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Numero do processo: 10865.721179/2011-87
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA.
A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49).:
Numero da decisão: 1801-001.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49).:
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49).: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1435.988/11 exarado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, efls. 63 a 65, que decidiu julgar procedente o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 11 79 /2 01 1- 87 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração lavrado para a exigência de multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF). Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “[...] Notificada do lançamento, a interessada apresentou impugnação, alegando que entregou a referida declaração espontaneamente, o que excluiria a penalidade nos termos do CTN, art. 138, e que estaria ocorrendo bis in idem, pois a multa possui a mesma capacidade punitiva da multa moratória (20%), sendo aplicada concomitante àquela. VOTO [...] O nãocumprimento de uma obrigação acessória convertea em principal relativamente à penalidade pecuniária. A entrega da declaração de rendimentos constitui obrigação acessória prevista no CTN, e a multa pelo atraso na entrega está contida na legislação tributária como sanção pelo inadimplemento tributário, aplicada pela inobservância dos deveres acessórios. Não se pode admitir a alegação de ter havido a denúncia espontânea, pois a entrega da declaração se deu fora do prazo legal, sendo a multa fixada em lei e indenizatória da impontualidade, ou seja, constitui uma sanção punitiva da negligência. Dessa forma, com fulcro no art. 113, tornase aplicável a penalidade pelo não cumprimento da obrigação acessória de apresentação da declaração, lançada de acordo com o dispositivo legal descrito no auto de infração. Interpretandose sistematicamente os dispositivos do CTN, temse que o art. 138 não se desfez da multa por atraso na entrega de declaração. [...] Também descabida a alegação de ocorrência de bis in idem. A multa ora exigida está prevista na Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7o, e sua aplicação é em função do atraso no cumprimento da obrigação, sendo independente do atraso ou não do recolhimento dos tributos declarados. São portanto multas distintas, que podem ser aplicadas concomitantemente. Ademais, não há qualquer notícia no processo de que esteja sendo exigida multa moratória sobre referidos tributos.” A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 69 a 81, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 14/12/11, efls. 68; Recurso – 11/01/12, efls. 69 Voto Fl. 86DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10865.721179/201187 Acórdão n.º 1801001.586 S1TE01 Fl. 3 3 Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne do litígio está em aplicarse, ou não, o instituto da denúncia espontânea preceituado no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN) à mora no cumprimento das obrigações acessórias e exonerar o agente da imposição de penalidade, in casu, multa pelo atraso na entrega de DCTF. O benefício da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN não socorre à recorrente, neste caso. Em face a inúmeros julgados relativos a esta matéria, foi consolidada de forma mansa e pacífica a jurisprudência administrativa, resultante na edição da Súmula nº 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destarte, tratandose de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 87DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001577/2008-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/10/2003 a 31/12/2003
ALEGAÇÃO DE NULIDADE.
Não podem ser considerados nulos os lançamentos de ofício efetuados por autoridade competente, com observância dos requisitos materiais e formais para a prática de atos dessa natureza, e quando observados os princípios do contraditório e da ampla defesa.
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIAS-PRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI (Súmula CARF nº 18).
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIAS-PRIMAS ADQUIRIDOS DE EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE.
As aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, não ensejam direito ao crédito de IPI.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 04).
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-002.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Raquel Motta Brandão Minatel Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 10/10/2003 a 31/12/2003 ALEGAÇÃO DE NULIDADE. Não podem ser considerados nulos os lançamentos de ofício efetuados por autoridade competente, com observância dos requisitos materiais e formais para a prática de atos dessa natureza, e quando observados os princípios do contraditório e da ampla defesa. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIAS-PRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI (Súmula CARF nº 18). IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIAS-PRIMAS ADQUIRIDOS DE EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, não ensejam direito ao crédito de IPI. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 04). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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Não podem ser considerados nulos os lançamentos de ofício efetuados por autoridade competente, com observância dos requisitos materiais e formais para a prática de atos dessa natureza, e quando observados os princípios do contraditório e da ampla defesa. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI (Súmula CARF nº 18). IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS ADQUIRIDOS DE EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, não ensejam direito ao crédito de IPI. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 15 77 /2 00 8- 97 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 09 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 04). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 42/45), lavrado em 18/09/2008, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em virtude falta de recolhimento desse tributo, no período entre outubro de 2003 e dezembro de 2003, em razão da suposta utilização incorreta de créditos relativos a tal imposto, no qual foi apurado um crédito tributário no importe de R$ 575.569,95, sendo a obrigação principal no valor de R$ 238.537,92 e R$ 337.032,03, referentes a juros moratórios e à multa de ofício. Consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 46/50), que a Contribuinte teria se valido de créditos oriundos da aquisição de insumos isentos, nãotributados ou tributados à alíquota zero, bem como de créditos pela compra de insumos de estabelecimentos industriais optantes pelo SIMPLES e da aquisição de insumos de estabelecimentos atacadistas, o que violaria a legislação pertinente (art. 165 do RIPI 2002). A contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 30/09/2008 (fls. 43) e apresentou extensa Impugnação (fls. 54/80), em 30/10/2008, tida como tempestiva, na qual, em suma, alegou que o exame atento ao Auto de Infração demonstra sua impropriedade e, consequentemente, vício, tendo em vista que não teria ocorrido a ciência formal da empresa de todos os fatos nele contidos, o que contrariaria os ditames do artigo 9º do Decreto 70.235/72 e cercearia seu direito de defesa. Já no mérito, a contribuinte rebateu as glosas procedidas pelo agente fiscalizador, argumentando que o valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sem o Fl. 160DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 09 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 11070.001577/200897 Acórdão n.º 3403002.019 S3C4T3 Fl. 160 3 destaque do IPI, cuja utilização ou consumo se deu na produção de produto final industrializado tributado pelo imposto, está lastrado em sólido precedente jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal. Em seus pedidos, postulou pelo provimento da Impugnação apresentada, para que, assim, fosse declarado nulo o Auto de Infração, ou, subsidiariamente, que fosse declarado improcedente o lançamento, por ser o Auto de Infração desconexo com o direito. Requereu, ainda, por eventualidade, que superados seus argumentos, fosse reconhecida a inaplicabilidade da taxa Selic como juros moratórios, fixandose a incidência de juros pelo percentual máximo de 1% ao mês, por força do artigo 161, do CTN. Inobstante as razões de Impugnação da Recorrente a Impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão n.º 1033.388, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre (RS), de fls. 97/102, em 04/08/2011. O acordão supracitado, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita: “ALEGAÇÃO DE NULIDADE. São válidos os lançamentos de ofício efetuados por autoridade competente, com observância dos requisitos materiais e formais para a prática de atos dessa natureza, em relação aos quais também se observaram os princípios do contraditório e da ampla defesa. CRÉDITOS INDEVIDOS. GLOSA. Inexiste o direito a créditos do IPI, nas aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, isentos, nãotributados ou tributados à alíquota zero. As aquisições de insumos de estabelecimentos optantes pelo Simples não ensejam direito à fruição de crédito do IPI, por expressa vedação legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Em suas razões de recurso voluntário, a Recorrente repisou, com exatidão, todos os argumentos trazidos em sua impugnação. Em seus pedidos, postulou pelo provimento do Recurso Voluntário apresentado, para que, assim, seja declarado nulo o Auto de Infração, ou, subsidiariamente, que fosse declarado improcedente o lançamento, por ser o Auto de Infração “descasado do direito”. Requereu, ainda, por eventualidade, que superados seus argumentos, fosse reconhecida a inaplicabilidade da taxa Selic como juros moratórios, fixandose a incidência de juros pelo percentual máximo de 1% ao mês, por força do artigo 161, do CTN. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 09 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 4 Em suma, é o relatório. Voto Conselheira Relatora Raquel Motta Brandão Minatel, Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Preliminarmente A Recorrente alega que ocorreu nulidade da autuação, porque não teria sido cientificada de todos os documentos, demonstrativos e elementos que guarnecem a exigência, caracterizando cerceamento do direito de defesa, motivo bastante para não prosseguir validamente o procedimento, impondose, por respeito à Lei, a decretação da integral nulidade do presente auto de infração (CF/88, art. 5o II, LIV e LV). Os casos de nulidade estão previstos no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, que assim está redigido: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não consegui vislumbrar no presente processo nenhuma das situações previstas no referido dispositivo legal, uma vez que a autuada foi cientificada de todos os atos relativos à fiscalização, tanto que apresentou diversas respostas, e também foi regularmente intimada do auto de infração, cujo “Termo de Verificação Fiscal” (fls. 46 a 50) a ele anexo traz a motivação e fundamentação do lançamento de ofício. As imputações formuladas contra a Recorrente foram por ela perfeitamente compreendidas, tanto que rebateu todas as glosas efetuadas na autuação. Portanto, a alegação de desconhecimento de fatos e documentos não pode ser acatada, eis que os elementos entregues à empresa permitiam, sim, um perfeito conhecimento da situação, tornando factível a composição correta de sua defesa. Pelo exposto, verificandose que as formalidades legais para lavratura do auto de infração foram cumpridas e os elementos que eram passíveis de conhecimento pela Recorrente não se vislumbrando, portanto, qualquer irregularidade ou caso de nulidade, devendo ser rejeitada a preliminar. No mérito a) Quanto à glosa de créditos nas aquisições de insumos isentos, não tributados ou tributado à alíquota zero Fl. 162DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 09 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 11070.001577/200897 Acórdão n.º 3403002.019 S3C4T3 Fl. 161 5 A Recorrente tece extenso arrazoado acerca do princípio da não cumulatividade do IPI, estatuído no artigo 153, §3º, inciso II, da Constituição Federal, para se defender da glosa de créditos nas aquisições de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero. É de se deixar claro que a Recorrente não possui amparo judicial que lhe autorize a tomar crédito dos referidos insumos. No tocante a essa matéria, a DRJ/POA negou provimento afirmando que o não foi cobrado imposto na operação anterior, seja pela isenção, nãotributação ou tributação à alíquota zero dos produtos recebidos, não surge o direito ao crédito do IPI. A Recorrente alega em favor de sua tese decisões do Supremo Tribunal Federal. Contudo, cabe destacar que tais decisões geram efeitos apenas entre as partes envolvidas e que em nenhuma delas a Recorrente figura como parte, o que tornam inaplicáveis, no caso, as disposições do Decreto n.º 2.346, de 1997, mencionado no recurso, pois no caso concreto não se implementaram os pressupostos desse diploma. Ao tribunal administrativo não cabe conceder direito a crédito nos casos em que a lei não autoriza, sendo que inclusive no tocante à aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero há súmula deste Tribunal que impede a análise da matéria, in verbis: Súmula CARF n° 18 A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Pelo exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário no tocante ao crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos, não tributados ou tributado à alíquota zero. b) Quanto à glosa de créditos – Aproveitamento indevido de créditos oriundos de aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES; A Recorrente mais uma vez invoca o princípio da não cumulatividade do IPI para tomar crédito de produtos adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES. No tocante a essa matéria também há vedação expressa na lei quanto à utilização a apropriação ou transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS aos optantes pelo SIMPLES, conforme disposto no artigo 5º, § 5º, da Lei n.º 9.317, de 1996. Os artigos 118, 119, 120 e 166 do RIPI, aprovado pelo Decreto n.º 4.544, de 2002 (aplicável aos fatos geradores de 2003), também trazem vedação expressa para a fruição de créditos nessa hipótese IPI nos casos de empresas optantes pelo SIMPLES, tanto que é expressamente vedado o destaque do imposto nas notas fiscais das empresas optantes pelo regime. Também relativamente a essa matéria nego provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 09 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 6 c) Quanto à aquisição de insumos de estabelecimentos comerciais atacadistas A Recorrente tomou crédito integral de IPI (100%) dos insumos adquiridos de estabelecimentos comerciais atacadistas, quando o permitido na legislação de regência do referido tributo é a tomada de crédito ‘presumido’ mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre cinquenta por cento (50%) do seu valor (Decretolei nº 400, de 1968, art. 6º e art. 165 do Decreto 4.544/02). Porém, bem observou a DRJ/POA que: “em que pese o Termo de Verificação Fiscal, ter apontado como irregular o creditamento de aquisições de insumos de estabelecimentos comerciais atacadistas, conforme alínea ‘c’, na fl 48, do relatório fiscal, entendo que fica prejudicada a análise da impugnação, porquanto o crédito tributário que está sendo exigido neste auto de infração, decorre somente das glosas de créditos das aquisições de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, e aquisições de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES.” Isso se percebe pela verificação do somatório das glosas das aquisições de insumos de empresas optantes pelo SIMPLES, fls. 24 a 32, com as glosas de aquisições de Insumos isentos, não tributados ou tributadas à alíquota zero, informadas na fl. 46, em cotejo com os valores dos débitos apurados pela fiscalização, conforme demonstrativo de reconstituição da escrita fiscal de fl. 35. Desse modo, em não havendo crédito tributário decorrente do suposto creditamento indevido não há litígio a ser solucionado quanto a essa questão. d) Quanto aos juros de mora; A Recorrente também manifestou sua inconformidade acerca da incidência da taxa SELIC para apuração dos juros de mora aplicados na autuação. No que se refere à aplicabilidade da taxa SELIC para a correção dos débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal cabe ao julgador administrativo apenas observar que a aplicação de tal índice é consequência direta do previsto no artigo 61, § 3º, da Lei 9.430, de 1996. Assim, em que pesem os argumentos da defesa, a questão foi pacificada por este Conselho por meio da Súmula nº 4, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face do exposto, e tendo em vista a obrigação regimental de reproduzir o entendimento jurisprudencial enunciado em Súmulas deste Conselho (art. 72, § 4º, do RI CARF), nego provimento ao Recurso Voluntário. Raquel Motta Brandão Minatel Fl. 164DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 09 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 11070.001577/200897 Acórdão n.º 3403002.019 S3C4T3 Fl. 162 7 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 09 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL
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Numero do processo: 10283.005477/2004-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Ano- calendário: 2002
AUDITORIA DE PRODUÇÃO
A apuração de diferenças positivas evidencia o ingresso de insumos importados sem a comprovação de sua regular importação e enseja a aplicação da multa regulamentar.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplica-se a regra do art. 173, inciso I do CTN.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
ALEGAÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Descabida a alegação de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o contribuinte foi regularmente cientificado do lançamento e de todo o seu conteúdo, sendo-lhe assegurado o prazo para impugnação da exigência, de acordo com a legislação processual tributária.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9203-002.394
Decisão: Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; II) por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial quanto à decadência. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento; e III) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial quanto à multa regulamentar. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Daniel Mariz Gudino, Joel Miyazaki, Maria Teresa
Martinez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA PÔSSAS
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2002 AUDITORIA DE PRODUÇÃO A apuração de diferenças positivas evidencia o ingresso de insumos importados sem a comprovação de sua regular importação e enseja a aplicação da multa regulamentar. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inciso I do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 ALEGAÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Descabida a alegação de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o contribuinte foi regularmente cientificado do lançamento e de todo o seu conteúdo, sendolhe assegurado o prazo para impugnação da exigência, de acordo com a legislação processual tributária. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; II) por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial quanto à decadência. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Francisco AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 54 77 /2 00 4- 48 Fl. 805DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento; e III) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial quanto à multa regulamentar. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Daniel Mariz Gudino, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo contribuinte, contra acórdão proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que negou provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO Anocalendário: 2002 AUDITORIA DE PRODUÇÃO. LAPSO TEMPORAL ESPECIFICADO. Nos termos do art. 423 do RIPI de 1998 e art. 41 da lei n°9430/96 é possível a reconstituição da produção do estabelecimento industrial através da Auditoria de Produção, sem especificar para tanto o lapso temporal a ser compreendido nesta modalidade de procedimento de auditoria, sendo possível a apuração em conjunto dos períodos de 01/01/1999 a 31/12/2002. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INCORRENCIA. Comprovado nos autos que o recorrente foi devidamente cientificado, bem como notificado de todos os procedimentos fiscais, assegurandolhe os prazos para impugnação e recursos voluntário, não há caracterização de cerceamento de defesa. REGIME ADUANEIRO. ZONA FRANCA DE MANAUS. II E IPI SUSPENSOS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFICIO. Por estar sujeito a condição resolutória, a constituição do crédito tributário referente ao II e IPI suspenso, em face do descumprimento dos requisitos para gozo do beneficio fiscal do Fl. 806DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.005477/200448 Acórdão n.º 9203002.394 CSRFT3 Fl. 751 3 regime da Zona Franca de Manaus, somente se realiza mediante lançamento de oficio. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO OFÍCIO TERMO A QUO. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE. Na modalidade de lançamento de oficio, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DESVIO DE FINALIDADE. DIFERENÇA NEGATIVA NO ESTOQUE DE MERCADORIAS IMPORTADAS. CONFIGURAÇÃO. Constatada, meio de auditoria de produção, a diferença negativa no estoque de mercadorias e não trazendo o recorrente nenhuma prova que ilidisse a autuação, tomamse como verdadeiras as diferenças apuradas. INGRESSO DE MERCADORIA SEM COMPROVAÇÃO. IMPORTAÇÃO IRREGULAR. Constatada, por meio de auditoria de produção, a diferença positiva no estoque de mercadorias e não trazendo o recorrente nenhuma prova que ilidisse o fato apurado pela autuação, têmse como verdadeiras as diferenças apuradas e, por conseguinte, a configuração da importação irregular. MULTA REGULAMENTAR. Devida quando caracterizada a importação irregular. Recurso Voluntário Negado. Assim relatou a DRJ: Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrados os autos de infração a seguir relacionados: I. Imposto de Importação, auto de infração às fls. 23/30, no valor total de R$ 102.001,33, incluídos encargos legais. II. Imposto sobre Produtos Industrializados e Multa Regulamentar, fls. 13/22, no valor total de R$ 320.443,72, incluídos encargos legais. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 14/19 e 24/28, os lançamentos decorreram das infrações a seguir indicadas. 01. Não Emprego dos Bens nos Fins ou Atividades para que Foram Importados Apuração dos Estoques de Componentes Importados. Introdução. A presente ação fiscal teve como principal motivo a apreensão, em janeiro de 2001, de produtos acabados declarados em seus despachos de importação como partes e peças para industrialização, na operação fiscal denominada “Operação Rio Negro”, e teve como Fl. 807DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 objetivos básicos: a auditoria de estoque e a verificação do cumprimento, pela empresa, dos Processos Produtivos Básicos a que estava sujeita. Histórico da Empresa A empresa denominada DM DA AMAZÔNIA LTDA. foi constituída em 10/10/1996, com registro na Junta Comercial do Estado do Amazonas, sob nº 13200329961 de 04/11/96, tendo iniciado suas operações no ano de 1997, em estabelecimento fabril situado na Av. Noel Nutles, 2323 Bairro Flores Manaus AM, produzindo aparelhos televisores e aparelhos de videocassete com tecnologia RCA. Em 1998, a empresa diversificou sua produção e passou a fabricar também aparelhos de áudio com tecnologia AUDAX, a partir de importações de kits completos. Em 18/12/1998 a empresa mudou suas instalações fabris para a Rua Thomas do Amaral nº 450 Bairro de Petrópolis Manaus AM. Em 1999, a empresa deixou de fabricar televisores e videocassetes com tecnologia RCA e passou a fabricar aparelhos de áudio com tecnologia AUDAX, e aparelhos telefônicos, televisores de 5", rádiorelógios e aparelhos de áudio com tecnologia LENNOX SOUND, a partir da importação de kits de componentes. Em 2000 a empresa deixou de fabricar os produtos com tecnologia AUDAX. Dos Incentivos Fiscais da Zona Franca de Manaus. A Zona Franca de Manaus ZFM é uma área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais criada pelo DecretoLei 288/67, regulamentada pelo Decreto 61.244/67, alterado pelo DecretoLei 1.435/75, com nova redação dada pela Lei 8.387/91, tendo por finalidade criar no interior da Amazônia, um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicos que permitam seu desenvolvimento em face dos fatores locais e da grande distância que se encontram os centros consumidores de seus produtos Os incentivos fiscais somente serão concedidos a produtos industrializados previstos em projetos industriais e que tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona de Franca de ManausCAS, que não tenham sido industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicioamento, excluídos as armas e munição, fumo, bebidas alcoólicas, e automóveis e produtos de perfumaria ou de toucador, preparados ou preparações cosméticas, salvo quanto a estes se produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais. Os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, destinados a consumo em outros pontos do território nacional, somente farão jus aos incentivos fiscais se tiverem sido produzidos em conformidade com o Processo Produtivo BásicoPPB definido em norma para este produto. Considerase Processo Produtivo BásicoPPB o conjunto mínimo de operações, no estabelecimento fabril, que caracteriza a efetiva industrialização de determinado produto. Os incentivos fiscais administrados pela SUFRAMA, concedidos a projetos industriais que objetivem a industrialização de produtos na Zona de Franca de Manaus, são os seguintes: Fl. 808DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.005477/200448 Acórdão n.º 9203002.394 CSRFT3 Fl. 752 5 I isenção do Imposto de Importação, relativo a matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira utilizados na industrialização de produtos destinados a consumo interno na Zona Franca de Manaus; II redução do Imposto de Importação, relativo a matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira utilizados na industrialização de produtos destinados a consumo em outros pontos do território nacional; III isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados, relativo a produtos produzidos na Zona Franca de Manaus destinados à comercialização em qualquer ponto do território nacional; IV isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados, relativa a produtos elaborados, predominantemente, com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária; V – crédito do IPI, calculado como se devido fosse, para o adquirente de produtos de que se trata o inciso anterior, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto; e VI isenção do II e do IPI relativa a bens de capital destinados a implantação de projetos industriais. Do Projeto Industrial da DM Eletrônica da Amazônia Ltda. A empresa teve seu Projeto de Implantação aprovado pelo Conselho de Administração da SUFRAMACAS, através da Resolução nº 38 de 03/03/1997, na forma do Relatório de Analise de Projeto nº 009/97, para produção de televisor, televisor combinado com videocassete, aparelho de som e telefone sem fio. Em 28/08/1998, o Conselho de Administração da SUFRAMA, através da Resolução nº 127, aprovou Projeto de Diversificação para a produção de rádiorelógio, autorádio com tocafitas, autorádio com tocadiscos digital a laser, rádio portátil e tocadiscos digital a laser para veículos. Em 10/08/1999, o Conselho de Administração da SUFRAMA, através da Resolução nº 108, aprovou Projeto de Diversificação para a produção de aparelho telefônico por fio não combinado com outros aparelhos, aparelho telefônico por fio combinado com um aparelho telefônico portátil sem fio, tocafitas de bolso “walkman”, tocadiscos digital a laser portátil, televisor em cores conjugado com rádio, televisor em preto e branco conjugado com rádio e televisor em preto e branco conjugado com rádio e tocadiscos digital a laser. Em 19/05/2000, o Superintendente da Zona Franca de Manaus, através da Portaria nº 130 aprovou a inclusão do produto rádio com relógio e tocadisco digital a laser no Projeto de Diversificação nº 127 de 28/08/1998. Em 23/03/2001, o Conselho de Administração da SUFRAMA, através da Resolução nº 113, aprovou o Projeto de Atualização/Diversificação para a produção de Fl. 809DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 aparelho telefônico por fio não combinado com outros aparelhos, aparelho telefônico por fio combinado com um aparelho telefônico portátil sem fio em freqüência igual ou superior a 900MHZ, tocafitas de bolso “walkman”, tocadiscos digital a laser portátil, rádio com gravador/reprodutor de fitas cassetes magnéticas e tocadiscos digital a laser, radio com relógio, radio portátil, autorádio com tocafitas, autoradio com tocadiscos digital a laser, televisor em cores conjugado com rádio, televisor em preto e branco conjugado com rádio e televisor em preto e branco conjugado com rádio e tocadiscos digital a laser, rádio com relógio e tocadiscos digital a lazer, autorádio, rádio com gravador/reprodutor de fitas cassetes magnéticas portátil e rádio com reprodutor de DVD e gravador/reprodutor de fitas cassetes magnéticas portátil. Em 23/03/2001, o Conselho de Administração da SUFRAMA, através da Resolução nº 093 aprovou Projeto de Diversificação para produção de Digital Vídeo Disc DVD Player. Apuração dos Estoques de Componentes Importados No exercício das funções do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal e com fundamento no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, foi lavrado o presente Auto de Infração em decorrência de auditoria nos estoques de componentes importados, ingressados no país ao amparo do Decreto 288/67, regulamentado pelo Decreto 61.244/67, alterado pelo DecretoLei 1.435/75, com nova redação dada pela Lei nº 8.387/91. Esclarecimentos Preliminares Esta auditoria de estoque abrange os exercícios de 1999 a abril de 2002. A empresa importa os componentes em kits completos para cada produto. Foram consideradas apenas as saídas do estabelecimento fabril, isto é, saídas por internação para outros pontos do território nacional restante e saídas diretamente da fábrica para o mercado local. Desvio de Finalidade Constatouse através de levantamentos nos livros de registro, Livro de Registro de Inventario, Notas Fiscais, Declarações de Importação, Declarações de Internação e outros documentos, diferença negativa no estoque de mercadorias importadas. Diferença esta apurada pelo cotejo entre o Estoque Final Apurado e o Saldo do Inventário, não comprovando deste modo, a utilização das mercadorias para os fins a que foram concedidos benefícios fiscais. Os levantamentos, as apurações e a metodologia utilizados encontramse abaixo detalhados: I) Importações de kits de componentes em 1999 (fls. 34 a 38). Dados extraídos das Declarações de Importação. II) Importações de kits de componentes em 2000 (fls. 39 a 46). Dados extraídos das Declarações de Importação. III) Importações de kits de componentes em 2001 (fls. 47 a 53). Dados extraídos das Declarações de Importação. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.005477/200448 Acórdão n.º 9203002.394 CSRFT3 Fl. 753 7 IV) Importações de kits de componentes em 2002 (fls. 54). Dados extraídos das Declarações de Importação. V) Demonstrativo Sintético das Importações de kits de componentes de 1999 a 2002 (fls. 56 a 56). Resumo dos Relatórios de Importação (itens I, II, III e IV). VI) Saídas do Estabelecimento Fabril em 1999 (fls. 57 a 64). Dados extraídos das Notas Fiscais de saída abrangendo as operações de internação e as saídas para ZFM que ocorreram diretamente do estabelecimento fabril, sendo que somente foram consideradas as saídas em que ocorreu a transmissão de propriedade da mercadoria. VII) Saídas do Estabelecimento Fabril em 2000 (fls. 65 a 99). Dados extraídos das Notas Fiscais de saída abrangendo as operações de internação e as saídas para ZFM que ocorreram diretamente do estabelecimento fabril, sendo que somente foram consideradas as saídas em que ocorreu a transmissão de propriedade da mercadoria. VIII) Saídas do Estabelecimento Fabril em 2001 (fls. 100 a 143). Dados extraídos das Notas Fiscais de saída abrangendo as operações de internação e as saídas para ZFM que ocorreram diretamente do estabelecimento fabril, sendo que somente foram consideradas as saídas em que ocorreu a transmissão de propriedade da mercadoria. IX) Saídas do Estabelecimento Fabril em 2002 (fls. 144 a 146). Dados extraídos das Notas Fiscais de saída abrangendo as operações de internação e as saídas para ZFM que ocorreram diretamente do estabelecimento fabril, sendo que somente foram consideradas as saídas em que ocorreu a transmissão de propriedade da mercadoria. X) Demonstrativo Sintético das Saídas de 1999 a 2002 (fls. 147 a 148). Resumo dos Relatórios de Saídas do Estabelecimento Fabril (itens VI, VII, VIII e IX). XI) Relatório Analítico de Produtos Apreendidos (fls. 149 a 150). Relação de mercadorias desembaraçadas, apreendidas em poder da empresa, na ocasião da Operação Rio Negro, descriminadas por processo fiscal. XII) Demonstrativo da Apuração das Diferenças de Estoque (fls. 151 a 152). As diferenças de estoque foram obtidas pelo confronto do Saldo Apurado, que é a diferença entre as entradas e saídas apuradas no exame dos documentos contábeis, e o Saldo Inventariado, que é o resultado da contagem física realizada no estabelecimento fabril. Deste confronto, apurouse quantidades negativas de kits de componentes, o que caracteriza o Desvio de Finalidade, isto é, falta de comprovação da utilização destes componentes, nas finalidades para as quais foram concedidos benefícios fiscais. O demonstrativo é constituído dos seguintes elementos: Estoque Inicial Quantidade de kits e de produtos acabados registrados no Livro Registro de Inventario em 31/12/1998, cuja cópia se encontra às fls. 154 a 159. Entradas Quantidade de kits importados nos anos de 1999, 2000, 2001 e 2002 Saídas ocorreram 2(dois) tipos distintos de saídas a saber: Fl. 811DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 1 Saídas de produtos acabados do estabelecimento fabril por internações, e saídas de produtos acabados para ZFM, sendo somente consideradas aquelas em que ocorreram a real transferência de propriedade das mercadorias, decorrentes da atividade normal da empresa. 2 Saídas por apreensão de mercadorias efetuada pela SRF (fls. 175). Saldo de Inventário Quantidades de produtos acabados e de kits de componentes, fruto de contagem física conjunta, realizada pelo Auditor Fiscal e por representantes da empresa, cujo relatório se encontra às f1s. 160. XIII) Apuração do Valor Tributável das Diferenças de Estoque Desvio de Finalidade (fls. 153). Esta planilha tem por finalidade a determinação do valor tributável, do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados Vinculado incidentes sobre as diferenças de estoque. O valor tributável foi obtido pela divisão do valor CIF em Reais de cada produto pela quantidade de kits constantes na Declaração de Importação. Para o cálculo dos tributos foi aplicada a Regra 2ª, das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, uma vez a empresa efetuava as importações de componentes em kits completos. As alíquotas aplicadas são as alíquotas vigentes à data da apuração da infração fiscal. Através do Termo de Intimação nº 09 de 29/04/03, anexado às fls. 179 e do Termo de Intimação nº 12 de 05/06/03, anexo às fls. 236 a 242, foram apresentados os levantamentos das entradas e das saídas para que a empresa se manifestasse quanto à correção dos mesmos. Em resposta ao Termo de Intimação nº 09, datado de 04/06/03 e anexo às fls. 180, a empresa declarou que não tinha reparos a fazer aos levantamentos apresentados. Na resposta ao Termo de Intimação nº 12, datado de 13/06/2003 e anexo às fls. 243/244, a empresa não apresentou qualquer reparo. Por tais motivos foi cobrado o Imposto de Importação. Enquadramento Legal: art. 1º, 77, inciso I, 80, inciso I, alínea “a”, 83, 86, 89, inciso II, 99, 100, 103, 107, 129, 137, 145, 147, 220, 389 a 391,, 499, 500, incisos I e IV, 501, inciso III, 521, inciso I, alínea “b”, 542 do Regulamento Aduaneiro – RA, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85. Arts. 6º e 7º do Decretolei nº 288/67, com redação dada pela Lei nº 8.387/91, ratificada pelo art. 4º da Lei nº 8.032/90 e art. 108 da Lei nº 4.502/64. No caso específico do auto de infração do IPI Vinculado à Importação, foi indicada, além da infração acima descrita, a seguinte irregularidade. Produto Estrangeiro em Situação Irregular Consumo ou Entrega a Consumo Apuração dos Estoques de Componentes Importados Fl. 812DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.005477/200448 Acórdão n.º 9203002.394 CSRFT3 Fl. 754 9 Constatouse através de levantamentos nos livros de registro, Livro de Registro de Inventário, Notas Fiscais, Declarações de Importação, Declarações de Internação e outros documentos, diferença positiva no estoque de mercadorias importadas. Diferença esta apurada pelo cotejo entre o Estoque Final Apurado e o Saldo de Inventário, caracterizando o ingresso de mercadoria estrangeira sem comprovação de sua regular importação. Os levantamentos, as apurações e a metodologia utilizada são os mesmos dos indicados no item anterior. Revenda de mercadoria estrangeira sem comprovação de sua regular importação. Em 20/04/1999, a empresa revendeu 485 tubos de raios catódico através da Nota Fiscal nº 4870 e 2560; tubos de raios catódicos através da Nota Fiscal nº 4871. No entanto, ao verificarse os registros contábeis, constatouse a seguinte situação: a) o inventário realizado em 31/12/98, apresentou para esta mercadoria saldo de 485 unidades. b) Não foi detectada nenhuma entrada desta mercadoria no ano de 1999. Através do Termo de Intimação de nº 10, datado de 08/05/2003, anexo às fls. 181/185, a empresa foi intimada a comprovar o ingresso desta mercadoria, cuja quantidade acoberte a saída de 2560 unidades, efetivada pela Nota Fiscal nº 4871. Na resposta ao Termo de Intimação, anexa às fls. 186/233 a empresa apresentou uma série de levantamentos, mas no entanto não comprovou o regular ingresso desta mercadoria no ano de 1999. Sendo assim, cobrase multa no valor da Nota Fiscal nº 4871, por falta de comprovação da regular importação da mercadoria nela descrita. Enquadramento Legal: Art. 83, caput e inciso I, da Lei nº 4.502/64 e art. 11, alteração 2ª, do DecretoLei nº 400/68, regulamentado pelo art. 463, inciso I, do Decreto nº 2.637/98 (RIPI/98). Inconformado com as exigências, das quais tomou ciência em 11/10/2004, fls. 13 e 23, apresentou o contribuinte impugnações em 10/11/2004, fls. 252/271 e 346/359, contrapondose aos lançamentos com base nos argumentos a seguir sintetizados. Da Decadência de Parte do Suposto Débito Inicialmente, a defesa alega a ocorrência de decadência de parte do crédito tributário lançado, relativo ao II e ao IPI, tendo por base o disposto no § 4º do art. 150 do CTN. No tocante ao item 1 do auto de infração, teriam sido alcançados pela decadência os fatos geradores ocorridos antes de 11/10/1999 (elencados nas tabelas às fls. 257 e 350/351). Reforçando seus argumentos, a defesa transcreve ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, fls. 258 e 351/352. Do Erro na Metodologia de Formação do Suposto Crédito Tributário Fl. 813DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Cumpre destacar que a fiscalização, ao verificar os estoques de mercadorias da Impugnante, não individualizou o lançamento, tendo analisado em conjunto os estoques referentes aos anos de 1999, 2000, 2001 e 2002. Da planilha “Demonstrativo de Apuração das Diferenças de Estoque” anexa ao Auto de Infração verificase que a d. fiscalização valeuse da comparação entre o total de entradas e o total de saídas ocorridas no período de 1999 a 2002 para obter as supostas diferenças de estoque lançadas integralmente em relação a dezembro de 2002. Ou seja, as operações de entrada e saída desses anos foram consideradas conjuntamente, em flagrante desobediência ao art. 142 e seguintes do Código Tributário Nacional que determinam ser o lançamento atividade vinculada, tendente a verificar a ocorrência de cada fato gerador, individualizadamente, e não em conjunto, como indevidamente efetuado no auto de infração. Em razão do princípio mencionado cada período deve ser analisado e considerado individualmente, porquanto se reveste de particularidades que o diferenciam dos demais. Tanto isso é verdade que restou demonstrado no item anterior que muitos dos lançamentos efetuados no ano de 1999 foram alcançados pela decadência, sendo que só por esse motivo, tais períodos não poderiam compor o suposto montante do crédito tributário reclamado pela Fazenda Nacional. Nos termos dos artigos 142 e seguintes do Código Tributário Nacional, um dos requisitos essenciais para a constituição do crédito tributário é a existência de elementos suficientes para determinar a infração, sendo certo que o auto de infração deve determinar com segurança a infração e o infrator, sob pena de cerceamento de defesa. Além disso, o lançamento mediante lavratura de auto de infração deve conter a descrição circunstanciada do fato punível ou dos fatos concretos que justifiquem a exigência do tributo e o dispositivo legal infringido, sendo que todos esses requisitos demandam a demonstração clara e evidente do nexo causal existente entre os fatos descritos na autuação e os dispositivos invocados. De fato, da análise detalhada do auto de infração percebese que a identificação genérica dos períodos questionados conduz a conclusões rasas e equivocadas, na verdade, meramente supostas ou presumidas. Devese deixar claro que a identificação exata do período fiscalizado e das supostas incongruências a ele pertinentes são requisitos essenciais para configurar o ato administrativo do lançamento, sem os quais fica comprometida a validade do ato, razão pela qual devem os lançamentos aqui tratados serem considerados nulos. Desse modo, considerando que o AFRF não identificou os fatos geradores individualizadamente, essencial não só para a identificação do suposto crédito tributário quanto para o exercício do direito de defesa da Impugnante, deve o presente lançamento ser declarado nulo por afronta aos requisitos disciplinados no artigo 142 e seguintes do CTN. Do Cerceamento do Direito de Defesa Ainda preliminarmente, importante frisar que as planilhas anexas ao auto de infração, as quais demonstram a apuração das bases de cálculos mensais lançadas, e representam justamente o seu principal fundamento, não condizem com os valores e resultados obtidos pelo AFRF quando do procedimento de fiscalização. Com efeito, as informações e os valores obtidos pela autoridade alfandegária durante o procedimento de fiscalização, e sobre os quais se manifestou a Impugnante oportunamente (Termo de Intimação nº 9), divergem muito daqueles registrados nos demonstrativos anexos ao Auto de Infração. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.005477/200448 Acórdão n.º 9203002.394 CSRFT3 Fl. 755 11 A exemplo disso, apontase as saídas da mercadoria AC103 do estabelecimento da empresa no período questionado. Verificase dos documentos mencionados que, enquanto o AFRF, durante a fiscalização, declarou na planilha “Relatório Sintético das Saídas de Estoque” saídas no montante de 9.346 unidades, instou registrado na planilha “Demonstrativo da Apuração das Diferenças de Estoque”, anexa ao auto, 13.998 unidades, ou seja, 4.652 a mais. A despeito do esforço empreendido para compor os valores consignados no auto, à Impugnante não foi possível identificar a sua procedência, o que dificultou a sua defesa. Esse procedimento, como não poderia deixar de ser, claramente representa cerceamento ao direito de defesa da Impugnante, que se viu privada das informações e dos fatos necessários para a busca de argumentos capazes de comprovar a sua regularidade fiscal (ementa de acórdão nº 30234282 do Conselho de Contribuinte é transcrito pela defesa). Ante a notável dificuldade parra a elaboração da presente defesa, requer a Impugnante sejam os lançamentos de que trata este Auto de Infração declarados nulos a teor do artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972. Aliás, oportuno registrar que o cerceamento decorre, inclusive, do fato de a Impugnante, ainda hoje, não estar de posse de muitos de seus documentos, uma vez que, em janeiro de 2002, houve a apreensão de produtos e documentos em decorrência da operação fiscal denominada “Operação Rio Negro”, conforme relatado no tópico introdutório do Relatório de Fiscalização do MPF nº 02276001001002004. Tal operação, inclusive, chegou a causar a paralisação das atividades da Impugnante, de forma a restringir as inspeções, acompanhamentos e medições efetuadas pela fiscalização. Por conseguinte, a auditoria, conforme esclarecimentos iniciais do Relatório de Fiscalização, à fls. 10, fora baseada apenas na documentação disponível, de modo a impedir a precisa e criteriosa análise das acusações apresentadas. Do Mérito Da Inexistência de “Desvio de Finalidade” A Impugnante é empresa que, voltada para a produção e comercialização de produtos eletrônicos, adquire de fornecedores estrangeiros os insumos que emprega na produção. Uma vez situada na Zona Franca de Manaus ZFM, e tendo aprovados seus projetos industriais pelo Conselho de Administração da SUFRAMA nos termos da legislação em vigor, a Impugnante faz jus a alguns benefícios fiscais, dentre eles a isenção do Imposto de Produtos Industrializados na saída dos produtos da ZFM para qualquer ponto do território nacional, desde que cumpridos determinados requisitos. Ocorre que, por ocasião do procedimento de fiscalização, foram verificadas supostas diferenças negativas no estoque das mercadorias importadas, do que concluiu o AFRF, sem qualquer autorização legal que autorizasse a adoção de presunção desse jaez, tratarse de hipótese de utilização desses insumos para fins outros que não os prescritos na legislação que estabelece os benefícios fiscais na região. Entendendo que isso configuraria descumprimento aos requisitos determinados em lei, suspendeu a d. fiscalização o benefício de isenção de IPI. Contudo, como se verá, a presunção de desvio de mercadorias não se sustenta em face das práticas comerciais adotadas pela Impugnante. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Com efeito, é muito comum, em meio às mercadorias importadas, a existência daquelas dotadas de algum defeito físico ou funcional que impossibilita a sua utilização no processo produtivo. Ante a impossibilidade de se agregar essas mercadorias defeituosas no produto final, a Impugnante, por vezes, opta por vendêlas no mercado interno como material sucateado, outras vezes simplesmente reconhecia perdas em processo. Da análise dos documentos anexos ao Auto de Infração verificase que o AFRF, ao analisar as saídas de produtos do estabelecimento da empresa Impugnante, não considerou nos seus cálculos essas mercadorias que, inutilizáveis para a produção, foram vendidas como sucata, nem mesmo as perdas ocorridas no processo produtivo. E foi exatamente por essa razão que se apurou uma diferença negativa entre as mercadorias finais comercializadas pela Impugnante e os insumos por ela importados. Como se vê, essa diferença a menor decorre do fato de o AFRF não ter considerado nos seus cálculos os defeitos e quebras inerentes a quaisquer operações industriais. Não bastasse isso, verificase que as supostas diferenças apontadas são irrisórias, senão insignificantes, quando analisadas em relação ao total das saídas registradas no período. Apenas como exemplo, cabe mencionar a diferença negativa constatada em relação ao aparelho "MODELO 919". Com efeito, observase da planilha “Demonstrativo da Apuração das Diferenças de Estoque”, elaborada pela SRF e anexa ao auto, que em um universo de 62.499 unidades dessa mercadoria, cujas saídas do estabelecimento da empresa se deram de forma incontestavelmente regular, apenas uma única unidade teve o suposto fim diverso daquele idealizado pela legislação da ZFM, conforme interpretação do fisco. Ou seja, das 62.499 saídas dessa mercadoria no período, constatou o AFRF uma diferença a menor de uma única unidade, tendo o destino dessa unidade já sido tratado em parágrafo anterior. Dada a inexpressividade das mercadorias questionadas, temse que a Impugnante nunca teve qualquer intenção de burlar as normas de conduta industrial vigentes na ZFM. Digase, inclusive, que o Egrégio Conselho de Contribuintes já se manifestou no sentido de ser incorreta essa presunção adotada pelo AFRF (a defesa transcreve a ementa do acórdão nº 20175617). Em vista do exposto, concluise que a alegação de “desvio de finalidade” de que se vale a d. fiscalização alfandegária é absolutamente infundada e padece de prova efetiva de sua ocorrência, motivo pelo qual devem os lançamentos ser julgados improcedentes. Da Inocorrência de qualquer irregularidade nas importações efetuadas No tocante à alegação de ocorrência de supostas importações irregulares, melhor sorte não assiste à d. fiscalização alfandegária. Com efeito, das planilhas representativas das saídas ocorridas no período questionado, observase que a d. fiscalização alfandegária levou em consideração nos seus cálculos, além das vendas para os consumidores, as remessas efetuadas a armazéns situados por todo o território nacional. Ocorre que, ao relatar os procedimentos adotados, o AFRF afirmou que “somente foram consideradas as saídas em que ocorreu a transmissão de propriedade da mercadoria”. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.005477/200448 Acórdão n.º 9203002.394 CSRFT3 Fl. 756 13 Ou seja, a despeito dessa observação, as remessas para armazéns, apesar de não configurarem a transferência de propriedade das mercadorias, foram consideradas pela d. fiscalização alfandegária no cálculo do estoque de mercadorias da Impugnante, o que faz com que as saídas sejam proporcionalmente maiores que as entradas. Essa inconsistência de metodologia demonstra por si só a fragilidade do auto de infração lavrado e, nesse sentido, destacase a discussão já ocorrida no âmbito do Egrégio Conselho de Contribuintes: “Diferença de Estoque A certeza e liquidez do crédito tributário apurado em procedimento de auditoria de estoque condicionase à consistência da metodologia empregada” (1º CC, Ac. Nº 10193753). Além disso, cumpre mencionar que a Impugnante importa os componentes para industrialização na forma de “kits”, que por vezes não podem ser industrializados, mas cujas peças são reaproveitadas na montagem de novos produtos. Assim, esses componentes, segregados daqueles inutilizáveis, são reorganizados pela Impugnante em forma de novos “kits”, sendo posteriormente vendidos. Nesse contexto, não poderia a fiscalização ter efetuado o levantamento por Kits, mas sim componente a componente. Por desconhecer essa prática, é de se compreender que o AFRF a tenha considerado irregular. Todavia, tendo restado demonstrado o contrário, deve essa presunção ser afastada. Nesse contexto, uma vez demonstrada a regularidade das importações efetuadas pela Impugnante, deve ser julgado improcedente o respectivo lançamento, bem como a multa isolada daí decorrente. Da Existência no Estoque da Impugnante dos 2.560 Tubos de Raio Catódico Vendidos E como se já não bastassem as irregularidades apontadas, no que concerne à alegação de revenda de mercadorias estrangeiras decorrentes de importação supostamente irregular, mister se faz esclarecer que, em resposta ao Termo de Intimação nº 10, durante o processo de fiscalização, a Impugnante já apresentara todos os documentos hábeis à comprovação da correção de seus procedimentos e da inexistência de qualquer infração a ser apontada. Não obstante isso, a d. autoridade fiscal, injustificadamente, concluiu que tal documentação não logrou comprovar o regular ingresso das mercadorias objeto da autuação. Para que não restem dúvidas a respeito da questão, requerse a juntada desses mesmos documentos comprobatórios, a saber: · Planilha de apuração dos saldos de cinescópio de TV14 – 97/98/99 (Doc. 3); · Planilha de entradas de cinescópio TV 14 97/98 (Doc. 4); · Notas fiscais de entrada, bem como os respectivos comprovantes de importação e respectivos comercial invoices (Doc. 5); · Planilha de notas fiscais de emitidas pelo estabelecimento, referentes às saídas ocorridas no ano de 1997 (Doc. 6); Fl. 817DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 · Planilha de notas fiscais emitidas pelo estabelecimento, referentes às saídas ocorridas no ano de 1998, bem como referente às devoluções de vendas ocorridas no mesmo ano (Doc. 7); · Planilha de notas fiscais emitidas pelo estabelecimento, referentes às saídas ocorridas até 20/04/1999, bem como referente às devoluções de vendas ocorridas no mesmo período (Doc. 8). Da análise desses documentos inferese que, conforme já ressaltado na resposta ao Termo de Intimação nº 10, o saldo existente em 31/03/1999 do produto era de 5.739 peças, o suficiente para justificar as saídas formalizadas pelas notas fiscais 4870 e 4871, referentes, respectivamente, a 485 e 2.560 peças. A planilha “Apuração dos saldos de cinescópio de TV14 – 97/98/99", ao contrapor as entradas e as saídas ocorridas entre 01/01/1997 e 20/04/1999, deixa claro o estoque de 5.739 unidades no início do ano de 1999. Pelos demais documentos juntados nessa oportunídade, comprovase a efetiva ocorrência dessas operações, bem como seus respectivos valores. Nesse sentido, enquanto as entradas de 1997 e de 1998 são validadas pelas respectivas notas fiscais de entrada, comprovantes de importação e commercial invoces as saídas de 1997 1998 e 1999 estão discriminadas nas planilhas “Notas físcais emitidas pelo estabelecimento” elaboradas pela própria autoridade fiscal. Já as devoluções de 1998 e as entradas de 1999, que em verdade tratamse também de devoluções, encontramse discriminadas nas planilhas “Notas fiscais emitidas pelo estabelecimento” dos anos de 1998 e de 1999, respectivamente. Em vista da documentação já apresentada à fiscalização e ora colacionada à presente defesa, não restam dúvidas a respeito da regular da importação das mercadorias comercializadas por meio da nota fiscal nº 4871, devendo o lançamento daí decorrente ser julgado improcedente. Considerações Finais Do Descabimento da Multa Regulamentar A respeito da exigibilidade de multa regulamentar, assim dispõe o art. 463, inciso I do Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998 (Regulamento do I P1): Art. 463 Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente: 1 os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração de importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso. Como se vê, um dos requisitos para a caracterização de importação como “irregular” e para a conseqüente aplicação de multa regulamentar é a inexistência de registro das importações no SISCOMEX, o que, de fato, não ocorreu no caso em exame. Com efeito, segundo o relato do AFRF, foram analisadas as Declarações de Importação e de Internação pertinentes ao período, tanto que as informações que deram subsídio para o presente lançamento foram extraídas das Declarações de Importação registradas pela Impugnante no SISCOMEX. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.005477/200448 Acórdão n.º 9203002.394 CSRFT3 Fl. 757 15 Segue abaixo trecho relevante do relato do AFRF no qual se constata que as Declarações de Importação foram por ele analisadas: I Importações de kits de componentes em 1999 Dados extraídos das Declarações de Importação. II Importações de kits de componentes em 2000 Dados extraídos das Declarações de Importação. III Importações de kits de componentes em 2001 Dados extraídos das Declarações de Importação. IV Importações de kits de componentes em 2002 Dados extraídos das Declarações de Importação. Desse modo, considerando que (i) o artigo 463, inciso I do RIPI condiciona a aplicação da multa regulamentar a operações não registradas no SISCOMEX e (ii) que todas as operações de importação efetuadas pela Impugnante encontramse devidamente consignadas nas Declarações de Importação registradas no SISCOMEX, concluise por ser incabível a aplicação da multa pretendida pela d. fiscalização. Por esse motivo, requer a Impugnante o reconhecimento da insubsistência da exigência em apreço. O contribuinte apresentou recurso especial, que foi admitido, em relaçãoas seguintes matérias: Cerceamento de defesa, decadência e inocorrência de importação irregular que justifique a aplicação da multa regulamentar. É o relatório. Voto Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. Preliminar de cerceamento de defesa Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao sujeito passivo foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Concedida ao sujeito passivo a ampla oportunidade de apresentar suas alegações e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento Fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito defesa. O ônus da prova incumbe: A) ao Fisco comprovar o fato constitutivo do seu direito; e B) ao contribuinte o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 O contribuinte apenas alegou o cerceamento de defesa, porém não apresentou nenhuma prova, por quaisquer meios admitidos em direito. Assim, não há como aceitar o argumento de cerceamento de defesa, até porque o recorrente apresentou todos os recursos, tendo inclusive seu recuso com provimento parcial em ambas as instâncias anteriores. Decadência Sabemos que por força da aplicação do art. 62A do RICARF, somos obrigados a seguir as decisões proferidas em sede de recursos repetitivos pelos tribunais superiores. Assim para que a contagem do prazo decadencial se inicie na data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN há que se ter a comprovação do pagamento parcial nos autos. Essa tem sido a decisão unânime dessa turma. Não poderia ser de outra forma. No presente caso há apenas o pleito de se aplicar o art. 150, § 4º, sem qualqueur arguição ou comprovação da existência de pagamentos Em que pese a decadência ser matéria de ordem pública a ser arguida de ofício pelo julgador, não compete a ele fazer a prova do pagamento. Esse é um ônus da parte interessada. O ônus da prova incumbe: A) ao Fisco comprovar o fato constitutivo do seu direito; e B) ao contribuinte o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Não cabe ao Fisco fazer Prova Negativa da ausência de antecipação de pagamento, mas sim demonstrar a ocorrência do fato gerador e demais requisitos do artigo 142 do CTN. A decadência e o pagamento são fatos extintivos do direito do fisco, e devem ser alegados e provados pelo contribuinte. Se alegar a decadência com base no artigo 150, parágrafo 4° do CTN, deve fazer a prova do pagamento antecipado. No presente caso, a autuação envolveu componentes importados, ingressados no país ao amparo do Decreto nº 288/67, regulamentado pelo Decreto 61.244/67, alterado pelo DecretoLei 1.435/75, com nova redação dada pela Lei nº 8.387/91. Com efeito, não foi efetuado pelo sujeito passivo qualquer recolhimento antecipado, relativamente às operações em questão, de sorte que o dispositivo a ser aplicado deve ser o art. 173, I, do CTN. Destarte, considerandose que o contribuinte foi cientificado dos lançamentos em 11/10/2004, a autuação pode abranger todos os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1999, cujo termo inicial para contagem do prazo decadencial iniciouse em 01/01/2000, findandose em 01/01/2005. Assim, rejeito a arguição de decadência, feita pelo contribuinte. Inocorrência de importação irregular que justifique a aplicação da multa regulamentar. A recorrente insurgiuse contra a manutenção, pela decisão atacada, da multa aplicada em função da suposta diferença a maior no estoque das mercadorias importadas. O levantamento de produção a partir da técnica de auditoria é procedimento legítimo, conforme reiterada jurisprudência, mormente se calculada com base em elementos subsidiários fornecidos pelo contribuinte. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.005477/200448 Acórdão n.º 9203002.394 CSRFT3 Fl. 758 17 A diferença no estoque foi constada por meio de auditoria de produção em relação às entrads e saídas e em relação aos estoques, conforme demontrado no relatório. Constatouse através de levantamentos nos livros de registro, Livro de Registro de Inventário, Notas Fiscais, Declarações de Importação, Declarações de Internação e outros documentos, diferença positiva no estoque de mercadorias importadas. Diferença esta apurada pelo cotejo entre o Estoque Final Apurado e o Saldo de Inventário, caracterizando o ingresso de mercadoria estrangeira sem comprovação de sua regular importação. A empresa também questiona a inclusão dos valores correspondentes à devolução de mercadorias, Ora tais devoluções devem ser considerados como entradas no levantamento destinado a determinar a correlação entre as quantidades de insumos utilizados para a fabricação de determinado produto e a quantidade final obtida desse mesmo produto, em um dado período de tempo. Tendo o contribuinte demonstrado a existência de devoluções não consideradas pela fiscalização, retificase o lançamento correspondente. A apuração de diferenças positivas evidencia o ingresso de insumos importados sem a comprovação de sua regular importação. A empresa alega que como foi declarada a importação nas respectivas DI, não há que se falar em importação irregular. Tal argumento não se sustenta,em pese parte da jurisprudência do CARF considerar irregulares somente as importaçãoes não declaradas e nem registradas no Siscomex. A partir do momento que temos desvio de finalidade e por meio de técnicas de auditoria de produção são encontradas mercadorias que não se destinaram ao fimk proposto, se considera a mercadoria como irregular e é cobrada a multa regulamentar prevista no inciso I do art. 463 do RIPI/98. Art. 463. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei n.º 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei n.º 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª); Aqui percebese que existem vários tipos infracionais nessa norma. A importação irregular é apenas um deles. A diferença positiva de estoque enseja a irregularidade na importação. A falta de registro ou declaração de importação é um outro tipo contido na mesma norma. Não é por esse motivo que o contribuinte foi autuado mas sim pela importação irregular, caracterizada pela diferença a maior encontrada no estoque. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 18 A recorrente não questiona a validade da auditoria de produção com a consequente descoberta de mercadoria com desvio de finalidade de importação e nem tampouco que não entregou ou consumiu a mercadoria, mas apenas que esse estoque a descoberto não seria fato gerador ensejador da multa aplicada por não se tratar de importação irregular. Acontece que ao usar o material importação na produção de outros bens houve o desvio de finalidade, ou seja, consumida ma mercadoria com isenção de impostos em industrialização diferente da constante nos documentos de importação. As formalidades são necessárias para se ter o controle da importação dos produtos, principalmente se houver algum benefício fiscal. As corretas informações prestadas as RFB são condições para o gozo de benefícios fiscais e o descimprimento enseja a aplicação das multar regulamentares insculpidas na legislação tributária e aduaneira. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial Interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 822DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10480.724327/2010-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Constitui infração deixar a empresa de inscrever na previdência social segurado empregado que lhe preste serviços, mediante preenchimento dos documentos que o habilitem ao exercício da atividade e formalização de seu contrato de trabalho, ficando o responsável sujeito à penalidade (multa).
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória.
RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS.
A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA CONTÁBIL. DESNECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de inscrever na previdência social segurado empregado que lhe preste serviços, mediante preenchimento dos documentos que o habilitem ao exercício da atividade e formalização de seu contrato de trabalho, ficando o responsável sujeito à penalidade (multa). CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA CONTÁBIL. DESNECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2396; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.724327/201059 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.663 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de julho de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente CLÍNICA MATERNO INFANTIL SANTA LÚCIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de inscrever na previdência social segurado empregado que lhe preste serviços, mediante preenchimento dos documentos que o habilitem ao exercício da atividade e formalização de seu contrato de trabalho, ficando o responsável sujeito à penalidade (multa). CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA CONTÁBIL. DESNECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 43 27 /2 01 0- 59 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.724327/201059 Acórdão n.º 2402003.663 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 17 da Lei 8.213/1991, combinado com os arts. 16 e 18, inciso I e parágrafo 1°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de inscrever o segurado empregado ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 16/18), a empresa deixou de inscrever segurados empregados no Regime Geral de Previdência Social (RGPS), listados no quadro anexo (QUADRO III). Esse Relatório informa ainda que, em análise das folhas de pagamento entregues, exercícios 2006, 2007 e 2008, foi verificada e existência de valores pagos a trabalhadores identificados nas mesmas folhas como empregados, relacionados nominalmente em quadro anexo (Quadro III de fl. 460). Tal fato sugeriria o reconhecimento, por parte da empresa, de vínculo com esses trabalhadores nas competências de registros daqueles pagamentos. Salientese que nenhum dos mesmos trabalhadores está incluído em RAIS dos anos 2006, 2007 e 2008. Continua o relato fiscal, que examinados os livros de registros disponibilizados, verificouse que não constavam em tais livros quaisquer anotações de contratos de trabalho firmados entre a empresa e os referidos empregados, o que caracteriza não terem sido formalizados os contratos devidos, bem como, em consulta feita ao banco de dados CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais não foram localizadas informações sobre vínculos e remunerações dos trabalhadores com a autuada. Os Livros de Registros analisados no decorrer deste procedimento fiscal estão identificados no item 3.5 da informação fiscal. Destacouse, por último, que a folha onde consta o último registro de empregado feito pela empresa de no 24 e a folha seguinte (em branco) no 25 do Livro de Registro no 05, foram visadas pelo agente fiscal na data de 30/11/2010. O Relatório da multa (fl. 18) informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 133 e 134, ambos da Lei 8.213/1991, c/c art. 283, caput e parágrafo 2o, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 29/12/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 463/469) – acompanhada de anexos de fls. 470/492 –, alegando, em síntese, que deverá haver a suspensão da exigibilidade pela efetivação do parcelamento integral do crédito lançado com fundamento na Lei 11.941/2009. O processo foi baixado em diligência (fl. 838) para que a DRF competente se manifestasse acerca da situação do parcelamento do contribuinte. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Em informação prestada pelo SEORT/DRF/RECIFE/PE (fls. 841/842) foi atestado que a empresa autuada aderiu ao Parcelamento Especial da Lei 11.941/2009, incluindo neste os DEBCAD 37.283.9290, 37.283.9304, 37.283.9312 e 37.283.9320. Segundo o SEORT/DRF/RECIFE/PE, para processo em foco, não e possível sua inclusão no benefício pleiteado por conta da competência de sua apuração: 12/2010. A multa decorrente de obrigação acessória não cumprida, alvo deste julgamento, foi lançada ao final da Ação Fiscal e, assim, assumiu a competência deste evento: 29/12/2010. Por sua vez, a Lei 11.941/2009 apenas permite o parcelamento dos créditos VENCIDOS até 30/11/2008. Logo, não sendo um valor vencido até este limite, não poderia integrar o parcelamento da Lei 11.941/2009. O contribuinte foi cientificado do resultado desta diligência por meio do Termo de Intimação nº 795/2012 (fl. 846) em 30/07/2012 (AR de fl. 846). Em seu favor, o contribuinte acrescenta defesa de fls. 849/883, assim resumida: improcedência da autuação pela ausência de fundamento para a multa aplicada e de identificação dos segurados não inscritos; a legislação não estabelece a obrigação para a empresa; a fiscalização baseia a presente exigência no cotejo com documentação (folha de pagamento) já apontada como viciada no AI DEBCAD 27.245.3317); adoção dos princípios da verdade material, da ampla defesa, do contraditório, legalidade, impessoalidade, moralidade, razoabilidade e proporcionalidade. E protesta, ao final, pela juntada posterior de documentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Recife/PE – por meio do Acórdão 1138.806 da 7a Turma da DRJ/REC (fls. 886/893) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Recife/PE informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.724327/201059 Acórdão n.º 2402003.663 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador, que é o descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme ficou nitidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração (fls. 16/18), nos seguintes termos: “[...] 3. Da Infração Cometida 3.1 Em análise às folhas de pagamentos entregues, exercícios 2006, 2007 e 2008, verificouse valores pagos a trabalhadores identificados nas mesmas folhas como empregados, relacionados nominalmente em quadro anexo (Quadro III), o que sugere reconhecimento, por parte da empresa, de vínculo com esses trabalhadores nas competências de registros daqueles pagamentos. 3.2 Salientese que nenhum dos mesmos trabalhadores está incluído em RAIS dos anos 2006, 2007 e 2008. 3.3 Ressaltese que a empregada Raquel Cristina G. do A. Loyo recebeu, juntamente com a remuneração paga pela empresa, o benefício do saláriofamília nas competências 08/2006, 02/2007, 05/2007, 06/2007, 07/2007 e 08/2007, conforme dados das folhas discriminados abaixo: (...) 3.4 Examinados os livros de registros disponibilizados, constatouse que não constavam em tais livros quaisquer anotações de contratos de trabalho firmados entre a empresa e os referidos empregados, o que caracteriza não terem sido formalizados os contratos devidos, bem como, em consulta feita ao banco de dados CNIS – Cadastro Nacional de Informações Sociais não foram localizadas informações sobre vínculos e remunerações dos trabalhadores com a autuada. [...]”. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/120) Fl. 927DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Além disso – nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos/Termos de Intimação Fiscal (TIAD/TIF) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador da obrigação tributária acessória e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para configuração dos valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 16/19. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da multa aplicada, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/850) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Diante disso, rejeito a preliminar de nulidade ora examinada, e passo ao exame de mérito. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.724327/201059 Acórdão n.º 2402003.663 S2C4T2 Fl. 5 7 DO MÉRITO: A Recorrente alega que o procedimento de auditoria fiscal não cumpriu a legislação de regência para a constituição do lançamento fiscal. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória. Verificase que a Recorrente deixou de inscrever, no Regime Geral de Previdência Social (RGPS), os segurados caracterizados pelo Fisco como empregados, estes fora devidamente delineados na planilha de fl. 460 (QUADRO III). A legislação de regência exige a inscrição de todos os segurados obrigatórios junto ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Lei 8.213/1991 – Lei de Benefício da Previdência Social: Art. 17. O Regulamento disciplinará a forma de inscrição do segurado e dos dependentes. Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social (RPS): Art. 18. Considerase inscrição de segurado para os efeitos da previdência social o ato pelo qual o segurado é cadastrado no Regime Geral da Previdência Social, mediante comprovação dos dados pessoais e de outros elementos necessários e úteis a sua caracterização, observado o disposto no art. 330 e seu parágrafo único, na seguinte forma: I empregado e trabalhador avulso – pelo preenchimento dos documentos que os habilitem ao exercício da atividade, formalizado pelo contrato de trabalho, no caso de empregado, e pelo cadastramento e registro no sindicato ou órgão gestor de mão de obra, no caso de trabalhador avulso. §1° A inscrição do segurado de que trata o inciso I será efetuada diretamente na empresa, sindicato ou órgão gestor de mão de obra e a dos demais no Instituto Nacional do Seguro Social. (g.n.) Em observância ao art. 17 da Lei 8.213/1991 c/c o art. 18, § 1°, do Decreto 3.048/1999, compete ao empregador efetuar a inscrição de seus empregados no Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Essa inscrição deverá ser efetuada diretamente pela Recorrente no próprio documento declaratório – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) – enviado mensalmente à Previdência, nos termos da formalização do contrato de trabalho. Esta formalização ocorre com o preenchimento dos documentos que habilitem os segurados empregados ao exercício da atividade designada pela Recorrente. Conforme disposto no art. 456 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), a prova da formalização do contrato de trabalho será feita pelas anotações constantes da Carteira de Trabalho e Previdência Social, obrigatória para o exercício de qualquer emprego (art. 13 da CLT), que será apresentada ao empregador para nela anotar a data de admissão, Fl. 929DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 remuneração e, se houver, condições especiais (art. 29 da CLT). Também compõe o procedimento de formalização referido o registro do empregado em livros próprios (art. 41 da CLT). A auditoria fiscal constatou que os segurados empregados, inseridos na planilha de fl. 460, não foram devidamente inscritos ao Regime Geral de Previdência Social, conforme verificação nas folhas de pagamentos e cópias dos Livros de Registros de Empregados. Isso está caracterizado no Relatório Fiscal (fls. 16/18). Logo, a constatação, pela auditoria fiscal, de segurados empregados, sem a devida e correta inscrição à Previdência Social, enseja imediata autuação, nos termos do art. 142 do CTN. No caso em tela, está patente pela não comprovação dos fatos pela Recorrente e frente aos fatos jurídicos constantes das fls. 01/19, em que se comprova a não inscrição dos segurados. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Com relação ao pedido de relevação da penalidade, a autuada não atendeu a todos os 4 (quatro) requisitos previstos no artigo 291, § 1°, do Decreto 3.048/1999, ao não proceder a correção das faltas, apesar de ser primária, com pedido no prazo da defesa e não ter incorrido em circunstância agravante. Esse artigo 291, § 1º, dispõe: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 12/02/2007). §1o. A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Alterado pelo Decreto nº 6.032, de 12/02/2007) (grifamos) Logo, não será acatada a alegação da Recorrente para aplicação da relevação da multa, eis que a ela estava obrigada a inscrever a segurada empregada Raquel Cristina G. do A. Loyo, bem como os empregados enumerados no quando III (fl. 460), por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), nos moldes do art. 17 da Lei 8.213/1991 combinado com o art. 18, inciso I e §1o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999, transcritos abaixo: Lei 8.213/1991 Art. 17. O Regulamento disciplinará a forma de inscrição do segurado e dos dependentes. Decreto no 3.048/1999 Art. 18 Considerase inscrição de segurado para os efeitos da previdência social o ato pelo qual o segurado é cadastrado no Regime Geral da Previdência Social, mediante comprovação dos dados pessoais e de outros elementos necessários e úteis a sua caracterização, observado o disposto no art. 330 e seu parágrafo único, na seguinte forma: Fl. 930DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.724327/201059 Acórdão n.º 2402003.663 S2C4T2 Fl. 6 9 I empregado e trabalhador avulso — pelo preenchimento dos documentos que os habilitem ao exercício da atividade, formalizado pelo contrato de trabalho, no caso de empregado, e pelo cadastramento e registro no sindicato ou órgão gestor de mão de obra, no caso de trabalhador avulso. §1° A inscrição do segurado de que trata o inciso I será efetuada diretamente na empresa, sindicato ou órgão gestor de mão de obra e a dos demais no Instituto Nacional do Seguro Social. (g.n.) É importante esclarecer que, nos termos da lei de regência do parcelamento intentado pelo contribuinte (art. 1o, §2o, da Lei 11.941/2009), não se vislumbra como possível a inclusão da multa aplicada nessa legislação, por conta da competência de sua apuração ser 12/2010. Lei 11.941/2009: Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial – PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional – PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados. (..) § 2o Para os fins do disposto no caput deste artigo, poderão ser pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de 2008 (..) (g.n.) Após os registros dos fatos e da legislação de regência delineados anteriormente, não serão acatadas as alegações da Recorrente registradas dentro do seu aspecto meritório. A Recorrente insiste que é necessária a realização de perícia contábil para demonstrar a veracidade das suas argumentações expostas na peça recursal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de perícia contábil requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a perícia contábil só deverá Fl. 931DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 ser concedida com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois ela só tem sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de pedido de perícia contábil quando se referir a matéria de fato, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a perícia contábil que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Verificase que a diligência não foi formulada de acordo com as disposições do art. 16 do Decreto 70.235/1972, pois lhe faltam os motivos e a formulação dos quesitos desejados para sua realização. Além disso, a matéria contestada não se refere à irregularidade nos valores apurados que demandasse tal revisão e os autos foram instruídos com os elementos contábeis fornecidos pela Recorrente (Relatório Fiscal, fls. 16/18), em que se poderiam extrair eventuais equívocos em que pudesse ter incidido o procedimento de auditoria fiscal. Portanto, caberia a Recorrente demonstrar o contrário por meio de documentos idôneos – tais como folhas de pagamentos, escrituração contábil, recibos de pagamentos, Guias de Recolhimentos (GPS), Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), dentre outros – que os valores declarados nas folhas de pagamento, Livros de Registros de Empregados e na contabilidade, devidamente apresentados ao Fisco durante o procedimento de auditoria fiscal, não espelhavam a realidade contábil da empresa. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de procedência, ou não, do lançamento fiscal ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que, nos documentos de fls. 01/850, constam de forma clara os elementos necessários para a configuração do ato administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em realização de perícia contábil, eis que entendo que essa diligência é descabida no presente lançamento fiscal. Esse fato evidencia que a perícia contábil seja de pronto indeferida e considerada como não formulada. Assim reza o art. 16 da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/1972). Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). Tratase de solicitação não necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, o art. 18 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a autoridade julgadora deverá indeferila. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a Fl. 932DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.724327/201059 Acórdão n.º 2402003.663 S2C4T2 Fl. 7 11 realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, indeferese o pedido de perícia contábil, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13749.720170/2011-73
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2012
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2012 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 01 70 /2 01 1- 73 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720170/201173 Acórdão n.º 1801001.664 S1TE01 Fl. 40 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 05, com a exigência do crédito tributário no valor de R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 17.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de fevereiro do anocalendário de 2011, cujo prazo final era 25.04.2011. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0204, com as alegações a seguir transcritas. O contribuinte em 2009 era empresa optante pelo [Simples Nacional] e mudou seu regime de tributação pata o lucro presumido em janeiro de 2010, e passou a ser obrigado à apresentação de DCTF, haja vista que a partir desta data as empresas com tributação neste regimes [passaram] a ser obrigadas a apresentação mensal. Cumpridora de suas obrigações acessórias tributárias a empresa apresentou a DCTF espontaneamente, para simples regularização de sua situação cadastral na [RFB], uma vez que seus impostos todos foram quitados no período. Referente a multa ora cobrada, vale ressaltar que corre, entretanto, hodiernamente, grande debate em torno do tema, prevalecendo, dentro dos tribunais a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso da confissão espontânea de Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720170/201173 Acórdão n.º 1801001.664 S1TE01 Fl. 41 3 débito tributário, sendo, " in casu", totalmente defesa à imposição, sob qualquer forma de denominação empregada renegando, inclusive, ponto de vista já sedimentado na jurisprudência pátria, até mesmo em tribunais superiores. Ressaltase também que os Estados Federativos não estão aplicando penalidades multas aos contribuinte quando apresentam suas obrigações acessórias fora do prazo espontaneamente. [...] A DCTF foi criada através de instrução normativa baixada pela Secretaria da Receita Federal, que sob o fundamento do art. 5º do Decretolei 2.124/84, foi delegado ao Ministro da Fazenda baixar normas para regulamentar a exigência de declarações de impostos e fixar multas por descumprimento dessas obrigações acessórias. Ocorre que, com o advento da Constituição Federal de 1988, somente por lei podese ser criado o tributo, e suas obrigações acessórias, tal qual o cumprimento da obrigação principal (pagar o tributo) e das obrigações acessórias (fazer ou deixar de fazer uma obrigação. Significa que a somente por lei pode ser instituído o tributo (obrigação de dar) è as obrigações acessórias (obrigação de fazer ou não fazer), criando os instrumentos de controles (declarações) e impondo as penalidades de multa caso|seja descumprida as obrigações acessórias. Assim, somente a lei (poder legislativo) pode instituir as obrigações acessórias, não podendo, ser delegada competência ao poder executivo para baixar normas obrigacionais de caráter tributário que não tenham origem em lei. A instrução normativa (124/86) e suas demais atualizações sobre a DCTF e imposição de multas não têm fundamento em lei para sua exigência. Fere, portanto, o princípio da legalidade (art. 5o, II da CF/88) ao qual determina que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei". A DCTF não foi criada por lei à instrução normativa que cria o DCTF não é lei. A multa aplicada por atraso na entrega da DCTF não tem fundamento na lei. Portanto são ilegais. Além disso a instrução normativa que cria a DCTF fere normas da Constituição Federal de 1988, o que é considerada inconstitucional. [...] O argumento expendido na presente verte de modo direto do Código Tributário Nacional, legislação infraconstitucional elevada, portanto, à condição de verdadeira lei complementar] Especificamente no art. 138 da referida legislação é que vamos confrontar a normatização básica para o perfeito entendimento do caso "ore sub examen" [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que o lançamento é nulo, nos seguintes termos: À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total ou parcial do lançamento, requer que seja acolhida a presente Impugnação. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0242.915, de 27.02.2013, fls. 1921: Impugnação Improcedente. Consta no Voto Condutor Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720170/201173 Acórdão n.º 1801001.664 S1TE01 Fl. 42 4 No Direito Tributário, devese observar o princípio da responsabilidade objetiva do sujeito passivo em relação às suas obrigações tributárias e ao cometimento de infrações, ou seja, a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). De acordo com o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, na redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004, o sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, estará sujeito à multa. Esse é o fundamento legal para a aplicação da multa. Os princípios constitucionais invocados norteiam o legislador e não o aplicador da lei. As hipóteses de aplicação da punição, as variações de intensidade em razão do tempo de atraso e de outros critérios, bem como as reduções e dispensas são fixadas de forma categórica na própria legislação, não havendo oportunidade para discricionariedade da autoridade fiscal. Portanto, o lançamento efetuado conforme manda a legislação e com base em fatos e dados cuja veracidade a impugnante não logra abalar, atende, no âmbito de atuação do agente do fisco, os princípios invocados. O argumento denúncia espontânea utilizado para o pedido de cancelamento não pode ser acolhido no âmbito administrativo, pois a matéria se encontra sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes termos: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Restou ementado ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2011 DCTF. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Notificada em 11.03.2013, fl. 27, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.04.2013, fls. 2931, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720170/201173 Acórdão n.º 1801001.664 S1TE01 Fl. 43 5 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720170/201173 Acórdão n.º 1801001.664 S1TE01 Fl. 44 6 sendo exigida a habilitação profissional de contador2. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal. O instituto da denúncia espontânea não abrange a obrigação acessória.3. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 5 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720170/201173 Acórdão n.º 1801001.664 S1TE01 Fl. 45 7 relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Assim, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). O sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos6. 6 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720170/201173 Acórdão n.º 1801001.664 S1TE01 Fl. 46 8 Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores7. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 17.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de fevereiro do anocalendário de 2011, cujo prazo final era 25.04.2011. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720170/201173 Acórdão n.º 1801001.664 S1TE01 Fl. 47 9 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10907.000623/2006-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3102-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento- Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Tratase da Declaração de Compensação (DComp) n° 22915.79469.130204.1.3.015910 (fls. 12/15), transmitida em 13/2/2004, em que informada a compensação de parcela do crédito presumido IPI do 2º trimestre 2002, no valor de R$ 1.341.007,00, com débito do mesmo valor da Cofins do mês de janeiro de 2004. Por meio do Despacho Decisório de fls. 16/18, o titular da Unidade da Receita Federal de origem não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que não existia a parcela do crédito utilizado no respectivo procedimento compensatório, pois o pedido de ressarcimento do total do crédito presumido do IPI do 2º trimestre 2002, analisado nos autos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 07 .0 00 62 3/ 20 06 -2 6 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10907.000623/200626 Resolução nº 3102000.271 S3C1T2 Fl. 11 2 processo administrativo nº 10907.002133/200401, fora integralmente indeferido, com base nos fundamentos exarados no Despacho Decisório colacionado aos autos (fls. 4/11). Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 21/24), a interessada solicitou o sobrestamento do julgamento deste processo, sob o argumento de que havia interposto manifestação de inconformidade contra a decisão de indeferimento do direito creditório, proferida no processo nº 10907.002133/200401, o qual ainda se encontrava pendente de julgamento. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 42/48), que, por unanimidade de votos, manteve a não homologação da compensação, por falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito compensado, sob o fundamento de que, naquela instância julgadora, a manifestação de inconformidade, apresentada no citado processo do crédito, fora indeferida. Em 30/7/2009, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Inconformada, em 27/8/2009, protocolou o recurso de fls. 51/54, em que pediu o sobrestamento do julgamento do recurso até que fosse prolatada a decisão definitiva no processo do crédito, cujo recurso voluntário nele interposto ainda se encontrava pendente de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia limitase a questão processual atinente à impossibilidade de julgamento deste processo de compensação antes da decisão definitiva, na esfera administrativa, a ser proferida no julgamento do processo crédito. Com efeito, o motivo da não homologação da compensação em apreço foi a inexistência do crédito utilizado, relativo à parte do crédito presumido do IPI do 2º trimestre 2002, objeto do pedido de ressarcimento analisado nos autos do processo nº 10907.002133/200401, que fora integralmente indeferido pelo titular da Unidade da Receita Federal de origem, cuja decisão fora integralmente mantida no julgamento de primeira instância, que, por sua vez, foi confirmada pelo acórdão nº 3302001.317, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento, na Sessão de 11/11/2011, que ficou assim ementado: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. A exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação. Recurso Voluntário Negado Fl. 147DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10907.000623/200626 Resolução nº 3102000.271 S3C1T2 Fl. 12 3 Em 23/12/2011, a interessada interpôs recurso especial contra o referido acórdão, ainda pendente de julgamento. De fato, no sítio deste Conselho1 consta a informação de que o citado processo encontrase, desde o dia 23/2/2012, na atividade “ANALISAR RECURSO ESPECIAL Unidade: 3ª Seção Órgão Julgador: SECAM/3ªCÂMARA/3ªSEJUL/CARF/MF”. Por força do disposto no art. 170 do CTN, a compensação depende da comprovação dos requisitos da certeza e liquidez do crédito utilizado, logo, se o crédito compensado foi objeto de pedido de ressarcimento em processo distinto, que tramita de forma independente do processo de compensação, consequentemente, o julgamento deste depende do desfecho da decisão definitiva, na esfera administrativa, proferida no correspondente processo do crédito. Com efeito, tratase de questão prejudicial que impossibilita o julgamento do presente recurso voluntário. Assim, demonstrada dependência do julgamento do presente litígio do resultado final da decisão definitiva, na esfera administrativa, a ser proferida no julgamento do referenciado processo do crédito, consequentemente, o presente julgamento deve ser sobrestado até que a mencionada decisão seja prolatada e o seu resultado informado nos autos. Em face do exposto, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com o retorno dos autos à Unidade da Receita Federal de origem, para que a Autoridade Preparadora ateste o resultado da decisão definitiva, de que trata o art. 422 do Decreto nº 70.235, de 1972, a ser prolatada no processo nº 10907.002133/200401, assim como proceda a juntada da cópia do respectivo julgado. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Ordinária para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 1 Informação Disponível em: <https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInformacoesProcessu ais.jsf>. Acesso em 18 jul. 2013. 2 "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício." Fl. 148DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.002600/2010-96
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2009
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO LEGAL. APLICAÇÃO DE JUROS E MULTA. OBRIGAÇÃO LEGAL. SAT. ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTAS. VIGÊNCIA DETERMINADA NO DECRETO INSTITUIDOR. NORMAS INTERNAS DA RECORRENTE, AINDA, QUE ÓRGÃO DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. INAPLICÁVEIS AO FISCO. GFIP RETIFICADORA. REDUÇÃO OU EXCLUSÃO DE TRIBUTO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2009 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO LEGAL. APLICAÇÃO DE JUROS E MULTA. OBRIGAÇÃO LEGAL. SAT. ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTAS. VIGÊNCIA DETERMINADA NO DECRETO INSTITUIDOR. NORMAS INTERNAS DA RECORRENTE, AINDA, QUE ÓRGÃO DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. INAPLICÁVEIS AO FISCO. GFIP RETIFICADORA. REDUÇÃO OU EXCLUSÃO DE TRIBUTO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 228 1 227 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.002600/201096 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.700 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de setembro de 2013 Matéria CP: SEGURO DE ACIDENTES DO TRABALHO – SAT/GILRAT. Recorrente TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DE SERGIPE. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2009 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO LEGAL. APLICAÇÃO DE JUROS E MULTA. OBRIGAÇÃO LEGAL. SAT. ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTAS. VIGÊNCIA DETERMINADA NO DECRETO INSTITUIDOR. NORMAS INTERNAS DA RECORRENTE, AINDA, QUE ÓRGÃO DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. INAPLICÁVEIS AO FISCO. GFIP RETIFICADORA. REDUÇÃO OU EXCLUSÃO DE TRIBUTO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 26 00 /2 01 0- 96 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.002600/201096 Acórdão n.º 2803002.700 S2TE03 Fl. 229 2 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD 37.257.1050, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias não adimplidas pelo empregador contribuinte – relativamente ao seguro acidente do trabalho – SAT, decorrente da remuneração/retribuição/rendimentos pagos, devidos ou creditados aos trabalhadores que lhes prestam serviços, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração, de fls. 21 a 22. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 30/06/2010, conforme – AR, de fls. 26. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 28 a 30, recebida, em 30/06/2010, a qual foi acompanhada dos documentos, de fls. 31 a 124. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 125 e 126. A primeira instância exarou o Acórdão nº 15030.787 6ª Turma da DRJ/BSA, em 31/05/2012, fls. 157 a 162, no qual a impugnação foi considerada procedente em parte, pois excluiu do levantamento SA Diferença de SAT até a competência 05/2007, pois utilizado CNAE incorreto com alíquota maior. O crédito foi retificado, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 159 a 162. A empresa tomou conhecimento desse decisório, em 30/08/2012, AR, de fls. 167. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 170 a 172, recebida, em 01/10/2012, acompanhado dos documentos, de fls. 173 a 225, as teses recursais estão assim resumidas. Mérito. · que em relação aos acréscimos legais da comp. 04/2007, conforme artigo 94, II, da IN 03/2005 seu recolhimento deve se dar até o dia 10 do mês subseqüente, sendo que a Resolução 19.827 dispõe que o recolhimento da contribuição deve ocorrer no momento do pagamento da folha de pessoal, a qual cuidava de folha suplementar de março/2007 com prazo para recolhimento entre 06 e 10 de abril, ocorrendo sua liberação em 10/04/2007, as 18h36, encerrandose nosso expediente as 19h00, portanto sem tempo hábil para a realização dos demais atos necessários; · que em relação as diferenças de SAT das competências 06 a 10/2007; 12/2007 e 13º/2007 mais acréscimos, o acórdão guerreado não observou o artigo 11, § 2º, da Lei 8.868/94, que determina a submissão deste órgão em matéria de administração financeira às Fl. 229DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.002600/201096 Acórdão n.º 2803002.700 S2TE03 Fl. 230 3 orientações técnicas emitidas pelo TSE e o Parecer 299, de 04/07/2007 determinou o recolhimento do SAT em 2% apenas a partir de janeiro/2008; · que em relação a exigência de diferença de SAT e acréscimos em razão da competência 12/2008 apresentamos GFIP retificada em 29/08/2011, com o CNAE 84116/60 e SAT 2% para a compensação do valor de R$ 1.631,51 recolhido a maior, efetuado na primeira oportunidade, apresentando, ainda, as GPS’s, esclarecendo que os atos normativos não foram juntados por serem de domínio público; · Dos Pedidos; a) acolhimento do recurso; b) cancelamento e arquivamento da ação fiscal; c) conhecimento e provimento do recurso; O Recurso Voluntário foi considerado tempestivo, conforme despacho, de fls. 227. Por fim, os autos subiram ao CARF, fls. 227. É o Relatório. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.002600/201096 Acórdão n.º 2803002.700 S2TE03 Fl. 231 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. O artigo 30, I, “b”, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.488/2007, oriunda da conversão da MP 351/2007, determinou que o recolhimento da contribuição previdenciária ocorra até o dia dez do mês seguinte ou não havendo expediente bancário nas datas indicadas o recolhimento deve ser promovido no primeiro dia útil imediatamente posterior, parágrafo segundo. No caso dia 10/04/2007 foi uma terça – feira, o contribuinte confirma que não promoveu o recolhimento na data determinada legalmente, sendo irrelevante os motivos pelos quais o dia final foi extrapolado, efetuado o recolhido além do prazo legal cabe a aplicação de juros moratórios e multa de mora nos termos da lei. Aliás, o próprio contribuinte confirma que não recolheu a contribuição no prazo legal. As normas internas do TSE e as orientações dos órgãos de controle daquela instituição, ainda, que estes sejam integrantes da Administração Pública Federal, não vinculam o fisco, pois este tem o dever de atuar nos termos dos artigo 37, caput, da CRFB/88 c/c o artigo 142 e seu parágrafo único, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 37, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 243, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99. Além do que dito acima, o autoenquadramento dos contribuintes ao SAT pode ser revisto pelo órgão fiscal ao qualquer tempo nos termos do artigo 202, § 5º, do RPS. A nova tabela do Anexo V estabelecida pelo Decreto 6.042/2007 entrou em vigor em 01/06/2007 nos termos do inciso II, do artigo 5º, a seguir transcrito, uma vez que sua publicação no DOU se deu em 13/02/2007. Art. 5o Este Decreto produz efeitos a partir do primeiro dia: II do quarto mês subseqüente ao de sua publicação, quanto à nova redação do Anexo V do Regulamento da Previdência Social; As alegações da recorrente não procedem. A recorrente apresentou GFIP retificadora para a competência 12/2008, em 29/08/2011, conforme informado, juntado documentos, as fls. 200 a 209. Promovida a comparação da GFIP original com a retificadora verificase que a única informação adicionada foi a inclusão na nova GFIP de compensação no valor de R$ Fl. 231DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.002600/201096 Acórdão n.º 2803002.700 S2TE03 Fl. 232 5 1.631,51, o que reduziu o valor a recolher na competência de R$ 29.256,35, declarado na GFIP original, para R$ 27.624,84 declarado na GFIP retificadora. O artigo 147, parágrafo 1°, da Lei 5.172/66 veda a retificação de declaração para reduzir ou excluir tributo sem a comprovação do erro em que se lastreie. No presente caso não há provas da existência de direito creditório a favor da recorrente para promover a retificação da declaração para incluir a compensação, artigo 333, II, da Lei 5.869/73 c/c o artigo 16, § 4º, do Decreto 70.235/72, devendo tal comprovação ser feita junto à DRF e não no curso do PAF, pois analisar compensação não é competência da instância julgadora. Ademais, como já dito norma da Lei 5.172/66 veda a retificação da declaração para fins de redução ou exclusão do tributo após o lançamento e é o que se tem nesse caso. Com esses esclarecimentos não há razões fáticas ou jurídicas para acatar os pedidos da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito negarlhe provimento, tendo em vista que as alegações não merecem prosperar por não encontrarem amparo na lei. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 16020.000059/2007-84
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do Fato Gerador: 28/07/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. QUANTO À FIXAÇÃO DO MARCO FINAL DA DECADÊNCIA. CORREÇÃO QUE SE IMPÕE. ERRONIA. NO PRAZO FINAL. EXPLICAÇÕES. ACLARAMENTO. RETIFICAÇÃO DA DECADÊNCIA.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2803-002.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª turma especial do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para declarar que as faltas justificadoras da infração até a competência 11/1999 estão decadentes, alterando o que decidido no Acórdão Nº 2803-002.154, mantendo todas as demais faltas aptas as justificarem a atuação, integrado este àquela decisão inicial.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 28/07/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. QUANTO À FIXAÇÃO DO MARCO FINAL DA DECADÊNCIA. CORREÇÃO QUE SE IMPÕE. ERRONIA. NO PRAZO FINAL. EXPLICAÇÕES. ACLARAMENTO. RETIFICAÇÃO DA DECADÊNCIA. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª turma especial do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para declarar que as faltas justificadoras da infração até a competência 11/1999 estão decadentes, alterando o que decidido no Acórdão Nº 2803002.154, mantendo todas as demais faltas aptas as justificarem a atuação, integrado este àquela decisão inicial. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima – Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira – Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 0. 00 00 59 /2 00 7- 84 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16020.000059/200784 Acórdão n.º 2803002.563 S2TE03 Fl. 119 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interposto pela PGFN – em face do Acórdão Nº 2803002.154, exarado pela 3ª Turma Especial, da 2ª Seção, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda – CARF/MF, sob a alegação de haver omissão e contradição na decisão embargada. Aduz a embargante, em síntese. · que houve contradição/omissão no Acórdão citado, uma vez que este aplicou o artigo 173, I, da Lei 5.172/66, e declarou a decadência até a competência 12/1999, porém não estando esta decadente, tendo em vista, que o primeiro dia do exercício seguinte em que ocorreu o fato gerador seria 01/01/2001. Cita o Acórdão 240101.759 e 2202 01.248. · que havendo contradição/omissão devem os declaratórios serem admitida para corrigir o acórdão. · requer ao final – que a omissão e a contradição sejam sanadas para se declarar que a decadência não alcançou a competência 12/1999, atribuindose efeitos infringentes aos embargos, para reformar o acórdão. É o Relatório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16020.000059/200784 Acórdão n.º 2803002.563 S2TE03 Fl. 120 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira – Relator. Tratase de embargos de declaração em face de acórdão, amparado na existência de omissão e contradição na decisão embargada. De acordo com o artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição, se existentes possibilitam a oposição de embargos de declaração. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Analisando as alegações da embargante e contrastandoa com o Acórdão guerreado concluo que há razão na peça recursal, pois se afigura nítida a omissão e a contradição, uma vez que os autos tratam de lançamento decorrente do não cumprimento de dever instrumental, ou seja, obrigação acessória, relativa a não declaração de todos os fatos geradores de contribuição previdenciária em GFIP. A GFIP documento declaratório das obrigações previdenciárias deve ser entregue a rede bancária até o dia sete do mês seguinte ao de sua competência, nos termos do artigo 225, parágrafo 2º, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99. Desta forma, a GFIP de 12/1999 só foi entregue em 07/01/2000 e, assim, o lançamento de multa em razão só poderia ocorrer a partir de 08/01/2000. O que implica dizer que o primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia se dar era 01/01/2001, ou seja, decadência da competência 12/1999 só ocorreria em 01/01/2006. A notificação do lançamento em questão só se deu em 29/07/2005. Logo, a competência 12/1999 não estava decadente, devendo ser mantida no crédito. Esclarecidas a omissão e a contradição, a qual entendeu existente a D. PGFN e que se mostrou realmente existente retifico a minha decisão original, qual seja, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário da recorrente, para declarar que a decadência das faltas justificadoras da autuação operouse até a competência 11/1999, inclusive, permanecendo as demais faltas aptas a justificar a autuação. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16020.000059/200784 Acórdão n.º 2803002.563 S2TE03 Fl. 121 4 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em acolher os embargos propostos, para elucidar a omissão/contradição que o I. Procurador da Fazenda Nacional entendeu existente, visando seu aclaramento e retificação. Posto isto, empresto a estes embargos, efeitos infringentes, da decisão original, para declarar que as faltas justificadoras da infração até a competência 11/1999 estão decadentes, alterando o que decidido no Acórdão Nº 2803002.154, mantendo todas as demais faltas aptas as justificarem a atuação, integrado este àquela decisão inicial. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 16327.001306/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 59, § 3º, DO DECRETO Nº 70.235/72.
Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
ALIENAÇÃO DE TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. GANHOS DE CAPITAL. ATUALIZAÇÃO DOS VALORES NOMINAIS DOS TÍTULOS, PARA EQUIPARAÇÃO À FRAÇÃO IDEAL DO PATRIMÔNIO SOCIAL DAS ASSOCIAÇÕES INVESTIDAS. NEUTRALIDADE. A atualização dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F não afeta a apuração do ganho de capital no momento de sua alienação pois, de um lado, não representa efetivo custo de aquisição, e, de outro, integra reserva de capital que deve ser realizada na baixa dos direitos.
DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F. CISÃO DE ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. HIPÓTESE DE DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO AOS ASSOCIADOS. INCIDÊNCIA. Inexistindo a possibilidade de cisão de associação civil, ou mesmo de destinação de seu patrimônio a entidade de fins econômicos, o fato jurídico que converteu títulos patrimoniais da BM&F em ações somente pode ser caracterizado como dissolução parcial daquela associação, com devolução de patrimônio ao associado, que utiliza este valor para aporte de capital na sociedade anônima constituída. Em tais circunstâncias, há ganho de capital se o valor das ações recebidas é superior ao valor originalmente entregue à associação civil.
Numero da decisão: 1101-000.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membro da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, foi REJEITADA a argüição de nulidade e, por voto de qualidade, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, e votando pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 59, § 3º, DO DECRETO Nº 70.235/72. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. ALIENAÇÃO DE TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. GANHOS DE CAPITAL. ATUALIZAÇÃO DOS VALORES NOMINAIS DOS TÍTULOS, PARA EQUIPARAÇÃO À FRAÇÃO IDEAL DO PATRIMÔNIO SOCIAL DAS ASSOCIAÇÕES INVESTIDAS. NEUTRALIDADE. A atualização dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F não afeta a apuração do ganho de capital no momento de sua alienação pois, de um lado, não representa efetivo custo de aquisição, e, de outro, integra reserva de capital que deve ser realizada na baixa dos direitos. DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F. CISÃO DE ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. HIPÓTESE DE DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO AOS ASSOCIADOS. INCIDÊNCIA. Inexistindo a possibilidade de cisão de associação civil, ou mesmo de destinação de seu patrimônio a entidade de fins econômicos, o fato jurídico que converteu títulos patrimoniais da BM&F em ações somente pode ser caracterizado como dissolução parcial daquela associação, com devolução de patrimônio ao associado, que utiliza este valor para aporte de capital na sociedade anônima constituída. Em tais circunstâncias, há ganho de capital se o valor das ações recebidas é superior ao valor originalmente entregue à associação civil.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 59, § 3º, DO DECRETO Nº 70.235/72. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. ALIENAÇÃO DE TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. GANHOS DE CAPITAL. ATUALIZAÇÃO DOS VALORES NOMINAIS DOS TÍTULOS, PARA EQUIPARAÇÃO À FRAÇÃO IDEAL DO PATRIMÔNIO SOCIAL DAS ASSOCIAÇÕES “INVESTIDAS”. NEUTRALIDADE. A atualização dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F não afeta a apuração do ganho de capital no momento de sua alienação pois, de um lado, não representa efetivo custo de aquisição, e, de outro, integra reserva de capital que deve ser realizada na baixa dos direitos. DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F. CISÃO DE ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. HIPÓTESE DE DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO AOS ASSOCIADOS. INCIDÊNCIA. Inexistindo a possibilidade de cisão de associação civil, ou mesmo de destinação de seu patrimônio a entidade de fins econômicos, o fato jurídico que converteu títulos patrimoniais da BM&F em ações somente pode ser caracterizado como dissolução parcial daquela associação, com devolução de patrimônio ao associado, que utiliza este valor para aporte de capital na sociedade anônima constituída. Em tais circunstâncias, há ganho de capital se o valor das ações recebidas é superior ao valor originalmente entregue à associação civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 06 /2 01 0- 11 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 49 2 Acordam os membro da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, foi REJEITADA a argüição de nulidade e, por voto de qualidade, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, e votando pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR – Relator (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 50 3 Relatório Versa a presente lide sobre autos de infração relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 195/200), no valor de R$ 4.683.475,52 (quatro milhões, seiscentos e oitenta e três mil, quatrocentos e setenta e cinco reais e cinquenta e dois centavos), e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 200/206), no importe de R$ 1.686.051,18 (um milhão, seiscentos e oitenta e seis mil, cinquenta e um reais e dezoito centavos), acrescidos de multa de ofício, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), e de juros de mora, atinentes a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007. Por meio do Termo de Verificação Fiscal – TVF de fls. 207/215, a autoridade lançadora relatou o que segue: HISTÓRICO DE AQUISIÇÕES E ALIENAÇÕES DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA BOVESPA DETIDOS PELA AUTUADA i. o Banco Alvorada (“ALVORADA”) não detinha, até 30.07.2004, quaisquer Títulos Patrimoniais da BOVESPA (“TPBOVESPA”). Naquela data, contudo, adquiriu, por meio de incorporação, 18 (dezoito) deles, pertencentes à BCN Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., registrados, na “conta COSIF 2.1.4.10.105 Títulos Patrimoniais”, pelo seu valor contábil, equivalente a R$ 13.155.331,14 (treze milhões, cento e cinquenta e cinco mil, trezentos e trinta e um reais e quatorze centavos); ii. em 30.12.2004, o ALVORADA incorporou parcela cindida do Banco BANEB S.A., adquirindo, então, mais 12 (doze) TPBOVESPA, registrados contabilmente pelo valor de R$ 9.133.510,84 (nove milhões, cento e trinta e três mil, quinhentos e dez reais e oitenta e quatro centavos); iii. em 17.01.2005, o ALVORADA promoveu a venda de 08 (oito) TP BOVESPA, pelo montante de R$ 6.149.444,72 (seis milhões, cento e quarenta e nove mil, quatrocentos e quarenta e quatro reais e setenta e dois centavos). Remanesceram em seu poder, então, 22 (vinte e dois) Títulos; iv. para o que interessa à corrente autuação, o ALVORADA, em 30.05.2007, subscreveu quotas do capital social da Bruxelas Holdings Ltda. (“BRUXELAS”), entregando, dentre outros ativos, os 22 (vinte e dois) TPBOVESPA de sua titularidade, avaliados, na Fl. 489DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 51 4 ocasião, em R$ 29.033.762,12 (vinte e nove milhões, trinta e três mil, setecentos e sessenta e dois reais e doze centavos); v. a conta COSIF supracitada, que registrava a titularidade dos TP BOVESPA, foi zerada 01 (um) mês depois, em 30.06.2007; vi. o ALVORADA informou, à época, que não houve ganho de capital na alienação dos 22 (vinte e dois) TPBOVESPA, operada via subscrição do capital social da BRUXELAS; vii. verificandose, contudo, a movimentação da “conta COSIF 2.1.4.10.105 Títulos Patrimoniais”, observase que o ALVORADA realizava atualizações periódicas do valor contábil dos TP BOVESPA, lançando contrapartidas na “conta COSIF 6.1.3.70.00 9 Reserva Especial Atualização Títulos Patrimoniais”; viii. no período de 30.04.2004 (data da primeira aquisição) a 30.05.2007 (data da última alienação), os TPBOVESPA foram atualizados, especificamente, no montante total de R$ 12.894.362,86 (doze milhões, oitocentos e noventa e quatro mil, trezentos e sessenta e dois reais e oitenta e seis centavos). Consta, do TVF (fl. 208), tabela demonstrativa das movimentações de aquisição e de alienação dos TPBOVESPA, indicativa do custo histórico da carteira, sem se considerar os efeitos das atualizações patrimoniais; HISTÓRICO DE AQUISIÇÕES E ALIENAÇÕES DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA BM&F DETIDOS PELA AUTUADA ix. o ALVORADA possuía, em 30.09.2003, 01 (um) Título Patrimonial da BM&F, da espécie “Título de Membro de Compensação” (“TMC BM&F”), contabilizado, na “conta COSIF 2.1.4.10.208 Títulos Patrimoniais”, pelo valor de R$ 2.574.611,00 (dois milhões, quinhentos e setenta e quatro mil, seiscentos e onze reais). Não há notícias acerca do custo efetivo de aquisição deste Título. Sabendose, de todo modo, que o único TMCBM&F detido pela autuada era aquele, e considerandose que, em 09.2003, seu valor contábil foi atualizado em R$ 35.027,87 (trinta e cinco mil, vinte e sete reais e oitenta e sete centavos), podese concluir que o custo de aquisição real foi de R$ 2.539.583,13 (dois milhões, quinhentos e trinta e nove mil, quinhentos e oitenta e três reais e treze centavos) (R$ 2.574.611,00 R$ 35.027,87); x. em 30.07.2004, o ALVORADA adquiriu, por incorporação da BCN Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., 02 (dois) outros TMCBM&F. Eles foram registrados, em 27.08.2004, na “conta COSIF 2.1.4.10.208 Títulos Patrimoniais”, pelo valor contábil de Fl. 490DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 52 5 aquisição de R$ 5.746.743,00 (cinco milhões, setecentos e quarenta e seis mil, setecentos e quarenta e três reais); xi. em 30.12.2004, o ALVORADA incorporou, outrossim, parcela cindida do BANEB S.A., adquirindo mais 01 (um) TMCBM&F, registrado, em 24.01.2005, na “conta COSIF 2.1.4.10.208 (0001/9) Títulos Patrimoniais”, pelo valor de R$ 3.053.888,00 (três milhões, cinquenta e três mil, oitocentos e oitenta e oito reais). Este lançamento foi retificado, pelo valor de R$ 209.405,71 (duzentos e nove mil, quatrocentos e cinco reais e setenta e um centavos), em 31.01.2005. Considerandose, pois, a retificação e a atualização deste Título, contabilizada em 30.12.2004, no valor de R$ 35.803,90 (trinta e cinco mil, oitocentos e três reais e noventa centavos), chegase à conclusão de que ele foi adquirido, em verdade, pelo valor contábil de R$ 3.188.805,71 (três milhões, cento e oitenta e oito mil, oitocentos e cinco reais e setenta e um centavos) (R$ 3.014.745,00 + R$ 209.405,71 R$ 35.345,00); xii. as atualizações referentes a todos os Títulos Patrimoniais citados foram lançadas na “conta COSIF 6.1.3.70.009 – Reserva Especial Atualizações de Títulos Patrimoniais”. Esta conta apresentava, então, em 30.12.2005, um saldo de atualização equivalente a R$ 3.504.593,94 (três milhões, quinhentos e quatro mil, quinhentos e noventa e três reais e noventa e quatro centavos); xiii. em 10.03.2005, o ALVORADA efetuou a venda de 01 (um) TMC BM&F, pelo valor de R$ 3.266.012,62 (três milhões, duzentos e sessenta e seis mil, doze reais e sessenta e dois centavos); xiv. no que importa à lide, o ALVORADA alienou, no anobase de 2007, 01 (um) TMCBM&F, pelo valor de R$ 4.443.325,62 (quatro milhões, quatrocentos e quarenta e três mil, trezentos e vinte e cinco reais e sessenta e dois centavos). Participou, também, diretamente, do processo de desmutualização da BM&F, por meio de 02 (dois) TMCBM&F, convertidos em 9.923.220 (nove milhões, novecentas e vinte e três mil, duzentas e vinte) ações da BM&F S.A.; xv. no que tange ao processo de desmutualização, é necessário ressaltar que uma das primeiras AGE’s da BM&F S.A., realizada em 20.09.2007 foi a responsável por estabelecer os critérios de permuta dos Títulos Patrimoniais da BM&F pelas ações da BM&F S.A. Tomouse como parâmetro, para tanto, laudo de avaliação realizado em 31.08.2007; xvi. em 31.10.2007, o ALVORADA contabilizou a desmutualização, com lançamentos correspondentes à quantia de R$ 9.923.220,00 (nove milhões, novecentos e vinte e três mil, duzentos e vinte reais), realizados nas contas abaixo identificadas: Fl. 491DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 53 6 a. Débito: “Conta COSIF 2.1.5.10.108 Ações e Cotas BM&F S.A.”; b. Crédito: “Conta COSIF 2.1.4.10.2085 – Títulos Patrimoniais”. xvii. devese notar que, no período de 09.2003 a 09.2007, os Títulos Patrimoniais da BM&F foram atualizados, positivamente, no montante de R$ 6.607.500,72 (seis milhões, seiscentos e sete mil, quinhentos reais e setenta e dois centavos). Consta, à fl. 210, tabelas denotativas de todas as movimentações de aquisição e de alienação dos Títulos Patrimoniais da BM&F, com a indicação do custo de aquisição da carteira, sem consideração dos efeitos das atualizações patrimoniais; DA TRIBUTAÇÃO DAS VENDAS DE TÍTULOS PATRIMONIAIS ANTES DA DESMUTUALIZAÇÃO xviii. por determinação do Banco Central, a contabilização dos Títulos Patrimoniais da Bovespa e da BM&F estava sujeita a atualizações monetárias periódicas, fundamentadas na alteração dos patrimônios sociais das instituições. A contrapartida destes lançamentos corresponderia a uma conta de reserva de capital, denominada de “Reserva de Títulos Patrimoniais”; xix. assim, os resultados da Bovespa e da BM&F alteravam seus patrimônios sociais e, por conseguinte, os valores dos Títulos Patrimoniais – o que refletia na contabilidade de seus detentores, por meio das correlatas atualizações; xx. o ganho de capital obtido por força da atualização dos valores contábeis dos Títulos Patrimoniais estaria sujeito à tributação, conforme definido pelo parágrafo único do artigo 219 do RIR/1999; xxi. a Portaria MF n° 785/1977, de todo modo, diferiu a incidência da tributação sobre estas atualizações, nas condições nela estabelecidas, in verbis: “I. O acréscimo do valor nominal dos Títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 54 7 II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decretolei n° 1.109/70, art. 3o, § 3o (RIR, art. 237).” xxii. citado dispositivo, claramente, trouxe hipótese de diferimento, como bem deriva de sua leitura, já que ele não mencionou qual o procedimento a ser adotado no caso de alienação ou de devolução dos Títulos Patrimoniais. O comando em questão apenas trata da tributação da atualização dos referidos Títulos, de um lado, e da reserva constituída a partir dela, de outro; xxiii. a devolução dos Títulos Patrimoniais foi tratada, especificamente, pela Lei n° 9.532/1997, em seu artigo 17. A alienação, por sua vez, fazia caracterizar ganho de capital, sendo regida, pois, pelo artigo 31 , § 3º, do Decretolei n° 1.598/1977; xxiv. não há dúvidas, insistase, de que a Portaria MF nº 785/1977 provocou um diferimento do momento da tributação do IRPJ devido. A despeito disso, jamais afastou, em definitivo, a tributação do ganho de capital obtido pelo ALVORADA, em virtude das atualizações dos Títulos Patrimoniais; xxv. em vista do exposto, o valor tributável, na alienação dos Títulos Patrimoniais, será a diferença entre o valor da alienação e o valor registrado na carteira, ajustado pela parcela referente à atualização, escriturada no patrimônio líquido sob a rubrica “Reservas de Atualização de Títulos Patrimoniais”; xxvi. aplicandose, então, o ajuste acima citado, o valor registrado na carteira dos Títulos Patrimoniais corresponderá, exatamente, a seu custo de aquisição. Como todos os Títulos adquiridos foram contabilizados, porém, em uma única conta, fazse necessário utilizar o método do “custo médio”; Do ganho de capital na venda dos TPBOVESPA xxvii. nessa toada, em relação à venda dos TPBOVESPA, vale recordar que o ALVORADA adquiriu 18 (dezoito) deles, em 30.04.2004, e 12 (doze) deles, em 30.12.2004, pelos valores de R$ 13.155.331,14 (treze milhões, cento e cinquenta e cinco mil, trezentos e trinta e um reais e quatorze centavos) e de R$ 9.133.512,84 (nove milhões, cento e trinta e três mil, quinhentos e doze reais e oitenta e quatro centavos), respectivamente. O custo total dos 30 (trinta) Títulos, destarte, foi de R$ 22.288.843,98 (vinte e dois milhões, duzentos e oitenta e oito mil, oitocentos e quarenta e três reais e noventa e oito centavos) – o que Fl. 493DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 55 8 representa um custo médio unitário de R$ 742.961,47 (setecentos e quarenta e dois mil, novecentos e sessenta e um reais e quarenta e sete centavos); xxviii. considerando que, em 30.05.2007, foram alienados 22 (vinte e dois) TPBOVESPA, pelo montante de R$ 29.033.762,12 (vinte e nove milhões, trinta e três mil, setecentos e sessenta e dois reais e doze centavos), e que o custo médio desses Títulos era de R$ 16.345.152,25 (dezesseis milhões, trezentos e quarenta e cinco mil, cento e cinquenta e dois reais e vinte e cinco centavos) (22 x R$ 742.961,47), o ganho de capital apurado correspondeu a R$ 12.688.609,87 (doze milhões, seiscentos e oitenta e oito mil, seiscentos e nove reais e oitenta e sete centavos); Do ganho de capital na venda dos TMCBM&F, antes da desmutualização xxix. o ALVORADA possuía, em 09.2003, apenas 01 (um) TMC BM&F, cujo custo de aquisição era de R$ 2.539.583,13 (dois milhões, quinhentos e trinta e nove mil, quinhentos e oitenta e três reais e treze centavos). Em 30.07.2004, adquiriu mais 02 (dois) Títulos, pelo valor de R$ 5.746.743,00 (cinco milhões, setecentos e quarenta e seis mil, setecentos e quarenta e três reais). Mais 01 (um) foi comprado, ainda, em 30.12.2004, pelo valor de R$ 2.808.678,39 (dois milhões, oitocentos e oito mil, seiscentos e setenta e oito reais e trinta e nove centavos); xxx. o custo total dos 04 (quatro) Títulos foi, pois, de R$ 11.095.004,52 (onze milhões, noventa e cinco mil, quatro reais e cinquenta e dois centavos) – o que representa um custo unitário médio de aquisição equivalente a R$ 2.773.751,13 (dois milhões, setecentos e setenta e três mil, setecentos e cinquenta e um reais e treze centavos); xxxi. em 10.04.2007, foi vendido 01 (um) TMCBM&F, pelo valor de R$ 4.443.325,62 (quatro milhões, quatrocentos e quarenta e três mil, trezentos e vinte e cinco reais e sessenta e dois centavos). Como o custo médio de aquisição deste Título era de R$ 2.773.751,13 (dois milhões, setecentos e setenta e três mil, setecentos e cinquenta e um reais e treze centavos), temse que o ganho de capital apurado foi de R$ 1.669.574,49 (um milhão, seiscentos e sessenta e nove mil, quinhentos e setenta e quatro reais e quarenta e nove centavos); DA TRIBUTAÇÃO DA OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F Fl. 494DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 56 9 xxxii. o ALVORADA, como explicado, recebeu ações em troca de 02 (dois) TMCBM&F, a Título de concretização da desmutualização daquela entidade bolsista. Caracterizouse, com isso, o fato gerador previsto no artigo 17 da Lei n° 9.532/1997, adiante transcrito. O valor tributável corresponderia, aqui, à diferença entre o valor das ações recebidas, a Título de devolução de patrimônio, e o valor dos bens e dos direitos entregues para a formação do patrimônio da BM&F: “Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor do bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a Título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. (...) §3° Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens ou direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4o Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real;” xxxiii. o valor das ações recebidas da BM&F S.A. está bem determinado. Porém, para aferir o valor dos bens e dos direitos entregues para a formação do patrimônio da BM&F, deverseia levar em consideração o custo de aquisição dos TMCBM&F, já que o ALVORADA não participou da formação do patrimônio da BM&F; xxxiv. as atualizações dos TMCBM&F jamais poderiam, nessa direção, ser consideradas como um bem ou um direito entregue, pelo ALVORADA, para a formação do patrimônio da BM&F, eis que elas refletiam apenas os resultados da própria BM&F. Diante do exposto, fica evidenciado que o valor tributável, no caso da desmutualização da BM&F, será a diferença entre o valor das ações da BM&F S.A., recebidas pelo ALVORADA, e o custo de aquisição dos TMCBM&F, convertidos em ações; Fl. 495DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 57 10 Do valor tributável derivado da operação de desmutualização xxxv. como relatado, 02 (dois) TMCBM&F da autuada foram convertidos em 9.923.220 (nove milhões, novecentas e vinte e três mil, duzentas e vinte) ações do capital social da BM&F S.A., recebidas pelo valor unitário de R$ 1,00 (um real). Tendo em vista que o custo médio de aquisição dos 02 (dois) Títulos era de R$ 5.547.502,26 (cinco milhões, quinhentos e quarenta e sete mil, quinhentos e dois reais e vinte e seis centavos), resultou, logo, montante tributável equivalente a R$ 4.375.717,74, (quatro milhões, trezentos e setenta e cinco mil, setecentos e dezessete reais e setenta e quatro centavos), representativo da base de cálculo prevista pelo artigo 17 da Lei n° 9.532/1997; Cientificada da lavratura dos autos de infração, a autuada apresentou impugnação, invocando os seguintes argumentos: i. tanto com relação ao ganho de capital oriundo da venda de Títulos como no que tange aos resultados nãooperacionais decorrentes de transformação societária da BM&F, os valores apurados decorrem da tentativa da Fiscalização de negar validade ao custo contábil dos Títulos, regularmente registrados na contabilidade da impugnante. No caso da transformação societária, deuse isso com uma agravante, pois, mesmo se desqualificando a escrita da peticionária, não houve qualquer aquisição de renda, econômica ou jurídica – elemento essencial à ocorrência do fato gerador dos tributos em cobro; Ganho de Capital na Venda dos Títulos da BM&F e Bovespa ii. a questão aqui discutida referese ao valor contábil dos Títulos, pois a Fiscalização afirma, textualmente, que a Portaria MF nº 785/1977 teria conferido simples diferimento fiscal para o procedimento de equivalência dos Títulos ao patrimônio efetivo das associações bolsistas; iii. o acréscimo do valor nominal dos Títulos Patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência da alteração dos seus patrimônios sociais, não constitui receita, nem ganho de capital. E impossível, da análise do texto, chegarse à conclusão da Fiscalização; iv. é da natureza da lei que preconiza o diferimento estabelecer, literalmente, as situações fáticas que criam ou resolvem as condições do benefício. No caso em tela, inexiste qualquer referência a um Fl. 496DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 58 11 diferimento, mas, sim, o reconhecimento singelo da nãoincidência tributária; v. o ganho de capital na alienação destes Títulos Patrimoniais se apura de forma normal – ou seja, o ganho consistirseia do resultado a que se chegaria com a subtração entre a receita de vendas e o custo contábil, apurado nos termos disciplinados pelo BACEN, pela CVM, pelo Regulamento do Imposto de Renda e pela Portaria MF nº 785/1977. Isso foi exatamente o que fez a impugnante, carecendo completamente de qualquer fundamento legal os presentes autos de infração; vi. o entendimento do i. agente fiscal contraria a própria norma legal eleita, pela Fiscalização, como aplicável à matéria – especialmente o Decreto n° 3.000/99 (RIR/1999), combinado com o Decretolei n° 1.598/1977, que assim determina: “Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31). § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (Decreto Lei n° 1.598, de 1977, art. 31, § 1º).” vii. não existindo qualquer disposição especial a ser observada, resta claro que o valor contábil do bem corresponderia àquele que estivesse registrado na escrituração do contribuinte, sem qualquer ajuste, carecendo de previsão legal o entendimento esposado pela Fiscalização; Outros Resultados nãoOperacionais viii. a BM&F era uma associação civil constituída, basicamente, por instituições financeiras corretoras de valores. Ela se transformou, posteriormente, mediante cisão de parte de seu patrimônio, então destinada à formação do capital de uma nova sociedade anônima. O objetivo da novel companhia seria o de explorar as atividades operacionais antes exercidas pela associação cindida, ou seja, dar Fl. 497DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 59 12 curso e local às negociações dos Títulos mobiliários representativos de mercadorias e futuros. Permaneceu na associação BM&F, que continua existindo, o patrimônio nãooperacional, tudo como descrito no Protocolo de Cisão e Justificativas em anexo; ix. o método adotado pela BM&F já houvera sido cursado, aproximadamente 10 (dez) anos antes, pela CBLC, que também se cindiu, fazendo surgir uma sociedade anônima, que passou a explorar as atividades operacionais; x. o procedimento adotado pelos associados, naquele caso, foi o de dividir o valor registrado no ativo, representativo da participação cindida, em 02 (duas) partes: uma, representando as ações da novel sociedade, e, outra, representando a continuidade da participação na associação. Esta operação não.gerou qualquer ganho de capital, como acontece em toda cisão; xi. tal operação foi objeto de consulta, formulada pela ANCOR Associação Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias. A solução então proposta, veiculada pela Decisão Cosit n° 013, de 01.11.1997, confirmou a correção do procedimento adotado pelos associados (doc. anexo); xii. agora, porém, face à transformação pela qual passou a BM&F, nova consulta foi formulada à Administração Tributária, por parte da CNC – Comissão Nacional de Bolsas. Isto provocou a formalização da Solução de Consulta Cosit n° 10, de 26.10.2007, completamente diferente da anterior. Para justificar a diferença na solução dada, alegou a Administração Tributária alterações na legislação de regência, ocorridas entre um fato e outro; xiii. a Solução de Consulta n° 10, de 26.10.2007, iniciou, de fato, por negar que a BM&F tenha passado por uma operação de cisão, entendendo que tal instituto, previsto na Lei n° 6.404/1976, seria privativo das sociedades anônimas. Com base nesta assertiva, negando a evidência de fatos incontestáveis e passando por cima da autoridade competente para avaliar o procedimento societário (no caso, a Junta Comercial do Estado de São Paulo), a Solução de Consulta sugeriu que houve uma disfarçada devolução do patrimônio aos associados, que o teriam usado na subscrição do capital de sociedade nova, substituta da velha associação na operação dos negócios com Títulos mobiliários representativos de mercadorias e futuros; xiv. sucede que, na verdade, os ativos patrimoniais foram vertidos do patrimônio da associação BM&F para o da sociedade anônima que surgiu de sua cisão, pelo valor contábil. Com isto, na contabilidade dos associados, houve o desdobramento do valor registrado como Título Patrimonial: uma parte do valor permaneceu idêntica ao do Título Patrimonial da associação remanescente, enquanto a outra parte passou a equivaler ao valor das ações emitidas, em substituição à parcela correspondente aos ativos vertidos para a sociedade anônima; Fl. 498DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 60 13 xv. em termos de valor absoluto, nada mudou na contabilidade dos associados. O valor que antes representava o Título Patrimonial passou a representar uma quantidade de ações e o Título Patrimonial remanescente; verificouse, pois, correspondência entre o valor contabilizado das ações na escrituração dos associados e o valor patrimonial na escrituração contábil da nova sociedade. Mesmo se aceitando o equivocado entendimento adotado pela Solução de Consulta Cosit n° 10, no sentido de que houve uma devolução de capital e uma subscrição nova, nada havia por tributar; xvi. portanto, para os objetivos do Fisco, era preciso fazer mais. Seria fundamental desfazer toda a contabilidade dos associados, desconsiderar todas as Declarações de Rendimentos apresentadas ao longo dos anos e ignorar os livros de apuração da base imputável dos tributos de todos os exercícios, para que, dessa forma, averiguassese um novo custo contábil para tais Títulos; xvii. as sociedades corretoras, instituições financeiras, estão subordinadas à autoridade do Banco Central do Brasil, como também, em razão de se constituírem operadoras do mercado de capitais, encontramse subordinadas ao controle da Comissão de Valores Mobiliários. Estes órgãos emanaram normas quanto à escrituração e ao acompanhamento dos Títulos Patrimoniais cuidados – mormente a Circular BCB nº 1.273/1987 e o Oficio Circular CVM nº 325/1979; xviii. as regras do BACEN e da CVM impunham que os associados, ao apurarem seus balanços patrimoniais, fizessem a correspondência entre o valor do patrimônio da Bolsa e a fração representada pelo Título. A contrapartida da diferença, resultante da variação entre o valor anteriormente contabilizado e o novo valor, havia de ser lançada diretamente nas contas de Patrimônio Líquido e, no momento oportuno, levada ao capital, para seu aumento, quando o valor representasse mais valia, ou diminuição, quando este representasse perda; xix. por seu turno, a BM&F teria também de aumentar ou diminuir, de pronto, o seu capital, para espelhar a superveniência ativa ou passiva, como se pode ver de seu Estatuto. Destarte, tanto a BM&F como os associados estavam impedidos de distribuir tais resultados – característica prevista, no Código Civil, para as associações; xx. o único pronunciamento formal e específico da Administração Tributária sobre a matéria é a Portaria MF nº 785, de 20.12.1977, que consagrara o procedimento estabelecido pelas autoridades que controlam as instituições, reconhecendo a nãoincidência tributária sobre a matéria, ao afirmar que esta mais valia “não constitui receita nem ganho de capital”. Os autos de infração, porém, afrontam literalmente os termos da Portaria. A única condição imposta pelo texto é a de que não houvesse distribuição destes resultados, dada sua vinculação a posterior incorporação ao capital social; Fl. 499DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 61 14 xxi. o valor, portanto, destes Títulos, na escrituração dos associados, no momento da cisão ou da venda, refletia a imposição das autoridades e o tratamento tributário que lhe foi deferido pela legislação. De mais a mais, os artigos 2.033 e 44 do Código Civil de 2002 não afirmavam que o instituto da cisão não se aplicava às associações. A premissa sobre a qual se baseou a Solução de Consulta anteriormente citada, e que norteou a lavratura dos presentes autos de infração, portanto, não se sustenta; xxii. a cisão não implica em distribuição do patrimônio cindido para os associados. Há uma versão direta deste patrimônio da pessoa jurídica cindida para aquela resultante. Para o associado, só há uma troca de ativo, sempre pelo mesmo valor; xxiii. a ação fiscal, por outro lado, considerou, de forma equivocada, que o montante do ganho exacionável corresponderia à diferença entre o custo histórico do Título e o valor contábil dele no momento da cisão. Esta diferença, porém, decorreu do tratamento contábil, imposto pelo BACEN e pela CVM, para o investimento em Título Patrimonial. Tal alinhamento não era opção do associado, como também não o era a capitalização do aumento do patrimônio líquido pela bolsa; xxiv. o método citado é muito semelhante ao da equivalência patrimonial. A diferença consiste em que, na equivalência, seu resultado transita pelas contas de resultado do exercício, e, neste, o resultado é apropriado diretamente ao patrimônio líquido, sem transitar por conta de resultado; xxv. o tratamento fiscal desta atualização por equivalência foi, repita se, disciplinado pela Portaria MF nº 785/1977. A base legal da Portaria é o artigo 3º, caput, do Decretolei n° 1.109/1970, in verbis: “Art. 3º Os aumentos de capital das pessoas jurídicas mediante incorporação de reservas ou lucros em suspenso não sofrerão tributação do imposto de renda. §3° Ocorrendo a redução do capital ou a extinção da pessoa jurídica nos cinco anos subsequentes o valor da incorporação será tributado na pessoa jurídica como lucro distribuído, ficando os sócios, acionistas ou titular, sujeitos ao imposto de renda na declaração de rendimentos, ou na fonte, no ano em que ocorrer a extinção ou redução.” xxvi. a Lei n° 8.849/1994 renovou a regra de nãoincidência criada pelo Decretolei em comento, ao estabelecer algumas situações de relaxamento à proibição de redução do capital – situações em que, mesmo reduzindose o capital dentro do período quinquenal, tal fato Fl. 500DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 62 15 não implicaria na tributação do valor capitalizado. De novidade, a Lei n° 8.849/1994 deixou explícito que a nãoincidência atinge também os aumentos de capital com lucros, ainda que não tributados – o que era necessário afirmar, pois, para excetuar estas cifras, a lei deveria deixar explícita a reserva, não cabendo ao intérprete distinguir o que a lei não diferenciou; xxvii. portanto, o custo das ações recebidas em substituição ao Títulos Patrimoniais é o valor constante da escrituração do associado, não lhe restando qualquer ônus adicional a ser resgatado. Mostrase, mais uma vez, desastrada e improcedente a ação fiscal; xxviii. aceitar a presente ação fiscal seria admitir um arbitramento de lucro, sem qualquer base legal, o que se traduziria em confisco puro e simples. Não se poderia entender que o Decretolei n° 1.109/1970 tenha criado um diferimento provisório do tributo, pois, para não pairar qualquer dúvida, o § 1º de seu artigo 3º deixa clara a natureza do instituto criado, ao estabelecer que “a nãoincidência estabelecida neste artigo se estende aos sócios...”; xxix. o artigo 17 da Lei n° 9.532/1997, ademais, não guarda qualquer relação com o ocorrido frente à BM&F, pois, como demonstrado e provado, não houve qualquer devolução de dinheiro, bens ou direitos da Bolsa para os associados. Inexiste, portanto, qualquer espaço para a apuração prevista no citado preceito. Aqui, a lei contempla situação geral, em que não ocorreu aumento de capital com a maisvalia. Na hipótese do Decretolei nº 1.109/1970, a situação é específica, para o caso em que a maisvalia fora transformada em capital social; xxx. assim, acaso viesse a ocorrer uma devolução de capital ao associado, dentro do período quinquenal, haveria de se recorrer aos incisos e parágrafos do artigo 3º da Lei n° 8.849/1994, a fim de se determinar o valor a tributar, e não ao artigo 17 da Lei n° 9.532/1997; xxxi. toda a argumentação até agora expedida aplicase tanto ao auto de infração do IRPJ quanto ao auto de infração da CSLL. Quanto a essa contribuição, aliás, lembrese que a base imponível é o lucro líquido do exercício, com os ajustes previstos em lei. Por definição legal, o ajuste do valor dos Títulos não transitava pelas contas de resultado da pessoa jurídica, compondo diretamente o patrimônio líquido – razão pela qual, sob qualquer hipótese, não comporia o montante imponível da CSLL. A 2ª TURMA DA DRJ EM SALVADOR – BA, ao julgar a impugnação protocolada, houve por bem manter incólumes os lançamentos oficiosos, consoante aresto (fls. 330/349) assim ementado: Fl. 501DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 63 16 “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007 SOLUÇÃO DE CONSULTA. VINCULAÇÃO. Formulada consulta pela Comissão Nacional de Bolsas de Valores e proferida a respectiva Solução de Consulta pela COSIT, que analisou a questão da desmutualização das Bolsas, o entendimento assim proferido impõese à autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, que tem o dever de observância das normas, o que abrange também os atos da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSA DE MERCADORIAS & FUTURO. ASSOCIAÇÃO ISENTA. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO SOB A FORMA DE AÇÕES. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real do ano, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a Título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. ALIENAÇÃO DE TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. GANHO DE CAPITAL. Constitui ganho de capital a diferença entre o valor da alienação e o custo médio de aquisição de Título da Bovespa e da BM&F. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSA DE MERCADORIAS & FUTURO. ASSOCIAÇÃO ISENTA. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência da contribuição social sobre o lucro líquido, computandose na determinação da base de cálculo da CSLL do ano, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a Título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. ALIENAÇÃO DE TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. GANHO DE CAPITAL. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 64 17 Constitui ganho de capital a diferença entre o valor da alienação e o custo médio de aquisição de Título da Bovespa e da BM&F. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada desse acórdão em 23.05.2011 (fl. 356), a interessada interpôs o Recurso Voluntário sob análise (fls. 357 e ss.), em 22.06.2011, reiterando os argumentos ventilados em primeira instância e postulando pela nulidade da decisão inferior, em razão de aventado silêncio acerca de determinadas ilações impugnatórias. A d. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou, então, Contrarrazões ao Recurso Voluntário, às fls. 409 e ss. É o relatório. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 65 18 Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Para que os pontos suscitados pela presente controvérsia sejam abordados com a devida acurácia, dividirei a exposição em tópicos, nos seguintes moldes: (i) Preliminarmente: da nulidade da decisão recorrida Em sede liminar, a recorrente argui a nulidade do aresto infirmado, sob o pretexto de que os julgadores inferiores deixaram de analisar questão meritória relevante, atinente à desmutualização da BM&F. Ocorre, porém, que essa ilação não tem razão de ser. As nulidades, no processo administrativo fiscal, são bastante específicas e limitadas, a teor do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” (g.n.) No caso, a insurgência da autuada diz respeito à pretensa omissão dos julgadores a quo sobre o tema supracitado, em decorrência de estes terem se limitado a reafirmar a orientação encampada pela Solução de Consulta Cosit nº 10, de 26.10.2007. Embora divirja deste entendimento meritório, não Fl. 504DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 66 19 acredito haver óbice para que a autoridade decisória concorde, integralmente, com a hermenêutica formatada no bojo de processo de consulta. Disto não advém, obviamente, falha de fundamentação – ou, particularmente, cerceamento do direito de defesa. Ademais disso, ainda que houvesse alguma nulidade, o mérito poderá ser decidido a favor do sujeito passivo, como se explanará a seguir. Com isso, aperfeiçoada está a hipótese do § 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, suso copiado. (ii) Considerações iniciais acerca das operações relativas a Títulos Patrimoniais da Bovespa e da BM&F Os autos de infração sob apreço exigem, da autuada, valores de IRPJ e de CSLL computados sobre ganhos de capital e “rendimentos nãooperacionais” supostamente apurados nos idos do anocalendário de 2007. Os relatos contidos no TVF de fls. 207/215, em cotejamento com os documentos encartados aos autos, evidenciam que sobreditos ganhos e rendimentos derivaram, basicamente, de 03 (três) conjuntos de operações, a saber: i) alienações de 22 (vinte e dois) TPBOVESPA, operadas mediante integralização, em 30.05.2007, do capital social da BRUXELAS; ii) alienação de 01 (um) TMCBM&F, em 10.04.2007; e iii) “conversão” de 02 (dois) TMCBM&F em 9.923.220 (nove milhões, novecentas e vinte e três mil, duzentas e vinte) ações da BM&F S.A., contabilizadas em 31.10.2007 – transformação esta realizada no âmbito dos ajustes societários conhecidos como “desmutualização da BM&F”. Vejamos, individualmente, cada uma destas operações. (iii) Dos ganhos de capital auferidos em decorrência da alienação de 22 TPBOVESPA O primeiro dos estresidos cenários teria gerado, segundo apuração fazendária, ganho de capital equivalente a R$ 12.688.609,87 (doze milhões, seiscentos e oitenta e oito mil, seiscentos e nove reais e oitenta e sete centavos), composto pela diferença entre o “custo de aquisição histórico” dos Títulos, equivalente a R$ 16.345.152,25 (dezesseis milhões, trezentos e quarenta e cinco mil, cento e cinquenta e dois reais e vinte e cinco centavos), e o importe total de alienação, correspondente a R$ 29.033.762,12 (vinte e nove milhões, trinta e três mil, setecentos e sessenta e dois reais e doze centavos). De fato, a recorrente adquiriu, no anocalendário de 2004, 30 (trinta) TPBOVESPA, da seguinte forma: Fl. 505DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 67 20 DATA FORMA QUANTIDADE CUSTO HISTÓRICO DE AQUISIÇÃO (R$) 30.07.2004 Incorporação da BCN Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. 18 13.155.331,14 30.12.2004 Incorporação do Banco BANEB S.A. 12 9.133.512,84 TOTAL 22.288.843,98 Todos esses Títulos Patrimoniais foram alienados – parte em 2005, em operação estranha aos autos, e parte em 2007, no seio de evento que nos interessa de perto – da seguinte maneira: DATA FORMA QUANTIDADE VALOR DE ALIENAÇÃO (R$) 17.01.2005 Venda a comprador desconhecido 8 6.149.444,72 30.05.2007 Integralização do capital social da BRUXELAS 22 29.033.762,12 TOTAL 35.183.206,84 O custo total de aquisição dos 22 (vinte e dois) Títulos Patrimoniais alienados no ano base de 2007 foi apurado, pelo Fisco, com base no critério do “custo médio”. Com isso, chegouse à cifra citada de R$ 16.345.152,25 (dezesseis milhões, trezentos e quarenta e cinco mil, cento e cinquenta e dois reais e vinte e cinco centavos) (R$ 22.288.843,98 / 30 x 22). O ganho de capital aduzido foi combatido, pela recorrente, segundo o argumento de que esta importância nada mais consubstanciaria do que atualização contábil compulsória do custo de aquisição dos Títulos Patrimoniais, engendrada segundo os ditames baixados pelas autoridades monetárias. Sob tais condições, o preço de obtenção dos direitos cartulários não seria apenas o histórico, mas, sim, a soma entre este e as equivalências patrimoniais perante a Bovespa e a BM&F. Pois bem. A conduta da recorrente, conforme reconhecido pelo próprio aresto recorrido, regeuse em perfeita observância ao disposto na Circular BACEN nº 1.273/87, responsável por criar o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF, in verbis: “CAPÍTULO: Normas Básicas – 1 SEÇÃO: Ativo Permanente 11 (...) Fl. 506DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 68 21 3 – Os Títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, são corrigidos mensalmente e atualizados, por ocasião dos balanços, pelo valor informado pela respectiva bolsa, procedendose aos seguintes lançamentos de ajustes: a) se o novo valor informado pelas bolsas for superior ao saldo contábil corrigido na database do balanço, debitase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS; b) se o novo valor informado pelas bolsas for inferior ao saldo contábil corrigido na database do balanço, creditase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS até o limite do seu saldo. A parcela excedente, se houver, é debitada em LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS.” Esta orientação financeirocontábil se coadunou com a preexistente regulação fiscal concernente à matéria, esculpida pelos itens I e II da Portaria MF nº 785/1977: “I. O acréscimo do valor nominal dos Títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decretolei nº 1.109/70, art. 3º , § 3º (RIR, art. 237).” Dessumese, desses preceitos, que o valor nominal dos Títulos Patrimoniais deveria reproduzir as variações do patrimônio social da Bovespa (e da BM&F). Nesse sentido, a cada balanço levantado por esta associação, deveriam os detentores de Títulos Patrimoniais ajustar, para maior ou para menor, os valor contábeis respectivos, consoante a fração ideal do patrimônio a que se reportaria a cártula. As variações em comento deveriam ser lançadas em conta de patrimônio líquido, intitulada “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais” (conta 6.1.3.70.009). Fica claro, com isso, que tais atualizações não transitavam em conta de resultado, dado constituírem cifras componentes de “reserva de capital”. Nesse horizonte, mesmo na hipótese de excedente negativo, este precisaria ser computado à seara de “Lucros e Prejuízos Acumulados” – conta, igualmente, de patrimônio líquido (conta 6.1.8.10.002), e não de resultado. Em minha primeira análise do caso, especificamente no tocante a este item, posicionei me no sentido de que, não obstante os ajustes escriturais dos citados Títulos, destinados a refletir as Fl. 507DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 69 22 oscilações dos patrimônios sociais da entidade bolsista, não configurassem receitas exacionáveis, acaso computadas em conta de patrimônio líquido, deixariam elas, nas hipóteses de venda ou de integralização dos Títulos em capital social de outras sociedades, de ser alheias à incidência do IRPJ e da CSLL, passando a compor o lucro do período. Contudo, depois de me inteirar dos argumentos apresentados, em tribuna, pelo patrono da recorrente, e de participar dos debates ocorridos em plenário, passei a ver o tema com outros olhos, principalmente à luz da correta interpretação da Portaria MF nº 785/1977, de um lado, e dos argumentos utilizados, pela própria Receita Federal, no bojo do Processo de Consulta nº 13/1997, de outro. A Portaria MF nº 785/1977, lembrese, dispôs, literalmente, que “o acréscimo do valor nominal dos Títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas”. Pareceme, pois, de pronto, que qualquer leitura distinta, tendente a vislumbrar singela hipótese de diferimento, esbarra, inarredavelmente, na própria formatação da redação legislativa. Dizer que não se trata de previsão de nãoincidência – ainda que a regra comentada assevere, claramente, não estarmos em presença de “receita” ou de “ganho de capital” – demanda, para nós, um acentuado malabarismo intelectual, impassível legitimar qualquer autuação. É verdade, sim, que o enunciado sob análise, redigido de forma atécnica, assentiu que tal tratamento se cominaria “desde que [o acréscimo] não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital”. Em meu sentir, porém, tal proposição vernacular não desnatura a nãoincidência anteriormente determinada, pelo que passaremos a minudenciar. Mais importante, no entanto, é a compreensão de qual o custo contábil real dos Títulos Patrimoniais sob escólio. Sobre o ponto, pareceme que, no caso, inexistiria qualquer ganho de capital a se tributar, dado que o valor de aquisição, ajustado na forma da lei e devidamente contabilizado, equivaleria, quantitativamente, ao próprio valor de conferência (alienação) dos ativos no capital da BRUXELAS. O ganho de capital, é dizer, seria nulo. Expliquese melhor o que estamos defendendo. A Portaria MF nº 785/1977, como já explanado, determinou que o acréscimo do valor nominal dos antigos Títulos Patrimoniais não constituía nem renda, nem ganho de capital. Ela não indicou, contudo, qual seria a natureza jurídica destes “aumentos”. Coube ao Banco Central, então, trazer alguma luz ao tema, nos moldes da Resolução CMN/BACEN nº 1.656/1989 (“REGULAMENTO QUE DISCIPLINA A CONSTITUIÇÃO, ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DAS BOLSAS DE VALORES”): “Art. 10. Ao término de cada exercício social, o valor do patrimônio social deve ser atualizado com base nas demonstrações financeiras correspondentes, feitas de acordo com os procedimentos e critérios adotados pelas sociedades anônimas. § 1º O valor do patrimônio, apurado anualmente, dividido pelo número de Títulos patrimoniais, computados, inclusive, os que não tenham sido ainda colocados ou que estejam em tesouraria, dará o valor nominal destes, e terá vigor nos 12 (doze) meses subsequentes. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 70 23 § 2º A atualização anual do patrimônio deve ser submetida, até 10 (dez) dias depois de aprovada pela assembléia geral, à Comissão de Valores Mobiliários, para sua homologação. § 3º A falta de manifestação da Comissão de Valores Mobiliários, após 30 (trinta) dias da apresentação dos respectivos processos de atualização, implicará aceitação da proposta. § 4º O prazo previsto no parágrafo anterior poderá ser interrompido, uma única vez, por no máximo 30 (trinta) dias, caso a Comissão de Valores Mobiliários requisite à Bolsa de Valores informações ou documentos adicionais.” (g.n.) Pareceme evidente, da análise destes preceitos, que as atualizações dos valores nominais dos Títulos Patrimoniais, em vinculação com as variações do patrimônio social da Bovespa (e da BM&F), correspondiam a simples lançamentos contábeis reflexos, orientados a gerar o lastro necessário à correção do capital social da associação bolsista, do outro lado do balanço. Noutras palavras, as cifras derivadas da atualização dos Títulos Patrimoniais, antes de constituírem receita ou ganho de capital, prestavamse, exclusivamente, a espelhar as oscilações do capital social das associações de bolsa, permitindo a operacionalização da legislação infralegal baixada pelo Banco Central. Os detentores dos Títulos, dizendo ainda de outro modo, estavam, por isso, compelidos a corrigir as cifras de face de seus ativos, na forma da Resolução CMN/BACEN nº 1.656/1989, somente para que, nestes moldes, guardassem elas plena correspondência com os quinhões ideais do patrimônio social da Bovespa (e da BM&F), por elas referenciados. A atualização monetária sob estudo, por conseguinte, não poderia ser objeto de incidência tributária, como bem disciplinaram os itens I e II da Portaria MF nº 785/1977. Ela não constituía qualquer acréscimo patrimonial, mas, sim, simples correção das importâncias nominais; não consistia, melhor dizendo, em qualquer maisvalia, porquanto servia, tãosomente, a impedir o descompasso entre os totais dos patrimônios sociais bolsistas, compulsoriamente “atualizados com base nas demonstrações financeiras correspondentes”, e os valores de fronde dos Títulos. Nem mesmo a alienação dos TPBOVESPA, como ativos, retiraria a natureza de “capital social” das atualizações questionadas. Ditos ajustes, portanto, também não poderiam ser classificados como “realização de reserva de atualização de ativos”. Importa ressaltar, em tal diapasão, que o direito tributário pode e deve se valer das normas monetárias para a pesquisa e a definição de seus próprios conceitos, em respeito ao que preconiza o artigo 110 do Código Tributário Nacional. Assim, mais do que válido é o recurso à Resolução CMN/BACEN nº 1.656/1989. Socorrome, ainda aqui, dos fundamentos que embasaram a resposta do Processo de Consulta nº 13/1997 – mais especificamente, os itens 6.8 a 6.14 (fls. 321 e 322), a seguir transcritos: Fl. 509DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 71 24 “6.8 Dos textos transcritos [trechos dos Pareceres CST nº 2111/81, 911/93e 2867/83] fica evidente que o tratamento tributário dos aumentos e das reduções do valor dos Títulos Patrimoniais das sociedades corretoras, membros da BOVESPA, em virtude de acréscimos ao patrimônio desta, decorrente de suas operações, é exatamente o dispensado aos acréscimos e reduções no valor do de investimento avaliados pelo método de equivalência patrimonial, praticada por qualquer pessoa jurídica que tenha por finalidade o lucro, ou seja: os acréscimos não constituem receita tributável, devendo ser excluído do lucro líquido, para determinação do lucro real, e as reduções constituem despesa não dedutível, devendo ser adicionadas ao lucro líquido, para determinação do lucro real. 6.9 Esse tratamento foi também, objeto de diversos Pareceres emitidos pela administração tributária, dentre os quais, citase o Parecer CST nº 2.254, de 8 de dezembro de 1981, do que se transcreve o item 4: “Os Pareceres Normativos CST nº 78/78 e 107/78 esclareceram, também, que não obstante a generalidade das regras sobre avaliação de investimentos contidas na Lei nº 6.404/76 e nos Decretosleis nº 1.598/77 e 1.648/77, ressalvase a possibilidade de legislação específica para setores econômicos ou classes de empresas estabelecer ouros critérios de avaliação pelo patrimônio líquido, mas precisamente do Conselho Monetário Nacional, para as instituições financeiras, e da Comissão de Valores Mobiliários, para as companhias abertas. Dado que tais normas devem ser interpretadas integradamente com a legislação tributária conforme ressaltado no subitem 7.1 do PN CST nº 78/78, a imposição, pelo Conselho Monetário Nacional ou Comissão de Valores Mobiliários, de avaliação de investimentos por valor do patrimônio líquido, em situações que não as referidas nos Decretoslei nº 1.598/77 e 1.648/77 cria para as pessoas jurídicas obrigação de assim proceder nas demonstrações financeiras, com reflexos pertinentes no lucro real.” 6.10 Relativamente ao caso objeto de consulta, a Comissão de Valores Mobiliários, determinou por meio do OfícioCircular nº 325, de 21 de janeiros de 1979, que os Títulos Patrimoniais das Bolsas de Valores, de propriedade das sociedades corretoras, devem ter seu valor ajustado anualmente com base no patrimônio líquido apurado nos Balanços Anuais das respectivas bolsas. 6.11 Por tudo isso, é pacífico o entendimento de que a avaliação do valor dos referidos Títulos patrimoniais deve ser efetuada pelo método de equivalência patrimonial, com todas as conseqüências de natureza comercial e fiscal daí decorrentes.” 6.12 A legislação do imposto de renda, estabelecida nos artigos 31 a 33 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 (...),prevê Fl. 510DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 72 25 que a apuração do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento será determinada com base no seu valor contábil, valor este definido, no caso de investimento avaliado pela equivalência patrimonial, como sendo a soma algébrica dos seguintes valores: a) valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; b) ágio ou deságio na aquisição de investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração contábil do contribuinte; c) provisão para perdas que estiver sido computada na determinação do lucro real; 6.13 Antes os termos dos dispositivos legais em comento, resulta que na apuração do ganho ou perda de capital numa eventual alienação ou liquidação dos Títulos patrimoniais em referências as corretoras devem considerar como custo o seu valor contábil, o qual é resultante, por definição legal, dos valores entregues à BOVESPA, para a formação de seu patrimônio, ou o valor de aquisição do Título de outra corretora, a correção monetária e os acréscimos ou reduções decorrentes das variações ocorridas no patrimônio líquido da bolsa.”(destaquei) 6.14 Ante o exposto, podese concluir que o acréscimo patrimonial das corretoras, em virtude de aumento no valor do patrimônio líquido da bolsa, refletindo sua equivalência, ainda que realizado mediante alienação do Título ou pela sua liquidação, até em virtude da extinção da bolsa: a) Não se sujeitam à incidência do imposto de renda, ou seja, os ganhos de capital decorrentes desses Títulos só serão tributados na parte da receita que exceder o valor contábil;(...)” (g.n.) De maneira a rematar nossos argumentos, penso ser essencial recordar que a apuração de quaisquer ganhos de capital deve considerar, como custo de aquisição do ativo, por explícita disposição normativa, aquele contabilmente declinado, na forma do artigo 31, § 1º, do Decretolei nº 1.598/1977, in verbis “Art. 31. Omissis. § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. (...)” (g.n.) Fl. 511DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 73 26 Ora, se as atualizações dos valores dos Títulos Patrimoniais têm índole específica – à medida que servem, em princípio, a lastrear as correções das cifras nominais dos patrimônios sociais das entidades bolsistas, sem implicar adição de riqueza para seus detentores –, é certo que o custo contábil de aquisição deveria ser aquele declinado contabilmente, ajustado pelos importes de atualização registrados em conta de “patrimônio líquido” (e não de “resultado”). A tomada das importâncias históricas, para fins de mensuração do ganho de capital, contraria a própria natureza das correções engendradas, além de ignorar, cabalmente, a sistemática própria aos ativos versados. Acaso o custo contábil ajustado corresponda ao valor de alienação, não há que se falar em qualquer base de cálculo positiva. Impõese, pois, o cancelamento dos autos de infração. Diante destas ponderações, tomo partido da recorrente, no sentido de que o custo de aquisição, para a apuração da perda ou do ganho de capital na alienação dos Títulos Patrimoniais, deve considerar as atualizações ocorridas e registradas, nos termos do Resolução CMN/BACEN Nº 1.656/1989 e do OfícioCircular CVM nº 325/1979. Por essa razão, insubsistente o lançamento, por desconsiderar tais parcelas como custo de aquisição dos mencionados Títulos. (iv) Dos ganhos de capital auferidos em decorrência da alienação de 01 TMCBM&F O segundo evento indigitado teria gerado, por seu lado, no entender fiscal, ganho de capital equivalente a R$ 1.669.574,49 (um milhão, seiscentos e sessenta e nove mil, quinhentos e setenta e quatro reais e quarenta e nove centavos), performado pela diferença entre o “custo de aquisição histórico”, igual a R$ 2.773.751,13 (dois milhões, setecentos e setenta e três mil, setecentos e cinquenta e um reais e treze centavos), de um turno, e o respectivo preço de venda, somador de R$ 4.443.325,62 (quatro milhões, quatrocentos e quarenta e três mil, trezentos e vinte e cinco reais e sessenta e dois centavos). Os TMCBM&F de propriedade da recorrente, no decorrer do tempo, foram adquiridos da seguinte maneira: DATA FORMA QUANTIDADE CUSTO HISTÓRICO DE AQUISIÇÃO (R$) 30.09.2003 Compra sob condições desconhecidas, em data pretérita 01 2.539.583,13 30.07.2004 Incorporação da BCN Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. 02 5.746.743,00 30.12.2004 Incorporação do Banco BANEB S.A. 01 2.808.678,39 TOTAL 11.095.004,52 Fl. 512DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 74 27 Um desses TMCBM&F foi alienado em 2005. Outros deles, no que nos pertine, foi vendido nos idos do anobase de 2007. Os restantes foram convertidos em ações, nos termos explicados no próximo tópico. Ilustrativamente: DATA FORMA QUANTIDADE VALOR DE ALIENAÇÃO (R$) 17.03.2005 Venda ao Banco J. Safra 01 3.266.012,62 10.04.2007 Venda ao Bradesco BBI 01 4.443.325,62 31.10.2007 Conversão em ações da BM&F S.A. 02 9.923.220,00 TOTAL 17.632.558,24 O custo de aquisição do TMCBM&F vendido, no anobase de 2007, ao “Bradesco BBI”, foi apurado, pelo Fisco, também com arrimo no critério do “custo médio”. Destarte, averiguouse a cifra relacionada de R$ 2.773.751,13 (dois milhões, setecentos e setenta e três mil, setecentos e cinquenta e um reais e treze centavos) (R$ 11.095.004,52 / 4). O presente tópico é idêntico ao anterior, em todas suas facetas. Por essa razão, limitar nosemos a nos reportar às ilações precedentes, no sentido do cancelamento dos autos de infração lavrados. Passemos, pois, sem demora, ao estudo do ponto final da lide, respeitante à pretensa apuração de “rendimentos nãooperacionais”, pelo contribuinte, derivados da conversão de 02 (dois) TMCBM&F em ações da BM&F S.A. (v) Dos rendimentos nãooperacionais decorrentes da conversão de 02 TMCBM&F em 9.923.220 ações da BM&F S.A. Segundo entendimento da Fiscalização, a recorrente teria auferido “resultados não operacionais” equivalentes a R$ 4.375.717,74 (quatro milhões, trezentos e setenta e cinco mil, setecentos e dezessete reais e setenta e quatro centavos), decorrentes da transformação de 02 (dois) TMCBM&F, adquiridos ao custo total de R$ 5.547.502,26 (cinco milhões, quinhentos e quarenta e sete mil, quinhentos e dois reais e vinte e seis centavos) (R$ 2.773.751,13 x 2), em 9.923.220 (nove milhões, novecentas e vinte e três mil, duzentas e vinte) ações da BM&F S.A., contabilizadas segundo importe de R$ 9.923.220,00 (nove milhões, novecentos e vinte e três mil, duzentos e vinte reais). Nos meandros do anocalendário de 2007, a BM&F – associação civil sem fins lucrativos – deu início a operações de transformação societária voltadas a instrumentalizar aquilo que se convencionou denominar de “desmutualização” da entidade. Para tanto, intentouse realizar, formalmente, operação de cisão, desenhada consoante as condições elencadas em “Protocolo e Justificação da Cisão Parcial”, juntado às fls. 265/271. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 75 28 Em decorrência desta reorganização, os detentores de TMCBM&F, tal como a peticionária, receberam, em lugar destes valores mobiliários, ações das novéis companhias constituídas – substituição esta que se operou em consonância com os valores apurados em avaliação patrimonial episodicamente feita. O entendimento fazendário – reproduzido pelo acórdão de primeira instância, ora guerreado – calcou fulcro na Solução de Consulta Cosit nº 10, de 26.10.2007. Estes instrumentos visualizaram suposta impossibilidade de as associações civis sem fins lucrativos se cindirem, por falta de permissivo legislativo nesse sentido. Logo, pontificou a Administração Tributária que a operação teria se materializado mediante simples devolução de patrimônio, promovida por instituição isenta, com ulterior emprego destes bens na integralização do capital social das novas companhias (dissolução seguida de compra de papéis). Em tal seara, aplicarseia, ao caso, a regra resenhada pelo artigo 17 da Lei nº 9.532/1997, determinante de incidência de IRPJ, à alíquota de 15% (quinze por cento), sobre a diferença entre os valores devolvidos e aqueles originalmente entregues: “Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a Título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas do inciso I do art. 17 da Lei nº 9.249, de 1995. § 2º O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado.” Acontece que, em meu ver, a interpretação comentada carece de sustentação. A complexa e extensa argumentação incrustada na Solução de Consulta citada tenta, de forma criativa e artificiosa, obnubilar entendimento simplório e evidente, favorável ao sujeito passivo. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 76 29 Conforme bem lembrou o contribuinte, a cisão é, sim, operação societária passível de adoção pelas associações civis sem fins lucrativos. Tanto é assim que o próprio artigo 2.033 do Código Civil estatuiu, in verbis, que: “Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código.” (g.n.) O artigo 44 do Código, de seu lugar, expressamente arrolou as associações civis em um de seus incisos, nos vindouros moldes: “Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos. VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. § 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negarlhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. § 2o As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. § 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica.” (g.n.) A própria legislação tributária conhece da possibilidade de cisão das associações civis sem fins lucrativos. Alumiese, nessa toada, o artigo 174, caput e § 4º, do Decreto nº 3.000/1999, outorgante de isenção de IRPJ às entidades desta espécie: “Art. 174. Estão isentas do imposto as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos (Lei nº 9.532, de 1997, arts. 15 e 18). (...) § 4º A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá ser efetuada pelo valor de sua Fl. 515DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 77 30 aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação (Lei nº 9.532, de 1997, art. 16, parágrafo único).” (g.n.) De mais a mais, a cisão de associações é comezinha, na prática civil, conforme bem sabem os operadores do direito atuantes no campo. Por todo o explanado, entendo que a operação de desmutualização da BM&F foi, sim, operacionalizada mediante verdadeira cisão parcial. Os órgãos públicos de registro civil e mercantil, digase de passagem, sequer questionaram a hermenêutica, quando do arquivamento dos competentes atos sociais. Sob tal panorama, não me parece que tenha havido devolução de patrimônio, subsumível ao artigo 17 da Lei nº 9.532/1997. Não cabe falar em solução de continuidade da BM&F, capaz de servir de base a raciocínio dessa natureza. Ocorreu cisão, e não extinção de uma associação e constituição imediata de pessoas jurídicas diferentes. Tenho clara a verificação de simples situação de transmutação de valores mobiliários, em estrita paridade patrimonial. Os TMCBM&F, à época da substituição, foram trocados, em perfeita equivalência, pelas ações da BM&F S.A., sem que tenham ocorrido quaisquer perdas ou ganhos, de parte a parte. Todo esse panorama está informado de cabal e inquestionável neutralidade fiscal. Claro que a diferença entre o custo de aquisição dos Títulos originais, de um lado, e a cifra de valia das ações, de outro, pode significar ganho de capital eventual. Este, entretanto, não se materializou com a desmutualização da BM&F, sendo, até o momento, meramente potencial. Referido provento tributável só se realizará quando, porventura, as ações forem alienadas, por exemplo. Até lá, não se poderá falar tenha se concretizado o fato gerador do IRPJ, representado pela obtenção de disponibilidade econômica ou jurídica de grandezas constitutivas de acréscimos patrimoniais, ou da CSLL, correlata à aferição de lucro. Não se cuida de distribuição de lucro, até porque a BM&F e a Bovespa não possuíam fins lucrativos, mas de, no plano contábil, mero fato permutativo, que implica a troca de elementos patrimoniais (Títulos por ações) sem, contudo, provocar a alteração do patrimônio líquido do contribuinte. Somente se houvesse a ocorrência de fatos modificativos positivos, que importassem o aumento dos elementos do patrimônio líquido da impetrante, se poderia ter por caracterizado o acréscimo patrimonial tributável. Como dito, o resultado positivo não está sujeito à tributação enquanto não se implementar a alienação do investimento, pois é somente nesse momento que se dará a aquisição definitiva da disponibilidade do ganho auferido pela empresa investidora. Se a valoração dos Títulos patrimoniais está sujeita à incidência do IRPJ e da CSLL, não será a data da “desmutualização”, ou seja, da substituição destes pelas ações, o momento do fato gerador das referidas exações. A reserva de atualização de Títulos patrimoniais somente poderia vir a ser tributado quando da venda das ações. Em suma, tenho para mim que a “desmutualização” não se trata de uma alienação, implicando na realização destas reservas, mas sim mera substituição de Títulos da BM&F e da Bovespa por ações das novas companhias. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 78 31 Também é mister salientar que a “desmutualização”, quando muito, uma reavaliação patrimonial. E, nos termos do artigo 4º da Lei 9.959/2000, a reavaliação somente será computada para efeitos de apuração do lucro real quando da efetiva realização do bem reavaliado, portando, quando da sua venda. Ainda em outra medida, muito embora a Solução de Consulta Cosit nº 10, de 26.10.2007, tenha entendido em sentido contrário, convencido estou de que a orientação ali consagrada não vincula este colegiado. De fato, para que os órgãos julgadores estejam compelidos a obedecer às respostas fazendárias dadas aos sujeitos passivos consulentes, é essencial o atendimento a precondições, dispostas na legislação. No caso concreto ora analisado, a consulta foi formulada pela Comissão Nacional de Bolsas – entidade representativa de categoria econômica, responsável por congregar variadas instituições bolsistas. Nessa situação, os efeitos da resposta apresentada pela Administração Fazendária só tocam a seus associados ou afiliados, e somente a partir do momento em que cientificada a consulente ou seus representados, segundo a clara disposição do artigo 51 do Decreto nº 70.235/72: “Art. 51. No caso de consulta formulada por entidade representativa de categoria econômica ou profissional, os efeitos referidos no artigo 48 só alcançam seus associados ou filiados depois de cientificado o consulente da decisão.” Sucede, contudo, que não há, nos autos, informação de que a recorrente seja associada ou afiliada da Comissão Nacional de Bancos. A Solução de Consulta Cosit nº 10, de 26.10.2007, portanto, embora possa servir de norte para o julgamento, não tem qualquer força vinculante. Em direção igual já decidiu o CARF. Dentre extenso campo amostral, colacionese a seguinte ementa exemplificativa: “PROCESSO DE CONSULTA. ENTIDADE REPRESENTATIVA DE CATEGORIA ECONÔMICA. EFEITOS Os efeitos da consulta, apresentada por entidade representativa de categoria econômica ou profissional, só atinge seus associados ou filiados. Ausente a prova de filiação ou associação, não há como estender sua aplicação. Ademais, ainda que se comprove a associação ou filiação, tal decisão só surtirá efeitos após a ciência da decisão aos filiados ou associados.” (Ac. nº 310200.889/11) Fl. 517DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 79 32 Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 08 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Fl. 518DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 80 33 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada A Resolução nº 1.656/89 do Conselho Monetário Nacional, ao disciplinar a constituição, a organização e o funcionamento das Bolsas de Valores, definiu sua natureza e objeto social nos seguintes termos: Art. 1º As Bolsas de Valores são constituídas como associações civis, sem finalidade lucrativa, tendo por objeto social: I manter local ou sistema adequado à realização de operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, em mercado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado pela própria Bolsa, sociedades corretoras membros e pelas autoridades competentes; II dotar, permanentemente, o referido local ou sistema de todos os meios necessários à pronta e eficiente realização e visibilidade das operações; III estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao mercado de títulos e valores mobiliários; IV criar mecanismos regulamentares e operacionais que possibilitem o atendimento, pelas sociedades corretoras membros, de quaisquer ordens de compra e venda dos investidores, sem prejuízo de igual competência da Comissão de Valores Mobiliários, que poderá, inclusive, estabelecer limites mínimos considerados razoáveis em relação ao valor monetário das referidas ordens; V efetuar registro das operações; VI preservar elevados padrões éticos de negociação, estabelecendo, para esse fim, normas de comportamento para as sociedades corretoras e companhias abertas, fiscalizando sua observância e aplicando penalidades, no limite de sua competência, aos infratores; VII divulgar as operações realizadas, com rapidez, amplitude e detalhes; VIII conceder, à sociedade corretora membro, crédito para assistência de liquidez, com vistas a resolver situação transitória, até o limite do valor de seu título patrimonial, mediante apresentação de garantias subsidiárias de pelo menos 120% (cento e vinte por cento) do valor do crédito; IX exercer outras atividades expressamente autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Parágrafo único. As Bolsas de Valores não podem distribuir a sociedades corretoras membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto nos casos de dissolução e na forma que a Comissão de Valores Mobiliários aprovar. (negrejou se) O patrimônio social das Bolsas de Valores era formado mediante realização em dinheiro e dividido em títulos patrimoniais, colocados no mercado mediante leilão para aquisição pelas sociedades corretoras membros (art. 7o c/c art. 25 da Resolução CMN nº 1656/89). O valor nominal destes títulos patrimoniais era atualizado anualmente com base nas demonstrações financeiras do exercício social (art. 10 da Resolução CMN nº 1.656/89). Fl. 519DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 81 34 Consoante observou o I. Relator no voto proferido na sessão de 08/05/2012, a conduta da recorrente teve em conta o disposto na Circular BACEN nº 1.273/87, responsável por criar o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF, in verbis: CAPÍTULO: Normas Básicas – 1 SEÇÃO: Ativo Permanente 11 (...) 3 – Os títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, são corrigidos mensalmente e atualizados, por ocasião dos balanços, pelo valor informado pela respectiva bolsa, procedendose aos seguintes lançamentos de ajustes: a) se o novo valor informado pelas bolsas for superior ao saldo contábil corrigido na database do balanço, debitase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS; b) se o novo valor informado pelas bolsas for inferior ao saldo contábil corrigido na database do balanço, creditase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS até o limite do seu saldo. A parcela excedente, se houver, é debitada em LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS.” O Capítulo 1, item 11, subitem 3, § 3º do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – Cosif estabelece que a conta utilizada para registro dos títulos patrimoniais pertence ao grupo do Ativo Permanente – Investimentos (contas Cosif 2.1.4.10.10.000183, 2.1.4.10.20.00037 e 2.1.4.10.20.00040), e que a Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais é registrada na conta Cosif 6.1.3.709, que integra o Patrimônio Líquido – Reserva de Capital. Consoante explicita a Fiscalização, este ganho obtido pela atualização dos Títulos Patrimoniais estava sujeito à tributação conforme definido pelo parágrafo único do art. 219 do RIR/99. Porém, estas operações contábeis foram objeto da Portaria MF nº 785/77, que assim classificou os resultados destas atualizações: I. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decretolei nº 1.109/70, art. 3º, § 3º (RIR, art. 237). É possível também interpretar, como disse o I. Relator em seu voto apresentado na sessão de 08/05/2012, que tais variações, por não transitarem em conta de resultado, dependeriam de determinação legal expressa para seu cômputo na apuração do lucro real, a teor de outra disposição do RIR/99: Fl. 520DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 82 35 Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. [...] Ocorre que a alienação destes títulos patrimoniais pelas sociedades corretoras pode se verificar por valor superior ao de aquisição, e o debate, então, cingese à existência, ou não, de ganho de capital suscetível de tributação na forma estabelecida pelo Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 (RIR/99): Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31). § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 1º). § 2º O saldo das quotas de depreciação acelerada incentivada, registradas no LALUR, será adicionado ao lucro líquido do período de apuração em que ocorrer a baixa. [...] Art. 425. O ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento será determinado com base no valor contábil (art. 418, § 1º) (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 3º). Parágrafo único. A provisão para perdas constituídas até 31 de dezembro de 1995, quando dedutível na apuração do lucro real nos termos da legislação aplicável, deverá ser considerada na determinação do ganho ou perda de capital. (negrejou se) Defende a recorrente que o valor contábil do bem corresponderia àquele atualizado, periodicamente, em sua contabilidade, para equivalência ao patrimônio social da Bovespa. Todavia, como bem apontou o I. Relator em seu voto proferido na sessão de 08/05/2012, o “custo contábil” a que alude a legislação, obviamente, é aquele suportado na ocasião da aquisição dos bens do ativo permanente, devidamente escriturado. As únicas modificações permitidas, na conformação destes montantes, são condizentes a sua correção monetária, banda uma, e à dedução de depreciação, amortização ou exaustão acumulada, banda distinta. De fato, como aventa a recorrente, há, aqui, semelhanças procedimentais com o Método de Equivalência Patrimonial, que pode resultar em acréscimos periódicos não tributáveis (art. 389 do RIR/99), e ainda assim representativos do valor contábil do investimento, para fins de apuração do ganho de capital em eventual alienação. Mas o cenário Fl. 521DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 83 36 que autoriza este entendimento é totalmente distinto daquele no qual a contribuinte busca sua aplicação. Inicialmente devese observar que o Método da Equivalência Patrimonial é critério contábil de avaliação de ativos, reconhecido pela Lei nº 6.404/76 e pela doutrina contábil, diversamente da atualização determinada pelas referidas Resoluções do Banco Central. Na seqüência, há que se considerar que este acréscimo não é tributável porque resulta de operações de uma sociedade controlada ou coligada cujo acréscimo patrimonial está sujeito à tributação, diversamente da atualização em referência, que tem por lastro os superávits de uma associação civil sem fins lucrativos. Por fim, a investidora que é obrigada a atualizar o valor contábil de seu investimento pelo Método da Equivalência Patrimonial tem poderes para influenciar nas decisões da investida, em razão da relevância do investimento, diversamente da sociedade corretora, que só pode cogitar da realização dos resultados auferidos por intermédio do título patrimonial representativo de sua participação na BOVESPA em caso de sua alienação. Outra não poderia ser a conclusão, em tais condições, senão que os resultados reconhecidos periodicamente, em razão desta participação em associação civil sem fins lucrativos, não afetam o lucro tributável das sociedades corretoras no momento de seu registro, mas também não podem afetar a apuração do ganho de capital no momento de sua alienação, de modo que a tributação incida no momento da realização efetiva dos resultados antes contabilmente reconhecidos por determinação do Banco Central do Brasil. A interessada ainda invoca os efeitos dos Pareceres Normativos CST nº 78/78 e 107/78, que trataram dos efeitos tributários dos resultados de equivalência patrimonial promovidos em razão de determinações do Banco Central do Brasil. O Parecer Normativo CST nº 78/78 aborda o alcance das normas tributárias acerca dos métodos de avaliação de investimentos. De seu texto, extraise: 2. De acordo com a Lei das Sociedades Anônimas (Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, artigo 247, parágrafo único) um investimento em sociedade coligada ou controlada é relevante quando seu valor contábil é igual ou superior a 10% (dez por cento) do valor do patrimônio liquido da sociedade anônima investidora. Também o é, mesmo sem atingir os 10% (dez por cento) se o valor da participação, somado ao das demais participações em coligadas ou controladas, alcança pelo menos 15% (quinze por cento) do valor do patrimônio líquido da investidora. Investimentos em sociedades não coligadas nem controladas não são considerados relevantes, não importa quão importantes sejam para a empresa investidora. A mesma lei, no artigo 243, considera duas sociedades como coligadas quando uma participa com 10% (dez por cento) ou mais do capital da outra, sem controlála (§ 1º); e define controlada como aquela sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores (§ 2º). 3. O artigo 248 da Lei das S/A. manda que a sociedade anônima apresente em seu balanço, avaliado pelo valor de patrimônio líquido, o investimento relevante (a) em sociedade coligada sobre cuja administração tenha influência, ou (b) em sociedade coligada de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social, ou ainda (c) em sociedade controlada. Assim sendo, as participações de capital de caráter permanente, que a um só tempo sejam relevantes e determinem influência (sob qualquer das formas (a), (b) ou (c) mencionadas neste item) nas coligadas ou Fl. 522DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 84 37 controladas devem ser avaliadas em função do valor de patrimônio liquido, método também chamado de equivalência patrimonial: 3.1 A lei não manda avaliar indiscriminadamente segundo um (equivalência patrimonial) ou outro (custo de aquisição) critério; antes, discrimina os investimentos segundo sua importância relativa. Importância na capacidade de Inversão da investidora, originando o conceito de relevância, e importância no conjunto dos recursos aplicados no empreendimento, gerando o conceito de influência. 4. O DecretoLei n. 1.598, de 26 de dezembro de 1977 (artigo 20, § 4o), diz que essa modalidade de avaliação de investimentos é obrigatória nos casos determinados pela Lei das S/A., e nas sociedades em que “a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimento relevante, cuja avaliação segundo o mesmo critério seja necessária para determinar o valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada”. 5. O Decretolei desta maneira exige que outras sociedades, além das anônimas, avaliem investimentos por equivalência patrimonial. Na cadeia de participações entre sociedades, iniciada por sociedade anônima, toda avaliação de investimento no capital de outra sociedade, quando o investimento for permanente, relevante e influente, deve ser feita por esse método, mesmo naquelas sociedades não organizadas sob a forma de companhia. Não importa, convém lembrar, que a participação seja direta ou indireta. 6. Em resumo, quando possuírem investimentos permanentes, relevantes e influentes devem em relação a eles praticar avaliação por equivalência patrimonial: I as companhias; e II as demais sociedades, sempre que entre os detentores do seu capital ou na cadeia ascendente e ininterrupta de participações relevantes e influentes se encontre sociedade anônima. 7. Não obstante a generalidade das regras acima discutidas, ressalvese a possibilidade de legislação específica para setores econômicos ou classes de empresas estabelecer outros critérios de avaliação pelo patrimônio líquido. Particularmente, a Lei da Reforma Bancária (n. 4.595, de 31 de dezembro de 1964, artigo 49, item XII) atribui ao Conselho Monetário Nacional a fixação de normas contábeis para as instituições financeiras, assim como a Lei n. 6.385, de 7 de dezembro de 1976 (artigo 22, §, IV) deferiu à Comissão de Valores Mobiliários a fixação de padrões de contabilidade para companhias abertas: 7.1 Dado que tais normas devem ser interpretadas integradamente com a legislação tributária, a imposição pelo Banco Central ou CVM de avaliação de investimentos por valor de patrimônio líquido, em situações que não as referidas no § 4º do artigo 20, do Decretolei n. 1.598/77, cria para as pessoas jurídicas obrigação de assim proceder nas demonstrações financeiras, com os reflexos pertinentes na apuração do lucro real. 8. Por fim, pessoas jurídicas outras que não as acima referidas devem avaliar seus investimentos permanentes em outras sociedades de conformidade com o princípio do custo de aquisição de que trata o artigo 183, item III, da Lei das S/A., sendolhes vedado avaliálos pelo valor de patrimônio líquido. Como se vê, referido ato normativo apenas esclarece que, nas hipóteses em que o Banco Central do Brasil ou a Comissão de Valores Mobiliários determinar que investimentos outros, que não aqueles previstos no Decretolei nº 1.598/77, sejam avaliados pelo método da equivalência patrimonial, o Fisco não poderá desqualificar esta operação, e deve atribuir ao resultado os efeitos que a legislação prevê no âmbito da equivalência patrimonial. Se não for este o caso, orienta o Parecer Normativo CST nº 107/78: Fl. 523DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 85 38 5. Inexistindo relevância ou influência na participação societária, o investimento se refletirá no balanço da investidora a custo contábil, é dizer, a custo de aquisição corrigido monetariamente, por força do art. 183, item III, da Lei n.º6.404/76. A eventual avaliação desses investimentos acima dos custo de aquisição corrigido será considerada reavaliação tributável, observado quando for o caso o disposto no artigo 35 do Decretolei n.º1.598/77. Todavia, a perda patrimonial registrada por esse processo não será dedutível na apuração do lucro real, excetuado o caso de provisão admitida nos termos do artigo 32 do Decreto n.º 1.598. Contudo, nenhuma razão existe para se cogitar, aqui, que a determinação fixada pelo Banco Central do Brasil, no sentido de que os títulos patrimoniais detidos pelas sociedades corretoras sejam atualizados periodicamente em razão do patrimônio da Bovespa, represente hipótese de avaliação de investimentos por valor de patrimônio líquido, em situações que não as referidas no § 4º do artigo 20, do Decretolei n. 1.598/77, mencionada no Parecer Normativo CST nº 78/78. Inadmissível cogitar de avaliação de investimento por valor de patrimônio líquido se não há nem investimento, no sentido de participação societária, nem patrimônio líquido, na medida em que se está tratando de um título patrimonial representativo do patrimônio social de uma associação civil sem fins lucrativos. A interpretação integrada, orientada pelo Parecer Normativo CST nº 78/78, diante das circunstâncias específicas da situação presente, é aquela expressa na Portaria MF nº 785/77, que afasta qualquer incidência sobre atualização patrimonial reconhecida contabilmente por determinação do Banco Central do Brasil, mas sem qualquer disponibilidade econômica ou jurídica, e que tem por reverso a inadmissibilidade destas parcelas como redutoras do ganho de capital na alienação, caso o valor da alienação disponibilize, à sociedade corretora, a atualização antes reconhecida contabilmente. De toda sorte, ainda que se interprete literalmente o §1o do art. 418 do RIR/99, de modo a adotar como valor contábil do bem o montante pelo qual ele estiver registrado na escrituração do contribuinte, independentemente das operações que ensejaram aquele resultado, não se pode olvidar que contabilmente também está registrado, no patrimônio líquido da sociedade corretora, o total das atualizações promovidas desde a aquisição do título patrimonial, em conta de reserva de capital. E tal reserva deve ser baixada no momento em que o ativo que a justifica também o é. Em conseqüência, se a apuração do ganho de capital deve ter em conta o valor contábil do bem, no montante defendido pela recorrente, a reserva assim baixada deve necessariamente integrar o resultado tributável, o que mantém inalterada a presente exigência, no que tange ao primeiro grupo de infrações apreciado pelo I. Relator. Por fim, apenas acrescentese que não há qualquer incidência tributária prevista para os resultados auferidos por parte da Bovespa, enquanto associação civil sem fins lucrativos. A referência feita pela recorrente, em memoriais, ao art. 15, §2o da Lei nº 9.532/97 é imprópria, pois tal dispositivo diz respeito à pretendida incidência tributária sobre rendimentos e ganhos de capital auferidos, por instituições isentas, em aplicações financeiras, quando esta não integra o próprio objeto da instituição. Cogitar deste tipo de incidência sobre a associação civil aqui em comento significaria, simplesmente, negar a isenção que lhe é conferida. Estas as razões, portanto, para divergir do I. Relator, que na forma final de seu voto concluiu pela insubsistência do lançamento relativamente à tributação dos ganhos de capital auferidos na alienação do que denominou “22 TPBovespa” e “01 TMCBM&F”. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 86 39 O segundo grupo de infrações tratado pelo I. Relator referese ao resultado tributado em razão da substituição, no patrimônio da autuada, de títulos patrimoniais por ações representativas do capital de Bolsa de Valores, em seu voto denominada “conversão de 02 TMCBM&F em 9.923.220 ações da BM&F S.A.”. Isto em razão da alteração da regulamentação da constituição, da organização e do funcionamento das Bolsas de Valores, veiculada por meio da Resolução CMN nº 2.690/2000, que assim permitiu: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: [...] Parágrafo único. As bolsas de valores que se constituírem como associações civis, sem finalidade lucrativa, não podem distribuir a sociedades membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto se houver expressa autorização da Comissão de Valores Mobiliários. (negrejouse) No âmbito da incidência do IRPJ e da CSLL, a Lei nº 9.532/97, ao revogar o art. 28 do Decretolei nº 5.844/43, e o art. 30 da Lei nº 4.506/64, consolidou as regras para reconhecimento de isenção às associações civis sem fins lucrativos: Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. [...] Art. 16. Aplicamse à entrega de bens e direitos para a formação do patrimônio das instituições isentas as disposições do art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995. Parágrafo único. A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá ser efetuada pelo valor de sua aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação. Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas do inciso I do art. 17 da Lei nº 9.249, de 1995. § 2º O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 87 40 § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. (negrejouse) O art. 15, §3o da Lei nº 9.532/97 vinculou a isenção concedida à observância dos seguintes dispositivos da mesma lei: Art. 12. [...] [...] § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; [...] §3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anoscalendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 88 41 Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Nestes termos, a associação civil que atende aos requisitos legais e destina seu superávit, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, está isenta dos tributos incidentes sobre o lucro. Caso esta associação devolva bens e direitos a pessoa jurídica que contribuiu para a formação de seu patrimônio, a diferença entre o valor recebido e o valor antes entregue à associação deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSLL (art. 17, caput c/c §§ 3o e 4o da Lei nº 9.532/97). O Código Civil de 2002 somente cogita da destinação do patrimônio de uma associação em caso de dissolução, fixando que ela deve beneficiar entidade de fins não econômicos ou os associados que contribuíram para a formação daquele patrimônio: TÍTULO II DAS PESSOAS JURÍDICAS CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) V os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) § 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negarlhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) § 2o As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) § 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) [...] CAPÍTULO II DAS ASSOCIAÇÕES Art. 53. Constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: I a denominação, os fins e a sede da associação; II os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; III os direitos e deveres dos associados; IV as fontes de recursos para sua manutenção; Fl. 527DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 89 42 V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos; (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) VI as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. (Incluído pela Lei nº 11.127, de 2005) Art. 55. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais. Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto. Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) Art. 58. Nenhum associado poderá ser impedido de exercer direito ou função que lhe tenha sido legitimamente conferido, a não ser nos casos e pela forma previstos na lei ou no estatuto. Art. 59. Compete privativamente à assembléia geral: (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) I – destituir os administradores; (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) II – alterar o estatuto. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é exigido deliberação da assembléia especialmente convocada para esse fim, cujo quorum será o estabelecido no estatuto, bem como os critérios de eleição dos administradores. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) Art. 60. A convocação dos órgãos deliberativos farseá na forma do estatuto, garantido a 1/5 (um quinto) dos associados o direito de promovêla. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. (negrejouse) Ao ser editado, o referido Código ainda trouxe algumas disposições transitórias para adaptação de todas as pessoas jurídicas, inclusive as associações, ao novo regime, estipulando prazo que foi prorrogado pela Lei nº 10.838/2004 e pela Lei nº 11.127/2005: Fl. 528DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 90 43 Art. 2.031. As associações, sociedades e fundações, constituídas na forma das leis anteriores, bem como os empresários, deverão se adaptar às disposições deste Código até 11 de janeiro de 2007. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às organizações religiosas nem aos partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) [...] Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. Art. 2.034. A dissolução e a liquidação das pessoas jurídicas referidas no artigo antecedente, quando iniciadas antes da vigência deste Código, obedecerão ao disposto nas leis anteriores. (negrejouse) Observase no referido diploma legal que as hipóteses de transformação, incorporação, cisão ou fusão somente foram previstas para sociedades, nos termos dos arts. 1.113 a 1.122, integrantes do Capítulo X (Da Transformação, da Incorporação, da Fusão e da Cisão das Sociedades) do Subtítulo II (Da Sociedade Personificada). Quando quis compartilhar as normas aplicáveis às sociedades com as demais pessoas jurídicas privadas, o legislador foi expresso: Art. 51 [...] [...] § 2o As disposições para a liquidação das sociedades aplicamse, no que couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado. § 3o Encerrada a liquidação, promoverseá o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. [...] Neste cenário jurídico, a dissolução da associação civil sem fins lucrativos deve resultar na destinação de seu patrimônio a entidade de fins não econômicos, idênticos ou semelhantes aos seus, ou favorecer os associados que contribuíram para a formação de seu patrimônio. E, caso bens e direitos sejam devolvidos a pessoa que contribuiu para formação do patrimônio da associação civil, haverá a incidência tributária prevista no art. 17 da Lei nº 9.532/97. Estas regras aplicamse, inclusive, em caso de dissolução parcial da associação civil, devendo o parágrafo único do art. 16 da Lei nº 9.532/97 ser interpretado à luz do Código Civil de 2002, que somente permite a transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica de fins não econômicos. Inexistindo a possibilidade de cisão da associação civil, ou mesmo de destinação de seu patrimônio a entidade de fins econômicos, o fato jurídico que converteu os títulos patrimoniais que a recorrente possuía em Bolsa de Valores em ações de Bolsa de Valores somente pode ser caracterizado como dissolução parcial da associação sem fins lucrativos, com devolução de patrimônio a associado, que utiliza este valor para aporte de capital na sociedade anônima referida. Em tais circunstâncias, a diferença entre o valor recebido e o valor antes entregue à associação deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSLL (art. 17, caput c/c §§ 3o e 4o da Lei nº 9.532/97). Fl. 529DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 91 44 Aliás, recente decisão do Tribunal Regional Federal da 3a Região orientase neste mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO MANDAMENTAL. IRPJ. CSSL. BM&F BOLSA DE MERCADORIAS E FUTURO DE SÃO PAULO. OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO. TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17. INCIDÊNCIA NA ESPÉCIE. 1. O processo de desmutualização trouxe ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da BM&F à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia despendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido. 2. A devolução implicou em aplicação de parte dos valores que compunha o patrimônio da associação em ações de empresa com fins lucrativos, o que desnatura o processo de sucessão legal das associações e autoriza a incidência de tributos em razão do acréscimo patrimonial experimentado pela impetrante. 3. Não há que se falar em avaliação pelo método de equivalência patrimonial porquanto o Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), autoriza a utilização de tal método apenas na hipótese de investimentos em controladas e coligadas, não sendo este o caso dos autos. 4. Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, proferida antes da vigência da Lei 9.532/97. O mesmo vale para a aplicação da Portaria nº MF nº 785/77, já que esta cuidava de "constituição de reserva com os acréscimos no valor nominal dos títulos" e a exclusão de tais acréscimos ao lucro real, não sendo este o caso dos autos. 5. O processo de desmutualização autoriza a incidência do imposto de renda e da CSLL, como pretendido pelo Fisco, nos exatos termos do quanto disposto no artigo 17 da Lei nº 9.532/97. 6. Apelação que se nega provimento. (Apelação Cível nº 0035179 62.2007.4.03.6100/SP, processo nº 2007.61.00.0351795/SP, Relator Desembargador Federal Márcio Moraes, sessão de 19 de julho de 2012). Discordo, portanto, do I. Relator quando: · Admite a possibilidade de cisão de associação civil sem fins lucrativos com fundamento: o no art. 2.033 do Código Civil de 2002, pois embora tais associações sejam uma das pessoas jurídicas de direito privado mencionadas no art. 44 do mesmo diploma legal (inciso I), a possibilidade de cisão destas pessoas jurídicas foi submetida à regência do Código, e este somente disciplinou tal procedimento relativamente às sociedades, pessoas jurídicas de direito privado referidas no inciso II do art. 44 de seu texto; o no art. 174 do RIR/99, pois a base legal deste dispositivo é a Lei nº 9.532/97, anterior ao Código Civil de 2002, que estabeleceu o cenário jurídico antes mencionado; o na prática civil, pois ainda que tal ocorra, e não há demonstração neste sentido, é necessário distinguir hipóteses Fl. 530DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 92 45 como a presente, na qual a destinação do patrimônio ocorre em favor de uma entidade de fins econômicos; o no arquivamento dos competentes atos sociais, sem objeção pelos órgãos públicos de registro, na medida em que os registros de dissolução parcial da associação civil e de constituição da sociedade anônima são independentes, em órgãos distintos. · Não vislumbra a devolução de patrimônio sujeita à tributação porque: o Não haveria solução de continuidade da BM&F, nem mesmo extinção de uma associação e constituição imediata de pessoas jurídicas diferentes, apesar de evidenciado que, na parte aqui tributada, o patrimônio antes administrado por uma associação sem fins lucrativos, obrigada a destinar seu resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, passou a ser administrado por uma sociedade anônima, com evidente finalidade econômica e sem qualquer vinculação às regras impostas às entidades sem fins lucrativos; o Houve mera transmutação de valores mobiliários, em estrita paridade patrimonial, sem que tenham ocorrido quaisquer perdas ou ganhos, apesar desta transmutação ter transferido à sociedade anônima destinatária a disponibilidade sobre os resultados auferidos durante todo o período no qual a associação se beneficiou da isenção tributária, os quais, após esta operação, são passíveis de qualquer destinação sem as restrições legais anteriores; o A hipótese de incidência somente se verificaria quando, por ventura, as ações fossem alienadas, pois neste momento, para afastar o lançamento, bastaria à alienante demonstrar que, juridicamente, o fato gerador previsto em lei ocorrera no momento em que a associação civil sem fins lucrativos foi dissolvida, ainda que parcialmente. Demais disso, considerando que a sociedade anônima então constituída sofrerá mutações patrimoniais em razão de suas atividades não mais isentas, seria necessário um controle específico das ações gravadas com o passado de atividade isenta para aferir, em eventual alienação, qual parcela daqueles resultados antes beneficiados foram realizados segundo o conceito pretendido, em total afronta à disciplina legal fixada. Adicionalmente cabe também refutar outras alegações que a recorrente apresentou em sua defesa: · Não teria havido devolução patrimonial pela BM&F, mas sim transformação, na modalidade cisão, o que resultou na destinação de parte de seu patrimônio para o aumento de capital de uma sociedade Fl. 531DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 93 46 anônima: os titulares das ações decorrentes deste aumento de capital são as sociedades corretoras de valores que antes integravam a associação, e não havendo previsão legal para a cisão desta, e quanto menos de destinação de seu patrimônio a entidade com fins econômicos, a disponibilização destes valores somente se efetiva mediante devolução do patrimônio aos associados e destinação, por estes, à sociedade anônima; · A cisão foi parcial e a BM&F continuou existindo, reunindo o patrimônio não operacional: inexistindo a previsão legal de cisão de associação civil, e somente podendo se cogitar de transferência de patrimônio de uma associação civil em favor de uma entidade de fins não econômicos, o ato praticado caracterizase como devolução parcial do patrimônio aos associados; · Há solução de consulta anterior no qual operação semelhante realizada por outra associação, há cerca de dez anos, não ensejou a apuração de ganho de capital em favor dos associados: a hipótese legal de incidência em razão da caracterização de ganho de capital surgiu com a Lei nº 9.532/97, e as associações civis submeteramse a novo regramento com a edição do novo Código Civil, em 2002, de modo que operação ocorrida em contexto legal anterior não serve como paradigma para validar a operação aqui questionada; · A Junta Comercial do Estado de São Paulo seria a autoridade competente para avaliar o procedimento societário: a pretendida cisão de uma associação civil, correspondente à sua extinção parcial, não está sujeita a registro na Junta Comercial, mas sim no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. À Junta Comercial do Estado de São Paulo coube, apenas, registrar os estatutos da nova sociedade anônima, inexistindo qualquer prova de que neste procedimento tenha sido convalidado o aporte de patrimônio vertido de associação civil; · Não haveria óbice legal à transformação, na modalidade cisão, de qualquer sociedade ou associação: a cisão é procedimento que somente passou a existir com a Lei nº 6.404/76, e sem esta previsão legal, era necessário que a sociedade devolvesse capital a seus sócios para que estes utilizassem tal parcela para integralização em outra sociedade. Não basta inexistir óbice legal, é preciso que haja previsão legal para que a forma jurídica “cisão” possa ser adotada. Inexistindo previsão legal para cisão de associação civil, o ato praticado somente pode ser caracterizado como devolução parcial do patrimônio aos associados, e assim ensejar a aplicação do art. 17 da Lei nº 9.532/97; · Os ativos patrimoniais teriam sido vertidos do patrimônio da associação BM&F para o patrimônio da sociedade anônima que surgiu pela cisão, pelo valor contábil: a sociedade anônima foi constituída com um capital equivalente ao valor do patrimônio devolvido pela associação aos seus associados. Em que pese a equivalência de valores, não era possível a versão direta de Fl. 532DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 94 47 patrimônio da associação civil para a sociedade anônima, nem há evidências de que assim se fez na proposta de Estatuto das sociedades anônimas constituídas (fls. 272/306). Portanto, necessariamente ocorreu a devolução de patrimônio aos associados antes destes subscreverem as ações da nova sociedade com estes mesmos valores. E, mesmo na visão da recorrente, não se pode olvidar que a associação civil teria destinado patrimônio a entidade de fins econômicos, transmitindolhe os resultados beneficiados com isenção de IRPJ e CSLL, em afronta às condições legais deste benefício, especialmente a necessária destinação de seus resultados às atividades sem fins lucrativos. Em tais condições, a lei não cogita da suspensão da isenção, mas sim da tributação dos beneficiários daqueles rendimentos; · Em termos de valor absoluto nada teria mudado na contabilidade dos associados: isto porque foi dado indevidamente o tratamento de cisão, que tem como característica a permuta de ações/quotas no patrimônio do investidor. Não sendo possível a cisão da associação civil, a devolução do patrimônio com os rendimentos por ele produzidos durante o período que permaneceu sob a administração da entidade isenta, em confronto com o custo contabilizado deste aporte antes feito pelo associado, revela riqueza tributável segundo o disposto no art. 17 da Lei nº 9.532/97; · O custo para fins de apuração do resultado tributável seria aquele contabilizado no momento da cisão, pois há regras do BACEN e da CVM, além do art. 3o do Decreto Lei nº 1.109/70 e da Lei nº 8.849/94, e suas alterações, que determinam o registro em Patrimônio Líquido da contrapartida da diferença resultante entre o valor inicialmente contabilizado e o valor do patrimônio da Bolsa proporcional ao título detido pelo associado: as leis referidas afastam a incidência tributária sobre distribuição de lucros quando estes, mantidos em contas de reservas, sem distribuição, são utilizados para aumento de capital, bem como estabelecem presunções de distribuição se a incorporação é seguida ou precedida de redução do capital com devolução aos sócios. A Portaria MF nº 785/77 declarou que o acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração de seu patrimônio social não constitui receita nem ganho de capital, desde que mantido em reserva, providência, inclusive, determinada pelo BACEN. Nestes termos, enquanto não alienado ou baixado o investimento que gerou aquele rendimento, não há incidência de IRPJ e CSLL como extensamente justificado no início deste voto. A devolução de patrimônio pela associação isenta nada mais é do que a baixa deste investimento, e a apuração do ganho de capital deve observar o diz a legislação, consoante já expresso neste voto, integrando a hipótese de incidência expressa no art. 17 da Lei nº 9.532/97, que expressamente alcança todo o acréscimo auferido entre o aporte inicial e a devolução do patrimônio. Em suma, inexiste tributação se o patrimônio da associação isenta com ela permanece ou é destinado a outra entidade Fl. 533DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 95 48 sem fins econômicos, consoante permite o Código Civil. Se o patrimônio é destinado a entidade com fins econômicos, o que pressupõe, necessariamente, a sua devolução aos associados, há realização dos resultados segundo a determinação legal e, por conseqüência, incidência de IRPJ e CSLL quando o beneficiário deste ganho é pessoa jurídica; · O entendimento da Solução de Consulta COSIT nº 10/2007 estabeleceria nova regra de tributação, desqualificaria a escrituração contábil dos associados e arbitraria o lucro: a regra de tributação foi fixada pela Lei nº 9.532/97 e a hipótese de incidência ocorreu tal qual interpretado na Solução de Consulta referida, na medida em que não houve cisão parcial da associação civil, mas sim devolução parcial de seu patrimônio aos associados, que o destinaram à constituição de uma entidade com fins econômicos, em total afronta às exigências fixadas em lei para manutenção dos efeitos da isenção dos resultados de entidades sem fins lucrativos; · Não há previsão de ajuste do lucro líquido na lei para refletir a valorização dos títulos, e, por conseqüência, não há incidência de CSLL sobre estes valores: o art. 17, §4o da Lei nº 9.532/97 estabelece que a base de cálculo expressa no caput do dispositivo prestase, não só à adição ao lucro real, como também para determinação da base de cálculo da CSLL. Assim, caracterizada a devolução parcial de patrimônio aos associados, há fundamento legal para exigência, também, da CSLL. Por fim, cabem algumas considerações acerca do Parecer do Professor Calixto Salomão Filho, apresentado a esta Conselheira durante sessão de julgamento passada. Apesar de suas conclusões divergirem daquelas aqui adotadas, algumas referências ali contidas acabam por reforçar o entendimento ora firmado. Isto porque observase, ali, que o objeto da associação pode ser igual ao de uma sociedade empresária, diferenciandose o objetivo, que, no caso das associações, deve ser distinto da divisão dos rendimentos. E, considerandose esta semelhança, bem como outros aspectos, reputase possível não só a cisão de associação sem fins lucrativos, mas também a versão de seu patrimônio para uma sociedade anônima. Mais à frente, porém, abordando as vantagens vislumbradas com a desmutualização, mencionase o incremento das vias de financiamento e da capacidade competitiva, a redução das situações de conflito de interesses mediante o afastamento dos corretores como únicos participantes do processo decisório das bolsas, a evidenciar a futura confusão dos resultados antes auferidos pela associação sem fins lucrativos com as vantagens almejadas. Evidenciase, daí, a falta de relevo dado à característica distintiva das associações sem fins lucrativos, consistente na impossibilidade de distribuição de seus resultados, bem como à importância deste aspecto no âmbito tributário, como causa da isenção que lhe é concedida sobre estes resultados. Admitir a cisão realizada, com versão do patrimônio para uma entidade com fins econômicos claramente afronta a legislação civil e a legislação tributária, que têm como premissas a impossibilidade destas associações distribuírem lucros. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 96 49 Por estas razões, rejeitada a arguição de nulidade da decisão recorrida nos termos do voto do I. Relator, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Fl. 535DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 12457.011254/2007-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 02/03/2006, 16/03/2006, 20/03/2006, 27/03/2006, 30/03/2006, 31/03/2006, 05/04/2006
DIFERENÇA ENTRE PREÇO PRATICADO E PREÇO DECLARADO. SUBFATURAMENTO. OCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO COM BASE EM OUTRAS OPERAÇÕES. EXTENSÃO. POSSIBILIDADE. MULTA. APLICABILIDADE.
Nas operações de importação de mercadorias, nos casos de fraude, sonegação ou conluio, aplica-se a multa de cem por cento da diferença entre o valor declarado e o efetivamente praticado, ou, não sendo o último conhecido, sobre a diferença entre o valor declarado e o valor arbitrado.
A comprovação da ocorrência da fraude, sonegação ou conluio, requer a demonstração de que as ações do contribuinte foram praticadas de forma intencional. Havendo prática reiterada, desnecessário que essa circunstância seja identificada em cada operação incluída no auto de infração, desde que haja identidade entre elas.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. DESPACHANTE ADUANEIRO. RESPONSABILIDADE.
Respondem pela infração aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie.
O despachante aduaneiro responde solidariamente pela infração quando comprovado que, na prática, desempenhava atividade gerencial sobre os negócios ilícitos empreendidos pela pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. A Conselheira Andréa Medrado Darzé votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 23/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. A Conselheira Andréa Medrado Darzé votou pelas conclusões. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Relator EDITADO EM: 23/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
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SUBFATURAMENTO. OCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO COM BASE EM OUTRAS OPERAÇÕES. EXTENSÃO. POSSIBILIDADE. MULTA. APLICABILIDADE. Nas operações de importação de mercadorias, nos casos de fraude, sonegação ou conluio, aplicase a multa de cem por cento da diferença entre o valor declarado e o efetivamente praticado, ou, não sendo o último conhecido, sobre a diferença entre o valor declarado e o valor arbitrado. A comprovação da ocorrência da fraude, sonegação ou conluio, requer a demonstração de que as ações do contribuinte foram praticadas de forma intencional. Havendo prática reiterada, desnecessário que essa circunstância seja identificada em cada operação incluída no auto de infração, desde que haja identidade entre elas. INFRAÇÃO ADUANEIRA. DESPACHANTE ADUANEIRO. RESPONSABILIDADE. Respondem pela infração aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. O despachante aduaneiro responde solidariamente pela infração quando comprovado que, na prática, desempenhava atividade gerencial sobre os negócios ilícitos empreendidos pela pessoa jurídica. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 7. 01 12 54 /2 00 7- 59 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. A Conselheira Andréa Medrado Darzé votou pelas conclusões. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 23/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de Auto de Infração no valor de R$ 69.624,78 lavrado para constituição de crédito tributário referente a multa do controle administrativo, em função de subfaturamento apontado na descrição dos fatos e enquadramento legal da autuação (fls. 02 e 03). Depreendese dos autos que em procedimento especial de fiscalização aduaneira (Instrução Normativa SRF n° 228/02), a fiscalização constatou que a interessada introduziu no Pais, por meio das Declarações de Importação (DI) nºs 06/2385053, 06/02385126, 06/03022132, 06/03174889, 06/03481862, 06/03636270, 06/03709049 e 06/03898003, oito cargas da mercadoria "alho" com valores subfaturados em 20,78%. A constatação se deu com base em documentos (relatórios e cartas comerciais emitidos em papel timbrado e assinado por procurador da empresa) retidos por ocasião de diligência realizada ao estabelecimento da autuada, nos quais são informados os custos relacionados a cada importação realizada. Entendo estar configurado o subfaturamento as autoridades aplicaram o disposto no parágrafo único do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15735/2001, arbitrando o preço da mercadoria com base nos documentos que demonstram o percentual subfaturado. Foram incluídos no pólo passivo da autuação os Srs. LEANDRO DUARTE (CPF n ° 628.393.22072) e CELSO PINNOW (CPF n° 681.867.89987), conforme "Termo de Sujeição Passiva Solidária" (fls. 08 a 10). A inclusão decorre do fato de terem sido encontrados documentos que demonstram que os interessados (sócios da empresa ABRAPAR, despachantes que atuavam em nome da autuada) a despeito de terem ciência dos valores "pago por fora", registravam as declarações de importação com valor inferior ao praticado e, ainda, em virtude de haver procuração pública em que a autuada concede poderes amplos e gerais para gerir e administrar a empresa. Assim entendeu a fiscalização que restou caracterizado o interesse comum na situação, e que os interessados concorreram para a pratica da infração. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12457.011254/200759 Acórdão n.º 3102001.960 S3C1T2 Fl. 3 3 Intimada, a interessada AGRO WORD COMERCIAL IMPORT. EXPORT. DE ALIMENTOS LTDA. apresentou impugnação de folhas 106 a 111, anexando os documentos de folhas 112 a 125. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, devem ser afastados os valores referentes às declarações de / importação para as quais não existem provas. Os documentos citados pela fiscalização fazem referencia a somente 2 declarações; Que, os documentos de folhas 114 e 115 (sic) do processo não se prestam para comprovar que os produtos importados tiveram realmente os valores alterados. A indicação valores pagos "por fora", em verdade está se referindo a valores de comissão efetivamente pagos a pessoas na República Argentina, pessoas estas que passaram informações a impugnante para a localização dos fornecedores com preços mais acessíveis; Que, não haviam motivos para ensejar uma fraude na transação comercial, não incidiam os tributos federais. Requer a procedência da impugnação, alternativamente seja julgado parcialmente procedente a presente impugnação. Intimados, os responsáveis solidários Srs. LEANDRO DUARTE e CELSO PINNOW apresentaram impugnação conjunta, de folhas 127 a 139, anexando os documentos de folhas 140 a 155. Em síntese, trazem as seguintes alegações: Que, apenas efetuaram o serviço de assinatura de Declaração de Importação. Exerciam as funções de despachante aduaneiros, não possuíam qualquer interesse nos negócios realizados pela aludida empresa; Que, não ocorre de fato a alegada solidariedade apontada pela fiscalização. Traz jurisprudência administrativa; Que, as alegações quanto ao mérito foram fornecidas pela empresa autuada, vez que não tinham conhecimento do funcionamento da empresa. Que, devem ser afastados os valores referentes às declarações de importação para as quais não existem provas. Os documentos citados pela fiscalização fazem referência a somente 2 declarações; Que, os documentos de folhas 114 e 115 (sic) do processo não se prestam para comprovar que os produtos importados tiveram realmente os valores alterados. A indicação valores pagos "por fora", em verdade está se referindo a valores de comissão efetivamente pagos a pessoas na República Argentina, pessoas estas que passaram informações a impugnante para a localização dos fornecedores com preços mais acessíveis; Que, não haviam motivos para ensejar uma fraude na transação comercial, não incidiam os tributos federais. Requer a procedência da impugnação, alternativamente seja julgado parcialmente procedente a presente impugnação e, ao final, sejam excluídos os impugnantes da responsabilidade solidária. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 02/03/2006, 16/03/2006, 20/03/2006, 27/03/2006, 30/03/2006, 31/03/2006, 05/04/2006 MULTA ADMINISTRATIVA. Constatada diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado nas importações é correta a exigência da multa administrativa. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A Empresa Agroworld Comercial Importadora e Exportadora de Alimentos Ltda defendeu que os documentos encontrados na sede da empresa com os quais a Fiscalização Federal procurou comprovar a prática do subfaturamento no preço referemse a apenas duas Declarações de Importação. Em face disso, requer seja afastada a pena aplicada para todas as demais importações. Mais uma vez, argumentou que “não se pode interpretar como sendo uma alteração dos valores efetivamente pagos na transação internacional a simples expressão ‘por fora’, vez que ausente de maiores comprovações, especialmente no tocante à movimentação financeira e demais documentos que instruíram o despacho aduaneiro de importação, o qual aponta de forma correta os valores efetivamente praticados e declarados ao fisco”. Que, pelo fato de as alíquotas estarem reduzidas a zero, não houve falta de recolhimento de tributos. O Sr. Leandro Duarte sustentou que a responsabilidade atribuída não observa as disposições legais pertinentes, pois, no caso, apenas exercia atividade de despachante aduaneiro. Que o Auto de Infração não demonstra o interesse existente na operação e que em nenhum momento concorreu para a prática de algum ato. Citou e transcreveu jurisprudência. Que a Fiscalização errou ao indicarlhe sujeito passivo solidário. Ausentes os quatro elementos necessários para tanto: integrar o quadro social da autuada, a empresa não ter personalidade jurídica própria, não ser possível exigir da empresa o pagamento de tributos e haver ação/omissão do sócio em relação ao fato gerador dos tributos. No mérito, reproduziu a defesa apresentada pela empresa Agroworld. Argumentou que não há provas de subfaturamento, que expressão “por fora” não deve ser interpretada como o Fisco pretende. Que só há provas relacionadas a duas Declarações de Importação. Que as alíquotas eram iguais a zero. De uma primeira análise do processo, entendeuse necessário a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos. Extraise do Relatório Fiscal de Encerramento que a empresa foi selecionada para o procedimento de revisão da habilitação concedida em vista da incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira estimada para a empresa. Ao longo do procedimento fiscal, os AuditoresFiscais autuantes obtiveram claros elementos probantes da ocorrência de interposição fraudulenta de terceiros. É o que consta no Relatório. Ora, de acordo com as informações e constatações colhidas como resultado da diligência fiscal realizada no estabelecimento do importador, surgiram fortes Fl. 256DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12457.011254/200759 Acórdão n.º 3102001.960 S3C1T2 Fl. 4 5 indícios de ocultação dos reais sujeitos passivos, pois, na medida em que a fiscalizada somente utiliza sua estrutura contábil e física mediante a realização de importações quando demandada pelos seus clientes (encomendantes), entregando a mercadoria diretamente no endereço de seus clientes sem sequer transitar em seus estoques, os quais, conforme foi destacado, não foram detectados, em conjunto com o fato de que as instalações físicas do estabelecimento fiscalizado mostraramse incompatíveis com as transações efetuadas, inevitavelmente implicam na constatação de que, em tese, quem realmente seriam os efetivos adquirentes das mercadorias de origem estrangeira seriam seus clientes e não a importadora em tela. (grifos no original) [...]Foram encontrados relatórios emitidos pela empresa AGROWORLD para a comissária de despacho ABRAPAR DESPACHOS ADUANEIROS LTDA, aos cuidados dos Srs. CELSO PINOW, LEANDRO DUARTE e EDVARD GUIMARÃES ARAÚJO, informando sobre as despesas efetivamente incorridas nas operações comerciais da empresa (fls. 113115). Chama a atenção o fato de que consta como despesa a "comissão para a Agroworld". Verificase, portanto, que a fiscalizada cedia seu nome, mediante disponibilização de documentos próprios, para realização de operações de terceiros, acobertando os reais beneficiários das operações e recebendo uma comissão por esse "serviço". Embora isso, o vertente processo não se refere à multa de conversão da pena de perdimento, mas à multa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado. Vejase como relata no corpo do Auto de Infração correspondente. Tal constatação [referese ao subfaturamento do preço] se deu baseado em documentos retidos em diligência realizada ao estabelecimento da autuada nos quais são informados os custos relacionados a cada importação realizada pela AGROWORLD. Nesses documentos (relatórios e cartas comerciais) emitidos em papel timbrado e assinados pelo procurador da empresa, foram constatados valores "pagos por fora" em valores correspondentes a 20,78% do valor total das oito DI's. Um dos argumentos de defesa apresentado pelas partes referese à ausência de provas do subfaturamento do preço para as oito Declarações de Importação relacionadas no Auto de Infração combatido. As Recorrentes afirmam que, se admitíssemos a ocorrência da infração, a Fiscalização teria logrado êxito em comprovála para apenas duas operações. Independentemente da possibilidade ou não de estender a outras operações as irregularidades constatadas em apenas alguns casos, o Relatório Fiscal de Encerramento traduz a informação de que a Fiscalização Aduaneira considera ter comprovado a irregularidade nas oito operações objeto da exigência, se não vejamos. Com base em documentos encontrados na sede da empresa, nos quais constavam os "valores pagos por fora" em cada operação realizada (fls. 113 115), verificouse que a fiscalizada praticava o subfaturamento de suas importações com o evidente intuito de pagar menos tributos por ocasião do desembaraço aduaneiro das mercadorias. A fiscalização apenas conseguiu comprovar o subfaturamento nos oito primeiros despachos realizados pela empresa, referente a carregamento de alho, representando 20,78% do real valor das mercadorias. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 Os documentos a que faz referência estão localizados em três folhas do processo. Conforme acima, as de número 113, 114 e 115. Compulsando os autos, induvidoso trataremse de três relatórios, dois deles identificando as Declarações de Importação correspondentes, outro não. Se a própria Fiscalização afirma que a prova de subfaturamento está localizado nestas três folhas, não posso compreender porque considera comprovada a infração para as oito operações. Supondo que o raciocínio empregado tenhase baseado na identidade entre os preços unitários praticados nestas oito operações, procurei obter informações sobre as quantidades negociadas, incoterms, preços unitários etc, mas constatei que as Declarações de Importação relacionadas no Auto de Infração não foram incluídas no processo. Por conta disso, VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a Unidade de Origem junte aos autos as oito Declarações de Importação identificadas no Auto de Infração. Uma vez que o processo retornará à origem, não será demais solicitar à Fiscalização Autuante esclarecimentos a respeito das considerações extraídas do Relatório Fiscal de Encerramento, acima transcritas. Explicar a razão porque considerou haver provas da infração para as oito operações incluídas no Auto de Infração. Após seja dado ciência do resultado da diligência ao contribuinte e ao solidário e concedido prazo de dez dias para manifestação. Feito isso, retorne a este Conselho para decisão final. Uma vez que tenha sido realizada a diligência solicitada, o Processo retorna agora para este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. O processo retorna da diligência instruído com as Declarações de Importação objeto do Auto de Infração controvertido e com esclarecimentos prestados pela Fiscalização Federal a respeito das provas de subfaturamento do preço na importação do alho colacionadas aos autos. Rememorando, propus a diligência porque, uma vez que a Fiscalização tivesse informado no Relatório do Auto de Infração que as provas do subfaturamento encontravamse às folhas 113 a 115 e, constatando que lá havia apenas três relatórios, cada um correspondendo a uma operação de importação, não pude compreender no que tinhase baseado a acusação de subfaturamento para as oito importações incluídas no Auto de Infração. Outrossim, nem mesmo havia como supor que se tratasse de prática comum, reiterada, pois as Declarações de Importação não foram encartadas ao Processo, razão pela qual não era possível conhecer os valores unitários de cada operação. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12457.011254/200759 Acórdão n.º 3102001.960 S3C1T2 Fl. 5 7 Inicio pelos esclarecimentos prestados pelos AuditoresFiscais autuantes. Transcrevo parte da informação prestada. Aproveito para explicar os argumentos utilizados pela fiscalização para considerar comprovado o subfaturamento praticado pela empresa nas referidas operações de importação. A fiscalização juntou ao auto de infração o documento manuscrito encontrado na sede da empresa (fl. 62)1. Tratase de um relatório de custos da empresa Agroworld referentes à importação de “8 carretas” de alho. Neste relatório, observa se que o valor “Despesa com alho – câmbio 8 carretas” foi de R$ 265.700,00. Este foi o valor declarado nas DI´s (equivalente ao somatório do valor FOB) e que estava amparado pelas faturas comerciais que instruíram os despachos de importação. Entretanto, observase também que o relatório cita o “valor pago por fora” para importar as 8 carretas, no total de R$ 69.713,60. Ou seja, o custo efetivo e real total para trazer as 8 carretas de alho do exterior, e que deveria constar nas faturas comerciais, era de R$ 335.413,60. Daí se concluiu que o valor constante na fatura comercial foi subfaturado em 20,78%. Pois bem, no ano de 2006, a empresa Agroworld realizou diversas operações de comércio exterior no ramo de hortifrutigranjeiros, conforme se observa do relatório juntado às folhas 19 e 20 extraídas do Sistema DWAduaneiro. Verificase, portanto, que naquele ano a empresa registrou apenas 8 (OITO) declarações de importação de alho (cada DI tinha por objeto 1 carreta de alho, ou seja, 8 carretas no total). Ora, é uma conclusão lógica que se a AGROWORLD pagou valores “por fora” (a margem dos documentos oficiais que apresentou ao fisco) para importação de “8 carretas de alho”, estas não poderiam ser outras que aquelas únicas 8 importações de alho realizadas em 2006 (DI´s 06/2385053, 06/02385126, 06/03022132, 06/03174889, 06/03481862, 06/03636270, 06/03709049 e 06/03898003). (...) De fato, pareceme que assim as coisas fiquem bem melhor esclarecidas. Embora haja menção no Relatório do Auto de Infração ao documento manuscrito como prova do subfaturamento, não identifiquei, por ocasião do primeiro juízo que fiz sobre os fatos e provas colacionadas, quais evidências da ocorrência da infração podiam ser dele extraídas. Revendo tais documentos, é possível perceber que estão ali especificadas, Despesa com alho – câmbio – 8 carretas 265.700,00 Valor pago por fora 69.713,60 Como informa o Fisco, cada carreta corresponde a uma importação, o que se confirma pela soma do valor das oito importações incluídas no Auto de Infração que monta a R$ 267.788,32. Também como demonstrado pela Fiscalização, o subfaturamento é da ordem de 20,78% (69.713,60 ÷ 335.413,60 (265.700,00+69.713,60)). Fl. 259DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 Mais uma vez compulsando os autos, agora instruído com as Declarações de Importação, identifiquei que o valor unitário (por caixa) praticado em cada operação gira em torno de 6 e 7 dólares. Em dois dos demonstrativos colhidos pela Fiscalização Federal (folhas 113 a 115), o contribuinte faz menção a um valor pago por fora da ordem de 1,5 centavos de dólar por caixa. Admitindose que represente, na verdade, 1,5 dólares, e não centavos de dólares1, uma margem de subfaturamento muito parecida com a identificada pelo Fisco, da ordem de 18,75% (1,5/8), confirmando a interpretação dos fatos proposta pelos Auditores Fiscais. A acusação de subfaturamento do preço não se confunde com os demais casos revisão do valor aduaneiro declarado, seja a revisão decorrente da rejeição do primeiro método, seja da recomposição da base de cálculo, com a inclusão de valores que, embora não integrando o preço, devem ser acrescentados à base de cálculo dos tributos aduaneiros. No subfaturamento, é preciso que seja provado que o preço ou valor praticado naquela operação não foi o informado pelo importador na declaração de importação. Ao contrário, a rejeição do primeiro método ou recomposição do valor requer apenas o enquadramento do fato nas condições definidas na legislação de regência como aptas à rejeição do primeiro método ou inclusão de valores na base de cálculo. Tratase de uma distinção de grande relevância, na medida em que cada uma das duas situações traz repercussões completamente diferentes. Com base nas irregularidades acima delineadas, a Fiscalização Aduaneira entende ter comprovado que ocorreu o subfaturamento do preço, o que significa dizer que o preço praticado na operação não foi o informado na Declaração de Importação identificada no Auto de Infração. Comprovar o fato ou direito, com se sabe, é ônus de quem alega. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa assim a responsabilidade. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado; no entanto, não se molda tão bem a essa máxima. No campo do direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos que se pretende provar. A guarda não constitui obrigação do Erário e não integra a natureza das relações fiscocontribuinte. Nem mesmo se pode falar em pacto formal do fato constitutivo do direito. A comprovação do fato jurídico tributário, por isso, depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação fiscal o obriga a produzir e manter ou declare sua ocorrência em declaração prestada à autoridade pública. 1 O que se confirma pelo fato de, na linha seguinte, ser mencionado o valor de 0,44 centavos de dólar, o que representaria inexpressivos 10,56 dólares pelas 2.440 caixas negociadas, enquanto, na verdade, ao final da linha, o somatório da despesa ali descrita está informado como sendo de R$ 2.310,00. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12457.011254/200759 Acórdão n.º 3102001.960 S3C1T2 Fl. 6 9 No caso específico de subfaturamento do preço na importação, desnecessário dizer que o modelo acima não favorece a comprovação do ilícito. O contribuinte, por óbvio, não vai apresentar espontaneamente documentos que testemunhem negociação em valor superior ao informado. Também a contabilidade formal e os documentos correspondentes não conterão informações sobre a prática da irregularidade. Com efeito, será necessário que o Fisco obtenha as provas em procedimentos de exceção, tal como busca e apreensão no estabelecimento do contribuinte, ou que as obtenha em situações peculiares, como durante a conferência física das mercadorias, o que aconteceu no caso da Declaração de Importação nº 06/02849068. Contudo, não é sensato esperar que isso ocorra mais do que algumas poucas vezes, ou mesmo, mais do que uma vez. Em sentido diametralmente oposto, também não é possível admitir que a constatação da ocorrência de uma infração dolosa em determinado momento se irradie, deliberadamente, para todas as demais operações conduzidas por determinada pessoa jurídica, trazendo a presunção de fraude para todas as negociações que venham a ser consumadas dali para frente. Sopesando todos esses aspectos, vejo como inconteste a presença dos elementos necessários à comprovação da prática da infração de subfaturamento do preço no caso concreto. Não há como atribuir presunção de boafé quando tantas evidências laboram em desfavor do contribuinte. Ao contrário do que sustenta, a presença da informação de que valores serão pagos por fora nos documentos espontaneamente produzidos pelas partes envolvidas não pode interpretada de outra forma, se não como uma forte evidência de que parte do preço praticado nas operações não era remetido pela via oficial, mas, como acidentalmente confessado, pago por fora. Pode até que a autuação não se mantivesse se baseada única e exclusivamente em um documento contendo esse tipo de informação, mas, como se viu, não foi esse o caso. A suspeita levanta pela desavisada indicação de que valores seriam pagos por fora foi amplamente confirmava nas informações contidas nos registros e anotações obtidos da diligência fiscal. Uma vez comprovada a presença do elemento volitivo, a legislação pátria, artigo 88 da MP 2.158/0135, autoriza o arbitramento do preço por critérios razoáveis. Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de Fl. 261DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 10 dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Foi o que a Fiscalização fez. Tomou por base um percentual identificado em um manuscrito e corroborado por outros documentos e aplicou sobre as demais operações, que, inclusive, estavam efetivamente incluídas no valor total das importações informado no manuscrito. No que se refere à sujeição passiva do Sr. Leandro Duarte, que alega ser um mero despachante, sem interesse comum nas práticas delituosas apuradas pelo Fisco, pertinente transcrever o teor o Relatório Fiscal a respeito da participação da sua nas operações empreendidas pela Agro World. Foi encontrada cópia de Procuração Pública (fls. 103104) lavrada e assinada em 27 de janeiro de 2006, onde a fiscalizada nomeou e constituiu o Sr. LEANDRO DUARTE, CPF 628.393.22072 como procurador da empresa, concedendolhe amplos, gerais e ilimitados poderes para representála junto ao Banco Bradesco S/A. Esse fato levantou suspeita da fiscalização haja vista que em casos clássicos de interposição fraudulenta de terceiros quase sempre quem efetivamente administra e movimenta os recursos da pessoa jurídica não são seus sócios de direito, mas sim os reais beneficiários, além do fato de que os bancos em geral só permitem que terceiros movimentem contas correntes de outra titularidade quando devidamente munidos da competente procuração pública. (...) Como resposta, além da procuração pública anteriormente mencionada, obtevese o encaminhamento de outra procuração pública que a empresa AGROWORLD COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA DE ALIMENTOS LTDA teria passado em favor do Sr. Leandro Duarte, portador do CPF n° 628.393.22072 Procuração Pública (fls. 110112) lavrada e assinada em 04 de agosto de 2006, onde a fiscalizada nomeou e constituiu o Sr. LEANDRO DUARTE como procurador da empresa, dandolhe, em síntese, amplos e gerais poderes para gerir e administrar a empresa AGROWORLD, podendo, entre outros, movimentar contas bancárias, assinar contratos de câmbio, representála perante todas e quaisquer repartições públicas; Embora o Sr. Leandro oficialmente exercesse a função de despachante aduaneiro, vêse que, na prática, atuava como o verdadeiro gerente do negócio, razão pela qual não vejo porque deva ser excluído do polo passivo da obrigação tributária. Por todo exposto, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 25 de julho de 2013. (assinatura digital) Fl. 262DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12457.011254/200759 Acórdão n.º 3102001.960 S3C1T2 Fl. 7 11 Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 263DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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