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Numero do processo: 11516.722152/2015-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
IRPJ. FATO GERADOR. CRÉDITOS CONTRA A UNIÃO. MOMENTO EM QUE OCORRE A DISPONIBILIDADE. Os créditos contra a União reconhecidos em sentença judicial em embargos à execução constituem receita tributável pelo imposto de renda da pessoa jurídica a partir do trânsito em julgado, sendo a disponibilidade revelada pelo fato de que tais valores podem ser objeto de pedido de restituição ou declaração de compensação, independentemente da expedição de precatório.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. Tendo a notificação de lançamento ou ciência do auto de infração ocorrido mais de 5 anos após o fato gerador, opera-se a decadência nos termos do artigo 150, parágrafo 4o, do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 1401-001.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a alegação de decadência, dando provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 IRPJ. FATO GERADOR. CRÉDITOS CONTRA A UNIÃO. MOMENTO EM QUE OCORRE A DISPONIBILIDADE. Os créditos contra a União reconhecidos em sentença judicial em embargos à execução constituem receita tributável pelo imposto de renda da pessoa jurídica a partir do trânsito em julgado, sendo a disponibilidade revelada pelo fato de que tais valores podem ser objeto de pedido de restituição ou declaração de compensação, independentemente da expedição de precatório. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. Tendo a notificação de lançamento ou ciência do auto de infração ocorrido mais de 5 anos após o fato gerador, operase a decadência nos termos do artigo 150, parágrafo 4o, do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a alegação de decadência, dando provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 21 52 /2 01 5- 68 Fl. 1373DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), que manteve o auto de infração lavrado em decorrência supostas de exclusões indevidas da base de cálculo de IRPJ e CSLL nos anoscalendário 2011 e 2012 e insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS no período de apuração agosto de 2011. Conforme assinalou o I. Auditor Fiscal no TVF: “Por meio de Ação Ordinária proposta contra a União, revestida no processo judicial nº 87.00.009679, protocolada em 13/02/1987, a contribuinte requereu o ressarcimento de créditos oriundos de incentivos fiscais decorrentes das vendas de produtos exportados previstos no DecretoLei nº 491, de 05 de março de 1969. Essas exportações ocorreram no período de abril de 1981 a abril de 1985”. A controvérsia que ensejou a demanda judicial se deu em razão da supressão/redução indevida do benefício previsto no DecretoLei nº 491/1969, por meio das Portarias nºs 78/81, 89/81 e 292/81, do Ministério da Fazenda, as quais foram consideradas inconstitucionais pelo STF. A decisão de mérito proferida na ação ordinária transitou em julgado em 14/10/1994 (fl. 618), tendo reconhecido: (a) o direito de a Refinadora Catarinense ser ressarcida do créditoprêmio de IPI, do período de dezembro/1981 a abril/1985; (b) a incidência de juros moratórios a partir do trânsito em julgado; e (c) a incidência dos expurgos inflacionários. Em 8 de abril de 1996 (fls. 287) a contribuinte então iniciou os procedimentos executórios (memória de cálculo a fl. 290, no valor de 145.354.098,61 UFIR), tendo a sentença que julgou os embargos à execução opostos pela União transitado em julgado em 05/10/2007 (fls. 369). Em 2011 e 2012, a contribuinte efetuou lançamentos contábeis relacionados ao créditoprêmio de IPI isto é, registrou o crédito em 2011 e as respectivas atualizações/receitas financeiras em 2011 e 2012 , tendo procedido à exclusão de tais receitas das bases de cálculo dos tributos, sendo estas as exclusões objeto da presente discussão. O efetivo pagamento (disponibilidade financeira) ocorreu em quatro parcelas, pagas os anos 2011 a 2013. Em 2011 o valor estimado do precatório, livre dos honorários advocatícios, a ser recebido era de R$ 353.425.749,13, todavia a empresa já havia registrado Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 11516.722152/201568 Acórdão n.º 1401001.898 S1C4T1 Fl. 1.374 3 em sua contabilidade anteriormente a 2011 o valor de R$ 160.949.864,45, tendo complementado tal provisão no ano 2011 com o valor de R$ 192.475.885,68. A primeira parcela do precatório correspondente somente ocorreu em agosto de 2011, oportunidade em que o contribuinte fez o registro dos R$ 192.475.885,68 (a parcela recebida bastante foi inferior a este montante). Além disso, houve atualização do crédito, gerando uma renda de R$ 2.336.047,74 em 2011 e de R$ 18.545.173,20 em 2012. Todos os valores mencionados, créditoprêmio de IPI e atualizações registrados contabilmente nos anos 2011 e 2012 foram reconhecidos pelo contribuinte nas respectivas DIPJs como receitas de exportação direta de mercadorias e produtos. O acórdão da DRJ/REC recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. RECEITA OPERACIONAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO PARA EXCLUSÃO. O créditoprêmio de IPI tem natureza jurídica de subvenção para custeio, sendo, pois, receita operacional passível de tributação. Ausente previsão legal para sua exclusão da base de cálculo. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. JUROS E EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Os juros e expurgos inflacionários fixados por decisão judicial como acessórios do crédito reconhecido são receitas operacionais (financeiras) sujeitas à incidência do tributo. Possível a tributação na proporção das parcelas pagas do principal. CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. FATO GERADOR. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Por depender de evento futuro e incerto, o fato gerador de crédito em discussão judicial somente se considera ocorrido quando da sua disponibilidade jurídica, assim entendido o momento em que o mesmo tornase líquido e certo, não havendo qualquer contestação de seu montante na esfera judicial. PIS E COFINS LANÇADOS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não podem ser excluídos da base de cálculo do imposto os valores lançados a título de PIS e Cofins que estiverem com a sua exigibilidade suspensa em função de discussão administrativa. PREJUÍZO FISCAL. SALDO DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. LIMITE DE 30%. Existindo saldo de prejuízo fiscal de períodos anteriores é devida sua compensação de ofício por parte do julgador administrativo até o limite de 30% da base de cálculo após a compensação do prejuízo fiscal do próprio ano calendário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. NATUREZA JURÍDICA E TRIBUTAÇÃO. TRIBUTAÇÃO DOS JUROS E EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DE PIS E COFINS LANÇADOS. Por ser lançamento reflexo e em virtude do disposto no art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicase ao lançamento da CSLL o entendimento proferido no lançamento de IRPJ quanto à natureza jurídica do créditoprêmio de IPI, quanto à sua tributação e a dos juros e expurgos inflacionários nele incidentes, bem assim quanto à impossibilidade de dedução da base de cálculo do PIS e da Cofins lançados. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SALDO DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. LIMITE DE 30%. Existindo saldo de base de cálculo negativo de CSLL de períodos anteriores é devida sua compensação de ofício por parte do julgador administrativo até o limite de 30% da base de cálculo após a compensação da base negativa do próprio anocalendário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. RECEITA OPERACIONAL. INCIDÊNCIA. O créditoprêmio de IPI tem Fl. 1375DF CARF MF 4 natureza jurídica de subvenção para custeio, sendo, pois, receita operacional passível de tributação pelo PIS no regime não cumulativo da Lei nº 10.637, de 2002. FATO GERADOR. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento de PIS o entendimento proferido no lançamento de IRPJ no que concerne ao momento da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. RECEITA OPERACIONAL. INCIDÊNCIA. O crédito prêmio de IPI tem natureza jurídica de subvenção para custeio, sendo, pois, receita operacional passível de tributação pela Cofins no regime não cumulativo da Lei nº 10.833, de 2003. FATO GERADOR. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento de Cofins o entendimento proferido no lançamento de IRPJ no que concerne ao momento da ocorrência do fato gerador. A contribuinte recebeu mensagem com acesso ao acórdão por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico perante a RFB, na data de 01/04/2016 (fl. 1098) e abriu neste mesmo dia (fls. 11001101), tendo apresentado Recurso Voluntário em 2/05/2016 (fl. 1102). Em seu recurso voluntário a Recorrente sustenta, em suma: a) nulidade do acórdão da DRJ/REC por cerceamento de defesa, na medida em que: a.i) a decisão não analisou os argumentos enunciados no item A de sua Impugnação, os quais afastariam a classificação errônea adotada pelo fisco de que o crédito prêmio de IPI teria a natureza jurídica de subvenção para custeio em tal item a contribuinte defende que o créditoprêmio de IPI estava intrinsicamente ligado à receita de exportação, de modo que as regras de tributação aplicável à receita de exportação restaram estendidas ao referido crédito; a.ii) ao considerar a natureza jurídica do créditoprêmio de IPI como subvenção para custeio, a decisão incorreu em manifesto aperfeiçoamento da tese utilizada pelo Fisco no TVF, tendo citado normativa que sequer havia sido aventada pela Autoridade Autuante (por exemplo, Parecer Normativo CST 112/78). b) decadência em relação ao direito de exigir os tributos sobre o ressarcimento do crédito prêmio do IPI, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, haja vista que a sentença que reconheceu tal direito transitara em julgado em 05/10/2007, sendo esta a data da disponibilidade econômica e jurídica de tais valores, em observância do regime de competência. Assim, o fisco teria até o dia 31/12/2012 para efetuar o lançamento de ofício para exigir os supostos tributos incidentes sobre as verbas reconhecidas pela decisão transitada em julgado, no entanto a ciência do auto de infração ocorreu apenas em 10/07/2015. Nesse ponto, registra que postergou o registro de parte das receitas (crédito e atualização) para os anos de 2011 (quando uma parcela do precatório foi financeiramente liquidada) e 2012, com o único intuito de cumprir as normas contábeis a que está sujeita. Explica que a Lei 11.638/2007 trouxe diversas alterações nas normas contábeis em virtude da convergência aos padrões International Financial Reporting Standards – IFRS, sendo que uma delas determinava que uma contingência ativa não deve ser registrada Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 11516.722152/201568 Acórdão n.º 1401001.898 S1C4T1 Fl. 1.375 5 enquanto não estiver assegurado a obtenção do ganho (expectativa de realização). Mas lembra lembra, ainda, que, à época, para fins tributários estava em vigor o Regime Tributário de Transição RTT, o qual teve como pressuposto a neutralidade fiscal na adoção dos padrões internacionais de contabilidade. Esclarece portanto que o crédito não foi registrado na contabilidade em 2007 porque os princípios contábeis não orientavam a promover tal registro, contudo, em 2011 e 2012, quando restou evidente a expectativa de realização (disponibilidade financeira) efetuou o registro contábil dos valores. Diante disso, defende que com o trânsito em julgado da sentença em 05/10/2007 seu crédito restou líquido, certo e exigível no valor de R$ 450.145.724,81 (conforme certidão anexada à impugnação), tendo os precatórios sido expedidos em junho de 2010. Apenas o pagamento dos precatórios ocorreu posteriormente. Sustenta, ademais, que a Solução de Consulta SRRF/6 RF/DISIT nº 206/2003, mencionada pelo acórdão recorrido, não discrepa do que vem sendo defendido pela Recorrente, que: (a) a legislação do IR adota, para a apropriação de receitas das pessoas jurídicas, o princípio da competência; e (b) as receitas deverão ser escrituradas no períodobase de sua disponibilidade jurídica. Além disso, ressalta que os Pareceres Normativos 11/76 e 121/73 citados pelo acórdão recorrido regulamentam situações jurídicas diversas do caso tratado nos presentes autos. c) no mérito, sustenta que a natureza jurídica do créditoprêmio de IPI é de incentivo à exportação, de modo que as regras de tributação aplicável à receita de exportação restaram estendidas ao referido crédito. Neste sentido, ressalta que o DecretoLei nº 491/69, regulamentado pelo Decreto nº 64.833/69, instituiu o créditoprêmio de IPI como ressarcimento dos tributos pagos internamente, visando o incremento e o desenvolvimento da balança comercial nacional. A legislação estabelecia que as empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados, bem como as empresas comerciais exportadoras de tais produtos, podiam creditarse do créditoprêmio de IPI em sua escrita fiscal, em razão das exportações efetivamente realizadas. O Parecer Normativo CST nº 71, de 10/02/1972, previa, expressamente, que as receitas decorrentes de incentivos fiscais seriam consideradas receitas de exportação. Traz então trechos do acórdão CARF nº 10194.687, julgado em 15.09.2004, que reconheceu a não tributação dos valores pelo IRPJ e CSLL. Ressalta que o precedente do STJ citado pelo acórdão recorrido (REsp 957.173, não sujeito ao regime do artigo 543C do CPP) não se aplica ao caso, seja porque lá a contribuinte não exportou açúcar no período por meio da autarquia federal Instituto do Açúcar e do Álcool (“IAA”), como é o caso da Recorrente, seja porque tratou de ramo de atividade distinto. Sustenta, ademais, que à época dos fatos geradores do créditoprêmio de IPI (dezembro 1981 a abril de 1985) a legislação de regência da matéria era totalmente diversa daquela que fundamentou a exigência ora combatida. A CSLL sequer existia ao tempo dos fatos geradores do crédito prêmio do IPI, sendo incabível sua incidência. O mesmo se aplicando, ao PIS e à Cofins, cujas legislações atuais guardariam contornos bem distintos. Fl. 1377DF CARF MF 6 Assim, defende que a legislação não pode retroagir para alcançar fatos jurídicos antes mesmo da vigência das respectivas normas. d) ainda no mérito, sustenta, subsidiariamente, que também não haveria incidência de PIS e COFINS em razão da imunidade das receitas de exportação prevista no artigo 149, § 2º, I, da Constituição Federal, ressaltando que tal qualificação foi atribuída pelo Parecer Normativo n° CST 71/72. Cita precedente do TRF4 no sentido de que o créditoprêmio de IPI estaria abrangido em tal contexto (TRF4, Segunda Turma, AC 2007.71.08.0145930, Relator Otávio Roberto Pamplona, D.E. 09/12/2010). e) sustenta, ademais, que tributação exigida vai de encontro aos preceitos constitucionais, pois a Recorrente não pôde aproveitar na época própria o crédito a que tinha direito em razão de normativas posteriormente declaradas inconstitucionais, celeuma esta concluída apenas em 2007 com o trânsito em julgado da execução de sentença, 20 anos após o ajuizamento da ação ordinária em 13/02/1987. Avoca princípios do não confisco, da segurança jurídica e da isonomia, asseverando que se o créditoprêmio de IPI tivesse sido usufruído nas épocas próprias (1981 a 1985), a Recorrente certamente não teria sido autuada pelos motivos indicados nos Autos de Infração, e anexa aos autos documentos que confirmam o tratamento fiscal vigente à época, qual seja: (a) isenção da tributação pelo IRPJ; (b) a legislação de vigência do PIS (LC nº 7/70) não comportava a tributação de tal crédito; e (c) a CSLL e a COFINS sequer existiam na época do benefício. f) argumenta, subsidiariamente, a não tributação (i) dos valores correspondentes à atualização do crédito prêmio de IPI, excluída da apuração em 2011 e 2012, por se tratar de verba de natureza indenizatória, pela mora da União no adimplemento do crédito. Anexa precedente do TRF4 sobre a não incidência de Imposto de Renda sobre os juros moratórios (TRF4, 1ª Turma, AC nº 505328126.2013.4.04.7000/PR, Desembargadora Relatora Maria de Fátima Freitas Labarrere, julgado em 15/07/2015); e (ii) da atualização do crédito, por não se tratar de receita, ganho ou acréscimo patrimonial, mas tão somente medida monetária reparadora dos efeitos provocados ao longo do tempo. g) alega, ainda, estar amparada pela coisa julgada, tendo o Poder Judiciário reconhecido o seu “direito de [...] não oferecer o seu lucro, pertinente à exportação de açúcar, à tributação do Imposto de Renda” (Mandados de segurança nºs: 80.00.13173012; 80.00.11255813 e 80.00.13256714, impetrado na Justiça Federal de Florianópolis). h) argumenta que se mostra totalmente descabida a tentativa do acórdão recorrido em enquadrar o créditoprêmio de IPI como sendo uma subvenção, eis que a natureza jurídica de tal crédito ter sido equiparada a própria receita de exportação, conforme determinado no Parecer Normativo CST nº 71 de 10/02/1972, que previa, expressamente, que as receitas decorrentes de incentivos fiscais como sendo receitas de exportações. Sustenta, subsidiariamente, que em se tratando de benefício fiscal, independente do caráter de subvenção governamental, a Jurisprudência considera tal parcela isenta do IRPJ e da CSLL cita acórdão neste sentido (STJ, Primeira Turma, REsp nº1.210.941/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, publicado em 14/11/2014) e não sujeita a PIS e COFINS (TRF 4ª Região, Primeira Turma, APELREEX nº 501841267.2014.404.7205, Desembargadora Relatora Maria de Fátima Freitas Labarrère, juntado aos autos em 22/05/2015). i) em caráter subsidiário, alega erro na apuração da base de cálculo utilizada pelo Fisco, que impede a cobrança ora combatida. Isso porque, em 2011 (database do auto e infração), a Recorrente não recebeu a totalidade do crédito em discussão. Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 11516.722152/201568 Acórdão n.º 1401001.898 S1C4T1 Fl. 1.376 7 Em 2011, o total estimado do precatório, livre de honorários advocatícios, a ser recebido era de R$ 353.425.749,13, todavia a empresa já havia registrado em sua contabilidade o valor de R$ 160.949.864,45, tendo complementado tal provisão em R$ 192.475.885,68. Porém, o pagamento efetivo foi parcelado, por força da Emenda Constitucional 62/2009. Assim, em 2011, a Recorrente recebeu apenas uma parcela do precatório, no valor de R$ 69.363.538,20 conforme se observa pelo comprovante de levantamento anexado à Certidão Narratória. O valor recebido não supera o montante registrado contabilmente como contas a receber em anos anteriores no valor de R$ 160 milhões. Logo, na pior das hipóteses, caso seja mantido o entendimento pela tributação do crédito em apreço, os autos de infração necessariamente precisam ser reformados, pois a base de cálculo adotada pela fiscalização não condiz com a realidade do caso e confronta o próprio argumento defendido pela autoridade autuante de que o fato gerador é o pagamento. j) ainda subsidiariamente, sustenta que deveriam ser deduzidos, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL apurados, os valores relativos ao PIS e a COFINS, com base no artigo 41 da Lei 8.981/1995. A União apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, aduzindo, em síntese: ausência de nulidade por suposta falta de manifestação sobre todos os argumentos da impugnação: decisão de primeira instância adotou uma linha argumentativa consistente, trilhando a via argumentativa da configuração dos créditosprêmios como subvenção de custeio. Ao fazêlo, afastou e refutou toda a linha argumentativa alegada pela ora Recorrente, à época, em sua impugnação. inexistência de decadência: os valores em questão não podem ser considerados disponibilizados no anocalendário de 2007 pois a sentença que transitou em julgado em 5/10/2007 não era líquida e dependia de apuração dos valores em liquidação de sentença, tendo perdurado até 2011 a discussão quanto ao montante exato do crédito pleiteado judicialmente. natureza dos valores de créditoprêmio de IPI: tratase de subvenção corrente para custeio, portanto acréscimo patrimonial tributável, na esteira da jurisprudência do STJ (REsp 957153/PE, publicado em 15/03/2013 e REsp 1349837/SC, publicado em 17/12/2012). Este processo foi incluído em pauta mas inicialmente, por determinação judicial em sede de liminar em mandado de segurança, houve a sua retirada. Nesta ação judicial a contribuinte sustentou tanto o impedimento dos conselheiros representantes da Fazenda Nacional em virtude do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, instituído pela Medida Provisória n. 765/2016, quanto a ausência de paridade no caso concreto, já que embora esteja previsto que as Turmas do CARF serão compostas por 4 julgadores representantes da Fazenda Nacional e 4 representantes dos Contribuintes, esta 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção possui apenas 2 conselheiros titulares representantes dos contribuintes. Em 17 de março de 2017 o Tribunal Regional Federal da 1a Região deferiu o pedido de suspensão de segurança formulado pela União nos autos do processo 1001006 64.2017.4.01.0000. Fl. 1379DF CARF MF 8 O processo foi então incluído na pauta de julgamentos de abril de 2017. Em 3 de abril de 2017, a Recorrente apresentou petição observando que a composição desta Turma não está completa, estando faltantes 2 Conselheiros representantes dos contribuintes, e requerendo: (i) a convocação de 2 conselheiros suplentes, representantes dos contribuintes, para integrar a Turma na sessão de julgamentos do dia 10/04/2017, às 09:00h; ou (ii) não sendo possível a convocação de suplentes, a retirada do processo da pauta de julgamentos. Tal pedido foi indeferido pelo Presidente desta Turma. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Quanto às alegações de nulidade nele suscitadas, deixo de apreciálas tendo em vista o disposto no § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/1972, que dispõe: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Isso porque, no caso, entendo que restou caracterizada a decadência do direito de o fisco cobrar o crédito tributário ora em discussão. Conforme relatado, a Recorrente ajuizou ação ordinária em 13/02/1987 (fls. 43 e seguintes), com pedido condenatório, tendo a sentença nesta demanda transitado em julgado em 14/10/1994 (fl. 618). Este título executivo judicial em favor da ora Recorrente reconheceu (a) o direito de a Refinadora Catarinense ser ressarcida do créditoprêmio de IPI, do período de dezembro/1981 a abril/1985; (b) a incidência de juros moratórios a partir do trânsito em julgado; e (c) a incidência dos expurgos inflacionários. Em 8 de abril de 1996 (fls. 287288) a contribuinte apresentou memória de cálculo (fl. 290) para o fim de promover a liquidação da sentença, dando início à execução de tal título executivo, no valor de 145.354.098,61 UFIR. A União questionou o valor por meio de embargos à execução, os quais transitaram em julgado em 05/10/2007 (fl. 369). Diante do trânsito em julgado dos embargos à execução, a Justiça Federal determinou a remessa dos autos ao contador para atualização do cálculo apresentado pela empresa em 8 de abril de 1996, considerando a sentença e os acórdãos então proferidos (fl. 370). A seção de contadoria então atualizou os cálculos até junho de 2008, tendo chegado ao valor de R$ 450.145.724,81 (fl. 373). Peculiaridades de tais cálculos foram questionadas por ambas as partes, sendo que a União requereu ainda que do valor do precatório a ser expedido fossem abatidas dívidas tributárias da empresa inscritas em Dívida Ativa. Em 27 de maio de 2010 a Justiça Federal determinou a expedição de precatório, deduzindose do crédito da empresa o valor dos débitos tributários inscritos (fl. Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 11516.722152/201568 Acórdão n.º 1401001.898 S1C4T1 Fl. 1.377 9 607608). O despacho de 617 esclarece que o precatório deve ser expedido pelo valor bruto, comunicandose ao tribunal o valor a ser deduzido. A Requisição de Pagamento foi então expedida em 17 de junho de 2010 (fl. 16181619) no valor total de R$428.710.214,11. O pagamento se deu em quatro parcelas, pagas nos anos 2011 a 2013. Contabilmente, a Recorrente alega que não reconheceu os valores em 2007 data em que, a seu ver, os valores se tornaram líquidos e certos porque, à época, as normas contábeis não lhe orientavam a promover tal registro. Apenas em 2011, em virtude das alterações nas normas contábeis ocorridas no contexto da convergência aos padrões IFRS, e tendo restado evidente a expectativa de realização (disponibilidade financeira), é que efetuou o registro contábil dos valores. O auto de infração de fl. 847 a 877 considera como períodos de apuração os meses de agosto de 2011 e a dezembro de 2012. A questão posta preliminarmente é sobre qual o momento em que devem ser escrituradas e reconhecidas as receitas da pessoa jurídica que apuram seus tributos com base no lucro real. Neste caso é importante examinar a legislação vigente. O Regulamento do Imposto sobre a Renda – RIR/99 dispõe: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (...) Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (...) § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. (...) Art. 218. O imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive das equiparadas, das sociedades civis em geral e das sociedades cooperativas em relação aos resultados obtidos nas operações ou atividades estranhas à sua finalidade, será devido à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos. Art. 219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real, presumido ou arbitrado, correspondente ao período de apuração. Assim, nos termos da legislação comercial, a pessoa jurídica no regime de lucro real deve reconhecer as suas receitas, pelo regime de competência, no momento em que ocorre o ganho do direito ou valor, independentemente da sua realização em moeda. Nesse sentido ensina Bulhões Pedreira, que explicita o objetivo do regime de competência: Fl. 1381DF CARF MF 10 "é distribuir o fluxo contínuo de renda da pessoa jurídica entre os exercícios sociais segundo critérios que atribuam a cada período a renda que lhe compete, ou cabe, por ser renda cuja disponibilidade foi adquirida (e, consequentemente, acresceu o patrimônio) no período. (...) No regime de competência, o que importa é o momento em que a receita ou o rendimento é ganho, ou acresce o patrimônio, o que pode ocorrer tanto no recebimento da moeda quanto antes ou depois desse recebimento. Em regra, a receita e o rendimento consideramse ganhos em função de fatos que ocorrem antes do recebimento, mas muitas vezes a pessoa jurídica os recebe antecipadamente, isto é, antes de ganhos; nesse caso, são registrados como obrigações e reconhecidos nas contas de resultado somente quando ganhos. (...) devido ao princípio do emparelhamento de receitas e despesas, o lucro é reconhecido no momento em que a receita ou o rendimento de cada operação é considerado como ganho, pois o registro dos custos ou despesas é função das receitas ou rendimentos a que correspondem” (PEDREIRA, José Luiz Bulhões. Imposto de renda: pessoas jurídicas. Rio de Janeiro: Justec, 1979, v. I, p. 167, grifamos) No caso, a Recorrente teve seu direito reconhecido em 14/10/1994 (fl. 618), quando do trânsito em julgado da sentença proferida nos autos da ação ordinária. De fato, foi nos autos da ação ordinária, de conhecimento, que se discutiu a materialidade do direito e se definiu, ao seu final, que a ora Recorrente tinha direito ao ressarcimento ao créditoprêmio de IPI. Tanto é que tal demanda resultou em um título executivo judicial, que foi posteriormente liquidado e executado. A liquidação deste título executivo ocorreu em 8 de abril de 1996 (fls. 287 288), quando a ora Recorrente apresentou memória de cálculo no valor de 145.354.098,61 UFIR (fl. 290), dando início à execução/cumprimento de sentença. Tanto é assim que, diante do reconhecimento do trânsito em julgado dos embargos à execução propostos pela União, a Justiça Federal nada mais fez do que mandar atualizar tais cálculos para o fim da expedição dos correspondentes precatórios conforme comprova a cópia do despacho a fl. 370 do eprocesso. Assim, o que se seguiram foram debates acerca do montante devido, mas o direito material foi reconhecido judicialmente, e passou a existir, com o trânsito em julgado da sentença condenatória proferida nos autos da ação ordinária. Não se trata de uma receita variável que dependa de evento futuro como pretendeu o TVF, citando precedente deste CARF a respeito do reconhecimento de variação cambial. No caso das receitas de créditoprêmio de IPI, com o trânsito em julgado da sentença na ação ordinária se reconheceu definitivamente que a União tinha uma dívida para com a empresa, ou seja, o direito desta não esteve a depender da verificação de qualquer condição ou evento futuro. Apenas o montante a receber é que permaneceu sendo discutido. É verdade que muito se discute sobre a natureza dos embargos à execução/ impugnação ao cumprimento de sentença, sendo estes ora entendidos como uma espécie de recurso, ora como uma espécie de defesa e ora como uma ação ordinária incidental, havendo, ainda, que, os entenda como instrumento de defesa ou de ação conforme a matéria veiculada. De qualquer forma, parece claro que os embargos não exatamente têm por finalidade o título, mas a execução. Explico. Existem situações em que, mesmo depois de procedentes os embargos, o título continua por exemplo, nos casos de prescrição, de título ilíquido ou não vencido, circunstâncias que, mesmo acolhidos os embargos, o título persiste e pode ser utilizado para outra ação. Assim, mesmo os que entendem os embargos como uma Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 11516.722152/201568 Acórdão n.º 1401001.898 S1C4T1 Fl. 1.378 11 ação reconhecem que esta tem o objetivo de extinguir, no todo ou em parte, a execução, podendo (como consequência secundária) resultar ou não na desconstituição do título em que esta se funda. Portanto, se a Recorrente teve o seu direito reconhecido em sentença judicial transitada em julgado em 14/10/1994, foi neste momento em que ela adquiriu a disponibilidade econômica e jurídica da renda passível de ser tributada, nos termos do artigo 153 da Constituição Federal e do artigo 43 do CTN. E tanto esse valor era certo que o cumprimento de sentença foi iniciado com os próprios cálculos realizados pela Recorrente. Em caso análogo, este CARF já reconheceu que questões relacionadas à contabilidade pública tais como a necessidade de previsão orçamentária e de empenho para o recebimento de valores da União não impedem a eficácia do título e, portanto, a tributação, quando for o caso, dos respectivos montantes: EMENTA: DIFERIMENTO DE TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE O LUCRO. RESULTADOS DECORRENTES DE CONTRATAÇÕES COM ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS. EXTENSÃO ÀS RECEITAS DECORRENTES DE REPACTUAÇÃO DA DÍVIDA ORIGINAL. IMPOSSIBILIDADE. A lei tributária não prevê o diferimento da tributação de outros resultados que não os decorrentes das operações de empreitada ou fornecimento de bens vinculados a contratos firmados com entidades governamentais. A tributação das receitas de juros e atualização monetária, incorridas em razão do atraso da União no pagamento da dívida resultante da cessão dos créditos originais, observa o regime de competência. FATO GERADOR SUJEITO A CONDIÇÃO SUSPENSIVA. INOCORRÊNCIA. A necessidade de previsão orçamentária e de empenho para o recebimento da dívida pactuada são condições externas ao contrato, e não impedem sua eficácia. A pessoa jurídica prejudicada pode, após o vencimento, propor ação judicial para exigir o pagamento da dívida e a emissão de precatório em seu favor. (...) (acórdão 1101000.892, Relatora Edeli Pereira Bessa, julgado em 8 de maio de 2013, grifamos) Mesmo que se conclua que houve equívoco cometido pela Recorrente ao não reconhecer em sua escrituração o valor expresso na sentença transitada em julgado no respectivo momento, tal fato poderia ter levado a autuação por outro fundamento, o que não é o caso, tendo em vista que o julgador administrativo não pode alterar os motivos da autuação, mas, apenas julgar os fatos e direito que lhe são postos, e, também, que é defeso, tanto ao julgador administrativo quanto à administração tributária, alterar o regime de reconhecimento de receitas e, por conseguinte, do próprio fato gerador da obrigação tributária, sob pena de violar o próprio critério temporal para a apuração do tributo. Assim, o fato de a Recorrente só ter reconhecido contabilmente os respectivos valores em 2011 sem se fazer juízo de valor sobre se o procedimento foi correto ou não não tem o condão de alterar o regime de tributação para o do efetivo recebimento, eis que a contribuinte permaneceu tributada no regime de lucro real, sendolhe aplicável, em qualquer caso, o regime de competência, que é o critério normativo para identificação do aspecto temporal da obrigação tributária. Portanto, sendo o termo a quo para a contagem do prazo decadencial a data do fato gerador, que ocorreu no dia 31/12/1994, o fisco teria até o dia 31/12/1999 para efetuar Fl. 1383DF CARF MF 12 o lançamento de ofício para exigir os tributos incidentes sobre as receitas reconhecidas pela decisão transitada em julgado, nos termos do artigo 150, par. 4o do CTN. No presente caso, a Recorrente somente foi cientificada do auto de infração no dia 10/07/2015, ou seja, depois de transcorridos o prazo legal do direito de o fisco constituir o crédito tributário. Vale ressaltar que, mesmo que se entenda que os embargos à execução têm natureza de ação de conhecimento que visa a discutir o título em si e não a execução tese que, conforme explicado, não foi a esposada por esta relatora1 a decadência igualmente haveria de ser reconhecida, eis que o trânsito em julgado de tal demanda ocorreu 05/10/2007, portanto também mais de 5 anos antes da ciência do auto de infração em 10/07/2015. Esta parece ser a posição da Solução de Consulta n° 206 de 24 de novembro de 2003, da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, a qual foi citada no próprio TVF embora este tenha lhe dado interpretação diversa, por entender de que os créditos contra a União só têm liquidez e certeza com o efetivo recebimento , in verbis: EMENTA: RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Os valores correspondentes a créditos contra a União, relativos a tributos e contribuições pagos, que tenham sido considerados inconstitucionais ou ilegais por força de sentença judicial, constituem receita tributável pelo imposto de renda da pessoa jurídica. Se o exercício do direito de crédito se fizer mediante ação de execução promovida contra a Fazenda Pública, somente quando findo esse processo ocorre a disponibilidade jurídica ou econômica da renda, visto que a ação de execução está sujeita a contestação por parte da União e o precatório representa um crédito sujeito a termo. No caso em que o exercício do direito de credito se faça pela compensação dos valores, essa disponibilidade ocorre no momento em que surgirem os débitos a serem compensados. Neste ponto, destaco que, colocada a matéria em votação neste Colegiado, esta relatora foi vencedora apenas nas conclusões (pela decadência). A fundamentação adotada por esta Turma foi exatamente a de que a decadência ocorreu em vista do trânsito em julgado ocorrido nos embargos à execução (05/10/2007), pois apenas a partir desse momento o crédito se torna plenamente exigível, ocorrendo assim a disponibilidade da renda, fato gerador do tributo apurado em 31/12/2007. Observouse, ademais, que tal exigibilidade se dá independentemente da expedição do precatório, eis que os créditos de decisões judiciais transitadas em julgado podem imediatamente ser objeto de pedido de restituição nos termos dos arts. 73 e seguintes da Lei 9.430/1996, conforme reconhecido pela Receita Federal nas instruções normativas editadas sobre o tema (art. 37, § 2º da IN SRF 210/2002, art. 50, § 1º da IN RFB 600/2005, art. 70, § 2º da IN RFB 900/2008 lembrando que a partir do art. 81, § 2º, da IN RFB 1300/2012 foi vedado ao contribuinte pedir a restituição, podendo pedir apenas a compensação de tais créditos). Isto posto, voto por acolher a preliminar de decadência suscitada pela Recorrente, dando provimento ao recurso voluntário. 1 Esta relatora tem dificuldade em entender como um título executivo que é líquido e certo o bastante para dar ensejo a uma ação de execução/cumprimento de sentença não teria tal força para dar ensejo à respectiva tributação dos respectivos valores em caso de contribuinte sujeito ao regime de competência, por isso a posição de que a decadência ocorreu a partir do transito em julgado da sentença na ação ordinária. Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 11516.722152/201568 Acórdão n.º 1401001.898 S1C4T1 Fl. 1.379 13 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1385DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722314/2011-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/07/2007, 31/08/2007
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.257
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1605; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722314/201156 Recurso nº 2 De Ofício Acórdão nº 3402004.257 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente RECKITT BENCKISER ( BRASIL ) LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/07/2007, 31/08/2007 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 23 14 /2 01 1- 56 Fl. 949DF CARF MF Processo nº 19515.722314/201156 Acórdão n.º 3402004.257 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do Acórdão 11045.923, que ao julgar a impugnação cancelou a exação objeto dos autos em montante que, à época da decisão, ultrapassou o limite de alçada. O valor exonerado (principal + multa de ofício), contudo, é inferior ao limite atualmente vigente, estabelecido pela Portaria MF nº 63, de 09/02/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.199, de 26 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10410.720607/201445, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.199): "Como relatado, o valor exonerado objeto do recurso de ofício foi inferior à R$ 2.500.000,00. A Portaria MF nº 63, de 09/02/2017 (DOU 10/02/2017), estabeleceu que: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Por seu turno, a Súmula CARF, abaixo transcrita, explicita o direito intertemporal para aplicação do teor da transcrita Portaria Ministerial, consoante o brocardo que é princípio do direito adjetivo, qual seja, tempus regit actum. Fl. 950DF CARF MF Processo nº 19515.722314/201156 Acórdão n.º 3402004.257 S3C4T2 Fl. 4 3 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Com efeito, sendo o valor de alçada nesta data inferior à R$ 2.500.000,00, o presente recurso não pode ser conhecido. Diante do exposto, não conheço do recurso de ofício". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 951DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.905757/2012-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 57 /2 01 2- 96 Fl. 332DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 23.830,64. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.469, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13603.905757/201296 Acórdão n.º 3401003.920 S3C4T1 Fl. 321 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 334DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13603.905757/201296 Acórdão n.º 3401003.920 S3C4T1 Fl. 322 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 336DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13603.905757/201296 Acórdão n.º 3401003.920 S3C4T1 Fl. 323 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 338DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.000850/2006-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.224
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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score : 1.0
Numero do processo: 13891.000154/00-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/06/1994
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO. CONTRADIÇÃO.
O prazo para pedir a restituição com base na inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, é de 05 (cinco) anos, contados da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, de 10 de outubro de 1995, prazo este expirado em 10 de outubro de 2000.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3302-004.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado no que concerne à contradição, sem efeitos infringentes.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1988 a 30/06/1994 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO. CONTRADIÇÃO. O prazo para pedir a restituição com base na inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, é de 05 (cinco) anos, contados da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, de 10 de outubro de 1995, prazo este expirado em 10 de outubro de 2000. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado no que concerne à contradição, sem efeitos infringentes. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
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ACÓRDÃO. CONTRADIÇÃO. O prazo para pedir a restituição com base na inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, é de 05 (cinco) anos, contados da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, de 10 de outubro de 1995, prazo este expirado em 10 de outubro de 2000. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado no que concerne à contradição, sem efeitos infringentes. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 00 01 54 /0 0- 39 Fl. 249DF CARF MF 2 Relatório Do despacho de admissibilidade dos embargos, que os admitiu de forma parcial, no caso, em relação à contradição, temse a síntese do porquê da oposição dos aclaratórios, fls. 246 e seguintes: Tratase de Embargos de Declaração, tempestivos, opostos pela Fazenda Nacional, para eliminar contradição e omissão supostamente ocorridas no acórdão nº 20179.874, de 08 de dezembro de 2006, cuja ementa ficou assim consignada, no que interessa a este exame: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 30/06/1994 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância aos princípios da estrita legalidade e da segurança jurídica. (...) A contradição advém do fato de na ementa constar a extinção do direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente enquanto no voto vencedor do ilustre conselheiro relator ficou assentado que o prazo para se pleitear tal contribuição só se deu com a publicação da Resolução nº 49, do Senado Federal, em 10 de outubro de 1995, momento em que a contribuinte passou a fazer jus à restituição dos valores pagos indevidamente; (...) (...) Ao meu sentir, há evidente contradição entre a ementa e o voto vencedor, como bem apontou a Fazenda Nacional, porquanto, de fato, a ementa que constou foi a síntese do voto vencido, e não a do vencedor. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Da admissibilidade dos embargos de declaração Houve admissibilidade dos embargos de declaração, fls. 248, com fundamento no art. 65, § 2º, anexo II, do Regimento Interno do Carf. 2. Da contradição apontada Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13891.000154/0039 Acórdão n.º 3302004.805 S3C3T2 Fl. 3 3 No caso em análise houve contradição entre a ementa e o voto vencedor, que se circunscreveu tão somente em relação à decadência. Do voto vencedor, extraise, fls. 237: Tratase de pedido de restituição/compensação de créditos da contribuinte protocolado 06 de outubro de 2000, cujo pedido decorre do período de apuração compreendido entre de 01/07/1988 a 30/06/1994, com base nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade dos referidos diplomas legais. Sem maiores prolixidades, entendo que o prazo para pedir a restituição com base na inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, é de 05 (cinco) anos, contados da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, de 10 de outubro de 1995, prazo este expirado em 10 de outubro de 2000. (...) Todavia, nos casos, como o presente, em que a contribuinte recolheu tributo indevido (art. 165, inciso I, CTN), com base em lei que, em momento ulterior, foi declarada inconstitucional, a contagem se dá de outra forma. Isto porque, no mundo jurídico, os decretosleis que tinham instituído a cobrança indevida, não existem, de modo que não se pode falar em crédito tributário propriamente dito. Como o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, em controle concreto de constitucionalidade, essa decisão só passou a ter eficácia erga omnes com a publicação da Resolução n° 49, do Senado Federal, em 10/10/1995, momento em que a recorrente passou a fazer jus à restituição dos valores pagos indevidamente. O pedido da contribuinte foi formalizado em 06 de outubro de 2000, portanto, evidente é o fato de que naquela data a contribuinte fazia jus ao seu direito à restituição. O pedido é tempestivo, ou seja, não foi alcançando pelo instituto da decadência. (...) De fato, há contradição quanto ao termo inicial da contagem do prazo da decadência; a ementa prevê que o prazo inicial é de cinco anos da data da extinção do crédito tributário, algo que não condiz com o voto vencedor, que, por sua vez, entendeu que o prazo para pedir a restituição com base na inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, é de 05 (cinco) anos, contados da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, de 10 de outubro de 1995, prazo este expirado em 10 de outubro de 2000. Assim, onde se lê: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 251DF CARF MF 4 Período de apuração: 01/07/1988 a 30/06/1994 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância aos princípios da estrita legalidade e da segurança jurídica. (...) Devese ler: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 30/06/1994 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO O prazo para pedir a restituição com base na inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, é de 05 (cinco) anos, contados da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, de 10 de outubro de 1995, prazo este expirado em 10 de outubro de 2000. Assim, deve ser retificada a ementa quanto ao prazo inicial da contagem da decadência. 3. Conclusão Diante do exposto, acolhemse, parcialmente, os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado no que concerne à contradição sem efeitos infringentes. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14485.001537/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 01/01/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ERROS MATERIAIS E OMISSÃO.
Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém erros materiais ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS DE MORA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL
"São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral." (Súmula CARF nº 5)
ABONO ÚNICO
De acordo com o Parecer PGFN nº 2114/2011 "o abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária".
Numero da decisão: 2202-004.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-003.442, de 14/06/2016: a) também excluir do lançamento a competência 01/2005 e os juros de mora sobre os valores objeto de depósito judicial no montante integral; b) reconhecer que a competência 10/2005 foi objeto de medida judicial com depósito
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
Assinado digitalmente.
Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 01/01/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ERROS MATERIAIS E OMISSÃO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém erros materiais ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS DE MORA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral." (Súmula CARF nº 5) ABONO ÚNICO De acordo com o Parecer PGFN nº 2114/2011 "o abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária".
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CABIMENTO. ERROS MATERIAIS E OMISSÃO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém erros materiais ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS DE MORA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral." (Súmula CARF nº 5) ABONO ÚNICO De acordo com o Parecer PGFN nº 2114/2011 "o abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202003.442, de 14/06/2016: a) também excluir do lançamento a competência 01/2005 e os juros de mora sobre os valores objeto de depósito judicial no montante integral; b) reconhecer que a competência 10/2005 foi objeto de medida judicial com depósito Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 15 37 /2 00 7- 81 Fl. 1983DF CARF MF 2 Assinado digitalmente. Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de embargos de declaração em face do Acórdão nº 2202003.442, da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, julgado na sessão plenária de 14 de junho de 2016, cuja ementa abaixo se transcreve: AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DECADÊNCIA Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF 99 ABONO ÚNICO De acordo com o Parecer PGFN nº 2114/2011 "o abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária Cientificado da decisão em 19/01/2017, o contribuinte opôs embargos de declaração em 20/01/2017, alegando. o seguinte: (I)ERRO MATERIAL SOBRE A COMPETÊNCIA DE 01/2005 6. Consta do v. Acórdão Embargado que a competência de 01/2005 seria objeto de medida judicial com depósito, o que levou ao não conhecimento do Recurso Voluntário neste ponto. Fl. 1984DF CARF MF Processo nº 14485.001537/200781 Acórdão n.º 2202004.128 S2C2T2 Fl. 1.984 3 7. Porém, em verdade, tal competência não é objeto de medida judicial, o que pode ser confirmado na planilha de fls. 612 (aposição de número manual) elaborada pelos julgadores de 1ª instância. (...) (II) ERRO MATERIAL SOBRE A COMPETÊNCIA DE 10/2005 (...) 10. Porém, em verdade, a competência de 10/2005 é objeto de medida judicial com depósito, o que pode ser confirmado na planilha de fls. 612, inclusive, motivado a exclusão da correspondente multa moratória a si vinculada, conforme decidido no v. acórdão de piso. (III) OMISSÃO SOBRE O DESCABIMENTO DE JUROS DE MORA SOBRE PRETENSOS DÉBITOS GARANTIDOS POR DEPÓSITO JUDICIAL, NA FORMA DA SÚMULA CARF Nº 5. 12. Em razão do reconhecimento da existência de depósito judiciais vinculados aos débitos lançados neste feito, já pelo v. acórdão de 1ª instância, o que, inclusive, motivou a exclusão da correspondente multa moratória a si vinculada, a ora Embargante pleiteou, em seu Recurso Voluntário, a exclusão, também, dos juros de mora, em linha com o entendimento hoje cristalizado da Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral." Uma vez admitidos os embargos e encaminhados para julgamento deve ser feita a análise dos erros materiais e da omissão apontados no acórdão embargado; É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Corretas as alegações do embargante. Como já reconhecido no despacho de admissibilidade: Pois bem, quanto ao item “i”, verificase que assiste razão ao Embargante. Compulsandose a planilha de fl. 612, constatase que a competência 01/2005 não foi objeto de medida judicial. Assim sendo, deve ser sanado o vício, nessa parte. No que tange ao item “ii”, também assiste razão ao Contribuinte. Analisando detidamente a planilha de fl. 612, constatase que a competência 10/2005 foi objeto de medida Fl. 1985DF CARF MF 4 judicial com depósito (R$ 1.857.420,00). Portanto, existe um vício a ser sanado, pois o voto condutor considerou que não existia depósito judicial. Quanto ao item “iii”, resta patente a omissão. Compulsandose o Recurso Voluntário às fls. 666/670, constatase que o Contribuinte se insurge contra a aplicação do juros de mora. Entretanto o voto condutor do acórdão embargado silenciouse sobre a questão. Portanto, devese acolher os Embargos também nessa parte. Em relação a omissão apontada, como bem exposto pelo Embargante, a Súmula CARF nº 5 é clara ao dispor que "Súmula CARF nº5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral." Sendo assim, procedente a exclusão dos juros de mora, em relação aos valores que foram objeto de depósito do montante integral. Em relação à competência 01/2005 verificase pela planilha de fls. 1184 (numeração do eprocesso) que esta foi incluída na NFLD nº 37.043.5869 relativa a incidência de contribuições sociais sobre verbas pagas à título de Abono Único. Conforme exposto na decisão embargada, o abono pago pela Recorrente atende às exigências constantes do Parecer PGFN nº 2114/2011, motivo pelo qual, não deve sofrer incidência das contribuições previdenciárias. Ante o exposto, conheço dos embargos, com efeitos infringentes para a) Em relação à competência 01/2005, reconhecer que não está abrangida pela concomitância, uma vez que não foi objeto de medida judicial e que não deve sofrer incidência das contribuições previdenciárias, uma vez que atende as exigências constantes do Parecer PGFN nº 2114/2011; b) Em relação à competência 10/2005, reconhecer que foi objeto de medida judicial com depósito; c) Excluir a aplicação dos juros de mora sobre os valores objeto de depósito judicial no montante integral nos termos da Súmula CARF nº 5. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 1986DF CARF MF Processo nº 14485.001537/200781 Acórdão n.º 2202004.128 S2C2T2 Fl. 1.985 5 Fl. 1987DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.723357/2015-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. PENSÃO POR MORTE COM DOIS BENEFICIÁRIOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Comprovado pelo contribuinte que a omissão de receita apontada pela Autoridade Fiscal refere-se ao fato de ser beneficiário de somente metade do rendimento informado pela fonte pagadora, deve ser afastada a infração imputada e o crédito tributário ser julgado improcedente.
Numero da decisão: 2401-005.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
1.0 = *:*
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PENSÃO POR MORTE COM DOIS BENEFICIÁRIOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Comprovado pelo contribuinte que a omissão de receita apontada pela Autoridade Fiscal referese ao fato de ser beneficiário de somente metade do rendimento informado pela fonte pagadora, deve ser afastada a infração imputada e o crédito tributário ser julgado improcedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 33 57 /2 01 5- 46 Fl. 59DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 19985.723357/201546 Acórdão n.º 2401005.066 S2C4T1 Fl. 60 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 53/54) interposto em face do Acórdão nº. 1670.572 (fls. 42/47), cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A comprovação de rendimentos auferidos e não declarados, informados pela fonte pagadora na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, caracteriza omissão de rendimentos. O presente processo tratase de lançamento de ofício (fls. 05/09) originário da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, onde constatouse a omissão no valor de R$ 13.380,41 (treze mil, trezentos e oitenta reais e quarenta e um centavos), cuja fonte pagadora é o INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou sua impugnação de fl. 3, a qual foi julgada improcedente e resultou no acórdão acima reproduzido. Cientificado da decisão de piso em 18/02/2016 (fl. 51), apresentou tempestivamente o recurso voluntário de fls. 53/54, onde alega, em síntese: a) não é o único beneficiário dos rendimentos, que se trata de pensão por morte de Dolores Lindamir Giraldelo, da qual é um dos dois dependentes; b) a composição da turma de julgamento na DRJ/SPO lhe foi desfavorável, ante a ausência de dois julgadores e a presença de um presidente substituto; c) o art. 4º do RIR/99 permite a declaração em conjunto ou separado de rendimentos por parte de menores e outros incapazes. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. Mérito A controvérsia instaurada é referente à omissão de receitas apurada em face do contribuinte, ora recorrente. Segundo a Notificação de Lançamento (fls. 28/33), o recorrente declarou o rendimento de R$ 40.668,60 da fonte pagadora INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (CNPJ nº. 29.979.036/000140), ao passo que a referida fonte declarou em DIRF o valor de R$ 54.049,01. Em razão da diferença acima, foi apontada a omissão no montante de R$ 13.380,41. O recorrente apresenta suas razões, em especial a de que a diferença seria decorrente da divisão entre ele e sua filha, do montante recebido a título de pensão por morte da sua esposa, cujo os dois (recorrente e filha) seriam os beneficiários. Da análise dos documentos apresentados (fls. 11/18) é possível atestar a ausência da omissão de R$ 13.380,41. Ocorre que o valor pago da fonte pagadora INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (CNPJ nº. 29.979.036/000140) é referente à pensão por morte de sua ex esposa, cujos beneficiários são o próprio recorrente e sua filha, razão pela qual o Sr. Jorge Luiz Barbosa declara como rendimento próprio somente a metade do montante pago pela mencionada fonte pagadora. Do mesmo modo, conforme informado pela própria decisão recorrida, em consulta ao sistema DIRF há somente uma fonte pagadora para a beneficiária Maísa Giraldelo Barbosa (filha do recorrente). Assim, estando incontroversa a existência de dois beneficiários da pensão paga pelo INSS (doc. fl. 18), de fato o recorrente só faz jus à metade do montante recebido. Isto posto, por ausência de documentos e/ou informações que atestem em contrário, não há como afirmar a omissão de receita apontada pela Autoridade Fiscal, razão pela qual o recurso voluntário do contribuinte merece provimento. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 19985.723357/201546 Acórdão n.º 2401005.066 S2C4T1 Fl. 61 5 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário para, no mérito, DARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720432/2012-30
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
ADMISSIBILIDADE. ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF. MATÉRIA DEVOLVIDA INSUFICIENTE PARA REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso especial interposto para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, para ser conhecido, deve demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e a paradigma, que pode ter sido proferida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Contudo, tal condição não resta atendida quando se constata que a matéria que teve seguimento no despacho de exame de admissibilidade não se mostra suficiente para reformar a decisão recorrida. Recurso não conhecido.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 9101-003.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à incidência de juros de mora sobre multa de ofício e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pela conselheira Lívia de Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada para substituir a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 ADMISSIBILIDADE. ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF. MATÉRIA DEVOLVIDA INSUFICIENTE PARA REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO. O recurso especial interposto para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, para ser conhecido, deve demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e a paradigma, que pode ter sido proferida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Contudo, tal condição não resta atendida quando se constata que a matéria que teve seguimento no despacho de exame de admissibilidade não se mostra suficiente para reformar a decisão recorrida. Recurso não conhecido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à incidência de juros de mora sobre multa de ofício e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pela conselheira Lívia de Carli Germano. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada para substituir a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2103; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 3.096 1 3.095 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.720432/201230 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.009 – 1ª Turma Sessão de 8 de agosto de 2017 Matéria IRPJ GANHO DE CAPITAL Recorrente RUBI HOLDINGS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ADMISSIBILIDADE. ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF. MATÉRIA DEVOLVIDA INSUFICIENTE PARA REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO. O recurso especial interposto para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, para ser conhecido, deve demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e a paradigma, que pode ter sido proferida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Contudo, tal condição não resta atendida quando se constata que a matéria que teve seguimento no despacho de exame de admissibilidade não se mostra suficiente para reformar a decisão recorrida. Recurso não conhecido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à incidência de juros de mora sobre multa de ofício e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pela conselheira Lívia de Carli Germano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 04 32 /2 01 2- 30 Fl. 3096DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.097 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada para substituir a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial (efls. 2643 e segs) interposto pela RUBI HOLDINGS LTDA. em face da decisão proferida no Acórdão nº 1402001.926 (efls. 2536/2597), pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 03/03/2015, no qual foi negado provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Resumo das matérias A autuação fiscal (efls. 2194/2256) tratou de ganho de capital cuja base de cálculo teria sido eliminada em razão de reavaliação de ativos decorrente de operações societárias que geraram ágio e posteriormente foram desfeitas. Foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL. A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 2259/2323), que foi julgada improcedente (efls. 2361/2382) pela primeira instância (DRJ). Foi interposto pela contribuinte recurso voluntário (efls. 2397/2474). A turma ordinária do CARF decidiu negar provimento ao recurso voluntário (efls. 2536/2597). Foram opostos embargos de declaração (efls. 2605/2617) pela Contribuinte, que foram rejeitados por despacho de admissibilidade de embargos (efls. 2622/2631). A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 2643/2706). O despacho de exame de admissibilidade (efls. 3019/3042), ratificado pelo despacho de reexame (efls. 3043/3045), deu seguimento parcial ao recurso para as matérias (1) fundamentos do ágio passível de integração ao valor contábil de um bem e (2) juros de mora sobre multa de ofício. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 3054/3094). A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa Fl. 3097DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.098 3 A contribuinte apresentou impugnação (efls. 2259 e segs). A impugnação foi julgada improcedente pela 10ª Turma da DRJ/São Paulo I, nos termos do Acórdão nº 16 46.123 (efls. 2361/2382), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. CAPITULAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Não prosperam os questionamentos relativos à identificação do sujeito passivo e à capitulação legal do lançamento de ofício, tanto em face da perfeita compreensão de ambas as questões demonstrada pela contribuinte por intermédio da peça de impugnação, quanto à luz do exauriente conjunto probatório trazido pela fiscalização aos autos. ÁGIO FUNDAMENTADO EM PAGAMENTO COM RECURSOS PROVENIENTES DO EXTERIOR. ALEGAÇÕES CONTRADITÓRIAS E DIVERGENTES DAS PROVAS TRAZIDAS AOS AUTOS. Resta improcedente a alegação de que haveria fundamento econômico para ágio oriundo de pagamento efetuado por meio de recursos provenientes do exterior, tendo em vista a falta de comprovação da existência do referido pagamento, bem como em função de argumentos contraditórios da impugnação, que refutam a própria tese defendida pelo sujeito passivo. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SUBSUNÇÃO À HIPÓTESE PREVISTA EM LEI. Não cabe questionar a ocorrência do fato gerador do tributo, ao ser demonstrado pelo Fisco que o caso descrito no lançamento de ofício se subsumiu à situação definida em lei para gerar a obrigação principal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 3098DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.099 4 Anocalendário: 2009 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de algumas das hipóteses previstas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Foi interposto recurso voluntário (efls. 2397 e segs) pela Contribuinte. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 03/03/2015, decidiu negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão nº 1402001.926 (efls. 2536/2597), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE NORMA VIOLADA. INEXISTÊNCIA. O lançamento se deu pela falta de apuração do ganho de capital na subscrição do capital social da empresa Colombus realizada pela Recorrente. Assim, dentro do contexto da acusação fiscal, o sujeito passivo está corretamente identificado e o enquadramento legal adequadamente definido, não se podendo considerar o lançamento como nulo. GANHO DE CAPITAL. INCLUSÃO DE ÁGIO GERADO ARTIFICIALMENTE NO CUSTO CONTÁBIL. Constatado que as ações utilizadas em subscrição de capital foram transferidas em valor superior ao custo contábil, correta a exigência de IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital correspondente. Não integra o valor do bem o ágio artificialmente criado em operações meramente formais e desprovidas de outro propósito negocial que não a própria redução de tributos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, Fl. 3099DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.100 5 incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Foram opostos embargos de declaração pela Contribuinte (efls. 2605/2617), que foram rejeitados pelo despacho de exame de admissibilidade de embargos (efls. 2622/2631). A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 2643/2706), no qual discorre sobre três matérias sobre as quais haveriam interpretações divergentes da legislação tributária. Na primeira matéria, entende que, para fins tributários, o desfazimento de um negócio não teria relevância. O Fisco, ao promover os lançamentos relativos ao ganho de capital não contabilizado, teria considerado que o ágio, utilizado para "inflar" o valor contábil das ações utilizadas pela recorrente na subscrição de capital social da empresa COLUMBUS, não teria fundamento econômico porque o negócio jurídico que lhe deu causa foi posteriormente desfeito, com a saída do Goldman Sachs da parceria com o Bradesco. Com o desfazimento do negócio, a Fiscalização, equivocadamente, teria entendido que não podiam subsistir somente os efeitos fiscais das operações até então praticadas. Na segunda matéria, discorre sobre os fundamentos que permitem a criação de um ágio que possa ser integrado ao valor contábil de um bem, para fins de apuração de ganho de capital. Nesse contexto, aborda questões como a (des)necessidade de fundamento econômico, de propósito negocial ou de independência entre as partes na celebração do negócio que origina o ágio, além da (im)possibilidade de caracterização de um suposto abuso de direito, para dizer que as operações no caso concreto teria sido lícitas e regulares e, por isso, o ágio do investimento teria sido gerado nos termos da legislação tributária. Na terceira matéria, protesta sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. O despacho de exame de admissibilidade (efls. 3019/3042) deu seguimento parcial ao recurso para a segunda e terceira matérias. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 3054/3094), pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. O despacho de exame de admissibilidade (efls. 3019/3042) deu seguimento ao recurso especial da Contribuinte, para as matérias (1) fundamentos que permitem a criação de um ágio que possa ser integrado ao valor contábil de um bem, para fins de apuração de ganho de capital, e (2) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Contudo, peço vênia para discordar parcialmente do exame. Entendo que restou demonstrada a divergência na legislação da interpretação tributária entre decisão recorrida e paradigma apenas para a matéria incidência de juros de Fl. 3100DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.101 6 mora sobre a multa de ofício, razão pela qual dou seguimento nesta parte, adotando as razões do despacho de exame de admissibilidade. Em relação à matéria "fundamentos que permitem a criação de um ágio que possa ser integrado ao valor contábil de um bem, para fins de apuração de ganho de capital", não há que se falar em divergência na interpretação da legislação tributária, porque, ao se efetuar o cotejo entre decisão recorrida e decisões paradigma, verificase que (1) partem de suportes fáticos distintos e (2) as autuações fiscais não compartilham das mesmas premissas. Os presentes autos tratam de uma situação bastante específica, com várias particularidades. Em brevíssima síntese, trata da negociação entre o Grupo Bradesco (do qual faz parte da Contribuinte, RUBI HOLDINGS), e o Grupo Goldman Sachs (GGS), no qual o Grupo Bradesco alienou uma participação societária de 9,28% da VISANET. Foram empreendidas uma série de arranjos societários entre empresas do Grupo Bradesco e GGS para operacionalizar a aquisição das ações, mas todo o negócio foi desfeito com a devolução ao comprador do dinheiro corrigido por juros. Ocorre que, em razão das operações preparatórias para celebração do negócio, as ações da VISANET detidas pelo Grupo Bradesco foram reavaliadas, com registro de ágio. Posteriormente, em uma IPO, com participação do Grupo Bradesco, as ações ordinárias foram vendidas a valor de mercado. E, em razão do registro do ágio ocorrido nas operações preparatórias para venda das ações para o GGS, o ganho de capital foi neutralizado/diminuído. A Fiscalização contestou o registro do ágio, por entender que as operações que deram ensejo à reavaliação das ações teriam perdido o objeto, em razão do desfazimento do negócio com a GGS, e efetuou lançamento de ganho de capital (art. 418 do RIR/99). A Fiscalização descreve com detalhamento as operações que deram origem à ação fiscal. Esclarece que, na IPO da VISANET, que teve o Grupo Bradesco como participante, ocorreram uma série de operações para o lançamento das ações. O Grupo Bradesco subscreveu o capital social da COLUMBUS HOLDING com ações da VISANET que foram entregues por empresas do grupo, como o BANCO ALVORADA, O BANCO BOAVISTA, ALVORADA CARTÕES, ELBA HOLDINGS e a Contribuinte, RUBI HOLDINGS. Discorre a autoridade fiscal que, apesar das ações no IPO terem sofrido substancial valorização (da ordem de 3.160%, três mil cento e sessenta por cento), não foi apurado ganho de capital, por conta do ágio registrado. A ação fiscal, nesse contexto, direcionouse na apuração da origem das ações da VISANET e do seu custo de aquisição. Ao investigar a evolução do valor das ações, deparouse com a negociação empreendida entre o Grupo Bradesco e a GGS. O GGS efetuaria a aquisição de participação societária de 9,28% da VISANET detida pelo Grupo Bradesco. Para operacionalizar o negócio, o alienante venderia 49,9% da participação da FERRARA (que era controlada pela Contribuinte). O GSS utilizou a empresa do seu grupo, PIRAPETINGA (controlada pela QUIXABA, que era controlada pelo grupo BCI), para a aquisição da participação societária da FERRARA. Com a crise econômica de setembro de 2008, no qual se consumou o pedido de concordata do banco Lehman Brothers, consolidouse cenário adverso, tanto para a GGS quanto para o Grupo Bradesco. Nesse contexto, iniciaramse as tratativas para o desfazimento do negócio. Fl. 3101DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.102 7 O desfazimento do negócio incluiu, dentre outras operações, a compra pelo Grupo Bradesco da BCI (que era do GSS e havia comprado a participação societária da VISANET). Assim, o Grupo Bradesco passou a deter o controle da participação da VISANET. Também, passou a controlar o grupo BCI ( que controlava a QUIXABA e a PIRAPETINGA). E, no que concerne ao objeto da autuação fiscal, a Contribuinte (RUBI HOLDINGS), efetuou a aquisição do capital social da QUIXABA, o que permitiu a RUBI HOLDINGS a controlar novamente as ações da VISANET. Na aquisição das ações, foi registrado ágio de R$305.675.950,64. Sobre a operação, discorre a autoridade fiscal (efl. 2226): O saldo da conta 1.3.1.1.2.054 Ágio Quixaba Empreendimentos e Participações Ltda, refletia o ágio contabilizado pela própria Rubi quando da aquisição da empresa Quixaba, conforme foi abordado no item 1.4.1. Reportando ao item 1.4.1 verificamos que apesar da empresa tentar contabilizar a aquisição da Quixaba como uma nova aquisição ela se insere em todo o processo de "desfazimento" do negócio entre os Grupos Goldman Sachs e Bradesco. Em seguida, a Contribuinte (RUBI HOLDINGS), subscreveu o capital da COLUMBUS HOLDINGS com a participação das ações da VISANET, vez que o Grupo Bradesco utilizouse da COLUMBUS HOLDINGS para o IPO da VISANET. E se encontra precisamente na operação de subscrição das ações o ganho de capital auferido pela RUBI HOLDINGS, vez que entendeu a Fiscalização que o valor do ágio de R$305.675.950,64 não poderia integrar a base de cálculo. Transcrevo conclusão do Termo de Verificação Fiscal (efls. 2234/2235): Iremos tratar apenas do ágio de R$ 305.675.950,64, criado dentro da própria Rubi, em 11/12/2008, quando esta adquiriu as cotas do capital social da Quixaba, e que foi denominado como "Ágio Quixaba Empreendimentos e Participações Ltda". (...) Não existia o menor fundamento econômico de atribuirse um ágio para esta aquisição, primeiro porque a Quixaba já pertencia ao Grupo Bradesco e segundo porque o único ativo relevante da Quixaba era a participação na Visanet que na prática estava retornando para o controle indireto da Rubi, ou seja, tratavase de uma recomposição do "Status quo ante" devido ao "desfazimento" de uma venda. Considerar este valor como um ágio legítimo seria equivalente a afirmar que a Rubi pagou um ágio por um ativo que já lhe pertencia, no caso as ações da Visanet. A Rubi acertadamente contabilizou, em 31/12/2008, o valor de R$ 305.675.950,64 a crédito na conta redutora de ativo 1.3.1.1.7.012 Provisão Amortização Ágio Outras Empresas, eliminando do valor contábil da Quixaba os efeitos do ágio. Fl. 3102DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.103 8 Entretanto ao subscrever o capital da Columbus, a Rubi atribuiu apenas o valor do ágio ao valor contábil das ações da Visanet. Caso a Rubi tivesse utilizado também o valor da provisão ela eliminaria o ágio e o valor de R$ 305 milhões não seria acrescido ao valor contábil das ações Visanet. (...) Apesar do valor de R$ 305 milhões estar denominado como "Ágio Quixaba Empreendimentos e Participações Ltda" na contabilidade da Rubi e o contribuinte ter a liberdade de atribuí lo ao valor contábil das ações Visanet, o "Ágio Quixaba Empreendimentos e Participações Ltda" não poderia reduzir o valor tributável previsto no artigo 418 do RIR/99, pela falta de essência econômica e ainda pelas seguintes razões: I) Este ágio era fruto dá aquisição da Quixaba, que já pertencia ao Grupo Bradesco e se inseria no processo de "desfazimento" da venda da participação na Visanet; II) Ao se desfazer a venda, este ágio não poderia ser atribuído ao único ativo que era o objeto da venda e que na realidade estava retornado ao controle da Rubi, através da aquisição da Quixaba; III) A avaliação da Visanet feita pela Rubi contrariava as evidências de mercado e da própria operação de venda que foi desfeita; e IV) Na composição deste ágio foram inseridos valores que não tinham a menor relação com o valor das ações da Visanet. Portanto a Rubi subscreveu o capital da Columbus pelo valor de R$ 3.048.063.870,81, entregando ações da Visanet cujo valor contábil, para efeitos tributários, deveria ser composto apenas do seu,valor patrimonial de R$ 113.165.236,66, acrescido do ágio de R$ 2.629.222.683,51, já tributado na redução do capital da Ferrara e da Quixaba, resultando em um valor tributável de ganho de capital de R$ 305.675.950,64. (Grifei) Como se pode observar, a autuação fiscal referese a ganho de capital decorrente da subscrição do capital de empresa holding do Grupo Bradesco (COLUMBUS HOLDING) com participação societária (ações da VISANET) da Contribuinte, investimento (VISA) a ser objeto de IPO. O ganho de capital foi auferido porque se entendeu que não existiria ágio gerado em razão de um negócio celebrado anteriormente envolvendo as mesmas ações da VISANET, no qual o Grupo Bradesco alienaria a participação societária da VISANET a grupo estrangeiro (Goldman Sachs), que ensejou uma série de reestruturações societárias no qual as ações haviam sofrido uma reavaliação, mas que foi desfeito, e as reestruturações do Grupo Bradesco foram "refeitas". O aproveitamento da despesa do ágio ocorre mediante ocorrência de dois eventos: primeiro, quando há uma separação entre o investidor e o investimento, que pode ocorrer quando o investidor aliena a investida, quando, para se apurar o ganho de capital, Fl. 3103DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.104 9 considerase na apuração da base de cálculo o valor do sobrepreço contabilizado (art. 33 do DecretoLei nº 1.598, de 1977). Segundo, quando ocorre a comunicação (casamento) dos patrimônios do investidor e investida (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997). O caso dos autos tratam dos dois eventos: a autuação fiscal diz respeito ao ganho de capital que foi neutralizado em razão do aproveitamento do ágio na alienação da participação societária da VISANET, e o surgimento do ágio decorreu do sobrepreço avaliado nas ações da VISANET que surgiu em razão de negócio jurídico que tratou da transferência dessas ações para a GGS e que posteriormente foi desfeito. Ora, não há qualquer comunicação com o suporte fático tratado pelos acórdãos paradigma. Tanto no primeiro quanto no segundo (acórdãos nº 1302001.184 e 1101 00.708, discorrem exclusivamente sobre aproveitamento de despesa de amortização de ágio no evento de comunicação (casamento), ou seja, em operações de aquisição de investimento com sobrepreço seguidas dos eventos de modificação societária (fusão, incorporação ou cisão) previstos nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, no qual se conclui sobre a legitimidade de operações no âmbito de um mesmo grupo econômico, a desnecessidade de desembolso de valores para a licitude da operação e a liberdade para se adotar planejamento tributário. Ambos os acórdãos tratam de operações no qual a autoridade fiscal entendeu terem ocorrido dentro de um mesmo grupo econômico, sendo que no acórdão nº 110100.708 ("caso Gerdau") a reorganização deuse no contexto do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002. Na realidade, o que se observa é que a aplicação do entendimento dos paradigmas não seria suficiente para resolver o litígio dos presentes autos. A partir do momento em que o Contribuinte não logrou demonstrar a necessária divergência na interpretação tributária para a primeira matéria (para fins tributários, o desfazimento de um negócio não teria relevância), razão pela qual não foi admitida pelo despacho de exame de admissibilidade, restou consumada a insuficiência recursal. Isso porque a principal motivação da acusação fiscal foi a de que com o desfazimento do negócio entre o Grupo Bradesco e o Grupo Goldman Sachs as reorganizações preparatórias entre as empresas dos grupos que teriam provocado a valorização das ações da VISANET teriam perdido o objeto. E tal matéria não teve o seguimento para exame de mérito. E, como já visto, analisandose os acórdãos paradigma da matéria que foi admitida (fundamentos que permitem a criação de um ágio que possa ser integrado ao valor contábil de um bem, para fins de apuração de ganho de capital), verificase que em nenhum momento trata dos efeitos de desfazimento de operação de compra e venda na reavaliação de investimentos submetidos ao Método de Equivalência Patrimonial. Percebese, com clareza, que a divergência que teve seguimento no despacho de exame de admissibilidade (representada pelos acórdãos paradigma nº 1302001.184 e 1101 00.708) não se mostra suficiente para reformar a decisão recorrida em relação à matéria "fundamentos que permitem a criação de um ágio que possa ser integrado ao valor contábil de um bem, para fins de apuração de ganho de capital". Fl. 3104DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.105 10 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Contribuinte em relação à matéria "fundamentos que permitem a criação de um ágio que possa ser integrado ao valor contábil de um bem, para fins de apuração de ganho de capital". Passo ao exame do mérito, para a matéria conhecida "incidência de juros de mora sobre multa de ofício". Sobre o assunto, vale transcrever, inicialmente, o artigo 113, do CTN, que predica que o objeto da obrigação tributária principal é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) § 2º (...) Por sua vez, o crédito tributário decorre da obrigação principal, conforme o artigo 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A penalidade pecuniária tem base no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, materializada na multa de ofício aplicada sobre o tributo. E, como se pode observar a penalidade pecuniária, decorrente da infração, compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte, integra o crédito tributário. Por sua vez, o CTN, ao discorrer sobre o pagamento, informa que devem incidir juros sobre o crédito tributário não integralmente adimplido no vencimento, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) § 1º (...) E a correção estipulada pelo mencionado art. 161, a partir da Lei nº 9.065, de 1995, segue a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, questão já pacificada pela Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 3105DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.106 11 Verificase, assim que tanto tributo quanto a multa de ofício estão sujeitos à atualização prevista no art. 161 do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC. Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente o recurso voluntário da Contribuinte para a matéria incidência de juros de mora sobre multa de ofício e, na parte devolvida ao mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 3106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13956.000073/2003-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/10/2002
COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 151, III DO CTN. POSSIBILIDADE.
O art. 151, III, do CTN, redação anterior à Lei n. 10.833/2003, já previa que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário".
A lei nº10.833/2003, não traz hipóteses de suspensão da exigibilidade. Aplicação da interpretação autêntica.
DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO DIVERSAS. PENDENTE DE DECISÃO FINAL EM PROCESSO DIVERSO. CONEXÃO.
Nos termos do artigo 55,caput, do Código de Processo Civil, Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir.
Numero da decisão: 9303-005.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 31/10/2002 COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 151, III DO CTN. POSSIBILIDADE. O art. 151, III, do CTN, redação anterior à Lei n. 10.833/2003, já previa que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário". A lei nº10.833/2003, não traz hipóteses de suspensão da exigibilidade. Aplicação da interpretação autêntica. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO DIVERSAS. PENDENTE DE DECISÃO FINAL EM PROCESSO DIVERSO. CONEXÃO. Nos termos do artigo 55,caput, do Código de Processo Civil, Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/10/2002 COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 151, III DO CTN. POSSIBILIDADE. O art. 151, III, do CTN, redação anterior à Lei n. 10.833/2003, já previa que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário". A lei nº10.833/2003, não traz hipóteses de suspensão da exigibilidade. Aplicação da interpretação autêntica. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO DIVERSAS. PENDENTE DE DECISÃO FINAL EM PROCESSO DIVERSO. CONEXÃO. Nos termos do artigo 55,caput, do Código de Processo Civil, Reputamse conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 6. 00 00 73 /2 00 3- 13 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13956.000073/200313 Acórdão n.º 9303005.547 CSRFT3 Fl. 107 2 Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 67 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº256/09, contra ao acórdão nº380200288, proferido pela 2 Turma Especial do Conselho de Contribuintes, que decidiu dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a suspensão da exigibilidade dos débitos informados até o julgamento definitivo do processo administrativo nº 13956.000267/200220, momento em que, após juntada por anexação, deve ser realizada eventual compensação dos débitos aqui declarados com saldo de crédito porventura existente após decisão final do processo nº 13956.000267/200220. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "O contribuinte em epígrafe pediu o ressarcimento do crédito presumido apurado no período em epígrafe, no valor de R$ 606.461,13, a ser utilizado na compensação dos débitos declarados nesse processo e no de nº 13956.000351/2002 43 apensado ao presente. Consta nos autos que o crédito tributário que se pretendeu compensar referese (sic) crédito presumido de IPI referente ao 4° trimestre de 2001. A DRF em Maringá não homologou a compensação declarada no presente processo sob o fundamento de que inexiste saldo credor para a compensação pretendida, dado o indeferimento do crédito no processo administrativo 13956.000267/200220. Regulamente cientificada da nãohomologação, a empresa apresentou manifestação de inconformidade alegando em suma que a homologação da compensação está sob condição resolutiva, que consiste na decisão do processo que deu origem ao crédito. A cobrança do crédito compensado não está de acordo coma (sic) a legislação vigente e contraria o entendimento da doutrina e também da jurisprudência. Acrescentou que a decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI está sujeita à reexame pela Delegacia de Julgamento, conforme manifestação de inconformidade protocolada naqueles autos e, por este motivo, ficaria vedado ao Fisco fazer qualquer exigência em relação aos tributos compensados com o crédito objeto do referido processo, uma vez que o litígio regularmente instaurado suspende a exigibilidade dos créditos tributários até decisão final irrecorrivel. Por fim, solicitou a suspensão da exigibilidade dos débitos em questão. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13956.000073/200313 Acórdão n.º 9303005.547 CSRFT3 Fl. 108 3 A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e indeferiu a solicitação. O acórdão recorrido restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 14/02/2003 DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO DIVERSAS. MESMO CRÉDITO. REUNIÃO. Os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, devem ser reunidos em um único processo administrativo. COMPENSAÇÃO. DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A partir de 31/10/2003, com a edição da MP nº 135 convertida na Lei nº 10.833/03 –, a manifestação de inconformidade e o recurso suspendem a exigibilidade do débito objeto de compensação nãohomologada. Aplicação do princípio tempus regit actum, tendo como referência a data da intimação do despacho decisório. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO". Da decisão vergastada, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração suscitando contradição. O Colegiado a quo rejeitou os aclaratórios por entender que inexiste qualquer contradição. Não se conformando com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que não esta correto o acórdão recorrido, pois pelo principio do tempus regit actum, a data a ser considerada seria a do encontro de contas (30/10/2002) e não a data da intimação do despacho decisório. Para comprovar a divergência jurisprudencial, aponta como paradigmas os acórdão nº 2801 00.431, de 13/04/2010. Em seguida, por ter sido comprova a divergência, o Presidente da 2ºCâmara da 3º Seção do CARF deu seguimento ao recurso. A Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13956.000073/200313 Acórdão n.º 9303005.547 CSRFT3 Fl. 109 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito se deve ser mantido ou não o indeferimento da compensação em atenção ao princípio do tempus regit actum, cuja data a ser considerada seria ou não do encontro de contas (14/02/2003) ou a data da intimação do despacho decisório. Passo a decidir. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI referente ao 4º Trimestre de 2001. A DRF em Maringá não homologou a compensação declarada no presente processo sob o fundamento de que inexiste saldo credor para a compensação pretendida, dado o indeferimento do crédito no processo administrativo nº 13956.000267/2002 20. Regularmente cientificada da nãohomologação, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando em suma que a homologação da compensação está sob condição resolutiva, que consiste na decisão do processo que deu origem ao crédito. A cobrança do crédito compensado não está de acordo coma a legislação vigente e contraria o entendimento da doutrina e também da jurisprudência. Acrescentou ainda, que a decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI está sujeita à reexame pela Delegacia de Julgamento, conforme manifestação de inconformidade protocolada naqueles autos e, por este motivo, ficaria vedado ao Fisco fazer qualquer exigência em relação aos tributos compensados com o crédito objeto do referido processo, uma vez que o litígio regularmente instaurado suspende a exigibilidade dos créditos tributários até decisão final irrecorrível. Com efeito, a decisão recorrida deu provimento ao Recurso Voluntário para suspender a exigibilidade do débito objeto de compensação não homologada com fundamento na MP 135/03, posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003, data anterior a intimação do despacho decisório. Dispôs ainda, que pelo principio do tempus regit actum, deve ser aplicada a referida lei ao caso concreto tendo como referência a data da intimação do despacho decisório. Sem embargo, neste processo não se analisa a possibilidade ou não da compensação realizada, posto que tal matéria está sendo tratada no Processo Administrativo n° 13956.000267/200220, já objeto de decisão deste Conselho em sede de recurso voluntário, motivo pelo qual, no processo ora analisado, questionase tãosomente a possibilidade de manterse o seu deslinde independente de ainda não haver decisão administrativa final naquele processo administrativo. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13956.000073/200313 Acórdão n.º 9303005.547 CSRFT3 Fl. 110 5 Deste modo, questionase a possibilidade de manter o andamento deste processo, no sentido de cobrarse um débito que ainda não está definitivamente constituído, já que ainda não há decisão definitiva no Processo Administrativo n° 13956.000267/200220. Ou seja, o débito que aqui está sendo cobrado decorrerá da decisão naquele processo administrativo. Compulsando aos autos, verifico que o protocolo da Declaração de Compensação se deu em 14/02/2003 (fl. 01) e Contribuinte foi intimada do despacho decisório de não homologação da declaração de compensação em 08/06/2005 (fl. 28). A decisão recorrida entendeu que, a partir de 31/10/2003, com a edição da MP nº 135 convertida na Lei nº 10.833/03 a suspensão da exigibilidade de débito compensado tornouse possível uma vez que a declaração de compensação feita pelo contribuinte passou a ter caráter de confissão de dívida e ser instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Destarte, em que pese a discussão sobre os efeitos da suspensão da exigibilidade do crédito tributário vinculado a pedido de compensação formulado antes da vigência da Lei nº 10.833/2003, que alterou o artigo 74 da lei nº 9.430/96, penso que o pedido de compensação deve ser analisado sob a égide da legislação então vigente, diametralmente oposto do defende a Fazenda Nacional, a qual entende que o pedido de compensação realizado antes da Lei nº 10.833/03, não constitui confissão de divida, razão pela qual o crédito deve ser lançado, não sendo possível suspender a exigibilidade. Neste passo, o artigo 151, III, do Código Tributário Nacional CTN, norma complementar, editada antes da lei nº 10.833/2003, dispõe que:"as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário". Quanto a tese de que a declaração de compensação só teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário antes ou partir da Lei n. 10.833/2003, não se sustenta, considerando que os efeitos da suspensão da exigibilidade já estavam garantidas pelo artigo 151, III, do CTN. No que tange a leitura da lei nº10.833/2003, esta ao meu sentir, não traz hipóteses de suspensão, com efeito, da leitura dos dispositivos para melhor técnica deve ser empregada a interpretação autêntica. Neste caso, entendo que não se aplica regra do tempus regit actum, tendo em vista, que à época dos fatos, havia dispositivo legal (artigo 151, III do CTN) que determinava o efeito de suspender à exigibilidade do crédito vinculado a declaração de compensação. Neste mesmo sentido, o STJ no julgamento do AgRg no Recurso Especial nº 1.146.374 PR (2009/01219748) decidiu que o pedido de compensação na esfera administrativa, mesmo anteriormente à nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96, suspende a exigibilidade do crédito tributário porque enquanto pendente discussão administrativa. In verbis: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13956.000073/200313 Acórdão n.º 9303005.547 CSRFT3 Fl. 111 6 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO. RECURSO ADMINISTRATIVO. CAUSA DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, NOS TERMOS DO ART. 151, III, DO CTN. NÃO INFLUÊNCIA DA LEI N. 10.833/2003, QUE ALTEROU O ART. 74 DA LEI N. 9.430/1996. 1. Caso em que se discute a atribuição do efeito de suspensão da exigibilidade do crédito tributário ao pedido de compensação formulado antes da vigência da Lei n. 10.833/2003, que alterou o art. 74 da Lei n. 9.430/1996. 2. Agravo regimental no qual se sustenta que "o pedido de compensação, bem como a manifestação contra não homologação do mesmo, devem ser analisados à luz da legislação então vigente", razão pela qual defendese que o pedido de compensação, realizado antes da Lei n. 10.833/2003, não é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 3. O art. 151, III, do CTN, cuja redação é bem anterior à Lei n. 10.833/2003, já previa que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário". 4. Conquanto não se desconheça as controvérsias jurisprudenciais sobre a matéria, não se pode entender como razoável a interpretação dada pela Fazenda Nacional de que o pedido de compensação só teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário a partir da Lei n. 10.833/2003, uma vez que esse efeito já estava previsto no art. 151, III, do CTN. 5. A Lei n. 10.833/2003 não traz nova hipótese de suspensão, mas tão somente dita, previamente, a interpretação que deve ser feita da lei. É a chamada interpretação autêntica. 6. Assim, no caso, não se está diante da hipótese da regra do tempus regit actum, pois, à época, já havia disposição legal que respaldava a atribuição do efeito de suspender à exigibilidade do crédito tributário ao pedido de compensação. 7. O STJ já enfrentou o tema e decidiu que "o pedido de compensação na esfera administrativa, mesmo anteriormente à nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96, suspende a exigibilidade do crédito tributário porque enquanto pendente discussão administrativa, a dívida carece de certeza (existência) e exigibilidade" (REsp 972.531/AL, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 6/10/2009, DJe 27/11/2009). 8. Agravo regimental não provido. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13956.000073/200313 Acórdão n.º 9303005.547 CSRFT3 Fl. 112 7 Nestes termos, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, reconheço a suspensão da exigibilidade dos débitos informados até o julgamento definitivo do Recurso Especial, processo nº 13956.000267/200220, por se tratar de matéria conexa, nos termos do artigo 55, do Código de Processo Civil, devendo ser compensado os débitos declarados do presente processo com saldo de crédito existente após decisão final do processo nº 13956.000267/200220. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.911740/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF é preclusa, não devendo ser conhecida.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. IMPUTAÇÃO. COMPETÊNCIA. AUTORIDADE FISCAL.
Escapa à competência do CARF a imputação de responsabilidade aos sócios pelo crédito constituído sem sua menção no auto de infração.
DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. DCOMP.
O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da Declaração de Compensação.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF é preclusa, não devendo ser conhecida. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. IMPUTAÇÃO. COMPETÊNCIA. AUTORIDADE FISCAL. Escapa à competência do CARF a imputação de responsabilidade aos sócios pelo crédito constituído sem sua menção no auto de infração. DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. DCOMP. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da Declaração de Compensação. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF é preclusa, não devendo ser conhecida. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. IMPUTAÇÃO. COMPETÊNCIA. AUTORIDADE FISCAL. Escapa à competência do CARF a imputação de responsabilidade aos sócios pelo crédito constituído sem sua menção no auto de infração. DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. DCOMP. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da Declaração de Compensação. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 17 40 /2 01 1- 21 Fl. 385DF CARF MF 2 Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belém/PA, que declarou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte contra Despacho Decisório nº 1040/2012, fls. 205/217. Tal Despacho indeferiu o Pedido de Ressarcimento do IPI nº 25066.97115.300108.1.1.013476, formalizado em 30 de janeiro de 2008, solicitando o valor total de R$ 79.813,24 referente ao 4º trimestre de 2007, e não homologou a Declaração de Compensação (Dcomp) n. 19410.89459.300108.1.3.010050, 20354.91514.110208.1.3.01 5223 e 02882.73542.190208.1.3.014370. Por bem consolidar os fatos que deram ensejo ao presente processo, bem como os argumentos trazidos pela Contribuinte em sede de manifestação de inconformidade, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão da DRJ in verbis: Segundo a Unidade de origem, no curso de Ação Fiscal, foi detectado que o sujeito passivo não era contribuinte do IPI e que intimada, foi incapaz de demonstrar o crédito pleiteado. Concluiu o SEFIS/DRF/GOI: “que a Interessada valeuse dos PERDcomp para, mediante declaração falsa de ser possuidora de crédito de IPI, pleitear o ressarcimento do crédito e utilizálo em compensações de tributos, de modo a reduzir indevidamente suas obrigações tributárias”. Cientificada do despacho decisório em 24 de julho de 2012, AR à fl. 227, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, fls. 230/313, em 23 de agosto de 2012, na qual esclarece sobre os sócios administradores à época: “a autuação da pessoa jurídica deve ser lavrada em litisconsórcio com seus sócios administradores à época dos atos fraudulentos, que assinavam em conjunto e eram pessoalmente responsáveis pelos atos cometidos com excesso de poderes e contra a lei, nominadamente CAIRO ROBERTO GOMES, (...) e LUIZ VIEIRA DA PAIXÃO (...). ”Isto porque caso não sejam chamados a se defender no processo administrativo, a cobrança voltada contra si é nula por cerceamento de defesa. Além do que é inconstitucional o prosseguimento da perseguição apenas da pessoa jurídica que, apesar de,ser o contribuinte legal e, em última instância, sempre será obrigada perante a Fazenda, é, antes de tudo, um ser inanimado, que é incapaz de cometer fraude” (...) Verificase dos instrumentos contratuais juntados que, desde sua criação até o registro da 6a Alteração, em 05/12/2011, perante a Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10120.911740/201121 Acórdão n.º 3402004.318 S3C4T2 Fl. 112 3 JUCEG, os sócios DR. CAIRO ROBERTO GOMES e DR. LUIZ VIEIRA DA PAIXÃO era administradores da empresa, sendo o último, inclusive, o sócio responsável perante esta Receita Federal. Assim, durante todo o período em que geradas as Perdcomp e suas retificadoras, as ordens eram dadas por ambos, os únicos responsáveis pela aquisição e utilização de créditos ilegais e, pior, ao que tudo indica, sequer existentes. Como o contribuinte explicou exaustivamente nas respostas às Notificações enviadas ao longo do procedimento de fiscalização, NÃO teve acesso à qualquer documento além dos que lhe foi possível juntar, quais sejam recibos passados pelo contador da época SR. MÁRCIO ADRIANO e o seu contrato de prestação de serviços com a empresa. O fato é que a atual administração vem empreendendo todos os esforços necessários, principalmente em relação aos débitos que a empresa tinha em aberto com o Fisco, realizando todos os procedimentos de adesão ao Parcelamento da Lei n. 11.941 até o seu final, quitando todos os valores e regularizando o cumprimento de todas as obrigações, sejam principais ou acessórias. No entanto, o que foi feito antes, pela administração anterior, não pode ser imputado a ninguém mais do que os próprios administradores. De modo que, ainda que a empresa seja responsável pelo tributo e pelas multas e consectários, fato é que seus administradores são coresponsáveis uma vez que foi deles que partiu a ordem para compra e para lançamento dos créditos indevidos de IPI utilizados nas indigitadas Perdcomp. À respeito dos débitos efetivamente compensados – não homologados: Também, é forçoso verificar que o Dcomp 4370 é uma retificação do primeiro Dcomp 0050. na medida em que apenas repetem os tributos já lançados com algumas mínimas alterações, e o Dcomp 5223 é o pedido de compensação de um outro Ressarcimento diferente, o Per n. 27344.45383.110208.1.1.019033. Sobre débitos já compensados em PER/Dcomps anteriores: Ora, como o tributo é ex lege e seu fato gerador só acontece uma vez, senão se trata de novo crédito tributário, de outra competência, cada vez que se pretendia compensar o mesmo tributo mais de uma vez, agia em duplicidade que tornava inexistente nova compensação. E, no caso em epígrafe verificase que tal ocorreu de três formas diferentes, ainda. A primeira na repetição dos lançamentos em dois Dcomp sucessivos para o mesmo ressarcimento, em clara retificação mas sem informar tal situação na transmissão dos arquivos; a segunda, na repetição da tentativa de compensação dos mesmos tributos já compensados no PAT n.10120.911738/201152, quais sejam PIS, COFINS, INSS e Fl. 387DF CARF MF 4 IRRF de maio à junho de 2007, inclusive já constituídos de ofício pela não homologação daquela compensação, de modo que é impossível que sejam constituídos novamente aqui neste processo; e, a terceira, na repetição da compensação em outro Dcomp completamente alheio ao Pedido de Ressarcimento em epígrafe, inclusive já tendo ocorrido a homologação tácita. referente à compensação dos tributos PIS e COFINS do mês de abril de 2007, no Dcomp 11349.38930.260607.1.3.020080. Ainda, é inescapável, Ilustre Julgador, que o Dcomp 20354.91514.110208.1.3.015223 NÃO É COMPENSAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO AQUI LANÇADO. Não podendo ser simplesmente "incluído no pacote". Mas, pior que isso, ele compensa de novo INSS já lançado no Dcomp 4370 e, pior ainda, já parcelado na Lei n. 1 1 .941/09 através do Debcad 37.180.761 1, todos os documentos juntados. Juntase, igualmente, o Despacho n.1.038/2012 e o Dcomp lá constituído, onde comprovase que já foram lançados lá as competências relativas aos meses de abril à junho/2007. Além disso, a competência de abril dos tributos PIS, COFINS e CSLL já foram definitivamente compensadas pela homologação tácita do Dcomp 11349.38930.260607.1.3.020080, que compensou CSLL, PIS, COFINS e IRestimativa de abril de 2007. A respeito do INSS empregador: Quanto ao INSS da competência de janeiro de 2008, citada no Dcomp 02882.73542.190208.1.3.014370 e, de novo, no Dcomp 20354.91514.110208.1.3.015223, é forçoso verificar que foi parcelado na Lei n. 1 1 .941/09, sob o Debcad 37.180.7638, que lançou o INSS empregador do período de 02/2007 à 02/2008, recibo e PAT correspondentes juntados. Com relação aos PER/Dcomp 35066.97115.300108.1.1.013476, e ressarcimento e os Perdcomp 19410.89459.300108.1.3.01 0050; 20354.91514.110208.1.3.01 5223 e 02882.73542.190208.1.3.014370 informa que foram indevidamente extintos sob condição resolutória os PA 08 à 12/2007 e 01/2008, PIS; 11 e 12/2007, IRRF e PA 08 à 12/2007 e 01/2008, COFINS. Requer por fim, que: “Por todo o exposto e provado, PUGNASE SEJA FEITA A REVISÃO do Lançamento para: 1) incluir os sócios administradores da época no pólo passivo, e, 2) corrigir o valor do lançamento em face da demonstração do valor indevidamente compensado.” Em julgamento datado de 12 de agosto de 2014, a DRJ Belém/PA negou provimento manifestação de inconformidade do Contribuinte (Acórdão 0129.783), nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10120.911740/201121 Acórdão n.º 3402004.318 S3C4T2 Fl. 113 5 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. Escapa à competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da responsabilidade dos sócios pelo crédito constituído. DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da Declaração de Compensação. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o Contribuinte recorre a este Conselho, repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O Recurso Voluntário é tempestivo, o patrono encontrase regularmente constituído nos autos e a matéria está inserta na esfera de competências 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), assim dele tomo conhecimento. Como se depreende do relato acima, a Recorrente não se insurge contra o entendimento da Fiscalização sobre ser indevido o crédito que embasou os PER/DCOMP 19410.89459.300108.1.3.010050, 20354.91514.110208.1.3.015223 e 02882.73542.190208.1.3.014370 ora sob análise. A discussão, isto sim, resumese a problemas apontados nos débitos ali declarados, quais sejam: i) são débitos em duplicidade em relação a outras DCOMPs, algumas homologadas e outras não; ii) alguns outros débitos foram objeto de parcelamento tributário; ou iii) tratase de débito referente a multas e juros simplesmente inexistentes, uma vez que não ocorreram lançamentos de ofício referente aos período a que tais imposições seriam correlatas. Lembremos que, de acordo com a legislação fiscal, tais débitos são considerados como objeto de confissão pelo Contribuinte. A este respeito, o CARF já se manifestou no sentido de que "dado o caráter de confissão de dívida dos débitos constantes da DCOMP, deve a autoridade julgadora apreciar as alegações pertinentes aos créditos e débitos compensados, cancelandose eventual exigência indevida por erro de fato contido na Declaração de Compensação." (Acórdão n. 180300.530, Processo n. 10768.100181/200314). Pois bem. Analisando a documentação trazida aos autos, e os pontos de inconformidade apontados pela Recorrente, entendo que mesmo sem os livros e demais Fl. 389DF CARF MF 6 documentos fiscais/contábeis que a Recorrente alega não mais possuir justamente porque extraviados durante a mágestão dos diretores que pretenderam efetuar as compensações com créditos tributário indevidos , é possível uma análise das alegações trazidas pela conferência dos débitos constantes desse Processo com aquel'outros apontados pela Recorrente, além de um levantamento dos débitos constantes do Parcelamento com a Receita Federal contratado pela Recorrente. Assim, para o deslinde do litígio aqui instaurado, entendo ser necessário converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, para que a autoridade fiscal de origem elabore relatório conclusivo a respeito: i) da existência de débitos (mesmos períodos de apuração, mesmo tributo e mesmos valores) informados em duplicidade, por serem objeto repetidamente dos PER/DCOMP de n. 08779.03885.100807.1.3.015207, 18368.12432.080507.1.2.021260, 11349.38930.260607.1.3.020080 e 00706.98149.260607.1.3.027071, 20585.48289.260607.1.3.029830, 13458.07181.131107.1.3.011091, 19410.89459.300108.1.3.010050, 20354.91514.110208.1.3.015223 e 02882.73542.190208.1.3.014370, 35066.97115.300108.1.1.013476 destacando estarem os débitos duplicados já extintos ou não por homologação das compensações; ii) a existência de débitos (mesmos períodos de apuração, mesmo tributo e mesmos valores) declarados nos PER/DCOMP 19410.89459.300108.1.3.010050, 20354.91514.110208.1.3.015223 e 02882.73542.190208.1.3.014370 que estejam sendo adimplidos por meio de parcelamento tributário (Lei n. 11.941/2009), destacando estarem os débitos já extintos pela adimplemento do programa de parcelamento ou não; iii) a existência de débitos declarados nos PER/DCOMP 19410.89459.300108.1.3.010050, 20354.91514.110208.1.3.015223 e 02882.73542.190208.1.3.0143707 que sejam decorrentes de multas ou juros inexistentes, uma vez que o período ao qual fazem referência nunca foi objeto da lavratura de lançamento de ofício; iv) caso confirmados os valores em duplicidade, parcelados ou indevidos (itens i, ii e iii acima), requerse que a Autoridade Fiscal de origem especifique o débito tributário que deve permanecer nestes autos como declarados pela Recorrente nos PER/DCOMP 19410.89459.300108.1.3.010050, 20354.91514.110208.1.3.015223 e 02882.73542.190208.1.3.0143701; v) finalmente, uma vez juntado o relatório conclusivo da fiscalização, seja aberta vista à Recorrente para, querendo, manifestarse sobre seu conteúdo. Contudo, restei vencida por voto de qualidade na citada proposta da conversão do julgamento em diligência, em sessão de julgamento de 27 de junho de 2017. A Turma de Julgamento entendeu que não cabe em processo derivado de compensação a análise dos débitos nele constantes, mas tão somente dos créditos. Assim, caso de fato haja débitos cobrados de forma equivocada, infelizmente deverá a Recorrente se submeter ao caminho da repetição do indébito para ver garantido seu direito. Passo ao julgamento do mérito do processo. 1. Sobre o pretendido litisconsórcio com seus sócios administradores Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10120.911740/201121 Acórdão n.º 3402004.318 S3C4T2 Fl. 114 7 O lançamento tributário é ato administrativo de competência da autoridade fiscalizadora, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), com relação a todos os elementos que fazem parte da relação jurídica tributária, dentre eles a sujeição passiva. Dessarte, seja no que tange ao contribuinte propriamente dito (quem pratica o fato gerador do tributo, no caso, a Recorrente artigo 121, inciso I do CTN), seja sobre eventuais responsáveis (no caso, eventualmente, os sócios administradores artigo 121, inciso II do CTN), sua inserção como sujeito passivo da obrigação tributária em lançamento de ofício é função da autoridade fiscal (o que é chamado pela Recorrente de litisconsórcio e chamamento do processo, valendose de figuras processuais constante do Código de Processo Civil, mas inexistentes no processo administrativo fiscal), e não das instância de julgamento do processo administrativo fiscal, a quem incumbe julgar as impugnações, manifestações de inconformidade e recursos voluntários, conforme dispõe o Decreto 70.235/72. É nesse sentido que tornase impossível acolher a pretensão da Recorrente sobre a atribuição da responsabilidade tributária às pessoas físicas responsáveis pelos atos que deram ensejo aos presentes processos administrativos. Juridicamente, quem efetuou as compensações mediante a utilização de créditos inexistentes foi a pessoa jurídica, sendo impossível o seu afastamento do processo administrativo. 2. Da Homologação Tácita Como bem colocado pela decisão recorrida, sobre a argumentação que PER/Dcomps 18368.12432.080507.1.2.021260, 11349.38930.260607.1.3.020080 e 00706.98149.260607.1.3.027071, estariam homologados tacitamente, não é cabível a sua apreciação, à medida que os citados PER/Dcomps não estão incluídos no despacho decisório nº 1038/2012, objeto do litígio deste processo. Não é necessário tecer maiores esclarecimento de que não pode este Colegiado se manifestar sobre algo que não faz parte do processo administrativo. 3. Dos demais valores Como destacado acima, a Recorrente não contesta o fato de os créditos de IPI pretendidos neste processo são de fato inexistentes. Assim, aquiesce com a fiscalização que não homologou as compensações nesse ponto. Tratase, portanto, de questão preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, tendo essa turma de julgamento decidido por voto de qualidade questão prejudicial ao pleito da Recorrente, no sentido de que não é cabível a verificação dos apontados erros relativos aos débitos que constam das compensações, não resta o que fazer nesse processo se não reconhecer que as compensações pretendidas não podem ser validadas, pois não há crédito para fazer frente aos débitos nelas apontados. Débitos esses que foram confessados, haja vista a regra contida no artigo 74, § 6º, da Lei nº 9.430, de 1996, “a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensado." 4. Dispositivo Ex positis, voto no sentido de negar provimento o recurso voluntário. Fl. 391DF CARF MF 8 Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 392DF CARF MF
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