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Numero do processo: 10380.900408/2009-56
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
Recurso provido
Numero da decisão: 1803-002.065
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausência momentânea da Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Recurso provido
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M.CONSTRUTORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Recurso provido Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausência momentânea da Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 04 08 /2 00 9- 56 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10380.900408/200956 Acórdão n.º 1803002.065 S1TE03 Fl. 104 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0819.668 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE, constante das fls. 30 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “O interessado, supra qualificado, entregou via Internet a Declaração de Compensação, fls. 01/05, na qual pretende compensar o pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior (código de receita 2089) relativo ao período de apuração encerrado em 30/06/2002. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, com base no seguinte fundamento (fls. 01/05): A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificado desse despacho em 04/03/2009, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade em 03/04/2009, fls. 09, alegando que a inconsistência se deu devido ao preenchimento da DCTF, onde o débito relativo a esse período foi informado a maior, e o DARF foi totalmente vinculado a este débito. Para corrigir a situação, apresenta a DCTF retificadora, relativa ao 2° trimestre de 2002, com o débito correto”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE, na sessão de 22/12/2010, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, proferiu o Acórdão nº 0819.688 entendendo “por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade.”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A homologação da compensação declarada pelo contribuinte está condicionada ao reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa, o que somente é possível mediante apresentação dos elementos que comprovem a liquidez e certeza do direito alegado. RETIFICAÇÃO DE DCTF. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10380.900408/200956 Acórdão n.º 1803002.065 S1TE03 Fl. 105 3 A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido” Cientificado da decisão de primeira instância em 07/01/2011 (sextafeira) (AR constante das fls. 36), a B. M. CONSTRUTORA LTDA, nova denominação da B. M.CONSTRUÇÕES E PLANEJAMENTOS LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0819.688, recorre em 08/02/2011 (fls. 37 e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido, com os seguintes pedidos: “Diante do exposto, vem a ora Recorrente requerer que V. Sas. se dignem de considerar procedente o presente Recurso Voluntário, acatandoo em todos os seus termos, e reformando in totum o Acórdão n°. 0819.688, proferido pela da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, no intuito de que seja admitida a DCTF retificadora apresentada, para posterior reexame e procedência da requerida COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA dorespectivo crédito tributário comprovado nessa”. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10380.900408/200956 Acórdão n.º 1803002.065 S1TE03 Fl. 106 4 Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Relator Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Em relação ao mérito, passo que foi bem sintetizada pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE, quando afirmou às fls. 31 e segs dos autos: “O exame inicial da declaração apresentada à Administração Tributária revelou que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Não havia, pois, saldo disponível (ou seja, não havia crédito liquido e certo) para suportar a extinção. Dai a não homologação pela autoridade local. Em sua defesa, o contribuinte alega ter se equivocado no preenchimento DCTF, e informa que procedeu à retificação da declaração, após a ciência da não homologação da compensação. Como a DCTF foi retificada após o despacho impugnado, é pertinente perquirir acerca da possibilidade jurídica de o requerente fazêla e da eficácia probatória que a DCTF retificadora carreia na comprovação do alegado indébito. De inicio, é conveniente lembrar que o procedimento adotado pelo contribuinte teve por objetivo a extinção de crédito tributário, mediante a modalidade prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional — CTN (compensação). Por não ter sido homologada, foi proferido despacho decisório no qual constam os motivos que embasaram o indeferimento do pleito. Nesse mesmo ato o postulante foi intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados (campo 4 do despacho decisório). A razão da existência dessa intimação é simples. Como o pedido de compensação do débito extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, §3°, da Lei n° 9.430/96, incluído pela Lei n° 10.637, de 2002), a partir da não homologação da compensação deve ser reativada a cobrança do tributo, que até então era considerado extinto. O art. 7° do Decreto n° 70.235/72 elege como uma das hipóteses que caracteriza o inicio do procedimento fiscal a prática de ato de oficio por servidor competente cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. Já o § 1 0 do mesmo artigo dispõe que o inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (...)” Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10380.900408/200956 Acórdão n.º 1803002.065 S1TE03 Fl. 107 5 Diante do que consta dos autos, vejo que a 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE não aceitou, como componentes do saldo negativo, os valores de estimativa pagos a maior, o que é, incontestavelmente, um equívoco, tendo em vista que a Recorrente apresentou as DCTF’s que suportam o crédito utilizado. Além do mais, quando o pagamento efetuado é superior ao débito IRPJ declarado, o valor considerado como estimativa IRPJ efetivamente paga é o pagamento limitado ao montante declarado. Isto porque os sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB são alimentados pelos débitos declarados em DCTF, bem como pelo fato do próprio contribuinte ter feito expressamente distinção entre o pagamento e o valor pago do débito. Ou seja, ficou devidamente comprovado o direito da Recorrente em relação ao valor de R$ 5.422,91, não podendo prevalecer à decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, tendo em vista que uma breve análise nas informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório seria suficiente para validar a compensação realizada. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. E foi isso que efetivamente aconteceu. Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, reformando, desta feita, a decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE. (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.016043/2009-50
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212.
Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.985
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato.
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CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 60 43 /2 00 9- 50 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016043/200950 Acórdão n.º 2803003.985 S2TE03 Fl. 3 2 Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016043/200950 Acórdão n.º 2803003.985 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, tendo em vista que a empresa apresentou o documento a que se refere a Lei nº 8.212, de 1991, art. 32, IV e § 3º, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 1997, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto no mesmo diploma legal, art. 32, IV e § 5º, também acrescentado pela Lei nº 9.528, de 1997, c/c o art. 225, IV e § 4º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 22 de junho de 2010 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DE MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. Constitui infração à legislação, a empresa apresentar GFIP/GRFP como dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O Supremo Tribunal Federal – STF, através da Súmula Vinculante nº 8, de 12 de junho de 2008, declarou inconstitucional o artigo 45 da lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que havia fixado o prazo decadencial de 10 (dez) anos para a constituição de contribuições para a Seguridade Social. A lei, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada, surte os seus efeitos enquanto estiver vigente, e deve obrigatoriamente ser cumprida pela autoridade administrativa por força do ato administrativo vinculado, não sendo o fórum administrativo próprio para albergar discussões dessa ordem. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016043/200950 Acórdão n.º 2803003.985 S2TE03 Fl. 5 4 Tratase de AI lavrado em razão de suposto descumprimento de obrigação acessória, qual seja, ter deixado de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Após a apresentação de defesa, o lançamento foi julgado procedente. Entretanto, em que pese o conhecimento e saber jurídico da i. auditora fiscal, seu entendimento em nada coaduna com a situação fática e a de direito que se apresentam, como será demonstrado, devendo ser o auto de infração julgado totalmente insubsistente. Há que se salientar que, na forma do art. 173 do CTN o prazo de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de 05 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, ilegítima qualquer autuação sobre fatos geradores ocorridos antes de julho/2002, sendo nulo qualquer lançamento efetuado sobre o referido período. A aplicação da penalidade antes de se dar a oportunidade ao infrator de sanar as irregularidades constitui verdadeiro confisco, na medida em que o único intuito da administração fazendária é exclusivamente o arrecadatório. A suposta prática da infração por descumprimento da obrigação acessória em nada contribui que o Fisco não pudesse lançar os tributos que julga devidos, como o fez. A suposta inconsistência dos referidos documentos não causou qualquer prejuízo ao INSS, tanto é que a empresa foi autuada em valor bastante considerável, inclusive em relação aos fatos geradores ocorridos nos períodos de aplicação da penalidade. A multa se faz confiscatória e abusiva, pela completa ausência de prejuízo ao Erário, que dela fazse valer apenas como meio de coagir o contribuinte a pagar o crédito tributário cobrado. Há que se notar que não há qualquer razão para que a multa aplicada no presente AI tenha sido fixada em seu máximo, até porque a autuada não é reincidente, aliás, sequer cometeu a infração ou pode ser responsabilizada por ela, na forma de sucessão. Diante do exposto requer seja o presente recurso provido para declarar a total insubsistência / nulidade do auto de infração em epigrafe. Na oportunidade, pugna que todas as intimações referentes ao presente processo também sejam encaminhadas para os procuradores do contribuinte, subscritores da presente, com endereço profissional na Rua Juiz de Fora, nº 115, Conj. 1406 / 1410, Barro Preto, Belo Horizonte/MG, CEP: 30180120 – Tel. / Fax: (31) 32953595. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016043/200950 Acórdão n.º 2803003.985 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento foi realizado em razão de o contribuinte ter apresentado o documento a que se refere à Lei nº 8.212, de 1991, art. 32, IV e § 3º, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 1997, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto no inciso IV e parágrafo 5º do art. 32 do mesmo diploma legal, também acrescentado pela Lei nº 9.528, de 1997, combinado com o art. 225, IV e § 4º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, situação que caracterizou o descumprimento de obrigação acessória, conforme estabelece § 3º do art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN. Em seu recurso, o contribuinte aduz que a autuação é ilegal e que ocorreu a decadência do direito de lançar, conforme a regra do inciso I do art. 173 do CTN, notadamente sobre os fatos geradores ocorridos antes de julho de 2002. No ponto, sem razão o contribuinte, tendo em vista que o período apurado diz respeito às competências de 01/2005 a 12/2005, decorrente do lançamento efetuado em 29/09/2009. Portanto, dentro do prazo estabelecido na regra invocada pelo próprio sujeito passivo (CTN, 173, I). No que se refere ao pedido para que todas as intimações fossem endereçadas aos procuradores da empresa recorrente, ressalto que tal disposição consta do art. 55 da Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, in verbis: Art. 55. A pauta da reunião indicará: I – dia, hora e local de cada sessão de julgamento; II – para cada processo: a) O nome do relator; b) Os números do processo e do recurso; e c) Os nomes do interessado, do recorrente e do recorrido; e III – nota explicativa de que os julgamentos adiados serão realizados independentemente de nova publicação. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016043/200950 Acórdão n.º 2803003.985 S2TE03 Fl. 7 6 Parágrafo único. A pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. Como se pode observar, a legislação que rege o processo administrativo fiscal no âmbito federal já dispõe de mecanismos para que os contribuintes tenham informações da tramitação dos processos, cabendo a eles, obviamente, ficarem atentos às situações previstas no art. 55 do RICARF. Nada obstante à discussão estabelecida entre o Fisco e o contribuinte, há que se considerar, in casu, que a multa imposta, baseada no art. 32 da Lei nº 8.212/91, sofreu alterações em razão dos comandos emanados da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na lei nº 11.941, de 2009. Destarte, em relação às multas de que tratava o artigo 32 da Lei de Custeio, o legislador, ao acrescentar o art. 32A ao referido diploma legal estabeleceu que: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 100DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016043/200950 Acórdão n.º 2803003.985 S2TE03 Fl. 8 7 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, sendo mais benéfica para o infrator, conforme se pode observar da redação do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Todavia, com o advento da medida Provisória nº 449 de 2009, convertida na Lei nº 11.941/09, a tipificação passou a ser apresentar GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A nova redação não faz distinção se os valores foram declarados a maior ou a menor. Conforme previsto no art. 106, inciso II, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo, pois, que este caso se enquadra perfeitamente na regra prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. CONCLUSÃO. Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016043/200950 Acórdão n.º 2803003.985 S2TE03 Fl. 9 8 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10935.000972/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. MULTA. CABIMENTO. Uma vez que a recorrente, devidamente intimada por meio de TIAD, deixou de apresentar à fiscalização livros e documentos contábeis, deve ser mantida a multa aplicada.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO NÃO IMPUGNADO. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento fiscal que fora lavrado em seu desfavor, outra não é a conclusão, senão pela necessidade de manutenção do lançamento, a teor do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente.
Lourenço Ferreira do Prado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. MULTA. CABIMENTO. Uma vez que a recorrente, devidamente intimada por meio de TIAD, deixou de apresentar à fiscalização livros e documentos contábeis, deve ser mantida a multa aplicada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO NÃO IMPUGNADO. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento fiscal que fora lavrado em seu desfavor, outra não é a conclusão, senão pela necessidade de manutenção do lançamento, a teor do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente. Lourenço Ferreira do Prado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues
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NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. MULTA. CABIMENTO. Uma vez que a recorrente, devidamente intimada por meio de TIAD, deixou de apresentar à fiscalização livros e documentos contábeis, deve ser mantida a multa aplicada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO NÃO IMPUGNADO. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento fiscal que fora lavrado em seu desfavor, outra não é a conclusão, senão pela necessidade de manutenção do lançamento, a teor do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 09 72 /2 01 0- 97 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 59DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.000972/201097 Acórdão n.º 2402004.476 S2C4T2 Fl. 247 3 Relatório Tratase de recurso de voluntário interposto por AUTO VIDROS CASCAVEL LTDA, em face do acórdão de fls. 25/28, restando mantida a multa lançada no Auto de Infração nº 37.247.4306. Verificase do Relatório Fiscal da Infração (fl 06), que a Empresa autuada, embora devidamente intimada, deixou de apresentar à fiscalização os Livros Diários e Razão referente aos anos de 2005, 2006 e 2007, bem como deixou de apresentar à fiscalização os acordos e sentenças trabalhistas, contrariando o previsto no Art. 33, §§ 20 e 30 da Lei 8.212/91. O contribuinte foi cientificado acerca do lançamento efetivado em 17/02/2010 (fls.11). Devidamente intimado do julgamento de primeira instância, foi interposto o competente recurso voluntário (fls. 32/54), através do qual sustenta que: 1. deve ser imediatamente aplicada à emenda constitucional nº 62 autoriza a compensação de todas as cessões de crédito efetuadas pelo contribuinte, assim como todas as compensações já efetuadas pelos credores originários ou cessionários até 31 de outubro; 2. os créditos foram adquiridos por meio de instrumento público de cessão já passados em julgado e por sua vez não foram adquiridos por terceiros, sendo os créditos próprios; 3. é ilegal e onerosa o patamar aplicado alusivo a utilização da taxa Selic para a elaboração do cálculo de atualização dos tributos federais; 4. a exclusão a multa aplicada em relação ao débito, ante a ocorrência da compensação dos débitos previdenciários junto à previdência com os créditos adquiridos. É o relatório Fl. 60DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. MÉRITO Conforme já relatado, o presente processo resumese na cobrança de multa em razão da recorrente ter deixado de apresentar livros, Diário e Razão, referente aos exercícios 2005, 2006 e 2007, bem como acordos e sentenças trabalhistas solicitados por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal. Inicialmente, cumpre apontar, que em momento algum a recorrente insurgiu se quanto à imposição fiscal objeto do Auto de Infração, de modo que o lançamento, por este motivo, é incontroverso. Ademais, quanto a matéria de recurso, resumese a repetir os argumentos trazidos em sede de Recuso Voluntário constante no Processo de nº 10935.000965/201095, razão pela qual trago a decisão ali apontada, senão vejamos: “(...) Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. DA COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS ADQUIRIDOS POR INSTRUMENTO DE CESSÃO DE CRÉDITOS Como já dito acima, o contribuinte adquiriu da empresa CWM Comércio e Administração de Bens Ltda, CNPJ 06.199.732/000139 direitos creditórios, que por sua vez adquiriu os créditos da empresa lnterocean Agência Maritimas Ltda CNPJ 88.059.571 1000142, por meio de escritura pública de cessão de direitos creditórios, originários de processo que discutia a constitucionalidade de exigibilidade de contribuições previdenciárias, cuja decisão foi favorável e transitou em julgado (Processo 2004.71.01.0027760 que transitou no Tribunal Regional Federal da 4a Região). Alega ser correta a compensação de tributos com a utilização de créditos oriundos das empresas supracitadas, adquiridas pelo Recorrente, uma vez que entende que os créditos utilizados na compensação são próprios. No entanto, razão não lhe assiste. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.000972/201097 Acórdão n.º 2402004.476 S2C4T2 Fl. 248 5 Acerca do instituto da compensação, é clara a Legislação tributária que prevê tal a modalidade nas hipóteses em que ocorrer o pagamento indevido de um tributo ou ainda que este tenha sido efetuado em valor maior ao efetivamente devido pelo contribuinte, Lei 8383/91, artigo 66, cito: Lei nº 8.383, de 1991: “(...)Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente(...)”. Certo é que a Recorrente não se enquadra na legislação supramencionada uma vez que houve o pagamento indevido tampouco a maior. Ademais, compulsando os autos, é notório que os créditos utilizados para compensação de valores pertenciam às empresas que foram adquiridas pela Recorrente, tratandose, portanto, de créditos de terceiros e não pertencentes à mesma, sendo tal modalidade de compensação vedada, como determina o artigo 74, § 12º, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) [...] 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) No mesmo pensamento, bem fundamentou o relatório fiscal que trouxe os apontamentos legais acerca da matéria, senão vejamos: Lei 8.212/1991 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a titulo de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, (Redação dada pela Lei n° 11,941, de 27 de maio de 2009. Decreto 3.048/1999 Art. 247. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a seguridade social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. Instrução Normativa SRP 03 Art. 192. Compensação é o procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social Na mesma esteira vejamos o posicionamento jurisprudencial deste Eg. Órgão Colegiado, Processo nº 13748.000832/200719, 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária: “Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2006 CESSÃO DE CRÉDITO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. A compensação de contribuições previdenciárias está sujeita a rito e condições especificas definidas na Lei n° 8.212/91. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com créditos do sujeito passivo adquiridos de terceiros, se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito. Cabe à autoridade administrativa conferir a regularidade dos cálculos do principal e dos acréscimos moratórios, assim como a existência e a liquidez dos créditos tributários vincendos empregados na compensação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendolhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado”. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.000972/201097 Acórdão n.º 2402004.476 S2C4T2 Fl. 249 7 Assim, não há respaldo legal que permita outra forma de compensação senão a preconizada na Legislação, razão pela qual desfalece o pleito do Recorrente no que tange a compensação de valores. DA UTILILIZAÇÃO DE TAXA SELIC PARA ATUALIZAÇÃO DO VALOR DO TRIBUTO E EXCLUSÃO DA MULTA Alega a Recorrente que é ilegal e onerosa a utilização da taxa Selic para fins de atualização dos tributos federais devidos. Pleiteia também, pelo mesmo argumento, a redução da multa aplicada em relação ao presente débito. No entanto, temse que autoridade fiscal apenas aplicou a legislação já existente para o cômputo da multa bem como da incidência da taxa SELIC. Ademais, no que tange a alegação de ilegalidade da aplicação da alusiva taxa, verificase tratar de assunto já sanado, com a edição da Súmula 02, deste Órgão Colegiado, no sentido que o pronunciamento acerca da constitucionalidade de norma tributária resta prejudicado, em razão da competência privativa do Poder Judiciário, senão vejamos: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Não há que se falar em exclusão da multa aplicada uma vez que a autoridade fiscal simplesmente aplicou ao caso concreto, a legislação de regência, atentandose, ainda, à observância da retroatividade benigna em decorrências das alterações trazidas pela Lei 11.941/09. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16682.720590/2011-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado para aguardar o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal acerca da recepção da contribuição destinada ao INCRA pelo art. 149, parágrafo segundo, III, a, da CF/88, com redação dada pela EC 33/2001, nos termos que determina o art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Participaram à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado para aguardar o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal acerca da recepção da contribuição destinada ao INCRA pelo art. 149, parágrafo segundo, III, a, da CF/88, com redação dada pela EC 33/2001, nos termos que determina o art. 62A do Regimento Interno do CARF. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório: Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal nº 37.320.2946, lavrado em 19/07/2011, em face de Icatu Capitalizações S/A, no valor de R$ 295.103.44 (duzentos e noventa e cinco mil cento e três reais e quarenta e quatro centavos), referente às contribuições previdenciárias da parte patronal destinadas à Seguridade Social e àquelas para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), incidentes sobre valores pagos através de cartões FLEXCARD. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 59 0/ 20 11 -6 0 Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16682.720590/201160 Resolução nº 2301000.235 S2C3T1 Fl. 3 2 Tratase, também, do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal nº 37.348.8343, lavrado em 19/07/2011, em face de Icatu Capitalizações S/A, no valor de R$ 107.182,96 (cento e sete mil cento e oitenta e dois reais e noventa e seis centavos), referente às contribuições previdenciárias da parte dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre valores pagos através de cartões FLEXCARD. Tratase, ainda, do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal nº 37.348.8351, lavrado em 19/07/2011, em face de Icatu Capitalizações S/A, no valor de R$ 1.879,18 (mil oitocentos e setenta e nove reais e dezoito centavos), referente às contribuições previdenciárias destinadas a terceiros (Salárioeducação e INCRA), incidentes sobre valores pagos através de cartões FLEXCARD. Tratase, por fim, dos seguintes Autos de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória, lavrados em 19/07/2011, em face de Icatu Capitalizações S/A, todos relativos aos valores pagos através de cartões FLEXCARD: 1) nº 37.348.8319, no valor de R$ 6.094,28 (seis mil noventa e quatro reais e vinte oito centavos), referente à multa prevista nos arts. 92 e 102 da Lei 8.212/91, combinados com o art. 283, I, a, e art. 373 do Decreto 3.048/99, quadruplicada em razão da ocorrência de dupla reincidência genérica, nos termos do art. 292, IV, do RPS, por ter o contribuinte deixado de incluir, nas folhas de pagamento, a totalidade das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais (CFL nº 30). 2) nº 37.348.8300, no valor de R$ 60.942,20 (sessenta mil novecentos e quarenta e dois reais e vinte centavos), referente à multa nos arts. 92 e 102 da Lei 8.212/91, combinados com o art. 283, II, a, e art. 373 do Decreto 3.048/99, quadruplicada em razão da ocorrência de dupla reincidência genérica (circunstância agravante), nos termos do art. 292, IV, do Deceto 3.048/99, por ter o contribuinte deixado de lançar mensalmente, em títulos próprios da sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições da empresa e os totais recolhidos (CFL nº 34). 3) nº 37.348.8327, também no valor de R$ 6.094,28 (seis mil noventa e quatro reais e vinte oito centavos), referente à multa nos arts. 92 e 102 da Lei 8.212/91, combinados com o art. 283, II, g, e art. 373 do Decreto 3.048/99, quadruplicada em razão da ocorrência de dupla reincidência genérica, nos termos do art. 292, IV, do RPS, por ter o contribuinte deixado reter as contribuições a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, quando do pagamento das remunerações através de cartões FLEXCARD (CFL nº 59). 4) nº 37.348.8335, no valor de R$ 14.300,00 (catorze mil e trezentos reais), referente à multa prevista no art. 32A, II, da Lei 8.212/91, por ter o contribuinte apresentado Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissões ou informaões incorretas (CFL nº 78). Apresentadas, pela empresa, impugnações individualizadas no que diz respeito às autuações relativas às obrigações principais, e uma impugnação quanto às autuações por descumprimento das obrigações acessórias, o lançamento foi integralmente mantido pela decisão recorrida, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2008, 01/08/2008 a 31/03/2009, 01/07/2009 a 31/07/2009, Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16682.720590/201160 Resolução nº 2301000.235 S2C3T1 Fl. 4 3 01/09/2009 a 31/10/2009, 01/12/2009 a 31/12/2009 REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os prêmios concedidos a título de incentivo ao incremento da produtividade são parcelas de natureza retributiva e têm natureza jurídica salarial. Logo, compõem a remuneração e integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, sempre que as condições previamente estabelecidas forem implementadas pelo trabalhador. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AOS TERCEIROS. Devida contribuição social destinada aos Terceiros a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infrações, deixar de informar em folha de pagamento a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço; não arrecadar mediante desconto as contribuições a cargo dos empregados e contribuintes individuais e não lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições bem como apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com omissões e/ou incorreções. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese que: Não incidem as multas por descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que as condutas que deram origem às autuações dizem respeito a valores que não caracterizam base de cálculo de contribuições previdenciárias, além de que, diante da controvérsia acerca da procedência do lançamento do tributo, não é possível a cominação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. A contribuição destinada ao INCRA, caso entendida como contribuição social, foi extinta pela Lei 7.787/89, não havendo previsão a seu respeito nas Leis 8.212/91 e 8.213/91. Sendo contribuição de intervenção no domínio econômico, padece de inconstitucionalidade por desrespeitar o art. 149, parágrafo segundo, III, a, da CF/88. Tendo sido reconhecida, pelo Supremo Tribunal Federal, em sede do Recurso Extraordinário 630.898/RS, a repercussão geral acerca da recepção da contribuição ao INCRA pelo art. 149, parágrafo segundo, III, a, da CF/88, deve o julgamento do presente Recurso Voluntário ser sobrestado até decisão do STF cerca da matéria, em obediência ao art. 62A do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16682.720590/201160 Resolução nº 2301000.235 S2C3T1 Fl. 5 4 Nos termos do art. 15 da Lei nº 9.424/96, a base de cálculo da contribuição destinada ao SalárioEducação é vinculada ao conceito de saláriodecontribuição previsto na legislação previdenciária, em que os valores pagos a título de gratificação especial e premiação em campanhas não se enquadram. Sem contrarazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto: Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Do sobrestamento do julgamento do presente Recurso Segundo o art. 62A, parágrafo primeiro, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 256 de 2009, ‘ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B”. O referido art. 543B do Código de Processo Civil, por sua vez, reza: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16682.720590/201160 Resolução nº 2301000.235 S2C3T1 Fl. 6 5 Da análise dos autos, verificase que uma das matérias postas em discussão diz respeito à recepção da contribuição destinada ao INCRA pelo art. 149, parágrafo segundo, III, a, da CF/88, com redação dada pela EC 33/2001. Em sede do Recurso Extraordinário 630.898/RS, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria acima especificada. Deste modo, entendo aplicável ao presente caso o disposto no art. 62A do Regimento Interno deste Conselho, pelo que o julgamento do Recurso em exame deve se sobrestado até pronunciamento do STF no Recurso Extraordinário mencionado. Ante o exposto, conheço do recurso, e determino a conversão do julgamento em diligência, para aguardar o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal acerca da recepção da contribuição destinada ao INCRA pelo art. 149, parágrafo segundo, III, a, da CF/88, com redação dada pela EC 33/2001, nos termos que determina o art. 62A do Regimento Interno do CARF. Sala das Sessões, em 16 de julho de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 10830.006217/2005-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - NÃO CONFIGURAÇÃO DE CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE - IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA.
Os embargos de declaração visam ao saneamento de vícios existentes no voto, sendo inviável qualquer análise de mérito já realizada anteriormente.
A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influa na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos. o que não se vislumbra na decisão embargada.
Obscuridade é a falta de clareza que dificulta o entendimento e aplicação do julgado, o que, em se tratando de inegável vício probatório, ou insuficiência de provas, não remanesceu qualquer obscuridade capaz de infirmar a decisão colegiada.
Numero da decisão: 1202-001.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração para rejeitá-los, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Plínio Rodrigues Lima, Guilherme Adolfo de Santos Mendes, Valmar Fônseca Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito, Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NÃO CONFIGURAÇÃO DE CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. Os embargos de declaração visam ao saneamento de vícios existentes no voto, sendo inviável qualquer análise de mérito já realizada anteriormente. A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influa na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos. o que não se vislumbra na decisão embargada. Obscuridade é a falta de clareza que dificulta o entendimento e aplicação do julgado, o que, em se tratando de inegável vício probatório, ou insuficiência de provas, não remanesceu qualquer obscuridade capaz de infirmar a decisão colegiada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração para rejeitálos, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 62 17 /2 00 5- 27 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Plínio Rodrigues Lima, Guilherme Adolfo de Santos Mendes, Valmar Fônseca Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito, Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, fls. 219 a 222, em que a Fazenda Nacional alega CONTRADIÇÃO e OBSCURIDADE no Acórdão nº 1202000.785, proferido pela 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 1ª Seção de Julgamento, fls. 209 a 217, no qual, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidiram negar provimento ao recurso voluntário, tendo a seguinte ementa: Assunto: Omissão de Receita – IRPJ/PIS/COFINS/CSLL Exercício: 2001, 2002 Art 24 da Lei no. 9.249/95. A omissão de receitas exige que o processo seja instruído de elementos probantes suficientes, fortes e inegáveis para atribuir a veracidade fática, real e indiscutível que deram origem ao lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária do primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. Em suas alegações, a Embargante aduziu que no acórdão embargado houve certa contradição e obscuridade entre a decisão e seus fundamentos. Eis parte dispositiva do julgado: ““ACORDAM os membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária do primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator.””. Ressalta que o contribuinte, em sua peça recursal, requer o cancelamento da autuação. Aduz que ao prover o recurso, o colegiado, portanto, profere decisão de mérito, o que impediria a realização de novo lançamento para apuração dos mesmos fatos, enquanto, em sua fundamentação, aponta a insuficiência probatória da acusação fiscal. Este fundamento, no entanto, constitui vício formal, que conduz a anulação do lançamento e não ao seu cancelamento, pois, em tal hipótese, a exigência fiscal pode ser novamente lançada dentro do prazo decadencial, nos termos do art. 173, II do CTN. Alega então que o acórdão embargado, portanto, foi contraditório e obscuro, pois, provê o recurso do contribuinte para cancelamento do auto, fundamentado em vício, que, no entanto, conduz a sua anulação. É o relatório. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10830.006217/200527 Acórdão n.º 1202001.247 S1C2T2 Fl. 8 3 Voto Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno Conforme relatado a Embargante alega contradição e obscuridade no Acórdão de nº 1202000.785, de fls. fls. 209 a 217, o qual negou provimento ao Recurso Voluntário. Tratase de autuação em face da Embargada para exigências do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativamente aos exercícios de 2001 a 2002, por acusação da infração: omissão de receitas – receitas não contabilizadas. Vale relembrar, que se trata de imputação de omissão de receitas com base em levantamento investigativo, decorrente de ação da Polícia Federal, sobre remessas de numerário (dólares) ao exterior, com a utilização da conta CC5, mais conhecida a operação como “Beacon Hill Service Corporation”. Como se constata nos autos, a autoridade fiscal iniciou seu trabalho por força de determinação superior – representação fiscal da Coordenação Geral de Fiscalização, com base em cópias fornecidas pelo Departamento de Polícia Federal, Diretoria de Combate ao Crime Organizado, Divisão de Repressão aos Crimes Financeiros, Força Tarefa CC5, sendo que, nas referidas cópias de contas (autenticadas pelo Consulado Geral do Brasil em Nova York) consta a Embargada como ordenante de remessa de valores, conforme fls. 117 a 119, tendo intimado a Embargada para apresentar a relação das operações de transferências para o exterior por meio de contas titularizadas por residentes ou domiciliados no exterior, discriminando a data, valor, beneficiário no exterior, motivo das remessas e a folha do livro diário em que a operação foi contabilizada. A matriz legal do enquadramento da infração é o artigo 24 da Lei nº. 9.249/95, conforme consta na fundamentação legal do lançamento de ofício do IRPJ. Pois bem, o enunciado daquele dispositivo é claro quando adota a expressão, textual: “verificada a omissão de receita”, assim analisando adota o verbo “verificar” para fixar como ação prévia e necessária a conclusão de omissão de receita. E esse verbo, utilizado pelo legislador, deve ser entendido, no ato de subsunção da ação fiscal, como conclusivo e inquestionável a fim de caracterizar o ato infracional a qual precede para completarse como figura jurídica reportando se ao mundo dos eventos investigados pela referida autoridade fiscal. Na lexicologia, o verbo “verificar”, significa, “indagar ou examinar a veracidade, averiguar, investigar, corroborar, confirmar, etc” (cf. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa), denotando uma ação com sentido de algo a ser efetuado, a ser confirmado, a ser corroborado, portanto, construído um procedimento operativo no sentido de descobrir, de analisar, de averiguar e confirmar alguma situação concreta. Lembrese, a regra tributária referida diz claramente que “verificada a omissão de receita...”, determinando que incumbe à autoridade fiscal esse ato de verificar, e, a rigor técnico semântico, a verificação que expressa o conteúdo de significado vocabular do aludido verbo transitivo e, assim o é, pois, racionalmente, manifesta uma ação que caminha para confirmação da veracidade de um evento, no caso, um fato jurídico tributário: a omissão de receita. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 4 Isto posto, inegavelmente, o trabalho da auditoria fiscal iniciouse com o ato de iniciativa da Coordenação Geral de Fiscalização que baixou a representação fiscal, a fim de que o sujeito passivo, dentre outros, fosse auditado em face ao elemento indiciário, qual seja, seus dados constarem de operações de remessas de dinheiro ao exterior, na condição de “ordenante”, conforme documentação apresentada por investigação da Polícia Federal. Tal documentação,cabe esclarecer, é “relação/transcrição das operações em que o contribuinte identificado aparece como Beneficiário,Ordenante e/ou Remetente de divisas através de contas/subcontas mantidas/administradas no Banco Chase de Nova York por BHSC – Beacon Hill Service Corporation, independente de documentação em papel”, conforme documento a fls.116 destes autos. Válido relembrar a forma como ocorreu a intimação fiscal à Embargada: A autoridade administrativa intimou a Embargada, em 22 de agosto de 2005, para apresentar relação das operações de transferências de recursos para ou do exterior por meio de contas tituladas por residentes ou domiciliados no exterior, a qualquer titulo, nos anos calendário de 2000 e 2001, discriminando a data, valor, beneficiário no exterior, motivo das remessas e a folha do livro diário em que está contabilizada a operação. A Embargada formulou sua resposta na data de 30 de agosto de 2005, conforme documento a fls. 38, asseverando que não efetuou operações de transferência de recursos para o exterior por meio de contas tituladas por residentes ou domiciliadas no exterior, a qualquer título, nos anoscalendário de 2000 e2001. Diante dessa resposta, a autoridade fiscal reintimou a embargada, a qual reiterou a resposta anteriormente apresentada e acrescentou a informação de que desconhece as operações referidas no termo de reintimação. Ato contínuo, em 06/12/2005 a autoridade fiscal lavra a respectiva autuação fiscal, com seu termo de verificação. Assim, remanesce a indagação: a autoridade fiscal cumpriu corretamente o preceito legal que fundamenta o lançamento de ofício, qual seja, o art. 24 da Lei no. 9.249/95 ? Quer parecer que há deficiência probatória, insanável nessa altura deste processo administrativo fiscal. Entendo ser necessária prova efetiva de omissão de receita e não apenas um indício isolado. E indicio não é prova. O indício pode conduzir a produção de prova, porém no caso examinado, temse apenas um indício, nada mais. A negativa do contribuinte só poderia ser lógica negativa geral, posto que, como consta do Laudo Pericial no qual se embasou a Autoridade Fiscal, a própria contradição e dubiedade do documento acusatório, a fls. 116, diz expressamente “independente de documentação em papel”. Ora se a própria autoridade tributária toma por suporte para seu lançamento tal imprecisão, não se pode esperar, ingenuamente, após intimado o sujeito passivo, que o mesmo confesse suposta infração tributária. A auditoria fiscal deveria, sim, ter executado com maior profundidade e consistência seu trabalho de busca da verificação, que visa a certeza do crédito tributário, inclusive, se fosse o caso se valer das autoridades superiores e diplomáticas para corroborar a sustentabilidade da suspeita de omissão de receitas, a fim de confirmála como manda o preceito legal que fundamenta a autuação. No presente caso, o raciocínio lógico imposto pelo legislador está a exigir um avançar nessa investigação para verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, Fl. 227DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10830.006217/200527 Acórdão n.º 1202001.247 S1C2T2 Fl. 9 5 como reza o artigo 142 do CTN; em outras palavras, cabe uma tese, um antítese, e não a simples síntese, com base em único indício e sim a análise do caso em si, notadamente perante a fragilidade do elemento indiciário a apontar possível infração fiscal, que se pretende caracterizar para a determinação da matéria tributável, conferindo a certeza jurídica e fática da existência e/ou ocorrência do fato gerador e o crédito tributário. Assim, é um raciocínio lógico analítico e realista, e não sintético, simplesmente sobre um indício, ainda que revestido de presunção de veracidade, mesmo que aperfeiçoado e qualificado pelos estudos dogmáticos e colocações jurídicas formais da autoridade julgadora “a quo”, sem lastro, contudo, em robusta e contudente confirmação fática probatória, relativamente a omissão de receitas como lançada. A expor a precariedade da acusação fiscal se verifica a listagem a fls. 117 a 119, também citada pela autoridade julgadora de primeira instância, que somente se refere ao nome SONABYTE, estabelecida à Av. Faria Lima, 1107, cj. 122, diferente do que consta no contrato social e no cadastro da própria Receita Federal do Brasil, indicando que somente se atribuiu responsabilidade tributária pelo primeiro nome coincidente com a Embargada, sem maiores informações ou investigações para afastar a possível homonímia comum. Desta forma, a alegação da embargante que, a decisão de mérito proferida pelo Acórdão ora guerreado, a qual impediria a realização de novo lançamento para apuração dos mesmos fatos, enquanto em sua fundamentação, aponta a insuficiência probatória da acusação fiscal, seria fundamento eivado de vício formal, não merece prosperar, uma vez que não se discute o procedimento fiscal em sai, mas sim a insuficiência de provas para ensejar o lançamento, prova de fatos e não de situações legais. Portanto, o que se discute é prova, tratandose de claro vício material e não formal como alega a Embargante. Destarte, não há contradição da decisão proferida, nem tampouco obscuridade, sendo claramente caso de vício material. Tais situações redundam na impossibilidade de manutenção do lançamento realizado. Segundo Araken de Assis em seu Manual dos Recursos, 2ª edição, página 612: A contradição decorre da existência de proposições inconciliáveis entre si nos elementos do provimento e de um elemento em relação ao(s) outro(s). As proposições inconciliáveis consistem na afirmação e na negação simultâneas de algo. Elementos do provimento, para esse efeito, são o relatório, a motivação e o dispositivo. A mecânica de formação do julgamento colegiado, nos tribunais, espelhada posteriormente no acórdão, encimado pela ementa, introduz novos elementos passíveis de comparação, e, portanto, de contradição. No direito anterior já se admitia, e com razão, contradição entre o resultado do julgamento, proclamado pelo presidente da sessão, e o ulterior acórdão, e entre os votos proferidos e o resultado proclamado. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 6 Cássio Scarpinella Bueno em seu Curso Sistematizado de Direito Processual Civil, dissertado sobre os Embargos de Declaração, capítulo 8, páginas 196 e 197, afirma que: Os embargos de declaração são o recurso cabível de qualquer decisão jurisdicional que se mostre obscura, contraditória ou que tiver omitido questão sobre a qual seu prolator deveria ter se pronunciado. A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. É indiferente que a contradição se localize na parte decisória (o “dispositivo” da sentença) propriamente dita ou na motivação. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influi na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos. (...) A obscuridade relacionase com a falta de clareza ou de precisão da decisão jurisdicional. Tratase de hipótese em que a forma como o prolator da decisão de exprimiu fazse pouco clara comprometendo o seu entendimento e, consequentemente, o seu alcance. Nesse sentido, não se vislumbram no presente recurso os requisitos necessários para que haja a alteração no julgamento, pois não há na decisão guerreada simultaneidade de idéias opostas, ou seja, não existe no acórdão o requisito intrínseco de proposições conflitantes que interfiram na intelecção da decisão. Nem há a dificuldade, ou obscuridade, em entender o que pretende a decisão proferida, tampouco existia dificuldade em sua aplicação. Os motivos apresentados acima já são o bastante para não acolher o presente recurso. À vista disso, conheço os Embargos de Declaração, no entanto, como não houve no voto proferido contradição e obscuridade capaz de viciálo, voto no sentido de rejeitálos. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 229DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO
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Numero do processo: 18471.002485/2004-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2000
CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA. Tendo sido dado à contribuinte amplo conhecimento dos fatos que lhes estão sendo imputados e prazo legal suficiente para comprovar suas alegações, bem como sendo admitida a apresentação de documentos até o julgamento por esse Conselho, não há de se falar em cerceamento de defesa, especialmente considerando-se que o presente processo tramita há quase dez anos. Preliminar afastada.
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO SEM CAUSA. A pessoa jurídica que pagamentos a terceiros, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO
Numero da decisão: 2202-002.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 12/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2000 CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA. Tendo sido dado à contribuinte amplo conhecimento dos fatos que lhes estão sendo imputados e prazo legal suficiente para comprovar suas alegações, bem como sendo admitida a apresentação de documentos até o julgamento por esse Conselho, não há de se falar em cerceamento de defesa, especialmente considerandose que o presente processo tramita há quase dez anos. Preliminar afastada. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO SEM CAUSA. A pessoa jurídica que pagamentos a terceiros, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA – Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 24 85 /2 00 4- 27 Fl. 930DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 18471.002485/200427 Acórdão n.º 2202002.858 S2C2T2 Fl. 18 2 EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 0719000/00514/03, exigindo crédito tributário no valor de R$ 470.158,11, incluído principal, multa de ofício de 75% e juros de mora, relativamente a fatos geradores ocorridos entre 06 de janeiro de 1º de dezembro de 1999. No auto de infração (fls. 90 a 99), o ARF descreveu que o crédito tributário foi constituído em razão da falta de recolhimento de imposto de renda retido na fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados. O enquadramento legal da infração acometida à contribuinte está referido à fl. 92. O detalhamento da autuação fiscal vem bem exposto no termo de constatação fiscal (fls. 87 a 89), literalmente: “No exercício das funções de Auditor – Fiscal da Receita Federal, efetuamos trabalho de fiscalização do contribuinte acima identificado, no exercício de 2000, anoscalendário de 1999, e apuramos o que se segue. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou à fiscalização os extratos bancários da conta no. 447145, agência 576 do Banco do Brasil. Selecionamos, por amostragem, alguns cheques significativos emitidos contra a contacorrente acima mencionada, e intimamos o contribuinte a justificar sua destinação. (fls. 8) No entanto, o contribuinte não logrou comprovar a destinação dos cheques relacionados. Apresentou, com este objetivo, os documentos acostados a fls. 11 a 84. Apesar da apresentação destes documentos comprobatórios de despesas efetivamente incorridas na data de desconto dos cheques, entende a fiscalização que, por serem os somatórios dos valores dos documentos divergentes daqueles dos cheques, o contribuinte não comprovou a utilização dos cheques relacionados nos pagamentos informados. Não ficou, portanto, demonstrada a relação Fl. 931DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 18471.002485/200427 Acórdão n.º 2202002.858 S2C2T2 Fl. 19 3 entre as operações financeiras descritas e os cheques emitidos, o que permite a presunção de pagamento sem causa a beneficiário não identificado. Em conseqüência, a ocorrência de pagamentos a beneficiários não identificados obriga à tributação exclusiva na fonte destes valores, nos termos do art .655 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 1.041/94, c/c art. 61 e §§ da Lei 8.981/95, reiterados pelo art. 639 do Decreto 3.000 de 26/03/99. Ressaltese que os valores abaixo relacionados serão considerados líquidos do imposto de 35%, sendo efetuado o reajustamento da base de cálculo do mesmo, na forma demonstrada na IN SRF 4/80, tendo em vista a lei considerar que, ao não reter o imposto, a fonte pagadora estará assumindo o ônus do mesmo, nos termos do art. 725 do Dec. 3.000/99 (RIR/99) já mencionado”. Procedimento de Fiscalização A contribuinte foi intimada por “Termo de Início de Fiscalização” (fl. 8), em 28/03/03, para apresentar: 1) contrato social e posteriores alterações; 2) recibo de entrega de declaração de IRPJ – ano calendário de 1999, exercício 2000; 3) livros comerciais, fiscais e auxiliares, previstos em lei; 4) extratos bancários do período; 5) em relação às contribuições do PIS, FINSOCIAL e COFINS, apresentar as bases de cálculo para o recolhimento das mesmas no período compreendido entre abril de 1998 até fevereiro de 2003, anexando cópia das folhas dos livros diário ou razão e comprovando os respectivos recolhimentos através da apresentação dos DARF’S. Em 17/11/03, a contribuinte foi novamente intimada por “Termo de Intimação” (fl. 359) a apresentar o “Fluxo Financeiro do anocalendário de 1999, preenchendo as planilhas contidas no disquete apresentado pela Fiscalização”. O procedimento de fiscalização prosseguiu com a intimação da contribuinte, em 13/01/04 (fls. 360), nos seguintes termos: “considerando que o Livro Diário apresenta escrituração mensal, o que contraria o disposto nas normas contábeis vigentes, infringindo Fl. 932DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 18471.002485/200427 Acórdão n.º 2202002.858 S2C2T2 Fl. 20 4 ainda o art. 527, inc. I do RIR/99, fica o contribuinte intimado a elaborar o referido livro fiscal, ou, à sua opção, o Livro Caixa, no qual deverão estar escrituradas as operações financeiras efetuadas no anocalendário de 1999, conforme o parágrafo único do artigo acima citado”. Por meio dos Termos de Intimação de 16/03/04 e de 18/06/04 (fls. 361 a 362), foi a contribuinte intimada a apresentar o demonstrativo das bases de cálculo da COFINS e do PIS até o mês de maio de 2004, com o fim de complementar o demonstrativo já apresentado, que cobria o período de janeiro de 1998 a março de 2003. Consta à fl. 363 “Termo de Ciênia e de Continuação de Procedimento Fiscal”, datado de 21/09/04. Em 03/12/04 a contribuinte foi intimado por “Termo de Intimação” a apresentar fluxo financeiro da empresa, considerando que não havia sido apresentado em sua totalidade (fl. 364). Já em 15/12/04, houve intimação da contribuinte (fls. 365 a 366) a que demonstrasse com documentação hábil a origem dos recursos utilizados em pagamento relativos às notas fiscais elencadas, cuja emissão, informada pelos fornecedores da contribuinte, não havia sido registrada na escrituração contábil. Na mesma data, em 15/12/2004, foi a contribuinte intimada a, no prazo de cinco dias, “demonstrar com documentação hábil, coincidente em datas e valores, a utilização dos cheques a seguir relacionados, selecionados por amostragem da Conta – Corrente no. 447145, agência 576 do Banco do Brasil” (fls. 10 a 12). Em respota, a contribuinte apresentou série de guias e extratos relativos a despesas incorridas nos dias correspondentes à utilização dos cheques (fls. 13 a 86). Da análise dos documentos apresentados pela contribuinte, o ARF entendeu por lavrar autos de infração de IRRF (fls. 90 a 99), considerando não ter havido a comprovação da destinação dos cheques relacionados, com detalhamento descrito no “Termo de Verificação e Constatação Fiscal” (fls. 87 a 89). Impugnação Fl. 933DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 18471.002485/200427 Acórdão n.º 2202002.858 S2C2T2 Fl. 21 5 Cientificada do lançamento (fl. 100), a contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 107 a 118, aduzindo, em síntese: Cerceamento de defesa, pois a autoridade fiscal lavrou Termo de Intimação e, sem aguardar resposta, procedeu à lavratura do auto de infração, além do que, durante o prazo para impugnação, não encaminhou o processo para a agência da Receita Federal e se recusou a dar vistas do mesmo, impedindo o autuado de tomar conhecimento de todos os elementos contidos nos autos; Decadência do direito de constituir o crédito, considerando que no IRRF o lançamento se dá por homologação, contandose o prazo decadencial da ocorrência do fato gerador, nos termos do §4º do art. 150 do CTN; Com relação aos cheques relacionados pela autoridade fiscal, foram apresentadas diversas duplicatas quitadas pela empresa no Banco do Brasil, nas mesmas datas dos cheques, e esclarecido que as pequenas diferenças existentes entre os totais do cheques e dos pagamentos correspondiam a saques em espécie, que é uma prática usual em qualquer tipo de negócio, comumente denominada de “caixa pequena”, que consiste em uma pequena reserva em dinheiro para uso em necessidades imediatas; A empresa em 1999 era optante pelo lucro presumido, cuja legislação pertinente somente a obrigava a escriturar o Livro Caixa e o Livro Inventário, e que toda a sua movimentação bancária, relativa aos recebimentos e pagamentos, era feita na conta n. 447145, agência 576, do Banco do Brasil; Em última hipótese, somente poderiam ser tributadas as diferenças entre os valores dos cheques e os pagamentos comprovados. A contribuinte relaciona em sua impugnação pagamentos e destinações dadas aos cheques, esclarecendo que a documentação encontrase na sede da empresa à disposição para realização de diligência. Diante disso, a contribuinte requereu: a) a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa; b) o reconhecimento da decadência; e a c) improcedência do auto de infração em razão da comprovação da destinação dos cheques relacionados pela fiscalização. Acórdão da DRJ Fl. 934DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 18471.002485/200427 Acórdão n.º 2202002.858 S2C2T2 Fl. 22 6 A 8ª Turma de Julgamento da DRJ/RJOI (fls. 160 a 172), por unanimidade, rejeitou a preliminar de nulidade, e, por maioria de votos, julgou procedente o lançamento efetuado. Segue transcrito o ementário que bem aclara as conclusões da DRJ: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa da interessada. Descabe a alegação de nulidade quando inexistirem atos insanáveis e quando a autoridade autuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. OPERAÇÃO OU CAUSA NÃO COMPROVADA. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado e/ou cuja operação ou causa não seja comprovada. Quanto à arguição de nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, argumentou o acórdão no sentido de que o fato dos processos administrativos não terem sido encaminhados ao órgão preparador após a ciência dos Auto de Infração não constitui, por si só, cerceamento ao direito de defesa, uma vez que sua localização era de conhecimento da interessada, conforme documento gerado pelo site da RFB apresentado pela contribuinte, além de que não foi juntadado aos autos documento que ateste que a interessada foi impedida de ter acesso aos autos. Ainda com relação ao cerceamento de defesa, aponta o acórdão que a interessada foi regularmente intimada dos Termos lavrados ao longo do procedimento de fiscalização, e, ainda, do auto de infração, onde a infração que lhe foi imputada encontrase descrita e capitulada. No referente à decadência tributária, o acórdão foi no sentido de que, não tendo sido efetuado pela interessada pagamento a título de IRRF no ano de 1999, aplicase a regra contida no art. 173, I do CTN, extinguindo o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário somente em 31/12/2004, ou seja, após a ciência do auto de infração, que ocorreu em 29/12/2004. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 18471.002485/200427 Acórdão n.º 2202002.858 S2C2T2 Fl. 23 7 No mérito, entendeu o acórdão da DRJ que, embora a interessada afirme relacionar todos os pagamentos e destinações a que se refere cada cheque objeto da tributação, não foram juntados na impugnação, momento propício para contraditar, os documentos hábeis e livros de sua escrituração fiscal/contábil que demonstrassem e corroborassem o que alega, ônus que lhe incumbia. Ressalta, ainda, divergências entre os comprovantes de despesas juntados no procedimento de fiscalização e os pagamentos alegados pela contribuinte. Por fim, aponta que a alegação de existência de “caixa pequena” e “reserva em dinheiro para pequenas necessidades” não encontra respaldo sem a comprovação por documentos hábeis. Recurso Voluntário Intimado em 03/08/07 (fl. 178), e irresignado com a decisão proferida pela DRJ, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 192 a 204, cuja íntegra seguiu às fls. 416 a 420. Em síntese, repisou os argumentos trazidos em sede de impugnação. Acórdão do CARF Em análise da matéria em questão, a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 597 a 606), por maioria de votos, entendeu por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer os efeitos da decadência tributária, sob o seguinte fundamento: DECADÊNCIA – Nos casos de tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, salvo se comprovado dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial iniciase com a ocorrência do fato gerador que, no caso do IRF, se dá mensalmente, porque esta modalidade não está sujeita a ajuste posterior (art. 150, §4º, do CTN). Destacase o trecho do acórdão que afirma que “os fatos geradores autuados, como já destacado, vão de 06 de janeiro a 1º de dezembro de 1999, tendo a ciência do lançamento ocorrido em 29 de dezembro de 2004, portanto, há mais de cinco anos da ocorrência desses fatos geradores do IRF. Nos termos do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, está, pois, o lançamento como um todo afestado pelos efeitos da decadência”. Recurso Especial Intimada em 13/04/09 (fl. 607), a Fazenda Nacional se insurgiu contra o acórdão proferido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte por meio de Recurso Especial (fls. 612 a 619), argumentando que o imposto de renda retido na fonte devido sobre pagamentos a beneficiário não identificado não se enquadra na modalidade de lançamento por homologação, na medida em que expressamente demanda a comprovação da Fl. 936DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 18471.002485/200427 Acórdão n.º 2202002.858 S2C2T2 Fl. 24 8 operação ou do beneficiário, o que somente ocorre no momento em que a entidade se encontra sob fiscalização. Assim, somente pode ser lançado de ofício e se sujeita às regras de decadência do art. 173, inciso I, do CTN. Em exame de admissibilidade, a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu por dar seguimento a recurso (fl. 620 a 621). Após manifestação da contribuinte (fl. 839), subiram os autos à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acórdão em Recurso Especial Apreciando a matéria, a Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu por dar provimento ao Recurso Especial, para declarar que o crédito tributário não foi atingido pela decadência, cujos fundamentos vão bem expostos no ementário (fls. 854 a 861): DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. TRIBUTO LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. Devese verificar se um tributo como um todo se enquadra na modalidade de lançamento por homologação, o que ocorrerá quando a legislação atribuir ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. O fato do tributo precisar ser lançado de ofício não altera sua natureza. Até mesmo porque a autoridade tributária somente pode constituir o crédito tributário apurado em ação fiscal de ofício. O Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos feitos a beneficiários não identificados se enquadra na modalidade de lançamento por homologação. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 18471.002485/200427 Acórdão n.º 2202002.858 S2C2T2 Fl. 25 9 No presente caso, não há que se falar em ocorrência de pagamento antecipado, por se tratar de tributo com incidência exclusiva na fonte, que não está sujeito à tributação no ajuste, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta forma, como se trata de tributo com fato gerador ocorrido na data dos pagamentos efetuados, e pela autuação envolver pagamentos entre 06 de janeiro e 1° de dezembro de 1999, o primeiro dia do exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 1/1/2000, quando se inicia a contagem do prazo decadencial, terminando em 31/12/2004. Tendo a ciência do lançamento ocorrido em 29/12/2004, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. Recurso especial provido. Provido o Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional para afastar a decadência do lançamento, retornou o processo para a análise das demais questões do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 18471.002485/200427 Acórdão n.º 2202002.858 S2C2T2 Fl. 26 10 Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschimdt O recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual merece ser conhecido. Esclareço que o recurso voluntário versa sobre três pontos, a saber: a) nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, b) decadência do crédito tributário, e c) inexigibilidade de IRRF em razão da identificação dos beneficiários dos pagamentos (cheques) por meio de apresentação de comprovantes de despesas incorridas nos dias correspondentes. No que toca ao pedido de reconhecimento da decadência, a matéria já foi objeto de apreciação pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em sede de Recurso Especial, que decidiu pela não ocorrência da decadência do crédito tributário, considerando a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, e a ciência do lançamento ocorrida em 29/12/2004. Cumpre, assim, apreciar as questões relativas à nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa e à inexigibilidade de IRRF pela comprovação dos beneficiários dos pagamentos realizados por meio de cheques. Cerceamento de Defesa A contribuinte alega cerceamento de defesa, em face do exíguo tempo transcorrido entre o início da fiscalização e a lavratura do auto, e ainda, por não estarem disponíveis os autos na Agência da Receita Federal de seu domicílio durante o prazo para impugnação. Como se depreende dos autos, entre a intimação para a recorrente comprovar (no prazo de cinco dias) a destinação dos recursos relativos aos 27 cheques relacionados pela fiscalização (“Termo de Intimação” de fls. 08 a 11, com ciência em 15/12/2004, fl. 08 a 11) e a lavratura do auto de infração transcorreram apenas 12 dias. Destacase, ainda, que a lavratura do auto, em 27/012/04, deuse apenas quatro dias antes do encerramento do prazo decadencial (em 31/12/04), corroborando o provável fato de que tenha se dado de forma célere. Ocorre que, ainda que tenha transcorrido curto espaço de tempo entre a intimação para apresentação de documentos e a autuação, entendo que inexistente causa de nulidade do auto de infração, pois a documentação apresentada pela contribuinte foi efetivamente analisada (fls. 12, 87 a 89), entendendo a fiscalização, contudo, ser insuficiente para afastar as condutas objeto da autuação. Entretanto, tendo sido intimada do auto de infração, foi oportunizada à contribuinte nova oportunidade para comprovar a destinação dos recursos e, ainda em fase de Fl. 939DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 18471.002485/200427 Acórdão n.º 2202002.858 S2C2T2 Fl. 27 11 impugnação, afastar a autuação. Nesta oportunidade, poderia a recorrente apresentar a documentação que alegava dispor, apontando, de forma efetiva, direta e correspondente em datas e valores, a correlação entre o valor dos cheques e os pagamentos realizados, incluindo os alegados saques para “caixa pequena” da empresa, comprovação que deveria ser realizada por meio de documentação hábil e idônea, restando garantido o contraditório e a ampla defesa. Ademais, reforçando os aludidos princpíos constitucionais, é ainda admitida neste Tribunal, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a juntada de novas provas até o julgamento do processo pelo CARF, como se vê nos precedentes abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. A apresentação de sentença judicial de interdição por incapacidade mental, acompanhada de laudo médico emitido por perito judicial pelo reconhecimento da moléstia grave, é suficiente para reconhecer a isenção dos rendimentos. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica. Recurso Provido (Nº Acórdão: 2802002.564; Relator (a) German Alejandro San Martin Fernandez). Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. O lançamento de crédito tributário que contiver todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, não havendo prejuízo a defesa, deve ser mantido. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. VERDADE MATERIAL. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO PRÉVIA. O pedido de juntada extemporânea de documentos independe de autorização prévia, os documentos podem ser apresentados a qualquer momento, em razão da verdade material do processo administrativo. Contudo, a parte deve apresentálos, não tendo qualquer valor a mera alegação de que pretende juntálos sem que indique quais são, alegação sem conteúdo. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido (Nº Acórdão Fl. 940DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 18471.002485/200427 Acórdão n.º 2202002.858 S2C2T2 Fl. 28 12 2803002.560; Relator (a) Gustavo Vettorato, j. em 18 de julho de 2013). No caso em questão, em que pese entre o início da fiscalização e a autuação tenha transcorrido 12 dias, entre a intimação do auto de infração (29/12/2004) e a presente data transcorreram quase 10 anos, período mais que suficiente para que a contribuinte acessasse integralmente os autos e trouxesse a ele todos os elementos de prova que entendesse necessário para comprovar a alegada improcedência da autuação, razão pela qual afasto a preliminar de cerceamento de defesa trazida no Recurso Voluntário. Pagamento a beneficiários não identificados No mérito, entendo que igualmente não assiste razão à recorrente. Como se colhe do relatório, cuidase de exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados, com fundamento no artigo 61, da Lei nº 8.981/1995, abaixo transcrito: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. A fiscalização tributária conduziu a análise da documentação trazida pela contribuinte e concluiu como segue (fl. 87): Selecionamos, por amostragem, alguns cheques significativos emitidos contra a contacorrente acima mencionada, e intimamos o contribuinte a justificar sua destinação. (fls. 8) No entanto, o contribuinte não logrou comprovar a destinação dos cheques relacionados. Apresentou, com este objetivo, os documentos acostados a fls. 11 a 84. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 18471.002485/200427 Acórdão n.º 2202002.858 S2C2T2 Fl. 29 13 Apesar da apresentação destes documentos comprobatórios de despesas efetivamente incorridas na data de desconto dos cheques, entende a fiscalização que, por serem os somatórios dos valores dods documentos divergentes daqueles dos cheques, o contribuinte não comprovou a utilização dos cheques relacionados nos pagamentos informados. Não ficou portanto demonstrada a relação entre as operações financeiras descritas e os cheques emitidos, o que permite a presunção de pagamento sem causa a beneficiário não identificado. Consoante o disposto no caput e no § 1º ao artigo acima transcrito, a efetuação do pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte. O § 2º reforça essa assertiva, ao determinar que a incidência do imposto ocorre no dia do pagamento, seja este “sem causa” ou “a beneficiário não identificado”. Para a aplicação deste dispositivo, portanto, o primeiro pressuposto é que não haja dúvida quanto à efetividade do pagamento (saída de numerário da empresa), cujo ônus da prova é do fisco, que deve individualizar com clareza os valores e as datas em que estes ocorreram. Já com relação à causa das operações e à identificação do beneficiário, o ônus probatório passa a ser do contribuinte, que deverá apresentar comprovação da causa e dos beneficiários por meio de documentação hábil e idônea. No caso dos autos, verifico às fls. 10 a 11, no “Termo de Intimação”, que o fisco apontou a existência de diversos recursos sacados da conta corrente da recorrente por meio de cheques, abrindo espaço à contribuinte para justificativa. A recorrente, em sua defesa, sustentou que os recursos haviam sido sacados de sua conta corrente para quitação de despesas diretamente no caixa do banco, e que a diferença entre o total dos cheques e das despesas era sacada para abastecer a empresa com pequena reserva de dinheiro. Inicialmente destaco que a tese da recorrente, de incício plausível, mereceria acolhimento caso o valor total das despesas efetivamente comprovadas correspondessem ao valor dos cheques relacionados pela fiscalização. Não há, contudo, essa correspondência nos autos (fl. 12), sendo que os valores das despesas efetivamente comprovadas são menores do que o valor dos cheques. Fl. 942DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 18471.002485/200427 Acórdão n.º 2202002.858 S2C2T2 Fl. 30 14 Assim, desde já ressalto que os comprovantes de pagamentos juntados, por si só, não autorizam a estabelecer uma conexão entre os cheques sacados e as despesas incorridas para fins de identificação do beneficiário nos termos do art. 61 da Lei 8.981/95. Já a alegação no sentido de que a diferença entre o valor dos cheques e o total das despesas comprovadas era sacada para abastecer “caixa pequena”, deveria ser lastreada por documentação hábil, o que não foi apresentando pela contribuinte. Ademais, ainda que considerados os comprovantes de pagamentos como indícios da destinação dos cheques, destaco inconsistências nas informações prestadas pela recorrente quanto aos próprios pagamentos realizados, impedindo a consideração dessas despesas como comprovação dos beneficiários para efeitos do art. 61 da Lei n. 8.981/95. Primeiramente, a recorrente discrimina na Impugnação as despesas que teriam sido objeto dos pagamentos por meio dos cheques (fls. 111 a 117), com somatório supostamente correspondente aos valores dos cheques. Já no Recurso Voluntário, junta nova relação das despesas, dessa vez acompanhanda dos comprovantes de pagamentos, mas cujos valores e objeto não correspondem aos informados na Impugnação (fls. 427 a 573). O seguinte quadro bem ilustra a inconsistência: Data Cheque Valor (A) Despesas Informadas na Impugnação (fls. 111117) (B) Despesas Informadas no Recurso Voluntário (fls. 427573) 06/01/1999 714630 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 R$ 5.489,84 01/02/1999 714690 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 R$ 6.000,07 04/02/99 714709 R$ 9.000,00 R$ 9.000,00 R$ 7.182,76 12/02/1999 714740 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 R$ 6.006,83 05/03/1999 714815 R$ 10.000,00 R$ 10.000,00 R$ 9.727,48 08/03/1999 714742 R$ 12.000,00 R$ 12.000,00 R$ 10.001,25 10/03/1999 714828 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 R$ 4.523,16 11/03/1999 714831 R$ 5.000,00 R$ 4.999,50 R$ 4.486,00 19/03/1999 714759 R$ 2.000,00 R$ 2.000,00 R$ 2.000,00 23/03/1999 714901 R$ 50.000,00 R$ 49.999,07 R$ 50.000,00 23/03/1999 714761 R$ 15.500,00 R$ 15.500,00 05/04/1999 714910 R$ 10.000,00 R$ 10.000,00 R$ 9.983,09 07/04/1999 714919 R$ 50.000,00 R$ 50.000,00 R$ 49.726,37 09/04/1999 714861 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 R$ 5.501,97 22/04/1999 714870 R$ 15.000,00 R$ 15.000,00 R$ 14.296,40 04/05/1999 714847 R$ 12.000,00 R$ 12.000,00 R$ 7.717,41 Fl. 943DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 18471.002485/200427 Acórdão n.º 2202002.858 S2C2T2 Fl. 31 15 05/05/1999 714852 R$ 8.000,00 R$ 8.000,00 R$ 7.850,46 06/05/1999 714858 R$ 7.000,00 R$ 7.000,00 R$ 6.831,08 02/06/1999 714994 R$ 12.000,00 R$ 12.000,60 R$ 11.331,02 25/06/1999 715067 R$ 12.000,00 R$ 11.519,88 R$ 5.284,58 28/07/1999 715159 R$ 6.000,00 R$ 5.990,36 R$ 5.833,62 29/07/1999 715184 R$ 12.000,00 R$ 12.000,00 R$ 2.832,00 05/07/1999 715207 R$ 8.000,00 R$ 8.000,00 R$ 7.970,21 02/09/1999 715230 R$ 8.000,00 R$ 8.000,00 R$ 7.933,82 05/11/1999 715408 R$ 8.000,00 R$ 8.000,00 R$ 7.433,13 30/11/1999 715494 R$ 10.000,00 R$ 10.000,00 R$ 9.109,83 01/12/1999 715461 R$ 12.000,00 R$ 12.000,00 R$ 12.000,73 Ademais, verifico a inexistência da efetiva comprovação de parcela das despesas discriminadas no Recurso Voluntário, a exemplo da despesa no valor de R$ 1.334,88, que teria sido quitada por meio do cheque n. 714.759 (fl. 472), e das despesas no valor de R$ 50.000,00, que teriam sido quitadas por meio do cheque n. 714.901 (fl. 474). Por fim, destaco hipóteses em que o somatório das despesas informadas na Impugnação e no Recurso Voluntário ultrapassa o valor do cheque sacado, enfraquecendo a alegação de que os cheques teriam sido utilizados para quitação das despesas do dia. É o que ocorre, por exemplo, no caso do cheque 714.815, sacado em 05/03/1999 no valor de R$ 10.000,00, sendo que o somatórioa das despesas do dia informadas pela recorrente na impugnação e, posteriormente, no recurso voluntário, atinge o valor de R$ 14.812,48, conforme exemplificado no quadro abaixo: Cheque 714815 Impugnação (fl. 112) 3M do Brasil (nota fiscal 180411) R$ 2.843,00 3M do Brasil (nota fiscal 180412) R$ 2.072,00 Retirada Pro Labore e Honorarios R$ 4.750,00 Saque para Pgto parte de alguel filial R$ 335,00 Total A .................................................... R$ 10.000,00 Cheque 714815 Recurso Voluntário (fls. 452) Mucambo (Duplicata 15459c/07) R$ 695,60 Mucambo (Duplicata 3495c/01) R$ 752,00 3M do Brasil (nota fiscal 180411) já informado na impugnação 3M do Brasil (nota fiscal 180412) já informado na impugnação 3M do Brasil (Duplicata a00e180413) R$ 1.218,00 Neide Boscolo (Duplicata 020344b/c) R$ 1.638,51 Incopesa S/A (Duplicata 020357b/c) R$ 508,37 Total B..................................................... R$ 4.812,48 Fl. 944DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 18471.002485/200427 Acórdão n.º 2202002.858 S2C2T2 Fl. 32 16 TOTAL A + B........................................ R$ 14.812,48 Com tudo isso, registro que a contribuinte não logrou demonstrar, por meio de documentação hábil, a destinação dos pagamentos objeto de fiscalização, devendo tais serem caracterizados como “pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado”, incidindo o Imposto de Renda exclusivamente na fonte, cuja responsabilidade pelo recolhimento é da pessoa jurídica que realizou os pagamentos. Nesse mesmo sentido é o entendimento reiterado desse Conselho, como demonstra o julgado abaixo colhido por amostragem: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Data do fato gerador: 07/05/2008 DECADÊNCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA. A aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99) decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência em referência sustentase na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, deslocase a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. No caso, a constituição do crédito tributário correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se promover tal procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma. PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA. A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Preliminar rejeitada. Recurso negado. (Nº do acórdão 2202002.561, Número do Processo: 13851.720290/201101, Data de Publicação: 13/06/2014, Relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ) Fl. 945DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 18471.002485/200427 Acórdão n.º 2202002.858 S2C2T2 Fl. 33 17 Por tais razões, entendo não merecer reparos a decisão da recorrida. Conclusão Isso posto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Relator Fl. 946DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725811/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.603
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DARKE MAGALHÃES DE ABREU
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 25 81 1/ 20 09 -3 3 Fl. 4298DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725811/200933 Resolução nº 2202000.603 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, DARKE MAGALHÃES DE ABREU, foi lavrado auto de infração no qual se cobra imposto de renda apurado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, efetuados em 2005, e rendimentos recebidos de pessoas físicas e jurídicas. O imposto resultante foi de R$ 3.025.800,21, elevandose a exigência para R$ 6.491.551,76, com os acréscimos legais, inclusive multa isolada por falta de antecipação de carnêleão, no caso dos rendimentos pagos por pessoas físicas. De acordo com o relatório fiscal (fls. 3/15), foram identificados alguns dos autores dos depósitos nas contas do autuado. Neste caso, os créditos foram tributados especificamente como rendimentos pagos por pessoas físicas ou jurídicas. Os argumentos do impugnante são, em síntese, os seguintes: 1. A conta no Bradesco, nº 61638, é conjunta, mas o outro titular não foi intimado, implicando nulidade do lançamento, conforme diversos julgados do Conselho de Contribuintes. 2. Exerce a atividade de leiloeiro. Por lei, está impedido de constituir pessoa jurídica. Assim, os resultados dos leilões têm de necessariamente transitar por sua conta pessoal, remanescendo apenas a sua comissão. Enumera diversas empresas e órgãos públicos para os quais efetuara repasses desta espécie, e junta documentos relativos aos leilões, inclusive declaração do Bradesco atestando haver recebido repasses que somaram em 2005 R$ 4.716.250,00 (fls. 1147). O volume de todos estes repasses justifica plenamente os créditos em suas contas. A título de exemplo, identifica quatro pessoas que teriam arrematado veículos nos leilões. Sendo estes os fatos, a aplicação da Lei que exige a comprovação individualizada da origem dos depósitos estaria condicionada a uma investigação prévia por parte da fiscalização, para determinar se há indícios de irregularidades nos depósitos. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 3. No máximo se poderia admitir a tributação com base nas comissões de 5% sobre os créditos em sua conta, exceto no caso de leilão de imóveis, quando é de 3%, conforme a lei. 4. Não se pode cumular a multa de ofício com a multa isolada por falta de adiantamento mensal do imposto (carnêleão), conforme julgados administrativos. 5. Incabível a aplicação de juros de mora sobre as multas de ofício, conforme julgados administrativos. Requer perícia com base tanto nos documentos anexados como em outros de que dispõe, para que sejam excluídos os depósitos cuja origem forem porventura identificadas. A DRJ julga a impugnação procedente em parte, nos termos da ementa a seguir: Fl. 4299DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725811/200933 Resolução nº 2202000.603 S2C2T2 Fl. 4 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A origem dos depósitos bancários deve ser comprovada com documentos hábeis e idôneos, que permitam a identificação individualizada dos créditos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COTITULAR NÃO INTIMADO. Todos os titulares de conta conjunta devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos, sob pena de nulidade do lançamento na parte correspondente a estes créditos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A autoridade julgadora entendeu por bem excluir os depósitos bancários da conta conjunta Bradesco no. 61638 por falta de intimação do cotitular. Tendo em vista o montante de crédito tributário excluído, a autoridade de primeira instância recorreu de ofício. Intimado, o sujeito passivo irresignado interpôs, recurso voluntário. Na petição o recorrente apresenta considerações de defesa que, em apertada síntese, são a seguir expendidas: I — Da desconsideração das provas apresentadas, com violação do princípio do contraditório e da ampla defesa; II – Da violação ao princípio da verdade real; III – Do indiferimento de prova pericial imprescindível – cerceamento do direito de defesa; IV – Das operações bancárias no ano de 2005 ; V – Da origem dos depósitos; VI – Da impossibilidade de cumulação da multa de ofício com a multa isolada; VII –Dos juros sobre a multa; É o relatório. Fl. 4300DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725811/200933 Resolução nº 2202000.603 S2C2T2 Fl. 5 4 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O recorrente com a sua impugnação e recurso apresentou aproximadamente 3000 folhas nas quais almeja demonstrar uma parte dos depósitos bancário, entende que estaria demonstrando aquilo que foi requisitado para autoridade fiscalizadora. Não há como se negar que em se tratando de lançamento baseado em depósitos bancários, é função do contribuinte demonstrar a origem, não cabendo ao fisco o dever de produzir prova ao favor do deste. Cabe ao recorrente, produzir a prova convincente e idônea, individualizada de cada depósito. Para evitar argumentos de cerceamento de direito de defesa, entendo que o recorrente poderá ter seus documentos reapreciados, entretanto cabe a ele provar o que alega, com documentos que respaldem de modo individualizado cada um dos depósitos que foram objeto do lançamento. Diante dos fatos, e tendo em vista a documentação acostada quando da interposição da impugnação e recurso, bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido mais uma vez em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1) Intimar o contribuinte a elaborar uma planilha no prazo de 30 (dias) que correlacione os documentos que anexou aos autos, e os argumentos suscitados no recurso, com os depósitos bancários que estão sendo objeto do lançamento, discriminando argumentos com folhas e razões para exclusão. A origem dos depósitos bancários devem ser demonstrados, individualizadamente, sendo essa uma competência do recorrente. O prazo poderá ser prorrogado pela autoridade fiscal, caso se justifique. 2) Que a autoridade fiscal se manifeste, em parecer conclusivo, sobre a planilha elaborada, documentos relacionados e esclarecimentos prestados, sobre a possível comprovação dos depósitos questionados, dandose vista a recorrente, com prazo de 10 (dez) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 4301DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725811/200933 Resolução nº 2202000.603 S2C2T2 Fl. 6 5 Fl. 4302DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725811/200933 Resolução nº 2202000.603 S2C2T2 Fl. 7 6 Fl. 4303DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13804.007985/2002-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002, 01/07/2002 a 30/09/2002
ACÓRDÃO DRJ. CONTRADIÇÃO. NULIDADE.
É nula a decisão proferida pela DRJ quando constatada obscuridade ou contradição entre o voto do relator e sua parte dispositiva.
Numero da decisão: 3101-001.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão recorrida, com retorno dos autos ao órgão julgador a quo para nova decisão.
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente em exercício e relator.
EDITADO EM: 17/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, José Paulo Puiati, Adolpho Bergamini, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002, 01/07/2002 a 30/09/2002 ACÓRDÃO DRJ. CONTRADIÇÃO. NULIDADE. É nula a decisão proferida pela DRJ quando constatada obscuridade ou contradição entre o voto do relator e sua parte dispositiva.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão recorrida, com retorno dos autos ao órgão julgador a quo para nova decisão. Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente em exercício e relator. EDITADO EM: 17/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, José Paulo Puiati, Adolpho Bergamini, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
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CONTRADIÇÃO. NULIDADE. É nula a decisão proferida pela DRJ quando constatada obscuridade ou contradição entre o voto do relator e sua parte dispositiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão recorrida, com retorno dos autos ao órgão julgador a quo para nova decisão. Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente em exercício e relator. EDITADO EM: 17/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, José Paulo Puiati, Adolpho Bergamini, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 79 85 /2 00 2- 61 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 Trata o presente processo de pedido de ressarcimento relativo ao crédito presumido de IPI e Declaração de Compensação, cujo despacho decisório não homologou as compensações declaradas, e indeferiu o ressarcimento pleiteado. Alega a autoridade fiscal que o contribuinte não teria atendidos às intimações fiscais para apresentar a documentação comprobatória das compras de insumos, sendo que foram apresentadas poucas notas fiscais, sem prova do pagamento. O interessado alega que teria ocorrido a homologação tácita das compensações e que tais débitos não mais poderiam ser objeto de cobrança. Afirma que a negativa do pleito foi genérica, ferindo o princípio da verdade material, e que os custos utilizados na industrialização foram devidamente demonstrados em planilha juntada aos autos, argüindo que apresentou a documentação solicitada por amostragem, devido à quantidade de documentos. Conforme consta do Acórdão nº 1436.205, a 2ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002, 01/07/2002 a 30/09/2002 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, transcorridos do protocolo da DCOMP, isso se dando antes da ciência ao interessado, a compensação está tacitamente homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do Acórdão da impugnação em 16/02/2012, conforme AR juntado à fls.285, o interessado interpôs recurso intitulado como “Embargos de Declaração” em 22/02/2012 (fls.281 a 284), alegando que a decisão proferida no Acórdão seria conflitante com o voto do relator, que expressamente concluiu pela procedência em parte da manifestação de inconformidade, para que fossem homologadas as compensações declaradas. Segundo seu entendimento, teria ocorrido uma contradição ou obscuridade no acórdão recorrido entre a parte dispositiva e o resultado proferido. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Como se trata de alegada contradição ou mesmo obscuridade no Acórdão recorrido, transcrevo trecho do voto do relator a quo, em sua parte dispositiva: Fl. 332DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13804.007985/200261 Acórdão n.º 3101001.822 S3C1T1 Fl. 4 3 Desta forma, tendo a lei especificado que a compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, esta se dará no prazo de cinco anos contados da data da entrega da mencionada declaração. Portanto, ainda que o contribuinte não tenha trazido aos autos qualquer prova da certeza e liquidez do crédito presumido, voto que se julgue a manifestação como procedente em parte para homologar as compensações declaradas. Claro está que o julgador a quo considerou a homologação tácita das compensações declaradas, confirmando a ementa do referido acórdão: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, transcorridos do protocolo da DCOMP, isso se dando antes da ciência ao interessado, a compensação está tacitamente homologada. Os Pedidos de Compensação foram protocolados em 31/10/2002, 28/11/2002 e 27/12/2002, cuja ciência da denegação se deu em 12/02/2010 (fls. 163). A DRJ fundamentou sua decisão no parágrafo 4º do artigo 4º da Lei nº 10.637/2002, c/c o parágrafo 5º do artigo 17 da Lei nº 10.833/2003. Entretanto, o resultado proferido no Acórdão está em direção contrária àquela manifestada pelo relator: “Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade”. Assiste razão à recorrente quanto à contradição apontada. Desta forma, voto por dar provimento parcial ao recurso apresentado para anular a decisão recorrida, por contradição e obscuridade no Acórdão 1436.205, com retorno dos autos ao órgão julgador a quo para nova decisão. Sala das sessões, em 25 de fevereiro de 2015. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator [assinado digitalmente] Fl. 333DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000366/00-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1996
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. FALTA DE REQUISITO ESSENCIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Sem a comprovação da divergência, não há de ser conhecido o recurso especial interposto para a uniformização de interpretação de legislação tributária. Hipótese em que o acórdão recorrido não admitiu, como custo de aquisição, o valor do imóvel informado na declaração do exercício de 1992, sob o fundamento de ela ter sido entregue a destempo, enquanto o paradigma utilizou como custo o valor corrigido do imóvel informado em declaração do exercício de 1992 apresentada tempestivamente.
Assim, as decisões comparadas chegaram a conclusões divergentes não por discordarem na interpretação da lei tributária, mas por diferenças nas provas dos autos: enquanto no paradigma havia declaração tempestiva do custo corrigido do imóvel, no acórdão recorrido isso não ocorreu, tendo sido necessário se utilizar de outros critérios para fixação custo do bem para o cálculo do ganho de capital.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.572
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos
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FALTA DE REQUISITO ESSENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. Sem a comprovação da divergência, não há de ser conhecido o recurso especial interposto para a uniformização de interpretação de legislação tributária. Hipótese em que o acórdão recorrido não admitiu, como custo de aquisição, o valor do imóvel informado na declaração do exercício de 1992, sob o fundamento de ela ter sido entregue a destempo, enquanto o paradigma utilizou como custo o valor corrigido do imóvel informado em declaração do exercício de 1992 apresentada tempestivamente. Assim, as decisões comparadas chegaram a conclusões divergentes não por discordarem na interpretação da lei tributária, mas por diferenças nas provas dos autos: enquanto no paradigma havia declaração tempestiva do custo corrigido do imóvel, no acórdão recorrido isso não ocorreu, tendo sido necessário se utilizar de outros critérios para fixação custo do bem para o cálculo do ganho de capital. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 03 66 /0 0- 51 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10840.000366/0051 Acórdão n.º 9202002.572 CSRFT2 Fl. 236 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 19600.087, da 6a Turma Especial do 1o Conselho de Contribuintes (fls. 203 a 206), julgado na sessão plenária de 03 de dezembro de 2008, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício. 1996 GANHO DE CAPITAL. NÃO COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. O custo de aquisição considerado pela autoridade fiscal ao lavrar auto de infração deve prevalecer se o contribuinte não produz prova hábil de valor de aquisição distinto. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. É legítima a taxa de juros calculada com base na SELIC, considerandose que sua utilização foi estabelecida em lei e que o artigo 161, §1o do Código Tributário Nacional admite a fixação de juros superiores a 1% ao mês, se previsto em lei. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de oficio, cabe a aplicação da multa no percentual de 75%. Recurso voluntário negado. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10840.000366/0051 Acórdão n.º 9202002.572 CSRFT2 Fl. 237 3 Cientificado do acórdão em 30/04/2009 (fl. 222), o contribuinte manejou, em 15/05/2009, recurso especial de divergência (fls. 215 a 218), onde afirmava que a legislação permitia a correção do custo de aquisição do imóvel até janeiro de 2002 [sic], com o uso da UFIR, para a apuração do ganho de capital. Para comprovar a divergência de interpretação da lei tributária, foi apresentado o seguinte paradigma: Acórdão no 10247383 GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE IMÓVEL CUSTO DA AQUISIÇÃO Imóvel adquirido até 31.12.1991. Para apuração do ganho de capital, o valor do custo do imóvel é aquele declarado pelo contribuinte à época da sua aquisição. devidamente trazido a valor de mercado. através de correção pela UFIR até Janeiro de 1992 (Lei 8.383 de 1.991, art.96). (...) O recurso especial foi admitido por meio do despacho de fls. 225 a 229, que considerou comprovada a divergência jurisprudencial com o seguinte argumento: No acórdão recorrido, a decisão foi no sentido de considerar o custo de aquisição utilizado pela Receita Federal do Brasil com base na avaliação de mercado realizada em 1991 (fl.205), ao passo que o aresto recorrido considera que o ganho de capital deve ser apurado a partir do custo de aquisição do imóvel, declarado pelo contribuinte à época, devidamente trazido a valor de mercado pela correção da UFIR. Cientificada desse despacho em 1o/09/2011 (fl. 229), a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões no mesmo dia (fls. 231 a 234), defendendo a manutenção da decisão recorrida pelos seguintes argumentos: a) o contribuinte alienou o imóvel em abril de 1995 pelo valor de R$ 109.200,00 recebidos em suas parcelas, sendo a primeira em 28/04/1995 no valor de R$ 52.800,00 e a segunda em 02/06/1995 no valor de R$ 56.400,00; b) o recorrente pretende seja utilizado como custo de aquisição do imóvel, para apuração do ganho de capital, o valor de R$ 150.000,00 UFIR, informado na declaração de ajuste anual retificadora do anocalendário 1992, apresentada em 24/05/1993, ou seja, intempestivamente; c) todavia, tal pedido já foi indeferido pela DRF e confirmado pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes por ocasião do julgamento do processo n° 13823.000029/9610. Entendeuse ser inviável a alteração de sua declaração de ajuste anual do anocalendário 1992, com vistas à alteração do custo de aquisição do imóvel alienado de 0,69 UFIR para 150.000,00 UFIR, sob o argumento de que a retificação de declaração de rendimento somente pode ser autorizada pela autoridade administrativa quando comprovado o erro alegado através de documentos aptos, o que não ocorreu; d) assim, uma vez verificado que o contribuinte não logrou êxito em produzir provas que viessem a comprovar o aludido custo de aquisição e, tratandose de matéria Fl. 306DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10840.000366/0051 Acórdão n.º 9202002.572 CSRFT2 Fl. 238 4 preclusa, eis que já decidida no processo n° 13823.000029/9610, resta inviável deferirse a pretensão do contribuinte; e) conforme bem anotado pela DRJ, o contribuinte teve a oportunidade de atualizar pelo valor de mercado os seus bens na declaração de ajuste relativa ao anocalendário 1991. Todavia, deixou de observar os prazos e condições estabelecidos na legislação. De fato, o interessado só alterou o valor inicialmente atribuído ao imóvel de 0,69 UFIR para 150.000 UFIR por ocasião da declaração retificadora do anocalendário 1992, apresentada extemporaneamente em 24/05/1993 e sem lastro em qualquer documentação comprobatória; f) assim sendo, não há qualquer vício no procedimento adotado pela autoridade fiscal, que considerou como custo de aquisição, por ser mais benéfico ao contribuinte, o valor de Cr$ 593.487,98 (e não o valor de 0,69 UFIR), constante no R4 da matrícula 8.003, correspondente ao último valor atribuído ao imóvel, conforme formal de partilha lavrado em 6 de setembro de 1991, relativo à separação judicial do recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso especial de divergência é tempestivo. Entretanto, discordo do despacho do Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção que admitiu a divergência. No presente processo, o recorrente pretende adotar, como custo de aquisição de um imóvel na apuração do ganho de capital, o valor informado na declaração retificadora do exercício de 1993, pois, na original, o bem havia sido declarado por valor irrisório. Na verdade, o pedido para retificação da declaração se deu no processo no 13823.000029/9610, que já foi analisado e indeferido pela 4a Turma do 1o Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 10418.567, julgado na sessão de 23 de janeiro de 2002, que possui a seguinte ementa: IRPF — RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO A retificação de declaração de rendimento somente poderá ser autorizada pela autoridade administrativa quando comprovado o erro alegado através de documentos aptos. Recurso negado Essa decisão já transitou em julgado no âmbito administrativo. Não admitida a retificação da declaração de 1993, a fiscalização adotou, como custo de aquisição do imóvel, o valor mais atualizado constante em documentos apresentados, evitando se utilizar do custo irrisório originalmente declarado, em benefício do contribuinte. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10840.000366/0051 Acórdão n.º 9202002.572 CSRFT2 Fl. 239 5 Observese que, tanto no processo do pedido de retificação, quanto nestes autos, o contribuinte alegava que o valor informado na declaração de 1993 havia sido incorretamente transcrito daquele constante na declaração de 1992, quando o custo de aquisição tinha sido avaliado pelo valor de mercado no dia 31 de dezembro de 1991, e convertidos em Ufir no mês de janeiro de 1992, nos termos do artigo 96 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Entretanto, o argumento não foi admitido, sob o fundamento de que somente a declaração do exercício de 1992 apresentada tempestivamente serviria para corrigir o valor dos bens pela UFIR, e o contribuinte havia apresentado a sua intempestivamente, em 24/5/1993 (fl. 80). Com essas explicações, é possível se analisar a divergência alegada. No acórdão paradigma, considerouse, como custo de aquisição do imóvel para apuração do ganho de capital, o valor do bem constante na declaração de ajuste do exercício de 1992 do contribuinte, que havia sido corrigido nos termos do artigo 96 da Lei 8.383, de 1991. Contudo, naqueles autos, a declaração de 1992 foi apresentada tempestivamente, de forma diversa do ocorrido neste processo, sendo justamente a apresentação a destempo o que impediu a utilização do valor atualizado. Nesses termos, para que se configurasse divergência de interpretação da legislação tributária, seria necessário trazer decisão que houvesse permitido a correção do custo do imóvel por meio de declaração de rendimentos do exercício de 1992 apresentada intempestivamente. Assim, as decisões comparadas chegaram a conclusões divergentes não por discordarem na interpretação da lei tributária, mas por diferenças nas provas dos autos: enquanto no paradigma havia declaração tempestiva do custo corrigido do imóvel, no acórdão recorrido isso não ocorreu, tendo sido necessário se utilizar de outros critérios para fixação custo do bem para o cálculo do ganho de capital. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 308DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10840.000366/0051 Acórdão n.º 9202002.572 CSRFT2 Fl. 240 6 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS
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Numero do processo: 10325.001363/2003-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.846
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite Queiroz de Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Redator designado.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite Queiroz de Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Redator designado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 25 .0 01 36 3/ 20 03 -1 2 Fl. 556DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.001363/200312 Resolução nº 3401000.846 S3C4T1 Fl. 947 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do PIS nãocumulativo do 2o trimestre de 2003. O crédito foi parcialmente indeferido, sob fundamento de que parte dele, decorrente da aquisição de carvão vegetal, tinha como base notas fiscais irregulares, pois se tratam de notas fiscais complementares emitidas pela própria Recorrente. O processo já foi analisado uma primeira vez por este Conselho (fls. 01/05), ocasião na qual o julgamento foi convertido em diligência para que o crédito fosse apurado com base nas páginas do livrorazão apresentadas e nos outros documentos fiscais da contribuinte. No relatório de diligência (fls.926/929), consta a conclusão de existência de crédito superior ao declarado na DACON e ao pleiteado pela Contribuinte. A Contribuinte foi intimada do resultado da diligência , mas permaneceu inerte. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade razão pelo qual dele tomo conhecimento. Como já relatado, o objetivo da diligência era fazer uma análise nos demais documentos contábeis da Recorrente a fim de saber se ela realmente recebera a quantidade de carvão alegada e o valor do crédito existente. Cabe salientar que na primeira análise, no voto de relatoria deste Conselheiro ora relata, acolhido por unanimidade, foi consignado que em razão do Princípio do non reformartio in pejus não se poderia levar em consideração as novas fundamentações da DRJ para negar o direito creditório. Com base nisso, ficou definido que o julgamento do recurso ficaria limitado à analise do motivo que levou a delegacia de origem a não reconhecer o crédito, qual seja, irregularidades das notas fiscais da aquisição de carvão vegetal. Com a delimitação definida acima, também ficou decidido que a mera irregularidade da nota fiscal não é suficiente para indeferir o crédito, pois o que gera o crédito é a aquisição do insumo, de modo que bastaria verificar os demais documentos da Contribuinte, Fl. 557DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.001363/200312 Resolução nº 3401000.846 S3C4T1 Fl. 948 3 dentre eles, as folhas do livrorazão anexado ao recurso, para saber se realmente houve a aquisição alegada. A diligência não deixou dúvida de que, com base nos documentos analisados, constatouse a aquisição do carvão, bem como a existência de crédito em quantidade superior ao declarado na DACON. A autoridade fiscal também destacou, acertadamente, que o reconhecimento do crédito deve estar limitado ao valor declarado na DACON e pleiteado no pedido de ressarcimento. Em suma, a Recorrente tem direito ao crédito pleiteado, razão pela qual o crédito deve ser reconhecido e as compensações homologadas. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para reconhecer o direito creditório até o limite pleiteado e homologar as compensações declaradas. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Voto Vencedor Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Trata o presente de pedido de direito creditório com base em ressarcimento de PIS não cumulativo exportação referente a dezembro de 2002. O pedido da contribuinte (a) foi glosado em virtude de irregularidades constatadas em notas fiscais complementares emitidas pela própria contribuinte relacionadas à aquisição de carvão como insumo e também (b) foi glosado da parcela de crédito proveniente de gastos com energia elétrica consumida no mês de dezembro de 2002. Os julgadores a quo não acolheram a contestação da peticionaria por que teria faltado comprovação dos gastos pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no país e porque os gastos de energia elétrica em dezembro de 2002 somente geraria crédito se insumo para a produção de bens ou prestação de serviços. Em 03/02/2011 o julgamento desta lide foi convertido por este Colegiado em diligência, entendendo que o recurso do contribuinte se circunscreveu à glosa referente à aquisição de carvão. O Colegiado, naquela ocasião, determinou: "Como visto acima, a nota fiscal não é o único documento hábil à análise do crédito, podendo esse ser verificado, também , pelos livros e demais documentos. Portanto, podese concluir que não é a nota fiscal que gera o crédito, mas sim a atividade destacada na legislação tributária, ou seja, a aquisição de determinados produtos. Sendo assim, basta verificar se a recorrente adquiriu, deveras, a quantidade de carvão alegada e se procedeu à escrituração contábil, bem como o recolhimento correto. A recorrente juntou aos autos as folhas do livro razão e as fichas de controle do IBAMA, para provar a Fl. 558DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.001363/200312 Resolução nº 3401000.846 S3C4T1 Fl. 949 4 veracidade das operações mencionadas nas notas fiscais complementares, de modo que, com fulcro na verdade material, voto por converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, a fim de que sejam cotejadas as folhas do livro razão apresentadas pela recorrente, a fim de verificar a quantidade de carvão adquirida e contabilmente registrada, bem como o valor do crédito por ela gerado. Ao fim da análise, devese fazer relatório pormenorizado, destacandose, se for o caso, a existência a aquisição de carvão na quantidade alegada pela recorrente e o valor de crédito a ser ressarcido." (grifos nossos) A diligência, em sua apuração, se limitou aos dados constantes dos extratos do livro razão e informações do IBAMA que instruíam os autos, e a contribuinte não atendeu a autoridade fiscal apresentando o registro por ela solicitado. A contribuinte, em sua manifestação em resposta a essa diligência, repisa os argumentos de sua contestação levada ao conhecimento dos julgadores a quo. Pede que sejam suas razões apreciadas pelos Conselheiros. Assim, essa lide retorna a este Colegiado. Malgrado a objetividade e a clareza dos votos do Relator, o Ilustre Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, na sessão de 03/02/2011 e na sessão de hoje, ambas desta 1ª Turma Ordinária, ouso expressar minha carência por mais informações, não atendidas pela diligência anterior, e necessárias, a meu ver, para os Respeitáveis Conselheiros formarem sua convicção conclusiva. Portanto, proponho a este Colegiado converter esse julgamento em diligência para enviar este processo à unidade de jurisdição para: 1. identificar os motivos para a emissão das notas fiscais complementares, e segregar o somatório dos valores das operações de acordo com os motivos; 2. segregar o somatório dos valores das operações de acordo com os tipos de fornecedores (se pessoa jurídica ou se pessoa física) e se seu domicílio está ou não em território nacional; 3. identificar, consoante documentação comprobatória, os valores pagos referentes às operações constantes das notas complementares; 4. identificar o somatório dos valores das operações referidos nas notas complementares que possuam documentos e declarações, além do razão e das informações do IBAMA já apresentados, que concorram para comprovar a operação, e identificar o somatório dos valores das operações que não possuam tais comprovações, documentos e declarações. Que a contribuinte seja notificada desta decisão e do resultado da diligência e possa, em cada caso, se manifestar no prazo de 30 dias. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Redator Designado. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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