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Numero do processo: 10675.720104/2007-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 ITR. ISENÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE Para fins de exclusão da área tributável, a área de preservação permanente (APP) e a área de reserva legal (ARL) do imóvel rural devem ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), em relação a fatos geradores ocorridos após o exercício de 2000. No presente caso, a APP e a ARL não foram informadas em ADA, motivo da manutenção do lançamento.
Numero da decisão: 9202-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior – Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Redator-Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     2   (Assinado digitalmente)  Manoel Coelho Arruda Júnior – Relator        (Assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira – Redator­Designado        Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice­Presidente), Luiz Eduardo de  Oliveira  Santos,  Gonçalo  Bonet  Allage,  Marcelo  Oliveira,  Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.  Fl. 482DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.720104/2007­30  Acórdão n.º 9202­002.975  CSRF­T2  Fl. 3          3 Relatório  A Segunda Turma Ordinária  da  Primeira  da Câmara  da  Segunda  Seção  de  Julgamento  do  CARF  julgou  o  recurso  voluntário  n   344.372,  interposto  pelo  contribuinte  Alaor Ribeiro de Paiva, de cujo acórdão se transcreve a ementa na parte questionada:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL  RURAL  ITR  Exercício:  2003  ITR.  ÁREAS  DE  PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL.  OBRIGATORIEDADE  DE  AVERBAÇÃO  DA  ÁREA  NO  CARTÓRIO  DE  REGISTRO  DE  IMÓVEIS  ANTERIOR  AO  FATO GERADOR.  A  averbação  cartorária  da  área  de  reserva  legal  é  condição  imperativa  para  fruição  da  benesse  em  face  do  ITR,  sempre  lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os  fins  da  reforma  agrária,  quer  para  a  preservação  das  áreas  protegidas  ambientalmente,  neste  último  caso  avultando  a  obrigatoriedade  do  registro  cartorário,  condição  especial  para  proteção da área de reserva legal.  ITR. REQUISITOS DE ISENÇÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL.  ADA EXTEMPORÂNEO.  A  apresentação  do  ADA  extemporâneo  não  tem  o  condão  de  afastar a fruição da benesse legal de isenção de áreas no cálculo  do Imposto Territorial Rural (ITR).  [...]Recurso Voluntário Provido em Parte.  A decisão foi assim redigida:  ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em  DAR provimento PARCIAL ao recurso, para considerar as áreas  de  137,79  ha  e  507,35  ha  de  preservação  permanente  e  de  utilização  limitada,  respectivamente,  vencido  o  Conselheiro  Rubens  Mauricio  Carvalho  (Relator)  que  deferia  a  área  de  preservação permanente, porém somente reconhecia  A  Fazenda  Nacional  inconformada  com  o  decidido  no Acórdão  recorrido  interpôs Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro nos artigos 67 e  68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado  pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, visando a revisão do julgado.  Formalizado  o  acórdão  n   210200.874  (fls.  367  a  371,  verso),  insurge­se  a  Procuradoria da Fazenda Nacional contra a decisão, com a  interposição do Recurso Especial  (fls. 374 a 387), dentro da quinzena legal, questionando a ausência de apresentação tempestiva  do  ADA  e  a  necessidade  de  averbação  da  área  de  reserva  legal  no  Registro  de  Imóveis,  analisados a seguir.  Fl. 483DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     4 1.  Ausência  de  apresentação  tempestiva  do  ADA    nessa  questão,  para  contrapor a decisão, a  recorrente apresenta como paradigmas os Acórdãos n  30134352 e n   30239144, cujas ementas estão transcritas abaixo:  Acórdão de n° 30134.352   IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL –  ITR  Exercício:  2001  ITR  EXERCÍCIO  2001.  ÁREAS  DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE  E  DE  RESERVA  LEGAL.  OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.  A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do  Ato  Declaratório  Ambiental  como  condição  para  o  gozo  da  redução  do  ITR  em  se  tratando  de  áreas  de  preservação  permanente e de utilização limitada, tendo em vista a existência  de lei estabelecendo expressamente essa obrigação (art. 17­O da  Lei nº 6.938/81, na redação do art. 1º da Lei nº 10.165/2000).  Recurso Voluntário Negado   Acórdão de n° 30239.144 (parcial)  Assunto:  Imposto  sobre  a Propriedade  Territorial  Rural  –  ITR  Exercício: 2001.  ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL — ADA.  A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam  se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do  ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo  de requerimento daquele Ato, junto ao IBAMA, em tempo hábil),  por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000.  [...]ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE OU ÁREA DE  UTILIZAÇÃO LIMITADA – COMPROVAÇÃO.  Para que as áreas de Preservação Permanente  e de Utilização  Limitada  estejam  isentas  do  ITR,  é  preciso  que  as  mesmas  estejam  perfeitamente  identificadas  por  documentos  idôneos  e  que  assim  sejam  reconhecidas  pelo  IBAMA  ou  por  órgão  estadual  competente,  mediante  Ato  Declaratório  Ambiental  –  ADA,  ou  que  o  contribuinte  comprove  ter  requerido  o  referido  ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da  entrega da DITR.  [...]Recurso Voluntário Negado.  2. Averbação a margem da matrícula do imóvel   para contestar essa questão,  o recorrente traz como paradigma o Acórdão n  30130.475:  ÁREA DE RESERVA LEGAL.  A área do imóvel definida como de reserva legal só poderá ser  considerada  isenta  se  a  averbação  tiver  ocorrido  na  data  da  ocorrência do fato gerador do ITR/97, e não em data posterior.  Negado provimento por unanimidade  Fl. 484DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.720104/2007­30  Acórdão n.º 9202­002.975  CSRF­T2  Fl. 4          5 Instado a se manifestar, o i. Presidente da 1 Câmara desta Seção resolveu dar  seguimento parcial ao Recurso Especial interposto pelos seguintes motivos [fls. 390 e ss]:  De  fato,  as  interpretações  são  divergentes.  No  recorrido,  entende­se que a “apresentação do ADA extemporâneo não tem  o  condão  de  afastar  a  fruição  da  benesse  legal  de  isenção  de  áreas  no  cálculo  do  Imposto  Territorial  Rural”.  Nos  paradigmas, que é obrigatória a entrega do ADA. O acórdão nº  30239.144  ainda  frisa  que  as  áreas  devem  reconhecidas  pelo  IBAMA  ou  por  órgão  estadual  competente,  mediante  ADA  ou  requerimento,  obtido  ou  protocolizado  no  prazo  de  seis  meses  contados da data da entrega da DITR.  [...] Nesse aspecto não há divergência a ser apurada, já que no  acórdão  recorrido  acatou­se  o  laudo  técnico  para  fins  de  delimitação  da  área  de  reserva  legal,  posição mantida  no  voto  vencido e no voto vencedor, não havendo divergência em relação  à tempestividade da averbação.  A  dispensabilidade  da  apresentação  tempestiva  do  ADA,  ou  requerimento, como condição para o contribuinte de usufruir do  benefício  fiscal  no  âmbito  do  ITR,  foi  o  ponto  central  da  divergência  do  voto  vencedor.  Nas  palavras  do  conselheiro  designado,  “a  motivação  da  glosa  das  áreas  isentas,  que  culminou no lançamento, foi a extemporaneidade do ADA para:  a (i) área de preservação permanente e (ii) a área de utilização  limitada.” (fl. 370, verso)”.  Assim, à vista dos elementos apresentados pela  recorrente, não  há como negar a existência do dissenso jurisprudencial quanto à  apresentação do ADA para fruição do benefício fiscal do ITR.  Ante  o  exposto,  na  forma  dos  arts.  67  e  68,  do  Anexo  II,  do  RICARF,  DOU  SEGUIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  especial  interposto  na  parte  em  que  questiona  a  necessidade  de  apresentação  tempestiva  de  ADA  para  a  dedução  da  área  de  preservação permanente da base de cálculo do  ITR, mas não o  admito  na  parte  em  que  discute  sobre  a  obrigatoriedade  de  averbação tempestiva da área de reserva  legal na matrícula do  imóvel,  por  não  ter  sido  comprovada  a  divergência  jurisprudencial nesse aspecto.  Intimado do recurso, o Contribuinte quedou­se inerte.  É o relatório.  Fl. 485DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     6   Voto Vencido  Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator  Primeiramente, há que ser declarada a  tempestividade do Recurso Especial,  tendo  em  vista  sua  interposição  no  prazo  estabelecido  pelo  artigo  68,  caput,  do  Regimento  acima mencionado.  Insurge­se  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  contra  a  decisão,  com  a  interposição  do Recurso Especial  (fls.  374  a  387),  dentro  da  quinzena  legal,  questionando  a  Ausência  de  apresentação  tempestiva  do ADA para  a  exclusão  da  glosa  em  face  da  área  de  preservação permanente.  Área de Preservação Permanente  Em  momento  anterior  à  alteração  promovida  no  artigo  17­O  da  Lei  n°  6.938/81  pela  Lei  n°  10.165,  de  27/12/2000,  apenas  Instruções Normativas  da  Secretaria  da  Receita Federal veiculavam a obrigação relativa à apresentação do ADA.  A  ausência  de  amparo  legal  para  a  exigência  do  ADA,  quanto  a  fatos  ocorridos  até  o  exercício  2000,  deu  origem  ao  Enunciado CARF  n°  41,  que  tem  o  seguinte  conteúdo: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou  órgão  conveniado,  não  pode  motivar  o  lançamento  de  ofício  relativo  a  fatos  geradores  ocorridos até o exercício de 2000”.  No entanto, o caso em apreço está relacionado ao exercício 2002.  A Súmula, então, é inaplicável à espécie.  Para  fatos ocorridos  a partir  do  exercício 2001,  inclusive,  o  artigo 17­O da  Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, passou a prever que:  Art.  17­O.  Os  proprietários  rurais  que  se  beneficiarem  com  redução  do  valor  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental  ­ ADA,  deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11  do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título  de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000)  § 1º­A. A Taxa de Vistoria a que se  refere o caput deste artigo  não  poderá  exceder  a  dez  por  cento  do  valor  da  redução  do  imposto proporcionada pelo ADA  (incluído nela Lei n° 10.165.  de 2000)  §  1º.  A  utilização  do  ADA  para  efeito  de  redução  do  valor  a  pagar do  ITR é obrigatória.  (Redação dada pela Lei n°10.165,  de 2000)  Embora este  texto pareça demonstrar que a  legislação é  taxativa ao exigir a  protocolização tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas  de preservação permanente e de utilização limitada, sob minha ótica, não se pode olvidar que a  apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma  Fl. 486DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.720104/2007­30  Acórdão n.º 9202­002.975  CSRF­T2  Fl. 5          7 vistoria  pelo  órgão  competente  e  a  ratificação  ou  retificação  das  declarações  ali  contidas  –  restringe­se a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência  de áreas que têm algum interesse ecológico.  Segundo  penso,  com  o  advento  de  tal  regra,  o  ADA  apresentado  tempestivamente tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir  da sua entrega. Caso não ocorra o protocolo tempestivo do ADA, pode o contribuinte se valer  de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo do ITR.  Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em  referência, na página do IBAMA na internet (www.ibama.gov.br), nos “Serviços On­line”, na  parte relativa ao “Ato Declaratório Ambiental – ADA”, no link “Respostas às Perguntas mais  Freqüentes sobre o ADA”, em resposta à pergunta n° 40 (“Que documentação pode ser exigida  para  comprovar  a  existência  das  áreas  de  interesse  ambiental?”),  consta  a  possibilidade  de  apresentação dos seguintes documentos para tal finalidade:  ● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo;  ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação  natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal  em seu artigo 3.;  ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado  da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as  Áreas  de  Interesse Ambiental  (Área  de Preservação Permanente; Área  de Reserva  Legal;  Reserva  Particular  do  Patrimônio  Natural;  Área  de  Declarado  Interesse  Ecológico; Área  de Servidão Florestal  ou Ambiental; Áreas Cobertas  por Floresta  Nativa;  Áreas  Alagadas  para  fins  de  Constituição  de  Reservatório  de  Usinas  Hidrelétricas);  ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental;  ●  Certidão  do  Ibama  ou  de  outro  órgão  de  preservação  ambiental  (órgão  ambiental  estadual)  referente  às Áreas de Preservação Permanente  e de Utilização  Limitada;  ●  Certidão  de  registro  ou  cópia  da matrícula  do  imóvel  com  averbação  da  Área de Reserva Legal;  ●  Termo  de  Responsabilidade  de  Averbação  da  Área  de  Reserva  Legal  (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC);  ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas  de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato  do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área  no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para  a  agricultura  ou  pecuária,  pode  ser  solicitada  ao  órgão  ambiental  federal  ou  estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico.  ●  Certidão  de  registro  ou  cópia  da matrícula  do  imóvel  com  averbação  da  Área de Servidão Florestal;  ●  Portaria  do  Ibama  de  reconhecimento  da  Área  de  Reserva  Particular  do  Patrimônio Natural (RPPN).  Fl. 487DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     8 Portanto,  a  própria  Administração  Pública  entende  que  o  ADA  tem  efeito  meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação  permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro  agrônomo ou  florestal,  acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que  especifique e discrimine a área de interesse ambiental.  No caso em análise, o contribuinte apresentou com o Recurso  Voluntário, de fls. 265 a 213, tendo juntado ADA extemporâneo  e laudo técnico.  DISPOSITIVO  Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial  interposto.  É o voto.        (Assinado digitalmente)  Manoel Coelho Arruda Júnior  Fl. 488DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.720104/2007­30  Acórdão n.º 9202­002.975  CSRF­T2  Fl. 6          9   Voto Vencedor  Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado  Com todo respeito ao nobre Relator, divirjo de sua conclusão sobre a dedução  da base de cálculo do ITR da área de preservação permanente (APP) e de reserva legal (ARL).  Em  nosso  entender,  a  legislação  determina  requisitos  para  que  os  contribuintes obtenham o benefício fiscal da isenção de ITR para as APP e ARL e existência de  laudo  não  é  capaz  de  suprir  um  desses  requisitos,  que  é  a  correta  apresentação  de  Ato  Declaratório Ambiental (ADA).  Primeiramente,  antes  de  nossa  análise,  cabe  ressaltar  a  importância  do Ato  Declaratório Ambiental (ADA).  O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA  e das áreas de  interesse ambiental e possui como função cadastramento  as áreas de  interesse  ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável  pela área ambiental.  Com  essa  declaração  aos  órgãos  responsáveis,  e  pela  busca  da  preservação  ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR.   Cabe esclarecer que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É  o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar  É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário,  conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN).   Com  essa  benesse  estatal,  isenção,  busca­se,  portanto,  uma  conduta  dos  contribuintes.  No  caso,  o  objetivo  é  a  preservação  das  áreas  declaradas,  pela  fiscalização  dessas áreas, que é possível pela informação constante em ADA.  Busca­se, portanto, estimular a preservação e proteção da flora e das florestas  e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e melhor qualidade de vida.  Feito o ressalte, cabe analisarmos, no caso em questão, se o contribuinte agiu  conforme a legislação.  O  lançamento  refere­se  ao ano de 2003 e nos autos não encontramos ADA  entregue ao IBAMA.  Na  análise  dos  autos,  é  nosso  dever  verificar  se  a  exigência  está  em  consonância com o que determina a legislação sobre a matéria.  Fl. 489DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     10 Portanto,  cabe  a  este  colegiado  decidir  sobre  a  causa,  aplicando o  direito  à  espécie.  Na legislação está expressa a determinação para a entrega do ADA.  Lei 6.938/1981:  Art.  17­O.  Os  proprietários  rurais  que  se  beneficiarem  com  redução  do  valor  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural –  ITR,  com base em Ato Declaratório Ambiental  ­ ADA,  deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11  do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título  de Taxa de Vistoria.  § 1o A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo  não  poderá  exceder  a  dez  por  cento  do  valor  da  redução  do  imposto proporcionada pelo ADA.  §  1o  A  utilização  do  ADA  para  efeito  de  redução  do  valor  a  pagar do ITR é obrigatória.  Esclarecemos, também, que a exigência de entrega do ADA não foi alterada  pela mudança da Lei 9.393/1996, incluída pela Medida Provisória (MP) 2.166­67, de 2001:  Lei 9393/1996:  Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo  contribuinte,  independentemente  de  prévio  procedimento  da  administração  tributária,  nos  prazos  e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  sujeitando­se  a  homologação posterior.  ...  § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas  de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo,  não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante,  ficando  o  mesmo  responsável  pelo  pagamento  do  imposto  correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique  comprovado  que  a  sua  declaração  não  é  verdadeira,  sem  prejuízo de outras sanções aplicáveis.  De  forma  clara  a  legislação  afirma  que  a  declaração  (ADA)  para  fim  de  isenção do ITR não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante.  Ou  seja,  o  declarante  deve  informar  o  que  conceitua  como  correto,  sem  prévia comprovação da sua parte, cabendo aos órgãos da administração pública solicitarem, ou  não, a posterior comprovação do que foi declarado.  Não  se  deve  confundir  prévia  comprovação  do  declarado  com  entrega  de  declaração, que são dois atos totalmente distintos.  O  Decreto  regulamentador  do  ITR  também  possui  determinação  nesse  sentido.    Fl. 490DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.720104/2007­30  Acórdão n.º 9202­002.975  CSRF­T2  Fl. 7          11   Decreto 4.382/2002:  Art.  10.  Área  tributável  é  a  área  total  do  imóvel,  excluídas  as  áreas:  I ­ de preservação permanente;  II ­  II ­ de reserva legaL;  ...      §  1º  A  área  do  imóvel  rural  que  se  enquadrar,  ainda  que  parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput  deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para  fins de apuração da área tributável.      §  3º  Para  fins  de  exclusão  da  área  tributável,  as  áreas  do  imóvel rural a que se refere o caput deverão:      I  ­  ser  obrigatoriamente  informadas  em  Ato  Declaratório  Ambiental ­ ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto  Brasileiro  do  Meio  Ambiente  e  dos  Recursos  Naturais  Renováveis  ­  IBAMA,  nos  prazos  e  condições  fixados  em  ato  normativo  (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17­O, §  5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de  dezembro de 2000); e  Portanto, como o ADA não foi apresentado com dados sobre a APP e a ARL,  correto está o lançamento e deve ser dado provimento ao recurso, nos termos do voto.        (Assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira                  Fl. 491DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR

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Numero do processo: 10821.000034/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2102-002.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 25/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 25/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1638; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T2  Fl. 84          1 83  S2­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10821.000034/2009­31  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2102­002.792  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de novembro de 2013  Matéria  IRPF ­ Glosa de deduções e omissão de rendimentos  Recorrente  CARLOS PURÍSSIMO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2005  RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.  Não  se  conhece de  apelo  à  segunda  instância,  contra decisão de  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  quando  formalizado  depois  de  decorrido  o  prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.  Recurso Voluntário Não Conhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso, por intempestivo.  Assinado digitalmente  JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente.  Assinado digitalmente  NÚBIA MATOS MOURA – Relatora.    EDITADO EM: 25/11/2013    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio  Pitarelli,  Carlos  André  Rodrigues  Pereira  Lima,  José Raimundo  Tosta  Santos,  Núbia Matos  Moura e Rubens Maurício Carvalho.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 00 00 34 /2 00 9- 31 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10821.000034/2009­31  Acórdão n.º 2102­002.792  S2­C1T2  Fl. 85          2     Relatório  Contra  CARLOS  PURÍSSIMO  foi  lavrada  Notificação  de  Lançamento,  fls. 31/39, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF),  relativa  ao  ano­calendário  2004,  exercícios  2005,  no  valor  total  de  R$ 27.542,03,  incluindo  multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/01/2009.  As  infrações  apuradas  pela  autoridade  fiscal  foram:  dedução  indevida  de  dependentes  (R$ 5.088,00),  dedução  indevida  de  despesas  médicas  (R$ 3.082,25),  dedução  indevida  de  previdência  privada  e  Fapi  (R$ 1.262,45),  dedução  indevida  de  despesas  com  instrução  (R$ 1.998,00),  dedução  indevida  de  pensão  alimentícia  judicial  (R$ 29.043,95)  e  omissão  de  rendimentos  recebidos  da  Fundação  Petrobras  de  Seguridade  Social  Petros,  no  valor de R$ 4.580,41.  Inconformado  com  a  exigência,  o  contribuinte  apresentou  impugnação,  fls. 02/03,  que  foi  considerada  procedente  em  parte,  para  restabelecer  a  dedução  com  dependentes  (R$ 2.544,00),  a  dedução  de  despesas  médicas  (R$ 1.902,03)  e  a  dedução  de  previdência privada (R$ 1.262,45), conforme Acórdão DRJ/SP2 nº 17­54.620, de 18/10/2011,  fls. 40/50.  Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 09/11/2011,  Aviso de Recebimento (AR), fls. 54, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 70/71,  em 12/12/2011, no qual afirma, em síntese, que a omissão de rendimentos se deu por erro de  soma, não existindo o  intuito de sonegar e que solicitou  junto aos Fóruns de  Jabaquara/SP e  São  Sebastião/SP  certidões  de  Objeto  e  Pé  que  comprovem  a  sentença  e  homologação  das  pensões judiciais.  É o Relatório.  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10821.000034/2009­31  Acórdão n.º 2102­002.792  S2­C1T2  Fl. 86          3   Voto             Conselheira Núbia Matos Moura, relatora   O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de  30  (trinta)  dias,  contados  da  ciência  da  decisão  de  primeira  instância,  conforme  disposição  expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis:  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com  efeito  suspensivo,  dentro  dos  30  (trinta)  dias  seguintes  à  ciência da decisão.  Como se colhe dos autos, o contribuinte tomou ciência da decisão de primeira  instância  em  09/11/2011,  conforme  Aviso  de  Recebimento  (AR),  fls.  54.  Já  o  recurso  foi  apresentado em 12/12/2011, conforme consta em despacho da autoridade preparadora, fls. 83.  Tem­se, portanto, que o recurso foi apresentado depois de já ultrapassado o prazo de 30 dias do  recebimento da decisão de primeira instância.  Nesse  sentido,  é  forçoso  concluir  pela  intempestividade  do  recurso,  o  que  torna definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do art. 42,  I do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis:  Art. 42. São definitivas as decisões:  I  –  de  primeira  instância,  esgotado  o  prazo  para  recurso  voluntário sem que este tenha sido interposto;  Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário,  por perempto.  Assinado digitalmente  Núbia Matos Moura ­ Relatora                                Fl. 86DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS

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5334247 #
Numero do processo: 14041.000193/2008-92
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalins – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 14041.000193/2008­92  Resolução nº  2801­000.278  S2­TE01  Fl. 1.589          2 tributário  perfaz  o montante  de RS 1,093.509,85,  assim  discriminado  (fl. 224):  EXAÇÃO  FISCAL  ANO­  CAL  PRINCIPAL (R$)  JUROS  DE  MORA  (calculados  até  31/01/2008)  MULTA  DE  OFÍCIO  75%  TOTAL  IRRF  (fls.224/257)  2003   455.112,58   297.063,11   341.334,16  1.093.509,85  Infração imputada:  IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE  ­  APURAÇÃO  SEMANAL­ DIFERENÇA  APURADA.  ENTRE  O  VALOR  ESCRITURADO  E  O  DECLARADO/PAGO.  DCTF  RETIFICADORAS  APRESENTADAS  SEM DÉBITO DO IMPOSTO, COM VALORES ZERADOS.  Quanto à descrição dos  fatos,  consta do Auto de  Infração na  fl.  225,  verbis:  (...)  Durante  o  procedimento  de  verificações  obrigatórias  foram  constatadas  divergências  entre  os  valores  declaradas  e  os  valores  escriturados conforme Verificação fiscal...  A propósito,  consta do Termo de Verificação Fiscal,  parte  integrante  do  Auto  de  Infração,  a  seguinte  descrição  dos  fatos  (fls.  258/259),  verbis:.  (...)  No  dia  20/08/2007  o  fiscalizado  compareceu  à  Receita  Federal,  apresentou  os  recibos  de  entrega  de  Dctf  original  (fls.  077  a  82)  e  afirmou  que  durante  os  anos  de  2003  ­  2005  a  empresa  enfrentou  embates  societários  e  que  não  tinha  conhecimento  das  retificadoras  transmitidas. Menciona  ter solicitado à Receita cópia das mesmas em  30 dias receberia as declarações (...).  Em  relação  à  DCTF  o  contribuinte  afirma  (fls.  089  a  166)  não  ter  efetuado as retificações datadas de 29/11/2005 (...)  Observas­se  que  o  documento  apresentado em 22/08/2007  (fls.  082  a  084) o contribuinte menciona:  "Reitera que não sabe dizer a razão da divergência indicada no termo  de intimação acredita deva decorrer do embate societário que viveu a  empresa  a  partir  falecimento  do  Sr.  António Venâncio  da  Silva.  Este  embate se delineou nos autos do processo de inventário e também nós  corredores  da  empresa,  com  contadores  funcionários­  trabalhando  para  grupos  de  pessoas  que  divergiam,  entre  si,  .o  que  ocasionou  .  grandes  perdas  financeiras  para  a  empresa,  além  de  inequívocas  conturbações no plano contábil e fiscal "  Em 01/11/2007 como resposta a ama intimação o contribuinte declara  (fls.  173  a  "Como  não  houvesse  consenso  entre  os  herdeiros,  as  contendas diárias  t,  funcionários e estes è até mesmo com os clientes  Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 14041.000193/2008­92  Resolução nº  2801­000.278  S2­TE01  Fl. 1.590          3 eram  constantes,  com  ausência  completo  de  direcionamento  da  empresa,  e  vários  tumultos  relacionados  a  pagamentos,  registros:  documentos, dados, que levaram a empresa a sua quase derrocada, o  acordo  ultimado  em  idos  de  2005,  também  já  entregue  a  esta  fiscalização "  (...)  Como  não  há  débitos  declaradas  em  DCTF  e  as  justificativas  não  foram convincentes lavramos o auto considerando os valores apurados  na escrituração contábil (fls. 209 e 217 a 221).  As contas contábeis (passivo) utilizadas como base para o auto foram  as  seguintes:  IRRF  Salários,  •  1RRF  Pessoa  Física,  IRRF  Juros  Remuneratórios, IRRF Pessoa Jurídica e IRRFs/Rendimentos. Abaixo a  relação dos lançamentos (...).  Fundamentos legais:  CTN ­ Lei n° 5.172, art. 149; RIR/99, arts. 841, 717, 726 e 865.  O sujeito passivo tomou ciência do Auto de Infração (fls. 224/257) e do  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fls.  258/267),  por  via  postal,  em  18/02/2008, conforme cópia do Aviso de Recebimento ­ AR na fl. 268, e  apresentou  impugnação  fiscal  em  19/03/2008  nas  fls.  270/284,  juntando, ainda, os documentos nas fls. 285/500.  Regularização da representação processual nas fls. 502/532.  Consta, em síntese, da impugnação fiscal:  1)  ­ Preliminar de nulidade do  lançamento  fiscal: que o Mandado de  Procedimento Fiscal ­ MPF autorizou, apenas, a fiscalização do IRPJ,  CSLL, PIS e COFINS, não abarcando o IRRF que os autos do processo  em  comento  referem­se  a  auto  de  infração  do  IRRF,  o  que  denuncia  exacerbação  da  fiscalização,  ou  seja,  violação  dos  princípios  da  legalidade e da vinculação ­ ao MPF; que o Auditor­Fiscal que lavrou  o  auto  de  infração  do  IRRF  não  tinha  competência  para  isso,  pois  extrapolou  o  disposto  no MPF,  o  qual  não  autorizou  a  extensão  da  fiscalização  para  o  IRRF;  que  o  Auditor­Fiscal­  para  exercitar  sua  competência ­ depende de ordem específica de seu superior (Delegado)  e  da  emissão  do  MPF  (Portaria  MF  95/2007  e  Portaria  RFB  nº  11.371/2007);  que,  em  suma,  estaria  caracterizado  flagrante  vício  insanável de nulidade do  lançamento  fiscal, por  falta de competência  da autoridade lançadora, nos termos do inciso I do art. 59 do Decreto  nº 70.235/72  2) Decadência parcial: que ex vi do art. 150, § 4º, do CTN, o crédito  tributário  relativo  aos  fatos  geradores  do  IRRF  de  01/01/2003  a  17/02/2003  já  estaria  decaído,  quando  tomou  ciência  do  lançamento  fiscal  em  18/02/2008;  invoca  e  transcreve,  ainda  em  relação  à  caducidade  suscitada,  ementas  de  decisões  do  antigo  Conselho  de  Contribuintes do Ministério da Fazenda.  3)  ­  Pagamentos  não  considerados;  que  a  fiscalização  formalizou  o  auto de infração sem as competentes investigações preliminares; que a  fiscalização deixou de considerar pagamentos do IRRF efetuados antes  Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 14041.000193/2008­92  Resolução nº  2801­000.278  S2­TE01  Fl. 1.591          4 do  início  do  procedimento  fiscal  relativo  ao  ano­calendário  2003  conforme  cópias  dos  DARF  nas  fls.  294/482;  que  esses  pagamentos/recolhimentos  demonstram  que  o  lançamento  fiscal  do  IRRF formalizado está  inadequado, na medida que apresenta base de  cálculo distorcida desse imposto. O sujeito passivo pede que — se não  for reconhecida a nulidade ­ que se proceda a adequação dá base de  cálculo aos limites legais.  4)  ­  Juros  sobre  o  capital  próprio:  que  relativo  à  conta  contábil  2.1.1.02.021  ­  IRRF  ­  Juros  Remuneratórios  ,  urge  os  seguintes  esclarecimentos:  a) que a  conta  contábil  indica retenção do  IRRF sobre  juros  sobre o  capital próprio;  b) que­ no caso ­ não teria havido o pagamento de juros sobre o capital  próprio aos quotistas da empresa, pois a empresa ­ na época ­ estaria  vivendo  um  embate  societário  em  decorrência  do  inventário  do  Sr.  Antônio Venâncio da Silva (fls. 484/488) e que, em decorrência disso,  todas  as  decisões  do  Grupo  Venâncio  ­  que  se  subordinam  a  Assembléia Geral ­ foram relegadas para o término do processo, ante a  incerteza da destinação do capital. Juntou, ainda, cópia do Instrumento  Particular  de  Alteração  de  Contrato  Social  da  Antonio  Venâncio  da  Silva  &  Cia  Ltda,  de  16/12/2003  (fls.  490/500);  que  embora  o  parágrafo  único  da  Cláusula  Vigésima  Primeira  dessa  alteração  contratual possibilite o pagamento de juros sobre o capital próprio, é  certo,  também,  que  condiciona  a  aprovação  desse  pagamento  pela  maioria  dos  votos  dos  quotistas;  que  deliberação  nesse  sentido  inexistiu; que­ sendo assim — o registro em conta contábil de "Juros  sobre o capital próprio" ou "IRRF ­ Juros Remuneratórios" é indevido,  pois  inexistiu  pagamento  dessa  remuneração,  nem  autorização  societária  para  tanto;  que,  por  conseguinte,  houve  erro  contábil,  devendo­se cancelar os valores constantes da conta contábil ­ IRRF ­  Juros  sobre Capital  Próprio;  que  se  não  houve  pagamento  de  juros,  não há IRRF a ser pago ou exigido.  5)  ­  Multa  de  Ofício­  Inaplicabilidade:  que  consta  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  que  o  lançamento  tomou  por  base  os  valores  apurados na escrituração contábil da contribuinte, ante a inexistência  de  declaração  de  débitos  nas  DCTF  retificadoras,  que  foram  apresentadas com os campos zerados (fls. 180 a 209 c 217 a 221); que  tal  afirmativa da  fiscalização não corresponde a  realidade dos  fatos;  que a empresa formalizou a entrega das DCTF do ano­calendário 2003  com  valores,  débitos  declarados;  que  ­  entretanto  –  em  29/11/2005  surgiram,  foram  transmitidas  eletronicamente,  DCTF  retificadoras  com valores zerados; que tais DCTF retificadoras não possuem valor  jurídico,  uma  vez  que  o  responsável  por  tal  preenchimento  é  pessoa  desconhecida, alheia ao quadro de funcionários da empresa,  fato que  ensejou,  inclusive,  a  formalização  de  abertura  de  inquérito  policial,  conforme  informação  prestada  à  RFB,  correspondência  protocolada  em  20/09/2007  (fls.  290/293);  que  os  valores  exigidos  do  IRRF  não  correspondem  apenas  aos  valores  escriturados  mas  também  aos  valores  informados  nas  DCTF  primitivas;  que*  por  isso,  caberia  à  fiscalização  ­  nessa  parte  ­  verificar  a  existência  de  pagamentos  dos  débitos do ano­calendário 2003, antes do lançamento de ofício; que, de  Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 14041.000193/2008­92  Resolução nº  2801­000.278  S2­TE01  Fl. 1.592          5 fato* se os débitos exigidos foram objeto das DCTF primitivas do ano­ calendário  2003,  inaplicável  a  multa  de  ofício;  que,  no  caso,  no  máximo  é  possível  falar  em  falta  de  recolhimento  de  tributo  devidamente apurado e declarado* o que enseja apenas e tão­somente  a  aplicação  dê  multa  moratória  no  percentual  de  20%.  Há  ainda  invocação e  transcrição de  ementas1 de decisões  do antigo Conselho  de  Contribuintes  do  MF;  que,  por  conseguntge,  pediu  a  redução  da  multa para o patamar de 20%.  Por fim, o sujeito passivo pedido:  a) que :seja apreciada a presente impugnação, afastando o lançamento  fiscal  em  sua  integralidade,  seja  em  razão  da  nulidade  suscitada  ou  pelos pagamentos demonstrados;  b)  que  ­  caso  assim  não  se  entenda  ­  requer  seja  declarada  a  decadência  do  direito  de  lançamento  quanto  aos  fatos  geradores  até  17/02/2003,  e  ­para  os  demais  fatos  geradores  ­  que  seja  ajustada  a  base de cálculo, e cancelamento do 1RRF atinentes à conta contábil ­  [RRF ­ Juros Remuneratórios, e redução da multa para o patamar de  20%. Ainda, protesta pela juntada de outras provas documentais, caso  eventualmente sejam obtidas ou encontradas (Lei 9.784/99, arts. 37 e  38).  Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/BSA entendeu por bem julgar o lançamento  procedente em parte, em decisão que restou assim ementada:  Ementa:  PRELIMINAR  PROCESSUAL  DE  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO NA EXECUÇÃO  DO  MPF.  VERIFICAÇÕES  OBRIGATÓRIAS.  PRELIMINAR  REJEITADA.  Para  exações  fiscais  lançadas  em  procedimento  de  verificações  obrigatórias,  não  há  necessidade  de  especificar1  ou  mencionar  tio  MPF­F  os  tributos  e  contribuições  objeto  de  fiscalização,  pois  a  emissão  do  MPF­F  abarca,  por  si  só,  automaticamente,  todos  os  tributos  e  contribuições  administrados  pela  RFB,  no  lapso  temporal  dos último.s cinco anos e mais o período de execução do MPF.  PRELIMINAR  DE  MÉRITO.  ALEGAÇÃO  DE  DECADÊNCIA  PARCIAL  DO  DIREITO  DE  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  CADUCIDADE  NÃO  CONFIGURADA.  APLICAÇÃO  DO ART. 173,1, CTN  Não realizadas pela contribuinte as atividades de que trata o art. 150  do CTN, mormente  inexistindo pagamento qualquer para o respectivo  fato  gerador,  o  termo  de  início  do  prazo  decadencial  de  cinco  anos  para  lançamento  do débito  em aberto  do  respectivo  fato gerador  é o  primeiro dia.do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter sido efetuado.  PAGAMENTOS  EFETUADOS  ANTES  DO  INÍCIO  DO  PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO  Em relação a determinados  fatos geradores do  imposto ocorridos até  17/02/2003  objeto  do  lançamento  de  ofício,  cujos  pagamentos  Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 14041.000193/2008­92  Resolução nº  2801­000.278  S2­TE01  Fl. 1.593          6 comprovados  nos  autos  foram  efetuados  antes  do  início  do  procedimento  fiscal,  afasta­se  nessa  parte  o  lançamento  fiscal,  para  evitar duplicidade de exigência, pois o crédito tributário respectivo já  fora  extinto  pelo  pagamento,  antes  do  início  do  procedimento  de  fiscalização.  No que concerne a determinados fatos geradores do imposto ocorridos  após 17/02/2003 objeto dos autos, cujos pagamentos comprovados nos  autos foram efetuados antes do início do procedimento fiscal, mantém ­ se  o  principal  da  exação  fiscal  e  afasta­se  a  multa  de  oficio  proporcionalmente  ao  valor  do  principal  a  ser  quitado  pela  alocação/imputação do DARF, caso haja crédito disponível.  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO.  IRRF  NÃO  RECOLHIDO.  DEBITO  MANTIDO  NA  ESCRITURAÇÃO  CONTÁBIL  EM  CONTA  DO  PASSIVO.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  DO  DÉBITO  EM  ABERTO.  Não  restando  comprovado  nos  autos  que  os  juros  sobre  o  capital  próprio não foram pagos aos quotistas, ou que a despesa a esse título  inexistiu, procede a exigência do  tributo, pois os fatos econômicos de  relevância  jurídico­tributária  registrados  na  escrituração  contábil  fazem prova tanto a favor, quanto contra, o contribuinte.  LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%.  A  falta  de  pagamento  do  tributo  ou  contribuição  constatada  cm  procedimento de fiscalização impõe a exigência do principal da exação  fiscal com aplicação da multa de ofício. A multa moratória aplica­se  apenas  para  pagamentos  espontâneos  após  o  prazo  de  vencimento,  e  antes do início de qualquer procedimento de fiscalização.  PROTESTO  PELA  JUNTADA  DE  OUTRAS  PROVAS  DOCUMENTAIS. PRECLUSÃO ' DA FACULDADE PROCESSUAL.  As  provas  documentais  devem  ser  apresentadas  juntamente  com  a  impugnação fiscal, sob pena de preclusão dessa faculdade processual.  Não  restando  comprovado  nos  autos  motivo  de  força  maior  de  que  trata o art. 16, § 4o, do Decreto n° 70.235/72 com redação dada pelo  art.  67  da  Lei  n°  9.532/97  ,  rejeita­se  o  pedido  de  juntada  de  novos  documentos nessa fase processual.  Em  24  de  setembro  de  2009,  o  SECOJ/DRJ/BSB  exarou  o  despacho  n°  487/2009 (Fls. 1113), onde se verifica:  Não  foi  possível  atualizar  o  resultado  do  julgamento  do  Acórdão  DRJ/BSB  n°  03­32.233  de  17/07/2009  no  SIEF,  do Relator NELSON  K1CHEL, CPF 423.662­839­20, tendo em vista verificar a necessidade  de  alocação  de  pagamento  feito  pelo  contribuinte,  conforme  cita  o  acórdão às fls. 552.  Diante  disto,  proponho  encaminhar  o  processo  à  DRF/Brasília  para  que sejam tomadas as providências necessárias e informar o resultado  do julgamento no sistema.  Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 14041.000193/2008­92  Resolução nº  2801­000.278  S2­TE01  Fl. 1.594          7 Cientificado  em  03/11/2009  (Fls.  1441),  o  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário em 19/11/2009 ( Fls. 1451 a 1475), reforçando os argumentos apresentados quando  da Impugnação.  Em  30/11/2009  (Fls.  1477),  ocorreu  o  encaminhamento  do  processo  ao  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para apreciação.  Em 01/03/2010, o Recorrente anexou petição (Fls. 1479 a 1481), informando e  requerendo:  .... sejam apartados do referido processo os débitos abaixo declinados,  com  as  multas  de  ofício  correspondentes  ,  em  relação  aos  quais  o  contribuinte promoveu adesão ao parcelamento  instituído pela Lei n°  11.941/2009 . São eles:  (...)  Esclarece, a contribuinte , que tais débitos não foram objeto de recurso  administrativo, pelo que já estão definitivamente constituídos , razão de  sua inclusão no parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009 .  Relativamente aos demais débitos constituídos no referido processo, ou  já foram excluídos por decisão da 2ª Turma da DRJ / BSA (acórdão 03­ 32.233, de 17/07/2009) ou são Objeto de recurso voluntário ainda não  apreciado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF.  Por  fim,  promovida  a  referida  separação,  requer,  nos  termos  do  disposto no art. 1º da Lei n° 11.941/2009, seja de pronto homologado o  pedido de parcelamento formalizado.  Às  Fls.  1535,  verifica­se  ainda  que  o  Recorrente  anexou  novo  documento  ao  processo, informando:  ...  vem  elucidar  à  V.  Sa.,  para  os  fins  do  disposto  na  Lei  n°  11.94­ 1/2009,  que  os  débitos  imputados  nestes  autos,  especificam­se  em  3  (três), distintas circunstâncias, as quais serão explanadas a seguir:  1.  Débitos  que  já  foram  excluídos  por  decisão  d  a  2  a  Turma  da  DRJ/BSA (acórdão 03­32.233, de 17/07/2009) , e que, portanto, devem  ser baixados nos sistemas da Receita e da Fazenda;  2. Demais débitos que são objeto de recurso voluntário, que ainda não  foram apreciados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  ­  CARF,  tendo  sua  exigibilidade  suspensa  nos  termos  do  artigo  151,  inciso III do CTN;  3.  E,  os  débitos  que  não  foram  objeto  de  recurso  administrativo,  restando  assim  definitivamente  constituídos,  razão  pela  qual  há  o  pedido de adesão e inclusão no parcelamento previsto na forma da Lei  supracitada.  Estes últimos (item 3) são abaixo declinados, com as multas de ofício  correspondentes. São eles:  (...)  Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 14041.000193/2008­92  Resolução nº  2801­000.278  S2­TE01  Fl. 1.595          8 Posto  isto,  requer,  com  acentuada  urgência,  o  desmembramento  referente  às  3  (três)  situações  acima  expostas,  com  remessa  à  repartição  de  origem,  para  que  seja  conferido  o  devido  tratamento  exigido por cada uma das circunstâncias especificadas.  Com  tais  providências,  na  esteira  do  disposto  no  art.  1º  da  Lei  n°  11.941/2009,  aguarda  a  homologação  do  pedido  de  parcelamento  formalizado, pata que, assim, não haja resistência quanto à obtenção  da Certidão Positiva de Débitos com Efeito de Negativa.  No  rosto  do mesmo  documento  o  Sr.  Caio Marcos Candido,  Presidente  da  1ª  Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF despachou indicando:  De acordo.  Remeta­se  os  autos  à  DRF  em  Brasília  para  providências,  tendo  em  vista desistência parcial.  Em  25  de  agosto  de  2010,  a  DRF/BSB/Dicat,  emitiu  o  memorando  n°  0779/2010 (fls. 1541) com o seguinte conteúdo:  Solicitamos  a  devolução  do  processo  administrativo  n°1­4041­ 000193/2008­927  do  interessado  ANTONIO­VENÂNCIO  DA  SILVA,  CNPJ  n°00.320.523/0001­15  que  se  encontra  nesse  Conselho,  conforme pesquisa no sistema COMPROT, para apartar os débitos que  estão parcelados pela Lei 11.941/2009.  Em 09/06/2011 (fls. 1549) o processo foi encaminhado à DRF Brasília.  Em  28/06/2011  (Fls.  1585)  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Brasília, encaminhou o processo ao Conselho Administrativo Recursos Fiscais para apreciação.  Informa ainda o despacho:  Informo  que  o  contribuinte  fez  opção  pelo  parcelamento  da  Lei  11.941/09  e  os  débitos  transferidos  para  o  processo  n°  11853.000554/2011­53.  Em 16/04/2013 o processo foi encaminhado para novo sorteio na 1ª TE,  tendo  em vista o encerramento do mandato do Conselheiro Sandro Machado dos Reis, ex­Relator do  processo (Fls.1587).   Desta forma o processo foi distribuído a este Conselheiro.  É o Relatório.  Voto.  Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator.  Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade.  Compulsando os autos, verifico que o lançamento trata de falta de recolhimento  do IRRF.  Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 14041.000193/2008­92  Resolução nº  2801­000.278  S2­TE01  Fl. 1.596          9 Para comprovar que o IRRF foi recolhido pela fonte pagadora, o recorrente junta  aos autos cópia de DARF’S ou REDARF’S relativo a recolhimento de IRRF.  Em  seu  recurso  a  contribuinte  afirma  que  alguns  pagamentos  de  IRRF  não  foram levados em conta pela decisão recorrida.  Contudo,  não  se  pode  afirmar  com certeza  que houve  o  recolhimento  alegado  pela contribuinte.  Portanto,  face o  acima exposto, com vistas a  formar convicção acerca da  lide,  voto  no  sentido  de  converter  o  julgamento  do  processo  em  diligência  para  que  a  autoridade  preparadora:  Verifique se os pagamentos constantes dos autos e não  levados  em conta pela  decisão recorrida, por não coincidirem com os dados dos débitos em litígio, estão disponíveis  nos sistema, bem como se há a possibilidade de serem utilizados neste processo;  Caso necessário, intime­se a contribuinte para apresentar cópias de declarações,  documentos  ou  outras  informações;  providencie  relatório  consubstanciado  nas  informações  acima requeridas e, após, seja dada ciência à interessada para que, querendo, se manifeste sobre  seu conteúdo e conclusões, em prazo adequado.   A  seguir,  retornem  os  presentes  autos  a  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais para que seja concluído o julgamento.  Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por converter o  julgamento em diligência.    Assinado digitalmente  Carlos César Quadros Pierre  Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE

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5459494 #
Numero do processo: 11020.901549/2012-43
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-002.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1583; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 94          1 93  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11020.901549/2012­43  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3802­002.794  –  2ª Turma Especial   Sessão de  26 de março de 2014  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  MÓVEIS WELFARE LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Assunto:  CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2006 A 31/07/2006  COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO  CREDITÓRIO  É  ônus  do  contribuinte  comprovar  a  liquidez  e  certeza  de  seu  direito  creditório,  conforme  determina  o  caput  do  art.170  do  CTN,  devendo  demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.Recurso Voluntário o qual  se nega provimento.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.    MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Mércia  Helena  Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno  Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.     Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 15 49 /2 01 2- 43 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     2 O  interessado  acima  identificado  recorre  a  este  Conselho,  de  decisão  proferida pela primeira instância.  Trata  o  presente  processo  de  manifestação  de  inconformidade  contra  Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de  Compensação  enviada  pela  empresa,  nos  quais  não  foi  homologado  seu  pedido  por  ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco.  A  empresa  contesta  a  decisão  administrativa  alegando,  preliminarmente,  a  nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação, por desvio de finalidade e por  prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal.  No mérito, afirma que foi desrespeitado o princípio da verdade material, bem  como alega o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, bem como a inaplicabilidade da  taxa Selic como juros de mora.  O  pleito  foi  indeferido,  no  julgamento  de  primeira  instância,  ou  seja,  o  julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a  não homologação da compensação, por falta de direito creditório.  Regularmente  cientificado  do  Acórdão  proferido,  o  Contribuinte,  tempestivamente,  protocolizou  o Recurso Voluntário,  no  qual,  reproduz  as  razões  de  defesa  constantes em sua peça impugnatória.   Ressalta  que  não  concorda  pela  não  homologação  por  falta  de  direito  creditório,  bem  como  insiste  que  o  despacho  decisório  deve  ser  anulado  por  estar  sem  motivação.  E,  pela  não  aplicação  da  multa,  em  face  do  princípio  constitucional  do  não  confisco,  da  razoabilidade  e  da  proporcionalidade.  Assim  como,  a  imputação  dos  juros  moratórios seriam ilegais e inconstitucionais.  O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira.  É o Relatório.      Voto             Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM  O presente  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade,  razão por que dele tomo conhecimento.    Trata  o  presente  da  não  conformidade  pela  não  homologação  da  compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em  razão  de  constar  nos  sistemas  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  que  o  alegado  recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do  contribuinte.  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901549/2012­43  Acórdão n.º 3802­002.794  S3­TE02  Fl. 95          3 Antes de adentrar no mérito, inicialmente, em sede de preliminar, não assiste  razão a  recorrente em alegar que o Despacho Decisório deve ser anulado,  já que o mesmo  preenche todos os requisitos formais e materiais para a sua validade.   O  despacho  decisório  possui  todos  os  elementos  necessários  para  que  a  empresa possa se defender, não obstante, de forma sintética. Consta a base legal, a declaração  de compensação enviada pela empresa, a data do envio, o crédito oposto pela empresa, oriundo  de  determinado  pagamento  apontado  pela  empresa  na  Dcomp,  bem  como  o  período  de  apuração  a  que  se  refere,  assinado  pela  autoridade  competente.  No  tocante  à  motivação/fundamentação  pela  não  homologação  da  compensação  há  a  indicação  que  os  pagamentos  tidos  como  indevidos  foram  localizados,  mas  já  se  encontram  “integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação dos débitos informados no PER/Dcomp”.   Enfim, o alegado pagamento  indevido não  fora  compensado/restituído, pois  já tinha sido usado para quitar outros débitos.  Quanto  aos  argumentos  relacionados  à  legalidade  ou  constitucionalidade  a  qualquer  ato  legal,  o CARF,  assim  se  posicionou  através  do  enunciado  nº  2  de  sua  Súmula  consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009:  SÚMULA CARF Nº 2  O  Carf  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  Portanto,  no que diz  respeito  ao caráter confiscatório da multa de ofício,  como alega a empresa; cabe observar que não foi aplicada a multa de ofício, e sim a multa de  mora  de  20%  sobre  os  valores  indevidamente  compensados. Assim  sendo,  a multa  de mora  aplicada está correta sua exigência.  Quanto à exigência de juros de mora, também está sendo efetuada na forma  da  lei,  ao  contrário  do  entendimento  da  empresa,  pois  o  artigo  161  do  Código  Tributário  Nacional determina:  “ Artigo 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros  de mora, seja qual  for o motivo determinante da  falta, sem prejuízo da imposição  das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia prevista  nesta Lei ou em lei tributária.    § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa  de 1% ( um por cento ) ao mês.”     Foi editada a lei específica, a de Lei nº 9.065/95, que em seu artigo 13 previu  que os débitos  tributários  junto  à Fazenda Nacional,  originados  a partir  1° de abril  de 1995,  teriam seus juros de mora e correção segundo a taxa Selic:  Art. 13. A partir de julho de abril de 1995, os juros de mora de que tratam a alínea  “c”  do  parágrafo  único  do  art.  14  da  Lei  8.847,  de  28  de  janeiro  de  1994,  com  redação dada pelo art. 6° da Lei 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da  Lei 8.981/1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei  8.981/1995,  serão  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente.  Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     4   Aplicado o disposto no artigo 61 da Lei 9.430/96, que  trata da exigência de  juros de mora à taxa Selic, ou seja, a exigência está prevista em normas legais em pleno vigor,  não  competindo  a  este  julgador  apreciar  sua  constitucionalidade,  função  reservada  ao  poder  judiciário, como já comentado.  Por fim, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC  como  fator  de  correção  do  débito  da  empresa,  incide  na  hipótese  a  Súmula CARF  n°  4,  in  verbis:  Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Passando ao mérito, o cerne da questão é a  comprovação ou não do direito  creditório para fins da compensação/restituição.  Para  a  verificação  do  direito  creditório  afirmado,  a  recorrente  não  traz  ao  processo nenhuma comprovação da efetividade do recolhimento e das bases de cálculo sobre as  quais teriam sido realizados. Inclusive, apenas indica julgados e doutrinas sobre nulidades.  Ocorre  que  nos  sistemas  da  Receita  Federal  constam  que  os  valores  recolhidos  já  foram utilizados para quitar outros débitos e nada a  recorrente contrapõe sobre  isso, dessa forma, não há o que reconsiderar ou anular.  Não  procede  a  argumentação  da  recorrente  no  sentido  de  que  haveria  a  obrigação  do  Fisco  em  comprovar  a  inexistência  de  indébito,  socorrendo­lhe  o  Princípio  da  Verdade Material, pois não se está diante de lançamento de ofício.  No  caso  da  compensação,  o  marco  inicial  do  contencioso  é  declaração  produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a  relação de  indébito do Fisco (pagamento  indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do  CTN,  que  fica  sujeita  a  posterior  homologação,  i.e.,  submete­se  ao  poder­dever  da  Administração de verificação de sua regularidade.   Assim sendo, é ônus do contribuinte comprovar a  liquidez e certeza de  seu  direito  creditório,  conforme  determina  o  caput  do  art.170  do  CTN,  devendo  demonstrar  de  maneira  inequívoca  a  sua  existência,  e,  por  conseguinte,  o  erro  em  que  se  fundou  a  não  – homologação dos créditos.   Em face do exposto, observa­se que a inércia da recorrente, que detém o ônus  da  prova  para  comprovar  a  liquidez  e  certeza  do  direito  creditório  é  determinante  pelo  não  reconhecimento do direito creditório reivindicado.  Em razão dos motivos acima expostos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao  Recurso Voluntário.  MÉRCIA  HELENA  TRAJANO  DAMORIM  ­  Relator             Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901549/2012­43  Acórdão n.º 3802­002.794  S3­TE02  Fl. 96          5                   Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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Numero do processo: 15540.720417/2012-02
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO TEMPORAL. NÃO CONHECIMENTO. É de trinta dias o prazo para a interposição de recurso, contado da data da ciência da decisão. No presente caso, o contribuinte apresentou sua peça recursal fora do prazo previsto na legislação previdenciária, fato que impede seu conhecimento dado à preclusão operada. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-003.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Léo Meirelles do Amaral e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1790; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 544          1 543  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15540.720417/2012­02  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2803­003.174  –  3ª Turma Especial   Sessão de  20 de março de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  AMBIEN INDÚSTRIA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  INTEMPESTIVIDADE.  PRECLUSÃO  TEMPORAL. NÃO CONHECIMENTO.  É de  trinta  dias  o  prazo  para  a  interposição  de  recurso,  contado  da  data  da  ciência  da  decisão.  No  presente  caso,  o  contribuinte  apresentou  sua  peça  recursal fora do prazo previsto na legislação previdenciária, fato que impede  seu conhecimento dado à preclusão operada.  Recurso Voluntário Não Conhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso em razão da intempestividade.   (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)  Natanael Vieira dos Santos ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de  Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos  Santos, Léo Meirelles do Amaral e Eduardo de Oliveira.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 04 17 /2 01 2- 02 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15540.720417/2012­02  Acórdão n.º 2803­003.174  S2­TE03  Fl. 545          2   Relatório  1.  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pela  contribuinte  AMBIEN  INDÚSTRIA LTDA. em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil  de Julgamento no Rio de Janeiro I  (RJ), que, por unanimidade de votos, negou provimento à  impugnação mantendo o crédito tributário exigido.  2.  Na  espécie,  após  procedimento  fiscal,  lavrou­se  o  Auto  de  Infração  n°  51.004.460­3, por ter a contribuinte apresentado a declaração a que se refere a Lei n° 8.212, de  24/07/91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/97 e redação da MP n°  449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com informações incorretas  ou omissas.  3. De acordo com o relário fiscal (fls. 06/09), a autuação fundou­se no fato de  que, para as competências 01 a 11/2008, a contribuinte deixou de declarar diversos segurados  em GFIP ­ Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à  Previdência  Social,  entregues  na  vigência  da  MP  449/2008.  Tal  fato  foi  constatado  em  confronto com a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2008.  4. O cálculo da multa aplicado encontra­se detalhado no item 3 do relatório  fiscal (fls. 07).  5.  A  contribuinte  foi  intimada  da  constituição  do  crédito  tributário  em  13/12/2012  (fls.  03)  e,  por  não  se  conformar,  apresentou  impugnação  (fls.  145/149)  ao  lançamento fiscal.  6. Por  sua vez,  a Delegacia da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento no  Rio  de  Janeiro  I  (RJ),  ao  julgar  a  impugnação  rejeitou  os  argumentos  apresentados  pela  contribuinte, proferiu acórdão lavrado com a seguinte ementa:   “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008  LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO.  Constitui  infração  a  apresentação  de  GFIP  com  dados  não  correspondentes  a  todos  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias.  Impugnação Improcedente.  Crédito Tributário Mantido.”  7. A contribuinte foi  intimada da referida decisão em 19.08.2013, conforme  fazem prova os AR’s da ECT de fls. 535 e 537, tendo interposto o Recurso Voluntário de fls.  539/540, desacompanhado de documentos.  Fl. 545DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15540.720417/2012­02  Acórdão n.º 2803­003.174  S2­TE03  Fl. 546          3 8. Em suas razões recursais, a Recorrente argumenta que, ao contrário do que  a  DRFJ  concluiu,  os  valores  informados  nas  GFIP’s,  quando  não  há  dolo,  devem  ser  considerados divergências que podem ser corrigidas.  9. Em relação à multa por falta de GFIP, entende que deve ser seguido o que  dispõe o Código Tributário Nacional sobre retroatividade benéfica ao contribuinte, ainda que  os fatos a que se refiram sejam anteriores à vigência da Lei nº. 11.941/09.  10. Requer,  ademais,  a  redução pela metade da multa quando a entrega das  GFIP’s em atraso acontece antes do envio de ofício pelo Fisco e em 25% quando o prazo do  ofício é obedecido.  11.  Ao  final,  postula  o  acolhimento  de  seu  recurso  e,  no  mérito,  o  cancelamento do débito fiscal.  12. Não tendo havido contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos  foram remetidos a este Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário.   É o relatório.  Fl. 546DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15540.720417/2012­02  Acórdão n.º 2803­003.174  S2­TE03  Fl. 547          4   Voto             Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator.  DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO  1.  A  tempestividade  constitui  requisito  indispensável  à  admissibilidade  do  recurso voluntário.  2. Nesse sentido, em que pese o Despacho de Encaminhamento de fls. 542, o  qual  informa  que  o  contribuinte  fora  cientificado  do  acórdão  da  primeira  instância  em  20.08.2013, em detida análise dos autos, constato que a ciência do contribuinte se deu no dia  19.08.2013, conforme fazem prova os AR’s da ECT de fls. 535 e 537.  3.  O  prazo  para  recurso  voluntário  deve  ser  dentro  dos  30  (trinta)  dias  seguintes à ciência da decisão, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72.  4. Dessa  forma,  como  a  ciência da  decisão  se  deu  em 19.08.2013,  o  prazo  para  apresentação  de  recurso  voluntário  encerra­se  em  18.09.2013,  com  a  ressalva  de  que  o  mês de agosto possui trinta e um dias.  5.  A  contribuinte  apresentou  seu  recurso  voluntário  apenas  em  19.09.2013  (fls.  539),  ou  seja,  após  o  lapso  temporal  previsto  pelo  Decreto  nº  70.235/72.  Destarte,  o  recurso não pode ser conhecido, por estar perempto, nos termos do art. 35 do referido Decreto.  6. O Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal  federal, regulamenta a matéria pertinente, nos seguintes termos:  “Art. 23. Far­se­á a intimação:   I ­ pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão  preparador,  na  repartição  ou  fora  dela,  provada  com  a  assinatura  do  sujeito  passivo,  seu mandatário  ou  preposto,  ou,  no  caso  de  recusa,  com  declaração escrita  de  quem o  intimar;  (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97)  II ­ por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97)  (...).  § 2° Considera­se feita a intimação:  II  ­  no  caso  do  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  na  data  do  recebimento  ou,  se  omitida,  quinze  dias  após  a  data  da  expedição  da  intimação;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.532,  de  1997)  (...).  Fl. 547DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15540.720417/2012­02  Acórdão n.º 2803­003.174  S2­TE03  Fl. 548          5 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste  artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada  pela Lei nº 11.196, de 2005)  § 4o Para fins de intimação, considera­se domicílio tributário do  sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)   I ­ o endereço postal por ele  fornecido, para fins cadastrais, à  administração  tributária;  e  (Incluído  pela  Lei  nº  11.196,  de  2005)   II  ­  o  endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária,  desde  que  autorizado  pelo  sujeito  passivo.  (Incluído  pela Lei nº 11.196, de 2005).”  7. Do que consta dos autos, o Aviso de Recebimento – AR dos Correios foi  enviado  ao  endereço  eleito  pelo  contribuinte,  trazendo o  nome do  recebedor. Assim,  não  há  como afastar o que consta da norma citada acima.  8. Ademais,  aplica­se ao caso vertente o enunciado da Súmula CARF nº 9,  transcrita abaixo, in verbis:  “É  válida  a  ciência  da  notificação por  via  postal  realizada  no  domicílio  fiscal  eleito  pelo  contribuinte,  confirmada  com  a  assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não  seja o representante legal do destinatário.”  9. Dessa forma, o recurso voluntário do contribuinte não pode ser conhecido  por ser intempestivo.  CONCLUSÃO  10. Ante  as  considerações  delineadas,  noto  no  sentido  de  não  conhecer  do  recurso, em razão da sua intempestividade.  (assinado digitalmente)  Natanael Vieira dos Santos                                   Fl. 548DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA

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5414018 #
Numero do processo: 15586.001193/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO. É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1512; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1 1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15586.001193/2008­15  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­004.022  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de março de 2014  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO: FOLHA DE PAGAMENTO  Recorrente  EUCABRAZ PRODUTOS DE EUCALIPTO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004  OBRIGAÇÃO  TRIBUTÁRIA  ACESSÓRIA.  DESCUMPRIMENTO.  INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO.  É  devida  a  autuação  da  empresa  que  deixar  de  preparar  folha(s)  de  pagamento(s) das  remunerações pagas ou creditadas a  todos os  segurados a  seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o conselheiro Lourenço Ferreira  do Prado      Julio Cesar Vieira Gomes ­ Presidente      Ronaldo de Lima Macedo – Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 11 93 /2 00 8- 15 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes,  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  Ronaldo  de  Lima  Macedo,  Nereu  Miguel  Ribeiro  Domingues e Thiago Taborda Simões.  Fl. 140DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001193/2008­15  Acórdão n.º 2402­004.022  S2­C4T2  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  pelo  descumprimento  da  obrigação  tributária acessória prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225,  inciso I e parágrafo 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto  3.048/1999,  que  consiste  em  deixar  a  empresa  de  preparar  folha(s)  de  pagamento(s)  das  remunerações  pagas  ou  creditadas  a  todos  os  segurados  a  seu  serviço,  de  acordo  com  os  padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 01/2004 a  12/2004.  Segundo  o  Relatório  Fiscal  da  Infração  (fls.  13/15),  a  empresa  deixou  de  incluir em folhas de pagamento as remunerações pagas a segurados empregados e contribuinte  individual.  O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 16) informa que foi aplicada a  multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei 8.212/1991, c/c art. 283, inciso I e alínea “a”, e  art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999.  A  ciência  do  lançamento  fiscal  ao  sujeito  passivo  deu­se  em  25/08/2008  (fl.01).  A  autuada  apresentou  impugnação  tempestiva  (fls.  23/35),  alegando,  em  síntese, que:  1.  apesar  de  não  inscrita  no  PAT,  fornece  alimentação  diária  aos  funcionários no  refeitório da  empresa,  e que de  acordo com as Leis  6.321/76 e 8.212/91, os alimentos fornecidos pela empresa nos termos  do PAT estão isentos da contribuição previdenciária sobre a folha de  salários.  A  empresa  seguia  as  regras  do  PAT,  ainda  que  não  formalmente  inscrita,  sendo  que  esta  isenção  não  pode  ser  ignorada  por  não  terem  sido  cumpridas  formalidades  não  prevista  em  lei.  A  falha da empresa poderia ter sido sanada ante da emissão do auto de  infração. O auxílio­alimentação era  feito através do fornecimento de  refeições, e, mesmo não havendo o desconto da parte do trabalhador,  não deve haver incidência de contribuição previdenciária;  2.  o contribuinte individual Rubem Daniel Santos Silva não foi incluído  em folha de pagamento, e nem a empresa realizou o recolhimento da  contribuição  de  20%  sobre  os  valores  pagos,  pois  este  contribuinte  sempre  recolheu  o  INSS  pelo  teto,  e  ele  mesmo  já  fazia  sua  declaração  e  contribuição,  nada  havendo  a  ser  declarado  pela  empresa;  3.  requer julgada improcedente á autuação, e protesta por todos os meios  de prova em direito admitidos.  Fl. 141DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  no Rio  de  Janeiro/RJ  –  por  meio  do  Acórdão  12­22.277  da  13a  Turma  da  DRJ/RJO1  (fls.  107/114)  –  considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno  embasamento  legal  e  observância  às  normas  vigentes,  não  tendo  a  Defendente  apresentado  elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura.  A  Notificada  apresentou  recurso  (fls.  120/132),  manifestando  seu  inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração  e  no  mais  efetua  as  alegações  da  peça  de  impugnação,  ressaltando  que  não  é  devida  a  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  remuneração  de  contribuinte  individual  e  que  os  valores apurados em decorrência do salário in natura possui natureza indenizatória.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Vitória/ES informa que  o  recurso  interposto  é  tempestivo  e  encaminha  os  autos  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento.  É o relatório.  Fl. 142DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001193/2008­15  Acórdão n.º 2402­004.022  S2­C4T2  Fl. 4          5   Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Recurso  tempestivo.  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  conheço  do recurso interposto.  Com  relação  ao  procedimento  utilizado  pela  auditoria  fiscal,  a  Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente.  Tal  alegação  não  será  acatada,  eis  que  o  Fisco  cumpriu  a  legislação  de  regência,  ensejando  o  lançamento  de  ofício  em  decorrência  da  Recorrente  ter  incorrido  no  descumprimento  de  obrigação  tributária  acessória,  conforme  os  fatos  e  a  legislação  a  seguir  delineados.  Verifica­se  que  a  Recorrente  deixou  de  incluir  em  folhas  de  pagamento  as  remunerações pagas ao segurado contribuinte individual (Sr. Rubem Daniel Santos Silva) para  as competências 01/2004 a 12/2004.  Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32,  inciso I, da  Lei 8.212/1991, transcrito abaixo:  Art. 32. A empresa é também obrigada a:  I  ­ preparar  folhas de pagamento das remunerações pagas ou  creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os  padrões  e  normas  estabelecidos  pelo  órgão  competente  da  Seguridade Social; (grifos nossos)  Esse art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória  da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999,  complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo  legal,  como,  por  exemplo,  o  destaque,  em  folha  de  pagamento,  de  discriminar  o  nome  dos  segurado, de agrupar os segurados por categoria e das parcelas integrantes e não integrantes da  remuneração e os descontos legais, conforme preceitua o seu art. 225, § 9o e incisos I a V, in  verbis:  Art. 225. A empresa é também obrigada a:  I  ­  preparar  folha de pagamento da  remuneração paga, devida  ou  creditada  a  todos  os  segurados  a  seu  serviço,  devendo  manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e  recibos de pagamentos;  (...)  §  9o.  A  folha  de  pagamento  de  que  trata  o  inciso  I  do  caput,  elaborada mensalmente,  de  forma  coletiva  por  estabelecimento  da  empresa,  por  obra  de  construção  civil  e  por  tomador  de  serviços, com a correspondente totalização, deverá:  Fl. 143DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6  I ­ discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função  ou serviço prestado;  II  ­  agrupar  os  segurados  por  categoria,  assim  entendido:  segurado  empregado,  trabalhador  avulso,  contribuinte  individual;  III  ­  destacar  o  nome  das  seguradas  em  gozo  de  salário­ maternidade;  IV  ­  destacar  as  parcelas  integrantes  e  não  integrantes  da  remuneração e os descontos legais; e  V ­ indicar o número de quotas de salário­família atribuídas a  cada segurado empregado ou trabalhador avulso. (g.n.)  Nos termos do arcabouço jurídico­previdenciário acima delineado, constata­ se, então, que a Recorrente – ao não apresentar ao Fisco as folhas de pagamento contendo as  remunerações  pagas  ou  creditadas  a  todos  os  segurados  a  seu  serviço,  de  acordo  com  os  padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 01/2004 a  12/2004 – incorreu na infração disposta no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, §  9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS).  Da  mesma  forma,  engana­se  a  Recorrente  ao  alegar  a  não  observação  ao  princípio da tipicidade, uma vez que a Lei 8.212/1991 delimita o valor, prevê sua atualização e  remete ao regulamento a fixação do mesmo:  Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual  não  haja  penalidade  expressamente  cominada  sujeita  o  responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável  de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez  milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento.  (...)  Art.  102.  Os  valores  expressos  em  moeda  corrente  nesta  Lei  serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios  de  prestação  continuada da Previdência Social.  Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto  3.048/1999, determina:  Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e  8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a  qual  não  haja  penalidade  expressamente  cominada  neste  Regulamento,  fica o  responsável  sujeito a multa variável de RS  636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$  63.617,35  (sessenta  e  três  mil,  seiscentos  e  dezessete  reais  e  trinta  e  cinco  centavos),  conforme  a  gravidade  da  infração,  aplicando­se­lhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com  os  seguintes valores:  (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de  2003)  I  ­  a  partir  de  R$  636,17  (seiscentos  e  trinta  e  seis  reais  e  dezessete centavos) nas seguintes infrações:  Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001193/2008­15  Acórdão n.º 2402­004.022  S2­C4T2  Fl. 5          7 a)  deixar  a  empresa  de  preparar  folha  de  pagamento  das  remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados  a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais  padrões  e  normas  estabelecidos  pelo  Instituto  Nacional  do  Seguro Social;  (...)  Art.  373.  Os  valores  expressos  em  moeda  corrente,  referidos  neste  Regulamento,  exceto  aqueles  referidos  no  art.  288,  são  reajustados  nas  mesmas  épocas  e  com  os  mesmos  índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios  de  prestação  continuada da previdência.  Posteriormente  –  conforme  dispôs  a  Lei  8.212/1991,  artigos  92  e  102,  e  o  Regulamento  da  Previdência  Social  (RPS),  artigos  283  e  373,  todos  susomencionados  –,  a  Portaria MPS n° 77, de 11/03/2008, reajustou o valor da multa.  Portanto,  o  procedimento  utilizado  pela  auditoria  fiscal  para  a  aplicação  da  multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de  infração.  Ademais,  não  verificamos  a  existência  de  qualquer  fato  novo  que  possa  ensejar  a  revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente.  Dentro  desse  contexto  fático,  depreende­se  do  art.  113  do  CTN  que  a  obrigação  tributária  é  principal  ou  acessória  e  pela  natureza  instrumental  da  obrigação  acessória,  ela  não  necessariamente  está  ligada  a  uma  obrigação  principal  e  decorre  de  cada  circunstância  fática  praticada  pela  Recorrente,  que  será  verificada  no  procedimento  de  Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta  na legislação nos termos do art. 115 também do CTN.  Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966:  Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1º.  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  §  2º.  A  obrigação  acessória  decorre  da  legislação  tributária  e  tem  por  objeto  as  prestações,  positivas  ou  negativas,  nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos  tributos.  §  3º.  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância, converte­se em obrigação principal relativamente  à penalidade pecuniária.  (...)  Art.  115.  Fato  gerador  da  obrigação  acessória  é  qualquer  situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática  ou  a  abstenção  de  ato  que  não  configure  obrigação  principal.(g.n.)  Fl. 145DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8  As obrigações acessórias são estabelecidas no  interesse da arrecadação e da  fiscalização  de  tributos,  de  forma  que  visam  facilitar  a  apuração  dos  tributos  devidos.  Elas,  independente  do  prejuízo  ou  não  causado  ao  erário,  devem  ser  cumpridas  no  prazo  e  forma  fixados na legislação.  Outro  ponto  a  esclarecer  é  que  essa  autuação  não  é  calculada  conforme  a  quantidade de descumprimentos da obrigação acessória, ou em quantos meses a obrigação foi  descumprida. Assim,  o  cálculo  é  único,  bastando um descumprimento  para  gerar  a  autuação  com o mesmo valor, no caso em tela, as competências 01/2004 a 12/2004 em que a Recorrente  deixou  de  incluir  em  sua  folha  de  pagamento  as  remunerações  do  segurado  contribuinte  individual (Sr. Rubem Daniel Santos Silva).  Por  fim,  pela  apreciação  do  processo  e  das  alegações  da  Recorrente,  não  encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão  de  primeira  instância,  eis  que  o  lançamento  fiscal  e  a  decisão  encontram­se  revestidos  das  formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídico­tributário vigente  à época da sua lavratura.  CONCLUSÃO:  Voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso  e  NEGAR­LHE  PROVIMENTO, nos termos do voto.    Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 146DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 16682.721142/2011-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso. RELATÓRIO VALE S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ-I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 15/12/2011, reduzindo a CSLL a compensar ou a ser restituída nos anos-calendário 2006 e 2007 no montante de R$ 17.915.183,26. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 365/376 aponta infrações na apuração da base de cálculo da CSLL, decorrentes da falta de adição ao lucro líquido de: Tributos com exigibilidade suspensa nos anos base de 2006 e 2007, nos montantes respectivos de R$ 122.617.470,78 e R$ 11.980.089,19; Ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL no ano-calendário de 2006, no valor de R$ 9.438.352,00; Parcelas não dedutíveis das multas no ano base de 2006, no montante de R$ 32.110.893,53; Amortização de ágio nas aquisições de investimentos avaliados pelo PL, no ano-calendário 2007, no montante de R$ 20.340.999,99; Depreciação/Amortização Acelerada Incentivada – Reversão, no ano-calendário 2006, no montante de R$ 2.569.786,44. Impugnando a exigência, a contribuinte afirmou a regularidade de sua apuração, invocando o disposto no art. 2o da Lei nº 7.689/88, discordando de qualquer efeito produzido pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 e da aplicação de analogia, inclusive por meio de Instrução Normativa. Especificamente em relação aos tributos com exigibilidade suspensa, discorda de sua caracterização como provisão, e quanto aos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL e amortização de ágio acrescenta que a Fiscalização partiu de premissas equivocadas para sua conclusão. Com referência às multas observa que as de natureza moratória são dedutíveis, e que a acusação é genérica e frágil, o mesmo se verificando em relação à depreciação incentivada. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006, 2007 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA - INDEDUTIBILIDADE Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995. ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO. DIMINUIÇÃO NO VALOR DOS INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Os ajustes por diminuição do valor em investimentos avaliados pelo patrimônio líquido, adicionados ao cálculo do lucro real, devem ser adicionados também à base de cálculo da CSLL. MULTA. PARCELAS NÃO DEDUTÍVEIS. As multas declaradas como ´parcelas não dedutíveis` na DIPJ devem ser adicionadas na apuração da base de cálculo da CSLL. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. A amortização do ágio é indedutível da base de cálculo da CSLL, constituindo adição prevista na legislação tributária. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA - REVERSÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO PARA A APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Deve ser adicionada ao lucro líquido, na apuração da base de cálculo da CSLL, a depreciação acelerada incentivada revertida. Cientificada da decisão de primeira instância em 02/01/2013, em razão do decurso do prazo de 15 (quinze) dias da postagem do documento em sua caixa postal eletrônica (fl. 544), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/01/2013 (fls. 548/573). Inicialmente manifesta sua discordância acerca da classificação dos tributos com exigibilidade suspensa como provisão indedutível. Em seu entendimento traço característico da provisão é a impossibilidade de sua exata mensuração, destinando-se ao registro de obrigações que deverão nascer no futuro. Argumenta que a obrigação tributária surge com a ocorrência do fato gerador, que o lançamento apenas declara obrigação preexistente (e não futura/incerta), e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário apenas protege temporariamente o sujeito passivo contra a cobrança de uma obrigação fiscal existente. Invoca o Pronunciamento do IBRACON nº 22, aprovado pela Deliberação CVM nº 489/2005, e afirma que sua conduta observa os princípios de contabilidade geralmente aceitos e o art. 177 da Lei nº 6.404/76. Afirma que o tributo é despesa desde que é devido, e que a Instrução Normativa SRF nº 390/2004 deve observar o que dispõe a lei. Por sua vez, os ajustes ao lucro para apuração da CSLL são apenas aqueles previstos em lei, de modo que um ato normativo não poderia ampliar, de forma ilegítima, a hipótese de incidência tributária. Com referência à falta de adição ao lucro líquido dos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL e da amortização de ágio, aduz que a autoridade lançadora deixou de exercer a efetiva atividade fiscalizatória, de modo a delimitar a matéria tributável relativamente à parcela de R$ 9.438.352,00, que corresponderia a amortização de ágio referente à participação societária da recorrente na empresa Belém Administrações e Participações Ltda. Quanto a esta parcela e à falta de adição do montante de R$ 20.340.999,99, que se referiria a participação societária da recorrente em Caemi Mineração Metalúrgica S/A e Minerações Brasileiras Reunidas S/A – MBR, a Fiscalização apenas mencionou que os valores foram adicionados na apuração do lucro real, e fundamentou a exigência no art. 38, §1o, inciso I da Instrução Normativa SRF nº 390/2004, o qual não tem base legal, pois inexiste previsão de adição de despesa ou exclusão de receita decorrente de amortização de ágio/deságio. Arremeta que seu procedimento contábil está amparado pela Instrução Normativa CVM nº 247/96 e invoca julgado administrativo em favor de seu entendimento. Quanto à dedutibilidade das multas, reafirma que a Fiscalização não identificou a natureza dos valores contabilizados, e observa que a decisão recorrida afirmou inexistir prova de que as multas teriam natureza moratória. Novamente afirma que não existe previsão legal para adição de multas à base de cálculo da CSLL, e que esta contribuição, assim como o IRPJ, incide sobre o acréscimo patrimonial, evidenciando impensável a inclusão na base de cálculo de qualquer tipo de registro que não corresponda a este aumento patrimonial, cabendo-se, ao contrário, a desconsideração do montante total auferido pela pessoa jurídica, de valores que não importaram nesses plus. Afirma genérica, também, a acusação de falta de adição ao lucro líquido da depreciação acelerada incentivada – reversão, porque ausente demonstração da efetiva ocorrência das hipóteses que justificam o benefício garantido pela legislação e devidamente aproveitado pela Recorrente, em clara inobservância do art. 142 do CTN. Assevera que a decisão recorrida reconhece que o requisito formal e material do benefício foi obedecido para o IRPJ, invoca o princípio da verdade material e o dever da autoridade julgadora administrativa agir de ofício para instrução probatória do processo. Afirma ilícito proceder-se à glosa da dedução realizada, sem analisar todas as informações e documentos essenciais para apurar a materialidade do crédito utilizado, a exemplo da escrituração comercial e fiscal da Suplicante, o que poderia ter sido oportunizado, ainda na fase contenciosa administrativa, independentemente das eventuais diligências firmadas previamente à autuação, mediante conversão do feito em diligência. Pede, assim, o cancelamento integral do lançamento. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 579/602), afirmando que os tributos com exigibilidade suspensa têm natureza de provisão; defendendo a adição dos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL por expressa disposição contida no art. 2º, § 1º, alínea “c”, 1 da Lei nº 7.689/88 e também porque a contribuinte não trouxe prova de suposto erro no preenchimento da DIPJ; afirmando indedutível a amortização de ágio por ausência de previsão legal neste sentido e conseqüente necessidade de interpretação literal da renúncia fiscal daí decorrente; defendendo a indedutibilidade das multas assim reconhecidas pela contribuinte na apuração do IRPJ, sem qualquer prova de sua alegada natureza moratória; e observando que a contribuinte não atendeu intimações para demonstrar que não havia se beneficiado da depreciação acelerada no âmbito da apuração da CSLL, de modo que a adição da reversão destes valores deve subsistir.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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O Termo de Verificação Fiscal de fls. 365/376 aponta infrações na apuração da base de cálculo da CSLL, decorrentes da falta de adição ao lucro líquido de: Tributos com exigibilidade suspensa nos anos base de 2006 e 2007, nos montantes respectivos de R$ 122.617.470,78 e R$ 11.980.089,19; Ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL no ano-calendário de 2006, no valor de R$ 9.438.352,00; Parcelas não dedutíveis das multas no ano base de 2006, no montante de R$ 32.110.893,53; Amortização de ágio nas aquisições de investimentos avaliados pelo PL, no ano-calendário 2007, no montante de R$ 20.340.999,99; Depreciação/Amortização Acelerada Incentivada – Reversão, no ano-calendário 2006, no montante de R$ 2.569.786,44. Impugnando a exigência, a contribuinte afirmou a regularidade de sua apuração, invocando o disposto no art. 2o da Lei nº 7.689/88, discordando de qualquer efeito produzido pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 e da aplicação de analogia, inclusive por meio de Instrução Normativa. Especificamente em relação aos tributos com exigibilidade suspensa, discorda de sua caracterização como provisão, e quanto aos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL e amortização de ágio acrescenta que a Fiscalização partiu de premissas equivocadas para sua conclusão. Com referência às multas observa que as de natureza moratória são dedutíveis, e que a acusação é genérica e frágil, o mesmo se verificando em relação à depreciação incentivada. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006, 2007 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA - INDEDUTIBILIDADE Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995. ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO. DIMINUIÇÃO NO VALOR DOS INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Os ajustes por diminuição do valor em investimentos avaliados pelo patrimônio líquido, adicionados ao cálculo do lucro real, devem ser adicionados também à base de cálculo da CSLL. MULTA. PARCELAS NÃO DEDUTÍVEIS. As multas declaradas como ´parcelas não dedutíveis` na DIPJ devem ser adicionadas na apuração da base de cálculo da CSLL. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. A amortização do ágio é indedutível da base de cálculo da CSLL, constituindo adição prevista na legislação tributária. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA - REVERSÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO PARA A APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Deve ser adicionada ao lucro líquido, na apuração da base de cálculo da CSLL, a depreciação acelerada incentivada revertida. Cientificada da decisão de primeira instância em 02/01/2013, em razão do decurso do prazo de 15 (quinze) dias da postagem do documento em sua caixa postal eletrônica (fl. 544), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/01/2013 (fls. 548/573). Inicialmente manifesta sua discordância acerca da classificação dos tributos com exigibilidade suspensa como provisão indedutível. Em seu entendimento traço característico da provisão é a impossibilidade de sua exata mensuração, destinando-se ao registro de obrigações que deverão nascer no futuro. Argumenta que a obrigação tributária surge com a ocorrência do fato gerador, que o lançamento apenas declara obrigação preexistente (e não futura/incerta), e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário apenas protege temporariamente o sujeito passivo contra a cobrança de uma obrigação fiscal existente. Invoca o Pronunciamento do IBRACON nº 22, aprovado pela Deliberação CVM nº 489/2005, e afirma que sua conduta observa os princípios de contabilidade geralmente aceitos e o art. 177 da Lei nº 6.404/76. Afirma que o tributo é despesa desde que é devido, e que a Instrução Normativa SRF nº 390/2004 deve observar o que dispõe a lei. Por sua vez, os ajustes ao lucro para apuração da CSLL são apenas aqueles previstos em lei, de modo que um ato normativo não poderia ampliar, de forma ilegítima, a hipótese de incidência tributária. Com referência à falta de adição ao lucro líquido dos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL e da amortização de ágio, aduz que a autoridade lançadora deixou de exercer a efetiva atividade fiscalizatória, de modo a delimitar a matéria tributável relativamente à parcela de R$ 9.438.352,00, que corresponderia a amortização de ágio referente à participação societária da recorrente na empresa Belém Administrações e Participações Ltda. Quanto a esta parcela e à falta de adição do montante de R$ 20.340.999,99, que se referiria a participação societária da recorrente em Caemi Mineração Metalúrgica S/A e Minerações Brasileiras Reunidas S/A – MBR, a Fiscalização apenas mencionou que os valores foram adicionados na apuração do lucro real, e fundamentou a exigência no art. 38, §1o, inciso I da Instrução Normativa SRF nº 390/2004, o qual não tem base legal, pois inexiste previsão de adição de despesa ou exclusão de receita decorrente de amortização de ágio/deságio. Arremeta que seu procedimento contábil está amparado pela Instrução Normativa CVM nº 247/96 e invoca julgado administrativo em favor de seu entendimento. Quanto à dedutibilidade das multas, reafirma que a Fiscalização não identificou a natureza dos valores contabilizados, e observa que a decisão recorrida afirmou inexistir prova de que as multas teriam natureza moratória. Novamente afirma que não existe previsão legal para adição de multas à base de cálculo da CSLL, e que esta contribuição, assim como o IRPJ, incide sobre o acréscimo patrimonial, evidenciando impensável a inclusão na base de cálculo de qualquer tipo de registro que não corresponda a este aumento patrimonial, cabendo-se, ao contrário, a desconsideração do montante total auferido pela pessoa jurídica, de valores que não importaram nesses plus. Afirma genérica, também, a acusação de falta de adição ao lucro líquido da depreciação acelerada incentivada – reversão, porque ausente demonstração da efetiva ocorrência das hipóteses que justificam o benefício garantido pela legislação e devidamente aproveitado pela Recorrente, em clara inobservância do art. 142 do CTN. Assevera que a decisão recorrida reconhece que o requisito formal e material do benefício foi obedecido para o IRPJ, invoca o princípio da verdade material e o dever da autoridade julgadora administrativa agir de ofício para instrução probatória do processo. Afirma ilícito proceder-se à glosa da dedução realizada, sem analisar todas as informações e documentos essenciais para apurar a materialidade do crédito utilizado, a exemplo da escrituração comercial e fiscal da Suplicante, o que poderia ter sido oportunizado, ainda na fase contenciosa administrativa, independentemente das eventuais diligências firmadas previamente à autuação, mediante conversão do feito em diligência. Pede, assim, o cancelamento integral do lançamento. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 579/602), afirmando que os tributos com exigibilidade suspensa têm natureza de provisão; defendendo a adição dos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL por expressa disposição contida no art. 2º, § 1º, alínea “c”, 1 da Lei nº 7.689/88 e também porque a contribuinte não trouxe prova de suposto erro no preenchimento da DIPJ; afirmando indedutível a amortização de ágio por ausência de previsão legal neste sentido e conseqüente necessidade de interpretação literal da renúncia fiscal daí decorrente; defendendo a indedutibilidade das multas assim reconhecidas pela contribuinte na apuração do IRPJ, sem qualquer prova de sua alegada natureza moratória; e observando que a contribuinte não atendeu intimações para demonstrar que não havia se beneficiado da depreciação acelerada no âmbito da apuração da CSLL, de modo que a adição da reversão destes valores deve subsistir.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1220; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T1  Fl. 2          1 1  S1­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16682.721142/2011­83  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1101­000.122  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  08 de abril de 2014  Assunto  Diligência  Recorrente  VALE S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  CONVERTER  O  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram o presente julgado.    (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora e Presidente em exercício  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Edeli  Pereira  Bessa  (presidente  em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício  Júnior,  José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 14 2/ 20 11 -8 3 Fl. 604DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.721142/2011­83  Resolução nº  1101­000.122  S1­C1T1  Fl. 3          2   RELATÓRIO    VALE S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 8ª Turma  da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ­I que, por unanimidade  de  votos,  julgou  IMPROCEDENTE a  impugnação  interposta  contra  lançamento  formalizado  em 15/12/2011, reduzindo a CSLL a compensar ou a ser restituída nos anos­calendário 2006 e  2007 no montante de R$ 17.915.183,26.  O Termo de Verificação Fiscal de fls. 365/376 aponta infrações na apuração da  base de cálculo da CSLL, decorrentes da falta de adição ao lucro líquido de:  · Tributos  com exigibilidade suspensa nos  anos  base de 2006 e 2007,  nos montantes respectivos de R$ 122.617.470,78 e R$ 11.980.089,19;  · Ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL  no ano­calendário de 2006, no valor de R$ 9.438.352,00;  · Parcelas não dedutíveis das multas no ano base de 2006, no montante  de R$ 32.110.893,53;  · Amortização de ágio nas aquisições de  investimentos avaliados pelo  PL, no ano­calendário 2007, no montante de R$ 20.340.999,99;  · Depreciação/Amortização Acelerada Incentivada – Reversão, no ano­ calendário 2006, no montante de R$ 2.569.786,44.  Impugnando a exigência, a contribuinte afirmou a regularidade de sua apuração,  invocando o disposto no art. 2o da Lei nº 7.689/88, discordando de qualquer efeito produzido  pelo  art.  57  da Lei  nº  8.981/95  e  da  aplicação  de  analogia,  inclusive  por meio  de  Instrução  Normativa. Especificamente em relação aos  tributos com exigibilidade suspensa, discorda de  sua  caracterização  como  provisão,  e  quanto  aos  ajustes  por  diminuição  do  valor  de  investimentos avaliados pelo PL e amortização de ágio acrescenta que a Fiscalização partiu de  premissas  equivocadas  para  sua  conclusão.  Com  referência  às  multas  observa  que  as  de  natureza moratória são dedutíveis, e que a acusação é genérica e frágil, o mesmo se verificando  em relação à depreciação incentivada.   A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado:  Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL   Ano­calendário: 2006, 2007   TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA  ­  INDEDUTIBILIDADE Os  tributos  e  contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN,  constituem  provisões  e  não  despesas  incorridas,  estando  vedada  sua  dedução  para  apuração  da  base  de  cálculo  da  CSLL,  conforme  regra  do  art.  13,  inciso  I,  da  Lei  9.249/1995.  ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO. DIMINUIÇÃO NO VALOR DOS INVESTIMENTOS  AVALIADOS PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Os ajustes por diminuição do valor em  Fl. 605DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.721142/2011­83  Resolução nº  1101­000.122  S1­C1T1  Fl. 4          3 investimentos avaliados pelo patrimônio líquido, adicionados ao cálculo do lucro real,  devem ser adicionados também à base de cálculo da CSLL.  MULTA. PARCELAS NÃO DEDUTÍVEIS.  As multas  declaradas  como  ´parcelas  não  dedutíveis` na DIPJ devem ser adicionadas na apuração da base de cálculo da CSLL.  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO.  INDEDUTIBILIDADE  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DA  CSLL. A amortização do ágio é indedutível da base de cálculo da CSLL, constituindo  adição prevista na legislação tributária.  DEPRECIAÇÃO ACELERADA  INCENTIVADA  ­  REVERSÃO.  ADIÇÃO AO  LUCRO  LÍQUIDO  PARA  A  APURAÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DA  CSLL.  Deve  ser  adicionada ao lucro líquido, na apuração da base de cálculo da CSLL, a depreciação  acelerada incentivada revertida.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  02/01/2013,  em  razão  do  decurso do prazo de 15 (quinze) dias da postagem do documento em sua caixa postal eletrônica  (fl.  544),  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário,  tempestivamente,  em  15/01/2013  (fls.  548/573).  Inicialmente manifesta sua discordância acerca da classificação dos tributos com  exigibilidade suspensa como provisão  indedutível. Em seu entendimento  traço característico  da  provisão  é  a  impossibilidade  de  sua  exata  mensuração,  destinando­se  ao  registro  de  obrigações que deverão nascer no futuro.   Argumenta que  a obrigação  tributária  surge com a ocorrência do  fato gerador,  que o lançamento apenas declara obrigação preexistente (e não futura/incerta), e a suspensão  da exigibilidade do crédito tributário apenas protege temporariamente o sujeito passivo contra a  cobrança  de  uma  obrigação  fiscal  existente.  Invoca  o  Pronunciamento  do  IBRACON  nº  22,  aprovado pela Deliberação CVM nº 489/2005, e afirma que sua conduta observa os princípios  de contabilidade geralmente aceitos e o art. 177 da Lei nº 6.404/76.  Afirma que o tributo é despesa desde que é devido, e que a Instrução Normativa  SRF  nº  390/2004  deve  observar  o  que  dispõe  a  lei.  Por  sua  vez,  os  ajustes  ao  lucro  para  apuração da CSLL são apenas aqueles previstos em  lei, de modo que um ato normativo não  poderia ampliar, de forma ilegítima, a hipótese de incidência tributária.  Com referência à falta de adição ao lucro líquido dos ajustes por diminuição do  valor  de  investimentos  avaliados  pelo  PL  e  da  amortização  de  ágio,  aduz  que  a  autoridade  lançadora deixou de exercer a efetiva atividade fiscalizatória, de modo a delimitar a matéria  tributável  relativamente  à  parcela  de R$  9.438.352,00,  que  corresponderia  a  amortização  de  ágio  referente  à  participação  societária  da  recorrente  na  empresa  Belém  Administrações  e  Participações Ltda. Quanto a esta parcela e à falta de adição do montante de R$ 20.340.999,99,  que se referiria a participação societária da recorrente em Caemi Mineração Metalúrgica S/A e  Minerações Brasileiras Reunidas S/A – MBR, a Fiscalização apenas mencionou que os valores  foram adicionados na apuração do lucro real, e fundamentou a exigência no art. 38, §1o, inciso  I da Instrução Normativa SRF nº 390/2004, o qual não tem base legal, pois inexiste previsão de  adição de despesa ou exclusão de receita decorrente de amortização de ágio/deságio. Arremeta  que  seu  procedimento  contábil  está  amparado  pela  Instrução  Normativa  CVM  nº  247/96  e  invoca julgado administrativo em favor de seu entendimento.  Quanto à dedutibilidade das multas, reafirma que a Fiscalização não identificou  a natureza dos valores contabilizados, e observa que a decisão recorrida afirmou inexistir prova  Fl. 606DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.721142/2011­83  Resolução nº  1101­000.122  S1­C1T1  Fl. 5          4 de que as multas  teriam natureza moratória. Novamente afirma que não existe previsão  legal  para adição de multas à base de cálculo da CSLL, e que esta contribuição, assim como o IRPJ,  incide sobre o acréscimo patrimonial, evidenciando  impensável a inclusão na base de cálculo  de qualquer tipo de registro que não corresponda a este aumento patrimonial, cabendo­se, ao  contrário, a desconsideração do montante total auferido pela pessoa jurídica, de valores que  não importaram nesses plus.  Afirma  genérica,  também,  a  acusação  de  falta  de  adição  ao  lucro  líquido  da  depreciação  acelerada  incentivada  –  reversão,  porque  ausente  demonstração  da  efetiva  ocorrência das hipóteses que  justificam o benefício garantido pela  legislação e devidamente  aproveitado pela Recorrente, em clara inobservância do art. 142 do CTN.   Assevera que a decisão recorrida reconhece que o requisito formal e material do  benefício  foi  obedecido  para  o  IRPJ,  invoca  o  princípio  da  verdade  material  e  o  dever  da  autoridade  julgadora  administrativa  agir  de  ofício  para  instrução  probatória  do  processo.  Afirma ilícito proceder­se à glosa da dedução realizada, sem analisar todas as informações e  documentos  essenciais  para  apurar  a  materialidade  do  crédito  utilizado,  a  exemplo  da  escrituração comercial e  fiscal da Suplicante, o que poderia ter sido oportunizado, ainda na  fase  contenciosa  administrativa,  independentemente  das  eventuais  diligências  firmadas  previamente à autuação, mediante conversão do feito em diligência.  Pede, assim, o cancelamento integral do lançamento.  A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  ao  recurso  voluntário  (fls. 579/602), afirmando que os  tributos com exigibilidade suspensa  têm natureza  de  provisão;  defendendo  a  adição  dos  ajustes  por  diminuição  do  valor  de  investimentos  avaliados  pelo  PL  por  expressa  disposição  contida  no  art.  2º,  §  1º,  alínea  “c”,  1  da  Lei  nº  7.689/88 e também porque a contribuinte não trouxe prova de suposto erro no preenchimento  da  DIPJ;  afirmando  indedutível  a  amortização  de  ágio  por  ausência  de  previsão  legal  neste  sentido  e  conseqüente  necessidade  de  interpretação  literal  da  renúncia  fiscal  daí  decorrente;  defendendo a indedutibilidade das multas assim reconhecidas pela contribuinte na apuração do  IRPJ, sem qualquer prova de sua alegada natureza moratória; e observando que a contribuinte  não atendeu intimações para demonstrar que não havia se beneficiado da depreciação acelerada  no  âmbito  da  apuração  da  CSLL,  de  modo  que  a  adição  da  reversão  destes  valores  deve  subsistir.  Fl. 607DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.721142/2011­83  Resolução nº  1101­000.122  S1­C1T1  Fl. 6          5 VOTO  Conselheira EDELI PEREIRA BESSA   No que tange à falta de adição ao lucro líquido dos ajustes por diminuição do  valor  de  investimentos  avaliados  pelo  PL,  a  recorrente  questiona  o  procedimento  fiscal,  asseverando que não foi delimitada a matéria tributável.  No Termo de Verificação Fiscal às fls. 365/376 constata­se que o procedimento  fiscal foi motivado pela identificação de adição promovida apenas na apuração do lucro real, a  título  de  Ajustes  por  Diminuição  do  Valor  de  Investimentos  Avaliados  pelo  PL  no  ano­ calendário  2006,  no  valor  de  R$  9.438.352,00.  Questionada  acerca  deste  procedimento,  a  contribuinte  informou  que  não  promovera  a  adição  por  entender  que  não  há  base  legal  exigindo­a (fls. 11/12).   Para  promover  a  adição  referente  a  Ajustes  por  Diminuição  do  Valor  de  Investimentos  Avaliados  pelo  PL  no  ano­calendário  2006,  a  autoridade  fiscal  invocou  o  disposto no art. 28 da Lei nº 9.430/96, bem como o seguinte dispositivo da Lei nº 7.689/88,  nada redação dada pela Lei nº 8.034/90:  Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da  provisão para o imposto de renda.   § 1º Para efeito do disposto neste artigo:  [...]  c  )  o  resultado  do  período­base,  apurado  com  observância  da  legislação  comercial,  será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990)  1  ­  adição  do  resultado  negativo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  de  patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990)  [...]  O voto condutor da decisão recorrida assim justifica o procedimento fiscal:  De início, cabe assinalar que não há qualquer vício no procedimento da fiscalização.  Pela  informação contida na  linha 10 da Ficha 9A  (Demonstração do Lucro Real) da  DIPJ/2007 – AC 2006,  o  interessado  teria adicionado,  na apuração do  lucro  real,  o  montante  de R$ 9.438.352,00,  o  qual  seria decorrente  de  ‘ajustes por diminuição  do  valor  de  investimentos  avaliados  pelo  PL’.  Cabe  observar  que,  pelo  Majur/2007,  a  linha 10 da Ficha 9A faz remissão para a linha 35 da Ficha 6A – Resultados Negativos  de Participação Societária,  que,  por  sua vez,  desdobra­se  em  ‘perdas  por  ajustes  no  valor do investimento por equivalência patrimonial’ e ‘amortização de ágio’. Deve­se  ressaltar  que,  durante  o  procedimento  fiscalizatório,  o  interessado  foi  intimado  a  explicar  o  motivo  do  não  adicionamento  do  respectivo  valor  na  apuração  da CSLL.  Todavia,  não  consta  nos  autos  que  tenha  informado  que  tais  ajustes  supostamente  teriam  decorrido  de  amortização  de  ágio.  Ademais,  não  comprova  sua  afirmação  de  que  tal ajuste decorreria de amortização do ágio,  já que não apresentou documentos  hábeis, como, por exemplo, documentos contábeis que poderiam fazer tal prova.  De  todo  modo,  como  será  visto  a  seguir,  seja  qual  for  a  natureza  do  ‘ajuste  por  diminuição do valor de  investimentos avaliados pelo PL’,  se decorrente do  resultado  Fl. 608DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.721142/2011­83  Resolução nº  1101­000.122  S1­C1T1  Fl. 7          6 negativo  de  participação  societária  em  razão  de  perda  no  valor  do  investimento  avaliado  por  equivalência  patrimonial  ou  de  amortização  de  ágio,  em  ambas  as  hipóteses são indedutíveis, e, portanto, deveriam ter sido adicionados na apuração da  CSLL.  Esclarece­se  que  os  ajustes  por  diminuição  do valor  de  investimentos  avaliados  pelo  PL se  referem, especificamente, às perdas  incorridas pelo  interessado (investidor) no  valor de investimentos relevantes avaliados pelo método da equivalência patrimonial,  decorrentes de prejuízos apurados nas controladas e coligadas.  Deve­se  ressaltar  que  tal  ajuste  de  equivalência  por  valor  de  patrimônio  líquido  (equivalência  patrimonial)  visa melhor  retratar  a  situação patrimonial  das  empresas  investidoras. Sendo decorrentes de variações já computadas nas bases de cálculo das  empresas  investidas,  são  excluídas  de  nova  tributação  nas  investidoras.  Os  investimentos  avaliados  por  equivalência  patrimonial  não  afetam  a  formação  do  resultado  tributável  na  investidora.  É,  em  outras  palavras,  neutro  para  fins  fiscais,  devendo ser adicionado, tanto na apuração do lucro real, quanto na apuração da base  de cálculo da CSLL. Não fosse assim, a tributação do IRPJ e da CSLL se repetiria em  cascata e prejudicaria a integração dos grupos empresariais.  O item 1 da alínea c do art. 2º da Lei 7689/88, com redação dada pelo art. 2º da Lei  8034  de  1990,  dispõe  expressamente  sobre  a  indedutibilidade  das  perdas  nos  investimentos avaliados pelo PL na apuração da CSLL:  [...]  Por sua vez, o art. 38, § 1º, inciso I, da IN SRF nº 390, de 2004, abaixo reproduzido,  reprisa, para a CSLL, o mesmo disciplinamento vazado na legislação do IRPJ acerca  das  normas  concernentes  a  diminuições  no  valor  de  investimentos  avaliados  pelo  patrimônio líquido, de forma que a regra de indedutibilidade do IRPJ é a mesma para  a CSLL.  “Art. 38.Na determinação do resultado ajustado, serão adicionados ao lucro líquido do  período de apuração antes da provisão para o IRPJ:  ...  § 1ºIncluem­se nas adições de que trata este artigo:  I ­ o resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido;  ...”  Portanto,  pelo  exposto,  diferentemente  do  que  alega  o  interessado,  existe,  sim,  base  legal expressa, obrigando a pessoa jurídica a adicionar ao cálculo da CSLL os valores  que reduziram o  lucro  líquido a  título de diminuição de  investimentos avaliados pelo  PL, razão por que a autuação é procedente.  Quanto  à  adição  ao  lucro  líquido  da  amortização  do  ágio,  na  apuração  da  base  de  calculo da CSLL, tal matéria será objeto de abordagem no tópico seguinte.  [...]  Como  dito,  a  DIPJ  apresentada  para  o  ano­calendário  2006  (fls.  196/274)  contava  com  uma  única  linha  para  registro  de  Resultados  Negativos  em  Participações  Societárias, bem como para sua adição ao lucro líquido, com vistas à apuração do Lucro Real  (Linha 35 da Ficha 6A e Linha 10 da Ficha 9A ), nas quais, segundo informações extraídas do  MAJUR  pela  autoridade  julgadora  de  1a  instância,  seriam  registrados  os  valores  Fl. 609DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.721142/2011­83  Resolução nº  1101­000.122  S1­C1T1  Fl. 8          7 correspondentes  a  “perdas  por  ajustes  no  valor  do  investimento  por  equivalência  patrimonial”  e  “amortização de ágio”.   Assim, é certo que, ao exigir a adição, também na base de cálculo da CSLL, dos valores  indicados na Linha 35 da Ficha 6A e na Linha 10 da Ficha 9A da DIPJ do ano­calendário 2006,  a  autoridade  fiscal  poderia  estar  alcançando  não  só  o  resultado  negativo  da  avaliação  de  investimentos pelo valor de patrimônio líquido previsto no art. 2o, §1o, alínea “c”, inciso I da  Lei nº 7.689/88, com a redação dada pela Lei nº 8.034/90, como também registros decorrentes  de amortização de ágio. De outro lado, a acusação fiscal demonstra, na abordagem referente a  adição  promovida  no  ano­calendário  2007,  o  entendimento  de  que  as  amortizações  de  ágio  também  deveriam  ser  adicionadas  ao  lucro  líquido  para  fins  de  apuração  da  CSLL.  Desta  forma, seria irrelevante distinguir quais valores comporiam a Linha 35 da Ficha 6A e a Linha  10 da Ficha 9A da DIPJ do ano­calendário 2006, pois  todos os registros que ali deveriam ter  sido consignados seriam, no entender da Fiscalização, passíveis de adição.  A recorrente, por sua vez, assevera que a parcela questionada no ano­calendário  2006  corresponderia  a  ágio  amortizado,  mas  não  junta  prova  neste  sentido.  Aduz  que  o  procedimento  fiscal  foi  superficial,  e que  a  autoridade  lançadora deixou  de  exercer a  efetiva  atividade fiscalizatória, de modo a delimitar a matéria tributável. Todavia, a autoridade fiscal  questionou­lhe  sobre  a  falta  de  adição  da  parcela  de  R$  9.438.352,00,  afirmando  que  ela  corresponderia  a  ajuste  por  diminuição  valor  de  inv.  aval.  p/  PL  (fl.  2),  e  em  resposta  a  contribuinte apenas disse que os valores não foram adicionados por entendermos que não há  base legal exigindo a adição de tais valores.  Por  sua  vez,  frente  ao  lançamento  que  expôs  a  base  legal  para  adição  do  resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido, claramente  integrante  dos  ajustes  por  diminuição  do  valor  de  investimentos  avaliados  pelo  patrimônio  líquido, a contribuinte apenas alega que a parcela glosada corresponderia a amortização de ágio  referente  à  participação  societária  da  recorrente  na  empresa  Belém  Administrações  e  Participações Ltda.  Assim,  se  de  um  lado  a  Fiscalização  pautou­se  em  evidência  plausível  para  promover  a  adição  em  questão,  a  contribuinte  também  suscita  dúvida  razoável  acerca  da  natureza do valor adicionado à base de cálculo da CSLL.  Diante  de  tal  contexto,  para  melhor  solução  da  lide,  é  necessário  que  o  julgamento  seja  CONVERTIDO  em  diligência  para  confirmação,  junto  à  escrituração  da  contribuinte, de que a parcela de R$ 9.438.352,00, adicionada ao lucro real no ano­calendário  2006,  corresponderia,  de  fato,  a  amortização  de  ágio  referente  à  participação  societária  da  recorrente na empresa Belém Administrações e Participações Ltda.  Ao  final dos  trabalhos deve ser  elaborado  relatório  circunstanciado acerca dos  procedimentos fiscais desenvolvidos e das conclusões alcançadas, cientificando­o à interessada  e facultando­lhe a complementação de suas razões de defesa no prazo 30 (trinta) dias, antes do  retorno dos autos a este Conselho.      (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora  Fl. 610DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA

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Numero do processo: 10218.720050/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na Impugnação. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas já incluídas nos autos. Deve ser indeferida quando, em subversão à lei processual, vise produzir prova que deveria ter sido apresentada com a impugnação. SUJEITO PASSIVO DO ITR. A Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo do proprietário do imóvel, no caso, o interessado, em nome de quem foi apresentada a DITR que serviu de base para o presente lançamento, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou erro no preenchimento da declaração. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal, e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal.
Numero da decisão: 2201-002.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     2 Acordam  os membros  do Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.    Assinado Digitalmente  EDUARDO TADEU FARAH – Relator      Assinado Digitalmente  MARIA HELENA COTTA CARDOZO ­ Presidente     Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  MARIA  HELENA  COTTA  CARDOZO  (Presidente),  EDUARDO  TADEU  FARAH,  GUSTAVO  LIAN  HADDAD,  FRANCISCO  MARCONI  DE  OLIVEIRA,  NATHALIA  MESQUITA  CEIA  e  ODMIR  FERNANDES  (suplente  convocado).  Presente  ao  julgamento  o  Procurador  da  Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.  Relatório  Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  ­  ITR,  exercício  2006,  consubstanciado  na  Notificação  de  Lançamento (fls. 01/04), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de  R$  107.229,12,  relativo  ao  imóvel  rural  “Fazenda Machado”,  cadastrado  na  RFB  sob  o  nº  4.222.265­6, com área declarada de 4.356,0 ha, localizado no Município de Tucumã – PA..  A fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 1,00 para R$ 637.369,920 ou  R$ 146,32/ha, com base no SIPT.  Cientificado  do  lançamento,  o  interessado  apresentou  tempestivamente  Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que:  ­ declara que, desde o ano de 2000, não é proprietário do imóvel  rural  denominado  “Fazenda  Machado”,  posto  que  efetuou  a  venda do mesmo naquele período;  ­ a apresentação da DITR/2006 em seu nome, deu­se em razão  de inúmeros óbices burocráticos para transferir a titularidade do  imóvel  para  o  novo  proprietário  e,  conseqüentemente,  não  providenciou a alteração dos dados cadastrais do imóvel junto à  Receita  Federal.  Isto,  para  evitar  a  inscrição  de  seu  nome  em  Divida Ativa da União;  ­  pede  a  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário,  invocando  o  disposto  no  art.  151  do  CTN  e  citando  Geraldo  Ataliba;  ­  pede  a  anulação  do  lançamento,  uma  vez  que  a  intenção  do  impugnante  ao  apresentar  a  declaração  do  ITR  do  imóvel  que  não  lhe  pertencia  e,  por  tal  motivo,  declarou  valores  que  não  correspondiam  com  as  características  do  imóvel  com  o  único  intuito de evitar que seu nome, que ainda constava como titular  do  referido  imóvel,  respondesse  por  penalidades  tributárias  e  sofresse  restrições  fiscais,  como  inscrição  na  divida ativa, com  as implicações decorrentes;  Fl. 73DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10218.720050/2008­81  Acórdão n.º 2201­002.391  S2­C2T1  Fl. 3          3 ­  por  não  ter  sido  possível  localizar  o  atual  proprietário  do  imóvel, requer a realização de perícia na área em questão, por  necessária  e  imprescindível,  em  atenção  ao  princípio  do  contraditório e ampla defesa;   ­ protesta pela produção de prova pericial, que sejam aceitas as  razões  de  mérito  expendidas,  para  considerar  a  total  improcedência do lançamento impugnado, e  ­ por fim, requer que seja acolhida a presente impugnação para  o  fim  de  decidir  pela  insubsistência  e  improcedência  da  ação  fiscal, cancelando­se o débito fiscal reclamado.  A  1ª  Turma  da  DRJ  em  Brasília/DF  julgou  integralmente  procedente  o  lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas:  DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA.  Cabe  ser  mantido  o  lançamento  em  nome  do  contribuinte,  identificado  como  contribuinte  do  imposto  na  correspondente  DITR/2006, além de não  ter  sido devidamente comprovado nos  autos a  efetiva alienação do  imóvel  em data anterior à do  fato  gerador do imposto, observada a legislação pertinente.  DO VALOR DA TERRA NUA ­ SUBAVALIAÇÃO.  Deve  ser mantido o VTN arbitrado pela  fiscalização,  com base  no  VTN  médio,  por  hectare,  apontado  no  SIPT,  exercício  de  2006, para o município onde  se  localiza o  imóvel,  por  falta de  documentação  hábil  comprovando  o  seu  valor  fundiário,  a  preços de 1º/01/2006, bem como a existência de características  particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão.  Crédito Tributário Mantido  Intimado da decisão de primeira instância em 25/03/2011 (fl. 37), Sebastião  Machado  de  Oliveira  apresenta  Recurso  Voluntário  em  25/04/2011  (fls.  38  e  seguintes),  sustentando, essencialmente:  2 ­ PRELIMINARMENTE:  2.1 ­ DA ILEGITIMIDADE PASSIVA  Conforme  já  salientado  em  sede  de  Impugnação  entregue  em  Primeira  Instância,  o  recorrente  não  é  mais  o  proprietário  do  imóvel em questão; nesta senda, não é também o sujeito passivo  da  obrigação  tributária,  conforme  podemos  observar  no  Contrato  de  Compra  e  Venda  de  Imóvel  Rural  em  anexo,  que  figura como "comprador" (e até então legítimo sujeito passivo),  o  Sr.  João  Pereira  Salgado,  sujeito  ao  qual  deveria  recair  a  eventual  penalidade  imposta  (se  é  que  a  mesma  procede)  e  o  processo que aqui se rebate.  (...)  A  acusação  genérica,  como  se  verifica  nos  presente  auto  de  infração,  em  termos  de  procedimento  é  totalmente  inaceitável  Fl. 74DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     4 por se tratar de uma medida desproporcional e não razoável vez  que não pode provocar uma simples defesa genérica, porquanto  uma acusação genérica tolhe o direito de defesa e dificulta, para  não dizer, inviabiliza a apresentação da peça de resistência.  (...)  Não  havendo  outro  norte,  requer  desde  logo,  como  prova  inafastável, a realização de perícia, inclusive com verificação in  loco,  para  a  comprovação  dos  fatos  afirmados  nesta  peça  recursal.  Os  elementos  constantes  do  processo  não  são  suficientes  para  consolidar  a  presente  autuação,  sendo  que  o  teor  da  decisão  proferida  em  Primeira  Instância  é  totalmente  parcial, logicamente, em desfavor do Recorrente.  (...)  Diante  de  tudo,  requer  a  inversão  do  ônus  da  prova,  recaindo  esta  sobre  o  Recorrido,  para  que  demonstre  nos  autos  suas  alegações  apresentadas,  virtualmente  embasadoras  do  auto  lavrado,  sobretudo  cumprindo  as  exigências  legais  por  ele  deslembradas conforme já tecido nas linhas acima.  (...)  A  problemática  maior,  e  que  não  pode  ser  ignorada,  é  que  o  nobre julgador sequer analisa os pontos da defesa entregue em  Primeira  Instância,  entregando  simplesmente  uma  decisão  extremamente mal fundamentada, sendo que não discorre sobre  nenhuma  tese  ventilada  por  este  peticionante,  afrontando  de  forma gritante o princípio da motivação das decisões.  (...)  3.2  ­  DO  PRINCÍPIO  DA  VEDAÇÃO  DO  CONFISCO  E  DO  PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE:  (...)  Esse entendimento deixa claro que, mesmo em caráter de multa,  esta não pode ter caráter de penalidade, com características de  aniquilação do patrimônio do autuado. Ora, a aplicação de uma  multa  de  R$  107.229,12  (cento  e  sete mil  e  duzentos  e  vinte  e  nove  reais  e  doze  centavos)  não  possui  condão diferente  disso,  razão pela qual merece reforma, mormente em um caso gritante  de ausência de provas como do auto em questão.  É o relatório.  Voto             Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator  O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade.    Fl. 75DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10218.720050/2008­81  Acórdão n.º 2201­002.391  S2­C2T1  Fl. 4          5 Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal alterou o VTN do imóvel rural  declarado pelo recorrente de R$ 1,00 para R$ 637.369,920 ou R$ 146,32/ha, com base no SIPT  ­ Sistema de Preços de Terra.  De acordo com a Descrição dos Fatos, fl. 02, “Após regularmente intimado,  o  sujeito  passivo  não  comprovou  por  meio  de  Laudo  de  Avaliação  do  imóvel,  conforme  estabelecido na NBR 14.653­3 da ABNT, o valor da terra nua declarado”.  Antes  de  se  entrar  no mérito  da  questão,  cumpre  enfrentar  as  preliminares  suscitadas  pela  defesa.  A  primeira  alega  ilegitimidade  passiva;  a  segunda  afirma  que  a  fiscalização  praticou  uma  acusação  genérica;  a  terceira  considera  a  decisão  de  primeira  instância mal fundamentada e a última protesta pelo pedido de perícia.  Quanto à alegação de ilegitimidade passiva, verifico, pois, que o argumento  não  tem passagem. Compulsando­se  os  autos,  constata­se  que o  recorrente  apresentou  como  prova da ilegitimidade passiva tão somente a cópia do Contrato de Compra e Venda de Imóvel,  contudo, para comprovar a efetiva transferência de propriedade, é necessária a apresentação de  seu  registro  no  Cartório  de  Registro  de  Imóveis.  Observa­se,  ainda,  que  após  a  data  da  assinatura  do  suposto  Contrato  de  Compra  e  Venda  de  Imóvel,  10/03/2000,  o  recorrente  continuou apresentando, em seu nome, as declarações de ITR para o imóvel em questão.  Ademais, conforme se verifica do extrato de fl. 09, o registro do imóvel rural  na Receita Federal do Brasil encontra­se ativo e em nome do contribuinte.  Portanto, penso que restou caracterizado que o recorrente é o contribuinte do  ITR, nos termos do art. 4º da Lei n° 9.393/1996.  Afasta­se, pois, a suscitada preliminar.  No  que  tange  à  alegação  de  que  a  fiscalização  efetuou  acusação  genérica,  penso que o argumento é estéril e não merece acolhimento. De acordo com a “Descrição dos  Fatos e Enquadramento Legal”, fl. 02, o lançamento só foi constituído em consequência da não  apresentação,  pelo  contribuinte,  do  laudo  de  avaliação  do  imóvel,  elaborado  nos  termos  da  NBR  14.653­3  da  Associação  Brasileira  de  Normas  Técnicas  (ABNT).  Com  efeito,  o  enquadramento legal para essa infração encontra­se devidamente destacado na fl. 02 dos autos.  Assim, válido o lançamento também nesse ponto.  Sobre a alegação de que a decisão recorrida foi mal fundamentada, verifica­ se  do  acórdão  exarado  pela  1ª  Turma  da  DRJ  em  Brasília/DF  que  o  julgado  analisou  a  integralidade  dos  elementos  processuais  e  apreciou  todos  os  argumentos  impugnatórios,  conforme se extrai das fls. 28/33.  Em verdade, o  inconformismo do recorrente  tem a ver com o entendimento  do julgador na análise das provas constantes dos autos. Com efeito, na apreciação das provas, o  julgador  pode  interpretá­la  da  forma  que melhor  entender,  refutá­las  ou  desconsiderá­las,  de  acordo com sua convicção, conquanto que de forma fundamentada. O que de fato ocorreu.  Assim, pelos  fundamentos  expostos  entendo que a preliminar suscitada não  merece acolhimento.  Fl. 76DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     6 No  que  diz  respeito  ao  pedido  de  perícia,  penso  que  deve  ser  indeferido.  Conforme  bem  salientou  a  decisão  recorrida,  a  perícia  proposta  pelo  contribuinte  tem  por  objetivo  a  busca  de  elementos  probatórios  de  suas  alegações.  Com  efeito,  apesar  de  ser  facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear sua realização, compete à autoridade julgadora  decidir  sobre  sua  efetivação,  podendo  indeferir  as  que  considerarem  prescindíveis  ou  impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto n° 70.235, de 1972).  Indefiro, pois, o pedido de perícia.  Encerrada  a  apreciação  das  questões  preliminares,  passa­se  ao  exame  do  mérito.  No mérito, insurge o suplicante apenas contra a multa imposta, alegando que  sua aplicação fere o principio constitucional da vedação ao confisco e da proporcionalidade.  Pois  bem,  sobre  o  caráter  confiscatório  da  multa  aplicada,  deve  ser  esclarecido  que  não  compete  a  este  Órgão  Administrativo  declarar  a  ilegitimidade/inconstitucionalidade  da  norma  constituída.  A  legalidade  de  dispositivos  aplicados ao lançamento deve ser questionada, exclusivamente, perante o Poder Judiciário. O  exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais (vedação ao confisco e  da proporcionalidade) é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme  se infere da Súmula CARF nº 2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  Ressalte­se  que  em  seu  apelo  o  contribuinte  não  se  insurge  contra  o  arbitramento do VTN.  Ante  ao  exposto,  voto  por  rejeitar  as  preliminares  e,  no  mérito,  negar  provimento ao recurso.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah                              Fl. 77DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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Numero do processo: 10945.902214/2012-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 20/07/2007 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1772; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 9          1 8  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10945.902214/2012­58  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3801­003.100  –  1ª Turma Especial   Sessão de  27 de fevereiro de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE  SOCIAL­COFINS  Recorrente  CGS INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 20/07/2007  EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS.  Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do  COFINS, pois  esse valor  é parte  integrante do preço das mercadorias e dos  serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor  dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.  NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.   O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.   Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.    (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes    (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 22 14 /2 01 2- 58 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902214/2012­58  Acórdão n.º 3801­003.100  S3­TE01  Fl. 10          2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator.    Participaram  do  presente  julgamento  os Conselheiros:  Paulo  Sérgio Celani,  Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel,  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.   Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902214/2012­58  Acórdão n.º 3801­003.100  S3­TE01  Fl. 11          3     Relatório  Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira.  Trata­se de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  de  Curitiba  (DRJ/CTA),  referente  ao  processo  administrativo  nem  que  foi  julgada  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou  os autos:  Trata  o  processo  de  Despacho  Decisório  emitido  pela  DRF  Cascavel/PR,  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição  formulado  por  meio  do  Per/Dcomp,  devido  à  inexistência  de  crédito  pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912),  estaria  totalmente  utilizado  na  extinção,  por  pagamento,  de  débito da contribuinte do mesmo fato gerador.  Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação  de  Inconformidade,  alegando,  em  síntese,  a  inconstitucionalidade  da  cobrança  do  PIS  e  da  Cofins  sem  a  exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo.  Diz  que  o  conceito  de  faturamento  trazido  pela  Lei  nº  9.718,  de  1998,  não  pode  ser  elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso,  o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se  tratar  de  mero  ingresso  de  recursos,  os  quais  devem  ser  repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal  –STF  tem  entendido  que  o  valor  do  ICMS não pode  compor  a  base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os  créditos  sejam  restituídos,  acrescidos  de  juros  de mora,  desde  seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação.  É o relatório.    Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada  apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade.  Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu  a  DRJ/CPS  por  indeferir  a  solicitação,  ratificando  a  decisão  da  DRF  de  origem,  não  reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O  referido julgado contou com a seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902214/2012­58  Acórdão n.º 3801­003.100  S3­TE01  Fl. 12          4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.  INEXISTÊNCIA DO  DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP.  Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de  se indeferir o pedido de restituição apresentado.  EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO.  Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de  cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido  valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços  prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou  pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.  CONTESTAÇÃO  DE  VALIDADE  DE  NORMAS  VIGENTES.  JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA.  Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da  conformidade  da  atividade  de  lançamento  com  as  normas  vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar  validade  sob  o  argumento  de  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido    A  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  postulando  a  reforma  da  decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do  ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses  créditos com débitos de tributos federais.  Em  sua  fundamentação,  fez  a  colação  de  trecho  do  voto  proferido  pelo  Ministro  Marco  Aurélio,  relator  do  RE  240.785­2,  onde  este  conclui  que  o  valor  correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na  base de cálculo do PIS e da COFINS.  É o relatório.  Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902214/2012­58  Acórdão n.º 3801­003.100  S3­TE01  Fl. 13          5   Voto             Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira.  O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda,  os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  Tanto  na  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  quanto  no  recurso  voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS  da base de cálculo do COFINS.  Primeiramente,  necessário  destacar  se  há  necessidade  ou  não  de  sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de  constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria,  medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos  em  trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º,  I, da Lei 9.718/1998, até o  julgamento  final da ação pelo Plenário do STF. (MC­ADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008)   Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão  de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do  relator. (QO­MC­ADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito)   Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal,  resolvendo questão  de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida.  (2ª QO­MC­ADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito)   Por  fim,  em  sessão  plenária  do  dia  25.03.2010,  o  Tribunal,  por  maioria,  resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e  oitenta)  dias,  a  eficácia da medida cautelar  anteriormente deferida.  (3ª QO­MC­ADC 18/DF,  rel. Min. Celso de Mello)   Deste modo, entende­se que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de  25.03.2010,  perdeu  a  eficácia  da medida  cautelar  anteriormente  deferida.  Assim,  entende­se  que não deve haver o sobrestamento da matéria.  Cumpre  ressaltar  inclusive  que  a  presente  Turma  ao  apreciar  a  mesma  matéria  já  se  manifestou  no  sentido  de  não  sobrestar  o  processo.  Tal  decisão  ocorreu  por  unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/2010­71, de Relatoria do  Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o  acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido:    “Acordam os membros do colegiado:  (I) Por unanimidade de  votos,  não  sobrestar  o  processo;  (II)  Por  unanimidade  votos,  negar  provimento  ao  recurso  em  relação  às  preliminares  de  cerceamento  de  defesa  e  de  que  o  crédito  tributário  já  sido  constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar  Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902214/2012­58  Acórdão n.º 3801­003.100  S3­TE01  Fl. 14          6 provimento  ao  recurso  em  relação  à  preliminar  de  vício  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF).  Vencidos  os  Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira  da  Silva Murgel  e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira  que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no  mérito, negar provimento ao recurso.” (grifou­se)  Deste modo, entendo por não sobrestar o processo.  Analisando  o  mérito,  verifica­se  que  a  recorrente  alega  que  a  inclusão  do  ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da  Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária.  Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária,  necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe:  SÚMULA Nº  2  do  CARF: O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.    Por  se  tratar  de  matéria  constitucional,  não  sendo  competência  deste  Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante  o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de  apuração:  01/09/2001  a  30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO.  INCLUSÃO  DO  ICMS.  Sendo  a  base  de  cálculo  da  Cofins  o  faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem,  deve  o  ICMS  integrá­la.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária.  Aplicação  da  Súmula  CARF  nº  2.  Recurso  Voluntário  Negado.  Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos.  (Acórdão  n°  3302­ 000.745, julgado em 10/12/2010, grifou­se)    PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano­calendário: 2005,  2006,  2007  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  LEI.  INCOMPETÊNCIA  PARA  APRECIAÇÃO.  As  autoridades  administrativas  são  incompetentes  para  apreciar  argüições  de  inconstitucionalidade  de  lei  regularmente  editada,  tarefa  privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  IRPJ  Anocalendário:  2005,  2006,  2007  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  Nos  casos  previstos  nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  n°  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de  oficio  de  150%.  ASSUNTO:  OUTROS  TRIBUTOS  OU  CONTRIBUIÇÕES  Anocalendário:  2005,  2006,  2007  PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA.  EXCLUSÃO DO ISS E TPT.  IMPOSSIBILIDADE. Para  fins de  determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos  que podem ser  excluídos da  receita bruta  são o  IPI e o  ICMS,  Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902214/2012­58  Acórdão n.º 3801­003.100  S3­TE01  Fl. 15          7 quando  cobrados  pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto  tributário.  (Acórdão  1102­ 000.519, julgado em 03/10/2011, grifou­se)    Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário,  em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF).  Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente  analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada  do STJ.  Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior  Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor:  STJ Súmula nº 94 ­ 22/02/1994 ­ DJ 28.02.1994  ICMS ­ Base de Cálculo ­ FINSOCIAL   A  parcela  relativa  ao  ICMS  inclui­se  na  base  de  cálculo  do  FINSOCIAL    Em  igual  sentido  o  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª.  Região  assim  tem  se  manifestado:  EMENTA:  PIS.  COFINS.  ICMS.  EXCLUSÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  INADMISSIBILIDADE.  Os  encargos  tributários  integram  a  receita  bruta  e  o  faturamento  da  empresa.  Seus  valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final  da  prestação  do  serviço.  Por  isso,  são  receitas  próprias  da  contribuinte,  não  podendo  ser  excluídos  do  cálculo  do  PIS/COFINS,  que  têm,  justamente,  a  receita  bruta/faturamento  como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do  ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos  termos do  art.  3º,  §2º,  I,  da  Lei  9.718/98.  (TRF4,  AC  5008959­ 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria  de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013)    Deste modo, entende­se que os encargos tributários integram a receita bruta e  o  faturamento  da  empresa. Assim,  seus  valores  são  incluídos  no  preço  da mercadoria  ou  no  valor  final  da  prestação  do  serviço.  Diante  disso,  são  receitas  próprias  da  contribuinte,  não  podendo  deixar  de  ser  incluídos  no  cálculo  do  COFINS,  que  tem,  justamente,  a  receita  bruta/faturamento como sua base de cálculo.  Assim,  incabível  a  exclusão  do  valor  devido  a  título  de  ICMS  da  base  de  cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços  prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador  dos serviços na condição de substituto tributário.  Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902214/2012­58  Acórdão n.º 3801­003.100  S3­TE01  Fl. 16          8 Em  face  do  exposto,  encaminho  o  voto  para  NEGAR  PROVIMENTO  ao  Recurso Voluntário.  É assim que voto.  (assinado digitalmente)  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator.                                  Fl. 79DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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Numero do processo: 12466.000268/98-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 18/01/1995 a 29/03/1995 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. O não conhecimento do recurso especial em razão do disposto no parágrafo 10 do art. 68 do Regimento Interno do CARF requer a existência de reiteradas decisões contrárias à tese defendida no recurso de modo a caracterizar perfeitamente a "superação" ali prevista. VALORAÇÃO ADUANEIRA. REMUNERAÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS. ART. 8º DO AVA. NÃO INCLUSÃO. As remunerações pagas pelos Concessionários à detentora do uso da marca em contrapartidas a serviços contratados e prestados no Brasil, após a internalização das mercadorias pela detentora do uso da marca, não integral o valor aduaneiro. Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I) por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencido o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos; e II) no mérito, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que dava provimento. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva - Relator Júlio César Alves Ramos - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente    Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva ­ Relator    Júlio César Alves Ramos ­ Redator Designado  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa  Pôssas,  Francisco  Maurício  Rabelo  de  Albuquerque  Silva,  Joel  Miyazaki,  Maria  Teresa  Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos     Relatório  Nas  fls.  1.170/1.179  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional  admitido pelo despacho de fl. 1.197, por não admitir o entendimento contido no Acórdão de fl.  1.162  materializado  pela  Segunda  Câmara  do  Terceiro  Conselho  de  então,  que  por  unanimidade de votos concedeu provimento a Contribuinte nos seguintes termos:  VALOR  ADUANEIRO.  BASE  DE  CÁLCULO.  AJUSTES.  COMISSÕES  PAGAS  PELAS  REVENDEDORAS  À  DETENTORA DO USO DA MARCA NO PAÍS. Não integram o  Valor  Aduaneiro,  base  de  cálculo  dos  tributos  incidentes  na  importação  de  veículos  (II  e  IPI  vinculado),  para  os  fins  previstos  no  art.  8º,  §  1º,  alínea “a”,  inciso “I”,  as  comissões  pagas pelas vendedoras à detentora do uso da marca no País, no  caso  representante  da  exportadora,  relativamente  aos  serviços  contratados  entre  elas,  que  se  referem  a  operações  completamente  distintas  e  independentes,  não  guardando  qualquer  vínculo  com  as  importações  questionadas.  Aplicação  das  Decisões  COSIT  nºs  14  e  15,  de  1997.  Precedentes  do  Terceiro Conselho de Contribuintes.  Recurso Voluntário Provido.  Este processo guarda peculiaridade necessária a registro, dado que em sessão  de  13  de  novembro  de  2007,  a  CSRF  decidiu  acolher  preliminar  de  nulidade  dos  atos  processuais  a  partir  da  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  inclusive,  devendo  os  autos  retornarem a origem para que os dois sujeitos passivos sejam cientificados do acórdão uma vez  que a empresa indicada como responsável solidária não foi cientificada da decisão de primeira  instância. (fl. 1.101)  Após o saneamento do presente processo este novo Recurso (fls. 1.170/ ora  em julgamento faz contato com o insurgimento do decidido pela 1ª Câmara da Segunda Turma  Ordinária  da  Terceira  Seção  de  julgamento  que,  por  unanimidade  de  votos,  concedeu  provimento  ao  Recurso  Voluntário  das  Contribuintes  declarando  indevido,  ajuste  de  valor  aduaneiro apurado pela Fiscalização.  Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12466.000268/98­02  Acórdão n.º 9303­002.351  CSRF­T3  Fl. 1.394          3 Afirma a Recorrente que o acórdão recorrido não merece prosperar posto que  o valor aduaneiro apurado pela Fiscalização com base no artigo 8º, inciso I, alínea “d”, c/c art.  1º  “c”  do  AVA,  deve  ser  mantido,  uma  vez  que  as  comissões  pagas  pelas  revendedoras  à  empresa MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA, devem ser entendidas como benefício  à  empresa  exportadora  estrangeira,  compondo,  assim,  o  preço  pago  no  momento  da  importação.  Transcreve trechos de fls. 1.166/1.167, da decisão atacada, verbis:  ....entendo  que  o  Auto  de  Infração  lançado  não  se  sustenta  no  sentido de incluir no valor aduaneiro as receitas recebidas pela  empresa recorrente MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA.  de seus revendedores de veículos a título de comissão de uso de  marca pelo simples fato de que a COIS, através dos atos 14 e 15  de  1997,  foi  clara  ao  dispor  que  não  são  tributáveis  estas  parcelas, como vemos, respectivamente:  Se  a  própria  administração  tributária  emitiu  parecer  aduzindo  que  as  comissão  de  uso  de  marca  não  são  incluídas  no  valor  aduaneiro  para  fins  de  tributação,  não  há  como  se  manter  o  lançamento  realizado,  fazendo  ressalva  apenas  ao  brilhante  trabalho  realizado  pela  fiscalização.  Mesmo  que  assim  não  fosse, o mesmo voto proferido pela Conselheira Simone também  levanta ponto fulcral do tema que também me chamou a atenção.  Da  análise  do  lançamento,  se  verifica  que  as  comissões  tidas  como passíveis de inclusão no valor aduaneiro ocorreram após  a  importação  realizada,  não  havendo  qualquer  relação  desta  com aquela.  .....omissis...  Esta  fato  é  por  demais  relevante,  pois  os  valores  tidos  como  tributáveis  nas  importações  são  decorrentes  de  operações  realizadas  entre  a  recorrente  MMC  AUTOMOTORES  DO  BRASIL  LTDA.  ,  e  as  revendedoras  dos  automóveis,  não  guardando qualquer relação com a  importação em si realizada  pela empresa COIMEX em nome da MMC AUTOMOTORES DO  BRASIL LTDA. (grifo nosso)  Indica  como  paradigma  o  Acórdão  nº  301­30.602  prolatado  no  processo  administrativo fiscal nº 12466.000833/98­87, onde são partes as mesmas empresas deste feito,  que decide pela legal aplicação do art. 8º, inciso I, alínea “d”, c/c art. 1º “c” do AVA.  Entende assim, inquestionável a caracterização da divergência.  Discorre  sobre  os  fundamentos  para  a  reforma  do  acórdão  recorrido  sob  o  manto  da  lógica  no  sentido  de  que  a  matéria  litigiosa  não  abrange  a  discussão  acerca  da  influência da vinculação entre exportador e importador sobre o valor da transação e sim sobre o  ajuste do valor aduaneiro realizado pela Fiscalização.  Afirma  que  por  questões  de  estratégia  comercial  foi  implementado  um  planejamento  tributário  onde  a  empresa  MMC  AUTOMOTORES  DO  BRASIL  LTDA.,  detentora  dos  direitos  da  marca  MISUBISHI  no  Brasil,  autorizou  suas  concessionárias  a  negociar  as  importações  diretamente  com  a  empresa  COIMEX,  criada  para  usufruir  os  Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     4 benefícios fiscais do programa FUNDAP e promover despachos de importação dos veículos na  condição de intermediária, por conta e ordem da MMC.  Destaca que a COIMEX emitia notas fiscais de venda em seu próprio nome  cujo valor era acrescido de parcela destinada a MMC, correspondente a um percentual do valor  do veículo, percentual esse não oferecido á tributação.  Para amparar argumentos de que o planejamento para auferir lucros não pode  servir de escusa para burlar o cumprimento da lei tributária uma vez que o direito de se auto –  organizar tem limites, e, sobre o tema, oferece lição do Prof. Marco Aurélio Greco na fl. 1.176.  Por  outro  lado,  registra  que  as  provas  produzidas  são  suficientes  para  demonstrar  o  vínculo  empresarial  e  econômico  entre  a MMC  e  a  exportadora  estrangeira  e  comenta diversos contratos colacionados nos autos.  Diz  ainda  que,  como  ressaltado  no  acórdão  paradigma  a  atuação  da MMC  não  corresponde a  de um  agente  de  compras,  ao  contrário,  se dá  no  interesse  do  exportador  estrangeiro  assumindo posição de  agente de vendas  e,  como  tal,  se  enquadra no disposto no  item 8 da Nota Explicativa 2.1, do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, verbis:  “Os  fornecedores  estrangeiros  que  remetem  suas  mercadorias  em cumprimento de pedidos feitos por intermédio de um agente  de venda, retribuem eles mesmos os serviços deste intermediário,  apresentando aos clientes um preço global. Nesses casos, não é  necessário  ajustar  o  preço  de  fatura  para  levar  em  com  esses  serviços. Se, nos termos das condições de venda, um comprador  tem que pagar, além do preço faturado, uma comissão de venda  cujo  pagamento  se  efetua,  em  regra,  diretamente  ao  intermediário  para  determinar  o  valor  de  transação  segundo o  Artigo1  do  Cardo,  deve  ser  acrescido  ao  preço  de  fatura  o  montante desta comissão. (grifo nosso)”  Relativamente  à  aplicação das Decisões COSIT nºs 14  e  15 de  1997 afirma que não  se  subsumem à hipótese dos autos por  se  referirem  exclusivamente  aos  casos  em  que  as  concessionárias  detentoras do uso da marca atuem como agentes de compra das  importadoras e, como já dito anteriormente a posição assumida  pela MMC é caracterizada como agente de vendas atuando em  benefício de exportador estrangeiro.  Requer finalmente o provimento deste Recurso Especial por via  da  reforma  da  decisão  recorrida,  nas  bases  do  acórdão  paradigma ofertado.  Contra­Razões  nas  fls.1.203/1.215  onde  as  Recorridas  iniciam  articulando  preliminar  de  inadmissibilidade  deste  Recurso  em  razão  de  a  Recorrente  haver  apontado  como  paradigma  de  divergência  o  Acórdão  301­30602  proferido  no  processo  12466.000833/98­97  pela  1ª  Câmara  do  antigo  Conselho  de  Contribuintes,  tendo  o  Acórdão  recorrido  determinado  a  não  integração  ao  valor  aduaneiro  das  remunerações  pagas  pelos  concessionários, à detentora do uso da marca no País, relativas  aos  serviços contratados uma porque caracterizando operações  distintas  e  independentes  sem  guardar  vínculo  com  as  importações questionadas.  Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12466.000268/98­02  Acórdão n.º 9303­002.351  CSRF­T3  Fl. 1.395          5 Esse  posicionamento  da  decisão  contra  a  qual  se  insurge  a  Fazenda  Nacional  diz  respeito  à  determinação  do  valor  aduaneiro tendo essa mesma decisão se fundamentado no artigo  8º, § 1º, alínea “a”, inciso I, do AVA.  Argumentam que o despacho de admissibilidade nº 3100­064, fl.  1.147, onde o Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção deste CARF  deu seguimento ao Recurso Especial sustenta­se no  fato de que  “o acórdão paradigma, analisando matéria fática idêntica, fixou  exegese oposta à que constou do recorrido: as parcelas pagas a  intermediário da exportadora estabelecido no País teriam, à luz  do AVA – GATT, características que obrigariam o seu cômputo  no Valor Aduaneiro e conclui o examinador da admissibilidade  que  “deveria  assim  ser  adicionada  ao  valor  aduaneiro,  por  se  enquadrar  no  art.  8º,  inciso  I,  alínea  “d”,  c/c  art.  1º,  “c”  do  AVA,  correspondendo  a  resultado  de  revenda,  subsequente  das  mercadorias importadas, que reverte direta ou indiretamente ao  exportador ou aos direitos de licença previstos no art. 8º, inciso  I, alínea “c”.  Insere afirmativa no sentido de que a tese adotada pelo acórdão  paradigma contraposto ao recorrido foi superada pela E. CSRF  – 3ª Turma no julgamento dos recursos referentes aos processos  12466.001106/9838, 12466.000255/97­71 e 12466.000973/97­75  (fl.  1.204)  e  comprova  a  existência  de  contrariedade  à  tese  do  paradigma por via do acórdão 9303­00.208 proferido na sessão  de  15.09.2009  no  primeiro  processo  mencionado  neste  parágrafo, no sentido de que não integram o valor aduaneiro as  remunerações  referidas  supostamente  com  base  no  art.  8º  do  AVA.  Transcreve  da  ementa  do  acórdão  desta CSRF  que  contraria  a  tese,  verbis,  formalizado em 22.10.2009:  “Para  efeito  dos  art.  8º,  alíneas  “c”  e  “d”,  do  Acordo  de  Valoração  Aduaneira,  promulgado  pelo  Decreto  nº92.930/86,  bem como da Ata Final que incorpora os Resultados da Rodada  Uruguai  de  Negociações  Comerciais  Multilaterais  do  GATT,  promulgada  pelo  Decreto  1.355  de  30.12.94,  não  integram  o  valor  aduaneiro  as  parcelas  pagas  pelos  Concessionários  à  Detentora do Uso da Marca estrangeira no País pelos serviços  efetivamente  contratados  e  prestados  às  custas  deles  no  Brasil...Inteligência  das  interpretações  dadas  pelas  Decisões  Cosito  nºs  14  e  15/97...Área  de  interesse  do  valor  aduaneiro  é  somente a operação de importação e exportação.”  Registra ainda que na data em que foi interposto este Especial, 07.01.2010, o  Acórdão  cujo  trecho  está  acima  transcrito  já  havia  sido  formalizado,  remetido  a PGFN para  ciência em 11.11.2009 e a Alfândega de Vitória do Espírito Santo em 03.12.2009.  Ultima  suas  razões  quanto  a  preliminar  arguindo  a  impossibilidade  de  admissão deste Especial vez que, o paradigma de divergência não se constitui em instrumento  hábil,  conforme  preleciona  o  art.  67,  §  10,  do  RICARF,  que  determina  a  inutilidade  de  Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     6 paradigma  cuja  tese,  na  data  da  interposição  do  recurso,  já  tiver  sido  superada  pela  CSRF,  independentemente da reforma específica do paradigma indicado.  No mérito,  transcreve partes dos contratos (fl. 1.206) que regem as relações  jurídicas entre a MMCB e COIMEX.  Argumenta, com veemência, que ao contrário do exposto no Recurso as notas  fiscais  emitidas  pela  COIMEX  contra  os  concessionários  não  agregam  valores  destinados  a  MMC Automotores  do  Brasil  Ltda.  sendo  esta  mesma MMC  que  emitia  esses  documentos  fiscais  contra  os  concessionários  para  fazer  jus  às  remunerações  por  ela  percebidas,  na  conformidade do Contrato de Prestação de Serviços, cláusulas primeira e  segunda,  transcrito  acima.  Destaca na fl. 1.207 que o a inaplicabilidade dos dispositivos 1, “a” e “i”, 1,  “c”  e  1  “d”  constantes  do  art.  8º  do AVA  em  razão  de  que  as  remunerações  recebidas  dos  concessionários pela MMC não têm as características das verbas neles descritas e ainda que o  acórdão recorrido resolveu a questão no sentido da não aplicabilidade de ajuste baseado no art.  8º, 1, “a“, “i”, não tendo analisado a incidência ou não das alíneas “c” e “d” do mesmo artigo,  face à flagrante nulidade da decisão de primeira instância.  Esclarece  que  a  remuneração  da MMCB  não  desfruta  da  característica  de  comissão  de  venda  porque,  isto  sim,  representa  contrapartida  pela  prestação  de  serviços  da  MMCB, no Brasil, aos concessionários, não se confundindo com agenciamento de compras ou  de vendas já que a MMCB é apenas distribuidor da MMC na conformidade das cláusulas 2 e 3  do contrato de distribuição.  Transcreve  na  fl.  1.208  Nota  Explicativa  2.1  (v.  IN  SRF  17/98)  intitulada  COMISSÕES E CORRETAGENS NO CONTEXTO DO ARTIGO 8 DO ACORDO, verbis:  2.  As  comissões  e  as  corretagens  são  remunerações  pagas  a  intermediários  por  sua  participação  na  conclusão  de  um  contrato de venda.  Ao  analisar  essa  Nota  Explicativa,  inclusive  seus  itens  4,  5  e  7,  registra  chegar  à  conclusão  que  a MMCB não  desempenha atividades  nela  caracterizadas  e  por  isto,  não recebe dos concessionários remuneração que possa ser confundida com as definições nela  contidas.  Chama a baila, a Decisão COSIT nº 14/97 em solução de consulta formulada  pela Confederação Nacional do Comércio, com fundamento no art. 2º do Decreto nº 37/66, fl.  1.209, verbis:  “1.­ Os  valores  pagos  pelas Concessionárias  às Detentoras  de  Uso da Marca no País, pelos serviços, efetivamente contratados  e  prestados  no  Brasil,  a  título  de  “divulgação  de  marca  no  país”. “treinamento de pessoal”, etc, não constituirão acréscimo  ao valor aduaneiro da mercadoria, para fins de cálculo do II.”  Rebate item a item a inaplicabilidade do art. 8º do AVA.  Finalmente  destaca  que  inexiste  no  contrato  de  distribuição  qualquer  disposição  pela  qual  a  MMC  atribua  à  MMCB  a  incumbência de receber recursos dos concessionários, a título de  autorização  pelo  uso  da  marca  e  reembolso  de  despesas  de  propaganda,  treinamento de  pessoal  e  assistência  técnica  e,  de  Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12466.000268/98­02  Acórdão n.º 9303­002.351  CSRF­T3  Fl. 1.396          7 igual modo, que atribua à MMCB a incumbência de, em seguida,  aplicar  esses  recursos  no  fortalecimento  ou  valorização  da  marca em benefício da MMC.  Dos  auto  não  consta,  segundo  as  Recorridas,  comprovação  de  vinculação  entre  MMC  e  MMCB  em  razão  da  inexistência  de  vínculo  societário ou de  subordinação entre ambas,  inexistindo  igualmente comprovação de exigência do exportador para com a  MMCB,  COIMEX  ou  concessionários  de  pagamento  de  “royalties”  ou  direito  de  licença  como  condição  de  venda/exportação do produtos para o Brasil.  É o relatório.    Voto Vencido  Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator (voto  vencido quanto ao conhecimento)  Examino  primeiramente  as  articulações  destinadas  a  preliminar  de  inadmissibilidade levadas a efeito pelas Recorridas.  Confirmo  em  sua  plenitude  os  argumentos  estendidos  nas  Contrarrazões  acerca  da  suplantação  da  tese  adotada  no  Acórdão  paradigma  de  nº  301­30.602,  já  que  em  sessão de 15.09.2009, no processo 12466.001106/98­38, contrariamente à tese por ele adotada,  esta  CSRF  prolatou  o  Acórdão  nº  9303­00.208,  formalizado  em  22.10.2009,  onde  restou  pacificado o afastamento do ajuste pretendido cuja transcrição da ementa encontra­se presente  no Relatório.   Indubitavelmente,  a  decisão  desta  CSRF  que  remanesce  no  processo  12466.001106/98­38  afasta  concludentemente  da  composição  do  valor  aduaneiro  as  parcelas  pagas pelos Concessionários à Detentora do Uso da Marca estrangeira no País pelos serviços  efetivamente contratados e prestados às custas deles, no Brasil tudo com base no que emanam  as Decisões Cosit de nºs 14 e 15/97.  Assim,  com  base  no  art.  67,  §  10,  e  após  comprovação  de  que  na  data  de  07.01.2010,  correspondente  a  interposição  do  presente  Recurso,  a  matéria  se  encontrava  superada por esta CSRF, inutilizando o paradigma apresentado.  Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do Recurso.  Em razão do inacatamento da preliminar por este Colegiado, passo ao exame  do mérito.  O Auto de Infração na fl. 8 destes autos refere­se ao artigo 8º, 1º, “a” e “i” do  AVA,  entendendo  pela  inclusão  de  ajustes  no  lançamento  a  título  de  comissão  pelo  uso  da  marca.  Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     8 Já  de  todos  sabido,  pelas  extenuantes  considerações  deste  Relator  que  o  objetivo da exigência fiscal busca agregar valor aduaneiro, além do declarado pelo importador,  a  título  de  remuneração  pela  autorização  do  uso  da  marca  e  pelos  serviços  de  assistência  técnica, e também a título de reembolso de despesas com promoção publicitária.  É  certo  que  as  relações  jurídicas  entre  as  empresas  MMCB,  MMC  e  COIMEX, estão formalizadas em contratos cujos objetos estão transcritos na fl. 1.206.  Um deles, o Contrato de Distribuição, firmado entre o fabricante exportador  MMC do Japão e MMC Automotores do Brasil cuja tradução vai as  fls. 453/479 soleniza na  sua  cláusula  13  intitulada  Propaganda,  que  transfere  ao  importador  o  ônus  da  promoção,  divulgação e proteção da marca no mercado nacional.  Claro fica portanto,  tratar­se de remuneração por prestação de serviços que,  por  sinal,  foram  realizadas  após  as  importações,  não  guardando  relação  alguma  com os  atos  exigidos por elas.(fl. 1.167).  Deste  o  universo,  além  dos  artigos  87,  220,  499  e  542  do  Regulamento  Aduaneiro quanto ao II e artigos 29, 55, 63 e 112 do RIPI (mesmo sem autuação quanto ao IPI)  foi  pinçado  pela  fiscalização,  vocacionada  pela  existência  de  comissões,  também,  o  §  1º,  alíneas “a” e “i” do art. 8º do AVA, fl. 7, que reverberam:  “1.­  Na  determinação  do  valor  aduaneiro,  segundo  as  disposições  do  art.1º,  deverão  ser  acrescentados  ao  preço  efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas:  os seguintes elementos, na medida em que sejam suportados pelo  comprador  mas  não  estejam  incluídos  no  preço  efetivamente  pago ou a pagar pelas mercadorias;  “i”  comissões  e  corretagens,  excetuadas  as  comissões  de  compra;  Assim,  necessário  deslindar  se  as  remunerações  que  de  fato  foram  pagas  pelas  concessionárias  a  MMC  Atomotores  do  Brasil  Ltda.  a  título  de  uso  da  marca,  se  enquadram nesses ditames normativos.  É evidente e de todos sabido que a base para o estabelecimento da valoração  aduaneira é o valor da transação e, me parece que no caso presente, os montantes pagos pelas  concessionárias Mitsubishi aos detentores do uso da marca não devem nela serem incluídos em  razão de não estarem presentes nos atos de importação não fazendo portanto parte integrante do  valor da transação. Destaco que o documento fiscal que lastreia a cobrança dos serviços postos  à disposição dos concessionários é emitido pela MMCB com inserções em suas notas  fiscais  das  características  dos  serviços  prestados,  em  nenhum momento  transitando  pela  COIMEX  conforme menciona o nobre Conselheiro Júlio César Alves Ramos no voto vencedor prolatado  no processo 12466.000155/98­16, Acórdão nº9303­002­105.  Na fl. 1.208 Nota Explicativa 2.1 (v. IN SRF 17/98) intitulada COMISSÕES  E CORRETAGENS NO CONTEXTO DO ARTIGO 8 DO ACORDO, verbis:  2.  As  comissões  e  as  corretagens  são  remunerações  pagas  a  intermediários  por  sua  participação  na  conclusão  de  um  contrato de venda.  Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12466.000268/98­02  Acórdão n.º 9303­002.351  CSRF­T3  Fl. 1.397          9 É evidente que quando da ocorrência de desforços mercantis para a conclusão  de  um  contrato  de  venda  de  produtos  importados,  caracterizar­se­á  legalmente  a  adoção  do  ajuste  por  tratar­se  de  atuação  complementar  do  preço  de  transação,  enquadrando­se  tipicamente aos ditames do art. 8º do AVA.  Porém, a MMCB não está na relação comercial dotada desta finalidade, a ela  cabendo, exclusivamente, a prestação de serviços após a celebração dos contratos de venda.  Colho,  por  oportuno,  entendimento  do  Relator  do  Voto  Vencedor  antes  mencionado, lastreado em transcrição da IN SRF 327/03, II, art. 10 que define:  vendedor, a pessoa que, em decorrência da transação comercial,  transfere  ao  comprador  a  propriedade  da  mercadoria  que  lhe  pertence  e  se  compromete  a  entregá­la  conforme  termos  e  condições acordados, mesmo que se utilize de terceiro, nos casos  admitidos  pela  legislação  de  regência,  para  honrar  essa  obrigação ou promover o despacho aduaneiro de exportação.  Concluo  afirmando  que  a  parcela  buscada  no  lançamento  não  deve  ser  incluída em forma de ajuste no dimensionamento da valoração aduaneira no caso destes autos,  em razão de não ter natureza jurídica para tanto como restou demonstrado e, fundamentalmente  porque não diz ela respeito a formação do preço de transação vez que completamente ausente  dos atos necessários à importação.  Voto por negar provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional.    Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva    Voto Vencedor  Conselheiro  Júlio  César  Alves  Ramos  (voto  vencedor  quanto  ao  conhecimento)  Divergiu o colegiado, por maioria, do ilustrado voto do relator no tocante ao  conhecimento do recurso.  Para o dr. Maurício, o fato de ter havido recente julgamento por esta Câmara  Superior na  linha pretendida pela  empresa  levaria à  aplicação do § 10 do  art.  67 do vigente  regimento interno; para a maioria, se passa o contrário.  É  que  o  dito  dispositivo  regimental  obriga  ao  reconhecimento  de  que  dada  tese submetida em recurso especial já tenha sido "superada" pelo colegiado. Confira­se:  Art.  67.  Compete  à  CSRF,  por  suas  turmas,  julgar  recurso  especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente  da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria  CSRF.  Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     10 (...)  § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso,  já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente  da reforma específica do paradigma indicado.  Para a maioria do colegiado, a superação da tese não se dá  por um único  julgamento  contrário, mormente quando o  resultado possa  indicar haver  ainda alguma divisão de opiniões.  No caso concreto, havia dois julgamentos favoráveis à tese  da empresa mas em ambos alguns dos membros do colegiado deixaram registrado que  não  estavam  necessariamente  encampando­a.  É  que  faltaram,  no  entender  deles,  documentos  que  pudessem  apoiar  a  tese  da  fiscalização,  caso  em  que  votariam  diferentemente.  Ratificou­se,  com  isso,  o  posicionamento  de  que  a  "superação da tese" requer a perfeita identificação da (ampla) maioria dos membros do  colegiado  com  a  posição  defendida  pelo  recorrente,  identificação  essa  que  se  consubstancia quando vários julgados a ratificam por ampla maioria e sem ressalvas.  Nesses  termos,  conheceu  o  colegiado  do  recurso  da  Fazenda.  Conselheiro  Júlio  César  Alves  Ramos  ­  Redator  designado               Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - 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