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Numero do processo: 10925.722519/2011-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original.
Numero da decisão: 3201-002.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cléber Magalhães, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cléber Magalhães, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 25 19 /2 01 1- 35 Fl. 438DF CARF MF 2 Referese o presente processo a pedido de ressarcimento de Cofins, relativo ao 4o trimestre de 2004. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase o presente processo de manifestação de inconformidade frente a despacho decisório de indeferiu pedido de ressarcimento de créditos apresentado pela contribuinte. O pedido de ressarcimento referese a créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins referente ao terceiro trimestre de 2004, no valor de R$ 2.626.982,91. O indeferimento do pedido de ressarcimento foi motivado pela falta de comprovação da interessada de seu direito creditório. A autoridade fiscal esclarece ter intimado a contribuinte para comprovação da procedência de seu crédito, tendo a interessada solicitado por duas vezes a prorrogação de seu prazo para apresentação dos documentos. Conclui com a informação de que teriam se passado mais de 108 dias da data de ciência da Intimação Fiscal até a formalização do despacho decisório, não tendo sido apresentado nenhum dos documentos probatórios solicitados. A contribuinte, irresignada, apresentou manifestação de inconformidade ao despacho decisório com os argumentos abaixo expostos. Aduz a que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco de questionar as compensações realizadas, pois teria transcorrido o prazo de 5 anos previsto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Baseia seu argumento no fato da notificação da glosa ter sido realizada em 13/02/2012, e o crédito dizer respeito ao 2º trimestre de 2005. Entende que há cerceamento de defesa da impugnante, com consequente violação ao devido processo legal administrativo, tendo em vista a glosa decorrer de suposta ausência de comprovação de seus créditos. Argumenta que, diante das circunstâncias específicas do caso concreto, com a fiscalização exigindo documentos referentes a período significativamente antigo, a empresa sendo uma das maiores empresas de alimentos do mundo, e da impugnante ter sofrido em torno de 60 procedimentos de fiscalização por mês, deveria ter o Fisco aguardado mais um período antes de realizar a glosa. Defende ainda que, diante da não comprovação dos créditos, deveria a fiscalização proceder com o lançamento Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10925.722519/201135 Acórdão n.º 3201002.627 S3C2T1 Fl. 94 3 de ofício, e não com a glosa de seu pedido de ressarcimento. Entende ser fundamental a conversão do julgamento em diligência com o objetivo de se confirmar a falta de comprovação ou a legitimidade de seus créditos. Quanto aos juros, entende que estes são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado. Ressaltar a impossibilidade de incidir juros sobre a multa. Argumenta que o valor da multa imputado é de evidente irrazoabilidade e confisco. Requer o reconhecimento da nulidade ou da improcedência do ato decisório. Requer ainda prova pericial destinada à avaliar, especialmente, se os bens, produtos/serviços e materiais adquiridos e glosados pela Fiscalização, diante da peculiaridade da atividade econômica despenhada pela impugnante se enquadram no conceito de insumo de PIS e Cofins, excluindose o critério exclusivo da legislação do IPI. Nomeia como assistente do perito Sérgio Luiz Lazzari, CPF: 423.505.30949. Requer, por fim, a juntada posterior de documentos, laudos, pareceres, perícias, caso seja necessário ao deslinde do presente caso, em cumprimento ao devido processo legal e verdade material A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte a comprovação minudente da existência do direito creditório. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Os atos anteriores a emissão do despacho decisório referemse à investigação fiscal que tem caráter inquisitório e se destina a verificação da situação fiscal da Fl. 440DF CARF MF 4 contribuinte, sendo que o contraditório e a ampla defesa referemse a momento posterior à emissão da decisão administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, entendeuse ausente a nulidade do ato administrativo, uma vez que fornecido à contribuinte todas as informações que embasaram a glosa de seus créditos, bem como lhe foi concedido o direito a se defender desta decisão. Sobre a decadência, entendeuse que em relação a pedidos de ressarcimento inexiste previsão específica, sendo incorreto o entendimento da contribuinte, além de que, não teria decorrido o prazo estabelecido pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, no caso da declaração de compensação emitida. Quanto ao ônus probatório, afirmouse que incumbe ao contribuinte provar fatos impeditivos do nascimento da obrigação tributária ou de sua extinção, ou requisitos constitutivos de uma isenção ou outro benefício tributário. Ademais, não se poderia usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes. Em sede de recurso voluntário, foram reiterados os argumentos iniciais, e juntados nessa ocasião, DVDs contendo, supostamente, todos os documentos comprobatórios do direito ao ressarcimento. Destarte, verificouse que, em 31/08/2012, houve termo de juntada física, contendo os seguintes dizeres: Informo que em data de 31/08/2012 foi incluído um ANEXO (Processo Papel) nº. 10925.722.208/201257 para guarda e arquivo de 06 CDR , contendo respostas da Intimação nº. 544 referente ao III trimestre 200 PIS/COFINS em nome da empresa SADIA S.A. Tais arquivos se referem aos processos 10925.722515/201157; 10925.722517/201146; 10925.722516/201100; 10925.722518/201191 E 10925.722519/201135. Foi juntado aos autos, da mesma forma, laudo do Instituto Nacional de Tecnologia, no qual se descreve o processo produtivo da Recorrente, bem como a forma em que os insumos, que gerariam o direito ao crédito, teriam sido empregados. Em vista da juntada dos documentos e do posicionamento desta turma julgadora, no sentido de prestigiar a verdade material, aceitouse a juntada extemporânea, deliberandose por converter o julgamento em diligência, para que a Fazenda Nacional se manifestasse, de sorte a não corromper a dialética processual. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10925.722519/201135 Acórdão n.º 3201002.627 S3C2T1 Fl. 95 5 O processo retornou para o prosseguimento do julgamento, com informação fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, na qual conta a seguinte análise (os grifos são do original): O processo nº 10925.722208/201257 contém 6 (seis) CD, aqui nomeados CD 1 a CD 6, com as seguintes inscrições no envelope que os contém: No envelope que contém o CD 1, folha 5, está escrito “Intimação 544/2011 PIS/COFINS 2000 3º trim”. No envelope que contém o CD 2, folha 7, está escrito “Int 544/2011 – créd. PIS/COFINS 3º trim 2000”. No envelope que contém o CD 3, folha 9, está escrito “Int 544/2011 Pis e Cofins / 3º trim 2000”. No envelope que contém o CD 4, folha 11, está escrito “AA – INTIMAÇÃO 5442011 SAORT CRED. Pis e Cofins 3º trim 200”. No envelope que contém o CD 5, folha 13, está escrito “AA – INTIMAÇÃO 5442011 SAORT CRED. Pis e Cofins 3º trim 200”. No envelope que contém o CD 6, folha 15, não há nada escrito. Foi verificado que todos os 6 (seis) CD têm o mesmo conteúdo. [...] Verificase a presença do arquivo 02 – Termo de Intimação Saort nº 05442011 20 062011.pdf. Tal arquivo contém cópia do Termo de Intimação de mesmo número, que se refere ao período do 3º trimestre de 2006. Em breve análise do conteúdo do CD verificase que contém arquivos de imagens (.PDF) de algumas notas fiscais, agrupadas em pastas relativas a diversas filiais e uma pequena quantidade de arquivos Excel (.xls), um deles contendo amostragem, e alguns relatórios de imobilizado. Ainda, há alguns arquivos texto (.TXT) contendo relatórios como o Relatório 1030429941 CALDEIRA CHAPECÓ.txt, que é um relatório de acompanhamento das compras para as obras da citada caldeira. Considerando o conteúdo do arquivo 10 Relatório de Notas Fiscais Amostragem Fiscal RFB .xls, que contém listagem de pequeno número de notas fiscais, parece tratar se de listagem de documentos relativos ao 3º trimestre de 2006 cujas cópias foram solicitadas pela citada intimação Fl. 442DF CARF MF 6 0544/2011, período que não é objeto de nenhum dos processos em tela. Colo abaixo imagem do programa Excel da planilha Linha 02, contida no citado arquivo. Os documentos a que se referem as imagens e as próprias listagens existentes nos CD referemse a período de apuração diverso dos períodos tratados nos processos em tela. Cada um dos citados processos teve os mesmos documentos solicitados, relativos ao período analisado, através das intimações citadas abaixo: A ordem de grandeza da quantidade de notas fiscais de entrada com crédito de outros períodos de apuração já analisados desta empresa, por trimestre, costuma chegar a centenas de milhares (perto de cem mil por mês) e as notas fiscais de saída passam da marca do milhão. Não há nestes CD nenhuma informação que, mesmo remotamente, lembre o que foi solicitado nestas intimações, em especial a memória de cálculo solicitada no item 3 de cada uma das intimações e nem os arquivos digitais de notas fiscais (item 6), mesmo tendo sido facultada a apresentação no padrão do ADE COFIS nº 15/2001 ou formato SINTEGRA. 2.Dos DVDs contidos no processo 10925.720663/201218 Na folha 01 do processo nº 10925.720663/201218 está presente Termo de Inclusão de Anexo Físico, com o seguinte teor: Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10925.722519/201135 Acórdão n.º 3201002.627 S3C2T1 Fl. 96 7 Por outro lado, verificando fisicamente os DVDs juntados à folha 2 daquele processo constatase que as capas dizem conter as respostas aos itens 3, 4, 5 e 6 das intimações citadas no quadro acima. Os dois DVDRW contidos no envelope da folha 2 daquele processo tem as seguintes inscrições a caneta no rótulo do disco: 1 “Intimações n.os 939941 e 945/2011 ANO 2004 Itens 3 456.” 2 “Intimações n.os 937940942/2011 ANO 2005 Itens 3 456” Embora não tenha sido determinada a juntada do conteúdo destes DVDs aos processos, em homenagem ao princípio da verdade material, juntei a cada um dos processos citados no início desta informação fiscal o inteiro teor destes dois DVDs. Devido ao tamanho do conteúdo e às limitações do sistema Eprocesso, o DVD do item 1 foi compactado em 4 (quatro) partes (~.zip.001.zip a ~.zip.004.zip, que devem ser baixadas, descompactadas para gerar a parcela original compactada (extensão .zip.001, .zip.002, .zip.003 e .zip.004) e então novamente descompactadas a partir do arquivo de extensão .zip.001. Da mesma forma, o DVD do item 2 foi compactado em 5 (cinco) partes. 3.Conclusão O conteúdo dos CDs juntados ao processo 10925.722208/201257 não tem relação com os processos em tela. Em cumprimento às resoluções citadas, juntei o conteúdo dos CDs a cada um destes processos apesar de não tratarem do mesmo período. As informações contidas nos CDs não têm qualquer relação com os períodos Fl. 444DF CARF MF 8 tratados nestes processos. Porém, o conteúdo dos DVDs juntados ao processo 10925.720663/201218 é relativo aos períodos tratados nos processos em questão. Por outro lado, não foi possível localizar nestes DVDs resposta ao item 2 das citadas intimações, onde são solicitadas cópias dos livros Registro de Apuração do IPI de todos os estabelecimentos de cada período. Não é possível verificar a correção das informações prestadas relativas ao item 6 das citadas intimações sem ter disponíveis as informações de totais de créditos e débitos por CFOP, existentes nos livros solicitados ou nos livros Registro de Apuração do ICMS do período. Assim, não é possível afirmar que o conteúdo dos DVDs atenda ao item 6 das intimações por falta de atendimento ao item 2. Mesmo assim, em homenagem ao princípio da verdade material, juntei o conteúdo dos DVDs presentes na folha 2 do processo 10925.720663/201218 a todos os processos em tela Não houve manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, nem mesmo da Recorrente, retornando o processo para o julgamento do recurso voluntário. Tendo retornado o processo à essa turma de julgamento para apreciação do recurso voluntário, a Recorrente alegou que não teria sido oportunizada a manifestação em relação à informação fiscal. Novamente baixado o processo em diligência, para que fosse dada ciência à Recorrente da informação fiscal, tendo essa se manifestado no sentido de que: É o relatório. Voto Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10925.722519/201135 Acórdão n.º 3201002.627 S3C2T1 Fl. 97 9 Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Inicialmente, rechaçase o argumento de nulidade por cerceamento do direito de defesa, em razão do indeferimento do pedido de realização de perícia, pois, como bem pontuado na decisão recorrida, foram concedidas diversas oportunidade para que a Recorrente comprovasse seu direito creditório, sem que se valesse de uma sequer. Observese que não se trata de acatar o pedido de perícia formulado, pelo fato de que a perícia pressupõe a necessidade de conhecimentos técnicos específicos para a análise documental, porém, tratase o caso em tela de simples ausência de prova das alegações. Destarte, conforme consta dos autos, a Recorrente foi intimada para a comprovação da procedência de seu crédito, com a concessão de duas prorrogações para apresentação dos documentos, sendo que da intimação fiscal para o despacho decisório, transcorreramse mais de 108 dias. Esses fatos já seriam suficientes para descaracterizar um eventual cerceamento do direito de defesa, não obstante, novamente, em sede de recurso voluntário, foi concedida uma nova oportunidade para a apresentação de documentos, de maneira que deve ser rejeitada preliminar. Adentrandose no mérito da questão, verificase que a diligência resultou improfícua para os fins para o qual foi concedida, isto é, remanesceu incomprovado o direito creditório, pois a despeito da juntada de diversos DVDs, nenhum deles veiculou as informações necessárias para estribar o pedido de ressarcimento em tela, conforme minudente relatório fiscal, o qual se transcreveu no presente voto. Observese que mesmo o laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia, que ilustra o processo produtivo da Recorrente com riqueza de detalhes, é estéril em face da inexistência da comprovação dos créditos, impossibilitando uma eventual vinculação entre as informações. Em se tratando de pedido de ressarcimento, é certo, apenas a documentação contábil completa trazida pela Recorrente, que reflita de maneira inconteste o seu direito creditório, seria hábil a fazer com que o princípio da verdade material laborasse a seu favor. Deve ser feita a observação de que com o advento no novo Código de Processo Civil, nos parágrafos do art.373, alteraram significativamente a disciplina do ônus da prova, em relação à Lei n. 5.689/1973 (em seu art.333), o anterior código processual. Destarte, os incisos I e II do referido dispositivo reproduzem o texto do diploma normativo anterior, prescrevendo que o ônus da prova é do autor “quanto ao fato constitutivo de seu direito” e do réu, “quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”, de maneira estanque, ou seja, o critério de determinação do ônus probatório era objetivo. Contudo, os parágrafos do mencionado dispositivo, trazem hipótese em que a regra geral é relativizada, quando o juiz, em face ao caso concreto, entenda que a outra parte Fl. 446DF CARF MF 10 tem melhores condições de esclarecimento dos fatos, invertendo o ônus probatório, em decisão devidamente fundamentada. Nesse contexto, e, considerandose a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil, por inexistir dispositivo específico aplicável ao processo administrativo, conforme determina o art.15, outra interessante novidade expressa no novo diploma, deverá ser sopesada a aplicação das novas regras de formação de provas, nos casos concretos submetidos à jurisdição administrativa. Contudo, o caso concreto apresentado, não dá brecha à inversão do ônus probatório. A Recorrente restringiuse, em seu recurso voluntário, a tecer ilações genéricas sobre o cerceamento do direito de defesa, bem como do volume expressivo de suas operações, que a impediriam de comprovar tempestivamente o seu direito subjetivo. Contudo, a hipótese é de ausência de comprovação e o volume de sas operações deve ser diretamente proporcional à sua capacidade de manter estrutura administrativa suficiente para lhe amparar juridicamente, em face do deverpoder do Fisco verificar o fundamento do crédito. Destarte, nos processos administrativos originados de decisões que não homologam declarações de compensação, restituição ou ressarcimento, o conflito originarseá do não reconhecimento da relação de débito do Fisco, por conseguinte, da não extinção da relação de seu crédito, pois na compensação concorrem duas relações jurídicas de cargas opostas – relação jurídica da obrigação tributária a relação de indébito do Fisco – que, combinadas, se anulam. A Medida Provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003 alterou a redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96, para aplicar às situações de nãohomologação da compensação o rito do processo administrativo fiscal federal, prescrevendo que a manifestação de inconformidade é o veículo introdutor de conflito, no âmbito da jurisdição administrativa. Todavia, o contencioso administrativo originado da impugnação ao lançamento de ofício não se confunde com aquele decorrente de manifestação de inconformidade da decisão que não homologa o direito creditório nas compensações efetuadas pelo contribuinte. Com efeito, na impugnação o contribuinte visa a desconstituir o lançamento tributário, ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do art.142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao deverpoder da Administração, de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Portanto, a despeito do princípio da verdade material ser importante vetor do processo administrativo fiscal, não pode ser aplicado sem base empírica, ou seja, à míngua das Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10925.722519/201135 Acórdão n.º 3201002.627 S3C2T1 Fl. 98 11 provas competentes para constituir juridicamente o fato afirmado pela Recorrente, pois a “verdade” deve ser encontrada nos autos. Finalmente, em relação à alegação de inconstitucionalidade da multa de ofício, dos juros sobre multa, constitucionalidade da SELIC, como bem posto na decisão recorrida, é discussão que não é pertinente ao caso em tela, cujo objeto é a nãohomologação de pedido de ressarcimento. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 448DF CARF MF
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Numero do processo: 10715.002502/2009-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 15/05/2004 a 02/06/2004
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-003.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Rodrigo da Costa Possas - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Tatiana Midori Migiyama Relatora Rodrigo da Costa Possas Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 25 02 /2 00 9- 19 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10715.002502/200919 Acórdão n.º 9303003.914 CSRFT3 Fl. 193 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3202000.564, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 15/05/2004 a 02/06/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (IN/SRF nºs. 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei nº 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido” Insatisfeita com o referido acórdão, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido de modo a ser mantida a multa por descumprimento do art. 37 da IN SRF 28/94. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 103/105. Irresignado, o sujeito passivo apresentou Contrarrazões às fls. 117/154 em face do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, requerendo que seja julgado improcedente o recurso, alegando, em síntese: · Que a IN 28/94 não possuía prazo certo e inequívoco para a inserção dos dados de embarque das cargas, razão pela qual não existe penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo; Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10715.002502/200919 Acórdão n.º 9303003.914 CSRFT3 Fl. 194 3 · Que não há como aplicar a multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DecretoLei 37/66 com base nas INs 510 e 1096 – eis que os fatos geradores são anteriores às publicações das referidas Instruções Normativas e as alterações trazidas pelas mesmas não são benéficas ao sujeito passivo, o que em sentido contrário ao disposto no art. 106 do CTN; · Subsidiariamente, a aplicação do instituto da denúncia espontânea, nos termos do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, vez que o sujeito passivo inseriu espontaneamente todas as informações no Siscomex. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que o recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, pois tempestivo e comprovada a divergência suscitada. O acórdão recorrido decidiu no sentido de que a expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduziria subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Por esse motivo, afastou a aplicação da multa aplicada, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, cancelando o lançamento por não se admitir o enquadramento legal indicado para a infração. Por sua vez, consta do voto do acórdão paradigma que “(...) imediato, assim se diz de tudo o que se segue, sem solução de continuidade. É o que vem logo, sem intermeio de qualquer coisa. Imediato dá, pois, a ideia de instantâneo. (...) A expressão “imediatamente‟ repele a existência de prazo, sendo contraditório pensarse em lapso de tempo, em termo inicial e termo final, no caso, entre o embarque da mercadoria e o registro de dados". Contrarrazões são tempestivas. Dessa forma, considerando a matéria trazida em Recurso, passo a discorrer sobre a aplicação ou não da multa capitulada no artigo 107 do Decreto Lei 37/66, com nova redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pela intempestividade do registro de dados no SISCOMEX após o prazo de 02 (dois) dias, contados da data da realização do respectivo embarque, prazo este que somente foi previsto no artigo 37 da IN SRF 28/94 com a nova redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510/05 – publicada posteriormente ao período ora abordado no caso em comento. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10715.002502/200919 Acórdão n.º 9303003.914 CSRFT3 Fl. 195 4 Importante mencionar que, independentemente de a IN SRF 510/05 ter trazido o prazo de dois dias para o registro do embarque das mercadorias no Siscomex, importante trazer que, com a edição da IN 1096/10, o art. 37, da IN 28/94, passou a ter nova redação. E com essa nova redação, a penalidade pelo descumprimento da obrigação passou a ser tratada de forma diferente, conforme segue: “Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 3º Os dados de embarque da mercadoria poderão ser informados pela fiscalização aduaneira nas hipóteses estabelecidas em ato da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana).(Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010)” Essa sensível ampliação do prazo, independentemente se tratar de embarques por via aérea ou embarques por via marítima ocorrido após a lavratura do auto de infração em comento nos remete para a regra do Código Tributário Nacional que trata da aplicação da legislação tributária no tempo, qual seja: “Art. 106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10715.002502/200919 Acórdão n.º 9303003.914 CSRFT3 Fl. 196 5 b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Ora, o prazo instituído pela IN 1.096/10 revogou aquele que trazia o período de 2 (dois) dias, majorandoo para 7 (sete) dias. – dessa forma, ao meu sentir, fazse necessária a aplicação de prazo mais favorável ao contribuinte a teor do art. 106 do CTN transcrito acima. A meu sentir, haja vista esses fatos e dispositivos, temse que, neste caso, é perfeitamente aplicável o princípio da retroatividade benigna, o que implica em subsumir a infração cometida à nova forma de apuração do valor da penalidade, considerando o lapso de 7 (sete) dias para registro no Siscomex, de modo que, no caso vertente, cabe aplicar a referida multa somente aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de 7 dias para o registro dos dados de embarque. Em vista de todo o exposto, resta dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator Designado Quanto à expressão constante da IN SRF 28, de 1994 (imediatamente após), filiome à interpretação dada pelo acórdão paradigma. Esta matéria já foi, por diversas vezes, objeto de apreciação no CARF. O conselheiro José Luís Novo Rossari já enfrentou essa questão. Porém, ouso discordar do ilustre conselheiro. Eis o entendimento do ilustre conselheiro, que constou de vários acórdãos de sua lavra. “A lide respeita à exigência feita pelo Fisco da multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu o art. 77 da Lei no 10.833/2003, em razão de a recorrente ter registrado no Siscomex após o prazo de 2 (dois) dias fixado no art. 37 da IN SRF no 28/1994, com a redação dada pelo art. 1o da IN SRF no 510/2005, os dados de embarque de mercadorias em despachos de exportação. Para melhor compreensão a respeito da matéria, cumpre sejam transcritas as normas legais e administrativas pertinentes aos fatos. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10715.002502/200919 Acórdão n.º 9303003.914 CSRFT3 Fl. 197 6 A Instrução Normativa SRF no 28, de 27/4/1994, estabeleceu em seus arts. 37, caput, e 44 que, verbis: “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei no 37/66 com a redação do art. 5o do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” O art. 107 do Decretolei no 37/1966, na redação do art. 5o do Decretolei no 751/1969, citado na transcrição acima, assim dispunha originalmente, tendo sido alterado apenas no tocante à atualização do valor da multa (última atualização constante do art. 646, I, do Decreto no 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro), verbis: “Art. 107 Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I de 103,56 (cento e três reais e cinquenta e seis centavos) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco, embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (...)” (destaquei) O caput do art. 37 antes transcrito foi alterado pelo art. 1o da IN SRF no 510, de 14/2/2005, que lhe deu a seguinte redação, verbis: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.” (destaquei) No caso ora sob exame, o Fisco aplicou à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei no 37, de 1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei no 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: “Art. 77. Os arts. 1o, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10715.002502/200919 Acórdão n.º 9303003.914 CSRFT3 Fl. 198 7 IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...)” Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF no 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei no 37/1966 pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei no 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, temse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. A minha discordância se dá em relação à conclusão exposta no último parágrafo. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10715.002502/200919 Acórdão n.º 9303003.914 CSRFT3 Fl. 199 8 Não há que se falar em falta de força normativa da IN 28/1994 para a imposição da multa, já que a norma fala em imediatamente após. Não é um prazo certo, porém não se autoriza a entrega da declaração dias após o embarque. A lei não contém palavras inúteis e se fosse a intenção de não se penalizar a conduta prescrita na norma, não haveria razão para a sua existência. Tampouco há que se falar em retroatividade benigna, já que não houve alteração da penalidade. O que ocorreu foi apenas uma mudança no prazo de entrega da declaração o que não altera em nada o fato típico e nem a penalidade. No meu entender, não há que se falar em ausência de penalidade pela falta de um prazo certo. O fato de a norma dizer "imediatamente após" não tem o condão de excluir a multa. Se assim fosse não era para a norma dizer nada. Existe um comando legal e uma penalidade. O descumprimento desse comando obrigação acessória enseja a aplicação da penalidade prevista na norma. Portanto, devese reformar o acórdão recorrido e restabelecer a exigência da penalidade aplicada pela autoridade fiscal. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da penalidade. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 199DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.000833/2001-43
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN, APENAS QUANDO EXISTIR PAGAMENTO PARCIAL.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação.
No caso, pode-se concluir ter havido recolhimento da contribuição referente às competências objeto de lançamento, tendo a autoridade fiscal se limitado a lançar diferenças constatadas. Assim, aplicável a regra do art. 150, §4o. do CTN.
Numero da decisão: 9900-000.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Júlio César Alves Ramos, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Gerson Macedo Guerra, Ana Paula Fernandes, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício do CARF). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN, APENAS QUANDO EXISTIR PAGAMENTO PARCIAL. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação. No caso, podese concluir ter havido recolhimento da contribuição referente às competências objeto de lançamento, tendo a autoridade fiscal se limitado a lançar diferenças constatadas. Assim, aplicável a regra do art. 150, §4o. do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar lhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Júlio César Alves Ramos, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 08 33 /2 00 1- 43 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10865.000833/200143 Acórdão n.º 9900000.987 CSRFPL Fl. 180 2 convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Gerson Macedo Guerra, Ana Paula Fernandes, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício do CARF). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 0105.983, prolatado pela 1a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais na sessão plenária de 12 de agosto de 2008 (efls. 138 a 143). Ali, por maioria de votos, foi negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 DECADÊNCIA A ausência ou insuficiência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não crédito tributário devido. Em razão da natureza e modalidade originaria de apuração, para o IRPJ aplicase a regra decadencial prevista no § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Nos casos dos tributos sujeitos à forma de apuração por homologação, apenas na ocorrência de dolo fraude ou simulação é que o dies a quo do prazo deslocase do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte aquele no qual o lançamento poderia ser realizado (artigo 173, inciso I do CTN). Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10865.000833/200143 Acórdão n.º 9900000.987 CSRFPL Fl. 181 3 Recurso especial negado. Decisão: por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Mario Sérgio Fernandes Barroso (Relator), Luciano de Oliveira Valença e Antonio Praga que contam o prazo decadencial na forma do art. 173 do CTN. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Karem Jureidini Dias, nos termos de relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientificada a Fazenda Nacional do Acórdão em 14/04/09 (efl. 145), esta apresentou, em 16/04/2009 (efl. 147), Recurso Extraordinário de sua iniciativa, devidamente processado com fulcro no 9º e 43, do RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007 c/c arts. 4º e 7º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (efls. 148 a 157 e anexos). Alegase, no pleito, que deveria prevalecer, no caso em questão, a regra prevista no art. 173, I. do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial, uma vez que não houve pagamento antecipado, conforme decidido no Acórdão paradigma no. 0202.248, prolatado pela 2a. Turma da Câmara de Superior de Recursos Fiscais em 04 de novembro de 2009, na forma de ementa e decisão constantes de efl. 158. Entende a recorrente que o art. 150, § 4º do CTN só se aplica no caso de ter havido efetivo pagamento adiantado do crédito tributário. Em não havendo recolhimento, não há o que se homologar, tratando a questão de simples lançamento ex officio a ser feito com espeque no artigo 149, V, do CTN, sendo o termo inicial do prazo decadencial aquele previsto no artigo 173, I, do CTN, em linha com entendimento firmado pelo STJ, no âmbito de seu Informativo no. 250, de obediência obrigatória neste CARF a partir do disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. Cita, ainda, no pleito recursal jurisprudência adicional e doutrina no mesmo sentido, bem assim as conclusões constantes do Parecer PGFN/CAT no. 1617, de 2008. Entende a Fazenda que, como não restou demonstrada no feito a existência da antecipação do pagamento com relação aos tributos apurados, é cediço que a regra a ser aplicada na espécie é a preconizada pelo inciso I do art. 173, do CTN, estendendose o prazo decadencial, assim, até 31/12/2001. Como o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 19/06/2001 (efl. 08), não há que se falar em decadêmcia. Requer, assim, que seja conhecido e provido o Recurso Extraordinário, para afastar a decadência do lançamento. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 159/160. Encaminhados os autos à contribuinte, para fins de ciência, ocorrida em 18/05/2012 (efl. 165), esta quedou inerte quanto à apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10865.000833/200143 Acórdão n.º 9900000.987 CSRFPL Fl. 182 4 Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à tempestividade do recurso e às devidas apresentação de paradigma e indicação de divergência, o Recurso Extraordinário atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Assim, passo à análise de mérito. De se notar, para fins do deslinde da questão, a vinculação deste CARF às decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça quando submetidas ao regime do art. 543 C do Código de Processo Civil, a partir do disposto no art. 62, §2o. do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho em vigor, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015: RICARF Art. 62. (...) (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, ainda que se admita que a questão relativa à contagem do prazo decadencial é bastante tormentosa (daí a adoção de diversas interpretações relativas à matéria no âmbito deste Conselho), de se reconhecer que o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, recentemente pacificou, sob a sistemática de recursos repetitivos, o entendimento no sentido de que a regra do art. 173, I, do CTN, deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo não antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação e inexista declaração prévia do débito. Reproduzse, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (Proc. 2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, devidamente submetido à sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, sendo, assim, referido decisum, repitase, de observância obrigatória neste CARF, a partir do disposto no art. 62, §2o. do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho em vigor, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reza a decisão : PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10865.000833/200143 Acórdão n.º 9900000.987 CSRFPL Fl. 183 5 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Desta forma, ao adentrar o mérito da questão, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733/SC supra, no sentido de que, quando houver previsão legal de pagamento antecipado, a regra do art. 173, I, do CTN, deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo não antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação e inexista declaração prévia do débito. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10865.000833/200143 Acórdão n.º 9900000.987 CSRFPL Fl. 184 6 Desta forma, ao adentrar o mérito da questão, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733/SC supra, no sentido de que, quando houver previsão legal de pagamento antecipado, a regra do art. 173, I, do CTN, deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo não antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação e inexista declaração prévia do débito. Assim, no caso em questão, uma vez afastada a hipótese de dolo, fraude ou simulação, devese se verificar se há pagamento realizado pelo contribuinte para os tributos objeto de lançamento, de forma a se concluir pela correção da aplicação ou não do art. 173, I, do CTN, para fins contagem do prazo decadencial. A propósito, entendo: a) Quanto à declaração prévia do débito, com a devida vênia a alguns Conselheiros deste CARF, não comungo do entendimento que estabelece a possibilidade da declaração supracitada, ainda que confissão de dívida fosse, mas sem a comprovação da existência de qualquer recolhimento e/ou depósito judicial não levantado, caracterizar pagamento antecipado para fins de contagem do prazo decadencial. Tratamse de institutos completamente diversos juridicamente (a declaração, nas hipóteses em que representa confissão de dívida, encontrase vinculada à etapa de constituição do crédito tributário, enquanto que o pagamento, a meu ver sinônimo de recolhimento e/ou depósito judicial não levantado, opera na etapa de sua extinção, não havendo, a meu ver, que se falar de homologação sem que se atinja esta última etapa).; b) Ainda, entendo que a melhor leitura da ementa do Recurso Repetitivo citado, pode ser encontrada nos perfeitos esclarecimentos de natureza lógica realizados pelo Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, no âmbito do Acórdão 990000.275, deste mesmo Pleno, datado de 07/12/2011, verbis; (...) Esclarecimentos quanto ao Item “1” da Ementa do REsp Logo de início, fazse necessário esclarecer o sentido e alcance do disposto no item “1” da ementa antes reproduzida “1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Para corretamente entender a complexa afirmação do item “1” é necessário apresentála na forma de implicação lógica: SE não houver previsão legal de pagamento antecipado da exação OU SE houver previsão legal de pagamento antecipado E não existir pagamento E não for constatado dolo, fraude ou simulação E não existir declaração prévia do débito Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10865.000833/200143 Acórdão n.º 9900000.987 CSRFPL Fl. 185 7 ENTÃO o prazo decadencial é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado Esclareçase que, em se tratando de implicações lógicas, se o antecedente ocorrer no mundo fenomênico, necessariamente o conseqüente deverá ocorrer. Vale dizer: (A) a inexistência de previsão legal de pagamento antecipado ou; (B) ainda, (i) a previsão legal de pagamento antecipado juntamente com (ii) a inexistência do pagamento, (iii) com a não constatação de dolo fraude ou simulação e (iv) com a inexistência de declaração prévia do débito; são condições suficientes para que (C) o prazo decadencial seja contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em hipótese alguma poderá acontecer de, ocorrendo o antecedente (A ou B acima), não ser aplicável o conseqüente (C acima). Entretanto, caso o antecedente não ocorra, o conseqüente pode ou não ocorrer. Essa é uma regra básica de lógica dedutiva e facilmente verificável ao caso, pois: existindo previsão legal de pagamento antecipado com a inexistência de pagamento, porém com constatação de dolo, fraude ou simulação e com inexistência de declaração prévia do débito, sabemos que o prazo decadencial também é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Pior, ainda, é o equívoco em concluir – apressadamente – que se o antecedente não ocorrer, o conseqüente seria necessariamente a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador. Ora, no item “1” não há qualquer menção à contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, podendo o conseqüente lógico ser qualquer outro. Inclusive, já vimos, no parágrafo acima, que em situações diversas daquela descrita como condição antecedente, o conseqüente lógico pode ser o mesmo. Com esses esclarecimentos, podemos enfrentar agora a situação em que (a) há previsão legal de pagamento antecipado, (b) não há pagamento, (c) não há constatação de dolo, fraude ou simulação, porém, (d) existe declaração prévia do débito a ser lançado. Nesse caso, de acordo com o item “1” da ementa do RESP n° 973.733 – SC, não é necessário que se conte o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Isso, por uma questão muito simples: a declaração a que se refere o item sob comento é aquela que tem a natureza de confissão de dívida e, com o débito confessado, é despiciendo qualquer lançamento, posto que ele pode ser imediatamente executado e, com essa declaração, iniciase o prazo prescricional de cobrança. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10865.000833/200143 Acórdão n.º 9900000.987 CSRFPL Fl. 186 8 Totalmente equivocado é tentar concluir que, não sendo necessário que o prazo decadencial se conte a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, aplicarseia como termo inicial da contagem do prazo decadencial o fato gerador. Maior confusão ainda é a de, frente à situação em que há declaração apenas parcial do débito, sem qualquer recolhimento, não aplicar como termo inicial da contagem do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Nessa situação, temos totalmente atendido o antecedente lógico (a) há previsão legal de pagamento antecipado, (b) não há pagamento, (c) não há constatação de dolo, fraude ou simulação e (d) não existe declaração prévia do débito a ser lançado. Assim, ocorrendo a condição antecedente lógica, é necessária a aplicação do conseqüente, com a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. (...) c) De se notar, também, que o entendimento acima se alinha perfeitamente com minha leitura do teor das Súmulas STJ nos. 436 e 555, que, a meu ver, estabelecem que o lançamento de débitos declarados (confessados) é ato despiciendo, mas não vedado. Assim, conclusivamente, com a devida vênia a posicionamentos em contrário, não considero que a existência de débitos declarados (confessados), quando da inexistência de recolhimento ou depósito judicial não levantado de qualquer monta, possa ser utilizada para fins de que se conclua pela utilização do art. 150, §4o. do CTN, em detrimento do art. 173, I do mesmo diploma, quando da contagem do prazo decadencial. Mantenho aqui o posicionamento de que a possibilidade de ocorrência de atividade homologatória pelo Fisco e da contagem pelo art. 150, §4o. do CTN está necessariamente atrelada à ocorrência de antecipação de pagamento (recolhimento ou depósito judicial não levantado). em linha com o disposto no caput do referido artigo. No caso em questão, notese que: a) A ciência do lançamento se deu em 19/06/2001 (efl. 8). b) Em que pese o posicionamento esposado por este Conselheiro, de não reconhecer a declaração do débito como instrumento hábil para fins de caracterização de pagamento antecipado, noto que, conforme coluna "3" da planilha de efl. 15 (confeccionada pela autoridade fiscal), podese inferir que houve, além da declaração, crédito apurado de IRPJ para todas as competências sob exame, limitandose o lançamento à diferenças constatadas em relação aos montantes extintos (denominados, ali, de "créditos apurados"), que coincidem integralmente com os montantes declarados. Assim, entendo, com base em tal evidência, como ter restado caracterizada a existência de pagamentos antecipados para todas as competências sob exame, e, destarte, acedo à aplicação do art. 150 §4o. do CTN, votando por negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10865.000833/200143 Acórdão n.º 9900000.987 CSRFPL Fl. 187 9 È como voto. Heitor de Souza Lima Junior Fl. 187DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.900019/2012-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/04/2003
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.560
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BEBIDAS NOVA GERAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/04/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de Cofins, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 00 19 /2 01 2- 67 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.900019/201267 Acórdão n.º 3302003.560 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 06045.786. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, na parte aplicável ao presente caso (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.900019/201267 Acórdão n.º 3302003.560 S3C3T2 Fl. 4 3 que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.900019/201267 Acórdão n.º 3302003.560 S3C3T2 Fl. 5 4 II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.900019/201267 Acórdão n.º 3302003.560 S3C3T2 Fl. 6 5 MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.900019/201267 Acórdão n.º 3302003.560 S3C3T2 Fl. 7 6 REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.900019/201267 Acórdão n.º 3302003.560 S3C3T2 Fl. 8 7 configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. (...) Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.900019/201267 Acórdão n.º 3302003.560 S3C3T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.723247/2014-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2009 a 31/05/2012
OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. REMUNERAÇÃO A UMA PARCELA DE TRABALHADORES DA EMPRESA. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Os pagamentos efetuados a uma parcela dos trabalhadores da empresa, por meio de plano de opção de compra de ações, como forma de retribuição pelo trabalho, caracterizam-se como remuneração e se constituem em fato gerador da contribuição previdenciária.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2009 a 31/05/2012
NULIDADE DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado), que deram provimento integral ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2009 a 31/05/2012 OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. REMUNERAÇÃO A UMA PARCELA DE TRABALHADORES DA EMPRESA. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os pagamentos efetuados a uma parcela dos trabalhadores da empresa, por meio de plano de opção de compra de ações, como forma de retribuição pelo trabalho, caracterizam-se como remuneração e se constituem em fato gerador da contribuição previdenciária. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2009 a 31/05/2012 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios. Recurso Voluntário Negado
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HERING Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 31/05/2012 OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. REMUNERAÇÃO A UMA PARCELA DE TRABALHADORES DA EMPRESA. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os pagamentos efetuados a uma parcela dos trabalhadores da empresa, por meio de plano de opção de compra de ações, como forma de retribuição pelo trabalho, caracterizamse como remuneração e se constituem em fato gerador da contribuição previdenciária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2009 a 31/05/2012 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 32 47 /2 01 4- 76 Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 13971.723247/201476 Acórdão n.º 2202003.741 S2C2T2 Fl. 1.233 2 Neto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado), que deram provimento integral ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1118/1181) interposto pelo sujeito passivo em epígrafe, em 11/05/2015, contra a decisão proferida no Acórdão nº 12074.626 (fls. 1100/1114), pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), que julgou improcedente a impugnação e assim relatou os fatos: Da autuação O presente processo foi identificado no sistema COMPROT pelo número 13971.723247/201476, e referese ao lançamento identificado com o DEBCAD 51.040.3310, referente a contribuições previdenciárias patronais, no valor de R$ 11.418.807,65, e respectivos acréscimos legais a serem calculados de acordo com a legislação vigente. 2. O relatório fiscal foi juntado às fls. 732/743 dos autos. 3. Após fazer breve explanação sobre as características dos chamados “planos de opção de compra de ações”, a Auditoria faz referência a decisões da Justiça Trabalhista, nas quais é reconhecida a natureza salarial dos planos de opção nas situações em que a empresa entrega ações ao beneficiário, a preço préfixado, para que opte por sua compra a qualquer tempo, auferindo lucro sem enfrentar qualquer risco. 4. Esclarece a Auditoria que: 16) A empresa criou “Plano de Opção de Compra de Ações”, aprovado pela Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária de 10 de abril de 2008 (fls. 31/39). Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 13971.723247/201476 Acórdão n.º 2202003.741 S2C2T2 Fl. 1.234 3 O Plano é administrado pelo Conselho de Administração da empresa, a quem cabe a aprovação de todas as decisões em caráter terminativo. A partir da aprovação do Plano passaram a ser criados “Programas de Opção de Compra de Ações”, os quais são regidos por Regulamentos próprios. Os Regulamentos estabelecem as regras dos Programas, definindo, dentre diversas questões, os Beneficiários, a quantidade de opções outorgadas a cada Beneficiário, o valor e a forma de contribuição para aquisição das ações. A Empresa instituiu Programas anualmente entre 2008 e 2012. 5. A Auditoria faz menção à Deliberação CVM 562, de 17 de dezembro de 2008, que aprovou o Pronunciamento Técnico CPC 10 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (que trata de pagamento baseado em ações), e ao OfícioCircular CVM 01/2007, atos esses em que as opções de ações concedidas a empregados são conceituadas como forma de remuneração. 6. A Auditoria faz uma análise dos “planos de opção de compra de ações” em geral, bem como dos planos da Hering, concluindo pela natureza remuneratória dos planos em questão, destinados a criar um atrativo ao beneficiário e a mantêlo na empresa pela promessa de ganhos futuros. 7. Ressalta a Auditoria que os “planos de opção de compra de ações” possuem caráter de habitualidade, pois os beneficiários têm a possibilidade de exercitarem 25% das opções outorgadas a cada ano. 8. A apuração do valor das remunerações pagas foi feita da seguinte forma: 28) Valor intrínseco é a diferença entre o valor justo (preço pelo qual a opção poderia ser vendida na Bolsa de Valores) e o preço de exercício. No caso em questão pode ser traduzida como a diferença entre o valor recebido da empresa (valor de mercado) e o valor pago (valor do exercício), significando a remuneração líquida. Para apuração dos créditos previdenciários, foi elaborado o “Demonstrativo do Valor Intrínseco das Opções por Ocasião do Exercício” (fls. 549/551),com subtotais por competência e discriminação por Beneficiário e Operação, com as seguintes informações: Valor pago no exercício: valor apurado a partir da “Relação Nominal de Beneficiários” (fls. 165/166), apresentado pela empresa, detalhando a quantidade de opções de ações, o custo por ação e o valor total pago no exercício; Valor de mercado na data do exercício: valor apurado a partir do preço médio da ação na data do exercício. As cotações são as registradas nos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo – Bovespa. O valor de mercado é apurado pelo produto da quantidade de ações pela sua cotação média; Resultado: valor apurado pela diferença entre o valor de mercado na data do exercício e o valor pago no exercício. Representa o acréscimo patrimonial recebido pelo Beneficiário na operação. Da impugnação 9. O Contribuinte foi intimado em 10/10/2014, conforme se verifica na fl. 755, tendo ingressado com a impugnação de fls. 772/836, protocolada em 07/11/2014, conforme consta na fl. 772. 10. Alega a Impugnante que, nos termos do artigo 142, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), o ato de lançamento deve apontar claramente o fato gerador da obrigação tributária correspondente, bem como o montante do tributo Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 13971.723247/201476 Acórdão n.º 2202003.741 S2C2T2 Fl. 1.235 4 devido, o que exige a indicação da sua base de cálculo legalmente prevista. Essas mesmas exigências constam no artigo 10 do Decreto 70.235/1972 e no artigo 50 da Lei 9.784/1999. 11. Não ocorreram pagamentos da empresa aos seus diretores, que pudessem integrar a base de cálculo das contribuições devidas, o que ocorreu foram pagamentos efetuados pelos diretores à Impugnante, a fim de adquirir ações da Autuada. 12. Aduz a Impugnante que a nulidade material contida na autuação é ainda mais evidente porque em momento algum houve o cotejo do suposto “fato gerador” das contribuições com a hipótese legalmente prevista para a incidência da contribuição previdenciária (artigo 22, inciso III, da Lei 8.212/1991). 13. No caso da Impugnante, o preço de exercício fixado nos seus planos de opção de compra sempre reflete o valor de mercado das ações no momento em que os planos são lançados, sem a aplicação de descontos. 14. O objetivo dos planos é fazer com que o beneficiário (um diretor da companhia) possua papéis da empresa, sendo de se esperar que o seu interesse na valorização dessas ações seja constante, o que estimula a sua produtividade e da própria empresa. 15. As stock options constituem uma relação comercial entre a companhia e seus funcionários, isto é, uma relação cambial completamente desvinculada da relação de trabalho. 16. Exercido o direito de compra das ações, o funcionário tornase acionista da empresa, surgindo então um novo vínculo, de ‘acionistacompanhia’, que é diverso do vínculo de ‘diretorempresa’. A mesma pessoa será detentora de duas relações autônomas com a empresa, ocupando, em uma delas, a qualidade de acionista, e, na outra, a qualidade de profissional a ela vinculado. 17. A aquisição de ações nos Programas de Stock Options, torna o funcionário vulnerável aos riscos do negócio. De um lado, o trabalhador pode experimentar um benefício se aquelas ações adquiridas se valorizarem no futuro; por outro lado, o funcionário poderá experimentar um prejuízo caso as ações se depreciem no mercado de valores. 18. Entende a Impugnante que a cláusula 4.10 dos regulamentos dos programas de opção de compras expõe o funcinário que exercer a opção de compra aos riscos do mercado. Transcreve a cláusula mencionada: 4.10. Exercida a opção, o beneficiário se compromete (obrigação de fazer), de forma irrevogável e irretratável, a manter em custódia em instituição financeira a ser indicada pela Companhia, pelo prazo de 1 (um) ano a contar da data de aquisição, uma quantidade de ações cujo valor represente 50% (cinqüenta por cento) da diferença entre o valor de mercado das ações resultantes do exercício de compra das opções, e o preço de exercício das opções, na data do exercício. 19. As ações que deverão permanecer depositadas estarão expostas ao risco de desvalorização, pois é impossível prever os movimentos de mercado que afetarão a cotação desses papéis no futuro. 20. Assinala a Impugnante que o preço de exercício de compra das ações nos seus programas de stock options sempre foi fixado com base na média ponderada do valor da ação no mês que anteceder à adesão dos interessados, sem a aplicação de Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 13971.723247/201476 Acórdão n.º 2202003.741 S2C2T2 Fl. 1.236 5 descontos, não havendo assim que se falar em anulação de riscos pela concessão de descontos. 21. Informa a Impugnante que o preço de exercício das opções é atualizado pelo IPCA (IBGE) da data da sua fixação até a data do efetivo exercício do direito de aquisição pelo funcionário. 22. Ressalta a Impugnante que não recompra de seus funcionários as ações da empresa adquiridas nos programas de stock options. Caso os beneficiários pretendam alienar as ações adquiridas, devem negociar diretamente com terceiros, no mercado de ações. 23. Assevera a Impugnante que a CVM não possui competência material para dispor sobre matéria trabalhista, previdenciária ou tributária. 24. A autoridade fiscal não demonstrou que os planos de opção de compra de ações se enquadram no conceito de remuneração previsto no artigo 22, inciso III, da Lei 8.212/1991. 25. A Impugnante traz aos autos jurisprudência com o fim de demonstrar a natureza não salarial das stock options. 26. O fato de haver onerosidade derruba por terra a tese fiscal de que as stock options teriam natureza remuneratória, visto que o conceito de remuneração pressupõe gratuidade. A onerosidade também afasta a configuração de salário utilidade. 27. Diz a Impugnante que eventual benefício auferido pelo trabalhador no âmbito das stock options não reflete uma retribuição pelos serviços prestados por aquele funcionário, mas sim o aumento do valor de mercado das ações da companhia. 28. Os programas de stock options não possuem caráter de habitualidade, já que só ocorrem uma vez por ano. 29. Os programas de opção de compras de ação somente resultarão em ganhos caso o valor de mercado das ações ultrapasse o preço de exercício das ações no momento da sua venda, o que caracteriza a eventualidade do referido ganho, e a sua não integração no saláriodecontribuição, nos termos do artigo 28, § 9º, alínea “e” da Lei 8.212/1991. 30. Argumenta a Impugnante que a base de cálculo assumida pela fiscalização não poderia jamais ser a diferença entre o valor de mercado das ações e o seu custo de aquisição, pois esse dado não representa qualquer reflexo financeiro em proveito do adquirente das ações. Arremata a Impugnante: Em vista do exposto, deve ser cancelado o auto de infração, uma vez que a base de cálculo eleita pela autoridade fiscal não representa os “ganhos líquidos” dos trabalhadores com a aquisição de ações nos Programas de Stock Options. Considerando que é dever do Fisco a correta quantificação da matéria tributável – ônus este que não foi observado – impõese o cancelamento da autuação fiscal, em razão da absoluta impropriedade da base de cálculo utilizada. 31. Outro argumento apresentado foi o de que o artigo 61 da Lei 9.430/1996 não autorizou a aplicação de juros de mora (SELIC) sobre multas de ofício, tal como se exige no processo em tela. Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 13971.723247/201476 Acórdão n.º 2202003.741 S2C2T2 Fl. 1.237 6 32. Na fl. 837 a Impugnante elenca os documentos que trouxe ao processo. A DRJ/RJO julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado, conforme ementa a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2009 a 31/05/2012 Planos de Opção de Compra de Ações (“stock options”) Tendo constatado que as ações transferidas aos trabalhadores da empresa foram vendidas por valor extremamente inferior ao valor de mercado de ditos papéis, entendeu, de forma correta, a Fiscalização que no momento da compra ocorreu um acréscimo patrimonial dos trabalhadores beneficiários do plano, correspondente à diferença entre o valor de mercado das ações transferidas e a quantia desembolsada na obtenção das mesmas. Estabelece o parágrafo 1º do artigo 201 do Decreto 3.048/1999 que são consideradas remuneração as importâncias auferidas em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Estabelece o parágrafo 3º do artigo 61 da Lei 9.430/1996 que sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições (entre os quais incluise a multa de ofício), incidirão juros de mora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado desse acórdão em 10/04/2015 (sextafeira) (AR de fls. 1116), o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 1118/1181, em 11/05/2015 (protocolo às fls. 1118), no qual repisa os argumentos trazidos na impugnação e acrescenta que, se mantido o entendimento da DRJ de que o art. 33 da Lei nº 12.973/2014 é aplicável ao auto de infração, este seria nulo, uma vez que a legislação é posterior aos fatos geradores, não trata da contribuição previdenciária e foi utilizada base de cálculo diversa da prevista nessa norma. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou tempestivamente as contrarrazões de fls. 1202/1227, nas quais argumenta, em síntese: que não há nulidade na autuação; que as stock options mercantis se diferenciam das employee stock options, que são verdadeiras ferramentas de política de remuneração; traz uma análise do plano de ações da recorrente; que o indivíduo precisa estar prestando serviço à empresa para ser agraciado com a outorga de uma opção; Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 13971.723247/201476 Acórdão n.º 2202003.741 S2C2T2 Fl. 1.238 7 o plano não era disponibilizado a todos os trabalhadores indistintamente e possuiu caráter discricionário e retributivo, vinculado ao desempenho profissional na empresa; as opções eram transferidas em caráter personalíssimo, não negociáveis ou transferíveis a terceiros; não eram objeto de compra e venda entre a empresa e os beneficiários (não há pagamento de prêmio), mas graciosamente outorgadas, o que afasta o caráter mercantil; a noção de justa causa trabalhista é decisiva na definição do tratamento a ser conferido às opções de compra, em caso de encerramento do vínculo, assim como eventos de invalidez e aposentadoria geram consequências no exercício das ações; todos os elementos apontam para a existência de uma política de remuneração diferida aos executivos beneficiários; as stock options são pagas em razão do trabalho; a possibilidade de resgates anuais, por quatro anos consecutivos, caracteriza a habitualidade; houve deságio no momento do exercício da opção; os riscos posteriores à aquisição das ações não desfazem o fato gerador da contribuição previdenciária; o Conselho de Administração tinha prerrogativas para alterar o período de exercício das opções, minimizando riscos; o lock up era parcial; comenta decisões do CARF sobre a matéria; argumenta que os juros sobre a multa devem ser mantidos. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar de nulidade O recorrente alega nulidade material da autuação por ausência absoluta de fato gerador da contribuição previdenciária, como exige o art. 142, caput, do CTN, o art. 10 do Decreto 70.235/1972 e art. 50 da Lei 9.784/1999. Diz que não houve pagamentos aos diretores, mas estes é que pagaram à empresa para adquirir as ações; que a base de cálculo não é legalmente prevista e que não houve cotejo do suposto fato gerador com o art. 22, III, da Lei nº 8.212/1991, mencionado apenas nos Fundamentos Legais do Débito (FLD). Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 13971.723247/201476 Acórdão n.º 2202003.741 S2C2T2 Fl. 1.239 8 No entanto, da leitura do Termo de Verificação Fiscal de fls. 732/743, fica claramente evidenciado que o fato gerador da contribuição previdenciária se consubstancia na remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, por meio dos rendimentos proporcionados pelo plano de opção de compra de ações. A fiscalização apontou as circunstâncias que levaram ao entendimento de que o plano de compra de ações da recorrente oferecido aos seus diretores se caracteriza em remuneração, conforme itens 16 a 23, do Termo de Verificação Fiscal. E evidenciou que essa remuneração se reveste de natureza salarial, uma vez que ausente do rol taxativo das verbas não integrantes do salário de contribuição, previsto no art. § 9º do art. 28 da Lei 8.212 (item 26). Remeteu ainda aos dispositivos legais contidos no Fundamentos Legais do Débito (FLD) (item 32). A autoridade fiscal também indicou que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a diferença entre o valor de mercado e o valor de exercício das ações adquiridas no bojo dos programas de opção de compra de ações, conforme demonstrado nos itens 28 e 30 do Termo de Verificação Fiscal. Dessa forma, não paira nenhuma dúvida sobre a materialização do fato gerador que ocasionou o lançamento, tanto que o contribuinte apresentou a impugnação e o recurso em análise rebatendo detalhadamente todos os aspectos da lavratura fiscal, o que demonstra sua compreensão dos motivos que embasaram a exigência que lhe foi imposta. A discordância por parte do recorrente quanto à base de cálculo utilizada e a consideração pelo fisco de que essa operação tem natureza remuneratória são alegações relativas a questões de mérito e não ocasionam a nulidade da lavratura fiscal. O contribuinte ainda alegou a nulidade do auto de infração, se mantido o entendimento da DRJ da aplicabilidade do art. 33 da Lei nº 12.973/2014, uma vez que a legislação é posterior aos fatos geradores e não trata da contribuição previdenciária. Contudo, também não há que se falar em nulidade da autuação nesse aspecto, pois a fiscalização não utilizou a Lei nº 12.973/2014 para fundamentar o lançamento, como se confirma no Termo de Verificação Fiscal de fls. 732/743 e FLD de fls. 752/753. O referido dispositivo foi mencionado pela autoridade julgadora de primeira instância, ao analisar os argumentos trazidos pelo contribuinte, apenas como um componente na formação de seu convencimento, mas não o único, como se observa ao longo do voto proferido naquele acórdão. Constatase, assim, que o lançamento não incorreu nas causas de nulidade expressas no art. 59, do Decreto nº 70.235/1972, a seguir: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. E, ao contrário do que afirmou o contribuinte, tampouco deixou de cumprir as exigências do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5172/1966, do art. 10 do Decreto 70.235/1972 e do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, abaixo reproduzidos: Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 13971.723247/201476 Acórdão n.º 2202003.741 S2C2T2 Fl. 1.240 9 CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (...) Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...) Lei nº 9.784/1999: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) Portanto, como o auto de infração foi lavrado de acordo com os ditames legais e não houve situação que ocasionasse cerceamento de defesa, rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento. Mérito Plano de opção de compra de ações (stock options) O recorrente para rebater a consideração feita pelo fisco de que seu plano de outorga de ações tem cunho remuneratório alega, em síntese, que a operação tem natureza mercantil; que expõe os destinatários a risco, uma vez que são obrigados a manter em custódia uma parcela das ações pelo prazo de um ano; que não há deságio; a aquisição é onerosa; não recompra as ações; os programas são facultativos; o caráter retributivo está ausente; não há habitualidade; que a base de cálculo não apresenta o "lucro líquido". Diz ainda que a CVM não Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 13971.723247/201476 Acórdão n.º 2202003.741 S2C2T2 Fl. 1.241 10 possuiu competência normativa para dispor sobre matéria trabalhista; e que a Justiça do Trabalho já pacificou que as stock options não possuem natureza remuneratória, entendimento que se impõe à esfera tributária, nos termos do art. 110 do CTN. A questão central no caso em análise reside em definir se o plano de opção de compra de ações oferecido pela empresa aos seus diretores contribuintes individuais possuem natureza remuneratória, como considerou a fiscalização, ou mercantil, como afirma o recorrente. Sobre a diferenciação da natureza dos planos de opção de compra de ações, é pertinente a exposição feita pela Procuradoria da Fazenda Nacional em suas contrarrazões (fls. 1208/1210), conforme trechos a seguir transcritos: (...) 25. Nesse contexto, a primeira coisa que deve ser mencionada é a total impropriedade de se confundir as Stock Options mercantis, ativos financeiros derivativos, negociados em bolsa de valores ou em mercado de balcão, com as chamadas employee stock options, verdadeira ferramenta de política de remuneração utilizada por companhias em todo o mundo. 26. Numa definição bem simplificada, um contrato de opção de compra de ações confere ao adquirente o direito de comprar ações de propriedade de um lançador a um preço determinado (preço de exercício), em uma determinada data (data de vencimento da opção). 27. Chamase de prêmio o valor que a pessoa interessada em adquirir uma stock option paga por esse direito de comprar as ações no futuro por um preço pré determinado. 28. O lançador de uma opção de compra é o investidor que vende um contrato de opção no mercado, assumindo para si a obrigação de vender a ação subjacente à opção pelo preço de exercício durante determinado período de tempo ou em uma data prédeterminada. 29. Como todo e qualquer investidor, o lançador de uma opção de compra mercantil tem como objetivo o lucro, que pode se implementar basicamente de duas maneiras: (i) pela recompra da opção de compra por um prêmio de valor mais baixo do que o valor recebido quando a vendeu, ou (ii) pelo recebimento do valor do prêmio no ato da venda da opção de compra sem que aconteça o exercício até a data de vencimento. 30. O investidor vende uma opção de compra de determinada ação quando identifica um grande potencial de desvalorização da ação no mercado, o que acabará acarretando o não exercício da opção e fará com que ele “lucre” todo o valor do prêmio recebido. 31. Completamente diferente é a lógica que impulsiona a criação de um plano de opção de compra de ações para empregados, ferramenta de remuneração que vem sendo adotado por empresas ao redor do mundo desde a década de 50 (...). (...) 33. Por meio dos planos de opção de compra de ações, as empresas concedem ao seu empregado ou executivo beneficiário o direito de, num determinado prazo, subscrever ações da companhia, a um preço determinado ou determinável, segundo Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 13971.723247/201476 Acórdão n.º 2202003.741 S2C2T2 Fl. 1.242 11 critérios estabelecidos por ocasião da outorga, através de um plano previamente aprovado pela assembléia geral. (...) 35. Ao contrário do que acontece nas opções de compra mercantis, em que há por parte do lançador uma aposta na queda no valor das ações, nos employee stock plans o que se busca e se espera é a valorização da empresa e de seu valor de mercado justamente por meio do incentivo remuneratório. (...) 37. A oferta de stock options para executivos e empregados, na atualidade, é uma ferramenta mundialmente conhecida de estratégia de remuneração adotada pelas empresas para a atração e manutenção de profissionais de alto nível em seus quadros. (...) (Grifos no original) Em princípio, não há como negar que os planos de outorga de ações voltados apenas para os trabalhadores da empresa objetivam incentivar o seu comprometimento e desempenho na obtenção de melhores resultados para essa empresa. Caso assim não fosse, seria desnecessário implementar programas de compra de ações no âmbito das relações de trabalho. Se o objetivo fosse meramente mercantil, bastaria que o interessado, vinculado ou não à empresa, adquirisse as ações pelas vias disponibilizadas no mercado a qualquer pessoa. Aliado a isso, se as condições impostas pela empresa para o exercício das opções de compra das ações possibilitam aos trabalhadores a aquisição dessas ações por um preço inferior ao do mercado, não resta dúvida que essa diferença, favorável ao profissional, se caracteriza em retribuição de cunho remuneratório pelo trabalho. No caso em pauta, a fiscalização constatou que o "Plano de Opção de Compra de Ações" da Cia. Hering tem natureza remuneratória. O referido plano explicita no item 1.2 (fls. 33) que seus objetivos principais buscam estimular o atingimento de metas, manutenção dos profissionais mediante vantagem e incentivo adicional, promover o bom desempenho da Companhia, conforme abaixo: Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 13971.723247/201476 Acórdão n.º 2202003.741 S2C2T2 Fl. 1.243 12 De acordo com o mencionado "Plano", o Conselho de Administração tem poderes para decidir a quem serão outorgadas as ações, conforme transcrição abaixo (fls. 34), o que denota a intenção de beneficiar profissionais específicos em função das atribuições e desempenho individual, tendo sido utilizado apenas para os diretores da empresa, como apontou a fiscalização. (...) O "Plano" também não prevê que os beneficiários paguem para ter direito às opções ("prêmio"), característico das stock options mercantis, o que já se configura em um ganho para o trabalhador agraciado com a outorga das opções de compra. Portanto, a ausência de pagamento de "prêmio", os objetivos de estimular o atingimento de metas, oferecer vantagens e incentivos adicionais para manter e promover o bom desempenho dos profissionais, bem como a seletividade na eleição dos beneficiários, demonstram o caráter retributivo e remuneratório do plano de ações da recorrente. No que diz respeito às vantagens na aquisição das ações pelos beneficiários escolhidos, assim apontou a fiscalização: O pagamento do valor referente ao exercício das opções deuse em média 10,8 dias após a data do exercício, conforme pode ser observado no “Demonstrativo do Valor Intrínseco das Opções por Ocasião do Exercício” (fls. 549/551), que informa as datas de exercício e de pagamento. O regulamento dos programas (fls. 43) estabelece que o beneficiário deve reter por um ano uma quantidade de ações que represente 50% da diferença entre o valor de mercado e o valor pago (ou seja, 50% do lucro da operação deve ser mantido em ações por um ano). Dessa forma a empresa possibilita aos Beneficiários a alienação de suas opções em data anterior ao pagamento e em montante superior ao devido para a integralização das opções exercidas. O Beneficiário evita o próprio desembolso e afasta qualquer risco na operação, já que tem condições de escolher a melhor ocasião para o exercício, em momento anterior ao da integralização de suas opções; Dessa forma, embora a empresa recorrente alegue que não houve concessão de vantagens e deságio em seus planos de outorga de ações, a planilha “Demonstrativo do Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 13971.723247/201476 Acórdão n.º 2202003.741 S2C2T2 Fl. 1.244 13 Valor Intrínseco das Opções por Ocasião do Exercício” (fls. 549/551) mostra inequivocamente que, na data em que os beneficiários exerceram a opção de compra das ações, o preço que lhes coube pelas ações adquiridas foi muitíssimo inferior ao seu valor de mercado naquela ocasião. Além disso, como bem observado pelo fisco, o pagamento das ações adquiridas foi realizado, em média, após dez dias do exercício da compra, o que possibilitaria aos beneficiários alienarem as ações até o montante correspondente a 50% do lucro (permitido pelo plano), e depois, com o resultado dessa venda, efetivar o pagamento do exercício das ações sem necessidade de desembolsar qualquer outro valor e ainda realizar o restante do lucro na operação. Cabe frisar que se configura em fato gerador da contribuição previdenciária o pagamento a qualquer título que a empresa efetua a empregados ou contribuintes individuais que lhe prestem serviços, conforme art. 22, incisos I e III, da Lei nº 8.212/1991, a seguir: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (...) Assim, o recebimento pelo empregado ou contribuinte individual de vantagem remuneratória paga pela empresa, mesmo que em forma de utilidades, caracteriza o fato imponível da contribuição previdenciária. E o momento em que isso ocorre, na situação em análise, é quando o beneficiário adquire as ações da empresa empregadora com o deságio, no âmbito do plano de outorga de ações de cunho remuneratório, e então, o título mobiliário é entregue pela empresa ao trabalhador. O que acontece a partir disso, se o beneficiário vende ou não as ações, não mais diz respeito aos fatos geradores da contribuição previdenciária. Portanto, ao contrário do que alega o contribuinte, correta a base de cálculo apurada pela fiscalização nas planilhas de fls. 549/551, que considera a diferença entre o valor de exercício da opção de compra das ações e o valor de mercado na data desse exercício. O mesmo entendimento se aplica à avaliação da existência de riscos, que deve ser feita em relação às formas e períodos estipulados pela empresa para que os profissionais exerçam a aquisição das ações; e não quanto à probabilidade de se obter lucros ou Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 13971.723247/201476 Acórdão n.º 2202003.741 S2C2T2 Fl. 1.245 14 prejuízos na venda dessas ações, que já se trata operação estranha às contribuições previdenciárias e afeta ao imposto de renda sobre o ganho de capital. Nesse sentido, as contrarrazões da Fazenda Nacional bem exprimem o momento do fato gerador e a impossibilidade de seu desfazimento em razão de eventuais riscos futuros: (...) 83. Concessa venia, considera a Fazenda Nacional que esse argumento também constitui um desvio de perspectiva na análise da questão, pois a remuneração se dá no momento da aquisição das ações com deságio. É nesse momento que se dá a incidência da norma previdenciária, com a realização do fato gerador, sendo irrelevantes fatos posteriores a esse evento, ao menos para fins previdenciários. 84. Não se questionaria a natureza remuneratória de um veículo dado em razão do trabalho caso este sofresse uma colisão e perdesse valor. Tampouco se questionaria a base de cálculo da contribuição pelo fato de a inflação corroer o poder de compra do segurado. Assim, resta claro que eventos posteriores à disponibilização do bem ao segurado não interferem na caracterização de sua natureza remuneratória. 85. O fato gerador da obrigação tributária previdenciária simplesmente não se desfaz em virtude do destino dado à remuneração pelo empregado ou pelo contribuinte individual. (...) (Grifos no original) No caso dos autos, não se verifica a ocorrência de riscos para o beneficiário na aquisição das ações, pois não paga para ter direito às opções ("prêmio") e o prazo para o exercício de compra é dilatado (sete anos, conforme item 5.2. (c) do Plano de Opção de Compra de Acões fls. 36), o que lhe permite escolher o momento oportuno, em razão das oscilações do mercado, para adquirir as ações a um preço que lhe seja compensador. Pode até mesmo não comprar, se julgar desvantajoso. Ademais, apenas para argumentar em relação a riscos posteriores ao fato gerador da contribuição, notese que o beneficiário poderia vender, de imediato, as ações correspondentes ao valor de exercício mais 50% do "lucro" (diferença entre o valor de exercício e de mercado). Apenas as ações correspondentes aos outros 50% do "lucro" ficam em custódia por um ano (lock up). E mesmo para essas ações retidas, o risco é relativo, pois não há obrigação de que sejam vendidas em determinado período, podendo o detentor aguardar um momento propício para a alienação. Além disso, a posse das ações, independentemente de seu valor de mercado no futuro, permitem ao seu titular usufruir de direitos, como a percepção de dividendos, de juros sobre capital próprio, a possibilidade de sua locação a terceiros, entre outros. Observase ainda que o Conselho de Administração dispõe de prerrogativas que possibilitam minimizar eventuais perdas, pois pode alterar o período para o exercício das opções e modificar as condições dos regulamentos e contratos de adesão a fim de que os direitos dos beneficiários não sejam prejudicados, conforme consta do plano da empresa, às fls. 34: Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 13971.723247/201476 Acórdão n.º 2202003.741 S2C2T2 Fl. 1.246 15 (...) Entendese também que a facultatividade dos planos de ações não desnatura o seu caráter remuneratório, como alegou o recorrente. Ao contrário, reforça a natureza de remuneração variável e adicional que a empresa intenta oferecer aos seus profissionais, pois é justamente uma das formas de evitar riscos e de garantir que o beneficiário tenha a possibilidade de exercer as opções com vantagens. Se não vislumbrar a vantagem, o trabalhador contemplado com a outorga ds ações pode deixar de exercêlas. A obrigatoriedade, neste caso, poderia diminuir a possibilidade da empresa utilizar essa forma de remuneração. Quanto à habitualidade, no âmbito previdenciário, o que a define não é apenas a ocorrência de pagamentos constantes, mas sim o fato de o pagamento ser realizado em face da contínua prestação de trabalho, como ocorreu no caso em análise. Nesse sentido, transcrevese trecho do Acórdão nº 2202003.367, desta Turma, e do Acórdão nº 2401 003.891, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2º Seção do CARF, em que também se tratou da habitualidade quanto aos pagamentos por meio de planos de opção de compra de ações: Acórdão nº 2202003.367, de 16/05/2016: (...) O que define a eventualidade não é a periodicidade do pagamento ou ter sido esse realizado uma ou duas vezes, pois se assim fosse a gratificação natalina seria eventual, pois é paga apenas uma única vez ao ano, ainda que dividida, mas esse pagamento é habitual. A habitualidade, no caso, está presente na necessidade do vínculo laboral, no período de tempo que o empregado deve mantêlo para receber a vantagem. Se ele trabalha ali somente um mês, um uma vez, eventualmente, não seria escolhido para a outorga das ações. (...) (...) Acórdão nº 2401003.891, de 11/02/2015: (...) Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 13971.723247/201476 Acórdão n.º 2202003.741 S2C2T2 Fl. 1.247 16 Aliás, o conceito de habitual, no presente caso, não reportase a idéia de pagamentos constantes, mas, relacionados ao desempenho profissional, afastandose da idéia serviço sem qualquer relação de continuidade. A interpretação de ausência de habitualidade não deve indicar pagamentos contínuos, mas devem ser diferenciados de pagamentos eventuais, ou seja, aqueles que não tem qualquer relação com a prestação do serviços ou pelo vínculo de emprego. Estariam excluídos pela ausência de habitualidade aqueles benefícios decorrentes de um infortúnio. A habitualidade será determinante quando buscar a definição do conceito de remuneração para reflexos em outras verbas trabalhistas, tais com férias, 13 salário. Já para incidência de contribuições previdenciárias, o fato determinante é a natureza em si da verba, donde buscamos caracterizar a verba como salarial, ou indenizatória se a mesma vinculase ao contrato de trabalho. (...) Ademais, os resgates periódicos estavam previstos no plano, como destacou a Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, às fls. 1216: (...) O Plano de Opções de Ações previa resgates anuais por período de quatro anos consecutivos. A repetição uniforme, por quatro anos consecutivos, é apta a caracterizar a habitualidade exigida pelo legislador e, portanto, ficam preenchidos os requisitos para que os pagamentos subsumamse ao conceito de remuneração. (...) Por consequência, em face da habitualidade dos pagamentos materializados pelo exercício das opções, também não se pode considerálos como ganhos eventuais, conforme pleiteou alternativamente o contribuinte. Em relação às normas da CVM, essas foram citadas pela fiscalização como mais um elemento para corroborar a natureza remuneratória do plano de outorga de ações. No que diz respeito aos julgados do Poder Judiciário mencionados pelo recorrente, por não se tratar de decisões proferidas na sistemática de recursos repetitivos ou de repercussão geral, não vinculam os membros deste Colegiado. Assim, tais decisões somente produzem efeitos entre as partes envolvidas na lide e não alcançam os sujeitos passivos em questão. As demais alegações trazidas pelo contribuinte também não afastam o caráter remuneratório do seu plano de opção de compra de ações. Enfim, diante do exposto, acertada a decisão da primeira instância que manteve a lavratura fiscal. Juros sobre multa de ofício O recorrente alega que o artigo 61 da Lei 9.430/1996 não autorizou a aplicação de juros de mora (SELIC) sobre multas de ofício, tal como se exige neste processo. Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 13971.723247/201476 Acórdão n.º 2202003.741 S2C2T2 Fl. 1.248 17 Entretanto, o entendimento do CARF é de que incide juros moratórios sobre os créditos tributários não pagos no vencimento, conforme as seguintes súmulas: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Grifouse) Como se observa, os juros moratórios são devidos, à taxa SELIC, e sobre o “crédito tributário”, que assim está definido pelo CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (Grifouse) O Código Tributário Nacional caracteriza a obrigação principal da seguinte forma: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (Grifouse) Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o "crédito tributário" lançado, ou seja, tributos e multas aplicadas. Quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, citase os recentes Acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC conforme Súmula CARF nº 4. (Acórdão nº 9101002.385 – 1ª Turma da CSRF, de 12/07/2016) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2004 a 10/09/2004 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 13971.723247/201476 Acórdão n.º 2202003.741 S2C2T2 Fl. 1.249 18 incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e negado (Acórdão nº 9202004.250 – 2ª Turma da CSRF, de 23/07/2016) (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. REP Provido em Parte e REC Provido em Parte (Acórdão nº 9303003.478 – 3ª Turma da CSRF, de 25/02/2016) Dessa forma, há que negar provimento quanto a essa matéria. Conclusão Em face do que foi exposto, voto por conhecer do recurso voluntário; REJEITAR a preliminar de nulidade; e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 1249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909038/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
EMBARGOSDECLARATÓRIOS.
Devem ser rejeitados os embargos quando constatado que não há omissão na decisão questionada, sendo vedada, pela via estreita dos embargos, nova discussão sobre questões de mérito já apreciadas pelo Colegiado.
Numero da decisão: 1201-001.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos opostos pelo sujeito passivo.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 EMBARGOSDECLARATÓRIOS. Devem ser rejeitados os embargos quando constatado que não há omissão na decisão questionada, sendo vedada, pela via estreita dos embargos, nova discussão sobre questões de mérito já apreciadas pelo Colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos opostos pelo sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 90 38 /2 00 9- 81 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10880.909038/200981 Acórdão n.º 1201001.584 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratase de embargos opostos pelo contribuinte em razão de suposta omissão, relativa à decisão prolatada no Acórdão 1202000.519, pelos motivos a seguir expostos: Conforme demonstrado às páginas 5 a 7 do Recurso Voluntário, a Embargante ofereceu à tributação a totalidade da receita decorrente de aplicação financeira de renda fixa, no montante de R$ 1.446.951,80, fazendo jus, portanto, à utilização integral do IRRF no valor de R$ 289.390,36 na formação do saldo negativo apurado no ano de 2003. No entanto, o acórdão ora embargado não apreciou as alegações e provas apresentadas pela Embargante, por entender que a matéria tratada neste tópico estaria preclusa: "(...) a recorrente trouxe matéria nova, diferente dos argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. A matéria referente à tributação de parte das receitas de aplicações financeiras, que teria sido realizada em anos anteriores ao de 2003, não foi abordada na peça impugnatória e, por conseqüência, não foi enfrentada pela turma julgadora de primeira instância. Assim, o nãoquestionamento a respeito dessa matéria, na peça impugnatória, implica na preclusão do recorrente trazer o assunto a debate, na fase recursal, por se tratar de matéria não enfrentada pela primeira instância, nos termos do art. 16, III c/c art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações. (...)" (g.n.) Contudo, não merece guarida este posicionamento, pois a Embargante, em seu recurso voluntário, apenas rebateu os argumentos sustentados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento quanto à ausência de oferecimento a tributação dos rendimentos oriundos de Aplicações Financeiras de Renda Fixa, no valor de R$ 1.446.951,80. Deveras, o recurso voluntário da Embargante não inovou a matéria debatida nos autos, como consta no acórdão ora embargado, mas apenas rechaçou a nova fundamentação utilizada pela DRJ para o indeferimento das compensações. Os embargos foram admitidos mediante Despacho de fls. 206. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Os embargos são tempestivos e atendem aos pressupostos legais, razão pela qual deles conheço. Verificase que a suposta omissão suscitada pela embargante decorre de divergência quanto ao entendimento esposado pelo Acórdão, no sentido de que teria Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10880.909038/200981 Acórdão n.º 1201001.584 S1C2T1 Fl. 4 3 ocorrido a preclusão de matéria não questionada anteriormente, como se observa do seguinte excerto: Em seu recurso, a defesa alega que o motivo de ter oferecido à tributação, no ano de 2003, de um valor menor de receitas de aplicações financeiras daquele informado em DIRF, foi o de que a diferença dessas receitas teriam sido oferecidas a tributação em anos anteriores, de 2001 e 2002. Entretanto, compulsando os autos, verifico que a matéria referente à tributação das receitas financeiras ora reclamada, que teriam sido tributadas nos anos de 2001 e 2002, não foi objeto de contestação na manifestação de inconformidade da interessada, conforme se pode verificar do arrazoado de fls. 18 a 26. O que se percebe claramente é que, em seu recurso, a recorrente trouxe matéria nova, diferente dos argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. A matéria referente à tributação de parte das receitas de aplicações financeiras, que teria sido realizada em anos anteriores ao de 2003, não foi abordada na peça impugnatória e, por conseqüência, não foi enfrentada pela turma julgadora de primeira instância. Assim, o não questionamento a respeito dessa matéria, na peça impugnatória, implica na preclusão do recorrente trazer o assunto a debate, na fase recursal, por se tratar de matéria não enfrentada pela primeira instância, nos termos do art. 16, III c/c art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. (...) Em face do acima exposto, entendo que não deve ser conhecida a matéria que deixou de ser contestada na fase impugnatória, relativa à comprovação da efetiva tributação de parte das receitas de aplicações financeiras, não oferecidas à tributação no ano de 2003 e que teriam sido tributadas nos anos de 2001 e 2002. (grifamos) Constatase que, neste ponto, insatisfeita com a decisão do Colegiado, busca a Recorrente, pela via estreita dos embargos, rediscutir questão de mérito que já foi apreciada no voto condutor. Assim, não há espaço, em sede de embargos, para a reabertura de questão de mérito que foi, inclusive, decidida à unanimidade pelo Colegiado, como se depreende do próprio Acórdão combatido: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno, Nereida de Miranda Finamore Horta e Geraldo Valentim Neto que consideravam decaído o direito de exame do crédito. Por unanimidade de votos, considerar preclusa a matéria não abordada na primeira instância e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (grifamos) Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10880.909038/200981 Acórdão n.º 1201001.584 S1C2T1 Fl. 5 4 Concluise, portanto, que não há qualquer omissão na decisão contestada, inclusive no que se refere à apreciação do princípio da verdade material, posto que o julgador, ao decidir, sequer está obrigado a examinar todos os fundamentos de fato e de direito trazidos ao debate, podendo a estes conferir qualificação jurídica diversa da atribuída pelas partes, cumprindolhe entregar a prestação jurisdicional, considerando as teses discutidas no processo, enquanto necessárias ao julgamento da causa. Nesse sentido o entendimento dos Tribunais Superiores: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO.EMBARGOS DE DECLARAÇÃOOPOSTOS PELA TERCEIRA VEZ NA AÇÃO RESCISÓRIA. COFINS. LEGITIMIDADE DA REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO PELA LEI 9.430/96. AÇÃO JULGADA PROCEDENTE. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO QUANTO A ARGUMENTOS CONCERNENTES AO NÃO CABIMENTO DA AÇÃO RESCISÓRIA. VÍCIO NÃO EVIDENCIADO. ACLARATÓRIOS PROTELATÓRIOS. MULTA PROCESSUAL MANTIDA. 1. Terceiros aclaratórios pelos quais a contribuinte insiste em asseverar que o acórdão impugnado continua omisso no que tange à alegação de que não caberia o ajuizamento da presente ação rescisória, porquanto, na data da sua propositura, ainda estava em vigor a Súmula 276/STJ e o STF não havia reconhecido a constitucionalidade do art. 56 da Lei 9.430/96. 2. É cediço que o julgador, desde que fundamente suficientemente sua decisão, não está obrigado a responder todas as alegações das partes, a aterse aos fundamentos por elas apresentados nem a rebater um a um todos os argumentos levantados, de tal sorte que a insatisfação quanto ao deslinde da causa não oportuniza a oposição de embargos de declaração. No caso concreto, importa repetir que o acórdão embargado, respaldado na jurisprudência do STJ, afastou o enunciado 343/STF e admitiu a ação rescisória por entender que o acórdão rescindendo apreciou equivocadamente matéria de índole constitucional. 3. Os argumentos ventilados pela embargante não dizem respeito a vício de integração do julgado, mas a esforço meramente infringente tendente a respaldar tese que não foi acolhida, o que não é admitido na via dos aclaratórios. Ainda assim, caso a embargante entenda que não foi prestada a jurisdição, caberá a ela intentar a anulação do julgado mediante a interposição de recurso próprio. 4. A presente ação rescisória foi julgada em 14/4/2010 e até o momento a entrega da efetiva prestação jurisdicional vem sendo retardada pela parte sucumbente em razão de repetidos embargos de declaração pelos quais ela busca, tão somente, a modificação do resultado que lhe foi desfavorável. A constatação do caráter protelatório dos aclaratórios justifica a manutenção da multa processual de 1% sobre o valor da causa (art. 538, parágrafo único, do CPC). 5.Embargos de declaração rejeitados." (EDcl nos EDcl nos EDcl na AR 3788 PE 2007/01440842, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, DJe 02/03/2011). (grifamos) Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10880.909038/200981 Acórdão n.º 1201001.584 S1C2T1 Fl. 6 5 Ante o exposto, voto por REJEITAR os embargos opostos pelo sujeito passivo. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722956/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III DO CTN. SÓCIOS GERENTES. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a Contribuinte, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Porém, é preciso que se demonstre que esses agentes efetivamente praticaram algum ato doloso, o que não aconteceu no caso concreto.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Tal interesse comum deve ser jurídico e não meramente econômico. Para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em conjunto na situação que o constitui, isto é, quando participam em conjunto da prática da hipótese de incidência. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Configura omissão de receitas a ocorrência de valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte, titular de fato da conta, regularmente intimada, não comprove de forma individualizada, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos ali creditados.
INTIMAÇÕES. PRORROGAÇÕES. FALTA DE ATENDIMENTO. NOVO PRAZO. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO.
Intimações objeto de prorrogações a pedido da contribuinte, não caracteriza a apontada ocorrência de falta de atendimento das intimações no prazo marcado a justificar a aplicação da multa agravada, eis que o novo prazo concedido é o que passa a reger o termo final da intimação, ademais se a intimação que teria dado causa ao agravamento da multa de ofício, é a mesma que justificou a apontada ocorrência de presunção de omissão de receitas por depósitos bancários não justificados, não secausa dos lançamentos discutidos nos autos.
EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. AUTORIZAÇÃO POR ESCRITO. ACESSO Á MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA.
Inexiste a figura de embaraço à fiscalização, quando a contribuinte não atende ao pedido da autoridade fiscalizadora para que fosse fornecido uma autorização por escrito para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização da jurisdição da contribuinte, requisitasse as informações sobre sua movimentação financeira junto a instituição bancária, uma vez que a fiscalização dispunha de instrumentos legais que permitiriam o acesso à movimentação financeira da contribuinte sem a sua aquiescência, instrumentos estes que foram utilizados para acessar as pretendidas informações que deram causa aos lançamentos.
Numero da decisão: 1401-001.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, DAR provimento PARCIAL apenas para retirar a atribuição de responsabilidade tributária dos sócios da empresa.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III DO CTN. SÓCIOS GERENTES. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a Contribuinte, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Porém, é preciso que se demonstre que esses agentes efetivamente praticaram algum ato doloso, o que não aconteceu no caso concreto. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Tal interesse comum deve ser jurídico e não meramente econômico. Para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em conjunto na situação que o constitui, isto é, quando participam em conjunto da prática da hipótese de incidência. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Configura omissão de receitas a ocorrência de valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte, titular de fato da conta, regularmente intimada, não comprove de forma individualizada, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos ali creditados. INTIMAÇÕES. PRORROGAÇÕES. FALTA DE ATENDIMENTO. NOVO PRAZO. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Intimações objeto de prorrogações a pedido da contribuinte, não caracteriza a apontada ocorrência de falta de atendimento das intimações no prazo marcado a justificar a aplicação da multa agravada, eis que o novo prazo concedido é o que passa a reger o termo final da intimação, ademais se a intimação que teria dado causa ao agravamento da multa de ofício, é a mesma que justificou a apontada ocorrência de presunção de omissão de receitas por depósitos bancários não justificados, não secausa dos lançamentos discutidos nos autos. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. AUTORIZAÇÃO POR ESCRITO. ACESSO Á MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Inexiste a figura de embaraço à fiscalização, quando a contribuinte não atende ao pedido da autoridade fiscalizadora para que fosse fornecido uma autorização por escrito para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização da jurisdição da contribuinte, requisitasse as informações sobre sua movimentação financeira junto a instituição bancária, uma vez que a fiscalização dispunha de instrumentos legais que permitiriam o acesso à movimentação financeira da contribuinte sem a sua aquiescência, instrumentos estes que foram utilizados para acessar as pretendidas informações que deram causa aos lançamentos.
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ART. 135, III DO CTN. SÓCIOS GERENTES. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a Contribuinte, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Porém, é preciso que se demonstre que esses agentes efetivamente praticaram algum ato doloso, o que não aconteceu no caso concreto. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Tal “interesse comum” deve ser jurídico e não meramente econômico. Para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em conjunto na situação que o constitui, isto é, quando participam em conjunto da prática da hipótese de incidência. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Configura omissão de receitas a ocorrência de valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte, titular de fato da conta, regularmente intimada, não comprove de forma individualizada, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos ali creditados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 29 56 /2 01 3- 17 Fl. 653DF CARF MF Processo nº 19515.722956/201317 Acórdão n.º 1401001.785 S1C4T1 Fl. 532 2 INTIMAÇÕES. PRORROGAÇÕES. FALTA DE ATENDIMENTO. NOVO PRAZO. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Intimações objeto de prorrogações a pedido da contribuinte, não caracteriza a apontada ocorrência de falta de atendimento das intimações no prazo marcado a justificar a aplicação da multa agravada, eis que o novo prazo concedido é o que passa a reger o termo final da intimação, ademais se a intimação que teria dado causa ao agravamento da multa de ofício, é a mesma que justificou a apontada ocorrência de presunção de omissão de receitas por depósitos bancários não justificados, não secausa dos lançamentos discutidos nos autos. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. AUTORIZAÇÃO POR ESCRITO. ACESSO Á MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Inexiste a figura de embaraço à fiscalização, quando a contribuinte não atende ao pedido da autoridade fiscalizadora para que fosse fornecido uma autorização por escrito para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização da jurisdição da contribuinte, requisitasse as informações sobre sua movimentação financeira junto a instituição bancária, uma vez que a fiscalização dispunha de instrumentos legais que permitiriam o acesso à movimentação financeira da contribuinte sem a sua aquiescência, instrumentos estes que foram utilizados para acessar as pretendidas informações que deram causa aos lançamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, DAR provimento PARCIAL apenas para retirar a atribuição de responsabilidade tributária dos sócios da empresa. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 19515.722956/201317 Acórdão n.º 1401001.785 S1C4T1 Fl. 533 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SalvadorBA.. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o processo em questão de Autos de Infração referentes ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ no valor de R$ 5.485.203,08, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no valor de R$ 1.976.775,87, da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS no valor de R$ 1.691.936,17 e da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS no valor de R$ 367.328,25, todos relativos ao anocalendário de 2010, que após sofrerem acréscimos de juros de mora e da multa de ofício agravada de 112,50%, perfazem um crédito tributário total de R$ 23.044.681,79. De acordo com a descrição dos fatos do auto de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, o lançamento contempla a seguinte infração: 0001 OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de receita operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, conforme (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010: art. 3o da Lei n° 9.249/95. Arts. 247. 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280, 287 e 288 do RIR/99 Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. Em decorrência dos mesmos fatos, foram lavrados os autos de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS O enquadramento legal está devidamente indicado nos respectivos autos de infração. Em decorrência dos mesmos fatos, foram lavrados os autos de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS O enquadramento legal está devidamente indicado nos respectivos autos de infração. 1 Do Termo de Verificação Fiscal O Termo de Verificação Fiscal de fls. 357 a 420, parte integrante do auto de infração, trás ao PAF as seguintes fundamentações para os lançamentos: "Em 16/10/2012, foi dado início ao procedimento fiscal pela ciência do representante do contribuinte, ao Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, intimandoo, com referência a esse anocalendário de 2010, alem de outros Fl. 655DF CARF MF Processo nº 19515.722956/201317 Acórdão n.º 1401001.785 S1C4T1 Fl. 534 4 elementos, a apresentar os extratos bancários relativos às contas bancárias de titularidade da empresa junto às instituições financeiras elencadas nesse Termo que deram origem à movimentação financeira da empresa". "Pela Intimação n° 01 foi o contribuinte intimado a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil, o registro fiscal e/ou contábil bem como a origem dos recursos depositados e/ou creditados na conta bancária de titularidade da empresa no Banco Bradesco S/A, no anocalendário de 2010". "Em resposta a essa Intimação conforme o Termo de Recebimento de Documentos n° 02, o contribuinte disponibilizou uma planilha identificando os valores apontados na Intimação e sua contabilização e como suporte apresentou a cópia do Livro Razão Analítico ns 05, relativo a esse anocalendário de 2010. Do batimento dos valores verificouse que os valores apontados nessa Intimação n° 01, relativo aos créditos no Banco Bradesco S/A estavam escriturados". "Pela Intimação n° 02, lavrada em 29/01/2013, reportando ao Termo de Inicio de Procedimento Fiscal e ao Termo de Recebimento de Documentos n° 01, com relação à movimentação financeira efetuada no anocalendário de 2010 no Banco Itaú Unibanco S/A, o contribuinte apresentou uma consulta a extratos disponíveis feito junto ao Banco Itaú 30 horas, relativo a esse período, na qual consta em operação a Agencia 0695, c/c 530386, de titularidade da empresa. Dessa consulta resultou a informação de extrato não emitido, pois não foram encontrados lançamentos para o período solicitado". "Entretanto, essa consulta foi especifica para uma conta e não foi abrangente o suficiente para pesquisar possíveis outras contas ativas, encerradas, inativas e ou inoperante e, ainda, a consulta ao acervo do Unibanco. Dessa forma foi solicitada uma autorização escrita devidamente formalizada pelo representante legal da empresa para que o Fisco requisitasse desse Banco Itaú Unibanco as informações relativas ao período de 01/01 a 31/12/2010. A falta de atendimento motivou a Intimação n° 03, lavrado em 12/03/2013". "Por meio de mensagem eletrônica, em 19/03/2013, solicitou e foi deferida a prorrogação de quinze dias do prazo a contar da ciência. Em 02/04/2013, por mensagem eletrônica argumentando que já teria em mãos também as justificações de lançamento solicitou agendamento pelo que foi marcada a data de 09/04/2013. Nessa data o contribuinte não compareceu à repartição e enviou mensagem eletrônica alegando outros compromissos assumidos no dia e propõe outra data pelo que em caráter único, foi reagendado para o dia 11/04/2013 na repartição da DEFIS/SPODifis ComércioEFI 19. Nesse dia agendado o contribuinte, novamente não compareceu ao local determinado avisando por meio de seu procurador, via telefonema, que não viria, pois não tinha mais os elementos que deveria apresentar". "Em face do exposto restou caracterizado o EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO pelo que, em 16/04/2013, foi lavrado o respectivo Auto com a devida ciência do procurador da empresa". "Em 29/05/2013, pela Intimação n° 04 foi requisitada novamente a apresentação dos extratos bancários relativos às contas bancárias que deram origem à movimentação financeira da empresa junto ao Banco Itaú Unibanco S/A no ano calendário de 2010, bem como comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil, a escrituração fiscal/contábil e a origem dos recursos depositados e/ou creditados nessas contas bancárias. A Intimação foi pessoal no novo endereço cadastral da empresa situado na rua Eduardo Carlos Pereira, 91, Vila Lilica, Santo André SP, CEP 09050140, que é uma casa residencial, sendo Fl. 656DF CARF MF Processo nº 19515.722956/201317 Acórdão n.º 1401001.785 S1C4T1 Fl. 535 5 recepcionado pela Sra. Maria Aparecida Frezzato, CPF 178.501.67848, a qual informou ser a sogra do Sr. Wagner Teixeira, sócio da empresa". "Em resposta a essa Intimação o contribuinte apresentou uma cópia da consulta a extratos disponíveis no Banco Itaú, relativos a c/c n° 530386, Agencia 0695, e a c/c 554980, Agencia 0695, de titularidade da empresa, período de 01/01 a 31/12/2010, solicitados em 29/05/2013 e 31/05/2013, onde consta a informação de "extrato não emitido não foram encontrados lançamentos para o período solicitado". Informa, ainda, que são só essas contas que possui no Banco Itaú"; "Em face do Auto de Embaraço a Fiscalização, lavrado em 16/04/2013, e ante ao fato acima descrito, foi solicitada a emissão e expedida a Requisição de Informação sobre movimentação financeira (RMF) junto ao Banco Itaú S.A. (RMF n2 08190002013002022). A instituição financeira atendeu às requisições feitas". "O Itaú Unibanco S/A no atendimento a essa RMF informa que após pesquisas aos setores competentes da instituição foi localizada no período de 01/01/2010 a 31/12/2010, a conta corrente ns 499103, Agência 0695, apresentando a cópia da Ficha Cadastral, cópia dos extratos de movimentação financeira, copia de emissão de ordens de crédito ou documentos semelhantes e extrato em meio magnético com a codificação adotada pela instituição financeira para especificar a natureza dos lançamentos. Informa, ainda, que nos registros sistêmicos não localizaram procurações em nome do contribuinte em questão. Os dados dos extratos bancários dessa instituição financeira Itaú Unibanco S/A foram preparados e analisados sob a ótica da movimentação financeira dos valores depositados e/ou creditados nas contas de titularidade do contribuinte". "Pela Intimação ns 05, lavrada em 22/08/2013 e recebida em 27/08/2013, foi o contribuinte intimado a comprovar a origem dos recursos creditados e/ou depositados em conta corrente bancaria de titularidade da empresa, junto ao Itaú Unibanco S/A, anocalendário de 2010". "Em 12/09/2013, ante a solicitação pessoal do contribuinte que compareceu à repartição situada na Avenida Pacaembu, 715, 4Andar, São Paulo SP, portando um pedido de prazo de 90 (noventa) dias foi deferido em despacho no próprio pedido o prazo adicional de 45(quarenta e cinco) dias, a partir dessa data". "Pela Intimação n° 06, lavrada em 29/10/2013, cientificada via postal em 30/10/2013, em face do não atendimento da Intimação n2 05, não obstante o deferimento de prazo adicional de 45 [quarenta e cinco] dias, foi o contribuinte novamente intimado nos mesmos termos dessa Intimação não atendida. Nessa Intimação foi comunicada a empresa de que os dados contábeis para a análise fiscal foram extraídos do arquivo SPED Contábil, período de 01/01/2010 a 31/12/2010, enviado pelo contribuinte e identificado pelo código HASH"; "Em 31/10/2013 foi recepcionado novo pedido de prazo para a Intimação n9 05, de 90 (noventa) dias, pelo que foi indeferido, em face da Intimação n2 06, já lavrada e cientificada pelo contribuinte. Novamente em 05/11/2013 o contribuinte formaliza uma reconsideração de solicitação de prazo para a Intimação n° 06 de 75 (setenta e cinco) dias. Em face das prorrogações já concedidas e não utilizadas pelo contribuinte foi deferido em caráter terminativo o prazo adicional de 10(dez) dias a contar da ciência do despacho". "A ciência se deu por via postal em 07/11/2013. Em 26/11/2013 ante a um novo pedido de reconsideração de solicitação de prazo de 20(vinte) dias, foi indeferido esse pedido em razão dos prazos já concedidos e não cumpridos. Até o momento não houve manifestação do contribuinte". Fl. 657DF CARF MF Processo nº 19515.722956/201317 Acórdão n.º 1401001.785 S1C4T1 Fl. 536 6 "Da análise dos créditos referidos no subitem 1.6.3, acima, correspondentes à movimentação financeira no Itaú Unibanco S /A, anocalendário de 2010, verificou se nas contrapartidas de débitos que valores desses débitos foram depositados na conta corrente do Banco Bradesco referida no subitem 1.4, acima, e constam nos valores de créditos desse Banco Bradesco e viceversa, alguns valores de débitos do Banco Bradesco constam como créditos no Itaú Unibanco S/A. Dessa forma é de se ajustar os valores apontados nas Intimações n° 05 e 06 de forma que os valores escriturados sejam excluídos". "Decorrido o prazo determinado nas Intimações n° 05 e 06 e as prorrogações de prazos concedidas, o contribuinte não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações de créditos relacionados nessas Intimações, tampouco a devida escrituração, pelo que fica caracterizada a omissão de receitas por presunção legal. Os valores apurados constante dessas Intimações, com os devidos ajustes feitos em face das conciliações de débitos e créditos entre os Banco Bradesco e Itaú Unibanco, conforme demonstrados no subitem 1.7, acima, podem ser demonstrados pelo histórico de lançamento constante dos extratos bancários". "Por fim o resumo das diferenças de créditos apuradas em valores mensais, trimestrais do anocalendário de 2010, sujeitas à tributação": RESUMO DOS VALORES APURADOS BANCO DATA MÊS DEBITO CREDITO CRÉDITO • DIFERENÇA APURADA TRIMESTRE ‐ AC 2010 01 Total 734.224,17 1.942.725,87 1.208.501,70 02 Total 763.465,71 1.637.082,83 873.617,12 03 Total 875.210,88 1.866.207,18 990.996,30 3.073.115,12 04 Total 553.623,57 2.464.989,67 1.911.366,10 05 Total 863.366,36 2.541.919,57 1.678.553,21 06 Total 2.339.515,14 3.664.701,67 1.325.186,53 4.915.105,84 07 Total 1.911.108,84 4.169.422,98 2.258.314,14 08 Total 1.136.981,40 4.548.475,25 3.411.493,85 09 Total 1.487.043,20 3.739.165,72 2.252.122,52 7.921.930,51 10 Total 2.282.045,27 3.884.840,62 1.602.795,35 BANCO DATA MÊS DEBITO CREDITO CRÉDITO ■ DIFERENÇA APURADA TRIMESTRE • AC 2010 11 Total 1.781.821,75 4.422.456,89 2.640.635,14 «Total 2.195.216,79 4.303.952,84 2.108.736,05 6.352.166,54 SOMA 16.923.623,08 39.185.941,09 22.262.318,01 22.262.318,01 "COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL DE PERÍODOS ANTERIORES E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES Verificase na Ficha 09A Demonstração do Lucro Real da DIPJ 2011 AC 2010 na Linha 80 Lucro Real antes da compensação de Prejuízo Fiscal do próprio período de apuração, que o contribuinte apurou prejuízo fiscal. Dessa forma considerando que o contribuinte tem saldo de prejuízo fiscal de períodos anteriores e no próprio período de apuração é de se compensar com a matéria tributável apurada tendo em vista a existência de saldo suficiente". FICHA 09 A • DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL PJ EM GERAL FICHA 09 A • DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL ■ PJ EM GERAL ■ LINHA‐ DISCRIMINAÇÃO...‐' ••• ' . TRIMESTRE J£ VAKOR^RJ ACUMULADO SAPLI SALDO DE PREJUÍZOS OPERACIONAIS 31/12/2009 ‐282.903,99 Fl. 658DF CARF MF Processo nº 19515.722956/201317 Acórdão n.º 1401001.785 S1C4T1 Fl. 537 7 BO LUCRO REAL 1°TRIM/2010 14.601,69 297.505,68 2.1 A Demonstração do Lucro Real Ajustado pode ser assim resumida DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL AJUSTADO PELAS INFRAÇÕES TABELA (...) "DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL AJUSTADO PELAS INFRAÇÕES Relativamente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido verifica se na Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da DIPJ 2011 AC 2010 na Linha 62 Base de Cálculo ANTES DA COMP DE BC NEG DE PER ANTERIORES da CSLL, que o contribuinte apurou a base de cálculo da CSLL negativa no 1 trimestre/2010. Dessa forma considerando que o contribuinte tem saldo de bases negativas da CSLL de períodos anteriores e no próprio período de apuração é de se compensar com a matéria tributável apurada tendo em vista a existência de saldo suficiente". (...) 2.3 A base de cálculo da CSLL ajustada pode ser assim demonstrada ( ( "DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Em face do exposto, a empresa, acima identificada, deixou de oferecer à tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, com reflexos nas áreas da CSLL, PIS e COFINS, anocalendário de 2010, o montante de R$ 22.262.318,01, consoante demonstrado no item 1.8.2, acima, sujeitandose, portanto, ao lançamento de ofício nos termos do artigo 841, inciso VI, 926, c/c 845, inciso III e 944 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n. 3.000, de 26/03/1999, por infração à legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ mencionada acima no item 3 e subitens e no Auto de Infração". "Considerando que a fiscalizada não atendeu nos prazos marcados as Intimações acima referidas, não obstante os prazos concedidos, tendo sido inclusive lavrado o Auto de Embaraço à Fiscalização, acima referido no subitem 1.5.3, é de se proceder ao agravamento da penalidade nos termos do art. 959, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo secreto n° 3.000, de 29/03/1999". "DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Verificase no anocalendário de 2010, dos documentos recebidos da instituição financeira Banco Itaú Unibanco S.A., por força da "RMF", principalmente a Ficha Cadastral, cópias de cheques emitidos, entre outros, que a empresa era representada pelo sócio administrador, abaixo relacionado e, segundo informação prestada por essa instituição financeira não foram localizadas procurações em nome da empresa. Dessa forma é de se inferir que toda a movimentação financeira nessa instituição financeira era gerida pelo sócio administrador". "Nos termos do art. 124 (Sujeito Passivo] c/c o arts. 135 (Responsabilidades de Terceiros) do Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/66; e, ante aos fatos descritos neste Termo de Verificação Fiscal IRPJ restou caracterizada a sujeição passiva solidária dos sócios administradores, abaixo identificados, pessoalmente responsável pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração da lei cometidos na direção da empresa: TEIXEIRA Fl. 659DF CARF MF Processo nº 19515.722956/201317 Acórdão n.º 1401001.785 S1C4T1 Fl. 538 8 IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PAPEIS LTDA. CNPj 08.141.136/0001 23". Nome / Nome Empresaria! CPF / CNPJ Situação Mandato de Administrador WAGNER TEIXEIRA 281.828.63104 Sócio e administrador Desde a constituição (08/06/2006) RALPH MARQ.UETTI TEIXEIRA 334.102.10866 Sócio e 08/06/2006 até administrador 01/11/2012 "Os sujeitos passivos solidários, supra mencionados, serão cientificados pelo" Termo de Sujeição Passiva Solidária "da exigência tributária decorrente desse procedimento fiscal relativamente ao tributo: IRPJ e reflexos PIS, COFINS e CSLL, contra o sujeito passivo supra referido". "INTIMAÇÃO PARA RETIFICAÇÃO DO LALUR Fica a empresa, acima identificada, INTIMADA neste ato, a proceder aos devidos ajustes no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR para que fiquem registrados os novos valores de Prejuízos Fiscais e Bases Negativas da CSLL conforme demonstrativo constante do Auto de Infração IRPj e acima referido no item 2". "DA DESTRUIÇÃO DOS ARQUIVOS MAGNÉTICOS Em obediência ao artigo 92 da Portaria do Secretário da Receita Federal SRF ns 180, de 01/02/2001, procedi a destruição, por processo físico, dos arquivos magnéticos recebidos da empresa". "DO ENCERRAMENTO E para constar e produzir os devidos efeitos lavro o presente Termo, em duas vias, de igual teor, que vai assinadas por mim, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e uma das vias enviada ao contribuinte, acima identificado, via postal, cuja ciência se dará pelo Aviso de Recebimento (AR)". 2 Da defesa Regularmente cientificada por meio de AR dos Correios e Telégrafos em , em 10/12/2013 (fls. 468), em 07/01/2014/2014 a interessada protocoliza sua impugnação, cuja síntese é a seguinte: a) "O Sr. Fiscal afirma que o impugnante não justificou a sua movimentação financeira referente a conta corrente 499103 da agência 0695 do Banco Itaú. No entanto, basta ver os próprios extratos fornecidos pelo Banco Itaú para se saber exatamente qual é a origem das transações, pois elas são autoexplicativas e serão novamente aclarados para tranqüilidade do agente público". b) "De fato, a movimentação financeira da conta corrente 499103 da agência 0695 do Banco Itaú nada mais era que o próprio capital da empresa, que transitava da conta Bradesco para conta Itaú e viceversa". c) "E prova disto é que o próprio Fiscal atesta que houve movimentações realizadas pela impugnante entre as contas Bradesco e Itaú (item 1.7 fls. 362/367), apesar de, por um lapso, não observar que a circulação financeira das contas se trata do mesmo capital". d) "Deste modo, se verifica que toda circulação realizada nas contas bancárias (Bradesco e Itaú) da impugnante foram utilizadas única e exclusivamente para sustentar as operações do diaadia da empresa, dando normal seguimento aos seus negócios". e) "Portanto, se as movimentações bancárias praticadas nas contas Itaú e Bradesco se referem ao mesmo capital (dinheiro) da impugnante, evidente que não há nenhuma operação omitida ou não declarada por ela, razão que deve acarretar a nulidade do auto de infração". Fl. 660DF CARF MF Processo nº 19515.722956/201317 Acórdão n.º 1401001.785 S1C4T1 Fl. 539 9 f) "EXCESSO DE MULTA Caso Vossa Senhoria entenda ultrapassado o item supracitado, pelo princípio da eventualidade, se faz necessário impugnar, também, o excesso de multa aplicada no auto de infração". g) "Nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, a multa aplicada deve ser no importe de 75% (setenta e cinco por cento)". h) "Porém, o Sr. Fiscal atribuiu a penalidade do § 2° do mencionado artigo, estipulando um percentual de 112% de multa por entender que a impugnante causou embaraço ao procedimento fiscal ao não apresentar os extratos bancários". i) "Entretanto, o que se vê na simples análise dos autos é que isso não ocorreu, muito pelo contrário, a impugnante sempre diligenciou com zelo junto à Receita Federal para cumprir com as determinações postuladas por essa, bem como apresentou os extratos bancários que obtinha em sua posse (Banco Bradesco)". j) "E mais, a impugnante também requereu prazo para diligenciar e apresentar toda documentação solicitada pelo Sr. Fiscal, tendo em vista que demandaria tempo". k) "De todo modo, o CARF vem entendendo que se deve aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte, ou seja, não deve ser aplicada a multa qualificada, salvo quando evidente o intuito fraudatório, que não é o caso dos autos". l) "Assim, caso seja ultrapassada as justificativas apresentadas no item "b.l" desta exordial, se impõe que a multa aplicada à impugnante seja reduzida para a importância de 75% (setenta e cinco por cento) do valor principal, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96, bem como no entendimento já sumulado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais". m) "PEDIDO Isto posto, requer a desconstituição do presente auto de infração contra a impugnante, vez que ela demonstrou pontualmente a regularidade de cada uma das operações tidas como suspeitas pelo auditor fiscal". n) "Alternativamente, caso Vossa Senhoria entenda que a empresa não demonstrou todas as operações supostamente não comprovadas, requer seja afastada a multa qualificada e, assim, reduzida para o importe de 75% (setenta e cinco por cento)". 3 Da defesa Solidários Também por meio de AR dos Correios e Telégrafos (fls. 463 e 465) em 07/12/2013, os Srs. Wagner Teixeira e Ralph Marquetti Teixeira, sócios da impugnante, foram cientificados do Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 459 e 461, recebendo na oportunidade, cópias dos autos de infração e do Termo de Verificação Fiscal. Na data de 07/01/2014 os citados responsáveis solidários protocolam 02 petições, que por possuírem igual teor, serão analisadas conjuntamente, trazendo ao PAF os seguintes argumentos: I. "Sabido é que o impugnante é sócio da empresa autuada, como se vê na simples análise do contrato social. Porém, para que ele responda solidariamente as obrigações tributárias relativas à empresa são necessários que sejam praticados atos taxados e disciplinados no artigo 135 do Código Tributário Nacional". II. "Vejase que o simples fato do impugnante ser sócio da empresa não caracteriza ser responsável solidário, vez que, para tanto, é necessário agir com excesso de poderes ou infringir a legislação". III. "E no presente caso o impugnante sequer praticou os atos mencionados no artigo 135 do Código Tributário Nacional, vez que sempre agiu com perícia e cautela em suas atividades fiscais, não sendo aceitável responder por obrigações tributárias de responsabilidade da empresa". Fl. 661DF CARF MF Processo nº 19515.722956/201317 Acórdão n.º 1401001.785 S1C4T1 Fl. 540 10 IV. "E mais, o artigo 134 do Código Tributário Nacional menciona que a responsabilidade do sócio é cabível somente nos casos de liquidação de sociedade de pessoas, o que não é o caso dos autos". V. "Assim, o impugnante, embora sócio da empresa autuada, não pode figurar no pólo passivo da presente fiscalização pelo simples fato de que ele não é responsável solidário pelas dívidas tributárias da empresa". VI. "E nem se diga que a falta de recolhimento de tributos ensejaria a aplicação do artigo 135 do Código Tributário Nacional, EIS QUE O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA VEM DECIDINDO REITERADAMENTE, EM RECENTES JULGADOS E SOB O RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS, a impossibilidade de se estender aos sócios a penalidade pela falta de recolhimento de tributos". VII. "E o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF compactua com o mesmo posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, além de entender que o Sr. Fiscal tem o dever de provar que o sócio, para responder solidariamente, praticou um dos requisitos mencionados no artigo 135 do Código Tributário Nacional". VIII. "Portanto, de acordo com o ordenamento jurídico e pelas jurisprudências trazidas nesta petição, fica claro que o impugnante não é responsável pelas obrigações tributárias da Teixeira Importação e Exportação de Papéis Ltda no procedimento fiscal n° 19515.722956/201317 (MPF 08190002012048983), visto que ele não agiu com excesso de poderes, tampouco infringiu qualquer lei uma vez que inexiste prova de que o impugnante agiu com excesso de poderes ou infringiu qualquer dispositivo legal". A DRJ MANTEVE EM PARTE os lançamentos, nos termos da ementa abaixo, RECORRENDO DE OFÍCIO da parte CANELADA: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2010 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. SÓCIOS GERENTES. RESPONSABILIDADE PESSOAL. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Os sócios gerentes são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Configura omissão de receitas a ocorrência de valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte, titular de fato da conta, regularmente intimada, não comprove de forma individualizada, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos ali creditados. INTIMAÇÕES. PRORROGAÇÕES. FALTA DE ATENDIMENTO. NOVO PRAZO. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 19515.722956/201317 Acórdão n.º 1401001.785 S1C4T1 Fl. 541 11 Intimações objeto de prorrogações a pedido da contribuinte, não caracteriza a apontada ocorrência de falta de atendimento das intimações no prazo marcado a justificar a aplicação da multa agravada, eis que o novo prazo concedido é o que passa a reger o termo final da intimação, ademais se a intimação que teria dado causa ao agravamento da multa de ofício, é a mesma que justificou a apontada ocorrência de presunção de omissão de receitas por depósitos bancários não justificados, não secausa dos lançamentos discutidos nos autos. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. AUTORIZAÇÃO POR ESCRITO. ACESSO Á MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Inexiste a figura de embaraço à fiscalização, quando a contribuinte não atende ao pedido da autoridade fiscalizadora para que fosse fornecido uma autorização por escrito para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização da jurisdição da contribuinte, requisitasse as informações sobre sua movimentação financeira junto a instituição bancária, uma vez que a fiscalização dispunha de instrumentos legais que permitiriam o acesso à movimentação financeira da contribuinte sem a sua aquiescência, instrumentos estes que foram utilizados para acessar as pretendidas informações que deram causa aos lançamentos. AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008 INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES. É indevida a compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, estabelecido pelo artigo 15 da Lei n° 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/12/2008 Fl. 663DF CARF MF Processo nº 19515.722956/201317 Acórdão n.º 1401001.785 S1C4T1 Fl. 542 12 INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES. É indevida a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, estabelecido pelo artigo 16 da Lei n° 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. Irresignada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário a este CARF, repetindo literalmente os mesmos argumentos aduzidos anteriormente nas respectivas impugnações. Da mesma forma os Srs. Wagner Teixeira e Ralph Marquetti Teixeira, sócios da Recorrente, protocolizaram 2(dois) recurso idênticos e repetindo também literalmente os mesmos argumentos aduzidos anteriormente nas respectivas impugnações. É o relatório. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 19515.722956/201317 Acórdão n.º 1401001.785 S1C4T1 Fl. 543 13 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso voluntário e de ofício preenchem os requisitos legais para admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. RECURSO DE OFÍCIO Na aplicação da multa de ofício, a Fiscalização utilizou o percentual de 112,5%. Entendeu que o agravamento teria se dado tanto pelo não atendimento às intimações quanto pelo fato de o fiscal ter lavrado termo de embaraço à fiscalização. Em relação ao agravamento, o Termo de Verificação Fiscal assim se posicionou : Considerando que a fiscalizada não atendeu nos prazos marcados as Intimações acima referidas, não obstante os prazos concedidos, tendo sido inclusive lavrado o Auto de Embaraço à Fiscalização, acima referido no subitem 1.5.3, é de se proceder ao agravamento da penalidade nos termos do art. 959, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo secreto n° 3.000, de 29/03/1999. A DRJ, por sua vez, descontitui muito bem os dois fundamentos em que se lastreou o fiscal para aplicar o referido agravamento: 1) "(,,,)Quanto ao não atendimento nos prazos marcados das intimações apontada como causa do agravamento da multa de ofício (fl. n° 419), ainda de acordo com o referido Termo de Verificação Fiscal, observase que as intimações foram objeto de pedidos de prorrogação de prazo pela Contribuinte para seu atendimento, pedidos estes que em sua maioria foram parcialmente atendidos pela Fiscalização, significando que os prazos foram prorrogados e, em sendo prorrogados, não se pode falar em falta de atendimento das intimações nos prazos marcados, eis que o novo prazo concedido é que passa a reger o termo final da intimação, confirase (fls. de n°s. 360 a 362): (...)" 2) "Consta ainda, no Termo de Verificação Fiscal, que teria sido lavrado o Auto de Embaraço à Fiscalização, o qual, também, poderia justificar a imposição da multa agravada." Quanto a esse primeiro fundamento, além de a DRJ ter muito bem demonstrado que as intimações foram parcialmente atendidas sendo objeto de prorrogações, o que se verifica também é que a falta de atendimento à referida intimação além de ser um dos elementos que justificou o lançamento pela presunção de omissão de receitas aqui discutida, estaria, também, a justificar o agravamento da multa. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 19515.722956/201317 Acórdão n.º 1401001.785 S1C4T1 Fl. 544 14 A meu ver, a intenção do legislador quanto à necessidade de agravamento da multa foi estabelecer um mecanismo de punição nas situações em que o atraso no fornecimento das informações solicitadas possa acarretar prejuízos ao procedimento fiscal. Registrese que a norma fala em “prestar esclarecimentos” e não em “apresentar documentos”. Isso porque a não apresentação de documentos implicaria para o sujeito passivo a possibilidade de ter seu resultado apurado por arbitramento, ou lançado por presunção legal, como foi o caso. Outrossim, o agravamento da multa não se coaduna com os casos de não apresentação de extratos bancários, uma vez que a Administração Tributária pode obter os extratos por RMF, sem a participação do contribuinte.para requisitar extratos bancários, como foi o caso. Por fim, ainda a respeito da não apresentação de extratos, cabe aqui as considerações da DRJ no sentido de afirmar que a fiscalização tomou conhecimento da existência da referida movimentação financeira a partir do fornecimento de extratos pelo próprio contribuinte: Por último, registrese, também, que Fiscalização tinha conhecimento da existência da movimentação financeira efetivada pela Impugnante no Banco Itaú Unibanco S/A, conhecimento este que adquirido em razão do fornecimento, pela Impugnante, dos extratos de sua conta corrente mantida junto ao Bradesco S/A (fl. n° 358, subitem 1.3, do TVF), pois, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, em cumprimento ao disposto no artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, as transferências bancárias da Fiscalizada entre o Itaú Unibanco S/A e o Bradesco S/A, no montante de R$ 16.923.623,08, foram excluídas do total da movimentação financeira apurada pela Fiscalização, no montante de R$ 39.185.9421,09, sendo tributada, a título de omissão de receitas, a diferença R$ 22.262.318,01 (fls. de n°s. 416 e 417), inclusive porque aqueles valores estavam contabilizados, conforme se extraí do referido TVF, confirase (fls. de n°s. 362, 367, 414 e 415): Quanto ao segundo fundamento, entendo que a DRJ também tem razão, pois o embaraço foi constituído em cima de uma motivação que pela Lei não daria ensejo ao embaraço. Nesse sentido, adoto integralmente como razões de decidir o voto da DRJ: (...)No Auto de Embaraço à Fiscalização consta que o motivo principal que teria dado causa a sua lavratura seria a falta de atendimento à solicitação para que a Impugnante emitisse "uma autorização por escrito, devidamente formalizada pelo representante legal para que a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo DEFIS/SSPO, requisite as informações sobre a movimentação financeira da empresa junto ao Banco Itaú Unibanco S/A, relativo ao período de 01/10/2010 a 31/12/2010" (destaquei), conforme consta na Intimação n° 2, de fls. 150 a 151, como se segue: 1.3. Dessa forma, solicitase da empresa uma autorização por escrito, devidamente formalizada pelo representante legal para que a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo DEFIS/SSPO, requisite as informações sobre a movimentação financeira da empresa junto ao Banco Itaú Unibanco S/A, relativo ao período de 01/10/2010 a 31/12/2010. Obs.: destaquei. Para fundamentar a apontada ocorrência de "EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO", a fiscalização cita o artigo 919 e parágrafo único do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), o qual dispõe, verbis: Fl. 666DF CARF MF Processo nº 19515.722956/201317 Acórdão n.º 1401001.785 S1C4T1 Fl. 545 15 Art. 919. Os que desacatarem, por qualquer maneira, os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções e os que, por qualquer meio, impedirem a fiscalização serão punidos na forma do Código Penal, lavrando o funcionário ofendido o competente auto que, acompanhado do rol das testemunhas, será remetido ao Procurador da República pela repartição competente (Lein°2.354, de 1954, art. 7°). Parágrafo único. Considerase como embaraço à fiscalização a recusa não justificada da exibição de livros auxiliares de escrituração, tais como o Razão, o Livro Caixa, o Livro Registro de Inventário, o ContasCorrentes e outros registros específicos pertinentes ao ramo de negócio da empresa. Ora, o fato de a Impugnante não ter atendido a solicitação da Fiscalização para que ela emitisse uma autorização por escrito para que a DEFIS/SSPO requisite informações sobre a movimentação financeira junto ao referido estabelecimento bancário, a meu ver, não se configura hipótese de embaraço à Fiscalização dentre aquelas citadas no referido artigo 919 e parágrafo único, que ensejasse o agravamento da multa de ofício de 75% para 112,50%, primeiro porque a Fiscalização dispõe de instrumentos legais que permitem o exame da movimentação bancária de contribuinte em regular fiscalização sem a necessidade de autorização do titular da conta, no caso a RMF prevista no art. 6°, da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, instrumento este ora aqui utilizado para a requisitar as informações as quais deram respaldo ao lançamento (fls. de n°s. 167 e 168). Segundo que em procedimento regular de fiscalização a autoridade administrativa não cabe solicitar autorização, mas proceder a intimação para que o contribuinte apresente os documentos e registros específicos pertinentes ao ramo de negócio da empresa, ou seja, a intimação deve ser específica indicando a natureza dos documentos a que se pretende, tais como: Livro Diário, Livro Razão, extrato de contas em instituição financeira, os documentos que deram causa aos registros contábeis e fiscais (documentação hábil e idônea), e, em causa de recusa não justificada, ai sim, se caracterizaria o embaraço à fiscalização. Por exposto, NEGO provimento ao RECURSO DE OFÍCIO. RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme relatado, diz respeito a lançamento do IRPJ por meio da sistemática do lucro real trimestral, sobre receitas omitidas por presunção legal em razão da não comprovação da origem de valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, mesmo regularmente intimado, não teria comprovado, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL Depósitos Bancários Sem Comprovação da Origem dos Recursos O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 19515.722956/201317 Acórdão n.º 1401001.785 S1C4T1 Fl. 546 16 Ora, como se vê da descrição dos fatos, a empresa não apresentou documentação alguma que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos. A recorrente não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos recebidos em conta bancária. Em sede impugnatória e recursal, a interessada ao invés de tentar provar os fatos alegados, se limita a tecer considerações genéricas sem trazer aos autos quaisquer provas de suas alegações. No caso, alega genericamente, o que já foi dito literalmente em sede impugnatória, que os referidos depósitos referente à conta movimentada no Banco Itaú S/A, tinham como origem "o próprio capital da empresa, que transitava da conta Bradesco para conta Itaú e viceversa" concluindo que "toda circulação realizada nas contas bancárias (Bradesco e Itaú) da recorrente foram utilizadas única e exclusivamente para sustentar as operações do diaadia da empresa, dando normal seguimento aos seus negócios". Como se vê, a Recorrente insiste desde a fase inquisitória à fase recursal no argumento de que diversas operações interbancárias foram indevidamente apropriadas como receita tributável, sem no entanto trazer uma prova sequer. Outrossim, a DRJ já demonstrou que essa peculiaridade (transferência entre contas da mesma empresa) já foi considerada pelo fiscal: Apesar da omissão da impugnante, ao desatender todas as intimações para comprovação da origem dos depósitos bancários constatados em sua conta corrente, a autoridade fiscal, por meio da planilha inserida no Termo de Constatação Fiscal demonstra que do total da movimentação bancária apurada (R$ 39.185.941,09), considerouse como transferência entre contas, o valor de R$ 19.923.623,08, remanescendo como receita tributável omitida a diferença no valor de R$ 22.262.318,01, o que de plano desconstitui o citado argumento de defesa, uma vez que as movimentações financeiras efetivamente comprovadas nos extratos foram excluídas da tributação. Em relação às presunções, a argumentação da recorrente denota um total desconhecimento da existência do art. 42 da Lei nº 9.43096 que representa um verdadeiro marco em termos de presunção legal de omissão de receitas, verbis: LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 DOU de 30.12.96 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o ônus da prova fica invertido, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Feitas tais considerações e, evidenciada a absoluta licitude do estabelecimento das presunções legais, cumpre dizer que, em relação as alegações trazidas pelo Fl. 668DF CARF MF Processo nº 19515.722956/201317 Acórdão n.º 1401001.785 S1C4T1 Fl. 547 17 contribuinte mostramse despropositadas, visto que, o simples fato da existência de depósitos bancários com origem não comprovada é, por si só, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário que, conforme dito, não as apresentou. Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso. . RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SÓCIOS Srs. Wagner Teixeira e Ralph Marquetti Teixeira, sócios da Recorrente, foram cientificados do Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 459 e 461, recebendo na oportunidade, cópias dos autos de infração e do Termo de Verificação Fiscal. Como seus 2(dois) recursos possuem igual teor, serão aqui analisadas conjuntamente. Afirma o fisco que pelas provas coletadas e anexadas ao PAF, ficou constatado que os sócios administradores acima citados, o primeiro até 08/06/2006 e o segundo até 01/11/2012, foram diretamente responsáveis por toda movimentação financeira à margem da tributação, restando caracterizadas tanto a sujeição passiva solidária quanto a sujeição pessoal dos citados sócios administradores, nos termos do art. 124 (Sujeito Passivo] c/c o arts. 135 (Responsabilidades de Terceiros) do Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/66. Os Recorrentes, por sua vez, contestam a atribuição de responsabilidade tributária, nos seguintes argumentos: 1. o fisco não prova que os sócios praticaram os atos previstos no art. 135 do CTN ou seja não agiram com excesso de poderes ou com infração à legislação; 2. a responsabilidade do sócio é cabível somente nos casos de liquidação de sociedade de pessoas, o que não é o caso dos autos (art. 134 do CTN); A DRJ manteve o lançamento, nos seguintes termos: Resta comprovado no PAF, que os sócios, de forma direta, foram os responsáveis pela movimentação de receitas à margem da tributação, no valor R$ 22.262.318,01, sendo, conjuntamente com a empresa, beneficiários dos ganhos ilícitos decorrentes da omissão praticada, o que caracteriza o interesse comum de que trata o citado art. 124, I, do CTN. De igual forma, no exercício da gestão da empresa, quando poderiam utilizar se do poder diretivo que lhes foi delegado para inibir a prática de qualquer ato ilícito, optaram por praticar diretamente os atos ilegais e abusivos que resultaram na omissão objeto do lançamento, conduta passível de responsabilização pessoal na forma do citado art. 135, III do CTN. Em primeiro lugar, cabe salientar que a infração verificada tratase de omissão de receitas pela aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei n. 9.430/96 em que não foi tipificado o dolo na multa qualificada. Também pelos elementos dos autos não ficou configurada aqui a chamada "extinção irregular da empresa" ou situação assemelhada, isso porque, importante ressaltar, que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.101.728/SP, rel. Ministro Teori Albino Zavaski, consolidou entendimento segundo o qual “a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa. Porém, Fl. 669DF CARF MF Processo nº 19515.722956/201317 Acórdão n.º 1401001.785 S1C4T1 Fl. 548 18 o autuante não imputou em específico qualquer ato ilícito a cada um dos sócios, não individualizando as condutas, restando flagrante a ilegitimidade passiva pelo prisma desse dispositivo (135 do CTN). Por outro lado, apesar de não fazer uma interpretação restritiva do art. 124, I do CTN, da análise das provas acostadas pela fiscalização, não se pode imputar a responsabilidade tributária aos sócios, isso porque,como já dito alhures, os fatos que ensejaram a autuação não foram como fraude ou conluio e nem há provas de que os sócios apontados como responsáveis tenham sido beneficiadas por recursos financeiros ou patrimoniais fornecidos pela empresa autuada. Assim acato os argumentos de defesa para retirar a atribuição de responsabilidade tributária imputada aos sócios da empresa. Lançamentos refelxos(PIS, COFINS E CSLL) Como não há questões novas vinculadas aos lançamentos decorrente afora as já enfrentadas, aplicase aos demais tributos (PIS, COFINS e CSLL) o mesmo tratamento dispensado ao de IRPJ. Por todo o exposto, NEGO provimento ao RECURSO DE OFÍCIO e, quanto ao RECURSO VOLUNTÁRIO, DOU provimento parcial apenas para retirar a atribuição de responsabilidade tributária dos sócios da empresa. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 670DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.720140/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007
VICIO INSANÁVEL. NULIDADE.
Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento da motivação necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto.
Embargos Acolhidos
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2301-004.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos da Fazenda, para conhecer o Recurso de Ofício, e no mérito, negar-lhe provimento.
Andrea Brose Adolfo - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento da motivação necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto. Embargos Acolhidos Recurso de Ofício Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos da Fazenda, para conhecer o Recurso de Ofício, e no mérito, negar-lhe provimento. Andrea Brose Adolfo - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
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NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento da motivação necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto. Embargos Acolhidos Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos da Fazenda, para conhecer o Recurso de Ofício, e no mérito, negarlhe provimento. Andrea Brose Adolfo Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 40 /2 01 1- 41 Fl. 308DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 13864.720140/201141 Acórdão n.º 2301004.884 S2C3T1 Fl. 288 3 Relatório Tratase de auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, lavrado contra a empresa acima identificada, DEBCAD 37.331.8685 e 37.331.8693, para constituição de créditos tributários relativos a contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais, respectivamente: contribuições do contratante e dos contribuintes individuais. De acordo com o Relatório Fiscal foi verificado que as empresas INFINITI MARKETING DE INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA, CNPJ 05.604.139/000168, e EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA, CNPJ 03.069.255/000107, foram classificados contabilmente na Conta 43111006 PROPAGANDA COOPERADA tendo a fiscalização constatado que houve pagamento pela prestação de serviço, chamada de "premiação", supostamente a contribuintes individuais da recorrente. Após a apresentação da impugnação pela autuada a DRJ julgou improcedente o lançamento através do Acórdão 0537.308 que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA Considerando as disposições da Súmula Vinculante STF 8/2008 e da Lei 11.417/06; e, considerando que não se encontra demonstrada nos autos a ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no final do parágrafo quarto do artigo 150 do CTN (“comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação”), a regra aplicável para determinação da decadência é a da parte inicial do aludido parágrafo. DEMONSTRAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constitui requisito fundamental do lançamento fiscal o integral cumprimento das exigências constantes do artigo 142 do CTN. O lançamento deve compreender pelo menos o relato circunstanciado dos fatos, elementos e circunstâncias que demonstrem a viabilidade da presunção de que os fatos inferidos tenham realmente acontecido. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Desta forma, apresentou recurso de ofício. Indicado para pauta, a turma julgadora através do Acórdão nº 2403002.211 não conheceu do recurso de ofício em razão do valor inferior ao "limite de alçada", fls. 290: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 310DF CARF MF 4 Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. Recurso de Ofício Não Conhecido Em uma vez intimada da decisão, a Fazenda Nacional opôs embargos, fls. 298, alegando que não se observou que o processo era composto de dois autos de infração integralmente exonerados cujo somatório excede R$ 1.000.000,00. O acórdão embargado teria considerado apenas um deles. Em despacho fundamentado o presidente da turma reconheceu a omissão e conheceu dos embargos, fls. 304 e s. Considerando que o relator original não mais atua neste CARF, em novo sorteio o processo veio para a relatoria deste conselheiro. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13864.720140/201141 Acórdão n.º 2301004.884 S2C3T1 Fl. 289 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator De fato, assiste razão ao embargante. Como reconhecido pelo próprio relator em sua informação em despacho de admissibilidade, tratase de omissão que resultou equivocadamente no não conhecimento do recurso de ofício. Os créditos constituídos pelos dois autos de infração e exonerados pela DRJ excedem R$ 1.000.000,00: DEBCAD 37.331.8695, no valor de R$ 546.083,97; e DEBCAD 37.331.8685, no valor de R$ 992.879,95. E, dessa forma, deve ser conhecido, como também já havia indicado o acórdão da DRJ: Considerando que: a) o processo em análise é composto por dois lançamentos fiscais – DEBCAD 37.331.8685 e DEBCAD 37.331.8693; b) as Impugnações foram consideradas procedentes; e c) computados os valores (tributo e encargos de multa), o montante obtido excede o limite previsto no artigo 1º da Portaria MF 3/2008, o presente deve ser submetido ao recurso de ofício, encaminhandose ao CARF. Em razão do exposto, voto por acolher os embargos opostos para que o recurso de ofício seja conhecido e, assim, passo ao seu exame. Da análise dos relatórios fiscais com seus anexos e a decisão recorrida, verifico que a fiscalização considerou que os lançamentos contábeis e notas fiscais referentes aos pagamentos às empresas INFINITI MARKETING DE INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA e EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA se tratavam de remunerações de contribuintes individuais da recorrente por intermédio dessas empresas, na sistemática dos programas de incentivos de outros casos recorrentes. Os fundamentos principais foram resumidos pela decisão recorrida nos seguintes termos, fls. 281: Em resposta, o Contribuinte teria informado que: ... o objeto da contratação consistia na prestação de serviços de organização de feiras, publicidade e promoção de vendas. Não apresentou contrato ou listagem dos favorecidos alegando não possuílos. Esclareceu também, em outra ocasião, que o serviço prestado por estas empresas ‘consistiu na elaboração, planejamento, desenvolvimento e execução de programas de incentivo 'as vendas, motivação e premiação dos parceiros comerciais, sendo que eventuais valores pagos aos funcionários ocorreram a título de reembolso de despesas operacionais. Fl. 312DF CARF MF 6 Nestas circunstâncias, considerando a forma de contabilização dos pagamentos realizados às aludidas prestadoras de serviços (“Conta 43111006 PROPAGANDA COOPERADA”); considerando, ainda, o histórico das contabilizações (“REPASSE CONTRATUAL POR CONTA E ORDEM PARA PREMIAÇÃO DE CAMPANHA DE INCENTIVO”); considerando, também, os esclarecimentos do Contribuinte (transcritos no parágrafo anterior); e, considerando, finalmente, os dados cadastrais dos prestadores de serviços, quanto às atividades econômicas declaradas para o CNAE, a Fiscalização concluiu que: Depreendese, dos fatos elencados, que diante de uma ‘campanha de incentivo de vendas, houve pagamento pela prestação de serviço, chamada de "premiação" a prestadores de serviços autônomos, chamados de ‘parceiros comerciais. Acrescentase, ainda, que a fiscalização demonstra a contratação de vários contribuintes individuais pelo recorrente, devidamente registrados em folhas de pagamento ou DIRF, fls. 67 e s., mas não declarados em GFIP, o que leva a conclusão de que não reconheceram a remuneração como fatos geradores da contribuição previdenciária: Outra questão relevante que merece ser desqualificada é não ter sido constatado no banco de dados da Receita Federal do Brasil, declarações ou contribuições pelas empresas "Infiniti Marketing de Incentivo e Fidelização Ltda" e "Expertise Comunicação Total S/C Ltda.", sendo entendido pela fiscalização que nem tomadora, ora Impugnante, tampouco as prestadoras reconheceram a ocorrência dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Entendo que a fiscalização comprovou que a recorrente efetua pagamento a empresas que colaboram com o aumento das vendas de seus produtos. Conforme relatório fiscal, fls. 149, elas estão cadastradas no CNAE como atividades de promoção de vendas, tele atendimento, organização de exposições, marketing direto e afins. Também está claro que muitos contribuintes individuais contratados foram omitidos das GFIP. Contudo, acredito que deveria ter sido realizada diligência junto às empresas beneficiárias dos pagamentos realizados pelo recorrente Infiniti Marketing de Incentivo e Fidelização Ltda e Expertise Comunicação Total S/C Ltda e não apenas consultas ao CNAE. A finalidade seria o esclarecimento se depois da quitação das notas fiscais houve repasse aos segurados contribuintes individuais da recorrente como entendeu a fiscalização. Não ficou comprovado no lançamento que seus segurados de fato foram beneficiários desses repasses. Os contribuintes listados pela fiscalização podem ter ou não relação com os pagamentos realizados a essas empresas. Houve falta de motivação, tal como decidiu a decisão recorrida. Por tudo, voto por acolher os embargos da Fazenda, para conhecer o Recurso de Ofício, e no mérito, negarlhe provimento. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 313DF CARF MF Processo nº 13864.720140/201141 Acórdão n.º 2301004.884 S2C3T1 Fl. 290 7 Fl. 314DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.728643/2011-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. No caso, exclui-se da exigência o montante correspondente aos depósitos com origem devidamente demonstrada e mantém-se a tributação quanto ao remanescente.
LUCRO PRESUMIDO. RECEITAS DIVERSIFICADAS. PERCENTUAL.
No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado
Numero da decisão: 1402-002.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da exigência os valores de R$ 6.658.513,46 no 3º trimestre de 2006; R$ 3.798.817,69 no 1º trimestre de 2007; R$ 4.247.326,32 no 2º trimestre de 2007; R$ 8.482.075,77 no 3º trimestre de 2007; e R$ 26.636.166,04 no 4º trimestre de 2007; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
ASSINADO DIGITALMENTE
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. No caso, excluise da exigência o montante correspondente aos depósitos com origem devidamente demonstrada e mantémse a tributação quanto ao remanescente. LUCRO PRESUMIDO. RECEITAS DIVERSIFICADAS. PERCENTUAL. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da exigência os valores de R$ 6.658.513,46 no 3º trimestre de 2006; R$ 3.798.817,69 no 1º trimestre de 2007; R$ 4.247.326,32 no 2º trimestre de 2007; R$ 8.482.075,77 no 3º trimestre de 2007; e R$ 26.636.166,04 no 4º trimestre de 2007; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 86 43 /2 01 1- 43 Fl. 9827DF CARF MF 2 ASSINADO DIGITALMENTE Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 9828DF CARF MF Processo nº 10166.728643/201143 Acórdão n.º 1402002.400 S1C4T2 Fl. 9.828 3 Relatório Aproveito o relatório constante da Resolução 1402000.352: Trata o presente de autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007, no valor total de R$ 72.088.521,54; aí incluídos juros de mora e multa de ofício aplicada no percentual de 75%. A autuação referese a omissão de receitas decorrente da não comprovação da origem dos valores depositados em contas correntes de titularidade da interessada. Devidamente cientificada da exigência, a autuada interpôs impugnação tempestiva argüindo em preliminar a nulidade do feito por utilização indevida do arbitramento com base nos depósitos bancários. Argúi a contagem do prazo decadencial com base no § 4º, do art. 150 do CTN, o que implicaria na caducidade dos fatos geradores ocorridos anteriormente a 08/12/2005, ou seja, 1º, 2º e 3º trimestres de 2005, no caso do IRPJ e CSLL; e de janeiro a novembro de 2006, para o PIS e a Cofins. Reclama pela ocorrência de erro na apuração fiscal em função da tributação integral dos depósitos efetuados pois, sustenta, vários desses valores representariam operações de aporte de capital, transferência de contas de mesma titularidade e valores estornados. Ainda no que se refere à apuração, aduz que todos os depósitos que efetivamente representariam receitas tributáveis das vendas de unidades imobiliárias foram oferecidos à tributação. Quanto às transferências de recursos entre contas de mesma titularidade, merece registro o fato de que a impugnante é empresa do ramo de construção civil e incorporações imobiliárias e como tal executa inúmeras obras e participa de diversas licitações em todo território nacional. Assim, ara facilitar o controle de entrada e saída dos valores que serão utilizados para a construção das obras, para cada novo empreendimento a impugnante abre uma conta na qual serão efetuadas todas as movimentações financeiras referentes àquele empreendimento. Eventualmente, uma mesma conta é utilizada para mais de um investimento. Sendo assim, é certo que os aportes de capital recebidos em tais contas bancárias, transferidos de outras contras da empresa, e utilizados para viabilizar a construção das edificações não são renda da contribuinte, e não podem ser tidos como receita tributável. No que concerne aos estornos, a impugnante formulou uma planilha para cada uma das contras bancárias objeto da autuação, destacando cada um dos valores e datas, além de trazer a esses autos todos os extratos bancários, os quais permitem identificar que os estornos de fato ocorreram, e foram ignorados pela fiscalização. Quanto às receitas tributadas, vale observar as declarações prestadas pelo Contribuinte (Dacon e DIPJ), o qual evidenciam que a soma dos valores (excluindo as transferências entre contas de mesma titularidade, aportes de capital e estornos) é Fl. 9829DF CARF MF 4 efetivamente o mesmo valor que foi considerado por ocasião da apuração do montante do tributo devido nos anoscalendário de 2006 e 2007 (fl. 1.149 a 1.181). Sustenta a aplicação equivocada do coeficiente de 32% sobre a receita bruta pois, sendo empresa do ramo de construção civil e incorporações imobiliárias, o arbitramento do lucro deveria considerar o percentual de 8% sobre o montante das receitas auferidas para determinação da base de cálculo. Por fim, reclama que a multa no percentual de 75% tem caráter indiscutivelmente confiscatório. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília – DF prolatou o Acórdão 0351.406 (sessão de 22/03/2013) através do qual deu provimento parcial à impugnação para: reconhecer a decadência nos termos requeridos pela interessada; acatar parcialmente as razões de defesa em relação à comprovação da origem dos depósitos, conforme quadros demonstrativos integrantes do voto condutor; reduzir o percentual de presunção no anocalendário de 2006 para 8% (IRPJ) e 12%(CSLL); e: deduzir do PIS e da Cofins apurados, os valores dessas contribuições informados em DCTF, consideradas espontâneas. Dessa decisão, o Órgão julgador de primeira instância recorreu de ofício ao CARF. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado contra a exigência mantida, ratificando as razões expedidas na peça impugnatória e trazendo novos documentos que, segundo afirma, demonstrariam a origem dos demais depósitos não acatados pela decisão recorrida. Em primeira apreciação, o Colegiado prolatou a Resolução 1402000.240 convertendo o julgamento do recurso em diligência a fim de que fossem examinados as alegações e documentos trazidos aos autos com o recurso voluntário. Cumprida a solicitação, foi elaborado relatório de diligência fiscal com proposta de acolher em parte as justificativas trazidas no recurso. Cientificada do relatório, a interessada requereu o acatamento em maior extensão da documentação e trouxe aos autos o que seriam novas provas que demonstrariam a origem de depósitos não acatados pela autoridade responsável pela diligência. Foi prolatada outra Resolução (1402000.352) determinando nova diligência para exame dessas novas provas. Cumprida a solicitação e cientificada a interessada, retornaram os autos para julgamento. É o Relatório. Fl. 9830DF CARF MF Processo nº 10166.728643/201143 Acórdão n.º 1402002.400 S1C4T2 Fl. 9.829 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. Tendo em vista que a autuação decorreu da apuração de omissão de receita com base em depósitos bancários não comprovados, a arguição de nulidade da autuação por vício de motivação confundese com as razões de mérito pois o sujeito passivo reclama que não foram examinados corretamente os documentos apresentados e foram cometidos equívocos na apuração da base de cálculo eis que teriam sido considerados no lançamento a integralidade dos créditos constantes das contas bancárias. Salientese de imediato que não cabem mais questionamentos quanto à possibilidade de formalização da exigência com base em extratos bancários. Tal entendimento já foi superado desde o advento da Lei nº 9.430/96 que estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Registrese outrossim que são totalmente improcedentes as razões de defesa contestando um suposto arbitramento do lucro, pois a apuração do resultado da fiscalizada foi feita na modalidade do lucro presumido. Quanto ao exame de documentos uma comparação entre os extratos bancários e os valores informados como não comprovados no Termo de Verificação indicam que houve sim uma depuração inicial feita pela Fiscalização com exclusão de alguns valores que não representariam ingresso de recursos. Se caberia a exclusão de outros valores é questão de prova a ser dirimida no julgamento, com exame complementar de documentos e realização das diligências que porventura se mostrem necessárias, como efetivamente ocorreu no presente caso. No que se refere ao recurso de ofício, a Delegacia de Julgamento efetuou criteriosa análise com os elementos que dispunha e excluiu do lançamento parte significativa da base tributável original correspondente ao valores que entendeu demonstrados. Além disso, acolheu parcialmente a decadência, deduziu da base tributável do PIS e da Cofins, os valores confessados em DCTF e reduziu os coeficientes de presunção a 8% (IRPJ) e 12% (CSLL) para o anocalendário de 2006, tendo em vista que a DIPJ desse período só indicou o auferimento de receitas sujeitas a esse percentual. Não vislumbrei qualquer mácula na decisão recorrida, motivo pelo qual nego provimento ao recurso de ofício. Fl. 9831DF CARF MF 6 No mérito, importa ressaltar que foram realizadas duas diligências para exame dos elementos de prova apresentados que justificariam os depósitos bancários, o que garantiu o amplo direito de defesa. Registrese ainda que, cientificada do relatório concernente à segunda diligência, a interessada não apresentou contestação. Na apuração da exigência, não há que se falar na tributação em duplicidade pois os valores do IRPJ e CSLL declarados foram deduzidos da base tributável apurada. Quanto ao percentual de presunção no anocalendário de 2007, deve ser levado em consideração o fato de a interessada ter declarado na DIPJ receitas sujeitas aos percentuais de 8% e 32%. Sob esse prisma, em relação aos depósitos bancários não há como saber a natureza da receita a que se referem. Nessa situação, a tributação da receita tida como omitida segue a regra do §1º, do art, 24, da Lei nº 9.249 (destaques acrescidos): [...] Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. [...] Vêse, portanto, que o procedimento fiscal está amparado pela norma legal. De todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base tributável os valores considerados justificados pelas diligências realizadas, nos seguintes termos (vide Relatório de Diligência Fiscal II) : PERÍODO Valor tributável remanescente após DRJ (I) Valor demonstrado 1ª diligência (II) Valor demonstrado 2ª diligência (III) Valor remanescente (IV=IIIIII) 3º trimestre/2006 28.099.145,79 6.653.513,46 5.000,00 21.440.632,33 1º trimestre/2007 23.252.652,50 2.767.429,59 1.031.388,10 19.453.834,81 2º trimestre/2007 21.500.240,91 4.247.326,32 0,00 17.252.914,59 3º trimestre/2007 25.269.678,77 8.482.075,77 0,00 16.787.603,00 4º trimestre/2007 44.228.635,72 26.636.166,04 0,00 17.592.469,68 É como voto. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 9832DF CARF MF Processo nº 10166.728643/201143 Acórdão n.º 1402002.400 S1C4T2 Fl. 9.830 7 Fl. 9833DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.000673/2007-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITOS. GASTOS FASES PREPARATÓRIAS DA PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE.
As etapas de preparação material da planta para acesso, extração e obtenção dos recursos e insumos minerais, bem como as atividades de acesso, extração, movimentação e tratamento dos minerais assim obtidos, constituem parte do processo de produção para fins de apuração dos créditos dessas contribuições sociais.
Numero da decisão: 3401-003.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, vencidos os conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl e Fenelon Moscoso de Almeida, que davam provimento parcial em menor extensão, não reconhecendo o crédito em relação a despesa com ICMS - substituição de energia elétrica. O voto do Conselheiro Robson José Bayerl, ausente justificadamente na sessão, foi coletado e computado na reunião de junho/2016. Processo julgado em 29/03/2017.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente), Hélcio Lafetá Reis.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITOS. GASTOS FASES PREPARATÓRIAS DA PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE. As etapas de preparação material da planta para acesso, extração e obtenção dos recursos e insumos minerais, bem como as atividades de acesso, extração, movimentação e tratamento dos minerais assim obtidos, constituem parte do processo de produção para fins de apuração dos créditos dessas contribuições sociais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, vencidos os conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl e Fenelon Moscoso de Almeida, que davam provimento parcial em menor extensão, não reconhecendo o crédito em relação a despesa com ICMS substituição de energia elétrica. O voto do Conselheiro Robson José Bayerl, ausente justificadamente na sessão, foi coletado e computado na reunião de junho/2016. Processo julgado em 29/03/2017. Rosaldo Trevisan Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente), Hélcio Lafetá Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 06 73 /2 00 7- 99 Fl. 1645DF CARF MF 2 Relatório Este processo cuida de pedido de ressarcimento (PER) de PIS não cumulativo para ter reconhecimento em crédito Exportação ao qual tem associado Declarações de Compensação. A unidade de jurisdição não reconheceu a totalidade dos créditos pleiteados por ter constatado que a contribuinte havia entregue DACON com os campos 'zerados' ou seja, sem preenchimento para registrar as origens dos créditos e os próprios créditos. Além disso, ela não homologou a totalidade das compensações requeridas. Para introduzir o contraditório, reproduzo o relatório de lavra do Il. Conselheiro Odassi Guerzoni Filho constante da Resolução n. 3401000.221: Relatório Tratase de PER entregue em 29/03/2007 no qual foi indicado a existência de um crédito de "Pis NãoCumulativo Exportação", no valor de R$ 320.763,74, apurado em dezembro de 2006, portanto, relativo ao 4° trimestre, para o seu aproveitamento na compensação do débitos da CSLL do período de apuração de fevereiro de 2007. A DRF em Anápolis/GO1, todavia, não reconheceu o crédito sob o argumento de que o Dacon Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais do 2° semestre de 2006, entregue em 05/04/2007, estava com todos os seus campos "zerados". Consequentemente, não homologou a compensação. Na Manifestação de Inconformidade a interessada admitiu que incorrera em erro formal quando do preenchimento de seu Dacon, mas que, tão logo cientificada dos termos do Despacho Decisório, apresentou o correspondente retificador. Argumentou que a verdade real deve prevalecer sobre o formalismo, solicitou a realização de perícia e colacionou ementas de decisões administrativas que a socorreriam. A 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, não acolheu os termos da Manifestação de Inconformidade sob o argumento de que, da análise que efetuou na DIPJ da empresa do ano calendário de 2006, constatou: a) que a mesma indicara, na "Ficha 1 Dados Iniciais", que não realiza operações com o exterior; b) que na "Ficha 04A", indicara que não havia efetuado qualquer aquisição de insumos; c) que na "Ficha 06A", indicara que a "Receita de Exportação" era zero; e d) que no Balanço Patrimonial, indicara a existência apenas de receitas financeiras e outras receitas. Além disso, que nas DCTF relativas ao ano calendário de 2006 não havia sido indicada a existência de débitos do PIS/Pasep ou da Cofins, bem como que à Manifestação de Inconformidade não havia sido juntado qualquer elemento de prova acerca da existência dos créditos postulados, especialmente em face das significativas contradições que detectara entre as informações prestadas pela interessada à Receita Federal do Brasil, o que afastaria a caracterização do alegado erro formal. Também negou o pedido de perícia, sob o fundamento de que as regras do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, não teriam sido observadas. No Recurso Voluntário a Recorrente, reiterando seus argumentos de que poderia efetuar a retificação de suas informações prestadas à Receita Federal do Brasil, esclareceu que as informações que fizera constar de sua DIPJ do ano calendário de 2006 relacionadas ao montante das exportações realizadas não mostraram valor algum pelo fato de que as operações de exportação, às quais os Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 13116.000673/200799 Acórdão n.º 3401003.433 S3C4T1 Fl. 3 3 insumos cujos créditos estão sendo postulados se referem, somente se deram no ano seguinte, de 2007, no mês de fevereiro, consoante DIPJ d o AC de 2007, visto que em 2006 encontravase ainda em fase de instalação e de início de suas atividades, o que, por sua vez, justificaria o fato de não ter informado débitos de PIS/Pasep ou de Cofins nas DCTF. Alegou ainda que a não apresentação, quando da Manifestação de Inconformidade, da DIPJ do AC de 2008 e dos balancetes que indicariam a existência de estoques de insumos ao final do ano de 2006, foi motivada pela escolha da autoridade fiscal de confrontar o Dacon retificador com outros documentos, que não com esses. E, por conta disso, considerou a Recorrente que novas razões e argumentos foram apresentados pela DRJ, o que implicaria na observância da regra do artigo 16, § 4°, "c", do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Invocou ainda os princípios da ampla defesa, da legalidade, da oficialidade e verdade material, para a produção de prova nesta fase recursal, na esteira de doutrina e de jurisprudência administrativa colacionadas. Por fim, que não pode ser aceito o argumento da autoridade de julgamento de que os créditos devem estar relacionados às exportações do próprio período de apuração, por falta de previsão legal. Reiterou ainda o seu pedido de perícia para a comprovação de seu crédito. Este processo chegou ao CARF e foi submetido a sessão de 03 de fevereiro de 2011, quando o julgamento foi convertido em diligência pelo entendimento de que: Resolução n.º 3401000.221... VOTO....... Inicialmente, de se registrar que a DRF fundamentou o indeferimento do pedido num único parágrafo apenas, em que alegou que não haveriam créditos a compensar pelo fato do Dacon do 2° semestre de 2006 estar "zerado". Todavia, com a devida vênia, bem que poderia, em homenagem aos princípios da eficiência, da finalidade, da verdade material e do informalismo moderado, ter se valido da regra que consta do artigo 24 da IN SRF n° 600, de 28/12/2005 e ao menos ter tentado obter maiores explicações da interessada sobre o porquê de tamanho disparate, já que, se esta pleiteava créditos no PER/Dcomp, haveria de ter indicado a sua origem em outro demonstrativo, qual seja, no Dacon. A DRJ, por sua vez, mesmo tendo em mãos a informação de que a interessada admitira o erro de entregar um Dacon totalmente em branco e de que a sua retificação já fora efetuada , optou por seguir em frente na análise do pleito, lançando mão de outros elementos que encontrou nos sistemas internos da SRF, quais sejam, as informações constantes da DIPJ e das DCTF relativas ao ano calendário de 2006. E, a exemplo da DRF, não procurou obter da interessada quaisquer esclarecimentos sobre o porquê de, por exemplo, ter sido informado na "Ficha 01 Dados Iniciais", que não se realizara operações com o exterior; na "Ficha 04A", não ter havido a aquisição de insumos; na "Ficha 06A", ter sido "zero" o valor das receitas de exportação; e, na DCTF, não terem sido informados quaisquer débitos de PIS/Pasep Fl. 1647DF CARF MF 4 ou de Cofins. Limitouse a intimar a Impugnante para sanear um problema com a procuração. Assim, fazendo às vezes da Autoridade encarregada da apreciação do pedido, decretou a inexistência de qualquer direito a crédito, rechaçando, inclusive, o pedido de perícia formulado de forma incompleta, digase, de passagem. Porém, os esclarecimentos trazidos pela interessada nesta fase processual demonstram que, no mínimo, seu pedido deva ser efetivamente submetido ao crivo da Unidade de origem, desta feita, já em condições para tal, ou seja: temse o Dacon retificador e a informação de que somente em 2007, ano seguinte ao trimestre de cujos créditos são originários, é que foram realizadas exportações, bem como, de que somente em 2007 é que passaram a existir débitos do PIS/Pasep ou da Cofins, porquanto em 2006 a interessada ainda se encontrava no início de suas operações. .... A meu ver, a inexistência de operações de exportação no ano de 2006 (ocorreram em fevereiro de 2007), por si só, não inibiria o reconhecimento do direito ao crédito originado dos custos, despesas e encargos havidos em 2006, bem como não impediria o seu aproveitamento em procedimento de compensação em período posterior à ocorrência das exportações. Até porque, a regra do § 4°, do art. 3°, qual seja, de que "O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes" poderia perfeitamente ser aplicada também nos casos envolvendo a CofinsExportação. Em outras palavras, quero dizer que o que importa é que os custos, despesas e encargos geradores dos créditos estejam vinculados às receitas de exportação. ... Em face de todo o exposto, voto por converter o julgamento para que a Unidade de origem, diante de todos os elementos contidos no processo e de outros que entender necessários para tanto, informe a este Colegiado acerca da procedência do crédito indicado no PER de fl. 2, bem como, em assim o sendo, se o mesmo se mostra suficiente para suportar a compensação do débito indicado na Dcomp de fl. 7. A Recorrente deverá ser cientificada quanto ao teor do resultado da diligência para que, em assim o desejando, manifestese no prazo de trinta dias. A autoridade fiscal, em atendimento à Resolução, analisou o PER, as DACONs, as notas fiscais e outros documentos apresentados pela contribuinte e concluiu que a contribuinte teria direito ao crédito de R$ 140.574,76, glosando a diferença com relação ao declarado na DACON (R$ 308.547,09) e com relação ao valor requerido no PER (R$ 320.763,74). A autoridade fiscal informou as razões das glosas: Item a) Notas Fiscais de Aquisição de Imobilizado (Sobre Bens do Ativo Imobilizado Com Base no Valor de Aquisição Ficha 16A Linha 10 do DACON): Primeiramente, importantíssimo salientar que a linha 10 da Ficha 16A do DACON deverá ser preenchida na hipótese de a pessoa jurídica optar pela recuperação acelerada de créditos (depreciação acelerada), calculados sobre o valor de aquisição de máquinas e equipamentos adquiridos novos, na proporção de 1/48 (um quarenta e oito avos), destinados ao ativo imobilizado, adquiridos a partir de 1° de maio de 2004, para utilização na produção de bens destinados à venda ou utilizados na prestação de serviços, conforme disposto no § 14 do art. 3o da Lei no 10.833 de 2003. Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 13116.000673/200799 Acórdão n.º 3401003.433 S3C4T1 Fl. 4 5 Feita esta consideração inicial, e com base nas planilhas apresentadas pelo contribuinte, relativas aos meses de outubro a dezembro de 2006, verificamos que os valores totais da depreciação acelerada ali informados são absurdamente divergentes das importâncias declaradas nos respectivos DACONs: ... Conforme planilha elaborada pelo contribuinte, fl. 896, a empresa informa que teria feito aquisições de máquinas e equipamentos nos valores ali informados, relativamente aos anos de 2005 e 2006. Frisase que, conforme informações da interessada, as primeiras aquisições teriam ocorrido em janeiro de 2005. Em outra planilha, de fl. 897, o sujeito passivo detalha a forma como foram contabilizados os encargos de depreciação acelerada, com base nos valores de aquisição de máquinas e equipamentos adquiridos de janeiro de 2005 a dezembro de 2006, na proporção de 1/48, conforme disposto no § 14 do art. 3o da Lei no 10.833 de 2003. Como se percebe da análise da tabela 3 acima, há uma enorme discrepância entre os valores declarados no DACON, na Ficha 16A, linha 10 (depreciação acelerada sobre aquisições de máquinas e equipamentos) e os apresentados na planilha. Com base nas informações contidas em arquivo magnético apresentado, contendo planilhas eletrônicas com a composição mensal das bases de cálculo dos créditos do PIS e COFINS, sobre aquisições de máquinas e equipamentos classificáveis no ativo imobilizado (depreciação acelerada), e analisando as notas fiscais solicitadas por amostragem, fls. 646 a 893, observamos que os valores infinitamente mais significativos não são representativos de aquisições de máquinas e equipamentos, mas sim de notas fiscais referentes a pagamentos por serviços de execução de obras, desmatamentos, terraplanagem, remoção de solo, nivelamento de terreno, extração de cascalho, serviços de roçada, treinamento para operação de máquinas, transportes, pagamentos relativos à locação de galpões, entre outros itens q não se adequam à aquisição de máquinas/equipamentos. Inclusive, o mesmo problema já havia sido relatado pelo auditor fiscal responsável pela primeira análise dos PER/DCOMPs. Na oportunidade, foi relatado pelo fiscal que o sujeito passivo teria descontado créditos sobre depreciação acelerada calculada em virtude de aquisições/serviços para construção de planta, areia lavada, materiais elétricos, construção préfabricada e présoldada, serviços de construção de barragens, serviços de construção civil, aterramentos, serviços de montagem de equipamentos, serviços de obra civil na planta, entre outros. Do exposto, percebese, inequivocamente, que os bens relatados acima não poderiam, em hipótese alguma, integrar a Linha 10 da Ficha 16A dos DACONs, que se refere, exclusivamente, a cálculo de créditos acelerados sobre as compras de máquinas e equipamentos novos (1/48 avos do valor da aquisição) utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. ... Assim, analisamos as mencionadas notas fiscais e glosamos aquelas que não se referiam a aquisições de máquinas/equipamentos, as que não foram entregues ou que apresentam divergências com as informações nos DACONs. Juntamos ao processo apenas as notas fiscais glosadas, sendo que nas tabelas 5 a 7, relacionamos os números de todas as NFs que não foram acatadas. .. [relaciona as notas fiscais glosadas por que não correspondem a aquisição de máquinas e equipamentos; relaciona as notas fiscais glosadas por não constarem na relação do contribuinte, ou não apresentadas, ou apresentadas em duplicidade]... Fl. 1649DF CARF MF 6 Analisando o DACON da empresa para o período em questão, verificamos que a empresa declara não ter apurado créditos sobre operações de importação, fls. 568 a 606, tanto é que as fichas 06B e 16B, onde o declarante deveria informar os valores relativos á depreciação (acelerada ou normal), sobre aquisições de máquinas/equipamentos ocorrido no mercado externo, vinculados a receitas de exportação, tributadas no mercado interneo ou não tributada, não foram preenchidas, encontramse inibidas. Sendo assim, visando a padronizar as diligências em curso, e acatando as determinações contidas na decisão colegiada da segunda instância julgadora, adotaremos o entendimento exposto no Acórdão do CARF n.º 3102002.167 .. nos autos 13116.001612/200749, ... que determina que deverão prevalecer os valores informados nos DACONs, que consistem nos documentos hábeis e idôneos, pois determinado pela legislação, para declaração dos valores dos créditos das contribuições não cumulativas apuradas mensalmente. Por conseguinte, se o contribuinte tivesse, de fato, apurado créditos oriundos de aquisições no mercado externo, deveria ter procedido a retificação do DACON, na forma e segundo os prazos fixados na legislação tributária. Se tal correção não foi feita, induvidosamente, devem prevalecer as informações prestadas nos correspondentes DACONs, ou seja, de que não houver quaisquer importações geradoras de créditos de PIS COFINS para os períodos em análise. Portanto, glosaremos a integralidade dos créditos originados de importações de bolas de moinho, xantano entre outros itens, uma vez não constarem como geradores de créditos nos respectivos DACONs. Importante salientar que, para fins de calculo de créditos, as planilhas elaboradas pelo contribuinte, que estão em desacordo com as informações dos DACONs, ora consideram bolas de moinho como insumos, ora como integrantes do ativo imobilizado. ..... Item b) Notas Fiscais de Aquisição de Insumos (Bens Utilizados como Insumos Ficha 16A Linha 02 do DACON): .... Constatamos que no período em questão, só foram adquiridos quatro tipos de insumos, combustíveis (biodiesel/óleo diesel), utilizados para garantir o processo de extração e beneficiamento do minério a ser utilizado no processo produtivo, cuja única fornecedora é a Petrobras Distribuidora S.A., uma única aquisição de explosivos/detonadores (no mês de outubro), cuja finalidade é destruir as rochas visando contribuir com o processo de lavra/Britagem, adquiridos da empresa Orica Brasil LTDA, por fim aquisições de bolas de moinho e xantato, somente no mês de dezembro, utilizadas no processo produtivo, segundo a empresa, para garantir a redução granulométrica proporcionando a liberação do mineral de interesse (no caso das bolas de moinho) e tornar a superfície da partícula hidrofóbica, ou seja, perder a sua afinidade com a água sendo possível sua interação com bolhas de ar (xantato), adquiridos da fornecedora Masa MinasArgentinas S.A (aquisições efetuadas no mercado externo). .. Consultando o DACON da empresa para o período em questão, verificamos que a empresa declara não ter apurado créditos sobre operações de importação, fls. 568 a 570, tanto é que as fichas 06B e 16B, onde o declarante deveria informar os valores das aquisições, dos custos e das despesas decorrentes de operações de importação vinculados a receitas de exportação, tributadas no mercado interno ou não tributada, não foram preenchidas, encontramse inibidas. Sendo assim, mais uma vez, deverão prevalecer os valores informados nos DACONs, que consistem nos documentos hábeis e idôneos, pois determinado pela legislação, para declaração dos valores dos créditos das contribuições não cumulativas apuradas mensalmente. Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 13116.000673/200799 Acórdão n.º 3401003.433 S3C4T1 Fl. 5 7 Por conseguinte, se o contribuinte tivesse, de fato, apurado créditos oriundos de aquisição de insumos no mercado externo, deveria ter procedido a retificação do referido demonstrativo, na forma e segundo os prazos fixados na legislação tributária. Se tal correção não foi feita, induvidosamente, devem prevalecer as informações prestadas nos correspondentes DACONs. Portanto, glosaremos a integralidade dos créditos originados de importações de bolas de moinho e xantato, conforme planilha elaborada pela empresa, tendo em vista que as fichas 06B e 16B encontramse zeradas/inibidas, sem informações acerca de eventuais créditos calculados sobre a importação de insumos. Analisamos a situação cadastral dos principais fornecedores nacionais da empresa, que são Petrobras Distribuidora S.A. (combustíveis) e Orica Brasil LTDA (explosivos), fls. 1411 a 1416, não tendo sido encontradas irregularidades. Por fim, apenas nas aquisições de explosivos/detonadores houve destaque do IPI. Tal análise é necessária, pois, para fins de cálculo de créditos do PIS/COFINS, não integra o custo dos insumos o IPI incidente na aquisição, quando for recuperável pelo comprador. Por meio da Ficha Dados Iniciais da DIPJ, exercício 2007, ano calendário de 2006, fls. 1417 a 1420, pudemos constatar que a empresa não é contribuinte do IPI, portanto, por não recuperar o imposto na aquisição de seus insumos, o valor integrará seus custos e poderá compor a base de cálculo para apuração de créditos do PIS/COFINS, como procedeu o contribuinte. Em relação ao ICMS, também integrará o custo de aquisição dos insumos, uma vez que não foi cobrado pelo vendedor na condição de substituto tributário. 3) Notas Fiscais de Despesas de Energia Elétrica (Ficha 16A Linha 04 do DACON.. O valor total das despesas com energia elétrica discriminado na planilha apresentada pelo contribuinte confere com a linha 04 da Ficha 16A do DACON, fl. 645. Intimamos o contribuinte a apresentar todas as notas fiscais que deram suporte aos valores declarados. A nota fiscal mais representativa, no valor de R$ 185.401,73, foi de aquisição de energia elétrica da empresa Tractebel Energia Comercializadora Ltda. Pudemos verificar que a empresa descontou créditos de PIS/ COFINS sobre o valor total da nota, ou seja, R$ 185.401,73, quando o correto seria sobre o valor de R$ 131.635,23 (excluindose R$ 53.766,50 referente ao ICMS substituição), já que o ICMS integra o custo de aquisição dos insumos, exceto quando cobrado pelo vendedor na condição de substituto tributário. Outra irregularidade constatada, diz respeito às três últimas linhas da planilha elaborada, tendo em vista que o contribuinte informou que adquiriu energia elétrica de empresas que na verdade venderam artigos para laboratório e partes e peças de uma subestação composta por materiais diversos. As empresas em questão são a Merse Artigos para Laboratórios LTDA e a Weg Equipamentos Elétricos S.A, ou seja, não são empresas que tem como atividade a venda de energia elétrica. (GRIFOS ACRESCIDOS) A contribuinte, cientificada dessa Informação Fiscal, apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual roga mais uma vez pelo Princípio da Verdade Material, para que ele prevaleça sobre a formalidade e os erros de preenchimento da DACON. E que os documentos contábeis e notas fiscais devem ser base da apuração da realidade, não se restringindo a apuração ao informado na DACON. Reconhece que cometeu equivoco ao relacionar notas fiscais com gastos que deveriam ser enquadrados como bens e serviços relativos a edificações (que compõem a planta Fl. 1651DF CARF MF 8 industrial), ao invés de aquisição de máquinas e equipamentos. Mas ressalta que havia apresentado documentos que comprovam os gastos com edificações e o direito ao crédito, descontados na base de depreciação. A contribuinte acrescenta que lhe parece equivocada as glosas motivadas por notas fiscais não apresentadas e apresentadas em duplicidade, pois ao cotejar a relação da Informação Fiscal e os documentos tem como certo que essas notas foram apresentadas. Ela ainda explica que, com relação à exclusão pela autoridade fiscal do ICMS substituição nas despesas de energia elétrica, ela não pode ser mantida por que o ICMS substituição nessa despesa de energia elétrica não se confunde com o ICMS substituição de outros tipos de operação. In verbis: Dos créditos relacionados às despesas de energia elétrica Primeiramente, importante destacar que, assim como ocorre em todas as Unidades Federativas, ocorre o fato gerador do ICMS quando da entrada no território goiano de energia elétrica não destinada a comercialização ou industrialização, conforme o disposto no art. 4o §1º do Decreto 4.852/97. Vejamos: Art. 4º O ICMS tem como fato gerador a (Lei nº 11.651/91, art. 11 e 12): (...) # § 1º É, também, fato gerador do ICMS: () Ill a entrada, no território goiano, decorrente de operação interestadual, dos seguintes produtos, quando não destinados à comercialização ou à industrialização: (...) b) energia elétrica; Assim como nos casos de aquisição de mercadorias, produtos e serviços, os consumidores de energia elétrica possuem a liberalidade de realizar sua contratação junto às empresas geradoras, distribuidoras ou agente comercializador, ainda que a mesma não tenha sido gerada na Unidade Federativa de consumo. Desta forma, não se obrigam a consumir ou contratar energia elétrica da concessionária oficial, podendo recorrer ao mercado de contratação livre. Diante de tal fato, as Unidades Federativas, no intuito de garantir responsabilidade pelo recolhimento do ICMS incidente sobre o consumo de energia elétrica, celebraram o Convênio ICMS n° 83/00, por meio do qual atribuiuse ao estabelecimento gerador ou distribuidor, a obrigatoriedade de cumprir com a obrigação tributária principal (pagamento). Vejamos: CONVÊNIO ICMS 83/00 Dispõe sobre o regime de substituição tributária nas operações interestaduais com energia elétrica não destinada à comercialização ou à industrialização. (...) Cláusula primeira. Ficam os Estados e o Distrito Federal autorizados a atribuir ao estabelecimento gerador ou distribuidor, inclusive o agente comercializador de energia elétrica, situados em outras unidades federadas, a condição de substitutos tributários, relativamente ao ICMS incidente sobre a entrada, em seus territórios, de energia elétrica não destinada à comercialização ou à industrialização. Da detida análise de referido dispositivo legal, concluise que a modalidade de substituição tributária estabelecida no Convênio 83/00, nem de longe se amolda ao Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 13116.000673/200799 Acórdão n.º 3401003.433 S3C4T1 Fl. 6 9 modelo relacionado à substituição tributária pelas operações posteriores, cuja metodologia visa recolher o ICMS devido pelo próximo da cadeia tributária, geralmente um estabelecimento varejista, que confere continuidade ao ciclo de circulação da mercadoria. A substituição tributária que ocorre com a energia elétrica, apenas e tão somente, atribui a responsabilidade ao gerador ou distribuidor, localizado em outra UF, pelo recolhimento do imposto devido por ele próprio, tanto que o Convênio ICMS 83/00 faz questão de mencionar "energia elétrica não destinada à comercialização ou industrialização". Ora, se o gerador ou distribuidor, é o responsável pelo recolhimento do ICMS incidente na energia elétrica consumida pelo contratante, não destinada a comercialização ou industrialização, por dedução lógica, a norma referese ao imposto devido pelo próprio gerador ou distribuidor, ou seja, o ICMS normal, que foi tratado como substituição tributária, pelo simples fato do estabelecimento fornecedor, não estar localizado na mesma UF de consumo. Caso o estabelecimento gerador ou distribuidor, localizarse na mesma UF de consumo da energia elétrica, o Convênio ICMS 83/00 não tem aplicação, pois neste caso, o estabelecimento fornecedor já recolheria o ICMS ao seu Estado, através da apuração do imposto em sua escrita fiscal. Tal fato ocorreu, durante certo período de tempo, nas operações de fornecimento de energia elétrica pela concessionária estatal Centrais Elétricas de Goiás S.A.CELG à Recorrente. Assim, nenhuma diferença há, quanto ao ICMS incidente, tanto em uma nota fiscal contratada da CELG, quanto da TRACTEBEL ENEGERGIA S.A. ou qualquer outra empresa fornecedora localizada em outra UF, visto que, o custo tributário foi integralmente suportado pela empresa contratante, a Recorrente no caso. Portanto, não se pode atribuir tratamento igualitário de conceito a modalidade de substituição tributária de ICMS nas operações com energia elétrica, nos termos do Convênio ICMS 83/00, com a modalidade de substituição tributária pelas operações posteriores, pelo simples fato de que a empresa adquirente, naquele caso, atua como consumidor final do produto em si, no caso, a energia elétrica. Desta forma, enseja o mesmo direito ao crédito de PIS/COFINS, sem a dedução do ICMS destacado no documento fiscal a título de substituição tributária, uma nota fiscal de contratação de energia elétrica adquirida de empresa localizada em outra UF, e uma nota fiscal emitida por outra empresa fornecedora, localizada no mesmo estado, pois em ambos os casos, tratase do imposto estadual incidente pelas operações próprias, perfazendo o custo final do produto. Com efeito, analisando a nota fiscal glosada pelo i. Auditor, verificase que caso seja aplicada a alíquota de ICMS prevista para a aquisição de energia elétrica sobre o valor da nota obterseá o valor idêntico ao destacado na nota fiscal no campo ICMS "substituição". Esse fato denota que o ICMSST, no caso em tela, implica tão somente a transferência da responsabilidade pelo recolhimento do tributo. Logo, por esses motivos, merece reforma o Despacho Decisório ora combalido, a fim de que seja reconhecido o direito ao crédito de PIS descontado pela Recorrente sobre Fl. 1653DF CARF MF 10 as operações de aquisição de energia elétrica realizada nos termos do Convênio ICMS n9 83/00, adotandose como base o valor integral da nota fiscal, considerando o valor destacado a título de ICMS substituição tributária. Outro aspecto que merece reforma é a glosa de itens adquiridos para composição de subestação de energia própria da Recorrente, sob o fundamento de que as empresas fornecedoras não tem como atividade a venda de energia elétrica. Ora, em que pese a mercadoria adquirida em referidos casos não se tratar de energia elétrica propriamente dita, tratamse de despesas relacionadas à energia elétrica, gerando igualmente o direito ao desconto do crédito de PIS sobre referidas operações. Com efeito, ainda que se desconsiderasse a natureza do crédito sobre referidas operações, ou seja, como não sendo vinculadas à despesa de energia elétrica, os valores despendidos pela Recorrente igualmente gerariam direito ao desconto do crédito na qualidade de bens destinados a composição do ativo imobilizado ou insumos na manutenção de máquinas e equipamentos, nos termos da Lei n9 10.637/02. Nesse sentido, eis o entendimento do CARF sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Ementa:.CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do PIS NãoCumulativo podem ser descontados os créditos calculados em relação às partes e peças utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os combustíveis e lubrificantes usados diretamente na produção geram direito ao credito independente de exercerem ação direta sobre o produto em fabricação. LOCAÇÃO DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS.ÔNUS DA PROVA. Cabe a quem alega o direito comprovalo. Em virtude de falta de comprovação de que os valores deduzidos do PIS na sistemática não cumulativa referemse efetivamente a locação de maquinas e equipamentos usados no processo produtivo da empresa o direito não há de ser reconhecido. (Processo n9 10218.000489/200541, Data de Publicação: 09/08/2011, Contribuinte: COMPANHIA SIDERÚRGICA DO PARA COSIPAR, Relator(a): NAYRA BASTOS MANATTA) (grifo nosso) Dessa forma, resta evidente a materialidade do crédito incidente sobre as despesas de energia elétrica referentes a sua aquisição no mercado livre, sem o desconto do ICMS ST, bem como sobre os itens adquiridos com o objetivo de composição da subestação de energia própria da Recorrente É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 13116.000673/200799 Acórdão n.º 3401003.433 S3C4T1 Fl. 7 11 Preliminares Tempestividade e atendimento dos demais requisitos de admissibilidade aferidos na Resolução 3401000.221. Esposo o entendimento que dá as fundações e orienta o contido na Resolução acima citada, de que a administração pode agir e decidir sob o manto dos Princípios da eficiência, da finalidade, da verdade material e do informalismo moderado. Esses princípios justificariam a legalidade e a legitimidade de decisões que ultrapassariam os equívocos cometidos pelos contribuintes em suas obrigações acessórias e em suas petições. Há cabimento para que, em uma aproximação de boa fé e lealdade, a administração interpele por esclarecimentos quando se vê diante de incongruências e erros nas petições de contribuinte, e crie a oportunidade para eventuais saneamentos, se possíveis pelo que determina a lei. O fato desse processo estar submetido à apreciação deste Colegiado entrega a ele a competência para admitir a retificação das declarações fiscais quando se constata que elas trazem erros diante do que se apura na escrituração ou empíricamente na atividade da contribuinte. A Resolução não acolheu a motivação de glosa baseada unicamente no que constava nas DACONs, como consta do Despacho Decisório e nos Acórdão proferido pela 1ª instância. Ou seja, não se constituiria em fato intransponível para a verificação do direito a crédito estar a DACON com campos em branco ou preenchidos com zero, ou preenchidos com valores errados. Esse entendimento se consubstanciou naquela Resolução na decisão do colegiado para se verificar a procedência do crédito, aproveitando tudo o que consta do processo e outros que entender necessários. Ora, a autoridade fiscal adotou o critério de prevalência do contido na DACON em detrimento dos documentos apresentados pela contribuinte em resposta á sua Intimação. A meu julgar, a adoção desse critério afastouse do entendimento nuclear da Resolução. No encontro de documentos contábeis e notas fiscais com as DACONS, deve prevalecer a Verdade Material sobre a formalidade. Se comprovadas a materialidade e a procedência dos gastos e depreciações, e o seu enquadramento nas prescrições da legislação que disciplina os créditos do PIS e da COFINS, eles deve justificar o reconhecimento do direito a crédito, mesmo que se constate erros no preenchimento de declarações fiscais e na escrituração. Por isso proponho a este Colegiado reafirmar a Resolução anterior e converter esse julgamento em diligência para: · informar os gastos (e notas fiscais) com bens e serviços relativos às edificações e planta da atividade de produção da contribuinte; informar e segregar outros tipos de gastos; Fl. 1655DF CARF MF 12 · No item anterior, para cada um dos tipos de gastos, informar a procedência dos gastos e informar as razões para a glosa ou para a não glosa; · Repetir os dois itens anteriores com relação aos gastos relativos à aquisição de bens ou serviços procedentes do exterior; · Revisar as glosas baseadas na motivação de falta de apresentação de notas fiscais e duplicidade de notas fiscais, tendo em vista a consideração feita pela contribuinte; Entretanto, na sessão de junho de 2016, por maioria de votos, esta proposta de conversão do julgamento em diligência não foi aprovada; e nessa ocasião o processo saiu de julgamento com vistas para o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Nas sessões seguintes e ele permaneceu na pauta, mas não foi julgado por falta de tempo nas sessões. Na sessão de hoje, prosseguimos a apreciação do contraditório. Mérito Sobre as bases e critérios da apuração A diligência proposta foi vencida, pois o colegiado a entendeu desnecessária, sendo possível prosseguir o julgamento sem ela. Retomo os argumentos ali constantes para que eles passem a compor este voto, os quais submeto a este colegiado, não mais para a diligência, mas para apreciar o mérito da lide. Reafirmo o entendimento que deu as fundações e orientou o contido na Resolução acima citada, de que a administração pode agir e decidir sob o manto dos Princípios da eficiência, da finalidade, da verdade material e do informalismo moderado. Esses princípios justificam a legalidade e a legitimidade de decisões que ultrapassam os equívocos cometidos pelos contribuintes em suas obrigações acessórias e em suas petições. Sob o manto constitucional e da legislação processual que albergam a boa fé e a lealdade, pode a administração interpelar por esclarecimentos quando se vê diante de incongruências e erros nas petições de contribuinte, e criar a oportunidade para eventuais saneamentos, se possíveis pelo que determina a lei. O fato desse processo estar submetido à apreciação deste Colegiado entregou a ele a competência para admitir a retificação das declarações fiscais quando se constata que elas trazem erros diante do que se apura na escrituração ou empíricamente na atividade da contribuinte. A Resolução não acolheu a motivação de glosa baseada unicamente no que constava nas DACONs, como consta do Despacho Decisório e nos Acórdão proferido pela 1ª instância. Ou seja, não se constituiria em fato intransponível para a verificação do direito a crédito estar a DACON com campos em branco ou preenchidos com zero, ou preenchidos com valores errados. Esse entendimento se consubstanciou naquela Resolução na decisão do colegiado para se verificar a procedência do crédito, aproveitando tudo o que consta do processo e outros que entender necessários. Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 13116.000673/200799 Acórdão n.º 3401003.433 S3C4T1 Fl. 8 13 A autoridade fiscal adotou o critério de prevalência do contido na DACON em detrimento dos documentos apresentados pela contribuinte em resposta á sua Intimação. A meu julgar, a adoção desse critério afastouse do entendimento nuclear da Resolução. Por isso proponho a este Colegiado, como havia explicado na sessão de junho de 2016 e mantenho nesta sessão, que, no encontro de documentos contábeis e notas fiscais com as DACONS, deve prevalecer a Verdade Material sobre a formalidade. Se comprovadas a materialidade e a procedência das receitas e dos gastos e depreciações, e o seu enquadramento nas prescrições da legislação que disciplina os créditos do PIS e da COFINS, eles devem justificar o reconhecimento do direito a crédito, mesmo que se constate erros no preenchimento de declarações fiscais e na escrituração. Sobre as glosas Primeiramente apresento a este Colegiado o entendimento que baliza minha proposição de apuração de créditos e que passa pelo conceito de insumos, na apuração do PIS e da COFINS previstos na Lei 10.637/2002 e 10.833/2003. Considerações preliminares para o conceito de insumo ao caso O sentido de não cumulatividade para o PIS e para a COFINS e a lógica básica para sua apuração A Constituição Federal, em seu artigo 195, estabeleceu contribuições incidentes sobre as receitas ou faturamento do empregador, da empresa ou de entidade equiparada na forma da lei, cuja arrecadação desse tributo se constituiria em recursos a serem destinados a financiar a seguridade social. Ela, em seu § 12, atribuiu ao legislador ordinário a competência para a criação e o disciplinamento do regime de não cumulatividade dessas contribuições. A Constituição Federal cria a incidência desses tributos sobre a receita ou a faturamento. Mas, são as Leis n.º 10.637, de 2002, e n.º 10.833, de 2003 que trazem elementos para definir as hipóteses de incidência e as de exclusão ou isenção. Além disso, essas leis, regulam o PIS e a COFINS e pretendem vir ao encontro daquela previsão constitucional de um regime de não cumulatividade. Nesse sentido, elas trazem as regras para a determinação do valor devido dessas contribuições, e, para tanto, prevêem que o cálculo considere a redução por créditos apurados para fatores que concorreram para a obtenção dessa receita ou faturamento. A regra da não cumulatividade estatuída pelo inciso II, § 3º do artigo 153 da CF/1988 para o IPI não corresponde ao regime de não cumulatividade previsto pelo § 12 do artigo 195 da mesma CF. E mesmo as regras das Leis acima citadas, que se apresentam como sob o manto desse regime de não cumulatividade, não correspondem à lógica e regime previsto para o IPI. Mas o uso da mesma expressão pareceme pode causar confusão para os neófitos da matéria. Por isso propugno seja o regime de não cumulatividade do PIS e da COFINS considerado um regime próprio e distinto daquele reservado ao IPI. Para disciplinar o creditamento, que abate o valor devido, essas leis informam e disciplinam o creditamento para, por dedução ou abatimento, se determinar o valor devido dessas contribuições. O creditamento assim estabelecido pretende atender ao regime de não cumulatividade previsto na Constituição Federal e criado através das Leis aqui Fl. 1657DF CARF MF 14 citadas. E, até o momento, este é um ponto central em minha compreensão a respeito dessa matéria: · a materialidade desse tributo está na receita tributável; · a materialidade da não cumulatividade está na relação de dependência da receita tributável para com a ocorrência do fator previsto em lei qual seja, corresponda à uma das hipóteses dos §§ e incisos do artigo 3º da Lei em tela; logo, o direito de creditamento está reservado para os fatores em que esteja demonstrado ser ele necessário para a geração da receita tributável. Apesar de mal traçadas, essas breves considerações representam, a meu ver, a lógica da não cumulatividade do PIS e da COFINS expressa na leitura conjugada dos artigos dessas Leis. Não faz sentido que se possa gerar creditamento a partir da ocorrência de fatores que não tenham relação de causação ou de concorrência para com a geração da receita a ser tributada. Contradiz essa lógica ler os incisos e §§ do artigo 3º desconectados dos demais artigos da mesma Lei, principalmente os artigos 1º e 2º. Pressupostos para interpretar e identificar os insumos para o creditamento do PIS e da COFINS: Além dessas considerações gerais, ainda preciso me aproximar de outro aspecto central da matéria: a referência a insumo constante nessas leis. Grande controvérsia se instalou a respeito desse creditamento, especialmente quanto ao inciso II, que traz o seguinte texto: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Principalmente os debates se centram na definição de insumos para efeito dessa regra. Os estudiosos sintetizam relatando a existência de três correntes de interpretação e decisão: 1. a primeira que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do IPI, e constantes nas Instruções Normativas da Receita Federal que tratam do PIS e da COFINS, e circunscrevem insumos a matérias primas, produtos intermediário e material de embalagem; 2. a segunda que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do Imposto de Renda, e identificam e separam os custos e despesas das operações e os custos e despesas não operacionais; insumos seriam toda e qualquer custo ou despesa operacional da pessoa jurídica; 3. a terceira que entende que o PIS e a COFINS deve se pautar por conceitos e definições próprias, que acaba por se afastar da visão estreita da primeira e, também, da visão alargada da segunda. Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 13116.000673/200799 Acórdão n.º 3401003.433 S3C4T1 Fl. 9 15 As duas primeiras perspectivas, (1º) para se tratar insumos no PIS e na COFINS a partir da legislação do IPI, malgrado ser a esposada pela Receita Federal em suas normativas, e (2ª) a que se alinha com a legislação do Imposto de Renda, vêm sendo questionadas recorrentemente. Decisões proferidas nas altas cortes administrativas vêm assentando o entendimento da 3ª perspectiva, de que o PIS e a COFINS demandam critérios próprios. Dentre essa decisões destaco o bem fundamentado voto do Ilmo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres na Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão n.º 930301.035: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matéria prima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorro me dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, Fl. 1659DF CARF MF 16 máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional.. Por causa dessas considerações que entendo: (a) não se poder limitar o creditamento aos conceitos e critério advindos da legislação do IPI. Os insumos não se limitam às matérias primas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem, e não se limitam à avaliação pela aplicação do critério de consumo/desgaste físico. Essa limitação não encontra sustentação no que dispôs a Constituição Federal e as Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a matéria; (b) não se pode acriticamente transpor para o creditamento do PIS e da COFINS os conceitos e regras da legislação do Imposto de Renda, pois, além de serem de materialidades distintas, essa legislação não se destina a tratar a hipótese de incidência do tributo contemplando a unidade de análise representada pela relação "insumoprocesso produto/serviço destinados a venda", como é o caso do PIS e da COFINS. A meu ver, essas duas leis informam que dão direito a crédito os bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados a venda. Quando designam insumos, tenho como certo que se referem a fatores de produção, os fatores necessários para que os serviços possam estar em condições de serem prestados ou para que os bens e produtos possam ser obtidos em condições de serem destinados a venda. E quando afirmam que são os utilizados na prestação de serviços e na produção, depreendo que: são os utilizados na ação de prestar serviços ou na ação de produzir ou na ação de fabricar. Para se decidir que um bem ou serviço possa gerar crédito com relação a determinada receita tributada, há que se perquirir em que medida esse bem ou serviço é fator necessário para a prestação do serviço ou para o processo de produção do produto ou bem destinado a venda, e geradores, em última instância, da receita tributada. A meu sentir, não é o caso de restringir a que o bem ou serviço tenha sido utilizado como insumo do próprio produto a ser vendido ou do próprio serviço; ou que ele seja adstrito pelo principio do contato físico, ou do desgaste ou transformação. Embora o serviço prestado ou o produto vendido seja o alfa da obtenção da receita a ser tributada, a lei indica que o bem ou o serviço utilizado como insumo alcança a atividade de prestação do serviço ou a atividade de produção, direta ou indiretamente quanto ao produto vendido. Essa visão conjuga o "processo" e o "produto/serviço resultante do processo". Mas esses processos devem estar inequivocamente ligados ao serviço prestado ou Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 13116.000673/200799 Acórdão n.º 3401003.433 S3C4T1 Fl. 10 17 ligados ao produto vendido. Para se justificar o creditamento, não basta demonstrar que os bens e serviços concorreram para o processo de produção, ou de fabricação, ou de prestação do serviço, mas é necessário em adição demonstrar para qual produto ou serviço aqueles fatores de produção ou insumos concorreram. Concluídas essas considerações introdutórias, sintome em condições de propor passar à análise das questões de mérito. Das glosas dos bens utilizados como insumos e dos gastos com bens, serviços e outros fatores aplicados no processo de produção: A recorrente é uma empresa de extração e produção de bens minerais. Da análise do exposto anteriormente, considero que podem gerar direito a crédito na apuração das contribuições sociais os gastos com e os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos no processo de produção do qual resultam, principalmente, bens de consumo, destinado ao comércio, ou para serem usadas em novo processo de transformação, ou para serem usados nos processos de prestação de serviços, ou para serem usados no processo de revenda, observados os limites e as condições dadas pela lei. Também entendo que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tãosomente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos nesses processos. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Nesse âmbito, os dispositivos legais que estabelecem o PIS e a COFINS não invocaram a legislação do IPI ou do IRPJ para subsidiar a determinação do direito de creditamento. Por todas essas considerações feitas, proponho que não deve prevalecer a motivação da autoridade fiscal quando ela aplica apenas os conceitos da legislação do IPI para justificar as glosas. Nesse sentido, as possibilidades para se caracterizar insumos não se limitam a: · quando se tratar de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, bens esses que efetivamente compõem ou se agregam ao bem final da etapa de industrialização; · quando se tratar de outros bens quaisquer, os quais não se agregam ao bem final, desde que sofram alterações, como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em industrialização. · aos bens obtidos por processo industrial. Fl. 1661DF CARF MF 18 No caso em discussão neste processo, há que se identificar que despesas e custos se referem aos fatores que se ligam comprovadamente ao processo de produção, de prestação de serviços e de revenda. As informações presentes neste processo, a meu ver, permitem que formemos convicção a esse respeito. Por isso entendo que as etapas de preparação material da planta para acesso, extração e obtenção dos recursos e insumos minerais, bem como as atividades de acesso, extração, movimentação e tratamento dos minerais assim obtidos, constituem parte do processo de produção para fins de apuração dos créditos dessas contribuições sociais. Por isso, considero que os gastos com explosivos, detonadores, bolas de moinho, xantano e biodiesel podem ser considerados insumos a justificar os créditos na apuração dos PIS e da COFINS, em análise neste processo. Além disso, os gastos com bens e serviços com as atividades de acesso, extração, transporte e tratamento dos recursos minerais podem ser considerados como necessários ao processo de produção e justificam os créditos em discussão. Ademais, também justificam esses créditos os gastos com preparo e manutenção da planta e das edificações, calculados sob a forma de depreciação. Por isso, e respeitando as definições postas neste voto, creio que não devem ser mantidas as glosas referentes aos pagamentos por serviços de execução de obras, desmatamentos, terraplanagem, remoção de solo, nivelamento de terreno, extração de cascalho, serviços de roçada, treinamento para operação de máquinas, transportes, pagamentos relativos à locação de galpões, entre outros itens, e os créditos devem ser calculados consoante sejam eles relativos a edificações, ou sejam eles considerados serviços ou bens adquiridos necessários ao processo de produção, ou a aluguéis de equipamentos ou edificações, etc. Concordo com os argumentos da defesa e também entendo que a razão assiste à recorrente no que concerne á diferença entre o ICMS substituição tributária no tipo de obrigação de despesa com energia elétrica deste caso, com o ICMS substituição usual, pois temos aqui a empresa como consumidora final, não havendo possibilidade de repasse. A apuração do valor de crédito deve aproveitar todas as notas fiscais e demais documentos juntados pela contribuinte nestes autos, inclusive após a apresentação do recurso voluntário, desde que atendam ao decidido neste Acórdão e às leis que disciplinam a matéria. As demais glosas devem ser mantidas pelo fato da contribuinte não as ter contestado. É como voto. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 13116.000673/200799 Acórdão n.º 3401003.433 S3C4T1 Fl. 11 19 Fl. 1663DF CARF MF
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