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Numero do processo: 10680.912590/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS NÃO PAGAS.
Na composição do saldo negativo do IRPJ, passível de restituição ou compensação, não podem ser computados os valores de estimativa apurados no ano-calendário mas não quitados, seja via pagamento ou compensação. Em sentido diverso, as estimativas que seriam quitadas mediante compensação que restou não homologada podem compor o saldo negativo quando demonstrada nos autos a posterior extinção por pagamento.
Numero da decisão: 1402-001.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito adicional no montante de R$ 1.333.769,46; homologando-se a compensação pleiteada até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernanda Carvalho Álvares, Cristiane Silva Costa, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS NÃO PAGAS. Na composição do saldo negativo do IRPJ, passível de restituição ou compensação, não podem ser computados os valores de estimativa apurados no ano-calendário mas não quitados, seja via pagamento ou compensação. Em sentido diverso, as estimativas que seriam quitadas mediante compensação que restou não homologada podem compor o saldo negativo quando demonstrada nos autos a posterior extinção por pagamento.
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SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS NÃO PAGAS. Na composição do saldo negativo do IRPJ, passível de restituição ou compensação, não podem ser computados os valores de estimativa apurados no anocalendário mas não quitados, seja via pagamento ou compensação. Em sentido diverso, as estimativas que seriam quitadas mediante compensação que restou não homologada podem compor o saldo negativo quando demonstrada nos autos a posterior extinção por pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito adicional no montante de R$ 1.333.769,46; homologandose a compensação pleiteada até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernanda Carvalho Álvares, Cristiane Silva Costa, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 25 90 /2 00 9- 11 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório Tratamse de Declarações de Compensação (Dcomp) através das quais foi requerida a compensação de diversos débitos com pretenso saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2004 no valor de R$ 10.181.099,86. Em primeira apreciação, a autoridade administrativa prolatou Despacho Decisório e não homologou as compensações no entendimento de que o imposto devido seria maior que as antecipações confirmadas, implicando na inexistência de saldo negativo. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade sustentando a existência do crédito pleiteado, e o que ocorreu foi o preenchimento equivocado das Dcomps. Acrescenta ter sido informado pelo Plantão Fiscal da RFB que a legislação veda a retificação da Dcomp após manifestação da autoridade e reclama que não poderia ser punido pelo erro formal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – MG prolatou o Acórdão 0223.256 dando parcial provimento à manifestação de inconformidade. Após diversas apurações entendeu como demonstrado o saldo negativo do IRPJ no montante de R$ 5.033.883,32. Em relação às estimativas, não acatou parte dos valores correspondentes às estimativas de fevereiro (R$ 3.756.643,87) e maio de 2004 (R$ 1.333.769,46) que teriam sido quitadas por compensação, nos seguintes termos: Para o mês de fevereiro, a parcela em discussão foi objeto da Dcomp 28639.85457.3l0304.1.3.021299. O contribuinte optou por discutir a procedência do ato executado no Poder Judiciário, conforme documentos anexados às fls. 76 a 84. O julgamento da lide ainda não transitou em julgado, e mais, verificando o trâmite do processo (fls. 79 a 81), percebese que nenhum pronunciamento do Poder Judiciário até a presente data foi favorável ao contribuinte. Assim, não haveria como aproveitar crédito referente à ação judicial ainda não transitada em julgado. No caso do mês de maio, a quitação seria através do Dcomp l0555.12785.300604.l.7.044923. Tratase de PER/DCOMP retificador, que foi objeto de análise do Despacho Decisório n° 672524410, conforme documentos anexados às fls. 85 a 90. A retificação não foi aceita e o débito identificado nesta declaração não foi extinto. Foi computada como “ATIVA” a DCOMP de n° 38744.75146.300604.1.7.046294, cuja compensação foi considerada pela DRF como Homologada (R$ 399.432,23 à fl. 91). Devidamente cientificada, a interessada recorre a este colegiado informando que desistiu da ação judicial a que se refere a estimativa do mês de fevereiro e teria requerido o pagamento parcelado do valor correspondente. Quanto ao mês de maio sustenta que, após cientificado do indeferimento da retificação da Dcomp efetuou o pagamento do valor devido. É o Relatório. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.912590/200911 Acórdão n.º 1402001.916 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado e preenche as condições formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A decisão recorrida fez minuciosa análise dos fatos sob exame e reconheceu parcialmente o direito creditório requerido. Na composição do saldo negativo do IRPJ, não acatou parte do valor das estimativas correspondentes ao meses de fevereiro (R$ 3.756.643,87) e maio ( R$ 1.333.769,46), conforme exposto no relatório. Em relação ao mês de fevereiro, a interessada sustenta que teria desistido da ação judicial correspondente e formalizado parcelamento para quitação do débito. Pelo exame da documentação acostada aos autos pelo sujeito passivo verificase de fato a existência de diversas petições envolvendo desistência de ações e um requerimento de parcelamento. Entretanto, no Anexo I ao requerimento, onde estão relacionados os débitos parcelados, não consta a indicação da estimativa de fevereiro de 2004 no valor de R$ 3.756.643,87. Aliás, os únicos débitos de estimativa do IRPJ indicados correspondem aos meses de novembro e de dezembro de 2001. Assim, não há como acatar os argumentos do sujeito passivo quanto a esse valor. No que se refere ao mês de maio, ainda que a interessada proteste contra a não homologação da compensação por se tratar, segundo alega, de mero erro formal, sustenta que, cientificado da decisão, teria pago o débito. Nesse caso, assiste razão ao sujeito passivo. Junto com o recurso voluntário foi trazido aos autos o DARF que demonstra o pagamento da estimativa no valor de R$ 1.333.769,46, com juros e multa de mora. Do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de incluir na apuração do saldo negativo do IRPJ o valor complementar de R$ 1.333.769,46; referente à estimativa do mês de maio. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 245DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001184/2008-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 18/11/2008
ALIMENTAÇÃO IN NATURA
Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
Inexigível a obrigação acessória de declarar em folha, em virtude da não, incidência da contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos concedidas.
BOLSA DE ESTUDOS
Os valores despendidos a título de bolsas de estudo não integram a base de cálculo de contribuição previdenciária.
Inexigível a obrigação acessória em virtude da não, incidência da contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos concedidas.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2403-002.835
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 18/11/2008 ALIMENTAÇÃO IN NATURA Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Inexigível a obrigação acessória de declarar em folha, em virtude da não, incidência da contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos concedidas. BOLSA DE ESTUDOS Os valores despendidos a título de bolsas de estudo não integram a base de cálculo de contribuição previdenciária. Inexigível a obrigação acessória em virtude da não, incidência da contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos concedidas. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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Inexigível a obrigação acessória de declarar em folha, em virtude da não, incidência da contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos concedidas. BOLSA DE ESTUDOS Os valores despendidos a título de bolsas de estudo não integram a base de cálculo de contribuição previdenciária. Inexigível a obrigação acessória em virtude da não, incidência da contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos concedidas. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 84 /2 00 8- 19 Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001184/200819 Acórdão n.º 2403002.835 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0334.184 da 5ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de Auto de lnfração 'por descumprimento de obrigação acessória AIOA n" 37.156.7475, lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil de BrasíliaDF, contra a empresa em epígrale, consolidado cm l8/1 I/2008, em razão de infração ao dispositivo previsto na Lei n“. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inc. 1, combinado com art. 225, inc. 1 e §9° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n" 3.()48, de 06.05.99 (CFL 30). ' De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 06/10, a empresa deixou de preparar folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidas pela Receita Federal do Brasil, não incluindo, nas mesmas, as remunerações relativas aos valores de bolsas escolares e auxílio alimentação, lançada no Auto de lnfração de Obrigação Principal ~ AIOP n" 37.156.7424 (empresa e SAT). DA PENALlDADE . A Em decorrência do fato acima ‹lescríto, foi aplicada a multa, no valor de R$ 2.509,78 (dois mil quinhentos e nove reais e setenta c oilo centavos), conforme disposto na Lei n. 8.212, de 24.07.91 , art.`92 e 102, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, art. 283, inc. 1, alínea “a”, art. 290 e art. 373. Valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS n" 77, de 1 l/(13/2008. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado pessoalmente do lançamento em 20/11/2008, 0 Autuado impetrou defesa tempestiva ein 17/12/2008 (Fls. 13/39), afirmando, em síntese: Que se trata de entidade de direito privado, que, em 04/06/l98l, foi declarada de Utilidade Pública Federal, mediante o Decreto n.“ 86072; e Municipal, conforme Decreto nf' 220, de 3l/08/2005, pela Prefeitura Municipal de Silvânia, mediante a Lei Municipal ni" 1422, de 31 de agosto de 2005; Que aderiu ao PROUNI ¬ Programa Universidade Para Todos, instituído pela lei n." l l.096/05, oferecendo bolsa de estudo, numa Fl. 362DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 demonstração de estar colaborando com o governo e tendo, portanto, assegurado o seu direito à isenção de tributos, na forina do art. 8°, lll, da lei n.“ ll.096/05, que preceitua a isenção da Contribuição Social sobre 0 Financiamento da Seguridade Social, instituída pela lei Complementar n." 70, de 30 de dezembro de 1991; ' Que requereu e obteve do CNAS, em 3 l dejulho de l97(›, o Certificado de Fins Filantrópicos, passando, então a gozar da isenção da quota patronal previdenciária prevista na Lei n.” 3.577/59; Que obteve judicialmente o reconhecimento do direito adquirido a esse beneficio, nos autos do mandado de segurança ii." 89.0l.§š68038, em que foi constituída em seu favor coisa. julgada sobre essa matéria e faz jus à imunidade do art. l95, §7" da Constituição Federal, por preencher todas as condições estabelecidas nos arts. 9" e l4 do CTN. Apesar disto, a fiscalização passou a desconsiderar a isenção e a imunidade, o que a levou a promover a Ação Ordinária (Proc. 2002.34.00.0249380/DF), tendo por objeto a declaração de inexistência de relação jurídica tributária entre ela, a União Federal e o INSS, em face da imunidade. A ação foi julgada procedente ein l“ grau. A pretexto de que 'a entidade não preenchia os requisitos do art. I4 do CTN, nos termos da Decisão Notificação n.“ 23.40l/03/2006, de 04/()3/2006 e do Ato Cancelatório n." 23.401.002/2006, de 25/09/2006 ~ cuja legalidade encontra.se sul)_judíce a autoridade administrativa passou a negarlhe o benelicio da desoneração de quota patronal, lavrando sete autos de infração, com exigência de principal e multa; Que, equivocadamente, a fiscalização lavrou os Autos de Infração n.“ 37. l 56.7424 e o 37. l 56.7475, ora impugnado, acusando a entidade de ter deixado de declarar, nas folhas de salário e na GFIP, parcelas supostamente integrantes do salário de contribuição de seus empregados, referentes às bolsas de estudo e de alimentação, fornecida em local de trabalho, sem que tais remunerações tivessem sido incluídas em folha de pagamento de junho de 2003 a dezembro de 2007. Entende, dessa forma, ser insubsistente a autuação, pela inexistência de obrigação principal, como passa a demonstrar: I Da ofensa à coisa julgada Alega a defendente que a autuação é nula, por desconsiderar decisões judiciais que põem a impugnante a salvo da exigência de quota patronal, uma vez que fazjus à desoneração, independente da expedição de renovação de certificado de entidade beneficente de assistência social,_por ter direito adquirido a imunidade de que trata. o art. l95, §7° da CF, conforme restou decidido ein ação declaratória, promovida perante o Juízo da 3" Vara Federal de Brasília (Mandado de Segurança n.° 89.01 .868038) Fl. 363DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001184/200819 Acórdão n.º 2403002.835 S2C4T3 Fl. 4 5 Embora tal decisão ainda não tenha transitado em julgado, demonstra o acerto da impugnante ao adotar o código FPAS 639. A autoridade fiscal, ao lançar o crédito tributário, desafia a autoridade da coisajulgada. Da Decadência dos Valores Exigidos em períodos Anteriores a tI2/2003 Alega que, nos termos do art. l5l), §4" do CTN, encontramse atingidos pela decadência, os fatos geradores anteriores a 2() de novembro de 20(_)3. Da não Incidência da Contribuição sobre Bolsas de Estudo A teor do que estabelece o art. 28 ‹la Lei ii." 8.212/91, os valores que a lmpugnante despende com a formação de seus colaboradores e seus dependentes estão fora do âmbito de 'incidência da contribuição em questão, assim como quaisquer ajudas, desde que não representem substituição da remuneração paga pelo empregador ou tomador do serviço em prol da educação, pois a tributação está sujeita aos princípios da legalidade e da tipicidade, não cabendo à fiscalização exigir tributo sem amparo legal, com suposto rastro em procedimentos arbitrários, despidos de razoabilidade e que leveiii a exigência de tributo inexistente; Que a contribuição social ein questão só pode alcançar rendimentos pagos pelo empregador em contraprestação a trabalho efetuado por pessoa fisica. A educação suportada pelo empregador, seja em prol de seus funcionários ou em favor de dependentes destes não constitui contraprestação pelo trabalho efetuado; logo, não tem natureza de salário. Ademais, tanto a Lei n.“ 8.2l2/91 quanto o RPS reconhecem que não estão abrangidos pelo campo de incidência da norma os valores gastos pelo empregador com educação básica. . Assim, como não integram o salário de contribuição, não precisam ser informados ein GFIP. Auxílio Alimentação Dispõe a impugnante que arca com a maior parte das despesas de alimentação de seus empregados; logo, paga, in natura o auxílioalimentação, o que, a teor da Lei e da jurisprudência, afasta a incidência previdenciária, por não se revestir de natureza salarial, independente de a entidade ser ou não inscrita no PAT; Que a doutrina e a jurisprudência divergem sobre se a legislação consagraria o entendimento de que a condição para o gozo da isenção ou “não incidência” seria o fornecimento in natura ou a adesão ao PAT, pois o ato administrativo é meramente declaratório, e não constitutivo. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Assim, por não se revestir de natureza salarial, mas de mero estímulo a que a prestação dos serviços se desenvolvam em condições de maior e melhor produtividade, resta demonstrada a insubsistência do auto de infração. Além de que o auto seria nulo, de pleno direito, por não levar em conta a parte da alimentação suportada pelo próprio segurado. Ante o exposto, como tal rubrica não integra' o salário de contribuição, não precisa ser informada ein GFIP. A Impugnante faz jus ao Código FPPAS 639 Entende, ainda, a Impugnante, que sua conduta em adotar o código FPAS 639 está calcada em decisão transitada em julgado, em sede de mandado de segurança e em decisão de primeira instância, ainda não reformada, em sede de ação ordinária; Que faz jus tanto à isenção (Lei n." 3.577/59) quanto à imunidade (art. 195, §7“ da CF). Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Direito à isenção da cota patronal: o Aderiu ao PROUNI "Programa Universidade Para Todos", instituído pela Lei n° 11.096/05, conforme documento anexo, oferecendo bolsa de estudo, numa demonstração de estar colaborando com o governo, e tendo, portanto, assegurado o seu direito à isenção de tributos, na forma do art. 8° da Lei n° 11.096/05, o Requereu e obteve do CNAS, em 31 de julho de 1976, o Certificado de Fins Filantrópicos, passando, então, a gozar da isenção da quota patronal previdenciária prevista na Lei n° 3.577 de 04 de julho de 1959. o A Recorrente obteve judicialmente o reconhecimento do direito adquirido a esse beneficio, nos autos do mandado de segurança n° 89.01.868038, em que foi constituída em seu favor coisa julgada sobre essa matéria. o Ação Ordinária (Proc. Nº 2002.34.00.0249380/DF), tendo por objeto a declaração de inexistência de relação jurídica tributária entre ela, a União Federal e o INSS, em face da imunidade do art. 195, § 7" da CF. o Nos termos da Decisão Notificação nº 23.401, de 04.03.2006 e do Ato Cancelatório nº 23.401.002/2006, de 25.09.2006 cuja legalidade encontrase sub judice a autoridade administrativa passou a negar o beneficio da desoneração de quota patronal, Fl. 365DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001184/200819 Acórdão n.º 2403002.835 S2C4T3 Fl. 5 7 lavrando ainda sete autos de infração, com exigência de principal e multa. o Direito adquirido à isenção. o Imunidade artigo 195, parágrafo 7º CF. · Decadência dos valores anteriores a 12/2003. · Divergências entre folha e GFIP. · Inexigibilidade de obrigação acessória em virtude da não , incidência da contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos concedidas a segurados que prestam serviços à entidade. · Inexigibilidade de obrigação acessória em virtude da não incidência da quota patronal sobre auxílioalimentação fornecido, in natura, pelo empregador. É o relatório. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. O lançamento presente neste processo referese ao descumprimento da obrigação acessória de preparar folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas. Especificamente, aponta o fisco que as remunerações relativas aos valores de bolsas escolares e auxílio alimentação não constaram das folhas de pagamento. DECADÊNCIA Esta autuação fica caracterizada pela ocorrência de 1 único evento em período não decadente. O período de apuração indicado é de 01/2003 a 12/2007, e a ciência do lançamento ocorreu em 20/11/2008. Entendo que, aplicando o prazo qüinqüenal, não se configurou a decadência. DIREITO À ISENÇÃO/IMUNIDADE O fisco aponta a omissão de fatos geradores nas folhas de pagamento. A base de cálculo da contribuição dos segurados e da contribuição da empresa é a mesma, isto é, mesmo para empresas com direito à isenção/imunidade da cota patronal, a inclusão de todos fatos geradores nas folhas de pagamento é uma obrigação. Rejeito a tese da recorrente. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001184/200819 Acórdão n.º 2403002.835 S2C4T3 Fl. 6 9 TRIBUTAÇÃO DE BOLSAS DE ESTUDOS CONCEDIDAS A EMPREGADOS E DEPENDENTES A questão central em discussão é a tributação incidente sobre bolsas de estudos concedidas a empregados da recorrente e seus dependentes. Conforme estabelecido no CTN, a legislação considerada será a vigente à época dos fatos geradores. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. O artigo 28 da lei 8.2121/91 estabelece como regra a tributação da totalidade do rendimento do trabalho. Porém, especifica algumas hipóteses de não incidência, tal como o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que Fl. 368DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Não encontrei menção a que as bolsas de estudos fossem restritas a alguns segurados, do que deduzo que todos tinham acesso. Também não percebo na alínea “t”, do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91 restrição à educação fornecida a dependentes e entendo que uma vez cumpridos os demais requisitos legais, não incide tributação sobre bolsas de estudos concedidas a dependentes. Entendo inexigível a obrigação acessória em virtude da não, incidência da contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos concedidas. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO Discutese aqui a tributação de alimentação in natura fornecida a empregados. Abaixo transcrição do Relatório Fiscal da obrigação principal que motiva o lançamento na falta de inscrição no PAT. 8. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO AOS TRABALHADORES: 8.1. Com base nos lançamentos contábeis, apresentados pelo contribuinte, foi constatado o fornecimento de refeições aos trabalhadores da empresa. 0 referido beneficio foi contabilizado na conta "LANCHES E REFEIÇÕES". Após intimação fiscal, a empresa apresentou a relação nominal dos segurados que obtiveram tal beneficio. Foi esclarecido, ainda, que a referida conta não registra apenas fornecimento de refeições a trabalhadores; registra também o fornecimento de lanches e refeições em viagens, eventos, copa, entre outros. 8.2. Conforme descrito nos itens 05 a 20 e no art. 3o da Lei n° 6.321 (Legislação do Programa de Alimentação do Trabalhador PAT), de 14 de abril de 1976, há normativos que regem a concessão de verbas relativas à alimentação aos trabalhadores e asseguram incentivos fiscais a empresas desde que haja prévia aprovação do Ministério do Trabalho ao Programa de Alimentação Trabalhador. 8.3. Nos termos do artigo 3° da Lei 6.321/76, não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. (Grifamos) Fl. 369DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001184/200819 Acórdão n.º 2403002.835 S2C4T3 Fl. 7 11 8.4. Durante o procedimento fiscal, realizado na UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA, verificouse que o contribuinte em questão não aderiu ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Desta forma, procedeuse ao lançamento fiscal do crédito previdenciário decorrente da concessão de refeições aos segurados. Os valores foram apurados com base na relação nominal dos beneficiários, apresentada pelo contribuinte, em meio magnético. A fiscalização, com base no artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 considerou que a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ocorre que no final do ano 2011 a PGFN editou o Ato Declaratório Nº 03/2011 que estabeleceu que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta Fl. 370DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Entendo inexigível a obrigação acessória em virtude da não incidência da quota patronal sobre auxílioalimentação fornecido in natura. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 371DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10850.000074/2007-73
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .0 00 07 4/ 20 07 -7 3 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000074/200773 Resolução nº 3801000.862 S3TE01 Fl. 229 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente de pedido de restituição (fl. 2) de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), advindos de compensação a maior, referente ao período de julho de 2003. O pedido referese à parcela da contribuição incidente sobre outras receitas além do faturamento, que seria indevida com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º dão art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A DRF/São José do Rio Preto, por meio do despacho decisório de fls.39/44, indeferiu o pedido de restituição, por entender que a decisão do STF não teria efeitos erga omnes, apenas interpartes. Assim, não atingiria a postulante. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 46/53, alegando, em resumo, que a ampliação da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 390840/MG e que o art. 26A do Processo Administrativo Fiscal (PAF) determina que nos casos em que a lei tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF os órgãos de julgamento da Administração Federal devem afastar sua aplicação. Assim, requer a restituição da parcela da contribuição apurada sobre as receitas que não compõem o faturamento. Conforme resolução de fls. 129/132, a 1ª Turma desta Delegacia de Julgamento, pelo fato de o débito que teria gerado o crédito objeto do presente pedido encontrarse na situação “suspenso”, determinou o retorno do presente à unidade de origem para que se apurasse a situação do referido débito. Conforme despacho de fl. 141, o citado débito foi integralmente compensado, estando suspenso débito de idêntico valor por ter sido cadastrado em duplicidade no processo que o controlava. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/1999 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM CONTROLE DIFUSO. EFEITOS. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000074/200773 Resolução nº 3801000.862 S3TE01 Fl. 230 3 A competência para suspender a execução de uma lei declarada inconstitucional incidentalmente, em controle difuso, é privativa do Senado Federal e gera sempre efeitos ex nunc. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. REDUÇÃO DE BASE DE CÁLCULO SEM LEI ESPECÍFICA. VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL. Permanecendo válida a lei com todos os seus efeitos, enquanto não retirada do mundo jurídico, a Constituição Federal veda expressamente a redução de base de cálculo de impostos, taxas ou contribuições sem uma lei específica que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, na essência: · que o crédito pleiteado se refere à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição Cofins, de receitas estranhas ao conceito de faturamento dada a inconstitucionalidade do artigo 3o, parágrafo 1o, da Lei n. 9718/98; · que os documentos juntados em sua manifestação de inconformidade são suficientes para comprovar o direito de crédito alegado, não obstante, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada, requer a juntada aos presentes autos do livro razão, nos termos da alínea "c", do parágrafo 4o, do art. 16, do Decreto n. 70235/72, ficando o livro diário, em razão do extenso volume de documentos, à disposição desta ilustre câmara julgadora, caso entenda ser necessário; · que essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei n. 9718/98; bem como em recurso em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria; · que a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9718/98, com fulcro no inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11941, de 27.5.2009 e também no Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000074/200773 Resolução nº 3801000.862 S3TE01 Fl. 231 4 no seu art. 62, parágrafo 1o, inciso I, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22.6.2009; Assim, postula a reforma da decisão a quo, a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o Relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000074/200773 Resolução nº 3801000.862 S3TE01 Fl. 232 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Todavia, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que instituiu nova base de cálculo para a incidência de PIS e da Cofins, no julgamento dos RE 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, conforme ementa abaixo: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF, RE 390.840, j. em 09/11/2005) Destaquese que o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJE nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral da questão constitucional e reafirmou a Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000074/200773 Resolução nº 3801000.862 S3TE01 Fl. 233 6 jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF No mais, o artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941 de 27/05/2009 e o artigo 62 do RICARF, estabelecem estar vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, com exceção dos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, no que também se amolda o presente caso. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. No entanto, ultrapassada a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, verificamos que a decisão recorrida considerou como impedimento para o deferimento do pleito o fato do contribuinte não ter retificado a DCTF até a transmissão do PERDCOMP e que não teriam sido apresentadas todas as provas documentais que comprovassem a base de cálculo do tributo no período em questão. Para embasar o seu direito a recorrente apresentou balancete de verificação, demonstrativo das receitas do período em questão que não se enquadram no conceito de faturamento e, posteriormente, em sede de recurso voluntário, cópia de balancete registrado no do Livro Diário Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000074/200773 Resolução nº 3801000.862 S3TE01 Fl. 234 7 Da análise da documentação apresentada, verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. A recorrente alega que a não retificação da DCTF não interfere na obrigação principal (recolhimento do imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente e que o direito ao aproveitamento do crédito é corolário do princípio da legalidade. De fato, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser considerada a documentação comprobatória apresentada,como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior. No entanto, em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição COFINS e eventuais pagamentos a maior, procedimento esse que compete à Delegacia de origem. Outra questão que não foi enfrentada pela autoridade julgadora a quo é que no caso vertente a recorrente informa que o indébito no qual se lastreia o crédito nele pleiteado não foi realizado por meio de recolhimento com guia DARF, mas através de compensação, formalizada por meio da declaração de compensação eletrônica, colacionando extrato de Declaração de Compensação DCOMP e DCTF onde constam o débito compensado. Em diligência requerida pela autoridade julgadora de 1ª instância para se apurar se houve liquidação do débito contestado, seja por meio de pagamento, seja por meio de compensação a Delegacia de origem constatou que “ o débito da Cofins do PA 07/2003 do contribuinte acima identificado, no valor de R$ 9.503,54, controlado no processo n° 10850.720.026/200886, foi efetiva e integralmente compensado com crédito oriundo do processo n° 10850.900.574/200626 em que foi apreciado Saldo Negativo de IRPJ do exercício 2001, anocalendário 2000”. Para evitar supressão de instância, superada a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998 e a comprovação do valores compensados a maior, caso não se possa decidir do mérito a favor do sujeito passivo, entendo que devem os autos retornar à instância a quo para exame dessa matéria. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição COFINS com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000074/200773 Resolução nº 3801000.862 S3TE01 Fl. 235 8 b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13558.001344/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO. AÇÃO TRABALHISTA. JUROS MORATÓRIOS. REGRA GERAL. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
Incide Imposto de Renda sobre os juros de mora, inclusive aqueles pagos em reclamação trabalhista, exceto nas situações em que o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal for isenta ou estiver fora do campo de incidência do tributo.
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2)
MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR. NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA
O princípio da vedação ao confisco, previsto no art. 150, IV, da C.F., é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei. Uma vez positivada a norma, cabe à autoridade fiscal cumpri-la. À multa de ofício devida em face da infração tributária é inaplicável o conceito de confisco.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. LEGALIDADE. MATÉRIA SUMULADA
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2201-002.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao Julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO. AÇÃO TRABALHISTA. JUROS MORATÓRIOS. REGRA GERAL. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Incide Imposto de Renda sobre os juros de mora, inclusive aqueles pagos em reclamação trabalhista, exceto nas situações em que o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal for isenta ou estiver fora do campo de incidência do tributo. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2) MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR. NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O princípio da vedação ao confisco, previsto no art. 150, IV, da C.F., é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei. Uma vez positivada a norma, cabe à autoridade fiscal cumpri-la. À multa de ofício devida em face da infração tributária é inaplicável o conceito de confisco. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. LEGALIDADE. MATÉRIA SUMULADA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2395; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13558.001344/200847 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.529 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2014 Matéria IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente VALMIR MACHADO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO. AÇÃO TRABALHISTA. JUROS MORATÓRIOS. REGRA GERAL. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Incide Imposto de Renda sobre os juros de mora, inclusive aqueles pagos em reclamação trabalhista, exceto nas situações em que o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal for isenta ou estiver fora do campo de incidência do tributo. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2) MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR. NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O princípio da vedação ao confisco, previsto no art. 150, IV, da C.F., é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei. Uma vez positivada a norma, cabe à autoridade fiscal cumprila. À multa de ofício devida em face da infração tributária é inaplicável o conceito de confisco. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. LEGALIDADE. MATÉRIA SUMULADA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 13 44 /2 00 8- 47 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao Julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 13558.001344/200847 Acórdão n.º 2201002.529 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração para exigir o IRPF (fls. 39 a 46), exercício 2006, no valor de R$ 25.282,35, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora. O contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação (fls. 53 a 60), argumentando que havia declarado como isentos os juros de mora incidentes sobre os rendimentos recebidos na ação judicial, por terem natureza indenizatória, como já se pronunciara o Supremo Tribunal Federal em caso semelhante. Contesta a multa de ofício de 75% por entendêla confiscatória e, por isso, inconstitucional, e os juros de mora com base na taxa SELIC, cuja taxa se destinaria exclusivamente à remuneração do capital financeiro. Os membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Salvador (BA), por meio do Acórdão nº 1525.012 (fls. 98 a 101), de 6 de outubro de 2010, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido Cientificado em 10 de novembro de 2010 (fl. 104), o contribuinte interpôs o recurso voluntário no dia 30 seguinte, no qual repete as alegações da impugnação. Em virtude da orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 1, de 03 de janeiro de 2012, o processo foi sobrestado por meio da Resolução nº 2101000.039, sendo novamente posto em pauta, por força da edição da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, do Ministério da Fazenda, que revogou os §§ 1º e 2º do o artigo 62A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento A petição não traz elementos novos ao debate. Apenas reiterou os argumentos já apresentados na impugnação em relação à tributação dos juros de mora sobre os rendimentos recebidos na ação judicial, à inconstitucionalidade dos juros de mora e da multa de ofício, e desta última, o seu efeito confiscatório. Preliminares de inconstitucionalidade e confisco A Administração Tributária se submete ao principio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Isso significaria declarar a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). A questão de inconstitucionalidade de lei foi pacificada no CARF por meio da Súmula nº 2, a qual diz: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Da mesma forma, não pode a autoridade lançadora ou julgadora administrativa, por exemplo, invocando o principio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária. Ademais, o princípio constitucional que trata da vedação ao confisco, por força de exigência tributária, deve ser observado pelo legislador no momento da criação da lei, e não pela autoridade lançadora por ocasião de sua aplicação. No que se refere à aplicação da taxa de juros Selic, alega o contribuinte ser patente a ilegalidade da utilização dessa taxa para fins de determinação de juros, tendo em vista possuir a mesma caráter nitidamente remuneratório. Entretanto, essa tese está superada no âmbito do CARF com a edição da Súmula CARF nº 4, assim redigida: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por esse motivo, e considerando que, nos termos do artigo 72 do Anexo II do RICARF, as súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF, não procedem as alegações do recorrente em relação à taxa de juros e às inconstitucionalidades. Juros sobre rendimentos recebidos em decorrência de ação judicial. No Auto de infração, observase claramente que a auditoria (fl. 64) excluiu da tabela de cálculo os demais valores, mantendo apenas os rendimentos tributáveis, e que no recurso voluntário o contribuinte contesta apenas imposto de renda sobre os juros de mora da ação trabalhista recebida face à decisão proferida pela Justiça de Trabalho. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 13558.001344/200847 Acórdão n.º 2201002.529 S2C2T1 Fl. 4 5 Nessa questão, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) em sede de Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, julgados na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (CPC), fixou o entendimento de que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, conforme ementa a seguir: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, devese acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento revalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Embargos de declaração acolhidos parcialmente. (Relator: Ministro Cesar Asfor Rocha) Entretanto, como não ficou esclarecido em quais situações estaria abrangida a expressão “despedida ou rescisão de contrato de trabalho”, tal entendimento foi externado posteriormente, quando do julgamento do REsp nº 1.089.720/RS, em 10 de outubro de 2012, relatado pelo Ministro Mauro Campell Marques. Vejamos a ementa da decisão: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6º, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel.p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 3.1. Nem todas as reclamatórias trabalhistas discutem verbas de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, ali podem ser discutidas outras verbas ou haver o contexto de continuidade do vínculo empregatício. A discussão exclusiva de verbas dissociadas do fim do vínculo empregatício exclui a incidência do art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88. 3.2. O fator determinante para ocorrer a isenção do art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". 5. Em que pese haver nos autos verbas reconhecidas em reclamatória trabalhista, não restou demonstrado que o foram no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância de perda do emprego). Sendo assim, é inaplicável a isenção apontada no item "3", subsistindo a isenção decorrente do item "4" exclusivamente quanto às verbas do FGTS e respectiva correção monetária FADT que, consoante o art. 28 e parágrafo único, da Lei n.8.036/90, são isentas. 6. Quadro para o caso concreto onde não houve rescisão do contrato de trabalho: ∙ Principal: Horasextras (verba remuneratória não isenta) = Incide imposto de renda; ∙ Acessório: Juros de mora sobre horasextras (lucros cessantes não isentos) = Incide imposto de renda; ∙ Principal: Décimoterceiro salário (verba remuneratória não isenta) = Incide imposto de renda; ∙ Acessório: Juros de mora sobre décimoterceiro salário (lucros cessantes não isentos) = Incide imposto de renda; ∙ Principal: FGTS (verba remuneratória isenta) = Isento do imposto de renda (art. 28, parágrafo único, da Lei n. 8.036/90); ∙ Acessório: Juros de mora sobre o FGTS (lucros cessantes) = Isento do imposto de renda (acessório segue o principal). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. A decisão acima definiu o alcance do acórdão proferido no REsp nº 1.227.133RS, que não é amplo, mas sim restrito às situações de perda do emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora do campo de incidência do imposto sobre a renda. Isso fora posteriormente confirmado pela nota intitulada “Primeira Seção esclarece parâmetros para incidência de IR sobre juros de mora”, publicado pelo STJ em 23 de outubro de 2012, na “Sala de Notícias” (www.stj.gov.br), conforme segue: Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) definiu entendimento sobre tema repetidamente submetido aos tribunais: o Imposto de Renda, em regra, incide sobre os juros de mora, inclusive aqueles pagos em reclamação trabalhista. Os juros só são isentos da tributação nas situações em que o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora do campo de incidência do IR (regra do acessório segue o principal). O julgamento, apesar de não ter se dado no rito dos recursos repetitivos previsto pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, fixou interpretação para o precedente em recurso representativo da controvérsia REsp. 1.227.133, a fim de orientar os tribunais de segunda instância no tratamento dos recursos que abordam o mesmo tema. [...] (grifos nossos) Assim sendo, concluíse que STJ entende incidir o imposto de renda sobre os juros de mora recebidos pelo contribuinte, inclusive aqueles auferidos em sede de reclamatória trabalhista, exceto quando o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora do campo de incidência do imposto sobre a renda. Esse entendimento foi reiterado nas decisões seguintes, entre elas: AgRg no REsp 1.234.294/RS (11/04/2013) e REsp 1.235.681/RS (18/02/2014). Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 13558.001344/200847 Acórdão n.º 2201002.529 S2C2T1 Fl. 5 7 A jurisprudência corrente do CARF também é no sentido de que os juros de mora calculados em ação judicial, por sua característica acessória, seguem a natureza tributável da verba principal, fundamentada no art. 55, inciso XIV, do Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que determina serem tributáveis “os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis”. Feitas essas considerações, vêse nos documentos acostados aos autos que os valores contestados na ação principal decorrem de diferenças salariais, considerados tributáveis nos termos do art. 39 do RIR/99, e que a situação sob análise não se enquadra, portanto, nas exceções previstas nas decisões do STJ, nas quais os juros de mora incidentes sobre verbas recebidas em sede de ação trabalhista são isentos do imposto sobre a renda. O contribuinte alega que “o entendimento jurídico que prospera é o de que [...] tem isenção do Imposto de Renda os valores recebidos pelo contribuinte a titulo de juros de mora (juros cobrados por atraso de pagamento) a partir da vigência do Código Civil de 2002 (novo código).” Entretanto, o dispositivo citado não se aplica, uma vez que não se pode interpretar o espectro passível de ser tributado pelo Imposto sobre a Renda à luz da legislação infraconstitucional (Código Civil) quando a Constituição dá base para a compreensão do direito positivo. Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 13161.720452/2012-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com o disposto no art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso é de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão recorrido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com o disposto no art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso é de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão recorrido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 04 52 /2 01 2- 52 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por JESUÉ MARQUES ESPÓLIO, em face de acórdão que manteve a integralidade de dois Autos de Infração, ambos lavrados para a cobrança de contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física incidentes sobre o valor da comercialização da produção rural, cujo recolhimento a empresa autuada é responsável na condição de subrrogada. O lançamento fora subdividido nos seguintes Autos: a) 51.010.0945: contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa – GILRAT; b) 51.010.0953: lavrado para a cobrança de contribuições destinadas a terceiros (SENAR); Consta do relatório fiscal que os valores lançados foram obtidos em notas fiscais e relatório SINTEGRA. O lançamento compreende o período de 01/2009 a 12/2010, tendo sido o contribuinte cientificado em 31/05/2012 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a inconstitucionalidade do FUNRURAL; 2. que o procedimento de lançamento fere o princípio da isonomia, na medida em que os produtores rurais pessoas físicas recebem tratamento mais oneroso se comparados aos empregadores urbanos; 3. que restou violado o princípio da capacidade contributiva; 4. que a exigência de desconto ao INSS sobre o resultado final da comercialização feita ao produtor rural empregador pessoa física (distinto do segurado especial), tem como base legislação irregular, lei ordinária (lei 8.540/92, até alteração pela lei 9.528/97) já declarada inconstitucional (RE 363852), hoje regida pela lei 10.256/2001; 5. que diferentemente do entendimento do v. acórdão recorrido, as notas fiscais de simples remessa, de fato eram de simples remessa, tendo em vista que os produtos nela descritos não foram objeto de industrialização; Fl. 429DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13161.720452/201252 Acórdão n.º 2402003.794 S2C4T2 Fl. 429 3 6. que a multa aplicada é confiscatória; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Da análise dos autos verificase às fls. 402 que o contribuinte foi intimado do acórdão recorrido na data de 14/09/2012 (sextafeira), tendo protocolado o presente recurso voluntário em 26/10/2012 (fls. 404), de modo que o prazo legal de 30 (trinta) dias para a sua interposição restou extrapolado. Ante todo o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11634.001692/2010-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para apensação ao processo principal (11634.001693/2010-06), nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para apensação ao processo principal (11634.001693/2010-06), nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para apensação ao processo principal (11634.001693/201006), nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 34 .0 01 69 2/ 20 10 -5 3 Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11634.001692/201053 Resolução nº 1301000.169 S1C3T1 Fl. 12 2 Relatório Recorre de ofício a DRJ/Ribeirão Preto pela exoneração do crédito tributário lançado contra a empresa em epígrafe, relativo ao IPI no valor total de R$ 8.770.726,85, decorrente do lançamento de ofício de IRPJ (processo 11634.001693/201006) dos anos calendário de 2005 a 2008, face a constatação pela fiscalização de omissão de receitas, nos termos da Lei n° 9.430, de 1996, art. 42, com base em depósitos bancários em conta de terceiros (empresas: Anemar, Tanzânia e Pássaro Azul) e não contabilizadas. No curso da ação fiscal, a empresa autuada (Ametista) foi intimada e reintimada a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados nas contascorrentes de titularidade das empresas Anemar, Tanzânia e Pássaro Azul, e respondeu ser impossível se manifestar uma vez que os recursos não lhe pertenciam. Em sua defesa, a Ametista volta a negar a titularidade dos recursos depositados naquelas contas, citando a Súmula 32 do Carf, segundo a qual os fiscais da RFB devem reunir elementos suficientes junto às instituições bancárias para que fique evidenciado o uso da conta bancária por terceiro (mesma argumentação do processo de IRPJ). No presente caso, as autoridades fiscais reuniram elementos fortes que indicam que as empresas Anemar, Tanzânia e Pássaro Azul eram inexistentes de fato e que suas contas correntes foram utilizadas pela impugnante, na medida em que pessoas que transferiram recursos a débito ou a crédito dessas contas foram intimadas a informar a natureza jurídica das operações que deram causa às transferências e informaram operações relacionadas à Ametista, .tais como: telefone da autuada em documento bancário pertencente à empresa Anemar, cheque emitido pela Tanzânia para pagamento de fornecedor com vinculação no verso com a Gralha Azul (atual Ametista), local de entrega de mercadorias adquiridas pela Tanzânia era o endereço da Gralha Azul, depósitos efetuados na conta bancária da Anemar de compras efetuadas da empresa Gralha Azul, etc. Concluiu que os recursos movimentados em instituições financeiras pelas empresas Anemar, Tanzânia e Pássaro Azul pertencem à Ametista (antiga Gralha Azul), a qual foi cientificada de que as infrações porventura apuradas naquelas empresas seriam a esta imputadas na condição de verdadeira dona dos negócios (beneficiária oculta), conforme dispõe o Código Tributário Nacional (CTN), art. 121, I. Entendeu a Turma Julgadora a quo que o conjunto dos elementos não são suficientes para comprovar a verdadeira titularidade das contas correntes. Transcrevo, a seguir, a ementa prolatada no Acórdão recorrido: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados/IPI Ano calendário: 2005, 2006, 2007 e 2008 Ementa: Afastada a presunção de omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cancelase, por Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11634.001692/201053 Resolução nº 1301000.169 S1C3T1 Fl. 13 3 decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11634.001692/201053 Resolução nº 1301000.169 S1C3T1 Fl. 14 4 Voto Conselheiro Relator Paulo Jakson da Silva Lucas Estando presentes os requisitos legais, conheço do recurso de ofício. Tratase de analisar lançamento referente ao IPI, períodos de apuração ocorridos nos anoscalendário de 2005, 2006, 2007 e 2008, decorrente de lançamento referente ao IRPJ e reflexos, em que se apurou omissão de receitas, caracterizada por diferenças apuradas em inventário final. O lançamento em discussão teve por fundamento o artigo 448 do RIPI/2002, o qual, por pertinente, a seguir transcrevo: Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias primas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matériasprimas, produtos intermediários e embalagens (Lei 4.502, de 1964, art. 108). § 1o. Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes deste artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigirseá o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento (Lei n° 4.502, de 1964, art. 108, § 1o). § 2o Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, provenientes de vendas não registradas sobre elas será exigido imposto, mediante adoção do critério estabelecido no parágrafo 4.502, de 1964, art. 108, § 2o.). Neste caso, a autoridade julgadora de primeira instância em consonância ao decidido no processo relativo ao IRPJ (11634.001693/201006), o qual restou pela exoneração total do crédito tributário lançado e, conseqüentemente, descaracterizada a omissão de receitas pelas razões aduzidas na esfera do IRPJ, também, afastou a autuação decorrente, já que o julgamento do processo decorrente deve seguir o do principal. Entretanto, no julgamento em segunda instância do processo principal (IRPJ), acima citado, decidiu o Presidente da Segunda Câmara, Segunda Turma Ordinária, pelo sobrestamento do feito nos termos do RICARF (art. 62A) e, Portaria/CARF no. 2, de 2012 (art. 2o.). Portanto, o mesmo encontrase, ainda, pendente de julgamento. Com essas considerações, encaminho o meu voto no sentido de converter o julgamento do presente processo em diligência para apensação por dependência ao processo principal do IRPJ (11634.001693/201006). (documento assinado digitalmente) Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11634.001692/201053 Resolução nº 1301000.169 S1C3T1 Fl. 15 5 Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10183.722797/2012-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009, 2010
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
É inaplicável a responsabilização tributária de terceira pessoa, com fundamento no art. 124, do Código Tributário Nacional, se não ficou demonstrado sua vinculação com o fato gerador da obrigação tributária.
Numero da decisão: 1302-001.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, a) por maioria, em dar provimento parcial, para afastar a responsabilidade tributária de Wilson Ignácio de Oliveira, Marcos Rosendo da Silva, Thiago Adorno Silva e Efrain Barcelos Gonçalves, vencido o Conselheiro Eduardo de Andrade; b)por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário de Ailto Alves de Lima, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonca Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009, 2010 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É inaplicável a responsabilização tributária de terceira pessoa, com fundamento no art. 124, do Código Tributário Nacional, se não ficou demonstrado sua vinculação com o fato gerador da obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, a) por maioria, em dar provimento parcial, para afastar a responsabilidade tributária de Wilson Ignácio de Oliveira, Marcos Rosendo da Silva, Thiago Adorno Silva e Efrain Barcelos Gonçalves, vencido o Conselheiro Eduardo de Andrade; b)por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário de Ailto Alves de Lima, por intempestivo. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonca Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É inaplicável a responsabilização tributária de terceira pessoa, com fundamento no art. 124, do Código Tributário Nacional, se não ficou demonstrado sua vinculação com o fato gerador da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, a) por maioria, em dar provimento parcial, para afastar a responsabilidade tributária de Wilson Ignácio de Oliveira, Marcos Rosendo da Silva, Thiago Adorno Silva e Efrain Barcelos Gonçalves, vencido o Conselheiro Eduardo de Andrade; b)por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário de Ailto Alves de Lima, por intempestivo. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonca Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 27 97 /2 01 2- 02 Fl. 4633DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: A contribuinte acima identificada, teve contra si lavrado o auto de infração relativo ao IRPJ (AI e demonstrativos às fls. 2 a 33) em decorrência de omissão de receitas (depósitos bancários de origem não comprovada). O lançamento resultou em R$ 108.163.348,65 de imposto, R$ 162.245.022,99 de multa proporcional de ofício (150%) e R$ 17.526.264,21 de juros de mora calculados até junho de 2012. Foram também lavrados os autos de infração reflexos (Cofins, CSLL e PIS/Pasep – fls. 34 a 68 e 660 a 723). O total do crédito tributário lançado e objeto deste processo é de R$ 434.439.151,99, incluídos os juros moratórios e as multas (fl. 2). Os valores individuais estão discriminados em cada auto de infração. A ciência da contribuinte, relativamente aos autos de infração, ocorreu, por via postal, em 19 de junho de 2012 (AR à fl. 726). Foram emitidos, também, Termos de Sujeição Passiva Solidária relativamente aos senhores: a) Marcos Rosendo da Silva (fls. 638 e 639); b) Maria Thereza Adorno Silva (fls. 640 e 641); c) Thiago Adorno Silva (fls. 642 e 643); d) Thadeu Adorno Silva (fls. 644 e 645); e) Ailto Alves de Lima Júnior (fls. 646 e 647); f) Marco Aurélio Chionha (fls. 648 e 649); g) Efrain Barcelos Gonçalves (fls. 650 e 651); e h) Wilson Ignácio de Oliveira (fls. 652 e 653). A ciência quanto a cada um desses termos ocorreu, respectivamente, em: a) 21 de junho de 2012 (AR à fl. 730); b) 20 de junho de 2012 (AR à fl. 731); c) 25 de junho de 2012 (AR a fl. 733); Fl. 4634DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10183.722797/201202 Acórdão n.º 1302001.605 S1C3T2 Fl. 4.634 3 d) 19 de junho de 2012 (AR à fl. 732); e) 23 de junho de 2012 (Histórico ECT à fl. 727); f) 23 de junho de 2012 (AR à fl. 736); g) 21 de junho de 2012 (AR à fl. 728) e h) 22 de junho de 2012 (Histórico ECT à f. 734). Em 18 de julho de 2012 foi protocolado o documento de fls. 1.238 a 1.295, no qual é aduzido, em apertada síntese, que: a) houve prorrogação irregular do Mandado de Procedimento Fiscal e substituição injustificada do agente fiscal que iniciou o procedimento de fiscalização; b) as provas coligidas e que fundamentam o auto de infração são ilícitas em face do disposto no art. 5º, LV e LVI, da Constituição Federal, em face da quebra ilegal do sigilo bancário da contribuinte; c) a Lei Complementar nº 105/2001 é inconstitucional e, mesmo que constitucional fosse, deveria ser observado os ditames do Decreto nº 3.724/2001, o que não ocorreu; d) não foi observado o direito à ampla defesa e ao contraditório antes da quebra do sigilo bancário; e) os dados protegidos por sigilo bancário antes da vigência da Lei Complementar nº 105/2001 não podem ser utilizados pela fiscalização em face do princípio da irretroatividade das leis; f) o auto de infração é nulo pela imprecisão da base de cálculo; f.1) o simples depósito em contas bancárias não traduz a aquisição de riqueza, não tendo ocorrido, portanto, o fato gerador do tributo; f.2) não foram considerados pelo fiscal as transferências de outras contas bancárias de mesma titularidade, mútuo/adiantamentos etc.; f.3) o arbitramento deve ocorrer em face de processo regular, assegurada a ampla defesa e o contraditório; g) foram infringidos os princípios da ampla defesa e todos os seus desdobramentos, assim como o da verdade material e do devido processo legal; h) o que houve foram atos de elisão e não de evasão tributária i) não pode haver lançamento tributário com base em presunções; j) no caso de arbitramento, deve ser observada a avaliação contraditória; Fl. 4635DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 k) a multa punitiva tem efeito confiscatório; l) houve contrato particular entre o senhor Carlos Sussumu Hasegawa que era detentor dos direitos sobre as cotas societárias havendo transferência diretamente para os atuais sócios Almir Pereira de Melo e Edson Carlos Ferreira dos Santos; m) não há responsabilidade dos senhores Wilson Ignácio de Oliveira, Sérgio Davi Bentlin e Alisson de Souza Santos, que são meros funcionários, sem poderes de gestão e administração e os demais são agentes e distribuidores, que igualmente não detêm tais poderes. Ao final é requerida a declaração de nulidade do auto de infração e o afastamento da multa confiscatória. Também em 18 de julho de 2012 foram protocolados os documentos de fls. 741 a 761, 864 a 884, 988 a 1.008 e 1.111 a 1.131, relativamente aos impugnantes sujeitos passivos solidários Marcos Rosendo da Silva, Maria Thereza Adorno Silva, Thadeu Adorno Silva e Thiago Adorno Silva, todos os documentos com o mesmo teor, nos quais foi alegado, resumidamente, que: a) a venda da autuada Eldorado Combustível Ltda. foi efetuada legalmente em dezembro de 2008 ao senhor Carlos Sussumu Hasegawa, conforme cópia de instrumento anexo; b) segundo consta nesse instrumento, a posse seria assumida pelo senhor Carlos Sussumu “apenas após a assinatura da alteração do contrato social transferindo as quotas do capital social da empresa ao COMPRADOR, ou a quem indicar, que se dará no dia seguinte ao término do pagamento total deste contrato”, o que ocorreu somente em setembro de 2009; c) todos os órgãos públicos foram cientificados da transferência e, nessa data, a empresa autuada não possuía nenhum débito junto aos fiscos federal, estadual ou municipal; d) a responsabilidade dos impugnantes cessou em 13 de outubro de 2009; e) não há nenhuma norma jurídica que indique a responsabilização dos exsócios por atos praticados após a saída deles do quadro societário da empresa; f) as pessoas jurídicas têm existência distinta de seus membros, nos termos do art. 20 do Código Civil; g) para que haja a responsabilização há a necessidade de que tenha havido abuso de poder ou excesso de mandato, o que não ocorreu; h) os fatos anteriores a 13 de outubro de 2009 foram colhidos pela decadência, nos termos do art. 1.003 do Código Civil. Por fim é requerida a anulação do auto de infração em relação aos impugnantes. Fl. 4636DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10183.722797/201202 Acórdão n.º 1302001.605 S1C3T2 Fl. 4.635 5 Foi juntada às fls. 1.323 a 1.357 a impugnação protocolada por Marco Aurélio Chionha em 20 de julho de 2012, firmada por procurador (instrumento de mandato à fl. 1.358), em que é alegado, em resumo, que: a) “foi mero mandatário da empresa autuada, com quem manteve vínculos de representação comercial, mediante contrato expresso firmado e, em detrimento das atividades e representação a serem exercidas, foilhe outorgado procuração 'padronizada' por instrumento público, sendo limitada aos interesses de seus mandantes que, conferida em 06.11.2009, foi revogada em 20.06.2011, face à rescisão do seu contrato de serviços, em decorrência do 'cancelamento' da inscrição de contribuinte paulista, conferido à filial a que estava vinculado”; b) a autuada contratou a empresa PETRUS ÁLCOOL, de propriedade do impugnante, para agenciar venda e distribuição de etanol; c) toda a escrituração fiscal e contábil era efetuada no estabelecimento matriz da autuada em Várzea Grande – MT, inclusive no que tange à apuração e pagamento de tributos devidos pela filial de Paulínia; d) “o Defendente agenciava compra do produto etanol carburante, adquiridos pela contribuinte em usinas produtoras paulistas, gerindo os pagamentos e adimplementos destes contratos, realizando a distribuição ao mercado varejista e geria o recebimento dos haveres resultantes; encaminhando TODA DOCUMENTAÇÃO FISCAL à contribuinte que firmava a escrituração fiscal e gerenciava o pagamento dos tributários incidentes”; e) para que pudesse haver a responsabilidade tributária, os atos praticados teriam de ocorrer com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos; f) “um dos elementos da hipótese de incidência é a impossibilidade de cobrar da empresa o débito tributário. No entanto, não há qualquer demonstração no auto ou no termo de sujeição passiva solidária de que a empresa não tenha condições de pagar o débito apontado no auto de infração, inexistindo, portanto, demonstração de que os fatos correspondem ao descrito no artigo 135 do CTN e não se pode falar em responsabilidade da gerente ou do administrador ou do procurador”; g) “mesmo portando procuração firmada por instrumento público padronizado, cuja finalidade era meramente para prática de atos administrativos e, principalmente, movimentação bancária, todos eram realizados em nome de terceiros e não em nome próprio, resguardando os interesses dos representados”; h) “é inaceitável que o Defendente. em nome próprio, responda por atos que tenha praticado em nome de terceiros, quiçá no presente caso em que sequer praticou os atos narrados como Fl. 4637DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 ilícitos e antijurídicos, estes praticados somente e diretamente pela mandante e seus sócios”; i) “no presente caso, não ocorreu alteração do quadro societário da contribuinte, mantendose incólume os sócios administradores e mandantes da procuração outorgada que, em primeira instância, são suscetíveis de responsabilização subsidiária, preferencialmente ao mandatário, ora Defendente”; j) é “utópico acreditar que poderia ser sócio da contribuinte, pois além de não deter as condições legais exigidas (mesmo as mínimas), está muito longe de deter capacidade financeira necessária. O Defendente detém apenas conhecimento solidificado na representação comercial em agência e distribuição de etanol carburante, pela larga experiência e carteira de clientes vinculados”; k) o auto de infração é nulo, por basearse em suposições, ou seja, valores depositados e creditados em conta bancária; l) os créditos bancários não se constituem em aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda; m) o fisco deve buscar a verdade material; n) não pode haver arbitramento sem o contraditório e a ampla defesa; o) as bases de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são insubsistentes, uma vez terem sido aferidas a partir de informações da ANP, sem contudo ser verificado o preço praticado nas vendas; p) houve cobrança em duplicidade, sendo que “os valores apontados nestes autos devem ser deduzidos dos valores pretendidos no processo n° 10183.722.797/201202, sob pena de cobrança em duplicidade ‘bis idem’” q) a multa a ser aplicada deve ser a moratória e não a de ofício, já que a apuração dos tributos Cofins e contribuição para o PIS/Pasep foi efetuada nos livros contábeis e fiscais; r) a multa aplicada tem caráter confiscatório. Finalmente é requerido o afastamento do impugnante do pólo passivo e a declaração de nulidade do auto de infração. Na pior das hipóteses, que a multa seja reduzida ao percentual de 20%. Às fls. 1.391 a 1.406 consta impugnação de Wilson Ignácio de Oliveira, representado por procurador (instrumento às fls. 1.409 a 1.410). Não há dados relativos à data de protocolo. Nela foi aduzido, em síntese, que: a) as planilhas relativas aos depósitos bancários que deram origem ao lançamento não foram disponibilizadas; b) o patrono diligenciou junto à DRF/Cuiabá, contudo não obteve êxito em obter os documentos acima referidos; Fl. 4638DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10183.722797/201202 Acórdão n.º 1302001.605 S1C3T2 Fl. 4.636 7 c) o processo se encontrava no estado de Mato Grosso e o impugnante é residente em Guarulhos/SP, fato que dificulta o acesso e macula o processo; d) o auditor autuante era incompetente para imputar responsabilidade a pessoa física não residente em sua “jurisdição”, tendo ocorrido flagrante cerceamento do direito de defesa; e) “o Fisco pautouse em meras conjecturas hipotéticas para incluir do Defendente como suposto responsável solidário para obrigação tributária pretensamente descumprida pela empresa autuada, o que é inadmissível na hipótese vertente”; f) “o Defendente figura no polo passivo da autuação como responsável solidário simplesmente por ter sido procurador da empresa, eis que o Fisco não carreou aos autos (ou se carreou não entregou à defesa) qualquer prova, sequer indício que pudesse vincular a pessoa do Defendente a qualquer um dos supostos atos ou negócios jurídicos irregulares que ele (Fisco) alega terem sido praticados por interposta pessoa, por meio de simulação”; g) o caso não se enquadra no art. 124, I, nos artigos 129 e seguintes, no art. 134, nem no art. 135 do Código Tributário Nacional; h) “tendo em vista que inexiste qualquer prova de que o Defendente tenha participado de qualquer ato ou omitido qualquer circunstância que esteja atrelado à ocorrência dos fatos geradores objeto do lançamento de oficio contra empresa ELDORADO COMBUSTÍVEIS LTDA., não há como o mesmo rebater as questões de mérito elencadas pelo Fisco como elementos que pretensamente caracterizaram o descumprimento de obrigação tributária pela empresa autuada”. Ao final é requerida a decretação de nulidade do trabalho fiscal ou, alternativamente, a exclusão do impugnante como responsável solidário pelas autuações lavradas contra a Eldorado Combustíveis Ltda. e, ainda, que as intimações sejam também efetuadas pessoalmente ao patrono do impugnante. Em 20 de julho de 2012 foi protocolada a impugnação de Ailto Alves de Lima Júnior (fls. 1.452 a 1.499), tendo como signatários os mandatários relacionados no instrumento de fls. 1.500 e 1.501, sendo alegado o seguinte: a) o impugnante não recebeu qualquer intimação ou notificação a respeito do MPF, de forma a poder esclarecer alguma dúvida ou até mesmo exercer seu direito de defesa durante a fiscalização, sendo nulo portanto a sua inclusão no pólo passivo; b) foram violados os princípios da legalidade, finalidade, motivação, publicidade, devido processo legal e ampla defesa; Fl. 4639DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 c) “no caso do ora IMPUGNANTE, não há nenhuma descrição clara e objetiva do fato ou ato que denote vinculação com as infrações indicadas, tampouco justificativa para a atribuirlhe a condição de responsável solidário pelo suposto crédito tributário”; d) não há a descrição adequada da conduta que levou à aplicação das multas, sobretudo aquela no percentual de 150%; e) as multas aplicadas têm caráter confiscatório; f) “a ausência de descrição dos fatos assim como a absoluta ausência de prova direta contra o IMPUGNANTE, tal como um documento, confissão ou perícia, leva necessária e obrigatoriamente À NULIDADE do auto de infração”; g) “o AFRFB não demonstrou e tampouco provou qual o interesse comum que poderia atribuir vínculo entre o IMPUGNANTE e situações que constituíssem fatos geradores das obrigações tributárias da empresa autuada”; h) os “fatos e documentos deixam de forma absolutamente inequívoca o ‘erro’ em arrolar o IMPUGNANTE no rol de responsável solidário por um suposto ‘poder’, lembrando que era apenas para movimentar uma conta bancária da empresa ELDORADO, a qual, acrescentese, NUNCA TEVE NENHUMA RELAÇÃO COM O IMPUGNANTE”; i) “O IMPUGNANTE FOI UM MERO PRESTADOR DE SERVIÇOS que recebeu poderes através de uma procuração para efetuar pagamentos através de uma única conta bancária”; j) “verificase que não é a simples constatação de infrações tributárias e a simples atuação do mandatário no exercício de poderes outorgados pelo mandante que se justifica a atribuição da responsabilidade solidária, sendo obrigatório à Autoridade Fiscal constatar e relatar os fatos e condutas que denotem dolo específico na prática de infrações tributárias”; k) “não há que se falar em responsabilidade de terceiros pelo crédito tributário, eis que inexiste qualquer fundamento ou comprovação de que houve fraude tributária ou sonegação fiscal”. Ao final é requerida a decretação de improcedência da autuação e, ainda, que as intimações sejam também efetuadas em nome do advogado. As razões da impugnação protocolada pelo senhor Efrain Barcelos Gonçalves, em síntese, são as seguintes: a) nulidade dos lançamentos por não terem sido disponibilizados os documentos em que se basearam os autos de infração, tendo havido inclusive comparecimento pessoal do impugnante à DRF Cuiabá, o que restou improfícuo em face da falta da devida autuação processual, conforme documentos inclusos; b) o auditor autuante era incompetente para imputar responsabilidade a pessoa física com domicílio fiscal fora da sua Fl. 4640DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10183.722797/201202 Acórdão n.º 1302001.605 S1C3T2 Fl. 4.637 9 área de atuação, tendo ocorrido flagrante cerceamento do direito de defesa; c) o impugnante foi incluído como sujeito passivo solidário das obrigações tributárias diante de meras conjecturas hipotéticas aventadas pelo autuante; d) não há prova de nenhum ato ou negócio irregular praticado pelo impugnante atuando como mandatário da contribuinte; e) não é aplicável ao caso o art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Requerse, ao final, a declaração de nulidade dos lançamentos ou, caso isso ao ocorra, seja declarada a improcedência da inclusão do impugnante como responsável solidário. Os autos baixaram em diligência para que fossem juntadas cópias de extratos bancários e intimação para que a contribuinte justificasse os créditos (fls. 1.563 e 1.564). Os documentos, planilhas e resposta da contribuinte constam às fls. 1.567 a 4.257, às fls. 4.258 e 4.259 o auditorfiscal responsável pela diligência manifestouse sobre os documentos apresentados, informando que a contribuinte não comprovou a origem dos créditos bancários, tendo apresentado apenas “Relatório de Vendas por Clientes”. Houve uma nova diligência, conforme termo de fls. 4.263 e 4.264, para que os atuais sócios e o senhor Carlos Sussumu Hasegawa fossem incluídos no polo passivo da obrigação como responsáveis tributários, bem como para que o senhor Wilson Ignácio de Oliveira tivesse vista do processo e pudesse complementar sua impugnação. Os termos constam às fls. 4.266 a 4.271 e 4.306. A síntese do resultado da diligência efetuada (fls. 4.288 a 4.290) indica que todos foram devidamente intimados mas que apenas o senhor Carlos Sussumu Hasegawa manifestouse conforme documento de fls. 4.272 a 4.285. Neste, foi aduzido, em síntese que: a) embora tenha sido detentor dos direitos sobre as cotas societárias da contribuinte, não chegou a transferilas para o seu nome, transferindo seus direitos diretamente aos atuais sócios; b) mesmo que se sócio tivesse sido, não houve conduta dolosa com a intenção de praticar atos com excesso de poderes; c) o fisco não logrou comprovar a irregular dissolução da sociedade ou que qualquer sócio ou procurador incorreu nas transgressões previstas no art. 135, incisos II e III, do CTN; d) a multa de 150% tem caráter confiscatório. Fl. 4641DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Após os argumentos relatados acima, sobreveio acordão nº 0432.133 da lavra da 2ª Turma da DRJ/CGE (fls. 4310/4335), o qual julgou improcedentes as impugnações, mantendo o crédito tributário exigido e a sujeição passiva solidária de todos os arrolados, nos seguintes termos de sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 MPF. PRORROGAÇÃO E SUBSTITUIÇÃO DE AUDITOR. Não havendo irregularidade na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal e a substituição de auditorfiscal durante o procedimento de fiscalização não induzem nenhuma nulidade quanto ao lançamento. PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. NULIDADE. O procedimento de fiscalização é inquisitório, iniciandose a relação jurídica processual com o lançamento e a impugnação. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedada aos órgãos julgadores administrativos a análise de alegações de inconstitucionalidade de normas, cabendo o fiel cumprimento daquelas em vigor. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Créditos bancários de origem não comprovada fazem presumir a omissão de receitas, podendo ocorrer o lançamento tributário com base nos créditos que não forem justificados individualizadamente. MULTA QUALIFICADA. Falta de escrituração de depósitos bancários e de pagamento dos tributos devidos caracterizam a conduta dolosa da contribuinte ensejadora da qualificação da multa. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Alegações que ultrapassem a análise de conformidade do ato de lançamento com as normas legais vigentes somente podem ser reconhecidas pelo Poder Judiciário e os princípios constitucionais têm por destinatário o legislador ordinário e não o mero aplicador da lei, que a ela deve obediência. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Havendo interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, correto o arrolamento desses interessados como sujeitos passivos solidários. AUTUAÇÕES REFLEXAS: PIS/PASEP, COFINS E CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Fl. 4642DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10183.722797/201202 Acórdão n.º 1302001.605 S1C3T2 Fl. 4.638 11 INTIMAÇÕES. REMESSA AO PATRONO DO CONTRIBUINTE OU DO RESPONSÁVEL. Não há previsão legal para a remessa de intimações ao patrono do contribuinte ou do responsável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse passo, foram intimados do r. acórdão acima o contribuinte e os solidários: Eldorado Combustíveis Ltda. – fls. 4377; Ailto Alves de Lima Júnior – fls. 4.373; Efrain Barcelos Gonçalves – fls. 4.370; Marcos Rosendo da Silva – fls. 4.374; Maria Thereza Adorno Silva – fls. 4.376; Thadeu Adorno Silva – fls. 4.377; Thiago Adorno Silva – fls. 4.372; Wilson Ignácio de Oliveira – fls. 4.371; Marco Aurélio Chionha – fls. 4.379; Almir Pereira de Melo – fls. 4.376; Edson Carlos Ferreira dos Santos – fls. 4.378; Carlos Sussumu Hassegawa – fls. 4.375; Todavia, somente recorreram por meio de recurso voluntário do r. acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/CGE (fls. 4310/4335), os sujeitos passivos abaixo, os quais repisaram os fundamentos apresentados em suas impugnações. Wilson Ignácio de Oliveira – fls. 4.381/4.405; Marcos Rosendo da Silva – fls. 4.408/4.445; Thiago Adorno Silva – fls. 4.448/4.519; Ailto Alves de Lima Júnior – fls. 4.522/4.569; Efrain Barcelos Gonçalves – fls. 4.572/4.597; É o relatório. Fl. 4643DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo Os recursos voluntários apresentados por: Wilson Ignácio de Oliveira; Marcos Rosendo da Silva; Thiago Adorno Silva e Efrain Barcelos Gonçalves são tempestivos e apresentam todos os requisitos de admissibilidade, então deles conheço. Todavia, quanto ao recurso voluntário apresentado por Ailto Alves de Lima Júnior, notase que este foi cientificado do julgamento da DRJ em 24/07/13 (fls. 4.373), apresentando seu recurso voluntário em 29/08/13 (fls. 4.522/4.569). Portanto, observase a intempestividade do recurso voluntário apresentado por Ailto Alves de Lima Júnior por decurso de prazo, pois foi juntado nestes autos em exatos 36 dias após a ciência da decisão da DRJ, inobservando o prazo de 30 dias previsto no art. 33, do Dec. 70.235/72. Assim, é incontroverso que o recurso voluntário apresentado por Ailto Alves de Lima Júnior é intempestivo, pelo que dele não conheço. Destaco que a empresa contribuinte e as demais pessoais inclusas na sujeição passiva da obrigação tributária não apresentaram recurso voluntário, tornandose definitiva a decisão de primeira instância quanto a estes, com fundamento no art. 42, I, do Dec. 70.235/72. 1. Das Preliminares 1.1. Do Pedido de Conexão com o Processo Administrativo Fiscal n.º 10183.722798/201249 A recorrente peticionou nestes autos em 18/11/2014, após ser devidamente intimada de sua indicação para a pauta de novembro/2014, pedido de conexão com o processo administrativo fiscal n.º 10183.722798/201249, requerendo a distribuição deste último para este relator a fim de que fosse julgado conjuntamente com estes autos. Em que pese a argumentação de conexão defendida pela recorrente, entendo que esta não ficou devidamente comprovada, porquanto não juntou cópia dos autos n.º 10183.722798/201249 ou qualquer outro documento que possibilitasse a verificação da plausibilidade do pedido. Desta maneira, voto por negar provimento ao pedido de conexão destas autos com o processo administrativo fiscal n.º 10183.722798/201249, por falta de prova não apresentada pelo Patrono. 1.2. Da Falta de Intimação Alega a Patrona, da tribuna, que Thadeu Adorno Silva e Maria Thereza Adorno Silva, não foram intimadas por “AR” e que o “AR” havia sido devolvido como “mudouse”. Fl. 4644DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10183.722797/201202 Acórdão n.º 1302001.605 S1C3T2 Fl. 4.639 13 Segundo a Patrona, não houve qualquer mudança de endereço e o correio “errou” na intimação. Mais uma vez as alegações padecem de provas, aliás não foi apresentado qualquer documento que possa desconstiuir a informação do “AR”, e o Edital 40/13 de 04/11/2013 e 36/13 de 10/10/2013 o qual intima Thadeu Adorno Silva e Maria Thereza Adorno Silva. Concordo que o “AR” não é prova absoluta, porém para sua relativização, precisa de provas, que no presente caso não foram juntadas, não podendo assim ser desconsideradas as informações do “AR” e a intimação via edital. 2. Do Mérito. Da Sujeição Passiva Das Hipóteses de Responsabilização do artigo 124 do CTN O AFRFB lavrou os termos de sujeições passivas (fls. 638/639; 642/643; 650/651; 652/653) em face dos recorrentes (Wilson Ignácio de Oliveira; Marcos Rosendo da Silva; Thiago Adorno Silva e Efrain Barcelos Gonçalves) tão somente em atenção ao disposto no art. 124, do Código Tributário Nacional, conforme pode ser vislumbrado nos termos abaixo (fls. 638): No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e ante o exposto na “descrição dos fatos” do auto de infração que segue em anexo, lavrado em decorrência do procedimento fiscal contra o sujeito passivo acima identificado, ficou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). No que se refere ao art. 124, prescreve o Código Tributário Nacional: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Dessa forma, temse que o dispositivo trata das pessoas que são responsáveis solidários em razão do “interesse comum”. Consoante entendimento que vem sendo adotado, exigese que a situação que consubstancia o fato gerador do tributo seja praticada pelos sujeitos cuja solidariedade se pretende atribuir. Exemplificando os casos de interesse comum, Leandro Paulsen afirma que “têm interesse comum aqueles que figuram conjuntamente como contribuintes, como os coproprietários de um imóvel relativamente ao IPTU ou à taxa de recolhimento de lixo”. (PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário Completo. 5ª ed. rev., atual. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013. p. 166). Mutatis mutandis, é o entendimento aplicado nos casos de empresas sobrepostas (mesma atividade, mesmo endereço, mesma finalidade, praticantes do mesmo fato Fl. 4645DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 gerador), ou seja, empresas que se escondem uma atrás da outra, o que não se confunde com o conceito amplo de “mesmo grupo econômico”, como demonstra o seguinte julgado proferido pelo Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. (...) (STJ. AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011). No mesmo caminho trilhou o Superior Tribunal de Justiça no julgado abaixo, em que o então Min. Luiz Fux, fundamentandose em doutrina abalizada, discorre sobre o termo “interesse comum”, observese: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA (LETRAS FINANCEIRAS DO TESOURO). AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. RECUSA. POSSIBILIDADE. MENOR ONEROSIDADE. ART. 620 DO CPC. SÚMULA 7/STJ. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. (...) 6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei." 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no polo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo polo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são Fl. 4646DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10183.722797/201202 Acórdão n.º 1302001.605 S1C3T2 Fl. 4.640 15 os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) (...) (STJ. REsp 859.616/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/09/2007, DJ 15/10/2007, p. 240) (grifo não original) Sendo assim, retornando ao caso dos autos, verificase que foram lavrados autos de infração de CSLL, PIS/Pasep, Cofins e IRPJ em razão de constatado enquadramento da pessoa jurídica autuada em prática de omissão de receita. Como se sabe, esses tributos possuem como fato gerador, de modo geral, o lucro e o faturamento (receita bruta). Nessa esteira, entendo que os recorrentes, pessoas físicas, ainda que possam ter alguma responsabilidade pelas irregularidades desvendadas pelos agentes fiscais, jamais poderia participar da realização dos fatos geradores acima mencionados, daí a impossibilidade de considerálo como responsável solidário pelo art. 124, do CTN. Assim, voto pelo afastamento do art. 124, inc. I, do Código Tributário Nacional e, consequentemente, afasto a sujeição passiva dos recorrentes Wilson Ignácio de Oliveira; Marcos Rosendo da Silva; Thiago Adorno Silva e Efrain Barcelos Gonçalves, em relação ao presente auto de infração. Desta maneira, em face da exoneração da responsabilidade tributária em relação aos recorrentes, deixo de analisar as demais matérias arguidas nos recursos voluntários por perda de objeto. 3. Conclusão Ante ao exposto, voto em dar provimento aos recursos voluntários apresentados pelos recorrentes Wilson Ignácio de Oliveira, Marcos Rosendo da Silva, Thiago Adorno Silva e Efrain Barcelos Gonçalves, a fim de afastar a sujeição passiva a eles imputada com fundamento no art. 124, I do CTN, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 4647DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10314.009745/2010-34
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 23/07/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR
As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 3803-006.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/07/2010 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/07/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 97 45 /2 01 0- 34 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009745/201034 Acórdão n.º 3803006.628 S3TE03 Fl. 313 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 23/07/2010 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 17/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 01/11/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009745/201034 Acórdão n.º 3803006.628 S3TE03 Fl. 314 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009745/201034 Acórdão n.º 3803006.628 S3TE03 Fl. 315 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009745/201034 Acórdão n.º 3803006.628 S3TE03 Fl. 316 9 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10675.903139/2009-74
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
No rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito, especialmente se ele está alocado a outro PER/DCOMP.
Numero da decisão: 3802-001.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. No rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito, especialmente se ele está alocado a outro PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 31 39 /2 00 9- 74 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTE S/A insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0936.505, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA, que julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “O interessado transmitiu Dcomp n° 16204.95069.261205.1.3.046850, visando compensar os débitos nela declarados com crédito oriundo pagamento a maior de PIS/Pasep, efetuado em 15/10/2001; A DRFVarginha/MG emitiu Despacho Decisório Eletrônico no qual não homologa as compensações pleiteadas sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando saldo disponível para compensação; A empresa apresenta manifestação de inconformidade as fls. 08/11 na qual alega, em síntese, que "examinou a sua última Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTF) transmitida, referente ao 3° trimestre de 2001/Setembro com código de receita 81092 sob o número 0000.100.2006.52000770 recepcionada pelo sistema da Receita Federal em 27/09/2006 inclusive confirmada pelas informações extraídas do sistema gerencial da RFB. Verificase na referida declaração que do valor total do DARF pago R$ 174.571,96 a recorrente declara que utilizou o valor de R$ 169.720,85 para quitação do débito apurado"; É o breve relatório.” Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 2ª Turma da DRJ/JFA resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a manifestação de inconformidade: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito credit6rio liquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 135DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.903139/200974 Acórdão n.º 3802001.914 S3TE02 Fl. 112 3 Não se resignando com a decisão recorrida, o contribuinte oferece Recurso Voluntário no qual reitera seus argumentos expendidos no primeiro grau, reforçando a existência de prova a seu favor pela materialidade do crédito tributário. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado a ver reconhecido direito creditório decorrente de retificação de DIPJ e, posteriormente, de DCTF. A DRJ houve por bem não acolher o pleito do sujeito passivo, por entender (i) que a DCTF deve ser retificada antes da apresentação de DCOMP, para que a compensação possa ser refutada válida e (ii) que não há comprovação da materialidade dos créditos habilitados à compensação. O contribuinte, ao seu turno, argumenta que (i) nada há de errado em seu procedimento, inclusive porque a DCTF foi retificada antes mesmo do despacho decisório, e (ii) resta demonstrada a materialidade do seu direito creditório ante farta documentação franqueada à fiscalização. Com relação ao primeiro argumento da decisão recorrida, temos que de fato, mesmo que a lógica pressuponha que a DCTF (enquanto instrumento de confissão de dívida) seja antecessora, ou ao menos contemporânea da DCOMP, não há qualquer norma que exija a retificação da DCTF anteriormente à apresentação da DCOMP. Assim, ao meu ver, equivocou se a DRJ ao negar a análise do direito creditório por uma questão de forma, que extrapola as normas vigentes, e que resumo no seguinte parágrafo do voto condutor do julgado recorrido: Assim, a mecânica da compensação requer do sujeito passivo que este, ao apresentar a declaração de compensação com a intenção de extinguir débitos tributários, tenha previamente apurado o crédito correspondente em sua contabilidade e o comunicado à Administração Tributária por meio de DCTF (original ou retificadora). É dizer que, para ser considerado liquido e certo, o crédito há de estar demonstrado em DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Sem o estabelecimento dessa relação lógicotemporal, a compensação não pode ser homologada. Vale lembrar que a administração, especialmente a tributária, se desenvolve pelo princípio da reserva legal, o que acarreta que a prática de seus atos deve ser feita somente nos termos expressos das normas vigentes. Isso é decorrência da proteção natural das liberdades dos cidadãos, pois a ação do Estado (lato sensu) restringe as liberdades políticas dos administrados. O particular, ao contrário, tem plena liberdade de agir, adotando medidas que não sejam vedadas pelas normas vigentes. A própria noção de autotributação, a que se refere Ricardo Lobo Torres nas suas considerações acerca do princípio da legalidade, reflete que, fora Fl. 136DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 das restrições permitidas pelo povo, por intermédio dos seus representantes, para que ocorra ação estatal, o cidadão tem plena liberdade de agir. O mesmo se dá com relação às normas administrativas, pois, como cediço, estas não podem extrapolar os preceitos legais, e se destinam à perfeita regulamentação e fiel execução das regras decorrentes de processo legislativo. Logo, a conclusão a que chegou a decisão recorrida – valendose da lógica para criar restrições à aceitação da DCTF retificadora que não existem nas regras pertinentes – revelase equivocada. Todavia, quanto a segunda razão de decidir, entendo correta a decisão recorrida. O Acórdão recorrido, ultrapassando o aspecto formal da DCTF, entendeu que “a manifestação de inconformidade não traz demonstração, comprovada por documentação hábil, da apuração do crédito declarado na Dcomp, para que se possa certificar a sua correção.” A Recorrente apresenta, em seu arrazoado, a explicação de que o ajuste da base de cálculo se deu diante da percepção de que houve a tributação equivocada de vendas de produtos isentos. No entanto, não se apresenta quais seriam esses produtos, nem mesmo a documentação fiscal de suporte, para que pudéssemos confirmar seus argumentos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente apresenta mais do que em primeiro grau. Dentre a documentação acostada, realço a juntada de uma planilha na qual se apresenta, de forma didática, a evolução das retificações de sua DIPJ que demonstra a diferença numérica da base de cálculo. Além disso, a Recorrente apresenta uma cópia de parte dos balancetes, e frisa em sua petição que: Ocorre que, em sede de processo de compensação, a aceitação de juntada posterior de documentos é excepcional, e pressupõe que o contribuinte tenha suscitado dúvida legítima no julgador com base no quanto já apresentado. Especificamente com relação à comprovação da materialidade do crédito, esta Turma Especial já possui entendimento sedimentado no sentido de que, em sede recursal, para que se possa acolher o pleito do contribuinte, os documentos precisam atestar de plano a existência, com liquidez e certeza, dos créditos. Por maior que seja o prestígio à verdade material, o formalismo moderado do processo administrativo não pode fazer tabula rasa das normas vigentes, em especial o art. 17 do Decreto 70.235/72, que traz regra preclusiva para juntada da documentação probante. Assim é que, uma vez instaurado o procedimento de revisão de compensação, passa a ser ônus do contribuinte demonstrar que atende aos pressupostos do art 170 do CTN. Para tanto, não basta argumentar que houve erro na tributação de vendas de produtos isentos, e Fl. 137DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.903139/200974 Acórdão n.º 3802001.914 S3TE02 Fl. 113 5 franquear documentação para análise. Se não a totalidade, em caso de grande quantidade de documentos, ao menos parte da comprovação de quais seriam esses produtos, com apresentação das notas fiscais comprovando as operações, e um relatório discriminado dessas vendas que permitisse a totalização das vendas que levaram à recomposição das bases de cálculo, deveria ter sido apresentada. Ausentes tais documentos, não há como se reconhecer o direito creditório pleiteado. Por essas razões, conheço do Recurso Voluntário, mas lhe nego provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 138DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10166.724075/2012-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO FISCO DA OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SONEGAÇÃO. AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA.
Não deve prevalecer a multa qualificada, quando o fisco deixa de demonstrar que o sujeito passivo incorreu em fraude, dolo ou sonegação.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Deve ser afastada a responsabilidade solidária, uma vez que o fisco deixou de apresentar razões consistentes para caracterização de grupo econômico.
PREMIAÇÕES PAGAS POR TERCEIROS A EMPREGADOS DA EMPRESA AUTUADA POR ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO AMBIENTE DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA O EMPREGADOR.
Os pagamentos efetuados por terceiros, fornecedores de produtos/serviços, que mantêm contrato de parceria com o empregador, aos empregados deste por atividades desenvolvidas no ambiente laboral, não constituem fato gerador da contribuição incidente sobre os pagamentos efetuados em razão da relação empregatícia.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-003.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. II) por maioria de votos conhecer do recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não conhecia por entender haver concomitância. III) por maioria de votos excluir do polo passivo os responsáveis solidários. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não excluía. IV) por maioria de votos, dar provimento ao recurso em virtude da improcedência do lançamento. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que, no mérito, negava. Deixou de ser apreciada a questão referente a declaração de nulidade da decisão de primeira instância, em virtude de a decisão de mérito ter sido favorável ao sujeito passivo. A conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira apresentará declaração de voto.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewans Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INOCORRÊNCIA DE RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Ainda que os lançamentos objeto de ação anulatória contenham os mesmos fatos geradores e fundamentos jurídicos presentes nos lançamentos agora impugnados, para esses não há de se declarar ocorrência de renúncia à discussão administrativa em razão do ajuizamento da ação anulatória proposta para desconstituir as lavraturas anteriores. MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. NÃO DECLARAÇÃO DE NULIDADE QUE A ESTE BENEFICIARIA. Se o órgão de julgamento puder decidir a causa em favor do sujeito passivo, deverá absterse de declarar pronunciar nulidade que a este beneficiaria. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO FISCO DA OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SONEGAÇÃO. AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA. Não deve prevalecer a multa qualificada, quando o fisco deixa de demonstrar que o sujeito passivo incorreu em fraude, dolo ou sonegação. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Deve ser afastada a responsabilidade solidária, uma vez que o fisco deixou de apresentar razões consistentes para caracterização de grupo econômico. PREMIAÇÕES PAGAS POR TERCEIROS A EMPREGADOS DA EMPRESA AUTUADA POR ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 40 75 /2 01 2- 92 Fl. 936DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 AMBIENTE DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA O EMPREGADOR. Os pagamentos efetuados por terceiros, fornecedores de produtos/serviços, que mantêm contrato de parceria com o empregador, aos empregados deste por atividades desenvolvidas no ambiente laboral, não constituem fato gerador da contribuição incidente sobre os pagamentos efetuados em razão da relação empregatícia. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. II) por maioria de votos conhecer do recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não conhecia por entender haver concomitância. III) por maioria de votos excluir do polo passivo os responsáveis solidários. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não excluía. IV) por maioria de votos, dar provimento ao recurso em virtude da improcedência do lançamento. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que, no mérito, negava. Deixou de ser apreciada a questão referente a declaração de nulidade da decisão de primeira instância, em virtude de a decisão de mérito ter sido favorável ao sujeito passivo. A conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira apresentará declaração de voto. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewans Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 2401003.797 S2C4T1 Fl. 930 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 03 56.344 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir as lavraturas abaixo: a) Auto de Infração AI n.º 51.015.0250: contribuições patronais para a Seguridade Social; e b) Auto de Infração AI n.º 51.015.0268: contribuição dos segurados. Ambos os AI contemplam os mesmos fatos geradores, quais sejam as remunerações pagas a segurados empregados a serviço da autuada a título de premiações. O lançamento foi estruturado em dois levantamentos: a) pagamentos de premiações pela FPC PAR Corretora de Seguros S/A aos empregados da CEF, diretamente ou por intermédio das empresas "ALQUIMIA" e "WEB PRÊMIO"; b) pagamento de premiações pelas empresas do GRUPO CAIXA SEGUROS (grupo formado pelas empresas Caixa Consórcios S/A, Caixa Vida e Previdência S/A, Caixa Capitalização S/A e Caixa Seguradora S/A) aos empregados da CEF, por intermédio das empresas "ALQUIMIA" e "WEB PRÊMIO". Foram arroladas no polo passivo na condição de devedoras solidárias as empresas Caixa Capitalização S/A, Caixa Vida e Previdência S/A, Caixa Consórcios S/A, Caixa Seguradora S/A e FPC PAR Corretora de Seguros S/A, que segundo o fisco integram grupo econômico. De acordo com a autoridade lançadora, as empresas são interligadas entre si e controladas direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas, formando inequivocamente um grupo econômico. A seguir apresenta os fatos que conduziram a esta conclusão. A autuada e demais solidárias apresentaram defesa, com alegações que levaram o órgão julgador de primeira instância determinar a realização de diligência para que o fisco se manifestasse sobre a alegação de existência de recolhimentos relativos às contribuições lançadas. Em resposta a diligência, foi emitida informação fiscal segundo a qual as guias apresentadas foram apropriadas em lançamentos efetuados contra a empresa FPC PAR. Do resultado da diligência foram cientificadas a autuada e a empresa FCP PAR, as quais se manifestaram para rebater o teor da informação fiscal. A DRJ, então, declarou o lançamento procedente em parte, tendo recorrido de ofício. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Foi excluída a qualificação da multa, por entender o órgão a quo que não houve a demonstração pelo fisco da ocorrência de fraude ou dolo. Em razão da existência de ação judicial, na qual a autuada busca a anulação de lançamentos contemplando os mesmos fatos geradores e com os idênticos fundamentos do que ora se julga, não foram conhecidos os argumentos de ilegitimidade passiva da Caixa Econômica Federal, bem como da improcedência do lançamento. Também deixaram de ser conhecidas as alegação da FCP PAR apresentados após a impugnação. Esta empresa foi excluída do polo passivo, posto que a DRJ não vislumbrou a sua participação no grupo econômico apontado pelo fisco. Foram negados os pedidos para realização de perícia e para juntada posterior de novos documentos. A autuada interpôs recurso, no qual, em síntese apertada, alegou que: a) a Caixa Econômica Federal CEF não renunciou à discussão administrativa referente ao presente AI, posto que, embora tenha ajuizado uma ação anulatória de débito, relativa à incidência de contribuições sobre "prêmios" concedidos a seus empregados por empresas parceiras, o referido lançamento se refere a período anterior ao que agora se discute; b) ao mencionar na sua defesa a existência de ação judicial discutindo os mesmos fatos geradores, pretende a recorrente a suspensão do feito administrativo; c) o reconhecimento da concomitância somente seria possível se a discussão travada nas lides administrativa e judicial fosse exatamente a mesma, o que não se verifica na espécie; d) deve, portanto, ser anulada a decisão de primeira instância, por claro cerceamento ao direito de defesa da recorrente; e) mesmo diante da nulidade da decisão da DRJ, o CARF pode decidir a demanda em favor do sujeito passivo, com base no § 3.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972; f) inexiste o grupo econômico apontado pelo fisco, posto que em momento algum este demonstra a concentração do controle do grupo em quaisquer das empresas listadas; g) não havendo grupo econômico, devese afastar a solidariedade prevista no inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991; h) a vedação de recebimento pelos empregados da CEF de quaisquer prêmios ou vantagens de terceiros não se aplica às operações realizadas com empresas com que a CEF tenha firmado acordo operacional de cooperação; i) os prêmios não têm natureza salarial, funcionando como instrumento de gestão e incentivo para aumento da produtividade nas atividades empresariais; j) a aceitação dos programas de premiação é facultativa, além de que os empregados recebem "pontos" de bonificação, que, uma vez acumulados, podem ser trocados por produtos previamente anunciados em catálogos; Fl. 939DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 2401003.797 S2C4T1 Fl. 931 5 k) há de se diferenciar as premiações oferecidas pela própria CEF (endomarketing) daquelas repassadas aos empregados pelas empresas parceiras; l) nas campanhas realizadas pela recorrente não há uma periodicidade definida, tampouco uniformidade nos objetivos, o que retira das premiações o caráter salarial, por falta de habitualidade; m) a jurisprudência tem entendido que a ausência de habitualidade, periodicidade e certeza dos prêmios desconfiguram a sua feição remuneratória. Cita decisões; n) em relação às campanhas de bonificações oferecidas pelas empresas parceiras, melhor sorte não assiste à acusação fiscal, uma vez que as pontuações oferecidas não se revestem dos critérios mínimos para caracterização da pretendida natureza remuneratória, uma vez que ausente requisito essencial representado pela habitualidade; o) os empregados da CEF não promovem diretamente a venda dos produtos das empresas parceiras, mas apenas efetuam as indicações destes aos clientes, funcionando como elo entre o interessado na aquisição do produto/serviço e a empresa fornecedora; p) não se pode dizer que as premiações assumem natureza salarial, posto que são benefícios pagos não pelo empregador, mas por terceiros; q) também não podem as premiações ser tratadas como gorjetas, posto que estas são pagas aos empregados por clientes e não por fornecedores de produtos serviços; r) as gueltas, que são prêmios pagos por terceiros fornecedores como forma de incentivar a comercialização preferencial de seus produtos ou serviços, somente assumem feição salarial quando o empregador tem controle sobre os valores repassados, o que não se observa na presente situação; s) as parcelas tomadas pelo fisco não se enquadram no conceito de saláriode contribuição, posto que são premiações efetuadas por fornecedores aos funcionários da CEF, sem que esta tenha qualquer controle sobre as pontuações creditadas; t) qualquer eventual obrigação tributária decorrente das premiações sob enfoque é de responsabilidade das empresas fornecedoras, não podendo ser imputada à CEF; u) por isso, a partir do exercício de 2007, as empresas parceiras passaram a efetuar o recolhimento dos tributos supostamente devidos, de forma a excluir a CEF de qualquer imposição fiscal. Esses recolhimentos devem ser identificados mediante a realização de diligência fiscal. Ao final, pedese a nulidade da decisão recorrida ou, caso o CARF pretenda apreciar o mérito da causa, que se reconheça a improcedência da lavratura. Interpuseram recurso comum as empresas do Grupo Caixa Seguros (Caixa Capitalização S/A, Caixa Vida e Previdência S/A, Caixa Consórcios S/A, Caixa Seguradora S/A). Na peça de inconformismo, alegaram que: a) a decisão de primeira instância deve ser anulada, posto que inexiste a concomitância ali reconhecida, uma vez que a ação anulatória n.º 005604036.2011.4.01.3400 Fl. 940DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 não tem as recorrentes como partes, e possui objeto totalmente distinto do presente processo administrativo; b) reconhecida a inexistência de grupo entre a CEF e a FCP PAR, dissolvese o suposto vínculo empregatício entre esta e os empregados daquela e devem ser excluídos do lançamento os valores que envolvem a FCP PAR; c) embora consideradas responsáveis solidárias pelas contribuições lançadas, as recorrentes não foram devidamente intimadas nem do resultado da diligência fiscal, tampouco da decisão de primeira instância. Por isso todos os atos do processo a partir da diligência fiscal são nulos; d) as recorrentes efetivamente não formam grupo econômico com a CEF, mas apenas atuam em parceria na captação de clientes. Em nenhum momento o fisco demonstrou a existência de controle entre a autuada e as empresas do Grupo Caixa Seguradora ou viceversa; e) não é crível que a CEF, empresa pública, cujo único sócio é a União, forme grupo econômico com empresas privadas; f) a CEF têm participação acionária nas recorrentes, mas os sócios majoritários são de origem francesa, sendo que a relação entre as empresas arroladas no polo passivo do débito é apenas comercial; g) a utilização da marca da CEF pela empresas parceiras decorre de cessão de uso, não podendo ser usada para caracterizar a existência de grupo econômico, também a inserção de links das recorrentes na página eletrônica da CEF não pode ser tomada para comprovar este fato; h) a jurisprudência do CARF não aceita que meras presunções sejam adotadas para dar sustentação a conclusões fiscais que imponham responsabilidade tributária; i) por outro lado, para ser chamada para o polo passivo na condição de solidária, não basta que uma empresa seja integrante de grupo econômico, mas que esta efetivamente participe das ações geradoras da obrigação tributária; j) a premiação não representa sistemática substitutiva da remuneração dos empregados da CEF, mas um adicional pago àqueles que aceitam participar das campanhas e atingem as condições estabelecidas no programa de incentivo; k) apresenta os principais aspectos do marketing de incentivo, para comprovar que as premiações não se subsumem ao conceito de saláriodecontribuição; l) os valores constantes nas notas fiscais emitidas pelas empresas de marketing de incentivo não se referem apenas a prêmios, mas também a retribuição pelos serviços prestados por estas à contratante e a reembolsos de despesas para realização das campanhas; m) o traço característico dos programas de premiação é a eventualidade, que retira o caráter remuneratório dos prêmios; n) o fisco não cuidou de segregar as diversas formas de pagamentos de incentivo, as quais não se relacionavam apenas a premiação por alcance de metas, mas também concursos culturais destinados a filhos de empregados das recorrentes e de empresas parceiras; Fl. 941DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 2401003.797 S2C4T1 Fl. 932 7 o) faz considerações doutrinárias sobre a hipótese de incidência de contribuições, para aplicálas ao caso concreto dos pagamentos decorrentes de marketing de incentivo, onde conclui não haver subsunção dos fatos à norma tributária; p) prejudicou o seu direito de defesa a denegação dos pedidos de realização de perícia e de juntada posterior de documentos; q) apresentam quesitos para produção da prova pericial e indica profissional para atuar como assistente técnico; r) deve ser mantida a exclusão da multa qualificada, uma vez que não restou configurada a existência de sonegação e fraude; Ao final, requereram: a) declaração de nulidade da decisão recorrida; b) que seja afastada a concomitância declarada no acórdão da DRJ; c) que sejam excluídos do lançamento os valores pagos pela FCP PAR; d) o afastamento da solidariedade imputada às recorrentes; e) que se declare improcedente a lavratura; f) o acatamento para a realização de prova pericial; g) que se faculte a juntada de novos documentos. É o relatório. Fl. 942DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso de ofício merece conhecimento, eis que presentes os pressupostos para sua admissibilidade. Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Recurso de ofício qualificação da multa Nos termos do item 45 do Relatório Fiscal (fls. 49 do processo), a multa foi duplicada, em razão de sonegação por parte da empresa, de acordo com o previsto no art. 44 § 1º da Lei 9.430/96. No entender da DRJ, não restou configurada a conduta dolosa de sonegar o tributo, mas apenas uma divergência de interpretação quanto à aplicação da legislação de regência. Assim, afastouse a qualificadora da multa, reduzindoa do patamar de 150% para 75%. De fato, a incidência de contribuições sobre as parcelas tributadas é por demais controversa, não havendo razão para imputar a autuada a conduta de sonegar, pelo simples fato de sua interpretação divergir daquela adotada pelo fisco. Não posso deixar de concordar com esse entendimento, até porque essa é a orientação emanada da jurisprudência majoritária do CARF, como se pode ver desse julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 2001, 2002, 2003 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA E/OU MONTANTE MOVIMENTADO. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera o agravamento da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastros à sua empreitada a simples reiteração da conduta e/ou o volume/montante da movimentação bancária do contribuinte, fundamentos que, isoladamente, não se prestam à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. Recurso especial negado." (Acórdão n.º 9202003.433, de 22/10/2014). Assim, encaminho pela negativa de provimento ao recurso de ofício. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 2401003.797 S2C4T1 Fl. 933 9 Responsabilidade solidária Foram arroladas no polo passivo na condição de devedoras solidárias as empresas Caixa Capitalização S/A, Caixa Vida e Previdência S/A, Caixa Consórcios S/A, Caixa Seguradora S/A (Grupo Caixa Seguros) e FPC PAR Corretora de Seguros S/A, que segundo o fisco integram grupo econômico de fato. A vinculação se deu com fulcro no artigo 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/91, que contempla a responsabilidade solidária de pessoas jurídicas que compõem grupo econômico. Conforme relatado, a DRJ afastou a responsabilidade da empresa FPC PAR, mantendoa, todavia, em relação aquelas integrantes do Grupo Caixa Seguros. Assim, vamos nos centrar apenas nos motivos que levaram a autoridade lançadora a colocar no polo passivo essas últimas. Além dos fatos que levaram ao lançamento, ou seja, o relacionamento de parceria existente entre as empresas, o fisco apontou as seguintes razões para caracterizar o grupo econômico entre as empresas do Grupo Caixa Seguros e a autuada: a) a CEF detém 48,21% do capital social da Caixa Seguradora, que é acionista majoritária das empresas Caixa Capitalização S/A, Caixa Vida e Previdência S/A, Caixa Consórcios S/A, Caixa Seguradora S/A; e b) as empresas do Grupo Caixa Seguros possuem em suas páginas da internet links para a página da CEF, além de que todas utilizam logomarcas idênticas. Em adição a DRJ adicionou o argumento de que as empresas do Grupo Caixa Seguros somente teriam existência em razão dos contratos operacionais que mantêm com a autuada. Esta razão, data vênia, deixará de ser levada em consideração, posto que representa clara inovação nos fundamentos da lavratura, situação não admitida no processo administrativo fiscal, por caracterizar cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. Passemos a análise da legislação que rege a matéria. Assim dispõe o art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Vêse que a norma é enfática ao prescrever que, em se comprovando a existência de grupo econômico, seja de fato ou de direito, é automático o vínculo de solidariedade entre as empresas integrantes pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 Diante dessa conclusão, o primeiro passo para se verificar a existência da solidariedade no caso concreto é se concluir acerca da existência de grupo econômico entre as empresas arroladas. No caso dos autos a acusação do fisco é a existência de grupo de fato, cuja conceituação é encontrada na CLT. Inspirada no § 2.º do art. 2.º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT1, a IN RFB n.º 971/2009, vigente na data da autuação, tratava da questão nos seguintes termos: Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Vejo que o fisco não se desincumbiu do ônus de demonstrar que as empresas estavam sob a direção, controle ou administração de uma delas. A mera menção de que a CEF detinha quase metade das ações da empresa Caixa Segurado não indica que aquela controlava as demais empresas. Por outro lado, a utilização da logomarca e a existência de espaços compartilhados nas páginas eletrônicas das empresas pareceme mais uma decorrência do contrato operacional existente entre as entidades do que da formação de grupo econômico. No caso sob apreciação, o que salta aos olhos é um acordo entre empresas para venda de produtos e serviços, sem que isso automaticamente possa levar ao entendimento da existência de grupo econômico, sequer aquele que a doutrina chama de grupo por coordenação ou do tipo horizontal. Após essas considerações, manifesto o meu entendimento de que o fisco não conseguiu demonstrar a existência de comando entre as empresas, compartilhamento de estrutura e mãodeobra ou outra evidência que levasse a configuração de grupo econômico de fato, devendo ser afastada o vínculo de solidariedade com as empresas arroladas no relatório fiscal. Do cerceamento ao direito de defesa No curso da instrução do processo, após o oferecimento da impugnação, o feito foi baixado em diligência para que para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse acerca de guias de recolhimento pertencentes à empresa FCP PAR e que as impugnantes alegaram que alterariam o resultado da apuração fiscal. Fruto de tal incidente processual, foi emitida Informação Fiscal, a qual veiculou parecer conclusivo acerca do objeto da diligência em apreço, moldado nos seguintes termos: "3. Visando a comprovação do pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as premiações, a CEF anexou algumas Guias da Previdência social (GPS) recolhidas pela empresa FPC PAR que em tese comprovariam o recolhimento das contribuições previdenciárias em questão. 1 § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 2401003.797 S2C4T1 Fl. 934 11 4. Destacase ainda que a empresa FPC PAR e as empresas do Grupo Caixa Seguro, também apresentaram impugnação, anexando as mesmas GPS, nas quais afirmam que tais guias se referem ao crédito previdenciário em questão. 5. Tendo em vista tais alegações, o referido processo foi encaminhado em diligência à fiscalização para que a mesma se manifestasse informando se as GPS apresentadas se referem de fato ao crédito previdenciário objeto do processo 10166.724075/201292 e em caso afirmativo, elaborasse uma planilha discriminando mensalmente os valores a serem deduzidos das rubricas lançadas nos AIOP. 6. Isto posto, cabe ressaltar que as GPS anexadas pelas empresas, foram sim consideradas e devidamente apropriadas quando da apuração do crédito previdenciário lavrado em nome da empresa FPC PAR. Em face de tais apropriações, os AIOP DEBCAD n° 37.376.8109 e 37.376.8117 lavrados contra esta empresa contêm lançamento tãosomente das competências 04 a 07/2007, período no qual não houve nenhum recolhimento. Conforme Relatório Fiscal (folha 19) dos autos de infração DEBCAD n° 37.376.8109 e 37.376.8117. 7. No entanto, os créditos previdenciários objetos deste processo fiscal, lavrados contra a CEF, AIOP DEBCAD n° 51.015.025 e n°51.015.0268, referemse ao pagamento de remunerações pagas aos empregados da CEF. Ficando portando esta empresa diretamente responsável pelo pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela mesma, ou seja, não há possibilidade de se aproveitar o recolhimento efetuado por outra empresa (FPC PAR), mediante GPS exclusivas da mesma, para apropriação no crédito previdenciário da Caixa Econômica Federal.” Com efeito, prestouse tal parecer de alicerce para o livre convencimento da autoridade judicante administrativa a quo e como fundamento da decisão de primeira instância lavrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília/DF, que culminou na declaração de procedência parcial da lavratura. Compulsando os autos, todavia, não logrei me deparar com qualquer indício de prova material que demonstrasse terem sido as devedoras solidárias integrantes do Grupo Caixa Seguros (Caixa Capitalização S/A, Caixa Vida e Previdência S/A, Caixa Consórcios S/A, Caixa Seguradora S/A) devidamente cientificadas da juntada da Informação Fiscal referida nos parágrafos precedentes. Nesse panorama, verificase ter sido lavrada a Decisão Administrativa ora guerreada sem que tenha sido oportunizada a parte das empresas arroladas no polo passivo a faculdade de se manifestar a respeito do resultado da diligência fiscal em questão. Observese que, por esse motivo, as empresas do Grupo Caixa Seguros deixaram de se manifestar sobre o resultado da diligência e, em grau de recurso, suscitaram a irregularidade processual consistente na falta de cientificação do pronunciamento fiscal. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 A privação do conhecimento das razões aduzidas pela Fiscalização, as quais se prestaram na fundamentação da decisão recorrida, configurou, ao meu sentir, hipótese de cerceamento de defesa, pela efetiva exclusão do contraditório além de supressão de instância eis que a contradita das empresas do Grupo Caixa Seguros ficou reservada, tão somente, à instância recursal. A situação fática retratada no presente caso, consistente na usurpação do direito ao contraditório, atrai ao feito a incidência do preceito inscrito no Decreto nº 70.235/72, que rege os Processos Administrativos Fiscais nas ordens do Ministério da Fazenda, ao qual, hodiernamente, também se submetem os procedimentos fiscais e os processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições previdenciárias, sendo aquelas, destas, espelho. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Nesse contexto, encaminho pela declaração de nulidade do Acórdão combatido, com fulcro no art. 59, II do Decreto nº 70.235/72, para ciência das empresas do Grupo Caixa Seguros do teor da Informação Fiscal a fl. 637, devendo ser reaberto o prazo normativo para se manifestar nos autos. Da inexistência de renúncia à discussão administrativa A DRJ deixou de enfrentar o mérito da questão sob a alegação de que houvera renúncia do sujeito passivo em discutir administrativamente a questão, por ter ajuizado ação judicial visando à anulação de créditos lavrados em ação fiscal pretérita, cujos fatos geradores e fundamentos da lavratura coincidem integralmente com aqueles constantes nos AI sob enfoque. Não devemos concordar com este entendimento. Na verdade, a ação proposta se refere a lançamentos específicos e o resultado do julgamento não irá se refletir no presente caso. Ali discutese pontualmente a nulidade da relação jurídica que deu ensejo às NFLD n.º 37.114.4612 e 37.114.4663, débitos estes estranhos ao presente processo administrativo. É o que se observa do relatório da sentença da Justiça Federal do DF, Processo n. 00560403620114013400, conforme excerto do seu relatório: “Tratase de ação sob o procedimento ordinário ajuizada pela CAIXA ECONÓMICA FEDERAL contra a UNIÃO FEDERAL, objetivando invalidar os autos de infração referentes às Fl. 947DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 2401003.797 S2C4T1 Fl. 935 13 contribuições previdenciárias (e seus consectários), decorrentes de autuações promovidas pela fiscalização federal no ano de 2007.” Observese que o manejo da ação anulatória leva a provimento jurisdicional de natureza constitutiva com vistas a anular um lançamento específico, não derramando efeitos sobre futuros atos de constituição do crédito tributário. Por outro lado, mesmo que se reconhecesse a renúncia da CEF, esta situação não afetaria as impugnações apresentadas pelas devedoras solidárias, que não fazendo parte da lide judicial referida, não poderiam sofrer os efeitos da renúncia à discussão administrativa. Assim, também por este motivo, é cabível a anulação do acórdão da DRJ para esta apreciasse o mérito da causa. Todavia, ao invés de declarar a nulidade da decisão da DRJ, vamos lançar mão do § 3.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972, acima transcrito, para apreciar o mérito da causa, posto que os dados do processo permitem que esse colegiado tem todos os elementos para se pronunciar sobre a matéria principal da lide. Inexistência de responsabilidade da CEF sobre as contribuições lançadas Conforme os fatos relatados, a exação tem como fato gerador a concessão de prêmios a empregados da CEF por empresas que com esta mantinham contratos operacionais de venda de produtos e serviços. Esse sistema de bonificação tinha por finalidade incentivar os empregados da autuada a comercializarem os produtos das empresas parceiras, a FCP PAR e as aquelas integrantes do Grupo Caixa Seguros. O entendimento do fisco, chancelado pela Delegacia de Julgamento, é de que o fato dos prêmios serem disponibilizados por tarefas executadas por empregados da CEF, nas dependências desta e dentro da sua jornada de trabalho tornaria esta sujeito passivo das contribuições incidentes sobre os valores repassados a título de bonificação. A autuada, por sua vez, afirma que não pode responder pela dívida, haja vista que os pagamentos não foram por ela efetuados, além de que nunca possuiu controle sobre a sistemática de pontuação que resulta na concessão dos bônus de produtividade. Em adição acrescenta que a FCP PAR, inclusive, vem efetuando o recolhimento das contribuições sobre essas verbas, por ser esta empresa o verdadeiro sujeito passivo da obrigação sobre tela. A solução desta contenda, a meu ver, resolvese com a interpretação da regra jurídica que tratado do fato gerador da contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração paga aos seus empregados. O inciso I do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991 dispõe: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados Fl. 948DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) Desse dispositivo pode ser extraído que, a grosso modo, o fato gerador desse tributo é o pagamento pelo sujeito passivo de remuneração a segurados para retribuir o trabalho que estes desenvolvem pelo vínculo de emprego que estes mantêm com aquele. Não tenho dúvida que no caso sob enfoque temse o pagamento de remuneração a segurados empregados da CEF, pelo trabalho desenvolvido no ambiente laboral. Assim, o critério material do fato gerador encontrase satisfeito. Todavia, há nesses pagamentos uma particularidade que o fisco deixou de levar em conta. Falo do critério pessoal do fato gerador, qual seja a definição da pessoa que pratica o fato gerador das contribuições, sendo o contribuinte do tributo. Segundo a regra matriz de incidência, o sujeito passivo é aquele que paga a remuneração, ou seja a pessoa que disponibiliza os recursos que são repassados aos trabalhadores em razão da prestação do serviço. Os autos revelam que essa pessoa não é a CEF, mas as empresas ditas parceiras. Cai por terra assim a sujeição passiva da autuada, haja vista que não há a comprovação de que sequer as verbas eram repassadas pela instituição bancária. Sobre essa questão é bom que se diga que essas premiações não podem ser confundidas com as gorjetas, posto que estas decorrem de pagamentos feitos por clientes do empregador que repassam a este os valores, os quais posteriormente são rateados entre os empregados. O caso aqui apreciado traz verba de natureza diversa, tratase das "gueltas", que são gratificações ou prêmios pagos por terceiro (normalmente um distribuidor ou fornecedor) aos empregados de uma empresa, com a anuência do empregador e no exercício de sua atividadefim. Tais pagamentos têm como objetivo principal o aumento das vendas de certos produtos e/ou serviços oferecidos pelo terceiro através de um incentivo financeiro concedido ao trabalhador. Embora se assemelhem, as gueltas se diferenciam das gorjetas, não sendo possível considerálas saláriodecontribuição, uma vez que de acordo com § 1.º do art. 108 do CTN, a analogia não pode ser utilizada para se exigir tributo não previsto em lei. Assim, mesmo sabendo que a jurisprudência trabalhista dominante tem entendido que, por se assemelharem às gorjetas, as gueltas teriam reflexo no cálculo das verbas laborais, não é esta solução que deve ser dada no direito previdenciário tributário, haja vista que as referidas parcelas não se subsumem ao conceito de base de cálculo da contribuição patronal sobre a remuneração de empregados, nos termos do citado inciso I do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 2401003.797 S2C4T1 Fl. 936 15 Feitas essas considerações, encaminho pelo provimento do recurso, por entender que as verbas em questão não representam pagamento pelo empregador de remuneração aos seus empregados. Conclusão Voto por negar provimento ao recuso de ofício, por excluir do polo passivo os devedores solidários e, no mérito, por dar provimento ao recurso, deixando de apreciar possível nulidade na decisão recorrida, uma vez que o mérito da causa está sendo resolvido em favor do sujeito passivo. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 950DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Primeiramente , embora como sempre, muito bem embasado o voto do ilustre relator, discordo do seu posicionamento, quanto a inexistência de concomitância. No presente caso, encontramse nos autos cópia da ação anulatória em que o recorrente não apenas questiona questões relacionadas a nulidade daquela autuação, mas em especial o mérito da contenda, que é exatamente o mérito que ora se discuti. Ou seja, entendo existir concomitância justamente porque a procedência dos levantamentos constantes na referida ação judicial, encontramse, agora, no judiciário, e a procedência ou não daquela autuação mediante sentença judicial, irá determinar a procedência da presente, já que os fatos e fundamentos para a autuação são idênticos. Assim, entendendo haver concomitância, não há se ser conhecido o mérito em si, mas tão somente outros argumentos recursais trazidos pelo recorrente, que não dizem respeito a identidade de matérias. Vencida que fui no conhecimento do mérito pela concomitância da ação judicial, passo a expor meu posicionamento quanto ao mérito em si. Ao apreciarmos os fundamentos fáticos e jurídicos do relatório fiscal, que digase, fez um excelente trabalho de caracterização do fato gerador e de como se davam os pagamentos, tenho entendimento totalmente diverso em relação ao voto adotado pelo ilustre conselheiro relator. O primeiro ponto a ser avaliado é: quem recebia os pagamentos? Bom, nesses ponto, tanto o relatório fiscal, como o relator concordam. Os seja, os beneficiados pelos pagamentos eram empregados da CEF. O conceito de remuneração, não envolve apenas as verbas pagas diretamente pelo empregador, mas toda e qualquer retribuição recebida, seja em dinheiro, ou mesmo na forma de utilidades como contraprestação pelos serviços prestados. Não vejo como não considerar os pagamentos de prêmios pela venda de produtos da FCP e pelo grupo Caixa Seguros aos empregados da CEF, como salário de contribuição, uma vez que a vendas dos produtos não se davam em atividades fora da contraprestação de serviços a CEF, mas no desempenho das atividades dos próprios empregados, dentro da sua jornada de trabalho, enquadrandose no conceito de remuneração paga por terceiro em benefício do empregado. Aliás, esse entendimento é exatamente o adotado na sentença da ação judicial movida pelo recorrente em relação as NFLD lavradas anteriormente, em relação a mesma matéria, e para qual entendi (como acima descrito) existir concomitância com o mérito da presente autuação. Da leitura da sentença, identificase que o ilustre magistrado, fez exatamente a mesma correlação, apenas esclarecendo que o pagamento consistiria ma espécie de "gorjeta", ou seja, pagamento feito por terceiro em benefícios dos empregados da CEF, que no desempenho de suas atividades, vendiam produtos de empresas do grupo Caixa, razão pela qual inclusive não afasto a responsabilidade dessas da presente autuação. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 2401003.797 S2C4T1 Fl. 937 17 Dessa forma, a presente declaração, tem por objetivo, expor as razões pelas quais entendo inicialmente não deva o mérito ser conhecido, não devam ser excluídos do pólo passivo as empresas descritas pela autoridade fiscal e por fim, que os pagamentos dos prêmios pelas empresas FCP e Caixa Seguros, seja diretamente ou por intermédio de terceiras empresas aos empregados da CEF nada mais são do que remuneração destes e por consequencia fato gerador de contribuição previdenciárias. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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