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Numero do processo: 10835.002191/2002-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997
DESAPROPRIAÇÃO. IRPF. GANHO DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 42.
Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação." (Súmula CARF n° 42)
Numero da decisão: 2201-004.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
EDITADO EM: 16/03/2018
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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IRPF. GANHO DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 42. Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação." (Súmula CARF n° 42) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 21 91 /2 00 2- 55 Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10835.002191/200255 Acórdão n.º 2201004.111 S2C2T1 Fl. 335 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº Acórdão 17 32.075 7ª Turma da DRJ/SPOII, o qual julgou procedente em parte o lançamento pelo qual se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF incidente sobre ganho de capital. A decisão de primeira instância, de forma objetiva, assim sintetizou os fatos: Em ação levada a efeito no contribuinte acima qualificado, apurouse o crédito tributário na importância correspondente a R$ 86.488,27 (oitenta e seis mil, quatrocentos e oitenta e oito reais e vinte e sete centavos) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL E OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS, no ano calendário 1997, sendo R$ 33.233,09 referentes ao imposto, R$ 24.924,81 referentes a multa proporcional e R$ 28.330,37 referentes aos juros (ATÉ 31/07/2002), em conformidade com a Lei 7.713/1988, arts. Io, 2o e 3o e §§, 16 a 22, Lei 8.134/1990, arts. Io a 3o, Lei 8.981/1995, arts. 7o, 21 e 22, RIR/1994, art. 805, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 44 a 46. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Termo de Verificação Fiscal (fls 09 a 11) e nos dá conta de que: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. De acordo com o instrumento de Homologação de Acordo Judicial e demais documentos anexos, no mês de julho de 1997 foi celebrado TRANSAÇÃO entre a fazenda do estado de São Paulo e SURAIA MELEM e outros, tendo como objeto o imóvel rural denominado Fazenda Santa Rosa Lua Nova situada no município de Mirante do Paranapanema/SP, constante do item 04 da declaração de bens da interessada; Pelo acordo referido, a interessada recebeu a título de indenização por benfeitorias existentes na propriedade acima, a importância de R$ 315.000,00, sendo 70% desse valor, ou seja, R$ 220.500,00 representados por títulos da dívida Agrária e 30% ou R$ 94.500,00 em moeda corrente; A receita decorrente de alienação de benfeitorias em imóveis rurais, nos termos da legislação em vigor, é tributada como rendimento da atividade rural: Demonstrativo da Apuração de resultado da Atividade Rural Receita bruta declarada 69.486,00 Receita da atividade rural omitida 315.000,00 Receita bruta apurada 384.486,00 Despesas de custeio e investimento 28.238,78 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10835.002191/200255 Acórdão n.º 2201004.111 S2C2T1 Fl. 336 3 Resultado 1 356.247,22 Opção pelo arbitramento s/ a receita bruta 76.897,20 Resultado Trib. Atividade rural apurado 76.897,20 Valor exigido em auto de infração 63.000,00 Valor declarado 13.897,20 OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DO IMÓVEL RURAL FAZENDA ESTIVA. De acordo com a cópia de escritura e demais documentos anexos, a interessada alienou em 15/12/1997 a José Antonio Garcia, CPF 004.975.16896, parte do imóvel rural denominado fazenda Estiva inicialmente composto de 10.704,00 has. Tendo sido vendidos 772.95 has. Por um total de R$ 160.000,00; Demonstrativo da Apuração do Ganho de Capital Custo de aquisição do imóvel R$ Valor do imóvel em 31/12/1996 491.303,95 índice de correção monetária X 1,2446 Valor do imóvel em 31/12/1997 601.650,21 Área total do imóvel (em hás) : 10.750,00 Área vendida X 772,95 Custo da área vendida 43.446,00 Apuração do Lucro Imobiliário R$ Valor da venda 160.000,00 Custo de aquisição 43.446,00 Ganho de Capital apurado 116.554,00 O Auto de Infração foi lavrado em 28/08/2002, tomando o autuado ciência, via postal, em 03/09/2002, ingressou com a impugnação (fls. 102 a 110) em 23/09/2002, na qual procura demonstrar a improcedência da autuação, alegando, em resumo, o seguinte: DA OMISSÃO RENDIMENTO ATIVIDADE RURAL. Assinala que, recebeu da Fazenda do Estado de São Paulo a quantia de R$ 315.000,00, nos autos da ação de reivindicação que se processou pelo juízo de direito da Comarca de Mirante de Paranapanema, a título de pagamento da indenização das benfeitorias, no imóvel objeto dessa ação; Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10835.002191/200255 Acórdão n.º 2201004.111 S2C2T1 Fl. 337 4 diz que, a indenização pelas benfeitorias, paga pela fazenda do Estado de São Paulo à Suplicante, Suraia Melem, não constitui “renda” pra fins de tributação; não ocorre, igualmente, o fato gerador do “acréscimo patrimonial”, pois, houve tãosomente, a reparação de um prejuízo sofrido; assim, devem ser excluídas da incidência do imposto de renda, entre outras, a indenização por desapropriação de imóvel, as indenizações destinadas à reparação do valor de benfeitorias; deve, forçosamente, prevalecer a receita bruta de R$ 69.486, 00 declarada pela suplicante; DO GANHO DE CAPITAL. Esclarece que tornou proprietária de um imóvel rural com a área de 2.603,3215 hectares, ou sejam, 1.075,7526 alqueires paulistas, que passou a denominarse Fazenda Estrela, desmembrada da Fazenda Estiva. O imóvel do qual foi desmembrado o imóvel da ora impugnante, tinha a área de 10.704,00 hectares, sendo que a área do imóvel, resultante do desmembramento, tinha, somente, a área correspondente a 25% da área de 10.7904,00 hectares; a impugnante vendeu a José Antônio Garcia a área de 772,95 hectares, desmembrado do mencionado imóvel adquirido por ela, pelo preço de R$ 160.000,00; diz que, a área de propriedade da impugnante, na Fazenda Estiva, mencionada na DIRPF, é de 2.676,00 hectares, e não de 10.704 hectares. Conforme registro na DIRPF/1998, a parte da contribuinte corresponde a 25% da área total de 10.704 hectares, ou seja, 2.676,00 hectares; a quantia de R$ 491.303,96, referente ao ano de 1996, constante da declaração de bens e direitos, que, atualizada, atinge a quantia de R$ 601.650,21, que corresponde os 25% do impugnante; Argumenta que houve manifesto equívoco por parte do Auditor Fiscal no tocante a declaração de bens e direitos, apresentada pela impugnante, pois, o cálculo deveria ser feito da seguinte maneira: R$ 601.650,21 divido por 2.676,00 hectares, alcançandose o valor de R$ 224,83 por hectare; dessa forma, a área de 772,95 hectares, vendida a José Antônio Garcia, atinge o valor de R$ 173.783,82. O valor da venda a José Antônio Garcia pela Suplicante, referente a área de 772,95 hectares, foi estipulado em R$ 160.00,00, não tendo ocorrido, portanto, ganho de capital. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10835.002191/200255 Acórdão n.º 2201004.111 S2C2T1 Fl. 338 5 Foi prolatado o Acórdão 1732.075 7ª Turma da DRJ/SPOII, (fls. 269/285), que a julgou o lançamento procedente em parte, nos termos da seguinte ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. BENFEITORIAS. A alienação de benfeitorias integra a receita bruta da atividade rural. Restando, pois, caracterizada a infração de omissão de rendimentos e sendo mais favorável ao contribuinte, o fisco está autorizado a tributar a título de resultado da atividade rural. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Sujeitase à incidência do imposto de renda o ganho de capital correspondente à diferença positiva entre o valor de alienação e o valor do custo de aquisição do imóvel. A ciência dessa decisão ocorreu em 17/06/2009 (fl.291) e o recurso voluntário foi tempestivamente protocolado em 17/07/2009 (fls. 305/329), tendo apresentado as razões recursais, a seguir sintetizadas: A expropriação através de imissão na posse, com efeito, não constitui negócio jurídico de direito privado (alienação), nem a indenização recebida pelas benfeitorias construídas no imóvel pode ser confundida com o preço de venda. Forçoso reconhecer que não há como incluir no conceito de renda a indenização recebida na ação expropriatória sofrida pela recorrente, pois é defeso à lei tributária modificar ou subverter o conceito de direito civil. De outro lado, como o imposto de renda incide sobre a “renda e os proventos de qualquer natureza”, não é razoável admitir que possa alcançar essa disponibilidade nova, isto é, a indenização propriamente dita, na medida em que não há aumento do patrimônio anterior ao gravame expropriatório, integrativo do “justo preço” ou da “justa indenização” do bem expropriado. Não há alteração da capacidade contributiva do expropriado. Por fim, requer que seu recurso seja conhecido, e provido no sentido de que seja a r. decisão recorrida totalmente reformada, para declarar o Auto de infração improcedente, conforme fundamentação recursal. É relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10835.002191/200255 Acórdão n.º 2201004.111 S2C2T1 Fl. 339 6 O contencioso tributário se restringe à alienação de benfeitorias, tributada como receita da atividade rural, uma vez que a decisão piso afastou a exação no que concerne ao ganho de capital na alienação de imóvel rural. A recorrente recebeu indenização decorrente de benfeitorias em imóvel rural de sua propriedade, objeto de desapropriação pelo estado de São Paulo. Este Conselho já consolidou seu entendimento, desde dezembro/2009, no sentido de que não incide IRPF sobre ganhos em função de desapropriação: Súmula CARF n° 42: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Tendo em vista que a Súmula é de observância obrigatória por este Conselheiro, nos termos do art. 45, VI, do Anexo II ao RICARF, é necessário repetir tal entendimento no âmbito desse julgamento. Ainda que assim não fosse, o STJ já julgou a matéria no REsp n° 1.116.460, em sede de Recurso Repetitivo, cuja decisão restou assim ementada: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5°, assimdisciplina o instituto da desapropriação: ”XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;” Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. "Representação. Arguição de Inconstitucionalidade parcial do inciso ii, do parágrafo 2., do art. 1., do Decretolei Federal n. 1641, de 7.12.1978, que inclui a desapropriação entre as Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10835.002191/200255 Acórdão n.º 2201004.111 S2C2T1 Fl. 340 7 modalidades de alienação de imóveis, suscetíveis de gerar lucro a pessoa física e, assim, rendimento tributável pelo imposto de renda. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário, 'modo privato'. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tãosó, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Tal o sentido da 'justa indenização'prevista na Constituição (art. 153, parágrafo 22). Não pode, assim, ser reduzida a justa indenização pela incidência do imposto de renda. Representação procedente, para declarar a inconstitucionalidade da expressão 'desapropriação', contida no art. 1., parágrafo 2., inciso ii, do decretolei n. 1641/78. (Rp 1260, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, TRIBUNAL PLENO, julgado em 13/08/1987, DJ 18111988) 4. In casu, a ora recorrida percebeu verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual é infensa à incidência do imposto sobre a renda. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 674.959/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 20/03/2006; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1116460/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010.) Dessa forma, entendo que a Súmula CARF nº 42, não tem alcance limitado ao ganho de capital, aplicandose, também, no caso de omissão de rendimentos da atividade rural motivada por recebimento de indenização por benfeitorias decorrente de desapropriação. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, darlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10835.002191/200255 Acórdão n.º 2201004.111 S2C2T1 Fl. 341 8 Fl. 341DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.725921/2010-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2010
Ementa:
CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
JUROS.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 3201-003.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o Recurso Voluntário e na parte conhecida negar provimento. Acompanhou o julgamento o patrono Dr. Floriano Dutra Neto, OAB/DF 20.499, escritório LD Consultores.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2010 Ementa: CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
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Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o Recurso Voluntário e na parte conhecida negar provimento. Acompanhou o julgamento o patrono Dr. Floriano Dutra Neto, OAB/DF 20.499, escritório LD Consultores. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA – Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 59 21 /2 01 0- 32 Fl. 715DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 257 em face da decisão de primeira instância administrativa fiscal proferida pela DRJ/RS de fls 221, restando improcedente a Impugnação de fls. 181 apresentada em oposição ao Auto de Infração de Cofins de fls. 162 e Relatório Fiscal de fls. 178, lavrados em razão da insuficiência de recolhimento da Cofins. Como de costume desta Turma de Julgamento, transcrevese o mesmo relatório utilizado na decisão de primeira instância, in verbis: "A contribuinte supracitada foi lançada de ofício por falta de recolhimento de COFINS nãocumulativa dos meses de janeiro de 2005 a março de 2010. Resultou num Auto de Infração de R$ 4.459.277,62, de fls.154/1771, cientificado em 14/12/2010. A infração, conforme Relatório Fiscal, de fls.178/180, componente dos autos, decorreu da falta de oferecimento à tributação das receitas decorrentes da prestação de serviços profissionais remuneradas oferecidas pela contribuinte, que é uma entidade administrativa e financeiramente autônoma, dotada de personalidade jurídica própria, sem fins lucrativos, pois não se constituem em receitas próprias, nos termos da legislação que rege a matéria e da ação judicial nº 2001.71.00.0323510/RS, na qual a contribuinte pleiteou a isenção sobre receitas próprias, dentre as quais estariam a prestação de serviços remunerados e de aplicações financeiras, pois seriam destinadas a consecução de sua própria finalidade, cuja decisão transitada em julgado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça foi desfavorável, já que considerou não isentas as receitas oriundas da remuneração pela prestação de serviços profissionais de ensino e de treinamento, e cuja apreciação do recurso realizado pela Fazenda Pública no Supremo Tribunal Federal foi considerada prejudicada, em 14/02/2011, conforme extrato processual contido do sítio www.stf.jus.br na data deste julgamento. Diante das normas legais e interpretativas e do pronunciamento do Poder Judiciário, a Autoridade Fiscal solicitou a escrituração contábil da contribuinte no período de 2005 a 2010, além de se utilizar das DIPJs do período, para apurar a base de cálculo e a contribuição devida pela sistemática nãocumulativa, nos termos da Lei 10.833/2003 e alterações posteriores, conforme demonstrativos de fls.142/153. A legislação infringida consta de fls.156 e 163, compondo o Auto de Infração. Irresignada, a contribuinte apresenta impugnação, de fls.181/196. Nesta,começa informando que é uma entidade sem fins lucrativos, que atua no desenvolvimento do ensino, da pesquisa e Fl. 716DF CARF MF Processo nº 11080.725921/201032 Acórdão n.º 3201003.463 S3C2T1 Fl. 716 3 da cultura, através da realização de seminários, congressos, simpósios,entre outras atividades, bem como realiza cursos de preparação, formação, aperfeiçoamento e especialização dos membros do Ministério Público e dos demais operadores do Direito, cujas receitas são destinadas integralmente ao custeio e manutenção da instituição, conforme preceitua seu estatuto, constante dos autos. Logo após inicia a contestação argumentando que a isenção da cota patronal, que se estendeu as demais contribuições, como a Cofins, é originária da Lei 3.577/1959, que foi elevada a preceito constitucional, contido no art.195, §7 º da CF (São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.). Tal isenção foi admitida, em decisões do STF como sendo imunidade, sendo que os requisitos exigidos pelo art.195, §7 º da CF são os elencados no art.14 do Código Tributário Nacional, que estão contidos nas disposições estatutárias da contribuinte e reforçados pelos títulos declaratórios de utilidade pública que lhe foram outorgados, juntados aos autos. Por isso, a impugnante faria jus a imunidade tributária contida no art.195,§7 º da CF, haja vista o cumprimento de todos os requisitos estipulados pelo art .14 do CódigoTributário Nacional, devendo ser cancelado o lançamento de Cofins diante da superveniênciade exigências estipula das por Medida Provisória, face à inconstitucionalidade destas para regular uma garantia constitucional. Prosseguindo sua defesa, alega que seria uma instituição isenta de Cofins,nos moldes do inciso X do art.14 c/c o inciso VIII do art.13 da Medida Provisória 2.15835, devendo tal isenção ser interpretada literalmente, nos termos do art.111 do Código Tributário Nacional. Diante disso, as atividades próprias da contribuinte são isentas, não tendo o legislador elencado taxativamente quais seriam estas atividades ou estabelecido restrições diante da diversidade de entidades elencadas no art.13 da MP citada. Aliás, seria desnecessária a enumeração das atividades próprias diante do registro dos atos constitutivos no órgão responsável para o funcionamento e aquisição da personalidade jurídica, e no caso da contribuinte são também fiscalizadas pelo Ministério Público, sendo suficiente o Estatuto Social, que enumeraria as atividades próprias. Como o Estatuto Social da contribuinte prevê como receita as proveniente da prestação de serviços, as receitas de prestação de serviço e treinamento seriam isentas. Tal interpretação da isenção, segundo a impugnante, não ignoraria a decisão judicial do STJ na ação judicial nº 2001.71.00.0323510/RS, pois teria sido analisada sob a ótica das associações civis e não das fundações privadas, além do relator do acórdão noSTJ ter reconhecido a prestação de serviços Fl. 717DF CARF MF 4 profissionais de ensino e treinamento como atividade própria da contribuinte. Reafirma seu entendimento, repetindo que nos moldes do inciso X do art.14 c/c o inciso VIII do art.13 da Medida Provisória 2.15835,é isento e tal isenção deve ser interpretada literalmente, nos termos do art.111 do CTN, devendo as atividades próprias serem aquelas contida no Estatuto Social de entidade, segundo doutrina sobre interpretação de normas, bem como pela, de acordo como a contribuinte, declaração do relator do acórdão no STJ que a prestação de serviços profissionais de ensino e treinamento é atividade própria da litigante. Continuando sua defesa, argumenta que a tributação pela Cofins nãocumulativa, regida pela Lei 10.833/2003 e alterações posteriores, com alíquota de 7,6% (sete vírgula seis por cento), não seria aplicável, mas sim a Cofins cumulativa, regida pela Lei Complementar 70/1991 e Lei 9.718/1998 e alterações posteriores, com alíquota de 3% (três por cento). Tal conclusão decorria do fato que a contribuinte não faz apuração do IRPJ pela sistemática do Lucro Real, Lucro Presumido ou Lucro Arbitrado para se enquadrar dentro do regime cumulativo ou não cumulativo da Cofins, mas que o “Pergunta e Resposta da SRF” explica, ao tratar de PIS/Cofins, na nota 2 da pergunta 5, que “... as entidades imunes de Imposto de renda, que estão relacionadas nas exceções do regime de apuração nãocumulativa, deverão apurar a Cofins sobre as receitas que não lhe são próprias, segundo o regime de apuração cumulativa.”. Logo, a alíquota aplicável, caso fosse tributável pela Cofins, seria no percentual de 3% (três por cento). Por fim, contesta a cobrança da multa e dos juros de mora. Alega que obteve decisão judicial favorável na Vara da Justiça Federal e no Tribunal da 4ª Região, sendo que neste período não poderia ocorrer a mora para validar a multa e os juros, pois estava resguardado por ordem judicial eficaz durante sua vigência, conforme doutrina e jurisprudência administrativa, bem como ao princípio da segurança jurídica. Ademais, não seria possível exigir a multa de ofício (art.44, inciso I, da Lei 9.430/1996), pois não haveria descumprimento da legislação, haja visto que o nãorecolhimento ocorreu quando a contribuinte tinha decisão judicial favorável, exercendo seu direito contido em ordem judicial, mesmo que posteriormente reformada, não havendo ilicitude para configurar a hipótese de incidência da penalidade porque a multa deve obedecer os princípios implícitos e explícitos adstritos à tributação, sob pena de violação dos direitos e garantias fundamentais." Esta decisão de primeira instância administrativa fiscal foi proferida com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2010 Fl. 718DF CARF MF Processo nº 11080.725921/201032 Acórdão n.º 3201003.463 S3C2T1 Fl. 717 5 INCONSTITUCIONALIDADE INAPRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. A argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade não pode ser apreciada na esfera administrativa porque é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. ISENÇÃO FUNDAÇÕES DE DIREITO PRIVADO RECEITAS DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS CONCEITO. As receitas que têm cunho contraprestacional não são alcançadas pela isenção da Cofins das entidades referidas no artigo 13 da MP nº 2.158, de 2001, pois não são atividades próprias, nos termos da legislação e de decisão judicial na qual a contribuinte foi autora. AÇÃO JUDICIAL ANTES OU DEPOIS DA AUTUAÇÃO RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A existência de questionamento judicial, independente de ser antes ou depois da autuação fiscal, acarreta a renúncia da esfera administrativa, segundo o Ato Declaratório COSIT (Normativo) nº 3, publicado no D.O.U. de 15 de fevereiro de 1996. ENTIDADE ISENTA RECEITAS NÃO PRÓPRIAS TRIBUTAÇÃO PELA COFINS NÃO CUMULATIVA. As receitas nãopróprias de entidade isenta são tributadas pela Cofins nãocumulativa, nos termos da legislação. DECISÃO JUDICIAL DESFAVORÁVEL INOBSERVÂNCIA DO ART.63,§2º DA LEI 9.430/1996 APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA. Após decisão judicial desfavorável, a contribuinte tem 30 dias para recolher o tributo sem incidência de multa, mas com juros de mora, nos termos do art.63, §2º da Lei 9.430/1996. Não tendo observado o benefício fiscal, além dos juros de mora, aplicase a multa de ofício, conforme norma legal. Impugnação Improcedente . Crédito Tributário Mantido." Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos de impugnação. Em seguida, este Conselho proferiu a Resolução de fls. 380 nos seguintes termos: "Sendo que a questão das alíquotas, ou melhor, do enquadramento da Recorrente ao regime cumulativo ou não cumulativo das contribuições sociais tem como condição necessária, o conhecimento de seu status jurídico, e que esse, por sua vez, encontra na legislação de regência, o cumprimento de uma série de pressupostos, entendo ser o caso da conversão do Fl. 719DF CARF MF 6 julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora verifique se a Recorrente cumpre todos os requisitos constantes da Lei n. 9532/97, art.12, para ser enquadrada como entidade imune. Elaborado o relatório de diligência fiscal, intimese a Recorrente para que sobre ele se manifeste no prazo de 30 dias, prorrogáveis uma vez, após, devendo os autos retornarem à turma, para o julgamento dessas e outras questões suscitadas no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo." Em fls. 403 o contribuinte apresentou os documentos requisitados, a fiscalização apresentou seu relatório conclusivo em fls. 537, com a confirmação de que o contribuinte não cumpriu os requisitos constantes na Lei n. 9532/97, art.12, para ser enquadrada como entidade imune. Em fls. 547 encontrase a manifestação do contribuinte a respeito do relatório da fiscalização, inteirada com estas principais alegações: que atividade de professor não se confunde com a de dirigente, que alguns integrantes do corpo docente sequer tinham vinculo com a escola porque seus serviços não eram remunerados pela escola mas sim pela carreira de promotor ou procurador, que o estatuto do MP veta a remuneração dos diretores e conselheiros (doc 3), que a empresa responsável pela contabilidade declarou que extraviou parte da escritura fiscal (doc 4). As demais argumentações de defesa são genéricas e não inovaram o que já havia sido alegado em Recurso Voluntário. Os autos foram novamente distribuídos e pautados nos moldes do regimentos interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção de Julgamento e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. De forma clara, a Conselheira Ana Clarissa analisou a presente lide administrativa fiscal e atraiu a atenção para estes principais pontos: a concomitânica e a possibilidade do contribuinte ser entidade com imunidade fiscal. Em razão de todo o raciocínio exposto, esta Turma de julgamento acompanhou a conselheira na conversão do julgamento em diligência para que, aos autos, fosse juntada a análise da fiscalização com relação ao cumprimento dos requisitos, por parte do contribuinte, para seu enquadramento na condição de imune. Fl. 720DF CARF MF Processo nº 11080.725921/201032 Acórdão n.º 3201003.463 S3C2T1 Fl. 718 7 Contudo, conforme relatado, em fl.s 537 a fiscalização apresentou seu relatório e concluiu que o contribuinte não cumpre com os requisitos e, portanto, não se enquadra na condição de imune, conforme trecho transcrito em print screen a seguir: Em fls. 547, em que pese o contribuinte expor de forma muito firme suas alegações, deixou de comprovar o cumprimento dos requisitos, conforme apresentado no relatório da fiscalização, assim como deixou de contestar alguns dos pontos levantados pela fiscalização, como os benefícios dos planos médicos para todos os diretores e dependentes e o fato de ora se declarar isenta e ora imune. Ademais, uma das alegações de defesa foi genérica e não comprovou o contrário do que afirmou a fiscalização, senda esta, a alegação que afirma que a IN 113/98, art 12, III inovou no ordenamento jurídico com a porcentagem de 70% das receitas obtidas, que devem ser destinada ao pagamento de despesas e engargos sociais, porque esta porcentagem seria de 60%. Ao analisar esta alegação do contribuinte, verificase que a fiscalização, por mais que a IN 113/98, art 12, III possa ter inovado no ordenamento jurídico, apontou que o contribuinte não atingiu, em alguns casos, sequer a porcentagem de 60%, conforme trechos transcritos em print screen a seguir: (...) Fl. 721DF CARF MF 8 Logo, se para quem compete a análise técnica, foi concluído e comprovado pelos documentos juntados que o contribuinte não cumpre os requisitos para ser entidade com imunidade fiscal, não há como reconhecer esta. Inclusive, o próprio contribuinte confirma a ausência da maioria da escritura sua contábil (extraviada sem motivo justo), o que impede a análise e o reconhecimento material dos requisitos. A Lei 9.532/1997, vigente e aplicável ao caso, fixou os requisitos que devem ser cumpridos pelas entidades sociais e educativas para a obtenção da imunidade fiscal, conforme exposto a seguir: "Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea c, da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º. Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º. Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social Fl. 722DF CARF MF Processo nº 11080.725921/201032 Acórdão n.º 3201003.463 S3C2T1 Fl. 719 9 relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público. h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º. Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (NR) (Redação dada ao parágrafo pela Lei nº 9.718, de 27.11.1998, DOU 28.11.1998)." Ao fim, esta lide sequer pode ser analisada no âmbito administrativo de recursos fiscais, vista a concomitância do objeto e causa de pedir desta lide no Poder Judiciário, conforme decisão transitada em julgado no julgamento do RESp 1145172, reproduzido parcialmente a seguir: Fl. 723DF CARF MF 10 A Conselheira Ana Clarissa bem salientou durante seu voto os seguintes pontos: Fl. 724DF CARF MF Processo nº 11080.725921/201032 Acórdão n.º 3201003.463 S3C2T1 Fl. 720 11 "O auto de infração originouse do trânsito em julgado da ação judicial nº 2001.71.00.0323510/RS, na qual se discutiu a exigência da Cofins nãocumulativa sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços profissionais remuneradas oferecidas pela contribuinte, dos meses de janeiro de 2005 a março de 2010. Por conseguinte,entendo que embora a decisão recorrida tenha discorrido longamente sobre a questão, entendo que não detinha competência para tanto, sendo o caso de não conhecer do recurso nessa parte, por força da concomitância. Destarte, o contencioso administrativo fiscal, embora garantido no art.5o, LV da Constituição Federal de 1988, suas decisões não são terminativas dos conflitos, estando sujeitas a alterações emanadas do Poder Judiciário, de acordo com o mandamento insculpido no art. 5o, XXXV do Texto Constitucional. A concomitância, veiculada pelo parágrafo único, do art. 38 da Lei 6830/80, também decorre da interpretação sistemática do ordenamento jurídico, que tem a peculiaridade de conceber o direito subjetivo ao contencioso administrativo fiscal, contudo, estabelecendo que tãosomente as decisões proferidas pelo Poder Judiciário, poderão ser acobertadas pelo manto da coisa julgada. A concomitância exsurge, por conseguinte, como imperativo inarredável da Segurança Jurídica." Assim, já verificado que o contribuinte não é imune aos tributos e verificada a ocorrência da concomitância da lide, não há como analisar as demais alegações do contribuinte, como a questão da alíquota da Cofins, relacionada ao regime cumulativo ou não cumulativo. O único ponto que pode ser apreciado é o que trata da incidência dos juros desde o não recolhimento da Cofins, mas esta matéria é sumulada neste Conselho. As Súmulas 1 e 5 deste Conselho são os únicos dispositivos legais que podem ser aplicados na presente lide administrativa fiscal, transcritas a seguir: "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (...) Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Na parte conhecida, é possível concluir que os juros poderão incidir desde o não recolhimento da Cofins, porque o contribuinte não comprovou o depósito integral dos valores cobrados. Fl. 725DF CARF MF 12 CONCLUSÃO. Diante do exposto, votase para que o Recurso Voluntário seja parcialmente conhecido, somente na questão que trata dos juros e, nesta parte conhecida, que seja negado provimento. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 726DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005638/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103.
A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente.
Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância".
In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra.
Numero da decisão: 2401-005.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observandose a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplicase o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 56 38 /2 00 7- 17 Fl. 1266DF CARF MF 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório MAIA E BORBA S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0337.429/2010, às efls. 1.081/1.117, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, referente à`s contribuições destinadas à Seguridade Social, referentes às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, à parte dos segurados empregados e as destinadas a outras entidades e fundos, em relação a competência 09/2006, conforme Relatório Fiscal, às fls. 99/110 e demais documentos que instruem o processo. De acordo com Relatório Fiscal, fls. 99/110, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída na obra denominada Habitaseel Solimões HBSLM, matrícula CEI é 38.780.01787/76, correspondendo a 17.760,15 m2. Conforme relatado pela autoridade fiscal, a desconsideração da contabilidade determinou o procedimento de arbitramento, pelas razões a seguir aduzidas: a) A empresa deixou de exibir diversos livros e documentos em sua integralidade relacionados com as contribuições previdenciárias tais como: (Livro "Diário" do exercício de 2006; folhas de pagamento relativas às obras, planilha fls. 112/117; Livros de Inspeção do Trabalho, planilha fls. 118; notas fiscais de empreiteiras e cooperativas de trabalho, planilha fls. 120/289; notas fiscais dos prestadores de serviços mediante cessão de mão de obra, contratados pela empresa; notas fiscais de serviços prestados pela empresa mediante cessão de mão de obra; b) No período abrangido pelos exercícios do ano de 2002 a 2005 (Livros Diários n° 51 a 62; 64 a 66; 69 a 78), a empresa não escriturou sua contabilidade com a identificação por centros de custo que, no caso das construtoras, representa cada uma das obras realizadas, prejudicando a precisa apuração da real movimentação de remuneração dos trabalhadores de cada obra edificada. Além disso, após reconhecer a irregularidade praticada, não logrou êxito em corrigir a situação, tendo em vista não ter observado o disposto na Instrução Normativa n° 002, de 2006, do Departamento Nacional de Registro de Comércio, cópia da legislação às fls. 291/293; c) Nos exercícios de 2003 e 2004 constatouse que a empresa possui uma terceira escrituração contábil referente a uma reratificação da retificação (Livros Diários n° 63, 67 e 68). Também nesses documentos houve escrituração em títulos impróprios (custos de uma obra registrados em outras); d) Em diversos exercícios foram identificados lançamentos incorretos em relação às rubricas que deveriam ter sido escriturados, fls. 295/305; e) Nos exercícios de 2003 e 2005 identificouse escriturações de despesas relativas a obras lançadas nas contas de despesas administrativas (5.02.42) e administração do terminal rodoviário de Goiânia (5.02.40), conforme planilha, fls. 306/308; f) Nos exercícios de 2004 e 2005 apurouse lançamentos de despesas com mãodeobra administrativa contratada para trabalho junto à entidade Obras Sociais do Centro Fl. 1268DF CARF MF 4 Espírita Irmão Áureo (menores aprendizes), lançadas na obra de reforma e ampliação do terminal rodoviário de Goiânia, conforme planilha, fls. 311; g) No exercício de 2000 a empresa deixou de registrar em sua contabilidade as notas fiscais n°s 2551 a 2555, emitidas pela prestação de serviços ao Consórcio Rodoviário Intermunicipal S/A CRISA, alegando tratarse de substituição de faturamento de exercícios anteriores, em função de extravio de notas fiscais emitidas em 1998; h) Nas competências 10/2000 a 01/2001 detectouse resumos de folhas de pagamentos contendo discriminação de rubricas não encontradas nas folhas de pagamentos ordinárias e sem os descontos previstos. na legislação previdenciária. Tais documentos foram apreendidos mediante a lavratura do AGD; i) Nos exercícios de 2000 a 2005 identificouse inúmeras folhas de pagamentos com divergência na contabilização, conforme planilha, fl. 378, tendo sido anexadas diversas cópias das folhas correspondentes, fls. 379/489; j) Nos exercícios de 2000, 2001 e 2003, constatouse diversas obras com competências em que foram efetuados pagamentos de concreto usinado sem, entretanto, qualquer lançamento de remuneração da mãodeobra relacionada ao evento, planilha fls. 491; k) Nos exercícios de 2000 a 2006 diversas notas fiscais relativas a materiais e serviços empregados na execução de várias obras ou serviços, contudo, não foram identificados, na contabilidade, os correspondentes registros do faturamento destas obras, conforme cópias de diversos documentos, fls. 493/554; l) Nos exercícios de 2000 a 2004 verificouse que a empresa mantém registro de pequenas obras DPOGR. Tais controles, entretanto, apresentam incoerência, pois há competências com lançamentos de vale transporte e auxílio alimentação (PAT) sem, contudo, registrar folhas de pagamentos, conforme planilha fls. 556/558; m) Nos exercícios 2000 a 2002 apurouse a mesma ocorrência citada no item anterior, isto é, lançamentos de vale transporte e auxílio alimentação sem registro de folhas de pagamento em diversas obras, conforme planilha, 559/565; n) Nos exercícios 2000 a 2002 a empresa efetuou diversos lançamentos, registrando custos em obras com carta de habitese já emitida, isto é, encerradas, tendo sido observados registros de salários, vales transportes e auxílio alimentação, conforme planilha e fotocópias das cartas de habitese, fls. 567/578; Uma vez constatadas as irregularidades apontadas, a autoridade lançadora, considerando que tais procedimentos comprometeram a avaliação da real movimentação da remuneração paga aos segurados empregados, aferiu a base de cálculo das contribuições de acordo com a previsão legal contida no § 40 do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, bem como o § 3° e 6°. Conforme já mencionado, o critério adotado para aferição da base de cálculo foi o cálculo proporcional à área construída da obra do "Habitaseel Solimões", matrícula CEI n° 38.780.01787/76, de acordo com os procedimentos previstos na legislação previdenciária, executada pela notificada em regime de empreitada global, correspondendo à 17.760,15 m2, de acordo com o relatório fiscal, devidamente evidenciado pelo Aviso de Regularização de Obra ARO, fls. 580/584, tendo sido deduzidos da notificação os valores recolhidos pela empresa e identificados em seu conta corrente na matrícula da obra, fls. 584/585 e os valores recolhidos e relacionados aos prestadores de serviços (empreiteiros e cooperativas), planilhas às fls. 587/588. A notificada apresentou defesa administrativa tempestiva, fls. 592/610, em 30/07/2007, referindose aos itens do relatório fiscal da NFLD. Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 4 5 Em 21/09/2007, os autos do processo foram baixados em diligência, fls. 971/973, com o objetivo de a autoridade lançadora manifestarse, de forma conclusiva, acerca das alegações proferidas pela empresa, especificamente o fato de a fiscalização ter deixado de considerar as notas fiscais (mão de obra terceirizada, artigos 447 e 448 da Instrução Normativa SRP n° 3, de 2005) para efeito de dedução do valor apurado no lançamento, superestimando, assim, o valor devido pelo contribuinte (planilha às fl. 611, cópias de notas fiscais e guias de recolhimento, NFLD's 37.096.6562 e 37.055.3454), bem como acerca da alegação de não terem sido aplicados os percentuais de redução previstos nos artigos 444 e 449 da Instrução Normativa SRP n° 3, de 2005. Em resposta à diligência determinada, a autoridade lançadora informou o seguinte, fls. 1081/1088: Prazo de duração da ação fiscal. a) O longo prazo de duração da ação fiscal de 25 de outubro de 2006 a 28 de junho de 2007 (oito meses) deveuse, entre outros, aos seguintes motivos: a) porte da empresa (mais de 50 obras para serem analisadas); b) atividades empresarias diversificadas (construtora, incorporadora, prestadora de serviços, exploração de terminais rodoviários e gerenciamento e administração de shoppings centers); c) período fiscalizado extenso (01/2000 a 09/2006); complexidade da documentação; dificuldades criadas pela empresa, tendo em vista a morosa e deficiente apresentação dos documentos solicitados; b) A empresa conhecia e participou ativamente do processo de levantamento, apuração e constituição do crédito previdenciário. Durante o tempo em que a empresa esteve sob ação fiscal, os empregados do setor contábil, do setor de pessoal e da área administrativa, bem como a procuradora e setor jurídico da:empresa, eram permanentemente informados dos procedimentos de auditoria fiscal. Sempre que solicitados, prestávamos as informações relativas aos procedimentos fiscais em andamento; Dos valores apurados c) Tendo em vista as diversas irregularidades cometidas pela empresa, não restou a esta junta fiscal senão o procedimento da desconsideração da contabilidade e a apuração das contribuições previdenciárias, tomandose por base o cálculo da mãodeobra empregada proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, conforme consta do relatório fiscal integrante à presente NFLD (fls. 99/110). No cálculo do crédito previdenciário foram considerados, para determinação dos valores devidos, os dispositivos contidos na Instrução Normativa n° 3/2005, especificamente os artigos 447 e 448; d) As notas fiscais relativas à prestação de serviços e guias da previdência social anexadas pela empresa em sua defesa fls. 611 e 827/954 (aditamento à impugnação), trazem situações que devem ser observadas de acordo com os citados artigos da IN n° 3/2005, como se segue: i. As notas fiscais envolvendo período compreendido até à competência setembro de 2002, com vinculação inequívoca a obra, foram objeto de conversão em área regularizada, conforme define o art. 447, II, "c" e § 2° da referida IN; ii. As notas fiscais, qualquer que seja a data de sua emissão que não tragam comprovação de sua vinculação com a obra (notas fiscais sem identificação da aplicação nesta obra), não foram consideradas para efeito de retificação do débito; Fl. 1270DF CARF MF 6 iii. As notas fiscais envolvendo período a partir de outubro de 2002, com vinculação inequívoca à obra, não foram consideradas para efeito de retificação do valor da notificação, tendo em vista a IN 3/2005 condicionar o aproveitamento do crédito à mãode obra constante da GFIP específica do prestador dos serviços. e) Para melhor entendimento do procedimento fiscal adotado, foi elaborada planilha "Análise de NFS apresentadas na defesa" integrante da presente informação contendo detalhamento das notas fiscais e valores apropriados como mãodeobra empregada, conforme define a legislação previdenciária, a serem convertidos em área regularizada para retificação do débito. A mesma planilha detalha os documentos não considerados, bem como seus respectivos motivos. f) Os levantamentos representados pelas NFLD 37.096.6562 e 37.055.3454 somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação, mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, bem como da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constate das GFIP dos prestadores de serviços pertinentes a cada obra, a serem comprovados nos autos; circunstâncias que não ocorreram; i. O débito constante da NFLD 37.096.6562 referese aos valores de retenção (11% sobre o valor bruto das notas fiscais) não recolhidos, que foram identificados a partir de relação fornecida pela própria empresa, devidos em função da contratação de serviços terceirizados mediante cessão de mãodeobra. O referido processo, acompanhado das respectivas impugnações, foi devidamente analisado e retificado, sendo a empresa cientificada, via postal, mediante AR Aviso de Recebimento; ii. A NFLD 37.055.3454 referese aos valores de retenções sobre notas fiscais apresentadas (documentos fisicos vistos pela fiscalização durante a ação fiscal), porém, da mesma forma, sem recolhimentos da retenção efetuada. iii. Em ambos os casos, de acordo com a Instrução Normativa acima transcrita, para o aproveitamento dos mencionados documentos para transformação em área regularizada dependem da comprovação do recolhimento da retenção para as competências até setembro de 2002 (Art. 447, II, c) e da remuneração constante na GFIP do prestador de serviço, referente à obra em questão, a partir de outubro de 2002 (Art. 447, III). g) Quanto à não aplicação dos percentuais de redução no cálculo da contribuição previdenciária relativa à obra, tal procedimento não foi possível à época, vez que, embora intimada à apresentação do projeto de obra, conforme o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, cópia anexada às fls. 75/76, emitido em 19/10/2006, a empresa não apresentou este documento durante a ação fiscal. Como já foi relatado, a empresa dificultou o trabalho de auditoria fiscal deixando de apresentar boa parte da documentação solicitada pela fiscalização. h) Com a apresentação do projeto de execução foi efetuado novo cálculo emitindo novo Aviso de Regularização de Obra — ARO, fls. 1092/1097, considerando as áreas redutoras nos termos do art. 449 da Instrução Normativa n° 3, de 2005. Dessa forma, foram considerados 593,20 m2 com redução de 50% e 146,44 m2 com redução de 75%, conforme tabela demonstrativa à fl. 1.087. A área total permaneceu em 17.760,15 m2; i) No que pertine à consideração das notas fiscais de prestadores de serviços quando do cálculo da contribuição previdenciária, cabe salientar que a Instrução Normativa trata a matéria da seguinte forma: i. De fevereiro de 1999 a setembro de 2002 o valor retido com base nas notas fiscais emitidas pelas contratadas, quando não tenha sido apresentada GFIP, dividido por 0,368 para apuração da correspondente remuneração. (Art.447, II, "c" e § 2° da IN 3/2005); Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 5 7 ii. A partir de outubro de 2002 somente as remunerações declaradas em GFIP referente à obra, com comprovante de entrega e desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos correspondentes. (Art. 447, III, da IN 3/2005) j) No decorrer da ação fiscal, por várias vezes, a empresa foi informada da necessidade de apresentação de tais documentos (Notas Fiscais, GPS e GFIP) para verificação da mãodeobra tomada de prestadores de serviços (terceirizados). Não tendo a empresa atendido as solicitações da fiscalização, não foi possível à época da ação fiscal, apurar todos os valores relativos aos créditos das obras de construção civil. A partir dos elementos inseridos na defesa procedemos à consideração dos valores relativos as notas fiscais conforme planilha anexa. k) As conversões sobre os valores das notas fiscais de prestação de serviços com vinculação inequívoca à obra até a competência setembro de 2002, de acordo com a IN 3/2005, foram consideradas na retificação deste débito. l) Com base nos valores constantes do novo Aviso para Regularização de Obra ARO em anexo, retificamos o débito originário de R$ 1.031.844,44 para R$ 768.811,54, acrescidos de multa e juros previstos na legislação. Conforme consta à fl. 1098, a empresa tomou conhecimento das informações prestadas pela autoridade lançadora, tendo sido devolvido o prazo para que apresentasse novas manifestações, em obediência aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Em 21/09/2007 o processo foi baixado em diligência a fim de que a autoridade fiscal promovesse novo cálculo no lançamento aplicando o prazo decadencial qüinqüenal estabelecido pela Súmula Vinculante n° 8 do STF, fls. 1125/1126. Às fls. 1127/1128, as autoridades lançadoras informaram o novo valor (de R$ 768.811,54 para R$ 216.228,24). O procedimento foi descrito à fl. 1128. Pelo fato de o lançamento ter sido retificado mais uma vez, foi dado conhecimento à empresa, razão pela qual esta teve nova oportunidade para manifestarse nos autos, fls. 1129, repetindo o argumento de que o cálculo do período decadente foi realizado incorretamente, tendo em vista a prorrogação da intimação da notificação do lançamento que ocorreu na oportunidade em que foram substituídos diversos relatórios. Portanto, as contribuições relativas aos meses de maio e junho de 2002, não podem ser cobradas, em nenhuma hipótese. Devem também ser incluídas na retificação, por força de decadência. Outrossim, cabe informar que em atendimento ao despacho da 6° Turma da DRJ/BSB, às fls. 1152/1153, o auditor notificante emitiu novo Aviso de Regularização de Obra ARO apurando o valor de R$ 88.922,01, contudo, em razão do reconhecimento do período decadencial (Súmula Vinculante STF n° 8 ), sugeriu novamente a retificação do valor do lançamento tributário para R$ 25.009,29. O processo, em seguida, foi encaminhado ao órgão julgador para prosseguimento do feito. Por sua vez, a 7ª Turma da DRJ em Brasília/DF entendeu por bem julgar procedente em parte a impugnação, exonerando parte do crédito tributário, por entender restar decaída às competências anteriores a 05/2002, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 0337.429, às efls. já mencionadas, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 Fl. 1272DF CARF MF 8 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. A falta ou a deficiência da contabilidade, bem como a omissão de informações requeridas pela fiscalização, autorizam a apuração da base de cálculo do lançamento por aferição indireta, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. NULIDADE. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído com relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando os autos elementos de prova presentes nos autos permitem a formação de convicção do órgão julgador. RECOLHIMENTOS. SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. APROVEITAMENTO. A partir de 02/1999, somente serão convertidos em área regularizada os recolhimentos feitos por terceirizados referentes a remunerações por serviços prestados. em obra de construção civil que estejam declaradas em GFIP. PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA Em observância ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. O ato administrativo se presume legitimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento. VERDADE MATERIAL E TIPICIDADE A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. O lançamento de acordo com as normas vigentes e regentes do tributo exigido atende integralmente o requisito da tipicidade da tributação. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. À autoridade administrativa é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 6 9 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N° 8.212/91. SÚMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Consideramse decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante no 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Lançamento Procedente em Parte Em observância ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 1.121/3.683, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo as mesmas razões da impugnação e aditamentos, quais sejam: (i) Requer a nulidade do Acórdão. A decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento . de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente. (ii) Cerceamento de defesa. Reafirma o cerceamento de defesa, pois o fato de pessoas ligadas à impugnante terem acompanhado parte da atividade de investigação da junta fiscal, não a exime de informar, em relatório, a discriminação clara, precisa dos fatos geradores (art. 37, da lei n. 8.212/91), e circunstanciada e transparente fundamentação legal, correta subsunção dos fatos à norma e lógica na apuração da base de cálculo. (iii) Contabilização por centro de custo A interpretação dos fatos que levaram os nobres auditores a desconsiderarem a contabilidade da recorrente não se consubstancia em situações materiais efetivas. Uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente ,foram" rebatidas nas impugnações. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram,'acatados incondicionalmente; já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. A circunstância .da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que examinaramlhe a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos,,os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. Os agentes do fisco afirmam no subitem 5.9 do relatório fiscal anexo à NFLD que "os indícios levam ao entendimento de que obras ou serviços foram executados sem os devidos registros contábeis"(sgo). Indícios, Senhores julgadores, indícios. A presunção de legitimidade dos atos do fisco é limitada, relativa, não é absoluta. Indícios no Direito Tributário não são figuras aptas a produzir resultados. (iv) Princípio da imparcialidade Fl. 1274DF CARF MF 10 Resistiram, sob a complacência da DRJ/BSB, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. Os autos de infração citados pelo relator como procedentes foram julgados apenas na primeira instância, ainda não foram avaliados por este Colendo Conselho cuja imparcialidade é reconhecida. Por que o órgão julgador de primeira instância administrativa não julga importante registrar os diversos erros cometidos pela junta fiscal, que fizeram com que os autos fossem baixados em diligência mais de uma vez, e o crédito lançado retificado várias vezes? Porque o órgão julgador não observa, o PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE. A junta fiscal errou quando não cumpriu o que determina o art. 449 da IN 3, não reduzindo as áreas, mas isso não e importante para a DRJ/BSA registrar. Aliás, foi registrado como erro da recorrente: Apenas mais um: no item 5.9.1. do relatório fiscal afirmam: "evidenciando a utilização de empregados, sem contudo, haver registro de escrituração de folhas de pagamento. O registro de pequenas obras — conta DPOGR, existe exatamente para registrar, dentre outros fatos menores, quantificados em função do porte da empresa, serviços de curto prazo prestados por empregados a terceiros sem que se complete o ciclo mensal, especificamente em serviços realizados em obras e que terminam muito ante do final do mês. Em outras palavras: prestam serviços a várias obras dentro do mês. Essa mão de obra, conforme art. 162 de IN 3, abaixo transcrito, é escriturada na folha de pagamento da Administração, pois não há como registrar estes serviços em folhas específicas, como quer entes do fisco. (v) Arquivos digitais da ação fiscal — Ausência de Motivação O item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários; não foi apreciado no voto. Foi somente citado no relatório, fl. 1.110, item 2. Esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. A não entrega dos arquivos digitais contendo a planilha com dados e informações sobre a apuração de valores que dizem respeito à recorrente é outra prova contundente do evidente cerceamento de defesa. 0 fisco cria normas obrigando o contribuinte a entregar arquivos digitais de seu interesse, mas esquece das normas que obrigam todos'os servidores públicos (art. 116, Lei 8.112/90) e Princípios constitucionais, dentre eles o da Moralidade. (vi) Inversão do ônus da prova: dever da prova A previsão legal de arbitrar o crédito não dispensa o dever do fisco de produzir prova e não cria presunção de onipotência. A regra, tanto no processo judicial quanto no administrativo é a de que o autor tem o ônus de provar o fato constitutivo. Assim, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 7 11 (vii) Princípio da ampla competência decisória apreciação de inconstitucionalidades "Sobre as diversas alegações de afronta às leis e à Constituição" (acórdão, fls. 884) é sempre bom lembrar que "todo aquele que exerce função pública está subordinado a concretizar os valores jurídicos fundamentais e deve nortear seus atos segundo esse postulado". (viii) Aplicação Retroativa da Legislação Tributária Princípio da Segurança Jurídica Quanto à aplicação da IN 3, a recorrente não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. ix) BIS IN IDEM Iniciase com a importante informação de que a obra foi executada no período de 02/2004 a 03/2006. Após digressões, onde se comenta que a IN 03/05 tem "o intuito de reguLamentar a lei que a construção civil "sempre apresentou inúmeras dificuldades...; fazse ensinamentos de como "deva submeterse ao regime de aferição indireta, citação e transcrição de dispositivos da IN 03, escrevese que "Conforme pode ser observado na legislação aplicável, no período de 02/11/1999 a 09/12/2002, os critérios para que o valor eventualmente recolhido a título de retenção pudesse se aproveitado e deduzido no arbitramento da são:...". (sgo) A leitura do trecho de onde se extraiu as pérolas acima, fl. 886/888, e outros trechos do acórdão n° 0332.792, deixa a impressão de que se trata de mais um complemento ao Relatório Fiscal Anexo a NFLD e não de uma decisão. De acordo com o órgão julgador administrativo de primeira instância (DRJ/BSA) uma instrução normativa do fisco tem o intuito de regulamentar a lei! Que lei uma instrução normativa regula? Em nosso ordenamento jurídico a competência para regulamentar lei é privativa do Presidente da Republica mediante a edição de Decreto (art. 84, IV, da CF).' 11. A primeira questão é a que configura inadmissível bis in idem quanto às contribuições de terceiros, relativas a esta, obra quê também foram lançadas nas NFLD n° 37.096.6554, 37.096.6562 e 37.055.3454. A segunda questão é a do aproveitamento de recolhimentos efetuado por terceiros para a obra e seus requisitos impostos por norma infralegal (instrução normativa). Em um momento o acórdão se refere à conversão em área regularizada e seus critérios (art.447 da IN3), para depois, copiando a junta fiscal, afirmar que "em relação às notificações relacionadas a retenção dos 11% destacado na emissão das notas fiscais dos prestadores NFLD 37.055.3454, 37.096.6554, 37.096.6542, todas as notas fiscais e quaisquer documentos que puderam ser vinculados a quaisquer das obras analisadas durante o procedimento fiscal, foram deduzidas daquela notificação" (sgo). A qual notificação se refere o julgador? Quais notas fiscais? Quais documentos? De qualquer forma não foi deduzido nesta NFLD nenhum dos valores lançados nas três NFLD por retenção. Vejase ainda que a legislação aplicável no período de 05/1999 a 09/2003, na interpretação da DRJ/BSA, é a IN 3 de 2005, que, segundo o relator, além do poder de Fl. 1276DF CARF MF 12 regulamentar uma lei, tem o poder de retroagir e ;criar obrigações acessórias e fixar critérios para que o valores lançados em dobro possam ser corrigidos (?). O bis in idem ocorreu porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos como CAIPE, foi lançada nesta NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados co base de cálculo da contribuição previdenciária lançada nas NFLD 37.055.3454, 37.096.65 e 37.096.6554. (x) Notas fiscais com guias de recolhimento A DRJ/BSA também se recusa a retificar o crédito tributário até mesmo quando se apresenta guias de recolhimento que comprovam o recolhimento da retenção. As notas fiscais envolvendo período a partir de outubro de 2002, com vinculação inequívoca à obra, não foram consideradas para efeito de retificação do valor da notificação É absurdo e afronto à inteligência esse procedimento abusivo, inconstitucional de se manter, em lançamento, tributo que já foi recolhido, ao condicionar a regularização ao cumprimento de obrigação acessória de responsabilidade do prestador de serviço originariamente contribuinte. Requerse seja dado, às competências a partir de outubro o mesmo tratamento dado às competências anteriores convertendo em área regularizada a remuneração recolhida relativa à mão de obra terceirizada, com vinculação inequívoca à obra. (xi) Não aplicação do inciso I do art. 448 da IN 3/05 A DRJ/BSA lê e interpreta os dispositivos legais a seu talante sem compromisso com o sentido e significado das palavras ou finalidade da norma. A palavra somente colocada no texto do acórdão, não existe no inciso. Somente existe na forte e inabalável vontade de prestigiar o trabalho dos colegas da junta fiscal. (xii) Aplicação do art. 474 da IN 03/05 De novo interpretação fora do texto da norma. Em lugar algum da IN 3 está escrito "todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar. Não é recomendável em redação de texto legal este tipo rasteiro de generalização. O tema em debate não é nota fiscal, não é recolhimento, É BIS IN IDEM: COBRANÇA DE TRIBUTO EM DUPLICIDADE. (xiii) Bitributação Afirmações desconexas com a realidade é a moda do acórdão da DRJ/BSA. A cada tópico se depara com frase deste tipo: "não ocorreu o bis in idem, pois as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra (..) foram consideradas para efeito de redução do lançamento...'. 4. Repetese: o bis in idem existe porque todas as contribuições (próprias e de terceiros) relativas às obras foram lançadas por aferição indireta com base na área construída e CUB. Ainda assim, por outros métodos iníquos de aferição indireta, com base em mão de obra de terceiros contidas em notas fiscais das obras, foram lançadas novamente as contribuições de terceiros. Nada a ver com nota fiscal vinculada à obra. A junta fiscal ao contrário, atesta taxativamente que não. O relatório do acórdão reproduz, fl. 949, item f, a informação da junta fiscal, que não contesta o bis in idem, Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 8 13 porém justifica que os levantamentos representados pelas NFLD (esqueceram de citar a NFLD 37.096.6554) não foram aproveitados porque as circunstâncias necessárias não ocorrem. Os levantamentos representados pelas NFLD 37.096.6562 e 37.055.3454 somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mão de obra, bem como da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constante das GFIP dos prestadores de serviços a cada obra, a serem comprovados nos autos, circunstâncias que não ocorrerem'. (sgo) (xiv) Perícia A contabilidade da. empresa apor "mais de vinte anos foi considerada regular e correta por agentes fiscais dos: fiscos federal, estadual e municipal, em interpretação sem explicação plausível, foi desconsiderada. Esta situação, conforme já alegado e esmiuçado nas impugnações, impõe que peritos façam uma avaliação para dirimir com quem está a razão. (xv) Caracterização de excesso de exação O excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Foram lançados créditos tributários na ordem de 27 milhões de reais já retificados para 12 milhões. A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mão de obra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar (xvi) Competências maio e junho de 2002 devem ser excluídas. O reconhecimento de "que parte do crédito previdenciário lançado"decaiu está incorreto porque as competências maio e junho de 2002, alcançadas pela decadência, não foram consideradas na retificação. (xvii) Retificação inaceitável A alegação de que a retificação não obedeceu ao mesmo critério de apuração do tributo por deficiência do fisco que não providenciou a adaptação e atualização de seus programas quanto à determinação de súmula vinculante é estarrecedora, inaceitável, quase inacreditável. As deficiências do fisco não podem prejudicar o contribuinte, nem justifica a alteração da realidade dos fatos. A obra não foi realizada em um único mês. Requerse, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência e nulidade do lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 1278DF CARF MF 14 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator RECURSO DE OFÍCIO Preliminar de Admissibilidade Á época da interposição do recurso vigia a Portaria MF nº 3/2008, que estabelecia o valor de alçada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Entretanto, em 10 de fevereiro de 2017 foi publicada a Portaria MF nº 63 que alterou o valor limite para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos: Portaria MF nº 63/07 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). A verificação do "limite de alçada", em face de Decisão da DRJ favorável ao contribuinte, ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ),para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observandose a legislação da época, e segundo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, quando da apreciação do recurso, em Preliminar de Admissibilidade, aplicandose o limite de alçada então vigente. É o que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, depreendese que o limite de alçada a ser definitivamente considerado será aquele vigente no momento da apreciação, pelo Conselho, do respectivo Recurso de Ofício. vinculada pela Súmula Carf nº 103, encimada. No presente caso, o montante de crédito Tributário exonerado foi abaixo do novo limite de alçada, vigente na data do presente julgamento, 07 de março de 2018. Nesse diapasão, não conheço do recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. PRELIMINARES DAS INCONSTITUCIONALIDADES Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 9 15 Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. NULIDADE DO LANÇAMENTO O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT/ RAT, à parte dos segurados empregados e as destinadas a Terceiros outras entidades e fundos, lançado na competência 09/2006. De acordo com Relatório Fiscal, fls. 99/110, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída na obra denominada Habitaseel Solimões HBSLM, matrícula CEI é 38.780.01787/76, correspondendo a 17.760,15 m². Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Fl. 1280DF CARF MF 16 Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPFF, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 10 17 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. NULIDADE DA DECISÃO DE 1° INSTÂNCIA A recorrente alega que a decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente, portanto devese decretar a sua nulidade. Não obstante o entendimento da Recorrente, não há como aderir a tal porque a AuditoriaFiscal não está vinculada a posicionamento de outra AuditoriaFiscal que tenha realizado procedimento de fiscalização anterior no contribuinte. Ademais, o art. 6° , I, a da na Lei 10.593/2002 dispõe acerca das atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre as quais constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo:(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Fl. 1282DF CARF MF 18 Além do mais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes, mormente quando já encontrou motivos suficientes e relevantes para fundamentar a decisão. Portanto, afasto a preliminar. MÉRITO CONTABILIZAÇÃO POR CENTRO DE CUSTO A contribuinte aduz que a interpretação dos fatos que levaram os nobres auditores a desconsiderarem a contabilidade da recorrente não se consubstancia em situações materiais efetivas. Uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente, foram rebatidas nas impugnações e recurso. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram, acatados incondicionalmente; já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. A circunstância .da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que examinaramlhe a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos, os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. Os agentes do fisco afirmam no subitem 5.9 do relatório fiscal anexo à NFLD que "os indícios levam ao entendimento de que obras ou serviços foram executados sem os devidos registros contábeis (sgo). Indícios, Senhores julgadores, indícios. A presunção de legitimidade dos atos do fisco é limitada, relativa, não é absoluta. Indícios no Direito Tributário não são figuras aptas a produzir resultados. Pois bem. Conforme relatado pela autoridade fiscal, a própria empresa procurou corrigir algumas das faltas apresentadas (ausência de contabilização por centro de custo), contudo, não logrou êxito em assim proceder, haja vista ter utilizado procedimento inadequado, em desconformidade com o ato normativo do Departamento de Contabilidade, que exige a correção no exercício em que se constatou o erro, e não a mera substituição, tal como informado pela fiscalização. Nesse ponto, foi anexada a Instrução Normativa n° 102, do Departamento Nacional de Registro do Comércio, fls., que orienta o procedimento ao ser adotado nos casos de retificação dos livros contábeis, norma desconsiderada pela impugnante. Verificando e analisando o Relatório Fiscal da Infração (fls. 99/110) vislumbrase que o Auditor apresenta com clareza os fatos que ocorreram durante a ação fiscal, caracterizando diversas obrigações acessórias descumpridas, qual seja: escrituração contábil não identificada por centros de custo; não apresentação de documentos (folhas de pagamentos) requisitados pela autoridade, notas fiscais não contabilizadas. Ademais, em solicitação de Diligência Fiscal abordouse este tópico: (v) em relação à ausência de contabilização por centro de custos, em quais períodos dos exercícios 2004 a 2006 tal fato ocorreu e se tais fatos fundamentam a desconsideração da contabilidade. O Pronunciamento Fiscal mantém o posicionamento do Relatório Fiscal: 5. O item 5.2 do Relatório Fiscal Inicial — fls. 100/101 do presente processo responde tal quesito. Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 11 19 Ora, diante das provas colacionadas nos autos, não prospera a argumentação da recorrente, mantenho o entendimento da decisão de primeira instância. BIS IN IDEM, BITRIBUTAÇÃO, IMPARCIALIDADE E NOTAS FISCAIS Insurgese, sob a complacência da DRJ/BSB, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. O bis in idem ocorreu porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos, foi lançada nesta NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados como base de cálculo da contribuição previdenciária lançada nas NFLD 37.055.3454, 37.096.65 e 37.096.6554. Tal argumentação da recorrente se circunscreve a valoração de prova fática, posto devese verificar se houve ou não o lançamento duplicado de contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD. Este ponto também foi objeto de solicitação de Diligência Fiscal, e, em resposta, após reanálise da documentação fornecida na impugnação, mantém o posicionamento do Relatório Fiscal demonstrando que não houve lançamento de contribuições de forma duplicada: e) Para melhor entendimento do procedimento fiscal adotado, foi elaborada planilha "Análise de NFS apresentadas na defesa" integrante da presente in formação, fls. 1019/1022, contendo detalhamento das notas fiscais c valores apropriados como mão deobra empregada, conforme define a legislação previdenciária, a serem convertidos em área regularizada para retificação do débito. A mesma planilha detalha os documentos não considerados, bem como seus respectivos motivos. f) Os levantamentos representados pelas NFLD 37.096.6562 e 37.055.3454 somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação, mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, bem como da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constate das GFIP dos prestadores de serviços pertinentes a cada obra, a serem comprovados nos autos; circunstáncias que não ocorreram; i. O débito constante da NFLD 37.096.6562 referese aos valores de retenção (11% sobre o valor bruto das notas fiscais) não recolhidos, que foram identificados a partir de relação fornecida pela própria empresa, devidos em função da contratação de serviços terceirizados mediante cessão de mão deobra. O referido processo, acompanhado das respectivas impugnações, foi devidamente analisado e retificado, sendo a empresa cientificada, via postal, mediante AR Aviso de Recebimento; Fl. 1284DF CARF MF 20 ii. A NFLD 37.055.3454 referese aos valores de retenções sobre notas fiscais apresentadas (documentos fisicos vistos pela fiscalização durante a ação fiscal), porém, da mesma forma, sem recolhimentos da retenção efetuada. iii. Em ambos os casos, de acordo com a Instrução Normativa acima transcrita, para o aproveitamento dos mencionados documentos para transformação em área regularizada dependem da comprovação do recolhimento da retenção para as competências até setembro de 2002 (Art. 447, II, c) e da remuneração constante na GNP do prestador de serviço, referente à obra em questão, a partir de outubro de 2002 (Art. 447, III). No caso sob análise, não ocorreu o bis in idem, pois todas as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra objeto do presente lançamento, conforme determina a Instrução Normativa SRP n° 03, de 2005, foram consideradas para efeito de redução do lançamento, conforme atestado pela autoridade fiscal e verificado por este órgão julgador. Dessa forma, não se verifica a bitributação nem tão pouco qualquer ausência de prejuízo em desfavor da recorrente no sentido de não ter sido efetuado algum credito eventual de alguma retenção. Em verdade, todas as notas fiscais e respectivas guias de recolhimento da previdência social que puderam ser vinculadas a cada uma das obras para aproveitadas pela autoridade lançadora. Observase que não houve afronta ao princípio da imparcialidade, bem como não houve bis in idem, uma vez que fora observado os requisitos legais. Assim, não prospera a argumentação da contribuinte. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO O item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários", não foi apreciado no voto. Foi somente citado no relatório, item 2. Esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. O fundamento da obrigação da Administração motivar seus atos, dentre eles o ato de lançamento e as decisões, está previsto no art. 50 da Lei 9.784/99, que determina que os atos administrativos deverão ser motivados de modo explicito, claro e congruente (§ 1°); assim como no art. 31 do Decreto 70.235/72, ignorados pelo órgão administrativo de julgamento de primeira instância apenas imbuído de preservar o lançamento fiscal, abdicando se de sua função precípua de controle da legalidade do lançamento. Passamos a analise. A controvérsia está centrada na ausência da apreciação da entrega dos arquivos digitais da recorrente No decorrer da ação fiscal, por várias vezes, a empresa foi informada da necessidade de apresentação de tais documentos (Notas Fiscais, GI'S e GFIP) para verificação da mãodeobra tomada de prestadores de serviços (terceirizados). Não tendo a empresa atendido as solicitações da fiscalização, não foi possível à época da ação fiscal, apurar todos os valores relativos aos créditos das obras de construção civil. Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 12 21 As dificuldades impostas pela empresa durante todo o período que envolveu a ação fiscal, foram desenvolvidos esforços para que a empresa apresentasse na integralidade documentação necessária ao completo e normal processo de auditoria fiscal. Tendo em vista a morosa e deficiente apresentação dos documentos solicitados, foram necessárias as lavraturas de diversos autos de infração, especialmente, os que registraram o descumprimento de obrigações acessórias, previstas em Lei, que tratam da falta de apresentação de documentos tais como, folhas de pagamento e notas fiscais de prestadores de serviços (AI Debcad n° 37.055.3381), bem como dos arquivos digitais (AI Debcad 37.055.3390). Não é dificil o entendimento que documentos como folhas de pagamento são imprescindíveis no trabalho de fiscalização das contribuições previdenciárias. Portanto, nego provimento neste tópico. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Explicita que, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. Registrese que não há dúvidas de que a legislação previdenciária, no caso sob análise, dadas as condições fáticas ocorridas durante o procedimento fiscal, autoriza a fiscalização a promover o arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme previsão, inclusive do artigo 148 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim, a conseqüência jurídica disso, portanto, nos termos dos parágrafos 3°, 4° e 6° do art. 33, é a imediata e consequente inversão do ônus da prova. Tal circunstância determina que a simples manifestação de contrariedade do impugnante não tem o condão de afastar o ato administrativo dotado de presunção de legitimidade, legalidade e veracidade. Em que pese a recorrente ter apresentado inúmeras cópias de guia recolhimento e notas fiscais, fls. 828/954 e 981/1080, observase, conforme manifestado pela autoridade lançadora, fls. 1081/1088, muitos documentos foram repetidos, outros não possuem vinculação com a obra e outros não foram acompanhadas pelas GFIP's dos prestadores, conforme determina o art. 425 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Contudo, após análise individualizada de todos as provas apresentadas pela impugnante, os documentos que permitiram retificar o lançamento foram aproveitados, conforme informação às fls. 1081/1088, bem corno elaboração de novo ARO, fls. 1092/1097. Pelo exposto, não acolho o pleito da recorrente. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEGISLAÇÃO Indaga quanto à aplicação da IN 3, a recorrente não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente Fl. 1286DF CARF MF 22 se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos, racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. Ora, a recorrente, quando faz alegações quanto a irretroatividade das leis, não se refere às normas de natureza processual. Analisemos. Inicialmente, a Lei n° 11.457, de 2007, que criou a Receita Federal do Brasil assim disciplinou, em seu artigo 48: Art. 48. Fica mantida, enquanto não modificados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a vigência dos convênios celebrados e dos atos normativos e administrativos editados: 1 pela Secretaria da Receita Previdenciária; 11 pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS relativos a administração das contribuições a que se refere os arts. 2° e 3° desta Lei. III pelo Ministério da Fazenda relativos à administração dos tributos e contribuições de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil; 1V pela Secretaria da Receita Federal. Sendo assim, verificase que foi mantida a vigência dos atos normativos da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, a Instrução Normativa da SRP n° 03/05, vigente época da feitura do presente lançamento, não contendo, portanto, qualquer vicissitude em sua aplicação, razão pela qual as orientações e determinações nela contidas devem ser observadas, lendo cm vista, conforme já manifestado, o lançamento ser procedimento vinculado. Nessa esteira, ressaltese o inciso I do art. 100 do Código Tributário Nacional, que determina a complementaridade dos atos normativos expedidos velas autoridades administrativas, razão pela qual, em momento algum, tanto a autoridade lançadora quanto Os administrados (contribuintes e responsáveis tributários) podem deixar de obedece los. No caso sob analise, não se tem a aplicação retroativa da legislação. Em verdade, a lei aplicável ao lançamento, em relação aos fatos geradores é a 8.212/91, plenamente vigente à época dos fatos geradores, nos moldes do art. 144, caput, do CTN. Art. 144. 0 lançamento reportase ã data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Dessa forma, agiu com acerto a fiscalização na medida em que, ao promover o lançamento tributário em relação ao cálculo da remuneração paga à mãodeobra utilizada na construção da. obra objeto da notificação, valeuse dos critérios instituídos pela Instrução Normativa n° 03, de 2005, vigente no momento do lançamento. Nesse sentido, todos os requisitos e condições presentes no referido ato normativo foram obedecidos, bem como deveriam ter sido observados pela recorrente. NÃO APLICAÇÃO DO ART. 448, INC. I DA IN 03/2005 Afirma que a dicção do artigo acima e seu inciso não é no sentido de que somente será aproveitada remuneração contida em NFLD ou LDC com base em folha de pagamento ou por responsabilidade solidária. A expressão do inciso "quer seja apurado"não tem caráter restritivo, mas exemplificativo. Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 13 23 Vejamos o que diz o inciso I do artigo 448 da IN 03 de 2005: Art. 448. Será, ainda, convertida em área regularizada a remuneração: I contida em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária; Como a recorrente repisa as mesma alegações da impugnação, não trazendo nenhum novo elemento, peço vênia para transcrever excerto da decisão a quo, adotando como razão de decidir: Por sua vez, eventuais valores contidos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) ou LDC, relativos A obra, de acordo com o inciso I do art. 448 da Instrução Normativa SRI' n" 3, de 2005, somente são convertidos em área regularizada, cm relação aos valores apurados com base em folhas de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária. Nesse sentido, considerando que as NFLD n° 37.096.6554, 37.096.6562 e 37.055.3454 referemse a lançamentos relacionados à retenção, isto é, obrigação principal do contratante na qualidade de responsável tributário, novamente resta demonstrada a insubsistência do pedido do contribuinte. Pelas razões encimadas, nego provimento. APLICAÇÃO DO ART. 474 DA IN 03/2005 A contribuinte, mais uma vez, repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Portanto, acompanho integralmente o posicionamento da decisão de primeira instância pelas razões expostas a seguir: Quanto A aplicação dos dispositivos contidos no art. 474 da IN 3, estes devem ser compreendidos cm harmonia com o restante da normalização, isto é, todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar inequivocamente vinculadas à obra sob análise, bem como ter a copia da GFIP apresentada pelo prestador, condições essas que não foram atendidas durante a ação fiscal pela empresa notificada. Além disso, registrese que o art. 474 trata, especificamente da segmentação em relação aos fatos geradores, determinando que haja lançamentos distintos, conforme a sua natureza. Dessa forma, serão lavrados documentos separados para as contribuições referentes à aferição da mãodeobra total; as referentes à remuneração da mãodeobra própria da empresa fiscalizada; as apuradas por responsabilidade solidária e retenção. De acordo com o §2° do art. 474, no lançamento da base de cálculo da aferição indireta da mãodeobra total, devem ser deduzidos os lançamentos das bases de cálculo referente As contribuições de mão de obra própria, bem como solidariedade e retenção. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 1288DF CARF MF 24 EXCESSO DE EXAÇÃO A contribuinte relata que o excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Foram lançados créditos tributários na ordem de 27 milhões de reais já retificados para 12 milhões. A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mão de obra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar. Entretanto três outros lançamentos efetuados com base em notas fiscais de serviços prestados nas obras. A desconsideração a contabilidade com base em indícios. Não há espaço aqui para continuar a enumerar as incongruências resultantes do procedimento fiscal e inteiramente apoiadas, sustentadas pela DRJ/BSA. Este ponto já foi debatido em sede de decisão de primeira instância na qual se conclui que a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n° 8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem: Em relação ao cometimento em tese de ilícito penal pelas autoridades lançadoras e considerando o dever de oficio, verificase que a alegação de que a fiscalização cometeu excesso de exação é improcedente insubsistente, circunstância que implica em tese, o cometimento de crime de calúnia, em que pese não ser a autoridade administrativa para declarar tais circunstâncias. De acordo com o § '1° do art. 316 do Código Penal Brasileiro, o excesso de exação é caracterizado pela exigência de tributo ou contribuição social, praticada por servidor público, sendo que este sabe, ou deveria saber, que tal cobrança é indevida, ou, se devida, foi empregado, na cobrança, meio vexatório ; ou gravoso, que a lei não autoriza. A insubsistência da alegação fica demonstrada pelo fato de, conforme até o momento se pode observar pelo teor do presente acórdão (mas ao contrário do que afirma a impugnaste) a cobrança da contribuição previdenciária está amparada pelos requisitos legais que estabelecem os procedimentos da fiscalização, demonstrando, sem qualquer sombra de dúvida que os valores lançados são devidos pelo simples fato de o contribuinte ter descumprido as obrigações principais relacionadas às contribuições previdenciárias. É dizer, a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n°'8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Nesse sentido, agiu com acerto a autoridade fiscal, sem qualquer sombra de dúvida que possa cogitar excesso de exação. Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 14 25 Ora, o contribuinte repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Ademais, em tópico encimado, concluímos que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. PERÍCIA Observo que houve Solicitação de Diligência por parte do órgão julgador de primeira instância. Ademais, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. Desta forma, não considero pertinente o pedido de Diligência pois todos os elementos de prova acostados aos autos já foram analisados no transcurso do Processo administrativotributário. Portanto, não merece acolhimento o pleito do contribuinte. RETIFICAÇÕES Requer, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Pois bem. Conforme informação fiscal, às fls. 1081/1088, as autoridades fiscais realizaram a conferencia de todos os levantamentos efetuados, considerando tanto os documentos apresentados na defesa, quanto outros verificados posteriormente pela auditoria. Alem disso, também foi aplicado o instituto da decadência quinquenal, conforme determinado na última diligencia, tendo sido realizada nova apuração dos débitos previdenciários, de acordo com a in formação prestada à fl. 1127/1128. Dessa forma, considerouse como base de cálculo para os "salários de contribuição" informados no DISO os documentos (valores) relativos a prestadores de serviço (Planilha Levantamento Prestadores de Serviços, fls. 1089/1091), tendo sido todos os levantamentos e respectivos lançamentos instruídos de acordo com o disposto no capitulo IV da IN/SRP n° 03/2005, que regulamenta a regularização de obra por aferição indireta com base na área construída e no padrão de construção. Da leitura da informação fiscal prestada pela autoridade lançadora, observa se que a retificação parcial do valor do débito resultou da aplicação do principio da verdade material, tendo cm vista que, durante a ação fiscal, a empresa notificada, em diversas oportunidades faltou com seu dever de colaboração, circunstância que, entre outras conseqüências, determinou o arbitramento, bem como a maior complexidade na conclusão do procedimento fiscal. Como pode ser observado nas planilhas anexadas às fls. 1089/1091, dentre os documentos apresentados pelo contribuinte, não foram considerados, para efeito de retificação, apenas as notas fiscais sem vinculação inequívoca à obra. Alem disso, também foram Fl. 1290DF CARF MF 26 consideradas as notas fiscais, a partir da competência 09/2002, desacompanhadas das MP's dos prestadores, conforme exige o inciso 11 do art. 447 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Ressaltese que mio tocante aos valores relacionados na planilha à fl. 611 elaborada pela defendente, não foram apresentados quaisquer comprovantes de recolhimentos das retenções, nem as MP's tendo sido observado que estes valores e aqueles representados pelas cópias de notas fiscais e guias apresentadas na impugnação não constam dos lançamentos efetuados nas NFLD's n°s 37.096.6562 e 37.055.3454. Foram aplicados os percentuais de redução de 50% e 75%, tendo em vista a recorrente ter apresentado parcialmente os documentos que permitiram à fiscalização analisar as áreas para as quais estes percentuais deveriam ser aplicados. Portanto, sem razão a contribuinte. DECADÊNCIA COMPETÊNCIAS ATÉ JUNHO/2002 Aduz está decadente as competência até junho de 2002. Nesse aspecto não assiste razão ao impugnante, pois, o fato de ter sido reaberto o prazo pela substituição dos documentos, não implica em nova notificação, sendo certo que a data inicial a ser considerada para efeito da contagem do período decadencial é a da primeira notificação regular ao sujeito passivo, uma vez que o lançamento foi ali perfectibilizado Nesse sentido, a .simples substituição dos relatórios não determina a irregularidade do lançamento. Assim, a notificação feita no dia 28/06/2007 foi o último ato do procedimento de constituição formal do crédito tributário, tomandoo oponível a contribuinte, razão pela qual as competências abrangidas pela decadência referemse ao prazo indicado à fls. 1205, ou seja, os meses decadentes e excluídos da notificação referemse ao período abrangido pelas competências 06/2000 a 05/2002, devendo ser mantidas a competência 06/2002, haja vista a substituição dos relatórios ter tido apenas o efeito de dilatar o prazo da impugnação, subsistindo a validade da notificação efetuada no dia 28/06/2007. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE a) NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO. b) CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para rejeitar as preliminares, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 1291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.901822/2013-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/03/2013
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.008
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/03/2013 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 18 22 /2 01 3- 95 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10930.901822/201395 Acórdão n.º 3302005.008 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, que não homologou a compensação declarada por meio de Per/Dcomp uma vez que o crédito informado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte . Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado e carece de definição o significado de "disponibilidade do crédito" no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06046.167. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências necessárias à comprovação do crédito. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10930.901822/201395 Acórdão n.º 3302005.008 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.004, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.901828/201362, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.004): PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10930.901822/201395 Acórdão n.º 3302005.008 S3C3T2 Fl. 5 4 entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10930.901822/201395 Acórdão n.º 3302005.008 S3C3T2 Fl. 6 5 Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.901822/201395 Acórdão n.º 3302005.008 S3C3T2 Fl. 7 6 Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.901822/201395 Acórdão n.º 3302005.008 S3C3T2 Fl. 8 7 apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.901822/201395 Acórdão n.º 3302005.008 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.901822/201395 Acórdão n.º 3302005.008 S3C3T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001372/2005-45
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE
DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
Numero da decisão: 1002-000.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigências vinculadas ao 2º trimestre do anocalendário de 2002, quantificada em R$ 500,00 (quinhentos reais) (efl. 22). Diante da constituição dos lançamentos, protocolouse impugnação (efl. 4) alegando em síntese a aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea na espécie. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 13 72 /2 00 5- 45 Fl. 84DF CARF MF 2 A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 2ª Turma da DRJ/RPO proferise o Acórdão nº 1415.601 (efls. 34/40) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral do crédito tributário. Ato contínuo, irresignada com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário (efls. 52), reiterando os mesmos argumentos rechaçados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Julio Lima Souza Martins Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Passo então a apreciar a alegação da recorrente que se resume em saber se, no contexto, prevalece ou não a denúncia espontânea para fins de apresentação das declarações a destempo, mercê dos reflexos sobre as cobranças contestadas. Nesse sentido, alijando maiores digressões que alonguem a discussão no âmbito administrativo, surge aos julgadores deste colegiado a necessidade de se respeitar as súmulas editadas pelo órgão. Reproduzo para tanto inc. VI, do art. 45, do Regimento interno do CARF: Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: [...] VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; Dito isso, particularmente quanto à matéria devolvida à apreciação, referente à denúncia espontânea na conjuntura da entrega de declarações, reportome à Sumula CARF nº 49, cujo teor não deixa incertezas acerca da inviabilidade da pretensão veiculada: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Outrossim, ainda que as decisões do STJ não vinculem os conselheiros do CARF, não custa lembrar que aquele órgão judiciário também pacificou seu posicionamento no sentido de que a denúncia espontânea não afasta a multa decorrente do atraso na entrega da declaração, uma vez que o art. 138 do CTN não se aplica às obrigações acessórias. TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13830.001372/200545 Acórdão n.º 1002000.059 S1C0T2 Fl. 3 3 2. Agravo Regimental não provido (AgRg nos EDcl no AREsp 209.663/BA, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/04/2013, DJe 10/05/2013) Rejeito, portanto, tal pretensão. Ante ao enfretamento da questão apresentada, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.001485/2004-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2001
REGIME DO SIMPLES. EXCLUSÃO. PRODUTO CLASSIFICADO NO
CAPÍTULO 22 DA TIPI. LICOR. Nos termos do caput do art. 9º, XIX, da Lei 9.317/96, com a redação dada pelo art. 14 da MP 2189-49, de 23.08.2001, não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica que exerça a atividade de industrialização dos produtos
classificados no Capítulo 22 da TIPI. Comprovado que o sujeito passivo produziu licor, ainda que a receita decorrente seja de pequeno valor, deve ser excluído do regime do Simples.
Numero da decisão: 1402-000.244
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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EXCLUSÃO. PRODUTO CLASSIFICADO NO CAPÍTULO 22 DA TIPI. LICOR. Nos termos do caput do art. 9º, XIX, da Lei 9.317/96, com a redação dada pelo art. 14 da MP 2189-49, de 23.08.2001, não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica que exerça a atividade de industrialização dos produtos classificados no Capítulo 22 da TIPI. Comprovado que o sujeito passivo produziu licor, ainda que a receita decorrente seja de pequeno valor, deve ser excluído do regime do Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. EDITADO EM: 23/09/2010 Fl. 5DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17143.KTN4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 6DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17143.KTN4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16707.001485/2004-73 Acórdão n.º 1402-00.244 S1-C4T2 Fl. 2 3 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que deferiu em parte o pedido de inclusão no regime do Simples, uma vez que alterou os efeitos da exclusão, de a partir de 01.01.2001, para a partir de 01.01.2002. A contribuinte havia requerido em 28.05.2004, a inclusão retroativa a 04.09.97 no Simples com a alegação de que desde o início de atividade recolhia impostos e contribuições como se optante fosse. Anexou cópias da Declaração de firma individual e do CNPJ, doc. de fls. 3 a 9. A empresa vinha apresentando Declarações Simplificadas do regime do Simples e ao transmitir a declaração PJSI 2004, via internet, o sistema não a transmitiu, em razão do CNPJ da declarante não constar como optante do Simples. A DRF/Natal a incluiu em 04.09.97 e excluiu-a a partir de 01.01.2001 em razão da interessada se dedicar à atividade de industrialização por conta própria ou por encomenda dos produtos classificados no capítulo 22 da TIPI (bebidas). Emitiu o ADE 63, de 11.11.2004. Os fundamentos da exclusão são: inciso XIX do art. 9º, arts. 12, 14, 15 e 16 da Lei 9.317/96 e a IN 355/03, art. 20, XVIII, acrescentado pela MP 1990-29, de 2000, atual MP 2189-49/2001 e art. 24, VI, da IN SRF 355/2003. Às fls. 36 consta demonstrativo de venda do licor e receita mensal de venda. Para o ano de 2002, consta venda de R$ 491,60 de licor; para 2003, o valor é de R$ 318,00; para 2004 o valor é de R$ 1.950,00. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual argumenta que a atividade de licores artesanais é secundária e praticamente não explorada conforme demonstrativo de fl. 36, que o licor artesanal não é considerado bebida alcoólica segundo a cultura nordestina e pediu a aplicação dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, mantendo a empresa no regime do Simples. Foi determinada diligência, com a finalidade de se apurar se de fato a empresa não auferiu receita decorrente da venda de licores artesanais no ano-calendário de 2001. Em resposta, na informação fiscal de fl. 75, o diligenciante verificou que a empresa não auferiu receitas decorrentes da venda de licores artesanais ou outro produto classificado no capítulo 22 da TIPI no ano de 2001. A Turma Julgadora concluiu que a fabricação de licores está enquadrada no capítulo 22 da TIPI, o que inviabiliza a sua opção pelo Simples a partir de 01.01.2001, entretanto, tendo em vista que não houve faturamento referente a venda de licor no ano- calendário de 2001, mas apenas nos anos posteriores, incluiu a empresa com data retroativa à sua abertura e a excluiu somente a partir de 01.01.2002, ano em que a empresa obteve receita decorrente de atividade vedada, alterando a data do efeito do Ato Declaratório de Exclusão DRF/NAT nº 63, de 11.11.2004. As ementas proferidas são as seguintes: Fl. 7DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17143.KTN4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 SIMPLES – EXCLUSÃO – ATIVIDADE IMPEDITIVA. A PARTIR DE 01/01/2001. A partir de 01/01/2001 não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que exerça a atividade de industrialização de bebidas e cigarros. As pessoas jurídicas anteriormente optantes pelo sistema integrado apenas podem permanecer neste sistema até 31/12/2000. SIMPLES. RECEITA DE ATIVIDADE IMPEDITIVA. Admite-se a permanência no SIMPLES de empresa que embora tenha atividades impeditivas no seu contrato social juntamente com não impeditivas, exerça somente as não vedadas. A decisão de primeira instância foi cientificada à interessada em 21.09.2007, e o recurso foi apresentado em 18.10.2007. A recorrente afirma que iniciou suas atividades em agosto de 1997, com a atividade principal de fabricação e comércio varejista de lambedores artesanais e como atividade secundária a fabricação e comércio de licores artesanais. Diz que à época, ao tentar retirar o registro junto ao CNPJ, verificou-se que a atividade principal acima não constava no rol das atividades elencadas pela Receita Federal, vindo-se a adotar aquela atividade que mais se aproximava da acima mencionada; alega que analogamente, como: fabricação e comércio de licores artesanais, permanecendo apenas como atividade principal, à época classificada como “fábrica e comércio varejista de lambedores artesanais”, cujo ato foi registrado na Junta Comercial em 05.11.2004. A recorrente pede a aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, uma vez que deveria ser preservada a função social exercida pela contribuinte. Requer a desconsideração do Ato Declaratório e afirma demonstrar total adequação ao regime tributário questionado conforme aditivo ao ato constitutivo, e que diante da remota hipótese de improcedência, requer sejam declaradas extintas as obrigações já prescritas. Entre os anexos ao recurso consta requerimento de opção pelo Simples, como empresa de pequeno porte, datado de 28.01.2004, declaração de firma individual, de 20.08.97, solicitação de registro especial de microempresa ou EPP (reenquadramento) dirigido ao Presidente da Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Norte, datado de 31.01.2001, requerimento de empresário de 01.11.2004, em que consta o código de atividade econômica 1589-0/99 com a descrição do objeto de “FÁBRICA E COM.VAREJISTA DE LAMBEDORES ARTESANAIS” e DARFs – Simples dos anos de 2003 e 2004. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Fl. 8DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17143.KTN4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16707.001485/2004-73 Acórdão n.º 1402-00.244 S1-C4T2 Fl. 3 5 A decisão da Turma Julgadora manteve a pessoa jurídica excluída do Simples, porém alterou a data de início dos efeitos da exclusão de 01.01.2001 para 01.01.2002, em razão da interessada se dedicar à atividade de industrialização por conta própria ou por encomenda dos produtos classificados no capítulo 22 da TIPI (bebidas), conforme ADE 63, de 11.11.2004, sendo que o produto fabricado é licor artesanal. Motivou a decisão da DRJ, o resultado de diligência que constatou que a pessoa jurídica não vendeu vendido licores artesanais no ano de 2001. Os fundamentos da exclusão são: inciso XIX do art. 9º, arts. 12, 14, 15 e 16 da Lei 9.317/96 e a IN 355/03, art. 20, XVIII, acrescentado pela MP 1990-29, de 2000, atual MP 2189-49/2001 e art. 24, VI, da IN SRF 355/2003. A contribuinte pede a aplicação do princípio da razoabilidade e da proporcionalidade. Transcrevo o caput do art. 9º, XIX, da Lei 9.317/96: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIX - que exerça a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda, dos produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI - TIPI, sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei n o 7.798, de 10 de julho de 1989, mantidas, até 31 de dezembro de 2000, as opções já exercidas." (redação dada pelo art. 14 da MP 2189-49, de 23.08.2001). Às fls. 36 consta demonstrativo de venda do licor em relação à receita mensal de venda, apresentado pela interessada. Para o ano de 2002, consta venda de R$ 491,60 de licor; para 2003, o valor é de R$ 318,00; para 2004 o valor é de R$ 1.950,00. Ou seja, deve-se reconhecer que os valores são irrisórios, entretanto, a legislação não permite qualquer possibilidade de opção pelo Simples quando a pessoa jurídica exerce a atividade de industrialização, de produtos classificados no capítulo 22 da Tabela de Incidência do IPI – TIPI. Sobre a declaração de extinção de obrigações prescritas, não cabe a este colegiado se pronunciar uma vez o processo não versa sobre essa matéria. Do exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso. Albertina Silva Santos de Lima - Relatora Fl. 9DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17143.KTN4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Fl. 10DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17143.KTN4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA em 23/09/2010 17:53:43. Documento autenticado digitalmente por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA em 23/09/2010. Documento assinado digitalmente por: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA em 23/09/2010. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 06/03/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP06.0318.17143.KTN4 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: D8B6CD608E171087A80282EF6384C1DFBC8E905B Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16707.001485/2004-73. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13227.900836/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2002
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.246
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente RICAL RACK INDUSTRIA E COMERCIO DE ARROZ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 08 36 /2 01 1- 64 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13227.900836/201164 Acórdão n.º 3301004.246 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP, transmitido eletronicamente. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que, em revisão realizada nos cálculos, a empresa identificou que havia recolhimentos a maior de PIS e Cofins decorrentes de inclusão de receitas isentas na base de cálculo, fato que lhe possibilitaria a restituição e compensação com outros débitos. Constatando que o crédito havia sido indeferido, o contribuinte identificou que isto ocorreu pelo fato de não terem sido retificadas as DCTF, embora o crédito seja totalmente devido. Acrescentou que a resolução das divergências encontradas no cruzamento de informações no sistema da Receita Federal do Brasil que gerou o indeferimento do crédito poderia ser resolvido com uma simples retificação de DCTF. Porém, em função de terem transcorridos mais de cinco anos desde o fato gerador do crédito, o contribuinte fica impossibilitado de retificar as informações. Por isso, requereu a correção da informação prestada em DCTF, a fim de sanar os motivos que ensejaram o indeferimento, se colocando à disposição para comprovar a existência do crédito da forma que a autoridade fiscal entender necessário, e ainda que: a) sejam corrigidos os valores dos tributos devidos em função da impossibilidade do contribuinte retificar as DCTF da época; b) caso entenda a autoridade fiscal necessária a comprovação das bases de cálculo, informe a forma e os documentos que deseja que sejam apresentados; c) sejam declarados homologados os pedidos de restituição; d) sejam declaradas homologadas as compensações. A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, sob fundamento da não comprovação da existência e suficiência do crédito postulado, nos termos do Acórdão nº 02051.132. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, nos seguintes termos: Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13227.900836/201164 Acórdão n.º 3301004.246 S3C3T1 Fl. 4 3 2.1 DA DECADÊNCIA DA POSSIBILIDADE DE RETIFICAR A DCTF INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA DO CREDITO; 2.2 DA INEXISTÊNCIA DE FALTA DE COMPROVAÇÃO INAPLICABILIDADE DO ART 333 DO CPC POSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIAS; 2.3 DA INVIABILIDADE DA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO ECONOMIA PROCESSUAL E EFICIÊNCIA. Além de requerer o provimento do seu pleito, requer alternativamente a realização de diligências a fim de que a Recorrente seja intimada a apresentar os documentos comprobatórios do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.237, de 02 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900822/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.237): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto à decadência, adotase o entendimento da decisão recorrida de que ao pedido de retificação de informações da DCTF em razão da impossibilidade de o contribuinte retificála transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, ainda que fosse possível transmitir a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Ademais, conforme se consignou na decisão de piso, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, vigente na época). Atualmente o art. 9º, § 5o, da Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015 é cristalino: § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13227.900836/201164 Acórdão n.º 3301004.246 S3C3T1 Fl. 5 4 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. Portanto, adotase a conclusão constante da decisão recorrida de que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). Dessa forma, é dever da Recorrente comprovar seu crédito e ele teve ampla oportunidade. Assim, tal oportunidade que se encontra precluída em razão de não ter apresentado provas de seu crédito quer na manifestação de inconformidade, quer no Recurso Voluntário. Dessarte, denegase por incabível, o pedido de diligências da Recorrente. Anotese que o fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração, devidamente conciliado com os livros contábeis. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 11444.000747/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005, 2006
OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO
A opção pelo lucro presumido se faz pelo pagamento do IRPJ, ou pelo preenchimento da DIPJ e DCTF conforme o regime. Não se admite a retificação dessas declarações para alterar o regime de tributação.
LUCRO ARBITRADO. DESCABIMENTO.
A apuração pelo lucro arbitrado é medida extrema, quando impossível a apuração pelo lucro real. É incabível invocar os próprios vícios para obter vantagem fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005, 2006
OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO
A opção pelo lucro presumido se faz pelo pagamento do IRPJ, ou pelo preenchimento da DIPJ e DCTF conforme o regime. Não se admite a retificação dessas declarações para alterar o regime de tributação.
LUCRO ARBITRADO. DESCABIMENTO.
A apuração pelo lucro arbitrado é medida extrema, quando impossível a apuração pelo lucro real. É incabível invocar os próprios vícios para obter vantagem fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005, 2006 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO A opção pelo lucro presumido se faz pelo pagamento do IRPJ, ou pelo preenchimento da DIPJ e DCTF conforme o regime. Não se admite a retificação dessas declarações para alterar o regime de tributação. LUCRO ARBITRADO. DESCABIMENTO. A apuração pelo lucro arbitrado é medida extrema, quando impossível a apuração pelo lucro real. É incabível invocar os próprios vícios para obter vantagem fiscal. Recurso Voluntário Negado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005, 2006 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO A opção pelo lucro presumido se faz pelo pagamento do IRPJ, ou pelo preenchimento da DIPJ e DCTF conforme o regime. Não se admite a retificação dessas declarações para alterar o regime de tributação. LUCRO ARBITRADO. DESCABIMENTO. A apuração pelo lucro arbitrado é medida extrema, quando impossível a apuração pelo lucro real. É incabível invocar os próprios vícios para obter vantagem fiscal. Recurso Voluntário Negado.
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Não se admite a retificação dessas declarações para alterar o regime de tributação. LUCRO ARBITRADO. DESCABIMENTO. A apuração pelo lucro arbitrado é medida extrema, quando impossível a apuração pelo lucro real. É incabível invocar os próprios vícios para obter vantagem fiscal. Recurso Voluntário Negado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO A opção pelo lucro presumido se faz pelo pagamento do IRPJ, ou pelo preenchimento da DIPJ e DCTF conforme o regime. Não se admite a retificação dessas declarações para alterar o regime de tributação. LUCRO ARBITRADO. DESCABIMENTO. A apuração pelo lucro arbitrado é medida extrema, quando impossível a apuração pelo lucro real. É incabível invocar os próprios vícios para obter vantagem fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 07 47 /2 00 8- 21 Fl. 385DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Autos de Infração de Pis e Cofins, resultantes de auditoria efetuada pela Auditora Fiscal da Receita Federal Norma Sueli Marchi, matrícula 22.910. Por minucioso, reproduzo o relatório de primeira instância: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurada, nos anoscalendário de 2005 e 2006, falta/insuficiência de recolhimento do PIS e da Cofins. Foram lavrados os seguintes autos de infração: 1 – Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – fls.3 a 10. Contribuição: R$ 47.278,27 Juros de mora: R$ 12.224,31 Multa Proporcional: R$ 35.458,63 Total: R$ 94.961,21 Enquadramento legal da contribuição: Arts. 1º, 2º, 3º e 5º da Lei nº 10.833/03. 2 Contribuição para o PIS – fls. 11 a 18. Contribuição: R$ 10.264,39 Juros de mora: R$ 2.653,89 Multa Proporcional: R$ 7.698,26 Total: R$ 20.616,54 Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11444.000747/200821 Acórdão n.º 3201003.251 S3C2T1 Fl. 385 3 Enquadramento legal da contribuição: Arts. 1º, 2º, 3° e 4º da Lei nº 10.637/02; arts.2º, 3º, 10, 22, 59 e 63 do Decreto nº 4.524/02. O procedimento de fiscalização e as conclusões dele decorrentes foram relatadas no Relatório Fiscal de fls. 19 a 27. Segundo o relato da autoridade fiscal, a contribuinte foi selecionada para ser fiscalizada tendo em vista que suas DIPJ dos anoscalendário 2005 e 2006 foram apresentadas em branco, exceto pelo preenchimento dos dados iniciais e cadastrais, quando, de acordo com informações de terceiros prestadas através das Dirf, possuía receitas de prestação de serviços, em 2005 e 2006, de R$ 211.749,34 e R$ 407.845,30, respectivamente. Consta no processo que nas DIPJ e nas DCTF dos dois AC referidos foi informada apuração pelo lucro real. Relatou a autuante que a empresa não foi encontrada no endereço indicado nos cadastros da Receita Federal e somente em 18/01/2008 é que sócia Clotilde Adolpho Dezotti foi cientificada do Termo de Início de Fiscalização datado de 09/01/2008. Informou que, durante esse período em que se tentava cientificar a sócia Clotilde Adolpho Dezotti do Termo de Inicio de Fiscalização, foram retificadas as DCTF(s) da empresa de 2005 e 2006 e, como não é possível retificar a DIPJ alterando a forma de tributação, foram apresentadas outras DIPJ (em 10/01/2008 e 16/01/2008, respectivamente) para esses anos, onde foi informado o lucro presumido, como forma de tributação. Com relação às DCTF, na retificadora do 2° semestre/2005 foi indicado o lucro presumido como forma de tributação para os dois trimestres, entretanto, nas retificadoras de 2006, tanto do 1° como do 2° semestre, foi indicado o Lucro Presumido somente para os primeiros trimestres, sendo que para os segundos trimestres foi indicado o Lucro Real Trimestral. Essas retificadoras foram entregues em 16/01/2008, e declarados débitos de tributos federais em todos os meses, a partir de agosto/2005. Acrescentou a fiscalização que a contribuinte não formalizou sua opção pelo lucro presumido, ficando sujeita à tributação pelo lucro real trimestral e deveria apurar o PIS e a Cofins não cumulativos, salvo as exceções previstas em lei, nas quais a atividade da contribuinte não se enquadra. Dessa forma e considerando que não houve qualquer pagamento de PIS e Cofins, foram lavrados os autos de infração para constituir os créditos tributários devidos. A apuração do PIS e da Cofins está demonstrada na planilha de fls.28, onde foram deduzidos os créditos incidentes sobre as despesas com mostruários. Os valores dessas despesas, bem como dos faturamentos, foram extraídos dos demonstrativos de fls. 158 a 162, encaminhados à contribuinte junto ao Termo de Constatação Fiscal n° 001. Fl. 387DF CARF MF 4 Sendo notificada da autuação, a interessada ingressou com a impugnação de fls.297 a 320, subscrita pelos procuradores Alexandre Alves Vieira, Marcos Vinicius Gonçalves Floriano e Rogério Bitonte Pigozzi (fls.325 a 335), alegando: · O art. 26, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, e o art. 516, § 4º, do RIR, de 1999, não especificam o momento em que o pagamento do imposto de renda referente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário deverá ser efetuado. Exige, exclusivamente, que o pagamento do imposto seja referente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. Para a opção ser válida, a legislação não exige que o contribuinte promova o recolhimento do imposto concernente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário até a respectiva data limite do seu vencimento; · Os dispositivos legais que determinam o pagamento como forma do contribuinte manifestar a sua opção pela sistemática do lucro presumido não determinam que o citado pagamento tenha que ser feito antes de iniciado quaisquer procedimentos de fiscalização. Tanto é assim, que caso o auditor não localize pagamentos que identifiquem a forma de apuração da base de cálculo do imposto, deve notificar o contribuinte para que exerça a opção pela forma de tributação por meio de intimação específica, nos termos do art. 14 da IN SRF nº 93, de 1997; · Manifestou sua opção pela forma de tributação com base no lucro presumido nos exatos termos da lei, ou seja, por meio de pagamentos de Darf – código 2089, referentes aos primeiros períodos de apuração dos anoscalendário de 2005 e 2006; · Necessidade de arbitramento do lucro, pois, de acordo com o relatório fiscal, a escrituração das despesas com comissões e com combustíveis não foi feita com base em documentos hábeis e idôneos, desqualificando a fidedignidade e idoneidade dos livros fiscais e contábeis. Assim, tais livros devem ser considerados imprestáveis para apuração do lucro real, tornandose obrigatório o arbitramento do lucro. A tributação pelo lucro real feita pela fiscalização foi mais onerosa que a devida pelo arbitramento do lucro; · A exigência deve ser cancelada, pois a DRJ não tem competência para realizar lançamento, adotando o lucro arbitrado. A DRJ/Ribeirão Preto/SP, por meio do acórdão 1438.276, de 19/07/2012, prolatado pela 3ª Turma, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Copio a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. Quando não efetuada a opção pelo lucro presumido por meio do pagamento, a entrega espontânea da DIPJ e da Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11444.000747/200821 Acórdão n.º 3201003.251 S3C2T1 Fl. 386 5 DCTF caracteriza opção pelo lucro real, ficando a pessoa jurídica sujeita à apuração não cumulativa da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. Quando não efetuada a opção pelo lucro presumido por meio do pagamento, a entrega espontânea da DIPJ e da DCTF caracteriza opção pelo lucro real, ficando a pessoa jurídica sujeita à apuração não cumulativa do PIS. A empresa apresentou então o Recurso Voluntário, no qual repete os argumentos da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator O recurso é tempestivo e não havendo outros óbices, deve ser conhecido. A matéria em litígio restringese, nos termos dos recursos da empresa, à alegada opção pelo Lucro Presumido ao revés de Lucro Real ou, sucessivamente, que se lhe aplique o Lucro Arbitrado. No caso de Lucro Real, a tributação do Pis e Cofins é não cumulativa, e no caso de Lucro Presumido ou Arbitrado, a tributação é no regime cumulativo, cf. artigos 8º da Lei 10.637/20021 e 10 da Lei 10.833/20032. Lucro Presumido X Lucro Real Regra geral, a tributação da renda das empresas é feita pelo Lucro Real. Opcionalmente, o contribuinte pode adotar o Lucro Presumido ou o Simples, caso se enquadre 1 Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: Produção de efeito (...) II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; ... 2 Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) (...) II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; Fl. 389DF CARF MF 6 nas condições requeridas, nos termos da legislação de regência. A opção pelo Lucro Presumido se dá pelo pagamento da primeira quota do IRPJ, nos termos do art. 26 da Lei 9.430/963. Na ausência de pagamento, admitese também que a opção seja manifestada com a entrega da DIPJ preenchida, DCTF ou outro instrumento de confissão de dívida. Transcrevo trecho e conclusão da Solução de Consulta Interna Cosit 8/2007: 4. Preliminarmente, é importante observar que o § 1º do art. 26 da Lei nº 9.430, de 1996, acima transcrito, ao estabelecer que a opção será manifestada com o pagamento, vinculou o pagamento do imposto à opção pelo lucro presumido, ou seja, uma vez efetuado o pagamento a pessoa jurídica fica obrigada a esta forma de apuração para o IR e a CSLL. Entretanto, a consulta formulada pela Cofis tem como foco o “não pagamento” do imposto. A ausência de pagamento não foi expressamente disciplinada pelo dispositivo mencionado. O que nos leva a seguinte indagação: o “não pagamento” do imposto relativo ao 1º trimestre do anocalendário implica na falta de opção pela forma de tributação do lucro presumido e, conseqüentemente, na obrigatoriedade de apuração do imposto de renda com base no lucro real trimestral? 5. Com efeito, a legislação tributária prestigia a manifestação da opção pela tributação com base no lucro presumido mediante o pagamento do imposto devido relativo ao primeiro trimestre do anocalendário, até porque o pagamento deve ocorrer antes das declarações. Mas a forma de tributação adotada na apuração deve ser informada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), o débito (crédito tributário) e crédito (pagamento, compensação ou suspensão) declarados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e se a extinção do débito for efetuada mediante compensação, declarada no Per/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação). Conclusão A entrega espontânea da DCTF ou de Declaração de Compensação, bem como os parcelamentos requeridos caracterizam opção pelo lucro presumido, uma vez que constituem confissão de dívida, e são encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União, quando não pagos administrativamente. 18. A entrega da DIPJ, devidamente preenchida, sem pagamentos e sem entrega de DCTF, caracteriza opção pelo lucro presumido, uma vez que ela representa mais do que a mera opção pelo lucro presumido, pois traz todos os elementos referentes à apuração do lucro presumido e do imposto. 3 Art. 26. A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. § 1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11444.000747/200821 Acórdão n.º 3201003.251 S3C2T1 Fl. 387 7 Todavia, a alteração do regime de tributação não pode ser feito por retificação dessas declarações, nos termos do art. 18, §único, da MP 2.18949/20014, combinado com art. 5º da Instrução Normativa da Receita Federal 166/995. No presente caso, a empresa apresentou declarações originais (DIPJ e DCTF) informando apuração pelo Lucro Real. Antes do início da fiscalização, retificou essas declarações para Lucro Presumido. Após o início da Fiscalização recolheu parcela do IRPJ com base no Lucro Presumido. A alteração do regime de tributação, por meio das declarações retificadoras, não alterou o regime, em vista da legislação citada. Os pagamentos havidos, em dissonância com as declarações originais, e efetuados após o início da fiscalização, também não têm o condão de alterar o regime de tributação manifestado pelas Declarações, a uma, porque sem espontaneidade, e a duas, porque vulnera a finalidade da norma. Com efeito, a opção deve ser manifestada antes do encerramento do exercício, a priori, e não a posteriori, que derive dos eventos patrimoniais já conhecidos no exercício, o que ensejaria a todos os contribuintes o atraso no pagamento de estimativas ou de quotas. Desse modo, correto Fisco ao tributar, no presente caso, pelo Lucro Real. Lucro Real X Lucro Arbitrado Sucessivamente, a empresa solicita que, caso o regime reconhecido seja o Lucro Real, que se faça a tributação pelo arbitramento. Argumenta assim (fl. 372): “Pois bem. A Lei nº 8.981/95, no seu art. 47,II,”b”, dispõe que o lucro da pessoa jurídica deverá ser arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigado o Contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real.” E assim argumenta porque não apresentou diversos comprovantes de despesas, nem Livro de Apuração de Lucro Real. Mas aqui se aplica o brocardo “Ningúem pode se beneficiar da própria torpeza”. A recorrente pretende que se lhe aplique presunção (arbitramento) sobre elementos que não apresentou, sendo seu o ônus. Ora, como dito, a regra geral é a tributação pelo Lucro Real, e o arbitramento é medida extrema que somente é levada a cabo quando não for possível a apuração do lucro real. Mansa jurisprudência nesse sentido: IRPJ. LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO DE LUCRO. GLOSA DE CUSTOS. Quando as irregularidades apuradas pela autoridade lançadora podem ser qualificadas e quantificadas, os valores apurados devem ser adicionados ao lucro líquido na 4 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. 5 Art. 5º No caso de DIPJ ou DIRPJ, não será admitida retificação que tenha por objetivo mudança do regime tributação, salvo, nos casos determinados pela legislação, para fins de adoção do lucro arbitrado. Fl. 391DF CARF MF 8 determinação do lucro real vez que o arbitramento de lucro é uma medida extrema que se justifica somente quando impraticável o aproveitamento da escrita. (Ac. 1401000.890. 4ª Câmara / 1ª TO / 1ª Seção do CARF. 07/11/2012) IRPJ. LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO DE LUCRO. GLOSA DE CUSTOS. Quando as irregularidades apuradas pela autoridade lançadora podem ser qualificadas e quantificadas, os valores apurados devem ser adicionados ao lucro líquido na determinação do lucro real, vez que o arbitramento de lucro é uma medida extrema que se justifica somente quando impraticável o aproveitamento da escrita. (Ac. 10193.614 1ª Câmara / 1º C.C, 20/09/2001) IRPJ. CSLL ARBITRAMENTO. Conforme uníssono entendimento jurisprudencial dessa Corte, o arbitramento da base tributável é medida extrema e a sua adoção pressupõe impossibilidade de se aferir adequada base de cálculo dos tributos lançados no período de apuração correspondente. ARBITRAMENTO DO LUCRO. MEDIDA EXTREMA. NÃO CONTABILIZAÇÃO PARCIAL DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA, INCLUSIVE BANCÁRIA. PRESTABILIDADE DOS LIVROS FISCAIS. O arbitramento do lucro é medida extrema que somente deve ser utilizada pela autoridade lançadora do tributo se comprovadamente inexistirem meios que viabilizem a apuração do lucro real. A simples constatação de contas correntes bancárias não contabilizadas não se constitui por si só em motivo bastante e suficiente à desclassificação da escrita e ao conseqüente arbitramento do lucro. (Ac. 1101000.854. 1ª Cam / 1ª TO / 1ª Seção do CARF. 06/03/2013) No presente caso, o lucro real foi apurado utilizandose os Livros Diário e Razão, que, em tese, contém todos os elementos para esse fim. Tomo de empréstimo, adicionalmente, os argumentos havidos no voto vencedor do acórdão 1801002.350, que julgou o processo administrativo fiscal de IRPJ e CSLL do mesmo procedimento fiscal que originou o presente, com os mesmos elementos de prova: Da leitura do art. 47 da Lei nº 8.981/95, depreendese ser fundamental para aplicação da sistemática do lucro arbitrado que reste demonstrado que os vícios, erros ou deficiências tornaram a escrituração contábil imprestável para identificar a movimentação financeira e, o mais importante, para o presente caso, determinar o lucro real do período respectivo. E aqui é que cabe o juízo de valor a ser feito pela autoridade fiscal no momento em que analisa a escrituração do contribuinte. Portanto, diferentemente da afirmação contida no voto, o arbitramento deve ser a última opção a ser tomada, como disse, a juízo da autoridade fiscal que está a analisar a escrituração contábil e fiscal da empresa, e a quem caberá decidir se ela está apta, apesar das deficiências nela encontradas, a apurar o lucro real. Como destaquei, a posição uníssona desta Corte Administrativa é no sentido de que a aplicação do arbitramento do lucro é medida excepcional, extrema, ou seja, é necessário que a Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11444.000747/200821 Acórdão n.º 3201003.251 S3C2T1 Fl. 388 9 autoridade fiscal percorra todos os caminhos disponíveis para tentar compor o lucro real com as informações contábeis apresentadas. Depois de exauridas todas as possibilidades, sem sucesso, aplicase, então, o arbitramento. Verificase, assim, que o arbitramento do lucro somente deve ser adotado quando a fiscalização demonstrar, cabalmente, a impossibilidade de se confiar na escrituração do contribuinte e/ou quando a mesma se revelar imprestável para a apuração do Lucro Real, isto nos termos do artigo 530, II, do RIR/99. E deve ser afastado nas hipóteses em que as irregularidades apontadas são pontuais e identificáveis, situações nas quais se deve proceder à tributação específica segundo as infrações detectadas, no presente caso, por redução indevida do lucro líquido, via glosa de custos não comprovados. Por certo, quando as irregularidades são passíveis de individualização e quantificação, inexistem motivos legais e lógicos para que a escrituração do contribuinte seja tachada de imprestável. É o que se verifica no presente caso, em que a auditoria fiscal obteve: 1) Livros Fiscais: Registro de Prestação de Serviços, Livro Diário, Livro Razão; 2) notas fiscais de prestação de serviços; 3) informações junto aos fornecedores da fiscalizada. 4) os contratos de representação comercial e de prestação de serviços; 5) os comprovantes de rendimentos pagos e de retenções na fonte; 6) notas fiscais de custos com combustíveis 7) comprovantes de despesas e custos, como, despesas com telefone, INSS de funcionários, com conservação de veículos, de viagens, materiais de escritório, correios, prólabore, 13º salário, com seguro de acidente de trabalho, provedores de internet, com cartórios, pagamento de tributos, dentre outros. 8) comprovantes de pagamento de comissões e de despesas com mostruários. E aqui cabe observar que a auditoria fiscal afirmou, no Termo de Verificação Fiscal (efl. 25), que os livros apresentados foram escriturados com observância das leis comerciais e fiscais e permitiram, junto com os outros elementos apresentados pela contribuinte, a apuração do Lucro Real da recorrente. Ademais, não cabe ao contribuinte fiscalizado dizer como deve agir a auditoria fiscal. Em verdade a recorrente está a invocar a própria torpeza. Pretende se beneficiar do resultado tributário que possa advir dos atos ilícitos tributários por ela praticados, e isso não se pode admitir.” Fl. 393DF CARF MF 10 Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 394DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.659075/2012-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.331
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da DRJ que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada. Conforme o Despacho Decisório, o DARF identificado como origem do crédito vindicado havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que: · importa mercadorias, referentes as NCMS n° 9021.1020 e revende a distribuidores e convênios médicos e hospitais; · de acordo com art. 8°, § 12, inciso XIX da Lei nº 10.865/04, incluído pela Lei nº 12.058/09 (vigência a partir de 01/01/2010), ficam reduzidas a 0% as alíquotas de PIS/COFINS importação, na hipótese de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 59 07 5/ 20 12 -3 9 Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10880.659075/201239 Resolução nº 3402001.331 S3C4T2 Fl. 3 2 importação de artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados na NCM 90.21.10; · Art. 28. Ficam reduzidas a 0% (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: XV artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados no código 90.21.10 da NCM; (Incluído pela Lei n°12.058, de 2009) (Produção de efeito); · a empresa durante o período de Janeiro/2010 a Abril/2012, continuou a recolher PIS/COFINS sobre as mencionadas mercadorias; · outrossim, o valor considerado como VALOR ORIGINAL TOTAL/UTILIZADO no despacho decisório está diferente do informado no PER/DCOMP; · portanto, acredita que faz jus ao crédito utilizado nos PER/DCOMP não homologados, para tanto anexando os documentos, assim especificados: a Cópia da Planilha com os valores dos créditos, tais como o número dos PER/DCOMP; b Cópia do livro de Saída do referido período; c Cópia dos Dacon com os valores de receita com alíquota zero; d Cópia dos Darf recolhidos do referido período; e Cópia da Lei nº 12.058 f Cópia do PER/DCOMP do período. A DRJ não reconheceu o direito creditório por entender que o contribuinte não havia comprovado a existência de crédito líquido e certo. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, em que repisou os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, com especial ênfase para o fato haver provado as retificações das declarações prestadas (DACON's e DCTF's) com operações sujeitas à alíquota zero para o período em análise, fato este que não poderia ter sido ignorado pela decisão atacada, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.316, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.659059/201246, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10880.659075/201239 Resolução nº 3402001.331 S3C4T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.316: "5. A questão aqui posta não demanda maiores digressões. Como visto alhures, no período de janeiro de 2010 a abril de 2012 o recorrente recolheu PIS/COFINS para mercadorias sujeitas a alíquota zero (art. 8°, § 12, inciso XIX e XV da Lei nº 10.865/04), o que fez com que apresentasse pedido de compensação para reaver o que pagou indevidamente. 6. Acontece que as sobreditas retificações foram apresentadas após o despacho decisório impugnado e, por isso, ignorados pela DRF. Ademais, a decisão recorrida aduz que além de tais retificações o contribuinte também deveria ter apresentado outros elementos de prova a atestar seu crédito, de modo a tornálo líquido e certo. 7. Já em sede de recurso voluntário o contribuinte trouxe outros documentos que aparentemente comprovam seu crédito, quais sejam, as notas fiscais de comercialização dos produtos desonerados e indevidamente tributados, bem como uma planilha em que correlaciona tais bens aos valores indevidamente pagos a título de tributo. 8. Percebese, pois, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10880.659075/201239 Resolução nº 3402001.331 S3C4T2 Fl. 5 4 análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, DECIDO CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire . Fl. 569DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.721708/2015-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. CISÃO PARCIAL. AQUISIÇÃO DE NOVO INVESTIMENTO.
Na alienação de participação societária adquirida em função de cisão parcial deve-se considerar como custo e data de aquisição, aqueles relacionados à novel participação.
MULTA QUALIFICADA. DOLO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não sendo carreadas provas robustas de que a conduta do autuado tenha sido levada a efeito de forma dolosa, não merece prosperar a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2402-006.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer de petição apresentada extemporaneamente em inovação à impugnação e conhecer do recurso voluntário, dando-lhe parcial provimento por maioria de votos, de modo a reduzir a multa aplicada ao patamar de 75%. Vencidos conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini que deram provimento ao recurso e os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator) e Luis Henrique Dias que mantiveram a qualificação da multa. Declarou-se impedido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redator Designado
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição aos impedimentos do Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci), Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. CISÃO PARCIAL. AQUISIÇÃO DE NOVO INVESTIMENTO. Na alienação de participação societária adquirida em função de cisão parcial deve-se considerar como custo e data de aquisição, aqueles relacionados à novel participação. MULTA QUALIFICADA. DOLO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não sendo carreadas provas robustas de que a conduta do autuado tenha sido levada a efeito de forma dolosa, não merece prosperar a qualificação da multa de ofício.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1017; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 628 1 627 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.721708/201573 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.057 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de março de 2018 Matéria IRPF Recorrente JORGE EDNEY ATALLA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. CISÃO PARCIAL. AQUISIÇÃO DE NOVO INVESTIMENTO. Na alienação de participação societária adquirida em função de cisão parcial devese considerar como custo e data de aquisição, aqueles relacionados à novel participação. MULTA QUALIFICADA. DOLO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não sendo carreadas provas robustas de que a conduta do autuado tenha sido levada a efeito de forma dolosa, não merece prosperar a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 17 08 /2 01 5- 73 Fl. 628DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer de petição apresentada extemporaneamente em inovação à impugnação e conhecer do recurso voluntário, dandolhe parcial provimento por maioria de votos, de modo a reduzir a multa aplicada ao patamar de 75%. Vencidos conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini que deram provimento ao recurso e os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator) e Luis Henrique Dias que mantiveram a qualificação da multa. Declarouse impedido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator Designado Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição aos impedimentos do Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci), Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima e Renata Toratti Cassini. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 629 3 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração em 07.04.2015 para constituição de IRPF no valor principal de R$ 899.318,55, acrescido da multa de ofício qualificada (150%) e juros legais. A autuação decorreu da constatação da infração a seguir: 1 Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Omissão/Apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa de valores exercício 2011. Para o relato dos fatos apurados, sirvome do Termo de Verificação Fiscal de fls. 191/210, por entender ser abundante em detalhes: Este procedimento fiscal é decorrente da fiscalização (autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal número 08.1.90.002013005722) desenvolvida junto à contribuinte MARIA CRISTINA MORENO ATALLA CURI, CPF 245.516.52806, doravante denominada Maria Cristina, que recebeu o respectivo Termo de Início em 13.03.2013. Intimada a justificar sua movimentação financeira, inicialmente, a Sra. Maria Cristina apresentou, espontaneamente, em 15.04.2013, cópias dos extratos bancários, inclusive os referentes à conta 13226, agência 2584, do Banco Bradesco e à conta 228285, agência 8089 do Banco Itaú, informando que não havia cotitulares nestas contas. Apresentou, ainda, cópia de Contrato de Cessão de Uso de Conta Corrente. Posteriormente, a Sra. Maria Cristina apresentou um documento, datado de 15.07.2013, no qual constava demonstrativo (planilha) intitulado “Créditos Bradesco Ag 2584, c/c 13226”. Ao final deste documento lêse “Declaro que os créditos acima relacionados são de minha responsabilidade”, e constavam data e assinatura do fiscalizado Jorge Edney Atalla. Esta fiscalização recebeu, em 01.08.2013, documento no qual a Sra. Maria Cristina, ao justificar os créditos recebidos em suas contas bancárias, informou (no item 3) que o crédito no valor total de R$5.149.843,64 (cinco milhões, cento e quarenta e nove mil, oitocentos e quarenta e três reais e sessenta e quatro centavos) se referia a valor Fl. 630DF CARF MF 4 recebido da empresa Yamana Desenvolvimento. Como se verá adiante, este recebimento é resultado da venda, por parte do fiscalizado, de participação societária. A Sra. Maria Cristina, para corroborar sua informação apresentou cópias: a) da Proposta Firme para Alienação das Ações da Companhia Goiana de Ouro, datado de 25.05.2010; b) do Contrato de Compra e Venda das Ações, datado de 27.05.2010; c) do Comprovante das TED referentes à venda das ações. Foi, então, inaugurado novo procedimento fiscal (diligência), autorizado pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.04.002013007557, tendo o fiscalizado recebido, em 16.10.2013, o Termo de Início de Ação Fiscal (lavrado em 14.10.2013). Foram expedidas mais três intimações, sendo que a quarta, lavrada em 31.03.2014, apresentou o seguinte questionamento: A Sra. Maria Cristina Moreno Atalla Curi apresentou documento intitulado “Contrato de Cessão de Uso de Conta Corrente”. Neste documento no qual o contribuinte acima figura como “usuário”consta, dentre as considerações, a de número 2 (dois) nos seguintes termos: “que o usuário já possui idade avançada e problemas jurídicos”. Deve, pois, o contribuinte informar de forma detalhada, apresentando, se for o caso, a respectiva documentação, quais são estes problemas jurídicos. Deve, ainda, o contribuinte informar se possui contrato firmado com as mesmas partes com teor semelhante, com data anterior a 10.04.2013 e, em caso positivo, apresentálo. Em resposta à Intimação de número 4, o contribuinte apresentou, em 25.04.2014, documento com a mesma data, no qual informou o que segue: “Problemas jurídicos citados no contrato item (1) referem se ao fato de sendo Jorge Edney Atalla sócio em diversas empresas é comum que ocorram execuções trabalhistas e outros nas empresas e que acabam respingando na pessoa física”. O documento encaminhado em resposta à Intimação de número 4, datado de 25.04.2014, além da informação prestada, acima reproduzida, se fez acompanhar de cópia do Contrato de Cessão de Uso de Conta Corrente, desta feita datado de 09.01.2008. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 630 5 A Intimação de número 5, datada de 15.04.2014, exigiu do fiscalizado a apresentação do Anexo I do Estatuto Social da Companhia Goiana de Ouro, bem como o cientificou da existência de novo Mandado de Procedimento Fiscal, de nº 08.1.96.002014007021. Em resposta à Intimação de número 5, o contribuinte apresentou, também em 25.04.2014, cópia do documento intitulado “Protocolo e Justificação para Cisão Parcial da Mineradora Montita Ltda., com Versão da Parcela Cindida para a Sociedade em Constituição Companhia Goiana de Ouro”. Em 09.05.2014, o fiscalizado apresentou cópia do Contrato Social da Mineradora Montita Ltda., datado de 27.12.1978. Em 29.05.2014, foi lavrada a Intimação de número 6, a qual exigiu a apresentação de documentos e os seguintes esclarecimentos: Foram apresentados documentos correspondentes à alienação de participação societária, possuídas pelo contribuinte, na Companhia Goiana de Ouro. Ao se consultar a Declaração de Ajuste Anual – DIRPF, do ano calendário de 2010, e confrontar os valores nela informados com o valor da alienação da referida participação, verificase que foram alienadas ações por valor maior que o declarado. Neste sentido, a operação citada fica sujeita, pois, a apuração de ganhos de capital. Entretanto, verificase em dita DIRPF que o contribuinte não procedeu à apuração de ganhos de capital. Ademais, consultandose os sistemas informatizados da Receita Federal, não se constatou pagamento a este título (ganhos de capital na alienação de bens e direitos). Deve, pois, o contribuinte informar, apresentando a respectiva documentação, se efetuou recolhimento a este título. Deve ser ressaltado que o contribuinte não se encontra espontâneo. Em resposta à Intimação de número 6, o fiscalizado apresentou documento datado de 10.07.2014, no qual informou que “Não foi apurado ganho de capital e nem recolhido imposto sobre a alienação das ações, por entenderse que a operação é isenta conforme constou do lançamento feito na declaração retificadora datada de 26/06/2013 as 16:25:58 hs”. O fiscalizado apresentou Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física – DIRPF em 29.04.2011. Fl. 632DF CARF MF 6 Apresentou, posteriormente três declarações retificadoras, sendo a última apresentada em 26.07.2013. Entretanto, embora tenha realizado operação sujeita a apuração de ganhos de capital, não apresentou o respectivo demonstrativo. Na 3a retificadora consta do quadro rendimentos isentos e nãotributáveis como “outros Yamana Desenvolvimento Mineral S A”, o valor de R$ 5.999.825,00. Entretanto, deve ser ressaltado que esta DIRPF foi apresentada após o início do procedimento fiscal desenvolvido junto à contribuinte Maria Cristina Moreno Atalla Curi. O valor citado no parágrafo anterior está relacionado ao recebido da empresa Yamana Desenvolvimento Mineral, em razão da venda de participação societária que o fiscalizado possuía na empresa Companhia Goiana de Ouro, CNPJ 11.232.074/000170, como adiante será relatado. No intuito de justificar sua movimentação financeira, a contribuinte Maria Cristina apresentou, em 15.07.2013, um documento, no qual se verifica que dentre os créditos efetuados em suas contas bancárias havia um com a seguinte explicação: “3 Crédito recebido de Yamana Desenvolvimento R$5.149.843,64 “ Juntamente com o documento apresentado em 15.07.2013, existem planilhas, e numa delas, intitulada “Recebimento Venda Ações Yamana Desenvolvimento”, se verificam dois créditos efetuados no dia 27.05.2010, nas contas 228285 (Ag. 8089, do Itaú) e 13226 (Ag. 2584, do Bradesco), respectivamente, sendo um no valor de R$ 849.981,36 e outro no valor de R$ 4.299.862,28. Observese que as contas bancárias a respeito das quais foi questionada a movimentação, possuíam como titular a pessoa física Sra. Maria Cristina e não havia formalmente cotitular. Na planilha apresentada pela Sra. Maria Cristina, além dos dois valores acima mencionados, constava a seguinte observação: “OBS. Doação feita pelo Sr. Jorge Edney Atalla a Sra. Maria Cristina Atalla Curi no valor de R$849.981,36 em 27/05/2010”. Por conta desta suposta doação a Sra. Maria Cristina apresentou declaração retificadora em 24.06.2013, portanto, após o início do procedimento fiscal, bem como comprovante de recolhimento do Imposto Sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doações de Quaisquer Bens ou Direitos – ITCMD, efetuado em 31.07.2013, também após o início do procedimento fiscal. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 631 7 A Sra. Maria Cristina não fez qualquer observação quanto ao valor de R$4.299.862,28, inclusive no que diz respeito a recolhimento de ITCMD. Também como justificativa dos créditos efetuados por conta da venda das ações da Companhia Goiana de Ouro, foram entregues, em 01.08.2013, os seguintes documentos: a) Proposta Firme para Alienação de Ações da Companhia Goiana de Ouro, datada de 25.05.2010; b) Contrato de Compra e Venda das Ações, datado de 27.05.2010; c) Comprovantes (TED´s) referentes à venda das ações. Na Proposta Firme para Alienação de Ações da Companhia Goiana de Ouro que foi dirigida à Yamana Desenvolvimento Mineral S A, CNPJ 05.725.958/000163, o fiscalizado, na condição de titular de 4.368 ações ordinárias nominativas, informava que o preço para aquisição era de USD$ 3.250.000,00 (três milhões e duzentos e cinquenta mil dólares estadunidenses) a serem pagos em reais, convertidos à taxa de câmbio do dia útil imediatamente anterior à data do pagamento. Já o respectivo Contrato de Compra e Venda das Ações confirmou o preço da Proposta, e em sua cláusula 1 (Objeto e Preço) havia a seguinte estipulação: (...) 1.2 O Preço de Compra deverá ser pago ao Vendedor contra a efetiva transferência das Ações, em uma única parcela, mediante Transferência Eletrônica Disponível – TED a ser realizada nesta data, nos termos abaixo: US$ 2.239.160,00 para a conta bancária no. 01.3226 de titularidade de Maria Cristina Moreno Atalla Curi, inscrita no CPF sob o no. 245.516.52806, junto ao Banco Bradesco, agência 25844. US$ 460.420,00 para a conta bancária no. 228285 de Titularidade de Maria Cristina Moreno Atalla Curi, inscrita no CPF/MF sob o no. 245.516.52806, junto ao Banco Unibanco, agência 0089. US$ 460.420,00 para a conta bancária no. 03.3263 de titularidade de Maria Elisabeth Moreno Atalla Buffara, inscrita no CPF/MF sob o no. 536.102.29934, junto ao Banco Itaú, agência 8.089. Foram apresentados, em 01.08.2013, três comprovantes (TED´s), datados de 27.05.2010, referentes à venda das ações sendo dois emitidos em nome da Sra Maria Cristina Fl. 634DF CARF MF 8 e um em nome da Sra. Maria Elisabeth Moreno Atalla Buffara, totalizando R$5.999.825,00 (cinco milhões novecentos e noventa e nove mil e oitocentos e vinte e cinco reais). A planilha abaixo resume os valores recebidos: Deste total de R$ 5.999.825,00, nenhum valor foi declarado ou recolhido a título de ganho de capital, muito embora esta operação estivesse sujeita a tal recolhimento, uma vez que o valor de venda foi superior ao valor declarado em DIRPF. Ao se compulsar a DIRPF do fiscalizado (vendedor das ações), verificase que as mesmas estão declaradas na página 27 (Declaração original transmitida em 29.04.2011) da seguinte forma: 8.736 AÇÕES ORDINÁRIAS NOMINATIVAS DA EMPRESA CIA GOIANA DE OURO CNPJ n. 11.232.074/000170, CONF ATA DE CONSTITUIÇÃO EM 04/09/2009. As ações foram declaradas pelo valor de R$8.736,00, valor este que serviu como base para consideração do custo de aquisição por parte desta fiscalização. Ressaltese que esta empresa foi constituída em 04.09.2009, conforme Estatuto Social apresentado pelo fiscalizado em 21.02.2014. As ações alienadas pelo fiscalizado foram adquiridas numa operação de cisão parcial. Melhor explicando, o fiscalizado possuía, desde 1978, ações da Mineradora Montita Ltda., e numa operação de cisão parcial ocorrida em setembro de 2009, o contribuinte passou a ser possuidor de ações na Cia Goiana de Ouro, que posteriormente foram alienadas para a empresa Yamana Desenvolvimento Mineral. Foi apresentado, juntamente com documento datado de 05.05.2014, cópia do contrato social da Mineradora Montita, datado de 27.12.1978 (registrado na JUCESP em 10.05.1979), no qual o fiscalizado figura como sócio detentor de 409.000 quotas. Em 04.09.2009 foi criada a empresa Cia Goiana de Ouro, cujo capital foi formado mediante integralização de ações Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 632 9 de empresa que foi cindida parcialmente, no caso a Mineradora Montita. Esta integralização foi prevista no documento intitulado “Protocolo e Justificação para Cisão Parcial da Mineradora Montita Ltda.”, datado de 01.09.2009. Juntamente com documento datado de 25.04.2014, o fiscalizado apresentou documento intitulado “Protocolo e justificação para cisão parcial da Mineradora Montita Ltda, com versão da parcela cindida para a sociedade em constituição Companhia Goiana de Ouro” no qual consta, no item IV (Efeitos da operação no patrimônio das sociedades e dos sóciosquotistas), o que segue: O fiscalizado apresentou, juntamente com resposta datada de 13.02.2014, o Estatuto Social da Companhia Goiana de Ouro e anexos. O documento intitulado Anexo 3.3 (anexo ao Estatuto Social da Companhia Goiana de Ouro) contém trecho cuja reprodução se faz abaixo: O documento, cujo trecho foi acima reproduzido, demonstra que o fiscalizado integralizou as ações que possuía junto à Mineradora Montita (empresa na qual ocorreu a cisão parcial) para a constituição da Companhia Goiana de Ouro. Fl. 636DF CARF MF 10 Quando da constituição da empresa Companhia Goiana de Ouro, o contribuinte entregou as ações que possuía junto à Mineradora Montita Ltda., alienandoas destarte. A operação que agora se tributa está relacionada à venda das novas ações, ou seja, as ações da Companhia Goiana de Ouro são as que foram alienadas por valor superior ao declarado, e não as da Mineradora Montita. Sendo a integralização espécie de alienação, o que se quer dizer que com a cisão o sujeito passivo passou a desfrutar de um novo patrimônio. Em resumo: Em 05/2010 o contribuinte teria alienado 4.368 ações (R$ 4.368,00) da empresa Cia Goiana de Ouro à empresa Yamada Desenvolvimento Mineral, pelo valor de R$ 5.999.825,00. Referidas ações teriam sido recebidas em função de uma cisão parcial da empresa Mineradora Montita em 09/2009, da qual o autuado possui quotas desde 1978. Regularmente intimado, apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 361/379, cuja decisão foi assim ementada: GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA DE PROPRIEDADE DO SUJEITO PASSIVO POR CINCO ANOS. ALIENAÇÃO. ISENÇÃO REVOGADA. INAPLICABILIDADE. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei a qualquer tempo. Por não se enquadrar na referida ressalva, a isenção de ganho de capital na alienação de participações societárias, instituída pelo art. 4º, alínea “d”, do DecretoLei nº 1.510, de 1976 e revogada pela Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989, ainda que a alienação tenha sido realizada após o transcurso do período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. JUROS SOBRE MULTA LEGALIDADE. Correta a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, haja vista esta compor o crédito tributário, conforme legislação vigente. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É cabível, por disposição literal da Lei nº 9.430/1996, a incidência da multa de ofício qualificada no percentual de 150% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 633 11 não pago espontaneamente pelo contribuinte, quando restar comprovada, por meio de fatos e documentos constantes do processo, a ocorrência de uma das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964. Em seu Recurso Voluntário de fls. 386/446, sustentou em resumo: 1 Que o recorrente detinha, desde 1978, quotas da empresa denominada MINERADORA MONTITA LTDA. A referida empresa aprovou, em setembro de 2009, a realização de cisão parcial para constituição de nova sociedade, qual seja a COMPANHIA GOIANA DE OURO. Assim, foi efetivada a redução de seu capital social e o cancelamento proporcional das quotas detidas pelos sócios. O Recorrente, então possuidor de 20.546 quotas (avaliadas em R$ 20.546,00) teve 8.736 quotas canceladas (avaliadas em R$ 8.736,00). 2 Que realizada a operação supramencionada, passou o Recorrente a deter, em substituição às quotas da MINERADORA MONTITA LTDA, 8.736 ações da nova empresa constituída (também avaliadas em R$ 8.736,00). Em 27.05.2010, o Recorrente promoveu a alienação de sua participação societária à empresa YAMANA DESENVOLVIMENTO MINERAL S/A, pelo valor de R$ 5.999.825,00. 3 Que, no entendimento do Recorrente, contudo, a operação estava abrangida pela isenção veiculada pelo artigo 4°, alínea "d", do DecretoLei n°. 1.510/76, razão pela qual o valor obtido na venda realizada à YAMANA DESENVOLVIMENTO MINERAL S/A não foi oferecido à tributação. Referido diploma legislativo prescreveu que o imposto sobre a renda não incidiria sobre o ganho de capital obtido na alienação de quaisquer participações societárias, desde que transcorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou da aquisição da participação. 4 Que a decisão do Recorrente em não submeter o montante auferido se baseou no Parecer Normativo CST n°. 39/81, até hoje em vigor. Essa norma complementar assegura que a substituição da participação societária, verificada nas operações de cisão parcial, não influencia o prazo previsto na norma isentiva, devendo o prazo de cinco anos ser contado da data da subscrição ou aquisição da participação originária. 5 Que a cisão parcial não implicou a alienação da participação societária detida pelo Recorrente, mas mera substituição do patrimônio, na forma do artigo 229 da Lei 6.404/76. 6 Recorrente, na qualidade de detentor da participação societária na sociedade cindida, não transferiu bens ou direitos. Limitouse a verificar, em seu patrimônio, a substituição da participação previamente detida pelas novas ações emitidas pela COMPANHIA GOIANA DE OURO, ocorrendo uma subrogação real. 7 Que essa subrogação real decorre da própria previsão de substituição das participações societária prevista no § 5º do artigo 229 da Lei no. 6.404/76. De fato, pelo fenômeno da subrogação real, ocorre a substituição de uma coisa (as quotas) por outra coisa (as ações), independentemente de qualquer manifestação de vontade do acionista, característica essencial na alienação de bens ou direitos. A relação jurídica, por outro lado, procede do vínculo anterior, não criando novas obrigações, direitos ou condições. Assim, mesmo após a cisão, o sócio permanece como titular de direitos sobre o mesmo patrimônio transferido, o que impede a caracterização da alienação, tal como pretendeu a D. Autoridade Fiscal. Fl. 638DF CARF MF 12 8 que em momento algum o recorrente entregou as suas ações para integralização do capital social da COMPANHIA GOIANA DE OURO, muito menos as alienou para adquirir as ações representativas de seu capital social. O que ocorreu foi, na realidade, a simples transferência do patrimônio indiretamente detido na MINERADORA MONTITA LTDA. (representado por quotas de seu capital social) para a COMPANHIA GOIANA DE OURO, recebendo, o Recorrente, ações na mesma proporção da participação societária detida na sociedade cindida e, portanto, representativas do mesmo patrimônio. 9 O direito adquirido à isenção do artigo 4º, alínea "d" do Decreto n°. 1.510/76. 10 O cancelamento da multa de ofício e dos juros de mora — Aplicação do parágrafo único do artigo 100 do CTN; 11 Afastamento da multa qualificada, eis que teria agido segundo orientação da própria Receita Federal e que o dolo em perpetrar a fraude, a ensejar a qualificação da multa, não teria sido demonstrado pela Fiscalização; 12 Da aplicação ao artigo 112 em caso de voto de qualidade diante da existência de dúvida concreta; 13 Não incidência de juros sobre a multa de ofício; e 14 Cessação da incidência de juros após 360 dias do protocolo da defesa apresentada. Em 27.10.2016, às fls. 452/467, o recorrente acresceu extemporaneamente novos argumentos ao Recurso Voluntário já apresentado, aduzindo, em resumo, que havia nulidade do auto de infração por vício material em razão da incoerência interna expressa na acusação fiscal formalizada pelo TVF. Vale dizer, segundo o recorrente, a imputação fiscal derivaria de 2 motivações distintas e incoerentes entre si. E prossegue ao sustentar: ou bem se entende que a motivação se resume ao momento em que a isenção seria aplicável (se na "alienação" das quotas da MONTITA para aquisição de ações da CGO mediante cisão parcial ou se na "segunda alienação" das ações detidas á YAMANA) — o que pressupõe a sua aplicabilidade após o ano de 1988 —, ou bem se entende que o beneficio não poderia ser aplicado após a sua revogação pela Lei n°. 7.713/88, hipótese em que a primeira perde todo o sentido. É o relatório. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 634 13 Voto Vencido Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 17.02.2016 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 18.03.2016. Preenchido os demais requisitos, dele passo a conhecer. Como já relatado, em 27.10.2016 acresceu extemporaneamente e inovando em relação à impugnação novos argumentos ao Recurso Voluntário já apresentado, sustentando que haveria nulidade do auto de infração por vício material em razão da incoerência interna expressa na acusação fiscal formalizada pelo TVF. Ou seja: segundo o recorrente, a imputação fiscal derivaria de duas motivações distintas e incoerentes entre si. Em que pese o vigor das alegações, os novos argumentos não serão apreciados neste voto, em observância ao contido no inciso III do artigo 16, c/c 17, ambos do Decreto 70.235/72. 1 Prosseguindo, a DRJ abordou a matéria, tão somente, sob o prisma da aplicabilidade ao caso do DecretoLei 1.510/76, na medida em que, segundo o acórdão recorrido, o fiscalizado possuía, desde 1978, participação na Mineradora Montita Ltda e numa operação de cisão parcial, ocorrida em setembro de 2009, passou a ser possuidor de ações na Cia Goiana de Ouro, que posteriormente teriam sido parcialmente alienadas à empresa Yamana Desenvolvimento Mineral. Concluiu que, diante da revogação da isenção instituída pelo art. 4º, alínea “d”, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, e da alienação de bens ou direitos de qualquer natureza por valor superior ao respectivo custo de aquisição, deveria ser mantido integralmente o lançamento da omissão de ganhos de capital. Assim sendo, valeuse daquele único fundamento por entender suficiente à solução da lide. Ainda ressaltou, acertadamente, que o fato gerador aqui em questão seria a venda de ações na Cia Goiana de Ouro e não a operação de cisão parcial ocorrida em setembro de 2009. Não obstante o acórdão recorrido não ter enfrentado a questão relacionada à cisão parcial ocorrida em 2009, podese notar do Termo de Verificação Fiscal, que o pano de fundo para o lançamento foi considerar que naquela operação em 2009 teria havido a alienação das quotas da Mineradora Montita e aquisição de ações, desta feita, da Cia Goiana de 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Fl. 640DF CARF MF 14 Ouro, que, em 2010, teriam sido parcialmente alienadas para a empresa Yamana Desenvolvimento Mineral. O relatório fiscal fez menção ao DecretoLei 1.510/76, pelo simples fato de o contribuinte têlo utilizado em resposta à Fiscalização como fundamento à não apuração do ganho de capital. A partir de então, referida matéria ganhou substancial relevo para o deslinde da controvérsia. É o que se infere do excerto a seguir, extraído do TVF (fls. 204): Em apertada síntese, o fiscalizado não faz jus a isenção pois, como relatado no tópico “Da Cisão e Ganho de Capital”, as ações alienadas foram adquiridas em 2009, momento da constituição da Cia Goiana de Ouro. Ainda que não se considere este argumento válido, e isto somente é colocado a título de argumentação, mesmo que se admita que as ações alienadas foram adquiridas em 1978, com a edição da Lei 7.713/88 a isenção estampada no DecretoLei nº 1.510, de 1976, foi revogada. Como bem colocado pelo sujeito passivo, o que se deve ter, ao fim e ao cabo, é a verificação de que se houve, ou não, o ganho de capital na alienação das ações em 2010, segundo à legislação tributária de regência. O fato de o acórdão recorrido não ter enfrentado, com profundidade, a questão relacionada à reorganização societária e sua influência na data de aquisição das ações então alienadas em 2010, não significa dizer, em absoluto, que aquela instância julgadora admitira, ainda que tacitamente, que a operação não trouxera qualquer implicação a esse titulo. É o que se extrai do excerto a seguir: 13.2. Entretanto, mesmo considerando a data da aquisição das ações da Companhia Goiana de Ouro como sendo a de compra ou subscrição originária (1978), esse fato em nada modifica a tributação do ganho de capital decorrente de sua alienação, pois a isenção pleiteada tampouco seria aplicável ao caso. Com efeito, passo a abordar a operação então engendrada, na medida em que fora abordada pelo autuado em seu recurso. De início, vale destacar que a alienação da participação societária na empresa Cia Goiana de Ouro (4.368 ações) à empresa Yamana Desenvolvimento Mineral em maio de 2010, pelo valor de R$ 5.999.825,00 é fato incontroverso nestes autos. Referida participação, então alienada em 05/2010, decorreria da substituição daquelas adquiridas em 1978, por conta da cisão parcial promovida em 2009. O quadro a seguir procura demonstrar a operação. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 635 15 O que se sustenta, até mesmo valendose de um Parecer Normativo da RFB emitido em 1981, é que na cisão parcial, o que se tem com relação às novas ações recebidas, é a subrogação real, denominação técnicojurídica para "substituição da coisa". Em outras palavras, sustentase que o que teria havido nada mais foi do que a mera substituição de uma coisa por outra, até por que o § 5º do artigo 229 da Lei 6.404/76, utilizarseia da mesma expressão, ao estabelecer: que "as ações integralizadas com parcelas de patrimônio da companhia cindida serão atribuídas a seus titulares, em substituição às extintas, na proporção das que possuíam." Veja, essa substituição acaba trazendo, a meu ver, implicações na seara tributária, sobretudo à luz do que dispõe o artigo 132, e seus parágrafos, do RIR/99. Confirase: Art. 132. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos, pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 23). § 1º Se a transferência for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 464 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, § 1º). § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital (Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, § 2º). Se é fato, como ainda dispõe aquele §5º encimado, que parcela do patrimônio cindido, representada pelas ações/quotas dos seus respectivos titulares, é INTEGRALIZADA na nova companhia, inegável que referida operação passa a ter relevo para fins tributário. Perceba: o § 3º do artigo 3º da Lei 7.713/88, ao especificar as operações que seriam consideradas alienações para fins de apuração do ganho de capital, foi sobremaneira abrangente que o fez a título meramente exemplificativo. Confirase: (...) § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Fl. 642DF CARF MF 16 Observese que são dispositivos legais (art. 23 da L. 9.249/95 e art 3º da lei 7.713/88) que têm vigência posterior ao Parecer Normativo suscitado, editado à luz da legislação, por óbivio, a ele contemporânea. Nesse sentido, em função das inovações legislativas acima citadas frisese, que já vigoravam há pelo menos mais de 15 (quinze) anos na data do fato gerador e que, de uma forma ou de outra, entendo terem trazido alterações no ambiente normativo no qual estava inserido sobredito Parecer à época, não vejo como sequer razoável imaginar que a atuação do Fisco pudesse a ele se ater, tampouco propiciar guarida ao contribuinte em face da aplicação dos juros Selic e multa de oficio, ao suposto amparo do § únIco do artigo 100 do CTN. Na seqüência, não há como dissociar o patrimônio cindido integralizado na nova companhia das quotas/ações dos respectivos investidores que o representam. Ou seja, por mais que para fins contábil vigore o princípio da entidade 2 e que a transferência patrimonial se dê diretamente entre a cindida e sua sucessora, não há duvidas de que o patrimônio da empresa é, em última análise, representado pela participação dos sócios/acionistas. E frisese, as participações flutuam, a rigor, conforme se comporta o patrimônio da companhia. No caso em exame, conforme o Protocolo e Justificação para a Cisão Parcial em questão (fls. 76/77 itens 2.1, 2.2 e 2.3), do acervo patrimonial líquido uma parcela de R$ 70.000,00 teria sido cindida e vertida para a nova Companhia. Ora, o que mais é o Patrimônio Líquido senão o grupo de contas que registra o valor contábil pertencente aos acionistas ou quotistas?.3 Explico: qualitativa e quantitativamente falando, é o resultado positivo entre os bens e direitos da pessoa jurídica, quando confrontado com suas respectivas obrigações. Havendo essa sobra líquida, eis aí o patrimônio líquido, que, como já dito, pertence aos sócios/quotistas da empresa e é representado, monetariamente, por suas ações/quotas. Com isso, não se pode olvidar que o patrimônio vertido, integralizado à nova empresa, se confunde, sim, com as ações/quotas do respectivo titular. Assim, não me parece que a circunstância de estar havendo a substituição de um bem por outro estaria, por si só, livrando seu titular, do dever de atentar quanto às implicações tributárias dela decorrentes. Em que pese não haver notícia nos autos de que referida transferência tenha se dado por valor maior do que aquele que constava da declaração do recorrente, não quer dizer com isso, repito, que não tenha havido alteração da coisa. É dizer: foise determinada coisa, com suas características próprias; recebeuse outra, da mesma natureza, mas com características igualmente próprias. Inegavelmente, a meu ver, passouse a tratar de um novo bem, que se não difere do anterior em termos de valor, difere em todos os demais aspectos, tais como: expectativa de retorno financeiro e data de sua aquisição. Vejamos: 2 O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por consequência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/principiosfundamentais.htm 3 http://www.portaldecontabilidade.com.br/guia/pl.htm Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 636 17 Conforme o Protocolo e Justificação alhures citado, o contribuinte detinha em seu patrimônio e antes da cisão, 8.736 quotas da empresa Mineradora Montita Ltda, passando a deter, após a operação, 8.736 ações da Cia Goiana de Ouro. Aquele mesmo documento foi claro ao anunciar a significativa diferença entre as coisas, substituída e substituta. Enquanto aquela referiase à empresa que exerceria atividades de pesquisa e exploração de lavras de sulfetos; esta ultima, à empresa que se dedicaria às atividades de pesquisa e exploração de lavras de ouro. Veja, a não ser pelo valor envolvido, que, a princípio, afastaria a incidência do imposto na forma do § 2º daquele artigo 132 do RIR/99, restou claro a este relator que a cisão promovida acarretou no patrimônio do investidor/recorrente a transferência da participação que detinha na Mineradora Montita para o patrimônio da sucessora Cia Goiana de Ouro, fazendo com que passasse a ingressar em seu patrimônio, naquela oportunidade, ações dessa então nova investida, inaugurando novo vínculo jurídico. Tratase, assim, de novo investimento, em uma empresa recém constituída, sob diferente tipo societário, diferente localização, diferente objeto e diferente forma de deliberação. Enfim, não se trata do mesmo bem que ingressara no patrimônio do recorrente nos idos de 1978. Não há, a meu ver, como presumir que a data de aquisição de um investimento em uma companhia constituída em 2009 pudesse ser em 1978, sobretudo neste caso, onde os investimentos envolvidos mostramse tão distintos. Apenas a título ilustrativo, imaginemos a seguinte situação: Um veículo de determinada marca e modelo é adquirido em 2010 por R$ 60.000,00; Em 2015 o proprietário efetua a troca desse veículo, com seu vizinho, por outro de diferente marca e modelo, mas de mesmo valor; Em 2017 o proprietário resolve, enfim, vendê lo por R$ 80.000,00. Note que no caso posto, o bem agora alienado é aquele que ingressou no patrimônio do alienante em 2015 e é essa a data de aquisição a ser considerada na apuração do GCAP. 4 Nesse ponto, tirante a discussão acerca da aplicabilidade daquele DL 1.510/76, tenho que qualquer tentativa de aproveitamento da isenção por ele conferida deveria se dá com relação àquela operação realizada em 2009 e não mais com relação à alienação em 2010, na medida em que a participação alienada não é mais aquela adquirida em 1978, mas sim, insisto, a adquirida em 2009. Quanto à questão intencional ou volitiva na operação de 2009, também não tenho dúvidas que sempre esteve na esfera de domínio do recorrente, seja em função de sua participação na deliberação em que se decidiu por levar a termo referida operação, consoante dispôs o item 2.1 daquele Protocolo e Justificação para a Cisão, seja em função do não exercício do direito de retirada a que dispunha o § 2º da cláusula 8ª do Contrato Social da Mineradora Montita Ltda fls 88/98 e pessoal subscrição das ações na nova investida, como abaixo colacionado. 4 1 Não é usual a venda de veículo por valor superior ao da aquisição; e 2 O exemplo posto não sugeriu que na operação que ensejou a troca dos veículos em 2015 não teria havido alienação para fins de apuração do GCAP. Fl. 644DF CARF MF 18 Considerando que a tese acima exposta restou vencedora no presente julgamento, deixo de abordar a questão atinente à isenção conferida pelo DL 1.510/76. No que toca, outrossim, à alegação de que não deve incidir os juros sobre a multa de ofício, reportome aos fundamentos do acórdão de piso, adiante reproduzidos: Extraise do Código Tributário Nacional que a multa, seja ela moratória ou pecuniária, apesar de não ser um tributo, faz parte do crédito tributário. Os artigos a seguir assim dispõem: Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 637 19 Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.” (negritamos) Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.(negritamos) (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta”.(negritamos) Enquanto, o artigo 3° exclui da definição de tributo as multas; os seguintes (artigo 113,c§1°, e artigo 139), retrotranscritos, trazemnas para compor o crédito tributário. Por sua vez, o artigo 161, do mesmo diploma legal, dispõe que ao crédito tributário não pago no vencimento devem ser acrescidos os juros moratórios. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.”(negritamos) Destarte, ao contrário do que alega a interessada, o CTN admite a incidência de juros de mora sobre as multas lançadas de ofício. A expressão “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis” apenas reforça que juros e multa não são excludentes entre si. A incidência de juros sobre as multas de ofício apenas foi introduzida pelo legislador ordinário através das Leis nº 9.430/96 e 10.522/2002, que disciplinaram o assunto, in verbis: Lei nº 9.430/96 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 646DF CARF MF 20 (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.”(negritamos) Lei nº 10.522/2002, resultante da conversão da MP nº 1621 31/98 (reedição da MP nº 154217/96), dispõe da seguinte forma: Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. (...). Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (negritamos) Trata do assunto, ainda, o Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02.04.1998: 3. (...). Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento, desde que estejam associadas a: a) fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.97; b) fatos geradores que tenham ocorrido até 31.12.94, se não tiverem sido objeto de pedido de parcelamento até 31.08.95. Assim, tem plena previsão legal a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, haja vista esta compor o crédito tributário. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 638 21 Por sua vez, com relação ao voto de qualidade, a pretensão de que seja aplicado o artigo 112 do CTN, que, frisese, se refere à imposição de penalidades, fundada na suposta existência de dúvida concreta, não deve ser acolhida, posto que referido procedimento tem previsão expressa no artigo 54 do RICARF, de aplicação obrigatória por este colegiado. Ademais, o fato de haver votos divergentes dentro da mesma turma não equivale a afirmar que os tenham sido proferidos com alguma carga de dúvida. Pelo contrário, o resultado do julgamento é obtido após o confronto das certezas/convicções de cada julgador, externada em seu respectivo voto. No que concerne ao pleito do recorrente para a cessação dos juros, após 360 dias do protocolo da impugnação ou de recursos, tenho que melhor sorte não lhe assiste. O dispositivo apontado pelo sujeito passivo5, a par de trazer prazo impositivo para que administração pública se manifeste no caso que especifica, não comina qualquer penalidade em função de seu não cumprimento. Destarte, sua pretensão não encontra guarida na legislação. Por fim, passemos a análise do argumento voltado ao afastamento da multa qualificada. Sustenta o contribuinte que teria agido segundo orientação da própria Receita Federal e que o dolo em perpetrar a fraude, a ensejar a qualificação da multa, não teria sido demonstrado pela Fiscalização. Vejamos: A qualificação da multa, aplicada no percentual majorado de 150%, tem assento no § 1º do artigo 44 da Lei 9.430/96, sempre que presente algum dos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Por sua vez, o artigo 71 encimado estabelece o que vem a ser sonegação. Confirase: Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Prosseguindo, temse como dolo a vontade livre e consciente voltada à consecução de determinado objetivo que a lei define como crime. 5 Lei 11.457/2007 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Fl. 648DF CARF MF 22 No caso em tela, como bem caracterizado nos autos, o autuado valeuse da conta bancária de sua filha Maria Cristina Atalla Curi em função de um Contrato Particular de Cessão de Uso de Conta Corrente, supostamente datado de 09.01.2008, para creditar os valores provenientes da alienação aqui tratada. Chama à atenção o fato de não haver evidências do registro desse contrato de 2008, tampouco o reconhecimento das firmas de seus 4 signatários e de suas 2 supostas testemunhas. Não estou seguro de que tenha sido celebrado, de fato, àquela época. Em sua DIRPF/2011, entregue em 29.04.2011, não deu conhecimento à autoridade fazendária da alienação daquelas 4.368 ações na empresa Cia Goiana de Ouro. Ao contrário, as manteve declaradas em sua Declaração de Bens e Direitos ao final de 2010. Veja se: Os fatos, por si só, convencemme de que o autuado pretendeu realizar operações com interesse tributário a ele diretamente relacionadas, longe dos olhos da autoridade fazendária, notadamente pelo fato de se relacionar a matéria não pacificada, a seu favor, no âmbito administrativo (manutenção da isenção do art. 4º, "d" do DL 1.510/76, após o advento da Lei 7.713/88). Tal conduta restou evidenciada, a meu ver, quando demonstrou o autuado a forma como responde às suas obrigações junto ao poder público. Note o que, surpreendentemente, informou quando questionado acerca do porquê da movimentação financeira em conta bancária de terceiros: O uso de conta bancária não vinculada ao CPF do autuado é uma prática, convençome, comum no âmbito dos negócios por ele praticados. Não se trata de mero impedimento operacional ou mesmo momentâneo junto às instituições financeiras. A procuração por instrumento público de fls. 14/15 procura atestar tal prática, a partir dos poderes a ele conferidos: representála perante quaisquer bancos, inclusive o Banco do Brasil S/A, instituições financeiras; podendo para tanto, Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 639 23 abrir, movimentar e encerrar contas correntes e contas poupança, depositar e retirar dinheiro, emitir, sacar, endossar e depositar cheques, aplicar, resgatar, fazer retiradas mediante recibos; autorizar débitos, transferências e pagamentos por meio de cartas; solicitar saldos, extratos de contas e requisitar talões de cheques, cartões magnéticos, senhas, para uso da outorgante, assinar toda a correspondência da outorgante endereçada aos bancos e praticar enfim, todos os demais atos úteis e necessários para o bom e fiel cumprimento deste mandato. Pelo exposto, tenho que a conduta do autuado visou impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, seja em função de não têlo, deliberadamente, declarado ao Fisco, seja em função de furtarse à responsabilidade, num primeiro momento, pela expressiva movimentação financeira decorrente da operação. Forte nas razões acima, VOTO por NÃO CONHECER da petição apresentada extemporaneamente e em inovação à impugnação, CONHECER do recurso para, na parte conhecida, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 650DF CARF MF 24 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Não obstante os bem articulados argumentos do relator sobre o tema, ouso divergir de suas conclusões quanto à manutenção da qualificação da multa de ofício. Não vejo como não sopesar na espécie o fato de que, em sede judicial, vem predominando entendimento acerca isenção veiculada pelo artigo 4°, alínea "d", do Decreto Lei n° 1.510/76, em sentido convergente, de modo amplo, ao que defende o contribuinte no tocante ao tema no recurso voluntário, e que supostamente daria guarida ao seu proceder. Ainda que discorde dos fundamentos desse entendimento, tendo por isso acompanhado o relator em grande medida, tenho por deveras difícil em tal contexto não considerar como possibilidade relevante que a conduta do autuado tenha sido pautada na convicção de estar em conformidade com a interpretação mais correta das normas de regência da matéria, afastandose assim a hipótese a um agir consciente e sistemático em afronta ao ordenamento tributário. Diante desse quadro, entendo que os elementos apontados pela fiscalização, e frisados pelo relator em seu voto como amparo para a manutenção da multa qualificada, não são robustos o suficiente para comprovar o caráter doloso da conduta do contribuinte, razão pela qual voto no sentido de reduzir a multa aplicada ao patamar de 75%. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 651DF CARF MF
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