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Numero do processo: 15771.720479/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 10/01/2011
MULTA POR CESSÃO DE NOME. CABIMENTO.
A constatação de que a importação seria destinada a terceiro que não foi informado na Declaração de Importação se subsume à infração prevista no art. 33 da Lei n. 11.488/2007.
Numero da decisão: 3401-003.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. O Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira votou pelas conclusões, no que se refere à cumulação de penalidades. Participou do julgamento, em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl, o Conselheiro suplente Hélcio Lafetá Reis. Processo julgado em 29/03/2017.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente), Hélcio Lafetá Reis.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/01/2011 MULTA POR CESSÃO DE NOME. CABIMENTO. A constatação de que a importação seria destinada a terceiro que não foi informado na Declaração de Importação se subsume à infração prevista no art. 33 da Lei n. 11.488/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. O Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira votou pelas conclusões, no que se refere à cumulação de penalidades. Participou do julgamento, em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl, o Conselheiro suplente Hélcio Lafetá Reis. Processo julgado em 29/03/2017. Rosaldo Trevisan Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente), Hélcio Lafetá Reis. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 04 79 /2 01 1- 10 Fl. 304DF CARF MF 2 Cuida este processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte para constituir e exigir a multa prevista no artigo 33 da Lei n.º 11.488/2007. a autoridade fiscal concluíra que na Declaração de Importação DI n. 11/00547977 se deu fato que se subsumiu à hipótese desse artigo, qual seja: "cessão de nome para realização de operações de comercio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários". A respeitável 2ª Turma da 2ª Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (DRJ SP2), após apreciar as alegações apresentadas pelo contribuinte, considerou improcedente a impugnação e manteve o crédito exigido. O Acórdão n. 1756.693 ficou assim ementado: Acórdão 1756.693 2a Turma da DRJ/SP2 Sessão de 12 de janeiro de 2012 Processo 15771.720479/201110 Interessado CROMAX ELETRÔNICA LTDA. CNPJ/CPF 02.325.391/000140 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/01/2011 O importador declarouse como real adquirente de mercadorias destinadas a terceiro. Ressalta a autoridade aduaneira autuante que não foi observada a IN SRF 634/2006, que trata dos requisitos para a importação por encomenda — não foi informado na DI o nome do encomendante da mercadoria importada. Correta, portanto, a aplicação da multa do artigo 33 da lei 11.488/2007. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte, em seu recurso voluntário, trouxe os seguintes argumentos em sua defesa, em resumo: · Seu ramo de atividades é o "comércio, importação e exportação de componentes e aparelhos elétricos eletrônicos, partes e peças, montagem de componentes eletrônicos, estamparia, injeção plástica e desenvolvimento de moldes, fabricação e industrialização de componentes eletrônicos, conforme disposto em seu contrato social". · Que, em decorrência da Portaria n. 1510/2009 do ministério do Trabalho que instituiu a utilização obrigatória do Registrador Eletrônico de Ponto, "vislumbrou um novo e vasto mercado de atuação". · Que contatou "seus fornecedores" para encontrar produtos que atendessem às exigências dessa Portaria; mas que o da DI em questão necessitava de adaptações. E que "dessa forma, "realizou a importação dos referidos produtos, dispensando as embalagens e manuais, face necessidade de adaptações do produto." · A fiscalização não observou que esses produtos, vindo a granel, não seriam para simples revenda, mas,sim, para industrialização. o Argüi a nulidade do auto de infração, pela "inexistência de justa causa" ou de "ilicitude". o Que houve afronta ao direito de defesa e ao contraditório: "...pois impediu que a Recorrente, comprovasse, que o preço praticado, assim o fora, por que: 1. O produto viria a granel (sem embalagens, manuais e periféricos); 2. Que o produto sofreria modificações no processo produtivo da Recorrente, para comercialização a posterior; 3. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 15771.720479/201110 Acórdão n.º 3401003.432 S3C4T1 Fl. 3 3 A quantidade negociada com o exportador, face a expectativa de mercado, pela nova exigência do Governo Federal." § A autuação se baseia em indícios e presunções, e não há provas. "O Fisco aduz sem qualquer prova que, a Recorrente utilizase de alternância nas importações entre as empresas CROMA e a CROMAX na condição de importadoras das mercadorias com a intenção de burlar os controles da RFB sobre o comércio exterior, por quebra do histórico na importações pregressas, numa tentativa de baixar de forma fraudulenta o valor aduaneiro das mercadorias, base de cálculo dos tributos incidentes na importação." "Alega ainda que, o real adquirente das mercadorias é um terceiro oculto, não informado no registro da D.I., tendo em vista o Recorrente declarar que as mercadorias importadas destinavam a atender ao pedido da empresa RCW." "Para ao final, atribuir às mercadorias valores superiores ao praticados no mercado, sem qualquer fundamento legal." § que foi duplamente penalizada, pois sobre a mesma operação foi aplicada a pena de perdimento dos produtos estrangeiros e a multa por ter cedido o nome a outra empresa. § que se aplica ao caso o art. 112 do CTN, pois " Os fatos que deram suporte à Autuação e via de conseqüência à presente Impugnação, bem como às circunstâncias materiais do fato, levam a concluir que podem remanescer dúvidas no tocante a capitulação legal do fato e suas circunstâncias materiais.." (fls. 130) § que não é "trading" e, sim, uma indústria; e que não praticou a ilicitude descrita na autuação. Não é crime importar bem para ser submetido a industrialização, tendo em vista um determinado cliente consumidor, mas que não se trata de um encomendante pre determinado: "Conforme se vê nos autos, o simples fato da Recorrente declarar que a mercadoria atenderia a solicitação de um cliente, não tem o condão de afirmar que a mercadoria foi encomendada, visto que a Recorrente compra a mercadoria no exterior, realiza o beneficiamento e revende aos seus clientes, não podendo se falar em. encomenda." "Temos que o termo "USO", aplicado pelo Fisco deve ser aplicado em consonância à atividade social da empresa, ou seja, se a empresa realiza a importação de uma correia, e utiliza esta correia para confeccionar uma engrenagem a fim de atender, a solicitação de um cliente? temos que a correia entrou no processo produtivo, sendo apenas matéria prima para a confecção da engrenagem, não podendo se falar que a correia foi encomendada." "No presente caso, e possível demonstrar que as impressoras montadas são submetidas a um beneficiamento para adequação da impressora para o equipamento relógio de ponto. Neste ínterim, temos que no presente caso é isso que ocorreu, visto que o cliente ao solicitar os equipamentos da Recorrente jamais conseguiria adquirilos diretamente do Exportador, primeiro que a impressora passa por um beneficiamento, com a aplicação de outro dispositivo, mudando sua característica original, fazendo com que a peça sofra um processo de industrialização, as quais foram: a.Cortar os cantos superiores para o encaixe da trava metálica. b. Soldar dois capacitores eletrolíticos 4700mf na saída de alimentação. c. Cortar o botão de acionamento e resinar o furo na tampa. Fl. 306DF CARF MF 4 d. Cortar o acesso ao botão externo e adicionar um botão tipo Push botton. § que é uma empresa que "importa as impressoras, realiza o beneficiamento e vende seus produtos há mais diversos clientes, recolhendo todos os tributo, tudo devidamente registrado em seus livros fiscais e contábeis, atendendo regiamente a legislação pátria." (fls. 137) § que a multa do artigo 33 da Lei n. 11.488/2007, trouxe um tratamento mais benigno que a pena de perdimento prevista na legislação aduaneira, devendo prevalecer no caso. § que não houve Dano ao Erário pois todos os tributos foram devidamente recolhidos. Este processo chegou ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF e foi submetido à sessão de 31 de janeiro de 2013, quando se decidiu converter o julgamento em diligência, na Resolução n.º 3101000.266 1A CÂMARA / 1A TURMA ORDINÁRIA, QUE ASSENTOU O SEGUINTE ENTENDIMENTO E PROPOSTA: Como se vê a questão dos autos referemse à alegada interposição fraudulenta ou simulada para a qual a fiscalização acredita que a Recorrente realizou revenda de mercadorias importadas para atender encomenda feita pela empresa RCW. Ocorre que a Recorrente traz aos autos elementos de prova que sequer foram objeto de análise pela fiscalização. Noto que em nenhum momento o Fisco infirma que a Recorrente realize beneficiamento de ajustes das mercadorias importadas. Tratase de elemento de fato que não foi considerado. Ademais, o simples fato de o importador declarar "que a operação de importação de mercadorias foi efetivada para atender a pedido de compra" da RCW, não constitui, a princípio fraude ou simulação passível de perdimento. Da mesma forma que a simples ausência da indicação do destinatário dos produtos importados na DI, não indica isoladamente a ocultação mediante fraude ou simulação. Afastado o subfaturamento pela decisão de primeira instância não haveria como se sustentar a autuação por falta, a princípio, de motivação para a alegada ocultação. Inobstante, entendo que o feito não se encontra maduro para o julgamento final uma vez que elementos de fato devem ser trazidos para elucidação das demais alegações. Diante disso, converto o julgamento em diligência à repartição de origem para que sejam tomadas as seguintes providências: a) seja designado perito para realização de vistoria às instalações da Recorrente e certificarse do processo produtivo que implementa ou implementou nos produtos importados, a fim de vendêlos a seus clientes, podendo a Recorrente designar assistente técnico para acompanhar e subscrever o laudo técnico de vistoria, que deverá responder, ao final, se a mercadoria importada sofreu algum tipo de beneficiamento, modificação ou aperfeiçoamento de qualquer forma, ou se foi reacondicionada para revenda, montada ou de alguma forma (especificando qual) integrou o processo produtivo da Recorrente. b) informe a fiscalização quem são os clientes da Recorrente e quais deles são contribuintes do IPI e em que medida a ausência de implementação de uma processo produtivo implicaria a caracterização da simulação ou fraude alegadas; Fl. 307DF CARF MF Processo nº 15771.720479/201110 Acórdão n.º 3401003.432 S3C4T1 Fl. 4 5 Por fim, concluída a diligência, a Fiscalização deverá elaborar relatório de conclusão acompanhado do laudo de vistoria e intimar a Recorrente, para, querendo, manifestarse sobre o seu resultado, sendo que, após, deverá o processo retornar a este Colegiado para apreciação das razões de Recurso. (Conselheiro Luiz Roberto Domingo Relator) Essa decisão foi reafirmada na sessão de 27 de março de 2014, através da Resolução n.º 3101000.354 1a Câmara / 1a Turma Ordinária. Em atendimento, a autoridade fiscal de jurisdição informou: Objetivando o cumprimento da diligência determinada pelo órgão julgador, este Serviço, no despacho de fls. 163/167 do presente processo, informou que (1) os produtos objeto do despacho aduaneiro analisado (DI 11/00547977) jamais deram entrada no estabelecimento importador posto terem sido objeto de pena de perdimento antes do desembaraço, e que (2) não foram identificados nos sistemas da RFB importações posteriores, por parte do autuado, de produtos semelhantes aos descritos na mesma DI. Por esse motivo, considerou inexistente os pressupostos que permitiriam o regular desenvolvimento da demandada diligência. ... Em 02/03/2015 foi apresentada à fiscalização desta Alf o pertinente laudo técnico, cujas conclusões podem ser sumarizadas nos três tópicos constantes das fls. 27/35 do documento. Os tópicos são a seguir transcritos, fazendo a fiscalização aduaneira breve comentário apenas sobre o primeiro item. 1. Não posso afirmar que a mercadoria importada sofreu algum tipo de beneficiamenío no passado, uma vez que não foi feita a vistoria em todos os módulos de impressão térmica importados e beneficiados a fim de certificarme que os mesmos passaram pelo processo de beneficiamenío; Comentário: a fiscalização aduaneira pode afirmar que a mercadoria importada não sofreu qualquer tipo de beneficiamento na planta fabril da autuada, posto que, por ter sido objeto de pena de perdimento antes de seu desembaraço aduaneiro e posteriormente destinada, não deu entrada no estabelecimento importador. 2. Na reunião técnica foi apresentado 01 módulo de impressão beneficiado, sendo assim é possível afirmar que a empresa importadora possui capacidade técnica e operacional para realizar tal procedimento; porém isso não comprova que as demais mercadorias foram também beneficiadas; 3. Atualmente, a empresa importadora Cromax não possui um processo produtivo para realizar o beneficiamento; Com relação ao item "b" da Resolução n° 3101000.266, informase que dada a inexistência de registros de importações, pelo autuado, de impressoras térmicas após janeiro de 2011, bem como a inexistência de registros eletrônicos sistemáticos de notas fiscais emitidas em vendas no mercado interno anteriormente à esta data, nos sistemas acessados por esta fiscalização aduaneira, considerase prejudicada tal demanda. Fl. 308DF CARF MF 6 O contribuinte, apresentou suas considerações a respeito do resultado da diligência. Em resumo: § esclarece que que a autoridade fiscal não informou a existência de uma importação anterior (DI n. 10/10203110), cujo produto importado subsidiou o perito em sua análise; § que a perícia comprovou que a empresa possui estrutura operacional, produtiva e fabril para o aludido beneficiamento do produto importado; comprovou "a existência de bancada com ferramentas necessárias"; comprovou que foram realizados os beneficiamentos e foram aplicados componentes no produto importado. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos. Preliminares O contribuinte roga pela nulidade da autuação pois a ela faltaria justa causa e a imputada ilicitude, e que teria havido afronta ao contraditório e à ampla defesa. Explica que o procedimento fiscal "impediu que a Recorrente, comprovasse, que o preço praticado, assim o fora, por que: 1. O produto viria a granel (sem embalagens, manuais e periféricos); 2. Que o produto sofreria modificações no processo produtivo da Recorrente, para comercialização a posterior; 3. A quantidade negociada com o exportador, face a expectativa de mercado, pela nova exigência do Governo Federal." Não posso concordar com as alegações preliminares. O auto de infração atendeu os requisitos legais para sua validade. Ademais, o contribuinte não demonstra quais desses requisitos teriam sido descumpridos. Quando afirma que o auto de infração carece de justa causa, deduzo que o contribuinte está discordando da infração que lhe foi imputada. Mas o contribuinte não está deixando de reconhecer que o auto de infração traz a descrição de um fato e traz, ainda, a argumentação para enquadrar esse fato na hipótese do artigo 33 da Lei n. 11.488/2007. Portanto, não procede a idéia de que faltaria ao auto de infração a descrição do fato, a motivação e o fundamento. Também não procede a alegação de que o procedimento fiscal teria afrontado o contraditório e a ampla defesa. O auto de infração se aperfeiçoa com a sua ciência, e o Fl. 309DF CARF MF Processo nº 15771.720479/201110 Acórdão n.º 3401003.432 S3C4T1 Fl. 5 7 contribuinte firma o contraditório com sua contestação ou impugnação. O auto de infração trouxe as informações suficientes para a que o contribuinte pudesse compreender a acusação, o lançamento e suas bases legais. Conseguiu ele contraditar a autuação, demonstrando conhecê la integralmente. Donde concluo que não se comprovou a alegação, pois o contribuinte exerceu seu direito à defesa e ao contraditório. Por essas razões, proponho sejam rejeitadas as preliminares. Mérito Peço permissão para propor um delineamento inicial. Não se está aqui a debater o conceito de Dano ao Erário. O objeto da autuação é a multa prevista no artigo 33 da Lei n. 11.488/2007, qual seja: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ela não é penalidade que tem como pressuposto a constatação de Dano ao Erário. Não cabe, a meu ver, na apreciação dessa lide a verificação da sua ocorrência, como se fosse um pressuposto da multa. Também não procedem as argumentações do contribuinte de que a autuação deveria ser revista, pois não houve Dano ao Erário, uma vez que os tributos foram recolhidos. É um equivoco interpretar que o Dano ao Erário somente se caracterizaria no plano tributário; a simples leitura das hipóteses estabelecidas na lei claramente demonstra que ele também ocorre mesmo que não haja impacto tributário. Necessário, ainda, analisarmos a afirmação do contribuinte de que ao caso se aplicaria o artigo 112 do CTN, pois, conforme discorre o contribuinte: "Os fatos que deram suporte à Autuação e via de conseqüência à presente Impugnação, bem como às circunstâncias materiais do fato, levam a concluir que podem remanescer dúvidas no tocante a capitulação legal do fato e suas circunstâncias materiais." Ao ler o auto de infração, não consegui chegar a qualquer indício de que a autoridade fiscal teria tido dúvida sobre o fato, ou sobre as circunstâncias materiais, ou mesmo sobre a sua capitulação legal. O artigo em discussão não deixa margem a dúvidas: constatado que houve a cessão de seu nome, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, fica o importador sujeito à multa. O contribuinte registrou a Declaração de Importação para nacionalizar produto estrangeiro que seria, posteriormente, vendido a comprador certo. Entendeu ele que seria uma importação para consumo, e não uma intermediada para terceiro consumidor final. Deixou de fazer constar da DI informação a esse respeito. Fl. 310DF CARF MF 8 Nesse âmbito, entendo que não há as dúvidas sugeridas pelo contribuinte, não havendo razão para a aplicação do artigo 112 do CTN. Não procede, ademais, a afirmação da autoridade fiscal (favor ver primeiro relatório fiscal para a diligência, fls. 163) de que o "auto de infração referente à multa capitulada no artigo 33 da Lei n. 11.488/2007, [é] decorrente da aplicação da pena de perdimento das mercadorias registradas na DI n. 11/00547977, conforme PAF 10314.005604/201123." Podemos verificar que essa afirmação está equivocada quando vamos ao auto de infração para conhecer a sua motivação. A multa em tela não é decorrente da aplicação da pena de perdimento. De fato, ao ler o auto de infração vejo que, nele, está claro que o motivo para a multa não se confundiu com o motivo para a aplicação do perdimento. A aplicação dessa multa pode coexistir com a da pena de perdimento das mercadorias. Assim reza a legislação aduaneira (favor ver § 3º do artigo 727 do Decreto 6.759/2009. Compulsando os autos podemos constatar que a razão para a multa se cingiu à constatação de que o contribuinte, na visão da autoridade fiscal, teria cedido seu nome de forma que na importação não ficou declarado o real e final interessado do produto importado (no caso a empresa RCW Industria Eletro Eletrônico Ltda). Assim, concluo que não procede a alegação da contribuinte, de que estaria ocorrendo uma duplicidade de penalidade para a mesma operação, ou um bis em idem. A multa em discussão pode ser aplicada tanto a empresas fabris,quanto às não fabris (por ex.: tradings). A qualificação da empresa nesse particular, não é um fator restritivo, como insinua o contribuinte. Por outro lado, ouso crer que essa multa trouxe um recurso legal diferenciador com relação às normas que tratavam da interposição fraudulenta e ocultação, nas operações de comércio exterior. A sua gênese legal me leva a crer que se pretendeu reconhecer que, no universo dessas operações que atentam contra o controle aduaneiro, há os que desempenham um papel mediador de cessão de seu nome, sem necessariamente cometer as práticas de fraude ou as que ocultam os recursos e suas origens. A multa, pareceme, é um dispositivo para desestimular a facilitação e a mediação que oculta os reais interessados. Em tempos tão tumultuosos, e sujeitos a interesses tão conflitantes, ela concorre para persuadir os operadores do comércio exterior a proporcionarem ao Estado maior clareza das operações de importação e exportação. Ademais,ela concorre para melhorar as condições de combater o ilícito e a deslealdade (e.g.: lavagem de dinheiro, fraude, etc.). Não vejo problemas que o importador somente inicie sua tratativa no exterior depois de ter destinatário certo para os bens que importará; ou mesmo que o seu cliente coopere na delimitação do negócio junto aos fornecedores estrangeiros. O que se espera do Fl. 311DF CARF MF Processo nº 15771.720479/201110 Acórdão n.º 3401003.432 S3C4T1 Fl. 6 9 importador e dos interessados é que as operações de importação e exportação não descumpram a legislação. O auto de infração informa que o próprio contribuinte reconheceu que, nessa operação de 2011, estava importando para atender a solicitação da RCW industria Eletro eletrônica Ltda. Esta relação entre as duas empresas é confirmada pelos documentos que instruem a sua impugnação. Ali podemos ver que, na única importação anterior, as mercadorias desembaraçadas em Guarulhos com a Declaração de Importação DI n. 10/10203110, registrada em 18/6/2010 (sexta feira), teriam sido acompanhadas da nota fiscal n. 5188 (fls. 91) dando conta que essas mesmas mercadorias saíram do estabelecimento filial do contribuinte em Curitiba na terça feira (22/06/2010) e foram destinadas à RCW Ind. Eletro Eletrônicos Ltda em Guarulhos. O contribuinte não conseguiu mostrar como logrou fazer os ajustes em todos esses bens importados, transportálos de Guarulhos a Curitiba e deixálos prontos a serem embarcados de volta a Guarulhos, tudo isso em apenas um dia útil (21/06/2010). Na importação de 2011, os bens não foram desembaraçados, e o contribuinte não pode promover a industrialização pretendida. Mas, analisando a hipótese de que ele seria um empreendimento dedicado a esse tipo de industrialização, as informações disponíveis não o socorrem em sua argumentação. No caso aqui em estudo, o contribuinte não logrou demonstrar sua atividade industrial à época da importação. Ele afirma que "importa as impressoras, realiza o beneficiamento e vende seus produtos há mais diversos clientes, recolhendo todos os tributo, tudo devidamente registrado em seus livros fiscais e contábeis, atendendo regiamente a legislação pátria." (fls. 137) Mas o contribuinte não traz aos autos comprovação dessas diversos clientes e das operações de beneficiamento nos períodos imediatamente anteriores ou posteriores à autuação. Há apenas uma importação feita em 2010, e que, como vimos, não elucida esse ponto. O laudo não trouxe ao processo informações que possam afastar o entendimento de que a importação de 2011 estava sendo feita destinada a terceiro pré determinado. Nem demonstraram que o contribuinte teria um processo de produção que permitisse concluir sua efetiva operação industrial em 2011. O que nos resta é a constatação de que a importação seria destinada a terceiro que não foi informado na Declaração de Importação, fato que se subsume à infração prevista no art. 33 da Lei n. 11.488/2007. Com essas considerações concluo que não se pode dar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 312DF CARF MF 10 Fl. 313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.721396/2011-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 01/12/2009
EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT.
A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional.
RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016.
As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-003.631
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dérouledè - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente Substituto), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá e Lenisa Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 01/12/2009 EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT. A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Recurso Voluntário Provido.
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A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouledè Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente Substituto), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá e Lenisa Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 13 96 /2 01 1- 48 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10280.721396/201148 Acórdão n.º 3302003.631 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra a ora Recorrente que formaliza a exigência de multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada (multa regulamentar). Os fatos que ensejaram a cominação da pena foi a desídia da contribuinte agente de navegação, representando empresa operadora de embarcação em viagem internacional que prestou, fora do prazo estabelecido na legislação aduaneira, informação sobre veículo ou carga por ela transportada. Cientificada sobre o teor do auto de infração, a Contribuinte apresentou suas razões de defesa em impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, por intermédio do Acórdão 16070.480, cuja ementa se transcreve na parte de interesse: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 01/12/2009 A empresa de transporte internacional deixou de prestar informações sobre carga transportada. Por expressa disposição legal, quaisquer pessoas, físicas ou jurídicas, que, de qualquer forma, contribuam para a prática do ilícito devem responder solidariamente. A retificação ocorreu após intimação da fiscalização, o que inibe a denúncia espontânea. Em momento algum a exigência ora discutida viola os princípios da legalidade e hierarquia de normas, pois não está calcada em Ato Declaratório Executivo, mas sim em artigo de Lei. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé e ocorrência de efetivo dano ao Erário. (...) Irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário, motivo pelo qual os autos ascenderam a este Conselho É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Dérouledè, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.624, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10280.721580/201198, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10280.721396/201148 Acórdão n.º 3302003.631 S3C3T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.624): "Tendo em vista se tratar de recurso voluntário tempestivo1 e que apresenta todos os requisitos formais para seu conhecimento, submetoo a julgamento por este colegiado. A ação fiscal sob julgamento referese à prestação extemporânea de informações retificadoras referentes ao Conhecimento Eletrônico n. 021105089493067 (importação, em 13/06/2011) vinculado à escala n. 11000182350 cuja atracação ocorreu em 30/05/2011 e desatracação em 31/05/2011. A autoridade fiscal considerou que a retificação foi extemporânea porque não ocorreu dentro das 48 horas antes da chegada da embarcação, que é o limite estabelecido pela legislação pertinente2, mais especificamente os arts. 22, II, "d" e art. 45 da Instrução Normativa n. 800/2007. A recorrente define suas funções da seguinte maneira: "(...) é uma reconhecida empresa que exerce a atividade de agenciamento marítimo para diversos armadores estrangeiros que necessitam de representantes no país para auxiliálos nas operações de carga e descarga; emissão de documentos; suporte técnico aos navios; abastecimento em geral; etc". E, por esse motivo, defende que o entendimento acolhido pelo colegiado que julgou improcedente a impugnação não merece prosperar, já que: "(...) não se confunde a figura do agente marítimo, que opera na modalidade 'NVOCC', na consolidação/desconsolidação documental, responsável pela unitização/desunitização de cargas, com a figura de transportador. (...) 13. Sendo a Recorrente mera mandatária do transportador no momento do registro das informações junto ao SISCOMEX, não é possível sua responsabilização por eventuais erros cometidos pelo transportador, tampouco a ele se equipara para fins de responsabilidade tributária para os efeitos do DecretoLei n. 37/66, o que demonstra que o entendimento mantido no acórdão ora recorrido resta equivocado". A recorrente destaca, ainda, que não há no auto de infração provas que a identifique como empresa transportadora ou responsável por prestar as informações ao Siscomex. 1 A contribuinte foi considerada intimada sobre o teor do acórdão recorrido em 28/12/2015, conforme certifica o Termo de Registro de Mensagem de Ato Oficial na Caixa Posta DTE à folha 97 dos autos eletrônicos. Por sua vez, o recurso voluntário foi protocolizado em 22/01/2016, conforme registrado no Termo de Análise de Solicitação de Juntada à folha 149 dos autos eletrônicos. 2 Art. 37 do DL 37/1966; Instrução Normativa RFB n. 800, de 27/12/2007, e; art. 673 do Decreto n. 6.759, de 05/02/2009. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10280.721396/201148 Acórdão n.º 3302003.631 S3C3T2 Fl. 5 4 Defende que a hipótese dos autos amoldase a denúncia espontânea prevista no art. 102 do DL 37/663, com a redação conferida pela Lei n. 12.350/2010, já que as informações mencionadas na autuação foram prestadas muito antes da lavratura do auto de infração e do início de qualquer procedimento fiscal. Afirma que o procedimento fiscal só ocorreu porque a própria recorrente retificou as informações já consignadas. Em 22/04/2016 a recorrente acosta petição aos autos, informando a superveniência de fato relevante, que foi a edição da Solução de Consulta COSIT n. 02, de 04/02/2016, que foi assim resumida: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto Lei n. 37/1966, com a redação dada pela Lei n. 10.833/2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB n.800, de 27/12/2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos legais: DecretoLei n.37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB n. 800, de 27 de dezembro de 2007. Ressalta, ainda, que as Soluções de Consulta COSIT, por força do disposto no art. 9º da Instrução Normativa n. 1.396/2013, possuem efeito vinculante perante a Administração Tributária, razão pela qual o entendimento nelas consagrado deve ser observados pelas autoridades fiscais, e respaldo o sujeito passivo que o aplicar, independentemente de ser o consulente. Razão assiste a recorrente. Se depreende do precedente abaixo que a determinação consagrada pela COSIT vincula a todos no âmbito administrativo, inclusive os julgadores: Com efeito, a Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. (Acórdão n. 3301002.880, proferido em 15/03/2016 pela 1ª Turma da 3ª Seção de Julgamentos). Tendo em vista que a autuação fiscal ocorreu não pela extemporaneidade na apresentação de informações, mas sim pelo atraso na 3 Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 2º. A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10280.721396/201148 Acórdão n.º 3302003.631 S3C3T2 Fl. 6 5 retificação das informações já prestadas, é de rigor a exoneração da multa imposta, em conformidade com o que dita a Solução de Consulta COSIT n. 2, de 4 de fevereiro de 2016. Assim, pelas razões já esclarecidas, dou provimento ao recurso voluntário apresentado por CMA CGM do Brasil Agência Marítima Ltda." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência do acórdão da DRJ em 28/12/2015, apresentação do RV em 22/01/2016). E, da mesma forma que no caso do paradigma, o motivo da exigência da penalidade nestes autos foi a retificação de informações prestadas anteriormente, retificação/alteração que o Fisco considerou como efetuada fora do prazo. Portanto, aplicável ao presente litígio, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, a Solução de Consulta COSIT nº 2, de 4 de fevereiro de 2016. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouledè Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.722128/2014-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
SEGURO DE VIDA. RECEBIMENTO APÓS AJUIZAMENTO DE AÇÃO TRABALHISTA POR MEIO DE INDENIZAÇÃO SUBSTITUTIVA.
Nos termos do art. 6º, inciso VII, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pela Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas os seguros recebidos de entidades de previdência privada decorrentes de morte ou invalidez permanente do participante..
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DESPESAS COM AÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Na hipótese de rendimentos recebidos acumuladamente em ação trabalhista, é admitida a dedução do valor das despesas com honorários advocatícios comprovadamente pagas pelo contribuinte, necessárias ao recebimento dos rendimentos tributáveis.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencida a Conselheira Cecília Dutra Pillar, que deu provimento parcial ao recurso para deduzir apenas as despesas com honorários advocatícios.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 SEGURO DE VIDA. RECEBIMENTO APÓS AJUIZAMENTO DE AÇÃO TRABALHISTA POR MEIO DE INDENIZAÇÃO SUBSTITUTIVA. Nos termos do art. 6º, inciso VII, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pela Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas os seguros recebidos de entidades de previdência privada decorrentes de morte ou invalidez permanente do participante.. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DESPESAS COM AÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Na hipótese de rendimentos recebidos acumuladamente em ação trabalhista, é admitida a dedução do valor das despesas com honorários advocatícios comprovadamente pagas pelo contribuinte, necessárias ao recebimento dos rendimentos tributáveis. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencida a Conselheira Cecília Dutra Pillar, que deu provimento parcial ao recurso para deduzir apenas as despesas com honorários advocatícios. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1737; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 230 1 229 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.722128/201452 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.650 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de fevereiro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente DANIEL COUTINHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 SEGURO DE VIDA. RECEBIMENTO APÓS AJUIZAMENTO DE AÇÃO TRABALHISTA POR MEIO DE INDENIZAÇÃO SUBSTITUTIVA. Nos termos do art. 6º, inciso VII, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pela Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas os seguros recebidos de entidades de previdência privada decorrentes de morte ou invalidez permanente do participante.. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DESPESAS COM AÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Na hipótese de rendimentos recebidos acumuladamente em ação trabalhista, é admitida a dedução do valor das despesas com honorários advocatícios comprovadamente pagas pelo contribuinte, necessárias ao recebimento dos rendimentos tributáveis. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencida a Conselheira Cecília Dutra Pillar, que deu provimento parcial ao recurso para deduzir apenas as despesas com honorários advocatícios. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 21 28 /2 01 4- 52 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10675.722128/201452 Acórdão n.º 2202003.650 S2C2T2 Fl. 231 2 (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10675.722128/201452, em face do acórdão nº 0737.659, julgado pela 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Por meio da Notificação de Lançamento de fls. 13 a 21, foi alterado o resultado da declaração de Imposto a Restituir de R$ 15.606,84 para Imposto a Pagar no valor de R$ 756,52, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora, relativo ao anocalendário de 2012. Conforme demonstrativo da Descrição dos fatos e Enquadramento Legal contido no feito, o lançamento é decorrente da omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, sujeitos à tributação exclusiva na fonte, no montante de R$ 19.002,14, pagos pela SECURITAS AB (CNPJ n.º 07.685.698/000175), em face de processo movido contra a empresa ESTRELA AZUL SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA E TRANSPORTES DE VALORES LTDA, e correspondente à diferença entre o valor declarado de R$ 63.399,35 e o valor recebido de R$ 82.401,49, sendo que foi compensado o valor do imposto de renda retido na fonte, no montante de R$ 4.469,06, que incidiu sobre os rendimentos omitidos. No ponto, aduz a autoridade notificante que, além da supracitada omissão de rendimentos, o número de meses correspondentes aos rendimentos acumulados foi alterado para 01 (um) de acordo com fls. 910v do processo trabalhista n.º 625/2009, por se tratar de "indenização substitutiva seguro de vida". Inconformado com o lançamento, o contribuinte juntou os documentos colacionados às fls. 15 a 77 do processo e apresentou a impugnação de fl. 2, onde, em síntese: Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10675.722128/201452 Acórdão n.º 2202003.650 S2C2T2 Fl. 232 3 Alega que não concorda com o lançamento e os respectivos cálculos, em razão de que requer uma análise minuciosa dos documentos que juntou ao processo e que, a seu ver, podem modificar ou mesmo anular o lançamento em relevo; Mais precisamente, aduz que devem ser descontados da base de cálculo do imposto exigido os valores constantes dos recibos de pagamento de honorários advocatícios, o valor do imposto retido na fonte sobre os rendimentos recebidos e, bem assim, demais despesas; Finalmente, em face do exposto, requer o cancelamento da exigência fiscal hostilizada. Após a juntada da supracitada petição impugnatória, foram ainda colacionados ao processo, em 28/01/2015, os documentos de fls. 137 a 144, além da solicitação de juntada de tais documentos à fl. 136, onde, em síntese, o requerente aduz novas alegações acerca da natureza dos rendimentos que foram recebidos acumuladamente. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, nos seguintes termos: "Em face do exposto, VOTO PELA PROCEDÊNCIA do lançamento constante da Notificação de fls. 13 a 21, mantendo a exigência do Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, código 2904, no valor de R$ 756,52, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora, relativo ao anocalendário de 2012." Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 157/161, onde são reiterados os argumentos já lançados em impugnação, apresentando em anexo ao recurso voluntário documentos, os quais se encontram às fls. 162/224. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e formalismo moderado. 1. Delimitação da lide A lide está delimitada a discussão quanto a possibilidade de dedução dos honorários advocatícios pagos em reclamação trabalhista e a não incidência de imposto de renda em indenização recebida, substitutiva a recebimento de seguro de vida. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10675.722128/201452 Acórdão n.º 2202003.650 S2C2T2 Fl. 233 4 2. Indenização substitutiva de seguro de vida Consta dos autos (fl. 94) que o recorrente foi comunicado pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) da concessão de sua aposentaria por invalidez em 22/01/2009. Entendeu a DRJ de origem que : "(...) o impugnante não juntou ao processo o laudo médico oficial atestando a doença a que alude a receita médica colacionada à fl. 96, de modo que os documentos constantes dos autos sequer infundem certeza quanto à hipótese de a doença que ensejou a aposentadoria por invalidez do impugnante estar relacionada pela legislação dentre as moléstias que ensejam a isenção do imposto sobre os proventos de aposentadoria. Não bastasse isso, ocorre que os rendimentos em causa tampouco constituem proventos de aposentadoria, tratase, na verdade, de indenização por seguro de vida, em face de invalidez funcional permanente, caso que, a rigor, não se encontra abrangido dentre as hipóteses de isenção, eis que apenas os rendimentos recebidos pelos beneficiários de seguro ou pecúlio pago por morte do segurado é que foram contemplados pela isenção do imposto de renda, na forma do inciso XIII do art. 6º da Lei n.º 7.713, de 1988, [...]. [...] Vejase que, nem toda verba recebida a título de indenização está isenta do imposto de renda, devendo para tanto figurar expressamente dentre as hipóteses de isenção previstas pela legislação tributária que, aliás, deve ser interpretada literalmente, a teor do disposto no art. 111 da Lei n.º 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) [...]. [...] Vejase também que nem toda verba recebida a título de indenização constitui uma recomposição patrimonial, hipótese em que não incide o imposto de renda em face da inexistência do fato gerador previsto no inciso II do art. 43 do Código Tributário Nacional (acréscimo patrimonial), podendo ter a verba, ao revés, natureza compensatória, como se afigura ser o caso dos autos, isto é, se destina a compensar aquilo que o beneficiário do direito vai deixar de ganhar em face da sua incapacidade laborativa, hipótese em que o recebimento da verba, a toda evidência, importa em acréscimo patrimonial sujeito à incidência do imposto de renda. [...]."" Embora tenha sido essa a compreensão da DRJ de origem, entendo que o caso não se trata de isenção de imposto de renda por moléstia grave, mas da possibilidade de tributação, pelo imposto de renda, de indenização substitutiva de seguro de vida. No presente caso, temse que a sentença trabalhista assim determinou, conforme fl. 195 dos autos: Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10675.722128/201452 Acórdão n.º 2202003.650 S2C2T2 Fl. 234 5 Entendo que se tratando de indenização substitutiva a seguro de vida, não há a incidência de imposto de renda no referido caso, pois não incide o imposto de renda em face da inexistência do fato gerador previsto no inciso II do art. 43 do Código Tributário Nacional (acréscimo patrimonial). O seguro de vida não perde sua natureza jurídica ou tem ela modificada a ponto de afastar a isenção legal prevista no art. 6º, inciso VII, da Lei nº 7.713/88, caso seja ela pago por meio de indenização substitutiva em ação judicial. No caso, o trabalhador teve que ajuizar reclamação trabalhista para vir a receber o valor de seguro de vida, cuja contratação era obrigatória conforme cláusula da Convenção Coletiva. Portanto, entendo por afastar a autuação por omissão de rendimentos recebidos de SECURITAS AB (CNPJ n.º 07.685.698/000175), em razão processo movido contra a empresa ESTRELA AZUL SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA E TRANSPORTES DE VALORES LTDA, nos termos do art. 6º, inciso VII, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pela Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 32: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] VII os seguros recebidos de entidades de previdência privada decorrentes de morte ou invalidez permanente do participante. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) 2. Dedução de honorários advocatícios Quanto a possibilidade de dedução dos honorários advocatícios, assim compreendeu a DRJ de origem: "(...) melhor sorte não cabe à pretensão de excluirse da base de cálculo do imposto os valores estampados nos recibos de pagamentos de honorários advocatícios que colacionou às 20 a 23 do presente processo, eis que tais recibos não identificam a que serviços advocatícios os pagamentos se Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10675.722128/201452 Acórdão n.º 2202003.650 S2C2T2 Fl. 235 6 referem, nada havendo que os vincule à mencionada ação trabalhista, onde, aliás, o impugnante foi representado pelo sindicato de sua categoria profissional e requereu os benefícios da justiça gratuita da assistência sindical e o pagamento de honorários assistenciais em benefício do sindicato classista, conforme comprova a petição inicial de fls. 98 a 103. Assim, referida exclusão só é possível quando o contribuinte comprova que o pagamento de tais honorários foi necessário ao recebimento dos rendimentos, conforme determina o parágrafo único do art. 56 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 1999, que determina in verbis: Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). No presente caso, verifico que restou demonstrado o pagamento destes honorários foram efetivamente pagos decorrente do êxito da reclamatória trabalhista. Vejamos o que sustenta o contribuinte em recurso voluntário: Para provar seu direito, apresenta os seguintes documentos, os quais se encontram entre os documentos anexados ao recurso voluntário (fls. 162/224): Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10675.722128/201452 Acórdão n.º 2202003.650 S2C2T2 Fl. 236 7 Portanto, deve ser deferida a dedução de honorários advocatícios, no valor total de R$ 12.343,85 (R$ 3.800,42, referente ao alvará nº 01244/12, somando ao valor de R$ 9.543,43, referente ao alvará nº 0160/12), pois comprovado que estes foram decorrentes da reclamação trabalhista movida pelo contribuinte. Observo que o valor de R$ 3.800,42, referente ao alvará nº 01244/12, foi pago em 21/09/2012 as advogadas: · Ângela Pereira de Oliveira Botelho R$ 2.660,30, fl. 211; · Thays Justino de Lima R$ 1.140,12, fl. 218. E quanto ao valor de R$ 9.543,43, referente ao alvará nº 0160/12, foi pago em 11/12/2012 às advogadas: · Ângela Pereira de Oliveira Botelho R$ 2.660,30, fl. 212; · Thays Justino de Lima R$ 2.857,25, fl. 219. Assim, estando provado os pagamentos e a possibilidade de dedução destes, deve ser afastada a respectiva glosa. 3. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11075.721421/2013-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
DA REVISÃO DE OFÍCIO. ERRO DE FATO. IMPOSSIBILIDADE.
A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria.
DO ÔNUS DA PROVA
Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova.
DA ÁREA DE PASTAGEM
A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil, referente ao ano anterior ao exercício do lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2008 DA REVISÃO DE OFÍCIO. ERRO DE FATO. IMPOSSIBILIDADE. A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DA ÁREA DE PASTAGEM A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil, referente ao ano anterior ao exercício do lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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ERRO DE FATO. IMPOSSIBILIDADE. A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DA ÁREA DE PASTAGEM A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil, referente ao ano anterior ao exercício do lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 72 14 21 /2 01 3- 43 Fl. 113DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11075.721421/201343 Acórdão n.º 2402005.602 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, por meio da Notificação de Lançamento nº 10109/00031/2013, emitida em 21.10.2013, o foi intimado a recolher o crédito tributário, no montante de R$393.878,03, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2008, acrescido de multa lançada (75%) e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado “Estância Silêncio”, cadastrado na RFB sob o nº 1.889.1608, com área declarada de 1.479,0 ha, localizado no Município de Maçambará/RS. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2008 incidentes em malha, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 10109/00015/2013, para o contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º Para comprovação de áreas de produtos vegetais declaradas, apresentar os seguintes documentos referentes à área plantada no período de 01.01.2007 a 31.12.2007: Notas fiscais do produtor; Notas fiscais de insumos; certificado de depósito (em caso de armazenagem de produto); contratos ou cédulas de crédito rural; outros documentos que comprovem a área ocupada com produtos vegetais; 2º Para comprovação de áreas de pastagens declaradas, apresentar os seguintes documentos referentes ao rebanho existente no período de 01.01.2007 a 31.12.2007: Fichas de vacinação expedidas por órgão competente acompanhadas das notas fiscais de aquisição de vacinas; demonstrativo de movimentação de gado/rebanho (DMG/DMR emitidos pelos Estados); notas fiscais de produtor referente a compra/venda de gado; 3º Para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado: Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua emitido por engenheiro agrônomo/florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2008, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2008 no valor de R$: • Arenosa – R$2.200,00; • Campos – R$3.200,00; • Coxilha – R$3.200,00; • Cultura/lavoura – R$3.700,00; Fl. 115DF CARF MF 4 • Matas – R$1.700,00; • Pastagem/pecuária – R$3.200,00; • Terra de campo nativo – R$2.700,00; • Várzea – R$3.700,00. Por não terem sido apresentados os documentos de prova exigidos e procedendose a análise e verificação dos dados constantes da DITR/2008, a fiscalização resolveu glosar a área de produtos vegetais de 380,0 ha, glosar a área de pastagens de 825,0 ha, glosar o valor das culturas/pastagens/florestas de R$73.500,00, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$582.200,00 (R$393,64/ha) para o arbitrado de R$2.514.300,00 (R$1.700,00/ha), com base em valor constante do SIPT, com conseqüente redução da área utilizada pela atividade rural e do Grau de Utilização, que passou de 100,0% para 0,0%, e aumentos do VTN tributável e da alíquota aplicada, que passou de 0,30% para 8,60%, e disto resultando imposto suplementar de R$176.626,92. Cientificado do lançamento, em 18.12.2013, ingressou o contribuinte, em 15.01.2014, com impugnação, instruída com uma série de documentos, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: discorda dos lançamentos por entender descabidos, tendo em vista o cumprimento pelo proprietário possuidor e possuidores do imóvel, cuja destinação rural sempre foi observada, com atividades agropastoris durante todo o tempo; informa que apresenta minutas das DITR retificadoras de 2008, 2009 e 2010, anexas, com uma nova base, utilizando critérios adequados à realidade do imóvel; informa, ainda, que utilizou, nas citadas minutas, o VTN arbitrado pela fiscalização (2008 = R$1.700,00/ha; 2009 = R$1.800,00/ha e 2010 = R$1.900,00/ha), conforme dados constantes no SIPT do município de Maçambará/RS; salienta que está apresentando os documentos emitidos pelo órgão oficial, Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Agronegócio – Departamento de Produção Animal, com a lotação correta do imóvel denominado Fazenda Silêncio, em pauta, demonstrando pelas minutas de DITR retificadoras, que a área de pastagem, com a finalidade de criação de bovinos é produtiva e compatível com os índices usados e aceitos pelas DITR retificadoras anexas, dando conta de que houve produtividade em tais exercícios; diz que, após terem sido recalculados as DITR retificadoras, pelo próprio sistema da RFB, considerando a lotação bovina existente no imóvel, conforme documento emitido pela Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Agronegócio/RS – Departamento da Cidade de Maçambará/RS, órgão oficial, ficou constatado que ele atingiu os níveis de produtividade do imóvel, para ele considerado; apresenta quadros com o resumo do cálculo do ITR 2008/2009/2010, com base nas citadas minutas, utilizando o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, e utilizando a alíquota apurada nas DITR originais, e após deduzir o ITR declarado, nesses exercícios, apura o ITR suplementar que entende correto, apresentando, também, o valor da multa e dos juros, para requerer a retificação das DITR, conforme consignado nos referidos quadros; Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11075.721421/201343 Acórdão n.º 2402005.602 S2C4T2 Fl. 4 5 requer a improcedência do lançamento, tornandoo ineficaz, com sua total desconsideração, julgada provada e procedente a impugnação, pelo exposto e diante dos documentos comprobatórios anexos; requer seja procedida a retificação da DITR, considerando os valores da tributação normal para a terra nua, com isenção dos juros e multas, diante das circunstâncias oferecidas e comprovadas. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da Recorrente cuja ementa se encontra abaixo reproduzida (fl. 85): DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DA ÁREA DE PASTAGEM A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil, referente ao ano anterior ao exercício do lançamento. DAS MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS VALOR DA TERRA NUA (VTN) ARBITRADO E GLOSA DO VALOR DAS CULTURAS/PASTAGENS CULTIVADAS E MELHORADAS E FLORESTAS PLANTADAS Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. DA MULTA DE 75% E DOS JUROS DE MORA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA DISPENSA DO PAGAMENTO Apurado o imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN declarado, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros de mora aplicados aos demais tributos. Não há como dispensar o contribuinte do pagamento da multa exigida pela autoridade fiscal, com base no artigo 14, § 2º, da Lei nº 9.393/1996, pois somente a Lei pode permitir a autoridade administrativa conceder remissão total ou parcial do crédito tributário ou anistia de penalidades. Impugnação Improcedente Fl. 117DF CARF MF 6 Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instancia em 22/09/2015 (fl. 103), o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 105/107, em 21/10/2015, o recurso voluntário aduzindo, em síntese que: 1. O imóvel rural objeto de glosa é comprovadamente produtivo, tendo o proprietário e/ou possuidor(es) observado a destinação do mesmo, conforme se observa e constata pelos documentos que instruíram a impugnação. 2. As minutas de retificação das declarações apresentadas pela Recorrente, constam que foram atingidos os níveis de produtividade da propriedade. Neste sentido pugna pela retificação da DITR de 2008, conforme consignado no quadro abaixo: 3. Requer sejam consideradas as informações neste Recurso, bem como Acórdão nº 03063.429 DRJ/RS, com a procedência integral deste insurgimento. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11075.721421/201343 Acórdão n.º 2402005.602 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 22/09/2015, interpôs recurso voluntário no dia 21/10/2015, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. A controvérsia recursal cingese a possibilidade de retificação da declaração de ITR do exercício de 2008 por ter sido realizado erro de fato quando de seu preenchimento no que se refere as áreas distribuídas e utilizadas pela atividade rural do imóvel Fazenda Silêncio. Busca, o Recorrente, portanto, a retificação da área de pastagem para que conste o total de 1.205,0 ha, dimensão essa igual a soma das áreas de produtos vegetais (380,0 ha) e de pastagens (825,0 ha) declaradas e que foram justamente as glosadas pela fiscalização. Neste sentido, apensa aos autos documentos da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, em que consta o saldo de agronegócio de bovinos na respectiva propriedade em 31/12/2008 (fls. 52 e 53), em 31/12/2009 (fls. 56 e 57) e em 31/12/10 (fls. 49 e 50). No entanto, entendo que para fins de comprovação de erro de fato seria necessário apresentar documentos que comprovem a quantidade total e suficiente de animais de grande e/ou de médio porte existentes no imóvel em 2007 (exercício 2008), para efeito de aplicação do índice de lotação mínima por zona de pecuária (ZP), no caso, 0,70 (zero setenta) cabeça de animais de grande porte por hectare (0,70 cab/hec), fixado para a região onde se situa o imóvel, nos termos da Instrução Especial INCRA nº 019, de 28.05.1980, observada o art. 25 da IN/SRF nº 256/2002 e seu Anexo I, conforme previsto na alínea “b”, inciso V, § 1º, do art. 10 da Lei nº 9.393/96. Em outras palavras, entendo ter razão as autoridades de 1a instância quando determinaram que não cabe acatar a retificação pretensa, já que não foram apresentados documentos referentes ao rebanho existente no período de 01.01.2007 a 31.12.2007, para a comprovação da área de pastagens no exercício 2008. Nos termos da legislação citada anteriormente, a área efetivamente utilizada com Atividade Pecuária, a ser considerada para efeito de apuração do Grau de Utilização do imóvel, será a menor entre a declarada pelo contribuinte e a área calculada, obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada, desde que comprovada, e o índice de lotação mínima, no ano de 2007 (exercício 2008). Assim, para consideração de uma área de pastagem seria imprescindível a apresentação de documentos que comprovassem a existência de animais de grande ou de médio porte, no ano base (2007) do exercício (2008) do lançamento, na área, não bastando, para tal, a apresentação de documentos sobre o rebanho presente no imóvel nos anos de 2008, 2009 e 2010. Fl. 119DF CARF MF 8 Poderia ser apresentado, como forma de comprovação, conforme requerido pela fiscalização, por exemplo: ficha registro de vacinação e movimentação de gados e/ou ficha do serviço de erradicação da sarna e piolheira dos ovinos, fornecidas pelos escritórios vinculados à Secretaria de Agricultura; notas fiscais de aquisição de vacinas; declaração/certidão firmada por órgão vinculado à respectiva Secretaria Estadual de Agricultura; laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais; declaração anual de produtor rural contendo informação sobre pecuária, dentre outros. Desta forma, considerando que não houve a apresentação de documentos comprovando o rebanho necessário para justificar a área de pastagens pretendida de 1.205,0 ha, para o exercício de 2008, não cabe acatar a retificação de ofício da DITR, por não ter sido comprovada a hipótese de erro de fato, devendo ser mantidas as glosas das área de produtos vegetais de 380,0 ha, já que não foram apresentados, também, os documentos necessários para a comprovação dessa área e a glosa da área de pastagens de 825,0 ha, também, por falta da apresentação de documentação hábil, nos termos do auto de infração. Firme no entendimento exposto, voto por CONHECER, e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de forma a manter o crédito tributário apurado pela fiscalização. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005185/2005-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.082
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta cientifique o sujeito passivo do despacho que negou seguimento a seu recurso especial, com posterior retorno à relatora para prosseguimento.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta cientifique o sujeito passivo do despacho que negou seguimento a seu recurso especial, com posterior retorno à relatora para prosseguimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 29/11/2011, foi julgado o Recurso Voluntário n° 336.995, prolatando-se o Acórdão nº 2102-01.663 (e-fls. 475/485), assim ementado: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .0 05 18 5/ 20 05 -1 4 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .0 05 18 5/ 20 05 -1 4 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Especial do Contribuinte Especial do Contribuinte 2ª Turma2ª Turma janeiro de 2017 janeiro de 2017 COLNIZA COLONIZACAO COM EIND LTDA COLNIZA COLONIZACAO COM EIND LTDA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta cientifique o sujeito julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta cientifique o sujeito passivo do despacho que negou seguimento a seu recurso especial, com posterior retorno à passivo do despacho que negou seguimento a seu recurso especial, com posterior retorno à relatora para prosseguimento. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10183.005185/2005-14 Resolução nº 9202-000.082 CSRF-T2 Fl. 537 2 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2001 ÁREA CONTÍNUA. UNIDADE PARA TRIBUTAÇÃO. SOMATÓRIO. Os imóveis rurais confrontantes entre si, do mesmo proprietário (áreas contíguas), serão objeto de apenas uma declaração para o somatório das áreas, pois, nestes casos, para efeito do ITR, essas áreas formam apenas um imóvel. DIREITO DO TITULAR À PROPRIEDADE. NÃO IMISSÃO DE POSSE OU TRANSFERÊNCIA. O ITR incide sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. VTN. ARBITRAMENTO. SUBAVALIAÇÃO. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO. Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados. A subavaliação materializa-se pela constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendo-se, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data de início da ação fiscal. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Nos casos de falta de pagamento ou recolhimento e declaração, será aplicada no lançamento de oficio multa calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, no percentual de 75% (setenta Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10183.005185/2005-14 Resolução nº 9202-000.082 CSRF-T2 Fl. 538 3 e cinco por cento), excetuadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. TAXA SELIC. JUROS DEVIDOS NO PERÍODO DE INADIMPLÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Negado. Cientificado do acórdão em 17/05/2011 (e-fls. 493), o Contribuinte apresentou Recurso Especial (e-fls. 494/502), no qual pretende o cancelamento do lançamento. Em exame de admissibilidade, foi dado seguimento parcial ao Recurso Especial, conforme o Despacho n° s/n, de 08/05/2013 (e-fls. 524/526), pois apesar de ter indicado vários temas no recurso, elegeu apenas dois acórdãos paradigmas, os quais tratam apenas da aplicação do VTNm extraído do SIPT, apurado com base no valor médio declarado nas DITRs. O seguimento parcial foi confirmado em sede de reexame, conforme e-fls. 527/528. Ressalte-se que não houve intimação do contribuinte da não admissibilidade do seu recurso por não ter indicado paradigma com relação aos tópicos b, c, d, e e, foi admito apenas a temática contida no item a. Intimada, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões aduzindo, em preliminar, que o recurso não merecia ser conhecido por ser restrito a matéria fática, e no mérito argumentam a validade do SIPT e a legitimidade do arbitramento (e-fls. 530/534). É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta cientifique o sujeito passivo do despacho que negou seguimento a seu recurso especial, com posterior retorno à relatora para prosseguimento. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 539DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000531/2008-97
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Por expressa determinação legal contida na Lei nº 9.430/96 e consoante dispõe a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida no art. 42 deste diploma legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, materializando assim a omissão de receitas ou rendimentos.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005
MULTAS. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, sendo impertinentes as alegações sobre o caráter confiscatório das multas de ofício aplicadas no lançamento.
NULIDADES.
Não há nulidade no procedimento fiscal e tampouco nos lançamentos de ofício para exigência do imposto de renda e contribuições sociais, cujo rito e formalização seguiram rigorosamente as normas que disciplinam o lançamento de depósitos bancários sem origem.
Numero da decisão: 1803-000.789
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Por expressa determinação legal contida na Lei nº 9.430/96 e consoante dispõe a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida no art. 42 deste diploma legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, materializando assim a omissão de receitas ou rendimentos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 MULTAS. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, sendo impertinentes as alegações sobre o caráter confiscatório das multas de ofício aplicadas no lançamento. NULIDADES. Não há nulidade no procedimento fiscal e tampouco nos lançamentos de ofício para exigência do imposto de renda e contribuições sociais, cujo rito e formalização seguiram rigorosamente as normas que disciplinam o lançamento de depósitos bancários sem origem.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-31T12:20:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2692323_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-31T12:20:31Z; Last-Modified: 2011-01-31T12:20:31Z; dcterms:modified: 2011-01-31T12:20:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2692323_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:93b21b96-cec3-4fea-9636-c955350b5980; Last-Save-Date: 2011-01-31T12:20:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-31T12:20:31Z; meta:save-date: 2011-01-31T12:20:31Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2692323_0.doc; modified: 2011-01-31T12:20:31Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-31T12:20:31Z; created: 2011-01-31T12:20:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2011-01-31T12:20:31Z; pdf:charsPerPage: 1992; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2011-01-31T12:20:31Z | Conteúdo => S1-TE03 Fl. 434 1 433 S1-TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15889.000531/2008-97 Recurso nº 503.268 Voluntário Acórdão nº 1803-00.789 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de janeiro de 2011 Matéria AI IRPJ E OUTROS Recorrente MIGUEL PISANI MEGNA JÚNIOR PEDERNEIRAS ME Recorrida 5ª TURMA DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Por expressa determinação legal contida na Lei nº 9.430/96 e consoante dispõe a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida no art. 42 deste diploma legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, materializando assim a omissão de receitas ou rendimentos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 MULTAS. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, sendo impertinentes as alegações sobre o caráter confiscatório das multas de ofício aplicadas no lançamento. NULIDADES. Não há nulidade no procedimento fiscal e tampouco nos lançamentos de ofício para exigência do imposto de renda e contribuições sociais, cujo rito e formalização seguiram rigorosamente as normas que disciplinam o lançamento de depósitos bancários sem origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Fl. 441DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0317.16235.EW91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Selene Ferreira De Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Relator. EDITADO EM: 31/01/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos, Walter Adolfo Maresch e Marcelo Fonseca Vicentini. Relatório MIGUEL PISANI MEGNA JÚNIOR PEDERNEIRAS ME, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ. Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração exigindo-lhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 104.524,73 (fl. 6),Contribuição para o PIS no valor de R$ 34.808,73 (fl. 14), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 10.655,91 (fl. 22), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 57.836,13 (fl. 29), acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazendo o crédito tributário de R$ 772.410,52 (fl. 01), em virtude de omissão de receita caracterizada pela existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. O procedimento fiscal junto à empresa Miguel Pisani Megna Junior Pederneiras ME iniciou-se em 29/04/2008, mediante o Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 38/39), por meio do qual foi a contribuinte intimada a apresentar, entre outros documentos o livro Caixa compreendendo a escrituração dos anos de 2004 e 2005 e todos os documentos que serviram de base para a escrituração, o livro Registro de Inventário e os extratos bancários de todas as contas movimentadas no ano- calendário de 2005. Na mesma data deu-se início ao procedimento fiscal junto ao empresário Miguel Pisani Megna Junior, conforme Termo de Início de fl. 200, tendo sido encerrado sem resultado. Em atendimento, a empresa apresentou em 02/06/2008 os extratos bancários das contas de n° 8.465-4 e 17.472-6 mantidas no Banco do Brasil em nome da empresa e de seu titular Miguel Pisani Megna Junior, respectivamente, e informou que a movimentação financeira efetuada na conta pessoal do titular da empresa refere-se às atividades comerciais da empresa e que deixava de apresentar o livro Caixa, o livro Registro de Inventário e demais documentos por não os ter encontrado e que não mantinha escrituração na forma das leis comerciais e fiscais Fl. 442DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0317.16235.EW91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15889.000531/2008-97 Acórdão n.º 1803-00.789 S1-TE03 Fl. 435 3 para apuração do lucro real estando ciente de que isto poderia implicar o arbitramento do lucro. De posse dos extratos bancários a fiscalização relacionou os depósitos/créditos efetuados nas contas correntes de nºs 8.465-4 e 17.472-6 mantidas no Banco do Brasil e intimou a empresa (fl. 44), em 30/06/2008, a comprovar a origem dos recursos depositados nas contas bancárias conforme relação que acompanhou a intimação (fls. 45/64). Após solicitar prorrogação de prazo, a contribuinte apresentou em 11/08/2008 cópia do livro eletrônico de apuração do ICMS, com resumo mensais de entrada e saída (fls. 66/105). Considerados insuficientes os documentos e esclarecimentos apresentados, a fiscalização intimou a empresa (fls. 106/107), em 19/08/2008, a apresentar as notas fiscais (saída e entrada) do ano-calendário de 2005; as planilhas preenchidas conforme Anexo 1 e Anexo II (fls. 108/109) relativas às compras e vendas de veículos e venda de veículo sob consignação e informar a que título recebeu os rendimentos da instituições financeiras. Em 29/09/2008 a contribuinte apresentou os esclarecimentos de fls. 111/124 informando sobre seu modus operandi na compra e venda de veículos usados, na venda em consignação de veículos usados e na intermediação de financiamento de veículos, bem assim informou não ter encontrado os documentos solicitados e apresentou cópia de guias de recolhimento de ICMS e requerimentos aos Bancos para emissão de extratos de financiamentos. A autoridade fiscal ao analisar os documentos e esclarecimentos prestados concluiu (fls. 35/36) que as notas fiscais de entrada e de saída de veículos, em numero de 26 notas, não estavam vinculadas a qualquer depósito ou crédito em conta corrente, bem assim as comissões que teria recebido das instituições financeiras, e que não procedia a afirmação de que os valores recebidos a título de comissões não poderiam ser novamente tributados por terem sofrido retenção na fonte, pois o IRRF é considerado antecipação do devido nos termos do art. 651, §2° do RIR/99. Constatado que , a empresa exerceu atividade vedada ao Simples (recebimento de comissões) e que praticou reiteradamente infração à legislação tributária, foi a mesma excluída do Simples com efeito a partir de 01/01/2005 conforme Ato Declaratório Executivo nº 27, de 06 de novembro de 2008, cuja ciência teria se dado em 13/11/2008 (processo n° 15889.000477/2008-80), conforme informação fiscal às fls. 36. Como a empresa não apresentou o livro Caixa, nem o livro Registro de Inventário, nem as notas fiscais de entrada e saída e ainda declarou não possuir a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, a fiscalização, com fulcro no art. 530, III, do RIR199, arbitrou o lucro da empresa considerando como receita conhecida o montante dos depósitos, em cada mês, não escriturados e de origem não comprovada. Fl. 443DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0317.16235.EW91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Cientificada dos autos de infração em 19/11/2008, a contribuinte ingressou em 18/12/2008 com a impugnação de fls. 381/392 alegando, preliminarmente, nulidade dos autos de infração por ferir dois princípios constitucionais, o que trata da capacidade 1 contributiva (art. 145, §1°, da CF) e da vedação ao confisco (art. 150,1V, CF) e que não teriam sido observados pela autoridade fiscal. Quanto ao mérito, alegou que não procede tributação com base exclusivamente em depósitos bancários, pois eles não representam renda, nem constitui acréscimo patrimonial e acrescentou ser fácil verificar que, em seu ramo de negócio (compra e venda de veículo), um mesmo valor é movimentado várias vezes e que na venda por consignação recebe apenas uma "comissão" e, além disso, muitas vezes é utilizada a conta corrente do garagista para concretização de negócios. Alegou ser dúbia a posição fiscal em excluir a empresa do Simples em 1 virtude de atividade vedada e ao mesmo tempo não aceitar tal atividade como justificativa das razões da impugnante. Contestou os juros de mora superior a 1% ao mês, bem assim a multa aplicada de 75% a qual, segundo a impugnante, deveria ser reduzida para 2%. Alegou, citando os Pareceres n° 15 e 16 de 11/03/2005, da Cosit, que não procedem os reflexos de PIS e COFINS e, por extensão, a CSLL, quando o regime de tributação do IRPJ for o lucro arbitrado. A DRJ RIBEIRÃO PRETO/SP, através do acórdão 14-25.384, de 24 de Julho de 2009 (fls. 398/410), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005 DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS e COFINS) O valor da receita omitida deve ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL), da contribuição para a seguridade social (COFINS) e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP). O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. Fl. 444DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0317.16235.EW91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15889.000531/2008-97 Acórdão n.º 1803-00.789 S1-TE03 Fl. 436 5 PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. O princípio da capacidade contributiva e da vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigido ao legislador, cabendo à autoridade administrativa aplicar a lei, presumidamente sancionada com respeito aos preceitos constitucionais. Ciente da decisão em 31/08/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 420), apresentou o recurso voluntário em 31/08/2009 - fls. 423/429, onde reitera parcial e resumidamente os argumentos da inicial. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de lançamento de ofício derivado da constatação de omissão de receitas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, relativo ao ano calendário 2005, resultando na exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, adotando-se o regime de tributação do lucro arbitrado. Alega a recorrente em síntese: a) A nulidade dos autos de infração pois depósito bancário não é renda e nem acréscimo patrimonial sujeito ao imposto de renda e demais tributos federais; b) A irregularidade no procedimento fiscal em não acatar como justificativa as operações de consignação de veículos e comissões, aceitando no entanto para efeito de exclusão do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96); c) Da total improcedência do lançamento por presunção, adotando-se todos os depósitos bancários como receita auferida; d) Do caráter confiscatório da multa de ofício aplicada no patamar de 75%, devendo ser reduzida pelo órgão julgador administrativo ao patamar de 20%. Não assiste razão à interessada. Com efeito, a bem lançada decisão de primeira instância rebateu adequadamente uma a uma das teses esposadas pela recorrente, não merecendo portanto qualquer reparo. Fl. 445DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0317.16235.EW91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Não há qualquer nulidade nos autos de infração lavrados em decorrência de procedimento fiscal sustentado na presunção legal preconizada no art. 42 da Lei nº 9.430/96, tendo sido observados os requisitos previstos neste diploma legal. A autoridade fiscal relacionou e intimou regularmente a contribuinte para comprovar a origem dos recursos movimentados na conta bancária da empresa e em nome da pessoa física do titular da empresa individual, expurgando outrossim, valores que pela sua natureza revelavam per si, não se tratar de novos ingressos por depósitos ou créditos (cheques devolvidos, empréstimos, transferências entre contas, etc). O fato de a recorrente não concordar com a presunção legal erigida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, não tem o condão de inquinar de nulidade os autos de infração lavrados em decorrência da constatação de omissão de receitas, por depósitos e créditos bancários não comprovados. Não há outrossim, como quer a recorrente, qualquer irregularidade em se efetuar a exclusão da sistemática do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), pelo exercício de atividade vedada e ao mesmo tempo não se acatar as justificativas da origem dos depósitos pelas vendas por consignação e recebimento de comissões. Inicialmente, porque a exclusão do SIMPLES FEDERAL (constante de outro processo já julgado e arquivado) não foi motivada exclusivamente pela prática do exercício de atividade vedada (representação comercial) mas também em virtude da prática reiterada de infração à legislação tributária, pela contumaz omissão de receitas apurada no procedimento fiscal. Em segundo lugar, embora tenha sido comprovada a prática de atos de compra e venda de veículos por consignação e também o recebimento de comissões pela captação de clientes para financiamento junto às instituições financeiras, conforme algumas notas fiscais e contrato de prestação de serviços apresentados, nenhum esforço realizou a contribuinte em vincular qualquer dos valores de suas contas bancárias com estas atividades. As regras contidas no art. 42 da Lei nº 9.430/96, ressalvam que identificada a verdadeira origem da receita ou rendimento, contidos nos créditos e depósitos, devem ser tributados segundo as normas de tributação específica. Não produziu no entanto a recorrente qualquer tentativa de efetuar qualquer comprovação na forma exigida pela norma tributária. Quanto ao mérito tampouco assiste razão à interessada. Com efeito, conforme já afirmado no tópico anterior, a autoridade fiscal cumpriu todo o rito delineado no art. 42 da Lei nº 9.430/96, atribuindo por força da presunção legal o ônus da prova da origem dos recursos ao contribuinte que quedou-se inerte, limitando- se a tecer considerações sobre a atividade de compra e venda de veículos usados. Se o legislador ordinário erigiu como forma de mensurar a riqueza tributável sujeita ao imposto de renda e demais tributos federais correlatos, o depósito ou crédito bancário sem origem, não se trata de mera interpretação subjetiva e fiscalista como afirma a recorrente. Não há outrossim, necessidade de comprovar a ocorrência de acréscimo patrimonial não justificado, mediante a comprovação do consumo da receita auferida, conforme se depreende da Súmula CARF nº 26 com o seguinte teor: Fl. 446DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0317.16235.EW91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15889.000531/2008-97 Acórdão n.º 1803-00.789 S1-TE03 Fl. 437 7 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A presunção legal existe e a forma de elidi-la é apresentar elementos de convicção que possam afastar a tributação ou deslocá-la para outra mais benigna desde que devidamente comprovada a origem do recurso movimentado. A cômoda negação genérica e geral de que depósitos ou créditos bancários não representam renda ou acréscimo patrimonial não supre a exigência legal de que os depósitos/créditos devem ser comprovados e analisados de forma individualizada de acordo com os ditames do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Conforme expôs a autoridade fiscal no seu Termo de Verificação (fls. 34/37) a contribuinte foi intimada regularmente por diversas vezes a produzir prova a seu favor, comprovando a origem dos recursos movimentados e afastar a aplicação da presunção legal de omissão de receitas. Ainda de acordo com o Termo de Verificação, constata-se que a contribuinte entregou a declaração simplificada de pessoa jurídica do ano calendário 2005 (fls. 177/194), declarando receita igual a Zero (0), ou seja, até o início do procedimento fiscal, não houve recolhimento de qualquer tributo, evidenciando mais uma vez que não pretendia submeter-se a qualquer espécie de tributação sobre suas operações. Tampouco manteve escrituração regular e revelando ínfimo zelo na guarda de sua documentação, franqueando somente após muita insistência parte dos documentos fiscais, que teriam sido obtidos junto à despachantes, alegando ainda extravio dos talonários fiscais. Acusou ainda expressiva movimentação nas contas bancárias pessoais do titular revelando mais uma vez, pouco apego ao princípio de entidade que rege as normas contábeis e tributárias da atividade empresarial, dificultando mais ainda, a identificação e vinculação com as poucas notas fiscais de compra e venda apresentadas à fiscalização. A fiscalização constatou uma movimentação financeira sem origem no montante de R$ 5.355.199,01, sendo que a contribuinte afirma que R$ 1.404.450,00 efetivamente corresponderiam a compra e venda de veículos usados e R$ 4.262.021,10 seriam rendimentos isentos pois decorrentes de operações de consignação. Para sustentar suas alegações argui apenas a força probante do livro eletrônico que registra as entradas e saídas para fins de ICMS o que como visto não foi acompanhado dos respectivos documentos fiscais e tampouco de qualquer outro elemento que possa vincular aos depósitos e créditos bancários. Rejeito portanto as alegações relativas a suposta comprovação da origem dos recursos mediante a simples apresentação do livro registro de apuração do ICMS. Por último, nas alegações relativas ao caráter confiscatório da multa de ofício, sua apreciação implicaria no exame da constitucionalidade da lei tributária. Fl. 447DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0317.16235.EW91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Contudo, falece competência a este colegiado julgador administrativo apreciar questões de constitucionalidade da lei tributária, forte na Súmula CARF nº 02, que dispõe: Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso em relação ao IRPJ e pela íntima relação de causa e efeito, aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Relator Fl. 448DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0317.16235.EW91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALTER ADOLFO MARESCH em 31/01/2011 10:20:52. Documento autenticado digitalmente por WALTER ADOLFO MARESCH em 31/01/2011. Documento assinado digitalmente por: SELENE FERREIRA DE MORAES em 04/02/2011 e WALTER ADOLFO MARESCH em 31/01/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 27/03/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP27.0317.16235.EW91 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15889.000531/2008-97. 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Numero do processo: 10660.906063/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.965
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.906063/201201 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401000.965 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de janeiro de 2017 Assunto PIS E COFINS. COMPENSAÇÃO. Recorrente MOABE ENERGIA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido e não homologando a compensação, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração (DCTF) prestada pelo contribuinte. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: "Tal indeferimento não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .9 06 06 3/ 20 12 -0 1 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10660.906063/201201 Resolução nº 3401000.965 S3C4T1 Fl. 3 2 razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período." Os Julgadores de 1º piso consideraram improcedente a manifestação da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório e mantendo a não homologação, nos termos do Acórdão 14044.327. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário, por meio da qual esclarece a procedência do seu direito de crédito e apresenta petição, nos seguintes termos: "O aludido recurso de MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE interposto pela recorrente, se deu porque esta entendeu que os pagamentos efetuados indevidamente ou a maior, na data do pedido de restituição/compensação, estavam devidamente desvinculados das declarações acessórias daqueles períodos, fato este que. por si só, já seria suficiente para demonstrar e provar a disponibilidade desses créditos pretendidos, dispensando assim a necessidade de instruir a exordial com as provas, possíveis de serem verificadas pelas informações acessórias fiscais regularmente prestadas ao fisco, pela recorrente, por meio eletrônico, com amparo na produção de provas previstas no art. 332, do crc. Contudo, infelizmente, a recorrente não se atentou para o fato de que a defesa sustentada no recurso anterior, não foi cumprida pelo seu departamento fiscal, o qual estava incumbido de enviar as devidas retificações acessórias, ensejando assim o presente passivo tributário. Diante disso, a recorrente requer a ampliação do prazo para apuração adequada do efetivo direito ao crédito tributário, anteriormente pleiteado, providenciando todas as retificações das declarações acessórias, assim previstas no art. 113, parágrafo 2o, do CTN, para demonstrar a relação dos créditos que tem direito. Reintera ainda sobre a importância da dilação do referido prazo, com base no Principio da Capacidade Contributiva, nos termos do art. 145, §1°, juntamente com o Princípio do não Confisco, nos termos do art. 150, IV, da CF. tendo em vista que, a sua não prorrogação ensejará à recorrente insolvência econômica, uma vez que, o seu patrimônio, não é suficiente para garantir os passivos tributários oriundos das referidas declarações acessórias. Ademais, diante da presente situação, não restou a recorrente outra alternativa senão interpor a presente demanda." É o relatório Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.964, Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10660.906063/201201 Resolução nº 3401000.965 S3C4T1 Fl. 4 3 de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10660.906083/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.964): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. Como soe, nessas situações, a contribuinte somente compreende inteiramente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Por isso, tendo em vista nem a administração tributária, nem a instância anterior, ter ido além do despacho decisório de processamento automático, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10660.906063/201201 Resolução nº 3401000.965 S3C4T1 Fl. 5 4 prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720960/2013-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 2009
INSUMO. CRÉDITO. EMPRESA EXCLUSIVAMENTE VAREJISTA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA.
O direito ao aproveitamento de créditos sobre aquisição de insumos com base nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não alcança as empresas exclusivamente varejistas.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS..
BASE DE CÁLCULO. TAXA. ADMINISTRADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO. EXCLUSÃO.
As taxas pagas às administradoras de cartão de crédito não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS.
CRÉDITOS. DESPESA DE DEPRECIAÇÃO.
Na apuração das contribuições no regime não-cumulativo, o crédito sobre depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente pode ser deduzido quando esses bens forem adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, o que não ocorre no caso de empresa exclusivamente varejista.
HORTIFRUTIGRANJEIROS. REGIME MONOFÁSICO.
Os produtos hortifrutigranjeiros preparados ou conservados não estão submetidos ao regime monofásico na apuração das contribuições ao PIS e à COFINS.
SUCOS E BEBIDAS. REGIME MONOFÁSICO.
Os produtos classificados nos códigos 2106.9010 Ex 02 e 2202.9000 Ex 01 e 02 estão excluídos do regime monofásico das contribuições ao PIS e à COFINS.
PÃO COMUM. DEFINIÇÃO.
“Pão comum” é o produto alimentício obtido pela cocção de preparo contendo apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-003.824
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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CRÉDITO. EMPRESA EXCLUSIVAMENTE VAREJISTA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. O direito ao aproveitamento de créditos sobre aquisição de insumos com base nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não alcança as empresas exclusivamente varejistas. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS.. BASE DE CÁLCULO. TAXA. ADMINISTRADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO. EXCLUSÃO. As taxas pagas às administradoras de cartão de crédito não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. CRÉDITOS. DESPESA DE DEPRECIAÇÃO. Na apuração das contribuições no regime não-cumulativo, o crédito sobre depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente pode ser deduzido quando esses bens forem adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, o que não ocorre no caso de empresa exclusivamente varejista. HORTIFRUTIGRANJEIROS. REGIME MONOFÁSICO. Os produtos hortifrutigranjeiros preparados ou conservados não estão submetidos ao regime monofásico na apuração das contribuições ao PIS e à COFINS. SUCOS E BEBIDAS. REGIME MONOFÁSICO. Fl. 1780DF CARF MF 2 Os produtos classificados nos códigos 2106.9010 Ex 02 e 2202.9000 Ex 01 e 02 estão excluídos do regime monofásico das contribuições ao PIS e à COFINS. PÃO COMUM. DEFINIÇÃO. “Pão comum” é o produto alimentício obtido pela cocção de preparo contendo apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata-se de autos de infração com ciência do contribuinte por via postal em 11/12/2013 (fl. 1.573), lavrados para exigir o crédito tributário relativo às Contribuições ao PIS e à COFINS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de declaração e de recolhimento das contribuições em relação a todos os fatos geradores ocorridos durante o ano- calendário de 2009. Segundo o relatório fiscal de fls. 751 a 807, foi apurado que o contribuinte se dedica exclusivamente à atividade de comércio varejista de mercadorias (supermercado) e que, durante o ano-calendário de 2009, não declarou em DCTF e nem recolheu as contribuições ao PIS e à COFINS. Durante a ação fiscal foram apuradas divergências entre a escrituração contábil apresentada e os valores informados nos DACON. A fiscalização constatou que o contribuinte aproveitou créditos indevidos sobre aquisições sujeitas à alíquota zero; produtos sujeitos ao regime monofásico; bens e serviços considerados como insumos; despesas de depreciação de bens do imobilizado; e créditos tomados em duplicidade. Quanto às bases de cálculo, o fisco apurou que o contribuinte não incluiu receitas que seriam tributadas com a alíquota padrão das contribuições. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que para fins de crédito do PIS e COFINS, o conceito de insumo deve guardar consonância com a materialidade de suas hipóteses de incidência, devendo abranger o custo de produção e as despesas operacionais necessárias à consecução do objeto social da empresa. Com base em tal entendimento, passou a contestar especificamente as glosas efetuadas pela fiscalização requerendo que sejam revertidas, pois todos os créditos foram tomados sobre custos e despesas inerentes e essenciais à atividade desempenhada pelo supermercado. Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 15586.720960/2013-56 Acórdão n.º 3402-003.824 S3-C4T2 Fl. 3 3 Por meio do Acórdão 64.862, de 22 de janeiro de 2015, a 6ª Turma da DRJ - São Paulo julgou a impugnação parcialmente procedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: INSUMO. CRÉDITO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PRODUÇÃO/FABRICAÇÃO. O crédito decorrente de insumos só pode ser deduzido pelas pessoas jurídicas cujo objeto seja a prestação de serviços ou a produção/fabricação de bens ou produtos destinados à venda. ICMS. BASE DE CÁLCULO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Cofins. TAXA. ADMINISTRADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO. BASE DE CÁLCULO. As taxas pagas às administradoras de cartão de crédito não podem ser excluídas da base de cálculo da Cofins. DEPRECIAÇÃO. CRÉDITO. Na apuração da Cofins não cumulativo, o crédito sobre depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente pode ser deduzido quando esses bens forem adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. ÁLCOOL. VAREJO. ALÍQUOTA. A alíquota da Cofins foi reduzida a zero na incidência sobre a receita bruta de venda de álcool quando auferida por comerciante varejista. HORTIFRUTIGRANJEIROS. REGIME MONOFÁSICO. Os produtos hortifrutigranjeiros preparados ou conservados não estão submetidos ao regime monofásico na apuração da Cofins. REFRESCO EM PÓ. NÉCTAR DE FRUTA. BEBIDA À BASE DE SOJA. Os refrescos em pó, os néctares de frutas e as bebidas à base de soja não estão submetidos ao regime monofásico da Cofins. PERFUMARIA. HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Fl. 1782DF CARF MF 4 Os produtos de perfumaria e higiene pessoal sobre cuja receita de venda incide a Cofins com alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na Tipi. PÃO COMUM. DEFINIÇÃO. “Pão comum” é o produto alimentício obtido pela cocção de preparo contendo apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar. LEITE CONDENSADO. CREME DE LEITE. ALÍQUOTA ZERO. NÃO ENQUADRAMENTO. A venda de leite condensado e creme de leite não se enquadra na hipótese, estabelecida pelo inciso XI do art. 1º da Lei nº10.925, de 2004, de redução a zero da alíquota da Cofins. Impugnação procedente em parte. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 13/02/2015 (fl. 1.723), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 1.725/1.777 em 16/03/2015, no qual contestou pontos específicos do acórdão recorrido, especialmente a parte em que considerou que empresas comerciais não podem tomar créditos sobre insumos, reiterando o conceito de insumo adotado na impugnação. Contestou especificamente as glosas com embalagens, sacolas, camiseta, FLV, frios, açougue, despesas com manutenção de máquinas e eventos (sic), imobilizado de pequeno valor, despesas com frete (entrega em domicílio), bobinas PDV para ECF, etiquetas para a precificação de produtos, cartazista para a identificação e precificação de produtos e gás GLP, sob o fundamento de que tais insumos se enquadram como custos de produção ou despesas operacionais necessárias à atividade empresarial do supermercado. Contestou a inclusão do ICMS nas bases de cálculo das contribuições, a teor da recente decisão do STF. Contestou a inclusão das taxas pagas às operadoras de cartões de crédito nas bases de cálculo das contribuições, pois o valor das mercadorias (base de cálculo das contribuições) é apenas o valor liquido recebido das administradoras. Contestou a manutenção do lançamento em relação a produtos monofásicos ou sujeitos à alíquota zero, mas que foram considerados tributados pela fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. É incontroverso nos autos que o contribuinte se dedica à atividade exclusivamente varejista, uma vez que explora o ramo de supermercado. O cerne da controvérsia é a possibilidade de as empresas exclusivamente varejistas tomarem o crédito das contribuições sobre insumos com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 15586.720960/2013-56 Acórdão n.º 3402-003.824 S3-C4T2 Fl. 4 5 Essa questão já foi enfrentada no Acórdão nº 3403-002.834, por meio do qual restou decidido que não existe amparo legal para a tomada de créditos das contribuições não- cumulativas com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 por parte das empresas exclusivamente varejistas, como é o caso da ora recorrente. Isso porque os referidos dispositivos legais, ao tratarem do direito de crédito das contribuições no regime não-cumulativo, se referem a bens e serviços utilizados como insumos para a "produção ou fabricação" de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços. Uma breve consulta ao Dicionário Aurélio permite constatar que os verbos "produzir" e "fabricar" possuem significados distintos. "Produzir" significa "gerar", "dar lugar ao aparecimento de algo", "criar". Por seu turno, o verbo "fabricar" denota "transformar matérias em objetos de uso corrente", "manufaturar", "construir". Assim, os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram o direito de crédito em relação a bens e serviços utilizados como insumos apenas por empresas que desenvolvam processos produtivos, processos de fabricação e processos mistos, que envolvam as duas atividades anteriores. As empresas que se dedicam exclusivamente às atividades comerciais, como é o caso da recorrente, não podem apurar crédito com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, por absoluta falta de previsão legal. Desse modo, como bem apontou o acórdão recorrido, torna-se irrelevante para o deslinde do caso concreto ingressar na discussão acerca da abrangência do vocábulo "insumo" contido nos incisos II dos arts. 3º da Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois empresas comerciais não podem tomar créditos sobre insumos, em virtude de nada fabricarem e nada produzirem. Nesse passo, foram corretas as glosas efetuadas em relação aos insumos mencionados pela recorrente em seu recurso (item 3.1), pois embora se tratem de despesas operacionais inerentes à atividade, as empresas comerciais não podem tomar créditos sobre elas, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, conforme acima exposto. No que concerne ao item 3.2 do recurso voluntário, serviços de manutenção em equipamentos e serviços de publicidade, também não tem razão a recorrente. Os serviços de manutenção em equipamentos não geram créditos das contribuições porque os equipamentos de um supermercado não são voltados para a produção de bens e nem para a prestação de serviços, não se amoldando à hipótese prevista nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Já os serviços de publicidade configuram despesas operacionais da pessoa jurídica e também não se enquadram nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e nem em qualquer outro inciso desses artigos como sendo eventos que rendem ensejo ao cálculo dos créditos. No que concerne à depreciação de bens do ativo imobilizado, verifica-se que o art. 3º, VI, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, estabelecem o direito de crédito apenas em relação à depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao Fl. 1784DF CARF MF 6 imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Como se vê, o dispositivo legal não ampara as empresas exclusivamente comerciais, pois os bens sujeitos à depreciação devem ter sido adquiridos ou fabricados para locação, ou então empregados na produção de bens para venda ou na prestação de serviços, o que não é o caso de um supermercado. A defesa pleiteou a exclusão do ICMS nas bases de cálculo das contribuições, por considerar que o imposto estadual não constitui receita própria, mas sim um valor repassado aos cofres estaduais. A inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS está calcada em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que o regulamentou. O art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/77, estabelecia o seguinte para os fatos geradores objeto deste processo (2009): "Art 12 - A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º - A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 - Para os efeitos desta Instrução Normativa reputam-se incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 - Incluem-se também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 15586.720960/2013-56 Acórdão n.º 3402-003.824 S3-C4T2 Fl. 5 7 (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/sijut/Pesquisa.htm) Portanto, à luz do direito posto, a apuração efetuada pela fiscalização não merece nenhum reparo por parte deste colegiado, pois o ICMS integra o faturamento do contribuinte, sendo deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.785-2. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando nas disposições do Decreto nº 2.346/97 para que o entendimento seja estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. A defesa também pleiteou a exclusão das taxas cobradas pelas administradoras dos cartões de crédito das bases de cálculo do PIS e da COFINS, sob o argumento de que essas taxas seriam receitas de terceiros (das administradoras dos cartões) e não do contribuinte ora autuado. Não tem razão o contribuinte, pois essas taxas são despesas operacionais do supermercado e não receitas de terceiros. O valor dessas taxas é deduzido do faturamento do supermercado pelas administradoras, que repassam ao supermercado um valor menor do que o valor da venda efetivamente realizada. Sendo assim, sem dúvida alguma, se trata de uma despesa operacional do supermercado incorrida no momento da venda e não uma receita de terceiros. O STJ já analisou essa questão, tendo se consolidado o entendimento de que se trata de questão constitucional, que não pode ser analisada em sede de recurso especial, conforme se extrai da seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. CONCEITO DE FATURAMENTO. TEMA ESTRITAMENTE CONSTITUCIONAL. PRECEDENTES. INCLUSÃO NO CONCEITO DE INSUMO. INVIABILIDADE. 1. A jurisprudência do STJ consolidou-se no sentido de que a verificação se a taxa de administração dos cartões de débito e crédito deve integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS incorre, fatalmente, na definição do conceito de faturamento previsto no art. 195, I, "b", da Constituição Federal, revestindo- se de matéria eminentemente constitucional, cuja apreciação, por meio de recurso especial, fica vedada a esta Corte de Justiça, sob pena de invasão de competência atribuída ao STF. 2. "Para fins de creditamento de PIS e COFINS (art. 3º, II, da Leis 10.637/02 e 10.833/03), a idéia de insumos, ainda que na sua acepção mais ampla, está relacionada com os elementos essenciais à realização da atividade fim da empresa. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.230.441/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 18/09/2013" (AgRg no REsp 1.244.507/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/11/2013, DJe 29/11/2013). Fl. 1786DF CARF MF 8 3. A taxa de administração de cartões de crédito não se enquadra no conceito de consumo [SIC], pois constitui mera despesa operacional decorrente de benesse disponibilizada para facilitar a atividade de empresas com seu público alvo. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1395442 / PE, DJe 13/03/2015, disponível em http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=cart%F5es+e+c r%E9dito+e+pis+e+cofins&&b=ACOR&thesaurus=JURIDICO) Portanto, deve ser mantida a apuração nos moldes efetuados pela fiscalização, uma vez que o CARF também não pode decidir sobre matéria constitucional a teor da Súmula CARF nº 2. No que concerne aos "sucos" (item 6.1 do recurso), a defesa alegou que a DRJ concluiu, por presunção, que os sucos comercializados pelo contribuinte são na verdade néctares de frutas e que tentou inverter o ônus da prova, atribuindo à defesa a responsabilidade de provar que aquilo que a fiscalização denominou de suco é suco e não néctar. A questão consiste em que se os "sucos" estiverem sujeitos à incidência monofásica das contribuições, os valores das vendas desses produtos deveriam ser excluídos das bases de cálculo das contribuições levantadas pela fiscalização. Entretanto, não ocorreu a inversão do ônus da prova alegada pelo contribuinte. Vejamos. A fiscalização, embora tenha utilizado a palavra "suco" no termo de verificação em lugar da palavra "néctar", fundamentou a glosa na classificação fiscal dos produtos, conforme se pode conferir na fl. 795, cujo excerto transcrevo a seguir, in verbis: (...) Analisando-se os demonstrativos elaborados pela fiscalização às fls. 831 a 992 não resta a menor dúvida de que as "bebidas alimentares a base de soja" e os "sucos" que a fiscalização afirmou não terem sido tributados pelo contribuinte foram enquadrados pelo exator nos códigos de classificação fiscal e respectivos Ex acima citados, estando excluídos da tributação no regime monofásico, a teor do art. 58-A da Lei nº 10.833/2003, com a redação que lhe foi dada pelo art. 32 da Lei nº 11.727/2008. Se o contribuinte entendeu que os "sucos" tributados pelo fisco não estão sujeitos ao regime monofásico, deveria ter produzido a prova de suas alegações, a teor do que determina o art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72. Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 15586.720960/2013-56 Acórdão n.º 3402-003.824 S3-C4T2 Fl. 6 9 Não tendo se desincumbido do ônus de provar o fato impeditivo ou modificativo da pretensão fazendária, há que se manter a decisão recorrida por seus próprios e jurídicos fundamentos, bem como a apuração nos moldes efetuados pela fiscalização. Relativamente às batatas, azeitonas, castanhas, milho verde, champignon e palmito (item 6.2 do recurso), a defesa alegou que a DRJ manteve o lançamento por presunção, por entender que se tratavam de produtos em conserva. Pois bem. O excerto do voto condutor do acórdão recorrido no qual a DRJ tratou do assunto é o seguinte, in verbis: "(...) (...)" Realmente, analisando as planilhas da fiscalização verifica-se que não se tratam de produtos in natura dos capítulos 7 e 8 da TIPI (sujeitos à alíquota zero), mas sim de preparações enquadráveis no Capítulo 20 da TIPI. Exemplo disso são as batatas (fl. 858): As castanhas (fl. 859): As azeitonas (fls. 870): Fl. 1788DF CARF MF 10 Milho verde (fl. 973): As descrições dos produtos revelam que se tratam de produtos embalados, muitas vezes fatiados, granulados, salgados, adoçados ou misturados com outros produtos e devidamente embalados para venda a retalho. Portanto, está comprovado que se tratam de preparações de produtos hortícolas, de frutas ou de outras partes de plantas do Capítulo 20 da TIPI, os quais não tiveram suas alíquotas reduzidas a zero pelo art. 28 da Lei nº 10.865/2004, o que afasta a alegação de que a DRJ manteve o lançamento por presunção. A defesa também contestou a inclusão das receitas de vendas dos pães "bisnaguinha", "hot dog" e "pão de hambúrguer" nas bases de cálculo levantadas pela fiscalização, sob o argumento de que não existe nenhum ato oficial estabelecendo o que seja "pão comum" e que, em soluções de consulta, a Receita Federal considerou que esses pães seriam do tipo comum. A questão foi muito bem abordada pelo relator da DRJ - São Paulo no seguinte excerto do voto condutor daquele julgado (fls. 1715/1716), in verbis: "(...) Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 15586.720960/2013-56 Acórdão n.º 3402-003.824 S3-C4T2 Fl. 7 11 (...)" Fl. 1790DF CARF MF 12 Contra esses fundamentos a defesa apenas invocou as Soluções de Consulta nº 37/2007, 36/2007, 31/2007, nas quais a Receita Federal teria considerado que os pães "bisnaguinha", "hot dog" e "pão de hambúrguer" seriam pães comuns. Embora as ementas dessas soluções de consulta realmente façam menção ao fato desses pães serem comuns, os textos das ementas transcritos pela defesa em seu recurso deixam claro que as menções foram feitas para o fim de enquadrar os produtos no código 1905.9090 e não no Ex 01 do referido código. Nenhuma das consultas citadas enquadrou esses pães no Ex 01 do código 1905.9090. A posição 1905 da TIPI encontra-se desdobrada da seguinte forma: 19.05 Produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos, mesmo adicionados de cacau; hóstias, cápsulas vazias para medicamentos, obreias, pastas secas de farinha, amido ou fécula, em folhas, e produtos semelhantes. 1905.10.00 - Pão denominado knäckebrot 0 1905.20 - Pão de especiarias 1905.20.10 Panetone 0 1905.20.90 Outros 0 1905.3 - Bolachas e biscoitos, adicionados de edulcorante; waffles e wafers: 1905.31.00 -- Bolachas e biscoitos, adicionados de edulcorante 0 1905.32.00 -- Waffles e wafers 0 1905.40.00 - Torradas, pão torrado e produtos semelhantes torrados 0 1905.90 - Outros 1905.90.10 Pão de forma 0 1905.90.20 Bolachas 0 1905.90.90 Outros 0 Ex 01 – Pão do tipo comum 0 As soluções de consulta enquadraram os pães bisnaguinha, hot dog e de hambúrguer no código 1905.9090 "outros" (outros pães que não sejam pães de forma) e não no Ex 01, que é destinado especificamente ao pão do tipo comum (o pão francês), que foi o único beneficiado pela alíquota zero, nos termos da legislação mencionada no acórdão recorrido. Sendo assim, salta aos olhos a impossibilidade de aplicar o entendimento vertido nas Soluções de Consulta ao caso concreto, pois elas não classificaram esses pães no Ex 01 do item, mas sim no próprio item ("outros"). Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, para manter o acórdão recorrido por seus próprios e jurídicos fundamentos. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 15586.720960/2013-56 Acórdão n.º 3402-003.824 S3-C4T2 Fl. 8 13 Fl. 1792DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001684/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2008
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO. RECEPCIONADOS EMBARGOS INOMINADOS. ARTIGO 66 RICARF. CORREÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO.
Nos termos do artigo 66 do Regimento Interno do CARF, restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos inominados para sanear o lapso manifesto quanto ao número do DEBCAD e o Período de apuração.
Numero da decisão: 2401-004.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para, sanando o vicio apontado, corrigir o erro material constante no acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Larceda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO. RECEPCIONADOS EMBARGOS INOMINADOS. ARTIGO 66 RICARF. CORREÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Nos termos do artigo 66 do Regimento Interno do CARF, restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos inominados para sanear o lapso manifesto quanto ao número do DEBCAD e o Período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 16 84 /2 01 0- 14 Fl. 385DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para, sanando o vicio apontado, corrigir o erro material constante no acórdão embargado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Larceda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11030.001684/201014 Acórdão n.º 2401004.650 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório COOPERATIVA MISTA LAGOENSE LTDA EM LIQUIDAÇÃO, contribuinte, teve contra si lançado Crédito Previdenciário referente às contribuições previdenciárias devidas ao custeio da Seguridade Social, parcela devida pelo produtor rural, pessoa física e segurado especial, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, bem como da contribuição destinadas aos terceiros e ao SAT/RAT, no período de 10/2005 a 06/2008, conforme termo inicial e demais peças processuais. Após regular processamento, a Egrégia 1° Turma da 4° Câmara entendeu por bem DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário da contribuinte no Acórdão nº 2401 002.800, o qual restou assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUB ROGAÇÃO CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR A subrogação descrita nesta NFLD está respaldada no que dispõe o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97: O egrégio Supremo Tribunal Federal apontou pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar. Em função de a subrogação ter sido considerada inconstitucional pelo Pleno do STF referente à comercialização da produção rural, e considerando que o presente auto de infração referese à falta de recolhimento da contribuição para o SENAR pelo sujeito passivo, substituto tributário; não há como ser mantido o presente lançamento. Embora as contribuições para o SENAR não tenham sido objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. face serem eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; devese destacar que transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei n 8.212, art. 3º da Medida Provisória n 222 de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991. Fl. 387DF CARF MF 4 Uma vez reconhecido que o art. 30, inciso IV é inconstitucional, em função da decisão plenária do STF, não cabe exigir do responsável tributário a contribuição destinada ao SENAR. Recurso Voluntário Provido." Devidamente intimada em 03/09/2013, a Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou qualquer recurso. Igualmente, a contribuinte fora cientificada do acórdão supracitado sem se manifestar. Tendo o acórdão sido encaminhado para a DRFB Passo Fundo, elaborou manifestação alegando a existência de contradição entre a decisão contida no referido Acórdão nº 2401002.800 e o Auto de Infração. Com o regresso dos presentes autos, a Ilma. Relatora Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, entendeu por bem reconhecer o evidente erro material apontado, recepcionando como Embargos Inominados. De início, esclareço que o Acórdão objeto de análise teve como Relatora a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, não integrante mais deste Colegiado, razão pela qual o presente processo foi a minha pessoa redistribuído. Da análise do inteiro teor do Acórdão em referência observase a patente ocorrência de erro material (contradição) quanto ao período constante de sua ementa e relatório com o Auto de Infração: Ementa: Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2008 Relatório: O presente Auto de infração de Obrigação Principal, lavrada sob o n. 35.309.3357, em desfavor do recorrente e tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela devida pelo produtor rural, pessoa física, e segurado especial, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, bem como da contribuição destinada aos terceiros e ao SAT/RAT no período de 06/2005 a 12/2008, valores esses não retidos das pessoas físicas quando da aquisição.(grifamos) Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, constatase que a pretensão da DERAT merece recebimento, impondo seja conhecida a Manifestação de Inconformidade, como Embargos Inominados, com o fito de sanear a contradição incorrida no Acórdão guerreado, uma vez que fundamentados no art. 66 do RICARF. Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento da manifestação, para que a Turma recorrida se pronuncie a respeito da contradição suscitada, capaz de justificar a conclusão levada a efeito no resultado final do julgamento. Submetido à análise de admissibilidade, por parte da nobre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, esta entendeu por bem acolher o pleito da DRFB inscritos e recepcionados como Embargos Inominados, propondo inclusão em nova pauta de julgamento para sanear a contradição apontada, nos termos do Despacho de efls. 382/383. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11030.001684/201014 Acórdão n.º 2401004.650 S2C4T1 Fl. 4 5 Distribuídos os presentes Embargos, ad hoc, a este Relator já com Despacho de acolhimento e determinação de inclusão em pauta, consoante Despacho encimado, assim o faço. É o relatório. Fl. 389DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Com fulcro no art. 66 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, adoto o despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Passo Fundo/RS como embargos inominados. Deixo de apreciar a questão da tempestividade, posto que, sendo adotado o despacho como embargos inominados, não há no RICARF prazo para sua interposição. Vejase o teor do artigo 66 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Nas razões do despacho, pretende a Autoridade Administrativa incumbida da execução do acórdão proferido pela antiga composição desta Turma sejam conhecidos seus Embargos, insurgindose contra o Acórdão recorrido, por entender ter havido a ocorrência de manifesto erro material quanto ao número do Auto de Infração e quanto ao período de apuração. Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento da presente manifestação, para que a Turma recorrida se pronuncie a respeito da contradição apontada, de modo a sanar o manifesto erro. Como já devidamente lançado no Despacho que propôs o acolhimento dos presentes Embargos, a Conselheira Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira constatou que houve erro material, inclusive, já se manifestando quanto ao seu posicionamento. Nesse sentido, procedem os Embargos Inominados opostos pela representante da DERAT, impondo seja acolhida sua pretensão para que aludido erro seja devidamente saneado. Com efeito, por este acórdão devese prover a correção da inexatidão material devida a lapso manifesto de erro de escrita do número do DEBCAD para n° 35.309.3373 e o Período de Apuração para 10/2005 a 10/2008, questão objetiva sobre a qual não paira dúvida. Conforme verificamos no acórdão fls. 365 e seguintes, onde se lê, no relatório do acórdão: O presente Auto de infração de Obrigação Principal, lavrada sob o n. 35.309.3357, em desfavor do recorrente e tem por Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11030.001684/201014 Acórdão n.º 2401004.650 S2C4T1 Fl. 5 7 objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela devida pelo produtor rural, pessoa física, e segurado especial, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, bem como da contribuição destinada aos terceiros e ao SAT/RAT no período de 06/2005 a 12/2008, valores esses não retidos das pessoas físicas quando da aquisição. Leiase: O presente Auto de infração de Obrigação Principal, lavrada sob o n. 35.309.3373, em desfavor do recorrente e tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela devida pelo produtor rural, pessoa física, e segurado especial, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, bem como da contribuição destinada aos terceiros e ao SAT/RAT no período de 10/2005 a 10/2008, valores esses não retidos das pessoas físicas quando da aquisição. Por todo o exposto VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER OS EMBARGOS INOMINADOS de acordo com o artigo 66 do RICARF, para corrigir o erro material constante do Acórdão n° 2401002.800 nos termos da fundamentação, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 391DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.730584/2012-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
NÃO CONHECIMENTO QUANTO À PEDIDO FORMULADO SOMENTE NA SEGUNDA INSTÂNCIA RECURSAL. PRECLUSÃO.
Não é passível de conhecimento pedido formulado tão-somente em sede de recurso voluntário, estando precluso o momento processual para o exercício dessa faculdade.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. VIGÊNCIA DO ART. 12 DA LEI 7.713/88.
Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, sob a vigência do art. 12 da Lei nº 7.713/88, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543-B do CPC.
Numero da decisão: 2402-005.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, por maioria, dar-lhe provimento no sentido de que seja recalculado o crédito tributário de acordo com o regime de competência. Vencidos os Conselheiros Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci que davam provimento em maior extensão. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo, Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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PRECLUSÃO. Não é passível de conhecimento pedido formulado tãosomente em sede de recurso voluntário, estando precluso o momento processual para o exercício dessa faculdade. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. VIGÊNCIA DO ART. 12 DA LEI 7.713/88. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, sob a vigência do art. 12 da Lei nº 7.713/88, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 05 84 /2 01 2- 90 Fl. 135DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, por maioria, darlhe provimento no sentido de que seja recalculado o crédito tributário de acordo com o regime de competência. Vencidos os Conselheiros Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci que davam provimento em maior extensão. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 15504.730584/201290 Acórdão n.º 2402005.740 S2C4T2 Fl. 42 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) DRJ/SDR, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativa ao ano calendário 2010, lavrada face à constatação de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial.. A contribuinte impugnou o lançamento (fls. 2/3), argumentando, em síntese, que é maior de 65 anos, e se trata de proventos de pensão recebidos acumuladamente em mais de dez anos, e por isso isentos do imposto de renda. Incorrera em honorários advocatícios de R$ 53.013,50. Em obediência ao disposto na Instrução Normativa RFB n° 1061/2010, o lançamento foi inicialmente submetido à revisão da autoridade lançadora, que descontou as despesas advocatícias comprovadas de R$ 53.000,00, reduzindo o imposto suplementar para R$ 46.273,09 (fls. 49/53). As demais razões da impugnante não foram acatadas porque já havia deduzido em sua declaração a parcela isenta que beneficia os maiores de 65 anos. Como não optara pela tributação exclusiva na fonte dos rendimentos recebidos acumuladamente em abril de 2010, não se aplica ao caso o disposto no art. 12A da Lei nº 7.713. Mantida a exigência no julgamento de primeiro grau (fls. 62/64), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 2/3/2015 (fls. 70/76), pleiteando a revisão do lançamento visto que possui comprovantes dos valores retidos na fonte e dos rendimentos recebidos, de modo que seja aquele retificado de forma a adequar sua declaração de ajuste anual aos documentos presentes no recurso e à legislação que considera pertinente ao caso, citando as IN RFB nº 1127/10, nº 1145/11 e 1500/14. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço, porém apenas parcialmente. Isso, porque a atividade julgadora de segunda instância diz respeito ao exame do lançamento nos termos do inciso I do art. 145 do CTN, não lhe sendo facultado realizar retificações de ofício em declarações que não mais abrigadas pela espontaneidade, forte no § 1º do art. 147 do referido Código. Nessa esteira, eventual pedido de que sejam considerados "demonstrativos de cálculo" para fins de apuração de eventual imposto remanescente a restituir não merece conhecimento, tanto mais quando elaborado somente em sede de recurso voluntário, o que aflige diretamente os arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72, bem como aos arts. 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil. Bem esclarecido esse ponto, cabe passar à questão de mérito. Reza o art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização Essa opção do legislador, no sentido de que os rendimentos recebidos acumuladamente fossem tributados pelo regime de caixa, foi objeto de questionamento judicial por parte dos contribuintes por diversas razões, dentre as quais se destaca a possibilidade de a incidência de uma só vez, do imposto de renda sobre o somatório das prestações mensais devidas, causar violação aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, visto que se tivessem os beneficiários recebidos na época própria, poderiam estar dentro dos limites de legais de isenção do tributo. Estando a discussão desde 2005 na esfera do Superior Tribunal de Justiça (STJ), este, em sua missão constitucional de uniformizar a interpretação da lei federal, submeteu o tema ao rito previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), ensejando a prolação da seguinte decisão no REsp nº 1.118.429/SP, julgado pela 1ª Seção (Relator Min. Herman Benjamin, DJe de 14/5/2010), cuja ementa transcrevo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 15504.730584/201290 Acórdão n.º 2402005.740 S2C4T2 Fl. 43 5 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Por força do § 2º do art. 62 do RICARF (Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), tornouse obrigatória a reprodução dessa decisão no julgamento dos recursos na esfera do CARF. Persistiu dissenso no âmbito das Turmas componentes da 2ª Seção do CARF, contudo, no tocante à aplicação dessa decisão em recurso repetitivo nos litígios envolvendo lançamentos realizados com base no art. 12 da Lei nº 7.713/88. Em linhas gerais e apertada síntese, podese dividir os entendimentos divergentes em duas vertentes principais, sendo que a primeira concedia parcial provimento aos recursos interpostos contra tais lançamentos, determinando que fossem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido originalmente pagos. Já a segunda corrente entendia que tal aplicação implicaria em alteração substancial do critério jurídico adotado no lançamento, o qual, consequentemente, deveria ser cancelado devido à não observância da norma fixada pelo STJ em recurso repetitivo, dando provimento integral ao recurso voluntário. Entrementes, e paralelamente, a controvérsia acerca da incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente assumiu contornos constitucionais, com o reconhecimento de sua repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 20/10/2010, no decorrer de julgamento da questão de ordem em agravo regimental no Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, face à declaração da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 levada a efeito pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em sede de controle difuso. Expliquese que na Arguição de Inconstitucionalidade nº 2002.72.05.000434 0/SC, a Corte Especial daquele e. Tribunal declarou em 22/10/2009 a "inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a Constituição" do art. 12 da Lei nº 7.718/88, "no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, como na situação vertente, recebidos a menor pelo contribuinte em cada mêscompetência e cujo recolhimento de alíquota prevista em lei se dê mês a mês ou em menor período". Interposto então o RE nº 614.406/RS pela União para afastar a aplicação dessa declaração de inconstitucionalidade em dado caso sob litígio (cujo processo de origem foi a ação ordinária de nº 2008.71.13.00016588/RS), formouse com base nesse leading case o Tema 368 "Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebido acumuladamente" de repercussão geral, o qual foi submetido ao rito regrado pelo art. 543B do CPC . O julgamento do recurso representativo da controvérsia restou findo em 23/10/2014, sendo que o Tribunal Pleno, por maioria, decidiu a matéria negando provimento ao recurso e exarando acórdão cuja ementa foi assim redigida: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Fl. 139DF CARF MF 6 (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) No Informativo STF de nº 764, referente ao período compreendido entre 20 e 24 de outubro de 20101, consta o seguinte resumo da conclusão da votação em apreço: IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma — v. Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles.RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Merecem transcrição, também, os seguintes excertos do voto condutor de lavra do Ministro Marco Aurélio e dos debates então verificados, cuja leitura permite melhor esclarecer o posicionamento do STF sobre o tema: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois 1 Disponível em: <http://www.stf.jus.br//arquivo/informativo/documento/informativo764.htm>. Acesso em 30/01/2015. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 15504.730584/201290 Acórdão n.º 2402005.740 S2C4T2 Fl. 44 7 princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Mantenho o acórdão. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) Nega provimento? O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Porque, de outro modo, o contribuinte – como disse – será apenado, quer dizer, o devedor não satisfaz a parcela, compeleo a entrar em Juízo e, posteriormente, cobra o imposto pela alíquota maior. (grifei) O acórdão em comento transitou em julgado em 9/12/2014, sem interposição de recurso por qualquer das partes, ou atribuição de modulação aos efeitos dessa decisão. Destarte, restou assim consolidado o entendimento de que a incidência do imposto de renda pessoa física sobre verbas recebidas acumuladamente deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na época em que a verba deveria ter sido paga, em respeito aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, firmandose, por conseguinte, a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 quanto a esse aspecto. Nos termos do inciso I do § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não se aplica a vedação aos órgãos de julgamento administrativo fiscal ao afastamento de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, nos casos de lei que tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF no mesmo passo, temse o disposto no art. 62 do RICARF. Cumpre observar, por oportuno, que as decisões do STF exaradas nos moldes do art. 543B do CPC possuem o caráter de palavra final e definitiva daquele tribunal sobre as questões jurídica nelas objetivamente decididas, conforme já alertava, com propriedade, o Parecer PGFN/CRJ nº 492, de 30 de março de 2011. E, nesse contexto, o § 2º do art. 62 do RICARF contém a seguinte regra: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por conseguinte, a decisão definitiva de mérito proferida pelo Tribunal Pleno do STF sob a sistemática prevista pelo art. 543B do CPC deverá ser reproduzida por este colegiado no julgamento do presente recurso voluntário. E essa reprodução da decisão, salvo melhor juízo, significa aplicação da norma jurídica geral, consolidada no julgamento da repercussão geral, no caso em exame. Fl. 141DF CARF MF 8 No caso concreto, a Notificação de Lançamento vergastada foi amparada na prescrição contida no art. 12 da Lei nº 7.713/88, não havendo sido observada a tese jurídica vinculante fixada em sede de repercussão geral, segundo a qual "O Imposto de Renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve observar o regime de competência, aplicável a alíquota correspondente ao valor recebido mês a mês, e não a relativa ao total satisfeito de uma única vez". Então, não ocorreu apenas uma mera desconformidade superficial ou diminuta entre a base de cálculo apurada e a correta, passível de correção ou ajuste mediante o expurgo do excesso eventualmente constatado, a ser efetuado pela administração tributária. Diversamente, o consequente normativo da regra matriz de incidência tributária foi inequivocamente desatendido no seu aspecto quantitativo, visto que tanto a base de cálculo quanto as alíquotas aplicadas para o cômputo do imposto devido afastaramse em sua essência do entendimento sufragado pelo STF para situações do gênero, acarretando em elevado e significativo gravame tributário a afligir a capacidade contributiva do sujeito passivo. Deve ser registrado não ser o caso de se cogitar de nulidade, ao menos nos termos regrados pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/72, visto ter sido o lançamento realizado por autoridade competente, com o devido respeito ao direito de defesa. Contudo, não se vislumbra, de um modo geral, a possibilidade de seu aproveitamento ou recálculo, já que evidenciado flagrante grau de descompasso entre suas facetas constitutivas e a decisão do STF acerca do tema, e tendo em mente a ausência de competência do julgador administrativo em determinar a reconstituição do crédito tributário, quanto mais nessa amplitude. Importa observar dois aspectos da situação, como remate desta fundamentação. Primeiramente, vale anotar que sob o mecanismo de repercussão geral, a suprema corte não gera uma disposição, necessariamente, que se pronuncie acerca da constitucionalidade de uma norma jurídica, à semelhança do que ocorre quando atua no controle concentrado da leis, mas sim julga o mérito de uma determinada questão em controle difuso, em decisão que atinge uma série de processos que versem sobre tal tema. Sob essa ótica, o enunciado da ementa do "leading case" não prescinde de conter uma prescrição explícita declarando uma norma, parcialmente ou no todo, inconstitucional, porém veicula conclusão definitiva daquele tribunal sobre a matéria controversa, gerando previsibilidade no direito aplicável às contendas travadas em outras esferas judiciais ou administrativas. À ocasião, o caso analisado foi justamente a declaração de inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 levada a efeito pelo TRF da 4ª Região, a qual, não obstante o recurso da União, quedou mantida por razões de mérito, como evidencia a fundamentação da decisão do STF. Salvo melhor juízo, se essa Corte decidiu no RE nº 614.406 que tal declaração do Tribunal Regional era perfeitamente harmônica com o texto constitucional, reconheceu incidentalmente, ainda que sem um comando explícito, a inconstitucionalidade da norma contestada. Também merece registrar anotar que não caberia ao STF tecer considerações, nas disposições conclusivas do julgamento, acerca dos efeitos da decisão então acordada sobre eventuais atuações do Fisco realizadas com base na malfadada norma, visto que o exame travado naquela seara deuse, reiterese, debruçado sobre declaração de inconstitucionalidade exarada no TRF da 4ª Região, e não, por exemplo, à luz de ação anulatória de débito fiscal ou lide do gênero. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 15504.730584/201290 Acórdão n.º 2402005.740 S2C4T2 Fl. 45 9 Noutro giro, e no que toca diretamente ao caso concreto, temse que os valores objeto da controvérsia foram pagos entre 1º de janeiro e 27 de julho de 2010, período para o qual o art. 13 da IN RFB nº 1.127/11, com base no § 7º do art. 12A da Lei nº 7.713/88, facultou opção ao contribuinte pela tributação exclusiva na fonte em separado dos demais rendimentos, mediante informação na DIRPF/2011. Para quem não efetuasse tal opção, permanecia a tributação dos rendimentos acumulados conforme o regime anterior, ou seja, o regime de caixa. Sem embargo, a existência desse permissivo normativo não se sobrepõe ao entendimento do STF acerca inconstitucionalidade da tributação por esse regime, preconizado pelo então vigente art. 12 da Lei nº 7.713/88. Em outros termos, o que se tem é que o não exercício, pela recorrente, da faculdade de declarar à administração tributária os rendimentos recebidos acumuladamente pelo então novel regime do art. 12A daquela lei, não se traduz em motivação para considerar eventuais lançamentos de ofício lavrados no período em questão com base no art. 12 da Lei nº 7.713/88 compatíveis com o ordenamento constitucional, não servindo de amparo, assim, para a autuação contestada. Muito embora as considerações acima tecidas, importa frisar que a contribuinte não demandou o cancelamento da exigência, limitandose a postular, de maneira bastante confusa e desconexa, que fossem aplicadas as Instruções Normativas da RFB ao seu caso, e ilustrando seu pleito com cálculos que aludem ao regime de competência. Tendo em vista os estritos termos do pedido, bem como o posicionamento que vem prevalecendo nos recentes julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com amparo, em especial, no Acórdão nº 9202003695, considero ser mais adequado no caso concreto, à luz dos princípios da eficiência e da duração razoável do processo, encaminhar voto no sentido de que o tributo incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, objeto do lançamento, seja apurado observando as tabelas e alíquotas vigentes nas épocas a que se referiam os rendimentos. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, darlhe provimento, para fins de que seja recalculado o crédito tributário de acordo com o regime de competência. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 143DF CARF MF
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