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Numero do processo: 11080.008033/2007-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1263; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 3.569 1 3.568 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.008033/200756 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.378 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de julho de 2013 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente COMPANHIA ESTADUAL DE ENERGIA ELÉTRICA (COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA e COMPANHIA ESTADUAL DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 08 03 3/ 20 07 -5 6 Fl. 3569DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/08/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.008033/200756 Resolução nº 2402000.378 S2C4T2 Fl. 3.570 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal realizado em 31/05/2007. O lançamento constitui crédito sobre diferenças de valores não retidos pela contratante de serviço mediante cessão de mão de obra na construção civil. A decisão recorrida excluiu parte dos valores lançados por reconhecer: vigência de tutela antecipada afastando a retenção, de recolhimentos parciais, inclusão indevida na base de cálculo de equipamentos e material, retenção indevida sobre execução de obra por empreitada total, serviços de elaboração de projeto. Seguem transcrições do acórdão recorrido: Acórdão: Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/1999 SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. SERVIÇOS TOMADOS, NECESSÁRIOS AO FUNCIONAMENTO DA EMPRESA. REDUÇÃO DA BASE DE INCIDÊNCIA. EXECUÇÃO DE OBRA POR EMPREITADA TOTAL. PRESTADORA DE SERVIÇOS AMPARADA POR MEDIDA JUDICIAL. SERVIÇO NÃO SUJEITO À RETENÇÃO. VALOR MÍNIMO PARA RECOLHIMENTO. Os serviços necessários ao funcionamento normal da empresa, ainda que eventuais/periódicos, a exemplo de serviços de manutenção, configuramse nas hipóteses de cessão de mãodeobra. Reduz a base de cálculo de incidência da retenção de contribuição quando ficar configurada a utilização de materiais e/ou equipamentos. Na contratação de execução de obra por empreitada total, fica afastada a exigência da retenção do artigo 31 da Lei n° 8.212, de 1991. Não é possível a exigência de retenção da tomadora de serviços no período que a prestadora estiver amparada por medida judicial. Na elaboração de projetos de construção civil não se aplica o instituto da retenção de contribuições previdenciárias. Quando o valor a ser retido for inferior ao limite mínimo permitido para recolhimento em GUIA, fica a contratante dos serviços dispensada de efetuar a retenção. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... d) No tocante à possível existência de liminares impeditivas de retenção, em relação às contratadas Empresa Brasileira de Engenharia S/A e Instaltec Instalações Elétricas Ltda., a fiscalização manteve o lançamento, porque, muito embora tenha intimado o sujeito passivo, o mesmo não acrescentou quaisquer documentos, além dos já Fl. 3570DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/08/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.008033/200756 Resolução nº 2402000.378 S2C4T2 Fl. 3.571 3 apresentados nas impugnações anteriores, que permitissem verificar a vigência das referidas liminares. Cabe esclarecer que a defesa não junta a decisão proferida em Mandado de Segurança n° 98.00191291, referente à Empresa Brasileira de Engenharia S/A, mas apenas o Pedido junto à Justiça Federal no Rio de Janeiro. Assim, como também não foi possível verificar no "Site" daquele Juízo a liminar concedida, somos por acompanhar o pronunciamento fiscal e indeferir a exclusão das contribuições não retidas em relação à retrocitada prestadora de serviços. Agora, em relação à empresa Instaltec Instalações Elétricas Ltda., os documentos juntados em defesa, incluído o Despacho que concedeu a liminar, combinados com a consulta processual ao "Site" da Justiça Federal no Rio Grande do Sul (fls. 3060/3061), permitem conhecer da decisão em Mandado de Segurança e da vigência da liminar (concessão de liminar / tutela antecipada em 04.06.1999 e sentença concedida em 16.05.2000). Desse modo, considerando a concessão de liminar a partir de 04.06.1999, devemos excluir, em relação à prestadora de serviços Instaltec Instalações Elétricas Ltda., a nota fiscal n° 2954, emitida em 11.06.1999, uma vez que não era possível exigir da empresa tomadora dos serviços, ora autuada COMPANHIA ESTADUAL DE ENERGIA ELÉTRICA, a retenção do artigo 31 da Lei n° 8.212, de 1991, quando da vigência de medida judicial. Contra a decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações iniciais que não foram acolhidas pela decisão recorrida, em síntese: Da análise técnica contábil feita pela CEEEGT e CEEED, analisando o crédito tributário mantido, em confronto com a defesa apresentada anteriormente, depreendese que o Órgão Julgador deixou de analisar diversos documentos outrora acostados pela defesa, anexos 2 a 4 (trazemos neste momento apenas as tabelas já apresentadas na Impugnação administrativa, que, na época, foram relacionados juntamente com os devidos documentos comprobatórios), conforme a seguir exemplificamos: a) A retenção da contribuição previdenciária da Empresa Brasileira de Engenharia (EBE) foi afastada por decisão judicial (liminar) a partir da competência fevereiro/1999, conforme já argumentado e comprovado nas peças de defesa e informações anteriores. No entanto, estamos juntando, novamente, os documentos remetidos pela 17a Vara Federal do Rio de Janeiro/RJ, determinando o cumprimento da liminar concedida, bem como do andamento processual (Anexo 2). Desta forma, não havia outra atitude a ser tomada pela CEEE, senão atender a determinação judicial, quanto ao não recolhimento ou retenção do valor correspondente aos 15% sobre as notas fiscais emitidas pela EBE. Fl. 3571DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/08/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.008033/200756 Resolução nº 2402000.378 S2C4T2 Fl. 3.572 4 Notese, as Companhias não podem negarse a cumprir uma ordem emanada pelo Poder Judiciário. Cumpre exaltar que, tendo a CEEE sido oficiada pelo Juízo competente a não realizar determinada conduta, uma vez não cumprida a exigência, estaria praticando o crime tipificado no artigo 330 do Código Penal Brasileiro, desobediência à ordem judicial, podendo ser penalizada com a imposição de multa. Desta forma, resta cristalino que estas Companhias não podem ser compelidas ao recolhimento da contribuição social incidente sobre as notas fiscais emitidas pela EBE, ou por qualquer outra empresa que possui determinação judicial no sentido contrário. b) A retenção da contribuição previdenciária da empresa Instaladora Elétrica CRE Ltda. (IEC) foi realizada e os respectivos recolhimentos foram efetuados, conforme devidamente demonstrado na Impugnação de Lançamento e seus anexos, protocolada no dia 04/07/2008 (vide novamente a referida tabela no Anexo 3). c) Entre as retenções das demais empresas, verificase que o Órgão Julgador não considerou, ainda, outros valores constantes às folhas do Anexo 4, também já juntadas quando da Impugnação Administrativa. É o Relatório. Fl. 3572DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/08/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.008033/200756 Resolução nº 2402000.378 S2C4T2 Fl. 3.573 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao seu exame. Sob fundamento de que não foram trazidas provas sobre a vigência de tutela antecipada para que a contratada EBE não se submetesse à retenção e a impossibilidade de consulta pela internet, a decisão recorrida manteve os valores lançados. Acontece que foi juntada no recurso voluntário decisão judicial encaminhada à recorrente para que não efetuasse a retenção, fls. 3.195 em diante. Reitera também a recorrente que teria demonstrado os recolhimentos em relação às contratadas IEC e demais empresas indicadas nos anexos 3 e 4. Assim, antes do julgamento de mérito, fazse necessários os esclarecimentos e diligências para a correta apuração dos fatos. Por tudo, voto por converter o julgamento para a fiscalização se pronuncie sobre as constatações acima e que, após, seja oportunizada a manifestação da recorrente no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 3573DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/08/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10930.002380/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos.
Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas.
Numero da decisão: 2101-002.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Eivanice Canário da Silva, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
______________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
_________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente o Conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Eivanice Canário da Silva, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente o Conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa.
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Eivanice Canário da Silva, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 23 80 /2 00 9- 16 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente o Conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, na qual foi apurada dedução indevida de despesas médicas no montante de R$ 18.880,00 A contribuinte apresentou impugnação alegando que, apesar de ter entregue contracheques, extratos bancários, declarações dos profissionais de saúde nos quais está atestado o recebimento do dinheiro correspondente às despesas médicas declaradas e mesmo tendo informado à autoridade fiscalizadora que sacava seus proventos de aposentadoria “na boca do caixa”, mesmo assim foi feito o lançamento. Em sua defesa, citando e transcrevendo ementas de julgados do então Conselho de Contribuintes, ponderou que, tendo em conta ter apresentado recibos na forma prevista pela legislação do imposto de renda, contendo todos os elementos identificadores e necessários à dedução, Fisco não poderia, por “presunção absurda”, desconsiderálos sem apresentar qualquer contraprova de que os mesmos não são verdadeiros. Apesar de entender que não está obrigada a comprovar o meio de pagamento na forma solicitada pela autuação, argumentou que possuía recursos em dinheiro para efetuar os pagamentos, conforme comprova o extrato bancário do ano 2005, do Banco Itaú S/A, que indica a retirada em dinheiro (saque no caixa) de seu vencimento declarado como funcionária da Secretaria de Estado da Administração e da Previdência do Estado do Paraná, bem como os “holerites” de janeiro a dezembro de 2005, que comprovam a retirada “na boca do caixa”. Finalizou com a alegação de que tanto a legislação civil como a tributária dão legitimidade aos recibos médicos, habilitandoos à dedutibilidade postulada, nos termos da legislação do imposto sobre a renda, até que se comprove a sua falsidade, o que, no caso, não ocorreu. A 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Curitiba (PR), mediante o Acórdão n.º 0631.863, de 20 de maio de 2011, julgou a impugnação improcedente, em decisão que contou com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. A dedução das despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10930.002380/200916 Acórdão n.º 2101002.273 S2C1T1 Fl. 3 3 Inconformada, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual reiterou os argumentos anteriormente suscitados e pediu a reforma do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário, tempestivo, atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. No caso sob análise, a Fiscalização considerou indevida a dedução com despesas médicas, no valor de R$ 18.880,00, por falta de previsão legal ou por falta de comprovação do efetivo pagamento. Na complementação da descrição dos fatos, a autoridade fiscal fez consignar que não há previsão legal para a dedução de despesas com (i) nutricionista e (ii) com hotelaria e outros, quando não integrem a conta hospitalar. Além disso, complementou que a contribuinte não declarou dependentes na DAA do exercício fiscalizado. A Fiscalização também informou não ter ficado devidamente comprovado, por meio de cheques nominais, compensados, DOC, TED, transferências bancárias identificadas, etc., coincidentes em datas e valores, o trânsito dos recursos financeiros que a defendente alegou terem sido utilizados para pagamento das despesas declaradas. Na hipótese, a autoridade fiscal exigiu a comprovação do efetivo pagamento (cheques nominais, DOC, TED, depósitos identificados, transferências bancárias identificadas, etc; coincidentes em datas e valores) das seguintes despesas declaradas: Nome do Beneficiário Profissional Valor (R$) Carlos Gebara Rickheim Dentista 700,00 Maria Regina C. do Amarante Médica 720,00 Silvio Ari Pirola Dentista 5.110,00 Paula M. C. Pirola Psicóloga 5.000,00 Deise Chiara Silva Fisioterapeuta 4.000,00 Claudine M. C. Pirola Dentista 3.000,00 TOTAL 18.530,00 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Promoveuse a glosa de R$ 18.880,00, que refletem os R$ 18.530,00 constantes do quadro acima, mais: (i) R$ 120,00, correspondentes a dispêndios com nutricionista (Mildred S. Saverzapf); (ii) R$ 80,00 a título de gastos com Hospital e Maternidade Caron Ltda; e (iii) R$ 150,00 com gastos declarados com Sunilda W.C.M. Guimarães, por não estarem incluídos nos gastos hospitalares. Irresignada com o resultado do procedimento fiscal, a interessada argumentou, em sua impugnação, que a Fiscalização estaria pondo em dúvida a veracidade das declarações constantes dos recibos apresentados, pelo fato de a impugnante não ter apresentado documentos relativos aos meios de pagamentos exigidos. Ponderou ainda que a documentação apresentada seria suficiente para comprovar suas alegações, tendo em vista que o artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995, (i) não obriga o contribuinte a comprovar o meio de pagamento nos termos exigidos pela autuação, mesmo porque, ninguém é obrigado a manter conta corrente bancária e possuir talões de cheques ou ter cartão de crédito que o habilite a efetuar saques em caixas eletrônicos; (ii) não exige qualquer outra comprovação da despesa além dos recibos nos termos em que foram apresentados ao fisco por ocasião da verificação fiscal, apenas faculta, no caso de falta dos recibos, que o contribuinte indique o cheque nominal com que efetuou o pagamento, nada mais; (iii) apenas exige que sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no “Cadastro Geral de Contribuintes – CGC” de quem os recebeu. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), contudo, não acolheu os argumentos da interessada e julgou a impugnação improcedente. O Relator do voto condutor da decisão recorrida salientou que a despesa com nutricionista não é dedutível da base de cálculo do Imposto sobre a Renda, eis que o rol de despesas previsto no artigo 8º, da Lei 9.250, 1995, é taxativo. Esclareceu que a glosa também pode ser efetivada pela falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas objeto da dedução, com fulcro no disposto no § 1.º do artigo 11 do DecretoLei n° 5.844, de 1943; desse modo, os recibos médicos são prova necessária para os fins pretendidos (artigo 80, § 1.º , inciso II, do Decreto n° 3.000, de 1999), mas não suficiente (art. 73, do Decreto n° 3.000, de 1999), pois, a juízo da autoridade fiscal, além da apresentação dos recibos, poderá ser exigida a comprovação do efetivo pagamento (desembolso) dos valores neles consignados (artigo 11, § 1.º , do DecretoLei n° 5.844, de 1943), que foi o que aconteceu no presente caso. Além disso, no entender da autoridade julgadora, o fato de os “holerites” não indicarem o número da conta bancária não comprovaria a efetiva realização de saques no valor correspondente aos proventos, e o extrato bancário de fls. 13 a 15 indica apenas um "saque contra recibo", no valor de R$ 3.208,15, realizado em 30.11.05, acompanhado da emissão de um DOC, no valor de R$ 3.208,00, realizado em 12.12.05. Em sede de recurso, a interessada reiterou todos os seus argumentos, em suma, que: (i) todos os recibos foram emitidos em seu nome; (ii) o Fisco não apresentou prova da inidoneidade dos recibos; (iii) tanto a legislação civil quanto a tributária conferem legitimidade aos recibos apresentados e os habilita a comprovar a dedução postulada; (iv) os recibos contêm todos os requisitos exigidos nos incisos II e III do § 2.º do artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995; (v) o Fisco presumiu que não houve a prestação do serviço e o correspondente pagamento; (vi) o Fisco sequer fez o cruzamento das informações prestadas pelos profissionais emitentes dos recibos; (vii) a jurisprudência administrativa é farta e favorável à recorrente. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10930.002380/200916 Acórdão n.º 2101002.273 S2C1T1 Fl. 4 5 A recorrente nada argumentou, especificamente, quanto às despesas declaradas com Mildred S. Saverzapf, Hospital e Maternidade Caron Ltda e Sunilda W.C.M. Guimarães. Também não trouxe aos autos qualquer evidência das despesas declaradas com os profissionais e hospital (R$ 350,00). No tocante às considerações da defesa, cumpre, primeiramente salientar que o lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999. Tal dispositivo prevê, verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." O artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, cuja matriz legal é o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, estipula que todas as deduções feitas pelo contribuinte sujeitamse a comprovação. Vejamos: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). [...] Das normas deduzidas do caput do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, e também do artigo 835 do mesmo ato regulamentar, depreendese que a autoridade lançadora, a seu critério, está autorizada a exigir comprovação ou justificação das deduções efetuadas. No caso, foi exigida a comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento das despesas declaradas, por meio de cheques nominais, compensados, DOC, TED, transferências bancárias identificadas, etc., coincidentes em datas e valores com as despesas declaradas As despesas médicas que podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física são aquelas efetuadas pelo contribuinte, no anocalendário, com seu próprio tratamento e o de seus dependentes, tal como previsto no artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. [...]. Conforme se depreende da leitura do dispositivos acima reproduzidos, a lei não estipula ser o recibo de despesas médicas documento suficiente, por si só, para comprovar as despesas declaradas, de modo a autorizar a dedução do montante correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física. Muito menos obriga o julgador a acolhêlo como prova única e definitiva da prestação dos serviços e de seu efetivo pagamento, pelo só cumprimento dos requisitos mínimos fixados no inciso III, tal como pretende a defesa. Tendo em vista que as despesas médicas declaradas têm por escopo reduzir a base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física, devem ser estritamente comprovadas. Uma vez regularmente intimado pela autoridade fiscal para comprovar a efetiva prestação dos serviços médicos e o seu respectivo pagamento, o contribuinte deve apresentar provas suficientes para esse fim. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10930.002380/200916 Acórdão n.º 2101002.273 S2C1T1 Fl. 5 7 No presente caso, intimada a comprovar as despesas declaradas e os pagamentos a elas relativos (fls. 12), a contribuinte exibiu os extratos bancários às fls. 13 a 15 e outros documentos às fls. 16 a 81, que englobam entre outros, declarações de profissionais de saúde e resultados de exames. Informou que todas as despesas médicas haviam sido pagas “em espécie” e esclareceu que seus vencimentos, auferidos do Governo do Estado do Paraná, eram recebidos “na boca do caixa”. Para o fim de comprovar a prestação dos serviços de saúde, a interessada juntou declarações dos profissionais e resultados de exames. Examinando os documentos apresentados, verificamos que nem os extratos bancários do Banco Itaú S/A e do Banco do Brasil, nem os contracheques emitidos pelo Governo do Estado do Paraná nos meses do anocalendário 2005, nem a Folha de Pagamento de Aposentados e Pensionistas de Paraná Previdência contêm informações suficientes para evidenciar, de forma inequívoca, que, tal como alegado, a contribuinte promovia mensalmente saques no valor integral de seus proventos. O mesmo se diga quanto à declaração da Diretoria de Previdência, anexa às fls. 80. Do exame dos extratos bancários, verificase um saque contra recibo, em 30.11.2005, no valor de R$ 3.208,15 (fls. 14) e um saque com cartão, no montante de R$ 500,00, realizado em 19.12.2005 (fls. 15). As despesas com tratamento de saúde podem ser comprovadas por meio de quaisquer documentos hábeis e idôneos. O ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. Quanto mais robustas as provas trazidas aos autos, mais fácil se torna o convencimento do julgador quanto ao cabimento das alegações. No caso sob análise, a recorrente apresentou recibos de profissionais de saúde, tais como psicólogo, fisioterapeuta, médico e dentista, recibos esses por vezes incompletos, de modo a não cumprir, ao menos, os requisitos mínimos exigidos pelo artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995, tal como se observa nos recibos acostados às fls. 19, 20 e 21, cujos emitentes foram Silvio Ari Pirola (dentista), Paula Marcondes C. Pirola (psicóloga) e Deise Chiara Silva (fisioterapeuta). O recibo acostado às fls. 17, emitido em 2008, cujo beneficiário é Carlos Gebara Rickheim, não especifica nem mesmo a data do recebimento do valor nele discriminado, não sendo hábil, portanto, para comprovar eventuais serviços realizados no ano calendário 2005. Os resultados dos exames, em sua maioria, não são contemporâneos às despesas médicas que a contribuinte pretende comprovar. Apenas o resultado do exame de ressonância magnética do ombro direito, às fls. 51 e 52, provavelmente anexado com o intuito de comprovar a despesa declarada com fisioterapia, foi emitido no anocalendário 2005 (13.7.2005); os demais exames, conforme consta, realizaramse em 2006 e 2007 (vide fls. 53 a 76). No entanto, no tocante ao exame realizado em 2005, é de se destacar que (i) é posterior à data do início do tratamento, conforme declarado pela profissional responsável (fls. 21), e (ii) não existe, a partir do seu resultado, encaminhamento médico para a realização de tratamento fisioterápico, de modo a tornar possível estabelecer uma correlação entre o resultado do exame e as sessões de fisioterapia declaradas. Ressaltase que esta julgadora, que não tem formação na área médica, não pode inferir que o tratamento fisioterápico declarado, iniciado em março de 2005, decorreu daquele resultado, obtido posteriormente, em julho daquele anocalendário. Os encaminhamentos médicos para fisioterapia, anexos às fls. 77 e 78, datam de 2009, muitos anos depois de encerrado o anocalendário fiscalizado. Adicionese a Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 isso, como visto, o fato de o recibo apresentado, relativo ao tratamento de fisioterapia, não cumprir nem mesmo os requisitos mínimos previstos no artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995. Este colegiado tem entendido que, nos casos em que, regularmente intimado pela Fiscalização para comprovar a prestação dos serviços de saúde e o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, o contribuinte alega ter feito pagamentos “em espécie”, mas não comprova, de forma inequívoca, a efetiva disponibilidade do dinheiro nas datas dos pagamentos, apenas os recibos e/ou declarações genéricas emitidos por profissionais da área de saúde não são suficientes para restabelecer a dedução pleiteada, mesmo nos casos em que os recibos, associados às declarações, cumpram os requisitos do artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995. É que, ainda que presentes todas as formalidades exigidas pelo artigo 8.°, § 2.°, da Lei n.° 9.250, de 1995, a legislação do imposto sobre a renda não confere aos recibos médicos valor probante absoluto. A apresentação de recibos de acordo com a legislação tem potencialidade probatória relativa e limitada por todos os outros elementos de convicção apresentados ao julgador. Sendo assim, mesmo que os recibos contenham todos os requisitos formais exigidos, o que nem sempre se verificou, no caso, conforme se demonstrou, podem ser insuficientes para fazer prova da efetiva prestação dos serviços médicos ao contribuinte ou a dependente seu. Na hipótese vertente, a contribuinte comprovou ter realizado, em 30.11.2005, saques no valor de R$ 3.208,15 e, em 19.12.2005, e no valor de R$ 500,00. Confrontando essa informação com os recibos que cumprem os requisitos mínimos exigidos no artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995, que são aqueles anexados às fls. 18 e às fls. 22, não encontramos área de intersecção. Os recibos a que nos referimos são os emitidos por Maria Regina Corzânego do Amarante (médica) e por Claudine Marcondes Ciarlo Pirola (dentista), que indicam, respectivamente, as datas de pagamento 4 de agosto de 2005, o primeiro documento e o dia 8 de cada mês, de janeiro a setembro de 2005, o segundo. Isto significa dizer que, nos casos em que a recorrente logrou apresentar recibos que cumpriam os requisitos mínimos previstos em lei, não conseguiu demonstrar a existência de disponibilidade de numerário que justificasse os pagamentos declarados “em espécie”, tal como foi intimada, pela Fiscalização, a comprovar; por outro lado, a disponibilidade do numerário comprovada por meio do extrato bancário anexado às fls. 14 e 15 não é contemporânea aos recibos que cumprem os requisitos mínimos legalmente exigidos. Sendo assim, é de se concluir que a recorrente não logrou comprovar suas alegações de forma inequívoca, razão pela qual não há como restabelecer a dedução pleiteada. Impende, por fim, destacar que, ao longo da peça recursal, a defendente cita e transcreve ementas de julgados administrativos que entende virem ao encontro de seus argumentos. Sobre este tema, esclarecemos que as decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, assim como as dos extintos Conselhos de Contribuintes, não têm caráter normativo. As decisões proferidas no âmbito destes Conselhos, em processos administrativos, são válidas somente entre as partes em litígio. O julgador decide de acordo com seu livre convencimento, com base nas provas dos autos e conforme a lei, com supedâneo no argumento que entender razoável ou cabível ao caso concreto, desde que em decisão devidamente fundamentada, explicitadas as razões de fato e de direito que o levaram a tal convicção. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10930.002380/200916 Acórdão n.º 2101002.273 S2C1T1 Fl. 6 9 Por esses motivos, não merece reparos a decisão recorrida. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10650.900182/2009-66
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO.
A Declaração de Compensação apresentada pelo contribuinte deve atestar quanto à origem do crédito, liquidez e certeza, permitindo a homologação da compensação do débito declarado. O erro formal não prejudica o direito creditório desde que comprovado através de documentação idônea sua existência.
Numero da decisão: 1802-001.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 124 1 123 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10650.900182/200966 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802001.608 – 2ª Turma Especial Sessão de 10 de abril de 2013 Matéria NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente CORURIPE ENERGÉTICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. A Declaração de Compensação apresentada pelo contribuinte deve atestar quanto à origem do crédito, liquidez e certeza, permitindo a homologação da compensação do débito declarado. O erro formal não prejudica o direito creditório desde que comprovado através de documentação idônea sua existência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 01 82 /2 00 9- 66 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, onde o crédito pleiteado está em suposto pagamento a maior de CSLL recolhida em 29/10/2004 no montante de R$ 9.499,41. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente recurso voluntário, colaciono a seguir o relatório proferido pela 1a Turma da DRJ/JFA, através do Acórdão n° 0935.650, constante às efls 55: Trata o presente processo da Declaração de Compensação Eletrônica Dcomp n° 39246.60782.310105.1.3.045882 (fls. 04), transmitida em 31/01/2005, de débitos de CSLL, período de apuração 4° T/2004, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior, no valor original de R$ 9.157,82, código 2372, valor da contribuição. A DRF/UBB/MG, em 18/02/2009, emitiu Despacho Decisório Eletrônico de nãohomologação da compensação, tendo em vista que não foi localizado o DARF com as características informadas no PER/DCOMP. A contribuinte apresenta a manifestação de inconformidade, fls. 01 a 03, na qual, entre outros aspectos, afirma que: "...pela documentação anexada à presente, sempre considerou a existência do crédito para compensação, posto que o DARF que lhe dava esse direito era o de n° 102.901, autenticado no SISBB:..., datas de arrecadação e vencimento 29/10/2004 (...), porém o período de apuração (30/09/2004) e os valores do principal e total (R$49.591,10), diferem dos dados informados. Notase que o que houve foi, na verdade um equívoco no preenchimento do PER/DCOMP...' Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa (efls. 54): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Não comprovada de forma inequívoca a existência do direito creditório, deixase de homologar a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 125DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900182/200966 Acórdão n.º 1802001.608 S1TE02 Fl. 125 3 Intimada da decisão em 03/08/2011, apresentou recurso voluntário em 02/09/2011, reiterando seu pedido para que seja homologada sua compensação em decorrência da existência do pagamento e da existência do crédito em seu favor. É o relato do essencial. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, a recorrente efetuou declaração de compensação e informou como DARF pago origem do crédito pleiteado, documento inexistente, motivo pelo qual não foi homologada a compensação. Em sua impugnação e recurso, não contraria a inexistência do pagamento que informou em seu Pedido de Compensação, contudo, segue aduzindo pela existência do direito creditório em seu favor, explicandose nos seguintes termos (efls 68): A impugnante manifestase inconformada com o Despacho Decisório, pois, pela documentação anexada à presente, sempre considerou a existência do crédito para compensação, posto que o DARF que lhe dava esse direito era o de nº 102.901, autenticado no SISB: 03E9D9702025E7611200609102D007 01, datas de arrecadação e vencimento: 29/10/2004 (as mesmas citadas no PER/DCOMP), porém o período de apuração (30/09/2004) e os valores do principal e total (R$ 49.591,10), diferem dos dados informados. Notase que o que houve foi, na verdade, um equivoco no preenchimento do PER/DCOMP on line, processo recém implantado na época, pois em vez de informar como crédito os dados do DARF recolhido a maior, informou o valor do débito que estava sendo compensado, que correspondia ao saldo credor a compensar, e um período de apuração totalmente equivocado (31/07/2004), pois correspondia à data do vencimento do 2º trimestre. Como se observa, a recorrente alega erro formal no pedido e sustenta que apesar disso, possui direito creditório passível de compensação. Contudo, as provas juntadas aos autos pela recorrente são inexoráveis ao pedido, não preenchendo sobretudo aos requisitos de certeza e liquidez do crédito pleiteado, conforme exigido pelo Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. [...] A recorrente juntou planilhas de apuração do tributo CSLL, contudo, por si só, tais documentos não preenchem os requisitos de liquidez e certeza do crédito pleiteado, sendo necessário outros registros contábeis e fiscais que o sustentem. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900182/200966 Acórdão n.º 1802001.608 S1TE02 Fl. 126 5 Isto porque, os requisitos de liquidez e certeza do crédito, dão a ideia de que são evidentes, conhecíveis de plano, o que não se pode atestar da leitura dos autos, através da documentação juntada. Assim, embora não signifique a total improcedência do pedido a existência de um erro formal no pedido, ou mesmo um erro formal numa obrigação acessória, a comprovação de sua existência deve se dar por meios idôneos e suficientemente evidentes. Neste sentido, o Código de Processo Civil (Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973) dispõe: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Fica evidente portanto, que aquele que pede ou declara a existência de um crédito passível de compensação, deve atestar ‘o fato constitutivo de seu direito’, por meio de comprovação hábil e idônea. Nesse sentido já dispôs o Superior Tribunal de Justiça (STJ): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI ESTADUAL AUTORIZATIVA. EXISTÊNCIA. ART. 170, DO CTN. PROVA DE TODOS OS RECOLHIMENTOS INDEVIDOS. INEXISTÊNCIA. CONDENAÇÃO ADSTRITA AO PEDIDO TAL COMO FORMULADO. RESSALVA DA POSSIBILIDADE DE REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO DA COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA ANTE A DECISÃO JUDICIAL QUE DECLAROU A INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA. 1. A compensação, modalidade extintiva do crédito tributário elencada no art. 156, do CTN, reclama autorização legal expressa para que o contribuinte possa engendrála, ex vi do disposto no artigo 170, do Codex Tributário. 2. Consectariamente, a declaração do direito de compensação tributária pressupõe a existência de lei autorizativa oriunda da Pessoa Jurídica de Direito Público competente para a instituição do tributo, o que resta incontroverso nos autos (artigo 1°, caput e parágrafo único, da Lei Municipal 7.640/99, regulamentada pelo Decreto Municipal 10.574/01). 3. In casu, cuidase de ação ordinária em que a autora pleiteia o reconhecimento da inexistência de relação jurídicotributária que a obrigue a recolher aos cofres municipais o ISSQN e, por conseqüência, de seu direito a compensar, integral e imediatamente os valores indevidamente recolhidos, obedecido o prazo prescricional de cinco anos a contar da homologação tácita do lançamento. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 4. O Tribunal de origem, em sede de apelação, julgou procedente o pedido para, reconhecendo o indébito tributário, declarar o direito da autora de compensar apenas os créditos líquidos e certos comprovados nos autos referentes aos atos cooperativos. No âmbito de embargos de declaração, assinalou ainda que: “o acórdão reconheceu o direito à compensação aos créditos líquidos e certos inclusos nas guias de f. 44/50, não havendo que se falar aleatoriamente a todo período pretérito, respeitado o prazo prescricional; nada impedindo, todavia, que administrativamente, a Fazenda Municipal reconheça o direito da embargante em compensar outros créditos porventura existentes, mas que aqui não se encontram comprovados”. 5. Deveras, é cediço que, à luz do disposto no artigo 333, I, do CPC, “em ação de conhecimento de conteúdo condenatório em que se busca a compensação de tributos, a ausência de comprovação da existência do pagamento indevido acarreta a improcedência do pedido” (REsp 807.692/ES, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 15.03.2007, DJ 12.04.2007), exegese aplicável in casu, porquanto a recorrente pleiteou compensação de débitos que não se sabe se derivados de atos tipicamente cooperativos, mercê de liberála, quanto aos demais, a via administrativa da Fazenda. 6. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 832.629/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/10/2010, DJe 03/11/2010) Filiome ao mesmo entendimento. O pagamento indevido, deve ser comprovado de plano, na declaração de compensação ou pedido de restituição. A não comprovação acarreta na improcedência do pedido. Portanto, não estando a declaração de compensação ou o pedido de restituição com as provas capazes de sustentar e evidenciar de plano a existência do crédito pleiteado, não estando ainda as obrigações acessórias de acordo com aquilo que se informa em PER/DCOMP, sagaz que não se homologue o PER/DCOMP. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900182/200966 Acórdão n.º 1802001.608 S1TE02 Fl. 127 7 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 35301.007038/2006-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2002
PREVIDENCIÁRIO. NULIDADE.SUPRIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Na forma do art. 61 do Decreto 70.235/72, diante de fatos que a ensejar, é prerrogativa do relator declarar a nulidade.
O parágrafo único do art. 168, da lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, aludido subsidiariamente, aduz que as nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz quando a encontrar provada não lhe sendo permitido supri-las, ainda que a requerimento das partes .
Processo Anulado
Numero da decisão: 2403-002.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para em preliminar determinar a nulidade por vicio formal. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Declarou se impedido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Ivacir Júlio de Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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NULIDADE.SUPRIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Na forma do art. 61 do Decreto 70.235/72, diante de fatos que a ensejar, é prerrogativa do relator declarar a nulidade. O parágrafo único do art. 168, da lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, aludido subsidiariamente, aduz que as nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz quando a encontrar provada não lhe sendo permitido suprilas, ainda que a requerimento das partes . Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para em preliminar determinar a nulidade por vicio formal. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Declarou se impedido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Ivacir Júlio de Souza Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 70 38 /2 00 6- 05 Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 35301.007038/200605 Acórdão n.º 2403002.124 S2C4T3 Fl. 1.421 3 Relatório A instância “ ad quod ” produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e com grifos de minha autoria o transcrevo: “ Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD nº 35.804.5061, consolidado em 02/06/2005), no valor de R$ 342.432,96; acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls.66/73), referese às contribuições sociais a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social, relativas à retenção de 11% que deveria ter sido feita, incidentes sobre as Notas Fiscais/Faturas de Prestação de Serviços de limpeza e conservação, coleta de lixo, paisagismo, mediante cessão de mãodeobra e empreitada, emitidas pelas empresas contratadas BRASANITAS EMPRESA LTDA., COPELRIO COMÉRCIO DE APARELHOS LTDA., FLORA ÉVORA PAISAGISMO LTDA., HIGISERV EMPRESA DE SERVIÇOS LTDA., LISERVE SERVIÇOS AUXILIARES LTDA., MULTILIXO REMOÇÕES DE LIXO S/C LTDA., NATUS ENGENHARIA AMBIENTAL LTDA., no período de 02/1999 a 12/2002. DA IMPUGNAÇÃO 2. A empresa, inconformada com o lançamento, do qual foi cientificada pessoalmente em 07/07/2005, apresentou impugnação, tempestivamente, protocolada sob nº 37216.003639/200544 em 22/07/2005 (fls. 95/131), alegando em síntese: 2.1. A tempestividade da impugnação; 2.2. Que o procedimento fiscal instaurado contra a impugnante é irregular, causando a nulidade do lançamento, devido à nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal, já que as prorrogações do procedimento fiscal só eram cientificados após a data de validade do MPF anterior. 2.3. A decadência do direito de constituição dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos entre fevereiro de 1999 e junho de 2000; 2.4. A impossibilidade de duplo recolhimento da contribuição previdenciária, já que as empresas prestadoras recolheram suas contribuições e a obrigação legal de retenção constitui apenas obrigação acessória, não importando a cobrança do valor integral da contribuição; 2.5. A inconsistência da notificação, contrariando o art. 142 do CTN e o princípio da verdade material, vez que a fiscalização se baseou em meros indícios ou presunções simples de ausência de Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 retenção dos 11%, sem avaliação e verificação efetiva dos possíveis fatos geradores, limitandose a analisar os livros e documentos contábeis da impugnante; 2.6. Que traz por amostragem algumas inconsistências objeto da notificação, demonstrando a completa ausência de liquidez dos créditos tributários, além de documentos comprobatórios dos recolhimentos por ela efetuados, bem como da indevida cobrança; 2.7. A inexigibilidade da retenção de 11% na contratação de serviços de transportes de cargas e armazenagem e controle de estoques; 2.8. Que a impugnante efetuou retenções devidas nas respectivas competências, como demonstra por exemplo as GPS juntadas à defesa referentes às prestadoras Brasanitas Empresa Ltda e Liserve Serviços Auxiliares Ltda.; 2.9. A inexigibilidade da retenção dos 11% a título de contribuição previdenciária, por ser a empresa optante pelo SIMPLES; 2.10. A inexigibilidade da retenção sobre valores que não compõem a sua base de cálculo (despesas com materiais e insumos); 2.11. Que nos casos das empresas prestadoras de serviços Brasanitas Empresa Ltda, Copelrio Comércio de Aparelhos Ltda, Higiserv Empresa de Serviços Ltda e Liserve Serviços Auxiliares Ltda, a fiscal não analisou o objeto dos contratos, pelo que não poderia pretender a retenção dos 11% sobre as notas fiscais, referentes a tais contratos, sem ter constatado se a retenção era de fato devida. Ademais, que é plenamente possível que os valores lançados comportem parcelas que deveriam ter sido excluídas da base de cálculo da retenção ou percentuais de redução desta base, conforme autorizado pela legislação; 2.12. Que diante do curto prazo para apresentação desta impugnação, a impugnante não teve tempo suficiente para separar e apresentar todos os documentos que comprovam a insubsistência dos valores exigidos na presente NFLD; 2.13. Que a perícia se faz indispensável à elucidação da matéria, tendo em vista que a documentação não foi objeto de qualquer análise, pelo que requer seja feita perícia em seus livros e documentos contábeis e fiscais de acordo com os quesitos anexos (fls. 131). DAS DILIGÊNCIAS Da Primeira Diligência 3. Em face das razões e da documentação apresentada pela impugnante, foi determinada a realização de diligência fiscal, a fim de se apurar a necessidade de se alterar o lançamento. Em resposta às fls. 610/612, à auditorafiscal afirma em suma que os documentos ora fornecidos não foram apresentados durante a ação fiscal, pelo que foi realizada análise sobre os mesmos, Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 35301.007038/200605 Acórdão n.º 2403002.124 S2C4T3 Fl. 1.422 5 culminando na necessidade de retificação da presente NFLD (planilhas/FORCED às fls. 602/609). A retificação foi efetuada conforme DADR às fls. 614/634. Da Segunda Diligência 3.1. Tendo em vista a juntada, pela recorrente de documentos em fase de Recurso, solicitouse o retorno dos autos à autoridade fiscal notificante, a fim de que se manifestasse sobre a adequação da referida documentação. Em resposta às fls. 973, à auditora fiscal se pronunciou acerca da pertinência da prova documental apresentada, determinando nova retificação da presente NFLD, consoante planilhas/FORCED 967/972. As provas permaneceram nos autos para apreciação do CRPS – Conselho de Recursos da Previdência Social, razão pela qual não foi procedida a retificação. DA DECISÃONOTIFICAÇÃO, DO RECURSO E DO ACÓRDÃO DO CRPS 4. Às fls. 635/643, consta a DecisãoNotificação nº 17.401.4/0639/2005, que considerou o lançamento procedente em parte, com base no resultado da diligência. 5. Às fls. 673/705, a interessada interpôs recurso voluntário tempestivo direcionado ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS. 6. Em 04/06/2009, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que absorveu a competência do CRPS, em matéria de custeio, nos termos da Lei nº 11.457/2007, exara acórdão de fls. 1026/1031, no sentido de anular a DecisãoNotificação, por violação ao contraditório, determinando o reinício do contencioso administrativo com a ciência do Resultado das Diligências anterior e posterior à decisão de primeira instância. DA NOVA IMPUGNAÇÃO 7. Devidamente cientificada do Acórdão proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e das Diligências de 04/10/2005 e 10/04/2006, consoante Intimação nº 217/2011 e AR de fls. 1042, a interessada, interpõe, tempestivamente nova impugnação, às fls. 1043/1058, juntando os documentos de fls. 1085/1290, reiterando os argumentos da impugnação originária e alegando ainda: 7.1. Que as GPS apresentadas em relação às notas fiscais de serviço emitidas pelas empresas Brasanitas Empresa Brasileira de Saneamento e Comércio Ltda, e Liserve Serviços Auxiliares Ltda, das competências 01/00, 04/00 e 08/00, e as identificadas nas fls. 354 e 365 (atuais 543 e 564), devem ser consideradas apesar de não constarem a contabilização dessas GPS, os recolhimentos efetuados pelas requerentes não podem ser desconsiderados, pelo que reapresenta as GPS e notas fiscais que foram desconsideradas; Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 7.2. Que consoante jurisprudência, no que tange à inexigibilidade da retenção dos 11% por empresas prestadoras optantes pelo SIMPLES, devem ser excluídos do lançamento os valores lançados relativos à empresa Flora Évora Paisagismo Ltda, no período de 09/02 a 12/02; 7.3. Que a diligência realizada comprova a inexatidão da ação fiscal, ratificando que a fiscalização, ao lavrar o auto de infração, deixou de apurar corretamente o crédito tributário exigido, fazendo com que o lançamento contenha uma série de inconsistências que importam em afronta ao disposto no art. 142, do CTN e aos princípios da legalidade e da verdade material; 7.4. Que outros recolhimentos realizados pela Requerente além dos considerados na retificação do lançamento, deixaram de ser verificados pela fiscalização, resultando na indevida exigência, em diversas competências, conforme doc. 04 e 05 da empresa Brasanitas Empresa Brasileira de Saneamento e Comércio Ltda., notas fiscais das competências 06/1999 a 03/2001 e GPS das competências 09/1999 a 04/2000. 7.5. Que a confirmação da existência de tais inconsistências demonstram que o crédito tributário lançado não atende aos requisitos de liquidez e certeza para sua cobrança, razão pela qual a requerente reitera os argumentos apresentados em sua impugnação que suportam a improcedência do lançamento; 7.6. Reitera por fim a alegação de decadência dos débitos relativos às competências de 02/1999 a 06/2000, com base no art. 150, § 4º, do CTN, aplicável aos débitosprevidenciários, conforme Súmula Vinculante nº 08, do STF. 8. É o relatório.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.1326, a 10ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJO I, em 03 de abril de 2012, exarou o Acórdão n° 1244.866 , concedendo provimento parcial à impugnação. Na oportunidade retificaramse o lançamento, excluindose o período decadente (até 06/2000) e excluindo a competência 02/2001 – LEV BRS, constante nas planilhas/FORCED às fls. 967/972, de acordo com a Informação Fiscal às fls. 973 e item 33.2 acima, bem como o período de 09 a 12/2002 da empresa Flora Évora Paisagismos Ltda. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.1342, reiterando alegações que fizera em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 35301.007038/200605 Acórdão n.º 2403002.124 S2C4T3 Fl. 1.423 7 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PREJUDICIAIS DE NULIDADE DO LANÇAMENTO NO CNPJ DA FILIAL De plano, é necessário destacar que em 19 de janeiro de 2005, na forma do registro de fls.143, procederamse a 15ª ALTERAÇÃO BC CONTRATO SOCIAL para o CNPJ n°. 02.773.629/000108. Na cláusula segunda, do referido documento aduz que a empresa estabelecida no município de Vila Velha, Estado do Espírito Santo teria este como seu foro: “ CLÁUSULA SEGUNDA A sociedade tem sede na Av. Doutor Olívio Lira, 353, salas 1201 a 1216/1301 a 1316, Praia da Costa, município de Vila Velha, Estado do Espírito Santo, CEP 29.101950,que é seu foro.” O Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF, fls. 87 foi emitido em 07/07/2005. A sede da empresa seria alterada do Município de Vila Velha no Espírito SantoES somente em , 06 /12/ 2007 na forma do que registra a 23ª Alteração Contratual : “ INSTRUMENTO PARTICULAR DA 23ª ALTERAÇÃO .DO CONTRATO SOCIAL DA SOCIEDADE LIMITADA DENOMINADA "XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. XEROX COMERCIO E INDUSTRIA LTDA., com sede social na Av. Doutor Olívio Lira, 353, sala 1608, Praia da Costa, Município de Vila Velha, Estado do Espírito Santo, inscrita no CNPJ/MF sob o n.° 02.773.629/000108, com seus atos constitutivos e última alteração do contrato social devidamente arquivada na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo – JUCEES protocolo n.° 07/0982430 em 12 de novembro de 2007, resolvem, de comum acordo, deliberar às 17 horas desta data, o quanto segue: PRIMEIRO Aprovar por unanimidade a alteração de endereço da sede da sociedade, atualmente situada à Avenida Doutor Olívio Lira, Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 353. sala 1608, Praia da Costa, Vila Velha/ES, CEP: 29101950, para Avenida Rodrigues Alves, 261/275, Cais do Porto, Rio de Janeiro/RJ, CEP: 20220360, permanecendo a sociedade com o mesmo CNPJ sob o n° 02.773.629/000108 e o mesmo objeto social (...) CONTRATO SOCIAL DA XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA TITULO I Da Denominação, Sede, Prazo de duração e objeto social CLÁUSULA PRIMEIRA A sociedade, que ó empresaria, girará sob a denominação XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. CLÁUSULA SEGUNDA A sociedade tem sede na Avenida Rodrigues Alvos, 261/275, Cais do Porto, município do Rio de Janeiro , Estado do Rio de Janeiro, CEP 20220360, que é seu foro (..) Vila Velha, 06 de dezembro de 2007.” Muito embora tal registro, a ação e autuação fiscal, sem justificativas no Relatório Fiscal, elegeu o CNPJ 02.773.629/003387 da então filial aberta em 01/02/2002, com endereço à AV.Rodrigues Alves 261/ 275 Parte Cais do Porto – RJ. Assim a justificativa para que o lançamento tenha sido feito no CNPJ da filial precisaria ficar esclarecida. DOS FATOS GERADORES ANTERIORES A ABERTURA DA FILIAL AUTUADA. Pesquisa no sitio da Receita federal do Brasil, revela que a abertura desta filial 02.773.629/003387 ocorreu em 01/02/2002. Considerando que o período da constituição do crédito ocorreu nas competências 01/02/1999 a 31/12/2002, temse como nula por impossível a imputação de créditos constituídos para fatos anteriores a abertura da filial. Neste sentido não se faz legítimo seu assento no pólo passivo da autuação em razão de eventuais contratos anteriores a sua existência. DA BAIXA DA FILIAL AUTUADA Muito embora os créditos discutidos tenham sido lançados em 07/07/2005 consta, também, no sítio pesquisado que a filial em comento fora BAIXADA do Cadastro da Receita Federal em 14/08/2008 extinta por liquidação voluntária. Assim, as eventuais pendências fiscais seriam de se exigidas do respectivo estabelecimento matriz. Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 35301.007038/200605 Acórdão n.º 2403002.124 S2C4T3 Fl. 1.424 9 REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO 02.773.629/003387 FILIAL COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 01/02/2002 NOME EMPRESARIAL XEROX COMERCIO E INDUSTRIA LTDA TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS Não informada CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 2062 SOCIEDADE EMPRESARIA LIMITADA LOGRADOURO ******** NÚMERO ******** COMPLEMENTO ******** CEP ******** BAIRRO/DISTRITO ******** MUNICÍPIO ******** UF ** SITUAÇÃO CADASTRAL BAIXADA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 14/08/2008 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL EXTINCAO P/ ENC LIQ VOLUNTARIA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DO ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR Na forma do art. 745 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 vigente à época da ação fiscal, “ o estabelecimento centralizador será alterado de ofício pela SRP, quando for constatado que os elementos necessários à AuditoriaFiscal da empresa se encontram, efetivamente, em outro estabelecimento, observado o disposto no § 2º do art. 22.” Reiterese que a competência atribuída à SRP para fazer de ofício a alteração, estabelece cumprir o disposto no § 2º do art. 22, verbis: “ Art. 22. As alterações cadastrais serão efetuadas em qualquer UARP ou pela Internet, conforme o caso, exceto as abaixo Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 relacionadas, que serão efetuadas na UARP da circunscrição do estabelecimento centralizador: I de início de atividade; II de responsáveis; III de definição de novo estabelecimento centralizador; IV de mudança de endereço para outra circunscrição. § 1º Para quaisquer das alterações previstas no caput, será necessária a apresentação do contrato social, das alterações contratuais ou da ata de assembléia, registrados no órgão competente, considerandose quanto aos efeitos de vigência das alterações, o disposto no §1º do art. 21. (Nova redação dada pela IN MPS/SRP nº 23, de 30/04/2007) Redação original: § 1º Para quaisquer das alterações previstas no caput, será necessária a apresentação do contrato social, alterações contratuais ou da ata de assembléia, registrados no órgão competente. § 2º Para alteração do estabelecimento centralizador, prevista no inciso III do caput, deverá o sujeito passivo apresentar requerimento específico de alteração de estabelecimento centralizador contendo as justificativas e a indicação do número do novo CNPJ ou CEI centralizador. § 3º Para efeito do disposto no inciso III do caput, a SRP recusará o estabelecimento eleito como centralizador quando constatar a impossibilidade ou a dificuldade de realizar o procedimento fiscal neste estabelecimento. § 4º Quando a empresa solicitar alteração de estabelecimento centralizador, deverá ser cientificada da aceitação ou da recusa de sua solicitação, pela Delegacia da Receita Previdenciária DRP, no prazo de trinta dias, contados da data em que tenha protocolizado o requerimento.” Isto posto, é relevante ressaltar que não consta colacionado nos autos documentação que demonstre formalizada a eleição do estabelecimento autuado como centralizador. DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO Na exegese do art. 127 do Código Tributário Nacional é lícito concluir que se exige formal eleição do domicílio tributário pelo contribuinte e que , na falta, determinase o comando do inciso II do mesmo artigo determina que se eleja o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; : “ Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considera se como tal: Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 35301.007038/200605 Acórdão n.º 2403002.124 S2C4T3 Fl. 1.425 11 I quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; II quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior. Realçando a necessidade de eleição formal do estabelecimento centralizador, vigendo por ocasião da autuação a Instrução Normativa MPS/S|RP nº 3, de 14 de julho de 2005 , os arts. 741, 743 e 744, instruíam efetivamente : “ Art. 741. Domicílio tributário é aquele eleito pelo sujeito passivo ou, na falta de eleição, aplicase o disposto no art. 127 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). (...) Art. 743. Estabelecimento centralizador, em regra, é o local onde a empresa mantém a documentação necessária e suficiente à fiscalização integral, sendo geralmente a sua sede administrativa, ou a matriz, ou o seu estabelecimento principal, assim definido em ato constitutivo. Art. 744. A empresa poderá eleger como centralizador quaisquer de seus estabelecimentos, devendo, para isso, protocolizar requerimento na SRP, observado o disposto no art. 22. Art. 745. O estabelecimento centralizador será alterado de ofício pela SRP, quando for constatado que os elementos necessários à AuditoriaFiscal da empresa se encontram, efetivamente, em outro estabelecimento, observado o disposto no § 2º do art. 22. § 1º A escolha ou a alteração do estabelecimento centralizador levará em conta, alternativamente, o estabelecimento empresarial que: I possuir o maior número de segurados; II concentrar o funcionamento contábil e de pessoal; Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 III apresentar o maior valor de contribuição para a Previdência Social. § 2º Se o estabelecimento definido como novo centralizador estiver circunscrito a outra DRP, será providenciada, pelo Serviço/Seção de Fiscalização da DRP, a transferência dos documentos e dos registros informatizados da empresa para a DRP circunscricionante do novo estabelecimento centralizador que, no prazo de trinta dias, comunicará à empresa esta mudança. ” Não formalizar a exigência apontada, produz severas implicações. A Jurisprudência deste Conselho registra que por não ter exercido a faculdade de centralizar em um de seus estabelecimento a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição ao PIS, devida pela matriz e suas filiais, o contribuinte não se legitimou para pleitear eventual repetição de indébitos referente a pagamentos efetuados por estabelecimentos distintos daquele que efetuou o pedido de restituição, verbis: “ Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20400448 do Processo 109800072930023 10/08/2005 NORMAS PROCESSUAIS CONTRIBUIÇÃO AO PIS SEMESTRALIDADE PRAZO PARA RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. RESOLUÇÃO N° 49 DO SENADO FEDERAL. O prazo para o sujeito passivo formular pedidos de restituição e de compensação de créditos de PIS decorrentes da aplicação da base de cálculo prevista no art. 6°, parágrafo único da LC n° 7/70 é de 5 (cinco) anos, contados da Resolução n° 49 do Senado Federal, publicada no Diário Oficial, em 10/10/95. Inaplicabilidade do art. 3° da Lei Complementar n° 118/05. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. ÔNUS DA PROVA. O reconhecimento do direito creditório pertinente a indébitos só é possível quando houver prova dos recolhimentos indevidos ou efetuados a mais que o devido. O ônus dessa comprovação incumbe ao demandante. LEGITIMIDADE PARA REPETIR. INEXISTÊNCIA DE ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. A contribuinte, ao não ter exercido a faculdade de centralizar em um de seus estabelecimento a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição ao PIS, devida pela matriz e suas filiais, não se legitima para pleitear eventual repetição de indébitos referente a pagamentos efetuados por estabelecimentos distintos daquele que efetuou o pedido de restituição. PIS. BASE DE CÁLCULO. Os indébitos oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis nº.s 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, deverão ser calculados considerando que a base de cálculo do PIS, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº. 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Recurso provido em parte.” Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 35301.007038/200605 Acórdão n.º 2403002.124 S2C4T3 Fl. 1.426 13 Por ocasião da baixa da filial, vigiam os termos capitulados no inciso I do § 2º do art. 28 da Instrução Normativa RFB, n° 748, de 28 de junho de 2007, verbis: “ Art. 28. A baixa de inscrição no CNPJ, de matriz ou de filial, deverá ser solicitada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente à ocorrência dos seguintes eventos de extinção: I encerramento da liquidação, judicial ou extrajudicial, ou conclusão do processo de falência; II incorporação; III fusão; IV cisão total; V elevação de filial à condição de matriz, inclusive: a) transformação em matriz de órgãos regionais de Serviço Social Autônomo; e b) transformação em matriz de unidades regionais ou locais de órgãos públicos; VI transformação de órgãos locais de Serviço Social Autônomo em filial de órgão regional; e VII transformação de filial de um órgão em filial de outro órgão. § 1º O pedido de baixa de entidade deverá observar o disposto no art. 8º. § 2º Para efeito de baixa de inscrição no CNPJ de filial, a verificação restringirseá à análise formal do ato registrado e as pendências fiscais serão exigidas do respectivo estabelecimento matriz. § 3º Será indeferido o pedido de baixa de inscrição no CNPJ de entidade para a qual constarem as seguintes situações: I débito tributário em aberto, parcelado ou com exigibilidade suspensa; No inciso I, supra, a exigibilidade suspensa, como no caso em comento, apesar do registro do § 2º do citado artigo, era motivo de indeferimento. Cumpre ressaltar que tradicionalmente, anterior a unificação das receitas, a baixa de empresa junto ao INSS sempre fora precedida do pedido de Certidão Negativa de Débito. Na época não se concedia a baixa de filial em relação à qual constasse pendência quanto à obrigação tributária principal ou acessória. DA EVENTUAL ESTRATÉGIA PROCESSUAL Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 14 Há questão pode não estar sendo trazida à colação pela Recorrente motivada por eventual estratégia processual que posterior ao trânsito em julgado nas instância administrativas sem que lhe tenha sido atribuído êxito, se argüida em juízo é grande a possibilidade dos argumentos prosperarem tendo em vista que confirmandose a ocorrência de ato nulo este não terá convalescido. Desse modo, cumpre ilidir prováveis ônus de sucumbência em instância judiciária. DA NULIDADE DO MPF. A matéria já fora enfrentada em sede de impugnação com arrazoado o qual tem minha anuência. Entretanto, referindome sobre outros aspectos dos MPFs, providenciei a planilha abaixo para elucidar questões relevantes na emissão dos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF. PROCESSO CNPJ MPF CIÊNCIA FLS EMISSÃO 1 37216.000668/20063502.773.629/0033870919438513/10/2004 61 08/10/04 2 37216.000672/20060102.773.629/0033870919438513/10/2004 80 08/10/04 3 37216.000677/20062602.773.629/0033870919438513/10/2004 55 08/10/04 4 37216.000705/20061302.773.629/0033870919438513/10/2004 70 08/10/04 5 35301.006194/20056002.773.629/0033870919438513/10/2004 256 08/10/04 635301.007038/20060502.773.629/00338709194385 13/10/2004 80 04/10/04 737216.000671/20065902.773.629/00338709194385 13/10/2004 50 04/10/04 837216.000674/20069202.773.629/00338709194385 13/10/2004 110 04/10/04 Ressaltese que os processos numerados de 1 a 8 tiveram o período ago/98 a out. 2004 para proceder a ação fiscal.Todos foram 5 vezes prorrogados. É relevante notar que muito embora todos tivessem o mesmo número de identificação de – 09194385 – não foram emitidos nas mesmas datas. Registramse coincidentes os de número 1 a 5, em 08/10/04 e os numerados de 6 a 8, em 04/10/04. DO NOVO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Conforme registra o Acórdão n° 1244.866 de fls.1.326, assinado digitalmente pela I. Julgadora Neusa Maria Peron Presidente e Relatora, participaram ainda do presente julgamento: Ana Lucia Teles Coutinho e José Silva Filho e Ana Carolina Denoyé Macedo da Silva. Cumpre destacar que a Decisão/Notificação n° 17.401.4/0639/2005 de fls. 420, anulada no Acórdão exarado pelos membros da Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuinte é resultado de decisão monocrática exarada pela então AuditoraFiscal Analista Ana Carolina Denoyé que mais tarde, como acima se verifica, viria compor, também, a turma de julgadores da nova decisão acima referida. DOS IMPEDIMENTOS DOS JULGADORES Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 35301.007038/200605 Acórdão n.º 2403002.124 S2C4T3 Fl. 1.427 15 No âmbito deste Conselho, na forma do inciso I e IV do art. 42, o Conselheiro está impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha praticado ato decisório monocrático. Na Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento – DRJ o inciso I do art. 19 que trata dos impedimentos dos julgadores, faz restrição tãosomente àqueles que eventualmente tenham participado da ação fiscal, verbis: “ Art. 19. Os julgadores estão impedidos de participar do julgamento de processos em que tenham: I participado da ação fiscal; ” Não obstante o acima, o inciso I do art. 18 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 determina o impedimento de atuar no processo administrativo da autoridade que tenha interesse direto ou indireto na matéria. O artigo 19 do mesmo diploma legal define que “a autoridade ou servidor que incorrer em impedimento deve comunicar o fato à autoridade competente, abstendose de atuar, verbis: “ Art. 18. É impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou autoridade que: I tenha interesse direto ou indireto na matéria; Art. 19. A autoridade ou servidor que incorrer em impedimento deve comunicar o fato à autoridade competente, abstendose de atuar.” ( grifos de minha autoria) Desse modo, conjugando as restrições de atuar em ambas instâncias, entendo ter havido irregular composição da turma julgadora na decisão “ad quod ”. Tal fato inquina de VÍCIO o Acórdão exarado. DA AUSÊNCIA DE TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL – TIAF. Muito embora tenha sido emitido o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), este, tendo sido já iniciada a ação fiscal, na forma do art. 609 da multicitada da IN 100 teve por finalidade formalizar a intimação do sujeito passivo a apresentar os documentos necessários para o procedimento fiscal,verbis: “Art. 609. O Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) tem por finalidade intimar o sujeito passivo a apresentar, em dia e em local nele determinados, os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias, os quais deverão ser deixados à disposição da fiscalização até o término do procedimento fiscal.” ( grifos de minha autoria) O Mandado de Procedimento Fiscal MPF foi assinado pelo contribuinte em 13/10/2004 e a notificação do lançamento ocorreu em 07/07/2005. Na forma do comando do § 2º do art. 591 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, a ciência do TIAF além de dar início ao procedimento fiscal, Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 16 implicava formal perda da espontaneidade do sujeito passivo referida no §3º do art. 645. (Incluído pela IN MPS/SRP nº 23, de 30/04/2007, verbis: “ Art. 591. O TIAF emitido privativamente pelo AFPS, no pleno exercício de suas funções, tem por finalidades cientificar o sujeito passivo de que ele se encontra sob ação fiscal e intimálo a apresentar, em dia e em local nele determinados, os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias, os quais deverão ser deixados à disposição da fiscalização até o término do procedimento fiscal. (Nova redação dada pela IN MPS/SRP nº 23, de 30/04/2007) § 1º Será dada ciência do TIAF ao sujeito passivo na forma prevista no art. 588. (Incluído pela IN MPS/SRP nº 23, de 30/04/2007) § 2º A ciência do TIAF dá início ao procedimento fiscal, implicando a perda da espontaneidade do sujeito passivo referida no §3º do art. 645. (Incluído pela IN MPS/SRP nº 23, de 30/04/2007) § 7º Após a ciência do TIAF, a SRP não emitirá parecer em relação a consulta referente às obrigações previdenciárias objeto de verificação no procedimento fiscal. (Incluído pela IN MPS/SRP nº 23, de 30/04/2007) Parágrafo único. Para o fim previsto no caput, considera se documento aquele definido no inciso IV do parágrafo único do art. 606.”( grifos de minha autoria) Desse modo, restando preterida formalidade obrigatória, o lançamento restou maculado por vício formal. No item 2 do Relatório Fiscal às fls.68, a Autoridade autuante registrou que : “ 2 . Para calculo do débito foi apurado o valor das Notas Fiscais/Faturas e Recibos de Serviços(Vide planilha demonstrativa anexa) registradas na escrituração contábil da empresa ou com as Notas fiscais apresentadas e aplicado o percentual de 11% conforme determina o artigo 31 da Lei 8212/91 e não foi constatado a ocorrência de crime de apropriação indébita, pois as notas apresentadas onde houve destaque foi também apresentada a respectiva guia. Está sendo lavrado o Auto de Infração n° 35.699.979 3, pela não apresentação de todas as Notas Fiscais/Faturas/Recibos. 3 . Elementos Examinados: 3.1. Os fatos geradores foram identificados a partir da análise dos seguintes documentos, apresentados pelo contribuinte à fiscalização: Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 35301.007038/200605 Acórdão n.º 2403002.124 S2C4T3 Fl. 1.428 17 3.1.1 Contratos de Prestação de Serviço e Livros Diários 08 a 640 relativos a Fevereiro de 1999 a Dezembro de 2002.”( grifos de minha autoria) Cumpre ressaltar que as sobreditas planilhas a que se refere a Autoridade Autuante constam anexadas às fls. 71/79. São autoreferidas como papéis de trabalho cujas colunas registram os números das NFs, datas, valores escriturados, o histórico contábil e o cálculo efetuado do destaque efetuado pela Auditora Fiscal, observando que estas não foram apresentadas na ação fiscal. DA INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS. O encerramento da ação fiscal ocorreu na forma do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF, fls. 87 em 07/07/2005. No decorrer da ação, no único Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, fls. 86, não reiterado, emitido em 26/10/2004 consta que foram solicitadas todas as notas fiscais de serviço das inúmeras empresas que prestaram serviços a recorrente ao longo período de agosto de 1998 a Dezembro de 2004, para o qual estaria sendo desenvolvida a ação : “ALVARÁS DE LICENÇA E HABITESE PARA CONSTRUÇÃO COMUNICAÇÕES DE ACIDENTE DO TRABALHO COMPROVANTES DE RECOLHIMENTO:GR/DARP/GRPS/GPS CONTRATO SOCIAL/DECLARAÇÃO/ALTERAÇÕES CONTRATUAIS CONTRATOS DE EMPREITADA E SUBEMPREITADA CONTRATOS DE SERV. DE CESSÃO DE MÃODEOBRA E TEMPORÁRIOS FATURAS E RECIBOS DE MÃODEOBRA GFIP, GRFP, GRFC E EVENTUAIS RETIFICAÇÕES LAUDO TÉCNICO, PERFIL PROFISSIOGRÁFICO, PPRA E PCMSO LIVRO DIÁRIO/PLANO DE CONTAS NOTAS FISCAIS DE SERVIÇOS PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE RISCOS” Por relevante, cumpre ressaltar que no referido Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF parte final – às fls. 87 , a Autoridade autuante , no campo reservado à “ Descrição do Procedimento Fiscal ”, revela que este fora parcial e que somente analisara comprovantes de recolhimentos e outros elementos. Efetiva e claramente não faz referências a livros contábeis. O destaque é de realce na medida em que no Relatório Fiscal, fls. 63, de forma sumária e genérica apenas no item 3.1.1, se fez uma única vez alusão aos s Livros Diários 08 a 640 relativos a Fevereiro de 1999 a Dezembro de 2002: “ 3 . Elementos Examinados: 3.1. Os fatos geradores foram identificados a partir da análise dos seguintes documentos, apresentados pelo contribuinte à fiscalização: 3.1.1 Contratos de Prestação de Serviço e Livros Diários 08 a 640 relativos a Fevereiro de 1999 a Dezembro de 2002.” Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 18 Aduz que , muito embora tenha sido informado o nome das contas, não se registram os respectivos números e demais efetivas informações sobre de quais livros foram retirados os lançamentos contábeis que suportaram valores tomados como base de cálculo que constituíram os créditos tributário. DAS PROVAS E DA VERDADE MATERIAL Também há que se dar destaque que apesar de a Auditora ter informado os objetos dos contratos, esta não colacionou cópias dos mesmos, assim não há como se verificar a integridade das transcrições, as datas dos pactos, se anteriores, posteriores ou contemporâneos aos fatos geradores, quem eram os pactuantes, se a matriz, a filial autuada ou outra filial qualquer, enfim quem contratou quem , quando , para qual período e de que forma efetivamente os serviços foram prestados. Enfim em atenção ao comando do art. 142 do CTN e , ainda em obediência ao Princípio da verdade Material tais procedimentos deveriam ter sido observados: “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DA NULIDADE O parágrafo único do art. 168, da lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, subsidiariamente trazido à colação, aduz que as nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz quando a encontrar provada não lhe sendo permitido suprilas, ainda que a requerimento das partes : “ Art. 168. [ ] Parágrafo único. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas, não lhe sendo permitido suprilas, ainda que a requerimento das partes.”( grifos de minha autoria) Assim, deixo de enfrentar as questões de mérito para determinar a nulidade do lançamento em razão da presença de vício formal na constituição dos créditos. Na forma do art. 61 do Decreto 70.235/72, diante dos fatos, é prerrogativa do relator declarar a nulidade: “Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade” Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 35301.007038/200605 Acórdão n.º 2403002.124 S2C4T3 Fl. 1.429 19 CONCLUSÃO Desse modo, diante de tudo que foi exposto, conheço do recurso para, EM PRELIMINAR determinar a nulidade do lançamento em razão de inquinado de VÍCIO FORMAL. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10675.902588/2009-03
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
PAGAMENTO A MAIOR. IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1801-001.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Otavio Melchiades Xavier.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Otavio Melchiades Xavier. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 25 88 /2 00 9- 03 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902588/200903 Acórdão n.º 1801001.596 S1TE01 Fl. 108 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 28737.76627.280306.1.3.044600 em 28.03.2006, fls. 0206, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de R$964,68 do valor total R$3.228,07 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) determinada sobre a base de cálculo estimada, referente ao fato gerador ocorrido em agosto de 2005, código nº 2484, efetuado em 28.09.2005. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 07, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 02.04.2009, fl. 08, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.05.2009, fls. 0917, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que a apresentação da peça de defesa tem o efeito de suspender a exigibilidade dos débitos confessados (inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional). Defende que o somatório dos recolhimentos efetuados a título de CSLL determinada a partir da base de cálculo estimada no anocalendário ultrapassa o valor devido de CSLL no seu encerramento. Argui que houve erro de fato no preenchimento da Per/DComp uma vez que informou que se tratava de pagamento indevido ao invés de saldo negativo de CSLL. Indica valores de saldos negativos de CSLL e de IRPJ dos anoscalendário de 2005 e 2006. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto, requer acolhida a presente manifestação de inconformidade com efeito suspensivo, determinando a revisão do procedimento administrativo em função das compensações efetuadas e tendo reconhecido a subsistência e procedência do direito de crédito, requer homologada as declarações de compensação, bem como os pedidos de restituição, extinguindo as cobranças que foram objeto de compensação. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902588/200903 Acórdão n.º 1801001.596 S1TE01 Fl. 109 3 Nos moldes da Lei nº 9.532, artigo 67, protesta a juntada de novas provas a serem obtidas no curso deste processo administrativo. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0936.322, de 11.08.2011, fls. 5356:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou CSLL ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Notificada em 21.09.2011, fl. 58, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.10.2011, fls. 5965, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui Diante do exposto, requer acolhida o presente Recurso Voluntário com efeito suspensivo determinando a revisão do procedimento administrativo em função das compensações efetuadas e tendo reconhecido a subsistência e procedência do direito de crédito, requer homologada as declarações de compensação, bem como os pedidos de restituição, extinguindo as cobranças que foram objeto de compensação. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.104, de 10.05.2012, fls. 6871, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente: analisar a origem e a procedência saldo negativo anual de CSLL, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso1. A Recorrente foi intimada do resultado da diligência em 29.11.2012, fl. 103, e permaneceu silente. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. 1 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902588/200903 Acórdão n.º 1801001.596 S1TE01 Fl. 110 4 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902588/200903 Acórdão n.º 1801001.596 S1TE01 Fl. 111 5 documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 3. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência5. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. E isso porque, em verdade, há possibilidade de aproveitamento de valores decorrentes de recolhimentos estimados na formação do saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL. Necessária se faz a apreciação pela autoridade administrativa da efetiva existência do crédito decorrente de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período6. 3 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902588/200903 Acórdão n.º 1801001.596 S1TE01 Fl. 112 6 Tem cabimento a análise da situação fática. Consta na Informação Fiscal DRF/UBL/MG, fls. 99101, a qual deve ser acolhida como correta na sua integralidade nessa segunda instância de julgamento: PROCESSO Nº PER/DCOMP RES. CARF 10675.902588/200903 28737.76627.280306.1.3.044600 180100.104/2012 10675.902589/200940 28866.87613.280306.1.3.040747 180100.105/2012 10675.902591/200919 30176.21042.250406.1.3.048500 180100.107/2012 10675.902593/200916 13781.82468.250506.1.3.045101 180100.109/2012 10675.902590/200974 35267.21125.250406.1.3.048594 180100.106/2012 10675.902594/200952 11171.63226.230606.1.3.043603 180100.110/2012 10675.902596/200941 20375.69676.210706.1.3.045002 180100.112/2012 10675.902595/200905 09118.82525.210706.1.3.045471 180100.111/2012 10675.902597/200996 40908.87659.280806.1.3.040372 180100.113/2012 10675.902599/200985 22341.86147.220906.1.3.046019 180100.096/2012 10675.902598/200931 04232.24444.220906.1.3.043411 180100.095/2012 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 180100.097/2012 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 180100.098/2012 A presente Informação Fiscal abrange os processos acima identificados, os quais tiveram o julgamento convertido em diligência pela 1ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, através das Resoluções citadas. A diligência solicitada tem como objeto a análise da origem e procedência do saldo negativo anual de CSLL, do anocalendário 2005, devendo ser examinados em conjunto todos os PER/DCOMP que tiverem por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. Os processos relacionados referemse a DCOMP não homologadas, relativas a créditos de pagamentos indevidos ou a maiores de estimativas de CSLL (código 2484), do anocalendário 2005, totalizando o valor pleiteado de R$12.920,70, conforme abaixo detalhado. Segundo as alegações do contribuinte o crédito solicitado corresponderia na verdade ao saldo negativo de CSLL do exercício 2006, indevidamente requerido como crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PROCESSO Nº PER/DCOMP VALOR(R$) TRIB. COD DATA PGTO PA 10675.902588/200903 28737.76627.280306.1.3.044600 964,68 CSLL 2484 28/09/2005 31/08/2005 10675.902589/200940 28866.87613.280306.1.3.040747 810,29 CSLL 2484 28/09/2005 31/08/2005 10675.902591/200919 30176.21042.250406.1.3.048500 769,20 CSLL 2484 28/09/2005 31/08/2005 10675.902593/200916 13781.82468.250506.1.3.045101 1.361,67 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902590/200974 35267.21125.250406.1.3.048594 229,46 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902594/200952 11171.63226.230606.1.3.043603 382,82 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902596/200941 20375.69676.210706.1.3.045002 1.153,98 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902595/200905 09118.82525.210706.1.3.045471 322,32 CSLL 2484 29/11/2005 31/10/2005 10675.902597/200996 40908.87659.280806.1.3.040372 1.776,54 CSLL 2484 29/11/2005 31/10/2005 10675.902599/200985 22341.86147.220906.1.3.046019 1.528,58 CSLL 2484 29/11/2005 31/10/2005 10675.902598/200931 04232.24444.220906.1.3.043411 769,61 CSLL 2484 29/12/2005 30/11/2005 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 2.771,38 CSLL 2484 29/12/2005 30/11/2005 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 80,17 CSLL 2484 29/12/2005 30/11/2005 TOTAL DO CRÉDITO CSLL 12.920,70 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902588/200903 Acórdão n.º 1801001.596 S1TE01 Fl. 113 7 Conforme se verifica na DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, nº 059432658, regularmente apresentada pelo contribuinte, relativa ao exercício 2006, anocalendário 2005, a empresa apurou na ficha 17 a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida de R$21.024,11, que deduzida das estimativas pagas no decorrer do período de apuração (no total de R$34.178,15) resultou no saldo negativo anual de CSLL no valor de R$13.154,04. Os débitos de estimativas informados na DIPJ/2006 foram devidamente confessados em DCTF e liquidados pelos pagamentos relacionados a seguir, conforme extrato do Sistema SIEF/Fiscel anexado aos processos. Na última coluna do demonstrativo abaixo estão destacados os valores referentes aos pagamentos de estimativas que foram objeto das declarações de compensação entregues pelo contribuinte, totalizando o crédito pleiteado de R$12.920,70. . Nº PAGAMENTO CÓDIGO DATA ARRECADAÇÃO VALOR(R$) VALOR OBJETO DCOMP 4919701808 2484 28/02/2005 2.373,19 0208825446 2484 28/03/2005 3.002,78 0209761896 2484 29/04/2005 2.868,03 5072607938 2484 31/05/2005 3.555,15 5116278968 2484 28/06/2005 2.854,66 5167127538 2484 26/07/2005 2.605,28 1892652981 2484 26/08/2005 3.032,74 1987428871 2484 28/09/2005 3.228,07 2.544,17 2076652671 2484 28/10/2005 3.249,53 3.127,93 2133582661 2484 14/11/2005 111,74 2133582841 2484 14/11/2005 48,38 2155698461 2484 29/11/2005 3.627,44 3.627,44 2246085561 2484 29/12/2005 3.621,16 3.621,16 [TOTAL DO CRÉDITO CSLL] 34.178,15 12.920,70 Uma vez confirmada a existência do crédito de saldo negativo de CSLL para o período 01/01/2005 a 31/12/2005 no valor declarado na DIPJ/2006 de R$13.154,04 (treze mil cento e cinqüenta e quatro reais e quatro centavos), entendo que o contribuinte faz jus ao crédito de saldo negativo no valor de R$12.920,70 correspondente ao total pleiteado nas DComp em análise. Ademais, tratandose de crédito de saldo negativo, a correção pela taxa Selic aplicarseá a partir do dia seguinte ao do encerramento do período de apuração (01/01/2006). Assim, efetuando por meio do sistema NEOSAPO, aplicativo homologado pela RFB, a simulação do encontro de contas entre o crédito de saldo negativo de CSLL no valor de R$12.920,70 e os débitos compensados nas respectivas DComp em análise, verificase nos demonstrativos de cálculo anexados aos processos que o crédito não foi suficiente para homologação de todas as declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte, conforme detalhado no quadro a seguir. DÉBITO PROCESSO Nº PER/DCOMP Cod. PA VENC. Valor SITUAÇÃO DCOMP 10675.902588/200903 28737.76627.280306.1.3.044600 2484 01/2006 24/02/06 943,69 Homologada Total 10675.902589/200940 28866.87613.280306.1.3.040747 2484 02/2006 31/03/06 873,82 Homologada Total Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902588/200903 Acórdão n.º 1801001.596 S1TE01 Fl. 114 8 10675.902591/200919 30176.21042.250406.1.3.048500 2484 03/2006 28/04/06 840,43 Homologada Total 10675.902593/200916 13781.82468.250506.1.3.045101 2484 04/2006 31/05/06 1483,27 Homologada Total 10675.902590/200974 35267.21125.250406.1.3.048594 2484 03/2006 28/04/06 247,47 Homologada Total 10675.902594/200952 11171.63226.230606.1.3.043603 2484 05/2006 30/06/06 421,91 Homologada Total 10675.902596/200941 20375.69676.210706.1.3.045002 2484 06/2006 31/07/06 1285,42 Homologada Total 10675.902595/200905 09118.82525.210706.1.3.045471 2484 06/2006 31/07/06 354,58 Homologada Total 10675.902597/200996 40908.87659.280806.1.3.040372 2484 07/2006 31/08/06 1975,16 Homologada Total 10675.902599/200985 22341.86147.220906.1.3.046019 2484 08/2006 29/09/06 1718,74 Homologada Total 10675.902598/200931 04232.24444.220906.1.3.043411 2484 08/2006 29/09/06 854,04 Homologada Total 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 2484 09/2006 31/10/06 3104,78 Homologação Parcial 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 2484 10/2006 30/11/06 90,69 Não Homologada Concluindo, remanesceria como saldos devedores os débitos abaixo discriminados, a serem exigidos do sujeito passivo, com os acréscimos legais devidos até a data do pagamento. Cód. P. A Venc. Vr. original do débito (R$) Vr .extinto por compensaçã o (R$) Saldo devedor (R$) Processo nº PER/DCOMP Nº 2484 09/2006 31/10/2006 3.104,78 2.930,27 174,51 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 2484 10/2006 30/11/2006 90,69 0,00 90,69 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 Estas as informações prestadas em atendimento à diligência solicitada. Examinando todas essas informações comprovase a existência saldo negativo de CSLL no valor de R$964,68 do anocalendário de 2005. Por essa razão cabe reconhecer o direito creditório correspondente. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, se comprova. Em assim sucedendo, por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer direito creditório correspondente ao saldo negativo de CSLL no valor de R$964,68 do anocalendário de 2005 para fins de homologar da compensação dos débitos até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 114DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902588/200903 Acórdão n.º 1801001.596 S1TE01 Fl. 115 9 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19515.003240/2010-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
MULTA DE OFÍCIO - REVISÃO OU RELEVAÇÃO - AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO - PRECLUSÃO
Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa.
Recurso Voluntário Negado.
PERÍCIA - AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DE SUA NECESSIDADE - FATOS DESCRITOS PELO AUDITOR SÃO SUFICIENTES PARA IDENTIFICAÇÃO DA AUTUAÇÃO
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova
O recorrente teve acesso a todos os documentos e bases de cálculo apurados no AI, sendo assim a perícia é despicienda.
Numero da decisão: 2401-003.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AIOP. Em se tratando de auto de infração que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos necessidade de perícia para identificar os fatos geradores e alíquotas aplicáveis. PERÍCIA AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DE SUA NECESSIDADE FATOS DESCRITOS PELO AUDITOR SÃO SUFICIENTES PARA IDENTIFICAÇÃO DA AUTUAÇÃO Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova O recorrente teve acesso a todos os documentos e bases de cálculo apurados no AI, sendo assim a perícia é despicienda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 MULTA DE OFÍCIO REVISÃO OU RELEVAÇÃO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO PRECLUSÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 32 40 /2 01 0- 74 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003240/201074 Acórdão n.º 2401003.059 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrada sob o n. 37.143.5978, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, levantadas sobre os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais não declarados em GFIP. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 23, o lançamento compreende competências entre o período de 01/2006 a 12/2007 e referese aos seguintes fatos geradores: SEGURADOS EMPREGADOS (...) Os fatos geradores foram comprovados através da análise das folhas de pagamentos e o lançamento do crédito tributário se deu a partir da comprovação do não recolhimento das respectivas contribuições Previdenciárias. 2. Antes do inicio deste procedimento fiscal, o contribuinte havia apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações A Previdência Social (GFIP) com informações parciais dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, omitindo empregados, nas competências de julho a dezembro de 2006 e janeiro a dezembro de 2007. Na competência de abril de 2006 a empresa não apresentou GFIP. Também não ficaram comprovados os respectivos recolhimentos Previdenciários. 3. Esclarecemos que, conforme determina o art. 225, inciso VI, § 1° do Decreto 3.048 de 06/05/99 e o § 70 do art. 33 da Lei 8.212/91, as informações prestadas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social — GFIP constituemse, por si só, confissão de divida, portanto o débito aqui constituído não compreende valores declarados em GFIP até o inicio desta fiscalização. Devido ao fato de que a empresa tem como procedimento habitual e incorreto enviar diversas GFIP's, com alguns segurados, com a mesma "chave", ou seja: o mesmo CNPJ, a mesma competência, o mesmo FPAS e o mesmo código de recolhimento, há sempre a ocorrência de sobreposição da GFIP posterior sobre a anterior; sendo assim as GFIP's consideradas foram aquelas com data de envio mais próxima e anterior data da ciência pelo contribuinte do inicio da ação fiscal: 29/04/2010, respeitando os créditos já constituídos através de DCG's — Débitos confessados em GFIP. PRO LABORE Fl. 227DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 B3.a) PROLABORE Ficou constatado que a empresa remunera, a titulo de prólabore, a sócia Sônia Lore Hoffmannbeck Pries. Tal comprovação se deu através dos lançamentos efetuados nas folhas de pagamentos com a rubrica "029 — PróLabore" e com a comprovação dos respectivos lançamentos contábeis. AUTÔNOMOS NA FOPAG B3.b) AUTÔNOMOS EM FOLHA DE PAGAMENTOS Ficou constatado que a empresa efetua pagamentos a contribuintes individuais autônomos. Esta comprovação se deu através dos lançamentos efetuados nas folhas de pagamentos na rubrica "030 — Pgt. a Autônomo", e com a comprovação dos respectivos lançamentos contábeis. Estes autônomos também estão declarados na DIRF com o código 0588. AUTÔNOMOS FORA DA FOLHA Foi verificado que a empresa efetua pagamentos a autônomos os quais não estão incluídos em folha de pagamentos. Estes pagamentos foram comprovados a partir do declarado na DIRF com o código 0588. Devido à impossibilidade de identificar os respectivos lançamentos contábeis foi solicitado a empresa, através dos Termos de Intimação Fiscal n ° 02 e 03, para que fosse indicado em que contas foram lançados os pagamentos, bem como a • apresentação dos respectivos recibos de pagamentos. Como a empresa não atendeu ao solicitado nos termos e diante da impossibilidade de identificação das contas lançadas, uma vez que o sujeito passivo não exibiu os documentos comprobatórios dos pagamentos a contribuintes individuais, utilizouse então esta fiscalização de arbitramento através da aferição indireta da base de cálculo das contribuições Previdenciárias para a remuneração paga ou creditada a contribuinte individual. A partir de informações obtidas em sistemas corporativos da RFB a base de cálculo aferida foi aquela declarada na Declaração do Imposto de Renda retido na fonte —DIRE, com código 0588. Foram excluídos os pagamentos efetuados àqueles que estão declarados nas folhas de pagamentos. Obs: Para as infrações com o fato gerador anterior a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP 449/2008, a multa aplicada deve observar o principio da retroatividade benigna (Código Tributário Nacional, art. 106, inc.II, c), comparandose a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente adotando a mais benéfica para o contribuinte, Para as infrações ocorridas a partir de 04/12/2008, aplicamse as disposições previstas no art. 32,a e 35,a da Lei 8.212/91, incluídos pela MP 449/2008, que tratam respectivamente das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias e das multas aplicadas pelo lançamento de oficio. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003240/201074 Acórdão n.º 2401003.059 S2C4T1 Fl. 4 5 Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 26/11/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 02/12/2010. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 157 a 164, em que argumenta basicamente a exclusão dos corresponsáveis e a realização de perícia, considerando a realização de procedimento unilateral pelo auditor. Foi exarada Decisão de Primeira Instância que confirmou a procedência do lançamento, fl. 182 a 191. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. Contribuições devidas à Seguridade Social a título de quota patronal sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais e referentes ao grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GIILRAT, sobre a remuneração dos segurados empregados. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. A Autoridade Julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. FASE INQUISITORIAL DO PROCESSO. INEXISTÊNCIA DE CONTENCIOSO. O processo administrativo fiscal é precedido de uma fase na qual a Autoridade Administrativa pratica atos de ofício tendentes à aplicação da legislação tributária à situação de fato, que resultam na individualização da obrigação tributária lançamento tributário e/ou na aplicação de penalidades. Nesta fase a Autoridade Fiscal coleta dados, examina documentos, procede à auditagem dos dados contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária, bem como analisa se houve descumprimento de alguma obrigação acessória. Tratase de procedimento de iniciativa exclusiva da Autoridade Fiscal. Assim, nesta fase oficiosa, os procedimentos que antecedem o ato de lançamento/autuação são unilaterais da fiscalização, não havendo que se falar em contencioso/ampla defesa/contraditório. RELATÓRIO VÍNCULOS. Em razão de o RELATÓRIOS DE VÍNCULOS visar a atender o disposto na LEF Lei de Execuções Fiscais (Lei nº 6.830/80), qualquer correção deve restringirse aos dados referentes à pessoa, ao cargo que ela ocupava, quando da ocorrência dos fatos geradores e ao período de atuação. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ENDEREÇO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Indeferese o pedido de endereçamento de intimações ao escritório dos procuradores em razão de inexistência de previsão legal para intimação em endereço diverso do domicílio do sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 196 a 199. Em síntese, a recorrente alega: 1. Embora alicerçada nas conclusões apresentadas no acordão, essas podem ter sido realizadas de forma equivocada, vez que o trabalho fiscal foi desenvolvido UNILATERALMENTE, envolvendo o período de 01/2006 a 12/2007. 2. Reitera o pedido de perícia no intuito de se conferir todo o trabalho fiscal, sendo que após a realização da mesma, se reserva ao direito de se pronunciar acerca de outras questões preliminares e de mérito relacionadas a infração. 3. Requer a reforma da decisão prolatada após revisão de todo o processado e ao final cancelar as exigências feitas no AI, o deferimento da perícia, bem como, inova no pedido de relevação ou redução da multa de ofício aplicada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003240/201074 Acórdão n.º 2401003.059 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 223. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar o indeferimento da perícia, o fato do procedimento ter sido realizado unilateralmente, sem refutar, diretamente qualquer dos fatos geradores apurados . Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente autuação, como não houve impugnação, nem mesmo recurso expresso aos valores lançados como fato geradores de contribuição presumese a concordância com a decisão proferida. Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, qualquer nulidade a ser declarada de ofício. A alegação de que o lançamento deuse unilateralmente, razão pela qual necessária a realização de perícia não merece prosperar. Houve a regular cientificação do recorrente, sendo que no presente AI, encaminhado ao recorrente, o mesmo teria plena condição de realizar todas as impugnação devidas. O auditor realizou as intimações para a apresentação dos documentos e comprovação da regularidade fiscal. Após o prazo designado no Termo de Início de Ação Fiscal e termo de intimação, procedeu o auditor ao lançamento, porém elaborando relatório fiscal detalhado com os fatos geradores e valores apurados, que associado aos demais relatórios constantes do AI, permitiriam ao recorrente impugnar pontualmente, tudo o que dele discordasse. Ademais, tratase de autuação que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito – DAD. Os valores objeto da presente auto foram lançados com base na GFIP e FOPAG (já que descrito pela autoridade fiscal, que a empresa entregava várias GFIP para uma mesma chave, incorrendo em sobreposição das mesmas, declaração realizada pela própria empresa. Portanto, não há que se falar que não foi possível identificar os fatos geradores para proceder a defesa. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) Fl. 231DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. QUANTO A PERÍCIA Quanto ao argumento de indeferimento de perícia, para apurar erros de base de cálculo e alíquotas aplicáveis, entendo que razão não assiste ao recorrente. De acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contrarrazões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003240/201074 Acórdão n.º 2401003.059 S2C4T1 Fl. 6 9 § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia, assim considerase não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Fl. 233DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos, bem como os documentos foram apresentados pelo próprio rcorrente. E com principio basilar do direito processual, cabe à parte provar fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do Fisco. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente e a autuação seguiu o procedimento previsto, assim não reconheço a necessidade da perícia. QUANTO AO QUESTIONAMENTO SOBRE A MULTA Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. O recorrente requer a exclusão da multa de oficio, sem ter se insurgido contra a mesma na época oportuna. Dessa forma, em sendo a mesma aplicada dentro dos limites legais, não merece guarida, qualquer argumentação quanto a sua aplicação. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos decisão de primeira instância, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar presente lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 234DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13855.001117/2006-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIA-PRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ART. 62-A DO RICARF. POSSIBILIDADE. .
No âmbito da Lei nº 9.363/96, é possível apurar crédito presumido de IPI, como ressarcimento de PIS/COFINS, nas aquisições de pessoas físicas ou cooperativas. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial n.º 993.164/MG), aplicado ao caso, nos termos do art. 62-A do RICARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VALOR DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÕES CAMBIAIS.
O valor das variações cambiais não compõe o valor da receita de exportação no cálculo do crédito presumido de IPI.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. PRODUTO INTERMEDIÁRIO.
Os produtos químicos utilizados na fabricação de açúcar e álcool (caldeira) se enquadram na definição de produto intermediário para fins de cálculo do crédito presumido.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. INSUMOS. ESTOQUE. PRODUTOS ACABADOS E PRODUTOS ACABADOS E NÃO VENDIDOS.
Ao teor do art. 3º, § 3º, da Portaria MF 38/97, no último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverá ser excluído da base de cálculo do crédito presumido o valor das matérias-primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos. Não tendo a recorrente provado que cumpriu tal norma, merece ser mantido o acórdão recorrido e a glosa dos créditos nessa parte.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: a) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à inclusão da variação cambial no cálculo da receita bruta de exportação. Vencidos os Conselheiros Leonardo Mussi da Silva, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri; b) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto ao crédito vinculado aos produtos acabados em estoque; e c) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário quanto às demais questões suscitadas no recurso.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves - Relator
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Octávio Carneiro Silva Corrêa, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Leonardo Mussi da Silva. Fez sustentação, pela recorrente, o advogado Halley Henares, OAB/SP nº. 125.645.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIAPRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ART. 62A DO RICARF. POSSIBILIDADE. . No âmbito da Lei nº 9.363/96, é possível apurar crédito presumido de IPI, como ressarcimento de PIS/COFINS, nas aquisições de pessoas físicas ou cooperativas. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial n.º 993.164/MG), aplicado ao caso, nos termos do art. 62A do RICARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VALOR DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. O valor das variações cambiais não compõe o valor da receita de exportação no cálculo do crédito presumido de IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. PRODUTO INTERMEDIÁRIO. Os produtos químicos utilizados na fabricação de açúcar e álcool (caldeira) se enquadram na definição de produto intermediário para fins de cálculo do crédito presumido. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. INSUMOS. ESTOQUE. PRODUTOS ACABADOS E PRODUTOS ACABADOS E NÃO VENDIDOS. Ao teor do art. 3º, § 3º, da Portaria MF 38/97, no último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverá ser excluído da base de cálculo do crédito presumido o valor das matérias primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 11 17 /2 00 6- 03 Fl. 805DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MO URA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 vendidos. Não tendo a recorrente provado que cumpriu tal norma, merece ser mantido o acórdão recorrido e a glosa dos créditos nessa parte. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: a) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à inclusão da variação cambial no cálculo da receita bruta de exportação. Vencidos os Conselheiros Leonardo Mussi da Silva, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri; b) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto ao crédito vinculado aos produtos acabados em estoque; e c) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário quanto às demais questões suscitadas no recurso. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Octávio Carneiro Silva Corrêa, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Leonardo Mussi da Silva. Fez sustentação, pela recorrente, o advogado Halley Henares, OAB/SP nº. 125.645. Relatório Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório, que reconheceu parcialmente o crédito presumido apurado no período em destaque, pela exclusão no cálculo do beneficio das aquisições de pessoas não contribuinte do PIS e da COFINS, insumos que, pela legislação aplicável, não são considerados como matériaprima, produtos intermediário e material de embalagem, variações cambiais ativas e em razão da indevida apuração dos insumos utilizados na produção de produtos acabados e não vendidos.. Cientificada do despacho, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ (fls. 776 e ss.). Não conformada com o acórdão recorrido, a impugnante apresentou recurso voluntário, reiterando seu pedido de reforma do aresto e a homologação dos créditos presumidos. É o relatório. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MO URA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13855.001117/200603 Acórdão n.º 3202000.762 S3C2T2 Fl. 806 3 Voto Vencido Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves: O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser conhecido seu mérito. Em primeiro lugar, aprecio a questão da possibilidade de incluir na apuração de crédito presumido, previsto na Lei nº 9.363/96, as aquisições de insumos de pessoas físicas. O tema foi objeto de recurso repetitivo do STJ, que consolidou jurisprudência em prol do pleito dos contribuintes, como se verifica da ementa abaixo: A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial n.º 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. (REsp 1241856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013) Esta orientação foi consolidada na Súmula 494/STJ, de seguinte teor: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP Assim, com base no art. 62A do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos decorrentes das aquisições de insumos de pessoas físicas ou cooperativas. Quanto a glosa de produtos, por não terem sido considerados produtos intermediários, é preciso contextualizar tais aquisições no processo produtivo da empresa, antes de lançar um pronunciamento sobre o assunto, destacando, de logo, que a recorrente interpôs recurso voluntário apenas contra parte das anulações de créditos dessa natureza, efetivadas pela fiscalização. As mercadorias objeto do recurso voluntário, que não foram consideradas produtos intermediários pela fiscalização, foram: i) ácido clorídico AC 9505 Betzdearborn, resina amberlite IR120NA, condicionador de lama, poliacrilato alumínio LC1176L, sal grosso, Soda líquida50%, utilizados para evitar a incrustação da tubulação da caldeira; ii) cloro hipoclodiaco sólido, utilizado para eliminar bactérias que afetam a fermentação, da qual resulta a produção de álcool carburante; iii) dispersante FAF 9551/ART 9100C, que reduz a espuma decorrente da fermentação alcoólica; iv) sulfito de sódio Z 25/IS 1075, utilizado para evitar a danificação da tubulação da caldeira; v) soda líquida50%, utilizada no álcool carburante para manter o PH exigido pela ANP. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MO URA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 De acordo com a descrição dos produtos, percebese que os mesmos preenchem os requisitos do PARECER CST 65/79, a saber: fazem parte do processo industrial da empresa e entram em contato físico com a mercadoria em fabricação. Nesse sentido, reproduzo o item 11 do Parecer Normativo CST nº 65/79: 11 Em resumo, geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no Ativo Permanente. Desse modo, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito aos créditos vinculados à aquisição dos mencionados produtos, mantendo a autuação quantos aos demais aquisições, cujos os créditos foram glosados por não se referirem a produtos intermediários. No que diz respeito ao conceito de receita de exportação, para fins de creditamento nos termos da Lei nº 9.363/96, de modo a incluir ou não as variações cambiais ativas, objeto de nota fiscal complementar, entendo que também merece provimento o recurso. O art. 6º da Lei nº 9.363/1996 dispõe que o conceito de receita de exportação será definido pelo Poder Executivo; Art. 6º.O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador" O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria MF 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido, instituído pela Lei 9.363/96, e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). Nesse diapasão, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), repetindo o conceito de receita de exportação trazido no art. 3º, § 15, II, da Portaria MF 38/97. Leiase: Art. 8º Para efeitos desta Instrução Normativa, considerase: [...] II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; Fl. 808DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MO URA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13855.001117/200603 Acórdão n.º 3202000.762 S3C2T2 Fl. 807 5 Como se verifica do teor da definição do art. 8º, II, da Instrução Normativa 23/97, a receita bruta de exportação é o produto da venda para o exterior, sem restringir a espécie de receita (operacional, não operacional, financeira etc) oriunda dessa operação de exportação. Colhamse o seguinte julgado da 3ª S, 3ªC, 2ª TO do CARF, nesse sentido: CARF 3a. Seção / 2a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 3302 00.348 em 18/03/2010 Ressarcimento de IPI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUT0S INDUSTRIALIZADOS IPI EMENTA Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CREDITO PRESUMIDO DE IPI, INSUMOS. Incabível o cálculo do credito presumido do IPI sobre mercadorias não consumidas no processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS COMBUSTIVEIS E LUBRIFICANTES. Incabível o cálculo do crédito presumido do IPI sobre combustíveis e lubrificantes exvi da Sumula n° 12 do Conselho de Contribuintes. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, BASE DE CÁLCULO, VARIAÇÃO CAMBIAL. As variações cambiais complementares objeto de emissão de nota fiscal conforme determinado pela legislação aduaneira integram a receitas de exportação para fins de apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Voluntário Parcialmente Provido. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar movimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Participai um do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramiidas, Luis Eduardo Garossino Barbieri e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o Conselheiro Alexandre Gomes. Publicado no DOU em: 29.03.2011 Recorrente: MWL BRASIL RODAS E EIXOS LTDA Recorrida: DRJ RIBEIRÃO PRETO/SP Não tendo o ato regulamentar restrigindo o conceito de receita bruta de exportação, no período dos créditos sob análise, não é adequado pegar emprestado outras definições legais ou os “perguntas e respostas” para excluir da receita bruta de exportação as receitas financeiras resultantes da exportação. Por essa razão, dou provimento ao recurso voluntário para que a receita bruta de exportação inclua a variação cambial positiva decorrente da operação de exportação, na apuração do crédito presumido. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MO URA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Por fim, nego provimento ao recurso voluntário, na parte dos créditos que foram glosados por desrespeitarem o disposto no art. 3º, § 3º, da Portaria MF nº 38/97, cuja redação é a seguinte: § 3º No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverá ser excluído da base de cálculo do crédito presumido o valor das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos. Analisando esse ponto, a DRJ assentou que o Livro de Registro de Inventário demonstra que a empresa não cumpriu tal procedimento, não tendo a recorrente infirmado a indigitada asserção do acórdão recorrido, abaixo transcrita como parte integrante da fundamentação do presente voto: Resta evidente nos autos que, como demonstrado pelo Livro Registro de Inventário, o cálculo do interessado utilizou como parâmetro o valor dos produtos acabados em estoque e não os insumos efetivamente utilizados na produção, sendo que não corresponde à realidade os alegados ajustes afirmados pela defesa. Tampouco o cálculo da fiscalização se constituiu em mera estimativa, como quer fazer crer a manifestante, na medida que o percentual apurado reflete a verdadeira situação dos estoques. Ante o exposto, DOU PARCIAL provimento ao recurso voluntário para que: a) sejam reconhecidos os créditos, alusivos à aquisição de insumos de pessoas físicas ou cooperativas; b) sejam reconhecidos os créditos, alusivos às aquisições de i) ácido clorídico AC 9505 Betzdearborn, resina amberlite IR120NA, condicionador de lama, poliacrilato alumínio LC1176L, sal grosso, Soda líquida50%, utilizados para evitar a incrustação da tubulação da caldeira; ii) cloro hipoclodiaco sólido, utilizado para eliminar bactérias que afetam a fermentação, da qual resulta a produção de álcool carburante; iii) dispersante FAF 9551/ART 9100C, que reduz a espuma decorrente da fermentação alcoólica; iv) sulfito de sódio Z 25/IS 1075, utilizado para evitar a danificação da tubulação da caldeira; v) soda líquida50%, utilizada no álcool carburante para manter o PH exigido pela ANP. c) a receita bruta de exportação inclua a variação cambial positiva decorrente da operação de exportação, na apuração do crédito presumido. A autoridade de origem deve reapurar os créditos conforme os parâmetros acima, mantendo a glosa quanto às demais questões. É o voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Fl. 810DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MO URA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13855.001117/200603 Acórdão n.º 3202000.762 S3C2T2 Fl. 808 7 Voto Vencedor Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Redator. A divergência em relação ao voto do ilustre Conselheiro Relator referese exclusivamente ao conceito de receita de exportação, para fins de creditamento nos termos da Lei nº 9.363/96, de modo a incluir ou não as variações cambiais ativas, objeto de nota fiscal complementar. O Relator votou por dar provimento ao Recurso Voluntário, nesta parte. A Turma, entretanto, por voto de qualidade, entendeu que deveria ser mantida a cobrança nesta matéria, sendo este Conselheiro designado para elaborar o voto vencedor. A razão neste caso está com o Fisco. Vejamos. O artigo 3º da Lei nº 9.363/96 definiu, de modo expresso, o conceito de receita de exportação e de receita operacional bruta, verbis: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (grifamos) Por aplicação do disposto no parágrafo único acima transcrito, a variação monetária ocorrida entre a data da emissão da nota fiscal de venda e a data do embarque da mercadoria para o exterior, nos termos do art. 9º da Lei nº 9.718/98, deve receber o tratamento de receitas/despesas financeiras. Vejase: Art. 9º As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. (grifamos) Desta forma, a variação cambial decorrente das vendas de produtos para o exterior não deve ser incluída no cálculo do percentual que definirá o valor da base de cálculo Fl. 811DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MO URA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 do crédito presumido do IPI, mostrandose incabível a pretensão da Recorrente, por ausência de fundamentação legal. Observese que estamos diante da variação monetária ocorrida no preço a ser recebido por conta de uma exportação para o exterior, variação essa, que, nos termos do artigo 9º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, recebe o tratamento de receitas financeiras, como vimos no dispositivo acima transcrito. Ao contrário do entendimento da Recorrente, receitas financeiras de variação cambial ativa, ainda que decorrentes de liquidação contratos de câmbios de exportação de mercadorias não constituem receitas de exportação destas, mas receitas financeiras. Pelo exposto, voto no sentido de que a variação cambial decorrente das vendas de produtos para o exterior, não deve ser incluída no cálculo do percentual que definirá o valor da base de cálculo do crédito presumido do IPI. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 812DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MO URA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10680.906379/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do crédito no valor pretendido, não há como homologar a compensação declarada.
Numero da decisão: 3401-002.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Ângela Sartori - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do crédito no valor pretendido, não há como homologar a compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 63 79 /2 00 8- 71 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por J ULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2013 por ANGELA SARTORI 2 Relatório Em 20/11/2006, o contribuinte transmitiu a PER/DCOMP 08115.45050.201106.1.7.049200, almejando a compensação no montante de R$ 1.483,14, relativo à COFINS da competência de jul/2001. O despacho decisório, por sua vez, homologou parcialmente a compensação, reconhecendo o crédito de R$ 22,47, em razão do pagamento a maior da COFINS na referida competência. O contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade reconhecendo a inexistência de direito creditório do saldo não homologado, em razão de equívoco no preenchimento da declaração, bem como alegou a não efetivação de compensação na competência de jul/2001, acostando cópia da DIPJ. Ao final, requereu a extinção da PER/DCOMP. A DRJ/BHE, ao analisar os argumentos acima sintetizados, consignou em seu voto a impossibilidade de apreciação do pedido do contribuinte, eis que compete à DRF, nos termos do art. 295, XI, do Regimento Interno da RFB. Portanto, só caberia ao órgão julgador analisar a manifestação de inconformidade no que tange ao teor do despacho decisório, qual seja, a não homologação da compensação efetuada. E, constatado, inclusive pelo próprio contribuinte, a inexistência de crédito no valor remanescente, não há a possibilidade de a DRJ homologar a compensação declarada, nem se pronunciar acerca dos débitos indevidamente compensados. Sendo assim, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, através do Acórdão nº. 0238.591, fls. 22/27, cuja ementa a seguir é transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/07/2001 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do crédito no valor pretendido, não há como homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário onde requer a extinção da PER/DCOMP por não subsistir o valor contido na declaração, eis que não houve compensação na competência de jul/2001, de modo que não deve subsistir o montante de R$ 1.440,79. É o relatório. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por J ULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2013 por ANGELA SARTORI Processo nº 10680.906379/200871 Acórdão n.º 3401002.327 S3C4T1 Fl. 6 3 Voto Conselheira Ângela Sartori, Relatora. O recurso é tempestivo, e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O cerne do processo em epígrafe restringese tão somente à análise da extinção do PER/DCOMP e, sucessivamente, o reconhecimento do direito creditório equivalente a R$ 22,47. É que foi reconhecido pelo próprio Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, que o saldo efetivamente a ser compensado é o consignado pelo despacho decisório que homologou parcialmente a compensação declarada. Ocorre, contudo, que a Manifestação de Inconformidade, nos termos do art. 74, § 9º, da Lei nº. 9.430/96 é o instrumento processual administrativo cabível tão somente quando houver irresignação quanto a não homologação da compensação. Portanto, agiu corretamente a DRJ quando julgou improcedente a defesa processual apresentada eis que ratificou a não homologação do saldo remanescente constante no despacho decisório, fato este inclusive aceito pelo contribuinte. Isso porque o que o Recorrente almeja, em verdade, é a extinção da PER/DCOMP, cuja competência para a apreciação, entretanto, é da Delegacia da Receita Federal (DRF). Por isso, temse que a Manifestação de Inconformidade consistiu em instrumento inadequado para a pretensão do contribuinte, quando deveria ter se dirigido à DRF para requerer tal feito. Conforme restou demonstrado na DRJ, nos termos do art. 295, XI do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, a competência não é outra senão da DRF, in verbis: Art. 295. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil incubem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: (...) XI – decidir sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações. Neste sentido, imperioso reconhecer que o despacho decisório homologou parcialmente a compensação declarada, assegurando um saldo credor equivalente a R$ 22,47, e que a referida decisão em momento algum foi contestada pelo Recorrente, ao contrário, foi expressamente acatada. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por J ULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2013 por ANGELA SARTORI 4 Quanto à DRJ, repisese, procedeu corretamente ao esquivarse de analisar o pedido de cancelamento da PER/COMP, eis que a DRJ é o órgão competente para apreciação de tal pleito, mantendo a parcial homologação constante no despacho decisório. Portanto, não há razões subsistentes para o provimento do presente Recurso Voluntário, devendo o Recorrente almejando o cancelamento da declaração, tomar as medidas cabíveis para tanto. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Ângela Sartori Fl. 46DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por J ULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2013 por ANGELA SARTORI
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Numero do processo: 12045.000456/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL.
A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2301-003.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Eduardo de Abreu Coutinho. OAB: 95.319/RJ.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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MONTREAL INFORMÁTICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Eduardo de Abreu Coutinho. OAB: 95.319/RJ. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 56 /2 00 7- 17 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório 1. Tratase de embargos opostos tempestivamente pela MI MONTREAL INFORMÁTICA, contra acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização de ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava na localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado. 2. Entende a embargante, em síntese, que houve omissão no referido acórdão, dada a falta de análise acerca da natureza jurídica da nulidade por cerceamento do direito de defesa, uma vez que julga necessário um pronunciamento explícito da Turma sobre o tipo de vício que motivou a anulação do lançamento. 3. Além disso, a embargante tece algumas considerações sobre o acórdão embargado e argumenta que houve contradição entres os termos do voto e o dispositivo da decisão, uma vez que entende que no caso do contribuinte, a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, conforme jurisprudência do CARF, deuse por vício material e não vício formal: “o vício não é de mero procedimento, formal, mas sim intrínseco ao lançamento do crédito tributário e a determinação da matéria tributável, ou seja, evidentemente material” (f. 758). 4. Para subsidiar sua tese a embargante transcreve alguns parágrafos do voto condutor do julgamento, que sob sua ótica contradizem o dispositivo do decisório e ao final de sua exposição argumentativa, solicita que os embargos sejam conhecidos e providos, para incluir no acórdão embargado, como justificativa da nulidade do lançamento, o vício material. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000456/200717 Acórdão n.º 2301003.589 S2C3T1 Fl. 479 3 Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes 5. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. 6. Na análise do acórdão proferido verificamos que, de fato, apesar de haver expressamente no item 15 o reconhecimento da nulidade do lançamento por vício formal, não houve o cotejamento da natureza jurídica do mencionado vício com o caso concreto, sendo assim no que tange a esse ponto, merece razão a embargante. 7. Para adentrar ao mérito da alegação de contradição, suscitando o reconhecimento do vício material como causa da nulidade do lançamento, mister se faz a distinção de vício formal e vício material. 8. Entendese por vício formal aquele relacionado aos requisitos objetivos para a validade do lançamento. Diz respeito a exigências legais préestabelecidas para o ato administrativo. Por outro lado, vício material está diretamente relacionado à própria matéria tributada pela autoridade administrativa. Envolve questões relacionadas à interpretação das normas jurídicas, situação fática apurada pela fiscalização, dados contábeis, etc. 9. O vício material diz respeito à própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento. 10. Destarte, ao analisar o voto condutor, observase que as alegações ali trazidas referemse á impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, ensejando, por consectário, a nulidade do auto por vício material, consubstanciado nos artigos 142 e 173, II, do Código Tributário Nacional. 11. Como é cediço, é formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 12. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. 13. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. 14. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. A sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. 15. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Fl. 481DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000456/200717 Acórdão n.º 2301003.589 S2C3T1 Fl. 480 5 Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) 16. Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” 17. O que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador, equívocos e omissões no dispositivo legal, da data e horário da lavratura, identificação do sujeito passivo. 18. Apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu. Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). 19. Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu. 20. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 21. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da existência do fato gerador. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação ocorreu e que esse fato existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. 22. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. 23. Ademais, este Conselho já se posicionou sobre esta matéria, ao analisar o Recurso Voluntário n. 12045.000302/200725, cuja relatoria coube ao eminente Conselheiro Igor Araújo Soares, deixando patente que o cerceamento de direito de defesa acarreta a nulidade do auto de infração por vício material. AUTO DE INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE NO MOMENTO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. De acordo com o disposto no art. 142 do CTN, deverá o fiscal, ao efetuar o lançamento, verificar e comprovar a ocorrência do fato gerador, da matéria tributável e da penalidade a ser aplicada. Em se tratando de Auto de Infração, um dos elementos que deverá ser comprovado pela fiscalização no momento do lançamento da multa pelo descumprimento da legislação previdenciária é a ocorrência ou não de circunstâncias agravantes, as quais determinam o cálculo do montante do crédito tributário a ser lançado. A posterior verificação pelo acórdão recorrido da ocorrência de circunstância agravante, não apurada quando do lançamento da multa objeto do Auto de Infração, enseja a nulidade do lançamento efetuado, pela inobservância do art. 142 do CTN. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Quando o lançamento não obedece aquilo o que determinado pelo art. 142 do CTN, deverá ser considerado como carecedor de algum de seus fundamentos principais de validade, o que enseja a ocorrência de vício material insanável. Lançamento Anulado 24. Ora, os embargos de declaração possuem o fito de aprimoramento do julgado, como bem observou o Eminente Ministro Marco Aurélio em seu voto no AI 163.047 5/PR: “os embargos declaratórios não consubstanciam crítica ao ofício judicante, mas servemlhe ao aprimoramento. Ao apreciálos, o órgão deve fazêlo com espírito de compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da parte em prol do devido processo legal”. 25. Destarte, não paira dúvida de que há a necessidade de sanar a omissão e contradição apontadas no presente recurso horizontal, devendo constar na ementa do julgado anulação do lançamento por vício material, ensejando, assim, a procedência das alegações da embargante. CONCLUSÃO Fl. 483DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000456/200717 Acórdão n.º 2301003.589 S2C3T1 Fl. 481 7 26. Pelo exposto, voto em acolher os embargos propostos, para analisar o vício existente e conceituálo como material, conforme o voto. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 484DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 11050.000710/2001-50
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 08/03/2001
Não se conhece Recurso Especial que não tenha sido instruído com as indicações das Leis ou provas que teriam sido contrariadas, nos termos do RICARF.
Recurso Especial do Procurador não conhecido
Numero da decisão: 9303-002.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso especial, por falta de demonstração de contrariedade à lei. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Teresa Martínez López e, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 08/03/2001 Não se conhece Recurso Especial que não tenha sido instruído com as indicações das Leis ou provas que teriam sido contrariadas, nos termos do RICARF. Recurso Especial do Procurador não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso especial, por falta de demonstração de contrariedade à lei. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Teresa Martínez López e, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 07 10 /2 00 1- 50 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 Relatório Tratase de Recurso Especial contra acórdão, que deu provimento, por maioria de votos ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 08/03/2001 Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. PRODUTO “FERROBLOCK”. MISTURA DE COMPOSIÇÃO FIXA. UTILIZAÇÃO EM FABRICAÇÃO DE VINHOS. PROPRIEDADES ANTIOXIDANTES E CONSERVANTES. POSIÇÃO 28.32. CLASSIFICAÇÃO ADEQUADA. AUTUAÇÃO IMPROCEDENTE. Improcedência da classificação adotada pelo agente fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O Recurso Especial não merece ser conhecido pelo motivos expostos a abaixo. O Senhor Procurador Representante da Fazenda Nacional apresenta recurso para a Câmara Superior de Recursos Fiscais da decisão, proferida por maioria de votos, , que está assim ementado: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 08/03/2001 Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. PRODUTO “FERROBLOCK”. MISTURA DE COMPOSIÇÃO FIXA. UTILIZAÇÃO EM FABRICAÇÃO DE VINHOS. PROPRIEDADES ANTIOXIDANTES E CONSERVANTES. POSIÇÃO 28.32. CLASSIFICAÇÃO ADEQUADA. AUTUAÇÃO IMPROCEDENTE. Improcedência da classificação adotada pelo agente fiscal. A PGFN interpôs Recurso Especial e no título “ cabimento do recurso, assim expõe: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 11050.000710/200150 Acórdão n.º 9303002.280 CSRFT3 Fl. 225 3 Transcrevo o art. 7° do Regimento Interno da Camara Superior dos Recursos Fiscais: Art. 7° Compete ã Camara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de C.âmara, quando for contrária a. lei ou evidencia da prova; Pois bem. Cabível o recurso por estar sendo oposto contra decisão não unânime (por maioria) da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que julgou o caso em desacordo com a lei tributária em desacordo com à evidencia da prova, conforme os argumentos a seguir expostos(fls. 173. Em seguida a procuradora entra diretamente no mérito, sem mencionar sequer uma lei contrariada ou evidência de prova (fls. 173 a 177). Em relação à multa de ofício também a douta procuradora cita o art. 44 da Lei 9430/96 e o Ato Declaratório Cosit, mas apenas para fundamentar o mérito. Ela nem cita na parte da fundamentação que houve contrariedade à prova. Por sua vez a presidente da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contibuintes fez o despacho nº 443/2007 (fls. 183/184), onde no item 2 escreve: “2. quanto à contrariedade a lei tributária,o recurso merece acolhida, haja vista que a decisão foi prolatada por maioria de votos;” Também não podia ser diferente pois não houve a alegação de qualquer lei tributária infringida in concreto, mas somente uma alegação genérica, conforme demonstrado acima. Assim, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela PGFN. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 231DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
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