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7326546 #
Numero do processo: 10830.917761/2011-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.550
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI

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3301­000.550  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  19 de abril de 2018  Assunto  PERDCOMP. PIS/COFINS.   Recorrente  Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A  Recorrida  Fazenda Nacional    Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  José Henrique Mauri ­ Presidente e Relator.  Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  José  Henrique  Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado),  Valcir  Gassen,  Marcos  Roberto  da  Silva  (Suplente  convocado),  Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.   Relatório   Trata  o  presente  processo  administrativo  de  PER/DCOMP  para  obter  reconhecimento  de  direito  creditório  do  tributo  por  suposto  pagamento  a maior  e  aproveitar  esse crédito com débito de outro tributo.  A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento  indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado  pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos  informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição  foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso.  Cientificada  do  despacho,  a  empresa  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade, aduzindo que o crédito apurado é legítimo em virtude do reconhecimento de  inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98. Logo, a base de cálculo do PIS e  da COFINS é o faturamento, assim entendido como a totalidade das receitas auferidas no mês  pela pessoa jurídica, excluindo "outras receitas".     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 76 1/ 20 11 -4 4 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10830.917761/2011­44  Resolução nº  3301­000.550  S3­C3T1  Fl. 3            2 A 2ª Turma da DRJ/BHE  indeferiu  a manifestação  de  inconformidade,  nos  termos do Acórdão 02­054.433.  A  negativa  do  reconhecimento  do  crédito  pela  DRJ  se  deu  em  virtude  da  ausência  de  prova  do  pagamento  indevido;  da  ausência  de  DCTF  retificadora  e  outros  documentos que comprovassem as alegações da Recorrente.   Em seu recurso voluntário, a empresa:  · Defende  que  o  recolhimento  indevido  decorre  da  inconstitucionalidade  do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF;  · Sustenta  que  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  deveria  ter  sido  composta  por  valores  correspondentes  ao  seu  faturamento,  ou  seja,  os  ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e  prestação de serviços e não por suas receitas extraordinárias;  · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar  de  PIS/COFINS  calculado  sobre  receita  que  não  integra  o  seu  faturamento;  · Anexou planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS  sobre “outras receitas” (inclusive as receitas financeiras), DCTF, DIPJ e  cópia de parte do livro razão analítico.   · Ao  fazer  a  juntada  do  seu  livro  razão,  entende  ser  suficiente  para  conferência  e  comprovação  do  recolhimento  indevido  sobre  “outras  receitas”.  É o relatório.       Voto   Conselheiro José Henrique Mauri, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução  3301­000.538,  de  19  de  abril  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10830.904018/2011­24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301­000.538):  "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade,  portanto dele tomo conhecimento.  Resta  pacificado no  STF o  entendimento  sobre  a  inconstitucionalidade  do  art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.   Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10830.917761/2011­44  Resolução nº  3301­000.550  S3­C3T1  Fl. 4            3 Dessa  forma,  considera­se  receita bruta ou  faturamento o que decorre da  venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se  considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações  empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS.  O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica  restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral  do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do  art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF:  RECURSO.  Extraordinário.  Tributo.  Contribuição  social.  PIS.  COFINS.  Alargamento  da  base  de  cálculo.  Art.  3º,  §1º  da  Lei  nº  9.718/98.  Inconstitucionalidade.  Precedentes  do  Plenário  (RE  nº  346.084/PR, Rel. orig. Min.  ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs  nº  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG,  Rel.  Min.  MARCO  AURÉLIO,  DJ  de  15.8.2006).  Repercussão  Geral  do  tema.  Reconhecimento pelo Plenário. Recurso  improvido. É  inconstitucional  a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art.  3º, §1º, da Lei nº 9.718/98.  No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou:  O  recurso  extraordinário  está  submetido  ao  regime  de  repercussão  geral  e  versa  sobre  tema  cuja  jurisprudência  é  consolidada  nesta  Corte,  qual  seja,  a  inconstitucionalidade  do  §1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a  noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b,  da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços  de  qualquer  natureza,  ou  seja,  soma  das  receitas  oriundas  do  exercício  das atividades empresariais...  Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços  e  da  venda  de  mercadorias  (não  se  podendo  incluir  outras  receitas,  tais  como  aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS.  O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria  MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que:  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  §  1º O  disposto  no  caput  não  se  aplica  aos  casos  detratado,  acordo  internacional, lei ou ato normativo:  I­  que  já  tenha  sido declarado  inconstitucional por decisão definitiva  do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser  aplicado  no  presente  caso,  para  afastar  a  tributação  do  PIS  e  da  COFINS  exigida  com  base  no  disposto  no  art.  3º,  §1º,  da  Lei  n.º  9.718/1998.    Com  isso,  é  obrigatória  a  observância  da  decisão  proferida  no  RE  nº  585.235/MG, nos termos do RICARF.  Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10830.917761/2011­44  Resolução nº  3301­000.550  S3­C3T1  Fl. 5            4 Todavia, a Recorrente juntou documentos apenas em seu Recurso Voluntário  ­ DCTF, DIPJ e livro razão ­, justificando:    Diante da plausibilidade da alegação da Recorrente, entendo necessária a  conversão  em  diligência  deste  processo  para  a  confirmação  da  tributação  indevida pelo PIS sobre outras receitas (inclusive as financeiras).  Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que  seja solicitado à unidade de origem que:  a) Examine  a  documentação  juntada  pela Recorrente: DCTF, DIPJ,  livro  razão, planilha e guia de pagamento;  b) Verifique, com base nessa documentação,  se houve a  indevida  inclusão  das  receitas  não­operacionais  e  receitas  financeiras  (chamadas  pela  empresa  de  “receitas  extraordinárias”),  na  base  de  cálculo  do  PIS,  em  decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98;   c)  Aponte  a  exatidão  do  valor  pleiteado  pelo  Recorrente,  bem  como  se  a  utilização deste foi efetivamente realizada;   d) Intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos que entender  necessários;   e)  Cientifique  a  interessada  do  resultado  da  diligência,  concedendo­lhe  prazo para manifestação;   f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento.  É como voto."  Importante  frisar  que  os  documentos  juntados  pela  contribuinte  no  processo  paradigma,  como  prova  do  direito  creditório,  encontram  correspondência  nos  autos  ora  em  análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência  no caso do paradigma também a justificam no presente caso.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo  II do RICARF, o Colegiado decidiu  converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que:  a) Examine a documentação juntada pela Recorrente: DCTF, DIPJ, livro razão,  planilha e guia de pagamento;  Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10830.917761/2011­44  Resolução nº  3301­000.550  S3­C3T1  Fl. 6            5 b) Verifique, com base nessa documentação,  se houve a  indevida  inclusão das  receitas  não­operacionais  e  receitas  financeiras  (chamadas  pela  empresa  de  “receitas  extraordinárias”), na base de cálculo do PIS/COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo  do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98;   c)  Aponte  a  exatidão  do  valor  pleiteado  pelo  Recorrente,  bem  como  se  a  utilização deste foi efetivamente realizada;   d)  Intime  o  sujeito  passivo  para  prestar  outros  esclarecimentos  que  entender  necessários;   e)  Cientifique  a  interessada  do  resultado  da  diligência,  concedendo­lhe  prazo  para manifestação;   f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento.   (assinado digitalmente)  José Henrique Mauri  Fl. 111DF CARF MF

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7327919 #
Numero do processo: 13016.000973/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1202-000.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho. Relatório Contra a empresa Rodoviário Seni Ltda., foram lavrados autos de infração do IRPJ, fls. 672/697, PIS, fls. 698/723, COFINS, fls. 724/749, e CSLL, fls. 750/771, por ter a fiscalização constatado infrações à legislação tributária. Inconformada com a exigência, apresentou impugnação protocolada em 28/10/2008, em cujo arrazoado de fls. 789/817 contesta o lançamento. Do Relatório do Acórdão de Primeira Instância, fls. 966/973, extraio o seguinte excerto: “O litígio tem origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.06.00-2008-00579-9 (ver fl. 06). Conforme relatório fiscal de fls. 773/780, os trabalhos de auditoria foram direcionados para a verificação do "motivo das diferenças entre os valores das saídas/faturamento lançados nas Guias de Informação e Apuração do ICMS e os valores declarados nas PJ/Simples (período de 01/01/2004 a 30/06/2007), bem como com a DIPJ (período 01/07/2007 a 31/07/2007)". Nos períodos examinados, a forma de tributação adotada pela pessoa jurídica foi a seguinte (ver fl. 24): Após comparar os registros constantes (a) do livro registro de saídas do ICMS e dos conhecimentos de transporte rodoviários de cargas apresentados pela contribuinte com (b) as declarações apresentadas à Receita Federal do Brasil — RFB, a autoridade fazendária concluiu que as divergências examinadas dizem respeito a valores excluídos a título de descontos condicionais e sub-contratação de fretes das bases de cálculo dos tributos federais devidos, conforme descrito à fl. 774: "(..) o contribuinte excluiu dos valores lançados nestes Livros [os livros do ICMS] os descontos condicionais em função da mudança no peso final do transporte de produtos perecíveis e o repasse na sub-contratação de fretes". Segundo o agente fiscal, as exclusões ocorreram à revelia da legislação (em especial à vista do art. 40, §1°, da IN SRF n° 355/2003 1), caracterizando a prática de omissão de receitas. O quantitativo das exclusões — que em alguns períodos de apuração atingem valor até dez vezes maior do que a receita declarada —, está demonstrado no quadro de fl. 13. Diante desse cenário, a fiscalização: a) formalizou representação administrativa (ver fls. 01/05), que culminou na exclusão de ofício do SIMPLES, com efeitos a partir de 2004, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL n° 68, de 10/09/2008 (fl. 643), face à caracterização da hipótese prevista no art. 14, V, da Lei n° 9.317/1996 (prática reiterada de infração à legislação tributária), conforme descrito no Parecer ARF/BGS/RS n° 002, de setembro/2008 (fls.641/642); b) realizou o lançamento de ofício do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ e reflexos de Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social —COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, consubstanciado nos auto de infração de fls. 672/697 (IRPJ), 698/723 (PIS), 724/749 (COFINS) e 750/771 (CSLL), com ciência à contribuinte 26/09/2008. Tendo em vista que a contribuinte não apresentou escrituração contábil regular ou livro caixa para os períodos auditados, a apuração dos tributos devidos ocorreu com base no lucro arbitrado, forte no art. 530, III, do RIR/99, tomando-se como base de cálculo a receita bruta conhecida, nos termos do art. 537 do mesmo RIR/99. Quanto à diferença de tributos devidos vinculados às receitas declaradas, foi aplicada multa de ofício de 75%; já aos valores devidos vinculados às receitas omitidas foi associada a multa qualificada de 150%. À fl. 774, a fiscalização expõe suas razões para a aplicação da multa qualificada, a saber: "o contribuinte com a sua conduta impediu/retardou o conhecimento por parte da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador relativo a grande parte de sua receita, conforme demonstrativo de fl. 13, apenas sendo apurado os valores corretos em procedimento de fiscalização(...)". A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão em 27/10/2008 (fl. 01 do processo apenso) e impugnação contra o auto de infração em 28/10/2008 (fls. 789/817). A manifestação de inconformidade foi originalmente instruída em processo administrativo fiscal autônomo (de n° 13016.001219/2008-64), que restou apensado aos presentes autos. Ambos os recursos foram protocolizados tempestivamente. As alegações apresentadas na manifestação de inconformidade contra o ato de exclusão, protocolizada junto ao processo 13016.001219/2008-64, em resumo, são as seguintes: a) A contribuinte reclama a nulidade do ato de exclusão, sob o argumento de que não teria ocorrido, em momento anterior, a "conclusão do processo administrativo" relativo ao lançamento de oficio dos tributos devidos. b) Defende que a premissa adotada pela fiscalização de que teria ocorrido prática reiterada de infração tributária decorre de mera presunção. c) Subsidiariamente, alega que os efeitos da exclusão somente poderiam incidir "para frente, ou seja, a partir da decisão definitiva do presente procedimento administrativo tributário". Já os argumentos presentes na impugnação aos autos de infração estão organizados em dois segmento principais: preliminares de nulidade (fls. 791/794) e mérito (fls.794/815), a saber: Quanto às preliminares de nulidade a) A impugnante defende que o auto de infração está eivado de vício de nulidade, dado que "(...) não foram observados os requisitos estabelecidos no Decreto n° 70.235/72 na lavratura da presente autuação". Argumenta que "não consta no referido Auto de Infração a base de cálculo do imposto exigido, a forma de arbitramento, de forma que não se mostra verificável se a apuração dos valores está correta". (fl. 791) b) Adiante, reclama que "o auto de infração ora impugnado também se mostra nulo, em face das penalidade aplicadas". (fl. 792) c) Alega ainda que haveria nulidade quanto ao arbitramento levado a efeito pela autoridade fiscal, tendo em vista que a contribuinte "realizou todos os procedimentos necessários previstos no artigo 264, parágrafo primeiro, do Decreto n° 3.000/99 — RIR assim que constatado o extravio". Ao final, defende que "não prospera o argumento da Autoridade Fiscal para arbitramento a ausência de extratos bancários". Cita decisões do Conselho de Contribuintes. Quanto ao mérito a) Nos tópicos 2.1.2 e 2.2, contesta a existência de omissão de receitas no caso concreto. Defende a licitude da exclusão dos valores repassados a terceiros das bases de cálculo tributáveis, sob o argumento de que essas parcelas não configuram receitas próprias. Argumenta que "nem todo ingresso tem natureza de receita, sendo indispensável para tanto o caráter de definitividade dos valores ingressados". Ademais, afirma que os valores apurados pela fiscalização estão vinculados a levantamentos feitos por amostragem (ver fl. 805). b) Ainda no item 2.2 (fls. 803/804), reclama que a autoridade fazendária não procedeu "aos descontos permitidos pela legislação, quais seja, vendas canceladas, descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente, bem como os valores das subcontratações", quando da apuração do IRPJ devido. Ademais, argumenta que "não se mostra aplicável o Adicional de Imposto de Renda em relação à tributação das receitas declaradas". c) No tópico 2.1.3, nominado "Da Exclusão do SIMPLES", ratifica a inconformidade em relação ao ato de exclusão do SIMPLES, sob a premissa de que não teria sido comprovada pela fiscalização a prática reiterada de infração por parte da contribuinte. A seguir, reclama que a fiscalização não contemplou os pagamentos realizados na modalidade SIMPLES na apuração dos débitos lançados de ofício. d) O item 2.3 diz respeito à incidência do PIS e COFINS. De início, ratifica os argumentos de que não há omissão de receitas, de sorte que entende improcedentes as exigências fiscais pertinentes a estes tributos. Subsidiariamente, argumenta a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/1998 e requer que sejam excluídos da base de cálculo do PIS e COFINS os valores do ICMS e de todas as receitas que não sejam operacionais. e) Nos itens 2.4 e 2.5 apresenta extensa argumentação contrária à incidência dos juros moratórios e multa de ofício. Nesse particular, requer (ver fls. 816/817), verbis: • "sejam aplicados aos débitos juros de 1% (um por centro ao mês) ao invés da SELIC, e, determinada a exclusão do cálculo dos valores exigidos no auto de infração a aplicação da taxa SELIC ou correção monetária e juros". • "seja determinada a supressão da penalidade punitiva de 75% (setenta e cinco por cento), uma vez que inexistiu falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração inexata, nos termos do artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007"; • "seja determinada a supressão da penalidade de 150% (cento e cinqüenta por cento), em razão da ausência de comprovação do inequívoco intuito de fraude, nos termos do artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007”.
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho. Relatório Contra a empresa Rodoviário Seni Ltda., foram lavrados autos de infração do IRPJ, fls. 672/697, PIS, fls. 698/723, COFINS, fls. 724/749, e CSLL, fls. 750/771, por ter a fiscalização constatado infrações à legislação tributária. Inconformada com a exigência, apresentou impugnação protocolada em 28/10/2008, em cujo arrazoado de fls. 789/817 contesta o lançamento. Do Relatório do Acórdão de Primeira Instância, fls. 966/973, extraio o seguinte excerto: “O litígio tem origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.06.00-2008-00579-9 (ver fl. 06). Conforme relatório fiscal de fls. 773/780, os trabalhos de auditoria foram direcionados para a verificação do "motivo das diferenças entre os valores das saídas/faturamento lançados nas Guias de Informação e Apuração do ICMS e os valores declarados nas PJ/Simples (período de 01/01/2004 a 30/06/2007), bem como com a DIPJ (período 01/07/2007 a 31/07/2007)". Nos períodos examinados, a forma de tributação adotada pela pessoa jurídica foi a seguinte (ver fl. 24): Após comparar os registros constantes (a) do livro registro de saídas do ICMS e dos conhecimentos de transporte rodoviários de cargas apresentados pela contribuinte com (b) as declarações apresentadas à Receita Federal do Brasil — RFB, a autoridade fazendária concluiu que as divergências examinadas dizem respeito a valores excluídos a título de descontos condicionais e sub-contratação de fretes das bases de cálculo dos tributos federais devidos, conforme descrito à fl. 774: "(..) o contribuinte excluiu dos valores lançados nestes Livros [os livros do ICMS] os descontos condicionais em função da mudança no peso final do transporte de produtos perecíveis e o repasse na sub-contratação de fretes". Segundo o agente fiscal, as exclusões ocorreram à revelia da legislação (em especial à vista do art. 40, §1°, da IN SRF n° 355/2003 1), caracterizando a prática de omissão de receitas. O quantitativo das exclusões — que em alguns períodos de apuração atingem valor até dez vezes maior do que a receita declarada —, está demonstrado no quadro de fl. 13. Diante desse cenário, a fiscalização: a) formalizou representação administrativa (ver fls. 01/05), que culminou na exclusão de ofício do SIMPLES, com efeitos a partir de 2004, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL n° 68, de 10/09/2008 (fl. 643), face à caracterização da hipótese prevista no art. 14, V, da Lei n° 9.317/1996 (prática reiterada de infração à legislação tributária), conforme descrito no Parecer ARF/BGS/RS n° 002, de setembro/2008 (fls.641/642); b) realizou o lançamento de ofício do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ e reflexos de Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social —COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, consubstanciado nos auto de infração de fls. 672/697 (IRPJ), 698/723 (PIS), 724/749 (COFINS) e 750/771 (CSLL), com ciência à contribuinte 26/09/2008. Tendo em vista que a contribuinte não apresentou escrituração contábil regular ou livro caixa para os períodos auditados, a apuração dos tributos devidos ocorreu com base no lucro arbitrado, forte no art. 530, III, do RIR/99, tomando-se como base de cálculo a receita bruta conhecida, nos termos do art. 537 do mesmo RIR/99. Quanto à diferença de tributos devidos vinculados às receitas declaradas, foi aplicada multa de ofício de 75%; já aos valores devidos vinculados às receitas omitidas foi associada a multa qualificada de 150%. À fl. 774, a fiscalização expõe suas razões para a aplicação da multa qualificada, a saber: "o contribuinte com a sua conduta impediu/retardou o conhecimento por parte da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador relativo a grande parte de sua receita, conforme demonstrativo de fl. 13, apenas sendo apurado os valores corretos em procedimento de fiscalização(...)". A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão em 27/10/2008 (fl. 01 do processo apenso) e impugnação contra o auto de infração em 28/10/2008 (fls. 789/817). A manifestação de inconformidade foi originalmente instruída em processo administrativo fiscal autônomo (de n° 13016.001219/2008-64), que restou apensado aos presentes autos. Ambos os recursos foram protocolizados tempestivamente. As alegações apresentadas na manifestação de inconformidade contra o ato de exclusão, protocolizada junto ao processo 13016.001219/2008-64, em resumo, são as seguintes: a) A contribuinte reclama a nulidade do ato de exclusão, sob o argumento de que não teria ocorrido, em momento anterior, a "conclusão do processo administrativo" relativo ao lançamento de oficio dos tributos devidos. b) Defende que a premissa adotada pela fiscalização de que teria ocorrido prática reiterada de infração tributária decorre de mera presunção. c) Subsidiariamente, alega que os efeitos da exclusão somente poderiam incidir "para frente, ou seja, a partir da decisão definitiva do presente procedimento administrativo tributário". Já os argumentos presentes na impugnação aos autos de infração estão organizados em dois segmento principais: preliminares de nulidade (fls. 791/794) e mérito (fls.794/815), a saber: Quanto às preliminares de nulidade a) A impugnante defende que o auto de infração está eivado de vício de nulidade, dado que "(...) não foram observados os requisitos estabelecidos no Decreto n° 70.235/72 na lavratura da presente autuação". Argumenta que "não consta no referido Auto de Infração a base de cálculo do imposto exigido, a forma de arbitramento, de forma que não se mostra verificável se a apuração dos valores está correta". (fl. 791) b) Adiante, reclama que "o auto de infração ora impugnado também se mostra nulo, em face das penalidade aplicadas". (fl. 792) c) Alega ainda que haveria nulidade quanto ao arbitramento levado a efeito pela autoridade fiscal, tendo em vista que a contribuinte "realizou todos os procedimentos necessários previstos no artigo 264, parágrafo primeiro, do Decreto n° 3.000/99 — RIR assim que constatado o extravio". Ao final, defende que "não prospera o argumento da Autoridade Fiscal para arbitramento a ausência de extratos bancários". Cita decisões do Conselho de Contribuintes. Quanto ao mérito a) Nos tópicos 2.1.2 e 2.2, contesta a existência de omissão de receitas no caso concreto. Defende a licitude da exclusão dos valores repassados a terceiros das bases de cálculo tributáveis, sob o argumento de que essas parcelas não configuram receitas próprias. Argumenta que "nem todo ingresso tem natureza de receita, sendo indispensável para tanto o caráter de definitividade dos valores ingressados". Ademais, afirma que os valores apurados pela fiscalização estão vinculados a levantamentos feitos por amostragem (ver fl. 805). b) Ainda no item 2.2 (fls. 803/804), reclama que a autoridade fazendária não procedeu "aos descontos permitidos pela legislação, quais seja, vendas canceladas, descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente, bem como os valores das subcontratações", quando da apuração do IRPJ devido. Ademais, argumenta que "não se mostra aplicável o Adicional de Imposto de Renda em relação à tributação das receitas declaradas". c) No tópico 2.1.3, nominado "Da Exclusão do SIMPLES", ratifica a inconformidade em relação ao ato de exclusão do SIMPLES, sob a premissa de que não teria sido comprovada pela fiscalização a prática reiterada de infração por parte da contribuinte. A seguir, reclama que a fiscalização não contemplou os pagamentos realizados na modalidade SIMPLES na apuração dos débitos lançados de ofício. d) O item 2.3 diz respeito à incidência do PIS e COFINS. De início, ratifica os argumentos de que não há omissão de receitas, de sorte que entende improcedentes as exigências fiscais pertinentes a estes tributos. Subsidiariamente, argumenta a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/1998 e requer que sejam excluídos da base de cálculo do PIS e COFINS os valores do ICMS e de todas as receitas que não sejam operacionais. e) Nos itens 2.4 e 2.5 apresenta extensa argumentação contrária à incidência dos juros moratórios e multa de ofício. Nesse particular, requer (ver fls. 816/817), verbis: • "sejam aplicados aos débitos juros de 1% (um por centro ao mês) ao invés da SELIC, e, determinada a exclusão do cálculo dos valores exigidos no auto de infração a aplicação da taxa SELIC ou correção monetária e juros". • "seja determinada a supressão da penalidade punitiva de 75% (setenta e cinco por cento), uma vez que inexistiu falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração inexata, nos termos do artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007"; • "seja determinada a supressão da penalidade de 150% (cento e cinqüenta por cento), em razão da ausência de comprovação do inequívoco intuito de fraude, nos termos do artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007”.

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1202­000.156  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  04 de dezembro de 2012  Assunto  Sobrestamento do julgamento do recurso.  Recorrente  RODOVIÁRIO SENI LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o  sobrestamento  do  julgamento  do  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram o presente julgado.  (Documento assinado digitalmente)  Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Alberto  Donassolo,  Nereida  de Miranda  Finamore Horta,  Viviane Vidal Wagner,  Geraldo  Valentim  Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho.    Relatório   Contra  a  empresa Rodoviário Seni  Ltda.,  foram  lavrados  autos  de  infração  do  IRPJ,  fls.  672/697, PIS,  fls.  698/723, COFINS,  fls. 724/749,  e CSLL,  fls.  750/771, por  ter  a  fiscalização constatado infrações à legislação tributária.  Inconformada  com  a  exigência,  apresentou  impugnação  protocolada  em  28/10/2008, em cujo arrazoado de fls. 789/817 contesta o lançamento.  Do Relatório do Acórdão de Primeira Instância, fls. 966/973, extraio o seguinte  excerto:  “O  litígio  tem  origem  na  fiscalização  inaugurada  com  a  emissão  do  Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.06.00­2008­00579­9 (ver fl.  06).     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 16 .0 00 97 3/ 20 08 -8 7 Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 13016.000973/2008­87  Resolução nº  1202­000.156  S1­C2T2  Fl. 1.040          2 Conforme  relatório  fiscal  de  fls.  773/780,  os  trabalhos  de  auditoria  foram direcionados para a verificação do "motivo das diferenças entre  os valores das saídas/faturamento lançados nas Guias de Informação e  Apuração do ICMS e os valores declarados nas PJ/Simples (período de  01/01/2004 a 30/06/2007), bem como com a DIPJ (período 01/07/2007  a 31/07/2007)".  Nos períodos examinados, a forma de tributação adotada pela pessoa  jurídica foi a seguinte (ver fl. 24):  Após comparar os registros constantes  (a) do  livro registro de saídas  do  ICMS  e  dos  conhecimentos  de  transporte  rodoviários  de  cargas  apresentados pela contribuinte com (b) as declarações apresentadas à  Receita  Federal  do  Brasil —  RFB,  a  autoridade  fazendária  concluiu  que as divergências  examinadas dizem respeito a  valores  excluídos a  título de descontos condicionais e sub­contratação de fretes das bases  de cálculo dos tributos federais devidos, conforme descrito à fl. 774:  "(..) o contribuinte excluiu dos valores lançados nestes Livros [os livros  do  ICMS]  os descontos  condicionais  em  função  da mudança no peso  final  do  transporte  de  produtos  perecíveis  e  o  repasse  na  sub­ contratação de fretes".  Segundo  o  agente  fiscal,  as  exclusões  ocorreram  à  revelia  da  legislação (em especial à vista do art. 40, §1°, da IN SRF n° 355/2003  1), caracterizando a prática de omissão de receitas. O quantitativo das  exclusões —  que  em  alguns  períodos  de  apuração  atingem  valor  até  dez  vezes maior  do  que  a  receita  declarada —,  está  demonstrado  no  quadro de fl. 13.  Diante desse cenário, a fiscalização:  a)  formalizou  representação  administrativa  (ver  fls.  01/05),  que  culminou na  exclusão  de ofício do  SIMPLES,  com efeitos  a  partir  de  2004,  por  meio  do  Ato  Declaratório  Executivo  DRF/CXL  n°  68,  de  10/09/2008 (fl. 643), face à caracterização da hipótese prevista no art.  14, V, da Lei n° 9.317/1996 (prática reiterada de infração à legislação  tributária),  conforme  descrito  no  Parecer  ARF/BGS/RS  n°  002,  de  setembro/2008 (fls.641/642);  b) realizou o lançamento de ofício do Imposto sobre a Renda de Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  e  reflexos  de  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  ­  PIS,  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  —COFINS  e  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido ­ CSLL, consubstanciado nos auto de infração de fls. 672/697  (IRPJ),  698/723  (PIS),  724/749  (COFINS)  e  750/771  (CSLL),  com  ciência à contribuinte 26/09/2008.  Tendo  em  vista  que  a  contribuinte  não  apresentou  escrituração  contábil regular ou livro caixa para os períodos auditados, a apuração  dos tributos devidos ocorreu com base no lucro arbitrado, forte no art.  530,  III, do RIR/99,  tomando­se como base de cálculo a receita bruta  conhecida, nos termos do art. 537 do mesmo RIR/99.  Quanto  à  diferença  de  tributos  devidos  vinculados  às  receitas  declaradas, foi aplicada multa de ofício de 75%; já aos valores devidos  Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 13016.000973/2008­87  Resolução nº  1202­000.156  S1­C2T2  Fl. 1.041          3 vinculados  às  receitas  omitidas  foi  associada  a  multa  qualificada  de  150%.  À fl. 774, a fiscalização expõe suas razões para a aplicação da multa  qualificada, a saber:  "o  contribuinte  com  a  sua  conduta  impediu/retardou  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  tributária  da  ocorrência  do  fato  gerador  relativo a grande parte de  sua  receita,  conforme demonstrativo de  fl.  13,  apenas  sendo  apurado  os  valores  corretos  em  procedimento  de  fiscalização(...)".  A  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  contra  o  ato declaratório de exclusão em 27/10/2008 (fl. 01 do processo apenso)  e impugnação contra o auto de infração em 28/10/2008 (fls. 789/817).  A  manifestação  de  inconformidade  foi  originalmente  instruída  em  processo  administrativo  fiscal  autônomo  (de  n°  13016.001219/2008­ 64),  que  restou  apensado  aos  presentes  autos.  Ambos  os  recursos  foram protocolizados tempestivamente.  As alegações apresentadas na manifestação de inconformidade contra  o  ato  de  exclusão,  protocolizada  junto  ao  processo  13016.001219/2008­64, em resumo, são as seguintes:   a)  A  contribuinte  reclama  a  nulidade  do  ato  de  exclusão,  sob  o  argumento  de  que  não  teria  ocorrido,  em  momento  anterior,  a  "conclusão  do  processo  administrativo"  relativo  ao  lançamento  de  oficio dos tributos devidos.  b)  Defende  que  a  premissa  adotada  pela  fiscalização  de  que  teria  ocorrido  prática  reiterada  de  infração  tributária  decorre  de  mera  presunção.  c)  Subsidiariamente,  alega  que  os  efeitos  da  exclusão  somente  poderiam incidir "para frente, ou seja, a partir da decisão definitiva do  presente procedimento administrativo tributário".  Já os argumentos presentes na impugnação aos autos de infração estão  organizados  em  dois  segmento  principais:  preliminares  de  nulidade  (fls. 791/794) e mérito (fls.794/815), a saber:  Quanto às preliminares de nulidade   a) A impugnante defende que o auto de infração está eivado de vício de  nulidade,  dado  que  "(...)  não  foram  observados  os  requisitos  estabelecidos  no  Decreto  n°  70.235/72  na  lavratura  da  presente  autuação". Argumenta que "não consta no referido Auto de Infração a  base de cálculo do imposto exigido, a forma de arbitramento, de forma  que não se mostra verificável se a apuração dos valores está correta".  (fl. 791)  b) Adiante, reclama que "o auto de infração ora impugnado também se  mostra nulo, em face das penalidade aplicadas". (fl. 792)  c) Alega ainda que haveria nulidade quanto ao arbitramento levado a  efeito  pela  autoridade  fiscal,  tendo  em  vista  que  a  contribuinte  "realizou todos os procedimentos necessários previstos no artigo 264,  Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 13016.000973/2008­87  Resolução nº  1202­000.156  S1­C2T2  Fl. 1.042          4 parágrafo  primeiro,  do  Decreto  n°  3.000/99  —  RIR  assim  que  constatado  o  extravio".  Ao  final,  defende  que  "não  prospera  o  argumento  da  Autoridade  Fiscal  para  arbitramento  a  ausência  de  extratos bancários". Cita decisões do Conselho de Contribuintes.  Quanto ao mérito   a) Nos tópicos 2.1.2 e 2.2, contesta a existência de omissão de receitas  no  caso  concreto.  Defende  a  licitude  da  exclusão  dos  valores  repassados  a  terceiros  das  bases  de  cálculo  tributáveis,  sob  o  argumento  de  que  essas  parcelas  não  configuram  receitas  próprias.  Argumenta  que  "nem  todo  ingresso  tem  natureza  de  receita,  sendo  indispensável  para  tanto  o  caráter  de  definitividade  dos  valores  ingressados".  Ademais,  afirma  que  os  valores  apurados  pela  fiscalização  estão  vinculados  a  levantamentos  feitos  por  amostragem  (ver fl. 805).  b)  Ainda  no  item  2.2  (fls.  803/804),  reclama  que  a  autoridade  fazendária  não  procedeu  "aos  descontos  permitidos  pela  legislação,  quais seja, vendas canceladas, descontos  incondicionais concedidos e  os  impostos não cumulativos cobrados destacadamente,  bem como os  valores  das  subcontratações",  quando  da  apuração  do  IRPJ  devido.  Ademais,  argumenta  que  "não  se  mostra  aplicável  o  Adicional  de  Imposto de Renda em relação à tributação das receitas declaradas".  c) No  tópico  2.1.3,  nominado  "Da Exclusão  do  SIMPLES",  ratifica  a  inconformidade  em  relação  ao  ato  de  exclusão  do  SIMPLES,  sob  a  premissa de que não teria sido comprovada pela fiscalização a prática  reiterada de infração por parte da contribuinte. A seguir, reclama que  a  fiscalização  não  contemplou  os  pagamentos  realizados  na  modalidade SIMPLES na apuração dos débitos lançados de ofício.  d) O  item 2.3  diz  respeito  à  incidência  do PIS  e COFINS. De  início,  ratifica os argumentos de que não há omissão de receitas, de sorte que  entende improcedentes as exigências fiscais pertinentes a estes tributos.  Subsidiariamente,  argumenta  a  inconstitucionalidade  do  art.  3º,  §1°,  da Lei n° 9.718/1998 e requer que sejam excluídos da base de cálculo  do PIS e COFINS os valores do ICMS e de todas as receitas que não  sejam operacionais.  e)  Nos  itens  2.4  e  2.5  apresenta  extensa  argumentação  contrária  à  incidência  dos  juros  moratórios  e  multa  de  ofício.  Nesse  particular,  requer (ver fls. 816/817), verbis:  • "sejam aplicados aos débitos juros de 1% (um por centro ao mês) ao  invés  da  SELIC,  e,  determinada  a  exclusão  do  cálculo  dos  valores  exigidos no auto de  infração a aplicação da  taxa SELIC ou correção  monetária e juros".  •  "seja  determinada  a  supressão  da  penalidade  punitiva  de  75%  (setenta e cinco por cento), uma vez que inexistiu falta de pagamento  ou recolhimento, falta de declaração inexata, nos termos do artigo 44,  I, da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007";   •  "seja  determinada  a  supressão  da  penalidade  de  150%  (cento  e  cinqüenta  por  cento),  em  razão  da  ausência  de  comprovação  do  Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 13016.000973/2008­87  Resolução nº  1202­000.156  S1­C2T2  Fl. 1.043          5 inequívoco  intuito de  fraude, nos  termos do artigo 44, §1°, da Lei n°  9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007”.  Em 05 de agosto de 2009 foi prolatado o Acórdão nº 10­20.509, da 1ª Turma de  Julgamento  da  DRJ  Porto  Alegre,  fls.  966/973,  que  considerou  procedente  em  parte  o  lançamento, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa:  “ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES.  ­DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS DE PEQUENO PORTE ­ SIMPLES   Ano­calendário: 2008   DECISÃO  DE  EXCLUSÃO  DO  SIMPLES.  CONTRADITÓRIO  E  AMPLA DEFESA.  É  desnecessário  que  o  Fisco  percorra  todas  as  instâncias  administrativas  com  o  processo  de  exclusão  do  SIMPLES  para  só  então,  com a  decisão  final  desfavorável  ao  contribuinte,  proceder  ao  lançamento de ofício, e vice e versa.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ   Ano­calendário: 2004, 2005, 2006, 2007   OMISSÃO DE RECEITAS. BASE DE CÁLCULO.  Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o  valor  do  imposto  e  do  adicional  a  serem  lançados  de  acordo  com  o  regime  de  tributação  a  que  estiver  submetida  a  pessoa  jurídica  no  período­base a que corresponder a omissão. O valor da receita omitida  será  considerado  na  determinação  da  base  de  cálculo  para  o  lançamento da CSLL, PIS e COFINS.  RECEITAS  DE  CONTRATOS  DE  TRANSPORTE.  SUBCONTRATAÇÃO  DO  SERVIÇO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS VALORES RELATIVOS À  SUBCONTRATAÇÃO.  Inexiste  agenciamento  nos  casos  em que  a  prestadora  de  serviços  de  transporte contrata, em seu nome,  serviços de  transporte de  terceiros  para  cumprir  o  contrato  firmado  com  o  tomador  de  serviço,  configurando­se  como  faturamento  o  valor  integral  do  primeiro  contrato.  CONSTITUCIONALIDADE.  A  autoridade  administrativa  é  incompetente  para  decidir  sobre  a  constitucionalidade de atos normativos.  MULTA DE OFÍCIO.  Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 13016.000973/2008­87  Resolução nº  1202­000.156  S1­C2T2  Fl. 1.044          6 A  prova  inequívoca  do  dolo  havido  na  conduta  da  contribuinte  é  indispensável para a aplicação da multa qualificada.  TAXA SELIC.  A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios  incidentes sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para  títulos  federais. (Súmula n°4 do 1° CC).  Impugnação Procedente em Parte”  Cientificada em 25 de agosto de 2009, AR de fls. 988, e novamente irresignada  com o acórdão de primeira  instância,  apresenta  seu  recurso voluntário protocolado em 22 de  setembro  de  2009,  em  cujo  arrazoado  de  fls.  992/1024  repisa  os  mesmos  argumentos  expendidos na peça impugnatória.  É o Relatório.  Voto  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  dotado  dos  pressupostos  para  sua  admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento.  A  matéria  discutida  trata  de  exclusão  do  SIMPLES  e  arbitramento  do  lucro  tributável, motivada pela falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais.   Na sua impugnação e no recurso, alega a empresa ser inconstitucional a inclusão  do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS.   Essa  matéria  está  sendo  questionada  no  Judiciário.  A  discussão  já  chegou  ao  Supremo Tribunal  Federal  que,  analisando o  litígio,  com  característica  de  repercussão  geral,  sobrestou a decisão até ulterior deliberação.  Conforme determina o artigo 62 A do RICARF, o julgamento do recurso deve  ser sobrestado até decisão definitiva do julgado do STF.  Essa  matéria  não  é  nova  na  Turma,  já  tendo  sido  abordada  pela  Conselheira  Viviane Vidal Wagner na Resolução nº 1202­000.148, da sessão de 07 de novembro de 2012, o  qual peço vênia para transcrever seus fundamentos:   “Passando à análise do mérito, contudo, depara­se com uma questão  prejudicial ao julgamento, pois, dentre as matérias litigiosas, encontra­ se a dedução do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, com a  alegação de que sua inclusão é ilegítima e inconstitucional.  A discussão sobre a exclusão do ICMS nos mesmos moldes da do IPI,  considerando­se que esta tem previsão legal e aquela, não, chegou ao  STF com o início do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785,  após ter sido pacificada no âmbito do STJ, com a edição das Súmulas  68 (“A parcela relativa ao ICM inclui­se na base de cálculo do PIS”) e  94  (“A  parcela  relativa  ao  ICM  inclui­se  na  base  de  cálculo  do  FINSOCIAL”).  Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 13016.000973/2008­87  Resolução nº  1202­000.156  S1­C2T2  Fl. 1.045          7 Após  iniciado  o  julgamento,  pelo  STF,  do  RE  mencionado,  a  União  ajuizou uma ação direta de constitucionalidade (ADC 18), pretendendo  legitimar a inclusão do ICMS na composição base de cálculo do PIS e  da Cofins, com pedido de declaração de constitucionalidade do inciso I  do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em face do inciso I do art.195 da  Constituição  Federal,  assim  como  de  adoção  de  efeitos  prospectivos  (ex nunc), em caso da eventual declaração de inconstitucionalidade do  dispositivo em tela.  Considerando  que  a  decisão  na  ADC  produziria  efeitos  sobre  a  totalidade dos processos envolvendo o mesmo tema, o STF decidiu que,  apesar de iniciado o julgamento do tema no RE 240.785, a análise da  mencionada  ADC  deveria  ter  precedência,  e  deferiu,  por  maioria,  medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendessem o  julgamento dos processos em trâmite que envolvessem a aplicação do  art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo  Plenário  do  STF.  O  prazo  dessa  decisão  liminar  foi  prorrogado  até  setembro de 2010, não tendo sido julgado o mérito até a data de hoje.  Todavia, a repercussão geral sobre o tema “inclusão do ICMS na base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS”  (tema  69)  foi  reconhecida  pelo  Plenário  Virtual,  em  25/04/2008,  no  Recurso  Extraordinário  nº  574.706.  O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de  22/06/2009 e alterações posteriores, determina:  Art. 62A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C  da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  até  que  seja  proferida  decisão  nos  termos  do  art.  543B.  §  2º  O  sobrestamento  de  que  trata  o  §  1º  será  feito  de  ofício  pelo  relator ou por provocação das partes."(AC)  Visando  regulamentar  aquele  dispositivo,  a  Portaria  CARF  nº  1,  de  03/01/2012, determina que o procedimento de sobrestamento “somente  será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  –  STF  o  sobrestamento  de  processos  relativos  à  matéria  recorrida,  independentemente  da  existência  de  repercussão geral reconhecida para o caso” (art. 1º, parágrafo único),  cabendo  ao  relator  do  processo  identificar,  de  ofício  ou  por  provocação  das  partes,  se  o  caso  concreto  se  enquadra,  em  tese,  na  hipótese de sobrestamento (art. 2º).  Após  pesquisa,  verificou­se  que,  seguindo  a  orientação  consubstanciada no  julgamento de questão de ordem no RE 540.410,  Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 13016.000973/2008­87  Resolução nº  1202­000.156  S1­C2T2  Fl. 1.046          8 foram  proferidos  despachos monocráticos  em  diversos  processos  que  tratam  do  tema  de  interesse  para  este  julgamento,  determinando  a  devolução dos autos ao Tribunal de origem, para os fins previstos no  art. 543B do CPC, tais como no RE 582.713, RE 404.887, RE 570.203,  RE 611.698, dentre outros.  Por  todos,  colaciona­se  o  despacho  proferido  no  Recurso  Extraordinário  nº  682.886,  publicado  em  30.05.2012,  cuja  decisão  restou assim ementada:  O  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal,  apreciando  o  RE  540.410QO,  rel.  min.  Cezar  Peluso,  acolheu  questão  de  ordem  no  sentido de "determinar a devolução dos autos, e de todos os recursos  extraordinários que versem a mesma matéria, ao Tribunal de origem,  para os  fins do art. 543B do CPC"  (Informativo 516, de 27.08.2008).  Decidiu­se, então, que o disposto no art. 543B do Código de Processo  Civil  também  se  aplica  aos  recursos  interpostos  de  acórdãos  publicados  antes  de  03  de  maio  de  2007  cujo  conteúdo  verse  sobre  tema em que a repercussão geral tenha sido reconhecida. No presente  caso,  o  recurso  extraordinário  versa  sobre  tema  (tema  69)  cuja  repercussão  geral  já  foi  reconhecida  pelo  Supremo Tribunal  Federal  no RE 574.706 RG, rel. min. Cármen Lúcia, assim do: "Reconhecida a  repercussão  geral  da  questão  constitucional  relativa  à  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  da  COFINS  e  da  contribuição  ao  PIS.  Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do  Recurso Extraordinário n. 240.785.”  Do exposto, nos  termos do art. 328 do RISTF (na redação dada pela  Emenda  Regimental  21/2007),  determino  a  devolução  dos  presentes  autos  ao Tribunal  de  origem,  para  que  seja  observado o  disposto  no  art. 543B e parágrafos do Código de Processo Civil.   Publique­se.  Brasília,  18  de  maio  de  2012.  Ministro  JOAQUIM  BARBOSA Relator   Diante  dessas  considerações,  verificando  a  prejudicialidade  entre  a  matéria  tratada  nestes  autos  e  aquela  reconhecida  como  de  repercussão  geral,  voto  por  sobrestar  o  julgamento  do  presente  recurso, até que seja proferida decisão definitiva nos autos do Recurso  Extraordinário RE  nº  574.706 RG,  em  trâmite  perante  o E.  Supremo  Tribunal Federal.”  De todo o exposto, com base no RICARF e art. 2º, § 1º da Portaria CARF nº 02  de  2012,  entendo  que  o  julgamento  do  recurso  deva  ser  sobrestado  para  aguardar  a  decisão  definitiva  do  Supremo Tribunal  Federal  a  respeito  da matéria  inclusão  do  ICMS na  base  de  cálculo do PIS e da COFINS.  (Documento assinado digitalmente)  Nelson Lósso Filho – Relator.  Fl. 1072DF CARF MF

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Numero do processo: 11128.006390/2006-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/11/2002 EMBARGOS INOMINADOS. HIPÓTESES DE CABIMENTO. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. No caso julgado, o equívoco está bem configurado, de modo a permitir a correção do acórdão embargado.
Numero da decisão: 3201-003.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1543; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 413          1 412  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11128.006390/2006­13  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  3201­003.682  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de maio de 2018  Matéria  EMBARGOS INOMINADOS  Recorrente  ALFÂNDEGA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL NO PORTO DE  SANTOS ­ SP   Recorrida  DSM PRODUTOS NUTRICIONAIS DO BRASIL LTDA.    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 19/11/2002  EMBARGOS INOMINADOS. HIPÓTESES DE CABIMENTO.  As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de  escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para  opor  embargos,  deverão  ser  recebidos  como  embargos  inominados  para  correção, mediante a prolação de um novo acórdão.  No  caso  julgado,  o  equívoco  está  bem  configurado,  de  modo  a  permitir  a  correção do acórdão embargado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  e acolher os embargos.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Leonardo  Correia  Lima Macedo,  Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 63 90 /2 00 6- 13 Fl. 413DF CARF MF     2 Relatório  Trata­se  de  Embargos  recebidos  como  inominados  interpostos  tempestivamente  pela  Alfândega  do  Porto  de  Santos  contra  o  Acórdão  nº  3201­00.606,  08/10/2010,  proferido  pela  1ª  Turma  da  2ª  Câmara  da  3ª  Seção  do  CARF,  que  fora  assim  ementado:  ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Data do fato gerador: 19/11/2002  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL.  Salvo  se  for  comprovado  que  os  excipientes  desnaturam  as  características  essenciais  das  vitaminas,  os  produtos  de  denominação  comercial  Acetato  de  Vitamina  "A"  ROVIMIX AD3  500/100,  devem  ser  classificados  no  Capitulo  29,  Seção  36  da  TEC,  ainda  que  sejam  utilizados  como  adições  a  alimentos  animais  por  força  das  notas  explicativas da NESH referente a essa posição.  MULTA.  INFRAÇÃO  AO  CONTROLE  DAS  IMPORTAÇÕES.  Com  base  no  ADN  COSIT  n°  12/97,  não  constitui  infração  administrativa  ao  controle  das  importações  as  DIs  cuja  classificação  tarifária  errônea  exija  novo  licenciamento,  automático  ou  não,  desde  que  o  produto  esteja  corretamente  descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação  e ao enquadramento tarifário pleiteado.  MULTA.  CLASSIFICAÇÃO  INCORRETA.  Confirmada  a  classificação  incorreta,  é  cabível  a multa  de  1%  sobre  o  valor  aduaneiro, prevista no artigo 84, I, da MP 2.158­35/2001.    Alega  a  Embargante  que  a  decisão,  em  seu  último  tópico  (Mercadoria  Classificada Incorretamente na NCM), às fls. 196, estabelece que “(...) não há que se falar na  multa em questão, mantendo­se tal penalidade apenas para as adições 003,008 e 009 (…). Com  isso a multa regulamentar mantida restringe­se a 1% do valor aduaneiro dessas adições, ou seja  1% de R$ 36.998,83, ou simplesmente R$ 369,98”. Contudo, conforme o Auto de Infração, às  fls. 16, o VALOR MÍNIMO da multa em questão é de R$ 500,00 por NCM. Dessa forma, o  valor mantido para as multas seria de R$ 500,00 para a NCM 3834.90.19 (adição 008) e R$  500,00 para a NCM 3824.90.89 (adições 003 e 009), o que totaliza R$ 1.000,00.  O exame de admissibilidade dos embargos encontra­se às fls. 410/411.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator  O  recurso  atende  a  todos  os  requisitos  de  admissibilidade  previstos  em  lei,  razão pela qual dele se conhece.  Assevera a autoridade Embargante, o Inspetor­Chefe da Alfândega do Porto de  Santos, que houve um equívoco no voto condutor do acórdão embargado, haja vista que, quando do  cálculo da multa devida, reduziu­a a valores inferiores ao que seria devido.  Fl. 414DF CARF MF Processo nº 11128.006390/2006­13  Acórdão n.º 3201­003.682  S3­C2T1  Fl. 414          3 A multa a que se referem os embargos é a prevista no art. 84, inciso I, da Medida  Provisória ­ MP nº 2.158­35/2001, que tem a seguinte redação:    Art. 84.  Aplica­se  a  multa  de  um  por  cento  sobre  o  valor  aduaneiro da mercadoria:         I ­ classificada  incorretamente  na  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul,  nas  nomenclaturas  complementares  ou  em  outros  detalhamentos  instituídos para a  identificação da mercadoria;  ou      II ­ quantificada  incorretamente  na  unidade  de  medida  estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal.      § 1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00  (quinhentos  reais),  quando  do  seu  cálculo  resultar  valor  inferior.      § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica  a  exigência  dos  impostos,  da  multa  por  declaração  inexata  prevista  no art.  44  da  Lei  no 9.430,  de  1996,  e  de  outras  penalidades  administrativas,  bem  assim  dos  acréscimos  legais  cabíveis. (g.n.)    A referida multa, portanto, quando há erro de classificação fiscal, é aplicada,  não há dúvida, por NCM, não pelo valor total da Declaração de Importação ­ DI.  No caso em exame, como resta  inequívoco do voto condutor do  acórdão, a  multa  foi  aplicada  sobre  o  somatório  dos  valores  declarados  para  produtos  com  duas  classificações  distintas:  NCM  3834.90.19  (adição  008)  e  NCM  3824.90.89  (adições  003  e  009).  Confira­se:  Assim,  considerando  que,  no meu  entender,  não  houve  erro  na  classificação das adições 010 e 011 da DI n° 02/1025719­3, não  há que se falar na multa em questão, mantendo­se tal penalidade  apenas  para  as  adições  003,  008  e  009,  que,  segundo  a  DRJ/SP2,  deveriam  ser  classificadas  na  posição  NCM  3003.90.1,  referente  a  medicamentos  contendo  vitaminas  e  outros produtos da posição 29.36.  Com isso, a multa regulamentar mantida restringe­se a 1% do  valor aduaneiro dessas adições, ou seja, 1% de R$ 36.998,83 ou  simplesmente R$ 369,98.  Em função de todo o exposto, voto para dar provimento parcial  ao recurso voluntário e mantenho o crédito tributário apenas no  tocante h. multa regulamentar de que trata a Medida Provisória  n°  2.158­35,  de  2001,  a  qual  foi  corretamente  aplicada  As  adições 003, 008 e 009 da DI n° 02/1025719­3.    O  relator  somou  os  valores  das  três  adições,  que  se  referem  a  duas NCMs  distintas, e aplicou um por cento sobre o total.  Fl. 415DF CARF MF     4 Contudo,  considerando que  a penalidade não pode  ser  inferior  à quantia de  R$ 500,00  para NCM, o  valor  da multa  por  erro  de  classificação  fiscal  totaliza,  de  fato, R$  1.000,00 (mil reais).  Ante o exposto, conheço e acolho os embargos, para que a multa por erro  de classificação fiscal passe a ser aplicada no valor de R$ 1.000,00 (mil reais).  É como voto.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                                      Fl. 416DF CARF MF

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Numero do processo: 11555.001411/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 30/11/2002 PRELIMINAR DE NULIDADE DE CITAÇÃO. INTIMAÇÃO POSTAL. VALIDADE. QUALIFICAÇÃO DO RECEBEDOR. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 09. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. No caso concreto, o recebedor foi o próprio procurador, constituído pelo Recorrente mediante instrumento procuratório público registrado em cartório, com amplos e ilimitados poderes. PRELIMINAR DE NULIDADE DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO. CIÊNCIA. IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é uma autorização ao Auditor-Fiscal para fiscalizar a empresa e verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei n. 8.212/91. Expedido de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, bem assim com a devida ciência do seu teor ao fiscalizado, não há que se falar em nulidade ou irregularidade, principalmente quando a ação fiscal transcorre dentro dos estritos limites legais. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO A DISPOSITIVO LEGAL. CARACTERIZAÇÃO. OBRIGAÇÃO DE FAZER. NÃO CUMPRIMENTO. Constitui infração ao disposto no art. 2°., §3°., alínea "a", do Decreto n. 1.007/93, c/c art. 33, § 5°., da Lei n. 8.212/91, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto, as contribuições sociais a que se refere o art. 7°. da Lei n. 8.706/93, devidas pelos contribuintes individuais transportadores autônomos a seu serviço, destinadas ao SEST e ao SENAT. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ART. 30, IX, DA LEI N. 8.212/91. ART. 124 DO CTN. Caracterizado a formação de grupo econômico, com provas substanciais nos autos do processo administrativo fiscal, decorre a solidariedade quanto à obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91 c/c art. 124 do CTN.
Numero da decisão: 2402-006.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregório Rechmann Júnior e Mauricio Nogueira Righetti.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 30/11/2002 PRELIMINAR DE NULIDADE DE CITAÇÃO. INTIMAÇÃO POSTAL. VALIDADE. QUALIFICAÇÃO DO RECEBEDOR. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 09. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. No caso concreto, o recebedor foi o próprio procurador, constituído pelo Recorrente mediante instrumento procuratório público registrado em cartório, com amplos e ilimitados poderes. PRELIMINAR DE NULIDADE DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO. CIÊNCIA. IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é uma autorização ao Auditor-Fiscal para fiscalizar a empresa e verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei n. 8.212/91. Expedido de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, bem assim com a devida ciência do seu teor ao fiscalizado, não há que se falar em nulidade ou irregularidade, principalmente quando a ação fiscal transcorre dentro dos estritos limites legais. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO A DISPOSITIVO LEGAL. CARACTERIZAÇÃO. OBRIGAÇÃO DE FAZER. NÃO CUMPRIMENTO. Constitui infração ao disposto no art. 2°., §3°., alínea "a", do Decreto n. 1.007/93, c/c art. 33, § 5°., da Lei n. 8.212/91, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto, as contribuições sociais a que se refere o art. 7°. da Lei n. 8.706/93, devidas pelos contribuintes individuais transportadores autônomos a seu serviço, destinadas ao SEST e ao SENAT. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ART. 30, IX, DA LEI N. 8.212/91. ART. 124 DO CTN. Caracterizado a formação de grupo econômico, com provas substanciais nos autos do processo administrativo fiscal, decorre a solidariedade quanto à obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91 c/c art. 124 do CTN.

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2402­006.110  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  4 de abril de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  FRIGORÍFICO NOVO ESTADO S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1998 a 30/11/2002  PRELIMINAR  DE  NULIDADE  DE  CITAÇÃO.  INTIMAÇÃO  POSTAL.  VALIDADE.  QUALIFICAÇÃO  DO  RECEBEDOR.  ENUNCIADO  DE  SÚMULA CARF N. 09.  É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal  eleito  pelo  contribuinte,  confirmada  com  a  assinatura  do  recebedor  da  correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.  No  caso  concreto,  o  recebedor  foi  o  próprio  procurador,  constituído  pelo  Recorrente mediante instrumento procuratório público registrado em cartório,  com amplos e ilimitados poderes.  PRELIMINAR  DE  NULIDADE  DE  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL. EMISSÃO. CIÊNCIA. IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA.   O Mandado de Procedimento Fiscal é uma autorização ao Auditor­Fiscal para  fiscalizar a empresa e verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias  previstas na Lei n. 8.212/91.  Expedido de acordo com a  legislação vigente à época dos fatos, bem assim  com  a  devida  ciência  do  seu  teor  ao  fiscalizado,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  ou  irregularidade,  principalmente  quando  a  ação  fiscal  transcorre  dentro dos estritos limites legais.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  INFRAÇÃO  A  DISPOSITIVO  LEGAL.  CARACTERIZAÇÃO. OBRIGAÇÃO DE FAZER. NÃO CUMPRIMENTO.  Constitui  infração  ao  disposto  no  art.  2°.,  §3°.,  alínea  "a",  do  Decreto  n.  1.007/93, c/c art. 33, § 5°., da Lei n. 8.212/91, deixar a empresa de arrecadar,  mediante desconto, as contribuições sociais a que se refere o art. 7°. da Lei n.  8.706/93, devidas pelos contribuintes  individuais  transportadores autônomos  a seu serviço, destinadas ao SEST e ao SENAT.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 55 5. 00 14 11 /2 01 0- 42 Fl. 1371DF CARF MF     2 GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO.  SOLIDARIEDADE. ART.  30, IX, DA LEI N. 8.212/91. ART. 124 DO CTN.  Caracterizado a formação de grupo econômico, com provas substanciais nos  autos  do  processo  administrativo  fiscal,  decorre  a  solidariedade  quanto  à  obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n.  8.212/91 c/c art. 124 do CTN.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Luís Henrique Dias Lima ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Mário  Pereira  de  Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson,  Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini,  Luís  Henrique  Dias  Lima,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci,  Gregório  Rechmann  Júnior  e  Mauricio Nogueira Righetti.                      Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 11555.001411/2010­42  Acórdão n.º 2402­006.110  S2­C4T2  Fl. 102          3 Relatório  Cuida­se  de  Recurso  Voluntário  de  e­fls.  1305/1318  em  face  da  Decisão­ Notificação  (DN) n.  26.401.4/0074/2006  ­ Seção do Contencioso Administrativo  ­ Delegacia  da  Receita  Previdenciária  ­  Porto  Velho/RO  (e­fls.  1279/1288),  que  julgou  procedente  o  lançamento consignado no Auto de Infração (AI) ­ DEBCAD n. 35.601.384­7 ­ consolidado no  valor total de multa de R$ 1.101,75 ­ Código de Fundamentação Legal (CFL) 99 ­ na data de  22/12/2005 ­ Período de Autuação: 01/1998 a 11/2002 (e­fls. 03/09) ­ com fulcro em infração  ao  art.  2°.,  §  3°.,  alínea  "a",  do Decreto  n.  1.007/93,  c/c  art.  33,  §  5°.,  da  Lei  n.  8.212/91,  lavrado em desfavor do contribuinte em epígrafe, por deixar de arrecadar, mediante desconto,  as contribuições sociais a que se refere o art. 7°. da Lei n. 8.706/93, devidas pelos contribuintes  individuais  transportadores  autônomos  a  seu  serviço,  destinadas  ao  SEST  e  ao  SENAT,  incidentes sobre o valor do frete, no período de 01/1998 a 11/2002.   A  Decisão­Notificação  (DN)  n.  26.401.4/0074/2006  (e­fls.  1279/1288)  reformou  a  Decisão­Notificação  (DN)  n.  26.401.4/0070/2006  (e­fls.  1275/1278),  que  considerava improcedente a autuação em lide.  O Relatório Fiscal (e­fls. 32/53), bem assim o Relatório de Grupo Econômico  ­  RGE  (e­fls.  105/132),  caracterizam  os  procedimentos  fiscais  realizados;  as  evidências  constatadas  no  curso  da  fiscalização  e  a  solidariedade  das  empresas  FRIGORÍFICO  BONSUCESSO  LTDA.,  FRIGORÍFICO  PORTO  LTDA.,  FRIGORÍFICO  VALE  DO  RIO  ACRE LTDA., FRIGORÍFICO SANTA ELVIRA LTDA. e FRIGORÍFICO NOVO ESTADO  S/A ­ que  constituem grupo econômico de  fato  ­ pelo débito de natureza previdenciária em  apreço.   A Recorrente foi regularmente cientificada do AI ­ DEBCAD n. 35.601.384­7  (e­fls.  03/09)  em  29/12/2005  (e­fl.  1269),  e,  irresignada,  apresentou,  em  10/01/2006,  a  impugnação de e­fls. 1245/1257, aduzindo, em síntese:   i) Preliminar de nulidade de citação;  ii) Inexistência de grupo econômico;  iii) Inexistência de solidariedade;  iv) Irregularidades no decorrer da ação fiscal;  v)  Improcedência  da  autuação  por  não  caracterizar  a  infração  ao  art.  2°.,  §3°., alínea "a", do Decreto n. 1.007, de 13/12/1993, c/c art. 33, §5°., da Lei  n. 8.212/91.  vi)  Inobservância  das  regras  que  disciplinam o Mandado  de Procedimento  Fiscal.  Ao fim, requer que seja relevada a multa consubstanciada no AI ­ DEBCAD  n.  35.601.384­7  (e­fls.  03/09),  considerando  a  primariedade  da  empresa,  a  inexistência  de  circunstâncias agravantes e a correção da falta.  Fl. 1373DF CARF MF     4  Os solidários também foram cientificados do lançamento em lide.  O  crédito  tributário  de  natureza  previdenciária  no  AI  ­  DEBCAD  n.  35.601.384­7 (e­fls. 03/09) foi mantido no julgamento de primeiro grau, consoante a Decisão­ Notificação (DN) n. 26.401.4/0074/2006 (e­fls. 1279/1288), que sumarizou seu entendimento  conforme emenda abaixo reproduzida:    A  Recorrente  foi  cientificada  do  teor  da  Decisão­Notificação  (DN)  n.  26.401.4/0074/2006  (e­fls.  1279/1288),  e,  inconformada,  apresentou  Recurso  Voluntário  ao  Conselho  de  Recursos  Fiscais  da  Previdência  Social  em  19/06/2006  (e­fls.  1305/1318),  esgrimindo os mesmos argumentos da impugnação de e­fls. 1245/1257.  Os solidários também foram notificados do teor da Decisão­Notificação (DN)  n. 26.401.4/0074/2006 (e­fls. 1279/1288).  Todavia,  o  Recurso  Voluntário  de  e­fls.  1305/1318,  a  despeito  de  sua  tempestividade,  foi  considerado  deserto  (insuficiência/ausência  de  depósito  recursal)  e,  por  consequência,  negado  o  seu  seguimento,  com  fundamento  no  art.  126,  §  1°.,  da  Lei  n.  8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, nos termos exatos da decisão exarada  pela  Seção  do  Contencioso  Administrativo  ­  Delegacia  da  Receita  Previdenciária  ­  Porto  Velho/RO (e­fls. 1329/1330).  Entretanto,  com o  advento da Súmula Vinculante STF n.  21  ­  29/10/2009  ­  DJe n. 223 ­ 27/11/2009 ­ restou caracterizada a inconstitucionalidade da exigência de depósito  ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo.  Nesse  contexto,  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  em  Rondônia  procedeu  à  revisão  da  legalidade  dos  atos  praticados  pela  autoridade  administrativa  (Seção  do  Contencioso  Administrativo  ­  Delegacia  da  Receita  Previdenciária  ­  Porto  Velho/RO),  concluindo  pelo  cancelamento da  inscrição  em Dívida Ativa da União  (DAU) e devolução deste processo  ao  âmbito administrativo para o julgamento do Recurso Voluntário de e­fls. 1305/1318, conforme  despacho de acompanhamento especial de e­fls. 1362/1363.  É o relatório.  Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 11555.001411/2010­42  Acórdão n.º 2402­006.110  S2­C4T2  Fl. 103          5   Voto             Conselheiro Luís Henrique Dias Lima ­ Relator.  Consoante relatado, o Recurso Voluntário de e­fls. 1305/1318, a despeito de  sua tempestividade, foi considerado deserto (insuficiência/ausência de depósito recursal) e, por  consequência,  negado  o  seu  seguimento,  com  fundamento  no  art.  126,  §  1°.,  da  Lei  n.  8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, nos termos exatos da decisão exarada  pela  Seção  do  Contencioso  Administrativo  ­  Delegacia  da  Receita  Previdenciária  ­  Porto  Velho/RO (e­fls. 1329/1330).  Entretanto, com o advento da Súmula Vinculante STF n. 21  ­ 29/10/2009  ­  DJe n. 223 ­ 27/11/2009 ­ restou caracterizada a inconstitucionalidade da exigência de depósito  ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo.  Destarte, a Procuradoria da Fazenda Nacional em Rondônia procedeu ao controle de legalidade  da decisão que negou seguimento ao recurso administrativo com fundamento no art. 126, §1°.,  da Lei  n.  8.213/1991,  com a  redação  dada  pela Lei  n.  10.684/2003,  exarada  pela  autoridade  administrativa (Seção do Contencioso Administrativo ­ Delegacia da Receita Previdenciária  ­  Porto  Velho/RO)  ­  e­fls.  1329/1330,  concluindo  pelo  cancelamento  da  inscrição  em Dívida  Ativa da União (DAU) e devolução deste processo ao âmbito administrativo para o julgamento  do Recurso Voluntário de e­fls. 1305/1318, conforme despacho de acompanhamento especial  de e­fls. 1362/1363.  Uma vez declarada a nulidade do ato que indeferiu o seguimento do recurso,  deve ser proferida nova decisão administrativa sobre o juízo de admissibilidade recursal, e, não  havendo outra causa autônoma impeditiva do seguimento do recurso, este deve ser processado  normalmente.  Isto posto, o Recurso Voluntário (e­fls. 1305/1318) é tempestivo e atende aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  previstos  no  Decreto  n.  70.235/72  e  alterações  posteriores, portanto dele CONHEÇO.  Da Preliminar de Nulidade de Citação  De  plano,  cabe  ressaltar  que  a  ciência  por  via  postal  é  modalidade  de  intimação  prevista  no  art.  23,  II,  do Decreto  n.  70.235/1972  ­  que  dispõe  sobre  o  processo  administrativo fiscal  ­, bem assim na  IN SRP/MPS n. 03/2005 e Portaria MPS n. 520/2004 ­  vigentes à época dos fatos.   Outrossim,  inexiste  ordem  de  preferência  entre  a  intimação  pessoal  e  a  intimação  postal  para  efeito  do  processo  administrativo  fiscal  estabelecido  no  Decreto  n.  70.235/1972.  A teor do art. 23, § 1°., do Decreto n. 70.235/1972, apenas para a intimação  ficta,  por  via  editalícia,  é  que  se  exige  ordem  de  preferência,  uma  vez  que  deve  resultar  improfícuo a intimação pessoal ou postal (sem ordem de preferência entre estas).  Fl. 1375DF CARF MF     6 Da  análise  dos  autos,  constata­se  que  a  ciência  do  AI  ­  DEBCAD  n.  35.601.384­7 (e­fls. 03/09) e de diversos outros documentos afetos ao lançamento em lide ­ foi  direcionada à bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS ­ RG 303.598 ­ SSP/RO  ­  CPF  621.104.382­15,  nomeada  e  constituída  pelo  Recorrente  mediante  o  instrumento  procuratório  público  registrado  no  Tabelionato  Figueiredo  ­  Ofício  Único  de  Notas  ­  Vilhena/RO  ­  na  data  de  14/02/2005  ­ Traslado:  Primeiro  ­  Livro:  228  ­  Folhas:  031  ­  com  validade até 31/12/2005 (e­fl. 21).   No  instrumento  de  procuração  pública  de  e­fl.  21,  o  Recorrente  outorga  amplos  e  ilimitados  poderes  à  bastante  procuradora  LUCIMAR  NASCIMENTO  DIAS,  a  seguir transcritos:    Não à toa, a bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS assinou,  recebeu e forneceu diversos documentos vinculados à fiscalização que resultou no lançamento  do  AI  ­  DEBCAD  n.  35.601.384­7  (e­fls.  03/09)  em  desfavor  do  Recorrente,  tais  como:  Mandados de Procedimento Fiscal ­ Fiscalização e Complementar, Termos de Intimação para  Apresentação  de  Documentos,  Relatório  de  Grupo  Econômico,  Termo  de  Cientificação  de  Constituição  de  Crédito  em  Grupo  Econômico,  Agendamento  de  Devolução  Parcial  de  Documentos Apreendidos e TEAF (e­fls. 10/20).   E foi exatamente a bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS ­  RG 303.598 ­ SSP/RO ­ CPF 621.104.382­15 ­ a signatária do Aviso de Recebimento (AR) ­ e­ fl.  1269  ­  da  correspondência  cujo  conteúdo  compreende,  entre  outros  documentos,  o  AI  ­  DEBCAD n. 35.601.384­7 (e­fls. 03/09), ora questionado.  Destarte, é reprovável e afronta o princípio da boa­fé objetiva que, em sede  de Recurso Voluntário,  a Recorrente  pretenda  infirmar  os  poderes  outorgados  à  procuradora  LUCIMAR  NASCIMENTO  DIAS,  que  o  representou  em  todo  o  curso  da  ação  fiscal  que  culminou  com  o  lançamento  do  crédito  tributário  consubstanciado  no  AI  ­  DEBCAD  n.  35.601.384­7  (e­fls.  03/09),  buscando  desqualificar  o  domicílio  fiscal  por  ela  eleito  (diverso  daquele  onde  se  situa  a  sede da Recorrente)  para  comunicar­se  com  a Fiscalização  da RFB,  bem assim negando que a retrocitada procuradora represente os seus interesses, não obstante a  validade do mandato ter como limite a data de 31/12/2005 e o aperfeiçoamento do lançamento  em litígio ter ocorrido em 29/12/2005, data da assinatura da procuradora no AR de e­fl. 1269.  Com relação à validade da intimação por via postal, inclusive no que tange à  qualificação  do  recebedor,  objeto  de  questionamento  pelo Recorrente,  é  relevante  resgatar  o  Enunciado de Súmula CARF n. 09, verbis:  É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito  pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência,  ainda que este não seja o representante legal do destinatário.  Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 11555.001411/2010­42  Acórdão n.º 2402­006.110  S2­C4T2  Fl. 104          7 É  oportuno  salientar  que,  ainda  que  falta  ou  irregularidade  houvesse  na  intimação  (ciência  do AI  ­ DEBCAD  n.  35.601.384­7  ­  e­fls.  03/09),  o  comparecimento  do  Recorrente aos autos, consubstanciado na apresentação da impugnação de e­fls. 1245/1257, é  bastante para sanear eventual vício existente na intimação.  Por  fim,  convém  destacar  que  a  Recorrente  encontra­se  com  situação  cadastral  no  Cadastro  Nacional  da  Pessoa  Jurídica  (CNPJ)  baixada  desde  09/02/2015,  por  motivo  de  omissão  contumaz,  conforme  consulta  realizada  no  sítio  da  RFB  (receita.fazenda.gov.br/pessoajurídica/cnpj/cnpjreva/Cnpjreva_Comprovante_asp).  Isto posto, rejeito a preliminar.  Da Preliminar de Nulidade de Mandado de Procedimento Fiscal  No  que  tange  ao  questionamento  em  face  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal (MPF) e de supostas irregularidades verificadas no decorrer da ação fiscal, não há reparo  a  fazer  na  decisão  recorrida,  vez  que  o  MPF  ­  Fiscalização  ­  n.  09233178  ­  expedido  em  13/04/2005 ­ com validade até 11/08/2005 ­ para verificação do cumprimento das obrigações  principais  decorrentes  de  Folha  de  Pagamento  e  Contribuição  Rural  (e­fl.  10)  ­  e  o MPF  ­  Complementar 01  ­ n. 09233178  ­ expedido em 16/06/2005  ­ com validade até 14/10/2005  ­  para verificação de todos os fatos geradores (e­fl. 11), encontram abrigo no art. 196 do CTN;  no art. 1°. da Lei n. 11.098/2005; na Instrução Normativa INSS/DC n. 100/2003 e no Decreto  n. 3.969/2001, todos vigentes à época dos fatos, observando­se ainda que a execução da ação  fiscal decorreu­se dentro dos estritos limites legais.   Isto posto, rejeito a preliminar.  Do Mérito  Em  relação  à  insurgência  contra  a  caracterização  de  grupo  econômico  e  a  consequente solidariedade entre as empresas do grupo, não assiste razão à Recorrente.  Com  efeito,  resta  sobejamente  comprovado  nos  autos  os  fundamentos  que  evidenciam a composição de grupo econômico compreendendo as seguintes pessoas jurídicas:  i) Frigorífico Bonsucesso Ltda.;  ii) Frigorífico Porto Ltda.;  iii) Frigorífico Vale do Rio Acre  Ltda..; iv) Frigorífico Santa Elvira Ltda.; e o Frigorífico Novo Estado S/A.  A  Decisão­Notificação  (DN)  n.  26.401.4/0074/2006  (e­fls.  1279/1288)  ­  elucida e esclarece, de forma minuciosa, com amparo no Relatório de Grupo Econômico (e­fls.  105/132), as questões de fato e de direito suficientes à caracterização de grupo econômico e à  solidariedade  entre  as  respectivas  empresas,  quanto  ao  crédito  tributário  de  natureza  previdenciária  consubstanciado  no  AI  ­  DEBCAD  n.  35.601.384­7  (e­fls.  03/09),  a  seguir  resumidas:    Fl. 1377DF CARF MF     8               O  art.  124  do  CTN  (Lei  n.  5.172/1966),  informa  norma  geral  aplicável  a  todos os tributos existentes no sistema tributário nacional, nos seguintes termos:  "Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de  ordem. (grifei)"  Não  obstante  a  expressão  "interesse  comum"  consignada  no  art.  124,  I,  do  CTN,  encartar  um  conceito  indeterminado,  é  mister  proceder­se  a  uma  interpretação  sistemática  das  normas  tributárias,  de  modo  a  alcançar­se  a  ratio  essendi  do  referido  dispositivo  legal. Assim,  verifica­se  que  o  interesse  comum na  situação  que  constitua o  fato  gerador  da  obrigação  principal  implica  que  as  pessoas  jurídicas  solidariamente  obrigadas  estejam  no mesmo  polo  da  relação  jurídica  que  deu  azo  à  hipótese  de  incidência  tributária,  exatamente porque não encontraria respaldo na lógica jurídica­tributária a  integração no polo  Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 11555.001411/2010­42  Acórdão n.º 2402­006.110  S2­C4T2  Fl. 105          9 passivo da relação jurídica de uma empresa que não tenha qualquer participação na ocorrência  do fato gerador da obrigação tributária.  Nessa perspectiva, é forçoso concluir que o interesse qualificado pela lei não  há de ser o mero interesse social, moral ou econômico no resultado ou no proveito da situação  que  constitui  o  fato  gerador  da  obrigação  principal, mas  sim  o  interesse  jurídico,  atrelado  à  atuação comum ou conjunta no pressuposto fático do tributo.   Assim,  caracteriza  responsabilidade  solidária  em  matéria  tributária  a  realização  conjunta  de  situações  que, per  se,  configuram  a  hipótese  de  incidência  tributária,  irrelevante que se trate ou não de grupo econômico formalmente constituído.  É cediço que os grupos econômicos de fato caracterizam­se por serem criados  com o fim exclusivo de redução do risco empresarial e maximização de lucros, caracterizando­ se um abuso de direito, inclusive para fins de afastar a incidência de tributos, no caso concreto,  na espécie contribuições sociais.  Constata­se,  a  partir  das  situações  relatadas  nos  autos  e  sintetizadas  pela  Decisão­Notificação (DN) n. 26.401.4/0074/2006 (e­fls. 1279/1288), acima reproduzidas, uma  unidade  de  interesse  jurídico  das  várias  pessoas  jurídicas  (frigoríficos)  envolvidas,  consolidando­se evidente interesse comum nos atos negociais de propriedade e de circulação  de riquezas.  Noutro  giro,  há  previsão  legal  de  solidariedade  quanto  às  contribuições  à  Seguridade Social,  independentemente da natureza  (formal ou de  fato) do grupo  econômico,  bastando  tão­somente  a  sua  caracterização,  nos  termos  exatos  do  art.  30,  IX,  da  Lei  n.  8.212/1991, verbis:  "Art.  30.  A  arrecadação  e  o  recolhimento  das  contribuições  ou  de  outras  importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:  [...]  IX ­ as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem  entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei;   [...] (grifei)"  Considerando­se  o  disposto  no  art.  30,  IX,  da  Lei  n.  8.212/91,  acima  reproduzido, não há dúvidas que, no caso específico das contribuições previdenciárias, incide  não apenas  a  regra do  inciso  I  do  art.  124 do CTN, mas  também do  inciso  II  do  retrocitado  dispositivo legal.  Na peça  recursal de e­fls. 1305/1318, a Recorrente,  em sua defesa,  informa  que "improcedente a aplicação da penalidade através da lavratura de AUTO DE INFRAÇÃO  sob  a  alegação  do  descumprimento  de  obrigações  acessórias  por  conta  de  retenções  não  efetuadas  porquanto  no  caso  informado  não  está  devidamente  tipificada  a  previsão  legal  e  normativa constante na legislação previdenciária que determina a mencionada retenção o que  de fato não ocorreu, devendo o AUTO DE INFRAÇÃO ser cancelado ou relevado".  Todavia,  inexiste  previsão  legal  a  acolher  os  argumentos  da  Recorrente,  havendo,  ao  contrário,  determinação expressa na  legislação vigente  à  época dos  fatos para  a  Fl. 1379DF CARF MF     10 lavratura do auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, inclusive quanto ao  valor lançado, forte no art. 2°., §3°., alínea "a", do Decreto n. 1.007/93, c/c art. 33, §5°., da Lei  n. 8.212/91; art. 92 e 102 da Lei n. 8.212/91; art. 7°. da Lei n. 8.706/93; art. 283, caput e §3°.  c/c 373, e art. 292, inciso I, todos do Decreto n. 3.048/99; e Portaria MPS n. 822/05.  Nessa  perspectiva,  o  lançamento  consubstanciado  no  AI  ­  DEBCAD  n.  35.601.384­7 (e­fls. 03/09) encontra­se alinhado à configuração da legislação vigente à época  dos fatos, particularmente o art. 2°., § 3°., alínea "a", do Decreto n. 1.007/93, c/c art. 33, § 5°.,  da Lei n. 8.212/91.  Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e­ fls.  1305/1318),  REJEITAR  AS  PRELIMINARES,  e,  no  mérito,  NEGAR­LHE  PROVIMENTO.    (assinado digitalmente)  Luís Henrique Dias Lima                            Fl. 1380DF CARF MF

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Numero do processo: 10850.901469/2013-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE

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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário   (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Presidente e Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Rogério  Borges,  Caio  Cesar  Nader  Quintella,  Edgar  Bragança  Bazhuni,  Leonardo  Luis  Pagano  Goncalves,  Evandro  Correa  Dias,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira,  Demetrius  Nichele  Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 14 69 /2 01 3- 33 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10850.901469/2013­33  Acórdão n.º 1402­003.037  S1­C4T2  Fl. 3          2    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  proferido  pela  Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) assim ementado:  "ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL  Ano­calendário: 2012  RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  A  simples  retificação  de  declarações  para  alterar  valores  originalmente  declarados, desacompanhada de documentação hábil  e  idônea, não pode ser  admitida para modificar Despacho Decisório.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido"  O caso foi assim relatado pela instância a quo, in verbis:  "Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Restituição  [...],  transmitida  em  27/12/2012,  por  meio  da  qual  o  contribuinte  acima  identificado  solicita  restituição  de  direito  creditório  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior de CSLL (código 2372) do período de apuração 30/09/2012.  Despacho Decisório (fl. 04) da Delegacia da Receita Federal em São José do  Rio  Preto  indeferiu  o  Pedido  de  Restituição  em  virtude  da  inexistência  de  crédito, sob a seguinte fundamentação:  "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  pra  quitação  de  débitos  do  contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. "  Cientificado  do  Despacho  Decisório  por  via  postal  em  14/05/2013,  o  contribuinte apresentou, em 07/06/2013, manifestação de inconformidade (fl.  03), alegando que teve indeferido seu pedido de restituição pelo fato de não  ter  retificado  suas  declarações  (DCTF,  DACON  e  DIPJ),  porém  pleiteia  novamente o crédito afirmando ter corrigido todas as declarações."    Inconformada com a decisão da Instância a quo, a recorrente interpôs recurso  voluntário, no qual traz a seguinte explicação para retificar a DCTF, DACON e DIPJ:   "Isto  tudo  foi  feito  quando  constatado  que  a  empresa  LC  ASSISTÊNCIA  MÉDICA S/S LTDA, recolheu o IRPJ sendo 4,80% e a CSLL sendo 2,88% na  Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10850.901469/2013­33  Acórdão n.º 1402­003.037  S1­C4T2  Fl. 4          3  sua  totalidade,  e  a  empresa  INSTITUTO  DE  DESENVOLVIMENTO  ESTRATÉGICO  E  ASSISTÊNCIA  INTEGRAL  A  SAÚDE,  CNPJ  N°  00.376.056/0001­45, também havia retido e recolhido o IRRF 1,5%, Código  1708 e o PIS/COFINS/CSLL 4,65% Código 5952."   Em  seu  pedido,  requer  que  se  aceite  as  retificações  das  declarações,  pleiteando o crédito novamente referente ao PER/DCOMP acima identificado.   Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10850.901469/2013­33  Acórdão n.º 1402­003.037  S1­C4T2  Fl. 5          4    Voto             Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1402­003.078,  de  11/04/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10850.901450/2013­ 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402­003.078):  "O  Recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos, portanto dele conheço.  O recorrente teve seu pedido de restituição indeferido o fato de  que,  ainda  que  tenha  sido  localizado  pagamento  ao  qual  se  amolda  aquele  apontado  na  PER/DCOMP  como  origem  do  crédito,  o  valor  correspondente  já  teria  sido  utilizado  para  a  extinção  anterior  de  outro  débito.  Isso  equivale  a  dizer  que  o  valor  do  DARF  foi  integralmente  consumido  na  extinção,  por  pagamento,  de  débito  regularmente  registrado  nos  arquivos  da  Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para  restituir.  O recorrente alega que retificou as declarações DCTF, DACON  e DIPJ para redução de tributos, pois recolheu o IRPJ e a CSLL  na  sua  totalidade,  contudo  a  empresa  INSTITUTO  DE  DESENVOLVIMENTO  ESTRATÉGICO  E  ASSISTÊNCIA  INTEGRAL  A  SAÚDE,  CNPJ  N°  00.376.056/0001­45,  também  havia retido e recolhido o IRRF e o PIS/COFINS/CSLL.  Uma  vez  que  a  administração  tributária  tenha  iniciado  procedimento  fiscal  para  verificar  as  obrigações  tributárias  referentes  a  determinado  período  e  tributo,  não  mais  se  pode  falar em espontaneidade na entrega de declaração retificadora.  Dessa  forma,  uma  vez  que  a  administração  tributária  emite  decisão com base  em declaração  regularmente  entregue, não é  lícito que o recorrente retifique a  informação que  levou àquela  decisão  e  pretenda  que  seja  a  nova  informação  aceita  sem  passar pelo crivo do Autoridade Fiscal.  Sendo  assim,  deveria  o  recorrente  ter  apresentado  sua  manifestação  de  inconformidade  acompanhada  de  elementos  probatórios que permitissem à autoridade julgadora constatar a  efetiva  ocorrência  dos  alegados  equívocos  cometidos  em  suas  declarações anteriores, nos termos do artigo 16, § 4º do Decreto  nº 70.235/1972.  Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10850.901469/2013­33  Acórdão n.º 1402­003.037  S1­C4T2  Fl. 6          5  Contudo, apesar das alegações, o recorrente não traz quaisquer  documentos (notas  fiscais, recibos, comprovante de pagamento)  que  comprovem que  houve a  retenção dos  referidos  valores  de  IRRF, CSLL, PIS e COFINS.   Além de não comprovar a retenção dos referido tributos, também  não  houve  a  demonstração  de  que  os  valores  retidos  seriam  suficientes  para  quitar  integralmente  os  tributos  apurados  a  partir de seus livros comerciais e fiscais.  Desse modo, sendo do recorrente o ônus de provar o crédito que  alegava ter, nos termos do artigo 333, I, do Código de Processo  Civil,  e  não  tendo  se  desincumbido  de  referido  ônus,  cumpre  indeferir seu pedido de restituição e de compensação, por  falta  de comprovação da existência do crédito.    Conclusão  Ante  o  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao  recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone                            Fl. 42DF CARF MF

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Numero do processo: 11051.720039/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de omissão na decisão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção do Acórdão. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66. Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66. Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3201-003.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos. Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de omissão na decisão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção do Acórdão. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66. Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66. Embargos Acolhidos

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos. Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1475; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 2          1 1  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11051.720039/2012­18  Recurso nº       Embargos  Acórdão nº  3201­003.615  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de março de 2018  Matéria  II  Recorrente  RXM IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA   Recorrida  PRIMEIRA TURMA ORDINÁRIA DA SEGUNDA CÂMARA DA  TERCEIRA SEÇÃO    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.  Os  embargos  de  declaração  são  cabíveis  quando  o  acórdão  contiver  obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos.  No  caso  concreto,  comprovado  a  existência  de  omissão  na  decisão,  cabe  a  admissibilidade dos embargos para a correção do Acórdão.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  OCULTAÇÃO  DO  REAL  ADQUIRENTE DA MERCADORIA  IMPORTADA. ART. 95,  INCISO V,  DO DL 37/66.   Responde  pela  infração  conjunta  ou  isoladamente,  o  adquirente  de  mercadoria de procedência estrangeira, no caso da  importação realizada por  sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos  previstos no art. 95, inciso V, do Decreto­Lei nº 37/66.   Embargos Acolhidos      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  acolher  os  embargos.     Winderley Morais Pereira ­ Presidente Substituto e Relator.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 1. 72 00 39 /2 01 2- 18 Fl. 1246DF CARF MF   2 Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira  Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.    Relatório    Trata­se  de  embargos  opostos  pelo  Contribuinte,  em  face  do  Acórdão  3201­ 002.825, que foi assim ementado:    Assunto: Imposto sobre a Importação ­ II  Data do fato gerador: 27/01/2012  VÍCIO  NO  ATO  ADMINISTRATIVO.  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO.  A  motivação  e  finalidade  do  ato  administrativo  são  supridas  quando  da  elaboração  do  relatório  fiscal  que  detalham  as  conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados.  As  discordâncias  quanto  às  conclusões  do  trabalho  fiscal  são  matérias  inerentes  ao  Processo  Administrativo  Fiscal  e  a  existência  de  vícios  no  auto  de  infração  deve  apresentar­se  comprovada no processo.   INCONSTITUCIONALIDADE  DE  NORMAS  TRIBUTÁRIAS.  INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.  Este  Colegiado  é  incompetente  para  apreciar  questões  que  versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.   MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.  O  MPF­  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  é  instrumento  de  controle  administrativo  e  de  informação  ao  contribuinte.  Eventuais  omissões  ou  incorreções  do MPF  não  são  causa  de  nulidade do auto de infração.  IMPORTAÇÃO  DE  MERCADORIA.  INTERPOSIÇÃO  FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL  1.455/76, ART. 23, INCISO V.   Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas  cuja  operação  foi  realizada  por  meio  de  interposição  fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do Decreto­ Lei nº 37/66.   IMPOSSIBILIDADE  DA  APLICAÇÃO  DA  PENA  DE  PERDIMENTO.  CONVERSÃO  EM  MULTA  NO  VALOR  DA  MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETO­LEI Nº 1.455/76.   Não  sendo  possível  a  aplicação  da  pena  de  perdimento,  em  razão  das mercadorias  já  terem  sido  dadas  a  consumo  ou  por  qualquer  outro  motivo,  cabível  a  aplicação  da  multa  de  conversão da pena de perdimento,  prevista no art.  23,  § 3º,  do  Decreto­Lei nº 1.455/76.   Recurso Voluntário Negado        Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 11051.720039/2012­18  Acórdão n.º 3201­003.615  S3­C2T1  Fl. 3          3 Os  embargos  foram  admitidos  parcialmente,  sendo  dado  seguimento  para  a  matéria  referente  a  responsabilidade  solidária.  Os  embargos  foram  admitidos,  nos  seguintes  termos.     Com base nos argumentos acima e no disposto no art. 65, § 3º  do  Regimento  Interno  do  CARF,  na  redação  dada  pela  Portaria  MF  nº  39/2016,  dou  seguimento  aos  embargos  de  declaração  apenas  quanto  à  “responsabilidade  solidária”  e  nego  seguimento  aos  embargos  relativamente  às  demais  questões, em virtude da improcedência das alegações..    É o Relatório.  Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.    Consultando  os  autos  e  o  acórdão  embargado  é  possível  comprovar  a  existência  da  omissão  alegada  pela  Recorrente,  a  turma  não  enfrentou  a  alegação  de  inexistência de responsabilidade solidária da RXM.   Verificando todo o arcabouço de provas, constante dos autos, fica evidente o  conhecimento  das  empresas  RXM  e  PORTES  BR  nas  operações  realizadas  e  da  fraude  ocorrida  para  ocultação  dos  reais  adquirentes  das mercadorias.  Conforme  já  demonstrado,  a  ocultação dos operadores  reais nas Declarações de  Importação estão plenamente confirmadas  nas  informações  e  documentos  apurados  pela  Auditoria  Fiscal,  onde  são  detalhadas  as  operações e responsabilidade de cada um das partes nas operações. Existindo o conhecimento  das empresas autuadas nas importações, não há como afastar a responsabilidade nas operações  realizadas.   Os  fatos  apurados no  trabalho  fiscal  foram detalhados no voto  condutor  do  Acórdão guerreado, conforme trechos transcritos abaixo.    Pelas  informações  apuradas  pela  Fiscalização,  resta  evidente  que  a  Portes  realizava  serviços  de  importação  para  terceiros,  conforme  sua  própria  informação  e  estava  realizando importações em que se declarava como real adquirente das mercadorias.  Diante  destes  fatos,  a  fiscalização  procedeu  uma  análise  detalhada  das  operações  realizadas  pela Portes  identificando que  parte  das  suas  importações  tiveram  como  destino final a RXM, que era na verdade a real proprietária das mercadorias. As informações  levantadas no  trabalho  fiscal  foram bem detalhadas no voto condutor da decisão da primeira  instância, que peço vênia para transcrever trechos, que entendo comprovar o envolvimento da  RXM na operação.(fls. 1085 a 1087)     Fl. 1248DF CARF MF   4   Da apresentação à fiscalização de pedidos de compra falsos pela  PORTES em relação à DI nº 12/0171271­0, objeto do litígio  Em relação à DI nº 12/0171271­0 (fls. 200­204), registrada em  27/01/2012, a PORTES procedeu à importação de 22.000 kg de  carne  bovina,  retida  com  a  instauração  do  procedimento  especial  (art.  5º  da  IN  RFB  nº  1169/2011)  e  posteriormente  entregue  ao  importador  (desembaraçada  em  24/04/2012)  mediante  apresentação  de  garantia  na  modalidade  Carta  de  Fiança  (art.  7º  da  IN  SRF  nº  228/2002).  O  objeto  do  procedimento  foi a análise da regularidade da citada operação  de  importação,  adotando  como  referencial  comparativo  a  operação de importação anterior (DI nº 11/2378033­3).  Intimada  (fls.  442)  a  apresentar  cópia  dos  pedidos  de  compra  relativos  à  carne  importada  através  da DI  nº  12/0171271­0,  a  PORTES, em sua resposta (fls. 443­444), enviou três pedidos de  compra,  que  correspondem  à  totalidade  da  carne  importada:  empresa  WEW  (5.500  Kg  –  fl.  451),  empresa  KEMP  FOODS  (11.000 Kg – fl. 452), e empresa MICHI FOODS (5.500 Kg – fl.  453).  Em  resposta  a  intimação  anterior,  em  que  solicitada  a  discriminação  de  fornecedores,  a  PORTES  omitiu  que  havia  negociação  em  andamento  com  as  três  empresas  citadas.  Entretanto,  intimadas  (fls.  754,  781  e  795),  essas  empresas  negaram a autenticidade desses pedidos (fls. 737, 786 e 798).  Presume­se,  então,  a  falsidade  de  todos  os  pedidos  de  compra  apresentados pela PORTES, o que indica o intuito de ocultar o  real comprador e sujeito passivo da operação, por meio de uma  simulação, a exemplo do que ocorreu com a DI nº 11/2378033­3.  Da existência de Nota Fiscal Eletrônica de simples faturamento,  para  venda  futura  à  RXM,  emitida  pela  PORTES  antes  do  registro da DI nº 12/0171271­0.  Foi  detectada,  em pesquisa  sobre  as Notas Fiscais  Eletrônicas  emitidas pela empresa PORTES, no dia 17/01/2012, ou seja, dez  dias antes do registro da DI nº 12/0171271­0, a emissão de uma  nota  fiscal  de  simples  faturamento  contra  a  RXM  ­  a  NFe  nº  4831  (fls.  865­867),  correspondente  a  50%  das  mesmas  mercadorias objeto dessa importação.  A NF totalizou 11, e a importação, 22 toneladas. As quantidades  de cada produto e o total (22 TON) de mercadorias importadas  consta  da  nota  fiscal  de  entrada  (NFe  nº  5001  –  fls.  875­876)  emitida pela PORTES em 25/04/2012.  No  campo  “Natureza  da  Operação”  da  referida  NFe,  consta:  “SIMPLES  FAT  DEC  VENDA  P/  ENTR  FUTURA  –  ITAJAI”.  Pode­se  entender  isso  como  sendo  mais  um  indício  de  que  a  PORTES  realmente  intentava  ocultar  o  comprador  das  mercadorias (a RXM).  Do  destino  final  constante  da  fatura  proforma  relativo  às  mercadorias importadas através da DI nº 12/0171271­0.  À fl. 860, consta a fatura proforma nº 5053 (transcrita no Termo  de  Verificação,  à  fl.  916),  a  qual  foi  emitida  pela  CIBUS  Southamerica  S/A,  em  21/12/2011,  exportadora  das  carnes  importadas  através  da DI  nº  12/0171271­0.  Conforme  descrito  na  proforma,  o  destino  final  da  mercadoria  é  CAJAMAR­SP,  com reinspeção pelo MAPA em Itajaí­SC.  Verifica­se,  então,  que  não  era  Itajaí­SC  (município  do  importador) o destino final das mercadorias. O destino final era  CAJAMAR­SP  desde  a  data  do  pedido  ao  exportador,  em  Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 11051.720039/2012­18  Acórdão n.º 3201­003.615  S3­C2T1  Fl. 4          5 dezembro  de  2011.  E,  como  se  verifica  na  ficha  de  cadastro,  copiada  à  fl.  915,  quem  está  estabelecida  na  cidade  de  CAJAMAR­SP  é  a  MICHI  FOODS,  empresa  utilizada  (terceirizada)  pela  RXM  para  armazenagem  de  suas  mercadorias, conforme contrato apresentado pela própria RXM  (fl. 620).  Assim,  esse  é mais um  indício que aponta da direção de que a  PORTES  intentava  ocultar  o  comprador  das  mercadorias,  previamente  encomendadas,  não  se  tratando,  de  fato,  de  uma  importação por conta própria da PORTES.  Da existência de mais duas Notas Fiscais Eletrônicas de simples  faturamento, para venda futura, emitida pela PORTES relativas  à DI nº 12/0171271­0.  No dia  27/01/2012,  data  do  registro  da DI  nº  12/0171271­0,  a  PORTES emitiu mais duas NFe de simples faturamento, sendo a  NFe nº 4842 (fls. 868­870) contra a PIRCO e a NFe n° 4843 (fls.  871­873) contra a RXM, ambas correspondentes a 11.000 kg de  carne bovina cada (PICANHA FRIAR). A soma da quantidade de  mercadoria  faturada  contra  as  duas  empresas  coincide  com  o  total da mercadoria importada por meio da DI n° 12/0171271­0,  ou seja, 22.000 kg.  Em pesquisa  nos  sistemas  da  RFB  se  verificou  que  a PORTES  não  realizou nenhuma outra  importação de carne bovina, além  das  importações  de  dezembro/2011  e  janeiro/2012.  Com  a  finalidade de verificar o que motivou ou fundamentou a emissão  das NFe nº 4842 e 4843, de simples faturamento, uma vez que o  total  das  mercadorias  dessas  duas  notas  é  o  mesmo  da  DI  nº  12/0171271­0, a PORTES foi intimada (fl. 596), em 19/06/2012,  a respeito disso.  Em resposta (fls. 597), a PORTES informou que as notas fiscais  citadas não tinham referência com a DI n° 12/0171271­0, tendo  ela  realizado  uma  outra  importação,  amparada  pela  DI  nº  12/0117784­1. A PORTES respondeu, ainda:  “Neste  contexto,  na  época  dos  fatos  foi  realizada  a  venda  das  mercadorias  no  mercado  interno,  mas  os  clientes  nacionais  DESISTIRAM  de  comprar  a  mercadoria,  pois  a  PORTES  não  conseguiu  cumprir  a  data  de  entrega,  razão  pela  qual  houve  cancelamento da operação”.  Cabe destacar que, conforme tela do Siscomex (fl. 600) a citada  DI nº 12/0117784­1 não existe. A afirmação da PORTES de que  “na  época  dos  fatos”,  ou  seja,  em  janeiro  de  2012,  “foi  realizada  a  venda  das  mercadorias  no mercado  interno”  pode  ser  entendida  como  uma  confissão  de  que  as  mercadorias  estavam  realmente  encomendadas  pela  RXM,  mas  a  PORTES  ocultou essa informação no momento do registro da declaração,  descumprindo  as  normas  vigentes  para  esse  tipo  de  operação,  que era, de fato, como apontam os indícios, IMPORTAÇÃO POR  ENCOMENDA.  Na  verdade,  as  mercadorias  não  foram  entregues  no  prazo  por  terem  sido  apreendidas  por  conta  do  procedimento  especial  de  fiscalização,  tendo  sido  desembaraçadas apenas em 24/04/2012, mediante apresentação  de garantia (CARTA FIANÇA).  Fl. 1250DF CARF MF   6 Ora,  o  procedimento  de  emissão  de  notas  fiscais  de  simples  faturamento  foi  utilizado  para  a  importação  anterior  ­  operação."        A  apuração  dos  fatos,  conforme  relatado  alhures  comprovam  de  forma  inequívoca  o  conhecimento  e  o  envolvimento  das  RXM  na  fraude  perpetrada  aos  controles  aduaneiros.  A  comprovação  que  a  PORTES  BR  realizou  operações  encobrindo  a  real  adquirente RXM resta, ao meu sentir, plenamente comprovada nos autos, respondendo a RXM  de  forma  solidária  nas  exigências  constantes  do  lançamento  fiscal  controlado  no  presente  processo.  Firme  neste  entendimento  deve­se  aplicar  as  determinações  expressas  do  artigo 95, inciso I e V, do Decreto­lei nº 37/66, que responsabiliza o adquirente de mercadoria  de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem.   " Art.95 ­ Respondem pela infração:   I  ­  conjunta  ou  isoladamente,  quem  quer  que,  de  qualquer  forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie;   II ­ conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário  do  veículo,  quanto  à  que  decorrer  do  exercício  de  atividade  própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes;   III ­ o comandante ou condutor de veículo nos casos do  inciso  anterior,  quando  o  veículo  proceder  do  exterior  sem  estar  consignada a  pessoa  natural  ou  jurídica  estabelecida  no  ponto  de destino;   IV  ­  a  pessoa  natural  ou  jurídica,  em  razão  do  despacho  que  promover, de qualquer mercadoria.   V ­ conjunta ou  isoladamente,  o adquirente de mercadoria de  procedência  estrangeira, no  caso  da  importação  realizada  por  sua  conta  e  ordem,  por  intermédio  de  pessoa  jurídica  importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158­35, de  2001)(grifo nosso)   VI ­ conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado  que  adquire  mercadoria  de  procedência  estrangeira  de  pessoa  jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006)  Diante do exposto voto no sentido de conhecer  e acolher os embargos para  enfrentar  a  omissão  e manter  a  responsabilidade  solidária  da RXM  importação  e  exportação  Ltda.    Winderley Morais Pereira               Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 11051.720039/2012­18  Acórdão n.º 3201­003.615  S3­C2T1  Fl. 5          7                 Fl. 1252DF CARF MF

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7261418 #
Numero do processo: 10140.720487/2010-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 NORMAS PROCEDIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Tendo em vista que o crédito principal, constante deste mesmo processo, foi totalmente exonerado, não há interesse recursal no cômputo de multas.
Numero da decisão: 9202-006.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 826          1 825  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10140.720487/2010­80  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­006.689  –  2ª Turma   Sessão de  17 de abril de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  SERVAN ANESTESIOLOGIA DE CAMPO GRANDE S/S    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007  NORMAS  PROCEDIMENTAIS.  RECURSO  ESPECIAL  AUSÊNCIA  DE  INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.  Tendo em vista que o crédito principal, constante deste mesmo processo, foi  totalmente exonerado, não há interesse recursal no cômputo de multas.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do Recurso Especial.  (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente em exercício  (assinado digitalmente)  Patrícia da Silva ­ Relatora  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Elaine  Cristina  Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes,  Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza  Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).           AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 87 /2 01 0- 80 Fl. 826DF CARF MF     2 Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  de  Divergência,  ,  interposto  pela  Fazenda  Nacional em face da decisão da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento  do CARF, consubstanciada do Acórdão n° 2301­02.905, sessão de 21 de junho de 2012:  Assunto:  Contribuições  Previdenciárias  Período  de  Apuração:  01/01/2006 a 31/12/2007   CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  REMUNERAÇÃO  DOS  SÓCIOS.  PRÓ­LABORE  E  DISTRIBUIÇÃO  DE  LUCROS.  NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO.   As  remunerações  por  pró­labore  e  participação  nos  resultados  devem  restar  cabalmente  discriminadas,  de maneira  a  evitar  a  evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total  dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º  do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social.   No caso, a discriminação ocorreu, não havendo que se falara em  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  a  parcela  referente a lucros.   ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA.   IMPOSSIBILIDADE  DE  APRECIAÇÃO.  EXACERBAÇÃO  DE  COMPETENCIA.SÚMULA 02 DO CARF.  A  tentativa  do  contribuinte  de  afastar  a  aplicação da multa  no  caso  em  comento  encontra  seu  fundamento  no  caráter  confiscatório  da  multa,  o  que  seria  vedado  pela  Constituição  Federal.  Reconhecer  a  existência  de  confisco  é  o  mesmo  que  reconhecer  a  inconstitucionalidade  da  sua  incidência.  A  apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo  exacerba  sua  competência  originária  que  é  a  de  órgão  revisor  dos  atos  praticados  pela  Administração,  bem  como  invade  competência  atribuída  especificamente  ao  Judiciário  pela  Constituição  Federal.  Incidência  da  Súmula  02  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais.   JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA  DE TRIBUTOS.   Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível  a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  com  Processo  nº  10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 22  base  na  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia Selic para títulos federais.   MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.   O  não  pagamento  de  contribuição  previdenciária  constituía,  antes  do  advento  da  Lei  nº  11.941/2009,  descumprimento  de  obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da  Lei nº 8.212/1991.   Fl. 827DF CARF MF Processo nº 10140.720487/2010­80  Acórdão n.º 9202­006.689  CSRF­T2  Fl. 827          3 Revogado  o  referido  dispositivo  e  introduzida  nova  disciplina  pela  Lei  11.941/2009,  devem  ser  comparadas  as  penalidades  anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei  nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que  esta  seja  aplicada  retroativamente,  caso  seja mais  benéfica  ao  contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).   Não  há  que  se  falar  na  aplicação  do  art.  35A  da  Lei  nº  8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já  que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na  sistemática  anterior  à  edição  da MP  449/2008,  somente  sendo  possível  à  comparação  com multas  de mesma  natureza.  Assim,  deverão ser  cotejadas as penalidades da  redação anterior  e da  atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.  Na origem,  trata­se de Auto de Infração ­ DEBCAD 37.272756­5, exigindo  contribuições  previdenciárias  incidente  sobre  a  remuneração  paga  aos  seus  sócios,  correspondentes à rubrica Contribuinte Individual ­ patronal.  O Acórdão  recorrido deu provimento ao  recurso voluntário para  exonerar a  integralidade do crédito tributário, entretanto consignou (a despeito da inexistência do crédito  tributário) a aplicação da retroatividade benigna de multa.  Interposto Recurso Especial por parte da Fazenda Nacional (e­fls. 464 a 673),  este  teve  seguimento  parcial  para  acolher  apenas  a  seguinte  divergência:  b)  retroatividade  benigna  para  aplicação  da  multa  calculada  nos  termos  do  artigo  35,  caput,  da  Lei  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  11.941/2009,  se  mais  benéfica  ao  contribuinte;  restou rejeitado o seguimento do Recurso Especial em relação à matéria: a) pró­labore.  O  Reexame  de  Admissibilidade  de  Recurso  Especial  das  e­fls.  733  e  734  confirmaram a decisão reexaminada.   Em  03/05/2016  os  autos  foram  encaminhados  ao  órgão  preparador  para  ciência e demais providências de sua alçada (e­fl. 738).  Em 25/07/2016 o órgão preparador opôs embargos de declaração (e­fl. 740),  asseverando:  O Acórdão  n.  2301­002.905­3a  Câmara  /  Ia  Turma Ordinária  (fls.626­644)  deu  provimento  ao  recurso  voluntário  para  exonerar  a  integralidade  do  crédito  tributário,  bem  como  acolhendo a aplicação da multa mais benéfica.  Ao  Recurso  Voluntário  apresentado  pela  PGFN  foi  dado  seguimento  apenas  quanto  à  discussão  da  retroatividade  de  multa mais benigna.  A questão que submetemos à apreciação desse CARF é que se a  multa é aplicada sobre o montante devido a  título de principal,  no  caso  zero,  não  haveria  objeto  para  prosseguimento  do  julgamento,  porque,  ante  a  exoneração  total  do  principal,  irrelevante qual o percentual da multa a ser aplicada.  Fl. 828DF CARF MF     4 Somente  haveria  objeto  para  processamento  do  Recurso  Especial  se  admitido  em  seus  dois  fundamentos,  ou  seja,  a  possibilidade  de  restabelecimento  do  valor  principal  e  o  percentual da multa a ser aplicada.  Desse forma, restituímos a esse CARF para apreciação.  A esta manifestação  foi  decidido  "que  a  petição  nominada de  embargos  de  declaração seja recebida como embargos inominados, e que esses não sejam admitidos", tendo  como fundamentação que:  ...busca­se,  por  meio  dos  embargos,  à  reanálise/retificação  do  Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, de  modo  que,  não  tendo  sido  admitida  a  primeira  matéria  do  Recurso  Especial  (pró­labore),  também  a  segunda  deveria  não  ser  admitida(retroatividade  benigna  para  aplicação  da  multa  calculada nos termos do artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, com a  redação  dada  pela  Lei  11.941/2009,  se  mais  benéfica  ao  contribuinte.  Porém, o Ricarf não prevê a possibilidade de juízo de retratação  no despacho do exame de admissibilidade de Recurso Especial;  ademais,  uma  vez  admitido  o Recurso Especial,  a  competência  para  se  pronunciar  sobre  as  questões  que  tiveram  seguimento  passa à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por força  do art. 67 do Ricarf.  O contribuinte apresentou tempestivamente contrarrazões pugnando pelo não  conhecimento do Recurso Especial frente a inexistência de interesse recursal.  É o relatório.    Voto             Conselheira Patrícia da Silva ­ Relatora  Pressupostos de admissibilidade:   Ficou patente no processo em análise que houve quebra da lógica recursal, no  que  tange  ao  interesse da Fazenda Nacional quando este CARF não deu segmento à matéria  relativa  à  pró­labore:  não  é  possível  aplicação  de  multa  acessória  quando  inexiste  o  débito  principal. Precisos os argumentos da Unidade Preparadora:  O Acórdão  n.  2301­002.905­3a  Câmara  /  Ia  Turma Ordinária  (fls.626­644)  deu  provimento  ao  recurso  voluntário  para  exonerar  a  integralidade  do  crédito  tributário,  bem  como  acolhendo a aplicação da multa mais benéfica.  Ao  Recurso  Voluntário  apresentado  pela  PGFN  foi  dado  seguimento  apenas  quanto  à  discussão  da  retroatividade  de  multa mais benigna.  Somente  haveria  objeto  para  processamento  do  Recurso  Especial  se  admitido  em  seus  dois  fundamentos,  ou  seja,  a  Fl. 829DF CARF MF Processo nº 10140.720487/2010­80  Acórdão n.º 9202­006.689  CSRF­T2  Fl. 828          5 possibilidade  de  restabelecimento  do  valor  principal  e  o  percentual da multa a ser aplicada  Diante  de  todo  o  exposto,  não  conheço  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional.  (assinado digitalmente)  Patrícia da Silva                            Fl. 830DF CARF MF

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7295070 #
Numero do processo: 15504.020545/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se verifique a existência de pedido de parcelamento total ou parcial dos créditos lançados e, em caso de pedido de parcelamento parcial, indique os créditos abrangidos nele. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se verifique a existência de pedido de parcelamento total ou parcial dos créditos lançados e, em caso de pedido de parcelamento parcial, indique os créditos abrangidos nele. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1227; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1 1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15504.020545/2009­85  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2402­000.654  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  09 de maio de 2018  Assunto  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Recorrente  REFRIGERANTES MINAS GERAIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se verifique a existência  de  pedido  de  parcelamento  total  ou  parcial  dos  créditos  lançados  e,  em  caso  de  pedido  de  parcelamento parcial, indique os créditos abrangidos nele.     (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Presidente     (assinado digitalmente)  João Victor Ribeiro Aldinucci ­ Relator     Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros: Mário  Pereira  de  Pinho  Filho,  Denny  Medeiros  da  Silveira,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci,  Mauricio  Nogueira  Righetti,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  Luis  Henrique  Dias  Lima,  Renata  Toratti  Cassini  e  Gregorio Rechmann Junior.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 20 54 5/ 20 09 -8 5 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 15504.020545/2009­85  Resolução nº  2402­000.654  S2­C4T2  Fl. 3          2 Relatório  A  fiscalização  lavrou  os  seguintes Autos  de  Infração  (AI)  em  face  do  sujeito  passivo:  (a) AI  37.237.663­0  ­  PAF  15504.020542/2009­41,  para  a  constituição  das  contribuições  devidas  à  seguridade  social,  correspondentes  à  parte  da  empresa,  inclusive  a  alíquota  GILRAT,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação;  (b)  AI  31.231.666­5  ­  PAF  15504020545/2009­85,  para  a  constituição  de  multa devida pelo descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa  apresentado a GFIP com dados não correspondentes aos  fatos geradores de  todas  as  contribuições  previdenciárias,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação;  (c)  AI  37.237.665­7  ­  PAF  l5504.020544/2009­31,  para  a  constituição  das  contribuições  devidas  a  outras  entidades  e  fundos,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas  aos  seus  empregados,  relativas  às  despesas  com  alimentação;  (d)  AI  37.237.664­9  ­  PAF  15504020543/2009­96,  para  a  constituição  das  contribuições  devidas  à  seguridade  social,  correspondentes  à  parte  dos  segurados  empregados,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas  aos  seus  empregados, relativas às despesas com alimentação  De acordo com a acusação, a execução inadequada do Programa de Alimentação  do Trabalhador ou o desvirtuamento de suas finalidades pela empresa participante acarretaria o  cancelamento de sua inscrição no Ministério do Trabalho e Emprego, com a consequente perda  dos incentivos fiscais.   No  caso  concreto,  o  fornecimento  de  alimentação  pela  contribuinte  estaria  ligado  a  sistema de premiação ou punição do  trabalhador,  conforme  conclusões do Processo  46016.0002969/2008­11 ­ SIT/MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO.   As modalidades de serviços de alimentação fornecidas pela empresa seriam:  a) administração de cozinha;  b) cestas básicas;  c) ticket alimentação;  d) ticket refeição;  e) alimentação e lanches.   Os valores tributáveis foram extraídos da escrituração contábil da empresa e das  folhas de pagamento.   Fl. 241DF CARF MF Processo nº 15504.020545/2009­85  Resolução nº  2402­000.654  S2­C4T2  Fl. 4          3 Os fatos geradores não foram declarados em GFIP.   O  sujeito  passivo  apresentou  impugnação  tempestiva,  a  qual  foi  julgada  improcedente, conforme decisão assim ementada:  AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES.  Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação da Guia  de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social ­ GFIP  com omissão de fato gerador de contribuição previdenciária.  PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR.  Os  valores  pagos  aos  trabalhadores  a  título  de  auxilio  alimentação  somente  são  excluídos  do  campo  de  incidência  das  contribuições  sociais  quando  fornecidos  em  conformidade  com  o  Programa  de  Alimentação do Trabalhador ­ PAT.  DECADÊNCIA.  O  direito  da  Seguridade  Social  apurar  e  constituir  seus  créditos  extingue­se  após  cinco  anos,  contado  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte aquele em que o crédito poderia ter sido constituído.  DECISÕES JUDICIAIS.  As decisões judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante  em relação às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da  Receita Federal do Brasil.  REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A Autoridade Fiscal  deverá formalizar Representação Fiscal para Fins Penais sempre que  tiver conhecimento da ocorrência, em tese, do crime de sonegação de  contribuição previdenciária.  PRÁTICAS REITERADAS ADOTADAS PELO FISCO.  A  prática  reiterada  pelo Fisco  tem  sido  a  de  autuar  os  contribuintes  que,  inobservando  os  ditames  contidos  na  legislação,  efetuam  o  pagamento  da  parcela  in  natura  em  desacordo  com  o  Programa  de  Alimentação do Trabalhador ­ PAT.  Intimada  da  decisão  em  07/01/2011,  através  de  aviso  de  recebimento,  a  contribuinte interpôs recurso voluntário em 19/01/2011, no qual, reafirmando os fundamentos  de sua impugnação, suscitou o seguinte:  Decadência  (a)  decadência: os créditos tributários são relativos às competências janeiro a  dezembro  de  2004,  ao  passo  que  a  recorrente  foi  autuada  somente  em  dezembro  de  2009,  estando  decaídas  as  contribuições  do  período  de  janeiro a novembro;  (b) é aplicável o art. 150, § 4º, do CTN;  Do auxílio­alimentação  Fl. 242DF CARF MF Processo nº 15504.020545/2009­85  Resolução nº  2402­000.654  S2­C4T2  Fl. 5          4 (c)  apenas  o  ticket  alimentação  estava  condicionado  à  assiduidade  do  empregado;  (d) não há como se cogitar da incidência de contribuição previdenciária sobre  os  valores  gastos  pela  recorrente  com  a  manutenção  de  restaurante  interno, bem como a título de cesta básica, alimentação e lanches e ticket  refeição, haja vista o inegável caráter indenizatório de tais verbas, pagas  para o trabalho e não pelo trabalho;  (e)  além de estar restrita ao ticket, a condição estipulada em acordo coletivo  de trabalho jamais poderia ser assemelhada a um sistema de premiação;  (f)  maior prova de que o pagamento de ticket alimentação não é uma espécie  de premiação ao empregado é o fato de a recorrente efetivamente possuir  um programa de prêmios para seus funcionários, este sim visando a maior  produtividade;  (g) não  existe  previsão  em  lei  ou  em  decreto  que  proíba  essa  condição  estabelecida pela recorrente;  (h) a  Portaria  87,  que  teria  excluído  a  requerente  do  PAT,  é  datada  de  19/03/2009,  tendo sido publicada no DOU de 23/03/2009, mas pretende  produzir  efeitos  de  forma  retroativa,  cancelando  inscrições  de  1995  a  2008;  (i)  inscrição  no  PAT  não  é  condição  indispensável  à  caracterização  da  natureza  indenizatória  das  verbas  alimentares  pagas  pela  recorrente  aos  seus empregados.  Sem contrarrazões.   É o relatório.  Fl. 243DF CARF MF Processo nº 15504.020545/2009­85  Resolução nº  2402­000.654  S2­C4T2  Fl. 6          5   Voto  Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci ­ Relator   1  Da necessidade de diligência   Conforme  preceitua  o  §  2º  do  art.  78  do  Regimento  Interno  deste  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o pedido de parcelamento importa a desistência  do recurso, não havendo necessidade de pedido expresso de desistência:  Art.  78. Em qualquer  fase processual o  recorrente poderá desistir  do  recurso em tramitação.  §  2º O pedido  de  parcelamento,  a  confissão  irretratável  de  dívida,  a  extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou  a  propositura pelo  contribuinte,  contra  a Fazenda Nacional,  de  ação  judicial  com  o  mesmo  objeto,  importa  a  desistência  do  recurso.  (destacou­se)  Como se vê, o RICARF preleciona que basta o pedido de parcelamento para que  se tenha como consequência a desistência do recurso.   Desta  forma,  é  irrelevante,  para  fins  de  aferição  da  desistência,  se  o  parcelamento está ou não ativo, importando, sim, analisar se houve pedido.   Neste  caso  concreto,  há  uma  informação  expressa,  à  fl.  255  (PAF  15504.020542/2009­41),  de  que  a  empresa  teria  incluído  a  totalidade  dos  seus  débitos  no  parcelamento:    Todavia,  a  informação  contida  à  fl.  254  (PAF  15504.020542/2009­41)  é  a  de  que a empresa não teria incluído a totalidade dos débitos da PGFN e da RFB no parcelamento.     Ou seja, tais informações aparentemente se contradizem e é necessário verificar  se houve a inclusão da totalidade dos débitos, e, se não tiver havido a inclusão da totalidade, se  houve pedido de inclusão dos débitos controlados neste processo no parcelamento, ainda que o  parcelamento tenha sido posteriormente rescindido.   Lembre­se: é irrelevante, para fins de aferição da desistência, se o parcelamento  está ou não ativo, importando, sim, analisar se houve pedido.  Realizada  a  diligência,  o  contribuinte  deve  ser  intimado  para,  querendo,  apresentar sua manifestação no prazo legal.   Fl. 244DF CARF MF Processo nº 15504.020545/2009­85  Resolução nº  2402­000.654  S2­C4T2  Fl. 7          6 2  Conclusão   Diante do exposto, vota­se no sentido de converter o julgamento em diligência,  para que a unidade de origem verifique a existência de pedido de parcelamento total ou parcial  dos créditos  lançados e, em caso de pedido de parcelamento parcial,  indique os créditos nele  abrangidos.   (assinado digitalmente)  João Victor Ribeiro Aldinucci     Fl. 245DF CARF MF

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Numero do processo: 13888.901111/2014-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE

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1402­003.073  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de abril de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E  PRÉ­MOLDADOS DE CONCRETO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2009  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,  da  composição  e  existência  do  crédito  que  alega  possuir  junto  à  Fazenda  Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza  pela  autoridade  administrativa.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário,  mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente  julgado.    (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Rogério  Borges,  Caio  Cesar  Nader  Quintella,  Edgar  Bragança  Bazhuni,  Leonardo  Luis  Pagano  Goncalves,  Evandro  Correa  Dias,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira,  Demetrius  Nichele  Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 11 11 /2 01 4- 52 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13888.901111/2014­52  Acórdão n.º 1402­003.073  S1­C4T2  Fl. 3            2     Relatório  A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em  relação  ao  pedido  original  da  contribuinte  expresso  em PER/DCOMP  apresentado  perante  a  Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório  e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade.  O  requerido  foi  indeferido  sob  entendimento  do  DD  de  que  "a  partir  das  características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados  um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos  do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no  PER/DCOMP".  Irresignada,  a  contribuinte  interpôs  manifestação  de  inconformidade  que,  apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi  julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado.  Discordando  do  r.  decisum,  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de  1º  Piso  de  forma  a  reconhecer  o  direito  creditório  buscado  e  homologar  a  compensação  requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos:  PRELIMINARMENTE  1.  que, “a r. decisão primitiva sequer detalhou ou especificou por quais razões o  contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir,  eis que  haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se  os fossem, certamente permitiriam inferir­se de modo diverso, análise esta que  era  condição  sine  qua  non  para  alicerçar  as  razões  de  decidir  do  despacho  decisório”;  2.  que, “em outras palavras, foi dificultado ao recorrente repelir, amplamente, a  decisão  do  julgador  de  primeiro  grau,  o  que  é  direito  constitucionalmente  assegurado.  A  falta  destes  elementos  concretos,  fundamentos  embasados  na  legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar o r.  despacho  rescisório  implicam na anulação do mesmo, pois ao não garantir o  amplo  direito  de  defesa  à  recorrente,  o  r.  despacho  decisório  avilta  também,  conseqüentemente, o princípio do devido processo legal”;  3.  que, “na falta de elementos que confiram ao contribuinte chance de defender­se  amplamente  da  r.  decisão  do  órgão  fiscal  originário,  o  presente  processo  administrativo  não  terá  seu  deslinde  normal,  razão  pela  contrariou­se  o  consagrado devido processo legal”;  4.  que, “ante à ausência de fundamentos legais imprescindíveis, desde o momento  em  que  foi  exarado  o  r.  despacho  decisório  o  curso  deste  processo  administrativo foi atingido por uma nulidade, o que somente poderá ser sanada  Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13888.901111/2014­52  Acórdão n.º 1402­003.073  S1­C4T2  Fl. 4            3 através  da  integral  anulação  do  processo  administrativo  desde  o  início,  inclusive do V. Acórdão recorrido que manteve o despacho decisório”;  5.  que, “requer­se que estes Ínclitos Julgadores em sede prelibatória anulem este  processo administrativo desde o r. despacho decisório de origem, determinando  o retorno dos autos à origem para que seja preferida decisão compatível com os  princípios que norteiam os processos administrativos”.  NO MÉRITO  Depois  de  fazer  breve  histórico  da COFINS  e  do  PIS,  aponta  para  decisão  prolatada pelo STF acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo naquelas contribuições.  Literalmente:  “Recentemente  a  matéria  foi  definitivamente  arraigada  pelo  C.  Supremo  Tribunal  Federal  quando  do  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  nº  240.785­2 MG,  onde  o  contribuinte  se  consagrou  vencedor e foi definitivamente julgada a questão no sentido de que se  deve excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Oportuno  ressaltar  os  ensinamentos  do Min. Marco Aurélio  que  nos  autos  do  aludido julgamento cravou:  (...)  Assim, somente se pode concluir que o valor do ICMS não pode ser  incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído  no  conceito  de  "faturamento", mas mero  "ingresso" na  escrituração  contábil  das  empresas,  razão  pela  qual  por  todas  as  razões  aqui  expendidas, bem assim pelo quanto retro sustentado, é que se  faz de  solar  clareza  a  necessidade  de  reformar  a  r.  decisão  guerreada  e  homologar  as  compensações  levadas  a  termo  através  das  PERDCOMPs cotejadas.  Reitere­se,  porque  se  cuida  de  decisão  recente  e  nova  no  mundo  tributário,  posto  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  decidiu  definitivamente que o ICMS não entra na base de cálculo da Cofins e  do  PIS  (Recurso  Extraordinário  nº  240.785­2 MG),  de  modo  que  a  inclusão do  ICMS na base de  cálculo das Contribuições ao PIS  e à  Cofins  é  ilegítima e  inconstitucional,  pois  fere o princípio da  estrita  legalidade previsto no artigo 150, I da CF/88 e 97 do CTN, o artigo  195,  I,  “b”  da  CF/88  e  o  art.  110  do  CTN,  porque  receita  e  faturamento  são  conceitos  de  direito  privado  que  não  podem  ser  alterados, pois a Constituição Federal os utilizou expressamente para  definir  competência  tributária,  pelo  que  resta  evidente  o  crédito  da  Recorrente e se requer a reforma do V. Acórdão neste particular para  que  sejam  definitivamente  homologadas  as  compensações  levadas  a  termo pelo contribuinte recorrente”.  DO DIREITO DO CONTRIBUINTE À COMPENSAÇÃO  Prossegue argumentando  ter direito à compensação em face da exclusão do  ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e que, por este motivo, “caberia à Autoridade  recorrida verificar o crédito do Recorrente, para aferir pela sua procedência ou não, sendo certo que  se assim o  fizesse a autoridade administrativa  singular,  certamente homologaria a  compensação em  Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13888.901111/2014­52  Acórdão n.º 1402­003.073  S1­C4T2  Fl. 5            4 apreço, sendo que de tudo quanto exposto, somente se pode inferir que o V. Acórdão em questão deve  mesmo ser reformado, o que se requer adiante”.  DO PEDIDO  E conclui  requerendo “o  regular  processamento,  ulterior  apreciação,  concessão  de efeito suspensivo e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de  reformar o V. Acórdão exarado pela instância a quo, para que, preliminarmente, seja reformado o V.  Acórdão  recorrido  para  que  seja  anulado  o  vertente  processo  administrativo,  nos  moldes  da  fundamentação supra, tendo em vista a ofensa ao princípio do contraditório e do devido processo legal,  e  para  que,  no  seu mérito,  seja  reformado o V. Acórdão  recorrido  para  que  sejam homologadas  as  almejadas compensações e finalmente reconhecido o crédito da Recorrente”.  É o relatório do essencial, em apertada síntese.          Voto             Conselheiro Paulo Mateus Ciccone ­ Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1402­003.018,  de  11/04/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  13888.901078/2014­ 61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402­003.018):  "O Recurso Voluntário  é  tempestivo  e  dotado  dos pressupostos  para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço.  Afasto,  de  plano,  a  preliminar  de  nulidade  do  acórdão  a  quo,  tendo em vista não presentes quaisquer fatos que pudessem levar  a esta decisão.  De  fato,  o  que  se  observa  é  a  irresignação  da  recorrente  em  razão  da  decisão  de  1º  Piso  lhe  ter  sido  desfavorável  e  não  porque  tenha  o  aresto  qualquer  ponto  ou  item  que  afronte  a  legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação.  Diga­se,  o  acórdão  foi  prolatado  em  estrita  obediência  às  normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e  Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13888.901111/2014­52  Acórdão n.º 1402­003.073  S1­C4T2  Fl. 6            5 documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da  contribuinte.  Se  o  decidido  lhe  foi  desfavorável  não  significa  nulidade.  Só  entendimento da Turma Julgadora.  Preliminar rejeitada.  Passo ao mérito.  Sabidamente,  o  ônus  da  prova  cabe  ao  autor  quanto  ao  fato  constitutivo  do  seu  direito  (Código  do  Processo  Civil  –  CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I).  No  caso  de  pedidos  de  ressarcimento  ou  restituição,  o  interessado  deve  trazer  provas  de  que  possui  direito  líquido  e  certo  contra  a  Fazenda  Pública  e  assim  deve  ser  repetido  tributariamente  para  recompor  o  patrimônio  subtraído  por  pagamento de um tributo de forma indevida.  Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e  seu direito se perde.  Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito  legal  para  a  concessão  da  compensação  (CTN,  art.  170).  Pelo  princípio  da  Indisponibilidade  do  Interesse  Público  e  pela  vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a  extinção do  tributo por  compensação com crédito que não  seja  comprovadamente certo nem possa ser quantificado.  Concretamente,  se o DARF  indicado como crédito  foi  utilizado  para  pagamento  de  um  tributo  declarado  pelo  próprio  contribuinte,  a  decisão  da  RFB  de  indeferir  o  pedido  de  restituição ou de não homologar a compensação está correta. No  caso,  o  DARF  foi  utilizado  para  pagamento  do  tributo  confessado  na  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte.  É certo que este quadro pode ser alterado.  Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é  ela  a  autora  e  para  modificar  o  ato  administrativo  cabe­lhe  demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos  efetuados pela RFB.  Não o fazendo – como não o fez ­, o indeferimento permanece.  Acresça­se  que,  concretamente,  a  contribuinte  não  acostou  um  documento sequer, nem escrituração contábil ou fiscal que possa  mostrar o direito que alega ter.  Sua  linha  de  argumento  limita­se  em  afirmar  que  a  Suprema  Corte  (em decisão ainda sem efeito erga omnes)  teria decidido  pela  exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo  das  contribuições  sociais  (PIS e COFINS), sem sequer quantificar o  reflexo disso  em seus demonstrativos contábeis.  Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13888.901111/2014­52  Acórdão n.º 1402­003.073  S1­C4T2  Fl. 7            6 Ou  seja,  meras  alegações  sem  que  tenham  vindo  aos  autos  quaisquer provas, cálculos ou decisão que lhe aproveitasse.  Sabidamente,  a  base  de  cálculo  das  Contribuições  para  os  Programas de  Integração Social e de Formação do Patrimônio  do  Servidor  Público  ­  PIS/PASEP  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento.  E que só pode ser mudado por via legislativa ou decisão judicial,  esta  que  aproveite  individualmente  a  recorrente  ou  que  seja  prolatada com efeito erga omnes.  Não há, no caso, nem um nem outro.  Desse  modo,  especificamente  quanto  ao  Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e de Comunicação –  ICMS,  somente podem ser  excluídos da receita (base de cálculo do PIS e da COFINS) o  ICMS,  quando  cobrado  pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto  tributário,  no  regime  cumulativo,  e  a  receita  decorrente da  transferência onerosa  a  outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados  de operações de exportação em ambos os regimes.  Admitir  qualquer  outra  exclusão  equivaleria  a  afastar  a  aplicação  da  lei,  o  que  é  vedado  na  esfera  administrativa.  Portanto,  essa  discussão  é  estéril  em  sede  de  julgamento  administrativo.  Finalmente,  como  bem  observado  pela  decisão  de  1º  Piso,  a  recorrente  transmitiu  inúmeras  declarações  de  compensação  informando  como  crédito  passível  de  compensação  um  único  DARF  e  nos  pedidos  de  compensação  formalizados  pela  recorrente,  os  débitos  que  intenta  compensar  ultrapassam  –  e  muito ­ o valor desse suposto crédito.   Por  fim,  não  se  olvide,  só  se  permite  compensação  com  a  utilização  de  créditos  dotados  de  liquidez  e  certeza  (art.  170, do CTN):  Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar  a  compensação  de  créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos,  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010)   E valores incomprovados não possuem estes requisitos.  A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema:  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.   A  prova  do  indébito  tributário,  fato  jurídico  a  dar  fundamento  ao  direito  de  repetição  ou  à  compensação,  compete  ao  sujeito  passivo  que  teria  efetuado  o  Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13888.901111/2014­52  Acórdão n.º 1402­003.073  S1­C4T2  Fl. 8            7 pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº  103­23579, sessão de 18/09/2008)  Por  todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO  ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida.'  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar  de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário mantendo a  decisão recorrida.  (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone                              Fl. 52DF CARF MF

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Numero do processo: 10280.723136/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Ainda que se trate de tributo sujeito ao lançamento por homologação, não havendo pagamento antecipado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai com o transcurso do prazo de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. VENCIMENTO DO MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES. O CARF tem posicionamento consolidado no sentido de que o MPF é apenas procedimento gerencial da receita federal, sendo que mesmo sua inexistência não gera nulidade da infração. INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. SIGILO BANCÁRIO. Com a edição da Lei Complementar nº 105/2001, passou a ser permitido ao fisco, independentemente de autorização judicial, o exame de informações relativas às movimentações bancárias do contribuinte e obtidas junto às instituições financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento do lucro é medida prudente para o atingimento aproximado da realidade econômica do contribuinte, considerando que sua escrituração fiscal e contábil evidencia deficiências que tornam-na imprestável para a identificação do efetivo lucro auferido.
Numero da decisão: 1201-002.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário,e, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: Relator

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1201­002.099  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de março de 2018  Matéria  IRPJ  Recorrentes  ME VIEIRA E CIA LTDA              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.  Ainda  que  se  trate  de  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação,  não  havendo pagamento  antecipado, o direito de  a Fazenda Pública constituir o  crédito tributário decai com o transcurso do prazo de cinco anos contados a  partir  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia ter sido efetuado.  VENCIMENTO DO MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.  PRECEDENTES.   O  CARF  tem  posicionamento  consolidado  no  sentido  de  que  o  MPF  é  apenas  procedimento  gerencial  da  receita  federal,  sendo  que mesmo  sua  inexistência  não  gera nulidade da infração.  INFORMAÇÕES  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA.  SIGILO  BANCÁRIO.   Com a edição da Lei Complementar nº 105/2001, passou a ser permitido ao  fisco,  independentemente  de  autorização  judicial,  o  exame  de  informações  relativas  às  movimentações  bancárias  do  contribuinte  e  obtidas  junto  às  instituições  financeiras,  quando  houver  procedimento  de  fiscalização  em  curso e tais exames forem considerados indispensáveis.  ARBITRAMENTO DO LUCRO.  O arbitramento do  lucro é medida prudente para o atingimento aproximado  da  realidade  econômica  do  contribuinte,  considerando  que  sua  escrituração  fiscal  e  contábil  evidencia  deficiências  que  tornam­na  imprestável  para  a  identificação do efetivo lucro auferido.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 31 36 /2 01 1- 15 Fl. 1049DF CARF MF   2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário,e, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto  do relator.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Luis Fabiano Alves Penteado ­ Relator      Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de  Aguiar,  Luis  Henrique Marotti  Toselli  e Gisele  Barra  Bossa.  Ausentes,  justificadamente,  os  Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.      Relatório  Tratam  os  autos  de  autos  de  infração  cientificados  em  19/12/2011  para  a  exigência de débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos ao ano­calendário de 2006 (fls.  846881), acrescidos de multa de ofício de 150% e juros de mora.  De  acordo  com  o  relatório  fiscal  de  fls.  841845,  o  procedimento  de  fiscalização foi iniciado (i) por existir diferença de R$7.178.181,10 entre as compras lançadas  na  DIPJ  (R$22.065.261,55)  e  a  receita  bruta  do  período  (R$14.887.080,45),  (ii)  porque  a  movimentação financeira informada pelo Banco Bradesco por meio da declaração de CPMF foi  superior  à  receita  bruta  em  R$7.029.711,63  e  (iii)  porque  a  contribuinte  apurou  prejuízos  fiscais  elevados  em  todos  os  trimestres  do  ano­calendário  de  2006  (R$5.221.556,58,  R$6.744.431,63, R$2.732.596,18 e R$2.541.005,34, respectivamente).  O  auditor  fiscal  concluiu  pela  imprestabilidade  da  escrituração  e  realizou  a  apuração  do  lucro  pela  sistemática  do  arbitramento,  tendo  indicado  no  relatório  fiscal  os  diversos vícios que entendeu estarem presentes nas demonstrações contábeis da contribuinte.  Foi consignado, no relatório fiscal, que em 22/10/2010 foi lavrado termo de  intimação e devolução de documentos, no qual foram solicitados esclarecimentos sobre falhas  e omissões encontradas nos  livros  razão e diário e  a contribuinte  foi  intimada a  retificar  tais  informações,  sob  pena  de  arbitramento  do  lucro. A  contribuinte  apresentou  esclarecimentos,  mas não retificou as incorreções apontadas pela autoridade fiscal, exceto quanto à identificação  do contador responsável.  Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10280.723136/2011­15  Acórdão n.º 1201­002.099  S1­C2T1  Fl. 3          3 Em  21/10/2011  a  contribuinte  foi  novamente  intimada  a  comprovar  os  valores da conta 211.01.02 “Fornecedores” e da conta 221.01.01 “Empréstimos a Coligada a  Longo Prazo”, mas tais esclarecimentos não foram prestados até o encerramento da ação fiscal,  que ocorreu em 13/12/2011.  Também foi registrado no relatório fiscal que a contadora da contribuinte, em  depoimento  prestado  à  Fiscalização,  afirmou  ser  a  contabilidade  imprestável  para  apurar  o  lucro real.  Em  razão  (i)  das  fraudes  na  contabilidade  objetivando  apurar  um  prejuízo  inexistente e (ii) tendo em vista a imprestabilidade da escrita contábil para a apuração do lucro  real,  a  autoridade  fiscal  procedeu  à  qualificação  da  multa  para  150%  e  formalizou  representação fiscal para fins penais.  Foi observado o prazo decadencial previsto pelo art. 173,  I do CTN pois (i)  não  houve  apresentação  de  DCTF  e  DACON,  tampouco  (ii)  pagamentos  a  título  de  IRPJ,  CSLL, COFINS E PIS; (iii) foi desclassificada a “DIPJ como apuração pelo lucro real” e (iv)  houve fraude na escrita contábil com qualificação da multa.    Impugnação  Em  17/01/2012  a  contribuinte  apresentou  a  impugnação  de  fls.  908927  alegando, em suma, o que segue.  ­  Houve  cerceamento  do  direito  de  defesa,  pois  a  contribuinte  não  foi  intimada das nove renovações do prazo do MPF 02.1.01.002010000277, sendo assim o auto de  infração nulo nos termos do art. 12, II do Decreto nº 7.574/11;  ­ Os autos de  infração estão fundamentados em provas obtidas  ilicitamente,  pois  a  contribuinte  foi  coagida  a  apresentar  seus  extratos  bancários,  uma  vez  que,  se  tais  documentos não fossem exibidos à Fiscalização, seria caracterizado embaraço à fiscalização e  lavrado auto de infração mediante a utilização do critério de arbitramento.  Cita o RE nº 389.808PR, em que o STF decretou a inconstitucionalidade do  art. 6º da LC 105, de 10/01/2001;  ­  Ocorreu  a  decadência  dos  créditos  tributários  correspondentes  aos  três  primeiros trimestres de 2006 (considerando­se a apuração trimestral), pois deve ser aplicado o  art. 150, §4º do CTN, e não o art. 173, I. Isso porque foi apresentada a DIPJ relativa ao ano­ calendário de 2006 e a contribuinte apenas não recolheu IRPJ, CSLL, PIS e COFINS porque  apurou  prejuízo  fiscal. Além disso,  não  houve  fraude,  pois  não  foi  praticada  conduta  dolosa  tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características  essenciais,  de  modo  a  reduzir o montante do imposto devido ou evitar ou diferir o seu pagamento;  ­ Auditor fiscal agiu de forma equivocada ao declarar a imprestabilidade da  escrita fiscal da contribuinte, pois inexistiram os elementos necessários para tanto, fixados na  legislação  vigente.  Isso  porque  (i)  o  auditor  fiscal  teve  acesso  à movimentação  financeira  e  bancária  da  contribuinte,  (ii)  foram  prestados  todos  os  documentos  e  esclarecimentos  Fl. 1051DF CARF MF   4 solicitados  durante  o  procedimento  de  fiscalização,  (iii)  a  escrita  fiscal  da  contribuinte  era  regular,  com  o  preenchimento  de  todos  os  livros  exigidos  pela  legislação  para  as  empresas  optantes pelo lucro real;  ­  Subsidiariamente,  o  lançamento  deve  ser  declarado  nulo,  ainda  que  parcialmente, em relação à CSLL, ao PIS e à Cofins, pois o MPF foi expedido com o objetivo  inicial de apurar a regularidade do cumprimento de obrigações tributárias relativas ao IRPJ, ou  seja, o auditor fiscal extrapolou sua competência;  ­  Deve  ser  afastada  a  qualificação  da  multa,  pois  essa  penalidade  foi  substituída  por  uma mais  benéfica  e  não  foi  caracterizado  o  evidente  intuito  de  fraude;  e  ­  Tendo sido demonstrado que não  foi  realizada  fraude pela contribuinte, deve ser declarada  a  perda de objeto da representação fiscal para fins penais.    Acórdão da DRJ  Às  fls.  949967,  os  membros  da  1ª  Turma  de  Julgamento  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belém  (PA)  julgaram  procedente  em  parte  a  impugnação em acórdão assim ementado:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­IRPJ  Ano­calendário: 2006  CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. DECADÊNCIA.   Nos lançamentos cuja exação se faz por homologação, havendo  pagamento  antecipado  do  imposto,  ou  da  contribuição,  e  ausentes o dolo, fraude ou simulação, realiza­se a contagem do  prazo decadencial pelo disposto no §4º do art. 150 do CTN, de  outra  forma,  aplica­se  a  regra  ordinária  da  decadência  estampada no art. 173, inciso I, do CTN.  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  AUSÊNCIA.  DEMONSTRATIVO  DE  EMISSÃO  E  PRORROGAÇÃO  CIÊNCIA   O  MPF  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  é  instrumento  de  controle  administrativo  e  de  informação  ao  contribuinte.  Seu  vencimento  não  constitui,  por  si  só,  causa  de  nulidade  do  lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por  parte do  sujeito passivo. Eventuais omissões ou  incorreções no  Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do  auto de infração.  LUCRO ARBITRADO. APLICAÇÃO.   O contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária  os  livros  e  documentos  da  escrituração  comercial  e  fiscal,  ou  deixar  de  apresentar  o  Livro  Caixa,  no  qual  deverá  estar  escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária,  quando optar pelo lucro presumido e não mantiver escrituração  contábil regular, deve ser tributado pelo Lucro Arbitrado.  SIGILO BANCÁRIO.   Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 10280.723136/2011­15  Acórdão n.º 1201­002.099  S1­C2T1  Fl. 4          5 Havendo  procedimento  administrativo  instaurado,  a  prestação,  por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas  pelos órgãos fiscais  tributários do Ministério da Fazenda e dos  Estados  não  constitui  quebra  do  sigilo  bancário,  mas  mera  transferência  de  dados  protegidos  pelo  sigilo  bancário  às  autoridades obrigadas a mantê­los no âmbito do sigilo fiscal.  PROVA PERICIAL. LIMITES OBJETIVOS.   Destinam­se  as  perícias  à  formação  da  convicção  do  julgador,  devendo limitar­se ao aprofundamento de investigações sobre o  conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação  de  dois  ou  mais  elementos  de  prova  também  já  incluídos  nos  autos,  não  podendo  ser  utilizadas  para  suprir  a  ausência  de  provas que  já poderiam as partes  ter  juntado à  impugnação ou  para reabrir, por via indireta, a ação fiscal.  MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO.   É  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude  do  sujeito passivo para autorizar a qualificação da multa de ofício.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA: PIS e COFINS.   Dada  a  íntima  relação  de  causa  e  efeito,  o  lançamento  decorrente segue a sorte do lançamento principal, se não houver  razão para decidir diversamente.    Em suma, e nos termos do voto do Relator, a DRJ afastou a qualificação da  multa de ofício por não ter sido demonstrado o evidente intuito de fraude pela autoridade fiscal.  Não havia sido interposto recurso de ofício.    Recurso Voluntário  Contra o referido acórdão a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls.  974993, no qual reiterou os argumentos tecidos em sede de impugnação, exceto quanto à multa  qualificada.    Resolução 1103­000.171  Por meio da Resolução 1103­000.171 a 3° Turma da 1°Câmara converteu o  julgamento em diligência nos seguintes termos do voto relator:  Desse  modo,  VOTO  no  sentido  de  converter  o  julgamento  em  diligência, para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento em Belém – PA:  Fl. 1053DF CARF MF   6 a)  Interponha  recurso de ofício  contra o Acórdão nº 0125.734,  proferido  em  30/11/2012  nos  autos  do  presente  processo  administrativo;  b) Cientifique o contribuinte sobre a interposição do recurso de  ofício, para, se assim desejar, apresentar manifestação limitada  ao objeto de tal recurso, no prazo de 30 (trinta) dias, conforme o  art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; e  c)  Findo  o  prazo  acima,  devolva  os  autos  ao  CARF  para  julgamento.     A  DRJ/Belém  cumpriu  a  resolução  em  seus  exatos  termos  e  os  autos  retornaram a este Conselho para julgamento.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado ­ Relator    Admissibilidade  O Recursos Voluntário e de Ofício interpostos são tempestivos e preenchem  os demais requisitos legais, por isso, merecem ser analisados.   Do Recurso Voluntário  Decadência  Alega  a  contribuinte  que  tendo  sido  optante  pelo  Lucro  Real  Trimestral  e  considerando  que  foi  cientificada  do  Auto  de  Infração  apenas  em  13/12/2011,  ocorrera  a  decadência  dos  fatos  geradores  de  31/03/2006;  30/06/2006  e  30/09/2006,  conforme  regra  prevista no art. 150, § 4°do CTN.   Baseia também a contribuinte sua alegação de decadência nos moldes do art.  150, § 4°do CTN no fato de inexistir em sua conduta qualquer indício de fraude ou simulação  que pudesse levar à aplicação da regra do art. 173, I do CTN.  Discordo do racional da Contribuinte, pois, resta incompleta. Explico.  A  análise  deste  ponto  norteia  a  construção  lógica  de que  a  consumação  do  instituto da decadência depende diretamente do termo a quo adotado, variando de acordo com  a situação fática que se concretiza.   O fator que opera esta variação, no caso em tela, é o pagamento antecipado  do tributo. Outros fatores, ocasionalmente, podem ser levados em conta, como a constatação  Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 10280.723136/2011­15  Acórdão n.º 1201­002.099  S1­C2T1  Fl. 5          7 da  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação, mas,  conforme  se  verá  em  análise  posterior  do  mérito, o presente caso não exige a aplicação de quaisquer destes.  Neste  albor,  uma  vez  constatado  o  pagamento  antecipado  do  tributo,  necessária  a  aplicação  do  art.  150,  §  4º  do  CTN,  definindo,  desta  forma,  o  momento  da  ocorrência do fato gerador como o termo a quo para contagem do prazo decadencial.   Em contrapartida, não havendo indícios de pagamento antecipado do tributo,  irretorquível a aplicação do art. 173, I do CTN, considerando o início do prazo decadencial no  1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.  Este é o caso em tela, pois, não foram identificados pagamentos nos períodos  em discussão, ainda que em valores menores que o devido.   Desta sorte, deve ser aplicada a regra do art. 173, I do CTN ao presente caso  e por consequêcia, deve ser afastada a alegação de decadência de qualquer dos períodos ora em  discussão.     Cerceamento ao direito de defesa. Nulidade do MPF.  Alega  a  contribuinte  o  cerceamento  de  seu  direito  de  defesa  em  razão  de  nulidade do MPF, pois, teria expirado o prazo deste.  Discordo da Contribuinte.    A jurisprudência da CSRF é no sentido que o MPF é apenas um ato interno  da  SRF,  de  cunho  gerencial,  que,  por  consequência,  não  afeta  o  auto  de  infração  quando  expedido ou executado sem respeitar os  termos da Portaria ou mesmo quando não expedido,  como  podemos  ver  em  recentes  julgados  das  três  turmas  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais:    1ª Turma da CSRF  “O  MPF  é  apenas  uma  medida  interna,  de  controle  administrativo  e  sua  ausência  não  contamina  a  essência  do  lançamento quando levado a efeito por autoridade competente.”  (...)  “Frise­se, não é o MPF que dá legitimidade ao Auditor da RFB  para  lançar  tributos, mas  a  lei  stricto  sensu,  e  esta  não  restou  violada.”  (Acórdão  nº  9101­001.798,  Relatoria  Cons.  Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão.  Decisão  por  maioria.  Data  da  sessão:  19/11/2013)     Fl. 1055DF CARF MF   8 2ª Turma da CSRF  “Todas infrações ligadas ao descumprimento do MPF, inclusive  do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do  processo  administrativo  disciplinar  e  não  tem  o  condão  de  tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do  art. 142 do CTN:”  (...)  “Cumpre ressaltar também que a inobservância da Portaria SRF  nº.  1.265,  de  22  de  novembro  de  1999  pode  acarretar  sanções  disciplinares,  mas  não  a  nulidade  dos  atos  praticados  pelo  Auditor, em cumprimento ao disposto nos arts 950, 951 e 960 do  RIR/94. 142 do Código Tributário Nacional.”  (Acórdão  nº  9202­003.063,  Relatoria  Cons.  Manoel  Coelho  Arruda  Júnior.  Decisão  por  maioria.  Data  da  sessão:  13/02/2014)    3ª Turma da CSRF  “O auto de infração e, consequentemente o lançamento, somente  seria  nulo  se  tivesse  sido  lavrado  por  pessoa  incompetente  ou  sem fundamentação legal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235,  de 06 de março de 1972, art. 59, inciso I, in verbis:  Por  maioria  de  votos,  afastou­se  a  preliminar  de  nulidade  do  MPF.  Vencidas  as  Conselheiras Maria  Teresa Martínez  López  (Relatora)  e  Susy  Gomes Hoffmann.  Designado  para  redigir  o  voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas;”  (Acórdão  nº  9303­001.194,  Relatoria  Cons.  Maria  Teresa  Martinez  López.  Redator  Voto  Vencedor  Cons.  Rodrigo  Costa  Pôssas. Decisão por maioria. Data da sessão 25/10/2010)    Do  primeiro  acórdão,  notamos  que  não  há  nulidade  do  procedimento  de  fiscalização, mesmo inexistindo MPF. O segundo acórdão deixa claro que a inobservância de  MPF  gera  apenas  consequências  disciplinares  à  autoridade  administrativa,  não  gerando  nulidade para a fiscalização realizada. Por fim, o terceiro acórdão conclui que, tratando­se de  ato administrativo, só será nulo quando proferido por pessoa incompetente.  Concordo com esse entendimento.   Analisando a  legislação  tributária, vemos que no plano constitucional o art.  145, § 1º possibilita que os  entes  tributantes  identifiquem o patrimônio, os  rendimentos  e  as  atividades do contribuinte, desde que “respeitados os direitos individuais e nos termos da lei”:    Art.  145.  A  União,  os  Estados,  o  Distrito  Federal  e  os  Municípios poderão instituir os seguintes tributos:  (...)  Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 10280.723136/2011­15  Acórdão n.º 1201­002.099  S1­C2T1  Fl. 6          9 § 1º  ­ Sempre que possível, os impostos  terão caráter pessoal e  serão  graduados  segundo  a  capacidade  econômica  do  contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente  para  conferir  efetividade  a  esses  objetivos,  identificar,  respeitados  os  direitos  individuais  e  nos  termos  da  lei,  o  patrimônio,  os  rendimentos  e  as  atividades  econômicas  do  contribuinte.    Em  nosso  entender,  o  direito  individual  mencionado  acima  é  o  direito  de  defesa,  bem  como  outras  garantias  estabelecidas  por  lei  que,  desrespeitadas,  haja  previsão  expressa de ensejarem a nulidade do procedimento.   No  que  tange  à  prescrição  “nos  termos  da  lei”,  encontramos  no  Código  Tributária Nacional, por sua vez, os seguintes dispositivos:    Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  (...)  Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei,  regulará,  em  caráter  geral,  ou  especificamente  em  função  da  natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes  das  autoridades  administrativas  em matéria  de  fiscalização  da  sua aplicação.  Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplica­ se  às  pessoas  naturais  ou  jurídicas,  contribuintes  ou  não,  inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de  caráter pessoal.  (...)  Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a  quaisquer  diligências  de  fiscalização  lavrará  os  termos  necessários para que se documente o início do procedimento, na  forma da  legislação aplicável, que  fixará prazo máximo para a  conclusão daquelas.  Parágrafo  único.  Os  termos  a  que  se  refere  este  artigo  serão  lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos;  quando  lavrados  em  separado  deles  se  entregará,  à  pessoa  sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se  refere este artigo.  Fl. 1057DF CARF MF   10   Em outros  termos,  a  lei  estabelece  que  a  constituição  do  crédito  tributário,  por  autoridade  administrativa,  deve  respeitar  os  seguintes  requisitos:  i)  a  autoridade  ter  competência  para  a  prática  do  ato;  ii)  deve  ser  instaurado  um  procedimento;  iii)  se  o  procedimento  depender  de  intimação  do  sujeito  passivo,  deve  ser  lavrado  termo para que  se  documente  a  data  de  início;  iv)  prazo  para  findar;  e,  se  necessário,  v)  lavratura  de  auto  de  infração contendo a RMIT.  Os  dispositivos  acima  estabelecem,  também,  que  a  legislação  tributária,  ou  seja,  “os  decretos  e  as  normas  complementares”,  inclusive1,  regulará,  observado  o  disposto  nesta  Lei,  “a  competência  e  os  poderes  das  autoridades  administrativas  em matéria  de  fiscalização  da  sua  aplicação”.  Nesse  sentido,  o  art.  7º  do  Decreto­Lei  nº  70.235/72,  recepcionado pela CF/88 com nível de lei ordinária, dispõe:    Art. 7º O procedimento fiscal tem início com:  I  ­  o  primeiro  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  cientificado  o  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária ou seu preposto;  (...)  § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito  passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de  intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.  §  2° Para  os  efeitos  do  disposto  no  §  1º,  os  atos  referidos  nos  incisos  I  e  II  valerão pelo prazo de  sessenta dias,  prorrogável,  sucessivamente,  por  igual  período,  com  qualquer  outro  ato  escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos.    Entendemos que o art. 194, do CTN possibilita a instituição de duas espécies  de normas: i) inaugurais e ii) regulamentares; podendo ser subdivididas em normas de direito  material e normas processuais.  Na lição do Prof. PAULO DE BARROS CARVALHO, pautando­se no art. 5º, § 2º  da  CF/88,  “A  lei  e  os  estatutos  normativos  que  têm  vigor  de  lei  são  os  únicos  veículos  credenciados a promover o ingresso de regras inaugurais no universo jurídico brasileiro, pelo  que as designamos por “instrumentos primários”, e “Todos os demais diplomas regradores de  conduta  humano,  no  Brasil  têm  sua  juridicidade  condicionada  às  disposições  legais,  quer  emanem  preceitos  gerais  e  abstratos,  quer  individuais  e  concretos.  São,  por  isso  mesmo,  considerados  ‘instrumentos  secundários’  ou  ‘derivados’,  não  apresentando  por  si  só,  a  força  vinculante que é capaz de alterar as estruturas do mundo jurídico­positivo.”2                                                              1 CTN: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais,  os decretos e as normas complementares que versem, no  todo ou em parte, sobre  tributos e  relações  jurídicas a  eles pertinentes.  2 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 90.  Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10280.723136/2011­15  Acórdão n.º 1201­002.099  S1­C2T1  Fl. 7          11 Ainda  sobre  o  tema,  ressalta  que  os  instrumentos  secundários  não  podem  inovar a ordem jurídica, “fazendo surgir novos direitos e obrigações”3. Em sentido contrário,  entende­se que tampouco poderá restringir direitos ou obrigações.   Pois bem. O art. 6º da Lei nº 10.593/2002 é exemplo de norma inaugural de  direito  material,  quando  confere,  privativamente,  ao  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  a  competência para “constituir, mediante lançamento, o crédito tributário”.  Por sua vez, o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, que confere  atribuições  às  delegacias  e  departamentos  internos  são  normas  de  direito  material  regulamentares.  A importância da classificação acima está no fato que, a nulidade de um ato  só  deve  ser  declarada  quando  a  norma  for:  i)  inaugural  de  direito material  ou  ii)  de  direito  processual,  com  previsão  expressa  de  uma  consequência  em  caso  de  desrespeito  à  previsão  legal ou infralegal.  A partir  dessa  premissa,  auto  de  infração  lavrado  por  quem não  é  auditor­fiscal  é  “nulo”, pois o art. 142 do CTN combinado com o art. 6º da Lei nº 10.953/2002 confere apenas a essa  autoridade  administrativa  a  competência  para  constituir  o  crédito  tributário  por  meio  de  auto  de  infração.  Todavia, procedimento estabelecido por ato regulamentar, “observado o disposto  nesta Lei”  (art. 194, do CTN), que não preveja expressamente uma consequência quando ela  não for respeitada, na seara tributária, não gera nenhum efeito, exceto se provado prejuízo ao  exercício do direito de defesa – esta com base em instrumento inaugural, qual seja o art. 59 do  Decreto nº 70.235/72. É o que ocorre com o Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal –  TDPF, outrora denominado Mandado de Procedimento Fiscal (MPF).  À  época  da  fiscalização,  o  MPF  tinha  como  fundamento  a  Portaria  da  RFB  nº  3.014/2011,  instituída  com o  fim de dispor  “sobre o planejamento das  atividades  fiscais  e  estabelece  normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da  Receita Federal”.  Já  pela  ementa  da  Portaria  é  possível  depreender  o  seu  fim:  norma  de  natureza  gerencial da Receita. Todavia, ainda que se entenda que a legislação outorga “direitos” ao administrado,  esses são, apenas, de natureza processual, e, desse modo, não há que se falar em nulidade, sem que se  configure  o  prejuízo.  Ademais,  não  encontramos  na  citada  portaria  nenhum  dispositivo  que  atribua  consequência, por exemplo, nulidade, quando qualquer dos requisitos do ato seja desrespeitado.  Como bem fundamentou o ilustre Cons. Antônio Bezerra Neto: “O ônus de provar o  prejuízo é do interessado e ele não o faz, limitando­se a entrar em um argumento circular em que apenas  a legalidade pela legalidade é que foi prejudicada.” ­ Acórdão n.º 1401­001.223.  Soma­se  aos  argumentos  retro  o  fato  que  as  garantias  e  privilégios  do  crédito  tributários não podem ser afastados por meio de ato infralegal, nem mesmo por aplicação do “princípio  da legalidade, da ampla defesa e do devido processo legal”, haja vista que o art. 194 do CTN limita a  regulamentação dos atos procedimentais “observando o disposto nesta lei”. Frisamos, nenhuma lei em  sentido estrito foi ofendida.                                                              3 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 108.  Fl. 1059DF CARF MF   12 Por fim, como já fundamentado acima, a competência para lavrar auto de infração é  privativa  de  auditor­fiscal,  nos  termos  do  art.  142  do  CTN,  combinado  com  o  art.  6º  da  Lei  nº  10.953/2002. Eventual desrespeito a ato  infralegal de “repartição de competência”, não gera nulidade  do AI.   Em  suma,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  de  acordo  com  o  art.  59  do  Decreto  nº  70.235/72,  seja  porque  a  autoridade  lançadora  era  competente,  seja  porque  não  houve cerceamento do direito de defesa.    Da obtenção das informações protegidas por sigilo bancário  Alega  a  Contribuinte  que  as  provas  foram  obtidas  pela  fiscalização  de  maneira ilícita, vez que foi coagida a apresentar seus extratos bancários. Assim, tais provas não  poderia subsidiar o lançamento ora em combate.  Mais uma vez não assiste razão à Contribuinte.  Quanto  à  nulidade  decorrente  da  quebra  de  sigilo  bancário  sem  autorização judicial, pleiteia o Recorrente o cancelamento do auto de infração, por terem, os  Auditores,  procedido  a  quebra  do  sigilo  bancário  da  Recorrente,  e  utilizado  os  extratos  bancários como prova, sem a devida autorização judicial.   Tal ponto é objeto de constante discussão no judiciário. Conforme decisão da  2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, é descabido que a fiscalização tributária  tenha de  ajuizar  ação  na  Justiça  cada  vez  que precisar de  informações  da vida  financeira de  contribuintes.  Além disto, como bem argumentou o julgador da primeira instancia, não há o  que  se  falar  em  quebra  indevida  de  sigilo  bancário,  visto  que  há  amparo  legal  para  tal  procedimento, no artigo 6º da Lei Complementar 105 de 2001:     Art.  6o As  autoridades  e  os  agentes  fiscais  tributários  da União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  somente  poderão  examinar  documentos,  livros  e  registros  de  instituições  financeiras,  inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado  ou  procedimento  fiscal  em curso  e  tais exames  sejam considerados  indispensáveis pela  autoridade administrativa competente.      O dispositivo legal acima encontra­se em plena vigência, não cabendo a este  julgador a análise sobre eventual inconstitucionalidade por respeito `Súmula CARF n. 2.  De fato,  já foi externada posição a respeito da matéria pelo Plenário do Eg.  Supremo Tribunal  Federal  por  ocasião  do  julgamento  do RE  389.808/PR,  conforme  ementa  abaixo:    “SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no  inciso  XII  do  artigo  5º  da  Constituição  Federal,  a  regra  é  a  privacidade  quanto  à  correspondência,  às  comunicações  telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a  Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 10280.723136/2011­15  Acórdão n.º 1201­002.099  S1­C2T1  Fl. 8          13 quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o  Judiciário  –  e,  mesmo  assim,  para  efeito  de  investigação  criminal  ou  instrução  processual  penal.  SIGILO  DE  DADOS  BANCÁRIOS  – RECEITA FEDERAL. Conflita  com a Carta  da  República  norma  legal  atribuindo  à  Receita  Federal  parte  na  relação  jurídico  tributária  –  o  afastamento  do  sigilo  de  dados  relativos ao contribuinte.”  (RE  389808/PR,  Rel.  Min.  Marco  Aurélio,  Tribunal  Pleno,  Julgado em 15/12/2010, Publicado em 10/05/2011)    Não obstante minha posição se assemelhe bastante ao julgado acima, o fato é  que  tal  decisão  não  foi  proferida  pelo  STF  sob  o  rito  da  Repercussão  Geral,  sendo  assim,  considerando  a  existência  e  vigência  de  lei  que  permite  a  quebra  do  sigilo  bancário  sem  autorização, bem como, o teor da Súmula CARF n. 2 que veda aos Conselheiros do CARF a  análise de inconstitucionalidade, devo afastar a presente preliminar de nulidade.    Desta  forma,  tendo  o  processo  de  fiscalização  e  o  auto  de  infração  preenchido  todos os  requisitos previstos  em  lei,  todas  as  alegações de nulidade merecem ser  afastadas.     Arbitramento do Lucro Tributável  Conforme já bem destacado na decisão da DRJ, a não apresentação dos livros  e da documentação contábil e fiscal, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, assim como a  apresentação  dos mesmos  em  desacordo  à  técnica  de  escrituração  contábil,  impossibilita  ao  fisco  a  apuração  do  lucro  real,  restando  como  única  alternativa  o  arbitramento  da  base  tributável.  O Decreto nº 3.000/99 – Regulamento do  Imposto de Renda – apresenta as  hipóteses em que o imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, verbis:  Art. 529. A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá as  disposições previstas neste Subtítulo.  Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano­ calendário,  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro  arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430,  de 1996, art. 1º):  I­ o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real,  não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais,  ou  deixar  de  elaborar  as  demonstrações  financeiras  exigidas  pela legislação fiscal;  (...)  III­  o contribuinte deixar de apresentar à autoridade  tributária  os  livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o  Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;  Fl. 1061DF CARF MF   14 (...)  VI  ­  o  contribuinte  não mantiver,  em  boa  ordem  e  segundo  as  normas  contábeis  recomendadas,  Livro  Razão  ou  fichas  utilizados  para  resumir  e  totalizar,  por  conta  ou  sub­conta,  os  lançamentos efetuados no Diário.     O  arbitramento  é  consequência  lógica  à  instalação  de  total  ou  parcial  insegurança jurídica nas atividades fiscalizatórias, especificamente na determinação da matéria  tributável, e assim, na constituição definitiva do próprio crédito tributário. O ato de lançamento  tem como pressupostos a certeza e a liquidez do título que o instrumentaliza, no caso o Auto de  Infração, de  forma que qualquer  indefinição precedente  contamina­o  e desnatura­o perante o  ordenamento jurídico­tributário.   Deve­se  adotar  como  premissa  que  as  informações  prestadas  pelo  contribuinte façam prova a seu favor. O posicionamento do presente julgador, já externado em  outros tantos votos, é de que, inicialmente, com o nascimento da obrigação tributária e, no caso  dos  tributos  aqui  analisados,  cujo  o  lançamento  se  dá  por  homologação,  a  documentação  apresentada  pelo  contribuinte  possui  presunção  relativa  de  veracidade,  transferindo  e  compulsionando o ônus de mitigar tal presunção à fiscalização.   Quando  a  fiscalização  enxerga  inconsistências  e  pleiteia  a  prestação  de  esclarecimentos,  bem  como  a  apresentação  de  documentações  outras,  e  o  contribuinte  não  concretiza  tal almejo, detém­se a possibilidade legal de utilização de outros meios eficazes a  atingir as informações não prestadas ou inexistentes (através de RMFs, informações de órgãos  públicos, dentre outros).   Neste momento, contrastando as informações prestadas pelo contribuinte em  um  primeiro  momento,  com  as  informações  colhidas  unilateralmente  pela  Fiscalização,  eventuais  disparidades  robustecem  o  permissivo  de  transferência  da  presunção  relativa  de  veracidade e, assim, o contribuinte passa a deter o ônus probante.  A presunção de omissão de receitas, legalmente disposta no art. 42 da Lei nº  9430/96,  materializa  esta  presunção  relativa  da  Fiscalização.  Cabe  ao  contribuinte  ilidir  tal  presunção,  caso  apresente  documentação  hábil  e  idônea,  apta  a  comprovar  a  origem  dos  recursos correspondentes.  Importante  ressaltar  que  a  Fiscalização,  neste  momento,  carreia  inúmeras  oportunidades  ao  contribuinte  para  que  este  desnature  tal  presunção,  intimando­o  para  a  apresentação de documentos comprobatórios. Em referência ao caso em tela, o ora recorrente  se manteve  omisso  quanto  a  apresentação  da  documentação  que  suportasse  sua  escrituração  comercial e fiscal.  Veja,  a  fiscalização  analisa  a  documentação  inicialmente  apresentada  e  instiga o contribuinte a cooperar com o atingimento de uma verdade absoluta.   Diante  de  todo  o  exposto,  então,  o  arbitramento  torna­se  o  instrumento  utilizado pela fiscalização como ultimação da atribuição de presunção relativa aos fatos, após  todas  as  tentativas  vãs  e  falhas  no  sentido  de  busca  pelas  informações  e  documentações  do  contribuinte.   Não  obstante,  o  instrumento  em  si,  leia­se,  o  arbitramento,  é  dotado  de  presunção absoluta de veracidade, ressaltando que os fatos ali contidos são relativizados. Veja,  Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 10280.723136/2011­15  Acórdão n.º 1201­002.099  S1­C2T1  Fl. 9          15 uma presunção absoluta (“jure et de jure”) é uma ficção legal: não deixa de ser uma presunção,  considerando  aqui  o  alcance  conteudístico  significativo  deste  signo,  apesar  de  uma  maior  proximidade  a  realidade  concreta  do  que  uma  presunção  relativa  de  veracidade.  Sob  outra  ótica, não há o atingimento da verdade propriamente dita, principalmente quando a análise dos  fatos é respaldada sobre a égide da aplicação do princípio da verdade material.   Em contrapartida, o princípio da verdade formal, impulsiona o firmamento de  uma presunção absoluta de veracidade, uma vez que todos os meios legais foram consumados e  exaustos na busca pela verdade dos fatos, e legitima o arbitramento do lucro no caso concreto,  inadmitindo prova em contrário que o desnature. Quanto aos fatos que o precederam e que o  originaram,  reitera­se,  mantém­se  a  mesma  presunção  relativa  da  qual  todo  o  processo  fiscalizatório fora alagado.  Para  melhor  entendimento  da  situação  no  campo  fático,  imprescindível  a  aplicação do art. 148 do CTN, o qual, sob um olhar perfunctório, tem o escopo de aproximar os  valores arbitrados o máximo possível da verdadeira base de cálculo do  tributo. Ainda assim,  referido  dispositivo  legal,  contudo,  não  encerra  a  possibilidade  de  prova  em  contrário  no  momento  de  formação  do  lançamento:  o  legislador  estendeu  a  garantia  do  contraditório  também à ocasião posterior ao arbitramento.  Eis a dicção legal do art. 148 do CTN:  “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome  em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços  ou  atos  jurídicos,  a  autoridade  lançadora,  mediante  processo  regular,  arbitrará  aquele  valor  ou  preço,  sempre  que  sejam  omissos  ou  não  mereçam  fé  as  declarações  ou  os  esclarecimentos  prestados,  ou  os  documentos  expedidos  pelo  sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada,  em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa  ou judicial.”    A jurisprudência instaurada no CARF, alicerçada pelo normativo supracitado,  amparada, agora sim, integralmente no princípio da verdade material, concretiza os princípios  do contraditório e da ampla defesa à todo o processo administrativo.   Permite­se que o contribuinte faça prova a seu favor em sede de impugnação  e  recurso  voluntário,  no  intuito  claro  de  ilidir  a  presunção  relativa  ultimada  por  meio  do  arbitramento, mantendo intacta, no entanto, a presunção absoluta deste último.   Tal assertiva é consolidada através de entendimento sumulado:   Súmula  CARF  nº  59:  A  tributação  do  lucro  na  sistemática  do  lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao  lançamento,  de  livros  e  documentos  imprescindíveis  para  a  apuração  do  crédito  tributário  que,  após  regular  intimação,  deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal.    Fl. 1063DF CARF MF   16 Torna­se  cristalina  a  conclusão de que o  arbitramento,  por  si,  não pode  ser  invalidado,  pois  em  momento  anterior  fora  eivado  de  presunção  absoluta  de  veracidade.  Conquanto,  os  fatos  ali  dispostos,  dotados  de  presunção  relativa,  são  passíveis  de  serem  ilididos pelo contribuinte a qualquer momento.  Não  cabe,  ao  presente  julgador,  desnaturar  o  arbitramento  e  seus  efeitos  propagados  desde  o  lançamento:  foge  a  lógica  do  ordenamento  jurídico­tributário;  é  expressamente  vedado  por  entendimento  súmula,  que  respalda  toda  a  jurisprudência  neste  sentido; e, além, choca­se com toda a sistemática criada pelo legislador para a otimização da  busca pela verdade absoluta.  Quanto  a  este  último  ponto,  restou  demonstrado  que  as  presunções  de  veracidade relativa são institutos oscilantes e voláteis, justamente para funcionarem como um  instrumento que impulsiona, a todo o custo, o aprimoramento da verdade e, posteriormente, o  atingimento de uma verdade absoluta.   Enquanto  isso,  as  presunções  absolutas,  apesar  de  não  perfazerem  uma  verdade absoluta de fato, não instigam a possibilidade de prova em contrário, o que as reserva  um caráter de estagnação, imutabilidade momentânea.  Inviabilizar o arbitramento pelas provas apresentadas em momento posterior,  portanto,  torna­se um meio  incapaz de eivar de  ilegalidade  todo o processo fiscalizatório e o  lançamento  concretizado  e  insuficiente  para  a  decretação  de  nulidade.  Reitera­se,  que  o  arbitramento é a consequência de todo um processo fiscalizatório, concretizando a verdade até  então apurada.   Neste contexto o arbitramento só será desnaturado como consequência lógica  a  ilição  concreta  de  todas  as  presunções  relativas  ali  construídas,  por  natural  perda  de  seu  objeto.    Tributação Reflexa  Em relação à tributação reflexa, de PIS e COFINS, dada a íntima relação de  causa  e  efeito  e  inexistência  de  fatos  diversos  que  justificassem  uma  análise  diferente,  o  lançamento decorrente segue o racional do lançamento principal.    Recurso de Ofício  Da multa Qualificada  Entendo que fora acertada a decisão da DRJ que afastou a multa qualificada  de 150% em razão da inexistência de fraude da contribuinte.  Comungo do mesmo entendimento dos julgadores a quo no sentido de que o  arbitramento  do  lucro  por  si  só  não  justifica  a  aplicação  da  multa  qualificada  de  150%  se  ausente a comprovação de fraude.   Também aqui me socorro da Súmula CARF n. 14 que assim dispõe:  “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10280.723136/2011­15  Acórdão n.º 1201­002.099  S1­C2T1  Fl. 10          17 multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito de fraude do sujeito passivo”  Entendo também aplicável ao presente caso a Súmula CARF n. 25:  Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou  de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa  de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses  dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.  A fiscalização não conseguiu comprovar no presente caso o evidente intuito  de  fraude  da  Contribuinte,  tendo  tido  êxito  somente  para  fins  de  justificar  o  arbitramento  aplicado.   Assim, não merece reparo a decisão da DRJ que afastou a multa qualificada.     Conclusão    Diante  do  exposto, CONHEÇO do RECURSO DE OFÍCIO  para NEGAR­ LHE  PROVIMENTO  e  CONHEÇO  do  RECURSO  VOLUNTÁRIO  para  AFASTAR  AS  PRELIMINARES SUSCITADAS e no MÉRITO NEGAR­LHE PROVIMENTO.   É como voto!    (assinado digitalmente)  Luis Fabiano Alves Penteado ­ Relator                                  Fl. 1065DF CARF MF

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