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Numero do processo: 11634.720057/2017-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2012, 2013
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. É VÁLIDO O LANÇAMENTO FORMALIZADO POR AUDITOR FISCAL DE JURISDIÇÃO DIVERSA DA DO DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO
A inteligência da Súmula CARF 27 é no sentido de que o fato do Auditor FIscal ser lotado em jurisdição diversa do domicílio do sujeito passivo não possui o condão de macular o lançamento
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2012, 2013
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido.
NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO DEPENDE DA DEMONSTRAÇÃO DO PREJUÍZO ACARRETADO PELO VÍCIO APONTADO.
Para que seja reconhecida a nulidade dos atos do processo administrativo é necessário que seja demonstrado o prejuízo advindo do vício que o macula.
Numero da decisão: 3302-005.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2012, 2013 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. É VÁLIDO O LANÇAMENTO FORMALIZADO POR AUDITOR FISCAL DE JURISDIÇÃO DIVERSA DA DO DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO A inteligência da Súmula CARF 27 é no sentido de que o fato do Auditor FIscal ser lotado em jurisdição diversa do domicílio do sujeito passivo não possui o condão de macular o lançamento Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2012, 2013 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO DEPENDE DA DEMONSTRAÇÃO DO PREJUÍZO ACARRETADO PELO VÍCIO APONTADO. Para que seja reconhecida a nulidade dos atos do processo administrativo é necessário que seja demonstrado o prejuízo advindo do vício que o macula.
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Incidencia Recorrente BRASILIAN PET FOODS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2012, 2013 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. É VÁLIDO O LANÇAMENTO FORMALIZADO POR AUDITOR FISCAL DE JURISDIÇÃO DIVERSA DA DO DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO A inteligência da Súmula CARF 27 é no sentido de que o fato do Auditor FIscal ser lotado em jurisdição diversa do domicílio do sujeito passivo não possui o condão de macular o lançamento ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2012, 2013 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO DEPENDE DA DEMONSTRAÇÃO DO PREJUÍZO ACARRETADO PELO VÍCIO APONTADO. Para que seja reconhecida a nulidade dos atos do processo administrativo é necessário que seja demonstrado o prejuízo advindo do vício que o macula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 00 57 /2 01 7- 45 Fl. 19589DF CARF MF Processo nº 11634.720057/201745 Acórdão n.º 3302005.421 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de uma Sociedade Anônima que, conforme prevê seu contrato social, dedicase à fabricação de alimentos para animais, atividade que subsumese ao conceito de industrialização, fato sobre a qual não paira qualquer controvérsia. Contudo, a Recorrente entende que uma categoria de ração para cães e gatos por ela produzida deve ser interpretada como “preparações destinadas a fornecer ao animal a totalidade dos elementos nutritivos necessários para uma alimentação diária racional e equilibrada”, portanto subsumida à NCP n. 2309.90.10, sujeita à alíquota zero, e não à alíquota de 10% incidente sobre “Alimentos para cães ou gatos, acondicionados para venda a retalho.” Entende também pela não incidência do IPI sobre as operações envolvendo as rações acondicionadas em embalagens superiores a 10Kg (dez kilogramas). Fl. 19590DF CARF MF Processo nº 11634.720057/201745 Acórdão n.º 3302005.421 S3C3T2 Fl. 4 3 Com o objetivo de ver reconhecidos tais direitos, a Recorrente ajuizou, em 21/03/2011, a ação declaratória n. 500144749.2011.404.7001/PR, que atualmente ainda se encontra em trâmite perante o Superior Tribunal de Justiça, pendente de julgamento, cujo objeto pode ser assim sintetizado: “… fosse declarado o seu direito de classificar as rações produzidas para cães e gatos alimentos compostos complexos, em item mais específico da TIPI, qual seja, o item de NCM n. 2309.90.10 preparações destinadas a fornecer ao afimal a totalidade dos elementos nutritivos pnecess[arios para uma alimentação diária racional e equilibrada (alimentos compostos complexos), cuja alíquota do IPI é zero; bem como a declaração da não incidência do IPI sobre as operações envolvendo rações acondicionadas em embalagens superiores a 10Kg (dez kilogramas)” Seis anos após o ajuizamento da referida ação, em 16.03.2017 (fls. 19483) a Receita Federal do Brasil procedeu LANÇAMENTO PARA SE PREVENIR DECADÊNCIA que, conforme às fls. 19482, não contém qualquer imputação de multa e possui expressa consignação de que o crédito se encontra com exigibilidade suspensa, verbis: “Assim, o crédito tributário constituído no presente lançamento encontrase com a exigibilidade suspensa por força da decisão proferida no referido processo judicial” (fls. 19482) Em apertada síntese, tratase de um lançamento para se prevenir decadência de um crédito cuja exigibilidade encontrase suspensa por força de decisão judicial em ação ajuizada pelo próprio Recorrente anos antes do próprio lançamento. Apesar de tratarse tão somente de um “lançamento para prevenir decadência”, o Recorrente contra ele insurgiuse por intermédio de Impugnação (fls. 19490 e seguintes) no bojo da qual sustenta, em síntese, apenas que encontrase albergada por decisão em processo judicial, razão pela qual requer a insubsistência do Auto de Infração e, sucessivamente, o sobrestamento do processo administrativo, verbis: “Ante o exposto, o julgamento de plano pela total improcedência e insubsistência do Auto de Infração em epígrafe, afastandose a aplicação de qualquer penalidade da Empresa que ora se defende, é medida que se impõe e ora se requer. Sucessivamente, caso não seja este o entendimento de Vossa Senhoria, no que não se crê e se admite apenas para argumentar e por amor ao debate, requerse o sobrestamento do presente processo administrativo, até decisão judicial final nos autos n. 500144749.2011.404.7001/PR, que tramitam perante a 2a Vara Federal da subseção de Londrina/PR.” Nesta impugnação, repitase, foram suscitadas apenas as seguintes matérias. (i) a improcedência do Auto de Infração em razão da Recorrente estar albergada por decisão judicial que suspende a exigibilidade do crédito. (ii) a improcedência do Auto de Infração no que diz respeito à imputação de penalidades, também em razão da Recorrente estar albergada por decisão judicial que suspende a exigibilidade do crédito. Fl. 19591DF CARF MF Processo nº 11634.720057/201745 Acórdão n.º 3302005.421 S3C3T2 Fl. 5 4 (iii) Sucessivamente, o sobrestamento do feito. Quando do julgamento da Impugnação (fls. 19529 e seguintes), a DRJ entendeu pela legitimidade do lançamento para se prevenir a decadência: “… lançamento regularmente efetivado, no prazo legal, constitui procedimento legítimo para preservar o direito legalmente assegurado à Fazenda Pública e, concomitantemente, prevenir sua perda por decurso de prazo.” (fls. 19533) Acerca do fato de pender discussão judicial sobre a matéria que foi abordada na Impugnação, provocada pela própria recorrente anos antes, a DRJ entendeu pela ocorrência da CONCOMITÂNCIA, verbis: "Com respeito à classificação fiscal e as questões de mérito quanto à alíquota aplicada, devese esclarecer que a propositura de ação judicial pela contribuinte, nos pontos em que haja idêntico questionamento, torna ineficaz o processo administrativo. De fato, havendo o deslocamento da lide para o Poder Judiciário, perde o sentido a apreciação da mesma matéria na via administrativa. Do contrário, terseia a absurda hipótese de modificação, pela autoridade administrativa, de decisão judicial transitada em julgado e, portanto, definitiva. Dessa maneira, não cabendo decidir de modo diverso ao proferido pelo Poder Judiciário, não pode o julgador administrativo conhecer da impugnação relativamente às matérias sub judice, e por conseqü.ncia, tais créditos consideramse, na via administrativa, definitivamente constituídos.” (fls. 19533) Em seu RECURSO VOLUNTÁRIO (fls. 19540 e seguintes), a Recorrente apresentou quatro teses por meio das quais entende que todo o procedimento fiscal é nulo em razão da ausência de formalidades supostamente imprescindíveis, além de uma tese meritória. Merece destaque o fato de que todos estes quatro argumentos são inéditos, ou seja, não foram apresentados quando da impugnação, tendo sido mantida a numeração original para facilitar a compreensão. a) III.I Do Princípio da Legalidade e da Necessária Observância das normas tributárias complementares (fls. 19542). A Recorrente sustenta que a autoridade fazendária tem o dever de observar as normas jurídicas. b) III.II Da Incompetência territorial da Autoridade Fiscal para realizar o procedimento administrativo. (fls. 19543) A Recorrente alega que o lançamento é nulo em razão do fato da empresa estar sediada na cidade de Arapongas, mas os Auditores Fiscais responsáveis por sua lavratura são lotados na Delegacia de Londrina, ambas cidades no Estado do Paraná, com violação do “Princípio do Juiz Natural” evoluído para algo que seria o princípio do “Auditor Fiscal Natural”. c) III.III. Da nulidade do procedimento pela ausência de intimação do início do procedimento fiscal (fls. 19.546) que ensejaria a ilegalidade de todo o procedimento. Segundo o Recorrente, “A Portaria RFB n. 1.687/2014 prevê que os procedimentos fiscais devem ser instaurados através da Fl. 19592DF CARF MF Processo nº 11634.720057/201745 Acórdão n.º 3302005.421 S3C3T2 Fl. 6 5 emissão de TDPFF (antigo MPF), o qual deverá ser cientificado ao contribuinte, juntamente com o código de acesso correlato, para que este possa se certificar da autenticidade do procedimento…” Para tanto invoca o Decreto Lei 70.235/72, que regula o processo administrativo. d) III.IV. Da nulidade do procedimento pela ausência de ciência da prorrogação da fiscalização (fls. 19547), pois segundo entende a Recorrente, "A Portaria n. 1.687/2014 regulamenta a instauração e execução dos procedimentos fiscais relativos a tributos (…) a qual prevê que o início dos procedimentos fiscais deverá observar a emissão dos Termos de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) os quais deverão conter, entre outras informações obrigatórias, o tributo e o pedido de apuração que serão fiscalizados(…)” Para tanto invoca o Decreto Lei 70.235/72. Foram estes os argumentos por meio dos quais a Recorrente sustenta a nulidade do procedimento fiscal. No mérito, a Recorrente requer tão somente a suspensão da exigibilidade do tributo lançado para prevenir decadência, até o trânsito em julgado da ação judicial por meio do qual ela discute a classificação fiscal de seus produtos, verbis: III.V. Da suspensão obrigatória da exigibilidade da exação em razão de entender que a referida suspensão do crédito tributário (fls. 19549) decorre de decisão judicial. d) DECLARAR o direito da Recorrente de ter suspensa a exigibilidade da obrigaçãoo tributária até o trânsito em julgado da ação judicial n.º n.º 5001447 49.2011.404.7001, conforme exposto no item III.III.; É o relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator 1. Admissibilidade do Recurso. O presente recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Preliminares. A Recorrente alega questões preliminares, por meio das quais argui a nulidade do lançamento em razões de supostas máculas a elementos formais do Ato Administrativo do Lançamento, cuja análise deve preceder o mérito da questão submetida a este Colegiado. Fl. 19593DF CARF MF Processo nº 11634.720057/201745 Acórdão n.º 3302005.421 S3C3T2 Fl. 7 6 Antes de mais nada, cumpre destacar que tais questões, todas envolvendo argumentos de nulidade do lançamento, não foram suscitadas na impugnação, tendo sido suscitadas tão somente em sede de Recurso Voluntário. São elas: I. nulidade do procedimento fiscal e, por consequência, o auto de infração uma vez que a autoridade fiscal seria territorialmente incompetente para realizar o presente lançamento tributário II. nulidade do procedimento fiscal e, por consequência, o auto de infração, por entender ausente a ciência da Recorrente do início do procedimento fiscal, bem como do número do TDPFF e seu respectivo código de acesso. III. nulidade do procedimento fiscal e, por consequência, o auto de infração, por falta de ciência do contribuinte quanto à ampliação do prazo para finalizar a fiscalização. Assim, antes mesmo de apreciar os aspectos jurídicos de tais questionamentos é necessário decidir se é juridicamente possível que eles sejam analisados neste momento processual, uma vez que não foram arguidas em momento oportuno. De um lado, não há como olvidar que o processo administrativo constitui uma sequencia ordenada de atos jurídicos que devem ser praticados no momento oportuno, sob risco de se operar a preclusão, temporal ou consumativa. Se não houvessem tais preclusões, prescrições e decadências, o processo jamais teria fim, com inegável mácula ao princípio constitucional da Duração Razoável do Processo. De outro lado admitese que existem algumas matérias que, por se caracterizarem como de “ordem pública” devem ser tratadas a qualquer tempo, uma vez que poderiam ser conhecidas a qualquer tempo, independente até de provocação, como o caso das nulidades absolutas. Negar conhecimento a tais matérias, por outro lado, levaria a violação ao princípio da Legalidade, pelo qual, em síntese, a Administração Pública deve seguir as leis, ainda quando contrárias ao interesse público secundário, também chamado de interesse patrimonial do Estado. Contudo, para a homogênea interpretação de todas as questões preliminares suscitadas neste processo será necessário esclarecer que tratandose de processo administrativo fiscal, normatizado pelo Decreto n. 70.235/1972 vigora a seguinte regra: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 19594DF CARF MF Processo nº 11634.720057/201745 Acórdão n.º 3302005.421 S3C3T2 Fl. 8 7 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. A norma ora invocada está em consonância com a máxima segundo a qual não há nulidade sem prejuízo (pas de nulité sans grief), o que em outras palavras condiciona a declaração de nulidade dos atos administrativos à demonstração de efetivo prejuízo. Em outras palavras, a comprovação de prejuízo é condição necessária à declaração de nulidade. Tal inteligência é valida em todo o ordenamento jurídico pátrio, como se pode aferir pela leitura do recente aresto de lavra do Supremo Tribunal Federal, na relatoria do Ministro Luis Roberto Barroso. ARE 1076820 SP SÃO PAULO 000002621.2015.6.26.0137 5. Inexistência de ofensa ao princípio da identidade física do juiz, tampouco prejuízo à Agravante, sendo certo que no sistema de nulidade vigora o princípio pas de nullité sans grief, o qual dispõe que somente se proclama a nulidade de um ato processual quando houver efetivo prejuízo à parte devidamente demonstrado. Todavia, não ficou evidenciado nos autos qualquer prejuízo à parte ou à marcha processual. Feitos estes esclarecimentos, em homenagem ao contraditório e devido processo legal, VOTO no sentido de sejam conhecidas as preliminares de nulidade apresentadas pela Recorrente, ainda que extemporaneamente apresentadas apenas na fase recursal. Contudo, com arrimo no já citado artigo 60 do Decreto 70.235/95, com a interpretação que é dada pela melhor doutrina e jurisprudência, entendo que que a demonstração de prejuízo por parte do contribuinte é elemento imprescindível para que seja declarada a nulidade de um ato administrativo. Compulsando os autos, especialmente o Recurso Voluntário, é possível aferir que a Recorrente não demonstrou, ou sequer suscitou que as nulidades alegadamente praticadas pela fiscalização geraram qualquer prejuízo para ele. Assim, pela ausência de demonstração ou ao menos alegação de prejuízo, NEGO PROVIMENTO às preliminares de nulidade suscitadas em fase recursal. 3. Mérito No mérito, a Recorrente alega que possui direito à suspensão da exigibilidade do crédito tributário enquanto a matéria encontrarse sob discussão em sede do Poder Judiciário. Fl. 19595DF CARF MF Processo nº 11634.720057/201745 Acórdão n.º 3302005.421 S3C3T2 Fl. 9 8 Tratandose de lançamento com o objetivo de evitar a decadência, lavrado muitos anos após o ajuizamento da ação por meio da qual a Recorrente pretende, judicialmente, a declaração de determinada situação jurídica, encontrandose albergada por medida judicial, conforme pedido abaixo transcrito. III.V. Da suspensão obrigatória da exigibilidade da exação em razão de entender que a referida suspensão do crédito tributário (fls. 19549) decorre de decisão judicial. (…) d) DECLARAR o direito da Recorrente de ter suspensa a exigibilidade da obrigação tributária até o trânsito em julgado da ação judicial n.º 500144749.2011.404.7001, conforme exposto no item III.III.; Em relação ao pedido meritório, é de se destacar que o requerimento de suspensão de exigibilidade do crédito tributário em comento é decorrência lógica dos recursos administrativos, conforme determinação do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Contudo, ao ajuizar Ação Judicial com idêntico fundamento (Processo n. 500144749.2011.404.7001) o Recorrente abriu mão da instância administrativa, razão pela qual operou o fenômeno da CONCOMITÂNCIA, tornandose juridicamente impossível à Administração Pública analisar este pedido, que já se encontra sob análise do Poder Judiciário. Assim, em razão da referida concomitância deixase de conhecer as alegações relativas à matéria objeto da ação judicial e declarase formalmente a definitividade do lançamento no âmbito administrativo, cumprindo à Unidade Administrativa de origem a verificação do atual andamento do processo, e os efeitos das decisões judiciais vigentes sobre a matéria em questão, restando consignado, mais uma vez que a Unidade da Receita Federal do Brasil, enquanto Administração Pública, está adstrita à Lei, devidamente interpretada pelo Poder Judiciário, devendo dar pleno e fiel cumprimento às decisões judiciais em vigor. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 19596DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.954336/2008-45
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
Numero da decisão: 3002-000.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 43 36 /2 00 8- 45 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.954336/200845 Acórdão n.º 3002000.272 S3C0T2 Fl. 187 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, no valor de R$ 4.409,92, relativo ao período de apuração setembro/2003, com débitos também de Cofins (fls. 6 a 10). Por meio de Despacho Decisório à fl. 2, a Delegacia de Administração Tributária em São Paulo (Derat) decidiu pela não homologação da compensação porque concluiu que o pagamento relativo ao Darf informado na declaração havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para compensar. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade na qual informou que no ano de 2004 resolveu migrar para a sistemática nãocumulativa de apuração das contribuições, retroagindo esta decisão ao ano de 2003, donde viria o seu direito ao crédito. Entretanto, esqueceuse de retificar DCTF, Dacon e DIPJ, razão pela qual entende que a Derat não homologou sua compensação. Para ter acolhido o seu pleito, procedeu à retificação das declarações, que juntou à Manifestação, além dos atos constitutivos e de representação e do Despacho Decisório (fls. 11 a 132). A Delegacia de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1651.834 (fls. 139 a 144), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que não foram acostados aos autos documentos que demonstrassem o direito creditório e que apenas a regular desconstituição jurídica da confissão de dívida consubstanciada na DCTF poderia tornar o Darf disponível para eventual restituição ou compensação. Em acréscimo, a DRJ juntou ao processo extratos de 2 retificações promovidas pelo contribuinte na DCTF, anteriores ao Despacho Decisório, nas quais foi mantido inalterado o débito que agora se alega inferior. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 DESPACHO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A ausência de valor disponível para eventual restituição ou compensação é circunstância apta a fundamentar a não homologação de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 17/01/2014, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo constante à fl. 146, e protocolizou seu recurso voluntário em 28/01/2014, conforme carimbo aposto na página inicial da peça, à fl. 148. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.954336/200845 Acórdão n.º 3002000.272 S3C0T2 Fl. 188 3 Em seu recurso voluntário, o contribuinte alega que não retificar as declarações anteriormente ao Despacho Decisório é erro escusável, “havendo que ser considerado o crédito apontado, uma vez que as obrigações acessórias foram readequadas em tempo oportuno”. Defende ainda que, uma vez que a mudança de critério foi feita corretamente e as retificações foram efetuadas, o erro foi sanado e entendese por demonstrado o direito creditório (fls. 148 a 183). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Este julgamento recai sobre a prova do direito creditório quando pleiteado pelo contribuinte. O Recurso Voluntário tem como ponto central a alegação de que retificações de DCTF, Dacon e DIPJ efetuadas após o Despacho Decisório são prova suficiente do seu direito. Ressaltese que nenhuma documentação fiscal ou contábil foi acostada aos autos, seja na Manifestação de Inconformidade, seja no Recurso Voluntário, mas tão somente as retificações das declarações. Antes de adentrar a questão posta pelo contribuinte, é importante lembrar que uma declaração, genericamente falando, é um conjunto de informações que espelham – ou deveriam espelhar – fatos reais que, uma vez ocorridos, ensejam o pagamento de tributos. A declaração expressa a visão do declarante sobre um fato. Não é o fato em si, não gera o fato e, por isso, não faz prova inequívoca de sua existência quando apresentada isoladamente, sem documentos idôneos que a sustentem. Igualmente, a constatação de informações idênticas em duas declarações não faz prova irrefutável do fato que elas representam, mas apenas demonstra a existência de coerência entre elas. Coerência entre declarações não implica necessariamente fidedignidade no seu conteúdo. Significa com certeza um bom indício de correção, pode até ser um indício forte do direito, mas que resta a ser demonstrado, regra geral por meio de documentação contábilfiscal, pois a certeza do crédito é imprescindível para fins de autorização da compensação, bem como a certeza do erro é imprescindível para fins de reconhecimento da alteração em uma confissão de dívida que vise a reduzir tributo. Somese a essas considerações que a DCTF constitui confissão de dívida, instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984. Logo, eventual retificação dessa confissão de dívida deve estar necessariamente amparada por suporte probatório, sendo tal obrigação afirmada, entre outros dispositivos, pelo art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN), nos seguintes termos: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.954336/200845 Acórdão n.º 3002000.272 S3C0T2 Fl. 189 4 informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Já o Dacon é um demonstrativo da apuração das contribuições sociais que auxilia a sua fiscalização, mas não tem o mesmo status jurídico que a DCTF. Da mesma forma ocorre com a DIPJ. Como dito anteriormente, o conteúdo dessas declarações pode ser indício forte, mas jamais prova de direito quando seu conteúdo é alterado após um despacho denegatório com o propósito de ver atendido um pedido de restituição/compensação de indébito sem suporte documental. Prova, neste caso, significaria o conjunto de documentos fiscais e contábeis relativos às receitas e despesas do período de apuração setembro/2003, revestidos das formalidades legais, suficientes e necessários para que se pudesse calcular a Cofins devida, sem olvidar eventual demonstrativo do cálculo realizado em cada uma das sistemáticas de apuração (cumulativa e nãocumulativa), de modo a demonstrar como o contribuinte chegou ao resultado que pretende reconhecido pela Administração Tributária. Essa seria a prova para a desconstituição da confissão de dívida na DCTF de que fala a DRJ. É de se frisar que não há impedimento para que a retificação da DCTF seja feita após o Despacho Decisório, apenas os seus efeitos distintos daqueles que decorrem da retificação em tempo próprio, anteriormente à Dcomp ou ao Despacho Decisório. Dessa forma, alegação de erro escusável não se aplica, pois a motivação para denegação do pedido não reside na retificação tardia. Transcrevese a parte final do voto do Acórdão da DRJ, que se endossa: 6.2.6. Como não foram acostados aos autos, pela Contribuinte, documentos que rechaçassem a decisão a quo, nessas condições, acatar as alegações da Contribuinte seria admitir que sua simples vontade e entendimento poderiam ser utilizados para gerar créditos oponíveis à Fazenda Pública, motivo pelo qual não cabe razão às suas afirmações. (grifado) É cediço que nos casos de solicitação de restituição, compensação ou ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, o ônus probatório pertence ao requerente, conforme definido nas normas que regem o processo administrativo e o processo civil. Segundo o Código de Processo Civil em seu artigo 373, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, de maneira similar, dispõe o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) Quanto à possibilidade de compensação de créditos tributários, o art. 170 do CTN dispõe da seguinte forma: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10880.954336/200845 Acórdão n.º 3002000.272 S3C0T2 Fl. 190 5 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) Considerando que o contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia, resumindo seu recurso a alegações de direito, temse por não comprovada a certeza ou a liquidez do crédito pleiteado, situação em que é vedada a autorização da compensação. Com essas considerações, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.015601/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA. FATO GERADOR
"O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário"(Súmula CARF nº 38).
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Súmula CARF nº 26
Numero da decisão: 2202-004.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA. FATO GERADOR "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário"(Súmula CARF nº 38). OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Súmula CARF nº 26
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA. FATO GERADOR "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário"(Súmula CARF nº 38). OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Súmula CARF nº 26 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 56 01 /2 00 7- 69 Fl. 528DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson Relatório Tratase de lançamento de imposto de renda pessoa física apurado em razão da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, relativos ao período de janeiro de 2002 a dezembro de 2005. Exigese do contribuinte o montante de R$ 408.289,94 de imposto, além de multa de ofício de 75% e acréscimos legais correspondentes. Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação de fls 340/361 (numeração do eprocesso), acompanhada dos documentos de fls.368/437 e 438/487 na qual alegou, resumidamente, o seguinte: a) que os valores questionados pertenciam à empresa GOLDFACTOR FOMENTO LTDA. b) que o lançamento foi procedido apensas em extratos bancários sem demonstrar a autoridade fiscal o acréscimo patrimonial. Requer a realização de perícia contábil, uma vez que os valores teriam sido movimentados em sua conta para obter capital de giro e acesso a bancos comerciais. d) Decadência dos valores relativos aos períodos anteriores à 20/11/2002, tendo vista o disposto no artigo 150, §4º do CTN. e) Alega que a vinculação entre os valores da conta da GOLDFACTOR e a sua conta corrente está demonstrada nos demonstrativos juntados à impugnação. f) que, na operação de factoring, a renda passível de ser tributada não corresponde à totalidade dos recursos movimentados, mas apenas ao valor descontado do título comprado, considerando, ainda, todas as despesas necessárias à obtenção da renda, além dos cheques devolvidos, sustados e não pagos. Conclui que a renda é somente o acréscimo patrimonial decorrente dos rendimentos e proventos omitidos, descontados os valores para sua obtenção e manutenção. g) Alega que a fiscalização não comprovou que os valores teriam sido convertidos em renda consumida. Em 10 de março de 2009, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba deu parcial provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 488/499 eprocesso): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10980.015601/200769 Acórdão n.º 2202004.617 S2C2T2 Fl. 529 3 Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. DECADÊNCIA. NÃOOCORRÊNCIA. Em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, o fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física ocorre em 31 de dezembro, não havendo que se falar em decadência no lançamento efetuado dentro do prazo de cinco anos dessa data. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recuros utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. BASE DE CÁLCULO. CHEQUES DEVOLVIDOS. EXCLUSÃO. Os valores lançados à débito nas contas bancárias relativos à devolução de cheques depositados, que constituem anulação de créditos anteriores, devem ser excluídos da base de cálculo apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência e perícia que tenha por objetivo produzir provas que competiria ao contribuinte trazer aos autos. Cientificado em 03 de abril de 2009 (AR. fls. 502) o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 503/525 (eprocesso), no qual reitera as razões já suscitadas quando da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço Fl. 530DF CARF MF 4 1) PRELIMINAR DECADÊNCIA DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS RELATIVOS AO PERÍODO DE JANEIRO À NOVEMBRO DE 2002 De acordo com o Recorrente seus rendimentos estão sujeitos à tributação mensal. Sendo assim, no prazo de 5 (cinco) anos a contar do fim de determinado mês terá ocorrido a decadência do direito à constituição do crédito tributário correspondente ao IRPF relativo ao período de janeiro à novembro de 2002, uma vez que apenas em 20/11/2007 foi cientificado do lançamento. Sem razão o Recorrente. Conforme demonstrado na decisão recorrida, a regra geral trazida pela Lei nº 7.713/88 é de que a apuração mensal constitui apenas uma antecipação do valor devido anualmente. As exceções estão previstas no artigo 83 do RIR/99 sujeitas à tributação exclusiva na fonte, dentre as quais, não se inclui a situação do Recorrente. Ademais, é entendimento pacífico no âmbito do CARF que "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário"(Súmula CARF nº 38) . Sendo assim, não há que se falar em decadência dos lançamentos relativos ao perído de janeiro à novembro de 2002. Em face do exposto, rejeito a preliminar de decadência. 2) MÉRITO 2.1) DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS E DA IMPOSSIBILIDADE DE EXTRATOS BANCÁRIOS SERVIREM, POR SI SÓ, PARA COMPROVAR A PROPRIEDADE DOS RECUROSS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RENDA CONSUMIDA. Quanto ao mérito, o Recorrente discorre sobre o conceito de renda e a impossibilidade de inversão do ônus da prova estabelecido pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96. É correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10980.015601/200769 Acórdão n.º 2202004.617 S2C2T2 Fl. 530 5 I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 532DF CARF MF 6 Alega ainda o Recorrente que demonstrou durante o procedimento fiscal que os valores pertenciam à empresa de seu pai e que, ainda que assim não fosse, requereu perícia contábil para que fosse demonstrado, com as movimentações bancárias da empresa a origem integral dos valores. Mais uma vez, improcedentes as alegações do Recorrente. Isso porque, conforme demonstrou a decisão recorrida: A mesma questão foi argüida no curso da ação fiscal, constando no Termo de Verificação Fiscal os seguintes esclarecimentos (fls. 294/295): "Em 08/10/2007, o contribuinte apresetnou os documentos de fls. 254 e 255. O primeiro é uma declaração do Banco do Brasil de que a conta nº 224.9243 é, de fato, conjunta com Luiz Paulo Ruas Lucas. No segundo, afirma que as contas mencionadas no Termo de Intimação Fiscal nº 2 'foram destinadas às operações' da Goldfactor Fomento Ltda., pessoa jurídica da qual seu pai é procurador, Luiz Paulo Ruas Lucas, é sócio fundador e administrador. Afirma, ainda, que não possui 'qualquer titularidade quanto à movimentação ' das questionadas contas bancárias. A Goldfactor também é objeto de ação fiscal (Mandado de Procedimento Fiscal nº 09101002007000301, fls. 256). Na oportunidade, a pessoa jurídica, por meio de seu representante e sócio administrador, declarou que movimentava recursos da atividade operacional nas contas pessoais dele com os filhos Juliano e Rosângela Gonçalves Ruas Lucas (fls. 257 e 258). Porém, em nenhuma daquelas ações fiscal (Goldfactor e Luiz Paulo) , como tampouco nesta (Juliano) , os contribuintes trouxeram à fiscalização provas do declarado: nenhum contrato da empresa com o cliente, onde constassem datas e valores que pudessem ser checados com os correspondentes depósitos bancários nas contas das pessoas físicas; nenhuma nota fiscal da empresa, com data e valor que, da mesma forma, pudessem ser checados com os extratos bancários; tampouco cópias de cheques depositados nas contas, acompanhados das notas fiscais ou recibos que demonstrassem a operação comercial da empresa. No âmbito da fiscalização da Goldfactor, foram apresentadas duas relações de cheques que teriam sido adquiridos pela empresa, entre 2002 e 2005, em sua atividade de aquisição de títulos de crédito (esses dados são provenientes de seu controle pessoal, não contabilizados pela empresa, conforme ficou constatado naquela ação fiscal), cheques que teriam sido depositados, no vencimento, nas diversas contas da empresa e das pessoas físicas (cópia das duas relações: fls. 260 a 283). Porém, comparanadose as datas e os valores de liquidação dos cheques, constantes dessas duas listagens, com os depósitos nos extratos bancários das pessoas físicas, não conseguimos encontrar nenhuma correspondência entre eles. Não há como se concluir, portanto, que os depósitos nas contas de Juliano Gonçalves Ruas Lucas são de recursos recebidos. Quanto à questão, limitase o impugnante a reafirmar que os recursos não seriam de sua propriedade, o que alega ter Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10980.015601/200769 Acórdão n.º 2202004.617 S2C2T2 Fl. 531 7 comprovado mediante demonstrativos apresentados à autoridade fiscal. O interessado não contesta e sequer justifica o fato, destacado pela fiscalização, de que as listagens de fls. 260/283 não se encontram embasadas em documentos, seja de sustentação probatória que as legitimasse (contratos firmados com clientes, notas fiscais e cópias de cheques) seja de escrituração regular da pessoa jurídica alegada (os dados seriam, segundo a autoridade fiscal, provenientes de "controle pessoal", não contabilizados pela empresa que, ressaltese, encontravase também sob fiscalização). Desse modo, os demonstrativos de fls. 260/283, isoladamente, não têm valor probante algum. De outra parte, verificandose referidas listagens, não se extrai, de fato, vínculo específico ou correlação de valores entre as supostas operações indicadas e os recuros movimentados nas contas bancárias objeto da ação fiscal (fls. 10/232) . Ou seja, ainda que abstraísse da falta de elementos de prova do seu conteúdo, os demonstrativos alegados não permitiriam concluir que as contas bancárias de titularidade da pessoa física teriam sido utilizadas para movimentação de recursos da pessoa jurídica. Além disso, conforme exposto na súmula CARF nº 32 "a titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros". Quanto à necessidade da produção de prova pericial, como bem observou a decisão recorrida: Deve, portanto, ser indeferido o pedido de diligência ou perícia, tendo em vista que tais procedimentos destinamse a esclarecer pontos controversos e não a substituir a parte interessada no seu dever probante. Por fim, em relação à alegação do Recorrente de que a fiscalização não teria comprovado o consumo da renda, a matéria se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Em face do exposto, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 534DF CARF MF 8 Fl. 535DF CARF MF
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Numero do processo: 15165.722831/2015-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 23/11/2009 a 25/07/2013
AUTO DE INFRAÇÃO. OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO. SUJEITOS PASSIVOS INDICADOS COMO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS PARCIAIS. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE AUTUAÇÕES DISTINTAS.
O crédito tributário deve ter sua formalização efetivada com unicidade quanto a sujeição passiva e ao fato gerador da obrigação tributária que lhe deu nascimento. No lançamento que invoca um sujeito passivo como devedor principal e seis responsáveis solidários, cada qual referente a parte do lançamento, deve ser afastada a autuação, pela nulidade formal, para que sejam lavradas seis autuações, cada qual com os respectivos sujeitos passivos respondendo pela integralidade do crédito tributário desmembrado.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3402-005.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que dava provimento ao Recurso por entender ser possível a segregação do débito.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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AGROINDUSTRIAL LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 23/11/2009 a 25/07/2013 AUTO DE INFRAÇÃO. OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO. SUJEITOS PASSIVOS INDICADOS COMO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS “PARCIAIS”. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE AUTUAÇÕES DISTINTAS. O crédito tributário deve ter sua formalização efetivada com unicidade quanto a sujeição passiva e ao fato gerador da obrigação tributária que lhe deu nascimento. No lançamento que invoca um sujeito passivo como devedor principal e seis responsáveis solidários, cada qual referente a parte do lançamento, deve ser afastada a autuação, pela nulidade formal, para que sejam lavradas seis autuações, cada qual com os respectivos sujeitos passivos respondendo pela integralidade do crédito tributário desmembrado. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que dava provimento ao Recurso por entender ser possível a segregação do débito. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 28 31 /2 01 5- 15 Fl. 5515DF CARF MF 2 Relatório Tratase o presente processo de Recurso de Ofício contra Acórdão da Delegacia de Julgamento em Florianópolis (SC), que julgou a Impugnação procedente, para julgar NULO, por vício formal, o Auto de Infração em apreço, cancelando integralmente o crédito tributário exigido nos autos. Os autos versam sobre Auto de Infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 35.029.686,09, referentes a: (i) multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, em substituição à pena de perdimento, pela impossibilidade de sua apreensão face seu consumo; (ii) multa decorrente da omissão de prestação de informação relacionada à existência de vinculação entre comprador e vendedor nas operações de importação; e (iii) diferença apurada entre o preço declarado e o preço arbitrado (multa da diferença de preço). Verificase no “Relatório Fiscal”, anexo do Auto de Infração (fls. 34/161) do presente processo, que os fatos aqui descritos têm relação direta com os fatos apresentados no “Relatório Fiscal” do Auto de Infração objeto do Processo Administrativo Fiscal n° 15165.720940/201417, cujo conteúdo também embasa a presente ação fiscal (citado expressamente pela fiscalização à fl. 64. Vejase trecho abaixo reproduzido: "(...) Tal exportador/produtor paraguaio FRIGORÍFICO CONCEPCION S.A. constituise em figura central de grupo econômico identificado em outra ação fiscal recentemente encerrada, da qual resultou expressivo lançamento tributário além de proposta de aplicação da penalidade de perdimento a diversas cargas, motivados pela detecção de graves irregularidades aduaneiras (processos administrativos fiscais nº 15165.720940/201417 e nº 15165.720941/201461, ambos formalizados em 11/04/2014); no Relatório Fiscal de tal ação anterior, aqui referenciado como Documento Comprobatório nº 2 e que necessariamente também embasa a atual por evidente pertinência e ligação, constam diversos elementos convergentes e consistentes entre si que permitiram concluir a existência de organização de fato (informal), estabelecida para o fim de ocultar o(s) real(is) interessado(s) nas operações de importação lá detalhadas, quadro que, conforme adiante detalhado, claramente se repetiu na presente ação fiscal" (...). Assim, considerando a conexão existente e o fato de a fiscalização ter anexado ao presente processo o “Relatório Fiscal” daquele procedimento efetuado (fls. 190/444), com vistas a aclarar melhor o contexto da presente autuação, fazse uma breve síntese do contido naquele documento antes de adentrar na matéria objeto do presente feito. Para tanto e por bem retratar os fatos aqui debatidos, utilizo como meu partes mais importantes do Relatório desenvolvido pela DRJ em Florianópolis/SC (Acórdão nº 07 39.769, de 15/05/2017 fls. 5.451/5.482), o que faço nos seguintes termos: "(...) Aduz a fiscalização, no “Relatório Fiscal” do auto de infração objeto do processo administrativo fiscal n° 15165.720940/201417, que a Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. teve seu pedido de habilitação no comércio exterior negado por duas vezes, sendo então habilitada, de ofício, por ocasião do terceiro pedido. Os atuais sócios, Sr. JORGE MACHADO (CPF 766.978.19804) e Empresa MACHADO & GAETA LTDA. (CNPJ 12.504.161/000100, cujos sócios Fl. 5516DF CARF MF Processo nº 15165.722831/201515 Acórdão n.º 3402005.458 S3C4T2 Fl. 5.516 3 são o Sr. JORGE MACHADO e o Sr. CLÉBER GAETA (CPF 177.789.39843)) não demonstraram meios para a suposta transação envolvendo a compra da empresa cujo faturamento é milionário, sendo que tais pessoas físicas em momento anterior à entrada no quadro societário recebiam rendimentos do trabalho assalariado de empresas do mesmo ‘GRUPO TORLIM’. A ratificar a sua conclusão, a fiscalização indica que em “Termo de Declaração” prestado à fiscalização, desconhecia dados básicos como a data de realização da compra da empresa, sua movimentação operacional (disse estar paralisada quando em verdade havia declarado faturamento superior a R$ 100.000.000,00 naquele ano), o local correto da sede cadastral da empresa (cidade), e ainda atestou a influência periférica do FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A., a quase total ausência de bens da empresa e a dependência do Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI (CPF 595.867.70982, ex sócio da empresa) para obtenção de informações anteriores à venda da empresa. E prossegue, em 08/05/13 a fiscalização realizou diligência ao estabelecimento filial de Curitiba da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. (responsável pela maior parte das operações de importação analisadas no auto de infração objeto do processo administrativo fiscal n° 15165.720940/201417) sendo constatado que: a estrutura é compartilhada com a Empresa NORTESUL CONSTRUÇÕES E AGRO FLORESTAL LTDA. – ME (CNPJ 77.074.813/000150); externamente há indicação apenas da outra empresa; no prédio administrativo há uma divisão física entre as duas empresas, e a fiscalizada possuía funcionários desempenhando as diversas atividades (telemarketing, faturamento e depósito); no depósito de mercadorias (câmaras frigoríficas) foram encontradas apenas 3 câmaras para uso da fiscalizada, sendo encontradas mercadorias oriundas do mercado interno, porém a maioria importada com identificação da inscrição “AMAMBAÍ” e “FRIGORÍFICO CONCEPCION”. Resultado desta diligência foram os materiais e documentos retidos, cuja análise permitiu a fiscalização concluir que: o Sr. JORGE MACHADO, embora seja o sócio formal (administrador), não detém qualquer poder de mando efetivo sobre as questões principais da pessoa jurídica, cita o caso da escolha de comissária de despacho aduaneiro, onde a palavra final da negociação é dada pelo Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI (fl. 267) e, o caso da exportação para a Libéria, onde o representante do próprio exportador FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A. determina os dados que devem ser consignados na Proforma (fl. 268); o Sr. JORGE MACHADO, embora seja o sócio formal (administrador), se identifica, em correspondência comercial eletrônica, não como sócio ou diretor da empresa, mas sim como alguém da área de “Vendas” no Paraná, tanto da filial Curitiba como do próprio exportador, FRIGORÍFICO CONCEPCION do Paraguai (fl. 270). A mercadoria objeto de correspondência restou importada pela Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A; o Sr. JORGE MACHADO, embora seja o sócio formal (administrador), presta contas de seus gastos ao Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI, inclusive solicitando autorização para o recebimento de valores (fl. 275) como registrado nas correspondências comerciais eletrônicas; Fl. 5517DF CARF MF 4 A folhas 276 a fiscalização, no “Relatório Fiscal” do auto de infração objeto do processo administrativo fiscal n° 15165.720940/201417, apresenta um quadro com o “Resumo da evolução societária da empresa” destacando que intimou os ex sócios pessoas jurídicas a apresentar escrituração contábil, extratos bancários, atos constitutivos, laudos porventura lavrados, e aquisições de cotas: A) a Empresa JPP EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. (CNPJ 09.389.460/000128), sócios administradores Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI e Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA (CPF 817.078.07820), tem sede no mesmo local físico de outras 5 empresas (AMAMBAÍ INDUSTRIA ALIMENTÍCIA LTDA – ME, TORLIM ALIMENTOS S/A, IRAPURU PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA., FRIGORÍFICO AMAMBAÍ S/A e VW BRASIL AGROPECUÁRIA LTDA. – ME). Embora protocolados pedidos de dilação de prazo, não houve objetivamente a apresentação de respostas de parte das informações requeridas; B) a Empresa GARANTIA PARTICIPAÇÕES LTDA. (CNPJ 09.445.723/000179), sócios administradores Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI e Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA, tem sede no mesmo local físico de outras 2 empresas (IRAPURU PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. e VT BRASIL ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA.). A empresa jamais apresentou qualquer movimentação bancária em seu nome, possui capital de R$ 1.000.000,00 e não há indícios de efetivo funcionamento. Embora protocolados pedidos de dilação de prazo, não houve objetivamente a apresentação de respostas de parte das informações requeridas; C) a Empresa JVA TRANSPORTES LTDA (CNPJ 07.706.110/000112), sócios Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI (administrador) e Sr. JOSÉ EDIMICIO CARDOSO DA SILVA (CPF 091.889.98851), entregou extrato bancário e livros diário e razão, cujo conteúdo demonstram que a operação de compra e venda de cotas da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. jamais existiu (fls. 151), ademais a contabilidade apresentada não reflete algumas transações comerciais efetivamente ocorridas (transferências para a Empresa TORLIM PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA., CNPJ 03.426.346/000144). Embora atendido o requerido, foram protocolados pedidos de dilação de prazo; D) a Empresa MACHADO & GAETA LTDA., sócios administradores Sr. JORGE MACHADO e o Sr. CLÉBER GAETA, não logrou demonstrar a efetiva integralização de seu capital social nem o investimento realizado na Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. Registra a fiscalização, no “Relatório Fiscal” do auto de infração objeto do processo administrativo fiscal n° 15165.720940/201417, que a Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. teve revertida a situação de suspensão de seu cadastro por caracterização de não localização no endereço cadastral de sua sede (inexistência de fato), objeto do processo administrativo fiscal n° 16095.720215/201300. Quanto à integralização do capital social da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA., a fiscalização aduz, no “Relatório Fiscal” do auto de infração objeto do processo administrativo fiscal n° 15165.720940/201417, que embora intimada, a empresa não logrou comprovar os aportes financeiros que dariam sustentação aos registros contábeis. Registra ainda que o Sr. ANTÔNIO VILHENA PAULA SOUZA (CPF 061.299.14822) não possuía capacidade econômica. Demonstra ainda, a fiscalização no “Relatório Fiscal” do auto de infração objeto do processo administrativo fiscal n° 15165.720940/201417, que os registros contábeis realizados pela empresa não podem ser tomados como idôneos, vez que o cotejo realizado entre as contas contábeis bancárias e os extratos bancários possuem muitas inconsistências (cita exemplos à folhas 321 a 330, do qual destaca Fl. 5518DF CARF MF Processo nº 15165.722831/201515 Acórdão n.º 3402005.458 S3C4T2 Fl. 5.517 5 recebimentos da Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A que não foram contabilizados). Assim, a conclusão da fiscalização à folhas 331: Conforme os fatos acima verificados, especialmente a NÃO ESCRITURAÇÃO 29 E/OU ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL PARCIAL da movimentação financeira que deu suporte e permitiu a realização das operações de importação àquele momento sob análise, temse situação de NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM LÍCITA DOS RECURSOS UTILIZADOS EM TAIS OPERAÇÕES, que por si só já motiva a aplicação da pena de perdimento às respectivas mercadorias e a proposta de inaptidão da empresa perante o CNPJ, nos termos da legislação já anteriormente mencionada. ...(Grifos acrescidos) Prossegue a fiscalização, no “Relatório Fiscal” do auto de infração objeto do processo administrativo fiscal n° 15165.720940/201417, informando que com vistas a verificar a regularidade de todas as operações de comércio exterior efetivadas até aquele momento lavrou o Termo de Intimação n° 190/13, contudo a Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. não apresentou resposta, fato que motivou a expedição de diversas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) a cinco instituições bancárias. A folhas 332 a 380 a fiscalização apresenta cópias, informações e considerações extraídas dos documentos recebidos das instituições bancárias que responderam às intimações. Em síntese faz as seguintes afirmações: a cópia da ficha cadastral encaminhada pelo Banco BANIF indica que o Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA embora não pertencesse mais ao quadro societário daquela empresa foi quem firmou o documento, quando à época do fato deveria ter sido firmado pelo administrador designado no contrato social (Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI). O Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA autorizou vultoso TED (R$ 935.000,00), via fax, de local auto denominado como GRUPO TORLIM, e em papel timbrado da TORLIM ALIMENTOS S/A (fl. 336); restaram identificadas transferências eletrônicas advindas da Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A e da Empresa TORLIM PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. (denominação anterior de IRAPURU PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA.), registradas contabilmente como contas de mútuo, mas que representam verdadeira “câmara de compensação”, situação caracterizadora de confusão patrimonial entre entidades; existe uma conta corrente em localidade que formalmente jamais abrigou estabelecimento da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA., mas que já abrigou em diversas ocasiões sede da IRAPURU PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. – denominação anterior GARANTIA AGROPECUÁRIA LTDA.); as cópias de cheques encaminhadas revelam que: a imensa maioria é constituída de cheques endossados em favor da própria Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. e Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A (cujo motivo é de natureza desconhecida, não há registros contábeis); há endossos em favor da Empresa SQS TRANSPORTES EIRELI – ME (CNPJ 10.672.787/000191, acionista Sra. ALINE QUINTINO SILVA CPF 090.644.74966 com vínculo empregatício e exercendo atividades de balconista e auxiliar de escritório), 202 documentos, R$ 5.041.958,47. Endereço cadastral quase idêntico ao da Empresa GARANTIA PARTICIPAÇÕES LTDA. (CNPJ 09.445.723/000179). A Sra. ALINE QUINTINO SILVA é filha de sócios da Empresa JVA TRANSPORTES Fl. 5519DF CARF MF 6 LTDA. (CNPJ 07.706.110/000112), que por sua vez era sócia da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA.; há pagamentos ou repasses aos colaboradores ou beneficiários diretos e essenciais da atuação da empresa: Sr. JOSÉ EDIMÍCIO CARDOSO DA SILVA (CPF 091.889.98851, sócio da Empresa JVA TRANSPORTES LTDA.), Sra. MARIA ELISABETE PRADO DURAN DE LIMA (CPF 152.155.27890, esposa do Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA), Sra. ROSILENE GUERRA DE CARVALHO (CPF 596.192.79115, vínculo empregatício direto com o Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA), Empresa CBR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA. (CNPJ 06.145.648/000132, pessoa jurídica da família do Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA – filhos), Sr. BRUNO PRADO DURAN DE LIMA (CPF 304.327.97866, filho do Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA), Sr. ANTONIO VILHENA PAULA SOUZA (CPF 061.299.14822, sócio inicial da empresa), Sr. CLEBER GAETA, Sra. NATALIA DE PAULA MARQUES STABILE (CPF 291.961.49833, funcionária da Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A), Sr. JORGE MACHADO, Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI. Questionada, ainda no “Relatório Fiscal” do auto de infração objeto do processo administrativo fiscal n° 15165.720940/201417, a Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. sobre as negociações junto ao fornecedor estrangeiro, a mesma limitouse apenas a alegar que os contratos são firmados por meio de pedidos telefônicos e solicitações via faxsimile, não apresentando cópias de documentos que sustentem tais alegações. Em acordo com as decisões judiciais anteriormente citadas, para a Justiça, ainda que para efeitos de execução de dívida, o exportador FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A transparecia ser totalmente vinculado aos participantes nacionais das operações de importação (administrador o Sr. EDEMILSON ANTÔNIO DE LIMA – irmão do Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA). Também relata a fiscalização que, em todos os processos formalizados pela Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. para fins de obter sua habilitação para operar no comércio exterior, foi juntada declaração firmada pela Sra. CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO, identificada como representante legal e Vice Presidente do exportador FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A. A Sra. CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO é filha do Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA, figura mais relevante do grupo empresarial de fato que detém o real comando dos negócios de comércio exterior sob análise. Registra a fiscalização no “Relatório Fiscal” do auto de infração objeto do processo administrativo fiscal n° 15165.720940/201417 que a partir de julho de 2013, quando a Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. cessou suas importações, começaram a operar os importadores Empresa VL AGROINDUSTRIAL LTDA. (CNPJ 05.488.486/000172, ramo de criação e abate de suínos) e Empresa ROMÁRIO DE OLIVEIRA (CNPJ 08.073341/000107, ramo de pescados, nome fantasia PEIXEAR), empresas que embora não possuam quadro societário/informações vinculadas ao grupo empresarial, efetivamente participam ou colaboram nos negócios do grupo. O resultado de referidas importações foi repassado à empresas do grupo: BEST BOI ALIMENTOS – EIRELI (CNPJ 18.236.111/000167, acionista o Sr. CLEBER GAETA), própria Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. e, CAS TRANSPORTE & LOGÍSTICA LTDA. (CNPJ 11.779.237/000139, sem empregados, inativa em 2012 e sem movimentação financeira desde então). As revendas para as empresas do grupo são praticamente sem lucro algum. Assim, conclui a fiscalização que as Empresas VL AGRO INDUSTRIAL LTDA. e ROMÁRIO DE OLIVEIRA deram continuidade às operações de importação antes realizadas pela Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. Por sua vez, no “Relatório Fiscal” do auto de infração objeto do processo administrativo fiscal n° 15165.720940/201417, confrontando o Patrimônio Líquido da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. com os dispêndios incorridos para Fl. 5520DF CARF MF Processo nº 15165.722831/201515 Acórdão n.º 3402005.458 S3C4T2 Fl. 5.518 7 efetivação das importações no mesmo período, a fiscalização conclui que o capital próprio da empresa no início de cada ano era completamente incompatível com os vultosos gastos incorridos; a empresa não possuía capacidade econômica, carecia de recursos externos. Por outro lado, analisando as contas de passivo, a fiscalização conclui que, à mingua de qualquer outro registro de obtenção regular de empréstimos bancários ou de qualquer outra espécie, a justificativa econômica está basicamente concentrada na conta FORNECEDORES MATRIZ (cuja análise revelou a existência de simulação empregada para artificialmente criar um passivo inexistente (fl. 428)). Face ao fato de o exportador FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A ser parte indissociável e indistinta do grupo empresarial, no ver da fiscalização no “Relatório Fiscal” do auto de infração objeto do processo administrativo fiscal n° 15165.720940/201417, a conclusão foi de que os impressos apresentados como faturas comerciais emitidos pelo exportador não podem ser tomados como provas da ocorrência efetiva de uma venda entre os ali indicados como comprador e vendedor; da mesma forma, o preço da mercadoria lá constante não representa o acerto livre de vontades entre as partes indicadas (fls. 416 e 417). Apresentado o contexto em que se insere a presente autuação, cumpre trazer então os fatos relatados pela fiscalização no presente auto de infração. Depreendese do “Relatório Fiscal” do auto de infração (fls. 34 a 161), que a Empresa V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA. (CNPJ 05.488.486/000172) registrou 183 declarações de importação (listadas a folhas 35 a 37) indicando ser o importador e real adquirente das mercadorias declaradas (carne bovina e sebo bovino) e procedentes do exportador FRIGORÍFICO CONCEPCION S.A. no Paraguai. Declarações de importação (n° 14/09409835 e 14/090409734) da empresa foram direcionadas para o canal vermelho de conferência aduaneira e constatouse a existência das marcas comerciais “BEEF CLUB” e “LIMATORE”, cujo titular de ambas as marcas foi identificado junto ao Instituo Nacional da Propriedade Industrial INPI como a Empresa TORLIM ALIMENTOS LTDA. (CNPJ 03.426.346/000144) – nome empresarial IRAPURU PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA desde 04/2013 – empresa inapta face sua localização desconhecida. Assim, a Empresa V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA. foi incluída, com base na Instrução Normativa SRF n° 228/02, em procedimento de fiscalização com vistas a verificar a origem dos recursos aplicados em todas as operações de comércio exterior. Aduz a fiscalização que a Empresa V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA. mudou o ramo de atividade para operar com a importação de carnes e subprodutos bovinos, internalizando mercadorias de um único exportador/produtor, FRIGORÍFICO CONCEPCION S.A., figura central de grupo econômico identificado em outra ação fiscal da qual resultou expressivo lançamento tributário e proposta de aplicação de penalidade de perdimento. Em razão da exigência de garantia, por ocasião das declarações de importação n° 14/09409835 e 14/090409734, a Empresa V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA. ingressou com o Mandado de Segurança n° 504055061.2014.4.04.7000 e obteve decisão que definiu a operacionalização do feito (depositário fiel da mercadoria). Para caracterização da infração, a fiscalização transcreve parte do “Relatório Fiscal” instrutivo do auto de infração relacionado ao processo n° 15165.720940/201417, do qual se extrai que: a) constituída em 2003, requereu habilitação para operar no comércio exterior apenas em 08/2013; b) o site Fl. 5521DF CARF MF 8 empresarial indica que se trata de empresa dedicada à criação e abate de suínos e não bovinos; c) tal fato foi declarado por seu representante em depoimento ocorrido em 27/11/2012 à CPI do Trabalho Escravo da Câmara dos Deputados; d) que apesar do histórico passou a atuar a partir de 25/09/2013 com mercadorias que eram as mesmas importadas pela Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. (CNPJ 10.197.224/000199) e procedentes do mesmo produtor; e) a análise de notas fiscais emitidas entre 01/08/2013 e 25/02/2014 revelou que as mercadorias importadas foram imediatamente vendidas para apenas 03 compradores, Empresa GARANTIA TOTAL LTDA., Empresa BEST BOI ALIMENTOS – EIRELI (CNPJ 18.236.111/000167) e Empresa CAS TRANSPORTES & LOGÍSTICA LTDA. (CNPJ 11.779.237/000139), praticamente sem lucro. Conclui a fiscalização que a Empresa V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA. foi o instrumento útil a permitir a continuidade de negócios do grupo empresarial de fato oculto, após imposição de restrições relacionadas à Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. Alerta a fiscalização que compareceu (lavrado Termo de Declaração) o Sr. EDUARDO CÉSAR BERALDO (CPF 028.930.87981), pessoa sem qualquer vínculo estável com a Empresa V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA. (informou prestar serviço de consultoria autônoma), mas atuante como o principal negociador e responsável pelas tratativas com o fornecedor estrangeiro (além de atuar nas áreas administrativa, financeira, pessoal, contábil, fiscal e comercial). Intimado a prestar esclarecimentos sobre o vínculo com a citada empresa, não foi possível atestar que os alegados pagamentos recebidos tenham sido realizados em razão da prestação de serviços. Registra ainda que em 04/2013 o Sr. EDUARDO CÉSAR BERALDO constituiu e formalizou pessoa jurídica, a Empresa BEFOODS – DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI (CNPJ 17.955.288/000150), que atuaria de forma concorrente com a Empresa V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA., realizando inclusive importações de mercadorias procedentes do mesmo fornecedor estrangeiro e, vendas (conforme notas fiscais emitidas entre 03/06/2014 e 06/10/2014) para pessoas jurídicas vinculadas ao grupo empresarial de fato (desvelado na ação fiscal anterior) acrescentando a Empresa AGRO TRADING – IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE CARNES LTDA. (CNPJ 07.702.840/0001445) não incluída na ação fiscal anterior; A análise das notas fiscais emitidas pela Empresa V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA. (entrada e saída) revelou que todas as mercadorias importadas sequer foram descarregadas dos caminhões procedentes do Paraguai antes de serem supostamente vendidas, o que revela que desde sua saída no exterior, as mercadorias já tinham como destino certo e específico entidades do grupo empresarial de fato. Também revelou que o percentual de lucro médio das operações de revenda foi de apenas 2,64%, havendo registro inclusive de operações realizadas com prejuízo para a Empresa BEST BOI ALIMENTOS – EIRELI. Foi possível detectar que em muitos casos ocorreu emissão de nota fiscal de saída antes mesmo da emissão da nota fiscal de entrada e que 73% das notas fiscais de saída foram emitidas na mesma data (51%) ou em data anterior (22%) ao desembaraço das respectivas mercadorias. Afirma a fiscalização que as mercadorias de origem bovina importadas pela Empresa V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA. também não transitaram pelo seu estoque contábil. Igualmente não foram identificados registros contábeis dos lançamentos relativos às despesas envolvidas diretamente na nacionalização das mercadorias (frete, tributos, despesas relacionadas às licenças de importação e serviços de atividades relacionadas ao desembaraço), mas apenas lançamentos de valores totais dos dispêndios aduaneiros em conta contábil de passivo intitulada “2.01.01.01 .00776 FRIGORIFICO CONCEPCION S.A.”, sendo detectado ainda que os valores a título de frete internacional não foram objeto de remessa cambial, mas apenas o valor exato da mercadoria. Fl. 5522DF CARF MF Processo nº 15165.722831/201515 Acórdão n.º 3402005.458 S3C4T2 Fl. 5.519 9 Resume a fiscalização (fl. 100): 3) Por fim, caso se desconhecessem todos os levantamentos já retratados na análise presente, bem como o histórico e o contexto anterior em que efetuados, ainda assim seria inevitável a conclusão de que a sequência de emissão de documentos e lançamentos contábeis relacionados diretamente às operações de importação foram efetuados basicamente para, em paralelo ao fluxo físico de subprodutos bovinos do Paraguai para o Brasil, dar ares de regularidade a fluxo financeiro, efetivo e constante, entabulado entre entidades nacionais GARANTIA TOTAL, TORLIM ALIMENTOS, BEST BOI, CAS TRANSPORTES, NORTESUL CONSTRUÇÕES E AGRO FLORESTAL40 e estrangeira FRIGORÍFICO CONCEPCION cujas íntima e umbilical ligação e inegável relação já foram anteriormente constatadas e demonstradas, empregandose para tanto a estrutura empresarial formal do Sujeito Passivo V.L. AGROINDUSTRIALLTDA. para tentar revestilo com a insuspeita aparência de relação comercial; da verificação da cronologia dos atos utilizados e lançados para tal finalidade (A) “compra” junto ao fornecedor estrangeiro41 42 e nacionalização das mercadorias43, (B) imediata “venda” para uma das referidas entidades nacionais44, (C)“pagamento” de tais “vendas” quase que imediatamente após a expedição da Nota Fiscal de Saída45, e (D)imediata46 remessa cambial à entidade estrangeira unicamente dos valores das mercadorias [...]... (Grifos originais) Quanto aos recebimentos das “vendas” realizadas no mercado interno (100% para as empresas do grupo empresarial anteriormente fiscalizado: Empresa BEST BOI ALIMENTOS – EIRELI, Empresa CAS TRANSPORTES & LOGÍSTICA LTDA. Empresa NORTE SUL CONSTRUÇÕES e AGRO FLORESTAL LTDA. – ME (CNPJ 77.074.813/000231), Empresa GARANTIA TOTAL LTDA., Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A, Empresa BEFOODS – DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI), a fiscalização entende que estes recursos representam a efetiva origem de recursos que suportam os fechamentos de câmbio com o envio dos valores das mercadorias ao exportador estrangeiro, restando ainda consignado que em 62 transferências eletrônicas não foi possível atestar a verdadeira titularidade do depositante, restando expedida Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira (RMF), que revelou que a origem dos recursos está no mesmo grupo econômico flagrado anteriormente na prática de condutas irregulares. Mais, a análise dos lançamentos contábeis relacionados aos citados recebimentos indica a liquidação de títulos de terceiros que não o titular das citadas transferências (Empresa BEST BOI ALIMENTOS – EIRELI, Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. e Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A (CNPJ 07.859.642/000513)). Relativamente ao fornecedor estrangeiro e à questão do valor aduaneiro, a fiscalização transcreve parte do “Relatório Fiscal” instrutivo do auto de infração relacionado ao processo n° 15165.720940/201417, do qual se extrai que naquele procedimento: Em razão do contido na Decisão Judicial expedida nos autos da Ação Judicial Cautelar de Arresto n° 000030388.2013.8.16.0017 contra a Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A restou evidenciado que o administrador do FRIGORÍFICO CONCEPCION S.A. (Sr. EDEMILSON ANTÔNIO DE LIMA) é irmão do Sr. JAIR ANTÔNIO DE LIMA, que administrava, por vias indiretas a Empresa GARANTIA TOTAL LTDA.; Apesar do volume transacionado nas operações de importação, as negociações eram realizadas por meio de pedidos telefônicos e solicitações via faxsimile, contudo não foram apresentados documentos que atestassem o alegado; Fl. 5523DF CARF MF 10 Registros documentais fazem referência ao fornecedor FRIGORÍFICO CONCEPCION S.A. como sendo “TORLIMPY”; Além de notícias relacionadas ao vínculo com o grupo econômico, o próprio domínio da internet http://torlim.com.br remete ao site www.frigorificoconcepcion.com.py; (...). Em decorrência de diligência no estabelecimento filial da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. foram encontrados correspondências comerciais eletrônicas que evidenciam a ingerência do grupo econômico junto ao fornecedor estrangeiro; Nos processos administrativos formalizados pela Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. com o fim de obter sua habilitação para operar no comércio exterior foi juntada declaração firmada pela pessoa física Sra. CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO (CPF 344.819.17873), identificada como representante legal e vice presidente do FRIGORÍFICO CONCEPCION S.A. Referida pessoa é filha do Sr. JAIR ANTÔNIO DE LIMA, pessoa considerada a mais relevante do grupo empresarial de fato; Assim, entende a fiscalização que há evidente vínculo e participação da entidade estrangeira FRIGORÍFICO CONCEPCION S.A. no grupo econômico e, mutatis mutandis, à Empresa V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA. Logo, o valor aduaneiro declarado não pode ser tomado daquilo que consta nos documentos apresentados como faturas comerciais. Assim, para as operações de importação na qual foi declarado o exportador acima indicado foi arbitrado o preço das mercadorias importadas em acordo com o artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/01 (critério adotado foi o preço de exportação para o país, de mercadoria idêntica ou similar, base de dados de importações brasileiras). Aplicada a multa decorrente da diferença de preço encontrada. Considerando que as declarações de importação, cujo exportador era o FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A, apresentavam indicação indevida de ausência de vinculação entre o importador nacional e o exportador, a fiscalização aplicou a multa prevista no artigo 69 da Lei n° 10.833/03. Registra a fiscalização que parte das mercadorias (submetidas a procedimento especial de controle) foi objeto de depósito junto a fiel depositário específico. Estas mercadorias serão objeto de pena de perdimento em autuação própria. A responsabilidade solidária restou assim estabelecida pela fiscalização (fls. 154 a 157): E. Da Responsabilização Solidária Os fatos e condutas anteriormente retratados, praticados com o fim de dar aparência de regulares a operações que, conforme demonstrado, foram efetivadas mediante uso de diversos artifícios simulatórios objetivando manter oculto grupo empresarial de fato, bem como a continuidade de seus negócios, e que ao fim possibilitaram o resultado almejado pelas infrações apontadas na presente autuação, além das demais conseqüências inerentes ao caso, torna obrigatória a inclusão da(s) seguinte(s) pessoa(s) jurídica(s)/física(s) na qualidade de responsável(is) solidária(s) do crédito tributário ora constituído, conforme as razões especificadas nos tópicos anteriores, no detalhamento complementar abaixo e nos termos da legislação: Pessoa Jurídica GARANTIA TOTAL LTDA., CNPJ 10.197.224: por tudo o que já exposto julgase quase repetitivo e desnecessário se esclarecer que se trata da Fl. 5524DF CARF MF Processo nº 15165.722831/201515 Acórdão n.º 3402005.458 S3C4T2 Fl. 5.520 11 entidade maior beneficiária formal do resultado das operações analisadas e cursadas, de forma claramente simulada, em nome próprio pela V.L. AGRO INDUSTRIAL LTDA.; relembrese, como fato mais relevante nesse sentido61 que, conforme detalhado no item C.2.2 Análise das Notas Fiscais, em especial no planilhamento lá citado e referenciado como Documento Comprobatório nº 11 , praticamente todas as mercadorias objeto das operações analisadas tiveram como destino final tal entidade, seja de forma documental direta (Nota Fiscal de Saída emitida diretamente em seu favor pela própria V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA.), seja de forma indireta (Nota Fiscal de Saída emitida em seu favor por outra entidade participante do grupo empresarial e na sequência imediata de uma “venda” intermediária a esta); Pessoa Jurídica BEST BOI ALIMENTOS – EIRELI, CNPJ nº 18.236.111: entidade já identificada claramente como vinculada ao grupo empresarial de fato da qual a GARANTIA TOTAL LTDA. também inegavelmente faz parte (vide Documento Comprobatório nº 2); no âmbito da presente autuação constatouse ser a titular formal da conta corrente principal fornecedora de recursos para remessas ao exterior a título de pagamentos das importações sob análise, conforme detalhado no Quadro C.2 anterior, dessa forma inegavelmente tendo concorrido, de forma ativa e consciente, para a prática das condutas irregulares verificadas; não bastasse isso, em diversas dessas operações também foi apresentada, documentalmente, como destinatária final de mercadorias recém nacionalizadas pela V.L. AGRO INDUSTRIAL LTDA.(Documento Comprobatório nº 11); Pessoa Jurídica TORLIM ALIMENTOS S/A, CNPJ nº 07.859.642: multicitada no presente e no Relatório pretérito, tal entidade nacional, além de ser claramente a principal e mais ostensiva componente do grupo empresarial de fato no Brasil, a teor de todo o contexto apresentado e detalhado, tanto na presente autuação quanto na anterior, constituise na principal beneficiária do resultado final das operações de importação efetivadas irregularmente mediante o emprego meramente formal, conforme detalhado no presente contexto, da pessoa jurídica V.L. AGRO INDUSTRIAL LTDA.; além disso,também constou, documentalmente, como destinatária final de mercadorias objeto de operações analisadas, tanto direta quanto indiretamente, neste último caso como “compradora” de mercadorias que passaram, mais uma vez de forma meramente formal, pela entidade BEFOODS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI, CNPJ 17.955.288/000150, objeto de comentários específicos no presente Relatório Fiscal; Pessoas Jurídicas CAS TRANSPORTES & LOGÍSTICA LTDA., CNPJ nº 11.779.237, NORTESUL CONSTRUÇÕES E AGRO FLORESTAL LTDA. ME, CNPJ nº 77.074.813, e BEFOODS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI, CNPJ nº 17.955.288: além do fato, já verificado na autuação anterior e reforçado na atual62, da evidente ligação/vinculação de tais entidades com o grupo empresarial de fato que comanda os negócios sob análise, comparandose o que consta do planilhamento que detalhou a sequência de emissão de documentos fiscais relacionados às operações analisadas (Documento Comprobatório nº 11 ) com as informações bancárias que identificaram a real origem dos recursos identificados como pagamentos de tais operações (Quadro C.2, Tabela C.4 e Documento Comprobatório nº15), concluise forçosamente que as mesmas, ao terem se prestado a atuar como instrumentos de ação meramente formais desse grupo de fato,concorreram de forma ativa e consciente para a prática das condutas verificadas; e Pessoa Física EDUARDO CÉSAR BERALDO, CPF n° 028.930.87981: Empresário responsável formal pela mesma BEFOODS – DISTRIBUIDORA DE Fl. 5525DF CARF MF 12 ALIMENTOS EIRELI acima mencionada e que, além disso, apresentouse e foi apresentado pessoalmente como responsável pelas supostas tratativas que culminaram com o registro das operações de importação analisadas; inegavelmente, como já destacado no tópico respectivo, concorreu ativa e conscientemente para permitir a prática das condutas verificadas, inclusive prestando declarações claramente inidôneas com o fim de ludibriar a Fiscalização Aduaneira; Finalmente, dadas as situações de irregularidade expostas no presente relatório, que ao final permitiram a prática das infrações aduaneiras apresentadas, é inafastável também o cabimento da responsabilização pessoal do(s) administrador(es) e pessoa(s) física(s) listado(s) abaixo, responsável(is) pela pessoa jurídica autuada e pela(s) acima apontada(s) como responsável(is) solidária(s), além de outra(s) que, sem se revestirem dessa condição de administrador(es), claramente concorreu(ram) para a prática das infrações detectadas ou delas foram beneficiárias, também nos estritos termos da legislação: Pessoa Física ANTÔNIO VALDECIR SPACIARI, CPF nº 448.732.04968: Sócio Administrador da V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA.; Pessoa Física LUZIA SPAGGIARI, CPF nº 206.079.20963: Sócio Administrador da V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA.; Pessoa Física JAIR ANTÔNIO DE LIMA, CPF nº 814.078.07820: Presidente da TORLIM ALIMENTOS S/A; Pessoa Física JORGE MACHADO, CPF nº 766.978.19804: Sócio Administrador formal da GARANTIA TOTAL LTDA.; Pessoa Física CLÉBER GAETA, CPF nº 177.789.39843: Empresário responsável formal pela BEST BOI ALIMENTOS – EIRELI; Pessoa Física CLÁUDIO ALBERTO SCALASSARA, CPF nº710.867.73934: Sócio Administrador da CAS TRANSPORTES & LOGÍSTICA LTDA.; Pessoa Física MARLENE BONOTTO SCALASSARA, CPF n°562.051.71953: Administrador(a) formal da entidade NORTESUL CONSTRUÇÕES E AGRO FLORESTAL LTDA. – ME; e...(Grifos acrescidos) Cientificados, a Empresa NORTESUL CONSTRUÇÕES E AGRO FLORESTAL LTDA. – ME e a Sra. MARLENE BONOTTO SCALASSARA apresentaram impugnação conjunta de folhas 3.804 a 3.823, anexando os documentos de folhas 3.824 a 3.843. Em síntese apresentam os seguintes argumentos: Que, preliminarmente, a autuação é nula em razão da ausência de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), que visa revestir o lançamento tributário de maior certeza e segurança jurídica, em respeito aos princípios da legalidade (finalidade), eficiência, devido processo legal, contraditório e ampla defesa e da segurança jurídica; Que, não pode ser atribuída responsabilidade solidária, vez que se trata de empresa autônoma, sem nenhum vínculo com a autuada principal e/ou demais empresas. Apresenta relação de clientes para os quais presta serviços de locação de câmaras frias. Foi constituída em 21/06/1989; Que, a aquisição de mercadorias da empresa V.L. AgroIndustrial Ltda. não a torna participante de grupo econômico e tampouco representa tentativa de frustração de fiscalização na importação. Não há provas contundentes de que a impugnante tenha participado, contribuído ou sequer se beneficiado do fantasioso esquema apresentado em Relatório Fiscal; Fl. 5526DF CARF MF Processo nº 15165.722831/201515 Acórdão n.º 3402005.458 S3C4T2 Fl. 5.521 13 Que, o local das instalações citadas pela fiscalização, tratase de um condomínio, no qual várias empresas sublocam para armazenagem de produtos (daí a coincidência de endereço com a empresa Garantia Total Ltda.); Que, a constatação de que adquiriu tão somente 5,56% demonstra que não há que se falar em grupo empresarial e/ou qualquer participação da impugnante e, tampouco ocorreu vantagens ou benefícios com as importações em análise; Que, não é razoável a aplicação de multa no valor de R$ 35.029.686,09 à impugnante e sua sócia por culpa da aquisição de 5,56% do total. Não pode ser responsabilizada por atos não praticados. A responsabilização pretendida necessita de conduta dolosa, que não se presume. Todos são inocentes até provar ao contrário; Que, a pessoa física da sócia foi incluída de maneira objetiva, sem nenhuma comprovação dos fatos ou ao menos comprovação de conduta dolosa ou culposa sobre as acusações atribuídas. Foi mencionada, em todo o relatório fiscal, apenas na indicação do pólo passivo, um absurdo; Que, a penalidade é excessiva e confiscatória; Requerem seja acolhida a presente impugnação, julgandoa totalmente procedente, no mérito afastada a responsabilidade solidária; Cientificados, a Empresa BEST BOI ALIMENTOS – EIRELI e o Sr. CLEBER GAETA apresentaram impugnação conjunta de folhas 3.846 a 3.865, anexando os documentos de folhas 3.866 a 3.879. Em síntese apresentam os seguintes argumentos: Que, o Sr. Cleber Gaeta adquiriu experiência no setor mercadológico de derivados de carne (atividades de vendedor). Não é o administrador da Machado e Gaeta Ltda., seu encargo é de coordenador de vendas, incluindo as compras de produtos “nacionais”; Que, os débitos relacionados a ação judicial n° 000303 88.2013.8.16.0017 são anteriores à aquisição da sociedade Garantia Total Ltda. por Machado e Gaeta. Tal fato culminou com a saída do Sr. Cleber Gaeta da sociedade em 04/06/2013, optando por constituir a empresa individual Best Boi Alimentos – Eireli na mesma data; Que, não podem ser responsabilizados, conquanto não têm qualquer controle ou ingerência naquelas operações (internalizações) alegadamente realizadas pelas empresas V.L. AgroIndustrial e Romário de Oliveira; Que, deve ser demonstrado o dolo, a responsabilidade é subjetiva, tem natureza de ilícito; Que, não há ilícito nas compras de mercadorias das autuadas pouco tempo depois de sua própria existência formal. Não tem qualquer ingerência ou controle sobre o que é feito (e como é feito) em relação a regularidade da origem dos recursos empregados na operação pela importadora (fornecedor); Que, neste contexto, aponta lista (fls. 3.859) com mais de 40 fornecedores; Que, os autos carecem de prova; Requer seja acolhida a presente impugnação para o fim de cancelarse o débito fiscal. Fl. 5527DF CARF MF 14 Cientificada, a Empresa VL AGROINDUSTRIAL LTDA. apresentou impugnação de folhas 3.882 a 3.935, anexando os documentos de folhas 3.936 a 4.066. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, o sócio proprietário da empresa atua no mercado frigorífico há mais de 30 anos (cita cisão da empresa familiar), a impugnante tem seu Contrato Social ramo diversificado de atividades relacionadas ao abate e industrialização de suínos, bovinos, aves, ovinos, outros animais, etc... bem como importação e exportação. Dificuldades no setor de suínos acabou por levar a impugnante ao mercado da carne bovina. Possui capacidade industrial, com aproximadamente 125 funcionários. Obteve autorização no Siscomex – RADAR na submodalidade ilimitada; Que, a compra e venda de carne bovina e suína envolve uma dinâmica que exige agilidade, o que ocorre por meio de contatos telefônicos e mensagens eletrônicas para pedido das mercadorias do comprador para o vendedor através de respectivos departamentos comerciais; Que, a prova está lastreada em Mandado de Procedimento Fiscal estranho à impugnante e sem qualquer apuração do contraditório. Não houve sequer Mandado de Procedimento Fiscal complementar. Ao contrário, o auditor utilizou informações sigilosas referentes à fiscalização da empresa Garantia Total Ltda. Portanto, é nulo o ato administrativo lavrado; Que, o auto de infração é nulo por excesso de prazo do procedimento fiscal (cita o artigo 9º da IN RFB n° 1.169/11); Que, o auto de infração é nulo por impossibilidade de quebra de sigilo bancário injustificado. Houve apresentação espontânea dos extratos bancários pela empresa fiscalizada. Não havia a necessidade de quebra de sigilo bancário, uma vez que a documentação em referência foi espontaneamente apresentada pela empresa fiscalizada, através de detalhada e completa movimentação financeira. A autorização de acesso a movimentações bancárias à autoridade fiscal somente é permitida quando essencial aos trabalhos, o que não ocorreu no presente caso. Houve contaminação das provas, cita a “Teoria do fruto da árvore envenenada”; Que, o auto de infração é nulo por desvio de finalidade e motivação. A impugnante possui capacidade operacional e financeira. Inaplicável a Instrução Normativa SRF n° 228/02, não foram revelados indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira evidenciada. Há que se respeitar os princípios da verdade material, finalidade, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade; Que, é inquestionável o cerceamento de defesa e falta de atenção ao Devido Processo Legal Administrativo e Contraditório. Por não ter o impugnante acesso prévio ao início do procedimento fiscal, restou caracterizada ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa; Que, fraude e simulação não se presumem, mas sim devem ser efetivamente provadas por quem alega. Devese atentar ao princípio da boafé e, ainda, por analogia, o princípio do in dúbio pro réu; Que, o lucro obtido nas operações em apreço está perfeitamente coerente com outras operações no mercado interno procedidas pela impugnante. Não poderia a fiscalização se imiscuir na administração dos negócios da impugnante importadora. Apresenta relatório da margem apurada entre 2010 e 2014; Que, toda mercadoria vendida em qualquer ramo de atividade, já possui contato comercial e relação de clientes para respectivos fornecimentos. Tal prática comercial é comum até mesmo para o mercador de carne suína, onde 90% dos Fl. 5528DF CARF MF Processo nº 15165.722831/201515 Acórdão n.º 3402005.458 S3C4T2 Fl. 5.522 15 abates ou aquisições de produtos para revenda já tem um cliente definido antes mesmo de se possuir a mercadoria; Que, a fiscalização se baseia num modelo antigo. Cita o sistema de gestão de estoques visando diminuir ao máximo a imobilização do capital de giro, operando com logística entre o pedido de compra do cliente e o prazo de entrega. É notoriamente ilegal o entendimento no sentido que a compra e posterior venda para comprador predeterminado representa conta e ordem de terceiros (cita o artigo 11 da Lei n° 11.281/06); Que, o pedido de compra (realizado antes mesmo do embarque da mercadoria) é bem diferente de uma efetiva solicitação de importação, seja por encomenda ou, seja por conta e ordem de terceiros; Que, em nenhum momento foi relatada qualquer acusação de sonegação de impostos, subfaturamento, concorrência desleal ou infringência às normas sanitárias; ou seja, não há qualquer dano ao Erário passível de justificar a malfadada e abusiva autuação pretendida pela equipe de fiscalização; Que, quanto à alegada configuração do crime de lavagem de dinheiro, impera igualmente concluir que as alegações do auditor não passam de quimeras; Que, a multa aplicada tem caráter confiscatório; Que, há ofensa à capacidade contributiva da empresa autuada; Que, deve ser aplicado ao caso o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional; Requer seja acolhida a presente impugnação; Cientificada, a Sra. LUZIA SPAGGIARI apresentou impugnação de folhas 4.069 a 4.132, anexando os documentos de folhas 4.133 a 4.260. Em síntese apresenta os mesmos argumentos da Empresa VL AGROINDUSTRIAL LTDA. e, adicionalmente, os seguintes argumentos: Que, para sua inclusão no pólo passivo é obrigatório que fique provado que praticou atos dolosos ou fraudulentos, ou contrários ao estatuto social de forma contrária os interesses da sociedade. O dolo não se presume; Que, há faltas de provas, inaplicáveis os dispositivos legais apontados; Requer seja acolhida a presente impugnação; Cientificado, o Sr. ANTONIO VALDECIR SPACIARI apresentou impugnação de folhas 5.248 a 5.311, anexando os documentos de folhas 5.312 a 5.447. Em síntese apresenta os mesmos argumentos da Empresa VL AGROINDUSTRIAL LTDA. e, adicionalmente, os seguintes argumentos: Que, o auditor fiscal igualmente incorreu em ofensa ao contraditório ao utilizar como prova emprestada auto de infração onde nem a empresa e nem os seus sócios proprietários participaram ou foram intimados daquela ação fiscal envolvendo terceiros. O grau de contraditório e de cognição no processo anterior (de onde foi extraída a prova emprestada) deve ser tão ou mais intenso do que o processo que receberá a prova emprestada. Portanto deve ser reconhecida a nulidade; Fl. 5529DF CARF MF 16 Que, para sua inclusão no pólo passivo é obrigatório que fique provado que praticou atos dolosos ou fraudulentos, ou contrários ao estatuto social de forma contrária os interesses da sociedade. O dolo não se presume; Que, há faltas de provas, inaplicáveis os dispositivos legais apontados; Requer seja acolhida a presente impugnação; Cientificada, a Empresa CAS TRANSPORTES & LOGISTICA LTDA. apresentou impugnação de folhas 4.402 a 4.439, anexando os documentos de folhas 3.936 a 4.066. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, iniciou suas atividades em 06/05/2010, muito antes das operações de importação em comento. Em 30/04/2014 teve seu endereço modificado (sexta alteração contratual), e que locava imóvel e instalações industriais frigoríficas (desde 24/05/2010). Sua existência física pode ser constatada nos cadastros oficiais como situação “ativa”. Portanto, a empresa existe e exerce suas atividades comerciais; Que, não houve sequer Mandado de Procedimento Fiscal direcionado à recorrente, o que oportunizaria meio de defesa e/ou apresentação prévia de documentos necessários para elucidar toda e qualquer dúvida da autoridade. A autuação é nula; Que, as afirmações apontadas no relatório da fiscalização não procedem, é pessoa jurídica autônoma, exerce atividade de comércio atacadista; Que, por questões de redução de custos, as atividades comerciais são desenvolvidas por seu sócio proprietário, com auxílio de mãodeobra contratada de acordo com a demanda ou por prestação de serviços terceirizados; Que, foi apenas por curto período de tempo que permaneceu com suas atividades paralisadas; Que, é inverídica a afirmação de que a empresa não realizou movimentação financeira em seu nome, a empresa possuí conta bancária (Banco Itaú); Que, há abuso no procedimento administrativo, deveria ter sido observado o endereço atual da empresa (comprovantes que anexa). A empresa está ativa e possui endereço próprio; Que, a relação com a empresa NORTESUL é estritamente comercial. A reportagem apresentada não pode ser considerada como prova; Que, devem ser respeitados os princípios da busca da verdade real, da razoabilidade, da finalidade, da capacidade contributiva, da proporcionalidade, do não confisco, do contraditório e da ampla defesa. Não foi demonstrada a culpa da empresa; Que, a multa aplicada tem efeito confiscatório; Requer seja declarada a nulidade do auto de infração, no mérito a total procedência da impugnação e, sucessivamente a exclusão do pólo passivo. Cientificada, o Sr. CLÁUDIO ALBERTO SCALASSARA apresentou impugnação de folhas 4.264 a 4.304, anexando os documentos de folhas 4.305 a 4.322. Em síntese apresenta os mesmos argumentos da Empresa CAS TRANSPORTES & LOGISTICA LTDA. e, adicionalmente, os seguintes argumentos: Fl. 5530DF CARF MF Processo nº 15165.722831/201515 Acórdão n.º 3402005.458 S3C4T2 Fl. 5.523 17 Que, não há que ser considerada a responsabilidade pessoal do sócio administrador, não estão presentes as hipóteses previstas nos dispositivos legais indicados; Que, a sociedade empresarial, segundo o princípio da autonomia patrimonial, é pessoa jurídica de direito privado, possui personalidade jurídica própria, seu patrimônio é independente e inconfundível com o patrimônio dos sócios; Que, para sua inclusão no pólo passivo é obrigatório que fique provado que praticou atos dolosos; Que, há faltas de provas; Requer seja declarada a nulidade do auto de infração, no mérito a total procedência da impugnação e, sucessivamente a exclusão do pólo passivo. Cientificada, a Empresa BEFOODS – DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI apresentou impugnação de folhas 5.126 a 5.161, anexando os documentos de folhas 5.162 a 5.246. Também cientificado, o Sr. EDUARDO CÉSAR BERALDO apresentou impugnação de folhas 4.325 a 4.356, anexando os documentos de folhas 4.357 a 4.398. Em síntese, ambos apresentam os seguintes argumentos: Que, o seu sócio é assessor administrativo, prestador de serviços à empresa V.L. AgroIndustrial Ltda. Apresenta comprovantes de pagamentos mensais da empresa (já apresentados à fiscalização) e comprovantes de pedágio (deslocamento diário). Inicialmente, 2006, assessorava via empresa NPA INFORMÁTICA LTDA; Que, não estão presentes os requisitos para a solidariedade pretendida. É empresa autônoma e totalmente desvinculada da empresa V.L. AgroIndustrial Ltda., com a qual mantém relação de parceria. É empresa pequena (escritório), e sua momentânea suspensão das operações de importação ocorreu justamente por ter excedido o valor máximo autorizado; Que, não houve sequer Mandado de Procedimento Fiscal direcionado à recorrente, o que oportunizaria meio de defesa e/ou apresentação prévia de documentos necessários para elucidar toda e qualquer dúvida da autoridade. A autuação é nula, não foram observados os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa; Que, os autos não possuem provas concretas de que o impugnante (sócio) tenha agido da maneira como aleatoriamente foi acusado (apresenta cópias de emails relacionadas a tratativas com outros exportadores no Uruguai e Paraguai); Que, a forma como os comprovantes de pagamento foram contabilizados pela empresa não desvirtua a natureza do pagamento, e tampouco descaracteriza a relação de prestação de serviços; Que, o caso requer que seja comprovada a alegada conduta dolosa, bem como demonstrada existência de fraude ou simulação, o que não ocorreu; Que, deve restar demonstrado, para fins da responsabilidade prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional, que terceiro praticou atos dolosos ou fraudulentos, ou contrários ao estatuto social de forma contrária os interesses da sociedade; Que, não há razoabilidade, legalidade e proporcionalidade na autuação sobre o valor total importado pela empresa V.L. AgroIndustrial Ltda., participou apenas Fl. 5531DF CARF MF 18 de 0,75% das operações e responde por 100%; Que, a multa aplicada tem efeito confiscatório; Que, há ofensa à capacidade contributiva da empresa autuada; Que, deve ser aplicado ao caso o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional; Requer seja acolhida a presente impugnação; Cientificados, os interessados Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A. e Sr. JAIR ANTÔNIO DE LIMA apresentaram impugnação conjunta de folhas 4.680 a 4.699, anexando os documentos de folhas 4.700 a 4.729. Em síntese apresentam os seguintes argumentos: Que, preliminarmente, a autuação é nula em razão da ausência de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), que visa revestir o lançamento tributário de maior certeza e segurança jurídica, em respeito aos princípios da legalidade, moralidade, eficiência, devido processo legal, contraditório e ampla defesa e da segurança jurídica; Que, a autuação é nula por ausência de prova concreta, está baseada em presunções; Que, as multas aplicadas no presente caso tem natureza penal e, como tal, subordinamse aos princípios constitucionais que regem a imposição de sanções penais. É impossível a pena extrapolar a pessoa do infrator; Que, a responsabilidade atribuída também carece de provas; Que, inexiste prova cabal da coligação ou formação de grupo econômico (requer unidade de direção e confusão patrimonial, um plano único para atingir objetivos comuns); Que, deve ser aplicado ao caso o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional; Requer seja acolhida a presente para o fim de reformar a r. decisão recorrida. Cientificados, os interessados Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. e Sr. JORGE MACHADO apresentaram impugnação conjunta de folhas 4.784 a 4.797, anexando os documentos de folhas 4.798 a 5.104. Em síntese apresentam os seguintes argumentos: Que, em face de a autuação trazer o contido no processo administrativo fiscal n° 15165.720940/201417, requer sejam consideradas as razões ofertadas em anexo à presente peça de defesa e relacionadas aos fatos lá apontados (fls. 4.809 a 4.862). Dela se extraí, em apertada síntese: Há nulidade na apreensão de livros, documentos e computadores, cujos dados foram utilizados na autuação e que devem ser desconsiderados na avaliação dos fatos invocados pelo agente autuante. Prova nula, inservível para a aplicação de pena; O agente autuante usurpou competência da autoridade competente para a aplicação da pena de perdimento, o que implica nulidade do procedimento; As confusões de datas relacionadas às declarações do Sr. Jorge quando do seu depoimento tem relação com o fato de ter comparecido só e sem a orientação de qualquer advogado, agiu de boafé, estava nervoso e confundiu o ano de aquisição Fl. 5532DF CARF MF Processo nº 15165.722831/201515 Acórdão n.º 3402005.458 S3C4T2 Fl. 5.524 19 da empresa com o de sua fundação e, que a empresa possuiu uma filial em São Caetano; a empresa Garantia Total Ltda., em sua gênese, tinha como atividade central a produção charque, abrindo diversas filiais no País. Contudo o ramo de produtos derivados de abates de bovinos apesar de trabalhar com grandes volumes de mercadorias tem baixa lucratividade. Tal fato motivou os antigos detentores do controle da empresa, do Grupo Torlim, a vender suas cotas para o Sr. Jorge Machado. O valor da empresa era apenas o seu valor comercial (cita o exemplo do Grupo Marfrig). O Sr. Jorge Machado ocupava a função de vendedor da empresa Torlim Produtos Alimentícios Ltda. e possuía créditos de comissão de vendas para receber dessa empresa. Assim, ponderando a baixa lucratividade e a obrigação de pagar crédito optou por vender as cotas sociais (os Srs. Jorge e Cleber atuavam há anos no mercado de carne e tinham grande conhecimento). Sob o comando de ambos a impugnante passou a adquirir produtos no mercado interno (apresentava “giro”), que ao final representava alguma lucratividade; a Empresa Garantia tornouse, na verdade, uma concorrente da empresa Torlim Alimentos S/A. O próprio autuante confirma que ambas empresas funcionaram paralelamente, importando mercadorias do exterior; A venda das cotas sociais decorreu do fato de os Srs. Jorge e Cleber possuírem direitos de crédito: comissões de vendas e direitos trabalhistas, respectivamente; A não localização da matriz em Guarulhos decorreu de pedido de devolução do prédio que ocupava, sendo alterado para Curitiba, mas por razões burocráticas acabou sendo formalizado após algum tempo do fechamento; O contrato relativo à aquisição das cotas estava finalizado desde 17/08/2010, aguardando a formalização da adquirente Machado e Gaeta Ltda. junto à JUCESP, daí a divergência apontada. Não houve simulação, mas mero equívoco; As correspondências comerciais citadas pela fiscalização tem relação com o fato de os Srs. Jorge e Cleber possuírem conhecimento do setor comercial, mas não da área contábil ou administrativa. Por isso o auxílio do Sr. Pedro (que passou a ser um mero prestador de serviços) e da Sra. Beth. Os emails retratam intermediações: uma empresa tem a mercadoria; a outra tem o cliente; Os cheques passados à diversas pessoas, físicas e jurídicas sem contabilização revelam apenas o descumprimento de dever formal. Apresenta suas explicações; A divergência de rótulos nas operações de importação mencionadas pelo autuante foi objeto de criteriosa investigação, levada a efeito pela SAANA de Maringá, que concluiu pela inexistência de ligação entre ambas as empresas; Os funcionários encontrados na diligência em Curitiba estão relacionados com a alteração do seu endereço; A fiscalização faz menção à decisões transitórias e ações judiciais sem força para estabelecer vínculos relacionais e que foram extintas, por uma ou por outra razão; Sobre as compras junto ao exportador estrangeiro, informa que essa possibilidade decorreu das relações pessoais que já existiam entre o Sr. Jorge Machado, na condição de exvendedor comissionado de uma das empresas do Grupo Torlim e o Sr. Jair Lima, pai da Sra. Carina (representante legal do Frigorífico Concepcion S.A.); Fl. 5533DF CARF MF 20 Apresenta explicação para a suposta dessincronia entre a conta contábil “Fornecedores Matriz”, e que tal conta não contempla os lançamentos relacionados às operações de importação; O arbitramento é nulo, os critérios adotados, por demais generalistas e equivocados. As mercadorias possuem vários níveis de qualidade e de características quanto à sua utilização; Não foi apresentada prova cabal da coligação ou de existência de grupo econômico; Inaplicável a penalidade prevista no artigo 84 da MP 2.158 no caso de aplicação da pena de perdimento; Que, preliminarmente, a autuação é nula em razão da ausência de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), que visa revestir o lançamento tributário de maior certeza e segurança jurídica, em respeito aos princípios da legalidade, moralidade, eficiência, devido processo legal, contraditório e ampla defesa e da segurança jurídica; Que, o fato motivador da autuação é a empresa ter adquirido irrisório percentual de mercadorias. O autuante arrolou os impugnantes sem apresentar as provas para tanto. Ainda que se considere tal hipótese, a responsabilização teria que ser restrita ao montante da qual participou, nunca pelo total das operações; Requer seja julgado procedente a impugnação. Finalmente, cumpre esclarecer que em 05/01/2017 o processo foi baixado em diligência para que a unidade preparadora apresentasse informação fiscal relacionada à tempestividade das impugnações apresentadas, bem como anexar aos autos as peças de defesa ou os termos de revelia relacionados aos autuados Empresa BEFOODS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI e Sr. ANTÔNIO VALDECIR SPACIARI, restando anexado aos autos os documentos de folhas 5.126 a 5.449, e despacho consignando (fls. 5.449) a tempestividade das impugnações interpostas, bem como a juntada aos autos das impugnações dos interessados. É o relatório. Uma vez processada, a Impugnação foi julgada procedente pela DRJ em Florianópolis (SC), o que se deu nos seguintes termos (fl. 5.451): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 25/09/2013 a 30/05/2014 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. PLURALIDADE DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. O crédito tributário deve ter sua formalização efetivada com unicidade quanto a sujeição passiva e ao fato gerador da obrigação tributária que lhe deu nascimento. Vale dizer, o crédito tributário não pode ser resultado da somatória de créditos tributários decorrentes de fatos geradores próprios e específicos de distintos sujeitos passivos. É nula, por vício de forma, a autuação de crédito tributário quando o quantum exigido no auto de infração é resultado da somatória de créditos exigidos de distintos sujeitos passivos Fl. 5534DF CARF MF Processo nº 15165.722831/201515 Acórdão n.º 3402005.458 S3C4T2 Fl. 5.525 21 em razão da ocorrência de distintos fatos geradores da obrigação tributária. CONCLUSÃO EMPRESTADA. CERCEAMENTO DE DEFESA. O uso direto da conclusão de outro procedimento fiscal, ainda que de forma parcial, sem a conexão com as provas nas quais fundamenta a conclusão da autoridade fiscal cerceia o direito de defesa, mormente quando parte dos autuados não participou do processo administrativo fiscal anterior. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Verificase nos autos que todos os interessados (Recorrente e responsáveis solidários) foram intimados do resultado do julgamento (Acórdão nº 0739.769, de 15/05/2017 fls. 5.451/5.482), conforme se verifica nos Termos de intimação e cópia dos AR Correios/Edital apensos às fls. 5.484/5.506. Recurso Voluntário: Mesmo cientificados da decisão, constato que não encontro nos autos, apresentação dos Recursos Voluntários, tanto da Empresa V.L. AGRO INDUSTRIAL LTDA, como dos demais interessados neste processo. Recurso de Ofício: Considerando que a exoneração do crédito tributário nos valores de R$ 35.029.686,09, ultrapassa o valor de alçada, a DRJ/FNS submeteu à apreciação do CARF/MF, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235 (Processo Administrativo Fiscal PAF), de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 1997, e Portaria MF nº 003, de 2008, por força de recurso necessário. Por fim, consta do Despacho de fl. 5.508 que, "Não tendo havido requisição dos autos para apresentação de contrarrazões pela PGFN ...", os autos foram, então, distribuídos para este Conselheiro dar prosseguimento e analise o recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da admissibilidade dos Recursos Como relatado, a Recorrente e demais interessados não apresentaram Recurso Voluntário. Sobre o conhecimento do Recurso de Ofício, a exigência tributária cancelada por meio da decisão recorrida supera o limite de alçada previsto. Ressalto que mesmo com a alteração promovida pela Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 (que revoga a Portaria MF n° 3/2008), elevando o limite de alçada para o seu conhecimento no âmbito do contencioso administrativo fiscal para o montante de R$ 2.500.000,00, o qual deve ser observado nesse Fl. 5535DF CARF MF 22 momento processual a teor da Súmula 103 do CARF, o presente caso preenche os requisitos para a apreciação por este Conselho. 2. Do Recurso de Ofício Depreendese do “Relatório Fiscal” do Auto de Infração (fls. 34/161), que a Empresa V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA., registrou 183 declarações de importação (DI) (listadas a folhas 35/37) indicando ser o importador e real adquirente das mercadorias declaradas (carne bovina e sebo bovino) e procedentes do exportador FRIGORÍFICO CONCEPCION S.A., sediado no Paraguai. Como relatado, o Auto Infração foi lavrado contra a empresa V.L. AGRO INDUSTRIAL LTDA. (ocultante), para constituição de crédito tributário no valor de R$ 35.029.686,09, referentes a (i) multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, em substituição à pena de perdimento, pela impossibilidade de sua apreensão face seu consumo; (ii) multa decorrente da omissão de prestação de informação relacionada à existência de vinculação entre comprador e vendedor nas operações de importação; e (iii) diferença apurada entre o preço declarado e o preço arbitrado (multa da diferença de preço). A responsabilidade solidária (PJ e PF) restou desta forma estabelecida pela Fiscalização (fls. 154/157): Pessoas Jurídicas (ocultadas): 1) GARANTIA TOTAL LTDA., 2) BEST BOI ALIMENTOS EIRELI, 3) TORLIM ALIMENTOS S/A, 4) CAS TRANSPORTES & LOGÍSTICA LTDA., 5) NORTESUL CONSTRUÇÕES E AGRO FLORESTAL LTDA. ME, e 6) BEFOODS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI. A "Tabela C.4" abaixo, demonstra a participação (percentual) de cada PJ em relação ao valor total das operações. Pessoas Físicas: EDUARDO CÉSAR BERALDO, ANTÔNIO VALDECIR SPACIARI, LUZIA SPAGGIARI, JAIR ANTÔNIO DE LIMA, JORGE MACHADO, CLÉBER GAETA, CLÁUDIO ALBERTO SCALASSARA e MARLENE BONOTTO SCALASSARA. A fiscalização indica, no Relatório Fiscal às fls. 154/156, que as multas são aplicadas ao importador e a todos aqueles considerados responsáveis solidários. Primeiramente, ressaltase que a DRJ/FNS, no presente caso, destaca a existência de vício formal na autuação lavrada contra a ocultante “L.R. AGRO INDUSTRIAL”, que se refere a operações nas quais são ocultadas, basicamente, seis empresas (acima nominados), em diferentes Declarações de Importações (DI). Relata que entre as Fl. 5536DF CARF MF Processo nº 15165.722831/201515 Acórdão n.º 3402005.458 S3C4T2 Fl. 5.526 23 diversas alegações apresentadas pelos interessados em suas peças de defesa, foram suscitadas duas questões preliminares, que foram analisadas, visto que acabam por demonstrar mácula que não pôde ser superada. Observase nos autos (Tabela C.4 acima) que, mesmo sabendo exatamente quais importações tiveram como destino cada uma das empresas (o que se percebe analisando se o Relatório Fiscal (fls. 34/161), a autuação incluiu todas as 7 (sete) empresas (PJ) no polo passivo da obrigação tributária, como responsáveis pela integralidade do crédito tributário. Concluiu o Fisco, com base nas provas apresentadas no presente processo e com base no que chamou de “DOCUMENTO COMPROBATÓRIO N° 2” Relatório de ação anterior, relacionado aos processos administrativos n° 15165.720940/201417 e 15165.720941/201461 (fls. 189/444), que o pólo passivo da presente autuação deve contemplar o rol de pessoas (jurídicas e físicas) que cita (fls. 154/156), em um total de 15 autuados (PF e PJ), incluindo a V.L. AGROINDUSTRIAL. Ressaltase que da leitura do Relatório Fiscal, poderiam facilmente ser individualizadas as operações por empresa. É certo que a “V.L. AGROINDUSTRIAL”, adotadas as premissas constantes dos autos, seria efetivamente responsável pela integralidade do crédito tributário, enquanto as outras seis empresas responderiam apenas no que se refere às operações nas quais figuram como destino (se caracterizada a operação como ocultação). Apresentadas essas considerações, cabe então analisar o modo em que se encontra formalizada a exigência do crédito tributário, visto que é neste aspecto que se encontra motivo suficiente para sustentar o deslinde do feito. Por bem contextualizar essa matéria, em complemento às razões expostas acima, a seguir subscrevo os principais trechos das considerações tecidas pela decisão de piso, adotandoas como razão de decidir, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto. Vejase que os artigos 121 e 122 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN) definem o conceito de “sujeito passivo”, “contribuinte” e “responsável”: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. (Grifei) Por sua vez o artigo 113 do Código Tributário Nacional assim estabelece: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 5537DF CARF MF 24 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (Grifei) Concluise portanto que, independentemente de a obrigação principal estar relacionada a tributo ou penalidade pecuniária, o contribuinte é aquele que tem relação direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Já o responsável é aquele que, apesar de não revestir a condição de contribuinte, tem sua obrigação decorrente de disposição expressa da lei. Contudo, ambos são qualificados genericamente como “sujeito passivo”. Outra questão, não menos importante, é aquela relacionada à solidariedade. O Parágrafo único do artigo 124 do Código Tributário Nacional é incisivo ao afastar prioridades, ordens, seqüências ou exclusões de pessoas solidariamente obrigadas, seja decorrente do interesse comum, seja por expressa disposição legal: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (Grifei). O inciso I é claro ao estabelecer que existindo interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (reiterese, que esta pode estar relacionada tanto a tributo quanto a penalidade pecuniária) haverá obrigação solidária. O inciso II estabelece que, independentemente do interesse comum, a lei poderá designar pessoas que serão solidárias. De outra sorte, uma vez estabelecida a solidariedade no pólo passivo da autuação, seja por interesse comum, seja por lei, não haverá beneficio de ordem, o que significa impossibilidade de prioridades, seqüências ou exclusões das pessoas solidárias em relação ao fato gerador da obrigação principal. Pois bem, o Auto de Infração, no modo em que lavrado, diz respeito a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 35.029.686,09. Este valor é o somatório do crédito tributário decorrente de três obrigações tributárias de naturezas distintas, quais sejam: multa equivalente ao valor aduaneiro de mercadorias sujeitas à aplicação da pena de perdimento em razão de seu consumo (R$ 29.606.108,47); multa administrativa por ter sido constata diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado (R$ 5.123.294,44) e; multa por omissão de informação de natureza administrativotributária e comercial (R$ 300.283,18). Embora a totalidade do crédito tributário tenha relação direta com operações de importação formalizadas pela Empresa V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA., se observa que os fatos que dão ensejo às três exigências possuem natureza obrigacional diversa, tratandose de infrações que, embora possam estar conectadas em razão do “modus operandi” da empresa, são independentes uma das outras: vale dizer, o fato gerador de cada uma das multas tem relação com fatos jurídicos tributários específicos e diversos uns dos outros. E mais, os fatos geradores destes conjuntos infrações cometidas simultaneamente tem nascimento em Fl. 5538DF CARF MF Processo nº 15165.722831/201515 Acórdão n.º 3402005.458 S3C4T2 Fl. 5.527 25 momentos distintos em relação ao total consignado na autuação: cada grupo nasce a cada registro da respectiva operação de importação. Como se observa há uma multiplicidade de condutas e operações que estão sendo imputadas a uma multiplicidade de pessoas, isto tudo num único Auto de Infração e processo administrativo fiscal. O procedimento adotado, revelase inadequado, vez que afronta a legislação que rege a matéria e, por vias indiretas, o próprio direito à ampla defesa e apresentação do contraditório assegurados constitucionalmente aos autuados. Para demonstrar o equívoco na formalização realizada basta exemplificar o caso da Empresa BEFOODS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI, cuja responsabilidade foi assim determinada (fl. 155): "Pessoas Jurídicas CAS TRANSPORTES & LOGÍSTICA LTDA., CNPJ nº 11.779.237, NORTESUL CONSTRUÇÕES E AGRO FLORESTAL LTDA. ME, CNPJ nº 77.074.813, e BEFOODS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI, CNPJ nº 17.955.288: além do fato, já verificado na autuação anterior e reforçado na atual, da evidente ligação/vinculação de tais entidades com o grupo empresarial de fato que comanda os negócios sob análise, comparandose o que consta do planilhamento que detalhou a sequência de emissão de documentos fiscais relacionados às operações analisadas (Documento Comprobatório nº 11 ) com as informações bancárias que identificaram a real origem dos recursos identificados como pagamentos de tais operações (Quadro C.2, Tabela C.4 e Documento Comprobatório nº15), concluise forçosamente que as mesmas, ao terem se prestado a atuar como instrumentos de ação meramente formais desse grupo de fato,concorreram de forma ativa e consciente para a prática das condutas verificadas; e.... Não obstante a BEFOODS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI tenha sido identificada e comentada apenas na presente autuação (vide, em especial, o tópico C.2.1 representante legal concorrente da empresa), o que ora se apurou e constatou a seu respeito permite concluir sem qualquer sombra de dúvidas que se trata de mais uma entidade que se prestou, de forma evidentemente consciente, a ser utilizada como instrumento útil para a consecução dos objetivos do grupo empresarial de fato que verdadeiramente comanda as operações analisadas, a exemplo do que se verificou em relação a tantas outras entidades. A primeira conexão (“verificado na autuação anterior” mais adiante este tema será tratado) revela de início um grave problema, tal empresa não compôs o pólo passivo daquela autuação (fls. 437), portanto não poderia se defender e contrapor as provas lá apresentadas. O “Documento Comprobatório n° 11” (fls. 3.468/3.480), revela que das 183 operações de importação em análise, a Empresa BEFOODS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI, teria participado de apenas 03 Declarações de Importação (DIs n° 1409035192, 14/10339663 e 14/10341064 fls. 3.479/3.480), registradas em 13/05/2014, 30/05/2014 e 30/05/2014 (fl. 37), respectivamente, perfazendo um total de 75.000 kg de mercadorias. Mas, responde por um total de 4.714.062,43 kg de mercadorias importadas. Ademais a mesma mercadoria importada, do que se constata do “Documento Comprobatório n° 11”, teria sido vendida pela Empresa V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA. para duas empresas distintas, o que seria materialmente impossível. Fl. 5539DF CARF MF 26 O “Quadro C.2” (fls. 108/111), revela que a Empresa V.L. AGRO INDUSTRIAL LTDA. teria liquidado títulos da Empresa BEFOODS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI em razão de depósitos bancários realizados pela Empresa BEST BOI ALIMENTOS – EIRELI em 04/06/2014. A “Tabela C.4” (fl. 112), reproduzida neste voto, revela que a empresa teria participado como compradora de apenas 0,75% das operações de importação realizadas. O “Documento Comprobatório nº 15” (fls. 3.663/3.685) se trata dos comprovantes bancários que dão sustentação ao “Quadro C.2” montado pela fiscalização. Não se encontram depósitos associados diretamente a Empresa BEFOODS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI. O tópico “C.2.1 O representante legal concorrente da empresa” (fls. 78/87) trata especificamente da ligação do Sr. EDUARDO CÉSAR BERALDO (sócio da Empresa BEFOODS – DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI.) com a Empresa V.L. AGRO INDUSTRIAL LTDA. Muito embora a fiscalização tenha logrado êxito em fazer a conexão da pessoa física com as operações realizadas pela Empresa V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA., o mesmo não se observa em relação à empresa BEFOODS – DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI. As informações acostadas revelam dados relacionados a fatos ocorridos entre 08/2014 e 10/2014 (importações da empresa) e entre 03/06/2014 e 06/10/2014 (notas fiscais expedidas). Todos fatos posteriores às operações objeto da autuação. Ainda que se considere que o conjunto de indícios apresentados revele ligação do Sr. EDUARDO CÉSAR BERALDO e certa proximidade de sua Empresa BEFOODS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI. com a Empresa V.L. AGRO INDUSTRIAL LTDA. e mesmo com outras empresas, não restou demonstrado que tal empresa pudesse ter participado direta ou indiretamente do total de 183 operações de importação como pretendido pela fiscalização, mas apenas daquelas para as quais efetivamente restou demonstrada a sua participação. Não se vislumbra que as relações comerciais, formais ou informais, apontadas pela fiscalização sejam suficientes para caracterizar a tese defendida de que tal empresa deva ser responsabilizada como se fosse parte operante em todas as 183 operações de importação. Haveria que se demonstrar, ao menos, um "modus operandi" desta empresa consistente com o volume de operações e o período compreendido. Para que o conjunto de compradores indicados na “Tabela C.4” (fl. 112) possa ser considerado responsável, solidários entre si (um responsável pelas operações de compra dos demais), há que se demonstrar explicitamente o vinculo nas respectivas operações de importação. Inexistentes os laços, deve a fiscalização formalizar tantos autos de infrações e processos administrativos fiscais quanto forem os vínculos existentes. Por outro lado, não se pode simplesmente excluir a empresa BEFOODS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI. do pólo passivo da autuação e continuar com a cobrança do crédito tributário em apreço, pois de fato, se constatou a sua participação em 03 operações de importação, devendo responder, então, pela parcela do respectivo crédito. O mesmo raciocínio do exemplo acima cabe para as demais empresas indicadas na “Tabela C.4”. A lavratura de um único Auto de Infração com a totalidade do crédito tributário dos diversos conjuntos de sujeitos passivos (soma das multas de cada uma das operações de importação distintos fatos geradores) acabou por inviabilizar o feito pretendido, vez que o crédito tributário não foi formalizado com unicidade quanto a sujeição passiva Fl. 5540DF CARF MF Processo nº 15165.722831/201515 Acórdão n.º 3402005.458 S3C4T2 Fl. 5.528 27 e ao fato gerador da obrigação tributária que lhe deu nascimento. O entendimento é de que não pode o crédito tributário ser lavrado, em um mesmo auto de infração, como resultado de obrigações tributárias decorrentes de fatos geradores distintos quando provocados por distintos conjuntos de sujeitos passivos. Para que a pluralidade da sujeição passiva dos autos pudesse ser mantida na forma em que lavrado o auto de infração (alcançar todas as pessoas indicadas), haveria que restar demonstrado que cada um dos sujeitos passivos atuou em todas as operações de importação, ou de todas tenha se beneficiado. Não é o que se depreende das provas acostadas aos autos. O modo como foi formalizada a exigência, reunindo em um só processo sujeitos passivos distintos, afronta as disposições contidas no artigo 9º do Decreto n° 70.235/72, que assim dispõe: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Grifei Assim, ao efetuar o lançamento ou propor a aplicação da penalidade cabível deverá estar devidamente realizado o procedimento administrativo tendente a identificar o sujeito passivo, conceito que, como já se abordou, engloba contribuinte e responsável (inclusive o solidário), tudo conforme estabelecido no artigo 142 da Lei n° 5.172/66 (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (Grifei) No caso dos autos, embora a fiscalização tenha realizado o procedimento administrativo tendente a verificar a identificação do sujeito passivo (vide “Relatório Fiscal”), laborou em equívoco ao reunir diferentes sujeições passivas num único auto de infração e processo, vício de forma, que deve ser corrigido para que mais à frente (execução do crédito tributário) o feito não se revele como motivador da impossibilidade de satisfação do crédito tributário pelos respectivos responsáveis. Neste mesmo sentido, a Portaria RFB n° 2.284, de 2010, determinou que a formalização da autuação, quando da existência de pluralidade de sujeitos passivos, seja realizada em relação a todos os sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária. Também é salutar registrar que os Autos de infrações e processos a serem lavrados devem observar além dos aspectos acima citados, o aspecto temporal, reunindo nos Fl. 5541DF CARF MF 28 mesmos atos somente o sujeito passivo (contribuinte e responsáveis) correspondente ao período ou fato gerador. Isto é, se há mudança no pólo passivo ao longo do período analisado (por exemplo a mudança de sóciosadministradores), devese formalizar auto de infração (e processo) para cada período em que o pólo passivo é o mesmo. Não obstante a questão relacionada à sujeição passiva, há que se registrar uma segunda nulidade que igualmente deve ser reconhecida para que se respeite os princípios da ampla defesa e do contraditório. Como se depreende do “Relatório Fiscal” do presente processo administrativo fiscal em diversos momentos distintos a fiscalização faz referência ao “Relatório Fiscal do processo administrativo fiscal n° 15165.720940/201417”, referenciando o mesmo como “Documento Comprobatório n° 2” (fl. 64): "(...) Tal exportador/produtor paraguaio FRIGORÍFICO CONCEPCION S.A. constituise em figura central de grupo econômico identificado em outra ação fiscal recentemente encerrada, da qual resultou expressivo lançamento tributário além de proposta de aplicação da penalidade de perdimento a diversas cargas, motivados pela detecção de graves irregularidades aduaneiras (processos administrativos fiscais nº 15165.720940/201417 e nº15165.720941/201461, ambos formalizados em 11/04/2014); no Relatório Fiscal de tal ação anterior, aqui referenciado como Documento Comprobatório nº 2 e que necessariamente também embasa a atual por evidente pertinência e ligação10, constam diversos elementos convergentes e consistentes entre si que permitiram concluir a existência de organização de fato (informal), estabelecida para o fim de ocultar o(s) real(is)interessado(s) nas operações de importação lá detalhadas, quadro que, conforme adiante detalhado, claramente se repetiu na presente ação fiscal." (Grifei) Também há referência ao “Relatório Fiscal anterior” às folhas 68, 86, 87, 95, 107, 112, 113, 141, 154, 155. As provas indicadas no “Relatório Fiscal anterior” não foram trazidas aos autos do presente processo administrativo fiscal, ainda que algumas tenham sido reproduzidas no corpo de tal relatório. Como se vê dos autos, as infrações imputadas aos interessados foram lastreadas em parte (reiterese apenas em parte) na conclusão de outro processo administrativo (seu Relatório Fiscal), no qual parte dos interessados do presente processo administrativo fiscal foram objeto de autuação. Ainda que as informações trazidas pela fiscalização no Auto de Infração detenham presunção de veracidade, mormente por se tratar de agente público no exercício de suas funções estabelecidas legalmente, é de observar que o presente feito se trata de processo de determinação e exigência de crédito tributário da União, no qual deve ser assegurado aos autuados o direito à ampla defesa e ao contraditório. No presente processo, com vistas a comprovar parte dos fatos citados em sua fundamentação, a fiscalização simplesmente trouxe de outro processo administrativo fiscal o relatório conclusivo. E, a partir deste relatório tratou de embasar parte dos seus fundamentos para aplicar as multas em comento, não trazendo a prova documental para lastrear as alegações e permitir que todos os autuados (em especial aqueles que não foram cientificados no processo administrativo fiscal anterior) exerçam plenamente seu direito de defesa. Em verdade acabou por “emprestar” a conclusão daquele procedimento fiscal, sem contudo apresentar qualquer prova que ampare a pretensão fiscal. Necessário esclarecer que existe nítida distinção entre “prova emprestada” e “empréstimo de conclusões”. Enquanto o empréstimo de conclusões ocorre quando a Fl. 5542DF CARF MF Processo nº 15165.722831/201515 Acórdão n.º 3402005.458 S3C4T2 Fl. 5.529 29 fiscalização fundase diretamente nas conclusões contidas em outros processos, a prova emprestada ocorre quando os fatos e as provas que permitem à fiscalização formar sua convicção são extraídos de outros processos. Assim, a despeito da prova dos autos poder vir de outros processos e procedimentos fiscais, inclusive de outras autoridades, a autoridade fiscal não deve se valer diretamente das conclusões daqueles feitos para impor penalidade, sob pena de macular a autuação. Embora no caso dos autos o equívoco tenha sido apenas parcial (não atinge todas as afirmações e fundamentos adotados pela fiscalização no presente caso), ele afeta diretamente o direito daqueles autuados que não compuseram a outra lide. O rito do processo administrativo fiscal, regido pelo Decreto n.º 70.235/72, tem como princípios basilares os princípios da ampla defesa e do contraditório, que mais especificamente em seu artigo 9° assim determina: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Grifei Assim, a ausência de parte das provas nas quais se fundou parte da conclusão da autoridade fiscal macula o presente processo, de forma que fica impedido o julgamento do mérito da lide, pois resta caracterizado que para parte dos impugnantes não foram apresentados os elementos de prova indispensáveis à comprovação dos ilícitos em conformidade com a convicção da autoridade fiscal autuante, cerceando seu direito à defesa. Das decisões semelhantes analisadas pelo CARF O caso discutido nestes autos, possui as mesmas características de outros já julgados por este CARF, tais como: Acórdão nº 3401003.836 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária e o Acórdão nº 3401003.293, de 25/01/2017. Ambos votos de lavra do Conselheiro Rosaldo Trevisan. Vejase as ementas: (Acórdão nº 3401003.293, de 25/01/2017) “AUTO DE INFRAÇÃO. SUJEITOS PASSIVOS INDICADOS COMO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS “PARCIAIS”. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE AUTUAÇÕES DISTINTAS. No lançamento que invoca um sujeito passivo como devedor principal e dois responsáveis solidários, cada qual referente a parte do lançamento, deve ser afastada a autuação, pela nulidade formal, para que sejam lavradas duas autuações, cada qual com os respectivos sujeitos passivos respondendo pela integralidade do crédito tributário desmembrado.” Grifei (Acórdão nº 3401003.836, de 28/06/2017) AUTO DE INFRAÇÃO. SUJEITOS PASSIVOS INDICADOS COMO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS “PARCIAIS”. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE AUTUAÇÕES DISTINTAS. Fl. 5543DF CARF MF 30 No lançamento que invoca um sujeito passivo como devedor principal e três responsáveis solidários, cada qual referente a parte do lançamento, deve ser afastada a autuação, pela nulidade formal, para que sejam lavradas três autuações, cada qual com os respectivos sujeitos passivos respondendo pela integralidade do crédito tributário desmembrado. Grifei Analisando o primeiro Acórdão citado (nº 3401003.293), há que se destacar que alguns membros do Colegiado, entenderam que sequer havia vício no lançamento, podendo haver a segregação por sujeito passivo no momento da execução do julgado, como se revela no teor do voto vencido (trecho reproduzido): “(...) Novamente, sem muito esforço, notase que não se trata de questão que eive o lançamento de vício na identificação do sujeito passivo. Os sujeitos passivos foram perfeitamente identificados e, se os solidários não podem ser responsabilizados pela totalidade do crédito, isso passa ser uma questão de simples segregação das DI, na execução do julgado, na via administrativa, ou no curso da execução fiscal, mesmo porque, competência da PGFN incluir todos os solidários nos documentos de dívida ativa, cabendo a RFB apontar os fatos e os fundamentos jurídicos necessários e suficientes à Fazenda Nacional cumprir seu munus, em razão da jurisprudência que formouse no sentido da inclusão prévia à execução fiscal" (...). Grifei Mas neste mesmo Acórdão, o posicionamento majoritário externado pelos julgadores do Colegiado e revelado no voto vencedor do Conselheiro Rosaldo Trevisan, foi no seguinte sentido: "(...) Não atenta o autuante, no entanto, para o fato de que, entre as 52 DI relacionadas na autuação, nas quais a empresa oculta na transação seria a “Cervejaria Petrópolis S.A.”, algumas foram registradas pela “Barley Malting Importadora LTDA” e outras pela “Praiamar Indústria, Comércio e Distribuição LTDA”. E uma dessas empresas arroladas na condição de responsável solidária jamais poderia arcar com o crédito tributário lançado em relação à DI registrada por outra. (...). Por isso, concordamos com o relator quando este afirma que “... os solidários não podem ser responsabilizados pela totalidade do crédito”, mas divergimos no momento em que sustenta ser o desmembramento viável mediante “simples segregação das DI, na execução do julgado, na via administrativa, ou no curso da execução fiscal”. Esclareçase que, em relação às três empresas, paira, para o fisco, uma dívida (sob litígio) de R$ 433.039.339,66, com todas as consequências daí advindas (em relação à situação fiscal, quitação da dívida e possibilidade de obtenção de parcelamento etc.). Afirma ainda o relator, endossando as contrarrazões da PGFN (fl. 15530) que seria “[p]erfeitamente possível a segregação por DI dos montantes em relação aos quais cada solidário responde”, e que, “... ainda que entendida juridicamente impossível a segregação, restaria ao julgador, apenas, por excluir os responsáveis solidários do polo passivo da exação, não implicando a situação em nulidade do auto de infração, ao menos, contra o sujeito passivo principal do lançamento: CERVEJARIA PETRÓPOLIS S/A”. Até concordamos que, em eventual afastamento da responsabilidade de ambos os indicados como solidários, restando a imputação exclusivamente em relação à empresa “Cervejaria Petrópolis S.A.”, não haveria que se falar em vício na sujeição passiva, pois a única empresa remanescente no polo passivo responderia efetivamente pela integralidade do crédito lançado. Mas isso não está sob análise, Fl. 5544DF CARF MF Processo nº 15165.722831/201515 Acórdão n.º 3402005.458 S3C4T2 Fl. 5.530 31 ainda, no presente processo, que sequer ingressou na apreciação do mérito da autuação. Entendemos, assim, que devem ser lavradas autuações distintas para cada conjunto ocultante/ocultado, para que não se imponha responsabilidade solidária a sujeito passivo que sequer participou efetivamente da operação de importação objeto do lançamento" (...). Grifei No segundo Acórdão citado (nº 3401003.836), o posicionamento revelado pelo Relator, também de lavra do Conselheiro Rosaldo Trevisan, foi no mesmo sentido: "(...) A única diferença é que no presente caso, ao invés de dois, temse três responsáveis solidários. Mas, de forma idêntica, fica inviabilizada a defesa de cada um deles em relação à parte que sequer lhe diz respeito, criandose uma espécie de “responsabilidade solidária parcial”, incompatível com os atributos de tal instituto no Direito Tributário e no Direito Aduaneiro. Sobre ser formal ou material o vício, o que, hoje, implica, indiretamente, a possibilidade ou não de lavratura de nova(s) autuação(ões), tendo em vista o prazo decorrido, conforme artigo 173, II do Código Tributário Nacional, cabe destacar que mantemos o posicionamento por ser formal o vício. Apesar de não haver nenhuma obrigação de classificação dos vícios na legislação de regência (classificação essa, digase, doutrinária ou jurisprudencial, porque não há critério normativo explícito para a distinção), a manifestação do colegiado, no presente caso, é demandada não só pelo próprio teor do recurso de ofício e das contrarrazões apresentadas, mas para facilitar a evidenciação das providências a serem tomadas pela unidade local, na execução administrativa do julgado. E, para empreender tal análise, necessitamos de algo mais do que a proposta de classificação da Solução de Consulta Interna COSIT nº 8/2013 (que, digase, não resolve a discussão aqui presente, e permite tanto a conclusão presente no voto vencido, na DRJ, quanto a que figura no voto vencedor), de fácil assimilação, mas de difícil aplicação ao caso concreto. Entendemos que um grande passo foi dado na uniformização dos critérios a serem considerados na classificação dos vícios no lançamento tributário com obra recentemente publicada, fruto da dissertação de mestrado do conselheiro deste CARF Luís Eduardo Garrossino Barbieri, na qual são estabelecidos pressupostos teóricos de classificação dos , na citada obra, tenho um indicador claro de que o vício detectado no presente processo seria de ordem formal, pois, no caso em análise, é possível lavrarse nova(s)autuação(ões) sem investigação adicional, visto que basta que, com os elementos que já figuram no processo, seja apartada em três a presente autuação, por grupo “ocultante/ocultado”, nas operações de importação, visto que "o vício formal não admite investigações adicionais" (conforme entendimento endossado unanimemente pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9202002.731). Mantenho, assim, o entendimento externado no Acórdão no 3401003.293, de 25/01/2017, endossado aqui com estudo científico sobre o tema e com precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a decisão de piso". (Grifei) Fl. 5545DF CARF MF 32 O mesmo entendimento também foi externado pelo Terceiro Conselho de Contribuintes (Segunda Câmara), que por ocasião do Acórdão n° 30239.521, que assim registrou a ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 Crédito Tributário. Lançamento. Unicidade. Cobrança. Indivisibilidade. Nulidade. O crédito tributário deve ter sua formalização efetivada com unicidade quanto a sujeição passiva e ao fato gerador da obrigação tributária que lhe deu nascimento. Vale dizer, o crédito tributário não pode ser resultado da somatória de créditos tributários decorrentes de fatos geradores próprios e específicos de distintos sujeitos passivos. É nulo, portanto, o lançamento de crédito tributário quando o quantum exigido no auto de infração é resultado da somatória de créditos exigidos de distintos sujeitos passivos em razão da ocorrência de distintos fatos geradores da obrigação tributária. Essa hipótese, por certo, não se confunde com aquelas situações em que se verifica a existência de pluralidade de sujeitos passivos, em cujo âmbito, verificase a ocorrência de fato gerador cuja repercussão, por força da norma, alcança mais de uma pessoa. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. No mesmo diapasão, o Acórdão nº 9202002.731, da 2ª Turma da CSRF, assim resumiu a questão, destacandose procedimentos a ser observado em relação ao procedimento do novo lançamento. Vejase sua Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude da não caracterização da existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN. Saliento que, não estou aqui reapreciando a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento. Estou sim, apreciando a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Ocorre que, para que se aplique o art. 173, II do CTN o novo lançamento deve conformarse materialmente com o lançamento anulado. Fazendose necessária Fl. 5546DF CARF MF Processo nº 15165.722831/201515 Acórdão n.º 3402005.458 S3C4T2 Fl. 5.531 33 perfeita identidade entre os dois lançamentos, posto que não pode haver inovação material no lançamento substitutivo ao lançamento anulado anteriormente. (...). (Grifei) Recurso especial provido. Para concluir, nestes autos o que se vislumbra é que o denominado pela Fiscalização como "grupo econômico", utilizou diversas empresas no decorrer do tempo para realização das operações de importações, situação que por si só, não se confunde com a hipótese de tais empresas pertencerem efetivamente ao grupo econômico e serem responsáveis pelas infrações cometidas pelas demais empresas (também utilizadas pelo grupo econômico). Em outras palavras, até que se prove o contrário, o fato de o indicado grupo econômico ter utilizado determinada empresa para internalizar uma quantidade de mercadoria não a torna membro do grupo a ponto de responder por operações de importação em que não tenha direta ou indiretamente participado. Há que se apresentar, para tanto, as provas relacionadas ao caso. Por fim, comungo com o entendimento citado pela decisão a quo, por ocasião do Acórdão n° 078.751, da DRJ em Florianópolis, de lavra do Relator Cícero Pereira Peres Martins, cujo entendimento aqui se adota, e do voto se extrai: "(...) Vale dizer, o crédito tributário não pode ser lançado como resultado da somatória de créditos tributários próprios e específicos de distintos sujeitos passivos, pois, incabível o ajuntamento de créditos tributários decorrentes de obrigações tributárias especificas de um determinado sujeito passivo com créditos tributários decorrentes de um outro determinado sujeito passivo. Em outras palavras dizendo, as obrigações tributárias de cada um dos sujeitos passivos não se misturam, e isto para nenhum efeito, inclusive e muito principalmente, para fins de determinação e exigência do correspondente crédito tributário. (...). Por fim, apenas para argumentar, se fosse possível a formalização de exigência de crédito tributário da forma em que laborada na presente autuação, dentre tantas outras implicações, no que toca a sua cobrança, a depender do resultado do julgamento, haveria a necessidade de divisão do crédito em tantas partes quantas fossem as pessoas imputadas solidárias. De outro modo dizendo, o crédito teria que ser objeto de esquartejamento, para fins de sua cobrança. Como se sabe, o crédito tributário é indivisível. (Grifei) Posto isto, o crédito tributário deve ter sua formalização efetivada com unicidade quanto a sujeição passiva e ao fato gerador da obrigação tributária que lhe deu nascimento. No lançamento que invoca um sujeito passivo como devedor principal e seis responsáveis solidários, cada qual referente a parte do lançamento, deve ser afastada a autuação, pela nulidade formal, para que sejam lavradas seis autuações, cada qual com os respectivos sujeitos passivos respondendo pela integralidade do crédito tributário desmembrado. Fl. 5547DF CARF MF 34 Dispositivo Assim, em virtude de todos os motivos, fundamentos e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, para considerar NULO, por vício formal, o Auto de Infração em apreço, mantendose integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 5548DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.002626/2010-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECURSO ESPECIAL - PREQUESTIONAMENTO
Se a única matéria ventilada no recurso especial não foi prequestionada em específico no recurso voluntário, a falta de tal pressuposto recursal impede seu conhecimento.
Recursos Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-007.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recursos Especial do Contribuinte não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 26 26 /2 01 0- 85 Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 9303007.030 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Versam os autos lançamento de ofício de IPI, o qual foi parcialmente desconstituído pela DRJ em Juiz de Fora/MG (fls. 1068/1090). O Acórdão 3201002.072 (fls. 1140/1154), de 24/02/2016, negou provimento ao recurso, tendo sido assim ementado: AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata. DIFERENÇA ENTRE VALOR ESCRITURADO E DECLARADO/PAGO. Procede o lançamento de diferenças de tributo não oferecidas à tributação, obtidas a partir da própria escrituração do contribuinte. Contra a r. decisão, a autuada manejou o Recurso Especial de fls. 1167/1181, no qual, em suma, postula que o julgamento seja convertido em diligência para verificação de pagamento que alega ter realizado por meio de DARF em meses de 2017, os quais, a seu juízo, teriam sido considerados débitos confessados em DCTF. O Especial teve seu seguimento negado (fls. 1313/1315) ante a conclusão de ausência de prequestionamento. Não resignada, a empresa agravou (fls. 1327/1333) esse Despacho de Admissibilidade. Contudo, o então Presidente desta CSRF, nos termos do Despacho de fls. 1353/1355, rejeitou o agravo, confirmando a negativa de seguimento do recurso a esta E. 3ª Turma da CSRF. Contra esse Despacho do Presidente da CSRF, o contribuinte interpôs writ of mandamus, tombado sob nº 101378621.2017.4.01.3400. Às fls. 1373/1375, consta decisão do juízo da 3ª Vara Cível da SJDF. Essa decisão nos informa o teor do pedido da empresa impetrante: "concessão de medida liminar inaudita altera parte para que seja determinada admissão e regular processamento do recurso especial interposto pela impetrante no processo administrativo nº 13116.002626/201085". O juízo monocrático, em 29/11/2017, indeferiu o pedido liminar. Na sequência dos documentos acostados, segue decisão do TRF1 (fls. 1377/1378) que noticia que a decisão foi agravada de instrumento àquela Corte, a qual, em decisão monocrática, datada de 19/12/2017, deferiu o pedido da agravante nos seguintes termos: Assim, por entender presente a probabilidade de êxito na pretensão da agravante e diante do perigo de dano, cm juízo de cognição sumária, com base no art. 1.019, I, do CPC, defiro o Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 9303007.030 CSRFT3 Fl. 4 3 pedido de antecipação da tutela recursal, para determinar o processamento do recurso especial interposto pela agravante no Processo Administrativo 13116.002626.201085, se outro vício não houver. Temse, assim, que o processamento do recurso deuse por ordem judicial em juízo de cognição sumária. De fls. 1415/1419, petição dos novos procuradores da autuada, datada de 06 de junho do corrente ano, que apenas se presta para repetir o já dito nos momentos recursais oportunos e tempestivos, anexando o laudo de fls. 1425/1444. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator O presente recurso especial foi processado e subiu a esta CSRF em função de decisão judicial, uma vez que nos termos do RICARF o mesmo não foi processado. Todavia, consabido que a instância recursal ad quem tem plena competência para analisar matéria submetida ao seu crivo, quer quanto aos pressupostos recursais, quer, por óbvio, quanto às questões de fundo. Ou seja, sua cognição é plena em relação ao recurso especial interposto. Por isso, nada louvável que o contribuinte ao escolher o rito do Decreto 70.235/72, vá buscar tutela judicial para processamento de seu recurso quando todo o procedimento está inserto nos estritos limites da legalidade e legitimidade. O contribuinte ocupa e onera tanto o Estadoadministração quanto o Estadojurisdição, fazendo a Administração, lato senso, atuar duas vezes sobre mesmo fato desnecessariamente. Fico a me perguntar: se o contribuinte quer buscar determinado direito no âmbito do Judiciário, por que fica litigando na via administrativa se não se conforma com suas decisões? Mas, enfim, foi sua opção e, infelizmente, nos contornos atuais, a lei alberga esse tipo de agir. Contudo, por certo, esse procedimento, tornandose usual, pode, com o tempo, levar ao fim desta instância recursal por questão de racionalização e eficiência administrativa. Como relatado, a busca do contribuinte pela tutela jurisdicional foi para que o recurso fosse processado, o que lhe foi concedido, embora em decisão liminar, portanto precária. Assim, foi satisfeito seu pleito, pois cá estamos em Sessão a analisar seu recurso especial. Da decisão monocrática do juízo singular, posteriormente modificado monocraticamente pelo TRF1, destaco o seguinte excerto: Consta no ANEXO II do Regimento Interno do CARF (que versa acerca da competência, estrutura e funcionamento dos colegiados do CARF), aprovado pela Portaria MF N° 343, de 09 de julho de 2015, mais precisamente no art. 67, que o recurso especial será cabível para demonstrar eventual divergência de Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 9303007.030 CSRFT3 Fl. 5 4 interpretação da legislação tributária entre os órgãos julgadores do próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Dessa forma, possui o recurso especial o propósito especifico de uniformizar o entendimento jurisprudencial no âmbito do CARF, sendo, portanto, de cognição restrita e sempre limitado à finalidade legalmente consignada. Da simples análise da estrutura administrativa de julgamento dos recursos ficais, depreendese a inocorrência de cerceamento ao direito da impetrante de ampla defesa e contraditório. Na sua composição, funcionando como primeira instância administrativa estão as Delegacias da Receita Federal, e como órgão revisor, portanto segunda instância administrativa, as turmas ordinárias do CARF (responsáveis pelo julgamento dos recursos voluntários). Por sua vez, a Câmara Superior de Recursos Fiscais possui a finalidade específica de zelar pela coerência interpretativa dos órgãos do CARF, não podendo ser vista como mais uma instancia recursal. Estabelecidos esses pressupostos, passo a análise da admissibilidade do recurso. Como se depreende do TVF (fls. 586/598), o contribuinte foi autuado, em síntese, por glosa de créditos. Parte deles transferidos de sua matriz, em Santa Catarina, como, p.ex créditoprêmio de IPI, crédito presumido de IPI, e mesmo o que chama de "energético", que nada mais são que gastos com energia elétrica e combustíveis. Parte desses valores foram objeto de parcelamento especial e retificação de DCTF. A empresa também se creditava de insumos com alíquota zero e isentos, mas com arrimo em decisão transitada em julgado, porém objeto de ação rescisória ainda em curso. Tanto que em relação a esses últimos créditos, o lançamento foi levado a efeito para prevenir a decadência, portanto com exigibilidade suspensa, em processo administrativo diverso (nº 13116.002625/201031). Todos esses fatos estão narrados à minudência pela fiscalização em percuciente trabalho, no qual foram feitas todas as segregações devidas, resultando na tabela de fl. 595, detalhadamente explicada nas folhas subsequentes. Pois bem, diante de todos esses fatos, a empresa impugnou (fls. 617/627) o lançamento, alegando como matérias de fundo a decadência e que teria havido a "quitação integral dos créditos indevidos". Incidentalmente, no item 4 da impugnação asseverou: 4. DAS PROVAS Diante das razões expostas, a Impugnante requer a produção de todos os meios de provas em direito admitidos, em especial a baixa dos presentes autos administrativos em diligência, a fim de reconstituir a apuração realizada. Destacado procedimento certamente resultará na desconstituição da presente exigência. Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 9303007.030 CSRFT3 Fl. 6 5 E, ao final, requereu: 5. DOS PEDIDOS Por todo o exposto, requer se digne esta insigne Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em receber e acatar integralmente a presente Impugnação no sentido de: a) Reconhecer a preliminar arguida, afastando, por consequencia, as exigências relativas ao anocalendário 2005, face a decadência que se operou; Posteriormente, b) Determinar a nulidade do Auto de Infração, em vista do pleno reconhecimento e indicação dos débitos indevidos para pagamento nos parcelamentos especiais oferecidos pela Receita Federal do Brasil. Ad cautelam, caso não seja este o entendimento, então que se determine a realização de diligência fiscal, a fim de sanar as divergências apontadas, procedimento este que comprovará a inexistência da exigência combatida. Nesse ponto já podemos constatar que o pedido de diligência foi feito sem a menor especificidade quanto ao seu objeto, vale dizer, de forma tangencial. A relatora do Acórdão de Impugnação, após afrontar a questão da decadência, adentrou no mérito, em item próprio, esmiuçandoo quanto às alegações de que parte dos créditos tributários suspensos por meio de medida judicial não teriam sido considerados na apuração fiscal, que eventuais débitos em DCTF teriam sido cobrados a maior na autuação, que valores confessados em DCTF teriam sido desconsiderados na cobrança, que duas exclusões de valores teriam sido indevidas e que um recolhimento de IPI não teria sido considerado na apuração fiscal, alem da alegação de terem sido considerados 5 pagamentos como débitos em DCTF. A i. relatora na instância de piso analisou, em competente e analítico voto, item a item, valor a valor (fls. 1077/1085), apenas acatando o item 2.6 para reduzir o tributo lançado no mês de março de 2007, e a consequente multa em relação a esse valor. Justamente porque encontrou nos autos todos elementos a levála à conclusão a que chegou, que entendeu, com espeque no art. 18 do Decreto 70.235/72, prescindível a diligência. Contra essa decisão, a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 1095/1112), no qual, fundamentalmente, postulou a declaração de nulidade do lançamento (item 1), e, quanto ao mérito, basicamente repisou a peça impugnatória, sem, em nenhum momento, nem superficialmente, aludindo à necessidade de diligência, uma vez que articulou, ponto a ponto, as questões de mérito. Ao final, requereu: Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 9303007.030 CSRFT3 Fl. 7 6 Portanto, no recurso voluntário sequer uma palavra sobre a necessidade de diligência. Justamente por isso, que o acórdão 3201002.072, em seu relatório consignou que a recorrente "reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural". E o voto do relator enfrentou todas as matérias para ao final negar provimento ao recurso, no que foi acompanhado por todos seus pares, à exceção de um, "que entendia necessária a realização de diligência", porém sem apresentar declaração de voto e sem que se tenha notícia para que fim seria a mesma. O resultado do julgamento foi assim vertido: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que entendia necessária a realização de uma diligência. E essa é a única vez que a palavra diligência foi mencionada no aresto recorrido. Em seu recurso especial, a autuada procura demonstrar acórdãos paradigmas em relação à busca da verdade material, "inclusive mediante conversão do julgamento em diligência". E valeuse do voto vencido para tanto. Vejase o seguinte excerto do RE: Tanto é verdade que o acordão recorrido, proferido por maioria de votos, indica o entendimento de um dos conselheiros integrante da Turma Julgadora (Dr. Pedro Ronaldi de Oliveira Lima), que justamente se manifestou quanto a realização de diligência, dada a fragilidade do caso. Reiterese, é o que pretende a contribuinte desde que instaurada a discussão. Inverídica a afirmação da empresa, como antes articulado, pois não é verdade que desde que instaurada a discussão ela postulava diligência. Em sede de impugnação, tangencioua no pedido final, mas sequer apontando para que fim, e em sede de recurso voluntário não fez qualquer pedido de diligência, mesmo superficialmente. Justamente por esse motivo que o despacho de admissibilidade gizou: Acontece, porém, que a decisão recorrida nada traz quanto a essas matérias, não havendo uma única linha no voto condutor do acórdão acerca de pedido de realização de diligência. É bem verdade que o resultado do julgamento traz a informação de que o Conselheiro vencido entendia necessária a realização de diligência, mas não há, no acórdão, qualquer decisão nesse sentido. Fl. 1566DF CARF MF Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 9303007.030 CSRFT3 Fl. 8 7 A realização de diligência deveria ter sido objeto de decisão pelo Colegiado em votação preliminar, mas isso não ocorreu. Tampouco o voto condutor do acórdão traz em seu corpo qualquer menção a pedido de diligência, não havendo decisão sobre a matéria. Preliminarmente, o voto condutor do acórdão manifestouse sobre a nulidade do auto de infração requerida pela recorrente, negando provimento quanto ao pleito. Logo em seguida, decidiu se sobre o mérito, analisandose os erros alegados pela recorrente quanto à reconstituição de sua escrita fiscal. Após tal análise, negouse provimento ao recurso também no mérito. E só. Ressaltese que as omissões no julgado, referentes a matérias trazidas no recurso voluntário mas não analisadas na decisão, constituemse em vício a ser sanado por meio de embargos de declaração, e não de recurso especial. ... Assim, vez que a decisão recorrida não analisou as matérias relativas à aplicação do princípio da verdade material, tampouco quando à realização de diligência, não se pode falar na existência de qualquer dissenso jurisprudencial capaz de ensejar o manejo da via especial. O enfrentamento da matéria pela decisão recorrida é pressuposto lógico da existência de divergência jurisprudencial, vez que não se pode falar na existência de entendimentos divergentes acerca de matéria que sequer foi abordada na decisão recorrida. Se o acórdão recorrido nada decidiu sobre a questão, não há como se alegar ter havido divergência na aplicação de lei tributária. Não há nada a acrescentar à essas bem lançadas razões que negaram seguimento ao recurso especial, alem de me valer das palavras do i. Juiz que inicialmente analisou o pedido judicial para, inaudita altera partes, concessão de liminar para que o recurso subisse a essa corte. A"Câmara Superior de Recursos Fiscais possui a finalidade específica de zelar pela coerência interpretativa dos órgãos do CARF, não podendo ser vista como mais uma instancia recursal". E essa é a verdade escrachada nestes autos, pois o que quer a empresa é que esta CSRF "rejulgue" o já julgado sem base paradigmática. Com efeito, entendo que o recurso especial não deve ser conhecido nos termos do art. 67, § 5º do RICARF, por falta de prequestionamento. DISPOSITIVO Ante o exposto, não conheço do recurso especial do contribuinte.. É como voto. Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 9303007.030 CSRFT3 Fl. 9 8 (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 9303007.030 CSRFT3 Fl. 10 9 Fl. 1569DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914194/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.885
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 41 94 /2 01 2- 31 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.914194/201231 Acórdão n.º 3201003.885 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.819, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.914194/201231 Acórdão n.º 3201003.885 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.914194/201231 Acórdão n.º 3201003.885 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10980.914194/201231 Acórdão n.º 3201003.885 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.001222/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 18/05/2005 a 31/12/2005
VEDAÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 18/05/2005 a 31/12/2005
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. CONTRADITÓRIO. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Estando o procedimento fiscal realizado em estrita observância às suas normas de regência, inclusive com direito à vista do processo, não há que se falar genericamente em preterição ao contraditório e ampla defesa, conforme assegura a Constituição Federal, sem apontar concretamente, quando possível, a sua ocorrência.
Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 18/05/2005 a 31/12/2005
REVISÃO ADUANEIRA. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA. VERIFICAÇÃO DA EXATIDÃO DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO IMPORTADOR.
As declarações de importação estão sujeitas ao procedimento de revisão aduaneira objetivando a verificação da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração, em estreita conformidade com o art. 54 do Decreto-Lei nº 37/1966 e pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002.
DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA INFORMADA COM INEXATIDÃO OU DESCRIÇÃO INCOMPLETA. MULTA DE 1% (UM POR CENTO) SOBRE O VALOR ADUANEIRO. INOCORRÊNCIA.
Meras deficiências de qualidade de informação no campo descrição das mercadorias que não impliquem declaração de forma incompleta, inexata ou insuficiente, para fins de classificação fiscal, na declaração de importação, não ensejam a aplicação da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro prevista no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, combinado com os §§ 1º e 2º, III, do art. 69 da Lei nº 10.833/2003.
Numero da decisão: 3401-005.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar provimento parcial para afastar a multa aplicada sobre as DI que se referem a produtos importados sob os códigos NCM 8501.10.19 e 8413.70.80.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 18/05/2005 a 31/12/2005 VEDAÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 18/05/2005 a 31/12/2005 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. CONTRADITÓRIO. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Estando o procedimento fiscal realizado em estrita observância às suas normas de regência, inclusive com direito à vista do processo, não há que se falar genericamente em preterição ao contraditório e ampla defesa, conforme assegura a Constituição Federal, sem apontar concretamente, quando possível, a sua ocorrência. Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 18/05/2005 a 31/12/2005 REVISÃO ADUANEIRA. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA. VERIFICAÇÃO DA EXATIDÃO DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO IMPORTADOR. As declarações de importação estão sujeitas ao procedimento de revisão aduaneira objetivando a verificação da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração, em estreita conformidade com o art. 54 do Decreto-Lei nº 37/1966 e pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA INFORMADA COM INEXATIDÃO OU DESCRIÇÃO INCOMPLETA. MULTA DE 1% (UM POR CENTO) SOBRE O VALOR ADUANEIRO. INOCORRÊNCIA. Meras deficiências de qualidade de informação no campo descrição das mercadorias que não impliquem declaração de forma incompleta, inexata ou insuficiente, para fins de classificação fiscal, na declaração de importação, não ensejam a aplicação da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro prevista no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, combinado com os §§ 1º e 2º, III, do art. 69 da Lei nº 10.833/2003.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 18/05/2005 a 31/12/2005 VEDAÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 18/05/2005 a 31/12/2005 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. CONTRADITÓRIO. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Estando o procedimento fiscal realizado em estrita observância às suas normas de regência, inclusive com direito à vista do processo, não há que se falar genericamente em preterição ao contraditório e ampla defesa, conforme assegura a Constituição Federal, sem apontar concretamente, quando possível, a sua ocorrência. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 18/05/2005 a 31/12/2005 REVISÃO ADUANEIRA. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA. VERIFICAÇÃO DA EXATIDÃO DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO IMPORTADOR. As declarações de importação estão sujeitas ao procedimento de revisão aduaneira objetivando a verificação da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração, em estreita conformidade com o art. 54 do DecretoLei nº 37/1966 e pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 12 22 /2 00 8- 25 Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10314.001222/200825 Acórdão n.º 3401005.130 S3C4T1 Fl. 588 2 DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA INFORMADA COM INEXATIDÃO OU DESCRIÇÃO INCOMPLETA. MULTA DE 1% (UM POR CENTO) SOBRE O VALOR ADUANEIRO. INOCORRÊNCIA. Meras deficiências de qualidade de informação no campo descrição das mercadorias que não impliquem declaração de forma incompleta, inexata ou insuficiente, para fins de classificação fiscal, na declaração de importação, não ensejam a aplicação da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro prevista no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, combinado com os §§ 1º e 2º, III, do art. 69 da Lei nº 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar provimento parcial para afastar a multa aplicada sobre as DI que se referem a produtos importados sob os códigos NCM 8501.10.19 e 8413.70.80. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase de auto de infração, situado às fls. 04 a 52, lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro, com fundamento no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, combinado com os §§ 1º e 2º, III, do art. 69 da Lei nº 10.833/2003, referente aos períodos de apuração compreendidos entre 01/01/2006 a 31/12/2006, de maneira a totalizar o crédito tributário no valor histórico de R$ 221.525,17. 2. Em conformidade com a descrição dos fatos e enquadramentos legais, situada às fls. 05 a 07, a multa se refere aos despachos aduaneiros processados pelas 168 Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10314.001222/200825 Acórdão n.º 3401005.130 S3C4T1 Fl. 589 3 Declarações de Importação (DI), situadas às fls 70 a 202 (Volume 01), e fls. 206 a 398 (Volume 02) de número: 06/00923333, 06/01123306, 06/01140545, 06/01212201, 06/01292710, 06/01322961, 06/01361380, 06/01416192, 06/01490325, 06/01542309, 06/01550280, 06/01603030, 06/01651736, 06/01719411, 06/01753105, 06/01753156, 06/01835950, 06/01850852, 06/01918082, 06/01966478, 06/02012400, 06/02031308, 06/02035010, 06/02193790, 06/02301828, 06/02301852, 06/02354395, 06/02451021, 06/02509186, 06/02568131, 06/02582975, 06/02765573, 06/02883827, 06/03022779, 06/03083549, 06/03123630, 06/03219300, 06/03228989, 06/03390352, 06/03405686, 06/03448075, 06/03744057, 06/03962542, 06/04026140, 06/04026190, 06/04124818, 06/04132322, 06/04272833, 06/04282820, 06/04296465, 06/04301299, 06/04413852, 06/04424161, 06/04513270, 06/04522899, 06/04522902, 06/04532681, 06/04543870, 06/04612359, 06/04612383, 06/04612405, 06/04612421, 06/04619671, 06/04834181, 06/05014277, 06/05044907, 06/05044923, 06/05177451, 06/05227670, 06/05239066, 06/05399616, 06/05522604, 06/05532057, 06/05720384, 06/05819720, 06/05910418, 06/06064995, 06/06275775, 06/06276739, 06/06352370, 06/06409712, 06/06437147, 06/06563240, 06/06564041, 06/06694972, 06/06769646, 06/06800268, 06/06851911, 06/06852160, 06/06880075, 06/06975866, 06/07045528, 06/07104591, 06/07254712, 06/07254941, 06/07419274, 06/07420213, 06/07422232, 06/07435687, 06/07914526, 06/07972712, 06/07988180, 06/08023722, 06/08089170, 06/08263146, 06/08347820, 06/08408071, 06/08423763, 06/08434226, 06/08548523, 06/08588851, 06/08589220, 06/08752759, 06/08808533, 06/08910605, 06/08919947, 06/08945859, 06/09121833, 06/09122066, 06/09175666, 06/09303249, 06/09442320, 06/09474337, 06/09717051, 06/09767091, 06/09980194, 06/10045665, 06/10148103, 06/10157447, 06/10166551, 06/10408938, 06/10427037, 06/10601142, 06/10621119, 06/10815002, 06/10847249, 06/11021778, 06/11035000, 06/11146406, 06/11166911, 06/11352316, 06/11507310, 06/11557570, 06/11808557, 06/11884318, 06/12011911, 06/12348819, 06/12389710, 06/12390645, 06/12413564, 06/12487169, 06/12622023, 06/12680635, 06/12752156, 06/12827423, 06/12881690, 06/12928181, 06/12963246, 06/13128243, 06/13211752, em conformidade com a ficha "auditoria e outros procedimentos fiscais de importação", situada às fls. 400, registradas para permitir a fruição do regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado, na modalidade RecofAutomotivo. 3. A contribuinte, apresentou impugnação, situada às fls. 406 a 420, na qual argumentou, em síntese, que: (i) houve alteração do critério jurídico em desobediência ao art. 146 do Código Tributário Nacional; (ii) a multa é descabida, uma vez que as informações apresentadas nas DI/Adições estão corretas, bastando observar as informações constantes da posições, subposições, itens e subitens em que as mercadorias foram posicionadas na NCM para se concluir pela suficiência da descrição do produto; (iii) a multa ofende os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, transbordando o limite de seu patrimônio, sobretudo tendo em vista que todos os tributos foram devidamente pagos e a irregularidade não importou alteração da carga tributária, requerendo, ao final, o cancelamento do auto de infração lavrado; e (iv) cerceamento de defesa e violação ao contraditório. 4. Em 22/05/2014, a 2ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) proferiu o Acórdão DRJ nº 0734.857, situado às fls. 523 a 539, de relatoria do AuditorFiscal Orlando Rutigliani Berri, entendeu, por maioria de votos, julgar procedente em parte a impugnação, rejeitando a preliminar suscitada e mantendo o crédito tributário exigido no valor de R$ 122.799,66, sendo que o AuditorFiscal Juraci Garcia Ferreira votou pelo provimento integral da impugnação apresentada e improcedência do Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10314.001222/200825 Acórdão n.º 3401005.130 S3C4T1 Fl. 590 4 lançamento, com a conseqüente exoneração do crédito tributário, tendo apresentado declaração de voto. Restou assentada a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. Revisão aduaneira consiste em reexame do despacho de importação e não lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita, sendo incabível na espécie argüir mudança de critério jurídico. INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. Estando o procedimento fiscal realizado em estrita observância às suas normas de regência, inclusive com direito à vista do processo, não há que se falar em preterição ao contraditório e ampla defesa, conforme assegura a Constituição Federal. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA. Não compete às instâncias administrativas de julgamento proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria, sob o pretexto de que o montante da multa aplicada é desproporcional à infração supostamente cometida, pois essa atividade compete exclusivamente ao Poder Judiciário. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 REGIME RECOF. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA INFORMADA COM DESCRIÇÃO INCOMPLETA. MULTA DE UM POR CENTO SOBRE O VALOR ADUANEIRO. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10314.001222/200825 Acórdão n.º 3401005.130 S3C4T1 Fl. 591 5 O importador que descreve a mercadoria de forma incompleta ou insuficiente, para fins de classificação fiscal, na declaração de importação que trata do regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado impede ou dificulta a determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, razão pela qual incorre na multa de um por cento sobre o seu valor aduaneiro. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 5. A contribuinte foi intimada em 23/07/2014 mediante abertura do arquivo contendo o inteiro teor da decisão no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, em conformidade com o termo de abertura de documento situado à fl. 558, e interpôs, em 18/08/2014, recurso voluntário, no qual reiterou as razões de sua impugnação e reiterou a possibilidade do controle de legalidade e de constitucionalidade na esfera administrativa e do cerceamento de defesa e da violação ao contraditório. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 6. Antes mesmo do exame de admissibilidade do recurso, a matéria objeto de recalcitrância por parte da contribuinte, conforme se depreende da análise das razões vertidas em seu recurso voluntário, são: (i) constitucionalidade; (ii) cerceamento de defesa e violação ao contraditório; (ii) alteração de critério jurídico; e (iv) exame de mérito do cabimento da multa. 7. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais, mas merece ressalva quanto ao conhecimento da alegação de (i) falta de razoabilidade e proporcionalidade, bem como caráter confiscatório da multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro, com fundamento no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, combinado com os §§ 1º e 2º, III, do art. 69 da Lei nº 10.833/2003. 8. As alegações de inconstitucionalidade de leis, como a vedação insculpida no inciso IV do art. 150 da Constituição de 1988, referemse a matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972: Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10314.001222/200825 Acórdão n.º 3401005.130 S3C4T1 Fl. 592 6 Decreto nº 70.235/1972 Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 9. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 10. Assim, por incompetência material desta jurisdição administrativa, não conheço o recurso voluntário interposto neste particular. 11. Quanto aos demais argumentos, deve o recurso voluntário ser conhecido. 12. Quanto à alegação preliminar de (ii) cerceamento de defesa e violação ao contraditório, alega a contribuinte que foi intimada, via postal, do auto de infração ora objurgado, em 20/02/2008, mas que apenas teve vista do presente processo administrativo em 20/03/2008 em razão de movimento de greve dos Auditores Fiscais da Receita Federal. 13. Entendo que qualquer prova, documento ou alegação nova deles decorrente poderia ser trazida à cognição deste Conselho, em recurso voluntário, pois esta é especificamente a previsão trazida pela alínea 'a' do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 com a redação dada pela Lei nº 8.748/1993: a demonstração de impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior permite a apresentação de prova documental em momento posterior à impugnação demonstração que, no caso corrente, seria até mesmo dispensável, por se tratar a greve de fato notório, nos termos do art. 374 do Código de Processo Civil, sendo suficiente a alegação de sua ocorrência. É evidente e mais do que evidente que qualquer alegação não realizada em decorrência de uma greve, i.e., por impossibilidade de acesso a dados e informações veiculados pelas provas documentais, relativiza a previsão do art. 17 da norma em debate. 14. Conforme noticia a recorrente, o acesso à integralidade dos documentos que instruem os presentes autos ocorreu em 20/03/2008, mesmo dia da apresentação da impugnação, sendo razoável se deduzir que não houve tempo hábil à contribuinte para apreciar os dados e informações constantes nos autos para elaborar sua defesa técnica a contento. Ocorre que, entre a data da defesa inaugural, que instaurou o contencioso administrativo, e 18/08/2014, data da interposição do recurso voluntário interposto, passaramse mais de 6 anos e, em todo este período, não há notícia de petição da ora recorrente apontando especificamente quais provas, dados ou informações afetaram, direta ou indiretamente, a defesa apresentada em 2008, nem quais argumentos poderia ter alegado e não o fez em virtude de tal fato. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10314.001222/200825 Acórdão n.º 3401005.130 S3C4T1 Fl. 593 7 15. Houvesse notícia de uma única alegação, direta ou indireta, que sobreviesse ao conhecimento de dados antes ignorados em virtude da greve, concordando ou não com a sua avaliação, não teria dúvida este relator em conhecêla, ainda que apresentada em momento posterior à impugnação, e ainda que para rechaçála no mérito, sob pena de eloqüentes cerceamento de defesa e violação ao contraditório. Contudo, tal notícia não consta dos autos. A recorrente se limita a alegar genericamente um cerceamento ao seu direito constitucional de defesa que implicaria a nulidade da exação, sob os auspícios do inciso II, § 1º, do art. 59 do DecretoLei nº 70.235/1972, que lhe impinge a autoridade fiscal, sem apontar em nenhum momento no que, concretamente, foi ela prejudicada, e ao largo e revelia do mecanismo calibrador do § 4º do art. 16 da norma de regência do processo administrativo federal, ou mesmo de qualquer das três hipóteses do art. 342 do Código de Processo Civil. 16. Assim, conheço do recurso voluntário, mas voto pela sua improcedência neste particular, por não vislumbrar, no presente caso, o cerceamento de defesa ou a violação ao contraditório. 17. Quanto à alegação preliminar (iii) de alteração do critério jurídico, já conhecida por este colegiado nossa posição a respeito do convívio harmônico dos institutos da revisão fiscal e da revisão tributária do lançamento, como minudentemente externado, e.g., no Acórdão CARF nº 3401004.020, de nossa relatoria, proferido em sessão de 28/11/2017. 18. A revisão fiscal, ou aduaneira, conforme preceptivo normativo do DecretoLei nº 37/1966, tem o escopo de verificar, textualmente: (i) regularidade do pagamento dos impostos e demais gravames; (ii) aplicação de benefício fiscal; e (iii) exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração. Apurase, por meio deste expediente, se os tributos e demais consectários foram pagos, se há aplicação de benefício e em que termos, e se as informações da declaração correspondem às características dos produtos importados. Diante da discrepância entre a mercadoria objeto de importação e a informação prestada, procedese à revisão fiscal. 19. Diversa é a revisão tributária (do lançamento): enquanto na primeira o que se revisa são os fatos que deram ensejo a um vínculo jurídicotributário, nesta o que se reavalia são os critérios do próprio lançamento. Enquanto na revisão fiscal os fatos corretos substituem os incorretos e dão ensejo a um novo lançamento, nesta o que se revisa é, diante dos mesmos fatos, o próprio lançamento que, revolvido em suas entranhas, é reconfigurado. 20. Assim, a revisão fiscal ou aduaneira prevista pelo art. 54 do Decreto Lei nº 37/1966 e pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002 permanece hígida no ordenamento, porém conhece a limitação imposta pelo Código Tributário Nacional, em uma relação de completa compatibilidade. Na dicção do decretolei, o Estado, no exercício da função aduaneira, deverá revisar os erros de fato, as inconsistências, o nãopagamento dos tributos incidentes sobre a importação. O Código Tributário Nacional impõe, como norma geral de matéria tributária, a condição de que não sejam transmudados os critérios jurídicos quanto ao entendimento firmado respeitante aos efeitos tributários dos fatos conhecidos e reputados como fidedignos pela autoridade fiscal. 21. Recordese: a informação oculta ou falseada pela contribuinte, com o desígnio de iludir a autoridade aduaneira, está sujeita à revisão fiscal, e este é o sentido do art. 54 do DecretoLei nº 37/1966 que converge para a previsão do art. 149 do Código Tributário Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10314.001222/200825 Acórdão n.º 3401005.130 S3C4T1 Fl. 594 8 Nacional: lançase de ofício quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento de declaração obrigatória (inciso IV), ou quando se comprove omissão ou inexatidão por parte da pessoa legalmente obrigada (inciso V), ou diante da ação ou omissão do sujeito passivo (inciso VI), ou quando o sujeito passivo tenha agido com dolo ou simulação (inciso VII), ou deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado na ocasião do lançamento, o (inciso VIII), ou se comprovada fraude ou falta funcional, ou mesmo omissão por parte da autoridade fiscal (inciso IX). Assim, diante de um novo arranjo fático, a revisão (dos fatos) permitirá um novo lançamento (de ofício). Tal situação, como se percebe por meio desta decomposição lógica dos predicados legislativos acima analisados, é em tudo diversa da previsão do art. 146, que se volta à revisão do lançamento original. 22. No caso em apreço, o que se analisa é a exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração, em estreita conformidade com o art. 54 do Decreto Lei nº 37/1966 e pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002, normas especializadas, o que encontra seu símile de lex generali no inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional: a verificação de omissão quanto a qualquer elemento de declaração obrigatória. Não se cogita, portanto, de aplicação da barreira proibitiva insculpida pelo art. 146 da norma de estatura complementar. A análise acerca da exatidão ou não das informações prestadas deve ser transportada, portanto, ao campo da aplicação do direito material ou substancial, pois a decisão implicará, necessariamente, conhecimento de matéria de mérito, e jamais, no caso presente, nulidade do auto de infração lavrado, supedâneo da verificação retificativa que materializa o venire contra factum proprium. 23. Assim, conheço do recurso voluntário, mas voto pela sua improcedência neste particular. 24. Por fim, passandose à análise de mérito, quanto ao (iv) cabimento da multa aplicada, a autoridade fiscal fundamenta sua exigência na insuficiência de descrição de parte das mercadorias internadas ao amparo das DI, argumenta a recorrente que a fiscalização não constatou qualquer irregularidade que acarretasse a alteração da classificação por ela adotada, e as informações prestadas estão corretas, bastando a leitura das informações constantes da posições, subposições, itens e subitens em que as mercadorias foram posicionadas na NCM para se concluir pela suficiência da descrição do produto, inclusive, para fins de controle aduaneiro e de tributação. 25. Deve a análise prosseguir a partir da leitura dos fundamentos de validade da exação, abaixo transcritos: Lei nº 10.833, de 2003 Art. 69 (...). § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10314.001222/200825 Acórdão n.º 3401005.130 S3C4T1 Fl. 595 9 I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. 26. Assim, evidentemente que falta de qualquer uma das informações constantes nos incisos I a IV do §2º ensejarão, objetivamente, a aplicação da multa, independentemente de prejuízo ao bem jurídico tutelado (controle aduaneiro). A autuação em disputa, por seu turno, toma por fundamento o inciso III da norma: "descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial". 27. A leitura do dispositivo de direito sancionador (sançãopunição) é suficiente para constatar que a mera deficiência na qualidade da prestação de informação no campo descrição das mercadorias que não comprometa a sua classificação, ou outros atributos necessários ao controle aduaneiro, não é suficiente para justificar a cominação da multa tipificada nos preceptivos normativos em referência. Assim, é necessário que a acusação fiscal aponte, objetivamente, e de maneira fundamentada, qual foi a informação prestada de forma incompleta, inexata ou insuficiente que dificultou ou impossibilitou, no caso presente, a classificação fiscal da mercadoria. 28. A partir destes elementos que contextualizam a contenda, necessário se transcrever trecho da sólida e merecedora de encômios declaração de voto realizada pelo AuditorFiscal Juraci Garcia Ferreira, cujas razões adoto como fundamento para prover integralmente o recurso voluntário: "Nesse caminho seguiu a auditoria fiscal, pois instalou o processo de revisão aduaneira, visando segundo sua informação “verificar a qualidade do despacho aduaneiro da SIEMENS”, e ali identificou nas declarações efetuados pelo contribuinte “insuficiência de descrição de mercadoria”, focando sua análise nos dados constantes do campo “descrição detalhada da mercadoria”, que faz parte do conjunto de informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Importação(DI) entregue a Receita Federal por ocasião de uma operação de importação. Para se inferir as alegações da auditoria fiscal, contrapostas pelas do autuado que alega ser a sua descrição das mercadorias Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10314.001222/200825 Acórdão n.º 3401005.130 S3C4T1 Fl. 596 10 completa ou suficiente, considerando nestas inclusive o texto que o sistema disponibiliza ao se escolher na tabela do Siscomex (fls. 264/267), o código NCM de cada mercadoria, é necessário analisar o caráter de todas as informações constantes da DI, pois a legislação, sobre a exatidão das informações prestadas pelo contribuinte a Receita Federal, trata a declaração como um todo. A descrição da mercadoria, e sua maior parte, declarada na adição de uma DI é formada por um conjunto de informações, conforme se pode inferir do Anexo Único da IN SRF nº 680, de 2006, dentre as quais o campo “descrição da mercadoria” é parte. Contudo, a “descrição insuficiente” constatada pela auditoria fiscal fundase na análise do campo “descrição da mercadoria” nas adições das DI, estando ausente uma análise mais ampla das informações prestadas pelo contribuinte em sua declaração, ignorando o texto, aceito e declarado pelo contribuinte, que se apresenta nos extratos das adições das DI, à frente do código NCM, de acordo com os dados fornecidos pelo próprio sistema da Receita Federal, pois este também faz parte das declarações do importador. No preenchimento da adição d e uma DI, informado o código NCM, o sistema traz automaticamente um campo com a descrição genérica da natureza da mercadoria que ali se classifica, similar a encontrada na Tarifa Externa Comum(TEC) e, em concordando o contribuinte com a descrição ali dada, fica evidente que este declara o produto de sua importação como sendo o ali descrito no momento do registro da DI, estando sujeito a aplicação da mesma multa de 1% por erro de classificação fiscal. Ao declarar aquele código, o contribuinte declara ao fisco que a sua mercadoria possui as características que se incluem no texto daquele código de classificação preenchida pelo próprio sistema da Receita Federal, diante da regras do Sistema Harmonizado de Classificação e Designação de Mercadorias (SH). Neste caso, a declaração do importador traz ao conhecimento do fisco as informações de forma completa para as mercadorias e suas NCM indicadas neste auto, as quais foram formalmente prestadas pelo contribuinte por ocasião do registro da DI, logo entendo que não há, nos termos da legislação em vigor, descrição incompleta. É inquestionável que o procedimento de revisão aduaneira aplicado pode ser realizado pelo fisco, dentro do prazo previsto na legislação, contudo, nos termos do art. 638 do Decreto nº 6.759, de 2009, visa verificar aspectos de regularidade da operação, sejam tributários ou fiscais e também a exatidão das informações prestadas pelo contribuinte. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10314.001222/200825 Acórdão n.º 3401005.130 S3C4T1 Fl. 597 11 Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. Neste caso, o processo de revisão não constatou, à luz dos seus objetivos, nos termos do art. 638 do Decreto nº 6.759, de 2009, inexatidão das informações prestadas pelo importador e irregularidades nas operações de importação, apenas encontrando algumas deficiências de qualidade de informação no campo descrição das mercadorias, logo concluo que a auditoria não conseguiu provar objetivamente que, à luz do previsto nos §1º e 2º do art. 69 da Lei nº 10.8323, de 2003, as informações sobre as mercadorias, prestadas pelo contribuinte para os despachos relacionados neste auto tenha sido prestadas de forma incompleta ou inexata , logo, não comprovou a conduta infracional identificada como realizada pela autuada" (seleção e grifos nossos). 29. Entendeu a decisão objurgada que os produtos classificados nas NCM nº 8501.10.19 e 8501.10.11 estariam corretos, com informações em suficiência para a sua classificação, mas que, com relação aos demais produtos, compreendidos nas NCM nº (i) 8542.21.23, (ii) 8413.70.80, (iii) 8501.10.19 (contendo a descrição “motor elétrico de corrente contínua”), e (iv) 4811.60.90 as informações teriam sido apresentadas de maneira muito resumida ou genérica. 30. Quanto aos produtos importados sob o (i) Código NCM nº 8542.21.23, a descrição se reserva a apontar para um seriado de siglas e abreviaturas, o que dificulta ou mesmo impossibilita a classificação fiscal da mercadoria: NCM 85422123 8542 Circuitos integrados eletrônicos. 8542.21.23 MICROCONTROLADORES MONT.P/SUPERF.(SMD) Microcontroladores (RES CAMEX42/2001 DOU:29/12/2001 VIGENCIA A PARTIR DE 01/01/2002) Descrição Detalhada: 'A2C00027796 CI SMD MIC ST10F267T3 32Mhz 163 TQFP144. Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10314.001222/200825 Acórdão n.º 3401005.130 S3C4T1 Fl. 598 12 Insuficiência encontrada na descrição: A descrição cheia de siglas e abreviaturas não permite a identificação do item. 31. Quanto aos produtos importados sob o (ii) Código NCM nº 8413.70.80, a descrição é suficiente, pois não se encontra exigência, para a classificação neste item, de uma vazão específica abaixo de 300 litros, mas simplesmente que a vazão seja inferior a este limite, o que foi efetivamente declarado pela contribuinte: NCM 8413.70.80 OUTS.ELETROBOMBAS VAZÃO =<300L/MIN. Outras, de vazão inferior ou igual a 300 litros por minuto (RES CAMEX42/2001 DOU:29/12/2001 VIGENCIA A PARTIR DE 01/01/2002) Descrição Detalhada: '993784025 BOMBA DE COMBUSTÍVEL Insuficiências encontradas nas descrições: A descrição não especifica a vazão. 32. Quanto aos produtos importados sob o (iii) Código NCM nº 8501.10.19: a descrição é suficiente, pois a nomenclatura não exige, portanto, uma potência específica abaixo de 37,5W, mas simplesmente que a potência seja inferior a este limite, o que foi efetivamente declarado pela contribuinte; NCM 85011019 8501 Motores e geradores, elétricos, exceto os grupos eletrogéneos. 8501.10 Motores de potência não superior a 37,5W 8501.10.1 De corrente continua 8501.10.19 OUTS.MOTS.ELÉTR.D/CORRENTE C/P<=37.5W Outros (RES CAMEX42/2001 DOU:29/12/2001 VIGENCIA A PARTIR DE 01/01/2002) Descrições Detalhadas: 'HS532800066 MOTOR ELETRICO DE CORRENTE CONTINUA, COM POTENCIA INFERIOR A 37,5W, 'T180202129000 MOTOR ELETRICO DE CORRENTE CONTINUA, COM POTENCIA INFERIOR A 37,5W, 'T180203009000 MOTOR ELETRICO DE CORRENTE CONTINUA, 'HS532800068 MOTOR ELETRICO DE CORRENTE CONTINUA, COM POTENCIA INFERIOR A 37,5W e 'T180202129010 MOTOR ELETRICO DE CORRENTE CONTINUA, COM POTENCIA INFERIOR A 37,5W Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10314.001222/200825 Acórdão n.º 3401005.130 S3C4T1 Fl. 599 13 Insuficiências encontradas nas descrições: As descrições não apresentam a Potência dos motores, em algumas descrições é citado que a potência é inferior a 37,5W, porem, da mesma forma, não descreve a potência. 33. Quanto aos produtos importados sob o (iv) Código NCM nº 4811.60.90, a descrição não descreve o tratamento dado ao papel, o que dificulta ou mesmo impossibilita a classificação fiscal da mercadoria: NCM 48116090 4811 Papel, cartão, pasta ("ouate") de celulose e mantas de fibras de celulose, revestidos, impregnados, recobertos, coloridos à superfície, decorados à superfície ou impressos, em rolos ou em folhas de forma quadrada ou retangular, de quaisquer dimensões, EXCETO OS PRODUTOS DOS TIPOS DESCRITOS NOS TEXTOS DAS posIg6Es 48.03, 48.09 OU 48.10 4811.60 Papel e cartão revestidos, impregnados ou recobertos de cera, parafina, estearina, óleo ou glicerol 4811.60.90 OUTS.P./CART.IMP.REV.CERA,PARAF.EST.GLICEROL Outros Descrições Detalhadas: '990300006 PAPEL PARA DISCO DIAGRAMA 400 X 270mm e '990300007 ROLO DE PAPEL RECOBERTO DE CERA, PARA DISCO DIAGRAMA Insuficiências encontradas nas descrições: No primeiro item, não e descrito o tratamento dado ao papel e no segundo item, a descrição não apresenta as medidas do papel. 34. Assim, conheço do recurso voluntário e voto pela sua procedência neste particular para afastar a multa por inexistência da conduta infracional tipificada nos §§ 1º e 2º do art. 69 da Lei nº 10.8323, de 2003, exceto no caso das seguintes classificações, cuja insuficiência na descrição dificulta ou mesmo impossibilita a classificação fiscal da mercadoria: (i) Código NCM nº 8542.21.23, pois a descrição se reserva a apontar para um seriado de siglas e abreviaturas; e (iv) Código NCM nº 4811.60.90, pois não descreve o tratamento dado ao papel. Assim, conheço parcialmente do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, dou provimento parcial para afastar a multa aplicada sobre as DI que se referem a produtos importados sob os códigos NCM/SH nº 8413.70.80 e nº 8501.10.19. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10314.001222/200825 Acórdão n.º 3401005.130 S3C4T1 Fl. 600 14 Fl. 600DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.915777/2008-65
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 23534.53638.230904.1.3.048889 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 57 77 /2 00 8- 65 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 15374.915777/200865 Acórdão n.º 1003000.110 S1C0T3 Fl. 101 2 em 23.09.2004, efls. 3438, utilizandose do pagamento a maior de Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, código 6106, no valor original de R$4.148,00 arrecadado em 12.05.2003, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, efl. 39, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 4.148,00. [...] CÓDIGO DE RECEITA: 6106 [...] DATA DA ARRECADAÇÃO: 12/05/2003 [...] Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/08/2008. [...] Para verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, na opção Serviços ou através de certificação digital na opção eCAC, assunto PER/DCOMP Despacho Decisório. Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 8ª Turma/DRJ/SDR/BA nº 1238.378, de 08.07.2011, efls. 6062: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fazse mister que os créditos empregados em compensação de tributos gozem de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 12.09.2011, efls. 9697, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28.09.2011, efls. 9395, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: 1. A DIAMIX no ano calendário de 2002 estava enquadrada no Simples e recolhendo normalmente seus tributos, quando em 07/08/2003, recebeu uma notificação com sua exclusão do regime tributário em questão com data retroativa a janeiro de 2002. 2. Como entendida haver crédito tributário a seu favor em 23/09/2004 foram entregues as DCTF's do referido período, e em 23/09/2004 as declarações de Fl. 101DF CARF MF Processo nº 15374.915777/200865 Acórdão n.º 1003000.110 S1C0T3 Fl. 102 3 compensações PER/DCOMP, para as devidas compensações, referente aos impostos do lucro presumido o qual, porém a RFB não reconheceu o crédito devido uma falha no preenchimento dos PERD/COMP 23534.53638.230904.1.3.04.8889, neste pedido de compensação não foi informado o número do PER/DCOMP iniciai 22253.28532.170904.1.3.044700, dando a origem de um saldo R$ 767,94. Houve um erro no preenchimento do valor do crédito original de R$ 9.357,56. 3. Em 12.09.2011, a DIAMIX recebeu decisão de julgamento da manifestação de inconformidade no Processo n° 15374.915777/200865 vinculado ao processo 15374.917709/200831 que negou provimento ao requerimento realizado e apontou como solução administrativa a realização de NOVA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, uma vez que seria inviável a retificação de ofício neste momento do processo administrativo. 4. Assim, com base na decisão acima apontada e com base no art. 170 do CTN a DIAMIX vêm realizar novo pedido de Declaração de crédito tributário com base nos documentos ora acostados e requerendo desde já que fossem desconsiderados os valores declarados no PERD/DCOMP, anteriores e com a indicação do número do PERD/DCOMP em que o credito fora informado anteriormente. 5. Cabe ressaltar que a DIAMIX preencheu os PER/DCOMP's, mas que a transmissão dos dados não foi possível por motivo de objeto de decisão administrativa, razão pela qual se realiza o presente com todos os PER/DCOMP's corretos. 6. Relacionamos em anexo os respectivos processos administrativos, anexando os Despachos Decisórios, as guias pagas referentes ao Simples e as Declarações de compensação dos PER/DCOMP's. Concernente ao pedido expõe que: À vista de todo o exposto, demonstrada de forma cabal o direito material e processual tributário, requer que seja julgado o presente pedido de compensação, com a conseqüente cancelado o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que o direito creditório contém incorreção. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 15374.915777/200865 Acórdão n.º 1003000.110 S1C0T3 Fl. 103 4 O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por via de regra, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, tão somente com relação ao valor do direito creditório que não prescinde de comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Assim, somente essa parcela é passível de instauração do litígio no procedimento (art. 165, art. 168 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Sobre os requisitos legais de retificação do Per/DComp, a Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, determina: Art. 106. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da declaração de compensação gerados por meio do programa PER/DCOMP deverá ser requerida, pelo sujeito passivo, mediante documento retificador gerado por meio do referido programa. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da declaração de compensação apresentados em formulário, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida, pelo sujeito passivo, mediante formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação para posterior exame pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Art. 107. O pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso e a declaração de compensação poderão ser retificados pelo sujeito passivo somente na hipótese de se encontrarem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Parágrafo único. A retificação não será admitida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. No Per/DComp, efls. 3438, consta o direito creditório de Simples no valor original de R$4.148,00. O documento retificador não pode ser admitido nessa fase recursal, pois não foi apresentado no prazo, no tempo e na forma previstos na legislação de regência. Relativamente às condições normativas compensação de ofício dos débitos confessados do Per/DComp, a Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, determina: Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante Darf ou GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 15374.915777/200865 Acórdão n.º 1003000.110 S1C0T3 Fl. 104 5 § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. Analisando a determinação normativa, somente tem cabimento a compensação de dos débitos confessados de ofício e não o reconhecimento do direito creditório. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Está registrado no voto condutor do Acórdão da 8ª Turma/DRJ/SDR/BA nº 1238.378, de 08.07.2011, efls. 6062, cujos fundamentos de fato e de direito são adotados nessa segunda instância de julgamento: Ocorre que não é o julgamento a instância apropriada para a retificação de incorreções no preenchimento das declarações transmitidas à Fazenda. A via adequada para a solução de erros dessa natureza é a retificação tempestiva da declaração que os contém. A este colegiado incumbe a apreciação da lide instaurada nos autos, cujo exame não permite concluir se o crédito defendido não fora empregado em outra compensação, afinal nada obsta que várias DComp tenham recebido idêntico crédito, inclusive em sua vinculação a um valor incorreto, para, então, individualmente, vale dizer, processo a processo, a incorreção seja desfeita, logrando, a interessada, proveito multiplicado de um direito creditório que nem mesmo unitariamente se pode afirmar a existência, já que disso também não foi feita prova. Ante o exposto, é de se notar a ausência da condição sine qua nom para a validade de um crédito empregado em compensação tributária: sua liquidez e certeza, na forma em que exige o art. 170 do CTN. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional com a finalidade de implementar o controle de legalidade do ato administrativo (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca a demonstrar de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência (149 do Código Tributário Nacional). Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Fl. 104DF CARF MF Processo nº 15374.915777/200865 Acórdão n.º 1003000.110 S1C0T3 Fl. 105 6 Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.912502/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato.
Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabe a devolução do saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabe a devolução do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 25 02 /2 00 9- 69 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10983.912502/200969 Acórdão n.º 1301003.060 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase do Recurso Voluntário contra o Acórdão da 3ª Turma da DRJ/Florianópolis que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente ao deixar de homologar a compensação tributária informada na DCOMP objeto dos autos. Primeiro, o Despacho Decisório da unidade local da RFB denegou o direito creditório pleiteado pela contribuinte com fundamento no art. 10 da IN SRF 600, de 2005. Vale dizer, o direito creditório utilizado no PER/DCOMP não foi reconhecido, por se tratar de mera antecipação de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, caso em que o recolhimento a maior ou indevido somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devidos no final do anocalendário ou para compor respectivo saldo negativo. Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, aduzindo, em síntese, nas suas razões: que tem direito à restituição e compensação imediata do pagamento indevido da estimativa mensal, à luz da legislação de regência; que o pagamento a maior ou indevido do IRPJ ou CSLL decorreu de erro de fato na base de cálculo, pela inclusão indevida na receita bruta de valores da: a) Conta Consumo de Combustível — CCC; e, b) Conta de Desenvolvimento Energético — CDE; que a Conta Consumo de Combustível — CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético — CDE têm como objetivo subsidiar a energia elétrica gerada nas usinas termoelétricas, de forma que a tarifa da energia elétrica fosse equalizada com a dos consumidores servidos por geração hidráulica, sobretudo nos instantes de baixa "hidraulicidade" dos sistemas interligados (em que a energia produzida pelas hidroelétricas estavam com capacidade baixa); que a inclusão de valores dessas Contas pela Agência Nacional de Energia Elétrica — ANEEL no cálculo da conta dos consumidores situados nas regiões Sul, Sudeste, CentroOeste e Nordeste , mediante incremento nas tarifas das concessionárias distribuidoras, e repassados à Eletrobrás que administra esses recursos , não configura receita da impugnante; que muito embora a cobrança da Conta Consumo de Combustível — CCC e da Conta de Desenvolvimento Energético — CDE possam, em tese, caracterizar como receitas das empresas distribuidoras de energia, de forma peculiar, para impugnante, que é Geradora de Energia Elétrica interligada ao sistema, tais rubricas não são receitas. Isto porque a geradora está impossibilitada de auferir qualquer recurso dessas fontes como "receita" própria ou como "faturamento", conforme as prescrições da ANEEL. Ou seja, por meio da Nota Técnica n° 116, de 24 de março de 2006, e Despacho n° 657/2006, a ANEEL Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10983.912502/200969 Acórdão n.º 1301003.060 S1C3T1 Fl. 4 3 orientou as alterações introduzidas no Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, para equacionar a distorção decorrente da inadequada contabilização dos valores da CCC/CDE como "Receitas de Subvenção" pelas concessionárias geradoras como a impugnante; que a ANEEL esclareceu que os valores, outrora contabilizados como "Receitas de Subvenção CCC/CDE", deveriam ser contabilizados como "Recuperação de Custos", em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos, pois jamais integraram a receita de concessionárias geradoras, como a impugnante; que os valores da Conta Consumo de Combustível — CCC e da Conta de Desenvolvimento Energético — CDE não representam propriedade e, conseqüentemente, incremento patrimonial da impugnante, já que somente são repassados para que se propicie o pleno funcionamento do Sistema Elétrico Nacional, tendo, inclusive, a sua aplicação passível de auditoria pelo Tribunal de Contas da União. Por último, a DRJ, assim como ocorrera no Despacho Decisório da unidade de origem da RFB, também denegou o direito creditório pelo mesmo fundamento declinado no referido Despacho Decisório, ou seja, que o valor pago indevidamente ou a maior de IRPJ ou de CSLL, a título de estimativa mensal, no âmbito do regime de tributação pelo lucro real anual, não pode ser objeto de compensação, pois esse valor só pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido, ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que efetuou o pagamento a maior ou indevido do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e da contribuição social sobre o lucro líquido a título de estimativa mensal, por erro de fato; que efetuou imediata compensação tributária, utilizando como crédito os valores pagos indevidamente do imposto e contribuição federais através de declaração de compensação, via sistema PER/DCOMP; que, tanto o Despacho Decisório da unidade de origem da RFB, quanto o Acórdão recorrido, com mesmo fundamento, denegaram o crédito pleiteado, conforme já mencionado anteriormente; que o pagamento indevido é feito à margem da lei e, portanto, não se subsume a qualquer regime de repetição que não aquele previsto no art. 165, do CTN, ou seja, o direito a repetição surge de forma imediata; que o pagamento por regime de estimativa é previsto em lei, na forma dos §§ 2° e 3°, da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e, deste modo, qualquer pagamento a maior do que o fixado no dispositivo legal é considerado indevido, e não adiantamento; que o disposto no art. 10 da Instrução Normativa n.° 600, de 2005, na parte atinente ao pagamento a maior, tão somente objetiva protelar o pagamento dos juros devidos a partir da ocorrência do pagamento indevido, e, assim prevendo, colide com o disposto no §4°, do art. 39, da Lei nº 9.250/95, de modo a tornálo inaplicável, pois cediça a regra de que o Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10983.912502/200969 Acórdão n.º 1301003.060 S1C3T1 Fl. 5 4 conteúdo e o alcance dos decretos restringese aos das leis em função das quais sejam expedidos (CTN, art. 99), ou seja, para fiel cumprimento da lei (CF, art. 84, IV); que citou precedente do CARF pelo afastamento, inaplicabilidade, do art. 10 da Instrução Normativa n° 460/04, reiterado na IN nº 600/05, que vedava a compensação de pagamento à maior das estimativas mensais do IRPJ ou da CSL, antes de findo o período de apuração; que o direito a repetição do pagamento indevido ou a maior de tributo surge no momento de sua efetivação à margem da lei, e evidente, pois, a possibilidade de compensação imediata do pagamento indevido da estimativa mensal. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.049, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.911762/2009 17, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.049): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade; por isso, dele conheço. A recorrente rebelase contra a decisão recorrida que denegou o direito creditório pleiteado e não homologou a DCOMP objeto dos autos. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo diretamente à análise do mérito. Direito de repetição do indébito tributário ou de compensálo com outro débito vencido ou vincendo. O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10983.912502/200969 Acórdão n.º 1301003.060 S1C3T1 Fl. 6 5 Nacional, ou seja, encontro de contas informado na declaração de compensação informada. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal (processo de compensação tributária), compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional, utilizado para encontro de contas com débito próprio vencido ou vincendo objeto da DCOMP, para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. O momento da apresentação das provas, sua produção, está previsto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois ainda dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não, no prazo legal de até cinco anos. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação. No caso, a recorrente alegou nos autos: que efetuara pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal do IRPJ ou CSLL por erro de fato na base de cálculo, pela inclusão indevida na receita bruta de valores relativos a Conta Consumo de Combustível — CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético — CDE; que valores cobrados dos clientes consumidores a título dessas rubricas não seriam receitas, mais sim mera "Recuperação de Custos", conta retificadora dos custos; que, nesse sentido, invocou esclarecimento da ANEEL, conforme atos normativos citados no relatório, que os valores outrora contabilizados como "Receitas de Subvenção para Custeio CCC/CDE", devem ser contabilizados como "Recuperação de Custos", em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos, pois valores repassados a título dessas rubricas não seriam receitas. Ocorre que a questão do erro de fato alegado, se existente ou não, na apuração da base de cálculo do IRPJ ou da CSLL, por conta dos registros contábeis dos valores repassados à recorrente nas rubricas Conta Consumo de Combustível — CCC e Conta de Desenvolvimento Energético — CDE remete a outra questão não resolvida nos autos, ou seja: os valores auferidos a título das referidas rubricas são tributáveis ou não? Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10983.912502/200969 Acórdão n.º 1301003.060 S1C3T1 Fl. 7 6 A contribuinte alega, invocando a ANEEL, que seriam meros repasses a título de "Recuperação de Custos" para registro em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos. Esses pontos controvertidos, portanto, não foram enfrentados, no mérito, pela decisões anteriores nestes autos, pois se limitaram a denegar o direito creditório com base no óbice do art. 10 da IN SRF 460/04, reiterado pela IN SRF nº 460/05. Ocorre que o óbice do art. 10 da Instrução Normativa n° 460/04, reiterado na IN nº 600/05, ficou superado a partir da edição da IN SRF 900/2008 que suprimiu a vedação do da repetição imediata, aproveitamento ou utilização em compensação tributária de pagamento a maior ou indevido de estimativas mensais do IRPJ ou da CSLL antes de findo o período de apuração, desde que reste comprovado, de forma cabal, o erro de fato na apuração da base de cálculo ou pagamento totalmente desvinculado da base de cálculo que deu origem ao crédito pleiteado. No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 84, cujo verbete transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, a comprovação do erro de fato é condição sine qua non para configuração do pagamento indevido das estimativas mensais e repetição imediata. Caso contrário, tratase mero antecipação de pagamento do IRPJ e da CSLL na forma da legislação de regência, podendo somente ser utilizada na declaração de ajuste anual, para dedução do débito apurado ou para formação do saldo negativo. No caso, não há como prosseguir na análise de mérito nesta instância de julgamento para evitar prejuízo à defesa, ou seja evitar supressão de instância de julgamento, pois as questões do alegado erro de fato e da natureza das receitas, valores repassados à recorrente nas rubricas Conta Consumo de Combustível — CCC e Conta de Desenvolvimento Energético — CDE não foram enfrentadas, no mérito, pelas decisões anteriores nestes autos. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84; e, b) para evitar prejuízo à defesa, ou seja, supressão de instância de julgamento, devolver os autos à unidade de origem da RFB, no caso, a DRF/Florianópolis para que proceda análise Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10983.912502/200969 Acórdão n.º 1301003.060 S1C3T1 Fl. 8 7 de mérito do direito creditório pleiteado pela contribuinte, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 15983.720474/2011-93
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS. MESMA INFRAÇÃO.
Os lançamentos de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem uns dos outros.
Numero da decisão: 1003-000.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS. MESMA INFRAÇÃO. Os lançamentos de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem uns dos outros.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS. MESMA INFRAÇÃO. Os lançamentos de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem uns dos outros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 04 74 /2 01 1- 93 Fl. 864DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 865 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório I – Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às efls. 0320 com a exigência do crédito tributário no valor de R$ 1.630,94 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), referente ao anocalendário de 2007. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS [...] Art. 1º da Lei nº 7.689/88; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "c", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Termo de Verificação fiscal em anexo [...] Art. 1º da Lei nº 7.689/88; art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. II – Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às efls. 0320 com a exigência do crédito tributário no valor de R$4.892,82 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), referente ao anocalendário de 2007. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS [...] Fl. 865DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 866 3 Arts. 1º e 2º da Lei Complementar nº 70/91; arts. 2º,§ 2º, 3º, § 1º, alínea "d", 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei n º9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Termo de Verificação fiscal em anexo [...] Art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. III Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às efls. 0320 com a exigência do crédito tributário no valor de R$9.785,64 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), referente ao anocalendário de 2007. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS [...] Arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "f", 5º, 7º, § 1º, e 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Termo de Verificação fiscal em anexo [...] Art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/BEL/PA nº 0126.969, de 28.08.2013, efls. 810820: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 EMENTA ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 867 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 03.12.2013, efl. 825, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20.12.2013, efls. 827858, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Pertinente ao lançamento aduz que: É cediço que o ato de lançamento, por sua natureza, está sujeito aos princípios basilares do ato administrativo. Entre os princípios informadores do ato administrativo, por pertinente ao caso presente, merece destaque o da finalidade, que exige que o ato da administração pública seja necessário a instrumentalizar o conteúdo da ordem emanada pela autoridade administrativa. No caso concreto, o lançamento ultimado em face do ora RECORRENTE é manifestamente desprovido de utilidade, pois o montante exigido mediante o referido Auto de Infração não apresenta liquidez e certeza no tocante ao valor do crédito tributário. Ocorre que no transcorrer dos trabalhos fiscais, a requerimento do próprio fiscal, a ora RECORRENTE entregou à Receita Federal do Brasil os Livros Diário e Razão completos, contendo toda a escrituração contábil relativa a 2007. Como é sabido, somente quando não conhecida a receita bruta, cabe sua presunção pelos meios eleitos com base na legislação. No caso em tela, a autoridade a presumiu sobre o valor dos depósitos (créditos) bancários. Entretanto a fiscalização já estava de posse da contabilidade que inclui a movimentação financeira, inclusive bancária, o critério adotado não condiz que a realidade dos fatos que consta da escrituração contábil. Como se vê, nada justifica o rigor fiscal da autuação. Eventuais valores movimentados em contas bancárias não podem ser confundidos como renda, porque não veio em benefício do patrimônio do contribuinte (acréscimo patrimonial) nem foi por ele "consumido". E se não acresceu valores nem foi consumido, apenas transitou por contas. Daí o cuidado de somente se abrir o sigilo bancário com autorização judicial: é grande a possibilidade da autoridade fiscal confundir movimento financeiro com renda. E foi efetivamente o que ocorreu. E, tratandose de faturamento de pessoa jurídica, fica ainda mais claro que não se trata de RENDA. Ou, em outras palavras, apenas o lucro poderia ser alcançado pela tributação. Como a Pessoa Jurídica estava enquadrada no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, o imposto devido era o previsto para este tipo de empresa. O CTN, em seu artigo 43, I e II preceitua que "o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. Definiu renda como o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos". Classificar depósitos bancários como "renda", além de ilegal, injusto, É IMPAGÁVEL!!!! Porque grande parte do seu "movimento bancário" é pagamento de fornecedores, aluguéis, impostos, salários, etc. [...] Fl. 867DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 868 5 Com efeito, o lançamento ultimado a título de Imposto sobre a Renda, possui grave erro em sua constituição, na medida em que a Autoridade Autuante, assim como determina o artigo 44 do Código Tributário Nacional deveria utilizar como base de cálculo para apuração do imposto o montante da renda que origina ao contribuinte um acréscimo patrimonial em um determinado período de tempo e mais o seu consumo. Ora, nem toda renda origina um acréscimo patrimonial. Não podemos nos esquecer que renda é a subtração das receitas e das despesas e o restante podemos chamar de acréscimo patrimonial. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: Pelas razões expostas, pede e espera a recorrente seja o valor remanescente do Auto aqui atacado, conforme a seguir demonstrado, no valor principal de R$ 5.457,23 (cinco mil quatrocentos e cinquenta e sete reais e vinte e três centavos), CANCELADO por ser da mais lídima JUSTIÇA. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Cabe identificar a parcela do valor dos objeto de litígio, a saber: Valor do Tributo R$ Tributo Auto de Infração Parcela Incontroversa Parcela Litigiosa CSLL 727,26 181,53 545,73 Cofins 2.181,77 544,60 1.637,17 INSS 4.363,53 1.089,20 3.274,33 A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas com base em depósitos bancários. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 869 6 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração1. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de acordo com a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 1 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 870 7 Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. A Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, determina: Art. 18º Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, conformidade com as Súmulas CARF, cujos enunciados devem ser observados pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF2: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. 2 Fundamentação legal: 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 870DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 871 8 Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes e a titularidade pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada3. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo4. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade5, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. Ainda atinente a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o Recurso Extraordinário com Repercussão Geral RE 6013146 com trânsito em julgado em 11.10.2016, cuja decisão definitiva de mérito deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF7: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. 3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 4 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 5 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. 6 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Recurso Extraordinário nº 601314/SP. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Edson Fachin. Julgado em 24 fev. 2016. Publicado no DJe em 16 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+601314 %2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EACMS%2E+ADJ2+601314%2EACMS%2E%29&base=baseAcordaos& url=http://tinyurl.com/a97p879>. Acesso em 27 mai. 2018. 7 Fundamentação legal: 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 871DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 872 9 MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui Fl. 872DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 873 10 quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta Termo de Verificação e Constatação Fiscal, efls. 2125, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano nesta segunda instância de julgamento: LIVRO CAIXA/ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL 8. De acordo com o art. 190, do Regulamento do Imposto de Renda RIR, Decreto 3.000, de 26/03/99, as empresas optantes pelo sistema de tributação do SIMPLES estão dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes (Lei nº 9.317, de 1996, art. 7º, § 1º) (grifo nosso): I Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; (grifo nosso) II Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário; III todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nos incisos anteriores. 9. Em total desacordo a estes preceitos estabelecidos, a empresa apresentou à fiscalização como Livro Caixa, somente uma folha contendo a movimentação da conta "CAIXA", integrante do Razão Analítico da empresa, sem nenhuma movimentação bancária, o que claramente não contempla as disposições contidas no Regulamento do Imposto de Renda– RIR, ora citadas. 10. Constatada esta falta, reiteramos a intimação para apresentação destes livros na forma estabelecida pela legislação, que foi realizada através do Termo de Reintimação Fiscal nº 1. Decorrido o prazo estabelecido para o cumprimento desta obrigação e tendo a empresa não apresentado o aludido Livro, solicitamos, a partir de então, sua escrituração contábil completa, representada pelos Livros Diário e Razão, através do Termo de Reintimação Fiscal nº 2. Mais uma vez não logramos êxito em termos acesso a tais documentos. Mesmo assim, com vistas a impedir que o contribuinte alegue que não lhe foi dado tempo hábil para atendimento de nosso pleito, este foi reintimado mais uma vez a apresentar os referidos livros, solicitação contida no TRF nº 4. Nada foi apresentado, até a presente data. 11. A título de esclarecimento, vale notar que o tempo transcorrido desde a primeira intimação, TIPF, até esta última, foi de mais de 4 (quatro) meses e até a data deste relatório são mais de 9 (nove) meses. Como se constata, o contribuinte teve um prazo mais que necessário para cumprir com tal obrigação. 12. Mesmo com todos os problemas apresentados, com vistas a elucidar informações contidas no “livro caixa” apresentado, solicitamos à empresa, através do Termo de Intimação Fiscal no. 1, que nos comprovasse documentalmente o lançamento na conta código 1.1.1.01.0001 0000000001 CAIXA, em 01/01/2007, com o histórico de "APORTE FINANCEIRO" no valor de R$ 173.023,43. Sem Fl. 873DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 874 11 resposta a essa solicitação, procedemos a novo pedido ao contribuinte pelo Termo de Reintimação Fiscal nº. 3, que mais uma vez deixou de ser atendido. Em vista da falta de interesse da fiscalizada em prestar esclarecimentos sobre a origem de tal valor, este não pode ser considerado em nosso trabalho. DA APURAÇÃO FISCAL OMISSÃO DE RECEITAS 13. Em nossos sistemas consta que a empresa apresentou a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES PJSI 2008, em 20/05/2008, referente ao período de 01/01/2007 a 30/06/2007, na condição de Empresa de Pequeno Porte. Para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007 apresentou a Declaração Anual do Simples Nacional, DASN, em 22/05/2008. 14. Da análise dos documentos apresentados, incluindo as informações contidas nos extratos bancários, constatouse ter havido omissão de receitas, conforme apresentaremos adiante. 15. A empresa optou pelo sistema de tributação do Simples, na condição de Empresa de Pequeno Porte, no período de 2007, apresentando como “Livro Caixa” uma folha da conta contábil “Caixa” para comprovar os lançamentos do período, que não contem a movimentação bancária, e nenhum livro de registro auxiliar. Os lançamentos ali contidos contemplam os mesmos valores declarados à Receita Federal do Brasil na PJSI e na DASN. 16. Já as movimentações registradas nos extratos bancários da empresa junta às instituições financeiras apresentaram valores bem diferentes dos constantes nessas declarações. O volume de entradas de valores (créditos) superou em muito os valores de receitas declarados. Para que tivéssemos certeza da origem dessas quantias, solicitamos à empresa que identificasse diversos desses lançamentos, apontando quais se tratavam de transações comerciais de recebimento de valores pela venda de produtos e/ou prestação de serviços e quais não configuravam estes procedimentos. Em anexo seguem os Termos onde constam as intimações para que o contribuinte apresentasse documentos, os extratos bancários e os esclarecimentos prestados pela fiscalizada, além das procurações em que a empresa outorga poderes a terceiros. 17. Das informações prestadas, constatamos que o ingresso de valores a título de transações comerciais ocorreu durante todos os meses de 2007. Esses montantes foram compilados em planilha que segue anexa a este Termo e comparados aos declarados na PJSI. 18. Desta forma, foi constituído o crédito tributário referente ao período de apuração de Janeiro/2007. 19. Nesse mês os valores apresentados nos extratos bancários somou R$ 170.809,77 (cento e setenta mil, oitocentos e nove reais e setenta e sete centavos), contra R$ 36.132,64 (trinta e seis mil cento e trinta e dois reais e sessenta e quatro centavos) declarados na PJSI, no livro de saídas e no dito “Livro Caixa” apresentado pela empresa em desacordo com a legislação vigente, conforme demonstrado nos parágrafos 8 a 11 deste relatório. 20. A diferença apurada, R$ 134.677,13 (cento e trinta e quatro mil, seiscentos e setenta e sete reais e treze centavos) representa cerca de 372% (trezentos e setenta e dois por cento) da receita declarada pelo contribuinte. Fl. 874DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 875 12 VALOR TRIBUTÁVEL DE JANEIRO DE 2007 R$ 134.677,13 DOS DESDOBRAMENTOS DA CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS 21. Conforme nossa exposição, verificouse que o contribuinte em epígrafe incorreu na hipótese descrita no inc. V, art. 14, da Lei 9.317/96 e no artigo 195, inciso V do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/1999 (prática reiterada de infração à legislação tributária). Em decorrência dessa prática, foi solicitada a exclusão do contribuinte do SIMPLES FEDERAL, a partir de 01/02/2007, nos termos do inciso V do artigo 15 da Lei 9.317/1996 e inciso V do artigo 196 do RIR/99, bem como, do SIMPLES NACIONAL, de acordo com o artigo 29, da Lei Complementar n° 123/2006. 22. Em vista das ocorrências apontadas foram publicados o Ato Declaratório Executivo nº 45, de 13/07/2001, que traz a exclusão de ofício do SIMPLES Federal, pelo fato de o contribuinte incorrer na hipótese prevista no inciso V do artigo 14 da Lei 9.317/96 e o Ato Declaratório Executivo nº 46, de 13/07/2001, que exclui a empresa do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES Nacional) por incorrer na hipótese prevista no artigo 29 da Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006. A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No que se refere aos valores a serem excluídos do montante dos depósitos tributados, os valores declarados, ressaltese que a Recorrente foi intimada a comprovar a origem dos depósitos listados pelo Fisco, da conta para movimentação mantida junto ao Banco Bradesco S/A, agência nº 2919, contracorrente nº 10006, à Unicred Metropolitana, agência nº 3315, contacorrente nº 0071480, à Caixa Econômica Federal CEF, agência nº 1233, conta corrente nº 13557, bem como ao Banco HSBC S/A, agência nº 1106, contacorrente nº13962 60, efls. 41645, de titularidade da Recorrente. Embora deva ser observado o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, 27 de dezembro de 1996, sobre a totalidade dos depósitos cuja origem a Recorrente não logrou comprovar, é possível presumir que os valores a título de receita bruta contidas da DSPJ tenham transitado nas contas bancárias que foram objeto de análise nos presentes autos. Assim sendo, há como acatar a pretensão da Recorrente de excluir da base de cálculo os valores a título de receita bruta informadas da DSPJ no anocalendário de 2007, efls. 646647, conforme Tabela 1. Tabela 1 – Receita omitida no período de janeiro a dezembro de 2007 Fl. 875DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 876 13 AnoCalendário 2006 Mês (A) Receita Declarada R$ (B) Receita Extratos R$ (C) Diferença entre Receita Declarada e Receita Extratos R$ D = (C B) Percentual Receita Omitida % E = (C*100/B) 100 Janeiro 36.132,64 170.809,77 (134.677,13) 372,73 Fevereiro 35.562,60 141.565,07 (106.002,47) 298,07 Março 37.382,17 161.740,32 (124.358,15) 332,67 Abril 35.285,70 169.963,44 (134.677,74) 381,68 Maio 33.000,66 167.744,64 (134.743,98) 408,31 Junho 31.154,96 161.258,50 (130.103,54) 417,60 Julho 42.350,06 166.603,09 (124.253,03) 293,40 Agosto 45.652,07 179.543,76 (133.891,69) 293,29 Setembro 37.901,49 161.550,42 (123.648,93) 326,24 Outubro 42.793,44 188.123,46 (145.331,02) 339,62 Novembro 103.550,71 187.664,09 (84.113,38) 81,23 Dezembro 130.225,09 170.575,73 (40.350,64) 30,99 Desse modo que o conjunto probatório produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto em parte. A inferência denotada na peça recursal, nesse caso, é acertada em parte. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. A alegação relatada na peça recursal, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade 8. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 876DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 877 14 de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 9. Os lançamentos de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem uns dos outros. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 9 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 877DF CARF MF
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