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Numero do processo: 11065.910850/2009-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/01/2004
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.860
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/01/2004 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2004 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 50 /2 00 9- 26 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11065.910850/200926 Acórdão n.º 9303004.860 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.154, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2004 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/01/2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11065.910850/200926 Acórdão n.º 9303004.860 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11065.910850/200926 Acórdão n.º 9303004.860 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11065.910850/200926 Acórdão n.º 9303004.860 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.902772/2011-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.354
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado.
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente COTRIL MOTORS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 72 /2 01 1- 36 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10120.902772/201136 Acórdão n.º 3301003.354 S3C3T1 Fl. 3 2 Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/Pasep NãoCumulativo – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de PIS/Pasep nãoCumulativo, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.393. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10120.902772/201136 Acórdão n.º 3301003.354 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10120.902772/201136 Acórdão n.º 3301003.354 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10120.902772/201136 Acórdão n.º 3301003.354 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10120.902772/201136 Acórdão n.º 3301003.354 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 120DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.901032/2012-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 15/07/2003
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.301
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AUTO POSTO IRMÃOS BATISTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/07/2003 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 10 32 /2 01 2- 63 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13227.901032/201263 Acórdão n.º 3301003.301 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 06048.612, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Por meio do Despacho Decisório, emitido pela DRF JiParaná, o pedido de restituição foi indeferido, uma vez que o crédito informado, correspondente ao pagamento de Data do Fato Gerador: 15/07/2003, já estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: é empresa dedicada ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins. Assim, por adquirir combustíveis para revenda com incidência monofásica de PIS e Cofins e promover a saída desses combustíveis à alíquota zero, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das contribuições (demais insumos e produtos/serviços, excluídas as aquisições de combustíveis) que lhe são autorizados conforme determinação do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Diz que refez a apuração do PIS e da Cofins do período, em face da não apropriação de créditos autorizados em lei, e apurou novos valores de débitos, todos demonstrados em Dacon retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os devido. Por fim, solicita a reforma da decisão, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e para que seja determinada a suspensão da exigência do crédito tributário, até que seja proferido despacho decisório definitivo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.268, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13227.900788/201295, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.268): Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13227.901032/201263 Acórdão n.º 3301003.301 S3C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário, de 13 de novembro de 2014, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0648.583, de 27 de agosto de 2014, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/07/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se manter o indeferimento do pedido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de créditos passíveis de aproveitamento no sistema da não cumulatividade. O presente processo diz respeito ao Despacho Decisório nº de rastreamento 031047802 (fl. 5), de 4 de setembro de 2012, que indeferiu o pedido do Contribuinte de restituição de pagamento de PIS/COFINS (PER nº 41619.73872.130508.1.2.04 3004) no valor de R$ 390,64 por alegada inexistência do referido crédito. Nas razões do Recurso Voluntário o Contribuinte aduz que o Acórdão ora recorrido e o Despacho Decisório não verificaram a origem dos créditos. Cito trecho do recurso em análise para elucidar o caso (fls. 35 e 36): Vale reprisar: a Recorrente refez sua apuração de Pis e Cofins no período em debate em face da não apropriação de créditos autorizados em lei e apurou novos valores de débitos destas contribuições, todo demonstrados em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os efetivamente devidos conforme demonstramos acima. Desta forma, o valor indevido (diferença entre o valor recolhido e o declarado na DCTF e o novo valor demonstrado em DACON) corresponde ao valor objeto de pedido de restituição ora debatido. O crédito utilizado por compensação na Dcomp não homologada pelo Acórdão em debate pode ser confirmado na Dacon retificadora do período em epígrafe, cujo recibo de entrega já integra os autos deste processo, na qual está demonstrada toda a apuração de créditos que resultou em saldo credor a favor da Recorrente. No entanto, de imediato verificase que a análise do pedido da Recorrente foi realizada parcialmente pela Receita Federal, já Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13227.901032/201263 Acórdão n.º 3301003.301 S3C3T1 Fl. 5 4 que aparentemente a Dacon retificadora apresentada não foi analisada. Apenas o Pedido de restituição foi analisado. Sendo assim, ao efetuar o cruzamento de informações entre DACON Retificadora x DCTF x Pedido de Restituição se verificará claramente que o valor ora requerido é exatamente o valor que foi recolhido indevidamente (conforme demonstrado na DACON) e que deve, portanto, ser restituído à Recorrente. De fato a Recorrente não retificou as DCTFs em relação a tais valores mas não o fez por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. Também não o fez por considerar que a DCTF é o documento no qual deve permanecer o pagamento do Darf efetivamente realizado, para que, quando comparado ao valor da contribuição apurada e demonstrada em DACON, a diferença corresponda ao crédito pleiteado. E, de fato, se houvesse ocorrido o cruzamento do Dacon com a DCTF facilmente se verificaria e se confirmaria o crédito da Recorrente. Assim, o crédito existe, foi efetivamente demonstrado e como tal deve ser reconhecido à Recorrente. O fato de ter incorrido em erro por não retificar a DCTF não pode ser motivo de glosa e não reconhecimento de um crédito que está devidamente demonstrado em Dacon, já que neste demonstrativo podese verificar o valor devido no período a título da contribuição em debate, e cujo valor a favor da Recorrente pode ser facilmente confirmado pela análise conjunta dos dados – Dacon x DCTF, do qual se confirmará que o valor pleiteado é apenas a diferença recolhida a maior e, que a Recorrente manteve na DCTF, justamente para que se confirme o pagamento a maior consta da base de dados da Receita Federal. O acórdão ora analisado indeferiu o pedido do Contribuinte por entender que o crédito pleiteado não existia, conforme se verifica no seguinte trecho do voto (fl. 26): Como já dito, o indeferimento do pedido deveuse porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da ciência do despacho decisório, o DARF informado como origem do crédito, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte que foi validamente declarado em DCTF. Na sequência dos fatos, a interessada diz que procedeu à retificação do Dacon (zerando o valor da contribuição devida ao PIS e à Cofins) e requer, por isso, o deferimento do seu pleito. Nesse contexto, devese observar que, ainda que tivessem sido retificados os valores declarados em DCTF, que, como é sabido, é o instrumento de confissão de dívida e de constituição definitiva do crédito tributário (art. 5.º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF), somente seria possível a admissão da retificação mediante a comprovação do erro em que se funde, justamente, porque visa a reduzir ou excluir tributo, como estabelecido pelo Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13227.901032/201263 Acórdão n.º 3301003.301 S3C3T1 Fl. 6 5 art. 147, § 1º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. O Dacon, por sua vez, tem o objetivo de refletir os controles feitos pelo sujeito passivo de todas as suas operações capazes de influenciar a apuração das contribuições devidas a título de PIS e Cofins, bem como dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos; mas, apresentado isoladamente, não tem o peso necessário para retificar informações declaradas tempestivamente em DCTF. (grifouse) Cabe salientar que para o ressarcimento e ou compensação tributária exigese do contribuinte a demonstração da liquidez e certeza do crédito pleiteado como dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifou se). Neste sentido foi a conclusão do voto do ora recorrido acórdão que assim expôs (fl. 27): Nesse contexto, cabe enfatizar que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição dos interessados, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas, de acordo com a legislação pertinente, e autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (grifou se). Percebese no presente processo que o Contribuinte não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior. Neste sentido, constase que o Contribuinte trouxe, por meio do Recurso Voluntário, os mesmos argumentos trazidos já na fase da Manifestação de inconformidade, com a inclusão de alguns novos argumentos, mas sem apresentar provas que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Sendo assim, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, mantendo o entendimento do Acórdão ora analisado. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, no presente processo o Contribuinte, da mesma forma que no caso do paradigma, não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior, que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13227.901032/201263 Acórdão n.º 3301003.301 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 58DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.001052/2009-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
INCENTIVOS FISCAIS. PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO INDUSTRIAL (PDTI). TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. ROYALTIES. CRÉDITO DE 20% DO IRRF. EXERCÍCIO DO DIREITO. PUBLICAÇÃO DA NORMA LEGAL.
Como inexiste disposição na Lei nº 11.196/2005 que submeta o usufruto do benefício previsto na alínea a do inciso V de seu art. 17 a qualquer tipo de regulamentação, o direito à restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF previsto no dispositivo surge com a publicação de referida lei.
INCENTIVOS FISCAIS. PDTI. ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPETÊNCIA. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. DESPACHO DECISÓRIO ANULADO. AUTOS RESTITUÍDOS À ORIGEM.
Tendo sido o indeferimento da restituição fundamentado exclusivamente na inexistência de ato ministerial que regulasse o exercício do direito, sem análise de mérito, convém restituir os autos à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de jurisdição da recorrente para o regular exame do pleito creditório, à luz do disposto na Portaria MF nº 426/2011. Decisão de primeira instância anulada.
Numero da decisão: 2402-005.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento parcial no sentido de anular o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição, devolvendo-se os autos ao órgão de origem para prolação de nova análise do pedido.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO INDUSTRIAL (PDTI). TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. ROYALTIES. CRÉDITO DE 20% DO IRRF. EXERCÍCIO DO DIREITO. PUBLICAÇÃO DA NORMA LEGAL. Como inexiste disposição na Lei nº 11.196/2005 que submeta o usufruto do benefício previsto na alínea “a” do inciso V de seu art. 17 a qualquer tipo de regulamentação, o direito à restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF previsto no dispositivo surge com a publicação de referida lei. INCENTIVOS FISCAIS. PDTI. ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPETÊNCIA. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. DESPACHO DECISÓRIO ANULADO. AUTOS RESTITUÍDOS À ORIGEM. Tendo sido o indeferimento da restituição fundamentado exclusivamente na inexistência de ato ministerial que regulasse o exercício do direito, sem análise de mérito, convém restituir os autos à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de jurisdição da recorrente para o regular exame do pleito creditório, à luz do disposto na Portaria MF nº 426/2011. Decisão de primeira instância anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 10 52 /2 00 9- 77 Fl. 180DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento parcial no sentido de anular o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição, devolvendose os autos ao órgão de origem para prolação de nova análise do pedido. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13819.001052/200977 Acórdão n.º 2402005.825 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 158/168) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis – DRJ/FNS (fls. 147/152), que considerou improcedente manifestação de inconformidade (fls. 94/102) em face de Despacho (fl. 85/89) que indeferiu pedido de restituição (fl. 3) do contribuinte em epígrafe, no valor de R$ 3.211.457,83. Referido pedido de restituição teve por base a alínea “a” do inciso V, do art. 17 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, e corresponde ao crédito de 20% do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre valores pagos, creditados ou remetidos, durante o ano de 2008, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, previsto em contratos averbados ou registrados nos termos da Lei nº 9.269, de 14 de maio de 1996. A seguir reproduzse os trechos do Acórdão nº 0735.607, da 3ª Turma da DRJ/FNS, no que retrata os fatos ocorridos, relativos ao despacho que indeferiu o pedido de restituição e a manifestação de inconformidade: Depreendese do Despacho DRF/SBC/SEORT nº 342/2010 (fls. 81 a 85) que a autoridade fiscal competente da Unidade de Origem indeferiu o Pedido de Restituição, por uma questão preliminar, sem exame de mérito, tendo como razão de decidir o seguinte: ASSUNTO: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF. O direito à restituição de parte do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre os valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados no Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI, somente poderá ser exercido após a regulamentação do artigo 17 da Lei nº 11.196, de 2005, conforme determina o § 4º do art.3º do Decreto nº 5.798, de 2006. Dispositivos Legais: Art. 17, V, da Lei nº 11.196, de 21.11.2005; e art.3º, V, e §4º do Decreto nº 5.798, de 07.06.2006. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO INDEFERIDO Na Manifestação de Inconformidade apresentada em 15 de outubro de 2010, por seu representante e outorgado procuração em Substabelecimento de Procuração Pública em 14 de outubro de 2010, a Interessada se pronunciou no sentido de que a Lei Fl. 182DF CARF MF 4 11.196/2005 não determina que sejam regulamentados os incentivos fiscais, mas mesmo assim foi editado o Decreto nº 5.798/2006 neste sentido, onde estabeleceu que “o incentivo fiscal ora pleiteado será restituído em moeda corrente.” Entende a Interessada que as Instruções Normativas SRF 600/2005 sucedida pela IN SRF 900/2008 cuidaram de regulamentar a restituição do crédito do presente pedido de restituição. Ainda, que como não foi editado qualquer ato normativo do Ministério da Fazenda especifico para o crédito pleiteado, os contribuintes não poderiam usufruir do crédito “por deliberada inércia da Fazenda.” Solicita, portanto, o reconhecimento do seu direito à restituição pleiteada. A DRJ/FNS considerou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 INCENTIVOS FISCAIS. PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO INDUSTRIAL (PDTI). TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. ROYALTIES. CRÉDITO DE 20% DO IRRF. Enquanto não publicado ato normativo requerido pela legislação em vigor para fruição de regime previsto na Lei nº 11.196/2005, inviável reconhecer o crédito ora pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão a quo, o contribuinte apresentou recurso voluntário alegando em síntese que: a) a Lei n° 11.196/2005 não determina que sejam regulamentados os incentivos fiscais por ela concedidos, mesmo porque a forma com que eles encontramse previstos no diploma legal não deixa margem para qualquer regulamentação; b) foi editado o Decreto n° 5.798/2006 justamente para regulamentar os incentivos fiscais às atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, de que tratam os arts. 17 a 26 da Lei n° 11.196/2005; c) o Decreto n° 5.798/2006, no § 4° dE seu art. 3º, estabelece que o incentivo fiscal, ora pleiteado, “será restituído em moeda corrente”; d) a Instrução Normativa SRF n° 600/2005 (sucedida pela Instrução Normativa RFB n° 900/2008) disciplina a restituição dos tributos recolhidos à Secretaria da Receita Federal do Brasil; Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13819.001052/200977 Acórdão n.º 2402005.825 S2C4T2 Fl. 4 5 e) embora a Lei n° 11.196/2005 não preveja a regulamentação dos incentivos fiscais por ela concedidos, a regulamentação foi promovida através do Decreto n° 5.798/2006, complementado pelas Instruções Normativas SRF n° 600/2005 e RFB n° 900/2008; f) em face do Decreto n° 5.798/2006 e das Instruções Normativas SRF n° 600/2005 e RFB n° 900/2008, que disciplinam a restituição das quantias recolhidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, não há qualquer óbice ao reconhecimento do direito da recorrente ao incentivo fiscal correspondente a 20% do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte incidente sobre os valores pagos, remetidos ou creditados no período de 01/01/2006 a 31/12/2008 a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, que lhe deverá ser pago em moeda corrente, nos moldes da Instrução Normativa RFB n° 900/2008; g) caso contrário, a recorrente, assim como os demais contribuintes, somente poderia passar a usufruir do incentivo fiscal instituído pela Lei n° 11.196/2005, a partir da publicação da Portaria MF n° 460/2011, ou seja, 6 (seis) anos após a publicação da própria lei que instituiu o incentivo fiscal. Transcreve jurisprudência do STJ que diz contrapor esse tipo de situação; h) não é razoável que, a despeito da jurisprudência do STJ, o contribuinte não possa usufruir de incentivo fiscal completamente delineado pela lei, em razão da inércia da Secretaria da Receita Federal do Brasil em promover a sua regulamentação. Reproduz jurisprudência administrativa; i) não se vislumbra qualquer óbice à fruição do incentivo fiscal e consequentemente ao reconhecimento do seu direito à restituição requerida. Requer, por fim o provimento do recurso voluntário e o consequente reconhecimento do direito creditório. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme se extrai dos autos, o contribuinte solicitou restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF em face do disposto na alínea “a” do inciso V do art. 17 da Lei nº 11.196/2005, correspondente ao crédito de 20% do referido imposto, incidente sobre valores pagos, creditados ou remetidos, durante o ano de 2008, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, previsto em contratos averbados ou registrados nos termos da Lei nº 9.269, de 14 de maio de 1996. Entretanto, concluiu a unidade responsável pela análise do direito creditório, por meio do Despacho DRF/SBC/SEORT nº 342/2010, que o direito à restituição somente poderia ser exercido após a regulamentação do art. 17 da Lei nº 11.196/2005, conforme mandamento contido no § 4º do art. 3º do Decreto nº 5.798/2006 e, por essa razão, indeferiu o pleito creditório. A despeito da publicação da Portaria MF nº 426, de 30 de agosto de 2011, a qual definiu os procedimentos para a restituição de referidos créditos, a DRJ/FNS considerou improcedente a manifestação de inconformidade, tendo em vista que “à época da apresentação do pedido formulado pela Interessada, não havia ainda um ato normativo do Ministério da Fazenda que permitisse aos Interessados a fruição do benefício concedido”. Segundo conta da decisão vergastada: É importante destacar que somente a partir deste momento (da publicação do ato supra) é que a autoridade fiscal competente de seu domicílio tributário pode, de fato, verificar e analisar o mérito de seu pedido (reconhecimento ou não do direito ao crédito), investigar a certeza/liquidez dos valores pleiteados (créditos), recolhimentos de impostos envolvidos e as condições assinaladas no ato supra. Este exame minucioso, investigativo, não pode ser atribuído a esta Turma de Julgamento, sob pena de ferir a competência originária de apreciação de pedidos desta natureza que é da Unidade de Origem da jurisdição do domicílio da Interessada. Como visto acima, foi publicado o ato normativo que permite à Interessada formular o pleito então indeferido, portanto, agora sim, a Interessada estaria legitimada a solicitar o crédito requerido em seu pedido de restituição, solicitação esta que deve ser dirigida à autoridade fiscal competente da Unidade de Origem de jurisdição do domicílio da Interessada. (Grifos do original) Em contraposição aos argumentos trazidos no acórdão recorrido, a contribuinte aduz que a Lei nº 11.457/2005 não reclama qualquer regulamentação para a fruição do benefício previsto na alínea “a” do inciso V de seu art. 17, mas que, mesmo assim, o Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13819.001052/200977 Acórdão n.º 2402005.825 S2C4T2 Fl. 5 7 Decreto n° 5.798/2006 teria cuidado dessa regulamentação. Ainda de acordo com o recurso voluntário, a Instrução Normativa SRF n° 600/2005 (sucedida pela Instrução Normativa RFB n° 900/2008) disciplinaria a restituição dos tributos recolhidos à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo desnecessária a edição de outro ato para tal finalidade. Sobre essa questão, convém reproduzir as disposições referentes ao benefício legal: LEI 11.196, DE 2005 Art. 17. A pessoa jurídica poderá usufruir dos seguintes incentivos fiscais: [...] V crédito do imposto sobre a renda retido na fonte incidente sobre os valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados ou registrados nos termos da Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996, nos seguintes percentuais: ( Vide Medida Provisória n ° 497, de 27 de julho de 2 010) ( Revogado pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 ) a) 20% (vinte por cento), relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º de janeiro de 2006 até 31 de dezembro de 2008; b) 10% (dez por cento), relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; [...] § 5º O benefício a que se refere o inciso V do caput deste artigo somente poderá ser usufruído por pessoa jurídica que assuma o compromisso de realizar dispêndios em pesquisa no País, em montante equivalente a, no mínimo:(Revogado pela de Medida Provisória nº 497, de 2010)(Revogado pela Lei nº 12.350, de 2010) I uma vez e meia o valor do benefício, para pessoas jurídicas nas áreas de atuação das extintas Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste Sudene e Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia Sudam;(Revogado pela de Medida Provisória nº 497, de 2010)(Revogado pela Lei nº 12.350, de 2010) II o dobro do valor do benefício, nas demais regiões.(Revogado pela de Medida Provisória nº 497, de 2010)(Revogado pela Lei nº 12.350, de 2010) Do mesmo modo, fazse mister a transcrição dos dispositivos correlatos, constantes do decreto que regulamenta o direito aos créditos requeridos pelo sujeito passivo: Fl. 186DF CARF MF 8 DECRETO Nº 5.798, DE 2006 Art. 3º A pessoa jurídica poderá usufruir dos seguintes incentivos fiscais: [...] V crédito do imposto sobre a renda retido na fonte, incidente sobre os valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados ou registrados nos termos da Lei n o 9.279, de 14 de maio de 1996, nos seguintes percentuais: a) vinte por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1 o de janeiro de 2006, até 31 de dezembro de 2008; b) dez por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1 de janeiro de 2009, até 31 de dezembro de 2013; e [...] § 4º O crédito do imposto sobre a renda retido na fonte, a que se refere o inciso V do caput deste artigo, será restituído em moeda corrente, conforme disposto em ato normativo do Ministério da Fazenda. [...] (Grifos nossos) De se esclarecer, a princípio, que o § 4º do art. 3º do Decreto nº 5.798/2006 estabelece que o crédito do IRRF referido na alínea “a” do inciso V de seu art. 17 da Lei nº 11.457/2005,”será restituído em moeda corrente, conforme disposto em ato normativo do Ministério da Fazenda”. (Grifos nossos) Assim, a despeito das alegações da recorrente, o dispositivo regulamentar reclama ato do Ministro da Fazenda e, em sendo a Instrução Normativa SRF nº 600/2005, assim como a Instrução Normativa RFB n° 900/2008, atos editados pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, referidos normativos, ainda que trouxessem o regramento exigido pelo indigitado Decreto, o que não é o caso, não supririam a necessidade de emissão de portaria ministerial. Dessarte, somente após a edição da Portaria MF nº 426, de 30 de agosto de 2011, é que foram definidas as regras relacionadas à restituição aqui discutidas, não havendo como conferir razão ao contribuinte neste ponto. Por outro lado, é certo que inexiste qualquer disposição na Lei nº 11.196/2005 que submeta o usufruto do direitos previstos no inciso V de seu art. 17 a qualquer tipo de regulamentação. No mesmo sentido, o fato de o ato normativo previsto no § 4º do art. 3º do Decreto nº 5.798/2006 não haver sido editado à época do requerimento não constituía óbice à solicitação do benefício legalmente instituído. Vejase que o ato de que trata o § 4º do art. 3º do decreto requer tãosomente norma com o objetivo de definir a sistemática de verificação do cumprimento dos requisitos Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13819.001052/200977 Acórdão n.º 2402005.825 S2C4T2 Fl. 6 9 estabelecidos no § 5º do art. 17 da Lei, o que me leva a concluir que o direito ao crédito de IRRF que ora se analisa surge com a publicação da Lei nº 11.196/2005. Não obstante, o indeferimento da restituição foi fundamentado exclusivamente na inexistência do ato ministerial que regulasse o exercício do direito, ou seja, não houve qualquer verificação concernente ao mérito do pedido. Decerto, não compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais o exame dos aspectos fáticos relacionados a direito creditório, tampouco o Órgão de julgamento administrativo dispõe de meios para verificar o cumprimento das formalidades previstas na Portaria MF nº 426/2011, necessárias ao deferimento do pleito. CONCLUSÃO Isso posto, voto por CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL no sentido de anular o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição, devolvendose os autos ao órgão de origem para prolação de nova análise do pedido de restituição à luz do disposto na Portaria MF nº 426/2011. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.003098/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
Numero da decisão: 2301-004.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento, nos termos do voto relator.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 06/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: Relator
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator EDITADO EM: 06/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANOBASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 06/07/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 30 98 /2 00 8- 01 Fl. 372DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0926.106, de 18/09/2009, (fls. 159 a 163). Em 15/09/2008, foi lavrado Auto de (fls. 1 a 4), que reduziu o imposto de renda a restituir de R$ 155.537,09 para R$ 16.410,45, em virtude da classificação indevida de rendimentos recebidos de ação trabalhista do Bradesco Leasing S.A., no valor de R$ 691.329,86. Na impugnação (fl. 105), foi alegado, em síntese, que: (i) erro da fonte pagadora quanto ao valor denunciado; (ii) não consideração tempestivamente pela Receita Federal da Declaração de Ajuste Anual do ano base de 2001; e (iii) a sentença trabalhista atribuiu à fonte pagadora a responsabilidade pelo imposto de renda na fonte. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA 1RPF Exercício: 2006 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. JUROS MORATÓRIOS. O imposto sobre a renda, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, incide inclusive sobre juros e atualização monetária, podendo do seu montante ser diminuído, para fins de se apurar o quantum tributável, o valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário reiterando as alegações anteriormente feitas na impugnação. Em 13 de março de 2013, determinouse o sobrestamento do presente caso, até o julgamento do Recurso Extraordinário 614406RS, pelo Supremo Tribunal Federal, conforme Resolução nº 2802000.134 (fls 365 a 367). É o relatório. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10660.003098/200801 Acórdão n.º 2301004.964 S2C3T1 Fl. 373 3 Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Com relação à questão sobre a potencial ilegalidade da tributação integral dos valores de rendimentos recebidos de forma acumulada quando do efetivo recebimento, cumpre destacar que no anocalendário de recebimento de rendimentos pelo recorrente, vigia o artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, que possuía a seguinte redação: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Todavia, a Lei 12.350, de 2010 introduziu o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, que definiu como regra, a tributação exclusiva na fonte para os rendimentos recebidos acumuladamente, quando decorrentes de rendimentos do trabalho, aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pelas entidades públicas de previdência social: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei 12.350, de 2010) Não há dúvida sobre a aplicação do art. 12A da Lei nº 7.713/88 para os exercícios posteriores a 2010, no entanto, poderia haver dúvida sobre a aplicação do referido artigo para os exercícios anteriores a 2010, tal qual o caso em tela em que os rendimentos foram recebidos em 2009. Ocorre que a questão da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente de períodos até o anocalendário 2009 foi recentemente objeto do Acórdão CSRF 9202003.695, julgado em 27/01/2016, o qual recebeu a seguinte ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vale destacar que decidiu o STJ no REsp n1.118.429 sob rito do artigo 543C do CPC que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos: RESP 1.118.429 Fl. 374DF CARF MF 4 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Por fim, considerando que o presente caso estava sobrestado até o julgamento do Recurso Extraordinário 614406RS, pelo Supremo Tribunal Federal, conforme Resolução nº 2802000.134, e o referido Recurso Extraordinário foi julgado, sob rito do artigo 543B do CPC, salientamos que a percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos, "in verbis": RE 614.406 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Ademais, conforme o artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, o entendimento do STF e STJ deverão ser reproduzidos por essa turma: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, voto no sentido de que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10660.003098/200801 Acórdão n.º 2301004.964 S2C3T1 Fl. 374 5 Fl. 376DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002446/2004-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2000
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Recurso Especial conhecido por determinação judicial. Mandado de Segurança n° 2008.34.00.006777-0.
INDUSTRIALIZAÇÃO DE EMBALAGENS PLÁSTICAS. INCIDÊNCIA DO IPI.
A fabricação, sob encomenda, de embalagens plásticas por meio do processo industrial de extrusão, ainda que eventualmente possam conter caracteres impressos, caracteriza o estabelecimento como executor de industrialização por encomenda e não como mero prestador de serviços de artes gráficas.
Numero da decisão: 9303-005.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Recurso Especial conhecido por determinação judicial. Mandado de Segurança n° 2008.34.00.006777-0. INDUSTRIALIZAÇÃO DE EMBALAGENS PLÁSTICAS. INCIDÊNCIA DO IPI. A fabricação, sob encomenda, de embalagens plásticas por meio do processo industrial de extrusão, ainda que eventualmente possam conter caracteres impressos, caracteriza o estabelecimento como executor de industrialização por encomenda e não como mero prestador de serviços de artes gráficas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Recurso Especial conhecido por determinação judicial. Mandado de Segurança n° 2008.34.00.0067770. INDUSTRIALIZAÇÃO DE EMBALAGENS PLÁSTICAS. INCIDÊNCIA DO IPI. A fabricação, sob encomenda, de embalagens plásticas por meio do processo industrial de extrusão, ainda que eventualmente possam conter caracteres impressos, caracteriza o estabelecimento como executor de industrialização por encomenda e não como mero prestador de serviços de artes gráficas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 24 46 /2 00 4- 17 Fl. 782DF CARF MF Processo nº 11516.002446/200417 Acórdão n.º 9303005.054 CSRFT3 Fl. 766 2 (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 7º a 9º, do antigo regimento interno do Segundo Conselho de Contribuintes, contra o acórdão nº 20217.045, proferido pela 2ª Câmara, que decidiu, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, por entender que a atividade exercida pela Contribuinte não há como ser enquadrada como prestação de serviços, e em especial serviço de composição gráfica, porque as embalagens por ela produzidas (embalagens personalizadas com informações impressas relativas ao produto e ao fabricante) conquanto possuam "caracteres impressos ", não são produzidas em instalações que revelem se tratar de "mera oficina de artes gráficas". Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Segundo consta dos autos, a contribuinte foi notificada do auto de infração de fls. 135 em 29/09/2004, por meio do qual a Fazenda Pública constituiu o crédito tributário de R$ 424.076,62, relativo ao IPI e juros de mora, em razão da escrituração, no segundo decêndio de dezembro de 2000, do valor de R$ 257.250, a título de "Crédito de IPI de acordo com a IN 41/2000". Este valor foi recebido em transferência da Usina Caeté, que discute em juízo o direito ao créditoprêmio à exportação, o direito aos créditos de IPI com base no art. 11 da Lei nº 9779/99 antes de 31/12/1998, bem como o direito de transferi los a terceiros, por meio das Ações Ordinárias n2s 2000.80.0067793 (fls. 29/52) e 2001.80.00.0007284 (fls. 78/112). Regularmente notificada daquela decisão em 16/02/2005 (fl. 215), a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 226/249 em 16/03/2005, instruído com os documentos de fls. 250/408. Alegou, em síntese, que sua atividade consiste na prestação de serviço de composição gráfica, sobre o qual não incide o IPI. Os serviços de composição gráfica estão incluídos nas listas de serviços que se encontram anexas ao DL n2 406/68, à LC n2 56/87 e à LC nº 116/03, sujeitandose, portanto, ao Imposto Municipal sobre Serviços de Qualquer Natureza ISS. Pleiteou a aplicação da Súmula n2 143 do extinto TFR e da Súmula n2 156 do STJ, uma vez que suas embalagens seriam fabricadas sob encomenda e não podem ser aplicadas em produtos diferentes daqueles aos quais se destinam. Alegou que errou ao se creditar e ao se declarar contribuinte do IPI e que tal erro foi provocado pela pressão exercida pela fiscalização sobre a empresa. Juntou laudo pericial onde o parecerista teria demonstrado que sua atividade é a produção de embalagens plásticas feitas sob encomenda e de modo personalizado, pois Fl. 783DF CARF MF Processo nº 11516.002446/200417 Acórdão n.º 9303005.054 CSRFT3 Fl. 767 3 atendem às rígidas especificações dos encomendantes. Requereu o acolhimento de suas razões para que seja reconhecida a não incidência do IPI sobre suas atividades e o cancelamento da exigência. A decisão recorrida restou assim ementada: PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Presentes nos autos elementos que permitam ao julgador formar sua convicção tornase necessária a realização de perícia, especialmente quando os requisitos formulados não guardam relação com o fundamento do pedido. PIS. RECEITA BRUTA. FATURAMENTO. ALÍQUOTA. É válido o lançamento calcado nos termos da lei que definiu a base de cálculo da contribuição e a alíquota aplicável, não cabendo ao órgão administrativo a apreciação da inconstitucionalidade da IPI. COAÇÃO. SOLUÇÃO DE CONSULTAS E DECISÕES DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Os atos baixados pela Administração Tributária bem como as decisões de primeira instância são insuscetíveis de coagir os contribuintes a se declararem contribuintes do IPI. ERRO NAS DECLARAÇÕES. Empresa que registrou contrato social declarando ter por objeto social a indústria de embalagens e materiais plásticos em geral e que ajuizou três mandados de segurança que têm por objeto o IPI, não incidiu em erro ao se declarar contribuinte do IPI perante o Fisco. FATO GERADOR. CARACTERIZAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. EMBALAGENS PLÁSTICAS. A fabricação, sob encomenda, de embalagens plásticas por meio do processo industrial de extrusão, ainda que eventualmente possam conter caracteres impressos, caracteriza o estabelecimento como executor de industrialização por encomenda e não como mero prestador de serviços de artes gráficas. Recurso negado. Inconformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, sustentando que: "A teor de referida decisão, verificase que o entendimento exarado pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes sustenta que a Recorrente é contribuinte do IPI por ter se declarado devedora deste tributo e, ainda, que à fabricação sob encomenda de embalagens plásticas foi efetuada por meio de processo industrial de extrusão, com caracteres impressos". Para comprovar a divergência jurisprudencial, a Contribuinte, apresenta em seu Recurso, o acórdãos paradigmas nºs 20302.628, 10808689 e 10707632. Vejamos: Acórdão nº 20302.628 Fl. 784DF CARF MF Processo nº 11516.002446/200417 Acórdão n.º 9303005.054 CSRFT3 Fl. 768 4 "IPI INCIDÊNCIA Serviço de Composição Gráfica . Estando a operação incluída na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei n° 406/68, sobre ela ocorre a incidência, apenas, do ISS, com exclusão, pois, da do IPI. Recurso provido. Evidenciam a "Descrição dos Fatos" e o "Enquadramento Legal", às fls. 167, as irregularidades levantadas na fiscalização, das quais resultou o crédito supramencionado, apurandose o seguinte: A recorrente deixou de lançar, nas Notas Fiscais de Saída, o IPI referente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/01/89 a 18/10/90, decorrentes das saídas de seu estabelecimento de papel impresso personalizado, sacolas e sacos plásticos com impressão, os quais foram por ela industrializados na modalidade prescrita pelo inciso II do art. 3 0 do RIPI/82. "Discutese neste processo se a impressão gráfica em papel, sacolas e sacos plásticos sujeita a empresa ao pagamento do Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI quando da saída de tais produtos de seu estabelecimento". Acórdão nº 10808.689 "IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Recurso provido. "Contra a empresa SINDI — SISTEMA INTEGRADO DE DISTRIBUIÇÃO LTDA. foi lavrado auto de infração para exigir Adicional do Imposto de Renda Calculado a Menor, em decorrência da revisão eletrônica da Declaração de Rendimentos do anocalendário de 1995 (fls. 01/05). A DIRPJ de fls. 07 e seguintes aponta' que a apuração do Lucro Real no período foi mensal. Diante da impugnação de que teria havido erro no preenchimento da Declaração (cuja retificadora acompanhou a peça de defesa), pois os valores informados referiamse na verdade ao resultado cumulado a cada mês do ano de 1995 desde o dia 10 de janeiro, a DRJ manteve integralmente o lançamento pois a opção do contribuinte pelo Lucro Real anual implica em recolhimentos por estimativa (o que não ocorreu) e a retificação não pode ser aceita após iniciada a fiscalização (fls. 226/233)". Acórdão nº 10707.632 "CSLL AUSÊNCIA DE MATÉRlA TRIBUTÁVEL PREVALÊNCIA DA VERDADE REAL constam dos autos elementos suficientes mostrando que o lançamento está baseado, unicamente, em erro cometido pelo contribuinte na contabilização Fl. 785DF CARF MF Processo nº 11516.002446/200417 Acórdão n.º 9303005.054 CSRFT3 Fl. 769 5 dos efeitos do resultado de investimentos relevantes, avaliados pela equivalência patrimonial. Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e DAR provimento ao recurso. Fará declaração de voto o Conselheiro Neicyr de Almeida. LEME EMPREENDIMENTOS LTDA., qualificada nos autos, recorre a este colegiado contra decisão do Delegado da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte MG que julgou procedente a exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido constante do Auto de Infração de fls. 01/05 em decorrência de adição pelo fisco à base de cálculo da contribuição de ajuste por diminuição de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido, contabilizados no períodobase de 1991. Tal exigência já havia sido constituída em 12.07.96 pela Notificação Suplementar de fls. 02 do Processo n° 10680.009480/9613, a este apenso. O lançamento original foi declarado nulo, por vício formal, em 11 de dezembro de 1998 por decisão do Delegado de Julgamento em Belo Horizonte MG." No exame de admissibilidade fls.670/672, o Recurso Especial da Contribuinte não foi admitido, em razão da inobservância de dissídio jurisprudencial. Vejamos "Em suas considerações, a recorrente argumenta que "sobre a atividade exercida pela empresa (prestação de serviços de composição gráfica) não há incidência de IPI, mas, apenas e tãosomente, do ISS, em se tratando de operação incluída na Lista anexa ao DecretoLei nº 406/68". Nestes termos, aduz que o entendimento consubstanciado no julgado em epígrafe diverge da interpretação da legislação tributária presente no Acórdão nº 203 02.628. Insurgese, ainda, a interessada contra o posicionamento adotado acerca da questão referente ao "erro cometido nas declarações prestadas pela contribuinte". Neste sentido, sob a alegação de que "a verdade material deve prevalecer sobre a formal", a recorrente argúi a ocorrência de entendimento jurisprudencial divergente a exemplo dos Acórdãos nº10707.632 e 108 08.689 Relativamente à primeira questão suscitada, registrese que os julgados confrontados (20302.628/paradigma e 20217 .045/recorrido) para efeito de verificação do dissídio versam sobre espécies essencialmente díspares. No acórdão dito divergente, por exemplo, o sujeito passivo deixou de lançar o imposto relativo à operação de impressão gráfica em papel, sacolas e sacos plásticos, quando da saída de tais produtos de seu estabelecimento. Assim procedeu o contribuinte, por entender tratarse de atividade sujeita à tributação exclusiva do ISS. Naqueles autos, discutiuse em segunda instância administrativa a incidência de IPI na hipótese de operação incluída na Lista de Serviços anexa ao Decreto Lei nº 406/68. Ao amparo da Súmula 143 do TRF, a Câmara julgadora deu provimento ao recurso voluntário, posicionandose, pois, pelo entendimento de que a incidência do ISS exclui a do IPI. Fl. 786DF CARF MF Processo nº 11516.002446/200417 Acórdão n.º 9303005.054 CSRFT3 Fl. 770 6 No caso dos presentes autos (Acórdão nº 20217.045), o cerne da questão posta em debate não é a incidência de IPI x ISS sobre os serviços gráficos, mas, sim, a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados, considerandose o enquadramento da empresa como executora de industrialização por encomenda ou mera oficina de artes gráficas prestadora de serviços. Na espécie, restando comprovado que a atividade da recorrente consiste na fabricação de embalagens plásticas mediante o processo industrial de extrusão, o Colegiado julgou procedente a exigência do IPI conforme lavrado o auto de infração, mantendo na íntegra a decisão de primeiro grau. Apenas a título de argumentação, ressaltese ainda que, a respeito da questão da "incidência cumulativa de ISS e IPI sobre os serviços de artes gráficas", o voto condutor do aresto fustigado coincide com o entendimento dito paradigma, confirmandoo nos seguintes termos (fl. 467): "Ora, da mesma forma que tais decisões pregam a possibilidade de se cobrar cumulativamente o ISS e o IPi sobre os serviços de artes gráficas, a ;urisprudência do Segundo Conselho de Contribuintes e também a do Superior Tribunal de Justiça STJ, consolidouse em sentido diametralmente oposto, ou seja, no sentido de que os serviços de artes gráficas sujeitamse exclusivamente ao imposto municipal." Deste modo, há que se considerar que o Acórdão nº 20302.628 não se presta para comprovação da divergência, eis que a questão nele discutida, na realidade, não coincide com a matéria efetivamente julgada no Acórdão nº 20217.045, restando, pois, evidenciada a absoluta impossibilidade de se estabelecer comparação e deduzir divergência de entendimentos entre as referidas decisões. Melhor sorte não coube à recorrente nas considerações expendidas para fins de demonstração da segunda divergência apontada (exigência fiscal x "erro cometido nas declarações prestadas pela contribuinte"). Ocorre que, na hipótese fustigada, a Câmara julgadora concluiu não ter a interessada incidido em erro algum ao se declarar contribuinte do IPI perante o Fisco, mantendose, por conseguinte, a exigência nos estritos termos da autuação. Nos paradigmas (10707.632 e 10808.689), porém, verificandose que a ação fiscal fora baseada em dados incorretos fornecidos pelo contribuinte, a decisão de segundo grau julgou por bem cancelar o lançamento em respeito à prevalência da verdade material. Neste aspecto, o Relator do acórdão: :fustigado, assim se pronunciou (fi. 467): "Relativamente à questão de erro, é certo que nenhum erro eventualmente cometido pelo contribuinte autoriza o Fisco a cobrar tributo indevido". No despacho nº 202591, fls.674, o Presidente da 2º Câmara, negou seguimento ao recurso, por entender que não houve divergências argüidas contra o Acórdão nº 20217.045: 1) incidência de IPI sobre a atividade exercida pelo estabelecimento industrial; e 2) exigência fiscal x "erro cometido nas declarações prestadas pela contribuinte". Nada obstante, a Contribuinte interpôs Agravo contra a negativa ao seguimento do recurso especial, fls. 517/706. Sendo o mesmo negado fls. 712/714. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 11516.002446/200417 Acórdão n.º 9303005.054 CSRFT3 Fl. 771 7 Não conformada com tal decisão, a Contribuinte impetrou Mandado de Segurança junto 21º Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal DF, processo n° 2008.34.00.0067770, contra o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sustentando nos autos do processo que se enquadrada no item 77 da Lista de Serviços, anexa ao Decretolei nº406/68, por ter atividade preponderante de serviços gráficos, e estaria sujeita, apenas, à incidência de ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza). Assim, deu entrada no Procedimento Administrativo Fiscal acima mencionado, objetivando o reconhecimento de tal enquadramento. Houve, porém, decisão que indeferiu o seu pleito. O juízo da 21º Vara Federal do DF, concedeu a liminar para suspender os efeitos da decisão exarada no bojo do Procedimento Administrativo Fiscal n° 11516.002446/200417, com o fim de permitir a apreciação, pela autoridade competente, do mérito do Recurso Especial de Divergência interposto pela Contribuinte. A liminar foi cumprida, fls.749, e finalmente o Recurso da Contribuinte foi admitido. A Fazenda Nacional, foi devidamente cientificada e apresentou suas contrarrazões, fls. 761/763. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, dele tomo conhecimento, em razão de liminar concedida pela 21ª Vara Federal do DF, com o fim de permitir a apreciação do Recurso Especial de Divergência interposto pela Contribuinte. Compulsando os autos, verifico junto ao Acórdão da DRJ, fls. 263, a real motivação do Auto de Infração.Transcrevo: "A Delegacia da Receita Federal em Florianópolis empreendeu ação fiscal junto ao estabelecimento acima qualificado, iniciada em 16 de janeiro de 2004, a fim de proceder à verificação da regularidade do cumprimento das suas obrigações tributárias relativamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados, entre janeiro de 2000 e dezembro de 2001. 1.1. Durante o procedimento fiscal, apurouse a escrituração do valor de R$ 257.250,00, no segundo decêndio de dezembro de 2000, a título de "Crédito de IPI de acordo IN 41/2000". Intimado a comprovar a legitimidade deste lançamento, o contribuinte apresentou cópia de um pedido de compensação de crédito com débitos de terceiros, de 07/12/2000, fl. 28, acompanhado de cópia de uma petição inicial da ação ordinária 2000.80.00.0067793, em nome de Usina Caeté S/A Filial Delta, fls. 29 a 49, que tramita junto à Justiça Federal em Maceió AL, bem como da respectiva decisão concedendo a antecipação de tutela que determinou a expedição de Documento Comprobatório de Compensação DCC, fls. 50 a 52. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 11516.002446/200417 Acórdão n.º 9303005.054 CSRFT3 Fl. 772 8 Foram também apresentadas cópias de nove notas fiscais do interessado, fls. 53 a 62, cuja quitação deuse através da compensação com estes créditos. 1.2. A União, através do Agravo de Instrumento n° 36.560AL, fls. 63 a 65, obteve a suspensão dos efeitos da tutela" antecipada concedida na ação ordinária 2000.80.00.0067793, fls. 66 e 67, sendo o contribuinte cientificado desta decisão em 22/03/2001, fl 68, quando também foi intimado a quitar o débito no prazo de trinta dias. Porém, em 25/07/2001, o interessado solicitou a transferência do pedido de compensação para outro processo, fls. 7. que atualmente se encontra amparado pelo DCC n° 00039631, fls 76 e 77, emitido pela DRF Maceió, por força de decisão judicial" fl. 113, proferida nos autos da ação ordinária 2000.80.00.0007284, cujos agravos de instrumento ingressados no TRF, pela União e pela Usina Caeté, foram indeferidos, fls. 119 a 125. 1.3. Desta forma, foi procedido o lançamento do IPI e respectivos juros de mora, com a exigibilidade suspensa, em razão de antecipação de tutela concedida na ação ordinária, conforme dispõe o artigo 151, inciso V da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. O lançamento, nos termos do art. 63 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, foi levado a efeito sem imposição de multa, em virtude da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, resultando na lavratura do Auto de Infração de fls. 135 e 136, no valor total de R$ 424.076,62, acompanhados do Termo de Verificação Fiscal de fls. 126 a 131 e dos demonstrativos de fls. 132 a 134. O interessado manifestou sua irresignação, tempestivamente, na forma do arrazoado constante das fls. 151 a 198, onde cita e transcreve diversas correntes doutrinárias, trechos da legislação tributária, além de farta jurisprudência administrativa e do judiciário, tudo para amparar seus argumentos quanto ao mérito dos créditos que ofereceu em compensação, os quais são objeto de ação judicial ainda em curso. Alegou também, em preliminar, que em função da existência de decisão judicial determinando o ressarcimento dos créditos do IPI em discussão, o auto de infração deveria ser extinto ou ao menos permanecer suspenso até a decisão final a ser proferida pelo Judiciário. Menciona ainda que a sua atividade não deveria ser caracterizada como industrialização, pois se trataria apenas de serviços de composição gráfica, sujeita portanto, apenas ao ISS e não ao IPI. Esclarece que realiza o serviço de "confecção de embalagens", as quais contém grafado o nome da empresa encomendante, fabricante do produto para o qual a embalagem se destina. Desta forma, caso alguma encomenda seja recusada, "tudo aquilo que já fora objeto de manufaturamento" não poderia ser aproveitado e vendido a outro encomendante. Informa que apresentará laudo pericial para demonstrar a natureza de suas atividades, sem contudo mencionar quando pretende fazêlo". Neste sentido, o lançamento foi efetuado em razão de pedidos de compensação de créditos de terceiros, ao fim, a Contribuinte cria a tese de que: "sua atividade Fl. 789DF CARF MF Processo nº 11516.002446/200417 Acórdão n.º 9303005.054 CSRFT3 Fl. 773 9 não deveria ser caracterizada como industrialização, pois se trataria apenas de serviços de composição gráfica, sujeita portanto, apenas ao ISS e não ao IPI". Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que atividade exercida pela Contribuinte não há como ser enquadrada como prestação de serviços, e, em especial serviço de composição gráfica, porque as embalagens por ela produzidas (embalagens personalizadas com informações impressas relativas ao produto e ao fabricante) conquanto possuam "caracteres impressos ", não são produzidas em instalações que revelem se tratar de "mera oficina de artes gráficas". Vejamos: "Estando comprovado pelo laudo técnico anexado aos autos que não se trata de uma oficina de artes gráficas, é improcedente a pretensão de a recorrente ser enquadrada nas Súmulas nº 146 do TFR e 156 do STJ, bem como nos acórdãos colacionados às fls. 365/397. inexistirem nos autos provas do erro material na apuração do débito cujo pagamento teria gerado o indébito. Confirase (fls. 87 e 88, sublinhado na transcrição): Considerando que se trata de um estabelecimento contribuinte do imposto e que o crédito glosado pela fiscalização está pendente de decisão judicial, não merecem reparo a decisão recorrida e o auto de infração". Também não socorrem a recorrente as constatações feitas pelo Fisco no termo de visita fiscal de fls. 16/17, pois em momento algum a fiscalização atestou que a atividade da empresa era a de artes gráficas. Pelo contrário, na folha 16, item 2 foi consignado que o estabelecimento não possui seção de venda a varejo e no item 5 está escrito que o contribuinte pratica operações de industrialização sob encomenda de terceiros. Por outro lado, a decisão indicada como paradigmática, acórdão nº 203 02.628 , por sua vez, analisou tão somente a questão sobre atividade da empresa sobre o aspecto da prestação de serviços de composição gráfica, não há nenhuma discussão quanto há incidência do IPI, mas apenas, a questão do ISS, em que se tratando de operação incluída na lista anexa ao Decreto lei nº 406/68. Confirase: IPI INCIDÊNCIA Serviço de Composição Gráfica . Estando a operação incluída na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei n° 406/68, sobre ela ocorre a incidência, apenas, do ISS, com exclusão, pois, da do IPI. Recurso provido. Como se vê, as decisões paragonadas laboram a partir de circunstâncias fáticas distintas: o Acórdão Recorrido, negou provimento ao apelo voluntário, em razão da do sujeito passivo ser contribuinte habitual do IPI, considerando que o auto de infração foi motivado por compensação de crédito com débitos de terceiros (IN 41), atrelados a uma ação judicial, portanto, a efetiva cobrança do IPI, por outro lado, o acórdão paradigmático, trata de um sujeito passivo que não é contribuinte do IPI, discutese apenas a questão do ISS, item 77 da Lista de Serviços, anexa ao Decretolei nº406/68, por ter atividade preponderante de serviços gráficos. Fl. 790DF CARF MF Processo nº 11516.002446/200417 Acórdão n.º 9303005.054 CSRFT3 Fl. 774 10 Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.31) estabelece que: "Tratandose de situações fáticas diversas, cada qual com seu conjunto probatório específico, as soluções diferentes não têm como fundamento a interpretação diversa da legislação, mas sim as diferentes situações fáticas retratadas em cada um dos julgados. Nesse contexto, também não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que por sua vez atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria". Essas dessemelhanças fáticas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. No que tange a segunda divergência, a Contribuinte na tentativa de que seu recurso seja admitido, apresenta os acórdãos paradigmas nºs 10808689 e 10707632, os quais tratam sobre exigência fiscal em razão de erros cometidos em declarações prestadas pela contribuinte. Vejamos os arestos: Acórdão nº 10808.689 "IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Recurso provido. Diante da impugnação de que teria havido erro no preenchimento da Declaração (cuja retificadora acompanhou a peça de defesa), pois os valores informados referiamse na verdade ao resultado cumulado a cada mês do ano de 1995 desde o dia 10 de janeiro, a DRJ manteve integralmente o lançamento pois a opção do contribuinte pelo Lucro Real anual implica em recolhimentos por estimativa (o que não ocorreu) e a retificação não pode ser aceita após iniciada a fiscalização (fls. 226/233)". Acórdão nº 10707.632 "CSLL AUSÊNCIA DE MATÉRlA TRIBUTÁVEL PREVALÊNCIA DA VERDADE REAL constam dos autos elementos suficientes mostrando que o lançamento está baseado, unicamente, em erro cometido pelo contribuinte na contabilização dos efeitos do resultado de investimentos relevantes, avaliados pela equivalência patrimonial. LEME EMPREENDIMENTOS LTDA., qualificada nos autos, recorre a este colegiado contra decisão do Delegado da Receita Federal de Julgamento em Fl. 791DF CARF MF Processo nº 11516.002446/200417 Acórdão n.º 9303005.054 CSRFT3 Fl. 775 11 Belo Horizonte MG que julgou procedente a exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido constante do Auto de Infração de fls. 01/05 em decorrência de adição pelo fisco à base de cálculo da contribuição de ajuste por diminuição de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido, contabilizados no períodobase de 1991. A tese é engenhosa, mas não convence. Repisase: o auto de infração lavrado em face da Contribuinte, foi motivado por compensação de crédito com débitos de terceiros (IN 41), atrelados a uma ação judicial, portanto, para a efetiva cobrança do IPI. Quanto ao suposto erro de declaração, a tese sustentada pela Contribuinte não prospera, o acórdão recorrido nada versa sobre exigência fiscal por erro cometido em declarações prestadas pela contribuinte, pelo contrário, a decisão recorrida chegou a conclusão de que o sujeito passivo não cometeu incidiu em erro por se declarar contribuinte do IPI perante o Fisco, mantendose, por conseguinte, a exigência nos estritos termos da autuação. Confirase: "Tendo em vista que em todas as alterações e consolidações o objeto social sempre foi mantido sem nenhuma alteração, fica claro que não houve erro da empresa em se declarar contribuinte do IPI e muito menos pressão do Fisco nesse sentido. Nas fls. 25/26 consta a cópia do livro de registro e apuração do IPI no qual a recorrente efetuou o crédito recebido em transferência no valor de R$ 257.250,00. Este crédito foi escriturado de forma espontânea no segundo decêndio de 2000, ou seja, muito antes de a fiscalização aparecer em seu estabelecimento para iniciar seu trabalho. Na fls. 13 consta que a contribuinte ajuizou três Mandados de Segurança para discutir o IPI. O primeiro é de nº 1999.61.000580943 no qual pede o reconhecimento de créditos do IPI. O segundo é o de nº 2002.61.000197589 no qual pede o reconhecimento do direito de compensar o IPI com outros tributos. E o terceiro é o de nº 2004.61.000012033, relativo ao diferencial de alíquota de IPI. Ora, se empresa impetrou três mandados de segurança que têm por objeto o IPI, não é crível que se tenha declarado em juízo por três vezes contribuinte do IPI por causa de erro ou por pressão do Fisco. Além disso, os mesmos advogados que foram procurados para impetrar os mandados de segurança em relação ao IPI, poderiam ter sido consultados acerca da tal "coação" somente agora alegada pela empresa". Já nos acórdãos paradigmas nºs 10707.632 e 10808.689, observase que a ação fiscal foi motivada em dados incorretos fornecidos pela contribuinte, a decisão de segundo grau julgou por bem cancelar o lançamento em respeito à prevalência da verdade material. Transcrevese os arestos: Acórdão nº 10808.689 "IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Fl. 792DF CARF MF Processo nº 11516.002446/200417 Acórdão n.º 9303005.054 CSRFT3 Fl. 776 12 Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Recurso provido. Acórdão nº 10707.632 "CSLL AUSÊNCIA DE MATÉRlA TRIBUTÁVEL PREVALÊNCIA DA VERDADE REAL constam dos autos elementos suficientes mostrando que o lançamento está baseado, unicamente, em erro cometido pelo contribuinte na contabilização dos efeitos do resultado de investimentos relevantes, avaliados pela equivalência patrimonial. Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e DAR provimento ao recurso. Fará declaração de voto o Conselheiro Neicyr de Almeida. Portanto, as dessemelhanças fáticas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Diante do exposto, verificase que as dessemelhanças fáticas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. E em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma Fl. 793DF CARF MF Processo nº 11516.002446/200417 Acórdão n.º 9303005.054 CSRFT3 Fl. 777 13 conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Contudo, a Contribuinte impetrou Mandado de Segurança junto 21º Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal DF, processo n° 2008.34.00.0067770, contra o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A liminar foi deferida para suspender os efeitos da decisão exarada no bojo do Procedimento Administrativo Fiscal n° 11516.002446/200417, com o fim de permitir a apreciação, pela autoridade competente, do mérito do Recurso Especial de Divergência interposto pela Contribuinte. Portanto, o Recurso Especial deve ser conhecido em razão do provimento judicial, considerando que o mandado de Segurança foi impetrado em face do Excelentíssimo Senhor Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, dirigida exclusivamente a Câmara Superior CSRF. Passo ao julgamento do mérito do Recurso. Compulsando os autos, verifico que a Contribuinte foi notificada do auto de infração de fls. 135 em 29/09/2004, por meio do qual a Fazenda Pública constituiu o crédito tributário de R$ 424.076,62, relativo ao IPI e juros de mora, em razão da escrituração, no segundo decêndio de dezembro de 2000, do valor de R$ 257.250, a título de "Crédito de IPI de acordo com a IN 41/2000. Este valor foi recebido em transferência da Usina Caeté, que discute em juízo o direito ao créditoprêmio à exportação, o direito aos créditos de IPI com base no art. 11 da Lei nº 9779/99 antes de 31/12/1998, bem como o direito de transferi los a terceiros, por meio das Ações Ordinárias nºs 2000.80.0067793 (fls. 29/52) e 2001.80.00.0007284 (fls. 78/112). Com efeito, a contribuinte recorre contra o entendimento consubstanciado no acórdão “a quo”, onde se entendeu que "a atividade exercida pela recorrente não há como ser enquadrada como prestação de serviços, e em especial serviço de composição' gráfica, porque as embalagens por ela produzidas (embalagens personalizadas com informações impressas relativas ao produto e ao fabricante) conquanto possuam "caracteres impressos ", não são produzidas em instalações que revelem se tratar de "mera oficina de artes gráficas". Por outro lado, a Contribuinte defende que suas atividades não estão sujeitas ao IPI, considerando que a totalidade do faturamento é gerada pela prestação de serviços de composição gráfica em material de embalagem destinados aos próprios encomendantes e com as especificações técnicas por eles determinadas, sujeita, portanto ao ISS, de competência exclusivamente Municipal, não estando, pois, sujeita ao presente débito de IPI. De uma análise mais apurada do fluxo processual, não me resta qualquer dúvida que a Contribuinte é sujeita a tributação do IPI. Para tanto, utilizo como fundamento de minhas razões de decidir o acórdão irretocável da turma a quo: "Tendo em vista que em todas as alterações e consolidações o objeto social sempre foi mantido sem nenhuma alteração, fica claro que não houve erro da Fl. 794DF CARF MF Processo nº 11516.002446/200417 Acórdão n.º 9303005.054 CSRFT3 Fl. 778 14 empresa em se declarar' contribuinte do IPI e muito menos pressão do Fisco nesse sentido. Nas fls. 25/26 consta a cópia do livro de registro e apuração do IPI no qual a recorrente efetuou o crédito recebido em transferência no valor de R$ 257.250,00. Este crédito foi escriturado de forma espontânea no segundo decêndio de 2000, ou seja, muito antes de a fiscalização aparecer em seu estabelecimento para iniciar seu trabalho. Na fls. 13 consta que a contribuinte ajuizou três Mandados de Segurança para discutir o IPI. O primeiro é de nº1999.61.000580943 no qual pede o reconhecimento de créditos do IPI. O segundo é o de nº 2002.61.000197589 no qual pede o reconhecimento do direito de compensar o IPI com outros tributos. E o terceiro é o de nº 2004.61.000012033 relativo ao diferencial de alíquota de IPI. Ora, se empresa impetrou três mandados de segurança que têm por objeto o IPI, não é crível que se tenha declarado em juízo por três vezes contribuinte do IPI por causa de erro ou por pressão do Fisco. Além disso, os mesmos advogados que foram procurados para impetrar os mandados de segurança em relação ao IPI, poderiam ter sido consultados acerca da tal "coação" somente agora alegada pela empresa. À luz das provas irrefutáveis que existem nos autos, está comprovado à saciedade que a PLASC é, e sempre se considerou contribuinte do IPI. As alegações de erro e de coação foram feitas na vã tentativa de se enquadrar nas Súmulas do STJ e do TFR quanto ao serviço de artes gráficas . Relativamente ao parecer técnico trazido pela recorrente, ficou comprovado que a impressão de desenhos e dizeres é uma atividade acessória da industrialização das embalagens. Mais uma vez ficou comprovado que a empresa também fabrica embalagens sem impressão e que esta atividade, sendo meramente acessória da atividade principal, não desnatura o critério material da regramatriz de incidência do IPI, que tem como núcleo o verbo "industrializar . Portanto, está mais do que provado nos autos que a empresa não errou ao se declarar perante o Fisco como contribuinte do IPI, que não sofreu nenhumá espécie de coação nesse sentido e que se trata de um estabelecimento fabricante de embalagens pásticas pelo processo industrial de extrusão". Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 795DF CARF MF Processo nº 11516.002446/200417 Acórdão n.º 9303005.054 CSRFT3 Fl. 779 15 Fl. 796DF CARF MF Processo nº 11516.002446/200417 Acórdão n.º 9303005.054 CSRFT3 Fl. 780 16 Fl. 797DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.900602/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 06 02 /2 00 9- 10 Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13896.900602/200910 Acórdão n.º 1402002.545 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13896.900602/200910 Acórdão n.º 1402002.545 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13896.900602/200910 Acórdão n.º 1402002.545 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13896.900602/200910 Acórdão n.º 1402002.545 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13896.900602/200910 Acórdão n.º 1402002.545 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 332DF CARF MF
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Numero do processo: 10907.000679/2005-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2002 a 10/03/2002
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Constatada a inexistência da contradição apontada, deverão ser rejeitados os embargos declaratórios opostos.
Os embargos declaratórios opostos visam rediscutir o mérito da presente contenda, o que não deve ser admitido por meio desta via processual.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-003.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Constatada a inexistência da contradição apontada, deverão ser rejeitados os embargos declaratórios opostos. Os embargos declaratórios opostos visam rediscutir o mérito da presente contenda, o que não deve ser admitido por meio desta via processual. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 06 79 /2 00 5- 08 Fl. 77DF CARF MF 2 Relatório Trata a presente demanda de auto de infração por meio do qual se exige o pagamento de IPI, juros e multa, no valor total de R$ 10.240,67, lavrado sob o seguinte fundamento: 001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL. DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DA ISENÇÃO PELO RECEBEDOR DO PRODUTO. Alienação de veiculo adquirido com isenção para taxistas antes de três anos da sua aquisição, sem a autorização da unidade da SRF. Automóvel GM/ASTRA GL SEDAN 1.8 L, 110 CV, 5 passageiros, 4 portas, adquirido em 19/03/2002 e alienado em 31/01/2005, conforme Nota Fiscal e Certificado de Registro de Veiculo anexados ao processo do auto de infração. O contribuinte apresentou impugnação, através da qual alegou que "alienara o veículo em questão, desonerandoa de todos os encargos legais que gravavam o referido bem, como faz prova a cópia do certificado em apenso, cujo registro ocorreu em 20/03/2005, ocasião em que a postulante promovera sua efetiva tradição ao adquirente", não obstante "a autorização para transferência do veículo tivesse sido preenchida em 31/01/2005. Defendeu ainda que a transmissão de bens móveis só se legitima com a entrega da coisa ao adquirente, ou seja, com a tradição, nos termos do que dispõe o art. 1.267 do Novo Código Civil (Lei n. 10.406/2002). Requereu, então, o cancelamento do lançamento, uma vez que "o ato que consumou a alienação do veículo objeto do presente procedimento fiscal ao seu adquirente" (tradição) só teria ocorrido quando já transcorrido o prazo de 3 (três) anos previstos na lei de regência para a não incidência do imposto na operação. Ao analisar o caso, a DRJ julgou improcedente a impugnação, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2002 a 10/03/2002 ISENÇÃO. TÁXI. ALIENAÇÃO. PRAZO. EFEITOS. A alienação do veículo destinado a taxista, adquirido com isenção de IPI, antes de três anos contados da data de sua aquisição, acarretará o pagamento pelo alienante do tributo dispensado, atualizado na forma da legislação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2002 a 10/03/2002 PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO PRIVADO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10907.000679/200508 Acórdão n.º 3301003.504 S3C3T1 Fl. 78 3 Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito com o conteúdo da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário através do qual repisou os argumentos outrora apresentados. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, então, entendeu por manter a decisão recorrida, negando provimento ao Recurso Voluntário interposto, conforme decisão a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2002 a 10/03/2002 ISENÇÃO. TÁXI. ALIENAÇÃO. PRAZO. EFEITOS. A alienação do veículo destinado a taxista, adquirido com isenção de IPI, antes de três anos contados da data de sua aquisição, acarretará o pagamento pelo alienante do tributo dispensado, atualizado na forma da legislação tributária. Insatisfeito com o conteúdo da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário através do qual repisou os argumentos outrora apresentados. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por seu turno, entendeu por manter a decisão recorrida, negando provimento ao Recurso Voluntário interposto, conforme decisão a seguir transcrita: O contribuinte foi intimado da decisão do CARF em 10/07/2013 e em 15/07/2013 opôs embargos declaratórios, através dos quais pleiteou que, "sanada a contradição apontada, reconheça como efetivada a tradição do veículo em 20/03/2005, julgando improcedente o auto de infração". Os referidos embargos foram recebidos, conforme despacho constante de fl. 75 dos autos, tendo sido encaminhado a esta Turma, para fins de julgamento. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF 4 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Os embargos declaratórios opostos pelo contribuinte in casu são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. Requer o contribuinte a este órgão julgador que "sanada a contradição apontada, reconheça como efetivada a tradição do veículo em 20/03/2005, julgando improcedente o auto de infração". A suposta contradição apontada diz respeito à seguinte passagem do voto proferido por este Conselho quando do julgamento do Recurso Voluntário interposto: "Demais disso, a alegação da impugnante no sentido de que a tradição (entrega) do bem só ocorreu na oportunidade da atualização do registro no Detran, além de ferir o bom senso, (já que a praxe é a emissão do recibo de venda no mento da entrega do bem) não vem acompanhada de qualquer prova". Defende o contribuinte que haveria contradição no referido julgado, visto que o ônus da prova seria do Autor do auto de infração, a quem "incumbia provar a titularidade do alegado direito de crédito nele declinado, mediante demonstração de que o documento que acostara ao processo às fls. 8, era simulado, ou seja, que a transferência da propriedade do veículo, ou seja, sua tradição, não se dera por ocasião da protocolização do referido documento junto à repartição de trânsito, ou seja, em 20/3/2005". Alega, ainda que "não procede a presunção do r. acórdão (fls. 59), no sentido de que a tradição do veículo em litígio se dera com a assinatura do recibo de venda", pois tal presunção afrontaria o art. 1.267 do CC/2002, que dispõe que a alienação de bem móvel se opera com a tradição do respectivo bem e não com a celebração do negócio jurídico. Entendo que não há a contradição apontada pelo contribuinte. É o que se infere dos fundamentos da decisão recorrida, a seguir transcritos: Consta dos autos que o sujeito passivo teve deferido seu pedido de isenção de IPI na aquisição de veículo destinado ao uso na atividade de taxista em 01/03/2002 (fls. 04/06). De posse dessa autorização, adquiriu o veículo GM/ASTRA GL SEDAN 1.8L, em 19/03/2002, como fazem prova os documentos de fls. 13/14. Naquela época, encontravase em vigor a Instrução Normativa (IN) SRF nº 31, de 2000, que fundamentou o deferimento do pedido, cujo artigo 9º normatizava a questão ora litigada, verbis: Art. 9o A alienação de veículo adquirido com o benefício de que trata esta Instrução Normativa, efetuada antes de três anos da sua aquisição, dependerá de autorização da Secretaria da Receita Federal, que somente a concederá se comprovado que a transferência será feita para pessoa que satisfaça os requisitos estabelecidos neste ato, ou que foram cumpridas as obrigações a que se refere o inciso II do § 1o. (...) Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10907.000679/200508 Acórdão n.º 3301003.504 S3C3T1 Fl. 79 5 § 3o A alienação do veículo adquirido com isenção do IPI, sem prévia autorização da SRF, antes de transcorridos três anos da sua aquisição, ainda que efetuada a pessoa que satisfaça os requisitos necessários à fruição do benefício, implica a perda do direito à isenção. (...) E ao tempo da alienação do veículo de que trata o caso sub analisis, vigorava a Instrução Normativa (IN) SRF nº 353, de 2003, que continha os mesmos dispositivos normativos recém transcritos. Não há dúvidas na espécie de que a alienação do veículo tratado nos autos deuse por ocasião do preenchimento, pelo sujeito passivo, da Autorização para Transferência de Veículo (recibo de venda), ocorrida em 31/01/2005. A própria impugnante anexou ao recurso uma cópia desse documento (fl. 34), que já havia sido acostado aos autos pela autoridade fiscal (fl. 08). O fato de o Certificado de Registro de Veículo (CRV) ter sido emitido em nome do novo adquirente (fl. 35) apenas em 20/03/2005, ao contrário do alegado no recurso, não tem o condão de transferir a data de alienação do bem, a qual, como dito, ocorreu em 31/01/2005. A expedição do novo CRV é ato que se processa após a alienação, de responsabilidade do novo proprietário (o que pode não ocorrer, não obstante a alienação ter ocorrido), o qual inclusive tem prazo de 30 dias para tomar as providências de atualização cadastral junto ao Órgão de Trânsito (Detran), ex vi do disposto no art. 123, § 1º, da Lei nº 9.503, de 2007, que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro, verbis: Art. 123. Será obrigatória a expedição de novo Certificado de Registro de Veículo quando: I for transferida a propriedade; (...) § 1º No caso de transferência de propriedade, o prazo para o proprietário adotar as providências necessárias à efetivação da expedição do novo Certificado de Registro de Veículo é de trinta dias, sendo que nos demais casos as providências deverão ser imediatas. Demais disso, a alegação da impugnante no sentido de que a tradição (entrega) do bem só ocorreu na oportunidade da atualização do registro no Detran, além de ferir o bom senso (já que a praxe é a emissão do recibo de venda no momento da entrega do bem), não vem acompanhada de qualquer prova. E, como diz a hermenêutica jurídica, alegar e não provar é o mesmo que não provar. Como se vê, os argumentos apresentados pelo Relator da decisão embargada foram coerentes entre si, não apresentando qualquer contradição. Entendeu o CARF, naquela oportunidade, que o documento hábil para fins de comprovar a data da tradição do bem móvel em questão seria a data da Autorização para Transferência de Veículo (recibo de venda), ocorrida em 31/01/2005, documento este anexado aos autos tanto pela autoridade fiscal (fl. 08), quanto pela própria impugnante em seu recurso (fl. 34). Em outras palavras, ao contrário do que pretende fazer crer a embargante, entenderam os julgadores deste Conselho que a autoridade fiscal se desincumbiu do seu ônus de provar o direito à cobrança do crédito objeto do presente auto de infração, através da juntada do referido documento, e que o documento apresentado pelo contribuinte (Certificado de Registro de Veículo (CRV) emitido em nome do novo adquirente em 20/03/2005), em Fl. 81DF CARF MF 6 contrapartida, não possuiria o condão de "transferir a data de alienação do bem, a qual, como dito, ocorreu em 31/01/2005". Logo, temse que os embargos declaratórios opostos visam rediscutir o mérito da presente contenda, o que não deve ser admitido por meio desta via processual. Sendo assim, entendo que devem ser rejeitados os embargos declaratórios opostos. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900789/2012-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 14/07/2006
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.278
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AUTO POSTO IRMÃOS BATISTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/07/2006 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 07 89 /2 01 2- 30 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13227.900789/201230 Acórdão n.º 3301003.278 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 06048.584, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Por meio do Despacho Decisório, emitido pela DRF JiParaná, o pedido de restituição foi indeferido, uma vez que o crédito informado, correspondente ao pagamento de Data do Fato Gerador: 14/07/2006, já estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: é empresa dedicada ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins. Assim, por adquirir combustíveis para revenda com incidência monofásica de PIS e Cofins e promover a saída desses combustíveis à alíquota zero, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das contribuições (demais insumos e produtos/serviços, excluídas as aquisições de combustíveis) que lhe são autorizados conforme determinação do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Diz que refez a apuração do PIS e da Cofins do período, em face da não apropriação de créditos autorizados em lei, e apurou novos valores de débitos, todos demonstrados em Dacon retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os devido. Por fim, solicita a reforma da decisão, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e para que seja determinada a suspensão da exigência do crédito tributário, até que seja proferido despacho decisório definitivo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.268, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13227.900788/201295, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.268): Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13227.900789/201230 Acórdão n.º 3301003.278 S3C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário, de 13 de novembro de 2014, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0648.583, de 27 de agosto de 2014, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/07/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se manter o indeferimento do pedido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de créditos passíveis de aproveitamento no sistema da não cumulatividade. O presente processo diz respeito ao Despacho Decisório nº de rastreamento 031047802 (fl. 5), de 4 de setembro de 2012, que indeferiu o pedido do Contribuinte de restituição de pagamento de PIS/COFINS (PER nº 41619.73872.130508.1.2.04 3004) no valor de R$ 390,64 por alegada inexistência do referido crédito. Nas razões do Recurso Voluntário o Contribuinte aduz que o Acórdão ora recorrido e o Despacho Decisório não verificaram a origem dos créditos. Cito trecho do recurso em análise para elucidar o caso (fls. 35 e 36): Vale reprisar: a Recorrente refez sua apuração de Pis e Cofins no período em debate em face da não apropriação de créditos autorizados em lei e apurou novos valores de débitos destas contribuições, todo demonstrados em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os efetivamente devidos conforme demonstramos acima. Desta forma, o valor indevido (diferença entre o valor recolhido e o declarado na DCTF e o novo valor demonstrado em DACON) corresponde ao valor objeto de pedido de restituição ora debatido. O crédito utilizado por compensação na Dcomp não homologada pelo Acórdão em debate pode ser confirmado na Dacon retificadora do período em epígrafe, cujo recibo de entrega já integra os autos deste processo, na qual está demonstrada toda a apuração de créditos que resultou em saldo credor a favor da Recorrente. No entanto, de imediato verificase que a análise do pedido da Recorrente foi realizada parcialmente pela Receita Federal, já Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13227.900789/201230 Acórdão n.º 3301003.278 S3C3T1 Fl. 5 4 que aparentemente a Dacon retificadora apresentada não foi analisada. Apenas o Pedido de restituição foi analisado. Sendo assim, ao efetuar o cruzamento de informações entre DACON Retificadora x DCTF x Pedido de Restituição se verificará claramente que o valor ora requerido é exatamente o valor que foi recolhido indevidamente (conforme demonstrado na DACON) e que deve, portanto, ser restituído à Recorrente. De fato a Recorrente não retificou as DCTFs em relação a tais valores mas não o fez por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. Também não o fez por considerar que a DCTF é o documento no qual deve permanecer o pagamento do Darf efetivamente realizado, para que, quando comparado ao valor da contribuição apurada e demonstrada em DACON, a diferença corresponda ao crédito pleiteado. E, de fato, se houvesse ocorrido o cruzamento do Dacon com a DCTF facilmente se verificaria e se confirmaria o crédito da Recorrente. Assim, o crédito existe, foi efetivamente demonstrado e como tal deve ser reconhecido à Recorrente. O fato de ter incorrido em erro por não retificar a DCTF não pode ser motivo de glosa e não reconhecimento de um crédito que está devidamente demonstrado em Dacon, já que neste demonstrativo podese verificar o valor devido no período a título da contribuição em debate, e cujo valor a favor da Recorrente pode ser facilmente confirmado pela análise conjunta dos dados – Dacon x DCTF, do qual se confirmará que o valor pleiteado é apenas a diferença recolhida a maior e, que a Recorrente manteve na DCTF, justamente para que se confirme o pagamento a maior consta da base de dados da Receita Federal. O acórdão ora analisado indeferiu o pedido do Contribuinte por entender que o crédito pleiteado não existia, conforme se verifica no seguinte trecho do voto (fl. 26): Como já dito, o indeferimento do pedido deveuse porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da ciência do despacho decisório, o DARF informado como origem do crédito, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte que foi validamente declarado em DCTF. Na sequência dos fatos, a interessada diz que procedeu à retificação do Dacon (zerando o valor da contribuição devida ao PIS e à Cofins) e requer, por isso, o deferimento do seu pleito. Nesse contexto, devese observar que, ainda que tivessem sido retificados os valores declarados em DCTF, que, como é sabido, é o instrumento de confissão de dívida e de constituição definitiva do crédito tributário (art. 5.º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF), somente seria possível a admissão da retificação mediante a comprovação do erro em que se funde, justamente, porque visa a reduzir ou excluir tributo, como estabelecido pelo Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13227.900789/201230 Acórdão n.º 3301003.278 S3C3T1 Fl. 6 5 art. 147, § 1º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. O Dacon, por sua vez, tem o objetivo de refletir os controles feitos pelo sujeito passivo de todas as suas operações capazes de influenciar a apuração das contribuições devidas a título de PIS e Cofins, bem como dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos; mas, apresentado isoladamente, não tem o peso necessário para retificar informações declaradas tempestivamente em DCTF. (grifouse) Cabe salientar que para o ressarcimento e ou compensação tributária exigese do contribuinte a demonstração da liquidez e certeza do crédito pleiteado como dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifou se). Neste sentido foi a conclusão do voto do ora recorrido acórdão que assim expôs (fl. 27): Nesse contexto, cabe enfatizar que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição dos interessados, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas, de acordo com a legislação pertinente, e autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (grifou se). Percebese no presente processo que o Contribuinte não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior. Neste sentido, constase que o Contribuinte trouxe, por meio do Recurso Voluntário, os mesmos argumentos trazidos já na fase da Manifestação de inconformidade, com a inclusão de alguns novos argumentos, mas sem apresentar provas que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Sendo assim, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, mantendo o entendimento do Acórdão ora analisado. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, no presente processo o Contribuinte, da mesma forma que no caso do paradigma, não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior, que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13227.900789/201230 Acórdão n.º 3301003.278 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912631/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 13/01/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. PAGAMENTO INTEGRAL.
Realizado o pagamento do débito discutido no processo administrativo, carece o Recorrente de interesse processual no prosseguimento do feito, devendo o recurso não ser conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire- Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente em exercício), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra., Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 13/01/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. PAGAMENTO INTEGRAL. Realizado o pagamento do débito discutido no processo administrativo, carece o Recorrente de interesse processual no prosseguimento do feito, devendo o recurso não ser conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1396; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.912631/200961 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.292 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2017 Matéria PIS Recorrente ARCELORMITTAL BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/01/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. PAGAMENTO INTEGRAL. Realizado o pagamento do débito discutido no processo administrativo, carece o Recorrente de interesse processual no prosseguimento do feito, devendo o recurso não ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente em exercício), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra., Pedro Sousa Bispo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 26 31 /2 00 9- 61 Fl. 156DF CARF MF 2 Tratase de processo administrativo decorrente de despacho decisório que deixou de homologar compensação de PIS efetuada pelo contribuinte através do PER/DCOMP nº 31663.53852.150206.1.3.040310, pela inexistência do crédito utilizado na compensação pretendida. O Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ, apresentando em seguida Recurso Voluntário no qual repisa as razões de seu pleito. No CARF, a turma responsável pelo julgamento entendeu por bem converter o julgamento em diligência para que se analisassem documentos trazidos aos autos pela Recorrente, bem como para manifestação acerca da diligência e apresentação de documentos e esclarecimentos complementares. Em atendimento à referida intimação, o contribuinte apresentou os documentos de fls. 139145, alegando que “a Empresa não conseguiu fazer a contabilização requerida, motivo pelo qual, na oportunidade, optou pelo pagamento da integralidade do crédito tributário, conforme se infere da guia de pagamento anexa (doc. 01)”. Pugnou, ainda, “pela baixa do presente processo administrativo e a conseqüente extinção do respectivo crédito exigido pelo pagamento (art. 156, I do CTN), com a baixa e arquivamento dos processos de débito e crédito vinculados à obrigação aqui exigida”, uma vez que considera ter demonstrado a plena quitação do débito pleiteado no presente PTA. Assim sendo, o auditor fiscal responsável pelo cumprimento da diligência informou o seguinte: Informamos que o pagamento acima citado, “doc. 01”, no valor original de R$ 10.182,85 e valor total de R$ 21.874,79, foi efetivamente recolhido em 22/04/2015, sendo que o respectivo processo de cobrança, de nº 10680.914132/200917, encontrase “encerrado” por extinçãopagamento, conforme comprovam as telas do sistema SIEF de fl. 146. O presentes autos foram a mim distribuídos para relatório e voto. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Verificase nos autos que o débito foi integralmente pago, conforme informação fiscal apresentada após o cumprimento da diligência: o pagamento acima citado, “doc. 01”, no valor original de R$ 10.182,85 e valor total de R$ 21.874,79, foi efetivamente recolhido em 22/04/2015, sendo que o respectivo processo de cobrança, de nº 10680.914132/200917, encontrase “encerrado” por extinçãopagamento, conforme comprovam as telas do sistema SIEF de fl. 146. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10680.912631/200961 Acórdão n.º 3402004.292 S3C4T2 Fl. 3 3 Desse modo, carece à Recorrente interesse processual para o prosseguimento do feito, razão pela qual o Recurso Voluntário não deve ser conhecido. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 158DF CARF MF
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