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7100844 #
Numero do processo: 37172.000235/2006-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA PARA que sejam juntados aos autos (a) os comprovantes de pagamento referentes às contribuições previdenciárias patronais de dezembro de 1999 a fevereiro de 2000 e (b) a comprovação da exposição de trabalhadores ao benzeno, tolueno e xileno. Vencido o relator, que já depositara o seu voto, e não participou das discussões que concluíram pela necessidade da diligência. Julgamento iniciado em 09/2017 e concluído em 03/10/2017. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator ad hoc, na data da formalização (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento iniciada em 12/09/2017 os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Thiago Duca Amoni (suplente convocado para manter a paridade do Colegiado), João Mauricio Vital, Andréa Brose Adolfo, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado para manter a paridade do Colegiado) e Wesley Rocha. Participaram da sessão de julgamento concluída em 03/10/2017 os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Thiago Duca Amoni (suplente convocado para manter a paridade do Colegiado), João Mauricio Vital, Andréa Brose Adolfo, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado para atuar apenas no julgamento do processo: 37172.000235/2006-33, de relatoria do conselheiro Fábio Piovesan Bozza, que renunciou ao seu mandato após o início do julgamento) e Wesley Rocha.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA

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2301­000.675  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  03 de outubro de 2017  Assunto  Contribuições Sociais Previdenciárias  Recorrente  APERAM INOX AMERICA DO SUL S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos,  relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  CONVERTER O  JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA  PARA  que  sejam  juntados  aos  autos  (a)  os  comprovantes  de  pagamento  referentes  às  contribuições  previdenciárias  patronais  de  dezembro  de  1999  a  fevereiro  de  2000  e  (b)  a  comprovação da exposição de  trabalhadores ao benzeno,  tolueno e xileno. Vencido o relator,  que já depositara o seu voto, e não participou das discussões que concluíram pela necessidade  da diligência.  Julgamento iniciado em 09/2017 e concluído em 03/10/2017.  (assinado digitalmente)  João Bellini Junior ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Alexandre Evaristo Pinto ­ Relator ad hoc, na data da formalização   (assinado digitalmente)  Andréa Brose Adolfo ­ Redatora designada    Participaram da sessão de  julgamento  iniciada em 12/09/2017 os conselheiros:  João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Thiago Duca Amoni (suplente convocado para  manter a paridade do Colegiado), João Mauricio Vital, Andréa Brose Adolfo, Denny Medeiros  da Silveira (suplente convocado para manter a paridade do Colegiado) e Wesley Rocha.  Participaram da sessão de julgamento concluída em 03/10/2017 os conselheiros:  João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Thiago Duca Amoni (suplente convocado para     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 71 72 .0 00 23 5/ 20 06 -3 3 Fl. 4160DF CARF MF Processo nº 37172.000235/2006­33  Resolução nº  2301­000.675  S2­C3T1  Fl. 3          2 manter a paridade do Colegiado), João Mauricio Vital, Andréa Brose Adolfo, Denny Medeiros  da  Silveira  (suplente  convocado  para  atuar  apenas  no  julgamento  do  processo:  37172.000235/2006­33,  de  relatoria  do  conselheiro Fábio Piovesan Bozza,  que  renunciou  ao  seu mandato após o início do julgamento) e Wesley Rocha.  Relatório   Em julgamento o recurso voluntário interposto por Aperam Inox América do Sul  S/A  (atual  denominação  de Acesita  S/A)  contra  a  decisão  de  primeira  instância,  que  julgou  improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado.  A  fiscalização  emitiu NFLD nº  35.761.189­1  para  a  cobrança  do  denominado  “adicional ao SAT”. Trata­se da contribuição previdenciária patronal prevista nos art. 57 e 58  da  Lei  nº  8.213/91,  destinada  ao  financiamento  da  aposentadoria  especial  de  segurados  expostos a agentes nocivos químicos, físicos ou biológicos no ambiente de trabalho, relativa às  competências 04/1999 a 04/2004.  Os fundamentos da autuação foram bem resumidos pela decisão recorrida (efls.  3474):  7­ A auditoria  fiscal realizada na empresa notificada para verificar o  cumprimento  das  normas de  saúde  e  segurança  do  trabalho,  o  eficaz  gerenciamento do ambiente do  trabalho e o consequente controle dos  riscos ocupacionais existentes,  em  razão do  inciso  II  do artigo 22 da  Lei  n°  8.212/91,  artigos  19,  57,  58  e  121  da  Lei  n°  8.213/1991  e  alterações  posteriores,  consoante  Relatório  da  Notificação  Fiscal  de  Lançamento de Débito, às fls.47/69, concluiu o seguinte:  7.1 – a apresentação do PPRA apenas para o ano de 2004 demonstra a  fragilidade e a precariedade com que o gerenciamento ambiental está  sendo executado na empresa, restando dúvidas quanto à sua eficácia.  No mínimo, não se comprovou a realização de um planejamento anual  com  estabelecimento  de  metas,  prioridades  e  cronograma;  uma  periodicidade  e  forma  de  avaliação  do  desenvolvimento  do  PPRA;  e  tão pouco o monitoramento da exposição aos riscos;  7.2 – não se comprovou a execução do objetivo preconizado na NR­09  em  seu  item  9.3.5.1,  onde  estabelece  que  "deverão  ser  adotadas  as  medidas necessárias e suficientes para a eliminação, a minimização ou  o controle dos riscos ambientais;  7.3 – foram reconhecidos vários agentes de risco ambiental conforme  planilha de levantamento ambiental, com os valores das suas medições  e  limites  de  tolerância  encontrados,  discriminados  individualmente  para  cada  área  e  função  existente  na  empresa,  além  de  datas  das  medições (para algumas áreas realizadas há mais de 10 anos);  7.4 – o  registro dos 848 exames alterados de empregados  expostos a  agentes  de  risco  ambiental  capazes  de  provocar  tais  alterações  (773  audiometria/40  hemograma  completo  e  plaquetas/35,  Teleradiografia  de  tórax)  anotados  no  Relatório  Anual  do  PCMSO,  evidencia  a  equação:  risco  ambiental  reconhecido  +  medidas  de  controle  ineficazes  ou  inexistentes  –  funcionário  desprotegido  e  afeito  às  Fl. 4161DF CARF MF Processo nº 37172.000235/2006­33  Resolução nº  2301­000.675  S2­C3T1  Fl. 4          3 alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema  biológico;  7.5  –  a  adoção  de  EPI  no  ambiente  da  empresa  não  observou  a  obrigatoriedade  hierárquica  de  só  poder  usar  EPI's  após  a  implantação das MPC ou quando comprovado a inviabilidade técnica  desta adoção ou quando estas não forem suficientes ou se encontrarem  em fase de estudo, planejamento ou implantação ou ainda em caráter  complementar  ou  emergencial  e  após  serem  tomadas  medidas  de  caráter administrativo ou de organização do trabalho;  7.6 – os investimentos na implantação das MPC da área de Segurança  e  Meio  Ambiente  que  tem  relacionamento  com  os  agentes  de  risco  ambiental  somam  apenas,  aproximadamente,  10%  do  total  realizado  pela empresa;  7.7 – a empresa não especifica o tempo de duração de uso do EPI para  que  o  mesmo  mantenha  as  "condições  de  proteção  originalmente  estabelecidas", não se preocupando com a eficácia do EPI, se o mesmo  mantém as  condições  iniciais, mas  apenas  se  seu  uso  ainda  pode  ser  feito,  desconsiderando  a  reposição  feita  de  forma  científica,  com  prazos de troca que deveriam ser estabelecidos pelo setor competente  que, de acordo com a NTA, é a Unidade de Segurança do Trabalho;  7.8 – a empresa atribui ao empregado a obrigação de "comunicar ao  seu responsável  imediato, qualquer alteração e/ou  irregularidade que  torne  o  EPI  impróprio  para  uso",  sem  que  este  empregado  tenha,  comprovadamente, condições técnicas para tanto;  7.9 – a ficha utilizada para controle de entrega de EPI deixou dúvidas  quando  ao  fornecimento  dos  EPI'  s  pela  empresa  e  respectivo  recebimento  pelos  empregados,  pois  o  empregado  não  data  o  recebimento  individualizado  do  EPI.  Assina  uma  vez  por  mês,  atestando  o  recebimento  de  todos  os  EPI's  ao  mesmo  tempo.  Comprovando  assinaturas  apostas  sem  qualquer  critério,  em  desacordo com o  controle de  entrega de EPIs  fornecido pela própria  empresa, foram relacionados nomes de empregados de áreas em que a  empresa não comprovou a distribuição destes EPI's, ou seja, áreas em  que  não  houve  fornecimento  de  EPI's  por  determinado  período  de  tempo;  7.10  –  os  EPI's  foram  fornecidos,  para  a  maioria  das  áreas,  em  quantidades  inferiores  a 1  (um) EPI  por  empregado,  e  para  algumas  áreas  não  houve  a  comprovação  de  entrega  de  EPI  a  qualquer  empregado, implicando em consequente desproteção ao empregado;  7.11 – no ambiente de trabalho da usina, existem reconhecidos agentes  de risco ambiental que não possuem limite de tolerância estabelecido,  onde  a  nocividade  é  constatada  pela  simples  presença  do  agente  no  ambiente de trabalho, conforme constante nos Anexos 6, 13, 13­A e 14  da NR­15, como é o caso do Benzeno, OGS (Óleo/Graxa/Solventes) e  Cromo, (NR­15 item 15.1.3).  Tal exigência encontra­se inserida em procedimento de fiscalização mais amplo,  do qual redundou as seguintes cobranças:  Fl. 4162DF CARF MF Processo nº 37172.000235/2006­33  Resolução nº  2301­000.675  S2­C3T1  Fl. 5          4 Processo Administrativo   Objeto  Período  37172.000235/2006­33  NFLD 35.761.189­1  adicional ao SAT destinado ao financiamento da  aposentadoria especial   04/1999 a 04/2004  37172.000232/2006­08  AI 35.762.188­3  multa por preenchimento incorreto da GFIP a partir de 2003  06/2003 a 04/2004  36378.004047/2006­13  NFLD 35.762.191­3  falta de retenção, dos prestadores de serviços, do adicional do  SAT de terceiros, cf. NFLD 35.762.189­1  04/1999 a 04/2004  36378.004044/2006­71  NFLD 35.762.190­5  contribuição previdenciária sobre abonos do ACT e retorno  de férias  04/1999 a 04/2004  37172.000228/2006­31  AI 35.762.187­5  multa por preenchimento incorreto da GFIP  04/1999 a 04/2004  10680.009817/2007­70  AI 35.142.194­7  multa por não emissão de Comunicação de Acidente de  Trabalho – CAT nos “exames alterados”  04/1999 a 04/2004  37172.000231/2006­55  AI 35762.192­1  multa pela falta de apresentação de Programa de Prevenção  de Riscos Ambientais (PPRA) anuais  1999 a 2003  A ciência da autuação ocorreu em 18/03/2005 (efls. 2).  Irresignada, a Recorrente apresentou impugnação (efls. 1105).  Em 31/08/2005, a fiscalização manifestou­se sobre os termos da impugnação às  fls. 3419­3440 (efls. 3445­3466), de modo a ratificar, em essência, as conclusões contidas na  NFLD.  Em 24/11/2005, sobreveio decisão de primeira instância administrativa julgando  improcedente a impugnação e mantendo integralmente a exigência fiscal (efls. 3468):  CREDITO  PREVIDENCIARIO.  ADICIONAL  PARA  CUSTEIO  DE  APOSENTADORIA  ESPECIAL.  AFERIÇÃO  INDIRETA.  DECADÊNCIA.  A  falta  do  PPRA,  PGR,  PCMAT.PCMSO,  LTCAT  ou  PPP,  quando  exigíveis  ou  a  incompatibilidade  entre  esses  documentos,  enseja  a  apuração por arbitramento da contribuição adicional, com fundamento  legal previsto no § 3 o do artigo 33 da Lei n° 8.212/91 e artigo 233 do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  n°  3.048/99, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.  O  direito  da  Seguridade  Social  de  apurar  e  constituir  seus  créditos  extingue­se  após  10(dez) anos  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  crédito  poderia  ter  sido  constituído  ou  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado,  por  vício  formal,  a  constituição  de  crédito  anteriormente  efetuada,  nos  termos do art.45 da Lei n° 8.212/91.  LANÇAMENTO PROCEDENTE.  Ainda  irresignada,  a Recorrente  apresentou  recurso voluntário  em 06/04/2006,  arguindo (efls. 3490):  (a) preliminarmente, a nulidade da NFLD, em virtude:    da  adoção  de  premissas  equivocadas,  sem  esclarecer  devidamente  o  enquadramento da autuação;  Fl. 4163DF CARF MF Processo nº 37172.000235/2006­33  Resolução nº  2301­000.675  S2­C3T1  Fl. 6          5  da falta de indicação do CNAE;    de  o  Discriminativo Analítico  de  Débito,  única memória  de  cálculo  constante dos autos, utilizar base de cálculo sem precisar de onde esta foi  retirada;    de  falta  de  demonstração  da  capacitação  profissional  da  fiscalização  para dissertar  sobre questões  relacionadas  à  segurança do  trabalho, não  constando  dos  autos  a  qualificação  como  médico  ou  engenheiro  de  segurança,  nem mesmo  que  houvesse  solicitado  auxílio  a  profissionais  destes ramos;    a  exclusão  dos  co­responsáveis,  em  face  da  ausência  de  fundamentação legal ou justificativa fática;  (b) nulidade do acórdão recorrido, em virtude:   do cerceamento do direito de defesa, caracterizado pelo indeferimento  da realização de prova pericial;   da falta de acesso prévio aos documentos de fls. 3419­3440 e anexos  (que  a  Recorrente  desconheceria)  de  fls.  3409­3418,  obstando  a  realização de contradita;  (c) a decadência parcial, relativa aos créditos lançados anteriormente a 03/2000,  com base no art. 150, § 4º do CTN;  (d)  o  respeito  e  a  seriedade  da  Recorrente  no  trato  da  segurança  de  seus  empregados, conforme atestam programas e investimentos realizados em medidas de proteção  coletivas e individuais, circunstâncias desconsideradas pela fiscalização;  (e) a existência de contradição entre as áreas de arrecadação e de benefícios do  INSS,  em  vista  de  a  declaração  do  setor  de  benefícios  demonstrar  que  os  empregados  da  Recorrente não têm direito à aposentadoria especial, já que não estão expostos a qualquer risco;  (f) o fato de a eventual exposição de empregados ao risco ser atenuada por meio  de  Medidas  de  Proteção  Coletivas  –  MPC  e  Equipamentos  de  Proteção  Individual  –  EPI,  ficando abaixo do patamar descrito em lei, conforme atestam:    o  levantamento  ambiental  realizado  pela  Recorrente  (doc.  7  da  impugnação);   o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA é  feito  sob  vigilância e concordância prévia do sindicato da categoria, devidamente  protocolado no Ministério do Trabalho, conforme os acordos coletivos de  trabalho (cláusula 6ª do ACT 2004) (doc. 8 da impugnação);   com relação ao Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional –  PCMSO  e  relatório  anual,  a  fiscalização  teria  confessado  que  a  Recorrente toda a documentação, ao mencionar o registro de 848 exames  alterados; mas a fiscalização sequer verificou que alterações foram estas;  Fl. 4164DF CARF MF Processo nº 37172.000235/2006­33  Resolução nº  2301­000.675  S2­C3T1  Fl. 7          6 sequer verificou  se  estavam preenchidos os  requisitos para  emissão das  Comunicações  de  Acidentes  do  Trabalho  –  CAT;  sequer  verificou  se  havia nexo causal;  (g) o próprio médico do INSS (área de benefícios que atende aos empregados da  Recorrente), Dr. Júlio Vieira, coordenador de perícias médicas do INSS confirma a ausência de  exposição a agentes nocivos (doc. 9 da impugnação);  (h)  ao  contrário  do  alegado  pela  fiscalização,  a  Recorrente  possui  PPRA,  não  havendo  obrigação  de  que  este  seja  anual,  mas  apenas  atualizado  conforme  a  realidade  da  empresa e com os projetos realizados; além disso, a Recorrente possuiria outros controles para  gerir sua política de segurança, jamais se limitando somente aos controles legais (item 9.2.1.1  da NR­9).  (i)  sobre  os  riscos  detectados  pela  fiscalização,  alega  que  o material  entregue  (doc. 7 da impugnação):    ruído –  a  medida  de  proteção  coletiva  e  o  uso  de  três  tipos  de  protetores auriculares reduzem o agente nocivo até 200%;    poeira/fumos  metálicos –  documentação  comprova  que,  das  2097  funções na empresa, apenas 403 poderiam estar potencialmente expostas;  destas 403 funções, após medições, verificou­se que somente 90 funções  encontravam­se  expostas  ao  agente  poeira  de  sílica  acima  do  limite  de  tolerância  regulamentar;  para  tais  casos,  a  Recorrente  vem  adotando  medidas  de  proteção  coletiva  (exaustores,  ventiladores  e  medidores)  e  individual que minimizam a exposição abaixo dos  limites  legais  (anexo  12 da NR­15);   óleos/graxas/solventes – documentação comprova que, dos 504 casos  potenciais, 364 possuem exposição ocasional, 126 possuem exposição de  forma intermitente e 6 funções habituais; para todos eles, houve a entrega  e uso de EPI (cremes protetivos ou luvas impermeáveis) que reduzem a  exposição abaixo dos limites legais;    calor –  documentação  comprova  que,  das  218  funções  potenciais,  medições  identificaram  que  210  eram de  forma  intermitente;  quanto  as  demais  a  Recorrente  adota  medidas  de  proteção  coletiva  e  individual  (vestimentas refrigeradas, revezamentos, salas de descanso);    ácido  clorídrico –  documentação  comprova  que,  das  10  funções,  6  possuem  risco  de  contato  por  trabalharem  em  laboratórios  (risco  de  acidente  e não  doença);  4  expostos  a  vapores  e  destes,  apenas  2  acima  dos limites de tolerância, mas que eram minimizados pelo uso de EPI;    radiação  ionizante  –  documentação  comprova  que  apenas  20  função  estavam  expostas, mas  que  com  a  adoção  de EPI  nenhuma  apresentou  efetiva exposição ao agente físico (doc. 10 da impugnação); além disso,  os  dosímetros  foram  analisados  pelo  Conselho  de  Desenvolvimento  Tecnológico e Nuclear da CNEN;  Fl. 4165DF CARF MF Processo nº 37172.000235/2006­33  Resolução nº  2301­000.675  S2­C3T1  Fl. 8          7   tolueno,  xileno  e  benzeno  –  citados  pela  fiscalização,  mas  não  constantes da planilha da empresa de levantamento ambiental (doc. 7 da  impugnação).  (j)  a  maioria  dos  dados  foram  extraídos  de  levantamentos  realizados  pela  empresa em anos recentes, ou seja, em 1998 foram feitas medições em 502 cargos, em 1999  em  outros  503  cargos  e  em  2000  em mais  199  cargos;  existem,  ainda,  levantamentos  mais  recentes,  mas  é  fato  que  para  os  cargos  onde  notadamente  não  há  exposição  aos  agentes,  também não há necessidade de medições periódicas (cargos em escritórios, por exemplo);  (k)  com  relação  aos  supostos  848  exames  alterados,  a maioria não  estaria nas  chamadas  áreas  de  risco  e  a  fiscalização  sequer  teve  o  trabalho  de  pedir  verificação  dos  exames;    apenas  cerca  de  180  pessoas  estariam  expostas  (potencialmente)  ao  risco  e  apresentariam  exames  alterados;  contudo,  discute­se  se  tal  alteração decorre da função que o empregado exerce ou de natureza não  ocupacional (PCMSO – doc.12 da impugnação);   isso porque a Recorrente faz exames periódicos em seus empregados,  justamente  em  decorrência  da  gestão  ambiental  correta  e  preventiva,  sendo que a alteração positiva ou negativa em relação ao exame anterior  não significa, “a priori”, a existência de uma doença ocupacional;  (l)  a  Recorrente  mantém  programa  de  conservação  auditiva  (PCA)  e  realiza  treinamentos  específicos  para  a  correta  utilização  de  EPI  auditivos,  não  mencionado  pela  fiscalização (docs. 13 e 14 da impugnação);  (m)  a  fiscalização  não  considerou  uma  série  de  investimentos  realizada  pela  Recorrente  que  se  caracterizam  como  medidas  de  proteção  coletiva  (MPC)  (doc.  16  da  impugnação);  (n)  toda a exposição feita demonstra que a Recorrente segue, por seus exames  médicos, todos os procedimentos ditados pelo item 9.3.5 da NR­9 – Medidas de Controle;  (o) a Recorrente adota medidas de proteção coletivas possíveis, mas nas  áreas  onde ainda o agente é encontrado, resta a utilização do EPI, o qual é fornecido juntamente com  o treinamento (docs. 14 e 17 da impugnação);    a  seleção  de  EPI  é  feita  pela  equipe  de  segurança,  sendo  que  o  empregado escolhe aquele que lhe é mais confortável;   a Recorrente exige e fiscaliza seu uso, realizando a troca sempre que  necessário;   é temerário estabelecer tempo de duração do EPI, pois em cada área,  em cada forma de utilizar e manusear o equipamento pode influenciar a  duração do EPI;  Fl. 4166DF CARF MF Processo nº 37172.000235/2006­33  Resolução nº  2301­000.675  S2­C3T1  Fl. 9          8   o  treinamento  que  a  Recorrente  dá,  aliado  ao  grau  de  instrução  dos  empregados, permitem que este ônus seja dos empregados (item 6.7.1 da  NR­6), mas sempre com a fiscalização da área de segurança da empresa;   o ato de assinar mensalmente na  ficha de EPI não significa que está  recebendo  novos  EPI  a  cada  assinatura,  mas  que  naquele  momento  possui os equipamentos necessários para a prática segura de suas funções  (ex. um protetor auricular tipo concha pode durar mais de um ano, mas a  cada mês  o  empregado  declara  que  este  protetor  está  em  ordem  e  não  necessita de substituição);   pelos cálculos elaborados, não há sentido na afirmação da fiscalização  de  que  o  empregado  recebe menos  de  um  protetor  ao mês.  De  acordo  com a tabela,  recebe um protetor concha ao ano  (duração mínima deste  protetor);  no protetor de  inserção,  recebe 4,  tipo  espuma, por mês  e 13  protetores  de  silicone  ao  ano.  Se  considerarmos  a  distribuição  de  1  protetor  de  silicone  ao  mês,  teremos  a  distribuição  de  7  protetores  de  espuma ao mês, para cada empregado;   segundo cálculos similares, ao contrário da afirmação da fiscalização,  a  Recorrente  constata  que,  para  a  proteção  da  pele  (graxa/óleos/lubrificantes),  cada  empregado  sujeito  ao  risco  recebeu  15  EPI em média por ano (cremes, luvas de PVC , luvas de raspa, luvas de  kevlar etc.);    para  proteção  respiratória,  cada  empregado  recebeu,  nos  últimos  5  anos, 6 máscaras filtradoras por mês para neutralizar o agente nocivo;  Em  28/04/2006,  por  meio  do  despacho  de  conhecimento  de  diligência  fiscal  (efls.  3536­3539),  a Recorrente  foi  cientificada  da  informação  fiscal  de  fls.  3419­3440  (efls.  3445­3466). Por não ter apresentado resposta, a decisão de primeira instância restou mantida,  dando se seguimento à apreciação do recurso voluntário interposto (efls. 3541).  Em  08/07/2010,  mediante  a  resolução  nº  2301­00.077,  esta  turma  do  CARF  converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência para a realização de perícia, a fim  de  que  o  fisco  comprove,  efetivamente, mediante  laudo  pericial  a  ser  realizado  “in  locu”,  a  exposição  ou  não  dos  segurados  empregados  a  agentes  nocivos,  vez  que  detêm  o  “ônus  probandi” (efls. 3572; 3702; 3745; 3779).  Em  26/05/2011,  na  tentativa  de  corroborar  suas  alegações,  a  Recorrente  promoveu juntada de laudo técnico, elaborado em 2010 por perito contratado, onde teria ficado  constatado as boas práticas relativas à gestão e segurança do trabalho (efls. 3862).  Em  09/12/2011,  a  fiscalização  manifestou­se  sobre  o  atestado  do  médico  do  INSS (Dr. Júlio Vieira) e sugere o encaminhamento à Superintendência Regional Sudeste II do  INSS para atendimento da diligência (efls. 3626). A Recorrente manifesta­se às efls. 3659.  Em  18/04/2013,  mediante  a  resolução  nº  2301­00.381,  diante  do  não  cumprimento da diligência, esta turma do CARF converteu novamente o julgamento do recurso  voluntário  em diligência para  a  realização de perícia  “in  loco”,  encaminhando­se o processo  Fl. 4167DF CARF MF Processo nº 37172.000235/2006­33  Resolução nº  2301­000.675  S2­C3T1  Fl. 10          9 para a Superintendência Regional Sudeste II do INSS, tal como sugerido pela fiscalização. A  resolução formulou quesitos a serem respondidos (efls. 3798).  Em 15/04/2014, o Sr. Chefe do Serviço de Fiscalização da DRF/Belo Horizonte  manifestou­se  sobre  o  pedido  de  diligência,  afirmando  não  competir  ao  auditor  verificar  a  exposição  ou  não  dos  segurados  a  agentes  nocivos  à  saúde  no  ambiente  de  trabalho.  Além  disso, a verificação “in loco” das condições ambientais afigura­se inútil, dada a impossibilidade  de certificação de fatos pretéritos. A fiscalização limita­se à verificação dos documentos. Cita  que somente com o art. 251 da Instrução Normativa  INSS/PRES nº 45/2010, que é posterior  aos atos, que existe a necessidade de perícia por médico do  INSS  (efls. 3806). A Recorrente  manifesta­se às efls. 3814.  É o relatório.  Voto Vencido   Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto ­ Relator ad hoc   A  intimação  do  acórdão  de  primeira  instância  ocorreu  em  07/03/2006  e  o  recurso  voluntário  foi  interposto  em  06/04/2006.  Por  ser  tempestivo  e  por  cumprir  com  as  formalidades legais, dele tomo conhecimento.  Nulidades da NFLD e do Acórdão Recorrido   Analiso,  inicialmente,  as  preliminares  de  nulidades  da  NFLD  e  do  acórdão  recorrido suscitadas pela Recorrente.  Quanto  à  adoção  de  premissas  equivocadas  na  NFLD,  penso  que  o  relatório  fiscal contém a descrição dos fatos que são imputados à Recorrente, expondo os elementos que  levaram  a  fiscalização  a  concluir  pela  efetiva  ocorrência  dos  fatos  jurídicos  necessários  e  suficientes  ao  nascimento  da  relação  tributária.  O  ato  de  lançamento  encontra­se,  assim,  fundamentado. Se os fundamentos elencados são, ou não, válidos e suficientes para sustentar o  lançamento de ofício, trata­se de questão de mérito, a ser enfrentada na sequência.  Quanto  à  ausência  de  elementos  justificadores  da  base  de  cálculo,  o  Discriminativo Analítico  de Débito  (DAD)  da NFLD  indica,  a  cada  competência mensal,  o  valor da base de  cálculo do  adicional  ao SAT. Tal montante  é  formado pela  conjugação das  remunerações  dos  empregados  (Anexo  I)  sujeitos  aos  agentes  nocivos  (Anexo  II).  Não  vislumbro a nulidade “a priori”.  Quanto  à  falta  de  menção  do  CNAE  da  Recorrente,  tal  providência  não  se  mostra  necessária,  uma  vez  que  o  lançamento  versa  sobre  o  adicional  do  SAT,  o  qual  independe do enquadramento da atividade da empresa no grau de risco.  Quanto  à  exclusão  dos  co­responsáveis,  cabe  esclarecer  que  as  pessoas  constantes  da  Relação  de  Co­Responsáveis  –  CORESP  não  foram  arroladas  como  sujeitos  passivos  da NFLD,  servindo  o  documento  apenas  como  subsídio  à Procuradoria  da Fazenda  Nacional,  caso  haja  a  necessidade  de  execução  judicial  do  crédito  previdenciário,  após  a  conclusão  do  contencioso  administrativo.  É  o  que  dispõe  a  Súmula  CARF  nº  88  ,  de  observância obrigatória pelos conselheiros deste órgão administrativo.  Fl. 4168DF CARF MF Processo nº 37172.000235/2006­33  Resolução nº  2301­000.675  S2­C3T1  Fl. 11          10 Quanto à falta de demonstração da capacitação profissional da fiscalização para  dissertar  sobre  questões  relacionadas  à  segurança  do  trabalho,  é  preciso  considerar  que  as  atribuições para o exercício do cargo público são fixadas por lei, em especial a que cria o cargo  público. As valorações acerca do grau de especialização para exercício das funções são feitas  pelo  legislador e não pela Administração Pública ou pelos  agentes públicos ou privados. No  caso dos auditores fiscais, suas atribuições constam da Lei nº 10.593/2002, merecendo destacar  a  execução  de  auditoria  e  de  fiscalização,  objetivando  o  cumprimento  da  legislação  da  Previdência  Social  relativa  às  contribuições  administradas  pelo  INSS,  lançamento  e  constituição  dos  correspondentes  créditos  apurados.  Eventual  assistência  de  outros  profissionais (médicos e engenheiros do trabalho) para subsidiar eficazmente as conclusões do  auditor fiscal é possível, embora não seja obrigatória, em virtude das prerrogativas asseguradas  e das funções atribuídas legalmente.  Quanto ao pedido de conversão do julgamento em diligência para realização de  prova  pericial,  não  há  dúvida  de  que  o  ordenamento  jurídico  brasileiro,  a  começar  pela  Constituição Federal de 1988, consagra o respeito ao contraditório e à ampla defesa, com os  meios e recursos a ela inerentes, aos litigantes em processo judicial ou administrativo. Isso não  significa,  entretanto,  que  toda  e  qualquer  diligência  requerida  pela  parte  deva  ser  automaticamente  deferida  pelo  julgador.  Nos  termos  do  art.  18  do  Decreto  nº  70.235/72,  a  possibilidade de realização de diligências para apuração dos fatos é uma faculdade do julgador,  devendo ser exercida quando houver dúvida acerca dos aspectos fáticos constantes nos autos,  sem violação de qualquer direito constitucionalmente assegurado.  Quanto à falta de acesso prévio aos documentos de fls. 3419­3440 (efls. 3445­ 3466), constato que a fiscalização, por meio do despacho de conhecimento de diligência fiscal  (efls. 3536­3544), cientificou a Recorrente, abrindo­lhe prazo para eventual manifestação. No  entanto, o prazo transcorreu “in albis”.  Rejeito, portanto, as preliminares de nulidade da NFLD e do acórdão recorrido.  Decadência   Depois  de  longo  debate  jurisprudencial,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  consolidou  seu  entendimento no Recurso Especial  nº 973.733, de 12/08/2009,  julgado  sob  o  regime dos recursos repetitivos.  Assim, o prazo decadencial para o Fisco  lançar o crédito  tributário  é de  cinco  anos,  contados:  (i)  a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador,  quando  houver  antecipação  de  pagamento  e  não  houver  dolo,  fraude  ou  simulação  (art.  150,  §4º, CTN);  ou  (ii)  a  partir  do  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter sido efetuado, no  caso de ausência de antecipação de pagamento (art. 173, I, CTN).  Vale  salientar  que  o  referido  entendimento  jurisprudencial  é  de  observância  obrigatória por este tribunal administrativo (art. 62, §2º, Anexo II do Regulamento do CARF,  aprovado pela Portaria MF nº 343/2015).  Na espécie, a matéria tratada na autuação refere­se à incidência de adicional do  SAT  sobre  a  remuneração  de  empregados  supostamente  expostos  a  agentes  nocivos  prejudiciais  à  saúde  ou  à  integridade  física  e  que  ensejem  a  concessão  de  aposentadoria  especial.  Fl. 4169DF CARF MF Processo nº 37172.000235/2006­33  Resolução nº  2301­000.675  S2­C3T1  Fl. 12          11 A meu ver, tal fato autoriza concluir que a Recorrente promoveu a incidência e o  recolhimento  desses  tributos,  ainda  que  a menor,  sobre o  valor  da denominada  remuneração  direta, isto é, aquela paga em dinheiro, atraindo a aplicação da Súmula CARF nº 99 . Por essa  razão, deve ser observada a regra do art. 150, §4º do CTN, com o início da contagem do prazo  decadencial de cinco anos a partir da data de ocorrência do fato gerador.  Situação semelhante também foi constatada pela Câmara Superior de Recursos  Fiscais,  por  ocasião  do  julgamento  do  acórdão  nº  9202­002.669,  de  25/04/2013.  Naquela  oportunidade, o colegiado determinou igualmente a aplicação da regra do art. 150, §4º do CTN  sobre a exigência de contribuição previdenciária sobre salário indireto, verbis:  In  casu,  porém,  despiciendas  maiores  elucubrações  a  propósito  da  matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos  leva a concluir  pela existência de antecipação de pagamento, por trata­se em parte de  salário  indireto,  portanto,  diferenças  de  contribuições,  eis  que  a  contribuinte  promoveu  o  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para  a  aplicação  do  instituto,  nos  termos  da  decisão  do  STJ  acima  ementada, a qual estamos obrigados a observar (grifos do original)  Nesse sentido, como a ciência do lançamento originário ocorreu em 18/03/2005,  considero  decaídos  os  lançamentos  anteriores  à  competência  02/2000  (inclusive),  não  reconhecendo tal fato quanto aos demais.  Adicional ao SAT   A  contribuição  para  o  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  (“contribuição ao SAT”), na alíquota básica de 1%, 2% ou 3%, destinava­se originariamente ao  custeio dos benefícios concedidos em virtude de acidentes do trabalho.  Posteriormente,  o  SAT  passou  a  alcançar  também  o  custeio  da  aposentadoria  especial, subsidiada pela cobrança de adicional. Desse modo, o desenvolvimento de atividade  que  exponha  o  empregado  a  agentes  nocivos  químicos,  físicos  ou  biológicos,  ou  associação  desses agentes, comprovadamente prejudiciais à saúde ou à  integridade física, e que enseje a  concessão de  aposentadoria  especial,  está  sujeita  ao pagamento da  alíquota  adicional de 6%,  9% ou 12% (“adicional ao SAT”).  A  relação  taxativa  dos  agentes  nocivos  e  o  tempo  de  exposição,  para  fins  de  aposentadoria  especial,  constam  do  art.  68  e  do  Anexo  IV  do  Regulamento  da  Previdência  Social (Decreto nº 3.048/99).  O  adicional  ao  SAT  incide,  exclusivamente,  sobre  o  total  das  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas,  no  decorrer  do mês,  ao  segurado  empregado  e  ao  trabalhador  avulso ou cooperado sujeitos a condições especiais que prejudiquem sua saúde ou integridade  física  (ao  contrário  do  SAT  básico,  que  incide  sobre  a  totalidade  da  remuneração  de  empregados e avulsos).  É  importante  enfatizar que  a  cobrança  do  adicional  ao SAT está  associada  ao  desempenho de atividades que exponham segurados a riscos ambientais do trabalho, os quais  produzem prejuízos presumidos à higidez física e mental do trabalhador.  Fl. 4170DF CARF MF Processo nº 37172.000235/2006­33  Resolução nº  2301­000.675  S2­C3T1  Fl. 13          12 Isso significa que, para a cobrança do adicional ao SAT, a exposição ao agente  nocivo acima dos  limites  regulamentares deve ser contínua e efetiva, embora os prejuízos ao  empregado  sejam  presumidos.  Ou  seja,  o  fato  de  o  empregado  eventualmente  não  obter  a  concessão  de  aposentadoria  especial  (por  exemplo,  porque  o  tempo  de  exposição  ao  agente  nocivo  foi  inferior  ao patamar  legal)  não  exime a empresa de  contribuir  com o  adicional  ao  SAT.  Por outro lado, não será devido o adicional ao SAT quando a adoção de medidas  de proteção coletiva ou individual neutralizar ou reduzir o grau de exposição do empregado a  níveis legais de tolerância, de forma a afastar a concessão da aposentadoria especial, cabendo à  empresa  comprovar  o  gerenciamento  dos  riscos  e  a  adoção  de  medidas  de  proteção  recomendadas.  Os art. 57 e 58 da Lei nº 8.213/91 constituem o fundamento legal do adicional  ao SAT (grifos nossos):  Art.  57.  A  aposentadoria  especial  será  devida,  uma  vez  cumprida  a  carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a  condições especiais que prejudiquem a saúde ou a  integridade  física,  durante  15  (quinze),  20  (vinte)  ou  25  (vinte  e  cinco)  anos,  conforme  dispuser a lei. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995)  § 1º A aposentadoria  especial, observado o disposto no art.  33 desta  Lei, consistirá numa renda mensal equivalente a 100% (cem por cento)  do salário­de­benefício. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995)  § 2º A data de início do benefício será fixada da mesma forma que a da  aposentadoria por idade, conforme o disposto no art. 49.  §  3º  A  concessão  da  aposentadoria  especial  dependerá  de  comprovação  pelo  segurado,  perante  o  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social–INSS,  do  tempo  de  trabalho  permanente,  não  ocasional  nem  intermitente,  em  condições  especiais  que  prejudiquem  a  saúde  ou  a  integridade  física,  durante  o  período  mínimo  fixado.  (Redação  dada  pela Lei nº 9.032, de 1995)  §  4º  O  segurado  deverá  comprovar,  além  do  tempo  de  trabalho,  exposição  aos  agentes  nocivos  químicos,  físicos,  biológicos  ou  associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, pelo  período  equivalente  ao  exigido  para  a  concessão  do  benefício.  (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995)  § 5º O tempo de trabalho exercido sob condições especiais que sejam  ou  venham  a  ser  consideradas  prejudiciais  à  saúde  ou  à  integridade  física será somado, após a respectiva conversão ao tempo de trabalho  exercido  em  atividade  comum,  segundo  critérios  estabelecidos  pelo  Ministério  da  Previdência  e  Assistência  Social,  para  efeito  de  concessão de qualquer benefício. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995)  § 6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos  provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei  nº 8.212, de 24 de  julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de  doze,  nove ou  seis pontos percentuais,  conforme a atividade  exercida  pelo  segurado  a  serviço  da  empresa  permita  a  concessão  de  aposentadoria  especial  após  quinze,  vinte  ou  vinte  e  cinco  anos  de  Fl. 4171DF CARF MF Processo nº 37172.000235/2006­33  Resolução nº  2301­000.675  S2­C3T1  Fl. 14          13 contribuição,  respectivamente.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.732,  de  11.12.98)  §  7º  O  acréscimo  de  que  trata  o  parágrafo  anterior  incide  exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições  especiais referidas no caput. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98)  § 8º Aplica­se o disposto no art. 46 ao segurado aposentado nos termos  deste artigo que continuar no exercício de atividade ou operação que o  sujeite  aos  agentes  nocivos  constantes  da  relação  referida  no  art.  58  desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98)  Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou  associação  de  agentes  prejudiciais  à  saúde  ou  à  integridade  física  considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que  trata  o  artigo  anterior  será  definida  pelo Poder  Executivo.  (Redação  dada pela Lei nº 9.528, de 1997)  §  1º  A  comprovação  da  efetiva  exposição  do  segurado  aos  agentes  nocivos  será  feita  mediante  formulário,  na  forma  estabelecida  pelo  Instituto Nacional  do  Seguro  Social  ­  INSS,  emitido pela  empresa  ou  seu preposto, com base em  laudo  técnico de condições ambientais do  trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança  do trabalho nos termos da legislação trabalhista. (Redação dada pela  Lei nº 9.732, de 11.12.98)  § 2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar  informação  sobre  a  existência  de  tecnologia  de  proteção  coletiva  ou  individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de  tolerância  e  recomendação  sobre  a  sua  adoção  pelo  estabelecimento  respectivo. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98)  §  3º  A  empresa  que  não  mantiver  laudo  técnico  atualizado  com  referência aos agentes nocivos  existentes no ambiente de  trabalho de  seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva  exposição  em  desacordo  com  o  respectivo  laudo  estará  sujeita  à  penalidade prevista no art. 133 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.528,  de 1997)  §  4º  A  empresa  deverá  elaborar  e  manter  atualizado  perfil  profissiográfico  abrangendo  as  atividades  desenvolvidas  pelo  trabalhador  e  fornecer  a  este,  quando  da  rescisão  do  contrato  de  trabalho, cópia autêntica desse documento. (Incluído pela Lei nº 9.528,  de 1997)  Ao sistematizar as informações acima, conclui­se que:  (a)a incidência do adicional ao SAT está condicionada à comprovação da efetiva  exposição do segurado aos agentes nocivos (art. 58, §1º);  (b)tal  comprovação  deverá  ser  realizada  pela  empresa,  com  base  em  laudo  técnico de condições ambientais do trabalho, nos termos da legislação trabalhista (art. 58, §1º);  Fl. 4172DF CARF MF Processo nº 37172.000235/2006­33  Resolução nº  2301­000.675  S2­C3T1  Fl. 15          14 (c)a  existência de  tecnologia de proteção coletiva ou  individual que diminua a  intensidade do agente agressivo a limites de tolerância exclui a incidência do adicional ao SAT  (art. 58, §2º);  (d)a  ausência  ou  a  elaboração  do  laudo  técnico  em  desacordo  com  as  normas  regulamentares sujeita a empresa à multa (art. 58, §3º).  Pois  bem.  Nos  lançamentos  de  ofício  do  adicional  do  SAT,  o  Fisco  não  está  dispensado  de  realizar  a  comprovação  da  efetiva  exposição  dos  empregados  aos  agentes  nocivos. Trata­se de pressuposto legal exigido tanto para a concessão de aposentadoria especial  ao segurado (art. 57, “caput”), quanto para a cobrança do adicional ao SAT da empresa (art. 57,  §6º).  Isso  não  significa  que  o  Fisco  não  possa  se  apoiar  em  dados  retirados  de  demonstrações  ambientais  fornecidas  pela  própria  empresa,  quando  tais  demonstrações  são  elaboradas  com base  no  trabalho  "in  loco",  contemporâneas  aos  fatos  geradores  e  realizadas  por profissionais habilitados em medicina e segurança do trabalho.  Estando  provada  a  presença  de  agentes  nocivos  no  ambiente  de  trabalho,  a  incidência  do  adicional  ao  SAT  somente  será  elidida  se  a  empresa  demonstrar  que  o  fornecimento  de  tecnologia  de  proteção  coletiva  ou  individual  aos  empregados  é  eficaz  na  eliminação ou na redução da intensidade do agente nocivo a patamares legalmente aceitáveis.   Trata­se  de  ônus  imposto  à  empresa.  Por  isso,  a  pertinência  do  art.  410  da  Instrução  Normativa  INSS/DC  nº  100/2003,  que  nada  mais  faz  do  que  esclarecer  e  regulamentar o papel do laudo técnico mencionado nos parágrafos 1º e 2º do art. 58 da Lei nº  8.213/91:  Art. 410. Em procedimento fiscal que for constatada a falta do PPRA,  PGR,  PCMAT,  PCMSO,  LTCAT  ou  PPP,  quando  exigíveis  ou  a  incompatibilidade entre esses documentos, o AFPS fará,  sem prejuízo  das  autuações  cabíveis,  o  lançamento  arbitrado  da  contribuição  adicional, com fundamento legal previsto no § 3º do art. 33 da Lei nº  8.212, de 1991, combinado com o art. 233 do RPS, cabendo à empresa  o ônus da prova em contrário.  Mas é importante enfatizar a cautela que o citado art. 410 teve ao prescrever o  arbitramento  do  adicional  ao  SAT  aos  casos  de  falta  ou  incompatibilidade  entre  as  demonstrações ambientais. Tal fato revela que as eventuais irregularidades nas demonstrações  ambientais  apontadas pela  fiscalização deverão ser  substanciais,  e não meramente periféricas  ou de ordem formal.  E  nesse  ponto,  considero  que  as  evidências  trazidas  pela  fiscalização  para  afirmar  a  ineficiência  das  medidas  de  proteção  coletivas  e  individuais  implementadas  pela  Recorrente e,  assim,  fundamentar a exigência do adicional ao SAT, com a devida vênia,  são  frágeis, circunstanciais e não convincentes.  Primeiro, porque busca desacreditar todo o gerenciamento dos riscos ambientais  implementado pela Recorrente ao afirmar que o Programa de Prevenção de Riscos Ambiental –  PPRA deve  ser  elaborado  anualmente. Ora,  o PPRA é  um programa de  higiene ocupacional  cujo  objetivo  é  a  proteção  da  saúde  e  da  integridade  física  dos  trabalhadores,  a  partir  de  medidas de antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos ambientais existentes  Fl. 4173DF CARF MF Processo nº 37172.000235/2006­33  Resolução nº  2301­000.675  S2­C3T1  Fl. 16          15 ou que venham a existir no ambiente de trabalho. O que o item 9.2.1.1 da NR­9 determina não  é a elaboração de um PPRA a cada ano, mas sim a avaliação do seu desenvolvimento, por meio  do documento intitulado Análise Global. E isso foi feito pela Recorrente.  Suposição  semelhante  também  foi  empregada  pela  fiscalização  ao  registrar  como  fundamento  da  NFLD  a  existência  de  848  exames  alterados  sem  emissão  de  Comunicação  de  Acidente  de  Trabalho  –  CAT.  Ocorre  que  a  fiscalização  sequer  verificou  quais  alterações  ocorreram,  deixando  de  comprovar  a  existência  de  nexo  causal  entre  a  condição do empregado e o ambiente de trabalho a ensejar a emissão da CAT, como atesta a  declaração  do  Dr.  Fernando  Castanheira,  médico  coordenador  de  medicina  do  trabalho  da  Recorrente (efls. 3215):  A  Unidade  de  Saúde  da  Acesita,  foi  visitada  pelo  Sr.  Atayde  José  Guimarães,  Auditor  Fiscal  da  Previdência  Social,  que  solicitou  de  maneira  informal  e  sem qualquer  intimação para  tanto,  entre  outros,  ver e manusear os prontuários médicos dos empregados da empresa.  Contudo, este acesso  foi negado,  foi­lhe  informado o motivo, que por  razões de sigilo médico estes prontuários só poderiam ser fornecidos a  um profissional da área médica e mediante intimação específica.  Todos  os  outros  documentos  solicitados  foram  entregues,  incluindo,  mas  não  se  esgotando,  PCMSO,  PCA,  fichas  de  controle  do  fornecimento  do  EPI,  controle  de  treinamento  do  uso  do  EPI,  etc,  sendo que nenhum deles teriam a proteção do sigilo médico.  Quanto ao fato do Sr. Fiscal ter entendido que os 848 exames alterados  deveriam  gerar  a  emissão  de  CAT  para  cada  exame,  trata­se  de  entendimento  completamente  equivocado  perante  os  conceitos  da  Medicina do Trabalho.  Isto porque, exames alterados, por si só, não significam existência de  doença e muito menos de qualquer nexo causal que possa afirmar ter  aquela doença origem ocupacional.  No  caso  da  ACESITA  afirmamos  que  todos  os  Comunicados  de  Acidente do Trabalho que eram necessários  ser  emitidos,  já o  foram,  jamais  atingindo  o  montante  de  exames  alterados,  apontados  pelo  Fiscal.  (...)  Portanto  reafirmamos  que  os  exames  audiometricos  alterados  realizados na Unidade de Saúde da Acesita, são de natureza patológica  e não necessariamente causados por ruído ocupacional. Pois, os seus  limiares  não  correspondem  a  perda  auditiva  provocada  por  ruído  ocupacional.  Portanto, não há qualquer sentido na afirmativa do Sr. Fiscal quanto a  necessidade  de  emissão  da  CAT,  estando  a  ACESITA  e  esta  Coordenação à disposição de qualquer perícia médica, do INSS, para  visita e constatação da verdade.  Fl. 4174DF CARF MF Processo nº 37172.000235/2006­33  Resolução nº  2301­000.675  S2­C3T1  Fl. 17          16 Informo,  também,  que  o  Dr.  Júlio  Vieira  Coordenador  da  Perícia  Médica  do  INSS  já  fez  várias  pesquisas  nos  prontuários  dos  nossos  empregados e não encontrou nenhuma anormalidade.  Segundo, porque são  tecidas  críticas  sobre  a  eficácia das medidas de proteção  coletiva e individual sem o devido respaldo técnico e pericial.  Questionou­se, por exemplo, o tempo de duração e o modo de fornecimento de  EPI aos empregados utilizando­se de indícios com baixo poder persuasivo quanto à existência  do fato principal (a exposição dos empregados a agentes nocivos), como o baixo investimentos  em medidas de proteção coletiva e o suposto conteúdo dúbio dos controles de entrega dos EPI  aos empregados (este último elemento levou a fiscalização a extrapolar a conclusão de que a  Recorrente fornecia quantidade inferior a um EPI por empregado).  Embora tenha atribuição para verificar livros e documentos, realizar inspeções e  efetuar  o  lançamento  do  crédito  tributário,  a  fiscalização  adentrou  numa  seara  cujo  convencimento se dá por mecanismos eminentemente técnicos.  A legislação previdenciária não ignora tal realidade, tanto que o Regulamento da  Previdência  Social  (Decreto  nº  3.048/99)  previu  a  assistência  durante  o  procedimento  fiscalizatório  do médico  perito  do  INSS  e  da  polícia  administrativa  em matéria  laboral  e  de  segurança do trabalho (Ministério do Trabalho e Emprego):  Art.  338.  A  empresa  é  responsável  pela  adoção  e  uso  de  medidas  coletivas e individuais de proteção à segurança e saúde do trabalhador  sujeito  aos  riscos  ocupacionais  por  ela  gerados.  (Redação dada  pelo  Decreto nº 4.032, de 2001)  § 1º É dever da empresa prestar informações pormenorizadas sobre os  riscos da operação a executar e do produto a manipular. (Incluído pelo  Decreto nº 4.032, de 2001)  §  2º  Os  médicos  peritos  da  previdência  social  terão  acesso  aos  ambientes  de  trabalho  e  a  outros  locais  onde  se  encontrem  os  documentos  referentes  ao  controle  médico  de  saúde  ocupacional,  e  aqueles  que  digam  respeito  ao  programa  de  prevenção  de  riscos  ocupacionais,  para  verificar  a  eficácia  das  medidas  adotadas  pela  empresa  para  a  prevenção  e  controle  das  doenças  ocupacionais.(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001)  §  3º  O  INSS  auditará  a  regularidade  e  a  conformidade  das  demonstrações  ambientais,  incluindo­se  as  de  monitoramento  biológico,  e  dos  controles  internos  da  empresa  relativos  ao  gerenciamento  dos  riscos  ocupacionais,  de  modo  a  assegurar  a  veracidade  das  informações  prestadas  pela  empresa  e  constantes  do  CNIS, bem como o cumprimento das obrigações relativas ao acidente  de trabalho. (Redação dada pelo Decreto nº 4.882, de 2003)  §  4º  Os  médicos  peritos  da  previdência  social  deverão,  sempre  que  constatarem  o  descumprimento  do  disposto  neste  artigo,  comunicar  formalmente aos demais órgãos interessados na providência, inclusive  para aplicação e cobrança da multa devida. (Incluído pelo Decreto nº  5.545, de 2005)  Fl. 4175DF CARF MF Processo nº 37172.000235/2006­33  Resolução nº  2301­000.675  S2­C3T1  Fl. 18          17 Art.  339.  O  Ministério  do  Trabalho  e  Emprego  fiscalizará  e  os  sindicatos  e  entidades  representativas  de  classe  acompanharão  o  fiel  cumprimento do disposto nos arts. 338 e 343.  Portanto,  não  existem  evidências  convincentes  de  que  as medidas  de  proteção  coletiva  e  individual  implementadas  pela Recorrente  contra  agentes  nocivos  no  ambiente  de  trabalho sejam ineficazes.  Pelo  contrário,  a  Recorrente  junta  diversos  documentos  que  destacam  o  cumprimento  de  suas  obrigações  ambientais,  como  explicativos  da  política  de  gestão  de  segurança e medicina do  trabalho (efls. 1221 e 1247, 1282), apresentações sobre o adequado  uso  do  EPI  (efls.  2607),  planilhas  de  monitoramento  do  ambiente  (efls.  2650),  fichas  de  controle  do EPI  por  empregado  (efls.  3153),  lista  de  presença  em  treinamentos  (efls.  3252),  certificações de conformidade nas especificações ISO 9001, 14001 e 18001 (anos posteriores  ao  período  autuado)  e  laudo  técnico  elaborado  em  2010  por  perito  contratado,  atestando  as  boas práticas de gestão e segurança do trabalho (efls. 3862).  Não  havendo  falta  de  demonstrações  ambientais  (PPRA,  PGR,  PCMAT,  PCMSO,  LTCAT  ou  PPP)  ou  incompatibilidade  entre  esses  documentos,  na  esteira  preconizada pelo art. 410 da Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, restaria à fiscalização  fazer a prova direta da ineficiência das medidas de proteção coletiva e individual. Trata­se de  ônus inescusável da acusação fiscal, por integrar o procedimento administrativo de lançamento  (art.  142  do  CTN),  e  que  não  pode  ser  transferido  à  Recorrente  nem  ter  sua  realização  postergada.  Por  isso,  entendo  inoportuna  a  diligência  pretendida  pela  composição  anterior  dessa turma, com vistas à realização de perícia “in loco”,  tendente a verificar a exposição ou  não dos empregados a agentes nocivos no ambiente de trabalho.  No  fundo,  tal  providência não busca dirimir dúvidas  sobre  fatos  colhidos pela  fiscalização  no  procedimento  de  constituição  do  crédito  tributário.  Busca,  na  verdade,  sanar  uma omissão ocorrida durante os trabalhos de auditoria e que acabou por macular a validade do  ato  de  lançamento. Ou  seja,  a  comprovação  da  efetiva  exposição  do  empregado  aos  agentes  nocivos, por  ineficácia da  tecnologia de proteção, não  foi  feita pela  fiscalização e agora, em  sede recursal no contencioso administrativo, pretende­se certificar a existência ou não de fatos  ocorridos há mais de dez anos. E isso, a meu ver, com a devida vênia, não é possível.  Enfim,  acolho  o  recurso  voluntário,  em  virtude  de  a  fiscalização  não  ter  demonstrado  a  circunstância  que  autoriza  a  exigência  do  adicional  ao  SAT,  qual  seja,  a  exposição de empregados a agentes nocivos no ambiente de trabalho, em razão da ineficiência  das medidas de proteção.  Conclusão   Em  face  do  exposto,  voto  por  conhecer  o  recurso  voluntário,  rejeitar  as  preliminares de nulidade da NFLD e do acórdão recorrido, considerar decaídos os lançamentos  anteriores  à  competência  02/2000  (inclusive)  e,  no  mérito,  dar  provimento  ao  recurso  voluntário, cancelando a exigência fiscal quanto às competências não decaídas.  É como voto.  Fl. 4176DF CARF MF Processo nº 37172.000235/2006­33  Resolução nº  2301­000.675  S2­C3T1  Fl. 19          18 (assinado digitalmente)  Alexandre Evaristo Pinto ­ Relator ad hoc    Voto Vencedor   Conselheira Andrea Brose Adolfo ­ Redatora designada   Diligência   Ao contrário do apontado no voto do relator, verifico que há a necessidade de  conversão do  julgamento em diligência,  com fulcro no art. 18 do Decreto nº 70.235//72 para  dirimir as dúvidas em relação às questões abaixo.  Decadência   Em  que  pese  concordar  com  a  aplicação  do  critério  decadencial  apontado  na  condução do voto vencedor (art. 150, § 4º, do CTN), entendo que há a necessidade da juntada  da comprovação de pagamento das contribuições previdenciárias patronais referente ao período  de 12/1999 a 02/2000, para adequação à Súmula CARF nº 99.  Assim,  a  unidade  de  origem  deve  proceder  à  verificação  da  existência  de  tais  recolhimentos no período supra, a fim de evitar a interposição de recurso especial pela Fazenda  Nacional.  Exposição aos agentes nocivos   Com  relação  à  exposição  a  agentes  nocivos,  compulsando os  autos,  não  ficou  clara  a  demonstração  da  exposição  dos  segurados  aos  seguintes  agentes  nocivos:  tolueno,  benzeno e xileno.   Portanto,  a  autoridade  autuante  deverá  demonstrar  com  base  em  qual  documentação chegou à conclusão da exposição dos segurados aos agentes citados acima.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Andréa Brose Adolfo ­ Redatora designada    Fl. 4177DF CARF MF

score : 1.0
7021403 #
Numero do processo: 10510.001599/2007-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para realização do exame de admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES

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9202­000.124  –  2ª Turma  Data  25 de julho de 2017  Assunto  IRPF  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  GERALDO JOSE NABUCO DE MENEZES     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.      Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência  à  câmara  recorrida,  para  realização  do  exame  de  admissibilidade  do  Recurso  Especial  do  Contribuinte,  com  retorno  dos  autos  à  relatora,  para  prosseguimento.    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício        (assinado digitalmente)  Ana Paula Fernandes – Relatora      Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira  Santos,  Rita  Eliza Reis  da Costa  Bacchieri, Maria Helena Cotta  Cardozo,  Patrícia  da  Silva,  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e  João Victor Ribeiro Aldinucci.         RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .0 01 59 9/ 20 07 -8 7 Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10510.001599/2007­87  Resolução nº  9202­000.124  CSRF­T2  Fl. 215            2 Relatório   O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado  pela  Fazenda Nacional  face  ao  acórdão  2801­01.650,  proferido  pela  1ª  Turma  Especial  /  2ª  Seção de Julgamento.  Trata­se o presente processo de Auto de  Infração referente ao  imposto sobre a  renda da pessoa física exercício 2002 no valor total de R$ 180.424,14, elevando­se a exigência  para R$  432.079,72  com  o  acréscimo  de multa  de  ofício  (75%)  e  juros  de mora. A  suposta  infração  cometida  seria  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem não comprovada, com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/P6.  O Contribuinte apresentou a impugnação, alegando dentre outras que apresentou  documentos  durante  a  fiscalização  demonstrando  que  os  depósitos  provieram  de  recursos  recebidos em anos anteriores (fls. 74/79). Como aí se vê, em 1999 (período que não mais pode  ser  objeto  de  lançamento  tributário)  possuía  saldo  no  Banco  Bilbao  Viscaya  mais  que  suficiente  para  respaldar  a  movimentação  financeira  em  2002.  Esta  informação  foi  desconsiderada, sem que o autuante fundamentasse esta rejeição, o que representa cerceamento  do  seu  direito  de  defesa.  Deveriam  ser  excluídos  os  rendimentos  da  atividade  rural,  já  declarados, provenientes da venda de gado bovino, no montante de R$ 162.373,00.  A DRJ/SDR­BA, às fls. 117/119, julgou procedente o lançamento.  O  Contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  às  fls.  129/142,  requerendo,  dentre  outros  pedidos,  a  anulação  do  acórdão  recorrido,  por  cerceamento  do  seu  direito  de  defesa, uma vez que os julgadores de 1ª Instância fogem das discussões e alegações levantadas  simplesmente  afirmando  que  o  contribuinte  não  demonstrou  individualizadamente  a  origem  dos depósitos sem documentos hábeis. Aduziu que nada impede que o Contribuinte apresente  novos  elementos  de  prova  neste momento,  pois  a  autoridade  administrativa  julgadora  tem  o  dever de buscar a verdade material no processo administrativo fiscal. Afirmou ter identificado  os  emitentes  dos  cheques,  através  das  informações  dos  depósitos  fornecidas  pela  instituição  financeira.  Entendeu  ser  possível  a  apreciação  e  análise  dos  elementos  e  provas  complementares que  explicam os depósitos de  forma  individualizada,  razão pela qual  requer  seja baixado o processo em diligência para o correto exame dos fatos e provas colecionadas,  em homenagem aos Princípios  da Verdade Material  e  da  Informalidade Moderada. Também  argumentou que a administração fazendária, mesmo depois da vigência da Lei Complementar  no  105/1002  e  da Lei  ordinária  n  o  10.174/2001,  continua  impedida  de  considerar  qualquer  ingresso  financeiro  nas  contas  bancárias  dos  contribuintes  como  rendimentos  tributáveis,  mesmo  que  não  haja  comprovação  de  suas  origens  ou  natureza.  Defendeu  que  deve  ser  apresentado  demonstrativo  de  utilização,  pelo  titular  do  depósito  bancário,  em  consumo  ou  aquisição  de  bens,  para  a  demonstração  de  sinais  exteriores  de  riqueza,  ou  ainda,  a  comprovação de que os ingressos financeiros são sistemáticos, a fundar a alegação de que tais  depósitos  sejam  efetivos  rendimentos  auferidos.  Por  fim,  sustentou  que  o  artigo  42  da  Lei  9.430/96  não  poderia  eleger  "receita  ou  rendimento"  à  condição  de  "renda"  que  já  tem  definição em lei complementar material, o CTN, segundo o qual, por seu artigo' 43, a "renda" é  sempre um plus, quer por representar a disponibilidade, de um produto do capital, do trabalho  ou da combinação de ambos, quer por representar um acréscimo de patrimônio em determinado  período de tempo.  À fl. 239, a 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, na forma do art. 62­ A,  caput  e  §  1º,  do  Anexo  II,  do  RICARF,  RESOLVEU  SOBRESTAR  o  julgamento,  Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10510.001599/2007­87  Resolução nº  9202­000.124  CSRF­T2  Fl. 216            3 tratando­se de matéria  idêntica  em recurso administrativo,  tendo em vista que a controvérsia  sobre a transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco (e aplicação  retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinha tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o  STF havia reconhecido a repercussão geral em tal matéria.  A  1ª  Turma  Especial  da  2ª  Seção  de  Julgamento,  às  fls.  348/359,  DEU  PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário,  para  excluir  o valor de R$ 162.373,00 da  base de  cálculo  da  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por depósitos  bancários  de origem  não comprovada.   Às  fls.  362/372,  a  Fazenda  Nacional  interpôs  Recurso  Especial,  no  qual  argumentou  que  Colegiado  a  quo,  prolator  do  acórdão  recorrido,  entendeu  que  o  valor  declarado  em  DAA  pode  ser  considerado  como  comprovação  de  origem  dos  depósitos  bancários,  independente  de  identificação  entre  as  fontes  e  os  depósitos.  De  outro  modo,  os  acórdãos paradigmas firmaram o entendimento de que é necessária a demonstração efetiva da  origem dos recursos depositados, sendo incabíveis meras alegações, tais como a de que o valor  declarado  em DAA  estaria  englobado  entre  os  depósitos. Cada depósito  deve  ser  justificado  individualizadamente, tal como determina a lei.  Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 374/379, a  1ª Câmara  da  2ª  Seção  de  Julgamento, DEU SEGUIMENTO  ao  recurso,  concluindo  restar  demonstrada  a  divergência  de  interpretação  em  relação  à  seguinte  matéria:  omissão  de  depósito bancário,  pois verificou que  a  turma decidiu  excluir  os  rendimentos declarados da  base de  cálculo  da  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por depósitos  bancários  de origem  não comprovada. Por outro lado, os paradigmas consideraram indispensável a individualização  e  a  vinculação  de  cada  depósito  aos  rendimentos  declarados  para  a  comprovação  da  sua  origem, restando, portanto, patente a divergência jurisprudencial nessa matéria.   Cientificado  à  fl.  389,  o  Contribuinte  apresentou  Contrarrazões  ao  Recurso  Especial,  às  fls.  392/399,  rebatendo  os  argumentos  da  Fazenda  Nacional  e  reiterando  as  alegações anteriores sobre a renda já declarada.  Às fls. 400/409, o Contribuinte também apresentou Recurso Especial, dispondo  que, conforme entendeu o acórdão recorrido, os extratos não servem e que a prova tem que ser  feita mediante a cópia do cheque. De outro modo, os acórdãos paradigmas entendem não ser  necessária  a  apresentação  da  cópia  do  cheque  para  comprovar  que  cheques  devolvidos  e  estornos devem ser  excluídos dos  créditos  em contas de depósitos  e  investimentos,  bastando  apenas os extratos.  Às  fls. 495/496, novamente o Contribuinte manifestou­se nos autos  suscitando  ocorrência de NULIDADE, causando­lhe violação de suas garantias constitucionais do devido  processo legal, contraditório e ampla defesa, tendo em vista a ocorrência do julgamento de seu  Recurso Voluntário, sem que fosse intimado para realização de sustentação oral, sendo que fez  pedido expresso juntamente com o recurso. Requereu a anulação do julgamento proferido pela  1ª Turma Especial.  Sem exame de  admissibilidade  do Recurso Especial  do Contribuinte,  os  autos  vieram conclusos para julgamento.  É o relatório.  Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10510.001599/2007­87  Resolução nº  9202­000.124  CSRF­T2  Fl. 217            4   Voto  Conselheira Ana Paula Fernandes – Relatora    Compulsando  os  autos  a  fim  de  delimitar  a  extensão  da  temática  do  Recurso  Especial  recepcionada  para  discussão  neste  colegiado  observo  que  o  presente  processo  está  eivado  de  vício  processual,  pois  o  recurso  interposto  não  foi  submetido  ao  Juízo  de  Admissibilidade, motivo que torna impossível analisar os autos para julgamento.   Deste  modo,  converto  o  julgamento  em  diligência  à  câmara  recorrida,  para  realização  do  exame  de  admissibilidade  do  Recurso  Especial  do  Contribuinte,  com  retorno  dos  autos à relatora, para prosseguimento.    É como voto.  (assinado digitalmente)  Ana Paula Fernandes     Fl. 503DF CARF MF

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7085867 #
Numero do processo: 10508.000454/2005-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2000 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. Deve ser reconhecido o direito creditório, uma vez demonstrada a inexistência do óbice apontado pelo Fisco para a não homologação da compensação pleiteada pela contribuinte.
Numero da decisão: 1401-00.516
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1470; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 169          1 168  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10508.000454/2005­46  Recurso nº  169.463   Voluntário  Acórdão nº  1401­00.516  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  31 de março de 2011  Matéria  IRPJ  Recorrente  Mayor Factoring Fomento Mercantil  Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2000  COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO.  Deve  ser  reconhecido  o  direito  creditório,  uma  vez  demonstrada  a  inexistência  do  óbice  apontado  pelo  Fisco  para  a  não  homologação  da  compensação pleiteada pela contribuinte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento  ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  VIVIANE VIDAL WAGNER ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Viviane  Vidal  Wagner,  Fernando  Luiz  Gomes  de  Mattos,  Antonio  Bezerra  Neto,  Maurício  Pereira  Faro,  Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.    Relatório     Fl. 190DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS     2 Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  parcialmente  o  relatório  que  integra  o  Acórdão recorrido (fls. 87­88):  Trata­se  de  manifestação  de  inconformidade  (fls.  56  a  107),  recebida em 15/05/2006,  contra o despacho decisório n° 23 de  03/04/2006  (fls.48  a  50),  da  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Ilhéus,  o  qual  indeferiu  o  pedido  de  restituição  (fls.  02  a  07)  apresentado  pelo  contribuinte  acima  identificado  do  saldo  negativo de IRPJ relativo ao ano­calendário de 2000, informado  no valor original de R$ 3.341,10.  Segundo o mencionado despacho decisório  (fl.  48),  "da análise  do  pleito,  foi  constatado  a  lavratura  de  Auto  de  Infração,  controlado  através  de  processo  administrativo  de  n°  10508.000071/2006­59,  relativamente  ao  período  ora  em  verificação, cujas peças encontram­se anexadas às fls. 10/36" e  que  em  decorrência  deste  lançamento  de  oficio,  restou  caracterizada  a  inexistência  de  saldo  negativo  do  IRPJ  em  31/12/2000, haja vista a apuração de saldo de imposto a pagar  e,  em  conseqüência,  decidiu­se  por  indeferir  o  pleito  do  contribuinte (fl. 50).  O  contribuinte  tomou  conhecimento  do  indeferimento  do  seu  pedido,  via  AR  (fl.  55)  em  13/04/2006,  e,  em  15/05/2006,  apresentou a presente manifestação de inconformidade (fls. 56 a  107) alegando, em síntese, que:  a) "em verdade embora não tenham sido informados na ficha 11,  os  valores  efetivamente  pagos,  os  tributos  foram  efetivamente  recolhidos  como  fazem  prova  as  cópias  anexas  dos  DARF's  correspondentes";  b)  "houve,  sim,  um  lapso  da  impugnante,  em  não  informar  os  valores  efetivamente  recolhidos;  No  entanto,  já  foi  feita  declaração  retificadora,  como  se  poderá  observar  da  documentação  anexa,  o  que  supre  a  omissão  apontada"  e  que  "assim,  inexistente o óbice apontado pela autoridade  julgadora  para  a  não  homologação  do  pedido  de  reconhecimento  do  direito à compensação"  c) quanto à existência de um auto de infração anterior, este "não  tem  o  condão  de  impedir  o  reconhecimento  do  direito  à  compensação";  d)  "que  o  auto  de  infração  mencionado  foi  lavrado  em  decorrência de arbitramento da base de cálculo e, portanto, não  pode  respaldar  uma  efetiva  demonstração  de  falta  de  recolhimento  tributário,  já  que  consoante  sabido  e  ressabido  o  auto  de  infração  lavrado  com  base  em  arbitramento  é  um  lançamento  feito  com  base  em  presunção  e  não  lastreado  em  provas  materiais  contundentes  da  falta  de  recolhimento  do  tributo;  por  conseguinte,  enquanto  não  provada  a  presunção  contida  no  levantamento  presuntivo  ou  fictício,  não  se  pode  estabelecer,  com precisão, o direito do fisco ao crédito contido  neste tipo de lançamento";  e)  "o  auto  de  infração,  enquanto  não  for  julgado,  não  poderá  importar  em  constituição  do  crédito  decorrente  da  não­ Fl. 191DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10508.000454/2005­46  Acórdão n.º 1401­00.516  S1­C4T1  Fl. 170          3 homologação  da  compensação"  e  que  "não  poderia,  a  autoridade  decisora,  determinar  o  recolhimento  do  tributo  não  homologado,  enquanto  não  houvesse  a  conclusão  do  procedimento  administrativo  fiscal  que  é  aduzido  como  condicionante para o não reconhecimento da compensação";  f)  "ora  não  se  pode  concluir  pela  negativa  do  direito  à  compensação,  antes  da  confirmação  da  efetiva  ocorrência  da  sonegação fiscal, que é objeto material do lançamento anterior,  e  que  deve  ser  apurada  em  procedimento  administrativo  fiscal  onde  se  proporcione  o  mais  amplo  direito  de  defesa  ao  contribuinte";  g) "a decisão impugnada foi extemporânea, uma vez que caberia  à  autoridade  decisora,  aguardar  o  trânsito  em  julgado  do  lançamento  (AI  anterior),  para  somente  após  esta  confirmação  pretender a cobrança de um imposto supostamente compensado  de  forma  indevida"  e  assim  "havia  uma  questão  prejudicial  a  impedir a decisão na forma em que foi deliberada";  h)  "deste  modo,  ao  invés  de  decidir  pela  cobrança  do  tributo  julgado  indevidamente  compensado,  deveria  a  decisora,  suspender  o  processo  e  aguardar  o  julgamento  da  defesa  apresentada  pela  impugnante,  posto  que  este  julgamento  é  que  irá dizer se o imposto deve ou não ser objeto de compensação";  Pede,  por  fim,  que  "considerando  que  a  decisão  impugnada  carece de reforma, na parte em que determina o recolhimento do  tributo  julgado  indevidamente  compensado,  requer  seja  dado  integral  provimento  a  esta  impugnação,  para  o  fim  de  ser  julgado improcedente o despacho decisório contestado, em face  das argumentações já apresentadas".  A  1ª  Turma  da DRJ  Salvador,  por  unanimidade,  indeferiu  a  solicitação  da  contribuinte, por meio do Acórdão nº 15­17.670, assim ementado, fls. 132:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA — IRPJ  Ano­calendário: 2000  COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO.  Inexistindo  o  direito  creditório  requerido  pelo  contribuinte,  o  pedido  de  restituição  e  conseqüentes  compensações  devem  ser  indeferidos.  Solicitação Indeferida  Cientificada  do  Acórdão  em  09/12/2008  (fls.  135),  a  contribuinte,  em  08/01/2009,  interpôs  o  recurso  voluntário  de  fls.  136­143,  argumentando  que  a  negativa  da  existência  de  saldo  credor  foi  fundamentada  principalmente  pela  existência  de  um  auto  de  infração  anterior  (processo  10508.000071/2006­59),  cujo  lançamento  foi  realizado  ante  a  constatação  de  valores  devidos  que  a  contribuinte  declarou  e  não  recolheu,  em  diversos  períodos, inclusive o período em apreço.  Fl. 192DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS     4 O  referido  processo,  contudo,  foi  apreciado  pelo  1º  Conselho  de  Contribuintes  e  o  lançamento  foi  considerado  improcedente,  conforme Acórdão  juntado  aos  autos (fls. 145­161).   Nestes termos, requereu o provimento do presente recurso voluntário.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos  O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido.  No  presente  processo,  o  contribuinte  pretende  compensar  diversos  débitos  com o  saldo negativo do  IRPJ  referente ao  ano­calendário 2000  (fls.  03),  que  foi  informado  pelo interessado no valor original de R$ 3.341,10.  O  pleito  foi  indeferido  (fls.  68)  em  razão  da  existência  de  lançamento  de  oficio  relativamente  ao  mesmo  período  objeto  do  pedido  de  restituição/compensação.  De  acordo  com  o  referido  lançamento,  não  haveria  saldo  negativo  do  IRPJ  no  ano­calendário  2000, haja vista a apuração de saldo de imposto a pagar.  Em  sua  peça  recursal,  o  contribuinte  aduziu  que  inexiste  o  óbice  apontado  pela autoridade julgadora para a não homologação do pedido de reconhecimento do direito à  compensação, pois o citado lançamento teria sido julgado improcedente, por meio de Acórdão  proferido pelo 1º Conselho de Contribuinte, fls. 145­161.  Analisando­se  o  referido  Acórdão,  constato  que  o  lançamento  em  questão  efetivamente foi cancelado, pelas seguintes razões (fls. 161, grifado):  Se a autoridade fiscal entendeu que apuração do resultado deve  ocorrer sob a sistemática do lucro arbitrado, a base de cálculo  desse  lucro  deve  abranger  todas  operações  realizadas  pela  pessoa jurídica.  Apurada  omissão  de  receita,  o  valor  correspondente  deve  ser  adicionado à  receita declarada para obtenção daquela base de  cálculo.  A  partir  desta,  apura­se  o  imposto  do  qual  devem  ser  deduzidos eventuais valores pagos na sistemática declarada pela  empresa.   Verifica­se que na apuração efetuada o Fisco ignorou os valores  declarados.  Assim,  caracterizou­se  um  sistema  híbrido  e  sem  amparo legal de apuração do imposto de renda, parte com base  no lucro real e parte sob as regras do lucro arbitrado.  Por  esse  motivo,  entendo  que  nos  moldes  efetuados  o  lançamento  não  pode  prosperar.  Não  se  trata  aqui  de  engano  passível de correção por simples ajuste nos valores autuados. Na  verdade,  a  constituição  do  crédito  tributário  ocorreu  ao  desabrigo  das  normas  tributárias  e  está  maculada  em  sua  integralidade.  Fl. 193DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10508.000454/2005­46  Acórdão n.º 1401­00.516  S1­C4T1  Fl. 171          5 Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário.  Por  meio  de  consulta  ao  site  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais, constatei que o referido Acórdão tornou­se definitivo na esfera administrativa, pois não  há notícia acerca da interposição de recurso.   Assim sendo, concluo que,  juridicamente falando, o saldo negativo de  IRPJ  do  ano­calendário  2000,  regularmente  apurado  e  declarado,  permanece  incólume,  sendo  possível  sua  utilização  para  compensação  de  débitos  tributários  existentes  em  nome  do  contribuinte.  Diante  do  exposto,  meu  voto  é  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO  ao  presente recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório da contribuinte, relativo ao saldo  negativo de IRPJ do ano­calendário 2000.  A  efetivação  das  compensações  pleiteadas  compete  à  autoridade  fiscal  da  unidade de origem, após as verificações e providências de praxe.  (assinado digitalmente)  Fernando Luiz Gomes de Mattos ­ Relator                                Fl. 194DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS

score : 1.0
7102936 #
Numero do processo: 11128.002060/2002-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 01/04/2002 GUINDASTES AUTOPROPULSORES. EX TARIFÁRIOS. Classificam-se na posição NCM 84.26 os guindastes autopropulsores sobre pneus, nos quais um ou vários dos mecanismos de propulsão ou de comando se encontrem reunidos na cabine do aparelho de elevação ou de movimentação, mesmo que o conjunto seja capaz de circular por estrada por seus próprios meios. Para os equipamentos corretamente classificados na código NCM 8426.41.00, demonstrado que suas características e capacidade máxima de carga atendem ao disposto no texto do “EX 004”, correta sua inclusão no tratamento excepcional tarifário.
Numero da decisão: 9303-006.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 01/04/2002 GUINDASTES AUTOPROPULSORES. EX TARIFÁRIOS. Classificam-se na posição NCM 84.26 os guindastes autopropulsores sobre pneus, nos quais um ou vários dos mecanismos de propulsão ou de comando se encontrem reunidos na cabine do aparelho de elevação ou de movimentação, mesmo que o conjunto seja capaz de circular por estrada por seus próprios meios. Para os equipamentos corretamente classificados na código NCM 8426.41.00, demonstrado que suas características e capacidade máxima de carga atendem ao disposto no texto do “EX 004”, correta sua inclusão no tratamento excepcional tarifário.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1694; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 2          1 1  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11128.002060/2002­17  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9303­006.139  –  3ª Turma   Sessão de  13 de dezembro de 2017  Matéria  II CLASSIFICAÇÃO FISCAL  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO CAMARGO CORREA S/A    ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Data do fato gerador: 01/04/2002  GUINDASTES AUTOPROPULSORES. EX TARIFÁRIOS.  Classificam­se  na  posição NCM 84.26  os  guindastes  autopropulsores  sobre  pneus, nos quais um ou vários dos mecanismos de propulsão ou de comando  se  encontrem  reunidos  na  cabine  do  aparelho  de  elevação  ou  de  movimentação, mesmo que o conjunto seja capaz de circular por estrada por  seus próprios meios.  Para  os  equipamentos  corretamente  classificados  na  código  NCM  8426.41.00,  demonstrado  que  suas  características  e  capacidade  máxima  de  carga  atendem  ao  disposto  no  texto  do  “EX  004”,  correta  sua  inclusão  no  tratamento excepcional tarifário.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, em negar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício.     (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal,  Tatiana Midori Migiyama,  Charles Mayer  de Castro  Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 20 60 /2 00 2- 17 Fl. 566DF CARF MF Processo nº 11128.002060/2002­17  Acórdão n.º 9303­006.139  CSRF­T3  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência,  tempestivo,  interposto  pela  Fazenda  Nacional  ao  amparo  do  art.  67,  Anexo  II,  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  RICARF,  em  face  do  acórdão  nº  3101­001.579,  de  26/02/2014, que possui a seguinte ementa:   ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS   Data do fato gerador: 01/04/2002   CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  GUINDASTE  AUTOPROPULSOR  SOBRE PNEUS.   As  diferenças  entre  o  “caminhão­guindaste”  e  o  “guindaste­ autopropulsor”  designam  características  distintas  e  funções  distintas.  Os  elementos  que  conferem  a  cada  qual  a  exata  classificação  fiscal  são  suas  essências  (caminhão de um  lado e  guindaste  de  outro),  seus  projetos  de  concepção  (chassi  especificamente projetado para cada função) e suas destinações  principais de uso que não se confundem.   O  guindaste­autopropulsor  marca  LIEBHERR,  modelo  LTM,  classifica­se no código NCM 8426.41.10.    A matéria  de  fundo  trazida  nos  autos  refere­se  a  auto  de  infração  lavrado  contra  o  contribuinte  acima  qualificado,  para  a  exigência  do  crédito  tributário  relativo  às  diferenças de imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, juros, multa de  oficio e multa pela falta de guia de importação.  A  Autoridade  Fiscal  reclassificou  a  mercadoria  importada  objeto  da  Declaração  de  Importação  02/0281730­4,  registrada  em  01/04/2002,  descrita  como  “GUINDASTE  PARA  TODO  TERRENO,  AUT  PROPULSORES,  SOBRE  PNEUS,  COMPUTADORIZADOS,  COM  LANCA  TELESCOPICA  DE  48M  DE  COMPRIMENTO  E  CAPACIDADE  MAXIMA  DE  CARGA  DE  80  TONELADAS  ­  MODELO: LTM 1080/1 – NUMERO DE SERIE: P/N 061 293. "EX"004 ­ RESOLUCAO  CAMEX  22  ­  D.O.U.  DE  28.06.01”,  entendendo  se  tratar  de  caminhões­guindastes,  classificados  no  código  NCM/TEC  8705.10.00,  com  alíquota  do  imposto  de  importação  de  35%, e alíquota do imposto sobre produtos industrializados de 5%.  Fl. 567DF CARF MF Processo nº 11128.002060/2002­17  Acórdão n.º 9303­006.139  CSRF­T3  Fl. 4          3 A turma julgadora a quo entendeu que a classificação tarifária adequada para  o equipamento LTM importado estava prevista posição na posição 8426.41.10, EX 004 porque  haveria  plena  subsunção  da  descrição  de  fato  com  a  descrição  do  enunciado  prescritivo  da  posição.  A  Fazenda  Nacional  interpôs  Recurso  Especial  de  divergência,  que  foi  admitido pela demonstração de dissídio jurisprudencial, conforme despacho de admissibilidade  às fls.444 a 446.  O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões às fls. 455 a 560.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal, Relator.    O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, e foi admitido pelo  Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF.   A  divergência  foi  suscitada  pela  Fazenda  Nacional  quanto  à  classificação  fiscal do produto denominado guindaste da marca LIEBHERR, modelo LTM. Para comprovar  o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão 3301­001.878, da 3ª Câmara/1ª Turma  Ordinária,  de  25  de  junho  de  2013,  que  também  analisou  a  classificação  fiscal  do  produto  descrito como “guindaste da marca LIEBHERR, modelo LTM”.  O Colegiado a quo concluiu que os produtos importados, a saber “guindastes  marca  LIEBHERR  modelo  LTM”  classificam­se  na  posição  NCM  8426,  caracterizando­se  como  guindastes  autopropulsores.  Diversamente,  a  Primeira  Turma  da  Terceira  Câmara  da  Terceira Seção do CARF,  tal  como a autoridade autuante do presente  feito,  entendeu que os  referidos  produtos  deveriam  ser  classificados  na  posição  NCM  8705,  por  se  tratarem  de  caminhões­guindastes.  Diante  da  comprovação  do  dissídio  jurisprudencial  alegado  e  atendido  os  demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso.  Fl. 568DF CARF MF Processo nº 11128.002060/2002­17  Acórdão n.º 9303­006.139  CSRF­T3  Fl. 5          4 Portanto,  a  matéria  devolvida  ao  Colegiado  cinge­se  à  questão  da  classificação fiscal do produto “guindaste marca LIEBHERR modelo LTM 1080/1”, que  foi importada por meio da DI 02/0281730­4, registrada em 01/04/2002.  A matéria já é conhecida dessa turma julgadora, que recentemente enfrentou  o  tema  no  julgamento  ocorrido  em  21/06/2017,  na  qual  foram  analisados  fatos  similares  do  mesmo  sujeito  passivo,  que  resultou  no  Acórdão  9303­005.263,  da  lavra  do  i.  Conselheiro  Rodrigo da Costa Pôssas.   Reproduzo, a seguir, o voto condutor do referido acórdão, e, por se tratar de  fatos  similares,  relativos  ao  mesmo  sujeito  passivo  e  ao  mesmo  produto,  adoto  seus  fundamentos como minhas razões de decidir no presente processo:  “O  acórdão  recorrido  decidiu  pela  improcedência  da  reclassificação  fiscal  efetuada pela autoridade lançadora e pela manutenção da classificação fiscal e  do Ex tarifário utilizado pela autuada.   Inicialmente,  é  importante  deixar  claro  que  a  classificação de  um produto  na  NCM, que se baseia no Sistema Harmonizado (SH) é, essencialmente, levada a  efeito segundo as regras de interpretação fixadas no texto desse Sistema.  Com efeito, diz a Regra Geral 1:   Os  títulos  das  seções,  capítulos  e  subcapítulos  têm  apenas  valor  indicativo.  Para  os  efeitos  legais,  a  classificação  é  determinada  pelos  textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não  sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras  seguintes:  O  item da NCM que  a  recorrente  classificou  o  produto  litigioso  (8426.41.10)  está assim descrito:  8426 CÁBREAS; GUINDASTES, INCLUÍDOS OS DE CABO; PONTES  ROLANTES,  PÓRTICOS DE DESCARGA OU DE MOVIMENTAÇÃO,  PONTES­GUINDASTES,  CARROS­PÓRTICOS  E  CARROS­ GUINDASTES  8426.4 Outras máquinas e aparelhos, autopropulsados  8426.4 ­  Outras máquinas e aparelhos, autopropulsados:  8426.41.00  ­­  De pneumáticos    Já o Fisco argumenta que os equipamentos deveriam ser enquadrados no item  8705.10.00  87.05  Veículos  automóveis  para  usos  especiais  (por  exemplo,  auto­ socorros,  caminhões­guindastes,  veículos  de  combate  a  incêndio,  caminhões­betoneiras,  veículos  para  varrer,  veículos  para  espalhar,  veículos­oficinas,  veículos  radiológicos),  exceto  os  concebidos  principalmente para transporte de pessoas ou de mercadorias.  Fl. 569DF CARF MF Processo nº 11128.002060/2002­17  Acórdão n.º 9303­006.139  CSRF­T3  Fl. 6          5 8705.10.00 Caminhões­guindastes  Adicionalmente, há que se recorrer ao texto das Notas Explicativas ao Sistema  Harmonizado,  aplicáveis  por  força  do  Decreto  nº  435,  de  1992,  mais  especificamente no parágrafo único do seu art. 1º.  Passo a análise da NESH da posição 8426:  84.26  ­  Cábreas;  guindastes,  incluídos  os  de  cabo;  pontes  rolantes,  pórticos  de  descarga  ou  de movimentação,  pontes­guindastes,  carros­ pórticos e carros­guindastes.  [...]  A presente posição engloba um certo número de aparelhos de elevação  ou de movimentação de ação descontínua.  Com exclusão de alguns tipos determinados a seguir mencionados, que  se apresentam montados em veículos da Seção XVII, a presente posição  compreende  os  aparelhos  fixos  e  os  aparelhos  móveis,  mesmo  autopropulsores.  As exclusões são as seguintes:  [...]  b)  Aparelhos  montados  em  tratores  ou  em  veículos  automóveis  do  Capítulo 87.  [...]  2) Aparelhos montados em chassis automóveis ou em caminhões.  Alguns aparelhos de elevação ou de movimentação  (guindastes  (gruas)  comuns,  guindastes  (gruas)  de  estrutura  leve  para  reparações,  etc.)  apresentam­se  freqüentemente  montados  em  verdadeiro  chassi  automóvel  ou  em  caminhão  que  reúne  nele  próprio,  pelo  menos,  os  seguintes órgãos mecânicos: motor de propulsão, caixa e dispositivos de  mudança de velocidade, órgãos de direção e frenagem (travagem). Estes  conjuntos  devem  ser  classificados  na  posição  87.05  como  veículos  automóveis  de  uso  especial,  e  esta  classificação  deve  ser  observada  quer  o  mecanismo  de  elevação  ou  de  movimentação  esteja  simplesmente  montado  no  veículo,  quer  forme  com  este  último  um  conjunto  mecânico  homogêneo,  salvo  se  se  tratarem  de  veículos  especialmente concebidos para o transporte, incluídos na posição 87.04.  Continuam por outro lado classificados aqui os aparelhos simplesmente  autopropulsores, nos quais um ou vários dos mecanismos de propulsão  ou de comando acima  indicados se encontrem reunidos na cabine do  aparelho  de  elevação  ou  de  movimentação  (mais  freqüentemente  um  guindaste  (gruas))  montado  em  chassi  com  rodas,  mesmo  que  este  conjunto possa circular pelos seus próprios meios.  Os guindastes (gruas) da presente posição geralmente não se deslocam  carregados ou apenas efetuam, neste estado, deslocamentos de pequena  Fl. 570DF CARF MF Processo nº 11128.002060/2002­17  Acórdão n.º 9303­006.139  CSRF­T3  Fl. 7          6 amplitude que desempenham um papel auxiliar em relação à função de  elevação que os caracteriza.  As notas explicativas trazem algumas características para exclusão na posição  84.26 e inclusão na posição 87.05:  · Os  mecanismos  de  propulsão  ou  de  comando  (motor  de  propulsão, caixa e dispositivos de mudança de velocidade e órgãos de  direção e frenagem) devem estar reunidos no chassi  · Esta classificação (87.05) deve ser observada quer o mecanismo  de  elevação  ou  de  movimentação  esteja  simplesmente  montado  no  veículo,  quer  forme  com  este  último  um  conjunto  mecânico  homogêneo  As  notas  explicativas  trazem  também  as  seguintes  características  para  a  inclusão na posição 84.26:  · Ao  menos  um  dos  mecanismos  de  propulsão  ou  comando  (motor  de  propulsão,  caixa  e  dispositivos  de mudança  de  velocidade,  órgãos  de  direção  e  frenagem)  deve  estar  na  cabine  do  aparelho  de  elevação ou de movimentação  · Os deslocamentos que possam desempenhar devem ser apenas  auxiliar em relação à função principal de elevação que as caracteriza  Passo agora a análise da NESH, no item dedicado à posição 8705:  87.05  ­  Veículos  automóveis  para  usos  especiais  (por  exemplo,  auto­ socorros,  caminhõesguindastes  (camiões­guindastes*),  veículos  de  combate  a  incêndio,  caminhões­betoneiras  (camiões­betoneiras*),  veículos para varrer, veículos para espalhar, veículos­oficinas, veículos  radiológicos), exceto os concebidos principalmente para  transporte de  pessoas ou de mercadorias.   [...]  A  presente  posição  compreende  um  conjunto  de  veículos  automóveis,  especialmente construídos ou transformados, equipados com dispositivos  ou  aparelhos  diversos  que  os  tornam  apropriados  para  desempenhar  algumas funções diferentes do transporte propriamente dito. Trata­se de  veículos que não  foram especialmente concebidos para o  transporte de  pessoas  ou  de  mercadorias.  Podem  citar­se  como  veículos  que  se  classificam nesta posição:   [...]   7)  Os  caminhões­guindastes,  não  destinados  ao  transporte  de  mercadorias,  constituídos  por  um  chassi  de  veículo  automóvel  com  cabina  sobre  o  qual  está  instalado,  em  caráter  permanente,  um  guindaste  rotativo.  Excluem­se,  no  entanto,  os  veículos  automóveis  da  posição 87.04 com dispositivos de autocarregamento.   Fl. 571DF CARF MF Processo nº 11128.002060/2002­17  Acórdão n.º 9303­006.139  CSRF­T3  Fl. 8          7 [...]  CHASSIS  DE  VEÍCULOS  AUTOMÓVEIS  OU  DE  CAMINHÕES  COMBINADOS COM INSTRUMENTOS DE TRABALHO   Deve notar­se que, para se  incluir na presente posição um veículo que  possua  aparelhos  de  elevação  ou  de  movimentação,  máquinas  de  terraplenagem,  de  escavação ou  de  perfuração,  etc.,  deve  consistir  em  um verdadeiro  chassi  de  veículo automóvel ou de  caminhão que  reúna  nele  próprio,  no  mínimo,  os  seguintes  órgãos  mecânicos:  motor  de  propulsão,  caixa  e  dispositivos  de mudança  de marchas  (velocidades),  órgãos de direção e de travagem.   Pelo  contrário,  permanecem  classificados,  por  exemplo,  nas  posições  84.26,  84.29  e  84.30,  os  aparelhos  e  máquinas  autopropulsores  (guindastes,  escavadoras, etc.)  em que um ou mais dos mecanismos de  propulsão ou de comando acima mencionados se encontram reunidos na  cabine da máquina de trabalho montados sobre um chassi com rodas ou  lagartas, mesmo que o conjunto seja capaz de circular por estrada por  seus próprios meios.   Do  mesmo  modo,  seriam  excluídas  desta  posição  as  máquinas  autopropulsoras de rodas cujos chassis e instrumentos de trabalho sejam  especialmente  concebidos  um  para  o  outro  de  modo  a  formar  um  conjunto  mecânico  homogêneo  (por  exemplo,  algumas  niveladoras  autopropulsoras  denominadas  “motoniveladoras”  (motor­graders)).  Neste  caso,  o  instrumento  de  trabalho  não  está  simplesmente montado  sobre um chassi de veículo automóvel, mas inteiramente integrado a um  chassi que não pode ser utilizado para outros fins e que pode possuir os  mecanismos automóveis essenciais acima mencionados.   As  notas  explicativas  trazem  também  as  seguintes  características  para  a  inclusão na posição 8705:  · Caminhões­guindastes,  não  destinados  ao  transporte  de  mercadorias,  constituídos  por  um  chassi  de  veículo  automóvel  com  cabina,  sobre  o  qual  está  instalado,  em  caráter  permanente,  um  guindaste rotativo  · Os  mecanismos  de  propulsão  ou  de  comando  (motor  de  propulsão, caixa e dispositivos de mudança de velocidade e órgãos de  direção e frenagem) devem estar reunidos no chassi  As notas explicativas trazem algumas características para exclusão na posição  8705:  · Ao menos  um  dos mecanismos  de  propulsão  ou  comando  (motor  de  propulsão,  caixa  e  dispositivos  de mudança  de  velocidade,  órgãos  de  direção e frenagem) se encontrem reunidos na cabine da máquina de  trabalho  Fl. 572DF CARF MF Processo nº 11128.002060/2002­17  Acórdão n.º 9303­006.139  CSRF­T3  Fl. 9          8 · O  chassi  e  instrumentos  de  trabalho  sejam  especialmente  concebidos  um para o outro de modo a formar um conjunto mecânico homogêneo,  que  não  pode  ser  utilizado  para  outros  fins,  mesmo  que  possua  os  mecanismos automóveis essenciais  Para a resolução da controvérsia, em consonância com o disposto na NESH nas  posições em análise, importa­nos identificar os seguintes pontos essenciais:   · Local onde se encontra os mecanismos de propulsão ou comando  (motor  de  propulsão,  caixa  e  dispositivos  de  mudança  de  velocidade,  órgãos de direção e frenagem);  · Configuração ou não do equipamento  (chassi  e  instrumentos de  trabalho)  como  sendo  especialmente  concebidos  um  para  o  outro  de  modo  a  formar  um  conjunto  mecânico  homogêneo,  que  não  pode  ser  utilizado para outros fins, mesmo que possua os mecanismos automóveis  essenciais  · Aparelhos  montados  em  chassi  com  rodas,  mesmo  que  este  conjunto  possa  circular  pelos  seus  próprios  meios,  mas  os  deslocamentos que possam desempenhar devem ser apenas auxiliar em  relação à função principal de elevação que as caracteriza  Portanto,  a  NESH  da  posição  84.26  determina  a  classificação  nessa  posição  dos  os  aparelhos  simplesmente  autopropulsores,  nos  quais  um  ou  vários  dos  mecanismos de propulsão ou de comando se encontrem reunidos na cabine do  aparelho de elevação ou de movimentação, mesmo que o conjunto seja capaz de  circular por estrada por seus próprios meios.   Por  outro  lado,  caso  os  mecanismos  de  propulsão  ou  de  comando  estejam  reunidos  no  chassi,  a  classificação  será  a  posição  87.05,  que  deve  ser  observada  quer  o  mecanismo  de  elevação  ou  de  movimentação  esteja  simplesmente  montado  no  veículo,  quer  forme  com  este  último  um  conjunto  mecânico homogêneo.  Ainda que seja relevante para a definição da classificação fiscal, entendo que a  existência  de  mais  de  uma  cabine  no  equipamento  não  é  a  característica  essencial  para  a  identificação da  classificação. De  acordo  com o  disposto  na  NESH  (posição  8426)  se  ao  menos  um  dos  mecanismos  de  propulsão  ou  comando (motor de propulsão, caixa e dispositivos de mudança de velocidade,  órgãos  de  direção  e  frenagem)  estiver  localizado  na  cabine  do  aparelho  de  elevação ou de movimentação, a classificação será na posição 8426. Portanto,  a questão essencial é a localização dos mecanismos de propulsão ou comando,  não o número de cabines.  Pelas informações constantes dos autos, foi importado o modelo de “Guindastes  autopropulsores” LTM 1090/2, com a capacidade de carga máxima de 90 ton.  Constata­se, pelas informações técnicas, que no referido modelo há mecanismos  de  comando  localizados  na  cabine  do  aparelho  de  operação  dos  guindastes.  Portanto,  a  mercadoria  importada  pertence  a  posição  84.26,  conforme  disposto na NESH, posição 84.26:  “Continuam  por  outro  lado  classificados  aqui  os  aparelhos  simplesmente autopropulsores, nos quais um ou vários dos mecanismos  Fl. 573DF CARF MF Processo nº 11128.002060/2002­17  Acórdão n.º 9303­006.139  CSRF­T3  Fl. 10          9 de propulsão ou de comando acima  indicados  se encontrem reunidos  na  cabine  do  aparelho  de  elevação  ou  de  movimentação  (mais  freqüentemente  um  guindaste  (gruas))  montado  em  chassi  com  rodas,  mesmo que este conjunto possa circular pelos seus próprios meios.”  Como os  equipamentos até 100  toneladas possuem a possibilidade de direção  na cabine superior de operação dos guindastes, conforme informações técnicas  do  fabricante,  e  este  é  o  requisito  essencial  previsto  na NESH, mesmo  que  o  conjunto  seja  capaz  de  circular  por  estrada  por  seus  próprios  meios,  a  classificação fiscal do equipamento modelo LTM 1090/2 é na posição 8426, na  subposição 8426.41, pela aplicação da RGI 1ª e 6ª (textos da posição 84.26 e da  subposição 84.26.41), e no subitem 84.26.41.00 (para operações realizadas no  ano  de  2002,  pela  ausência  de  desdobramento  da  subposição  84.26.41),  da  Tarifa  Externa  Comum  (TEC),  com  os  subsídios  fornecidos  para  a  posição  84.26 e 87.05 pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH).  8426 CÁBREAS; GUINDASTES, INCLUÍDOS OS DE CABO; PONTES  ROLANTES,  PÓRTICOS DE DESCARGA OU DE MOVIMENTAÇÃO,  PONTES­GUINDASTES,  CARROS­PÓRTICOS  E  CARROS­ GUINDASTES  8426.4 Outras máquinas e aparelhos, autopropulsados  8426.4 ­  Outras máquinas e aparelhos, autopropulsados:  8426.41.00  ­­  De pneumáticos  Quanto aos Ex tarifários, para os equipamentos corretamente classificados no  código  NCM  8426.41.00,  constata­se  que  suas  características  e  capacidade  máxima  de  carga  permite­nos  incluí­lo  no  “Ex”  004,  como  corretamente  foi  feito pela autuada.”  Em face do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso  especial da Fazenda Nacional.    (assinatura digital)  Andrada Márcio Canuto Natal                            Fl. 574DF CARF MF

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7048175 #
Numero do processo: 10435.721374/2014-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 Ementa MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1001-000.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1541; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C0T1  Fl. 64          1 63  S1­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10435.721374/2014­10  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1001­000.107  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  31 de outubro de 2017  Matéria  Penalidades/Multa por atraso na entrega de declaração  Recorrente  INDUSTRIA E COMERCIO XAVANTE LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2013  Ementa  MULTA  POR  ATRASO  NA  ENTREGA  DA  DECLARAÇÃO  DE  DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS.  A  entrega de Declaração  de Débitos  e Créditos Tributários Federais DCTF  após  o  prazo  previsto  pela  legislação  tributária  sujeita  a  contribuinte  à  incidência da multa correspondente.  DENÚNCIA ESPONTÂNEA.  O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias,  que  são  atos  formais  criados  para  facilitar  o  cumprimento  das  obrigações  principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.    (assinado digitalmente)  LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA ­ Presidente e Relator.     Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de  Sousa  (Presidente),  Edgar  Bragança  Bazhuni,  José  Roberto  Adelino  da  Silva  e  Eduardo  Morgado Rodrigues.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 13 74 /2 01 4- 10 Fl. 64DF CARF MF     2 Relatório  Versa  o  presente  processo  sobre  lançamento  (fl.  27),  no  qual  é  exigido  da  contribuinte  acima  identificada  crédito  tributário  relativo  à  multa  por  atraso  na  entrega  de  Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais  (DCTF),  relativa ao mês de dezembro  de 2013.  Ciente do  lançamento,  a  contribuinte  ingressou com  impugnação  (fls.  2/18)  na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de denúncia espontânea..  A decisão de primeira instância (e­fls. 33/35) manteve o crédito tributário.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  12/08/2014  (e­fl.  38)  a  Interessada interpôs recurso voluntário em 04/09/2014 (e­fls. 41/60), em que aduz, em resumo  (repetindo argumentos da impugnação):  ­  que  a  Recorrente  entregou  a  DCTF  em  atraso,  de  forma  espontânea,  antes  de  qualquer procedimento da fiscalização em exigi­las;  ­ que é inaplicável qualquer forma ou nominação de multa, quando da efetivação da  denúncia espontânea e pagamento do tributo devido ­ ou parcelamento deste, já que  a  expressão  contida  na  lei  ­  se  for  o  caso  ­  afasta  a  multa  na  hipótese  de  cumprimento  espontâneo  dá  obrigação  tributária,  seja  ela  principal,  acessória  ou  acessória que se tornou principal;  ­ apresenta acórdãos do Conselho de Contribuintes que corroborariam a tese de que  o  cumprimento  a  destempo,  mas  espontâneo  e  antes  de  qualquer  exigência  da  administração  fazendária,  autorizaria  a  aplicação  do  disposto  no  artigo  138  do  Código  Tributário  Nacional,  a  fim  de  caracterizar  a  inexigibilidade  da  multa  pretendida;  ­  que  no  acórdão  recorrido.já  na  descrição  do  voto  condutor,  observar­se­ia  o  equívoco do  ilustre julgador ao considerar a DCTF como uma obrigação acessória  desvinculada de natureza tributária, pois seria certo que as informações prestadas na  referida declaração (DCTF) são situações tributárias ocorridas na empresa. Se exige  informações das  situações  tributárias ocorridas na empresa, como desvinculá­la da  ocorrência do fato gerador dos tributos.  ­  que  até  mesmo  nos  casos  de  pedidos  de  parcelamento  há  que  se  considerar  a  denúncia espontânea para elidir exigência de qualquer multa;  ­  seria  absurdamente  incoerente  admitir­se  aplicação  de  penalidade  a  este  contribuinte  de  forma  idêntica  à  qual  lhe  seria  aplicada  caso  permanecesse  inerte,  aguardando eventual manifestação da autoridade fazendária.  Voto             Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator  O recurso voluntário é tempestivo.  Definiu  acertadamente  a  decisão  de  primeira  instância  que  a  entrega  da  DCTF  constitui­se  em  obrigação  acessória,  desvinculada  de  natureza  tributária,  pois  assim  prevista nos §§ 2º e 3º do art. 113 do CTN:  Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10435.721374/2014­10  Acórdão n.º 1001­000.107  S1­C0T1  Fl. 65          3 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato  gerador,  tem  por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou  penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito dela decorrente.  § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária  e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos tributos.  Mesmo  nos  casos  de  entrega  espontânea  da  declaração,  antes  de  qualquer  procedimento  por  parte  do  Fisco,  a  aplicação  de multa  como  a  prevista  no  art.  7º  da Lei  nº  10.426/2002 permanece pertinente, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela  não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN.  A  exclusão  de  responsabilidade  pela  denúncia  espontânea  da  infração  (art.  138  do  CTN)  se  refere  à  multa  de  ofício  que  acompanha  a  obrigação  principal.  A  multa  aplicada pela falta de entrega, ou entrega após o prazo legalmente estabelecido, nada tem a ver  com  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal.  Trata­se,  sim,  de  uma  penalidade  decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal.  Este  é  o  entendimento  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (Carf) a respeito da matéria, já tendo sido, inclusive, objeto da Súmula CARF nº 49:  Súmula  CARF  nº  49:  A  denúncia  espontânea  (art.  138  do  Código  Tributário Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso  na entrega de declaração.  Adiante­se que o § 2º do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 prevê uma redução da  multa aplicada, nos casos de a declaração ser apresentada após o prazo, mas antes de qualquer  procedimento de ofício (redução à metade) ou uma redução a 75% no caso da declaração ser  apresentada  no  prazo  fixado  em  intimação,  respeitados  os  limites mínimos  estabelecidos  no  parágrafo  3º  do  mesmo  artigo.  Desta  forma,  é  evidente  que,  ao  contrário  do  que  alega  a  recorrente,  a  imposição  da  penalidade  está  legalmente  prevista,  mesmo  neste  caso  de  apresentação espontânea da declaração  (com ou sem paramento ou parcelamento do  tributo),  com a devida redução da multa à metade.  Adiciono, no que se refere às decisões administrativas e judiciais apontadas,  relacionam­se  a  litígio  entre  partes  específicas  em  que  o  sujeito  passivo  não  foi  parte  do  processo  e/ou  tratam  de  decisão  sem  força  vinculante  por  não  se  enquadrar  no  disposto  no  RICARF, em especial em seus artigos 62, 72 e 74 (Portaria MF nº 343, de 2015).  Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator                 Fl. 66DF CARF MF     4                 Fl. 67DF CARF MF

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7009161 #
Numero do processo: 13805.000676/93-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9101-000.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, à luz do artigo 7º, I e demais dispositivos aplicáveis da Portaria MF 147/2007, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA

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9101­000.032  –  1ª Turma  Data  03 de outubro de 2017  Assunto  IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  ESPERIA PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S.A.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência  à  câmara  recorrida,  para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, à luz do artigo 7º, I e  demais dispositivos aplicáveis da Portaria MF 147/2007, com retorno dos autos à relatora, para  prosseguimento.    (assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rego ­ Presidente em exercício     (assinado digitalmente)  Cristiane Silva Costa ­ Relatora     Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura,  Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele  Souto  Rodrigues  Amadio,  Gerson  Macedo  Guerra  e  Adriana  Gomes  Rego  (Presidente  em  exercício).       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 05 .0 00 67 6/ 93 -3 4 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13805.000676/93­34  Resolução nº  9101­000.032  CSRF­T1  Fl. 175          2   Relatório  Trata­se  de  processo  originado  pela  lavratura  de Autos  de  Infração  de  IRPJ  e  reflexo (PIS) quanto ao ano­calendário de 1987, constando a seguinte descrição de infração no  Auto de Infração (fls. 25/26):  DESCRIÇÃO DOS FATOS 1. A empresa PEGASO IND. TEXTIL S/A.,  CGC.60.850.567/  0001­89,  procedeu  em  30/09/85  e  21/10/85,  adiantamento de recursos para o fim específico e irrevogável de futuro  aumento  de  capital  social  à  sua  empresa  controlada  PEGASO  PARTICIPAÇÕES  E  REPRESENTAÇÕES  LTDA.,  nos  montantes  de  Cr$  17.430.000.000,00 Cr$  90.000.000,00,  respectivamente,  firmados  contratual  e  irrevogavelmente  através  de  “Instrumento  Particular  de  Adiantamento de Recursos Financeiros”.  2.  Em  09/04/87,  a  Pegaso  Participações  e  Representações  Ltda.,  procedeu  a  elevação  do  capital  social  de  Cz$.50.000,00  para  Cz$.17.570.000,00,  mediante  incorporação  de  Cr$.17.520.000,00,  proveniente  de  crédito  em  conta  corrente  da  Pegaso  Ind.  Textil  S.A  originário do adiantamento de recursos financeiros cedidos em 1985?   3.  A  PEGASO  IND.  TEXTIL  S/A.,  foi  sucedida  pela  ESPERIA  PARTICIPAOES  E  EMPREENDIMEATOS  S/A.,  conforme  AGO/E  de  30/04/91, arquivada na JUCESP sob o nº 74.654/91­3, em 28/05/91;  ENQUADRAMENTO LEGAL 4. Considerando que a capitalização do  adiantamento de recursos financeiros se processou extemporaneamente  ao  prazo  máximo  de  120  (cento  e  vinte)  dias  contados  a  partir  do  encerramento do período­base em que a sociedade controlada recebeu  os recursos financeiros, definido no Parecer Normativo CST nº 17, de  20/08/84,  descaracterizou­se  o  adiantamento  de  recursos  face  a  inobservância do prazo máximo e acarretou a obrigatoriedade, para a  investidora,  PEGASO  IND.  TEXTIL  S/A.,  do  cumprimento  do  que  dispõe  o  artigo  21  do  Decreto­Lei  nº  2.065  de  26/10/83,  ou  seja,  o  reconhecimento na determinação do lucro real do período­base de no  mínimo,  o  valor  correspondente  à  variação  da  OTN  (Obrigações  do  Tesouro Nacional) aplicada sobre o montante dos créditos existentes,  desde a data da contratação;  Pela inobservância do prazo máximo a empresa infringiu o art. 21 do  Decreto­Lei nº 2.065 de 26/10/83, o Parecer Normativo CST nº 17 de  20/08/84 e os arts. 254 e 387, II do Regulamento do Imposto de Renda,  aprovado pelo Decreto nº 85.450 de 04/12/80.  O  contribuinte  apresentou  impugnação  administrativa  (fls.  35/44),  que  foi  rejeitada  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Curitiba,  mantendo­se  os  lançamentos tributários (fls. 75/81):  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ Ano­calendário: 1987  Ementa: ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL — PRAZO PARA  CAPITALIZAÇÃO ­ O prazo máximo de tolerância para o aumento de capital contratado de  Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13805.000676/93­34  Resolução nº  9101­000.032  CSRF­T1  Fl. 176          3 sociedade que  tenha  recebido  recursos com este  fim de empresa  ligada  será de  cento e vinte  dias contados a partir do encerramento do período­base em os aportes tenham sido realizados.  A inobservância desse intervalo acarretará a obrigatoriedade, para a investidora, de reconhecer,  na  determinação  do  lucro  real  do  período­base  do  vencimento  do  prazo  demarcado  para  a  capitalização  dos  adiantamentos,  no  mínimo,  o  valor  correspondente  à  variação  da  ORTN,  aplicada sobre o montante dos créditos existentes, desde a data de cada contratação.   ARGUIÇÃO  DE  ILEGALIDADE.  Não  compete  â.  autoridade  administrativa  a  apreciação  de  arguições  de  inconstitucionalidade,  ilegalidade,  arbitrariedade  ou  injustiça  de  atos  legais  e  infralegais  legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional.  O  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário,  que  provido  pela  3ª  Câmara  do  extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, em acórdão assim ementado:  ASSUNTO:  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Jurídica  IRPJ.  ADIANTAMENTO  PARA  FUTURO  AUMENTO  DE  CAPITAL.  DESCARACTERIZAÇÃO POR INOBSERVÂNCIA DO PRAZO DE 120  DIAS PARA CAPITALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.   O  não  atendimento  pelo  contribuinte  ao  prazo  fixado  em  parecer  normativo  para  a  capitalização  de  AFAC  não  pode  implicar  descaracterização  do  ato  societário  praticado  quando  celebrado  em  caráter  irrevogável  e  irretratável,  e,  menos  ainda,  hipótese  de  imposição tributária dela decorrente.   Recurso voluntário provido.  Extrai­se do voto vencedor no acórdão da Câmara de origem:  O  lançamento  tomou por base o Parecer Normativo CST n° 17/84, o  qual determinava que o AFAC fosse capitalizado no prazo máximo de  120 dias, sob pena de ter descaracterizada sua natureza para "mútuo".  No  caso,  a Contribuinte  capitalizou  o AFAC  somente  após  120  dias.  Descaracterizado o AFAC, a Fiscalização aplicou a regra contida no  art.  21  do  Decreto­lei  n°  2.065/83,  o  qual  dispõe  que  "art.  21  Nos  negócios  de  mútuo  contratados  entre  pessoas  jurídicas  coligadas,  interligadas,  controladoras  e  controladas,  a  mutuante  deverá  reconhecer, para efeito de determinar o lucro real, pelo menos o valor  correspondente à correção monetária calculada segundo a variação do  valor da ORTN" (...)  A  Contribuinte,  por  sua  vez,  aduz,  entre  outas  coisas,  que  a  determinação por meio de parecer normativo desrespeita ao princípio  da reserva legal, previsto no art. 97 do CTN.   Razão assiste à. Contribuinte.   Com a devida vênia, o parecer normativo da Receita Federal não tem o  condão  de  criar  obrigação  tributária,  o  que,  segundo  o  CTN,  é  de  competência privativa da lei. (...)  Ao impor que o prazo para a capitalização do AFAC seria de 120 dias,  o  Parecer  Normativo  CST  n°  17/84  extrapolou  a  sua  competência,  criando  obrigação  tributária  desprovida  de  base  legal.  0  Parecer  Normativo não pode modificar a natureza do ato societário praticado,  Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13805.000676/93­34  Resolução nº  9101­000.032  CSRF­T1  Fl. 177          4 no caso de caráter irrevogável e  irretratável, apenas pelo fato de que  entende ser "razoável" e "suficiente" o prazo de 120 (cento e vinte dias)  para a respectiva capitalização. Há inúmeras razões de ordem fática e  jurídica  para  que  o  AFAC  não  seja  convertido  em  capital  no  prazo  assinalado  pelo  Parecer  Normativo  e  tais  circunstâncias  não  podem  alterar  a  natureza  e  substância  jurídica  do  ato  praticado,  especialmente  quando,  reitere­se,  o  AFAC  é  praticado  em  caráter  irrevogável  e  irretratável.  O  não  atendimento  ao  prazo  fixado  no  parecer  normativo  não  pode  implicar  descaracterização  do  AFAC  e,  menos  ainda,  hipótese  de  criação  de  obrigação  tributária  dela  decorrente, como ocorre no caso.  O julgamento ocorreu em 04 de fevereiro de 2009.   Consta movimentação do processo em 07/11/2013 para a Procuradoria, com sua  devolução em 19/11/2013. Ademais, a Procuradoria foi intimada pessoalmente em 13/11/2013  (fls. 143).  Nesse contexto, foi apresentado recurso especial em 19/11/2013, no qual alega  contrariedade  ao  artigo  21,  do  Decreto­Lei  nº  2.065/1983  e  ao  Parecer  Normativo  CST  nº  17/1984.  O recurso especial foi admitido pelo então Presidente da 1ª Câmara da Primeira  Seção (fls. 157/159), conforme trecho a seguir reproduzido:  (...)  Do  cotejo  entre  as  ementas  e  os  votos  condutores  dos  arestos,  recorrido  e  paradigma,  verifica­se  que  o  tratamento  foi  diferenciado  vez que, no recorrido concluiu­se que se o contribuinte não atende ao  prazo fixado em parecer normativo para a capitalização de AFAC não  implica  descaracterização  do  ato  societário  praticado  quando  celebrado em caráter  irrevogável e  irretratável,  e  tampouco, hipótese  de imposição tributária dela decorrente.   A decisão recorrida entende que ao impor o prazo de 120 dias para a  capitalização do AFAC, o Parecer Normativo CST nº 17/84 extrapolou  a  sua  competência,  criando  obrigação  tributária  desprovida  de  base  legal.  Quanto  ao  paradigma  nº  103­19089,  afirma  que  o  AFAC  pode  ser  considerado  operação  de  crédito  caso  não  esteja  evidente  o  comprometimento relativo ao aumento de capital e que seja realizado  em tempo razoável.   A Fazenda Nacional alega que o Parecer Normativo CST nº 17/84 não  extrapolou  sua  competência  ao  fixar  o  prazo  de  120  dias  para  a  capitalização  do  AFAC,  tendo  criado  hipótese  de  diferimento  da  incidência  de  correção  monetária  sobre  os  negócios  de  mútuo,  que  passou a incidir somente após 120 dias.   Por  tais  razões,  neste  juízo  de  cognição  sumária,  conclui­se  pela  caracterização das divergências de interpretação suscitadas.  Com a intimação do contribuinte em 11/04/2016, este apresentou contrarrazões  recurso  especial  (fls.  164/171),  alegando  que  (i)  o  paradigma não  trata  do  cerne  do  acórdão  recorrido,  que  seria  a  ilegalidade  do  Parecer  Normativo  CST  nº  17/1984;  (ii)  no  mérito,  Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13805.000676/93­34  Resolução nº  9101­000.032  CSRF­T1  Fl. 178          5 sustenta que a operação de adiantamento de capital seria completamente distinta da operação  de mútuo  (iii) alega que o PN CST 17/84  seria  ilegal,  requerendo a manutenção do acórdão  recorrido.   É o relatório.    Voto   Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora   O  recurso  especial  foi  admitido  pelo  Presidente  de  Câmara  diante  de  "divergência"  na  interpretação da  lei  tributária,  não obstante  a  interposição do  recurso  tenha  sido com fundamento no artigo 7º, I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuinte e da  CSRF (Portaria MF 147/2007). É o teor do artigo 7º, I:   Artigo 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais,  por  suas  Turmas, julgar recurso especial interposto contra:   I  ­  decisão não­unânime de Câmara, quando  for  contrária à  lei  ou à  evidência da prova; e II ­ decisão que der à lei tributária interpretação  divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara  Superior de Recursos Fiscais.   Conforme  votos  anteriormente  tratados  A  devolutividade  do  recurso  especial  fundamentado pelo artigo 7º, I, está relacionada à falta de unanimidade da decisão recorrida e à  contrariedade à lei ou evidência de prova.   A  norma  de  transição  do  Regimento  Interno  do  CARF  (Portaria  MF  nº  256/2009)  definia  a  aplicação  do  antigo  Regimento  aos  recursos  interpostos  quanto  aos  acórdãos proferidos em sessões de  julgamento ocorridos em data anterior à vigência daquele  novo Regimento:  Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art.  9º  do  Regimento  Interno  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos  contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em  data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados  de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43  e 44 daquele Regimento.  No mesmo  sentido,  prescreve  o RICARF  atual  (Portaria MF  343/2015)  que  é  aplicável a Portaria 147 a recursos especiais interpostos nessa situação:  Art. 3º Os recursos com base no inciso I do caput do art. 7º, no art. 8º e  no  art.  9º  do  Regimento  Interno  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de  2007,  interpostos  contra  os  acórdãos  proferidos  nas  sessões  de  julgamento  ocorridas  em  data  anterior  à  vigência  do  Anexo  II  da  Portaria MF  nº  256,  de  22  de  junho  de  2009,  serão  processados  de  acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e  44 daquele Regimento.  Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13805.000676/93­34  Resolução nº  9101­000.032  CSRF­T1  Fl. 179          6 Como o original Regimento do CARF  (2009)  foi  publicado em 26/06/2009,  e  realizado o julgamento recorrido em fevereiro de 2009, é aplicável o Regimento de 2007, para  fins de análise do recurso especial ora em julgamento.  Proponho,  assim,  seja  complementada  a  admissibilidade  do  recurso  especial  pelo Presidente de Câmara, para análise da sua admissibilidade à luz do artigo 7º,  I e demais  dispositivos aplicáveis da Portaria MF 147/2007.    (assinado digitalmente)  Cristiane Silva Costa  Fl. 179DF CARF MF

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7108902 #
Numero do processo: 10783.908563/2009-88
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados no Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI

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3001­000.006  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma  Data  25 de janeiro de 2018  Assunto  COFINS ­ DCOMP ELETRÔNICA ­ DIREITO CREDITÓRIO  Recorrente  VIXTEAM CONSULTORIA & SISTEMAS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente  analise os documentos acostados no Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Orlando Rutigliani Berri ­ Presidente e Relator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri,  Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.    RELATÓRIO  Cuida­se  de  recurso  voluntário  (fls.  38  a  42)  interposto  contra  o Acórdão  12­ 50.832,  da  17ª  Turma  da Delegacia  da Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  no  Rio  de  Janeiro  1  ­DRJ/RJ1­,  em  sessão  de  julgamento  realizada  em  21.11.2012  (fls.  32  a  34),  que  julgou improcedente a manifestação de inconformidade.  Da matéria  O presente processo refere­se ao Per/Dcomp 01818.69887.150905.1.7.04­5624,  que retificou o de nº 11062.82229.120805.1.3.04­5947, transmitido em 15.09.2005, devido ao  alegado pagamento a maior de Cofins, um equivoco de preenchimento de DCTF referente ao  mês de novembro de 2004, recolhido sob o código de receita 2172.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 08 56 3/ 20 09 -8 8 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10783.908563/2009­88  Resolução nº  3001­000.006  S3­C0T1  Fl. 97          2 Dos fatos  Por  bem  sintetizar  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  decisão  recorrida,  que  transcrevo, ipis litteris:  Trata  o  presente  processo  de  apreciação  de  compensação  declarada  em PER/DCOMP nº  01818.69887.150905.1.7.045624,  transmitida  em  15/09/2005,  de  crédito  referente  a  valor  que  teria  sido  recolhido  a  maior ou indevidamente em 13/12/2004, a título de COFINS, atinente  ao período de apuração 11/2004.  Por  meio  do  Despacho  Decisório  emitido  eletronicamente,  a  DRF  ­  Vitória, não homologou a compensação declarada,  sob o  fundamento  de  não  restar  crédito  disponível  para  a  compensação  dos  débitos  informados,  em  virtude  de  o  pagamento  do  qual  seria  oriundo  já  ter  sido  integralmente  utilizado  para  quitar  débitos  do  contribuinte,  não  restando crédito disponível para compensação dos débitos informados  no PER/DCOMP.  Cientificada,  a  Interessada  ingressou,  em  20/07/2009,  com  manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que a não  existência de crédito na data da homologação foi motivada pela  falta  de retificação da DCTF e, conseqüentemente, não sobrando saldo para  a devida compensação.  Da decisão de 1ª instância   A  17ª  Turma  da  DRJ/RJ1,  ao  considerar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  exarou  o  acórdão  ora  vergastado,  cuja  ementa  foi  vazada  nos  seguintes  termos:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004  INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO.  Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo  de  tributo  indevido  ou  maior  que  o  devido,  em  face  da  legislação  tributária aplicável, cogita­se o reconhecimento de indébito fiscal, e da  sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Da ciência  O  contribuinte,  segundo  "Aviso  de  Recebimento  ­AR",  foi  cientificado  do  Acórdão 12­50.832 da 17ª Turma da DRJ/RJ1 em 28.11.2012 (quarta­feira) (fl. 36).  Irresignado  com  a  decisão  formalizada  no  acórdão  vergastado,  apresentou  recurso voluntário, conforme informa o carimbo aposto na sua "folha de rosto", em 20.12.2012  (quinta­feira) (fl. 38).  Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10783.908563/2009­88  Resolução nº  3001­000.006  S3­C0T1  Fl. 98          3 Logo,  compulsando  as  datas  acima  destacadas,  conclui­se  que  o  recurso  voluntário apresentado é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos  na legislação, de modo que dele conheço.  Do recurso voluntário  Argumenta, em síntese que:  1­ em novembro de 2004 obteve uma receita e serviços prestados no valor de R$  331.817,54, conforme comprovam os documentos juntados;  2­  até 27.05.2009  as  receitas  financeiras  eram  incluídas na base de  cálculo da  Cofins e que a partir desta data, em face da Lei 11.941 de 2009, tal circunstância foi alterada,  proporcionando­lhe  auferir,  em  novembro  de  2004,  uma  receita  financeira  de  R$  7.505,72,  conforme comprovam os documentos juntados;  3­ não obstante apurar o imposto de renda com base no Lucro Real, está sujeita  ao cálculo da Cofins pelo princípio da cumulatividade, conforme artigo 10 da Lei 10.833 de  2003, à alíquota de 3% (três por cento);  4­ em novembro de 2004 a base de cálculo da  referida contribuição  foi  de R$  339.323,26,  apurando  o  valor  de R$  9.833,06,  referente  a  Cofins  retida  na  fonte,  conforme  demonstram os documentos juntados;  5­ utilizou o valor de R$ 111,75,  referente à nota  fiscal  1581, ocasião  em que  não foram destacados o PIS, a Cofins e a CSLL, em conformidade ao que dispõe a IN SRF 459  de 2004;  6­  quando  do  seu  recebimento,  constatou  que  o  cliente  Xerox  ­CNPJ  02.773.629/0001­08, fez a retenção, apesar de não estar obrigada pela legislação de regência,  conforme demonstram os documentos juntados;  7­ equivocadamente pagou em 13.12.2004, via Darf/Cofins de 11/2004, o valor  de R$ 458,42, conforme demonstram os documentos juntados;  8­  diante  dos  esclarecimentos  ora  minudenciados,  conforma­se  o  crédito  informado no referido Per/Dcomp, transmitido em 15.09.2005.  Neste sentido, requer a revisão da decisão proferida pela 17ª Turma da DRJ/RJ1,  através do Acórdão 12­50.832.  Do encaminhamento  O processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na  forma regimental.  É o relatório.  VOTO  Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator  Da admissibilidade  Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10783.908563/2009­88  Resolução nº  3001­000.006  S3­C0T1  Fl. 99          4 O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado.  Do voto condutor do acórdão recorrido  Do voto condutor do acórdão recorrido colhe­se, verbis:  O  ato  combatido  aponta  como  causa  da  não  homologação  o  fato  de  que,  embora  localizado  o  pagamento  apontado  na  DCOMP  como  origem  do  crédito,  o  valor  correspondente  fora  utilizado  para  a  extinção  anterior  de  outros  débitos. De  fato,  tal  constatação  decorre  diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários  Federais  ­ DCTF  apresentada  pelo  próprio  contribuinte  e  na  qual  o  pagamento  apontado  na  DCOMP  é  utilizado  integralmente  para  a  quitação do débito ali também declarado.  Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à  Administração  Tributária  revela  que  o  crédito  utilizado  na  compensação declarada não existia.  Por  conseguinte,  não havia  saldo disponível para  suportar uma nova  extinção,  desta  vez  por  meio  de  compensação.Decorre  disso  que  o  Despacho  Decisório  foi  emitido  corretamente,  já  que  baseado  nas  informações disponíveis para a Administração Tributária.  Com  efeito,  é  indispensável  destacar  que  nos  termos  da  legislação  federal vigente, o indébito fiscal decorrente de pagamento a maior ou  indevido,  utilizado  em  compensação  deve  ser  revestido  de  liquidez  e  certeza, conforme previsto no artigo 170 Código Tributário Nacional.  Neste  contexto,  a  Lei  nº  9.430/96  prevê  que  somente  os  créditos  passíveis  de  restituição  e  compensação  poderão  ser  utilizados  em  compensação tributária.  A simples retificação da DCTF, mesmo que tivesse sido efetuada antes  da ciência da decisão que não homologara a compensação declarada,  não afasta de nenhum modo o dever de comprovar a origem do crédito  alegado  na  PerdComp,  em  conformidade  com  a  DCTF  retificadora,  mas  que  na  DCTF  original  inexistia.  O  referido  dever  decorre  não  apenas  do  fato  de  que  é  a  contribuinte  que  inicia  o procedimento  de  compensação,  alegando  direito  Processo  10783.908563/2009­88  creditório,  também  porque,  no  caso  específico  em  exame,  as  declarações  contraditórias  exigem  prova  contábil­fiscal  mais  robusta  para suportar sua alegação.  De fato, a contribuinte, ora inconformada, não comprova a alegação.  Não  junta  aos  autos  qualquer  documento  contábil­fiscal  que  pudesse  corroborar  o  direito  alegado. Assim, a  fim de  comprovar a  certeza  e  liquidez de seu crédito, a inconformada, obrigatoriamente, deveria ter  instruído  sua  manifestação  de  inconformidade  com  documentos  que  respaldassem  seu  direito,  conforme  o  disposto  nos  Art.  15  e  16  do  Decreto nº 70.235, de 1972, a seguir transcritos: (...)  Contudo,  do  ônus  que  lhe  cabia,  conforme  legislação  citada,  a  inconformada  não  se  desincumbiu,  deixando  sem  amparo  factual  sua  alegação de direito de crédito contra a Fazenda Nacional.  Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10783.908563/2009­88  Resolução nº  3001­000.006  S3­C0T1  Fl. 100          5 Por  todos  os  fundamentos  expostos,  VOTO  no  sentido  de  julgar  improcedente a manifestação de Inconformidade.  Da proposta de diligência  Conforme  observa­se  do  voto  condutor  do  acórdão  recorrido,  ao  efetivar  sua  compensação, por  intermédio de Dcomp, o  interessado  indicou como crédito a compensar, o  constante de Darf  relativo à Cofins do período de apuração de novembro de 2004, mas que,  entretanto, em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou­se  que  o  valor  recolhido,  referente  ao  citado  Darf,  encontrava­se  inteiramente  alocado  para  a  quitação de outros débitos do sujeito passivo, por conseguinte, inexistindo crédito a compensar,  o  que  motivou  a  não  homologação  da  Dcomp  sob  apreço,  notadamente,  em  razão  de  o  Colegiado a quo  entender que o  contribuinte deveria  ter  apresentado documentário  contábil­ fiscal que pudesse corroborar o direito alegado.  Ocorre que, não obstante o recorrente, além de reconhecer que equivocou­se ao  valor  informar o valor do crédito recolhido, em face das alterações advindas da legislação de  regência da referida contribuição, apresentou, juntamente com seu recurso voluntário diversos  elementos de prova que, em tese, corroboram suas alegações.  Desta  forma,  entendo  que  a mencionada  retificação  da DCTF,  levada  a  efeito  pelo  recorrente,  sinaliza  com  a  possibilidade  de  acerto  quanto  ao  correto  valor  do  alegado  indébito e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação,  nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN.  É neste sentido que determina o parágrafo 2º do artigo 147 do CTN:  Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito  passivo  ou  de  terceiro,  quando  um  ou  outro,  na  forma  da  legislação  tributária,  presta  à  autoridade  administrativa  informações  sobre  matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação.  § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio contribuinte,  quando  vise  a  reduzir  ou  a  excluir  tributo,  só  é  admissível mediante  comprovação  do  erro  em  que  se  funde,  e  antes  de  notificado  o  lançamento.  §  2°.  Os  erros  contidos  na  declaração  e  apuráveis  pelo  seu  exame  serão  retificados  de  oficio  pela  autoridade  administrativa  a  que  competir a revisão daquela.  Da conclusão  Em face do exposto, ante a existência de indícios de que o recorrente apresentou  elementos que evidenciam que cometeu o aventado equívoco, que motivou, por conseguinte a  apresentação Dcomp em questão, da forma como realizada, que, ao menos em tese, merecem  um  exame  mais  acurado  por  parte  da  autoridade  fiscal  competente,  e  em  homenagem  aos  princípios  da  formalidade  moderada  e  da  verdade  real,  que,  nas  circunstâncias  observadas  nestes autos, devem nortear o processo administrativo fiscal e, ainda, de modo a evitar eventual  enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente  recurso  em  diligência  a  fim  de  que  a  autoridade  preparadora  da  unidade  fiscal  de  origem  analise os documentos acostados às fls. 57 a 92 e, caso entenda necessário, intime o recorrente  Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10783.908563/2009­88  Resolução nº  3001­000.006  S3­C0T1  Fl. 101          6 a demonstrar a pertinência e veracidade dos argumentos ora veiculados, de modo a confirmar a  existência do alegado indébito.  Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório,  pormenorizado  e  conclusivo  das  análises  levadas  a  efeito  e  do  seu  reflexo  na  Per/Dcomp  01818.69887.150905.1.7.04­5624.  Na  sequência  o  contribuinte  deverá  ser  intimado  para  que,  no  prazo  regulamentar,  caso  entenda  conveniente,  adite  seu  recurso  voluntário,  somente  quanto  à  matéria decorrente da presente diligência.  Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento.  (assinado digitalmente)  Orlando Rutigliani Berri    Fl. 101DF CARF MF

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7058532 #
Numero do processo: 13891.000050/97-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 1992, 1993, 1994, 1995 CRÉDITOS. APROVEITAMENTOS. DEVOLUÇÕES. ESCRITURAÇÃO. LIVRO DE CONTROLE DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE (MOD. 3). IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos do imposto sobre devoluções de mercadorias está condicionado à escrituração do Livro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, ou de sistema equivalente que possibilite o efetivo controle e fiscalização do tributo.
Numero da decisão: 9303-005.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Nos termos do art. 58, § 5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Valcir Gassen não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Érika Costa Camargos Autran na sessão anterior. Julgamento iniciado na reunião de 08/2017 e concluído em 19/09/2017. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1967; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 2          1  1  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  13891.000050/97­66  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­005.759  –  3ª Turma   Sessão de  19 de setembro de 2017  Matéria  IPI  Recorrente  IMPORPEL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Exercício: 1992, 1993, 1994, 1995  CRÉDITOS. APROVEITAMENTOS. DEVOLUÇÕES.  ESCRITURAÇÃO.  LIVRO DE  CONTROLE DA  PRODUÇÃO  E  DO  ESTOQUE  (MOD.  3).  IMPOSSIBILIDADE.  O  aproveitamento  de  créditos  do  imposto  sobre devoluções  de mercadorias  está  condicionado  à  escrituração  do  Livro  de  Controle  da  Produção  e  do  Estoque,  modelo  3,  ou  de  sistema  equivalente  que  possibilite  o  efetivo  controle e fiscalização do tributo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos  Acordam os membros  do  colegiado,  por maioria  de  votos,  em  conhecer do  Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de  Castro  Souza  (suplente  convocado)  e  Luiz Augusto  do Couto Chagas  (suplente  convocado),  que  não  conheceram  do  recurso.  No  mérito,  por  voto  de  qualidade,  acordam  em  negar­lhe  provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori  Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento, com retorno  dos autos ao colegiado de origem. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito, o  conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Nos termos do art. 58, § 5º, Anexo II do RICARF,  o conselheiro Valcir Gassen não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela  conselheira Érika Costa Camargos Autran na sessão anterior. Julgamento iniciado na reunião de 08/2017 e concluído em 19/09/2017.    (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 00 00 50 /9 7- 66 Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13891.000050/97­66  Acórdão n.º 9303­005.759  CSRF­T3  Fl. 3          2  (assinado digitalmente)  Érika Costa Camargos Autran ­ Relatora    (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal,  Tatiana Midori Migiyama,  Charles Mayer  de Castro  Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes,  justificadamente,  os  conselheiros  Carlos  Alberto  Freitas  Barreto  e  Érika  Costa  Camargos  Autran.    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  de  Divergência  interposto  pelo  Contribuinte  contra  o  acórdão  nº  2101­00.029,  de  04  de  março  de  2009  (fls.  376  a  379  do  processo  eletrônico), proferido pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de  Julgamento  deste  CARF,  decisão  que  por  unanimidade  de  votos,  acolheu  os  embargos  de  declaração opostos pelo Contribuinte, para anular o acórdão nº 202­15.735.  A discussão dos presentes autos  tem origem na exigência do  Imposto sobre  Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração e demonstrativos de fls. 04/19,  lavrado em 28/05/1997, totalizando o crédito tributário de R$ 81.845,31, referente ao período  de maio de 1992 a dezembro de 1995.  Inconformado  com  a  autuação,  o  contribuinte,  por  intermédio  de  seu  representante  legal,  protocolizou  impugnação  em  25/06/1997,  aduzindo  em  sua  defesa  as  seguintes razões:     1.  Todos  os  documentos  relativos  as  devoluções  e  retornos  são  idôneos,  e  foram  lançados no Livro Diário  e no Livro Registro de Entradas,  como  estabelecido  no  Regulamento  do  IPI,  sendo  incorreta  a  glosa  de  um  direito que é líquido e certo;     2.  O  art.  49,  do  Código  Tributário  Nacional,  estabelece  que  o  IPI  é  não  cumulativo, e que o montante a ser pago deve resultar da diferença entre  o  imposto  referente  aos  produtos  saídos  do  estabelecimento  e  pago  relativamente aos produtos nele entrados;     Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13891.000050/97­66  Acórdão n.º 9303­005.759  CSRF­T3  Fl. 4          3  3.   Juntou à  impugnação cópias de todas as notas  fiscais e  lançamentos no  livro diário.    A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto —  SP,  indeferiu a solicitação do Contribuinte.  Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou  recurso  voluntário,  a  Segunda  Câmara  do  Segundo  Conselho  de  Contribuintes,  por  unanimidade de votos, negou provimento ao recurso, conforme acórdão nº 202­15.735, assim  ementado in verbis:    PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.   NULIDADES.  As  hipóteses  de  nulidade,  no  Processo  Administrativo Fiscal, estão previstas no artigo 59 do Decreto n°  70.235/72,  e  estão  ligadas  a  incompetência  do  agente  administrativo  e  ao  cerceamento  do  amplo  direito  de  defesa.  Preliminar rejeitada.   IPI.  CRÉDITO  POR  DEVOLUÇÃO  OU  RETORNO  DE  MERCADORIAS.   O  direito  ao  crédito  decorrente  de  produtos  devolvidos  está  condicionado as exigências regulamentares,  entre as quais está  a  obrigatoriedade  de  escrituração  do  Livro  de  Registro  de  Controle  da  Produção  e  do  Estoque,  em  conformidade  com  os  requisitos  requeridos;  somente  se  dispensa  tal  requisito  legal  quando  da  existência  de  sistema  equivalente,  que  permita  perfeita identificação das operações realizadas.  Recurso negado.    O Contribuinte opôs Embargos de Declaração às fls. 345 a 358.  Os embargos foram acolhidos para anular o acórdão nº 202­15.735, conforme  ementa do acórdão assim in verbis:    Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS  ­ IPI   Exercício: 1992, 1993, 1994, 1995   EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  ERRO  MATERIAL.  CONSTATAÇÃO. EFEITOS INFRIGENTES. CANCELAMENTO  DO ACÓRDÃO.   Fl. 432DF CARF MF Processo nº 13891.000050/97­66  Acórdão n.º 9303­005.759  CSRF­T3  Fl. 5          4  É de se conhecer  e prover  embargos de declaração  interpostos  pela  existência  de  erro material,  mesmo  se  resultar  em  efeitos  infringentes  do  julgado,  inclusive  para  cancelar  o  acórdão  viciado.   FALTA  DE  LIVRO  MODELO  3.  INEXISTÊNCIA  DE  CONTROLE  EQUIVALENTE.  CRÉDITOS DE  IPI.  FALTA DE  COMPROVAÇÃO.   Importa  uso  indevido  de  créditos  relativos  a  produtos  do  estabelecimento, recebidos um devolução ou retorno, sem que a  empresa tenha feito prova da eletiva entrada desses produtos e a  sua  integração  no  estoque.  O  registro  dessas  devoluções  ou  retorno no Livro Modelo 3 ­ Registro de Controle da Produção e  do Estoque, autoriza presunção da efetiva entrada dos produtos  devolvidos ou em retomo ao estabelecimento e sua integração ao  estoque, ressalvado à fiscalização fazer prova em contrário. Não  havendo esses registros, cabe a empresa demonstrar por outras  provas a efetiva entrada dos produtos no estabelecimento e sua  integração ao estoque. Não sendo provada a entrada, devolução  e retorno, é de se glosar os créditos das mesmas decorrentes.   Embargos de declaração acolhidos.    O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 388 a 394) em  face  do  acórdão  recorrido,  a  divergência  suscitada  pelo  Contribuinte  diz  respeito  à  possibilidade  de  se  provar  o  crédito  de  IPI  decorrente  de  devolução  ou  retorno  pelas  notas  fiscais de entrada, Livro Registro de Entradas e Livro Diário, em substituição à escrituração do  Livro Modelo 3 — Registro de Controle de Produção e Estoque.  Para  comprovar  a  divergência  jurisprudencial  suscitada,  O  Contribuinte  apresentou como paradigmas os acórdãos de números 02­0.515 e 02­0.363.  A  comprovação  do  julgados  firmou­se  pela  transcrição  das  ementas  dos  acórdãos no corpo da peça recursal.  O  recurso  especial do Contribuinte  foi admitido, conforme despacho de  fls.  410  a  412,  sob  o  argumento  que  o  acórdão  recorrido  confirmou  a  decisão  da  DRJ,  pronunciando­se, do mesmo modo, ou seja, que os Livros Diário e Registro de Entradas não  servem para a comprovação da efetiva entrada e reinclusão no estoque. Assim, a confrontação  entre a ementa do acórdão paradigma e o acórdão recorrido comprova a divergência, pois, no  paradigma,  o  entendimento  foi  de  que  as  notas  fiscais  de  devolução,  os  Livros  Registro  de  Entrada e Diário supriam a ausência de escrituração das devoluções no Livro Modelo 3 Livro  Modelo 3 — Registro de Controle de Produção e Estoque.  Fl. 433DF CARF MF Processo nº 13891.000050/97­66  Acórdão n.º 9303­005.759  CSRF­T3  Fl. 6          5  A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 416 a 425, manifestando  pelo não provimento do recurso especial e que seja mantido, in totum, o acórdão proferido pela  Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes.  É o relatório em síntese.  Voto Vencido  Conselheira Érika Costa Camargos Autran ­ Relatora   Depreendendo­se da análise do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte  entendo que devo conhecê­lo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r.  recurso.   De  acordo  com  a  fiscalização,  apesar  de  a  contribuinte  ter  juntado  os  documentos  relativos  às  devoluções  e  retornos  que  foram  escriturados  no  Livro Diário  e  no  Livro Registro de Entradas, a  falta de escrituração do Livro Modelo 3,  não pode ser  suprida  pelo Livro Diário e Livro Registro de Entradas. E os autos teve como fundamento os artigos 84  e 86­11 do RIPI/82, senão vejamos:    Art.  84.  É  permitido  ao  estabelecimento  industrial,  ou  equiparado  a  industrial,  creditar­se  do  imposto  relativo  a  produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, total ou  parcial.  Art.  85.  No  caso  de  locação  ou  arrendamento,  a  reentrada  do  produto  no  estabelecimento  remetente  não  dará  direito  ao  crédito  do  imposto,  salvo  se  o  produto  tiver  sido  submetido  à  nova  industrialização  e  ocorrer  nova  saída.  Procedimentos  Art. 86. O direito ao crédito do imposto ficará condicionado ao  cumprimento das seguintes exigências:  I  –  pelo  estabelecimento  que  fizer  a  devolução:  a)  emissão  de nota  fiscal  (série  "B"  ou  "C"),  conforme o  caso,  para  acompanhar  o  produto,  declarando  o  número,  data  da  emissão  e  o  valor  da  operação  constante  do  documento  originário,  bem  como  indicando  o  imposto  relativo  às  quantidades devolvidas e a causa da devolução;  b)  arquivamento,  em  pasta  especial,  de  uma  via  da  nota  fiscal  emitida.  II – pelo estabelecimento que receber o produto em devolução:  a) arquivamento, em pasta especial, das notas fiscais recebidas,  Fl. 434DF CARF MF Processo nº 13891.000050/97­66  Acórdão n.º 9303­005.759  CSRF­T3  Fl. 7          6  com menção do fato nas vias das notas originárias conservadas  no  respectivo  talonário  ou  sanfona,  ou  no  livro  Copiador,  conforme o caso;  b)  lançamento  nos  livros  Registro  de  Entradas  e  Registro  de  Controle da Produção e do Estoque das notas fiscais recebidas,  na  ordem  cronológica  de  entrada  dos  produtos  no  estabelecimento;  c)  prova,  pelos  registros  contábeis  e  demais  elementos  de  sua  escrita,  do  ressarcimento  da  devolução,  mediante  crédito  do  respectivo valor, restituição do preço ou substituição do produto,  salvo se a operação tiver sido feita a título gratuito.  Assim, por falta de escrituração do referido livro, a fiscalização entendeu que  houve  descumprimento  de  requisito  essencial  para  apropriação  do  crédito  do  imposto  consignado nas notas fiscais de devolução, em consequência, procedeu a glosa do valor crédito  referente às correspondentes operações.  A  questão  aqui  posta  e  referente  a  possibilidade  de  utilização  de  sistemas  alternativos de controle de apuração do IP1, em substituição ao chamado Livro Modelo 3.   Analisando os autos, foram juntados pelo Contribuinte, documentos relativos  as  devoluções  e  retornos,  documento  estes  que  foram  lançados  no  Livro  Diário  e  no  Livro  Registro  de Entradas,  corno  estabelecido  no Regulamento  do  IPI.  Foram  juntadas  cópias  do  livro  Diário  mencionado,  constando  a  escrituração  daquelas  operações  (folhas  29  a  196);  cópias autenticadas das Notas Fiscais de devolução dos produtos, de folhas 32 a 196; e o Livro  de Registro de Entradas de folhas 233 a 303.   Aliás, no relatório de Encerramento de Fiscalização do próprio Auditor Fiscal  traz a afirmativa da regularidade da empresa, exceto quanto a questão da escrituração do livro  Modelo 3.  Entendo  que  o  motivo  apresentado  pela  fiscalização  não  é  suficiente  para  descaracterizar  as  referidas operações de devolução e  tampouco o direito da Contribuinte de  apropriar­se  dos  créditos  do  IPI  registrados  em  documentos  fiscais  idôneos,  conforme  exigência determinada pelo Decreto no 87.981/ 1982. RIPI/82, vigente a época, especificamente nos  arts. 97, I, e 98 do RIPI/2002, a seguir transcritos:     Fl. 435DF CARF MF Processo nº 13891.000050/97­66  Acórdão n.º 9303­005.759  CSRF­T3  Fl. 8          7  Art. 97. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus  livros  fiscais,  à  vista  do  documento  que  lhes  confira  legitimidade:  I – nos casos dos créditos básicos ou decorrentes de devolução  ou  retorno  de  produtos,  na  efetiva  entrada  dos  produtos  no  estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial;  II – no  caso de entrada  simbólica de produtos,  no recebimento  da  respectiva  nota  fiscal;  III  –  no  caso  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  matéria.  de  embalagem,  adquiridos  para  consumo  próprio  ou  para  comércio,  e  eventualmente  remetidos  a  terceiros  para  industrialização  por  encomenda,  na  efetiva  saída  do  estabelecimento;  IV  –  no  caso  de  produtos  adquiridos  para  exportação  no  mercado  interno  pelas  empresas  nacionais  exportadoras  de  serviços,  na  efetiva  entrada  dos  mesmos  produtos  em  recinto  aduaneiro, autorizado pela Secretaria da Receita Federal, ou no  seu  efetivo  embarque para o  exterior  (Decreto­Lei nº 1.633/78,  art. 1, § 2, a );  V  –  nas  operações  internas  incentivadas,  na  efetiva  saída  do  produto do estabelecimento vendedor para o adquirente.  Art.  98.  Nos  casos  de  apuração  de  créditos  para  dedução  do  imposto  lançado  de  ofício,  em  auto  de  infração,  serão  considerados,  também,  como  escriturados,  os  créditos  a  que  o  contribuinte  comprovadamente  tiver  direito  e  que  forem  alegados até a impugnação.    Assim,  ainda que o Contribuinte  tivesse descumprido o  requisito  atinente  à  escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, deve ser observado  que disposto no referido art. 97, I, que exige a comprovação da efetiva entrada dos produtos no  estabelecimento industrial, por meio de documentação fiscal idônea, isto é, este comando legal  sobreleva  o  valor  da  situação  fática  ou  real,  concernente  ao  retorno  dos  produtos  ao  estabelecimento  vendedor,  ao  passo  que  os  arts.  86  e  seguintes  do  RIPI/82,  valoriza  em  demasia o aspecto formal consistente na mera escrituração do citado livro.   No  mesmo  sentido,  em  reforço  a  prevalência  da  verdade  material  sobre  a  verdade  formal,  no  âmbito  do  lançamento  de  ofício,  nos  termos  do  citado  art. 97,  são  considerados  escriturados  e,  portanto,  passíveis  de  dedução  os  créditos  que  o  contribuinte  comprovadamente tiver direito e que forem alegados até a impugnação.   Fl. 436DF CARF MF Processo nº 13891.000050/97­66  Acórdão n.º 9303­005.759  CSRF­T3  Fl. 9          8  Induvidosamente, trata­se de aparente conflito de normas, que, se de um lado  justifica a manutenção da exigência por falta de escrituração do citado livro, de outro justifica o  acatamento dos créditos, comprovadamente legítimos, comprovados por documentação idônea.   Assim, como não há provas nos autos de que os créditos glosados são  ilegítimos, sob pena de  inobservância  do  princípio  da  não  cumulatividade,  eles  devem  ser  admitidos e deduzidos do valor do imposto devido.   No  mesmo  sentido,  decidiu  a  2ª  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais (CSRF), por meio do julgado, cujo enunciado da ementa segue transcrito:     IPI CRÉDITOS POR DEVOLUÇÃO Ainda que não escriturados  no  Livro  Modelo  3  ou  controle  subsidiário,  desde  que  comprovadamente  legítimos  e  sustentados  por  documentação  idônea  que  lhes  confere  tal  condição  e,  ainda,  alegados  até  a  impugnação,  merecem  ser  aproveitados.  Os  comandos  ínsitos  nos artigos 97 e 98, prevalecem àqueles integrantes dos artigos  84 e 86, II, letra b, todos do RIPI/82. Recurso do Sr. Procurador  da Fazenda Nacional não provido. (Ac. CSRF/020.818. Processo  nº  13708.002555/9414.  Rel.  Luiza Helena Galante de Moraes. j. 16.08.1999).   Assim,  entendo que não pode  ser  restringido o  direito do Contribuinte,  sob  alegação de simples falta de cumprimento de obrigação acessória, qual seja, da escrituração de  livros fiscais, se houver meios de verificação da devolução efetiva dos produtos.  Com base nessas considerações, entendo ter ficado demonstrado o direito do  contribuinte de creditar­ se dos valores do IPI , relativos as citadas operações de devolução e  retorno dos produtos.  Diante do exposto, voto em dar provimento ao Recurso Especial Contribuinte  para dizer que o livro 3 não é necessário no caso concreto, com retorno dos autos a delegacia  para analise dos documentos juntados pelo contribuinte, para verificação do crédito.  É como voto.   (assinado digiltamente)  Érika Costa Camargos Autran  Fl. 437DF CARF MF Processo nº 13891.000050/97­66  Acórdão n.º 9303­005.759  CSRF­T3  Fl. 10          9  Voto Vencedor  Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado.  Com  todo  respeito  ao  voto  da  ilustre  relatora,  mas  discordo  de  suas  conclusões.  A  discussão  de mérito  gira  em  torno  do  aproveitamento  de  créditos  de  IPI  sobre devoluções de mercadorias que não foram escrituradas no Livro de Controle da Produção  e do Estoque (modelo 3) ou em sistema equivalente.  Conforme demonstrado e provado nos autos, mais especificamente no Termo  de Verificação Fiscal, o contribuinte se creditou indevidamente do IPI sobre devoluções e/ ou  retorno  de  mercadorias,  sem  contudo,  ter  escriturado  aquele  livro  e/  ou  adotado  sistema  equivalente. Somente a partir de janeiro de 1996, passou a escriturar um controle permanente  de  estoque  de  insumos  e  de  produtos  que  preenche  os  requisitos  legais  exigidos  para  substituição daquele Livro.  A  Lei  nº  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  assim  dispõe,  quanto  à  escrituração fiscal, em relação ao IPI:  "Art  .  56.  Os  contribuintes  e  outros  sujeitos  passivos  que  o  regulamento indicar dentre os previstos nesta lei, são obrigados  a  possuir,  de  acordo  com  a  atividade  que  exercerem  e  os  produtos  que  industrializarem,  importarem,  movimentarem,  venderem,  adquirirem  ou  receberem,  livros  fiscais  para  o  registro  da  produção,  estoque,  movimentação,  entrada  e  saída  de  produtos  tributados  ou  isentos,  bem  como  para  controle  de  imposto  a  pagar  ou  a  creditar  e  para  registro  dos  respectivos  documentos.  §  1º  O  regulamento  estabelecerá  os  modelos  dos  livros  e  indicará  os  que  competem  a  cada  contribuinte  ou  pessoa  obrigada.  (...).  §  3º  O  Ministério  da  Fazenda,  por  seu  órgão  competente,  tomadas  as  necessárias  cautelas,  poderá  autorizar,  a  título  precário, o uso de fichas em substituição aos livros.  §  4º  Constituem  instrumentos  auxiliares  da  escrita  fiscal  do  contribuinte e das pessoas obrigadas à escrituração, os livros da  contabilidade  geral,  as  notas  fiscais,  as  guias  de  trânsito  e  de  Fl. 438DF CARF MF Processo nº 13891.000050/97­66  Acórdão n.º 9303­005.759  CSRF­T3  Fl. 11          10  recolhimento  do  imposto  e  todos  os  documentos,  ainda  que  pertencentes ao arquivo de terceiros, que se relacionem com os  lançamentos nela feitos.  § 5º O Departamento de Rendas Internas poderá permitir, mediante as  condições  que  estabelecer,  e  resguardada  a  segurança  do  controle  fiscal,  que,  com  as  adaptações  necessárias,  livros  ou  elementos  de  contabilidade  geral  do  contribuinte,  substituam  os  livros  e  documentário  fiscal  previstos  nesta  lei.  (Incluído  pelo Decreto­Lei  nº  34, de 1966)"  No  presente  caso,  ficou  demonstrado  e  provado  que  o  contribuinte  não  escriturou o Livro de Controle da Produção e do Estoque (modelo 3). Aliás, esse fato, sequer  foi questionado por ele.  Com  relação  a  sua  substituição  por  sistema  equivalente,  outros  livros,  o  Regulamento  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (RIPI),  aprovado  pelo  Decreto  nº  87.981, de 23 de dezembro de 1982, vigente à  época dos  fatos geradores do  lançamento  em  discussão, assim dispunha:  "Art. 269. os livros só poderão ser usados depois de visados pela  repartição competente do fisco estadual, salvo se esta dispensar  a exigência e os livros forem registrados na Junta Comercial."  Consoante  consta  do  acórdão  recorrido,  os  livros  apresentados  pelo  contribuinte, em substituição ao Livro de Controle da Produção e do Estoque (modelo 3) não  atendem  às  exigências  deste  dispositivo  legal. Os  livro  apresentados,  além  de  não  conterem  termos  de  abertura  e  de  encerramento,  por  nenhuma  autoridade  fazendária,  sequer  foram  autenticados.  Na  verdade,  o  entendimento  aqui  consubstanciado,  converge  no  sentido  de  que  é  possível  sim  admitir  outras  formas  de  controle  alternativo  ao  Livro  de  Controle  da  Produção e do Estoque (modelo 3), desde que suficientes para demonstrar o efetivo controle. E  foi exatamente neste sentido que decidiu o acórdão recorrido, evidenciado no seguinte trecho:  (...)  A  questão  não  é  nova,  e  sempre  decidi,  em  consonância  com  iterada  jurisprudência  deste  Colegiado,  pela  possibilidade  de  utilização  de  sistemas  alternativos  de  controle  de  apuração  do  IPI,  em  substituição  ao  chamado  Livro  Modelo  3,  desde  que  tais  sistemas  efetivamente  existissem  e  fossem  trazidos  aos  autos, pelo menos em caráter de amostragem.  (...)  Fl. 439DF CARF MF Processo nº 13891.000050/97­66  Acórdão n.º 9303­005.759  CSRF­T3  Fl. 12          11  Desta  forma,  carece de  sustentação  fática a afirmação da  ilustre  relatora do  voto  vencido,  que  se  trataria  de  uma  situação  em  que  estaria­se  sobrevalorizando  o  aspecto  formal em detrimento da verdade material. Como visto, este controle decorre de um comando  legal,  direcionado  a  todos  os  contribuintes  do  IPI  e,  extremamente  necessária  a  sua  padronização, para fins de controle e fiscalização do tributo. Imaginem se cada contribuinte do  IPI resolvesse adotar um controle próprio e particular a despeito dos regulamentos.   A  verdade  insofismável,  é  que  os  controles  apresentados  pelo  contribuinte,  para substituir  referido  livro, demonstraram­se insuficientes para a convicção da fiscalização,  da própria DRJ que em primeira  instância negou a  impugnação do contribuinte e do próprio  CARF,  quando  a  turma  recorrida,  por  unanimidade  de  seus membros,  negou  provimento  ao  recurso voluntário.  Assim,  em  face  do  exposto,  nego  provimento  ao  recurso  especial  do  contribuinte.    (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal                Fl. 440DF CARF MF

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Numero do processo: 11080.723621/2015-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. É improcedente a revisão fiscal da declaração de ajuste anual da pessoa física, exigindo o pagamento de imposto suplementar, quando comprovado no curso do processo administrativo tributário que os rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas e físicas foram oferecidos tempestivamente à tributação pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2401-005.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento para exonerar o crédito tributário. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS

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2401­005.153  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  5 de dezembro de 2017  Matéria  IRPF: AJUSTE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS.  Recorrente  MARIA REGINA LOPES CAMPOS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2010  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  ALUGUÉIS.  OFERECIMENTO  À  TRIBUTAÇÃO.  É  improcedente  a  revisão  fiscal  da  declaração  de  ajuste  anual  da  pessoa  física,  exigindo  o  pagamento  de  imposto  suplementar,  quando  comprovado  no  curso  do  processo  administrativo  tributário  que  os  rendimentos  de  aluguéis  recebidos  de  pessoas  jurídicas  e  físicas  foram  oferecidos  tempestivamente à tributação pelo contribuinte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade,  em  conhecer  do  recurso voluntário e dar­lhe provimento para exonerar o crédito tributário.      (assinado digitalmente)  Cleberson Alex Friess ­ Presidente em Exercício e Relator      Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess,  Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio  Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 36 21 /2 01 5- 23 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11080.723621/2015­23  Acórdão n.º 2401­005.153  S2­C4T1  Fl. 138          2 Relatório  Cuida­se  de  recurso  voluntário  interposto  em  face  da  decisão  da  5ª  Turma da  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO), por meio do  Acórdão  nº  16­71.852,  de  12/04/2016,  cujo  dispositivo  tratou  de  considerar  improcedente  a  impugnação, mantendo o crédito tributário exigido no processo administrativo (fls. 76/79):  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2010  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO.  São  tributáveis  os  rendimentos  recebidos  pelo  contribuinte  e  omitidos em sua declaração de ajuste anual.  Impugnação Improcedente   2.    Em  face  da  contribuinte  foi  emitida  a  Notificação  de  Lançamento  nº  2011/359005591775822,  relativa  ao  ano­calendário  de  2010,  decorrente  de  procedimento  de  revisão  da  sua Declaração  de  Imposto  sobre  a Renda da Pessoa Física  (DIRPF),  em que  foi  apurada pela fiscalização (fls. 5/10):  (i)  omissão  de  rendimentos  de  aluguéis  recebidos  de  pessoas jurídicas, no importe de R$ 87.622,17;  (ii)  omissão  de  rendimentos  de  aluguéis  recebidos  de  pessoas físicas, no valor de R$ 7.373,78; e  (iii)  compensação  indevida  de  Imposto  sobre  a  Renda  Retido na Fonte, equivalente a R$ 1.640,75.  2.1    A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste  Anual  (DAA), exigindo o Fisco  imposto suplementar, acrescido de  juros de mora e multa de  ofício.  3.    Cientificada  da  notificação  por  via  postal  em  30/03/2015,  às  fls.  60,  a  contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2/4).  4.    Intimada  em  19/04/2016,  por  via  postal,  da  decisão  do  colegiado  de  primeira  instância,  às  fls.  80/83,  o  viúvo  meeiro,  na  condição  de  inventariante,  apresentou  recurso  voluntário no dia 05/05/2016 (fls. 85/86 e 117/118).  Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11080.723621/2015­23  Acórdão n.º 2401­005.153  S2­C4T1  Fl. 139          3 4.1    Em  síntese,  afirma  o  inventariante  que  os  rendimentos  de  aluguéis  líquidos  percebidos de pessoas  jurídicas e  físicas  foram integralmente declarados pela contribuinte na  respectiva DAA, relativa ao exercício de 2011, na proporção de 50% (cinquenta por cento) dos  valores  produzidos  pelos  bens  comuns  do  casal.  O  cônjuge  ofereceu  à  tributação  a  parte  restante dos rendimentos de aluguéis na sua DAA.  4.2    Os  rendimentos  foram  declarados  em  nome  das  administradoras  dos  imóveis,  Luiz Coelho Imóveis Ltda e Organização Taperinha Ltda.   4.3    Entretanto, a falta de prestação dos dados em nome dos locatários dos imóveis  constitui um mero equívoco da contribuinte no preenchimento da declaração, o que demonstra  a insubsistência e improcedência da Notificação de Lançamento.  4.4    Ao  final da petição,  requer prioridade na  tramitação e  julgamento do processo  administrativo, com fulcro no art. 71 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do  Idoso).      É o relatório.  Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11080.723621/2015­23  Acórdão n.º 2401­005.153  S2­C4T1  Fl. 140          4   Voto             Conselheiro Cleberson Alex Friess ­ Relator  Juízo de admissibilidade  5.    Uma  vez  realizado  o  juízo  de  validade  do  procedimento,  verifico  que  estão  satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo  conhecimento.  Mérito  6.    A contribuinte, Srª Maria Regina Lopes Campos, era casada com o Sr. Severo  Machado Campos, no regime de comunhão de bens (fls. 87).   7.    Os  aluguéis  correspondem  a  bens  comuns  do  casal,  relacionados  aos  imóveis  situados à Rua Dr. Bozano, nº 1.257 e Rua Dr. Alberto Pasqualini, nº 58, na cidade de Santa  Maria,  estado  do Rio Grande  do  Sul,  administrados  pelas  imobiliárias  Luiz Coelho  Imóveis  Ltda e Organização Taperinha Ltda (fls. 15/23).  8.    Em  se  tratando  de  bens  comuns,  em  decorrência  do  regime  de  casamento,  os  rendimentos são tributados na proporção de 50% em nome de cada cônjuge ou, opcionalmente,  podem  ser  tributados  pelo  total  em  nome  de  um  dos  cônjuges.  Eis  os  arts.  6º  e  7º  do  Regulamento do Imposto de Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999  (RIR/99):  Seção II  Rendimentos na Constância da Sociedade Conjugal  Art. 6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá  seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art.  226, § 5º):  I ­ cem por cento dos que lhes forem próprios;  II ­ cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns.  Parágrafo  único.  Opcionalmente,  os  rendimentos  produzidos  pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em  nome de um dos cônjuges.  Declaração em Separado  Art.  7º  Cada  cônjuge  deverá  incluir,  em  sua  declaração,  a  totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos  produzidos pelos bens comuns.  Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11080.723621/2015­23  Acórdão n.º 2401­005.153  S2­C4T1  Fl. 141          5 §  1º  O  imposto  pago  ou  retido  na  fonte  sobre  os  rendimentos  produzidos  pelos  bens  comuns  deverá  ser  compensado  na  declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um  dos  cônjuges,  independentemente de  qual  deles  tenha  sofrido  a  retenção ou efetuado o recolhimento.  § 2º Na hipótese prevista no parágrafo único do artigo anterior,  o  imposto  pago  ou  retido  na  fonte  será  compensado  na  declaração,  em  sua  totalidade,  pelo  cônjuge  que  declarar  os  rendimentos,  independentemente  de  qual  deles  tenha  sofrido  a  retenção ou efetuado o recolhimento.  § 3º Os bens comuns deverão ser relacionados somente por um  dos cônjuges,  se ambos estiverem obrigados à apresentação da  declaração,  ou,  obrigatoriamente,  pelo  cônjuge  que  estiver  apresentando a declaração, quando o outro estiver desobrigado  de apresentá­la.  9.    De  acordo  com  os  documentos  que  instruem  os  autos,  houve  declaração  em  separado,  cada  cônjuge  incluindo  a  totalidade  dos  rendimentos  próprios  e  a  metade  dos  rendimentos  produzidos  pelos  aluguéis.  O  imposto  retido  sobre  os  rendimentos  produzidos  pelos  bens  comuns  foi  compensado  na  declaração,  na  proporção  de  50%  para  cada  um  dos  cônjuges (fls. 61/65 e 70/75).  10.    Nada obstante, os dados dos aluguéis recebidos pelas pessoas físicas declarantes  foram informados na DAA em nome das  respectivas imobiliárias, e não dos locatários (fonte  pagadora).   11.    Para melhor compreensão da situação fática, elaborei os quadros demonstrativos  abaixo  indicados,  com  base  nos  dados  da  omissão  de  rendimentos  indicada  pelo  agente  fazendário,  dos  Comprovantes  de  Rendimentos  de  Aluguéis  e  das  DAA´s  entregues  pelos  cônjuges:  Quadro 1 ­ Omissão de rendimentos de aluguéis (fls. 5/10)  Fonte Pagadora (Locatário)  Rendimentos  Tributáveis (R$)  Imposto Retido  (R$)  Nova Derme Farmácia Ltda ­ EPP  37.383,24  1.500,74  Dos Santos & Souza Ltda ­ ME  22.204,67  407,65  LCD ­ Telecon Comércio de Equipamentos  de Informática Ltda  28.034,26  1.338,84  Total  87.622,18  3.247,23  Pessoas físicas (diversas)  7.373,78  ­  Total (apurado pela fiscalização)  94.995,96  3.247,23  Divisão para cada cônjuge (50%)  47.497,98  1.623,61  Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11080.723621/2015­23  Acórdão n.º 2401­005.153  S2­C4T1  Fl. 142          6 Quadro 2 ­ Comprovante Anual de Rendimentos de Aluguéis  Imobiliária Luiz Coelho Imóveis Ltda. (fls. 24/29)  Fonte Pagadora (Locatário)  Rendimento  Bruto (R$)  Taxa de  administração  (R$)  Rendimento  Tributável (R$)  Imposto  Retido (R$)  Nova Derme Farmácia Ltda ­ EPP  32.479,56  3.262,96  29.216,60  1.500,68  Nova Derme Farmácia Ltda ­ EPP  4.890,88  489,04  4,401,84  ­  Nova Derme Farmácia Ltda ­ EPP  4.181,16  416,36  3.764,80  ­  Total  37.383,24  1.500,68  Dos Santos & Souza Ltda ­ ME  24.671,75  2.467,08  22.204,67  407,65  LCD ­ Telecon Comércio de  Equipamentos de Informática Ltda 1   31.149,14  3.114,88  28.034,26  1.373,17  Adriana Barboza Menezes  4.342,26  434,17  3.908,09  ­  Total  91.530,26  3.281,50  Divisão para cada cônjuge (50%) ­ Imobiliária Luiz Coelho  45.765,13  1.640,75  Organização Taperinha Ltda (fls. 30)  Fonte Pagadora (Locatário)  Rendimento  Bruto (R$)  Taxa de  administração  (R$)  Rendimento  Tributável (R$)  Imposto  Retido (R$)  Associação Beneficente ­ ACIRS  1.566,30  161,82  1.404,48  ­  Joceles da Silva Moreira  4.067,47  601,78  3.465,69  ­  Total  4.818,25  ­  Divisão para cada cônjuge (50%) ­ Imobiliária Taperinha  2.409,12  ­  Total Pessoa Jurídica (PJ)  89.026,66  3.281,50  Total Pessoa Física (PF)  7.373,78  ­  Divisão para cada cônjuge (50%) ­ Total PJ e PF  48.200,22  1.640,75                                                                1  Razão  social  informada:  H  L  Vieira  Comércio  e  Importação  Ltda,  CNPJ  68.847.029/0001­47  (igual  à  fiscalização).  Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11080.723621/2015­23  Acórdão n.º 2401­005.153  S2­C4T1  Fl. 143          7 Quadro 3 ­ DAA dos cônjuges  Maria Regina Lopes Campos (fls. 61/65)  Fonte Pagadora (Imobiliária)  Rendimentos  Tributáveis (R$)  Imposto Retido  (R$)  Luiz Coelho Imóveis Ltda  45.765,13  1.640,75  Organização Taperinha Ltda  2.435,08  ­  Total  48.200,21  1.640,75  Severo Machado Campos (fls. 70/75)  Fonte Pagadora (Imobiliária)  Rendimentos  Tributáveis (R$)  Imposto Retido  (R$)  Luiz Coelho Imóveis Ltda  45.765,13  1.640,75  Organização Taperinha Ltda  2.435,08  ­  Total  48.200,21  1.640,75  Somatório dos Cônjuges  96.400,42  3.281,50  12.    Como se observa do detalhamento numérico, o qual retrata os dados constantes  da documentação acostada aos autos pelas partes em litígio, não há que se falar em omissão de  rendimentos  tributáveis  oriundos  do  recebimento  de  aluguéis  de  imóveis  por  parte  da  contribuinte.   12.1    O que aconteceu foi um equívoco na declaração dos rendimentos tributáveis de  aluguéis,  considerada  pela  contribuinte  como  se  valores  recebidos  das  imobiliárias,  Luiz  Coelho  Imóveis  Ltda,  CNPJ  91.840.132/0001­87,  e  Organização  Taperinha  Ltda,  CNPJ  88.089.768/0001­24,  em  lugar  da  indicação  das  pessoas  jurídicas  e  físicas  que  alugaram  os  imóveis (fontes pagadoras).  13.    Em  que  pese  incorreto  o  preenchimento  na  Declaração  de  Ajuste  Anual,  inclusive  pelo  cônjuge,  não  teve  o  condão  de  afetar  a  dimensão  da  riqueza  econômica  tributável, nos termos da legislação de regência, a qual foi devidamente oferecida à tributação  do Imposto sobre a Renda.  14.    Assim  como  a  omissão  de  rendimentos  apurada  pela  autoridade  lançadora,  também cabe declarar a  insubsistente da compensação  indevida do  Imposto de Renda Retido  na Fonte, no valor de R$ 1.640,75. Pelos mesmos motivos, o montante efetivamente retido foi  informado de maneira atrapalhada em nome da imobiliária Luiz Coelho Imóveis Ltda, em vez  da identificação das pessoas jurídicas que alugaram os imóveis.  Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11080.723621/2015­23  Acórdão n.º 2401­005.153  S2­C4T1  Fl. 144          8 Conclusão  Ante  o  exposto,  CONHEÇO  do  recurso  voluntário  e,  no  mérito,  DOU­LHE  PROVIMENTO  para  tornar  insubsistente  o  crédito  tributário  da  Notificação  Fiscal  nº  2011/359005591775822, relativamente ao ano­calendário de 2010.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Cleberson Alex Friess                              Fl. 144DF CARF MF

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7035743 #
Numero do processo: 10552.000153/2007-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 30/04/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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9202­005.789  –  2ª Turma   Sessão de  26 de setembro de 2017  Matéria  CSP ­ RETROATIVIDADE BENIGNA  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  NOVATRACAO SUL PNEUS S A    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/05/2005 a 30/04/2006  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  LEI  Nº  8.212/1991,  COM  A  REDAÇÃO  DADA  PELA  MP  449/2008,  CONVERTIDA  NA  LEI  Nº  11.941/2009.  PORTARIA  PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.   Na aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre dispositivos,  percentuais  e  limites. É necessário,  antes  de  tudo,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.  O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria  PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito  passivo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial  e,  no mérito,  em dar­lhe provimento,  para que  a  retroatividade benigna  seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 01 53 /2 00 7- 49 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10552.000153/2007­49  Acórdão n.º 9202­005.789  CSRF­T2  Fl. 0          2     (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos  (Presidente  em  Exercício),  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Patricia  da  Silva,  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior,  Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.  Relatório  O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47,  §§ 1º  e 2º,  do RICARF,  aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto,  adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/2007­01.    Trata­se de auto de infração, referente às contribuições devidas  ao  INSS,  destinadas  à  Seguridade  Social.  A  divergência  em  exame  reporta­se  à  aplicação  do  princípio  da  retroatividade  benigna  previsto  no  artigo  106,  inciso  II,  alínea  “c”,  do CTN,  em  face  das  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com  as  alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº  11.941/2009.  A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a  retroatividade  benigna  fosse  aplicada,  essencialmente,  pelos  critérios  constantes  na  Portaria  PGFN/RFB  nº  14  de  04  de  dezembro de 2009.   Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões.  É o relatório.  Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10552.000153/2007­49  Acórdão n.º 9202­005.789  CSRF­T2  Fl. 0          3 Voto             Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator    Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9202­005.782, de  26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/2007­01, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.    Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  inteiro  teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202­005.782):  Pressupostos De Admissibilidade  O  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional  é  tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade,  portanto deve ser conhecido.  Do mérito  Aplicação da multa ­ retroatividade benigna   Cinge­se  a  controvérsia  às  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida  na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo.   A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II,  alínea “a” do CTN, a seguir transcrito:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I  ­  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente  interpretativa,  excluída  a  aplicação  de  penalidade  à  infração dos dispositivos interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência de ação ou omissão, desde que não  tenha  sido  fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento  de tributo;  c)  quando  lhe  comine  penalidade  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo  da  sua  prática.  (grifos  acrescidos)  De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos  Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de  que  na  aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10552.000153/2007­49  Acórdão n.º 9202­005.789  CSRF­T2  Fl. 0          4 benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco a  simples comparação entre dispositivos,  percentuais  e  limites.  É  necessário,  basicamente,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao mesmo  tipo  de  conduta.  Assim,  a  multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é  aplicável  quando  realizado  o  lançamento  de  ofício,  conforme  consta do Acórdãonº9202­004.262 (Sessão de23dejunhode2016),  cuja ementa transcreve­se:  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ­  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  ­  MULTA  ­  APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI  8.212/91  C/C  LEI  11.941/08  ­  APLICAÇÃO  DA  MULTA  MAIS  FAVORÁVEL  ­  RETROATIVIDADE  BENIGNA  NATUREZA DA MULTA APLICADA.  A  multa  nos  casos  em  que  há  lançamento  de  obrigação  principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei  11.941/2009,  mesmo  que  referente  a  fatos  geradores  anteriores a publicação da referida lei, é de ofício.   AUTO DE  INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E  ACESSÓRIA  ­  COMPARATIVO  DE  MULTAS  ­  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  Na  aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao  mesmo  tipo  de  conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações  acessória e principal foram exigidas em procedimentos de  ofício,  ainda  que  em  separado,  incabível  a  aplicação  retroativa do  art.  32­A,  da Lei  nº  8.212,  de  1991,  com a  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009,  eis  que  esta  última  estabeleceu,  em  seu  art.  35­A,  penalidade  única  combinando as duas condutas.  A  legislação  vigente  anteriormente  à  Medida  Provisória  n°  449,  de  2008,  determinava,  para  a  situação  em  que  ocorresse  (a)  recolhimento  insuficiente  do  tributo  e  (b)  falta  de  declaração  da  verba  tributável  em  GFIP,  a  constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das  multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei  n°  8.212,  de  1991,  respectivamente.  Posteriormente,  foi  determinada,  para  essa  mesma  situação  (falta  de  pagamento  e  de  declaração),  apenas  a  aplicação  do  art.  35­A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44  da Lei n° 9.430, de 1996.  Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta  necessário comparar (a) o somatório das multas previstas  nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991,  e  (b)  a  multa  prevista  no  art.  35­A  da  Lei  n°  8.212,  de  1991.   Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10552.000153/2007­49  Acórdão n.º 9202­005.789  CSRF­T2  Fl. 0          5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a  aplicação  da  retroatividade  benigna  prevista  no  art.  106  do CTN  e,  caso  necessário,  a  retificação  dos  valores  no  sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência,  o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa  aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%.   Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento  pacífico  deste  Colegiado  que  na  hipótese  de  lançamento  apenas  de  obrigação  principal,  a  retroatividade  benigna  será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade  anterior  à  vigência  da  MP  449,  de  2008,  ultrapassar  a  multa do art. 35­A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos  75%  previstos  no  art.  44  da  Lei  n°  9.430/96.  Caso  as  multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pelaMP  449  (convertida  na  Lei  11.941,  de  2009),  tenham  sido  aplicadas  isoladamente  ­  descumprimento  de  obrigação  acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo  descumprimento  de  obrigação  principal  ­  deverão  ser  comparadas com as penalidades previstas noart. 32­A da  Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências  em  que  o  lançamento  da  obrigação  principal  tenha  sido  atingida  pela  decadência.  Neste  sentido,  transcreve­se  excerto  do  voto  unânime  proferido  no  Acórdãonº9202­004.499  (Sessão  de  29desetembrode2016):  Até  a  edição  da  MP  449/2008,  quando  realizado  um  procedimento fiscal, em que se constatava a existência de  débitos  previdenciários,  lavrava­se  em  relação  ao  montante  da  contribuição  devida,  notificação  fiscal  de  lançamento de débito ­ NFLD. Caso constatado que, além  do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação  acessória,  ou  seja,  obrigação  de  fazer,  como  no  caso  de  omissão em GFIP  (que  tem correlação direta  com o  fato  gerador),  a  empresa  era  autuada  também  por  descumprimento de obrigação acessória.  Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa ­  art.  35  para  a  NFLD  (24%,  que  sofria  acréscimos  dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100%  da  contribuição  devida  em  caso  de  omissões  de  fatos  geradores  em  GFIP)  para  o  Auto  de  infração  de  obrigação acessória.  Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009,  inseriu o art. 32­A, o qual dispõe o seguinte:  “Art.  32­A.  O  contribuinte  que  deixar  de  apresentar  a  declaração  de  que  trata  o  inciso  IV  do  caput  do  art.  32  desta  Lei  no  prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções ou omissões será intimado a apresentá­la ou a  prestar  esclarecimentos  e  sujeitar­se­á  às  seguintes  multas:   Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10552.000153/2007­49  Acórdão n.º 9202­005.789  CSRF­T2  Fl. 0          6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez)  informações incorretas ou omitidas; e   II – de 2% (dois por cento) ao mês­calendário ou fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas,  ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a  20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste  artigo.   § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II  do caput deste artigo, será considerado como termo inicial  o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da  declaração  e  como  termo  final  a  data  da  efetiva  entrega  ou, no caso de não­apresentação, a data da  lavratura do  auto de infração ou da notificação de lançamento.   § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas  serão reduzidas:   I – à metade, quando a declaração for apresentada após o  prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou   II  –  a  75%  (setenta  e  cinco  por  cento),  se  houver  apresentação  da  declaração  no  prazo  fixado  em  intimação.   § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:   I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratando­se de omissão de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição previdenciária; e   II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.”   Entretanto,  a  MP  449,  Lei  11.941/2009,  também  acrescentou o art. 35­A que dispõe o seguinte,   “Art. 35­A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às  contribuições  referidas  no  art.  35  desta  Lei,  aplica­se  o  disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de  1996.”   O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o  seguinte:  “Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas as seguintes multas:  I ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a  totalidade  ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos de declaração inexata “  Com  a  alteração  acima,  em  caso  de  atraso,  cujo  recolhimento  não  ocorrer  de  forma  espontânea  pelo  contribuinte,  levando ao  lançamento  de  ofício,  a multa  a  ser  aplicada  passa  a  ser  a  estabelecida  no  dispositivo  acima  citado,  ou  seja,  em  havendo  lançamento  da  obrigação principal  (a antiga NFLD), aplica­se multa de  ofício  no  patamar  de  75%.  Essa  conclusão  leva­nos  ao  Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10552.000153/2007­49  Acórdão n.º 9202­005.789  CSRF­T2  Fl. 0          7 raciocínio  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  existe  lançamento, refere­se a multa de ofício e não a multa de  mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91.  Contudo,  mesmo  que  consideremos  que  a  natureza  da  multa  é  de  "multa  de  ofício"  não  podemos  isoladamente  aplicar  75%  para  as  Notificações  Fiscais  ­  NFLD  ou  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP,  pois  estaríamos  na  verdade  retroagindo  para  agravar  a  penalidade aplicada.  Por outro  lado,  com base nas alterações  legislativas não  mais  caberia,  nos  patamares  anteriormente  existentes,  aplicação  de  NFLD  +  AIOA  (Auto  de  Infração  de  Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo  lançamento de ofício a multa passa a  ser exclusivamente  de 75%.  Tendo  identificado  que  a  natureza  da multa,  sempre  que  há  lançamento,  é  de  multa  de  ofício,  considerando  o  princípio  da  retroatividade  benigna  previsto  no  art.  106.  inciso  II,  alínea  “c”,  do Código Tributário Nacional,  há  que  se  verificar  a  situação  mais  favorável  ao  sujeito  passivo, face às alterações trazidas.  No  presente  caso,  foi  lavrado  AIOA  julgada,  e  alvo  do  presente  recurso  especial,  prevaleceu  o  valor  de  multa  aplicado nos moldes do art. 32­A.  No  caso  da  ausência  de  informação  em GFIP,  conforme  descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos  do  art.  32,  inciso  IV, §  5º,  da Lei nº  8.212/1991  também  revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem  por  cento)  da  contribuição  não  declarada,  limitada  aos  limites previstos no § 4º do mesmo artigo.  Face  essas  considerações  para  efeitos  da  apuração  da  situação mais  favorável,  entendo que há que  se observar  qual  das  seguintes  situações  resulta  mais  favorável  ao  contribuinte:  ·  Norma  anterior,  pela  soma  da  multa  aplicada  nos  moldes do art.  35,  inciso  II  com a multa prevista no art.  32,  inciso IV, § 5º, observada a  limitação imposta pelo §  4º do mesmo artigo, ou   · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco  por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer  limitação,  excluído  o  valor  de  multa  mantido  na  notificação.  Levando  em  consideração  a  legislação mais  benéfica  ao  contribuinte,  conforme  dispõe  o  art.  106  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  o  órgão  responsável  pela  execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado  administrativo,  efetuar  o  cálculo  da  multa,  em  cada  competência, somando o valor da multa aplicada no AI de  obrigação  acessória  com  a  multa  aplicada  na  Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10552.000153/2007­49  Acórdão n.º 9202­005.789  CSRF­T2  Fl. 0          8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%,  previsto  no  art.  44,  I  da  Lei  n°  9.430/1996.  Da  mesma  forma,  no  lançamento  apenas  de  obrigação  principal  o  valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de  obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode  exceder  as  penalidades  previstas  no  art.  32A  da  Lei  nº  8.212, de 1991.  Observe­se  que,  no  caso  de  competências  em  que  a  obrigação  principal  tenha  sido  atingida  pela  decadência  (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, §  4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente,  relativa  às  mesmas  competências,  não  atingidas  pela  decadência posto que regidas pelo art. 173,  I, do CTN, e  que,  portanto,  deve  ter  sua  penalidade  limitada  ao  valor  previsto no artigo 32­A da Lei nº 8.212, de 1991.  Cumpre  ressaltar  que  o  entendimento  acima  está  em  consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB  nº  971,  de  13  de  novembro  de  2009,  alterada  pela  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.027  em  22/04/2010,  e  no  mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB  nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os  lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação  acessória, em conjunto ou isoladamente.  Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a  autoridade  responsável  pela  execução  do  acórdão,  quando  do  trânsito  em  julgado administrativo,  deverá  observar a Portaria  PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 ­ que se reporta à  aplicação  do  princípio  da  retroatividade  benigna  previsto  no  artigo  106,  inciso  II,  alínea  “c”,  do  CTN,  em  face  das  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias  nos  lançamentos  de  obrigação  principal  e  de  obrigação  acessória,  em  conjunto  ou  isoladamente,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na  Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria,  a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência  unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema:  Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009  Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35­A da Lei  nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela  Lei  nº  11.941,  de  27  de maio  de  2009,  às  prestações  de  parcelamento  e  aos  demais  débitos  não  pagos  até  3  de  dezembro  de  2008,  inscritos  ou  não  em  Dívida  Ativa,  cobrados por meio de processo ainda não definitivamente  julgado, observará o disposto nesta Portaria.  Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do  débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será  analisado  e  os  lançamentos,  se  necessário,  serão  retificados,  para  fins  de  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  ­  Código  Tributário Nacional (CTN).  Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10552.000153/2007­49  Acórdão n.º 9202­005.789  CSRF­T2  Fl. 0          9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito,  a  análise  do  valor  das  multas  referidas  no  caput  será  realizada no momento do ajuizamento da execução  fiscal  pela Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional (PGFN).  §  2º  A  análise  a  que  se  refere  o  caput  dar­se­á  por  competência.  §  3º  A  aplicação  da  penalidade mais  benéfica  na  forma  deste artigo dar­se­á:  I  ­  mediante  requerimento  do  sujeito  passivo,  dirigido  à  autoridade  administrativa  competente,  informando  e  comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou  II  ­  de  ofício,  quando  verificada  pela  autoridade  administrativa a possibilidade de aplicação.  § 4º Se o processo encontrar­se em trâmite no contencioso  administrativo  de  primeira  instância,  a  autoridade  julgadora  fará  constar  de  sua  decisão  que  a  análise  do  valor das multas para verificação e aplicação daquela que  for mais benéfica,  se cabível,  será realizada no momento  do pagamento ou do parcelamento.  Art.  3º A  análise  da  penalidade  mais  benéfica,  a  que  se  refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre  a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  conforme  o art.  35  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  e  de  obrigações acessórias,  conforme §§ 4º  e 5º do art.  32 da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada  na forma do art. 35­A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido  pela Lei nº 11.941, de 2009.  § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  tenham  sido  aplicadas  isoladamente,  sem a  imposição de  penalidade  pecuniária  pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser  comparadas com as penalidades previstas no art. 32­A da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  com  a  redação  dada  pela Lei  nº  11.941, de 2009.  § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada  em  relação  aos  processos  conexos,  devendo  ser  considerados,  inclusive,  os  débitos  pagos,  os  parcelados,  os não­impugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União  e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº  449, de 3 de dezembro de 2008.  Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35  da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  sobre  as  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  deverá  ser  comparado  com o  valor  das multa  de  Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10552.000153/2007­49  Acórdão n.º 9202­005.789  CSRF­T2  Fl. 0          10 ofício  previsto  no art.  35­A daquela  Lei,  acrescido  pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico  ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar.  Art.  5º Na  hipótese  de  ter  havido  lançamento  de  ofício  relativo  a  contribuições  declaradas  na  Guia  de  Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  a  multa  aplicada  limitar­se­á àquela prevista no art. 35 da Lei nº  8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de  2009.  Em  face  ao  exposto,  dou  provimento  ao  recurso  para  que  a  retroatividade  benigna  seja  aplicada  em  conformidade  com  a  Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009.  Por  fim,  destaca­se  que,  independente  do  lançamento  fiscal  analisado referir­se a Auto de Infração de Obrigação Principal  (AIOP)  e  Acessória  (AIOA),  este  último  consubstanciado  na  omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou  seja  formalizados  em  um  mesmo  processo,  ou  em  processos  separados,  a  aplicação  da  legislação  não  sofrerá  qualquer  alteração,  posto  que  a  Portaria  PGFN/RFB  nº  14/2009  contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem  por base a natureza das multas.  Conclusão  Face  o  exposto,  voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso  ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL,  para,  no mérito, DAR­ LHE  PROVIMENTO,  para  que  a  retroatividade  benigna  seja  aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de  04 de dezembro de 2009.  É como voto.  Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar­lhe  provimento, para que a  retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria  PGFN/RFB nº 14, de 2009.    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos                            Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10552.000153/2007­49  Acórdão n.º 9202­005.789  CSRF­T2  Fl. 0          11   Fl. 88DF CARF MF

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