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Numero do processo: 10675.720104/2007-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ITR. ISENÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE
Para fins de exclusão da área tributável, a área de preservação permanente (APP) e a área de reserva legal (ARL) do imóvel rural devem ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), em relação a fatos geradores ocorridos após o exercício de 2000.
No presente caso, a APP e a ARL não foram informadas em ADA, motivo da manutenção do lançamento.
Numero da decisão: 9202-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Júnior Relator
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Redator-Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ISENÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE Para fins de exclusão da área tributável, a área de preservação permanente (APP) e a área de reserva legal (ARL) do imóvel rural devem ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), em relação a fatos geradores ocorridos após o exercício de 2000. No presente caso, a APP e a ARL não foram informadas em ADA, motivo da manutenção do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 01 04 /2 00 7- 30 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior – Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – RedatorDesignado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.720104/200730 Acórdão n.º 9202002.975 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório A Segunda Turma Ordinária da Primeira da Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF julgou o recurso voluntário n 344.372, interposto pelo contribuinte Alaor Ribeiro de Paiva, de cujo acórdão se transcreve a ementa na parte questionada: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário, condição especial para proteção da área de reserva legal. ITR. REQUISITOS DE ISENÇÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. ADA EXTEMPORÂNEO. A apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal de isenção de áreas no cálculo do Imposto Territorial Rural (ITR). [...]Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão foi assim redigida: ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para considerar as áreas de 137,79 ha e 507,35 ha de preservação permanente e de utilização limitada, respectivamente, vencido o Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho (Relator) que deferia a área de preservação permanente, porém somente reconhecia A Fazenda Nacional inconformada com o decidido no Acórdão recorrido interpôs Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro nos artigos 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, visando a revisão do julgado. Formalizado o acórdão n 210200.874 (fls. 367 a 371, verso), insurgese a Procuradoria da Fazenda Nacional contra a decisão, com a interposição do Recurso Especial (fls. 374 a 387), dentro da quinzena legal, questionando a ausência de apresentação tempestiva do ADA e a necessidade de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis, analisados a seguir. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 1. Ausência de apresentação tempestiva do ADA nessa questão, para contrapor a decisão, a recorrente apresenta como paradigmas os Acórdãos n 30134352 e n 30239144, cujas ementas estão transcritas abaixo: Acórdão de n° 30134.352 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2001 ITR EXERCÍCIO 2001. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de utilização limitada, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente essa obrigação (art. 17O da Lei nº 6.938/81, na redação do art. 1º da Lei nº 10.165/2000). Recurso Voluntário Negado Acórdão de n° 30239.144 (parcial) Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2001. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL — ADA. A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo de requerimento daquele Ato, junto ao IBAMA, em tempo hábil), por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000. [...]ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE OU ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA – COMPROVAÇÃO. Para que as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental – ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. [...]Recurso Voluntário Negado. 2. Averbação a margem da matrícula do imóvel para contestar essa questão, o recorrente traz como paradigma o Acórdão n 30130.475: ÁREA DE RESERVA LEGAL. A área do imóvel definida como de reserva legal só poderá ser considerada isenta se a averbação tiver ocorrido na data da ocorrência do fato gerador do ITR/97, e não em data posterior. Negado provimento por unanimidade Fl. 484DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.720104/200730 Acórdão n.º 9202002.975 CSRFT2 Fl. 4 5 Instado a se manifestar, o i. Presidente da 1 Câmara desta Seção resolveu dar seguimento parcial ao Recurso Especial interposto pelos seguintes motivos [fls. 390 e ss]: De fato, as interpretações são divergentes. No recorrido, entendese que a “apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal de isenção de áreas no cálculo do Imposto Territorial Rural”. Nos paradigmas, que é obrigatória a entrega do ADA. O acórdão nº 30239.144 ainda frisa que as áreas devem reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante ADA ou requerimento, obtido ou protocolizado no prazo de seis meses contados da data da entrega da DITR. [...] Nesse aspecto não há divergência a ser apurada, já que no acórdão recorrido acatouse o laudo técnico para fins de delimitação da área de reserva legal, posição mantida no voto vencido e no voto vencedor, não havendo divergência em relação à tempestividade da averbação. A dispensabilidade da apresentação tempestiva do ADA, ou requerimento, como condição para o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR, foi o ponto central da divergência do voto vencedor. Nas palavras do conselheiro designado, “a motivação da glosa das áreas isentas, que culminou no lançamento, foi a extemporaneidade do ADA para: a (i) área de preservação permanente e (ii) a área de utilização limitada.” (fl. 370, verso)”. Assim, à vista dos elementos apresentados pela recorrente, não há como negar a existência do dissenso jurisprudencial quanto à apresentação do ADA para fruição do benefício fiscal do ITR. Ante o exposto, na forma dos arts. 67 e 68, do Anexo II, do RICARF, DOU SEGUIMENTO PARCIAL ao recurso especial interposto na parte em que questiona a necessidade de apresentação tempestiva de ADA para a dedução da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, mas não o admito na parte em que discute sobre a obrigatoriedade de averbação tempestiva da área de reserva legal na matrícula do imóvel, por não ter sido comprovada a divergência jurisprudencial nesse aspecto. Intimado do recurso, o Contribuinte quedouse inerte. É o relatório. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Primeiramente, há que ser declarada a tempestividade do Recurso Especial, tendo em vista sua interposição no prazo estabelecido pelo artigo 68, caput, do Regimento acima mencionado. Insurgese a Procuradoria da Fazenda Nacional contra a decisão, com a interposição do Recurso Especial (fls. 374 a 387), dentro da quinzena legal, questionando a Ausência de apresentação tempestiva do ADA para a exclusão da glosa em face da área de preservação permanente. Área de Preservação Permanente Em momento anterior à alteração promovida no artigo 17O da Lei n° 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam a obrigação relativa à apresentação do ADA. A ausência de amparo legal para a exigência do ADA, quanto a fatos ocorridos até o exercício 2000, deu origem ao Enunciado CARF n° 41, que tem o seguinte conteúdo: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No entanto, o caso em apreço está relacionado ao exercício 2002. A Súmula, então, é inaplicável à espécie. Para fatos ocorridos a partir do exercício 2001, inclusive, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) § 1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) Embora este texto pareça demonstrar que a legislação é taxativa ao exigir a protocolização tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, sob minha ótica, não se pode olvidar que a apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma Fl. 486DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.720104/200730 Acórdão n.º 9202002.975 CSRFT2 Fl. 5 7 vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali contidas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que têm algum interesse ecológico. Segundo penso, com o advento de tal regra, o ADA apresentado tempestivamente tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra o protocolo tempestivo do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo do ITR. Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, na página do IBAMA na internet (www.ibama.gov.br), nos “Serviços Online”, na parte relativa ao “Ato Declaratório Ambiental – ADA”, no link “Respostas às Perguntas mais Freqüentes sobre o ADA”, em resposta à pergunta n° 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), consta a possibilidade de apresentação dos seguintes documentos para tal finalidade: ● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Fl. 487DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Portanto, a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine a área de interesse ambiental. No caso em análise, o contribuinte apresentou com o Recurso Voluntário, de fls. 265 a 213, tendo juntado ADA extemporâneo e laudo técnico. DISPOSITIVO Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 488DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.720104/200730 Acórdão n.º 9202002.975 CSRFT2 Fl. 6 9 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito ao nobre Relator, divirjo de sua conclusão sobre a dedução da base de cálculo do ITR da área de preservação permanente (APP) e de reserva legal (ARL). Em nosso entender, a legislação determina requisitos para que os contribuintes obtenham o benefício fiscal da isenção de ITR para as APP e ARL e existência de laudo não é capaz de suprir um desses requisitos, que é a correta apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA). Primeiramente, antes de nossa análise, cabe ressaltar a importância do Ato Declaratório Ambiental (ADA). O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui como função cadastramento as áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Com essa declaração aos órgãos responsáveis, e pela busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Cabe esclarecer que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essa benesse estatal, isenção, buscase, portanto, uma conduta dos contribuintes. No caso, o objetivo é a preservação das áreas declaradas, pela fiscalização dessas áreas, que é possível pela informação constante em ADA. Buscase, portanto, estimular a preservação e proteção da flora e das florestas e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e melhor qualidade de vida. Feito o ressalte, cabe analisarmos, no caso em questão, se o contribuinte agiu conforme a legislação. O lançamento referese ao ano de 2003 e nos autos não encontramos ADA entregue ao IBAMA. Na análise dos autos, é nosso dever verificar se a exigência está em consonância com o que determina a legislação sobre a matéria. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 Portanto, cabe a este colegiado decidir sobre a causa, aplicando o direito à espécie. Na legislação está expressa a determinação para a entrega do ADA. Lei 6.938/1981: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1o A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Esclarecemos, também, que a exigência de entrega do ADA não foi alterada pela mudança da Lei 9.393/1996, incluída pela Medida Provisória (MP) 2.16667, de 2001: Lei 9393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. ... § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. De forma clara a legislação afirma que a declaração (ADA) para fim de isenção do ITR não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante. Ou seja, o declarante deve informar o que conceitua como correto, sem prévia comprovação da sua parte, cabendo aos órgãos da administração pública solicitarem, ou não, a posterior comprovação do que foi declarado. Não se deve confundir prévia comprovação do declarado com entrega de declaração, que são dois atos totalmente distintos. O Decreto regulamentador do ITR também possui determinação nesse sentido. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.720104/200730 Acórdão n.º 9202002.975 CSRFT2 Fl. 7 11 Decreto 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II II de reserva legaL; ... § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e Portanto, como o ADA não foi apresentado com dados sobre a APP e a ARL, correto está o lançamento e deve ser dado provimento ao recurso, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 491DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 08/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10821.000034/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2102-002.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 25/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 25/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 00 00 34 /2 00 9- 31 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10821.000034/200931 Acórdão n.º 2102002.792 S2C1T2 Fl. 85 2 Relatório Contra CARLOS PURÍSSIMO foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 31/39, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2004, exercícios 2005, no valor total de R$ 27.542,03, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/01/2009. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram: dedução indevida de dependentes (R$ 5.088,00), dedução indevida de despesas médicas (R$ 3.082,25), dedução indevida de previdência privada e Fapi (R$ 1.262,45), dedução indevida de despesas com instrução (R$ 1.998,00), dedução indevida de pensão alimentícia judicial (R$ 29.043,95) e omissão de rendimentos recebidos da Fundação Petrobras de Seguridade Social Petros, no valor de R$ 4.580,41. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 02/03, que foi considerada procedente em parte, para restabelecer a dedução com dependentes (R$ 2.544,00), a dedução de despesas médicas (R$ 1.902,03) e a dedução de previdência privada (R$ 1.262,45), conforme Acórdão DRJ/SP2 nº 1754.620, de 18/10/2011, fls. 40/50. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 09/11/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 54, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 70/71, em 12/12/2011, no qual afirma, em síntese, que a omissão de rendimentos se deu por erro de soma, não existindo o intuito de sonegar e que solicitou junto aos Fóruns de Jabaquara/SP e São Sebastião/SP certidões de Objeto e Pé que comprovem a sentença e homologação das pensões judiciais. É o Relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10821.000034/200931 Acórdão n.º 2102002.792 S2C1T2 Fl. 86 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Como se colhe dos autos, o contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 09/11/2011, conforme Aviso de Recebimento (AR), fls. 54. Já o recurso foi apresentado em 12/12/2011, conforme consta em despacho da autoridade preparadora, fls. 83. Temse, portanto, que o recurso foi apresentado depois de já ultrapassado o prazo de 30 dias do recebimento da decisão de primeira instância. Nesse sentido, é forçoso concluir pela intempestividade do recurso, o que torna definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do art. 42, I do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I – de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por perempto. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 86DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000193/2008-92
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalins Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalins – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório. Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2a Turma da DRJ/BSA (Fls. 1077), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Em: 12/02/2008, encerrado o procedimento de fiscalização (verificações obrigatórias); foi lavrado o Auto de Infração, do IRRF, quanto a fatos geradores dó ano calendário 2003, cujo credito RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 19 3/ 20 08 -9 2 Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 14041.000193/200892 Resolução nº 2801000.278 S2TE01 Fl. 1.589 2 tributário perfaz o montante de RS 1,093.509,85, assim discriminado (fl. 224): EXAÇÃO FISCAL ANO CAL PRINCIPAL (R$) JUROS DE MORA (calculados até 31/01/2008) MULTA DE OFÍCIO 75% TOTAL IRRF (fls.224/257) 2003 455.112,58 297.063,11 341.334,16 1.093.509,85 Infração imputada: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE APURAÇÃO SEMANAL DIFERENÇA APURADA. ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. DCTF RETIFICADORAS APRESENTADAS SEM DÉBITO DO IMPOSTO, COM VALORES ZERADOS. Quanto à descrição dos fatos, consta do Auto de Infração na fl. 225, verbis: (...) Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declaradas e os valores escriturados conforme Verificação fiscal... A propósito, consta do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, a seguinte descrição dos fatos (fls. 258/259), verbis:. (...) No dia 20/08/2007 o fiscalizado compareceu à Receita Federal, apresentou os recibos de entrega de Dctf original (fls. 077 a 82) e afirmou que durante os anos de 2003 2005 a empresa enfrentou embates societários e que não tinha conhecimento das retificadoras transmitidas. Menciona ter solicitado à Receita cópia das mesmas em 30 dias receberia as declarações (...). Em relação à DCTF o contribuinte afirma (fls. 089 a 166) não ter efetuado as retificações datadas de 29/11/2005 (...) Observasse que o documento apresentado em 22/08/2007 (fls. 082 a 084) o contribuinte menciona: "Reitera que não sabe dizer a razão da divergência indicada no termo de intimação acredita deva decorrer do embate societário que viveu a empresa a partir falecimento do Sr. António Venâncio da Silva. Este embate se delineou nos autos do processo de inventário e também nós corredores da empresa, com contadores funcionários trabalhando para grupos de pessoas que divergiam, entre si, .o que ocasionou . grandes perdas financeiras para a empresa, além de inequívocas conturbações no plano contábil e fiscal " Em 01/11/2007 como resposta a ama intimação o contribuinte declara (fls. 173 a "Como não houvesse consenso entre os herdeiros, as contendas diárias t, funcionários e estes è até mesmo com os clientes Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 14041.000193/200892 Resolução nº 2801000.278 S2TE01 Fl. 1.590 3 eram constantes, com ausência completo de direcionamento da empresa, e vários tumultos relacionados a pagamentos, registros: documentos, dados, que levaram a empresa a sua quase derrocada, o acordo ultimado em idos de 2005, também já entregue a esta fiscalização " (...) Como não há débitos declaradas em DCTF e as justificativas não foram convincentes lavramos o auto considerando os valores apurados na escrituração contábil (fls. 209 e 217 a 221). As contas contábeis (passivo) utilizadas como base para o auto foram as seguintes: IRRF Salários, • 1RRF Pessoa Física, IRRF Juros Remuneratórios, IRRF Pessoa Jurídica e IRRFs/Rendimentos. Abaixo a relação dos lançamentos (...). Fundamentos legais: CTN Lei n° 5.172, art. 149; RIR/99, arts. 841, 717, 726 e 865. O sujeito passivo tomou ciência do Auto de Infração (fls. 224/257) e do Termo de Verificação Fiscal (fls. 258/267), por via postal, em 18/02/2008, conforme cópia do Aviso de Recebimento AR na fl. 268, e apresentou impugnação fiscal em 19/03/2008 nas fls. 270/284, juntando, ainda, os documentos nas fls. 285/500. Regularização da representação processual nas fls. 502/532. Consta, em síntese, da impugnação fiscal: 1) Preliminar de nulidade do lançamento fiscal: que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF autorizou, apenas, a fiscalização do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, não abarcando o IRRF que os autos do processo em comento referemse a auto de infração do IRRF, o que denuncia exacerbação da fiscalização, ou seja, violação dos princípios da legalidade e da vinculação ao MPF; que o AuditorFiscal que lavrou o auto de infração do IRRF não tinha competência para isso, pois extrapolou o disposto no MPF, o qual não autorizou a extensão da fiscalização para o IRRF; que o AuditorFiscal para exercitar sua competência depende de ordem específica de seu superior (Delegado) e da emissão do MPF (Portaria MF 95/2007 e Portaria RFB nº 11.371/2007); que, em suma, estaria caracterizado flagrante vício insanável de nulidade do lançamento fiscal, por falta de competência da autoridade lançadora, nos termos do inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 2) Decadência parcial: que ex vi do art. 150, § 4º, do CTN, o crédito tributário relativo aos fatos geradores do IRRF de 01/01/2003 a 17/02/2003 já estaria decaído, quando tomou ciência do lançamento fiscal em 18/02/2008; invoca e transcreve, ainda em relação à caducidade suscitada, ementas de decisões do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. 3) Pagamentos não considerados; que a fiscalização formalizou o auto de infração sem as competentes investigações preliminares; que a fiscalização deixou de considerar pagamentos do IRRF efetuados antes Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 14041.000193/200892 Resolução nº 2801000.278 S2TE01 Fl. 1.591 4 do início do procedimento fiscal relativo ao anocalendário 2003 conforme cópias dos DARF nas fls. 294/482; que esses pagamentos/recolhimentos demonstram que o lançamento fiscal do IRRF formalizado está inadequado, na medida que apresenta base de cálculo distorcida desse imposto. O sujeito passivo pede que — se não for reconhecida a nulidade que se proceda a adequação dá base de cálculo aos limites legais. 4) Juros sobre o capital próprio: que relativo à conta contábil 2.1.1.02.021 IRRF Juros Remuneratórios , urge os seguintes esclarecimentos: a) que a conta contábil indica retenção do IRRF sobre juros sobre o capital próprio; b) que no caso não teria havido o pagamento de juros sobre o capital próprio aos quotistas da empresa, pois a empresa na época estaria vivendo um embate societário em decorrência do inventário do Sr. Antônio Venâncio da Silva (fls. 484/488) e que, em decorrência disso, todas as decisões do Grupo Venâncio que se subordinam a Assembléia Geral foram relegadas para o término do processo, ante a incerteza da destinação do capital. Juntou, ainda, cópia do Instrumento Particular de Alteração de Contrato Social da Antonio Venâncio da Silva & Cia Ltda, de 16/12/2003 (fls. 490/500); que embora o parágrafo único da Cláusula Vigésima Primeira dessa alteração contratual possibilite o pagamento de juros sobre o capital próprio, é certo, também, que condiciona a aprovação desse pagamento pela maioria dos votos dos quotistas; que deliberação nesse sentido inexistiu; que sendo assim — o registro em conta contábil de "Juros sobre o capital próprio" ou "IRRF Juros Remuneratórios" é indevido, pois inexistiu pagamento dessa remuneração, nem autorização societária para tanto; que, por conseguinte, houve erro contábil, devendose cancelar os valores constantes da conta contábil IRRF Juros sobre Capital Próprio; que se não houve pagamento de juros, não há IRRF a ser pago ou exigido. 5) Multa de Ofício Inaplicabilidade: que consta do Termo de Verificação Fiscal que o lançamento tomou por base os valores apurados na escrituração contábil da contribuinte, ante a inexistência de declaração de débitos nas DCTF retificadoras, que foram apresentadas com os campos zerados (fls. 180 a 209 c 217 a 221); que tal afirmativa da fiscalização não corresponde a realidade dos fatos; que a empresa formalizou a entrega das DCTF do anocalendário 2003 com valores, débitos declarados; que entretanto – em 29/11/2005 surgiram, foram transmitidas eletronicamente, DCTF retificadoras com valores zerados; que tais DCTF retificadoras não possuem valor jurídico, uma vez que o responsável por tal preenchimento é pessoa desconhecida, alheia ao quadro de funcionários da empresa, fato que ensejou, inclusive, a formalização de abertura de inquérito policial, conforme informação prestada à RFB, correspondência protocolada em 20/09/2007 (fls. 290/293); que os valores exigidos do IRRF não correspondem apenas aos valores escriturados mas também aos valores informados nas DCTF primitivas; que* por isso, caberia à fiscalização nessa parte verificar a existência de pagamentos dos débitos do anocalendário 2003, antes do lançamento de ofício; que, de Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 14041.000193/200892 Resolução nº 2801000.278 S2TE01 Fl. 1.592 5 fato* se os débitos exigidos foram objeto das DCTF primitivas do ano calendário 2003, inaplicável a multa de ofício; que, no caso, no máximo é possível falar em falta de recolhimento de tributo devidamente apurado e declarado* o que enseja apenas e tãosomente a aplicação dê multa moratória no percentual de 20%. Há ainda invocação e transcrição de ementas1 de decisões do antigo Conselho de Contribuintes do MF; que, por conseguntge, pediu a redução da multa para o patamar de 20%. Por fim, o sujeito passivo pedido: a) que :seja apreciada a presente impugnação, afastando o lançamento fiscal em sua integralidade, seja em razão da nulidade suscitada ou pelos pagamentos demonstrados; b) que caso assim não se entenda requer seja declarada a decadência do direito de lançamento quanto aos fatos geradores até 17/02/2003, e para os demais fatos geradores que seja ajustada a base de cálculo, e cancelamento do 1RRF atinentes à conta contábil [RRF Juros Remuneratórios, e redução da multa para o patamar de 20%. Ainda, protesta pela juntada de outras provas documentais, caso eventualmente sejam obtidas ou encontradas (Lei 9.784/99, arts. 37 e 38). Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/BSA entendeu por bem julgar o lançamento procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: Ementa: PRELIMINAR PROCESSUAL DE NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO NA EXECUÇÃO DO MPF. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. PRELIMINAR REJEITADA. Para exações fiscais lançadas em procedimento de verificações obrigatórias, não há necessidade de especificar1 ou mencionar tio MPFF os tributos e contribuições objeto de fiscalização, pois a emissão do MPFF abarca, por si só, automaticamente, todos os tributos e contribuições administrados pela RFB, no lapso temporal dos último.s cinco anos e mais o período de execução do MPF. PRELIMINAR DE MÉRITO. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA PARCIAL DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CADUCIDADE NÃO CONFIGURADA. APLICAÇÃO DO ART. 173,1, CTN Não realizadas pela contribuinte as atividades de que trata o art. 150 do CTN, mormente inexistindo pagamento qualquer para o respectivo fato gerador, o termo de início do prazo decadencial de cinco anos para lançamento do débito em aberto do respectivo fato gerador é o primeiro dia.do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PAGAMENTOS EFETUADOS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO Em relação a determinados fatos geradores do imposto ocorridos até 17/02/2003 objeto do lançamento de ofício, cujos pagamentos Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 14041.000193/200892 Resolução nº 2801000.278 S2TE01 Fl. 1.593 6 comprovados nos autos foram efetuados antes do início do procedimento fiscal, afastase nessa parte o lançamento fiscal, para evitar duplicidade de exigência, pois o crédito tributário respectivo já fora extinto pelo pagamento, antes do início do procedimento de fiscalização. No que concerne a determinados fatos geradores do imposto ocorridos após 17/02/2003 objeto dos autos, cujos pagamentos comprovados nos autos foram efetuados antes do início do procedimento fiscal, mantém se o principal da exação fiscal e afastase a multa de oficio proporcionalmente ao valor do principal a ser quitado pela alocação/imputação do DARF, caso haja crédito disponível. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. IRRF NÃO RECOLHIDO. DEBITO MANTIDO NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL EM CONTA DO PASSIVO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO EM ABERTO. Não restando comprovado nos autos que os juros sobre o capital próprio não foram pagos aos quotistas, ou que a despesa a esse título inexistiu, procede a exigência do tributo, pois os fatos econômicos de relevância jurídicotributária registrados na escrituração contábil fazem prova tanto a favor, quanto contra, o contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. A falta de pagamento do tributo ou contribuição constatada cm procedimento de fiscalização impõe a exigência do principal da exação fiscal com aplicação da multa de ofício. A multa moratória aplicase apenas para pagamentos espontâneos após o prazo de vencimento, e antes do início de qualquer procedimento de fiscalização. PROTESTO PELA JUNTADA DE OUTRAS PROVAS DOCUMENTAIS. PRECLUSÃO ' DA FACULDADE PROCESSUAL. As provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação fiscal, sob pena de preclusão dessa faculdade processual. Não restando comprovado nos autos motivo de força maior de que trata o art. 16, § 4o, do Decreto n° 70.235/72 com redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532/97 , rejeitase o pedido de juntada de novos documentos nessa fase processual. Em 24 de setembro de 2009, o SECOJ/DRJ/BSB exarou o despacho n° 487/2009 (Fls. 1113), onde se verifica: Não foi possível atualizar o resultado do julgamento do Acórdão DRJ/BSB n° 0332.233 de 17/07/2009 no SIEF, do Relator NELSON K1CHEL, CPF 423.66283920, tendo em vista verificar a necessidade de alocação de pagamento feito pelo contribuinte, conforme cita o acórdão às fls. 552. Diante disto, proponho encaminhar o processo à DRF/Brasília para que sejam tomadas as providências necessárias e informar o resultado do julgamento no sistema. Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 14041.000193/200892 Resolução nº 2801000.278 S2TE01 Fl. 1.594 7 Cientificado em 03/11/2009 (Fls. 1441), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 19/11/2009 ( Fls. 1451 a 1475), reforçando os argumentos apresentados quando da Impugnação. Em 30/11/2009 (Fls. 1477), ocorreu o encaminhamento do processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para apreciação. Em 01/03/2010, o Recorrente anexou petição (Fls. 1479 a 1481), informando e requerendo: .... sejam apartados do referido processo os débitos abaixo declinados, com as multas de ofício correspondentes , em relação aos quais o contribuinte promoveu adesão ao parcelamento instituído pela Lei n° 11.941/2009 . São eles: (...) Esclarece, a contribuinte , que tais débitos não foram objeto de recurso administrativo, pelo que já estão definitivamente constituídos , razão de sua inclusão no parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009 . Relativamente aos demais débitos constituídos no referido processo, ou já foram excluídos por decisão da 2ª Turma da DRJ / BSA (acórdão 03 32.233, de 17/07/2009) ou são Objeto de recurso voluntário ainda não apreciado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Por fim, promovida a referida separação, requer, nos termos do disposto no art. 1º da Lei n° 11.941/2009, seja de pronto homologado o pedido de parcelamento formalizado. Às Fls. 1535, verificase ainda que o Recorrente anexou novo documento ao processo, informando: ... vem elucidar à V. Sa., para os fins do disposto na Lei n° 11.94 1/2009, que os débitos imputados nestes autos, especificamse em 3 (três), distintas circunstâncias, as quais serão explanadas a seguir: 1. Débitos que já foram excluídos por decisão d a 2 a Turma da DRJ/BSA (acórdão 0332.233, de 17/07/2009) , e que, portanto, devem ser baixados nos sistemas da Receita e da Fazenda; 2. Demais débitos que são objeto de recurso voluntário, que ainda não foram apreciados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, tendo sua exigibilidade suspensa nos termos do artigo 151, inciso III do CTN; 3. E, os débitos que não foram objeto de recurso administrativo, restando assim definitivamente constituídos, razão pela qual há o pedido de adesão e inclusão no parcelamento previsto na forma da Lei supracitada. Estes últimos (item 3) são abaixo declinados, com as multas de ofício correspondentes. São eles: (...) Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 14041.000193/200892 Resolução nº 2801000.278 S2TE01 Fl. 1.595 8 Posto isto, requer, com acentuada urgência, o desmembramento referente às 3 (três) situações acima expostas, com remessa à repartição de origem, para que seja conferido o devido tratamento exigido por cada uma das circunstâncias especificadas. Com tais providências, na esteira do disposto no art. 1º da Lei n° 11.941/2009, aguarda a homologação do pedido de parcelamento formalizado, pata que, assim, não haja resistência quanto à obtenção da Certidão Positiva de Débitos com Efeito de Negativa. No rosto do mesmo documento o Sr. Caio Marcos Candido, Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF despachou indicando: De acordo. Remetase os autos à DRF em Brasília para providências, tendo em vista desistência parcial. Em 25 de agosto de 2010, a DRF/BSB/Dicat, emitiu o memorando n° 0779/2010 (fls. 1541) com o seguinte conteúdo: Solicitamos a devolução do processo administrativo n°14041 000193/2008927 do interessado ANTONIOVENÂNCIO DA SILVA, CNPJ n°00.320.523/000115 que se encontra nesse Conselho, conforme pesquisa no sistema COMPROT, para apartar os débitos que estão parcelados pela Lei 11.941/2009. Em 09/06/2011 (fls. 1549) o processo foi encaminhado à DRF Brasília. Em 28/06/2011 (Fls. 1585) a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília, encaminhou o processo ao Conselho Administrativo Recursos Fiscais para apreciação. Informa ainda o despacho: Informo que o contribuinte fez opção pelo parcelamento da Lei 11.941/09 e os débitos transferidos para o processo n° 11853.000554/201153. Em 16/04/2013 o processo foi encaminhado para novo sorteio na 1ª TE, tendo em vista o encerramento do mandato do Conselheiro Sandro Machado dos Reis, exRelator do processo (Fls.1587). Desta forma o processo foi distribuído a este Conselheiro. É o Relatório. Voto. Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Compulsando os autos, verifico que o lançamento trata de falta de recolhimento do IRRF. Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 14041.000193/200892 Resolução nº 2801000.278 S2TE01 Fl. 1.596 9 Para comprovar que o IRRF foi recolhido pela fonte pagadora, o recorrente junta aos autos cópia de DARF’S ou REDARF’S relativo a recolhimento de IRRF. Em seu recurso a contribuinte afirma que alguns pagamentos de IRRF não foram levados em conta pela decisão recorrida. Contudo, não se pode afirmar com certeza que houve o recolhimento alegado pela contribuinte. Portanto, face o acima exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, voto no sentido de converter o julgamento do processo em diligência para que a autoridade preparadora: Verifique se os pagamentos constantes dos autos e não levados em conta pela decisão recorrida, por não coincidirem com os dados dos débitos em litígio, estão disponíveis nos sistema, bem como se há a possibilidade de serem utilizados neste processo; Caso necessário, intimese a contribuinte para apresentar cópias de declarações, documentos ou outras informações; providencie relatório consubstanciado nas informações acima requeridas e, após, seja dada ciência à interessada para que, querendo, se manifeste sobre seu conteúdo e conclusões, em prazo adequado. A seguir, retornem os presentes autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para que seja concluído o julgamento. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE
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Numero do processo: 11020.901549/2012-43
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
null
Numero da decisão: 3802-002.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 15 49 /2 01 2- 43 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela primeira instância. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, nos quais não foi homologado seu pedido por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. A empresa contesta a decisão administrativa alegando, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação, por desvio de finalidade e por prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal. No mérito, afirma que foi desrespeitado o princípio da verdade material, bem como alega o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, bem como a inaplicabilidade da taxa Selic como juros de mora. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que não concorda pela não homologação por falta de direito creditório, bem como insiste que o despacho decisório deve ser anulado por estar sem motivação. E, pela não aplicação da multa, em face do princípio constitucional do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Assim como, a imputação dos juros moratórios seriam ilegais e inconstitucionais. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em razão de constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901549/201243 Acórdão n.º 3802002.794 S3TE02 Fl. 95 3 Antes de adentrar no mérito, inicialmente, em sede de preliminar, não assiste razão a recorrente em alegar que o Despacho Decisório deve ser anulado, já que o mesmo preenche todos os requisitos formais e materiais para a sua validade. O despacho decisório possui todos os elementos necessários para que a empresa possa se defender, não obstante, de forma sintética. Consta a base legal, a declaração de compensação enviada pela empresa, a data do envio, o crédito oposto pela empresa, oriundo de determinado pagamento apontado pela empresa na Dcomp, bem como o período de apuração a que se refere, assinado pela autoridade competente. No tocante à motivação/fundamentação pela não homologação da compensação há a indicação que os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp”. Enfim, o alegado pagamento indevido não fora compensado/restituído, pois já tinha sido usado para quitar outros débitos. Quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, no que diz respeito ao caráter confiscatório da multa de ofício, como alega a empresa; cabe observar que não foi aplicada a multa de ofício, e sim a multa de mora de 20% sobre os valores indevidamente compensados. Assim sendo, a multa de mora aplicada está correta sua exigência. Quanto à exigência de juros de mora, também está sendo efetuada na forma da lei, ao contrário do entendimento da empresa, pois o artigo 161 do Código Tributário Nacional determina: “ Artigo 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia prevista nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ( um por cento ) ao mês.” Foi editada a lei específica, a de Lei nº 9.065/95, que em seu artigo 13 previu que os débitos tributários junto à Fazenda Nacional, originados a partir 1° de abril de 1995, teriam seus juros de mora e correção segundo a taxa Selic: Art. 13. A partir de julho de abril de 1995, os juros de mora de que tratam a alínea “c” do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com redação dada pelo art. 6° da Lei 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei 8.981/1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Aplicado o disposto no artigo 61 da Lei 9.430/96, que trata da exigência de juros de mora à taxa Selic, ou seja, a exigência está prevista em normas legais em pleno vigor, não competindo a este julgador apreciar sua constitucionalidade, função reservada ao poder judiciário, como já comentado. Por fim, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC como fator de correção do débito da empresa, incide na hipótese a Súmula CARF n° 4, in verbis: Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Passando ao mérito, o cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. Para a verificação do direito creditório afirmado, a recorrente não traz ao processo nenhuma comprovação da efetividade do recolhimento e das bases de cálculo sobre as quais teriam sido realizados. Inclusive, apenas indica julgados e doutrinas sobre nulidades. Ocorre que nos sistemas da Receita Federal constam que os valores recolhidos já foram utilizados para quitar outros débitos e nada a recorrente contrapõe sobre isso, dessa forma, não há o que reconsiderar ou anular. Não procede a argumentação da recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, socorrendolhe o Princípio da Verdade Material, pois não se está diante de lançamento de ofício. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Assim sendo, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. Em razão dos motivos acima expostos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901549/201243 Acórdão n.º 3802002.794 S3TE02 Fl. 96 5 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720417/2012-02
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO TEMPORAL. NÃO CONHECIMENTO.
É de trinta dias o prazo para a interposição de recurso, contado da data da ciência da decisão. No presente caso, o contribuinte apresentou sua peça recursal fora do prazo previsto na legislação previdenciária, fato que impede seu conhecimento dado à preclusão operada.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-003.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Léo Meirelles do Amaral e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO TEMPORAL. NÃO CONHECIMENTO. É de trinta dias o prazo para a interposição de recurso, contado da data da ciência da decisão. No presente caso, o contribuinte apresentou sua peça recursal fora do prazo previsto na legislação previdenciária, fato que impede seu conhecimento dado à preclusão operada. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Léo Meirelles do Amaral e Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 04 17 /2 01 2- 02 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15540.720417/201202 Acórdão n.º 2803003.174 S2TE03 Fl. 545 2 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte AMBIEN INDÚSTRIA LTDA. em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), que, por unanimidade de votos, negou provimento à impugnação mantendo o crédito tributário exigido. 2. Na espécie, após procedimento fiscal, lavrouse o Auto de Infração n° 51.004.4603, por ter a contribuinte apresentado a declaração a que se refere a Lei n° 8.212, de 24/07/91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/97 e redação da MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com informações incorretas ou omissas. 3. De acordo com o relário fiscal (fls. 06/09), a autuação fundouse no fato de que, para as competências 01 a 11/2008, a contribuinte deixou de declarar diversos segurados em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, entregues na vigência da MP 449/2008. Tal fato foi constatado em confronto com a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2008. 4. O cálculo da multa aplicado encontrase detalhado no item 3 do relatório fiscal (fls. 07). 5. A contribuinte foi intimada da constituição do crédito tributário em 13/12/2012 (fls. 03) e, por não se conformar, apresentou impugnação (fls. 145/149) ao lançamento fiscal. 6. Por sua vez, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), ao julgar a impugnação rejeitou os argumentos apresentados pela contribuinte, proferiu acórdão lavrado com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” 7. A contribuinte foi intimada da referida decisão em 19.08.2013, conforme fazem prova os AR’s da ECT de fls. 535 e 537, tendo interposto o Recurso Voluntário de fls. 539/540, desacompanhado de documentos. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15540.720417/201202 Acórdão n.º 2803003.174 S2TE03 Fl. 546 3 8. Em suas razões recursais, a Recorrente argumenta que, ao contrário do que a DRFJ concluiu, os valores informados nas GFIP’s, quando não há dolo, devem ser considerados divergências que podem ser corrigidas. 9. Em relação à multa por falta de GFIP, entende que deve ser seguido o que dispõe o Código Tributário Nacional sobre retroatividade benéfica ao contribuinte, ainda que os fatos a que se refiram sejam anteriores à vigência da Lei nº. 11.941/09. 10. Requer, ademais, a redução pela metade da multa quando a entrega das GFIP’s em atraso acontece antes do envio de ofício pelo Fisco e em 25% quando o prazo do ofício é obedecido. 11. Ao final, postula o acolhimento de seu recurso e, no mérito, o cancelamento do débito fiscal. 12. Não tendo havido contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos foram remetidos a este Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15540.720417/201202 Acórdão n.º 2803003.174 S2TE03 Fl. 547 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. A tempestividade constitui requisito indispensável à admissibilidade do recurso voluntário. 2. Nesse sentido, em que pese o Despacho de Encaminhamento de fls. 542, o qual informa que o contribuinte fora cientificado do acórdão da primeira instância em 20.08.2013, em detida análise dos autos, constato que a ciência do contribuinte se deu no dia 19.08.2013, conforme fazem prova os AR’s da ECT de fls. 535 e 537. 3. O prazo para recurso voluntário deve ser dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. 4. Dessa forma, como a ciência da decisão se deu em 19.08.2013, o prazo para apresentação de recurso voluntário encerrase em 18.09.2013, com a ressalva de que o mês de agosto possui trinta e um dias. 5. A contribuinte apresentou seu recurso voluntário apenas em 19.09.2013 (fls. 539), ou seja, após o lapso temporal previsto pelo Decreto nº 70.235/72. Destarte, o recurso não pode ser conhecido, por estar perempto, nos termos do art. 35 do referido Decreto. 6. O Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal federal, regulamenta a matéria pertinente, nos seguintes termos: “Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) (...). § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...). Fl. 547DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15540.720417/201202 Acórdão n.º 2803003.174 S2TE03 Fl. 548 5 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005).” 7. Do que consta dos autos, o Aviso de Recebimento – AR dos Correios foi enviado ao endereço eleito pelo contribuinte, trazendo o nome do recebedor. Assim, não há como afastar o que consta da norma citada acima. 8. Ademais, aplicase ao caso vertente o enunciado da Súmula CARF nº 9, transcrita abaixo, in verbis: “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” 9. Dessa forma, o recurso voluntário do contribuinte não pode ser conhecido por ser intempestivo. CONCLUSÃO 10. Ante as considerações delineadas, noto no sentido de não conhecer do recurso, em razão da sua intempestividade. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Fl. 548DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 15586.001193/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO.
É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO. É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 11 93 /2 00 8- 15 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001193/200815 Acórdão n.º 2402004.022 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, inciso I e parágrafo 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 01/2004 a 12/2004. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 13/15), a empresa deixou de incluir em folhas de pagamento as remunerações pagas a segurados empregados e contribuinte individual. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 16) informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei 8.212/1991, c/c art. 283, inciso I e alínea “a”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 25/08/2008 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 23/35), alegando, em síntese, que: 1. apesar de não inscrita no PAT, fornece alimentação diária aos funcionários no refeitório da empresa, e que de acordo com as Leis 6.321/76 e 8.212/91, os alimentos fornecidos pela empresa nos termos do PAT estão isentos da contribuição previdenciária sobre a folha de salários. A empresa seguia as regras do PAT, ainda que não formalmente inscrita, sendo que esta isenção não pode ser ignorada por não terem sido cumpridas formalidades não prevista em lei. A falha da empresa poderia ter sido sanada ante da emissão do auto de infração. O auxílioalimentação era feito através do fornecimento de refeições, e, mesmo não havendo o desconto da parte do trabalhador, não deve haver incidência de contribuição previdenciária; 2. o contribuinte individual Rubem Daniel Santos Silva não foi incluído em folha de pagamento, e nem a empresa realizou o recolhimento da contribuição de 20% sobre os valores pagos, pois este contribuinte sempre recolheu o INSS pelo teto, e ele mesmo já fazia sua declaração e contribuição, nada havendo a ser declarado pela empresa; 3. requer julgada improcedente á autuação, e protesta por todos os meios de prova em direito admitidos. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1222.277 da 13a Turma da DRJ/RJO1 (fls. 107/114) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso (fls. 120/132), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que não é devida a contribuição previdenciária incidente sobre remuneração de contribuinte individual e que os valores apurados em decorrência do salário in natura possui natureza indenizatória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Vitória/ES informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001193/200815 Acórdão n.º 2402004.022 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente deixou de incluir em folhas de pagamento as remunerações pagas ao segurado contribuinte individual (Sr. Rubem Daniel Santos Silva) para as competências 01/2004 a 12/2004. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (grifos nossos) Esse art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o destaque, em folha de pagamento, de discriminar o nome dos segurado, de agrupar os segurados por categoria e das parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais, conforme preceitua o seu art. 225, § 9o e incisos I a V, in verbis: Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9o. A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. (g.n.) Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não apresentar ao Fisco as folhas de pagamento contendo as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 01/2004 a 12/2004 – incorreu na infração disposta no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, § 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Da mesma forma, enganase a Recorrente ao alegar a não observação ao princípio da tipicidade, uma vez que a Lei 8.212/1991 delimita o valor, prevê sua atualização e remete ao regulamento a fixação do mesmo: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, determina: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001193/200815 Acórdão n.º 2402004.022 S2C4T2 Fl. 5 7 a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; (...) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente, referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência. Posteriormente – conforme dispôs a Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102, e o Regulamento da Previdência Social (RPS), artigos 283 e 373, todos susomencionados –, a Portaria MPS n° 77, de 11/03/2008, reajustou o valor da multa. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) Fl. 145DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Outro ponto a esclarecer é que essa autuação não é calculada conforme a quantidade de descumprimentos da obrigação acessória, ou em quantos meses a obrigação foi descumprida. Assim, o cálculo é único, bastando um descumprimento para gerar a autuação com o mesmo valor, no caso em tela, as competências 01/2004 a 12/2004 em que a Recorrente deixou de incluir em sua folha de pagamento as remunerações do segurado contribuinte individual (Sr. Rubem Daniel Santos Silva). Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16682.721142/2011-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Relatora e Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso.
RELATÓRIO
VALE S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ-I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 15/12/2011, reduzindo a CSLL a compensar ou a ser restituída nos anos-calendário 2006 e 2007 no montante de R$ 17.915.183,26.
O Termo de Verificação Fiscal de fls. 365/376 aponta infrações na apuração da base de cálculo da CSLL, decorrentes da falta de adição ao lucro líquido de:
Tributos com exigibilidade suspensa nos anos base de 2006 e 2007, nos montantes respectivos de R$ 122.617.470,78 e R$ 11.980.089,19;
Ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL no ano-calendário de 2006, no valor de R$ 9.438.352,00;
Parcelas não dedutíveis das multas no ano base de 2006, no montante de R$ 32.110.893,53;
Amortização de ágio nas aquisições de investimentos avaliados pelo PL, no ano-calendário 2007, no montante de R$ 20.340.999,99;
Depreciação/Amortização Acelerada Incentivada Reversão, no ano-calendário 2006, no montante de R$ 2.569.786,44.
Impugnando a exigência, a contribuinte afirmou a regularidade de sua apuração, invocando o disposto no art. 2o da Lei nº 7.689/88, discordando de qualquer efeito produzido pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 e da aplicação de analogia, inclusive por meio de Instrução Normativa. Especificamente em relação aos tributos com exigibilidade suspensa, discorda de sua caracterização como provisão, e quanto aos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL e amortização de ágio acrescenta que a Fiscalização partiu de premissas equivocadas para sua conclusão. Com referência às multas observa que as de natureza moratória são dedutíveis, e que a acusação é genérica e frágil, o mesmo se verificando em relação à depreciação incentivada.
A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado:
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006, 2007
TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA - INDEDUTIBILIDADE Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995.
ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO. DIMINUIÇÃO NO VALOR DOS INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Os ajustes por diminuição do valor em investimentos avaliados pelo patrimônio líquido, adicionados ao cálculo do lucro real, devem ser adicionados também à base de cálculo da CSLL.
MULTA. PARCELAS NÃO DEDUTÍVEIS. As multas declaradas como ´parcelas não dedutíveis` na DIPJ devem ser adicionadas na apuração da base de cálculo da CSLL.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. A amortização do ágio é indedutível da base de cálculo da CSLL, constituindo adição prevista na legislação tributária.
DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA - REVERSÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO PARA A APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Deve ser adicionada ao lucro líquido, na apuração da base de cálculo da CSLL, a depreciação acelerada incentivada revertida.
Cientificada da decisão de primeira instância em 02/01/2013, em razão do decurso do prazo de 15 (quinze) dias da postagem do documento em sua caixa postal eletrônica (fl. 544), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/01/2013 (fls. 548/573).
Inicialmente manifesta sua discordância acerca da classificação dos tributos com exigibilidade suspensa como provisão indedutível. Em seu entendimento traço característico da provisão é a impossibilidade de sua exata mensuração, destinando-se ao registro de obrigações que deverão nascer no futuro.
Argumenta que a obrigação tributária surge com a ocorrência do fato gerador, que o lançamento apenas declara obrigação preexistente (e não futura/incerta), e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário apenas protege temporariamente o sujeito passivo contra a cobrança de uma obrigação fiscal existente. Invoca o Pronunciamento do IBRACON nº 22, aprovado pela Deliberação CVM nº 489/2005, e afirma que sua conduta observa os princípios de contabilidade geralmente aceitos e o art. 177 da Lei nº 6.404/76.
Afirma que o tributo é despesa desde que é devido, e que a Instrução Normativa SRF nº 390/2004 deve observar o que dispõe a lei. Por sua vez, os ajustes ao lucro para apuração da CSLL são apenas aqueles previstos em lei, de modo que um ato normativo não poderia ampliar, de forma ilegítima, a hipótese de incidência tributária.
Com referência à falta de adição ao lucro líquido dos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL e da amortização de ágio, aduz que a autoridade lançadora deixou de exercer a efetiva atividade fiscalizatória, de modo a delimitar a matéria tributável relativamente à parcela de R$ 9.438.352,00, que corresponderia a amortização de ágio referente à participação societária da recorrente na empresa Belém Administrações e Participações Ltda. Quanto a esta parcela e à falta de adição do montante de R$ 20.340.999,99, que se referiria a participação societária da recorrente em Caemi Mineração Metalúrgica S/A e Minerações Brasileiras Reunidas S/A MBR, a Fiscalização apenas mencionou que os valores foram adicionados na apuração do lucro real, e fundamentou a exigência no art. 38, §1o, inciso I da Instrução Normativa SRF nº 390/2004, o qual não tem base legal, pois inexiste previsão de adição de despesa ou exclusão de receita decorrente de amortização de ágio/deságio. Arremeta que seu procedimento contábil está amparado pela Instrução Normativa CVM nº 247/96 e invoca julgado administrativo em favor de seu entendimento.
Quanto à dedutibilidade das multas, reafirma que a Fiscalização não identificou a natureza dos valores contabilizados, e observa que a decisão recorrida afirmou inexistir prova de que as multas teriam natureza moratória. Novamente afirma que não existe previsão legal para adição de multas à base de cálculo da CSLL, e que esta contribuição, assim como o IRPJ, incide sobre o acréscimo patrimonial, evidenciando impensável a inclusão na base de cálculo de qualquer tipo de registro que não corresponda a este aumento patrimonial, cabendo-se, ao contrário, a desconsideração do montante total auferido pela pessoa jurídica, de valores que não importaram nesses plus.
Afirma genérica, também, a acusação de falta de adição ao lucro líquido da depreciação acelerada incentivada reversão, porque ausente demonstração da efetiva ocorrência das hipóteses que justificam o benefício garantido pela legislação e devidamente aproveitado pela Recorrente, em clara inobservância do art. 142 do CTN.
Assevera que a decisão recorrida reconhece que o requisito formal e material do benefício foi obedecido para o IRPJ, invoca o princípio da verdade material e o dever da autoridade julgadora administrativa agir de ofício para instrução probatória do processo. Afirma ilícito proceder-se à glosa da dedução realizada, sem analisar todas as informações e documentos essenciais para apurar a materialidade do crédito utilizado, a exemplo da escrituração comercial e fiscal da Suplicante, o que poderia ter sido oportunizado, ainda na fase contenciosa administrativa, independentemente das eventuais diligências firmadas previamente à autuação, mediante conversão do feito em diligência.
Pede, assim, o cancelamento integral do lançamento.
A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 579/602), afirmando que os tributos com exigibilidade suspensa têm natureza de provisão; defendendo a adição dos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL por expressa disposição contida no art. 2º, § 1º, alínea c, 1 da Lei nº 7.689/88 e também porque a contribuinte não trouxe prova de suposto erro no preenchimento da DIPJ; afirmando indedutível a amortização de ágio por ausência de previsão legal neste sentido e conseqüente necessidade de interpretação literal da renúncia fiscal daí decorrente; defendendo a indedutibilidade das multas assim reconhecidas pela contribuinte na apuração do IRPJ, sem qualquer prova de sua alegada natureza moratória; e observando que a contribuinte não atendeu intimações para demonstrar que não havia se beneficiado da depreciação acelerada no âmbito da apuração da CSLL, de modo que a adição da reversão destes valores deve subsistir.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso. RELATÓRIO VALE S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ-I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 15/12/2011, reduzindo a CSLL a compensar ou a ser restituída nos anos-calendário 2006 e 2007 no montante de R$ 17.915.183,26. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 365/376 aponta infrações na apuração da base de cálculo da CSLL, decorrentes da falta de adição ao lucro líquido de: Tributos com exigibilidade suspensa nos anos base de 2006 e 2007, nos montantes respectivos de R$ 122.617.470,78 e R$ 11.980.089,19; Ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL no ano-calendário de 2006, no valor de R$ 9.438.352,00; Parcelas não dedutíveis das multas no ano base de 2006, no montante de R$ 32.110.893,53; Amortização de ágio nas aquisições de investimentos avaliados pelo PL, no ano-calendário 2007, no montante de R$ 20.340.999,99; Depreciação/Amortização Acelerada Incentivada Reversão, no ano-calendário 2006, no montante de R$ 2.569.786,44. Impugnando a exigência, a contribuinte afirmou a regularidade de sua apuração, invocando o disposto no art. 2o da Lei nº 7.689/88, discordando de qualquer efeito produzido pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 e da aplicação de analogia, inclusive por meio de Instrução Normativa. Especificamente em relação aos tributos com exigibilidade suspensa, discorda de sua caracterização como provisão, e quanto aos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL e amortização de ágio acrescenta que a Fiscalização partiu de premissas equivocadas para sua conclusão. Com referência às multas observa que as de natureza moratória são dedutíveis, e que a acusação é genérica e frágil, o mesmo se verificando em relação à depreciação incentivada. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006, 2007 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA - INDEDUTIBILIDADE Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995. ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO. DIMINUIÇÃO NO VALOR DOS INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Os ajustes por diminuição do valor em investimentos avaliados pelo patrimônio líquido, adicionados ao cálculo do lucro real, devem ser adicionados também à base de cálculo da CSLL. MULTA. PARCELAS NÃO DEDUTÍVEIS. As multas declaradas como ´parcelas não dedutíveis` na DIPJ devem ser adicionadas na apuração da base de cálculo da CSLL. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. A amortização do ágio é indedutível da base de cálculo da CSLL, constituindo adição prevista na legislação tributária. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA - REVERSÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO PARA A APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Deve ser adicionada ao lucro líquido, na apuração da base de cálculo da CSLL, a depreciação acelerada incentivada revertida. Cientificada da decisão de primeira instância em 02/01/2013, em razão do decurso do prazo de 15 (quinze) dias da postagem do documento em sua caixa postal eletrônica (fl. 544), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/01/2013 (fls. 548/573). Inicialmente manifesta sua discordância acerca da classificação dos tributos com exigibilidade suspensa como provisão indedutível. Em seu entendimento traço característico da provisão é a impossibilidade de sua exata mensuração, destinando-se ao registro de obrigações que deverão nascer no futuro. Argumenta que a obrigação tributária surge com a ocorrência do fato gerador, que o lançamento apenas declara obrigação preexistente (e não futura/incerta), e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário apenas protege temporariamente o sujeito passivo contra a cobrança de uma obrigação fiscal existente. Invoca o Pronunciamento do IBRACON nº 22, aprovado pela Deliberação CVM nº 489/2005, e afirma que sua conduta observa os princípios de contabilidade geralmente aceitos e o art. 177 da Lei nº 6.404/76. Afirma que o tributo é despesa desde que é devido, e que a Instrução Normativa SRF nº 390/2004 deve observar o que dispõe a lei. Por sua vez, os ajustes ao lucro para apuração da CSLL são apenas aqueles previstos em lei, de modo que um ato normativo não poderia ampliar, de forma ilegítima, a hipótese de incidência tributária. Com referência à falta de adição ao lucro líquido dos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL e da amortização de ágio, aduz que a autoridade lançadora deixou de exercer a efetiva atividade fiscalizatória, de modo a delimitar a matéria tributável relativamente à parcela de R$ 9.438.352,00, que corresponderia a amortização de ágio referente à participação societária da recorrente na empresa Belém Administrações e Participações Ltda. Quanto a esta parcela e à falta de adição do montante de R$ 20.340.999,99, que se referiria a participação societária da recorrente em Caemi Mineração Metalúrgica S/A e Minerações Brasileiras Reunidas S/A MBR, a Fiscalização apenas mencionou que os valores foram adicionados na apuração do lucro real, e fundamentou a exigência no art. 38, §1o, inciso I da Instrução Normativa SRF nº 390/2004, o qual não tem base legal, pois inexiste previsão de adição de despesa ou exclusão de receita decorrente de amortização de ágio/deságio. Arremeta que seu procedimento contábil está amparado pela Instrução Normativa CVM nº 247/96 e invoca julgado administrativo em favor de seu entendimento. Quanto à dedutibilidade das multas, reafirma que a Fiscalização não identificou a natureza dos valores contabilizados, e observa que a decisão recorrida afirmou inexistir prova de que as multas teriam natureza moratória. Novamente afirma que não existe previsão legal para adição de multas à base de cálculo da CSLL, e que esta contribuição, assim como o IRPJ, incide sobre o acréscimo patrimonial, evidenciando impensável a inclusão na base de cálculo de qualquer tipo de registro que não corresponda a este aumento patrimonial, cabendo-se, ao contrário, a desconsideração do montante total auferido pela pessoa jurídica, de valores que não importaram nesses plus. Afirma genérica, também, a acusação de falta de adição ao lucro líquido da depreciação acelerada incentivada reversão, porque ausente demonstração da efetiva ocorrência das hipóteses que justificam o benefício garantido pela legislação e devidamente aproveitado pela Recorrente, em clara inobservância do art. 142 do CTN. Assevera que a decisão recorrida reconhece que o requisito formal e material do benefício foi obedecido para o IRPJ, invoca o princípio da verdade material e o dever da autoridade julgadora administrativa agir de ofício para instrução probatória do processo. Afirma ilícito proceder-se à glosa da dedução realizada, sem analisar todas as informações e documentos essenciais para apurar a materialidade do crédito utilizado, a exemplo da escrituração comercial e fiscal da Suplicante, o que poderia ter sido oportunizado, ainda na fase contenciosa administrativa, independentemente das eventuais diligências firmadas previamente à autuação, mediante conversão do feito em diligência. Pede, assim, o cancelamento integral do lançamento. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 579/602), afirmando que os tributos com exigibilidade suspensa têm natureza de provisão; defendendo a adição dos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL por expressa disposição contida no art. 2º, § 1º, alínea c, 1 da Lei nº 7.689/88 e também porque a contribuinte não trouxe prova de suposto erro no preenchimento da DIPJ; afirmando indedutível a amortização de ágio por ausência de previsão legal neste sentido e conseqüente necessidade de interpretação literal da renúncia fiscal daí decorrente; defendendo a indedutibilidade das multas assim reconhecidas pela contribuinte na apuração do IRPJ, sem qualquer prova de sua alegada natureza moratória; e observando que a contribuinte não atendeu intimações para demonstrar que não havia se beneficiado da depreciação acelerada no âmbito da apuração da CSLL, de modo que a adição da reversão destes valores deve subsistir.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 14 2/ 20 11 -8 3 Fl. 604DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.721142/201183 Resolução nº 1101000.122 S1C1T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO VALE S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 15/12/2011, reduzindo a CSLL a compensar ou a ser restituída nos anoscalendário 2006 e 2007 no montante de R$ 17.915.183,26. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 365/376 aponta infrações na apuração da base de cálculo da CSLL, decorrentes da falta de adição ao lucro líquido de: · Tributos com exigibilidade suspensa nos anos base de 2006 e 2007, nos montantes respectivos de R$ 122.617.470,78 e R$ 11.980.089,19; · Ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL no anocalendário de 2006, no valor de R$ 9.438.352,00; · Parcelas não dedutíveis das multas no ano base de 2006, no montante de R$ 32.110.893,53; · Amortização de ágio nas aquisições de investimentos avaliados pelo PL, no anocalendário 2007, no montante de R$ 20.340.999,99; · Depreciação/Amortização Acelerada Incentivada – Reversão, no ano calendário 2006, no montante de R$ 2.569.786,44. Impugnando a exigência, a contribuinte afirmou a regularidade de sua apuração, invocando o disposto no art. 2o da Lei nº 7.689/88, discordando de qualquer efeito produzido pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 e da aplicação de analogia, inclusive por meio de Instrução Normativa. Especificamente em relação aos tributos com exigibilidade suspensa, discorda de sua caracterização como provisão, e quanto aos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL e amortização de ágio acrescenta que a Fiscalização partiu de premissas equivocadas para sua conclusão. Com referência às multas observa que as de natureza moratória são dedutíveis, e que a acusação é genérica e frágil, o mesmo se verificando em relação à depreciação incentivada. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2006, 2007 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA INDEDUTIBILIDADE Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995. ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO. DIMINUIÇÃO NO VALOR DOS INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Os ajustes por diminuição do valor em Fl. 605DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.721142/201183 Resolução nº 1101000.122 S1C1T1 Fl. 4 3 investimentos avaliados pelo patrimônio líquido, adicionados ao cálculo do lucro real, devem ser adicionados também à base de cálculo da CSLL. MULTA. PARCELAS NÃO DEDUTÍVEIS. As multas declaradas como ´parcelas não dedutíveis` na DIPJ devem ser adicionadas na apuração da base de cálculo da CSLL. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. A amortização do ágio é indedutível da base de cálculo da CSLL, constituindo adição prevista na legislação tributária. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA REVERSÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO PARA A APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Deve ser adicionada ao lucro líquido, na apuração da base de cálculo da CSLL, a depreciação acelerada incentivada revertida. Cientificada da decisão de primeira instância em 02/01/2013, em razão do decurso do prazo de 15 (quinze) dias da postagem do documento em sua caixa postal eletrônica (fl. 544), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/01/2013 (fls. 548/573). Inicialmente manifesta sua discordância acerca da classificação dos tributos com exigibilidade suspensa como provisão indedutível. Em seu entendimento traço característico da provisão é a impossibilidade de sua exata mensuração, destinandose ao registro de obrigações que deverão nascer no futuro. Argumenta que a obrigação tributária surge com a ocorrência do fato gerador, que o lançamento apenas declara obrigação preexistente (e não futura/incerta), e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário apenas protege temporariamente o sujeito passivo contra a cobrança de uma obrigação fiscal existente. Invoca o Pronunciamento do IBRACON nº 22, aprovado pela Deliberação CVM nº 489/2005, e afirma que sua conduta observa os princípios de contabilidade geralmente aceitos e o art. 177 da Lei nº 6.404/76. Afirma que o tributo é despesa desde que é devido, e que a Instrução Normativa SRF nº 390/2004 deve observar o que dispõe a lei. Por sua vez, os ajustes ao lucro para apuração da CSLL são apenas aqueles previstos em lei, de modo que um ato normativo não poderia ampliar, de forma ilegítima, a hipótese de incidência tributária. Com referência à falta de adição ao lucro líquido dos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL e da amortização de ágio, aduz que a autoridade lançadora deixou de exercer a efetiva atividade fiscalizatória, de modo a delimitar a matéria tributável relativamente à parcela de R$ 9.438.352,00, que corresponderia a amortização de ágio referente à participação societária da recorrente na empresa Belém Administrações e Participações Ltda. Quanto a esta parcela e à falta de adição do montante de R$ 20.340.999,99, que se referiria a participação societária da recorrente em Caemi Mineração Metalúrgica S/A e Minerações Brasileiras Reunidas S/A – MBR, a Fiscalização apenas mencionou que os valores foram adicionados na apuração do lucro real, e fundamentou a exigência no art. 38, §1o, inciso I da Instrução Normativa SRF nº 390/2004, o qual não tem base legal, pois inexiste previsão de adição de despesa ou exclusão de receita decorrente de amortização de ágio/deságio. Arremeta que seu procedimento contábil está amparado pela Instrução Normativa CVM nº 247/96 e invoca julgado administrativo em favor de seu entendimento. Quanto à dedutibilidade das multas, reafirma que a Fiscalização não identificou a natureza dos valores contabilizados, e observa que a decisão recorrida afirmou inexistir prova Fl. 606DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.721142/201183 Resolução nº 1101000.122 S1C1T1 Fl. 5 4 de que as multas teriam natureza moratória. Novamente afirma que não existe previsão legal para adição de multas à base de cálculo da CSLL, e que esta contribuição, assim como o IRPJ, incide sobre o acréscimo patrimonial, evidenciando impensável a inclusão na base de cálculo de qualquer tipo de registro que não corresponda a este aumento patrimonial, cabendose, ao contrário, a desconsideração do montante total auferido pela pessoa jurídica, de valores que não importaram nesses plus. Afirma genérica, também, a acusação de falta de adição ao lucro líquido da depreciação acelerada incentivada – reversão, porque ausente demonstração da efetiva ocorrência das hipóteses que justificam o benefício garantido pela legislação e devidamente aproveitado pela Recorrente, em clara inobservância do art. 142 do CTN. Assevera que a decisão recorrida reconhece que o requisito formal e material do benefício foi obedecido para o IRPJ, invoca o princípio da verdade material e o dever da autoridade julgadora administrativa agir de ofício para instrução probatória do processo. Afirma ilícito procederse à glosa da dedução realizada, sem analisar todas as informações e documentos essenciais para apurar a materialidade do crédito utilizado, a exemplo da escrituração comercial e fiscal da Suplicante, o que poderia ter sido oportunizado, ainda na fase contenciosa administrativa, independentemente das eventuais diligências firmadas previamente à autuação, mediante conversão do feito em diligência. Pede, assim, o cancelamento integral do lançamento. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 579/602), afirmando que os tributos com exigibilidade suspensa têm natureza de provisão; defendendo a adição dos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL por expressa disposição contida no art. 2º, § 1º, alínea “c”, 1 da Lei nº 7.689/88 e também porque a contribuinte não trouxe prova de suposto erro no preenchimento da DIPJ; afirmando indedutível a amortização de ágio por ausência de previsão legal neste sentido e conseqüente necessidade de interpretação literal da renúncia fiscal daí decorrente; defendendo a indedutibilidade das multas assim reconhecidas pela contribuinte na apuração do IRPJ, sem qualquer prova de sua alegada natureza moratória; e observando que a contribuinte não atendeu intimações para demonstrar que não havia se beneficiado da depreciação acelerada no âmbito da apuração da CSLL, de modo que a adição da reversão destes valores deve subsistir. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.721142/201183 Resolução nº 1101000.122 S1C1T1 Fl. 6 5 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA No que tange à falta de adição ao lucro líquido dos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL, a recorrente questiona o procedimento fiscal, asseverando que não foi delimitada a matéria tributável. No Termo de Verificação Fiscal às fls. 365/376 constatase que o procedimento fiscal foi motivado pela identificação de adição promovida apenas na apuração do lucro real, a título de Ajustes por Diminuição do Valor de Investimentos Avaliados pelo PL no ano calendário 2006, no valor de R$ 9.438.352,00. Questionada acerca deste procedimento, a contribuinte informou que não promovera a adição por entender que não há base legal exigindoa (fls. 11/12). Para promover a adição referente a Ajustes por Diminuição do Valor de Investimentos Avaliados pelo PL no anocalendário 2006, a autoridade fiscal invocou o disposto no art. 28 da Lei nº 9.430/96, bem como o seguinte dispositivo da Lei nº 7.689/88, nada redação dada pela Lei nº 8.034/90: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: [...] c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) [...] O voto condutor da decisão recorrida assim justifica o procedimento fiscal: De início, cabe assinalar que não há qualquer vício no procedimento da fiscalização. Pela informação contida na linha 10 da Ficha 9A (Demonstração do Lucro Real) da DIPJ/2007 – AC 2006, o interessado teria adicionado, na apuração do lucro real, o montante de R$ 9.438.352,00, o qual seria decorrente de ‘ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL’. Cabe observar que, pelo Majur/2007, a linha 10 da Ficha 9A faz remissão para a linha 35 da Ficha 6A – Resultados Negativos de Participação Societária, que, por sua vez, desdobrase em ‘perdas por ajustes no valor do investimento por equivalência patrimonial’ e ‘amortização de ágio’. Devese ressaltar que, durante o procedimento fiscalizatório, o interessado foi intimado a explicar o motivo do não adicionamento do respectivo valor na apuração da CSLL. Todavia, não consta nos autos que tenha informado que tais ajustes supostamente teriam decorrido de amortização de ágio. Ademais, não comprova sua afirmação de que tal ajuste decorreria de amortização do ágio, já que não apresentou documentos hábeis, como, por exemplo, documentos contábeis que poderiam fazer tal prova. De todo modo, como será visto a seguir, seja qual for a natureza do ‘ajuste por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL’, se decorrente do resultado Fl. 608DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.721142/201183 Resolução nº 1101000.122 S1C1T1 Fl. 7 6 negativo de participação societária em razão de perda no valor do investimento avaliado por equivalência patrimonial ou de amortização de ágio, em ambas as hipóteses são indedutíveis, e, portanto, deveriam ter sido adicionados na apuração da CSLL. Esclarecese que os ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL se referem, especificamente, às perdas incorridas pelo interessado (investidor) no valor de investimentos relevantes avaliados pelo método da equivalência patrimonial, decorrentes de prejuízos apurados nas controladas e coligadas. Devese ressaltar que tal ajuste de equivalência por valor de patrimônio líquido (equivalência patrimonial) visa melhor retratar a situação patrimonial das empresas investidoras. Sendo decorrentes de variações já computadas nas bases de cálculo das empresas investidas, são excluídas de nova tributação nas investidoras. Os investimentos avaliados por equivalência patrimonial não afetam a formação do resultado tributável na investidora. É, em outras palavras, neutro para fins fiscais, devendo ser adicionado, tanto na apuração do lucro real, quanto na apuração da base de cálculo da CSLL. Não fosse assim, a tributação do IRPJ e da CSLL se repetiria em cascata e prejudicaria a integração dos grupos empresariais. O item 1 da alínea c do art. 2º da Lei 7689/88, com redação dada pelo art. 2º da Lei 8034 de 1990, dispõe expressamente sobre a indedutibilidade das perdas nos investimentos avaliados pelo PL na apuração da CSLL: [...] Por sua vez, o art. 38, § 1º, inciso I, da IN SRF nº 390, de 2004, abaixo reproduzido, reprisa, para a CSLL, o mesmo disciplinamento vazado na legislação do IRPJ acerca das normas concernentes a diminuições no valor de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido, de forma que a regra de indedutibilidade do IRPJ é a mesma para a CSLL. “Art. 38.Na determinação do resultado ajustado, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração antes da provisão para o IRPJ: ... § 1ºIncluemse nas adições de que trata este artigo: I o resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; ...” Portanto, pelo exposto, diferentemente do que alega o interessado, existe, sim, base legal expressa, obrigando a pessoa jurídica a adicionar ao cálculo da CSLL os valores que reduziram o lucro líquido a título de diminuição de investimentos avaliados pelo PL, razão por que a autuação é procedente. Quanto à adição ao lucro líquido da amortização do ágio, na apuração da base de calculo da CSLL, tal matéria será objeto de abordagem no tópico seguinte. [...] Como dito, a DIPJ apresentada para o anocalendário 2006 (fls. 196/274) contava com uma única linha para registro de Resultados Negativos em Participações Societárias, bem como para sua adição ao lucro líquido, com vistas à apuração do Lucro Real (Linha 35 da Ficha 6A e Linha 10 da Ficha 9A ), nas quais, segundo informações extraídas do MAJUR pela autoridade julgadora de 1a instância, seriam registrados os valores Fl. 609DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.721142/201183 Resolução nº 1101000.122 S1C1T1 Fl. 8 7 correspondentes a “perdas por ajustes no valor do investimento por equivalência patrimonial” e “amortização de ágio”. Assim, é certo que, ao exigir a adição, também na base de cálculo da CSLL, dos valores indicados na Linha 35 da Ficha 6A e na Linha 10 da Ficha 9A da DIPJ do anocalendário 2006, a autoridade fiscal poderia estar alcançando não só o resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido previsto no art. 2o, §1o, alínea “c”, inciso I da Lei nº 7.689/88, com a redação dada pela Lei nº 8.034/90, como também registros decorrentes de amortização de ágio. De outro lado, a acusação fiscal demonstra, na abordagem referente a adição promovida no anocalendário 2007, o entendimento de que as amortizações de ágio também deveriam ser adicionadas ao lucro líquido para fins de apuração da CSLL. Desta forma, seria irrelevante distinguir quais valores comporiam a Linha 35 da Ficha 6A e a Linha 10 da Ficha 9A da DIPJ do anocalendário 2006, pois todos os registros que ali deveriam ter sido consignados seriam, no entender da Fiscalização, passíveis de adição. A recorrente, por sua vez, assevera que a parcela questionada no anocalendário 2006 corresponderia a ágio amortizado, mas não junta prova neste sentido. Aduz que o procedimento fiscal foi superficial, e que a autoridade lançadora deixou de exercer a efetiva atividade fiscalizatória, de modo a delimitar a matéria tributável. Todavia, a autoridade fiscal questionoulhe sobre a falta de adição da parcela de R$ 9.438.352,00, afirmando que ela corresponderia a ajuste por diminuição valor de inv. aval. p/ PL (fl. 2), e em resposta a contribuinte apenas disse que os valores não foram adicionados por entendermos que não há base legal exigindo a adição de tais valores. Por sua vez, frente ao lançamento que expôs a base legal para adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido, claramente integrante dos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido, a contribuinte apenas alega que a parcela glosada corresponderia a amortização de ágio referente à participação societária da recorrente na empresa Belém Administrações e Participações Ltda. Assim, se de um lado a Fiscalização pautouse em evidência plausível para promover a adição em questão, a contribuinte também suscita dúvida razoável acerca da natureza do valor adicionado à base de cálculo da CSLL. Diante de tal contexto, para melhor solução da lide, é necessário que o julgamento seja CONVERTIDO em diligência para confirmação, junto à escrituração da contribuinte, de que a parcela de R$ 9.438.352,00, adicionada ao lucro real no anocalendário 2006, corresponderia, de fato, a amortização de ágio referente à participação societária da recorrente na empresa Belém Administrações e Participações Ltda. Ao final dos trabalhos deve ser elaborado relatório circunstanciado acerca dos procedimentos fiscais desenvolvidos e das conclusões alcançadas, cientificandoo à interessada e facultandolhe a complementação de suas razões de defesa no prazo 30 (trinta) dias, antes do retorno dos autos a este Conselho. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 610DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10218.720050/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na Impugnação.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas já incluídas nos autos. Deve ser indeferida quando, em subversão à lei processual, vise produzir prova que deveria ter sido apresentada com a impugnação.
SUJEITO PASSIVO DO ITR.
A Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo do proprietário do imóvel, no caso, o interessado, em nome de quem foi apresentada a DITR que serviu de base para o presente lançamento, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou erro no preenchimento da declaração. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA.
A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal, e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal.
Numero da decisão: 2201-002.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na Impugnação. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas já incluídas nos autos. Deve ser indeferida quando, em subversão à lei processual, vise produzir prova que deveria ter sido apresentada com a impugnação. SUJEITO PASSIVO DO ITR. A Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo do proprietário do imóvel, no caso, o interessado, em nome de quem foi apresentada a DITR que serviu de base para o presente lançamento, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou erro no preenchimento da declaração. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal, e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 00 50 /2 00 8- 81 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2006, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/04), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 107.229,12, relativo ao imóvel rural “Fazenda Machado”, cadastrado na RFB sob o nº 4.222.2656, com área declarada de 4.356,0 ha, localizado no Município de Tucumã – PA.. A fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 1,00 para R$ 637.369,920 ou R$ 146,32/ha, com base no SIPT. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: declara que, desde o ano de 2000, não é proprietário do imóvel rural denominado “Fazenda Machado”, posto que efetuou a venda do mesmo naquele período; a apresentação da DITR/2006 em seu nome, deuse em razão de inúmeros óbices burocráticos para transferir a titularidade do imóvel para o novo proprietário e, conseqüentemente, não providenciou a alteração dos dados cadastrais do imóvel junto à Receita Federal. Isto, para evitar a inscrição de seu nome em Divida Ativa da União; pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, invocando o disposto no art. 151 do CTN e citando Geraldo Ataliba; pede a anulação do lançamento, uma vez que a intenção do impugnante ao apresentar a declaração do ITR do imóvel que não lhe pertencia e, por tal motivo, declarou valores que não correspondiam com as características do imóvel com o único intuito de evitar que seu nome, que ainda constava como titular do referido imóvel, respondesse por penalidades tributárias e sofresse restrições fiscais, como inscrição na divida ativa, com as implicações decorrentes; Fl. 73DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10218.720050/200881 Acórdão n.º 2201002.391 S2C2T1 Fl. 3 3 por não ter sido possível localizar o atual proprietário do imóvel, requer a realização de perícia na área em questão, por necessária e imprescindível, em atenção ao princípio do contraditório e ampla defesa; protesta pela produção de prova pericial, que sejam aceitas as razões de mérito expendidas, para considerar a total improcedência do lançamento impugnado, e por fim, requer que seja acolhida a presente impugnação para o fim de decidir pela insubsistência e improcedência da ação fiscal, cancelandose o débito fiscal reclamado. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, identificado como contribuinte do imposto na correspondente DITR/2006, além de não ter sido devidamente comprovado nos autos a efetiva alienação do imóvel em data anterior à do fato gerador do imposto, observada a legislação pertinente. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN médio, por hectare, apontado no SIPT, exercício de 2006, para o município onde se localiza o imóvel, por falta de documentação hábil comprovando o seu valor fundiário, a preços de 1º/01/2006, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão. Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 25/03/2011 (fl. 37), Sebastião Machado de Oliveira apresenta Recurso Voluntário em 25/04/2011 (fls. 38 e seguintes), sustentando, essencialmente: 2 PRELIMINARMENTE: 2.1 DA ILEGITIMIDADE PASSIVA Conforme já salientado em sede de Impugnação entregue em Primeira Instância, o recorrente não é mais o proprietário do imóvel em questão; nesta senda, não é também o sujeito passivo da obrigação tributária, conforme podemos observar no Contrato de Compra e Venda de Imóvel Rural em anexo, que figura como "comprador" (e até então legítimo sujeito passivo), o Sr. João Pereira Salgado, sujeito ao qual deveria recair a eventual penalidade imposta (se é que a mesma procede) e o processo que aqui se rebate. (...) A acusação genérica, como se verifica nos presente auto de infração, em termos de procedimento é totalmente inaceitável Fl. 74DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 por se tratar de uma medida desproporcional e não razoável vez que não pode provocar uma simples defesa genérica, porquanto uma acusação genérica tolhe o direito de defesa e dificulta, para não dizer, inviabiliza a apresentação da peça de resistência. (...) Não havendo outro norte, requer desde logo, como prova inafastável, a realização de perícia, inclusive com verificação in loco, para a comprovação dos fatos afirmados nesta peça recursal. Os elementos constantes do processo não são suficientes para consolidar a presente autuação, sendo que o teor da decisão proferida em Primeira Instância é totalmente parcial, logicamente, em desfavor do Recorrente. (...) Diante de tudo, requer a inversão do ônus da prova, recaindo esta sobre o Recorrido, para que demonstre nos autos suas alegações apresentadas, virtualmente embasadoras do auto lavrado, sobretudo cumprindo as exigências legais por ele deslembradas conforme já tecido nas linhas acima. (...) A problemática maior, e que não pode ser ignorada, é que o nobre julgador sequer analisa os pontos da defesa entregue em Primeira Instância, entregando simplesmente uma decisão extremamente mal fundamentada, sendo que não discorre sobre nenhuma tese ventilada por este peticionante, afrontando de forma gritante o princípio da motivação das decisões. (...) 3.2 DO PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO CONFISCO E DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE: (...) Esse entendimento deixa claro que, mesmo em caráter de multa, esta não pode ter caráter de penalidade, com características de aniquilação do patrimônio do autuado. Ora, a aplicação de uma multa de R$ 107.229,12 (cento e sete mil e duzentos e vinte e nove reais e doze centavos) não possui condão diferente disso, razão pela qual merece reforma, mormente em um caso gritante de ausência de provas como do auto em questão. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10218.720050/200881 Acórdão n.º 2201002.391 S2C2T1 Fl. 4 5 Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal alterou o VTN do imóvel rural declarado pelo recorrente de R$ 1,00 para R$ 637.369,920 ou R$ 146,32/ha, com base no SIPT Sistema de Preços de Terra. De acordo com a Descrição dos Fatos, fl. 02, “Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado”. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar as preliminares suscitadas pela defesa. A primeira alega ilegitimidade passiva; a segunda afirma que a fiscalização praticou uma acusação genérica; a terceira considera a decisão de primeira instância mal fundamentada e a última protesta pelo pedido de perícia. Quanto à alegação de ilegitimidade passiva, verifico, pois, que o argumento não tem passagem. Compulsandose os autos, constatase que o recorrente apresentou como prova da ilegitimidade passiva tão somente a cópia do Contrato de Compra e Venda de Imóvel, contudo, para comprovar a efetiva transferência de propriedade, é necessária a apresentação de seu registro no Cartório de Registro de Imóveis. Observase, ainda, que após a data da assinatura do suposto Contrato de Compra e Venda de Imóvel, 10/03/2000, o recorrente continuou apresentando, em seu nome, as declarações de ITR para o imóvel em questão. Ademais, conforme se verifica do extrato de fl. 09, o registro do imóvel rural na Receita Federal do Brasil encontrase ativo e em nome do contribuinte. Portanto, penso que restou caracterizado que o recorrente é o contribuinte do ITR, nos termos do art. 4º da Lei n° 9.393/1996. Afastase, pois, a suscitada preliminar. No que tange à alegação de que a fiscalização efetuou acusação genérica, penso que o argumento é estéril e não merece acolhimento. De acordo com a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, fl. 02, o lançamento só foi constituído em consequência da não apresentação, pelo contribuinte, do laudo de avaliação do imóvel, elaborado nos termos da NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Com efeito, o enquadramento legal para essa infração encontrase devidamente destacado na fl. 02 dos autos. Assim, válido o lançamento também nesse ponto. Sobre a alegação de que a decisão recorrida foi mal fundamentada, verifica se do acórdão exarado pela 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF que o julgado analisou a integralidade dos elementos processuais e apreciou todos os argumentos impugnatórios, conforme se extrai das fls. 28/33. Em verdade, o inconformismo do recorrente tem a ver com o entendimento do julgador na análise das provas constantes dos autos. Com efeito, na apreciação das provas, o julgador pode interpretála da forma que melhor entender, refutálas ou desconsiderálas, de acordo com sua convicção, conquanto que de forma fundamentada. O que de fato ocorreu. Assim, pelos fundamentos expostos entendo que a preliminar suscitada não merece acolhimento. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 No que diz respeito ao pedido de perícia, penso que deve ser indeferido. Conforme bem salientou a decisão recorrida, a perícia proposta pelo contribuinte tem por objetivo a busca de elementos probatórios de suas alegações. Com efeito, apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear sua realização, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo indeferir as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto n° 70.235, de 1972). Indefiro, pois, o pedido de perícia. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame do mérito. No mérito, insurge o suplicante apenas contra a multa imposta, alegando que sua aplicação fere o principio constitucional da vedação ao confisco e da proporcionalidade. Pois bem, sobre o caráter confiscatório da multa aplicada, deve ser esclarecido que não compete a este Órgão Administrativo declarar a ilegitimidade/inconstitucionalidade da norma constituída. A legalidade de dispositivos aplicados ao lançamento deve ser questionada, exclusivamente, perante o Poder Judiciário. O exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais (vedação ao confisco e da proporcionalidade) é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ressaltese que em seu apelo o contribuinte não se insurge contra o arbitramento do VTN. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 77DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10945.902214/2012-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/07/2007
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 20/07/2007 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 22 14 /2 01 2- 58 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902214/201258 Acórdão n.º 3801003.100 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902214/201258 Acórdão n.º 3801003.100 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902214/201258 Acórdão n.º 3801003.100 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902214/201258 Acórdão n.º 3801003.100 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902214/201258 Acórdão n.º 3801003.100 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902214/201258 Acórdão n.º 3801003.100 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902214/201258 Acórdão n.º 3801003.100 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 12466.000268/98-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 18/01/1995 a 29/03/1995
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS.
O não conhecimento do recurso especial em razão do disposto no parágrafo 10 do art. 68 do Regimento Interno do CARF requer a existência de reiteradas decisões contrárias à tese defendida no recurso de modo a caracterizar perfeitamente a "superação" ali prevista.
VALORAÇÃO ADUANEIRA. REMUNERAÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS. ART. 8º DO AVA. NÃO INCLUSÃO.
As remunerações pagas pelos Concessionários à detentora do uso da marca em contrapartidas a serviços contratados e prestados no Brasil, após a internalização das mercadorias pela detentora do uso da marca, não integral o valor aduaneiro.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, I) por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencido o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos; e II) no mérito, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que dava provimento.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva - Relator
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX E MMC AUTOMOTERES DO BRASIL LTDA ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 18/01/1995 a 29/03/1995 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. O não conhecimento do recurso especial em razão do disposto no parágrafo 10 do art. 68 do Regimento Interno do CARF requer a existência de reiteradas decisões contrárias à tese defendida no recurso de modo a caracterizar perfeitamente a "superação" ali prevista. VALORAÇÃO ADUANEIRA. REMUNERAÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS. ART. 8º DO AVA. NÃO INCLUSÃO. As remunerações pagas pelos Concessionários à detentora do uso da marca em contrapartidas a serviços contratados e prestados no Brasil, após a internalização das mercadorias pela detentora do uso da marca, não integral o valor aduaneiro. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I) por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencido o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos; e II) no mérito, por maioria de votos, negouse provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que dava provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 02 68 /9 8- 02 Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relatório Nas fls. 1.170/1.179 Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional admitido pelo despacho de fl. 1.197, por não admitir o entendimento contido no Acórdão de fl. 1.162 materializado pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de então, que por unanimidade de votos concedeu provimento a Contribuinte nos seguintes termos: VALOR ADUANEIRO. BASE DE CÁLCULO. AJUSTES. COMISSÕES PAGAS PELAS REVENDEDORAS À DETENTORA DO USO DA MARCA NO PAÍS. Não integram o Valor Aduaneiro, base de cálculo dos tributos incidentes na importação de veículos (II e IPI vinculado), para os fins previstos no art. 8º, § 1º, alínea “a”, inciso “I”, as comissões pagas pelas vendedoras à detentora do uso da marca no País, no caso representante da exportadora, relativamente aos serviços contratados entre elas, que se referem a operações completamente distintas e independentes, não guardando qualquer vínculo com as importações questionadas. Aplicação das Decisões COSIT nºs 14 e 15, de 1997. Precedentes do Terceiro Conselho de Contribuintes. Recurso Voluntário Provido. Este processo guarda peculiaridade necessária a registro, dado que em sessão de 13 de novembro de 2007, a CSRF decidiu acolher preliminar de nulidade dos atos processuais a partir da ciência da decisão de primeira instância inclusive, devendo os autos retornarem a origem para que os dois sujeitos passivos sejam cientificados do acórdão uma vez que a empresa indicada como responsável solidária não foi cientificada da decisão de primeira instância. (fl. 1.101) Após o saneamento do presente processo este novo Recurso (fls. 1.170/ ora em julgamento faz contato com o insurgimento do decidido pela 1ª Câmara da Segunda Turma Ordinária da Terceira Seção de julgamento que, por unanimidade de votos, concedeu provimento ao Recurso Voluntário das Contribuintes declarando indevido, ajuste de valor aduaneiro apurado pela Fiscalização. Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12466.000268/9802 Acórdão n.º 9303002.351 CSRFT3 Fl. 1.394 3 Afirma a Recorrente que o acórdão recorrido não merece prosperar posto que o valor aduaneiro apurado pela Fiscalização com base no artigo 8º, inciso I, alínea “d”, c/c art. 1º “c” do AVA, deve ser mantido, uma vez que as comissões pagas pelas revendedoras à empresa MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA, devem ser entendidas como benefício à empresa exportadora estrangeira, compondo, assim, o preço pago no momento da importação. Transcreve trechos de fls. 1.166/1.167, da decisão atacada, verbis: ....entendo que o Auto de Infração lançado não se sustenta no sentido de incluir no valor aduaneiro as receitas recebidas pela empresa recorrente MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA. de seus revendedores de veículos a título de comissão de uso de marca pelo simples fato de que a COIS, através dos atos 14 e 15 de 1997, foi clara ao dispor que não são tributáveis estas parcelas, como vemos, respectivamente: Se a própria administração tributária emitiu parecer aduzindo que as comissão de uso de marca não são incluídas no valor aduaneiro para fins de tributação, não há como se manter o lançamento realizado, fazendo ressalva apenas ao brilhante trabalho realizado pela fiscalização. Mesmo que assim não fosse, o mesmo voto proferido pela Conselheira Simone também levanta ponto fulcral do tema que também me chamou a atenção. Da análise do lançamento, se verifica que as comissões tidas como passíveis de inclusão no valor aduaneiro ocorreram após a importação realizada, não havendo qualquer relação desta com aquela. .....omissis... Esta fato é por demais relevante, pois os valores tidos como tributáveis nas importações são decorrentes de operações realizadas entre a recorrente MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA. , e as revendedoras dos automóveis, não guardando qualquer relação com a importação em si realizada pela empresa COIMEX em nome da MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA. (grifo nosso) Indica como paradigma o Acórdão nº 30130.602 prolatado no processo administrativo fiscal nº 12466.000833/9887, onde são partes as mesmas empresas deste feito, que decide pela legal aplicação do art. 8º, inciso I, alínea “d”, c/c art. 1º “c” do AVA. Entende assim, inquestionável a caracterização da divergência. Discorre sobre os fundamentos para a reforma do acórdão recorrido sob o manto da lógica no sentido de que a matéria litigiosa não abrange a discussão acerca da influência da vinculação entre exportador e importador sobre o valor da transação e sim sobre o ajuste do valor aduaneiro realizado pela Fiscalização. Afirma que por questões de estratégia comercial foi implementado um planejamento tributário onde a empresa MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA., detentora dos direitos da marca MISUBISHI no Brasil, autorizou suas concessionárias a negociar as importações diretamente com a empresa COIMEX, criada para usufruir os Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 benefícios fiscais do programa FUNDAP e promover despachos de importação dos veículos na condição de intermediária, por conta e ordem da MMC. Destaca que a COIMEX emitia notas fiscais de venda em seu próprio nome cujo valor era acrescido de parcela destinada a MMC, correspondente a um percentual do valor do veículo, percentual esse não oferecido á tributação. Para amparar argumentos de que o planejamento para auferir lucros não pode servir de escusa para burlar o cumprimento da lei tributária uma vez que o direito de se auto – organizar tem limites, e, sobre o tema, oferece lição do Prof. Marco Aurélio Greco na fl. 1.176. Por outro lado, registra que as provas produzidas são suficientes para demonstrar o vínculo empresarial e econômico entre a MMC e a exportadora estrangeira e comenta diversos contratos colacionados nos autos. Diz ainda que, como ressaltado no acórdão paradigma a atuação da MMC não corresponde a de um agente de compras, ao contrário, se dá no interesse do exportador estrangeiro assumindo posição de agente de vendas e, como tal, se enquadra no disposto no item 8 da Nota Explicativa 2.1, do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, verbis: “Os fornecedores estrangeiros que remetem suas mercadorias em cumprimento de pedidos feitos por intermédio de um agente de venda, retribuem eles mesmos os serviços deste intermediário, apresentando aos clientes um preço global. Nesses casos, não é necessário ajustar o preço de fatura para levar em com esses serviços. Se, nos termos das condições de venda, um comprador tem que pagar, além do preço faturado, uma comissão de venda cujo pagamento se efetua, em regra, diretamente ao intermediário para determinar o valor de transação segundo o Artigo1 do Cardo, deve ser acrescido ao preço de fatura o montante desta comissão. (grifo nosso)” Relativamente à aplicação das Decisões COSIT nºs 14 e 15 de 1997 afirma que não se subsumem à hipótese dos autos por se referirem exclusivamente aos casos em que as concessionárias detentoras do uso da marca atuem como agentes de compra das importadoras e, como já dito anteriormente a posição assumida pela MMC é caracterizada como agente de vendas atuando em benefício de exportador estrangeiro. Requer finalmente o provimento deste Recurso Especial por via da reforma da decisão recorrida, nas bases do acórdão paradigma ofertado. ContraRazões nas fls.1.203/1.215 onde as Recorridas iniciam articulando preliminar de inadmissibilidade deste Recurso em razão de a Recorrente haver apontado como paradigma de divergência o Acórdão 30130602 proferido no processo 12466.000833/9897 pela 1ª Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, tendo o Acórdão recorrido determinado a não integração ao valor aduaneiro das remunerações pagas pelos concessionários, à detentora do uso da marca no País, relativas aos serviços contratados uma porque caracterizando operações distintas e independentes sem guardar vínculo com as importações questionadas. Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12466.000268/9802 Acórdão n.º 9303002.351 CSRFT3 Fl. 1.395 5 Esse posicionamento da decisão contra a qual se insurge a Fazenda Nacional diz respeito à determinação do valor aduaneiro tendo essa mesma decisão se fundamentado no artigo 8º, § 1º, alínea “a”, inciso I, do AVA. Argumentam que o despacho de admissibilidade nº 3100064, fl. 1.147, onde o Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção deste CARF deu seguimento ao Recurso Especial sustentase no fato de que “o acórdão paradigma, analisando matéria fática idêntica, fixou exegese oposta à que constou do recorrido: as parcelas pagas a intermediário da exportadora estabelecido no País teriam, à luz do AVA – GATT, características que obrigariam o seu cômputo no Valor Aduaneiro e conclui o examinador da admissibilidade que “deveria assim ser adicionada ao valor aduaneiro, por se enquadrar no art. 8º, inciso I, alínea “d”, c/c art. 1º, “c” do AVA, correspondendo a resultado de revenda, subsequente das mercadorias importadas, que reverte direta ou indiretamente ao exportador ou aos direitos de licença previstos no art. 8º, inciso I, alínea “c”. Insere afirmativa no sentido de que a tese adotada pelo acórdão paradigma contraposto ao recorrido foi superada pela E. CSRF – 3ª Turma no julgamento dos recursos referentes aos processos 12466.001106/9838, 12466.000255/9771 e 12466.000973/9775 (fl. 1.204) e comprova a existência de contrariedade à tese do paradigma por via do acórdão 930300.208 proferido na sessão de 15.09.2009 no primeiro processo mencionado neste parágrafo, no sentido de que não integram o valor aduaneiro as remunerações referidas supostamente com base no art. 8º do AVA. Transcreve da ementa do acórdão desta CSRF que contraria a tese, verbis, formalizado em 22.10.2009: “Para efeito dos art. 8º, alíneas “c” e “d”, do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto nº92.930/86, bem como da Ata Final que incorpora os Resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT, promulgada pelo Decreto 1.355 de 30.12.94, não integram o valor aduaneiro as parcelas pagas pelos Concessionários à Detentora do Uso da Marca estrangeira no País pelos serviços efetivamente contratados e prestados às custas deles no Brasil...Inteligência das interpretações dadas pelas Decisões Cosito nºs 14 e 15/97...Área de interesse do valor aduaneiro é somente a operação de importação e exportação.” Registra ainda que na data em que foi interposto este Especial, 07.01.2010, o Acórdão cujo trecho está acima transcrito já havia sido formalizado, remetido a PGFN para ciência em 11.11.2009 e a Alfândega de Vitória do Espírito Santo em 03.12.2009. Ultima suas razões quanto a preliminar arguindo a impossibilidade de admissão deste Especial vez que, o paradigma de divergência não se constitui em instrumento hábil, conforme preleciona o art. 67, § 10, do RICARF, que determina a inutilidade de Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 paradigma cuja tese, na data da interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. No mérito, transcreve partes dos contratos (fl. 1.206) que regem as relações jurídicas entre a MMCB e COIMEX. Argumenta, com veemência, que ao contrário do exposto no Recurso as notas fiscais emitidas pela COIMEX contra os concessionários não agregam valores destinados a MMC Automotores do Brasil Ltda. sendo esta mesma MMC que emitia esses documentos fiscais contra os concessionários para fazer jus às remunerações por ela percebidas, na conformidade do Contrato de Prestação de Serviços, cláusulas primeira e segunda, transcrito acima. Destaca na fl. 1.207 que o a inaplicabilidade dos dispositivos 1, “a” e “i”, 1, “c” e 1 “d” constantes do art. 8º do AVA em razão de que as remunerações recebidas dos concessionários pela MMC não têm as características das verbas neles descritas e ainda que o acórdão recorrido resolveu a questão no sentido da não aplicabilidade de ajuste baseado no art. 8º, 1, “a“, “i”, não tendo analisado a incidência ou não das alíneas “c” e “d” do mesmo artigo, face à flagrante nulidade da decisão de primeira instância. Esclarece que a remuneração da MMCB não desfruta da característica de comissão de venda porque, isto sim, representa contrapartida pela prestação de serviços da MMCB, no Brasil, aos concessionários, não se confundindo com agenciamento de compras ou de vendas já que a MMCB é apenas distribuidor da MMC na conformidade das cláusulas 2 e 3 do contrato de distribuição. Transcreve na fl. 1.208 Nota Explicativa 2.1 (v. IN SRF 17/98) intitulada COMISSÕES E CORRETAGENS NO CONTEXTO DO ARTIGO 8 DO ACORDO, verbis: 2. As comissões e as corretagens são remunerações pagas a intermediários por sua participação na conclusão de um contrato de venda. Ao analisar essa Nota Explicativa, inclusive seus itens 4, 5 e 7, registra chegar à conclusão que a MMCB não desempenha atividades nela caracterizadas e por isto, não recebe dos concessionários remuneração que possa ser confundida com as definições nela contidas. Chama a baila, a Decisão COSIT nº 14/97 em solução de consulta formulada pela Confederação Nacional do Comércio, com fundamento no art. 2º do Decreto nº 37/66, fl. 1.209, verbis: “1. Os valores pagos pelas Concessionárias às Detentoras de Uso da Marca no País, pelos serviços, efetivamente contratados e prestados no Brasil, a título de “divulgação de marca no país”. “treinamento de pessoal”, etc, não constituirão acréscimo ao valor aduaneiro da mercadoria, para fins de cálculo do II.” Rebate item a item a inaplicabilidade do art. 8º do AVA. Finalmente destaca que inexiste no contrato de distribuição qualquer disposição pela qual a MMC atribua à MMCB a incumbência de receber recursos dos concessionários, a título de autorização pelo uso da marca e reembolso de despesas de propaganda, treinamento de pessoal e assistência técnica e, de Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12466.000268/9802 Acórdão n.º 9303002.351 CSRFT3 Fl. 1.396 7 igual modo, que atribua à MMCB a incumbência de, em seguida, aplicar esses recursos no fortalecimento ou valorização da marca em benefício da MMC. Dos auto não consta, segundo as Recorridas, comprovação de vinculação entre MMC e MMCB em razão da inexistência de vínculo societário ou de subordinação entre ambas, inexistindo igualmente comprovação de exigência do exportador para com a MMCB, COIMEX ou concessionários de pagamento de “royalties” ou direito de licença como condição de venda/exportação do produtos para o Brasil. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator (voto vencido quanto ao conhecimento) Examino primeiramente as articulações destinadas a preliminar de inadmissibilidade levadas a efeito pelas Recorridas. Confirmo em sua plenitude os argumentos estendidos nas Contrarrazões acerca da suplantação da tese adotada no Acórdão paradigma de nº 30130.602, já que em sessão de 15.09.2009, no processo 12466.001106/9838, contrariamente à tese por ele adotada, esta CSRF prolatou o Acórdão nº 930300.208, formalizado em 22.10.2009, onde restou pacificado o afastamento do ajuste pretendido cuja transcrição da ementa encontrase presente no Relatório. Indubitavelmente, a decisão desta CSRF que remanesce no processo 12466.001106/9838 afasta concludentemente da composição do valor aduaneiro as parcelas pagas pelos Concessionários à Detentora do Uso da Marca estrangeira no País pelos serviços efetivamente contratados e prestados às custas deles, no Brasil tudo com base no que emanam as Decisões Cosit de nºs 14 e 15/97. Assim, com base no art. 67, § 10, e após comprovação de que na data de 07.01.2010, correspondente a interposição do presente Recurso, a matéria se encontrava superada por esta CSRF, inutilizando o paradigma apresentado. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do Recurso. Em razão do inacatamento da preliminar por este Colegiado, passo ao exame do mérito. O Auto de Infração na fl. 8 destes autos referese ao artigo 8º, 1º, “a” e “i” do AVA, entendendo pela inclusão de ajustes no lançamento a título de comissão pelo uso da marca. Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Já de todos sabido, pelas extenuantes considerações deste Relator que o objetivo da exigência fiscal busca agregar valor aduaneiro, além do declarado pelo importador, a título de remuneração pela autorização do uso da marca e pelos serviços de assistência técnica, e também a título de reembolso de despesas com promoção publicitária. É certo que as relações jurídicas entre as empresas MMCB, MMC e COIMEX, estão formalizadas em contratos cujos objetos estão transcritos na fl. 1.206. Um deles, o Contrato de Distribuição, firmado entre o fabricante exportador MMC do Japão e MMC Automotores do Brasil cuja tradução vai as fls. 453/479 soleniza na sua cláusula 13 intitulada Propaganda, que transfere ao importador o ônus da promoção, divulgação e proteção da marca no mercado nacional. Claro fica portanto, tratarse de remuneração por prestação de serviços que, por sinal, foram realizadas após as importações, não guardando relação alguma com os atos exigidos por elas.(fl. 1.167). Deste o universo, além dos artigos 87, 220, 499 e 542 do Regulamento Aduaneiro quanto ao II e artigos 29, 55, 63 e 112 do RIPI (mesmo sem autuação quanto ao IPI) foi pinçado pela fiscalização, vocacionada pela existência de comissões, também, o § 1º, alíneas “a” e “i” do art. 8º do AVA, fl. 7, que reverberam: “1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do art.1º, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: os seguintes elementos, na medida em que sejam suportados pelo comprador mas não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias; “i” comissões e corretagens, excetuadas as comissões de compra; Assim, necessário deslindar se as remunerações que de fato foram pagas pelas concessionárias a MMC Atomotores do Brasil Ltda. a título de uso da marca, se enquadram nesses ditames normativos. É evidente e de todos sabido que a base para o estabelecimento da valoração aduaneira é o valor da transação e, me parece que no caso presente, os montantes pagos pelas concessionárias Mitsubishi aos detentores do uso da marca não devem nela serem incluídos em razão de não estarem presentes nos atos de importação não fazendo portanto parte integrante do valor da transação. Destaco que o documento fiscal que lastreia a cobrança dos serviços postos à disposição dos concessionários é emitido pela MMCB com inserções em suas notas fiscais das características dos serviços prestados, em nenhum momento transitando pela COIMEX conforme menciona o nobre Conselheiro Júlio César Alves Ramos no voto vencedor prolatado no processo 12466.000155/9816, Acórdão nº9303002105. Na fl. 1.208 Nota Explicativa 2.1 (v. IN SRF 17/98) intitulada COMISSÕES E CORRETAGENS NO CONTEXTO DO ARTIGO 8 DO ACORDO, verbis: 2. As comissões e as corretagens são remunerações pagas a intermediários por sua participação na conclusão de um contrato de venda. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12466.000268/9802 Acórdão n.º 9303002.351 CSRFT3 Fl. 1.397 9 É evidente que quando da ocorrência de desforços mercantis para a conclusão de um contrato de venda de produtos importados, caracterizarseá legalmente a adoção do ajuste por tratarse de atuação complementar do preço de transação, enquadrandose tipicamente aos ditames do art. 8º do AVA. Porém, a MMCB não está na relação comercial dotada desta finalidade, a ela cabendo, exclusivamente, a prestação de serviços após a celebração dos contratos de venda. Colho, por oportuno, entendimento do Relator do Voto Vencedor antes mencionado, lastreado em transcrição da IN SRF 327/03, II, art. 10 que define: vendedor, a pessoa que, em decorrência da transação comercial, transfere ao comprador a propriedade da mercadoria que lhe pertence e se compromete a entregála conforme termos e condições acordados, mesmo que se utilize de terceiro, nos casos admitidos pela legislação de regência, para honrar essa obrigação ou promover o despacho aduaneiro de exportação. Concluo afirmando que a parcela buscada no lançamento não deve ser incluída em forma de ajuste no dimensionamento da valoração aduaneira no caso destes autos, em razão de não ter natureza jurídica para tanto como restou demonstrado e, fundamentalmente porque não diz ela respeito a formação do preço de transação vez que completamente ausente dos atos necessários à importação. Voto por negar provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos (voto vencedor quanto ao conhecimento) Divergiu o colegiado, por maioria, do ilustrado voto do relator no tocante ao conhecimento do recurso. Para o dr. Maurício, o fato de ter havido recente julgamento por esta Câmara Superior na linha pretendida pela empresa levaria à aplicação do § 10 do art. 67 do vigente regimento interno; para a maioria, se passa o contrário. É que o dito dispositivo regimental obriga ao reconhecimento de que dada tese submetida em recurso especial já tenha sido "superada" pelo colegiado. Confirase: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 (...) § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. Para a maioria do colegiado, a superação da tese não se dá por um único julgamento contrário, mormente quando o resultado possa indicar haver ainda alguma divisão de opiniões. No caso concreto, havia dois julgamentos favoráveis à tese da empresa mas em ambos alguns dos membros do colegiado deixaram registrado que não estavam necessariamente encampandoa. É que faltaram, no entender deles, documentos que pudessem apoiar a tese da fiscalização, caso em que votariam diferentemente. Ratificouse, com isso, o posicionamento de que a "superação da tese" requer a perfeita identificação da (ampla) maioria dos membros do colegiado com a posição defendida pelo recorrente, identificação essa que se consubstancia quando vários julgados a ratificam por ampla maioria e sem ressalvas. Nesses termos, conheceu o colegiado do recurso da Fazenda. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator designado Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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