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Numero do processo: 17437.720440/2016-25
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade preparadora intime o contribuinte a sanar a falha de representação processual, nos termos do voto da relatora, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que votou contra a realização da diligência por entendê-la prescindível.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade preparadora intime o contribuinte a sanar a falha de representação processual, nos termos do voto da relatora, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que votou contra a realização da diligência por entendê-la prescindível. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
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score : 1.0
Numero do processo: 13054.001677/2008-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-006.926
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MINUANO ESTOFADOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 00 16 77 /2 00 8- 47 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13054.001677/200847 Acórdão n.º 9303006.926 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3201001.023, que, na parte de interesse, decidiu que os valores oriundos da cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo a reforma da decisão a quo. Argumenta, em síntese, que os valores recebidos pela transferência de créditos do ICMS a terceiros constituem receita da empresa, tributável pelas contribuições. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. Na sequência, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.890, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 11080.101559/200542, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.890): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015, vez que comprovada a divergência. Quanto ao cerne da lide, especificamente à discussão acerca da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, vêse que deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das r. receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros. Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13054.001677/200847 Acórdão n.º 9303006.926 CSRFT3 Fl. 4 3 I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13054.001677/200847 Acórdão n.º 9303006.926 CSRFT3 Fl. 5 4 exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Importante ressalvar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o acúmulo de créditos do ICMS também foi decorrente de exportações para o exterior. Todavia, neste processo a Recorrente foi a Fazenda, de sorte que a aplicação do decidido no paradigma quanto à matéria em foco implica a negativa de provimento ao especial fazendário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.727707/2012-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
EXCLUSÃO. ESCRITURAÇÃO DEFICIENTE.
Situação que impede à permanência no regime do Simples Nacional, sobretudo quando houver falta de escrituração do livro-caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Possuindo o auto de infração todos os requisitos necessários à sua formalização, nos termos do artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no artigo 59 do mesmo decreto, o lançamento não é nulo.
MULTA QUALIFICADA. - OMISSÃO DE RECEITAS. SÚMULAS CARF N. 14 e 25.
No sentido que proposto pelas Súmulas CARF n. 14 e 25, a qualificação da penalidade requer uma conduta além da omissão de receitas, que revele indubitavelmente o intuito fraudulento do contribuinte, necessário, inclusive, de ser demonstrado especificamente pela fiscalização.
INDENIZAÇÃO POR RESCISÃO DE CONTRATO.
A multa ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jurídica, ainda que a título de indenização por lucros cessantes, a beneficiária pessoa física ou jurídica, inclusive isenta, em virtude de rescisão de contrato, sujeita-se à incidência do imposto de renda.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
A falta de escrituração de parte relevante da movimentação financeira registrada em conta corrente bancaria, demonstra a existência de falha na escrituração contábil da pessoa jurídica, autorizando o arbitramento do lucro, no caso presente, com base na receita bruta conhecida.
LIVRO CAIXA. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. CARACTERIZAÇÃO.
Configura omissão de receita a escrituração insuficiente, no Livro Caixa de receita auferida pelo contribuinte e verificada em sua movimentação bancária.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007
PERÍCIA CONTÁBIL
Indefere-se o pedido de perícia contábil quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, ausência de prova a ser periciada, diversa daquela examinada nos autos.
Numero da decisão: 1201-002.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a multa qualificada, reduzindo-a de 150% para 75%, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ESCRITURAÇÃO DEFICIENTE. Situação que impede à permanência no regime do Simples Nacional, sobretudo quando houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Possuindo o auto de infração todos os requisitos necessários à sua formalização, nos termos do artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no artigo 59 do mesmo decreto, o lançamento não é nulo. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. SÚMULAS CARF N. 14 e 25. No sentido que proposto pelas Súmulas CARF n. 14 e 25, a qualificação da penalidade requer uma conduta além da omissão de receitas, que revele indubitavelmente o intuito fraudulento do contribuinte, necessário, inclusive, de ser demonstrado especificamente pela fiscalização. INDENIZAÇÃO POR RESCISÃO DE CONTRATO. A multa ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jurídica, ainda que a título de indenização por lucros cessantes, a beneficiária pessoa física ou jurídica, inclusive isenta, em virtude de rescisão de contrato, sujeita se à incidência do imposto de renda. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A falta de escrituração de parte relevante da movimentação financeira registrada em conta corrente bancaria, demonstra a existência de falha na escrituração contábil da pessoa jurídica, autorizando o arbitramento do lucro, no caso presente, com base na receita bruta conhecida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 77 07 /2 01 2- 35 Fl. 711DF CARF MF 2 LIVRO CAIXA. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. Configura omissão de receita a escrituração insuficiente, no Livro Caixa de receita auferida pelo contribuinte e verificada em sua movimentação bancária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007 PERÍCIA CONTÁBIL Indeferese o pedido de perícia contábil quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, ausência de prova a ser periciada, diversa daquela examinada nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a multa qualificada, reduzindoa de 150% para 75%, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de processo para exclusão do simples através do Ato Declaratório Executivo 35, de 04 de julho de 2012 ao argumento de que o Livro Caixa da pessoa jurídica não contemplaria a movimentação bancária, caracterizando afronta ao disposto no inciso VIII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123 de 2006, com efeitos a partir de 01/08/2012 (fl. 274) e, o auto de infração de fls. 308332, que exige do sujeito passivo já identificado, o crédito de R$2.479.533,95 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, R$1.627,27 a título de Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10380.727707/201235 Acórdão n.º 1201002.266 S1C2T1 Fl. 3 3 Contribuição ao Programa de Integração Social PIS, R$952.210,18 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e R$7.510,60 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, acrescidos de multa de ofício à razão de 150% e juros de mora, correspondendo ao crédito tributário de R$10.275.352,19, em face dos fatos geradores ocorridos em 30/09/2007 e 31/12/2007. Estes valores foram apurados pelas regras do arbitramento, haja vista a escrituração mantida se mostrar imprestável para a determinação do Lucro Presumido, uma vez que o Livro Caixa não indica toda a movimentação financeira da empresa. O arbitramento foi fundamentado na inobservância do inciso II do artigo 530 do RIR de 1999. Ao contribuinte foram atribuídas as infrações decorrentes da ausência de escrituração de receitas de prestação de serviços e omissão de receita não operacional decorrente do recebimento de suposta multa indenizatória. Em relação à segunda infração, fora aplicada a multa excepcional em decorrência da constatação subjetiva de fraude pelo agente fiscal, em descompasso ao histórico contábil e patrimonial evolutivo da empresa em questão. Impugnação A empresa fiscalizada refutou as razões da autuação em manifestação de inconformidade sustentando em síntese que o disposto no art. 29, VIII da Lei Complementar n.º 123/2006 não se aplicaria como fundamentação para exclusão do simples nacional. Primeiro, registrou que não seria verdadeira a afirmação de que não teria sido contabilizada em seu livro caixa a movimentação financeira da conta de n.° 94072, mantida pelo Impugnante junto ao Banco do Brasil. Alega que a movimentação referente às suas receitas recebidas através da aludida conta encontrase devidamente contabilizada, como teria demonstrado o exame de seu Livro Caixa e do extrato da conta bancária (anexou a cópia de algumas de suas partes a título de mera amostragem docs. 04 e 05). Requereu perícia contábil, para ver comprovadas suas alegações, lado outro, afirmou não haver máfé. Destacou que toda a sua movimentação financeira teria sido regularmente declarada ao fisco, assim como submetida à regular tributação (docs. 06 e 07), como muito bem foi demonstrado na sua peça de impugnação aos autos de infração lavrados por conta dessa sua indevida exclusão do SIMPLES, argumentos aos quais reiterou e por fim pediu que fossem considerados fazendo parte desta defesa. Protestou provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, tais como a juntada posterior de documentos, a ouvida de testemunhas, tudo desde logo requerido. Pediu, em particular, a realização de perícia contábil, necessária para demonstrar que a movimentação financeira da conta nº 94072, mantida junto à agência 34711 do Banco do Brasil, está registrada em seu livro caixa e que não houve omissão de receitas da prestado de serviços. Indicou, desde logo, para atuar como assistente técnico, o Sr. Luis Paiva Timbó Júnior, brasileiro, solteiro, contador, inscrito no CPF sob o n° 302.069.36320, residente e domiciliado em Fortaleza CE, com endereço comercial na rua Luiz Alves Maia, 181, Joaquim Távora, e formula os seguintes quesitos: Fl. 713DF CARF MF 4 18.1.) No livro caixa da autuada há registros contábeis da movimentação financeira da conta 94072, mantida pela autuada junto à agência 34711, do Banco do Brasil? 18.2.) As receitas referidas no livro de apuração do ISS, que o agente fiscal afirma terem sido omitidas da declaração do Simples, foram mencionadas na DIPJ e submetidas à tributação por meio do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS? Por fim, requereu a revogação do Ato Declaratório Executivo n° 35, de 04.07.2012, com o consequente arquivamento deste processo administrativo. Considerando o acostamento de novos documentos, por cautela procedeuse à devolução à unidade de origem para ulterior análise e permitindo eventual aditamento das conclusões apuradas pela autoridade fiscal. A autoridade complementou o relatório da diligência para fazer constar: LIVRO CAIXA: tratase de reconstituição de parte do livro Caixa, de 01/08/2007 a 31/12/2007, mas que preserva as operações do livro original às fls. 04/107. Obs.: 1) O saldo final em 31/12/2007 é devedor em R$237.594,63 em ambos os livros; 2) A página final do livro Caixa apresentado pela defesa repousa às fls. 423, embora haja, evidentemente, um equívoco na seqüência das folhas do livro que foi juntado aos autos; 3) Note que o crédito bancário da conta 94072, no valor de R$10.342.500,00, em 20/08/2007, não consta de nenhum dos livros. EXTRATO: O extrato apresentado na impugnação confere com o extrato já constante dos autos, embora aquele (da impugnação) tenha se repetido no período de agosto a outubro/2007. PAGAMENTOS REALIZADOS: todos os pagamentos apresentados estão confirmados, o que impõe a sua compensação, conforme novos autos de infração simulados com a mesma data dos anteriormente lavrados. Necessário esclarecer que não houve lançamento de PIS/COFINS sobre o recebimento da multa por rescisão contratual, de maneira que os recolhimentos efetuados, que incluíram a mencionada multa, são mais que suficientes para inibir o lançamento destas contribuições por reflexo do lançamento do IRPJ sobre a omissão de receitas na declaração do SIMPLES. Em arremate, o Impugnante, após ter sido intimado em 08/11/2013 (fls. 650) manifestou reiterando as razões da impugnação, bem como o pedido de perícia contábil e requereu a improcedência da ação fiscal com o consequente arquivamento do processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10380.727707/201235 Acórdão n.º 1201002.266 S1C2T1 Fl. 4 5 Admissibilidade O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Introdução Ab initio, urge evidenciar que a empresa aqui fiscalizada não se desvencilhou de demonstrar o cabimento e adequação da perícia para comprovar aquilo que não logrou minimamente êxito em se desincumbir quando regularmente oportunizada a fazer, de maneira que a omissão de receita foi definitivamente atestada pelos documentos trazidos pelo Recorrente, com a consequente exclusão do Simples Nacional e aplicação da multa por ocasião do ilícito tributário elucidado pela Fiscalização. Nulidade do Procedimento Fiscal As alegações do Recorrente neste ponto restringemse a atacar o indeferimento da prova pericial como ponto fulcral que supostamente teria cerceado o seu direito de defesa e a provas. O fato é que, neste momento processual, já realizado todo o trabalho fiscal; e comprovado documentalmente a omissão escritural da receita; definido o quantum devido pelo contribuinte; e aplicadas as devidas penalidades, mostrase medida totalmente desacertada e injusta desnaturar a cobrança de todo o crédito tributário, para fazer prevalecer o suposto cerceamento decorrente de ausência de perícia, haja vista que mesmo quando oportunizado a esclarecer os pontos e trazer documentos que respaldassem as alegações, o Recorrente não o fez concretamente. Veja que em um contexto amplo, voltado essencialmente para a consumação do preceito que pugna pela elucidação da verdade material, esta perícia suscitada, observada de forma individualizada, se mostraria absolutamente inócua. Enquanto, em sentido contrário, todo o procedimento fiscal desenvolvido se mostra de ímpar presteza a elucidar o que de fato ocorreu. O procedimento fiscal cumpriu com a sua função essencial, identificou a omissão de receita, submeteua à apreciação do contribuinte, somente então procedeu ao desenquadramento do Simples Nacional e a consequente constituição definitiva do crédito tributário. Ademais, o contribuinte não logrou êxito em demonstrar que tal indeferimento sacralizaria o suposto desenquadramento e constituição de credito tributário ilegal. Cumpre ressaltar que a jurisprudência do CARF, de forma uníssona, valida todo o racional aqui exposto: “PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DE PROVA A SER PERICIADA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e Fl. 715DF CARF MF 6 suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia formulado para analisar provas que não foram carreadas aos autos pela recorrente”. (Acórdão nº 3302005.272 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 28/02/2018). “PRELIMINAR. PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de realização de perícia, provas documentais e testemunhais não caracterizam cerceamento do direito de defesa quando demonstrada a desnecessidade de produção de novas provas para formar a convicção do aplicador”. (Acórdão nº 2201003.716– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 04/07/2017). Desta forma, não há como se acatar a alegação de que o indeferimento de perícia poderia desnaturar o lançamento por meio da decretação de sua nulidade. Rejeito, pois, as alegações do Recorrente. Mérito O sujeito passivo foi excluído do Simples Nacional, via ADE 35 de 04/07/2012, sob a justificativa de não satisfazer os requisitos para se enquadrar no aludido regime, nos termos do art. 29, inciso VIII, da Lei Complementar nº 123/2006, uma vez que seu livro não contempla a movimentação bancária, nos termos da representação fiscal descrita no processo administrativo nº 10380.727707/201235 (fls. 512). Na impugnação o Recorrente trouxe cópias parciais de extratos e Livro Caixa visando comprovar a suposta regularidade. No entanto, contando com a inobservância do agente fiscal, constatouse ao compulsar a documentação que se tratava de reconstituição de registros do Livro Caixa dos meses de agosto a dezembro do ano fiscalizado (2007), bem como os extratos correspondentes ao mesmo período, porém o livro e extrato anexado aos autos preservou as operações do livro original às fls. 04/107, sendo que o saldo final permaneceu inalterado, qual seja, em 31/12/2007 era devedor em R$237.594,63 (em ambos os livros). É de curial observação que em nenhum dos momentos o contribuinte se desincumbiu de demonstrar o crédito bancário na “módica” quantia de R$10.342.500,00 em 20/08/2007. Com efeito, os documentos reiterados apenas confirmam a omissão de receita constatada icto oculli e que são suficientes para validade o ADE 35 e o consequente Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10380.727707/201235 Acórdão n.º 1201002.266 S1C2T1 Fl. 5 7 desenquadramento do Simples Nacional, mesmo sendo a receita de natureza não operacional, pois deveria estar ela consignada nos registros. Aliás, a aludida receita não operacional defluiria de multa indenizatória devidamente paga sem qualquer resistência e estabelecido através de instrumento contratual, juntado ao processo administrativo, bem como o respectivo distrato, o qual a empresa Recorrente firmou com a Construtora Cumbuco Ltda., com previsões que embora estampam o desequilíbrio entre as partes não podem ser simplesmente desconsiderados. Apenas a título informativo, o desequilíbrio é confirmado da transcrição da cláusula 5ª do contrato que originou a receita, qual seja: “Cláusula 5ª. Se houver desistência por parte do optante/Comprador, ele perderá tudo o que já tenha pago, bem como todos os gastos que tenha feito com os projetos" e* estudos, que serão todos custeados por conta exclusiva dele Optante/Comprador, e se a desistência se der por parte da Vendedora, ela terá que pagar ao Comprador, que poderá ser o Optante/Comprador atual ou quem ele assim indicar, como Multa de Desistência/a quantia correspondente a 50%(cinquenta por cento) do valor total do imóvel com suas atuais benfeitorias, caso em que a Vendedora receberá do Optante/Comprador, para seu uso, ou para o de quem ela vier a fornecer (da Vendedora) todos os Estudos, Projetos e Licenças, já conseguidos, relativos ao citado terreno, sem que ela tenha que pagar mais nada a ninguém, sobre o assunto, encerrando se todos os compromissos, bilateralmente”. Nada foi pago pelo Recorrente e, em 14/05/2007, o então vendedor do imóvel, a Construtora Cumbuco firmou a desistência do negócio, comprometendose a pagar ao sujeito passivo o valor previamente estipulado como multa de desistência, correspondente a 50% (cinquenta por cento) do valor total previsto para a venda do imóvel, que havia sido estipulado em R$21.000.000,00. O distrato foi formalizado conforme fls. 289/293. Com efeito, o valor da multa indenizatória foi recebido e não foi registrado no Livro Caixa do Recorrente, conforme foi apurado durante a ação fiscal, fato suficiente para determinar a exclusão ao benefício fiscal do Simples Nacional. Quanto à alegação de que teria solicitado sua exclusão ao Simples Nacional, cumpre esclarecer que o documento apresentado não tem valia. Primeiro porque não contém nenhum indicativo de que tenha sido protocolado; segundo porque a legislação do Simples Nacional impõe ao contribuinte que toda e qualquer comunicação de interesse do contribuinte e do fisco deve ser efetuada junto ao Portal do Simples Nacional, na opção “Simples Serviços”, menu “Exclusão”. Pela compulsão dos extratos e Livro Caixa resta inequívoco que não foram levados o registro o recebimento dos valores acordados no Distrato com a Construtora Cumbuco. Fl. 717DF CARF MF 8 Lado outro, contemporaneamente aos fatos, em consulta realizada junto ao Portal do Simples Nacional, a situação do sujeito passivo era de optante pelo Regime e o documento de fls. 160 que, em tese corresponderia a um pedido de cancelamento da opção, não tem valia na medida em que está desacompanhado de qualquer comprovação de ter sido protocolado, ademais para o período sob fiscalização o sujeito passivo ter apresentado declaração simplificada com todos os valores zerados e, posteriormente tentou apresentar declaração sob o regime do Lucro Presumido que foi rejeitada pelos sistemas da Receita, uma vez que já existia declaração por outro regime. Não obstante o não acolhimento da declaração pelo Lucro Presumido, considerando ter havido recolhimento dela decorrente, tais valores foram utilizados no abatimento do montante exigido. No mesmo sentido, com as comprovações documentais do Recorrente, afastouse também a exigência em relação ao item prestação de serviços gerais da autuação do terceiro trimestre de 2007, sendo que a exigência relativa ao 4º trimestre, para esta mesma infração foi mantida. Desta feita em alinho ao principio da vedação do enriquecimento sem causa, o agente fiscal abateu todos os valores pagos pelo sujeito passivo para reduzir a exigência ora norteada e tendo em vista a omissão descortinada e confirmada pelo próprio sujeito passivo despicienda se mostra a perícia requerida na impugnação e reiterada no recurso voluntário. Portanto, o ADE 35 que desenquadrou o Recorrente do regime nominado como Simples Nacional está revestido de todos os requisitos legais nos termos do art. 29, inciso VIII, da Lei Complementar nº 123/2006, uma vez que seu livro não contempla a movimentação bancária. Quanto à natureza jurídica da receita omitida na declaração A matéria aqui posta referese à possibilidade de enquadrar a verba indenizatória omitida, decorrente de descumprimento contratual, como se verba de recomposição de um dano sofrido, ou seja, que não se afeiçoaria a qualquer acepção de acréscimo patrimonial. O fundamento legal da incidência do IRPJ sobre o valor recebido está prescrito no art. 43, do CTN: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior”. Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10380.727707/201235 Acórdão n.º 1201002.266 S1C2T1 Fl. 6 9 A norma, como se vê da sua leitura, não descreve exaustivamente as rendas e proventos de qualquer natureza cujo auferimento ensejaria a consequente tributação, restando, no entanto, clara a determinação de que todos os valores auferidos como produto do capital, do trabalho, da combinação de ambos e, ainda, todos os demais acréscimos patrimoniais que não decorram de um ou de outro ou de suas combinações, encontramse no campo de incidência do imposto, uma vez que a correspondente aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica constituise em seu fato gerador. Apesar de tal clareza, no entanto, o §1º, do mesmo art. 43 do CTN, elimina qualquer eventual dúvida remanescente ao prescrever que a incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo segue transcrito, assim como o seu espelhamento em sede de norma legal importa aqui destacar o caráter de Lei Complementar de que se reveste o CTN atualmente contido no §4º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis: Art.43 (...) 1º. A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (...) Lei nº 7.713, de 1988 Art.3º (...) §4º. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Diverso, no entanto, por fim, foi o entendimento firmado jurisprudencialmente que, no caso de verba percebida a título de dano moral passou esta reiteradamente a ser reconhecida, pelo Superior Tribunal de Justiça, como estando fora do campo de incidência do Imposto sobre a Renda, com a matéria tendo sido decidida, assim, de modo desfavorável à Fazenda Nacional, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), atual Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, em que prevaleceu o entendimento de que a indenização por dano moral não ensejaria acréscimo patrimonial visto seu objetivo ser a reparação do sofrimento e da dor da vítima ou de seus parentes, causados pela lesão de direito Destarte, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), ante a pacífica jurisprudência do STJ, emitiu o Parecer/PGFN/CRJ/nº 2.123/2011, aprovado pelo Ministro da Fl. 719DF CARF MF 10 Fazenda, conforme despacho publicado no Diário Oficial da União (DOU) de 15/12/2011, cuja ementa assim foi redigida: A verba percebida a título de dano moral, por pessoa física, tem a natureza jurídica de indenização, cujo objetivo precípuo é a reparação do sofrimento e da dor da vítima ou de seus parentes, causados pela lesão de direito, razão pela qual tornase infensa à incidência do imposto de renda, porquanto inexistente qualquer acréscimo patrimonial. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Com base nesse Parecer, foi publicado o Ato Declaratório PGFN nº 9, de 20 de dezembro de 2011 (DOU de 22/12/2011), em que ficou autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que discutam a incidência de Imposto de Renda sobre a verba percebida a título de dano moral por pessoa física”. No caso em destaque, a verba indenizatória auferida pela pessoa jurídica não pode se equiparar àquela auferida em razão do dano moral, uma vez que, no seu caso, não atingiu seu patrimônio material, afinal, o Recorrente não havia dispendido um real sequer, atingiu seu patrimônio imaterial, ou seja, sua expectativa na aquisição imobiliária não se constituindo tal rendimento, portanto, no que a doutrina convencionou denominar dano emergente, aquele cuja correspondente indenização voltase, então, para a cobertura da redução patrimonial efetivamente suportada pela vítima. A indenização visa recompor diferentemente, à cobertura de valores relativos àquilo que o Recorrente deixou ou deixará de auferir por ocasião do distrato, em razão do evento reconhecidamente danoso, o que impõe a sua absorção no campo daqueles rendimentos havidos a título de lucros cessantes, uma vez que voltados à cobertura de ganhos futuros, ganhos esses que também sofreriam tributação no caso do seu auferimento em condições de normalidade. Com efeito, à indenização percebida conferese a natureza de lucros cessantes, afinal não qualquer investimento realizado na formação de eventual ativo material cuja correspondente perda pudesse ensejar a classificação do dano aqui estudado no âmbito daqueles denominados danos emergentes. Diante disso, presente a condição prescrita no CTN de que o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, ou de proventos de qualquer natureza, assim entendidos todos os demais acréscimos patrimoniais (art. 43, caput e incisos), bem como o fato de que a incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção e, ainda, diante da Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10380.727707/201235 Acórdão n.º 1201002.266 S1C2T1 Fl. 7 11 ausência de norma isentiva, impõese a constatação de que a indenização havida nos moldes descritos pelo Recorrente enquadrase nas normas que impõem a tributação do respectivo valor auferido. Arbitramento Reputouse válido o arbitramento, uma vez que não foram juntadas aos autos provas (Livro caixa devidamente escriturado e extratos). Prevaleceu a verdade processual de que o Recorrente não possuía, ou, se possuía, furtouse a apresentar os itens de sua escrituração que lhe foram solicitados, além da confissão acerca da omissão de receita constatada. Ademais, concluiuse pela inexistência de empecilho legal à constituição do crédito tributário decorrente de arbitramento com base na receita bruta quando esta tenha sido apurada mediante a presunção de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Neste sentido, entendeuse que, se acatadas, são para efeitos de aplicação do art. 532 do RIR/1999, receitas que inicialmente não tenham sido reconhecidas pelo sujeito passivo, mas que se tornaram incontroversas a partir de elementos de prova reunidos em procedimento de auditoria, não há porque afastar, para o mesmo efeito, receitas apuradas a partir de presunção legal. Multa Qualificada de 150% A conduta do Recorrente que resultou nas infrações tributárias é que define a multa a ser aplicada. Será de 150% se agiu com evidente intuito de fraude. Nesse sentido dispõe o art. 44 da Lei n0 9.430/96: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n0 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis". Por seu turno, os arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64 dispõem: Fl. 721DF CARF MF 12 "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, oconhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72". No caso em destaque, a receita omitida decorre de pagamento de indenização fixada por descumprimento contratual com natureza de lucros cessantes, muito embora o processo administrativo tenha logrado êxito na constatação inequívoca da omissão de receita não operacional , mas tributável, de modo que ao realizar o pagamento decorrente do distrato a fonte pagadora realizou a retenção dos impostos, desconstruindo qualquer inciativa de fraude, afinal, jamais terseia declarado e realizado a tributação de receita que se pretendia ocultar ou retardar o conhecimento por parte do fisco. Lado outro, o lançamento, ainda que a posteriori, em DIPJ e o pagamento do tributo, mormente a declaração não tenha sido recepcionada em virtude de o Contribuinte não ter observado os requisitos dispostos no portal do Simples Nacional para a operação de exclusão no referido regime e o consequente enquadramento no lucro presumido. A apresentação de declarações tardias e descompassadas ao regramento operacional pode representar que o contribuinte tentou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária, mas, no caso concreto, se analisado pontualmente soa inequívoco a imperícia na realização procedimento e não a simulação ou fraude diagnosticada prima facie pelo agente fiscal. Assim, revelase significativa a identificação de que, no caso em questão, a qualificação teria partido de elementos que levam apenas à presunção da omissão de receitas, mas não a uma efetiva causa de agravamento, razão pela qual penso ser o caso de aplicação das Súmulas 14 e 25 do CARF, transcritas as seguir: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. “Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10380.727707/201235 Acórdão n.º 1201002.266 S1C2T1 Fl. 8 13 Neste particular, entendese que as provas trazidas aos autos não seriam suficientes à demonstração de que o Recorrente, de forma intencional e deliberada, suprimiu tributos, utilizandose, para encobrir tal conduta, de práticas que se traduziam em omitir informações e/ou prestar falsas informações as autoridades fazendárias. Diante do exposto, não teria, então, fundamento legal o agravamento da multa de oficio, de modo que resta aqui afastada. Lançamentos Reflexos Aplicamse aos tributos lançados reflexamente ao IRPJ, quais sejam, a CSLL, o PIS e a COFINS, os mesmos fundamentos para manter a exigência, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para DAR PARCIAL PROVIMENTO, tão somente para afastar a multa de ofício qualificada reduzindoa de 150% para 75%. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 723DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002732/2006-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2002
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APURAÇÃO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento do IRPJ/CSLL sobre a base de cálculo
estimada, por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual e apurou lucro no ano de 2002, enseja a aplicação das multas de ofício isolada, previstas na legislação, ainda que os tributos apurados no ajuste anual tenha sido pagos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1402-001.306
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausente os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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APURAÇÃO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento do IRPJ/CSLL sobre a base de cálculo estimada, por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual e apurou lucro no ano de 2002, enseja a aplicação das multas de ofício isolada, previstas na legislação, ainda que os tributos apurados no ajuste anual tenha sido pagos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausente os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 32 /2 00 6- 66 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.002732/200666 Acórdão n.º 1402001.306 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório LOSINOX LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Tratase de crédito tributário, no valor de R$ 1.404.803,75, referente à multas isoladas pelo não recolhimento sobre base de cálculo estimada do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Segundo o Termo de Constatação – IRPJ (fls. 64 e 65) verificouse que no mês de dezembro de 2002 a contribuinte apurou e não recolheu o imposto de renda com base na estimativa, juntamente com o adicional, no valor de R$ 1.391.922,28, conforme informado na DIPJ/2003 e, assim, sujeitando a contribuinte à multa de 75%, aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas do imposto não recolhido ou da insuficiência apurada. O mesmo ocorreu com a CSLL, conforme relata o Termo de Constatação – CSLL (fls. 66 e 67), sendo que o valor não recolhido da referida contribuição a título de estimativa remonta ao montante de R$ 481.149,38. Foram lavrados, em 14/12/2006, com fundamento legal no artigo 957, inciso I e parágrafo único, inciso IV do RIR/1999, os autos de infração de Multa exigida isoladamente IRPJ (69/70) e de Multa exigida isoladamente CSLL (fls. 73/74). Em 15/01/2007 a empresa apresentou, por seu procurador, impugnação (fls. 81 a 85), alegando, em síntese, que por ter auferido lucro somente em dezembro de 2002 e conseqüentemente não efetuou recolhimento de IRPJ e CSLL por estimativa nos meses de janeiro à novembro do ano corrente, tem como forma de tributação, conforme artigo 37, § 6º da Lei 8.981/1995, a legislação fiscal e comercial, sendo assim, a forma de tributação será trimestral, ou seja, tem que ser desconsiderada a DIRPJ apresentada em 25/06/2003, indicando a opção pela apuração anual. A decisão recorrida está assim ementada: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AJUSTE ANUAL. APURAÇÃO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, prevista na legislação. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REDUÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Reduzse de ofício de 75% para 50% o percentual da multa isolada aplicada, já que se aplica a ato pretérito não definitivamente julgado, a norma que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. (...) Impugnação Improcedente. Credito Tributário Mantido em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.002732/200666 Acórdão n.º 1402001.306 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Trata o presente processo de auto de infração de multa isolada pelo não recolhimento de estimativa de IRPJ e CSLL. Relevante registrar que a contribuinte apurou lucro tributável no final do ano calendário de 2002, mas não houve lançamento do ajuste anual, cujos tributos devidos foram recolhidos no prazo. A requerente reitera a alegação de que, com base no parágrafo 6º do artigo 37 da Lei 8.981/1995, haja vista não ter efetuado recolhimento de IRPJ e CSLL por estimativa nos meses de janeiro à novembro de 2002, deve ser desconsiderada sua opção pela apuração anual do IRPJ, passando assim, sua forma de tributação para apuração trimestral do imposto. Tal qual fundamentado na decisão de 1a. instância, equivocase a recorrrente. Isso porque, em relação ao pagamento por estimativa, o artigo 2º da Lei nº 9.430/1.996, assim dispõe: “Art. 2º A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981 , de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...)” Por sua vez, o artigo 35 da Lei nº 8.981/1995, dispõe: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...)” No presente caso, repitase o fato da contribuinte ter determinado a base de cálculo, tanto do IRPJ quanto da CSLL, com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução (fls. 11 a 19), caracteriza a sua opção pela apuração anual destes tributos, opção essa confirmada em sua DIPJ. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.002732/200666 Acórdão n.º 1402001.306 S1C4T2 Fl. 5 4 Assim sendo, ao não recolher os tributos por estimativa, a contribuinte ficou sujeita à aplicação da Multa Isolada de 75% (setenta e cinco por cento), calculada sobre o valor do tributo que deixou de ser pago sobre a base de cálculo estimada; multa essa reduzida a 50% na decisão de 1a. instância. O artigo 37 da Lei 8.981/1995, invocado pela impugnante, reza: “Art. 37. Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoas jurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art. 36) e as pessoas jurídicas que não optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art.44) deverão para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada anocalendário ou na data da extinção. (...) § 5º O disposto no caput somente alcança as pessoas jurídicas que: a) efetuaram o pagamento do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no curso do anocalendário, com base nas regras previstas nos arts. 27 a 34; b) demonstrarem, através de balanços ou balancetes mensais (art. 35): (Redação dada pela Lei nº 9.065/1995) b.1) que o valor pago a menor decorreu da apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, na forma da legislação comercial e fiscal; ou (Incluído pela Lei nº 9.065/1995) b.2) a existência de prejuízos fiscais, a partir do mês de janeiro do referido ano calendário. (Incluído pela Lei nº 9.065/1995) § 6º As pessoas jurídicas não enquadradas nas disposições contidas no § 5º deverão determinar, mensalmente, o lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, de acordo com a legislação comercial e fiscal. (...)” O disposto no parágrafo 6º do artigo 37 da Lei 8.981/1995 não socorre a recorrente, pois, ao determinar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, a requerente restou enquadrada no § 5º do referido artigo que estabelece que a contribuinte submetida à tributação pelo lucro real anual deve efetuar mensalmente no curso do anocalendário, recolhimento por estimativa segundo as regras dos artigos 27 a 34 da Lei nº 8.981/1995, ou efetuar os balancetes de redução ou suspensão. Resta assim, negar provimento ao recurso e manter a cobrança da penalidade. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 308DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10980.914268/2012-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.898
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 68 /2 01 2- 30 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.914268/201230 Acórdão n.º 3201003.898 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.423, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.914268/201230 Acórdão n.º 3201003.898 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.914268/201230 Acórdão n.º 3201003.898 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.914268/201230 Acórdão n.º 3201003.898 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.910372/2009-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1402-003.224
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 03 72 /2 00 9- 50 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10980.910372/200950 Acórdão n.º 1402003.224 S1C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10980.910372/200950 Acórdão n.º 1402003.224 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 460, DE 2004. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE CSLL. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF nº 460, de 2004, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de CSLL paga indevidamente ou a maior na dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE CSLL. VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de CSLL como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O caso foi assim relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: "Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP [...], relativa à compensação do débito de R$ 10.175,18 de CSLL devido por estimativa (código de receita 2484) no mês de novembro/2005, com utilização do direito creditório de R$ 9.245,96 oriundo do pagamento indevido ou a maior, em 31/05/2005, da estimativa de CSLL de abril/2005 (R$ 204.502,83). 2. A DRF/Curitiba, por meio do Despacho Decisório proferido em 20/04/2009 [...], não homologou a compensação declarada em 22/12/2005 em face da improcedência do crédito indicado, haja vista o recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poder ser utilizado na dedução do imposto anual ou para compor o saldo negativo de CSLL do período, conforme previsto no art. 10 da IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 3. Regularmente cientificada em 04/05/2009 [...], a reclamante apresentou, em 02/06/2009, a tempestiva manifestação de inconformidade [...], instruída com os documentos [...], cujo teor é sintetizado a seguir: a) argúi que os contribuintes devem pagar tributos sobre suas operações ou atividades nos termos exatos da lei, e que os valores pagos acima do exigido devem ser a eles repetidos; Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10980.910372/200950 Acórdão n.º 1402003.224 S1C4T2 Fl. 5 4 b) que, tendo optado pela tributação com base no lucro real anual, recolheu antecipações do imposto calculadas por estimativa, com base na receita bruta, conforme determina o art. 2° da Lei nº 9.430, de 1996; que aplicou corretamente a legislação vigente e o valor compensado referese sim a recolhimento a maior que o devido e exigido; c) que a Lei nº 8.981, de 1995, permite a suspensão ou redução do pagamento do imposto devido, em cada mês, desde que se demonstre, por meio de balanços ou balancetes, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto devido no período em curso; d) que, da mesma forma que o imposto apurado por estimativa, os recolhimentos a maior ou indevidos são passíveis de compensação, pois a obrigação principal, calculada nos termos da lei, também já foi satisfeita; que a não homologação da compensação do valor pago a maior contraria a lei e acarreta exigência de tributo indevido; e) que o pagamento a maior, mesmo no caso de estimativas mensais, onde os valores recolhidos serão deduzidos do devido ao final do exercício, não deve ser considerado como antecipação; f) que o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, permite a compensação, nos meses subseqüentes, de valores de tributos pagos a maior, como no presente caso; que o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal; g) que o pagamento a maior de estimativa não consta do rol dos créditos elencados no § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que não poderão ser objeto de declaração de compensação; cita julgados do Conselho de Contribuintes; h) ao final requer a revisão da decisão exarada por meio do despacho decisório da DRFCuritiba, e que seja suspenso o débito exigido, nos termos do art. 151 do CTN. 4. É o relatório." Inconformada com a decisão da Instância a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual repisa os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10980.910372/200950 Acórdão n.º 1402003.224 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.221, de 14/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10980.910369/200936 paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.221): "O recurso voluntário atende aos pressuposto de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. DOS FATOS A recorrente protocolou manifestação de inconformidade contra a decisão que indeferiu o pedido de compensação no processo administrativo em questão a qual entendeu que a contribuinte somente poderia utilizar o crédito na dedução do Imposto de Renda ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ao final do período de apuração. A instância a quo manteve a decisão impugnada sob o argumento de que prevalece o disposto no artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº. 460 de outubro de 2004, sendo que a mesma determinação permaneceu na IN SRF 600 de dezembro de 2005. Tal entendimento somente veio a ser modificado através da IN SRF 900 de dezembro de 2008, contudo esse diploma legal somente produziu efeitos a partir de 01/01/2009, sob o que não cabe a aplicação do preceito do artigo 106 do CTN para fazer retroagir a norma mais favorável ao contribuinte, pois não se trata de norma estritamente interpretativa, pois, por se tratar de dispositivo que regula a compensação seria norma de natureza material, motivo pelo qual devem ser aplicadas as que estavam vigentes à época do encontro de contas. Declara ainda que o descumprimento do artigo 10 da IN 460 de 2004 caracterizaria violação ao preceito do artigo 170 do CTN o qual estabelece que o direito à compensação fica sujeito à condição e garantia que a lei estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribua à autoridade administrativa, tendo o §14 do artigo 74 da Lei 9430/96 estabelecido que a Secretaria da Receita Federal disciplinará a compensação de que trata esse artigo. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10980.910372/200950 Acórdão n.º 1402003.224 S1C4T2 Fl. 7 6 Diz também que a autoridade julgadora não pode descumprir o entendimento da própria Receita Federal. A recorrente inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, requerendo a reforma decisão recorrida, haja vista que não é este o entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (CARF), conforme reiteradas decisões colacionadas ao recurso. DO MÉRITO A discussão em relação à restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa, tratase de matéria sobre a qual o CARF vem reiteradamente se posicionando pela sua possibilidade. Havendo inclusive a edição da Súmula CARF n 84, transcrita a seguir. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Citase nesse sentido, os acórdãos paradigmas: Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. O Acórdão n° 110100.329, da lavra da conselheira Edeli Pereira Bessa, segue a jurisprudência consolidada no âmbito do Carf, cujos argumentos, adotados na presente decisão, são transcritos a seguir: "É certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99 (art 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5° incluído no art. 74 da Lei n° 9.430/96 pela Medida Provisória n° 66/2002, atualmente transportado para o § 1 4 desde a edição da Lei n° 11.051/2004: Art 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Redação dada pela Lei n" 10 637, de 2002) [...] § 1 4 A Secretaria da Receita Federa SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10980.910372/200950 Acórdão n.º 1402003.224 S1C4T2 Fl. 8 7 restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais, Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, tem se a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF n° 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: (Omissis) As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF n° 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10980.910372/200950 Acórdão n.º 1402003.224 S1C4T2 Fl. 9 8 De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei n° 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art 2°: (Omissis) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis.Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou a compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4° da Lei 9.250/95 c/c art. 73 da Lei n° 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei n° 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10980.910372/200950 Acórdão n.º 1402003.224 S1C4T2 Fl. 10 9 apurar estimativas mensais com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. (Omissis) E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF n° 51, de 31 de outubro de 1995 especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: (Omissis) No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, e assim apontou o indébito constituído em 31/01/2005 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2004. Destaco que a DIPJ originalmente apresentada em 2005 já apontava a apuração da estimativa de dezembro/2004 com base em balancete de suspensão/redução. Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de RS 86.729.499,25, e a correspondente disponibilidade, mediante prova que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10980.910372/200950 Acórdão n.º 1402003.224 S1C4T2 Fl. 11 10 Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação." No uso da competência dada pelo § 14 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, e por meio das INs SRF n° 460/2004 e 600/2005, cuja vigência ocorreu de 29/10/2004 a 30/12/2008, a Receita Federal do Brasil não admitiu a compensação imediata de recolhimentos indevidos de estimativas. Já com a IN RFB n° 900/2008, o Fisco alterou o entendimento e excluiu essa limitação de seu texto. A evolução da legislação administrativa a respeito do assunto foi a seguinte: O artigo 10 da Instrução Normativa n° 460/2004 não permitiu que indébitos oriundos de recolhimentos por estimativa fossem compensados de imediato, devendo compor o saldo de IRPJ e CSLL apurado ao final do período: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." A mesma redação foi mantida no artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, in verbis: "Art. 10 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Já com a edição da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, no seu artigo 11, o Fisco deixou de coibir a imediata compensação de recolhimentos indevidos de estimativas. "Art 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10980.910372/200950 Acórdão n.º 1402003.224 S1C4T2 Fl. 12 11 a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Assiste, assim, razão à recorrente quando afirma que as regras contidas na IN RFB n° 900/2008 são perfeitamente aplicáveis ao caso em voga, pois alteraram o entendimento anteriormente expresso pelas INs 460/2004 e 600/2005, podendo ser computado como crédito o montante de estimativa recolhido indevidamente. A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34." Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10980.910372/200950 Acórdão n.º 1402003.224 S1C4T2 Fl. 13 12 Porém, apenas em tese assiste razão à recorrente em suas alegações, haja vista que a análise efetivada pelo Despacho Decisório, que não homologou a compensação realizada, se restringiu apenas à preliminar da possibilidade do pedido, não abordando o mérito da veracidade do crédito apresentado para compensação, a sua existência, suficiência e disponibilidade, dando certeza e liquidez ao direito pretendido, devendo esse montante ser confirmado pela autoridade administrativa de origem. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para admitir a possibilidade de formação de indébito em recolhimento por estimativa, não homologando de plano a compensação pretendida, em virtude da ausência de análise do mérito do pedido pelo Despacho Decisório, devendo ser verificada pela autoridade local da Receita Federal do Brasil a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito objeto da compensação. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 250DF CARF MF
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Numero do processo: 12719.000187/2006-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 05/01/2000 a 06/02/2001
ANTIDUMPING. PENALIDADE.
Sujeitam-se ao Direito Antidumping de que trata a Resolução Camex n° 37 de 18 de dezembro de 2002 conjugada com a Portaria Interministerial n° 20, dos Ministros da Indústria, do Comércio e do Turismo e da Fazenda, datada de 12 de dezembro de 1997 e publicada no Diário Oficial da Unido de 2 de janeiro de 1998, as importações de cogumelos conservados originários da República Popular da China.
MULTA DE OFÍCIO.
Por falta de previsão legal à época e por ter natureza jurídica diversa ao Direito Antidumping, é incabível, na espécie, a cominação da penalidade inscrita no auto de infração, prevista no Art. 44 da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 3201-003.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 05/01/2000 a 06/02/2001 ANTIDUMPING. PENALIDADE. Sujeitamse ao Direito Antidumping de que trata a Resolução Camex n° 37 de 18 de dezembro de 2002 conjugada com a Portaria Interministerial n° 20, dos Ministros da Indústria, do Comércio e do Turismo e da Fazenda, datada de 12 de dezembro de 1997 e publicada no Diário Oficial da Unido de 2 de janeiro de 1998, as importações de cogumelos conservados originários da República Popular da China. MULTA DE OFÍCIO. Por falta de previsão legal à época e por ter natureza jurídica diversa ao Direito Antidumping, é incabível, na espécie, a cominação da penalidade inscrita no auto de infração, prevista no Art. 44 da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 71 9. 00 01 87 /2 00 6- 38 Fl. 2241DF CARF MF Processo nº 12719.000187/200638 Acórdão n.º 3201003.766 S3C2T1 Fl. 2.242 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório O processo trata de Recurso de Oficio e Recursos Voluntários e fls. 1849 e seguintes, em face da decisão proferida no âmbito da DRJ/SC de fls. 1693 e seguintes, que julgou procedente em parte as impugnações de fls. 1569 e seguintes apresentada em face do lançamento consubstanciado no AI de fls. 1526 e Relatório Fiscal de fls. 1535. O auto de infração foi lavrado contra a contribuinte acima identificada e solidários, constituindo crédito tributário decorrente de Direitos Antidumping, em relação a fatos geradores corridos nos anos de 2001 a 2003, no valor total de R$ 15.113.093,23, incluídos multa proporcional de 75% e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos e conforme costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório do processo utilizado na decisão de primeira instância: "Colocase a apreciação litígio instaurado contra a exigência de direitos antidumping, acrescidos de juros moratórios e multa de oficio, previstos respectivamente nos artigos 61, § 3°, e 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996. Referidos direitos incidiram sobre importações registradas no período compreendido entre 09/03/2001 e 02/05/2003, conforme as Declarações de Importação indicadas na peça acusatória, de cujo teor se fez constar a mercadoria descrita como sendo cogumelos, ora como matériaprima destinada a industrialização ou à reindustrialização, ora sem indicação dessa finalidade; ora acondicionados em latas com capacidade para 9 kg, ora em tambores. Assim, parcamente descritos, os ditos cogumelos foram classificados no código NCM 2005.90.00 e declarados como sendo originários do Vietnã. A exigência de que se trata decorreu de procedimentos fiscais dos quais se concluiu que a mercadoria importada fora enquadrada em errôneo código tarifário, pois que, em se tratando de cogumelos, jamais poderia, parte da mercadoria, estar compreendida na posição NCM 2005 indicada pelo importador e que, em quaisquer dos códigos tarifários em que poderia estar compreendida, sua importação implicava a incidência dos direitos antidumping, haja vista tratarse de produto originário da República Popular da China — RPC. Nos termos da Portaria MICT/MF n° 20/1998 e Resolução Camex 06/2002 (sic), foram estabelecidos direitos antidumping para as importações de mercadorias originárias da RPC, classificadas nos códigos NCM: 0711.51.00, 0711.59.00, 0711.90.00, 2003.10.00 e 2003.90.00. Fl. 2242DF CARF MF Processo nº 12719.000187/200638 Acórdão n.º 3201003.766 S3C2T1 Fl. 2.243 3 Relativamente à origem da mercadoria, fator essencial A. exigibilidade dos direitos de que se trata, procedimentos adotados pela fiscalização aduaneira, em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores, lograram, a teor dos documentos insertos nos autos, comprovar a inidoneidade dos certificados de origem que instruíram o despacho de importação. Ainda com relação a essa origem, militam em favor da autuação fatos desvendados mediante diligências realizadas junto ao transportador das mercadorias, cujo primeiro embarque teria sido efetuado no porto de XiamenRPC, não obstante os conhecimentos de transporte indicarem, a pedido do importador, embarques em diferentes portos localizados fora da República Popular da China, onde as cargas foram transbordadas. Os documentos de fls. 960 a 1.016 comprovam a colusão havida entre o transportador e o importador, com vistas 6, omissão do verdadeiro local de embarque das mercadorias e, portanto, de sua verdadeira origem. Informa a peça acusatória que as operações de comércio exterior em causa contaram com a participação da joint venture Zhangzhou Chun Fu Foodstuffs Factory, posteriormente denominada Zhangzhou Dananmei Foods Co. Ltd. Essas empresas foram constituídas pelos sócios da CFA Importação e Exportação Ltda que, por sua vez, figura corno importadora das mercadorias sobre cujo ingresso no território nacional incidiram os direitos antidumping reportados na autuação. A sujeição passiva do presente lançamento alcançou a empresa C.F.A. Importação e Exportação Ltda, em cujo nome foram registradas as Declarações de Importação revisadas. Alcançou, também, seus sócios Senhores Wang Ting Fu e Chang Te An, além das empresas Iza Comércio Atacadista e Varejista de Alimentos Ltda e Ting Indústria e Comércio Ltda, destinatárias das mercadorias importadas, cujos quadros societários demonstram sua interligação com a importadora. As importações realizadas eram todas do interesse das empresas industriais de propriedade do Sr. Wang Ting Fu e família. Cientificados os autuados dos lançamentos, foram apresentadas tempestivas impugnações que serão, daqui por diante, objeto deste relatório. Nomeados responsáveis solidários por conta de suas participações societárias na empresa C.F.A. Importação e Exportação Ltda, o Sr. Chang Te An abstevese da apresentação de impugnação isolada, vindo a se manifestar contra sua sujeição passiva juntamente com as razões de impugnação interpostas em nome da empresa C.F.A., e o Sr. Wang Ting Fu impugnou o lançamento em face de alegada ilegitimidade de parte passiva, decorrente de sua condição de sócio capitalista que o manteve afastado das funções gerenciais da empresa, exercidas exclusivamente pelo sócio Sr. Chang Te An, de cuja ímproba atuação resultou a paralisação das atividades empresariais inerentes ao objeto da sociedade. Para sustentar Fl. 2243DF CARF MF Processo nº 12719.000187/200638 Acórdão n.º 3201003.766 S3C2T1 Fl. 2.244 4 essa alegação busca respaldo em suas próprias Declarações do Imposto de Renda que acusam movimentação de recursos oriundos tãosomente da atividade rural que empreende como pessoa física. No que respeita à matéria de mérito, afirma que não procedem as acusações constantes do auto de infração; que não procede a reclassificação tarifária promovida a despeito da inexistência de laudo identificador da mercadoria; que em face dos direitos antidumping criados a empresa C.F.A., hoje inativa, buscou novos mercados e passou a importar cogumelos do Vietnã; que impugna os documentos acostados aos autos pela fiscalização, por não respeitarem esses a legislação; que são indevidas as exigências da multa de oficio e dos juros moratórios. Depois de reiterar a alegação de que o lançamento impugnado está calcado em provas obtidas sem observância dos requisitos legais e não respeitou a natureza jurídica dos direitos antidumping, requer a reunido deste com o processo n° 12719.001474/200584, por referiremse ambos aos mesmos fatos e direito. Igualmente nomeada responsável solidária, a empresa Ting Indústria e Comércio Ltda, constituída em 2001, também impugnou o lançamento solicitando, de início, a reunido deste com o processo n° 12719.001474/200584, por referiremse ambos aos mesmos fatos e direito. Preliminarmente, aponta a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir parte do crédito inscrito no lançamento em questão que, tendo por objeto importações registradas no período compreendido entre os dias 05/01/2000 e 11/12/2000, somente foi cientificado a. impugnante em 24/12/2005, depois, portanto, de transcorrido o prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador da obrigação em causa. Relativamente ao crédito remanescente cuja obrigação nasceu de fatos geradores ocorridos em 02/01/2001 e 06/02/2001, diz trataremse esses de fatos estranhos a impugnante tanto quanto os ocorridos anteriormente, objetos da apontada decadência, uma vez que não tem vinculo jurídico com a importadora; que não é sucessora da empresa Iza, conforme consta da peça acusatória; que o fato de serem seus sócios filhos de anteriores sócios da empresa Iza não justifica sua responsabilização por conduta alheia; que são legais as atividades desenvolvidas tanto por uma quanto por outra dessas empresas; que essas empresas não foram fiscalizadas, apenas estão respondendo solidariamente por importações realizadas por terceiro e que, não fosse o caráter coercitivo, publicitário, policialesco e inquisitório da abordagem fiscal não teriam sido prestadas as declarações tomadas a termo, em manuscrito, pelos autuantes, que sequer levaram em conta as dificuldades linguísticas dos inquiridos. Informa que a empresa Iza Fl. 2244DF CARF MF Processo nº 12719.000187/200638 Acórdão n.º 3201003.766 S3C2T1 Fl. 2.245 5 abandonou suas atividades relativas ao comércio de alimentos, passando a atuar unicamente como locadora das instalações físicas da empresa Ting. No tocante à questão da sujeição passiva, reportase as normas gerais do direito tributário para expor o entendimento de que o interesse comum mencionado nessas normas não é o interesse de fato, porém o interesse jurídico que não admite presunções a respeito, pois falta ao legislador ordinário ou à administração fazendária a competência legal para fazer recair sobre terceiros a responsabilidade tributária alheia. Nesse diapasão, argumenta que a empresa Ting, constituída no final do ano de 2001, tendo iniciado suas atividades somente em meados de 2002, não poderia estar vinculada a operações realizadas previamente à sua existência. Reportase, ainda, ao caráter não tributário do direito antidumping, para fins do afastamento das penalidades aplicadas e da defesa do princípio da anterioridade no que diz respeito à alíquota correspondente. Por fim, defende o princípio da livre concorrência e a irrevisibilidade de Declarações de Importação depois do desembaraço das mercadorias despachadas, além de protestar pela legalidade do transbordo de mercadorias e contra a cobrança de juros moratórios com base na taxa selic. A empresa Iza Comercio Atacadista e Varejista de alimentos Ltda, em impugnação tempestiva, reprisa os mesmos argumentos expendidos pela empresa Ting. Na qualidade de contribuinte, comparece aos autos a empresa C.F.A. Importação e Exportação Ltda, para apresentar suas razões de impugnação, as quais inicialmente reportamse à eleição, como responsável tributário, do sócio proprietário da empresa, Sr. Chang Te Na, cuja sujeição passiva entende estar eivada de impropriedades, haja vista a própria legislação de regência. Nesse aspecto, lembra que a responsabilidade dos sócios limitada e que apenas nas hipóteses que autorizem a desconsideração da personalidade jurídica da sociedade podem ser atingidos os bens pessoais dos sócios. Sendo tributária a natureza da exigência, devem ser observadas as disposições contidas no art. 135 do Código Tributário Nacional. Os argumentos expendidos em nome do importador confirmam a tese da fiscalização, de que a empresa Iza fora sucedida pela empresa Ting que, por sua vez, também sucedeu, de fato, a própria C.F.A. que, em face das dificuldades financeiras advindas da atuação lesiva da empresa Ting, viuse impedida do exercício de suas atividades. Assim, esclarece, a empresa C.F.A. não encerrou suas atividades, apenas se encontra paralisada, pois como importava com exclusividade para a empresa Iza, posteriormente denominada Fl. 2245DF CARF MF Processo nº 12719.000187/200638 Acórdão n.º 3201003.766 S3C2T1 Fl. 2.246 6 Ting, não mais teve condição de continuar importando, seja porque não dispõe de capital, seja porque não tem acesso aos fornecedores, cuja Carteira ficou sob o domínio da empresa Ting. Ainda em preliminar, aponta para a decadência do crédito tributário ora litigado, segundo os mesmos argumentos aqui já narrados. Depois de protestar contra o lançamento da multa capitulada no art. 83 da Lei n° 4.502/1964, objeto de outro processo, passa à impugnação da matéria de mérito sobre a qual repousa o lançamento em apreço, qual seja a exigência dos direitos antidumping. A esse respeito, alega que carecem os autos de provas da acusada origem chinesa da mercadoria importada, ou seja, mesmo se desconstituídos os certificados de origem emitidos pelo Vietnã, nenhum elemento do processo garante sua origem chinesa, nem mesmo provas do envio de numerário à República Popular da China, mediante o fechamento de câmbio. Ainda com relação às provas processuais da origem da mercadoria, alega que as declarações do transportador apenas dão conta do recebimento de containeres já estofados, fato que não respalda a presunção de que as mercadorias eram originárias da china. Alega, também, que as mensagens eletrônicas de que se constitui parte das provas processuais sequer revelam o Internet Protocol de seus signatários e que a falta de identificação segura da sua procedência é motivo mais que suficiente para a invalidação da prova, que sequer percorreu nos caminhos burocráticos necessários a sua validade, tal como sua obtenção por intermédio do Ministério das Relações Exteriores. Como apresentadas, as mensagens eletrônicas podem ter sido objeto de modificação de seu teor, são meras folhas impressas que não obedecem aos rigores da legalidade. Em face dessas circunstâncias, afirma a impugnante que o lançamento representa mero exercício de ficção, haja vista não haver qualquer comprovação de que o produto importado era originário da China, haja vista as próprias declarações do transportador, cuja validade é questionável diante de sua estranheza na relação processual em trato. Reportandose à legislação de regência, alega que o antidumping não pode ser aplicado retroativamente, ou seja, sua aplicação alcança somente os bens despachados depois da publicação do ato que o tiver instituído. Alega também que as disposições contidas na Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, não se aplicam a fatos geradores anteriores a essa data. Com base nesses argumentos, aos quais se somam transcrições de decisões judiciais, defende, além da improcedência do lançamento, a exclusão dos sócios da condição de responsáveis solidários. Fl. 2246DF CARF MF Processo nº 12719.000187/200638 Acórdão n.º 3201003.766 S3C2T1 Fl. 2.247 7 É o relatório." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou procedente em parte a impugnação, nos moldes da ementa reproduzida a seguir: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 09/03/2001 a 02/05/2003 Ementa: DECADÊNCIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. Sendo não tributária sua natureza jurídica os direitos antidumping prescrevem nos prazo fixado nos artigo 179, combinado com o artigo 177, do Código Civil, Lei n°3.071, de 1916. O artigo 10 do Decreto 3.708/1919, que disciplina as Sociedades Por Quotas de Responsabilidade Limitada, estabelece que os sóciosgerentes ou aqueles que derem o nome à firma não respondem pessoalmente pelas obrigações contraídas em nome da sociedade, mas respondem para com esta e para com terceiros solidária e ilimitadamente pelo excesso de mandato e pelos atos praticados com violação do contrato ou da lei. A responsabilidade limitada pode ser desconsiderada para alcançar bens dos sócios quando comprovada a prática de ilicitudes. A empresa que, a qualquer título, recebe de outra os bens do ativo fixo e o estoque de mercadorias e continua a explorar o negócio, ainda que com outra razão social, presumese adquirente de fundo de comércio, configurandose a sucessão e, portanto, a assunção das responsabilidades em geral, e não somente as responsabilidades tributárias, antes assumidas pela sucedida. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 05/01/2000 a 06/02/2001 Ementa: ANTIDUMPING. PENALIDADE. Sujeitamse ao Direito Antidumping de que trata a Resolução Camex n° 37 de 18 de dezembro de 2002 conjugada com a Portaria Interministerial n° 20, dos Ministros da Indústria, do Comércio e do Turismo e da Fazenda, datada de 12 de dezembro de 1997 e publicada no Diário Oficial da Unido de 2 de janeiro de 1998, as importações de cogumelos conservados originários da República Popular da China. Por falta de previsão legal é incabível, na espécie, a cominação da penalidade inscrita no auto de infração. Lançamento Procedente em Parte." Em face do valor exonerado, recorreuse de ofício da decisão. Fl. 2247DF CARF MF Processo nº 12719.000187/200638 Acórdão n.º 3201003.766 S3C2T1 Fl. 2.248 8 Através da Resolução de fls. 1888 e ss., a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes determinou o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que se cientificasse a contribuinte autuada da decisão prolatada pela DRJ e se reabrisse o prazo para a apresentação do recurso voluntário. Irresignados os sujeitos passivos Ting Indústria e Comércio Ltda., Wang Ting Fu, Iza Comércio Atacadista e Varejista de Alimentos Ltda. e, finalmente, em decorrência do acórdão supra, a CFA Exp. E Imp. Ltda. apresentaram os recursos voluntários de fls. 1849 e ss., 1855 e ss., 1867 e ss. e 1899 e ss. Em fls. 2224 este Conselho determinou a verificação da regularidade das intimações de dois sujeitos passivos solidários e proferiu a seguinte Resolução: "Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Embora sanado o fato da falta de intimação da contribuinte autuada quanto à decisão de primeira instância, constatamos ainda inexistir nos autos a comprovação da mesma intimação quanto à responsável solidária Iza Comércio Atacadista e Varejista de Alimentos Ltda., o que torna impossível aferir a tempestividade do seu recurso voluntário (às fls. 1824/1825, há cópia do envelope remetido, com as cópias do processo, a esta pessoa jurídica, que posteriormente foi devolvido ao remetente). Verificamos, também, que a cópia do Aviso de Recebimento AR de fl. 1774 (eprocesso) encontrase ilegível, o que também impossibilita a verificação da data em que o responsável solidário Wang Ting Fu foi cientificado da decisão da DRJ, a fim de que se possa aferir a tempestividade do seu recurso. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem anexe aos autos cópias legíveis dos ARs por meio dos quais intimados, da decisão de primeira instância, os sujeitos passivos Iza Comércio Atacadista e Varejista de Alimentos Ltda. e Wang Ting Fu. Ao término do procedimento, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza." A diligência foi realizada, a fiscalização apresentou seu relatório em fls. 2234 e restou confirmada a ausência dos comprovantes da intimação dos sujeitos passivos. Em fls. 2236 a União confirmou a falta de interesse em apresentar recurso e os autos retornaram a este Conselho para julgamento. Relatório proferido. Fl. 2248DF CARF MF Processo nº 12719.000187/200638 Acórdão n.º 3201003.766 S3C2T1 Fl. 2.249 9 Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, merecem conhecimento os tempestivos Recursos Voluntários e o Recurso de Ofício. Do Recurso de Ofício. Ao cancelar a multa de ofício aplicada sobre os valores cobrados na diferença apurada pela aplicação do valor de referência constante na Portaria Interministerial n° 20, dos Ministros da Indústria, do Comércio e do Turismo e da Fazenda, datada de 12 de dezembro de 1997 e publicada no Diário Oficial da Unido de 2 de janeiro de 1998, que regulou o antidumping referente à importação de cogumelos em conserva, a decisão de primeira instância exonerou valor que alcança o requisitado na Portaria n.º 63/17 que regula a admissão do Recurso de Ofício, logo, por alcançar o valor da alçada e constantes os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso de Ofício deve ser conhecido. Ao analisar o fundamento questionado no Recurso de Ofício, é importante considerar a natureza jurídica do Direito Antidumping, se tributária ou não, isto porque, ao considerar que o Direito Antidumping não possui natureza tributária, a decisão de primeira instância cancelou a multa de ofício prevista prevista no Art. 44, da Lei 9.430/96, conforme trecho conclusivo exposto a seguir: "Assim, por carecerem as razões de impugnação de elementos capazes de desconstituir as provas dos autos; de elementos suficientes para demolir a convicção formada a partir dessas provas, voto pela parcial procedência da exigência. Inaplicável a espécie a multa de oficio prevista no 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996. Mantido o crédito tributário no valor de R$ 4.685.752,80, correspondente aos direitos antidumping incidentes sobre as importações reportadas na peça acusatória, cuja demora no pagamento sujeita a exigência ao acréscimo de juros a serem calculados na mesma base com que são calculados os juros moratórios referentes as causas cíveis que envolvam a Unido, conforme Parecer n° 083/98 emitido pela Procuradoria da Fazenda Nacional." Fl. 2249DF CARF MF Processo nº 12719.000187/200638 Acórdão n.º 3201003.766 S3C2T1 Fl. 2.250 10 Esta previsão legal, dentro do fundamento apresentado na decisão de primeira instância, serve somente para casos de natureza tributária, ou seja, não se aplica ao direito antidumping. Em adição, a decisão apontou que a legislação específica (Medida Provisória 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003, cujo artigo 79 deu nova redação ao art. 7° da Lei n° 9.019, de 30 de março de 1995) que regulou a aplicação de multa de ofício nos casos de infrações ao Direito Antidumping foi publicada após o fatos e, portanto, não poderia ser aplicada ao caso, conforme trecho exposto a seguir: "Relativamente a questão da exigência de multa e juros moratórios, sorte melhor assiste A. impugnante. Por falta de previsão legal é incabível, na espécie, a cominação da penalidade inscrita no auto de infração. A época da realização das importações sujeitas A exigibilidade dos direitos antidumping em apreço ainda não vigia a Medida Provisória 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003, cujo artigo 79 deu nova redação ao art. 7° da Lei n° 9.019, de 30 de março de 1995, inserindolhe o § 3° para estabelecer o que se segue: 3° A falta de recolhimento de direitos antidumping ou de direitos compensatórios na data prevista no ,sS' 20 acarretará, sobre o valor não recolhido: (.) — no caso de exigência de oficio, de multa de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros de mora previstos na alínea b do inciso I deste parágrafo." A autoridade fiscal que realizou o lançamento, de forma oposta, apontou que o Direito Antidumping pode, sim, ser regulado pelo Direito Tributário e, portanto, aplicou a multa de ofício prevista no Art. 44 da Lei 9.430/96. Assim, e possível crer que, definida a natureza jurídica do Direito Antidumping, será possível concluir que se este deve ter a previsão de uma multa específica ou se a multa de ofício tributária também pode ser aplicada. Não se trata de uma tarefa fácil a definição da natureza jurídica do Direito Antidumping, contudo, o próprio STF reconhece a farta jurisprudência do TRF4 em não reconhecer a natureza tributária do Direito Antidumping, conforme exposto a seguir: "Reconhecida repercussão geral de recursos que questionam normas antidumping O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a existência de repercussão geral nos processos judiciais que questionam a incidência de normas governamentais de combate ao dumping (exportação por preço inferior ao vigente no mercado interno para conquistar mercados ou dar vazão a excesso de oferta) sobre operações de importação celebradas antes da entrada em vigor da Resolução Camex nº 79. Nessas ações, importadores invocam o benefício da irretroatividade. A resolução da Câmara de Comércio Exterior teve sua vigência iniciada na data de sua publicação, ou seja, 19/12/2008. Fl. 2250DF CARF MF Processo nº 12719.000187/200638 Acórdão n.º 3201003.766 S3C2T1 Fl. 2.251 11 No Recurso Extraordinário (RE 632250) que servirá de paradigma para que o STF decida a questão, a empresa GP Catarinense Comércio, Importação e Exportação Ltda. questiona decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) que considerou irrelevante a data da celebração do contrato de compra e venda da mercadoria para efeitos de aplicação dos direitos antidumping. Segundo o acórdão do TRF 4, os direitos antidumping não têm natureza tributária e não incidem sobre o negócio jurídico, mas sobre a importação, que se dá em momento posterior à celebração da avença e tem o procedimento iniciado com o registro da declaração de importação. No recurso ao STF, que tem como relator o ministro Joaquim Barbosa, a empresa importadora argumenta que uma operação de importação é composta de várias etapas pedido de mercadoria; protocolo de pedido de anuência de licença de importação e extrato de licenciamento de importação; deferimento da licença de importação; recebimento do bem em território nacional; e desembaraço aduaneiro , e afirma que realizou toda a operação comercial antes da entrada em vigor da Resolução Camex nº 79/2008, por isso não poderia ser atingida por seus efeitos. O ministro Joaquim Barbosa reconheceu que a matéria em discussão transcende interesses meramente localizados e tem natureza constitucional, por isso o exame do marco temporal para a aplicação da regra de irretroatividade, para os direitos antidumping, demanda tratamento uniforme. Segundo ele, a imposição de direitos antidumping é um importante instrumento de proteção do mercado nacional, cuja compatibilidade constitucional não pode ser reduzida à mera interpretação de legislação infraconstitucional. “A relevância desta discussão é reforçada pelo contexto social e econômico atual, em que as relações comerciais internacionais estão sujeitas ao desequilíbrio causado pela concessão de incentivos e de benefícios, nem sempre chancelado pelos colegiados incumbidos da guarda da livre concorrência”, disse o relator do recurso, concluiu. Quando o STF reconhece a repercussão geral de um tema jurídico, todos os recursos que discutem a mesma questão ficam aguardando a definição dos ministros da Suprema Corte. A decisão do STF no recurso (chamado de “paradigma”) é aplicada em todos os processos similares." Na mesma linha, não há qualquer previsão sobre o Direito Antidumping no Código Tributário Nacional, assim como não há na Constituição Federal, de forma específica e expressa. Assim, fruto do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio 1947, o Direito Antidumping tem sua origem em acordo internacional e, portanto, possui natureza comercial internacional, com o grande objetivo de proteger o mercado interno e não de resguardar o erário público. Fl. 2251DF CARF MF Processo nº 12719.000187/200638 Acórdão n.º 3201003.766 S3C2T1 Fl. 2.252 12 Assim, suas penalidades devem, somente, ser objeto de legislação infra constitucional específica. Em razão do exposto, não merece provimento o Recurso de Ofício. Do Recurso Voluntário. Como mencionado no artigo exposto acima, o Direito Antidumping visa proteger o mercado interno contra os planejamentos tributários agressivos de internacionalização de empresas, para evitar que empresa estrangeira ou brasileira insira produtos estrangeiros no mercado brasileiro por um preço mais baixo que o preço do médio do mercado brasileiro ganhe espaço no mercado de modo desleal. Este efeito nocivo da globalização é uma realidade não somente no Brasil, mas também em muitos países e deve realmente ser regulado, assim como fiscalizado, dentro dos ditames legais. O Auto de Infração, acompanhado do relatório fiscal, consubstanciou tal prática nociva reconhecida na Camex, na medida em que demonstrou que o contribuinte praticou os preços nocivos e prejudicou o mercado brasileiro, conforme trecho do Relatório fiscal: Fl. 2252DF CARF MF Processo nº 12719.000187/200638 Acórdão n.º 3201003.766 S3C2T1 Fl. 2.253 13 Por si esta constatação fiscal foi suficiente para a manutenção do lançamento, uma vez que nenhum dos autuados contestou de forma específica a prática nociva dos preços. Um único Recurso Voluntário contestou a matéria de fundo, o de fls. 1849, da empresa Ting, assim como solicitou a aplicação da Resolução n° 36, de 18.12.2003, que ajustou a alíquota relativa ao direito na forma especifica de US$ 1,05/kg, tendo a autuação aplicado na base de US$ 1,371kg. Contudo, o lançamento possui outras especificidades que devem ser levadas em conta, como a divergência na classificação dos produtos, os formatos e sucessões societárias não oficiais, as diligências ao transportador e informações obtidas no exterior que formaram um conjunto de indícios que apontaram a existência de uma operação de importação com produtos provenientes da China, que posteriormente ingressaram no Brasil e foram comercializados em valores nocivos à economia brasileira. Portanto, o lançamento principal deve ser mantido. Conclusão. Diante de todo o exposto, votase para que o Recurso de Ofício seja negado e os Recursos Voluntários negados. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 2253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13873.720080/2011-57
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS.
O êxito das alegações está diretamente ligado ao conjunto probatório existente nos autos e em sua conformidade com as exigências contidas na legislação tributária, de forma a não deixar dúvida em relação à fidedignidade dos fatos alegados.
Numero da decisão: 2002-000.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. O êxito das alegações está diretamente ligado ao conjunto probatório existente nos autos e em sua conformidade com as exigências contidas na legislação tributária, de forma a não deixar dúvida em relação à fidedignidade dos fatos alegados.
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DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. O êxito das alegações está diretamente ligado ao conjunto probatório existente nos autos e em sua conformidade com as exigências contidas na legislação tributária, de forma a não deixar dúvida em relação à fidedignidade dos fatos alegados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 72 00 80 /2 01 1- 57 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13873.720080/201157 Acórdão n.º 2002000.209 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.81/96) contra decisão de primeira instância (fls.69/74), que julgou parcialmente procedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Tratase de impugnação em face à Notificação de Lançamento, fls.15/22, lavrada contra o interessado, já qualificado nos autos, em procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual, Exercício 2009, Ano Calendário 2008, no qual foram constatadas as seguintes infrações: I Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos de aluguéis recebidos, pelo titular, da empresa Augusto e Vitorino Lanchonete Ltda, CNPJ: 03.193.249/000159, sujeitos à tabela progressiva do imposto de renda da pessoa física, no valor de R$17.577,00, conforme Dimob apresentada pela empresa S.A Empreendimentos Imobiliários. II Glosa do valor de RS50.601,00 , indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação dos pagamentos e da efetiva prestação de serviços, conforme relação de fl. 19/20 da Notificação de Lançamento. Resultou a ação fiscal na apuração de crédito tributário no valor de R$39.966,16, compreendendo o imposto, a multa de ofício (passível de redução) e os juros de mora calculados até 30/09/2011. Em sua impugnação, fls. 02/14, o interessado, alega, em síntese, que: O impugnante não deixou de lançar os valores que efetivamente recebeu a título de aluguéis, o que ocorreu é que, por equívoco, os valores foram declarados no campo “Rendimentos Recebidos de Pessoa Física” em conjunto com demais rendimentos recebidos de pessoas físicas, cujo valor total foi de R$42.203,20. A inclusa planilha, preparada para fins de declaração da DIRPF considerou os rendimentos recebidos de Augusto e Vitorino Lanchonete LtdaME, não como aluguéis, como deveria, mas como rendimentos recebidos de pessoa física, sendo certo que assim foram declarados estes rendimentos, somandose aos demais rendimentos percebidos. Portanto, o impugnante não omitiu nenhum valor que recebeu a título de aluguéis de Augusto e Vitorino Lanchonete LtdaME. No que diz respeito às despesas médicas informa que cumpriu com todas as exigências legais aplicáveis à questão, tendo respondido de forma expressa às intimações fiscais e comprovou todas as despesas com farta, Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13873.720080/201157 Acórdão n.º 2002000.209 S2C0T2 Fl. 4 3 completa e idônea documentação, consubstanciada em notas fiscais, recibos e cópias de cheques que foram exibidos ao Fisco. E conclui que “ ante farta, robusta e idônea prova documental de todas as despesas médicas, odontológicas, hospitalares e outras dedutíveis, não há possibilidade jurídica de glosa por parte do Fisco, simplesmente por que o contribuinte cumpriu com todas as exigências legais que dão amparo às suas deduções e comprovou, por via de documentação idônea e não descaracterizada pelo Fisco Federal, todas as despesas e respectivos pagamentos.” Transcreve jurisprudência no sentido de que se deve restabelecer as despesas médicas odontológicas quando os documentos apresentados satisfazem as exigências da legislação em vigor para comprovação da prestação dos serviços e respectivos pagamentos. Se manifesta ainda sobre o excesso da multa de 75%, alegando a ilegalidade e caráter confiscatório da mesma. Cita legislação a respeito do tema e solicita a aplicação da multa de no máximo 2% em vez da multa de 75%, ou ainda de no máximo de 30%. Por fim requer a nulidade e improcedência da notificação de lançamento. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: IRPF. REVISÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTO TRIBUTÁVEIS DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. O êxito das alegações contidas na impugnação está diretamente ligado ao conjunto probatório existente nos autos e em sua conformidade com as exigências contidas na legislação tributária, de forma a não deixar dúvida em relação à fidedignidade dos fatos alegados. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo a nulidade e insubsistência do lançamento fiscal. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13873.720080/201157 Acórdão n.º 2002000.209 S2C0T2 Fl. 5 4 O contribuinte foi notificado em 25/11/2013 (fl.78); Recurso Voluntário protocolado em 18/12/2013 (fl.81), assinado por procurador legalmente constituído(fl.23). À partida, registro que a preliminar de nulidade lançada pelo contribuinte em seu recurso se confunde com o mérito, e em assim sendo, serão analisados em conjunto. Alega o recorrente, que quando intimado a prestar esclarecimentos, a respeito da "glosa" de Despesas Médicas, o mesmo respondeu de forma expressa e acostou toda documentação solicitada; num segundo momento intimado para complementar os esclarecimentos o fez de forma expressa e acostou documentos. Que, na primeira intimação, ao que tudo indica, não foram objeto de apreciação pelo Agente Fiscal, eis que no "site" do órgão não se verifica tal lançamento. Em decorrência deste fato, consta do extrato de movimento do procedimento fiscal, que em relação ao fato "não houve o atendimento", e que o contribuinte foi omisso. Diz o recorrente, que resta claro, que houve extravio de documentos no órgão fiscalizador, que impediu que os Agentes Fiscais tivessem acesso às respostas dadas pelo recorrente aos Termos Intimações Fiscais. Em razão disso o recorrente teve seu direito a ampla e completa defesa, prejudicado, tendo em conta que o Fisco entendeu ter o contribuinte omitido informações. Pois bem, cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar do fisco, cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos efetivamente nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. No caso sub oculis, o recorrente não juntou nenhum documento com o Recurso Voluntário, que lhe pudesse socorrer, ficando apenas no campo das alegações. O PAF, tem como princípio aperfeiçoar o lançamento fiscal, poderia o recorrente juntar, novamente todos os documentos que quisesse, a fim de provar o seu direito, portanto, deixando de fazêlo, não há como dizer que o seu direito a ampla defesa, não foi assegurado, não foi respeitado. No que pertine a respeito da multa de 75%, diz o recorrente, que a mesma é ilegal como também inconstitucional. Pois bem, a Lei nº 9.430/1996 é que disciplina a matéria, ademais este órgão de Julgamento não tem competência para dizer a respeito da constitucionalidade da lei, assim sendo, mantenho. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, rejeito a preliminar e, no mérito negase provimento mantendo a r. decisão de origem. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915139/2006-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/1999
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. RITO PROCESSUAL INADEQUADO. NULIDADE FORMAL.
Tendo sido o Despacho Decisório e o acórdão recorrido proferidos em desacordo com o art. 74 da Lei nº 9.430/96, deve ser reformado o ato administrativo de modo a assegurar ao contribuinte a aplicação do devido processo legal.
Numero da decisão: 3201-003.696
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso e em declarar a nulidade formal do acórdão recorrido, devendo os autos retornar à Autoridade Preparadora para que, em face das informações trazidas pelo contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade e consoante juízo de conveniência e oportunidade, possa efetuar a revisão da sua decisão, nos termos do art. 149 do CTN, tratando corretamente a hipótese de compensação como não declarada.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/1999 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. RITO PROCESSUAL INADEQUADO. NULIDADE FORMAL. Tendo sido o Despacho Decisório e o acórdão recorrido proferidos em desacordo com o art. 74 da Lei nº 9.430/96, deve ser reformado o ato administrativo de modo a assegurar ao contribuinte a aplicação do devido processo legal.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso e em declarar a nulidade formal do acórdão recorrido, devendo os autos retornar à Autoridade Preparadora para que, em face das informações trazidas pelo contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade e consoante juízo de conveniência e oportunidade, possa efetuar a revisão da sua decisão, nos termos do art. 149 do CTN, tratando corretamente a hipótese de compensação como não declarada. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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RITO PROCESSUAL INADEQUADO. NULIDADE FORMAL. Tendo sido o Despacho Decisório e o acórdão recorrido proferidos em desacordo com o art. 74 da Lei nº 9.430/96, deve ser reformado o ato administrativo de modo a assegurar ao contribuinte a aplicação do devido processo legal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso e em declarar a nulidade formal do acórdão recorrido, devendo os autos retornar à Autoridade Preparadora para que, em face das informações trazidas pelo contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade e consoante juízo de conveniência e oportunidade, possa efetuar a revisão da sua decisão, nos termos do art. 149 do CTN, tratando corretamente a hipótese de compensação como não declarada. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 51 39 /2 00 6- 49 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.915139/200649 Acórdão n.º 3201003.696 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório BF UTILIDADES DOMÉSTICAS LTDA. apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP) relativa a alegado pagamento indevido da Cofins. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório não homologando a compensação na extensão declarada pelo contribuinte, em razão da inexistência do crédito na amplitude pretendida. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente solicitou o cancelamento do despacho decisório e a homologação total da compensação, com a consequente extinção do crédito tributário, arguindo o seguinte: a) obtivera concessão de segurança para afastar a incidência do art. 3°, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, garantindolhe a observância das Leis Complementares nº 7/1970 e 70/1991 no que se refere à base de cálculo do PIS e da Cofins, observandose as alíquotas determinadas nas Leis n° 9.715/1998 e 9.718/1998 e reconhecendo o direito à compensação das quantias pagas "a maior" com parcelas vincendas das próprias contribuições; b) a Autoridade Fiscal fundamentou de forma singela o Despacho Decisório, deixando de se aprofundar sobre a questão da inexistência do direito pleiteado; c) o crédito pleiteado é líquido e certo, conforme se depreende da leitura dos demonstrativos anexados; d) homologação tácita do seu pedido, formalizado em data anterior ao Despacho Decisório; e) em razão da regra geral da decadência, o Fisco tem o prazo de 5 anos para conferir e homologar expressamente a atividade do contribuinte referente à apuração e quitação de tributo, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN; f) ainda que não fosse aplicável o § 4° do art. 150 do CTN, o art. 74, § 5°, da Lei nº 9.430/1996 dispôs que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação; g) no momento da ciência do despacho decisório, já havia transcorrido o prazo de cinco anos para a autoridade administrativa pronunciarse quanto ao crédito utilizado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia de documentos dos patronos, procuração, alteração e consolidação do Contrato Social, PER/DCOMP, Despacho Decisório, planilhas demonstrativas e sentença judicial. Nos termos do Acórdão nº 1629.441, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido nos seguintes termos: 1) o despacho decisório encontravase devidamente motivado; Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.915139/200649 Acórdão n.º 3201003.696 S3C2T1 Fl. 4 3 2) o reconhecimento do crédito exigia a sua comprovação, cujo ônus recai sobre o sujeito passivo; 3) a compensação de crédito oriundo de decisão judicial somente pode ser efetuada após o trânsito em julgado da respectiva sentença, a teor do disposto nos artigos 170 A do CTN e 74 da Lei n° 9.430/1996 (e alterações posteriores); 4) considerarseá não declarada a compensação realizada pelo Contribuinte quando o suposto direito creditório decorre de ação judicial não transitada em julgado, por força do disposto no § 12 do art.74 da Lei n° 9.430/96 (e alterações posteriores); 5) a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos previsto no § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 e alterações posteriores. Transcorrido este prazo sem manifestação da Administração Pública, homologam se as compensações declaradas, não sendo aplicável a homologação tácita às situações em que a compensação é considerada como não declarada nos termos dos §§ 12 e 13 do mesmo artigo. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário e reiterou os argumentos de defesa apresentados, defendendo a (i) ocorrência da homologação tácita das declarações de compensação, (ii) nulidade do despacho decisório por violação ao princípio da verdade material e carência de fundamentação/improcedência das alegações e (iii) inaplicabilidade do art. 170A do CTN a fatos geradores ocorridos anteriormente à sua vigência. É o Relatório. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.915139/200649 Acórdão n.º 3201003.696 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.695, de 23/05/2018, proferido no julgamento do processo 10880.915140/200673, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.695): Existe questão preliminar no presente feito, que suscito de ofício, prejudicial ao exame do mérito. Nesse aspecto, introduzo o tema com a excelente fundamentação do Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, quando relator do Acórdão nº 3201003.407, proferido por unanimidade nesta Turma em sessão de 2 de fevereiro de 2018: Sobrepõese ao enfretamento das razões recursais da pessoa jurídica WAC e de seu sócio, Walter Alves Cavalcante, matéria processual precedente a qualquer outra a ser enfrentada neste julgamento em razão de sua indisponibilidade e dever de pronunciamento de ofício pelos julgadores administrativos. Tratase do (des)cumprimento do prazo legal para interposição de peças recursais de defesa perante os órgãos colegiados administrativos a tempestividade da impugnação considerada matéria de ordem pública. As questões de ordem pública são aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, em geral, referemse à existência e admissibilidade da ação, aos atos que impulsionam o desenvolvimento válido e regular do processo refletindose na própria segurança jurídica. A tempestividade dos recursos é pressuposto processual de que decorre tratarse de matéria de ordem pública, e assim tem decidido o STF, como nos EMB. DECL. no AG.REG. no Agravo de Instrumento AI nº 802.037/RJ, de relatoria do Min. Celso de Mello: A tempestividade que se qualifica como pressuposto objetivo inerente a qualquer modalidade recursal constitui matéria de ordem pública, passível, por isso mesmo, de conhecimento ex officio pelos juízes e Tribunais. A inobservância desse requisito de ordem temporal, por parte do interessado, provoca, como necessário efeito de caráter processual, a incognoscibilidade, do recurso interposto ou, quando ausente este, do pedido de reconsideração.(STF, AI nº 802.037/RJ, publicado DOU em 15/12/2014. Relat. Min. Celso de Mello) Ademais, determina o caput art. 64 da Lei nº 9.784/99, que "O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência." Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.915139/200649 Acórdão n.º 3201003.696 S3C2T1 Fl. 6 5 Pois bem. Como se verifica pelo relato dos fatos, tratase de procedimento administrativo fiscal originado de Despacho Decisório eletrônico proferido pela RFB que, num primeiro momento, informou a NÃO HOMOLOGAÇÃO da Compensação Declarada. Após apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo contribuinte, apesar de afirmar que "configuramse os requisitos de admissibilidade da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, visto que protocolizada no prazo legal (art. 15 do Decreto n° 70.235/72)" a DRJ proferiu julgamento concluindo por ter sido NÃO DECLARADA a compensação apresentada pelo contribuinte. Vale salientar que inicialmente a Compensação foi tida por NÃO HOMOLOGADA, e não, como deveria, NÃO DECLARADA, exclusivamente em razão de erro cometido pelo contribuinte no preenchimento da sua Declaração de Compensação. Confirase o seguinte trecho do Acórdão DRJ: 8.1 De pronto, a alegação apresentada pelo Contribuinte, confirmada pela existência da ação judicial supramencionada, acaba por demonstrar o incorreto preenchimento da declaração PER/DCOMP. Frisese que no item "Dados Iniciais" desse documento, constam campos específicos para informar se o crédito é oriundo de decisão judicial e, nesse caso, qual o número do processo judicial. A interessada, entretanto, declarou não se tratar de crédito discutido judicialmente (fl. 5). 8.2. Por outro lado, cumpre assinalar que, embora tenha a Requerente comprovado a existência de decisão judicial que lhe era favorável, não restou demonstrado que a ação judicial já estava transitada em julgado na data da apresentação do PER/DCOMP. Confirase, ainda, o seguinte trecho da ementa: COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considerarseá não declarada a compensação realizada pelo Contribuinte em DCOMP quando o suposto direito credit6rio decorre de ação judicial não transitada em julgado, por força do disposto no § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 (e alterações posteriores). Ou seja, apenas depois de estar de posse dos documentos apresentados pelo contribuinte é que, constatado equívoco por parte do próprio contribuinte na prestação de declaração, é que o fundamento decisório pôde ser reformado pela Administração Tributária, por meio do Acórdão DRJ. Tratase de hipótese típica de revisão do lançamento tributário previsto no art. 149 do CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.915139/200649 Acórdão n.º 3201003.696 S3C2T1 Fl. 7 6 (...) VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; Com efeito, não há dúvida de que, na situação fática dos autos, está se diante de situação de COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA, uma vez que o crédito declarado era decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, encontrando, portanto, expressa vedação legal: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; Nos termos de decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recursos Representativos de Controvérsia, de aplicação obrigatória por esta Corte, a limitação imposta pelo art. 170A do CTN é válida para todas as ações ajuizadas após a sua vigência, ou seja, após 10 de janeiro de 2001, data da Edição da Lei Complementar nº 104/2001, que inseriu referido dispositivo. Veja entendimento do STJ: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1167039/DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.915139/200649 Acórdão n.º 3201003.696 S3C2T1 Fl. 8 7 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) Na hipótese dos autos, o Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0276539, por meio do qual se postulou o reconhecimento do credito utilizado, foi impetrado apenas em 31/10/2001, conforme consulta ao sítio da Justiça Federal no Estado de São Paulo: É de salientar que nem mesmo o contribuinte questiona o fato de que as compensações deixaram de ser aceitas exclusivamente em razão da vedação imposta pelo art. 170A do CTN (portanto, compensação não declarada), aduzindo, quanto a isto, que tal limitação apenas seria aplicável aos fatos geradores ocorridos após a vigência da redação do referido artigo. Não é esse, como visto, o entendimento do STJ. Assim, nos termos do §13 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, o rito processual previsto no Decreto Lei nº 70.235/72 não é cabível na presente espécie: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.915139/200649 Acórdão n.º 3201003.696 S3C2T1 Fl. 9 8 dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9oe 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto noinciso III do art. 151 da Lei no5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (...) § 13. O disposto nos §§ 2oe 5oa 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Não obstante ser claro o não cabimento da Manifestação de Inconformidade, não se pode afastar o fato de que foi concedido ao contribuinte o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação da Manifestação de Inconformidade e, mais do que isso, o acórdão da DRJ, a despeito de afirmar ser hipótese de COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA, afirmou textualmente que "configuramse os requisitos de admissibilidade da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo" e considerou "improcedente a manifestação de inconformidade, mantendose o Despacho Decisório de fls. 1". Pontuo que não se trata de hipótese na qual a decisão administrativa poderia suplantar disposição legal, atribuindo à defesa apresentada efeitos não previstos em lei. Tratase, outrossim, de evidente nulidade formal incorrida pela Autoridade Lançadora, ocasionada, como dito, em razão de informação equivocada prestada pelo contribuinte e, portanto, passível de retificação. Logo, em se tratando de hipótese de não cabimento de Manifestação de Inconformidade, resta prejudicada a análise dos argumentos do contribuinte acerca da ocorrência de homologação tácita. Ademais, o despacho decisório de não homologação e não de não declaração, como prevê a lei foi proferido em razão de erro do contribuinte que não informou, em sua declaração, que os créditos utilizados tinham origem em ação judicial não transitada em julgado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e declarar a NULIDADE FORMAL do Acórdão recorrido, devendo os autos retornarem à Autoridade Preparadora para que, em face das informações trazidas pelo contribuinte em sede de Manifestação de Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.915139/200649 Acórdão n.º 3201003.696 S3C2T1 Fl. 10 9 Inconformidade e consoante juízo de conveniência e oportunidade, possa efetuar a revisão da sua decisão, nos termos do art. 149 do CTN, tratando corretamente a hipótese como compensação não declarada. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário e declarar a nulidade formal do Acórdão recorrido, devendo os autos retornar à Autoridade Preparadora para que, em face das informações trazidas pelo contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade e consoante juízo de conveniência e oportunidade, possa efetuar a revisão da sua decisão, nos termos do art. 149 do CTN, tratando corretamente a hipótese como compensação não declarada. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000387/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2010 ATIVIDADE VEDADA. INCORPORAÇÃO DE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS. NÃO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. PROVA. Se a atividade de incorporação de empreendimentos imobiliários consta do contrato societário e foi informada ao CNPJ pelo próprio contribuinte, incumbe a ele a prova cabal de seu não exercício, para que possa optar pelo Simples Nacional. Na ausência de tal prova, e diante da afirmação da própria interessada de que a atividade econômica em questão não corresponde à atividade principal da empresa, deve ser reputada correta a decisão que não permitiu sua adesão ao Simples Nacional.
Numero da decisão: 1301-000.611
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2010 ATIVIDADE VEDADA. INCORPORAÇÃO DE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS. NÃO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. PROVA. Se a atividade de incorporação de empreendimentos imobiliários consta do contrato societário e foi informada ao CNPJ pelo próprio contribuinte, incumbe a ele a prova cabal de seu não exercício, para que possa optar pelo Simples Nacional. Na ausência de tal prova, e diante da afirmação da própria interessada de que a atividade econômica em questão não corresponde à atividade principal da empresa, deve ser reputada correta a decisão que não permitiu sua adesão ao Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.000387/200941 Acórdão n.º 130100.611 S1C3T1 Fl. 60 2 Relatório LIDER BIRIGUI IMÓVEIS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1427.553, de 10/02/2010, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito. Trata o presente processo de solicitação de ingresso no Simples Nacional, (fl.2), a qual foi indeferida com base na Lei Complementar (LC) nº 123, de 2006, art. 17, inciso XIV, sendo apontada a seguinte situação impeditiva à opção pelo sistema: “Atividade econômica vedada: 41107/00, Incorporação de empreendimentos imobiliários”. Ciente do indeferimento, a contribuinte ingressou em 28/04/2009 com a manifestação de inconformidade (fl.01), na qual alegou em suma: • Conforme determinação contida nas Resoluções do Comitê Gestor do Simples Nacional, procedemos à inscrição da empresa como optante do regime a partir de 01/01/2009. Tal opção não foi possível de ser concluída, por conta de pendências cadastrais na Secretaria da Receita Federal do Brasil acusando atividade econômica vedada. • Essa atividade econômica, considerada vedada, não corresponde a atividade principal da empresa que desenvolve a exploração do ramo de intermediação de vendas e compras, locação, administração, assessoria e avaliação de imóveis. • A empresa explora ramo de atividade econômica permitidas pelo Simples Nacional, conforme comporá as “DIMOB” entregues nos anos anteriores à opção, ou seja, a declaração que retrata fielmente as atividades desenvolvidas pela empresa, comprovando assim que não exerce atividade impeditiva ao ingresso no sistema. A 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1427.553, de 10/02/2010 (fls. 37/39), indeferiu a solicitação com a seguinte ementa: Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2009 ATIVIDADE VEDADA. A pessoa jurídica que presta serviços de intermediação de vendas e compras, locação, administração, assessoria e avaliação de imóveis está impedida de exercer opção pelo Simples Nacional. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.000387/200941 Acórdão n.º 130100.611 S1C3T1 Fl. 61 3 Ciente da decisão de primeira instância em 15/03/2010, conforme Aviso de Recebimento à fl. 41, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/04/2010 conforme carimbo de recepção à folha 42. No recurso interposto (fls. 42/47), a interessada reclama, inicialmente, contra a afirmação contida ao final do voto condutor do acórdão recorrido, de que “se fosse permitida para ingresso a atividade exercida pela contribuinte, ela deveria ter exercido sua opção até 30/01/2009 para considerarse incluída no sistema desde 01/01/2009”. Sustenta a recorrente que o prazo para opção, originalmente até 30/01/2009, teria sido prorrogado pelo Comitê Gestor até 20/02/2009. Como comprovação, colaciona texto extraído, segundo afirma, do próprio site da Receita Federal do Brasil. Sua opção, exercida em 09/02/2009, seria, pois, tempestiva. A seguir, a recorrente se insurge contra a conclusão de que a atividade por ela desenvolvida seria impeditiva à sua adesão ao Simples Nacional. A permissão estaria contida na Lei Complementar nº 128/2008, a qual alterou a redação de diversos artigos da Lei Complementar nº 123/2006, especialmente o art. 17, § 1º e art. 18, § 5ºD, inciso I, que transcreve. Diante disso, sustenta que sua atividade de prestação de serviços de administração e locação de imóveis de terceiros, mensalmente de forma contínua e contratada com o locador do imóvel, não seria empecilho à sua adesão ao Simples Nacional a partir de 01/01/2009. A prática de tal atividade restaria comprovada diante das DIMOB apresentadas nos anos anteriores à opção exercida. Conclui com o pedido de procedência de seu recurso e deferimento de sua opção pelo Simples Nacional a partir de 01/01/2009. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. A primeira reclamação da recorrente, quanto ao prazo para exercício da opção pelo Simples Nacional no anocalendário 2009, é procedente, à vista do art. 17A da Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007, acrescido pelo art. 1º da Resolução CGSN nº 54, de 29/01/2009. Eis o dispositivo em comento: Art. 17A. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2009, a opção a que se refere o art. 7° poderá ser realizada do primeiro dia útil de janeiro de 2009 até 20 de fevereiro de 2009, produzindo efeitos a partir de 1° de janeiro de 2009. No que toca à atividade supostamente impeditiva, ao constatar o CNAE constante do CNPJ da empresa, vide fl. 09, o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (fl. 02) registrou: Atividade econômica vedada: 41107/00 Fl. 74DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.000387/200941 Acórdão n.º 130100.611 S1C3T1 Fl. 62 4 Incorporação de empreendimentos imobiliários Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso XIV. No mesmo sentido, consta da Primeira Alteração Contratual e Consolidação do Contrato Social, datada de 13/01/2003 (fls. 12/ 15) o seguinte: Cláusula Quarta: Objeto social A sociedade terá por objetivo Empreendimentos Imobiliários, Intermediações de vendas, compras e locação de Imóveis, Administração de Imóveis, Assessoria Imobiliária, Avaliação de Imóveis, Hipoteca, Permuta, Incorporação e Loteamento. A defesa da interessada consistiu na afirmação (fl. 01) de que tal atividade de incorporação “não corresponde a atividade principal da empresa que desenvolve a exploração do ramo de intermediação de vendas e compras, locação, administração, assessoria e avaliação de imóveis”. A comprovação residiria nas DIMOBs entregues nos anos anteriores à opção. Às fls. 03/05 encontro cópia de recibo de entrega e de duas folhas da DIMOB do ano calendário 2008. Ao julgar o litígio em primeira instância, a Autoridade Julgadora considerou suficiente para o indeferimento do pleito o código de atividade constante do CNPJ. E foi além, voltando sua atenção para atividades comprovadamente exercidas e, por sua ótica, igualmente impeditivas. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão é elucidativo: Por outro lado, mesmo considerando que tal atividade não fosse exercida, cabe analisar se aquelas informadas pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade e previstas no contrato social (fls. 12/15 e 22/29) "...exploração do ramo de intermediação de vendas e compras, locação, administração, assessoria e avaliação de imóveis", impedem ou não a opção. A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias — DIMOB relativa ao anocalendário de 2008 (fls. 3/5) demonstra o exercício da atividade econômica "corretagem no aluguel de imóveis". Conforme pesquisa junto à Comissão Nacional de Classificação —CONCLA (vide fls. 33/36), os serviços de intermediação de vendas e compras de imóveis e avaliação de imóveis estão registrados sob o CNAE 68218/01; corretagem no aluguel de imóveis no CNAE 68218/02; a administração de imóveis de terceiros sob o CNAE 68226/00. O Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), mediante a Resolução CGSN n° 6, expediu os anexos I e II que relacionam, respectivamente, os códigos relativos a atividades impeditivas e, os códigos que abrangem atividades impeditivas e permitidas ao Simples Nacional concomitantemente. De tais anexos, verificase constar do Anexo I o CNAE 68218/01 e o CNAE 68218/02, que correspondem, respectivamente, a "Corretagem na compra e venda, e avaliação de imóveis" e "corretagem no aluguel de imóveis". Tais atividade, por si só, já impedem à opção pelo sistema, ainda que outras atividades exercidas pela empresa fossem permitidas para o ingresso. Cabe esclarecer, que admitese a existência no contrato social de atividades impeditivas juntamente com não impeditivas, condicionadose porém a possibilidade Fl. 75DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.000387/200941 Acórdão n.º 130100.611 S1C3T1 Fl. 63 5 de opção e permanência no Simples, ao exercício tãosomente das atividades não vedadas, comprovadamente. ( Perguntas e Respostas 2007, n° 043). Dessa forma, não há como acatar a pretensão da contribuinte. A interessada passou a se defender, então, afirmando que a Lei Complementar nº 128/2008 teria introduzido modificações na Lei Complementar nº 123/2006, de tal sorte que as atividades de prestação de serviços de administração e locação de imóveis de terceiros por ela exercidas não mais seriam impeditivas à adesão ao Simples Nacional. Eis os dispositivos da Lei Complementar nº 123/2006 relevantes para o deslinde da questão, já com suas novas redações. Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] XIV que se dedique ao loteamento e à incorporação de imóveis. [...] §1º As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades referidas nos §§5ºB a 5ºE do art. 18 desta Lei Complementar, ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo. [...] Art. 18. [...] §5ºD. Sem prejuízo do disposto no §1º do art. 17 desta Lei Complementar, as atividades de prestação de serviços seguintes serão tributadas na forma do Anexo V desta Lei Complementar: I cumulativamente administração e locação de imóveis de terceiros; [...] Adequandose às novas disposições legais, o Comitê Gestor do Simples Nacional – CGSN, fez publicar a Resolução CGSN nº 50, de 22/12/2008, introduzindo alterações relevantes na Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007. De especial interesse a nova redação do § 3º do art. 12, abaixo transcrito: Art. 12. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP: [...] XXV – que se dedique ao loteamento e à incorporação de imóveis. [...] Fl. 76DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.000387/200941 Acórdão n.º 130100.611 S1C3T1 Fl. 64 6 § 3º As vedações relativas ao exercício de atividades previstas no caput não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades seguintes ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput: (Redação dada pela Resolução CGSN nº 50, de 22 de dezembro de 2008) [...] II com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009: (Incluído pela Resolução CGSN nº 50, de 22 de dezembro de 2008) [...] k) cumulativamente administração e locação de imóveis de terceiros; Daí extraio que o exercício exclusivo e cumulativo das atividades de administração e locação de imóveis de terceiros, ou seu exercício cumulativo com outras atividades não vedadas, não impede a opção pelo Simples Nacional. Diante disso, retornamos ao litígio original, o qual recai sobre o exercício da atividade de incorporação de empreendimentos imobiliários, CNAE 41107/00. Quanto a esse ponto, considero muito relevante, além de constar do objeto societário, o fato de que é essa a atividade informada pelo próprio contribuinte no CNPJ (fl. 09). Entendo que, nessas condições, caberia ao contribuinte provar que tal informação era errônea, e demonstrar cabalmente quais seriam as atividades efetivamente exercidas e que entre elas não se inclui de forma alguma a incorporação de empreendimentos imobiliários. Mas em momento algum a interessada afirma o não exercício dessa atividade, limitandose a sustentar que “a mensagem impeditiva ‘atividade econômica vedada’, não corresponde a atividade principal da empresa” (fl. 01, repetida à fl. 43). Também as duas folhas da DIMOB do ano calendário 2008 acostadas aos autos são frágeis no sentido de provar o não exercício da atividade vedada. Em conclusão, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 77DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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