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Numero do processo: 16327.002321/99-82
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
PERC. ÔNUS DA PROVA DA IRREGULARIDADE FISCAL
Nos termos do Código de Processo Civil, o ônus da prova incumbe, primeiramente, ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito, sendo ilegal a exigência de que, antes que o autor se desincumba desse ônus, o réu demonstre a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.
A Súmula CARF nº 37, de observância obrigatória pelos julgadores deste Tribunal, determina que a exigência de comprovação de regularidade fiscal para fins de deferimento do PERC, recaia sobre o período a que se refere a DIPJ na qual se deu a opção pelo incentivo, não se admitindo que se exija que o contribuinte demonstre a regularidade de débitos que vierem a ser exigidos posteriormente a esse período.
Numero da decisão: 9101-002.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o relator, que lhe deu provimento.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal De Araujo, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996 PERC. ÔNUS DA PROVA DA IRREGULARIDADE FISCAL Nos termos do Código de Processo Civil, o ônus da prova incumbe, primeiramente, ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito, sendo ilegal a exigência de que, antes que o autor se desincumba desse ônus, o réu demonstre a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A Súmula CARF nº 37, de observância obrigatória pelos julgadores deste Tribunal, determina que a exigência de comprovação de regularidade fiscal para fins de deferimento do PERC, recaia sobre o período a que se refere a DIPJ na qual se deu a opção pelo incentivo, não se admitindo que se exija que o contribuinte demonstre a regularidade de débitos que vierem a ser exigidos posteriormente a esse período.
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CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 PERC. ÔNUS DA PROVA DA IRREGULARIDADE FISCAL Nos termos do Código de Processo Civil, o ônus da prova incumbe, primeiramente, ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito, sendo ilegal a exigência de que, antes que o autor se desincumba desse ônus, o réu demonstre a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A Súmula CARF nº 37, de observância obrigatória pelos julgadores deste Tribunal, determina que a exigência de comprovação de regularidade fiscal para fins de deferimento do PERC, recaia sobre o período a que se refere a DIPJ na qual se deu a opção pelo incentivo, não se admitindo que se exija que o contribuinte demonstre a regularidade de débitos que vierem a ser exigidos posteriormente a esse período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o relator, que lhe deu provimento. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 23 21 /9 9- 82 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16327.002321/9982 Acórdão n.º 9101002.460 CSRFT1 Fl. 299 2 Rafael Vidal De Araujo Relator. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal De Araujo, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu). Relatório A Contribuinte acima identificada formalizou em 20.09.1999, fl. 01, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) no valor de R$ 5.689,16 destinado ao Fundo de Investimentos da Amazônia (FINAM) correspondente à aplicação do percentual de 24% (vinte e quatro por cento) do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado com base no lucro real constante na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) entregue em 28.04.1997 relativamente ao anocalendário de 1996, fls. 0824. Consta no Extrato de Aplicações em Incentivos Fiscais, fl. 04: OCORRÊNCIAS: 11 CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS (LEI 9069/95. ART. 60). 13 CONTRIBUINTE COM PROCESSO FISCAL EM FASE DE COBRANÇA FINAL. Na Informação Fiscal da DEINF/São Paulo/SP, fl. 56, consta: O sistema não emitiu o incentivo, em função do contribuinte possuir débitos de tributos e contribuições federais. O contribuinte apresentou Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, em 29/09/99. O pedido é tempestivo, uma vez que o PERC poderia ser protocolizado até 30/09/99. O contribuinte apresenta sua situação cadastral junto ao CNPJ na condição de cancelada e pertence a esta jurisdição em função da atividade empresarial do incorporador. No caso em questão se discute o fato do contribuinte à época não atender os requisitos do art. 60, da Lei 9.069/95: [...] A situação geral dos contribuintes oscila entre o regular e o não regular ao longo do tempo, de forma que analisaremos a situação fiscal do contribuinte no presente momento, para fins de revisão da ordem de emissão dos incentivos fiscais. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16327.002321/9982 Acórdão n.º 9101002.460 CSRFT1 Fl. 300 3 Em consulta ao SINCOR, verificamos a existência de débitos com exigibilidade junto ao PROFISC e junto ao SIEF e junto à Procuradoria da Fazenda Nacional: 16327500084/200557 INSCRIÇÃO 8020502973305 EM 03/02/2005 RECEITA 3560 ATIVA AJUIZADA AJUIZAMENTO 14/03/2005 16327500085/200500 INSCRIÇÃO 80 6 05 04123103 EM 03/02/2005 RECEITA 5978 ATIVA NÃO AJUIZÁVEL EM RAZÃO DO VALOR Foram detectadas restrições que impedem a emissão de certidão pela via eletrônica. Dirijase à unidade da PGFN de seu domicílio. Em consulta à Previdência social não pudemos confirmar a existência de débitos e junto a Caixa Econômica Federal o contribuinte se encontra regular. Diante do exposto, concluise que, nesta data, o contribuinte permanece com as restrições impostas pelo artigo 60, da Lei 9.069/95, em função de débitos existentes junto a Procuradoria da Fazenda Nacional e SRF, o que impede a revisão pleiteada. Tendo em vista o disposto no art. 140, inciso IX, da Portaria MF 30, de 25/02/2005, proponho à DIORT/DEINF/SP o indeferimento do pedido de revisão do interessado. Tendo em vista a apresentação regular da manifestação de inconformidade foi proferido o Acórdão da 10ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 169.633, de 15.05.2006, fls. 151 155, em cuja parte dispositiva consta: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica 1RPJ Anocalendário: 1996 Ementa: INCENTIVO FISCAL. FINAM. REQUISITOS. A não comprovação de quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. [...] ACORDAM os membros da 10ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação da contribuinte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Notificada, a Contribuinte apresentou o recurso voluntário nos termos normativos e assim foi exarado o Acórdão nº 130200.096, de 03.11.2009, fls. 188190, em cujas ementa e excerto do voto condutor constam: PERC. VERIFICAÇÃO DA SITUAÇÃO FISCAL DA REQUERENTE. DIREITO AO CONTRADITÓRIO. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16327.002321/9982 Acórdão n.º 9101002.460 CSRFT1 Fl. 301 4 O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), por não representar pedido de concessão ou reconhecimento de incentivo ou benefício fiscal, mas tão somente pedido de revisão de decisão administrativa, não se subsume à norma trazida como fundamento para verificação da situação fiscal do requerente (art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995), devendo, em razão disso, ser objeto de apreciação por parte da autoridade administrativa competente. A não apreciação do pedido implicaria cerceamento do direito ao contraditório. [...] Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para que seja analisado o pedido de revisão, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), alegando divergência jurisprudencial em relação a decisão do CARF que determinou o exame do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC). A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outro processo, especificamente quanto aos efeitos de declaração retificadora fora do exercício de competência e com alteração dos valores de incentivos fiscais suscitando: I BREVE RELATO Insurgese a União (Fazenda Nacional) contra o r. acórdão proferido pela e. Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF, que deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, para deferir o exame do "Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC". O recorrido Credit Agricole Brasil S.A DTVM fez a opção pela utilização dos incentivos fiscais mediante a declaração de rendimentos (DIPJ/1997), na qual destinou parte do imposto de renda recolhido para aplicação no FINAM. Entretanto, a fiscalização, em cumprimento ao disposto no art. 60 da Lei 9.069/95, apurou que o recorrido possuía pendências fiscais e, por conseqüência, indeferiu seu pedido. Sobreveio manifestação de inconformidade do contribuinte, que não foi acolhida pela DPJ São Paulo. Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, que foi provido pela 2ª Turma Ordinária da 3 a Câmara da I a Seção do CARF. Com toda vênia, o acórdão ora recorrido não reflete a melhor solução para o caso em apreço. É o que se demonstrará em breves linhas. II DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL [...] A Terceira e Primeira Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes analisaram casos semelhantes ao que ora se debate (acórdãos 10321.478 e 101 96.515, respectivamente, cujas ementas seguem anexas). Tratavase, igualmente, de recurso voluntário contra a decisão de primeira instância que indeferiu o PERC em face do disposto no art. 60 da Lei 9.069/95. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 16327.002321/9982 Acórdão n.º 9101002.460 CSRFT1 Fl. 302 5 A Terceira Câmara, em sede de PERC, firmou entendimento de que cabe ao contribuinte demonstrar sua regularidade fiscal para que possa usufruir de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativo a tributos ou contribuições administrados pela SRF. Confirase a ementa do acórdão paradigma, em anexo: "Acórdão 10321.478 INCENTIVOS FISCAIS. A concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada a comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." No mesmo sentido, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, de igual modo no âmbito do PERC, reafirmou que cabe ao interessado comprovar a quitação dos tributos e contribuições federais para que possa ser contemplado com o benefício. Vejamos: "Acórdão 10196.515 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 INCENTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. Prevalece o indeferimento do PERC, quando o contribuinte não comprova sua regularidade fiscal junto à Procuradoria da Fazenda Nacional. PERC MOMENTO DE COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE. O momento em que deve ser comprovada a regularidade fiscal, pelo sujeito passivo, com vistas ao gozo do benefício fiscal é a data da apresentação da DIRPJ, na qual foi manifestada a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes. Recurso voluntário negado." Como se pode ver, as decisões analisaram situações em que os fatos são idênticos. E também está clara a divergência na interpretação do art. 60 da Lei 9.069/95. O e. colegiado a quo entendeu que, em sede de PERC, por se tratar de pedido de revisão, não cabe o contribuinte fazer qualquer prova de sua regularidade fiscal à época de sua opção pelo incentivo fiscal, não se aplicando o disposto no art. 60 da Lei n° 9069/95 à hipótese. Por outro lado, a 1ª e 3ª Câmaras do 1º Conselho, ao analisarem feitos que também tratam de pedido de revisão de incentivo, não reconhecem o direito ao incentivo fiscal quando O CONTRIBUINTE, como interessado que é, deixa de demonstrar sua regularidade e quitação de tributos federais, na data da opção na declaração de renda. Portanto, feito o cotejo entre os julgados em confronto, constatase claramente, a existência de divergência entre o colegiado a quo e a Primeira e Terceira Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, divergência essa que se reporta menos à questão do benefício em si, que ao ônus da prova estabelecido por expressa disposição legal. Assim, estando demonstrada a divergência jurisprudencial sobre o tema, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do recurso especial, consoante o disposto no art. 67, do RICARF. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 16327.002321/9982 Acórdão n.º 9101002.460 CSRFT1 Fl. 303 6 III DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO ACÓRDÃO O colegiado a quo decidiu dar provimento ao recurso voluntário sob o argumento que em sede de PERC, não se exige do contribuinte a comprovação de sua regularidade fiscal para fins de gozo de incentivo fiscal. Com toda vênia, permitimonos discordar do entendimento consubstanciado no r. acórdão recorrido, pois, em qualquer momento do processo administrativo, cabe ao contribuinte, enquanto interessado, comprovar sua regularidade fiscal para, somente assim, fazer jus ao incentivo. O artigo 60, da Lei 9065/95 é absolutamente claro nesse sentido: [...] Como se vê, para usufruir qualquer beneficio fiscal, o sujeito passivo deve comprovar a quitação dos tributos e contribuições federais, conforme texto cristalino da lei, sem qualquer ressalva ao momento da prova. Sem cumprir tal condição, resta evidente à existência de óbice à pretensão do contribuinte, a quem é imposto o ônus probatório por força legal. O ônus da prova não consiste no dever de provar um fato, mas sim no encargo (na responsabilidade) que recai sobre a parte pela falta da prova que lhe competia produzir. [...] O ônus da prova tem duas funções primordiais. Primeiro, estimular as partes a provar as alegações que fizerem. Segundo, auxiliar a autoridade que ainda permanecer em estado de dúvida (possivelmente em razão da deficiência de provas nos autos), oferecendolhe um critério de julgamento capaz de evitar o "non liquet". Deparandose com a incerteza, plenamente possível no sistema do livre convencimento motivado, a autoridade julgadora deve socorrerse das regras de distribuição do ônus da prova, onerando aquela parte que carregava o encargo da prova, e que não produziu a prova necessária a corroborar suas alegações. Tais regras resolvem a controvérsia nos casos de produção probatória insuficiente, guiando a autoridade julgadora a decidir em desfavor daquele a quem incumbia o ônus da prova, e não o cumpriu satisfatoriamente. Ao se analisar os documentos constantes dos autos, percebese que o Recorrido não se desincumbiu de sua obrigação de comprovar sua regularidade fiscal, à época da opção pelo benefício. Havia pendências que não foram sanadas. O mesmo aconteceu na época em que foi proferida a r. decisão de primeira instância. Ora, se não há prova da regularidade fiscal do contribuinte quando de sua opção manifestada em DIPJ, prova essa que caberia ao contribuinte apresentar, conforme expressa disposição legal, tornase impossível acolher o seu pleito. É evidente que, para se obter um incentivo fiscal, o contribuinte deve ter atender a todas condições legais para este lhe ser concedido. O art. 60 da Lei 9.069/95, que dispõe acerca do benefício em exame, estabelece como condição essencial para o seu gozo, a comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Calha ressaltar que a regularidade fiscal é dever de todos, tendo em vista natureza jurídica de prestação pecuniária compulsória e obrigatória dos tributos. Para o gozo de benefício fiscal, um favor legal, exigese do contribuinte o animus da adimplência, a ser verificada, no momento em que declara ao Fisco a opção pelo incentivo fiscal e mantida durante todo o período em que se goza do incentivo fiscal. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 16327.002321/9982 Acórdão n.º 9101002.460 CSRFT1 Fl. 304 7 Enfim, uma vez não demonstrada pelo interessado, a quitação dos tributos e contribuições federais quando de sua opção pelo incentivo fiscal, e, diante da ausência de elementos outros de prova que certifiquem sua regularidade, tornase inviável o acolhimento da pretensão deduzida. Aliás, conforme entendimento sumulado no enunciado n° 37 do CARF, para fins de deferimento do PERC, o contribuinte deve demonstrar sua regularidade fiscal à época da opção pelo incentivo fiscal, admitindose a prova a qualquer tempo. Concluise, portanto, que o interessado deve provar a quitação dos tributos federais também em sede de PERC como condição pra fruição de benefício fiscal, aceitandose a comprovação em qualquer momento. Contudo, se em nenhum momento comprova a regularidade exigida pela lei, o sujeito passivo não pode ser contemplado com o incentivo fiscal pretendido. IV CONCLUSÃO Face ao exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso especial, para reformar o r. acórdão recorrido, determinando o indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais PERC. No Despacho de Exame de Admissibilidade de 15.03.2011, fls. 208209, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial da PGFN, reconhecendo a divergência em relação à matéria matéria, nos seguintes termos: Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em relação ao acórdão 130200.096 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF em 03/11/2009. A decisão recorrida foi ementada conforme abaixo transcrito: [...] A recorrente afirma demonstrar a divergência exigida para admissão do recurso especial através dos acórdãos abaixo ementados: "Acórdão 10196.515 [...] Pela simples leitura das ementas já é possível verificar a divergência na interpretação da legislação de regência, pois a decisão paradigma deixa claro a necessidade de comprovação da regularidade fiscal para efeitos de deferimento do PERC. Demonstrada a divergência, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial. Em 27.05.2011 (sextafeira), fl. 210, a Contribuinte foi intimada do Despacho de Exame de Admissibilidade e em 08.03.2013 apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso especial da PGFN, efls. 321330, com os argumentos descritos a seguir: I FATOS O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão Incentivo Fiscal PERC apresentado pela Recorrida foi indeferido em razão de sua suposta situação cadastral irregular perante a Fazenda Pública. Segundo a autoridade julgadora, a Recorrida não teria atendido os requisitos do art. 60 da Lei n° 9.069/95 e do artigo 6º da Lei n.° 10.522/02. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 16327.002321/9982 Acórdão n.º 9101002.460 CSRFT1 Fl. 305 8 Face à decisão proferida, a Recorrida apresentou Manifestação de Inconformidade. Porém, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento indeferiu a solicitação, mantendo a decisão anterior, sob a alegação de que o Recorrido não comprovou sua regularidade fiscal. A decisão desfavorável ensejou a interposição de Recurso Voluntário ao antigo Conselho de Contribuintes. Após os trâmites do processo administrativo, sobreveio acórdão que deu provimento ao recurso interposto pela Recorrida para que o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC seja apreciado pela autoridade administrativa competente. Citese a ementa do Acórdão n° 130200.096, proferido pela Segunda Turma Ordinária da 3o Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: "PERC. VERIFICAÇÃO DA SITUAÇÃO FISCAL DA REQUERENTE. DIREITO AO CONTRADITÓRIO. O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), por não representar pedido de concessão ou reconhecimento de incentivo ou beneficio fiscal, mas tão somente pedido de revisão de decisão administrativa, não se subsume à norma trazida como fundamento para verificação da situação fiscal do requerente (art. 60 da Lei n.° 9.069, de 1995), devendo, em razão disso, ser objeto de apreciação por parte da autoridade administrativa competente. A não apreciação do pedido implicaria cerceamento do direito ao contraditório. Recurso Voluntário Provido. "A Fazenda Nacional, inconformada, apresentou Recurso Especial, ao argumento de que o acórdão proferido neste processo diverge do Acórdão n.° 10196515 proferido pela 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. Todavia, as alegações apresentadas no recurso especial não merecem prosperar, conforme se demonstrará. II DO DIREITO A Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta, com base na divergência apresentada, que a não comprovação de quitação de tributos e contribuições federais, pelo Recorrente, impede o deferimento do PERC. No entanto, o acórdão do CARF proferido nestes autos conclui que referido pedido de revisão de incentivos fiscais (PERC) não representa pedido de concessão ou reconhecimento de incentivos fiscais, mas, sim, meio para que o contribuinte, exercendo o direito ao contraditório, ofereça contrarrazões as eventuais modificações promovidas em sua opção. Todavia, como pode o Recorrido exercer plenamente seu direito ao contraditório se na data da entrega da DIPJ, relativa ao exercício de 1997, a Autoridade Fiscal não logrou êxito comprovar sua irregularidade fiscal? Assim, tendo em vista que nos autos não consta a prova de irregularidade fiscal da Recorrida na data do exercício do direito à opção pelo incentivo fiscal e que aludido pedido de revisão (PERC) não se amolda à exigência do artigo 60 da Lei n.° 9.069/95, foi dado provimento ao Recurso Voluntário. Nesse particular, cumpre salientar que o ônus dessa comprovação é da fiscalização, que detém o conhecimento da situação fiscal do contribuinte em todas Fl. 305DF CARF MF Processo nº 16327.002321/9982 Acórdão n.º 9101002.460 CSRFT1 Fl. 306 9 as fases do processo, não sendo razoável condicionar o exercício de um direito do contribuinte à produção de prova cujo teor é do conhecimento da União. Nesse passo, resta evidente que não merece reparo o acórdão recorrido, devendo ser integralmente mantido, já que não há, nos autos, prova de irregularidade fiscal da Recorrida na data da entrega da D1PJ. Além disso, ficou demonstrado no decorrer dos presentes autos que os débitos apontados pela Procuradoria da Fazenda e pela Secretaria da Receita Federal como impeditivos da concessão do benefício fiscal estavam com a exigibilidade suspensa. Desta forma, deve ser afastada a alegação da Procuradoria de que a Recorrida não encontravase em situação regular quando da opção pelo benefício, uma vez que tal situação sequer foi comprovada (inversão do ônus da prova). Assim, caso o Fisco entendesse que a Recorrida estava em situação de irregularidade fiscal na data da opção pelo incentivo, deveria ter documentado com clareza a natureza de tais débitos para permitir ao interessado o pleno exercício de defesa. In casu, como o Fisco não demonstrou a existência de débitos da Recorrida no momento da opção pelo benefício, não há que se falar no indeferimento do PERC. Até porque, não há como ter certeza de que as irregularidades que geraram o indeferimento existiam no momento da entrega da Declaração de Rendimentos correspondente ao ano calendário de 1997. Por essa razão é que a decisão recorrida, com o devido acerto, entendeu que não é razoável não admitir o PERC com base na alegação de surgimento de débito superveniente ao exercício da opção. O E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se manifestou sobre o assunto, seguindo o mesmo entendimento adotado no presente acórdão: "INCENTIVOS FISCAIS "PERC" COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A comprovação da regularidade fisco deve se reportar à data da opção do beneficio, pelo contribuinte com entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade fiscal em qualquer fase do processo ou não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo benefício, deve ser deferida a apreciação do Pedido de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. (...) a falta de definição legal acerca do momento em que a regularidade fiscal deve ser comprovada, torna possível (ao contribuinte) de que essa comprovação se faça em qualquer fase do processo." (Acórdão 1950.082, 5ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes ). "INCENTIVOS FISCAIS "PERC" COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar à data da opção pelo beneficio, pelo contribuinte, com a entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade fiscal ou não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo benefício, deve ser deferida a apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais PERC. " (Acórdão 1950.079, 5ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes). Dessa forma, considerando que a Recorrente não fez prova da irregularidade fiscal da Recorrida no momento da opção pelo benefício, requerse a manutenção do acórdão recorrido e o conseqüente reconhecimento do direito ao incentivo fiscal. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 16327.002321/9982 Acórdão n.º 9101002.460 CSRFT1 Fl. 307 10 III DO PEDIDO Diante do exposto, requer o não provimento do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional pelas razões esposadas. É o Relatório. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 16327.002321/9982 Acórdão n.º 9101002.460 CSRFT1 Fl. 308 11 Voto Vencido Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O recurso especial apresentado pela PGFN atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Assim, dele tomo conhecimento. A PGFN aduz que "a 1ª e 3ª Câmaras do 1º Conselho, ao analisarem feitos que também tratam de pedido de revisão de incentivo, não reconhecem o direito ao incentivo fiscal quando O CONTRIBUINTE, como interessado que é, deixa de demonstrar sua regularidade e quitação de tributos federais, na data da opção na declaração de renda [...] pois, em qualquer momento do processo administrativo, cabe ao contribuinte, enquanto interessado, comprovar sua regularidade fiscal para, somente assim, fazer jus ao incentivo." Vale esclarecer que houve a apresentação em 31.07.1996 da DIPJ do ano calendário de 1996, fls. 0824, com o valor R$ 5.689,16 destinado ao FINAM correspondente à aplicação do percentual de 24% do IRPJ apurado com base no lucro real. Ocorre que o Contribuinte tem débitos junto a Procuradoria da Fazenda Nacional e SRF o que impede o deferimento do PERC, tendo em vista o art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, fls. 04 e 56. À época a questão estava disciplinada pelo Regulamento para a Cobrança e Fiscalização do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza aprovado pelo Decreto nº 1.041, de 11 de janeiro de 1994, com a orientação indicada: Art. 601. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido, nos termos do disposto neste capítulo, em incentivos fiscais especificados nos arts. 619, 621 e 623 (DecretoLei n° 1.376/74, art. 1°). Art. 602. O valor dos impostos recolhidos na forma dos arts. 422, 678, 683, 687, 688, 697, 700, 703, 704, 709, 713, 718 e 818, mantidas as demais disposições sobre a matéria, integrará o cálculo dos incentivos fiscais destinados ao Finor, Finam e Funres (Lei n° 8.541/92, art. 11). Art. 603. Os incentivos a que se refere este capítulo não se aplicam aos impostos devidos por lançamento de ofício ou suplementar (Lei n° 4.239/63, art. 18, 5°, a, e DecretoLei n° 756/69, art. 1°, § 6°). Art. 604. As deduções do imposto feitas em conformidade com este capítulo serão aplicadas, conforme o caso, no Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor), no Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam) e no Fundo de Recuperação Econômica Fl. 308DF CARF MF Processo nº 16327.002321/9982 Acórdão n.º 9101002.460 CSRFT1 Fl. 309 12 do Estado do Espírito Santo (Funres) (DecretosLeis n°s 880/69, art. 1°, 1.376/74, arts. 2° e 3°, 2.304/86, art. 1°, e 2.397/87, art. 12, II, e Lei n° 7.714/88, art. 1°, I e II). Art. 605. O Finor será administrado e operado pelo Banco do Nordeste do Brasil S.A. (BNB), sob a supervisão da Sudene (DecretoLei n° 1.376/74, arts. 2° e 5°). Art. 606. O Finam será administrado e operado pelo Banco da Amazônia S.A. (Basa), sob a supervisão da Sudam (DecretoLei n° 1.376/74, arts. 2° e 6°). Art. 607. O Funres será administrado e disciplinado pelo Grupo Executivo para a Recuperação Econômica do Estado do Espírito Santo (Geres) (DecretoLei n° 880/69, art. 7°). [...] Art. 610. A opção pelos investimentos e respectivo percentual de aplicação será indicada na declaração de rendimentos da pessoa jurídica (DecretoLei n° 1.376/74, art. 11). Art. 611. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real mensal que optar pela dedução prevista nos arts. 619, 621 e 623 recolherá nas agências bancárias arrecadadoras de tributos federais, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) com código específico e indicação do Fundo de Investimento beneficiário, o valor correspondente a cada parcela ou ao total do desconto, observado o disposto nos parágrafos do art. 904 (Lei n° 8.167/91, art. 3°). Art. 612. Até 31 de dezembro de 1999, das quantias correspondentes às opções para aplicação, nos termos deste capítulo, no Finor (art. 619) e no Finam (art. 621), serão deduzidos proporcionalmente às diversas destinações dos incentivos fiscais na declaração de rendimentos: I 24%, que serão creditados diretamente em conta do Programa de Integração Nacional (PIN), para financiar o plano de obras de infraestrutura nas áreas de atuação da Sudene e da Sudam e promover sua mais rápida integração à economia nacional (DecretosLeis n°s 1.106/70, arts. 1° e 5°, e 2.397/87, art. 13, parágrafo único, e Lei n° 8.167/91, art. 2°); II dezesseis por cento, que serão creditados diretamente em conta do Programa de Redistribuição de Terras e de Estímulo à AgroIndústria do Norte e do Nordeste (Proterra), com o objetivo de promover o mais fácil acesso do homem à terra, criar melhores condições de emprego de mãodeobra e fomentar a agroindústria nas áreas de atuação da Sudene e da Sudam (DecretosLeis n°s 1.179/71, arts. 1° e 6°, e 2.397/87, art. 13, parágrafo único, e Lei n° 8.167/91, art. 2°). Art. 613. A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, encaminhará, para cada anocalendário, aos fundos referidos no art. 604, registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos, Fl. 309DF CARF MF Processo nº 16327.002321/9982 Acórdão n.º 9101002.460 CSRFT1 Fl. 310 13 em favor das pessoas jurídicas optantes (DecretosLeis n°s 1.376/74, art. 15, e 1.752/79, art. 1°). § 1° As ordens de emissão de que trata este artigo terão seus valores calculados, exclusivamente, com base nas parcelas do imposto recolhidas dentro do exercício financeiro e os certificados emitidos corresponderão a quotas dos Fundos de Investimento (DecretosLeis n°s 1.376/74, art. 15, § 1°, e 1.752/79, art. 1°). § 2° As quotas previstas no parágrafo anterior serão nominativas, poderão ser negociadas por seu titular, ou por mandatário especial, e terão sua cotação realizada diariamente pelos bancos operadores (DecretosLeis n°s 1,376/74, art. 15, § 2°, e 1.752/79, art. 1°, e Lei n° 8.021/90, art. 2°). § 3º As quotas dos fundos de investimento terão validade para fins de caução junto aos órgãos públicos federais, da administração direta ou indireta, pela cotação diária referida no § 2° (DecretosLeis n°s 1.376/74, art. 15, 4°, e 1.752/79, art. 1°). § 4° Reverterão para os Fundos de Investimento os valores das ordens de emissão cujos títulos pertinentes não forem procurados pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do terceiro ano subseqüente ao anocalendário a que corresponder a opção (DecretosLeis n°s 1.376/74, art. 15, § 5°, e 1.752/79, art. 1°). § 5° A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, expedirá, em cada anocalendário, à pessoa jurídica optante, extrato de conta corrente contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação nos Fundos de Investimento (DecretoLei n° 1.752/79, art. 3°). Nesse sentido, a pessoa jurídica pode optar pela aplicação de até 24% do IRPJ devido no Fundo de Investimentos da Amazônia (FINAM), mediante indicação em sua declaração de rendimentos. O exercício da opção para aplicação em incentivos fiscais deve constar na declaração, mediante a indicação do fundo em que pretende investir e do respectivo percentual. a RFB, por sua vez, com base nas opções exercidas pelos contribuintes, e no controle dos recolhimentos, deve encaminhar, para cada anocalendário, aos mencionados fundos, registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos, em favor das pessoas jurídicas optantes, bem como deve expedir, em cada anocalendário, à pessoa jurídica optante, extrato de conta corrente contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação nos Fundos de Investimento. Por seu turno, a Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, veio fixar a condição para fruição do benefício: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 16327.002321/9982 Acórdão n.º 9101002.460 CSRFT1 Fl. 311 14 O enunciado da Súmula CARF nº 37, de 08.12.2009, assim dispõe: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. O pressuposto é de que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), fica condicionada à comprovação pela Recorrente da regularidade tributária. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação desta regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica (DIPJ) na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo. Assim, até esgotada a discussão administrativa, o que no presente caso ainda não aconteceu, a Recorrente pode demonstrar a sua regularidade fiscal, para fins de fruição do incentivo fiscal1. Ressaltese que as decisões reiteradas e uniformes do CARF que estão consubstanciadas em súmula são de observância obrigatória pelos membros do CARF ainda que tenha sido aprovada posteriormente à interposição do recurso especial. O momento em que a regularidade fiscal deve ser comprovada é a época atinente à data da entrega da declaração. Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade, há que se admitir também novos momentos para a Contribuinte, a quem recai o ônus da prova, comprovar o preenchimento do requisito legal. Ressaltese que não se desincumbe a Contribuinte, no curso do processo de revisão de benefícios fiscais, de comprovar sua regularidade, sob pena de o PERC ser indeferido. Assim, via de regra, cabe o entendimento de que a exigência da prova da quitação deveria ser a do momento da opção. Porém, não foram produzidas nos autos as provas da regularidade fiscal relativa à data da recepção da DIPJ. Além disso, inferese da análise dos julgados que subsidiaram o enunciado da Súmula nº 37 da mesma forma em que se admite a verificação dessa regularidade a posteriori, devese admitir a prova da quitação em momentos posteriores. Assim, com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos considerase implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeitos de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. Ademais, o Código de Processo Civil (CPC) determina que não dependem de prova os fatos notórios, afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária, admitidos, no processo, como incontroversos e em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade2. Ocorre que a Contribuinte, a quem recai o ônus da prova, no curso do processo não apresenta os documentos hábeis a comprovar sua regularidade fiscal não atende a condição de procedibilidade do deferimento do PERC. Sendo cediço que este procedimento não comporta discussões acerca da situação de regularidade fiscal, é obrigatório que a Contribuinte trouxesse aos autos certidão de regularidade, o que não fez. 1 Fundamentação Legal: art. 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995 e Súmula CARF nº 37. 2 Fundamentação Legal: art. 37 caput da Constituição Federal e art. 374 do Código de Processo Civil. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16327.002321/9982 Acórdão n.º 9101002.460 CSRFT1 Fl. 312 15 Ainda nesse sentido vale transcrever excerto do seguinte julgado: Acórdão CSRF nº 9101002.362, de 08.06.2016: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1992 APLICAÇÕES FINAM. INDEFERIMENTO. REQUISITOS EXIGIDOS. O deferimento dos valores aplicados pelo contribuinte no FINAM exige comprovação de regularidade da situação fiscal do optante à época da manifestação da opção. [...] Assim, soa evidente que a exigência trazida pelo artigo 60, da Lei nº 9.069/1996, de que “a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais” aplicase não somente após a sua vigência, mas, corretamente, atinge quaisquer situações em que o Poder Público – digase, a sociedade, em última análise – abre mão, em favor de terceiros, de recursos que receberia e posteriormente reverteriam em benefícios, serviços e bens a esta mesma sociedade. De fato, é simplesmente inimaginável pensar que um contribuinte, inadimplente junto ao Tesouro Nacional, possa receber deste mesmo Tesouro, sem quitar seus débitos, MAIS um beneplácito, no caso, subtraindo uma parcela do imposto que deveria recolher e aplicála em fundos de investimentos beneficiados com incentivos fiscais. Neste trilho, certo que a norma trazida pelo artigo 60 nada mais fez que expressar apenas gramaticalmente o que a melhor exegese já concluíra, a de que benefícios concedidos pelo Poder Público exigem a contrapartida da não existência de débitos junto ao Poder concedente, pela óbvia prevalência do interesse coletivo ao individual. Esta é interpretação hermenêutica lógica e que leva a um resultado racional. O inverso, como assentado na decisão recorrida, privilegiaria o individual ao social e levaria ao descompasso de que um devedor, mesmo não satisfazendo seu débito, pudesse deixar de recolher parte de seu IRPJ e o aplicasse em fundos com características de benefícios fiscais, o que, por certo, não foi e nunca seria a intenção do legislador. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Fl. 312DF CARF MF Processo nº 16327.002321/9982 Acórdão n.º 9101002.460 CSRFT1 Fl. 313 16 A tese protetora exposta pela PGFN, assim sendo, está demonstrada. Assim, voto no sentido DAR provimento ao recurso especial da PGFN. Acaso vencedor, proponho a seguinte ementa: PERC. FINAM. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972. ÔNUS DA PROVA. A Contribuinte, a quem recai o ônus da prova, no curso do processo não apresenta os documentos hábeis a comprovar sua regularidade fiscal não atende a condição de procedibilidade do deferimento do PERC. É como voto (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16327.002321/9982 Acórdão n.º 9101002.460 CSRFT1 Fl. 314 17 Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rêgo Redatora Designada Em que pese o muito bem fundamentado voto do Ilustre Relator, a maioria dos componentes deste Colegiado discordou de suas conclusões. É que, no novo Código de Processo Civil a distribuição do ônus da prova, em princípio não restou alterada, como se verifica do seguinte dispositivo: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...] Em regra, a prova de um fato compete a quem o articulou. Assim, cabe ao autor provar os fatos indicados na inicial e ao réu compete provar os fatos apresentados na peça de defesa: os impeditivos, os modificativos ou extintivos do direito do auto. Tal distribuição do ônus da prova é dita como estática, de tal modo que o pedido é julgado improcedente se o autor da demanda não provar os fatos que tinha incumbência de provar. É o que ocorre no presente caso. Com efeito, o Ilustre Conselheiro Relator afirma que seria ônus do sujeito passivo apresentar certidão negativa para demonstrar a ausência de débitos cuja existência estariam a impedir o deferimento do PERC. Entretanto, este Colegiado entende que antes dessa demonstração há, primeiramente, o ônus da Administração, quanto ao fato constitutivo de seu direito de indeferir o pedido, que é o de demonstrar a existência desses débitos. Não se pode inverter o ônus da prova. Primeiramente, o autor tem que provar o fato constitutivo de seu direito no caso, a existência dos débitos, em termos de apontálos individualmente e precisamente para que somente depois se exija que o sujeito passivo a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor no caso, a inexistência dos débitos apontados individualmente e precisamente. Observese que a contribuinte fez opção por destinação de parte do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado com base no lucro real constante na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) entregue em 28.04.1997 relativamente ao anocalendário de 1996, Fundo de Investimentos da Amazônia (FINAM) no percentual de 24% do IRPJ apurado naquela DIPJ. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 16327.002321/9982 Acórdão n.º 9101002.460 CSRFT1 Fl. 315 18 Posteriormente, a contribuinte pleiteou revisão das alterações promovidas, de ofício, em sua opção anteriormente exercida via declaração, formalizando, em 20.09.1999 (fl. 01), o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC). Para indeferir esse pedido a Administração Tributária apontou a existência dos débitos constantes de dados internos, constantes do relatório de fls. 33 a 54. Contudo, tais débitos se referem a períodos de apuração posteriores ao anocalendário 1996, período em que a contribuinte fez a opção pelo incentivo. Com efeito, tratamse de débitos, sem exigibilidade suspensa (porque os que estão com exigibilidade suspensa não interferem no deferimento do pleito), com vencimentos entre 08/1998 e 03/2005, ou seja, não há indicação de um único débito em aberto atinente ao período em que foi feita a opção pelo incentivo, no caso, o ano de 1996, ou até o ano de 1997, que corresponde ao da entrega da DIPJ. Entendese, assim, que a Administração Tributária não se desincumbiu de seu encargo de provar a existência de débitos de responsabilidade da contribuinte, em aberto, sem suspensão de exigibilidade, existentes no período em que feita a opção 1996/1997, não se podendo admitir, nesse passo, a inversão do ônus da prova, eis que ilegal. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 37, de observância obrigatória pelos julgadores deste Tribunal, determina que a exigência de comprovação de regularidade fiscal recaia sobre o período a que se refere a opção pelo incentivo, feita da DIPJ. Observese: Súmula CARF nº 37. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (*) destaques acrescidos Por todos estes fundamentos, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da FAZENDA NACIONAL, mantendo a decisão do Colegiado a quo que determinou a apreciação do PERC pelo órgão de origem. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 315DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17613.720822/2015-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
MOLÉSTIA GRAVE. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO.
São isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de complementação de aposentadoria, uma vez comprovado, por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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DOENÇA GRAVE. ISENÇÃO. Recorrente EDSON HELEODORO NOGUEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 MOLÉSTIA GRAVE. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de complementação de aposentadoria, uma vez comprovado, por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 08 22 /2 01 5- 90 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 17613.720822/201590 Acórdão n.º 2402005.488 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte, devidamente identificado nos autos, foi emitida Notificação de Lançamento de IRPF (fls. 24/28), para redução do Saldo de Impostos a Restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual, originalmente no valor de R$ 10.577,85, passando para R$ 2.002,45. As infrações apuradas pela Fiscalização, relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 25/26, foram: · Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 32.350,28, recebido(s) de Real Grandeza Fundação de Previdência e Assist Social, CNPJ 34.269.803/000168. O contribuinte não apresentou cópia autenticada da publicação do ato concessivo da reforma, pensão ou da aposentadoria, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal. O laudo médico apresentado não possui o carimbo de identificação do serviço médico oficial emitente. · Dedução Indevida de Previdência Oficial Relativa à Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse deduções indevidamente declaradas a título de contribuição a previdência oficial, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 2.715,03. O contribuinte não comprova o valor da previdência oficial declarado, referente à fonte pagadora Real Grandeza Fundação de Previdência e Assist Social, CNPJ 34.269.803/000168. Inconformado com a exigência, a qual tomou ciência em 01/12/2014, fl. 27, o contribuinte apresentou impugnação em 26/12/2014, fl. 02, com as alegações abaixo transcritas: Infração: RENDIMENTOS INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO ISENTOS POR MOLÉSTIA GRAVE: O valor contestado é isento por se tratar de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão e suas respectivas complementações recebidos por portador de moléstia grave. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 4 Infração: DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA OFICIAL RELATIVA A RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Foi cometido erro no preenchimento da declaração de ajuste anual. O valor deve ser considerado como dedução de outra natureza. Dedução pretendida: devido a real grandeza ter sido notificada. E mesmo assim tributou o meu rendimento estou querendo reaver o valor que foi tributado, já que foi notificada que tinha moléstia grave. A impugnação foi julgada improcedente, pelo acórdão no 0834.778 1.ª Turma da DRJ/FOR (fls. 40/47), fundamentada nos seguintes termos: Quanto a Fundação de Previdência e Assistência Social REAL GRANDEZA o documento anexo à fl. 10, datado de 27/11/2014, informa que: 1) o notificado está aposentado pelo INSS desde 03/06/2008. 2) passou a usufruir de um Benefício da Real Grandeza desde 01/09/2012 3) a Isenção somente foi praticada a partir de 01/01/2013. Como se vê o notificado apresentou um documento que diz apenas que a isenção foi concedida somente a partir de 01/01/2013, não fez nenhuma referencia a data do ato concessivo da reforma, pensão ou da aposentadoria no ano de 2012, ano a que se refere os valores da notificação, logo o contribuinte não atende a um dos requisitos da legislação tributária transcrita acima. Assim ficou constatado que o interessado não comprovou a outra condição necessária para usufruir do benefício em pauta, qual seja: a demonstração de que os rendimentos percebidos da Real Grandeza Fundação de Previdência e Assistência Social eram efetivamente decorrentes de aposentadoria durante o ano de 2012. Caberia ao notificado ter trazido aos autos a cópia autenticada da publicação do ato concessivo da reforma, pensão ou da aposentadoria, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal. (...) Quanto a dedução indevida de previdência oficial, constatase que o notificado não trouxe aos autos nenhum documento que comprovase que o valor de R$ 2.715,03 se refere a aludida fonte pagadora Real Grandeza Fundação de Previdência e Assistência Social, conforme solicitado pela autoridade lançadora, o que indicaria inclusive se o mesmo efetivamente diria respeito ou não ao ano de 2012. Dessa forma, é de se considerar que o contribuinte não logrou comprovar o valor de R$ 2.715,03, referente a dedução com previdência oficial declarada na DIRPF/2013 e glosada na Notificação de Lançamento. Voto pela improcedência da impugnação e manutenção do Imposto de Renda a Restituir apurado no exercício 2013 ano calendário 2012, no valor de R$ 2.002,45. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 17613.720822/201590 Acórdão n.º 2402005.488 S2C4T2 Fl. 4 5 Cientificado da decisão em 03/03/2016 (f. 49), o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 52/54), em 18/03/2016, aduzindo as seguintes teses: 1. que foi aposentado pela FRG no dia 01/09/2012, e está juntando os contracheques, onde o campo DIB (data de início do benefício) indica a data da aposentadoria. Estou anexando, também, a carta de concessão de 2012; 2. foi descrito que o laudo médico apresentado não foi reconhecido (f. 41). Anexo laudo médico do SUS e do INSS; 3. junta declaração da FRG que reconhece que os benefícios começaram a ser pagos em 01/09/2012, mas praticou indevidamente a não isenção do benefício, só conseguindo fazer isso em 01/01/2013; 4. sendo assim, acho procedente a solicitação de revisão para que o valor de R$ 32.350,28 seja reconhecido como isento. Requer a revisão do processo para que o valor de R$ 32.350,28 seja reconhecido como isento e/ou não tributável. Alternativamente, se houver negativa, requer a retificação da declaração de 2012 para abater parte dos rendimentos conforme autoriza a IN no 1343/2013, que estabeleceu nova forma de apuração do IRPF aplicável aos valores a título de complementação de aposentadoria, com base nas contribuições efetuadas no período de 01/01/1989 e 31/12/1995. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 6 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator O recurso, apresentado no trintídio assinalado pelo art. 33 do Decreto no 70.235/72, é tempestivo. Presentes os demais requisitos, deve ser conhecido. De notarse que não houve recurso do sujeito passivo quanto à infração de dedução indevida de previdência oficial relativa a rendimentos recebidos de pessoa jurídica, pelo que o auto de infração resta mantido quanto a este ponto. Isenção decorrente de doença grave Temse em pauta recurso voluntário no qual o Interessado pretende que seja reconhecido seu direito à isenção do imposto de renda pessoa física, alegando que é portador de doença grave e que os valores recebidos são provenientes de complementação de aposentadoria. Para o gozo da isenção pleiteada, a Lei no 7.713/1988 estabelece os seguintes requisitos: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (grifouse) Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 17613.720822/201590 Acórdão n.º 2402005.488 S2C4T2 Fl. 5 7 Dos dispositivos transcritos, verificase que são dois os requisitos para o exercício do direito à isenção pleiteada: a) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o contribuinte seja portador de uma das doenças enumeradas no inciso XIV, do art. 6o, da Lei no 7.713/1988. A isenção em questão também se aplica à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão (§ 6° do art. 39 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento de Imposto sobre a Renda RIR/1999). Ademais, partir do anocalendário 1996, a Lei no 9.250/1995 qualificou a comprovação do segundo requisito nos seguintes termos: Art. 30 A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (grifouse) Com a impugnação, o recorrente trouxe, além de outros documentos, cópia de laudo pericial (f. 9), emitido pela Agência da Previdência Social na Serra/ES, datado de 30/09/2010, concluindo que é portador de neoplasia maligna, desde 31/07/2009. Impõese, portanto, o reconhecimento de que o contribuinte é portador de doença enumerada no inciso XIV, do art. 6o, da Lei no 7.713/1988, desde 1991, diagnosticada por serviço médico oficial. Sobre a fonte pagadora "Real Grandeza Fundação de Previdência e Assist Social", CNPJ 34.269.803/000168, o recorrente juntou autorização para concessão de benefício (f. 58) relativo complementação de aposentadoria por tempo de serviço, com data de início em 01/09/20012. O contribuinte anexou, ainda, cópias dos demonstrativos de pagamentos da complementação da aposentadoria (fls. 55/57), emitido pela "Real Grandeza Fundação de Previdência e Assist Social", relativos aos meses de 09 a 12/2012. Comprovada, portanto, sua condição de aposentado. Considerase, então, que o Contribuinte é portador de doença grave prevista no artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713/1988 e alterações introduzidas pelo artigo 30 da Lei n° 9.250/1995, nos termos do laudo médico oficial, fazendo jus, em razão disso, à isenção do imposto de renda incidente sobre os proventos de aposentadoria da fonte pagadora "Real Grandeza Fundação de Previdência e Assist Social". Recurso provido na matéria. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 8 Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10650.902379/2011-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 23 79 /2 01 1- 54 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902379/201154 Acórdão n.º 9303003.936 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801001.903, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 242DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902379/201154 Acórdão n.º 9303003.936 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902379/201154 Acórdão n.º 9303003.936 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902379/201154 Acórdão n.º 9303003.936 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902379/201154 Acórdão n.º 9303003.936 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902379/201154 Acórdão n.º 9303003.936 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902379/201154 Acórdão n.º 9303003.936 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11516.722849/2012-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. FALTA DE MOTIVAÇÃO DO ATO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o termo de verificação fiscal contém a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional.
PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. POSSIBILIDADE.
Cientificado da formalização da exigência fiscal, o sujeito passivo passa a ter direito na fase litigiosa ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, nos termos do processo administrativo tributário.
Inexiste óbice à utilização de prova emprestada no processo administrativo fiscal, tampouco é necessária a identidade entre as partes no processo de origem e aquele a que se destina a prova emprestada.
Não há que se falar em nulidade no uso de prova emprestada quando é oportunizado ao sujeito passivo manifestar-se sobre todos os elementos trazidos aos autos pela autoridade lançadora.
AJUSTE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS. ISENÇÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL
São isentos os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave, contanto que comprovada a patologia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, relativamente ao ano-calendário a que se referem os rendimentos.
RENDIMENTOS DO DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE.
Os rendimentos recebidos a título de décimo terceiro salário são tributados exclusivamente na fonte, devendo ser excluídos da base de cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos sujeitos à tabela progressiva na declaração de ajuste anual.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial, excluindo do lançamento a base de cálculo relativa ao 13º salário. Vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. FALTA DE MOTIVAÇÃO DO ATO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o termo de verificação fiscal contém a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. POSSIBILIDADE. Cientificado da formalização da exigência fiscal, o sujeito passivo passa a ter direito na fase litigiosa ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, nos termos do processo administrativo tributário. Inexiste óbice à utilização de prova emprestada no processo administrativo fiscal, tampouco é necessária a identidade entre as partes no processo de origem e aquele a que se destina a prova emprestada. Não há que se falar em nulidade no uso de prova emprestada quando é oportunizado ao sujeito passivo manifestar-se sobre todos os elementos trazidos aos autos pela autoridade lançadora. AJUSTE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS. ISENÇÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL São isentos os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave, contanto que comprovada a patologia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, relativamente ao ano-calendário a que se referem os rendimentos. RENDIMENTOS DO DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Os rendimentos recebidos a título de décimo terceiro salário são tributados exclusivamente na fonte, devendo ser excluídos da base de cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos sujeitos à tabela progressiva na declaração de ajuste anual. Recurso Voluntário Provido em Parte
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PJ. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente MARIA ROGERIA ZAPPELINI RONCATTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. FALTA DE MOTIVAÇÃO DO ATO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o termo de verificação fiscal contém a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. POSSIBILIDADE. Cientificado da formalização da exigência fiscal, o sujeito passivo passa a ter direito na fase litigiosa ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, nos termos do processo administrativo tributário. Inexiste óbice à utilização de prova emprestada no processo administrativo fiscal, tampouco é necessária a identidade entre as partes no processo de origem e aquele a que se destina a prova emprestada. Não há que se falar em nulidade no uso de prova emprestada quando é oportunizado ao sujeito passivo manifestarse sobre todos os elementos trazidos aos autos pela autoridade lançadora. AJUSTE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS. ISENÇÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL São isentos os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave, contanto que comprovada a patologia mediante laudo pericial AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 28 49 /2 01 2- 96 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 11516.722849/201296 Acórdão n.º 2401004.482 S2C4T1 Fl. 449 2 emitido por serviço médico oficial, relativamente ao anocalendário a que se referem os rendimentos. RENDIMENTOS DO DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Os rendimentos recebidos a título de décimo terceiro salário são tributados exclusivamente na fonte, devendo ser excluídos da base de cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos sujeitos à tabela progressiva na declaração de ajuste anual. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, darlhe provimento parcial, excluindo do lançamento a base de cálculo relativa ao 13º salário. Vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 11516.722849/201296 Acórdão n.º 2401004.482 S2C4T1 Fl. 450 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0732.187 (fls. 386/409): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. A moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte e recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do rendimento, no que tange ao oferecimento desse rendimento à tributação em sua declaração de ajuste anual. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. Uma vez instaurado o procedimento de ofício, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício. Impugnação Improcedente 2. Tratase de Auto de Infração, com exigência de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, decorrente de omissão de rendimentos de aposentadoria, relativos aos anoscalendário 2007 a 2011, acrescido de juros de mora e da multa de ofício no importe de 75% (fls. 294/317). 2.1 De acordo com a fiscalização, a contribuinte não declarou os rendimentos de aposentadoria recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), CNPJ 29.979.036/000140, assim como declarou indevidamente como rendimentos isentos por moléstia grave, na sua Declaração Anual de Ajuste (DAA), os valores de aposentadoria por invalidez percebidos da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc), CNPJ 83.599.191/000187. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 11516.722849/201296 Acórdão n.º 2401004.482 S2C4T1 Fl. 451 4 2.2 Foram deduzidos do somatório dos rendimentos tributáveis as parcelas anuais de isenção previstas na legislação tributária para proventos de aposentadoria percebidos por contribuinte com idade de 65 (sessenta e cinco) anos ou mais. 2.3 Além disso, foi aplicado o desconto simplificado de 20% (vinte por cento) sobre os rendimentos tributáveis, limitado ao valor anual estabelecido na legislação, devido a opção da contribuinte pelo modelo simplificado nas declarações apresentadas para os anoscalendário de 2007 a 2010, exercícios 2008 a 2011. 2.4 Quanto ao anocalendário 2011, exercício 2012, foram aproveitadas as deduções informadas pela contribuinte na respectiva DAA, entregue no modelo completo, o qual permite a opção pela utilização das deduções legais. 3. Cientificada da autuação por via postal em 23/10/2012, às fls. 320, a contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 327/356). 4. Intimada em 22/8/2013, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 410/412, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 20/9/2013, com os seguintes argumentos de defesa (fls. 414/432). (i) cerceamento do direito de defesa, ante a falta de intimação para apresentação da declaração de rendimentos, ocorrência de erro na identificação da matéria tributável e ausência do fato gerador da obrigação tributária; (ii) ilegalidade da utilização de prova emprestada de outra instituição, incapaz de motivar o lançamento fiscal; (iii) direito a isenção do imposto sobre a renda por moléstia grave, uma vez que comprovada a patologia por laudo médico; (iv) inclusão de parcelas referentes ao 13º (décimo terceiro salário) na base de cálculo do imposto sobre a renda sujeito ao ajuste anual; e (v) inobservância do desconto simplificado anual a título de deduções a que faz jus a contribuinte. É o relatório. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 11516.722849/201296 Acórdão n.º 2401004.482 S2C4T1 Fl. 452 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminares a) Erro na determinação da matéria tributável 6. Alega a recorrente a existência de vícios no ato de lançamento do crédito tributário, porquanto o agente fiscal não teria verificado a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, imprescindível para a perfeita determinação da matéria tributável (art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional CTN). 7. Assim não me parece, descabendose falar em nulidade por ausência de motivação do ato administrativo. 8. O termo de verificação fiscal, além de conter a descrição pormenorizada dos fatos que são imputados ao sujeito passivo, expõe de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. 9. Embora o procedimento fiscal tenha origem em fatos representados pelo Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina (Iprev), o lançamento não se ampara na existência de irregularidade na concessão da aposentadoria por invalidez à recorrente no ano de 1982, tornandose irrelevante para afastar a tributação, neste caso concreto, o ato de reversão da aposentadoria pela Alesc, em razão da instauração de procedimento administrativo investigatório, ou a posterior suspensão do seus efeitos por medida judicial (Ação de Segurança nº 2013.0231832). 10. Depreendese do termo de verificação fiscal que o fundamento para a constituição do crédito reside no fato de que, relativamente aos rendimentos de aposentadoria, a contribuinte não comprovou ser portadora de moléstia grave que lhe garanta o direito à isenção tributária de que trata o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de novembro de 1988, 10.1 Para melhor visualização dos motivos do lançamento, reproduzo um trecho da acusação fiscal (fls. 301/302): Fl. 452DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 11516.722849/201296 Acórdão n.º 2401004.482 S2C4T1 Fl. 453 6 (...) Conforme vimos nos autos encaminhados pelo IPREV, não há a menor comprovação de que a Sra. Maria Rogéria Zappelini Roncatto seja portadora da moléstia que deu origem a aposentadoria por invalidez e, portanto, os rendimentos de aposentadoria auferidos não podem ser qualificados como isentos por doença grave. (...) 11. É questão que diz respeito ao mérito avaliar se o conjunto fáticoprobatório carreado pela acusação para amparar a exigência fiscal, confrontado com os documentos médicos e as alegações de defesa que instruem os autos, são suficientes ou não para a comprovação da moléstia grave, o que será feito em momento seguinte deste voto. 12. Não se trata, igualmente, de retroagir a exigência tributária, pois o que está em jogo é simplesmente a comprovação pela contribuinte, na forma exigida pela lei tributária, da existência da moléstia grave nos anoscalendário a que se referem os rendimentos percebidos de aposentadoria, especificamente de 2007 a 2011, ainda não atingidos pelo instituto da decadência, uma vez que a ciência do auto de infração ocorreu em 23/10/2012. 13. Quanto à intimação para apresentação de declarações anuais, o Fisco já dispunha delas no seu banco de dados, conforme fls. 2/30, ficando excluída a espontaneidade do sujeito passivo a partir do início do procedimento fiscal (art. 7º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972). 14. De tal sorte que a autoridade fiscal motivou adequadamente o ato administrativo, por meio da descrição dos fatos, do enquadramento legal e da demonstração da subsunção à regra matriz de incidência, conforme exigido pelos incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e pelo art. 142 do CTN, o que proporcionou ao sujeito passivo a possibilidade de produzir as provas hábeis para o fim de demonstrar os fatos que invoca como fundamento à sua pretensão. 15. Logo, ausentes vícios quanto aos pressupostos e elementos do ato administrativo, descabe cogitar a nulidade do lançamento fiscal. b) Utilização de prova emprestada 16. Não há óbice na utilização de prova emprestada, conforme se vê do art. 372 Código de Processo Civil, veiculado pela Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, aplicável de forma subsidiária ao processo administrativo fiscal: Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindolhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. 17. Ao contrário da peça recursal, a utilização de uma prova produzida em outro processo não exige identidade de partes, prescindindose que sejam as mesmas partes na origem e no processo de destino da prova emprestada, conforme entendimento da jurisprudência pátria (Embargos em Recurso Especial nº 617.428/SP, relator Ministro Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 4/6/2014). Fl. 453DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 11516.722849/201296 Acórdão n.º 2401004.482 S2C4T1 Fl. 454 7 18. O procedimento fiscal, que ocorre anteriormente à lavratura do auto de infração ou da notificação de débito, é uma fase meramente investigativa e inquisitória, onde colhemse elementos, analisamse documentos e informações e reúnemse provas para motivar um eventual ato de lançamento ou aplicação de penalidade. É uma etapa prélitigiosa, preparatória para a constituição do crédito tributário, em que não há litigante nem acusado, tão somente investigado. 19. Quando instaurado, o conflito de interesses só aparece posteriormente ao lançamento fiscal, caracterizandose pela resistência do contribuinte à pretensão do Fisco. É com a impugnação que se tem início à situação conflituosa. Em outras palavras, presente o caráter litigioso, estabelecese o processo administrativo em sentido estrito. 20. Com o aperfeiçoamento do ato administrativo, mediante a ciência da exigência fiscal, o sujeito passivo tem direito, propriamente, ao contraditório e à ampla defesa, nos termos estabelecidos no processo administrativo tributário. Antes disso, na fase procedimental, a fiscalização não está obrigada a informar o sujeito passivo acerca das investigações em curso, tampouco precisa oferecerlhe, como regra, oportunidade de esclarecimentos a vista dos elementos de prova coletados. 21. É que o direito ao contraditório e à ampla defesa, em termos positivados, é garantido pelo inciso LV do art. 5º da Carta da República de 1988 apenas aos litigantes em processo administrativo e judicial, bem como aos acusados em geral. 22. Por outro lado, o caráter marcadamente fiscalizatório e apuratório não significa que o procedimento fiscal é arbitrário. Porém, não há notícias de qualquer conduta da autoridade fiscal contrária às regras de cunho procedimental inerentes a essa etapa da atividade administrativa. 23. Nesse contexto, o Fisco utilizou como prova emprestada o processo administrativo nº 3252/2011, instaurado pelo Iprev, que considerou não comprovada a doença incapacitante ensejadora da concessão da aposentadoria por invalidez da contribuinte (fls. 192/211). 24 Utilizouse o Fisco, no caso, apenas dos documentos médicos, perícias realizadas e conclusões no âmbito do processo administrativo do Iprev, com a finalidade de averiguar o cumprimento dos requisitos para gozo da isenção do imposto sobre a renda, constatando a autoridade lançadora, ao final da auditoria fiscal, que não havia prova que a contribuinte era portadora de moléstia grave prevista em lei. 25. Portanto, a acusação não está calcada em presunção ou mero indícios. Seu fundamento reside, segundo já alhures afirmado, na avaliação pela autoridade fiscal da inexistência de laudo médico oficial comprovando que a contribuinte fosse portadora de moléstia grave, oferecendolhe na fase do contencioso administrativo a oportunidade de contraporse às provas e razões da exigência fiscal. 26. Dessa feita, não houve cerceamento de defesa, violação ao contraditório e ao devido processo legal, restando afastada a nulidade pretendida pela recorrente. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 11516.722849/201296 Acórdão n.º 2401004.482 S2C4T1 Fl. 455 8 Mérito a) Comprovação da moléstia grave 27. A respeito do gozo da isenção do imposto sobre a renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, dispõe o art. 39 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, "in verbis": Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; Fl. 455DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 11516.722849/201296 Acórdão n.º 2401004.482 S2C4T1 Fl. 456 9 III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (grifouse) § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. (...) (GRIFOUSE) 28. Da leitura da legislação, aplicável aos anoscalendário 2007 a 2011, percebese que a fruição da isenção exige o preenchimento cumulativo de 3 (três) requisitos: i) rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão1; ii) rendimentos percebidos por portador de moléstia grave, relacionadas as patologias de forma exaustiva em lei; e iii) moléstia comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. 29. No tocante à moléstia grave, toda a argumentação da recorrente escorase em um único atestado médico assinado pelo Dr. Airto Aurino Fernandes, apresentado para justificar a aposentadoria por invalidez, em 2/8/1982, com indicativo de patologia reumatológica, qualificada como espondiloartrose anquilosante (CID 720, Revisão 1965), conhecida também como espondilite anquilosante (fls. 36). Segundo a recorrente, a validade desse diagnóstico não pode ser afastada até que anulado ou modificado o laudo. 29.1 Nesse mesmo dia, 2/8/1982, com base exclusivamente no documento emitido pelo Dr. Airto Aurino Fernandes, inspeção da Junta Médica Oficial da Alesc concluiu que a recorrente era portadora da aludida doença, considerandoa incapaz, definitivamente, para o exercício do serviço público (fls. 37). 30. Pois bem. Desponta, em primeiro lugar, que o denominado "laudo médico" pela recorrente não é formal nem materialmente um laudo. 30.1 Chamado de atestado pelo médico, não contém elementos que fundamentam a moléstia, referindose de forma vaga e imprecisa a sintomas de dificuldades nas articulações, sem qualquer alusão a exames clínicos complementares aptos a dar consistência ao diagnóstico da patologia. 30.2 A esse mesmo entendimento chegou a reavaliação médicopericial oficial, realizada no ano de 2011, quando concluiu que a recorrente apresentava apenas limitações funcionais inerentes à idade (CID 10 M15.0), inexistindo um histórico de tratamento médico para a patologia reumática grave (fls. 39). 31. Ademais, do conjunto probatório que compõe o lançamento fiscal, respaldado pela farta documentação colhida junto ao Iprev, constatase a ausência de exames clínicos, receitas ou laudos médicos relacionados à moléstia incapacitante. 1 Acrescento, nessa lista, os rendimentos provenientes de reserva remunerada, tendo em vista o enunciado da Súmula Carf nº 63. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 11516.722849/201296 Acórdão n.º 2401004.482 S2C4T1 Fl. 457 10 31.1 Restou consignado no ato decisório emitido pelo Iprev (fls. 209): "Não é crível que alguém que detém espondiloartrose anquilosante não faça acompanhamento médico periódico, exames complementares e não utilize medicação adequada passados tantos anos após a aposentação." 31.2 Notase que os diversos exames acostados pela recorrente durante o processo administrativo ocorrido no Iprev, datados dos anos de 2006, 2007, 2010 e 2011, não corroboram com a existência da moléstia incapacitante denominada de espondilite anquilosante CID 10 M45, caracterizada que é a doença por grave comprometimento das articulações, senão com outras patologias próprias da idade (fls. 89/103). 32. Vale dizer, mesmo que se admita, por hipótese, que a recorrente fosse portadora da enfermidade em 1982, o conjunto probatório que instrui os autos não evidencia a mesma condição de saúde para os anoscalendário de 2007 a 2011, objeto de lançamento fiscal, resultando na necessidade de comprovação da moléstia pela medicina especializada na forma da legislação vigente. 33. Nada obstante, oportunizados o contraditório e a ampla defesa à contribuinte no processo administrativo fiscal, não apresentou na fase de impugnação ou recursal qualquer fato ou documento novo, focando sua defesa em aspectos meramente formais da existência da moléstia grave. 34. Segundo o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, compete ao próprio contribuinte o ônus de provar a condição de portador de moléstia grave especificada em lei, para fins de isenção do imposto de renda. 34.1 Nesse sentido, inclusive, o enunciado da Súmula nº 63 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), assim vazada: Súmula 63: Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (grifouse) 35. Ressalto que, por si só, a aposentadoria por invalidez não dá direito à isenção do imposto de renda sobre os respectivos proventos, pois é necessária a comprovação que o beneficiário é portador de alguma das moléstias previstas na lei tributária. 36. Mais que isso, ainda que o benefício previdenciário tenha decorrido de constatação do acometimento de doença prevista em lei, cabe exclusivamente ao Fisco avaliar se o contribuinte cumpre, para determinado anocalendário, os requisitos legais para a fruição da isenção tributária, não ficando a Administração Tributária vinculada ao que decidiu outro órgão administrativo. 37. Disso, concluise, concernente aos anoscalendário de 2007 a 2011, que não restou demonstrada, em linguagem competente de provas, a condição da recorrente como portadora de qualquer das moléstias ensejadoras do direito à isenção do imposto sobre a renda. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 11516.722849/201296 Acórdão n.º 2401004.482 S2C4T1 Fl. 458 11 38. Logo, sob esse fundamento de defesa, há que se manter inalterado o crédito tributário, uma vez que a moléstia não foi devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial, relativamente ao período a que se referem os proventos de aposentadoria lançados pela autoridade fiscal. b) Tributação indevida do 13º salário 39. A fiscalização adotou como montante tributável para os rendimentos de aposentadoria provenientes da Alesc as exatas quantias constantes dos comprovantes fornecidos pela fonte pagadora, montantes reproduzidos pela contribuinte nas declarações anuais (fls. 2/30 e 276/280). 40. Entretanto, ao confrontar os valores das fichas financeiras da recorrente, relativas aos anos de 2007 a 2011, verificase que a base de cálculo utilizada pela fiscalização, submetida à tabela progressiva anual, inclui a parcela correspondente ao 13º salário, a qual é tributada exclusivamente na fonte, de responsabilidade, portanto, da fonte pagadora (fls. 435/444). 41. Dessa feita, cabe excluir da base de cálculo do imposto os valores referentes ao 13º salário, conforme a seguir resumido: Anocalendário Parcela 13ºsalário (R$) Fls. dos autos 2007 6.052,92 436 2008 8.235,48 438 2009 8.976,25 440 2010 9.557,78 442 2011 10.421,99 444 c) Desconto padrão 42. Pondera a recorrente que a fiscalização deixou de considerar, no cálculo do tributo, o desconto padrão a que o contribuinte tem direito em casos de reclassificação de rendimentos, de isentos para tributáveis. 43. Sem razão a recorrente. Para os anoscalendário 2007 a 2010, em que a contribuinte optou pela DAA no modelo simplificado, o agente fiscal considerou o desconto simplificado de 20%. Senão vejamos o que diz o Termo de Verificação Fiscal (fls. 303): (...) Destacamos ao final que concedemos a dedução do Desconto Simplificado de 20% sobre os rendimentos tributáveis a que a contribuinte tem direito, em virtude de sua opção pela apresentação das Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda no Modelo Simplificado (exercícios 2008 a 2011, anos Fl. 458DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 11516.722849/201296 Acórdão n.º 2401004.482 S2C4T1 Fl. 459 12 calendário 2007 a 2010 fls. 02 a 24), até o limite anual estabelecido para cada anocalendário (ver tabela abaixo). As deduções da base de cálculo, podem ser claramente observadas nos Demonstrativos de Apuração do Imposto dos Anos calendário 2007 a 2010 do presente Auto de Infração. LIMITE ANUAL DO DESCONTO SIMPLIFICADO ANOCALENDÁRIO 2007: R$ 11.669,72 ANOCALENDÁRIO 2008: R$ 12.194,86 ANOCALENDÁRIO 2009: R$ 12.743,63 ANOCALENDÁRIO 2010: R$ 13.317,09 (...) 44. Como antes explicado, no que toca ao anocalendário 2011, exercício 2012, foram aproveitadas as deduções informadas pela contribuinte na respectiva DAA, entregue no modelo completo. 45. Por fim, lembro que o imposto sobre os rendimentos sujeitos à tabela progressiva foi calculado, observado o respectivo anocalendário, somandose os rendimentos tributáveis declarados, os rendimentos de aposentadoria omitidos provenientes do INSS e os proventos declarados indevidamente como isentos recebidos da Alesc (fls. 305/315). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir da base de cálculo tributável os valores referentes ao 13º salário, anoscalendário 2007 a 2011, conforme antes discriminado. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 459DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
score : 1.0
Numero do processo: 10120.721487/2009-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Incabível a manutenção da glosa da ARL - Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA - Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel, efetuada antes da ocorrência do fato gerador.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-004.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMAPI AGROPECUÁRIA S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel, efetuada antes da ocorrência do fato gerador. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 14 87 /2 00 9- 00 Fl. 457DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte e por meio do qual se exige o pagamento do Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2006 haja vista a inexistência de ADA. Diante da constatação da irregularidade foram glosados o montante de 3.720ha, que no caso concreto corresponde a todo o valor originalmente declarado pelo contribuinte para fins de isenção do referido imposto. Após análise dos documentos juntados pelo sujeito passivo e considerando os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, no entendimento da fiscalização a autuação se fez necessária pois, a. Não foram apresentados cumulativamente a documentação hábil e idônea para comprovação das áreas de interesse ambiental, ou seja: a.l. Da área de reserva legal (ADA requerido dentro do prazo, e localização da área); a.2. Da área de preservação permanente (Laudo que comprove a localização da área de preservação permanente, e Certidão do órgão público competente, para Área declarada como de preservação permanente (art. 30 da Lei 4.771/65) acompanhado do ato do poder público que a declarou). b. Do valor da Terra Nua em virtude da revisão do Valor da Terra Nua na base de informações do Sistema de Preços de Terra SIPT, tornouse desnecessária a apresentação do Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com anotação da responsabilidade técnica ART registrada no CREA; para comprovação do valor da terra nua declarado. Importante citar que conforme descrição de fatos constantes do lançamento (fls. 01) ficou esclarecido que: 1) o Ato Declaratório Ambiental ADA requerido em 31/03/2004 indica uma área de preservação permanente de 3.720 hectares (fls. 109); 2) a área de reserva legal averbada no registro de imobiliário nas Matriculas: 1089, 1090, 1093 somam o total de 745,31 hectares e a área de reserva legal extrapropriedade averbada no registro imobiliário Matricula 1089 é de 667,17 hectares (fls. 60); 3) foi declarado na de DITR 2006, exclusivamente, área de Reserva Legal de 3.720,0 hectares (fls. 09); Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10120.721487/200900 Acórdão n.º 9202004.626 CSRFT2 Fl. 458 3 Em sua impugnação (fls. 199/265) o contribuinte arguiu preliminar de cerceamento do direito de defesa e no mérito afirma ter sido devidamente comprovado por meio do laudo técnico apresentado a existência de área de reserva legal corresponde a 20% da área total do imóvel (3.726,5311ha), existindo 1.412,4814ha averbados e 2.314,0497ha inteiramente preservados. A Delegacia de Julgamento não acolheu os argumentos de defesa e manteve o lançamento, afirmando para tanto que para ser excluída do ITR deve a área de reserva legal declarada estar averbada tempestivamente à margem da matrícula do imóvel, além de ter sido objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado em tempo hábil no IBAMA (fls. 278/286). Recurso voluntário do Contribuinte onde são repetidos os argumentos da peça de impugnação (fls. 294/301). Por meio do acórdão nº 2801002.603 (fls. 332) a 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, em sessão realizada em 14 de agosto de 2012, deu provimento parcial ao recurso voluntário e reconheceu ao contribuinte o direito à isenção do Imposto Territorial Rural ITR para o exercício de 2006 em relação às áreas de Reserva Legal devidamente averbadas nos respectivos registros dos imóveis (montante de 1.412,48ha), mesmo inexistindo no caso concreto ADA específico para tais limitações. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2006 DA NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. Contendo a notificação de lançamento todos os fundamentos de fato e de direito e os devidos esclarecimentos relativos às infrações apuradas, possibilitando à contribuinte o exercício do contraditório e da ampla defesa, é incabível a sua nulidade por ofensa a tais princípios. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA OU DE RECONHECIMENTO DA ÁREA POR ÓRGÃO AMBIENTAL ATÉ A DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental ADA no Ibama no prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, como condição para exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR. A dispensa dessa exigência somente pode ocorrer se a área de reserva legal tiver sido assim reconhecida pelos órgãos ambientais competentes, à época do fato gerador. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRAZO. Fl. 459DF CARF MF 4 Para fins de redução no cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. PERÍCIA. NÃO CABIMENTO. Incabível o pedido de realização de perícia para produção de provas, quando se tratar de matéria de direito. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Recurso Voluntário Provido em Parte. Inconformada a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial e citou como paradigmas os acórdãos nº 30134352 e 30239144. Para o ilustre Procurador a decisão ora recorrida ao entender ser dispensável, no caso concreto, a apresentação do ADA para fins de gozo do ITR, divergiu do entendimento das antigas Primeira e Segunda Câmaras do Terceiro Conselho de Contribuintes para as quais a partir do exercício de 2001, é sempre indispensável, para o reconhecimento das áreas de reserva legal como isentas do ITR, a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA ou mesmo de requerimento do contribuinte para a emissão deste junto ao órgão ambiental competente, haja vista a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165/2000 ao art. 17O da Lei nº 6.938/1981. Contribuinte intimado do acórdão de Recurso Voluntário e cientificado da interposição do presente recurso pela Fazenda Nacional, inicialmente em 20/09/2014 e também em 24/09/2014, conforme se comprova, respectivamente, pelo Termo de Ciência por Decurso de Prazo e Termo de Abertura de Documento juntados aos autos. Não foram apresentados recurso nem contrarrazões pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme exposto no relatório, o objeto do recurso é a discussão acerca dos requisitos necessários para que o contribuinte tenha direito a exclusão de áreas classificadas como de reserva legal do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, requisitos para aplicação da exoneração prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, que até 1º de janeiro de 2013, possuía a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10120.721487/200900 Acórdão n.º 9202004.626 CSRFT2 Fl. 459 5 pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Sabese que o ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é imposto de apuração anual que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir fato que coaduna com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se favorecer aqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de preservação permanente e de reserva legal diante das limitações que lhe são impostas, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de não incidência do ITR. Entretanto, para que a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições, no presente caso, previstas na então vigente Lei nº 4.771/65. As características da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal estavam descritas, respectivamente no art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e 16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) do Código Florestal de 1965: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; Fl. 461DF CARF MF 6 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10120.721487/200900 Acórdão n.º 9202004.626 CSRFT2 Fl. 460 7 III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I o plano de bacia hidrográfica; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II o plano diretor municipal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III o zoneamento ecológicoeconômico; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV outras categorias de zoneamento ambiental; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001) § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, Fl. 463DF CARF MF 8 ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10120.721487/200900 Acórdão n.º 9202004.626 CSRFT2 Fl. 461 9 mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Interpretando os dispositivos percebemos além de diferenças ecológicas existentes entre uma APP e uma ARL, diferença formal/procedimental na constituição dessas áreas. Em relação a Área de Preservação Permanente, salvo as hipóteses previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65 as quais requerem declaração do Poder Público para sua caracterização, nos demais casos estando área pleiteada localizada nos espaços selecionados pelo legislador, caracterizada estava pelo só efeito da lei, sem necessidade de cumprimento de qualquer outro requisito uma APP. Em contrapartida, por força dos §§4º e 8º do art. 16 para caracterização de um Área de Reserva Legal, além dos requisitos ecológicos, exigiase i) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e ainda ii) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, averbação essa que era substituída por Termo de Ajustamento de Conduta nos casos em que o Contribuinte fosse apenas possuidor do bem. Faziase necessária a realização desses esclarecimentos, pois as diferenças formais apontadas traz impactos diretos no estudo dos requisitos para aplicação da não incidência do ITR especificamente acerca da necessidade de averbação prévia e apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA. No presente caso, nos interessa discutir acerca dos requisitos que devem ser cumpridos pelo Contribuinte para que reste caracterizada a não incidência do ITR sobre áreas classificadas como de Reserva Legal. Do requisito da averbação: Considerando a redação da Lei nº 4.771/65 afirmase que o ato de averbação em nada afeta a constituição de uma área de preservação permanente a qual existe é pode ser comprovada por qualquer meio capaz de demonstrar que aquele imóvel ou parte dele está localizado em áreas com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas. A própria Receita Federal do Brasil nos documentos "Perguntas e Respostas do ITR" manifestava expressamente no sentido de a legislação do ITR não exigir a averbação da área de preservação permanente no Cartório de Registro de Imóveis. Fl. 465DF CARF MF 10 Por outro lado a necessidade de averbação das áreas de Reserva Legal é exigência prevista na própria Lei nº 4.771/65, razão pela qual filiome a corrente cujo entendimento é no sentido de ser a averbação requisito constitutivo da referida área. A averbação, precedida da outra exigência legal de ser a área reconhecida pelo poder público, é condição imprescindível para a existência da Área de Reserva Legal, sendo que tal fato nos leva a conclusão lógica de que para fins de cálculo do ITR tal averbação deve ser anterior ao fato gerador. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o citado entendimento, valendo citar parte do voto proferido pelo Ministro Benedito Gonçalves, no RESP nº 1.125.632PR: Ao contrário da área de preservação permanente, para as áreas de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal (...) Assim, considerado que a norma de apuração do ITR prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96 a qual nos remete aos conceitos e requisitos da então nº Lei nº 4.771/65 podemos afirmar que para fim de não incidência do ITR a averbação da área delimitada pelo Poder Público no registro do imóvel em data anterior a ocorrência do fato gerador é requisito aplicável apenas à Área de Reserva Legal. Do Ato Declaratório Ambiental ADA: A discussão quanto a necessidade de apresentação do ADA para fins da não incidência do ITR sobre áreas de Preservação Permanente e também Reserva Legal, é um pouco mais polêmica, isso porque tratase de exigência inicialmente prevista por meio de norma infralegal, valendo citar a IN SRF nº 67/97. Nem a Lei nº 9.393/96, nem a Lei nº 4.771/65 exigiam o ADA para fins constituição das respectivas áreas ou para fins de apuração do imposto. Por tal razão, após amplo debate concluise que para os fatos geradores ocorridos até o ano de 2000, era dispensável a apresentação do ADA, conclusão que pode ser ilustrada pela seguinte ementa do STJ : PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA CONTIDA NA IN SRF Nº 67/97. IMPOSSIBILIDADE. (...) 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, é prescindível a apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10120.721487/200900 Acórdão n.º 9202004.626 CSRFT2 Fl. 462 11 Receita Federal (IN nº 67/97). Ato normativo infralegal não é capaz de restringir o direito à isenção do ITR, disciplinada nos termos da Lei nº 9.393/96 e da Lei 4.771/65. 3. Na hipótese, discutese a exigibilidade de tributo declarado em 1997, isto é, antes da entrada em vigor da Lei 10.165/00, que acrescentou o § 1º ao art. 17O da Lei 6.938/81. Logo, é evidente que esse dispositivo não incide na espécie, assim como também não há necessidade de se examinar a aplicabilidade do art. 106, I, do CTN, em virtude da nova redação atribuída ao § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 pela MP nº 2.16667/01. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1.283.326/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 8/11/2011, DJe 22/11/2011.) Tal entendimento fundamentase na regra de que a norma jurídica que regulamenta o conteúdo de uma lei é veículo secundário e infralegal e, portanto, seu conteúdo e alcance deve se restringir aos comando impostos pela lei em função da qual foi expedida. Neste sentido uma instrução normativa não poderia prever condição não exigida pela norma originária, mormente quando tal condição depende de manifestação de órgão cuja atuação não se vincula com o objetivo da norma desoneração tributária. Tal discussão assume um novo viés com a criação do art. 17O da Lei nº 6.938/81. Em 29.01.2000 foi editada a Lei nº 9.960/00 que acrescentou o citado art. 17 O à Lei nº 6.938/81, nesta oportunidade, por meio do §1º, o legislador expressamente previu que a utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR era opcional. Ocorre que tal previsão não produziu efeitos, pois antes mesmo da ocorrência de um novo fato gerador do ITR o referido artigo foi radicalmente modificado pela Lei nº 10.165, publicada em 27 de dezembro de 2000, a qual tornou o ADA instrumento obrigatório para fins de ITR: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 467DF CARF MF 12 § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Diante desta alteração normativa discutese agora se lei posterior teria o condão de condicionar a aplicação de norma específica de não incidência tributária à realização de dever extra fiscal. Se diz extra fiscal porque como conceituado pelo próprio órgão o ADA nada mais é que um documento de cadastro das áreas do imóvel junto ao IBAMA. Destacase: a função do ADA é apenas informar ao IBAMA a existência de área de interesse ambiental em propriedade, posse ou domínio de particular área essa reconhecida seja pela própria lei no caso de APP, ou por meio da averbação no caso da ARL. É documento meramente informativo de uma área já existente, ou seja, o ADA não é requisito para constituição de áreas não consideradas pelo legislador quando da delimitação do fato gerador do ITR. É por essa razão que compartilho do entendimento de que o ADA não tem reflexos sobre a regra matriz de incidência do ITR, a ausência de documento informativo ou sua apresentação intempestiva não pode gerar como efeito a desconsideração de área reconhecidamente classificada como não tributada pelo legislador. Assim, é notável o conflito existente entre o art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96 e o art. 17O da Lei nº 6.938/81, antinomia que deve ser solucionada pela aplicação do critério da especialidade, devendo prevalecer neste sentido a norma que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, qual a Lei nº 9.393/96. Destaco que, embora essa Relatora tenha o entendimento isolado de que o ADA é requisito dispensável para fins de desoneração do ITR em qualquer circunstância, o entendimento da maioria deste Colegiado é no sentido de se reconhecer ao Contribuinte o direito a isenção nos casos em que existir averbação da ARL à margem do registro do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, para a maioria o cumprimento deste requisito formal supre a necessidade de apresentação do ADA. Por fim, embora utilizandose de outros fundamentos, é importante mencionar que o Poder Judiciário, por meio do Superior Tribunal de Justiça tem firmado jurisprudência no sentido de que o ADA nunca foi, mesmo com a criação do art. 17O, requisito para desoneração do ITR, desoneração essa entendida pelos Ministros como isenção. Essa orientação do STJ foi recentemente reconhecida pela própria Fazenda Nacional por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016 que atualizou o Item 1.25 da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer prevista no art.2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN Nº 502/2016. Pela relevância, peço vênia para transcreve parte do parecer: Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10120.721487/200900 Acórdão n.º 9202004.626 CSRFT2 Fl. 463 13 a) Área de reserva legal e área de preservação permanente (NOVO) * Data da alteração da redação do resumo e da Observação 1, bem como da inclusão da Observação 2: 05/09/2016 Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR e AgRg no REsp 753469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensase a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensase também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, devese continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). PARECER PGFN/CRJ/No 1329/2016 Documento público. Averbação e prova da Área de Reserva Legal e da Área de Preservação Permanente. Natureza jurídica do registro. Ato Declaratório Ambiental. Isenção do Imposto Territorial Rural. Item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer. Art. 10, II, “a”, e § 7º da Lei nº 9.393, de 1996. Lei nº 12.651, de 2012. Lei 10.165, de 2000. (...) II.1 Exame da jurisprudência sobre o questionamento feito à luz da legislação anterior à Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000 que deu nova redação ao art. 17O da Lei nº 6.938, de 27 de dezembro de 2000 e à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal (...) 12. Após as considerações acima, restam incontroversas, no âmbito da Corte de Justiça, à luz da legislação aplicável ao questionamento, as posições abaixo: Fl. 469DF CARF MF 14 (i) é indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo aquela, para fins tributários, eficácia constitutiva; (ii) a prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; (iii) é desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois tal área se localiza a olho nu; e (iv) é desnecessária a apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR. (...) II.2 Considerações relacionadas ao questionamento à luz da legislação anterior à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal. (...) 21. Em que pese tal possibilidade de interpretação, o STJ utilizouse do teor do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, para reforçar a tese de que o ADA é inexigível, tendo, ao que tudo indica, desprezado o conteúdo do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, pois não foram encontradas decisões enfrentando esse regramento. Além disso, registrou que, como o dispositivo é norma interpretativa mais benéfica ao contribuinte, deveria retroagir. 22. Essa argumentação consta no inteiro teor dos acórdãos vencedores que trataram do tema, bem como na ementa do REsp nº 587.429/AL, senão vejamos: Trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, Relatora do REsp nº 665.123/PR: Como reforço do meu argumento, destaco que a Medida Provisória 2.166 67, de 24/08/2001, ainda vigente, mas não prequestionada no caso dos autos, fez inserir o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 para deslindar finalmente a controvérsia, dispensando o Ato Declaratório Ambiental nas hipótese de áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de cálculo do ITR [...] Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.112.283/PB: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.108.019/SP: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10120.721487/200900 Acórdão n.º 9202004.626 CSRFT2 Fl. 464 15 "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP.2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR. 1. Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, ao inserir § 7º ao art.10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicarse a fator pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante § 7º, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art.106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Recurso especial improvido." (REsp 587.429/AL, Rel. Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA TURMA, DJe de 2/8/2004) 23. A partir das colocações postas, concluise que, mesmo com a vigência do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, até a entrada em vigor da Lei nº 12.651, de 2012, o STJ continuou a rechaçar a exigência do ADA com base no teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24. Consequentemente, caso a ação envolva fato gerador de ITR, ocorrido antes da vigência da Lei nº 12.651, de 2012, não há motivo para discutir em juízo a obrigação de o contribuinte apresentar o ADA para o gozo de isenção do ITR, diante da pacificação da jurisprudência. (...) Portanto, considerando que há nos autos prova da averbação das áreas classificadas como de Reserva Legal em data anterior a ocorrência do fato gerador, deve ser reconhecido ao contribuinte o direito a não incidência do ITR. Diante do exposto, negase provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Fl. 471DF CARF MF 16 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 472DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.721797/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 08/01/2009 a 18/09/2012
OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO.
Presume-se a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não resta comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros. No caso concreto restou confirmado por meio da contabilidade da recorrente que os recursos financeiros eram repassados pelos interessados nas importações, escriturados a título de antecipação, corroborado por outros documentos.
DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. NÃO LOCALIZAÇÃO DAS MERCADORIAS. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real adquirente da mercadoria, sujeito passivo na operação de importação, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EFEITOS.
Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
Havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por qualquer um deles, não versando exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação a todos os autuados.
Recursos Voluntários Negados.
Numero da decisão: 3402-003.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento aos recursos voluntários da seguinte forma: (a) pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso voluntário da AST. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento por entenderem cabível a multa pela cessão do nome, com base no princípio da especialidade; (b) por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso da NTN DO BRASIL. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, e (c) por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso da RONCOLI - Rolamentos e Retentores Ltda.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela responsável solidária RONCOLI - Rolamentos e Retentores Ltda., o Dr. Ricardo Messetti, OAB/DF nº 30.373.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 08/01/2009 a 18/09/2012 OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. Presumese a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não resta comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros. No caso concreto restou confirmado por meio da contabilidade da recorrente que os recursos financeiros eram repassados pelos interessados nas importações, escriturados a título de antecipação, corroborado por outros documentos. DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. NÃO LOCALIZAÇÃO DAS MERCADORIAS. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente da mercadoria, sujeito passivo na operação de importação, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EFEITOS. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por qualquer um deles, não versando exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação a todos os autuados. Recursos Voluntários Negados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 17 97 /2 01 3- 17 Fl. 2789DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento aos recursos voluntários da seguinte forma: (a) pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso voluntário da AST. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento por entenderem cabível a multa pela cessão do nome, com base no princípio da especialidade; (b) por maioria de votos, negouse provimento ao recurso da NTN DO BRASIL. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, e (c) por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso da RONCOLI Rolamentos e Retentores Ltda. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela responsável solidária RONCOLI Rolamentos e Retentores Ltda., o Dr. Ricardo Messetti, OAB/DF nº 30.373. Relatório Tratase o processo de Auto de Infração (fls. 02/59), através do qual a fiscalização, segundo declarado no Relatório Fiscal, constatou ocultação do real adquirente das mercadorias, em relação a 62 (sessenta e duas) Declarações de Importação (DI) registradas de 01/2009 a 12/2012 (fls. 8/10), tendo formalizado exigência relativa a conversão da pena de perdimento em multa, por impossibilidade de apreensão das mercadorias. Conforme Relatório Fiscal de fls. 06/55, a fiscalização aduz que nos procedimentos realizados, a Recorrente AST desembaraçou diversas mercadorias, acobertadas pelas DI's relacionadas, por ela registradas, simulando serem as operações por conta e risco próprios, haja vista que restou provado que a importação foi por conta e ordem de terceiros, e a adquirente adiantou todos os valores para que fizesse frente aos pagamentos dos impostos, câmbio e demais despesas, além do envolvimento de outras empresas. De acordo com os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 04/05, foram consideradas responsáveis solidárias as empresas NTN DO BRASIL LTDA. (NTN DO BRASIL) e RONCOLI ROLAMENTOS E RETENTORES LTDA (RONCOLI). A acusação imputada à Recorrente se refere a prática de simulação na sistemática da operação de importação, com intuito de manter oculta a verdadeira importadora, o que é infração identificada como interposição fraudulenta de terceiros, além da evidente utilização de documentos com falsidade ideológica. Fl. 2790DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.790 3 Em todos os processos, segundo o autuante, representados pelas DI's relacionadas no quadro de fls. 8/10, a empresa adquirente RONCOLI ROLAMENTOS E RETENTORES LTDA (RONCOLI), comprou por sua conta e ordem, as mercadorias envolvidas, da exportadora NTN SUDAMERICANA, sediada no PANAMÁ, através da sua representante NTN DO BRASIL LTDA., que recebeu 5% de comissão sobre todas as vendas. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, de nº 0830.134, prolatada pela 7ª Turma da DRJ em Fortaleza (CE), a seguir transcrito na sua integralidade (fls. 2.673/2.706): "(...) Conforme Relatório Fiscal de fls. 0655, a fiscalização aduz que nos procedimentos realizados, a AST desembaraçou diversas mercadorias, acobertadas pelas DI's relacionadas, por ela registradas, simulando serem as operações por conta e risco próprios, haja vista que restou provado que a importação foi por conta e ordem de terceiros, e a adquirente adiantou todos os valores para que fizesse frente aos pagamentos dos impostos, câmbio e demais despesas, além do envolvimento de outra empresa. Em todos os processos, segundo o autuante, representados pelas DI's relacionadas, a empresa adquirente RONCOLI ROLAMENTOS E RETENTORES LTDA (CNPJ 54.493.877/0001 16), comprou por sua conta e ordem, as mercadorias envolvidas, da exportadora NTN SUDAMERICANA, sediada no PANAMÁ, através da sua representante NTN DO BRASIL LTDA., que recebeu 5% de comissão sobre todas as vendas. Segundo o auditor, o pedido de compra da RONCOLI sempre foi feito para a NTN BRASIL, que repassou para a NTN SUDAMERICANA. Perante essa exportadora a RONCOLI sempre foi a devedora, a responsável pelos pagamentos das mercadorias. Intimada, a NTN apresentou um pedido formulado pela RONCOLI em 2012 (fls. 414 a 486), onde fica evidente, segundo o autuante, que a adquirente é quem compra as mercadorias na forma descrita neste procedimento fiscal; nesse ato não existe qualquer participação da AST, como também fica comprovado que esta não assume os custos; todos foram suportados pela RONCOLI, estando, segundo a fiscalização, escancarada a simulação. Essa prática, conforme o fiscal, de simulação na sistemática da operação de importação, com intuito de manter oculta a verdadeira importadora (não constou na DI ou qualquer outro documento apresentado no despacho), é infração identificada como interposição fraudulenta de terceiros, além da evidente utilização de documentos com falsidade ideológica. Essas duas infrações motivam a proposição da pena de perdimento. Nestes casos, vez que as mercadorias já foram encaminhadas a consumo, a pena passa a ser multa de 100% do valor aduaneiro das mercadorias. Fl. 2791DF CARF MF 4 As mercadorias envolvidas foram declaradas como exportadas pela NTN SUDAMERICANA, e internadas como sendo mercadorias compradas pela AST, que as nacionalizou e encaminhou ao adquirente em território nacional. Às fls. 0810, a fiscalização relaciona as Declarações de Importação envolvidas no procedimento, chamando a atenção para as datas de desembaraço, das notas fiscais de entradas e das notas fiscais das saídas, que são praticamente iguais, indícios claros, segundo o autuante, de que as mercadorias, quando internadas, já tinham endereço certo para entrega e que nunca foram compradas ou vendidas pela AST. A sua atuação foi de prestação de serviços na internação, nacionalização e encaminhamento das mercadorias à verdadeira compradora (real importadora), esta sim, através da NTN BRASIL, comprou os bens envolvidos da NTN SUDAMERICANA, adiantando todos os valores aplicados nestas importações para que a AST pudesse fazer frente aos gastos com o desembaraço das mercadorias. As mercadorias nacionalizadas através da DI 09/01138929, foram vendidas para a RONCOLI e para outras empresas; assim o valor aduaneiro foi distribuído proporcionalmente ao valor das notas fiscais de saída, restando o valor aduaneiro atribuído à RONCOLI na forma que a fiscalização demonsta quadro à fl. 10. Conforme quadro anexado às fls. 1112, a fiscalização chama a atenção para as datas de registro, das notas fiscais das saídas e do contrato de câmbio, que, quando comparadas com as datas dos pagamentos, deixa evidente que depósitos sempre acontecem em datas anteriores ao registro da DI e aos pagamentos das contratações de câmbios para quitação das obrigações com o exterior. As antecipações feitas pela empresa RONCOLI, que aconteceram para cada processo, foram normalmente em parcelas depositadas diretamente em conta corrente da AST e um pagamento através da quitação de duplicata. Para comprovar esses adiantamentos, a fiscalização afirma que verificou os documentos apresentados pela adquirente, os quais não foram suficientes para identificar todos os pagamentos feitos (os documentos apresentados estavam limitados a diversos documentos de cobrança, composições de valores reclamados pela AST e cópias de duplicatas, sem as devidas quitações). Assim, o autuante buscou as comprovações na contabilidade da AST e, através do SPED (SERVIÇO PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL), conseguiu, segundo afirma, comprovar todos os adiantamentos feitos pela RONCOLI. Em praticamente todos os casos pôdese, conforme a fiscalização, vincular os valores adiantados pela RONCOLI, registrados na contabilidade da AST, às Notas Fiscais de saída para essa adquirente. Não foi possível, segundo o autuante, comprovar os valores registrados a partir de 01/08/2012, pois o razão apresentado pela AST continha os registros dos pagamentos efetuados até 31/07/2012. Assim, para demonstrar os adiantamentos feitos pela RONCOLI, a fiscalização apresenta cópia de folhas de extrato do Razão Contábil da AST com Contrapartida (obtidos através do Fl. 2792DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.791 5 SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL SPED), onde constaram todos os adiantamentos e demais pagamentos feitos entre 01/01/2009 e 31/07/2012. Os adiantamentos do processo representado pela DI 09/0030441 8, aconteceram, segundo o auditor fiscal, em tese, em 2008; assim o pagamento encontrado em 2009 não completou o total da Nota Fiscal de venda. No que se refere aos cinco últimos processos de 2012, os demais pagamentos aconteceram a partir de 01/08/2012 e o razão apresentado atingiu até 31/07/2012. Em todos os casos os adiantamentos aconteceram, não existe qualquer dúvida; não foram comprovados porque a documentação apresentada não contemplou os lançamentos dessas datas. Verificando os demais processos registrados e desembaraçados pela AST, envolvendo outros exportadores e outros adquirentes, que continuam sendo trabalhados, da mesma forma, a fiscalização afirma que foram identificados diversos indícios que demonstraram a prática da interposição fraudulenta e uso de documentos material e ideologicamente falsos, o que significa, segundo a fiscalização, que a empresa vem atuando de forma irregular, no comércio internacional, de maneira continuada, adotando a mesma sistemática na forma já descrita. A falta de condição financeira da AST para atuar no comércio internacional fica evidente, segundo a fiscalização, uma vez que ela necessita de adiantamentos dos adquirentes para cumprir com os compromissos de nacionalização de importações que registra como sendo por conta e risco próprios, e pelo procedimento adotado no aumento do Capital Social, feito em 2006, quando passou de R$ 100.000,00 para R$ 755.000,00; aumento esse que justificou como sendo com aquisição de imóvel rural e foi feito para demonstrar capacidade de pagamento (fls. 124). Segundo a fiscalização, o aumento de Capital mencionado não altera a condição financeira da empresa, já que o imóvel foi comprado pela própria AST, em 24/05/2000, por R$ 87.300,00 (fls. 114 a 117), sendo que esse valor naturalmente foi pago e diminuiu o saldo das disponibilidades. Em seguida, o mesmo Imóvel foi reavaliado em R$ 655.000,00, com base em Laudo (fls. 118 a 120), emitido em 17/04/2006, que sequer foi registrado em cartório, e utilizado para aumentar o Capital da empresa. Seguindo com a verificação da situação financeira da AST, o autuante apresenta, às fls. 1415, a evolução anotada com base nas principais rubricas contábeis, sendo os valores apresentados os que constaram nas DIPJ's apresentadas e balancete de 01 a 07/2012. Já quando são comparados o saldo final de 2009 e o inicial de 2010, surgem, segundo o fiscal, as primeiras incongruências. Em diversas linhas os valores estão divergentes. Esse quadro fica agravado, segundo o auditor, quando se verifica que alguns saldos dos valores registrados no realizável em curto prazo, que deveriam dar sustentabilidade às obrigações mais Fl. 2793DF CARF MF 6 imediatas, como a conta de CLIENTES, registram valores expressivos a receber de empresas ligadas, demonstrando que efetivamente não estão servindo de lastro de direitos capazes de sustentar o passivo circulante. É o caso das empresas ÁGUIA IMP E EXP e ARCA ENGENHARIA, a primeira com saldo de R$ 1.911.567,99 e a segunda com saldo de R$ 3.519.497,51. A fiscalização menciona também, o valor registrado no Ativo Circulante, como sendo "ADIANTAMENTOS À NTN" R$ 3.856.269,65, o qual foi, segundo o auditor, adiantado pelos adquirentes de rolamentos que pagam antecipadamente as mercadorias; tais valores seguem compensados com adiantamentos de clientes, registrados no Passivo Circulante. A fiscalização noticia, ainda, problemas em relação a Impostos a Recuperar. Todas essas evidências demonstram, segundo o autuante, que efetivamente a AST não tem condição financeira para atuar no comércio internacional, precisando dos adiantamentos dos adquirentes, não só nas suas operações por conta e ordem de terceiros, mas em todos os procedimentos, e assim passou a simular as operações que precisava registrar como sendo por conta e risco próprios e para encomendante, para poder continuar recebendo os benefícios financeiros do FUNDAP. Essa constatação de falta de condição financeira foi, segundo a fiscalização, confirmada em todos os processos trabalhados. Em todos eles a AST necessitou do adiantamento da RONCOLI para dar continuidade aos procedimentos de nacionalização e pagamento ao exterior. Mesmo nos casos em que registrou Importação por Encomenda, conforme constatado em outros procedimentos, a AST precisou, segundo o autuante, de adiantamentos da encomendante para poder fazer frente aos seus compromissos com o desembaraço aduaneiro. Nessa forma de agir, os intervenientes, segundo o autuante, falsificaram as faturas comerciais apresentadas à RFB para nacionalização das mercadorias, e declararam operações de comércio exterior de forma simulada. Esses documentos e declarações formuladas não representam as operações comerciais, pois o importador nelas indicado não o é de fato. A AST foi interposta nas relações dos demais envolvidos com o fisco, permitindo que esses últimos permanecessem ocultos aos olhos da fiscalização. A troca da sistemática de operação no comércio exterior interfere, segundo o auditor, nas obrigações fiscais, colocando a empresa interposta na qualidade de compradora das mercadorias e importadora, remetendo esse contribuinte à qualidade de provocador e responsável pelas infrações, ao passo que a compradora das mercadorias no exterior (real importadora) e os demais envolvidos, permanecem completamente ocultos, sendo que as suas atividades somente foram identificadas no curso do trabalho fiscal. No tópico “DETALHAMENTO DA FRAUDE”, a fiscalização declara que, para se dimensionar as penalidades a serem aplicadas, devese considerar os fatos. Fl. 2794DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.792 7 Segundo o fiscal, como demonstrado ao longo relatório, os atos praticados pela importadora declarada tiveram como objetivo ocultar a verdadeira interessada nas mercadorias estrangeiras, e as demais empresas envolvidas nas operações de importação objeto de autuação. Embora a intenção do agente não seja relevante para a caracterização da infração o é para a identificação da sonegação, fraude e conluio, os quais estão definidos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/1964. O procedimento fiscal, segundo o autuante, é farto de elementos que comprovam de forma inequívoca que a prática de declarações inexatas é fruto de ações praticadas com dolo pelos importadores e demais comerciantes envolvidos, que, intencionalmente, promoveram modificações nas características essenciais da operação de importação, de modo a ocultar a participação do real importador. Segundo a fiscalização, estão presentes, portanto, nos atos praticados pelos importadores, a sonegação, conluio, simulação e a fraude, uma vez que elementos básicos, dessas importações, foram alterados intencionalmente em todos os processos, para, além de manter ocultos, afastar os demais envolvidos da condição de adquirentes por conta e ordem. Ainda assim, de acordo com o auditor, não se trata apenas de alteração ou falha na definição da modalidade de importação, mas de falsidade de documentos que instruem os despachos aduaneiros de importação, quais sejam as faturas comerciais e documentos de comprovação do transporte internacional, pois quem comprou as mercadorias no exterior não foi declarado e a sua identificação e qualidade de real importador obrigatoriamente deveria estar registrada em todos esses documentos. Os documentos apresentados registram, segundo o fiscal, operação de importação por conta e risco da AST; já as constatações e verificações fiscais, que estão sendo apresentadas como provas, demonstram que o representante do exportador e o comprador das mercadorias no exterior ficaram ocultos em todos os procedimentos. Da mesma forma a AST não é a compradora das mercadorias, como quiseram fazer crer, utilizando documentos ao menos ideologicamente falsos e fazendo declarações inverídicas no momento da internação das mercadorias, no registro da Declaração de Importação e comercialização em território nacional. O autuante afirma que, conforme se depreende do parágrafo único do art.1º da IN SRF n° 225/2002, a importação por conta e ordem de terceiros pode variar na sua complexidade, em função da negociação entre as partes, mas tem por essência o interesse do adquirente em receber suas mercadorias negociadas no exterior, sem o que, a motivação do importador para promover a nacionalização das mercadorias não existiria. Assim, caso a importação deixe de ser efetivamente negociada entre importador e exportador, havendo um terceiro responsável, Fl. 2795DF CARF MF 8 vinculado à aquisição das mercadorias do exterior, sem que seja consignada a identificação na DI e nos documentos de instrução, limitandose, a função do importador, a constar apenas nominalmente nos documentos necessários ao despacho aduaneiro, resta evidenciada a ocorrência enquadrada como ocultação do real responsável pela operação, mediante interposição fraudulenta. Informa, ainda, o autuante, que na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o promotor da operação é o real adquirente. Este é o mandante da importação, aquele que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional. Além disso, é o adquirente que pactua a compra internacional e dispõe de capacidade econômica para o pagamento, pela via cambial, da importação, pois é deste que se originam os recursos financeiros. Destacase a hipótese da pena de perdimento introduzida pela Medida Provisória n° 66/2002 (convertida na Lei n° 10.637/2002), que inclui também a simulação (DecretoLei n° 1.455/76 com alterações promovidas pela MP n° 66/2002 convertida na Lei n°. 10.637/2002) e a multa equivalente ao valor aduaneiro, para os casos em que a mercadoria é consumida (Redação dada pela Lei n° 12.350 de 20/12/2010). No tópico “EMPRESAS ENVOLVIDAS NESTE PROCEDIMENTO FISCAL”, o autuante inicia discorrendo sobre a AST. Informa que esta empresa foi credenciada como interveniente no comercio exterior na modalidade ordinária (com procedimento de diligência) e sempre se aproveitou dos benefícios financeiros do FUNDAP (Fundo para o Desenvolvimento de Atividades Portuárias), criado pelo estado do Espírito Santo. Dando continuidade, o fiscal discorre sobre a RONCOLI. Intimada, em 14/02/2013, a esclarecer e apresentar documentos (fls. 386 a 390), atendeu prontamente à fiscalização, sem completar os documentos necessários para comprovar a quitação das notas fiscais emitidas pela AST. Discorrendo sobre a NTN DO BRASIL, a fiscalização afirma que a empresa foi diligenciada e intimada, em 05/03/2013, a esclarecer e apresentar documentos, sendo que na diligência foi esclarecido que os adquirentes das mercadorias colocam os pedidos de compra diretamente para a NTN DO BRASIL, que providencia e encaminha os pedidos para a NTN SUDAMERICANA. Esses procedimentos foram descritos em correspondência aos seus representantes e demonstram que as empresas adquirentes foram levadas a agir dessa forma, para que pudessem adquirir as mercadorias que comercializam (fls. 366 a 369). Pôdese identificar também que somente a partir do embarque e emissão da fatura internacional eram iniciados os procedimentos a cargo da AST. Fl. 2796DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.793 9 No tópico “FORMAÇÃO DAS PROVAS”, a fiscalização informa que, no procedimento fiscal, as provas juntadas estão representadas pelos documentos entregues no registro das DI's relacionadas; aqueles que foram apresentados em atendimentos às intimações da ação fiscal pelas empresas AST, RONCOLI e NTN DO BRASIL; documentos registrados no Sistema Público de Escrituração Digital, sites livres da internet e resultados de inquirições nos sistemas administrados pela RFB. Todos esses elementos permitiram, segundo o auditor, a formação de robusto quadro indiciário e probatório, demonstrando de forma cabal as infrações praticadas e a inexistência da necessária boa fé nas ações de parte dos contribuintes envolvidos, motivando a autuação, nos termos descritos. A fiscalização, no tópico “DAS CONSTATAÇÕES, INDÍCIOS E PROVAS”, afirma que as constatações deram conta de que as mercadorias não foram compradas pela AST, assim como demonstraram que os impostos e demais despesas foram suportados pela RONCOLI, que adiantou todos os valores para que a AST pudesse cumprir com as obrigações relacionadas com o desembaraço e pagamento à NTN SUDAMERICANA. Em seguida, o fiscal enumera outras constatações que, segundo ele, além de reforçarem os demais indícios e provas, sustentam os entendimentos fiscais e justificam a autuação, tanto no que refere à prática da infração identificada como Interposição Fraudulenta como da infração identificada na utilização de documento ao menos ideologicamente falso: a. As mercadorias envolvidas nos processos em comento, que têm itens muito específicos, necessitam de boa estrutura comercial e de distribuição, para a comercialização, incoerente com a atividade da empresa importadora, agindo por conta e risco próprio, pois em sua estrutura não tem departamento de compra e/ou venda, e por esse motivo não tem estrutura suficiente para atuar na forma simulada, esse indício de que a AST atua por conta e ordem de terceiros foi comprovado com a identificação de quem comprou e quem arcou com os custos das importações em análise. b. Assim, considerando as especialidades das mercadorias envolvidas, se torna evidente que a compra no exterior não foi feita pela AST, que atua basicamente na prestação de serviços e nacionalização de mercadorias não demonstrando estrutura suficiente para administrar esses procedimentos. c. As importações em questão foram registradas pela AST na sistemática de por conta e risco próprio e as notas fiscais de venda registraram como adquirente a empresa RONCOLI. d.As datas de registro, desembaraço, entrada das mercadorias na AST e de venda desta para a RONCOLI, são muito próximas, o que demonstra que as mercadorias simplesmente passaram pela importadora e imediatamente foram repassadas para a compradora. Fl. 2797DF CARF MF 10 e. Os pedidos de compra foram feitos pela RONCOLI para a NTN BRASIL, que atuou junto a NTN SUDAMERICANA identificada como exportadora das mercadorias. f. Nos registros contábeis da empresa AST, constaram todos os adiantamentos feitos pela empresa RONCOLI que comprovou a grande maioria dos pagamentos feitos, apresentando cópias dos seus comprovantes, conforme os documentos das folhas constantes no quadro seguinte: (...) g. Em todo esse esquema montado, destacase a participação das empresas AST e NTN, as principais beneficiadas, e seguramente os idealizadores dos procedimentos irregulares, a primeira, sem condições de operar no comércio exterior por conta e risco próprio (fls. 12 a 16), optou pelo procedimento irregular para continuar se aproveitando do benefício financeiro do FUNDAP, e a segunda optou por essa forma de procedimento para facilitar os controles de venda, distribuição, cobrança e demais assuntos administrativos. Conforme a fiscalização, restou evidente que o real comprador das mercadorias, que permaneceu oculto aos olhos da fiscalização, nos despachos aduaneiros dessas importações, foi identificado nos documentos que foram apresentados mediante intimações e diligências da ação fiscal, em conjunto com as demais empresas envolvidas, que também foram identificadas como beneficiadas nas operações de importação registradas, como sobejamente demonstrado. Ficou também caracterizada a falsidade ideológica nas faturas comerciais apresentadas à RFB para nacionalização das mercadorias, já que elas absolutamente não representam as operações comerciais. O Auditor aduz, ainda, que, restando evidenciada a ocorrência enquadrada como ocultação do real responsável pela operação, mediante interposição fraudulenta, é irrelevante, a questão do custeamento num primeiro momento, pelo importador, a fim de afastar a responsabilidade do terceiro oculto e furtarse aos reflexos da equiparação a industrial, necessariamente decorrente da verdadeira operação. Continua o autuante, afirmando que não há proveito em se discutir a propriedade na titulação de real adquirente, já que consta a fundamentação legal que ampara o feito da eleição do real responsável pela operação; termo genérico e residual que abrange, além do sujeito passivo e do real adquirente, qualquer forma que venha a surgir para a atuação no comércio exterior, na qual haja um terceiro, quarto ou quinto envolvido, que desencadeie e negocie efetivamente a importação e se oculte ao fisco, mediante interposição fraudulenta. Desnecessário destacar, aduz o fiscal, que tal procedimento (omissão da participação do real agente da operação) é extremamente pernicioso ao sistema, pois mais do que o fisco (federal, estadual e municipal), que deixa de receber o que lhe é por lei devido, o principal e implacavelmente atingido é o comerciante cumpridor de suas obrigações tributárias, que se vê excluído pelo concorrente inescrupuloso que sonega tributos e faz Fl. 2798DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.794 11 concorrência absolutamente desleal. Cabe ao Estado, assim, não apenas apurar os tributos devidos, mas também garantir condições justas de mercado aos contribuintes que cumprem com suas obrigações. É evidente que o ordenamento jurídico não compadece com a máfé. Tratando da interposição fraudulenta, o auditor afirma que a ocultação do real sujeito passivo é método de se eximir da responsabilização pelos atos praticados. Sua caracterização como fraude decorre de disposição legal, pois a ação ou omissão atinge, excluindo ou modificando, a obrigação tributária em uma das suas características essenciais, qual seja, o sujeito passivo. Por todos os fatos demonstrados fica configurada, segundo o auditor, a infração interposição fraudulenta de terceiros. A legislação é muito clara, cabendo a pena de perdimento das mercadorias envolvidas e, no caso daquelas remetidas a consumo, a multa equivalente ao valor aduaneiro. Essa infração está sempre seguida da infração de apresentação de documento falso para a nacionalização das mercadorias, porque, já ao apresentar nome diferente do real importador, está configurada a falsidade ideológica. A fiscalização afirma que este tipo de infração é de difícil prova cabal, pois, como se vê neste caso, todos os documentos e declarações foram preparados de forma a manter oculta a real importadora RONCOLI, declarando a interposta pessoa jurídica AST como importador. Destacase ainda a participação da NTN DO BRASIL, que recebeu comissões sobre as vendas e participou de toda a simulação engendrada. Comenta o auditor que, na importação de mercadorias, conforme é sabido, não está em jogo unicamente as relações comerciais privadas, apenas comércio, há o envolvimento do Estado, existem declarações e documentos apresentados à RFB, que servem de embasamento para a tomada de decisão fiscal e cálculo de impostos, isso muda o ambiente, exigindo absoluta boa fé, não há espaço para a esperteza, muitas vezes aceita como razoável nas relações comerciais. A infração tratada neste tópico (primeira infração), configurada, pelos atos praticados pelos contribuintes, como interposição fraudulenta, por si só já motiva a pena de perdimento, nos termos da legislação vigente. Tratando da segunda infração, auditor afirma que o art. 105, VI, do DecretoLei n° 37/66, autoriza a aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada na hipótese de "qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado". Isso consta também no art. 689, inciso VI, do Decreto nº 6.759/2009 (RA/2009). O autuante declara que, conforme demonstrado (infração 001), as operações de importação em análise são simuladas, pois omitem a real compradora das mercadorias (real importadora), e apresentam operações por conta e risco próprios, quando na realidade foi operação por conta e ordem de terceiros. Fl. 2799DF CARF MF 12 Tal irregularidade foi constatada, segundo o fiscal, nos documentos apresentados, acobertando as mercadorias em questão, BL, Packing List e Fatura internacional, declarando como importadora a AST, documentos identificados como ideologicamente falsos. O auditor afirma que a infração em relevo, também por si só já motiva a pena de perdimento, nos termos da legislação vigente. A fiscalização, então, informa que procedeu à autuação dos qualificados, com fundamento na legislação vigente, pela prática das infrações citadas e demonstradas em seguida, com seus fundamentos legais relacionados ao final de cada uma. As infrações foram: a Interposição Fraudulenta, com a ocultação do real adquirente das mercadorias, comprador e principal interessado nas operações de importação das mercadorias em questão, para a qual cabe a proposição da pena de perdimento, consoante o disposto no art. 689, inciso XXII, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/2009) (art. 23, inciso V, §§ 1º e 2º do DecretoLei nº 1.455/1976); e falsificação ou adulteração de qualquer documento necessário ao embarque/desembaraço de mercadoria estrangeira (art. 105, inciso, VI do DecretoLei nº 37/1966). Como as mercadorias foram remetidas a consumo, a infração fica punida com multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias (DecretoLei n° 1455/76, Art. 23, inciso V e parágrafo 3º). Os envolvidos e seus responsáveis, ficam cientes também, de acordo com o autuante, de que foi promovida a REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, formalizada nos termos do Processo 12466.721798/201361, em cumprimento ao disposto na PORTARIA RFB n°. 2.439 de 21 de dezembro de 2010, haja vista que restou caracterizada a ocorrência de fato que, em tese, configura crime contra a ordem tributária, definido no artigo 1º da Lei n.° 8.137, de 27/12/1990. Das impugnações Cientificada do lançamento em 11/06/2013 (fl. 2.488), a AST insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 19/06/2013, a impugnação de fls. 2.6252.632, em que, após discorrer sobre tempestividade e fatos, alega: mesmo com todo conjunto de documentos aduaneiros e fiscais entregues voluntariamente à fiscalização (com os tributos pagos conforme normatização), esta não obteve sucesso na comprovação de irregularidades, laborando em equívoco, ao presumir situações inexistentes, objetivando dar sustentabilidade à conclusão de que teria havido a infração de interposição fraudulenta; muito embora tenha havido grande esforço da fiscalização para tentar comprovar uma suposta incapacidade financeira da empresa, fato é que o conjunto probatório demonstra exatamente o oposto; pela documentação já juntada às fls. 69/73 e 121/123, observase que a empresa possuía um capital social de R$ 755.000,00 (setecentos e cinquenta e cinco mil reais) Fl. 2800DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.795 13 desde 25.10.2006, conforme demonstra o Laudo de fls. 121/123 e a 21a. Alteração Contratual, sendo certo que tais informações eram de conhecimento da RFB desde 10.08.2007, conforme documento de fls. 127/130; observandose o histórico de importações apresentado no Relatório, verificase que a empresa anualmente possuía movimentação de importação baixa, em média inferior a dois eventos por mês; constatase que nenhuma dessas importações mensais, realizadas no período determinado pela fiscalização, sequer chegou a aproximarse da capacidade financeira da empresa, especialmente dos valores integralizados no capital social próprio; evidente, portanto, sua capacidade financeira para solver suas importações; não há nos documentos constantes dos autos, relativos ao período fiscalizado, qualquer indício que desabone a capacidade financeira da empresa autuada, senão a simples presunção, admitida pelo fiscal responsável, de que o imóvel utilizado para aumento do capital social não teria o valor declarado; há decisão judicial que atribui ao imóvel utilizado para aumento de capital o valor de R$ 504.000,00; em nova presunção, ao afirmar que a empresa optou por atrasar os recolhimentos para poder fazer frente a outras responsabilidades, indício de falta de condição financeira, a fiscalização nada de concreto afirma, nada prova, e, portanto, nada de proveitoso conclui; no que se refere aos cálculos realizados entre os valores de importação, notas fiscais de entrada e de saída de mercadorias, especialmente as planilhas colacionadas no relatório, constatase que os valores não se conjugam como afirmado pela fiscalização. Diante da falta de correlação ou semelhança entre os valores, o autuante presume, mais uma vez, que os valores somente se diferem em razão de existir uma suposta "comissão" na diferença apurada; novamente, evidente a utilização de presunções diversas objetivando atingir fim específico, qual seja, o de construir uma ficção para embasar o intuito de configurar uma suposta incapacidade financeira que, por corolário lógico, embasaria sua tese de interposição fraudulenta; contudo, as razões do auto de infração não subsistem, já que não há documentos ou provas concretas que revelem a dita incapacidade financeira da recorrente. Ao revés disso, evidente sua capacidade econômica desde antes do período fiscalizado, conforme a alteração contratual e dados contábeis anexados; Fl. 2801DF CARF MF 14 logo, impossível sustentar a acusação da incapacidade financeira da recorrente, o que culmina na impossibilidade de atribuir a ela, a infração de interposição fraudulenta apontada pela fiscalização; em nenhuma hipótese houve, nas movimentações da empresa, a falsificação de documentos, tampouco adulteração. Não há nos autos sequer o apontamento de qual documento teria sido falsificado ou adulterado; nesta toada, exsurge a violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, já que sem apontar especificadamente qual documentação foi alterada ou falsificada, impede a fiscalização que a requerida promova sua defesa de forma ampla; todas as operações de importação realizadas seguiram o trâmite legal, passaram pelo crivo da RFB, tiveram o recolhimento dos tributos e encargos de forma escorreita e antecipada, e inexiste qualquer irregularidade tendente a configurar a tipificação de falsificação ou adulteração apontada pela fiscalização; não houve dolo nas operações da empresa, que tem histórico profissional escorreito ao longo de sua vida; posto isso, considerando que no presente caso as presunções adotadas pela fiscalização não foram hábeis a demonstrar a ocorrência das infrações impostas à contestante, especialmente pela existência de capacidade financeira, e ainda, pela lisura das diligências adotadas nos procedimentos de importação, que efetivamente fulminam a possibilidade de adulteração ou falsificação de documentos narrada, respeitosamente requerse a revisão do posicionamento adotado, para anular o auto de infração guerreado, bem como suas consequências; Isto posto, requer: desde já, seja atribuído à impugnação o efeito suspensivo, suspendendo os efeitos das consequências da lavratura do auto de n°. 0727600/00453/13 (tais como a exigibilidade da multa aplicada), até o trânsito em julgado da respectiva decisão final administrativa; que sejam apreciados os fundamentos invocados, dandolhe total provimento, no sentido de: a) anular o auto de infração de n° 0727600/00453/13, em razão de que este se encontra baseado em presunções fáticas inexistentes, bem como em premissas igualmente equivocadas, que não conduzem às infrações capituladas como “INFRAÇÕES I e II”; b) anular a pena aplicada no valor de R$ 1.918.858,24 pelo auto guerreado, com vencimento em 26/06/2013. ao final, com o provimento da defesa, requerse a consequente extinção do presente Processo Administrativo e a juntada dos documentos em anexo, que comprovam o quanto alegado. Fl. 2802DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.796 15 A NTN, cientificada do lançamento em 29/05/2013 (fl. 2.490), insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 21/06/2013, a impugnação de fls. 2.5122.5261, em que alega: o serviço de representação comercial realizado pela NTN DO BRASIL para a NTN Japão e NTN SUDAMERICANA se restringe a receber os pedidos de seus Distribuidores no Brasil e encaminhálos a uma das representadas, conforme o caso, sem qualquer intervenção sobre o processo de internalização dos equipamentos no Brasil; ou seja, diversamente do afirmado no auto de infração, a NTN DO BRASIL não adquire, seja direta ou indiretamente, qualquer um dos produtos de suas representadas para venda do Brasil; as etapas do processo são: “a)A NTN Brasil recebe do Distribuidor dos produtos NTN Internacional email com a solicitação para que essa faça uma programação (back order) de compra junto a NTN SUDAMERICANA; b)A NTN Brasil encaminha o pedido de programação de compra para a NTN SUDAMERICANA para que essa verifique a disponibilidade de produtos, bem como as datas em que essa mercadoria poderá ser enviada ao Distribuidor; c)Uma vez sendo informada da disponibilidade de equipamentos e da data de entrega, a NTN Brasil simplesmente repassa as informações recebidas ao Distribuidor, bem como fornece ao Distribuidor as instruções de preenchimento do pedido com os dados necessários para que NTN Internacional realize o faturamento (docs. anexos); d)A NTN Brasil retransmite as informações recebidas do Distribuidor à NTN SUDAMERICANA.” é o Distribuidor, a seu exclusivo critério e sem qualquer intervenção da NTN, seja ela a nacional ou a internacional, quem fornece os dados para a finalização do pedido a ser encaminhado à NTN internacional; igualmente e o mais importante, é o fato de que o Distribuidor é quem discrimina a quem será vendido ou consignado o produto, a quantidade de peças a serem embarcadas, forma de pagamento, dados do Agente na origem e no destino e o Porto de destino; portanto, cumpre a NTN DO BRASIL a simples tarefa de retransmitir as informações à NTN internacional. Desta feita, resta evidente e inequívoco que o Distribuidor é quem responde pela veracidade das informações, vez que partiram dele, não cabendo à NTN DO BRASIL o dever de fiscalização e controle da operação do Distribuidor, eis que é relação jurídica à qual não está vinculada; após o encaminhamento do pedido, a atividade da NTN DO BRASIL frente ao Distribuidor se limita ao Suporte Técnico dos Fl. 2803DF CARF MF 16 produtos NTN Internacional, consistindo esse suporte em: a) realização de palestras e cursos; b) acompanhamento de montagens de peças (em casos especiais); c) elaboração de laudos técnicos; d) propor melhorias técnicas para a redução do custo com a manutenção; e e) assistência técnica em geral; a NTN DO BRASIL não é responsável pela internalização/nacionalização dos equipamentos adquiridos pelo Distribuidor, não se compromete ou dá qualquer suporte no processo de internalização dos equipamentos e/ou nem mesmo indica a importadora que faça esse tipo de serviço, ficando a exclusivo critério do Distribuidor a forma de internalização dos equipamentos; o fato mais importante é que a NTN DO BRASIL jamais indica ou indicou qualquer intermediador do processo de importação, assim como nunca prestou qualquer orientação em relação a tal procedimento; vista a realidade dos fatos e da efetiva atuação da NTN DO BRASIL, devem ser analisados os fundamentos jurídicos que afastam sua suposta sujeição passiva solidária pelos procedimentos de importação tratados no auto de infração ora impugnado e infrações apuradas; jamais a NTN DO BRASIL agiu com qualquer espécie de dolo ou de forma coordenada para fraudar importações dos adquirentes das mercadorias de seus representados, registrando o seu mais veemente inconformismo e repúdio a tais afirmações constantes do auto de infração; o auto de infração não está fundado em provas materiais ou indícios que sustentem as pesadas afirmações de que teria a NTN DO BRASIL atuado em conluio, coordenação, fraude e abono de procedimentos ilegais para facilitar os controles de venda, distribuição, cobrança e demais assuntos administrativos (fls. 40 do auto de infração); há precariedade na prova produzida para a conclusão da sujeição passiva da NTN DO BRASIL, pois o que está no auto de infração e nos documentos colacionados não tem conteúdo que permita, minimamente, a afirmação da existência do indigitado conluio para fraude; diversamente do afirmado, a NTN DO BRASIL não comercializa equipamentos NTN ou tem qualquer espécie de representante no território nacional, pois as empresas que adquirem, por seu intermédio, os produtos das empresas estrangeiras, são distribuidores destas; a NTN DO BRASIL apenas representa as empresas estrangeiras, não tendo qualquer representante aqui no Brasil, pois não tem atividade de venda dos produtos das empresas representadas; sua atividade, assim, configura a forma clássica da representação comercial prevista na Lei Federal 4.886/65 que regulamenta a atividade do Representante Comercial; Fl. 2804DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.797 17 assim é inequívoco que a NTN DO BRASIL, legitimamente e economicamente ativa, atue no sentido de ampliação e promoção dos produtos das empresas que representa, atividade que exerce estritamente no âmbito da intermediação entre compradores no mercado nacional e vendedores estrangeiros, limitandose, contudo, aos atos de fechamento dos negócios, sem qualquer ingerência nos aspectos da contratação de transporte e tratamento aduaneiro das operações realizadas pelos compradores e prepostos por eles nomeados para isso; nesse cenário, pautado pela característica do comércio internacional e, portanto, com circulação de mercadorias sujeitas ao controle aduaneiro estatal, não existe qualquer obrigação legal ou contratual do representante comercial acompanhar ou participar dos trâmites aduaneiros adotados pelo comprador; assim, não havia razão para a NTN DO BRASIL invadir uma esfera de atuação e responsabilidade que era dos compradores aqui no Brasil, diretamente ou por meio de prepostos; como demonstram os documentos anexos e que espelham a realidade da atuação da NTN DO BRASIL, há pedido expresso de confirmação dos moldes e termos em que seriam realizados os embarques; ou seja, ela solicitou às empresas adquirentes que informassem os elementos da operação de importação que permitiam os trâmites de embarque, mas, de forma alguma, impôs ou induziu qualquer espécie de operação previamente engendrada; no caso em análise assim agiu por ser a interface entre as empresas exportadoras e as empresas importadoras, tendo atendido às orientações dos adquirentes inclusive para cumprimento das exigências do artigo 557 do Regulamento Aduaneiro que determina a emissão de fatura comercial com identificação do exportador e do importador e, se for o caso, do adquirente ou encomendante predeterminado; essa circunstância, de modo algum, significa fraude, simulação ou movimento coordenado, mas apenas e tão somente o conhecimento prévio, por parte do representante comercial, das informações necessárias para que o exportador adote as providências que lhe cabem para expedição das mercadorias; e se as instruções do adquirente foram no sentido de gerar a fatura comercial em nome da AST não caberia à NTN DO BRASIL, na qualidade de representante comercial da empresa exportadora, questionar ou analisar a legalidade da operação entabulada entre a empresa adquirente e seu preposto para os trâmites aduaneiros e internalização da carga; a prova documental é clara: nunca houve conluio, simulação ou coordenação por parte da NTN DO BRASIL para qualquer espécie de fraude ou operação ilícita. Uma vez concluído o negócio de compra e venda entre exportadores e importadores, não é de responsabilidade na NTN DO BRASIL analisar a legalidade ou viabilidade da operação de importação, pois sua atuação está adstrita ao fechamento de acordo de vontades entre Fl. 2805DF CARF MF 18 compradores nacionais e as empresas estrangeiras, apenas como representante comercial, e não como agente de comércio internacional; jamais houve qualquer ato da NTN DO BRASIL no sentido de fraudar uma operação de importação, seja por meio de interposição de terceiros, seja por declarações ou documentos falsos, de tal sorte que é impossível lhe atribuir participação na ocorrência das duas infrações lançadas no auto ora impugnado. A par da ausência de conduta ilícita, dolosa ou culposa, a NTN DO BRASIL não é empresa vinculada ao procedimento de importação, pois, como visto, é mera representante comercial das empresas estrangeiras; na forma do artigo 542 do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), cabe ao importador o procedimento de despacho aduaneiro de importação; da mesma forma, todos os comandos da Instrução Normativa 225/2002 da Receita Federal do Brasil são taxativos no sentido de atribuir ao importador todas as providências relativas ao despacho aduaneiro; ou seja, não é responsabilidade do representante comercial atuar no âmbito do controle aduaneiro estatal, pois cabe ao importador a adoção das providências junto à Autoridade Aduaneira nos termos das normas acima mencionadas; além disso, a NTN DO BRASIL nunca atuou nos procedimentos aduaneiros dos adquirentes, bem como, reiterese, jamais desenvolveu ou abonou qualquer espécie de procedimento ilegal; não existem elementos materiais concretos ou mesmo indiciários que permitam a conclusão do auto de infração no sentido de que teria havido conduta intencional da NTN DO BRASIL para a idealização do suposto esquema citado; não há, no auto de infração e nos documentos que compõem o processo administrativo, prova da alegada conduta dolosa da NTN DO BRASIL no sentido de fraudar uma operação de importação; no contexto ontológico do Direito Administrativo Sancionador o princípio da legalidade exige que, para a caracterização da infração e a aplicação da sanção, seja individualizada a conduta do agente que supostamente violou o comando legal, ainda que em regime de solidariedade; o agente público sancionador se vincula à ordenação que o Estado estabeleceu. E, para o agente privado, na condição de sujeito passivo de qualquer ação, há o indelével direito de saber qual a conduta antijurídica que lhe está sendo imputada; de nada vale, ainda que sob a premissa da fé pública do agente público na adstrita condução dos atos administrativos fiscalizatórios, a atribuição genérica de solidariedade para com o tipo administrativo descrito como fato gerador da sanção. essa conformação objetiva do tipo se aplica em todos os processos administrativos sancionadores, sejam eles contratuais, disciplinares, tributários ou mesmo aduaneiros. Fl. 2806DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.798 19 assim se observa porque, a par da inexistência de qualquer nexo fáticojurídico, lógico e legal que possa sustentar os argumentos do AFRFB acerca da indigitada solidariedade da NTN DO BRASIL para com os fatos narrados no Auto de Infração, simplesmente não se constatou: a)qual teria sido, DE FATO, a conduta antijurídica ou ilícita da NTN DO BRASIL, não se podendo aceitar a generalidade e contextualização como simples elemento de caracterização do nexo de causalidade; b)qual teria sido, DE DIREITO, o tipo administrativo violado pela NTN DO BRASIL, que era a Representante Comercial da NTN SUDAMERICANA no Brasil), mas de forma alguma não era o Importador ou seu Mandante (direto ou indireto), não era o Exportador, não era o Agente de Cargas, não era o Distribuidor e tampouco o beneficiário final dos atos de comércio praticados; e c)qual a vantagem ou benefício, direto ou indireto, que a NTN DO BRASIL teria auferido com a alegada "interposição fraudulenta de terceiros", não se podendo simplesmente aceitar que teria cometido ilícito fiscal "para facilitar os controles de venda, distribuição, cobrança e demais assuntos administrativos"; essa falta de motivação lógicoracional, não obstante o prejuízo à própria defesa, confere total improcedência da ação fiscal; inúmeras reflexões doutrinárias poderiam ser citadas para defender o entendimento de que, nos limites dos próprios mandamentos legais e de acordo com os princípios basilares da administração pública, ao agente público fiscalizador não há espaço de discrição e interpretação para a definição do tipo administrativo lesado; no caso dos autos se identifica exatamente o ambiente legal em que o agente público fiscalizador precisaria ser contundente na descrição, caracterização e prova da alegada conduta antijurídica da NTN DO BRASIL, sendo plenamente insubsistentes os argumentos de que a empresa "providencia e encaminha os pedidos para a NTN SUDAMERICANA", que a Importadora AST só ingressava no procedimento comercial "a partir do embarque e emissão da fatura internacional" e que seria a real compradora dos bens importados, em conjunto com o Distribuidor; essas conjecturas vazias demonstram, além da falta de tipificação da conduta, total fragilidade do argumento da solidariedade passiva; a matéria de fato deve ser provada e comprovada de modo extenso e extenuante, de acordo com o princípio da verdade material já amplamente suscitado nesta Impugnação; nessa condição, é inaplicável o liame jurídico da sujeição passiva solidária com fundamento no artigo 136 do Código Fl. 2807DF CARF MF 20 Tributário Nacional e no artigo 603 do DecretoLei nº 37/1966 (sic) (artigo 674 do Regulamento Aduaneiro vigente); a NTN DO BRASIL, além de não ter concorrido para a prática das infrações alegadas, delas não se beneficiou, pois seu negócio, única e exclusivamente, sempre esteve adstrito à formação do contrato de compra e venda internacional, na condição de representante comercial das empresas estrangeiras. Para seu negócio, a importação por uma modalidade ou outra não geraria benefícios diferentes ou qualquer alteração no resultado de seus ganhos, de tal sorte que, nem pelo elemento "benefício" deve a NTN DO BRASIL responder solidariamente; é evidente que a alegada ocultação do verdadeiro adquirente, se é que houve, nenhum efeito benéfico traria para a NTN DO BRASIL, caindo por terra a razoabilidade deste argumento contido no auto de infração; assim, por uma ou outra de qualquer das vias legais de responsabilidade conjunta mencionadas no auto de infração, não há nexo de causa entre o fato real e a atuação da NTN DO BRASIL que justifique sua sujeição passiva solidária; diante da ausência de atuação dolosa ou culposa nas operações de importação retratadas no auto de infração e, de outro lado, diante da ausência de amparo legal para categorização do representante comercial como responsável solidário pelas obrigações dos importadores e seus prepostos, é flagrante a ilegalidade da presente autuação em relação à NTN DO BRASIL, razão pela qual deve ser anulada pela Autoridade julgadora; assim, são ilegais o auto de infração e a imputação de responsabilidade solidária nele contida em relação à NTN DO BRASIL, sendo de rigor seu cancelamento, com os efeitos reflexos diretos nas Representações Fiscais para Fins Penais, eis que ausentes quaisquer condutas que impliquem nas tipificações penais nelas aludidas; à vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, consubstanciada no auto de infração acima referido, espera e requer a NTN DO BRASIL seja acolhida a presente impugnação com os documentos que a instruem para o fim de assim ser decidido, cancelandose a sujeição passiva solidária aplicada e, consequentemente, o respectivo débito fiscal reclamado. A RONCOLI ROLAMENTOS E RETENTORES LTDA, cientificada do lançamento em 31/05/2013 (fl. 2.491), insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 27/06/2013, a impugnação de fls. 2.6452.652, na qual alega: a impugnante, empresa sólida, idônea e tradicional, interessou se em adquirir rolamentos fabricados pela empresa NTN SUDAMERICANA, sediada no PANAMÁ, por meio da empresa brasileira, representante nacional daquela, a NTN DO BRASIL LTDA; Fl. 2808DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.799 21 conforme o próprio RELATÓRIO FISCAL, à página 07, o pedido de compra da RONCOLI sempre foi feito para a NTN BRASIL, que repassou para a NTN SUDAMERICANA; às fls. 08 do aludido relatório fiscal, as mercadorias envolvidas foram declaradas como exportadas pela NTN SUDAMERICANA, internadas como sendo mercadorias compradas pela AST, que nacionalizou os bens e encaminhou à adquirente em território nacional; a trading AST foi constituída e atua contínua e regularmente no comércio exterior desde 1991 (página 28) e foi credenciada como interveniente no comércio exterior na modalidade ordinária; sempre se aproveitou dos benefícios financeiros do FUNDAP (página 29), nunca tendo sido levantada, durante esse tempo todo (mais de 20 anos), qualquer questão ou dúvida sobre sua capacidade/incapacidade financeira, pela RFB; a NTN do Brasil, de uma forma geral, recebia os pedidos, encaminhava as cotações e acompanhava os pedidos colocados até o embarque (páginas 3031), concluindo taxativa, clara e expressamente que: “‘Esses procedimentos foram descritos em correspondência aos seus representantes e demonstra que AS EMPRESAS ADQUIRENTES FORAM LEVADAS A AGIR DESSA FORMA, PARA QUE PUDESSEM ADQUIRIR AS MERCADORIAS QUE COMERCIALIZAM (fls. 377 a 381)’ página 31”; consta no Relatório Fiscal, à fl. 40, que: “em todo esse esquema montado, destacamse as participações das empresas AST e NTN, as principais beneficiadas e seguramente as IDEALIZADORAS dos procedimentos irregulares, a primeira, sem condições de operar no comércio exterior por conta e risco próprio, optou pelo procedimento irregular para continuar se aproveitando do benefício financeiro do FUNDAP, e a segunda optou por essa forma de procedimento para facilitar os controles de venda, distribuição, cobrança e demais assuntos administrativos" (página 40), além de receber 5% de comissão em cada operação”; as operações foram realizadas sem nenhuma fraude, não causando nenhum dano ao Erário, com todos os tributos recolhidos, especialmente por parte da impugnante, não partícipe de "esquema" algum, tudo conforme instruções de responsabilidade das empresas NTN DO BRASIL LTDA e a trading AST; a neófita impugnante adquiria, na maior boa fé, normal e regularmente, as mercadorias, obedecendo às determinações da NTN DO BRASIL, convicta de que era o caminho legal, necessitando as importações serem efetuadas preferencialmente por intermédio de uma empresa trading sediada no Espírito Santo, para gozar dos benefícios financeiros legais do FUNDAP, a AST; Fl. 2809DF CARF MF 22 todos os atos praticados pela impugnante invariavelmente foram públicos e regularmente contabilizados, fazendo fé pública em seu benefício, como constatou a fiscalização pela documentação que prontamente recebeu da impugnante e analisou, devolvendoa sem ressalva; este é o retrato da situação factual envolvendo a impugnante, empresa séria, honesta e idônea, que sempre agiu em boa fé e nunca praticou qualquer irregularidade, envolvida no processo fiscal exclusivamente em decorrência de interpretação da fiscalização diante da expressão indefinida e vaga constante do artigo 124 do CTN, de existência de "interesse comum" entre as empresas; em matéria rigorosamente exlege, como a tributária sancionatória, é preciso cautela no envolvimento de pessoas na responsabilidade, além de um vínculo com a obrigação tributária. As partes contratantes, em geral, têm interesse na realização da situação contratada, mas não têm interesse comum, até porque seus respectivos interesses são divergentes, antagônicos; para ser interesse comum é preciso que inequivocamente hajam praticado, conjuntamente, os atos com os mesmos objetivos e interesses: o interesse comum, cuja presença possa criar solidariedade; não é um interesse meramente de fato e sim um interesse jurídico, aquele que decorre de uma situação jurídica, como bem o demonstra o Prof. Hugo de Brito Machado, em seus comentários aos artigos do CTN; o Relatório Fiscal cuidou de separar os interesses em jogo nas importações, por sinal, todas efetivas e regulares, com os tributos regularmente recolhidos em nome da trading, valores adiantados pela impugnante, respeitado o modus operandi estabelecido pela NTN do Brasil para todas as importações da rede, constando como efetiva exportadora a NTN SUDAMERICANA; não obstante as "viagens" da fiscalização e seu hercúleo esforço nessa peça literária para "caracterizar fraude", na verdade – verdade material, real seu intento não foi alcançado, dada a publicidade e regularidade dos atos praticados, especialmente os de responsabilidade da impugnante, que nada teve ou tem a esconder, a ocultar; se o nome da impugnante foi omitido nas DI’s, é matéria de responsabilidade da NTN DO BRASIL e da trading importadora AST, autoras e responsáveis pelo modus operandi estabelecido para a efetivação das importações, estando a impugnante, que cumpria as instruções daquelas empresas, plenamente convencida da legalidade e regularidade das operações, que se efetivaram sem nenhuma impugnação ou dúvida de natureza tributária e administrativa; tanto que não ocorreu nenhum dano ao Erário, aliás, não demonstrado e muito menos comprovado pela RFB, como também, não ocorreu nenhuma fraude que, para caracterizarse, exige ato doloso, por definição legal, artigo 72 da Lei n° 4.502/1964, transcrito à página 17 do aludido relatório (“fraude não se presume, provase e prova a cargo do acusador!”); Fl. 2810DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.800 23 nenhuma hipótese legal acima ocorreu no processo, nem está comprovada, especialmente no que se refere à responsabilidade específica de ato praticado pela impugnante, que não pode, em consequência, ser havida como responsável solidária; se o nome da impugnante não constou nos documentos das importações efetivadas pela empresa trading AST, sem prova do consequente dano ao Erário e de ação fraudulenta, cuidase de mera e inconsequente omissão; no que concerne à impugnante, não havia e não há nada a esconder, dada a sua total, absoluta e intocável idoneidade, jamais tendo tido, em sua longa existência, acusações desse jaez. É sabido que casos de ocultação do real beneficiário de uma importação são realizadas com o intuito de este não ser alcançado pelas inúmeras obrigações impostas sobre importadores. No caso, o formalismo estava por conta e ordem das outras empresas e a impugnante desconhecia a matéria, mesmo adiantando os recursos, nada existindo que justificasse ou recomendasse sua "ocultação"; a legislação sancionatória aduaneira é tão extensa e detalhada, considerando sempre o comportamento dos sujeitos passivos (se de boa ou má fé, nestes casos com as penalidades agravadas), que torna inaplicável a responsabilidade objetiva, pela existência de disposições legais em contrário, constante da introdutória previsão do artigo 136 do CTN; tornase, em consequência, obrigatória a prova inequívoca de acusação de fraude, inexistente neste processo, especialmente no que se refere, em análise individual como norma de natureza sancionatória, à impugnante, que jamais praticou qualquer irregularidade, respeitados os limites das normas reguladoras da matéria; na situação concreta, não caberia a pena de perdimento. Apenas ad argumentandum, a partir da Lei n° 11.488/07, art. 33, a interposição comprovada passou a ser punida com multa de 10% sobre o valor das operações em que tenham sido ocultados fraudulentamente os reais beneficiários. Sabese aqui que a omissão não foi fraudulenta, mas para atender aos interesses da trading junto ao FUNDAP/ES; mesmo diante dos paradoxos e das contradições constantes do longo, cansativo e literário Relatório Fiscal e do seu infrutífero esforço para tentar demonstrar, por meros e isolados eventos, que denomina "indícios", a existência de irregularidades caracterizadoras de fraude e de dano ao Erário para efeito de aplicação da pena de perdimento (inconstitucional a partir da CF/88, que não admite confisco), não teve a RFB como deixar de transparecer a idoneidade, seriedade e tradição da impugnante, reconhecendo (agora expressamente), à página 30 do Relatório em questão, que a impugnante "foi credenciada como Interveniente no Comércio Exterior em 2003 e atualmente consta na modalidade SIMPLIFICADA OPERAÇÃO DE PEQUENA MONTA'"; Fl. 2811DF CARF MF 24 como prova da total idoneidade da impugnante, juntase o TERMO DE CIÊNCIA, expedido em 2013 pela DRF Piracicaba/SP, do domicílio tributário da impugnante, revendo e aumentando a sua capacidade financeira para operar diretamente, como o faz, no comércio exterior; a jurisprudência, inclusive do STJ, há muito legitimou o privilégio concedido a empresas capixabas de figurarem nas importações de mercadorias para a revenda para gozarem dos benefícios concedidos pelo programa de estímulo à atividade econômica do Governo do Estado do Espírito Santo FUNDAP, não podendo a operação comercial ser erigida em fraude; na APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO 2001.3500.0029970/GO, do TRF da 1ª Região, ficou realçada a consideração de ausência de dano ao Erário e ação em absoluta boa fé, tornando sem efeito as exigências, situação aplicável ao caso presente; de qualquer forma, inexiste norma expressa estabelecendo responsabilidade solidária na hipótese dos autos, insubsistente, pois. Ademais, a multa imposta e ora impugnada, substitutiva da original pena de perdimento, tem a mesma natureza confiscatória daquela, desconsiderando a própria capacidade contributiva da impugnante, redundando na total nulidade da exigência, o que impugnante espera seja deliberado, para todos os efeitos; diante do exposto, comprovado e considerando tudo o mais que dos autos consta, especialmente a boa fé da impugnante, conclui se pela total inconsistência e ilegalidade da autuação ora totalmente impugnada, nos termos da vigente e eficaz legislação de regência, a partir da CF/88, razão pela qual a impugnante propugna por julgamento reconhecendo a total procedência da impugnação, tornando sem efeito jurídico a pretensa e ilegal solidariedade envolvendo a impugnante, que deve ser excluída do processo, para todos os efeitos de direito e em nome da Justiça. É o relatório. Os argumentos aduzidos pelos sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 08/01/2009 a 18/09/2012 ARGUIÇÃO DE OFENSA À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO. Estando o Auto de Infração devidamente motivado, contendo a descrição dos fatos e a fundamentação jurídica, referentes a todas as infrações, não há falar em ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 08/01/2009 a 18/09/2012 Fl. 2812DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.801 25 DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. FALSIDADE IDEOLÓGICA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente da mercadoria, sujeito passivo na operação de importação, bem como o caso em que qualquer documento necessário ao embarque ou desembaraço tiver sido falsificado, inclusive ideologicamente, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. PENA DE PERDIMENTO OU MULTA SUBSTITUTIVA. MULTA DO ARTIGO 33 DA LEI Nº 11.488/2007. APLICAÇÃO CUMULATIVA. A imposição da multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, contra a pessoa jurídica que ceder o nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes, não afasta a aplicação cumulativa da pena de perdimento das mercadorias importadas irregularmente ou da multa que lhe é substitutiva. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/01/2009 a 18/09/2012 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA A instância administrativa não possui competência para afastar a aplicação da norma sob fundamento de inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Posto isto, vamos às Intimações e aos Recursos Voluntários. A Recorrente (AST) foi regularmente intimada em 08/08/2014 às fl. 2.726, data da ciência AR Correios. Em 27/08/2014 (recibo do SVA de fls. 2.741/2.742), apresentou seu Recurso Voluntário de fls. 2.730/2.740. Fl. 2813DF CARF MF 26 A NTN do Brasil Ltda, foi intimada em 08/08/2014, conforme recibo AR dos Correios à fl. 2.727. Em 05/09/2014, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 2.758/2.772. Já a empresa RONCOLI ROLAMENTOS E RETENTORES LTDA (RONCOLI), foi intimada em 11/08/2014, ciência AR Correios à fl. 2.728. Em 09/09/2014 (fl. 2.775), apresentou o Recurso Voluntário de fls. 2.775/2.784. As Recorrentes AST, NTN do Brasil (NTN) e RONCOLI, em razões recursais, renovaram os argumentos sustentados na fase de Impugnação. Então vamos a eles. Quanto a Recorrente AST, reforça as seguintes razões, em resumo: (i) alega que não há nenhuma mácula nas importações realizadas com lastro nas DI´s objeto destes autos; renova os argumentos expostos na impugnação, alega que o Fisco, para caracterizar as supostas ocorrências das infrações citadas (I e II), fez uso de presunções diversas no intuito de vincular informações desconexas relativas às operações aduaneiras e fiscais; (ii) da necessidade de reforma do julgado e da anulação do auto de infração, pelas seguintes razões: a) da inexistência de adiantamentos para importação; b) da capacidade financeira da empresa autuada e da inexistência de interposição fraudulenta; c) da inexistência de adulteração ou falsificação; d) da inexistência do dolo nas operações da empresa. (iii) solicita a reforma do acórdão guerreado para anular o auto de infração, em razão de que este se encontra baseado em presunções fáticas inexistentes, que não conduzem às infrações capituladas como “INFRAÇÕES I e II”; (iv) que seja atribuído ao presente recurso o efeito suspensivo, suspendendo os efeitos das consequências da lavratura do auto de infração, até o trânsito em julgado; Já a NTN do Brasil, em seus fundamentos, reitera integralmente as razões de sua peça impugnatória, alegando ser a mais clara expressão da verdade dos fatos e dos aspectos legais que dão os contornos de suas atividades. (i) que a NTN do Brasil não coordenou ou esquematizou qualquer espécie de ação direcionada a fraudar as importações analisadas, inexistindo fundamento fático ou jurídico que autorize sua sujeição passiva em caráter solidário; (ii) são meras presunções e não há elemento probatório ou mesmo indiciário que indique a participação da NTN no fato gerador infracional supostamente cometido pelas empresas importadoras; (iii) não há dispositivo legal que determine responsabilidade solidária do representante comercial para com as operações dos adquirentes das mercadorias e seus prepostos insertos nos trâmites aduaneiros da operação; Fl. 2814DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.802 27 (iv) concluise pela ilegalidade do auto de infração e da imputação de responsabilidadesolidária nele contida em relação à NTN, sendo de rigor seu cancelamento, com os efeitos reflexos diretos nas Representações Fiscais para Fins Penais, eis que ausentes qualquer condutas que impliquem nas tipificações penais nelas aludidas; À vista de todo o exposto, requer a NTN DO BRASIL que seja acolhido o presente Recurso e, no mérito, julguese por sua procedência para que seja revogada a sujeição passiva solidária aplicada e, consequentemente, o respectivo débito fiscal reclamado. Em seu recurso, a RONCOLI ROLAMENTOS E RETENTORES LTDA (RONCOLI), aduz, em resumo, que: conforme consta do próprio RELATÓRIO FISCAL, "o pedido de compra da RONCOLI sempre foi feito para a NTN BRASIL, que repassou para a NTN SUDAMERICANA"; como afirmou a Recorrente em sua impugnação e como está constatado pela própria fiscalização, as operações foram realizadas sem nenhuma fraude, não causando nenhum dano ao erário, com todos os tributos recolhidos, especialmente por parte da Recorrente, não havendo "esquema" algum, tudo conforme instruções de responsabilidade das empresas NTN DO BRASIL LTDA e a trading AST; a Recorrente adquiria, na maior boa fé, normal e regularmente, as mercadorias, obedecendo às determinações da NTN DO BRASIL, convicta de que era o caminho legal, segundo constava, necessitando as importações serem efetuadas preferencialmente por intermédio de uma empresa Trading sediada no ES, para gozar dos benefícios financeiros legais do FUNDAP, a AST. Todos os atos praticados pela recorrente invariavelmente foram públicos e regularmente contabilizados, fazendo fé pública em seu benefício, como constatou a fiscalização pela documentação que prontamente dela, recorrente, recebeu e analisou, devolvendoa sem ressalva; que inexiste norma expressa que estabelece responsabilidade solidária na hipótese dos autos; e ademais, a multa imposta, substitutiva da original pena de perdimento, tem a mesma natureza confiscatória daquela, desconsiderando a própria capacidade contributiva da Recorrente, redundando na total nulidade. Ante todo o exposto, considerando especialmente a BOA FÉ da Recorrente e a inexistência de qualquer dano ao Erário, concluise pela total inconsistência e ilegalidade da autuação impugnada, nos termos da vigente e eficaz legislação de regência, razão pela qual espera a recorrente o total provimento do recurso, reformandose a decisão de primeira instância, e tornando sem efeito jurídico a pretensa e ilegal solidariedade envolvendo a Recorrente, que deve ser excluída do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator Fl. 2815DF CARF MF 28 1. Da admissibilidade dos recursos Quanto ao exame dos recursos voluntários apresentado pela AST, pela NTN Brasil e pela RONCOLI, os mesmos atendem os pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, serem TODOS conhecidos. 2. Do pedido de efeito suspensivo à impugnação feito pela AST Uma vez que é efeito automático do Recurso Voluntário a suspensão da exigibilidade do crédito lançado, por força do art. 151, inciso III, do CTN, e do art. 33 do Decreto 70.235/72, descabe qualquer providência do Órgão Julgador quanto ao pedido levado a efeito pela AST nesse sentido. 3. Da preliminar de nulidade do Auto de Infração Primeiramente, dada a hipótese de solidariedade na responsabilidade por infração à legislação aduaneira apontada na autuação fiscal, as razões de contestação apresentadas por um dos acusados em princípio aproveitam ao outro autuado, com exceção de eventuais alegações de caráter pessoal que possam importar na caracterização de dolo específico. A recorrente AST, alega em seu recurso que deve se "reformar o acórdão guerreado para anular o auto de infração, em razão de que este se encontra baseado em presunções fáticas inexistentes, bem como em premissas igualmente equivocadas, que não conduzem às infrações capituladas como INFRAÇÕES I e II". O enquadramento legal descrito na peça vestibular do inciso do art. 23, V, do Decretolei nº 1.455/76, que se fundamenta a autuação, há que se destacar que o Relatório Fiscal/Folha de continuação do Auto de Infração é parte integrante do auto de infração, consistindolhe em parte anexa (fls. 06/55). Assim, o auto de infração distingue, objetivamente, duas infrações que teriam sido praticadas nas operações apuradas, a saber (fls. 50/51 e 54, do Relatório do AI): a) (infração 001) Art. 23, inciso V, e parágrafos 1º, 2º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/76, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02 e Lei nº 12350/10, regulamentado pelo art. 675, inciso II e 689, inciso XXII e § 6º, do Decreto nº 6.759/09, arts. 94, 95 e 96, inciso II e III, do DecretoLei nº 37/66; arts. 25 e 27 do DecretoLei nº1.455/76, regulamentados pelos arts. 673, 674, 675, inciso II e IV, 701 e 774 do Decreto nº 6.759/09; art. 73, §§ 1º e 2º da Lei nº 10833/03. b) (infração 002) Art. 105, inciso VI, do DecretoLei n°37/66 e arts. 2 3, inciso IV e § 1º, e 24 do DecretoLei n° 1.455/76 (alterado pela Lei nº 10.637/02), re gulamentado pelo Decreto nº 6.759/09 art. 689, inciso VI e § 3ºA (incluído pelo Decreto nº 7213/10); arts. 94, 95, 96, inciso II e III do DecretoLei nº 37/66, e arts. 25 e 27 do DecretoLei nº 1.455/76, regulamentados pelos arts. 673, 674, 675, inciso II e IV, 701 e 774 do Decreto nº 6.759/09. Também no Relatório Fiscal, que é parte integrante do auto de infração, observase tópico exclusivo quanto ao Enquadramento Legal da Infração 001 e 002 da conduta da autuada às fls. 50/54, onde se observa a precisa indicação do tipo infracional, restando infundada a alegação da recorrente, uma vez que se encontra reproduzido o texto do art. 23, V, §§ 1º e 2º e 3º, do Decretolei nº 1.455, de 1976, dentre outros. Portanto não assiste razão a Recorrente neste tópico. Fl. 2816DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.803 29 E mais. O ato de lançamento, entendido como procedimento administrativo voltado à constituição do crédito tributário, deve obedecer a imperativos de forma que garantam a sua conformação jurídica, o que ocorre perfeitamente no caso dos autos. Quanto à alegação da ausência de prova para a conduta descrita, observo vasta colação de elementos probatórios trazidos aos autos entre as fls. 3/2.485, cabendo a análise de sua valoração quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento, matéria atinente ao exame de mérito do litígio, que se dará em ocasião oportuna, posterior ao exame das questões de ordem preliminar. Quanto ao auto de infração, o mesmo teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Pela leitura do auto de infração, constatase que o Auditor Fiscal não só descreveu de forma suficientemente objetiva e cristalina os fatos o enquadramento legal e normativos, como teceu importantes lições sobre o próprio controle aduaneiro e ainda sobre o comércio internacional e as partes eventualmente envolvidas, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da autuação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No âmbito da Receita Federal do Brasil, a Instrução Normativa SRF nº 228, de 2002 e a Instrução Normativa RFB nº 1.169, de 2011, foram editadas para disciplinar os procedimentos de fiscalização aduaneira visando a verificação de eventuais operações no Fl. 2817DF CARF MF 30 comércio internacional realizadas com indícios de interposição fraudulenta de terceiros. Enfim, a interposição fraudulenta aduaneira exige como pressuposto pelo menos a ocorrência de um ilícito antecedente, a ser verificado em processo administrativo regular, em atenção ao disposto nas Instrução Normativa citadas. O auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Assim, não merece guarida a alegação de nulidade, uma vez que foram cumpridos tais requisitos legais, não se enquadrando, portanto, em nenhum dos requisitos do citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Por isso, rejeito a preliminar de nulidade. 4. Dos responsáveis solidários De acordo com os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 04/05, foram consideradas responsáveis solidárias as empresas NTN DO BRASIL LTDA. (NTN DO BRASIL) e RONCOLI ROLAMENTOS E RETENTORES LTDA (RONCOLI). Segundo o Fisco, a RONCOLI é a empresa (real) compradora das mercadorias no exterior, foi quem identificou a sua necessidade e colocou pedidos de compra junto a NTN do BRASIL. Já a NTN do Brasil, interessada em cumprir o seu papel de representante da NTN SUDAMERICANA, abonou todos esses procedimentos irregulares, e recebeu 5% de comissão sobre essas operações de vendas. Os julgadores decidiram que a luz do art. 95, do Decretolei nº 37, de 1966 (art. 603, I e II do Regulamento Aduaneiro), restando comprovado que outra pessoa participou ou se beneficiou da infração, o Fisco não pode escolher apenas uma delas para autuar. A solidariedade entre os agentes ou beneficiários da infração decorre da Lei e tem como objetivo proporcionar maior segurança aos interesses públicos, inclusive no tocante à eficácia da norma punitiva. Nesse caso, ainda que os sujeitos passivos solidários possam responder pela dívida em conjunto ou isoladamente, o lançamento deve ser contra ambos, de forma que a obrigação deles fique devidamente formalizada, consoante determina a Portaria RFB nº 2.284/2010. A opção legal sobre como eles vão responder efetivamente pela dívida diz respeito à fase de satisfação do crédito. A lei dispõe que os responsáveis solidários pela dívida podem responder em conjunto ou isoladamente, para satisfação do crédito tributário. Vejase a reprodução do art. 95, do Decretolei nº 37/66 (grifamos): Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 2818DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.804 31 VI conjunta ou isoladamente, o encomendante pre determinado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006). Com os argumentos aduzidos a título de ilegitimidade passiva pretende a NTN do Brasil demonstrar que não tem interesse na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Na importação realizada com interposição fraudulenta de terceiro, em que for identificado o real adquirente da mercadoria, tanto o importador oculto como o ostensivo podem ser qualificados como o contribuintes dos tributos e das penalidades incidentes nas operações. No entanto, as questões depende essencialmente da análise do mérito do litígio. Em verdade, tratase de perquirir a legitimidade das litigantes para compor o polo passivo da relação de direito material, consistente no cumprimento da obrigação tributária principal relativa ao pagamento da penalidade pecuniária (art. 121 do CTN), sendo impossível afirmar ou afastar essa legitimidade num exame preliminar, sem que se adentre nas questões de mérito. Assim, a arguição atinente à ilegitimidade passiva será, ainda, apreciada quando do exame do mérito, por estar a ele intimamente associada. 5. Do MÉRITO do Auto de Infração Primeiramente, ressaltese que a análise e julgamento dos argumentos apresentados nas impugnações foram reunidas e agrupadas por temas semelhantes, de forma lógica e sistematizada, com o fito de, a uma, elencar todos os pontos impugnados; a duas, evitar duplicidades ou redundâncias temáticas e, a três, permitir a congruência dos diversos argumentos articulados. O cerne da lide diz respeito à aptidão de provas trazidas pelo Fisco para demonstrar que houve a infração de Dano ao Erário por "ocultação do real adquirente das mercadorias, mediante fraude ou simulação", em relação às 62 (sessenta e duas) Declaração de Importações efetuadas pela empresa AST, nos anos de 2009 a 2012, constantes da tabela contida às fls. 08/10; infração prevista no art. 23, V, e §§1º, 2º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, convertendose em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. 5.1 Dos adiantamentos de recursos para as operações de importação. Alega a AST, que importou mercadorias para posterior revenda no mercado interno na modalidade "importação por conta e risco próprios”, e essa relação jurídica tinha como lastro econômico o acervo patrimonial da Recorrente, comprovado em sua escrituração contábil, informado previamente à RFB e corroborado por laudo pericial particular e outro constante de processo judicial. Que de fato, a empresa comercializava diversos produtos importados, muitas vezes para as mesmas empresas, o que fazia com que vendas, nota fiscal, depósitos ou pagamentos totais tivessem datas próximas, gerando confusão até mesmo internamente de datas e suas respectivas vinculações negociais. Aduz que a indignação da fiscalização é com a Fl. 2819DF CARF MF 32 capacidade de negociação e logística da empresa, que com a velocidade e objetividade inerentes ao setor privado, realizava suas vendas com celeridade. Alega que nunca houve adiantamento para pagamento antecipado de mercadorias. Todos os valores transferidos à recorrente, fossem elas da NTN do Brasil ou da RONCOLI (conforme cada caso), eram realizadas a título de pagamento exclusivamente após a emissão de nota fiscal de compra e venda, com a mercadoria já desembaraçada. Por outro lado, verificase que o Fisco em seu Relatório aponta na direção de ter havido interposição, uma vez que existem diversos adiantamentos realizados pela RONCOLI para a AST, conforme quadros demonstrativos de fls. 11/12 e 39/40, através do qual se observa que, comparandose as datas de registro das DI´s e das notas fiscais de saída, fica evidenciado que diversos depósitos foram feitos da RONCOLI para a AST para cobrir as despesas relativas a DI´s, inclusive com os impostos e as aquelas pagas na manipulação inicial das mercadorias. Verificase no quadro as datas de registro, das notas fiscais das saídas e do contrato de câmbio, que quando comparadas com as datas dos pagamentos, deixa evidente que depósitos sempre acontecem em datas anteriores ao registro da DI e aos pagamentos das contratações de Câmbios para quitação das obrigações com o exterior. Consta do Relatório Fiscal à fl. 10, que, "As antecipações feitas pela empresa RONCOLI, que aconteceram para cada processo, foram normalmente em parcelas depositadas diretamente em conta corrente da AST e um pagamento através da quitação de duplicata. Para comprovar esses adiantamentos verificamos os documentos apresentados, pela adquirente, mas não foram suficientes para identificar todos os pagamentos feitos (os documentos apresentados estavam limitados a diversos documentos de cobrança, composições de valores reclamados pela AST e cópias de duplicatas, sem as devidas quitações), assim buscamos as comprovações na contabilidade da AST e, através do SPED (SERVIÇO PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL), conseguimos comprovar todos os adiantamentos feitos pela RONCOLI". O Fisco afirma que em todos os casos podese vincular, os valores adiantados pela RONCOLI registrados na contabilidade da AST, às Notas Fiscais de saída para essa adquirente. E, para demonstrar os adiantamentos feitos pela RONCOLI, foi apresentado cópia de folhas de extrato do Razão Contábil da AST com Contrapartida (obtidos através do SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL –SPED), onde constaram todos os adiantamentos e demais pagamentos feitos entre 01/01/2009 e 31/07/2012. Tais dados estão comprovados documentalmente, conforme folhas do processo indicadas no citado quadro de fls. 11/12 e 39/40. Como se demonstra, a empresa AST, que se declarou como importadora, não foi quem comprou as mercadorias no exterior, não pagou pelos impostos e câmbio, pois como constatamos recebeu adiantamentos, da empresa adquirente, para fazer frente aos pagamentos necessários para o desembaraço das mercadorias. Todas as constatações deram conta de que as mercadorias não foram compradas pela AST, assim como demonstraram que os impostos e demais despesas foram suportados pela RONCOLI, que adiantou todos os valores para que a AST pudesse cumprir com as obrigações relacionadas com o desembaraço e pagamento à NTN SUDAMERICANA. Fl. 2820DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.805 33 A fiscalização relata à fl. 38 e no demonstrativo de fls. 39/40, outros elementos que, além de reforçar os demais indícios e provas, sustentam os entendimentos fiscais e justificam a presente autuação no que refere à prática da infração identificada como Interposição Fraudulenta (fls. 514/2.378) e conclui em seu Relatório, afirmando que: "Em todo esse esquema montado, destacase a participação das empresas AST e NTN, as principais beneficiadas, e seguramente os idealizadores dos procedimentos irregulares, a primeira, sem condições de operar no comércio exterior por conta e risco próprio (fls. 12 a 16), optou pelo procedimento irregular para continuar se aproveitando do benefício financeiro do FUNDAP, e a segunda optou por essa forma de procedimento para facilitar os controles de venda, distribuição, cobrança e demais assuntos administrativos". E também, quando a NTN foi itimada pelo Fisco, apresentou um pedido formulado pela RONCOLI em 2012 (fls. 414 a 486), onde fica evidente, segundo o autuante, que a adquirente é quem compra as mercadorias na forma descrita neste procedimento fiscal; nesse ato não existe qualquer participação da AST, como também fica comprovado que esta não assume os custos; todos foram suportados pela RONCOLI, estando, segundo a fiscalização, escancarada a simulação. Portanto, essa necessidade da AST de obter os citados pagamentos (adiantamentos), inclusive anteriores ao registro das DI´s, bem como a emissão de notas fiscais de saída próximas às de entrada, são, igualmente, fortes indícios de estar atuando como interposta pessoa. 5.2) Da capacidade financeira e da interposição fraudulenta. A Recorrente aduz que pela documentação já juntada às fls. 69/73 e 121/123, observase que a empresa possuía um capital social de R$ 755.000,00 desde 25.10.2006, conforme demonstra o Laudo de fls. 121/123 e a 21ª Alteração Contratual e que tais informações eram de conhecimento da RFB desde 10/08/2007, conforme documentos juntados de fls. 127/130. Alega ainda que renovase a informação em favor da recorrente e da efetiva capacidade econômica da empresa, outro laudo pericial judicial produzido nos autos do processo de nº. 024.990.157.497, que tramitou na 3ª Vara Cível da Comarca de Vitória, cujo valor atribuído ao citado imóvel integralizado, em abril de 2009, seria de R$ 504.000,00. E segue afirmando que, "(...) Noutra ótica, em nova PRESUNÇÃO, a fiscalização afirma em trechos do relatório (fls. 15) que 'a empresa optou por atrasar os recolhimentos para poder fazer frente a outras responsabilidades, indício de falta de condição financeira'(sic). Por fim afirma que as razões do auto de infração não subsistem, e não deveria ter culminado no julgamento de sua manutenção, já que não há documentos ou provas concretas que revelem a dita incapacidade financeira da recorrente. Ao revés disso, evidente a capacidade econômica desde antes do período fiscalizado, conforme a alteração contratual e dados contábeis anexados. No entanto o Fisco entende que as evidências demonstram que efetivamente a AST não tem capacidade financeira para atuar no comércio internacional, precisa dos adiantamentos dos adquirentes, não só nas suas operações por conta e ordem de terceiros, mas Fl. 2821DF CARF MF 34 em todos os procedimentos e assim passou a simular as operações que precisava registrar como sendo por conta e risco próprio e para encomendante, para poder continuar recebendo os benefícios financeiros do FUNDAP. Essas questões e outras, serão analisadas no item '8' deste voto "Da existência de ocultação do real adquirente elementos de prova". 5.3 Da alegada inexistência de adulteração ou falsificação de documentos Aduz em seu recurso que tratando de importação realizada com correição, na qual a recorrente importa mercadorias para posterior revenda, não há o que se falar em adulteração e falsificação de documentos, tampouco em interposição fraudulenta. Que não há nos autos sequer o apontamento de qual documento teria sido falsificado ou adulterado. Portanto, imperioso que haja reavaliação da conduta apontada como delituosa, já que sem qualquer apontamento específico (especialmente na construção de ficção para configurar a dita falsificação), há flagrante impossibilidade de defesa, sendo certo, de todo modo, que não há conduta típica. Por outro lado, sabese que a troca da sistemática de operação no comércio exterior interfere nas obrigações fiscais, colocando a empresa interposta na qualidade de compradora das mercadorias e importadora, remetendo esse contribuinte à qualidade de provocador e responsável pelas infrações, ao passo que a compradora das mercadorias no exterior real importador e os demais envolvidos, permanecessem completamente ocultos, uma vez que suas atividades somente foram identificadas no curso do trabalho fiscal. Desta forma, conforme conclui a fiscalização em seu Relatório, os intervenientes "modificaram" as faturas comerciais apresentadas ao Fisco quando da nacionalização das mercadorias, e declararam operações de comércio exterior de forma simulada, ou seja, promoveram modificações de características essenciais da operação de importação, de modo a ocultar a participação do real importador. "Esses documentos e declarações formuladas não representam as operações comerciais, pois o importador nelas indicado não o é de fato, a AST, foi interposta nas relações dos demais envolvidos com o fisco, permitindo que esses últimos permanecessem ocultos aos olhos da fiscalização". Conforme consta do Relatório de Fiscalização, essa prática de simulação na sistemática da operação de importação, com intuito de manter oculta a verdadeira importadora (não constou na DI ou qualquer outro documento apresentado no despacho), é infração identificada como interposição fraudulenta de terceiros, além da evidente utilização de documentos com falsidade ideológica. Quanto à infração em decorrência do uso de documentos ideologicamente falsos, entendo correto a decisão recorrida, aduzindo que não foi identificado o real adquirente na DI, na fatura internacional e na comprovação do transporte internacional, conforme determina a legislação para o caso em concreto, constato que esta situação foi bem descrita no Relatório Fiscal a fim de justificar, inclusive, que não se trata de mero erro na definição da modalidade de importação. Portanto, cai por terra o argumento de violação ao princípio do contraditório e ampla defesa por não terem sido identificados os documentos pertinentes. Todavia, verifico que tal não é uma infração autônoma, porém, consequente da própria situação tipificada nos autos a ocultação do sujeito passivo, do real comprador das mercadorias estrangeiras. Fl. 2822DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.806 35 Não obstante, a penalidade aplicada é única, com base no art. 23, §3º do DecretoLei nº 1.455, de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 2002, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. 5.4 Da alegada inexistência do dolo nas operações da empresa Em seu recurso alega que conforme documentação anexada, a empresa surgiu em 25/01/1991, sob o nome de EDPHOS Empresa Distribuidora de Produtos Hospitalares Ltda., desenvolvendose, ampliandose, e gerando credibilidade no mercado aduaneiro, por cerca de 20 (vinte) anos. Após décadas de evolução, atualmente como AST, seu objeto social inclui a distribuição, comércio, representação, importação, exportação de produtos e prestação de serviços aduaneiros. Tratase, portanto, de empresa sólida, cumpridora de suas obrigações, que sempre atuou no mercado nacional de forma a desenvolver sua função social e contribuir com as exações que lhe foram impostas, possuindo, desde sempre, capacidade econômica comprovada para as atividades realizadas, tanto é assim que todos os impostos foram pagos e não há ações de cobrança em seu desfavor, nem mesmo de terceiros. Não há razão, portanto, para ignorar toda conduta meritória, abonada pela seriedade evidente e pela manutenção, por anos, no acirrado mercado de importação, para subitamente tratála como empresa aventureira, ou mesmo inexistente (ilegal), conforme o rigor imposto pela fiscalização, via a IN nº 228/2002, no esforço de gerar sua criminalização. Pois bem. Argumenta a Recorrente em seu recurso que os documentos apresentados registram operação de importação por sua conta e risco. Já as constatações e verificações efetuados pelo Fisco, que estão sendo apresentados como provas, demonstram que o representante do exportador e o comprador das mercadorias no exterior ficaram ocultos em todos os procedimentos. A AST não é a compradora das mercadorias, como quiseram fazer crer, utilizando documentos ao menos ideologicamente falsos e fazendo declarações inverídicas no momento da internação das mercadorias, quando do registro da Declaração de Importação e comercialização em território nacional. Como bem pontuado no Relatório da fiscalização, na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o promotor da operação é o real adquirente. Este é o mandante da importação, aquele que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional. Além disso, é o adquirente que pactua a compra internacional e dispõe de capacidade econômica para o pagamento, pela via cambial, da importação, pois é deste que se originam os recursos financeiros. 6. Da responsabilidade solidária das empresas RONCOLI e NTN BRASIL O Fisco em seu Relatório sustenta que a NTN do Brasil tratava e orientava os trâmites aduaneiros da operação de importação entre AST e a RONCOLI, inclusive acionando Fl. 2823DF CARF MF 36 a AST para tal fim, visando a ocultação do real importador, decorrendo daí sua responsabilidade solidária. Revela existirem documentos em que há comunicação entre NTN, AST e RONCOLI, o que demonstra operação fraudulenta e a participação da NTN na ocultação do real importador. Destaca o Fisco em se relatório à fl. 35, que "A empresa AST, como já falado, é uma empresa FUNDAPEANA, e como tal, tem como principal interesse o aproveitamento de benefício financeiro do FUNDAP, oferecido pelo Estado do Espírito Santo, prestando serviços para empresas interessadas em nacionalizar mercadorias importadas. A RONCOLI é a empresa compradora das mercadorias no exterior, foi quem identificou a sua necessidade e colocou pedidos de compra junto a NTN BRASIL". A NTN BRASIL, interessada em cumprir o seu papel de representante da NTN SUDAMERICANA, abonou todos esses procedimentos irregulares, e recebeu 5 % comissão sobre essas vendas. Os registros dos valores dessas comissões foram identificados e os procedimentos foram entendidos como regulares". Em resumo, a decisão da DRJ em Fortaleza (CE), entendeu que: (i) com a existência de correspondências eletrônicas trocadas entre NTN DO BRASIL, AST, e RONCOLI demonstrariam o indigitado esquema de ocultação do real importador (fls. 2.566/2.567); (ii) a NTN teria orientado os procedimentos aduaneiros para ocultação do real importador, e (iii) que a NTN acionava a AST para os trâmites aduaneiros. Por outro giro, aduz a NTN em seu recurso, que há um grande equívoco na análise dos fatos, sobretudo uma interpretação tendenciosa na identificação da atuação na NTN do Brasil que, na qualidade de representante comercial da NTN do JAPÃO e da NTN SUDAMERICANA (com sede no Panamá), cuidava do fechamento do relacionamento civil e comercial da compra e venda internacional, e não dos trâmites administrativos aduaneiros no Brasil. Por esses serviços é remunerada pelas Representadas com valor de 5% sobre os agenciamentos realizados. Explica em seu recurso que na atividade de representação comercial, os processos passa por quatro etapas fundamentais (fl. 2.762): a) A NTN Brasil recebe do Distribuidor dos produtos NTN Internacional email com a solicitação para que essa faça uma programação (back order) de compra junto a NTN SUDAMERICANA; b) encaminha o pedido de programação de compra para a NTN SUDAMERICANA para que essa verifique a disponibilidade de produtos, bem como as datas em que essa mercadoria poderá ser enviada ao Distribuidor; c) informada da disponibilidade de equipamentos e da data de entrega, a NTN Brasil repassa as informações recebidas ao Distribuidor, bem como fornece as instruções de preenchimento do pedido com os dados necessários para que NTN Internacional realize o faturamento; e d) retransmite as informações recebidas do Distribuidor à NTN SUDAMERICANA. Afirma que, após o encaminhamento do pedido, a atividade da NTN frente ao Distribuidor, se limita ao Suporte Técnico dos produtos NTN Internacional. Também indicia a responsabilidade o fato de, após diligência e informações obtidas da empresa NTN (fls. 366/369), ter ficado evidenciado (fls. 30/31) que: Fl. 2824DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.807 37 “Sobre a NTN DO BRASIL LTDA, foi esclarecido que funciona como Escritório de Representação da empresa NTN SUDAMERICANA, e de uma forma geral recebe os pedidos, encaminha as cotações e acompanha os pedidos colocados até o embarque. (...)” Como muito bem pontuado na decisão a quo, fica evidenciado que os adquirentes das mercadorias colocam os pedidos de compra diretamente para a NTN BRASIL, que providencia e encaminha os pedidos para a NTN SUDAMERICANA (exportadora estrangeira), sendo que, somente a partir do embarque e emissão da fatura internacional eram iniciados os procedimentos a cargo da AST. Ou seja, já se sabia qual eram os adquirentes internos dos produtos, antes mesmo dos embarques no exterior. Desta forma, entendo que sua responsabilidade restou devidamente comprovada. Isso porque ao receber os pedidos, conforme se pode deduzir pelo que consta às fls. 2.566/2.567, ela entrava em contato com a exportadora estrangeira, sua representada, e, a partir daí a importação era realizada pela AST, a qual somente poderia saber o que tinha que importar com a devida comunicação da NTN DO BRASIL. Verificase à fl. 372, em resposta da NTN DO BRASIL a intimação, o nome da empresa RONCOLI como tendo efetuado pedidos àquela empresa. Além disso, à fl. 377/381, consta mensagem eletrônica na qual a NTN DO BRASIL envia aos interessados informações sobre o método de trabalho e prazos por ela adotados quanto aos processos de importação, sendo que aparecem, entre os diversos destinatários, à fl. 377, “Lucas| Grupo AST” e “Wasni | Grupo AST”, o que indica que a NTN DO BRASIL tinha relação com AST, com ela se comunicava, orientandoa sobre procedimentos aduaneiros, e, portanto, tinha participação nas operações irregulares. Também às fls. 2.566/2.567, consta, trazida pela própria NTN DO BRASIL, correspondências eletrônicas em que esta empresa se comunica com representante da RONCOLI, relativo a pedido feito por esta empresa, havendo referência à AST (fl. 2.566). Consta dos autos à fl. 2.556, a mensagem de Lucy Vargas (NTN PANAMÁ), datada de 29/03/2011, para Natália Nakamura (NTN DO BRASIL), enviando a fatura proforma nº BRA784/11. No texto consta “Ref.: Roncoli (AST) – BRA784/11”. Na mesma fl. 2.556, consta, datada de 31/03/2011, mensagem de Natália Nakamura para representante da RONCOLI, enviando a mesma fatura proforma BRA784/11. Portanto, quem fazia toda a negociação era, na verdade, a RONCOLI. No presente caso, era a NTN que acionava a AST e lhe dava instruções sobre como proceder a respeito das importações, que a NTN sabia que eram da RONCOLI. Se é a AST que consta nas faturas, a cliente da NTN deveria ser a AST, mas, pelo visto, não é, o que indica que a NTN DO BRASIL, tinha conhecimento da ocultação e, mesmo assim, concorreu para que a infração se concretizasse. Em relação à RONCOLI, sua responsabilidade resulta pelo fato de terse, por tudo que já foi exposto nos autos, beneficiado, entre outras coisas, por não ter sido equiparada a industrial, fuga aos controles de comércio exterior, além de ser a real adquirente Fl. 2825DF CARF MF 38 dos produtos, sem ter aparecido nas transações de comércio internacional, tendo efetuado antecipações à AST. Destacase como exemplo, o registro da DI nº 10/11343853, à fl. 1.438, que constam pagamentos feitos pela RONCOLI para a AST, inclusive anteriores ao registro da citada DI. A fiscalização comprovou que a RONCOLI efetuou pedidos de compra de mercadoria estrangeira à NTN DO BRASIL, conforme se pode constatar pelo que consta às fls. 2.566 2.567, e a RONCOLI deveria perceber que seria irregular efetuar pagamentos, inclusive antecipados, à AST, para que esta promovesse as importações, como se estivesse operando por conta própria, quando, de fato se tratava de importação por conta de ordem de terceiros, sem que tal circunstância fosse declarada ao Fisco. Os controles aduaneiros devem ser exercidos sobre o importador ostensivo e, especialmente, sobre quem realmente financia as operações de comércio exterior, que, no caso dos autos, foi a RONCOLI. Pelos diversos indícios concretos, pelas antecipações, por ter se beneficiado, é também infratora. Cabe destacar que, à fl. 2.566, o representante da RONCOLI dá recomendações à NTN DO BRASIL sobre como deve ser o embarque dos produtos importados, além de outras instruções. Restou comprovado, conforme o Relatório do Fisco, que as importações em questão foram registradas pela AST na sistemática de por conta e risco próprio e as notas fiscais de venda registraram como adquirente a empresa RONCOLI e que os pedidos de compra foram feitos pela RONCOLI para a NTN BRASIL, que atuou junto a NTN SUDAMERICANA identificada como exportadora das mercadorias. Consta também no Relatório "Nos registros contábeis da empresa AST, constaram todos os adiantamentos feitos pela empresa RONCOLI que comprovou a grande maioria dos pagamentos feitos, apresentando cópias dos seus comprovantes, conforme os documentos das folhas constantes no quadro seguinte: fls. 39/40". De forma diversa do que afirma a RONCOLI, sua responsabilidade não lhe foi atribuída exclusivamente em função do interesse comum (art. 124 do CTN), mas por ter concorrido para a infração e dela se beneficiado, tal como previsto no art. 95 do DecretoLei nº 37/1966, devidamente citado pela fiscalização às fls. 34/35, no Relatório Fiscal. E, de acordo com o art. 95 do já citado DecretoLei nº 37, de 1966, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática ou dela se beneficie. E o inciso V desse mesmo artigo, preceitua que também responde pela infração, conjunta ou isoladamente, o importador e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por conta e ordem deste, por intermédio de pessoa jurídica importadora. 7. Dos Fundamentos Jurídicos alegados pela NTN A NTN além de não ter concorrido para a prática das infrações alegadas, delas não se beneficiou, pois seu negócio sempre esteve adstrito à formação do contrato de compra e venda internacional, na condição de representante comercial das empresas Fl. 2826DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.808 39 estrangeiras. Nunca coube à NTN controlar ou checar o procedimento de importação adotado entre adquirentes e as empresas por eles escolhidas para o procedimento de importação. Diversamente do afirmado no auto de infração e sustentado no acórdão, a NTN não comercializa equipamentos NTN ou tem qualquer espécie de representante no território nacional. Apenas representa as empresas estrangeiras, não tendo qualquer representante aqui no Brasil, pois não tem atividade de venda dos produtos das empresas representadas. A simples existência de mensagens eletrônicas entre as empresas não se constitui prova da alegada conduta da NTN no sentido de orientar os procedimentos aduaneiros. Não há nos autos prova da alegada conduta dolosa no sentido de fraudar uma operação de importação. Nessa condição, é inaplicável o liame jurídico da sujeição passiva solidária com fundamento no artigo 136 do Código Tributário Nacional e no artigo 603 do DecretoLei n9 37/1966 (artigo 674 do Regulamento Aduaneiro vigente). No entanto, verificase que no Termo de Diligência de fls. 366/369, ficou constatado que a NTN DO BRASIL recebia comissões de 5% sobre as vendas relativas aos pedidos que resultavam nas importações objeto de autuação; ou seja, ela se beneficiava com as operações irregulares. E, da mesma forma, a NTN tinha pleno conhecimento de que os produtos a serem enviados pelo exportador estrangeiro que ela representa eram, desde o início, destinados ao adquirente no Brasil e que as importações seriam feitas simuladamente em nome de outra empresa. O fato de ser representante comercial da exportadora estrangeira não elide a responsabilidade solidária da empresa pelas infrações. 8. Da existência de ocultação do real adquirente elementos de prova Como se vê, as Recorrentes repeliram as acusações, alegando que o motivo do lançamento fundamentado em incapacidade financeira, em verdade tratase de presunção. Afirmam, também, que a desconsideração de aquisição legítima de bem imóvel utilizado no aumento do capital social, foi realizada sem respaldo legal. Assim como, acusação de que diferença apontada como comissão entre a Recorrente e a empresa NTN, trata se de "ficção fiscal". Da mesma forma, a fundamentação de "caucionamento financeiro antecipado" para subsidiar as importações, bem como, a suposta presunção de que o atraso no pagamento de tributos teria por objeto fortalecer o ativo circulante da empresa para suprir a incapacidade financeira, não procede. De acordo com o contido no Relatório de Ação Fiscal, anexo ao auto de infração (fls. 6/55), há, no meu entender, diversos indícios em que se pode evidenciar a efetiva ocorrência de ocultação, pela AST, do real adquirente (a RONCOLI), com a participação da NTN, nas importações que foram objeto dessa autuação, senão vejamos: Verificase no demonstrativo de fls. 8/10, que as datas de desembaraço, das notas fiscais de entradas e das notas fiscais das saídas, que são praticamente iguais, indícios claros de que as mercadorias, quando internadas, já tinham endereço certo para entrega e que nunca foram compradas ou vendidas pela AST, a sua atuação foi de mera prestação de serviços Fl. 2827DF CARF MF 40 na internação, nacionalização e encaminhamento das mercadorias à verdadeira compradora (REAL IMPORTADORA), esta sim, através da NTN BRASIL, comprou os bens envolvidos da NTN SUDAMERICANA, adiantando todos os valores aplicados nestas importações para que a AST pudesse fazer frente aos gastos com o desembaraço das mercadorias. Os pedidos de compra foram feitos pela RONCOLI à NTN, que atuou junto a NTN SUDAMERICANA identificada como exportadora das mercadorias, bem como a forma como o pedido é apresentado, a cobrança e o acompanhamento dos embarques, conforme pode ser constatado nos documentos anexado aos autos. E mais. A fiscalização apresenta diversas comprovações de adiantamentos, feitos pela RONCOLI para a AST, juntando como prova folhas do extrato do Razão Contábil da AST com contrapartidas, que foram obtidos através do SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL SPED, onde constaram os adiantamentos efetuados pela empresa RONCOLI. Esses documentos se encontram apensos aos autos às fls. 514/2.378. Em todo os procedimentos adotados para importação das mercadorias, destacase a participação das empresas AST e NTN, apontando ser os idealizadores dos procedimentos irregulares, a primeira, por não ter condições de operar no comércio exterior por conta e risco próprio , e a segunda optou por essa forma de procedimento para facilitar os controles de venda, distribuição, cobrança e demais assuntos administrativos. No que tange a irresignação da AST quanto ao imóvel adquirido e utilizado para o aumento de capital social, tenho que esse aumento do patrimônio líquido, neste caso, não configura ingresso de numerário, mas sim ingresso no ativo permanente, incapaz de afastar mácula imputada de insuficiência financeira para operar no comércio exterior exigido pela Fazenda. Nesse espeque, a Recorrente entende que tal aumento do Capital (alterado de R$ 100.000,00 para R$ 755.000,00), se deu por esclarecido através de uma Nota Explicativa, firmada pela AST (fls. 121/123), com os lançamentos na escrituração contábil: "1º O aumento de Capital mencionado deuse através de aquisição de um Sítio com 56 hectares, tendo como objetivo a renovação de cadastros, como a da Receita Federal, Bancos e Fornecedores, além de demonstrar a seus fornecedores e colaboradores a capacidade de pagamento da empresa". No entanto, ao meu sentir, o aumento de Capital mencionado não altera a condição financeira da empresa. Consta dos autos que o imóvel foi comprado pela própria AST, em 24/05/2006, por R$ 87.360,00 (fls. 116/123), esse valor naturalmente foi pago e diminuiu o saldo das disponibilidades; em seguida o mesmo Imóvel foi reavaliado em R$ 655.000,00, com base em Laudo (fls. 121/123), emitido em 17/04/2006, utilizado para aumentar o Capital da empresa. As importações se davam em grande parte vindas do Panamá, tendo como exportador a empresa NTN SUDAMERICANA S/A, que no Brasil ao tempo dos fatos era representada pela empresa NTN BRASIL. A convicção de que a empresa NTN é o verdadeiro importador extraise das comunicações entre ela e os Interessados nos produtos importados, dando conhecimento a AST por meio de cópias dos acordos comerciais (fls. 370/381). No caso presente, verificase da documentação colecionada às fls. 370/381, que as tratativas negociais davam sempre por intermédio da empresa NTN do Brasil Ltda., essa certeza é extraída dos emails trocados entre os hipotéticos clientes da AST com a senhora Natália Nakamura, do Departamento de Importação vinculada a empresa NTN, responsável pela tarefa de cobrar os pedidos e coordenar os embarques das mercadorias, assim como, cabia Fl. 2828DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.809 41 informar o nome do navio e a data da chegada no Brasil. Em alguns dos documentos a senhora Natália Nakamura, informa o tempo que os clientes dispunham para efetivar os pedidos em razão de “fechamento de carga por contêiner”, informando o país exportador, que no caso em grande parte a origem das mercadorias vinham do Panamá, e a data da chegada do navio ao Porto de Vitória (ES) fl. 379: “Boa noite a todos, Visando esclarecer o método de trabalho e prazos adotados pela NTN do Brasil, quanto aos processos de importações, segue abaixo o cronograma com a definição de atividades e prazo as a serem cumpridos. Back order (Programação) – Resumo de todos os pedidos firmados com as respectivas datas prevista de disponibilidade no Panamá e preço FOB. Do envio da Back Order todos os distribuidores possuem 05 dias úteis para o envio da instrução de embarque completa. Após este período NÃO será aceito qualquer pedido de embarque para o mês corrente, visto que o Panamá necessita de tempo para dar continuidade ao processo (separação do Material, Embalagem, Contato com Agente, Reserva de Containeres/Navio, Agendamento de Retirada do Material do Armazém, Emissão dos Documentos (Proforma/Fatura/Packing list) para inicio da Exportação (...)." Foi também, a empresa NTN, diligenciada e intimada, em 05/03/2012, a esclarecer e apresentar documentos (fls. 366/369); da diligência restou demonstrada de forma muito clara, que os adquirentes das mercadorias colocam os pedidos de compra diretamente para a NTN BRASIL, que providencia e encaminha os pedidos para a NTN SUDAMERICANA. Vejase (trecho fls. 30/31 do Relatório): "Sobre a NTN DO BRASIL LTDA, foi esclarecido que funciona como Escritório de Representação da empresa NTN SUDAMERICANA, e de uma forma geral recebe os pedidos, encaminha as cotações e acompanha os pedidos colocados até o embarque. Sobre quem vai nacionalizar as mercadorias, a definição fica a cargo do comprador das mercadorias, que além do importador deve definir o transportador, se a compra é a vista ou a prazo. A partir do embarque e emissão da Fatura Internacional, os procedimentos ficam a cargo do Importador ostensivo, que trata da cobrança dos valores envolvidos tanto com o cambio como da nacionalização das mercadorias encaminhando aos revendedores as mercadorias já nacionalizadas. Que os representantes nacionais não pagam qualquer valor para a NTN DO BRASIL a qualquer título. Que a receita da NTN DO BRASIL foi identificada como sendo comissão sobre as vendas realizadas, recebidas mensalmente da NTN SUDAMERICANA com base no faturamento do mês anterior, definido em contrato perfazendo o total de 5% sobre as vendas realizadas. Que o valor da comissão recebida faz parte da composição do preço FOB das mercadorias. Que no caso das Fl. 2829DF CARF MF 42 mercadorias embarcadas no JAPÃO, também tem o mesmo procedimento inclusive na mesma ordem. As mercadorias são garantidas pela NTN, quando existe falha a mercadoria é enviada para a NTN, ou a NTN segue até o CLIENTE, para que seja feito um laudo apurando as causas. A mercadoria analisada, se constar no Laudo que houve falha de instalação, fica sob a responsabilidade do importador, no caso de necessidade de troca a negociação é feita através de descontos em pedido próximo". Em sendo assim, não merece prosperar os argumentos das Recorrentes de que somente com os documentos aduaneiros e fiscais entregues à fiscalização são capazes de comprovar a regularidades dos atos negociais, ao contrário da afirmação, tenho que houve sim a interposição fraudulenta. No meu entender, as Recorrentes foram incapazes de contraditarem essa documentação colecionada pela fiscalização, deixando transcorrer em silêncio (no caso da RONCOLI) os momentos oportunos de impugnar, bem como, debater sobre o conteúdo dos depoimentos colhidos, essa omissão por si só revela ser verdadeiro acusação de que trata de interposição fraudulenta. Vale lembrar que o propósito do tipo infracional é coibir a ocultação do real adquirente da mercadoria na importação ou do vendedor da mercadoria na exportação. Tratase de regra de especial relevância, à medida que a ocultação dos sujeitos envolvidos nas operações de comércio exterior pode estar associada à prática ilegais, dentre outras, a redução indevida dos tributos incidentes da importação (IPI, II, PIS/Pasep, Cofins, ICMS), do IPI devido na comercialização no mercado interno da mercadoria importada e do IRPJ e da CSLL. É evidente, portanto, que o dispositivo, ao pressupor a ocultação ilícita, se refere à simulação fraudulenta. A natureza fraudulenta pode ser provada por qualquer meio admitido pela ordem jurídica, sendo presumida, nos termos do § 2º, V, do art. 23, do Decreto Lei nº 1.455/1976, sempre que o importador não for capaz de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação. Com base nesse dispositivo, alguns julgados do CARF têm operado com a diferenciação entre interposição fraudulenta comprovada e interposição fraudulenta presumida (nesse sentido, Acórdãos nº 310200.582 e nº 310200.589, 3ª S.1ª C. 2ª TO). Entendese, contudo, que não há duas modalidades de interposição. O § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 1976, apenas estabelece uma regra de presunção relativa, que constitui uma técnica de inversão do ônus da prova e não implica qualquer consequência no regime jurídico do instituto. Aplicase, em qualquer caso, com ou sem presunção, a pena de perdimento da mercadoria ou, nas hipóteses do § 3º do art. 23, V, do mesmo diploma legal, a multa substitutiva ao importador ostensivo. 9. Da penalidade aplicada Desta forma, caracterizada a pratica da Interposição Fraudulenta, com a ocultação do real adquirente das mercadorias, comprador e principal interessado nas operações Fl. 2830DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.810 43 de importação das mercadorias, é cabível a pena de perdimento das mercadorias, consoante o disposto no art. 689, inciso XXII, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/2009). Para essa infração, considerada dano ao Erário, nos termos do art. 23, V, §3º, do Decreto Lei nº 1.455, de 1976. Como restou evidente que as mercadorias foram remetidos a consumo, aplica se a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...). V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...). § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. 10. Da alegada Boa Fé e da natureza confiscatória da multa (RONCOLI) A Recorrente RONCOLI, aduz que, "adquiria, na maior boa fé, normal e regularmente, as mercadorias, obedecendo às determinações da NTN DO BRASIL, convicta de que era o caminho legal, segundo constava, necessitando as importações serem efetuadas preferencialmente por intermédio de uma empresa Trading sediada no ES, para gozar dos benefícios financeiros legais do FUNDAP, a AST". Portanto, a multa imposta, substitutiva da original pena de perdimento, tem a mesma natureza confiscatória daquela, desconsiderando a própria capacidade contributiva da Recorrente, redundando na total nulidade. Pode ser verificado em sua impugnação, que a Recorrente alega que adquiria, na maior boa fé, normal e regularmente, as mercadorias, obedecendo às determinações da NTN DO BRASIL, convicta de que era o caminho legal, necessitando as importações serem efetuadas preferencialmente por intermédio de uma empresa trading sediada no Espírito Santo, para gozar dos benefícios financeiros legais do FUNDAP, a AST. Argumenta que sempre agiu em boa fé e nunca praticou qualquer irregularidade, e que foi envolvida no processo fiscal exclusivamente em decorrência de interpretação da fiscalização diante da expressão indefinida e vaga constante do artigo 124 do CTN, de existência de "interesse comum" entre as empresas. Pois bem. A boa fé é elemento subjetivo. Deve ser demonstrada com argumentos, para fins de livre convencimento do julgador. No entanto, verificase que no tópico “FORMAÇÃO DAS PROVAS”, a fiscalização informa que, no procedimento fiscal, as provas juntadas estão representadas pelos documentos entregues no registro das DI's relacionadas; aqueles que foram apresentados em atendimentos às intimações da ação fiscal pelas empresas AST, RONCOLI e NTN DO BRASIL; documentos registrados no Sistema Público de Escrituração Digital, sites livres da internet e resultados de inquirições nos sistemas administrados pela RFB. Todos esses Fl. 2831DF CARF MF 44 elementos permitiram, segundo o Fisco, a formação de robusto quadro indiciário e probatório, demonstrando de forma cabal as infrações praticadas e a inexistência da necessária boa fé nas ações de parte dos contribuintes envolvidos, motivando a autuação, nos termos descritos. Portanto, entendo que há que se desconsiderar a alegada boa fé. Quanto à natureza confiscatória da multa, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação tributária é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que, uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. O pedido de redução da penalidade em razão do suposto caráter confiscatório não merece sucesso, porto que caso se afastasse a multa em razão do atropelo a princípios constitucionais, estarseia declarando a inconstitucionalidade da norma tributária. Isto não é possível nesta instância de julgamento. Salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula CARF, abaixo reproduzido, de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de caráter confiscatório da multa imposta, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar a autuação. 11. Conclusão Convencido de que as constatações do Fisco deram conta de que as mercadorias não foram compradas pela AST, assim como quedouse demonstrado nos autos que os impostos e demais despesas foram suportados pela RONCOLI, que adiantou os valores para que a AST pudesse cumprir com as obrigações relacionadas com o desembaraço e pagamento à NTN SUDAMERICANA; que os pedidos de compra foram feitos pela RONCOLI para a NTN BRASIL, que atuou junto a NTN SUDAMERICANA identificada como exportadora das mercadorias e que os registros contábeis da empresa AST, constaram os adiantamentos feitos pela empresa RONCOLI, conforme extratos das folhas de livro razão com contrapartidas, obtidas através do SPED, concluise que: Ficou evidenciado nos autos que os procedimentos adotados nos processos de importação, se revela consistente as acusação de ocultação do sujeito passivo e o real importador, responsável pelas operações e distribuídos para parceiros comerciais, o que leva concluir que a recorrente (AST) realmente não possuía capacidade financeira e se prestou a praticar a infração lhe imputada, restando caracterizada a interposição fraudulenta. Fl. 2832DF CARF MF Processo nº 12466.721797/201317 Acórdão n.º 3402003.812 S3C4T2 Fl. 2.811 45 Posto isto, conheço dos recursos, para negarlhes provimento, MANTENDOSE a multa objeto da presente lide à AST, e como os responsáveis solidárias as empresas NTN DO BRASIL LTDA e RONCOLI ROLAMENTOS E RETENTORES LTDA. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 2833DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720386/2014-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA.
A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 1402-002.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintela, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar provimento ao recurso e cancelar a multa isolada.
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2166; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.756 1 1.755 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720386/201491 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.263 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de agosto de 2016 Matéria IRPJ E CSLL MULTAS ISOLADAS Recorrente GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintela, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar provimento ao recurso e cancelar a multa isolada. Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 03 86 /2 01 4- 91 Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 1402002.263 S1C4T2 Fl. 1.757 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Tratam os autos de lançamentos de ofício de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de multas isoladas pela falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre as bases de cálculo estimadas, consubstanciados nos autos de infração às fls. 1392 a 1418, referentes aos anoscalendário 2009 e 2010, com crédito tributário total de R$ 541.935.773,75, assim distribuído: [...] 2. Consoante descrição dos fatos presente nos autos de infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1419 a 1439 – parte integrante daqueles), foram apuradas as seguintes irregularidades: 2.1. Dedução indevida de ágio na determinação da base de cálculo; 2.2. Compensação Indevida de prejuízos operacionais em montante superior ao saldo existente; 2.3. Falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL incidentes sobre as bases de cálculo estimadas – a autoridade fiscal preparou demonstrativos de apuração das multas isoladas às fls. 1440 a 1441, baseandose, para tanto, nas bases de cálculo mensais de apuração do IRPJ e da CSLL fornecidas pelo contribuinte e nas DIPJ 2010 e DIPJ 2011, incluindo mensalmente uma adição de R$ 36.532.953,43 até o mês de outubro de 2010, referente à glosa do excesso de amortização do ágio. Assim, foram apurados créditos tributários para os seguintes períodos: meses de junho, setembro e dezembro de 2009 (CSLL); janeiro a junho de 2010 (IRPJ e CSLL), e agosto a outubro de 2010 (CSLL). 3. Cientificado pessoalmente dos lançamentos em 14 de julho de 2014 conforme termo de ciência às fls. 1480 e 1481, o contribuinte apresentou a impugnação às fls. 1487 a 1515, em 11 de agosto de 2014 (protocolo à fl. 1486), instruída pelos documentos às fls. 1516 a 1570, onde contestou as irregularidades que lhe foram imputadas, cujos argumentos relativos à falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL incidentes sobre as bases de cálculo estimadas, bem assim à incidência de juros sobre a multa resumo a seguir: 3.1. tanto a multa isolada de 50% quanto a multa proporcional de 75% foram aplicadas em decorrência das mesmas infrações, estando patente “bis in idem”, o que não é admitido pelo doutrina e jurisprudência. Isolada ou conjuntamente (com o tributo não pago) são apenas formas pelas quais podem ser exigidas as penalidades, mas não indicam hipóteses autônomas da aplicação das multas, daí não poderem incidir concomitantemente. Nesse sentido está a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF); Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 3.2. além disso, a imposição de multa isolada na hipótese de não cumprimento de obrigação principal (no caso de recolher o IRPJ e a CSLL por estimativa) ofende o art. 97, V, combinado com o art. 113, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), que somente autorizam a cobrança de multa isolada na hipótese de descumprimento de obrigação acessória, conforme já reconheceu o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes (atual 1ª Seção do Carf); 3.3. adotar entendimento diverso do consolidado no Carf e na CSRF é chancelar a penalização dupla por infrações indissociáveis entre si, uma vez que a falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos quando do encerramento do ano calendário decorre da falta de recolhimento das estimativas mensais, de modo que a penalidade decorrente do não recolhimento do tributo ao final do ano (multa proporcional) absorve a penalidade decorrente do não recolhimento de determinado valor a título de estimativa mensal (multa isolada), já que ambas decorrem de normas sancionatórias que concorrem entre si para penalizar uma mesma conduta. O recolhimento a menor ou não recolhimento das estimativas mensais compõem apenas uma etapa preparatória do ato de recolher a menor ou deixar de recolher o IRPJ e a CSLL devidos no encerramento do ano. Em face do princípio da consunção, as multas isoladas lançadas devem ser absorvidas pelas multas de ofício proporcionais. 3.4. ademais, o lançamento da multa isolada não obedeceu a regra contida no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, e no art. 38 do Decreto nº 7.574, de 2011, que determinam que as multas isoladas aplicadas em razão de insuficiência de antecipações de IRPJ e CSLL devem ser lançadas em auto de infração específico. Tal fato acarreta a nulidade da exigência relativa às multas isoladas, conforme jurisprudência do Carf; 3.5. como aspecto adicional, superados os argumentos relativos às infrações que lhe foram imputadas, argúi que é descabida a incidência de juros sobre as multas aplicadas pois implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa. 4. Posteriormente, em 12 de agosto de 2014, os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro – RJ para a apreciação da impugnação, com pronunciamento da unidade preparadora pela sua tempestividade (fl. 1575). Entretanto, tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 2013, em 29 de agosto de 2014 os autos foram remetidos a esta DRJ/Recife para proceder ao julgamento da lide (fl. 1576) 5. Em 25 de agosto de 2014, o contribuinte protocolou petição de desistência e renúncia parcial (fl. 1579), nos termos e para os efeitos da Lei nº 11.941, de 2009, com as alterações introduzidas pela Lei nº 12.996, de 2014, com redação dada pela Medida Provisória nº 651, de 2014. O pedido de desistência está às fls. 1580 a 1582, instruído com os documentos às fls. 1583 a 1630, onde o sujeito passivo comunica expressamente a desistência parcial da impugnação relativamente às infrações 1 e 2 (glosa de ágio e glosa de compensação indevida), renunciando a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamenta sua impugnação nesta parte. No que se refere às multas isoladas, reafirma a sua contestação, permanecendo em discussão no presente processo os respectivos lançamentos. Anexou ao autos comprovantes do pagamento à vista do débitos decorrentes das duas primeiras infrações (1627 a 1630). 6. Foi formalizado Termo de Solicitação de Juntada dos documentos acima, referentes à desistência parcial da impugnação e renúncia dos direitos respectivos (fl. 1577), tendo sido aceitos os documentos por este julgador em 29 de agosto de 2014, consoante Termo de Análise de Solicitação de Juntada à fl. 1634. Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 1402002.263 S1C4T2 Fl. 1.758 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife – PE, prolatou o Acórdão 1147.909 considerando improcedente a impugnação. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente identificado, motivo pelo qual dele conheço. Após o pedido de desistência parcial, restaram na lide as razões de defesa contra a multa isolada sobre estimativas não recolhidas ou recolhidas a menor e contra a incidência dos juros de mora sobre essas multas. No que se refere à necessidade de auto de infração específico para exigência da multa isolada importa ressaltar que a jurisprudência administrativa mais recente desta Corte entende que, na situação em questão, a aplicação do art. 9º, do Decreto nº 70.235/72 envolve a apuração da exigência de forma bem definida, a fim de que permitir o pleno exercício de defesa, sem que para isso haja obrigatoriedade de autuação específica. O próprio acórdão 1802001.467 caminha nesse sentido. Ao justificar a anulação do lançamento da multa isolada a decisão não estabelece a necessidade de auto de infração específico, mas sim da perfeita identificação da exigência: [...] Notase que de fato o direito de defesa da Recorrente foi claramente cerceado pela autoridade administrativa, eis que fez uma consolidação de seus lançamentos sem qualquer individualização de fatos geradores, tributos e metodologia de cálculo de apuração da multa isolada. Isto porque a fiscalização deveria efetuar um lançamento para a estimativa de IRPJ, respeitando os períodos de competência (ao invés de lançar tudo em dezembro/2003, ..... Tal irregularidade não ocorreu no presente caso. A demonstração da base de cálculo da multa isolada está perfeitamente identificada (fls. 1440/1442), o enquadramento legal devidamente mencionado e o valores mensais e consolidados foram identificados no autos de infração. Negase provimento ao recurso nessa questão. Quanto ao mérito da multa, o pagamento do imposto por estimativa foi instituído pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Essa Lei estabeleceu período de apuração trimestral para o IRPJ, com a opção anual sendo que, nesse último caso, existe a obrigatoriedade de recolher o tributo mensalmente, determinado sobre uma base de cálculo estimada mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei nº 9.249/95. Entendeu o legislador que, feita a opção pelo recolhimento por estimativa, a ausência ou insuficiência desses pagamentos constituiria em sanção passível de punição via multa de ofício calculada sobre o montante não recolhido e aplicada isoladamente, nos termos do inciso IV, do § 1º , do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 1402002.263 S1C4T2 Fl. 1.759 7 A questão de fato é polêmica. Neste Colegiado, alguns entendem que não se justificaria a aplicação da multa após o encerramento do período de apuração, quando já teriam sido realizados os devidos ajustes. Nesse caso bastaria a cobrança de eventual imposto apurado no ajuste acompanhado, aí sim, da respectiva multa. Esse posicionamento praticamente nega eficácia ao dispositivo legal supra mencionado, pois limitaria sua aplicabilidade a procedimentos de fiscalização efetuados durante o período sob exame. Além do mais, ignora a literalidade do texto legal que determina a aplicação da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ajuste, ou seja, a Lei determina claramente que a multa pode ser imputada após o encerramento do período e mesmo sem tributo apurado no ajuste A principal e respeitável linha argumentativa daqueles que defendem essa tese parte do próprio texto legal. Na redação original temse: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (....) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (....) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (......) (grifo acrescido) Com base na redação do caput essa corrente defende que, mesmo na forma isolada, a multa incidiria sobre a totalidade ou diferença de tributo. Com a ressalva de que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, a lógica do pagamento de estimativas seria antecipar para os meses do anocalendário o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria devido apenas ao final do exercício. Sob essa ótica, a tese defende que o tributo apurado no ajuste e a estimativa paga ao longo do período devem estar intrinsecamente relacionados de forma a que a provisão para pagamento do tributo deve coincidir com o montante pago de estimativa ao final do exercício. Assim, concluem que só há que se falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido. Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 A princípio, alinheime nessa posição e com ela votei em alguns julgados. Hoje, após cuidadosa reflexão penso que essa tese está equivocada porque, apesar de sua construção lógica ser irrefutável, mistura situações distintas. O texto original da lei estabelece que a multa isolada seria calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. Entendeuse assim que o legislador estabeleceu uma norma de imposição tributária quando na verdade o não recolhimento das estimativas impõe a aplicação de uma regra sancionatória. Aquela avaliação não mais se justifica a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (.......) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (......) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (.....) (grifo acrescido) Inexiste assim a estreita correlação entre o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano. Registrese que essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa, Simplesmente torna mais clara a intenção do legislador. Em voto que a meu ver bem reflete a tese aqui exposta, o ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES foi preciso na análise do tema (Acórdão 10323.370, Sessão de 24/01/2008): (........) Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 1402002.263 S1C4T2 Fl. 1.760 9 É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. A inexistência de correlação entre o tributo e a estimativa fezme refletir também sobre a questão da concomitância, ou seja, a aplicação da multa de ofício exigida junto com o tributo e a multa sobre as estimativas. Manifesteime em outra ocasiões pela aplicação ao caso do princípio da consunção, pelo qual prevalece a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. De forma geral, o princípio da consunção determina que em face a um ou mais ilícitos penais denominados consuntos, que funcionam apenas como fases de preparação ou de execução de um outro, mais grave que o(s) primeiro(s), chamado consuntivo, ou tão somente como condutas, anteriores ou posteriores, mas sempre intimamente interligado ou inerente, dependentemente, deste último, o sujeito ativo só deverá ser responsabilizado pelo ilícito mais grave.1. 1 RAMOS, Guilherme da Rocha. Princípio da consunção: o problema conceitual do crime progressivo e da progressão criminosa. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 44, 1 ago. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/996>. Acesso em: 6 dez. 2010. Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 Vejase que a condição básica para aplicação do princípio é a íntima interligação entre os ilícitos. Pelo até aqui exposto, podese dizer que a intenção do legislador tributário foi justamente deixar clara a independência entre as irregularidades, inclusive alterando o texto da norma para ressaltar tal circunstância. No voto paradigma que decidiu casos como o presente sob a ótica do princípio da consunção, o relator cita Miguel Reale Junior que discorre sobre o crime progressivo, situação típica de aplicação do princípio em comento. Pois bem. Doutrinariamente, existe crime progressivo quando o sujeito, para alcançar um resultado normativo (ofensa ou perigo de dano a um bem jurídico), necessariamente deverá passar por uma conduta inicial que produz outro evento normativo, menos grave que o primeiro. Noutros termos: para ofender um bem jurídico qualquer, o agente, indispensavelmente, terá de inicialmente ofender outro, de menor gravidade — passagem por um minus em direção a um plus. 2 (destaques acrescidos). Estaríamos diante de uma situação de conflito aparente de normas. Aparente porque o princípio da especialidade definiria a questão, com vistas a evitar a subsunção a dispositivos penais diversos e, por conseguinte, a confusão de efeitos penais e processuais. Aplicandose essa teoria às situações que envolvem a imputação da multa de ofício, a irregularidade que gera a multa aplicada em conjunto com o tributo não necessariamente é antecedida de ausência ou insuficiência de recolhimento do tributo devido a título de estimativas, suscetível de aplicação da multa isolada. Assim, não há como enquadrar o conceito da progressividade ao presente caso, motivo pelo qual tal linha de raciocínio seria injustificável para aplicação do princípio da consunção. Ainda seguindo a analogia com o direito penal, a grosso modo poderseia dizer que a situação sob exame representaria um concurso real de normas ou, mais especificamente, um concurso material: duas condutas delituosas causam dois resultados delituosos. Abstraindose das questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo. Sob essa ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou a norma ao caso concreto, no exercício do poderdever legal, motivo pelo qual votaria por manter a imputação da multa isolada em sua integralidade. Importa ressaltar que a Súmula CARF nº 101 NÃO SE APLICA A FATOS GERADORES POSTERIORES À MP Nº 351/2007, eis que todas as decisões que serviram de base à edição da Súmula não levaram em consideração a mudança legislativa. 2 Idem, Idem Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 1402002.263 S1C4T2 Fl. 1.761 11 Sendo assim, deve ser mantida integralmente a multa isolada aplicada a partir de janeiro de 2007. No que se refere aos juros de mora sobre a multa de ofício, este relator poderia rebater as razões de defesa sob o embasamento teórico pertinente. Entretanto, tendo em vista que a peça recursal preocupouse em trazer a jurisprudência que embasaria os argumentos, cabe simplesmente registrar que o acórdão apresentado contem entendimento superado e a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). De todo o exposto , nego provimento ao recurso. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721056/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-004.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 10 56 /2 00 8- 91 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada, em 03/11/2008, foi lavrada Notificação de Lançamento nº 02201/00024/2008 de fls. 19/23, intimando a recorrente a recolher o crédito tributário, no valor de R$ 328.282,05, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2004, acrescentado de multa lançada (75%) e juros de mora, tendo como objeto o imóvel cadastrado na RFB sob o nº 5.859.0480, denominado “Fazenda Redentor”, com área declarada de 39.500,0 ha, localizado no Município de Canutama/AM. O Termo de Intimação Fiscal nº 02201/00019/2008 de fls. 13/16, intimou a contribuinte a apresentar os seguintes documentos: 1º Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido dentro de prazo junto ao IBAMA; 2º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, que comprovem as áreas de preservação permanente declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos das alíneas “a” até “h” do art. 2º da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georreferenciadas ao sistema geodésico brasileiro; 3º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei nº 4.771/1965, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; 4º matrícula atualizada do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; 5º documento que comprove a localização da área de reserva legal, nos termos do § 4º do art. 16 do Código Florestal, introduzido pela Medida Provisória 2.16667, de 24 de agosto de 2001. Pelo fato de não ter sido apresentado nenhum documento de prova e procedendose a análise e verificação dos dados constantes da DITR/2004, a fiscalização resolveu glosar a área de preservação permanente de 3.950,0 ha e a área de reserva legal de 31.600,0 ha, com consequente aumento da área tributável/aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, e disto resultando o imposto suplementar de R$141.880,05, conforme demonstrado às fls. 22. Resumo da autuação: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10283.721056/200891 Acórdão n.º 2301004.775 S2C3T1 Fl. 143 3 A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 19/20 e 22. Após ser cientificada do lançamento na data de 19/11/2008 (fl. 24) a contribuinte, em 05/12/2008 (fl. 28), apresentou impugnação de fls. 28/54, instruída com os documentos de fls. 55/78, alegando e solicitando o seguinte: a Administração Pública ao praticar atos administrativos deve indicar expressamente os motivos do ato para possibilitar a apreciação, em cada caso concreto, do efetivo cumprimento das normas legais respectivas, a motivação deve consistir na indicação do texto legal de lei que autoriza a edição do ato, bem como no pressuposto de fato que permite a sua prática, tornando possível o controle da legalidade do ato, no caso o lançamento tributário, e essa exigência é decorrência do princípio da legalidade previsto no art. 5º, II, da Constituição da República; o Fisco utilizou de bases legais genéricas, que não podem nem devem ser tidas como suficientes para sustentar a pretensa infração e que a descrição fática não é suficiente para fornecer ao impugnante condições mínimas de defesa, vez que genérica e abstrata e cita jurisprudência para sustentar sua tese; o procedimento utilizado (baseado em descrições genéricas) é expediente tendencioso, eivado de ilegalidades, que só faz por conduzir o lançamento à nulidade e cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, para referendar seu argumento; disserta abundantemente sobre as figuras das presunções (comum e legal relativa e absoluta) dentro do ordenamento jurídicotributário; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 considera o uso da presunção depende de autorização legal e salienta que não há qualquer dispositivo legal que autorize o uso da presunção para as situações descritas pela fiscalização; embora sejam imaginariamente possíveis, as insinuações fiscais carecem de materialidade fiscal, tratandose de meros indícios (ou presunção comum), passíveis de investigação adicional; o Fisco usou equivocadamente da presunção e em função do lançamento precário, pede que seja a Notificação de Lançamento julgada nula em sede de preliminar, senão improcedente em seu mérito pela ausência de materialidade; enfatiza o art. 10, § 1º, II, “a” da Lei nº 9.393/1996 faz remição à Lei nº 4.771/65, ao tratar das áreas de preservação permanente, não fazendo menção quanto à exigência do ato declaratório ambiental (ADA) do IBAMA; considera a exigência do ADA por meio da IN/SRF nº 256/02 não está prevista em Lei, ou seja, a referida IN extrapolou de certa forma, os limites da Lei; considera, ainda, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na letra “a”, do inciso II, § 1º, do art. 10 da Lei nº 9.393/96, aquelas estipuladas no art. 2º da Lei nº 4.771/65, não precisam ser previamente reconhecidas pelo Poder Público para que ocorra a dedução do ITR, havendo tal exigência apenas quanto àquelas previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65, bem como das alíneas “b” e “c”, do inciso II, § 1º, do art. 10 da Lei nº 9.393/1996; enfatiza o art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/1996, cuja edição encontra respaldo no art. 106 do CTN, diz que a declaração do contribuinte não está sujeita à prévia comprovação, ou seja, cabe ao Fisco desconstituir a declaração do contribuinte no caso de falsidade da mesma e que tal entendimento pautase no Princípio da Verdade Material, que deve informar a atuação da Receita Federal nos procedimentos de lançamento e do processo administrativo, em todas as instâncias; ressalta a ilegalidade da exigência feita pela IN/SRF nº 256/02, quanto à apresentação do ADA para comprovar as áreas de preservação permanente e de reserva legal, como condição para dedução da base de cálculo do ITR, tendo em vista que a previsão legal não generaliza tal exigência para todas as áreas, tãosomente para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal e cita Acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes sobre o tema; a multa aplicada de 75% é confiscatória, gerando a inconstitucionalidade referida no art. 150, IV, da Constituição da República, além de ferir os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; Requer: que seja reconhecida (i) a nulidade do lançamento pela falta de motivação, mormente que não traz a verificação correta da realidade fática; (ii) utilização equivocada da presunção, para ter sido utilizado zelo usual para analisar cada ponto elencado pela fiscalização em consonância coma legislação e jurisprudência e não conforme unicamente interesses fiscais; quanto ao mérito: seja (i) julgada improcedente a Notificação de Lançamento face a inexigibilidade da apresentação do ADA para efeitos de comprovação de Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10283.721056/200891 Acórdão n.º 2301004.775 S2C3T1 Fl. 144 5 isenção da área de preservação permanente; (ii) o afastamento da multa aplicada no percentual de 75%, por ser de caráter confiscatório; protesta por todos os meios de prova admitidos em direito, em especial perícia técnicocontábil, a ser designada para apuração dos fatos questionados, pleiteando, ainda, a posterior juntada de documentos. A Turma de Primeira Instância julgou a impugnação improcedente, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo a contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL Essas áreas ambientais, para fins de exclusão do ITR, devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do respectivo ADA, além da averbação tempestiva das áreas de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. DA INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. DA MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 A vedação ao confisco pela Constituição da República é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicala, nos moldes da legislação que a instituiu. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte foi notificada do Acórdão 0351.299 1ª Turma da DRJ/BSB em 19/09/2013 (fl. 107), mediante Aviso de Recebimento – AR. Em 29/10/2013, sobreveio recurso voluntário (fl. 110). Alega em síntese: que o fato do ato administrativo padece de vício de nulidade, ocorrendo pelo fato de inexistir autorização legal, tendo o ato sido emanado sem fundamento. Completa ainda que, o fisco utilizou de bases legais genéricas, não podendo ou devendo serem tidas como suficientes para sustentar a infração em questão; que a descrição fática não é suficiente para fornecer a recorrente as mínimas condições de defesa, por serem genéricas e abstratas; que a fiscalização excedeu os limites legais para o uso da presunção na caracterização da infração cometida contra a Lei 9393/96. Considerando a como uma prova indireta, partindo de fatos secundários; justifica que, após a revogação da Instrução Normativa n° 60/2001 pela Instrução Normativa n° 256/01, tratando do fato em questão em seu art. 9, § 2°, I que para a exclusão da área tributável do ITR dos imóveis, não é mais obrigatório ao contribuinte a apresentação do ADA (Ato Declaratório Ambiental); reforça a nãoobrigatoriedade do ADA, citando a Lei 4.771/65 e Lei 7803/89 tratando das áreas de preservação permanente, não fazendo menção quanto à exigência do ato declaratório do IBAMA; questiona que além da cobrança de crédito tributário indevido, ainda se exige a cobrança de multa moratória no patamar de 75%, alegando ser desproporcional a arrecadação do valor de “praticamente outro crédito tributário” (fl. 134); esclarece que a contribuinte “tem plena ciência que as multas administrativas são penalidades pecuniárias para compensar o possível dano causado pelo contribuinte ao erário. Contudo, o fato é que, na situação em epigrafe, a exigência se faz totalmente irrazoável”(fl. 135) pela proporção da multa moratória; salienta que as áreas supracitadas não são mais de propriedade da Recorrente, sendo, portanto, inconcebível a incidência do ITR nesse caso. Cita jurisprudência a seu favor, art. 29 do Código Tributário Nacional. É o relatório Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10283.721056/200891 Acórdão n.º 2301004.775 S2C3T1 Fl. 145 7 Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Como se colhe dos autos, o contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 19/09/2013, conforme Aviso de Recebimento, fl. 107. Já o recurso foi apresentado em 29/10/2013 (fl. 110). Temse, portanto, que o recurso foi apresentado depois de já ultrapassado o prazo de 30 dias do recebimento da decisão de primeira instância. Conforme acentua o despacho de encaminhamento da RFB (fl. 137), a recorrente teria até a data de 21/10/2013 para apresentar recurso, todavia somente apresentou sua defesa em 29/10/2013. Nesse sentido, é forçoso concluir pela intempestividade do recurso, o que torna definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do art. 42, I do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I – de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por perempto. Alice Grecchi Relatora (Assinado digitalmente) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 19515.720885/2014-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
INTEMPESTIVIDADE. RECURSO. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO.
Seja pelas regras da intimação ficta, seja pelas regras da intimação efetiva, o Recurso Voluntário foi interposto com meses de atraso, motivo pelo qual é intempestivo e não pode, portanto, ser conhecido.
MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. DESCABIMENTO.
A matéria de ordem pública pode ser reconhecida de ofício pelo julgador, o que não significa estar ele obrigado a analisar toda a matéria de ordem pública alegada pelas partes. Não tendo reconhecido nenhuma matéria de ordem pública que afetasse o resultado do feito, deve ser mantido o entendimento pelo não conhecimento do Recurso Voluntário.
MULTA ISOLADA. ERRO NO CÁLCULO. MANTIDO AJUSTE.
Uma vez que foi cometido erro no cálculo da multa isolada, já reconhecido, inclusive, pelo Acórdão da DRJ, deve ser mantido o ajuste no seu valor.
Numero da decisão: 1401-001.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário em face da sua intempestividade e NEGAR provimento ao recurso de ofício.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Marcos de Aguiar Villas-Bôas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Adolfo Mendes, Luciana Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas-Bôas (relator), Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho e Lívia de Carli Germano.
Nome do relator: MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 INTEMPESTIVIDADE. RECURSO. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO. Seja pelas regras da intimação ficta, seja pelas regras da intimação efetiva, o Recurso Voluntário foi interposto com meses de atraso, motivo pelo qual é intempestivo e não pode, portanto, ser conhecido. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. DESCABIMENTO. A matéria de ordem pública pode ser reconhecida de ofício pelo julgador, o que não significa estar ele obrigado a analisar toda a matéria de ordem pública alegada pelas partes. Não tendo reconhecido nenhuma matéria de ordem pública que afetasse o resultado do feito, deve ser mantido o entendimento pelo não conhecimento do Recurso Voluntário. MULTA ISOLADA. ERRO NO CÁLCULO. MANTIDO AJUSTE. Uma vez que foi cometido erro no cálculo da multa isolada, já reconhecido, inclusive, pelo Acórdão da DRJ, deve ser mantido o ajuste no seu valor.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário em face da sua intempestividade e NEGAR provimento ao recurso de ofício. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar Villas-Bôas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Adolfo Mendes, Luciana Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas-Bôas (relator), Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho e Lívia de Carli Germano.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 7 1 6 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720885/201407 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401001.729 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de outubro de 2016 Matéria Tempestividade do Recurso. Recorrentes Emirates Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 INTEMPESTIVIDADE. RECURSO. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO. Seja pelas regras da intimação ficta, seja pelas regras da intimação efetiva, o Recurso Voluntário foi interposto com meses de atraso, motivo pelo qual é intempestivo e não pode, portanto, ser conhecido. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. DESCABIMENTO. A matéria de ordem pública pode ser reconhecida de ofício pelo julgador, o que não significa estar ele obrigado a analisar toda a matéria de ordem pública alegada pelas partes. Não tendo reconhecido nenhuma matéria de ordem pública que afetasse o resultado do feito, deve ser mantido o entendimento pelo não conhecimento do Recurso Voluntário. MULTA ISOLADA. ERRO NO CÁLCULO. MANTIDO AJUSTE. Uma vez que foi cometido erro no cálculo da multa isolada, já reconhecido, inclusive, pelo Acórdão da DRJ, deve ser mantido o ajuste no seu valor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário em face da sua intempestividade e NEGAR provimento ao recurso de ofício. Documento assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 08 85 /2 01 4- 07 Fl. 1640DF CARF MF 2 Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Adolfo Mendes, Luciana Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar VillasBôas (relator), Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho e Lívia de Carli Germano. Relatório Tratase aqui de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão nº 0263.058 da DRJ de Belo Horizonte/MG, que, por maioria de votos, julgou procedente em parte a Impugnação apresentada perante o Auto de Infração, assim como de Recurso de Ofício interposto no próprio Acórdão por conta de constatação pela DRJ, conforme alegado pelo contribuinte, de erro no cálculo da multa isolada, que foi reduzida no valor de R$ 4.767.497,42. O Acórdão da DRJ ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE FUNCIONAL A atividade administrativa de lançamento e vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PESSOAS JURÍDICAS DOMICILIADAS NO EXTERIOR E AUTORIZADAS A FUNCIONAR NO PAÍS Tais sociedades empresarias somente poderão deduzir como custos ou despesas aqueles realizados por suas dependências no território nacional, bem como as quotas de depreciação, amortização ou exaustão dos bens situados no Pais e as provisões relativas as operações de suas dependências no País. NORMAS DE ESCRITURAÇÃO A lei comercial determina que a escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. PRINCIPIO DA ENTIDADE Segundo tal principio, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários. ÔNUS DA PROVA O contribuinte deve provar a efetividade dos custos e despesas deduzidos para fim de apuração do lucro. DECADÊNCIA O quinquênio decadencial contase do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 19515.720885/201407 Acórdão n.º 1401001.729 S1C4T1 Fl. 8 3 CSLL A receita da CSLL tem destinação específica e portanto, em face de expressa vedação constitucional, não pode ser arrolada dentre os impostos. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. ATIVIDADE DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. MULTAS POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO Cabível a aplicação simultânea as multas de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata e de 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal feito por estimativa que deixar de ser efetuado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Recurso de Ofício foi interposto no próprio Acórdão, como determina a legislação, enquanto que a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, mas o fez fora do prazo, como se verá adiante, motivo pelo qual este Relatório não se estenderá para descrever todos os argumentos relativos ao mérito trazidos por ambos os lados ao longo dos autos, uma vez que desnecessário. É o brevíssimo relatório. Voto Conselheiro MARCOS DE AGUIAR VILLASBÔAS Relator. O Recurso Voluntário é intempestivo e, portanto, não pode ser conhecido por esta turma. O registro da intimação no domicílio eletrônico da Recorrente aconteceu em 04/03/2015 (quartafeira), de modo que a intimação ficta ocorreu em 19/03/2015 (quintafeira). Não houve feriados no mês de março de 2015. Se contado o prazo tomando em consideração a intimação ficta, ele teria terminado em 20/04/2015 (segundafeira). Fl. 1642DF CARF MF 4 Por outro lado, segundo o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, a intimação eletrônica efetiva aconteceu em 06/03/2015 (sextafeira). Considerando essa como a data de intimação, o prazo teria sido concluído em 07/04/2015 (terçafeira). O Recurso Voluntário foi interposto apenas em 06/08/2015, de modo que, seja pela intimação ficta, seja pela intimação efetiva, a solicitação eletrônica de juntada do Recurso aconteceu meses após o fim do prazo. Seguem as normas que regulam a intimação eletrônica no âmbito do processo administrativo fiscal: "Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) [...]". Como se nota acima, o prazo de 30 dias é contado a partir do primeiro dia seguinte àquele em que se considera ocorrida a intimação, que, no caso de ser eletrônica, pode se dar de duas maneiras: a) ou de forma ficta, quando a intimação é registrada no domicílio Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 19515.720885/201407 Acórdão n.º 1401001.729 S1C4T1 Fl. 9 5 eletrônico do contribuinte e ele não o abre durante os 15 dias seguintes; b) ou de forma efetiva, quando, antes de transcorridos os tais 15 dias, o contribuinte consulta o seu endereço eletrônico. A Recorrente alega que a intimação por abertura de mensagem acontecida no dia 06/03/2015 se deu por meio da empresa Prime Contabilidade Ltda., que não teria poderes para representála. Como visto, independentemente dessa discussão sobre a intimação eletrônica efetiva, já teria havido a intimação ficta. No entanto, como, segundo os enunciados transcritos acima, vale a intimação que ocorrer primeiro, é preciso analisar as alegações da Recorrente. Ora, não é necessário que alguém tenha poderes específicos para representar outrem em processo administrativo para que ele ou ela receba uma intimação. Fosse assim, no caso da intimação por via postal, o porteiro do prédio onde fica a sede das empresas precisaria ter uma procuração para receber suas intimações, ou elas seriam nulas. É muito comum que os recebedores das intimações nem sejam prepostos das empresas, mas meros prestadores de serviços, como parece ser o caso aqui. Se alguém abriu o endereço eletrônico da Recorrente salvo num caso muito excepcional, como de furto, que precisaria ser comprovado foi porque tinha à disposição o seu token e a senha dela. Muito provavelmente, a empresa de contabilidade havia ficado encarregada de fazer esse tipo de acompanhamento, consultou o endereço eletrônico da Recorrente com algum objetivo não relacionado a este processo e, para sua infelicidade, deixou passar a intimação por falta de atenção, o que não é incomum. Deste modo, no entendimento deste Relator, houve intimação efetiva em 06/03/2015 e transcurso do prazo muito antes que o Recurso Voluntário fosse interposto. No entanto, por quaisquer das duas hipóteses de intimação, efetiva ou ficta, o Recurso Voluntário é intempestivo. Matérias de ordem pública A Recorrente alega que, mesmo julgando intempestivo o Recurso Voluntário, há que se analisar as matérias de ordem pública, pois essa análise independe de provocação. Cita como exemplos a questão da validade do Auto de Infração, da decadência e da observância de tratados internacionais. Primeiro, é preciso deixar claro que a matéria de ordem pública deve ser analisada até mesmo de ofício quando for o caso de reconhecer que tal análise possa mudar a sorte do feito. Em outras palavras, o julgador deve conhecêla de ofício se detectar algum vício de nulidade ou a ocorrência de decadência, que não é o caso aqui. A observância de tratados internacionais não é matéria de ordem pública. Fl. 1644DF CARF MF 6 A tal "matéria de ordem pública" é aquela que diz respeito às bases da lide e que, portanto, pode ser conhecida de ofício pelo julgador, ainda que tenha havido preclusão. Isso não implica que o julgador é obrigado a levar à turma toda matéria de ordem pública alegada pelo contribuinte, o que poderia criar processos sem fim, nos quais as partes alegariam novas matérias de ordem pública após, por exemplo, o julgamento pela câmara baixa do CARF e, assim, a Câmara Superior de Recursos Fiscais seria obrigada a analisálas, ainda que sem qualquer fundamento. O Termo de Verificação Fiscal que suporta o Auto de Infração não é dos mais extensos e minuciosos, porém, por outro lado, traz todos os elementos necessários à defesa. Ele deixa claro que a infração foi a não comprovação de despesas, apresenta os valores, traz planilhas anexas com a abertura de cada despesa, aponta os enunciados legais que fundamentam a Autuação etc. Se o Auto de Infração fosse nulo, a Recorrente não teria trazido uma porção de documentos para tentar comprovar os custos e as despesas que não conseguiu comprovar durante a Fiscalização. A infração é muito simples. Ocorre que os inúmeros documentos trazidos, segundo entendeu o Acórdão da DRJ, são procurações e outros que nada provam em relação ao que é questionado no Auto de Infração. A respeito da decadência, a Recorrente tenta utilizar a noção de fato gerador complexivo para alegar decadência por uma contagem de prazo, em apuração de IRPJ e CSLL anual, que se iniciaria ao longo do ano, e não apenas em 1º de janeiro do ano seguindo ao ano calendário alvo de apuração. Deste modo, flagrantemente improcedente também a decadência. Fazse essa breve análise apenas para evitar Embargos de Declaração mais à frente, pois o fato é que, não havendo, de fato, matéria de ordem pública a ser reconhecida de ofício por esta turma, salvo juízo distinto de algum dos demais conselheiros, nem há que se debater a nulidade e a decadência. Quanto à alegação de irretroatividade trazida pela Recorrente durante a sustentação oral, ela não é matéria de ordem pública, não havendo que ser aqui analisada. O mesmo se dá com o argumento de que haveria isenção para o IRPJ e que deveria ser estendido à CSLL. Tratase de matéria de mérito, sendo impossível sua análise frente à interposição do Recurso fora do prazo. Por tais razões, não deve ser conhecido o Recurso Voluntário por conta da sua intempestividade. Recurso de Ofício O Recurso de Ofício se resume a uma redução da multa isolada realizada pelo Acórdão do DRJ por conta de flagrante erro havido no Auto de Infração, que já tinha sido, inclusive, apontado pela contribuinte na sua Impugnação. Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 19515.720885/201407 Acórdão n.º 1401001.729 S1C4T1 Fl. 10 7 O valor da multa isolada (R$ 9.534.994,84) resultou em montante maior do que a própria base de cálculo (R$ 9.522.994,84), o que fez saltar aos olhos o cometimento de algum equívoco por parte da Fiscalização. Ao recalcular a multa, conforme tabela existente na página 19 do Acórdão da DRJ (fl. 1.505 dos autos), concluiuse que o valor correto devido seria R$ 4.767.497,42. Deste modo, uma vez confirmados por este Relator os cálculos realizados pela DRJ, deve ser mantido o Acórdão recorrido em relação à redução da multa isolada. Conclusão Pelo exposto, oriento o meu voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário em decorrência da sua intempestividade e no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício, ficando mantida a redução da multa isolada para o valor de R$ 4.767.497,42. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Fl. 1646DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000079/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PRECLUSÃO.
Verificado que o contribuinte, regularmente cientificado da autuação, não apresentou qualquer impugnação, resta caracterizada a preclusão temporal do seu direito de impugnar / recorrer na esfera administrativa.
EMPRESAS QUE MATERIALMENTE ATUAM COMO UMA ÚNICA PESSOA JURÍDICA. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Restando evidenciado que o contribuinte e a Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos materialmente constituíam uma só empresa, exsurge evidente o interesse comum desta última nos fatos jurídicos tributários realizados pela primeira, sendo tal situação suficiente para configurar a responsabilidade solidária da Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos pelos débitos tributários apurados no contribuinte, em decorrência da aplicação da norma veiculada no art. 124, I do CTN.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ATRIBUÍDA A EMPRESA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. IRRELEVÂNCIA DA ALIENAÇÃO JUDICIAL DO SEU CONTROLE OU DE SUAS FILIAIS OU UNIDADES PRODUTIVAS PARA FINS DA SUA PRÓPRIA RESPONSABILIZAÇÃO EM ÂMBITO FISCAL.
O fato da empresa encontrar-se em processo de recuperação judicial não é suficiente para afastar a responsabilidade tributária que recai sobre seu patrimônio. Ademais, a alienação judicial do controle desta empresa, de suas filiais ou de suas unidades produtivas, também é irrelevante para afastar a responsabilidade tributária da própria empresa em recuperação judicial, ainda que reste afastada a responsabilidade do adquirente das filiais ou unidades produtivas pelos débitos tributários relativos à "atividade empresarial" adquirida.
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Restando comprovado que o contribuinte e a Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos materialmente constituíam uma só empresa, é evidente que a última não é responsável tributária por sucessão dos débitos apurados na primeira, pois sua responsabilidade decorre do interesse comum nos fatos jurídicos tributários praticados pelo contribuinte. Logo, ambos devem responder pela multa de ofício lançada, que foi agravada por conduta omissiva que pode ser imputada às duas empresas.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA.
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A autuação lavrada em conformidade com todos os requisitos formais previstos na legislação, e cujo teor permite ao sujeito passivo oferecer impugnação fundamentada e completa, evidentemente não caracteriza situação de cerceamento ao direito de defesa.
Numero da decisão: 1402-002.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PRECLUSÃO. Verificado que o contribuinte, regularmente cientificado da autuação, não apresentou qualquer impugnação, resta caracterizada a preclusão temporal do seu direito de impugnar / recorrer na esfera administrativa. EMPRESAS QUE MATERIALMENTE ATUAM COMO UMA ÚNICA PESSOA JURÍDICA. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Restando evidenciado que o contribuinte e a Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos materialmente constituíam uma só empresa, exsurge evidente o interesse comum desta última nos fatos jurídicos tributários realizados pela primeira, sendo tal situação suficiente para configurar a responsabilidade solidária da Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos pelos débitos tributários apurados no contribuinte, em decorrência da aplicação da norma veiculada no art. 124, I do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ATRIBUÍDA A EMPRESA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. IRRELEVÂNCIA DA ALIENAÇÃO JUDICIAL DO SEU CONTROLE OU DE SUAS FILIAIS OU UNIDADES PRODUTIVAS PARA FINS DA SUA PRÓPRIA RESPONSABILIZAÇÃO EM ÂMBITO FISCAL. O fato da empresa encontrarse em processo de recuperação judicial não é suficiente para afastar a responsabilidade tributária que recai sobre seu patrimônio. Ademais, a alienação judicial do controle desta empresa, de suas filiais ou de suas unidades produtivas, também é irrelevante para afastar a responsabilidade tributária da própria empresa em recuperação judicial, ainda que reste afastada a responsabilidade do adquirente das filiais ou unidades produtivas pelos débitos tributários relativos à "atividade empresarial" adquirida. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Restando comprovado que o contribuinte e a Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos materialmente constituíam uma só empresa, é evidente que a última não é responsável tributária por sucessão dos débitos apurados na primeira, pois sua responsabilidade decorre do interesse comum nos fatos jurídicos tributários praticados pelo contribuinte. Logo, ambos devem responder pela multa de ofício lançada, que foi agravada por conduta omissiva que pode ser imputada às duas empresas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 79 /2 00 7- 38 Fl. 552DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000079/200738 Acórdão n.º 1402002.223 S1C4T2 Fl. 553 2 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A autuação lavrada em conformidade com todos os requisitos formais previstos na legislação, e cujo teor permite ao sujeito passivo oferecer impugnação fundamentada e completa, evidentemente não caracteriza situação de cerceamento ao direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000079/200738 Acórdão n.º 1402002.223 S1C4T2 Fl. 554 3 Relatório Trata o presente de julgamento de Recurso Voluntário (fls.332/398), interposto apenas pela empresa que foi responsabilizada solidariamente nos termos do inciso I, do artigo 124 do CTN, a Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, doravante Parmalat Brasil, requerendo sua exclusão do pólo passivo do lançamento de ofício elaborado face a autuada Zircônia Participações Ltda (Zircônia), ambas pertencentes ao mesmo grupo empresarial. Insta esclarecer, que a autuada Zircônia não ofereceu Impugnação e nem interpôs Recurso Voluntário, deixando de se manifestar nos autos. Desta forma, não existem alegações de defesa contra o mérito das infrações apontadas nos Autos de Infração, mas apenas argumentos contestando a inclusão da Parmalat Brasil como responsável solidária dos débitos tributários ora exigidos, com o respectivo pedido de sua exclusão do pólo passivo. Os AIs são referentes a lançamentos de IRPJ e CSLL, sendo que a autuação referese à glosa de despesas operacionais e não operacionais registradas nas DIPJ 2003 e 2004. Segundo o relatório do v. acórdão recorrido (fls.304/326), o qual colacionoo abaixo completandoo no que for necessário, os AIs e o processo em epígrafe versam sobre os seguintes fatos: 1. Trata o presente processo de lançamentos de Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica — IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, que constituíram o crédito tributário total de R$ 4.039.077,17 (quatro milhões, trinta e nove mil, setenta e sete Reais e dezessete centavos), incluídos o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 29/06/2007 (fls. 137 e 143): [...] 2. Nos termos expostos no Termo de Constatação Fiscal (fls. 113/124), o lançamento em foco decorreu dos seguintes fatos apurados no curso do procedimento fiscal: 2.1. O contribuinte foi intimado e reintimado (15/02/2006 e 08/03/2006) a apresentar os seguintes documentos, em síntese: * Cópia dos contratos de mútuo, ativos ou passivo, com a indicação dos valores efetivamente entrados ou saídos do Brasil nos anos calendário de 2002 e 2003, a título de principal, pagamento ou amortização e juros; * Composição, através do razão analítico, dos valo componentes das Fichas 5A (despesas Operacionais), 6A (Demonstração do (Ativo) e 39A (Passivo) da DIPJ relativa aos anoscalendário de 2002 e 2003. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000079/200738 Acórdão n.º 1402002.223 S1C4T2 Fl. 555 4 2.2. O contribuinte não atendeu a nenhuma das intimações o que motivou o agravamento da multa em 50% (cinqüenta por cento). Destarte, a fiscalização, para superar tal óbice, tomou por base os arquivos magnéticos e os Livros Comerciais já anteriormente entregues em 2004 em decorrência de procedimentos de fiscalização efetuados pela DEFIC, sendo que os arquivos magnéticos apresentavamse danificados para os anoscalendário em tela. 2.3. A empresa fiscalizada não apresentou qualquer documento que comprovasse a necessidade e a efetividade das despesas operacionais, bem como das despesas nãooperacionais, debitadas ao resultado dos exercícios fiscalizados e informadas nas DIPJ, bem como não decompôs as contas do razão integrantes das mesmas, o que ensejou a glosa total das respectivas despesas, conforme demonstrado abaixo: [...] 2.4. Em decorrência do exposto, a fiscalização glosou as referidas despesas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL para os referidos anoscalendário. 2.5. Ademais, a fiscalização também verificou restar configurada a responsabilidade solidária da empresa Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, vez que tanto esta quanto o contribuinte materialmente constituíam uma única empresa, exsurgindo evidente o interesse comum da Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos nos fatos jurídicos tributários realizados pela Zircônia Participações Ltda. 2.5.1. Neste tema, é importante relembrarse que foi solicitado e obtido parecer da PFN (Ofício DIJUD/PFN/SP n°. 2.130/2007 Anexo, III, fls. 509 a 516) sobre o assunto, sendo que a mesma entendeu pela aplicabilidade da responsabilização solidária e concluiu pelo dever do fisco lançar as obrigações tributárias contra a Zircônia Participações Ltda. e contra a Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, com base no artigo 124, I, do CTN. 2.6. Em decorrência de todo o acima exposto, foram lavrados, em 30/07/2007, os seguintes autos de infração: 2.6.1. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, com fundamento no arts. 249, I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, todos do RIR/99; 2.6.2 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, com fundamento no art. 2° e §§ da Lei n°. 7.689/88; art. 19 da Lei n°. 9.249/95; art. 1° da Lei n°. 9.316/96 e art. 28 da Lei n°. 9.430/96; art. 6° da Medida Provisória n°. 1.858/99 e reedições; art. 37 da Lei n°. 10.637/2002. 2.7. Em 27/7/2007, foi dada ciência da autuação à Autuada Zircônia Participações Ltda. CNPJ no. 49.647.647/000107) e em 30/07/2007 à responsável solidária "Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, CNPJ n°. 89.940.878/000110'. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO PELA ZIRCÔNIA PARTICIPAÇÕES LTDA. 3. Não consta dos autos qualquer impugnação apresentada pela empresa autuada Zircônia Participações Ltda. IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO Fl. 555DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000079/200738 Acórdão n.º 1402002.223 S1C4T2 Fl. 556 5 4. Cientificado dos autos de infração em 30/07/2007 (fls. 124, 138 e 144), o responsável solidário Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos — em Recuperação Judicial apresentou, em 29/08/2007, a impugnação de fls. 163/201, aduzindo, em síntese, que: 4.1. A Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos é pessoa jurídica distinta da autuada, não tendo acesso a informações e documentos para defenderse do mérito da acusação, o que invalidaria sua condição de responsável solidária. Ademais, a ligação entre a Impugnante e a Zircônia teria deixado de existir em 1999, quando a Zircônia, então denominada Parmalat Indústria e Comércio de Laticínios Ltda., teria deixado de integrar o mesmo grupo societário da Impugnante, em razão da transferência do controle de sua controladora direta (Parmalat Participações Ltda.) para terceiros. 4.1.1. A Impugnante aduz, ainda, que a diversidade dos objetos sociais seria suficiente para demonstrar que não haveria correlação entre as empresas, sendo tal fato reforçado pela inexistência de comprovação de qualquer benefício atribuído à Impugnante pelas atividades da Zircônia Participações Ltda. 4.2. A autuação restaria maculada ab initio, pois atentaria aos princípios da legalidade estrita e tipicidade cerrada a fiscalização ao afirmar o cometimento da infração pela Zircônia sem apontar o fundamento material do vínculo que justificaria a sujeição passiva da Impugnante; 4.3. Alega o Defendente, ademais, que a glosa de despesa não seria situação que constituiria fato gerador da obrigação tributária principal, pois este corresponderia à aquisição de acréscimo patrimonial. Neste esteio, alega o Impugnante o evidente cerceamento do direito de defesa, pois como poderia se defender, demonstrando que não tinha interesse comum, de algo que sequer conhece (ausência da indicação do fato fenomênico que potencialmente poderia ser utilizado como pressuposto fático para aplicação da norma jurídica contida no artigo 124, I do CTN). 4.4. Ressalta o Defendente que estaria em recuperação judicial deferida em 04/07/2005, e que desde 26/5/2006 encontrarseia sob o controle de Lácteos do Brasil S.A. Nesta situação, entende que não lhe poderia ser atribuída qualquer responsabilidade tributária, na esteira das normas veiculadas nos arts. 60 e 141 da Lei 11.101105. Ademais, em reforço à correção deste raciocínio, o Impugnante aduz que possui decisão transitada em julgado que impossibilitaria a atribuição de responsabilidade solidária sobre obrigações da Zircônia (em 21/11/2006, o juízo da recuperação teria declarado que a Lácteos do Brasil S/A não se constitui como sucessora de qualquer obrigação de quaisquer outras empresas, sendo que, em sede de embargos de declaração, foi substituído o nome da "Lácteos do Brasil "Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos "). 4.5. Ainda em relação à sujeição passiva, a Impugnante assevera que, com base na norma veiculada no art. 124, I do CTN, para haver a solidariedade seria necessário haver "interesse comum" que configure um vínculo direto com o fato gerador. Alega que "para que prevalecessem as pretensões da autoridade fiscal, haveria de ter restado comprovado, de maneira irretorquível e irrefutável, o vínculo direto entre esta última e os fatos geradores imputados à primeira, consubstanciando na figura do interesse comum "; Fl. 556DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000079/200738 Acórdão n.º 1402002.223 S1C4T2 Fl. 557 6 4.6. Alegase, no mais, que os documentos apresentados pelo Sr. Francisco Mungioli à fiscalização nada provariam para a imputação, pela fiscalização, da responsabilidade solidária da Impugnante, sendo que o Parecer da PGFN também não daria respaldo à responsabilização sob análise, vez que o escopo do parecer se aplicaria apenas ao caso especifico das remessas de recursos ao estrangeiro. 4.7. Em relação à possibilidade de apresentação de impugnação por responsável solidário inserto em auto de infração, o Defendente aduz que titularia direito à ampla defesa, com a correspondente apreciação de suas alegações, conforme previsto na Lei 9.784/99 e decisões dos Conselhos de Contribuintes. Declara, ainda, "ser totalmente descabido qualquer argumento no sentido de que a análise da responsabilidade tributária atribuída a terceiros seria de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional e, por conseguinte, do Poder Judiciário, razão pela qual as razões de defesa da Impugnante não poderiam ser analisadas por esta C. Turma de Julgamento". 4.8. No tocante à imposição da multa punitiva agravada, alega que não caberia aplicar penas em eventual responsabilização solidária, conforme o disposto no art 5° XLV da CF, doutrina e decisões dos Conselhos de Contribuintes acostadas, sobre pessoalidade penal, culpabilidade, limites de responsabilidade sucessória; 4.9. O pedido é pelo reconhecimento da nulidade da autuação. Em caráter / subsidiário, requerse a exclusão da Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos — em Recuperação Judicial do pólo passivo da autuação, com o reconhecimento da impossibilidade da mesma responder pelas multas tributárias aplicadas à Zircônia. COMPLEMENTO À IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO 5. Na data de 04/04/2008, a Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos — em Recuperação Judicial apresenta manifestação noticiando o depoimento prestado pelo Senhor Paulo Engler Júnior perante o Grupo Especial de Investigação sobre Infrações contra o Meio Ambiente (fls. 300/302). O v. acórdão recorrido registrou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PRECLUSÃO. Verificado que o contribuinte, regularmente cientificado da autuação, não apresentou qualquer impugnação, resta caracterizada a preclusão temporal do seu direito de impugnar / recorrer na esfera administrativa. EMPRESAS QUE MATERIALMENTE ATUAM COMO UMA ÚNICA PESSOA JURÍDICA. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000079/200738 Acórdão n.º 1402002.223 S1C4T2 Fl. 558 7 Restando evidenciado que o contribuinte e a Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos materialmente constituíam uma só empresa, exsurge evidente o interesse comum desta última nos fatos jurídicos tributários realizados pela primeira, sendo tal situação suficiente para configurar a responsabilidade solidária da Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos pelos débitos tributários apurados no contribuinte, em decorrência da aplicação da norma veiculada no art. 124, I do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ATRIBUÍDA A EMPRESA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. IRRELEVÂNCIA DA ALIENAÇÃO JUDICIAL DO SEU CONTROLE OU DE SUAS FILIAIS OU UNIDADES PRODUTIVAS PARA FINS DA SUA PRÓPRIA RESPONSABILIZAÇÃO EM ÂMBITO FISCAL. O fato da empresa encontrarse em processo de recuperação judicial não é suficiente para afastar a responsabilidade tributária que recai sobre seu patrimônio. Ademais, a alienação judicial do controle desta empresa, de suas filiais ou de suas unidades produtivas, também é irrelevante para afastar a responsabilidade tributária da própria empresa em recuperação judicial, ainda que reste afastada a responsabilidade do adquirente das filiais ou unidades produtivas pelos débitos tributários relativos à "atividade empresarial" adquirida. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Restando comprovado que o contribuinte e a Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos materialmente constituíam uma só empresa, é evidente que a última não é responsável tributária por sucessão dos débitos apurados na primeira, pois sua responsabilidade decorre do interesse comum nos fatos jurídicos tributários praticados pelo contribuinte. Logo, ambos devem responder pela multa de ofício lançada, que foi agravada por conduta omissiva que pode ser imputada às duas empresas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2003 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A autuação lavrada em conformidade com todos os requisitos formais previstos na legislação, e cujo teor permite ao sujeito passivo oferecer impugnação fundamentada e completa, evidentemente não caracteriza situação de cerceamento ao direito de defesa. Impugnação Improcedente Fl. 558DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000079/200738 Acórdão n.º 1402002.223 S1C4T2 Fl. 559 8 Crédito Tributário Mantido Resumidamente, o v. acórdão decidiu o seguinte: Que apesar de devidamente cientificada, a autuada Zircônia deixou de apresentar impugnação, caracterizando a preclusão temporal nos termos do artigo 17 da Decreto Lei 70.235/72. Como a impugnação da responsável solidária não abarcou o mérito, os créditos já podem ser exigidos da autuada Zircônia. Afasta a alegação da Recorrente de que a Fiscalização não teria apontado o fundamento material do vínculo da sujeição passiva para responsabilizar solidariamente a Parmalat Brasil e, por isso, gerou cerceamento do direito de defesa e nulidade dos AIs. Os Julgadores entenderem que autuação foi lavrada em consonância com as normas legais em vigor, sendo que a fiscalização demonstrou, de forma esmiuçada, todo o conteúdo fáticoprobatório que sustenta a conclusão da existência da responsabilidade tributária sob análise. Entendeu que restou comprovado nos autos que a empresa autuada e a Recorrente Parmalat, atuavam como uma única pessoa jurídica, com interesse comum de se esquivar do pagamento do imposto devido. Por isso restou comprovado a responsabilidade solidária da impugnante. Afastou a alegação da impugnante de que não poderia ser responsabilizada por se encontrava em recuperação judicial. O v. acórdão, entendeu que a legislação relativa a recuperação judicial não impede que a Parmalat Brasil (a empresa em recuperação) fosse responsabilizada solidariamente pelos débitos, mas, na realidade, protege a empresa que venha à adquirila, após a decretação do plano de recuperação judicial. Manteve a multa de ofício aplicada nos AIs para a responsável solidária, por entender que restou comprovado nos autos que as duas empresas eram, na verdade, uma única pessoa jurídica. Por fim, julgou procedente o lançamento da CSLL lavrado em decorrência do lançamento do IRPJ. Inconformada com o v. acórdão, a responsável solidária Parmalat Brasil S/A interpôs Recurso Voluntário (fls.332/398) repisando os mesmos argumentos, juntando documentos societários, substabelecimento outorgando poderes para o novo patrono, Ata Notarial indicando que em 27/07/2005, foram entregues pela Parmalat Brasil, documentos fiscais constantes nas caixas 823 D 0688; 1503 E 0214; 1503 E 0139; 1503 E 1867; 1503 D 1869; 1503 E 0131; 1503 D 1848; 1503 E 0164; 1128 A 0752; 1128 D 0293; 1501 R 0825; 823 D 0379; B 49; 1128 D 0286; 1128 D 0283; 1128 A 0745; 1128 G 0735;1128 D 0276; 1503 E 0142; 1127 K 0393; 1127 K 0394; 1127 K 0726; 1503 13 ,1522; 1501 R 0824; 1502 0 0615; 1350; 1128 D 0334; 1127 K 0392; 1502 0 0634; 1502 0 0427; 1504 E 1845; 1514 F 2177; 1514 F 2181; 1514 F 2174; 1514 F 2175; 1514 F 2176; 9007796492; 822 H 0066; 1501 R 0834; 1501 R 0833; 1501 R 0832; 1503 D 1887; 1503 E 0138; 825 D 0518; 1501 R 0831; 1501 Fl. 559DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000079/200738 Acórdão n.º 1402002.223 S1C4T2 Fl. 560 9 R 0828; 1501 R 0827; 1501 R 0826; 822 G 0503; 822 1 0337 à Autuada Zircônia e Carital (fls.417) e parecer de autoria do advogado Modesto Carvalhosa. As fls. 547/549 foi juntado petição informando a renuncia dos antigos advogados, indicando o novo patrono da Recorrente. A D. Procuradoria não se manifestou nos autos. Em seguida os autos forma distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000079/200738 Acórdão n.º 1402002.223 S1C4T2 Fl. 561 10 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Inicialmente, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa e de nulidade dos autos, eis que a Recorrente conseguiu se defender de todas as matérias relativas a sua sujeição solidária, bem como os Autos de Infração foram lavrados por pessoa competente e descrevem claramente os fatos, demonstram as razões da autuação e o enquadramento legal específico. Desta feita, entendo que os Autos de Infração apresentam todos os requisitos legais, sendo certo, que o procedimento fiscal foi realizado conforme as normas pertinentes, não havendo nenhuma das situações previstas no art. 59 do Decreto no 70.235/72. Ademais, foram franqueados, tanto ao autuado quanto ao responsável solidário Recorrente, todos os fatos que envolveram as exigências fiscais, inclusive o motivo determinante da lavratura dos AIs (ausência de apresentação dos documentos comprobatórios da necessidade e da efetividade das despesas operacionais e nãooperacionais registradas nas DIPJs 2003 e 2004 anocalendário 2002 e 2003). Passo a analisar o mérito relativo a responsabilidade solidária da empresa Parmalat Brasil S/A. Analisando os fatos e documentos dos autos, pude constatar que a Fiscalização agiu corretamente ao responsabilizar a Parmalat Brasil S/A como responsável solidária pelos créditos exigidos nos AIs. O conteúdo acostado aos autos, demonstra que a autuada e a Recorrente tinham interesse comum e atuavam como uma única pessoa jurídica. Restou comprovado nos autos, a confusão patrimonial e gerencial entre as empresas autuada e Recorrente. Inclusive, para comprovar a confusão patrimonial e gerencial entre as duas, tanto a Fiscalização, como a Procuradoria da Receita Federal, esmiuçaram os documentos constantes nos autos e notaram que a estrutura do Grupo Parmalat exista um "grupo de fato", formado apenas para deixar de honrar os débitos, destinandoos para as empresas de seu grupo que não detém bens ou patrimônio. Tais constatações foram feitas tanto pela D. Fiscalização (Anexo I, fls. 33), como pela D. Procuradoria da Fazenda (Ofício DIJUD/PFN/SP n°. 2.130/2007 fls. 509 a 516 do Anexo III). Fl. 561DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000079/200738 Acórdão n.º 1402002.223 S1C4T2 Fl. 562 11 Corroborando com a constatação da Fiscalização e com resposta à Consulta da Procuradoria da Fazenda Nacional (fls.500/506), no sentido de que a Parmalat deve ser responsabilizada solidariamente nos termos do artigo 124, inciso I do CTN, o Superior Tribunal de Justiça STJ em 07/10/2015 decidiu manter o v. acórdão do E. Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco que determinou a desconsideração da personalidade jurídica da emprese autuada Zircônia, responsabilizando a Recorrente pelos créditos exigidos na recuperação judicial. Vejamos a ementa da decisão que foi confirmada pela STJ: "DIREITO PROCESSUAL CIVIL AGRAVO REGIMENTAL INTERPOSTO CONTRA DECISÃO QUE ATRIBUIU EFEITO .SUSPENSIVO A AGRAVO DE INSTRUMENTO PRELIMINAR NÃO CONHECIMENTO DO AGRAVO DE INSTRUMENTO REJEITADA MÉRITO EXECUÇÃO PROVISÓRIA DE SENTENÇA EMPRESA DEVEDORA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL CRÉDITO POSTERIOR À DATA DO PEDIDO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL SENTENÇA DE LIQUIDAÇÃO NÃO SUJEIÇÃO AO PLANO DE RECUPERAÇÃO AGRAVO PROVIDO POR UNANIMIDADE DE VOTOS. Questão preliminar respeitante ao não conhecimento do agravo de instrumento rejeitada, em razão de a ZIRCÔNIA PARTICIPAÇÕES LTDA. e a PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS em liquidação judicial, pertencerem a grupo de sociedades sob o mesmo comando, esse, aliás, um dos fatores determinantes para a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica, de sorte que, por isso mesmo, é desnecessária a inclusão da ZIRCÔNIA como agravada. Os interesses do grupo estão sendo, defendidos pela, PARMALAT. O crédito da agravante é posterior a 24/06/2005, data na qual, segundo se depreende dos autos, a agravada ingressou com seu pedido de recuperação judicial. É que tal crédito somente foi constituído na sentença de liquidação, proferida em 11/07/2005, quando já traçado o plano de pagamento. De se observar, a propósito, que a liquidação da sentença poderia chegar à chamada liquidação zero situação em que não há o que pagar' a título de quantum debeatur. E aí não existiria crédito algum. Sendo o crédito pretendido posterior à data do pedido de recuperação judicial, não se sujeita ele ao plano de recuperação. Inteligência do art. 49 da Lei n.11.101/2005 (Lei de. Recuperação e Falências). Não havia como incluílo na escala de pagamento aprovada. Respeitada a suspensão prevista no art. 60, § 40, da Lei n.11.101/2005, não há razão de ordem jurídica para a suspensão da demanda executiva." (Agravo de Instrumento 11.341.292 PE) Tanto a confusão patrimonial, gerencial e contábil, que restaram comprovadas nos autos, demonstraram que a autuada e a Recorrente solidária atuavam em conjunto como uma única pessoa jurídica. Outro ponto importante para configurar a responsabilização solidária nos termos do artigo 124, inciso I do CTN, é que conforme depoimento dos representantes das empresas ligadas ao grupo empresarial, inclusive o representante da Zircônia, indicavam que a Fl. 562DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000079/200738 Acórdão n.º 1402002.223 S1C4T2 Fl. 563 12 estrutura societária montada apresentava interesse comum entre as empresas para deixar de pagar o imposto. Quanto a alegação da Recorrente de que não poderia ser responsabilizada pelo pagamento dos créditos exigidos no AIs nos termos do parágrafo único do artigo 60 da Lei 11.101/2005, por se encontrar em recuperação judicial, também entendo que não deve ser acolhida. A legislação indicada no Recurso Voluntário protege a adquirente da empresa em recuperação/falida e não exclui a responsabilidade tributária da própria empresa que se encontra em recuperação, como quer fazer a crer e Recorrente. Quanto a alegação da Recorrente de que existira decisão judicial impedindo a Parmalat Brasil S/A de ser responsabilizada por débitos de outras empresas do Grupo Parmalat, também entendo que não deve ser levada em consideração, vejamos. A decisão foi proferida para proteger a adquirente Lácteos do Brasil S/A e não a empresa que se encontra em recuperação judicial, no caso a Recorrente. Tanto foi assim, que em resposta a tal petição, o Juiz Alexandre Alves Lazzarini exarou decisão com o seguinte dispositivo: "Isto posto, declaro, nos termos do art. 61, "caput ", e parágrafo único, da Lei n° 11.101/05, a empresa LÁCTEOS DO BRASIL S/A (atual denominação de Agord S/A) não se constitui como sucessora de qualquer obrigação, de quaisquer outras empresas terceiras, que tiveram como origem a unidades por ela adquiridas, com ou sem a manutenção da marca Parmalat, eis que se constituiu em outra empresa" (fls. 276). Outro ponto a ser observado, é que conforme ementa do v. acórdão acima colacionada e novamente abaixo apontada, o STJ já confirmou a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica da empresa autuada Zircônia, para que se possa cobrar débitos da empresa Recorrente Parmalat Brasil S/A. "DIREITO PROCESSUAL CIVIL AGRAVO REGIMENTAL INTERPOSTO CONTRA DECISÃO QUE ATRIBUIU EFEITO .SUSPENSIVO A AGRAVO DE INSTRUMENTO PRELIMINAR NÃO CONHECIMENTO DO AGRAVO DE INSTRUMENTO REJEITADA MÉRITO EXECUÇÃO PROVISÓRIA DE SENTENÇA EMPRESA DEVEDORA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL CRÉDITO POSTERIOR À DATA DO PEDIDO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL SENTENÇA DE LIQUIDAÇÃO NÃO SUJEIÇÃO AO PLANO DE RECUPERAÇÃO AGRAVO PROVIDO POR UNANIMIDADE DE VOTOS. Questão preliminar respeitante ao não conhecimento do agravo de instrumento rejeitada, em razão de a ZIRCÔNIA PARTICIPAÇÕES LTDA. e a PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS em liquidação judicial, pertencerem a grupo de sociedades sob o mesmo comando, esse, aliás, um dos fatores determinantes para a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica, de sorte que, por isso mesmo, é desnecessária a inclusão da ZIRCÔNIA como agravada. Os interesses do grupo estão sendo, defendidos pela, PARMALAT. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000079/200738 Acórdão n.º 1402002.223 S1C4T2 Fl. 564 13 O crédito da agravante é posterior a 24/06/2005, data na qual, segundo se depreende dos autos, a agravada ingressou com seu pedido de recuperação judicial. É que tal crédito somente foi constituído na sentença de liquidação, proferida em 11/07/2005, quando já traçado o plano de pagamento. De se observar, a propósito, que a liquidação da sentença poderia chegar à chamada liquidação zero situação em que não há o que pagar' a título de quantum debeatur. E aí não existiria crédito algum. Sendo o crédito pretendido posterior à data do pedido de recuperação judicial, não se sujeita ele ao plano de recuperação. Inteligência do art. 49 da Lei n.11.101/2005 (Lei de. Recuperação e Falências). Não havia como incluílo na escala de pagamento aprovada. Respeitada a suspensão prevista no art. 60, § 40, da Lei n.11.101/2005, não há razão de ordem jurídica para a suspensão da demanda executiva." (Agravo de Instrumento 11.341.292 PE) Nos demais pontos alegados pela Recorrente, entendo que o v.acórdão recorrido os analisou de forma detalhada, aplicando raciocínio coeso com a legislação, devendo então ser mantido. Em relação a multa de ofício, não vejo como afastála face a constatação da responsabilidade solidária acima apontada. Importante ressaltar, que a multa de ofício segue o tributo principal e como a infração tributária respectiva ao imposto foi mantida e a responsabilidade solidária foi confirmada, não resta alternativa senão mantêla. Desta forma, mantenho a multa de ofício. Quanto a multa agravada, devido a comunhão de interesses, confusão patrimonial, física e de gestão, consagrouse nos autos que ambas participaram da infração e também tentaram elidir a fiscalização na empresa autuada, não restando alternativa, senão manter a multa agravada em seus termos. Para asseverar minhas fundamentação para manter o agravamento da multa, relembro a Justificação e Pedido de Dilação de Prazo subscrita pelos Senhores Francisco E. R. Mungioli (representado a empresa Caritas Brasil Ltda.) e Carlos Alberto Padeti (representando a empresa Zircônia Participaçoes Ltda.) — fls. 68/69: "Como é de conhecimento de V.As. e da equipe que executa os trabalhos de fiscalização na Carital Brasil Ltda. e Zircônia Participações Ltda., á Parmalat no Brasil sempre determinou e se responsabilizou pelo envio de todos os recursos financeiros necessários e pela manutenção de toda estrutura administrativa requerida. Ainda, conforme correspondências anteriores, já reportamos o nosso "absoluto abandono " (por parte da Parmalat no Brasil, desde janeiro de 2004), e as grotescas declarações públicas (convenientes) dos Administradores daquela sociedade, afirmando não existirem relações / vínculos de responsabilidade entre a Carital / Zircônia e a Parmalat. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000079/200738 Acórdão n.º 1402002.223 S1C4T2 Fl. 565 14 Dessa forma, e como já informado verbalmente, desde o recebimento das Intimações (Carital e Zircônia), relacionadas às fiscalizações dos anosbase 2001, 2002 e 2003, estamos em permanente contato (inclusive reunião) com a Parmalat e sua Assessoria Jurídica (interna e externa — Escritório Felsber, e Associados). Porém até o momento não obtivemos nenhum retorno. Em conseqüência, estamos totalmente desestruturados, limitados e sem recursos para o rápido e integral atendimento das solicitações contidas nas Intimações /Reintimações" (g.n.) Quanto a Ata Notarial acostada pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, não permite confirmar se os documentos constantes nas caixas ali indicadas se referem aos que foram solicitados pela Fiscalização e ensejaram a aplicação da multa agravada. No mais, mantenho a exigência da CSLL por ser decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal, devendo seguir no que for pertinente a decisão relativa ao IRPJ. Desta forma, por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Voto Relator. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO
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