caso. Entendemos existir omissão no voto vencedor, uma vez que tal voto não esclarece os fundamentos legais para o aproveitamento dos pagamentos indevidos. A não indicação dos dispositivos legais que fundamentaram aquele aproveitamento afronta os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. O art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, estabelece a motivação como princípio do processo administrativo, verbis (...) (...) Já o artigo 50 daquele mesmo diploma explicita que as decisões administrativas que decidam recursos administrativos devem indicar seus fundamentos jurídicos (...) Não há dúvida de que quando a lei fala que as decisões administrativas devem indicar “os fundamentos jurídicos” que as motivam está se cuidando aqui da indicação dos dispositivos legais que lhe dão substrato. Neste sentido, citamos os ensinamentos de Celso Antônio Bandeira de Melo que ao discorrer sobre a motivação dos atos administrativos no bojo do processo administrativo1 leciona: “Princípio da Motivação, isto é, o da obrigatoriedade de que sejam explicitados tanto o fundamento normativo quanto o fundamento fático da decisão, enunciando-se, sempre que necessário, as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poder-se avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto.” (...) Diante da relevância da omissão faz-se mister que a Turma se pronuncie sobre os fundamentos normativos utilizados para o aproveitamento de pagamentos indevidos sem a observância da legislação que versa sobre a compensação. (...) No despacho de admissibilidade, atestou-se a tempestividade da peça e, no mérito da análise, acolheu-se os embargos, uma vez que se entendeu a omissão dos fundamentos legais utilizados na explicitação da decisão. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.655 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908912/2016-10 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3201- 005.610, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/2017-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201-005.610): “Admitidos os embargos por decisão do Presidente da Turma, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. A jurisprudência preconiza que a "omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazê-lo, e a segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicando-lhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” [Edcl em REsp 56.201-BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32-346]. O vício de omissão se dá quando a decisão deixar de apreciar ponto relevante para a solução do litígio. Caracteriza-se no silêncio do julgador frente à matéria, fato ou direito, invocado pelas partes ou que deva se pronunciar de ofício. Passemos à análise. Em que pese ter sido vencido na decisão, pois entendi que o aproveitamento do pagamento a maior de um débito para extinção de outros débitos, ainda que do mesmo tributo, só se faz por compensação, incidindo, portanto, os acréscimos legais devidos na compensação após o vencimento do débito, não parece inquinado de omissão o voto vencedor. O acórdão embargado entendeu que, embora formalmente o caso tenha sido tratado como compensação, materialmente não se trata de tal modalidade de extinção do crédito tributário (art. 74 da Lei 9.430/96), mas sim, de mero erro de código, passível de retificação do DARF por meio do procedimento de Redarf (normatizado pela IN RFB 672/2006). Portanto, ao entender o caso como Redarf, o Colegiado afastou tanto o artigo 74 da Lei 9.430/96, que trata de compensação, quanto o artigo 61 da mesma Lei, que trata Fl. 130DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.655 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908912/2016-10 de pagamento em atraso, porque o suposto atraso somente ocorreria na hipótese de se considerar o caso como compensação. Em outras palavras, o pagamento foi tempestivo, sem qualquer atraso pois não se trata de compensação; e, portanto, não há aplicação do artigo 74 nem do artigo 61 da Lei 9.430/96. A súmula CARF 76 foi aplicada pela decisão embargada, porque faz o mesmo: em caso de mudança de regime de tributação, devem ser aproveitados os pagamentos feitos com o código do regime anterior, sem necessidade de compensação. No caso da súmula, o regime anterior é o Simples, passando para lucro real ou presumido; no caso da decisão embargada, o regime anterior é não-cumulativo e o regime correto é regime cumulativo. Não há falta de motivação, porque os fundamentos da decisão foram explicitados: (i) a IN RFB 672/2006, que trata de Redarf; (ii) a ratio decidendi da Súmula 76 (e não a letra da súmula) e (iii) a interpretação da verdade material do caso, o que é um princípio jurídico no direito tributário. Todas essas motivações estão claras no voto vencedor. Desse modo, entendo que não há omissão no julgado. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.720050/2014-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 30/11/2011
CORREÇÃO DAS FALHAS NA GFIP. AUSÊNCIA DE ESPONTANEIDADE. ART 138 CTN. MANUTENÇÃO DA AUTUAÇÃO.
Tendo o contribuinte procedido à correção das falhas da GFIP assinaladas pela RFB no curso do procedimento de fiscalização, deve ser mantida a autuação, tendo em vista a ausência de espontaneidade do ato, conforme prevê o art. 138 do CTN.
MULTA ISOLADA 150%. FALSIDADE DAS INFORMAÇÕES CONTIDAS NA GFIP.
Ficando comprovado nos autos que o autuado inseriu informações falsas em sua GFIP, utilizando créditos de origem incerta para realizar compensação tributária, deve ser aplicada a multa isolada de 150%, conforme dispõe o §10, do art. 89, da Lei nº 8.212/91.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR MEIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
O STF definiu, por meio da tese 166 de Repercussão Geral, que é inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
Numero da decisão: 2202-005.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para decotar a cobrança referente às contribuições na contratação de cooperativas de trabalho, indicadas no AI nº 51.048.839-0.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado).
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 30/11/2011 CORREÇÃO DAS FALHAS NA GFIP. AUSÊNCIA DE ESPONTANEIDADE. ART 138 CTN. MANUTENÇÃO DA AUTUAÇÃO. Tendo o contribuinte procedido à correção das falhas da GFIP assinaladas pela RFB no curso do procedimento de fiscalização, deve ser mantida a autuação, tendo em vista a ausência de espontaneidade do ato, conforme prevê o art. 138 do CTN. MULTA ISOLADA 150%. FALSIDADE DAS INFORMAÇÕES CONTIDAS NA GFIP. Ficando comprovado nos autos que o autuado inseriu informações falsas em sua GFIP, utilizando créditos de origem incerta para realizar compensação tributária, deve ser aplicada a multa isolada de 150%, conforme dispõe o §10, do art. 89, da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR MEIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. O STF definiu, por meio da tese 166 de Repercussão Geral, que é inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15940.720050/2014-78
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6062431
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-005.390
nome_arquivo_s : Decisao_15940720050201478.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15940720050201478_6062431.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para decotar a cobrança referente às contribuições na contratação de cooperativas de trabalho, indicadas no AI nº 51.048.839-0. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
id : 7902330
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:52:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301306888192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1967; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 522 1 521 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15940.720050/201478 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202005.390 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de agosto de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente VITAPET COMERCIAL INDUSTRIAL EXPORTADORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 30/11/2011 CORREÇÃO DAS FALHAS NA GFIP. AUSÊNCIA DE ESPONTANEIDADE. ART 138 CTN. MANUTENÇÃO DA AUTUAÇÃO. Tendo o contribuinte procedido à correção das falhas da GFIP assinaladas pela RFB no curso do procedimento de fiscalização, deve ser mantida a autuação, tendo em vista a ausência de espontaneidade do ato, conforme prevê o art. 138 do CTN. MULTA ISOLADA 150%. FALSIDADE DAS INFORMAÇÕES CONTIDAS NA GFIP. Ficando comprovado nos autos que o autuado inseriu informações falsas em sua GFIP, utilizando créditos de origem incerta para realizar compensação tributária, deve ser aplicada a multa isolada de 150%, conforme dispõe o §10, do art. 89, da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR MEIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. O STF definiu, por meio da tese 166 de Repercussão Geral, que é “inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para decotar a cobrança referente às contribuições na contratação de cooperativas de trabalho, indicadas no AI nº 51.048.8390. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 00 50 /2 01 4- 78 Fl. 522DF CARF MF Processo nº 15940.720050/201478 Acórdão n.º 2202005.390 S2C2T2 Fl. 523 2 (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela VITAPET COMERCIAL INDUSTRIAL EXPORTADORA LTDA. contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança consubstanciada nos seguintes autos de infração: AI nº 51.048.8390, referente às contribuições patronais, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, às contribuições na contratação de cooperativas de trabalho e às glosas de salário maternidade declarado a maior, bem como de compensações indevidas e de retenções inexistentes previstas na lei 9.711/98; AI nº 51.048.8400, referente às contribuições retidas dos segurados empregados e contribuintes individuais não repassadas à Seguridade Social; AI nº 51.048.8412, referente às contribuições devidas a Terceiros (Outras Entidades e Fundos); AI nº 51.048.8420, referente à multa isolada em razão de declaração de compensações indevidas e de declaração de retenções inexistentes. (f. 47/48) Transcrevo, na integralidade, as sucintas razões declinadas pela instância de origem para a manutenção da cobrança: São improcedentes os argumentos da empresa impugnante em relação à possível cerceamento de defesa. A fiscalização não somente juntou os Relatórios de Fundamentos Legais –FLD, e para cada auto de infração formalizado, e que diz respeito a apenas as bases legais a eles associadas, bem como, em seu Relatório Fiscal, descreveu os fatos geradores apurados, isso em 35 (trinta e cinco) laudas. Observa ainda, na descrição dos fatos, que a fiscalização indicou as bases legais, sem contar que, no título das “Alíquotas Aplicadas”, foi feita remissão às mesmas. Tanto foi assim que, para os fatos geradores que a defesa tinha convicção de sua correção fiscal, ela se defendeu indicando a situação e os correspondentes fundamentos. Pois bem, estando perfeito o lançamento, conforme dispõe o artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN c/c o artigo 10 Fl. 523DF CARF MF Processo nº 15940.720050/201478 Acórdão n.º 2202005.390 S2C2T2 Fl. 524 3 do Decreto nº 70.235, de 1972, não se acata a preliminar de cerceamento de defesa e de ofensa ao princípio do contraditório. Quanto à contribuição devida sobre os serviços prestados por cooperativas de trabalho, nos termos do inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, de fato já existe pronunciamento do Supremo Tribunal Federal – STF pela sua inconstitucionalidade sob o rito da repercussão geral (artigo 543B do Código de Processo Civil – CPC) e quando do Recurso Extraordinário – RE de nº 595.838. Todavia, ainda falta publicação de ato pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN, conforme prevê o § 5º do art. 19 da Lei 10.522, de 19/07/2002, na redação dada pela Lei 12.844, de 19/07/2013, para que a Secretaria da Receita Federal do Brasil possa reproduzir a decisão do STF, até porque aquela Procuradoria, em casos de repercussão geral, deve pronunciar quanto à definitividade da decisão. Assim, pode o CARF, com base no artigo 62A de seu Regimento Interno, já excluir as contribuições sobre os serviços prestados por cooperativas de trabalho, se entender pela definitividade daquela decisão, mas este julgador, enquanto faltar manifestação da PGFN, não, considerando ainda que o Regimento do CARF não vincula a 1ª Instância Administrativa, salvo quando for expresso ou por se tratar de questões processuais a vincular esta instância. A impugnante comenta que teria sido vítima de uma quadrilha em relação às compensações indevidas, e, assim sendo, entende que teria agido de boafé. Quanto às retenções compensadas indevidamente, é difícil de perceber a boafé da impugnante, porquanto ela não praticou cessão de mãodeobra, não sofreu retenções em suas notas fiscais, que são inexistentes, e não há quaisquer registros em sua escrituração contábil de que prestou serviços a tomadores, de acordo com o demonstrado pela fiscalização nos itens 11 e 16 de seu Relatório Fiscal. Em relação à utilização de créditos terceiros, a questão não é somente da existência ou não de créditos, mas do fato de a impugnante, sem autorização judicial ou legal, ter feito o uso de supostos créditos para afastar o pagamento das contribuições previdenciárias. A boafé poderia ter sido configurada se, para esse planejamento tributário, a empresa tivesse revisto as suas GFIPs antes da auditoria realizada pelo Fisco. Mas isso não ocorreu, a impugnante, por vontade de seus representantes legais, assinou com empresas de consultoria, de assessoria e de advocacia a compra de créditos com deságio (ver o item 28 do Relatório Fiscal), e fez as correspondentes compensações, o que fica caracterizada a sua intenção de reduzir as contribuições sociais previdenciárias devidas, sem autorização judicial e sem previsão legal para a utilização de créditos de terceiros. Não pode agora a impugnante alegar boafé, já que essa não se caracteriza quando alguém tem ciência de ato ilícito, no caso, reduzir as contribuições devidas, seja por inexistência de Fl. 524DF CARF MF Processo nº 15940.720050/201478 Acórdão n.º 2202005.390 S2C2T2 Fl. 525 4 retenções sofridas, seja por compra de créditos de terceiros em planejamento tributário que não se amolda às previsões legais. Assim, ficando demonstrada a conduta da impugnante, que, nas melhores das hipóteses, assumiu o risco (dolo eventual) ao contratar empresas para reduzir contribuições previdenciárias devidas, foi acertado o procedimento fiscal ao imputar a multa isolada com base no § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212, de 1991, porque de fato as declarações apresentadas não condizem com a realidade – os créditos declarados em GFIPs são inexistentes ou não são passíveis de compensação. Ademais, e de acordo com a legislação previdenciária, basta a ocorrência de declarações falsas no documento GFIP, ainda que sem a intenção de sonegar ou fraudar, para que se imponha a multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento), conforme bem descreveu a fiscalização no item 33 de seu Relatório. Observase, ainda, que foi aplicada a multa de ofício de forma qualificada para todos os levantamentos, exceto para os de glosas de compensação, que foram com base na multa de mora de 20% (vinte por cento) do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991. A multa de ofício qualificada foi tratada no item 62, isso para distinguir da multa isolada do item 33 do Relatório Fiscal, esta última questionada em impugnação. Então, seja porque a impugnante prestou declarações falsas em suas GFIPs (aplicação da multa isolada do § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212, de 1991), seja porque agiu de forma a reduzir ou suprimir tributo (aplicação da multa de ofício qualificada do artigo 35A c/c o § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996), concluise não haver incorreção no procedimento fiscal, uma vez que as condutas foram demonstradas, sendo inclusive motivo de emissão de Representação Fiscal Para Fins Penais – RFFP no processo de nº 15940.720051/201412. Sabendo que futuros parcelamentos podem até extinguir a punibilidade dos crimes, mas, por certo, não alteram a conduta da empresa e nem as penalidades tributárias, ficam mantidas as multas, tanto a isolada, ora questionada, como a multa de ofício qualificada. Não havendo reparos no lançamento fiscal, que permitiu o entendimento por parte da empresa contribuinte e a sua defesa, não se aceita a alegada insubsistência e improcedência dos autos de infração. (f. 475/476; sublinhas deste voto) Intimada do acórdão, a recorrente apresentou recurso voluntário (f. 488/458), requerendo, preliminarmente, i) fosse afastada a multa aplicada, ao argumento de que teria corrigido as falhas apontadas pela fiscalização; bem como ii) fossem reduzidas as multas de mora, de ofício e isolada, eis que “(...) os débitos apurados pela fiscalização foram incluídos no REFIS previsto na Lei nº 11.941/2009 (...)” (f. 496). Quanto ao mérito, replicou as mesmas matérias arguidas em sede preliminar, além de pugnar: iii) pela inconstitucionalidade da contribuição sobre serviços prestados por cooperativa de trabalho médico; e iv) pela inaplicabilidade da multa isolada em dobro, ao argumento de ter agido de boa fé. Ao final, requereu “o acolhimento da preliminar para extinção da exigência fiscal ou subsidiariamente o acolhimento do recurso, para reformar a decisão de piso Fl. 525DF CARF MF Processo nº 15940.720050/201478 Acórdão n.º 2202005.390 S2C2T2 Fl. 526 5 declarando extinto o lançamento ou, alternativamente, seja reduzido o valor das multas aplicadas (f. 518)”. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. I DAS PRELIMINARES I – DA CORREÇÃO DAS FALHAS APONTADAS PELA FISCALIZAÇÃO A recorrente afirma que (...) procedeu a correção das falhas apontadas pela douta Fiscalização, o que por si só ensejaria o afastamento da multa aplicada, conforme documentos anexos. Casos entenda necessário, requer a realização de diligências para apurar a transmissão de GFIP substitutivas pela ora recorrente. (f. 495; sublinhas deste voto). Malgrado afirme a existência de documentos anexos, que comprovariam a sua alegação, certo é que nenhuma prova foi carreada em sede recursal. Desnecessária a realização de diligência para apurar a transmissão da GFIP retificada, eis que – ainda que tivesse, de fato, ocorrido – não teria o condão de afastar a penalidade aplicada. Isto porque, conforme dispõe o CTN, Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Assim, ainda que retificadas – o que não há comprovação, frisese – , o foram após a lavratura do auto de infração. Rejeito a preliminar II – DA INDIGITADA ADESÃO AO REFIS A recorrente despende inúmeras laudas com a transcrição – em duplicidade, frisese (“vide” f. 496/499; f. 501/504) –, da Lei nº 11.941/2009 e arremata com a seguinte: [c]omo se pode notar a adesão do REFIS, de acordo com a opção pelo número de parcelas, proporciona uma redução nas multas de mora e de ofício, que no caso da recorrente foi na forma do item II, §3º do art. 1º da Lei n] 11.941/2009, gerando uma redução de “90% (noventa por cento) das multas de mora e de ofício, de 35% (trinta e cinco por cento) das isoladas, de 40% (quarenta por cento) dos juros de mora Fl. 526DF CARF MF Processo nº 15940.720050/201478 Acórdão n.º 2202005.390 S2C2T2 Fl. 527 6 e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal (f. 505; sublinhas deste voto). Para além da inexistência de qualquer prova da avença celebrada, certo é que, nos termos do art. 5º da retromencionada lei, “a opção pelos parcelamentos (...) importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável (...)”. Entretanto, a despeito de alegar – sem comprovar – ter aderido ao programa de parcelamento, teratologicamente, pede seja “declarado extinto o lançamento”. Se verossímil fosse a alegação, sequer haveria julgamento do recurso voluntário nesta esfera administrativa. Por esses motivos, rejeito a preliminar. II – DO MÉRITO II.1 – DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERADOS POR MEIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO Conforme já relatado, a DRJ bem lançou que,“[q]uanto à contribuição devida sobre os serviços prestados por cooperativas de trabalho, nos termos do inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, de fato já existe pronunciamento do Supremo Tribunal Federal – STF pela sua inconstitucionalidade.” (f. 476) A tese firmada, de nº 166, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09/03/2015, é a de que “[é] inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.” O §2º do art. 62 deste eg. Conselho determina que [a]s decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por essa razão, acolho o pedido para decotar a cobrança referente às contribuições na contratação de cooperativas de trabalho, indicadas no AI nº 51.048.8390. II.2 – DA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA FIXADA EM 150% A recorrente narra ter sido (...) vítima de uma quadrilha, que se apresentava como detentora de créditos junto à União, e que poderiam fazer a compensação com os seus débitos vencidos, dentro da estrita legalidade. Acreditando estar fazendo um planejamento tributário lícito, contratou as empresas MM Consultoria Empresarial Ltda e Bachaga e Miralha Sociedade de Advogados Ltda., que se comprometiam a ceder referidos créditos e a efetuar todos os procedimentos administrativos para a compensação. (f. 515) Fl. 527DF CARF MF Processo nº 15940.720050/201478 Acórdão n.º 2202005.390 S2C2T2 Fl. 528 7 A respeito da penalidade pecuniária imposta, eis a previsão da Lei nº 8.812/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (sublinhas deste voto) Observase que, para que seja aplicada a multa, não basta que tenha havido compensação indevida, sendo necessária, ainda, a comprovação da falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. É plenamente possível, pois, que a glosa das compensações não seja acompanhada da exigência de multa. Cabe avaliar, aqui, se houve, ou não, falsidade apta a ensejar a cobrança da multa qualificada. Colaciono excertos extraídos do relatório fiscal (fl.50/51): “10. Inserindo retenções em suas GFIP entendese que a empresa, praticou cessão de mão de obra aos tomadores constantes da GFIP e inseridos no quadro acima. 11. No entanto isso não aconteceu, não tendo a VITAPET praticado cessão de mão de obra em estabelecimento terceiros, E NEM SOFRIDO RETENÇÕES EM SUAS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – que aliás nem existem. (...) 13. A Vitapet, em 17/08/2012, para justificar a inserção das supostas cessões de mão de obra nas GFIPs, conforme demonstrado no quadro suso, informou:” 1. As informações contidas nas GFIP das competências apontadas no referido Termo, onde constam códigos de recolhimento 150 – retenção da Lei 9.711/98, foram geradas erroneamente e de forma irresponsável por empresa de consultoria tributária com sede no Rio de Janeiro, conforme já foi informado anteriormente. 2. Não autorizamos qualquer substituição de códigos de recolhimento, tendo em vista não ser prestadora de serviços e não ter Contrato de Prestação de Serviços com qualquer outra empresa, deste ou outro estado, que possa ensejar a retenção na forma da Lei 9711/98. 3. Portanto não será possível a entrega de contratos de prestação de serviço a terceiros, bem como notas fiscais que contenham comprovações das referidas retenções por serem inexistentes. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 15940.720050/201478 Acórdão n.º 2202005.390 S2C2T2 Fl. 529 8 14. Como descrito em sua resposta informa que as GFIPs com retenção “foram enviadas erroneamente e de forma irresponsável por empresa de consultoria tributária com sede no Rio de Janeiro”. 15. Ora, quem detém a senha para o envio das GFIPs é o contribuinte objeto desta ação fiscal, por isso, se este confiou a senha à outra empresa há que responder pelos atos praticados por aquela.” Não desconheço ser a qualificação da multa matéria palpitante neste Conselho, entretanto, no presente caso, os fatos bem relatados pela fiscalização, sequer infirmados pela recorrente – que se diz “vítima” de “falcatruas” (f. 515), comprovam a inserção intencional de informações falsas em GFIP, aproveitandose de créditos não dotados de certeza tampouco liquidez, adquiridos de terceiros. Mantenho, por essas razões, a penalidade aplicada. VI – CONCLUSÃO Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso para decotar a cobrança referente às contribuições na contratação de cooperativas de trabalho, indicadas no AI nº 51.048.8390. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 529DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13643.000460/2003-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/08/1997 a 31/12/1997
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPROVAÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ALTERAÇÃO EM SEDE DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Comprovado pelo sujeito passivo que o processo judicial de compensação dos débitos informados em DCTF efetivamente existia, e do qual figurava no pólo ativo, ao contrário do consignado na motivação fática do lançamento de ofício (Proc jud de outro CNPJ") levado a efeito em decorrência de auditoria interna das declarações, não pode o julgador administrativo manter o Auto de Infração eletrônico por outro fundamento, havendo, assim, que ser considerado improcedente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-006.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Muller Cavalcanti (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1997 a 31/12/1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPROVAÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ALTERAÇÃO EM SEDE DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Comprovado pelo sujeito passivo que o processo judicial de compensação dos débitos informados em DCTF efetivamente existia, e do qual figurava no pólo ativo, ao contrário do consignado na motivação fática do lançamento de ofício (Proc jud de outro CNPJ") levado a efeito em decorrência de auditoria interna das declarações, não pode o julgador administrativo manter o Auto de Infração eletrônico por outro fundamento, havendo, assim, que ser considerado improcedente. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13643.000460/2003-75
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6057349
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.833
nome_arquivo_s : Decisao_13643000460200375.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
nome_arquivo_pdf_s : 13643000460200375_6057349.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Muller Cavalcanti (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7883718
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301311082496
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-27T14:50:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-27T14:50:53Z; Last-Modified: 2019-08-27T14:50:53Z; dcterms:modified: 2019-08-27T14:50:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-27T14:50:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-27T14:50:53Z; meta:save-date: 2019-08-27T14:50:53Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-27T14:50:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-27T14:50:53Z; created: 2019-08-27T14:50:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-08-27T14:50:53Z; pdf:charsPerPage: 1891; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-27T14:50:53Z | Conteúdo => S3-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13643.000460/2003-75 Recurso Voluntário Acórdão nº 3402-006.833 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de agosto de 2019 Recorrente BIANCHI INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1997 a 31/12/1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPROVAÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ALTERAÇÃO EM SEDE DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Comprovado pelo sujeito passivo que o processo judicial de compensação dos débitos informados em DCTF efetivamente existia, e do qual figurava no pólo ativo, ao contrário do consignado na motivação fática do lançamento de ofício (“Proc jud de outro CNPJ") levado a efeito em decorrência de auditoria interna das declarações, não pode o julgador administrativo manter o Auto de Infração “eletrônico” por outro fundamento, havendo, assim, que ser considerado improcedente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Muller Cavalcanti (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 3. 00 04 60 /2 00 3- 75 Fl. 113DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.833 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13643.000460/2003-75 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado para a exigência de recolhimento do PIS relativa aos períodos de apuração de agosto a dezembro de 1998, lavrado em 18/06/2003. A exigência fiscal teve origem em procedimento de Auditoria Interna realizada na DCTF apresentada pela contribuinte. Naquela declaração, o contribuinte informou o pagamento da contribuição por compensação com créditos de PIS referentes aos recolhimentos efetuados com base nos Decretos-lei nº 2.445 e 2.449/88, conforme sentença judicial exarada nos autos do processo judicial nº 1997.38.01.004904-1. No Auto de Infração, a justificativa para a autuação foi identificada no campo "OCORRÊNCIA" como "Proc. Jud. de outro CNPJ" (e-fls. 6/9). Inconformada, a empresa apresentou impugnação informando que a referida ação judicial foi interposta em litisconsórcio com outras empresas, tratando-se, portanto, de processo próprio, anexando aos autos os documentos relacionados à ação judicial. A defesa apresentada foi conhecida em parte por entender que haveria identidade de objeto com a ação judicial e julgada parcialmente procedente para substituir a multa de ofício aplicada pela multa de mora. A decisão foi ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1998 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. Não se conhece da impugnação na parte em que o pedido e seus fundamentos forem idênticos àqueles formulados pelo contribuinte em ação judicial, devendo a autoridade preparadora cumprir a decisão transitada em julgado. SEMESTRALIDADE. O Parecer PGFN/CRJ/N° 2.143/2006, com base no qual foi editado o Ato Declaratório PGFN n° 8, de 16/11/2006, implica no reconhecimento administrativo da semestralidade na vigência dos Decretos-lei 2.445 e 2.449/88. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1998 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 18 da Lei n.° 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de oficio em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" (e-fl. 81) Intimado desta decisão em 16/06/2010 (e-fl. 91), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 14/07/2010 (e-fls. 92/101) alegando, em síntese, que não foi previamente intimada para apresentar esclarecimentos quanto à inexatidão apontada na autuação e o descabimento da lavratura do Auto de Infração, vez que o valor autuado foi devidamente compensado pela empresa com crédito reconhecido judicialmente, à luz do art. 66, da Lei n.º 8.383/91. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, Relatora. Fl. 114DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.833 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13643.000460/2003-75 O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. No presente processo, observa-se que o Auto de Infração foi lavrado por declaração inexata, sendo a inexatidão especificada no campo de Ocorrências da autuação: "Proc. Jud. de outro CNPJ" (e-fls. 6/9). Observa-se que em nenhum momento a autuação identifica qualquer impropriedade no procedimento adotado pelo sujeito passivo, apenas consignando que o processo judicial nº 1997.38.01.004904-1, indicado em sua DCTF para compensar débitos da mesma espécie (PIS com PIS), seria de outro CNPJ. Assim, no presente caso, a motivação para a autuação foi única: o processo judicial indicado pelo contribuinte não seria de seu interesse, mas de outra empresa. Contudo, ainda em sede de Impugnação, a empresa consignou, de forma direta e clara, que a ação judicial foi proposta em listisconsórcio com outras empresas, como se depreende da inicial da ação acostada aos autos (e-fls. 34/35): Assim, diferentemente de outros casos de Auto de Infração eletrônico já julgados por esta relatora 1 , a única motivação trazida no Auto de Infração para admitir a declaração como "inexata" foi afastada pela empresa, sendo que a manutenção da autuação por outro motivo implicaria em modificação do critério jurídico da autuação. Esse foi o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no acórdão 9303-008.450, de relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: "Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPROVAÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ALTERAÇÃO EM SEDE DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Comprovado pelo sujeito passivo que o processo judicial de compensação dos débitos informados em DCTF efetivamente existia, e do qual figurava no pólo ativo, ao contrário do consignado na motivação fática do lançamento de ofício ("Proc jud de outro CNPJ") levado a efeito em 1 Vide, a atítulo de exemplo, o acórdão 3402-006.677. Fl. 115DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.833 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13643.000460/2003-75 decorrência de auditoria interna das declarações, não pode o julgador administrativo manter o Auto de Infração “eletrônico” por outro fundamento (como necessidade do trânsito em julgado), havendo, assim, que ser considerado improcedente." (Número do Processo 10380.004208/2002-02 Data da Sessão 16/04/2019 Relator Rodrigo da Costa Pôssas Nº Acórdão 9303-008.450 - grifei) Afastada, portanto, a causa trazida na autuação para sua lavratura, ela deve ser cancelada por vício em sua motivação. Em razão da clareza de suas razões, traçadas com fundamento na teoria dos motivos determinantes do ato administrativo, adoto aqui o voto do Conselheiro Antônio Carlos Atulim trazido no Acórdão 3402-004.118, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei n.º 9.784/99: "Uma coisa é dizer que a compensação foi feita com base em processo administrativo inexistente e outra coisa totalmente distinta é não aceitar a compensação porque, no processo administrativo existente, o contribuinte não formulou pedido prévio à Receita Federal em relação aos meses de junho a dezembro 1998. O erro da Administração é flagrante porque no auto de infração foi incluído o mês de maio de 1998, em relação ao qual posteriormente a própria Administração verificou que havia pedido prévio de compensação. Essa constatação revela a fragilidade das exigências formalizadas por meio do autos de infração eletrônicos, que se baseiam no mero cruzamento de informações existentes nos sistemas da Receita Federal. No caso dos autos, os créditos utilizados em compensação são originários da conversão em renda de depósitos judiciais efetuados na ação ordinária 92.5809-4 onde o contribuinte discutiu a exigência do Finsocial/Cofins (fls. 38/44). A compensação entre PIS e Cofins estava sujeita a pedido prévio, a teor do que determinava o art. 74 da Lei nº 9.430/96. Então o problema não reside na inexistência do processo nº 13808.003062/98-06, como constou na fundamentação do auto eletrônico. O problema é que o contribuinte não fez o pedido prévio de compensação em relação aos períodos de junho a dezembro de 1998, só tendo informado a compensação em DCTF. Conclui-se daí, que (i) o vício de procedimento (falta de intimação prévia determinada pelo art. 7º da Lei nº 10.426/2002), acarretou a falsa causa do auto de infração, conforme comprovado pela documentação anexa ao processo; e (ii) a exigência do PIS consubstanciada neste auto de infração não pode ser mantida nem pelo fundamento invocado pela DRJ, pois a modificação da motivação do lançamento exige a realização de um novo lançamento. Não há como trocar a fundamentação do auto de infração nas decisões proferidas no âmbito do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, sob pena de acarretar cerceamento de defesa do contribuinte e supressões de instâncias de julgamento. Da obra de Hely Lopes Meirelles extrai-se o seguinte excerto: “(...) A teoria dos motivos determinantes funda-se na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Mesmo os atos discricionários, se forem motivados, ficam vinculados a esses motivos como causa determinante de seu cometimento e se sujeitam ao confronto da existência e legitimidade dos motivos indicados. Havendo desconformidade entre os motivos e a realidade o ato é inválido. (...)” (in: Fl. 116DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.833 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13643.000460/2003-75 Curso de Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 25 ed., pp. 186/187). No caso dos autos, é evidente o descompasso entre a motivação do auto de infração e a situação real do contribuinte. Contudo, a autuação foi lastreada na inexistência do processo administrativo nº 13808.003062/98-06 informado nas DCTF e o contribuinte elidiu a causa da autuação, comprovando a existência do processo 13808.003062/98-06. Com base nesses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso." (Processo 19679.006253/2003-01 Data da Sessão 23/05/2017 Relator Antonio Carlos Atulim Nº Acórdão 3402-004.118 - grifei) Cumpre mencionar que, do voto acima transcrito, possível ainda identificar a existência do equívoco formal cometido no presente processo, apontado pela Recorrente em sua defesa, de não ter sido previamente intimada para prestar esclarecimentos. Com efeito, o art. 7º da Lei nº 10.426/2002, já vigente à época da emissão do Auto de Infração, mesmo em sua redação original 2 , exigia a intimação prévia do sujeito passivo para apresentar esclarecimentos na hipótese de apresentação da declaração com incorreções. Contudo, no presente caso, esse vício formal apenas contribuiu para macular a autuação pelo vício material em sua motivação, vez que, repita-se, o motivo trazido na autuação ("Proc. Jud. de outro CNPJ") foi afastado. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o Auto de Infração lavrado por vício em sua motivação. É como voto. (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne 2 "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á às seguintes multas:" (grifei - redação original vigente à época da lavratura do Auto de Infração) Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.005000/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF OMISSÃO
DE RENDIMENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTE. O fato de o contribuinte ter incluído o dependente na declaração de ajuste anual, por opção própria, justifica o lançamento que constatou rendimentos recebidos pelo citado dependente e não oferecidos à tributação.
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL Cientificado
do lançamento de ofício o contribuinte perde o direito de retificar as informações prestadas ao Fisco, salvo se comprovado erro de fato.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.027
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201012
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTE. O fato de o contribuinte ter incluído o dependente na declaração de ajuste anual, por opção própria, justifica o lançamento que constatou rendimentos recebidos pelo citado dependente e não oferecidos à tributação. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL Cientificado do lançamento de ofício o contribuinte perde o direito de retificar as informações prestadas ao Fisco, salvo se comprovado erro de fato. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10283.005000/2007-13
conteudo_id_s : 6047968
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.027
nome_arquivo_s : Decisao_10283005000200713.pdf
nome_relator_s : Francisco Marconi de Oliveira
nome_arquivo_pdf_s : 10283005000200713_6047968.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
id : 7858108
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301314228224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1898; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 30 1 29 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.005000/200713 Recurso nº 169.199 Voluntário Acórdão nº 210201.027 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 2 de dezembro de 2010 Matéria IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente JUSSARA GONÇALVES LUMMERTZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTE. O fato de o contribuinte ter incluído o dependente na declaração de ajuste anual, por opção própria, justifica o lançamento que constatou rendimentos recebidos pelo citado dependente e não oferecidos à tributação. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL Cientificado do lançamento de ofício o contribuinte perde o direito de retificar as informações prestadas ao Fisco, salvo se comprovado erro de fato. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) EDITADO EM: 25/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos (presidente), Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Acácia Sayuri Wakasugi, Núbia Matos Moura, Francisco Marconi de Oliveira e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2011 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Relatório A contribuinte acima identificada foi autuada, por meio de Notificação de Lançamento (fl. 3), com valor do Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar de R$ 7.447,79 (sete mil, quatrocentos e quarenta e sete reais e setenta e nove centavos), acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento é decorrente da omissão de rendimentos tributáveis, sujeitos à tabela progressiva, recebidos de pessoas Jurídica, com valores de R$ 40.541,69 (quarenta mil, quinhentos e quarenta e um reais e sessenta e nove centavos) informados pela fonte pagadora na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF. Conforme registrado na ficha de Descrição dos Fatos da Notificação de Lançamento (fl. 5), na apuração do imposto devido foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$ 595,32 (quinhentos e noventa e cinco reais e trinta e dois centavos). A contribuinte apresentou impugnação solicitando a retirada do dependente Antonio Carlos Maciel da Silva, CPF 336.989.42515, de sua Declaração de Ajuste Anual, exercício 2004, afirmando que os rendimentos desse foram oferecidos à tributação. Não juntou, à época, qualquer documentação para comprovar a pretensa declaração em separado. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/BEL decidiu, por unanimidade, não tomar conhecimento da impugnação da recorrente, fundamentando que não se instaurou a fase litigiosa prevista no art. 14 do Decreto nº. 70.235/72, em razão da ausência de prova. Entretanto, alegando a falta de opção nos sistemas de controle do crédito tributário para registrar tal decisão, informou o resultado de julgamento como intempestivo. A recorrente recebeu ciência do julgamento em primeira instância em 25 de março de 2008 (fl. 16) e interpôs recurso em 18 de abril de 2008 (fls. 18 a 22), alegando, preliminarmente, que a Notificação de Lançamento apresentase insustentável legalmente, não podendo prevalecer; e que não há provas concretas de haver a defendente utilizado formas anormais, inadequadas, para prestar as informações com o intuito de fraudar a Fazenda Nacional. Alega que não informou os rendimentos do dependente Antonio Carlos Maciel da Silva por não ser tal informação de seu conhecimento e, ainda que, por forças circunstanciais, não foi possível apresentar, à época, provas documentais. Requer que seja deferida a retirada do dependente de sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, anocalendário 2003, excluindo dela o montante de R$ 15.115,60 (quinze mil, cento e quinze reais e sessenta centavos). Solicita que “esse valor seja transferido para o sr. Antonio Maciel da Silva, CPF 336.989.45315, que também entregou a Declaração de Ajuste Anual” para o período em questão e que, no seu entender, “não pode ser considerado dependente da Defendente nesse exercício”. Fez juntada de cópia do recibo e da declaração do dependente Antonio Carlos Maciel da Silva, exercício 2004 (fls. 23 a 26), apresentada às 14h8mim36s do dia 17 de abril de 2008, em data e hora posterior ao recebimento do resultado da impugnação. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2011 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.005000/200713 Acórdão n.º 210201.027 S2C1T2 Fl. 31 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte interpôs recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A matéria em litígio envolve a omissão de rendimento tributável recebido por dependente constante da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2004. Ao relacionar um dependente em sua declaração, os rendimentos que por ventura existam devem ser somados a renda do titular para fins de tributação, conforme descrito no artigo 38, alínea “a”, § 8°, da Instrução Normativa SRF n° 15/2001 § 8º Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração. Descabe a alegação de desconhecimento do rendimento e a solicitação de retirada dos valores recebidos da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, pois não há previsão legal para a exclusão de rendimentos declarados por falta de conhecimento dos valores recebidos por titular ou seus dependentes. Quanto a modificação ou extinção do crédito tributário, assim trata o Código Tributário Nacional: Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. A recorrente incluiu o dependente na declaração de ajuste anual por opção. A declaração do dependente foi entregue em 17 de abril de 2008, data bastante superior a data da lavratura da Notificação de lançamento, ocorrida em 6 de agosto de 2007. A Declaração de Ajuste Anual retificadora apresentada após o início do procedimento fiscal não produz qualquer efeito em relação ao lançamento de ofício. Em função disso, perde a contribuinte o direito de retificar as informações prestadas. Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de negarlhe provimento. Francisco Marconi de Oliveira – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2011 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2011 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.006363/2005-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ADA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO.
A despeito de ser obrigatória - desde o exercício 2001 - a apresentação do ADA ao lhama corno condição para a exclusão da área de reserva legal para fins de tributação pelo ITR, a lei não estabelece um prazo para a sua apresentação. Assim, não pode este prazo ser estipulado em Instrução Normativa, restringindo um direito do contribuinte.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-000.681
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201006
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ADA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A despeito de ser obrigatória - desde o exercício 2001 - a apresentação do ADA ao lhama corno condição para a exclusão da área de reserva legal para fins de tributação pelo ITR, a lei não estabelece um prazo para a sua apresentação. Assim, não pode este prazo ser estipulado em Instrução Normativa, restringindo um direito do contribuinte. Recurso provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10283.006363/2005-04
conteudo_id_s : 6043068
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 02 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2102-000.681
nome_arquivo_s : Decisao_10283006363200504.pdf
nome_relator_s : ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
nome_arquivo_pdf_s : 10283006363200504_6043068.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
id : 7845416
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301315276800
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-18T18:56:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-18T18:56:32Z; Last-Modified: 2010-11-18T18:56:32Z; dcterms:modified: 2010-11-18T18:56:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:cb5b3818-728c-4f1a-b2a2-34327c80dfaf; Last-Save-Date: 2010-11-18T18:56:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-18T18:56:32Z; meta:save-date: 2010-11-18T18:56:32Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-18T18:56:32Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-18T18:56:32Z; created: 2010-11-18T18:56:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-11-18T18:56:32Z; pdf:charsPerPage: 1113; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-18T18:56:32Z | Conteúdo => Vistos, relatados e disc resentes autos. S2-C1 T2 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10283.006.363/2005-04 Recurso n° 343322 Voluntário Acórdão n° 2102-00.681 — la Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2010 Matéria ITR Recorrente ADELCIO NAVARRO Recorrida DRJ-RECIFE/PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ADA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A despeito de ser obrigatória - desde o exercício 2001 - a apresentação do ADA ao lhama corno condição para a exclusão da área de reserva legal para fins de tributação pelo ITR, a lei não estabelece um prazo para a sua apresentação. Assim, não pode este prazo ser estipulado em Instrução Normativa, restringindo um direito do contribuinte. Recurso provido. ACORDAM os embros a o co egiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos ter W s do voto t 1 Re at era, 1 / IOV . I CHRISTI ., 7" E ,AMPOS - Presidente j./ . (I/ OfLZ/ . 1 MA- I 1 RTA DE EDITADO EM: 20 Neti, 201; O IOV I CHRIST O FERREIRA PAGETTI — Relatara ::AMPOS - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Ewan Teles Aguiar. Relatório Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fis. 09/15 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) em razão da glosa da área declarada como de reserva legal na DITR do exercício 2002, relativa ao imóvel Fazenda Sossego. Conforme descrito no próprio Auto, a glosa se deveu à falta de entrega do ADA.. Cientificado do lançamento, o Interessado apresentou a impugnação de fls. 27/33, por meio da qual alegou que a exigência do ADA não fora veiculada por lei e por isso não poderia ser restrito o seu direito em razão de obrigações contidas em Instruções Normativas, Trouxe jurisprudência administrativa e afirmou que a efetiva existência da área de reserva legal não fora objeto de questionamento, mas somente a apresentação do ADA. Na análise de tais alegações, os membros da DRJ em Campo Grande decidiram pela integral manutenção do lançamento. Inconformado com tal decisão, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fis. 64/68, por meio do qual reitera os argumentos expostos em sede de impugnação. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório, Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 03,06,2008, como atesta o AR de fls. 58, O Recurso Voluntário foi interposto em 24,06,2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais - por isso dele conheço. Conforme relatado, trata-se de lançamento para exigência do ITR em razão da glosa da área declarada pelo Recorrente como sendo de reserva legal, existente em imóvel de sua propriedade. Tal glosa foi motivada pela falta de apresentação do ADA ao lbama, considerando ainda que a área cuja exclusão pretendia o contribuinte já estava averbada à margem do registro de imóveis desde 22,11,2001, De acordo com a defesa do Recorrente, a exigência de apresentação do ADA como condição para a exclusão da área de reserva legal para fins de apuração do ITR não encontra amparo em lei, mas somente em Instruções Normativas. A decisão recorrida, por outro lado, justifica a exigência de apresentação do referido Ato em razão do disposto no art. 17-0 da Lei 6.938/81 (cf. redação dada pela Lei 10,165/00), sustentando ainda que o prazo de 6 meses para sua apresentação encontra previsão legal no Decreto 4,382/02, 2 oberta de-Azei-0o Ferreira Pagetti Processo n 10283 006363/2005-04 S2-C1T2 Acórdão n 2102-00.681 Fl 2 Há que se analisar então se é efetivamente necessária a apresentação do ADA para fins de exclusão da área de reserva legal da tributação pelo 1TR, e ainda qual seria o prazo legal para a sua apresentação neste caso. Com a edição da Lei n° 10,165/2000 — que acrescentou o art. 17-0 à Lei ri° 6,938/81 - a obrigação de apresentação do ADA para este fim passou a ser veiculada em lei, e por isso mesmo exigível de todos os contribuintes, verbis: "Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao 'bania a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria.." (NR) "§ r-A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA." (AC) "§ 1" A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (NR) ) A referida norma, como se vê, passou a determinar a obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de reserva legal e utilização limitada. Daí porque a partir do exercício 2001 a apresentação do ADA é, de fato, um requisito para tal. No entanto, esta norma é silente no que diz respeito ao prazo para a apresentação do ADA. Sendo assim, ainda que se considere obrigatória a sua apresentação (a partir de 2001) como condição para a exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente da tributação pelo ITR, é de se concluir que esta apresentação não deve necessariamente se dar dentro do prazo pretendido pelas autoridades fiscais no caso em exame (de 6 meses), Na hipótese em exame, o Recorrente trouxe aos autos cópia do ADA apresentado ao lbama em 18.08.2006, de forma que demonstrou ter atendido à exigência legal de apresentar tal documento ao lbama. Diante de todo o exposto, é de se considerar como comprovada a existência da área de reserva legal glosada por meio do lançamento em exame. Por isso, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 17 de junho de 2010 3
score : 1.0
