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Numero do processo: 10283.001439/2010-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício:2008
DACON. MULTA POR ATRASO.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2008
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
ALCANCE.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49).
Numero da decisão: 1402-000.643
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício:2008 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ALCANCE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49).
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MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ALCANCE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Fl. 47DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001439/201064 Acórdão n.º 140200.643 S1C4T2 Fl. 44 2 Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 48DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001439/201064 Acórdão n.º 140200.643 S1C4T2 Fl. 45 3 Relatório SC Transporte e Construções Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 3ª Turma da DRJ Belém/PA, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de Notificação de Lançamento (fl. 13) expedida para aplicação de multa pelo atraso na entrega do Dacon referente a janeiro de 2008, no valor de R$ 17.060,46, com redução para R$ 8.530,23 em virtude da entrega espontânea. Inexistindo no processo comprovante da ciência da Notificação, considerase tempestiva a impugnação de fls. 01/12, na qual a empresa traz, em síntese, os seguintes argumentos: a) Inexistem motivos para a aplicação da multa e da multa de mora, uma vez que a denúncia espontânea é o reconhecimento do erro, cabendo apenas o recolhimento do valor devido com juros; b) Reclama da falta de oportunidade do contribuinte valerse do contraditório e da ampla defesa, sugerindo a utilização de um "processo administrativo sancionador", citando como exemplo o que ocorreria na Espanha; c) Aponta ilegalidade na multa fixada, por caracterizar confisco, além de ferir uma série de outros princípios constitucionais; d) Defende que é inconstitucional e ilegal a utilização da taxa Selic para fins tributários.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 01 18.264 (fls. 2426) de 01/07/2010, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “DACON. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa pelo atraso na entrega do Dacon objetiva compensar o sujeito ativo pelo prejuízo causado em virtude de descumprimento de uma obrigação que lhe é devida, não sendo Fl. 49DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001439/201064 Acórdão n.º 140200.643 S1C4T2 Fl. 46 4 alcançada pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 13/09/2010 (A.R. de fl. 29), a interessada interpôs recurso voluntário em 13/10/2010 (fls. 3039) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Das alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade De início, no que tange às alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade apresentadas, cumpre reforçar, em consonância com a argumentação trazida na decisão da DRJ, que não cabe a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (CARF) apreciar questões de ordem constitucional ou de legalidade de leis vigentes em nosso ordenamento jurídico. Tal entendimento é, inclusive, objeto da súmula nº 2 deste Conselho, publicada no DOU de 22/12/2009, a seguir transcrita: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Deixase, pois, de se pronunciar quanto ao argumento trazido nesse ponto. Da denúncia espontânea Quanto a esse ponto, há que se esclarecer que o pressuposto lógico da denúncia espontânea é a declaração de fato desconhecido pela autoridade, o que não ocorre na entrega intempestiva do Dacon, vez que o atraso se torna conhecido pelo simples decurso do prazo fixado para a seu entrega. Ademais, a multa pelo atraso na entrega do Dacon está explicitamente prevista no art. 7o da Lei n° 10.426/2002, pelo que não há que se questionar a sua validade. Por fim, ressaltese ser essa, tal qual a anterior, matéria sumulada por este Conselho (Súmula CARF n° 49), nos seguintes termos: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Descabido, pois, o recurso quanto a esse tópico. Do direito ao contraditório e à ampla defesa Por bem representar o entendimento sobre esse ponto, peço vênia para transcrever a decisão de primeira instância, no que atine ao direito ao contraditório e à ampla defesa da recorrente. “Cabe esclarecer que a fase litigiosa do procedimento fiscal se instaura com a impugnação tempestiva , conforme art. 14 do Decreto n° 70.235/1972, verbis: Fl. 50DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001439/201064 Acórdão n.º 140200.643 S1C4T2 Fl. 47 5 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Os princípios do contraditório e da ampla defesa estão garantidos aos litigantes, tanto no processo administrativo, quanto no judicial. No processo administrativo, o litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal, por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. A ação fiscal é uma fase préprocessual, ou seja, é uma fase de atuação exclusiva as autoridade tributária, na qual os agentes da Administração Tributária. Imbuídos dos poderes de fiscalização que lhes são conferidos pelos artigos 194, 195 e 197 a 200, todos do Código Tributário Nacional, verificam e investigam o cumprimento das obrigações tributárias e obtém elementos que demonstrem a ocorrência do fato gerador. Assim, a primeira fase do procedimento, a fase oficiosa, é de atuação exclusiva da autoridade tributária. Nesta fase, de caráter inquisitorial, o contribuinte tem uma participação de natureza passiva. Devendo cooperar e atender à fiscalização quando solicitado, no próprio interesse de demonstrar o cumprimento daquelas obrigações. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. Logo, antes da impugnação. não há litígio, não há contraditório e o procedimento é levado a efeito de oficio, pelo Fisco. Portanto, inexiste processo, assim entendido como meio para solução de litígios, haja vista ainda não haver litígio. A pretensão da Fazenda ainda não se concretizou. Logo, não há que se falar em preterição ao direito de defesa da contribuinte no transcurso da ação fiscal. A partir da lavratura do auto de infração ou notificação de lançamento, na hipótese de discordar da exigência, é que o contribuinte, respaldado pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, passa a participar ativamente, inaugurando o processo administrativo de exigência de crédito tributário, apresentando sua impugnação. o que, in casu, assim procedeu o litigante ao impugnar com os documentos de fls. 1/12.” Mérito Conforme já mencionado, a multa pelo atraso na entrega do Dacon está positivada no art. 7o da Lei n° 10.426/2002, in verbis: "Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconómicoFiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, Fl. 51DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001439/201064 Acórdão n.º 140200.643 S1C4T2 Fl. 48 6 no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) [...] III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação ,d a lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I RS 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II RS 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ..." (grifouse) Ex positis, tendo em vista que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) foi entregue após o prazo previsto pela legislação tributária, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 1 de julho de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001439/201064 Acórdão n.º 140200.643 S1C4T2 Fl. 49 7 Fl. 53DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910957/2006-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
SOBRESTAMENTO DO FEITO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste previsão legal e regimental para determinar o sobrestamento do curso de processo administrativo-fiscal em razão de reconhecimento de repercussão geral pelo STF de matéria nele contida, quando a corte máxima não o impõe expressamente.
SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO REVOGADA. STF.
A isenção da Cofins, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais regulamentados, foi revogada por norma legal posteriormente considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal -STF.
Numero da decisão: 3001-000.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 SOBRESTAMENTO DO FEITO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal e regimental para determinar o sobrestamento do curso de processo administrativo-fiscal em razão de reconhecimento de repercussão geral pelo STF de matéria nele contida, quando a corte máxima não o impõe expressamente. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO REVOGADA. STF. A isenção da Cofins, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais regulamentados, foi revogada por norma legal posteriormente considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal -STF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1640; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 159 1 158 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.910957/200655 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.224 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 21 de fevereiro de 2018 Matéria DCOMP ELETRÔNICO RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente ASPEM ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 SOBRESTAMENTO DO FEITO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal e regimental para determinar o sobrestamento do curso de processo administrativofiscal em razão de reconhecimento de repercussão geral pelo STF de matéria nele contida, quando a corte máxima não o impõe expressamente. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO REVOGADA. STF. A isenção da Cofins, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais regulamentados, foi revogada por norma legal posteriormente considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1636.188, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SPDRJ/SP1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 09 57 /2 00 6- 55 Fl. 159DF CARF MF 2 que, em sessão de julgamento realizada no dia 16.02.2012, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório postulado. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 83 a 90): 1. ASPEM ENGENHARIA LTDA, empresa acima identificada, apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) de fls. 10/14, na qual pleiteia a compensação de tributo federal com suposto crédito de COFINS decorrente de pagamento indevido ocorrido em 15/09/2000, no valor de R$ 5.941,96. 2. Por intermédio do Despacho Decisório de fl. 02 a compensação declarada não foi homologada, tendo em vista a inexistência do crédito, pois o DARF não foi localizado. 3. Ciente desta decisão em 29/07/2008 (fl. 07), o contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade de fls. 15/57 em 22/08/2008, em que alega em síntese: 3.1. a requerente é uma sociedade civil de prestação de serviços advocatícios (sic), na forma de seus inclusos atos constitutivos. Em virtude de suas atividades, consoante determinação expressa prevista no inciso II do artigo 6º da Lei Complementar nº 70/91, está isenta do pagamento da COFINS; 3.2. o Parecer nº 3, de 25.03.94, do Coordenador Geral do Sistema de Tributação, não poderia limitar tal isenção em afronta ao princípio da legalidade. Existe um equivoco na afirmação contida no citado Parecer, uma vez que não se pode afirmar que a isenção concedida pela Lei Complementar nº 70/91 é decorrência do regime do imposto de renda das sociedades de profissionais; 3.3. podese afirmar com segurança que a hipótese de isenção em tela não está condicionada à opção pelo regime tributário do DecretoLei nº 2.397, tendo em vista que a disposição legal se refere a sociedades civis de que trata o artigo 1º do DecretoLei nº 2.397 e não a sociedades civis submetidas ao regime tributário previsto nesse diploma; 3.4. o artigo 56 da lei nº 9.430/1996 fere o princípio da hierarquia das normas; 3.5. a IN nº 21/97 é ilegal quando, pelo artigo 12, condiciona a compensação de créditos tributários com débitos vincendos a requerimento do contribuinte à SRF. Essa restrição não está prevista no artigo 66 da Lei 8.383/91; 3.6. o valor indevidamente pago e pleiteado nesta ação deverá ser corrigido pelo IPC, sendo utilizado de 02/88 a 06/91 o IPC IBGE e de 07/91 até hoje o IPCFGV; 3.7. a incidência dos juros à taxa de 1% ao mês, calculada sobre o montante atualizado a ser objeto da compensação, contado da data de cada pagamento efetuado deverá ser autorizada à impetrante, pelo fato de ter ocorrido, neste período, a Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.910957/200655 Acórdão n.º 3001000.224 S3C0T1 Fl. 160 3 disponibilidade pelo Poder Público de valor recolhido indevidamente. Caso se acolha a aplicação da SELIC a partir de janeiro de 1996, o acréscimo de juros calculados à taxa de 1% ao mês deverá ser contado da data de cada pagamento até dezembro de 1995; 3.8. Cumpre mencionar que a exequiente cobra em duplicidade os juros e multa moratórios, incidindo indevidamente o encargo de verba honorária de 20% (vinte por cento), bem como a aplicação incorreta da taxa SELIC. 4. É o relatório Da decisão de 1ª Instância A 6ª Turma da DRJ/SP1, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000 SOCIEDADE CIVIL. A partir da vigência do artigo 56 da Lei nº 9.430/1996, as sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada passaram a contribuir para a COFINS. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o contribuinte interpôs recurso voluntário para dar conta de que impetrou mandado de segurança autuado sob o nº 2003.61.00.0244110, com vista a obter provimento jurisdicional para absterse de efetuar pagamentos futuros da contribuição da COFINS, bem como a declaração de inexistência da relação jurídicotributária em relação à citada contribuição, sob o fundamento de que, por ser sociedade civil prestadora de serviços, não está submetida à regra do artigo 56 da Lei nº 9.430, de 1996, razão pela qual entende deva ser mantida a isenção outorgada pelo artigo 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991, sob pena de contrariar ao princípio da hierarquia das normas, pois a revogação da referida norma isentiva somente pode darse por veículo normativo adequado, que no caso é a lei complementar, conforme entendimento já assentado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ. Neste sentido transcreve o verbete sumular 276 editado, em 14.05.2003, pelo Superior Tribunal de Justiça, que consolidou o entendimento daquela Corte, que segundo o qual "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da COFINS, irrelevantes o regime tributário adotado" DJ 02.06.2003, p. 365. Fl. 161DF CARF MF 4 Adverte que obteve provimento liminar e posteriormente a concessão da segurança, que lhe garantiu o direito à isenção da COFINS outorgada pelo artigo 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 1991. Salienta também que inicialmente havia sido determinado o sobrestamento do feito, mas que, em 21.07.2010, foi proferida decisão tornando sem efeito referido sobrestamento, haja vista que o assunto, versado na petição do recurso extraordinário, era análogo ao do RE 575.093/RS, recurso paradigma da sistemática da repercussão geral, razão pela qual foi determinada a remessa dos autos ao tribunal de origem, para que fosse observado a disposto no art. 543B do Código de Processo Civil. Afirma que em face do reconhecimento da existência de repercussão geral da questão suscitada, o referenciado mandado de segurança ainda se encontra aguardando manifestação explícita do plenário do Supremo Tribunal Federal STF, bem assim a posterior edição de verbete de súmula vinculante. Neste sentido, por entender que existe questão prejudicial de mérito no citado mandado de segurança e que a solução é pressuposto lógico necessário da decisão a ser proferida no processo administrativo, por tratarse do objeto principal da matéria discutida nestes autos, requer a suspensão do presente feito até o trânsito em julgado da decisão a ser proferida no mandado de segurança em questão. Por fim, o recorrente instrui sua peça recursal apresentando as cópias da inicial e das decisões que cita e demais documentos afins. Do encaminhamento O presente processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O contribuinte, segundo a Intimação nº 1228/2013 e o Aviso de RecebimentoAR (efls. 91 e 157), em 02.05.2013, tomou conhecimento do acórdão de manifestação de inconformidade. O recorrente, conforme o carimbo aposto pela Derat/CAC Paulista na "folha de rosto" de sua petição (efl. 92), em 07.05.2013, protocola a entrega do recurso voluntário apresentado. Compulsando as datas acima destacadas e confrontandoas com a legislação processual de regência, concluise que o recurso voluntário é tempestivo. Da delimitação do litígio Muito embora seja manifesto que os fundamentos aludidos no despacho decisório de fl. 02 difere daqueles apresentados, em 22.08.2008, pelo contribuinte na Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.910957/200655 Acórdão n.º 3001000.224 S3C0T1 Fl. 161 5 manifestação de inconformidade de fls. 15 a 57, haja vista que o motivo da não homologação da compensação declarada decorreu da inexistência do crédito, pois o DARF indicado na respectiva DComp não foi localizado nos sistemas da RFB, verdade é que ao ser cientificada, em 29.07.2008, da não homologação, o recorrente apresentou manifestação de inconformidade para suscitar, em apertada síntese e naquilo que interessa ao presente exame, (i) que em virtude de suas atividades, consoante determinação expressa prevista no inciso II do artigo 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991, está isento do pagamento da Cofins, (ii) que o Parecer Cosit nº 3, de 1994 não poderia limitar tal isenção em afronta ao princípio da legalidade, (iii) que a hipótese de isenção pleiteada não está condicionada à opção pelo regime tributário do Decreto Lei nº 2.397, de 1987, tendo em vista que a disposição legal se refere a sociedades civis de que trata o artigo 1º do citado diploma legal e não a sociedades civis submetidas ao regime tributário nele previsto e (iv) que o artigo 56 da Lei nº 9.430, de 1996 fere o princípio da hierarquia das normas. Observando a peça inaugural do mandado de segurança distribuído sob nº 2003.61.00.0244110, protocolada em 28.08.2003, constatase que ali se discute a declaração da "inexistência de relação jurídicotributária entre a Impetrante e a União Federal quanto à cobrança da Cofins exigida nos termos do Parecer Normativo nº 3, de 25.03.94, da CoordenadoriaGeral do Sistema de Tributação (Cosit), e dos artigo 56 da Lei nº 9.430/96 e 2º da Lei nº 9.718/98, por ser a Impetrante uma sociedade civil de profissão regulamentada, suspendendose os pagamentos futuros exigidos a este título". Por seu turno, acolhendo as razões acima suscitadas, o competente Juízo, em 01.09.2003, deferiu liminar "para assegurar à impetrante o direito de não recolher a COFINS" e, em 28.11.2003, concedeu "a segurança para garantir à impetrante ASPEM ENGENHARIA S/C LTDA. a isenção da COFINS outorgada pelo artigo 6º da Lei Complementar nº 70/91". Como se vê, assistiria razão ao recorrente quando este alega existir questão prejudicial de mérito no citado mandado de segurança, por tratarse do objeto principal da matéria discutida nestes autos, se no recurso voluntário reprisasse os argumentos tecidos em sua manifestação de inconformidade, o que nos conduziria a concluir que o presente processo administrativo e o mandado de segurança em comento tratam do mesmo objeto e, portanto, à conclusão de que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, devendo, neste caso, ser proferida decisão declaratória da definitividade da exigência discutida, conforme dispõe o artigo 62 do Decreto nº 70.235, de 06.03.1972, e em atenção à Súmula nº 01 do Carf, publicada no DOU de 22.12.2009, posto que a decisão do Poder Judiciário se sobrepõe à decisão administrativa, uma vez que o ordenamento jurídico brasileiro não alberga o instituto da dualidade de jurisdição, não podendo haver, sob nenhuma hipótese, a sobreposição da decisão administrativa à sentença judicial como direito público subjetivo. Não obstante, em que pese a pretensão recursal, como se viu no relatório deste acórdão, entendo que o litígio, na fase em que se encontra, está adstrito tão somente ao que segue transcrito, ipsis litteris: Por todo o exposto, requer a Recorrente seja acatado o presente recurso, sendo determinada a suspensão do presente feito ATÉ O TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO A SER PROFERIDA O(sic) MANDADO DE SEGURANÇA Nº Fl. 163DF CARF MF 6 2003.61.00.0244110, como medida de pleno direito e de inteira Justiça. Desse modo, concluo não ser aplicável ao presente caso a Súmula nº 01 do Carf e, por consequência, conheço recurso voluntário para tratar especificamente do pedido formulado no sentido de sobrestar o presente feito. Da falta de suporte regimental e legal para a suspensão do PAF Recordando, no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, foi introduzida uma alteração, pela Portaria MF nº 586, de 21.12.2010, visando ao sobrestamento de processos com repercussão geral reconhecida pelo Pretório Excelso. Eis o texto: Art. 62A. (...) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Todavia no Ricarf em vigência, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09.06.2015 e alterações, deixou de existir a previsão de sobrestamento dos processos administrativos fiscais, contendo matéria que esteja sujeita cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pelo STF. Saliento, por oportuno, que as disposições do CPC não alcançam os tribunais administrativos, a menos que houvesse uma determinação expressa do relator do processo no STF. É essa a exegese que se pode extrair do inciso II do artigo 1.037 do CPC: Art. 1.037 Selecionados os recursos, o relator no tribunal superior, constatando a presença do pressuposto do caput do art. 1.036, proferirá decisão de afetação, na qual: (...) II determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem a questão e tramitem no território nacional; Demais disso, o desconhecimento da existência de determinação de sobrestamento de processos administrativos, levame a concluir que não há suporte legal para que se suste o julgamento do presente recurso. Por fim, cumpre salientar que o processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade, devendo ser impulsionado ex officio, conforme determina o inciso XII do parágrafo único do artigo 2º da Lei nº 9.784, de 29.01.1999. De se ver, portanto, que não há qualquer previsão legal ou regimental que autorize a suspensão do marcha processual em razão de a constitucionalidade de matéria estar pendente de decisão, ainda que esteja submetida à repercussão geral. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.910957/200655 Acórdão n.º 3001000.224 S3C0T1 Fl. 162 7 Da falta de suporte jurídico para o suspensão e/ou sobrestamento do PAF De outro modo, resta a análise sob a ótica da jurisprudência assente, haja vista que o recorrente ao solicitar a suspensão do julgamento do presente processo, aduziu como fundamento o julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, do RE nº 575.093/RS. É fato que referido pleito é relativo à errônea revogação da isenção para as sociedades civis: o pedido de reconhecimento do indébito albergado nestes autos, conforme restou clarificado na manifestação de inconformidade e no acórdão recorrido, tem por base a alegação de inconstitucionalidade do artigo 56 da Lei nº 9.430, de 1996, que revogou a isenção prevista no inciso II do artigo 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991. De plano, faço um pequeno parêntese para alertar que a Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória AR nº 3.761PR, na sessão de 12.11.2008 (DJe 20.11.2008 ed. 262), deliberou pelo cancelamento da Súmula nº 276 (DJ 02.06.2003, p. 365), cujo verbete enunciava: "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado", tendo por referência a Lei nº Complementar nº 70, de 1991 (art. 6º, II), a Lei nº 8.541, de 1992 (arts. 1º e 2º) e a Lei nº 9.430, de 1996, que revoga o DecretoLei nº 2.397, de 1987 (arts. 1º e 2º). Faço também ver ao recorrente que tal questão encontrase, a quase uma década, absolutamente pacificada, é que a constitucionalidade do referido artigo de lei ordinária foi declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 377.4573, julgado em 17.09.2008, em relação ao qual foi declarada a repercussão geral, nos termos do artigo 543B do CPC Lei nº 5.925, de 1973, e negada a modulação dos efeitos da decisão. Desse modo, à luz do que determina o Ricarf, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática do artigo 543B do CPC, Recurso Extraordinário nº 377.4573, verbis: EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas por maioria de votos, desprover o recurso. Em seguida o Tribunal, tendo em vista o disposto no artigo 27 da Lei nº 9.868/99, rejeitou pedido de modulação de efeitos. Fl. 165DF CARF MF 8 Prosseguindo, o Tribunal rejeitou questão de ordem que determinava a baixa do processo ao Superior Tribunal de Justiça, pela eventual falta da prestação jurisdicional. Por maioria, resolvendo questão de ordem, entendeu que estava correta a submissão do recurso extraordinário na forma proposta pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista a questão de ordem para permitir a aplicação do artigo 543B do Código de Processo Civil, nos termos do voto do relator. Por fim, concluise estarse diante de decisão com eficácia ex tunc, alcançando todas as relações jurídicas albergadas desde a edição da Lei nº 9.430, de 1996, sendo afastada a jurisprudência do STJ citada pelo recorrente em seu recurso voluntário, bem como a revogada Súmula 276 daquele tribunal. Da conclusão Diante do todo exposto, afasto o fundamento do indébito alegado pelo contribuinte na Declaração de Compensação em questão e rejeito o pedido de suspensão e/ou sobrestamento do presente feito, razão pela qual nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.689993/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa.
A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL.
O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.
Numero da decisão: 1402-002.855
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1680; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2.449 1 2.448 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.689993/200997 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.855 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2018 Matéria DCOMP Recorrente CALVO COMERCIO E IMPORTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 99 93 /2 00 9- 97 Fl. 2449DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 10880.689993/200997 Acórdão n.º 1402002.855 S1C4T2 Fl. 2.450 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de homologar suposto crédito de IRPJ, declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que apurou novos valores para seus débitos de PIS e de COFINS do período, verificando que havia recolhido tais tributos indevidamente ou a maior sobre receitas derivadas da venda de alguns produtos sujeitos à alíquota zero e por não ter excluído o ICMS sobre vendas das bases de cálculo dessas contribuições. Também afirma que teve reconhecido em Ação Declaratória cumulada com Repetição de Indébito n° 94.00116799, créditos de FINSOCIAL compensados com débitos da mesma espécie. Tal suposto recolhimento indevido ou a maior teria gerado uma base de cálculo de IRPJ e CSLL (lucro) maior e incorreta, devido ao estornos dos créditos de PIS e de COFINS sobre receitas sujeitas a alíquota zero, gerando um aumento do custo. Assim, procedeu o Contribuinte a dezenas de compensações de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, incluindo a presente. Também relata que fora indevidamente autuada (Processo Administrativo n° 19515.000772/200754), sendo na ocasião alertada pelo próprio Agente Fiscal que estava recolhendo tributos sobre uma base de cálculo majorada, especificamente em relação àquelas contribuições. Alega que procedeu à retificação das DACONs correspondentes, mas não foi possível retificar a DCTF pois estava sob fiscalização naquela época. Afirma que o processo deve ser baixado em diligência para que seja confirmada a regularidade das compensações efetuadas e, ao final, requer a homologação integral da compensação em tela. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória. Fl. 2451DF CARF MF 4 Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, alegando, preliminarmente, a nulidade do v. Acórdão recorrido e de outros, pelo fato destas decisões possuírem termos idênticos em suas razões. No mérito, em suma, limitase a repetir as razões da Manifestação de Inconformidade. Ainda, acostou complementos ao Recurso Voluntário, referentes a estudo e Laudo emitido por Auditores Independentes, acostandoos aos autos, bem como noticiando o julgamento do E. Supremo Tribunal Federal referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 10880.689993/200997 Acórdão n.º 1402002.855 S1C4T2 Fl. 2.451 5 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega a Recorrente ser nulo o v. Acórdão recorrido (bem outros decisórios de mesma instância, proferidos em feitos atinentes a outras de suas DCOMPs noticiadas nestes autos) pelo fato destes repetirem ipsis litteris seus termos, denotando teor idêntico. O ocorrido implicaria em cerceamento de defesa. Primeiramente, temos que atualmente, no processamento e julgamento de causas, administrativas e judiciais, a adoção de decisões repetitivas, ou mesmo de minutas padrão, é a inquestionável realidade, erigida sobre os corolários da praticidade, da racionalidade, da economia processual e da duração razoável do processo. Per si, o fato de decisões possuírem semelhante ou até igual teor não é capaz de representar, objetivamente, cerceamento de defesa do contribuinte (ou mesmo da Fazenda Nacional). Para tanto seria necessária a demonstração, concreta e específica, pela parte, da ocorrência de prejuízo ao seu direito, explicando e apontando como tal repetição feriu a defesa empreendida na demanda. Posto isso, ausente tal demonstração, deve ser rejeitada a preliminar alegada pela Recorrente. Ainda, deve anteceder a devida apreciação do mérito a decisão sobre o conhecimento da nova documentação acostada pela Recorrente, inclusive após seu Recurso Voluntário, tratandose de Laudos emitidos por Auditores Independentes. Fl. 2453DF CARF MF 6 Este Conselheiro entende que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado à luz do princípio da busca pela verdade material, vez que na esfera administrativa de jurisdição não pode prevalecer o prestígio da instrumentalidade do processo em detrimento do materialidade dos direitos alegados no curso do processo. Também deve ser feita uma interpretação sistemática do referido Decreto, que não só veicula exceções ao determinado no § 4º de seu art. 16, assim como autoriza o Julgador a solicitar diligências quando mostramse necessários outros elementos e providências para a formação da sua livre convicção. Assim, apresentase viável o conhecimento de documentação após a apresentação da Impugnação ou da Manifestação de Inconformidade. Porém, cabe ao Julgador, nesse caso, uma verificação prévia de pertinência, necessidade e colaboração dos elementos novos acostados com o desfecho técnico da demanda. Tais Laudos acostados neste feito resumemse a planilhas elaboradas pelos Auditores Independentes, com breves e poucos comentários, sem conter qualquer documentação contábil ou fiscal, bem como, expressamente, versam sobre cálculos referente a apuração de PIS e COFINS. Nada se menciona sobre o IRPJ e eventuais reflexos. Primeiramente, tabelas elaboradas pelo próprio contribuinte, ou mesmo por terceiros, têm valor probante extremamente relativo (ou nenhum, digase) se desacompanhados da documentação contábil e fiscal em que foram baseados. Não obstante e principalmente, o processo administrativo em tela tem como origem suposto crédito de IRPJ, o qual não fora homologado por ausência de verificação e comprovação da existência de recolhimento a maior ou indevido em relação ao documento de arrecadação apontado. Dessa forma, o novo cálculo de apuração de PIS e COFINS devidos no período, seja por exclusão de operações sujeitas à alíquota zero ou pela exclusão do ICMS da sua base de cálculo, não possui qualquer relevância ou conexão direta para a demonstração de que o recolhimento de IRPJ, que especificamente teria dado origem ao crédito pretendido, foi efetuado a maior ou indevidamente. Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 10880.689993/200997 Acórdão n.º 1402002.855 S1C4T2 Fl. 2.452 7 Posto isso, não se conhece da documentação acostada após a interposição do Recurso Voluntário. No que tange ao mérito, assim como procedido pela DRJ a quo, todas as matérias alheias a esta demanda, referentes as informações e alegações trazidas pela Recorrente acerca de supostos créditos de FINSOCIAL, de PIS e de COFINS, Autuações e Ações Judiciais relacionadas a tais tributos, que não são objeto do DCOMP apreciado, serão devidamente desconsideradas e não conhecidas, inclusive colaborando para uma decisão mais hígida e clara. O que fora alegado pela Contribuinte que realmente se relaciona com seu pleito compensatório é que, ao constatar que considerou indevidamente créditos de PIS e COFINS sobre produtos tributadas sob alíquota zero, efetuou o estorno desses créditos em sua contabilidade, o que teria resultado na redução do lucro e, consequentemente, ao pagamento de IRPJ e CSLL a maior no mesmo período, dando margem, então, ao seu pretendido crédito. É certo que tal alegação é plausível. Todavia, o Recorrente não procedeu a qualquer demonstração de como, efetivamente, teria se operado tal redução em sua apuração do IRPJ e muito menos produzido qualquer prova sobre tal ocorrência contábil, com reflexos tributários. Em suas razões consta apenas tal afirmação, abstrata e genérica, de redução das bases tributáveis do IRPJ pelo estorno de crédito de PIS e COFINS. Ora, a simples afirmação textual em peças de defesas da ocorrência de um fato que levou à redução da apuração de um determinado tributo, claramente, não basta para configurar e provar um recolhimento a maior ou indevido, sobretudo quando confirmada pela Unidade de Fiscalização a precisão quantitativa do débito que o recolhimento em questão extinguiu. Nos processos administrativos referente a restituição e compensação é ônus do contribuinte a prova de seu crédito, devendo trazer aos autos demonstrações precisas e conjunto fáticoprobatório que ateste cabalmente sua existência, certeza e liquidez, desconstruindo, assim, os fundamentos de sua não homologação. Fl. 2455DF CARF MF 8 Em acréscimo, frisese que a própria Contribuinte afirma que não teria procedido à retificação da DCTF em que o débito de IRPJ, saldado com o DARF que teria dado origem ao crédito agora perquirido (vez que supostamente alterada a monta de tal débito, revelando pagamento a maior/indevido). Em momento algum foi acostada sua versão retificadora. Por sua vez, a entrega de DCTF constitui confissão de débito tributário. E, como já mencionado, o pagamento supostamente a maior/indevido que gerou o crédito ora pleiteado foi precisamente alocado para saldar tal obrigação constituída, perfeitamente no seu valor. Assim, juridicamente e para todos os fins fiscais, não foi apresentado nenhum elemento (DCTF retificadora ou provas contábeis) que possa desconstituir ou alterar tal débito, devido e exigível monta pela qual declarado na DCTF do período. Desse modo, não foi devidamente comprovada a existência crédito de IRPJ alegado na DCOMP em tela. E digase que, ainda que a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS possa, em alguns casos, ter reflexos diretos na apuração do IRPJ, não foi devidamente alegado, demonstrado ou mesmo provado pela Contribuinte como tal redução teria, também, culminado no recolhimento a maior/indevido que originou crédito especificamente pleiteado na DCOMP objeto do presente feito. Por fim, frisese que não há qualquer necessidade da realização de diligência, vez que presentes e demonstrados todos elementos necessários ao convencimento motivado e à devida fundamentação do presente voto, observado o disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o v. Acórdão recorrido, para não reconhecer o crédito pretendido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 10880.689993/200997 Acórdão n.º 1402002.855 S1C4T2 Fl. 2.453 9 Fl. 2457DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.918873/2012-64
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010
PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não tendo sido a matéria contestada na manifestação de inconformidade, considera-se não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual.
Numero da decisão: 3002-000.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria nulidade da multa de mora e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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CHEBLY EMPREENDIMENTOS DE PUBLICIDADE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010 PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO. Não tendo sido a matéria contestada na manifestação de inconformidade, considerase não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria nulidade da multa de mora e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 88 73 /2 01 2- 64 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.918873/201264 Acórdão n.º 3002000.054 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de declaração de compensação de pagamento a maior de Cofins, no valor de R$ 16.224,72, relativa ao mês setembro/2010 e transmitida por meio de Per/Dcomp em fevereiro/2011 (fls. 28 a 32). A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (DRF/BHE) não homologou a compensação por haver constatado que o pagamento discriminado no Per/Dcomp havia sido utilizado integralmente para a quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação solicitada (fl. 26). A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual esclareceu que, a partir da informação constante no Despacho Decisório de que o crédito utilizado no Per/Dcomp não estava na DCTF da competência declarada, providenciou a retificação das DCTF das competências 06/2010, 09/2010 e 12/2010, de acordo com os valores corretos já declarados na DIPJ/2011 (fls. 2 a 5). A Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) proferiu o Acórdão nº 0245.931 (fls. 45 a 48), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que a verificação do DACON anterior ao despacho decisório não evidenciou a existência de pagamento indevido ou a maior e que a retificação de DACON e DCTF após o despacho decisório não eram suficientes para demonstrar a razão do contribuinte. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2010 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar em crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 54 a 64), no qual apresentou as seguintes alegações: a) o erro cometido pela contribuinte consistiu em considerar meras transferências bancárias entre contas da contribuinte como se fossem receitas (faturamento) e incluílas, equivocadamente, na base de cálculo da Cofins; b) em não ocorrendo o fato gerador, não surge a obrigação tributária, sendo o mero erro formal da contribuinte insuficiente para embasar a cobrança indevida do tributo; e Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.918873/201264 Acórdão n.º 3002000.054 S3C0T2 Fl. 4 3 c) caso não se entenda pelo reconhecimento do crédito, com a consequente homologação da compensação, a multa de mora deve ser anulada por ser flagrantemente desproporcional e, portanto, inconstitucional e ilegal, caracterizando o confisco vedado pelo art. 150 da CF. A título de prova, juntouse: 1 planilha com os créditos em conta bancária que representam as transferências consideradas equivocadamente como faturamento – competências 06/2012 e 09/2012 (fls. 65 e 66); e 2 extratos bancários do Banco do Brasil e do Banco Itaú, relativos ao mês 09/2010 (fls. 67 a 78). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A situação que ora se analisa trata de um contribuinte que, ao ter negada a homologação de sua declaração de compensação, apresenta uma manifestação de inconformidade na qual alega a ocorrência de erro de cálculo, sem apresentar qualquer explicação sobre a origem ou a natureza do alegado erro, acompanhada da retificação da DCTF e do Dacon, sem juntar, porém, qualquer documento que justifique e demonstre a correção das retificações efetuadas. Apenas agora, em fase de recurso voluntário, esclarece que seu erro consistiu na inclusão na base de cálculo da Cofins de certos valores creditados em sua conta bancária, decorrentes de empréstimos para capital de giro e resgates de títulos, como se fossem receitas das atividades da empresa. E junta extratos bancários que mostram a origem desses depósitos. Tratase, então, de uma discussão sobre o que configura prova, o ônus da prova e o momento para a sua produção. Quanto ao fato de não constituir prova a simples retificação da DCTF e do Dacon após decisão denegatória, desacompanhada de documentação que a ampare, parece não haver dúvida, uma vez que nem a recorrente contestou esse ponto na decisão de primeira instância. Partilhase desse entendimento da DRJ, que tem sua raiz no art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN), que assim dispõe: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.918873/201264 Acórdão n.º 3002000.054 S3C0T2 Fl. 5 4 § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Aliese à essa determinação do CTN que a DCTF é o documento que formaliza o cumprimento da obrigação acessória de informar créditos e débitos à Administração em relação aos principais tributos federais, tendo força de confissão de dívida e representando instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme o art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984. Dessa forma, resta indiscutível a necessidade de comprovação do erro que se pretende corrigir por meio de retificação da declaração visando à redução do débito. Relativamente à responsabilidade pelo ônus da prova, pertence ao requerente nas solicitações de restituição, ressarcimento e compensação, uma vez ser ele a alegar o direito perante a Fazenda Nacional. Define o Código de Processo Civil em seu art. 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre o tema, assim dispõe a Lei nº 9.874, de 1999, que trata dos processos administrativos: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. (grifado) Mas sobre esse ponto parece também não haver divergência, pois o contribuinte, ciente da sua omissão no desenrolar do processo, tenta agora fazer a produção de prova. E aí reside o ponto fulcral deste julgamento. O Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal, dispõe sobre a impugnação ou a manifestação de inconformidade da seguinte forma (que segue o mesmo rito por força do disposto no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.918873/201264 Acórdão n.º 3002000.054 S3C0T2 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo recorrente a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância, considerado o contraditório em toda a sua extensão. Entretanto, quando por sua própria vontade o recorrente não exerce o seu direito, chega ao Colegiado uma discussão esvaziada. Consoante o art. 16 do PAF, preclui o direito do recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior, ou por novos fatos ou razões, trazidos aos autos ou ocorridos após a juntada da manifestação. Ainda, sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição da recorrente em que demonstre, com fundamentos, a ocorrência de alguma das exceções previstas na Norma. Pois bem, nenhuma das condições estabelecidas pelo PAF se faz presente. Tanto o motivo do alegado direito ao crédito quanto as ditas provas somente se deram a conhecer nesta fase, sem qualquer explicação pela apresentação tardia injustificada. Por consequência, configurada está a preclusão temporal. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal. Para tanto, esperase, ao menos, que o contribuinte tenha tentado demonstrar o seu direito, por meio de alegações substanciais e da juntada de documentação robusta à manifestação de inconformidade, ou seja, que tenha desempenhado sua parte no momento oportuno. Em havendo o contribuinte procedido dessa forma, poderseia conceber o conhecimento da documentação juntada ao recurso voluntário, visando a esclarecer algum ponto ou a reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo natural no decorrer da marcha processual. Mas não é o caso nestes autos. Um segundo aspecto importante para o aceite extemporâneo diz respeito ao valor probatório da documentação apresentada na fase do recurso voluntário. É de conhecimento corrente que a compensação somente pode ser autorizada para os créditos líquidos e certos, por força do art. 170 do CTN. Logo, as provas tardias deveriam se desincumbir dessa tarefa com excelência, de tal forma que não restasse ao julgador senão adotar o caminho proposto pelo contribuinte (considerando que ele houvesse atendido o pressuposto anterior). Sobre esse quesito, a recorrente traz uma planilha de movimentação da conta bancária, com os 10 depósitos em conta bancária que teriam sido acrescidos indevidamente à base de cálculo da Cofins e foram por ela excluídos quando das retificações de DCTF e Dacon. Essa planilha, que se transcreve a seguir, está acompanhada dos extratos bancários (fls. 67 a Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.918873/201264 Acórdão n.º 3002000.054 S3C0T2 Fl. 7 6 78). Na planilha foi informado tratarse de movimentação do ano de 2012, mas esse lapso foi desconsiderado, uma vez estar claro que se refere à 2010. Data Descrição da Movimentação Valores Excluídos Faturamento Planilha 1 01/09 Itaú (resgate operação compromissada) 90.015,86 2 02/09 Itaú (resgate operação compromissada) 1.019,84 3 03/09 Itaú (resgate aplicação compromissada) 75.026,37 4 08/09 Banco do Brasil (DOC devolvido) 300,00 5 10/09 Banco do Brasil Giro Flex (resgate aplicação) 155.000,00 6 10/09 Itaú (resgate operação compromissada) 34.235,00 7 10/09 Itaú (Ag TEF 0781.519996) 180.000,00 8 22/09 Carvalhais Consultores Associados Ltda 3.500,00 9 27/09 Itaú (DEV DOC 056792 24/09 MOT 57) 1.505,28 10 29/09 Itaú (depósito dinheiro) 188,36 Total 540.790,71 1.865.567,98 Diferença Apurada 1.324.777,27 Procedeuse a um batimento simples entre os dados da planilha e os extratos bancários. Nas operações de nº 1 a 6, que se relacionam com resgate de operação compromissada e capital de giro, está clara a origem do valor. No entanto, sobre a operação de nº 7 a única informação que o extrato bancário nos traz é que se trata de um crédito na conta do contribuinte no valor de 180 mil reais, provavelmente feita a partir de uma outra conta também do Banco Itaú. Mas nada ali nos confirma que não se trata de receita por serviços prestados. A operação nº 8 não existe na data de 22/09. Há um depósito em cheque no valor de 3.500 reais no dia 20/09, mas é impossível saber por que motivo foi feito o depósito. É o mesmo caso do depósito em dinheiro da operação nº 10, não se sabe por que motivo tal valor foi depositado na conta bancária. Nesses casos, o extrato bancário não demonstra nada. A operação nº 9 não ocorreu no dia 27/09, como consta da planilha, mas no dia 24/09. Uma simples averiguação, realizada em um conjunto tão pequeno de dados já nos aponta uma inconsistência na planilha do contribuinte e que, se confirmada, teria por consequência a certeza de que a retificação realizada no Dacon e na DCTF é equivocada. O segundo aspecto, também fundamental, é que se consideramos apenas as informações existentes nos autos, não há como saber se tais valores compunham de fato a base de cálculo da Cofins, nem se a sua exclusão acarretaria verdadeiramente a redução da Cofins devida de R$ 54.029,22 para R$ 37.804,50. A recorrente efetua uma alteração que afeta o cálculo da contribuição para todo o período (setembro/2010), mas não providencia informações que evidenciam o que alega, como uma memória de cálculo da contribuição, antes e após as exclusões, amparada em documentos contábeis e fiscais revestidos das necessárias formalidades. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.918873/201264 Acórdão n.º 3002000.054 S3C0T2 Fl. 8 7 Em suma, está precluso o direito de apresentação de prova documental e, ainda que assim não fosse, a documentação juntada em fase de recurso voluntário não logra demonstrar o direito da recorrente. Por fim, não conheço da alegação de nulidade da multa de mora, por ser desproporcional e caracterizar o confisco vedado pelo art. 150 da CF, visto que esta matéria não foi refutada na manifestação de inconformidade e não existe previsão legal para inovação das alegações nesta fase processual. Como dito anteriormente, a manifestação de inconformidade é peça fundamental do contencioso administrativo, vez que delimita a lide. O PAF determina que os motivos de fato e direito, bem como as razões e os pontos de discordância sejam mencionados na manifestação de inconformidade, devendo ser considerada matéria não impugnada aquela que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, nos termos dos seus arts. 16, inciso III, e 17. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer da matéria nulidade da multa de mora e, em relação à parte conhecida do recurso voluntário, negar provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005472/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. DESISTÊNCIA.
Não se deve conhecer de recurso voluntário por falta de interesse se, antes do julgamento, a contribuinte já havia formalizado sua renúncia ao contencioso administrativo por adesão à parcelamento regularmente deferido.
Numero da decisão: 2201-004.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos, atribuindo-lhe efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado, não conhecer do recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente).
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. DESISTÊNCIA. Não se deve conhecer de recurso voluntário por falta de interesse se, antes do julgamento, a contribuinte já havia formalizado sua renúncia ao contencioso administrativo por adesão à parcelamento regularmente deferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos, atribuindolhe efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado, não conhecer do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente). Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 54 72 /2 00 8- 41 Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10380.005472/200841 Acórdão n.º 2201004.355 S2C2T1 Fl. 857 2 Relatório Tratamse de Embargos Inominados, previstos no artigo 66, Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em face do acórdão 2403 00.147, proferido no dia 21/09/2010, assim ementado: PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. COMPENSAÇÃO. A compensação depende da reciprocidade das obrigações e da liquidez do crédito. Em síntese, a embargante alega a existência de pedido e deferimento de parcelamento do débito impugnado (documentos de fls. 820/842), o que caracteriza a confissão da dívida e importa na renúncia ao contencioso administrativo. O referido parcelamento foi protocolado no dia 02/07/2008, ou seja, depois do protocolo do Recurso Voluntário, dia 30/04/2007 e antes do julgamento do referido recurso, que se deu no dia 21/09/2010. O despacho de fls. 853/855 recebeu os embargos e o submeteu à julgamento com o fim de analisar os efeitos do parcelamento no acórdão embargado. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Conforme alegado pela embargante e confirmado na documentação acostada, houve o pedido de parcelamento por parte de contribuinte depois da interposição do recurso e antes do acórdão que julgou o Recurso Voluntário. Embora o pedido de parcelamento tenha ocorrido antes do proferimento do acórdão, a informação acerca de sua existência só chegou ao conhecimento deste Conselho após o julgamento do recurso apresentado pela contribuinte. A ausência de informação acerca do parcelamento resultou no conhecimento e julgamento do Recurso Voluntário apresentado. Caso fosse de conhecimento da Turma julgadora a existência do referido parcelamento/desistência de contestação o Recurso Voluntário não teria sido recebido por falta de interesse recursal. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10380.005472/200841 Acórdão n.º 2201004.355 S2C2T1 Fl. 858 3 Confirmado o lapso manifesto que levou ao equívoco no julgamento, não resta saída diversa do acolhimento dos presentes embargos com efeitos infringentes para sanar o vício e modificar a decisão recorrida. Em caso semelhante ao em apreço, decidiu o CARF, através do acórdão 2202004.328, relatado pelo Conselheiro Martin da Silva Gesto: EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. INFORMAÇÃO TRAZIDA AOS AUTOS APÓS O JULGAMENTO. Tratase de lapso manifesto, pois a apreciação pelo Colegiado do recurso voluntário deveria ter levado em consideração a existência da adesão da contribuinte a parcelamento, o que caracterizaria a desistência do recurso. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA. O pedido de parcelamento pelo sujeito passivo importa a desistência do recurso, configurando renúncia ao direito sobre o qual se funda a lide, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão a ele favorável. Embargos Acolhidos. Destarte, entendo que a manifestação de desistência formulada em relação ao vertente crédito tributário, em momento anterior ao julgamento, nos redireciona ao reexame das condições de admissibilidade do recurso. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por acolher os embargos inominados com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 240300.147, alterar a decisão embargada para não conhecer do recurso voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 858DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917219/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO EM EXERCÍCIO SEGUINTE. Por força do artigo 6º, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996, o saldo negativo do imposto apurado em 31 de dezembro será compensado com o imposto a ser pago a partir do ano subsequente, assegurada a alternativa de requerer, a restituição do montante pago a maior. Nos casos de períodos sucessivos o saldo negativo do ano anterior se incorpora no fluxo do saldo do ano seguinte até que efetivamente a empresa possua condições de compensar. Em havendo longo período de prejuízos ou situações de fase não operacional em que não exista imposto a pagar, dito saldo não é atingido pela decadência. O termo inicial dessa contagem se dá a partir do período em que o contribuinte não puder mais aproveitar os créditos, mormente pela mudança do regime de tributação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.813
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, determinando-se o retorno dos autos à DRF de origem para, mediante complementação do despacho decisório, verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, considerando os saldos negativos de recolhimento do IRPJ do ano-calendário de 1998, passíveis de utilização no ano de 1999 e seguintes. Vencida a conselheira Albertina Silva Santos de Lima que sobrestava o julgamento. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO EM EXERCÍCIO SEGUINTE. Por força do artigo 6º, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996, o saldo negativo do imposto apurado em 31 de dezembro será compensado com o imposto a ser pago a partir do ano subsequente, assegurada a alternativa de requerer, a restituição do montante pago a maior. Nos casos de períodos sucessivos o saldo negativo do ano anterior se incorpora no fluxo do saldo do ano seguinte até que efetivamente a empresa possua condições de compensar. Em havendo longo período de prejuízos ou situações de fase não operacional em que não exista imposto a pagar, dito saldo não é atingido pela decadência. O termo inicial dessa contagem se dá a partir do período em que o contribuinte não puder mais aproveitar os créditos, mormente pela mudança do regime de tributação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, determinandose o retorno dos autos à DRF de origem para, mediante complementação do despacho decisório, verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, considerando os saldos negativos de recolhimento do IRPJ do anocalendário de 1998, passíveis de utilização no ano de 1999 e seguintes. Vencida a conselheira Albertina Silva Santos de Lima que sobrestava o julgamento. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.917219/200834 Acórdão n.º 140200.813 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório TERASAKI DO BRASIL LTDA, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Versa o presente processo sobre a controvérsia instaurada em razão do indeferimento pela DERAT/RJO do pleito compensatório formulado pelo interessado, onde, através do Despacho Decisório eletrônico de fls. 26, foi informado que já havia transcorrido o prazo de cinco anos para a apresentação da PER/DCOMP, eis que o saldo negativo utilizado era de 1998 e a transmissão da PER/DCOMP foi em 14/12/2004. Devidamente cientificada (fls. 12), em 22/08/2008, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade (fls. 16/25), em 22/09/2008, cujas razões de defesa abaixo se seguem: Foi apurado saldo negativo de IRPJ em 31/12/1998 e promovida a compensação do mesmo com débitos apurados em janeiro, fevereiro e março de 2002; janeiro e março até agosto de 2003; As declarações foram atos meramente declaratórios de uma situação já ocorrida, que só foram feitas porque seus consultores externos, na revisão da contabilidade, concluíram que deveriam ser informadas à Receita Federal, via PER/DCOMP as compensações então realizadas; Assim, as PER/DCOMP foram apenas apresentadas em 2004 para formalizar as compensações e foram apresentadas DCTF retificadoras para corrigir a falta das PER/DCOMP; A entrega das PER/DCOMP não passam de uma obrigação acessória, meramente formal, que até poderia ser dispensada, havendo, neste caso, prudência da impugnante em apresentálas; O direito à compensação dos valores recolhidos é imprescritível. Mas, mesmo que se entenda de forma diversa, por quaisquer das interpretações que se adote, a compensação foi promovida dentro do prazo legal, seja pela contagem de cinco anos, seja pela contagem de dez (5 + 5), uma vez que o crédito era de 1998 e a compensação foi efetuada em 2002 e 2003; Cumpre ser destacado que o presente pedido é de compensação de crédito tributário. Assim deferese ou não a mesma; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.917219/200834 Acórdão n.º 140200.813 S1C4T2 Fl. 0 3 Caso entendase, o que se admite por eventualidade, que ocorreu a decadência, por óbvio não poderia então a presente declaração ter o condão de promover o lançamento de crédito tributário, posto tratarse de pedido de compensação; Resta à autoridade homologar ou não a compensação, mas caso não a homologue deverá promover eventual cobrança dos créditos que teriam sido extintos com a compensação por meio próprio; Mesmo que absurdamente se entenda pela inexistência do direito à compensação efetuada, o presente não deve se prestar para quaisquer lançamentos, até porque, diante de um lançamento a impugnante deve ter assegurado o direito à ampla defesa e ao contraditório, o que só pode ser feito através da impugnação. A decisão recorrida está assim ementada: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA QUINQUENAL. OBRIGATORIEDADE DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. É obrigatória a apresentação do pedido de compensação por meio eletrônico, cujos efeitos da inobservância são a não declaração da compensação e considerado não formulado o pedido. O direito de pleitear a restituição ou a compensação extinguese em cinco anos, contados a partir da data da efetivação do suposto indébito. PRAZO PARA PLEITEAR RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial para reconhecimento de direito creditório, relativo a tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, ainda que tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, extinguese após o transcurso de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, inclusive na hipótese de tributos lançados por homologação, nos termos dos artigos 150, § 1º, 165 e 168, todos do Código Tributário Nacional. SALDO NEGATIVO IRPJ. PER/DCOMP. DECADÊNCIA DO DIREITO. FLUÊNCIA DO PRAZO QÜINQÜENAL. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real, optante pelo pagamento mensal por estimativa, tem o prazo de cinco anos, a partir do fato gerador para apresentar o pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ e da CSLL nela verificado. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.917219/200834 Acórdão n.º 140200.813 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Em litígio o reconhecimento de direito creditório sobre saldos negativos de recolhimentos (SNR) de IRPJ do anocalendário de 1998, que segundo a DRF e DRJ não poderia ser objeto de compensação 2004, quando da transmissão da DCOMP Pois bem, o entendimento majoritário deste colegiado é no sentido de que os SNR, tanto de IRPJ quando de CSLL, acumulamse a cada período, formando uma espécie de “contacorrente”, à semelhança do Saldo de Prejuízos Fiscais passiveis de compensação, devendo ser controlado na escrita contábil e no Lalur. O SNR do período anterior se incorpora no fluxo do saldo do ano seguinte até que efetivamente a empresa possua condições de compensar. Citese nesse sentido o Acórdão no. 140200604 de 30/06/2011, cuja ementa e voto condutor, da lavra do ilustre conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, elucidam. Ementa SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado, escriturado e declarado ao Fisco, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. De igual forma, a administração tributária conta também com 5 anos para verificar a correção dos valores pleiteados, estando a contribuinte obrigada a manter a escrituração e comprovantes e boa guarda, em observância ao artigo 264 do RIR/2009. Voto A Câmara Superior nos últimos 3 anos, havia sedimentado o entendimento no sentido que, regra geral, o prazo para pleitear a restituição extinguese mesmo após 5 anos, contados do pagamento, nos termos do art. 168, inciso I, do CTN, conforme decido no acórdão nº 016000, proferido em 12/08/2008. Especificamente quanto ao saldo negativo de recolhimentos de IRPJ e CSLL, a 1a. Turma da CSRF vinha decidindo que o inicio da contagem prazo deslocase para a data da entrega da declaração. Nesse sentido citese o seguinte julgado. Acórdão nº 0106.047, de 10/11/2009, proferido no recurso 105152.539. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.917219/200834 Acórdão n.º 140200.813 S1C4T2 Fl. 0 5 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido; extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165 I e 168 I da Lei 5172 de 25 de outubro de 1966 (CTN). No caso do saldo negativo de IRPJ/CSLL (real anual), o direito de compensar ou restituir iniciase em abril de cada ano (Lei 9.430/96 art. 6° / RIR199 ART. 858 § 1° INCISO II). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam integrar o presente julgado. Todavia, na sessão da CSRF de agosto/2010, a matéria foi revista, conforme Acórdão 910100.347 (ementa e fundamentos a seguir transcritos): Ementa: SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL,acumulado, devidamente apurado e escriturado, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos,mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades.Recurso Provido. [...] Voto (...) Pois bem, o saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e da CSLL afloram quando o valor das antecipações desses tributos – retenções em fonte ou recolhimentos por estimativa superaram o valor apurado a partir do lucro real(IRPJ) ou lucro liquido ajustado, respectivamente. Vejamos o que dispõe a legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social a partir do anocalendário de 1997. Lei 9.430 de 1996: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15. da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.917219/200834 Acórdão n.º 140200.813 S1C4T2 Fl. 0 6 § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. (...) Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. (...) Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. pela análise da sistemática de apuração, recolhimento e compensação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e Contribuição Social – Lucro Real a partir do anocalendário de 1997, sob a égide da Lei 9.430/1996, estou Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.917219/200834 Acórdão n.º 140200.813 S1C4T2 Fl. 0 7 convencido de que não há prazo para o contribuinte pleitear a restituição do chamado saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e CSLL, devidamente apurado e apurado. Isso porque a lei estabeleceu um contacorrente. Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2º O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta da receita da União. § 3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. § 5º O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. § 6º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. § 7º O valor da contribuição para a seguridade social COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. § 8º O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SRF nº 93 de 24.12.1997 Apuração Anual do Lucro Real Art. 23. O imposto devido sobre o lucro real de que trata o §6º do art. 2º será calculado mediante a aplicação da alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o lucro real, sem prejuízo da incidência do adicional previsto no §3º do art. 2º. §1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido com observância das leis comerciais. §2º Considerase lucro real o lucro líquido do períodobase, ajustado pelas adições prescritas e pelas exclusões ou compensações autorizadas pela legislação do imposto de renda . Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.917219/200834 Acórdão n.º 140200.813 S1C4T2 Fl. 0 8 §3º Observado o disposto no §4º do art. 2º, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: a) dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente; b) dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; c) do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; d) do imposto de renda calculado na forma dos arts. 3º a 6º e 10, pago mensalmente; e) do imposto de renda da pessoa jurídica pago indevidamente em períodos anteriores, ainda que compensado no decurso do anocalendário com o imposto de renda devido, apurado com base nas regras dos arts. 3º a 6º e 10. §4º Para efeito de determinação dos incentivos fiscais de dedução do imposto, serão considerados os valores efetivamente despendidos pela pessoa jurídica. (...) Art. 49. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, observadas as alterações previstas na Lei nº 9.430, de 1996. IN SRF 210/02 IN Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SRF nº 210 de 30.09.2002 Restituição Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Parágrafo único. A SRF poderá promover a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. Art. 3º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição"; II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); ou Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.917219/200834 Acórdão n.º 140200.813 S1C4T2 Fl. 0 9 III de ofício, em decorrência de representação do servidor que constatar o indébito tributário. (...) Art. 6º Os saldos negativos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Constatase que o aproveitamento dos saldos negativos nos períodos de apuração seguintes independe autorização prévia da RFB, muito menos está sujeita a apresentação de DCOMP. Tratase de um verdadeiro contacorrente, a exemplo do que ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializado. A cada mês o contribuinte apura o tributo devido, verifica o saldo de recolhimento do período anterior (existência de saldo negativo), bem como as retenções na fonte, e apura o saldo a pagar ou o novo saldo negativo de recolhido. Tratase de um procedimento dinâmico, que deve ser controlado no Lalur. O contribuinte deve manter em boa guarda todos os comprovantes de apuração, retenção e recolhimentos, enquanto estiver realizando aproveitamento de saldos anteriores, tal qual ocorre com o saldo de prejuízos fiscais ou lucro liquido negativo ajustado. Enquanto o contribuinte se mantiver no regime de apuração do lucro real poderá aproveitar esses saldos negativos de recolhimento. Mas se encerrar suas atividades ou mudar de regime, tem cinco anos para pleitear a restituição ou compensação desse saldo. No imposto de renda das pessoas físicas ocorre situação diversa, mas a diferença a maior entre as retenções em fonte e o imposto apurado no ajuste anual é restituído na forma da legislação de regência, sendo que essa declaração deve ser apresentada no prazo de 5 (cinco) anos, caso deseje receber a restituição. Frisese que o contribuinte do IRPF não tem a faculdade de compensar espontaneamente o imposto apurado nos anos seguintes, mesmo que tenham apresentado a declaração de ajuste. Aliás, é vedada qualquer tipo de compensação, devendo o contribuinte aguardar a restituição pela RFB. Registrese que, da mesma forma que o contribuinte pode pleitear hoje a restituição de saldos nos quais estão incluídos valores gerados há 10 dez ou 15 anos, a Fazenda Pública pode fiscalizar a formação desses saldos. Não se trata, evidentemente, de auditoria do lucro liquido ou lucro real apurado pelo contribuinte, cujo prazo continua sendo contado na forma do art. 150 c/c 173 do CTN, e sim da efetividade dos recolhimentos, IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações (inclusive com outros tributos), enfim: a própria formação do saldo. O art. 264 do RIR/1999 preceitua que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes; ou seja: o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve investigar a origem do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido, e cabe ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente, enquanto não prescritas eventuais ações relativas ao Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.917219/200834 Acórdão n.º 140200.813 S1C4T2 Fl. 0 10 crédito em questão. Tal situação se verifica no presente caso. (os grifos são do original). Caso os fundamentos acima referidos não fossem suficientes para prover o recurso, tendo a tese dos 5 + 5, sido referendada pelo STF, nos termos do artigo 543B, do CPC, o que à luz do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, vincula as decisões deste colegiado, o recurso também seria provido pela aplicação da decisão aqui referida. Do exposto, resta determinar seja proferido novo despacho decisório, no qual deverá ser verificado o SNR do IRPJ acumulado no anocalendário de 1998, não utilizados pelo contribuinte, passíveis de compensação nos períodos de apuração seguintes. Outrossim, na elaboração do novo despacho decisório, cumpre a Unidade de Origem verificar as justificativas e documentos apresentados pelo contribuinte em relação às demais matérias em litígio não apreciadas neste acórdão, haja vista que se está reiniciando a lide. Após cientificado do novo despacho decisório o contribuinte poderá apresentar manifestação de inconformidade à DRJ, caso não lhe seja favorável. Todavia, se quedar inerte, este processo administrativo será encerrado, sendo descabível o retorno dos autos ao CARF. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, determinandose o retorno dos autos à DRF de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, considerando os saldos negativos de recolhimento do IRPJ do ano calendário de 1998, passiveis de utilização nos anos de 1999 e seguintes. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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Numero do processo: 10245.720137/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
DOAÇÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE TRANSFERÊNCIA.
Na transferência de direito de propriedade por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do doador. Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do Doador sujeitar-se-á à incidência de imposto de renda sobre o ganho de capital.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO IMÓVEL RURAL. BENFEITORIAS. ATIVIDADE RURAL.
Deve ser adicionado ao valor da terra nua alienada, o produto da alienação das benfeitorias, quando os respectivos investimentos não houverem sido considerados na apuração do resultado da atividade rural.
Numero da decisão: 2402-006.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior Renata Toratti Cassini
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 DOAÇÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE TRANSFERÊNCIA. Na transferência de direito de propriedade por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do doador. Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do Doador sujeitar-se-á à incidência de imposto de renda sobre o ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO IMÓVEL RURAL. BENFEITORIAS. ATIVIDADE RURAL. Deve ser adicionado ao valor da terra nua alienada, o produto da alienação das benfeitorias, quando os respectivos investimentos não houverem sido considerados na apuração do resultado da atividade rural.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior Renata Toratti Cassini (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson.
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CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE TRANSFERÊNCIA. Na transferência de direito de propriedade por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do doador. Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do Doador sujeitarseá à incidência de imposto de renda sobre o ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO IMÓVEL RURAL. BENFEITORIAS. ATIVIDADE RURAL. Deve ser adicionado ao valor da terra nua alienada, o produto da alienação das benfeitorias, quando os respectivos investimentos não houverem sido considerados na apuração do resultado da atividade rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 72 01 37 /2 01 1- 26 Fl. 242DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior Renata Toratti Cassini (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10245.720137/201126 Acórdão n.º 2402006.065 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração em 11.07.2011 para constituição de IRPF no valor principal de R$ 103.766,05, acrescido da multa de ofício (75%) e dos juros legais Selic. A autuação decorre da constatação das infrações a seguir: 1 Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais exercícios 2007, 2008 e 2009. Do Termo de Verificação Fiscal de fls. 124/140, extraemse os seguintes fatos de relevo para o caso: Em 06.01.2004, o recorrente recebeu de seus pais, em doação, 1/3 da Fazenda São Sebastião, que foi alienada em 24.06.2005 pelo valor de R$ 2.266.000,00, relativo a 2/3 do imóvel, a ser pago de forma parcelada ao longo de 2005 a 2007, conforme escritura pública de compra e venda. Ao final, foi considerado o valor de R$ 1.997.507,68 como sendo o de alienação, cabendo R$ 998.753,84 ao sujeito passivo. Referido imóvel integrou seu patrimônio, em sua DIRPF/05, por R$ 13.581,40, valor correspondente à transferência declarada na DIRPF do alienante. Segundo aponta a Fiscalização, o documento de aquisição não faz referência a benfeitorias existentes. Contudo, foi identificado DIAT para 2004, com VTN no valor de R$ 55.000,00. Sendo assim, atribuiu ao imóvel, o custo de aquisição de R$ 18.333,33 (R$ 55.000,00 / 3 ). Na alienação, da mesma forma e segundo a Fiscalização, o documento do negócio não especificou os valores da terra nua e das benfeitorias, sequer atestou sua existência. No mesmo sentido, foi identificado DIAT para 2005 (ano da alienação) , com VTN no valor de R$ 55.000,00. Contudo, em função do respondido pelo contribuinte, no sentido de que o valor da terra nua corresponderia a R$ 880.000,00, foi considerado, como VTN, o valor de R$ 440.000,00 (1/2 do valor informado), que coincidiu com aquele declarado pelo contribuinte no Demonstrativo de Apuração dos Ganhos de Capital relativos ao ano calendário 2005, anexo à sua DIRPF/06. Fl. 244DF CARF MF 4 Quanto às benfeitorias, após o recorrente ter informado a inexistência de aquisições no período de 01/2004 a 06/2005, o valor a elas relacionados (R$ 1.386.000,00/2) foi adicionado ao de alienação do imóvel. Em 2004, não apurou resultado da atividade rural. Em 2005, 2006, 2007 e 2008 declarou receitas, apenas receitas, da atividade rural, que, segundo o contribuinte, decorreriam da venda das benfeitorias existentes. Regularmente intimado, apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 200/210. Em seu Recurso Voluntário às fls. 223/235, aduz, em síntese: Que uma vez verificada a subavaliação do VTN, a Fiscalização deveria proceder ao lançamento de ofício, utilizandose do VTN no SIPT, valendose dos critérios do artigo 12, § 1º, II da Lei 8.629,93; Que a sistemática adotada, aquela da Instrução Normativa SRF nº 84/2001, não observou as determinações legais; Que as benfeitorias já existentes antes da aquisição não foram consideradas pela fiscalização juntamente ao VTN da aquisição; Que ao tributar as benfeitorias na apuração do ganho de capital, implicou em bitributação, eis que teriam sido tributadas como receita da atividade rural; Que juntou aos autos as DIRPF do doador, que comprovariam a existência das benfeitorias; e Que não havia como declarar as benfeitorias como custo/despesa, pois não foi ele quem as constituiu. É o relatório. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10245.720137/201126 Acórdão n.º 2402006.065 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 04.05.2015 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 03.06.2015. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. A controvérsia reside na utilização dos incisos I e II do § 2º do artigo 19 da Instrução Normativa 84/2001, frente ao que dispõe o artigo 19 da Lei 9.393/96, além do fato de a Fiscalização não ter adicionada ao valor de aquisição, as pretensas benfeitorias. Art. 19. Considerase valor de alienação: § 2o Na alienação dos imóveis rurais, a parcela do preço correspondente às benfeitorias é computada: I como receita da atividade rural, quando o seu valor de aquisição houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; II como valor da alienação, nos demais casos. Mais especificamente, o fato de a autoridade autuante ter adicionado o valor da alienação das benfeitoras ao VTN declarado e reconhecido pelo contribuinte. No entender do contribuinte, tal valor deveria ser reconhecido como receita da atividade rural. Passemos, assim, a análise sistêmica dos dispositivos, inseridos no arcabouço normativo que trata da matéria. O artigo 153 da nossa Constituição Federal estabelece competir à União instituir impostos sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Por sua vez, o artigo 43 do CTN define que renda é o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, ao passo que proventos, os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda. Nessa linha, o artigo 3º da Lei 7.713/88, em especial seu parágrafo 2º, como regra matriz para incidência do IR sobre o ganho de capital (GCAP), prescreve que integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de BENS OU DIREITOS DE QUALQUER NATUREZA. E mais, o § 3º, ao dispor sobre a alienação, é claro ao mencionar que serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. Ou seja, o diploma legal acima, que não trata especificamente do imóvel rural, tampouco o excetua da sistemática, traz a regra geral para a exação. É dizer: todo a acréscimo patrimonial, seja sobre qual for o patrimônio, apurado quando de sua alienação, deve ser oferecido à tributação. E não se deve perder isto de vista. Fl. 246DF CARF MF 6 Por obvio, devem ser observadas as circunstâncias legais que autorizam a dedução ou soma dos valores, respectivamente, de alienação e do custo de aquisição, bem com aquelas que, à luz do artigo 97 do CTN, estabeleçam a isenção do imposto na operação. Tratemos, adiante, do GCAP na alienação de imóvel. Na concepção da Lei Civil, BEM IMÓVEL é o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural (Imóvel por Natureza) ou artificialmente (Imóvel por Acessão Física) (art 79) Ainda assim, não perdem o caráter de imóveis: as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local e os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem. Ou seja, pela Lei civil, tanto o solo quanto às construções e benfeitorias nele incorporadas, fazem parte do IMÓVEL. A lei 8.023/90, que trata da Atividade Rural e da apuração do seu ganho, tributável pelo IR no ajuste anual na DIRPF, não define o que vem a ser IMÓVEL RURAL, mas tão somente a atividade rural. Aquele diploma define a sistemática para a apuração do resultado da atividade rural, vale dizer, quando se pratica a atividade tal como prevista em seu artigo 2º. Em síntese: os investimentos pagos, dentre eles os que agregarão valor ao imóvel por acessão física, serão considerados despesas na apuração do resultado; e, quando de sua alienação, receita da mesma atividade. Note que o legislador possibilitou àquele que exercesse a atividade rural valerse dos investimentos em benfeitorias como despesa da atividade rural, sendo que, quando da venda do IMÓVEL, o valor a elas relacionado seria reconhecido como receita. Assim, caso houvesse algum ganho imobiliário nessas benfeitorias (imóvel por acessão), seria tratado no âmbito do ajuste anual, com as prerrogativas daquela sistemática de tributação favorecida, se fosse o caso (opção pelos 20% da receita como resultado). Em ouras palavras: quem exerce a atividade rural pode se valer dos gastos com benfeitorias como custo para essa atividade e quando vender o imóvel, reconhece a venda dessa parcela como receita. É uma oportunidade para quem exerce a atividade rural ter seu resultado afetado, imediatamente, pelos seus investimentos na produção, e não adicionado ao custo do seu imóvel para um futuro e eventual aproveitamento na redução de seu ganho de capital. E por força do artigo 14: O prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa jurídica poderá ser compensado com o resultado positivo obtido nos anosbase posteriores. Perceba que a tributação dos investimentos em benfeitorias (despesas/custo), bem assim o produto de sua alienação (receita) no âmbito da atividade rural é substancialmente menor do que caso optasse por apurar o ganho de capital em sua alienação. A depender dos valores envolvidos, da forma de pagamento, da opção pela tributação de apenas 20% da receita e das deduções na apuração do ajuste, pode ser que não resulte IR devido ao final do período, ainda que a alienação tenha se dado com expressivo ganho patrimonial. É um favor fiscal, em função da política tributária, àqueles que exercem a atividade rural e reconhecem, ambos, os investimos e alienações relacionados às benfeitorias na apuração do resultado daquela atividade. Nessa linha, não é dada ao contribuinte, extrapolando a benesse fiscal, a opção por adicionar as despesas com os investimentos em benfeitorias ao custo de aquisição do Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10245.720137/201126 Acórdão n.º 2402006.065 S2C4T2 Fl. 5 7 imóvel, reduzindo, ao final, o ganho de capital na alienação do imóvel; e reconhecer o produto da venda como receita da atividade rural, levando ao ajuste apenas 20% desse valor, sobre o qual ainda serão deduzidas as despesas lá permitidas (ou deduzir em 20%, a título de desconto simplificado, observado o limite legal). Definitivamente, tenho que esta não foi a intenção do legislador. Por sua vez, fez questão de esclarecer que o valor da terra nua, quando da alienação do imóvel, não integraria a apuração do resultado da atividade rural, mas sim, por meio da apuração de GCAP prevista no artigo 3º daquela regra matriz (L. 7.713/88). Assim, a pelo menos desde 04/1990, o valor das benfeitorias, seja como investimento pago (despesa), seja na venda como bem da produção (imóvel rural), é considerado na apuração do resultado da atividade rural e, a rigor, não integram os valores de aquisição e de alienação para fins de apuração do GCAP. Posta acima a sistemática legal para apuração do resultado da atividade rural, passemos, em consonância com a análise empreendida, aplicar a metodologia legal para a apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural (por natureza e por acessão). Sob a égide da Instrução Normativa SRF nº 39/1993, revogada pela de nº 84/2001, tínhamos: Art. 18. No caso de imóvel rural será considerado custo de aquisição o valor, em UFIR, relativo à terra nua. Parágrafo único. Considerase terra nua o imóvel rural despojado das construções, instalações e melhoramentos, das culturas permanentes, das árvores de florestas plantadas e das pastagens cultivadas ou melhoradas, que se classificam como investimentos (benfeitorias) da atividade rural. Art. 22. Considerase valor de alienação: § 4º Na alienação de imóvel rural com benfeitorias, será considerado apenas o valor da terra nua. Veja que os dispositivos acima tratavam, apenas, no valor da terra nua. Assim, considerado o normativo revogado, tínhamos a seguinte questão a responder: Na alienação do imóvel rural com benfeitorias, como tratar aqueles casos em que não se exerce a atividade rural ou, se a exerce, não levou tais valores para a apuração do resultado da atividade rural, uma vez que, em função da matriz legal, integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de BENS OU DIREITOS DE QUALQUER NATUREZA ? Note que a norma matriz instituiu a incidência tributária nos ganhos de capital de maneira suficientemente abrangente, de formar que, eventual tratamento que tendesse a excluir determinada operação, como por exemplo, a alienação das benfeitorias, deveria constar expressamente de norma isentiva, na forma do artigo 111, II, do CTN. Assim, a par dessa problemática, a IN 84/2001, ao reconhecer a inexistência de norma isentiva em face da regra geral (art 3º da Lei 7.713/88) e, por outro lado, ao Fl. 248DF CARF MF 8 reconhecer o permissivo legal para o aproveitamento dos gastos com benfeitorias na apuração do resultado da atividade rural, regulamentou, com fulcro no artigo 100 da CTN: Custo de aquisição = VTN Se as benfeitorias não tiverem sido computadas como investimentos na apuração do resultado da atividade rural, poderão integrar o valor do custo de aquisição e, quando da alienação do imóvel, também integrarão o valor de alienação. Se, por outro lado, tiverem sido computadas como custo/investimento na apuração do resultado da atividade rural, deverão ser reconhecidas como receita dessa atividade rural, quando da alienação do imóvel; caso não tenham sido reconhecidas como receita, o valor comporá o de alienação. Caso não exerça ou não tenha se valido da sistemática acima e por força da regra matriz (lei 7.713/88), essa tributação se dará no âmbito da apuração do GCAP, adicionandose, tanto ao custo, quanto no valor de alienação, a parcela identificada como sendo investimento em benfeitorias. Assim, a IN SRF 84/2001 procurou dar efetividade ao benefício instituído pela lei 8.023/90, em confronto com a previsão na lei 7.713/88. Com o advento da Lei 9.393/96, que em nada modificou a sistemática então delineada, surgiu a controvérsia com relação ao aproveitamento daquele valor de terra nua, por força do que constou em seu artigo 19. A Lei 9.393/96, de 19.12.1996 dispõe sobre o ITR e, para fins de sua apuração, estabeleceu o IMÓVEL RURAL como o IMÓVEL POR NATUREZA. Apenas solo, matas e florestas nativas. É o que se costuma chamar de Terra Nua. Em um único artigo que trata do GCAP, definiu que o ganho de capital, para os IMÓVEIS RURAIS, deveria considerar o Valor daquela Terra Nua como custo de aquisição e valor da venda. Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Note que o dispositivo acima não inovou quanto a considerar o VTN como custo de aquisição e como valor da venda do imóvel rural, eis que assim já tratava a legislação tributária antes de sua edição (IN SRF 39/1993). Consoante se extrai da exposição de motivos da Medida Provisória 1.528/96, convertida na Lei 9.393/96, pretendeu o legislador que, quando da alienação da terra nua, fosse adotado o valor declarado pelo contribuinte como base de cálculo do ITR. Não quis a lei, no entender deste Relator ao tratar da apuração do ganho de capital resumir todo o imóvel rural ao valor da terra nua, mas, sim, estabelecer que para a determinação do valor do imóvel por natureza, seria observado, tanto na aquisição, quanto na alienação, o valor da terra nua VTN, declarado pelo próprio contribuinte à RFB. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10245.720137/201126 Acórdão n.º 2402006.065 S2C4T2 Fl. 6 9 A novidade foi que, com relação aos imóveis adquiridos após 01.01.1997, esse VTN seria extraído do DIAT apresentado pelo próprio contribuinte, quando da apuração do seu ITR, sendo certo que referido VTN decorreria de autoavaliação a preço de mercado no primeiro dia do ano. Tal disposição teve como razão de ser, a necessidade de legalmente instrumentalizar a administração tributária à obtenção daquele VTN, sobretudo nas situações em que o contribuinte tenha levado os valores relacionados às benfeitorias para a apuração do resultado da atividade rural (como custo e receita) e não disponha desses valores (VTN/benfeitorias) discriminados no instrumento da transação. Assim, se por um lado, o contribuinte precise demonstrar que "trabalhou" com as benfeitorias no âmbito da apuração do resultado da atividade rural, por outro, caso provado, o Fisco não pode mais se valer do instrumento da transação, quando não se especificou o que era VTN e o que eram benfeitorias. Usualmente o ônus dessa especificação era atribuído ao sujeito passivo. Nesse rumo, mais do que uma obrigação a que o fisco utilizasse daquele documento (DIAT), foi uma autorização para que a fiscalização se sentisse legalmente segura ao se valer de uma informação prestada pelo próprio sujeito passivo, sem que houvesse, a rigor, a necessidade de contraditála. Tanto o é, que na hipótese de o valor tiver sido subavaliado ou não houver a apresentação desse DIAT, a Fiscalização estará autorizada a valerse das informações que constam nos sistemas de preços de terras. Ou seja, aproveitarse de outra informação que, com alguma freqüência, pode não retratar o preço real praticado na operação em questão. Vejamos, novamente, o que diz a exposição de motivos, nesse ponto: Perceba que a intenção do legislador, ao mencionar a utilização do sistema de informação sobre preços de terras, foi a de que ele servisse de norte para a Fiscalização, não a de impor, a qualquer custo, sua utilização. Voltemos ao texto da lei, desta feita o do artigo 14: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área Fl. 250DF CARF MF 10 tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Não é difícil notar que o dispositivo tem sua redação voltada, primordialmente, para a apuração do ITR, quando estabelece que o lançamento de ofício considerará a informações sobre preços de terras constantes dos sistemas da RFB. Em outras palavras, o lançamento de ofício lá previsto é aquele por meio do qual se constituirá o ITR. Diferentemente da apuração do GCAP, quando a determinação dos valores de alienação e custo de aquisição são, ou ao menos deveriam ser, fielmente retratados em um documento que consubstancia o negócio jurídico entabulado; na apuração do ITR não se tem um documento que, com periodicidade anual, estabeleça o valor da terra nua que servirá de base para sua determinação. Razoável, nesse contexto, que se autorize, legalmente, a utilização do valor constante naquele sistema de preços de terras, sob pena de se engessar a fiscalização daquele tributo. No que toca ao precitado sistemas de preços de terras SIPT instituído pela Portaria SRF 447/2002, de 04/2002 cumpre ressaltar que o mesmo é alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR. Tais informações sobre preços de terra deverão observar os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. O dispositivo acima, da Lei 8.629/93, que regulamente a reforma agrária, foi alterado em 2001. A redação original impunha os seguintes critérios para o SIPT: o VTN segundo a: 1 localização do imóvel; 2 capacidade potencial da terra; e 3 dimensão do imóvel. Todavia, a atual redação impõe os seguintes critérios: 1 localização do imóvel; 2 aptidão agrícola; 3 dimensão do imóvel; 4 área ocupada e ancianidade das posses; 5 funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10245.720137/201126 Acórdão n.º 2402006.065 S2C4T2 Fl. 7 11 Percebese aqui nova autorização ao Fisco, que, em não havendo a apresentação do DIAT ou verificando a subavaliação do VTN, pode se nortear pelo valor de VTN no SIPT, como se aquele valor estimado correspondesse ao preço efetivamente praticado na operação, como numa espécie de "arbitramento". Note que tal documento, que traz valor do VTN proveniente de uma auto avaliação, não tem sua aplicação de forma absoluta, inconteste, conforme vimos acima (hipótese de subavaliação). Veja que esse dispositivo como dito acima visou, primordialmente, a que o Fisco contasse com certa instrumentalidade para a célere aferição da base de cálculo do ganho de capital, ainda que, num primeiro momento, ao valerse de uma informação prestada pelo próprio contribuinte, pudesse não corresponder a verdade dos fatos. Prestigiouse, nesse sentido, a celeridade e o incremento da presença fiscal. Indubitavelmente, por outro lado, trata de um dispositivo que ao agilizar o procedimento fiscal, pode, a depender do caso, não refletir a justa tributação. Podese chegar a um valor estimado, que pode ser que se aproxime ao do caso concreto, ou pode ser que não. Diferentemente da utilização dos instrumentos do negócio (escrituras e contratos, por exemplo), que, além de no mínimo obrigarem as partes envolvidas, devem observar, conforme o caso, as formalidades legais. Pois bem, esse é o cenário: Se há o DIAT, a Fiscalização PODE dele se utilizar; por outro lado, caso não haja ou se identifique patente subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a fiscalização PODE se valer das informações do SIPT; Contudo, caso tenha disponível os documentos negociais, que retratem, concretamente, a operação, deles DEVEM se valer. Mas e quando esse documento não traz especificado o VTN e as benfeitorias? Como já abordado, a sistematização das duas apurações relacionadas a imóveis rurais, quais sejam, a apuração do resultado da atividade rural a do GCAP, em consonância com a regra matriz do artigo 3º da Lei 7.713/88, conduz ao seguinte entendimento, para os imóveis adquiridos após 01.01.1997: Contribuinte utilizou os investimentos em benfeitorias na apuração do resultado da atividade rural como custo e como receita na alienação do imóvel: Custo de aquisição VTN e valor de alienação VTN PODEM ser extraídos do DIAT/SIPT ou PODEM ser extraídos dos documentos negociais, caso especifiquem o VTN. Contribuinte utilizou os investimentos em benfeitorias como custo na apuração do resultado da atividade rural, mas não reconheceu o produto de sua venda como receita da mesma atividade. Custo de Aquisição VTN PODE ser extraído do DIAT/SIPT ou PODE ser extraído dos documentos negociais, caso especifiquem o VTN; Fl. 252DF CARF MF 12 Valor de alienação PODE ser extraído dos documentos negociais valor total da alienação. Temse, nesse caso, a apuração do ganho de capital na alienação das benfeitorias, imóvel por acessão física, à luz do disposto no artigo 3º da Lei 7.713/88, eis que o produto da alienação não teria sido oferecido à tributação na apuração do resultado da atividade rural. Contribuinte não utilizou os investimentos em benfeitorias como custo na apuração do resultado da atividade rural, mas reconheceu o produto de sua venda como receita da mesma atividade. Custo de Aquisição VTN PODE ser extraído do DIAT/SIPT, adicionandose o valor das benfeitoras, caso conste dos documentos negociais ou seja comprovado pelo contribuinte. Valor de Alienação PODE ser extraído do DIAT/SIPT, adicionandose o valor das benfeitorias ou PODE ser extraído dos documentos negociais. Contribuinte não utilizou os investimentos em benfeitorias na apuração do resultado da atividade rural ou não realiza/apura atividade rural e não reconheceu o produto de sua venda como receita da mesma atividade: Custo de aquisição VTN e valor de alienação VTN PODEM ser extraídos do DIAT/SIPT, desde que adicionadas as benfeitorias (imóvel por acessão física) ou PODEM ser extraídos dos documentos negociais valor total da alienação. Destarte, observados os critérios acima e após a análise sistêmica dos artigos 14 e 19 da Lei 9.393/96, 3º da Lei 7.713/88 e do que dispõe a Lei 8.023/90, não vislumbro qualquer impropriedade na utilização dos valores que constaram dos instrumentos negociais. Não há que se falar, desta feita, em se criar tributo, base de cálculo ou mesmo alíquota por meio de Instrução Normativa, na medida em que norma infra legal nada mais fez do que conciliar a tributação privilegiada prevista na Lei 8.023/90, para aqueles que exercem atividade rural, com a norma matriz para a apuração e cobrança do ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza, além de propiciar ao contribuinte fosse utilizado o valor efetivo (documentos), em detrimento de um estimado (SIPT). Supor o contrário, seria admitir apurar o ganho de capital tributável levando se em conta valores estimados que poderiam, ao final, conduzir a um valor de ganho inferior ao que efetivamente se teve como acréscimo patrimonial, implicando o reconhecimento de isenção, à margem da lei, da parcela não contemplada no DIAT/SIPT. Posta a análise da legislação, voltemos ao caso concreto, quando então serão abordados os valores que couberam ao contribuinte (1/2 da operação). O contribuinte alienou um imóvel rural que adquiriu em 2004 por doação de seus pais, cuja transferência entre os patrimônios derase pelo valor, praticamente simbólico, de R$ 13.581,40. E sobre esse valor, pretende seja acrescido o das benfeitorias que alega compor o imóvel. Entretanto, as supostas benfeitorias existentes antes de aquisição já integraram o valor da transferência, eis que efetuadas na forma do caput do artigo 119 do Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10245.720137/201126 Acórdão n.º 2402006.065 S2C4T2 Fl. 8 13 RIR/99, parte final. Aliás, foi esse o valor utilizado pelo recorrente no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital, anexado à sua DIRPF/06. Art. 119. Na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador (Lei nº 9.532, de 1997, art. 23). § 1º Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus ou do doador sujeitarseá à incidência de imposto, observado o disposto nos arts. 138 a 142 (Lei nº 9.532, de 1997, art. 23, § 1º). Em 2005, alienouo por R$ 1.133.000,00. Não fez constar, em qualquer dos documentos das operações, qual o valor que seria atribuído à terra nua e às benfeitorias. Em função do VTN que constou do DIAT do ano da alienação, vale dizer, R$ 18.333,00, quando comparado com o valor da efetiva alienação do imóvel R$ 1.133.00000, o recorrente se viu impelido, na apuração do ganho de capital, a reajustar aquele valor da terra nua. Assim, daquele valor, atribuiu R$ 440.000,00 à terra nua, para enquadrase na isenção prevista no artigo 23 da Lei 9.250/95 e o restante, às benfeitorias, no valor de R$ 693.000,00, o qual teria sido levado ao resultado da atividade rural nos anos de 2005 a 2008, da seguinte forma: 2005 2006 2007 2008 JANEIRO FEVEREIRO MARÇO 60.000,00 ABRIL 76.450,00 44.000,00 MAIO 30.580,00 JUNHO 36.696,00 JULHO 9.174,00 67.661,41 102.986,00 AGOSTO 40.451,11 100.000,00 SETEMBRO 50.141,75 65.586,00 OUTUBRO 30.580,00 NOVEMBRO 68.659,00 DEZEMBRO 27.474,00 TOTAL 152.900,00 188.834,27 308.705,00 160.000,00 OPÇÃO 20% 30.580,00 37.766,85 61.741,00 32.000,00 DESCONTO SIMPL 6.116,00 7.553,37 11.669,72 6.400,00 BC 24.464,00 30.213,48 50.071,28 25.600,00 IR 1.574,40 2.314,98 7.467,42 1.368,94 ALÍQUOTA EFETIVA 1,03% 1,23% 2,42% 0,86% Notese que nesse período, o contribuinte não evidenciou, em suas DIRPF, que exercia atividade rural, na medida em que não se valeu de qualquer despesa com custeio ou Fl. 254DF CARF MF 14 investimento, tampouco reconheceu, como receita, valor outro que não fossem as alegadas alienações de benfeitorias. Em suma, pretendeu o recorrente alienar por R$ 1.133.000,00 em 2005, um imóvel que recebeu de seus pais por doação pelo valor de R$ 13.581,40 em 2004 e, em função da operação, apurar o IR no valor de R$ 12.725,74. Pelo todo o fundamentado acima, entendo que a legislação não autorizou ao contribuinte a tributação do produto da alienação das benfeitorias, se é que, de fato, seriam benfeitorias, como resultado da atividade rural, na medida em que não se evidenciou o exercício de tal atividade, eis que não se valeu, naquela apuração, dos investimentos nessas alegadas benfeitoras e/ou de qualquer outro investimento legalmente admitido. Aplicase, pois, a regra matriz do artigo 3º da Lei 7.713/88. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso apresentado, para, no mérito, NEGARLHE provimento. Mauricio Nogueira Righetti Relator Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12266.720252/2015-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013
IMPORTAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO.
Na dicção do artigo 14-A, da Lei nº 10.685/2004, estão amparadas pela suspensão da Cofins- Importação as importações efetuadas por empresas localizadas na ZFM de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na zona incentivada, consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013
IMPORTAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO.
Na dicção do artigo 14-A, da Lei nº 10.685/2004, estão amparadas pela suspensão da Cofins- Importação as importações efetuadas por empresas localizadas na ZFM de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na zona incentivada, consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3302-005.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Maria do Socorro e Charles P. Nunes, que negavam provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Diego Weis Júnior e Jorge Lima Abud não participaram do julgamento em razão dos votos definitivamente proferidos pelos Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Charles Pereira Nunes na sessão de 24 de outubro de 2017, conforme artigo 58, §5º do Anexo II do RICARF.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 14/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 IMPORTAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO. Na dicção do artigo 14A, da Lei nº 10.685/2004, estão amparadas pela suspensão da Cofins Importação as importações efetuadas por empresas localizadas na ZFM de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na zona incentivada, consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 IMPORTAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO. Na dicção do artigo 14A, da Lei nº 10.685/2004, estão amparadas pela suspensão da Cofins Importação as importações efetuadas por empresas localizadas na ZFM de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na zona incentivada, consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Maria do Socorro e Charles P. Nunes, que negavam provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Diego Weis Júnior e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 02 52 /2 01 5- 10 Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 3 2 Jorge Lima Abud não participaram do julgamento em razão dos votos definitivamente proferidos pelos Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Charles Pereira Nunes na sessão de 24 de outubro de 2017, conforme artigo 58, §5º do Anexo II do RICARF. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 14/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão piso nº 1672.756, proferida pela 11ª Turma da DRJ/SPO, datada de 12 de maio de 2016 (fls. 1.270 1.284): Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário relativo ao PIS e CofinsImportação, acrescido de multa de ofício e juros de mora, bem como para exigência da multa de 1% sobre o valor aduaneiro, por prestar informação inexata, perfazendo o valor total do crédito tributário exigido R$ 216.954.173,54. O procedimento fiscal abrangeu as importações de mercadorias classificadas nos códigos NCM 7106.91.00 e 8107.20.10 (prata e cádmio em estado bruto), realizadas no período de 2010 a 2013. Referidas mercadorias foram adquiridas pela interessada, empresa sediada na Zona Franca de Manaus (ZFM), com suspensão do pagamento das contribuições ao PIS e CofinsImportação, com fundamento no disposto pelo artigo 14A da Lei nº 10.865/2004 c/c artigo 6º da Lei nº 10.925/2004. A fiscalização entendeu, porém, que a suspensão do crédito tributário foi indevida, posto que as Declarações de Importação (DI) relacionadas na peça impositiva: (i) foram registradas para “consumo”, ao invés de “para admissão na ZFM”; (ii) não foram objeto de licenciamento com expressa anuência da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, contrariando o disposto no artigo 507 do Decreto nº 6.759/2009. Em consequência, foram lançados os valores devidos a título de PIS e Cofins Importação, cujo cálculo respeitou a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Recurso Extraordinário (RE) nº 559.937/RS, objeto da Nota Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 4 3 PGFN/CASTF nº 1.254/2014. Também foram exigidos valores a título da multa prevista no artigo 84, inciso I, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001, c/c artigo 69 da Lei nº 10.833/2003, por haver prestado informação inexata acerca da destinação da mercadoria. Cientificada do auto de infração em 02/02/2015 (fls. 1.028 e 1.034), a interessada apresentou impugnação, em 27/02/2015, juntada às fls. 1.044 e seguintes, alegando em síntese que: a) a situação da impugnante enquadrase na previsão do art. 14A da Lei n. 10.865/2004, que prevê as seguintes condições para que as importações da ZFM submetamse à suspensão das contribuições: (i) que a importação seja efetuada por empresa localizada na ZFM; (ii) que os bens importados sejam matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens; (iii) que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens sejam destinados ao emprego em processo de industrialização por estabelecimento industrial instalado na ZFM; e (iv) que a industrialização das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem seja realizada consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da SUFRAMA; b) portanto, a Lei n° 10.865/2004 não prevê a necessidade de licenciamento com expressa anuência da SUFRAMA. Não havia e nem há qualquer outra lei que imponha a obrigação de anuência prévia da SUFRAMA para que a impugnante usufrua do benefício fiscal previsto no art. 14A da Lei n° 10.865/2004; c) o art. 507 do Decreto n° 6.759/09 não se aplica ao caso, pois prevê o licenciamento não automático apenas para as importações tratadas no regime de que trata o respectivo capítulo do Decreto, dirigindose, portanto, às importações no regime de benefícios conferidos pela ZFM, quais sejam, aquelas que gozam de isenção do Imposto sobre a Importação (II) e Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI), razão pela qual suas regras não se aplicam ao PIS e Cofins Importação; d) em relação à contribuição ao PIS e à Cofins, a sua suspensão sobre importações efetuadas por empresas localizadas na ZFM, de bens a serem empregados na elaboração de MP, PI e ME destinados a emprego em processo de industrialização por estabelecimentos ali instalados, que detenham projeto aprovado pela SUFRAMA, por força do disposto no artigo 14, §1°, da Lei n° 10.865/2004, exige a declaração de admissão na ZFM, formulada pelo importador no SISCOMEX, devendo obedecer, a teor do §2°, do artigo 14, aos requisitos descritos na IN SRF n° 424/ 2004, dentre eles, a declaração de admissão na ZFM, formulada via SISCOMEX (artigo 10 da IN); e) no caso em questão, porém, não se aplicam as regras dos artigos 507 do Regulamento Aduaneiro (RA) e 14 da Lei n° 10.865/2004, tampouco da IN SRF 424/2004, posto que o benefício fiscal usufruído está exclusivamente disposto no artigo 14A, conforme corretamente se posicionou a Divisão de Tributação da 2ª Região Fiscal DISIT/2ªRF; f) em nenhum momento, a impugnante pleiteou as isenções do Título II, Capítulo I, do RA, em que contido o artigo 507 citado pela autoridade fiscal. Ao revés, efetuou as operações ao amparo dos Acordos de Complementação Econômica ACE 35 Mercosul/Chile (Decreto n° 2.075/96), ACE 53 Mercosul/México (Decreto n° 4.383/02) e ACE 58 Mercosul/Peru (Decreto n° 5.651/05). Observa, ademais, que o incentivo fiscal do artigo 14A da Lei n° 10.865/2004 foi introduzido pela legislação que rege a Contribuição ao PIS e a Cofins, não tendo qualquer Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 5 4 relação com as normas da ZFM (DecretoLei n° 288/1967 e Capítulo I, Título II, do RA); g) posteriormente à publicação da Lei n° 10.865/2004 e à IN SRF n° 424/2004, o artigo 14A foi introduzido na Lei n° 10.865, pela Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. O artigo 14A foi fundado na razão de que com a introdução no ordenamento pátrio da Contribuição ao PIS e da Cofins na importação, a suspensão dos tributos, dentro da sistemática da ZFM, tinha que também se estender aos produtores de bens finais ou intermediários que destinassem sua produção para fora da ZFM, e não somente aos produtores de bens intermediários da cadeia local, sob pena de começar a haver acúmulo de créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins gerados pelo fato de que embora a alíquota total das contribuições fosse, em regra, 9,25%, por conta do regime de tributação diferenciada para as operações geradas a partir da ZFM, as alíquotas foram reduzidas para 3,65%, nos termos dos art. 2o, § 4° da Lei n° 10.637/02 e art. 2o, § 5o da Lei n° 10.833/03) o que causaria terríveis distorções econômicas aos empreendimentos lá localizados. Conclui, assim, que o art. 14A é uma disposição inteiramente separada do artigo 14, e não se submete à IN SRF n° 424/04 e à necessidade de ser a importação efetuada como "Admissão na ZFM"; h) cita doutrina para referendar sua tese de que os artigos 14 e 14A da Lei n° 10.865/2004 são autônomos entre si, de forma que devem ser interpretados separadamente, conforme manda a boa técnica legislativa; i) ainda que o entendimento acima estivesse errado, a interpretação da RFB constante do auto de infração não poderia surtir efeitos pretéritos, tendo em vista haver posicionamento expresso da Divisão de Tributação – DISIT da 2ª Região Fiscal, favorável ao procedimento adotado pela impugnante; j) cita trechos de email datado de 06/09/2004, pelo qual a chefe da Seção de Despacho Aduaneiro – SADAD questionou a DISIT/2ªRF acerca do assunto, obtendo posicionamento no sentido de que a suspensão tratada no artigo 14A da Lei n° 10.865/2004 não está condicionada à DI na modalidade "Admissão na ZFM" e à LISUFRAMA, mas, apenas, que o importador esteja na ZFM e empregue o bem importado em processo de industrialização com projeto aprovado pela SUFRAMA, uma vez que o benefício do PIS/Pasep e da Cofins possui base distinta do benefício da ZFM (DL 288/67); k) considera, assim, que a autoridade administrativa formulou consulta específica em nome da impugnante, isto é, consulta sobre fato determinado artigo 88, c.c parágrafo único do Decreto 7.574/2011, e como até o presente momento a consulta mantémse inalterada, então o lançamento em questão, à vista do disposto no artigo 100 desse mesmo Decreto, não pode prevalecer; l) ainda que não se queira admitir que o posicionamento da DISIT equivale a uma autêntica consulta formulada em nome da impugnante, há que se atentar que a lavratura do auto de infração ora combatido representa divergência de postura da RFB, garantindo ao contribuinte a irretroatividade da interpretação que anteriormente lhe foi conferida por agente público, em respeito à segurança jurídica, boafé e confiança. Punir a contribuinte que agiu de acordo com a lei e com a interpretação construída e externada pela DISIT é medida desleal, ilegal e autoritária. Observa que os efeitos da mudança ou da divergência devem ser modulados de forma que se assegure observância a fundamentais direitos do contribuinte, revelados pela boafé objetiva, proteção da confiança e irretroatividade; Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 6 5 m) observa que o princípio da confiança está retratado nos artigos 100 e 146 do CTN. Nesse sentido, a prática reiterada das autoridades administrativas favorável à desnecessidade de autorização prévia da SUFRAMA é relevante caso se entenda que a consulta respondida pela DISIT não equivale a uma autêntica consulta fiscal, devendo a situação ser protegida pela irretroatividade. Ademais, a pertinência do art. 146 ao caso concreto reside no fato de que, à luz do princípio da proteção da confiança, referido artigo deve ser aplicável não somente à revisão de lançamento, mas sempre que o ato administrativo ou a prática reiterada das autoridades administrativas levarem à criação de uma expectativa justa por parte do contribuinte que as seguiu. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema; n) mesmo que houvesse o alegado erro de entendimento quanto às condições para fruição do benefício fiscal utilizado, este de forma alguma configura omissão ou declaração inexata, mas sim equívoco de interpretação da legislação, que, se por hipótese admitido, também cometeu a própria DISIT da 2a Região Fiscal. A multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria é, ademais, inconstitucional por não contemplar qualquer relação de adequação entre a infração alegadamente cometida e sua consequência jurídica; o) requer, ao final, seja julgado improcedente o auto de infração. Por meio de expediente protocolizado em 18/03/2015, a contribuinte requereu a juntada aos autos de Soluções de Consulta proferidas pela DISIT/2ªRF sobre o assunto (fls. 1.250/1.267). A impugnação, por unanimidade de votos, foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo sintetizada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 IMPORTAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO. LICENCIAMENTO. ANUÊNCIA SUFRAMA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário relativo à Cofins Importação incidente na entrada de mercadorias estrangeiras na Zona Franca de Manaus destinadas à industrialização, nos termos do artigo 14A da Lei nº 10.865/2004, regulamentado pelo artigo 262 do Regulamento Aduaneiro, está condicionada à aplicação das mercadorias nas finalidades indicadas, bem como à observância dos requisitos da legislação de regência, dentre eles, a obtenção de licenciamento com expressão anuência da SUFRAMA, nos termos do artigo 507 do Decreto nº 6.759/09. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 IMPORTAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO. LICENCIAMENTO. ANUÊNCIA SUFRAMA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário relativo ao PIS/Pasep Importação incidente na entrada de mercadorias estrangeiras na Zona Franca de Manaus destinadas à industrialização, nos termos do artigo 14A da Lei nº 10.865/2004, regulamentado pelo artigo 262 do Regulamento Aduaneiro, está condicionada à aplicação das mercadorias nas finalidades indicadas, bem como à observância dos requisitos da legislação de regência, dentre eles, a obtenção de licenciamento com expressão anuência da SUFRAMA, nos termos do artigo 507 do Decreto nº 6.759/09. Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 7 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 SOLUÇÃO DE CONSULTA. EFEITOS. A Solução de Consulta vincula a Administração Pública em relação ao consulente. Não produz efeitos a consulta formulada em desacordo com as disposições do Decreto nº 70.235/72 e/ou demais normas regulamentares. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRSESTAÇÃO INEXATA DE INFORMAÇÃO. A informação incorreta acerca da destinação da mercadoria na Declaração de Importação sujeita o importador à exigência da multa prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, em cotejo com art. 69 da Lei nº 10.833/2003, posto caracterizar prestação inexata de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial, necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de piso em 17.05.2016 (fls. 1.321), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 15.06.2016 (fls. 1.3231.349), reproduzindo, em linhas gerais, os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 17.05.2016 (fls. 1.321) e protocolou Recurso Voluntário em 15.06.2016 (fls. 1.3231.349), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II. Matéria de ordem pública Decadência Conforme relatado anteriormente, a fiscalização constitui o lançamento fiscal com base nas seguintes infrações: (i) Falta de Recolhimento da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre a importação de bens, conforme inciso I do Art. 3ºda Lei 10.865/04; (ii) Declaração Inexata, nos termos do inciso III do Art. 711 do Decreto nº 6.759/20091 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 8 7 (Regulamento Aduaneiro); e Lei nº 10.833, de 2003, artigo 69, § 1º, sendo que todas infrações estão relacionadas as DI´s registradas entre 01.02.2010 a 18.12.2013. A Recorrente foi intimada do Auto de Infração em 02/02/2015, conforme se verifica nos Termos de Ciência carreados às fls. 133134. No caso da penalidade imposta à Recorrente, devese observar o prazo decadencial previsto nos artigos 138 e 139, do Decreto Lei 37/66, in verbis: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. No presente, entendo que para as DI´s registradas nos dias 01.02.2010 e 02.02.2010, a multa pela declaração inexata deve ser totalmente afastada, considerando que transcorreu in albis o prazo para exigência da penalidade, contados a partir da data infração. A tabela abaixo demonstra a incidência do prazo decadencial: DI Data do Registro Prazo Decadencial Arts. 138 e 139 Dec.37/66 Data da Ciência do Auto de Infração 10/01691239 01/02/2010 31/01/2015 10/01693835 01/02/2010 31/01/2015 10/01760273 02/02/2010 01/02/2015 02/02/2015 Registrese, por oportuno, que o prazo decadencial é matéria de ordem pública, passível de conhecimento de ofício pelo julgador. Deste modo, a ausência de pedido por parte da Recorrente, não prejudica sua análise. III Mérito O cerne da questão principal sob análise, consiste em saber se a exigência do licenciamento (LISUFRAMA) exigida no artigo 507 do Regulamento Aduaneiro (6.759/2009) efetivamente se aplica às operações realizadas pela Recorrente. Segundo a fiscalização a suspensão do crédito tributário foi indevida, na medida em que as Declarações de Importação (i) foram registradas para "consumo", ao invés de "para admissão na ZFM"; (ii) não foram objeto de licenciamento com expressa anuência da SUFRAMA; e (iii) o benefício fiscal do art. 14A da Lei nº 10.865/2004 somente pode ser reconhecido para as importações acobertadas por LI SUFRAMA. Por outro lado, a Recorrente alega, em linhas gerais, que (i) a Lei nº 10.865/2004 não prevê a necessidade de licenciamento com expressa anuência da SUFRAMA; e (ii) que o artigo 507 do Decreto nº 6.759/2009 não se aplica ao caso, pois prevê o licenciamento não automático apenas para as importações tratadas no regime que trata o respectivo capítulo. Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 9 8 Feito esse breve relato, passase a análise da matéria. III.1 PIS/COFINS Importação: Art.507, do RA X Art.14A, da Lei nº 10.865/2004 O Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 (atual RA 6.759/2009) prevê a existência de Regime Aduaneiro Especial, a saber: Trânsito Aduaneiro; Admissão temporária com suspensão total do pagamento dos tributos; Admissão temporária para aperfeiçoamento ativo; Admissão Temporária para utilização econômica; Drawback; Entreposto aduaneiro; Recof; Recom; Exportação Temporária; Exportação temporária para aperfeiçoamento passivo; Repetro; Loja Franca; Depósito Especial; Depósito Afiançado; Depósito Alfandegado Certificado e Depósito Franco e, Regime Aduaneiro Aplicado em Áreas Especiais, consistente na Zona Franca de Manaus e Área de Livre Comércio. O legislador ao dividir os regimes aduaneiros em "especial" e "aplicado em área especial", deixou claro que referidos regimes são distintos e possuem tratamento fiscal e administrativo específico. Na Subseção I, do Capítulo II, do RA, temos os preceitos normativos que tratam do benefícios fiscais na entrada de mercadoria estrangeira na Zona Franca de Manaus, bem assim dos requisitos para usufruir de tais benefícios, a saber: Art. 505. A entrada de mercadorias estrangeiras na Zona Franca de Manaus, destinadas a seu consumo interno, industrialização em qualquer grau, inclusive beneficiamento, agropecuária, pesca, instalação e operação de indústrias e serviços de qualquer natureza, bem como a estocagem para reexportação, será isenta dos impostos de importação e sobre produtos industrializados (Decreto Lei nº 288, de 1967, art. 3º; e Lei nº 8.032, de 1990, art. 4º). § 1o Excetuamse da isenção de que trata este artigo as seguintes mercadorias (DecretoLei nº 288, de 1967, art. 3º, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, art. 1º): I armas e munições; II fumo; III bebidas alcoólicas; IV automóveis de passageiros; e V produtos de perfumaria ou de toucador, e preparados e preparações cosméticas, salvo os classificados nas posições 3303 a 3307 da Nomenclatura Comum do Mercosul, se destinados, exclusivamente, a consumo interno na Zona Franca de Manaus ou quando produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e da flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico. § 2o A isenção de que trata este artigo fica condicionada à efetiva aplicação das mercadorias nas finalidades indicadas e ao cumprimento das demais condições e requisitos estabelecidos pelo DecretoLei nº 288, de 1967, e pela legislação complementar. § 3o Os produtos nacionais exportados para o exterior e, posteriormente, importados pela Zona Franca de Manaus, não gozarão dos benefícios referidos neste artigo (DecretoLei no 1.435, de 16 de dezembro de 1975, art. 5o). Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 10 9 § 4o As mercadorias entradas na Zona Franca de Manaus nos termos do caput poderão ser posteriormente destinadas à exportação para o exterior, ainda que usadas, com a manutenção da isenção dos tributos incidentes na importação (DecretoLei nº 288, de 1967, art. 3º, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 127). § 5o A entrada das mercadorias a que se refere o caput será permitida somente em porto, aeroporto ou recinto alfandegados, na cidade de Manaus. Art. 506. A remessa de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou posterior exportação, será, para efeitos fiscais, equivalente a uma exportação brasileira para o exterior (DecretoLei nº 288, de 1967, art. 4º). § 1o O benefício de que trata o caput não abrange armas e munições, perfumes, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros classificados, respectivamente, nos Capítulos 93, 33, 24, nas posições 2203 a 2206 e nos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o ex tarifário 01) e na posição 8703 da Nomenclatura Comum do Mercosul (DecretoLei no 340, de 22 de dezembro de 1967, art. 1o, com a redação dada pelo DecretoLei no 355, de 6 de agosto de 1968, art. 1o). § 2o O disposto no caput não compreende os incentivos fiscais previstos no DecretoLei no 1.248, de 1972, nem os decorrentes do regime de drawback (DecretoLei nº 1.435, de 1975, art. 7º). Art. 507. As importações no regime de que trata este Capítulo estão sujeitas a licenciamento nãoautomático, previamente ao despacho aduaneiro, com a expressa anuência da Superintendência da Zona Franca de Manaus. Da leitura dos referidos preceitos normativos, constatase que o benefício da "isenção" está atrelada somente em relação aos impostos de importação e sobre produtos industrializados e, condicionada ao cumprimento do requisito estipulado no artigo 507 (importações sujeitas ao licenciamento com expressa anuência da SUFRAMA). Ou seja, não há tratamento específico relacionado ao PIS e a COFINS, logo, a exigência ao cumprimento do requisito para fruição do benefício não se aplicaria, em tese, às referidas contribuições. Esse fato, inclusive, foi atestado pela turma "a quo" ao analisar os dispositivos anteriormente citados, senão vejamos: De acordo com os dispositivos acima citados, podemos concluir que: (i) a entrada de mercadorias estrangeiras na ZFM, destinadas a processo de industrialização, está isenta de II e IPI; (ii) referida isenção está condicionada à aplicação das mercadorias nas finalidades indicadas, bem como à observância da legislação de regência; (iii) um dos requisitos para o gozo dessa isenção consiste na obtenção da LISUFRAMA previamente ao despacho aduaneiro. Todavia, a decisão combatida manteve a autuação por entender que o §1º, do artigo 14, da Lei nº 10.865/2004, ao estender o tratamento a uma situação específica da área, condicionou o contribuinte ao cumprimento do requisito previsto no artigo 507, do RA. É o que se extrai da decisão: Sabemos, porém, que com o advento da Lei nº 10.865/2004, foi instituída a incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins nas importações de bens ou serviços do exterior. E como bem observado pela Solução de Consulta DISIT/2ªRF Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 11 10 nº 67/2004, juntada aos autos pela interessada, o artigo 14 dessa Lei, caput, previu um tratamento diferenciado aos regimes aduaneiros especiais, estendendo este tratamento, através do § 1º, a uma situação específica da ZFM, como segue: “Art. 14. As normas relativas à suspensão do pagamento do imposto de importação ou do IPI vinculado à importação, relativas aos regimes aduaneiros especiais, aplicamse também às contribuições de que trata o art. 1º desta Lei. § 1º. O disposto no caput deste artigo aplicase também às importações, efetuadas por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, de bens a serem empregados na elaboração de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a emprego em processo de industrialização por estabelecimentos ali instalados, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, de que trata o art. 5ºA da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2º. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá os requisitos necessários para a suspensão de que trata o § 1º deste artigo.” (negritamos) Comungamos do entendimento externado pela DISIT/2ªRF, no sentido de que “o caput do art. 14 da Lei 10.865, de 2004, somente se refere aos regimes aduaneiros especiais, não sendo aplicável à Zona Franca de Manaus como um todo, tendo em vista esta não ser um regime aduaneiro especial. Daí a necessidade do § 1º do mesmo artigo estender o tratamento a uma situação específica da área, que seria o caso das empresas fabricantes de subprodutos que vendem sua produção para outras indústrias da ZFM com projeto aprovado pela Suframa”. Anotese que, conforme previsto pelo § 2º do mesmo artigo, a SRF expediu a Instrução Normativa (IN) nº 424, de 19/05/2004, disciplinando a hipótese prevista pelo § 1º. Posteriormente, o art. 6º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004, acrescentou o artigo 14A ao texto da Lei nº 10.865/2004, com o teor que já reproduzimos acima. E, como novamente bem observado pela DISIT/2ªRF, a partir da sua publicação, em 26/07/2004, “além dos bens importados pelos fabricantes de insumos, conforme prevê o art. 14 da Lei n° 10.856, de 2004, os insumos importados pelas demais indústrias da ZFM que possuam projetos aprovados pela Suframa, terão tratamento suspensivo para o PIS/Pasep e Cofins, na forma do art. 14A”. Constatamos, assim, em consonância com entendimento externado pela DISIT/2ªRF, que tanto as hipóteses do artigo 14, §1º como do 14A tratam de situações específicas da ZFM, para quais foi conferida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário relativo às contribuições incidentes na importação. Como consequência, não procedem as alegações da impugnante de que o artigo 14A é uma disposição inteiramente separada do artigo 14, como se este tivesse relação com as normas da ZFM e aquele não. Se é certo que as normas dos artigos 14, §1º e 14A disciplinam situações diferentes entre si; não menos certo é que ambas se referem à ZFM. Concordamos com a impugnante que a IN SRF 424/2004 não se aplica à hipótese prevista pelo artigo 14A, uma vez que foi editada para disciplinar exclusivamente a hipótese prevista pelo § 1º do artigo 14. Essa constatação, porém, não autoriza concluir que ambas as situações não devam obediência às normas que tratam dos benefícios fiscais na entrada de Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 12 11 mercadorias estrangeiras na ZFM, em especial, ao mandamento inserto no art. 507 que prevê a necessidade de licenciamento com anuência prévia da SUFRAMA. Isso porque, repetimos, tanto a hipótese do art. 14, §1º, como aquela do 14A, tratam de situações específicas da ZFM, para as quais foi conferido o benefício fiscal de suspensão das contribuições na importação de mercadorias. Anotese que o entendimento acima, além de estar em consonância com a Solução de Consulta DISIT/2ªRF nº 67/2004, também não contraria a Solução de Consulta DISIT/2ªRF nº 99/2004, ambas trazidas aos autos pela impugnante. Este último documento, ao confirmar a necessidade da observância dos requisitos previstos pelo artigo 14A da Lei nº 10.865/2004 para gozo do benefício fiscal, em nenhum momento autoriza a presunção de que os demais requisitos previstos pela legislação de regência, dentre eles, a necessidade de anuência prévia da SUFRAMA, não devam ser atendidos. Aliás, a própria forma como os dispositivos sob comento foram reproduzidos pelo Regulamento Aduaneiro não comporta outra interpretação. Vejamos como essa questão foi regulamentada pelo Livro III, Título II, que trata “Da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação”, no Capítulo VII – “Da Suspensão do Pagamento”: (...) Constatamos, assim, que tanto a norma do artigo 14, § 1º, como aquela do artigo 14A estão previstas como hipóteses de suspensão do pagamento das contribuições referentes a regimes aduaneiros especiais aplicados à ZFM. Logo, equivocada e em descompasso com a legislação, a afirmação da impugnante de que o artigo 507 não se aplica ao PIS e CofinsImportação, ao argumento de que o enunciado desse artigo prevê o licenciamento não automático apenas para as importações tratadas no Capítulo que dispõe exclusivamente sobre II e IPI (art. 505). Ora, o Capítulo em que está inserido o artigo 507 trata dos Regimes Aduaneiros Aplicados em Áreas Especiais, hipótese na qual se enquadra, de forma incontroversa, o artigo 14A. E, se o artigo 505, ao prever os benefícios fiscais na entrada de mercadorias estrangeiras na ZFM, apenas se refere ao II e IPI, sua extensão ao PIS e Cofins Importação foi autorizada mediante o comando do artigo 260 e seguintes do mesmo normativo, os quais cumpriram a missão de adequar o Regulamento Aduaneiro às modificações introduzidas pela Lei nº 10.865/2004. Por conseguinte, considerando que as hipóteses dos artigos 14, §1º e 14A da Lei nº 10.865/2004 (constantes dos artigos 261 e 262 do RA) envolvem a entrada com benefício fiscal de mercadorias estrangeiras na ZFM, destinadas a processo de industrialização, hipótese prevista pelo artigo 505 do RA, é inequívoco que referido benefício está condicionado à aplicação das mercadorias nas finalidades indicadas, bem como à observância dos requisitos previstos pela legislação de regência, dentre eles, a obtenção da LISUFRAMA previamente ao despacho aduaneiro. Em conclusão, reputamos como escorreito o procedimento fiscal que considerou como não satisfeitos pela impugnante os requisitos legais exigidos para o gozo do benefício fiscal, sendo legítima a exigência das contribuições ao PIS e CofinsImportação objeto da autuação combatida. Pois bem. O artigo 14 da Lei 10.685/2004 traz a seguinte redação: Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 13 12 Art. 14. As normas relativas à suspensão do pagamento do imposto de importação ou do IPI vinculado à importação, relativas aos regimes aduaneiros especiais, aplicamse também às contribuições de que trata o art. 1o desta Lei. § 1o O disposto no caput deste artigo aplicase também às importações, efetuadas por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, de bens a serem empregados na elaboração de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a emprego em processo de industrialização por estabelecimentos ali instalados, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, de que trata o art. 5oA da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2o A Secretaria da Receita Federal estabelecerá os requisitos necessários para a suspensão de que trata o § 1o deste artigo. Art. 14A. Fica suspensa a exigência das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei nas importações efetuadas por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na Zona Franca de Manaus e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA. (Incluído pela Lei nº 10.925, 2004) (Vigência) No caput, do artigo 14, verificase que a norma prevê um tratamento diferenciado somente aos regimes aduaneiros especiais, não sendo aplicável à Zona Franca de Manaus. Neste ponto, por expressa determinação legal, entendo cabível a exigência dos requisitos previstos no artigo 507 do RA que, impõe ao importador a obrigação obter licenciamento prévio da SUFRAMA. Por sua vez, o §1º, do referido dispositivo, estendeu o tratamento previsto no caput, a situação específica da Zona Franca de Manaus, condicionando à Receita Federal do Brasil (§2º) estabelecer os requisitos necessários para a suspensão de que trata o § 1º deste artigo. A IN SRF nº 424/2004, de 19 de maio de 2004, veiculada pela RFB, estabeleceu os parâmetros legais para fruição dos benefícios previstos no §1º, do artigo 14, da Lei nº 10.685/2004, a saber: (i) autorização prévia para utilização do benefício fiscal; e (ii) realização de importação na modalidade "Admissão na ZFM". Até aqui, verificase que os dispositivos anteriormente citados, exigem o licenciamento prévio do SUFRAMA para concessão do benefício da suspensão. Já em 23 de julho de 2004, o artigo 6º, da Lei nº 10.925/2004, inseriu no texto da Lei n° 10.865, de 2004, o art. 14A, criando outra hipótese de suspensão das contribuições nas importações da ZFM, cujo requisito para fruição diz respeito apenas ao projeto aprovado pelo SUFRAMA, a saber: Art. 6o Os arts. 8o, 9o, 14A, 15, 17, 28, 40 e 42 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, passam a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) Art. 14A. Fica suspensa a exigência das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei nas importações efetuadas por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 14 13 instalados na Zona Franca de Manaus e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA.” Nos termos do artigo 14A, para usufruir da isenção, a norma exige os seguintes requisitos: a) que a empresa esteja na Zona Franca de Manuas; b) que as importações sejam de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para emprego em processo de industrialização por estabelecimento localizado na ZFM; e c) que haja projeto aprovado pela Suframa. Ou seja, as importações realizadas no parâmetro do referido dispositivo não estão sujeitas a anuência/licenciamento prévio do SUFRAMA. Neste cenário, entendo que o artigo 14A é norma totalmente desvinculada do artigo 14, §1º e, não se submete ao regramento previsto no artigo 507, do RA e na IN SRF nº 424/2004 que, exigem como requisito à concessão do benefício a existência de autorização prévia para utilização do benefício fiscal; e a realização de importação na modalidade "Admissão na ZFM". Com efeito, o artigo 14A, no entendimento deste relator, foi inserido no ordenamento jurídico para tratar de situação diversa da prevista no artigo 14. Do contrário, razão não existiria ao legislador instituir uma nova norma para tratar de assunto que já estava previsto em lei. Em resumo, entendo que o artigo 14A, não condicionou o benefício à anuência da Suframa, impondo, tão e somente que o processo de industrialização seja realizada através de projeto aprovado por aquele órgão. A própria DISIT ao responder (via email) aos questionamentos realizados pela Recorrente, atestou inexistir na norma (entendase, artigo 14A, da Lei nº 10.685/2004), a prévia autorização/licenciamento da Suframa para concessão do benefício, a saber: "Caro inspetor, Solicitamos seja encaminhado à DISIT/DIANA, a consulta abaixo formulada acerca dos requisitos para usufruir da suspensão do PIS/PÀSEP e da COFINS importação quando se tratar de importação de Matéria Prima, no regime CONSUMO, para emprego em processo de industrialização por empresa industrial instalada na ZFM e detentora de projeto aprovado pela SUFRAMA. A Coimpa Industrial Ltda vem importando matériaprima, para industrialização de seus produtos, no regime Consumo, utilizando o benefício da redução do Imposto de Importação (alíquota zero) previsto no acordo bilateral BrasilPeru. Por se tratar de empresa instalada na ZFM e que tenha projeto aprovado pela SUFRAMA, a dúvida a ser esclarecida é a seguinte: Há necessidade da DI ser registrada no Regime Zona Franca de Manaus, para que a empresa usufrua do benefício da suspensão do PIS/PASEP e da COFINS importação? Ou poderia ela usufruir diretamente do benefício mediante o registro de DIConsumo, uma vez que a empresa está instalada na ZFM e possui projeto aprovado junto a SUFRAMA? Solicitamos a máxima urgência no pronunciamento da DISIT/DIANA, pois a empresa não vem recolhendo o PIS e a COFINSimportação, desde a publicação da Lei nº 10.925/2004, uma vez que vem entendendo não ser cabível o pagamento de tais contribuições. A matériaprima importada pela empresa se constitui de prata em Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 15 14 estado bruto (lingote e granulada) de valor bastante significativo. Há aproximadamente 06 (seis) Declarações de Importação interrompidas para exigência do recolhimento do PIS/COFINSimportação." *** Email datado de 06/09/2004 "..., o art.14A da Lei 10.685/2004, com redação dada pelo art. 6º, da Lei nº 10.925, possui a seguinte redação: Art. 14A. Fica suspensa a exigência das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei nas importações efetuadas por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na Zona Franca de Manaus e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA.” Observase que as exigência previstas no texto legal, para usufruto da isenção são: 1 que a empresa esteja na ZFM; 2 que as importações sejam matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para emprego em processo de industrialização; 3 que esse processo de industrialização seja feito por estabelecimento instalada na ZFM com projeto aprovado pela Sufram. Dessa forma, entendo que não podemos restringir onde a lei não restringe. Condicionar o benefício à anuência da Suframa vai além, do exigido pelo texto legal, uma vez que este impõe apenas que o processo de industrialização onde serão utilizados os bens importados com suspensão tenha projeto aprovado pela Suframa. Mesmo porque não devemos esquecer que o benefício do Pis/pasep e da Cofins possui base legal distinta do benefício da ZFM (DL 288/67). Embora a resposta aos questionamentos realizados pela Recorrente não produza efeitos vinculantes, por não se revestir das formalidades e requisitos do processo de consulta, a teor do previsto no Decreto 70.235/72, a posição da Disit tem um peso considerável ao menos para este relator e deve ser levado em conta para o fim de afastar o lançamento fiscal. Isto porque, nos termos do artigo 213, da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, o Chefe da DISIT possui competência para orientar e dirimir dúvidas sobre interpretação da legislação, bem com examinar e emitir parecer nos pedidos relativos a regimes especiais, a saber: Art. 213. Às Divisões de Tributação Disit compete: I orientar as unidades da região fiscal acerca da interpretação da legislação e sobre as decisões em matéria tributária, na esfera administrativa ou judicial; Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 16 15 II analisar os recursos de divergência interpostos em processos de consulta sobre interpretação da legislação tributária e de despacho, avaliando sua admissibilidade; III examinar e emitir parecer em recursos administrativos dirigidos ao Superintendente, no âmbito de sua competência; IV examinar e propor informação em mandado de segurança impetrado contra o Superintendente; V examinar e emitir parecer nos pedidos relativos a regimes fiscais especiais previstos na legislação tributária específica e de competência da Superintendência; e VI desenvolver estudos e pesquisas, com vistas a oferecer sugestões para o aperfeiçoamento da legislação tributária. Neste termos, verificase que a orientação prestada pela DISIT contém conteúdo normativo, ainda que complementar e, como tal, deve produzir seus efeitos. Nesse sentido, trago a análise realizada no artigo 100 do CTN, pelo ilustre professor Hely Lopes Meirelles: "Atos administrativos normativos são aqueles que contêm um comando geral do Executivo, visando à correta aplicação da lei. O objetivo imediato de tais atos é explicitar a norma legal a ser observada pela Administração e pelos administrados. Esse atos expressam em minúcia o mandamento abstrato da lei e o fazem com a mesma normatividade da regra legislativa, embora sejam manifestações tipicamente administrativas. A essa categoria pertencem os decretos regulamentares e os regimentos, bem como resoluções, deliberações e portarias de conteúdo geral2. No meu sentir, seria temerário se, por cumprir as orientações do próprio órgão competente, pudesse o contribuinte vir a ser punido. Ora, não me parece correto punir o contribuinte que agiu na linha da orientação prestada pela DISIT, se o próprio órgão competente o eximiu de qualquer responsabilidade. Outro ponto que corrobora o entendimento deste relator é a manifestação no mesmo sentido da orientação prestada pela DISIT apresentada na Solução de Consulta Disit/SRRF02 nº 99, de 07 de dezembro de 2004, a saber: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ementa: IMPORTAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO. Estão amparadas pela suspensão da CofinsImportação as importações efetuadas por empresas localizadas na ZFM de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na zona incentivada, consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa. Dispositivos Legais: Lei n° 10.865, de 2004, art. 14, §§ 1º e 2º; Lei n° 10.865, de 2004, art. 14A;Lei n° 10.925, de 2004. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: IMPORTAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO. Estão amparadas pela suspensão do PIS/PasepImportação as importações efetuadas 2 Hely Lopes Meirelles, Direito Administrativo Brasileiro, RT, 14ª Edição, 1989, p.154. Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 17 16 por empresas localizadas na ZFM de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na zona incentivada, consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa. Dispositivos Legais: Lei n° 10.865, de 2004, art. 14, §§ 1º Neste cenário, entendo que o lançamento deve ser afastado. IV Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 1476DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.728364/2014-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado Digitalmente
Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente substituto), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodolfo Tsuboi (suplente), Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (suplente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta CâmaraTerceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente substituto), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodolfo Tsuboi (suplente), Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (suplente). RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: CTEEP COMPANHIA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA PAULISTA, empresa acima identificada, foi submetida a procedimento de auditoria fiscal. Ao término dos trabalhos, a fiscalização constatou RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .7 28 36 4/ 20 14 -8 1 Fl. 2115DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.116 2 algumas irregularidades referentes ao anocalendário de 2011, narradas no Termo de Verificação FiscalCOFINS e no Termo de Verificação FiscalPIS (fls. 728/740 e 758/770). Transcrevo trechos destes Termos: Vale destacar, de plano como fonte de embasamento do presente auto de infração o Demonstrativo de Receita 2011 apresentado pelo contribuinte, onde atestase que os valores das contas contábeis: 61122110001(Contratos Concessão Transmissão), 6112110002 (Parcela Ajuste Concessão Transmissão), 6112210001 (Contratos Serviço Transmissão) e 6112210002 (Parcela de Ajuste Serviço Transmissão) não foram considerados pelo contribuinte como receita incidente da NãoCumulatividade para a COFINS e o PIS. (....) Analisando os valores contabilizados, em face dos contratos apresentados. O Fisco constatou que a composição das receitas registradas pelo contribuinte no anocalendário 2011 decorrem em grande parte da prestação de serviço de energia elétrica, os quais foram contratados antes de 31/10/2003. E tanto a Nota COSIT SRF/COSIT n°01, de 16/02/2007 bem como o Parecer PGFN/CAT n°1610/2007, estabelecem que as receitas oriundas de Contratos de Concessão de Serviço Público de Transmissão não se subsumem ao inciso XI do art.10° da Lei n°10.833/2003, devendo ser tributada segundo o regime nãocumulativo das Contribuições. (....) A legislação estabelece que será realizado lançamento de ofício quando constatada a insuficiência de declaração da COFINS devida, conforme foi apurado no Demonstrativo da COFINS NaoCumulativa referente a linha 29, da Picha 25 B(em anexo), em confronto com o valor confessado em DCTF (código de receita 5856).Vale destacar que os dados para o preenchimento da Linha 01, da Ficha 17 B (Apuração da COFINS) foram acrescidos dos valores do Demonstrativo de Receita de 2011(em anexo) apresentados pelo contribuinte.Onde ficam provadas as irregularidades quanto a exclusões indevidas no faturamento mensal de receitas, as quais foram consideradas equivocadamente pelo contribuinte como receita sujeita à incidência cumulativa, apesar de serem oriundas das seguintes contas contábeis: (6112110001Contratos Concessão Transmissão), (6112110002 Parcela de Ajuste Concessão Transmissão), (6112210001Contratos Serviço Transmissão) e (6112210002 Parcela de Ajuste Serviço Transmissão) totalizando um total de exclusão de receita no faturamento durante o anocalendário de 2011, no valor de R$2.067.822.705,76 dos seguintes períodos de apuração: l)janeiro de 2011R$172.998.664,64; 2)fevereiro de 2011R$170.840.064,69; 3)março de 2011R$165.679.528,33; 5)maio de 2011RS164.970.908, 14 ; Fl. 2116DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.117 3 6)junho de 2011 R$ 167.325.108,28; 7)julho de 2011R$183.481.725,46; 8)agosto de 2011R$156.630.241,54; 9)setembro de 2011R$182.870.957,66; 10)outubro de 2011R$ 181.198.992,95; 11)novembro de 2011R$ 177.013.167,78; e 12)dezembro de 2011RS178.314.436,11. III DA BASE DE CALCULO Demonstrativo(DACON X DCTF) COFINS NÃOCUMULATIVA PA (Ficha 25 B,linha29) DCTF Diferença jan/11 16.617.344,75 3.469.446,24 R$ 13.147.898,51 fev/11 16.101.000,02 3.117.155,11 R$ 12.983.844,91 mar/11 15.377.303,36 2.785.659,21 R$ 12.591.644,15 abr/11 15.436.536,83 2.782.619,66 R$ 12.653.917,17 mai/11 15.225.363,67 2.687.574,66 R$ 12.537.789,01 jun/11 15.593.399,42 2.876.691,19 R$ 12.716.708,23 jul/11 17.190.400,80 3.245.789,67 R$ 13.944.611,13 ago/11 13.035.156,28 1.131.257,93 R$ 11.903.898,35 set/11 16.981.910,12 3.083.717,34 R$ 13.898.192,78 out/11 16.728.230,58 2.957.107,12 R$ 13.771.123,46 nov/11 16.108.760,71 2.655.759,96 R$ 13.453.000,75 dez/11 16.275.888,98 2.723.991,83 R$ 13.551.897,15 III DA BASE DE CÁLCULO Demonstrativo(DACON X DCTF) PIS NÃOCUMULATIVA Fl. 2117DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.118 4 Em face das irregularidades apuradas foram lavrados os seguintes autos de infração cientificados ao contribuinte em 24/11/2014 (fl. 789): a) Auto de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fl. 741): Valor do crédito tributário de R$ 321.868.254,98, que inclui o tributo, a multa e os juros de mora calculados até 11/2014, fundamento legal citado nas fls. 742 e 745 ;e b) Auto de Infração da Contribuição para o PIS/PASEP (fl. 771): Valor do crédito tributário de R$ 69.879.292,20, que inclui o tributo, a multa e os juros de mora calculados até 11/2014, fundamento legal citado na fl. 772 e 775. O contribuinte apresentou impugnação de fls. 798/867 em 22/12/2014, na qual alega em síntese: a) é empresa concessionária de serviços públicos e tem como atividade principal a transmissão de energia elétrica, regulada e fiscalizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL; b) conforme os artigos 10, XI e 15, V da lei nº 10.833/03, o legislador excluiu do regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, dentre outras hipóteses, as receitas relativas a contratos que, cumulativamente: (i) tenham sido firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003; (ii) com prazo superior a 1 (um) ano; (iii) envolvam fornecimento de bens ou serviços; e, (iv) a preço predeterminado; c) firmou contratos de serviços de transmissão de energia elétrica e prestação de serviços correlatos a sua atividade principal, imprescindíveis, portanto, à consecução de seu objeto social, todos anteriormente a 31 de outubro de 2003 e com prazo superior a 1 ano, em que se obrigou a transmitir energia elétrica mediante a concessão de serviço público; Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.119 5 d) os contratos de transmissão de energia elétrica firmados entre o Impugnante e os contratantes e que foram objeto de análise no presente Auto de Infração foram os seguintes: (i) Contrato de concessão do serviço público de transmissão/prorrogação de energia elétrica nº 59/2001; e (ii) Contrato de concessão de serviço público de transmissão de energia elétrica n° 143/01; e) os dois negócios jurídicos foram celebrados antes de 31/12/2003, com prazo de vigência superior a um ano, a preço predeterminado, assim deveriam se submeter ao regime cumulativo; f) o auto de infração questiona exclusivamente o cumprimento do quarto requisito estabelecido pelo artigo 10, XI da Lei n° 10.833/03, qual seja, a predeterminação dos preços estipulados nos contratos; g) a Fiscalização sustenta que a aplicação de cláusulas de reajuste pelo IGPM e a mera existência de cláusula de variação tributária resultariam em ajustes que descaracterizariam o “preço predeterminado”; h) muito embora o "preço predeterminado" seja um dos requisitos para que o contribuinte tribute suas receitas (ou parte delas) de acordo com a sistemática cumulativa do PIS e da COFINS, a Lei n° 10.833/2003 não estabeleceu um conceito de tal expressão. O legislador apenas utilizou a expressão "preço predeterminado" para delimitar as receitas que estariam sujeitas, ainda, à tributação do PIS e da COFINS pela sistemática cumulativa; i) partindo do pressuposto que a Lei nº 10.833/2003 não definiu um conceito de preço predeterminado, a adequada definição deve ser obtida por meio de interpretação sistemática do ordenamento jurídico vigente, a partir do exame dos princípios do direito privado, conforme determina o artigo 109 do Código Tributário Nacional e não pode ser meramente imposta por normas infralegais da Procuradoria da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil. De acordo com o artigo 100 do Código Tributário Nacional, essas normas são denominadas "complementares" e, como o próprio nome diz, têm por finalidade apenas complementar a lei, regulamentar mandamentos já existentes no ordenamento jurídico, não podendo inovar, modificar ou alterar a ordem jurídica vigente, criando ou extinguindo obrigações ou direitos; j) são normas infralegais, que têm por função permitir uma perfeita execução da lei, bem como regulamentar o tratamento e a atuação da própria Administração dentre os seus diversos Órgãos e, ainda, o tratamento dela própria (Administração) com os seus administrados; k) a função das normas complementares prevista no artigo 100 do Código Tributário Nacional não poderia ser outra, senão a de apenas permitir a perfeita execução da lei, tendo em vista o princípio da legalidade; l) os atos infralegais, como as Soluções de Consulta, as Notas Técnicas COSIT, os Pareceres da PGFN/CAT e as Instruções Normativas nunca poderiam ultrapassar ou modificar os limites estabelecidos na lei. Este foi exatamente o posicionamento adotado pelo Conselho Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.120 6 Administrativo de Recursos Fiscais no julgamento de processos em tudo semelhantes ao presente, nos quais foram lavrados autos de infração contra a Impugnante para exigir PIS e COFINS não cumulativos sobre as receitas decorrentes dos contratos em análise nos autos, mas em relação a períodos anteriores; m) nem se diga, como fez a Fiscalização, que o artigo 109 da Lei n.° 11.196/05 esgotaria o conceito de preço predeterminado e que, nessas condições, o "preço predeterminado" permaneceria intacto apenas na hipótese de o reajuste praticado não superar o aumento dos custos de produção ou da variação dos índices que reflitam a variação ponderada dos insumos utilizados pelo Impugnante; n) nesse sentido, importante destacar que o disposto no artigo 109 da Lei n° 11.196/05 traz apenas um exemplo das situações que não serão consideradas para fins de descaracterização do preço predeterminado, que é o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. O fato estabelecido no artigo 109 da Lei n° 11.196/05 é "preço predeterminado", mas ''preço predeterminado" não se limita ao fato descrito nesse dispositivo legal; o) afinal, como se sabe, um dado conceito (no caso, o de preço predeterminado) não pode ser esgotado pela negativa, uma vez que a negação não é suficiente para caracterizar exaustivamente o elemento a ser definido. Em verdade, a negativa pode até eventualmente contribuir na conformação/limitação do conceito, mas não é suficiente para, por si só, definilo; p) por se tratar de instituto regulado pelo Direito Privado, o conceito de preço predeterminado não pode ser modificado pelo legislador tributário, conforme determina o artigo 110 do Código Tributário Nacional; q) a delimitação do conceito de preço e, especialmente, de preço predeterminado, deve ser extraído de disposições legais originadas do direito privado, de onde se extrai a ideia de preço como elemento fundamental do contrato de compra e venda, ou seja, a quantia que o comprador se obriga a pagar ao vendedor. Dessa forma, para a validade do contrato de compra e venda, somente há duas espécies possíveis de preço, ou bem deve ser ele determinado ou bem deve ser ele determinável. "Preço determinado" é o preço fixo, já conhecido pelas partes desde a celebração do contrato, conforme prevê o artigo 483 do Código Civil. Por sua vez, "preço determinável"', nas palavras de Pontes de Miranda, é aquele de que não se tem conhecimento objetivo do quanto, ou dele não se tem conhecimento subjetivo, mas já se sabe como se há de determinar.. É nessa última classificação que se insere o "preço variável", ou seja, aquele que não tem um valor inicial estipulado, porém, deve se ajustar a um parâmetro qualquer escolhido pelas partes para sua aferição, sendo determinável, passível de determinação objetiva no futuro; r) é por demais óbvio que o "preço predeterminado" não se insere na classificação de "preço determinável". Isso porque é característica do "preço predeterminado ", como o seu próprio nome diz, a fixação inicial do preço do negócio acordado pelas partes. Neste contexto, Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.121 7 eventual cláusula de reajuste não descaracteriza a natureza do preço predeterminado quando tal reajuste tem por objetivo tãosomente preservar o poder aquisitivo do preço nominal inicialmente pactuado e, por decorrência, a equação econômicofínanceira originalmente estabelecida entre as partes; s) os reajustes aplicados sobre preços predeterminados têm por finalidade apenas recompor o valor originalmente fixado, não alterando o seu conteúdo. Ou seja, tem as partes, no contrato sujeito a preço predeterminado, o pleno conhecimento do preço acordado desde o seu início, sendo certo que o preço reajustado nada mais é do que a tradução do preço nominal originalmente pactuado segundo o novo cenário econômico verificado, tratase do preço passado trazido para o presente; t) nesse contexto, é de se destacar que a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil n° 21/79 confirma que o "preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento ". Da leitura dessa norma, verificase que o entendimento da Secretaria da Receita Federal, ainda hoje vigente, é o de que não é requisito essencial à caracterização de preço predeterminado a (in)existência de cláusulas de reajustes, mas sim a necessidade de o preço estar inicialmente fixado no contrato, a necessidade de o preço ser previamente conhecido pelas partes. Se não for essa a melhor e correta interpretação, o artigo 10, inciso XI, alínea "b" da Lei 10.833/03 nada mais seria do que uma norma com efeitos temporários, de curtíssima duração, para não dizer sem eficácia, pois é inconcebível que sejam celebrados contratos de longa duração sem cláusulas de revisão; u) a remuneração de uma empresa transmissora de energia se dá mediante a fixação de Receita Anual Permitida (RAP), estabelecida pela ANEEL. Essa receita cobre os custos de operação e de manutenção que as empresas transmissoras de energia possuem com esses empreendimentos. A Receita Anual Permitida (RAP) é fixada pela ANEEL mediante fórmula própria e estabelecida contratualmente, respeitando os limites fixados em lei, resultando nos contratos objeto de fiscalização e de autuação; v) no caso concreto, essa fórmula é imutável, uma vez que tem por objetivo remunerar a concessionária pela atuação em relação às redes de transmissão de energia elétrica já existentes antes da concessão. Considerando a dificuldade em precificar as instalações absorvidas pelas empresas concessionárias e, ainda, partindo do pressuposto de que a remuneração de tais empresas estaria no ganho de produtividade a ser auferido ao longo do contrato de concessão o preço do serviço prestado foi estabelecido previamente, não sendo passível de revisão; w) em razão de tais fatos, o preço estabelecido nos contratos que foram analisados pela Fiscalização é imutável, sendo alcançado pela aplicação de fórmula própria e previamente estabelecida pela ANEEL. O que existe apenas é o reajuste do valor nominal desse preço (até para que ele se mantenha imutável e não defasado) por meio da aplicação do IGPM e de mera existência de cláusula de variação Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.122 8 tributária, que não alteram a característica do "preço predeterminado" dos contratos firmados pelo Impugnante; x) a Nota Técnica nº 065/2006SRT/ANEEL, de 18/04/2006, confirma a previsão de inalterabilidade da fórmula para definição de preço no caso em concreto, em relação especificamente ao sistema de transmissão de energia preexistente (parcelas RBSE e RPC); y) em outros termos, de acordo com orientação da ANEEL, verificase que está caracterizado "preço predeterminado" quando as partes contratantes têm conhecimento objetivo e real do preço acordado no instante em que celebrado o negócio jurídico, ainda que este preço esteja sujeito a eventuais ajustes futuros. Por outro lado, está caracterizado "preço variável" quando as partes não tem, no momento da celebração do contrato, qualquer conhecimento objetivo do quantum a ser pago que será fixado apenas em instante futuro; z) no caso concreto, as partes contratantes tinham a exata dimensão da fórmula (inalterável) que delimitaria a composição do preço pelo serviço prestado; aa) nesse mesmo sentido, a Nota Técnica n° 041/2008SRT/ANEEL; bb) considerando o conceito de preço predeterminado extraído da legislação vigente verificase que o IGPM é mero índice de correção monetária, que não altera a condição de preço predeterminado dos contratos firmados. O IGPM é o índice de correção que reflete o custo da produção do setor elétrico, a cláusula de correção monetária pelo IGPM tem por objetivo apenas realizar a simples recomposição nominal do preço do valor do serviço prestado, sendo mera cláusula de correção monetária. O IGPM é o índice de atualização monetária aplicável, tendo em vista a sua regulamentação pelo órgão regulador, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL); cc) na verdade, muito ao contrário do que afirma a Fiscalização, é a manutenção da expressão nominal do preço do contrato ao longo de sua vigência sem qualquer reajuste monetário que propiciaria o efeito de mudança do preço real, já que o poder aquisitivo do preço declinaria inexoravelmente com o tempo; dd) o legislador editou a Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, reconhecendo expressamente que a aplicação de cláusulas de reajuste de preços decorrentes do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não alteraria o preço predeterminado dos contratos celebrados. Essa norma foi introduzida com efeitos retroativos; ee) a ANEEL, agência competente para atuar, na forma da lei e do contrato, nos processos de definição e de controle de preços e de tarifas de energia elétrica, confirma que o IGPM objetiva refletir o custo de produção ou dos insumos utilizados no setor elétrico, é o que estabelece a Nota Técnica n° 224/2006SFF/ANEEL, de 19 de junho de 2006, que, dentro da competência exclusiva do Órgão Estatal, analisou especificamente a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas decorrentes de contratos assinados nos termos do artigo 10, inciso XI da Lei n° 10.833/2003, c/c art. 109 da Lei n° 11.196/2005, e entendeu Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.123 9 que o índice aplicável para o ajuste dos preços seria o IGPM. Nesse mesmo sentido, Ofício n° 1431/2006SFF/ANEEL, de 23 de agosto de 2006; ff) importante mencionar que o IGPM é o índice de reajuste econômico que reflete a variação do custo dos serviços, usado historicamente nos contratos de energia elétrica, vide Decreto n° 774/93; gg) a Lei n° 9.427/96 estabelece que é de competência da ANEEL a regulamentação e controle de preços e tarifas de energia elétrica, sendo de rigor a observação pela Secretaria da Receita Federal da regulamentação baixada pela ANEEL; hh) deveria a Fiscalização ter não só identificado o índice de correção adequado, mas também mensurado a diferença encontrada entre o reajuste havido e o que seria supostamente correto, para só então apurar se de fato o reajuste promovido pela Impugnante teria sido ou não superior ao legalmente permitido. Isso porque, a Lei n° 11.196/05 concebe que o reajuste de preços não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou dos custos dos insumos utilizados não descaracteriza o preço predeterminado. Tratase de indevida inversão do dever probatório imposto ao Fisco, na qualidade de órgão acusatório e responsável pala realização do lançamento tributário. Ocorre que o ato administrativo de lançamento, por ser veiculador de obrigação cogente, deve se submeter aos princípios da legalidade e tipicidade tributária o que implica à Autoridade Administrativa o dever de provar o fato jurídico veiculado pelo lançamento; ii) a Fiscalização alega também que a mera existência de cláusula de variação tributária poderia afastar a característica de predeterminação do preço dos contratos firmados pelo Impugnante. Apesar de haver a cláusula contratual citada pela Fiscalização o impugnante não se valeu da mesma em concreto, ou seja, não reajustou suas tarifas com base no hipotético aumento da sua carga tributária. Ainda que cogitasse se valer da aludida cláusula contratual, estaria impedido de assim proceder, isso porque a ANEEL vedou a hipotética majoração de preço aqui ventilada, partindo do pressuposto que o regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS não se aplicaria para o Impugnante, motivo pelo qual não haveria que se falar em impacto tributário para o seu custo, esse é o teor da Nota Técnica n° 041/2008SRT/ANEEL jj) Caso eventualmente mantido o auto de infração, o Impugnante seria duplamente penalizado, uma vez que (i) estaria sujeito a um aumento de carga tributária decorrente da sua submissão (indevida) ao regime não cumulativo para o PIS e para a COFINS e, ainda, (ii) estaria proibido pela ANEEL de repassar esse custo ao seu preço, tendo cm vista o teor da Nota Técnica; kk) ainda que tivesse se valido das meras cláusulas contratuais relativas à variação tributária, ainda sim não haveria alteração quanto à predeterminação do preço praticado. Isso porque as referidas cláusulas apenas se prestam a albergar o que a doutrina brasileira denomina de "teoria da imprevisão", consistindo no reconhecimento Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.124 10 pelas partes, de que evento novo, imprevisto e/ou imprevisível, que reflita na economia ou execução do contrato, pode ser suscetível de revisão para ajustálo às circunstâncias supervenientes; ll) a Fiscalização já lavrou autos de infração contra o Impugnante para, com base na mesma argumentação apresentada na autuação objeto de discussão. Quando do julgamento dos recursos voluntários, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já reconheceu a necessidade de cancelar essas autuações; mm) a Fiscalização deixou de considerar os valores já efetivamente pagos na sistemática cumulativa e também na sistemática não cumulativa das contribuições, assim o auto de infração violou o artigo 142 do Código Tributário Nacional. Ademais, a Fiscalização deixou de considerar os créditos do PIS e da COFINS de acordo com a sistemática não cumulativa; nn) o auto de infração seria nulo, pois a fiscalização não efetuou a devida quantificação do valor objeto de autuação. O lançamento tributário deve se submeter ao princípio da legalidade, a Autoridade Administrativa tem o dever de provar o fato jurídico que resultou na exigência tributária, mediante exata determinação da matéria tributável, com apresentação dos cálculos acerca do montante exigido pela autuação; oo) em procedimentos fiscais anteriores, sobre a mesma matéria, a fiscalização apurou os créditos não cumulativos, bem como considerou os montantes pagos de PIS/COFINS; pp) o artigo 100 do Código Tributário Nacional é enfático ao determinar que, se um contribuinte pautou o seu comportamento em qualquer das espécies de normas complementares da legislação tributária nele elencadas, expedidas por autoridades administrativas, não se pode cogitar a cobrança do suposto tributo inadimplido acompanhado de penalidades (juros de mora e multa de ofício); qq) no caso concreto, o artigo 109 da Lei n° 11.196/05, a Nota Técnica n° 224/2006SFF/ANEEL e a Instrução Normativa n° 658/2006, em seu artigo 3o, determinam que a aplicação de cláusulas de reajuste pelo IGPM aos contratos firmados nos termos do artigo 10, XI da Lei n° 10.333/03 não descaracteriza o preço predeterminado. Desse modo, a orientação de que a aplicação da cláusula de reajuste (IGPM) não descaracterizaria o preço predeterminado tinha como origem não apenas o Poder Legislativo (artigo 109 da Lei n° 11.196/05), mas também as Autoridades Administrativas; rr) deve ser afastada a incidência da SELIC sobre a multa, isso porque a conduta representa flagrante descumprimento das determinações do artigo 61 da Lei 9.430/96, sendo manifestamente ilegal. Somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias. A multa não se presta para repor o capital alheio, mas sim para punir o não cumprimento da obrigação. Os juros sim possuem natureza essencialmente indenizatória, tanto que, diferentemente da multa, incidem no tempo, exatamente para refletir o prejuízo do credor com a privação do seu capital. Logo, não há como se admitir a incidência de Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.125 11 juros sobre a multa, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir apenas sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal; ss) o contribuinte citou diversos excertos doutrinários, além de julgamentos administrativos e judiciais para amparar a sua impugnação. Os autos foram baixados em diligência, por intermédio do Despacho de fls. 1.743/1.744 para que a fiscalização se manifestasse sobre as seguintes questões: a a fiscalização deverá apurar quais são os créditos não cumulativos de PIS e de COFINS (relacionados às receitas que serviram de base ao lançamento de ofício), passíveis de dedução do tributo devido, em cada um dos períodos de apuração. Este montante não deverá incluir os créditos informados em DACON, já considerados pela fiscalização; b caso a receita objeto do lançamento de ofício já tenha sido alvo de recolhimento na sistemática cumulativa, a fiscalização deverá informar os montantes recolhidos (em cada um dos períodos, PIS e COFINS); c se porventura houver recolhimentos de PIS e de COFINS não cumulativos que não estejam alocados à DCTF, caberá à fiscalização informar os montantes em cada um dos períodos; Ao término dos trabalhos de diligência fiscal, a fiscalização elaborou a Informação Fiscal de fls. 1.841/1.844, na qual relatou quais seriam os créditos não cumulativos de PIS/COFINS passíveis de dedução, bem como os montantes recolhidos a título de PIS/COFINS cumulativo. Em face deste relatório, o contribuinte manifestouse nas fls. 1.846/1.855, nos seguintes termos: Deve ser declarado nulo o auto de infração, nos termos do artigo 142 do CTN, em face do erro na quantificação do valor tributável, fato evidenciado após a realização da diligência; Em seguida passa a questionar o lançamento de ofício com argumentos utilizados na impugnação. Ato contínuo, a DRJSÃO PAULO (SP) julgou a impugnação do contribuinte, nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2011 REGIME NÃO CUMULATIVO. REQUISITOS. As receitas oriundas de contratos firmados antes de 31/10/2003, com prazo superior a um ano e a preço predeterminado são tributadas no regime cumulativo. O reajuste do preço previsto no contrato pelo IGPM descaracteriza o preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. RECOLHIMENTOS EM OUTRO REGIME. APROVEITAMENTO. Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.126 12 A tributação de ofício de receitas no regime não cumulativo deve levar em consideração recolhimentos efetuados anteriormente pelo contribuinte no regime cumulativo. CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DE OFÍCIO. A fiscalização ao tributar no regime não cumulativo receitas que foram erroneamente tributadas no regime cumulativo, deve apurar de ofício os créditos não cumulativos a que faz jus a pessoa jurídica. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 REGIME NÃO CUMULATIVO. REQUISITOS. As receitas oriundas de contratos firmados antes de 31/10/2003, com prazo superior a um ano e a preço predeterminado são tributadas no regime cumulativo. O reajuste do preço previsto no contrato pelo IGPM descaracteriza o preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. RECOLHIMENTOS EM OUTRO REGIME. APROVEITAMENTO. A tributação de ofício de receitas no regime não cumulativo deve levar em consideração recolhimentos efetuados anteriormente pelo contribuinte no regime cumulativo. CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DE OFÍCIO. A fiscalização ao tributar no regime não cumulativo receitas que foram erroneamente tributadas no regime cumulativo, deve apurar de ofício os créditos não cumulativos a que faz jus a pessoa jurídica. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Houve a interposição de recurso de ofício, tendo em vista que a exoneração do crédito tributário foi em valor superior ao previsto no art. 1º da Portaria MF 03/08. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. A Empresa, em seu Recurso Voluntário, repisou os mesmos argumentos utilizados na sua Impugnação quanto a aplicação do IGPM, afirmando em suma que a mera existência de cláusula de variação tributária nos seus contratos não alterariam a condição de preço predeterminado. É o relatório. VOTO Conselheiro Pedro Sousa Bispo. O processo trata, em suma, de auto de infração lavrado contra empresa do ramo de energia elétrica decorrente do fato dela utilizarse de índice (IGPM) para a correção dos seus contratos nº59/2001 e nº143/2001 de prestação de serviços de transmissão de energia. Sendo constatada tal situação, a Autoridade Tributária concluiu que estaria descaracterizado o preço predeterminado, devendo a empresa ser tributada pelo regime não cumulativo, ao invés Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.127 13 do cumulativo, como vinha procedendo. Assim, restou diferenças a pagar das contribuições de PIS e COFINS com os juros e as respectivas penalidades. Quanto ao Recurso Voluntário, a lide do presente processo concentrase sobre qual regime de apuração do PIS e da COFINS que devem estar sujeitas as receitas da companhia de energia elétrica decorrentes de contratos onde é prevista a utilização de índice de correção (IGPM). Segundo entendeu a fiscalização, a previsão de correção pelo IGPM é determinante para a descaracterização da predeterminação do preço, com repercussão na mudança do regime de apuração das contribuições PIS e COFINS do regime cumulativo para o não cumulativo. A Recorrente, por sua vez, afirma que a aplicação de cláusulas de reajuste pelo IGPM aos contratos firmados nos termos do artigo 10, XI da Lei n° 10.333/03 não descaracterizaria o preço predeterminado. Devese analisar, portanto, os requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições, bem como a correta definição de preço predeterminado. O tema, ora analisado, há muito tempo vem sendo debatido nas turmas desta instância administrativa com várias posições discordantes, inclusive na Câmara Superior. Antes de adentrar na questão crucial da lide no caso concreto, para sua perfeita compreensão é necessário apresentar a cronologia das normas que regularam a matéria desde a criação do regime de apuração não cumulativo para o PIS e a COFINS, até os tempos atuais. Para tanto, com a devida vênia, utilizome de parte do voto proferido no acórdão nº 3302000.467 pelo Conselheiro Paulo Guilherme que, em análise sobre a mesma questão da própria Recorrente, fez uma exposição detalhada dos dispositivos legais que regeram a matéria ao longo dos anos e buscou uma definição adequada de preço predeterminado, in verbis: As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.128 14 decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.129 15 Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.130 16 produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou debates por parte dos 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.131 17 contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.132 18 EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.133 19 em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; Fl. 2133DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.134 20 III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria tê lo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.135 21 Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, Fl. 2135DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.136 22 como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Após buscar na legislação anteriormente reproduzida e jurisprudência as condições essenciais para a definição de preço predeterminado, passo a analisar os contratos que foram motivadores da autuação no caso concreto. Segundo consta nos autos, a Autoridade Tributária constatou que a empresa possuía receita de prestação de serviços de transmissão de energia elétrica contabilizadas nas contas contábeis 61122110001 (Contratos Concessão Transmissão), 6112110002 (Parcela Ajuste Concessão Transmissão), 6112210001 (Contratos Serviço de Transmissão) e 6112210002 (Parcela de Ajuste Serviço Transmissão), que não foram consideradas como receita incidente da Não Cumulatividade para o PIS e a COFINS. Tais receitas foram Fl. 2136DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.137 23 decorrentes dos contratos de Concessão de Serviço Público de Transmissão de números 59/2001 e 143/2001 celebrados entre a empresa e a União.Federal. O objeto dos contratos é a Concessão de Serviço Público de Transmissão outorgada à Transmissora pelo prazo de 30 (trinta) anos contado a partir da assinatura do contrato e que consiste na implantação, operação e manutenção das Instalações de Transmissão Em ambos os contratos citados consta na cláusula sexta, que trata da Receita do Serviço de Transmissão de Reajustes, previsão de reajuste utilizandose o IGPM (Índice Gera de Preços de Mercado) da Fundação Getúlio Vargas. Na mesma cláusula sexta dos referido contratos também consta subcláusula de previsão de revisão de receitas da empresa pelos seguinte motivos: a) de alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, exceto Imposto Sobre a Renda; b) pela execução de reforços e ampliações nas instalações de transmissão, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados pela ANEEL; e c) visando contribuir para a modicidade tarifária do serviço público de transmissão, sempre que houver receita auferida com outras atividades. Informa a Recorrente em sua defesa que, apesar de haver cláusula de previsão de revisão nos contratos, essa nunca foi aplicada no caso concreto, ou seja, não reajustou as suas tarifas com base na referida cláusula. Assim, tendo em vista que a Recorrente informa em sua defesa que jamais a cláusula de revisão foi aplicada e a Fiscalização fundamentou a sua autuação baseada apenas na cláusula de reajuste, entendo que a discussão do caso concreto em questão deve se limitar a análise do reajuste e não na revisão contratual. É incontroverso nos autos que houve a aplicação da cláusula de reajuste e quanto a cláusula de revisão, a sua previsão, por si só, não retira o caráter de preço predeterminado do contrato, exigindo a implementação da primeira alteração de preço para a descaracterização, após 31 de outubro de 2003, fato que não consta nos autos, conforme prevê o §3º do art. 3º, da IN 658/2006, in verbis: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º5, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou 5 A data é 31/10/2003. Fl. 2137DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.138 24 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Retornando a questão da cláusula de reajuste, após analisar a legislação vigente que regula a matéria, entendo é preciso apurar se o índice de reajuste escolhido (IGPM) ultrapassa ou não o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Compulsando os autos, percebi a existência de um laudo técnico elaborado por empresa de auditoria que demonstra a variação de custos da energia vendida da empresa em comparação com a variação do índice do IGPM. Assim, em decorrência da análise da legislação citada, dos contratos e do laudo anteriormente citado, bem como em consonância com a definição de preço predeterminado exposto na presente Resolução, entendo ser necessário que a Autoridade Tributária verifique se a utilização do IGPM nos contratos teve variação superior, igual ou inferior a dos custos da energia vendida. Para tanto, o laudo técnico constante nos autos deverá ser utilizado como base para a verificação solicitada, nos termos adiante indicados. Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Autoridade Tributária realize os seguintes procedimentos: 1. informar se a metodologia adotada pela empresa de Auditoria responsável pelo Laudo é adequada para refletir a variação de custos da empresa; 2. informar se existem pontos de discordância quanto a elaboração do referido laudo, devendo explicar, por ventura existentes, os pontos de divergência, bem como apresentar os cálculos que julgue corretos; 3. facultar a Recorrente se posicionar sobre os pontos de divergência, caso existam, permitindo que a empresa proceda as devidas correções no laudo, caso deseje e concorde com as conclusões da Auditoria; 4. informar, demonstrando em tabela comparativa, se a variação do índice de reajuste (IGPM) utilizado pela empresa em seus contratos de prestação de serviço de transmissão foi superior, igual ou inferior a variação dos custos da prestação de serviço, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência que foi objeto de autuação. 5. efetuar quaisquer outras verificações que julgar necessárias para esclarecer as questões postas. Após conclusão, elaborar relatório fiscal facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Em seguida, os autos deverão retornar a este Colegiado para que seja aberto o prazo de 30 (trinta) dias à Procuradoria da Fazenda Nacional (PGFN) para se manifestar quanto ao laudo juntado pela Recorrente e as conclusões da diligência fiscal, caso tenha interesse. Fl. 2138DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.139 25 Por fim, o processo deverá ser restituído aos meus cuidados para sua inclusão em pauta de julgamento. É como voto. Assinatura Digital Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 2139DF CARF MF
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Numero do processo: 10209.000650/2003-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000
NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL ADEQUADA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade por infração aos princípios da tipicidade e da legalidade quando o lançamento está devidamente fundamentado na legislação tributária apropriada.
DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento da diligência para coleta de provas se os elementos que integram os autos demonstram ser suficientes para a plena formação de convicção e o conseqüente julgamento do feito.
Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000
As violações aos requisitos previstos na legislação que trata do drawback isenção, em especial às regras da Consolidação das Normas de Drawback, Comunicado Decex nº 21/1997, impede a fruição do benefício de isenção de tributos na importação de mercadoria para reposição de estoques, fixado em Ato Concessório.
Adimplemento das obrigações não comprovado.
MULTA DE OFÍCIO. FISCALIZAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE IMPORTAÇÃO SEM O PAGAMENTO DO II E DO IPI DEVIDOS. INCIDÊNCIA.
É cabível o lançamento da multa de ofício quando, em procedimento de fiscalização, for constado o não recolhimento dos tributos devidos na importação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.446
Decisão: Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima votou pelas conclusões.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000 NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL ADEQUADA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade por infração aos princípios da tipicidade e da legalidade quando o lançamento está devidamente fundamentado na legislação tributária apropriada. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento da diligência para coleta de provas se os elementos que integram os autos demonstram ser suficientes para a plena formação de convicção e o conseqüente julgamento do feito. Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000 As violações aos requisitos previstos na legislação que trata do drawback isenção, em especial às regras da Consolidação das Normas de Drawback, Comunicado Decex nº 21/1997, impede a fruição do benefício de isenção de tributos na importação de mercadoria para reposição de estoques, fixado em Ato Concessório. Adimplemento das obrigações não comprovado. MULTA DE OFÍCIO. FISCALIZAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE IMPORTAÇÃO SEM O PAGAMENTO DO II E DO IPI DEVIDOS. INCIDÊNCIA. É cabível o lançamento da multa de ofício quando, em procedimento de fiscalização, for constado o não recolhimento dos tributos devidos na importação. Recurso Voluntário Negado
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FUNDAMENTAÇÃO LEGAL ADEQUADA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade por infração aos princípios da tipicidade e da legalidade quando o lançamento está devidamente fundamentado na legislação tributária apropriada. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento da diligência para coleta de provas se os elementos que integram os autos demonstram ser suficientes para a plena formação de convicção e o conseqüente julgamento do feito. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000 As violações aos requisitos previstos na legislação que trata do drawback isenção, em especial às regras da Consolidação das Normas de Drawback, Comunicado Decex nº 21/1997, impede a fruição do benefício de isenção de tributos na importação de mercadoria para reposição de estoques, fixado em Ato Concessório. Adimplemento das obrigações não comprovado. MULTA DE OFÍCIO. FISCALIZAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE IMPORTAÇÃO SEM O PAGAMENTO DO II E DO IPI DEVIDOS. INCIDÊNCIA. É cabível o lançamento da multa de ofício quando, em procedimento de fiscalização, for constado o não recolhimento dos tributos devidos na importação. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 06 50 /2 00 3- 23 Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima votou pelas conclusões. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de lançamentos inerentes ao Imposto de Importação –II e ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acrescidos dos juros de mora previstos no art. 61, § 3°, da Lei 9.430, de 27/12/1996, e da multa de ofício tipificada no inciso I do art. 44 do mesmo dispositivo legal. Segundo o termo de fiscalização, as importações foram realizadas pela recorrente, referentes aos produtos hidróxido de sódio, tecido filtrante e polímero de poliacrilamida, procedidas através das Declarações de Importação – DI nos 97/10042815 e 98/01635908, não terem adotado as exigências legais inerentes ao Drawback Isenção, objeto do Ato Concessório n° 000198/ 0001275, de 15/09/1998. De acordo com a fundamentação para a formalização da exigência contra a autuada, as DIs citadas seriam “declarações com isenção de tributos... portanto, não servindo para a obtenção do ato concessório”. Ademais, o contribuinte não teria direito ao Drawback Isenção em relação ao produto “hidróxido de sódio em solução aquosa (soda cáustica)”, uma vez que as importações não teriam sido acompanhadas do pagamento prévio e integral dos tributos, para depois importar os mesmos produtos com isenção. Teria havido, concomitantemente, irregularidades nas exportações e nas vendas no mercado interno, uma vez que as notas fiscais inerentes a tais operações trariam no campo relativo à descrição dos produtos a referência de que o insumo (p. ex. soda cáustica) utilizado na industrialização do produto final (p. ex. alumina calcinada) havia sido importado sob o regime de drawback, com referência, no mesmo documento, a dados relativos à quantidade consumida na produção, ao Ato Concessório e à Declaração de Importação. Segundo a autoridade lançadora (sic) “esse tipo de operação realizada Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 4 3 através das notas fiscais apresentadas não poderiam servir para a obtenção do AC de isenção, uma vez que o produto utilizado na industrialização da alumina calcinada foi importado sob o regime de suspensão de tributos (Drawback) o que não está de acordo com a legislação (anexo XI item 4.1 “a” e “b” da CND)”. E continua asseverando que “tal produto deveria ser importado com pagamento integral de tributos para que o beneficiário do regime solicitasse posteriormente o Ato Concessório de isenção”. Relata, ainda, que ditas notas fiscais estariam acompanhadas de um ou mais “avisos de irregularidade em documento fiscal”, através dos quais a empresa teria feito correções no campo “descrição”. Considerando a nota fiscal reportada exemplificativamente pela Fiscalização (fls. 427/428 – volume II), vêse, por exemplo, a seguinte correção (sic): “CONSTOU: “Soda cáustica importada sob DRAWBACK, Qnt consumida na produção...” CORREÇÃO: Soda cáustica importa sob regime de DRAWBACK modalidade ISENÇÃO, A/C n° 001.97/0001116 de 27/08/1997” Em relação aos Registros de Exportação das empresas Albrás e Aluvale (fls. 136/235), não estariam consignadas nos campos 24 e 25 as informações exigidas pela legislação vigente, tais como: CNPJ do fabricante intermediário, NCM do produto intermediário utilizado no produto final, dentre outros, irregularidades as quais seriam “impeditivas para aceitação das exportações como comprovação e, por conseguinte, à habilitação ao regime de Drawback Isenção”, por estarem dissonantes com o item 12.3 do Título 12, bem como dos itens 4.5 e 4.6 do Anexo XI, todos da Consolidação das Normas de Drawback –CND (Comunicado DECEX n° 21, de 11/06/1997). Tais irregularidades levaram à exigência do Imposto de Importação – II e do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI incidentes sobre as importações de que tratam as 37 (trinta e sete) Declarações de Importação (DI) discriminadas às fls. 07/09, inerentes à aquisição dos produtos hidróxido de sódio (21 DI), tecido filtrante (6 DI) e polímero de poliacrilamida (10 DI), resultando na constituição dos créditos tributários já devidamente discriminados no item 1 supra. Da impugnação Cientificada dos lançamentos em 30/10/2003 (fls. 05 e 29) a recorrente insurgiuse contra a exigência, apresentando, em 01/12/2003, a impugnação de fls. 700/725 – volume III (com cópia também juntada às fls. 746/778 – volumes III e IV), onde alega basicamente o seguinte: que o drawback teria sido concedido pelo DECEX, e que “muito embora, não tenha havido pagamento de tributo antecedente que vinculasse a importação na modalidade de drawback isenção, o material importado foi todo utilizado no produto lingote de alumínio que foi exportado para o exterior”, fato este não rechaçado pela Fiscalização, o que demonstraria o cumprimento da finalidade dessa modalidade de incentivo à exportação; Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 5 4 que a autuante estaria se prendendo a “questões periféricas do drawback” no intuito de desqualificálo para, então, cobrar os tributos, “fugindo a finalidade pública do instituto que o incentivo a exportação” (sic), afirmativa esta reforçada pelo fato de ter sido a “própria SECEX quem aceitou que a importação sob o manto de DRAWBACK Isenção não tivesse o anteparo de uma importação com pagamento de tributos”; que a importação com pagamento de tributos para posterior requerimento de novo ato concessório de drawback não faria sentido para a empresa, uma vez que a mesma industrializaria apenas um produto destinado exclusivamente à exportação, fato o qual impediria a recuperação dos tributos recolhidos na operação inicial; além disso, para a glosa da isenção “a fiscalização teria que fazer um levantamento desde o início das importações realizadas pela empresa para identificar qual foi a primeira importação que foi realizada com pagamento de tributos, já que a partir daí todas as demais importações na modalidade isenção serão sempre efetuadas sem o pagamento de tributo”; teria sido com base nisso que a SECEX concedeu o benefício, e “a empresa confiando no posicionamento do órgão competente para tanto, continuou operando normalmente o drawback”; com base em jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, assevera que competiria à SECEX “reconhecer a regularidade do Drawback Isenção”, e, em assim o sendo, “jamais poderia a fiscalização da Receita Federal, desqualificar a homologação do Drawback Isenção, salvo os casos específicos e legais previstos no regulamento aduaneiro”, casos os quais não teriam ocorrido; assim, “somente competiria a Receita Federal efetuar a autuação caso houvesse quebra do compromisso de exportar por parte da empresa” (sic), fato este que não teria sido constatado; que estaria havendo “uma tentativa, bastante tímida da fiscalização, de comprovar a quebra do dever de exportar, com a alegação de que a empresa utilizou algumas notas fiscais emitidas pela exportadora Albras e que estas notas não poderiam ser utilizadas já que as mesmas advinham da produção de produtos produzidos com insumos que foram importados com suspensão do tributo” (sic); que o Fisco não poderia glosar “as notas fiscais de exportações efetuadas pela Albrás pelo fato de terem os produtos constantes delas sido produzidos com matéria prima que foi importada com suspensão de impostos”, uma vez que “essas notas fiscais, muito embora contenham produtos que tiveram a sua produção composta com alguns componentes importados sob o manto de Drawback suspensão, as mesmas não foram utilizadas em nenhum outro processo de Ato Concessório de drawback, nem mesmo de suspensão” (sic); que, pelo fato do processo industrial adotado pela empresa ser altamente dinâmico, não admitindo interrupções sob pena de Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 6 5 causar graves prejuízos financeiros, e em vista da impossibilidade de separação do estoque físico, teriam sido utilizados produtos “importados sob o manto de drawback suspensão, para comprovar um AC de Drawback Isenção”; todavia, as notas fiscais referentes aos produtos cuja industrialização fora realizada com alguns insumos importados sob o regime do drawback suspensão, não teriam sido utilizadas “em nenhum outro processo de Ato Concessório de drawback, nem mesmo de suspensão”; assevera ainda que “tais notas fiscais não serão mais utilizadas para confirmar o AC Drawback Suspensão, podendo este ser compensado com o Drawback isenção não utilizado em seu AC próprio”; com respeito a esse procedimento, ressalta, ainda, que “a alteração não acarreta prejuízos ao fisco, já que todos os produtos acabam sendo exportados no prazo a DECEX os aceita sem maiores problemas, mesmo porque o que interessa para o Governo Federal e para a própria DECEX é que as exportações sejam devidamente efetuadas e se agregue a elas valor” (sic); que a fiscalização, ao limitarse a apontar “pequenos erros nas informações prestadas ou contidas nas notas fiscais de exportação”, estaria “privilegiando o acessório (ou seja, as informações acessórias) em detrimento da informação e da comprovação principal que é a importação”; mais adiante complementa seu raciocínio esclarecendo que entende como “acessória” “a falta de informações que na alegação do Fisco fulminam a concessão do regime de Drawback”, enquanto que a obrigação principal seria a “comprovação de exportação de insumos importados sob o benefício da isenção”, o que restaria sobejamente comprovado, até porque a Fiscalização, em nenhum momento, teria afirmado que “as exportações dos produtos importados sob o regime especial de isenção não foram efetivadas”; admite, porém, que “houve alguns erros nas informações prestadas pela empresa”, os quais, todavia, jamais poderiam sacrificar o incentivo fiscal em evidência sob pena de “fazer com que o formalismo supere o substrato do instituto que é o incentivo às exportações”; assevera que ao Fisco restaria examinar se o contribuinte cumpriu ou não com suas obrigações de exportar, única condição sem a qual o regime poderia ser “cassado”; assim, não poderia a Fiscalização não aceitar concessão já viabilizada em 1997, posto que o ato de “verificar ou conceder o Drawback” não seria de sua competência, mas “da autoridade de comércio exterior” e somente por ela poderia ser dito incentivo “cassado”; ademais, amparado em jurisprudência do TRF – 4ª Região, ressalta que não teria cabimento “qualquer exigência posterior à concessão do regime”, devendo, pois, eventuais exigências extemporâneas “ser rechaçada(s) pela autoridade administrativa”; que, de acordo com as normas contidas no Comunicado DECEX n° 21/97, alteradas pelo Comunicado DECEX n° 30, de 13.10.97, assim como conforme fundamentação legal discriminada no lançamento, não haveria obrigatoriedade de Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 7 6 vinculação do drawback isenção a importação anterior acompanhada do prévio pagamento dos tributos incidentes sobre a mesma; ressalta ainda que as normas contidas no Comunicado DECEX em comento são de natureza meramente “instrumental e formal”, uma vez que “servem única e exclusivamente para efeito de comprovação do compromisso firmado no regime”, e que “a sua inobservância não retira o direito do contribuinte em usufruir do benefício já concedido”, posto que dito comunicado, “por ser norma inferior ao Regulamento Aduaneiro, não poderá criar situações que no regulamento não estejam dispostas ...”; que “a única regra material para a obtenção do regime de isenção na importação” seria “a que prevê importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado, conforme determina o Art. 314, II do RA”; que a fundamentação legal discriminada pela autoridade lançadora seria incapaz de enquadrar o fato sub examine na “hipótese de incidência” e no “fato gerador da obrigação tributária”; assevera ainda que o auto de infração seria nulo por haver infringido o art. 142 do CTN, posto que a tipificação legal seria inadequada aos fatos narrados pela fiscalização; nesse intuito, ressalta que o lançamento fora baseado na falta de pagamento de imposto, tendo o Fisco considerado, adicionalmente, “que a empresa inadimpliu o seu dever de exportar as mercadorias importadas vinculadas ao AC 0001 98/0001275, mesmo tendo a empresa exportado todas mercadorias importadas”, inadimplência esta que teria sido resultado do “descumprimento de obrigação acessória, narrado como tal nas descrições dos fatos, mas que vem a se transformar misteriosamente em falta de pagamento de II”; em vista da alegada nulidade, destaca que o lançamento deveria ser revisto de ofício, nos termos do art. 149, IX, do CTN; que “a decisão da autoridade fiscal em autuar a empresa baseada nas suas averiguações não passa de mera presunção e atenta contra o princípio da verdade material e da realidade”, posto que “a autuação desafia a própria realidade ao afirmar que o contribuinte inadimpliu o dever de exportar as mercadorias exportadas, já que todas as mercadorias importadas sob o amparo do AC 000198/0001275 foram incorporadas aos produtos exportados pela Albrás ou pela Trading Aluvale”; dessa forma, “para valer a informação, a autoridade fiscal teria que efetuar um levantamento quantitativo” a fim de “verificar se as matérias primas importadas foram incorporadas aos produtos exportados (atividade que abrange 99,99 % das operadas pela empresa exportadora) ou se foram revendidas internamente ou incorporaram produtos revendidos internamente”; ressalta ainda que a Fiscalização, por não ter realizado o levantamento quantitativo de utilização dos insumos, jamais “poderia concluir pela inadimplência do dever de exportar”, já que a impugnante “comprovou perante a DECEX o cumprimento do dever de Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 8 7 exportar, muito embora, tenha falhado na organização documental dessa exportação”; e conclui afirmando que “a inadimplência do dever de exportar se dá somente nas hipóteses contidas no Regulamento Aduaneiro no seu artigo 319, as quais como visto não estão provadas pela fiscalização nem de soslaio”; que o termo de encerramento de drawback “atesta cabalmente que o dever de exportar foi cumprido na sua íntegra” (fls. 714); reclama a aplicação do princípio da equivalência, uma vez que, por não ter havido prejuízo para a fazenda pública, e pelo fato de ter sido alcançada a finalidade do instituto do drawback, não haveria como se desqualificar o regime pela ausência do cumprimento de algumas obrigações “sequer reconhecidas pela SECEX”; nesse intuito, e com base em jurisprudência do TRF – 4ª Região, assevera que “se há possibilidade de se ignorar o princípio da identidade de mercadorias, quando comprovado que não houve prejuízo ao fisco e que toda a mercadoria importada foi exportada, nada mais justo que aceitar a equivalência dos atos praticados pelo contribuinte como certos para comprovação do adimplemento do drawback, afastandose assim a autuação” (fls. 715/717); que a autuação teria afrontado o princípio da legalidade restrita (fls. 718/719), segundo o qual somente se poderia exigir imposto havendo previamente lei, em sentido estrito, que estabeleça a relação jurídica tributária, criando, assim, os elementos essenciais dessa relação: hipótese de incidência, fato gerador, alíquota tributável e base de cálculo; assevera que, como no drawback isenção a suspensão da exigibilidade do tributo se daria em decorrência de lei, a revogação ou cassação do incentivo somente poderia ocorrer por meio de lei, em seu sentido formal; ressalta, ainda, que “não há na lei aduaneira de criação do DRAWBACK hipótese que autorize a fiscalização, ao seu livre alvedrio, descaracterizar o regime de suspensão de imposto em função do descumprimento da obrigação acessória e exigir o imposto devido como se a impugnante não tivesse cumprido com as determinações previstas em lei para ser beneficiada pela suspensão do imposto”; e conclui esta tese afirmando que “não se questiona a legalidade de obrigação acessória, o que se questiona é a exigência do imposto pelo seu descumprimento, haja vista que está bastante comprovado que o contribuinte exportou as mercadorias vinculadas ao ato concessório, e a hipótese narrada não se enquadra nas hipóteses legais de descaracterização do DRAWBACK para a exigência do tributo, pelo que há afronta ao princípio da legalidade”; que, no regime de drawback, a hipótese de incidência do I.I. vigoraria normalmente, embora mantido suspenso o pagamento, o qual só poderia ser exigido pelo implemento de uma das condições suspensivas previstas no art. 319 do Regulamento Aduaneiro; segundo entende, a caracterização de tal condição só se daria quando os insumos importados deixassem de ser utilizados na industrialização de produtos a serem exportados, ou quando fossem empregados em desacordo com o ato Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 9 8 concessório, “consumidas no mercado interno, por exemplo”; assim, “para a contribuinte, ora impugnante, estar inadimplente com o regime seria necessário que o mesmo deixasse de empregar as mercadorias importadas no processo produtivo de bens a serem posteriormente exportados ou fossem empregadas em desacordo com o Ato Concessório” (sic), hipóteses essas que não teriam sido constatadas no caso presente; apenas “a contribuinte, inadvertidamente, não forneceu algumas informações acessórias no procedimento de fechamento do AC”; ademais, ressalta que “a lei somente autoriza a exigência dos tributos suspensos, caso ocorra a condição contida no artigo 319, I, alínea"c", porquanto somente nesta hipótese, e, nem mais uma outra, é que os tributos devem ser exigidos conforme determina o parágrafo único do artigo acima transcrito”, contemplando ainda a possibilidade de a contribuinte regularizar, junto ao órgão concedente, qualquer outra condição prevista no ato concessório que porventura fosse descumprida, ou ainda de optar, antes do pagamento do tributo, pela regularização do drawback através de outras formas, dentre as quais “a devolução da mercadoria importada para o exterior”; que “as cartas de correções emitidas pela empresa com o intuito e boa fé de corrigir elementos inexatos em seus documentos fiscais são plenamente aceitas pela administração tributária estadual, que legisla sobre notas fiscais”; defende que tais cartas “se tornaram práticas reiteradas da administração”, sendo adotadas pela Secretaria Executiva da Fazenda do Pará para afastar possíveis erros contidos nos documentos fiscais, prática esta que estaria em consonância com o art. 100 do CTN, não podendo a fiscalização desconsiderar tais documentos, posto que os mesmos “corrigem as notas fiscais que comprovam a exportação dos produtos importados que foram glosadas pela fiscalização”; por fim, defende que “muito embora o principal não seja exigível por princípio da eventualidade argüise a impossibilidade de cobrança das multas aplicadas pela fiscalização, conforme reiterada jurisprudência do Conselho de Contribuintes, já que estas devem ser cobradas conforme determina o artigo 59 da Lei 8383/91”. Com base em tais argumentos, pede que seja requerida, de ofício, a realização de diligência “para comprovar que todas as mercadorias foram efetivamente exportadas, tendo em vista que o contribuinte não vende para o mercado interno a não ser para a exportadora Albrás”. Em sede de “preliminar” faz as seguintes solicitações e considerações (sic): 2) a nulidade do lançamento por falta de elemento essencial, tendo em vista que o enquadramento legal não se coaduna aos fatos descritos no auto de infração; 3) o lançamento desafia e ofende o princípio da legalidade; Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 10 9 4) Não há ocorrência da condição suspensiva que autoriza a cobrança dos impostos suspensos pelo benefício do DRAWBACK; 5) A autuação está baseada em mera presunção fiscal; 6) A completa ausência de provas que comprovem o alegado pela fiscalização. 7) A inexistência de inadimplemento do Regime de DRAWBACK. 8) A necessidade de se declarar que a substância do drawback deve prevalecer sobre a forma. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 4196, sessão de 29/03/2004, julgou improcedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000 Ementa: DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. RECUSA. Será indeferido o pedido de diligência quando os elementos que integram os autos revelamse suficientes para a plena formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL ADEQUADA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade por infração aos princípios da tipicidade e da legalidade quando o lançamento está devidamente fundamentado na legislação tributária apropriada. Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000 Ementa: DRAWBACK ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PRÉVIA IMPORTAÇÃO ONEROSA DOS INSUMOS. DESCARACTERIZAÇÃO. Não há que se falar em drawback isenção sem a prévia constatação de que a importação normal dos insumos e a exportação dos produtos industrializados com os mesmos já ocorreram. Descaracterizado o incentivo, cabível a exigência dos tributos relativos às mercadorias importadas sob o regime aduaneiro especial de drawback isenção, acrescidos dos encargos previstos em lei. DRAWBACK ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE VINCULAÇÃO DA EXPORTAÇÃO A ATO CONCESSÓRIO DISTINTO DAQUELE DISCRIMINADO NO REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. Não há como vincular Registro de Exportação a ato concessório distinto daquele discriminado no próprio documento comprobatório da exportação. Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 11 10 MULTA DE OFÍCIO. FISCALIZAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE IMPORTAÇÃO SEM O PAGAMENTO DO II E DO IPI DEVIDOS. INCIDÊNCIA. É cabível o lançamento da multa de ofício quando, em procedimento de fiscalização, for constado o não recolhimento dos tributos devidos na importação. O julgamento foi no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela empresa, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, julgar procedente o lançamento objeto da presente lide, para considerar devido o respectivo crédito tributário. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual consigna suas razões de irresignação, conforme relatado, e que transcrevo: Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ Fortaleza (CE), recurso voluntário foi interposto às folhas 848 a 889. Nessa petição, preliminarmente, discorre sobre: (1) nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa em face de ter vedado a produção de prova ao indeferir a realização de diligência oportunamente solicitada; (2) ofensa ao princípio da reserva legal, dada a ausência de "disposições do Regulamento Aduaneiro ou de outra Lei formal que obrigasse o contribuinte a cumprir" 10 o disposto nas portarias e nos comunicados Secex/Decex motivadores do lançamento do crédito tributário, bem como a inexistência de previsão legal para a penalidade aplicada: "retirada do contribuinte do regime drawback isenção"; (3) infringência ao princípio da legalidade e tipicidade tributária, pela ausência de tipificação legal correta; (4) competência do órgão concessor do beneficio para revogar o incentivo. No mérito, aduz: (1) inexistir obrigatoriedade de importação onerosa prévia para obtenção de drawback isenção; (2) ser exclusivamente da autoridade de comércio exterior concedente do beneficio a competência para a sua revogação, desde que não fundada na exigência de obrigação estranha às exigidas na época da concessão do regime; (3) ensejar violação ao princípio da legalidade a exigência formulada pela administração e estranha ao ordenamento jurídico, caracterizada pelo fato de somente considerar válido o beneficio do drawback isenção antecedido de importação onerosa anterior ao pedido do regime aduaneiro especial e a ele vinculado; (4) por força do princípio da verdade material, quebrar o dever de exportar é a única situação legal que pode cassar a concessão do beneficio de drawback; (5) por força do princípio da equivalência, devem ser "considerados válidos os documentos apresentados à Decex como próprios para a comprovação do Drawback, como se nenhum erro de forma contivessem, pois [...] alcançaram a finalidade de comprovação da exportação em quantidade suficiente para a nova importação sem pagamento de Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 12 11 tributos" I2; (6) cassar o Drawback é hipótese única e exclusivamente vinculada à modalidade suspensão, prevista no artigo 319 do Regulamento Aduaneiro; (7) incentivar a exportação, com prevalência da substância sobre a forma, é a finalidade do drawback isenção; (8) embora considere inexigível o principal, pelo princípio da eventualidade, argúi a impossibilidade de cobrança das multas lançadas. Submetido a julgamento no CARF, na sessão de 22/05/2007, decidiu a Turma Ordinária, por maioria de votos, "acolher a preliminar de ilegitimidade ativa da Secretaria da Receita Federal para aferir a regularidade do ato administrativo que concedeu o regime aduaneiro especial de drawback, nos termos do voto do relator". O acórdão nº 30334.307 foi assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000 Ementa: Regime aduaneiro especial dranvback. Aferição da regularidade do ato administrativo de concessão do regime. Ilegitimidade ativa da Secretaria da Receita Federal. Compete à Secretaria da Receita Federal fiscalizar os tributos federais, inclusive aqueles inerentes às operações de comércio exterior beneficiadas com a concessão do regime aduaneiro especial drcnvback. Todavia, pertence a outro órgão da administração pública federal tanto a concessão do beneficio como eventual aferição da regularidade do ato concessório. O voto condutor do acórdão assim se pronunciou: Conselheiro TARÁSIO CAMPELO BORGES, Relator Conheço o recurso voluntário interposto às folhas 848 a 889, porque tempestivo e atendidos os demais pressupostos processuais. Versa a lide, conforme relatado, sobre o denunciado inadimplemento de condições específicas para a fruição dos benefícios do drawback, na modalidade isenção de tributos. Preliminarmente, amparado no inciso VII do artigo 1° do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal l4, entendo da competência dela a fiscalização dos tributos federais, inclusive aqueles inerentes às operações de comércio exterior beneficiadas com a • concessão do regime aduaneiro especial drawback, a despeito de pertencerem a outro órgão da administração pública federal tanto a concessão do beneficio quanto a verificação do adimplemento dos compromissos então assumidos. Nada obstante, no caso presente, os autuantes motivaram a exação em três vertentes: (1) carência de importação de hidróxido de sódio (soda cáustica) com pagamento dos tributos, "não servindo para a obtenção do ato concessório"; (2) emissão Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 13 12 do Ato Concessório (AC) da isenção findado em exportações consubstanciadas em Registros de Exportações (RE) que não guardam conformidade com a Consolidação das Normas de Drawback (CND), omitindo informações "impeditivas para aceitação das exportações como comprovação e, por conseguinte, à habilitação ao regime Drarwback Isenção; (3) notas fiscais emitidas pela Alunorte sem o obrigatório registro das informações previstas nos anexos X e XI da Consolidação das Normas de Drawback (CND), ocorrência que "impossibilita também a concessão do AC de Isenção". Por conseguinte, acolho a preliminar de ilegitimidade ativa da Secretaria da Receita Federal para aferir a regularidade do ato administrativo que concede o regime aduaneiro especial drawback. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência aduzindo a competência da Receita Federal para a fiscalização do cumprimento das condições exigidas pela legislação para a fruição da isenção. O recurso especial foi admitido e submetido a julgamento na sessão de 13/09/2013, na 3ª turma da CSRF que, por maioria de votos, conheceuo e lhe deu provimento. O acórdão nº 9303002.111, de relatoria do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REGIME ESPECIAL DE DRAWBACK. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO. É da SRF a competência legal para verificação do cumprimento dos requisitos previstos no ato concessório do benefício de drawback em complemento às meras análises documentais empreendidas inicialmente pela SECEX.. (...) No dispositivo do voto, constou a determinação de retorno dos autos para enfrentamento do mérito do recurso voluntário, que transcrevo: (...) Com essas considerações, voto pelo provimento do recurso fazendário para afastar a preliminar acatada pela Câmara a quo, a ela devendo retornar o processo para a apreciação do recurso voluntário quanto ao mérito. O processo retornou a esta Turma Ordinária, que na sessão de 22/10/2013, decidiu converter o julgamento em diligência para as providências, a cargo da unidade de origem, conforme o acórdão nº 3201000.435, que transcrevo alguns de seus excertos: Assim sendo, em atendimento ao princípio da verdade material e da estrita legalidade, entendo pela conversão do feito em Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 14 13 diligência à repartição de origem, a fim de que se intime à SECEX/MDIC para que se digne a se pronunciar a despeito: quando da concessão do Ato Concessório de que tratam os autos, através dos quais a Recorrente promoveu a importação de produtos sob o Regime de Drawback —modalidade isenção, para comprovar se todas as mercadorias foram efetivamente exportadas, ou em que percentual; tendo em vista que o contribuinte não vende para o mercado interno a não ser para a exportadora Alumínio Brasileiro S. AAlbras, conforme alega a mesma. Algumas passagens dos autos interessantes, como: da mesma forma, observo que em sede de impugnação e recurso voluntário, a mesma, apresenta notas fiscais, conforme observa o item 49 da decisão a quo: (...) assim como, sobre o item 48 da decisão de primeira instância, onde há observação de indicação errônea do Ato Concessório AC, conforme: (...) Enfim, se para expedição do Ato Concessório do drawback isenção, todas as mercadorias foram devidamente exportadas, utilizadas mercadorias anteriormente importadas? Inclusive, em caso positivo (de exportação), se há condição de vincular a Ato Concessório dos autos? Enfim, apresente as razões e critérios pela Secex adotados, quando da emissão do Ato Concessório (n° 000198/ 0001275, de 15/09/1998) referente a este processo. Após a realização das análises solicitadas, profira parecer conclusivo. Abra vista para que a recorrente se pronuncie, se entender necessário; bem como à Procuradoria da Fazenda Nacional PGFN, também se manifestar, se desejar. Concluída a diligência solicitada, retornem os autos para seguimento no julgamento por esta turma do CARF. Cumprida a diligência a Decex respondeu por intermédio do Ofício nº 166 (fl. 1.094/1.097) aos quesitos formulados na resolução, os quais transcrevo em suas partes que interessam ao julgamento: (...) (...) Cabese esclarecer que neste ponto é importante se destacar as diferenças existentes entre as modalidades de Drawback cuja concessão é atribuída a este DECEX, quais sejam, suspensão e isenção. Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 15 14 Na modalidade suspensão, a beneficiária do ato concessório, após deferimento, tem a oportunidade de adquirir insumos com suspensão tributária para gerar, por meio de um processo produtivo, um determinado produto a exportar, ou seja, gerase uma expectativa de produção e exportação do bem resultante do processo. Caso a produção não se concretize por algum motivo ou caso a exportação não tenha êxito, os insumos poderão ser nacionalizados, devolvidos ou destruídos, com o recolhimento dos tributos respectivos. Vide o que consta do inciso I, do artigo 67 da Portaria SECEX n° 23/2011: I drawback integrado suspensão a aquisição no mercado interno ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria para emprego ou consumo na industrialização de produto a ser exportado, com suspensão dos tributos exigíveis na importação e na aquisição no mercado interno na forma do art. 12 da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009 e do art. 17 da Lei n° 12.058, de 13 de outubro de 2009, e da Portaria Conjunta RFB/SECEX n° 467, de 25 de março de 2010; e Em relação à modalidade isenção, a beneficiária do ato adquire os insumos com o pagamento dos respectivos tributos, produz e exporta o bem final. Após algum tempo, a mesma pleiteia a reposição dos mesmos insumos, porém sem o pagamento dos tributos. Vide o que consta do inciso II, do artigo 67 da Portaria SECEX n° 23/2011: II drawback integrado isenção a aquisição no mercado interno ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria equivalente à empregada ou consumida na industrialização de produto exportado, com isenção do Imposto de Importação (II), e com redução a zero do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, na forma do art. 31 da Lei n° 12.350, de 20 de dezembro de 2010 e da Portaria Conjunta RFB/SECEX n° 03, de 17 de dezembro de 2010. Portanto, as exportações, na modalidade isenção, são pretéritas. A efetiva exportação é aferida por ocasião da concessão do regime, ou seja, se não ocorreram exportações não há deferimento de ato concessório e, portanto, não há reposição de insumos. (...) (...) na modalidade isenção os registros de exportação não se vinculam ao respectivo ato concessório, tendo em vista, a exportação pretérita. Já na modalidade suspensão, como a exportação é futura, os registros de exportação são devidamente vinculados aos seus respectivos atos na ocasião de seus registros. Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 16 15 (...) A legislação atual não modifica de maneira substancial a legislação vigente à época em relação aos requisitos para a concessão do regime. Seguem abaixo os artigos relacionados ao Drawback Isenção previstos na Portaria SECEX n° 4 de 11 de junho de 1977. (...) A Unidade de Origem elaborou Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1.102/1.105) limitandose a reproduzir as respostas da Secex aos quesitos desta Turma. Ato contínuo foi dado ciência à contribuinte, no próprio Relatório (fl. 1.105), que não se pronunciou acerca de seu conteúdo. A Procuradoria instada a manifestarse, apenas corroborou os termos a informação fiscal prestada no Relatório. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator A Conselheira que inicialmente relatou o processo não mais integra este Conselho, assim, após a redistribuição coubeme a relatoria do presente processo. Como relatado, o processo foi submetido a julgamento em colegiado do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes que, ao não enfrentar o mérito da autuação fiscal, decidiu pela ilegitimidade da Secretaria da Receita Federal para aferir a regularidade do ato concessório de drawback. Interposto recurso especial de divergência pela PFN, e acolhendo o que se postulou, a 3ª Turma da CSRF entendeu a competência legal da Receita Federal para verificação do cumprimento dos requisitos previstos no ato concessório do benefício de drawback em complemento às meras análises documentais empreendidas inicialmente pela SECEX. A decisão que constou no acórdão foi para "para afastar a preliminar acatada pela Câmara a quo e determinar o retorno dos autos à referida Câmara para apreciação do mérito do recurso". Dessa forma, superada as preliminares suscitadas no recurso voluntário, cingese o litígio enfrentar o inadimplemento de requisitos para a fruição do benefício de drawback isenção, conforme acusação fiscal. Conquanto a preliminar que fundamentou a decisão no acórdão nº 303 34.307, reformado pelo acórdão nº 9303002.111 da CSRF, tenha abordado tãosomente a Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 17 16 questão atinente à competência da Receita Federal a fiscalizar e controlar a regularidade do ato concessório de drawback isenção, entendo que outras matérias preliminares não foram enfrentadas, o que se procede a seguir. Preliminares (não enfrentadas no acórdão nº 30334.307) Cerceamento do direito de defesa Alega a recorrente que a recusa em conceder a diligência pleiteada para a comprovação de que os RE's são exclusivamente vinculados ao ato concessório fiscalizado cerceoulhe o direito de defesa. Sem razão a recorrente quanto à nulidade alegada. O pedido de realização de diligência apresentado pela impugnante foi indeferido, por ser prescindível à solução do litígio. Injustificada a realização de diligência quando os elementos constantes nos autos são suficientes à formação de convicção do julgador. Ofensa ao princípio da reserva legal A acusação de nulidade recai sobre a ausência de elemento essencial à autuação, tendo em vista que o enquadramento legal não se coaduna aos fatos descritos no auto de infração. Quis arguir a recorrente que o descumprimento daquilo que entende "pequenas regras acessórias" carece de previsão em lei para o Fisco decretar oo não cumprimento do regime de drawback. Sem razão a recorrente, pois nos autos consta os fundamentos e enquadramento legal que nortearam a autuação fiscal. A fiscalização apontou que a observância das regras do Regime são obrigatórias, com previsão e supedâneo legal e que o descumprimento configura as infrações previstas na legislação, em especial no DecretoLei nº 37/66. Ausência de tipificação legal correta Toda a argumentação despendida pela autuada no tópico envolve o adimplemento do dever de exportar. A fiscalização demonstrou que a situação dos autos é de regime especial de drawback isenção no qual a importação de insumo utilizado, e a própria operação de exportação do produto resultante da industrialização do insumo, precedem a concessão do benefício que permite a importação com isenção para fins de reposição de estoques. Destarte, ainda que a matéria inadimplemento do dever de exportar tivesse erroneamente abordada, que não é o caso, configurariase como questão de mérito, não de nulidade. Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 18 17 Por fim, acerca das nulidades, cumpre transcrever os dispositivos que regem a matéria no processo administrativo fiscal, o art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Com efeito, nulo seria o ato administrativo se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, situação que não se caracteriza nos autos. Não se colocou em dúvida a competência dos AuditoresFiscais responsáveis pela autuação, não houve preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal e levados ao conhecimento da autuada, capacitandoa a se defender plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. Mérito As matérias de mérito trazidas no recurso, são em sínteses irresignações quanto à autuação e ao julgamento da DRJ, a saber: i) Do correto procedimento adotado pela recorrente. Inexistência de obrigatoriedade de importação onerosa prévia para obtenção de drawback isenção. ii) Da necessária observância do Comunicado Decex nº 30/1997. Pedido de Drwaback concedido e homologado pelo Decex; iii) Da vinculação da administração a Lei. A empresa cumpriu com o que determina o art. 314 do RA e item 15.1 do Comunicado Decex 21/97; iv) Quebra do dever de exportar. Única situação legal que pode cassar a concessão do beneficio de drawback. Verdade material. v) Do principio da equivalência. Forma não pode prevalecer sobre o principal. Interpretação literal que deve ser usada em favor do contribuinte. vi) Da única e exclusiva previsibilidade legal de cassação do drawback. Hipótese limitada ao drawback suspensão. vii) Não inclusão da expressão "participação do fabricante intermediário" na DI's e REs que fizeram constar vinculação a outro AC o de n.° 196/1423. Avisos de irregularidades. viii) Drawback Isenção. Incentivo a exportação. Substância deve prevalecer sobre a forma. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 19 18 ix) As multas, se devidas, seriam aplicadas conforme previsão no art. 59 da Lei nº 8.383/91. Passo ao enfrentamento das questões que considero suficientes para fundamentar o presente voto e expor as razões de decidir. O entendimento tem amparo na jurisprudência do STF, estampada no acórdão proferido no RE nº 463.139 AgR/RJ, no julgamento de 29/11/2005: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. OFENSA AO ART. 93, IX, DA CF/88. INEXISTÊNCIA. Acórdão recorrido que se encontra devidamente fundamentado, ainda que com sua fundamentação não concorde o ora agravante. O órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento. Agravo regimental a que se nega provimento. O drawback é regime especial que concede benefícios tributários a empresas que se prestam à exportação, isto é, tratase de um incentivo à exportação. No drawback modalidade isenção, a lei concede a isenção de tributos na importação de mercadoria, em substituição a outra, equivalente em quantidade e qualidade, importada e utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. Denotamse as diferenças entre as modalidades de drawback suspensão e isenção. Regime suspensivo é aquele em que o interessado postula o regime (ato concessório) e, após concedido, importa mercadoria com suspensão dos tributos, utilizaa na industrialização de outro a ser exportado, dentro de determinado prazo estipulado no ato concessório. Na modalidade isenção, o importador realiza uma importação de mercadoria, totalmente desvinculada que qualquer requisito ou condição, utilizaa na industrialização de produto e providencia a exportação; após, pleiteia ato concessório para a importação de mercadoria em quantidade e qualidade equivalente à anteriormente importada utilizada no produção de outra também exportada. Neste caso, a limitação temporal restringese ao prazo entre a data da concessão do regime e do registro da importação anterior. Evidenciadas as características da modalidade isentiva do drawback, podese afirma que sua natureza é de reposição de estoques, em qualidade e quantidade equivalentes aos insumos utilizados na fabricação de produto anteriormente exportado, por meio de uma importação. Antes de aprofundar na análise da matéria litigiosa, passemos à legislação vigente à época dos fatos. O art. 78, III do DecretoLei nº 37/66 é que dispõe acerca do drawback na modalidade isenção: Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 20 19 Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: (...) III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. O Decreto nº 91.030/85 (Regulamento Aduaneiro) trouxe a regulamentação: Capítulo IV Drawback Seção I Art. 314. Poderá ser concedido pela Comissão de Política Aduaneira, nos termos e condições estabelecidos no presente Capítulo, o benefício do drawback nas seguintes modalidades (DecretoLei nº 37/66, artigo 78, I a III): (...) II isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado; (...) Seção III Isenção de Tributos Art. 320. Na modalidade de isenção de tributos, o benefício será concedido mediante ato do qual constarão: a) valor e especificação da mercadoria exportada sujeita ao regime de que trata este Capítulo; b) especificação e código tarifário das mercadorias a serem importadas, com as quantidades e os valores respectivos, estabelecidos com base na mercadoria exportada; c) valores FOB e/ou CIF da unidade de mercadoria importada; d) outras condições, a critério da Comissão de Política Aduaneira. As regras atinentes às modalidades de drawback foram consolidadas na Portaria O regime de drawback teve suas normas consolidadas no anexo ao Comunicado Decex nº 21/1997, cujos dispositivos que se aplicam ao caso seguem transcritos: CAPÍTULO IV REGIME DE DRAWBACK, MODALIDADE ISENÇÃO TÍTULO 15 Considerações Gerais 15.1 Na habilitação ao Regime de Drawback, modalidade isenção, somente poderá ser utilizada Declaração de Importação com Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 21 20 data de registro não anterior a 2 (dois) anos da data de apresentação do respectivo Pedido de Drawback. 15.2 A empresa deverá indicar a classificação na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), a descrição, a quantidade e o valor da mercadoria a ser importada e do produto exportado, em moeda de livre conversibilidade, dispensada a referência a preços unitários. 1. Deverá ser observado, obrigatoriamente, o disposto no Anexo III desta CND. 15.3 O Pedido de Drawback poderá abranger produto exportado diretamente pela pleiteante (empresa industrial ou equiparada a industrial), bem como fornecido no mercado interno à industrial exportadora (Drawback Intermediário), quando cabível. 1. Poderá, ainda, abranger produto destinado à venda no mercado interno com o fim específico de exportação, observado o disposto nesta CND. 15.4 A empresa deverá comprovar as importações e exportações realizadas a serem utilizadas para análise da concessão do Regime, na forma estabelecida no Título 20 desta CND. 15.5 No caso em que mais de um estabelecimento industrial da empresa for importar ao amparo de um único Ato Concessório de Drawback, deverá ser indicado, no formulário Pedido de Drawback, o número de registro no Cadastro Geral de Contribuintes (CGC) dos estabelecimentos industriais, com menção expressa da unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) com jurisdição sobre cada estabelecimento industrial importador. 15.6 No exame do Pedido de Drawback, será levado em conta o resultado cambial da operação. 1. A relação básica a ser observada é de 40% (quarenta por cento), estabelecida pela comparação do valor total das importações, aí incluídos o preço da mercadoria no local de embarque no exterior e as parcelas estimadas de seguro, frete e demais despesas incidentes, com o valor líquido das exportações, assim entendido o valor no local de embarque deduzido das parcelas de comissão de agente, eventuais descontos e outras deduções. 2. Na apresentação do pleito, a interessada deverá fornecer os valores estimados para frete, seguro e demais despesas incidentes na importação pretendida. 15.7 A concessão do Regime darseá com a emissão de Ato Concessório de Drawback. 15.8 O prazo de validade do Ato Concessório de Drawback é determinado pela datalimite estabelecida para a realização das importações vinculadas e será de 1 (um) ano, contado a partir da data de sua emissão. Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 22 21 1. Não perderá direito ao Regime, a mercadoria submetida a despacho aduaneiro após o vencimento do respectivo Ato Concessório de Drawback, desde que o embarque no exterior tenha ocorrido dentro do prazo de sua validade. 15.9 Qualquer alteração das condições concedidas pelo Ato Concessório de Drawback deverá ser solicitada, dentro do prazo de sua validade, por meio do formulário Aditivo ao Pedido de Drawback. 1. Os pedidos de alteração somente serão passíveis de análise quando formulados até o último dia de validade do Ato Concessório de Drawback ou no primeiro dia útil subseqüente, caso o vencimento tenha ocorrido em dia não útil. 2. A concessão darseá com a emissão de Aditivo ao Ato Concessório. 15.10 Poderá ser solicitada prorrogação do prazo de validade de Ato Concessório de Drawback, desde que devidamente justificado e examinadas as peculiaridades de cada caso, respeitado o limite de 2 (dois) anos da data de sua emissão. 1. Os pedidos de prorrogação somente serão passíveis de análise quando formulados até o último dia de validade do Ato Concessório de Drawback ou no primeiro dia útil subseqüente, caso o vencimento tenha ocorrido em dia não útil. 15.11 Somente será admitida a alteração de titular de Ato Concessório de Drawback no caso de sucessão legal, nos termos da legislação pertinente, mediante apresentação de documentação comprobatória, na qual conste a sucessão específica dos direitos e obrigações referentes ao Regime. 15.12 Na importação vinculada ao Regime, a beneficiária deverá observar os procedimentos constantes do Anexo IV desta CND. 15.13 Poderá ser fornecida cópia autenticada (2ª via) de Ato Concessório de Drawback, mediante apresentação de correspondência na qual a beneficiária do Regime assuma a responsabilidade pelo extravio e pelo uso da citada cópia. (...) TÍTULO 16 Drawback Intermediário 16.1 Operação especial concedida, a empresas denominadas fabricantesintermediários, para reposição de mercadoria anteriormente importada utilizadas na industrialização de produto intermediário fornecido a empresas industriaisexportadoras, para emprego na industrialização de produto final destinado à exportação. 16.2 Uma mesma exportação poderá ser utilizada para habilitação ao Regime pelo fabricanteintermediário e pela industrialexportadora, proporcionalmente à participação de cada um no produto final exportado. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 23 22 16.3 O fabricanteintermediário deverá apresentar os documentos comprobatórios da importação da mercadoria utilizada no produtointermediário; do fornecimento à industrialexportadora e da efetiva exportação do produto final. 1.Deverá ser observado o disposto nos itens 21.1 e 21.5 desta CND. 16.4 É obrigatória a menção expressa da participação do fabricanteintermediário no Registro de Exportação (RE). 16.5 Deverá ser observado, ainda, o disposto no Título 15 desta CND. (...) CAPÍTULO V – COMPROVAÇÕES (...) TÍTULO 20 Modalidade Isenção 20.1 Para habilitação ao Regime de Drawback, modalidade isenção, o Registro de Exportação (RE) não poderá ser utilizado em mais de um Pedido de Drawback, bem como não poderá estar vinculado à comprovação de outros Atos Concessórios de Drawback, Regimes Aduaneiros ou incentivos à exportação. (...) 20.4 Para comprovação das importações, será utilizada a data de registro da Declaração de Importação (DI) ou a data do registro da Declaração da Importação pelo Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX). 20.5 A empresa pleiteante deverá comprovar importações e exportações já realizadas, quando da apresentação do Pedido de Drawback, por meio do formulário Relatório de Comprovação de Drawback, devendo ser encaminhados os documentos relacionados no Título 21 desta CND. 1. A empresa deverá anexar demonstrativo das importações e exportações realizadas, obtido por meio de transação específica do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX), contendo Declaração de Importação e Registro de Exportação (RE) a serem utilizados para análise do pleito. 20.6 Quando, por circunstâncias técnicas ou operacionais de uso do SISCOMEX, não for possível a obtenção dos demonstrativos de importação e exportação, as empresas deverão substituílos na forma do Anexo IX, devendo ser encaminhados, também, os documentos relacionados no Título 21 desta CND. (...) ANEXO XI UTILIZAÇÃO DE NOTA FISCAL DE VENDA NO MERCADO INTERNO – Empresa de Fins Comerciais Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 24 23 1. Na comprovação de exportação vinculada ao Regime de Drawback, nas modalidades de suspensão e isenção será aceita Nota Fiscal de venda no mercado interno, com o fim específico de exportação, realizada por empresa industrial à empresa de fins comerciais habilitada a operar em comércio exterior, devidamente acompanhada da declaração prevista no subitem 3.8 deste Anexo. (...) 4. MODALIDADE ISENÇÃO (...) 4.5 Caberá à empresa industrial comprovar que a empresa de fins comerciais consignou, no campo 24 (Dados do Fabricante) do Registro de Exportação (RE), os dados relativos ao fabricante intermediário, para permitir sua habilitação ao Regime de Drawback, modalidade isenção, devendo estar consignado: a) CGC do fabricanteintermediário; b) NCM do produto intermediário utilizado no produto final; c) Unidade da Federação onde se localiza o fabricante intermediário; d) quantidade do produto intermediário efetivamente utilizado no produto final; e) valor do produto intermediário efetivamente empregado no produto final, convertido em dólares norteamericanos, à taxa de câmbio para compra vigente na data da emissão da Nota Fiscal de venda emitida pelo fabricanteintermediário. 4.6 Caberá, ainda, à empresa industrial comprovar que a empresa de fins comerciais consignou, no campo 25 (Observação/Exportador) do Registro de Exportação (RE), o número da sua Nota Fiscal de venda, bem como o número da Nota Fiscal emitida pelo fabricante intermediário. Da leitura da legislação acima transcrita, devese conduzir à interpretação dos dispositivos para se construir as normas de fruição do drawback na modalidade isenção, quanto aos requisitos e condições, e assentar algumas premissas que nortearão a análise do caso concreto. Primeira premissa: inexigibilidade de que a importação do insumo tenhase realizada com pagamento de tributos. Discorri alhures que a natureza do drawback isenção é de reposição de estoques em substituição à mercadoria anteriormente importada e utilizada em outra, industrializada e exportada. Tal natureza se distingui do que se pode denominar "crédito fiscal", ou seja, a importação anterior, exatamente por se constituir um insumo utilizado em mercadoria exportada, concederia um crédito em decorrência do pagamento dos tributos que Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 25 24 seria "compensado" quando da obtenção de Ato Concessório e daria o direito à importação de mercadoria em equivalência de qualidade e quantidade. Em que pese haver lógica e sentido nesta construção jurídica, tal entendimento não se extrai do texto legal. Isto porque não se encontrava expresso à época a exigência de pagamento de tributo na importação da mercadoria que se pretendia repor; ademais, não há qualquer menção ao tratamento tributário da mercadoria reposta. As disposições são claras ao utilizar expressões "equivalente", "qualidade", "quantidade" e "utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado". Assim, nenhum outro requisito ou condição foi prescrito para a importação de mercadoria que se pleiteia o drawback isenção para a simples reposição de estoque físico, a legislação não diferenciou ou excepcionou mercadoria importada com imposição de pagamento de tributos. Segunda premissa: Os requisitos para fruição do drawback isenção são de observância obrigatória, não se caracterizando como meras formalidades acessórias. É da natureza das operações de comércio exterior o controle aduaneiro que não visa tãosó o pagamento de tributos, mas sobretudo garantias à sociedade, à economia, ao pleno emprego, enfim, ao próprio exercício da soberania nacional. Quando se está diante de concessão de benefícios às operações e tributos de índole aduaneira mais evidente e necessária se torna a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, exercidos pelo Ministério da Fazenda, mediante prerrogativa constitucional (art. 237 da CF/88). A instrumentalização desses controle darseá via documental, daí não somente justificável a importância como também a obrigatoriedade dos intervenientes do comércio exterior e beneficiários de regimes tributários à prestação de informações quando prevista em lei. Firmado nessas premissas, cabe ao beneficiário do drawback isenção, proceder conforme as exigências dos atos que disciplinam o Regime que pressupõe: 1) uma importação de mercadorias, que deve ser comprovada com uma Declaração de Importação (DI); 2) uma exportação de produto no qual se utilizem as mercadorias importadas, que deve ser comprovada com um Registro de Exportação (RE), vinculado a uma declaração de exportação que tenha sido averbada; e 3) uma solicitação do benefício para a SECEX, que emite um Ato Concessório, autorizando a empresa a importar com isenção as mercadorias especificadas no documento. Percebese, pelo exposto, que todas as operações realizadas nas diferentes fases são documentadas. Basta, então, à fiscalização verificar se o teor dos documentos é condizente com a realidade da operação. E, para tanto, deve o fisco analisar as entradas e saídas de mercadorias, e a movimentação do estoque, para saber se houve efetivo cumprimento Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 26 25 de cada fase. E foi esse o objetivo do procedimento fiscal iniciado em 18/03/2003, que trata do caso em análise. O procedimento fiscal Ato Concessório n° 000198/0001275, de 15.09.1998 Os autuantes motivaram a exação em três vertentes: (1) inexistência de importação de hidróxido de sódio (soda cáustica) com pagamento dos tributos, "não servindo para a obtenção do ato concessório"; (2) emissão do Ato Concessório (AC) da isenção fundado em exportações consubstanciadas em Registros de Exportações (RE) que não guardam conformidade com a Consolidação das Normas de Drawback (CND), omitindo informações "impeditivas para aceitação das exportações como comprovação e, por conseguinte, à habilitação ao regime Drcrwback Isenção; (3) notas fiscais emitidas pela Alunorte sem o obrigatório registro das informações previstas nos anexos X e XI da Consolidação das Normas de Drawback (CND), ocorrência que "impossibilita também a concessão do AC de Isenção". A fiscalização "glosou" as isenções nas importações de hidróxido de sódio (soda cáustica) realizadas sob a fruição do Ato Concessório nº 000198/0001275, com a função de repor os estoques em quantidade e qualidade equivalentes às importações de mesmas mercadorias efetuadas nas DIs relacionadas. Os fundamentos trazidos neste voto caminham no sentido de que a legislação não exige o pagamento dos tributos nas mercadorias importadas e utilizadas como insumos na fabricação de produto exportado para a concessão da isenção de tributos das importações realizadas sob amparo de AC que visam a reposição de estoque. Destarte, estariam sem razão os autuantes caso não se observe duas peculiaridades: (i) a ausência de pagamento nas importações de soda cáustica, para reposição de estoque, deveuse à fruição de regime de drawback suspensivo vigente, o que torna a utilização da mesma mercadoria impossível a dois regimes distintos. Dito isto, tornase evidente que a importação não objetivou tal reposição, mas sim o vínculo a um ato concessório de drawback suspensão a ser fielmente adimplido. (ii) em princípio, a legislação não veda a utilização de uma importação de reposição com isenção de tributos para a fabricação de produto destinado à exportação, de tal forma a comprovar os requisitos obrigatórios para fruição de novo benefício de drawback isenção, desde que factível o cumprimento, cronológico e legal, das operações (importação e exportação) de que decorrem a fruição de novo benefício. Contudo, como bem demonstrou a fiscalização e corroborou os julgadores a quo, a recorrente não faz jus ao benefício de drawback isenção nas operações por si realizadas ou com sua participação. Seguemse os fundamentos para manter na integra a autuação fiscal. Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 27 26 a. A importação de hidróxido de cálcio (soda cáustica) não sofreu tributação em razão da operação estar amparada pelo benefício de drawback suspensão. Uma mesma importação não poderá ser fundamento para fruição de dois benefícios; dará amparo a somente, que entendo no caso, o da suspensão em razão do vínculo. b. O hidróxido de cálcio (soda cáustica) importado foi utilizado na produção de alumina calcinada; esta revendida no mercado interno à indústriaexportadora na utilização como insumo em produto destinado à exportação. Contudo, nas notas fiscais emitidas nessas operações, bem como nos Registros de Exportações das empresas Albrás ou Aluvale, deixaram de cumprir os requisitos para fruição do drawback isenção, quais sejam, as prestações de informações necessárias à fiscalização e controle previstos na CND: itens 4.1, "a" e "b" do anexo XI; 12.3 do Título 2; 4.5 e 4.6 do Anexo XI (ausência de registros nos campos 24 e 25 dos REs CNPJ do fabricante intermediário, NCM do produto intermediário, quantidade e valor do produto intermediário efetivamente utilizado no produto final). A omissão (nas NFs e REs) das informações ou sua prestação em desacordo com a legislação impedem a aceitação das exportações como comprovação para a concessão e fruição do drawback isenção. c. As notas fiscais de venda da alumina calcinada, industrializada com a soda cáustica importada, destina a industrialexportador, consignaram a utilização do insumo em AC vigente diferente do aqui auditado, o que denota sua importação sob o regime de drawback para reposição de estoque anteriormente suprido; ademais, como apontado pelo Fisco, descumpridos preceitos do Anexo XI da CND, que trata da utilização da nota fiscal de venda no mercado interno, em especial os do iten "4". Melhor exemplificando com uma operação que se encontra às folhas 444/445: em 09/07/1997, registrouse a DI nº 97/5521450, com a importação de soda cáustica para reposição de estoque, ou seja com isenção, amparada pelo Ato Concessório nº 001.97/0001116, de 27/08/1997 (fl. 445); em 27/08/199, obtevese o Ato Concessório nº 001.97/0001116; em 08/09/1999, emitiuse a NF nº 1.400 para a venda de alumina calcinada, industrializada com a soda cáustica importada em 09/07/1997. A operação não poderia estar amparada pelo drawback isenção, vez que, segundo sua metodologia, a importação de insumo utilizado na fabricação de produto, bem como a exportação deste devem preceder o ato concessório. Como se vê, o AC foi concedido entre a importação e a exportação, descumprindo o regime. Neste mesmo raciocínio, e diversamente do pretendido pela recorrente, o AC nº 000198/0001275, de 15.09.1998, igualmente não ampararia futura importação com isenção, para fins de reposição de estoques, pois ausente, à data de concessão, a necessária exportação de produto fabricado com o insumo cujo benefício se pretendia. Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 28 27 Em relação às importações de tecido filtrante” e “polímero de poliacrilamida o descumprimento ao AC referemse, exclusivamente, às irregularidades quanto às NFs e aos REs, conforme explicitado. Aplicação da multa de ofício Concordo integralmente com os fundamentos e decisão exarada no voto proferido no acórdão da DRJ nº 4196, quanto à exigência da multa de ofício de 75% prevista no art. 44 da Lei nº 8.4320/96, e não aquela suscita pelo recorrente, como sendo a do art. 59 da Lei nº 8.383/91 Assim, peço vênia para reproduzir aquele voto fazendoo minhas razões de decidir com relação à multa de ofício aplicada: Uma vez demonstrada a procedência da exigibilidade do II e do IPI incidentes sobre as importações cujo incentivo do drawback isenção não foi reconhecido, resta examinar se assiste razão à contribuinte quando esta defende que as multas aplicadas pela fiscalização são improcedentes, uma vez que reiterada jurisprudência do Conselho de Contribuintes estabeleceria que tais multas deveriam ser exigidas segundo o art. 59 da Lei 8.383/91. Segundo os demonstrativos de multa e juros de mora que fazem parte dos autos de infração lavrados contra a recorrente (vide fls. 27 e 40), a multa lançada foi tipificada no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 (multa de 75% nos casos de lançamento de ofício quando constatada a falta de pagamento, dentre outras hipóteses), enquanto os juros moratórios (não contestados) foram exigidos com base no art. 61, § 3°, do mesmo diploma legal (juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC). Por sua vez, o art. 59 da Lei 8.383, de 30/12/1991, dispõe o seguinte, textualmente: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. Da análise dos ditames legais acima delineados em relação à realidade fática, vêse que a tipificação utilizada pela autoridade lançadora foi absolutamente adequada ao caso concreto, posto que a multa exigida pelo Fisco foi lançada de ofício, hipótese de que trata o caput do art. 44 da Lei 9.430/96. O art. 59 da Lei 8.383/91, por sua vez, é restrito aos casos de recolhimento Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 29 28 espontâneo por parte do contribuinte, condição na qual não se emoldura o caso ora em análise. Assim, como as importações realizadas pela suplicante não foram acompanhadas do devido recolhimento dos tributos incidentes sobre a mesma, e tendo em vista que tal irregularidade foi apurada pela Administração Tributária em procedimento de fiscalização, portanto, ex officio, vêse como correta a aplicação da multa de ofício exigida com base no art. 44 da Lei 9.430/96. A tipicidade é clara, evidente; não é outra coisa senão a aplicação da hipótese normativa ao caso concreto, donde se conclui pela plena legalidade da exigência dos encargos referenciados, não havendo, pois, nenhuma emenda a ser feita no auto de infração ora contestado. Dessa forma, em razão da exigência da diferença de tributos em procedimento de ofício pertinente a aplicação da multa de ofício no patamar de 75%, prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96. Conclusão De todo o exposto acima, restaram comprovadas violações aos requisitos previstos na legislação que trata do drawback na modalidade isenção, em especial às regras da Consolidação das Normas de Drawback, Comunicado Decex nº 21/1997, que a recorrente não logrou demonstrar o adimplemento de suas obrigações. Portanto, ao analisar as matérias suscitadas, REJEITO as preliminares de nulidade e, no mérito, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1144DF CARF MF
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