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Numero do processo: 10860.900038/2006-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 00 03 8/ 20 06 -1 0 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.900038/200610 Resolução nº 3801000.468 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, proferida pela DRJ Campinas (SP), fl. 29, que transcrevo a seguir: “Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), fls. 02/06 com aproveitamento de suposto pagamento a maior. O processo administrativo, posteriormente aos eu protocolo, foi materializa dona forma eletrônica,razão pela qual todas as referências a folhas dos autos irão pautarsena numeração estabelecida no processo eletrônico. A Delegacia da Receita Federal em Taubaté emitiu Despacho DecisórioEletrônico de não homologação da compensação(fl.07),tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitaçãode débito da contribuinte. Cientificada do despacho decisório em 28/05/2008 (fl. 08), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 26/06/2008 (fl.09/13) , na qual alegou que o despacho decisório decorredo fato da vinculação integraldo pagamento indevido ou a maior ao débito de IPI relativo ao 2º decêndio de agosto/2002, através da DCTF. No entanto, conforme indicado na DIPJ/2003(fls.18/20),não há débito de IPI no 2º decêndio de agosto/2002.Assim, o referido DARF objeto do pagamento indevido ou a maior está sendo utilizado para pagamento de IPI relativo ao 3º decêndio de agosto/2002 no valor de R$48.744,32, bem como o saldo remanescente estás endo utilizado para compensação do débito de IPI do período do 3º decêndio de junho/2003(DCOMPdefls.02/06),conforme demonstra em planilha de controle(fl.21). A interessada alegou, ainda, que, em conformidade ao disposto no §1º do art.11 da Instrução Normativa RFBnº786, de 2007, a declaração retificadora substitui integralmente a original,sendo que os valores corretos devidos a título de IPI são aqueles declarados na DIPJ 2003.Assim,conclui que o crédito de corrente de pagamento indevido ou a maior de IPI foi devidamente demonstra do por meio da DCTF retificadora, restando comprovado que o crédito que possui é suficiente para compensar o débito da DCOMP. Ao final, entendendo que o procedimento adotado estava em consonância com a legislação vigente â época, a contribuinte requer a nulidade do despacho decisório.” A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.900038/200610 Resolução nº 3801000.468 S3TE01 Fl. 4 3 Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributaria; o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 3643, onde reprisa as razões apresentadas na manifestação de inconformidade de fls. 0913. Aduzaindaqueaautoridadecompetentenãoobservouoprocedimentoprevisto noart.65daInstruçãoNormativanº900,de2008,requerendosejaconhecidoeprovidoo recursoparasejareconhecidoodireitocreditóriorelativoaospagamentosefetuadosamaiorou indevidosdeIPI,podendoaindaestesvaloresseremcompensadoscomquaisquertributosou contribuiçõessobaadministraçãodaSRF,aindaquenãosejamdamesmaespécienemtenham amesmadestinaçãoconstitucional. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.900038/200610 Resolução nº 3801000.468 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Em apertada síntese, requer a contribuinte que seja homologada a Declaração de Compensação (DCOMP)de fls. 02/06, alegando que houve equívoco no preenchimento da DCTF remetida à Receita Federal, o que foi posteriormente corrigido através da entrega da DCTF retificadora, corroborada pelas informações constantes na DIPJ apresentada. Ocorre que a Delegacia da Receita Federal entendeu por não homologar a compensação, referindo que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Ciente do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, contudo, sem apresentar parte da documentação informada, necessária para a análise do pedido, motivo pelo qual foi julgada improcedente a manifestação, restando não homologada a compensação pela DRJ de origem. Não obstante a ausência de parte da documentação comprobatória necessária na origem, motivo do indeferimento do pedido de homologação, a contribuinte recorre a este Conselho de Contribuintes anexando às suas razões a integralidade da documentação comprobatória necessária, o que justifica uma nova análise do seu pedido de homologação da compensação. Desta forma, verificada a documentação apresentada juntamente com o presente recurso, fazse necessária a análise do seu conteúdo probatório. Primeiramente, é necessário observar que a recorrente anexou a mencionada DCTF retificadora, estando esta em consonância com as suas razões recursais, tendo em vista que nela se pode verificar com clareza a informação referente ao crédito existente no período no qual, através da informação da DCTF apresentada anteriormente, haveria débito. Quanto à apresentação da DCTF e da DCTF retificadora, dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, que: Art. 8º Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.900038/200610 Resolução nº 3801000.468 S3TE01 Fl. 6 5 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1 º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Art. 9ºA As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º A pessoa jurídica ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentos sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o art. 7º. § 2º A intimação para o sujeito passivo prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.900038/200610 Resolução nº 3801000.468 S3TE01 Fl. 7 6 § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012). Da análise da Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil acima transcrita, concluise que a DCTF retificadora substitui integralmente à original. Este é o entendimento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: APELAÇÃO CÍVEL Nº 2006.72.06.0006180/SC RELATOR: Des. Federal JOEL ILAN PACIORNIK EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CDA. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ. DCTF RETIFICADORA. PEDIDO DE REVISÃO DE DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. ENCARGO LEGAL. 1. Consoante disposição do art.204doCTNe do art.3ºda Lei nº6.830/80, a dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez, a qual só pode ser ilidida por prova inequívoca em sentido contrário. 2. A DCTF retificadora substitui a DCTF anteriormente apresentada. 3. O Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa da União não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, uma vez que não integra o rol das hipóteses legalmente previstas e aptas para tanto (art.151,III, doCTN). 4. Considerando que se encontra presente o encargo legal do Decreto Lei n1.025/69, não há falar em condenação da embargante ao pagamento dos honorários advocatícios. 5. Apelação improvida. (grifei) Havendo divergência encontrada na DCTF retificadora, esta deve ser objeto de auditoria interna da Receita Federal. Todavia, no caso em tela, a contribuinte apresentou também a DIPJ onde consta o crédito apontado, o que comprova a veracidade das suas informações, uma vez que é realizada a análise dos valores informados a título de créditos e débitos quando da apresentação desta, através do cruzamento das informações da Receita Federal com aquelas apresentadas na DIPJ pelo contribuinte. Desta forma, verificando a DIPJ apresentada, constatase que não existe débito no período informado. Acerca da análise, neste momento, da documentação comprobatória trazida aos autos somente quando da interposição do presente recurso, cumpre ressaltar que o processo administrativo fiscal tem por finalidade a apuração de fatos que podem ou não ensejar o direito de crédito para a Administração ou para o contribuinte. O processo administrativo tributário nada mais é do que uma revisão dos atos administrativos que culminam com o lançamento final do crédito tributário, de modo que o sujeito passivo possa discutir dentro do Executivo a existência de algum equívoco quanto ao Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.900038/200610 Resolução nº 3801000.468 S3TE01 Fl. 8 7 lançamento do crédito tributário. É um instrumento de controle da qualidade que a administração dispõe para aperfeiçoar seus atos administrativos. Esta finalidade do processo administrativo enseja a aplicação, em seu âmbito, do princípio da verdade material. No caso dos autos, ainda que juntada posteriormente ao despacho decisório, bem como à decisão da DRJ de origem, a prova trazida aos autos deve ser apreciada para a melhor solução da controvérsia, uma vez que, de fato, comprova o alegado. Se o contribuinte alega ter o direto ao crédito,o qual requer a compensação, e traz aos autos, ainda que somente nesta fase processual, a prova deste direito, não há razão para negarlhe a homologação da compensação. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) aprecie e informe a existência de créditos e débitos, especialemnte pela análise da DIPJ onde consta o crédito apontado e a alegada a veracidade das suas informações; b) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias.julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19515.004214/2010-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de previdência complementar privada quando não extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa.
DESPESAS MÉDICAS.
A assistência médica seja a título de seguro saúde, seja a título de reembolso de despesas médicas, é salário-de-contribuição quando não ofertados a todos os empregados e dirigentes da empresa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para reconhecer a decadência no período de 01/2005 a 11/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, bem como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de previdência complementar privada quando não extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. DESPESAS MÉDICAS. A assistência médica seja a título de seguro saúde, seja a título de reembolso de despesas médicas, é salário-de-contribuição quando não ofertados a todos os empregados e dirigentes da empresa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para reconhecer a decadência no período de 01/2005 a 11/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, bem como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de previdência complementar privada quando não extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. DESPESAS MÉDICAS. A assistência médica seja a título de seguro saúde, seja a título de reembolso de despesas médicas, é saláriodecontribuição quando não ofertados a todos os empregados e dirigentes da empresa. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 14 /2 01 0- 63 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para reconhecer a decadência no período de 01/2005 a 11/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, bem como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.004214/201063 Acórdão n.º 2403002.141 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1635.630, fls. 227/249, que julgou totalmente improcedente a Impugnação apresentada para manter a integralidade das imputações dispostas na autuação fiscal, representadas no DEBCAD 37.309.5139 (TERCEIROS), no valor de R$ 115.852,72 (quinhentos e quinze mil oitocentos e cinqüenta e dois reais e setenta e dois centavos), não declaradas em GFIP. O Mandado de Procedimento Fiscal compreendeu as competências de Janeiro a Dezembro de 2005. As exigências fiscais se referem ao fato de ter o contribuinte efetuado pagamentos a seus gerentes, diretores e executivos uma participação nos lucros e resultados da empresa, bem como despesas médicas e plano de previdência complementar, segundo o Relatório Fiscal de fls. 31/43, os fatos geradores se deram da seguinte forma, in verbis: A) PREVIDENCIA PRIVADA 2. Os fatos geradores da contribuição previdenciária constam da Contabilidade da empresa (DOC. 03), sem transitarem pela Folha de Pagamento e tampouco terem sido declarados em GFIP (Guias de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social) antes do início deste procedimento fiscal, como também os respectivos recolhimentos não foram comprovados pela empresa bem como não constam do banco de dados da Receita Federal do Brasil. 3. Será demonstrado no curso do presente Relatório que o contribuinte, em epígrafe, em benefício próprio e de seus administradores – que ocupam funções de direção – efetuou o pagamento de remuneração disfarçada mediante crédito em contas de previdência privada, de forma a assegurar sua dedução no lucro real, e a evitar a incidência de contribuições previdenciária e demais encargos trabalhistas, bem como o pagamento do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF no momento do pagamento, propiciando, inclusive, que os ditos empregados submetessem seus rendimentos a uma menor tributação em razão do regime próprio dos planos de previd6encia privada complementar. A.1) DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA – PLANO NÃO EXTENSIVO A TODOS (...) 5. Com a analise destes documentos, nos deparamos com a CLAUSULA 3ª do CONTRATO DE ADESÃO A PLANO MODULAR EMPRESARIAL, que sob o titulo “ELEGIBILIDADE”, infringe toda a legislação supracitada. É o texto desta clausula: “Poderão ser incluídos no Plano os funcionários da INSTITUIDORA, desde que preencham a seguinte condição: exerçam cargo de presidente ou diretor, Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 assim considerados na estrutura organizacional da INSTITUIDORA”. 6. Esta clausula resume que os pagamentos em conta de previdência privada, da empresa ITW, correspondem à remuneração de natureza salarial, pois autoriza o acesso a este beneficio somente aos seguintes segurados ocupantes de altos cargos dentro da organização, conforme listado abaixo: ANTONIO SERGIO CALDAS PACHECO CPF 383.764.33568 GIDEON KOREN CPF 702.300.21891 JOÃO MARCOS PUTINI CPF 305.106.35849 VICENTE JOSE TAMONI CPF 757.689.92804 B) DESPESAS MEDICAS: 2. Os fatos geradores da contribuição previdenciária constam da Contabilidade da ITW DELFAST sem transitarem pela Folha de Pagamento da empresa, tampouco terem sido declarados em GFIP (Guias de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social) antes do início deste procedimento fiscal, como também os respectivos recolhimentos não foram comprovados pela empresa, bem como não constam do banco de dados da Receita Federal do Brasil. (...) 3. Ocorre que na Ficha 5ªLinha 02 incluído como SALARIOS, ORDENADOS E OUTRAS GRATIFICAÇÕES A EMPREGADOS foi encontrado o valor de R$ 32.231,00 o qual foi justificado pela empresa como DESPESAS MÉDICAS Sr. GIDEON KOREM, através do anexo C de respostas ao TIF 02.(DOC.04). Sendo este uma empresa tributada pelo lucro real, verificouse na DIRPJ/DIPJ – pasta IRPJ, ficha Despesas Operacionais , que não constam valores gastos com “Assistência Médica, Odontológica e Farmacêutica a Empregados”, nem encontramos valores registrados na contabilidade; que determinassem este tipo de pagamento/ ressarcimento de Despesa Medica sendo oferecido aos demais empregados; cabendo a estes últimos somente plano de assistência médica. C) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS/RESULTADOS: 2. Os fatos geradores da contribuição previdenciária constam da Contabilidade da ITW DELFAST, transitaram pela Folha de Pagamento especifica de PLR da empresa, não foram declarados em GFIP (Guias de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social) antes do início deste procedimento fiscal, como também os respectivos recolhimentos não foram comprovados pela empresa bem como não constam do banco de dados da Receita Federal do Brasil. C.1. DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA – Pagamento sem vinculo com o acordo 1... As contribuições lançadas incidem somente sobre as remunerações pagas aos segurados integrantes do corpo Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.004214/201063 Acórdão n.º 2403002.141 S2C4T3 Fl. 4 5 gerencial e executivo da empresa, a titulo de Participação nos Lucros, por não atenderem aos pressupostos previstos nos Artigos 1º, 2º e 3º da Lei 10.101 de 19/12/2000; como descreve o item C.2 deste relatório. O pagamento da Participação nos lucros, em desacordo com esta lei específica, lhe confere a característica de salário de contribuição para fins previdenciários. (...) DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 55/67. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 11ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em São Paulo, DRJ/SP1, prolatou, em 09 de janeiro de 2012, o Acórdão n° 1635.630, fls. 227/249, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário deve seguir as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/1966), em face da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, declarada pela Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal (STF). O lançamento foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PREVIDÊNCIA PRIVADA. DESPESAS MÉDICAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Entendese por salário de contribuição, para o segurado empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Os valores pagos pela empresa a título de previdência privada e reembolso de despesas médicas enquadramse no conceito de saláriodecontribuição quando não extensíveis à totalidade dos empregados. Integra o saláriodecontribuição a parcela recebida pelo segurado empregado a título de participação nos lucros ou Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. ÔNUS DA PROVA. Ao contestar situações apuradas pela fiscalização em documentos apresentados pelo próprio contribuinte, cabe a este último o ônus da prova de suas alegações, nos termos do artigo 333, inciso II do Código de Processo Civil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 257/272, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, afirmando em síntese que ocorreu decadência, uma vez que a Consolidação do Auto de Infração ocorreu em 02/12/2010 e que o período de apuração se deu no de 01/2005 a 12/2005; o pagamento da participação nos lucros e resultados foi corretamente realizado, a despesa médica possui natureza indenizatória, assim como do plano de previdência privada. É o relatório. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.004214/201063 Acórdão n.º 2403002.141 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl. 301, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Analisando os autos, percebo que consta as Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP do ano de 2005, nas fls. 175/184, e as respectivas Guias da Previdência Social – GPS E GRF`s, nas fls. 185/199, verifico que houve pagamento em todas as competências, mesmo que parcial, razão pela qual aplico o prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do CTN. O período de apuração compreendeu as competências 01/2005 a 12/2005, inclusive o 13º salário. A notificação ocorreu em 10/12/2010, conforme fl. 54. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período de 01/2005 a 11/2005, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme explicado. Assim, conforme Discriminativo de Débito – DD, fl. 06/10, os levantamentos DE – DESPESAS MEDICAS DIRETOR, PL – PLR DESACORDO LEI e PP – PREVIDENCIA PRIVADA DIRETORES, todos com período de débito de 02/2005. Restaram portanto, os levantamentos DE1 – DESPESAS MEDICAS DIRETOR, PP1 – PREVIDENCIA PRIVADA DIRETORES, ambos restando apenas a competência de dezembro de 2005. DO MÉRITO DA PREVIDENCIA PRIVADA Afirma o fiscal que da análise do documento de Adesão ao Plano Modular Empresarial, fls. 74/88 (Do processo principal em apenso), há uma cláusula, sob o título “ELEGIBILIDADE” que macula toda a legislação relativa ao plano de Previdência Privada Complementar. A referida cláusula tem a seguinte redação: CLÁUSULA TERCEIRA ELEGIBILIDADE Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.004214/201063 Acórdão n.º 2403002.141 S2C4T3 Fl. 6 9 Poderão ser incluídos no Plano de funcionários da INSTITUIDORA, desde que preencham a seguinte condição: Exerçam cargo de presidente ou diretor, assim considerados na estrutura organizacional da INSTITUIDORA. Portanto, percebese que há condição restritiva de pessoal para ingresso no plano de previdência complementar, com relação ao Plano de Previdência Privada junto à PREVER S.A. SEGUROS E PREVIDÊNCIA. A Lei 8.212/91 em seu art. 22, I trás a contribuição à cargo da empresa de 20% sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título durante o mês: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No entanto, o art. 28, parágrafo 9º trás as exclusões do conceito de salário de contribuição, excetuando assim a incidência de contribuição previdenciária, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A recorrente afirma que todos os funcionários estavam cobertos e os valores seriam apenas diferentes, segundo a DRJ os documentos acostados nas fls. 334/349 (Processo apenso) demonstrariam que apenas aqueles que estão referenciados na Cláusula 03 foram beneficiados. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Percebese que os documentos das fls. 334/349 (apenso), trazem como beneficiários, apenas os executivos indicados no Relatório Fiscal: Antonio Sergio Caldas Pacheco, Gideon Koren, João Marcos Putini e Vicente Jose Tamoni. Nas fls. 387/398 (apenso), constam os pagamentos ao Unibanco AIG S.A. Seguros e Previdência, que coincidem com o devido pela empresa a estes beneficiários, no anocalendário de 2005. Por esta razão, percebese que, a partir do que nos autos consta, houve ofensa ao dispositivo que exclui do conceito de salário de contribuição, os valores pagos a título de previdência complementar. DAS DESPESAS MÉDICAS Com respeito às despesas médicas o fundamento é o mesmo, a exclusão do conceito de saláriodecontribuição tem como pressuposto a disponibilidade do benefício de assistência médica ou odontológica, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, art. 28, parágrafo 9º, ‘q’. O recorrente, na fl. 445, afirma que ao contrário do que consta no acórdão, a recorrente concedia uma rede de seguro saúde que abrangia a totalidade de seus empregados e dirigentes da empresa. Analisando as fls. 375/398 (apenso), contam recibos de pagamento durante o ano de 2005, referente a plano de saúde junto a Sul América Seguro Saúde S.A., com valores de R$ 33.089,45, duas vezes ao mês, fazendo referência a Apólice n. 042562. Entretanto, o recorrente não juntou qualquer prova dessa Apólice, seu inteiro teor, seu alcance e os verdadeiros beneficiados, para, assim, poderse analisar se a todos os empregados e dirigentes foi oferecida a assistência saúde. Portanto, em razão de o benefício ter sido pago durante todas as competência do anocalendário 2005, percebese que houve habitualidade no pagamento, caracterizando, assim, salário indireto. DA MULTA No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.004214/201063 Acórdão n.º 2403002.141 S2C4T3 Fl. 7 11 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para, no mérito, dar provimento parcial para reconhecer a decadência no período de 01/2005 a 11/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, bem como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10660.724033/2011-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
SERVIDORES PÚBLICOS. LEI 8.212/91. ART. 13.
Apenas não se submetem à Lei 8.212/91 os servidores estatutários vinculados a regime próprio de previdência social.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONCEITO AMPLO. ART. 195, I, a DA CF/88.
Compreende-se no conceito legal de Salário de Contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, aos segurados obrigatórios do RGPS, ressalvadas as rubricas elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, havendo que se lhe emprestar interpretação restritiva em razão de se tratar de norma que dispõe sobre renúncia fiscal.
O total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal do segurado beneficiário, integram o salário-de-contribuição pelo seu valor total.
BOLSA POR PARTICIPAÇÃO EM CAMPANHA DE VACINAÇÃO. CARÁTER REMUNERATÓRIO.
Possui nítido caráter remuneratório o acréscimo salarial pago aos servidores em razão de sua participação em campanha de vacinação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal, integra o salário de contribuição. Vencidos o Conselheiro Relator e os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Fabio Pallaretti Calcini. Designado para fazer o voto divergente vencedor o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator designado
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrente MUNICÍPIO DE LAVRAS PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 SERVIDORES PÚBLICOS. LEI 8.212/91. ART. 13. Apenas não se submetem à Lei 8.212/91 os servidores estatutários vinculados a regime próprio de previdência social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONCEITO AMPLO. ART. 195, I, ‘a’ DA CF/88. Compreendese no conceito legal de Salário de Contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, aos segurados obrigatórios do RGPS, ressalvadas as rubricas elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, havendo que se lhe emprestar interpretação restritiva em razão de se tratar de norma que dispõe sobre renúncia fiscal. O total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal do segurado beneficiário, integram o saláriode contribuição pelo seu valor total. BOLSA POR PARTICIPAÇÃO EM CAMPANHA DE VACINAÇÃO. CARÁTER REMUNERATÓRIO. Possui nítido caráter remuneratório o acréscimo salarial pago aos servidores em razão de sua participação em campanha de vacinação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal, integra o salário de contribuição. Vencidos o Conselheiro Relator e os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Fabio Pallaretti Calcini. Designado para fazer o voto divergente vencedor o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 40 33 /2 01 1- 90 Fl. 591DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.724033/201190 Acórdão n.º 2302002.669 S2C3T2 Fl. 592 2 Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator designado Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal nº 51.006.4523, lavrado em 12/09/2011, em face do Município de Lavras, no valor de R$ 63.061,50 (sessenta e três mil sessenta e um reais e cinqüenta centavos), referente às contribuições previdenciárias da parte patronal e SAT/RAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2009 a 12/2009. Tratase, também, do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal nº 51.006.4531, lavrado em 12/09/2011, em face do Município de Lavras, no valor de no valor de R$ 12.903,54 (doze mil novecentos e três reais e cinqüenta e quatro centavos), referente às contribuições previdenciárias da parte dos segurados empregados e contribuintes individuais, que deveriam ter sido descontadas de suas remunerações, no período de 01/01/2009 a 30/12/2009, apesar do destaque nas notas fiscais. Apresentada impugnação pelo Município de Lavras, o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/12/2009 DEBCAD 51.006.4523 e 51.0006.4531 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente, com a conseqüente renúncia ao contecioso administrativo fiscal e consolidação administrativa dos respectivos créditos tributários apurados. LANÇAMENTO. REGULARIDADE. ÓRGÃOS PÚBLICOS. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.724033/201190 Acórdão n.º 2302002.669 S2C3T2 Fl. 593 3 Os órgãos públicos da administração direta são considerados empresas em relação aos segurados não abrangidos pelo Regime Próprio de Previdência Social RPPS, ficando sujeitos, em relação a estes, ao cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária. Incide contribuições previdenciárias sobre verbas salariais pagas aos servidores do Ente Municipal não amparados pelo regime próprio de previdência social e sobre a remuneração paga aos segurandos contribuintes individuais que prestem serviços ao órgão público. ÔNUS DA PROVA. Os fatos extintivos ou modificativos, argüidos como matéria de defesa, devem ser demonstrados pelo contribuinte mediante produção de provas documentais, a fim de que possam provocar a extinção ou a alteração do crédito tributário constituído. TRABALHO EM CAMPANHA DE VACINAÇÃO. INCIDÊNCIA. A remuneração paga a pessoas que trabalharam na realização de campanha de vacinação, ainda que esporádica, tratase de retribuição a trabalho prestado, constituindose base de cálculo da contribuição previdenciária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o Município interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese que: a) Que as diárias de viagem superiores a 50% da remuneração, contabilizadas na base de cálculo do presente lançamento, foram pagas a servidores estatutários, que não se submetem à CLT e à Lei 8.212/91. b) A bolsa paga em razão da participação em campanha de vacinação não caracteriza remuneração, uma vez que possui caráter indenizatório, e, portanto, não pode compor a base de cálculo de contribuições previdenciárias. Sem contrarazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.724033/201190 Acórdão n.º 2302002.669 S2C3T2 Fl. 594 4 Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Do Mérito O mérito do presente Recurso Voluntário cingese à incidência das contribuições previdenciárias sobre a) valores pagos a título de diárias de viagens que superam 50% da remuneração do empregado e b) valores pagos a título de bolsa em razão da participação em campanha de vacinação. No que diz respeito às diárias de viagem, a Recorrente alega que os valores foram pagos a servidores estatutários, que não se submetem à Lei 8.212/91 e à CLT, portanto, tais valores não compõem base de cálculo de contribuições previdenciárias. Ocorre que, como bem apontou a decisão recorrida, os decretos de nomeação de servidores para o exercícios de cargo efetivo apresentados pela Recorrente se referem aos anos de 2010 e 2011, sendo que os lançamentos ora impugnados são relativos aos período de 01/2009 a 12/2009. Ademais, cumpre ressaltar que os servidores públicos apenas são excluídos sa incidência da Lei 8.212/91 quando submetidos a regime próprio de previdência social, o que também não restou constatado no caso. Nesse sentido, observese o que dispõe o art. 13 da 8.212/91: Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. Em assim sendo, não merece retoques, neste aspecto, a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Ocorre que a lei 8.212/91 concedeu uma isenção para as diárias no §9º, alínea “h” do art. 28, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; Fl. 594DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.724033/201190 Acórdão n.º 2302002.669 S2C3T2 Fl. 595 5 O referido dispositivo isencional pode ser interpretado de duas formas. A primeira, consideraria que a isenção só é concedida quando o total das diárias não exceder 50% da remuneração. Sendo ultrapassado tal limite, não há isenção para qualquer parte das diárias pagas. A segunda forma de interpretar a isenção em destaque consideraria que o valor das diárias até 50% da remuneração estaria isento. Optamos pela segunda forma de interpretar o dispositivo, pois entendemos que na primeira hipótese – só há isenção se o total das diárias não ultrapassar 50% da remuneração – estaríamos negando qualquer hipótese de isenção no caso da contribuição incidente sobre o saláriodecontribuição. Explicamos. A incidência sobre as diárias a serem incluídas no saláriodecontribuição, conforme consta do art. 28, §8º, só ocorre no caso de o total das diárias ultrapassar 50% da remuneração. Não ultrapassando tal limite, as diárias não compõem o saláriodecontribuição e não sofrem a incidência da contribuição a cargo do empregado ou trabalhador avulso. Tomando o dispositivo isencional em comento com a primeira hipótese hermenêutica, só concederíamos isenção para aqueles casos nos quais as diárias não ultrapassam 50% da remuneração, ou seja, concederíamos isenção para casos em que nem incidência há! Por isso, tal alternativa não nos parece ser a melhor opção hermenêutica no caso da contribuição incidente sobre o saláriodecontribuição. No caso da contribuição a cargo das empresas, a incidência não considera o saláriodecontribuição, mas por uma questão de coerência e tratamento isonômico, adotamos a mesma interpretação do dispositivo isencional que utilizamos para a contribuição incidente sobre o saláriode contribuição. Assim interpretamos a isenção da alínea “h” do 9º do art. 28, em todos os casos, como aplicável ao valor das diárias que não ultrapassam 50% da remuneração. Ressalvamos que não vemos nisso qualquer ofensa ao art. 111 do CTN, pois dado o aparente conflito entre as normas de incidência e de isenção, nossa interpretação acabou por harmonizar os dispositivos sem que utilizássemos uma interpretação ampliativa ou analógica. No caso dos autos, a autoridade fiscal incluiu na base de cálculo da contribuição previdenciária o valor total das diárias e não considerou a isenção da maneira como entendemos aplicável. Logo, devem ser excluídos do lançamento os valores das diárias que não atingem 50% da remuneração, mantendo os valores que ultrapassam tal limite sofrendo a incidência do tributo. Já no que diz respeito à bolsa paga em razão da participação dos servidores em campanha de vacinação, entendo que a rubrica possui nítido caráter remuneratório, o que pode ser extraído, inclusive, da literalidade do art. 22 da Lei nº 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (grifase). Fl. 595DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.724033/201190 Acórdão n.º 2302002.669 S2C3T2 Fl. 596 6 Dessa forma, não merece prosperar, também, a alegação de que as verbas em questão seriam indenizatórias, uma vez que não se destinaram a compensar os servidores por renúncia a direito ou por prejuízo, econômico ou jurídico, que sofreram, buscando apenas recompor o patrimônio jurídico afetado, e sim, retribuir pelo trabalho por eles prestadores na campanha de vacinação. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, mantendo os lançamentos constantes das DEBCADs nº 51.006.4523 e nº 51.006.4531, excluindose da base de cálculo os valores das diárias que ultrapassem 50% da remuneração. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Voto Vencedor DAS DIÁRIAS EXCEDENTES A 50 % DA REMUNERAÇÃO MENSAL Atrevome a divergir, data venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator relativo à exclusão da base de cálculo de contribuições previdenciárias das rubricas pagas a segurados obrigatórios do RGPS a título de diárias de viagem, quando excedentes a 50% da remuneração mensal. Ilhada nas conjunturas clássicas do Fordismo, grassa ainda no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação direta e efetiva dos serviços executados pelos empregados à empresa. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) Fl. 596DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.724033/201190 Acórdão n.º 2302002.669 S2C3T2 Fl. 597 7 §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, “Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança”. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. As sucessivas evoluções na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real.s Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao Fl. 597DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.724033/201190 Acórdão n.º 2302002.669 S2C3T2 Fl. 598 8 empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. O que dizer, também, do salário do jogador de futebol não titular, que passa a temporada inteira sem ser, sequer, escalado para o banco de reserva? Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas. Assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada começou a perceber que o conceito de remuneração não mais se circunscrevia meramente à contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, tinha a sua abrangência elastecida a todas as verbas e vantagens auferidas pelo obreiro em decorrência do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o trabalhador estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora possam não representar contrapartida direta pelo trabalho realizado. Em magnífico trabalho doutrinário, Amauri Mascaro Nascimento compra essa briga, desenvolvendo uma releitura do conceito de remuneração, realçando as notas características da prestação pecuniária ora em debate: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos Fl. 598DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.724033/201190 Acórdão n.º 2302002.669 S2C3T2 Fl. 599 9 remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e Fl. 599DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.724033/201190 Acórdão n.º 2302002.669 S2C3T2 Fl. 600 10 atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação", mas, sim, de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito Fl. 600DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.724033/201190 Acórdão n.º 2302002.669 S2C3T2 Fl. 601 11 trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo segurado, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.724033/201190 Acórdão n.º 2302002.669 S2C3T2 Fl. 602 12 Da matriz jurídica e filosófica dos aludidos dispositivos, podese extrair, por decorrência lógica, que se encontram compreendidos no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer vantagem concedida e/ou verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o Fl. 602DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.724033/201190 Acórdão n.º 2302002.669 S2C3T2 Fl. 603 13 art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este Fl. 603DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.724033/201190 Acórdão n.º 2302002.669 S2C3T2 Fl. 604 14 direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.724033/201190 Acórdão n.º 2302002.669 S2C3T2 Fl. 605 15 Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que as verbas pagas a título de quando excedentes a 50% da remuneração mensal não se houveram por incluídas no rol numerus clausus de excepcionalidades exposto no já transcrito §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, a alínea ‘h’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 apenas exclui da base de incidência das contribuições previdenciárias o montante relativo a diárias de viagem desde que não excedam a 50% da remuneração mensal. De molde a nocautear qualquer dúvida quanto à abrangência da hipótese de incidência tributária em relevo, a alínea ‘a’ do §8º do mesmo art. 28 acima referido dispõe, até de forma redundante, que integram o saláriodecontribuição, pelo seu valor total, o total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) §8º Integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total: (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Fl. 605DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.724033/201190 Acórdão n.º 2302002.669 S2C3T2 Fl. 606 16 a) o total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). (...) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; Assentado que o art. 111 do CTN exige interpretação restritiva às normas tributárias que tratem de outorga de isenção, estando disposto de maneira bem clara e definida no art. 28 da Lei nº 8.212/91 que, na hipótese de pagamento de diárias de viagem que excedam a 50% a remuneração mensal do beneficiário, o montante total dessas diárias passam a constituir a base de cálculo das contribuições previdenciárias em realce, e não somente a parcela que exceder a 50% da remuneração mensal do segurado. Dessa sorte, onde o Legislador Ordinário, podendo fazêlo, não dispôs de forma expressa, não pode o Operador do Direito, ao seu próprio talante, ampliar ao arrepio do CTN a interpretação da norma isentiva, para elastecer a hipótese de não incidência tributária a fatos geradores não previstos taxativamente na lei, sob pena de violação aos princípios da reserva legal e da isonomia. Diante dos aludidos dispositivos, estando a referida rubrica, nas circunstancias do caso presente, congregada no conceito jurídico de Salário de Contribuição, devidas são as contribuições previdenciárias sobre ela incidentes, na forma prescrita na Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, voto no sentido da manutenção das verbas pagas a título de diárias de viagem, quando excedentes a 50% da remuneração mensal do segurado beneficiário, na base de cálculo das contribuições previdenciárias. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto Arlindo da Costa e Silva, Redator Designado Fl. 606DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.724033/201190 Acórdão n.º 2302002.669 S2C3T2 Fl. 607 17 Fl. 607DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10120.903541/2009-25
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
Ano calendário: 2005
COFINS. CREDITAMENTO. REGIME TRIBUTÁRIO CUJOS DISPOSITIVOS FORAM REVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE.
Inviável o aproveitamento de créditos da COFINS baseado em legislação revogada anteriormente aos fatos geradores que motivaram o pleito.
Numero da decisão: 3802-001.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 Ano calendário: 2005 COFINS. CREDITAMENTO. REGIME TRIBUTÁRIO CUJOS DISPOSITIVOS FORAM REVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE. Inviável o aproveitamento de créditos da COFINS baseado em legislação revogada anteriormente aos fatos geradores que motivaram o pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 35 41 /2 00 9- 25 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório A contribuinte CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA., se insurge no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0346.766, proferido em primeira instância pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BRASÍLIA – DRJ/BSB, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, negando o direito creditório pleiteado e indeferindo a compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 Compensação NÃO HOMOLOGAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. Não tendo sido localizado o DARF com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito aproveitado em declaração de compensação, não se homologa o procedimento. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente e/ou de proceder à declaração de compensação extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. Diversidade entre a situação de contribuinte tributado pela COFINS e CSLL e a do contribuinte tributado unicamente pela COFINS se revela suficiente para justificar o tratamento diferenciado. ÁNALISE DE CONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Tratase de DCOMP nº 08303.69326.061205.1.3.049407 transmitida em 06/12/2005 (fls. 18/22), com fundamento em suposto crédito de COFINS no valor de R$66.280,66 (sessenta e seis mil, duzentos e oitenta e reais e sessenta e seis centavos) Fl. 83DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10120.903541/200925 Acórdão n.º 3802001.540 S3TE02 Fl. 112 3 decorrente de pagamento indevido ou a maior, relativamente aos fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002. Em 09/04/2009 foi emitido Despacho Decisório nº 831216975 (fl. 30) de não homologação da compensação declarada, uma vez que não foi confirmada a existência do crédito informado na DCOMP. Cientificada do referido despacho em 30/04/2009, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 11/05/2009, na qual alegou como razões para o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a homologação da compensação efetuada, na forma explicitada pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BRASÍLIA – DRJ/BSB, que: O art. 8º da Lei nº 9.718/98, além de majorar a alíquota da COFINS de 2% para 3%, instituiu complexo mecanismo de compensação de até 1/3 da contribuição efetivamente paga, com a CSLL; As restrições contidas nos parágrafos do art. 8º da Lei nº 9.718/98 permitem que um contribuinte que tenha auferido lucro também tenha sua carga tributária reduzida pela possibilidade de compensação; ao revés, outro contribuinte que não tenha obtido o mesmo resultado, portanto, em tese, com menor capacidade contributiva, estaria sujeito a uma carga tributária maior, por não poder se valer da compensação; A impossibilidade legal de caracterização de saldo do terço da COFINS para utilização em períodos subsequentes criando situação de desigualdade entre os contribuintes; Pretendeuse a revogação do benefício por meio da Medida Provisória nº 1.85811/99 até a Medida Provisória nº 2.15835/01, até hoje não convertida em lei, cuja eficácia sucumbiu ao efeito derrogatório das normas editadas posteriormente; Em observância ao princípio da igualdade e da capacidade contributiva, pugna pelo reconhecimento de seu pleito, sob o fundamento da inconstitucionalidade da forma prevista para a dedução da CSLL. De acordo com o órgão julgador a quo “o recorrente não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado”. Além disso, “uma vez não localizado o DARF origem do crédito informado na DCOMP, fica demonstrada a inexistência do direito creditório apontado nessa declaração, sendo correta a sua não homologação”. Assevera ainda que “podese inferir que a contribuinte pretendeu, na realidade, utilizar em sua compensação suposto indébito tributário cujo direito de proceder à restituição ou compensação já estava extinto na data de transmissão da DCOMP, pois o recolhimento fora efetuado há mais de cinco anos (artigo 168, I, CTN). Ademais, conforme apontado pela DRF de origem, o referido DARF já fora devidamente alocado.”. Por fim, ressalta que, o benefício de compensação de parte da COFINS auferida com a CSLL devida, “vigeu somente para pagamentos efetuados até 31/12/1999, haja vista que a sua efetiva revogação, a partir de 1º/01/2000, pelo artigo 35, III, da Medida Provisória nº 1.85810 (DOU 27/10/1999), posteriormente reeditada na Medida Provisória nº Fl. 84DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 2.15835/2001, que continua em vigor conforme artigo 2º da Emenda Constitucional nº 32/2001.”. Intimada acerca do teor da decisão de 1ª instância em 14/03/2012 (fls. 60/64), o sujeito passivo interpôs o Recurso Voluntário alegando como razões para homologação do pedido de compensação objeto do presente processo, em síntese: A estranheza da ausência de localização do DARF da origem do crédito indicado na DCOMP, uma vez que as autoridades julgadoras tem acesso às informações de arrecadação junto ao sistema da RFB, bem como nas informações declaradas pelo contribuinte, seja DCTF, seja DIRPJ; A impossibilidade de transmissão da DCTF que informe pagamento a maior, razão pela qual o DARF de pagamento da COFINS foi indevidamente alocado, com base em incorreta informação, podendose constatar o valor corretamente devido a título da contribuição através da análise da DIPJ; O dever da autoridade administrativa de proceder à retificação de ofício dos erros contidos na declaração, no sentido de corrigir o valor do débito de COFINS, para quem, do valor pago e alocado, possa ter o saldo para a compensação de 1/3 da COFINS paga com a CSLL; A inocorrência da prescrição do direito da interessada pleitear a restituição e/ou compensação da COFINS com base no art. 168, I, CTN, tendo em vista que o tributo foi pago em 14/09/2001 e a DCOMP foi transmitida em 06/12/2005, ou seja, quatro anos após o pagamento. É o relatório. Voto Tempestivamente interposto e atendidos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Tratase de pedido de restituição de créditos da COFINS, baseada no regime tributário estabelecido pelo artigo 8o da lei 9718/98, como frisa o próprio Recorrente em sede recursal (fl. 75): Assim, quando a empresa apura determinado valor de tributo a ser pago, este valor devido assim como seu pagamento é informado através de DCTF, conforme ocorreu no presente caso. A empresa apurou o valor do tributo de acordo com o artigo 8o da lei 9718 e efetuou o recolhimento, constando na DCTF os valores apurado e recolhido. Ressaltese que a DCTF não permite se fazer a compensação, tem de informar o valor total pago. O referido art. 8o da lei 9.718/98 assim dispunha: Art. 8° Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. §1° A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. §2 A compensação referida no §1°: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10120.903541/200925 Acórdão n.º 3802001.540 S3TE02 Fl. 113 5 Isomente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. §3° Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes. § 4° A parcela da COFINS compensada na forma deste artigo não será dedutível para fins de determinação do lucro real. Acontece que tal regime tributário foi revogado pela Medida Provisória 1858, a qual determinou a produção de efeitos da referida revogação a partir de 01/01/2000, nos termos abaixo: Art. 35. Ficam revogados: (...) III a partir de 1o de janeiro de 2000, os §§ 1o a 4o do art. 8o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. A Medida Provisória em tela foi revogada posteriormente pela Medida Provisória 2158. No entanto, a norma revocatória acima permanece vigente até os dias atuais, dado que a MP 2158, cuja reedição de nº 35 foi mantida sem prazo determinado de vigência por força da Emenda Constitucional nº 32, mantém as mesmas disposições, no art. 93, III, in verbis: Art. 93. Ficam revogados: (...) III a partir de 1o de janeiro de 2000, os §§ 1o a 4o do art. 8o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998; Assim, não procede a alegação do Recorrente no sentido de que: Ou seja, se a Lei permitia que o contribuinte compensasse 1/3 do valor pago do COFINS, se o contribuinte lançando mão da única forma que tinha para exercer esse direito, através de DCOMP, e se a DCTF não permite que o contribuinte informe um valor devido a menor (2/3) do que o valor pago (3/3), para que seja compensado 1/3, a autoridade tem o DEVER de proceder a retificação de ofício, no sentido de retificar o valor devido, para que, do valor pago e alocado, possa ter o saldo para a efetiva compensação de 1/3. E não procede por uma razão muito simples: ao contrário do que supõe o Recorrente, a lei não permitia mais a compensação referida quanto aos fatos geradores objeto do pleito. A rigor, essa é uma das razões pelas quais restava inviável a utilização de DCOMP para o procedimento pretendido pelo Recorrente. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Dado, portanto, que os fatos geradores objeto do presente pedido de restituição ocorreram no período de fevereiro de 2002 – ou seja, posteriormente à revogação da norma que embasa o crédito pedido pelo Recorrente –, não há como reconhecer legitimidade ao montante pleiteado. Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 87DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 16327.001781/2003-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997
Ementa:
OMISSÃO - ERRO MATERIAL
A compensação postulada foi de pagamentos a maior referentes aos anos-calendário de 1995 a 1997. Como o pagamento que fez emergir tais pagamentos a maior se deu em 2002 (por adesão à anistia), e a declaração de compensação foi apresentada em 2003, foi reconhecida no dispositivo do acórdão embargado a não consumação da decadência dos pagamentos a maior relativos aos anos-calendário de 1995 a 1997. Inexistência de omissão no acórdão embargado. Erro material na parte do fundamento, ao se dizer pagamentos a maior referentes aos anos-calendário de 1995 a 1998, e que leva a conhecer e prover os embargos como inominados, em que a correção do erro material não gera efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1103-000.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento aos embargos, para corrigir o erro material apontado, e confirmar a decisão contida no Acórdão nº 1103-00.195/2010, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1995, 1996, 1997 Ementa: OMISSÃO - ERRO MATERIAL A compensação postulada foi de pagamentos a maior referentes aos anos-calendário de 1995 a 1997. Como o pagamento que fez emergir tais pagamentos a maior se deu em 2002 (por adesão à anistia), e a declaração de compensação foi apresentada em 2003, foi reconhecida no dispositivo do acórdão embargado a não consumação da decadência dos pagamentos a maior relativos aos anos-calendário de 1995 a 1997. Inexistência de omissão no acórdão embargado. Erro material na parte do fundamento, ao se dizer pagamentos a maior referentes aos anos-calendário de 1995 a 1998, e que leva a conhecer e prover os embargos como inominados, em que a correção do erro material não gera efeitos infringentes.
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Interessado 3ª TURMA ORDINÁRIA DA 1ª CÂMARA DA 1ª SEÇÃO DO CARF ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995, 1996, 1997 Ementa: OMISSÃO ERRO MATERIAL A compensação postulada foi de pagamentos a maior referentes aos anos calendário de 1995 a 1997. Como o pagamento que fez emergir tais pagamentos a maior se deu em 2002 (por adesão à anistia), e a declaração de compensação foi apresentada em 2003, foi reconhecida no dispositivo do acórdão embargado a não consumação da decadência dos pagamentos a maior relativos aos anoscalendário de 1995 a 1997. Inexistência de omissão no acórdão embargado. Erro material na parte do fundamento, ao se dizer pagamentos a maior referentes aos anoscalendário de 1995 a 1998, e que leva a conhecer e prover os embargos como inominados, em que a correção do erro material não gera efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento aos embargos, para corrigir o erro material apontado, e confirmar a decisão contida no Acórdão nº 110300.195/2010, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 81 /2 00 3- 68 Fl. 583DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001781/200368 Acórdão n.º 1103000.887 S1C1T3 Fl. 584 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001781/200368 Acórdão n.º 1103000.887 S1C1T3 Fl. 585 3 Relatório DO DESPACHO DECISÓRIO E DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Trata o presente processo de Declaração de Compensação de débitos de IRPJ com créditos de IRPJ estimativa recolhidos durante os anoscalendário de 1995, 1996 e 1997, conforme relação de pagamentos (fl. 3). Em despacho decisório exarado em 29/03/2005 (fls. 10 a 14) a autoridade administrativa decidiu não homologar a compensação efetuada, alegando, em síntese: a) Considerandose terem ocorrido os pagamentos no período de 29/03/1997 a 30/04/1998 (recolhimentos indevidos/a maior pleiteados como direito creditório), consumouse o escoamento do prazo previsto no inciso I do art. 168 do CTN antes da protocolização do pedido analisado (ocorrida em 14/05/2003), resultando extinto o direito de repetição do indébito ou débito do fisco sob análise; b) Dessa forma, decidiuse não reconhecer o direito creditório postulado no montante de R$ 346.164,25, tendo em vista o transcurso do prazo previsto no inciso I do art. 168 do CTN, e que, em relação aos débitos mencionados no demonstrativo de débitos compensados de fls. 1 e 2 e reproduzidos na proposta de fl. 13, devese promover sua cobrança. Devidamente notificada em 1º/04/2005, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, protocolizada em 29/04/2005 (fls. 19 a 35), alegando em síntese o seguinte: a) A recorrente ingressara com mandado de segurança, diante do indeferimento de liminar em ação cautelar inominada. Fora concedida liminar no mandado de segurança, confirmada pela 2ª Seção do TRF da 3ª Região. Após o advento da Lei 8.682/93, a recorrente distribuiu, por dependência à Ação Cautelar Inominada nº 93.00146920, a Ação Declaratória Negativa de Débito Fiscal, postulando o seu direito de deduzir do seu lucro real, no exercício de 1993 (anocalendário de 1992) a parcela da correção monetária de que trata o art. 3º da Lei 8.200/91, sem as condições estipuladas no art. 11 da Lei 8.682/93, bem como o direito de deduzir as quotas de depreciação, amortização e exaustão, ou o valor da baixa de bens, sem a restrição contida no art. 4º da Lei 8.200/91. Referida ação foi julgada procedente e os autos foram remetidos para o TRF da 3ª região para reexame necessário; b) Foi lavrado auto de infração de IRPJ, com exigibilidade suspensa, a fim de prevenir a decadência; c) Diante do entendimento do STF sobre a constitucionalidade da Lei 8.200/91, a recorrente aderiu, em julho de 2002, à anistia veiculada pela Medida Provisória 38/02, que previa a possibilidade de pagamento dos tributos cujos fatos geradores tivessem ocorrido até 30/04/2002 e que eram objeto de ações judiciais propostas até essa data, sem multa e com juros de acordo com a taxa Selic, computados somente a partir de 1º/02/1999; Fl. 585DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001781/200368 Acórdão n.º 1103000.887 S1C1T3 Fl. 586 4 d) A recorrente efetuou o pagamento do crédito tributário exigido no auto de infração e requereu a desistência das ações judiciais propostas. Em razão deste pagamento, a requerente, antes amparada com uma decisão judicial que afastava as restrições contidas no art. 3º da Lei 8.200/91, foi obrigada a proceder de acordo com o referido dispositivo legal, deparandose, assim, com uma nova situação jurídica; e) Anteriormente à anistia, o procedimento adotado pela recorrente de deduzir 100% do diferencial IPC/BTNF em um único exercício (vale dizer, no anocalendário de 1992) era legítimo, pois estava amparado por uma norma individual e concreta que lhe autorizava a agir nessa conformidade. Da mesma forma, os recolhimentos de IRPJ feitos nos anoscalendário posteriores sem as exclusões permitidas pela Lei 8.200/91, com a redação dada pela Lei 8.682/93, não eram consistentes com pagamentos indevidos ou maior que o devido. Somente com o acordo feito com o fisco, por intermédio do que foi estabelecido pela Medida Provisória (MP) 38/2002, estabeleceuse para a recorrente uma nova situação jurídica; f) A recorrente recompôs as bases de cálculo do IRPJ, excluindo a diferença da correção monetária IPC/BTNF na proporção de 25% em 1993 e 15% em 1994 a 1998; g) Ao realizar tal recálculo, a recorrente apurou crédito decorrente do pagamento a maior de IRPJ entre 1993 e 1998, surgindo, desde então, o direito de postular a restituição dos valores recolhidos indevidamente; h) Em face do pagamento feito conforme a MP 38/02, e como nos anos calendário seguintes a 1992 a recorrente havia recolhido o IRPJ sem a exclusão da diferença de correção monetária IPC/BTNF (pois havia procedido à dedução integral no anocalendário de 1992, objeto do pagamento pela MP 38/02), houve a apuração de pagamento a maior de IRPJ nos anoscalendário seguintes a 1992, já que, com a anistia, a recorrente passou a poder apurar o IRPJ devido nos termos da Lei 8.200/91, com a redação dada pela Lei 8.682/93; i) Dos R$ 138.530,41 que seriam devidos a título de IRRF (código 8035), a recorrente, em 7/03/03 (data de vencimento do imposto em análise), pagou o valor correspondente a R$ 90.352,03, conforme comprova a guia anexada aos autos; j) O direito ao crédito em questão surgiu no exato momento em que a recorrente aderiu à anistia e pagou o débito tributário do IRPJ constituído no auto de infração em julho de 2002; k) Os pagamentos efetuados pela recorrente somente se tornaram indevidos com a adesão à anistia. Até então, eram pagamentos feitos em perfeita conformidade com o que estabelecia a norma individual e concreta à qual estava submetida tanto a recorrente, quanto a União, que era a decisão judicial; l) O prazo de que dispõe a requerente para postular a restituição ou compensação do indébito se expira apenas em julho de 2007, conforme o art. 900 do RIR/99; m) Nos termos do art. 150, § 4º c/c o art. 168, I, ambos do CTN, não ocorreu a decadência e tampouco a prescrição para postular a restituição ou compensação dos valores recolhidos a maior de IRPJ, visto que a “declaração de compensação” da recorrente foi protocolizada dentro do prazo de 5 anos contados da data da extinção dos seus créditos. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001781/200368 Acórdão n.º 1103000.887 S1C1T3 Fl. 587 5 DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 2/10/2006, a 10ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI, por unanimidade de votos, acordou indeferir a solicitação da recorrente, nos termos do voto abaixo sintetizados: a) Primeiramente, foi ressaltado que a autoridade administrativa, em nenhum momento, manifestouse sobre o mérito do direito creditório. Mesmo porque, apenas na manifestação de inconformidade foi explicitada a origem dos créditos. Desta forma, verificouse que a matéria controvertida no presente processo gira em torno do prazo para pleitear o reconhecimento de direito creditório; b) Da conjunção dos arts. 165, I, e 168, caput e I, do CTN, temse que, conquanto a cobrança de tributo indevido confira ao contribuinte direito a sua restituição, tal direito se extingue ao cabo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário; c) Como os créditos resultam de valores pagos entre 29/03/96 e 23/04/98, consumouse o prazo decadencial de cinco anos para repetição do indébito, conforme o art. 168, I, do CTN, porquanto a declaração de compensação só foi protocolizada em 14/05/2003; d) A desistência da ação judicial e a adesão à anistia não têm o condão de alterar o fato de que a extinção daqueles créditos tributários de IRPJ foi efetuada por pagamento. Os créditos tributários relativos aos anos de 1995 a 1997 não foram extintos condicionalmente pelos recolhimentos efetuados. Aliás, seria até ilógico pensar na possibilidade de uma extinção provisória de um crédito tributário. Se, eventualmente a recorrente entendesse que não deveria extinguir tais créditos, poderia ter efetuado o depósito dos montantes integrais, a fim de suspender a exigibilidade do crédito. No entanto, a recorrente optou por recolher os montantes devidos, desta forma extinguindo os referidos créditos, nos termos do art. 156, I, do CTN; e) Dessa forma não há reparos a fazer no despacho decisório; f) Por fim, quanto à alegação de que parte do crédito de IRRF (código 8035) estaria quitado (Darf a fls. 279), deve ser observado que tal recolhimento será objeto de auditoria de cálculos e confirmação de recolhimento, e o valor poderá ser considerado por ocasião da cobrança. Devidamente cientificada em 21/11/2006, a recorrente, inconformada com o r. acórdão a quo, interpôs recurso voluntário em 20/12/2006, no qual basicamente reitera as alegações apresentadas em sua manifestação de inconformidade. Adicionalmente, requerer a nulidade do acórdão recorrido, por não enfrentar a questão da inexistência do débito veiculado no despacho decisório, correspondente a R$ 90.352,03, e, ainda, caso não sejam admitidos os argumentos aduzidos no recurso, que lhe seja concedido o direito de utilizar, de forma extemporânea, o saldo devedor de correção monetária IPC/BTNF no seu LALUR. DO ACÓRDÃO DO CARF Em sessão do dia 18/5/2010, a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, mediante o Acórdão nº 110300.195, de minha relatoria, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, conforme entendimento que segue. Inicialmente, foi excluída dos limites objetivos da lide a questão do quantum creditorum, por não ter sido enfrentada pela Deinf. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001781/200368 Acórdão n.º 1103000.887 S1C1T3 Fl. 588 6 Quanto à preliminar aduzida, em conformidade com o art. 59, § 3º, do PAF, deixouse de decretar a nulidade do acórdão de origem para reconhecer ser indevida a cobrança do valor de R$ 90.352,03, incorporado ao montante expresso na 11ª linha do quadro constante do despacho decisório. No mérito. Assim se afirmou no acórdão embargado: “Como se viu no relatório, a recorrente havia deduzido integralmente o prejuízo inflacionário, ou melhor, a despesa da correção monetária da diferença IPC/BTNF no anocalendário de 1992, ao abrigo de decisão judicial. Em face disso, para prevenir a decadência, havia sido lançado o IRPJ decorrente da inobservância do art. 3º, I, da Lei 8.200/91 com a redação da Lei 8.682/93, segundo o qual tal despesa só seria excluível a partir de 1993, à razão de 25% nesse ano, e à razão de 15% nos anos calendário de 1994 a 1998. Por força da adesão da recorrente à anistia da MP 38/02, ela desistira da ação judicial em que discutia a constitucionalidade da Lei 8.200/91 e procedeu ao pagamento do débito lançado, na forma da MP 38/02. Desse pagamento feito conforme a MP 38/02, emergiu a caracterização de pagamentos a maior dos anoscalendário de 1993 a 1998. No caso dos autos, cuidase de pagamentos a maior emergentes nos anoscalendário de 1995 a 1998. Que se trata, no caso em dissídio, de pagamentos a maior relativos aos anoscalendário de 1995 a 1998 não resulta dúvida. Que os pagamentos de IRPJ desses anoscalendário se deram em seu momento próprio, igualmente não sobra dúvida. Mas não se pode ignorar que os pagamentos de IRPJ dos anos calendário de 1995 a 1998 só se convolaram em pagamentos a maior a partir do pagamento feito em 2002, mediante a adesão da recorrente à anistia da MP 38/02.” Os pagamentos a maior realizados pela recorrente foram consequenciais, portanto, do pagamento do débito lançado por adesão à anistia da MP 38/02, criando uma nova relação jurídica instalada em caráter definitivo. A partir de então se iniciou o “termo a quo do prazo decadencial do direito à repetição ou compensação”. Tendo em vista que a declaração de compensação da recorrente foi protocolada em 14/5/2003 e os pagamentos a maior realizados em 2002, afirmouse não ter ocorrido decadência do direito da recorrente. Assim, foi reconhecido o pagamento de R$ 90.532,03, sob o código 8053, apurado em 1º/3/2003 e a não consumação da decadência do direito creditório correspondente a pagamentos a maior relativos ao período de 1995 a 1997. A apreciação do valor do direito creditório postulado foi remetida ao órgão de origem. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001781/200368 Acórdão n.º 1103000.887 S1C1T3 Fl. 589 7 DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Intimada a recorrente, esta apresentou embargos de declaração de fls. 560 a 564, arguindo, em síntese, o que segue. Afirmouse que o voto embargado reconheceu a não consumação da decadência do direito creditório da recorrente, correspondente a pagamentos a maior, efetuados entre 1995 e 1997, entretanto, não houve manifestação do relator quanto aos pagamentos realizados a maior no anocalendário de 1998. Assim, requereuse o esclarecimento da referida omissão, para que seja expressamente reconhecida a não ocorrência de decadência referente aos créditos relativos aos pagamentos efetuados a maior no ano de 1998, conferindo legitimidade ao direito creditório da embargante, homologandose integralmente a compensação efetuada. É o relatório. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001781/200368 Acórdão n.º 1103000.887 S1C1T3 Fl. 590 8 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata, Relator O recurso é tempestivo (fls. 558, 564, 565, 566 e 567). Tratouse de pagamento feito pela recorrente por adesão à anistia da MP 38/02, com desistência da ação judicial em que se discutia a constitucionalidade do art. 3º, I, da Lei 8.200/91. A recorrente havia deduzido integralmente o prejuízo inflacionário decorrente da correção monetária da diferença IPC/BTNF no anocalendário da apuração daquele, ao passo que a Lei 8.200/91 predicava a dedução postergada de tal despesa a bem ver, exclusão a partir de 1993 (25% nesse ano, e 15% de 1994 a 1998). Houve lançamento com a glosa da despesa deduzida em 1992. Com a desistência da ação judicial e o pagamento do débito lançado, decorrente da glosa da dedução da despesa de prejuízo inflacionário, emergiram pagamentos a maior relativos aos anoscalendário de 1993 a 1998. Mera consequência do efeito temporal da dedutibilidade (a bem ver, exclusão) do prejuízo inflacionário. Na relação jurídicoprocessual instalada antes da adesão à anistia da MP 38/02, não havia pagamento a maior. Com o pagamento do débito lançado (= reconhecimento do efeito de dedução só a partir de 1993) mediante adesão à anistia da MP 38/02, aquela relação jurídicoprocessual deixou de existir, e nasceu outra relação jurídica. Ou seja, os pagamentos a maior referentes aos anoscalendário de 1993 a 1998 só nasceram em 2002, com o pagamento do débito lançado decorrente da glosa da despesa de prejuízo inflacionário (que, como se disse, era “dedutível”, mas só a partir de 1993). A nova relação jurídica e com caráter de definitividade nasceu somente em 2002, projetando pagamentos a maior relativos aos anoscalendário de 1993 a 1998 (pois não se excluiu o prejuízo inflacionário do lucro líquido em tais anoscalendário, como permite a Lei 8.200/91 – a dedução havia sido feita no momento da incorrência do prejuízo inflacionário e que fora glosada). Logo, o termo a quo do prazo decadencial para restituição ou compensação do referidos pagamentos a maior se instalou em 2002, ainda que os indébitos tributários sejam preordenados aos anoscalendário de 1993 a 1998. Só com o pagamento por anistia do débito lançado aflorou a relação jurídica representativa dos saldos negativos (pagamentos a maior) de IRPJ de 1993 a 1998. Como a declaração de compensação fora apresentada em 14/5/03, reconheci não ter havido a consumação da decadência, dando provimento ao recurso, mas com determinação de retorno dos autos ao órgão de origem para apreciação do quantum creditorum – pois esta questão não fora apreciada no despacho decisório, por se haver declarado a decadência. Este entendimento foi acompanhado pela Turma, resultando no acórdão nº 1103 000.195. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001781/200368 Acórdão n.º 1103000.887 S1C1T3 Fl. 591 9 No caso dos autos, a compensação postulada foi de pagamentos a maior referentes aos anoscalendário de 1995 a 1997, como se evidencia na fl. 3. Daí ter reconhecido no dispositivo do acórdão embargado a não consumação do fenômeno decadencial quanto ao direito creditório correspondente a pagamentos a maior referentes aos anoscalendário de 1995 a 1997. Assim também consta na ementa do acórdão em causa. Entretanto, na parte do fundamento do acórdão, veiculei que os pagamentos a maior, enfrentados na presente lide, são correspondentes aos anoscalendário de 1995 a 1998. Reconheço, portanto, o erro material ao indicar o anocalendário de 1998. Não se cuida, outrossim, de omissão no acórdão embargado. Entretanto, em face do erro material apontado na parte do fundamento, conheço dos embargos como inominados e como tais cabem ser acolhidos. Sob o manto dessas considerações, dou provimento aos embargos desafiados, para corrigir o erro material contido na parte do fundamento, para se ler, na referência aos pagamentos a maior no caso em dissídio, “anoscalendário de 1995 a 1997”, onde se encontra escrito “anoscalendário de 1995 a 1998”. É o meu voto. Sala das Sessões, em 9 de julho de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 591DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10680.915832/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2003
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA.
É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado.
Numero da decisão: 3802-001.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 58 32 /2 00 9- 11 Fl. 36DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório A contribuinte GEMAPE MÁQUINAS E PEÇAS LTDA., se insurge no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0231.914, proferido em primeira instância pela 1ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM BELO HORIZONTE – DRJ/BHE, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, negando o direito creditório pleiteado e indeferindo a compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2003 DCTF RETIFICADORA. APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” De acordo com o órgão julgador a quo “a DCTF na qual foi retificado o débito referente ao período de apuração de 31/08/2003 foi enviada pelo contribuinte apenas em 20/05/2009 sendo que a DCTF originariamente apresentada foi transmitida em 14/11/2003, após cinco anos, portanto, contados da ocorrência do fato gerador.”. Além disso, “não tendo sido apresentada pelo contribuinte qualquer prova que demonstre a existência de direito creditório, não se pode considerar, por si só, a DCTF retificadora como sendo instrumento hábil, capaz de conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação.”. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da Manifestação de Inconformidade pela 1ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM BELO HORIZONTE – DRJ/BHE, tomase de empréstimo o relatório proferido pela D. Autoridade julgadora de primeira instância: “O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nela declarado(s), com crédito proveniente de pagamento a maior de PIS, relativo ao fato gerador de 31/08/2003. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 02) no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10680.915832/200911 Acórdão n.º 3802001.462 S3TE02 Fl. 6 3 Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 01, com os argumentos a seguir resumidos. Alega possuir créditos referentes ao PIS e à Cofins recolhidos a maior no período de 11/2002 a 09/2005, e ,que, após a constatação da existência de tais créditos, procedeu a sua compensação com impostos federais, por meio de PER/Dcomp, conforme legislação em vigor. Ressalta que, por conta do equívoco incorrido quanto às informações que figuraram na DCTF entregue em 14/11/2003, efetuou as devidas correções via DCTF retificadora, transmitida em 20/05/2009, demonstrando a existência do crédito. Por fim, requer o reconhecimento da crédito a que faz jus e a conseqüente homologação da compensação realizada. É o relatório.” Cientificada da decisão de primeira instância, o sujeito passivo interpôs o Recurso Voluntário alegando como razões para homologação do pedido de compensação objeto do presente processo o cumprimento de todas as obrigações, quais sejam, a principal de pagar o tributo e a acessória de informar, e a comprovação cabal de ter recolhido a maio o valor do tributo compensado. Acosta aos autos, com o intuito de corroborar suas afirmações: i) relatório sintético do valor total de peças sob alíquota zero faturadas diariamente no período entre 01 a 31 de agosto de 2003; e ii) relatório analítico por dia com descrição detalhada de todas as peças faturadas sob alíquota zero por cento. É o relatório. Voto Tempestivamente interposto e atendidos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base em precária e insubsistente argumentação, bem como através da juntada intempestiva de pretensos documentos comprobatórios, motivos pelos quais, como se demonstrará, não merece provimento o presente Recurso Voluntário. Consoante defendido pela interessada, a transmissão de DCTF retificadora em 20/05/2009, para correção do montante devido a título de COFINS em função da equivocada inclusão na apuração do tributo de peças tributadas pela contribuição à alíquota zero, seria conduta suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ocorre que, como já assentado pela autoridade julgadora a quo, a retificação para alteração do valor do débito de COFINS somente se deu depois de passados 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, sendo, portanto, intempestiva e ineficaz para os fins pretendidos pela Recorrente. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Nesse sentido é jurisprudência pacífica deste Colegiado, da qual se trazem, a título exemplificativo, as ementas abaixo colacionadas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 2001 IRPJ. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ORIGINAL. Nos termos do art. 150 do CTN, é de 5 anos o prazo para homologação do autolançamento. Tendo o contribuinte apresentado espontaneamente e tempestivamente a DIPJ e DCTF , bem como realizado os respectivos recolhimentos, incabível após esse prazo de 5 anos, a retificação do auto lançamento, mediante apresentação declarações retificadoras, visando aflorar "pagamentos indevidos", passíveis de compensação/restituição. O prazo decadencial de 5 anos opera se tanto para o Fisco quanto para o contribuinte. Recurso Voluntário Negado. (CARFG, 1ª Seção, 2ª Turma, 4ª Câmara, Acórdão 1402.00.706, Julgamento 05/08/2011, Publicação 28/03/2012) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 (...) RETIFICAÇÃO DA DCTF. Não é possível a retificação da DCTF realizada após o lançamento de oficio e após o decurso do prazo de cinco anos da data da entrega da declaração e do fato gerador, conforme já decidiu o antigo 1° CC, através do ACÓRDÃO Nº 105 12.929/99, publicado no Diário Oficial da União de 11 de fevereiro de 2000. Recurso Voluntário Negado. (CARF, 1ª Seção, 1ª Turma especial, Acórdão 180100.116, Julgamento 03/11/2009, Publicação 24/01/2011) Ainda que houvesse sido tempestivamente apresentada a DCTF retificadora, sua simples transmissão com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é documentação hábil para legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor de COFINS efetivamente devido é aquele consignado na retificadora. Ademais, cumpre observar que a Recorrente foi notificada do Despacho Decisório de não homologação da compensação declarada, procedendo à retificação da DCTF apenas em 20/05/2009, sendo uma vez mais ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo reduza o débito originalmente confessado sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10680.915832/200911 Acórdão n.º 3802001.462 S3TE02 Fl. 7 5 Não bastasse isso, a interessada não anexou ao processo qualquer documentação hábil e idônea para comprovar a existência e disponibilidade do crédito reclamado. Com efeito, a contribuinte já em sede recursal acostou aos autos relatório sintético do valor total de peças sob alíquota zero faturadas diariamente no período entre 01 a 31 de agosto de 2003; e relatório analítico por dia com descrição detalhada de todas as peças faturadas sob alíquota zero por cento; pretendendo, assim, demonstrar através de documentos a exatidão do débito indicado na declaração retificadora e, via de consequência, a legitimidade do direito creditório. Todavia, relatórios sintéticos internos não são oponíveis ao fisco, por si só, como elementos comprobatórios da materialidade do crédito do sujeito passivo, sendo sim um arrazoado destinado a permitir a compreensão e a visualização da prova a ser juntada – documentos fiscais e/ou contábeis que permitam a verificação do direito de crédito pleiteado. Assim sendo, tendo transmitido a destempo a DCTF retificadora e disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento devido, limitandose a Recorrente em trazer arguições perfunctórias e destituídas de validade jurídica para fins de apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, da compensação declarada, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 40DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 13405.000224/2007-95
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Repartição de origem certifique se há DCTF com o débito de IRPJ de dezembro de 2005, no valor discutido, e a data de sua transmissão.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Repartição de origem certifique se há DCTF com o débito de IRPJ de dezembro de 2005, no valor discutido, e a data de sua transmissão. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Trata o presente de análise do Pedido Eletrônico de Ressarcimento de Cofins Não Cumulativa de nº 02477.99791.310306.1.1.112018, fls. 35/38, das Declarações de Compensação (DComp) nº 02731.60396.130707.1.7.118249, de fls. 39/42 e fls. 312/315, retificadora, nº 10886.10618. 281106.1.3.117945, fls. 06/10 e 316/319, e nº 23441.86322.091206. 1.3.116400, fls. 43/46 e 320/323. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 34 05 .0 00 22 4/ 20 07 -9 5 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13405.000224/200795 Resolução nº 3803000.335 S3TE03 Fl. 492 2 A Contribuinte pleiteou o ressarcimento de R$ 1.515.836,36, a título saldo credor da Cofins Não Cumulativa relativa ao 4º trimestre de 2005 e o utilizou na compensação dos débitos indicados no próprio PER e nas DComps acima citadas, conforme quadro abaixo:. Despacho Decisório de fl. 330, proferido pela DRF/Recife, com fulcro no Termo de Informação Fiscal de fls. 328/329, propôs o deferimento parcial do direito creditório ao montante de R$ 1.505.006,92, e, mediante imputação aos débitos deixou de homologar R$ 16.605,38, correspondente a parcela do débito de IRPJ e a totalidade do débito de CIDE no valor de R$ 69.927,93. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 340/350, a Interessada, em síntese, alegou que não foi considerada a denúncia espontânea do débito não declarado em DCTF e compensado com atraso, o que fez antes de qualquer procedimento fiscal, nos termos do art. 138 do CTN. Este o motivo do provimento e homologação parciais e da exigência do saldo remanescente. Ao fim, pleiteou a restituição do que lhe resta do direito creditório reconhecido, uma vez considerada a denúncia espontânea. Em julgamento da lide, a DRJ/Recife, fls. 410/419, evocou o art. 61, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96, regulamentado pelo art. 28, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005 para sustentar a incidência da multa de mora. Referiu que o comando do art. 138, do CTN visa a “incentivar a regularização fiscal e o incremento da arrecadação, por meio da concessão de incentivo (qual seja, a exclusão da responsabilidade por infração) pelo pagamento de tributos em atraso espontaneamente denunciados”. Entretanto, considerou que “a compensação seja aos moldes pretéritos (em que era objeto de pedido e era passível de eventual posterior indeferimento), seja aos moldes atuais (em que é declarada e está sujeita, dentro do prazo de 5 anos, a ser fortuitamente não homologada na forma do art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/96) –, por ser forma precária (não definitiva) da extinção do crédito tributário, não goza do benefício conferido por sobredito art. 138.”. Complementou destacando que: “se a lei complementar pretendesse excluir a responsabilidade tributária por infração pela denúncia espontânea quando acompanhada de outra modalidade, nesta mesma lei já prevista, de extinção do crédito tributário (como é o caso da compensação, prevista no próprio CTN em seu art. 156, II), certamente mencionaria esta circunstância no multicitado art. 138, em vez de, contrariamente, expressamente nele limitar esta exclusão à hipótese em que a denúncia espontânea seja acompanhada do pagamento do tributo devido.”. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13405.000224/200795 Resolução nº 3803000.335 S3TE03 Fl. 493 3 Por fim, assentou que o art. 138, do CTN, por estabelecer a exclusão da responsabilidade tributária, não pode ser interpretado extensivamente, de forma a abarcar outra hipótese de extinção do crédito tributário, que não o pagamento, especialmente em razão do disposto no art. 111 do CTN, A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 TRIBUTO VENCIDO. INCLUSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. A inclusão de tributo já vencido em Declaração de Compensação não afasta a responsabilidade por infração, somente excluída, em se tratando de denúncia espontânea, quando o tributo tenha sido objeto de pagamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 26 de abril de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, fls. 49/54, em 10 de maio de 2012, em que, reiterou os exatos termos da manifestação de inconformidade. É o relatório. VOTO Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo, e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia neste processo restringese à aplicação, ou não, do instituto da denúncia espontânea ao débito de R$ 750.000,00, constante da DComp nº 10886.10618. 281106.1.3.117945, vencido em 31 de janeiro de 2006, pelo fato de ter sido confessado e ao mesmo tempo extinto por meio dessa compensação, em 28 de novembro de 2006, sobre a qual o despacho decisório fez incidir a multa de mora de 20%. Com efeito, o texto do art. 138 estipula expressa e unicamente o pagamento como forma de quitação de tributo, acaso devido, para a exclusão da responsabilidade em face da denúncia espontânea da infração. Penso que o deslinde da questão passa, primeiro, por discernir se a norma contida no artigo 138 deve confundirse com o próprio texto, em sua literalidade, ou se aquele que aplica o Direito tem espaço para deduzir do texto a norma que melhor se harmonize com o espírito da lei. A exclusão da responsabilidade pelo cometimento de alguma espécie de ilícito tributário administrativo, segundo a previsão do art. 138 do CTN[1], é sanção premial que pressupõe o desconhecimento, pela Administração Fazendária, da infração praticada por sujeito 1 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13405.000224/200795 Resolução nº 3803000.335 S3TE03 Fl. 494 4 passivo, que espontaneamente a denuncia (noticia), comprovando, se for o caso, o pagamento do débito ou o depósito da importância arbitrada. O desconhecimento da infração, o estimulo à arrecadação espontânea de tributo e a economia no custo da fiscalização, são razões bastantes que se reúnem para promover a o benefício do afastamento da multa (de mora ou de ofício), que sempre haverá de ser incidente sobre os débitos vencidos e quitados com atraso, nas hipóteses em que não se configuram esses fundamentos. A extinção unilateral do débito tributário com crédito apurado pelo sujeito passivo, perante a RFB, por meio de compensação, possibilitada pela nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (dada pela Lei nº 10.637/2002), corresponde a um direito potestativo[2] a ele conferido que torna este ato equivalente ao pagamento. A ulterior homologação da Fazenda da atividade do contribuinte exercida no âmbito do lançamento por homologação – prerrogativa legal mantida a par daquele direito dado ao sujeito passivo , sujeita, igualmente, tanto a eficácia extintiva do pagamento efetuado como da compensação declarada. É plausível a aplicação da norma do art. 138 na hipótese de compensação declarada, sem confissão anterior do débito. A norma jurídica possui vocação natural para evoluir abarcando situações fáticas diversas, também no tempo, que se enquadrem no bem jurídico que o seu espírito pretende proteger ou estimular. É sob esse prisma que se pode acolher como denúncia espontânea a declaração de compensação (enquanto confissão de dívida e meio de extinção do crédito tributário), haja vista que o regime de compensação inaugurado com a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, inexistia ao tempo da promulgação da Lei nº 5.172/66CTN, de sorte a comparecer no texto do art. 138 do CTN. Por essas razões, concebo que não é razoável erigirse discrimen entre o pagamento e a compensação de tributos no âmbito da RFB sob esse novo regime de compensação. Fazer tal discriminação fere o princípio da isonomia, ao tratar desigualmente quem se encontra em situação semelhante, e o princípio da razoabilidade por sobrelevar o pagamento contemporâneo ao débito em quitação, ao tempo em que se irreleva pagamentos temporãos efetuados nas aquisições dos insumos e originadores do crédito de ressarcimento. Dito noutros termos: a consequência dessa violação de princípios e a contradição que dela decorre é que beneficiase quem efetuou o pagamento no ato de denúncia espontânea e não quem detinha crédito perante a RFB antes mesmo de oferecer a denúncia crédito que é representativo de pagamentos antecedentes. Sob olhar ainda mais grave, conceber tal discrimen é não distinguir quem noticia a infração à Administração Tributária e extingue o débito correspondente por meio da compensação de quem permanece no estado infracional. A discriminação irrazoável persistase em mostrar exuma à superfície das relações jurídicas tributárias entre a Fazenda e o contribuinte a dinâmica do solve e repete, na 2 O direito potestativo atua na esfera jurídica de outrem, sem que este tenha algum dever a cumprir. Não implica num determinado comportamento de outrem, nem é suscetível de violação. Ao direito potestativo, espécie de poder jurídico, corresponde não um dever, mas uma sujeição, entendendose como tal a necessidade de suportar os efeitos do exercício do direito potestativo (AMARAL, Francisco. Direito Civil Brasileiro – Introdução. Rio de Janeiro: Forense, 198, p.170). Fl. 494DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13405.000224/200795 Resolução nº 3803000.335 S3TE03 Fl. 495 5 medida em que, mesmo existindo crédito seu perante a Fazenda, o contribuinte vêse forçado a efetuar desembolso se quiser se servir da denúncia espontânea e noutra via, concomitantemente, requerer restituição ou ressarcimento desse crédito, cujo deferimento, via de regra, tem prazo imprevisível. E não é moral argüirse que esta mecânica seja opção do contribuinte. Em face dos arrazoados acima em torno da discriminação (pagamento x compensação) fica demonstrado não existirem razões de fato nem de direito para que a distinção subsista. Vejo que a subsistência desse discrimen se não mortifica, deixa coxo o espírito da norma do art. 138 do CTN, que se presta a estimular a arrecadação espontânea de tributos. E valor a ser ressarcido que é utilizado na compensação de débitos do contribuinte é, tecnicamente, arrecadação. A abordagem da matéria nos termos aqui expendidos fazse em razão estrita de ter sido pontual a respeitável decisão recorrida, obstando o direito da Manifestante de se servir da denúncia espontânea pela via da DComp. Mesmo sem tecer as considerações de fundo que ora são desenvolvidas, confrontandose extinção por pagamento versus extinção por DComp, há inúmeros precedentes de julgados neste Conselho dando esta mesma abrangência à norma do art. 138 do CTN, como o fizeram o acórdão nº 3401002.106 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária[3] e o de nº 1201 00.635[4] 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária[5], ambos com fulcro no acórdão proferido no Resp nº 1.149.022/SP, representativo de controvérsia da matéria, submetida ao Superior Tribunal de Justiça. No caso presente, entendo que há o enquadramento dos fatos ao previsto no art.138 do CTN. Noutro dizer: o art. 138 do CTN também abarca o fato tributário da extinção do crédito denunciado por meio de declaração de compensação. O crédito pleiteado pela Recorrente, R$ 1.515.836,36, foi quase integralmente deferido, R$ 1.505.006,92, e o valor não deferido, R$ 10.829,44 não é alvo de contestação no recurso voluntário. 3 Sendo certo o reconhecimento do crédito informado na DCOMP, a compensação declarada nos termos da Medida Provisória nº 66, convertida na Lei nº 10.637, ambas de 2002, equiparase ao pagamento por não restar mais dúvida quanto à extinção do crédito tributário. Assim, as condições exigidas pelo art. 138 do CTN, para fins de caracterização da denúncia espontânea defendida pela Recorrente, e consoante interpretação do STJ em Recurso Repetitivo, estão satisfeitas: o débito constante da DCOMP não foi informado antes à Receita Federal e houve a sua liquidação por meio da compensação (no lugar do pagamento a que se refere o texto do citado art. 138). 4 Ou seja, como ainda não haviam sido declarados anteriormente em DCTF, a transmissão das DCOMPs representa a um só tempo a denúncia espontânea da infração e o pagamento daquelas contribuições, daí porque sobre tais débitos não deve incidir multa de mora, mas apenas juros moratórios. 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Conforme decidido no âmbito do REsp 1.149.022/SP, o contribuinte que não houver quitado seu débito até a data do respectivo vencimento poderá quitálo após essa data, sem acréscimo de multa de mora, desde que tal débito ainda não conste de declaração apresentada à Receita Federal do Brasil. Referida decisão do Superior Tribunal de Justiça, proferida sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, deverá ser observada pelos membros do CARF, por força do disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13405.000224/200795 Resolução nº 3803000.335 S3TE03 Fl. 496 6 O reconhecimento do seu direito à denúncia espontânea na compensação do débito de R$ 750.000,00, resultará em crédito em seu favor suficiente para suprir os saldos devedores das compensações não homologadas, bem como para a restituição que pleiteia. Entretanto necessário confirmarse se há DCTF com confissão do dito débito transmitida em data anterior à DComp, dado inexistente nos autos. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Recife ateste se há DCTF com confissão do débito de IRPJ de dezembro de 2005, no valor de R$ 750.000,00, e, caso afirmativo, se fora transmitida em data anterior à DComp, e anexe respectiva cópia. Sala das sessões, 21 de agosto de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 496DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16327.000158/2009-83
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
DCTF MENSAL E SEMESTRAL. ATRASO NA ENTREGA.
Incabível a multa pelo atraso na entrega da DCTF mensal quando ausente o requisito para sua apresentação e comprovada a impossibilidade fática de entrega da DCTF semestral pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 1803-001.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 DCTF MENSAL E SEMESTRAL. ATRASO NA ENTREGA. Incabível a multa pelo atraso na entrega da DCTF mensal quando ausente o requisito para sua apresentação e comprovada a impossibilidade fática de entrega da DCTF semestral pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Roberto Armond Ferreira da Silva.
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ATRASO NA ENTREGA. Incabível a multa pelo atraso na entrega da DCTF mensal quando ausente o requisito para sua apresentação e comprovada a impossibilidade fática de entrega da DCTF semestral pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Roberto Armond Ferreira da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 58 /2 00 9- 83 Fl. 563DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório PREVIBOSCH SOCIEDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SÃO PAULO – SP I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de Multa por Atraso na Entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF Mensal — 1.5 referente a Agosto de 2008, no valor de R$10.208,12 (fls. 36). Em 26/01/2009, o interessado supra qualificado apresentou a Impugnação, de fls. 01/14, na qual alega: 1) que até o anocalendário de 2006 entregara a DCTF com periodicidade semestral, porém, ao tentar transmitir por via eletrônica a DCTF referente ao 1° semestre de 2007, o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil (RFB) não permitiu a entrega da DCTF semestral, orientandoa pela utilização do "PGD DCTF Mensal" (fls. 39); 2) inconformado com tal situação, em 04/10/2007, formalizou consulta perante a SRRF 8a Região Fiscal, requerendo que se esclarecesse/atestasse que a consulente estava autorizada a entregar a DCTF semestral, que a impossibilidade do envio do arquivo decorria de erro/falha no sistema informatizado do órgão e que a multa por atraso na entrega da DCTF restaria afastada por força da consulta formulada; 3) em 23/11/2008, o contribuinte foi cientificado da resposta à sua consulta (Despacho Decisório SRRF/8° RF/Disit n° 45, de 10/03/2008), que teve a seguinte conclusão: 13. Posto isto declaro a ineficácia da consulta com base no art. 52, I, c/c art. 46 do Decreto n° 70.235, de 1972, dado não versar sobre a interpretação de dispositivos da legislação tributária, mas sobre a solução de problema concreto encontrado pela consulente para transmissão da DCTF semestral referente ao primeiro semestre do anocalendário de 2007, uma vez que o programa não aceitou o documento, emitindo mensagem de obrigatoriedade de DCTF mensal, aparentemente não aplicável a seu caso, problemática essa que deveria ser solucionada por intermédio dos Centros de Atendimento ao Contribuinte CAC, de sua unidade jurisdição, o qual, se não conseguisse encontrar solução imediata para a situação apresentada, deveria solicitar a intervenção dos órgãos superiores apropriados aos quais se subordina. 14. Quanto às condições a serem observadas para a apresentação da DCTF no ano de 2007, encontravamse claramente estatuídas nos arts. 3° a 5° da IN SRF n° 695, de 2006, não ensejando, em princípio, maiores dúvidas. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000158/200983 Acórdão n.º 1803001.926 S1TE03 Fl. 564 3 4) em face da resposta da Disit/SRRF08, em 23/12/2008, o interessado optou por entregar por via eletrônica as DCTF mensais relativas aos meses de janeiro de 2007 a setembro de 2008, o que ensejou a expedição automática da Notificação de Lançamento da Multa pelo Atraso na Entrega da DCTF ora combatida; 5) entende ser descabida a exigência da multa, uma vez que o contribuinte está devidamente enquadrado na hipótese de entrega semestral da DCTF e do DACON, e foi obrigado a apresentar as DCTF mensais por força de um erro do sistema informatizado da RFB; 6) os seus DACON semestrais foram aceitos pelo sistema, a demonstrar qu' as DCTF semestrais também deveriam ser aceitas; 7) por ser entidade de previdência privada complementar, para fins de cálculo de receita bruta operacional, as contribuições vertidas para a entidade não são incluídas, estando a reclamante dentro do limite de receita bruta estabelecida no inciso I, do art. 3°, da IN SRF n° 695/2006; 8) e por também não estar enquadrada nas hipóteses dos incisos II e III da IN SRF 695/2006, não estava obrigada a entregar a DCTF mensal; 9) sendo assim, conclui que a presente cobrança deve ser cancelada, devendo a notificação de lançamento ser declarada nula. A DRJ SÃO PAULO/SP I, através do acórdão nº 1637.044, de 30 de março de 2012 (fls. 64/68), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/12/2008 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. OPÇÃO PELA DCTF MENSAL. Ainda que estivesse desobrigado a apresentar a DCTF mensal, seria cabível a multa pelo atraso na entrega. In casu, não restou comprovado que o contribuinte tomou as devidas providências para exercer o seu pretenso direito de entregar a DCTF semestral. Ciente da decisão em 03/05/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 72), apresentou o recurso voluntário em 04/06/2012 fls. 106/123, onde reitera as alegações da inicial. Em 26/11/2012 complementa suas alegações apresentando os documentos de fls. 416/537, compostos das DACON – Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais de 2005 e 2006. É o relatório. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa pelo atraso na entrega da DCTF Mensal de agosto de 2008 (fl. 36). Alega a recorrente em síntese: a) Que “é entidade de previdência complementar fechada, sem fins lucrativos, com personalidade distinta de seus patrocinadores, não tributada pelo lucro real e, ainda, que não aufere receita bruta, já que é mera administradora dos fundos de seus beneficiários.”; b) Que “sempre procedeu a entrega de suas DCTFs na forma semestral, mas que em relação ao 1º semestre de 2007, não logrou êxito na entrega pois o sistema da RFB informou estar sujeita à DCTF mensal”; c) Que “entende estar sujeita apenas a DCTF semestral de acordo com as Instruções Normativas SRF 695/2006 e 786/2007”; d) Que “formulou consulta à Secretaria da Receita Federal e de acordo com a resposta dada em 23.11.2008 foi considerado instrumento inadequado já que não se trata de divergência de interpretação de dispositivos da legislação tributária”; e) Que a decisão de primeira instância merece reforma pois “entendeu equivocadamente que a recorrente não buscou solução adequada para seu problema de entrega das DCTFs e que não comprovou que estava desobrigada à entrega da DCTF mensal.” f) Que “é pessoa jurídica que atua como entidade fechada de previdência complementar não auferindo qualquer tipo de receita. Não possui fins lucrativos, não presta qualquer tipo de serviço e não realiza a venda de mercadorias, limitandose, apenas, à administração dos fundos dos seus beneficiários...”; g) Que “não aufere receitas pois apenas administra os planos de benefícios de natureza previdenciária, devendo ser excluídas da receita bruta das entidades de previdência complementar as contribuições destinadas à constituição de provisões ou reservas técnicas, bem como rendimentos auferidos nas aplicações financeiras de recursos destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates.”; h) Que “conforme atestam as DCTFs de 2005 e 2006, não declarou débitos superiores a R$ 3.000.000,00,...”; Fl. 566DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000158/200983 Acórdão n.º 1803001.926 S1TE03 Fl. 565 5 i) Que “somente apresentou as DCTFs mensais por imposição do sistema da RFB não sendo sua opção tendo entrega normalmente a DACON de forma semestral”; j) Que “a Administração Tributária não encontrou solução para o seu problema considerando indevidamente a consulta ineficaz”; k) Que “no prazo de 30 dias da ciência da solução da consulta formulada, apresentou regularmente as DCTFs mensais, sem no entanto estar obrigada, apenas por imposição dos sistemas da RFB, fato que elide a multa de mora aplicada.” Assiste razão à interessada. Com efeito, deve ser afastada inicialmente a dúvida lançada pela decisão de primeira instância sobre a data da mensagem de erro (fl. 39) impossibilitando a entrega da DCTF semestral. O protocolo da consulta formulada à Administração Tributária (fl. 41) comprova que a mesma está datada de 04/10/2007, dentro portanto do prazo regulamentar para a entrega da DCTF semestral preconizado no art. 8º da Instrução Normativa SRF 695/2006. A solução de consulta foi formulada em 04/10/2007 e teve sua resposta cientificada em 23/11/2008 (fl. 50). Não tem sentido afirmar, portanto, que a contribuinte não comprovou estar impedida de efetuar a entrega da DCTF semestral ou que não buscou de forma legal e transparente a solução para o conflito delineado em qual modalidade (mensal ou semestral) de entrega da DCTF a que estava obrigada nos anos 2007 e 2008. Resta verificar se conforme alega a recorrente, não estava realmente sujeita à entrega da DCTF mensal, fato que afastaria o mérito de suas alegações. Neste sentido cabe verificar as hipóteses de enquadramento delineadas nas Instruções Normativas 695/2006 e 786/2007, que abrangem o período em que deixou de entregar as DCTFs mensais até a ciência da solução de consulta. A Instrução Normativa SRF 695/2006 (já revogada), dispõe: Art. 3 º Ficam obrigadas à apresentação da DCTF Mensal as pessoas jurídicas: I – cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais); II – cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais); ou III – sucessoras, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou Fl. 567DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. Da mesma forma a Instrução SRF 786/2006 (já revogada), dispõe: Art. 3º Ficam obrigadas à apresentação da DCTF Mensal as pessoas jurídicas de direito privado: I cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais); II cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais); ou III sucessoras, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. Conforme a recorrente reiteradamente tem afirmado e comprovado através de seu estatuto (fls. 81/99) e DIPJ (fls. 54/59), tratase de entidade de previdência privada fechada que administra planos de previdência complementar, tendo como patrocinadoras as empresas/associações “Robert Bosch Limitada, Ishida Do Brasil Limitada, Associação Dos Funcionários Da Robert Bosch Do Brasil, Bosch Rexroth Limitada, Robert Bosch Tecnologia De Embalagem Limitada, Associação Dos Funcionários Da Robert Bosch Limitada, ZF Sistemas De Direção Limitada”. Portanto a rigor, exceto pequenas taxas de administração, não tem a entidade receitas pois a quase integralidade de seus ingressos decorrem das contribuições dos planos de previdência e as receitas de aplicações financeiras de suas reservas atuariais, que não lhe pertencem mas sim são geridas em seu nome. As cópias da DACON – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais dos anos 2005 e 2006 (parâmetro para o enquadramento nas modalidades mensal ou semestral) juntadas às fls. 416/537 e Balancetes (fls. 127/167), demonstram claramente esta constatação, afastando qualquer dúvida de que as receitas da recorrente estão abaixo do limite anual de R$ 30.000.000,00 de receita bruta. Por outro lado, tampouco atinge a recorrente o limite superior a R$ 3.000.000,00 de débitos declarados nos anos de 2005 e 2006 que a sujeitariam à apresentação da DCTF mensal em 2007 e 2008. Com efeito, conforme atestam as DCTFs fls. 169, 234, 298 e 355, não atinge a contribuinte o limite anual superior a R$ 3.000.000,00 para enquadramento na exigência de DCTF mensal nos anos calendários 2007 e 2008. Estando impedida de apresentar a DCTF semestral por evidente equívoco nos sistemas da RFB e tendo formulado regularmente consulta para solução do seu problema, mesmo sem obter solução satisfatória, não vejo como penalizar a contribuinte com a multa pelo atraso na entrega das DCTFs mensais. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000158/200983 Acórdão n.º 1803001.926 S1TE03 Fl. 566 7 A multa pelo atraso na entrega da DCTF mensal somente seria aplicável se estivesse enquadrada na obrigatoriedade de entrega mensal da DCTF ou tivesse optado voluntariamente (o que não é o caso) pela entrega mensal. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 569DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000135/2003-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Diego Marcel Costa Bonfim, OAB/CE 17607.
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-substituto.
Sílvia de Brito Oliveira - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Mário César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Diego Marcel Costa Bonfim, OAB/CE 17607. Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidentesubstituto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Mário César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho. RELATÓRIO A pessoa jurídica qualificada neste processo protocolizou, em 05 de fevereiro de 2003, pedido de ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) apurado no primeiro trimestre de 2002, com posterior apresentação, em 15 de dezembro de 2003, de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (PER/DCOMP). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 00 13 5/ 20 03 -1 7 Fl. 811DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA Processo nº 13502.000135/200317 Resolução nº 3402000.510 S3C4T2 Fl. 812 2 Após diligência para verificar a apuração da base de cálculo do crédito presumido, a fiscalização constatou que a contribuinte, produtora de pasta química de madeira para dissolução de celulose, não poderia computar nessa base de cálculo os valores relativos à aquisição de sulfato de sódio, por tratarse de insumo importado, e à aquisição de madeira, por não terem sido apresentadas as correspondentes notas fiscais. Efetuadas essas glosas, a fiscalização concluiu que o valor do crédito presumido no 1° trimestre de 2002, que, em tese, seria passível de ressarcimento, é de R$ 202.253,95 (duzentos e dois mil duzentos e cinquenta e três reais e noventa e cinco centavos). Contudo, ficou consignado no Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 160 a 165, que a contribuinte não escritura o crédito presumido no Livro Registro de Apuração do IPI (Raipi). Em despacho decisório, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Camaçari BA indeferiu o pedido, por não haver o registro do crédito presumido no Raipi, e a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em SalvadorBA (DRJ/SDR), que manteve o indeferimento do pleito. Foi então interposto recurso voluntário para alegar, em preliminar, a nulidade da decisão recorrida por ter inovado o fundamento jurídico para indeferimento do seu pleito e, no mérito, alegar, em síntese, que: I – as limitações impostas pela Receita Federal do Brasil (RFB) para utilização do crédito presumido do IPI não coadunam com a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996; II – a competência para expedir instruções para o cumprimento da referida lei foi deferida ao Ministro da Fazenda e na Portaria MF n° 38, de 27 de fevereiro de 1997, não há nenhuma referência à obrigação de escriturar o crédito; III – a delegação de competência do art. 12 da retromencionada Portaria MF prevê apenas a edição de normas complementares, não compreendendo a edição de normas inovadoras; IV – em situações análogas, em que o crédito não fora escriturado, foi reconhecido o direito ao crédito. Dessa forma, pelo princípio da isonomia, oo mesmo tratamento deve ser dispensado a este caso; V – com a manifestação de inconformidade, foram juntadas as notas fiscais de aquisição da madeira, por isso é necessário diligência para que elas são consideradas no cálculo do crédito presumido; e VI – o crédito deve sofrer a incidência da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para que não se configure enriquecimento ilícito do Estado. Ao final, a contribuinte solicitou que fosse determinada diligência para verificação das notas fiscais de aquisição de madeira e o provimento do seu recurso para que seja deferida a totalidade do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA Processo nº 13502.000135/200317 Resolução nº 3402000.510 S3C4T2 Fl. 813 3 VOTO Conselheira Sílvia de Brito Oliveira Tendo em vista que a contribuinte recorreu da matéria relativa à glosa das aquisições de madeira e apresentara, juntamente com a manifestação de inconformidade, cópias de notas fiscais de entrada desse insumo em seu estabelecimento, julgo necessário remeter estes autos à unidade preparadora para que, à vista das notas fiscais apresentadas, após verificar a idoneidade delas, proceda à nova apuração do crédito presumido do IPI, considerando as aquisições de madeira comprovadas pela contribuinte e elabore relatório conclusivo sobre o valor do crédito presumido passível, em tese, de ressarcimento. Outrossim, solicitase que seja informado se a ora recorrente atende o disposto no art. 195 do Decreto n° 2.637, de 25 de junho de 1998 – Regulamento do IPI (Ripi/98). Em face disso, voto por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, lembrando que dela e de seu resultado deve ser dada ciência à contribuinte para que, querendo, possa se manifestar, no prazo de trinta dias. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 813DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002372/2010-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/2008 a 30/11/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária.
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa no período de 02/2008 a 11/2008, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim..
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 23 72 /2 01 0- 22 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa no período de 02/2008 a 11/2008, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim.. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 84 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – TECHPRESS INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA contra Acórdão nº 0724.641 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.231.4023, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 126.971,10. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com omissões de fatos geradores, pelas empresas TECHPRESS e H W, cujo montante adiante demonstrado foi lançado na primeira empresa (TECHPRESS), dada a unicidade do empreendimento econômico fiscalizado e à conseqüente inexistência de fato da segunda empresa (H W), no período de 02/2008 a 11/2008. O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 11 a 27, informa: 6. Os fatos adiante expostos que vão demonstrar que, embora operando sob roupagem jurídica distinta da empresa mãe (TECHPRESS), a H W é inexistente de fato pois foi criada no mesmo local, para exercer a mesma atividade, e não tem estrutura industrial própria que lhe permitisse de fato exercer suas atividades industriais, tendo antes, como único propósito, usufruir fraudulentamente de benefícios tributários do regime simplificado e favorecido de tributação (SIMPLES NACIONAL) instituído pela Lei Complementar n° 123/2006 O Relatório fiscal informa, em relação às empresas: 7. Com efeito, tais empresas são sediadas na mesma localidade ainda que ocupando galpões anexos; exercem mesma atividade produtiva, qual seja a produção de peças industriais moldadas em material plástico; são de propriedade de um mesmo grupo familiar envolvendo basicamente o casal Carlos Roberto de Freitas e Patrícia Hammermeister administradores em ambas e seus descendentes ou ascendentes, inclusive menores. 8. O processo produtivo é único e envolve ambas as empresas de forma complementar, na medida em que a TECHPRESS compra os insumos e subcontrata a H W para beneficiálos (moldar as peças plásticas), oferecendo para isso suas próprias instalações e maquinário produtivo, visto que aquela (H W) não detém uma máquina sequer, sendo mera fornecedora de mão de obra, nos termos do contrato de prestação de serviços firmado entre ambas. 9. Questionados da necessidade de mais de uma pessoa jurídica para levar a cabo tão simples processo produtivo, fomos informados, pela Sra. Patrícia Hammermeister (Administradora da H W), que se trata de uma maneira encontrada para Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 economizar com encargos previdenciários sobre folha de pagamentos, visto que a H W é optante do SIMPLES, ao passo que a TECHPRESS já não pode sêlo em função dos limites de faturamento impostos pela legislação. Em relação à empresa TECHPRESS: 10. A TECHPRESS iniciou suas atividades em 02/09/1996, já com o objeto "fabricação e comercialização de peças técnicas em plástico reforçado", com um capital de R$ 20 mil, integralizado paritariamente pelos sóciosgerentes Haroldo Arthidoro Paes de Barros e Carlos Roberto de Freitas. 11. Na segunda alteração contratual, datada de 14/08/1997, o Sr. Haroldo retirase da sociedade para ingresso da Sra. Ana Lúcia de Carvalho Freitas, presumível companheira do Sr. Carlos Roberto de Freitas, haja vista a identidade de domicílio, permanecendo como sócia cotista minoritária até o advento da quarta alteração contratual, levada a registro em 03/12/2007. 12. O instrumento societário que formaliza a retirada da Sra. Ana Lúcia da sociedade, informa também sua mudança de domicílio, que pela primeira vez passa a ser distinto do domicílio do excompanheiro. Este mesmo instrumento formaliza também o ingresso na sociedade da Sra. Patrícia Hammermeister, separada judicialmente, que passa a ocupar aquele mesmo domicílio (nova companheira) e assume parte das cotas da sócia retirante. 13. A partir da quarta alteração contratual, registrada em 03/12/2007, esta empresa passou a operar com sede na Rua José Rafael Reinert n° 109, porém em visita ao local constatamos que aquele galpão é ocupado por uma empresa estranha ao grupo (TECNOFIT; CNPJ 10.234.559/000130) e que suas atividades produtivas atuais são sediadas de fato no galpão de n° 89, que é o endereço oficial da H W, e a administração (de ambas) funciona no galpão de n° 59. 14. Na quinta alteração contratual, registrada em 15/01/2008, formalizase a saída da Sra. Patrícia Hammermeister, remanescendo o Sr. Carlos Roberto de Freitas como único sócio no interstício legal de 180 dias, até que seja identificado novo sócio. 15. Importa aqui ressaltar que a urgência na retirada da Sra. Patrícia Hammermeister da sociedade não é senão pelo fato de, em 03/02/2008, ela passar a figurar como sócia majoritária e administradora da nova empresa (H W) criada para prestar serviços à TECHPRESS e usufruir benefícios tributários do SIMPLES NACIONAL, principalmente a isenção da cota patronal da Contribuição Previdenciáría sobre folha de pagamentos. Em relação à empresa HW: 17. A H W Tornearia Ltda., foi levada a registro em 24/01/2008, com um capital de R$ 50 mil subscrito paritariamente por Patrícia Hammermeister e Henrique Werner (menor) Fl. 86DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 85 5 representado pela mãe, Patrícia Hammermeister, tendo essa empresa sua sede à Rua José Rafael Reinert n° 89 que é galpão anexo à sede original da Techpress. 18. Com a primeira alteração contratual, levada a registro em 28/03/2008, esta sociedade altera a denominação para H W Moldagem de Peças Plásticas Ltda., e também seu objeto social, que passa de "prestação de serviços de tornearia, industrialização por conta de terceiros" para "prestação de serviços de moldagem e pultrusão de peças plásticas efetuadas a terceiros " . 19. Notar que o trabalho de moldagem das peças desenvolvido na H W consiste em mera parte do processo normal de fabricação previamente desenvolvido na TECHPRESS, haja vista seu objeto de "fabricação e comercialização de peças técnicas em plástico reforçado". 20. O Contrato de Prestação de Serviços celebrado entre tais empresas (anexo) prevê datas de pagamentos mensais, porém sequer estipula preços para os serviços a serem pagos nas datas aprazadas (05 e 30 de cada mês) o que é uma situação não compatível com as práticas de mercado. 21. Com efeito, por tais instrumentos a contratante TECHPRESS assume a responsabilidade de pagar pelos serviços a serem prestados pela contratada H W (moldagem de peças) porém os valores ou parâmetros de valoração não constam do contrato firmado, ficando apenas implícito que se trata (o objeto do contrato) do reembolso puro e simples da folha de pagamentos dos empregados, assim entendidos os empregados formalmente registrados na HW, e que efetivamente trabalham para a TECHPRESS como sempre o fizeram. 22. A contabilidade apresentada pela H W para o ano 2008 (livro diário n° 01, com escrituração de janeiro a setembro, e livro diário n° 02, com escrituração de outubro a dezembro) ambos não registrados em Junta Comercial (escrituração simplificada), por lapso de controle, apontam nos termos de abertura e encerramento, o Sr. Carlos Roberto de Freitas como administrador, seguido da ressalva que o administrador correto é Sra. Patrícia Hammermeister (livro diário n° 02; fls.01 e 20). 23. O balancete analítico do último trimestre de 2008 apensado às fls. 15 a 19 do livro diário n° 02, aponta o montante de receita operacional bruta no valor de R$ 481.508,30, sendo que dessa receita, R$ 477.178,30, portanto 99,1%, referese à conta 3111.0004 Industrialização à Vista, que representa exclusivamente os serviços prestados à TECHPRESS como documentado às fls. 11 e 12 do livro razão n°02. 24. O balancete analítico referente ao período janeiro a dezembro de 2009, apensado às fls. 85 a 89 do livro diário n° 03 (igualmente sem registro em cujos termos de abertura e encerramento foram impressos com o nome do Sr. Carlos Roberto de Freitas como administrador, seguido da mesma Fl. 87DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 ressalva em manuscrito) aponta Receita Operacional Bruta de R$ 1.946.168,10, sendo que dessa receita nada menos que, R$ 1.911.328,00, portanto 98,2%, referese à conta 3111.0003 Industrialização à Prazo que representa exclusivamente os serviços prestados à TECHPRESS como documentado às fls. 73 e 74 do livro razão n° 03. 25. Ainda relativamente ao ano 2009, aquele balancete analítico aponta custos totais da ordem de R$ 1.411.174,20, sendo que desses custos apenas R$ 19.400,51 referemse a compras de insumos, e R$ 1.344.704,07 referemse a custos de mãodeobra direta (74,5% da receita operacional líquida) o que configura uma distorção de custos frente às práticas de mercado e comprova a artificialidade das transações registradas contabilmente por ambas as empresas. 26. Com efeito, o balancete analítico da TECHPRESS em dezembro de 2009 (não escriturado pois a empresa não apresentou o livro diário desse exercício) aponta receita operacional bruta de R$ 5.546.540,51 e custos dos produtos vendidos de R$ 3.535.962,13, sendo que desses custos, R$ 2.530.038,53 referemse a compras de insumos e apenas R$ 258.401,60 referemse a salários e ordenados (conta 3318.0010) no grupamento de mão de obra direta. 27. Essa distorção já foi perceptível também na DIPJ do ano calendário 2008 (da TECHPRESS) que aponta receita de venda no mercado interno da ordem de R$ 7.997.620,69 e custos e despesas com pessoal de apenas R$ 694.740,26 (ficha 64 informações previdenciárias). 28. É perceptível, pois, que foi patrocinada uma migração em massa dos empregados da TECHPRESS para a H W no ano 2008, haja vista ainda, por exemplo, as informações de ambas as empresas disponíveis nos sistemas alimentados pela RAIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) relativas àquele ano. O Relatório Fiscal, ás fls. 27 a 43, expõe que a empresa HW é inexistente de fato: 33. À luz dos fatos aqui descritos, concluiuse que a empresa H W é inexistente de fato e foi formalmente constituída apenas para aderir ao regime tributário do SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar n° 123/2006), registrar em seu nome os empregados da empresa TECHPRESS, e, desta forma, fraudulentamente deixar de recolher as contribuições previdenciárias do empregador (cota patronal) sobre as remunerações dos empregados e dirigentes. 34. Assim sendo, deve a notificada TECHPRESS, como empresa originária, ser responsabilizada pela remuneração de todos os segurados obrigatórios que indistintamente prestaram serviços a ambas as pessoas jurídicas aqui tratadas, haja vista a unicidade empresarial existente e o fato dessa empresa (TECHPRESS) não ser optante do SIMPLES durante o período fiscalizado. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 86 7 35. Importa notar que não se desconsiderou a personalidade jurídica de nenhuma dessas duas empresas, as quais, com o registro nos órgãos competentes, adquiriram personalidade jurídica de sociedade comercial, gerando efeitos tais como patrimônio, nome e domicílio próprios. 36. O instituto da desconsideração da personalidade jurídica, que está prevista expressamente no Código Civil, em seu artigo 50, ocorre com o fito de atingir o patrimônio dos sócios, quando a sociedade é por eles utilizada como meio de obter vantagens indevidas, valendose da distinção entre o patrimônio dos sócios e o da pessoa jurídica, em detrimento de terceiros, e decorre de decisão judicial. 37. O que porém concluiu a fiscalização é que a H W, muito embora tenha sido registrada de maneira legal e possua personalidade jurídica, não corre o risco da atividade comercial, não tem sede própria e nem instalações distintas da empresa TECHPRESS ora notificada, sendo assim inexistente de fato. 38. Portanto, no presente caso, a H W não foi reconhecida como a empregadora, posto que, embora presentes os pressupostos para a caracterização do vínculo empregatício (art. 12, I, a, da Lei 8.212/91) reconhecido própria empresa mediante elaboração e apresentação de sua folha de pagamentos à fiscalização, tais vínculos deramse com a TECHPRESS, como a empresa originária do grupo e empregadora de fato. 39. Vejase, por exemplo, nos esclarecimentos prestados por escrito (7b), que o Sr. Carlos Roberto de Freitas (Carlos Roberto), administrador da TECHPRESS, figura como responsável pelas áreas comercial e controle geral do operacional o que implica em subordinação de todos ao seu comando operacional, independentemente da nova empresa para onde tenham sido transferidos. O Relatório Fiscal também relaciona a empresa T.T.P. USINAGEM LTDA. 40. Esta empresa teve seus estatutos registrados em 05/11/2008, para o exercício da atividade (também complementar à TECHPRESS) de Serviços de Usinagem, com sede registrada à Rua José Rafael Reinert n° 59, em galpão anexo às demais empresas já citadas. 41. Os sócios são Vitalina Hammermeister e íris Vaes, sendo que a primeira detém os poderes de administração e é mãe da Sra. Patrícia Hammermeister administradora da H W; a segunda é auxiliar de limpeza naquela empresa (ficha de registro de empregado n° 39). 42. Tratase assim da mesma proposta administrativa já adotada com a criação da H W, qual seja, a divisão da TECHPRESS em tantas empresas quantas necessárias para perpetuar o usufruto fraudulento dos benefícios tributários do SIMPLES NACIONAL. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 43. Todavia, como esta empresa iniciou atividades apenas em 2009, não houve lançamento de débito em relação à mesma, e apenas a arrolamos como responsável solidária em face da configuração de Grupo Econômico de fato. O Relatório Fiscal caracteriza o grupo econômico de fato: 63. As seguintes empresas já devidamente qualificadas na introdução ao presente relatório, são aqui tratadas como devedoras solidárias e integrantes de GRUPO ECONÔMICO DE FATO, tendo em vista as razões já descritas, notadamente a unicidade dos negócios e o controle das empresas exercido pelo mesmo grupo familiar: . TECHPRESS INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA., CNPJ 01.402.992/000146; . H W MOLDAGEM DE PEÇAS PLÁSTICAS LTDA., CNPJ 09.332.761/000115; . T.T.P. USINAGEM LTDA., CNPJ 10.456.105/000103 67. Quanto à abrangência da conceituação de "grupo econômico", à luz da boa doutrina e da jurisprudência pátria, é relevante ainda esclarecer, que os conceitos contidos no inciso IX do Art.30 da Lei n° 8.212/91 e no § 2o , do art. 2o , da CLT, são bem mais amplos dos que os previstos na Lei 6.404/76. Na legislação trabalhista e previdenciária, basta apenas à existência de poder de mando e controle de uma empresa sobre outra para caracterizar o grupo econômico, independentemente do tipo de empresa ou da natureza de poder. Ou seja, a aplicabilidade do conceito de grupo econômico no direito previdenciário e trabalhista justificase pelo caráter social e não estritamente pelo poder econômico. Conforme ainda o Relatório Fiscal da Infração: 47. O presente Auto de Infração referese pois ao lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória em face da apresentação do documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5., também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. 48. Os trabalhos da fiscalização foram realizados sobre as folhas de pagamento em meio digital (formato MANAD) fornecidas pelas empresas; sobre as GFIP (Guia de recolhimento do FGTS e Informação à Previdência) entregues antes do início da ação fiscal, e sobre a escrituração contábil e demais informações e documentos apresentados. Observase, em relação ao cálculo das Multas: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 87 9 (i) para o período 02/2008 a 11/2008: o Relatório Fiscal demonstra no quadro comparativo a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte considerandose as alterações trazidas na legislação pela Lei 11,941/2009, tendo utilizado a legislação anterior; (ii) para o período 12/2008 a 12/2009: o Relatório Fiscal aponta a aplicação da multa qualificada (art. 35A, Lei 8212/1991 c/c art. 44, I e § 1º, Lei 9430/1996) em função de ter sido evidenciado faticamente a ocorrência de sonegação, A Recorrente teve ciência do TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal e do TIF – Termo de Início da Fiscalização, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, às fls. 05 a 09. Conforme o Relatório Fiscal da Infração: Fiscalizamos também a empresa H W MOLDAGEM DE PEÇAS PLÁSTICAS LTDA. (H W), CNPJ 09.332.761/000115, abrangendo o período de junho/2008 a dezembro/2009, consoante o Mandado de Procedimento Fiscal n° 0920200.2010.00503. Efetuamos ainda diligência para obtenção de documentos e informações junto à empresa T.T.P. USINAGEM LTDA. (T.T.P.), CNPJ 10.456.105/000103, consoante Mandado de Procedimento Fiscal n° 0920200.2010.00549. O período objeto do débito, conforme o Relatório Fiscal da Infração é de 02/2008 a 11/2008. A Recorrente teve ciência do AIOA no dia 22.06.2010, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: A autuada devidamente intimada, documento de fl. 01, apresentou defesa administrativa, de fls. 31 a 38, fazendo, inicialmente, um relato sobre os fatos e o lançamento a que foi submetida, alegando, em síntese, que: considerandose que as empresas objeto do auto de infração se tratam de pessoas jurídicas autônomas, nos termos do Código Tributário Nacional CTN, cabe a cada uma, individualmente, responder por débitos fiscais que porventura a elas sejam imputadas, o que não ocorre no presente caso; de acordo com a doutrina dominante é inadmissível imputar a responsabilidade solidária a apenas um sujeito passivo, logo, o auto de infração ora combatido é nulo; é imprescindível que as empresas responsabilizadas solidariamente realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos por uma delas. Por fim, a vista do exposto requer o cancelamento da exigência fiscal ora combatida. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 A Recorrida, conforme o Acórdão nº 0724.641 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa a seguir: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/2008 a 30/11/2008 AIOA/DEBCAD: 37.231.4023, de 07/06/2010 GFIP.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. Constitui infração apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições. SIMULAÇÃO. A constatação de negócios simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato, devendo o correspondente tributo ser exigido da pessoa que efetivamente teve relação pessoal e direta com o fato gerador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário combatendo a decisão de primeira instância fundamentadamente e reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação: Regularmente intimados da decisão do órgão julgador “a quo”, apenas a empresa TECHPRESS apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos deduzidos em sede de primeira instância: (i) Da nulidade do Auto de Infração. Da impossibilidade de consideração de grupo econômico para fins de imputação do auto de infração. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 78. É o Relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 88 11 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 78. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – TECHPRESS INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA contra Acórdão nº 0724.641 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.231.4023, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 126.971,10. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com omissões de fatos geradores, pelas empresas TECHPRESS e H W, cujo montante adiante demonstrado foi lançado na primeira empresa (TECHPRESS), dada a unicidade do empreendimento econômico fiscalizado e à conseqüente inexistência de fato da segunda empresa (H W), no período de 02/2008 a 11/2008. O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 11 a 27, informa: 6. Os fatos adiante expostos que vão demonstrar que, embora operando sob roupagem jurídica distinta da empresa mãe (TECHPRESS), a H W é inexistente de fato pois foi criada no mesmo local, para exercer a mesma atividade, e não tem estrutura industrial própria que lhe permitisse de fato exercer suas atividades industriais, tendo antes, como único propósito, usufruir fraudulentamente de benefícios tributários do regime Fl. 93DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 simplificado e favorecido de tributação (SIMPLES NACIONAL) instituído pela Lei Complementar n° 123/2006 Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.127.1142 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 89 13 Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instrução para o Contribuinte, onde constam as instruções necessárias à empresa no tocante ao recolhimento, parcelamento, apresentação de defesa e demais informações; b. REPLEG Relatório de Representantes Legais, que identifica os sóciosgerentes / administradores da empresa e seus respectivos períodos de gestão; c. VÍNCULOS Relação de Vínculos, que relaciona todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 90 15 previdenciária em razão do seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; d. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não prosperando as alegações da Recorrente. DO MÉRITO. (i) Da nulidade do Auto de Infração. Da impossibilidade de consideração de grupo econômico para fins de imputação do auto de infração. Analisemos. I. CONFIGURAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO I.1 Aspectos gerais Na alegação do Recurso Voluntário, pretende o contribuinte que seja afastada a coresponsabilização das empresas do Grupo Econômico de fato, assim caracterizado pela autoridade lançadora, sob o argumento de que inexiste qualquer situação fática ou jurídica capaz de suportar tal entendimento, mormente quando a legislação de regência não permite a caracterização ex ofício de Grupo Econômico pelo simples fato de as empresas terem os mesmos sócios, exigindo outros requisitos ausentes na hipótese vertente. A corroborar tal entendimento, a Recorrente infere que os fatos elencados em sua peça recursal rechaçam de plano a pretensão fiscal, uma vez que referidas pessoas jurídicas Fl. 97DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 não se vinculam ao fato gerador, sendo empresas absolutamente independentes e autônomas, inobstante terem possuído o mesmo controle. Em que pesem as razões de fato e de direito ofertadas pelo contribuinte na peça recursal, seus entendimentos não têm o condão de macular a exigência fiscal, senão vejamos. Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 27 a 43, as empresas ali arroladas fazem parte efetivamente de Grupo Econômico de fato, respondendo solidariamente pelo crédito previdenciário que se contesta. I.2 Aplicação dos artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional Como se sabe, a solidariedade previdenciária é legal e obriga os sujeitos passivos do fato gerador da contribuição da seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido. Nesse sentido, os artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: “ Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” (gn) I.3 Aplicação dos artigos da Lei 6.404/1976 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 91 17 Por sua vez, a Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 116, 265 e 267, como segue: “Art. 116. Entendese por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembléiageral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. Art. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 267 O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo Único Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade".” Entretanto, tem sido cada vez mais freqüente a constatação da existência de empresas controladas direta ou indiretamente pela(s) mesma(s) pessoa(s), sem que estejam formalmente revestidas da condição (nem com os mesmos objetivos) do grupo econômico de que trata a Lei 6 404/76. Estes são os que se podem denominar “grupos econômicos de fato". Fl. 99DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 I.4 Aplicação da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 e da IN RFB 971/2009: Por outro lado, a Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 trata o grupo econômico nos artigos 179, 748 e 749, na redação vigente à época dos fatos geradores, a seguir: Art. 179. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si; (Redação original) I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme previsto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991; (Nova redação dada pela IN MPS SRP nº 20, de 11/01/2007) Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. (gn) Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. No mesmo sentido, a IN RFB 971/2009: Art. 152. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991; Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 495. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. Não vincula, portanto, a existência de "grupo econômico" ao cumprimento das formalidades da Lei 6.404176, do que se infere, evidentemente, que a Instrução Normativa MPS/SRP n° 3/2005 não se refere apenas e necessariamente aos grupos formalmente constituídos, mas à hipótese geral de "quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas". Fl. 100DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 92 19 Para a caracterização e identificação de "grupo econômico", importa, portanto, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram e realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico" da forma da Lei 6.404/76). I.5 Aplicação do o artigo 2º, § 2º, da CLT Em outra via, o artigo 2º, § 2º, da CLT, ao tratar da matéria, estabelece o seguinte: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” (gn) Resta evidente que o artigo 2º, § 2º, da CLT não faz qualquer distinção entre "grupo econômico de fato ou de direito", o que, aliás, pode ser facilmente constatado pelos reiterados julgados da Justiça do Trabalho, vinculando invariavelmente as demais empresas de um grupo econômico, ainda que não formalmente constituído, à reclamatória trabalhista, desde que demonstrada a relação, mesmo informal, entre o empregador direto e demais empresas vinculadas. Assim, a possibilidade (ou mesmo a determinação) legal da vinculação por solidariedade dos integrantes de "grupos econômicos", sejam eles formais ou informais, se justifica em ambos os casos — cobrança de direitos trabalhistas ou de contribuições previdenciárias — pelo relevante interesse social que os casos envolvem. I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato e a utilização da empresa HW como empregadora da mão de obra da empresa TECHPRESS. Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados pelos Auditores fiscais da RFB ao promoverem o lançamento, notadamente quando tratarse de caracterização de Grupo Econômico, o artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria posta nos autos, recomendando a manutenção do feito, in verbis: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;” Anotase que o art. 222 do Decreto 3.048/1999 também trata da matéria acerca de grupo econômico: Decreto 3.048/1999 Art. 222.As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) (gn) No presente caso concreto, ao contrário do entendimento do Recorrente, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato, bem como pela utilização fática da empresa HW como empregadora da mãode obra. Somente a título elucidativo, para não restar dúvidas a propósito do tema, transcreveremos abaixo a síntese das razões que levaram a fiscalização concluir pela existência de Grupo Econômico de Fato bem como pela utilização fática da empresa HW como empregadora da mãodeobra., onde o AuditorFiscal autuante, com muita propriedade/especificidade, demonstrou e comprovou os argumentos da pretensão fiscal, senão vejamos: O Relatório fiscal informa, em relação às empresas: 7. Com efeito, tais empresas são sediadas na mesma localidade ainda que ocupando galpões anexos; exercem mesma atividade produtiva, qual seja a produção de peças industriais moldadas em material plástico; são de propriedade de um mesmo grupo familiar envolvendo basicamente o casal Carlos Roberto de Freitas e Patrícia Hammermeister administradores em ambas e seus descendentes ou ascendentes, inclusive menores. 8. O processo produtivo é único e envolve ambas as empresas de forma complementar, na medida em que a TECHPRESS compra os insumos e subcontrata a H W para beneficiálos (moldar as peças plásticas), oferecendo para isso suas próprias instalações e maquinário produtivo, visto que aquela (H W) não detém uma máquina sequer, sendo mera fornecedora de mão de obra, nos termos do contrato de prestação de serviços firmado entre ambas. 9. Questionados da necessidade de mais de uma pessoa jurídica para levar a cabo tão simples processo produtivo, fomos informados, pela Sra. Patrícia Hammermeister (Administradora da H W), que se trata de uma maneira encontrada para economizar com encargos previdenciários sobre folha de pagamentos, visto que a H W é optante do SIMPLES, ao passo que a TECHPRESS já não pode sêlo em função dos limites de faturamento impostos pela legislação. Em relação à empresa TECHPRESS: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 93 21 10. A TECHPRESS iniciou suas atividades em 02/09/1996, já com o objeto "fabricação e comercialização de peças técnicas em plástico reforçado", com um capital de R$ 20 mil, integralizado paritariamente pelos sóciosgerentes Haroldo Arthidoro Paes de Barros e Carlos Roberto de Freitas. 11. Na segunda alteração contratual, datada de 14/08/1997, o Sr. Haroldo retirase da sociedade para ingresso da Sra. Ana Lúcia de Carvalho Freitas, presumível companheira do Sr. Carlos Roberto de Freitas, haja vista a identidade de domicílio, permanecendo como sócia cotista minoritária até o advento da quarta alteração contratual, levada a registro em 03/12/2007. 12. O instrumento societário que formaliza a retirada da Sra. Ana Lúcia da sociedade, informa também sua mudança de domicílio, que pela primeira vez passa a ser distinto do domicílio do excompanheiro. Este mesmo instrumento formaliza também o ingresso na sociedade da Sra. Patrícia Hammermeister, separada judicialmente, que passa a ocupar aquele mesmo domicílio (nova companheira) e assume parte das cotas da sócia retirante. 13. A partir da quarta alteração contratual, registrada em 03/12/2007, esta empresa passou a operar com sede na Rua José Rafael Reinert n° 109, porém em visita ao local constatamos que aquele galpão é ocupado por uma empresa estranha ao grupo (TECNOFIT; CNPJ 10.234.559/000130) e que suas atividades produtivas atuais são sediadas de fato no galpão de n° 89, que é o endereço oficial da H W, e a administração (de ambas) funciona no galpão de n° 59. 14. Na quinta alteração contratual, registrada em 15/01/2008, formalizase a saída da Sra. Patrícia Hammermeister, remanescendo o Sr. Carlos Roberto de Freitas como único sócio no interstício legal de 180 dias, até que seja identificado novo sócio. 15. Importa aqui ressaltar que a urgência na retirada da Sra. Patrícia Hammermeister da sociedade não é senão pelo fato de, em 03/02/2008, ela passar a figurar como sócia majoritária e administradora da nova empresa (H W) criada para prestar serviços à TECHPRESS e usufruir benefícios tributários do SIMPLES NACIONAL, principalmente a isenção da cota patronal da Contribuição Previdenciáría sobre folha de pagamentos. Em relação à empresa HW: 17. A H W Tornearia Ltda., foi levada a registro em 24/01/2008, com um capital de R$ 50 mil subscrito paritariamente por Patrícia Hammermeister e Henrique Werner (menor) representado pela mãe, Patrícia Hammermeister, tendo essa empresa sua sede à Rua José Rafael Reinert n° 89 que é galpão anexo à sede original da Techpress. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 18. Com a primeira alteração contratual, levada a registro em 28/03/2008, esta sociedade altera a denominação para H W Moldagem de Peças Plásticas Ltda., e também seu objeto social, que passa de "prestação de serviços de tornearia, industrialização por conta de terceiros" para "prestação de serviços de moldagem e pultrusão de peças plásticas efetuadas a terceiros " . 19. Notar que o trabalho de moldagem das peças desenvolvido na H W consiste em mera parte do processo normal de fabricação previamente desenvolvido na TECHPRESS, haja vista seu objeto de "fabricação e comercialização de peças técnicas em plástico reforçado". 20. O Contrato de Prestação de Serviços celebrado entre tais empresas (anexo) prevê datas de pagamentos mensais, porém sequer estipula preços para os serviços a serem pagos nas datas aprazadas (05 e 30 de cada mês) o que é uma situação não compatível com as práticas de mercado. 21. Com efeito, por tais instrumentos a contratante TECHPRESS assume a responsabilidade de pagar pelos serviços a serem prestados pela contratada H W (moldagem de peças) porém os valores ou parâmetros de valoração não constam do contrato firmado, ficando apenas implícito que se trata (o objeto do contrato) do reembolso puro e simples da folha de pagamentos dos empregados, assim entendidos os empregados formalmente registrados na HW, e que efetivamente trabalham para a TECHPRESS como sempre o fizeram. 22. A contabilidade apresentada pela H W para o ano 2008 (livro diário n° 01, com escrituração de janeiro a setembro, e livro diário n° 02, com escrituração de outubro a dezembro) ambos não registrados em Junta Comercial (escrituração simplificada), por lapso de controle, apontam nos termos de abertura e encerramento, o Sr. Carlos Roberto de Freitas como administrador, seguido da ressalva que o administrador correto é Sra. Patrícia Hammermeister (livro diário n° 02; fls.01 e 20). 23. O balancete analítico do último trimestre de 2008 apensado às fls. 15 a 19 do livro diário n° 02, aponta o montante de receita operacional bruta no valor de R$ 481.508,30, sendo que dessa receita, R$ 477.178,30, portanto 99,1%, referese à conta 3111.0004 Industrialização à Vista, que representa exclusivamente os serviços prestados à TECHPRESS como documentado às fls. 11 e 12 do livro razão n°02. 24. O balancete analítico referente ao período janeiro a dezembro de 2009, apensado às fls. 85 a 89 do livro diário n° 03 (igualmente sem registro em cujos termos de abertura e encerramento foram impressos com o nome do Sr. Carlos Roberto de Freitas como administrador, seguido da mesma ressalva em manuscrito) aponta Receita Operacional Bruta de R$ 1.946.168,10, sendo que dessa receita nada menos que, R$ 1.911.328,00, portanto 98,2%, referese à conta 3111.0003 Industrialização à Prazo que representa exclusivamente os serviços prestados à TECHPRESS como documentado às fls. 73 e 74 do livro razão n° 03. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 94 23 25. Ainda relativamente ao ano 2009, aquele balancete analítico aponta custos totais da ordem de R$ 1.411.174,20, sendo que desses custos apenas R$ 19.400,51 referemse a compras de insumos, e R$ 1.344.704,07 referemse a custos de mãodeobra direta (74,5% da receita operacional líquida) o que configura uma distorção de custos frente às práticas de mercado e comprova a artificialidade das transações registradas contabilmente por ambas as empresas. 26. Com efeito, o balancete analítico da TECHPRESS em dezembro de 2009 (não escriturado pois a empresa não apresentou o livro diário desse exercício) aponta receita operacional bruta de R$ 5.546.540,51 e custos dos produtos vendidos de R$ 3.535.962,13, sendo que desses custos, R$ 2.530.038,53 referemse a compras de insumos e apenas R$ 258.401,60 referemse a salários e ordenados (conta 3318.0010) no grupamento de mão de obra direta. 27. Essa distorção já foi perceptível também na DIPJ do ano calendário 2008 (da TECHPRESS) que aponta receita de venda no mercado interno da ordem de R$ 7.997.620,69 e custos e despesas com pessoal de apenas R$ 694.740,26 (ficha 64 informações previdenciárias). 28. É perceptível, pois, que foi patrocinada uma migração em massa dos empregados da TECHPRESS para a H W no ano 2008, haja vista ainda, por exemplo, as informações de ambas as empresas disponíveis nos sistemas alimentados pela RAIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) relativas àquele ano. O Relatório Fiscal, ás fls. 27 a 43, expõe que a empresa HW é inexistente de fato: 33. À luz dos fatos aqui descritos, concluiuse que a empresa H W é inexistente de fato e foi formalmente constituída apenas para aderir ao regime tributário do SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar n° 123/2006), registrar em seu nome os empregados da empresa TECHPRESS, e, desta forma, fraudulentamente deixar de recolher as contribuições previdenciárias do empregador (cota patronal) sobre as remunerações dos empregados e dirigentes. 34. Assim sendo, deve a notificada TECHPRESS, como empresa originária, ser responsabilizada pela remuneração de todos os segurados obrigatórios que indistintamente prestaram serviços a ambas as pessoas jurídicas aqui tratadas, haja vista a unicidade empresarial existente e o fato dessa empresa (TECHPRESS) não ser optante do SIMPLES durante o período fiscalizado. 35. Importa notar que não se desconsiderou a personalidade jurídica de nenhuma dessas duas empresas, as quais, com o registro nos órgãos competentes, adquiriram personalidade jurídica de sociedade comercial, gerando efeitos tais como patrimônio, nome e domicílio próprios. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 36. O instituto da desconsideração da personalidade jurídica, que está prevista expressamente no Código Civil, em seu artigo 50, ocorre com o fito de atingir o patrimônio dos sócios, quando a sociedade é por eles utilizada como meio de obter vantagens indevidas, valendose da distinção entre o patrimônio dos sócios e o da pessoa jurídica, em detrimento de terceiros, e decorre de decisão judicial. 37. O que porém concluiu a fiscalização é que a H W, muito embora tenha sido registrada de maneira legal e possua personalidade jurídica, não corre o risco da atividade comercial, não tem sede própria e nem instalações distintas da empresa TECHPRESS ora notificada, sendo assim inexistente de fato. 38. Portanto, no presente caso, a H W não foi reconhecida como a empregadora, posto que, embora presentes os pressupostos para a caracterização do vínculo empregatício (art. 12, I, a, da Lei 8.212/91) reconhecido própria empresa mediante elaboração e apresentação de sua folha de pagamentos à fiscalização, tais vínculos deramse com a TECHPRESS, como a empresa originária do grupo e empregadora de fato. 39. Vejase, por exemplo, nos esclarecimentos prestados por escrito (7b), que o Sr. Carlos Roberto de Freitas (Carlos Roberto), administrador da TECHPRESS, figura como responsável pelas áreas comercial e controle geral do operacional o que implica em subordinação de todos ao seu comando operacional, independentemente da nova empresa para onde tenham sido transferidos. O Relatório Fiscal também relaciona a empresa T.T.P. USINAGEM LTDA. 40. Esta empresa teve seus estatutos registrados em 05/11/2008, para o exercício da atividade (também complementar à TECHPRESS) de Serviços de Usinagem, com sede registrada à Rua José Rafael Reinert n° 59, em galpão anexo às demais empresas já citadas. 41. Os sócios são Vitalina Hammermeister e íris Vaes, sendo que a primeira detém os poderes de administração e é mãe da Sra. Patrícia Hammermeister administradora da H W; a segunda é auxiliar de limpeza naquela empresa (ficha de registro de empregado n° 39). 42. Tratase assim da mesma proposta administrativa já adotada com a criação da H W, qual seja, a divisão da TECHPRESS em tantas empresas quantas necessárias para perpetuar o usufruto fraudulento dos benefícios tributários do SIMPLES NACIONAL. 43. Todavia, como esta empresa iniciou atividades apenas em 2009, não houve lançamento de débito em relação à mesma, e apenas a arrolamos como responsável solidária em face da configuração de Grupo Econômico de fato. O Relatório Fiscal caracteriza o grupo econômico de fato: 63. As seguintes empresas já devidamente qualificadas na introdução ao presente relatório, são aqui tratadas como devedoras solidárias e integrantes de GRUPO ECONÔMICO Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 95 25 DE FATO, tendo em vista as razões já descritas, notadamente a unicidade dos negócios e o controle das empresas exercido pelo mesmo grupo familiar: . TECHPRESS INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA., CNPJ 01.402.992/000146; . H W MOLDAGEM DE PEÇAS PLÁSTICAS LTDA., CNPJ 09.332.761/000115; . T.T.P. USINAGEM LTDA., CNPJ 10.456.105/000103 67. Quanto à abrangência da conceituação de "grupo econômico", à luz da boa doutrina e da jurisprudência pátria, é relevante ainda esclarecer, que os conceitos contidos no inciso IX do Art.30 da Lei n° 8.212/91 e no § 2o , do art. 2o , da CLT, são bem mais amplos dos que os previstos na Lei 6.404/76. Na legislação trabalhista e previdenciária, basta apenas à existência de poder de mando e controle de uma empresa sobre outra para caracterizar o grupo econômico, independentemente do tipo de empresa ou da natureza de poder. Ou seja, a aplicabilidade do conceito de grupo econômico no direito previdenciário e trabalhista justificase pelo caráter social e não estritamente pelo poder econômico. Verificase, portanto, que a AuditoriaFiscal não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ao caracterizálas como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente relacionados acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam. Dessa forma, resta claro que as empresas do Grupo Econômico de fato têm, efetivamente, interesse comum no fato gerador dos tributos ora exigidos, na forma estipulada no artigo 124, inciso I, do CTN, impondo a manutenção do feito em sua plenitude, não se cogitando em ilegalidade e/ou irregularidade na atuação fiscal. Além do que restou comprovado faticamente dos autos que a empresa H W MOLDAGEM DE PECAS PLÁSTICAS LTDA – ME foi utilizada como empresa interposta como empregadora de mãodeobra em função de ser optante pelo SIMPLES., o que diminui o encargo tributárioprevidenciário da Recorrente. Ademais, a jurisprudência do CARF é no sentido de se manter os lançamentos de contribuições sociais previdenciárias contra empresas que se utilizam indevidamente de empresas interpostas optantes pelo SIMPLES, conforme se depreende dos julgados: Processo 13971.002121/200816, Acórdão 2402001.907, de 23.08.2011; ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1998 a 31/08/2004 REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 O parágrafo 1º do artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972 dispõe que a Administração tem a faculdade de efetuar o lançamento num único processo de impostos, contribuições ou penalidades, desde que em face do mesmo sujeito passivo e comprovados pelos mesmos elementos de prova. O citado dispositivo não obriga a Administração a efetuar o julgamento conjunto dos recursos apresentados contra lançamentos que não foram efetuados num único processo DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE DOLO REGRA GERAL INCISO I ART. 173 De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. EXCLUSÃO DO SIMPLES COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF Cabe à Primeira Seção do CARF analisar recurso contra ato que levou relativa à exclusão de empresa do SIMPLES, bem como a data de início de seus efeitos SUSPENSÃO EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO LANÇAMENTO POSSIBILIDADE As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário, impedem sua cobrança mas não a sua constituição. De igual forma, a suspensão da exigibilidade do crédito não representa óbice ao andamento do contencioso administrativo fiscal. BIS IN IDEM NÃO OCORRÊNCIA Não há que se falar em bis in idem se a empresa que efetuou os recolhimentos pela sistemática do SIMPLES e que foi posteriormente excluída do referido sistema venha sofrer lançamento das contribuições patronais nos moldes das empresas em geral. RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos GRUPO ECONÔMICO DE FATO CARACTERIZAÇÃO Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 96 27 Existe grupo econômico de fato quando há unicidade no comando entre empresas. Tal comando pode se dar pela existência em seus quadros societários de pessoa física ou jurídica comuns que detenham o poder de gerir as empresas MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. ENQUADRAMENTO. COMPETÊNCIA. É competente a Primeira Seção do CARF para julgar recursos contra decisão de primeira instância que tenha decidido sobre exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. SIMPLES. RECOLHIMENTOS. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. Eventuais recolhimentos na sistemática do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL devem ser deduzidos das contribuições previdenciárias apuradas na sistemática das empresas em geral, nos percentuais destinados à previdência social, OBSERVADA a isenção pela LC n° 123/2006 das contribuições destinadas a terceiros. Recurso Voluntário Provido em Parte Processo 13971.002970/200771, Acórdão 240200.391, de 02.12.2009. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração . 01/01/2006 a 31/12/2006 INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Principio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam Fl. 109DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara PERÍCIA NECESSIDADE COMPROVAÇÃO REQUISITOS CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO OCORRÊNCIA Deverá restar demonstrado nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA GRUPO ECONÔMICO De acordo com o Inciso IX do art. 30 da Lei n°8.212/1991, as empresas integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si solidariamente, pelas obrigações decorrentes daquela lei ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS ARRECADAÇÃO RECOLHIMENTO OBRIGAÇÃO DA EMPRESA A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher os valores arrecadados no prazo estabelecido pela legislação. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. DA MULTA APLICADA. Analisemos. Em relação ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 110DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 97 29 I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.231.4023, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, Fl. 111DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, em dar provimento parcial ao recurso, NO MÉRITO, para que se recalcule o valor da multa no período 02/2008 a 11/2008, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 112DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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