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Numero do processo: 37172.000235/2006-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA PARA que sejam juntados aos autos (a) os comprovantes de pagamento referentes às contribuições previdenciárias patronais de dezembro de 1999 a fevereiro de 2000 e (b) a comprovação da exposição de trabalhadores ao benzeno, tolueno e xileno. Vencido o relator, que já depositara o seu voto, e não participou das discussões que concluíram pela necessidade da diligência.
Julgamento iniciado em 09/2017 e concluído em 03/10/2017.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator ad hoc, na data da formalização
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento iniciada em 12/09/2017 os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Thiago Duca Amoni (suplente convocado para manter a paridade do Colegiado), João Mauricio Vital, Andréa Brose Adolfo, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado para manter a paridade do Colegiado) e Wesley Rocha.
Participaram da sessão de julgamento concluída em 03/10/2017 os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Thiago Duca Amoni (suplente convocado para manter a paridade do Colegiado), João Mauricio Vital, Andréa Brose Adolfo, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado para atuar apenas no julgamento do processo: 37172.000235/2006-33, de relatoria do conselheiro Fábio Piovesan Bozza, que renunciou ao seu mandato após o início do julgamento) e Wesley Rocha.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA PARA que sejam juntados aos autos (a) os comprovantes de pagamento referentes às contribuições previdenciárias patronais de dezembro de 1999 a fevereiro de 2000 e (b) a comprovação da exposição de trabalhadores ao benzeno, tolueno e xileno. Vencido o relator, que já depositara o seu voto, e não participou das discussões que concluíram pela necessidade da diligência. Julgamento iniciado em 09/2017 e concluído em 03/10/2017. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator ad hoc, na data da formalização (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo Redatora designada Participaram da sessão de julgamento iniciada em 12/09/2017 os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Thiago Duca Amoni (suplente convocado para manter a paridade do Colegiado), João Mauricio Vital, Andréa Brose Adolfo, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado para manter a paridade do Colegiado) e Wesley Rocha. Participaram da sessão de julgamento concluída em 03/10/2017 os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Thiago Duca Amoni (suplente convocado para RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 71 72 .0 00 23 5/ 20 06 -3 3 Fl. 4160DF CARF MF Processo nº 37172.000235/200633 Resolução nº 2301000.675 S2C3T1 Fl. 3 2 manter a paridade do Colegiado), João Mauricio Vital, Andréa Brose Adolfo, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado para atuar apenas no julgamento do processo: 37172.000235/200633, de relatoria do conselheiro Fábio Piovesan Bozza, que renunciou ao seu mandato após o início do julgamento) e Wesley Rocha. Relatório Em julgamento o recurso voluntário interposto por Aperam Inox América do Sul S/A (atual denominação de Acesita S/A) contra a decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado. A fiscalização emitiu NFLD nº 35.761.1891 para a cobrança do denominado “adicional ao SAT”. Tratase da contribuição previdenciária patronal prevista nos art. 57 e 58 da Lei nº 8.213/91, destinada ao financiamento da aposentadoria especial de segurados expostos a agentes nocivos químicos, físicos ou biológicos no ambiente de trabalho, relativa às competências 04/1999 a 04/2004. Os fundamentos da autuação foram bem resumidos pela decisão recorrida (efls. 3474): 7 A auditoria fiscal realizada na empresa notificada para verificar o cumprimento das normas de saúde e segurança do trabalho, o eficaz gerenciamento do ambiente do trabalho e o consequente controle dos riscos ocupacionais existentes, em razão do inciso II do artigo 22 da Lei n° 8.212/91, artigos 19, 57, 58 e 121 da Lei n° 8.213/1991 e alterações posteriores, consoante Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, às fls.47/69, concluiu o seguinte: 7.1 – a apresentação do PPRA apenas para o ano de 2004 demonstra a fragilidade e a precariedade com que o gerenciamento ambiental está sendo executado na empresa, restando dúvidas quanto à sua eficácia. No mínimo, não se comprovou a realização de um planejamento anual com estabelecimento de metas, prioridades e cronograma; uma periodicidade e forma de avaliação do desenvolvimento do PPRA; e tão pouco o monitoramento da exposição aos riscos; 7.2 – não se comprovou a execução do objetivo preconizado na NR09 em seu item 9.3.5.1, onde estabelece que "deverão ser adotadas as medidas necessárias e suficientes para a eliminação, a minimização ou o controle dos riscos ambientais; 7.3 – foram reconhecidos vários agentes de risco ambiental conforme planilha de levantamento ambiental, com os valores das suas medições e limites de tolerância encontrados, discriminados individualmente para cada área e função existente na empresa, além de datas das medições (para algumas áreas realizadas há mais de 10 anos); 7.4 – o registro dos 848 exames alterados de empregados expostos a agentes de risco ambiental capazes de provocar tais alterações (773 audiometria/40 hemograma completo e plaquetas/35, Teleradiografia de tórax) anotados no Relatório Anual do PCMSO, evidencia a equação: risco ambiental reconhecido + medidas de controle ineficazes ou inexistentes – funcionário desprotegido e afeito às Fl. 4161DF CARF MF Processo nº 37172.000235/200633 Resolução nº 2301000.675 S2C3T1 Fl. 4 3 alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico; 7.5 – a adoção de EPI no ambiente da empresa não observou a obrigatoriedade hierárquica de só poder usar EPI's após a implantação das MPC ou quando comprovado a inviabilidade técnica desta adoção ou quando estas não forem suficientes ou se encontrarem em fase de estudo, planejamento ou implantação ou ainda em caráter complementar ou emergencial e após serem tomadas medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho; 7.6 – os investimentos na implantação das MPC da área de Segurança e Meio Ambiente que tem relacionamento com os agentes de risco ambiental somam apenas, aproximadamente, 10% do total realizado pela empresa; 7.7 – a empresa não especifica o tempo de duração de uso do EPI para que o mesmo mantenha as "condições de proteção originalmente estabelecidas", não se preocupando com a eficácia do EPI, se o mesmo mantém as condições iniciais, mas apenas se seu uso ainda pode ser feito, desconsiderando a reposição feita de forma científica, com prazos de troca que deveriam ser estabelecidos pelo setor competente que, de acordo com a NTA, é a Unidade de Segurança do Trabalho; 7.8 – a empresa atribui ao empregado a obrigação de "comunicar ao seu responsável imediato, qualquer alteração e/ou irregularidade que torne o EPI impróprio para uso", sem que este empregado tenha, comprovadamente, condições técnicas para tanto; 7.9 – a ficha utilizada para controle de entrega de EPI deixou dúvidas quando ao fornecimento dos EPI' s pela empresa e respectivo recebimento pelos empregados, pois o empregado não data o recebimento individualizado do EPI. Assina uma vez por mês, atestando o recebimento de todos os EPI's ao mesmo tempo. Comprovando assinaturas apostas sem qualquer critério, em desacordo com o controle de entrega de EPIs fornecido pela própria empresa, foram relacionados nomes de empregados de áreas em que a empresa não comprovou a distribuição destes EPI's, ou seja, áreas em que não houve fornecimento de EPI's por determinado período de tempo; 7.10 – os EPI's foram fornecidos, para a maioria das áreas, em quantidades inferiores a 1 (um) EPI por empregado, e para algumas áreas não houve a comprovação de entrega de EPI a qualquer empregado, implicando em consequente desproteção ao empregado; 7.11 – no ambiente de trabalho da usina, existem reconhecidos agentes de risco ambiental que não possuem limite de tolerância estabelecido, onde a nocividade é constatada pela simples presença do agente no ambiente de trabalho, conforme constante nos Anexos 6, 13, 13A e 14 da NR15, como é o caso do Benzeno, OGS (Óleo/Graxa/Solventes) e Cromo, (NR15 item 15.1.3). Tal exigência encontrase inserida em procedimento de fiscalização mais amplo, do qual redundou as seguintes cobranças: Fl. 4162DF CARF MF Processo nº 37172.000235/200633 Resolução nº 2301000.675 S2C3T1 Fl. 5 4 Processo Administrativo Objeto Período 37172.000235/200633 NFLD 35.761.1891 adicional ao SAT destinado ao financiamento da aposentadoria especial 04/1999 a 04/2004 37172.000232/200608 AI 35.762.1883 multa por preenchimento incorreto da GFIP a partir de 2003 06/2003 a 04/2004 36378.004047/200613 NFLD 35.762.1913 falta de retenção, dos prestadores de serviços, do adicional do SAT de terceiros, cf. NFLD 35.762.1891 04/1999 a 04/2004 36378.004044/200671 NFLD 35.762.1905 contribuição previdenciária sobre abonos do ACT e retorno de férias 04/1999 a 04/2004 37172.000228/200631 AI 35.762.1875 multa por preenchimento incorreto da GFIP 04/1999 a 04/2004 10680.009817/200770 AI 35.142.1947 multa por não emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho – CAT nos “exames alterados” 04/1999 a 04/2004 37172.000231/200655 AI 35762.1921 multa pela falta de apresentação de Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) anuais 1999 a 2003 A ciência da autuação ocorreu em 18/03/2005 (efls. 2). Irresignada, a Recorrente apresentou impugnação (efls. 1105). Em 31/08/2005, a fiscalização manifestouse sobre os termos da impugnação às fls. 34193440 (efls. 34453466), de modo a ratificar, em essência, as conclusões contidas na NFLD. Em 24/11/2005, sobreveio decisão de primeira instância administrativa julgando improcedente a impugnação e mantendo integralmente a exigência fiscal (efls. 3468): CREDITO PREVIDENCIARIO. ADICIONAL PARA CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. AFERIÇÃO INDIRETA. DECADÊNCIA. A falta do PPRA, PGR, PCMAT.PCMSO, LTCAT ou PPP, quando exigíveis ou a incompatibilidade entre esses documentos, enseja a apuração por arbitramento da contribuição adicional, com fundamento legal previsto no § 3 o do artigo 33 da Lei n° 8.212/91 e artigo 233 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O direito da Seguridade Social de apurar e constituir seus créditos extinguese após 10(dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada, nos termos do art.45 da Lei n° 8.212/91. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Ainda irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 06/04/2006, arguindo (efls. 3490): (a) preliminarmente, a nulidade da NFLD, em virtude: da adoção de premissas equivocadas, sem esclarecer devidamente o enquadramento da autuação; Fl. 4163DF CARF MF Processo nº 37172.000235/200633 Resolução nº 2301000.675 S2C3T1 Fl. 6 5 da falta de indicação do CNAE; de o Discriminativo Analítico de Débito, única memória de cálculo constante dos autos, utilizar base de cálculo sem precisar de onde esta foi retirada; de falta de demonstração da capacitação profissional da fiscalização para dissertar sobre questões relacionadas à segurança do trabalho, não constando dos autos a qualificação como médico ou engenheiro de segurança, nem mesmo que houvesse solicitado auxílio a profissionais destes ramos; a exclusão dos coresponsáveis, em face da ausência de fundamentação legal ou justificativa fática; (b) nulidade do acórdão recorrido, em virtude: do cerceamento do direito de defesa, caracterizado pelo indeferimento da realização de prova pericial; da falta de acesso prévio aos documentos de fls. 34193440 e anexos (que a Recorrente desconheceria) de fls. 34093418, obstando a realização de contradita; (c) a decadência parcial, relativa aos créditos lançados anteriormente a 03/2000, com base no art. 150, § 4º do CTN; (d) o respeito e a seriedade da Recorrente no trato da segurança de seus empregados, conforme atestam programas e investimentos realizados em medidas de proteção coletivas e individuais, circunstâncias desconsideradas pela fiscalização; (e) a existência de contradição entre as áreas de arrecadação e de benefícios do INSS, em vista de a declaração do setor de benefícios demonstrar que os empregados da Recorrente não têm direito à aposentadoria especial, já que não estão expostos a qualquer risco; (f) o fato de a eventual exposição de empregados ao risco ser atenuada por meio de Medidas de Proteção Coletivas – MPC e Equipamentos de Proteção Individual – EPI, ficando abaixo do patamar descrito em lei, conforme atestam: o levantamento ambiental realizado pela Recorrente (doc. 7 da impugnação); o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA é feito sob vigilância e concordância prévia do sindicato da categoria, devidamente protocolado no Ministério do Trabalho, conforme os acordos coletivos de trabalho (cláusula 6ª do ACT 2004) (doc. 8 da impugnação); com relação ao Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional – PCMSO e relatório anual, a fiscalização teria confessado que a Recorrente toda a documentação, ao mencionar o registro de 848 exames alterados; mas a fiscalização sequer verificou que alterações foram estas; Fl. 4164DF CARF MF Processo nº 37172.000235/200633 Resolução nº 2301000.675 S2C3T1 Fl. 7 6 sequer verificou se estavam preenchidos os requisitos para emissão das Comunicações de Acidentes do Trabalho – CAT; sequer verificou se havia nexo causal; (g) o próprio médico do INSS (área de benefícios que atende aos empregados da Recorrente), Dr. Júlio Vieira, coordenador de perícias médicas do INSS confirma a ausência de exposição a agentes nocivos (doc. 9 da impugnação); (h) ao contrário do alegado pela fiscalização, a Recorrente possui PPRA, não havendo obrigação de que este seja anual, mas apenas atualizado conforme a realidade da empresa e com os projetos realizados; além disso, a Recorrente possuiria outros controles para gerir sua política de segurança, jamais se limitando somente aos controles legais (item 9.2.1.1 da NR9). (i) sobre os riscos detectados pela fiscalização, alega que o material entregue (doc. 7 da impugnação): ruído – a medida de proteção coletiva e o uso de três tipos de protetores auriculares reduzem o agente nocivo até 200%; poeira/fumos metálicos – documentação comprova que, das 2097 funções na empresa, apenas 403 poderiam estar potencialmente expostas; destas 403 funções, após medições, verificouse que somente 90 funções encontravamse expostas ao agente poeira de sílica acima do limite de tolerância regulamentar; para tais casos, a Recorrente vem adotando medidas de proteção coletiva (exaustores, ventiladores e medidores) e individual que minimizam a exposição abaixo dos limites legais (anexo 12 da NR15); óleos/graxas/solventes – documentação comprova que, dos 504 casos potenciais, 364 possuem exposição ocasional, 126 possuem exposição de forma intermitente e 6 funções habituais; para todos eles, houve a entrega e uso de EPI (cremes protetivos ou luvas impermeáveis) que reduzem a exposição abaixo dos limites legais; calor – documentação comprova que, das 218 funções potenciais, medições identificaram que 210 eram de forma intermitente; quanto as demais a Recorrente adota medidas de proteção coletiva e individual (vestimentas refrigeradas, revezamentos, salas de descanso); ácido clorídrico – documentação comprova que, das 10 funções, 6 possuem risco de contato por trabalharem em laboratórios (risco de acidente e não doença); 4 expostos a vapores e destes, apenas 2 acima dos limites de tolerância, mas que eram minimizados pelo uso de EPI; radiação ionizante – documentação comprova que apenas 20 função estavam expostas, mas que com a adoção de EPI nenhuma apresentou efetiva exposição ao agente físico (doc. 10 da impugnação); além disso, os dosímetros foram analisados pelo Conselho de Desenvolvimento Tecnológico e Nuclear da CNEN; Fl. 4165DF CARF MF Processo nº 37172.000235/200633 Resolução nº 2301000.675 S2C3T1 Fl. 8 7 tolueno, xileno e benzeno – citados pela fiscalização, mas não constantes da planilha da empresa de levantamento ambiental (doc. 7 da impugnação). (j) a maioria dos dados foram extraídos de levantamentos realizados pela empresa em anos recentes, ou seja, em 1998 foram feitas medições em 502 cargos, em 1999 em outros 503 cargos e em 2000 em mais 199 cargos; existem, ainda, levantamentos mais recentes, mas é fato que para os cargos onde notadamente não há exposição aos agentes, também não há necessidade de medições periódicas (cargos em escritórios, por exemplo); (k) com relação aos supostos 848 exames alterados, a maioria não estaria nas chamadas áreas de risco e a fiscalização sequer teve o trabalho de pedir verificação dos exames; apenas cerca de 180 pessoas estariam expostas (potencialmente) ao risco e apresentariam exames alterados; contudo, discutese se tal alteração decorre da função que o empregado exerce ou de natureza não ocupacional (PCMSO – doc.12 da impugnação); isso porque a Recorrente faz exames periódicos em seus empregados, justamente em decorrência da gestão ambiental correta e preventiva, sendo que a alteração positiva ou negativa em relação ao exame anterior não significa, “a priori”, a existência de uma doença ocupacional; (l) a Recorrente mantém programa de conservação auditiva (PCA) e realiza treinamentos específicos para a correta utilização de EPI auditivos, não mencionado pela fiscalização (docs. 13 e 14 da impugnação); (m) a fiscalização não considerou uma série de investimentos realizada pela Recorrente que se caracterizam como medidas de proteção coletiva (MPC) (doc. 16 da impugnação); (n) toda a exposição feita demonstra que a Recorrente segue, por seus exames médicos, todos os procedimentos ditados pelo item 9.3.5 da NR9 – Medidas de Controle; (o) a Recorrente adota medidas de proteção coletivas possíveis, mas nas áreas onde ainda o agente é encontrado, resta a utilização do EPI, o qual é fornecido juntamente com o treinamento (docs. 14 e 17 da impugnação); a seleção de EPI é feita pela equipe de segurança, sendo que o empregado escolhe aquele que lhe é mais confortável; a Recorrente exige e fiscaliza seu uso, realizando a troca sempre que necessário; é temerário estabelecer tempo de duração do EPI, pois em cada área, em cada forma de utilizar e manusear o equipamento pode influenciar a duração do EPI; Fl. 4166DF CARF MF Processo nº 37172.000235/200633 Resolução nº 2301000.675 S2C3T1 Fl. 9 8 o treinamento que a Recorrente dá, aliado ao grau de instrução dos empregados, permitem que este ônus seja dos empregados (item 6.7.1 da NR6), mas sempre com a fiscalização da área de segurança da empresa; o ato de assinar mensalmente na ficha de EPI não significa que está recebendo novos EPI a cada assinatura, mas que naquele momento possui os equipamentos necessários para a prática segura de suas funções (ex. um protetor auricular tipo concha pode durar mais de um ano, mas a cada mês o empregado declara que este protetor está em ordem e não necessita de substituição); pelos cálculos elaborados, não há sentido na afirmação da fiscalização de que o empregado recebe menos de um protetor ao mês. De acordo com a tabela, recebe um protetor concha ao ano (duração mínima deste protetor); no protetor de inserção, recebe 4, tipo espuma, por mês e 13 protetores de silicone ao ano. Se considerarmos a distribuição de 1 protetor de silicone ao mês, teremos a distribuição de 7 protetores de espuma ao mês, para cada empregado; segundo cálculos similares, ao contrário da afirmação da fiscalização, a Recorrente constata que, para a proteção da pele (graxa/óleos/lubrificantes), cada empregado sujeito ao risco recebeu 15 EPI em média por ano (cremes, luvas de PVC , luvas de raspa, luvas de kevlar etc.); para proteção respiratória, cada empregado recebeu, nos últimos 5 anos, 6 máscaras filtradoras por mês para neutralizar o agente nocivo; Em 28/04/2006, por meio do despacho de conhecimento de diligência fiscal (efls. 35363539), a Recorrente foi cientificada da informação fiscal de fls. 34193440 (efls. 34453466). Por não ter apresentado resposta, a decisão de primeira instância restou mantida, dando se seguimento à apreciação do recurso voluntário interposto (efls. 3541). Em 08/07/2010, mediante a resolução nº 230100.077, esta turma do CARF converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência para a realização de perícia, a fim de que o fisco comprove, efetivamente, mediante laudo pericial a ser realizado “in locu”, a exposição ou não dos segurados empregados a agentes nocivos, vez que detêm o “ônus probandi” (efls. 3572; 3702; 3745; 3779). Em 26/05/2011, na tentativa de corroborar suas alegações, a Recorrente promoveu juntada de laudo técnico, elaborado em 2010 por perito contratado, onde teria ficado constatado as boas práticas relativas à gestão e segurança do trabalho (efls. 3862). Em 09/12/2011, a fiscalização manifestouse sobre o atestado do médico do INSS (Dr. Júlio Vieira) e sugere o encaminhamento à Superintendência Regional Sudeste II do INSS para atendimento da diligência (efls. 3626). A Recorrente manifestase às efls. 3659. Em 18/04/2013, mediante a resolução nº 230100.381, diante do não cumprimento da diligência, esta turma do CARF converteu novamente o julgamento do recurso voluntário em diligência para a realização de perícia “in loco”, encaminhandose o processo Fl. 4167DF CARF MF Processo nº 37172.000235/200633 Resolução nº 2301000.675 S2C3T1 Fl. 10 9 para a Superintendência Regional Sudeste II do INSS, tal como sugerido pela fiscalização. A resolução formulou quesitos a serem respondidos (efls. 3798). Em 15/04/2014, o Sr. Chefe do Serviço de Fiscalização da DRF/Belo Horizonte manifestouse sobre o pedido de diligência, afirmando não competir ao auditor verificar a exposição ou não dos segurados a agentes nocivos à saúde no ambiente de trabalho. Além disso, a verificação “in loco” das condições ambientais afigurase inútil, dada a impossibilidade de certificação de fatos pretéritos. A fiscalização limitase à verificação dos documentos. Cita que somente com o art. 251 da Instrução Normativa INSS/PRES nº 45/2010, que é posterior aos atos, que existe a necessidade de perícia por médico do INSS (efls. 3806). A Recorrente manifestase às efls. 3814. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator ad hoc A intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 07/03/2006 e o recurso voluntário foi interposto em 06/04/2006. Por ser tempestivo e por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Nulidades da NFLD e do Acórdão Recorrido Analiso, inicialmente, as preliminares de nulidades da NFLD e do acórdão recorrido suscitadas pela Recorrente. Quanto à adoção de premissas equivocadas na NFLD, penso que o relatório fiscal contém a descrição dos fatos que são imputados à Recorrente, expondo os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos necessários e suficientes ao nascimento da relação tributária. O ato de lançamento encontrase, assim, fundamentado. Se os fundamentos elencados são, ou não, válidos e suficientes para sustentar o lançamento de ofício, tratase de questão de mérito, a ser enfrentada na sequência. Quanto à ausência de elementos justificadores da base de cálculo, o Discriminativo Analítico de Débito (DAD) da NFLD indica, a cada competência mensal, o valor da base de cálculo do adicional ao SAT. Tal montante é formado pela conjugação das remunerações dos empregados (Anexo I) sujeitos aos agentes nocivos (Anexo II). Não vislumbro a nulidade “a priori”. Quanto à falta de menção do CNAE da Recorrente, tal providência não se mostra necessária, uma vez que o lançamento versa sobre o adicional do SAT, o qual independe do enquadramento da atividade da empresa no grau de risco. Quanto à exclusão dos coresponsáveis, cabe esclarecer que as pessoas constantes da Relação de CoResponsáveis – CORESP não foram arroladas como sujeitos passivos da NFLD, servindo o documento apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional, caso haja a necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, após a conclusão do contencioso administrativo. É o que dispõe a Súmula CARF nº 88 , de observância obrigatória pelos conselheiros deste órgão administrativo. Fl. 4168DF CARF MF Processo nº 37172.000235/200633 Resolução nº 2301000.675 S2C3T1 Fl. 11 10 Quanto à falta de demonstração da capacitação profissional da fiscalização para dissertar sobre questões relacionadas à segurança do trabalho, é preciso considerar que as atribuições para o exercício do cargo público são fixadas por lei, em especial a que cria o cargo público. As valorações acerca do grau de especialização para exercício das funções são feitas pelo legislador e não pela Administração Pública ou pelos agentes públicos ou privados. No caso dos auditores fiscais, suas atribuições constam da Lei nº 10.593/2002, merecendo destacar a execução de auditoria e de fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançamento e constituição dos correspondentes créditos apurados. Eventual assistência de outros profissionais (médicos e engenheiros do trabalho) para subsidiar eficazmente as conclusões do auditor fiscal é possível, embora não seja obrigatória, em virtude das prerrogativas asseguradas e das funções atribuídas legalmente. Quanto ao pedido de conversão do julgamento em diligência para realização de prova pericial, não há dúvida de que o ordenamento jurídico brasileiro, a começar pela Constituição Federal de 1988, consagra o respeito ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, aos litigantes em processo judicial ou administrativo. Isso não significa, entretanto, que toda e qualquer diligência requerida pela parte deva ser automaticamente deferida pelo julgador. Nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, a possibilidade de realização de diligências para apuração dos fatos é uma faculdade do julgador, devendo ser exercida quando houver dúvida acerca dos aspectos fáticos constantes nos autos, sem violação de qualquer direito constitucionalmente assegurado. Quanto à falta de acesso prévio aos documentos de fls. 34193440 (efls. 3445 3466), constato que a fiscalização, por meio do despacho de conhecimento de diligência fiscal (efls. 35363544), cientificou a Recorrente, abrindolhe prazo para eventual manifestação. No entanto, o prazo transcorreu “in albis”. Rejeito, portanto, as preliminares de nulidade da NFLD e do acórdão recorrido. Decadência Depois de longo debate jurisprudencial, o Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento no Recurso Especial nº 973.733, de 12/08/2009, julgado sob o regime dos recursos repetitivos. Assim, o prazo decadencial para o Fisco lançar o crédito tributário é de cinco anos, contados: (i) a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento e não houver dolo, fraude ou simulação (art. 150, §4º, CTN); ou (ii) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento (art. 173, I, CTN). Vale salientar que o referido entendimento jurisprudencial é de observância obrigatória por este tribunal administrativo (art. 62, §2º, Anexo II do Regulamento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015). Na espécie, a matéria tratada na autuação referese à incidência de adicional do SAT sobre a remuneração de empregados supostamente expostos a agentes nocivos prejudiciais à saúde ou à integridade física e que ensejem a concessão de aposentadoria especial. Fl. 4169DF CARF MF Processo nº 37172.000235/200633 Resolução nº 2301000.675 S2C3T1 Fl. 12 11 A meu ver, tal fato autoriza concluir que a Recorrente promoveu a incidência e o recolhimento desses tributos, ainda que a menor, sobre o valor da denominada remuneração direta, isto é, aquela paga em dinheiro, atraindo a aplicação da Súmula CARF nº 99 . Por essa razão, deve ser observada a regra do art. 150, §4º do CTN, com o início da contagem do prazo decadencial de cinco anos a partir da data de ocorrência do fato gerador. Situação semelhante também foi constatada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por ocasião do julgamento do acórdão nº 9202002.669, de 25/04/2013. Naquela oportunidade, o colegiado determinou igualmente a aplicação da regra do art. 150, §4º do CTN sobre a exigência de contribuição previdenciária sobre salário indireto, verbis: In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratase em parte de salário indireto, portanto, diferenças de contribuições, eis que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar (grifos do original) Nesse sentido, como a ciência do lançamento originário ocorreu em 18/03/2005, considero decaídos os lançamentos anteriores à competência 02/2000 (inclusive), não reconhecendo tal fato quanto aos demais. Adicional ao SAT A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (“contribuição ao SAT”), na alíquota básica de 1%, 2% ou 3%, destinavase originariamente ao custeio dos benefícios concedidos em virtude de acidentes do trabalho. Posteriormente, o SAT passou a alcançar também o custeio da aposentadoria especial, subsidiada pela cobrança de adicional. Desse modo, o desenvolvimento de atividade que exponha o empregado a agentes nocivos químicos, físicos ou biológicos, ou associação desses agentes, comprovadamente prejudiciais à saúde ou à integridade física, e que enseje a concessão de aposentadoria especial, está sujeita ao pagamento da alíquota adicional de 6%, 9% ou 12% (“adicional ao SAT”). A relação taxativa dos agentes nocivos e o tempo de exposição, para fins de aposentadoria especial, constam do art. 68 e do Anexo IV do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048/99). O adicional ao SAT incide, exclusivamente, sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, no decorrer do mês, ao segurado empregado e ao trabalhador avulso ou cooperado sujeitos a condições especiais que prejudiquem sua saúde ou integridade física (ao contrário do SAT básico, que incide sobre a totalidade da remuneração de empregados e avulsos). É importante enfatizar que a cobrança do adicional ao SAT está associada ao desempenho de atividades que exponham segurados a riscos ambientais do trabalho, os quais produzem prejuízos presumidos à higidez física e mental do trabalhador. Fl. 4170DF CARF MF Processo nº 37172.000235/200633 Resolução nº 2301000.675 S2C3T1 Fl. 13 12 Isso significa que, para a cobrança do adicional ao SAT, a exposição ao agente nocivo acima dos limites regulamentares deve ser contínua e efetiva, embora os prejuízos ao empregado sejam presumidos. Ou seja, o fato de o empregado eventualmente não obter a concessão de aposentadoria especial (por exemplo, porque o tempo de exposição ao agente nocivo foi inferior ao patamar legal) não exime a empresa de contribuir com o adicional ao SAT. Por outro lado, não será devido o adicional ao SAT quando a adoção de medidas de proteção coletiva ou individual neutralizar ou reduzir o grau de exposição do empregado a níveis legais de tolerância, de forma a afastar a concessão da aposentadoria especial, cabendo à empresa comprovar o gerenciamento dos riscos e a adoção de medidas de proteção recomendadas. Os art. 57 e 58 da Lei nº 8.213/91 constituem o fundamento legal do adicional ao SAT (grifos nossos): Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 1º A aposentadoria especial, observado o disposto no art. 33 desta Lei, consistirá numa renda mensal equivalente a 100% (cem por cento) do saláriodebenefício. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 2º A data de início do benefício será fixada da mesma forma que a da aposentadoria por idade, conforme o disposto no art. 49. § 3º A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação pelo segurado, perante o Instituto Nacional do Seguro Social–INSS, do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 4º O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, exposição aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, pelo período equivalente ao exigido para a concessão do benefício. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 5º O tempo de trabalho exercido sob condições especiais que sejam ou venham a ser consideradas prejudiciais à saúde ou à integridade física será somado, após a respectiva conversão ao tempo de trabalho exercido em atividade comum, segundo critérios estabelecidos pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, para efeito de concessão de qualquer benefício. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995) § 6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de Fl. 4171DF CARF MF Processo nº 37172.000235/200633 Resolução nº 2301000.675 S2C3T1 Fl. 14 13 contribuição, respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 7º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais referidas no caput. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 8º Aplicase o disposto no art. 46 ao segurado aposentado nos termos deste artigo que continuar no exercício de atividade ou operação que o sujeite aos agentes nocivos constantes da relação referida no art. 58 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) § 1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) § 4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) Ao sistematizar as informações acima, concluise que: (a)a incidência do adicional ao SAT está condicionada à comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos (art. 58, §1º); (b)tal comprovação deverá ser realizada pela empresa, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho, nos termos da legislação trabalhista (art. 58, §1º); Fl. 4172DF CARF MF Processo nº 37172.000235/200633 Resolução nº 2301000.675 S2C3T1 Fl. 15 14 (c)a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância exclui a incidência do adicional ao SAT (art. 58, §2º); (d)a ausência ou a elaboração do laudo técnico em desacordo com as normas regulamentares sujeita a empresa à multa (art. 58, §3º). Pois bem. Nos lançamentos de ofício do adicional do SAT, o Fisco não está dispensado de realizar a comprovação da efetiva exposição dos empregados aos agentes nocivos. Tratase de pressuposto legal exigido tanto para a concessão de aposentadoria especial ao segurado (art. 57, “caput”), quanto para a cobrança do adicional ao SAT da empresa (art. 57, §6º). Isso não significa que o Fisco não possa se apoiar em dados retirados de demonstrações ambientais fornecidas pela própria empresa, quando tais demonstrações são elaboradas com base no trabalho "in loco", contemporâneas aos fatos geradores e realizadas por profissionais habilitados em medicina e segurança do trabalho. Estando provada a presença de agentes nocivos no ambiente de trabalho, a incidência do adicional ao SAT somente será elidida se a empresa demonstrar que o fornecimento de tecnologia de proteção coletiva ou individual aos empregados é eficaz na eliminação ou na redução da intensidade do agente nocivo a patamares legalmente aceitáveis. Tratase de ônus imposto à empresa. Por isso, a pertinência do art. 410 da Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, que nada mais faz do que esclarecer e regulamentar o papel do laudo técnico mencionado nos parágrafos 1º e 2º do art. 58 da Lei nº 8.213/91: Art. 410. Em procedimento fiscal que for constatada a falta do PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT ou PPP, quando exigíveis ou a incompatibilidade entre esses documentos, o AFPS fará, sem prejuízo das autuações cabíveis, o lançamento arbitrado da contribuição adicional, com fundamento legal previsto no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 233 do RPS, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Mas é importante enfatizar a cautela que o citado art. 410 teve ao prescrever o arbitramento do adicional ao SAT aos casos de falta ou incompatibilidade entre as demonstrações ambientais. Tal fato revela que as eventuais irregularidades nas demonstrações ambientais apontadas pela fiscalização deverão ser substanciais, e não meramente periféricas ou de ordem formal. E nesse ponto, considero que as evidências trazidas pela fiscalização para afirmar a ineficiência das medidas de proteção coletivas e individuais implementadas pela Recorrente e, assim, fundamentar a exigência do adicional ao SAT, com a devida vênia, são frágeis, circunstanciais e não convincentes. Primeiro, porque busca desacreditar todo o gerenciamento dos riscos ambientais implementado pela Recorrente ao afirmar que o Programa de Prevenção de Riscos Ambiental – PPRA deve ser elaborado anualmente. Ora, o PPRA é um programa de higiene ocupacional cujo objetivo é a proteção da saúde e da integridade física dos trabalhadores, a partir de medidas de antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos ambientais existentes Fl. 4173DF CARF MF Processo nº 37172.000235/200633 Resolução nº 2301000.675 S2C3T1 Fl. 16 15 ou que venham a existir no ambiente de trabalho. O que o item 9.2.1.1 da NR9 determina não é a elaboração de um PPRA a cada ano, mas sim a avaliação do seu desenvolvimento, por meio do documento intitulado Análise Global. E isso foi feito pela Recorrente. Suposição semelhante também foi empregada pela fiscalização ao registrar como fundamento da NFLD a existência de 848 exames alterados sem emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho – CAT. Ocorre que a fiscalização sequer verificou quais alterações ocorreram, deixando de comprovar a existência de nexo causal entre a condição do empregado e o ambiente de trabalho a ensejar a emissão da CAT, como atesta a declaração do Dr. Fernando Castanheira, médico coordenador de medicina do trabalho da Recorrente (efls. 3215): A Unidade de Saúde da Acesita, foi visitada pelo Sr. Atayde José Guimarães, Auditor Fiscal da Previdência Social, que solicitou de maneira informal e sem qualquer intimação para tanto, entre outros, ver e manusear os prontuários médicos dos empregados da empresa. Contudo, este acesso foi negado, foilhe informado o motivo, que por razões de sigilo médico estes prontuários só poderiam ser fornecidos a um profissional da área médica e mediante intimação específica. Todos os outros documentos solicitados foram entregues, incluindo, mas não se esgotando, PCMSO, PCA, fichas de controle do fornecimento do EPI, controle de treinamento do uso do EPI, etc, sendo que nenhum deles teriam a proteção do sigilo médico. Quanto ao fato do Sr. Fiscal ter entendido que os 848 exames alterados deveriam gerar a emissão de CAT para cada exame, tratase de entendimento completamente equivocado perante os conceitos da Medicina do Trabalho. Isto porque, exames alterados, por si só, não significam existência de doença e muito menos de qualquer nexo causal que possa afirmar ter aquela doença origem ocupacional. No caso da ACESITA afirmamos que todos os Comunicados de Acidente do Trabalho que eram necessários ser emitidos, já o foram, jamais atingindo o montante de exames alterados, apontados pelo Fiscal. (...) Portanto reafirmamos que os exames audiometricos alterados realizados na Unidade de Saúde da Acesita, são de natureza patológica e não necessariamente causados por ruído ocupacional. Pois, os seus limiares não correspondem a perda auditiva provocada por ruído ocupacional. Portanto, não há qualquer sentido na afirmativa do Sr. Fiscal quanto a necessidade de emissão da CAT, estando a ACESITA e esta Coordenação à disposição de qualquer perícia médica, do INSS, para visita e constatação da verdade. Fl. 4174DF CARF MF Processo nº 37172.000235/200633 Resolução nº 2301000.675 S2C3T1 Fl. 17 16 Informo, também, que o Dr. Júlio Vieira Coordenador da Perícia Médica do INSS já fez várias pesquisas nos prontuários dos nossos empregados e não encontrou nenhuma anormalidade. Segundo, porque são tecidas críticas sobre a eficácia das medidas de proteção coletiva e individual sem o devido respaldo técnico e pericial. Questionouse, por exemplo, o tempo de duração e o modo de fornecimento de EPI aos empregados utilizandose de indícios com baixo poder persuasivo quanto à existência do fato principal (a exposição dos empregados a agentes nocivos), como o baixo investimentos em medidas de proteção coletiva e o suposto conteúdo dúbio dos controles de entrega dos EPI aos empregados (este último elemento levou a fiscalização a extrapolar a conclusão de que a Recorrente fornecia quantidade inferior a um EPI por empregado). Embora tenha atribuição para verificar livros e documentos, realizar inspeções e efetuar o lançamento do crédito tributário, a fiscalização adentrou numa seara cujo convencimento se dá por mecanismos eminentemente técnicos. A legislação previdenciária não ignora tal realidade, tanto que o Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048/99) previu a assistência durante o procedimento fiscalizatório do médico perito do INSS e da polícia administrativa em matéria laboral e de segurança do trabalho (Ministério do Trabalho e Emprego): Art. 338. A empresa é responsável pela adoção e uso de medidas coletivas e individuais de proteção à segurança e saúde do trabalhador sujeito aos riscos ocupacionais por ela gerados. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) § 1º É dever da empresa prestar informações pormenorizadas sobre os riscos da operação a executar e do produto a manipular. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) § 2º Os médicos peritos da previdência social terão acesso aos ambientes de trabalho e a outros locais onde se encontrem os documentos referentes ao controle médico de saúde ocupacional, e aqueles que digam respeito ao programa de prevenção de riscos ocupacionais, para verificar a eficácia das medidas adotadas pela empresa para a prevenção e controle das doenças ocupacionais.(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) § 3º O INSS auditará a regularidade e a conformidade das demonstrações ambientais, incluindose as de monitoramento biológico, e dos controles internos da empresa relativos ao gerenciamento dos riscos ocupacionais, de modo a assegurar a veracidade das informações prestadas pela empresa e constantes do CNIS, bem como o cumprimento das obrigações relativas ao acidente de trabalho. (Redação dada pelo Decreto nº 4.882, de 2003) § 4º Os médicos peritos da previdência social deverão, sempre que constatarem o descumprimento do disposto neste artigo, comunicar formalmente aos demais órgãos interessados na providência, inclusive para aplicação e cobrança da multa devida. (Incluído pelo Decreto nº 5.545, de 2005) Fl. 4175DF CARF MF Processo nº 37172.000235/200633 Resolução nº 2301000.675 S2C3T1 Fl. 18 17 Art. 339. O Ministério do Trabalho e Emprego fiscalizará e os sindicatos e entidades representativas de classe acompanharão o fiel cumprimento do disposto nos arts. 338 e 343. Portanto, não existem evidências convincentes de que as medidas de proteção coletiva e individual implementadas pela Recorrente contra agentes nocivos no ambiente de trabalho sejam ineficazes. Pelo contrário, a Recorrente junta diversos documentos que destacam o cumprimento de suas obrigações ambientais, como explicativos da política de gestão de segurança e medicina do trabalho (efls. 1221 e 1247, 1282), apresentações sobre o adequado uso do EPI (efls. 2607), planilhas de monitoramento do ambiente (efls. 2650), fichas de controle do EPI por empregado (efls. 3153), lista de presença em treinamentos (efls. 3252), certificações de conformidade nas especificações ISO 9001, 14001 e 18001 (anos posteriores ao período autuado) e laudo técnico elaborado em 2010 por perito contratado, atestando as boas práticas de gestão e segurança do trabalho (efls. 3862). Não havendo falta de demonstrações ambientais (PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT ou PPP) ou incompatibilidade entre esses documentos, na esteira preconizada pelo art. 410 da Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, restaria à fiscalização fazer a prova direta da ineficiência das medidas de proteção coletiva e individual. Tratase de ônus inescusável da acusação fiscal, por integrar o procedimento administrativo de lançamento (art. 142 do CTN), e que não pode ser transferido à Recorrente nem ter sua realização postergada. Por isso, entendo inoportuna a diligência pretendida pela composição anterior dessa turma, com vistas à realização de perícia “in loco”, tendente a verificar a exposição ou não dos empregados a agentes nocivos no ambiente de trabalho. No fundo, tal providência não busca dirimir dúvidas sobre fatos colhidos pela fiscalização no procedimento de constituição do crédito tributário. Busca, na verdade, sanar uma omissão ocorrida durante os trabalhos de auditoria e que acabou por macular a validade do ato de lançamento. Ou seja, a comprovação da efetiva exposição do empregado aos agentes nocivos, por ineficácia da tecnologia de proteção, não foi feita pela fiscalização e agora, em sede recursal no contencioso administrativo, pretendese certificar a existência ou não de fatos ocorridos há mais de dez anos. E isso, a meu ver, com a devida vênia, não é possível. Enfim, acolho o recurso voluntário, em virtude de a fiscalização não ter demonstrado a circunstância que autoriza a exigência do adicional ao SAT, qual seja, a exposição de empregados a agentes nocivos no ambiente de trabalho, em razão da ineficiência das medidas de proteção. Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer o recurso voluntário, rejeitar as preliminares de nulidade da NFLD e do acórdão recorrido, considerar decaídos os lançamentos anteriores à competência 02/2000 (inclusive) e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, cancelando a exigência fiscal quanto às competências não decaídas. É como voto. Fl. 4176DF CARF MF Processo nº 37172.000235/200633 Resolução nº 2301000.675 S2C3T1 Fl. 19 18 (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator ad hoc Voto Vencedor Conselheira Andrea Brose Adolfo Redatora designada Diligência Ao contrário do apontado no voto do relator, verifico que há a necessidade de conversão do julgamento em diligência, com fulcro no art. 18 do Decreto nº 70.235//72 para dirimir as dúvidas em relação às questões abaixo. Decadência Em que pese concordar com a aplicação do critério decadencial apontado na condução do voto vencedor (art. 150, § 4º, do CTN), entendo que há a necessidade da juntada da comprovação de pagamento das contribuições previdenciárias patronais referente ao período de 12/1999 a 02/2000, para adequação à Súmula CARF nº 99. Assim, a unidade de origem deve proceder à verificação da existência de tais recolhimentos no período supra, a fim de evitar a interposição de recurso especial pela Fazenda Nacional. Exposição aos agentes nocivos Com relação à exposição a agentes nocivos, compulsando os autos, não ficou clara a demonstração da exposição dos segurados aos seguintes agentes nocivos: tolueno, benzeno e xileno. Portanto, a autoridade autuante deverá demonstrar com base em qual documentação chegou à conclusão da exposição dos segurados aos agentes citados acima. É como voto. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo Redatora designada Fl. 4177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.001599/2007-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para realização do exame de admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para realização do exame de admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .0 01 59 9/ 20 07 -8 7 Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10510.001599/200787 Resolução nº 9202000.124 CSRFT2 Fl. 215 2 Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 280101.650, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física exercício 2002 no valor total de R$ 180.424,14, elevandose a exigência para R$ 432.079,72 com o acréscimo de multa de ofício (75%) e juros de mora. A suposta infração cometida seria omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/P6. O Contribuinte apresentou a impugnação, alegando dentre outras que apresentou documentos durante a fiscalização demonstrando que os depósitos provieram de recursos recebidos em anos anteriores (fls. 74/79). Como aí se vê, em 1999 (período que não mais pode ser objeto de lançamento tributário) possuía saldo no Banco Bilbao Viscaya mais que suficiente para respaldar a movimentação financeira em 2002. Esta informação foi desconsiderada, sem que o autuante fundamentasse esta rejeição, o que representa cerceamento do seu direito de defesa. Deveriam ser excluídos os rendimentos da atividade rural, já declarados, provenientes da venda de gado bovino, no montante de R$ 162.373,00. A DRJ/SDRBA, às fls. 117/119, julgou procedente o lançamento. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 129/142, requerendo, dentre outros pedidos, a anulação do acórdão recorrido, por cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que os julgadores de 1ª Instância fogem das discussões e alegações levantadas simplesmente afirmando que o contribuinte não demonstrou individualizadamente a origem dos depósitos sem documentos hábeis. Aduziu que nada impede que o Contribuinte apresente novos elementos de prova neste momento, pois a autoridade administrativa julgadora tem o dever de buscar a verdade material no processo administrativo fiscal. Afirmou ter identificado os emitentes dos cheques, através das informações dos depósitos fornecidas pela instituição financeira. Entendeu ser possível a apreciação e análise dos elementos e provas complementares que explicam os depósitos de forma individualizada, razão pela qual requer seja baixado o processo em diligência para o correto exame dos fatos e provas colecionadas, em homenagem aos Princípios da Verdade Material e da Informalidade Moderada. Também argumentou que a administração fazendária, mesmo depois da vigência da Lei Complementar no 105/1002 e da Lei ordinária n o 10.174/2001, continua impedida de considerar qualquer ingresso financeiro nas contas bancárias dos contribuintes como rendimentos tributáveis, mesmo que não haja comprovação de suas origens ou natureza. Defendeu que deve ser apresentado demonstrativo de utilização, pelo titular do depósito bancário, em consumo ou aquisição de bens, para a demonstração de sinais exteriores de riqueza, ou ainda, a comprovação de que os ingressos financeiros são sistemáticos, a fundar a alegação de que tais depósitos sejam efetivos rendimentos auferidos. Por fim, sustentou que o artigo 42 da Lei 9.430/96 não poderia eleger "receita ou rendimento" à condição de "renda" que já tem definição em lei complementar material, o CTN, segundo o qual, por seu artigo' 43, a "renda" é sempre um plus, quer por representar a disponibilidade, de um produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, quer por representar um acréscimo de patrimônio em determinado período de tempo. À fl. 239, a 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, na forma do art. 62 A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, RESOLVEU SOBRESTAR o julgamento, Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10510.001599/200787 Resolução nº 9202000.124 CSRFT2 Fl. 216 3 tratandose de matéria idêntica em recurso administrativo, tendo em vista que a controvérsia sobre a transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinha tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF havia reconhecido a repercussão geral em tal matéria. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 348/359, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para excluir o valor de R$ 162.373,00 da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Às fls. 362/372, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, no qual argumentou que Colegiado a quo, prolator do acórdão recorrido, entendeu que o valor declarado em DAA pode ser considerado como comprovação de origem dos depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. De outro modo, os acórdãos paradigmas firmaram o entendimento de que é necessária a demonstração efetiva da origem dos recursos depositados, sendo incabíveis meras alegações, tais como a de que o valor declarado em DAA estaria englobado entre os depósitos. Cada depósito deve ser justificado individualizadamente, tal como determina a lei. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 374/379, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: omissão de depósito bancário, pois verificou que a turma decidiu excluir os rendimentos declarados da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Por outro lado, os paradigmas consideraram indispensável a individualização e a vinculação de cada depósito aos rendimentos declarados para a comprovação da sua origem, restando, portanto, patente a divergência jurisprudencial nessa matéria. Cientificado à fl. 389, o Contribuinte apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial, às fls. 392/399, rebatendo os argumentos da Fazenda Nacional e reiterando as alegações anteriores sobre a renda já declarada. Às fls. 400/409, o Contribuinte também apresentou Recurso Especial, dispondo que, conforme entendeu o acórdão recorrido, os extratos não servem e que a prova tem que ser feita mediante a cópia do cheque. De outro modo, os acórdãos paradigmas entendem não ser necessária a apresentação da cópia do cheque para comprovar que cheques devolvidos e estornos devem ser excluídos dos créditos em contas de depósitos e investimentos, bastando apenas os extratos. Às fls. 495/496, novamente o Contribuinte manifestouse nos autos suscitando ocorrência de NULIDADE, causandolhe violação de suas garantias constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa, tendo em vista a ocorrência do julgamento de seu Recurso Voluntário, sem que fosse intimado para realização de sustentação oral, sendo que fez pedido expresso juntamente com o recurso. Requereu a anulação do julgamento proferido pela 1ª Turma Especial. Sem exame de admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, os autos vieram conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10510.001599/200787 Resolução nº 9202000.124 CSRFT2 Fl. 217 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes – Relatora Compulsando os autos a fim de delimitar a extensão da temática do Recurso Especial recepcionada para discussão neste colegiado observo que o presente processo está eivado de vício processual, pois o recurso interposto não foi submetido ao Juízo de Admissibilidade, motivo que torna impossível analisar os autos para julgamento. Deste modo, converto o julgamento em diligência à câmara recorrida, para realização do exame de admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 503DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000454/2005-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2000
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO.
Deve ser reconhecido o direito creditório, uma vez demonstrada a
inexistência do óbice apontado pelo Fisco para a não homologação da
compensação pleiteada pela contribuinte.
Numero da decisão: 1401-00.516
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2000 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. Deve ser reconhecido o direito creditório, uma vez demonstrada a inexistência do óbice apontado pelo Fisco para a não homologação da compensação pleiteada pela contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1470; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 169 1 168 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10508.000454/200546 Recurso nº 169.463 Voluntário Acórdão nº 140100.516 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de março de 2011 Matéria IRPJ Recorrente Mayor Factoring Fomento Mercantil Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. Deve ser reconhecido o direito creditório, uma vez demonstrada a inexistência do óbice apontado pelo Fisco para a não homologação da compensação pleiteada pela contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) VIVIANE VIDAL WAGNER Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Fl. 190DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 8788): Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 56 a 107), recebida em 15/05/2006, contra o despacho decisório n° 23 de 03/04/2006 (fls.48 a 50), da Delegacia da Receita Federal em Ilhéus, o qual indeferiu o pedido de restituição (fls. 02 a 07) apresentado pelo contribuinte acima identificado do saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2000, informado no valor original de R$ 3.341,10. Segundo o mencionado despacho decisório (fl. 48), "da análise do pleito, foi constatado a lavratura de Auto de Infração, controlado através de processo administrativo de n° 10508.000071/200659, relativamente ao período ora em verificação, cujas peças encontramse anexadas às fls. 10/36" e que em decorrência deste lançamento de oficio, restou caracterizada a inexistência de saldo negativo do IRPJ em 31/12/2000, haja vista a apuração de saldo de imposto a pagar e, em conseqüência, decidiuse por indeferir o pleito do contribuinte (fl. 50). O contribuinte tomou conhecimento do indeferimento do seu pedido, via AR (fl. 55) em 13/04/2006, e, em 15/05/2006, apresentou a presente manifestação de inconformidade (fls. 56 a 107) alegando, em síntese, que: a) "em verdade embora não tenham sido informados na ficha 11, os valores efetivamente pagos, os tributos foram efetivamente recolhidos como fazem prova as cópias anexas dos DARF's correspondentes"; b) "houve, sim, um lapso da impugnante, em não informar os valores efetivamente recolhidos; No entanto, já foi feita declaração retificadora, como se poderá observar da documentação anexa, o que supre a omissão apontada" e que "assim, inexistente o óbice apontado pela autoridade julgadora para a não homologação do pedido de reconhecimento do direito à compensação" c) quanto à existência de um auto de infração anterior, este "não tem o condão de impedir o reconhecimento do direito à compensação"; d) "que o auto de infração mencionado foi lavrado em decorrência de arbitramento da base de cálculo e, portanto, não pode respaldar uma efetiva demonstração de falta de recolhimento tributário, já que consoante sabido e ressabido o auto de infração lavrado com base em arbitramento é um lançamento feito com base em presunção e não lastreado em provas materiais contundentes da falta de recolhimento do tributo; por conseguinte, enquanto não provada a presunção contida no levantamento presuntivo ou fictício, não se pode estabelecer, com precisão, o direito do fisco ao crédito contido neste tipo de lançamento"; e) "o auto de infração, enquanto não for julgado, não poderá importar em constituição do crédito decorrente da não Fl. 191DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10508.000454/200546 Acórdão n.º 140100.516 S1C4T1 Fl. 170 3 homologação da compensação" e que "não poderia, a autoridade decisora, determinar o recolhimento do tributo não homologado, enquanto não houvesse a conclusão do procedimento administrativo fiscal que é aduzido como condicionante para o não reconhecimento da compensação"; f) "ora não se pode concluir pela negativa do direito à compensação, antes da confirmação da efetiva ocorrência da sonegação fiscal, que é objeto material do lançamento anterior, e que deve ser apurada em procedimento administrativo fiscal onde se proporcione o mais amplo direito de defesa ao contribuinte"; g) "a decisão impugnada foi extemporânea, uma vez que caberia à autoridade decisora, aguardar o trânsito em julgado do lançamento (AI anterior), para somente após esta confirmação pretender a cobrança de um imposto supostamente compensado de forma indevida" e assim "havia uma questão prejudicial a impedir a decisão na forma em que foi deliberada"; h) "deste modo, ao invés de decidir pela cobrança do tributo julgado indevidamente compensado, deveria a decisora, suspender o processo e aguardar o julgamento da defesa apresentada pela impugnante, posto que este julgamento é que irá dizer se o imposto deve ou não ser objeto de compensação"; Pede, por fim, que "considerando que a decisão impugnada carece de reforma, na parte em que determina o recolhimento do tributo julgado indevidamente compensado, requer seja dado integral provimento a esta impugnação, para o fim de ser julgado improcedente o despacho decisório contestado, em face das argumentações já apresentadas". A 1ª Turma da DRJ Salvador, por unanimidade, indeferiu a solicitação da contribuinte, por meio do Acórdão nº 1517.670, assim ementado, fls. 132: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. Inexistindo o direito creditório requerido pelo contribuinte, o pedido de restituição e conseqüentes compensações devem ser indeferidos. Solicitação Indeferida Cientificada do Acórdão em 09/12/2008 (fls. 135), a contribuinte, em 08/01/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 136143, argumentando que a negativa da existência de saldo credor foi fundamentada principalmente pela existência de um auto de infração anterior (processo 10508.000071/200659), cujo lançamento foi realizado ante a constatação de valores devidos que a contribuinte declarou e não recolheu, em diversos períodos, inclusive o período em apreço. Fl. 192DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 O referido processo, contudo, foi apreciado pelo 1º Conselho de Contribuintes e o lançamento foi considerado improcedente, conforme Acórdão juntado aos autos (fls. 145161). Nestes termos, requereu o provimento do presente recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. No presente processo, o contribuinte pretende compensar diversos débitos com o saldo negativo do IRPJ referente ao anocalendário 2000 (fls. 03), que foi informado pelo interessado no valor original de R$ 3.341,10. O pleito foi indeferido (fls. 68) em razão da existência de lançamento de oficio relativamente ao mesmo período objeto do pedido de restituição/compensação. De acordo com o referido lançamento, não haveria saldo negativo do IRPJ no anocalendário 2000, haja vista a apuração de saldo de imposto a pagar. Em sua peça recursal, o contribuinte aduziu que inexiste o óbice apontado pela autoridade julgadora para a não homologação do pedido de reconhecimento do direito à compensação, pois o citado lançamento teria sido julgado improcedente, por meio de Acórdão proferido pelo 1º Conselho de Contribuinte, fls. 145161. Analisandose o referido Acórdão, constato que o lançamento em questão efetivamente foi cancelado, pelas seguintes razões (fls. 161, grifado): Se a autoridade fiscal entendeu que apuração do resultado deve ocorrer sob a sistemática do lucro arbitrado, a base de cálculo desse lucro deve abranger todas operações realizadas pela pessoa jurídica. Apurada omissão de receita, o valor correspondente deve ser adicionado à receita declarada para obtenção daquela base de cálculo. A partir desta, apurase o imposto do qual devem ser deduzidos eventuais valores pagos na sistemática declarada pela empresa. Verificase que na apuração efetuada o Fisco ignorou os valores declarados. Assim, caracterizouse um sistema híbrido e sem amparo legal de apuração do imposto de renda, parte com base no lucro real e parte sob as regras do lucro arbitrado. Por esse motivo, entendo que nos moldes efetuados o lançamento não pode prosperar. Não se trata aqui de engano passível de correção por simples ajuste nos valores autuados. Na verdade, a constituição do crédito tributário ocorreu ao desabrigo das normas tributárias e está maculada em sua integralidade. Fl. 193DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10508.000454/200546 Acórdão n.º 140100.516 S1C4T1 Fl. 171 5 Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Por meio de consulta ao site do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, constatei que o referido Acórdão tornouse definitivo na esfera administrativa, pois não há notícia acerca da interposição de recurso. Assim sendo, concluo que, juridicamente falando, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000, regularmente apurado e declarado, permanece incólume, sendo possível sua utilização para compensação de débitos tributários existentes em nome do contribuinte. Diante do exposto, meu voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório da contribuinte, relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000. A efetivação das compensações pleiteadas compete à autoridade fiscal da unidade de origem, após as verificações e providências de praxe. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 194DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11128.002060/2002-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 01/04/2002
GUINDASTES AUTOPROPULSORES. EX TARIFÁRIOS.
Classificam-se na posição NCM 84.26 os guindastes autopropulsores sobre pneus, nos quais um ou vários dos mecanismos de propulsão ou de comando se encontrem reunidos na cabine do aparelho de elevação ou de movimentação, mesmo que o conjunto seja capaz de circular por estrada por seus próprios meios.
Para os equipamentos corretamente classificados na código NCM 8426.41.00, demonstrado que suas características e capacidade máxima de carga atendem ao disposto no texto do EX 004, correta sua inclusão no tratamento excepcional tarifário.
Numero da decisão: 9303-006.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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EX TARIFÁRIOS. Classificamse na posição NCM 84.26 os guindastes autopropulsores sobre pneus, nos quais um ou vários dos mecanismos de propulsão ou de comando se encontrem reunidos na cabine do aparelho de elevação ou de movimentação, mesmo que o conjunto seja capaz de circular por estrada por seus próprios meios. Para os equipamentos corretamente classificados na código NCM 8426.41.00, demonstrado que suas características e capacidade máxima de carga atendem ao disposto no texto do “EX 004”, correta sua inclusão no tratamento excepcional tarifário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 20 60 /2 00 2- 17 Fl. 566DF CARF MF Processo nº 11128.002060/200217 Acórdão n.º 9303006.139 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, em face do acórdão nº 3101001.579, de 26/02/2014, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 01/04/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL GUINDASTE AUTOPROPULSOR SOBRE PNEUS. As diferenças entre o “caminhãoguindaste” e o “guindaste autopropulsor” designam características distintas e funções distintas. Os elementos que conferem a cada qual a exata classificação fiscal são suas essências (caminhão de um lado e guindaste de outro), seus projetos de concepção (chassi especificamente projetado para cada função) e suas destinações principais de uso que não se confundem. O guindasteautopropulsor marca LIEBHERR, modelo LTM, classificase no código NCM 8426.41.10. A matéria de fundo trazida nos autos referese a auto de infração lavrado contra o contribuinte acima qualificado, para a exigência do crédito tributário relativo às diferenças de imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, juros, multa de oficio e multa pela falta de guia de importação. A Autoridade Fiscal reclassificou a mercadoria importada objeto da Declaração de Importação 02/02817304, registrada em 01/04/2002, descrita como “GUINDASTE PARA TODO TERRENO, AUT PROPULSORES, SOBRE PNEUS, COMPUTADORIZADOS, COM LANCA TELESCOPICA DE 48M DE COMPRIMENTO E CAPACIDADE MAXIMA DE CARGA DE 80 TONELADAS MODELO: LTM 1080/1 – NUMERO DE SERIE: P/N 061 293. "EX"004 RESOLUCAO CAMEX 22 D.O.U. DE 28.06.01”, entendendo se tratar de caminhõesguindastes, classificados no código NCM/TEC 8705.10.00, com alíquota do imposto de importação de 35%, e alíquota do imposto sobre produtos industrializados de 5%. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 11128.002060/200217 Acórdão n.º 9303006.139 CSRFT3 Fl. 4 3 A turma julgadora a quo entendeu que a classificação tarifária adequada para o equipamento LTM importado estava prevista posição na posição 8426.41.10, EX 004 porque haveria plena subsunção da descrição de fato com a descrição do enunciado prescritivo da posição. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de divergência, que foi admitido pela demonstração de dissídio jurisprudencial, conforme despacho de admissibilidade às fls.444 a 446. O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões às fls. 455 a 560. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal, Relator. O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional quanto à classificação fiscal do produto denominado guindaste da marca LIEBHERR, modelo LTM. Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão 3301001.878, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 25 de junho de 2013, que também analisou a classificação fiscal do produto descrito como “guindaste da marca LIEBHERR, modelo LTM”. O Colegiado a quo concluiu que os produtos importados, a saber “guindastes marca LIEBHERR modelo LTM” classificamse na posição NCM 8426, caracterizandose como guindastes autopropulsores. Diversamente, a Primeira Turma da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, tal como a autoridade autuante do presente feito, entendeu que os referidos produtos deveriam ser classificados na posição NCM 8705, por se tratarem de caminhõesguindastes. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 11128.002060/200217 Acórdão n.º 9303006.139 CSRFT3 Fl. 5 4 Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da classificação fiscal do produto “guindaste marca LIEBHERR modelo LTM 1080/1”, que foi importada por meio da DI 02/02817304, registrada em 01/04/2002. A matéria já é conhecida dessa turma julgadora, que recentemente enfrentou o tema no julgamento ocorrido em 21/06/2017, na qual foram analisados fatos similares do mesmo sujeito passivo, que resultou no Acórdão 9303005.263, da lavra do i. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Reproduzo, a seguir, o voto condutor do referido acórdão, e, por se tratar de fatos similares, relativos ao mesmo sujeito passivo e ao mesmo produto, adoto seus fundamentos como minhas razões de decidir no presente processo: “O acórdão recorrido decidiu pela improcedência da reclassificação fiscal efetuada pela autoridade lançadora e pela manutenção da classificação fiscal e do Ex tarifário utilizado pela autuada. Inicialmente, é importante deixar claro que a classificação de um produto na NCM, que se baseia no Sistema Harmonizado (SH) é, essencialmente, levada a efeito segundo as regras de interpretação fixadas no texto desse Sistema. Com efeito, diz a Regra Geral 1: Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes: O item da NCM que a recorrente classificou o produto litigioso (8426.41.10) está assim descrito: 8426 CÁBREAS; GUINDASTES, INCLUÍDOS OS DE CABO; PONTES ROLANTES, PÓRTICOS DE DESCARGA OU DE MOVIMENTAÇÃO, PONTESGUINDASTES, CARROSPÓRTICOS E CARROS GUINDASTES 8426.4 Outras máquinas e aparelhos, autopropulsados 8426.4 Outras máquinas e aparelhos, autopropulsados: 8426.41.00 De pneumáticos Já o Fisco argumenta que os equipamentos deveriam ser enquadrados no item 8705.10.00 87.05 Veículos automóveis para usos especiais (por exemplo, auto socorros, caminhõesguindastes, veículos de combate a incêndio, caminhõesbetoneiras, veículos para varrer, veículos para espalhar, veículosoficinas, veículos radiológicos), exceto os concebidos principalmente para transporte de pessoas ou de mercadorias. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 11128.002060/200217 Acórdão n.º 9303006.139 CSRFT3 Fl. 6 5 8705.10.00 Caminhõesguindastes Adicionalmente, há que se recorrer ao texto das Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado, aplicáveis por força do Decreto nº 435, de 1992, mais especificamente no parágrafo único do seu art. 1º. Passo a análise da NESH da posição 8426: 84.26 Cábreas; guindastes, incluídos os de cabo; pontes rolantes, pórticos de descarga ou de movimentação, pontesguindastes, carros pórticos e carrosguindastes. [...] A presente posição engloba um certo número de aparelhos de elevação ou de movimentação de ação descontínua. Com exclusão de alguns tipos determinados a seguir mencionados, que se apresentam montados em veículos da Seção XVII, a presente posição compreende os aparelhos fixos e os aparelhos móveis, mesmo autopropulsores. As exclusões são as seguintes: [...] b) Aparelhos montados em tratores ou em veículos automóveis do Capítulo 87. [...] 2) Aparelhos montados em chassis automóveis ou em caminhões. Alguns aparelhos de elevação ou de movimentação (guindastes (gruas) comuns, guindastes (gruas) de estrutura leve para reparações, etc.) apresentamse freqüentemente montados em verdadeiro chassi automóvel ou em caminhão que reúne nele próprio, pelo menos, os seguintes órgãos mecânicos: motor de propulsão, caixa e dispositivos de mudança de velocidade, órgãos de direção e frenagem (travagem). Estes conjuntos devem ser classificados na posição 87.05 como veículos automóveis de uso especial, e esta classificação deve ser observada quer o mecanismo de elevação ou de movimentação esteja simplesmente montado no veículo, quer forme com este último um conjunto mecânico homogêneo, salvo se se tratarem de veículos especialmente concebidos para o transporte, incluídos na posição 87.04. Continuam por outro lado classificados aqui os aparelhos simplesmente autopropulsores, nos quais um ou vários dos mecanismos de propulsão ou de comando acima indicados se encontrem reunidos na cabine do aparelho de elevação ou de movimentação (mais freqüentemente um guindaste (gruas)) montado em chassi com rodas, mesmo que este conjunto possa circular pelos seus próprios meios. Os guindastes (gruas) da presente posição geralmente não se deslocam carregados ou apenas efetuam, neste estado, deslocamentos de pequena Fl. 570DF CARF MF Processo nº 11128.002060/200217 Acórdão n.º 9303006.139 CSRFT3 Fl. 7 6 amplitude que desempenham um papel auxiliar em relação à função de elevação que os caracteriza. As notas explicativas trazem algumas características para exclusão na posição 84.26 e inclusão na posição 87.05: · Os mecanismos de propulsão ou de comando (motor de propulsão, caixa e dispositivos de mudança de velocidade e órgãos de direção e frenagem) devem estar reunidos no chassi · Esta classificação (87.05) deve ser observada quer o mecanismo de elevação ou de movimentação esteja simplesmente montado no veículo, quer forme com este último um conjunto mecânico homogêneo As notas explicativas trazem também as seguintes características para a inclusão na posição 84.26: · Ao menos um dos mecanismos de propulsão ou comando (motor de propulsão, caixa e dispositivos de mudança de velocidade, órgãos de direção e frenagem) deve estar na cabine do aparelho de elevação ou de movimentação · Os deslocamentos que possam desempenhar devem ser apenas auxiliar em relação à função principal de elevação que as caracteriza Passo agora a análise da NESH, no item dedicado à posição 8705: 87.05 Veículos automóveis para usos especiais (por exemplo, auto socorros, caminhõesguindastes (camiõesguindastes*), veículos de combate a incêndio, caminhõesbetoneiras (camiõesbetoneiras*), veículos para varrer, veículos para espalhar, veículosoficinas, veículos radiológicos), exceto os concebidos principalmente para transporte de pessoas ou de mercadorias. [...] A presente posição compreende um conjunto de veículos automóveis, especialmente construídos ou transformados, equipados com dispositivos ou aparelhos diversos que os tornam apropriados para desempenhar algumas funções diferentes do transporte propriamente dito. Tratase de veículos que não foram especialmente concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias. Podem citarse como veículos que se classificam nesta posição: [...] 7) Os caminhõesguindastes, não destinados ao transporte de mercadorias, constituídos por um chassi de veículo automóvel com cabina sobre o qual está instalado, em caráter permanente, um guindaste rotativo. Excluemse, no entanto, os veículos automóveis da posição 87.04 com dispositivos de autocarregamento. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 11128.002060/200217 Acórdão n.º 9303006.139 CSRFT3 Fl. 8 7 [...] CHASSIS DE VEÍCULOS AUTOMÓVEIS OU DE CAMINHÕES COMBINADOS COM INSTRUMENTOS DE TRABALHO Deve notarse que, para se incluir na presente posição um veículo que possua aparelhos de elevação ou de movimentação, máquinas de terraplenagem, de escavação ou de perfuração, etc., deve consistir em um verdadeiro chassi de veículo automóvel ou de caminhão que reúna nele próprio, no mínimo, os seguintes órgãos mecânicos: motor de propulsão, caixa e dispositivos de mudança de marchas (velocidades), órgãos de direção e de travagem. Pelo contrário, permanecem classificados, por exemplo, nas posições 84.26, 84.29 e 84.30, os aparelhos e máquinas autopropulsores (guindastes, escavadoras, etc.) em que um ou mais dos mecanismos de propulsão ou de comando acima mencionados se encontram reunidos na cabine da máquina de trabalho montados sobre um chassi com rodas ou lagartas, mesmo que o conjunto seja capaz de circular por estrada por seus próprios meios. Do mesmo modo, seriam excluídas desta posição as máquinas autopropulsoras de rodas cujos chassis e instrumentos de trabalho sejam especialmente concebidos um para o outro de modo a formar um conjunto mecânico homogêneo (por exemplo, algumas niveladoras autopropulsoras denominadas “motoniveladoras” (motorgraders)). Neste caso, o instrumento de trabalho não está simplesmente montado sobre um chassi de veículo automóvel, mas inteiramente integrado a um chassi que não pode ser utilizado para outros fins e que pode possuir os mecanismos automóveis essenciais acima mencionados. As notas explicativas trazem também as seguintes características para a inclusão na posição 8705: · Caminhõesguindastes, não destinados ao transporte de mercadorias, constituídos por um chassi de veículo automóvel com cabina, sobre o qual está instalado, em caráter permanente, um guindaste rotativo · Os mecanismos de propulsão ou de comando (motor de propulsão, caixa e dispositivos de mudança de velocidade e órgãos de direção e frenagem) devem estar reunidos no chassi As notas explicativas trazem algumas características para exclusão na posição 8705: · Ao menos um dos mecanismos de propulsão ou comando (motor de propulsão, caixa e dispositivos de mudança de velocidade, órgãos de direção e frenagem) se encontrem reunidos na cabine da máquina de trabalho Fl. 572DF CARF MF Processo nº 11128.002060/200217 Acórdão n.º 9303006.139 CSRFT3 Fl. 9 8 · O chassi e instrumentos de trabalho sejam especialmente concebidos um para o outro de modo a formar um conjunto mecânico homogêneo, que não pode ser utilizado para outros fins, mesmo que possua os mecanismos automóveis essenciais Para a resolução da controvérsia, em consonância com o disposto na NESH nas posições em análise, importanos identificar os seguintes pontos essenciais: · Local onde se encontra os mecanismos de propulsão ou comando (motor de propulsão, caixa e dispositivos de mudança de velocidade, órgãos de direção e frenagem); · Configuração ou não do equipamento (chassi e instrumentos de trabalho) como sendo especialmente concebidos um para o outro de modo a formar um conjunto mecânico homogêneo, que não pode ser utilizado para outros fins, mesmo que possua os mecanismos automóveis essenciais · Aparelhos montados em chassi com rodas, mesmo que este conjunto possa circular pelos seus próprios meios, mas os deslocamentos que possam desempenhar devem ser apenas auxiliar em relação à função principal de elevação que as caracteriza Portanto, a NESH da posição 84.26 determina a classificação nessa posição dos os aparelhos simplesmente autopropulsores, nos quais um ou vários dos mecanismos de propulsão ou de comando se encontrem reunidos na cabine do aparelho de elevação ou de movimentação, mesmo que o conjunto seja capaz de circular por estrada por seus próprios meios. Por outro lado, caso os mecanismos de propulsão ou de comando estejam reunidos no chassi, a classificação será a posição 87.05, que deve ser observada quer o mecanismo de elevação ou de movimentação esteja simplesmente montado no veículo, quer forme com este último um conjunto mecânico homogêneo. Ainda que seja relevante para a definição da classificação fiscal, entendo que a existência de mais de uma cabine no equipamento não é a característica essencial para a identificação da classificação. De acordo com o disposto na NESH (posição 8426) se ao menos um dos mecanismos de propulsão ou comando (motor de propulsão, caixa e dispositivos de mudança de velocidade, órgãos de direção e frenagem) estiver localizado na cabine do aparelho de elevação ou de movimentação, a classificação será na posição 8426. Portanto, a questão essencial é a localização dos mecanismos de propulsão ou comando, não o número de cabines. Pelas informações constantes dos autos, foi importado o modelo de “Guindastes autopropulsores” LTM 1090/2, com a capacidade de carga máxima de 90 ton. Constatase, pelas informações técnicas, que no referido modelo há mecanismos de comando localizados na cabine do aparelho de operação dos guindastes. Portanto, a mercadoria importada pertence a posição 84.26, conforme disposto na NESH, posição 84.26: “Continuam por outro lado classificados aqui os aparelhos simplesmente autopropulsores, nos quais um ou vários dos mecanismos Fl. 573DF CARF MF Processo nº 11128.002060/200217 Acórdão n.º 9303006.139 CSRFT3 Fl. 10 9 de propulsão ou de comando acima indicados se encontrem reunidos na cabine do aparelho de elevação ou de movimentação (mais freqüentemente um guindaste (gruas)) montado em chassi com rodas, mesmo que este conjunto possa circular pelos seus próprios meios.” Como os equipamentos até 100 toneladas possuem a possibilidade de direção na cabine superior de operação dos guindastes, conforme informações técnicas do fabricante, e este é o requisito essencial previsto na NESH, mesmo que o conjunto seja capaz de circular por estrada por seus próprios meios, a classificação fiscal do equipamento modelo LTM 1090/2 é na posição 8426, na subposição 8426.41, pela aplicação da RGI 1ª e 6ª (textos da posição 84.26 e da subposição 84.26.41), e no subitem 84.26.41.00 (para operações realizadas no ano de 2002, pela ausência de desdobramento da subposição 84.26.41), da Tarifa Externa Comum (TEC), com os subsídios fornecidos para a posição 84.26 e 87.05 pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). 8426 CÁBREAS; GUINDASTES, INCLUÍDOS OS DE CABO; PONTES ROLANTES, PÓRTICOS DE DESCARGA OU DE MOVIMENTAÇÃO, PONTESGUINDASTES, CARROSPÓRTICOS E CARROS GUINDASTES 8426.4 Outras máquinas e aparelhos, autopropulsados 8426.4 Outras máquinas e aparelhos, autopropulsados: 8426.41.00 De pneumáticos Quanto aos Ex tarifários, para os equipamentos corretamente classificados no código NCM 8426.41.00, constatase que suas características e capacidade máxima de carga permitenos incluílo no “Ex” 004, como corretamente foi feito pela autuada.” Em face do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinatura digital) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 574DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.721374/2014-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013
Ementa
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS.
A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1001-000.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 Ementa MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador.
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A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 13 74 /2 01 4- 10 Fl. 64DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente processo sobre lançamento (fl. 27), no qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao mês de dezembro de 2013. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 2/18) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de denúncia espontânea.. A decisão de primeira instância (efls. 33/35) manteve o crédito tributário. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/08/2014 (efl. 38) a Interessada interpôs recurso voluntário em 04/09/2014 (efls. 41/60), em que aduz, em resumo (repetindo argumentos da impugnação): que a Recorrente entregou a DCTF em atraso, de forma espontânea, antes de qualquer procedimento da fiscalização em exigilas; que é inaplicável qualquer forma ou nominação de multa, quando da efetivação da denúncia espontânea e pagamento do tributo devido ou parcelamento deste, já que a expressão contida na lei se for o caso afasta a multa na hipótese de cumprimento espontâneo dá obrigação tributária, seja ela principal, acessória ou acessória que se tornou principal; apresenta acórdãos do Conselho de Contribuintes que corroborariam a tese de que o cumprimento a destempo, mas espontâneo e antes de qualquer exigência da administração fazendária, autorizaria a aplicação do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, a fim de caracterizar a inexigibilidade da multa pretendida; que no acórdão recorrido.já na descrição do voto condutor, observarseia o equívoco do ilustre julgador ao considerar a DCTF como uma obrigação acessória desvinculada de natureza tributária, pois seria certo que as informações prestadas na referida declaração (DCTF) são situações tributárias ocorridas na empresa. Se exige informações das situações tributárias ocorridas na empresa, como desvinculála da ocorrência do fato gerador dos tributos. que até mesmo nos casos de pedidos de parcelamento há que se considerar a denúncia espontânea para elidir exigência de qualquer multa; seria absurdamente incoerente admitirse aplicação de penalidade a este contribuinte de forma idêntica à qual lhe seria aplicada caso permanecesse inerte, aguardando eventual manifestação da autoridade fazendária. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso voluntário é tempestivo. Definiu acertadamente a decisão de primeira instância que a entrega da DCTF constituise em obrigação acessória, desvinculada de natureza tributária, pois assim prevista nos §§ 2º e 3º do art. 113 do CTN: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10435.721374/201410 Acórdão n.º 1001000.107 S1C0T1 Fl. 65 3 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Mesmo nos casos de entrega espontânea da declaração, antes de qualquer procedimento por parte do Fisco, a aplicação de multa como a prevista no art. 7º da Lei nº 10.426/2002 permanece pertinente, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea da infração (art. 138 do CTN) se refere à multa de ofício que acompanha a obrigação principal. A multa aplicada pela falta de entrega, ou entrega após o prazo legalmente estabelecido, nada tem a ver com o fato gerador da obrigação tributária principal. Tratase, sim, de uma penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal. Este é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a respeito da matéria, já tendo sido, inclusive, objeto da Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Adiantese que o § 2º do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 prevê uma redução da multa aplicada, nos casos de a declaração ser apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício (redução à metade) ou uma redução a 75% no caso da declaração ser apresentada no prazo fixado em intimação, respeitados os limites mínimos estabelecidos no parágrafo 3º do mesmo artigo. Desta forma, é evidente que, ao contrário do que alega a recorrente, a imposição da penalidade está legalmente prevista, mesmo neste caso de apresentação espontânea da declaração (com ou sem paramento ou parcelamento do tributo), com a devida redução da multa à metade. Adiciono, no que se refere às decisões administrativas e judiciais apontadas, relacionamse a litígio entre partes específicas em que o sujeito passivo não foi parte do processo e/ou tratam de decisão sem força vinculante por não se enquadrar no disposto no RICARF, em especial em seus artigos 62, 72 e 74 (Portaria MF nº 343, de 2015). Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 66DF CARF MF 4 Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13805.000676/93-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9101-000.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, à luz do artigo 7º, I e demais dispositivos aplicáveis da Portaria MF 147/2007, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, à luz do artigo 7º, I e demais dispositivos aplicáveis da Portaria MF 147/2007, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 05 .0 00 67 6/ 93 -3 4 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13805.000676/9334 Resolução nº 9101000.032 CSRFT1 Fl. 175 2 Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Autos de Infração de IRPJ e reflexo (PIS) quanto ao anocalendário de 1987, constando a seguinte descrição de infração no Auto de Infração (fls. 25/26): DESCRIÇÃO DOS FATOS 1. A empresa PEGASO IND. TEXTIL S/A., CGC.60.850.567/ 000189, procedeu em 30/09/85 e 21/10/85, adiantamento de recursos para o fim específico e irrevogável de futuro aumento de capital social à sua empresa controlada PEGASO PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA., nos montantes de Cr$ 17.430.000.000,00 Cr$ 90.000.000,00, respectivamente, firmados contratual e irrevogavelmente através de “Instrumento Particular de Adiantamento de Recursos Financeiros”. 2. Em 09/04/87, a Pegaso Participações e Representações Ltda., procedeu a elevação do capital social de Cz$.50.000,00 para Cz$.17.570.000,00, mediante incorporação de Cr$.17.520.000,00, proveniente de crédito em conta corrente da Pegaso Ind. Textil S.A originário do adiantamento de recursos financeiros cedidos em 1985? 3. A PEGASO IND. TEXTIL S/A., foi sucedida pela ESPERIA PARTICIPAOES E EMPREENDIMEATOS S/A., conforme AGO/E de 30/04/91, arquivada na JUCESP sob o nº 74.654/913, em 28/05/91; ENQUADRAMENTO LEGAL 4. Considerando que a capitalização do adiantamento de recursos financeiros se processou extemporaneamente ao prazo máximo de 120 (cento e vinte) dias contados a partir do encerramento do períodobase em que a sociedade controlada recebeu os recursos financeiros, definido no Parecer Normativo CST nº 17, de 20/08/84, descaracterizouse o adiantamento de recursos face a inobservância do prazo máximo e acarretou a obrigatoriedade, para a investidora, PEGASO IND. TEXTIL S/A., do cumprimento do que dispõe o artigo 21 do DecretoLei nº 2.065 de 26/10/83, ou seja, o reconhecimento na determinação do lucro real do períodobase de no mínimo, o valor correspondente à variação da OTN (Obrigações do Tesouro Nacional) aplicada sobre o montante dos créditos existentes, desde a data da contratação; Pela inobservância do prazo máximo a empresa infringiu o art. 21 do DecretoLei nº 2.065 de 26/10/83, o Parecer Normativo CST nº 17 de 20/08/84 e os arts. 254 e 387, II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 85.450 de 04/12/80. O contribuinte apresentou impugnação administrativa (fls. 35/44), que foi rejeitada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, mantendose os lançamentos tributários (fls. 75/81): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1987 Ementa: ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL — PRAZO PARA CAPITALIZAÇÃO O prazo máximo de tolerância para o aumento de capital contratado de Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13805.000676/9334 Resolução nº 9101000.032 CSRFT1 Fl. 176 3 sociedade que tenha recebido recursos com este fim de empresa ligada será de cento e vinte dias contados a partir do encerramento do períodobase em os aportes tenham sido realizados. A inobservância desse intervalo acarretará a obrigatoriedade, para a investidora, de reconhecer, na determinação do lucro real do períodobase do vencimento do prazo demarcado para a capitalização dos adiantamentos, no mínimo, o valor correspondente à variação da ORTN, aplicada sobre o montante dos créditos existentes, desde a data de cada contratação. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE. Não compete â. autoridade administrativa a apreciação de arguições de inconstitucionalidade, ilegalidade, arbitrariedade ou injustiça de atos legais e infralegais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. O contribuinte apresentou recurso voluntário, que provido pela 3ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. DESCARACTERIZAÇÃO POR INOBSERVÂNCIA DO PRAZO DE 120 DIAS PARA CAPITALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O não atendimento pelo contribuinte ao prazo fixado em parecer normativo para a capitalização de AFAC não pode implicar descaracterização do ato societário praticado quando celebrado em caráter irrevogável e irretratável, e, menos ainda, hipótese de imposição tributária dela decorrente. Recurso voluntário provido. Extraise do voto vencedor no acórdão da Câmara de origem: O lançamento tomou por base o Parecer Normativo CST n° 17/84, o qual determinava que o AFAC fosse capitalizado no prazo máximo de 120 dias, sob pena de ter descaracterizada sua natureza para "mútuo". No caso, a Contribuinte capitalizou o AFAC somente após 120 dias. Descaracterizado o AFAC, a Fiscalização aplicou a regra contida no art. 21 do Decretolei n° 2.065/83, o qual dispõe que "art. 21 Nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, a mutuante deverá reconhecer, para efeito de determinar o lucro real, pelo menos o valor correspondente à correção monetária calculada segundo a variação do valor da ORTN" (...) A Contribuinte, por sua vez, aduz, entre outas coisas, que a determinação por meio de parecer normativo desrespeita ao princípio da reserva legal, previsto no art. 97 do CTN. Razão assiste à. Contribuinte. Com a devida vênia, o parecer normativo da Receita Federal não tem o condão de criar obrigação tributária, o que, segundo o CTN, é de competência privativa da lei. (...) Ao impor que o prazo para a capitalização do AFAC seria de 120 dias, o Parecer Normativo CST n° 17/84 extrapolou a sua competência, criando obrigação tributária desprovida de base legal. 0 Parecer Normativo não pode modificar a natureza do ato societário praticado, Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13805.000676/9334 Resolução nº 9101000.032 CSRFT1 Fl. 177 4 no caso de caráter irrevogável e irretratável, apenas pelo fato de que entende ser "razoável" e "suficiente" o prazo de 120 (cento e vinte dias) para a respectiva capitalização. Há inúmeras razões de ordem fática e jurídica para que o AFAC não seja convertido em capital no prazo assinalado pelo Parecer Normativo e tais circunstâncias não podem alterar a natureza e substância jurídica do ato praticado, especialmente quando, reiterese, o AFAC é praticado em caráter irrevogável e irretratável. O não atendimento ao prazo fixado no parecer normativo não pode implicar descaracterização do AFAC e, menos ainda, hipótese de criação de obrigação tributária dela decorrente, como ocorre no caso. O julgamento ocorreu em 04 de fevereiro de 2009. Consta movimentação do processo em 07/11/2013 para a Procuradoria, com sua devolução em 19/11/2013. Ademais, a Procuradoria foi intimada pessoalmente em 13/11/2013 (fls. 143). Nesse contexto, foi apresentado recurso especial em 19/11/2013, no qual alega contrariedade ao artigo 21, do DecretoLei nº 2.065/1983 e ao Parecer Normativo CST nº 17/1984. O recurso especial foi admitido pelo então Presidente da 1ª Câmara da Primeira Seção (fls. 157/159), conforme trecho a seguir reproduzido: (...) Do cotejo entre as ementas e os votos condutores dos arestos, recorrido e paradigma, verificase que o tratamento foi diferenciado vez que, no recorrido concluiuse que se o contribuinte não atende ao prazo fixado em parecer normativo para a capitalização de AFAC não implica descaracterização do ato societário praticado quando celebrado em caráter irrevogável e irretratável, e tampouco, hipótese de imposição tributária dela decorrente. A decisão recorrida entende que ao impor o prazo de 120 dias para a capitalização do AFAC, o Parecer Normativo CST nº 17/84 extrapolou a sua competência, criando obrigação tributária desprovida de base legal. Quanto ao paradigma nº 10319089, afirma que o AFAC pode ser considerado operação de crédito caso não esteja evidente o comprometimento relativo ao aumento de capital e que seja realizado em tempo razoável. A Fazenda Nacional alega que o Parecer Normativo CST nº 17/84 não extrapolou sua competência ao fixar o prazo de 120 dias para a capitalização do AFAC, tendo criado hipótese de diferimento da incidência de correção monetária sobre os negócios de mútuo, que passou a incidir somente após 120 dias. Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, concluise pela caracterização das divergências de interpretação suscitadas. Com a intimação do contribuinte em 11/04/2016, este apresentou contrarrazões recurso especial (fls. 164/171), alegando que (i) o paradigma não trata do cerne do acórdão recorrido, que seria a ilegalidade do Parecer Normativo CST nº 17/1984; (ii) no mérito, Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13805.000676/9334 Resolução nº 9101000.032 CSRFT1 Fl. 178 5 sustenta que a operação de adiantamento de capital seria completamente distinta da operação de mútuo (iii) alega que o PN CST 17/84 seria ilegal, requerendo a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O recurso especial foi admitido pelo Presidente de Câmara diante de "divergência" na interpretação da lei tributária, não obstante a interposição do recurso tenha sido com fundamento no artigo 7º, I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuinte e da CSRF (Portaria MF 147/2007). É o teor do artigo 7º, I: Artigo 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Conforme votos anteriormente tratados A devolutividade do recurso especial fundamentado pelo artigo 7º, I, está relacionada à falta de unanimidade da decisão recorrida e à contrariedade à lei ou evidência de prova. A norma de transição do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009) definia a aplicação do antigo Regimento aos recursos interpostos quanto aos acórdãos proferidos em sessões de julgamento ocorridos em data anterior à vigência daquele novo Regimento: Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. No mesmo sentido, prescreve o RICARF atual (Portaria MF 343/2015) que é aplicável a Portaria 147 a recursos especiais interpostos nessa situação: Art. 3º Os recursos com base no inciso I do caput do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13805.000676/9334 Resolução nº 9101000.032 CSRFT1 Fl. 179 6 Como o original Regimento do CARF (2009) foi publicado em 26/06/2009, e realizado o julgamento recorrido em fevereiro de 2009, é aplicável o Regimento de 2007, para fins de análise do recurso especial ora em julgamento. Proponho, assim, seja complementada a admissibilidade do recurso especial pelo Presidente de Câmara, para análise da sua admissibilidade à luz do artigo 7º, I e demais dispositivos aplicáveis da Portaria MF 147/2007. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 179DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.908563/2009-88
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados no Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados no Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. RELATÓRIO Cuidase de recurso voluntário (fls. 38 a 42) interposto contra o Acórdão 12 50.832, da 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro 1 DRJ/RJ1, em sessão de julgamento realizada em 21.11.2012 (fls. 32 a 34), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Da matéria O presente processo referese ao Per/Dcomp 01818.69887.150905.1.7.045624, que retificou o de nº 11062.82229.120805.1.3.045947, transmitido em 15.09.2005, devido ao alegado pagamento a maior de Cofins, um equivoco de preenchimento de DCTF referente ao mês de novembro de 2004, recolhido sob o código de receita 2172. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 08 56 3/ 20 09 -8 8 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10783.908563/200988 Resolução nº 3001000.006 S3C0T1 Fl. 97 2 Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, ipis litteris: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 01818.69887.150905.1.7.045624, transmitida em 15/09/2005, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente em 13/12/2004, a título de COFINS, atinente ao período de apuração 11/2004. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Vitória, não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada ingressou, em 20/07/2009, com manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que a não existência de crédito na data da homologação foi motivada pela falta de retificação da DCTF e, conseqüentemente, não sobrando saldo para a devida compensação. Da decisão de 1ª instância A 17ª Turma da DRJ/RJ1, ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o acórdão ora vergastado, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, segundo "Aviso de Recebimento AR", foi cientificado do Acórdão 1250.832 da 17ª Turma da DRJ/RJ1 em 28.11.2012 (quartafeira) (fl. 36). Irresignado com a decisão formalizada no acórdão vergastado, apresentou recurso voluntário, conforme informa o carimbo aposto na sua "folha de rosto", em 20.12.2012 (quintafeira) (fl. 38). Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10783.908563/200988 Resolução nº 3001000.006 S3C0T1 Fl. 98 3 Logo, compulsando as datas acima destacadas, concluise que o recurso voluntário apresentado é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação, de modo que dele conheço. Do recurso voluntário Argumenta, em síntese que: 1 em novembro de 2004 obteve uma receita e serviços prestados no valor de R$ 331.817,54, conforme comprovam os documentos juntados; 2 até 27.05.2009 as receitas financeiras eram incluídas na base de cálculo da Cofins e que a partir desta data, em face da Lei 11.941 de 2009, tal circunstância foi alterada, proporcionandolhe auferir, em novembro de 2004, uma receita financeira de R$ 7.505,72, conforme comprovam os documentos juntados; 3 não obstante apurar o imposto de renda com base no Lucro Real, está sujeita ao cálculo da Cofins pelo princípio da cumulatividade, conforme artigo 10 da Lei 10.833 de 2003, à alíquota de 3% (três por cento); 4 em novembro de 2004 a base de cálculo da referida contribuição foi de R$ 339.323,26, apurando o valor de R$ 9.833,06, referente a Cofins retida na fonte, conforme demonstram os documentos juntados; 5 utilizou o valor de R$ 111,75, referente à nota fiscal 1581, ocasião em que não foram destacados o PIS, a Cofins e a CSLL, em conformidade ao que dispõe a IN SRF 459 de 2004; 6 quando do seu recebimento, constatou que o cliente Xerox CNPJ 02.773.629/000108, fez a retenção, apesar de não estar obrigada pela legislação de regência, conforme demonstram os documentos juntados; 7 equivocadamente pagou em 13.12.2004, via Darf/Cofins de 11/2004, o valor de R$ 458,42, conforme demonstram os documentos juntados; 8 diante dos esclarecimentos ora minudenciados, conformase o crédito informado no referido Per/Dcomp, transmitido em 15.09.2005. Neste sentido, requer a revisão da decisão proferida pela 17ª Turma da DRJ/RJ1, através do Acórdão 1250.832. Do encaminhamento O processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da admissibilidade Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10783.908563/200988 Resolução nº 3001000.006 S3C0T1 Fl. 99 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Do voto condutor do acórdão recorrido Do voto condutor do acórdão recorrido colhese, verbis: O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação.Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Com efeito, é indispensável destacar que nos termos da legislação federal vigente, o indébito fiscal decorrente de pagamento a maior ou indevido, utilizado em compensação deve ser revestido de liquidez e certeza, conforme previsto no artigo 170 Código Tributário Nacional. Neste contexto, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados em compensação tributária. A simples retificação da DCTF, mesmo que tivesse sido efetuada antes da ciência da decisão que não homologara a compensação declarada, não afasta de nenhum modo o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp, em conformidade com a DCTF retificadora, mas que na DCTF original inexistia. O referido dever decorre não apenas do fato de que é a contribuinte que inicia o procedimento de compensação, alegando direito Processo 10783.908563/200988 creditório, também porque, no caso específico em exame, as declarações contraditórias exigem prova contábilfiscal mais robusta para suportar sua alegação. De fato, a contribuinte, ora inconformada, não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Assim, a fim de comprovar a certeza e liquidez de seu crédito, a inconformada, obrigatoriamente, deveria ter instruído sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldassem seu direito, conforme o disposto nos Art. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, a seguir transcritos: (...) Contudo, do ônus que lhe cabia, conforme legislação citada, a inconformada não se desincumbiu, deixando sem amparo factual sua alegação de direito de crédito contra a Fazenda Nacional. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10783.908563/200988 Resolução nº 3001000.006 S3C0T1 Fl. 100 5 Por todos os fundamentos expostos, VOTO no sentido de julgar improcedente a manifestação de Inconformidade. Da proposta de diligência Conforme observase do voto condutor do acórdão recorrido, ao efetivar sua compensação, por intermédio de Dcomp, o interessado indicou como crédito a compensar, o constante de Darf relativo à Cofins do período de apuração de novembro de 2004, mas que, entretanto, em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse que o valor recolhido, referente ao citado Darf, encontravase inteiramente alocado para a quitação de outros débitos do sujeito passivo, por conseguinte, inexistindo crédito a compensar, o que motivou a não homologação da Dcomp sob apreço, notadamente, em razão de o Colegiado a quo entender que o contribuinte deveria ter apresentado documentário contábil fiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Ocorre que, não obstante o recorrente, além de reconhecer que equivocouse ao valor informar o valor do crédito recolhido, em face das alterações advindas da legislação de regência da referida contribuição, apresentou, juntamente com seu recurso voluntário diversos elementos de prova que, em tese, corroboram suas alegações. Desta forma, entendo que a mencionada retificação da DCTF, levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do alegado indébito e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN. É neste sentido que determina o parágrafo 2º do artigo 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio contribuinte, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2°. Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de oficio pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Da conclusão Em face do exposto, ante a existência de indícios de que o recorrente apresentou elementos que evidenciam que cometeu o aventado equívoco, que motivou, por conseguinte a apresentação Dcomp em questão, da forma como realizada, que, ao menos em tese, merecem um exame mais acurado por parte da autoridade fiscal competente, e em homenagem aos princípios da formalidade moderada e da verdade real, que, nas circunstâncias observadas nestes autos, devem nortear o processo administrativo fiscal e, ainda, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a autoridade preparadora da unidade fiscal de origem analise os documentos acostados às fls. 57 a 92 e, caso entenda necessário, intime o recorrente Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10783.908563/200988 Resolução nº 3001000.006 S3C0T1 Fl. 101 6 a demonstrar a pertinência e veracidade dos argumentos ora veiculados, de modo a confirmar a existência do alegado indébito. Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo na Per/Dcomp 01818.69887.150905.1.7.045624. Na sequência o contribuinte deverá ser intimado para que, no prazo regulamentar, caso entenda conveniente, adite seu recurso voluntário, somente quanto à matéria decorrente da presente diligência. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 13891.000050/97-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 1992, 1993, 1994, 1995
CRÉDITOS. APROVEITAMENTOS. DEVOLUÇÕES. ESCRITURAÇÃO. LIVRO DE CONTROLE DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE (MOD. 3). IMPOSSIBILIDADE.
O aproveitamento de créditos do imposto sobre devoluções de mercadorias está condicionado à escrituração do Livro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, ou de sistema equivalente que possibilite o efetivo controle e fiscalização do tributo.
Numero da decisão: 9303-005.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Nos termos do art. 58, § 5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Valcir Gassen não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Érika Costa Camargos Autran na sessão anterior.
Julgamento iniciado na reunião de 08/2017 e concluído em 19/09/2017.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 1992, 1993, 1994, 1995 CRÉDITOS. APROVEITAMENTOS. DEVOLUÇÕES. ESCRITURAÇÃO. LIVRO DE CONTROLE DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE (MOD. 3). IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos do imposto sobre devoluções de mercadorias está condicionado à escrituração do Livro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, ou de sistema equivalente que possibilite o efetivo controle e fiscalização do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Nos termos do art. 58, § 5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Valcir Gassen não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Érika Costa Camargos Autran na sessão anterior. Julgamento iniciado na reunião de 08/2017 e concluído em 19/09/2017. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 00 00 50 /9 7- 66 Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13891.000050/9766 Acórdão n.º 9303005.759 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 210100.029, de 04 de março de 2009 (fls. 376 a 379 do processo eletrônico), proferido pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, acolheu os embargos de declaração opostos pelo Contribuinte, para anular o acórdão nº 20215.735. A discussão dos presentes autos tem origem na exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração e demonstrativos de fls. 04/19, lavrado em 28/05/1997, totalizando o crédito tributário de R$ 81.845,31, referente ao período de maio de 1992 a dezembro de 1995. Inconformado com a autuação, o contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou impugnação em 25/06/1997, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: 1. Todos os documentos relativos as devoluções e retornos são idôneos, e foram lançados no Livro Diário e no Livro Registro de Entradas, como estabelecido no Regulamento do IPI, sendo incorreta a glosa de um direito que é líquido e certo; 2. O art. 49, do Código Tributário Nacional, estabelece que o IPI é não cumulativo, e que o montante a ser pago deve resultar da diferença entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e pago relativamente aos produtos nele entrados; Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13891.000050/9766 Acórdão n.º 9303005.759 CSRFT3 Fl. 4 3 3. Juntou à impugnação cópias de todas as notas fiscais e lançamentos no livro diário. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto — SP, indeferiu a solicitação do Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso, conforme acórdão nº 20215.735, assim ementado in verbis: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES. As hipóteses de nulidade, no Processo Administrativo Fiscal, estão previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, e estão ligadas a incompetência do agente administrativo e ao cerceamento do amplo direito de defesa. Preliminar rejeitada. IPI. CRÉDITO POR DEVOLUÇÃO OU RETORNO DE MERCADORIAS. O direito ao crédito decorrente de produtos devolvidos está condicionado as exigências regulamentares, entre as quais está a obrigatoriedade de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, em conformidade com os requisitos requeridos; somente se dispensa tal requisito legal quando da existência de sistema equivalente, que permita perfeita identificação das operações realizadas. Recurso negado. O Contribuinte opôs Embargos de Declaração às fls. 345 a 358. Os embargos foram acolhidos para anular o acórdão nº 20215.735, conforme ementa do acórdão assim in verbis: Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 1992, 1993, 1994, 1995 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO. EFEITOS INFRIGENTES. CANCELAMENTO DO ACÓRDÃO. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 13891.000050/9766 Acórdão n.º 9303005.759 CSRFT3 Fl. 5 4 É de se conhecer e prover embargos de declaração interpostos pela existência de erro material, mesmo se resultar em efeitos infringentes do julgado, inclusive para cancelar o acórdão viciado. FALTA DE LIVRO MODELO 3. INEXISTÊNCIA DE CONTROLE EQUIVALENTE. CRÉDITOS DE IPI. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Importa uso indevido de créditos relativos a produtos do estabelecimento, recebidos um devolução ou retorno, sem que a empresa tenha feito prova da eletiva entrada desses produtos e a sua integração no estoque. O registro dessas devoluções ou retorno no Livro Modelo 3 Registro de Controle da Produção e do Estoque, autoriza presunção da efetiva entrada dos produtos devolvidos ou em retomo ao estabelecimento e sua integração ao estoque, ressalvado à fiscalização fazer prova em contrário. Não havendo esses registros, cabe a empresa demonstrar por outras provas a efetiva entrada dos produtos no estabelecimento e sua integração ao estoque. Não sendo provada a entrada, devolução e retorno, é de se glosar os créditos das mesmas decorrentes. Embargos de declaração acolhidos. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 388 a 394) em face do acórdão recorrido, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito à possibilidade de se provar o crédito de IPI decorrente de devolução ou retorno pelas notas fiscais de entrada, Livro Registro de Entradas e Livro Diário, em substituição à escrituração do Livro Modelo 3 — Registro de Controle de Produção e Estoque. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, O Contribuinte apresentou como paradigmas os acórdãos de números 020.515 e 020.363. A comprovação do julgados firmouse pela transcrição das ementas dos acórdãos no corpo da peça recursal. O recurso especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 410 a 412, sob o argumento que o acórdão recorrido confirmou a decisão da DRJ, pronunciandose, do mesmo modo, ou seja, que os Livros Diário e Registro de Entradas não servem para a comprovação da efetiva entrada e reinclusão no estoque. Assim, a confrontação entre a ementa do acórdão paradigma e o acórdão recorrido comprova a divergência, pois, no paradigma, o entendimento foi de que as notas fiscais de devolução, os Livros Registro de Entrada e Diário supriam a ausência de escrituração das devoluções no Livro Modelo 3 Livro Modelo 3 — Registro de Controle de Produção e Estoque. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 13891.000050/9766 Acórdão n.º 9303005.759 CSRFT3 Fl. 6 5 A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 416 a 425, manifestando pelo não provimento do recurso especial e que seja mantido, in totum, o acórdão proferido pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso. De acordo com a fiscalização, apesar de a contribuinte ter juntado os documentos relativos às devoluções e retornos que foram escriturados no Livro Diário e no Livro Registro de Entradas, a falta de escrituração do Livro Modelo 3, não pode ser suprida pelo Livro Diário e Livro Registro de Entradas. E os autos teve como fundamento os artigos 84 e 8611 do RIPI/82, senão vejamos: Art. 84. É permitido ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, total ou parcial. Art. 85. No caso de locação ou arrendamento, a reentrada do produto no estabelecimento remetente não dará direito ao crédito do imposto, salvo se o produto tiver sido submetido à nova industrialização e ocorrer nova saída. Procedimentos Art. 86. O direito ao crédito do imposto ficará condicionado ao cumprimento das seguintes exigências: I – pelo estabelecimento que fizer a devolução: a) emissão de nota fiscal (série "B" ou "C"), conforme o caso, para acompanhar o produto, declarando o número, data da emissão e o valor da operação constante do documento originário, bem como indicando o imposto relativo às quantidades devolvidas e a causa da devolução; b) arquivamento, em pasta especial, de uma via da nota fiscal emitida. II – pelo estabelecimento que receber o produto em devolução: a) arquivamento, em pasta especial, das notas fiscais recebidas, Fl. 434DF CARF MF Processo nº 13891.000050/9766 Acórdão n.º 9303005.759 CSRFT3 Fl. 7 6 com menção do fato nas vias das notas originárias conservadas no respectivo talonário ou sanfona, ou no livro Copiador, conforme o caso; b) lançamento nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque das notas fiscais recebidas, na ordem cronológica de entrada dos produtos no estabelecimento; c) prova, pelos registros contábeis e demais elementos de sua escrita, do ressarcimento da devolução, mediante crédito do respectivo valor, restituição do preço ou substituição do produto, salvo se a operação tiver sido feita a título gratuito. Assim, por falta de escrituração do referido livro, a fiscalização entendeu que houve descumprimento de requisito essencial para apropriação do crédito do imposto consignado nas notas fiscais de devolução, em consequência, procedeu a glosa do valor crédito referente às correspondentes operações. A questão aqui posta e referente a possibilidade de utilização de sistemas alternativos de controle de apuração do IP1, em substituição ao chamado Livro Modelo 3. Analisando os autos, foram juntados pelo Contribuinte, documentos relativos as devoluções e retornos, documento estes que foram lançados no Livro Diário e no Livro Registro de Entradas, corno estabelecido no Regulamento do IPI. Foram juntadas cópias do livro Diário mencionado, constando a escrituração daquelas operações (folhas 29 a 196); cópias autenticadas das Notas Fiscais de devolução dos produtos, de folhas 32 a 196; e o Livro de Registro de Entradas de folhas 233 a 303. Aliás, no relatório de Encerramento de Fiscalização do próprio Auditor Fiscal traz a afirmativa da regularidade da empresa, exceto quanto a questão da escrituração do livro Modelo 3. Entendo que o motivo apresentado pela fiscalização não é suficiente para descaracterizar as referidas operações de devolução e tampouco o direito da Contribuinte de apropriarse dos créditos do IPI registrados em documentos fiscais idôneos, conforme exigência determinada pelo Decreto no 87.981/ 1982. RIPI/82, vigente a época, especificamente nos arts. 97, I, e 98 do RIPI/2002, a seguir transcritos: Fl. 435DF CARF MF Processo nº 13891.000050/9766 Acórdão n.º 9303005.759 CSRFT3 Fl. 8 7 Art. 97. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: I – nos casos dos créditos básicos ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial; II – no caso de entrada simbólica de produtos, no recebimento da respectiva nota fiscal; III – no caso de matériasprimas, produtos intermediários e matéria. de embalagem, adquiridos para consumo próprio ou para comércio, e eventualmente remetidos a terceiros para industrialização por encomenda, na efetiva saída do estabelecimento; IV – no caso de produtos adquiridos para exportação no mercado interno pelas empresas nacionais exportadoras de serviços, na efetiva entrada dos mesmos produtos em recinto aduaneiro, autorizado pela Secretaria da Receita Federal, ou no seu efetivo embarque para o exterior (DecretoLei nº 1.633/78, art. 1, § 2, a ); V – nas operações internas incentivadas, na efetiva saída do produto do estabelecimento vendedor para o adquirente. Art. 98. Nos casos de apuração de créditos para dedução do imposto lançado de ofício, em auto de infração, serão considerados, também, como escriturados, os créditos a que o contribuinte comprovadamente tiver direito e que forem alegados até a impugnação. Assim, ainda que o Contribuinte tivesse descumprido o requisito atinente à escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, deve ser observado que disposto no referido art. 97, I, que exige a comprovação da efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, por meio de documentação fiscal idônea, isto é, este comando legal sobreleva o valor da situação fática ou real, concernente ao retorno dos produtos ao estabelecimento vendedor, ao passo que os arts. 86 e seguintes do RIPI/82, valoriza em demasia o aspecto formal consistente na mera escrituração do citado livro. No mesmo sentido, em reforço a prevalência da verdade material sobre a verdade formal, no âmbito do lançamento de ofício, nos termos do citado art. 97, são considerados escriturados e, portanto, passíveis de dedução os créditos que o contribuinte comprovadamente tiver direito e que forem alegados até a impugnação. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 13891.000050/9766 Acórdão n.º 9303005.759 CSRFT3 Fl. 9 8 Induvidosamente, tratase de aparente conflito de normas, que, se de um lado justifica a manutenção da exigência por falta de escrituração do citado livro, de outro justifica o acatamento dos créditos, comprovadamente legítimos, comprovados por documentação idônea. Assim, como não há provas nos autos de que os créditos glosados são ilegítimos, sob pena de inobservância do princípio da não cumulatividade, eles devem ser admitidos e deduzidos do valor do imposto devido. No mesmo sentido, decidiu a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por meio do julgado, cujo enunciado da ementa segue transcrito: IPI CRÉDITOS POR DEVOLUÇÃO Ainda que não escriturados no Livro Modelo 3 ou controle subsidiário, desde que comprovadamente legítimos e sustentados por documentação idônea que lhes confere tal condição e, ainda, alegados até a impugnação, merecem ser aproveitados. Os comandos ínsitos nos artigos 97 e 98, prevalecem àqueles integrantes dos artigos 84 e 86, II, letra b, todos do RIPI/82. Recurso do Sr. Procurador da Fazenda Nacional não provido. (Ac. CSRF/020.818. Processo nº 13708.002555/9414. Rel. Luiza Helena Galante de Moraes. j. 16.08.1999). Assim, entendo que não pode ser restringido o direito do Contribuinte, sob alegação de simples falta de cumprimento de obrigação acessória, qual seja, da escrituração de livros fiscais, se houver meios de verificação da devolução efetiva dos produtos. Com base nessas considerações, entendo ter ficado demonstrado o direito do contribuinte de creditar se dos valores do IPI , relativos as citadas operações de devolução e retorno dos produtos. Diante do exposto, voto em dar provimento ao Recurso Especial Contribuinte para dizer que o livro 3 não é necessário no caso concreto, com retorno dos autos a delegacia para analise dos documentos juntados pelo contribuinte, para verificação do crédito. É como voto. (assinado digiltamente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 437DF CARF MF Processo nº 13891.000050/9766 Acórdão n.º 9303005.759 CSRFT3 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão de mérito gira em torno do aproveitamento de créditos de IPI sobre devoluções de mercadorias que não foram escrituradas no Livro de Controle da Produção e do Estoque (modelo 3) ou em sistema equivalente. Conforme demonstrado e provado nos autos, mais especificamente no Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte se creditou indevidamente do IPI sobre devoluções e/ ou retorno de mercadorias, sem contudo, ter escriturado aquele livro e/ ou adotado sistema equivalente. Somente a partir de janeiro de 1996, passou a escriturar um controle permanente de estoque de insumos e de produtos que preenche os requisitos legais exigidos para substituição daquele Livro. A Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, assim dispõe, quanto à escrituração fiscal, em relação ao IPI: "Art . 56. Os contribuintes e outros sujeitos passivos que o regulamento indicar dentre os previstos nesta lei, são obrigados a possuir, de acordo com a atividade que exercerem e os produtos que industrializarem, importarem, movimentarem, venderem, adquirirem ou receberem, livros fiscais para o registro da produção, estoque, movimentação, entrada e saída de produtos tributados ou isentos, bem como para controle de imposto a pagar ou a creditar e para registro dos respectivos documentos. § 1º O regulamento estabelecerá os modelos dos livros e indicará os que competem a cada contribuinte ou pessoa obrigada. (...). § 3º O Ministério da Fazenda, por seu órgão competente, tomadas as necessárias cautelas, poderá autorizar, a título precário, o uso de fichas em substituição aos livros. § 4º Constituem instrumentos auxiliares da escrita fiscal do contribuinte e das pessoas obrigadas à escrituração, os livros da contabilidade geral, as notas fiscais, as guias de trânsito e de Fl. 438DF CARF MF Processo nº 13891.000050/9766 Acórdão n.º 9303005.759 CSRFT3 Fl. 11 10 recolhimento do imposto e todos os documentos, ainda que pertencentes ao arquivo de terceiros, que se relacionem com os lançamentos nela feitos. § 5º O Departamento de Rendas Internas poderá permitir, mediante as condições que estabelecer, e resguardada a segurança do controle fiscal, que, com as adaptações necessárias, livros ou elementos de contabilidade geral do contribuinte, substituam os livros e documentário fiscal previstos nesta lei. (Incluído pelo DecretoLei nº 34, de 1966)" No presente caso, ficou demonstrado e provado que o contribuinte não escriturou o Livro de Controle da Produção e do Estoque (modelo 3). Aliás, esse fato, sequer foi questionado por ele. Com relação a sua substituição por sistema equivalente, outros livros, o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI), aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982, vigente à época dos fatos geradores do lançamento em discussão, assim dispunha: "Art. 269. os livros só poderão ser usados depois de visados pela repartição competente do fisco estadual, salvo se esta dispensar a exigência e os livros forem registrados na Junta Comercial." Consoante consta do acórdão recorrido, os livros apresentados pelo contribuinte, em substituição ao Livro de Controle da Produção e do Estoque (modelo 3) não atendem às exigências deste dispositivo legal. Os livro apresentados, além de não conterem termos de abertura e de encerramento, por nenhuma autoridade fazendária, sequer foram autenticados. Na verdade, o entendimento aqui consubstanciado, converge no sentido de que é possível sim admitir outras formas de controle alternativo ao Livro de Controle da Produção e do Estoque (modelo 3), desde que suficientes para demonstrar o efetivo controle. E foi exatamente neste sentido que decidiu o acórdão recorrido, evidenciado no seguinte trecho: (...) A questão não é nova, e sempre decidi, em consonância com iterada jurisprudência deste Colegiado, pela possibilidade de utilização de sistemas alternativos de controle de apuração do IPI, em substituição ao chamado Livro Modelo 3, desde que tais sistemas efetivamente existissem e fossem trazidos aos autos, pelo menos em caráter de amostragem. (...) Fl. 439DF CARF MF Processo nº 13891.000050/9766 Acórdão n.º 9303005.759 CSRFT3 Fl. 12 11 Desta forma, carece de sustentação fática a afirmação da ilustre relatora do voto vencido, que se trataria de uma situação em que estariase sobrevalorizando o aspecto formal em detrimento da verdade material. Como visto, este controle decorre de um comando legal, direcionado a todos os contribuintes do IPI e, extremamente necessária a sua padronização, para fins de controle e fiscalização do tributo. Imaginem se cada contribuinte do IPI resolvesse adotar um controle próprio e particular a despeito dos regulamentos. A verdade insofismável, é que os controles apresentados pelo contribuinte, para substituir referido livro, demonstraramse insuficientes para a convicção da fiscalização, da própria DRJ que em primeira instância negou a impugnação do contribuinte e do próprio CARF, quando a turma recorrida, por unanimidade de seus membros, negou provimento ao recurso voluntário. Assim, em face do exposto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 440DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723621/2015-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO.
É improcedente a revisão fiscal da declaração de ajuste anual da pessoa física, exigindo o pagamento de imposto suplementar, quando comprovado no curso do processo administrativo tributário que os rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas e físicas foram oferecidos tempestivamente à tributação pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2401-005.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento para exonerar o crédito tributário.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. Recorrente MARIA REGINA LOPES CAMPOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. É improcedente a revisão fiscal da declaração de ajuste anual da pessoa física, exigindo o pagamento de imposto suplementar, quando comprovado no curso do processo administrativo tributário que os rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas e físicas foram oferecidos tempestivamente à tributação pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento para exonerar o crédito tributário. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 36 21 /2 01 5- 23 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11080.723621/201523 Acórdão n.º 2401005.153 S2C4T1 Fl. 138 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO), por meio do Acórdão nº 1671.852, de 12/04/2016, cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido no processo administrativo (fls. 76/79): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO. São tributáveis os rendimentos recebidos pelo contribuinte e omitidos em sua declaração de ajuste anual. Impugnação Improcedente 2. Em face da contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2011/359005591775822, relativa ao anocalendário de 2010, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurada pela fiscalização (fls. 5/10): (i) omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas, no importe de R$ 87.622,17; (ii) omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, no valor de R$ 7.373,78; e (iii) compensação indevida de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, equivalente a R$ 1.640,75. 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. Cientificada da notificação por via postal em 30/03/2015, às fls. 60, a contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2/4). 4. Intimada em 19/04/2016, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 80/83, o viúvo meeiro, na condição de inventariante, apresentou recurso voluntário no dia 05/05/2016 (fls. 85/86 e 117/118). Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11080.723621/201523 Acórdão n.º 2401005.153 S2C4T1 Fl. 139 3 4.1 Em síntese, afirma o inventariante que os rendimentos de aluguéis líquidos percebidos de pessoas jurídicas e físicas foram integralmente declarados pela contribuinte na respectiva DAA, relativa ao exercício de 2011, na proporção de 50% (cinquenta por cento) dos valores produzidos pelos bens comuns do casal. O cônjuge ofereceu à tributação a parte restante dos rendimentos de aluguéis na sua DAA. 4.2 Os rendimentos foram declarados em nome das administradoras dos imóveis, Luiz Coelho Imóveis Ltda e Organização Taperinha Ltda. 4.3 Entretanto, a falta de prestação dos dados em nome dos locatários dos imóveis constitui um mero equívoco da contribuinte no preenchimento da declaração, o que demonstra a insubsistência e improcedência da Notificação de Lançamento. 4.4 Ao final da petição, requer prioridade na tramitação e julgamento do processo administrativo, com fulcro no art. 71 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso). É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11080.723621/201523 Acórdão n.º 2401005.153 S2C4T1 Fl. 140 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. A contribuinte, Srª Maria Regina Lopes Campos, era casada com o Sr. Severo Machado Campos, no regime de comunhão de bens (fls. 87). 7. Os aluguéis correspondem a bens comuns do casal, relacionados aos imóveis situados à Rua Dr. Bozano, nº 1.257 e Rua Dr. Alberto Pasqualini, nº 58, na cidade de Santa Maria, estado do Rio Grande do Sul, administrados pelas imobiliárias Luiz Coelho Imóveis Ltda e Organização Taperinha Ltda (fls. 15/23). 8. Em se tratando de bens comuns, em decorrência do regime de casamento, os rendimentos são tributados na proporção de 50% em nome de cada cônjuge ou, opcionalmente, podem ser tributados pelo total em nome de um dos cônjuges. Eis os arts. 6º e 7º do Regulamento do Imposto de Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Seção II Rendimentos na Constância da Sociedade Conjugal Art. 6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, § 5º): I cem por cento dos que lhes forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges. Declaração em Separado Art. 7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11080.723621/201523 Acórdão n.º 2401005.153 S2C4T1 Fl. 141 5 § 1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 2º Na hipótese prevista no parágrafo único do artigo anterior, o imposto pago ou retido na fonte será compensado na declaração, em sua totalidade, pelo cônjuge que declarar os rendimentos, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 3º Os bens comuns deverão ser relacionados somente por um dos cônjuges, se ambos estiverem obrigados à apresentação da declaração, ou, obrigatoriamente, pelo cônjuge que estiver apresentando a declaração, quando o outro estiver desobrigado de apresentála. 9. De acordo com os documentos que instruem os autos, houve declaração em separado, cada cônjuge incluindo a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos aluguéis. O imposto retido sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns foi compensado na declaração, na proporção de 50% para cada um dos cônjuges (fls. 61/65 e 70/75). 10. Nada obstante, os dados dos aluguéis recebidos pelas pessoas físicas declarantes foram informados na DAA em nome das respectivas imobiliárias, e não dos locatários (fonte pagadora). 11. Para melhor compreensão da situação fática, elaborei os quadros demonstrativos abaixo indicados, com base nos dados da omissão de rendimentos indicada pelo agente fazendário, dos Comprovantes de Rendimentos de Aluguéis e das DAA´s entregues pelos cônjuges: Quadro 1 Omissão de rendimentos de aluguéis (fls. 5/10) Fonte Pagadora (Locatário) Rendimentos Tributáveis (R$) Imposto Retido (R$) Nova Derme Farmácia Ltda EPP 37.383,24 1.500,74 Dos Santos & Souza Ltda ME 22.204,67 407,65 LCD Telecon Comércio de Equipamentos de Informática Ltda 28.034,26 1.338,84 Total 87.622,18 3.247,23 Pessoas físicas (diversas) 7.373,78 Total (apurado pela fiscalização) 94.995,96 3.247,23 Divisão para cada cônjuge (50%) 47.497,98 1.623,61 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11080.723621/201523 Acórdão n.º 2401005.153 S2C4T1 Fl. 142 6 Quadro 2 Comprovante Anual de Rendimentos de Aluguéis Imobiliária Luiz Coelho Imóveis Ltda. (fls. 24/29) Fonte Pagadora (Locatário) Rendimento Bruto (R$) Taxa de administração (R$) Rendimento Tributável (R$) Imposto Retido (R$) Nova Derme Farmácia Ltda EPP 32.479,56 3.262,96 29.216,60 1.500,68 Nova Derme Farmácia Ltda EPP 4.890,88 489,04 4,401,84 Nova Derme Farmácia Ltda EPP 4.181,16 416,36 3.764,80 Total 37.383,24 1.500,68 Dos Santos & Souza Ltda ME 24.671,75 2.467,08 22.204,67 407,65 LCD Telecon Comércio de Equipamentos de Informática Ltda 1 31.149,14 3.114,88 28.034,26 1.373,17 Adriana Barboza Menezes 4.342,26 434,17 3.908,09 Total 91.530,26 3.281,50 Divisão para cada cônjuge (50%) Imobiliária Luiz Coelho 45.765,13 1.640,75 Organização Taperinha Ltda (fls. 30) Fonte Pagadora (Locatário) Rendimento Bruto (R$) Taxa de administração (R$) Rendimento Tributável (R$) Imposto Retido (R$) Associação Beneficente ACIRS 1.566,30 161,82 1.404,48 Joceles da Silva Moreira 4.067,47 601,78 3.465,69 Total 4.818,25 Divisão para cada cônjuge (50%) Imobiliária Taperinha 2.409,12 Total Pessoa Jurídica (PJ) 89.026,66 3.281,50 Total Pessoa Física (PF) 7.373,78 Divisão para cada cônjuge (50%) Total PJ e PF 48.200,22 1.640,75 1 Razão social informada: H L Vieira Comércio e Importação Ltda, CNPJ 68.847.029/000147 (igual à fiscalização). Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11080.723621/201523 Acórdão n.º 2401005.153 S2C4T1 Fl. 143 7 Quadro 3 DAA dos cônjuges Maria Regina Lopes Campos (fls. 61/65) Fonte Pagadora (Imobiliária) Rendimentos Tributáveis (R$) Imposto Retido (R$) Luiz Coelho Imóveis Ltda 45.765,13 1.640,75 Organização Taperinha Ltda 2.435,08 Total 48.200,21 1.640,75 Severo Machado Campos (fls. 70/75) Fonte Pagadora (Imobiliária) Rendimentos Tributáveis (R$) Imposto Retido (R$) Luiz Coelho Imóveis Ltda 45.765,13 1.640,75 Organização Taperinha Ltda 2.435,08 Total 48.200,21 1.640,75 Somatório dos Cônjuges 96.400,42 3.281,50 12. Como se observa do detalhamento numérico, o qual retrata os dados constantes da documentação acostada aos autos pelas partes em litígio, não há que se falar em omissão de rendimentos tributáveis oriundos do recebimento de aluguéis de imóveis por parte da contribuinte. 12.1 O que aconteceu foi um equívoco na declaração dos rendimentos tributáveis de aluguéis, considerada pela contribuinte como se valores recebidos das imobiliárias, Luiz Coelho Imóveis Ltda, CNPJ 91.840.132/000187, e Organização Taperinha Ltda, CNPJ 88.089.768/000124, em lugar da indicação das pessoas jurídicas e físicas que alugaram os imóveis (fontes pagadoras). 13. Em que pese incorreto o preenchimento na Declaração de Ajuste Anual, inclusive pelo cônjuge, não teve o condão de afetar a dimensão da riqueza econômica tributável, nos termos da legislação de regência, a qual foi devidamente oferecida à tributação do Imposto sobre a Renda. 14. Assim como a omissão de rendimentos apurada pela autoridade lançadora, também cabe declarar a insubsistente da compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 1.640,75. Pelos mesmos motivos, o montante efetivamente retido foi informado de maneira atrapalhada em nome da imobiliária Luiz Coelho Imóveis Ltda, em vez da identificação das pessoas jurídicas que alugaram os imóveis. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11080.723621/201523 Acórdão n.º 2401005.153 S2C4T1 Fl. 144 8 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO para tornar insubsistente o crédito tributário da Notificação Fiscal nº 2011/359005591775822, relativamente ao anocalendário de 2010. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10552.000153/2007-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 30/04/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 30/04/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 01 53 /2 00 7- 49 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10552.000153/200749 Acórdão n.º 9202005.789 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10552.000153/200749 Acórdão n.º 9202005.789 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10552.000153/200749 Acórdão n.º 9202005.789 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10552.000153/200749 Acórdão n.º 9202005.789 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10552.000153/200749 Acórdão n.º 9202005.789 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10552.000153/200749 Acórdão n.º 9202005.789 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10552.000153/200749 Acórdão n.º 9202005.789 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10552.000153/200749 Acórdão n.º 9202005.789 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10552.000153/200749 Acórdão n.º 9202005.789 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10552.000153/200749 Acórdão n.º 9202005.789 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 88DF CARF MF
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