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Numero do processo: 13767.720089/2013-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à unidade de origem especifique, claramente que, em 31/01/2013, os débitos, indicados na Termo de Indeferimento, estavam com a exigibilidade suspensa (ou não) e, quanto ao PAEX, identificar a irregularidade verificada e se foi sanada, em 31/01/2013.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa -Presidente
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente) e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à unidade de origem especifique, claramente que, em 31/01/2013, os débitos, indicados na Termo de Indeferimento, estavam com a exigibilidade suspensa (ou não) e, quanto ao PAEX, identificar a irregularidade verificada e se foi sanada, em 31/01/2013. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente) e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0433.622 da 2ª Turma da DRJ/CGE, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débito, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzido o voto: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 67 .7 20 08 9/ 20 13 -3 7 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13767.720089/201337 Resolução nº 1001000.067 S1C0T1 Fl. 3 2 Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela conheço. A interessada argumentou que os débitos ensejadores de sua exclusão do Simples haviam sido regularizados. Mas não trouxe a Certidão Conjunta Negativa ou Positiva com Efeitos de Negativa de débitos relativos a tributos federais e à dívida ativa da União, o que comprovaria sua regularidade fiscal. A tentativa de obtêla por meio da internet no sítio da Receita Federal não surtiu efeito, vez que ali foi certificado que as informações disponíveis são insuficientes para sua emissão, remetendo para consulta à sua situação fiscal, indicativa da existência de pendências. Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, julgo improcedente a manifestação de inconformidade e mantenho o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional, por seus próprios fundamentos. VOTO Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. No seu recurso, a recorrente alega que: Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13767.720089/201337 Resolução nº 1001000.067 S1C0T1 Fl. 4 3 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13767.720089/201337 Resolução nº 1001000.067 S1C0T1 Fl. 5 4 A recorrente apresentou cópia de todos os recolhimentos efetuados. No entanto, não conseguiu emitir a Certidão Conjunta, o que, a meu ver, em si, não impede a opção pelo simples. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13767.720089/201337 Resolução nº 1001000.067 S1C0T1 Fl. 6 5 Diante das afirmações contidas e documentos apresentados, o julgamento foi convertido em diligência a unidade de origem para confirmar a existência de débitos com exigibilidade não suspensa, nos termos do art. 17, inciso V,d a LC 123/2006, cujo despacho reproduzo a seguir: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Em atendimento a resolução de fls.69/74, informo que não existem débitos com exigibilidade não suspensa em nome do Contribuinte, conforme relatório de situação fiscal de fls.76/78. Desta forma, retorno os autos para prosseguimento. Entretanto, o resultado da diligência não foi suficiente para que este conselheiro possa concluir seu voto. Portanto, proponho converter o julgamento em nova diligência para que a unidade de origem especifique, claramente que, em 31/01/2013, os débitos, indicados no Termo de Indeferimento, estavam com a exigibilidade suspensa (ou não) e, quanto ao PAEX, identificar a irregularidade verificada e se foi sanada. As irregularidades apontadas no Termo de Indeferimento, 31/01/2013, foram as seguintes: Quanto ao PAEX (o TI não foi claro quanto a irregularidade ocorrida nos parcelamentos) , informar: · qual a irregularidade verificada; e · se e como foi sanada a irregularidade de recolhimentos. É como voto. (assinado digitalmente) Jose Roberto Adelino da Silva Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13805.002408/98-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1993 REGIMENTO INTERNO CARF. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO STJ - ART. 62-A DO ANEXO II DO RICARF. UTILIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DE PRECEDENTES JUDICIAIS. IDENTIDADE DAS SITUAÇÕES FÁTICAS. NECESSIDADE.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho (Art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010).
O disposto no art. 62-A do RICARF não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática e jurídica que ensejou a decisão do precedente judicial. A finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC. IMPOSSIBILIDADE.
A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo.
Recurso Extraordinário Provido.
Numero da decisão: 9100-000.216
Decisão: Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional.
Nome do relator: Valmar Fonsêca de Menezes
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1993 REGIMENTO INTERNO CARF. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO STJ ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. UTILIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DE PRECEDENTES JUDICIAIS. IDENTIDADE DAS SITUAÇÕES FÁTICAS. NECESSIDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho (Art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). O disposto no art. 62A do RICARF não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática e jurídica que ensejou a decisão do precedente judicial. A finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC. IMPOSSIBILIDADE. A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 24 08 /9 8- 71 Fl. 1047DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13433.25AR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.002408/9871 Acórdão n.º 9100000.216 CSRFPL Fl. 942 2 Recurso Extraordinário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Julio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, Jose Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valdete Aparecida Marinheiro e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Com fundamento nos arts. 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, a Fazenda Nacional, interpôs Recurso Extraordinário com vistas à uniformização de divergência entre decisões de turmas desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em sede de recurso especial da Fazenda Nacional, a Primeira Turma, por unanimidade de votos, negou provimento ao apelo, assentando o entendimento de que o prazo decadencial deve ser contado a partir da data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN), por considerar inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do Decretolei n° 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência do crédito tributário(STF SUMULA V1NCULANTE N° 08. A decisão restou assim ementada: “DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n° 8.383/91, os tributos administrados pela SRF passaram a ser sujeitos ao lançamento pela modalidade homologação. O início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4 o do artigo 150 do CTN. Fl. 1048DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13433.25AR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.002408/9871 Acórdão n.º 9100000.216 CSRFPL Fl. 943 3 Tendo o Pleno do STF já se manifestado sobre a obrigatoriedade de veiculação de normas regulando as matérias contidas no artigo 146111 da CF, serem complementares, pode o julgador administrativo se aliar à referida tese, aplicandose o Código Tributário em detrimento de Lei Ordinária. (STF TRIBUNAL PLENO RE 407190/RS SESSÃO DE 27102004). STF SUMULA V1NCULANTE N° 08 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do Decretolei n° 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência do crédito tributário. Recurso especial negado." Para configurar a divergência necessária à admissibilidade do recurso extraordinário, a Recorrente alega que a decisão recorrida conferiu interpretação divergente da assentada pela Segunda Turma desta Câmara Superior quando proferiu o Acórdão CSRF/02 02.288, cuja ementa da decisão é a seguinte: “PIS. DECADÊNCIA. Por ter natureza tributária, na hipótese de ausência de pagamento antecipado, aplicase ao PIS a regra de decadência prevista no art. 173,1, do CTN. Recurso Especial Negado. " Como se depreende das ementas acima transcritas, apesar dos julgados se referirem a tributos distintos, a matéria a ser uniformizada pelo Pleno desta Corte diz respeito ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação. O acórdão recorrido entendeu que a contagem se inicia a partir da data do fato gerador, enquanto que para a decisão paradigma, na ausência de pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ante a comprovação do dissenso jurisprudencial e o atendimento aos demais requisitos processuais, o Presidente da Câmara Superior deu seguimento ao recurso, conforme despacho constante dos autos. Presentes as contrarrazões da Contribuinte. É o relatório, no essencial. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 1049DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13433.25AR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.002408/9871 Acórdão n.º 9100000.216 CSRFPL Fl. 944 4 Adoto, homenageando o brilhante conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias, excertos de voto da sua lavra (Recurso 143.870), por suficiente para dirimir litígio e por demais esclarecedor e didático. “ (...) Tratam os presentes autos de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, com vistas a resolver divergência de interpretação entre duas turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais em relação ao termo inicial para contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário. Salientese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, o recurso extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do art. 40 do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no antigo Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25.06.2007 (RICSRF). Conforme dito acima, a questão a ser dirimida por este Colegiado cingese em definir qual o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a data do fato gerador, conforme a regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN ou o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do art. 173, inciso I do Código Tributário. De início, cumpre salientar que em razão da recente alteração no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, DOU de 22.12.2010), os colegiados desta Corte deverão reproduzir em suas decisões o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido definitivamente julgada por meio de recurso representativo de controvérsia, nos termos dos arts. 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis o que estabelece o art. 62A do Anexo II, do RICARF: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” No que diz respeito ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), sessão de 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, consolidou o entendimento daquele Tribunal em decisão assim ementada, verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO Fl. 1050DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13433.25AR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.002408/9871 Acórdão n.º 9100000.216 CSRFPL Fl. 945 5 POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destacouse) Conforme restou assentado, havendo pagamento parcial ou declaração prévia de débito, devese computar o prazo decadencial na forma do art. 150, § 4º do CTN e, caso Fl. 1051DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13433.25AR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.002408/9871 Acórdão n.º 9100000.216 CSRFPL Fl. 946 6 contrário, não se verificando o pagamento parcial e inexistindo declaração prévia de débito ou nos casos de dolo, fraude ou simulação, referido prazo deve ser computado na forma do art. 173, inciso I, do CTN. No caso dos autos, , conforme se verifica nos autos – inclusive na apuração fiscal que não houve pagamento de tributo relativo ao período que ensejou o lançamento de ofício. Assim, a teor do entendimento consolidado pelo e. Tribunal Superior, no presente caso, ante a ausência de pagamento antecipado, devese iniciar a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, aplicandose a regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Sucede, porém, que ao dar interpretação ao termo inicial para contagem do prazo previsto neste dispositivo, o e. STJ fez constar do decisum que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do FATO IMPONÍVEL, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (...)”. A recente interpretação dada ao aludido art. 173, inciso I, redunda em resultados distintos no cômputo do lapso decadencial, quando comparada com remansoso entendimento deste Conselho. Acerca do entendimento do STJ quanto a este ponto emergiram amplas discussões no âmbito deste Conselho. Consolidaramse duas posições antagônicas no que diz respeito à interpretação e ao alcance do art. 62A do Regimento Interno do CARF, quanto à reprodução das decisões proferidas em sede de recursos repetitivos. Um primeiro entendimento sustenta que o art. 62A do Regimento exige a mera reprodução do acórdão firmado em recurso repetitivo pelo STJ. Deste modo, em relação a este assunto, o STJ teria afastado a literalidade do art. 173, inciso I do CTN, segundo o qual, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, devendo prevalecer a assertiva constante do acórdão proferido no aludido Resp nº 973.733/SC, no sentido de que, nestes casos, o termo inicial passou a ser o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado correspondente, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível.” O outro entendimento existente no âmbito desta Conselho defende que a análise do contexto fático do acórdão do STJ e a finalidade do art. 62A devem ser devidamente considerados para fins de aplicação do dispositivo. Devese levar em conta, inclusive, a própria jurisprudência daquela Corte, verificada conforme suas decisões posteriores sobre a mesma matéria. Na forma desta segunda linha, a qual reputo mais acertada, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, ou seja, nos exatos termos da redação do aludido art. 173, inciso I do CTN. É perfeitamente aplicável ao caso o sentido teleológico do aludido dispositivo. Isto permite que, antes de reproduzilo automaticamente na decisão administrativa, Fl. 1052DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13433.25AR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.002408/9871 Acórdão n.º 9100000.216 CSRFPL Fl. 947 7 seja feita uma análise mais ampla e técnica do precedente judicial, sob pena de prejudicar o atingimento de suas finalidades. Dada a sua natureza e estando o mesmo sob a égide do vetor da segurança jurídica, o novel dispositivo regimental deve ser compreendido segundo as regras dos ordenamentos que admitem os precedentes jurisprudenciais como determinantes para os julgamentos futuros sobre as mesmas situações fáticas e jurídicas. A força persuasiva das decisões paradigmas decorre de uma perfeita similitude entre os feitos comparados. O pedido e a causa de pedir do provimento judicial considerado parâmetro devem ser simétricos ao caso sob análise. A adoção de critério distinto infirma os fundamentos do instituto e compromete o resultado do julgamento. Por estas razões, devese levar em conta o aspecto teleológico do aludido art. 62A do Regimento. A relevância de seu escopo implica adotar critérios jurídicos consolidados na utilização dos precedentes jurisprudenciais. Com efeito, a finalidade da norma veiculada pelo art. 62A é evitar que o litígio administrativo prossiga, inutilmente, no âmbito do Poder Judiciário, podendo acarretar prejuízos sucumbenciais à União, uma vez que, as instâncias judiciais inferiores não decidirão de forma divergente, em face do rito previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC). Assim, dada a força persuasiva dos acórdãos firmados sob o regime do art. 543C do CPC, não seria de bom alvitre que o CARF decidisse pela manutenção da exigência, quando fosse certo o desfecho em sentido contrário na ação judicial ajuizada posteriormente. É com este escopo que se apresenta a norma contida no referido art. 62A do RICARF, o qual, acertadamente buscou evitar que os acórdãos proferidos no âmbito desta Corte administrativa divirjam das decisões já consideradas definitivas nos órgãos judiciais, conforme a sistemática dos recursos repetitivos. Contudo, é imperioso assegurar que a questão sub examine no processo administrativo seja a mesma tratada no precedente judicial. Se o provimento judicial se deu em face de situação fática ou de direito distinta, a reprodução da decisão paradigma deve ser precedida de análise objetiva que conclua pela similitude entre os julgados. A aludida norma não traduz a ideia de que o julgador administrativo deve fazer simples cópia da decisão do Tribunal Superior, mormente quando manifestações posteriores da mesma Corte são em sentido diverso, refletindo que o entendimento exarado pelo acórdão proferido em sede do repetitivo não é aplicável indistintamente à totalidade os casos. Desta forma, para dar concretude à finalidade do disposto no art. 62A, ou seja, buscarse uma decisão conforme a linha adotada pela jurisprudência dos órgãos judiciais, impõese a ampla compreensão do teor daquela decisão. Tornase, assim, inadmissível a simples reprodução de seu texto decisório, dissociada de uma análise completa do precedente judicial. Pois bem, no presente caso, a análise detida do inteiro teor do referido acórdão, associada ao conhecimento das decisões que se seguiram reiteradamente da mesma Fl. 1053DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13433.25AR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.002408/9871 Acórdão n.º 9100000.216 CSRFPL Fl. 948 8 Corte, revelam que a aludida decisão do STJ não colide com o disposto no art. 173, inciso I do CTN, que continua recebendo a mesma interpretação. Em primeiro lugar, é necessário verificar qual o contexto da argumentação em que o Ministro relator proferiu a afirmação de que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. Verificase com clareza que a manifestação neste sentido vem em resposta às razões da Recorrente (INSS), conforme destacado no relatório do Ministro Luiz Fux, verbis: “(...) Nas razões do especial, sustenta a autarquia previdenciárias que o acórdão hostilizado incorreu em violação dos artigos 150, § 4º, e 173, I, do CTN, uma vez que: ‘Nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, o prazo para a homologação do lançamento é de 5 (cinco) anos. Assim, como o prazo para a constituição do crédito tributário se inicia no primeiro dia seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o prazo de decadência, nos tributos sujeitos a lançamentos por homologação, inexistente o pagamento, é de 10 (dez) anos, e não 5 (cinco), como equivocadamente concluiu o Tribunal a quo.” (destacouse) A Autarquia sustentava a tese de que o prazo previsto no art. 173, I do CTN, somente teria início após o decurso dos cinco anos para o lançamento por homologação, o que implicaria considerar o prazo de dez anos a contar da data do fato gerador. Precisamente ante a esta alegação da Recorrente (INSS), o acórdão do STJ buscou refutar o entendimento de que o termo inicial da decadência para o lançamento de ofício somente se iniciaria após o lapso do prazo quinquenal para a homologação tácita, tendo assentado o seguinte: “(...) O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, verbis: (...) Assim é que o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (...) Outrossim, impende assinalar que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do Fl. 1054DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13433.25AR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.002408/9871 Acórdão n.º 9100000.216 CSRFPL Fl. 949 9 exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed. Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed. Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed. Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199. (destacouse) O que resta claro das partes transcritas e destacadas do teor da decisão é que, ao mencionar que o dies a quo, segundo o art. 173, I, do CTN, corresponderia ao primeiro dia do exercício seguinte ao fato imponível, quis o STJ afastar a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Código Tributário. Este é o conteúdo assentado no acórdão, que se torna evidente com a leitura completa do parágrafo. Devese ressaltar que nenhum dos autores citados pelo acórdão (Alberto Xavier, Luciano Amaro e Eurico Marcos Diniz de Santi) defende que o termo inicial para a contagem do prazo da decadência, de acordo com o art. 173, I, seja o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Isto torna prejudicada a compreensão do acórdão, no sentido do voto vencido, quando se toma o seu desfecho de forma não contextualizada. Ademais, cumpre ainda aduzir que as decisões seguintes proferidas pelo Tribunal vem seguindo o entendimento ora defendido, em aparente contradição ao texto do aludido acórdão no recurso repetitivo. A contradição é apenas aparente, pois, consideradas no seu âmago, as decisões não colidem com o disposto no art. 173, I do CTN. As duas turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, mesmo após o referido julgamento, vêm reiteradamente aplicando de forma correta o art. 173, I, do CTN, merecendo destaque a expressa referência de que este foi o entendimento assentado no aludido Resp nº 973.733/SC. Confirase: “TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. ATRASO NO PAGAMENTO DAS PARCELAS. RESCISÃO ADMINISTRATIVA. 1. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos casos de lançamento de ofício, contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ele poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inciso I). Tal entendimento foi solificado no STJ quando do julgamento do Resp nº 973.733/SC, julgado em 12.08.2009, relatado pelo Min. Luiz Fux e submetido ao rito reservado aos recursos repetitivos (CPC, ART. 543C). 2. Parcelado o débito sob a égide da MP 38/2002, o atraso de mais de duas parcelas implica em imediata rescisão da avença administrativa, nos termos do art. 13, parágrafo único, da Lei nº 10.522/02, vigente à época da ocorrência dos fatos. Agravo regimental improvido.” Fl. 1055DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13433.25AR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.002408/9871 Acórdão n.º 9100000.216 CSRFPL Fl. 950 10 (AgRg no Resp 1219461/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 07.04.2011, Dje 14.04.2011) (destacouse) A Primeira Turma da Primeira Seção do STJ, em sessão realizada quando o Min. Luiz Fux, ainda compunha o referido colegiado, manifestou o mesmo entendimento, verbis: “TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. INOVAÇÃO DE FUNDAMENTOS. INCABIMENTO. DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÁQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Em sede de agravo regimental, não se conhece de alegações estranhas às razões do recurso especial, por vedada a inovação de fundamento. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme em que, no caso de imposto lançado por homologação, quando há prova de fraude, dolo ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). 3. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Resp 1050278/RS, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, julgado em 22.06.2010, Dje 03.08.2010) (destacouse) Como se verifica das partes destacadas nas decisões acima, ambas as turmas da Primeira Seção do STJ vêm se manifestando no sentido de que, na forma art. 173, I, do CTN, o termo inicial para a contagem do prazo da decadência é sem dúvida o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não se tratando, pois, de alteração no entendimento, mas espécie de “interpretação autêntica” do teor do acórdão do repetitivo, manifestada em sequência, pelos mesmos ministros daquela Corte. Portanto, à luz destas considerações, concluise que: i) o disposto no art. 62A não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática e jurídica que ensejou a decisão do precedente judicial; ii) a finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil; iii) e que a contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo. (...)” Fl. 1056DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13433.25AR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.002408/9871 Acórdão n.º 9100000.216 CSRFPL Fl. 951 11 Diante de tão bem fundamentadas razões, verifico que no caso dos autos não houve pagamento e que a data da ciência autuação foi de 31 de março de 1.998. (fl. 801) e os fatos geradores ocorreram 31 de dezembro de 1.992. (fl. 800). Logo, por força das disposições do art. 173, I, do CTN, o direito de lançar extinguirseia com o transcurso do lapso de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), ou seja, o lançamento poderia ter sido efetuado até 31 de dezembro de 1998. A contribuinte foi cientificada da autuação em 31 de março de 1998 (fls. 638), portanto, antes de esgotado o prazo decadencial. Por tais fundamentos, DOU provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para afastar a arguição de decadência e determinar o retorno dos autos à Câmara ordinária para apreciação das demais razões do recurso voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 1057DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13433.25AR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. 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Numero do processo: 18471.003411/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO
O Recurso Voluntário, nos termos da legislação vigente, deve ser apresentado no prazo de 30 dias, contados da data de recebimento da intimação da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A apresentação após transcorrido aquele prazo, impõe o não conhecimento do Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF.
Numero da decisão: 1302-002.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO O Recurso Voluntário, nos termos da legislação vigente, deve ser apresentado no prazo de 30 dias, contados da data de recebimento da intimação da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A apresentação após transcorrido aquele prazo, impõe o não conhecimento do Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 34 11 /2 00 8- 31 Fl. 341DF CARF MF 2 Relatório Tratase o presente processo administrativo de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte, Cartório Express Ltda., ora Recorrente, através do qual foram constituídos créditos tributários de IRPJ, PIS, Cofins e CSLL. No Auto de Infração foi apontada a manutenção, no passivo, de obrigações não comprovadas, a ensejar omissão de receitas, nos termos da legislação, bem como de glosa de despesas, que não foram consideradas como dedutíveis pela fiscalização. Devidamente intimado da autuação, o Recorrente apresentou impugnação administrativa, que foi analisada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ), nos termos do acórdão de fl. 213. Nos termos da ementa abaixo transcrita, foi dado parcial provimento à Impugnação apresentada. Confirase: No acórdão proferido constou, ainda, os valores que seriam devidos pelo contribuinte, tendo em vista o acatamento parcial das razões lançadas em impugnação. Transcrevese: "DAR provimento PARCIAL à impugnação, para considerar devido o valor de R$21.893,18 em Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); e R$8.395,34 em Contribuição Fl. 342DF CARF MF Processo nº 18471.003411/200831 Acórdão n.º 1302002.912 S1C3T2 Fl. 342 3 Social sobre o Lucro (CSLL), todos acrescidos de multa de ofício de 75% e encargos moratórios." Nos termos do AR de fls. 227, houve a tentativa de intimação do contribuinte da decisão proferida. Contudo, esta intimação se viu frustrada, uma vez que foi atestado pelos Correios que a "firma mudouse". Desta feita, foi proferida a intimação, via edital do contribuinte, como se depreende das fl. 229 dos autos. O contribuinte teve acesso aos autos em 18/08/2010, quando solicitou cópia do processo administrativo (comprovante fl. 251). Ato continuo, apresentou Recurso a este Conselho Administrativos de Recursos Fiscais em 27/08/2010, alegando, em síntese, que houve suposto erro na Receita Federal do Brasil nos cálculos realizados. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator Como se depreende dos autos, o Recorrente foi intimado, via AR, nos termos do comprovante de fls. 227, contudo, a intimação não foi efetivada. Assim, a intimação se deu por edital, como se denota das fls. 229 dos autos. O edital foi publicado em 08 de março de 2010, sendo considerado o 15º dia como início da contagem do prazo de 30 dias para apresentação do Recurso Voluntário pelo contribuinte. Considerando que o 15º dia se deu em 23/03/2010, o prazo fatal para o manejo do Recurso Voluntário seria no dia 22/04/2010. Entretanto, nos termos do comprovante de fl. 255, o Recurso Voluntário só foi protocolizado no dia 27/08/2010, ou seja, após extrapolado o prazo de 30 dias estipulado pela legislação para apresentação do referido recurso. Devese ressaltar que, nas razões recursais, o Recorrente não tece qualquer argumento acerca da tempestividade do Recurso ou de eventuais falhas/vícios na intimação por edital, se atendo a repisar os argumentos apresentados em sede de Impugnação, que, como mencionado, foram acatados em parte pela Delegacia de Julgamento. Como é sabido, o art. 33 do Decreto 70.235/72 determina que o contribuinte deverá apresentar Recurso Voluntário no prazo de 30 dias, contados do recebimento da intimação do acórdão proferido pela DRJ. Confirase a redação do dispositivo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 343DF CARF MF 4 Por outro lado, o Decreto 70.235/72, assim estipula a forma de contagem dos prazos no âmbito do contencioso administrativo fiscal: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No caso em apreço, é incontroverso que o Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário depois de transcorridos 30 dias, contados do recebimento da intimação, via edital, do Acórdão proferido pela DRJ. Desta feita, o recurso não deve ser conhecido, uma vez que intempestivo, à luz do que determina os preceitos do citado artigo 33 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 344DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.901133/2008-06
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
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Se esta não ocorrer, prevalece o lançamento original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0727.793, da 3ª Turma da DRJ/FNS, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o despacho decisório que não homologou a Declaração de Compensação, transmitida pelo Programa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 11 33 /2 00 8- 06 Fl. 269DF CARF MF 2 PER/DCOMP, n°24450.27190.310304.1.3.044127, de crédito relativo a pagamento a maior de IRPJ, cujo voto, reproduzo, a seguir: Voto A manifestação de inconformidade preenche os requisitos legais de admissibilidade; dela conheço. Em análise do arguido, constatase que não assiste razão à interessada. O motivo da não homologação da compensação consta, sim, do Despacho Decisório, e é muito singelo: o DARF informado na DCOMP pela interessada não foi encontrado nos sistemas da Receita Federal, razão pela qual não foi possível confirmar a existência do crédito informado, a título de pagamento indevido ou a maior. Como se vê, a interessada informou em sua DCOMP que teria crédito referente a pagamento indevido ou a maior e indicou o DARF que corresponderia ao aludido pagamento. Entretanto, se não há registro do DARF, não é possível reconhecer o crédito. Como não poderia ser diferente, a interessada compreendeu, sim, a motivação do Despacho Decisório, pois revela agora que o DARF, em verdade, não existe, tendo incorrido em erro ao informálo na DCOMP. Alega que o crédito seria referente a “prejuízo fiscal de IRPJ de 2001”. Deste modo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, ante à clara demonstração de que a interessada exerceu plenamente o seu direito de defesa. A menção de dispositivos legais que regulam o direito à compensação, deve se ao fato de que um dos pressupostos deste direito é a existência de crédito do contribuinte contra a Fazenda Pública. Portanto, na inexistência desse crédito, o contribuinte obviamente não poderá invocar este direito. É preciso esclarecer também que no regime de compensação por DCOMP, regulado pela Instrução Normativa SRF nº 210/2002, e IN editadas posteriormente, não existe previsão para utilização de prejuízo fiscal. Por outro lado, se o crédito referirse, em verdade, a “saldo negativo de IRPJ” ou a outro crédito que seja passível de ser compensado por meio de DCOMP, caberia à interessada apresentar regularmente a respectiva DCOMP, pois a adoção de outro crédito que não aquele indicado na DCOMP objeto do Despacho Decisório, corresponde a uma nova DCOMP. Por sua vez, a competência para aferir em primazia a regularidade da nova DCOMP é do titular da delegacia que tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do interessado, conforme já prescrevia o caput do art. 31 da IN SRF nº 210/2002: Art. 31. A decisão sobre o pedido de restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração. Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do sujeito passivo. (Redação dada pela IN SRF 323, de 24/04/2003) A esta instância julgadora compete apreciar manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pelas autoridades administrativas referidas no dispositivo supra. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10983.901133/200806 Acórdão n.º 1001000.674 S1C0T1 Fl. 3 3 No caso em concreto, a compensação constante da DCOMP objeto do Despacho Decisório recorrido, não poderia mesmo ser homologada por inexistir o crédito informado, a título de pagamento indevido ou a maior, como admitiu a própria interessada. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada . Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente alega, basicamente, que: · No anocalendário 2001, apurou e recolheu IRPJ nos meses de janeiro R$ 35.131,45 e fevereiro R$ 20.664,97. Contudo, ao final do exercício ano calendário 2001, apurou saldonegativo de IRPJ no montante de R$ 55.796,42, conforme demonstrado na sua Declaração de Imposto de Renda 2002 ano calendário 2001 (anexo DOC. 05), e nas Demonstrações Contábeis do período (anexo DOC. 07 e DOC. 08). · No ano de 2004, a ora Recorrente apurou IRPJ a pagar, e assim, apresentou Pedido de Compensação desses débitos, com o saldonegativo apurado no anocalendário 2001, conforme DCOMP's: n° 15048.17612.270204.1.3.040497, n° 24450.27190.310304.1.3.044127, n° 19839.75569.020606.1.7.041881 e demonstrado na tabela abaixo: ... · A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, arguindo erro formal de preenchimento do pedido de compensação, tendo em vista, que o crédito objeto da compensação não advinha de "pagamento indevido ou a maior", como informado na PER/DCOMP, e sim, advinha de basenegativa de IRPJ, anocalendário 2001. · Sobreveio Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, Fl. 271DF CARF MF 4 definindo, em síntese, que não houve cerceamento de defesa, e no mérito que no regime de compensação pelo programa PER/DCOMP, regulado pela Instrução Normativa 210/2002, e posteriores, não prevêem a utilização de base de cálculo negativa de IRPJ. Ainda, que se o crédito referiase a "saldo negativo de IRPJ", ou a outro crédito que fosse passível de compensação por meio de DCOMP caberia a ora Recorrente, apresentar regularmente a respectiva DCOMP. Assim, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. · II.I DA NULIDADE POR AUSÊNCIA DE CAPITULAÇÃO LEGAL · em preliminares, argumenta nulidade por ausência de capitulação legal, É flagrante o erro contido no acórdão recorrido que, a exemplo do despacho decisório, não promoveu o enquadramento legal, de modo que omitiu a legislação que substanciaria a suposta irregularidade cometida. Por esta razão, a ora Recorrente carece de elementos capazes e suficientes para precisar a real motivação da não homologação do pedido de compensação de débitos de IRPJ, pleiteado pela ora Recorrente no presente processo administrativo, de modo que está obstada de exercer o seu direito de defesa de forma plena (cita acórdãos do extinto Conselho de Contribuintes) · II.II DA FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA DECISÃO · O Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, assim como, o Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, já citados, simplesmente, não vieram acompanhados de nenhuma fundamentação motivacional/legal, reconhecendo, apenas, a forma pela qual a ora Recorrente realizou a compensação. Depreendese com isto que, não descreveu a fundamentação da cobrança anexada ao Parecer, ou seja, os motivos e dispositivos legais que dariam guarida a tal decisão. · Faltaram, assim, os elementos de convicção da cobrança, os elementos fáticos ocorridos e o motivo da inexistência de crédito, retirando, por conseqüência, a segurança jurídica da Recorrente. · Destarte, além de tornarse inócua, prejudica a defesa recursal do Contribuinte, cerceando sua defesa, uma vez que não restam respeitados os princípios da ampla defesa e do contraditório, Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10983.901133/200806 Acórdão n.º 1001000.674 S1C0T1 Fl. 4 5 defendidos pela Constituição Federal, sob pena de serem considerados nulos pela falta de elemento essencial à sua formação (cita: a Lei 9.784/99, artigos 2° e 50 ; Constituição Federal de 1988 art. 5°, inciso LV). Em razões de direito, argumenta que: · Ao final do exercício 2001, na apuração de ajuste, a ora Recorrente não apurou IRPJ a recolher, restando assim, os pagamentos a título de IRPJ, como saldo negativo do período. · No dia 02 de junho de 2006, a ora Recorrente transmitiu a declaração de compensação, DCOMP n°: 24450.27190.310304.1.3.044127, pleiteando a compensação de débitos de IRPJ apurados em janeiro de 2004, no valor de R$ 1.285,01, com créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ, apurados no exercício 2001. · Porém, ao preencher a declaração de compensação, a empresa informou como origem do crédito, DARF de pagamento indevido ou a maior IRPJ, no valor de R$ 1.272,29 (anexo DOC. 04), o qual atualizado montava em R$ 1.285,01. · Ocorrendo assim, um erro no procedimento interno, onde na DCOMP foi informado um crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, ao invés de saldonegativo de IRPJ apurado em exercícios anteriores. · A recorrente, conforme mencionado no acórdão da DRJ, acima transcrito, não procedeu à retificação da DCTF, que teria sido preenchida incorretamente, dela constando o valor original do débito confessado. A recorrente anexou (ao recurso) cópias de DARF, balancete, e demonstrativo, onde apresenta os valores recolhidos e a recuperar e o saldo supostamente a recuperar. · No entanto, a DRJ manifestou a sua posição de que a recorrente deveria ter anexado outros documentos contábeis, conforme afirma (peço a devida vênia para reproduzir novamente): · Primeiro, constatase que a DCTF apresentada demonstra o tributo declarado no valor de R$62.861,20, ou seja, precisamente o montante que foi recolhido por meio do DARF. Segundo, a mera apresentação da Ficha l2A Cálculo do imposto de Renda sobre o Lucro Real, da DIPJ/2004, por si só, não se mostra suficiente para comprovar a ocorrência do erro invocado. Ou seja, deveriam constar nos autos cópias da escrita contábil e fiscal do interessada, hábeis para demonstrar a apuração do IRPJ referente ao 4° trimestre de 2003, e para deixar o julgador convicto de que efetivamente ocorreu o erro na apuração do tributo que teria resultado no pagamento a maior. Fl. 273DF CARF MF 6 · O erro de preenchimento tratase de um mero vício formal, suscetível de ser remediado, não afetando a substância do ato e legitimidade do direito creditório da ora Recorrente. · Desta forma, não só em respeito da verdade material, princípio que norteia os processos administrativos, mas em observância dos princípios da moralidade e da eficiência administrativa consagrado no art. 37 da Constituição da República , é razoável e proporcional que o r. acórdão seja reformado, para o fim de reconhecer a legitimidade dos créditos informado no PER/DCOMP n° 24450.27190.310304.1.3.044127. · Por fim, requer: · a) Preliminarmente, que seja determinada a reforma do Acórdão recorrido, face às irregularidades do despacho decisório acima expostas, determinando à Autoridade Fazendária de origem que proceda a nova análise da compensação; · b) Caso não acolhido o pedido anterior, no mérito, requer que o presente Recurso Voluntário seja julgado procedente, para que seja reformada a decisão recorrida e, por corolário, homologada a compensação declarada na PER/DCOMP n° 24450.27190.310304.1.3.044127, visto que devidamente comprovada a existência do crédito utilizado na DCOMP em apreço. · c) Sucessivamente, caso não seja este o melhor entendimento, requer que seja declarada a existência do saldonegativo de IRPJ relativo ao exercício de 2001, no valor de R$ 55.796,42 (cinquenta e cinco mil, setecentos e noventa e seis reais e quarenta e dois centavos), considerando o pagamento indevido ou a maior, conforme Documentos de Arrecadação de Receitas Federais DARF, bem como, na DIPJ, ano Inicialmente, entendo que não houve cerceamento do direito de defesa, como preconizado pela recorrente.O citado artigo 59 do Decreto 70.235/72, dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não entendo que tenha havido a preterição ao direito de defesa, visto que tanto o despacho decisório como a decisão da DRJ foram suficientemente claros que proporcionaram à própria recorrente identificar o problema, não tendo havido preterição do direito de defesa. A própria recorrente argumentou na manifestação de inconformidade que não havia um DARF, correspondente ao indébito, posto que este era originário de prejuízo fiscal (sic), conforme mencionado no acórdão da DRJ: Como se vê, a interessada informou em sua DCOMP que teria crédito referente a pagamento indevido ou a maior e indicou o Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10983.901133/200806 Acórdão n.º 1001000.674 S1C0T1 Fl. 5 7 DARF que corresponderia ao aludido pagamento. Entretanto, se não há registro do DARF, não é possível reconhecer o crédito. Como não poderia ser diferente, a interessada compreendeu, sim, a motivação do Despacho Decisório, pois revela agora que o DARF, em verdade, não existe, tendo incorrido em erro ao informálo na DCOMP. Alega que o crédito seria referente a “prejuízo fiscal de IRPJ de 2001”. Consoante a Instrução Normativa RFB 1.717/2017, em seu artigo 66 a 68, dispõem que: Art. 66. A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. Parágrafo único. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Art. 67. Os débitos do sujeito passivo serão compensados na ordem por ele indicada na declaração de compensação. Art. 68. O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB desde que, à data da apresentação da declaração de compensação: I o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, proferida pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil; ou II se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Parágrafo único. O sujeito passivo poderá apresentar declaração de compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Assim, a PER/DCOMP constitui confissão de dívida e, no caso da recorrente, deveria ter sido objeto de retificação. Em não havendo, prevalece o que confessado na originalmente entregue. Veja o que diz o Parecer Normativo COSIT 2/2015: 14.2. Via de regra, objetivando dar maior celeridade ao processo, a análise deste PER/DCOMP é feita eletronicamente, de forma automática, mediante “batimento” das informações contidas no PER/DCOMP com os dados dos sistemas da RFB, inclusive os declarados em DCTF. 14.3. Após a análise preliminar do PER/DCOMP, encontrada alguma inconsistência entre essas informações, é dada ao sujeito Fl. 275DF CARF MF 8 passivo a oportunidade de verificar as informações prestadas à RFB e corrigilas, se for o caso – tratase do serviço denominado Autorregularização. De acordo com a Nota Corec nº 30, de 2013, o acompanhamento do processamento eletrônico do PER/DCOMP motivou a disponibilização desse serviço, tendo em vista a observação de que uma parte das decisões proferidas de forma automática, e posteriormente levada ao contencioso, era decorrente de erros cometidos pelos contribuintes no preenchimento do próprio PER/DCOMP ou das declarações que embasavam as informações nele contidas. 14.4. Com a disponibilização do serviço de Autorregularização, dáse ao contribuinte, nos casos por ela contemplados, a possibilidade de, previamente à emissão do despacho decisório, tomar conhecimento da análise completa do direito creditório, que pode ser por ele consultada pelo eCAC durante o prazo improrrogável concedido para autorregularização (45 dias a partir da data de envio da mensagem para sua caixa postal). 14.5. A partir dessa análise preliminar, caso se identifiquem erros nas informações prestadas no PER/DCOMP ou em outras declarações (como a DCTF), o contribuinte terá oportunidade de corrigilos pela sua retificação ou, ainda, pelo cancelamento do PER/DCOMP. 14.6. Findo o prazo concedido para autorregularização, a análise automática do direito creditório será novamente realizada, considerando os elementos atualizados que a embasam. Mantidos o reconhecimento parcial ou não reconhecimento do direito creditório ou constatada a insuficiência para homologação da compensação, será emitido despacho decisório. 14.7. Caso não seja detectada nenhuma inconsistência ou esta tenha sido sanada por ocasião da autorregularização, o sistema homologa automaticamente o PER/DCOMP. 14.8. A análise eletrônica do PER/DCOMP equivale àquela executada manualmente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de jurisdição do sujeito passivo; inclusive o despacho decisório emitido eletronicamente apresenta a assinatura eletrônica do titular da DRF. 14.9. Com isso, o despacho decisório, sendo eletrônico ou não, é conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório e finaliza a etapa de análise do processo de reconhecimento do crédito fiscal do sujeito passivo, de competência da DRF de sua jurisdição. (grifei) Portanto, as regras são suficientemente claras e a recorrente teve toda as oportunidades de retificar a declaração originalmente entregue. Releva ressaltar, que não cabe nenhuma restrição à decisão da DRJ que analisou e respondeu aos exatos argumentos apresentados pela recorrente quando de sua manifestação de inconformidade onde fez afirmações que não correspondiam à realidade (afirmou que se tratava de crédito oriundo de prejuízo fiscal). Assim,rejeito as preliminares para, no mérito, negar provimento ao presente recurso, crédito tributário negado. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10983.901133/200806 Acórdão n.º 1001000.674 S1C0T1 Fl. 6 9 É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13401.000003/2010-52
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 1. 00 00 03 /2 01 0- 52 Fl. 98DF CARF MF 2 O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre despesas médicas, questão de prova, convencimento em relação aos documentos apresentados. Contribuinte apresentou recibos e declarações dos profissionais. Lançamento, mediante notificação e posteriormente despacho decisório fundamentou recusa de documentos por falta de endereço, nome do paciente e em relação à glosa de plano de saúde a pagamento a dependente que entregou declaração em separado. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. A falta de indicação do nome do paciente, em recibo emitido em nome da contribuinte, sem nenhuma investigação, sem nenhuma indicação de que não se trata a contribuinte a paciente, não se afigura motivo para não aceitação do documento. Constituise prática comum a emissão de recibos dessa maneira. A recusa deve apresentar alguma indicação de falta de idoneidade no documento. Não foi o casao. A falta de endereço no documento, como motivo para recusa, prendese a formalismo que poderia a mais das vezes ser suprido por simples pesquisa. Da mesma forma não inquina o documento de nenhuma inidoneidade. Em relação a pagamento de plano de saúde suportado pela contribuinte, para pessoa dependente, ou que poderia ser dependente na declaração, entendemos da mesma forma que a própria Receita Federal entendia até o ano de 2007: não há vedação legal para pagamento dessas despesas, conforme se verifica na leitura do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n 3000, de 1999: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Iaplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13401.000003/201052 Acórdão n.º 2001000.549 S2C0T1 Fl. 3 3 IIrestringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; IIIlimitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IVnão se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; Vno caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. §2ºNa hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. §3ºConsideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. §4ºAs despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. §5ºAs despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). E se as despesas médicas se enquadram nas condições acima, podem ser deduzidas. Em argumentação geral, os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Fl. 100DF CARF MF 4 Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13401.000003/201052 Acórdão n.º 2001000.549 S2C0T1 Fl. 4 5 E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; Fl. 102DF CARF MF 6 X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10425.720750/2017-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
CONTRIBUIÇÃO PATRONAL E DOS SEGURADOS VINCULADOS AO RGPS. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestam serviços à empresa.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ALÍQUOTA.
A alíquota para custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT) aplicável à Administração Pública em geral é de 2% (dois por cento), para fatos geradores ocorridos no período de vigência do Decreto 6.042/07.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO PRESTAR TODAS AS INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS, BEM COMO OS ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS À FISCALIZAÇÃO.
Constitui infração deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
AFERIÇÃO INDIRETA - POSSIBILIDADE - A apuração do crédito previdenciário por aferição indireta na hipótese de não apresentação de documentos ou informações solicitados pela fiscalização é aplicável, devendo a autoridade fiscal lançar o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º º, da Lei 8.212/91.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA
Não restando cabalmente demonstrada a existência de dolo, fraude ou simulação não há que se aplicar a multa qualificada.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Não será deferido o pedido de prova pericial ou diligência quando se mostram desnecessários e protelatórios. Estando presentes nos autos os elementos para a formação da convicção do julgador, tal pretensão não pode ser acatada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-005.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (a) por maioria de votos, entender devolvida ao CARF, para julgamento, a questão da qualificação da multa; vencido o conselheiro João Mauricio Vital, que entendia não devolvida a questão; (b) por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a qualificação da multa; vencido o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, por entender devida a referida qualificação.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Sávio Nastureles
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL E DOS SEGURADOS VINCULADOS AO RGPS. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestam serviços à empresa. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ALÍQUOTA. A alíquota para custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT) aplicável à Administração Pública em geral é de 2% (dois por cento), para fatos geradores ocorridos no período de vigência do Decreto 6.042/07. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO PRESTAR TODAS AS INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS, BEM COMO OS ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS À FISCALIZAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. AFERIÇÃO INDIRETA - POSSIBILIDADE - A apuração do crédito previdenciário por aferição indireta na hipótese de não apresentação de documentos ou informações solicitados pela fiscalização é aplicável, devendo a autoridade fiscal lançar o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º º, da Lei 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Não restando cabalmente demonstrada a existência de dolo, fraude ou simulação não há que se aplicar a multa qualificada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não será deferido o pedido de prova pericial ou diligência quando se mostram desnecessários e protelatórios. Estando presentes nos autos os elementos para a formação da convicção do julgador, tal pretensão não pode ser acatada. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) por maioria de votos, entender devolvida ao CARF, para julgamento, a questão da qualificação da multa; vencido o conselheiro João Mauricio Vital, que entendia não devolvida a questão; (b) por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a qualificação da multa; vencido o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, por entender devida a referida qualificação. (assinado digitalmente) João Bellini Junior- Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Sávio Nastureles
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REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestam serviços à empresa. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ALÍQUOTA. A alíquota para custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT) aplicável à Administração Pública em geral é de 2% (dois por cento), para fatos geradores ocorridos no período de vigência do Decreto 6.042/07. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO PRESTAR TODAS AS INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS, BEM COMO OS ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS À FISCALIZAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. AFERIÇÃO INDIRETA POSSIBILIDADE A apuração do crédito previdenciário por aferição indireta na hipótese de não apresentação de documentos ou informações solicitados pela fiscalização é aplicável, devendo a autoridade fiscal lançar o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º º, da Lei 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 07 50 /2 01 7- 11 Fl. 758DF CARF MF 2 Não restando cabalmente demonstrada a existência de dolo, fraude ou simulação não há que se aplicar a multa qualificada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não será deferido o pedido de prova pericial ou diligência quando se mostram desnecessários e protelatórios. Estando presentes nos autos os elementos para a formação da convicção do julgador, tal pretensão não pode ser acatada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) por maioria de votos, entender devolvida ao CARF, para julgamento, a questão da qualificação da multa; vencido o conselheiro João Mauricio Vital, que entendia não devolvida a questão; (b) por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a qualificação da multa; vencido o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, por entender devida a referida qualificação. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Sávio Nastureles Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) lavrado contra o contribuinte acima identificado, por descumprimento de obrigações tributárias principais e acessórias, correspondentes as contribuições sociais patronais e dos segurados decorrentes de remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais autônomos não transportadores no período de 1/2013 a 12/2013. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 101 a 130) o Município de Campina Grande possui Sistema Próprio de Previdência para seus servidores efetivos, instituído pelas Leis 2.621/93 e 2.800/93, reestruturado pela Lei Complementar 45/2010 e gerido pelo Instituto de Previdência e Assistência Social dos Servidores Públicos Municipais de Campina Grande/PB (IPSEM). Informa ainda que o Município apresenta arquivos digitais de folha de pagamento faltando remunerações, desobedecendo ao que determina o Regulamento da Previdenciária Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, mais precisamente o art. 225, inciso I. Fl. 759DF CARF MF Processo nº 10425.720750/201711 Acórdão n.º 2301005.347 S2C3T1 Fl. 759 3 Não consta nas GFIP entregues informações de contribuintes individuais, o que levou ao aferimento dos empenhos de prestador de serviço pessoa física, a partir do histórico, analisando se há fato gerador de contribuição social. Que o valor do débito apurado corresponde a diferença entre a GFIP e o resumo de folha de pagamento da Prefeitura, Fundo de Assistência Social (aferida indiretamente com base nos dados informados em empenhos de natureza 4 – contratos temporários, tendo em vista que o contribuinte não entregou a folha de pagamento, descontando os valores informados em GFIP) e Fundo Municipal de Saúde (aferida indiretamente em face de não apresentação de folha de pagamento consolidada). Apresenta os valores e as alíquotas aplicadas e informa que a multa de ofício foi qualificada com base no art. 44, da Lei 9.430/96, em face de sonegação de contribuição previdenciária Após a apresentação de impugnação a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) julgou procedente o lançamento (fls. 702 a 714) através do Acórdão 1543.666 7ª Turma da DRJ/SDR com seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL E DOS SEGURADOS VINCULADOS AO RGPS. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestam serviços à empresa. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ALÍQUOTA. A alíquota para custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT) aplicável à Administração Pública em geral é de 2% (dois por cento), para fatos geradores ocorridos no período de vigência do Decreto 6.042/07. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO PRESTAR TODAS AS INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS, BEM COMO OS ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS À FISCALIZAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 LANÇAMENTO FISCAL. AFERIÇÃO INDIRETA. Fl. 760DF CARF MF 4 Havendo qualquer demonstração de recusa por parte do contribuinte de apresentar os documentos e/ou livros solicitados pela fiscalização ou de que os documentos contábeis apresentados não registram o movimento real da remuneração dos segurados, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo ao órgão público o ônus da prova em contrário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência quando não preenchidos os requisitos previstos na legislação. Ademais, há de se indeferir o pedido de prova pericial ou diligência quando se mostram desnecessários e protelatórios. Estando presentes nos autos os elementos para a formação da convicção do julgador, tal pretensão não pode ser acatada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com referida decisão o contribuinte apresentou recurso a este conselho onde alega em síntese: Que durante a ação fiscal a recorrente apresentou todas informações acerca dos seus funcionários e foi com base nessas informações que o auditor fiscal pode aferir todas as remunerações. Foram entregues o MANAD fiscal, as folhas de pagamentos de gratificação dos contratados e dos comissionados e os empenhos que comprovam os pagamentos destes, bem como todas as informações que foram solicitadas pelo auditor, não podendo assim ser alegada hipótese de sonegação ou falta de informação durante a ação fiscal. Afirma que o durante do procedimento fiscal, também foram apresentados ao nobre auditor, as GFIP's que foram produzidas pela Prefeitura autuada onde demonstra que todos os celetistas e contratados desta prefeitura estão sendo informado rigorosamente nas referidas GFIP's e que as pessoas na qual o auditor alega que houve omissão ou falta de informação, são exatamente os funcionários públicos concursados, funcionários esses que não podem ser informados nesta Guia de Informação a Previdência Social, pois os mesmos já tem suas contribuições vinculadas ao IPSEM Instituto de Previdência Social do Município de Campina Grande. Com relação à folha de pagamento, a PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINA GRANDE, segue os moldes exigível pela legislação em vigor, nos mais rigorosos padrões, com empresas gestoras do Software de folha de pagamento qualificadas para sua utilização. Em relação à Alíquota RAT Riscos Ambientais do Trabalho, que representa a contribuição da empresa, prevista no inciso II do artigo 22 da Lei 8212/91, e consiste em percentual que mede o risco da atividade econômica, com base no qual é cobrada a contribuição para financiar os benefícios previdenciários decorrentes do grau de incidência de incapacidade laborativa (GIILRAT) e que todas as pessoas inclusas na GFIP não são expostas a agentes nocivos e nem tampouco executam atividade de risco, pois todos os contratados da Prefeitura de Campina Grande exercem atividades de escritório, acessórias, dentre outros. No que se refere a autuação por suposto descumprimento de obrigação acessória entende que as alegações da Prefeitura corroboram com as alegações, na qual foi dito Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10425.720750/201711 Acórdão n.º 2301005.347 S2C3T1 Fl. 760 5 e reiterado neste, que a Prefeitura Municipal de Campina Grande em momento algum praticou omissão em fatos geradores nas GFIP's apuradas pelo procedimento fiscal. Reitera que as pessoas identificadas pela fiscalização como sendo celetistas em folhas de pagamentos e folhas de gratificação, em quase sua totalidade são funcionários públicos concursados e não se enquadram nas pessoas que devem ser informados em GFIP. Consta no processo fiscal, a portaria de nomeação das pessoas que foram identificadas como sendo celetistas da Prefeitura, quando na realidade essas portarias lhes dão o status de servidor publico, participando do sistema de previdência como estatutários, sendo abrigados a contribuir' somente para o Instituto de Previdência do Município IPSEM. Que em sendo essa a realidade não cabe falar em arbitramento nem tampouco nas alegações de omissão de valores ou de informações. Informa que a autuada é primaria na infração elencada, fato que reforça seu intuito de solucionar o quanto antes o impasse. Diante da situação descrita, a autuada ratifica a pretensão de extinção do crédito lançado através do presente Auto de Infração, requerendo a conseqüente desconsideração da multa referente a transgressão apurada. Requer o acolhimento de suas considerações para extinguir os créditos lançados ou, na impossibilidade de extinção do credito, requer que seja baixado em diligencia para averiguar os fatos e provas aqui elencados. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. A presente autuação foi lavrada contra o Município de Campina Grande em virtude de pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais que laboraram junto â Prefeitura Municipal, ao Fundo Municipal de Saúde e Fundo de Assistência Social do Município no período de 01/2013 a 12/2013. Consta do Relatório Fiscal que o Recorrente informou o RAT e o Fator Acidentário Previdenciário –FAP, na GFIP com valores incorretos, logo está cobrando esta diferença para a GFIP apresentada pela Prefeitura Municipal, Fundo Municipal de Saúde e Fundo de Assistência Social. Mencionase também que os dados colhidos do sistema SAGRES do Tribunal de Contas foram comparados, por amostragem, com as cópias dos documentos digitalizados de despesas e que após análise dos dados de folhas no formato do MANAD do Fundo Municipal de Saúde, referente aos servidores do regime geral INSS, que os dados informados não correspondem aos informados ao Tribunal de Contas do Estado da Paraíba – TCE, motivo do TIF nº 03, 04 e 05. Analisemos então as alegações do contribuinte. Fl. 762DF CARF MF 6 Da Obrigação acessória Entende a recorrente não ter cometido qualquer ação ou omissão capaz de ensejar a autuação por descumprimento de obrigação acessória por ter apresentado todas as informações necessárias à apuração das informações de seus funcionários, tanto celetistas quanto comissionados. Ocorre que, ao contrário do que entende o recorrente, tal fato por si só, não o exime do cumprimento de outras obrigações que deveria ter observado. A autuação teve por objeto o descumprimento à obrigação acessória prevista no art. 32, inciso III, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/99, em razão de o Município de Campina Grande – Prefeitura Municipal não ter prestado todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, referentes ao período autuado, ou seja, deixou de entregar a lista dos segurados que não tiveram desconto integral ou não tiveram nenhum desconto da contribuição previdenciária por possuírem vínculos com outros entes/empresas, com remunerações que ultrapassaram o limite máximo de saláriodecontribuição, junto com as declarações que permitiam os descontos parciais ou não descontos. Lei nº 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita Federal DRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Em assim agindo sujeitose a autuação por ter incorrido em tal infração à legislação previdenciária, foi aplicada a multa prevista no art. 283, inciso II, alínea “b” do Decreto 3.048/99, atualizada de acordo com as regras de reajuste estabelecidas no art. 102, da Lei 8.212/91 e art. 373 do Decreto 3.048/99; Das obrigações principais Da análise dos autos, constam discriminados todos os fatos geradores e os documentos que deram origem as contribuições sociais devidas, os períodos a que se referem e todos os dispositivos legais que embasam o presente lançamento, com planilhas que indicam as contribuições lançadas e suas bases de cálculo incidentes sobre as remunerações pagas a servidores vinculados ao RGPS, bem como a contribuintes individuais. Sobre a alíquota do CNAE, temos que o Decreto 3048/99 alterou o DECRETo 6042/2007 atribuindo a administração pública em geral o código CNAE 84116/00 com alíquota de 2%, diferente do que recolhia o recorrente. Conforme bem esclarecido na decisão de primeira instância; " A partir de 1/2010, a alíquota de contribuição de um, dois ou três por cento, destinada ao financiamento do benefício de aposentadoria especial ou daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, poderá ser reduzida, em até 50%, ou aumentada, em até 100%, conforme dispõe o art. 202A do Decreto 3.048/99, em razão do desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10425.720750/201711 Acórdão n.º 2301005.347 S2C3T1 Fl. 761 7 Logo, verificado o recolhimento a menor, correto o enquadramento pela fiscalização, haja vista que o contribuinte informou nas GFIP o índice, no campo "FAP", de 0,5, para período de 1/2013 a 31/12/2013, quando o certo seria o valor de 1,0, consoante legislação da época. Assim, correta a cobrança da diferença do RAT ajustado consoante planilha anexada (fls.118/119). Sobre a alegação de que a fiscalização incluiu na base de cálculo pessoas em folha de pagamento e de gratificação que seriam funcionários públicos concursados que não se enquadram no RGPS, utilizandose de dados do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE), temos a seguinte situação: O recorrente deixou de apresentar à fiscalização, entre outros documentos solicitados mediante TIPF e TIF 7, a lista dos segurados que não tiveram desconto integral ou não tiveram nenhum desconto da contribuição previdenciária por possuírem vínculos com outros entes/empresas, com remunerações que ultrapassaram o limite máximo de salário de contribuição, junto com as declarações que permitiam os descontos parciais ou não descontos. Já para o Fundo Municipal de Saúde e o Fundo de Assistência Social, a fiscalização utilizouse da aferição indireta haja vista a falta de apresentação da folha de pagamento consolidada (fl. 120 e 122). Logo, não restou outra alternativa à fiscalização, que se baseou nas informações oriundas do TCE, para lançar de ofício a importância que reputou devida, cabendo ao contribuinte provar o contrário, o que não ocorreu nos autos. Vejamos o que diz a legislação a esse respeito: Lei 8.212/91 Art.33. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Da Multa de Ofício Qualificada de 150% No tocante à multa qualificada, sua imposição é dependente da existência, por parte do contribuinte, do dolo de praticar a sonegação ou a fraude, nos termos dos arts. 71 a 73 da Lei 4.502, de 1964, em face da remissão efetuada pelo art. 44 da Lei 9.430, de 1996: Lei 9.430, de 1996 Fl. 764DF CARF MF 8 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei 4.502, de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. No caso em apreço, embora reconheça que o contribuinte não incluiu, ou incluiu erroneamente bases de cálculo de remunerações pagas ou creditadas no período fiscalizado, não vislumbro que tal fato tenha ocorrido de forma dissimulada capaz de atrair para si a qualificação da multa conforme preconiza os artigos acima mencionados. Do Pedido de Diligência A realização de diligência se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: “Lei 9.784/99 Art. 38. [...]§ 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.” “Decreto 70.235/72 Art. 16. [...]IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10425.720750/201711 Acórdão n.º 2301005.347 S2C3T1 Fl. 762 9 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” Caberia a recorrente ao apresentar a impugnação, produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Ao não fazêlo, deve ser mantido o lançamento, corroborado pela decisão de primeira instância. Ademais, assim como ocorreu durante o trâmite do presente processo administrativo, não foi apresentada nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade e que seria indispensável a realização de diligência. Voto Ante ao exposto Voto no sentido de Conhecer do Recurso para no mérito Darlhe Provimento Parcial apenas para que seja cancelada a qualificação da multa de ofício, mantendo o restante do lançamento incólume. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 766DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000427/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
FRETES. TRANSPORTE DE PRODUTOS SUJEITOS AO CRÉDITO PRESUMIDO. CRÉDITO INTEGRAL
A operação de compra de produtos sujeitos à sistemática de cálculo dos créditos presumidos do art. 8° da Lei n° 10.925/04, que não sofrem tributação pelo PIS e COFINS, é distinta e dissociável da relativa ao frete, integralmente tributável. Portanto, na primeira, há direito a créditos presumidos de PIS e COFINS, e, na segunda, ao crédito integral das contribuições.
Numero da decisão: 3301-004.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 FRETES. TRANSPORTE DE PRODUTOS SUJEITOS AO CRÉDITO PRESUMIDO. CRÉDITO INTEGRAL A operação de compra de produtos sujeitos à sistemática de cálculo dos créditos presumidos do art. 8° da Lei n° 10.925/04, que não sofrem tributação pelo PIS e COFINS, é distinta e dissociável da relativa ao frete, integralmente tributável. Portanto, na primeira, há direito a créditos presumidos de PIS e COFINS, e, na segunda, ao crédito integral das contribuições.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 FRETES. TRANSPORTE DE PRODUTOS SUJEITOS AO CRÉDITO PRESUMIDO. CRÉDITO INTEGRAL A operação de compra de produtos sujeitos à sistemática de cálculo dos créditos presumidos do art. 8° da Lei n° 10.925/04, que não sofrem tributação pelo PIS e COFINS, é distinta e dissociável da relativa ao frete, integralmente tributável. Portanto, na primeira, há direito a créditos presumidos de PIS e COFINS, e, na segunda, ao crédito integral das contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 04 27 /2 00 9- 53 Fl. 339DF CARF MF Processo nº 16349.000427/200953 Acórdão n.º 3301004.739 S3C3T1 Fl. 340 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "4. O processo em exame versa sobre pedido de ressarcimento de crédito de Pis relacionado a receitas de exportação, no montante de R$ 220.959,70, apurado no 1º trimestre de 2007, ao qual se acham vinculadas diversas declarações de compensação. 5. Em despacho decisório exarado nas fls. 232/251, a DERAT/SPO deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o crédito de R$ 211.367,91, e homologou até esse valor as compensações declaradas. 6. Intimada da decisão por via postal em 16/02/2012 (fl. 255), apresentou a contribuinte em 15/03/2012— tempestivamente portanto — a manifestação de inconformidade anexa às fls. 257/264, na qual alega em síntese que: a) "conforme reportado no item 13 acima, que a EQAUD excluiu R$ 3.140.707,31 da base de cálculo do crédito integral referentes a «serviços utilizados como insumos»"; b) "procedimento adotado pela EQAUD não se sustenta, urna vez que o credito presumido de que trata o art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004, aplicase, única e exclusivamente, sobre o valor de BENS adquiridos de pessoa fisica e/ou de cooperado pessoa fisica, nos termos do caput do art. 8°, como também sobre o valor de certos BENS adquiridos de pessoas jurídicas, nos termos dos incisos I a III do § 10 do mesmo art. 8° da Lei n° 10.925"; c) essa regra não se aplica ao valor dos serviços de transporte prestados por pessoas jurídicas (transportadoras), aos "quais se aplica o desconto do crédito integral pela aliquota de 1,65% prevista no art. 2° da Lei de regência". d) não incluiu no pedido de ressarcimento nenhum valor relativo a crédito presumido; e) "muito embora a EQAUD não questione/glose valores de crédito presumido indicados no DACON, até porque a Requerente não pleiteou, repitase, ressarcimento de credito presumido, é fato que o quadro apresentado no item 68 do relatório contem erro material, tendo em vista que os valores de crédito presumido indicados nas linhas "crédito presumido — 0,5775%" e "crédito presumido — 2,66%" resultam da aplicação dos referidos percentuais de 0,5775% (PIS) e 2,66% (Cofins) sobre os valores que estão indicados na linha BASE DE CÁLCULO do referido quadro e que correspondem à sorna dos valores obtidos pela EQAUD como componentes da base de cálculo do crédito integral"; f) "considerando, entretanto, conforme mencionado acima, que a Requerente não pleiteou ressarcimento de crédito presumido, qualquer diferença que a Requerente tivesse apropriado a maior, o que não foi o caso e que se coloca apenas para fins de compreensão da linha de argumentação, deverá ser discutida em procedimento administrativo apartado destes autos.” Fl. 340DF CARF MF Processo nº 16349.000427/200953 Acórdão n.º 3301004.739 S3C3T1 Fl. 341 3 7. Em remate, requer se defira a manifestação de inconformidade "com vistas à correta aferição do valor do crédito pleiteado a partir da reinclusão, na base de cálculo do crédito integral, de R$ 595.777,37 referentes a "serviços utilizados como insumos". 8. Em 01/08/2012 a interessada apresentou a petição anexa às fls. 273/278, na qual relata que a EQAUD, posteriormente, em Termo de Encerramento de Diligência de que tomou conhecimento em 11/05/2012, reconheceu a existência de "um erro nas planilhas de cálculo do credito presumido da laranja", salientando no entanto não haver necessidade de retificar os despachos decisórios porque o crédito presumido não fora objeto dos pedidos de ressarcimento. 9. Concluindo, afirma a defendente que, diante desse fato e em benefício da economia processual, "fica superada a necessidade de qualquer manifestação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo a respeito do tópico «CREDITO PRESUMIDO»". 10. É o relatório." A DRJ em São Paulo (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 1669.893, de 25 de agosto de 2015, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE NA COMPRA DE BENS A natureza do crédito relativo ao frete pago segue a natureza do crédito proveniente da aquisição do bem transportado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que repete os argumentos de defesa da tomada de créditos integrais sobre fretes incorridos no transporte de produtos sujeitos ao crédito presumido do art. 8° da Lei n° 10.925/04. Nas fls. 331 a 338, consta cópia da decisão judicial que determinou que o presente processo seja julgado no prazo de sessenta dias. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 16349.000427/200953 Acórdão n.º 3301004.739 S3C3T1 Fl. 342 4 Tratase de glosa de créditos de PIS do 1° trimestre de 2007, objetos de Pedido de Ressarcimento (PER), ao qual foram vinculadas Declarações de Compensação (DCOMP). A recorrente calculou créditos integrais sobre fretes incorridos para transporte de produtos sujeitos à sistemática de créditos presumidos do art. 8° da Lei n° 10.925/04. A fiscalização, por sua vez, entendeu que a regra aplicável ao produto transportado aplicase também ao frete cálculo de créditos presumidos e não integrais pois o frete tão somente gera créditos, porque é item componente do custo de aquisição do produto, nos termos do art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). A DRJ corroborou com este posicionamento. Em suas peças de defesa, a recorrente sustentou que: o entendimento da fiscalização não tem respaldo legal e viola o princípio da não cumulatividade; que o caput do art. 8° da Lei n° 10.925/04 dispõe que o cálculo do crédito presumido farseá sobre o valor dos bens adquiridos de pessoas físicas ou cooperativas, cujas vendas não são tributadas, abrangendo os valores dos fretes tão somente se o vendedor for também o responsável pelo transporte do produto, o que, todavia, não se verifica no caso em discussão; que as operações em tela (compra do produto e serviço de frete) são autônomas e contratadas com pessoas jurídicas distintas; diferentemente da venda do produto agroindustrial, a totalidade do valor do frete é tributável pelo PIS e COFINS; e cita o Acórdão CARF n° 3302001.916, de 29/01/2013. Concordo com a recorrente. O direito ao crédito do frete na aquisição de bens, já consagrado no âmbito do CARF, nasce do fato de o mesmo integrar o custo de aquisição do bem (art. 289 do RIR/99) e, em última análise, para atendimento ao princípio da não cumulatividade, que rege as Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Não obstante, tão somente há tal direito, em razão de o serviço de transporte de carga ser tributado pelo PIS e a COFINS. Caso contrário, seria vedado, nos termos dos incisos II dos §§ 2° dos artigos 3° das citadas leis. Apesar de o custo com frete ser acessório ao custo do bem, sob o ponto de vista das regras de creditamento, devem ser analisados individualmente. Assim, são operações distintas e dissociáveis, inclusive para os fins de que trata a presente contenda. Há ainda outra razão, sobre a qual inicio, reproduzindo o caput do art. 8° da Lei n° 10.925/04: "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, Fl. 342DF CARF MF Processo nº 16349.000427/200953 Acórdão n.º 3301004.739 S3C3T1 Fl. 343 5 classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física." (g.n.) Minha interpretação é a de que o art. 8° da Lei n° 10.925/04 teve como intuito o de incrementar as vendas de produtores rurais, pessoas físicas e cooperativas, que não são tributadas pelas contribuições, tornandoas mais atrativas para os compradores. Neste contexto, não se pode conceber que, da aplicação daquele mesmo dispositivo, resultasse a diminuição do valor do crédito de PIS sobre fretes, em cujos preços foi efetivamente computado. Destaquese ainda tratarse de fretes contratados com pessoas jurídicas de ramo distinto (transportadora) daquele ao qual pertencem os beneficiários do art. 8° da Lei n° 10.925/04. Verificase, portanto, que, se prevalecer a interpretação da fiscalização, seu efeito seria o inverso daquele que o legislador pretendeu alcançar com o incentivo fiscal concedido às vendas dos bens de origem animal e vegetal listados pelo art. 8° da Lei n° 10.925/04. Assim, de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito ao crédito integral do PIS sobre os gastos com fretes incorridos para transporte de produtos cujas compras geraram crédito presumido de PIS, nos moldes do art. 8° da Lei n° 10.925/04. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 343DF CARF MF Processo nº 16349.000427/200953 Acórdão n.º 3301004.739 S3C3T1 Fl. 344 6 Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.901462/2008-45
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível.
A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE DE SIMPLES. UTILIZAÇÃO DO MESMO CRÉDITO EM OUTRA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação, em que o contribuinte declarou crédito de pagamento em duplicidade do Simples, quando se constata a existência de outra Dcomp com utilização integral do mesmo crédito.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.295
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves de Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE DE SIMPLES. UTILIZAÇÃO DO MESMO CRÉDITO EM OUTRA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação, em que o contribuinte declarou crédito de pagamento em duplicidade do Simples, quando se constata a existência de outra Dcomp com utilização integral do mesmo crédito. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves de Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE DE SIMPLES. UTILIZAÇÃO DO MESMO CRÉDITO EM OUTRA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação, em que o contribuinte declarou crédito de pagamento em duplicidade do Simples, quando se constata a existência de outra Dcomp com utilização integral do mesmo crédito. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 14 62 /2 00 8- 45 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10940.901462/200845 Acórdão n.º 1002000.295 S1C0T2 Fl. 87 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves de Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 51/52) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 39/42), proferida em sessão de 24 de março de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 0630.923, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/03) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 18/07/2008 (efl. 04), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 21957.12910.121104.1.3.041925, transmitido em 12/11/2004, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE DE SIMPLES.UTILIZAÇÃO DO MESMO CRÉDITO EM OUTRA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação, em que o contribuinte declarou crédito dc pagamento em duplicidade do Simples, quando se constata a existência de Outra Dcomp com utilização integral do mesmo crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório proferido em declaração Per/Dcomp, em que Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10940.901462/200845 Acórdão n.º 1002000.295 S1C0T2 Fl. 88 3 o contribuinte apresentou como crédito pagamento indevido de Simples referente ao período 03/2002, pago em 10/04/2002, no valor de R$ 4.734,01, para compensação com débito de PIS (períodos 01/2002, 02/2002 e 03/2002), Cofins (períodos 01/2002, 02/2002 e 03/2002), CSLL (primeiro trimestre de 2002) e IRPJ (primeiro trimestre de 2002). O contribuinte acima identificado enviou a Dcomp n.º 21957.12910.121104.1.3.041925 de fls. 08/17, na data de 12/11/2004, cuja compensação não foi homologada pelo despacho de fl. 03. Cientificada da decisão em 31/07/2008, conforme informação de fl. 31, a interessada, tempestivamente, em 12/08/2008, ingressou com a reclamação de fls. (01/02, instruída com os documentos de fls. 03/17, que se resume a seguir. a. Alega que declarou de forma incorreta o valor de R$ 4.734,01, período de apuração 30/03/2002; b. Informa que os dados corretos são: 1) período de apuração 31/01/2002, valor R$ 1.900,10, data do pagamento (18/02/2002; 2) período de apuração 28/02/2002, valor R$ 1.212,63, data do pagamento 08/03/2002; 3) período de apuração 31/03/2002, valor R$ 1.621,28, data do pagamento 10/04/2002, conforme documentos anexados. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, não se localizou o próprio DARF citado, de modo a não haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito: A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Quanto ao pagamento não encontrado nos sistemas da Receita Federal, confirmase a explicação dada na peça de defesa, já que o único recolhimento de código 6106 efetuado na data de 10/04/2002 é no valor de R$ 1.621,28, conforme impressão de tela de fl. 35, o que autoriza a conclusão de que o contribuinte equivocouse ao declarar o valor de R$ 4.734,01. A seguir, a impugnante alega que os dados corretos são: 1) período de apuração 31/01/2002, valor R$ 1.900,10, data do pagamento 08/07/2002; 2) período de apuração 28/02/2002, valor R$ 1.212,63, data do pagamento 08/03/2002; 3) período de apuração 31/03/2002, valor R$ 1.621,28, data do pagamento 10/01/2002. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10940.901462/200845 Acórdão n.º 1002000.295 S1C0T2 Fl. 89 4 No entanto, verifiquei que todos esses três recolhimentos já foram objeto de compensação, através de Per/Dcomp, cujos créditos encontramse totalmente consumidos para quitação dos respectivos débitos, de forma que não resta pagamento disponível para compensar os débitos do presente processo. A tabela a seguir resume todas as Dcomp's enviadas pelo contribuinte: Essas foram as razões de decidir da DRJ. No recurso voluntário, em outras palavras, o contribuinte reiterou os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade, visando devolver a matéria para instância superior, acrescentou, ainda, que houve equívoco no preenchimento do PER/DCOMP, de modo que, ao invés de fazer a retificação, transmitiu três novas declarações, PER/DCOMP's ns.º 42636.63186.111006.1.3.04 7451, 22923.05917.111006.1.3.046108 e 39472.66597.111006.1.3.047867, duplicando o pedido de restituição dos créditos e débitos. Sustenta, assim, que os créditos e débitos relacionados no PER/DCOMP n.º 21957.12910.1211041.3.041925, objeto destes autos, são os mesmos citados nos outros PER/DCOMP's referidos transmitidos em momento posterior. Deste modo, ao final, requereu que se reconhecesse o engano no preenchimento do PER/DCOMP n.º 21957.12910.1211041.3.04192556, anulandoo, tendo em vista que a correta restituição e compensação estão na sequência dos outros PER/DCOMP's citados. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10940.901462/200845 Acórdão n.º 1002000.295 S1C0T2 Fl. 90 5 inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 18/04/2011, segundafeira, efls. 45 e 47/48, e protocolo em 16/05/2011, efl. 51), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, haja vista que o próprio DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior não foi localizado, de modo a não haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração de sua não localização. Demais disto, a DRJ afirmou que verificou que todos os três recolhimentos efetivados pelo contribuinte já Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10940.901462/200845 Acórdão n.º 1002000.295 S1C0T2 Fl. 91 6 foram objeto de compensação, através de outros PER/DCOMP, cujos créditos foram integralmente consumidos para quitação dos respectivos débitos, de forma que não resta pagamento disponível para compensar os débitos do presente processo e, de igual modo, apresentou tabela que resume todas as Dcomp's enviadas pelo contribuinte, a qual foi do mesmo modo exibida no relatório deste acórdão. De mais a mais, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. Em suma, no recurso voluntário, o contribuinte reconhece o equívoco no preenchimento do PER/DCOMP objeto deste processo, informando que, ao invés de retificálo, procedeu a transmissão de três novos PER/DCOMP’s, ensejando, segundo o contribuinte, duplicidade no pedido de compensação do crédito discutido no recurso, tanto que pediu a anulação do PER/DCOMP n.º 21957.12910.1211041.3.041925. Ocorre que, não compete a este órgão recursal, enquanto instância revisora, proceder cancelamento do PER/DCOMP ou mesmo homologar pedido de desistência de compensação de crédito tributário constituído em linguagem competente pelo próprio contribuinte, haja vista que está limitado aos termos da norma individual e concreta produzida pelo próprio contribuinte (constituição do PER/DCOMP). Cumprenos, tão somente, exercer o controle de legalidade da homologação ou não homologação do pedido transmitido pelo contribuinte e, nesse contexto, não vejo motivos que me levem a reparar a decisão proferida pela DRJ. Eventual erro de fato, se tiver ocorrido duas confissões para o mesmo débito (crédito tributário), não pode ser reconhecido por meio do cancelamento do PER/DCOMP neste momento processual e sem que tenha sido vindicado na primeira oportunidade e sem retificação transmitida pelo contribuinte, devendo ser objeto de pedido de revisão de ofício junto às Delegacias da Receita Federal do Brasil (CTN, art. 149, IV e V; art. 145, III) requerendose que a autoridade competente, através da fiscalização, proceda à revisão de ofício do crédito tributário constituído e da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Cumprirá à unidade de origem, se for o caso, verificar se o crédito tributário reconhecido e confessado no PER/DCOMP n.º 21957.12910.1211041.3.041925 já foi objeto de pagamento ou de outro pedido de compensação em outros PER/DCOMP’s transmitidos pelo contribuinte, adotando, para cada cenário, os procedimentos administrativos pertinentes. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 19675.000576/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
CONCOMITÂNCIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM.
Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42,os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula.
Numero da decisão: 1201-002.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, quanto às exigências tributárias. E, não conhecer da matéria relativa a exclusão do simples em razão da renúncia às instâncias administrativas por propositura de ação judicial (Súmula CARF nº 1).
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: Relator
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EXCLUSÃO DO SIMPLES. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42,os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, quanto às exigências tributárias. E, não conhecer da matéria relativa a exclusão do simples em razão da renúncia às instâncias administrativas por propositura de ação judicial (Súmula CARF nº 1). (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 5. 00 05 76 /2 00 7- 47 Fl. 4070DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório JJ PRODUÇÕES E COBRANÇAS LTDA recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 14.26.395, de 09/10/2009, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que considerou improcedente a impugnação contra o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, bem assim não tomar conhecimento da manifestação de inconformidade contra a exclusão do SIMPLES por intempestiva. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão de primeira instância, completandoa ao final: Fl. 4071DF CARF MF Processo nº 19675.000576/200747 Acórdão n.º 1201002.251 S1C2T1 Fl. 4.071 3 Fl. 4072DF CARF MF 4 Fl. 4073DF CARF MF Processo nº 19675.000576/200747 Acórdão n.º 1201002.251 S1C2T1 Fl. 4.072 5 Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário aduzindo, preliminarmente, que não fora cientificada da decisão da DRF em SorocabaSP, que indeferiu sua solicitação de revisão de exclusão do Simples (SRS). No mérito, alega: (i) a regularidade no enquadramento no Simples; (ii) o lançamento deveria ter observado a legislação do Simples, Fl. 4074DF CARF MF 6 já que a SRS suspendeu os efeitos da exclusão; (iii) os documentos anexados aos autos comprovam a origem dos recursos depositados em suas contascorrentes bancárias (fl. 2753 e ss.). Esta Turma com outra composição, por meio da Resolução nº 1201000.167, na sessão de 03/03/2015, resolveu converter o julgamento em diligência para que a autoridade de jurisdição do sujeito passivo: a) acoste aos autos documento comprobatório da ciência à SRS de fls. 11/12; b) elabore relatório circunstanciado; c) intime a recorrente a, se assim lhe convier, apresentar contrarrazões ao relatório no prazo de 20 dias de sua ciência. Cumprida a diligência requerida, com a juntada da comprovação da ciência da SRS no domicílio fiscal do do representante legal da empresa, em 21/11/2003 (fls. 4.019), a recorrente teve ciência do relatório de diligência de fls. 4.025 em 29/06/2015 (AR de fls. 4.026) e apresentou a manifestação de fls. 4.036/4.044, o qual extraio alguns trechos que trago a colação: Fl. 4075DF CARF MF Processo nº 19675.000576/200747 Acórdão n.º 1201002.251 S1C2T1 Fl. 4.073 7 Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 4076DF CARF MF 8 Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Conforme relatado pela recorrente em sua manifestação às fls. 4.041, as discussões acerca da exclusão do simples a partir de 01/01/2002 restam prejudicadas, em razão da Ação judicial nº 2008.61.10.0146892 (001468952.2008.4.03.6110), ajuizada na 2ª Vara Federal da Justiça Federal de SorocabaSP, que discute matéria idêntica e na primeira instância, a decisão foi favorável às pretensões da recorrente. Sentença que ainda depende de confirmação pelo Tribunal Federal da 3ª Região, conforme consta do sítio daquele Tribunal. O Código Tributário Nacional exclui da apreciação dos tribunais administrativos, a matéria objeto de ação judicial, em obediência ao principio da unidade de jurisdição, prevalente no País, em que decisões judiciais são soberanas e afastam a possibilidade de apreciação da mesma matéria pela via administrativa. No caso em tela, tratandose da mesma matéria, a propositura de ação judicial afasta a apreciação pelos ritos do Processo Administrativo Fiscal. Tal entendimento foi objeto da Súmula nº 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Portanto, quanto a esta matéria (exclusão do simples a partir de 01/01/2002) o recurso não pode ser conhecido em razão da concomitância. Quanto à exigência tributária decorrente da tributação de depósitos bancários de origem não comprovada, relativamente ao anocalendário de 2002, e cuja tributação foi fundamentada no artigo 42 da Lei nº 9.430/95, o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecida. Pugna a recorrente pela valoração da prova trazida na impugnação e no recurso voluntário: planilhas e notas fiscais que seriam capazes de comprovar a origem dos depósitos. Toda essa documentação, juntada novamente pelo recorrente no recurso voluntário, ao contrário do que afirma o sujeito passivo em seu recurso e na manifestação ao norte mencionada, já foi examinada pela autoridade "a quo", afastando, com isso, o alegado cerceamento de direito de defesa. Como a conclusão do voto condutor da decisão de primeira instância está em sintonia com o pensamento do relator, reproduzo abaixo trecho do voto e o adoto como razões de decidir: Fl. 4077DF CARF MF Processo nº 19675.000576/200747 Acórdão n.º 1201002.251 S1C2T1 Fl. 4.074 9 Fl. 4078DF CARF MF 10 Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Fl. 4079DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000310/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2202-004.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizamse como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 03 10 /2 00 8- 91 Fl. 369DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0424.889, proferido pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo GrandeMS (DRJ/CGE), que julgou parcialmente procedente o lançamento, mantendo a cobrança parcial do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/CGE: Almerinda Filgueiras de Carvalho, acima qualificada, foi autuada conforme Auto de Infração (AI) e demonstrativos de f. 262 a 270, tendo sido apurados os valores de R$ 141.594,94 de imposto, RS 106.196,19 de multa proporcional de oficio (75%) e R$ 55.486,37 de juros moratórios calculados até 30 de maio de 2008, totalizando RS 303.277,50 de crédito tributário. O lançamento ocorreu em face de, nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, ter ocorrido omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. A descrição das infrações e o enquadramento legal encontramse às f. 267 a 269. O enquadramento legal relativo à multa proporcional e aos juros de mora encontrase à f. 265. Como se vê nos autos, durante todo o procedimento de fiscalização a contribuinte foi intimado a apresentar documentos e a prestar esclarecimentos. O Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, evidencia com detalhes todo o procedimento realizado. A ciência quanto ao lançamento ocorreu, pessoalmente, em 10 de junho de 2008 (f. 266 e 270). Inconformada, a autuada apresentou impugnação protocolada em 10 de julho de 2008 (f. 274 a 289 anexos às f. 290 a 302), na qual, após relato dos fatos, aduz, em apertada síntese, que: a) sacava valores das contas em agências bancárias no Distrito Federal efetuando pagamentos no Rio de Janeiro, depositando o restante nas contas mantidas junto a agências bancárias localizadas nesta última; b) os depósitos na conta 4901712, Unibanco, foram justificados por meio das declarações da senhora Rute Camargo Borges Ribeiro (depositante) e do Projeto Nova Esperança (recebedor), no sentido de que os valores foram depositados e em seguida repassados para a entidade; c) o depósito de R$ 22.180,00 (Unibanco) decorre do recebimento de um cheque pela venda de um veículo por seu Fl. 370DF CARF MF Processo nº 15563.000310/200891 Acórdão n.º 2202004.605 S2C2T2 Fl. 370 3 filho Leandro Filgueiras de Carvalho à empresa Power Point Car Ltda.; d) o crédito de RS 20.769,46 (Unibanco) tem origem em recebimento de cota de consórcio Rodobens, conforme "email" anexo; e) o depósito de R$ 5.000,00 (Unibanco), em 21 de outubro de 2004, foi efetuado por seu irmão Antonio da Silva Filgueira para custeio de despesas médicas do senhor Rubens Coutinho Filgueiras, genitor de ambos, conforme declaração; f) vários depósitos efetuados no Banco do Brasil e no Unibanco, conforme planilhas insertas na impugnação (f. 287 a 288) são provenientes de venda a prazo de dois veículos, conforme documentos juntados; g) o valor de R$ 5.000,00 depositado no Banco do Brasil (DF), em 19 de novembro de 2003, tratase de transferência de outra conta do mesmo banco. A recorrente foi cientificada do Acórdão da DRJ/CGE em 07/07/2011. Inconformada com a decisão, apresentou Recurso Voluntário em 05/08/2011 (efls. 325), repisando os argumentos da impugnação, apresenta recibos, e acrescenta que a decisão a quo foi calcada em suposições. Por fim solicita reforma da decisão recorrida e cancelamento do crédito fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço Verificase que a controvérsia exposta na peça recursal, limitouse aos seguintes valores: Depósitos efetuados por Ruth Camargo Borges Ribeiro (Conta 490171 2/Unibanco) A defesa apresentou recibos emitidos pelo Projeto Nova Esperança (fls. 334/363), afirmando ter recebido valores da recorrente doados por Ruth Camargo Borges Ribeiro. Entretanto, entendo que esses recibos não corroboram as alegações da recorrente, nem os extratos bancários. Como lembrou o acórdão recorrido, os depósitos não eram seguidos de retiradas no mesmo valor que pudesse provar que a recorrente recebia os valores depositados por Ruth Camargo Borges Ribeiro e em sequência os repassava para o Fl. 371DF CARF MF 4 Projeto, nem a recorrente apresenta qualquer planilha que demonstre os saques/transferências vinculados a esses depósitos. Ademais, a recorrente não se incumbiu de comprovar a efetiva entrada desses recursos nessa instituição, por meio de registros contábeis, livro caixa ou qualquer outro documento hábil para tal. Por isso, entendo que tais recibos não são suficientes para comprovar a origem dos recursos. Recebimento de um cheque no valor de R$ 22.180,00 (Conta 490171 2/Unibanco) A recorrente informa que se trata da venda de um veículo efetuada por seu filho Leandro Filgueiras de Carvalho à Power Point Car Ltda. Apresenta declaração dele (fls. 293) e cópia de cheque emitido por "Power Point Car Ltda" (294). Entretanto, não apresenta os documentos usuais de transferência de veículo, que pudessem corroborar a alegação. Arrazoa que deveria o Fisco oficiar o Detran, a fim de confirmar a operação e o valor. Entretanto, a venda de um veículo segue procedimentos tais como documentos obrigatórios como o de transferência, que são documentos do próprio contribuinte. Portanto, não caberia ao Fisco produzir provas para o contribuinte, considerando que são documentos que este deveria manter enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública. Para o referido depósito, a recorrente não apresenta qualquer documento além dos juntados à impugnação, que já foram analisados pela autoridade julgadora de primeira instância: Relativamente ao depósito de R$ 22.180,00 (Unibanco), que decorreria do recebimento de um cheque pela venda de um veículo por seu filho Leandro Filgueiras de Carvalho à empresa Power Point Car Ltda., foi apresentada a cópia do cheque (f. 292), bem como a declaração do senhor Leandro (f. 291). Contudo, pelo que se verifica na cópia do cheque, este não contém a identificação de quem foi o beneficiário do pagamento, muito embora o valor seja excedente ao dos cheques a portador e, ainda, estando ele cruzado. Além disso, tal cópia não foi fornecida pelo banco sacado. E, contrariamente ao que ocorreu com veículos vendidos pela autuada, não há nos autos cópia do documento de transferência. Dessa forma, não tendo a contribuinte se incumbido do ônus de provar a origem dos recursos apontados pela fiscalização, deve ser mantido o lançamento nessa parte. Depósitos efetuados no Banco do Brasil e Unibanco A recorrente diz se tratarem de venda a prazo de dois veículos, e apresenta declaração dos adquirentes dos veículos (fls. 364/365), contendo forma de pagamentos, valor e data. Entretanto, analisando os dados das declarações, eles não corroboram os depósitos e datas constantes nos extratos bancários, conforme tabelas abaixo: Valor R$ 20.000,00 Recibo fls. 364 Extrato Unibanco fls. BB 269 0608 fls. BB 16306 fls. cheque em 14/07/2004 no valor de R$ 6.040,00 15/07 0797944 depósito interagência 6.040,00 C 128 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 15563.000310/200891 Acórdão n.º 2202004.605 S2C2T2 Fl. 371 5 cheque em 19/10/2004 no valor de R$ 5.000,00 19/10 0124322 depósito interagência 5.000,00 C 131 cheque em 22/11/2004 no valor de R$ 5.000,00 23/11 depósito 5.000,00 C 168 cheque em 01/12/2004 no valor de R$ 2.200,00 01/12 depósito 2.200,00 C 85 dinheiro em 01/12/2004 no valor de R$ 1.760,00 Valor R$ 25.000,00 Recibo fls. 365 Extrato Unibanco fls. BB 269 0608 fls. BB 16306 fls. cheque em 05/04/2004 no valor de R$ 5.000,00 06/04 depósito R$ 5.000,00 70 cheque em 26/04/2004 no valor de R$ 3.031,00 28/04 depósito interagência 3.031,00 125 cheque em 30/07/2004 no valor de R$ 2.422,42 02/08 2.411,42 cheque em 24/11/2004 no valor de R$ 3.018,00 26/11 depósito R$ 3.018,00 168 cheque em 01/12/2004 no valor de R$ 9.999,00 02/12 depósito R$ 9.999,00 85 dinheiro em 01/12/2004 no valor de R$ 1.529,58 Apesar de constar nas declarações que o pagamento das parcelas se deu em cheque, no extrato não há dados que corroborem que o depósito tenha sido efetuado dessa forma, e também não foi apresentada cópia dos cheques que comprovariam respectivos destinatário e emitente, ou mesmo extrato bancário dos adquirentes que comprovariam o registro do cheque emitido. Por isso, entendo não comprovada a origem dos depósitos. Em relação a esses valores, o julgador a quo já havia se pronunciado: Relativamente a vários depósitos efetuados no Banco do Brasil e no Unibanco, conforme planilhas insertas na impugnação (f. 287 a 288), argumentou a contribuinte que são provenientes de venda a prazo de dois veículos, conforme documentos juntados. Os documentos são certificados de propriedade com o recibo, no verso, preenchido e assinado. Ocorre que não há comprovação de que os depósitos tenham sido efetuados pelas adquirentes dos veículos, com o fim de pagamento da aquisição. Depósito de R$ 5.000,00 (Conta 4901712 do Unibanco) Fl. 373DF CARF MF 6 A recorrente afirma ter sido efetuado por Antonino da Silva Filgueira, para pagamento de despesas médicas com seu genitor. Entretanto, não acrescenta outros documentos, além dos apresentados com a impugnação, que já foram analisados pelo julgador a quo: Primeiramente, registrese que há um equívoco da contribuinte quanto à data do depósito, que ocorreu em 2003 e não em 2004 (f. 229). Não está evidenciado no extrato que o depósito efetivamente tenha sido efetuado pelo indicado: no histórico está consignado "DEPOSITO INTERAGENCIA" Nos autos só consta a declaração firmada pelo genitor da autuada, que não tem o condão de comprovar a origem do depósito, não tendo sequer sido juntado aos autos algum comprovante de despesa médica efetuada. Assevero que é perfeitamente razoável que recibos de honorários médicos, e exames sejam guardados enquanto não decaído o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário. Quanto aos demais depósitos, nada mais alegou a recorrente, nem apresentou documentos que comprovassem a efetiva origem dos recursos. Alega a recorrente, que o julgador a quo se baseou em suposições, citando trechos do acórdão. Entretanto, não vejo dessa forma, pois o julgador de primeira instância, apenas explica porque os documentos apresentados pelo recorrente não suportam suas alegações, demonstrando as contradições entre elas. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 374DF CARF MF
score : 1.0
