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Numero do processo: 10880.900539/2014-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 05 39 /2 01 4- 60 Fl. 70DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitouse a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.900539/201460 Acórdão n.º 2401006.258 S2C4T1 Fl. 3 3 vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogálos (quando inconvenientes) seja para anulálos (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito Fl. 72DF CARF MF 4 disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da nãohomologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculálo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.900539/201460 Acórdão n.º 2401006.258 S2C4T1 Fl. 4 5 fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificouse que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utilizase do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 74DF CARF MF 6 Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.721209/2013-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/03/2012
AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CONCOMITÂNCIA.
A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo.
DECADÊNCIA. PRAZO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS E DÉBITOS DE IPI NA ESCRITA FISCAL. EQUIVALE A PAGAMENTO. ARTIGOS 150, PARÁGRAFO 4º E ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. ARTIGO 124, INCISO III, DO DECRETO Nº 4.544/2002 (RIPI/2002).
Para fins de IPI, ganha destaque o artigo 124, inciso III, do RIPI/2002, pelo qual considera-se pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, hipótese que atrai a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN.
Numero da decisão: 3302-006.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento e, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer o lançamento relativo a dezembro/2007.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/08/2007 a 31/03/2012 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CONCOMITÂNCIA. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. DECADÊNCIA. PRAZO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS E DÉBITOS DE IPI NA ESCRITA FISCAL. EQUIVALE A PAGAMENTO. ARTIGOS 150, PARÁGRAFO 4º E ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. ARTIGO 124, INCISO III, DO DECRETO Nº 4.544/2002 (RIPI/2002). Para fins de IPI, ganha destaque o artigo 124, inciso III, do RIPI/2002, pelo qual considera-se pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, hipótese que atrai a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento e, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer o lançamento relativo a dezembro/2007. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.633 1 1.632 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.721209/201396 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3302006.773 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de abril de 2019 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IPI Recorrentes COMPANHIA MARANHENSE DE REFRIGERANTES FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2007 a 31/03/2012 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CONCOMITÂNCIA. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. DECADÊNCIA. PRAZO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS E DÉBITOS DE IPI NA ESCRITA FISCAL. EQUIVALE A PAGAMENTO. ARTIGOS 150, PARÁGRAFO 4º E ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. ARTIGO 124, INCISO III, DO DECRETO Nº 4.544/2002 (RIPI/2002). Para fins de IPI, ganha destaque o artigo 124, inciso III, do RIPI/2002, pelo qual considerase pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, hipótese que atrai a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento e, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer o lançamento relativo a dezembro/2007. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 12 09 /2 01 3- 96 Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.634 2 (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da resolução de fls. 1.4671.481: Tratase de Recursos Voluntário (fls. 1400/1442) e de Ofício (fls. 1353) contra o v. Acórdão DRJ/JFA nº 0944.678 de 21/06/13 constante de fls. 1351/1387 exarado pela 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora MG que, por maioria de votos, houve por bem “julgar procedente em parte” (para reconhecer a decadência relativa ao período de 08/07 a 12/07) a impugnação ao lançamento original de IPI consubstanciado no Auto de Infração (fls. 02/21) notificado em 15/03/13 (AR fls. 1066), no valor total de R$ 143.771.298,62 (IPI R$ 69.789.826,47; juros de mora R$ 21.639.102,22; Multa de 75% R$ 52.342.369,93), que acusou a ora Recorrente de no período de 31/08/07 a 31/03/12, na qualidade de “estabelecimento industrial ou equiparado”, ter recolhido a menor o IPI “em decorrência da escrituração e utilização de crédito ficto indevido de mercadorias adquiridas da Zona Franca de Manaus conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal” (fls. 23/33), cujo teor é o seguinte: “No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal e na forma do disposto no art. 7° da Lei n° 2.354/54 e no art. 7° do Decreto n° 70.235, de 06 março de 1972, em fiscalização realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 01301002011001044, emitido em 01 de abril de 2011 e substituído pelo MPF n° 01301002012000300, de 10 de fevereiro de 2012 e que também foi alterado para abranger o período de agosto de 2007 a março de 2012, todos emitidos contra a empresa RENOSA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BERBIDAS S/A. Em 30 de setembro de 2012 com a incorporação da Renosa pela empresa Companhia Maranhense de Refrigerantes foi emitido um novo MPF que recebeu o n° 01301002013000053 para que fosse possível continuar a fiscalização já iniciada na incorporada RENOSA. Assim foram constatadas infrações à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados que resultaram no creditamento indevido e que propiciaram a lavratura de auto de infração por falta de lançamento e recolhimento deste imposto conforme demonstraremos a seguir. 1. HISTÓRICO DA FISCALIZAÇÃO A fiscalização teve início em 25 de agosto de 2011 com a emissão de Intimação dirigida a empresa RENOSA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS LTDA, empresa esta que foi incorporada em 30 de setembro de 2012 pela Companhia Maranhense de Refrigerantes, para esclarecer algumas divergências encontradas em sua escrituração digital. O contribuinte deu ciência à Intimação mediante o AR em 29 de agosto de 2011 e em 16 de setembro e 17 de outubro de 2011 respondeu aos questionamentos feitos na primeira intimação. Em 02 de fevereiro de 2012 foi emitido um novo MPF que recebeu o n° 01301002012000300 e foi substituído o auditor fiscal Em 14 de maio de 2012 foi emitido um novo Termo de Início do Procedimento Fiscal esclarecendo Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.635 3 ao contribuinte que a intimação efetuada anteriormente, assim como as respostas do contribuinte passariam a fazer parte integrante da nova fiscalização. Neste novo documento a fiscalização intima o contribuinte a comprovar os créditos de valores efetivamente lançados ao longo do período e que também enviassem cópias das notas fiscais que foram utilizadas para esses créditos. O contribuinte toma ciência do Termo de Início em 18 de maio de 2012, mediante AR e em 24 de maio de 2012 responde solicitando um prazo complementar para a realização da intimação feita em mais 45 ( quarenta e cinco) dias. Em 05 de julho de 2012 foi alterado o MPF de fevereiro e foram acrescentados novos períodos de fiscalização abrangendo assim as competências de agosto de 2007 a março de 2012. Para tanto foi emitido um Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal informando o contribuinte dessa alteração e também intimandoo a apresentar os livros fiscais em meio magnético do período de agosto de 2007 a dezembro de 2008. Como a fiscalização apurou que a maioria dos créditos efetuados pelo contribuinte eram oriundo das notas fiscais emitidas pela empresa RECOFARMA, da Zona Franca de Manaus, foi também exigido do contribuinte uma planilha em meio magnético, relacionando as notas fiscais efetivamente entradas no estabelecimento advindas dessa empresa e que foram lançadas no Registro de Entradas, discriminadoas, mês a mês, nota por nota, do período compreendido entre agosto de 2007 a março de 2012, dando um prazo de 20 dias para o atendimento do termo. O termo foi recepcionado pelo contribuinte em 12 de julho de 2012, e em 30 de julho de 2012, envia uma correspondência explicando a possível legalidade do seu direito ao credito do IPI de mercadorias advindas da Zona Franca de Manaus. Em 31 de julho de 2012 responde ao Termo de ciência anexando as cópias autenticadas das notas fiscais emitidas pelas RECOFARMA e que foram efetivamente lançadas na contabilidade do contribuinte. Também em 05 de julho de 2012 foi enviado um Termo de Intimação Fiscal para Terceiros para o contribuinte RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, para confirmar e comprovar se os produtos relacionados foram elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional nos termos do inciso III, do art. 82, do RIPI/202 (Decreto 4.544/2002). A RECOFARMA recepcionou o termo mediante AR no dia 13 de julho de 2012 e em 25 de julho de 2012 responde parcialmente aos questionamentos feitos e remete documentos tentando demonstrar a legalidade das ações executadas. A fiscalização houve por bem reintimar a RECOFARMA reiterando para que a mesma confirmasse e comprovasse se os produtos relacionados foram elaborados com matérias primas regionais e que indicassem as empresas de quem adquiriu tais matérias primas. Em 23 de agosto de 2012 a RECOFARMA recepcionou o termo de reintimação mediante AR, e responde arguindo que “... No que se refere às matérias primas empregadas em cada concentrado, a requerente informa que o Demonstrativo de Coeficiente de Redução do Imposto de Importação (DCRE), apresentado à Receita Federal do Brasil, contém a relação de todos os insumos utilizados (...) aqueles produzidos a partir de produtos agrícolas regionais na Amazônia, ficando explicitado que estes últimos são: a cana de açúcar, utilizada para a produção de caramelo, do álcool neutro e do ácido cítrico; a semente de guaraná, utilizada na produção do respectivo extrato. (...) a Requerente anexa a esta petição as DCREs relativas aos concentrados de CocaCola, CocaCola Zero, Guaraná Kuat, Fanta Uva, Fanta Laranja, Fanta Laranja Zero, Aquarius Fresh Uva, Aquarius Fresh Abacaxi Menta, que constituem, em seu conjunto, mais de 90% de sua produção." De acordo com as informações obtidas nas DCREs esta fiscalização enviou Termo de intimação de Terceiros à empresa D.D. Williamson do Brasil Ltda. para Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.636 4 que a mesma informasse se os corantes de caramelo fornecidos para a RECOFARMA utilizava de matéria prima regional. Em 01 de outubro de 2012 a empresa responde esclarecendo que:" 1 ) A D.D.Williamson do Brasil Ltda. recebe da Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. o açúcar cristal para fins de produção por encomenda do corante caramelo a ser utilizado na fabricação de concentrado. (... ) O produto é o açúcar cristal produzido pela Agropecuária Jayoro Ltda., (... ) é obtido da cana de açúcar, produto agrícola regional, proveniente das plantações locais da própria Jayoro." Em 04 de setembro de 2012 foi enviado Termo de Intimação Fiscal de Terceiros à empresa AGROPECUARIA JAYORO LTDA, intimandoa a informar se o açúcar e o álcool fornecidos utilizavam matérias primas agrícolas regionais. Em 17 de setembro de 2012, recepciona o Termo de Intimação de Terceiros mediante AR e em 15 de outubro de 2012 responde informando que : " (... ) a única matériaprima agrícola utilizada é a canadeaçúcar e que a totalidade da cana consumida pela ora intimada é de plantação própria (... ) Presidente Figueiredo, Estado do Amazonas." Nos termos respondidos pela RECOFARMA não foi citado a CAFEÍNA como insumo utilizado mas nas DCREs apresentadas pelo mesmo está inserida a cafeína como insumo da fabricação de refrigerantes e a Naturex como sendo seu fornecedor. Assim esta fiscalização enviou a Naturex Termo de Intimação de Terceiros para que a mesma pudesse comprovar a veracidade das informações obtidas juntos as DCREs. A Naturex recondiciona o termo mediante AR em 12 de setembro de 2012 e em 24 de setembro de 2012 responde , " (... ) Naturex informa que NÃO utiliza matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional na fabricação de cafeína (... )" Em 04 de setembro de 2012 foi emitido um Termo de Intimação de Terceiros para a empresa MAGANA INDUSTRIAL LTDA, pois a mesma foi indicada pela RECOFARMA como sendo fornecedora de álcool neutro e açúcar durante o período de agosto de 2007 a março de 2012. O contribuinte recepciona o Termo, mediante AR, em 25 de setembro de 2012 e em 02 de outubro de 2012 responde aduzindo " (... ) não é e nem nunca foi produtora de açúcar; Diferentemente do que foi informado pela Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., nos termos de sua intimação, a Magma Industrial Ltda. não lhe forneceu álcool neutro no período entre agosto de 2007 e março de 2012 (... ) 2.CRÉDITO PRESUMIDO INCENTIVADO INDEVIDO PRODUTOS ORIUNDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. O estabelecimento industrial apropriouse de créditos do IPI relativo à aquisição de insumos isentos (concentrado), condicionada a produtos adquiridos na Zona Franca de Manaus e elaborados com base em matériaprima agrícola de produtor situado na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pela Suframa,e utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI (refrigerantes). O PRODUTOR ( RECOFARMA) não se utiliza de matérias primas agrícolas regionais vegetais ou extrativas na sua composição de insumos porque ela adquire , por exemplo, açúcar e álcool neutro e envia a outra empresa para que a mesma industrialize, por encomenda, os corantes caramelos que vão ser utilizados na fabricação de seus concentrados que são vendidos aos consumidores de outras regiões do pais. Assim a RECOFARMA só utiliza, no seu processo industrial, produtos industrializados e não matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, condições estas necessárias para a fiscalizada creditarse do imposto calculado, como se devido fosse. Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.637 5 Direito ao crédito de que trata o art. 6°, § 1°, do Decretolei n° 1.435, de 1975. A fiscalizada não tem direito ao crédito isento por força da disposição expressa do 1.435/1975. Assim é a redação dos dispositivos manutenção de créditos nas compras de relativo à aquisição do concentrado art. 6°, §1°, do Decretolei n° normativos de interesse quanto à isentos oriundos da Zona Franca de insumos Manaus: Decretolei n° 1.435, de 16 de dezembro de 1975: "Art. 6° Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4° do art. 1° do Decretolei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º. Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto.” RIPI/2002, arts. 82, III, e 175: "Art. 82. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decreto lei n° 1.435, de 1975, art. 6°, e Decretolei n° 1.593, de 1977, art. 34)." "Art. 175. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 82, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (Decretolei n° 1.435, de 1975, art. 6°, § 1° )." Da leitura dos dispositivos normativos, são vislumbradas duas condições cumulativas para a isenção do produto industrializado na Zona Franca de Manaus, adquirido e utilizado como insumo em produtos onerados pelo imposto em processo industrial em qualquer ponto do território nacional: a utilização de matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental (área definida pelo § 4° do art. 1° do Decretolei n° 291, de 1967 ) e a aprovação pelo Conselho de Administração da SUFRAMA de projetos da empresa produtora do insumo passível de isenção nas vendas para o território nacional. Em sua resposta, tentando demonstrar a legalidade do crédito do contribuinte, a Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., fornecedora de concentrado para refrigerantes situada na Zona Franca de Manaus, enviou cópias dos seguintes documentos: Resolução n° 387/1993 da SUFRAMA, Parecer Técnico n° 088/1993 da SUFRAMA, Parecer Técnico de Projeto n° 224/2007, Parecer Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.638 6 Técnico de Acompanhamento n° 035/1997 da Secretaria Especial de Políticas Regionais da SUFRAMA e Resolução n° 298 de 11 de dezembro de 2007. Percebe se, por exemplo, que no Parecer técnico 224/2007 , em seu item 4, referente a produção do corante caramelo, in verbis, " A Recofarma do Amazonas adquire da Agropecuária Jayoro a totalidade do açúcar cristal que necessita para atender à produção de corante caramelo que utiliza na fabricação de seus concentrados. O açúcar ( cristal e mascavo) é enviado pela Recofarma do Amazonas à D.D. Williamson, e representa em torno de 70% da quantidade total de matérias primas ( açúcar + água + catalizadores) necessárias a fabricação corante caramelo". Aqui já se evidencia que o corante fabricado pela D.D. Williamsom não utiliza matéria prima agrícola vegetal ou extrativa e sim produto industrializado (açúcar) e é esta a matéria prima utilizada para a fabricação dos concentrados que são enviados à fiscalizada. O Parecer Técnico n° 088/1993 foi elaborado, por solicitação da empresa fornecedora (Recofarma) do concentrado, para incorporar nova verticalização de insumo básico para refrigerante (açúcar liquido) em sua linha de produção, mediante a aquisição de parte das matériasprimas, principalmente açúcar mascavo e álcool, de produtores da Amazônia Ocidental, mais especificamente do Estado do Amazonas. Mais uma vez a Recofarma informa que a matéria prima utilizada em seus concentrados são produtos industrializados (açúcar e álcool neutro) que são adquiridos na região amazônica e que não albergam um possível creditamento de IPI por parte de outras empresas que adquiram tais concentrados, em todo o território nacional, e que produzam mercadorias tributadas ( como é o caso da fiscalizada). Ao examinar os termos da Resolução n° 387/1993, é verificado que foi aprovado projeto industrial de atualização da empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. para a produção de concentrados, tendo sido concedidos os benefícios fiscais previstos no DecretoLei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967 (matriz legal do artigo 69 do RIPI/2002). A alteração deste ato legal, foi promovida pelo artigo 1° do DecretoLei n° 1.435/1975, e limitase ao artigo 7º do DecretoLei n° 288/1967, e atualmente possui a redação dada pela Lei n° 8.387/1991. Artigo 69 do RIPI/2002 nos seguintes termos: Art. 69 São isentos do imposto (DecretoLei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, art. 9°, e Lei n° 8.387, de 30 de dezembro de 1991, art. 1°) II os produtos industrializados na ZFM, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, que não sejam industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicionamento, destinados a comercialização em qualquer ponto do Território Nacional, excluídos as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou de toucador preparados ou preparações cosméticas, salvo quanto a estes ( posições 33.03 a 33.07 da TIPI ) se produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico; Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.639 7 Observase que os dispositivos normativos constantes do DecretoLei n° 288/1967 não prevêem a hipótese de crédito do IPI como se devido fosse nas aquisições desoneradas. Consoante transcrição alhures, o artigo 82, inciso III, combinado com o artigo 175 do RIPI/2002, que prevêem tal hipótese, tem como matriz legal o artigo 6° do DecretoLei n° 1.435/1975, sendo que este artigo não está incluído nos benefícios fiscais citados na Resolução em comento. A aprovação do projeto pela Suframa, por si só, não estende a concessão de incentivos fiscais para outros dispositivos legais que não aquele inequivocamente discriminado na Resolução. Para a fruição do benefício em tela seria necessário ato específico pois cada beneficio tem regras próprias e distintas a ser observadas para o respectivo gozo, que devem ser expressas e claras. Esse entendimento foi ratificado pelo Parecer n° 1.420, de 16 de novembro de 1995, da Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal. E patente que, pelos termos da. Resolução n° 387/1993, do Conselho de Administração da SUFRAMA, não houve aprovação de projeto vinculada ao gozo do benefício do artigo 6° do DecretoLei n° 1.435/1975. O Parecer Técnico de Acompanhamento n° 035/1997, da Secretaria Especial de Regionais da SUFRAMA, ratifica os termos da Resolução n° 387/1993. O fato deste Parecer em seu texto considerar que a Resolução n° 387/1993 conte,1a o art. 6° do DecretoLei n° 1.435/1975, é inconteste que a Resolução n° 387/1993 emitida pelo Conselho de Administração da Suframa é o documento legal e hábil para a aprovação do projeto exigido pela legislação pertinente. Assim, é de se concluir que a empresa fornecedora dos insumos não possuía o benefício fiscal do art. 6° do DecretoLei n° 1.435/1975, pois este benefício não está incluído na citada Resolução n° 387/1993. Com a edição da Resolução n° 298 de 11 de dezembro de 2007, baixada com base no Parecer Técnico de Projeto n° 224/2007, houve aprovação de projeto nos termos do art. 82, III, do RIPI/2002 para o creditamento do imposto como se devido fosse. No entanto, existem outras condições a serem consideradas conjuntamente: na elaboração dos concentrados de refrigerantes a empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda não utiliza matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exceto semente de guaraná na composição do concentrado de guaraná, condição essencial para fruição do beneficio fiscal previsto no dispositivo legal em questão. As matériasprimas utilizadas na produção de concentrados para refrigerantes, exceto o concentrado de guaraná, são o açúcar cristal e o álcool, que são PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS e não matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Observando a informação da própria empresa Recofarma verificamos que esta utiliza em sua produção produtos intermediários industrializados e não matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Ou seja, a Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.640 8 empresa Recofarma não utiliza diretamente matériasprimas de produção regional em seu processo industrial. Assim sendo, as saídas dos concentrados, de bebidas não alcoólicas, vendidos à empresa fiscalizada NAO poderiam ser objeto da isenção prevista no inciso III do artigo 82 do RIPI/2002. Há ainda a considerar, o seguinte , Decretolei n° 1.435, de 16 de dezembro de 1975: "Art 6° Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4° do art. 1° do Decretolei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1° Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos e efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. §20 os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido provados pela SUFRAMA." Este beneficio fiscal configura uma verdadeira exceção legal à regra geral de creditamento de IPI visto que somente com o destaque do mesmo seria permitido o crédito, assim, mesmo sendo exonerado pela isenção o imposto pode ensejar crédito ao comprador. Evidente que terá de ser observados os requisitos postos na norma legal a fim de que possa usufruir do incentivo sem contrariar a legislação pátria. O Art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional estabelece que a outorga de isenção deve ser interpretada literalmente, não comportando alargamento de benefício que não seja expressamente previsto. Ao analisar a isenção e o crédito retro referido, é de extrema clareza que o gozo do incentivo excepcional exige que todas as matérias primas utilizadas no processo produtivo sejam matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional não gozando assim produtos elaborados com a mistura de matérias primas, sendo parte regional e parte de outras localidades, haja vista que isso não atenderia à literalidade da norma nem aos objetivos do legislador. Para que seja possível a isenção devem ser de produção regional todas as matériasprimas utilizadas, que se assim não fosse, diante do art.111 do CTN, a norma outorgante deveria expressar claramente que bastaria uma preponderância de matériasprimas de produção regional; e a partir do vínculo entre as normas que estabelecem a isenção de que ora se trata e o direito de crédito pela aquisição isenta nos termos especificados, que o requisito para a isenção, definida no caput do art.6° do DL 1.435/75 impõe que se para a isenção devem ser regionais todas as matériasprimas utilizadas pelo estabelecimento localizado na "área definida pelo §40 do art.1° do Dl 291/67", então, por conseguinte, para o gozo do excepcional direito de crédito do IPI, pelo adquirente desse produto isento, ainda que a industrialização seja realizada em qualquer ponto do território nacional, também remanesce a exigência de que sejam regionais todas as matériasprimas utilizadas no processo produtivo dos insumos adquiridos para a industrialização; não se Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.641 9 admitindo, para a configuração do direito creditório pretendido, a inserção de outras matériasprimas não regionais, pois do contrário, restaria desvirtuada a literalidade da norma que introduziu benefício fiscal muito específico (A norma que outorga isenção exige interpretação literal, isto é, restritiva, nos termos previstos pelo art.111 do CTN). A vinculação entre o direito de crédito excepcional, previsto no art. 175 do RIPI/02, e a isenção estabelecida no inciso III do art. 82 do mesmo RIPI, impõe para a manutenção e aproveitamento de créditos do IPI pela aquisição de produtos elaborados na Amazônia Ocidental, que tenham sido elaborados com a utilização exclusiva de MATÉRIAS PRIMAS regionais. Como confirmação dessa interpretação chegou a ser apresentado pelo então Senador Expedito Júnior (PSDBRO) para contornar a imposição descrita no parágrafo anterior, o Projeto de Lei do Senado n° 292/2008, propondo justamente nova redação ao art.6° do DL 1.435, de 1975 (conforme texto transcrito às fls. 28): " PROJETO DE LEI DO SENADO N° 292, DE 2008 Amplia a gama de produtos da Amazônia Ocidental beneficiários da isenção do Imposto sobro Produtos Industrializados prevista no art. 6° do DecretoLei n° 1.435, de 16 de dezembro de 1975, e reduz a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a venda deles no mercado interno. O CONGRESSO NACIONAL decreta; 1° O art. 6° do DecretoLei n° 1.435, de 16 de dezembro de 1975, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 6° Os produtos industrializados na área definida pelo §4° do art. 1° do DecretoLei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967, ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer outro ponto do território nacional. § 1° A isenção prevista no caput deste artigo somente se aplica aos produtos: I em cuja composição final haja preponderância de matériasprimas de origem regional, provenientes dos segmentos animal, vegetal, mineral, exceto os minérios do Capitulo 26 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), ou agrossilvopastoril, observada a legislação ambiental pertinente e conforme definido em regulamento; II elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Ora, bem se vê que a proposta era para alargar o benefício que se encontra vigente e definido no texto do art. 6° do DL 1.435/75, para que se alargasse a atual restrição de exclusividade de matériasprimas regionais na composição do produto elaborado na Amazônia Ocidental, adquirido como insumo de produto final industrializado sujeito ao IPI, para, nos termos do inciso I da nova redação proposta no Projeto de Lei do Senado pretender que passasse a se exigir apenas uma "preponderância de matériasprimas de origem regional". Contudo, até o momento não logrou êxito o mencionado Projeto de Lei, persistindo a restrição de que para haver o direito de manutenção e aproveitamento do crédito do IPI, tratese da aquisição de produtos elaborados na Amazônia Ocidental exclusivamente com matériasprimas regionais. Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.642 10 Em síntese, para assegurar o direito de crédito de IPI pretendido, seria necessário o enquadramento na hipótese de isenção tratada no inciso III do art.82 do mesmo RIPI, conforme estabelecido na matriz legal representada pelo art.6° do Dl 1.435/75, e como vimos acima, não é o caso. Intimada pela fiscalização, a fornecedora da ora fiscalizada, RECOFARMA, informou que na elaboração dos "concentrados" vendidos, além das matérias primas regionais corante caramelo, álcool neutro e semente de guaraná, também utilizara outras matériasprimas, conforme constam nas DCREs enviadas , cloreto de sódio, acido fosfórico, cafeína, propileno glicol, sorbitol, óleo de casca de laranja, acetato de sacarose, acido cítrico, etc. No detalhamento dos insumos utilizados na elaboração de cada um dos produtos fornecidos à ora fiscalizada existem várias matériasprimas de origem. diversa das especificadas como sendo de produção regional, conforme informado pelo fornecedor RECOFARMA. Este, por si só, é motivo suficiente para a confirmação da glosa dos créditos de IPT. indevidamente considerados pela ora fiscalizada, com suposta base naqueles artigos supramencionados do RIPI/2002. DA FABRICAÇÃO DO CONCENTRADO PELA RECOFARMA Os concentrados que são vendidos à fiscalizada tem um "modus operandi" cujo modelo perpassa pelas seguintes etapas: A Recofarma adquire açúcar e álcool neutro diretamente da Agropecuária Jayoro e envia para industrialiação por encomenda do corante caramelo, que é a matéria prima básica dos referidos concentrados, à D.D. Williamsom, empresa ligada, inclusive a própria Recofarma. A D.D. Williamsom fabrica o corante caramelo, com o açúcar e o álcool neutro recebido, e fatura para a Recofarma com o CFOP (código fiscal de operações) 5.124 industrialização efetuada por outra empresa. Com o corante assim adquirido, adicionam outros produtos que vão desde ácidos, óleos de casca de laranja, sorbitol, sementes de guaraná, cafeínas etc, surgindo assim os vários tipos de concentrados que são vendidos às empresas de outros estados, aqui especificamente, à fiscalizada. Em todo o processo aqui revisto, em nenhum momento, salvo no caso da semente de guaraná, são utilizadas matérias primas agrícolas vegetais ou extrativas de produção regional na produção dos concentrados. Onde estão as condições que a legislação determina para o possível creditamento ficto do IPI? Sem dúvida nenhuma em lugar algum pois, repito, inequivocamente, não existem matérias primas agrícolas e extrativas de produção regional ( Amazônia ) utilizadas na fabricação dos famigerados concentrados. Que não se diga que o açúcar e o álcool utilizados são decorrentes da cana deaçúcar e por isso deveriam os créditos serem aceitos, porque em assim sendo todos os produtos que, por ventura, levariam açúcar deveriam ter o mesmo tratamento , por exemplos, os sorvetes e iogurtes fabricados na Amazônia também deveriam ser contemplados e as empresas adquirentes desses produtos , em todo o território nacional, que os utilizassem como matérias primas teriam de ser beneficiados. Mas não é esse o objetivo da norma e andou bem o legislador quando legifera, sem dó e nem piedade, de que a matéria prima, isso mesmo, a matéria prima ( é, em geral, toda a substância com que se fabrica alguma coisa e da qual é Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.643 11 obrigatoriamente parte integrante) a ser utilizada tem de quer agrícola vegetal ou extrativa de produção regional e não há o que discutir que as matérias primas dos concentrados são todas, praticamente todas, de produtos industrializados. CONCLUSÃO: ASSIM NÃO EXISTE DIREITO DE APROVEITAMENTEO DE CREDITO FICTO POR PARTE DA FISCALIZADA POR QUE ADQUIRE CONCENTRADOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS QUE TEM COMO MATÉRIAS PRIMAS APENAS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS, SALVO NO CASO DOS CONCENTRADOS DE GUARANÁ. PLANILHA DE CÁLCULOS DOS SALDOS DE IPI DESDE AGOSTO DE 2007 A MARÇO DE 2012 A fiscalização recalculou todos os saldos de IPI desde agosto de 2007 até março de 2012 glosando os valores dos produtos relacionados nas notas fiscais emitidas pela RECOFARMA e que não sejam concentrados de Guaraná. Assim esta fiscalização montou planilhas demonstrando os saldos de IPI de cada mês, além das notas fiscais da Recofarma e das glosas efetuadas que passam a fazer parte integrante deste auto de infração.” Por seu turno a r. decisão de fls. 1351/1387 da 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora MG, houve por bem julgar parcialmente procedente o lançamento de IPI consubstanciado no Auto de Infração (fls. 02/21), aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2007 a 31/03/2012 CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL/ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 6º DO DL 1.435/75 [Art. 82II c/c Art. 175, DO RIPI/2002]. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. GLOSA. PROCEDÊNCIA. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Zona Franca de Manaus e com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. INSUMOS DESONERADOS DO IMPOSTO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. O princípio da nãocumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos tributados do estabelecimento contribuinte com o crédito relativo ao imposto cobrado nas operações anteriores, referentes às entradas oneradas de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem (MP,PI, e ME) a serem utilizados no processo industrial do adquirente. Não tendo havido IPI cobrado nessas operações anteriores de aquisição, porquanto isentas, não haverá valor algum a ser creditado pelo adquirente. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 173, I, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte não realiza, em espécie, o respectivo pagamento parcial antecipado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2007 a 31/03/2012 Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.644 12 EFICÁCIA NORMATIVA DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. INEXISTÊNCIA DE LEI. PENALIDADES E JUROS DE EXIGÊNCIA. Não há de se falar em aplicação do disposto no art. 76 da Lei nº 4.502/c/c o art. 100,II e parágrafo único, do CTN, para a exclusão de penalidades e juros de mora, pela inexistência de lei que atribua eficácia normativa decisões administrativas em processos nos quais um terceiro não parte. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PENALIDADES. Na sucessão empresarial, a sucessora é responsável pelos tributários devidos pela sucedida, não somente aqueles relativos a mas também os decorrentes de penalidades pecuniárias devidos descumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória,independentemente do lançamento de ofício ocorrer antes ou depois evento sucessório. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 1400/1442) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida e do auto de infração por ela mantido, tendo em vista: a) preliminarmente a decadência parcial do lançamento em relação a fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro de 2008, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN; b) a aplicação do art. 132 do CTN e a consequente exclusão da multa de ofício vez que seria imputável à sucedida; c) sustenta a regularidade do crédito efetuado nas aquisições feitas a empresa sediada na ZFM, isenta nos termos da legislação de regência (art. 6° do DL n° 1.435/75, base legal do art. 82, III, do RIPI/02 e do art. 95, III, do RIPI/10, vigentes à época dos fatos, que assegura ao adquirente (no caso, a RECORRENTE) o crédito de IPI relativo à sua aquisição (art. 6°, § 1°, do DL n° 1.435/75), seja em face de Mandado de segurança anteriormente intentado, seja ainda porque a Jurisprudência da Suprema Corte assim o assegura. Nos termos da referida resolução, o processo foi convertido em diligência para que fosse oficiada a SUFRAMA para que a mesma se manifestasse a respeito do cumprimento, pela Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., das condições previstas na Resolução n° 298/2007 ou em atos posteriores se o caso, abrangendo todo o período do lançamento tributário em questão, manifestandose se a mesma incorreu em infração que determinasse a perda dos incentivos fiscais de isenção de que trata o inciso III, do art. 82, do RIPI, em função das matériasprimas adquiridas (art. 6º, do DecretoLei nº 1.435/75). Duas vezes intimada, a SUFRAMA não atendeu a solicitação da fiscalização, retornando os autos para julgamento. Em 17.07.2018, a Recorrente protocolou petição (fls.1.539 arquivo não paginável), noticiando existir decisão transita em julgada em 23.02.2017, proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, RESP nº 1.438.361RJ, que retirou a restrição territorial imposta pelo TRF nos autos do MSC 91.00477834 no qual havia decidido, de forma definitiva, que as empresas associadas da impetrante tinham o direito de se creditar do IPI, calculados sobre insumo isento (concentrado de refrigerante) adquirido de estabelecimento instalado na ZFM, no caso dos autos, adquirido da RECOFARMA, entretanto os seus efeitos restringemse apenas aos associados da ABFCC com domicílio no Estado do Rio de Janeiro , decidindo, expressamente que a coisa julgada no referido MSC também se aplica em relação aos Delegados da RFB indicados na inicial e, em qualquer ponto do território nacional. Juntou documentos para corroborar suas alegações. Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.645 13 Intimada da petição e documentos, a Recorrida (FN) protocolou sua manifestação de fls. 1.5971.601, no sentindo de afastar os efeitos da decisão noticiada pela Recorrente, considerando que referida decisão possui efeito "inter partes" e deve surtir efeitos somente à parte postulante que, no caso, foi Recorrente que postulou em juízo a extensão dos efeitos da decisão judicial. Adicionalmente a petição anteriormente citada, a Recorrida (FN) protocolou nova manifestação (fls.1.6071.609), alegando que os fatos geradores foram praticados pela incorporada, RENOSA, motivo pelo qual a análise da extensão da coisa julgada coletiva invocada pela Recorrente deve ter como referência aquela empresa extinta, e não a Companhia Maranhense, sendo necessário identificar se a RENOSA já havia sido criada quando da propositura do Mandado de Segurança Coletivo e se ela era associada da AFBCC, à época. A Recorrente apresentou manifestação carreada às fls. 1.6121.614, informando que a empresa Renosa sempre foi associada da AFBCC desde sua constituição, ocorrida em 25.06.1996. Por fim, ressaltase que houve interposição de Recurso de Ofício nos termos Portaria MF n.º 3, de 03/01/2008, vigente à época da prolação da decisão de piso. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 19.07.2013 (fls.1.398) e protocolou Recurso Voluntário em 07.08.2013 (fls.1.4001.442), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Nos termos do artigo 1º, da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, haverá recurso de ofício sempre a decisão de primeiro grau exonerar o contribuinte do pagamento de tributos e encargos da multa, em valor superior a R$ 2.500.000,002. Desta forma, considerando que os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. II. Do recurso voluntário 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 2 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.646 14 Conforme exposto anteriormente, a Recorrente em sede recursal trouxe diversas matérias para serem analisadas por este tribunal que, em síntese, são as seguintes: (i) decadência parcial do lançamento em relação a fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro de 2008, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN; (ii) regularidade do crédito efetuado nas aquisições feitas a empresa sediada na ZFM, isenta nos termos da legislação de regência (art. 6° do DL n° 1.435/75, base legal do art. 82, III, do RIPI/02 e do art. 95, III, do RIPI/10, vigentes à época dos fatos, que assegura ao adquirente (no caso, a RECORRENTE) o crédito de IPI relativo à sua aquisição (art. 6°, § 1°, do DL n° 1.435/75), seja em face de Mandado de segurança anteriormente intentado, seja ainda porque a Jurisprudência da Suprema Corte assim o assegura; (iii) a aplicação do art. 132 do CTN e a consequente exclusão da multa de ofício vez que seria imputável à sucedida; (iv) afastamento da multa de ofício nos termos do artigo 76, inciso II, "a", da Lei n. 4.502/64. Em data posterior a interposição do recurso voluntário, as partes trouxeram fatos novos relacionados ao alcance da decisão proferida no MSC. Assim, passase a analisar as matérias suscitadas pelas partes. II.1. Decadência A Recorrente pede que seja reconhecido a decadência do período de janeiro e fevereiro de 2008, por entender não ser aplicável para o caso o inciso I, do artigo 173, do CTN e, sim a regra prevista no §4°, do artigo 150, no referido diploma. Para a Recorrente, a legislação do IPI (artigo 124, III, do RIPI/02) apenas impôs ao contribuinte a obrigação de lançar o imposto e, não a de, necessariamente, recolhêlo em espécie, pois a dedução do débito pelo crédito também equivale ao pagamento. Pois bem. Em se tratando de IPI, o art. 1243, parágrafo único, do RIPI/02 considera pagamento: I — o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II — o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir;ou; III — a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher.” (grifado). Ou seja, considerando a peculariedade que envolve o tributo sob análise, a regra do artigo 150, §4º, do CTN somente se aplicaria aos casos quando do cruzamento da escrita fiscal entre débitos e créditos resultar saldo positivo, do contrário, aplicase a contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, I, do CTN. Neste sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELA FAZENDA NACIONAL. IPI. COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL. Nos 3 Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.647 15 termos do art. 62A do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e reproduzido em sua íntegra no art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, no que tange à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições deve ser observado o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça firmado no julgamento do recurso especial nº 973.733, pela sistemática dos recursos repetitivos. Tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é considerado como pagamento prévio do débito, mediante o encontro de contas entre créditos e débitos do IPI, nos termos dos artigos 111 do RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 25/06/98) e 124 do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 26/12/2002), vigentes à época dos fatos geradores em análise, e de idêntica redação, e correspondentes ao art. 183 do RIPI/2010 (Decreto nº 7.212/2010), atualmente em vigor, desde que não reste saldo a recolher. Na hipótese dos autos, por terem sido considerados como indevidos os créditos compensados pela filial, que lhe foram transferidos pela matriz, não se pode considerar o encontro de contas como pagamento, pois restou saldo a recolher. A contagem do prazo de decadência de 05 (cinco) anos para constituição do crédito tributário pela Fazenda Nacional, por consequência, tem como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173, inciso I do Código Tributário Nacional. No presente caso, especificadamente nos meses de janeiro e fevereiro de 2008 (vide documento de fls. .22), verificase que houve apuração de saldo a pagar, afastando, assim, a aplicação do inciso III, do artigo 124, do RIPI/02 e, consequentemente do §4º, do artigo 150, do CTN. Portanto, considerando que a Recorrente foi cientificada do Auto de Infração em 15.03.2013, a exigência dos créditos relativos aos meses de janeiro e fevereiro de 2008 não devem sofrer a incidência do instituto da decadência. II.2 Das questões envolvendo MSC nº 91.00477834 Conforme exposto anteriormente, a recorrente, seja em sede impugnatória ou recursal, alegou que tinha o direito ao crédito calculado sobre o insumo adquirido com isenção (concentrado), baseada no argumento de que fazia parte do Mandado Segurança Coletivo (MSC) nº 91.00477834, impetrado pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola (ABFCC), de quem era associada, no qual restou decidido, de forma definitiva, que as empresas associadas da impetrante tinham o direito de se creditar do IPI, calculados sobre insumo isento (concentrado de refrigerante) adquirido de estabelecimento instalado na ZFM, no caso dos autos, adquirido da RECOFARMA. Além disso, segundo a recorrente, o extinto Conselho de Contribuintes, em cumprimento à decisão do STF, prolatada no âmbito do RE 212.484/RS, em diversas oportunidades, reconhecera o direito de a recorrente de creditarse do IPI, calculado sobre os insumos adquiridos de estabelecimentos industriais localizados na ZFM. Logo, a glosa desse crédito configurava, no mínimo, inobservância de decisão judicial emanada do STF e, consequentemente, o descumprimento de ordem judicial autorizadora da conduta da recorrente. A decisão proferida no referido MSC, embora tenha reconhecido o direito ao crédito presumido em comento, os seus efeitos restringemse apenas aos associados da AFBCC Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.648 16 com domicílio no Estado do Rio de Janeiro, conforme ficou expressamente consignado na decisão prolatada pelo TRF da 2a Região, nos autos do Agravo de Instrumento nº 2004.02.01.0132984, que teve como agravante a União Federal e agravada a ABFCC, cujo enunciado da ementa ficou assim redigido: PROCESSO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. TUTELA COLETIVA. COISA JULGADA. ABRANGÊNCIA RESTRITA. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DO JULGADO. COMPETÊNCIA. A eficácia da coisa julgada, embora erga omnes, fica restrita aos associados da impetrante domiciliados no âmbito da competência territorial do órgão prolator, consoante disposto no art. 16 da Lei n° 7.347/85, na redação da Lei n° 9.494/97, qual seja, este TRF 2a Região, e apenas no Estado do Rio de Janeiro. Agravo provido. A não aplicação da referida decisão judicial em benefício da recorrente, que tem domicílio no Estado Mato Grosso, estava em perfeita consonância com as limitações impostas à sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, pelo art. 2ºA da Lei 9.494/1997, incluído pela Medida Provisória 2.18035/ 2001, que alterou o alcance do art. 16 da Lei 7.347/1985, ao estabelecer limitação territorial para o provimento judicial, restringindoo ao território do órgão prolator. Para melhor compreensão, o referido preceito legal segue transcrito: Art. 2ºA: A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator. (Incluído pela Medida provisória nº 2.18035/ 01) Parágrafo único. Nas ações coletivas propostas contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas autarquias e fundações, a petição inicial deverá obrigatoriamente estar instruída com a ata da assembléia da entidade associativa que a autorizou, acompanhada da relação nominal dos seus associados e indicação dos respectivos endereços. (NR) (Incluído pela Medida provisória nº 2.18035/ 01) grifos não originais. Foi com base nesses fatos, que esta Turma de Julgamento afastou as alegações da Recorrente quanto à aplicação da decisão judicial em seu favor, conforme se verifica no acórdão nº 3302003741 (PA 13839.002752/200274). Entretanto, a recente petição da Recorrente de fls. 1593 noticiando existir decisão transita em julgada em 23.02.2017, proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, RESP nº 1.438.361RJ, que retirou a restrição territorial imposta pelo TRF nos autos do MSC 91.00477834 no qual havia decidido, de forma definitiva, que as empresas associadas da impetrante tinham o direito de se creditar do IPI, calculados sobre insumo isento (concentrado de refrigerante) adquirido de estabelecimento instalado na ZFM, no caso dos autos, adquirido da RECOFARMA, entretanto os seus efeitos restringemse apenas aos associados da ABFCC com domicílio no Estado do Rio de Janeiro , decidindo, expressamente que a coisa julgada no referido MSC também se aplica em relação aos Delegados da RFB indicados na inicial e, em qualquer ponto do território nacional, altera, no entendimento deste relator, a solução a ser dado ao presente processo, qual seja, aplicação da Súmula CARF nº 01 que assim preceitua: Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.649 17 "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)." Isso se dá, pura e simplesmente pelo fato de haver uma decisão judicial transitada em julgada, que favorece a Recorrente, reconhecendo que a decisão de mérito transitada em julgado em 02/12/1999 é aplicável a todos os associados da AFBCC, independentemente do Estado em que estão localizados. Destacase o trecho do despacho de 17.11.2016 proferido no RESP 1.438.361RJ "Em relação ao art. 2ºA da Lei n. 9.497/97, introduzido pela MP 1.7981/ 99, e ao art. 16 da Lei n. 7.347/85, com redação dada pela Lei n. 9.494/97, a jurisprudência desta Corte firmouse no sentido de que a limitação contida no art. 2ºA, caput, da Lei n. 9.494/97 de que a sentença proferida "abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator", não pode ser aplicada aos casos em que a ação coletiva foi ajuizada antes da entrada em vigor do mencionado dispositivo, sob pena de perda retroativa do direito de ação das associações (...) No caso, dos autos, a instância ordinária expressamente afirmou que o mandado de segurança foi impetrado em data anterior a vigência da MP n. 2.18035/2001 (eSTJ, fl. 429)" Somase à isso, como bem pontuado pela Recorrente, o Supremo Tribunal Federal, proferiu decisão transitada em julgado em 18/08/2017, decretando a extinção da Reclamação nº 7.778 (ajuizada contra decisão do TRF), em virtude da perda superveniente de objeto, reconhecendo que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.438.361/RJ teve por efeito a reforma do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em conformidade com despacho do relator, Ministro Gilmar Mendes, que abaixo se transcreve: "Tratase de embargos de declaração opostos pela Companhia de Bebidas Ipiranga contra acórdão do Plenário (eDOC 52), que negou provimento ao agravo regimental em reclamação, ementado nos seguintes termos: “Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite territorial restrito à jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. 7.347/1985. 3. Mandado de segurança coletivo ajuizado antes da modificação da norma. Irrelevância. Trânsito em julgado posterior e eficácia declaratória da norma. 4. Decisão monocrática que nega seguimento a agravo de instrumento. Art. 544, § 4º, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins de atribuição de efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento”. (eDOC 52, p. 2) Ocorre que, após a oposição dos embargos, a parte embargante noticia, por meio da Petição 17.128/2017, o trânsito em julgado da decisão da 2ª Turma do STJ que reformou o ato impugnado pela presente reclamação (eDOC 6). Ante o exposto, julgo prejudicados os embargos declaração e julgo extinto o presente feito, ante a perda superveniente do seu objeto (art. 21, IX, do RISTF). Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.650 18 Ainda, entendo que o fato do RESP 1.438.361/RJ ter sido interposto por outro associado que não a Recorrente, não afasta o direito dos demais associados usufruir dos efeitos da decisão que retirou a restrição territorial imposta pelo TRF nos autos do MSC 91.00477834. A uma, porque o RESP é vinculado ao processo originário, não se tratando de ação autônoma. A duas, porque a decisão proferida em ação coletiva, beneficia a todos os litigantes. E, a três, porque a decisão do STJ não restringiu o direito somente ao recorrente daquele recurso. Por fim, em relação ao fato da empresa incorporada da Recorrente não ser associada da AFBCC quando da propositura do MSC, verificase que de fato referida empresa foi constituída em 25.06.1996, 05 anos após a propositura da ação, não sendo, assim, associada da AFBCC à época do ajuizamento da referida demanda. Entretanto, entendo que a empresa incorporada deve beneficiarse da decisão proferida no MSC, posto que neste tipo de demanda, o benefício judicial obtido pode ser aplicável aos associados que se filiaram à associação em data posterior a distribuição da ação. Esse é o entendimento emanado pelo STJ no AREsp nº 1.126.330DF: PROCESSUAL CIVIL. TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EXECUÇÃO INDIVIDUAL. FORO DO DOMICÍLIO DO BENEFICIÁRIO. POSSIBILIDADE. RELAÇÃO NOMINAL E AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DOS ASSOCIADOS. DESNECESSIDADE. 1. Para a impetração de mandado de segurança coletivo por entidade associativa não há obrigatoriedade de apresentação da lista dos filiados nem da autorização expressa deles, exigências aplicáveis somente às ações submetidas ao rito ordinário. 2. O art. 2ºA da Lei n. 9.494/1997 não se aplica ao mandado de segurança coletivo. 3. "A liquidação e a execução individual de sentença genérica proferida em ação civil coletiva pode ser ajuizada no foro do domicílio do beneficiário, porquanto os efeitos e a eficácia da sentença não estão circunscritos a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido, levandose em conta, para tanto, sempre a extensão do dano e a qualidade dos interesses metaindividuais postos em juízo [...] Finalmente, a impetrante ressalta que a Lei n. 11.323/05, que acrescentou o art. 475P ao CPC/73, (...) franqueou ao vencedor optar, para o pedido de cumprimento de sentença, 'pelo juízo do local onde se encontram bens sujeitos à expropriação ou pelo do atual domicílio do executado' (art. 475P, parágrafo único, do CPC)" (REsp 1243887/PR, repetitivo, Rel. Ministro Luís Felipe Salomão, Corte Especial, DJe 12/12/2011). 4. Hipótese em que o recurso fazendário encontra óbice na Súmula 83 do STJ, porquanto o fato de algum exequente não constar da relação de filiados apresentada pela FENACEF no mandamus coletivo ou não ser aposentado ou pensionista na data da impetração do mandado de segurança ou de sua sentença não é óbice para a execução individual do título executivo. 5. Agravo interno desprovido. Destacase parte da motivação proferida no AREsp nº 1.126.330DF para estender os efeitos da decisão proferida em Mandado de Segurança Coletivo aos associados que não faziam parte da instituição à época do ajuizamento da ação, mas que se filiaram posteriormente: Nesse cenário, observase não se aplicar ao mandado de segurança coletivo a exigência contida no parágrafo único do art. 2ºA da Lei n. 9.494/1997 ("nas ações coletivas propostas contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas autarquias e fundações, a petição inicial deverá obrigatoriamente estar instruída com a ata da assembléia da entidade associativa que a autorizou, Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.651 19 acompanhada da relação nominal dos seus associados e indicação dos respectivos endereços"). Nesse sentido: CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO CONTRA ATO DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. ASSOCIAÇÃO CIVIL. LEGITIMIDADE. PRECEDENTES. OBJETO DA AÇÃO. ACÓRDÃO 845/2012. ATO DE EFEITOS CONCRETOS. CABIMENTO DO WRIT. ALTERAÇÃO DAS ATRIBUIÇÕES DE CARGO PÚBLICO POR MEIO DE RESOLUÇÃO. INOCORRÊNCIA. SEGURANÇA DENEGADA. 1. Nos termos da jurisprudência desta Corte, a impetração de mandado de segurança coletivo por associação em favor dos associados independe da autorização destes. Súmula 629/STF. 2. Cabe mandado de segurança contra acórdão do Tribunal de Contas que, como ato concreto, aprecia requerimento de alteração de resolução normativa. 3. Não extrapola dos limites de seu poder regulamentar ato do Tribunal de Contas da União que atribui ao cargo de técnico de controle externo, área de controle externo, atividades de natureza administrativa. 4. Segurança denegada. (MS 31336, Rel. Min. EDSON FACHIN, Segunda Turma, julgado em 28/03/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe097) MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROCURADORES DO TRABALHO. COMPOSIÇÃO DOS TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO EM DECORRÊNCIA DA EXTINÇÃO DA REPRESENTAÇÃO CLASSISTA NA JUSTIÇA LABORAL. EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 24/99. VAGAS DESTINADAS A ADVOGADOS E MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO. CRITÉRIO DE PROPORCIONALIDADE. 1 Legitimidade do Presidente da República para figurar no polo passivo do writ, tendo em vista ser ele o destinatário da lista tríplice prevista no § 2º do art. 111 da Constituição Federal, visando ao provimento dos cargos em questão. Precedente: MS nº 21.632, rel. Min. Sepúlveda Pertence. 2 Não aplicação, ao mandado de segurança coletivo, da exigência inscrita no art. 2º A da Lei nº 9.494/97, de instrução da petição inicial com a relação nominal dos associados da impetrante e da indicação dos seus respectivos endereços. Requisito que não se aplica à hipótese do inciso LXX do art. 5º da Constituição. Precedentes: MS nº 21.514, rel. Min. Marco Aurélio, e RE nº 141.733, rel. Min. Ilmar Galvão. [...] Segurança denegada. (MS 23769, Rel. Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 03/04/2002, DJ 30042004). Nessa linha, o fato de algum exequente não constar da relação de filiados apresentada pela FENACEF no mandamus coletivo ou não ser aposentado ou pensionista na data da impetração do mandado de segurança ou de sua sentença não é óbice para a execução individual do título executivo. A respeito, pelo STF: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – TÍTULO JUDICIAL CONSUBSTANCIADOR DE SENTENÇA COLETIVA – EFETIVAÇÃO EXECUTÓRIA INDIVIDUAL – POSSIBILIDADE JURÍDICA – RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. POSSIBILIDADE DE EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA PROFERIDA EM PROCESSO COLETIVO. O fato de tratarse de mandado de segurança coletivo não representa obstáculo para que o interessado, favorecido pela sentença mandamental coletiva, promova, ele próprio, desde que integrante do grupo ou categoria processualmente substituídos pela parte impetrante, a execução individual desse mesmo julgado. Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.652 20 Doutrina. Precedentes. (RE 648621 AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 19/02/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe051) Importante acrescer o entendimento da Corte Especial deste Tribunal Superior, firmado em recurso repetitivo, segundo o qual "a liquidação e a execução individual de sentença genérica proferida em ação civil coletiva pode ser ajuizada no foro do domicílio do beneficiário, porquanto os efeitos e a eficácia da sentença não estão circunscritos a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido, levandose em conta, para tanto, sempre a extensão do dano e a qualidade dos interesses metaindividuais postos em juízo" (REsp 1243887/PR, Rel. Ministro LUÍS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/10/2011, DJe 12/12/2011). Nesse julgado, a propósito, ressaltouse expressamente: "é importante ressaltar que a Lei n. 11.323/05, que acrescentou o art. 475P ao CPC, no desiderato de facilitação e incremento de efetividade do processo de execução, franqueou ao vencedor optar, para o pedido de cumprimento de sentença, 'pelo juízo do local onde se encontram bens sujeitos à expropriação ou pelo do atual domicílio do executado' (art. 475P, parágrafo único, do CPC)". Sobre a matéria, confiramse: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO (INDIVIDUAL) DE TÍTULO JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. LEGITIMIDADE. SÚMULA 83 DO STJ. 1. Conforme o Supremo Tribunal Federal, a lista dos filiados e a autorização expressa deles somente são necessárias para ajuizamento de ação ordinária quando a associação atua como representante dos filiados (art. 5º, XXI, da CF). (RE n. 573.232/SC, em repercussão geral, e Súmula 629 do STF). 2. No julgamento do REsp n. 1.243.887/PR, representativo de controvérsia, a Corte Especial do STJ reconheceu que a execução individual de sentença genérica proferida em ação civil coletiva pode ser ajuizada no foro no qual haja sido proferida a sentença coletiva ou no do domicílio do beneficiário, porquanto os efeitos e a eficácia do aludido julgado não estão circunscritos a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido. 3. Hipótese em que o fato de algum exequente não constar das relações de filiados apresentadas pela Fenacef ou de não ser aposentado ou pensionista na data da impetração do mandado de segurança coletivo ou de sua sentença não é óbice para a propositura de execução individual do título executivo. 4. Aplicação da Súmula 83 do STJ. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 993.662/DF, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/10/2017, DJe 27/10/2017) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE TÍTULO JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. FORO COMPETENTE. ALCANCE OBJETIVO E SUBJETIVO DOS EFEITOS DA SENTENÇA COLETIVA. LIMITAÇÃO TERRITORIAL. IMPROPRIEDADE. Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.653 21 1. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.243.887/PR, processado sob o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, analisando a questão da competência territorial para julgar a execução individual do título judicial em ação civil pública, decidiu que a liquidação e a execução individual de sentença genérica proferida em ação civil coletiva pode ser ajuizada no foro do domicílio do beneficiário, porquanto os efeitos e a eficácia da sentença não estão circunscritos a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido (Relator Ministro Luis Felipe Salomão, DJe de 12.12.2011). 2. Seguindo aquela orientação, os efeitos da sentença proferida em mandado de segurança coletivo impetrado pela Federação Nacional das Associações de Aposentados e Pensionistas da Caixa Econômica Federal Fenacef não estão limitados a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido. 3. Esse é o entendimento pacífico das Turmas da Primeira Seção, de que são exemplos os seguintes julgados: AgRg no AREsp nº 302.062/DF, Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 19.05.2014 e AgRg no AREsp nº 322.064, DF, Relator Ministro Humberto Martins, DJe 14.06.2013. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 471.288/DF, Rel. Ministra MARGA TESSLER (JUÍZA FEDERAL CONVOCADA DO TRF 4ª REGIÃO), PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/03/2015, DJe 24/03/2015) PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. LIMITAÇÃO DOS EFEITOS DA COISA JULGADA AO TERRITÓRIO SOBRE JURISDIÇÃO DO ÓRGÃO JULGADOR. IMPROPRIEDADE. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO. RESP PARADIGMA 1.243.887/PR. EXTENSÃO DOS EFEITOS. NÃO FILIADOS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RETORNO DOS AUTOS. 1. A Corte Especial do STJ, no julgamento do REsp 1.243.887/PR, relatoria do Min. Luis Felipe Salomão, submetido ao regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), reconheceu que "os efeitos e a eficácia da sentença não estão circunscritos a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido, levandose em conta, para tanto, sempre a extensão do dano e a qualidade dos interesses metaindividuais postos em juízo". 2. Proposta a ação coletiva pela FENACEF Federação Nacional das Associações de Aposentados e Pensionistas da Caixa Econômica Federal, estão legitimados a executar o julgado a totalidade dos integrantes da categoria ou grupo interessado e titular do direito, ainda que não filiados à entidade que atuou no polo ativo do mandamus. 3. Necessidade de retorno dos autos às instâncias ordinárias para verificar os limites objetivos do que foi decidido no writ coletivo, bem como promover a adequada análise dos temas suscitados nos embargos à execução, sob pena de supressão de instância e violação do princípio da ampla defesa. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 322.064/DF, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/06/2013, DJe 14/06/2013) Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.654 22 Portanto, considerando (i) que a decisão proferida no MSC se aplica à Recorrente, associada AFBCC, independentemente de sua localização e da autoridade administrativa a que está subordinada; e (ii) que o mérito discutido neste processo administrativo foi levado ao judiciário, resta caracterizada a renúncia à esfera administrativa. III Do recurso de ofício A decisão de piso afastou da cobrança, face a incidência do instituto da decadência, o período compreendido de agosto/2007 a dezembro/2007, nos termos do voto relator que, em síntese entendeu aplicável para caso a regra prevista no §4º, do artigo 150, do CTN, mesmo na hipótese do artigo 124, III, do RIPI, considerar pagamento somente para os casos que resultar saldo positivo, a saber: Isso posto, temse que, no tocante ao IPI, a admissão do pagamento parcial para fins de cômputo do prazo decadencial sob a égide do § 4º do art. 150 do CTN implica, evidentemente, excepcionar a literalidade da redação dos incisos I e III do parágrafo único do art. 124 do RIPI/2002 no sentido de não se exigir que ocorra estritamente: i) o recolhimento integral do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; ii) a dedução integral dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos. Ou seja, para a decadência regida pelo § 4º do art. 150 do CTN, a admissão do pagamento parcial implica considerar: i) para o inciso I do parágrafo único do art. 124 do RIPI/2002, a existência de uma parcela não recolhida daquele saldo devedor; ii) para o inciso III do parágrafo único do art. 124 do RIPI/2002, a dedução parcial dos débitos escriturais por créditos legítimos, remanescendo uma parcela não recolhida do saldo devedor apurado. No caso em tela, pelo demonstrativo elaborado pela Autoridade Fiscal à fl. 22 (Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal, elaborado tomando por base as planilhas de fls. 34/201) observase que nos períodos de apuração mensais 08/2007 a 03/2008 [em relação aos quais a defesa alega a decadência], considerados no lançamento de ofício, a fiscalização efetuou confrontos escriturais de “créditos legítimos” originários da escrita fiscal do sujeito passivo com os “débitos apurados” decorrentes do IPI destacado nas saídas do estabelecimento industrial, caracterizados como pagamentos antecipados (parciais, frisese), a teor do inciso III do parágrafo único do art. 124 do RIPI/2002, combinado com o Parecer PGFN/CAT nº 1617, de 2008, pelo que se lhes aplicam todas as explanações mencionadas retro. Conforme entendimento manifestado anteriormente por este relator, em se tratando de IPI, o art. 1244, parágrafo único, do RIPI/02 considera pagamento: I — o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II — o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir;ou; III — a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher.” (grifado). Ou seja, considerando a peculariedade que envolve o tributo sob análise, a regra do artigo 150, §4º, do CTN somente se aplicaria aos casos quando do cruzamento da 4 Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.655 23 escrita fiscal entre débitos e créditos resultar saldo positivo, do contrário, aplicase a contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, I, do CTN. No presente caso, especificadamente nos meses de agosto a dezembro de 2007 (vide documento de fls. 22), verificase que houve apuração de saldo a pagar, afastando, assim, a aplicação do inciso III, do artigo 124, do RIPI/02 e, consequentemente do §4º, do artigo 150, do CTN. Portanto, considerando que a Recorrente foi cientificada do Auto de Infração em 15.03.2013 e, aplicando a contagem de prazo decadencial prevista no inciso I, do artigo 173, do CTN, temos que somente a exigência dos créditos relativos aos meses de agosto a novembro de 2007 devem sofrer a incidência do instituto da decadência, conforme demonstrado na tabela abaixo: Período de Apuração Vencimento Início Contagem Prazo Decadencial Término Prazo Decandecial Ciência do Auto de Infração ago/07 set/07 set/07 out/07 out/07 nov/07 nov/07 dez/07 01/01/2008 31/12/2012 dez/07 jan/08 01/01/2009 31/12/2013 15/03/2013 Assim, deve ser afastado a decadência em relação ao período de dezembro de 2007, restabelecendo, assim, sua cobrança. IV.Conclusão Diante do exposto, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento e, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer o lançamento relativo a dezembro/2007. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 1655DF CARF MF
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Numero do processo: 13746.000253/2003-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 10/10/2002
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE NORMATIVA QUE TRATA DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
A homologação tácita a que alude o § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 diz respeito unicamente aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, não alcançando os pleitos de compensação de créditos de terceiros com débitos próprios, eis que o caput daquele artigo 74, a partir da alteração trazida pela Medida Provisória nº 66/2002, se restringe à compensação de créditos do contribuinte com seus próprios débitos.
Recurso especial da Fazenda não conhecido e do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-008.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 10/10/2002 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE NORMATIVA QUE TRATA DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A homologação tácita a que alude o § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 diz respeito unicamente aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, não alcançando os pleitos de compensação de créditos de terceiros com débitos próprios, eis que o caput daquele artigo 74, a partir da alteração trazida pela Medida Provisória nº 66/2002, se restringe à compensação de créditos do contribuinte com seus próprios débitos. Recurso especial da Fazenda não conhecido e do contribuinte negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1784; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13746.000253/200362 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303008.535 – 3ª Turma Sessão de 18 de abril de 2019 Matéria Pedido de compensação com créditos de terceiros Recorrente ELIANE S/A REVESTIMENTOS CERÂMICOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/10/2002 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE NORMATIVA QUE TRATA DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A homologação tácita a que alude o § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 diz respeito unicamente aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, não alcançando os pleitos de compensação de créditos de terceiros com débitos próprios, eis que o caput daquele artigo 74, a partir da alteração trazida pela Medida Provisória nº 66/2002, se restringe à compensação de créditos do contribuinte com seus próprios débitos. Recurso especial da Fazenda não conhecido e do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 02 53 /2 00 3- 62 Fl. 979DF CARF MF Processo nº 13746.000253/200362 Acórdão n.º 9303008.535 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda (fls. 712/734), admitido pelo despacho de fls. 736/738, e de recurso especial de divergência interposto contribuinte (fls. 748/776), admitido pelo despacho de fls. 968/970, contra o Acórdão 3802004.237 (fls. 685/710), de 18/03/2015, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 11/03/2003 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE CONTRIBUINTE COM DÉBITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE NORMATIVA QUE TRATA DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A homologação tácita a que alude o § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 diz respeito unicamente aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, não alcançando os pleitos de compensação de créditos com débitos de terceiros, já que o caput do citado artigo 74, a partir da alteração trazida pela Medida Provisória nº 66/2002, se restringe à compensação de créditos do contribuinte com seus próprios débitos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI RECONHECIDO POR MEDIDA JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. DIREITO AMPARADO PELA COISA JULGADA. Realidade em que, por força de provimentos jurisdicionais, foi autorizada a utilização de créditos presumidos do IPI exclusivamente para a compensação com o IPI devido no final do processo industrial, inclusive com a possibilidade de transferência de aludido direito para terceiros. Amparada judicialmente, portanto, a compensação de débito do IPI em nome da recorrente com crédito do mesmo imposto reconhecido em favor de terceiro, não se aplicando ao caso a restrição de que trata a nova regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n° Fl. 980DF CARF MF Processo nº 13746.000253/200362 Acórdão n.º 9303008.535 CSRFT3 Fl. 4 3 10.637/02, já que o direito anteriormente reconhecido está amparado pela coisa julgada. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Sustenta a Fazenda nacional que o acórdão recorrido entendeu pela aceitação da compensação realizada com créditos de terceiros, enquanto "o acórdão paradigma (3403 003.458, de 11/12/2014) aduz vedação do ordenamento jurídico de compensação de créditos tributários próprios (débitos) com créditos de terceiros". No mérito, em síntese, alega que mesmo que haja decisão judicial não é passível compensar débitos com créditos de terceiros após 01/10/2002. Vejase o seguinte excerto da peça recursal: Verificase, portanto, que, a partir de 1º de outubro de 2002, a decisão judicial favorável ao estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio, obtida no Mandado de Segurança no 2001.51.10.0010250, não ampara compensações de seus créditos com débitos de terceiros, como do interessado neste processo, que apresentou a “Declaração de Compensação” após aquela data. Pede, alfim, que seja reformado o recorrido para que seja mantido, em sua integralidade, o decidido em primeira instância. Em contrarrazões (fls. 852/864), alega o contribuinte que o recurso fazendário não deve ser admitido, pois, em suma, "os casos não possuem similitude fática e não há divergência na interpretação da legislação tributária". Acresce que a Fazenda não adotou a técnica processual de confrontar analiticamente a divergência entre os entendimentos contidos nos acórdãos", conforme previsto no art. 67, § 8º do RICARF, o que, em seu entender, "deve acarretar o não conhecimento do recurso especial". Ao final, pede o não conhecimento do recurso, e, uma vez conhecido, que lhe seja negado provimento. De sua feita, postula o contribuinte em seu recurso especial de divergência que as homologações não analisadas no prazo de cinco anos, independentemente de quando protocoladas, estariam homologadas tacitamente. Aduz que tal questão já teria sido solucionada judicialmente nos autos do MS 2001.51100010250, "não podendo haver decisão em contrário". Acresce que "a edição da Lei 10.833/2003 não surpreendeu a SRF, "que desde sempre assumiu que possuía o prazo de cinco anos para analisar a compensação". Pede a reforma do recorrido para reconhecer a ocorrência da homologação tácita das compensações. Em contrarrazões (fls. 972/977), entende a Fazenda, com força no Parecer PGFN/CDA/CAD nº 1.499/2005, que as compensações com créditos de terceiros protocoladas após 01/10/2002, data da edição da MP 66/2002 que deu nova redação ao art. 74 da Lei 9.430/96 prevendo que a declaração de compensação só poderia ser prestada pelo detentor do crédito objeto da compensação declarada, não tem natureza de declaração de compensação. Ante tal premissa, conclui que as compensações protocoladas após a nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96, 01/10/2002, não tem natureza de "declaração de compensação", pelo que não há de falarse no caso em homologação tácita. Pede, alfim, que seja negado provimento ao recurso especial É o relatório. Voto Fl. 981DF CARF MF Processo nº 13746.000253/200362 Acórdão n.º 9303008.535 CSRFT3 Fl. 5 4 Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator CONHECIMENTO RECURSO DA FAZENDA Com a devida vênia, entendo que o recurso fazendário não deva ser conhecido, pois o aresto paradigma (3403003.458, de 11/12/2004) não deu interpretação divergente à mesma legislação tributária. O acórdão paragonado negou provimento in totum ao recurso voluntário, o qual versava exclusivamente sobre a mesma questão a qual foi negado provimento no recorrido, qual seja, a impossibilidade de compensar crédito de terceiros (no paradigma tratavase de crédito de coligada) com débitos próprios após a edição da MP 66/2002. Ou seja, a matéria versada no paragonado, ao qual foi negado provimento, é idêntica a matéria que, igualmente, foi negado provimento no recorrido. Assim, alem de não ter havido o cotejo analítico dos arestos a permitir a constatação da interpretação de divergência, como pontuado pelo contribuinte, até porque não houve, a Fazenda não sucumbiu quanto ao tema no recorrido. Dessa forma, falta à Fazenda interesse de agir, do que decorre a falta de um dos pressupostos recursais. Por tal, não conheço do recurso fazendário. RECURSO DO CONTRIBUINTE Já o recurso do contribuinte deve ser admitido nos termos em que foi processado, mormente por se tratar de paradigma em relação à mesma empresa. MÉRITO RECURSO DO CONTRIBUINTE O aresto recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário reconhecendo à empresa "o direito de a recorrente compensar os débitos do IPI discriminados nos autos do presente processo e dos processos a ele apensos, com créditos do mesmo imposto reconhecidos judicialmente em favor da pessoa jurídica Nitriflex S/A Indústria e Comércio, devendo a unidade de origem, na execução do acórdão, observar se os créditos judiciais em tela são suficientes para a liquidação do débito a compensar". A Fazenda não recorreu. Contudo, foi rejeitada a suposta homologação tácita, mesmo transcorrido prazo superior a 5 anos entre o protocolo do pedido e a ciência da decisão que não homologou a compensação. Assim, devolvido ao nosso conhecimento, unicamente, a questão quanto à possibilidade de homologação tácita de compensações, como em caso, protocoladas após a edição da MP 66/2002, tratandose de créditos de terceiros (Nitriflex S.A.). Referese a compensação ao pedido de fl. 03, débito de IPI (código receita 1097). O acórdão recorrido decidiu que as compensações com créditos de terceiros, autorizadas pela decisão proferida no Mandado de Segurança 2001.02.01.0352326 (processo originário nº 2001.51.1.00010250), não seriam convertidas em declaração de compensação e, consequentemente, não se sujeitariam a homologação tácita no prazo de cinco anos. Fl. 982DF CARF MF Processo nº 13746.000253/200362 Acórdão n.º 9303008.535 CSRFT3 Fl. 6 5 Entendo correta a decisão a quo, da qual valhome em grande medida para fundamentar o presente voto, nos termos do art. 50 § 1º, da Lei 9.784/99. O formulário em que o pleito foi formalizado, Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, não mais vigia à época da protocolização do pedido, ou seja, em 11/03/2003. Com efeito, no rodapé do formulário em tela (fls. 02) consta que aludido formulário foi "aprovado pela Instrução Normativa SRF/Nº 21/97 Anexo IV", em sintonia com o que dispunha o artigo 15 da citada Instrução Normativa, abaixo transcrito: COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRF A diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. § 5º Nas compensações de que trata este artigo, o Documento Comprobatório de Compensação de que trata o Anexo V será emitido em duas vias, devendo ser entregue uma via para cada contribuinte. § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. Muito embora a Instrução Normativa SRF nº 21/97 só tenha sido revogada em 01/10/2002 (data da publicação da IN SRF nº 210, de 30/09/2002, cujo artigo 46 revogou formalmente a citada IN 21/97), todo o artigo 15 da IN 21/97, ou seja, a integralidade do dispositivo que tratava da possibilidade de utilização de créditos de um contribuinte para compensação com débitos de outrem, já havia sido revogado pela IN SRF nº 41, de 07/04/2000 (publicada no DOU de 10/04/2000), e que assim dispôs sobre a questão: Fl. 983DF CARF MF Processo nº 13746.000253/200362 Acórdão n.º 9303008.535 CSRFT3 Fl. 7 6 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 170 da Lei Nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), no art. 66 da Lei Nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei Nº 9.069, de 29 de junho de 1995, e nos arts. 73 e 74 da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, resolve: Art. 1º É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. Parágrafo único. A vedação referida neste artigo não se aplica aos débitos consolidados no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal REFIS e do parcelamento alternativo instituídos pela Medida Provisória Nº 2.0045, de 11 de fevereiro de 2000, bem assim em relação aos pedidos de compensação formalizados perante a Secretaria da Receita Federal até o dia imediatamente anterior ao da entrada em vigor desta Instrução Normativa. Art. 2º Fica revogado o art. 15, caput e parágrafos, da Instrução Normativa SRF Nº 021, de 10 de março de 1997. Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Essa nova limitação à compensação que motivou a empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio a impetrar Mandado de Segurança (n° 2001.02.01.0352326 processo originário n° 2001.51.1.00010250), onde pleiteou o afastamento dos efeitos da IN SRF n° 41/2000. Reiterese que o Poder Judiciário, por força de decisão no Mandado de Segurança nº 98.00166580, transitada em julgado em 18/04/2001, já tinha reconhecido, em favor da Nitriflex, o direito ao crédito do IPI decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Segundo o artigo 74, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, "a compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados". Tal dispositivo vigora desde 30/08/2002, data da publicação da Medida Provisória nº 66/2002, que incluiu aludido preceito. Quanto ao caput daquele art. 74, o mesmo, na redação à época vigente (dada pela MP nº 66/2002), já tratava exclusivamente da compensação de créditos com débitos próprios, o que pode ser conferido pela simples leitura do dispositivo em questão: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) Restrição nesse sentido de autorizar a compensação tributária somente com débitos próprios foi mantida na redação do preceito em comento desde então. Fl. 984DF CARF MF Processo nº 13746.000253/200362 Acórdão n.º 9303008.535 CSRFT3 Fl. 8 7 Assim, não poderia ser dado ao pedido objeto dos autos efeito de compensação de crédito de terceiros com débito próprio a natureza da declaração a que alude o § 1º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 ("a compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados"). Também a realidade presente não se enquadra no disposto no § 4º do aludido dispositivo, segundo o qual "os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo". Primeiro porque o pleito envolve forma de compensação (de créditos com débitos de terceiros) não prevista pelo caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96; segundo, porque o pleito foi formalizado posteriormente à edição da MP nº 66/2002, ou seja, em 10/10/2002. E o art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela MP 66/2002, passou a explicitar que a compensação a que se refere é somente em relação a créditos próprios. E tal norma vige desde 30/08/2002, antes, portanto, das compensações em análise. Em consequência, não se aplica ao caso em exame o disposto no § 5º do mesmo artigo 74, segundo o qual "o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação". Resta claro que o preceito em evidência é restrito aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, que, como já consignado, aborda unicamente a compensação de débitos com créditos próprios, ou seja, a hipótese legal de que trata o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 a partir da alteração trazida pela MP nº 66/2002. Não bastasse isso, o § 5º que trata do prazo de cinco anos para a homologação da compensação declarada só veio a ser incluído no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (posteriormente convertida na Lei nº 10.833, publicada em 31/10/2003, a partir de quando o dispositivo em questão passou a viger. Ou seja, posteriormente à protocolização do pleito da interessada. Evidente, portanto, que o caso em exame não se subsume à homologação tácita a que se refere o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Rejeitase, portanto, o argumento da recorrente nesse sentido. Impende lembrar, por fim, que com o advento da Lei nº 11.051, de 29/12/2004 (que, dentre outras alterações, incluiu o § 12 no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 "será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: ...II em que o crédito...a seja de terceiros"), a apresentação de pedido de compensação de débitos próprios com débitos de terceiros passou a ser considerada como compensação não declarada. Tal preceito passou a viger a partir de 30/12/2004, data da publicação da referida norma. Sem embargo, não é razoável entender que, por conta do aludido preceito, até então todo o pedido de compensação deveria ser declarado como declaração de compensação. Por fim, ao contrário do que afirma a recorrente, não há decisão judicial que determine, na hipótese dos autos, que haverá homologação tácita dentro de cinco anos da data do protocolo do pleito de compensação. O que há é uma manifestação obter dictum do juízo ao se manifestar sobre a resposta da repartição fazendária sobre o ofício judicial (1579 Fl. 985DF CARF MF Processo nº 13746.000253/200362 Acórdão n.º 9303008.535 CSRFT3 Fl. 9 8 2/0657/2004, de 04/08/2004), conforme reproduzido no recurso especial do contribuinte (fl. 771). Dessarte, afastase tal alegação, pois não improcedente. Assim, sem reparos a r. decisão na matéria devolvida ao conhecimento desta E. turma. DISPOSITIVO Em face do exposto: 1 Não conheço do especial fazendário; e 2 Conheço do especial do contribuinte, mas negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 986DF CARF MF Processo nº 13746.000253/200362 Acórdão n.º 9303008.535 CSRFT3 Fl. 10 9 Fl. 987DF CARF MF
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Numero do processo: 13736.001752/2007-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para que a Unidade de Origem confirme a informação contida no Despacho de e-fls. 41, juntando aos autos os documentos comprobatórios correspondentes.
Posteriormente, o recorrente deverá ser cientificado da diligência realizada, com abertura de prazo para sua manifestação.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para que a Unidade de Origem confirme a informação contida no Despacho de efls. 41, juntando aos autos os documentos comprobatórios correspondentes. Posteriormente, o recorrente deverá ser cientificado da diligência realizada, com abertura de prazo para sua manifestação. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 36 .0 01 75 2/ 20 07 -1 0 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13736.001752/200710 Resolução nº 2002000.090 S2C0T2 Fl. 45 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 04/08) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2005, onde se apurou a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica no valor de R$ 13.160,00. O contribuinte formulou Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, a qual foi indeferida pela autoridade fiscal (efls. 09). Inconformado, apresentou Impugnação (efls. 02/03), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 29): Cientificado, o impugnante insurgiuse contra o lançamento, focando primordialmente o inciso III do art 10 da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação. O lançamento foi julgado procedente pela 1ª Turma da DRJ/RJOII em decisão assim ementada (efls. 28/32): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. O interessado ingressou com Recurso Voluntário (efls. 37/38) com exatamente os mesmos argumentos apresentados em sua Impugnação. Voto Inicialmente, impõese analisar a tempestividade do Recurso Voluntário. Do exame dos autos observase que a ciência do acórdão de primeira instância foi realizada em 24/04/2008, conforme Aviso de Recebimento dos Correios (efls. 36). De acordo com o art. 33, caput, do Decreto 70.235/72, o prazo para a apresentação de Recurso Voluntário é de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Por outro lado, extraise do art. 5º do mesmo Decreto que os prazos são contínuos e devem começar e terminar em dias úteis, excluindose de sua contagem o dia do início e incluindose o dia do vencimento. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13736.001752/200710 Resolução nº 2002000.090 S2C0T2 Fl. 46 3 Assim, tendo em vista que a apresentação do Recurso Voluntário só ocorreu em 13/06/2008, conforme carimbo da Agência da Receita Federal do Brasil em Cabo Frio (efls. 37), não resta dúvida sobre a intempestividade do mesmo. Ocorre, contudo, que o Despacho emitido pela referida Agência considerou a apresentação do Recurso Voluntário tempestiva (efls. 41), o que levou ao questionamento por este Colegiado sobre a existência de outros elementos de prova que demonstrassem este fato. Em vista do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem confirme a informação contida no Despacho de efls. 41, juntando aos autos os documentos comprobatórios correspondentes. Posteriormente, o recorrente deverá ser cientificado da diligência realizada, com abertura de prazo para sua manifestação. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 46DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.726117/2016-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.593
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 61 17 /2 01 6- 53 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10166.726117/201653 Acórdão n.º 3302006.593 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.637. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10166.726117/201653 Acórdão n.º 3302006.593 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10166.726117/201653 Acórdão n.º 3302006.593 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10166.726117/201653 Acórdão n.º 3302006.593 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10166.726117/201653 Acórdão n.º 3302006.593 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17437.720393/2015-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. DOENÇA DE ALZHEIMER. DEMÊNCIA
O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de moléstia grave previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de aposentadoria e pensão.
Numero da decisão: 9202-007.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício)
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. DOENÇA DE ALZHEIMER. DEMÊNCIA O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de moléstia grave previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de aposentadoria e pensão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1487; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 106 1 105 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 17437.720393/201539 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.821 – 2ª Turma Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria IRPF MOLÉSTIA GRAVE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IRMA RUBIS FERRAZ PACHECO MAZZINI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. DOENÇA DE ALZHEIMER. DEMÊNCIA O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de “moléstia grave” previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de aposentadoria e pensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 43 7. 72 03 93 /2 01 5- 39 Fl. 106DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, efls. 80/87, contra o acórdão nº 2001000.443, julgado na sessão do dia 24 de maio de 2018 pela 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção do CARF, que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária. Como descrito pela Câmara a quo: Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento, fls. 03 e 06, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2013, anocalendário de 2012, por meio do qual formalizouse a redução da restituição do imposto de renda para o valor de R$2.430,19. O lançamento foi motivado por omissão de rendimentos no total de R$78.243,62 recebidos da São Paulo Previdência SPREV. Segundo o relatório fiscal, o contribuinte não apresentou laudo de serviço médico oficial nos moldes da lei, que amparasse a isenção por moléstia grave e ato concessivo da pensão. À fl.09 e ss a contribuinte contesta o lançamento, argumentando em síntese que o valor contestado é isento por se tratar de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão e suas respectivas complementações recebidos por portador de moléstia grave. Apresenta documentos para comprovar as suas alegações. A DRJ São Paulo, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda tendo em vista que a doença contida nos laudos, qual seja Alzheimer, não se encontra elencada no rol das doenças passíveis de isenção previstas no inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88. Intimada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, efls. 80/87, requerendo a reforma do acórdão, alegando que a Contribuinte não faz jus à isenção regulamentada pela Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004. Apresenta como paradigma os acórdãos abaixo: Acórdão n.º 2801001.299 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 107DF CARF MF Processo nº 17437.720393/201539 Acórdão n.º 9202007.821 CSRFT2 Fl. 107 3 Anocalendário: 1997 IRPF. RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos de tributação do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos por contribuinte acometido de doença especificada em lei isentiva do imposto de renda. IRPF. ISENÇÃO. MAL DE ALZHEIMER. O mal de Alzheimer não enseja a isenção de que tratam os incisos XXXI e XXXIII do artigo 39 do Decreto n.º 3.000, de 26/03/99, exceto quando dele decorra outra moléstia, elencada na norma isencional. Recurso Negado.” Acórdão n.º 10616.392 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – ERRO DE FATO O erro de fato deve decorrer de um equívoco inescusável, suficiente para que restasse demarcada a situação descrita pelo o § 2o, do artigo 147 do Código Tributário Nacional autoriza que essa circunstância não deva dar azo a que a Administração Tributária possa cobrar tributo que não seja devido. FASE DE APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÃO A colheita de informações e documentos pelo fisco durante o trabalho de auditoria fiscal, prescinde do pronunciamento do sujeito passivo, por tal, a repartição fiscal tem competência legal para constituir o crédito tributário que considerar devido, através de lançamento de ofício. IRPF ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE – PROVENTOS NÃO DECORRENTES DE APOSENTADORIA – Somente estão acobertados pela isenção concedida aos portadores de moléstia os rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial, e que referentes a aposentadoria, pensão ou reforma. Não havendo nos autos a comprovação exigida para demarcar a moléstia grave, com o laudo médico pericial, não há como ser reconhecido o direito à isenção. PECÚLIO – Somente estão fora da incidência do IRPF os pecúlios: a) recebidos pelos aposentados que tenham voltado a trabalhar até 15/04/1994, em atividade sujeita ao regime previdenciário, pago pelo INSS ao segurado ou a seus dependentes, após a sua morte (art. 1º da Lei nº 6.243, de 1975, art. 6º, XI, da Lei nº 7.713, de 1988, art. 81, II, da Lei nº 8.213, de 1991, e art. 29 da Lei nº 8.870, de 1994); b) recebido em prestação única de entidades de previdência privada, quando em decorrência de morte ou invalidez permanente do participante (art. 6º, VII, da Lei nº 7.713, de 1988, e art. 32 da Lei nº 9.250, Fl. 108DF CARF MF 4 de 1995; c) pago por seguradora, em razão de morte do segurado (art. 6º, XIII, da Lei nº 7.713, de 1988. BASE DE CÁLCULO – Devem ser excluídos da base de cálculo da exação os valores que não compõem os rendimentos tributáveis, sujeitos à declaração de ajuste anual. IRF RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação. MULTA DE OFÍCIO O não cumprimento do dever jurídico cometido ao sujeito passivo da obrigação de pagar o tributo devido enseja que a Fazenda Pública, quando legalmente autorizada, ao cobrar o valor não pago, imponha sanções ao devedor. Recurso parcialmente provido. Conforme despacho de admissibilidade efls. 90/93, o Recurso foi admitido, conforme trecho transcrito abaixo: Com efeito, o cotejo do acórdão paradigma com o recorrido permite constatar que efetivamente foi demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. No paradigma, decidiuse no sentido de que a Doença de Alzheimer não ensejaria a pleiteada isenção, por não se encontrar expressamente elencada na norma isentiva, sem qualquer ressalva sobre eventual associação com outra enfermidade. Já no recorrido, a isenção foi aplicada não em função da Doença de Alzheimer, em si, mas sim pelo fato de tal moléstia ter sido considerada no julgado uma forma de alienação mental, que está elencada na legislação isentiva. Assim, restou demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Diante do exposto, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, proponho que seja DADO SEGUIMENTO ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que seja rediscutida a questão da aplicação da isenção de Imposto de Renda por moléstia grave a portador de "Mal de Alzheimer. Intimada, a Contribuinte apresentou Contrarrazões de efls. 97/102, requerendo que seja negado provimento ao REsp da PGFN. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Fl. 109DF CARF MF Processo nº 17437.720393/201539 Acórdão n.º 9202007.821 CSRFT2 Fl. 108 5 O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os requisitos pela o seu conhecimento, conforme despacho de admissibilidade efls. 90/93. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A matéria em discussão é a aplicação da isenção de Imposto de Renda por moléstia grave a portador de "Mal de Alzheimer. Destaco que nos autos, conforme efls. 14/16, foi juntado o laudo médico pericial do INSS, reconhecendo a moléstia grave da Contribuinte. Nesse sentido, destaco a Súmula nº 63 do CARF, que apresenta o seguinte teor: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Este tema já foi apreciado pela esta E. CSRF, conforme o acórdão 9202 005.441, proferido na sessão de 27 de maio de 2017, de relatoria da Ilmo. Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Aponto abaixo os fundamento do voto da Ilmo Conselheiro: Salientese que, no recorrido, o laudo é claro em afirmar que o contribuinte "é portador de DEMÊNCIA NÃO ESPECIFICADA / DOENÇA DE ALZHEIMER CID F03 / G030, conforme atestados e exames constantes no prontuário. Por outro lado, no paradigma, o fato de doença de alzheimer não estar expressamente nominada entre as moléstias elencadas em lei é suficiente para afastar a isenção. Portanto, entendo comprovada a divergência. Essa matéria vem sendo discutida já há alguns anos nesta casa e já tive a oportunidade de presidir sessão de julgamento de caso que em tudo se amoldava ao presente, nos termos presentes no voto do acórdão 2101001.896, relatado pelo então conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, que considerou que a doença de Alzheimer, com o acometimento de demência, pode sim implicar alienação mental, o que é suficiente para seu enquadramento como moléstia grave. Adoto esse entendimento, como razões para minha decisão, verbis: A controvérsia dos autos cingese, essencialmente, na isenção de rendimentos por moléstia grave, in casu, Doença de Alzheimer. Segundo o Dr. Norton Sayeg, Editor Médico da AlzheimerMed, informativo encontrado no sítio www.alzheimermed.com.br, “a doença de Alzheimer é a mais freqüente forma de demência entre idosos. É caracterizada por um progressivo e irreversível declínio em certas funções intelectuais: memória, orientação no tempo e no espaço, pensamento abstrato, aprendizado, incapacidade de realizar cálculos simples, distúrbios da linguagem, da comunicação e da capacidade de realizar as Fl. 110DF CARF MF 6 tarefas cotidianas.” O renomado especialista informa, ainda, que “Demência é um grupo de sintomas caracterizado por um declínio progressivo das funções intelectuais, severo o bastante para interferir com as atividades sociais e do cotidiano. A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência.” Destarte, no concernente à doença de Alzheimer estar sob o alcance do art. 6º, inciso XIV, da Lei n.° 7.713/88, temse que o assunto já foi objeto de estudo, no âmbito da Sexta Câmara, pelo Conselheiro Antônio Augusto Silva Pereira de Carvalho, formado em Medicina e Advocacia, advindo o Acórdão 106 13.418, de 02.07.2003, cuja ementa é a seguinte: Outrossim, compulsandose os autos verificase que os rendimentos eram relativos à aposentadoria, pois como se observa, provenientes de órgãos estatais ao contribuinte que já contava com 75 anos no anocalendário de 2007. Quanto ao laudo médico, verificase atendida a formalidade exigida pela Lei nº 9.250, de 1995. Foi emitido por órgão médico oficial, estadual, qual seja, Centro de Saúde I Vereador João Lopes Jundiaí (efl. 89). Consta no referido laudo a informação de que a contribuinte é portadora da doença de Alzheimer, estando sob cuidados médicos desde 2007 e necessitando de acompanhamento permanente. Há ainda laudo particular que afirma terem os primeiros sintomas surgido em 2005 (efl. 90). Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela PGFN e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o acórdão de Recurso Voluntário (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.003343/2005-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
Súmula CARF nº 107
A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 9303-008.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Locke Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Locke Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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score : 1.0
Numero do processo: 10983.902254/2008-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ. CRÉDITO.
Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo.
Numero da decisão: 1001-001.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ. CRÉDITO. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo.
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LIQUIDEZ. CRÉDITO. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 22 54 /2 00 8- 67 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10983.902254/200867 Acórdão n.º 1001001.204 S1C0T1 Fl. 164 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação 22896.33127.170806.1.7.044135 (efls.14/18), de 17/08/2006, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (CSLL PA 31/10/2002, data de arrecadação 30/04/2003). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 775549489 (efl.12), que analisou as informações e reconheceu que não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi assim resumida no relatório da decisão recorrida (efls. 22/25): II – O DIREITO Da peça intimidatória depreendese que ocorreram os seguintes fatos: a) Recolhimento de CSLL do período de apuração 31/10/2002 no valor de R$ 11.745,09; b) Recolhimento este que foi considerado, posteriormente, indevido ou a maior; c) Utilização do valor recolhido, considerado a maior ou indevido, para compensar com outros débitos através da PERDCOMP. O contribuinte não nega estes fatos. Acrescenta ainda, que a PER/DCOMP em tela, de nº 22896.33127.170806.1.7.044135, de natureza retificadora, foi transmitida em 17/08/2006, utilizandose do valor de R$ 7.222,69. Não há que se destacar legislações e nem jurisprudências, pois o contribuinte não nega nenhum dado constante para análise. Porém, somente, trás a lume um ponto de discordância e este, por si, se basta para justificar a impugnação. O recolhimento do tributo gerador da compensação futura, "não localizado nos sistemas da Receita Federal", não é peça de ficção. Existe e vai anexada à presente Impugnação. Tratase de Darf devidamente recolhido e autenticado pela Instituição Financeira recebedora (BESC) em 29/11/2002,originado no código de receita 2484. Referido código de receita tem por fato gerador: CSLL – DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL ESTIMATIVA MENSAL. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10983.902254/200867 Acórdão n.º 1001001.204 S1C0T1 Fl. 165 3 Diante dos dados apresentados, considerando o contribuinte que o ponto principal apurado pelo auditor fiscal foi a não localização nos sistemas da Receita Federal da comprovação documental do recolhimento e considerando ainda a prova material anexada, o contribuinte entende que se legitima o crédito declarado na PER/DCOMP. [...] A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0729.366 3 ª Turma da DRJ/FNS, efl. 22/25). A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o pagamento informado na DCOMP pela recorrente, de fato, não existe. Por isso, o Despacho Decisório não demanda reparo. E mesmo que se considere que o DARF seja aquele (outro) apresentado pela recorrente, constatou a DRJ que o alegado pagamento a maior no montante de R$ 7.222,69 não foi devidamente comprovado pela recorrente. Cientificada em 20/08/2012 (efl. 27), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 17/09/2012 (efl. 29), repetindo os argumentos levados à primeira instância e alegando, em resumo, que a autoridade julgadora administrativa deve promover a busca da verdade material, sem ficar adstrita aos aspectos de cunho formal, e pede a juntada de cinco processos de PER/DCOMP em seu nome que foram protocolados por profissional de contabilidade de forma aleatória e equivocada e que não correspondiam à realidade. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado em PER/DCOMP e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. Mas antes da análise da documentação que comprova o crédito, nestes autos não se confirmou o próprio recolhimento declarado na PER/DCOMP em questão. Desta forma, se erro houve na descrição das características do recolhimento cabia a apresentação de nova declaração de compensação, o que não foi feito pelo contribuinte. Desta forma, adiro às razões da primeira instância, razão pela qual transcrevo seus fundamentos a seguir: A data de arrecadação do DARF é 29/11/2003, porém na DCOMP a interessada informou data de arrecadação em 30/04/2003. Isto impediu que o pagamento fosse localizado, pois a data de arrecadação é um dos parâmetros utilizados para identificar o pagamento. Ou seja, o DARF não foi localizado em Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10983.902254/200867 Acórdão n.º 1001001.204 S1C0T1 Fl. 166 4 razão de erro cometido pela recorrente no preenchimento das informações pertinentes na DCOMP (“erro” desta mesma natureza foi cometido pela recorrente em várias outras DCOMP: 22896.33127.170806.1.7.044135, 16418.59129.170806.1.7.046883, 32470.59512.170806.1.7.046583, etc.). Deste modo, o pagamento informado na DCOMP pela recorrente, de fato, não existe. Por isso, o Despacho Decisório não demanda reparo. Considerando agora que o DARF seja aquele ora apresentado pela recorrente, constatase que o alegado pagamento a maior no montante de R$ 7.222,69 não foi devidamente comprovado pela recorrente. À evidência, o pagamento de R$ 11.745,09 encontrase totalmente alocado ao débito de mesmo valor informado pela própria recorrente em DCTF, conforme registro supra. Ainda que se supere a situação de não localização do DARF, causada por erro cometido pela recorrente, permanece inalterada a acusação de que não foi confirmada a existência de crédito. Cabe aqui a regra geral de que cabe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito (CPC, art. 333, I). Deste modo, além de provar que o DARF é em verdade outro, que não aquele que informou na DCOMP, a recorrente deveria comprovar o direito creditório que alega possuir, sem o quê o pleito não poderá ser acatado. Ante o exposto, manifestome pela improcedência da manifestação de inconformidade. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 13805.013964/96-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/1996 a 31/07/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Os embargos de declaração se prestam a sanar omissão existente no Acórdão, que deixou de analisar parte dos argumentos trazidos nos dois Recursos Voluntários interpostos pela empresa.
SÚMULA CARF 5.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
PAGAMENTO PARCIAL. ART. 17 DA LEI N.º 9.779/99.
O pagamento estabelecido pelo art. 17 da Lei nº 9.779/99 exige, dentre outros requisitos, o pagamento integral da exação discutida judicialmente, sendo indeferida na situação em que o pagamento foi parcial.
Embargos de Declaração Acolhidos.
Numero da decisão: 3402-006.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração opostos para sanar as omissões apontadas, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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OBSCURIDADE. Embargante BANCO LOSANGO S.A BANCO MÚLTIPLO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/1996 a 31/07/1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração se prestam a sanar omissão existente no Acórdão, que deixou de analisar parte dos argumentos trazidos nos dois Recursos Voluntários interpostos pela empresa. SÚMULA CARF 5. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. PAGAMENTO PARCIAL. ART. 17 DA LEI N.º 9.779/99. O pagamento estabelecido pelo art. 17 da Lei nº 9.779/99 exige, dentre outros requisitos, o pagamento integral da exação discutida judicialmente, sendo indeferida na situação em que o pagamento foi parcial. Embargos de Declaração Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração opostos para sanar as omissões apontadas, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 01 39 64 /9 6- 74 Fl. 421DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte visando sanar omissões incorridas no Acórdão n.º 3402005.555, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/1996 a 31/07/1996 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF N.º 1. A teor da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado". No entender do contribuinte, teriam deixado de ser analisadas as razões do primeiro Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo nos autos às efls. 139153. As razões para a interposição dos aclaratórios foram elucidadas no despacho de admissibilidade das efls. 415420: "EXAME DOS VÍCIOS ALEGADOS Em seu arrazoado de fls. 386 a 394, o embargante assevera inicialmente que a decisão embargada teria incorrido em omissão. Sustenta nesse sentido que "há uma peculiaridade basilar atinente aos autos: foram apresentados dois Recursos Voluntários pelo Embargante contra decisões diferentes proferidas por Turmas distintas da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo" (grifei), mas o Acórdão embargado teria deixado de analisar o primeiro Recurso Voluntário apresentado pelo Banco, o qual "possui tópicos e argumentos específicos que não foram apresentados no Segundo Recurso Voluntário". O embargante explica o inusitado ocorrido argumentando que (fls. 391 grifos no original): "Como exposto, a 6ª Turma da antiga Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, julgou (fls. 113 a 119 dos presentes autos) improcedente a Impugnação apresentada pelo Embargante, a qual foi objeto de Recurso Voluntário protocolado em 09/12/2003. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 13805.013964/9674 Acórdão n.º 3402006.611 S3C4T2 Fl. 371 3 Anteriormente à ciência do Embargante do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ/São Paulo, o processo foi encaminhado à Divisão de Fiscalização da DEINF, para a verificação de pagamento efetuado nos termos da Lei nº 9.779/99 (e que abarca parcialmente os valores objeto da presente autuação fiscal). Em despacho proferido pelo Ilmo. Sr. Delegado Substituto da DEINF foi denegado o direito à fruição dos benefícios concedidos pela Lei nº 9.779/99, relativamente ao PIS do período discutido nos presentes autos, sob o fundamento de que para a fruição da anistia o Embargante deveria ter recolhido a totalidade dos débitos relativos a todos os fatos geradores discutidos na ação judicial. Contra referido despacho foi apresentada Manifestação de Inconformidade (fls. 154 dos autos). Antes do encaminhamento do Primeiro Recurso Voluntário a este E. CARF, decidiuse na Delegacia de origem pelo encaminhamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Embargante para análise e julgamento pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, que se manifestou pelo indeferimento da manifestação sob alegação de concomitância. Contra referida decisão proferida pela 8ª Turma Julgadora, o Embargante apresentou o novo Recurso Voluntário em 24/01/2008 (“Segundo Recurso Voluntário” – fls.253 e seguintes destes autos). Contudo, conforme se depreende do voto proferido pela Il. Conselheira Relatora, o Acórdão embargado deixou de analisar o citado Primeiro Recurso Voluntário apresentado pelo Embargante. Esse ponto resta claro quando da menção expressa às razões do Recurso, que citam expressamente apenas as fls. provenientes do “Segundo Recurso Voluntário” apresentado, (...)" Dando continuidade a seu apelo, o embargante defende que seja então examinado e sanado vício de obscuridade. Sustenta que, caso a c. Turma entenda que "ambos Recursos Voluntários apresentados foram efetivamente apreciados e julgados pelo Acórdão embargado, há de se reconhecer que a terminologia adotada pelo voto proferido, bem como pelo dispositivo da ementa, deixa obscuro referido ponto". Complementa justificando (fls. 392): "Isso porque, conforme se depreende do dispositivo da ementa, as palavras utilizadas pela E. Turma referemse tão somente e utilizam o modo singular, senão vejamos: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento.” (fl. 1 do Acórdão Embargado). (...) A referida obscuridade, devese pontuar, prejudica sobremaneira o direito regimental do Embargante apresentar Recurso Especial, haja vista que não terão sido prequestionadas as matérias objeto do Primeiro Recurso Voluntário, impedindo o Embargante de exercer plenamente seu direito à ampla defesa e contraditório. Além disso, frisase que o pagamento parcial do tributo em discussão nos autos de processo administrativo deve ser analisado pelo Órgão Julgador Administrativo em qualquer momento processual." E mais. Sustenta às fls. 393 e 394 que, "caso não se entenda pela existência dos equívocos cometidos pelo Acórdão embargado destacados acima, ao menos devese compreender a defesa do Embargante, apresentada nos presentes autos, como um “todo” em relação aos argumentos presentes tanto no Primeiro Recurso Voluntário Fl. 423DF CARF MF 4 quanto no Segundo Recurso Voluntário que foram devidamente apresentados e fazem parte do presente processo administrativo". Com esses argumentos, aponta omissão quanto aos seguintes tópicos constantes de sua peça recursal: (i) “1 DO PAGAMENTO PARCIAL EFETUADO NOS MOLDES DA LEI 9.779/99”; e (ii) “III. 3 – Dos Juros de Mora". Diante de todo o exposto, o embargante requer o acolhimento e saneamento dos vícios de omissão e obscuridade, com a conseqüente reforma da decisão embargada. Mas (fls. 394): "Ad argumentandum, caso assim não se decida, requerse, ao menos, seja recebida a alegada omissão pelo não julgamento do Primeiro Recurso Voluntário interposto pelo Embargante, como ocorrência de lapso manifesto, prolatandose novo Acórdão, com a devida análise do recurso por esta E. Turma." (...) Com o norte desses ensinamentos, passo a examinar os vícios apontados: Examinando os elementos do processo e a decisão embargada e confrontandoos com o que alega o embargante, verifico que consta dos autos um Recurso Voluntário (doc. fls. 139 a 153), datado de 09/12/2003, tratando de questões relativas a exigência da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 1996 a julho de 1996. Consta ainda um segundo Recurso Voluntário (doc. fls. 253 a 274), de 24/01/2008. Neste, o recorrente afirma às fls. 256 que (grifei): "Cumpre mencionar que (1) face ao despacho que denegou o direito à fruição da anistia fiscal, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, com fundamento no artigo 56, da Lei no 9.784/99; bem como (ii) em face ao acórdão proferido pela 6a Turma da DRJ/São Paulo o Recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário, o qual se encontra pendente de julgamento. De fato, antes de encaminhar o processo a este E. Conselho para análise e julgamento do Recurso Voluntário interposto em 09/12/2003, a C. 8a Turma Julgadora houve por bem julgar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendendo que, tendo em vista o ajuizamento da Ação Ordinária no 2003.61.00.0130761, "a determinação do débito relativo ao período autuado, seja ele apurado nos termos da EC no.10/96, seja ele calculado com base na EC no. 7/70, é matéria sub judice, (..) e, conseqüentemente, não há de ser apreciada na instância• administrativa em razão da concomitância de ação judicial'". A leitura de todo o Acórdão embargado nos faz crer que este somente analisa o que consta do Recurso Voluntário de fls. 253 a 274. A meu pensar, a omissão alegada reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Apresentase possível a ocorrência de vício passível de saneamento pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos. Convém notar que o presente despacho não determina se efetivamente ocorreram os vícios. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos embargos, que é tarefa a ser empreendida subseqüentemente pelo Colegiado. CONCLUSÕES Diante do exposto, com base nas razões acima expostas e com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO os Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo." (efls. 417419 grifei) Em seguida, os autos foram direcionados para esta Relatora para julgamento. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 13805.013964/9674 Acórdão n.º 3402006.611 S3C4T2 Fl. 372 5 É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. Atentandose para as razões trazidas pela Embargante, observase que, de fato, as razões recursais autônomas trazidas no Primeiro Recurso Voluntário interposto pela empresa às efls. 139/153 deixaram de ser analisadas pelo acórdão embargado, razão pela qual merece ser conhecido e acolhido os Embargos interpostos. Para melhor compreensão da extensão das omissões verificadas, importante trazer breves considerações quanto aos fatos que envolvem o presente processo. Como relatado no acórdão embargado, o presente processo se refere a Auto de Infração de PIS referente ao período de janeiro/1996 a julho/1996. Após a lavratura da autuação, o contribuinte interpôs Impugnação Administrativa (efls. 16/32) indicando que o direito de proceder com o recolhimento do PIS com fulcro na emenda constitucional n.º 10/1996, sem observar a Medida Provisória n.º 517/94, teria sido reconhecido por liminar deferida nos Mandados de Segurança n.º 94.03.0852658 (efl. 50) e n.º 94.00204329 (efl. 84). Antes da prolação de acórdão, a empresa apresentou nos autos a petição de desistência daquela ação judicial para proceder com o pagamento da discussão relacionada a tese com os benefícios da Lei n.º 9.779/99 (efl. 95), oportunidade na qual apresentou planilhas que indicariam o pagamento de parcela do débito atuado, referente às competências de junho e julho/1996 (efl. 86/101). Em seguida, foi proferido Acórdão n.º 1.395/2002 pela 6ª turma da DRJ de São Paulo julgando parcialmente procedente a Impugnação apresentada para excluir a incidência da multa de ofício autuada, face a existência do provimento liminar à época da lavratura da autuação (efls. 113/119). Antes mesmo do contribuinte ser cientificado deste acórdão, foi proferido despacho para verificar o pagamento parcial informado nos autos (efl. 120), sendo proferido o relatório fiscal das efls. 129131 entendendo pelo não cumprimento dos requisitos da Lei n.º 9.779/99: "O pagamento efetuado pelo contribuinte ocorreu em 26/02/99, ou seja sob a égide da Lei 9.779/99 e MP 1.807/99. A MP 1.807/99 é clara no sentido de que, para usufruir a anistia, contribuinte teria que pagar os débitos relativos à todos os fatos geradores discutidos na ação judicial. Conforme se verifica o contribuinte sob o pretenso direito de recolher o PIS com base na LC 07/70, não recolheu os débitos relativos aos períodos de janeiro a maio de 1996, o que por si só desqualifica o suposto direito do mesmo à anistia. Com relação à imputação dos pagamentos efetuados, a matéria ainda se encontra em discussão administrativa uma vez que o contribuinte quando for cientificado da decisão da DRJ/SP poderá apresentar recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes contra a mesma." (efl. 130) Após tomar ciência do acórdão e deste relatório, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 139153) discutindo: Fl. 425DF CARF MF 6 (I.a) o pagamento parcial efetuado nos moldes da Lei n.º 9.779/99, vez que inexistia exigência legal específica no sentido de pagar todos os débitos relativos aos fatos geradores discutidos na ação judicial; (I.b) o direito do contribuinte de proceder com o recolhimento do PIS com base na Emenda Constitucional n.º 10/1996, sendo que no mandado de segurança somente discutia a constitucionalidade da Medida Provisória n.º 517/1994; (I.c) a inaplicabilidade da taxa SELIC como juros de mora. Contudo, antes do processo ser remetido ao Conselho, foi noticiado nos autos a interposição de nova ação judicial n.º 2003.61.00.0130761/SP exatamente sobre a Emenda Constitucional n.º 10/1996 (efls. 222/240), o que ensejou a lavratura de novo acórdão n.º 16 15.561 da 8ª turma da DRJ de São Paulo (efls. 241/247) reconhecendo a concomitância em face da nova ação judicial e tratando especificamente da Anistia da Lei n.º 9.779/99, indica a necessidade de pagamento integral para que o benefício fosse admitido. Em face deste segundo acórdão, foi apresentado o Segundo Recurso Voluntário interposto pela empresa às efls. 253274, oportunidade na qual reiterou parte da discussão que havia travado no primeiro Recurso Voluntário, sem, contudo, fazer novas considerações quanto ao pagamento parcial da Lei n.º 9.779/99. Foi discutido neste recurso: (II.a) inexistência de renúncia na esfera administrativa e tópicos de mérito quanto ao cabimento do recolhimento do PIS com base na Emenda Constitucional n.º 10/1996 (itens III.1 e III.2, indicados no acórdão embargado); e (II.b) a impossibilidade de cobrar juros de mora sobre débitos com exigibilidade suspensa e não aplicação da SELIC (itens III.3 e III.4). Observese, portanto, que o segundo Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo optouse por reiterar parte da discussão administrativa que tinha sido levantada no primeiro Recurso Voluntário, sendo certo que as alegações trazidas no item (I.b) acima se coincidem com o mérito desenvolvido no item (II.a). Da mesma forma, o contribuinte reiterou a discussão quanto aos juros, indicada no item (I.c), trazendo algumas considerações adicionais no item (II.b). Todas essas questões foram enfrentadas no acórdão recorrido. Naquele acórdão ora embargado, foi evidenciada a concomitância entre a discussão de mérito travada no processo com a discussão de mérito travada na ação judicial n.º 2003.61.00.0130761/SP (Súmula CARF n.º 1), sendo inclusive reproduzido o pedido veiculado naquela ação judicial, conforme inicial acostada às efls. 357/358 destes autos: Fl. 426DF CARF MF Processo nº 13805.013964/9674 Acórdão n.º 3402006.611 S3C4T2 Fl. 373 7 Foi igualmente afastada as alegações concernentes à suposta inaplicabilidade da taxa SELIC aos débitos (itens I.c e II.b acima), discussão essa já sedimentada na Súmula CARF n.º 4. Contudo, observase que, por lapso, não foram analisados dois pontos que merecem saneamento por meio deste acórdão, à luz do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Primeiramente, observase que nos dois recursos voluntários o contribuinte trouxe a discussão da não incidência de taxa SELIC, em discussão resolvida pela transcrição da súmula CARF 4 no acórdão embargado. Contudo, não foi analisada a questão dos juros de mora especificamente quando há hipótese de suspensão da exigibilidade, trazida somente no Fl. 427DF CARF MF 8 segundo recurso voluntário. Com isso, mostrase necessário integrar o acórdão para igualmente trazer a baila a expressão da súmula CARF n.º 5, que garante a exigência de juros de mora mesmo quando suspensa a exigibilidade à época da lavratura: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Ademais, mostrase igualmente necessário analisar o ponto (I.a) acima, trazido no primeiro recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, quanto ao pagamento parcial efetuado nos moldes da Lei n.º 9.779/99. Como visto, em conformidade com a fiscalização, "a MP 1.807/99 é clara no sentido de que, para usufruir a anistia, contribuinte teria que pagar os débitos relativos à todos os fatos geradores discutidos na ação judicial." (efl. 130) Isso porque o contribuinte procedeu com o pagamento parcial de parcelas, mesmo que inexistente uma segregação de objetos dos Mandados de Segurança n.º 94.03.0852658 e n.º 94.00204329. Por sua vez, para a Recorrente, inexistia exigência legal específica no sentido de pagar todos os débitos relativos aos fatos geradores discutidos na ação judicial. Uma vez que procedeu com o pagamento parcial, das competências de junho/1996 e julho/1996, os valores poderiam ser beneficiados com a anistia do art. 17 da Lei n.º 9.779/99. Vejamos primeiramente o teor do dispositivo, na redação dada pela Medida Provisória n.º 1.807/1999, vigente à época do pagamento realizado nestes autos: "Art. 17. Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal. § 1o O disposto neste artigo estendese: I aos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário; II a contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição; III aos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União. § 2o O pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador: I ocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o; II ocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o; III alcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o. § 3o O pagamento referido neste artigo: I importa em confissão irretratável da dívida; II constitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil; Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13805.013964/9674 Acórdão n.º 3402006.611 S3C4T2 Fl. 374 9 III poderá ser parcelado em até seis parcelas iguais, mensais e sucessivas, vencendose a primeira no mesmo prazo estabelecido no caput para o pagamento integral e as demais no último dia útil dos meses subseqüentes; IV relativamente aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, poderá ser efetuado em quota única, até o último dia útil do mês de julho de 1999. § 4o As prestações do parcelamento referido no inciso III do § 3o serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês de vencimento da primeira parcela até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento." (grifei) Observase que a disciplina normativa vigente à época admitia o pagamento da "exação alcançada pela decisão declaratória", admitindo como "exação" todos os fatos geradores alcançados pelo pedido dos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998 (§§1º, III e 2º, III). Nesse sentido, a aproximação era feita com todo o processo judicial, de uma forma global a depender do pedido formulado, inexistindo uma previsão específica para o pagamento parcial como incluído pela MP 215835/2001, por meio do acréscimo dos §§ 6º e 7º ao dispositivo: "§ 6o O pagamento nas condições deste artigo poderá ser parcial, referente apenas a determinado objeto da ação judicial, quando esta envolver mais de um objeto. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 7o No caso de pagamento parcial, o disposto nos incisos I e II do § 3o alcança exclusivamente os valores pagos. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001)" (grifei) A Instrução Normativa n.º 26/1999 igualmente não trazia previsão específica de pagamento parcial. Assim, antes da alteração promovida pela MP 215835/2001, descabia se falar em pagamento parcial da exação para fins do benefício da Lei n.º 9.779/99, sendo necessário o pagamento da exação como um todo, assim entendido todos os fatos geradores alcançados pelo pedido dos processos judiciais. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997 LEI N° 9.779/99. BENEFÍCIO FISCAL CONDICIONADO. O gozo do benefício da anistia é ao pagamento integral do tributo devido dentro do prazo previsto em lei. Revisão de Ofício promovida pela DICAT, efetuou a alocação de pagamentos aos meses 04 a 06/1997. Os períodos assinalados nos DARFs colacionados pelo Recorrente são outros, referentes ao ano de 1996. Tabela colacionada não faz prova da extinção do crédito tributário via pagamento, não atendendo assim as condições prescritas pela norma concessora do benefício." (Número do Processo 10880.004602/200200 Data da Sessão 25/02/2019 Relator Jorge Lima Abud Nº Acórdão 3302006.538 grifei) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1999 INSTITUIÇÃO FINANCEIRA:BENEFÍCIO FISCAL DO ARTIGO 17 DA LEI N° 9.779/99. AÇÃO JUDICIAL. REGRAS DE ANISTIA. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. Fl. 429DF CARF MF 10 Nos termos do art. 111, I, do Código Tributário Nacional, impõese a interpretação restritiva na legislação que disponha sobre exclusão do crédito tributário. Assim, a anistia estabelecida pelo art. 17 da Lei nº 9.779/99, no que exige, dentre outros requisitos, o pagamento integral da exação discutida judicialmente, é indeferida na situação em que o pagamento foi parcial." (Número do Processo 16327.000137/200453 Data da Sessão 12/06/2018 Relator Demes Brito Nº Acórdão 9303006.881 grifei) Em sua petição de desistência dos Mandados de Segurança, o contribuinte igualmente não deixa clara a razão para a parcialidade do pagamento, vez que indica que estaria procedendo com o pagamento do PIS com fulcro nas Emendas Constitucionais 1/1994, 10/1996 e 17/1997, abrangendo, portanto, todos os fatos geradores autuados no presente processo (inclusive janeiro a maio/1996): · Petição Processo n.º 94.00204329 (efl 86) · Petição Processo n.º 94.03.0852658 (efl. 95) Contudo, essa afirmação mostrouse contraditória com a própria afirmação trazida no Recurso Voluntário. Isso porque, ao elucidar qual seria o objeto dos Mandados de Segurança interpostos, afirma a Recorrente que elas se referem apenas à inconstitucionalidade da Medida Provisória n.º 517/1994, não se referindo à Emenda Constitucional n.º 10/1996: "Notese que nos Mandados de Segurança n° 94.00204329 e n° 94.03.0852658, o Recorrente discutiu tão somente a inconstitucionalidade a Medida Provisória n° 517/1994. Nos referidos processos judiciais nada se alegou relativamente à Emenda 10/96, mesmo porque estes Mandados de Segurança foram impetrados em 1994, ou seja, anteriormente à edição da malfadada Emenda Constitucional n° 10, de 1996." (efl. 145 grifei) Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13805.013964/9674 Acórdão n.º 3402006.611 S3C4T2 Fl. 375 11 Ora, como apontado pela própria Recorrente, os processos judiciais que teriam sido objeto de pagamento com fulcro na Lei n.º 9.779/99 sequer abrangem as exações pagas em junho e julho/1996, vez que não fazem parte do pedido dos Mandados de Segurança. Ademais, o contribuinte aduz ainda que não teria procedido com o pagamento em razão do efeito de confissão irretratável da dívida, sendo que permaneceria com o questionamento por fundamentos distintos dos débitos que não foram pagos. Contudo, como se vislumbra do pedido formulado na ação judicial 2003.61.00.0130761/SP, o contribuinte propôs ação judicial discutindo inclusive períodos que teriam sido objeto de pagamento pela Lei n.º 9.779/99. Assim, não se vislumbram na hipótese os requisitos normativos para o gozo do benefício previsto na Lei n.º 9.779/99, devendo ser negado provimento ao Recurso nesse ponto. De toda forma, ao final do presente processo administrativo, caberá a imputação dos pagamentos realizados via DARF das competências de junho e julho/1996, considerando o correspondente acréscimo dos juros de mora. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração opostos para, sanando as omissões indicadas, integralizar o Acórdão proferido e negar provimento aos Recursos Voluntários interpostos pela empresa nos autos. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 431DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.901008/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 13/09/2005
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA COMPENSAÇÃO.
O crédito de CIDE conferido pelo artigo 4º da Medida Provisória nº 2.159-70/2001, aplicável ás importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties referentes a contratos de exploração de patentes ou uso de marcas, deve ser utilizado exclusivamente para fins de dedução da própria CIDE incidente em operações posteriores, relativas ás mesmas royalties referidas, não havendo previsão legal para utilização deste crédito em compensação.
PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Tendo sido juntados aos autos documentos que comprovam a apuração da CIDE com o uso da redução, pela utilização do crédito concedido pelo artigo 4º da MP nº 2.159-70/2001, referente a período anterior, não restando crédito disponível e, não sendo apresentado nenhum elemento comprobatório que contradiga tal cálculo, não resta comprovado o crédito alegado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CRITÉRIO DO JULGADOR.
As diligências devem ser decididas a critério do julgador, que determina se estas são necessárias e imprescindíveis a formação de sua convicção para decidir a questão debatida nos autos.
Numero da decisão: 3301-006.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: Relator
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA COMPENSAÇÃO. O crédito de CIDE conferido pelo artigo 4º da Medida Provisória nº 2.159 70/2001, aplicável ás importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties referentes a contratos de exploração de patentes ou uso de marcas, deve ser utilizado exclusivamente para fins de dedução da própria CIDE incidente em operações posteriores, relativas ás mesmas royalties referidas, não havendo previsão legal para utilização deste crédito em compensação. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Tendo sido juntados aos autos documentos que comprovam a apuração da CIDE com o uso da redução, pela utilização do crédito concedido pelo artigo 4º da MP nº 2.15970/2001, referente a período anterior, não restando crédito disponível e, não sendo apresentado nenhum elemento comprobatório que contradiga tal cálculo, não resta comprovado o crédito alegado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CRITÉRIO DO JULGADOR. As diligências devem ser decididas a critério do julgador, que determina se estas são necessárias e imprescindíveis a formação de sua convicção para decidir a questão debatida nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 10 08 /2 00 9- 66 Fl. 157DF CARF MF 2 Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratase de processo formalizado para o tratamento manual da Declaração de Compensação – DCOMP , de nº 15971.39338.150406.1.3.040975, onde se declara a compensação de pagamento indevido ou maior de CIDE, no valor de R$ 58.564,12, referente ao fato gerador ocorrido em 13/09/2005, com débito da própria CIDE, referente ao fato gerador ocorrido em 13/04/2006. 2 Em análise eletrônica da DCOMP transmitida, a unidade de origem (DRF/MANAUS/AM) emitiu o Despacho Decisório nº de rastreamento 820962455 (fls. 6 dos autos digitais), não homologando a compensação, contra o qual a recorrente apresenta suas razões de irresignação, chegando até este CARF.. 3. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adotamos o relatório do Acórdão da DRJ/BELÉM : Versa o presente processo sobre PER/DCOMP nº 15971.39338.150406.1.3.040975 (fls.1/5) em que o contribuinte aponta crédito de pagamento indevido ou a maior de CIDE, 8741, no valor de R$ 58.564,12 para compensar débito de CIDE, 8741, PA março/2006, vencimento 13/04/2006, R$ 59.395,73. Ainda segundo consta da declaração de compensação, o crédito teria sido constituído via recolhimento de CIDE efetuado em 14/10/2005 no valor de R$ 83.663,03. Através do Despacho Decisório e anexos de 18/02/2009, nº 820962455 (fls.6/8), o direito creditório não foi reconhecido e as compensações, não homologadas. Como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem afirma que “.. foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 05/03/2009 (fl.9), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 03/04/2009 (fls.10/16) via representantes legais (fls.17/33), alegando em síntese que: 1) Requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ao amparo do art.151, II do CTN; 2) O equívoco decorre do fato de que a manifestante apurou erroneamente o valor do tributo a pagar; Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10283.901008/200966 Acórdão n.º 3301006.110 S3C3T1 Fl. 158 3 3) Após têlo apurado e efetuado o pagamento, foi detectado pelo setor de contabilidade do contribuinte o pagamento a maior, bem como saldo credor decorrente de saldo negativo da CSLL, que resultará no pedido de compensação, na forma prevista na legislação que trata do assunto; 4) Inadvertidamente, não houve retificação da DCTF na qual deveria constar o valor do débito a ser compensado; 5) O valor pago a maior é decorrente de saldo negativo CSLL; 6) Além do saldo credor da CSLL, a manifestante possui crédito originário de benefício fiscal amparado no Ato Declaratório nº 58, de 04 de abril de 2005 e no DecretoLei nº 756/69, sendo o Ato Declaratório expedido com efeito retroativo ao ano de 2004; (transcreve o teor do Ato Declaratório) 7) No ano de 2004 houve pagamento do imposto de renda, nascendo o crédito objeto de restituição e, portanto, informado no PER/DCOMP; 8) O ato da autoridade administrativa implica não reconhecer o ato declaratório e apresentase totalmente contrário ao artigo 178 do Código Tributário Nacional; 9) É indiscutível que o direito à compensação, na modalidade requerida pela manifestante, está previsto no caput do art.74 da Lei 9.430/96 bem como nos termos da Instrução Normativa 600/2005; 10) Requer a realização de diligência para aferição do crédito e, até mesmo, do débito; 11) O Decreto nº 70.235/72, art.16, IV, ampara o direito do contribuinte em pedir a realização de diligências para fazer prevalecer seus direitos obedientes ao contraditório e à ampla defesa na forma preconizada no art.5º, LV da CF/88; 12) Todos os valores objeto de pedido de restituição/compensação dizem respeito ao exercício 2005, anocalendário 2004, abrangendo todo o ano de 2004 e, por esse motivo, fica inviável anexar a esta manifestação todos os livros e documentos que comprovam a apuração do crédito; 13) É inquestionável a ocorrência do pagamento a maior, seja decorrente do saldo negativo CSLL e ainda do IRPJ pago; 14) Requer o reconhecimento do crédito e autorização para juntada de documentos antes da decisão. Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: cálculo dos impostos mensais (fl.34), Ficha 11 da DIPJ/2005 (fls.35/38), cálculo dos benefícios fiscais (fl.39), ADE nº 58/2005 (fl.40), Laudo Constitutivo e Parecer (fls.42/49), Aprovação de Projeto de Modernização (fl.50), balancete analítico (fls.51/59), Planilha de Cálculo para compensação CIDE (fls.64 e 74), contratos de câmbio (fls.75, 78/80, 85/86 e 95), composição do valor de uso de marca (fl.77), cópia de DARF`s (fls.82/84 e 94) e despacho (fl.96). É o relatório. 4. Decidindo a matéria impugnada, a DRJ/BELÉM exarou o Acórdão de nº 01.22.654 – 1ª Turma, aqui combatido, que assim restou ementado: Fl. 159DF CARF MF 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 13/09/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CIDE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Tendo o próprio contribuinte juntados aos autos planilhas referentes à apuração da CIDE com a dedução do crédito referente a setenta por cento do valor pago em período anterior, não restou comprovada a ocorrência de pagamento indevido ou a maior. Sem o reconhecimento do direito creditório, a compensação resulta não homologada. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Nos termos da legislação de regência, a manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade dos débitos compensados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido 5. Inconformado com tal decisão, o requerente apresentou Recurso Voluntário, onde traz, como razões de defesa, os seguintes argumentos : o Acórdão negou á recorrente o direito de demonstrar a existência do direito reclamada, pois indeferiu pedido de diligência. Contrariando o princípio da verdade material e, mesmo sendo competência da autoridade deferir ou não tal pedido, tratase de direito do litigante em processo administrativo ou judicial, merecendo ser melhor analisado o pedido; ´e direito do contribuinte ter seu direito reconhecido desde que possua os documentos comprobatórios, o que está fartamente comprovado nestes autos, não sendo prudente que a administração negue ao contribuinte o exame de seus documentos para demonstrar a existência do direito que, caso lhe seja negado, estarseá agredindo o direito á produção de provas e ampla defesa previstos no texto constitucional; Basicamente o acórdão está fundamento no único argumento da com o pagamento a maior do IRPJ e da CSLL, o mesmo acontecendo em relação ao saldo negativo da CSLL e IRPJ, Realmente o tributo federal a ser compensado é a CIDE, mas o crédito para essa compensação diz respeito ao IRPJ e CSLL pagos a maior e, ainda, com saldo negativo da CSSLL e do IRPJ. Para complementar o seu crédito, a Recorrente tinha e tem a pretensão de demonstrar que até a expedição do ATO DECLARATÓRIO n° 58/2005 efetuara o pagamento de IRPJ e da CSSLL, sem considerar a redução. Verificase que o ato declaratório passou a viger com efeito retroativo. Dessa forma, todos os valores pagos durante o ano de 2004 são considerados como pagamento indevido e se converteram em crédito para a Recorrente. Ao negar o pedido de diligência formulado na manifestação de inconformidade, o Sr. Auditor Julgador castrou o direito da Recorrente de demonstrar a existência do crédito reclamado Salientese que o Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005 está respaldado por lei e ratificado pelo Decreto n° 756/69, de 11 de agosto de 1969, que trata das deduções tributárias para fins de investimentos, Do mesmo modo, o Ato Declaratório n° 58, foi expedido por autoridade competente, ou seja, Sr. Delegado da Receita Federal, amparado por Resolução da SUFRAMA que autorizou a realização da atividade industrial da Recorrente, retroativamente ao ano de 2004,A autoridade competente, portanto, após examinar a documentação Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10283.901008/200966 Acórdão n.º 3301006.110 S3C3T1 Fl. 159 5 apresentada pelo contribuinte, acatou o pedido de redução do imposto de renda, determinando que o ato fosse publicado no Diário Oficial da União, edição n° 67, de 08 de abril de 2005. Enquanto aguardava a expedição do ATO DECLARATÓRIO, a Requerente apurou e efetuou o pagamento do imposto, o que gerou crédito passível de compensação após a publicação do documento. No ano de 2004, portanto houve pagamento do imposto de renda, nascendo o crédito objeto de restituição e informado no PER/DCOMP. O ato da nobre autoridade em afirmar que Ato Declaratório n° 58/2005 não faz prova em favor da Recorrente implica e afastar o reconhecido da redução do Imposto de Renda, O recente Decreto n° 7.574/2011, que incorporou diversas legislações sobre o procedimento administrativo, endossou o direito do contribuinte em se ressarcir do valor pago, enquanto aguardava a expedição do ato declaratório concessivo do beneficio. se o fisco tem o direito de exigir que o contribuinte efetue o pagamento do valor do tributo na hipótese de ser indeferido o pedido de redução mesmo modo o contribuinte possui o pleno direito de reaver os valores pagos durante esse período, ao ser acatado o seu pleito. Foi exatamente o que aconteceu em relação à Requerente que efetuara no ano de 2004 o pagamento do IRPJ sem considerar o beneficio albergado no Decreto n° 756/69, já que o Ato Declaratório n° 58/2005 foi expedido em 2005, com efeitos retroativos. Todas as afirmativas da Recorrente convergem para a análise de seus documentos através da diligência solicitada. Sem o exame apurado dos livros e documentos fiscais e contábeis, tornase difícil decidir pela existência do crédito reclamado, tornandose mais fácil negar esse direito ao contribuinte, sendo esse o ato praticado pelo Julgador monocrático que, por medida de justiça fiscal, será reparado por esse nobre Conselho Administrativo. requer que a) modifiquem o ACÓRDÃO N° 0122.8541a Turma da DRJ/BEL, proferido no Processo Administrativo n° 10283.901008/200966, ora atacado, determinando sejam analisados os livros fiscais e contábeis da Recorrente com objetivo de detectarse a existência do crédito reclamado; b) no mérito, seja reconhecido o crédito e homologado o pedido de compensação formulado, extinguindose o débito informado para compensação, objeto do presente processo. 6. Em julgamento deste recurso voluntário, a Primeira Seção de Julgamento deste CARF expediu o Acórdão nº 10031.987, onde declarou sua incompetência para apreciação da matéria, diante do Regimento Interno do CARF. O Acórdão restou assim ementado : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Exercício: 2005 COMPETENCIA Não se conhece de recurso cuja matéria trata de diferenças entre os valores declarados e os valores escriturados a título de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE no período de setembro de 2005, é de competência da Egrégia 3a Seção deste Conselho Administrativo de Fl. 161DF CARF MF 6 Recursos Fiscais (CARF), a teor da norma contida no artigo 4o , do Anexo II, Título I, Capítulo I do Regimento Interno do CARF COMPETENCIA DECLINADA 7. Relevante destacar o voto do ilustre Conselheiro Relator : Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Porém, tenho que me furtar em adentrar no mérito da questão, tendo em vista a determinação expressa do artigo 4o, do Anexo II, Título I, Capítulo I do Regimento Interno do CARF que outorga à 3a Seção deste Conselho Administrativo a competência absoluta para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação referente à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE, tendo em vista que as DCOMP´s, fls. 02 e seguintes, tratam da compensação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE com parcelas vincendas da mesma contribuição sob o código de receita nº 8741(CIDE REMESSAS AO EXTERIOR). Assim, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de a Egrégia 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para análise do recurso voluntário. 8. Assim os autos vieram para julgamento por esta 3ª Seção. É o relatório Voto Conselheiro Ari Vendramini 9. A discussão nos presentes autos cingese ao direito a compensar crédito de CIDEROYALTIES, oriundo de alegado pagamento a maior, com débito da própria CIDE. 10. A solução da questão está na própria legislação do tributo. 11. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE foi instituída pelo artigo 2º da Lei 10.168, DOU 30/12/2000, como forma de atendimento ao Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação (art.1º da mesma lei). O referido art.2º, em sua redação atual, estabelece: “Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10283.901008/200966 Acórdão n.º 3301006.110 S3C3T1 Fl. 160 7 § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 4o A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento).(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 5o O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador.(Parágrafo incluído pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 6o Não se aplica a Contribuição de que trata o caput quando o contratante for órgão ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e o contratado for instituição de ensino ou pesquisa situada no exterior, para o oferecimento de curso ou atividade de treinamento ou qualificação profissional a servidores civis ou militares do respectivo ente estatal, órgão ou entidade. “(Incluído pela Lei nº 12.402, de 2011) 12. A partir da documentação juntada pelo contribuinte, anexa aos autos (Contratos de Câmbio, planilhas e DARFs), verificase que o contribuinte apurou a CIDE sobre remessas ao exterior em dois períodos no anocalendário de 2005 (de janeiro a junho e de julho a dezembro), recolhendo valor via DARF correspondente á CIDE devida no período com a redução de 70%, tendo como base de cálculo recolhimento do período anterior. 13. A redução se deu em decorrência do aproveitamento de crédito de parte da CIDE recolhida em período anterior. O §1º , Inciso I, letra b) do artigo 4º da Medida Provisória nº 2.159 70/2000, com a ressalva contida no Inciso II, assim estabelece : “Art. 4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei no 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1º O crédito referido no caput: Fl. 163DF CARF MF 8 I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de róialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: a) cem por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2003; b) setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; c) trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo.” 14. Verificase na legislação transcrita que o artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970, de 2000, concedeu crédito incidente sobre a CIDEROYALTIES, aplicável á importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties referentes a contratos de patentes e de uso de marcas. O crédito seria determinado com base na CIDEROYALTIES devida pela utilização do percentual de 70% (setenta por cento) relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º/01/2004 a 31/12/2008, e será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da CIDEROYALTIES incidente em operações posteriores, relativas a royalties descritos no caput do mesmo artigo. 15. Percebese, dessa maneira, que a CIDE tem como base de cálculo os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior. As quantias a serem remetidas são apuradas nos termos de contrato de tecnologia estabelecido entre as partes. 16. Quanto ao crédito concedido pelo artigo 4º da MP 2.15970/2000, este deve ser utilizado, exclusivamente, para dedução da CIDE incidente em operações posteriores, ou seja, não há previsão legal para utilização deste crédito para compensação, como pretende a recorrente. 17. Ademais, a decisão de piso já demonstrou de forma clara a utilização do crédito para dedução da própria CIDE devida, não restando crédito : A partir da documentação juntada pelo contribuinte, anexa à manifestação de inconformidade, é possível identificar que o contribuinte apurou a CIDE sobre remessas ao exterior em dois períodos no anocalendário 2005: 1. Janeiro a Junho/2005: segundo a planilha de cálculo (fl.74) e o contrato de câmbio (fl.75), houve a remessa de R$ 1.171.577,72 com apuração de CIDE no valor de R$ 117.157,77. Por outro lado, o DARF de fl.83 revela que houve recolhimento da contribuição, código 8741, PA 13/09/2005, vencimento 14/10/2005, R$ 83.663,03. A arrecadação ocorreu no vencimento. Na DCTF consta débito de CIDE no valor de R$ 83.663,03 (fl.97). Nesse período, então, houve o aproveitamento de crédito do período anterior no montante de R$ 34.385,70 (valor corrigido) – vide fl.74. Nos termos da legislação aplicável relativamente ao crédito (§1º, I, “b” do art.4º da Medida Provisória nº 2.15970, DOU 27/08/2001), 70% do valor pago (R$ Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10283.901008/200966 Acórdão n.º 3301006.110 S3C3T1 Fl. 161 9 83.663,03) nesse período corresponde a crédito a ser utilizado no período subseqüente. 2. Julho a dezembro/2005: segundo a planilha de cálculo (fl.64) e o contrato de câmbio (fl.95), houve a remessa de R$ 1.233.072,12 com apuração de CIDE no valor de R$ 123.307,21. Por outro lado, o DARF de fl.94 revela que houve recolhimento da contribuição, código 8741, PA 31/03/2006, vencimento 13/04/2006, R$ 63.911,48. A arrecadação ocorreu no vencimento. A planilha de cálculo mostra claramente que, mais uma vez, houve o aproveitamento do crédito gerado por ocasião do recolhimento anterior (pagamento de R$ 83.663,03 e crédito de R$ 58.564,12. Dessa maneira, nos dois períodos em que houve apuração de CIDE – Royalties, houve o aproveitamento do crédito correspondente a 70% do valor recolhido, não restando configurado o pagamento indevido ou a maior pleiteado. 18. Como bem destacado pela decisão de piso, a recorrente não apresentou documentos que comprovassem que o pagamento da CIDE foi indevido, muito menos anexou aos autos o contrato exigido pela legislação para qualificarse como pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. 18. Quanto ao crédito de IRPJ e CSSL mencionado nas argumentações, não devem ser conhecidos, pois não integram a lide, a Declaração de Compensação trata de compensação entre débito de CIDE e crédito oriundo de pagamento indevido da própria CIDE. 19. Por derradeiro, quanto ao pedido de realização de diligência, esta deve ser realizada quando existem fatos a serem esclarecidos, diante de documentos apresentados, ou de alegações imprecisas, que necessitam de esclarecimentos, sempre a critério do julgador que decidirá se tais diligências são necessárias ou imprescindíveis para formação de sua convicção. 20. No caso em exame nos presentes autos, diante das provas juntadas pela recorrente nos autos, não há necessidade de diligências para que se esclareça o direito guerreado, por tal motivo, indefiro o pedido de diligência. Conclusão 21. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e NÃO RECONHEÇO o direito creditório pleiteado, não havendo, portanto, crédito disponível para compensação. É o meu voto Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 165DF CARF MF 10 Fl. 166DF CARF MF
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