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Numero do processo: 15504.723037/2013-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. A produção de prova pericial só é determinada quando imprescindível à solução da lide, constituindo uma faculdade da autoridade julgadora.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa que visa afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência deste Conselho (Súmula CARF nº 2).
IRPJ. CSLL. ASSOCIAÇÃO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES.
Para o gozo da isenção, as associações civis devem prestar os serviços para os quais foram instituídas, colocando-os à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, sob pena de suspensão dos benefícios fiscais.
Caracterizada simulação no negócio de transformação de sociedade limitada em associação filantrópica, correta a suspensão da isenção, bem como cabível o lançamento de tributos dissimulados.
GLOSA DE DESPESAS. NOTAS FISCAIS DE FAVOR. OPERAÇÃO SIMULADA
Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que atendidas as condições gerais de dedutibilidade, tais como a necessidade e comprovação.
A escrituração somente faz prova em favor do contribuinte quando amparada por documentos hábeis e idôneos a comprovar os fatos nela registrados.
A demonstração de que a empresa se valeu de contratação de serviços simulados por pessoas jurídicas interpostas, é causa de glosa.
SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA PRESTADORA DE SERVIÇOS. TRIBUTOS PAGOS. REQUALIFICAÇÃO. ABATIMENTO. Considerando que a fiscalização requalificou a sujeição passiva em razão de caracterizar que houve transferência de receita por meio de operação simulada, necessária também a requalificação dos tributos já recolhidos na operação, os quais devem ser deduzidos dos tributos lançados.
LANÇAMENTO DE IR-FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. OMISSÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO.
A peça recursal, assim como a impugnação, deve ser formalizada por escrito, incluindo todas as teses e provas de defesa, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções previstas nas normas legais. Não havendo questionamento específico para um dos itens do lançamento, considera-se preclusa a discussão deste item.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SIMULAÇÃO FRAUDULENTA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Caracterizada que a transformação de sociedade limitada para associação foi simulada de forma fraudulenta, cabível a qualificação da multa de ofício.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 135, III DO CTN. MOTIVAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. PROCEDÊNCIA PARCIAL.
A mera qualificação como sócio e parente, desacompanhada de outra motivação ou prova, não é suficiente para imputar a responsabilidade solidária. Por outro lado, em relação aos sócios participantes ativamente na estrutura simulada, agindo de forma consciente para o engano, devem ser responsabilizados.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual pode ser exigida.
TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF n° 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso a que se dá provimento parcial.
IRPJ. REFLEXO NA CSLL. O decidido quanto ao IRPJ deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL) decorrente dos mesmos elementos e fatos.
Numero da decisão: 1201-001.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em a) negar provimento ao Recurso Voluntário interposto em face da decisão de primeira instância que manteve a suspensão da isenção prevista no Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 13, de 2013 e b) DAR PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS interpostos em face dos Autos de Infração pelos sujeitos passivos solidários LUCIANE VEIGA BORGES; ADRIANA GONÇALVES DER ASSIS ANDRADE; LEIDE LUIZA DE CASTRO MOREIRA ANDRADE; JOÃO BOSCO DRUMMOND DE ANDRADE; GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA; e THALES BATISTA DE ALMEIDA. Acordam, ainda, por maioria de votos, em DAR PARCIAL PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS interpostos em face dos Autos de Infração pelo sujeito passivo principal (SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL) e os solidários Srs. NILTON DE AQUINO ANDRADE, SINVAL DRUMMOND ANDRADE, NELSON BATISTA DE ALMEIDA, CLEIDE MARIA DE ALVARENGA ANDRADE e LUCIANE VEIGA BORGES, para que os tributos efetivamente pagos pelas empresas tidas como de fachada, incidentes sobre os rendimentos provenientes do SIM INSTITUTO referidos nos presentes lançamentos, sejam deduzidos dos tributos ora exigidos. Vencidos os Conselheiros Paulo Cezar e Roberto Caparroz que negavam provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 28/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. A produção de prova pericial só é determinada quando imprescindível à solução da lide, constituindo uma faculdade da autoridade julgadora. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa que visa afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência deste Conselho (Súmula CARF nº 2). IRPJ. CSLL. ASSOCIAÇÃO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para o gozo da isenção, as associações civis devem prestar os serviços para os quais foram instituídas, colocandoos à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, sob pena de suspensão dos benefícios fiscais. Caracterizada simulação no negócio de transformação de sociedade limitada em associação filantrópica, correta a suspensão da isenção, bem como cabível o lançamento de tributos dissimulados. GLOSA DE DESPESAS. NOTAS FISCAIS DE FAVOR. OPERAÇÃO SIMULADA Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que atendidas as condições gerais de dedutibilidade, tais como a necessidade e comprovação. A escrituração somente faz prova em favor do contribuinte quando amparada por documentos hábeis e idôneos a comprovar os fatos nela registrados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 30 37 /2 01 3- 39 Fl. 2842DF CARF MF 2 A demonstração de que a empresa se valeu de contratação de serviços simulados por pessoas jurídicas interpostas, é causa de glosa. SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA PRESTADORA DE SERVIÇOS. TRIBUTOS PAGOS. REQUALIFICAÇÃO. ABATIMENTO. Considerando que a fiscalização requalificou a sujeição passiva em razão de caracterizar que houve transferência de receita por meio de operação simulada, necessária também a requalificação dos tributos já recolhidos na operação, os quais devem ser deduzidos dos tributos lançados. LANÇAMENTO DE IRFONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. OMISSÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. A peça recursal, assim como a impugnação, deve ser formalizada por escrito, incluindo todas as teses e provas de defesa, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções previstas nas normas legais. Não havendo questionamento específico para um dos itens do lançamento, considerase preclusa a discussão deste item. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SIMULAÇÃO FRAUDULENTA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizada que a transformação de sociedade limitada para associação foi simulada de forma fraudulenta, cabível a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 135, III DO CTN. MOTIVAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. PROCEDÊNCIA PARCIAL. A mera qualificação como sócio e parente, desacompanhada de outra motivação ou prova, não é suficiente para imputar a responsabilidade solidária. Por outro lado, em relação aos sócios participantes ativamente na estrutura simulada, agindo de forma consciente para o engano, devem ser responsabilizados. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual pode ser exigida. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF n° 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso a que se dá provimento parcial. IRPJ. REFLEXO NA CSLL. O decidido quanto ao IRPJ deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL) decorrente dos mesmos elementos e fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em a) negar provimento ao Recurso Voluntário interposto em face da decisão de primeira instância que manteve a suspensão da isenção prevista no Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 13, de 2013 e b) DAR PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS interpostos em face dos Autos de Infração pelos sujeitos passivos solidários LUCIANE VEIGA BORGES; ADRIANA GONÇALVES DER ASSIS ANDRADE; LEIDE LUIZA DE CASTRO MOREIRA ANDRADE; JOÃO BOSCO DRUMMOND DE ANDRADE; GILBERTO BATISTA DE Fl. 2843DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 3 3 ALMEIDA; e THALES BATISTA DE ALMEIDA. Acordam, ainda, por maioria de votos, em DAR PARCIAL PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS interpostos em face dos Autos de Infração pelo sujeito passivo principal (SIM – INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL) e os solidários Srs. NILTON DE AQUINO ANDRADE, SINVAL DRUMMOND ANDRADE, NELSON BATISTA DE ALMEIDA, CLEIDE MARIA DE ALVARENGA ANDRADE e LUCIANE VEIGA BORGES, para que os tributos efetivamente pagos pelas empresas tidas “como de fachada”, incidentes sobre os rendimentos provenientes do SIM – INSTITUTO referidos nos presentes lançamentos, sejam deduzidos dos tributos ora exigidos. Vencidos os Conselheiros Paulo Cezar e Roberto Caparroz que negavam provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 28/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração que exigem da contribuinte IRFonte (fls. 4/19), IRPJ (fls. 20/58) e CSLL (fls. 59/104), referentes aos anos calendários de 2008, 2009 e 2010, acrescidos de multa qualificada de 150% e juros. Os lançamentos em questão foram emitidos após a fiscalização declarar a suspensão dos benefícios de isenção de que trata o artigo 15 da Lei nº 9.532/97, o que ocorreu por meio do Ato Declaratório Executivo nº 13/2013 (fls. 1.933), objeto do processo administrativo nº 15504.731237/201284, que está apenso ao presente devido à conexão existente (cf. fls. 2.398) e de acordo com o que dispõe o art. 32, § 9º, da Lei 9.430/19961. Isso significa dizer que a presente discussão gira em torno, primeiramente, da procedência ou não da isenção em relação à contribuinte. Assim, caso a isenção seja reconhecida, os lançamentos devem ser cancelados por decorrência. Caso, porém, o ato declaratório suspensivo seja considerado correto, afastandose a aplicação da isenção, passase a verificar a procedência dos lançamentos dos créditos tributários constituídos. Suspensão da Isenção 1 § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. Fl. 2844DF CARF MF 4 Por bem detalhar a controvérsia, reproduzo algumas passagens do Termo de Verificação Fiscal constante do processo conexo (fls. 2/30): 2. De acordo com seu estatuto, o SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, é uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos. 3. Dados os objetivos a que se propõe, estaria enquadrada como uma das associações civis que prestam os serviços para os quais foram instituídas e os colocam à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, de que trata o art. 15 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. 4 A empresa TECNICONTA LTDA ASSESSORIA E TÉCNICAS CONTÁBEIS, (CNPJ: 25.705.450/000100) conforme Contrato de Constituição da sociedade, assinado no dia 24/08/1989, foi criada com o objetivo de prestação de serviços na área de informática, serviços contábeis, organização de empresas e assistência fiscal, auditoria e perícia. Eram seus sócios: Nilton de Aquino Andrade (CPF: 276.717.47653), contador, Paulo Henrique Barbosa Ribeiro, (CPF: 345.301.18649) contador e a empresa Plano Informática Ltda (CNPJ: 23.366.974/000199), representada pelos sócios: Cláudio de Paula Pereira (CPF: 496.170.36649), analista de sistemas e Nelson Batista de Almeida (CPF:485.919.47649), analista de sistemas. 5. Após diversas alterações contratuais, a empresa passou a se chamar SIMSISTEMAS DE INFORMAÇÃO DE MUNICÍPIOS, tinha como sócios os Srs Nilton de Aquino Andrade, (CPF: 276.717.47653), Nelson Batista de Almeida (CPF: 485.919.47649) e Sinval Drummond Andrade (CPF: 216.239.88691) quando foi assinada em 21/05/2001 a nona alteração contratual que estabelecia que "a sociedade continua sendo sociedade civil de profissões regulamentadas por cotas de responsabilidade limitada, com fins lucrativos ,., com nome fantasia "GRUPO SIM", com sede à Av. Prudente de Morais, 287 4° andar em Belo Horizonte." E, ainda estabelecia em sua 2a clausula que: "o objeto da sociedade é a prestação de serviços especializados de contabilidade pública e congêneres," 6. Em 09 de dezembro de 2002, foi lavrada a Ata de transformação da empresa em SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, com a finalidade de transformar a sociedade limitada em um instituto. Nesta Ata está registrado:"... o sócio Sr. Sinval abriu a reunião expondo as razões que o levaram a convocála que era a apresentação dos motivos para a transformação da empresa comercial em um instituto sem fins lucrativos. Informou haver contatado vários especialistas e chegado a conclusão que o melhor seria a transformação da atual SIMSISTEMAS DE INFORMAÇÃO DE MUNICÍPIOS em um instituto de pesquisa e desenvolvimento, mantido o mesmo escopo e objeto de prestação de serviços, e que seria bastante para isso, a criação e a aprovação do estatuto próprio. Completou informando que a transformação carregaria para o instituto toda a história da empresa além de todos os contratos em vigor evitando qualquer tipo de entrave burocrático ou legal para a continuidade da execução dos serviços contratados. Disse que a nova entidade Fl. 2845DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 4 5 sem fins lucrativos, levará, na transformação, além da história e dos contratos, todo o Ativo e Passivo da atual SIM." (destaque nosso) 7, Conforme esta mesma ata decidiuse como DiretorPresidente o Sr. Nilton de Aquino Andrade (CPF: 276.717.47653), como VicePresidente de Pesquisa e Desenvolvimento, o Sr Nelson Batista de Almeida (CPF: 485.919,47649) e como Vice Presidente de Administração e Finanças, o Sr. Sinval Drummond Andrade (CPF: 216.239.88691) E, ainda conforme relatado nesta mesma Ata, o Sr, Nilton tomou a palavra e passou a exercer a direção dos trabalhos na qualidade de Presidente, e declarou que: "agradeceu sua indicação e eleição e concitou todos para demandar o melhor de seus esforços em prol do Instituto que será, a partir do registro e publicação da ata de sua criação, a nova casa de todos presentes. Disse a todos que o Instituto, no entanto, não é uma entidade nova, mas sim e tão somente uma nova maneira, mais moderna e mais adequada para suportar o crescimento do mercado e atender às necessidades cada vez maiores dos clientes que previa o dia 01 de janeiro de 2003 para o início efetivo das atividades do novo Instituto." [...] CONCLUSÕES DA AUDITORIA FISCAL 24. A origem do Patrimônio da entidade SIM Instituto de Gestão Fiscal está definido no seu Estatuto Social, no art. 37, itens V e VI, que dispõe: "o patrimônio do Sim será constituído por "recebimento pela prestação de serviços a governos, órgãos ou entidades públicas" e "recebimento pela prestação de serviços a empresas, mediante contrato de parceria" (destacou se). Ora, tal expressão imediatamente remete à legislação comercial (Lei n° 6.404, de 115 de dezembro de 1976, art. 187, inciso I) e às normas de apuração do IRPJ (arts. 224, 279 e 519 do RIR/1999), a que se sujeitam as pessoas jurídicas com finalidade lucrativa. 25. O SIM Instituto de Gestão Fiscal exerce atividades de caráter essencialmente empresarial, cujo objetivo é estudar, pesquisar e difundir a contabilidade pública em todos os seus níveis e aspectos, na capacitação e preparação de profissionais a elas vinculados colocandoos à disposição dos que a remuneram para tal. 26. O SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL desenvolve atividade essencialmente econômica, qual seja, a prestação de serviços contábeis e congêneres, como se constata pelas notas fiscais, e contratos de prestação de serviços firmados com as prefeituras municipais, o que afasta as benesses fiscais concedidas às entidades sem fins lucrativos e coloca este estabelecimento no mundo das empresas em geral. [...] Fl. 2846DF CARF MF 6 29. Conforme estatuto de transformação os únicos sócios da empresa SIM SISTEMAS DE INFORMAÇÃO DE MUNICÍPIOS LTDA eram os Srs. NILTON DE AQUINO ANDRADE (CPF: 276.717.47653), NELSON BATISTA DE ALMEIDA (CPF: 485.919.47649) e SINVAL DRUMMOND ANDRADE (CPF: 216.239.88691), que passaram a ser os fundadores da nova entidade. E, ainda foram eleitos como presidente, vicepresidente de pesquisa e desenvolvimento e vice presidente de administração e finanças, respectivamente. 30. Conforme tabela abaixo, os associados fundadores do SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL tem participação nas empresas relacionadas, que prestam serviços quase exclusivamente à própria entidade SIM: [...] 36. Constatamos ainda que as empresas abaixo que tem alguma ligação com a "instituição" sob fiscalização: SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, seja, mesmo endereço, sócios que são associados ou funcionários, e ainda ter grande parte da receita declarada em DIPJ recebida desta mesma "instituição": [...] 38. A tabela anterior, item 36, demonstra que a criação de empresas prestadoras de serviços que sobrevivem exclusivamente em função da "entidade" foi a forma encontrada para remunerar os associados/funcionários, através de distribuição de rendimentos isentos, cuja receita bruta da maior parte destas empresas prestadoras de serviços correspondem, em média a 80,00% da receita bruta, originária da SIM Instituto de Gestão Fiscal. 39. Para justificar despesas/custos na sua escrituração contábil, a fiscalizada utilizouse, em regra, de documentos emitidos por fornecedores criados dentro da sua própria empresa, ou seja, documentos de pessoas jurídicas que atuam no mesmo endereço dela, tem como sócios os associados fundadores da própria SIM ou seus familiares ou ainda, sócios que são funcionários da própria SIM. 40. Como a fiscalizada é uma associação e como tal não pode remunerar seus associados, foram criadas empresas que funcionam no mesmo endereço, tem como sócios os associados do SIM e que prestam serviços para ou exclusivamente ao SIM. 41. Estas empresas prestadoras de serviço, normalmente optantes pela apuração do IRPJ pelo sistema de lucro presumido, tem tributação de imposto de renda aplicável somente sobre o máximo de 32% de suas remunerações, distribuindo o restante (68%) sem tributação na pessoa física. 42. E, ainda estas pessoas jurídicas poderão distribuir valor (lucro contábil) superior ao limite do lucro presumido, 68% da receita se optante pelo lucro presumido se mantiver escrituração contábil com observância da Lei Comercial e apurar lucro em balanço. Fl. 2847DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 5 7 43. Ou seja, estas empresas distribuem lucros isentos para os Srs. Nilton de Aquino Andrade, Nelson Batista de Almeida e Sinval Drummond Andrade, associados fundadores do SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, Sras. Cleide Maria de Alvarenga Andrade, esposa do Sr. Sinval e Sra. Leide Luiza de Castro Moreira Andrade, exesposa do Sr. Nilton de Aquino Andrade, João Bosco Drummond Andrade e Antônio de Pádua Drummond Andrade irmãos do Sr. Sinval e Thales Batista de Almeida irmão do Sr. Nelson. 44. Evitam a tributação desse valor na pessoa física e essa operação triangular implica, ainda, redução do "superávit" da fiscalizada, ao contabilizar estas notas fiscais como despesas. 45. As pessoas jurídicas de direito privado detentoras de isenção tributária, no caso, uma associação, têm o dever legal e ético de atuar no sentido de não lesar a Fazenda Pública, e de não permitir ou de não propiciar na sua atuação que terceiros deixem de cumprir a legislação tributária. 46. Porém, o gozo da isenção tributária que afasta a incidência de tributos sobre a totalidade de suas receitas, não tem sido suficiente para a fiscalizada, ela quer mais. E, para isto se vale da estratégia de contabilizar despesas amparadas por notas fiscais de empresas prestadoras de serviços que distribuem lucro com isenção para a pessoa física dos sócios que são os próprios associados do SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL ou seus familiares, carreando todos os recursos de uma associação isenta para a mesma família. 47. Por todo exposto, não se trata de elisão fiscal, mais sim de evasão fiscal (ato ilícito conluio fraude fiscal). Este "esquema" para burlar o fisco, foi efetuado entre pessoas vinculadas ou ligadas (RIR/99, art. 465), pois passou a distribuir rendimentos isentos a estas pessoas, sendo decisiva para essa operação triangular de sangria da União a participação da "associação, SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL". 48. No caso, a associação SIM, como já dito, envolveuse, deliberada e decisivamente, em operação triangular que implicou burla ao Fisco redução ou subtração à tributação pelo IRPF Imposto de Renda Pessoa Física, da maior parte dos rendimentos isentos auferidos pelos associados do SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL e seus familiares. 49. Essa situação caracterizase como distribuição disfarçada de lucros da associação, SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL para seus associados e familiares, (RIR/99, arts. 464, VI, e 465), configurando, também, violação ao Código Tributário Nacional, ou seja, distribuição de rendas a qualquer título (CTN, art. 14, I, com redação dada pela LC 104/01). 50. A incoerência nos leva a concluir que a questão maior vem a ser o valor dos serviços prestados pelas empresas citadas nos itens anteriores, que gravitam em torno da associação e não a necessidade dos serviços. [...] Fl. 2848DF CARF MF 8 51. A aplicação do citado inciso se justificaria por ser, pelo menos, os associados do SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL e seus familiares, pessoas ligadas, visto participar da composição acionária das empresas citadas e ao mesmo tempo associados. 52. Entendemos estar plenamente demonstrado o forte vínculo entre a fiscalizada, as empresas prestadoras de serviço citadas nos itens anteriores e os associados/familiares da associação SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL. 53. Este vínculo teria como principal objetivo reduzir drasticamente o "superávit" da fiscalizada, visto que faturou R$ 25.713.889,65 (em 2008) e RS 13.173.449,00 (em 2009). No mesmo período os custos para operacionalização da associação foram de R$ 24.661.358,47 e R$ 12.681.208,56, apurandose superávit de 4,21% e 3,74%, respectivamente de acordo com a FICHA 39 da DIPJ. Em 2010 o faturamento chegou a R$ 5.071.289,20 com custos de R$ 6.259.597,00 apurandose um déficit de R$ 1.188.307,80 conforme a contabilidade fornecida pelo instituto. [...] 61. Além de todos os fatos descritos anteriormente, não podemos deixar de ressaltar mais um dos motivos que levaram os responsáveis pela empresa prestadora de serviços a transformá la em uma associação. Ao se transformar em uma associação poderia celebrar todos os contratos de prestação de serviços com as prefeituras, pois estas estariam dispensadas de promover licitação para assinar tais contratos, de acordo com o inciso XXIV do art. 24 da Lei n. 8.666/93 alterado pela Lei n. 9.648, de 1998 de 21/06/1993. [...] 63. Entendemos, portanto, que não se pode, de forma alguma, dizer que as atividades praticadas pela associação SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL são desenvolvidas em caráter não econômico, não lucrativo, não empresarial ou não explorativo. E, como agravante temos o fato da associação distribuir indiretamente lucros isentos a seus associados e familiares, através das empresas que prestam serviços a ela e ainda ao ter diversas empresas cujos sócios são os seus próprios funcionários, que recebem também lucros isentos, ou seja, na realidade se trata de remuneração indireta deixando a associação de ter o dever legal de recolher as obrigações sociais referentes aos salários destas pessoas físicas/funcionários/associados. Todos estes fatos a impedem de se beneficiar da isenção do imposto de renda. Cientificada da Notificação Fiscal, a pessoa jurídica interessada apresentou impugnação (fls. 903/914), alegando, em síntese: · a título preliminar, que houve nulidade em face da divulgação, pela autoridade fiscal, de dados sobre a situação econômica e financeira de terceiros, o que viola o art. 198 do Código Tributário Nacional; Fl. 2849DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 6 9 · que os artigos 12, §2º, 13 e 14 da Lei nº 9.532/97 não podem ser invocados como fundamentos legais da infração, posto que limitam a imunidade tributária prevista no artigo 146, inciso III da Constituição Federal; · que a origem do patrimônio da entidade seria aquela definida em seu Estatuto Social e que as receitas da associação são provenientes de atividades por ela realizadas conforme sua finalidade e seu objeto social; · que o instituto, por dedicarse à atividade de caráter de pesquisa, estudo e difusão da contabilidade pública em todos seus níveis, e por cobrar para implementação de seu desiderato associativo, jamais poderia ser tido como atividade empresarial; · que os discursos das partes no ato de transformação em instituto, bem como o fato de que os sócios da SIM Sistemas tenham sido os diretores nesse ato, não interferem no caráter associativo da entidade, nem altera sua natureza jurídica; · que o fato de os associados fundadores terem participação em empresas com fins lucrativos que prestaram serviços ao instituto não é suficiente para desenquadrálo como entidade imune; · que as despesas incorridas pelo instituto foram necessárias ao seu funcionamento e fizeram que ele cumprisse seu desiderato social; · que o valor pago pelos serviços prestados obedeceu ao valor de mercado e que as prestadoras de serviço sofreram tributação de suas receitas, declararam e recolheram seus tributos à Receita Federal do Brasil. · que foi demonstrado que o instituto utilizou todos seus recursos no país, que sempre manteve sua contabilidade de acordo com as normas legais e que jamais distribuiu lucros ou receitas a qualquer título; e · que sobre os valores pagos aos prestadores de serviços, havia retenção de tributos e contribuições na fonte que não poderiam ser desconsideradas. A impugnação foi julgada improcedente por meio do Despacho Decisório de n° 21, de 15/01/2013 (fls. 949/957), cuja ementa foi exarada nos seguintes termos: Ementa: A autoridade administrativa competente pode suspender a aplicação dos benefícios de isenção do imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido, prevista no art. 15 da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, quando não atendidos os requisitos legais. Com fundamento nessa decisão, foi prolatado pela autoridade competente da DRF o ADE n° 13, de 15 de janeiro de 2013, suspendendo a isenção da pessoa jurídica SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL para os anos de 2008 a 2010, nos seguintes termos: ATO DECLARA TÓRIO EXECUTIVO N° 13, DE 15 DE JANEIRO DE 2013 Declara suspensa a aplicação dos benefícios de isenção de que trata o art. 15 da Lein°9.532, de 10/12/1997. Fl. 2850DF CARF MF 10 O DELEGADO SUBSTITUTO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM BELO HORIZONTE, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 302, inciso VII, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 203, de 14/05/2012, publicado no Diário Oficial da União de 15/05/2012, e considerando o disposto nos arts. 9°, § 1°, e 14 da Lei n° 5.172 (CTN), de 25/10/1966, no art. 32 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, no art. 15 da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, no art. 174 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, e o que consta no Despacho Decisório n° 21 DRF/BHE, de 15/01/2013, e no Termo de Constatação e Notificação Fiscal, expedido em 30/11/2012, constantes do processo administrativo n° 15504.731237/201284, declara: Art 1° SUSPENSA a aplicação dos benefícios de isenção do imposto de renda e da contribuição social sobre lucro líquido, previstos no art. 15 da Lei n° 9.532/1997, à pessoa jurídica SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, inscrita no CNPJ sob n ° 25.705.450/000100. Art 2° Que o termo inicial da suspensão ora declarada é o dia 1° de janeiro de 2008 e o termo final é o dia 31 de dezembro de 2010. Art. 3° Que a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias contados da ciência deste Ato Declaratório Executivo, apresentar impugnação dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, sem efeito suspensivo, nos termos dispostos nos §§ 6°, inciso I, 7° e 8° do art. 32 da Lei n ° 9.430, de 27/12/1996. Cientificada em 21/01/2013 (AR de fls. 1.392), a interessada apresentou defesa (fls. 1.394/1.406), onde basicamente reiterou as alegações da contestação anteriormente apresentada. Em seguida o processo foi apensado aos presentes autos e remetido para julgamento pela DRJ. Lançamentos Como decorrência da suspensão da isenção, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, CSLL e IRRF, em razão das seguintes irregularidades: (i) IRPJ e CSLL CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS NÃO DEDUTÍVEIS Glosa de custo, em virtude da contabilização amparada por documentos emitidos por empresas que se diziam prestadora de serviços, sem comprovar a real necessidade, a efetiva prestação dos serviços e a capacidade de efetuar tais serviços, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. (i) IRPJ e CSLL INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Recolhimento a menor do que o devido, conforme relatório fiscal. (iii) IRFonte PAGAMENTO SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA Incidência sobre pagamentos efetuados a empresas que se diziam prestadoras de serviços sem comprovar a real necessidade, a efetiva prestação dos serviços e a Fl. 2851DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 7 11 capacidade de efetuar tais serviços, conforme descrito no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL e demonstrativos. Foram emitidos, ainda, Termos de Sujeição Passiva (fls. 1.853/1928), atribuindose responsabilidade solidária às seguintes pessoas físicas: 1 Nilton de Aquino de Andrade; 2 Sinval Drummond Andrade; 3 Nelson Batista de Almeida; 4 Cleide Maria de Alvarenga; 5 Luciane Veiga Borges; 6 Adriana Gonçalves de Assis Andrade; 7 Leide Luiza de Castro Moreira Andrade; 8 João Bosco Drummond Andrade; 9 Gilberto Batista de Almeida; e 10 Thales Batista de Almeida. Por bem resumir a controvérsia instaurada, reproduzo o relatório da decisão de piso (fls. 2.399/2.495): As irregularidades foram contextualizadas no Termo de fls. 107/128, no qual inicia a Fiscalização descrevendo que: De acordo com seu estatuto, o SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, considerase uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos; Dados os objetivos a que se propunha, estaria enquadrada como uma das associações civis que prestam os serviços para os quais foram instituídas e os colocam à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, de que trata o art. 15 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; De acordo com o artigo primeiro do estatuto social "o SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL é uma associação civil de caráter científico e cultural, sem quaisquer fins lucrativos, com prazo de duração indeterminado, com sede e foro na cidade de Belo Horizonte, constituída com a finalidade de promover a educação, o suporte técnico, científico, e cultural em apoio aos municípios na área de contabilidade pública e congêneres, em todo o território brasileiro". No parágrafo segundo está definido o objetivo: "A Associação tem por objeto estudar, pesquisar e difundir a contabilidade pública em todos os seus níveis e aspectos, nas áreas administrativas, econômico financeira, tributáriafiscal, tecnológica, ambiental, educacional e social, de capacitação e preparação de profissionais a elas vinculado... ". [...] Abordando a Ação Fiscal, os Autuantes descrevem constatações que redundaram na Suspensão da Isenção, como segue: pelo exame dos documentos apresentados pelo contribuinte (notas fiscais/contratos/comprovantes de pagamentos) constatamos que as atividades exercidas pelo SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL se restringiam à prestação de serviços na área de administração e contabilidade pública, não se caracterizando como "instituição", além do que, as atividades desenvolvidas pela empresa concorriam com aquelas desenvolvidas por empresas de prestação de serviço. Fl. 2852DF CARF MF 12 7. Não podemos deixar de ressaltar que ao se transformar em um instituto, isento de IRPJ e CSLL, poderia celebrar todos os contratos de prestação de serviços com as prefeituras, pois estas estariam dispensadas de promover licitação para assinar tais contratos, de acordo com o inciso XXIV do art. 24 da Lei n° 8.666/93 alterado pela Lei n° 9.648, de 1998 de 21/06/1993. 8. A título de amostragem intimamos a fiscalizada a apresentar os contratos/aditivos e documentos que comprovassem a efetiva prestação dos serviços firmados com prefeituras. Na resposta, a fiscalizada apresenta cópia dos contratos firmados, sendo que todos foram assinados na modalidade de dispensa de licitação conforme Lei Federal n° 8.666/93 e suas alterações posteriores. 9. Da criteriosa análise dos fatos e documentos, constatamos que o SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL apesar de se considerar uma entidade isenta, não preenchia todos os requisitos legais para se beneficiar da isenção do Imposto de Renda, porque a Lei n° 9.532/97 não estava sendo atendida na sua totalidade. [...] 13. Definida a suspensão da isenção do IMPOSTO DE RENDA e CSLL, perante a legislação tributária vigente, a empresa SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL tornouse uma pessoa jurídica em geral, prestadora de serviços, passando a estar sujeita à tributação das suas receitas com base no Lucro Real a partir de 01/01/2008 até 31/12/2010 e também ao recolhimento do PIS e da COFINS Não Cumulativos, pelo mesmo período. [...] 20. GLOSA DE DESPESAS/CUSTOS LANÇADAS NA CONTABILIDADE E RESPALDADAS POR NOTAS FISCAIS DE FAVOR 20.1. Neste item nos deparamos com um verdadeiro planejamento tributário executado pela fiscalizada a partir do período em que se "auto transformou" em uma entidade "isenta do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuições". 20.2. Nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010 a fiscalizada, registrou em sua contabilidade diversas despesas/custos efetuados com prestação de serviços utilizados para a realização dos serviços contratados com as prefeituras. Algumas destas despesas/custos foram objeto de auditoria mais detalhada para averiguarmos a efetiva prestação dos serviços registrados nas notas fiscais dos fornecedores e o desembolso suportado pelo SIMINSTITUTO DE GESTÃO FISCAL. 20.3. Após análise dos documentos referentes às despesas/custos contabilizados pelo SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL relatados neste item, consideramos diversos registros de custo/despesa inexistentes, por lançamento contábil amparado em documento, nota fiscal de favor e pela não comprovação da efetiva prestação dos serviços. 20.4. É materialmente inidôneo o documento emitido por empresa que embora existente, mas que descreve operação que não houve e/ou não tinha condições de fornecer. Fl. 2853DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 8 13 20.5. Pelas razões expostas a seguir, as empresas relacionadas são consideradas como empresa de fachada, em face de não apresentar capacidade operacional necessária à realização do serviço descrito nas Notas Fiscais, que é a prestação de serviços. 20.6 A análise desta fiscalização partiu da constatação de que foram contabilizadas diversas despesas, de valores relevantes tendo como prestadoras de serviço empresas que tinham como endereço cadastrado na SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL RFB o mesmo da fiscalizada. Os sócios dessas empresas eram associados do SIMINSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, seus parentes ou cônjuges, como a Sra. Cleide Maria de Alvarenga Andrade, a Sra.Luciane Veiga Borges de Almeida, e a Sra. Leide Luiza de Castro Moreira Andrade. A Sra. Cleide Maria de Alvarenga Andrade ainda era e é a responsável pela contabilidade do SIMINSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, e de todas as empresas relacionadas que se diziam prestadoras de serviços. 20.7. Constatamos que a maioria dessas empresas prestadoras de serviços relacionadas tiveram suas receitas declaradas recebidas exclusivamente do SIMINSTITUTO DE GESTÃO FISCAL e distribuíram rendimentos a seus sócios, que coincidentemente, eram os associados do próprio SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, a título de distribuição de lucros, cuja natureza era não tributável. 20.8 No ANEXO VII RELAÇÃO DAS EMPRESAS COM NOTAS FISCAIS GLOSADAS estão relacionadas as empresas cujos valores das notas fiscais foram glosadas. Das 7 (sete) empresas três delas tiveram suas atividades encerradas. 20.9 O negócio jurídico foi arquitetado e executado, com fim específico de simular eventos econômicos que, de fato, não tiveram existência real, visando, com a "auto transformação " em uma entidade isenta do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e contribuições, o benefício da suspensão de tributos e contribuições pela fiscalizada, prevista no art. 15, da Lei n° 9.532/1997 e com isto a desnecessária participação nas concorrências promovidas pelas prefeituras, clientes principais do SIMINSTITUTO DE GESTÃO FISCAL e ao final, a distribuição de rendimentos não tributados aos associados através das empresas ligadas, que se diziam prestadoras de serviços. 20.10. As pessoas jurídicas intermediárias, com existência jurídica, mas fictas enquanto agentes econômicos, posto não desempenharem nenhuma atividade finalística outra, senão, o papel de maquiarem, à vista da autoridade fiscal, situação de direito que de fato não ocorreu. 20.11 A necessária comprovação da efetiva prestação de serviços e do efetivo pagamento, de acordo com artigos 299 e §§ e 300 do RIR/99, estava amparada apenas na apresentação de cópia de notas fiscais emitidas pelas prestadoras de serviços. Os sócios responsáveis por tais empresas prestadoras de serviços Fl. 2854DF CARF MF 14 eram e são os próprios associados e/ou seus parentes e a contadora do SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL que se intitulava isento. 20.12. A cópia das notas fiscais emitidas por estas empresas, cujos valores foram glosados, que se diziam prestadoras de serviços, registrava como discriminação dos serviços, em sua grande maioria nos anos de 2008, 2009 e 2010 apenas "Prestação de serviços no mês.... ", e no ano seguinte, nas notas fiscais de 03 empresas, os serviços prestados foram de "Honorários contábeis" e em 02 empresas consta "Suporte técnico de informática, inclusive configuração, instalação e manutenção ". 20.13. Concluímos que não foram apresentados elementos suficientes que comprovassem a efetiva prestação dos serviços por essas empresas relacionadas e discriminadas neste Termo de Verificação e Constatação Fiscal. 20.14. Os documentos para comprovar o efetivo pagamento dos serviços são cópias de cheques emitidos por este mesmo instituto, assinados pela associada Luciane Veiga Borges de Almeida, CPF n° 001.485.43685 e que também era sócia da Editora SIM Ltda, da qual recebeu rendimentos isentos. Estes cheques eram nominais à própria entidade (SIM Instituto de Gestão Fiscal) e endossados no verso, podendo, portanto, serem sacados diretamente no caixa por qualquer pessoa. 20.15. Tais fatos confirmam que essas empresas foram criadas apenas como instrumento para transferir aos sócios, rendimentos que não foram tributados nos resultados do instituto "SIM" e nem na percepção dos mesmos pelas pessoas físicas. Criouse despesas artificiais, com objetivo final de reduzir de forma ilegal o superávit que fatalmente apuraria e que de acordo com legislação do IRPJ e contribuições pertinentes às entidades isentas, não poderiam ser distribuídos aos sócios. [...] 20.17. Ressaltamos que a simples contabilização das despesas não faz prova a favor do contribuinte. A contabilidade faz prova a seu favor quando se reveste das qualidades para tal, ou seja, quando a documentação comprobatória, os lançamentos contábeis, a coerência das datas, e o fluxo financeiro, em conjunto, estão em harmonia com o fato econômicocontábil. [...] Nos itens 20.25 a 20.31.12 descreve a Fiscalização constatações específicas acerca das empresas Editora SIM Ltda., Trajeto Ltda., Cinkin Serviços Ltda., Excelência Contábil Ltda., GSS Suporte e Manutenção em Equipamentos Ltda., Grupo SIM S/C Ltda, denominação alterada para Meta Fiscal Assessoria e Consultoria Ltda.,, 3D Participações Ltda., denominação alterada para AilAssessoria de Informática e Logística Ltda., para concluir que: todas as operações realizadas conforme acima descrito, tiveram o objetivo de distribuir o patrimônio da empresa SIM às pessoas físicas a ela ligadas, sem as amarras impostas pela legislação; Fl. 2855DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 9 15 20.33 É fundamental o registro das informações a respeito de cada empresa envolvida no que consideramos um verdadeiro "planejamento tributário " para fundamentarmos o entendimento de que todas estas empresas em algum momento ou durante todo o decorrer deste período tiveram como sócios e/ou responsável/contador, os associados/criadores do instituto. [...] 20.37 Entendemos, portanto, que se trata do fato da empresa SIMINSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, distribuir indiretamente lucros não tributados a seus associados e familiares, por meio das empresas que emitiam notas fiscais de favor, que não tinham funcionários para executar tais serviços e ainda, cujos sócios eram os próprios associados/funcionários. Estes sócios recebiam também lucros não tributados, ou seja, na realidade se tratava de remuneração indireta deixando a associação de ter o dever legal de recolher as obrigações sociais referentes aos salários destas pessoas físicas/funcionários/associados. Todos estes fatos, aliado a não comprovação da efetiva prestação dos serviços e a comprovação da saída dos recursos do caixa/banco da fiscalizada, levou esta fiscalização a considerar as notas fiscais emitidas pelas empresas relacionadas como de favor. [...] [...] Reportase então a Fiscalização à formalização de lançamento Reflexo de IRRF, como segue: 27.1. De acordo com o artigo 674 do RIR/99, que repete o artigo 61 da Lei 8.981/95 e seus parágrafos, os pagamentos a prestadores de serviços descritos neste relatório são considerados pagamentos sem causa. Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. [...] Justifica, na sequência, a aplicação da multa qualificada, prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, com a redação vigente em 31/12/2004, tendo em vista a falta de apuração do Fl. 2856DF CARF MF 16 IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS devidos por meio da conduta reiterada ocorrida nos anos calendários de 2008, 2009 e 2010 de: [...] 30.8. Tais condutas configuram o descrito no inciso I do art. 71, art. 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, pois foram atos dolosos tendentes a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Consigna a Fiscalização, no item 32 de seu Termo, a inexistência de decadência por inaplicabilidade do art. 150, § 4° do CTN dada a ocorrência de dolo, em virtude de contabilização reiterada de despesa com base em nota fiscal de favor e sem a plena comprovação da efetiva prestação dos serviços, agravada pela saída de recursos para os fundadores/sócios. No item 33 de seu Termo aborda a Fiscalização a Sujeição Passiva, como segue: 33.1. Em vista dos fatos detalhados neste Termo de Verificação e Constatação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração cabe consignar, primeiramente, que o artigo 121 do CTN (Código Tributário Nacional) elenca como sujeito passivo da obrigação principal, juntamente com o contribuinte, a figura do responsável. 33.2. Tratando também da sujeição passiva, o art. 124, inciso I do CTN estabelece que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. 33.3. E o artigo 135 do CTN, por sua vez determina que os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. 33.4. Nesse contexto, importa registrar os diversos atos praticados pelos sócios, que deixa evidente o interesse comum no fato gerador da obrigação principal: 33.5. Os sócios da empresa SIMSISTEMAS DE INFORMAÇÃO DE MUNICÍPIOS que se tornaram fundadores do instituto SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL se apropriaram indevidamente dos bens desta empresa antes de transformála em um instituto e ainda, do valor integralizado em moeda corrente, no ano de 2008, pela empresa TEVALI S/A que tem sede no Uruguai. 33.6. A "auto transformação " da empresa em instituto "isento de tributos e contribuições ", 33.7. A contabilização de despesas efetuadas com prestadoras de serviços cuja comprovação da efetiva prestação de serviços não ocorreu, mas que houve a efetiva transferência dos recursos, cujos sócios são associados do instituto. Fl. 2857DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 10 17 33.8. E, principalmente, a distribuição de rendimentos não tributados pelas fornecedoras dos serviços a estes mesmos sócios e/ou associados, em detrimento do recolhimento dos tributos devidos. 33.9. Esse interesse, aliás, reflete genericamente a própria lógica da atividade empresarial, uma vez que os sócios são os grandes interessados nas operações da empresa, em razão do resultado que elas produzem, que são os lucros a eles distribuídos. 33.10. Nestes termos, registrase que os sócios da fiscalizada, agora empresa SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL e/ou das outras empresas, "prestadoras dos serviços", pelo disposto nas normas legais mencionadas acima, são sujeitos passivos solidários relativos ao lançamento de ofício decorrentes das operações realizadas em nome da empresa: 33.10.01. Nilton de Aquino Andrade CPF: 276.717.47653, 33.10.02. Sinval Drummond Andrade CPF: 216.239.88691, 33.10.03. Nelson Batista de Almeida CPF: 485.919.47649, 33.10.04. Cleide Maria de Alvarenga Andrade, CPF: 643.250.59687, 33.10.05. Luciane Veiga Borges ,CPFn°: 001.485.43685, 33.10.06. Adriana Gonçalves de Assis Andrade, CPF n°: 894.510.23615, 33.10.07. Leide Luiza de Castro Moreira Andrade, CPFn°:503.23393691, 33.10.08. João Bosco Drummond Andrade, CPFn°: 387.250.37668, 33.10.09. Gilberto Batista de Almeida, CPF n°: 297.321.23672, 33.10.10. Thales Batista de Almeida, CPFn°: 495.218.10653. Após ciência das partes, o sujeito passivo e todos os solidários apresentaram defesas tempestivas (fls. 1939/2.335), reprisando os argumentos já invocados por ocasião da suspensão da isenção e acrescentando as alegações a seguir sintetizadas. Impugnação do devedor principal Pede a nulidade do ato declaratório suspensivo, uma vez que a contabilidade comprova a existência das despesas e seus efetivos pagamentos transitaram pelas contas bancárias do instituto. Sustenta, ainda, que: jamais houve remuneração aos dirigentes e todos os recursos foram usados na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; todas as pessoas jurídicas ou físicas que prestaram serviços à entidade recolheram seus tributos devidamente; Fl. 2858DF CARF MF 18 antes de ser instituto, a pessoa jurídica já era dispensada de licitação por inexigibilidade; não foi o fato de se tornar instituto que deu este garante à entidade, conforme comprovam os endossos de tribunais juntados; o fisco não comprovou a ocorrência de simulação, fato este que macula o lançamento. A fiscalização não esclareceu as razões pelas quais, por exemplo, não aceita que no quadro societário figure uma pessoa jurídica sediada no Uruguai; a prestação dos serviços foi equivocadamente considerada como inexistente, afinal eles ocorreram e eram necessários ao instituto para o cumprimento de seu desiderato social; a multa aplicada é confiscatória e inconstitucional, devendo ser reduzida para 20%; não há previsão legal para a Selic; Indica, no final, perito para apurar a verdade real tributária, relacionando os quesitos que entendem pertinentes. Impugnação das pessoas físicas Em linhas gerais, as defesas das pessoas físicas alegam: a nulidade da autuação em face da divulgação de dados econômicos e financeiros com violação do art. 198 do CTN; a inexistência de responsabilidade solidária à luz dos fatos reais e do direito positivo, assim como a não configuração de grupo econômico; o grau de parentesco, por si só, não é caso para aplicar a solidariedade; a presunção fiscal é presunção simples e, portanto, deve ser desconsiderada; de que o Instituto seria uma das reais proprietárias das empresas autuadas não têm qualquer sustentação e é facilmente ilidida através da vasta documentação acostada à presente impugnação; a simples vinculação entre pessoas jurídicas não é suficiente para a atribuição da sujeição passiva atinente à configuração de grupo econômico; não se pode aplicar o art. 124 isoladamente, este somente tem aplicação àquelas hipóteses em que a responsabilidade tributária esteja definida por lei, quer no próprio CTN quer em lei ordinária; inexiste responsabilidade das pessoas físicas mencionadas no Auto de Infração à luz do art. 135, III, do CTN e da atualizada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; As defesas foram julgadas improcedentes em primeira instância, conforme atesta a respectiva ementa (fls. 2.399 e seguintes): Fl. 2859DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 11 19 NULIDADE. Rejeitamse as preliminares de nulidade, quando não demonstrado cerceamento do direito de defesa dos interessados, tendo sido obedecidos, tanto no procedimento de suspensão de isenção como no lançamento do imposto e da contribuição devidos, todos os requisitos legais inerentes a essas atividades. QUEBRA DE SIGILO FISCAL. INOCORRÊNCIA. Não se configura quebra do sigilo fiscal a utilização dos dados fiscais das pessoas jurídicas trazidas à auditoria por meio de pesquisas aos sistemas informatizados, quando evidenciado o vínculo e o interesse comum daquelas com a pessoa jurídica fiscalizada, mormente se demonstra a Fiscalização a existência de administração e/ou sócios em comum, muitos deles parentes entre si, bem como o objetivo de gerar documentos fiscais destinados à redução do resultado da pessoa jurídica objeto de auditoria. IMPUGNAÇÃO. A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para o gozo da isenção de imposto e contribuição social, as associações civis devem prestar os serviços para os quais foram instituídas, colocandoos à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. Não faz jus a essa isenção a associação civil em relação à qual demonstrou a Fiscalização que se reveste formalmente de entidade isenta, sem fins lucrativos, mas efetivamente desenvolve atividade de sociedade empresária, prestando serviços remunerados e criando custos ou despesas inexistentes, no intuito de beneficiar os associados, seus cônjuges e parentes. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. IRPJ. CSLL. Suspensa a isenção do imposto de renda e da contribuição social, segundo os procedimentos estabelecidos em lei, é cabível o lançamento desses tributos para os respectivos períodos em que houve a suspensão. CUSTOS OU DESPESAS EFETIVOS. Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea. A escrituração somente faz prova a favor do contribuinte quando amparada por documentos hábeis a comprovar os fatos nela registrados. A falta de apresentação de documentos que comprovem a efetiva prestação dos serviços e justifiquem registros contábeis e dispêndios incorridos a título de custos e despesas, inviabiliza a sua admissibilidade na apuração do resultado e justifica a correspondente glosa. Fl. 2860DF CARF MF 20 EXIGÊNCIA DA CSLL. O desatendimento das condições para ter o direito à isenção do IRPJ implica também a perda do direito à isenção da CSLL. Reputados não efetivos, os dispêndios configuramse indedutíveis também na determinação da base de cálculo da CSLL. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento do IRPJ estendese à CSLL. PAGAMENTO SEM IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO E DA RESPECTIVA CAUSA DA OPERAÇÃO. É cabível a tributação exclusiva de fonte, à alíquota de 35%, para alcançar todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem causa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Não afastada a imputação fiscal de prática de atos dolosos tendentes a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, mantémse a multa de ofício aplicada no percentual de 150%. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da legislação em vigor, os juros serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelo crédito correspondente às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Após intimados, o sujeito passivo principal e as pessoas físicas Nilton de Aquino Andrade, Nelson Batista de Almeida e Sinval Drummond Andrade apresentaram recurso voluntário de fls. 2.659/2.682. Questionam o indeferimento do pedido de perícia. Pleiteiam nulidade por violação ao artigo 198 do CTN e pela ausência adequada de base legal para a suspensão da isenção. Insistem em argumentos de inconstitucionalidade e que os serviços glosados foram de fato executados a preço de mercado e as receitas daí proveniente foram devidamente tributadas pelas empresas prestadoras. Sustentam que a entidade cumpriu seus requisitos, bem como que a multa qualificada e a sujeição passiva teriam sido aplicadas incorretamente em face da falta de motivação e não cumprimento de seus pressupostos. Os solidários Thales Batista de Almeida e Luciane Veiga Borges de Almeida apresentaram o recurso voluntário de fls. 2.708/2.730. Imputam os fatos diretamente ao Instituto SIM. Alegam não possuir qualquer relação com o fato gerador; que os serviços foram Fl. 2861DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 12 21 de fato prestados; que não é caso de aplicação de responsabilidade do art. 135 do CTN e que a multa é abusiva. Nessa mesma linha é o recurso voluntário interposto por Adriana Gonçalves de Assis Andrade (fls. 2.733/2.755); o de Leide Luiza de Castro Moreira Andrade (fls. 2.758/2.780); o de João Bosco Drummond Andrade e Gilberto Batista de Almeida (fls. 2.783/2.804); e o de Cleide Maria de Alvarenga Andrade (fls. 2.808/2.830). É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Os recursos são tempestivos e atendem os requisitos de admissibilidade. Deles, portanto, conheço. 1) Perícia No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada quando imprescindível à solução da lide. Nesses termos dispõe o artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972: "Artigo 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis [...]". Como se nota, a realização de perícia constitui um expediente do qual as autoridades julgadoras podem se valer em prol de sua livre convicção acerca da lide. Tratase de pleito que se mostra cabível somente quando o Julgador entender essencial para a compreensão correta dos fatos e provas que compõem a demanda. Quando ausente esses requisitos, ou seja, na hipótese de inexistir dúvidas ou necessidade de esclarecimentos de questões fáticas e de direito tal como postas, o pedido deve ser indeferido. É importante frisar que o pedido de realização de perícia não pode ser confundido com o cumprimento do ônus da prova no âmbito do processo administrativo fiscal. Digo isso porque não raramente lidamos com situações nas quais fica evidente que o contribuinte opta pelo caminho simplista de requerer uma perícia, condicionando a prova que lhe compete produzir a evento futuro e incerto. Com efeito, as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita, como regra, em sede de impugnação, a não ser que isto seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 2862DF CARF MF 22 A juntada de “novos documentos” aos autos é medida, portanto, excepcional e permitida nas situações contempladas nos dispositivos citados, os quais devem ser interpretados com cautelas em face do princípio da verdade material. Nesse contexto, entendo que as matérias de fato e direito envolvidas no presente caso são suficientes para a resolução da controvérsia instaurada, não gerando dúvidas ou necessidade que demandem a realização de uma perícia. Indefiro, portanto, o pedido de perícia e não vejo nessa negativa nenhum prejuízo ao contraditório e ampla defesa. 2) Artigo 198 do CTN A Recorrente alega nulidade do procedimento fiscal que suspendeu a isenção, alegando divulgação de dados econômicos e financeiros com violação do art. 198 do CTN. Razão não lhe assiste. Isso porque não se cogita, nessa situação particular, de quebra de sigilo com ofensa ao dispositivo apontado, uma vez que a análise em questão ocorreu no bojo de um procedimento de fiscalização instaurado regularmente. O artigo 195 do CTN, aliás, prescreve que para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Ademais, ainda no que se refere à obrigatoriedade de prestar informações ao fisco, dispõem os artigos 927 e 928 do RIR/99: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante. Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). Notase, assim, que o fisco possui poderes para solicitar informações e documentos relativos à apuração de tributos das pessoas que entender vinculadas às operações que possam caracterizar fato gerador, não havendo n0o que se falar em ilícito. Nesse caso concreto, aliás, comprovouse que há identidade de pessoas nos quadros societários das empresas prestadoras de serviços e a fiscalizada, o que é de certo modo natural apurar os fatos em conjunto, cruzando informações e dados das empresas envolvidas. Afasto, contudo, a alegada nulidade. 3) Da fundamentação legal para a suspensão da isenção Fl. 2863DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 13 23 De plano, convém frisar que equivocase a Recorrente quando afirma que o SIM INSTITUTO seria entidade imune (fls. 2.668), razão pela qual a lei ordinária apontada como base legal dos lançamentos revelase inconstitucional. A discussão, na verdade, é da aplicação ou não da isenção de IRPJ e CSLL prevista no artigo 15, da Lei nº 9.532/1997, cujo § 3º condicionou o gozo ao cumprimento dos requisitos previstos no artigos 12, § 2º, “a” a “e” e § 3º e 13 e 14, in verbis: Art. 12 Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos§ 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; [...] § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anos calendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 2864DF CARF MF 24 Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. O ADE e o TVF indicam justamente o descumprimento das condições previstas nas alíneas "a" e "b" do parágrafo segundo acima transcrito. Os motivos para a suspensão da isenção, segundo a acusação fiscal, foram o não cumprimento das finalidades sociais, afinal a entidade teria continuado a praticar atividades econômicas, bem como que haveria distribuição de resultados o que é vedado através de pagamentos feitos por serviços considerados simulados e prestados por empresas constituídas por pessoas físicas ligadas ao negócio. Ambas as condições são válidas, vigentes e eficazes. Ao contrário do quanto afirmado pela Recorrente, e conforme restou demonstrado pela decisão de primeiro grau (fls. 2.445/2.446), as Ações Direta de Inconstitucionalidade nºs 1.8023 e 2.028 não possuem relação com este caso. Tal como foi estruturada, entendo que a suspensão da isenção do SIM – INSTITUTO observou corretamente os ritos e trâmites legais, não possuindo nenhum vício formal ou material que gere nulidade. 4) Inconstitucionalidade Atinente aos princípios e normas constitucionais que a Recorrente entende violados, cumpre frisar que este Conselho é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula CARF nº 22. Ademais, o Decreto nº 70.235/72 dispõe em seu art. 26A que: Artigo 26A No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal II – que fundamente crédito tributário objeto de 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 2865DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 14 25 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. Verificase, assim, que o afastamento da aplicação de norma legal, sob fundamento de inconstitucionalidade, somente é possível no âmbito do processo administrativo fiscal federal nas hipóteses acima elencadas, o que não é o caso presente. Falece ao presente julgador, portanto, competência para analisar os argumentos de cunho constitucional invocados pelos Recorrentes. 5) Da suspensão da isenção A partir das constatações fiscais e demais documentos anexados, restou evidenciado que: (i) o SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL foi constituído em decorrência de reorganização societária que transformou uma empresa até então com finalidade lucrativa, a SIMSISTEMAS DE INFORMAÇÃO DE MUNICÍPIOS, cuja razão social originária é TECNICONTA LTDA ASSESSORIA E TÉCNICAS CONTÁBEIS, criada em 24/08/1989 com o objetivo social de prestar serviços na área contábil, de informática, organização de empresas, assistência fiscal, auditoria e perícia. (ii) há registro na Ata da transformação da empresa em instituto, pelo sócio Sr. Sinval, que seria mantido o mesmo escopo e objeto de prestação de serviços, e que seria bastante para isso, a criação e a aprovação do estatuto próprio. Completou informando que a transformação carregaria para o instituto toda a história da empresa além de todos os contratos em vigor evitando qualquer tipo de entrave burocrático ou legal para a continuidade da execução dos serviços contratados. Disse que a nova entidade sem fins lucrativos, levará, na transformação, além da história e dos contratos, todo o Ativo e Passivo da atual SIM."; (iii) a ata é assinada como DiretorPresidente o Sr. Nilton de Aquino Andrade, como VicePresidente de Pesquisa e Desenvolvimento o Sr Nelson Batista de Almeida e como VicePresidente de Administração e Finanças, o Sr. Sinval Drummond Andrade, que eram os mesmos sócios da empresa SIM; (iv) nessa mesma Ata, o Sr. Nilton declarou que: "o Instituto, no entanto, não é uma entidade nova, mas sim e tão somente uma nova maneira, mais moderna e mais adequada para suportar o crescimento do mercado e atender às necessidades cada vez maiores dos clientes que previa o dia 01 de janeiro de 2003 para o início efetivo das atividades do novo Instituto."; (v) pouco tempo antes dessa alteração societária, a empresa SIMSistemas de Informação de Municípios integralizou o capital da empresa 3D Participações Ltda., CNPJ: 05.275.691/000150, utilizando todos os bens registrados no seu Ativo Permanente. Os sócios Fl. 2866DF CARF MF 26 da empresa 3D Participações Ltda. são os Srs. Nilton de Aquino Andrade, Nelson Batista de Almeida e Sinval Drummond Andrade. Ato contínuo, a empresa SIMSistemas de Informação de Municípios cede toda sua participação na empresa 3D Participações Ltda. aos sócios, pessoas físicas: Srs. Nilton de Aquino Andrade, Nelson Batista de Almeida e Sinval Drummond Andrade; (vi) o patrimônio da entidade, então, conforme descreve o próprio Estatuto Social, seria fruto de atividades nitidamente empresariais, quais sejam: "recebimento pela prestação de serviços a governos, órgãos ou entidades públicas" e "recebimento pela prestação de serviços a empresas, mediante contrato de parceria" (cf. art. 37, V e VI); (vii) a pessoa jurídica de fato continuou exercendo atividade econômica e empresarial, tendo celebrado diversos contratos de prestação de serviços contábeis e congêneres, especialmente com órgãos públicos, em especial prefeituras municipais; (viii) as principais despesas da entidade consistiam nas “subcontratações” ou “terceirizações” com empresas que prestavam serviços quase que exclusivamente ao Instituto, no mesmo endereço e cujos sócios eram os associados fundadores do Instituto, seus familiares ou funcionários da própria entidade; (ix) os valores dessas despesas reduziam o “superávit” da entidade em valores coincidentemente próximos; e (x) a contadora da entidade e de todas as demais empresas é a mesma, tendo figurada também como sócia em algumas dessas empresas prestadoras. Diante desses elementos, a autoridade julgadora concluiu que: 54. Dessa forma, observase que o fundamento para a inadmissibilidade do benefício, no caso de inversão de recursos da entidade para distribuir aos associados/familiares e pessoas ligadas, será o não cumprimento ao requisito básico legal previsto na alínea "b" do §2° do art. 12 da Lei n° 9.532/97. Segundo esse dispositivo legal, para gozo da isenção, as entidades beneficiárias deverão "aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais". Assim, ao carrear recursos da entidade para distribuir aos associados/familiares e pessoas ligadas, a entidade isenta não os estará aplicando na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais, descumprindo um dos requisitos básicos para o benefício fiscal, pois tornamse diversos o caráter dos recursos e as condições de sua obtenção. 55. E, ainda, outro fundamento para a perda do benefício fiscal é a percepção de receitas oriundas da prestação de serviços que correspondem a atos de natureza econômicofinanceira, de forma concorrente com organizações que não gozem de isenção, bem como a remuneração, por qualquer forma, de seus dirigentes pelos serviços prestados. 56. A percepção de receita pela prestação de serviços, de forma permanente, contrapõese ao que foi estabelecido no estatuto social, assim a renda proveniente da prestação dos serviços contratados nos remete à legislação comercial e às normas de apuração do IRPJ (arts. 224, 279 e 519 do RIR/1999), a que se sujeitam as pessoas jurídicas com finalidade lucrativa. Fl. 2867DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 15 27 Como se nota, a fiscalização e a decisão de piso concluíram que a Recorrente teria descumprido os requisitos da isenção, quais sejam: o desvio de sua finalidade institucional e a remuneração de dirigentes por meio de simulação. A meu ver tal conclusão foi embasada em uma fiscalização convincente, eficiente e que conseguiu reunir diversos indícios que, uma vez analisados em conjunto, são capazes de provar os fatos por ela narrados e, conseqüentemente, o acerto quanto à suspensão da isenção da Recorrente. Os elementos probatórios produzidos pelo fisco, ao contrário do quanto alega os Recorrentes, não constituem meras presunções simples incapazes de fazer prova. Segundo Fabiana Del Padre Tomé3: É corrente a distinção entre indício e prova em função do grau de convicção que o fato provado acarrete no julgador: seria prova quando levar à certeza, e indício se dele decorrer mera possibilidade. Só haverá certeza sobre a veracidade ou não de um fato, porém, se sua ocorrência for necessária ou impossível. Em todas as demais hipóteses, estaremos sempre diante de meras probabilidades, cuja força varia conforme o número de indícios favoráveis e contrários, firmandose, em nome da segurança jurídica, uma “certeza no direito”. A decisão do julgador é que determinará se ocorreu ou não determinado fato e essa será a verdade jurídica. Por tal razão, conclui Francesco Carnelutti que a certeza é também alcançada pelas presunções estabelecidas a partir de indícios: “se com certeza se designa a satisfação do juiz acerca do grau de verossimilitude, não cabe negar que se obtém inclusive com as fontes de presunção, posto que, se não a obtivesse, não poderia jamais considerar provado o juiz um fato por meio de presunções”; Até mesmo porque, como vimos em tópicos antecedentes, toda prova é indiciária, levando ao estabelecimento da verdade por meio de raciocínio presuntivo. De fato, nos casos que envolvem dolo, fraude ou simulação, a constituição de prova constitui tarefa complexa e de árdua produção, afinal as partes buscam intencionalmente esconder a verdadeira causa e finalidade do seu comportamento negocial. É justamente em cenários como o presente que devemos nos socorrer às provas ditas indiretas, figuras estas que, aliás, são admitidas no ordenamento jurídico como meio probatório hábil e idôneo e que cada vez mais ganham espaço no direito tributário brasileiro. Não é mais possível negar que a comprovação de situações que envolvem empresas interpostas, por exemplo, onde o que se busca é justamente a ocultação da verdadeira parte ou operação, requer e prescinde da utilização de indícios e presunções, que são provas admitidas no Direito. Sobre o tema, precisas são as palavras de Fábio Piovesan Bozza4: 3 A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses. 2005. P. 138. 4 Planejamento tributário e autonomia privada. São Paulo: Quartier Latin. 2015. P. 191/193. Fl. 2868DF CARF MF 28 Por se tratar de prova indireta, a conclusão sobre a existência do fato principal desconhecido, a partir de indício, estará sujeita a diferentes graus de crença. Se o fato desconhecido pode ter multiplicidade de causa, ou ser causa de muitos efeitos, o indício isolado perde a força e impede o emprego da presunção. Por isso, o quadro de indícios deve ser: · preciso: o fato controvertido deve ter ligação direta com o fato conhecido, podendo dele extrair consequências claras e efetivamente possíveis, a ponto de rechaçar outras possíveis soluções; · grave: resultante de uma forte probabilidade e capacidade de induzir à persuasão. · harmônico: com os indícios concordantes entre si e não contraditórios, os quais convergem para a mesma solução, de modo a aumentar o grau de confirmação lógica sobre uma dada ilação. O que precisa ficar claro, nesse contexto, é que apenas a conjugação de indícios coerentes, precisos e que se convergem para uma presunção que gere confiança para o convencimento é que caracteriza a prova em favor do fisco. Nesse sentido também caminhou a jurisprudência administrativa deste E. Conselho, conforme atestam as ementas abaixo: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. (Acórdão nº 10423.293. DOU 30/10/2008). PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. É o caso dos autos em resta patente a interposição de pessoa jurídica inexistente de fato. (Acórdão nº 10709.175. DOU 18/02/2009) ÔNUS DA PROVA INDÍCIOS CONVERGENTES O encargo de trazer prova aos autos é do contribuinte quando o Fisco reúne vários fatos conhecidos que representam indícios, os quais, reunidos e coordenados por processo lógico, resultam no fato até então desconhecido e considerado como omissão de receitas. (Acórdão nº 10807.991. DOU 01/12/2014) Nesse estado de coisas, entendo que, diante do conjunto de indícios colhidos, nenhum reparo cabe à decisão recorrida. A isenção de IRPJ e CSLL prevista no artigo 15 da Lei nº 9.532/97 pode ser usufruída por entidades que se qualifiquem como “instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico ou “associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”. Ou seja, para a realização de atividades sociais específicas não lucrativas, é possível constituir entidades ditas do Terceiro Setor, tais como as associações e fundações Fl. 2869DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 16 29 filantrópicas. Ambas figuras societárias são entidades civis, diferenciandose pelo fato de que, enquanto as associações constituemse a partir da união de pessoas organizadas para a consecução de determinado fim, as fundações são formadas por um complexo de bens destinados a uma finalidade explicitada no estatuto social. Nas associações predomina o elemento pessoal, ao passo que nas fundações fazse essencial um patrimônio. De acordo com o art. 53 do Código Civil, constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. O associativismo ou prática da associação advém da livre iniciativa de organização de pessoas (associados) para obtenção de finalidades comuns sem o intuito de lucro. A associação colocase à disposição dos associados para a prática de determinada atividade social em prol de um grupo. A essência da associação é atuar de forma suplementar ao Estado, oferecendo muitas vezes serviços comunitários ou ensinamentos técnicos a um público dirigido. Não raramente as autênticas associações são custeadas por meio de doações e contribuições dos próprios associados e demais colaboradores. Não negase, porém, que uma associação pode realizar determinadas atividades que gerem receitas, mas não enquanto atividade fim preponderante. A razão de ser de uma associação, pois, é explorar atividade de cunho não econômico. Eventual atividade empresarial que seja explorada em prol da sua atividade social deve representar apenas meio de fomento, isto é, mera subsistência para a causa jurídica da entidade. Afirmase, assim, que atividades paralelas ao fim da associação não podem prevalecer, sob pena de descaracterização da própria essência da entidade associativa. Como bem relatado pela DRJ, o tratamento fiscal privilegiado dispensado a essas entidades impede que elas venham a desvirtuar suas finalidades essenciais para as quais foram criadas pela prática não eventual de atos de natureza mercantil, violando, assim, o princípio da livre concorrência, na medida em que estariam, deslealmente, disputando o mercado privado com organizações não alcançadas pela situação privilegiada. No caso do SIM INSTITUTO, de acordo com seu Estatuto Social (Fls. 1.973 e seguintes): Art 1o O SIM Instituto de Gestão Fiscal, é uma sociedade civil, cientifica, sem intuitos lucrativos, constituida com a finalidade de oferecer.suporte técnico; científicocultura! em apoio aos municípios na área de contabilidade pública e congêneres em todo o território brasileiro. [...] CAPÍTULO II Do Objetivo Social Art 4o A sociedade tem por objeto estudar, pesquisar e difundir a contabilidade pública em todos os seus níveis e aspectos, nas áreas administrativa, econômicofinanceira, tributáriafiscal, tecnológica, ambiental, educacional e social, de capacitação e preparação de profissionais a elas vinculados, podendo, para atingir seus fins junto às entidades contratadas: Fl. 2870DF CARF MF 30 I promover atividades que visem o aprimoramento profissional e o desenvolvimento cultural e científico em contabilidade pública;' II implantar uma nova cultura concernente à contabilidade pública, voltada para a qualidade técnica e profissional, desenvolvendo ferramentas capazes de elevar o padrão dos processos de gestão, podendo inclusive disponibilizar equipamentos necessários à consecução dos objetivos indicados no capuí; III contribuir, através da elaboração de projetos" específicos, para o aprimoramento e a melhor capacitação dos recursos humanos nas diversas área da administração pública, objetivando a modernização administrativa e tecnológica das organizações; IV desenvolver projetos de contabilidade pública para ap«p à cultura e às artes em geral; V incentivar e promover a utilização de recursos de informática nas rotinas das diversas áreas de contabilidade pública; elaborar métodos e estudos para formar quadros capazes de agilizar processos e racionalizar métodos de execução, podendo, para tanto, disponibilizar sistemas contábeis e outros meios afins necessários VI promover estudos e pesquisas que visem â modernização e melhor funcionamento dos ambientes em que devam ser exercidas as funções meio e fins das áreas atendidas pelos serviços de contabilidade pública; VII promover programas e projetos que objetivem ò planejamento financeiro, orçamentário, contábil e tributário das organizações públicas, identificando economias fiscais e adotando ações administrativas e Judiciais necessárias a sua recuperação; VIII desenvolver estudos e pesquisas relacionados aos processos educacionais e organizacionais das áreas atendidas pelos serviços de.contabilidade pública, bem como, sempre que possível, promover a publicação dos mesmos Mais adiante, o Estatuto Social, no art. 37, registra que o patrimônio do SIM será constituído por recebimento pela prestação de serviços a governos, órgãos ou entidades públicas (inciso V) e recebimento pela prestação de serviços a empresas, mediante contrato de parceria (inciso VI). Na prática, porém, restou demonstrado que a causa do SIM INSTITUTO, na verdade, era continuar prestando os mesmos serviços até então prestados pela Sociedade Limitada que a antecedeu e outras ligadas ao grupo. É curioso notar que o próprio Estatuto reconhece a prestação desses serviços, mas conferelhe natureza apenas complementar à uma atividade pretensamente social, genericamente prevista no artigo 4, mas cuja existência fática as partes não conseguiram comprovar. Também os fundadores da entidade emitiram declarações acerca da continuidade de exploração de serviços em estrutura apenas mais moderna, não se preocupando muito em demonstrar o que de fato seria a finalidade filantrópica. Valendose, então, da reputação conquistada por longo período no mercado, o grupo SIM, podese assim dizer, transformouse em uma "associação" apenas aparente, pois Fl. 2871DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 17 31 continuou a exercer nítida atividade empresarial, em sentido oposto à razão de existir do benefício fiscal da isenção. Ao contrário do que sustentam os Recorrentes, a atividade fim praticada foi a de prestar serviços contábeis e congêneres, atividade esta que possui nítido caráter empresarial. Ocorre, porém, que uma vez qualificada enquanto entidade filantrópica, a Recorrente, além da isenção, estaria dispensada de licitações com seus principais clientes, conforme artigo 24, XIII, da Lei n. 8.666/93: Art. 24. É dispensável a licitação: ]...] XIII na contratação de instituição brasileira incumbida regimental ou estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento institucional, ou de instituição dedicada à recuperação social do preso, desde que a contratada detenha inquestionável reputação éticoprofissional e não tenha fins lucrativos; A Recorrente, nesse ponto, afirma que já estaria dispensada de licitações anteriormente (ou seja, antes de ser transformada em associação), mas deixa de apontar quais as razões concretas da alegada dispensa, não indica seu fundamento e, principalmente, não comprova tal afirmativa. A meu ver, é indiscutível que o grupo SIM, participando em licitações enquanto associação civil sem finalidade lucrativa, poderia se habilitar bem mais facilmente em licitações. Isso é inegável. No que concerne às decisões judiciais invocadas pela defesa e no recurso como provas, noto que dizem respeito à apreciação de denúncias formuladas pelo Ministério Público em face de Prefeitos Municipais e representantes da Recorrente, mas que não guardam relação direta com os fatos e circunstâncias objeto da presente lide. Concordo com a decisão de piso quando se manifestou sobre o tema. Veja: [...] divergências entre as partes contratantes (Prefeituras e Instituto), a circunstância de pedido de imputação de crime formulado em denúncia não prosperar por entender a autoridade judicial a existência de deficiência na peça acusatória ou a determinação de limites para bloqueios de bens em face da ação de improbidade em nada alteram os fatos descritos no presente processo administrativo e que justificam a suspensão da isenção e a formalização da exigência dos tributos lançados. Cabível consignar que a discussão sobre o reconhecimento da fraude civiltributária para o efeito de suspensão de isenção e formalização de lançamentos tributários com majoração da multa de ofício de 75% para 150% , não se confunde com a imputação de crime no âmbito penal. O desfecho de ações penais geradas em outros feitos, seja ele procedente ou improcedente, realmente em nada altera a suspensão da isenção e os lançamentos objeto dos processos administrativos ora em discussão. Muito pelo contrário, entendo que a existência de ações judiciais movidas para desqualificar contratos feitos pela entidade constitui mais um indício de irregularidade na sua atuação. Fl. 2872DF CARF MF 32 Foram apurados, a bem da verdade, diversos elementos de prova que, uma vez articulados e organizados, permitem ao presente Julgador criar uma convicção segura de que a Recorrente não cumpriu os requisitos previstos para gozo da referida isenção. Como bem resumiu a autoridade fiscal: 20.16. As operações estruturadas em sequência, com a transferência, no ano de 2002, de todos os bens do Ativo Permanente da empresa SIMINSTITUTO DE GESTÃO FISCAL para a empresa 3D Participações Ltda (atualmente AIL Assessoria de Informações e Logística Ltda) e posterior cessão de toda a participação no capital da 3D Participações Ltda aos sócios, mesmas pessoas físicas fundadoras do instituto. A transformação da forma de constituição da empresa SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, prestadora de serviços em um instituto, isento de tributos e contribuições, cuja receita era originária em contratos de prestação de serviços com prefeituras, tinha como objetivo primeiro a dispensa de participar de licitação para assinar tais contratos, de acordo com o inciso XXIV do art. 24 da Lei n° 8.666/93 alterado pela Lei n° 9.648, de 1998 de 21/06/1993. Em seguida, terceirizava os serviços a empresas "prestadoras de serviços" criadas anteriormente pelos próprios patrocinadores do "instituto", que tinha e tem como responsável pela contabilidade tanto do instituto como destas empresas contratadas, a mesma contadora, Sra. Cleide Maria de Alvarenga Andrade, esposa de um dos associados do instituto. Esta senhora ainda tem, em algumas destas empresas, a maior participação e maior retirada de rendimento isento (não tributado). Todas as empresas citadas registraram como endereço (mesmo prédio) coincidentemente do "instituto", que são as salas utilizadas para integralização do capital social da empresa 3D Participações Ltda, pela SIM cujas alterações contratuais estão relacionadas no item 20.31. Ocorreram atos sucessivos num curto espaço de tempo, que denotam a caracterização da operação como a de um "planejamento tributário ilícito", e que levam ao não oferecimento à tributação dos rendimentos auferidos pela empresa que se "auto transformou" em instituto. Nesse sentido, estou convencido de que a decisão para suspender a isenção está firmada em duas premissas sólidas e comprovadas: (i) a de que a Recorrente não praticou atividades típicas de entidade sem fim lucrativo, continuando a exercer atividade empresarial; e (ii) remunerou os “associados” ou sócios por meio de operações simuladas, conforme será visto mais adiante. Dessa forma, JULGO IMPROCEDENTE o RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendo o Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 13, de 2013, que suspendeu a isenção do SIM – INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL para os anos calendário de 2008, 2009 e 2010. 6) Dos lançamentos de IRPJ e CSLL De início, cabe ressaltar que nenhum reparo cabe à metodologia de tributação que foi adotada para fins de IRPJ e CSLL. Isso porque a própria legislação fiscal estabelece Fl. 2873DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 18 33 como regra geral o período de apuração trimestral, conforme artigos 1º e 2º da Lei nº 9.430/19965. No tocante a menção à auditoria por amostragem, entendo que houve uma certa “descontextualização” do termo. Tal expediente análise por amostragem é usual e em nada desmerece o trabalho de fiscalização. Ao longo de sua narrativa sobre a ação fiscal, a fiscalização alega que teria se deparado, na verdade, com “planejamento tributário ilícito”, “empresas de fachada” e “simulação”, o que a levou a glosar as despesas com a prestação de serviços cujas notas fiscais foram consideradas "de favor", considerando, ademais, espécies de pagamentos sem causa. De fato, a simulação realmente permite ao fisco afastar os atos considerados inexistentes e descortinar aqueles efetivamente praticados. Tanto é assim que ela constitui, junto com as figuras do dolo e fraude, hipótese de revisão de ofício expressamente prevista no artigo 149, VII, do CTN, transcrito adiante. “Artigo 149 – O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] VII – quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. No contexto dos limites ao planejamento tributário, a figura da simulação cada vez mais merece destaque, afinal ela está inserida na fronteira do que pode e o que não pode fazer nesta seara. É a simulação uma espécie de divisor de águas. Havendo simulação, é caso de evasão fiscal, ilicitude que deve ser combatida, permitindo a requalificação jurídica. Afastada a simulação, tratase de elisão fiscal, isto é, planejamento fiscal lícito. É imprescindível, portanto, delinear os contornos doutrinários e normativos da simulação, para em seguida ponderar se estamos ou não diante de uma simulação implementada para contornar indevidamente as proibições inerentes ao gozo da isenção. As teses tradicionais sobre o conceito de simulação desenvolveram seus estudos dentro do âmbito do negócio jurídico, partindo da premissa de que a simulação corresponde a um defeito, um vício do negócio jurídico. Simular é tornar semelhante, dar aparência ao que não é verdadeiro; a simulação pode compararse a um fantasma, a dissimulação a uma máscara. É este o ponto de partida adotado na clássica obra de Francisco Ferrara6, civilista italiano que muito influenciou a doutrina brasileira. Adepto da teoria voluntarista, leciona que o negócio simulado implica a ocorrência de uma aparência diferente da realidade. Assim, a característica marcante do 5 Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. Art. 2o A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida mensalmente, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, observado o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 29 e nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 6 A simulação dos negócios jurídicos. Trad. Dr. A. Bossa. São Paulo: Saraiva. 1939. P. 50 Fl. 2874DF CARF MF 34 negócio simulado seria a divergência intencional entre a vontade e a declaração, visando iludir terceiros. A crítica que se costuma fazer dessa teoria diz respeito à ausência da aludida divergência. Precisamente porque os simuladores declaram espontaneamente o que querem, não seria pertinente falar na existência de conflito entre a vontade e a declaração. É certo que não lhe querem os efeitos, mas querem a forma do negócio; a aparência desse negócio élhes indispensável por razões que as levam a simular7. Diante dessa crítica, a teoria declarativista – que possuiu menor influência que a teoria voluntarista , ainda conferindo enfoque subjetivista à simulação, passa a sustentar que a vontade interna não possui significado enquanto não seja declarada, razão pela qual a simulação deve ser vista como um conflito entre declarações. Desse modo, as partes emitiriam uma declaração dirigida ao público e uma contradeclaração para conhecimento restrito das partes (um “contrato de gaveta”, por exemplo), de modo que o efeito do negócio seria neutralizado. O negócio simulado, então, não seria um negócio inexistente, mas sim um negócio sem resultado jurídico. O principal argumento oposto à teoria declarativista consiste no fato de que o negócio simulado não seria neutralizado por um ato posterior, já que desde sua origem corresponde a um ato aparente. Desta forma, a contradeclaração não teria como revelar caráter modificativo, mas meramente declaratório. Ademais, a prerrogativa da nulidade advém do ordenamento jurídico, e não da autonomia da vontade8. As críticas às duas teorias subjetivas apontadas ensejaram o exame do instituto da “simulação” por um viés alternativo, o que deu azo às manifestações integradas na dita teoria objetivista (ou teoria causalista), a qual já dá sinais de prevalência na doutrina pátria acerca do tema. Francesco Carnelutti9 foi um dos que inaugurou a vertente teórica objetivista no campo de estudo da simulação, a qual para o autor é um incidente relacionado à inadequação da causa, decorrente da circunstância de um ato ser querido para o atendimento de interesse diverso ou incompatível com os seus respectivos efeitos jurídicos. Nesses termos, todo ato ou negócio jurídico tem uma causa, chamada de “causa jurídica” ou “função típica”, que corresponde aos efeitos jurídicos que se espera do negócio celebrado. Atentese que a causa corresponde às conseqüências jurídicas inerentes a cada tipo negocial. Como bem resume Orlando Gomes10, não é a causa antecedente, mas causa final, isto é, o fim que atua sobre a vontade para lhe determinar a atuação no sentido de celebrar certo contrato. Por isso mesmo, Heleno Tavares Torres11 expõe que: “Causa é a finalidade, a função, o fim que as partes pretendem alcançar com o ato que põem em execução, sob a forma de contrato, para adquirir relevância jurídica. Por isso, a causa é 7 Cf. Custódio da Piedade Ubaldino Miranda. A simulação no direito civil brasileiro. São Paulo: Saraiva, 1980, P. 37. 8 Cf. Fábio Piovesan Bozza. Planejamento tributário e autonomia privada. São Paulo: Quartier Latin. P. 158 9 Sistema del Diritto Processuale Civile, vol II. Pádua: CEDAM. 1938. 10 Contratos. Rio de Janeiro: Forense. 1987. P. 57. 11 Direito tributário e direito privado. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 2003. P. 141/142. Fl. 2875DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 19 35 elemento essencial do negócio, como fim de realizar uma operação apreciável economicamente, devendo ser sempre lícita e passível de tutela pelo direito positivo. E para cada contrato ou ato jurídico, somente uma causa. No contrato de venda e compra, a causa é o intuito de entregar um bem recebendo um preço correspondente. Caso seja um bem por outro, a causa já individualiza um outro contrato, o de permuta; e se não há intuito de obter o pagamento de preço, mas apenas atribui um bem a outrem, aumentando o patrimônio deste, a causa já impõe outra qualificação, o de um contrato de doação. Para Emílio Betti12, expoente da tese objetivista e muito citado pela doutrina brasileira, a simulação é o resultado de um conflito insanável entre o escopo típico e a causa. Ela expressa um abuso da função instrumental do negócio jurídico. Assim, o elemento fático, notadamente o comportamento negocial, deve participar diretamente da valoração dos vícios da causa. Haverá simulação se houver incompatibilidade entre a causa típica do negócio (causa abstrata) e a intenção prática concretamente procurada pelas partes (causa concreta). Com base, então, na teoria causalista (ou objetivista), a causa concreta atribui individualidade ao negócio jurídico. É a “porta de entrada” para interpretar o efetivo conteúdo negocial, definir a sua qualificação jurídica (se típico ou atípico) e, após isso, verificar sua compatibilidade ou não com o respectivo tipo (causa abstrata), a fim de aferir se o ato ou negócio é legítimo quando há esta compatibilidade; ou simulado quando não há tal compatibilidade. Dentre as classificações feitas no âmbito da simulação, a mais importante é aquela que se faz em função ao fim a que se presta. Assim, se é a própria simulação a relação jurídica estabelecida entre as partes, falase em simulação absoluta. Caso, porém, se tem por finalidade a celebração de um negócio para esconder outro, o dissimulado, estaremos diante da simulação relativa. Na simulação absoluta as partes criam um ato ou negócio que é meramente aparente, produzindo uma ilusão aos olhos de quem vê. Declaram algo que não ocorreu. Assim, por exemplo, determinada pessoa simula alienar imóvel com o objetivo de fraudar a partilha diante de uma dissolução de união estável. Já na simulação relativa as partes celebram um negócio para encobrir outro. Declaram que ocorreu uma coisa (doação, por exemplo) para encobrir coisa diferente, dissimulada (como uma compra e venda). Na fértil imaginação de alguns autores a simulação absoluta já foi chamada de simulação nua, corpo sem alma, ilusão externa, fantasma, negócio vazio e véu enganador; a simulação relativa, por sua vez, não raramente costuma ser referida como simulação vestida, máscara, roupagem, invólucro e túnica. E o intuito enganatório das partes, o acordo simulatório, costuma ser descrito como malícia, artimanha, artifício, astúcia, manha, dentre outros signos13. O Código Civil de 1916 disciplinava a simulação como causa de anulabilidade do negócio jurídico (art. 147, II). A simulação inocente, ou seja, aquela praticada 12 Teoria Geral do Negócio Jurídico. Campinas: Servanda. 2008. P. 562 e 578. 13 Exemplos extraídos da obra de Alberto Xavier. Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva. São Paulo: Dialética. 2002. P. 55. Fl. 2876DF CARF MF 36 sem o objetivo de prejudicar terceiros ou disposição legal, não era considerada defeituosa (cf. art. 103), razão provável da prevalência, até então, da teoria voluntarista. Com o Código Civil de 2002, a simulação foi inserida no capítulo “Da Invalidade do Negócio Jurídico”, passando a ser causa de nulidade do negócio, nos termos do caput do artigo 167: “Artigo 167 É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Ricardo Mariz de Oliveira, em texto publicado sobre a simulação no Código Tributário Nacional e na prática14, embora admita que a visão objetivista ou causalista de simulação passou a ganhar dimensão mais visível, buscou conciliar as correntes voluntarista e objetivista. Enquanto a teoria voluntarista enxerga a simulação pela desconformidade entre a vontade interna e o ato ostensivo, a teoria causalista a vê pela confrontação entre o ato externo e a respectiva causa, exatamente porque elas o utilizam tão somente para esconder outra realidade. Seriam diferentes enfoques compatíveis. Já Tércio Sampaio Ferraz Jr15 se manifestou como simpatizante da teoria causalista. Vejase: [...] a estrutura da mentira tem, no CC/2002 uma configuração diferente. [...] O novo Código altera o enquadramento da simulação. Não se trata, necessariamente, de um defeito (da vontade, maliciosa ou inocente), mas da presença de um requisito de validade aparentemente consistente com as regras de validade, mas, na verdade, inconsistente. [...] Como, então, as partes muitas vezes simulam (o negócio, portanto, é nulo), mas um fato (econômico), de algum modo acontece, o novo Código Civil (art. 167, par. 2º) ressalva os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Por exemplo, o Fisco. [...] Na comprovação da simulação, não caberia ao Fisco examinar a “real” intenção, mas visar ao uso inconsistente do meio (negócio típico) para atingir os resultados típicos, e, assim, mediante esses resultados, alcançar outros fins. [...] é indispensável examinar a ocorrência de “ações simuladoras”, isto é, ações que apenas simulam uma determinada consequência de fato. Ou seja, que as partes, ao eleger um negócio jurídico típico frustram suas consequências e, com isso, mostram que verdadeiramente não queriam o negócio que escolheram, mas outro. Com isso, o negócio jurídico e a sua execução econômica se mostram apartados. Finalmente, ainda convém informar que já existem manifestações que pretendem dar autonomia (tipicidade) ao negócio simulado. É o caso da obra de Luiz Carlos de Andrade Júnior, autor este que, após criticar a idéia tradicional de que a simulação consiste em um defeito no negócio jurídico, busca demonstrar, no negócio simulado, uma manifestação de autonomia privada típica pela qual as partes conjugam esforços para, através do engano, perseguirem um determinado resultado, e que é nula porque a lei assim estipula. Ao definir o 14 Revista de Direito Atual, v. 27. São Paulo: Dialética. P. 565. 15 Simulação e negócio jurídico indireto no direito tributário à Luz do novo código civil. Revista Fórum de Direito Tributário, v. 48. Belo Horizonte: Fórum, P. 10. Fl. 2877DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 20 37 conceito de simulação, leciona que “simulação é um programa de autonomia privada pelo qual as partes articulam ações e omissões com o objetivo de criar a ilusão negocial, assim entendido o erro coletivo, objetivamente aferível, relativo à interpretação e/ou à qualificação do negócio jurídico” 16. Delineadas as principais correntes doutrinárias acerca da matéria, passase a verificar as hipóteses de simulação positivadas no artigo 167, § 1º, do Código Civil: §1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados.” O primeiro inciso, quando se refere aos negócios jurídicos que aparentam conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se transmitem, compreende a simulação subjetiva. Tratase de hipótese de simulação relativa, afinal haverá dois negócios: o negócio simulado, nulo, e o dissimulado, pelo qual realmente se transmitem os direitos. Nesses casos de interposição de pessoas, cumpre observar que considerase simulada apenas a interposição fictícia, que é diferente da interposição real. Na interposição fictícia, o sujeito não quer aparecer no negócio, razão pela qual interpõe uma pessoa que concorda em substituílo para satisfazer a aparência. Não raramente a ação do interposto fictício limitase a “emprestar” seu nome nos documentos formais da operação negocial, sendo comumente chamado de testa de ferro, laranja, prestanome, dentre outros rótulos. O segundo inciso – simulação objetiva versa sobre declarações falsas (ou, com maior precisão semântica, declarações mentirosas). Nesta hipótese se enquadrariam mais facilmente os casos de simulação em face da divergência entre vontade e declaração, caso adotada a teoria voluntarista; os casos de negócio com vício de causa, para a teoria objetivista da simulação; e os casos de prática de negócio simulado enquanto contrato típico. A última hipótese (inciso III) – simulação de data – ocorre diante da presença de uma data não verdadeira. O negócio, assim, é simulado porque o aspecto temporal (isto é, o momento no qual foi de fato realizado) é aparente, ou melhor, simulado para o passado (antedatado) ou para o futuro (pós datado). Feitas essas considerações, e diante das teorias mais relevantes sobre a matéria, forçoso concluir que, em se tratando de reorganizações societárias ou qualquer outro negócio celebrado no âmbito do Direito Privado, haverá simulação apenas se (i) existir divergência entre a vontade e a declaração ou entre declarações; (ii) as consequências jurídicas verificadas na prática (causa concreta) não se prestarem ao seu tipo ou fins jurídicos (causa abstrata) ou (iii) quando as partes se valerem de um negócio simulado típico para criarem uma ilusão negocial aos olhos de quem vê. 16 A simulação no Direito Civil. São Paulo: Malheiros. 2016. P. 19. Fl. 2878DF CARF MF 38 No caso concreto, a fiscalização e a DRJ concluíram que houve simulação, uma vez que a Recorrente, sob a roupagem de associação filantrópica, praticou atividade econômica e teria remunerado dirigentes e funcionários por meio de empresas interpostas, dentro de um contexto de planejamento tributário ilícito. O exercício irregular de atividade econômica do SIM INSTITUTO é evidente, conforme já explanado. Também a simulação se faz presente na estrutura de contratação de supostas empresas prestadoras de serviços. Senão, vejamos. Os fundadores da entidade são sócios de empresa prestadora de serviços contábeis, de informática e assemelhados há anos. Resolvem transferir os ativos da empresa SIM para outra empresa de titularidade destes mesmos sócios. Logo em seguida, transformam a empresa em associação civil sem fins lucrativos, mas que, na prática, continua prestando serviços, mas agora não mais para efeitos de lucro, mas sim em prol de uma atividade social sabese lá exatamente qual, afinal nunca foi justificada e comprovada. Essa transformação em associação, a propósito, enseja mais facilidades na captação de clientela, órgão públicos, pois lhe traria uma dispensa legal direta de licitações. E no desempenho de suas atividades, a entidade filantrópica acaba assumindo despesas, em valores próximos ao superávit, a título de terceirização daqueles mesmos serviços, que passaram então a ser tomados de empresas prestadoras sem substância. As notas fiscais pelos serviços são descritas genericamente. Não há comprovação pontual da tarefa desempenhada, da composição do preço adotado ou da vinculação com algum contrato ou planilha. Há identidade quanto a contadora de todas as empresas fiscalizadas, que, aliás, é sócia de algumas das empresas e esposa do associado fundador. Os sócios das prestadoras de serviços, que possuem sede no mesmo prédio comercial, em salas aparentemente sem estrutura negocial, são os mesmos da entidade, além de familiares e funcionários do instituto. Quase que a totalidade da receita dos prestadores é proveniente de pagamentos provenientes do SIM INSTITUTO17. Ora, todos esses indícios somados, a meu ver, realmente constituem prova cabal de que estamos diante de uma estrutura simulada. Aquilo que foi declarado pelas partes não foi de fato realizado. O SIM – INSTITUTO, na verdade, figurou como associação e como contratante de serviços somente na aparência. É aqui que está justamente a divergência (ou contradição) entre a vontade das partes – prestar serviços pelo SIM e remunerar seus sócios e funcionários e os negócios por ela formalizados e divulgados ao público prestar serviços filantrópicos mediante subcontratação. Em face dessa divergência entre a “vontade real” e a “declaração das partes”, caracterizada está a simulação na corrente subjetivista. Os fatos apurados pelo fisco muito bem demonstram que os serviços cuja despesa foi glosada foram a maneira de camuflar a remuneração dos associados, que 17 A fim de comprovar tais pagamentos, houve apresentação de cópias de cheques emitidos pelo Instituto, assinados por uma associada que também era sócia de uma das prestadoras de serviços, nominais à própria entidade SIM e endossados no verso, de modo que poderiam ser sacados por qualquer pessoa. Fl. 2879DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 21 39 interpuseram pessoas jurídicas por eles constituídas, como meio de fraudar o impeditivo legal quanto à remuneração de dirigentes, familiares e funcionários de associações sem fins lucrativos. Na prática, a Recorrente jamais cumpriu sua finalidade jurídica de prestar atividades não econômicas típicas de uma associação. Não restam dúvidas, segundo penso, que a reorganização societária utilizada não serviu à sua causa. Tratase de negócio simulado também aos olhos da corrente objetivista, portanto. Analisando o filme (ou seja, o conjunto de atos feitos paralelamente e relacionados à operação), e não a foto (operações isoladamente consideradas), noto que ficou bem caracterizado que não houve a prestação de serviços descrita nas notas fiscais glosadas. Estas notas fiscais foram emitidas por pessoas jurídicas interpostas, na tentativa de dissimular pagamentos diretos de remunerações das pessoas físicas ligadas. A transformação da empresa para associação/instituto, diante do que foi exposto, constitui negócio simulado, razão pela qual é nulo de pleno direito. Em assim sendo, a fiscalização, dentro de sua competência funcional, corretamente requalificou os fatos para fins tributários. E nem se alegue que a contabilidade, por si só, faz prova em favor do contribuinte. Como bem fundamentou a decisão, em passagem que reproduzo abaixo e acolho, o contribuinte deve comprovar, com documentos hábeis e idôneos, os lançamentos que dão origem aos registros contábeis, o que jamais foi feito. Também alega a defesa que a prestação de serviços (a) de contabilidade para o instituto e (a.1) serviços de assessoria em contabilidade pública (b) edição de livros, (c) desenvolvimento de programas ligados à contabilidade, (d) de consultoria em tecnologia da informação ligadas à atividade do instituto e também à contabilidade pública, (e) de suporte técnico e manutenção em softwares, na medida em que o Instituto licencia um software para seus clientes, (f) o licenciamento e pagamento de royalties foi efetivamente necessário, pois com este software se realizava os serviços aos clientes do Instituto, ocorreu, seria real e que os serviços teriam sido pagos a valor de mercado. Contudo nenhuma prova documental hábil a comprovar a realização e efetivo recebimento dos serviços foi apresentada. Na defesa, o contribuinte, objetivamente, nada trouxe aos autos que pudesse elidir a acusação fiscal. Nenhuma contraprova foi apresentada no sentido de demonstrar que os serviços foram efetivamente executados, nem que atendem às condições de dedutibilidade por serem necessários, nem tampouco foram identificadas as causas dos correspondentes pagamentos contabilizados nem comprovadas as operações. Em função do que descrito nos itens 20.1 a 20.38, já reproduzidos no Relatório, entendeu, pois, o Fisco pelas glosas dessas despesas, tanto na determinação do IRPJ como da CSLL, demonstrando os motivos pelos quais entendeu que os correspondentes documentos fiscais não retratam nenhuma prestação de serviço, ou seja, tratase de uma inverdade, já que Fl. 2880DF CARF MF 40 emitidos de favor, para reduzir o “superávit” da suposta entidade isenta e distribuílo a pessoas ligadas (associados fundadores, cônjuges ou parentes). De longa data é entendimento do Conselho de Contribuinte, atual CARF, ser do contribuinte o ônus de comprovar a efetividade da prestação dos serviços, como refletem as ementas a seguir transcritas: “DESPESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – Para serem dedutíveis, é ônus da empresa provar que os serviços correspondentes às despesas contabilizadas foram efetivamente prestados em seu favor”. (Acórdão 10193.116, de 14/07/2000) “PROVA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – Somente são admitidas, como operacionais, as despesas com prestação de serviços quando efetivamente provada a sua realização, não bastando como elemento probante apenas a apresentação de contrato e notas fiscais que nada especificam.” (Ac. 1º CC 103 11.219/91 – DO 17/01/92) PROVA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇO – Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, face à legislação do imposto de renda, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido.” (Ac. 1º CC 1035.385/83 – Resenha Tributária, Seção 1.2, Ed. 14/84, pág 337). Também não são capazes de afastar as constatações fiscais, as alegações no sentido de inexistência de irregularidades na transformação da sociedade para instituto e nos demais atos societários realizados sob argumento de que seriam normais e estariam todos eles averbados na Junta Comercial. A regularidade das averbações de atos societários em órgão próprio não é hábil a validar a isenção pretendida nem afastar as exigências, sobretudo diante da utilização de notas fiscais consideradas de favor nas circunstâncias apuradas no procedimento fiscal. A simples contabilização das despesas, e eventuais atendimentos exclusivamente formais das operações isoladamente consideradas, não faz prova a favor do contribuinte. Os registros contábeis, pois, devem se revestir de documentos hábeis a comprovar sua efetiva origem e natureza, sob pena de serem desconsiderados. Feitas essas considerações, a minha opinião é a de que o comportamento das partes criou uma ilusão negocial acerca da atividade filantrópica da Recorrente. Sob este negócio aparente, operavase oculta a verdadeira intenção, qual seja, a de se valerem da forma de associação para fins fiscais e participação em licitações, quando, no mundo real, serviços de natureza econômica eram prestados pela entidade, sendo seus respectivos sócios e funcionários ("associados") normalmente remunerados. Correta, portanto, a glosa fiscal decorrente da falta de necessidade e comprovação dos referidos serviços. Fl. 2881DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 22 41 7) Dos tributos recolhidos pelas empresas interpostas A Recorrente alega que a decisão de primeiro grau "esqueceu" de explicar que sobre os valores pago a tais prestadores de serviços havia retenção de tributos e contribuições, bem como que as empresas recolheram tributos federais normalmente. Ora, a partir do momento no qual houve o reenquadramento jurídico do negócio praticado, isto é, reconhecido que não houve de fato a prestação dos serviços descritos nas notas fiscais emitidas pelas empresas interpostas, devese também requalificar os tributos pagos na operação, os quais devem ser deduzidos dos tributos lançados. Tal expediente, aliás, constitui prática que vem sendo adotada em algumas autuações ligadas ao tema de planejamento fiscal considerado ilícito, mas não a todas. Parece, então, que há uma divergência de interpretação dentro das próprias unidades de fiscalização tributária. Não obstante, a partir do momento em que o próprio fisco descortina dada operação caracterizada como simulação ou fraude, é mister aferir qual foi a economia ilícita obtida de fato, assim entendida como a diferença entre os tributos considerados devidos na operação dissimulada e os tributos que foram pagos a menor na operação simulada. É esta a diferença que é passível de cobrança, na linha do critério jurídico que foi empregado nos Autos de Infração. Não se trata, aqui, de uma compensação em sentido técnico, mas sim de apurar corretamente a base de cálculo, a qual deve estar em sintonia com a motivação dada à materialidade do lançamento. Ora, ao mesmo tempo em que devemse combater planejamentos tributários abusivos, também devese combater uma tributação formalizada em excesso. Nesse caso, a não dedução do que foi pago, além de contraditória com a tese acusatória, significa cobrar e penalizar o contribuinte em duplicidade. Vale dizer, a proibição quanto ao abatimento dos valores de tributos que já ingressaram nos cofres públicos, enseja um enriquecimento sem causa da Fazenda, em sentido contrário à moralidade administrativa e aos próprios fundamentos da autuação. Ressaltese, por oportuno, que essa C. Câmara, assim como a Câmara Superior de Recursos Fiscais, já se manifestaram favoravelmente ao abatimento em questão. Vejase: IMPOSTO PAGO PELA PESSOA FÍSICA. REQUALIFICAÇÃO. Requalificada juridicamente, por abusiva, a operação de alienação das ações da BM&F pela contribuinte a seu sócio majoritário S.A., devese requalificar também o imposto de renda efetivamente pago pela pessoa física do sócio naquela operação. (Acórdão nº 1201001.359. Sessão de 04/02/2016.) APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. Devem ser aproveitados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica cuja receita foi imputada à pessoa física, base de cálculo do lançamento de ofício. (Acórdão nº 9202002.451. Sessão de 23/11/2012). Fl. 2882DF CARF MF 42 APROVEITAMENTO PELA PESSOA JURÍDICA DO IMPOSTO PAGO PELA PESSOA FÍSICA NA REQUALIFICAÇÃO DOS FATOS Considerando que a fiscalização requalificou uma operação, deslocando o ganho de capital do sócio pessoa física, em função do qual havia recolhido o imposto, para a pessoa jurídica, devese tomar em conta os valores pagos por aquele, enquanto responsável solidário, na determinação do montante então apurado a título de IRPJ, não se estando diante de uma compensação, a qual naturalmente deveria seguir os ritos legais previstos para a espécie. (Acórdão nº 9101002.609. Sessão de 15/03/2017). Em consonância com a jurisprudência acima referida, entendo que os valores dos tributos efetivamente pagos pelas empresas tidas “como de fachada”, incidentes sobre os rendimentos provenientes do SIM – INSTITUTO referidos nos presentes lançamentos, devem ser deduzidos dos tributos que foram exigidos. 8) Do lançamento de IRFonte A decisão de piso (fls. 2.467) assim se manifestou sobre o lançamento a título de IRFonte: Acerca da apuração e dos valores lançados a título de IRRF, em que pese a formulação, no pedido de perícia, de quesito sugerindo a ocorrência de bis in idem – matéria apresentada e já apreciada e afastada nos autos do processo 15504.723875/201141 em que exarado Acórdão DRJ/BHE 02 37230 nada foi mencionado especificamente nas peças de defesa apresentadas nos processos ora em litígio, limitandose os interessados a defender a efetividade da prestação dos serviços e a questionar a glosa de custos/despesas. Recordese que a impugnação, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto n° 70.235/72 deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Nos recursos voluntários também não há questionamento dirigido ao lançamento do IRFonte, razão pela qual considero preclusa a matéria, nos termos dos artigos 16, 17 e 21 do Decreto nº 70.235/1972, que assim prescrevem: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. Fl. 2883DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 23 43 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável Da leitura desses dispositivos, verificase que, uma vez não apresentados os argumentos e provas documentais com a impugnação e com o recurso voluntário, preclui o direito do sujeito passivo. A peça recursal, assim como a impugnação, deve ser formalizada por escrito, incluindo todas as teses e provas de defesa, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções previstas nas normas legais. Não havendo questionamento específico para um dos itens do lançamento, considerase este não impugnado, ou seja, passível de cobrança imediata, nos termos do artigo 21 acima. Fl. 2884DF CARF MF 44 Ao tratar da preclusão, Antônio da Silva Cabral18 leciona que “o termo latino é muito feliz para indicar que a preclusão significa impossibilidade de se realizar um direito, quer porque a porta do tempo está fechada, quer porque o recinto onde esse direito poderia exercerse também está fechado. O titular do direito achase impedido de exercer o seu direito, assim como alguém está impedido de entrar num recinto porque a porta está fechada”. Adotandose esse racional, e tendo em vista que os recursos interpostos não atacam diretamente as exigências de IRFonte, considero preclusa a matéria deste item, devendo a exigência decorrente ser encaminhada para cobrança executiva. 9) Da multa qualificada de 150% Restou demonstrado que a Recorrente se valeu de uma estrutura simulada (nunca foi uma fundação ou associação em sentido jurídico), de forma intencional, para fins de obter vantagens empresariais e fiscais. Também a interposição de empresas é fruto de operação simulada, implementada para esconder as remunerações aos “sócios associados”. O que se tem no caso, pois, é a formalização de uma entidade que deveria ter outras finalidades para induzir o público a erro. Declaravamse isentos os valores provenientes de atividades empresariais e distribuíase o superávit na forma de prestação de serviços simulados pelos mentores da operação. Tal procedimento, a meu ver, caracteriza conduta dolosa (simulação fraudulenta) de tentar lesar o fisco, razão pela qual correta a qualificação da multa, como prescreve o artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Esse dispositivo, como se sabe, determina que o percentual de multa de 75% será duplicado nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os artigos 71, 72 e 73, por sua vez, prescrevem que: Artigo 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Artigo 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Artigo 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 18 Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Saraiva. 1993. P. 172. Fl. 2885DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 24 45 Segundo penso, o elemento doloso na simulação apontada é passível de enquadramento nos artigos 71, I e II, assim como no artigo 73, razão pela qual considero correta a exigência de multa qualificada. 10) Da responsabilidade atribuída às pessoas físicas A fundamentação legal para enquadramento das pessoas físicas arroladas como sujeitos passivos solidários, segundo o TVF (fls. 125/126), corresponde aos artigos 124, I e 135, III, ambos do CTN. Artigo 124, I, do CTN O artigo 124, I, do CTN, um dos fundamentos utilizados para imputar responsabilidade solidária, prescreve que: “Art. 124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” Notase, a partir desse dispositivo legal, que a solidariedade quanto à obrigação tributária principal é regida por uma norma própria que tem no núcleo de seu antecedente a existência de interesse comum das partes na situação jurídica que corresponde ao fato gerador tributário. Tendo isso em vista, a análise da procedência ou não do Termo de Sujeição Passiva Solidária depende da precisa delimitação do sentido jurídico da expressão “interesse comum”. Isto é importante porque o referido instituto jurídico não raramente é utilizado no “modo piloto automático” e como forma de buscar exercer um subjetivo “bom senso”, atropelando seus limites normativos. E como se verifica, a solidariedade foi tratada no Código Tributário Nacional de forma autônoma, ou seja, segregada do capítulo da responsabilidade tributária. No âmbito da responsabilidade tributária, terceiros são chamados a responder pela obrigação tributária, sempre que verificadas as condições postas pela legislação. Já a responsabilidade solidária, fundamentada no artigo 124, I, do CTN, não se dirige a terceiros, isto é, pessoas estranhas à relação jurídica que dá ensejo à obrigação tributária. Pelo contrário, a norma construída a partir do dispositivo legal em questão se dirige às pessoas que efetivamente participam do nascimento da obrigação de cunho tributário. Não custa lembrar que a redação do inciso I do artigo 124 é clara ao prescrever serem solidárias as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. É indispensável, portanto, para fins da correta aplicação da responsabilidade prevista no artigo 124, I, que as pessoas solidárias tenham participação no fato que constitui a hipótese de incidência tributária. As partes coobrigadas, contudo, devem participar de uma única relação jurídica, da qual em um dos polos apenas figuram as duas partes. Tratase de um pressuposto normativo que não admite restrições. Como já se posicionou o STJ: Fl. 2886DF CARF MF 46 [...] 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação (STJ REsp nº 884.845 – SC). A responsabilidade solidária constitui meio de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que compõem o polo passivo desde a origem da obrigação. Assim, por exemplo, ocorre com coproprietários de mercadorias que, vendidas, sujeitamse ao ICMS. Neste caso, existe a solidariedade, pois ambos estão no mesmo polo da relação (são vendedores). Na hipótese, porém, de faltar esta equivalência caso do usuário final que compra mercadoria com preço abaixo do mercado , não há que se falar em interesse jurídico e, conseqüentemente, imputar a responsabilidade por interesse comum. O interesse econômico, reconhecemos, até pode servir de indício para a caracterização de interesse comum, mas, isoladamente considerado, não constitui prova suficiente para aplicar a solidariedade. Também a utilização da responsabilidade solidária como espécie de “sanção” a determinada pessoa que teria “contribuído” com dada operação ou estrutura não é cabível do ponto de vista jurídico. É imprescindível existir, para que seja imputada a responsabilidade solidária, a participação efetiva do sujeito qualificado como solidário na ocorrência do fato gerador. Nesse sentido, o interesse comum de que trata o artigo 124, inciso I, do CTN é sempre jurídico, não devendo ser confundido com “interesse econômico”, “sanção”, “meio de justiça” etc. E também não é suficiente que a pessoa tenha tido participação furtiva como interveniente num negócio jurídico, ou mesmo que seja sócio ou administrador da empresa contribuinte, para que a solidariedade seja validamente estabelecida. Pelo contrário, é imprescindível a comprovação de que o sujeito tido por solidário teve interesse jurídico, o que se faz com a demonstração cabal da relação direta e pessoal dele com a prática do ato ou atos que deram azo à relação jurídico tributária. O ônus da prova acerca do interesse comum é do fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, que determina que compete privativamente à autoridade administrativa identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Compete à fiscalização, portanto, a tarefa de reunir elementos probatórios acerca do interesse comum, podendo se valer, no cumprimento deste ônus, de todos os meios de prova admitidos no Direito. Do ponto de vista da jurisprudência administrativa, destacase a noção correlata entre interesse comum e confusão patrimonial. Nestes termos, quando restar caracterizada a confusão patrimonial entre os dois ou mais sujeitos, cabível a aplicação da responsabilidade solidária. A expressão “confusão patrimonial” é inerente a teoria da desconsideração da personalidade jurídica do direito provado. Assim dispõe o artigo 50 do Código Civil: Fl. 2887DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 25 47 “em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica”. Como o próprio nome revela, confundir consiste no ato ou efeito de enganar, de iludir, enfim, aparentar ser. Na prática, ocorre a confusão patrimonial quando não é possível uma segregação clara entre as atividades profissionais ou empresarias exercidas por mais de um sujeito. Tal fenômeno costuma se revelar quando os negócios dos sócios se confundem com os da pessoa jurídica; quando há abuso dentro de um mesmo grupo econômico; quando as partes se valem de pessoas interpostas etc. De acordo com Luiz Carlos de Andrade Júnior19: “a confusão patrimonial caracterizase pela impossibilidade de distinguir se o uso e a disposição de determinados bens dãose pela sociedade ou pelos seus membros; ou, melhor dizendo, se o patrimônio é empregado de modo a satisfazer interesses de uma ou de outros. Configurase, por exemplo, quando a sociedade utiliza imóveis pertencentes aos sócios, emprega veículos destes para o desempenho de suas atividades operacionais ou paga suas contas pessoais. A confusão patrimonial pode, ademais, relacionarse a uma situação de controle, especialmente nos grupos econômicos de subordinação, em que as sociedades controladas perdem grande parte de sua autonomia de gestão empresarial em razão da atuação “soberana” da sociedade holding”. A existência ou não de confusão patrimonial depende de cada situação fática, mas é possível identificar alguns indícios comuns que podem levar a esta constatação. São eles, sem prejuízos de eventuais outros: 1 a capacidade dos sócios; 2 a coincidência de administradores e/ou procuradores; 3 gestão única do negócio; 4 semelhança de atividades; 5 identidade de endereço; 6 empregados comuns; estrutura operacional dependente; 7 incapacidade econômica; 8 benefício financeiro; e 9 impacto da carga tributária. Apenas com a reunião de indícios precisos e convergentes, capazes de caracterizar a confusão patrimonial como um todo, é que estaremos no campo do interesse comum, em seu sentido jurídico e, conseqüentemente, da responsabilidade solidária. Delineadas as premissas para a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I do CTN, passamos agora ver aquela prevista no artigo 135, III, do CTN. Artigo 135, III, do CTN Dispõe o artigo 135, III, do CTN que: 19 A simulação no direito civil. São Paulo: Malheiros. 2016. P. 209. Fl. 2888DF CARF MF 48 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. De uma rápida leitura do artigo 135, III, do CTN acima transcrito, percebese que a responsabilização pessoal de diretores, gerentes ou representantes depende de comprovação de conduta (i) com excesso de poderes ou (ii) infração de lei, contrato social ou estatuto. A responsabilidade de que trata o artigo 135, III, portanto, é composta por 2 (dois) elementos: o elemento pessoal, que diz respeito à pessoa que praticou a conduta, e o elemento fático, que diz respeito ao exercício de ato com excesso de poder ou com infração à lei, contrato social ou estatuto da empresa. Ainda segundo o CTN, a conduta que enseja a responsabilidade de terceiros deve estar intimamente ligada ao fato gerador do tributo, como prescreve o artigo 128 do CTN: Artigo 128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Dessa forma, o TVF deve demonstrar que a pessoa qualificada como responsável pessoal agiu em infração a lei, ou em contrariedade aos limites do desempenho de sua função de sócio administrador, e, mais ainda, que desta conduta é que teria resultado o ilícito. Quer a autoridade fiscal ver prevalecer o Termo de Sujeição Passiva Solidária, mister que ela comprove a participação direta e consciente do administrador na realização dos atos alegadamente simulados ou fraudulentos. Ressaltese, por oportuno, que já foi reconhecido e consolidado pelo STJ, por meio da súmula 430, que o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. O não pagamento do tributo pela sociedade, contudo, não é causa suficiente para que seus representantes se tornem responsáveis pelos débitos fiscais. Também a mera qualificação de sócio, diretor, gerente ou representante da empresa autuada, por si só, não é suficiente para ensejar a responsabilidade pessoal. Nesse ponto, vale assinalar que o STF julgou inconstitucional o artigo 13 da Lei nº 8.620/93, dispositivo este que pretendeu vincular à simples condição de sócio a obrigação por débitos previdenciários de sociedades limitadas. Transcrevo abaixo o seguinte trecho da ementa do referido julgado: 5. O art. 135, III, do CTN responsabiliza apenas aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa Fl. 2889DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 26 49 jurídica e tãosomente quando pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Desse modo, apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade entre o ilícito (mal gestão ou representação) e a conseqüência de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. 6. O art. 13 da Lei 8.620/93 não se limitou a repetir ou detalhar a regra de responsabilidade constante do art. 135 do CTN, tampouco cuidou de uma nova hipótese específica e distinta. Ao vincular à simples condição de sócio a obrigação de responder solidariamente pelos débitos da sociedade limitada perante a Seguridade Social, tratou a mesma situação genérica regulada pelo art. 135, III, do CTN, mas de modo diverso, incorrendo em inconstitucionalidade por violação ao art. 146, III, da CF. [...] 8. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 13 da Lei 8.620/93 na parte em que determinou que os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada responderiam solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social. (STF. RE 562.276. Plenário, 03/11/2010) O que buscamos demonstrar, a partir dessas decisões dos Tribunais Superiores, é que a responsabilização pessoal depende da comprovação (logo, não se presume) de que a pessoa praticou, por meio de ato doloso, conduta diretamente relacionada aos fatos reveladores do fato gerador. É o que se observa de recentes acórdãos do CARF. Vejase: “Os necessários elementos à caracterização da responsabilidade prevista no art. 135 do CTN são: a figura do administrador da sociedade, com poderes de gestão e as condutas reveladoras de excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, com a imprescindível demonstração do dolo” (Acórdão n. 3301003.160. Sessão de 25/01/17) “É imprescindível, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa. Porém, o autuante não imputou qualquer ato ilícito a cada um dos sócios, não individualizando as condutas, restando flagrante a ilegitimidade passiva pelo prisma desse dispositivo (135 do CTN)” (Acórdão n. 1401001.785. Sessão de 14/02/17) A atribuição de responsabilidade tributária, digase de passagem, não constitui expediente que possa ser utilizado “por atacado” ou “no automático”, uma vez que tal instituto exige a comprovação de que os fatos ou atos que geraram o descumprimento de normas tributárias tenham sido praticados conscientemente (isto é, com dolo) pela pessoa qualificada como responsável. Enquanto ato administrativo vinculado, o enquadramento do caso concreto à hipótese normativa deve ser motivado, permitindo o pleno conhecimento das circunstâncias fáticas e a devida compreensão das razões de direito que nortearam o lançamento por responsabilidade. Fl. 2890DF CARF MF 50 A mera indicação do dispositivo legal ou alegação genérica sem comprovação fática dos motivos que levaram a inclusão de determinada pessoa no polo passivo não é suficiente para ensejar a responsabilidade tributária em questão. Da situação concreta A motivação do tópico destinado à sujeição passiva consta dos itens 33.4 a 33.10 (fls. 126), a qual, resumidamente, imputa responsabilidade aos principais sócios 10 (dez) pessoas físicas , sem tecer considerações individualizadas específicas sobre comportamentos de cada um deles, além daquelas descritos de forma esparsa ao longo do termo de verificação. Da análise mais detalhada do TVF, é possível segregar dois grupos de pessoas. Vou chamar o primeiro grupo de participantes diretos, inserindo as pessoas para as quais há considerações apontadas de forma direta e com alusão a comportamentos que indicam que tinham conhecimento da referida estrutura simulada, a saber: NILTON DE AQUINO ANDRADE, SINVAL DRUMMOND ANDRADE, NELSON BATISTA DE ALMEIDA, CLEIDE MARIA DE ALVARENGA ANDRADE e LUCIANE VEIGA BORGES. Já o segundo grupo vou chamar de participantes indiretos, incluindo aqui as pessoas que foram incluídas no termo de sujeição passiva por possuírem vínculo familiar ou societário, bem como recebimento de dividendos enquanto sócios das empresas interpostas. São elas: ADRIANA GONÇALVES DER ASSIS ANDRADE; LEIDE LUIZA DE CASTRO MOREIRA ANDRADE; JOÃO BOSCO DRUMMONS DE ANDRADE; GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA; e THALES BATISTA DE ALMEIDA. Afasto, de imediato, a sujeição passiva desse segundo grupo, doravante participantes indiretos, uma vez que os elementos constantes dos autos, segundo penso, são insuficientes para essa imputação. A mera qualificação como sócio e parente, e um pretenso benefício econômico, desacompanhada de outra motivação ou prova acerca de conduta dolosa praticada, não é suficiente para a responsabilidade solidária. Por outro lado, entendo correta a imputação de responsabilidade solidária aos sócios participantes diretos. Logo antes da transformação formal da empresa SIM – de sociedade limitada para associação sem fins lucrativos os sócios Srs. Nilton, Nelson e Sinval, após reorganizações societárias, absorveram os ativos desta empresa investida. No momento da lavratura da ata de transformação da empresa SIM (empresa limitada com fins lucrativos) para SIM – INSTITUTO, os sócios eram os mesmos, os Srs. Nilton, Nelson e Sinval, pessoas estas que fundaram tal entidade e que constam, respectivamente, como DiretorPresidente, VicePresidente de Pesquisa e Desenvolvimento e VicePresidente de Administração e Finanças. O sócio Sinval registra na Ata que “a transformação carregaria para o instituto toda a história da empresa além de todos os contratos em vigor evitando qualquer tipo de entrave burocrático ou legal para a continuidade da execução dos serviços contratados. Disse que a nova entidade sem fins lucrativos, levará, na transformação, além da história e dos contratos, todo o Ativo e Passivo da atual SIM." Já o Sr, Nilton registra na Ata que “que o Instituto, no entanto, não é uma entidade nova, mas sim e tão somente uma nova maneira, mais moderna e mais adequada para Fl. 2891DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 27 51 suportar o crescimento do mercado e atender às necessidades cada vez maiores dos clientes que previa o dia 01 de janeiro de 2003 para o início efetivo das atividades do novo Instituto." Essas três pessoas, que são os fundadores, atuaram ativamente na prestação de serviços oferecida pelo "grupo SIM", são os principais sócios das empresas interpostas e os que mais receberam dividendos daí provenientes. Já a Sra. Cleide Maria de Alvarenga Andrade, esposa do Sr. Sinval, coincidentemente era a responsável pela contabilidade do SIMINSTITUTO e de todas as empresas relacionadas que se diziam prestadoras de serviços. Além disso, foi apurado que esta senhora ainda tem, em algumas destas empresas, a maior participação e maior retirada de rendimento isento (não tributado). A parte operacional de pagamentos ocorria a cargo de Luciana Veiga Borges de Almeida, de acordo com o seguinte relato do TVF (Fls. 113): Os documentos para comprovar o efetivo pagamento dos serviços são cópias de cheques emitidos por este mesmo instituto, assinados pela associada Luciana Veiga Borges de Almeida, e que também era sócia de Editora SIM Ltda, da qual recebeu rendimentos isentos. Estes cheques eram nominais à própria entidade (SIM – Instituto de Gestão Fiscal) e endossados no verso, podendo, portanto, serem sacados diretamente no caixa por qualquer pessoa. (item 20.14). A meu ver esse conjunto probatório assegura que os participantes diretos tinham conhecimento pleno da simulação, bem como que todo o negócio foi implementado com interesse comum em todos os seus aspectos: administrativo, operacional e financeiro. Administrativo porque as ordens partiam dos fundadores, como sempre ocorreu com o negócio econômico explorado; operacional porque se valeram de estrutura antes já existente dentro do grupo; e financeiro, porque possuíam poder de controle e manipulação quanto à emissão das notas fiscais simuladas, definição dos valores e pagamento dos dividendos. Pelo exposto, procedente a imputação da responsabilidade solidária às seguintes pessoas físicas: NILTON DE AQUINO ANDRADE, SINVAL DRUMMOND ANDRADE, NELSON BATISTA DE ALMEIDA, CLEIDE MARIA DE ALVARENGA ANDRADE e LUCIANE VEIGA BORGES. Da multa de ofício de 75% e aplicação da Selic Por fim, alega o contribuinte que a multa de ofício de 75% é abusiva e a aplicação da taxa Selic é carente de validade. Quanto à incidência da multa de ofício, dispõe o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96: “Artigo 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.” Fl. 2892DF CARF MF 52 A multa de ofício de 75%, conforme pode ser visto, tem previsão legal, razão pela qual foi corretamente exigida pela autoridade fiscal autuante. Quanto a seu caráter confiscatório, matéria de cunho constitucional, cumpre novamente ressaltar que, de acordo com a Súmula CARF n° 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Finalmente, em relação à aplicação da SELIC, a matéria já encontrase sumulada no CARF, nos seguintes termos: (Súmula CARF n° 4: a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.) O recurso voluntário, portanto, também não merece acolhimento nessa parte. Conclusão Por todo o exposto, voto por (i) NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO interposto em face da decisão de primeira instância que manteve a suspensão da isenção prevista no Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 13, de 2013; (ii) DAR PARCIAL PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS interpostos em face dos Autos de Infração pelo sujeito passivo principal (SIM – INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL) e os solidários Srs. NILTON DE AQUINO ANDRADE, SINVAL DRUMMOND ANDRADE, NELSON BATISTA DE ALMEIDA, CLEIDE MARIA DE ALVARENGA ANDRADE e LUCIANE VEIGA BORGES, para que os tributos efetivamente pagos pelas empresas tidas “como de fachada”, incidentes sobre os rendimentos provenientes do SIM – INSTITUTO referidos nos presentes lançamentos, sejam deduzidos dos tributos ora exigidos; e (iii) DAR PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS interpostos em face dos Autos de Infração pelos sujeitos passivos solidários ADRIANA GONÇALVES DER ASSIS ANDRADE; LEIDE LUIZA DE CASTRO MOREIRA ANDRADE; JOÃO BOSCO DRUMMONS DE ANDRADE; GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA; e THALES BATISTA DE ALMEIDA É como voto (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 2893DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 28 53 Fl. 2894DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001549/2007-01
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INTERPRETAÇÃO STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. Nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, a Corte Superior entende que pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea com o fim de eximir-se da exigência da multa moratória.
Numero da decisão: 1801-000.697
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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MULTA DE MORA. INTERPRETAÇÃO STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. Nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, a Corte Superior entende que pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea com o fim de eximirse da exigência da multa moratória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa em epígrafe apresentou a impugnação, fls. 01 a 10 ao lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração de fls. 46 e ss (procedimento de malha revisão Fl. 139DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 DCTF) lavrado para a exigência de multas de mora incidentes sobre tributos recolhidos em atraso, no caso CSLL relativas aos meses de janeiro, março, abril, maio, junho, outubro e novembro de 2004. A interessada, preliminarmente, concorda com a exigência tributária relativa ao mês de novembro de 2004 (vencimento em dezembro), já havendo recolhido a importância exigida no Auto de Infração no que concerne a este período – fls. 58. Todavia, argumenta que, com relação aos demais meses de 2004, recolheu os valores devidos em atraso, porém acompanhados dos juros moratórios e antes de qualquer procedimento fiscal ou da retificação das DCTF. Invoca o instituto da denúncia espontânea consagrado no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Esclarece que, in verbis: i) efetuou o recolhimento do débito acrescido apenas de juros de mora, conforme comprova DARF anexo (Doc. 04); (ii) apresentou petição formalizando a denúncia espontânea (Doc. 05) e, por fim, (iii) retificou sua Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais ("DCTF"), na qual informou os valores efetivamente devidos e recolhidos a titulo de CSLL. A Décima Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo (I) exarou o Acórdão nº 1624.807/10, fls. 72 e ss, mantendo o lançamento tributário da multa de mora. Assim restou ementado o aresto: FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. DESCABIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A alegação de que o instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) excluiria a exigência da multa de mora no pagamento espontâneo de tributo em atraso não possui base, quer no CTN, quer na legislação ordinária. Tempestivamente, a recorrente interpôs o Recurso de fls. 83 e ss, reprisando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A matéria ora discutida já foi objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ, na forma de recurso especial representativo de controvérsia, ao qual está adstrito o julgamento por este órgão colegiado, nos termos do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria MF nº 256/09 e alterações). Também tem sido objeto de julgamento por esta turma, pelo que extraio, por oportuno, trecho do voto da conselheira Carmen Ferreira Saraiva (Acórdão nº 180100.551): Fl. 140DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13811.001549/200701 Acórdão n.º 180100.697 S1TE01 Fl. 136 3 “Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01/09/20101 RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO : SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 1 https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=20090134142 4&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF Fl. 141DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Documento: 10649420 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/06/2010 Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Inferese que a denúncia espontânea afasta a aplicação da multa de mora no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação recolhido fora do prazo de vencimento, desde que este pagamento seja efetuado antes da declaração prévia pelo sujeito passivo e de qualquer procedimento de ofício. Este instituto também resta configurado no caso de o sujeito passivo, após efetuar a confissão parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente.” (grifos não pertencem ao original) No caso em concreto verifico que o tributo em pauta é a CSLL relativas aos meses de janeiro, março, abril, maio, junho e outubro do anocalendário de 2004. Verifico, ainda, que o Auto de Infração eletrônico consignou a data entrega das DCTF, trimestrais, retificadoras, como efetuadas em 05/09/05 (fls. 46) e os DARF de recolhimentos dos referidos tributos acusam, todos, a data de 29/07/05 (fls. 59 a 64). O Auto de Infração foi emitido a posteriori em 14/03/2007. Forçoso, pois, reconhecer que se enquadra perfeitamente, segundo entendimento da Corte Superior, nos casos de exoneração da multa moratória, albergada pela denúncia espontânea, por prêmio à confissão e pagamento antecipados à qualquer procedimento de ofício, efetuados pelo contribuinte. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13811.001549/200701 Acórdão n.º 180100.697 S1TE01 Fl. 137 5 Saliento que com relação à exigência relativa ao mês de novembro de 2004 não há litígio instaurado, havendo a recorrente concordado com a exigência fiscal. A autoridade que controla o crédito tributário deverá observar o DARF de fls. 58. Voto em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 143DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720532/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
ALIENAÇÃO IMÓVEIS. APLICAÇÃO PARCIAL DO PRODUTO DA VENDA AQUISIÇÃO DE OUTRO IMÓVEL.
A aplicação parcial do produto da venda de imóvel em aquisição de outro, no prazo de 180 dias, sujeita à tributação proporcional o ganho relativo ao valor da parcela não aplicada, conforme regra o § 2º do art. 39 da Lei nº 11.196/05.
Numero da decisão: 2402-005.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para fins de que seja recalculada a infração considerando-se apenas a parcela não aplicada na aquisição de imóvel residencial, no valor de R$ 50 mil recebidos em 20/7/2007.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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APLICAÇÃO PARCIAL DO PRODUTO DA VENDA AQUISIÇÃO DE OUTRO IMÓVEL. A aplicação parcial do produto da venda de imóvel em aquisição de outro, no prazo de 180 dias, sujeita à tributação proporcional o ganho relativo ao valor da parcela não aplicada, conforme regra o § 2º do art. 39 da Lei nº 11.196/05. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 05 32 /2 01 0- 79 Fl. 175DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para fins de que seja recalculada a infração considerandose apenas a parcela não aplicada na aquisição de imóvel residencial, no valor de R$ 50 mil recebidos em 20/7/2007. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10410.720532/201079 Acórdão n.º 2402005.969 S2C4T2 Fl. 602 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife (PE) DRJ/REC, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício 2009 (fls. 2/13), face à apuração de omissão de ganhos de capital na alienação do imóvel sito à rua Projetada B, nº 38, Maceió/AL. No curso da fiscalização foram apresentados os documentos: cópia de escritura relativa à compra do imóvel, pelo valor de R$ 29 mil, lavrada em 4/10/1996 (fls. 33/34); cópia da escritura de venda do referido imóvel a Júnio César Gontijo e sua esposa Helen Kássia Coelho Gontijo, pelo valor de R$ 250 mil, lavrada em 16/1/2008 (fls. 38/39); cópia do instrumento particular de compra e venda e cessão de crédito em dação em pagamento, com data de 31/7/2007, relativa ao imóvel em questão, onde consta como comprador cedido Joanice Batista Coelho e, como cessionária credora, a empresa Construtora e Incorporadora Monte Cristo Ltda. (fls. 40/43). No intuito de justificar o não recolhimento do ganho de capital sobre tal venda, o contribuinte alegou ser beneficiário da isenção prevista no art. 39 da Lei 11.196/05, por ter aplicado o produto da venda do imóvel na compra do apartamento nº 403 da rua Palmeira nº 707, Maceió, por R$ 350 mil, qual seja, em menos de 180 dias, conforme documento que acostou, datado de 20/7/2007 (fls. 52 e ss). A autoridade lançadora notou não ter sido comprovada a aplicação de parte do valor recebido pela venda do imóvel, no montante de R$ 50 mil, na compra do apartamento, entendendo também não estar comprovado terem sido utilizados os cheques recebidos da venda, firmados aliás por pessoa alheia à transação, nessa compra. Considerando assim preponderar como data efetiva da venda do imóvel a data lançada no registro de imóveis, concluiu não ser aplicável a isenção postulada, decorrendo daí a lavratura do auto em apreço. Em sua impugnação (fls. 85/89), o contribuinte pleiteia o reconhecimento da isenção, afirmando ter ocorrido erro material no preenchimento da data do instrumento particular de compra e venda e cessão de crédito, o qual teria sido na verdade lavrado em 20/7/2007, e que resta comprovado que o produto da venda foi utilizado na aquisição de outro imóvel no prazo legal. Fl. 177DF CARF MF 4 Após o prazo de impugnação, o autuado apresentou petição demandando realização de diligência e perícia junto aos terceiros envolvidos para melhor esclarecer os fatos (fls. 108/113). Não obstante, a exigência foi mantida pela decisão de primeira instância (fls. 114/128), a qual não acatou o pedido de diligência por precluso. Nesse passo, foi interposto recurso voluntário em 21/10/2014 (fls. 133/169), repisando as razões da impugnação, e juntando documento contábil referente à transação em comento (fl. 146). É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10410.720532/201079 Acórdão n.º 2402005.969 S2C4T2 Fl. 603 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Muito embora a compreensível cautela revelada pelo posicionamento da decisão vergastada, restam suficientemente consubstanciados os fatos examinados, de maneira a corroborar a versão do contribuinte, em linhas gerais. Em outros termos, conforme instrumento particular de fls. 40/43, temse que o referido alienou por R$ 250 mil o imóvel em tela em 31/7/2007 a Joanice Batista Coelho ("comprador cedente"), recebendo R$ 50 mil no ato e R$ 200 mil em quatro parcelas via cheque de terceiros. Porém esses cheques foram repassados à "cessionária credora" Construtora e Incorporadora Monte Cristo, visto que o contribuinte adquiriu, em simultâneo, apartamento junto a essa empresa em 20/7/2007 pelo valor de R$ 350 mil (fls. 52 e ss), constando nesse documento a devida referência e total discriminação dos cheques, em conformidade com o instrumento particular de venda da casa. Temse por efetivamente circunstanciada a ocorrência de erro material quanto à data constante no documento particular atinente à venda da casa, pois o depósito em dinheiro relativo a essa venda foi realizado em 20/7/2007, mesma data da compra do apartamento; além disso, os cheques mencionados em ambos os documentos são os mesmos, havendo coerência recíproca a evidenciar a existência de operação "casada". Anotese ser comum em transações imobiliárias, terceiro subrogarse nos direitos e obrigações do devedor, compreendendose assim a utilização de cheques de terceiros nas transações. Por outra via, a identificação do depositário dos R$ 50 mil queda prejudicada por tratarse de depósito em espécie. Acrescentese que o contribuinte colacionou documento contábil (folhas do Razão), aparentemente extraído da escrituração da Construtora, nos quais constam os registros do recebimento dos já referidos cheques. Vale frisar que, em que pese não tenha sido levado a efeito o registro dos instrumentos particulares das operações imobiliárias, como alerta a DRJ/REC com base nos arts. 221 e 1417 do Código Civil, é cediço que as promessas de compra e venda e documentos congêneres raramente são levados a registro formal, dado o elevado custo cartorário envolvido, dentre outros motivos. Não é demasiado lembrar, ainda, que o § 3º do art. 3º da Lei nº 7.713/88 considera apta a comprovar a alienação, para fins de apuração de ganho de capital, a promessa de compra e venda, ainda que não registrada, não sendo recomendável a adoção de pesos e medidas discrepantes frente a situações concretas similares. Ou seja, se para a incidência do imposto, a promessa de compra e venda é válida, também, é, ou deveria ser, para fins de aferir o direito a eventuais benefícios isentivos e/ou não incidência. Fl. 179DF CARF MF 6 Nessa linha, o fato do registro da venda da casa em 16/1/2008 ter sido efetuada em nome de adquirente diverso do original, na realidade seus parentes (irmã e cunhado), conforme alegado pelo recorrente, não afeta a conclusão de que a venda efetiva havia se dado em mo mento anterior, 20/7/2007, de acordo com os documentos já aludidos. Desse modo, ainda que os documentos colacionados possam ser questionados sob certos aspectos, constituem eles, se tomados conjuntamente, coerentes elementos de prova a respaldar a versão dos fatos tal como defendida pelo recorrente, e devidamente informada ao Fisco nas suas Declarações de Ajuste Anual (fls. 14/26). Há que se atentar, porém, que o contribuinte, apesar de devidamente intimado, não demonstrou ter aplicado os R$ 50 mil recebidos em espécie como parte da alienação da casa (fl. 67), na aquisição do apartamento. Incidem, por conseguinte, os termos do § 2º do art. 39 da Lei nº 11.196/05: Art. 39. Fica isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País.(Vigência) § 1oNo caso de venda de mais de 1 (um) imóvel, o prazo referido neste artigo será contado a partir da data de celebração do contrato relativo à 1a(primeira) operação. § 2oA aplicação parcial do produto da venda implicará tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não aplicada. (...). Ou seja, não havendo aplicado integralmente, mas sim parcialmente, o produto da venda da casa à rua Projetada B, nº 38, na compra do apartamento nº 403 da rua Palmeira nº 707, ambos os imóveis situados em Maceió/AL, sujeitase o contribuinte à tributação do ganho proporcional à parcela não aplicada, no caso, no valor de R$ 50 mil. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para fins de que seja recalculada a infração considerandose apenas a parcela não aplicada na aquisição de imóvel residencial, no valor de R$ 50 mil recebidos em 20/7/2007. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13881.000166/2001-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 201-00.788
Decisão: RESOLVEM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva (Relator). Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir a resolução.
Nome do relator: Walber Jose da Silva
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Recorrida DRJ em Ribeirão Preto - SP • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva (Relator). Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir a resolução. Presidente• fIL. J~ONIO FRANCISCO Relator-Designado Participaram, ainda, da presente resolução, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Maurício Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Alexandre Gomes e Gileno GUljão Barreto. . Doc.'umcnto de 55i Pô.'gina(s.) CQnfin~lado àigitalrtl.c.-"lte. P.ocle ser con.SLltiJdQ no endereço httP'&J;C<lv:rece;taJa)'er.lda.gOv.brieCAC/PUbliCOil~iSPX1 peki código de Iocali7ôção [P17.0B17, 135t39JjOFX, Cor'sulte a pág;na de autentiç"lçâo no "f'lnaldCSiG dOcLw~lcnh V" \ DF'CARF MF Processo n.' 13881.000166/2001-99 Resolução n.' 201-00.788 Relatório FI. 1714 CC02JCOI Fls. 865 ~ • • MAXION COMPONENTES ESTRUTURAIS LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 314/429, contra o Acórdão n2 8.739, de 03/08/2005, prolatado pela 2~Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto - SP, fls. 300/311, que indeferiu solicitação de ressarcimento de IPI, relativamente ao 32trimestre de 2001, cumulado com pedido de compensação (fls. 24/25), protocolizados em 09/10/2001. Conforme Despacho Decisório de fls. 249/251, o pedido foi efetuado com base na Lei n29.863/99 e Portaria MF n" 38/97, sendo deferido parcialmente. Através do relatório de fls. 3021303, a autoridade julgadora de primeira instância resumiu, convenientemente, tanto as considerações constantes da Informação Fiscal como também as alegações da contribuinte na manifestação de inconformidade, que leio em sessão . A DRJ em Ribeirão Preto - SP indeferiu o pleito da interessada, nos termos do Acórdão DRJIRPO nO8.739, de 03/08/2005, cuja ementa apresenta o seguinte teor: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 Ementa: NULiDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Quando o contribuinte toma ciência de Despacho Decisório. não se pode exigir que o Poder Público lhe entregue fotocópias de todos os documentos existentes no processo, o qual fica a sua disposição para ter o devido acesso e realizar as reproduções que entender necessárias a sua contestação. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados -IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/0912001 Ementa: CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. RESSARCIMENTO. INSUMOS NA'OAPLiCADOS NA INDUSTRJALiZAÇA'O. De acordo com o ar/. 11 da Lei n° 9.779/99. somente os créditos decorrentes de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e moterial de embalagem. aplicados na industrialização. podem ser objeto de ressarcimento. INSUMOS CONSUMIDOS OU UTILiZADOS NO PROCESSO DE PRODUÇA'O. DIREITO A CRÉDITO. Para que os insumos consumidos ou utilizados no processo de produção sejam caracterizados como matéria-prima ou produto íntermediário. faz-se necessário o consumo. o desgaste ou a alteração do insumo, em função de ação direta exercida sobre o produto em fabricação. Oll vice-versa. Entenda-se "consumo" como decorrência de um contato fisico exercido pelo insumo sobre o produto emfabricação ou deste sobre aquele. ~ OOCUlne~l~Ode 551 f)3(Jil1u(s)conílrmaôo dlgitalmen1._ de ser COt1sult.ado no (::nde~eçohitOS:jfc~;v.re(;€aa:r:'azend8,pov.br/eCAC!PUblíCo!I'~np:Q pelo código de localíz<lçáo CP !7.0817 .13569.60L' ,";ol1sulte ~l pa~Jinade autenJcação no finei! dr::ste dOCl,nl<21110. '» \ Df'CARF MF Processo n," 13881.000166/2001.99 Resolução n.O 201-00.788 CRÉDITO. PRESUMIDO. DE IPI. SISTEMA DE CUSTo.S INTEGRADO. Se a empresa não mantém um sistema de custos integrado com a escrituração comercial, deve, obrigatoriamente, calcular o crédito presumido de IPI com base nOmétodo estabelecido no parágrafo 7~do art. 3", da Portaria MF n" 38/97. Solicitação Indeferida ". Fl.1736 CC02/COI . Fls. 866 rP • • Inconformada, a contribuinte apresentou, em 31/10/2005, recurso voluntário de fls. 314/342, alegando, preliminarmente, que os indeferimentos relativos tanto ao encaminhamento das intimações ao escritório do advogado como também à produção de prova pericial configuram cerceamento do direito de defesa, ensejando nulidade da decisão. No mérito, aduziu as mesmas questões anteriormente apresentadas, requerendo seja reconhecido seu direito ao ressarcimento integral, acrescido de juros com base na taxa Selic, homologando-se as compensações realizadas e que as intimações sejam dirigidas ao escritório do advogado da recorrente. Por fim, requer seja reconhecido o direito ao ressarcimento do valor pleiteado, acrescido da taxa Selic, homologando-se as compensações realizadas. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuido, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 862. É o RelatÓri7' ~ DF'CARF MF Processo 0,"13881.000166/2001.99 Resolução o." 201-00.788 FI. 1738 CC02/COI Fls, 867 ~ Voto Vencedor Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator-Designado Trata o presente processo de caso semelhante ao analisado no Recurso n2 130.763, cujo julgamento foi várias vezes convertido em diligência, a fim de verificar as alegações da interessada. • No presente caso, a interessada apresentou vários documentos com o recurso, no intuito de demonstrar suas alegações, dentre os quais "parecer técnico de natureza contábil", cópias do Registro de Entradas, de notas fiscais de compra, de fichas de controle do estoque, do manual do usuário de sistema de estoque etc. Posteriormente, apresentou retificação de parecer técnico (fls. 711 a 717) e anexos. À vista do que foi decidido na Resolução n2 201-00.749, voto por converter o julgamento em diligência . Documento de 551 pa9.ína(sJ. confirmaao digitalmente, Pode ser consuliado no endereço hHPs:!!cav_receita,fazeI1da,gOv,br!eC/\C!PUbliCO!lc~sP14 j)€lo códlrJo de localizaçao EP17,0817,135ô9.6m::X. Consulte a pá9ín8 ar.::zlIternicaç;1o r~o tinal deste documento. -......,{ 3) em relação às entradas para teste e semelhantes: a interessada a apresentar a relação dos produtos relativa ao item b. informar a quantidade de tais produtos a que se deu saída no período de apuração; 2) em relação aos atrasos na alimentação do sistema de controle de estoque: a.. intimar a interessada a apresentar relação dos produtos cuja estrutura fora incorretamente informada ao sistema, bem assim a demonstração do que foi alterado; c, demonstrar, a partir de tais informações, as diferenças sobre o saldo de estoque de insumos provocadas pelos erros apontados; e d. a partir daí, a Fiscalização deverá analisar a documentação apresentada pela interessada e apontar especificamente eventuais inconsistências; Para tanto, a Fiscalização deverá adolar o seguinte procedimento: I) em relação à estrutura dos produtos: b. a interessada ainda deverá demonstrar por documentos eventuais erros quanto às datas de alimentação das informações (conforme afirmado pela interessada, ela teria tais informações); e c. analisar especificamente a documentação apresentada e apontar inconsistências; a.intimar a interessada a apresentar as fichas relativas a três dias consecutivos do periodo de apuração, iniciando no último dia de mês que seja dia útil, indicando os dados incorretamente alimentados e apontando como ficaria o resultado depois da recomposição; a. intimar respectivo da autuação; • DF-CARF MF Processo n.• 13881.000166/2001-99 Resolução n.• 201-00.788 1"1. 1740 CC02lCOl FIS.~ /..-r I, I I I I • • b. a interessada ainda deverá demonstrar em que produtos foram os insumos empregados e a respectiva venda; e c. com base na documentação apresentada, a Fiscalização deverá verificar se houve a comprovação; e 4) em relação aos lançamentos contábeis efetuados à vista das inconsistências apuradas, a interessada deverá ser intimada a apresentar a relação dos lançamentos contábeis efetuados em face da apuração de inconsistências, quanto à sua inclusão na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. As análises a serem efetuadas pela Fiscalização deverão ser consolidadas em relatório, que deverá tratar apenas das questões objeto da diligência, do qual se dará ciência à interessada para manifestação no prazo de trinta dias. Sala das Sessões, em 04 de novembro de 2008 . JOS~~Ncrnco W- Documento de 551 pá9,íncíS) cont'írrnàdo digi!almerte, Pode ser consultado no ende,reço httPS:i!CiJv.receita,f3zenda.gov,btleC/\C!PllbliCO!I0«tn1sP:S pelo código de localização [P17.0817.13569.GOEX. Consulte a páq:na de autentcaçào no Ilna! deste documento. ~\ 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 16327.000008/2006-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 07/01/2000 a 05/05/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Os Embargos de Declaração devem ser acolhidos somente quando houver, no acórdão embargado, obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não se configurando quaisquer dos vícios que autorizam o manejo dos aclaratórios, eles devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 9303-005.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, sem convocação de suplente para substituí-la.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 07/01/2000 a 05/05/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração devem ser acolhidos somente quando houver, no acórdão embargado, obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não se configurando quaisquer dos vícios que autorizam o manejo dos aclaratórios, eles devem ser rejeitados.
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OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração devem ser acolhidos somente quando houver, no acórdão embargado, obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Não se configurando quaisquer dos vícios que autorizam o manejo dos aclaratórios, eles devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, sem convocação de suplente para substituíla. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 00 08 /2 00 6- 27 Fl. 931DF CARF MF Processo nº 16327.000008/200627 Acórdão n.º 9303005.579 CSRFT3 Fl. 932 2 Relatório Tratase de embargos de declaração, tempestivamente interpostos, pela Fazenda Nacional, fls. 371/375, contra Acórdão nº 930300.453, proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 19 de novembro de 2009, que decidiu declarar a decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito objeto dos presentes autos, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 07/01/2000 a 05/05/2000 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8/2008. Editada a Súmula vinculante do STF n° 8/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao' lançamento das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional. Recurso Especial do Contribuinte Provido. O acórdão embargado, adotou o paradigma trazido pelo contribuinte, deu provimento ao Recurso Especial, declarando a decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário objeto dos presentes autos. Por outro lado, a Embargante insurgese aos autos acusando o acórdão de conter vício de omissão de pronunciamento acerca da existência de pagamentos homologáveis, a fim de que possa ser aplicada a regra do § 4° do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, na contagem do prazo decadencial. É o relatório. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 16327.000008/200627 Acórdão n.º 9303005.579 CSRFT3 Fl. 933 3 Voto Conselheiro Demes Brito Relator Os embargos de declaração são tempestivos, devendo ser conhecidos, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Conforme acima relatado, o acórdão embargado adotando o paradigma trazido pela Contribuinte, deu provimento ao Recurso Especial, declarando a decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito guerreado. Como se observa, o acórdão embargado entendeu que o termo inicial para contagem do prazo para fins de decadência restava prejudicado, tendo em vista que, no caso dos autos, independentemente da observância da regra do art. 173 ou. do art. 150, o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário tinha sido fulminado pelos efeitos da decadência, uma vez que o lançamento foi efetuado há mais de seis anos do fato gerador. Por outro lado, a embargante sustenta que o acórdão não se manifestou quanto a existência ou não do pagamento antecipado, logo estaria omisso. Em que pese o acórdão recorrido não ter se manifestado quanto a existência ou não de pagamento antecipado, entendo que não houve nenhuma omissão, considerando que o lançamento foi efetuado há mais de seis anos do fato gerador, além disso, a Contribuinte efetuou o pagamento antecipado, conforme consta nas fls. 404. Neste sentido, como houve pagamento antecipado, o prazo decadencial deve ser contado da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. Com essas considerações, rejeito os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 933DF CARF MF Processo nº 16327.000008/200627 Acórdão n.º 9303005.579 CSRFT3 Fl. 934 4 Fl. 934DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979274/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 74 /2 00 9- 65 Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10880.979274/200965 Acórdão n.º 1201001.709 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10880.979274/200965 Acórdão n.º 1201001.709 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10880.979274/200965 Acórdão n.º 1201001.709 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10880.979274/200965 Acórdão n.º 1201001.709 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 34DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.002586/2008-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 30/06/2005
CONFLITO DE COMPETÊNCIA. UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS.
Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15.
Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. 1º, § 2º, da LC 116/03.
Numero da decisão: 9303-005.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15. Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. 1º, § 2º, da LC 116/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 25 86 /2 00 8- 88 Fl. 980DF CARF MF 2 convocado), que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3201000.699, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por voto de qualidade, deu provimento ao recurso voluntário, consignando acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS I PI Período de apuração: 01/10/2004 a 30/06/2005 ISS. SERVIÇO GRÁFICO POR ENCOMENDA E PERSONALIZADO. A prestação de serviço gráfico, personalizado e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita unicamente ao 1SS, não estando sujeito à incidência do IPI. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão que trouxe o entendimento de que a prestação de serviço gráfico, personalizado e sob encomenda não se sujeita ao IPI. Fl. 981DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 981 3 Trouxe a Fazenda Nacional, entre outros, que: · O IPI é um imposto sobre a produção, enquanto que o ICM e o ISS incidem sobre a circulação (o primeiro sobre a circulação de mercadorias e o segundo sobre a de serviços); · Diferenciase o ICMS do ISS e do IPI, pois enquanto que, em relação àquele, não há atividade adicional alguma do contribuinte de que dependa a ocorrência do fato gerador (basta a venda ou revenda de mercadoria), no tocante ao IPI, a ocorrência do fato gerador depende de prévia industrialização (ou produção) e, no caso do ISS, incidência depende de urna prestação de serviço; · No âmbito das diferenças entre obrigações definidas no direito civil critério repelido pelo STF como único aplicável à solução da questão na ADI citada, hipótese de incidência do ISS depende de urna obrigação de fazer. Já o IPI depende de urna atividade de produção previa, enquanto que o ICMS depende apenas da circulação da mercadoria; · A conjugação das hipóteses de incidência do IPI e do ISS ocorreria quando obrigação de fazer comportasse uma atividade de industrialização não há lei complementar modalidade legal eleita pela Constituição para tratar de conflitos de competência que afaste a incidência de um ou de outro tributo e, para afastar a legislação do IPI que não restringe o conceito de produção ou de industrialização nos termos anteriormente expostos, seria preciso aplicar o princípio constitucional da capacidade contributiva para concluir que não poderiam incidir, no contexto exposto no parágrafo anterior, os dois impostos; · Para que urna operação esteja sujeita à incidência do IPI, basta que o estabelecimento industrialize um produto e a ele dê saída, não importando a que título jurídico decorra a saída do estabelecimento produtor (art. 22, §29, da Lei 4.502/64). Em Despacho às fls. 922 a 925, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 982DF CARF MF 4 Contrarrazões ao Recurso Especial foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · As impressões são sempre relativas a logomarcas, cores padrão e condizentes com o próprio logotipo utilizado, eventuais mensagens específicas aos consumidores da encomendante, além de outros símbolos peculiares. De tal sorte que, indubitavelmente, as encomendas passam a integrar o ativo fixo dos encomendantes para seu uso exclusivo, não podendo, nem de longe, cogitarse acerca de seu eventual uso indiscriminado, já que imprestável seria para qualquer outra pessoa jurídica diferente da própria encomendante. · Isso sem contar que a especificidade do corte (largura) das bobinas, tem aplicação geralmente exclusiva ao terminal (PDV) ou equivalente da própria encomendante, sendo também inaplicável cogitarse de seu uso indiscriminado, como fazem crer as equivocadas razões do auditor fiscal em apreço. · Ademais, não há qualquer comercialização das bobinas personalizadas impressas quer pela Recorrida, quer pelos seus clientes (posto que inaplicáveis ao uso de terceiros, por não se tratar de um chamado "produto de prateleira"). · Pelas particularidades da encomenda, como, aliás, expressamente reconhecido pelo agente fiscalizador, temse, pois, como absolutamente descabida, do ponto de vista fático, para não dizer absurda, a aplicação de qualquer parecer desta d. Delegacia ou solução de consulta que possa ter, aparentemente, sob a ofuscada ótica da fiscalização, esgotado a matéria tão cristalinamente pacificada nos Tribunais do País; · Imperioso o respeito dos tribunais a jurisprudência pacificada do Superior Tribunal de Justiça; · Conforme vastamente demonstrado, resta límpido a pacificação da jurisprudência no Superior Tribunal de Justiça, em sentido favorável a Recorrida, do tema aqui debatido. É o relatório. Fl. 983DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 982 5 Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso, eis que a divergência jurisprudencial vem ao encontro dos termos definidos pelo artigo 67 do RICARF. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre o cerne da lide, qual seja, se haveria a incidência de IPI no caso em comento, considerando a atividade prestada pelo sujeito passivo. Cabe, então, trazer a priori que o sujeito passivo tem por objeto a prestação de serviços gráficos “personalizados” “sob encomenda” dos seus clientes, com destaque para as atividades de impressão personalizadas – serviço de composição gráfica sujeito à incidência de ISS. O sujeito passivo oferece, além da emissão, a migração de tecnologias customizadas, com o intuito de atender diferentes demandas. Considerando se tratar por óbvio de prestação de serviço gráfico customizado e personalizado, para fins de atendimento da demanda de clientes específicos, para melhor elucidar os pontos aqui desenvolvidos, cabe trazer que que tais serviços, em síntese, são assim considerados por serem, quando de sua prestação, definidas estratégias para o desenvolvimento do produto demandado pelo cliente. Tais serviços são vistos pelos clientes como diferencial nas empresas de serviços, vez que podem proporcionar para o funcionamento de seu negócio a personalização de que necessitam. Fl. 984DF CARF MF 6 Ademais, cabe trazer que os serviços prestados pelo sujeito passivo não se confundem com a mera circulação de mercadorias/produtos, vez que tais serviços possuem como características a intangibilidade, perecibilidade, heterogeneidade e simultaneidade. Ora: · Perecibilidade, pois tais serviços não podem ser “armazenados/estocados” para a venda; · Intangibilidade, pois não podem ser vistos, provados ou sentidos; · Heterogeneidade, pois tais serviços sofrem variação para cada cliente, considerando a customização dedicada; · Simultaneidade, pois envolve a dinamicidade entre a produção e o consumo. O serviço customizado prestado pelo sujeito passivo abrange essas características, vez que: · Reflete um planejamento anterior para a busca do objeto alcançado, em observância a demanda específica exposta em contrato firmado entre o cliente e o prestador; · Não se trata de venda de produtos de prateleira padronizáveis; · Se diferenciam, de acordo com a demanda de cada cliente – considerados efetivamente, de per si, como pontuais e especiais. É de se considerar, ainda, que os serviços customizados envolve interação direta com o cliente uma vez que a personalização do produto é alcançada de forma colaborativa entre a parte contratante e o contratado. Vêse ainda que o serviço de impressão gráfica personalizada desenvolvido pelo sujeito passivo não integra um processo de industrialização. Ora, as impressões são sempre relativas a logomarcas, cores padrão e condizentes com o próprio logotipo utilizado, eventuais mensagens específicas aos Fl. 985DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 983 7 consumidores da encomendante, além de outros símbolos peculiares. O que, indubitavelmente, as encomendas passam a integrar o ativo fixo dos encomendantes para seu uso exclusivo, não podendo, nem de longe, cogitarse acerca de seu eventual uso indiscriminado, já que imprestável seria para qualquer outra pessoa jurídica diferente da própria encomendante. A especificidade do corte (largura) das bobinas, tem aplicação geralmente exclusiva ao terminal (PDV) ou equivalente da própria encomendante. Não há uso indiscriminado. E não há qualquer comercialização das bobinas personalizadas impressas quer pela Recorrida, quer pelos seus clientes (posto que inaplicáveis ao uso de terceiros, por não se tratar de um chamado "produto de prateleira"). Após breve elucidação e antes de se adentrar na discussão acerca da incidência do IPI, discorrendo sobre eventual conflito de competência. O que se torna impossível se ignorar esse tema, cabe trazer ainda que a atividade personalizada, que envolve sua customização para atendimento da necessidade de eventual cliente, inquestionável, que tal serviço seria passível de tributação pelo ISS. Por conseguinte, por se tratar de bem oriundo de serviço personalizado/customizado, inegável que tal bem não seria considerado como sendo de prateleira, disponível em sua padronização aos clientes potenciais. O que confere o entendimento dos tribunais de se afastar a tributação pelo ICMS. Não se coaduna, assim, tais serviços com o conceito de mercadoria. Tanto é assim, que os Tribunais empregam tais conceitos – produtos feitos por encomenda, personalizados e customizados – para afastar a incidência do ICMS e/ou IPI em operações que envolvam o fornecimento de bens oriundos desses serviços especializados e personalizados. Tanto é assim, que, no que tange às essas discussões envolvendo o ISS e o ICMS, é de se recordar que os Tribunais têm manifestado, em síntese, em relação aos serviços gráficos, que: Fl. 986DF CARF MF 8 · Se a atividade gráfica fosse exercida com certas limitações – acrescentando apenas utilidades a esse meio, com o intuito de se disponibilizar o produto indiscriminadamente a todos os clientes potenciais, sem viabilidade de personalização por cliente, configurarseia como produção em série – sendo evidente, nesse caso, que se trata de disponibilização de mercadorias, motivando assim a incidência de ICMS e de IPI, vez, que, em relação à esse último tributo, caracterizada estaria a industrialização dessa mercadoria (produzida padronizadamente em série); · Por sua vez, se fosse desenvolvida por encomenda de cliente, para atender suas necessidades específicas, visando o atendimento de sua demanda em particular estarseia diante de serviço alcançável pelo ISS. É de se expor que as mercadorias oriundas desses serviços não são disponibilizadas a terceiros. Para tal entendimento, é de se recordar o art. 1º, § 2º, da LC 116/03, in verbis (Grifos meus): “Art. 1º. O Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderantemente do prestador. [...] § 2º Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias. [...]” Com tal dispositivo, resta claro que os serviços constantes da lista de serviço da LC 116/03 não ficam sujeitos ao ICMS, apenas ao ISS. Fl. 987DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 984 9 Continuando, no que concerne à discussão acerca da incidência cumulativa envolvendo o ISS e o IPI, importante mencionar que o TRF já editou Súmula 143/83 (Grifos meus): “Súmula 143 – Os serviços de composição gráfica e impressão gráficas personalizadas previstos no artigo 8º, § 1º, do Decretolei n. 406, de 1968, com as alterações introduzidas pelo Decretolei n. 834, de 1969, estão sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IPI.” No mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça, editou a Súmula 156: “Súmula 156 do STJ – A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva o fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS.” Frisese tal entendimento o disposto no 9º do DecretoLei 2471/88 que, por sua vez, estabelece que ficam cancelados os processos administrativos que trate da cobrança do IPI no fornecimento de produtos personalizados de serviços de composição gráfica e impressão gráfica: “Art. 9º. Ficam cancelados, arquivandose, conforme o caso, os respectivos processos administrativos, os débitos para com a Fazenda Nacional, inscritos ou não como Dívida Ativa da União, ajuizados ou não, que tenham tido origem na cobrança: [...] VI – do Imposto sobre Produtos Industrializados relativamente ao fornecimento de produtos personalizados, resultantes de serviços de composição e impressão gráficas; e [...]” Sendo assim, resta claro que os serviços gráficos personalizados e customizados com o intuito de atender determinada necessidade de cliente não seriam passíveis de tributação pelo IPI. Fl. 988DF CARF MF 10 Quanto à discussão sobre a impossibilidade da incidência concomitante do ISS e IPI sobre a mesma atividade, a instituição de tributos é extensivamente definida na Constituição, mediante a atribuição de competência – o que ressurjo o art. 146, inciso I, da CF/88: “Art. 146. Cabe à lei complementar: I dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; [...]” Com tal enunciado, verificase que a Lei Complementar deve dispor sobre conflitos de competência em matéria tributária entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como regular as limitações constitucionais ao poder de tributar. O que, por conseguinte, expresse, temse que se a LC 116/03 dispôs que as atividades gráficas discutidas no presente processo são fatos geradores do ISS, inconteste não haver que se falar em tributação pelo ICMS e IPI sobre tais serviços. Tanto é assim que, nesse sentido, notase que fluíram várias decisões favoráveis, afastando a tributação pelo IPI. Em pesquisa jurisprudencial, cabe trazer o julgamento do RESP 437.324 – RS envolvendo a American Bank Note Company Gráfica e Serviços Ltda, onde o STJ, através do ilustre Ministro Franciulli Netto, emitiu acórdão concedendo integramente a segurança pleiteada declarando que as referidas atividades envolvem típica prestação de serviço ao ISS, consignando a seguinte ementa (Grifos meus): “RECURSO ESPECIAL ALÍNEAS "A" E "C" TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA PRELIMINAR DE PERDA DE OBJETO DA IMPETRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DE OFÍCIO DA QUESTÃO CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA SUJEITO UNICAMENTE AO ISS VIOLAÇÃO AO DISPOSTO NO § 1º DO Fl. 989DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 985 11 ARTIGO 8º DO DECRETOLEI N. 406/68 SÚMULA N. 156 DO STJ. Cumpre a este Sodalício examinar eventual afronta a dispositivos de lei federal, nos termos da letra "a" do permissivo constitucional, ou, pela letra "c", sanar possível dissenso pretoriano acerca de determinada questão. Assim, não prevalece o entendimento sustentado pela recorrente no sentido de que deve o Superior Tribunal de Justiça reconhecer de ofício a extinção do mandado de segurança preventivo. Embora prequestionada a questão da perda de objeto da impetração, que entendeu a Corte de origem não existir, pretendeu a recorrente, quanto a esse ponto, configurar o dissenso pretoriano com julgados deste Sodalício sem, contudo, realizar o indispensável cotejo analítico, vindo em desacordo com o estabelecido nos arts. 541, do CPC e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ. A elaboração dos cartões com as características requeridas pelo destinatário, que é aquele que encomenda o serviço, tais como a logomarca, a cor, eventuais dados e símbolos, indica de pronto a prestação de um serviço de composição gráfica, enquadrado no item 77 da Lista de Serviços anexa ao Decretolei n. 406/68. Há, portanto, nítida violação ao disposto no § 1º do artigo 8º do DecretoLei n. 406/68, uma vez que a hipótese dos autos configura prestação de serviços de composição gráfica personalizados, sujeitos apenas à incidência do ISS (Súmulas ns. 156/STJ e 143 do extinto TFR). Considerada a circunstância de se tratar de serviço personalizado, destinados os cartões, de pronto, ao consumidor final, que neles inserirá os dados pertinentes e não raro sigilosos, concluise que a atividade não é fato gerador do IPI.” Cabe trazer que essa decisão transitou em julgado em 3.11.03. Fl. 990DF CARF MF 12 Outro precedente igualmente importante é o veiculado no julgamento do REsp 966.184RJ decorrente de ação ordinária ajuizada pela American Bqank Note Company Gráfica e Serviços Ltda também com o objetivo de que fosse declarada a não incidência do IPI sobre os cartões de crédito com tarja magnética confeccionados no período de junho/88 a junho/89, por se tratar de prestação de serviços personalizados sob encomenda. Tal REsp, após apreciação pelo STJ – relator Ministro Herman Benjamin, foi emitido acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 156/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que em casos como o dos autos, de empresa que produz cartões magnéticos personalizados, não há incidência de IPI. Aplicação, in casu, da Súmula 156/STJ: "a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Agravo Regimental não provido.” Cabe trazer que essa decisão também transitou em julgado. Em outro julgamento no STJ, especificamente quando da apreciação do Resp 103409/RS, ficou decidido que não é devido o ICMS sobre os serviços de composição gráfica, tal qual a impressão de cartões magnéticos personalizados e sob encomenda, conforme consignado em ementa: “TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS PERSONALIZADOS E SOB ENCOMENDA. NÃO INCIDÊNCIA DE ICMS. NÃO APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO STF NA MEDIDA CAUTELAR NA ADI 4389. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. ANÁLISE DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA DO STF. Fl. 991DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 986 13 1. Nos termos do art. 535 do CPC, os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão, o que não aconteceu no caso dos autos. 2. No julgamento da medida cautelar na ADI 4389, o STF reconheceu a não incidência do ISS sobre operações de industrialização por encomenda de embalagens destinadas à integração ou utilização direta em processo subsequente de industrialização ou de circulação de mercadoria. 3. A incidência do ICMS só ocorrerá nos casos em que a produção de embalagens, etiquetas sob encomenda (personalizada) seja destinada a subsequente utilização em processo de industrialização ou posterior circulação de mercadoria, o que não é o caso dos autos. 4. In casu, tratase de produção de cartões magnéticos sob encomenda para uso próprio da empresa. No caso, a embargada atua como consumidora final, ou seja, tais cartões não irão fazer parte de futuro processo de industrialização ou comercialização. Incide, portanto, o ISS nos termos do que restou determinado pela Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.092.206/SP, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, sujeito ao rito dos recursos respetivos, nos termos do art. 543C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. 5. Não cabe ao STJ analisar suposta violação de dispositivos constitucionais, mesmo a título de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência do STF. Embargos de declaração rejeitados.” Proveitoso trazer ainda outros julgados do STJ: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADES. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. INCIDÊNCIA, APENAS, DO ISS. Fl. 992DF CARF MF 14 SÚMULA Nº 156/STJ. ANÁLISE DE VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. [...] 3. Decisão atacada que tomo com base a Súmula nº 156/STJ: “a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS”[...] (Superior Tribunal de Justiça, rel. Min., José Delgado, EAREP 510940/SP, DJ de 17/11/2003) “AGRAVO REGIMENTAL – TRIBUTÁRIO – SERVIÇO GRÁFICO PERSONALIZADO E POR ENCOMENDA – ICMS – NÃO INCIDÊNCIA – ENTENDIMENTO CONSAGRADO – SÚMULA 156 DESTE SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 1. Não incide ICMS sobre serviços de composição gráfica, a teor da Súmula 156 deste Superior Tribunal de Justiça, que preceitua: “A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS. 2. Agravo Regimental improvido. ” (Superior Tribunal de Justiça, rel. Min. Luiz Fux, AGRESP 331201/SP, DJU de 14.10.2002) “Tributário – ICMS e ISS – Incidência – DecretoLei nº 406/68 (art. 8º, § 2º). 1. Os serviços de composição gráfica, não distinguindo a lei entre os personalizados encomendados e os genéricos destinados ao público, sujeitamse à incidência do ISS. 2. Multifários precedentes jurisprudenciais. 3. Recurso sem provimento. ” (Superior Tribunal de Justiça re. Min. Luiz Pereira, RESP 142339/SP, DJU de 26/03/2001) Frisese esse entendimento a decisão dada pelo STF: “ISS. Serviço gráfico por encomenda e personalizado. Utilização em produtos vendidos a terceiros. Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 987 15 A feitura de rótulos, fitas, etiquetas adesivas e de identificação de produtos e mercadorias, sob encomenda e personalizadamente, é atividade da empresa gráfica sujeita ao ISS, o que não se desfigura por utilizálos, o cliente e encomendante, na embalagem de produtos por ele fabricados e vendidos a terceiro. Recurso extraordinário conhecido e provido. ” (Supremo Tribunal Federal, RE 109.0697/SP, Rel. Min. Rafael Mayer) Em vista de todo o exposto, vêse acertado o entendimento de que nessa atividade não há que se falar em tributação pelo IPI – eis que para o deslinde do conflito de competência, para se apurar a tributação sobre o consumo desses bens, nas hipóteses híbridas, em que há serviço agregado a um suporte físico, no caso, um produto industrializado, devese verificar qual prevalecerá, para efeitos de atrair a competência tributária. O que, por conseguinte, as disposições da LC 116/2003 § 2°, do art. 1°, traz que salvo exceções nela expressamente previstas, os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao ISS, "ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias” em cumprimento ao desígnio determinado pelo art. 146, I da Constituição Federal, que prescreve que cabe à lei complementar dispor sobre conflitos de competência. Ademais, não há como se ignorar os precedentes favoráveis dos Tribunais, inclusive aqueles emanados de Recursos interpostos por empresas que foram adquiridas pelo sujeito passivo. Em tempos atuais, inclusive, o novo Código de Processo Civil – Lei 13.105/15 traz explicitamente o respeito à “Eficácia Vinculante dos Precedentes” em seus arts. 926 e 927, in verbis (Grifos meus): “Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente. Fl. 994DF CARF MF 16 § 1o Na forma estabelecida e segundo os pressupostos fixados no regimento interno, os tribunais editarão enunciados de súmula correspondentes a sua jurisprudência dominante. § 2o Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem aterse às circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação. Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: I as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; II os enunciados de súmula vinculante; III os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IV os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; V a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados. § 1o Os juízes e os tribunais observarão o disposto no art. 10 e no art. 489, § 1o, quando decidirem com fundamento neste artigo. § 2o A alteração de tese jurídica adotada em enunciado de súmula ou em julgamento de casos repetitivos poderá ser precedida de audiências públicas e da participação de pessoas, órgãos ou entidades que possam contribuir para a rediscussão da tese. § 3o Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica. § 4o A modificação de enunciado de súmula, de jurisprudência pacificada ou de tese adotada em julgamento de casos repetitivos observará a necessidade de fundamentação adequada e específica, considerando os princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia. Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 988 17 § 5o Os tribunais darão publicidade a seus precedentes, organizandoos por questão jurídica decidida e divulgandoos, preferencialmente, na rede mundial de computadores.” Devese, assim, em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes” – exposta “explicitamente” pelo Novo Código de Processo Civil NCPC, observar o entendimento emanado pelos tribunais. Nesse caso, o entendimento de que para os serviços gráficos personalizados devese afastar a incidência do IPI. Dizse Princípio, pois deve ser considerado, assim como os outros balizadores primordiais trazidos pelo nosso ordenamento, para se nortear/direcionar o julgador/juiz quando da apreciação da matéria em debate à solução jurídica mais equânime com as diretrizes emanadas pela Carta Magna e pela legislação vigente, garantindo o conforto e a segurança jurídica de que tanto busca a Administração Fazendária e o sujeito passivo. Não é demais lembrar que no processo administrativo há que se considerar e respeitar tais precedentes, conforme versa o art. 15 do NCPC “Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. ” O Brasil adota como estrutura jurídica o “Civil Law” – que adota fontes de direito, dentre as quais, considera, além da Lei, como fonte direta, os precedentes jurisprudenciais. Sendo assim, inquestionável, a valorização dos precedentes. Até mesmo como forma de se conceder a segurança jurídica que tanto procura a administração fazendária e os sujeitos passivo. Ora, tal cultura de valorização de precedentes, que torna a jurisprudência na Brasil fonte direta da estrutura jurídica adotada pelo Brasil “Civil Fl. 996DF CARF MF 18 Law” – traz irrefutavelmente segurança jurídica ao buscar o respeito à unicidade da interpretação quando as decisões possuem potencial para tanto. O que é o caso. As decisões emanadas pelos Tribunais consideraram a mesma atividade do sujeito passivo, não restando dúvida quanto à necessidade da aplicação dos fundamentos determinantes do precedente ao caso concreto. Sendo assim, até mesmo em respeito a celeridade do processo no judiciário que invoca o Novo Código de Processo Civil, eis que a jurisprudência nos Tribunais se encontra PACIFICADA, inclusive com Súmulas do TRF e STJ, é de se manter o decidido no acórdão recorrido. Ademais, é de se recordar que em recente julgamento ficou consignando em acórdão 9303004.394: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CONFLITOS DE COMPETÊNCIA. UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15. Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. art. 1º, § 2º, da LC 116/03" Fl. 997DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 989 19 Nesse julgamento, após pedido de vista do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, foi apresentada Declaração de Voto, eis que foi pesquisada a ampla jurisprudência sobre o mesmo tema por esse conselheiro: "Conselheiro Júlio César Alves Ramos Julguei conveniente explicitar as razões pelas quais acompanhei a n. relatora dado que já proferi vários votos no sentido pretendido pela Fazenda Nacional. Minha posição sobre o assunto está nelas devidamente registrado, não tendo eu mudado de entendimento. Ocorre que, foi bem enfatizado pela n. relatora, a posição contrária aqui defendida pelo sujeito passivo parece mesmo consolidada no âmbito do STJ. Com efeito, naquele tribunal, podemse coligir decisões recentes1 que enfrentaram exatamente o mesmo objeto ora em discussão cartões magnéticos personalizados e entenderam que tal operação é a descrita na lista da Lei Complementar 116 (ou do Decreto 406) como "serviços gráficos personalizados", o que, no entender daquele Sodalício, afastaria a tributação pelo IPI. Algumas delas, inclusive, foram proferidas em processos de empresa sucedida pela autora deste. E, em respeito aos artigos 926 e 927 do novo CPC, decidi curvarme àquela jurisprudência, ainda que a entendendo equivocada. Registro, ao fim, que não vejo que tais artigos nos 1 Além do REsp 437.324, de relatoria do Ministro Herman Benjamin já citado pela relatora, e entre outros, cito: Resp 817.182, Ministro Luiz Fux AgRg no Resp 966.184, minstro Herman Benjamin AgRg no Resp 816.632, ministro Humberto Martins AgRg no Resp 1.369.577, ministro minstro Herman Benjamin AgRg no Resp 1.308.633, ministro Castro Meira Resp 213.594, ministro Mauro Campbell Vale acrescer que todas as decisões foram tomadas por unanimidade Fl. 998DF CARF MF 20 imponham a obrigatória aceitação, extensivamente, de decisões dos tribunais superiores. Quero dizer com isso que é preciso, em cada caso, checar, com rigor, se a matéria é a mesma e se a jurisprudência está mesmo consolidada. No caso presente, todas as decisões que cito se referem a cartões magnéticos personalizados. Mas há outras, tratando de produtos diversos, que asseguram a tributação pelo IPI, ao ressaltar a importância de analisar o que prevalece. Por isso, a elas me curvo apenas neste caso específico, resguardando, porém, meu entendimento pessoal de que não é a mera presença de um serviço ainda que tributável pelo ISS que impede a incidência do IPI. Nesses termos, votei pelo provimento do recurso do sujeito passivo, sendo essa a declaração que solicitei fazer. Conselheiro Júlio César Alves Ramos" Cabe ainda recordar que em vários Congressos Tributários realizados recentemente com a participação de vários juízes, desembargadores e ministros do STJ, foi invocada a importância da aplicação do Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes no processo administrativo fiscal trazido pelo Novo Código de Processo Civil para se evitar a morosidade da resolução da lide, bem como o desembolso da parte contrária – quer seja, dependendo do caso, a Fazenda Nacional e/ou sujeito passivo de condenação dos honorários a serem pagos, no caso de perda junto ao judiciário, conforme prevê o art. 85 do NCPC. Proveitoso trazer parte dos dizeres do Parecer dado pelo nobre Professor Emérito e Titular da PUC/SP e da USP – Paulo de Barros Carvalho emitido à Diskpar Logística e Automação Ltda: “[...] 11) Qual o entendimento adotado pelos Tribunais Superiores a respeito dessa matéria? Observase, tanto, em meio às decisões do Supremo Tribunal Federal como do Superior Tribunal de Justiça, que situações Fl. 999DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 990 21 semelhantes às narradas pela Consulente estão sujeitas à incidência do ISS. A matéria foi até mesmo objeto de Súmula do STJ que, no enunciado 156, prescreve: “A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS” Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1000DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.725376/2013-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida.
INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. VALIDADE. DATA DA CIÊNCIA.
É válida a intimação por meio eletrônico quando o contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico.
Considera-se feita a intimação, por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, ou na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes (art. 23, § 2º, III, do Decreto 70.235/72).
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2202-004.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. VALIDADE. DATA DA CIÊNCIA. É válida a intimação por meio eletrônico quando o contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico. Considera-se feita a intimação, por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, ou na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes (art. 23, § 2º, III, do Decreto 70.235/72). Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1583; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 450 1 449 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.725376/201341 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.122 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ESCUDO VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. VALIDADE. DATA DA CIÊNCIA. É válida a intimação por meio eletrônico quando o contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico. Considerase feita a intimação, por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, ou na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes (art. 23, § 2º, III, do Decreto 70.235/72). Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 53 76 /2 01 3- 41 Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 451 2 Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10120.725376/201341, em face do Acórdão nº 0127.842, julgado pela 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), na sessão de julgamento de 26 de novembro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: "Dos autos, mormente do Relatório Fiscal (fls. 20 a 31), se extrai as informações relatadas nos parágrafos que se seguem. O presente processo referese a Autos de Infração relativos à obrigação principal, incluindo os seguintes debcad’s: a) Auto de Infração DEBCAD nº 51.040.261 5 (fls. 03 a 11) Trata de glosas das compensações indevidamente informadas pela empresa nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, no período compreendido entre 11/2009 a 12/2012, totalizando o valor de R$ 3.738.195,71 consolidado em 25/06/2013. As contribuições previdenciárias apuradas foram lançadas sob a Rubrica 19 Glosa Compensação, no levantamento GC – GLOSA DE COMPENSAÇÃO e têm como fato gerador os valores pagos, devidos ou creditados, em cada competência, aos segurados empregados da empresa declarados em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência SocialGFIP, entregues pelo Contribuinte e constantes dos sistemas informatizada. b) Auto de Infração DEBCAD nº 51.040.2623 (fls. 12 a 21) Trata da Multa Isolada calculada sobre os valores indevidamente compensados e lançada na competência da data da entrega das GFIP, no período de 12/2009 a 04/2013, conforme tabela constante do item 6.4 deste relatório, tendo em vista que o fato gerador da infração (entrega de GFIP com falsa declaração) ocorre na data de entrega da GFIP (MP 449/2008, Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 452 3 transformada na Lei n° 11.941/2009). O lançamento foi feito sob o Código de Levantamento "Ml". Narra o agente fiscal que o sujeito passivo, ao fazer inserir em GFIP, informação de compensação indevida, compensação essa que sabidamente não teria direito, reduziu, deliberadamente, o valor devido e o subseqüente recolhimento de sua obrigação tributária para com a Seguridade Social, o que configura a conduta ilegal do mesmo que se amolda perfeitamente à situação prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. Informa ainda a autoridade fiscal que tendo sido constatada a falsidade nas GFIP apresentadas pelo Contribuinte, consubstanciada na inserção de créditos inexistentes de fato, foi aplicada a multa isolada de 150% sobre o total do crédito compensado indevidamente, conforme prevê o artigo 46 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008: Informa também que a litigante impetrou as seguintes ações judiciais: a) processo 004766537.2011.4.01.3500 (16/11/2011), para suspender a exigibilidade do crédito referente à contribuição previdenciária patronal sobre o adicional de horasextras (mínimo de 50%), adicionais noturnos (mínimo de 20%), insalubridade (de 10% a 40%), periculosidade (30%), transferência (mínimo de 25%). Assinala que a liminar foi indeferida; b) processo 4771478.2011.4.01.3500 (21/11/2011) para suspender a exigibilidade do crédito referente à contribuição patronal incidente sobre o décimo terceiro (13°) salário. Assinala que a liminar foi indeferida; c) Mandado de Segurança para impugnação de ato praticado pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em GoiâniaGO, pretendendo compelilo a suspender a exigibilidade e a compensar o que recolhera, indevidamente, a título de contribuição previdenciária sobre valores pagos para remunerar auxíliodoença acidente, saláriomaternidadematernidade, férias e adicional de férias ao argumento de que, durante o pagamento dessas verbas, não há efetiva prestação de serviço dos seus empregados; Relata que na Apelação/Reexame Necessário n° 002001231.2009.4.01.3500/ GO, de acordo com o Relatório do Exmo. Sr. Desembargador Federal Catão Alves (Relator), foi deferida, em parte, liminar, prestadas informações e, após recusa do Ministério Público Federal em manifestarse sobre o mérito da questão, concedida, parcialmente, a Segurança à União Federal e à impetrante, mediante recursos de Apelação regularmente respondidos, pleiteiam modificação da sentença que dirimiu a controvérsia. Registra o agente ainda o abaixo transcrito: Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 453 4 De acordo com o Voto do Relator, conforme processo anexo, assim ficou decidido: Fls 28/28: "Pelo exposto, julgo prejudicado o Agravo Retido de fls. 242/262, nego ,/ro\, .iito ao recurso de Apelação da União Federal (Fazenda Nacional) e à Remessa Oficial, e )uo, em parte, ao interposto pela Impetrante para, reformado, parcialmente, a sentença discutida, determinar que a compensação seja feita na forma especificada nos itens 18 a 25 supra." Fls. 24/28 Item 22: "Na esteira desse raciocínio, são compensáveis, com contribuições da mesma espécie, os valores recolhidos a título de contribuições previdenciárias sobre o abono constitucional de terço de férias e sobre a retribuição paga a empregado doente nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do trabalho, nos termos do disposto no art. 26, parágrafo único, da Lei n° 11.457/2007, cabendo ao Judiciário, tão somente, declarar se os créditos são ou não compensáveis, uma vez que compete à autoridade administrativa verificar a liquidez e a certeza dos créditos a serem compensados." Fls. 27/28 Item 24: "E mais, a compensação sujeitase ao trânsito em julgado da sentença, nos termos do art. 170A, do CTN, ressalvandose à autoridade fazendária a aferição da regularidade do procedimento." d) Mandado de Segurança para vedar ao Delegado da Receita Federal em Goiânia/GO (autoridade coatora) a cobrança da exação da contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado, bem como para obter a declaração do direito à compensação dos valores recolhidos a esse título nos últimos 10 anos, corrigidos monetariamente, acrescidos de juros de mora de 1%, e a taxa SELIC a partir de 01.01.1996, ou, subsidiariamente pelos mesmos índices cobrados pela Fazenda, com débitos próprios vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, sem as limitações do art. 170ª do CTN, arts. 3o e 4o da LC 118/2005 e da IN/RFB n. 900/08. Registra que na Apelação/Reexame Necessário n° 2009.35.00.0204313/ GO, de acordo com o Relatório do Exmo. Sr. Juiz Federal Cleberson José Rocha (Relator Convocado), a Sentença concedeu parcialmente a segurança nos seguintes termos: De acordo com o Voto do Relator, conforme processo anexo, assim ficou decidido: Fls. 15/15: "Ante o exposto: a) Conheço em parte da apelação da impetrante e, na parte conhecida, doulhe parcial provimento para afastar a limitação do § 3o do art. 89 da Lei 8.212/91 e Lei 9.129/95; Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 454 5 b) Dou parcial provimento à apelação da Fazenda e à remessa oficial para: b.1) determinar a prescrição quinquenal dos créditos anteriores à vigência da LC 118/05 homologados expressamente pela SRF, a ser objeto de conferência administrativa; b.2) limitar a compensação com contribuições de mesma espécie; e b.3) determinar a observância das regras administrativas do procedimento da compensação previstas na IN 900/2008. Ressalta o auditor fiscal que por ocasião da ação fiscal verificou que as Ações Judiciais impetradas pelo Contribuinte não transitaram em julgado, de acordo com os extratos dos processos 004771478.2011.4.01.3500; 004766537.2011 4.01.3500; 2009.35.00.0202670; e 2009.35.00.0204313, anexados ao presente relatório fiscal. Narra o agente fiscal que o contribuinte efetuou compensação nos valores devidos à Previdência Social nas competências 11/2009 a 05/2012, 07/2012 a 09/2012 e de 11/2012 a 12/2012, declarando referidas compensações nas GFIP do estabelecimento 01.165.357/000192, no total de R$ 2.762.408,97, conforme quadro discriminativo. Afirma que considerando que referidas compensações foram efetuadas pelo Contribuinte sem o competente trânsito em julgado dos respectivos processos judiciais, constatase que o sujeito passivo efetuou tais compensações ao arrepio da Lei, haja vista que efetuou compensações utilizandose de valores não definitivamente julgados, contrariando assim, o Voto do Exmo. Sr. Desembargador Federal Catão Alves, Relator no Processo 2009.35.00.0202670 (nova numeração 002001231.2009.4.01.3500), que afirmou que a compensação sujeitase ao trânsito em julgado da sentença, nos termos do art. 170A, do CTN, e o Voto do Exmo. Sr. Juiz Federal Cleberson José Rocha, Relator convocado no Processo 2009.35.00.0204313/ GO (nova numeração 002015787.2009.4.01.3500), que determinou que fossem observadas as regras administrativas do procedimento da compensação previstas na IN 900/2008, da Receita Federal do Brasil. Ressalta que o artigo 170A do Código Tributário Nacional veda a compensação antes do trânsito em julgado da sentença, nos seguintes termos: Art. 170A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial (Artigo incluído pela Lcp n° 104, de 10.1.2001) Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 455 6 Afirma que nesse mesmo sentido dispõe a Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008, no seu artigo 70: Art. 70. São vedados o ressarcimento, a restituição, o reembolso e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 973, de 27 de novembro de 2009). Conclui que à luz da legislação disciplinadora da matéria, a compensação efetuada pelo contribuinte é indevida, pois foi realizada sem autorização judicial para tanto, dado que deveria aguardar o trânsito em julgado da sentença que lhe concedesse tal direito, razão pela qual está sendo glosada. Menciona que apesar de intimado o Contribuinte não apresentou a Memória de Cálculo das compensações efetuadas, onde deveriam estar discriminados a origem e os valores originários dos créditos compensados, bem como os respectivos cálculos de atualização dos mesmos. Registra que foi apresentada pelo sujeito passivo a tabela denominada "TABELA DE CRÉDITO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE AUXÍLIO DOENÇA, ACIDENTE SALÁRIO MATERNIDADE, FÉRIAS E 1/3 DAS FÉRIAS", onde estão discriminados, a competência dos créditos pretendidos, a base de cálculo utilizada, o valor do tributo recolhido, a taxa de juros, o valor dos juros e o valor total, para competências de outubro de 1999 a setembro de 2009 (cópia anexa). Registra que da análise das tabelas citadas no item acima, constatase Que o Contribuinte calculou o tributo recolhido aplicando o percentual de 28,8% (vinte e oito vírgula oito por cento) sobre o valor da base de cálculo consignada na tabela, aplicando sobre o valor obtido o percentual definido como taxa de juros e, consequentemente o valor total obtido, resultado da soma do valor do tributo recolhido acrescido do valor dos juros. Tece o auditor as seguintes observações: a) Os valores consignados nas Tabelas de Crédito, a título de "base de cálculo", e "tributo recolhido", não foram objeto de verificação e conferência de valores por esta fiscalização, haja vista que os valores compensados serão glosados, por não atenderem à condição principal, qual seja, os respectivos processos judiciais já haverem transitado em julgado; b) Para efeito das compensações declaradas na GFIP, estão incorretos os valores consignados nas Tabelas de Crédito a título de "tributo recolhido", haja vista que o contribuinte incorporou na alíquota de 28,8% (vinte e oito vírgula oito por cento), o percentual de 5,8% (cinco vírgula oito por cento) destinada a Terceiros (FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 456 7 c) Os valores consignados nas Tabelas de Crédito a título de "taxa de juros", não correspondem aos valores de atualização calculados por esta fiscalização. Está normatizado que para as compensações efetuadas a partir de 04/12/2008, o valor do crédito originário será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido, até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. De acordo com a Tabela de Crédito apresentada pelo Contribuinte, o cálculo da taxa de juros foi calculado aplicando 1% (um por cento) na competência do recolhimento pretensamente indevido somado com a SELIC acumulada desde a data do vencimento até a data de efetivação da compensação. Conclui que, caso o presente processo tivesse já transitado em julgado, caberia ao Contribuinte o direito à compensação de valores recolhidos sobre pagamentos efetuados a título de Auxílio Acidente/Doença (primeiros 15 dias) e sobre 1/3 de férias, conforme julgado procedente nos citados processos ainda sem trânsito em julgado, sendo que os valores das bases de cálculo, do tributo recolhido e respectivas atualizações deveriam serem calculadas de acordo com a legislação. Cita que com o advento da MP 449/2008, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, que trouxe alterações substanciais na legislação incidente nos lançamentos relativos às contribuições previdenciárias compensadas indevidamente, a multa aplicável passou a ser, a partir de 04 de dezembro de 2008, a descrita no parágrafo 9o do art. 89 da Lei 8.212/91. Informa que com relação à Multa Isolada, tendo sido comprovado que nas GFIP entregues pelo Contribuinte referente aos estabelecimentos e competências objeto do levantamento de Glosa de Compensação Indevida, e, considerando ainda que a Lei n° 8.212/91, com a nova redação dada pela Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, comina pena de multa de 150% (cento e cinquenta por cento) do valor das contribuições que se informou ter compensado, independentemente da exigência do próprio tributo com os acréscimos moratórios, foi apurado o valor de R$ 4.143.613,55 (quatro milhões, cento e quarenta e três mil, seiscentos e treze reais e cinquenta e cinco centavos), lançado a título de Multa Isolada, no levantamento MI Multa Isolada por Compensação Indevida, nos termos do parágrafo 10, do art. 89, da Lei n° 8.212/91, c/c Art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Informa que anexa os espelhos das GFIP informadas pelo Contribuinte e obtidas dos Sistemas informatizados da RFB Receita Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 457 8 Federal do Brasil, onde consta a informação a título de compensação inserida pelo sujeito passivo de forma falsa, para se eximir dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, cometendo, em tese, o crime de falsidade de documento público, infração penal tipificada no art. 297, inciso III do § 3º, do DecretoLei n° 2.848 de 07/12/1940 Código Penal, com a redação dada pela Lei 9.983 de 14/07/2000, o que será objeto de emissão de Representação Fiscal para Fins Penais RFFP, tendo em vista, em tese, a prática por parte do contribuinte de falsificação de documento público. Registra que durante a Ação Fiscal foram analisados os seguintes documentos, relativos à compensação: • Processo n° 004771478.2011.4.01.3500; • Processo n° 004766537.2011.4.01.3500; • Processo n° 2009.35.00.0202670; • Processo n° 2009.35.00.0204313 A impugnante foi notificada dos referidos Autos de Infração mediante remessa pessoal em 25/06/13. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a interessada protocolou impugnação 19/07/2013, por intermédio do instrumento de fls. 225 a 258, acompanhado dos anexos de fls. 259 a 294, pleiteando a nulidade dos Autos de Infração lançados. Afirma que foi notificada dos autos de infração ora combatidos no dia 25/06/2013 (terçafeira), e conforme Decreto n° 70.235/72 o termo ad quem da defesa oramanejada será em 25/07/2013 (quintafeira), o que demonstra a plena tempestividade da presente impugnação. DO AUTO DE INFRAÇÃO N° 51.040.2615 DA ESTRITA LEGALIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL ADOTADO PELA IMPUGNANTE Alega que é prescindível a autorização judicial ou administrativa para que a compensação tributária seja efetuada antes do trânsito em julgado da decisão, com base no artigo 66 da Lei n° 8.383/91 e do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, que prevê a modalidade de compensação denominada sponte própria, de iniciativa, exclusiva do contribuinte, sem qualquer exigência de prévia autorização da Receita Federal para a realização da compensação, citando jurisprudência do STJ. Cita decisão do Tribunal da Cidadania afirmando que este possui firme entendimento no sentido da desnecessidade de ação judicial prévia, em cujo bojo o contribuinte pleiteie compensação nos termos do artigo 66 da Lei n° 8.383/91. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 458 9 Entende que não há nenhuma ilegalidade no procedimento levado a efeito pela Impugnante, bem como não foi utilizado nenhum ardil com o objetivo de fraudar a arrecadação. Antes, tratase de compensação perfeitamente autorizada pelo Ordenamento Jurídico, efetivada por meio de expedientes contábeis próprios. Alega que também não houve violação ao artigo 170A do CTN, uma vez que esta é uma regra que o Legislador dirigiu ao Poder Judiciário e não ao contribuinte. Entende que o Juiz, ante a imposição do artigo 170A do CTN, está impedido de autorizar a compensação antes do trânsito em julgado, mas o dispositivo não proíbe que o contribuinte faça seu regular pedido de compensação. Sustenta que é direito subjetivo do contribuinte que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento, utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB, conforme disposto no art. 74 da Lei 9.430/96. Afirma que as declarações previstas no § 1o do referido artigo 74 da Lei 9.430/96 são as GFIP's descritas no AI N° 51.040.2615 Comprot n° 10120.725376/201341, o que apenas reforça e confirma o argumento segundo o qual o procedimento de compensação foi absolutamente regular. Argumenta que o montante apontado como devido deriva, exclusivamente, de valores relativos às contribuições previdenciárias devidas pela Impugnante, restituídos em razão de sentença judicial que reconheceu o direito líquido e certo deste de compensar prestações futuras com os valores até então recolhidos indevidamente a título de contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos aos empregados para remunerar auxílio doença/acidente, saláriomaternidade, férias, adicional de férias e aviso prévio indenizado, acerca dos quais o Superior Tribunal de Justiça é unânime ao afastar do campo de incidência da contribuição previdenciária. Aduz que o posicionamento firmado no âmbito do Tribunal da Cidadania evidencia a irregularidade da arrecadação formalizada com fulcro nos dispositivos normativos eivados de vício jurídico, o que, indubitavelmente, diferencia a situação de outras. Argumenta que por este motivo, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem entendendo que a ilegalidade/inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (Processo n° 10875.003912/200430 Recurso n° 240623 Sessão realizada em 05/09/2008). Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 459 10 Afirma que não compensou qualquer outro valor, senão aqueles relativos aos recolhimentos efetuados com base no comando normativo declarado ilegal. Defende que as disposições contidas no artigo 170A do CTN não podem ser aplicadas ao Mandado de Segurança, uma vez que este, como garantia constitucional, possui caráter mandamental, impondo à Administração Pública uma prestação material, específica e in natura, a ser prontamente satisfeita, mesmo porque o direito pleiteado em questão está firmemente reconhecido pela Jurisprudência dominante do STJ. Argui que não seria razoável sujeitar uma decisão proferida em Mandado de Segurança, que reconhece direito líquido e certo a compensação de valores recolhidos à maior, ao superveniente pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça, mesmo porque seu posicionamento acerca da matéria encontrase pacificado, por meio de julgados análogos. Ressalta que não se pode impossibilitar a compensação de créditos tributários, nitidamente convalidados pelo Poder Judiciário, muito menos inscrever o contribuinte na Dívida Ativa da União, em decorrência dos valores debatidos em autos de mandado de segurança, cuja procedência tenha sido ratificada através de acórdão. Cita jurisprudência do Egrégio Tribunal Regional Federal da Primeira Região sobre a matéria, no sentido de que tendo em vista que a matéria relativa à exigibilidade de contribuição previdenciária sobre a remuneração paga em virtude do afastamento do empregado no período de quinze dias que antecede a concessão de auxílio doença/acidente, bem assim sobre o abono constitucional de férias (1/3) encontrase, atualmente, pacificada nos colendos STF e STJ, não se mostra razoável aguardarse o trânsito em julgado de decisum para a efetivação da compensação do indébito tributário em referência, quando inexistente qualquer possibilidade de alteração da situação jurídica já reconhecida, nos autos. DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC Alega que a Taxa SELIC, instituída pela Lei n° 8.981/95, é apurada e calculada diariamente pelo Banco Central, sendo o resultado das negociações dos títulos públicos e da variação dos seus valores de mercado, sistema criado para custódia dos títulos públicos federais e sua liquidação, tendo, portanto, natureza remuneratória, afirmando que aplicar a mencionada taxa para correção do débito abarca em evidente lesão às disposições da Constituição Federal, ferindo não só o direito das empresasconsulentes, como também a ordem econômica e financeira, desvirtuando dessa forma, a essência do Estado Democrático. Aduz que o posicionamento firmado no âmbito do Tribunal da Cidadania evidencia a irregularidade da arrecadação formalizada com fulcro nos dispositivos normativos eivados de vício jurídico, o que, indubitavelmente, diferencia a situação de outras. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 460 11 Argumenta que por este motivo, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem entendendo que a ilegalidade/inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (Processo n° 10875.003912/200430 Recurso n° 240623 Sessão realizada em 05/09/2008). Afirma que não compensou qualquer outro valor, senão aqueles relativos aos recolhimentos efetuados com base no comando normativo declarado ilegal. Defende que as disposições contidas no artigo 170A do CTN não podem ser aplicadas ao Mandado de Segurança, uma vez que este, como garantia constitucional, possui caráter mandamental, impondo à Administração Pública uma prestação material, específica e in natura, a ser prontamente satisfeita, mesmo porque o direito pleiteado em questão está firmemente reconhecido pela Jurisprudência dominante do STJ. Argui que não seria razoável sujeitar uma decisão proferida em Mandado de Segurança, que reconhece direito líquido e certo a compensação de valores recolhidos à maior, ao superveniente pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça, mesmo porque seu posicionamento acerca da matéria encontrase pacificado, por meio de julgados análogos. Ressalta que não se pode impossibilitar a compensação de créditos tributários, nitidamente convalidados pelo Poder Judiciário, muito menos inscrever o contribuinte na Dívida Ativa da União, em decorrência dos valores debatidos em autos de mandado de segurança, cuja procedência tenha sido ratificada através de acórdão. Cita jurisprudência do Egrégio Tribunal Regional Federal da Primeira Região sobre a matéria, no sentido de que tendo em vista que a matéria relativa à exigibilidade de contribuição previdenciária sobre a remuneração paga em virtude do afastamento do empregado no período de quinze dias que antecede a concessão de auxílio doença/acidente, bem assim sobre o abono constitucional de férias (1/3) encontrase, atualmente, pacificada nos colendos STF e STJ, não se mostra razoável aguardarse o trânsito em julgado de decisum para a efetivação da compensação do indébito tributário em referência, quando inexistente qualquer possibilidade de alteração da situação jurídica já reconhecida, nos autos. DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC Alega que a Taxa SELIC, instituída pela Lei n° 8.981/95, é apurada e calculada diariamente pelo Banco Central, sendo o resultado das negociações dos títulos públicos e da variação dos seus valores de mercado, sistema criado para custódia dos Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 461 12 títulos públicos federais e sua liquidação, tendo, portanto, natureza remuneratória, afirmando que aplicar a mencionada taxa para correção do débito abarca em evidente lesão às disposições da Constituição Federal, ferindo não só o direito das empresasconsulentes, como também a ordem econômica e financeira, desvirtuando dessa forma, a essência do Estado Democrático. Cita jurisprudência, argumentando que o Superior Tribunal de Justiça entendeu também que a Taxa Selic visa a remunerar títulos e defende que não havendo discriminação qualitativa e quantitativa de seus componentes integrantes, a Taxa Selic, por ferir princípios, é inaplicável em matéria tributária. Argumenta que ainda que a taxa de custódia em questão fosse criada por meio de lei objetivando fins tributários, em respeito ao princípio da hierarquia das normas, prevaleceria o artigo 161, § 1o do Código Tributário Nacional que estabelece o índice de juros de 1% ao mês, uma vez que o CTN foi criado por meio de Lei Ordinária, porém recepcionado pela Constituição Federal de 1988 como Lei Complementar, conforme prevê o artigo 34, § 5º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Aduz que a Lei 8.981, de 20.01.95, instituidora da Taxa Selic, ainda que fosse considerada norma legal para regrar assuntos tributários, não poderia fixar índices acima do limite previsto na norma complementar (CTN), mas sim índice abaixo daquela, restando claro que, somente haveria a possibilidade da majoração da alíquota de correção se a lei instituidora da Selic estivesse no mesmo patamar de competência da lei complementar. Conclui pela impossibilidade da utilização da taxa de referência SELIC, como taxa de juros moratórios para as multas aplicadas, já que a mesma não possui natureza indenizatória, própria dos juros moratórios, além de tratarse de meio de remuneração e, não, de indenização, caso em que, e não observado tal fundamento, estarseia configurado o locupletamento ilícito. DO AUTO DE INFRAÇÃO N° 51.040.2623 DO DESCABIMENTO DA MULTA ISOLADA Argumenta que ainda que se entenda por indevidas as compensações, a multa isolada de 150% deve ser afastada, seja por inexistência de indícios de dolo, seja por se tratar de multa confiscatória, desproporcional e desarrazoada. Afirma que os valores lançados nas suas GFIP's, refletem as apurações de recolhimentos indevidos e amparados por decisão parcialmente procedente, e que comprova a sua indubitável boa fé, submetendo todas as informações, procedimentos e documentos ao crivo do Poder Judiciário e do próprio Fisco, o que se materializou nos autos dos Mandados de Segurança acima mencionados. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 462 13 Entende que a realização de compensação em qualquer uma das hipóteses autorizada pela Lei, não caracteriza fraude fiscal e, tampouco, o dolo, já que não há que se falar em fraude se não houver dolo. Sonegação, fraude e conluio são formas diversas de evasão fiscal, e em todas essas hipóteses deverá estar presente o dolo . Discorre sobre a diferença entre evasão ilícita (na qual atingese o resultado econômico colimado, mas, valendose de artifício doloso) da evasão legítima (elisão ou economia fiscal, na qual, para elidir ou minorar a obrigação fiscal, se busca por instrumentos sempre lícitos), afirmando que idênticos são as intenções e os fins, porém diferem os meios e o momento de sua efetivação. Reclama que o que se pretende com as práticas que vêm sendo realizadas pela Receita Federal, é a imposição de penalidades calcadas em presunção absoluta, ou mediante ficção jurídica, contrariando a doutrina e a jurisprudência inerentes ao direito tributário. Destaca que não existe embasamento legal e que o suporte normativo utilizado para fundamentar a decisão está sedimentado em meras instruções normativas. Afirma que essa forma de imposições de penalidades não é compatível com o direito tributário. Argumenta que não poderá haver presunção de sonegação para fins de aplicação da multa isolada aqui vergastada, visto que esta deverá ser provada e caberá prova em contrário, devendo esta ser afastada. Aduz que doutrina tem entendido que multas elevadas são verdadeiros instrumentos para intimidar os contribuintes de exercerem o direito de pleitear o reconhecimento de seus créditos perante a Fazenda Nacional. Contesta a multa instituída, afirmando que é considerada inconstitucional, porque viola o direito de petição previsto no artigo 5o, inciso XXXIV da CF/88; a garantia do devido processo legal prevista no artigo 5o, VI da CF/88; os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade, pois a multa de 150% é considerada excessiva. Defende que a imposição da multa no patamar estabelecido constitui verdadeira sanção política, execrada pelo Supremo Tribunal Federal, que já mencionou diversas vezes que o Poder Público não pode utilizar meios indiretos de coerção, citando jurisprudência Supremo Tribunal Federal, afirmando que se reconheceu a Repercussão Geral do tema suscitado que possui grande potencial de repetição pois muitos entes federados adotam a técnica das multas isoladas. Cita decisões do Conselho de Contribuintes e do CARF, afirmando que pela simples leitura das ementas dos acórdãos, Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 463 14 acaba por tornar forçosa a necessidade de afastar a aplicação da multa qualificada, ou, no mínimo, a redução para 20%, conforme inúmeros precedentes do próprio CARF e outros emanados pelo Poder Judiciário. Conclui que a "multa isolada" exigida no auto de infração ora impugnado é totalmente descabida, sendo inconstitucional em face da afronta ao princípio da razoabilidade, se impondo o cancelamento do auto de infração. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Reclama que, além do caso em voga não atrair a incidência de multa isolada no patamar de 150%, também não é cabível a imposição da multa de 75%, porquanto a exigência permaneceria em patamares absurdos, causando enriquecimento ilícito da União e violando o princípio constitucional no Não Confisco. Aduz, na remota hipótese de manutenção do Auto de Infração ora vergastado, o inequívoco caráter confiscatório apresentado pelo patamar da multa imposta à Impugnante, o qual deve ser substancialmente reduzido. Afirma que a fixação do valor da multa punitiva deve atender tanto aos objetivos da sanção tributária desestimular as infrações e punir a sonegação , como também aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, que também regem os atos da Administração Pública, de forma a não constituirse imposição demasiadamente onerosa aponto de afetar a propriedade do contribuinte, confiscandoa sob o color de tributação, em grave ofensa ao princípio da não confiscatoriedade, consagrado no art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Cita jurisprudências do TRF e STF afirmando ser nítido o caráter confiscatório e, portanto, insustentável do percentual de 150% em face da farta jurisprudência colacionada. Pleiteia que o Auto de Infração seja prontamente cancelado, adequandose o percentual da multa à jurisprudência pacífica, afirmando que não cabe o argumento segundo o qual o decidido em querelas judiciais não se pode ser aplicado, ainda que provenha de entendimentos remansosos dos Tribunais Superiores e que cabe ao administrador tãosó a aplicação pura e simples da Lei. Ressalta que o artigo 62ª do Regimento Interno do CARF tornou obrigatória a aplicação pelos seus Conselheiros das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de demandas submetidas ao regime da Repercussão Geral e pelo Superior Tribunal de Justiça, nos casos submetidos ao regime dos Recursos Repetitivos. Entende que assim como cabe ao CARF, órgão judicante máximo no âmbito administrativo fiscal, observar e aplicar os Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 464 15 entendimentos proferidos pelas Cortes Superiores, cabe à toda Administração Pública, ao decidir questões fiscais e recursos dos contribuintes, se pautar e orientar, de forma geral, pela jurisprudência emanada dos Tribunais, com o objetivo precípuo de evitar danos irreversíveis aos contribuintes e, no futuro, poupar o Erário do pagamento de altíssimos valores a título de ressarcimento e indenizações. Requer com base no exposto, o afastamento da multa imposta pela Fiscalização no auto de infração ora impugnado. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS AUSÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Argui que a presente impugnação implica, nos termos do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN), inequívoca suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Argumenta que conforme artigo 5o, incisos LIV e LV , da Constituição Federal, e artigo 142, caput, com o teor do artigo 145, inciso I, do CTN, o crédito tributário só pode ser considerado definitivamente constituído após o encerramento do devido processo legal administrativo. Defende enquanto não houver conclusão do processo administrativo que apura eventual ilícito tributário não se pode, de modo algum, atribuirse ao contribuinte a prática de algum crime fiscal, como, v.g., os previstos na Lei n° 8.137/90 ou no próprio Código Penal. Discorre, mediante citação de jurisprudências, que a não configuração do crime antes da constituição final do crédito tributário, impede a propositura de eventual ação criminal, restando tal entendimento devidamente consolidado na Súmula Vinculante n° 24 da egrégia Suprema Corte e não há que se eventualmente argumentar que o entendimentoesposado pela Corte Superior seria limitado aos crimes previstos na Lei n° 8.137/90, não se aplicando aos demais crimes denominados tributários. Reputa que pendente impugnação, como ocorre no presente caso, as Representações Fiscais para Fins Penais (RFFP) sequer podem ser encaminhadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ao Ministério Público Federal, conforme disposto no artigo 83, caput, da Lei n° 9.430/96 e a teor do artigo 3º da Portaria RFB nº 665 de 24/04/2008. Entende que mesmo quando constituído de forma definitiva o tributo ora impugnado, ainda se abrirá ao contribuinte a possibilidade de parcelamento ou pagamento integral, o que implica na suspensão da pretensão punitiva ou extinção da punibilidade. DA AUSÊNCIA DE MEDIDA JUDICIAL Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 465 16 Declara que, em atendimento ao disposto no artigo 16, inciso V, do Decreto n° 70.235/72, na redação da MP n° 232, de 30/12/2004, a matéria impugnada não foi submetida à apreciação judicial. DO PEDIDO Solicita o processamento e o julgamento da Impugnação, no sentido de anular os lançamentos confrontados, materializados pelo Autos de Infração mencionados, sendo, por conseguinte, fulminado, todo e qualquer apontamento em nome da Impugnante que decorra do indevido crédito tributário. Requer seja a representação fiscal para fins penais mantida no âmbito desta Secretaria da Receita Federal do Brasil até final esgotamento da via administrativa, eventual constituição definitiva do crédito tributário e, ainda, após esgotado prazo para o contribuinte pagar e/ou parcelar o tributo. É o relatório." A 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL) entendeu por manter os créditos tributários. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 370/419, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto – Relator Tempestividade No presente caso, a ciência do contribuinte se deu por meio eletrônico, em 25/02/2014, consoante Termo de Ciência por decurso de prazo de fl. 343 dos autos. Em razão da não interposição de recurso no trintídio legal, foi encaminhada carta cobrança à fls. 353, a qual teve por via eletrônica a ciência do prazo em 24/04/2014 pelo contribuinte, conforme fl. 362. No entanto, com o recebimento da carta cobrança, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 370/419, protocolizado em 09/05/2014. O extrato do processo, de fl. 424, vem ratificar as informações acima referidas, vejamos: Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 466 17 O prazo para interposição de recurso voluntário é de 30 dias, tendo ele findado em 27 de março de 2014. Logo, temse que o recurso voluntário apresentado em 09 de maio de 2014 – após o término do prazo recursal – é intempestivo e, portanto, não deve ser conhecido. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 467 18 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 468 19 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 468DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724065/2013-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2012
GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. PESSOA JURÍDICA. COMPROVAÇÃO DA PRÁTICA COMUM DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA.
A fim de aplicar a responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, a autoridade lançadora deve demonstrar os interesses em comum das empresas na situação que constitua o fato gerador da obrigação, ou a circunstância de fato que implique a responsabilização solidária.
Numero da decisão: 2201-003.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos para, sanando a inexatidão material apontada, conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento parcial para excluir a responsabilidade solidária do embargante. Vencido o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 31/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2012 GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. PESSOA JURÍDICA. COMPROVAÇÃO DA PRÁTICA COMUM DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. A fim de aplicar a responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, a autoridade lançadora deve demonstrar os interesses em comum das empresas na situação que constitua o fato gerador da obrigação, ou a circunstância de fato que implique a responsabilização solidária.
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Responsável solidário. Embargante BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S/A Interessado M. GARZON EUGENIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2012 GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. PESSOA JURÍDICA. COMPROVAÇÃO DA PRÁTICA COMUM DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. A fim de aplicar a responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, a autoridade lançadora deve demonstrar os interesses em comum das empresas na situação que constitua o fato gerador da obrigação, ou a circunstância de fato que implique a responsabilização solidária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos para, sanando a inexatidão material apontada, conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento parcial para excluir a responsabilidade solidária do embargante. Vencido o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 31/08/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 40 65 /2 01 3- 38 Fl. 1932DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.923 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 1735/1760 interposto contra a Decisão da DRJ em Brasília/DF, de fls. 1620/1653, que julgou procedente o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas a Corretores de Imóveis Autônomos e sobre as remunerações pagas por serviços prestados pelas demais pessoas físicas, lavrado em face da M GARZON, EUGENIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA. O presente processo já foi apreciado por esta Turma julgadora na sessão de 20/09/2016, por meio do Acórdão nº 2201003.330 (fls. 1821/1877). No entanto, o Recurso Voluntário ora analisado, interposto pelo Devedor Solidário BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S/A, deixou de ser apreciado ante a constatação de sua suposta intempestividade. A ora RECORRENTE, então, opôs os Embargos Inominados de fls. 1893/1895, os quais foram acolhidos pelo despacho de admissibilidade de fls. 1920/1921, “com vistas a submeter a julgamento as questões aduzidas no Recurso Voluntário do devedor solidário, Brasil Brokers”, uma vez que foi afastada a intempestividade do recurso. Face ao exposto, adoto os termos do relatório relativo ao Acórdão nº 2201 003.330 (fls. 1821/1877): “Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/BSB (Fls. 1620), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de crédito tributário, constituído em desfavor da empresa M. GARZON EUGENIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, por intermédio dos seguintes autos de infração de obrigação principal: – AIOP DEBCAD 51.034.7290, no valor de R$ 25.114.405,01 (vinte e cinco milhões, cento e quatorze mil, quatrocentos e cinco reais e hum centavo) e o AIOP DEBCAD 51.034.7304, no valor de R$ 13.812.046,53 (treze milhões, oitocentos e doze mil, quarenta e seis reais e cinqüenta e três centavos), relativos às contribuições previdenciárias devidas pela empresa, parte patronal e parte dos segurados contribuintes individuais, respectivamente, incidentes sobre as remunerações pagas a Corretores de Imóveis Autônomos e sobre as remunerações pagas por serviços prestados pelas demais pessoas físicas, lavrados em 03/07/2013. Fl. 1933DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.924 3 O procedimento fiscal levado a efeito na empresa, abrangeu o período de agosto/2007 a junho/2012, porém este processo é relativo ao período de janeiro/2009 a 06/2012. Os fatos geradores objeto dos presentes lançamentos se referem: aos pagamentos de remuneração a corretores de imóveis autônomos pelos serviços de intermediação imobiliária prestados a Empresa, no período fiscalizado (Levantamento CV). pagamento de remuneração a contribuintes individuais (pessoas físicas) pelos serviços de natureza diversa (assessoria, jardinagem, bufett, manutenção, entre outros) prestados a empresa no período fiscalizado e registrados na conta contábil “SERVIÇOS TERCEIROS PESSOA FÍSICA”, código 4201010036 (Levantamentos SI E SN). A M Garzon Eugenio Empreendimentos Imobiliários Ltda., com início de atividades em 10/08/2007, tem por objeto social as seguintes atividades: intermediação na compra, venda, permuta e aluguel de imóveis; a prospecção e avaliação de terrenos para incorporação imobiliária; a aproximação e assessoria para negócios entre proprietários de imóveis, incorporadores e investidores em geral; a administração de bens próprios e de terceiros; e a participação no capital de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras, empresárias ou não, na qualidade de sócia, acionista ou cotista. O contribuinte foi intimado, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal (TIPF) e de outros Termos específicos emitidos no transcorrer do procedimento fiscal , a apresentar documentos da Empresa e dos responsáveis, documentos contábeis, patrimoniais e financeiros; demonstrativo dos empreendimentos imobiliários comercializados; contratos de prestação de serviços de corretagem firmados com corretores de imóveis, pessoas físicas, para intermediação da venda de unidades imobiliárias; folhas de pagamento e outros documentos relativos aos segurados contribuintes individuais, todos referentes ao período de 10/08/2007 a 31/12/2009. Posteriormente, em 08/02/2013, tendo em vista a ampliação do período de abrangência da fiscalização até a competência 06/2012, o contribuinte foi intimado a complementar as informações anteriormente prestadas, o qual, além dos documentos e esclarecimentos complementares requeridos, apresentou novo CD/R contendo os arquivos dos lançamentos contábeis do período: 01/2010 a 06/2012. A auditoria fiscal constatou, da análise da documentação apresentada, assim como dos esclarecimentos prestados, que a M Garzon Eugênio não declarou nas GFIPs do período fiscalizado os pagamentos efetuados a corretores de imóveis e às demais pessoas físicas que lhes prestaram serviços no período fiscalizado, como também não reteve as contribuições de responsabilidade desses segurados (contribuintes individuais), conforme determina o art. 4º da Lei nº 10.666/2003, nem Fl. 1934DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.925 4 recolheu as contribuições sociais decorrentes desses pagamentos devidas a Seguridade Social. Para a formação de convicção que levou à constituição deste crédito, a fiscalização efetuou diligências junto a empresas construtoras/incorporadoras para as quais a M Garzon Eugênio prestou serviços de intermediação imobiliária e a pessoas físicas adquirentes de imóveis com a intermediação dessa mesma Empresa, com o objetivo de prestar informações e esclarecimentos de interesse do fisco. Com relação as pessoas jurídicas diligenciadas (construtoras/incorporadoras), a motivação para a realização desse procedimento fiscal deuse a partir da informação prestada pela M Garzon Eugênio, em resposta à intimação da auditoria, “que não possui contratos de prestação de serviços firmados com construtoras/incorporadoras, haja vista que são realizados de forma verbal”, conforme item 34 do Relatório Fiscal às fls. 1.153. Diante dessa informação a fiscalização efetuou diligências junto às construtoras/incorporadoras responsáveis pelos empreendimentos comercializados pela M Garzon Eugêncio, obtendo das empresas contratantes, contrariamente ao afirmado acima, contratos assinados com esta imobiliária. Entre as empresas contratantes, devidamente diligenciadas, estão: Brasal Incorporações e Construções de Imóveis Ltda. (CNPJ 00.323.063/000189), Arquitetura e Lazer Ltda. (CNPJ 10.450.445/000127) e Brookfield MB Empreendimentos Imobiliários S/A (CNPJ 04.123.616/000372). No que se refere às diligências realizadas junto a adquirentes de imóveis pessoas físicas, com a intermediação imobiliária da M Garzon Eugênio, estas foram motivadas na resposta apresentada pela Empresa a à intimação da auditoria de apresentar os contratos de prestação de serviços de corretagem firmados com corretores de imóveis, “que não possui nenhum tipo de contrato de prestação de serviços de corretagem, ora descrito no item 11 do TIPF, porquanto se trata de serviço autônomo, no qual os corretores são remunerados diretamente pelos clientes/compradores”, conforme item 37 do Relatório Fiscal às fls. 1.154. Segundo as diligências realizadas, a auditoria fiscal apurou que a situação de fato não corresponde as alegações da Empresa, pois da análise, por amostragem, dos adquirentes de imóveis diligenciados, todos afirmaram que: o imóvel foi adquirido por intermédio da empresa imobiliária M Garzon Eugênio; o corretor, autor da venda, não foi contratado por ele (comprador); o corretor apresentouse como representante da imobiliária M Garzon Eugênio, usando crachá da empresa com a sua identificação pessoal. Os documentos obtidos por meio dessas diligências, as informações e os esclarecimentos prestados pelos diligenciados encontramse no processo (Anexos 11 e 11A). Fl. 1935DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.926 5 De acordo com o Relatório Fiscal, a empresa foi intimada a apresentar demonstrativo consolidado dos empreendimentos imobiliários comercializados no período sob fiscalização e relação de todas as unidades vendidas pela Empresa, especificando, por exercício o número e data da proposta de compra e venda; a denominação do empreendimento, unidade, localidade e preço de venda da unidade comercializada; o nome, CPF/CNPJ do comprador; o nome e número do CPF e registro no CRECI do corretor responsável pela venda e o valor da comissão paga ao corretor. Em resposta, a Empresa apresentou o demonstrativo consolidado dos empreendimentos comercializados e no que se refere à relação das unidades vendidas no período, solicitou prorrogação do prazo de 20 dias, alegando que “não foi possível concluir o levantamento das informações requeridas diante da sua complexidade”. Foi estabelecido novo prazo, dentro do qual, a empresa apresentou planilha sobre as unidades vendidas no período de apuração, porém não informou os campos relativos à proposta de compra, sob a alegação que tais propostas são descartadas após a venda. Também não preencheu os campos da planilha destinados a informação relativa a corretagem, ou seja, identificação do corretor responsável pela venda e o valor da comissão, alegando que “não possui informações a respeito da corretagem – última coluna da planilha – porquanto se trata de serviço autônomo, no qual os valores são transacionados diretamente entre cliente e corretor”. Com relação a intimação a prestar informação sobre o fluxo das atividades de prestação de serviços de intermediação imobiliária praticado no âmbito da Empresa, bem como o nome e o CPF do responsável pela gestão dessas atividades, a empresa limitouse a informar que “os corretores são autônomos, não possuindo qualquer vínculo com a empresa, o que a impossibilita de prestar tais informações”. A empresa foi reintimada a apresentar descrição do fluxo das atividades de prestação de serviços de intermediação imobiliária, detalhando como ocorre o processo de venda, o engajamento dos corretores envolvidos, a definição da comissão do corretor, os formulários utilizados, o pagamento do sinal e da comissão do corretor, o relacionamento com o cliente, e outras informações, a Empresa esclareceu, após prorrogação do prazo solicitada pelo contribuinte, que “cabe à contribuinte a gestão da carteira de imóveis fornecida pela construtora, bem como a disponibilização de formulários quando esta não o fizer. Da mesma forma a construtora é quem disponibiliza o valor do sinal em sua tabela de vendas. Já a comissão dos corretores são negociadas diretamente com o cliente, porquanto faz parte da “carteira de clientes” do próprio corretor, sendo as comissões baseadas nas determinações do Conselho Regional de Corretores de Imóveis – CRECI”. Quanto ao responsável pela gestão das atividades de intermediação imobiliária no âmbito da Empresa, esclareceu Fl. 1936DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.927 6 que o administrador Marcos Fabrício Moraes Garzon, CPF 031.943.28743, consoante o descrito no contrato social da empresa, é o “responsável pela consultoria e gestão de disponibilização de unidades imobiliárias no mercado”. Informou também que as atividades de seleção, credenciamento e treinamento de corretores de imóveis, como também as de supervisão das atividades desenvolvidas pelos corretores “não fazem parte das atividades da empresa, pois esta se limita à gestão das unidades imobiliárias”. Diante desses esclarecimentos, a auditoria fiscal concluiu que a empresa se comportou perante o fisco sem compromisso com a verdade, pois em contatos presenciais da fiscalização junto ao estabelecimento sede da M Garzon Eugênio, constatou que a Empresa mantém um departamento de vendas com corretores para atendimento do público interessado na aquisição de imóveis, inclusive, do lado externo do prédio, a Empresa mantém uma placa anunciando “CORRETORES DE PLANTÃO AQUI”. Ainda, segundo o Organograma Operacional da empresa apresentado ao Fisco, a Empresa informou que conta com um Administrador Central (Marco Fabrício M. Garzon – CPF 031.943.28743), um Administrador de Desenvolvimento (Arnaldo Frattini – CPF 031.943.28743), um Gerente de Vendas, um Gerente de RH e um Gerente Administrativo Financeiro, sem informar o nome e CPF dos respectivos ocupantes. Cada gerente, para o exercício de suas funções, conta com um supervisor e um assistente. O organograma desenhado pela Empresa deve estar compatível com o volume de negócios a que se propôs realizar. Portanto, as unidades em funcionamento na M Garzon Eugênio pressupõese que estão compatíveis com o volume de vendas efetivado no período fiscalizado. De acordo com as informações e documentos disponibilizados ao fisco, somente a conta contábil “SERVIÇOS PRESTADOS A VISTA – Código 3101050001” registra aproximadamente 8.828 lançamentos contábeis, sendo que muitos dos lançamentos representam mais de uma unidade imobiliária vendida. Em volume financeiro, estes lançamentos representam R$ 48.687.631,79 de comissão imobiliária recebida pela empresa pela prestação de serviços de corretagem de imóveis no período fiscalizado. A maioria desses lançamentos está acobertada por uma Nota Fiscal de Serviços, de emissão da M Garzon Eugênio, cuja descrição do serviço é “Serviço de Intermediação Imobiliária referente ao empreendimento tal...” ou “Comissão pela intermediação de venda do empreendimento...” tendo por tomador do serviço o adquirente da unidade imobiliária (pessoa física ou jurídica).. Como se não bastasse, o contrato de prestação de serviços de intermediação imobiliária firmado com as construtoras/incorporadoras que a Empresa recusouse a Fl. 1937DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.928 7 apresentar ao fisco, demonstra uma situação bem adversa das alegações da empresa, pois os contratos firmados prevêem, entre outras, as seguintes obrigações da M Garzon Eugênio: a) A comercialização propriamente dita, objeto deste contrato. b) Manter no plantão de vendas corretores autônomos de imóveis, nos horários indicados pela contratante. c) Nomear um supervisor de vendas, responsável no stand, exercendo as seguintes funções: orientar o trabalho dos corretores, levar e manter material publicitário e de apoio no stand de vendas, bem como tabelas, recolher as propostas, atender os clientes compradores. d) Efetuar o pagamento dos corretores autônomos de imóveis mediante a emissão do correspondente RPA, não havendo, pois, nenhuma relação entre estes e a contratante, devendo manter da contratante indene de qualquer reclamação de seus corretores. e) Atuar junto ao planejamento dos empreendimentos como um todo, incluindo sem se limitar, a definição do produto, campanha publicitária, tabelas de preços e treinamento geral das equipes que atenderão os clientes. f) Responsabilizarse pelo pessoal especialmente treinado e capacitado, para atuar no período de 08:00 as 20:00 hs, de segundafeira a domingo, nos Stands de Vendas, instalados junto aos canteiros de obras, entre... g) Zelar pelo nome da contratante, exigindo que seus profissionais e prepostos empreendam todos os esforços, no sentido de alcançar as metas de vendas que sejam apresentadas pela contratante. h) Responsabilizarse pelas obrigações trabalhistas, sociais e tributárias de seus respectivos profissionais e empregados, mantendo a contratante isenta de qualquer responsabilidade. Para o desenvolvimento das atividades de intermediação imobiliária, a M Garzon Eugênio firmou contrato de prestação de serviços de planejamento e vendas com construtoras/incorporadoras responsáveis por empreendimentos definindose, nesses instrumentos particulares, as bases de sustentação da relação contratual estabelecida entre as partes. O fisco constatou que a Empresa fez declarações a fiscalização que não corresponde a verdade dos fatos, uma vez que, quando intimada, não apresentou ao fisco os referidos contratos, sob o argumento de não possuílos, uma vez que tais acordos são realizados de forma verbal. Para ilustração da prática adotada pela Empresa, objetivando a transferência do pagamento da comissão de venda para o comprador do imóvel, observe o caso do adquirente da sala nº 149 e da vaga de garagem nº 157 do Edifício Barão do Rio Branco, no SIG, Quadra 01, Brasília/DF, Sr. Felipe Guarconi Fl. 1938DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.929 8 Pereira, devidamente intimado pela auditoria fiscal para apresentar documentos e prestar esclarecimentos, apresentou documentos que demonstram que ele pagou o valor total de R$ 277.000,99, sendo R$ 251.454,76 pela sala 149 e R$ 25.546,23 pela vaga de garagem nº 157. Foram pagos ao corretor responsável pela venda, mediante cheques do Banco do Brasil, as importâncias referente ao sinal da sala 149, no valor de R$ 23.697,32 e ao sinal da vaga garagem 157, no valor de R$ 2.407,50, ambos os cheques nominativos a Porto Engenharia. Pagou também as importâncias referentes a comissão de intermediação imobiliária da sala 149, no valor de R$ 11.848,65 e da vaga de garagem 157, no valor de R$ 1.203,75, ambos os cheques nominativos a M Garzon, conforme cópias entregues à fiscalização. No documento “COMUNICAÇÃO DE VENDA” emitido pela M Garzon Eugênio para a construtora/incorporadora responsável pelo empreendimento, informando a venda das unidades acima, estão registrados os dados do empreendimento, os dados cadastrais do adquirente, os dados financeiros, as condições de pagamento, o controle interno da imobiliária (M Garzon Eugênio) e a comissão de intermediação imobiliária e sua respectiva destinação, conforme quadro no item 79 do Relatório Fiscal. O citado documento “COMUNICAÇÃO DE VENDA” expedido pela M Garzon Eugênio, registra para a sala 149 o valor de venda R$ 263.303,40 e o valor do contrato R$ 251.454,80; para a vaga de garagem 149 o valor de venda é de R$ 26.749,68 e o valor do contrato é R$ 25.546,25. A diferença entre o valor de venda e o valor do contrato corresponde exatamente ao valor da comissão de venda pago “por fora”. Semelhante ao caso acima relatado, a auditoria fiscal apurou documentação comprobatória de outros adquirentes de imóveis de diferentes empreendimentos, todos devidamente intimados a prestar esclarecimentos relativos aos imóveis adquiridos com a intermediação da M Garzon Eugênio. Referidos adquirentes, responderam também a um questionário versando sobre questões relativas ao processo de aquisição do respectivo imóvel, através dos quais a maioria confirma, em síntese, as seguintes questões: que o imóvel a que se refere a documentação apresentada foi adquirido com a intermediação imobiliária da M Garzon Eugênio; que o valor da Proposta de Compra com Recibo de Sinal assim como do Contrato de Promessa de Venda e Compra não contemplam o valor da comissão de venda, cujo valor foi pago “por fora” diretamente ao corretor; que o corretor responsável pela venda identificouse como representante da empresa de intermediação imobiliária M Garzon Eugênio. Fl. 1939DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.930 9 No item 85 do Relatório Fiscal consta quadro com o resultado das diligências realizadas junto a compradores de imóveis com o valor da proposta mais o valor da comissão de venda, demonstrado a comissão paga “por fora”. De acordo com os contratos de prestação de serviços de intermediação obtidos pela fiscalização, a M Garzon Eugênio receberá a comissão de 4% sobre o valor de cada venda, a ser pago no ato da assinatura do contrato de compra e venda, pelo comprador do imóvel e descontado do corpo do contrato de compra e venda da unidade vendida. No que se refere a comissão da empresa imobiliária, via de regra, está acobertada pela emissão de nota fiscal de serviços tendo por tomador do serviço o adquirente da unidade comercializada, cujo valor está contabilizado na conta SERVIÇOS PRESTADOS A VISTA, código 3101050001. Diante do relatado, a fiscalização concluiu pela existência de prática fraudulenta arquitetada pela M Garzon Eugênio com o claro objetivo de impedir ou retardar o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal decorrente dessa prestação de serviço. Como conseqüência do não reconhecimento da empresa do vínculo com o corretor de imóveis que lhe presta serviço de intermediação imobiliária, transferindo a responsabilidade pelo pagamento da comissão de venda que lhe é devida para o comprador do imóvel, a Empresa não inclui o corretor na folha de pagamento, não declara na GFIP, não contabiliza em títulos próprios de sua contabilidade e tampouco efetua o recolhimento das contribuições previdenciárias, cuja omissão caracteriza, em tese, crime de sonegação fiscal previsto no art. 337A do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 07/12/1940) com a redação dada pela Lei nº 9.983, de 14/07/2000. A Empresa também estava obrigada a descontar da remuneração dos corretores de imóveis e dos demais trabalhadores autônomos que lhe prestaram serviços, o valor correspondente às contribuições por estes devidas e repassálas à Previdência Social, conforme determina o art. 4º da Lei nº 10.666, de 08/05/2003. DO ARBITRAMENTO Para o arbitramento do valor da base de cálculo da contribuição devida, a fiscalização utilizou os critérios definidos na Tabela de honorários divulgada pelo CRECI 8ª Região – Distrito Federal. Os valores recebidos pela M Garzon Eugênio pela prestação de serviços de intermediação imobiliária, por unidade vendida, considerados como base de cálculo do presente lançamento, foram informados pela Empresa por meio de arquivo digital, cujos valores estão lançados na contabilidade da Empresa, contas “SERVIÇOS PRESTADOS A VISTA”, código 3101050001 (MATRIZ), 3101050003 (Filial 01 – Campo Fl. 1940DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.931 10 Grande/MS), 3101050004 (Filial 02 – Cuiabá/MT) e 3101050005 (Filial 03 – Goiânia/GO). Os valores da comissão imobiliária contabilizados nas contas citadas estão acobertados por notas fiscais de serviços emitidas pela M GARZON EUGÊNIO tendo por tomador dos serviços o adquirente do imóvel. Dos adquirentes diligenciados pela fiscalização, a Empresa apresentou as notas fiscais relativas a: Felipe Guarçoni Pereira (NF 000679, valor R$ 5.397,72), João Batista Coelho de Morais (NF 000452, valor R$ 5.851,09) e Ubirajara Jesus de Oliveira e Silva (NF 000351, valor R$ 6.719,59). Comparandose o valor dessas NFs com o da comissão recebida pelo corretor que efetuou a venda, verificase plena aderência do critério de aferição utilizado pela fiscalização com base na Tabela de Honorários do CRECI/DF. O critério de arbitramento utilizado pela fiscalização também teve por base a Tabela de Honorários do CRECI/DF. Para o lançamento de ofício, os dados foram organizados nos seguintes levantamentos: Código SI: Serviços Prestados – PF, que trata de pagamento contabilizado na conta 4201010036 – Serviços Prestados Pessoa Física (exceto vendas), cujo levantamento identificou o prestador do serviço pelo nome e CPF. Código SN: Serviços Prestados – PF (prestador não identificado) que se refere a pagamento contabilizado na mesma conta acima, em cujo levantamento o prestador do serviço não foi identificado por nome e CPF pelo contribuinte. Código CV – Comissão de Venda – PF, que trata da comissão de venda paga a corretores de imóveis autônomos pelos serviços de intermediação imobiliária, cujos pagamentos não foram identificados pela Empresa (nome, CPF e CRECI). O cálculo da contribuição do segurado não observou o limite máximo do salário de contribuição, uma vez que a Empresa não identificou os beneficiários dos pagamentos efetuados, exceto os do levantamento SI, que foram identificados nos documentos apresentados pela Empresa. Nestes casos, a fiscalização observou o limite previdenciário. DA MULTA DE OFÍCIO Esclarece ainda o autuante que, em razão das alterações trazidas pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, e tendo em vista o disposto no art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN e a redação do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, a multa das contribuições apuradas nas competências a partir de 12/2008, aplicase diretamente a multa de ofício de 75% em relação às contribuições não declaradas em GFIP e não recolhidas, por meio de GPS. Fl. 1941DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.932 11 A fiscalização considerou a conduta da empresa fraudulenta, incorrendo em sonegação ao omitir o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, bem como ter negligenciado a sua responsabilidade tributária ao transferir o pagamento da comissão de venda para o comprador do imóvel, com o claro propósito de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Diante dessa conduta, a multa de ofício foi duplicada, nos termos do parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicandose a multa qualificada de 150% sobre os créditos apurados nas competências de 01/2009 a 06/2012. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA A fiscalização, com base nos documentos e esclarecimentos apresentados ao fisco, como também nas informações constantes dos bancos de dados da Receita Federal do Brasil e da Previdência Social, apurou os fatos descritos no item 181 do Relatório Fiscal e concluiu que restou caracterizada, com base na legislação, relativamente ao crédito previdenciário objeto do lançamento de ofício de que trata o presente Relatório Fiscal, a sujeição passiva solidária das pessoas jurídicas abaixo relacionadas, como também dos respectivos sócios e/ou administradores responsáveis pela gestão dos negócios dessas sociedades: M Garzon Empreendimentos Imobiliários Ltda (CNPJ 02.850.273/000150), com sede no SHCS, Quadra 507, Bloco C, Loja 10/11, Comércio Residencial, Asa Sul, CEP 70351530, BrasíliaDF; Polis Desenvolvimento Imobiliário Ltda (CNPJ 08.627.579/000129), com sede à Avenida das Nações Unidas, n° 8501, Cobertura, Pinheiros, CEP 05425070, São PauloSP; Eugênio Participações Ltda (CNPJ 03.332.644/000175), com sede no Brejo Alegre, n° 500, Cobertura, Brooklin Paulista, CEP 04557051, São PauloSP; Ferfratt Marketing Estratégico Empresarial S/C Ltda (CNPJ 04.126.668/000130, com sede na Alameda dos Cravos, n° 83, Q. 09, L.05, Murada das Flores, Aldeia da Serra, CEP 06519500, Santana de ParnaíbaSP; MGE Empreendimentos Imobiliários Ltda (CNPJ 14.256.922/000179) com sede no SHCS, Quadra 507, Bloco C, Loja 10/11, Parte A, Comércio Residencial, Asa Sul, CEP 70351530, BrasíliaDF; Brasil Brokers Participações S/A (CNPJ 08.613.550/000198), com sede na Avenida das Américas, n° 500, Bloco 19, Salas 303 e 304, CEP 22640904, Rio de JaneiroRJ; Fl. 1942DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.933 12 Marcos Fabrício Moraes Garzon, brasileiro, casado, corretor de imóveis, portador da Carteira de Identidade de Corretor CRECI n° 5.500 e do CPF 031.943.28743, residente e domiciliado na SQS, Quadra 307, Bloco K, Apto. 603, Asa Sul, CEP 70354110, BrasíliaDF (endereço atualizado pela 6ª alteração contratual); Arnaldo Frattini, brasileiro, solteiro, bacharel em Direito, portador da Carteira de Identidade RG n° 33.055.4773/SSPSP e do CPF 285.031.04172, residente e domiciliado à Alameda dos Cravos n° 83, Aldeia da Serra, Alphaville Comercial, CEP 06453053, BarueriSP; Maurício Eugênio, brasileiro, casado, publicitário, portador da Carteira de Identidade RG n° 15.584.4106/SSPSP e do CPF 075.129.54859, residente e domiciliado à rua Dr. João Pinheiro, 474, Jardim Paulista, CEP 01429000, São PauloSP. Para os responsáveis solidários acima especificados, a fiscalização emitiu os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária, anexos ao Auto de Infração. DAS IMPUGNAÇÕES (...) DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ 08.613.550/000198: A empresa BROKERS PARTICIPAÇÕES S.A. apresentou impugnação tempestiva, às fls. 1.218/1.251, com as seguintes alegações, em síntese: Afirma que nunca integrou grupo econômico da Empresa Autuda, posto que jamais deteve, direta ou indiretamente, qualquer participação societária na Empresa Autuada. Discorre a respeito de “grupo econômico” e “responsabilidade solidária”, afirmando que nunca deteve participação societária na empresa autuada, sendo que passou a deter 60% do capital social da MGE, e que os 40% restantes são detidos por pessoas naturais que detinham, indiretamente, participação na empresa autuada. Os sócios naturais participam da Empresa Autuada por intermédio das empresas POLIS DESENVOLVIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA. e M. GARZON EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., detendo, direta e indiretamente participações societárias nessas empresas. Não se pode concluir que a Brasil Brokers, que só passou a participar da MGE em janeiro de 2012, faz parte de grupo econômico da empresa autuada, mormente para responsabilizá la por débitos tributários cujos fatos geradores ocorreram de janeiro de 2008 a dezembro de 2008. Cita decisões judiciais e a Súmula 7/STJ, entendendo que a posição do STJ não deixa margem para qualquer dúvida: a principal característica de um grupo econômico é estarem diversas empresas sob o comando de uma única direção. No presente caso, a empresa autuada jamais Fl. 1943DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.934 13 esteve sob o comando da impugnante, como esta sequer detém ou deteve qualquer participação societária no capital daquela. Mesmo que pudesse ser responsabilizada, é certo que em relação as contribuições exigidas sobre os supostos pagamentos de comissões de vendas a corretores o lançamento deve ser cancelado, pois nunca efetivou qualquer pagamento de comissão a corretor, não tendo ocorrido o fato gerador da obrigação tributária; O pagamento das comissões aos corretores é uma ilação da autoridade fiscal construída a partir de premissas não fundamentadas de que uma empresa que realiza intermediação imobiliária de imóveis toma o serviço de todos os corretores autônomos envolvidos em uma operação de venda. A fiscalização constatou que o pagamento da comissão é feito pelo adquirente da unidade ao corretor, mas pretende desconsiderar esse fato, e exigir tributos sobre um fato que reconhece que não ocorreu, este consistente no pagamento da remuneração pela empresa autuada, mas que se tivesse ocorrido teria gerado o nascimento da obrigação tributária. A impugnante afirma que o que a fiscalização chama de “procedimento fraudulento” é uma prática de mercado, adotada em todas as operações de intermediação imobiliária envolvendo dois ou mais corretores. Cita o art. 722 e 728 do Código Civil e enfatiza o caráter autônomo da atividade do corretor. A impugnante contesta o arbitramento das bases de cálculo das contribuições lançadas, reafirmando que o corretor recebe sua comissão diretamente do adquirente da unidade, citando o art. 148 do CTN. Afirma que a escrituração contábil não foi desqualificada e nem considerada inidônea, que efetivamente não registra pagamentos a corretores autônomos, porque a empresa autuada não efetuou tais pagamentos. Ainda que alguma contribuição previdenciária devesse ter sido retida, é certo que tal retenção deveria ser feita observandose o limite do salário de contribuição e não sobre todo o valor; Cita o art. 28, III, combinando com o § 5º da Lei 8.212/91. Ainda que algum crédito possa vir a ser exigido, é certo que não é cabível a aplicação da multa em dobro. A autoridade fiscal não descreve a conduta que teria sido praticada para tipificar a sonegação, mas apenas diz que sonegou porque omitiu informações. Concluir que houve sonegação e fraude significa afirmar que todos os gestores de empresas que atuam no Brasil com intermediação imobiliária são sonegadores e fraudadores, pois todas ajustam com corretores autônomos a divisão da remuneração. Entende que o lançamento da multa deve ser a de 75% do valor principal. Requer, por fim: Fl. 1944DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.935 14 sua imediata exclusão do auto de infração, por não haver qualquer hipótese de responsabilidade solidária com a empresa autuada; caso a Brasil Brokers não seja excluída do auto de infração, seja o lançamento cancelado, por não ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária; não havendo o cancelamento pelo reconhecimento da não ocorrência do fato gerador, seja cancelado porque na aferição da base de cálculo não foi respeitado o limite do salário de contribuição; e caso o auto não seja cancelado, seja aplicada a multa de ofício ordinária, pois não houve qualquer fraude ou sonegação. Os patronos da Impugnante informam que recebem intimações no escritório situado na Av. Presidente Wilson, 231, 27º andar, Centro, Rio de Janeiro, CEP 20030021. (...)’ Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/POA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: ‘AIOP DEBCAD nº 51.034.7290 (PATRONAL) 51.034.7304 (SEGURADOS) CONTRIBUIÇÃO PATRONAL SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas pela empresa e equiparadas as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais que lhes prestem serviços. DESCONTO DA CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pelo que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a lei, nos termos do parágrafo 5º do art. 33 da Lei 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação solicitada, a Receita Federal do Brasil pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Fl. 1945DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.936 15 Para fixação do prazo decadencial, ocorrendo as hipóteses de dolo, fraude ou simulação devese aplicar o disposto no inciso I, do art. 173 do CTN. SOLIDARIEDADE.GRUPO ECONÔMICO. A caracterização do Grupo Econômico de Fato gera a solidariedade passiva previdenciária para as empresas que o integra. (Art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991). GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, podendo estes se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle X subordinação), sendo que, neste último caso, até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, direção ou administração. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS/ADMINISTRADORES São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, conforme preceitua o art. 135 do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PUBLICAÇÕES E COMUNICAÇÕES ENDEREÇADAS AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais ou eletrônico autorizado. Dada a inexistência de previsão legal, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador.’ (...) Em 02/04/2015 (fls. 1729) a empresa. MGE EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIOS LTDA foi cientificada, interpondo em 30/04/2015 Recurso Voluntário (fls. 1763 a 1785). Argumentando em síntese: (...) 12. Como será demonstrado, a Decisão Recorrida merece reforma, pelos seguintes motivos: Fl. 1946DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.937 16 a. ainda que o lançamento tributário pudesse ser exigido da Empresa Autuada, é certo que a ora Recorrente, não é, e nunca foi, integrante do "grupo econômico" da Empresa Autuada; b. a estrutura comercial descrita no auto de infração é a estrutura utilizada por todo o mercado de intermediação imobiliária, consistente na associação entre a corretora e o corretor, e não em uma prestação de serviços deste para aquela; e c. jamais a situação em questão poderia ser penalizada como sonegação, fraude ou conluio. (...) 15. A condição para emergir a responsabilidade solidária entre a Recorrente e a Empresa Autuada é, portanto, ambas as sociedades integrarem "grupo econômico de qualquer natureza". (...) 18. Ora, a Recorrente, nunca exerceu a direção, nunca teve o controle e tampouco efetuou, em qualquer momento, a administração da Empresa Autuada, seja de forma direta ou indireta. 19. Não se discute que os sócios da MGE que são pessoas naturais, os Senhores Arnaldo Frattini, Carlos Augusto D'elia Valladão Flores, Felipe de Almeida Pedroso, Marcos Fabrício Moraes Garzon, Maurício Eugenio e Odemir Aparecido Putini, detêm, indiretamente, participação societária na Empresa Autuada, mas o fato de serem sócios minoritários na MGE não toma esta sociedade integrante de grupo econômico da Empresa Autuada. (...) 27. Fora de contexto, como se vê, a referência da Decisão Recorrida ao art. 265 da Lei das Sociedades por Ações, que não tem nenhuma pertinência ao caso sob análise. (...) 29. Não obstante, mesmo utilizando os conceitos da Lei das Sociedades por Ações e da CLT para definir, em relação ao caso sob análise, a existência de grupo econômico, ainda assim verificaríamos que a MGE não integraria o Grupo Econômico da Empresa Autuada (...) 33. Registrese que a posição do STJ não deixa margem para qualquer dúvida: a principal característica de um grupo econômico (repitase: a principal) é estarem diversas empresas sob o comando de uma única direção. No caso em tela não apenas a Empresa Autuada Fl. 1947DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.938 17 jamais esteve sob o comando da Impugnante, como esta sequer detém ou deteve qualquer participação societária no capital daquela. DA AUTUAÇÃO QUANTO AO MÉRITO 34. Na remota hipótese de a MGE não ser excluída da autuação fiscal pelas razões mencionadas acima, o que se admite apenas a título argumentativo, a Recorrente protesta pelo cancelamento do auto de infração, pela absoluta inexistência do fato gerador das contribuições previdenciárias exigidas. (...) 38. No caso sob análise, a própria administração tributária reconhece, de forma expressa, que não houve pagamento ou crédito pela Empresa Autuada de remuneração aos corretores. 39. Os Auditores Fiscais sustentaram o entendimento, acatado pela Delegacia de Julgamento, de que o fato de o corretor receber o valor da comissão diretamente do adquirente seria para camuflar um pagamento devido pela corretora ao corretor. (...) 41. O que a fiscalização chama de "procedimento fraudulento" é uma prática de mercado, adotada não apenas em umas, algumas ou muitas operações de intermediação imobiliária que envolvam uma sociedade corretora e um corretor autônomo, mas sim em TODAS as operações de intermediação imobiliária envolvendo dois ou mais corretores. (...) 45. As (equivocadas) premissas que a fiscalização tributária utiliza para embasar a autuação fiscal consistem, em um primeiro momento, em negar o caráter autônomo da atividade, apesar da expressa previsão legal do art. 722 do Código Civil, transcrito acima, para, em seguida, insistir que a associação entre a sociedade corretora e o corretor de imóveis consiste na prestação de um serviço deste para aquela, ignorando que se trata de uma conjugação de esforços para realizar a intermediação. (...) 53. O trabalho da sociedade corretora auxilia sobremaneira o trabalho do corretor autônomo em relação à coleta e à análise de informações sobre o empreendimento imobiliário a ser comercializado. Vale lembrar é obrigação do corretor autônomo se certificar de que todos os pormenores comerciais e legais que autorizam a venda de um imóvel que ainda não existe foram cumpridos. 54. A divisão de tarefas na atividade de intermediação imobiliária da forma como é feita pelo mercado atualmente (não é uma invenção da Empresa Autuada), onde a sociedade Fl. 1948DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.939 18 corretora faz a gestão das informações, repassa aos corretores autônomos que, por sua conta e risco, tentam localizar clientes para a aquisição das unidades, é uma conseqüência da eficiência desse processo, que possibilita que a atividade seja exercida respeitando os direitos do consumidor e a legislação vigente (...) DA RECENTE ALTERAÇÃO LEGISLATIVA CORROBORANDO A PRÁTICA DO MERCADO Mas não é tudo. Recente alteração legislativa promovida pelo art. 139 da Lei nO13.097/15 no art. 6° da Lei n° 6.530/78 veio a corroborar a prática já consagrada pelo mercado. 58. Com a referida alteração, o art. 6° da Lei n° 6.530/78, que trata da atividade de intermediação imobiliária, passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 6° As pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas. § 1°. As pessoas jurídicas a que se refere este artigo deverão ter como sócio gerente ou diretor um Corretor de Imóveis individualmente inscrito. § 2° O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis. § 3° Pelo contrato de que trata o § 20 deste artigo, o corretor de imóveis associado e a imobiliária coordenam, entre si, o desempenho de funções correlatas à intermediação imobiliária e ajustam critérios para a partilha dos resultados da atividade de corretagem, mediante obrigatória assistência da entidade sindical. § 4° O contrato de associação não implica troca de serviços, pagamentos ou remunerações entre a imobiliária e o corretor de imóveis associado, desde que não configurados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício previstos no art. 30 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei n° 5.452, de 10 de maio de 1943. 59. Como se depreende do teor do § 2° do art. 6°, acima transcrito, a alteração legislativa veio disciplinar a situação fática adotada pelo mercado, reiterando, de forma expressa, algo que já estava claro: "o corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário". Fl. 1949DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.940 19 (...) Junta decisões prévias do CARF e continua: 63. Como se vê, o CARF analisou exatamente a mesma situação, envolvendo a mesma empresa, e concluiu pela improcedência do lançamento, ao arrimo dos argumentos expostos acima. 64. Melhor sorte não tem o arbitramento levado a termo pela autoridade fiscal. 65. A fiscalização tributária solicitou uma série de documentos e informações que pelo próprio relatório de fiscalização já podemos perceber que a Empresa Autuada não poderia possuir ou que não existem, tais como os "valores pagos aos corretores que lhe prestaram serviços", ou os "lançamentos contábeis dos pagamentos aos corretores". Ora, se a própria fiscalização tributária afirma que os pagamentos aos corretores autônomos foram efetuados pelos adquirentes das unidades, como pode exigir que a Empresa Autuada apresente os valores pagos ou os lançamentos contábeis? 66. Entendemos que a Empresa Autuada não poderia apresentar esses documentos e informações porque não efetuou quaisquer pagamentos a corretores autônomos, pois, como apurou a própria fiscalização tributária, o corretor autônomo recebe sua comissão direto do adquirente da unidade. 67. Não podemos afirmar que a Empresa Autuada não mantinha registros e controles dos pagamentos recebidos pelos corretores autônomos dos clientes, mas não é praxe no mercado que a sociedade mantenha tais informações, por uma série de motivos, tais como: custo de processar tais informações; lacunas acerca dos valores efetivamente recebidos; inexistência de obrigação legal, etc. Voltamos a lembrar: como a própria fiscalização reconheceu, os pagamentos foram feitos diretamente pelos adquirentes da unidade. (...) DO LIMITE DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO Admitindose, ad argumentandum tantum, que o auto de infração não seja cancelado pelos motivos informados acima, é certo que a cobrança das contribuições a cargo dos segurados deveria ter observado o limite do saláriodecontribuição, ... (...) 74 .Em função do "arbitramento" a fiscalização tributária optou por não considerar o limite, ao arrimo da assertiva de que a empresa "não identificou o beneficiário". 75. Ora, se a Empresa Autuada não efetuou qualquer pagamento a qualquer corretor, como poderia ter identificado o beneficiário? Fl. 1950DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.941 20 (...) 78. No caso sob análise não houve a aplicação da alíquota de 20%, mas houve a desconsideração do limite do saláriode contribuição, imputando um débito superior ao devido, e contaminando a validade do lançamento tributário, como bem pontuou a decisão acima transcrita. (...) DA MULTA DE OFÍCIO (...) 82. A autoridade fiscal não descreve a conduta que teria sido praticada para tipificar a sonegação, mas apenas diz que sonegou porque omitiu informações. 83. A omissão de informação é a própria definição da conduta de sonegação. Afirmar que o contribuinte praticou sonegação porque omitiu informações é um pleonasmo, o que a autoridade fiscal deveria fazer é descrever a conduta que resultou na omissão das informações. 84. A única informação que poderia ter sido omitida foi aquela que não existe, relativa aos pagamentos que não foram efetuados pela Empresa Autuada. 85. Melhor sorte não tem a definição da suposta fraude. Qual teria sido o ato fraudulento? Estipular com o corretor autônomo a divisão da comissão caso a venda se realize, que é uma conduta prevista no Código Civil? 86. o que a autoridade fiscal denomina de "negligência da responsabilidade tributária na condição de contribuinte ao transferir o pagamento da comissão de venda para o comprador" consiste, na verdade, em uma prática de mercado realizada em TODAS as operações de intermediação imobiliária, como muito bem tem conhecimento a autoridade fiscal. 87. Concluirse que, no caso sob análise, houve sonegação e fraude significa afirmar que todos os gestores de todas as empresas de intermediação imobiliária que atuam no Brasil são sonegadores e fraudadores, porque todas as empresas de intermediação imobiliária ajustam com corretores autônomos a divisão da remuneração. 88. Assim, mantido o lançamento a multa de ofício aplicável deve ser a de 75% do valor do principal. (...) Em 25/09/2015 a UNIÃO (Fazenda Nacional), entrou com CONTRA RAZÕES ao recurso voluntário, Fls.1791 a 1813, argumentando em síntese: (...) Fl. 1951DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.942 21 V – Do grupo econômico 46. A M. Garzon Eugenio foi autuada em conjunto com as demais empresas integrantes do grupo econômico, a saber: M. Garzon Empreendimentos Imobiliários Ltda, Polis Desenvolvimento Imobiliário Ltda, Eugenio Participações Ltda, Ferfratt Marketing Estratégico Empresarial S/C Ltda, MGE Empreendimentos Imobiliários Ltda e Brasil Brokers Participações S/A. 47. As recorrentes MGE Empreendimentos Imobiliários Ltda e Brasil Brokers Participações S/A afirmam que não fazem parte do grupo econômico da M. Garzon Eugenio, não tendo jamais exercido a direção, detido o controle ou efetuado a administração da M. Garzon Eugenio. 48. Como se verá, não lhes socorre razão. (...) 68. Diante dessas evidências, vêse que empresas recorrentes se encontram sob o comando do mesmo grupo empresarial, com a mesma direção, e executando negócios que eram conduzidos tendo em vista os interesses desse grupo, sendo a separação societária apenas de índole formal, o que atrai, inexoravelmente, a incidência da norma contida no art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91, tal como decidido pela DRJ. (...)” DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em face à decisão da DRJ, a RECORRENTE apresentou o recurso voluntário de fls. 1735/1760, cuja tempestividade já foi atestada pelo Despacho de Admissibilidade dos Embargos de Declaração (fls. 1920/1921). Verifico que as razões expostas no apelo são idênticas àquelas apresentadas pela MGE EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIOS LTDA. em seu Recurso Voluntário de fls. 1763/1785, cujos termos já foram transcritos no Relatório do Acórdão nº 2201003.330 e encontramse replicados acima. O único argumento um pouco diferente (em relação ao recurso da devedora solidária MGE) apresentado pela RECORRENTE diz respeito à impossibilidade de sua responsabilização solidária no presente caso. Em seu recurso, a RECORRENTE apresenta exatamente os mesmos pontos levantados pela MGE (já expostos acima), acrescentando apenas o seguinte: “18. Ora, a Recorrente, a sociedade Brasil Brokers Participações S.A., não apenas nunca exerceu a direção, nunca teve o controle e tampouco efetuou, em qualquer momento, a administração da Empresa Autuada, seja de forma direta ou indireta. Fl. 1952DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.943 22 19. A justificativa dos auditores fiscais responsáveis pela lavratura do auto de infração para justificar a inclusão dos responsáveis solidários foi transcrita em fls. 19/20 da Decisão Recorrida (cfr. fls. 1638/1639), e, como se depreende da leitura dessa justificativa, o único fato que gera uma tênue relação entre a Recorrente com a Empresa Autuada é que a Recorrente passou a ser sócia da sociedade MGE Intermediação Imobiliária Ltda. ("MGE"), sociedade inscrita junto ao CNPJ/MF sob o n.º 14.256.922/000179. 20. Segundo o argumento dos auditores fiscais, que foi acolhido pela Decisão Recorrida, a MGE seria sucessora da Empresa Autuada. 21. Mesmo admitindo, a título argumentativo, que essa sucessão ocorreu, ainda assim jamais teria ocorrido direção, controle ou administração da Brasil Brokers em relação à empresa autuada. 22. Brasil Brokers passou a deter 60% do capital social da MGE por meio da 2ª alteração contratual da MGE, arquivada perante a Junta Comercial do Distrito Federal em 16 de janeiro de 2012, sendo que nessa data foi aportado na MGE o montante de R$ 1.600.000,00. Vale ressaltar: quando se tornou sócia da MGE (e não da empresa autuada) a Brasil Brokers aportou R$ 1.600.000,00 nessa empresa). 23. Assim, é um fato incontestável que a Brasil Brokers nunca deteve participação societária na Empresa Autuada, não podendo, por tal motivo, ter integrado qualquer grupo econômico do qual faz ou fez parte a Empresa Autuada. 24. Algumas das pessoas naturais que detinham participação societária indireta são sócias atualmente da MGE, mas nem com a mais elástica interpretação do conceito de "grupo econômico" poderseia concluir que a Brasil Brokers, que só passou a participar da MGE em janeiro de 2012, faz parte de grupo econômico da empresa autuada, mormente para responsabilizar a Brasil Brokers por débitos tributários cujos fatos geradores ocorreram de janeiro de 2009 a junho de 2012. 25. Não se discute que os sócios da MGE, que são pessoas naturais, os Senhores Arnaldo Frattini, Carlos Augusto D'elia Valladão Flores, Felipe de Almeida Pedroso, Marcos Fabrício Moraes Garzon, Maurício Eugenio e Odemir Aparecido Putini, detêm, indiretamente, participação societária na Empresa Autuada, mas o fato de a Brasil Brokers ser sócia da MGE não a toma integrante de grupo econômico de empresa da qual outros sócios da MGE também são sócios, dentre as quais a Empresa Autuada. 26. Os sócios pessoas naturais participam da Empresa Autuada por intermédio das empresas PÓLIS DESENVOLVIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA. (CNPJ/MF n° 08.627.579/000129) e M.GARZON EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. (CNPJ/MF n° 02.850.273/000150), detendo, direta e Fl. 1953DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.944 23 indiretamente, participações societárias nessas sociedades, da seguinte forma: 27. A Brasil Brokers, por seu turno, passou a ser sócia da MGE, não da Empresa Autuada, em janeiro de 2012, e sua única relação com a Empresa Autuada é o fato de que sócios que detêm 40% da MGE são, indiretamente, sócios da Empresa Autuada. A MGE, que é controlada pela Brasil Brokers, tem a seguinte composição societária: 28. Como se vê, a Brasil Brokers não é, e nunca foi, parte de qualquer grupo econômico envolvendo a Empresa Autuada, mesmo na hipótese de se entender que a MGE é a sucessora da Empresa Autuada, ou seja, mesmo concordando com a justificativa da própria fiscalização tributária. (...) 43. Aspecto temporal da responsabilidade solidária. Mas não é tudo. Ainda que pudesse ser inferido que há sucessão entre a Empresa Autuada e a MGE, e que, por tal motivo, a Brasil Brokers integra o grupo econômico da primeira, ainda assim seria certo que a responsabilidade solidária somente poderia existir em relação aos fatos geradores ocorridos no período no qual a Brasil Brokers tomouse parte do grupo econômico da Empresa Autuada. 44. A presente autuação fiscal exige contribuições previdenciárias cujos alegados fatos geradores ocorreram de janeiro de 2009 a junho de 2012, inclusive; a Brasil Brokers somente tomouse sócia da MGE (não da Empresa Autuada, ressaltese) em janeiro de 2012. Nesse contexto, mesmo Fl. 1954DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.945 24 entendendose que a Brasil Brokers integra o Grupo Econômico da Empresa Autuada (o que não é corroborado por nenhum dispositivo legal, registrese), ainda assim é certo que a responsabilidade solidária da Brasil Brokers seria apenas pelas contribuições previdenciárias cujos fatos geradores ocorreram a partir do momento que passou a "integrar" o "grupo econômico" da Empresa Autuada. 45. o único fato que poderia ser considerado como marco inicial da constituição de um "grupo econômico" entre a Brasil Brokers e a Empresa Autuada, porque simplesmente é único fato que, ainda que de forma remota, liga uma empresa à outra, seria a aquisição de participação societária na MGE efetuada pela Brasil Brokers em janeiro de 2012, data na qual, cumpre registrar, a Brasil Brokers aportou na MGE o montante de R$ 1.600.000,00. 46. Assim, na remota hipótese de se entender que é possível estabelecer alguma responsabilidade solidária entre a Recorrente e a Empresa Autuada, é certo que essa responsabilidade somente poderia ser conjecturada a partir de janeiro de 2012.” Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Conforme já exposto, o Recurso Voluntário de fls. 1735/1760 apresentado pela RECORRENTE (Brasil Brokers) é idêntico, ipsis litteris, ao recurso apresentado por outra devedora solidária, a MGE INTERMEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA LTDA. (fls. 1763/1785). Inclusive, ambas as peças recursais foram elaboradas pelo mesmo patrono. Uma vez que os temas e matérias de defesa levantados em ambos os recursos são os mesmos, não enxergo qualquer prejuízo sofrido pela RECORRENTE, pois as razões recursais da MGE foram devidamente apreciadas pela Turma julgadora no acórdão nº 2201 003.330. Assim, não há como negar que os argumentos da RECORRENTE foram apreciados em sede recursal, a despeito da alegação de intempestividade do seu Recurso Voluntário. Podem não ter sidos apreciados por meio do recurso ora analisado, mas evidentemente foram apreciados tendo sido as questões levantadas debatidas e julgadas, resultando no acórdão nº 2201003.330. Fl. 1955DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.946 25 Neste sentido, norteandose pela segurança jurídica, em respeito ao julgamento colegiado proferido anteriormente e para evitar possíveis decisões conflitantes, é de rigor replicar, no presente caso, as razões do julgamento realizado na sessão de 20/06/2016, pois, repisese, a matéria de defesa apreciada naquela ocasião é a mesma, ipsis litteris, do Recurso Voluntário ora analisado. Não se pode sustentar que a equivocada atribuição de intempestividade ao recurso da ora RECORRENTE tenha lhe causado qualquer prejuízo, uma vez que, caso não houvesse a imputação de extemporaneidade recursal, o julgamento estaria fadado ao mesmo resultado do acórdão nº 2201003.330, pois, como já exposto reiteradas vezes, as razões recursais foram objeto de apreciação da Turma julgadora por meio de recurso de outro devedor solidário. Portanto, entendo que os seguintes tópicos, extraídos do Recurso Voluntário da RECORRENTE, foram devidamente analisados e julgados no acórdão nº 2201003.330, o qual deu provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da qualificadora da multa de ofício, devendo ser aplicadas a essas matérias o resultado do julgamento proferido naquela ocasião: Da Necessidade de Reforma da Decisão Recorrida; Da Autuação Quanto ao Mérito; Da Recente Alteração Legislativa Corroborando a Prática do Mercado; Decisões Prévias do CARF Favoráveis à Empresa Autuada; Da Ilegalidade do Arbitramento; Do Limite do SaláriodeContribuição; e Da Multa de Ofício. Por outro lado, há apenas um tópico do recurso da RECORRENTE que não foi analisado por completo no acórdão anterior: é a questão relativa à sua responsabilidade solidária. Sobre o tema da sujeição passiva solidária, verifico que a autoridade lançadora detalhou no Relatório Fiscal, a partir do item 129, os motivos ensejadores da responsabilidade solidária. No item 171, apresenta síntese dos fatos narrados, cujos pontos destaco abaixo: a) Está caracterizada a desativação da atividade empresarial das empresas M Garzon Eugênio e M Garzon Empreendimentos e a consolidação da MGE com a transferência da estrutura física e operacional, dos empregados, da carteira imobiliária, do modus operandi e do endereço de funcionamento pertencentes as suas antecessoras. b) os sócios e/ou administradores Marcos Fabrício Moraes Garzon e Arnaldo Fratini são os responsáveis pelos negócios da empresa fiscalizada (M Garzon Eugênio) e da MGE na condição de SócioPresidente e SócioVice Presidente, respectivamente, e Fl. 1956DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.947 26 juntamente com o senhor Maurício Eugênio são os responsáveis pela administração da M Garzon Eugênio, com outorga nos atos constitutivos desta sociedade para gerir, administrar e dirigir todos os negócios sociais. Observe se que também são os responsáveis pela gestão das empresas M Garzon Empreendimentos, Polis Desenvolvimento, Eugênio Participações e Ferfratt, seja na condição de sócio administrador, seja na de administrador não sócio, e os atos por eles praticados nessas sociedades são do conhecimento dos demais integrantes do quadro societário dessas empresas. c) No curso da fiscalização das empresas M Garzon Eugênio e M Garzon Empreendimentos, os respectivos sócios/administradores planejaram e efetivaram a transferência dos ativos das referidas empresas (móveis, utensílios, equipamentos, entre ouros) como também dos empregados e da carteira imobiliária para a nova empresa (MGE) constituída em 10/09/2012 com o mesmo objeto social. A MGE é integrada, entre outros, pelos mesmos sócios e/ou administradores já identificados e também pela Brasil Brokers que detém 60% do capital social. Essa estratégia evidencia uma forma irregular de dissolver, paulatinamente, tais sociedades, e este procedimento somente se manifestou após o início das respectivas ações fiscais. d) O termo de doação de ativos firmado entre as partes abrangeu tanto os sócios e/ou administradores das empresas antecessoras (M Garzon Eugênio e M Garzon Empreendimentos) como também terceiros não integrantes dessas duas empresas (Carlos Augusto D'Elia Valladão Flores e Odemir Aparecido Putini), mas participantes do quadro societário da Eugênio Participações, que é sócia da polis desenvolvimento, que por sua vez é sócia da M Garzon Eugênio, empresa sob fiscalização. e) A doação de ativos sem que haja o pagamento correspondente por parte dos cessionários é um procedimento atípico na atividade empresarial que tem por objetivo o "lucro". f) A movimentação de empregados entre as empresas antecessoras (M Garzon Eugênio e M Garzon Empreendimentos) e a MGE, sem a correspondente rescisão contratual, conforme ocorreu no presente caso, é permitida apenas entre estabelecimentos da mesma empresa ou empresas do mesmo grupo econômico. g) Não houve, até a presente data, a liquidação formal das empresas antecessoras, conforme determina a legislação vigente, o que evidencia uma dissolução irregular de sociedade. h) A forma adotada pelos sócios/administradores para dissolver referidas sociedades caracteriza procedimento contrário à lei, evidenciando, entre outras, a redução progressiva da sua capacidade de pagamento dos tributos devidos. i) Igualmente, caracteriza procedimento contrário à lei (em tese crime de sonegação de contribuições previdenciárias), aquele Fl. 1957DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.948 27 adotado pelos administradores da M Garzon Eugênio de não incluir nas folhas de pagamento, nas GFIP e na contabilidade os fatos geradores de contribuição previdenciária relativos à remuneração paga aos corretores de imóveis. E também de não incluir em folha de pagamento e em GFIP as remunerações pagas aos demais trabalhadores autônomos que lhe prestaram serviços no período fiscalizado. j) Também caracteriza procedimento contrário à lei o fato da empresa não descontar da remuneração dos corretores de imóveis e dos demais trabalhadores autônomos a seu serviço a contribuição previdenciária por estes devidas e recolhêlas à previdência social juntamente com as contribuições a seu cargo. E, ainda, não registrar nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador, conforme apurado pela auditoria fiscal e amplamente descrito no presente relatório fiscal.” O conglomerado de empresas descrito pela autoridade fiscal possui o seguinte desenho, a partir da devedora principal (M Garzon Eugênio Empreendimentos): Fl. 1958DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.949 28 Do acima exposto, é possível constatar a participação de diversas empresas na devedora principal, assim como o fato de os administradores da empresa fiscalizada (Marcos Fabrício Moraes Garzon, Maurício Eugênio e Arnaldo Fratini) serem sócios administradores das PJs que tinham participação direta ou indiretamente na devedora principal. A autoridade fiscal demonstrou que, quando a devedora principal (M Garzon Eugênio) se encontrava sob ação fiscal, foi constituída a empresa MGE em 08/09/2011, com os mesmos objetivos empresariais das empresas acima, cujo capital foi subscrito e integralizado da forma abaixo: De acordo com o Relatório Fiscal, a fiscalização constatou que a MGE tinha sede no mesmo endereço das empresas M Garzon Eugênio (devedora principal) e M Garzon Empreendimentos (sócia da M Garzon Eugênio). Ademais, verificou que a integralização do capital social da MGE foi feita com bens móveis. Após intimação da autoridade fiscal, a MGE apresentou instrumentos de cessão de ativos firmados com a M Garzon Empreendimentos (R$ 490.307,84) e a M Garzon Eugênio (R$ 411.530,16). A autoridade fiscal verificou que a lista dos bens oferecidos evidencia tratar se de uma estrutura completa para o funcionamento da nova empresa (MGE), proporcionando toda a estrutura física necessária à continuidade do negócio empresarial, até porque, como exposto, a MGE está instalada no mesmo endereço comercial das antecessoras. Ainda sobre o tema, colaciono trecho do Relatório Fiscal: Fl. 1959DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.950 29 Em 16/01/2012 a MGE arquivou na Junta Comercial do DF a segunda alteração contratual para admitir na sociedade a BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S/A, cuja entrada deuse a partir da transferência pelos atuais sócios da MGE, de parte das quotas de capital que cada um possui na empresa, os quais transferiram o total de 54.170.280 quotas, ao valor nominal de R$ 0,01 (um centavo), correspondendo a R$ 541.702,80, cujas quotas representam 60% (sessenta por cento) do capital social da MGE. Além do ingresso da nova empresa na sociedade, a alteração tratou também do aumento do capital social em R$ 1.600.000,00, subscrito e integralizado em moeda nacional pelos atuais sócios na proporção em que cada um participa da sociedade, conforme quadro abaixo: Nesta mesma alteração contratual apresentada pela MGE, os sócios decidiram abrir três (3) filiais nas cidades de Campo Grande/MS, Cuiabá/MT e Goiânia/GO, no mesmo endereço no qual estavam instaladas as filiais da M Garzon Eugênio, sendo que em 04/02/2013, a M Garzon Eugênio resolveu, por meio da 6ª alteração contratual, extinguir os três estabelecimentos filiais da empresa nas localidades citadas, permanecendo em atividade no local apenas as filiais vinculadas à MGE. Outro fato apurado pela fiscalização diz respeito ao quadro de empregados da MGE, o qual foi constituído a partir da transferência dos empregados das empresas M Garzon Eugênio e M Garzon Empreendimentos, conforme registram as GFIPs das citadas empresas, as quais indicam que a transferência foi efetivada com o código de movimentação N2, que traduz a "transferência de empregado para outra empresa que tenha assumido os encargos trabalhistas sem que tenha havido a rescisão do contrato de trabalho". Essa modalidade de transferência sem que haja a rescisão dos respectivos contratos de trabalho somente é possível em se tratando de movimentação entre estabelecimento da mesma empresa ou pertencendo as empresas envolvidas a um mesmo grupo econômico (art. 2º, § 2º da CLT). Fl. 1960DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.951 30 Assim, aos poucos a nova empresa (MGE) estava ocupando o espaço das antigas empresas M Garzon Eugênio e M Garzon Empreendimentos. Tanto que a fiscalização, ao analisar as DIMOB transmitidas pelas mencionadas empresas, constatou uma queda considerável no volume de vendas realizadas pelas empresas M Garzon Eugênio e M Garzon Empreendimentos, o que evidencia, por um lado, a desativação gradativa das atividades de ambas as empresas e, por outro, a consolidação da MGE no mercado imobiliário. O quadro abaixo, constante do Relatório fiscal, demonstra o rápido crescimento da MGE e a grande queda no volume de negócios da M Garzon Eugênio (devedora principal) e o desaparecimento da M Garzon Empreendimentos: Tal situação converge para o entendimento de houve o claro interesse de desativar paulatinamente as antigas empresas sob fiscalização (a M Garzon Empreendimentos já havia sido fiscalizada antes da M Garzon Eugênio), incorporando na nova empresa (MGE) a estrutura física e operacional, a carteira imobiliária e a força de trabalho das duas antigas empresas, inclusive sob a gestão dos mesmos administradores. Da narrativa acima, concluise que a ora RECORRENTE (Brasil Brokers) foi incluída como responsável solidária apenas por ser sócia da empresa MGE. Ao contrário do que restou demonstrado em relação aos demais devedores solidários, a autoridade fiscal não se cuidou de comprovar o interesse comum da Brasil Brokers na situação que constituiu o fato gerador do tributo objeto do presente processo. Nos termos do art. 124 do CTN, apenas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são consideradas responsáveis solidárias: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” Entendo que o simples fato de a RECORRENTE ser sócia da MGE não é suficiente para atestar o seu interesse como nos fatos que originaram o crédito tributário em litígio. Sobretudo pelo fato de que a Brasil Brokers jamais possuiu qualquer relação direta com a devedora principal (M Garzon Eugênio), ao contrário dos demais responsáveis solidários. Ademais, o presente processo remete a fatos geradores ocorrido no período de 01/2009 a 06/2012, ao passo que a ora RECORRENTE (Brasil Brokers) apenas passou a ser sócia da MGE em 12/01/2012, quando do arquivamento na Junta Comercial da segunda alteração de contração social (fls. 775/795). Fl. 1961DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.952 31 Neste sentido, transcrevo julgado do CARF no sentido de que, para caracterização da responsabilidade tributária solidária, as empresas devem realizar conjuntamente a situação configuradora do fato gerador: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1998 a 30/06/2006 (...) GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. PESSOA JURÍDICA. PRESSUPOSTOS. COMPROVAÇÃO DA PRÁTICA COMUM DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Apenas existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 2403002.685; julgado em 09/09/2014) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 (...) SOLIDARIEDADE. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes de lei. A solidariedade tal como disposta na lei, não deve ser aplicada discricionariamente. Para tanto, deve o auditor demonstrar os interesses em comum das empresas (exemplificativamente: confusão patrimonial ou concentração administrativa) ou a situação de fato que implique a responsabilização solidária. O dever de motivar é inerente a própria atividade administrativa. O art. 50, inciso I da Lei nº 9.784/99 determina que os atos administrativos devem ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos quando neguem, limitem ou afetem direito ou interesses. (...) (Acórdão nº 2302003.181; julgado em 14/05/2014) Sendo assim, caberia uma comprovação mais robusta da participação da RECORRENTE nos fatos que se desencadearam em relação à devedora principal e originaram o crédito tributário objeto do presente processo. Fl. 1962DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.953 32 CONCLUSÃO Por todo o acima exposto, voto por conhecer e acolher os embargos de declaração opostos para conhecer do recurso voluntário interposto pela Brasil Brokers e darlhe PROVIMENTO PARCIAL, a fim de afastála da condição de responsável solidária no presente processo. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 1963DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000581/2005-41
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002 NULIDADE. O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-000.656
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. Tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Fl. 390DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 387 2 Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 213/228, com a exigência do crédito tributário no valor de R$42.617,74 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real trimestral no anocalendário de 2001. O lançamento se fundamenta nos seguintes ilícitos tributários constatados em razão do cotejo das informações constantes na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 63/110 e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 111/150, com aquelas registradas no Livro Diário, fls. 07/16, no Livro Razão, fls. 21/34, no Demonstrativo de Notas Fiscais Emitidas, fls. 49/53 e no Contrato de Prestação de Serviços de locação de mãodeobra a órgão público, fls. 174/206, bem como nas notas fiscais de prestação de serviços constantes no Anexo I, fls. 217/221 e no Demonstrativo de Resultado do Exercício incluído no Anexo II, fl. 222: (a) omissão de receitas caracterizada pela insuficiência de contabilização das notas fiscais emitidas pela fiscalizada (b) resultados operacionais não declarados. Temse os seguintes valores: Trimestres do Ano Calendário de 2001 Valor da Receita Operacional Declarada (DCTF) – R$ Valor da Receita Operacional Informada/Escriturada (DIPJ) – R$ Valor das Notas Fiscais – R$ 1º 1.125.082,85 1.289.552,20 1.289.020,13 2º 1.032.946,52 1.094.377,80 1.101.075,98 3º 1.021.934,30 1.021.934,30 1.061.933,22 4º 1.189.916,67 1.189.916,67 1.190.053,47 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 25 e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. inciso II do art. 249, parágrafo único do art. 251, art. 278, art. 279, art. 283, art. 288 e art. 926 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: Fl. 391DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 388 3 II O Auto de Infração às fls. 229/232 com a exigência do crédito tributário no valor de R$743,21 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 2º e art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e inciso I do art. 2º, inciso I do art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998. III – O Auto de Infração às fls. 233/236 com a exigência do crédito tributário no valor de R$3.430,48 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, Medida Provisória nº 1.858, de 24 de setembro de 1999, e Medida Provisória 1.807, de 25 de fevereiro de 1999. IV – O Auto de Infração às fls. 237/243 com a exigência do crédito tributário no valor de R$39.856,32 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996 e art. 6º da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999. Cientificada em 28/09/2005, fls. 213, 229, 233 e 237, a Recorrente apresentou a impugnação em 27/10/2005, fls. 251/265, com as alegações abaixo sintetizadas. Defende que os lançamentos são nulos. Argúi que nem todos os ingressos de numerários constantes nas notas fiscais podem ser considerados receitas da atividade. Argúi que se dedica ao fornecimento e agenciamento de mãodeobra e que a receita de fato auferida é representada pela taxa de administração que corresponde a uma parcela do valor total do contrato de prestação de serviços que agrega inclusive todas as parcelas decorrentes da relação de trabalho. Tece esclarecimentos sobre o fato gerador do IRPJ (art. 43 do Código Tributário Nacional) para destacar que os valores dos salários e os encargos trabalhistas não constituem renda. Procura demonstrar que são inconstitucionais a alíquota de 3% incidente sobre a base de cálculo da Cofins e o novo conceito de faturamento que serve de base de cálculo do Pis e da Cofins (Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998). Suscita que a despesa de CSLL pode ser deduzida da base de cálculo do IRPJ. Discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic e ainda se insurge contra a aplicação da multa de ofício proporcional. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 392DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 389 4 Conclui Isto posto, requer a lmpugnante o exame deste lançamento à luz dos dispositivos legais invocados e, ao final, julgar IMPROCEDENTE o AUTO DE INFRAÇÃO em tela, ou, em pior sorte, seja a mesma declarado NULO, por ser esta medida de extrema JUSTIÇA. N. Termos, P. Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CGE/MS nº 0413.515, de 01/02/2008, fls. 310/321: “Lançamento Procedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 NULIDADE. ARGÜIÇÃO GENÉRICA. Observados os preceitos do art. 10 do Decreto n. 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE. É defeso em sede administrativa discutirse sobre a constitucionalidade das leis em vigor, cabendo o seu fiel cumprimento. OMISSÃO DE RECEITAS E LUCRO ESCRITURADO MAS NÃO DECLARADO. Não procedem alegações de que não podem ser tributadas as receitas antes da dedução de custos se estes já foram considerados pelo autuante que utilizou como base de cálculo apenas o lucro ajustado. DEDUÇÕES DA BASE DE CALCULO. CSLL. A CSLL não é dedutível da base de cálculo do IRPJ por expressa determinação legal. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75% estabelecida em lei. 0 principio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. JUROS. TAXA SELIC. Os juros calculados pela taxa SELIC são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento, por expressa determinação legal. CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Fl. 393DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 390 5 Dada a intima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos, no que for comum, o decidido no principal. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. BASE DE CALCULO. MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA DA COFINS. Utilizadas na apuração das contribuições a base de cálculo e as alíquotas de acordo com o disposto na legislação, nenhum reparo merece o lançamento. Notificada em 17/03/2008, fl. 332, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 16/04/2008, fls. 350/366, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Conclui Isto posto, requer a Recorrente o exame deste lançamento à luz dos.dispositivos legais invocados e, ao final, julgar IMPROCEDENTE o AUTO DE INFRAÇÃO em tela, ou, em pior sorte, seja o mesmo declarado NULO, por ser esta medida de extrema JUSTIÇA. N. Termos, P. Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumprilos ou impugnálos no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Ademais, o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Com referência ao dever de lançar, esclareçase que a autoridade administrativa possuindo competência privativa efetuou o lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art 142 do Código Tributário Nacional). A Recorrente foi previamente notificada do procedimento mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), fls. 01/03, do Termo de Início de Fiscalização, fl. 05, do Termo de Constatação Fiscal, fls, 48/56 e finalizou em 28/09/2005 com a ciência válida dos Autos de Infração, fls. 213, 229, 233 e 237. No presente caso o servidor Fl. 394DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 391 6 competente verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal (art. 10 e art. 14 do Decreto 70.235, de 1972). No exercício da função pública, a autoridade administrativa corretamente lavrou os Autos de Infração com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. Foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Logo, não lhe cabe razão. A Recorrente argúi que a receita da atividade é representada pela taxa de administração que corresponde a uma parcela do valor total do contrato de prestação de serviços que agrega inclusive todas as parcelas decorrentes da relação de trabalho e que estas não constituem renda auferida. Sobre a matéria, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) editou a súmula nº 331,versando sobre a terceirização: III – Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº. 7102, de 20/6/1983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. A regra geral para o Direito do Trabalho é a formação do vínculo trabalhista entre empregador e empregado quando presentes os requisitos da pessoalidade, onerosidade, subordinação e habitualidade. A súmula do TST nº 331 estabelece como exceção a licitude na hipótese de terceirização decorrente de contratação de atividades de prestação de serviços de atividades meio. Neste caso, a relação de emprego é fixada entre a sociedade empresária interposta e o empregado. Assim a Recorrente assumindo todos os encargos sociais decorrentes do vínculo empregatício aufere receita do tomador proveniente da prestação de serviços correspondente ao somatório da taxa de administração e demais receitas decorrentes da atividade econômica desenvolvida. Analisando Contrato de Prestação de Serviços de locação de mãodeobra a órgão público, fls. 174/206, observase que O presente contrato tem por objeto a Prestação, pela Contratada, dos seguintes serviços: [...] 4 Locação de mãodeobra especializada em normas e . procedimentos do SFH (Sistema Financeiro de Habitação), com conhecimento dos Softwares aplicativos. A mãodeobra a ser locada, atuará na administração dos serviços, conforme estrutura apresentada no Anexo II do edital, em conjunto com a mãode obra executora da CDHU/MS. O número de funcionários previstos para a execução dos serviços é de 19 (dezenove), conforme estrutura organizacional do Anexo II do edital, perfazendo uma carga horária de 8 (oito) horas diárias, de se da a sexta feira. [...] Fl. 395DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 392 7 A CONTRATADA deverá executar diretamente os serviços contratados, sem transferência de responsabilidade ou subcontratações. [...] Os técnicos deverão executar os serviços nas instalações do CONTRATANTE nesta cidade. [...] Caso se façam necessários deslocamentos para outras cidades, estes deverão ser feitos mediante pedido formulado pela CONTRATANTE. [...] Os meios de transporte para os deslocamentos mencionados acima serão estabelecidos e correrão por conta da Contratante. [...] Os técnicos e profissionais designados pela CONTRATADA deverão cumprir 8 (oito) horas diárias de serviço, em período determinado pela CONTRATANTE e compreendido entre 7;30 e 17:30 horas; 40 (quarenta) horas semanais, entre segunda e sextafeira. [...] As horas extras só serão computadas nos casos em que haja autorização formal da CONTRATANTE. [...] Os empregados da CONTRATADA não terão nenhum vínculo empregatício com a CONTRATANTE, sendo de exclusiva responsabilidade da CONTRATADA as despesas com a remuneração dos mesmos, seguros de acidentes, impostos, contribuições previdenciárias, encargos de natureza trabalhista vigentes e quaisquer outros que forem devidos referentes aos serviços, cabendolhes ainda, inteira responsabilidade por quaisquer acidentes de que possam vir a ser vitimas seus empregados quando em serviço, bem como por quaisquer nos ou prejuízos porventura causados a terceiros e a CONTRATANTE. [...] Ocorrendo hipótese de serem. ajuizados contra a CONTRATANTE demandas trabalhistas envolvendo empregados da CONTRATADA, utilizados na prestação de serviços ora contratados, ou mesmo notificações do Ministério do Trabalho, obriga se esta última a intervir nos referidos processos, reivindicando a condição de demanda e requerendo a exclusão da CONTRATANTE. Na DIPJ, fls. 63/110, e no Livro Diário, fls. 08/20, estão registrados os seguintes valores: Fl. 396DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 393 8 Trimestres do AnoCalendário de 2001 DIPJ Valor da Despesas Operacionais – R$ Livro Diário Valor da Despesa com Pessoal – R$ 1º 1.074.229,30 1.038.041,15 2º 972.11,73 919.962,45 3º 976.191,90 904.177,58 4º 1.287.019,80 1.245.922,46 Desta forma, restou comprovado que a Recorrente usufruiu de seu direito de deduzir da receita operacional aquelas despesas com pessoal comprovadamente incorridas, necessárias e usuais à manutenção da respectiva sua fonte produtora dos rendimentos (art. 299, art. 277 e art. 296 do RIR, de 1999). O lançamento se fundamenta (a) na omissão de receitas caracterizada pela insuficiência de contabilização das notas fiscais emitidas pela fiscalizada (b) nos resultados operacionais não declarados apurados em razão do cotejo das informações constantes na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 63/110 e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 111/150, com aquelas registradas no Livro Diário, fls. 07/16, no Livro Razão, fls. 21/34, Demonstrativo de Notas Fiscais Emitidas, fls. 49/53 e Contrato de Prestação de Serviços de locação de mãodeobra a órgão público, fls. 174/206, bem como nas notas fiscais de prestação de serviços constantes no Anexo I e no Demonstrativo de Resultado do Exercício incluído no Anexo II. Tendo em vista o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal foi considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos para oferecer a oportunidade de a Recorrente demonstrar do alegado erro. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos que demonstrem suas afirmativas de que há incorreções nos lançamentos. As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do exame da matéria, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que o procedimento de ofício está correto nesta parte. Por conseguinte, este argumento não pode prosperar. A Recorrente defende que são inconstitucionais a alíquota de 3% incidente sobre a base de cálculo da Cofins e o novo conceito de faturamento que serve de base de cálculo do Pis e da Cofins. A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, determina: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. [...] Fl. 397DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 394 9 Art. 8° Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em decisões definitivas de mérito proferidas em recursos extraordinário com repercussão geral e em recurso especial repetitivo, respectivamente, cujas matérias vinculam esta segunda instância de julgamento. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do STF proferida em recurso extraordinário com repercussão geral, cujo trânsito em julgado ocorreu em 05/08/20091 O Plenário do Supremo Tribunal Federal confirmou o entendimento da Corte no sentido da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins, para reconhecer que a receita bruta (faturamento) seria a “totalidade das receitas auferidas” pelas empresas. A decisão, tomada no julgamento do Recurso Extraordinário 527602, seguiu o entendimento do ministro Marco Aurélio, para quem o novo conceito de faturamento criado pelo dispositivo questionado – uma lei ordinária, foi além do que previu a Constituição Federal – que determinava a necessidade de uma lei complementar para tal. Já o artigo 8º da mesma lei, que aumentou a alíquota da contribuição, de 2% para 3%, foi considerado constitucional pela Corte, uma vez que não existe a necessidade de lei complementar para tratar do aumento da alíquota. Os ministros se mantiveram fiéis a uma série de REs julgados recentemente pela Corte que tratavam deste assunto – como os recursos 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134. Leading case: RE 527.602, Min. Eros Grau, relator para o acórdão Min. Marco Aurélio Assim o STF considerou inconstitucional o novo conceito de faturamento criado pelo art. 3º da Lei nº 9.718, de 1999 e constitucional o art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998 que fixou a alíquota de 3% incidente sobre o faturamento para o cálculo do Cofins. 1 Fonte: http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/jurisprudenciaRepercussaoGeralRelatorio/anexo/RelatorioRG_Mar2010.pdf; acesso 10/07/2011. Fl. 398DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 395 10 Nos presentes autos foram adotados: como base de cálculo do Pis e da Cofins o valor correspondeste à receita de prestação de serviço da atividade e não há outra como alíquota o parâmetro de 3% incidente sobre a base de cálculo da Cofins. Logo, não cabem reparos aos lançamentos. A Recorrente suscita que a despesa de CSLL pode ser deduzida da base de cálculo do IRPJ. A Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, ordena: Art. 1º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 19/02/20102: RECURSO ESPECIAL Nº 1.113.159 AM (2009/00569356) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : RIGESA DA AMAZONIA SA ADVOGADOS : GUILHERME MAGALHÃES CHIARELLI E OUTRO(S) RODRIGO FERREIRA PIANEZ E OUTRO(S) RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL. DEDUÇÃO VEDADA PELO ARTIGO 1º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 9.316/96. CONCEITO DE RENDA. ARTIGOS 43 E 110, DO CTN. MATÉRIA DE ÍNDOLE INFRACONSTITUCIONAL. LEI ORDINÁRIA E LEI COMPLEMENTAR. INTERPRETAÇÃO CONFORME. COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. LEGALIDADE RECONHECIDA. 1. A base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas (critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária) 2 Fonte: https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=7119702&sReg=200900569356 &sData=20091125&sTipo=5&formato=PDF, acesso em 10/07/2011. Fl. 399DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 396 11 compreende o lucro real, o lucro presumido ou o lucro arbitrado, correspondente ao período de apuração do tributo. 2. O lucro real é definido como o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária (artigo 6º, do DecretoLei 1.598/77, repetido pelo artigo 247, do RIR/99). 3. A Lei 9.316, de 22 de novembro de 1996, vedou a dedução do valor da contribuição social sobre o lucro líquido (exação instituída pela Lei 7.689/88) para efeito de apuração do lucro real, bem como para a identificação de sua própria base de cálculo, verbis :"Art. 1º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo." 4. O aspecto material da regra matriz de incidência tributária do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade (econômica ou jurídica) de renda ou proventos de qualquer natureza, sendo certo que o conceito de renda envolve o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (artigo 43, inciso I, do CTN). 5. A interpretação sistemática dos dispositivos legais supracitados conduz à conclusão de que inexiste qualquer ilegalidade/inconstitucionalidade da determinação de indedutibilidade da CSSL na apuração do lucro real. 6. É que o legislador ordinário, no exercício de sua competência legislativa, tãosomente estipulou limites à dedução de despesas do lucro auferido pelas pessoas jurídicas, sendo certo, outrossim, que o valor pago a título de CSSL não caracteriza despesa operacional da empresa, mas, sim, parcela do lucro destinada ao custeio da Seguridade Social, o que, certamente, encontrase inserido no conceito de renda estabelecido no artigo 43, do CTN (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.028.133/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.05.2009, DJe 01.06.2009; REsp 1.010.333/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 17.02.2009, DJe 05.03.2009; AgRg no REsp 883.654/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 13.03.2009; AgRg no REsp 948.040/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 16.05.2008; AgRg no Ag 879.174/SP, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 02.08.2007, DJ 20.08.2007; REsp 670.079/SC, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 27.02.2007, DJ 16.03.2007; e REsp 814.165/SC, Rel. Ministra Fl. 400DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 397 12 Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 15.02.2007, DJ 02.03.2007). 7. A interpretação da lei ordinária conforme a lei complementar não importa em alteração do conteúdo do texto normativo (regra hermenêutica constitucional transposta para a esfera legal), não se confundindo com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, donde se dessume a índole infraconstitucional da controvérsia, cuja análise compete ao Superior Tribunal de Justiça. 8. Ademais, o reconhecimento da legalidade/constitucionalidade de dispositivo legal não importa em violação da cláusula de reserva de plenário, consoante se depreende da leitura da Súmula Vinculante 10/STF: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência , no todo ou em parte." 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Verificase assim que os valores da CSLL registrados como despesa devem ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo. Por conseguinte, não cabe razão à Recorrente. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic, defendendo a tese de há erros de cálculo. Pelo fato desse argumento, o Código Tributário Nacional determina: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A Lei nº 9.430, de 1996, prevê: Art.5º [...] §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. [...] Fl. 401DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 398 13 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Aplicando a legislação de regência ao presente caso, verificase que como a Recorrente não procedeu ao pagamento do crédito tributário até a data do vencimento, deve fazêlo acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09/09/20093: RECURSO ESPECIAL Nº 1.111.175 SP (2009/00188256) RELATORA : MINISTRA DENISE ARRUDA RECORRENTE : SOFT SPUMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ADVOGADO: WALDEMAR CURY MALULY JUNIOR E OUTRO(S) RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em 3 Fonte: https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=5338305&sReg=200900188256 &sData=20090701&sTipo=5&formato=PDF; acesso em 16/04/2011. Fl. 402DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 399 14 tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. Ainda em relação à matéria, vale transcrever os enunciados de súmulas do CARF n°s 4 e 5, as quais são de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF) que prevêem: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. [...] São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Cabe ressaltar o crédito tributário da União constituído não pago até a data do vencimento é acrescido de juros de mora equivalentes à Selic para títulos federais. Por conseguinte, não lhe cabe razão. A Recorrente se insurge contra a aplicação da multa de ofício proporcional. As multas tributárias se fundamentam no interesse público e têm como pressuposto a prática de infração especificada e ainda como função a sanção pelo descumprimento de obrigação legal. As leis pertinentes à matéria são editadas com base nos princípios constitucionais, entre eles, os da legalidade e da tipicidade (art. 150 da Constituição da República). Ademais, a exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, fixa: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. A Lei nº 9.430, de 1996, orienta expressamente no seguinte sentido: Fl. 403DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 400 15 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Diferentemente do entendimento da Recorrente, a aplicação da multa de mora é aplicável somente nos casos de pagamento espontâneo de tributo fora dos prazos de vencimento e antes do início do procedimento fiscal. De acordo com o princípio da legalidade (art. 37 da Constituição da República) e depois de excluída a espontaneidade da Recorrente com a ciência do Termo de Início de Fiscalização, fl. 05, prevalece a multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o tributo lançado do ofício em decorrência de infração à legislação tributária. Portanto, não cabem reparos ao lançamento. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Atinente ao PIS, à Cofins e à CSLL, tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Fl. 404DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 401 16 Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 405DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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