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Numero do processo: 10768.022119/96-31
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA
SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 30/04/1992 a 30/09/1993
EXISTÊNCIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS A TÍTULO DE
FINSOCIAL APROVEITAMENTO POR ORDEM JUDICIAL.
AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDÊNCIA.
Correto é o lançamento efetuado para a constituição de crédito
tributário relativo à Cotins não recolhida, não obstante a
existência de depósitos judiciais, equivocadamente relacionados
pela autuada a outra contribuição. De outra parte, a existência de
ordem judicial determinando a conversão em renda dos referidos
depósitos relacionando-os à Cofins, terá, inevitavelmente, o
condão de liquidar o presente lançamento, porém, em sede de
execução deste Acórdão.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 203-13.456
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, POR MAIORIA DE VOTOS EM NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Odassi Guerzoni Filho
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Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO II/RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 30/04/1992 a 30/09/1993 EXISTÊNCIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS A TÍTULO DE FINSOCIAL APROVEITAMENTO POR ORDEM JUDICIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Correto é o lançamento efetuado para a constituição de crédito tributário relativo à Cotins não recolhida, não obstante a existência de depósitos judiciais, equivocadamente relacionados pela autuada a outra contribuição. De outra parte, a existência de ordem judicial determinando a conversão em renda dos referidos depósitos relacionando-os à Cofins, terá, inevitavelmente, o condão de liquidar o presente lançamento, porém, em sede de execução deste Acórdão. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACO • 5 5, os • BROS DA TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE COs RIBy S, Aggr imidade de votos, em negar provimento ao recurso. LSO 4.111.1111.e. (CE 00 ROA" ENrEURG FILHO P esi e te • DASSI GUERZONI FIL • • elator tw SEGUNDO CONSELHO DE COMInBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Bradia, ni h" / II/ Madtde. saire chfivtaeiMat. g • Processo n° 10768.022119/96-31 CCO2/CO3 • Acórdão n.° 203-13.456 Fls. 185 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos • Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, José Adão Vitorino de Morais, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. MF-SEOLINDO Ei.-----""-----"—rCON8 HO DE IBU1NTES CONFERE COM O ORIGINAL Braceia, &i6 og Mande Cursam de Oliveira Mal. Sua° 91650 ée."-* • _ _ _ e Processo n° 10768.022119/96-31 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.456 Fls. 186 MF-SEGONDO CONSELHO DE CONINSUINTES CONFERE COMO OR1G1NAL Brunia. p96 , ol MarlIde CuSde 011vefra Met. Sãos 91650 Relatório Trata-se de Auto de Infração cientificado ao sujeito passivo em 09/10/1996, relativo à constituição de crédito tributário da Cofins dos períodos de apuração de abril de 1992 a setembro de 1993, no valor de 42.802,32 Ufir, nele incluídos juros de mora e multa de oficio de 75%. De acordo com o "Termo de Constatação" lavrado pela fiscalização às fls. 9/10, a autuada havia efetuado depósitos judiciais para cada um dos períodos de apuração compreendido entre os meses de abril de 1992 a setembro de 1993, porém, relacionando-os ao processo judicial n° 92.0029803-6, que trata de Finsocial e não de Cotins. • Na "Impugnação" apresentada (fl. 68), a autuada afirma que os depósitos judiciais que efetuara correspondem aos valores cobrados por meio do presente auto de infração e que não se opõe a que tais depósitos sejam convertidos em renda da União. A DRJ, em Acórdão prolatado em 27/02/2007, reconheceu que os depósitos judiciais, caso convertidos em renda em favor da União, poderão quitar os débitos do presente lançamento, mas manteve o lançamento, porém, sem a exigência da multa de oficio. A decisão foi assim ementada: Acórdão DRJ N°13-15261 de 2007 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins COFINS. LANÇAMENTO. CABIMENTO. Havendo ação judicial, deve a autoridade fiscal efetuar o lançamento dos valores não declarados pelo sujeito passivo, ainda que a exigibilidade do crédito tributário esteja suspensa. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFICIO. CANCELAMENTO. A inaplicabilidade da multa de oficio na constituição de créditos tributários estende-se aos casos de suspensão da exigibilidade do crédito em razão do depósito do seu montante integral. Lançamento procedente em parte. No Recurso Voluntário, em resumo, a autuada se vale de afirmações da própria DRJ para ressalvar que os depósitos judiciais que efetuara foram reconhecidos pela própria Administração Tributária como passíveis de serem alocados em favor da Cofins mediante sua conversão em renda em favor da União, e que, inclusive, tais valores seriam suficientes para quitar todos os débitos que se discute no presente processo. Pede, pois, o cancelamento do auto de infração. Posteriormente à decisão da DRJ, mais precisamente em 22/03/2007, a Unidade de origem fez apensar a este processo, outro processo administrativo, de n° 10768.041148/92- 22, que trata do acompanhamento da Ação Ordinária, Processo Judicial n° 92.0029803-6, na qual a autuada efetuara os depósitos judiciais acima referenciados. É o relatório. 3 Processo n°10768.022119/96-31 CCO2/CO3 Acórdão n.• 203-13.458 Fls. 187 Voto Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em 26/04/2007, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 24/05/2007. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Não obstante as informações que se colhe das tratativas entre a Unidade de origem e a Procuradoria da Fazenda Nacional, constantes, quer deste processo administrativo, quer daquele que a este foi apensado, revelem que, aparentemente, primeiro, os depósitos judiciais efetuados pela autuada no processo judicial que tratou de Finsocial, desde que posteriores a abril de 1992, poderão ser convertidos em renda em favor da União a título de Finsocial e, segundo, e principalmente, que tais valores serão suficientes para quitar integralmente os débitos constituídos no presente auto de infração, não se tem a certeza absoluta disso. Por outro lado, existe uma decisão do Poder Judiciário determinando que os depósitos efetuados após a edição da Lei Complementar n°70, de 1991, sejam convertidos em renda em favor da União (fl. 143). Assim, s.m.j., a manutenção do presente lançamento nas condições que o deixou a instância de piso, qual seja, sem a exigência da multa de oficio, nenhum prejuízo poderá causar à autuada, caso, evidentemente, o seu confronto com os valores resultantes da conversão em renda, acabe mesmo por quitar o presente crédito tributário, que é o que, aparente e inevitavelmente, irá ocorrer. De se manter, pois a decisão da DRJ, motivo pelo qual nego provimento ao recurso, ressalvando à Unidade de origem que adote as providências para que os depósitos judiciais sejam convertidos em renda de sorte a liquidar o montante do lançamento que restou em aberto. Sala das Sessões, em O de outubro de 2008 à FI O tre' CDAssitruERzoNI ME-SEGUNDO CONSELHO DE COrawrES CONFERE COM O ORIGINAL Bra a96", J/, 0g Matilde Cursino de ~ira Met. Slepe 91650 4 Page 1 _0028800.PDF Page 1 _0028900.PDF Page 1 _0029000.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720023/2014-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2009
PIS. COFINS. LUCRO ARBITRADO. REGIME CUMULATIVO.
Conforme disposição expressa na norma, as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro arbitrado deverão apurar o PIS e a Cofins pela sistemática da cumulatividade.
PIS. COFINS. PAGAMENTOS NO MODO NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO.
A diferença positiva entre o recolhimento mensal efetuado pelo sujeito passivo na sistemática da não cumulatividade e o valor da contribuição apurado pelo Fisco no mesmo mês é passível de dedução dos valores devidos nos demais meses .
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO.
Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação
MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.
Cabe a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96
Numero da decisão: 1402-002.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para deduzir da exigência do PIS e da Cofins, com as devidas imputações nos termos expostos no voto condutor, os valores recolhidos a maior dessas contribuições
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2009 PIS. COFINS. LUCRO ARBITRADO. REGIME CUMULATIVO. Conforme disposição expressa na norma, as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro arbitrado deverão apurar o PIS e a Cofins pela sistemática da cumulatividade. PIS. COFINS. PAGAMENTOS NO MODO NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO. A diferença positiva entre o recolhimento mensal efetuado pelo sujeito passivo na sistemática da não cumulatividade e o valor da contribuição apurado pelo Fisco no mesmo mês é passível de dedução dos valores devidos nos demais meses . AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Cabe a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96
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VIOLAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em exiguidade de prazo para apresentação de documentação em procedimento fiscal que durou quase um ano, ainda mais quando o solicitado referese a elementos primordiais da ecrituração que dereriam estar disponíveis ao Fisco independente de solicitação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE. INOCORRÊNCIA. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPF F ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 LUCRO ARBITRADO. AUSÊNCIA DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO. CABIMENTO. Correta apuração do resultado por arbitramento quando não são disponibilizados à Fiscalização os Livros Diário e Razão, implicando na ausência de elementos que permitissem a apuração do lucro real. LUCRO ARBITRADO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 00 23 /2 01 4- 18 Fl. 29953DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. (Súmula CARF nº 59). ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2009 PIS. COFINS. LUCRO ARBITRADO. REGIME CUMULATIVO. Conforme disposição expressa na norma, as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro arbitrado deverão apurar o PIS e a Cofins pela sistemática da cumulatividade. PIS. COFINS. PAGAMENTOS NO MODO NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO. A diferença positiva entre o recolhimento mensal efetuado pelo sujeito passivo na sistemática da não cumulatividade e o valor da contribuição apurado pelo Fisco no mesmo mês é passível de dedução dos valores devidos nos demais meses . AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Cabe a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para deduzir da exigência do PIS e da Cofins, com as devidas imputações nos termos expostos no voto condutor, os valores recolhidos a maior dessas contribuições LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 29954DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.720023/201418 Acórdão n.º 1402002.065 S1C4T2 Fl. 29.954 3 Relatório Trata o presente de autos de infração para cobrança do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins referentes ao anocalendário de 2008 no montante de R$ 39.685.418,41; aí incluídos multa de ofício imputada no percentual de 75% e juros de mora à taxa SELIC. Ao longo do procedimento fiscal o sujeito passivo recebeu várias intimações para prestação de esclarecimentos em relação a dados específicos informados na DIPJ. Quando intimada a apresentar os livros Diário e Razão, informou que desde o anocalendário de 2008 as informações contábeis estariam disponíveis no Sped Contábil. Apresentou naquele momento o que seria o livro digital referente ao anocalendário de 2009, período objeto do procedimento fiscal. A Fiscalização constatou que os dados apresentados referiamse apenas aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2009. Foi então lavrada intimação para apresentação da escrituração digital referente aos demais meses do anocalendário. A interessada não atendeu ao requerido, limitandose a solicitar prorrogação de prazo. Pela não apresentação da escrituração o Fisco arbitrou o lucro do sujeito passivo e formalizou exigência nessa sistemática. Intimada da exigência, a interessada apresentou impugnação alegando em preliminar a nulidade do feito por violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa e também ausência de motivação eis que, além do prazo para atendimento da intimação ter sido muito exíguo, não foi deferida a prorrogação solicitada. Além disso, não foram identificados os motivos pelos quais a escrituração foi desconsiderada. Também suscita a nulidade do procedimento em relação ao PIS e à Cofins que não estariam incluídos no MPF. No mérito, reclama pela impossibilidade do arbitramento pela simples ausência do Sped, tendo em vista que apresentou os demais documentos requeridos os quais possibilitariam a apuração do lucro real. Afirma não ser cabível o arbitramento para os meses de outubro, novembro e dezembro pela existência do Sped para esses meses e sustenta a ilegalidade do arbitramento para o PIS e a Cofins. Alega que não foi levada em consideração a existência de DIPJ retificadora e defende que o IRRF devidamente comprovado seja deduzido do IRPJ. Nessa mesma linha requer a dedução, na exigência do PIS e da Cofins, dos valores dessas contribuições que teriam sido recolhidos a maior na sistemática da não cumulatividade, em relação aos valores apurados pelo Fisco. Reclama que o percentual aplicado da multa ofende o princípio da proporcionalidade e questiona a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 29955DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP prolatou o Acórdão 1450.386 considerando a impugnação totalmente improcedente, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro deverá ser arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar deficiências que a tornem imprestável para a determinação do lucro real. ARBITRAMENTO CONDICIONAL. INEXISTÊNCIA. A eventual posterior disponibilidade da documentação, cuja falta ensejou o arbitramento do lucro, não tem o condão de modificar o ato administrativo do lançamento. IRRF. DEDUÇÃO. Na apuração do IRPJ devido, somente se admite a dedução do IRRF correspondente a rendimentos escriturados e tributados na autuação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. MPF. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. Inexistindo ofensa às normas administrativas relativas ao MPF não há que se falar em nulidade do lançamento de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. Fl. 29956DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.720023/201418 Acórdão n.º 1402002.065 S1C4T2 Fl. 29.955 5 A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista no artigo 61, § 3º, da Lei n° 9.430, de 1996. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 LUCRO ARBITRADO. REGIME CUMULATIVO. O arbitramento do lucro da pessoa jurídica resulta na apuração da COFINS no regime cumulativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 LUCRO ARBITRADO. REGIME CUMULATIVO. O arbitramento do lucro da pessoa jurídica resulta na apuração do PIS no regime cumulativo. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorreu a este Colegiado ratificando em essência as razões da peça impugnatória. É o relatório. Fl. 29957DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. A argüição de nulidade não merece prosperar. Não há que se falar em violação do contraditório e da ampla defesa. Quanto ao prazo de atendimento (cinco dias) para apresentar o Sped dos meses faltantes e o indeferimento da prorrogação requerida, o pleito do sujeito passivo não traz todos os fatos dignos de menção. O procedimento fiscal iniciouse em 14/01/2013 e o auto de infração foi lavrado em 24/12/2013, quase um ano depois. O único período sob exame foi o anocalendário de 2009. Seria de se esperar que, sob ação fiscal, o sujeito passivo verificasse a regularidade da escrituração e suprisse eventuais omissões dentre elas a gravíssima ausência da escrituração digital (Sped Contábil), onde estariam os Livros Diário e Razão. A interessada não agiu com a diligência devida por quase um ano, e não poderia no final desse período suscitar a necessidade de prazo maior para apresentar documentos que deveria ter providenciado independentemente de solicitação. Ainda com relação à suposta exigüidade de prazo, o Termo de Intimação nº 4, onde eram solicitados os Livros Diário e Razão, foi lavrado em 05/11/2013. Em resposta datada de 12/11/2013 a interessada informa a opção pela escrituração digital (Sped) e apresenta a escrituração apenas dos meses de outubro, novembro e dezembro. Ora, os elementos de prova que já deveriam ter sido providenciados espontaneamente, conforme afirmado em momento anterior deste voto, transformaramse em exigência formal e, mais ainda, com a circunstância do sujeito passivo ter plena ciência de que estava em mora com a Fiscalização. Sendo assim, o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 01, de 26/11/2013, ao requerer no prazo de cinco dias a escrituração digital dos demais meses não trouxe a rigor exigência nova mas sim a formalização de situação de fato já estabelecida. Daí porque não vejo ilegalidade no aparente restrito prazo concedido pois desde 12/11/2013, quando admitiu que só tinha o Spead referente a três meses do ano calendário, o sujeito passivo deveria saber a necessidade de apresentação do restante. Ainda assim, a autuação só foi lavrada em 24/12/2013, quase um mês depois da lavratura do termo, indicando que o prazo efetivamente concedido foi bem maior que aquele inicialmente estabelecido. Nessas condições, a prorrogação tácita aludida pela interessada foi lhe efetivamente deferida, não se caracterizando qualquer prejuízo à defesa. No que se refere à suposta ausência de motivação, a alegação não merece melhor sorte. Abstraindo da questão de mérito, a Fiscalização justificou o arbitramento pela Fl. 29958DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.720023/201418 Acórdão n.º 1402002.065 S1C4T2 Fl. 29.956 7 ausência da escrituração digital o que impediria a apuração do lucro real. Tal situação foi explicitamente mencionada no Termo de Constatação e Intimação nº 1: Em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) que não teria albergado o lançamento do PIS e da Cofins, a decisão recorrida bem enfrentou a questão. De fato, consolidouse a jurisprudência nesta Corte no sentido de que esse documento é instrumento de controle interno da Administração e eventuais irregularidades nele contidas não tem o condão de macular o procedimento fiscal. Mesmo que assim não o fosse, no presente caso não houve qualquer irregularidade tendo em vista que a exigência dessas contribuições tem origem nos mesmos elementos de prova que motivaram a cobrança do IRPJ. A Portaria RFB nº 3.014/2011 é cristalina: Art. 8 º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF. Do até aqui exposto, rejeito as preliminares de nulidade. No mérito, importa ressaltar de imediato que a apuração do resultado por arbitramento tem base normativa especifica no art. 530, do RIR/99, não apenas no art. 148 do CTN que tem aplicabilidade mais ampla.. Quanto às razões para o arbitramento do lucro, a ausência da escrituração (sped contábil) abrangendo os Livros Diário e Razão, impossibilitou a apuração do lucro real, nos termos do inciso II, do art. 530, do RIR/99, transcrito na decisão recorrida. A própria Fl. 29959DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 interessada reconhece a falha e admite que só apresentou os elementos em questão após a formalização da exigência, alegando a exigüidade do prazo concedido e a prorrogação requerida, questões essas tratadas em momento anterior deste voto. Em sentido diverso à alegação da recorrente, os documentos entregues durante o procedimento fiscal não são hábeis à apuração do lucro real. Além das declarações entregues que trazem informações estanques objeto de intimações específicas, foi apresentado o LALUR, importante livro mas que trata principalmente das adições e exclusões a partir do lucro líquido sem refletir as demais operações realizada pela pessoa jurídica que deveriam constar da escrituração. Quanto à apresentação de documentos após a formalização da exigência com arbitramento do lucro, a jurisprudência desta Corte consolidouse pela impossibilidade dessa prática, conforme Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Especificamente no que se refere ao meses de outubro, novembro e dezembro, não podem ser excluídos da apuração da Fiscalização como deseja a interessada pois exerceu a opção pela apuração anual, conforme indicado na DIPJ, e nesse caso a apuração do lucro arbitrado tem que abranger todo o anocalendário, ainda que o arbitramento por definição legal seja feito trimestralmente. No que concerne à retificação da DIPJ, registrese de antemão que os valores utilizados pelo Fisco na apuração do IRPJ e da CSLL correspondem às receitas das atividades da pessoa jurídica e também foram utilizados para apuração do PIS e da Cofins. Daí porque está correta a afirmativa de que as informações da DACON serviram de base para aqueles tributos. Além disso não consegui vislumbrar diferença entre as receitas informadas nas DIPJ apresentadas. Em outras palavras, a retificação da DIPJ não tem relevância na apuração fiscal. Do até aqui exposto, entendo não haver qualquer mácula no arbitramento efetuado pela Fiscalização em relação ao IRPJ e à CSLL. Quanto ao PIS e à Cofins não há que se falar em arbitramento dessas contribuições. Na verdade, ocorreu uma mudança na sistemática de apuração de não cumulativo para cumulativo, como decorrência do arbitramento do lucro. Conforme bem esclarecido pela decisão recorrida, tratase de disposição literal da norma, conforme art. 8º, da Lei nº 10.637/2002 e art. 10, da Lei nº 10.833/2003: Lei nº 10.637, de 2002: Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: ......................................................................................................... ......................... Fl. 29960DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.720023/201418 Acórdão n.º 1402002.065 S1C4T2 Fl. 29.957 9 II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; Lei nº 10.833, de 2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: ................................................................................................ ..................... II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; Ainda no que se refere ao PIS e à Cofins, a recorrente suscita a ocorrência de crédito a seu favor em função de recolhimento a maior nos meses de outubro, novembro e dezembro no montante de R$ 213.860,82 (PIS) e R$ 2.237.435,24 (Cofins). Isso em função da apuração das contribuições na sistemática da não cumulatividade feita pelo sujeito passivo ter gerado pagamentos em valores superiores àqueles apurados pela Fiscalização. Pelo exame dos autos constatase que, fato, nos meses mencionados o Fisco apurou valores das contribuições inferiores àqueles recolhidos pelo sujeito passivo. Face a essa constatação, a autoridade lançadora agiu de forma parcialmente correta e não formalizou exigência nos meses em questão. Entretanto, o fato do procedimento fiscal desconsiderar a sistemática de apuração das contribuições utilizada pelo sujeito passivo implica dizer que, no entendimento da autoridade, o regime correto é o da cumulatividade, ainda que como decorrência de disposição legal. Sendo assim, diversamente do acórdão recorrido, penso que na apuração fiscal não se pode desprezar os pagamentos efetuados sob pena de enriquecimento sem causa do Estado. Correto, destarte, o sujeito passivo em requerer a dedução dos valores recolhidos a maior. No caso da Cofins temse: MÊS Valor apurado Fisco Valor pago Sujeito passivo Valor pago a maior Data do pagamento setembro 1.206.459,66 1.241.278,82 34.819,16 28/10/2009 outubro 1.228.657,77 2.549.280,35 1.320.622,58 25/11/2009 novembro 1.052.130,38 1.461.442,77 409.312,39 23/12/2009 dezembro 1.517.456,22 1.988.966,89 471.510,67 05/02/2010 agosto (*) 640.500,65 641.671,09 1.170,44 18/05/2010 (*) pagamentos referentes a agosto: R$ 355.843,34 + R$ 28.074,86 + R$ 256.582,45 + R$ 1.170,44 = R$ 641.671,09 Fl. 29961DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 A contribuição devida no mês de referência janeiro (R$ 671.070,97) deverá ser atualizada com juros SELIC e multa de mora desde o vencimento (28/02/2009) até a data (28/10/2009) do primeiro pagamento (R$ 1.241.278,82) que gerou recolhimento a maior (R$ 34.819,16). Obtido o valor consolidado (R$ 671.070,97 + juros + multa de mora) devese fazer a imputação para apurar quanto do principal seria quitado com o valor de R$ 34.819,16. A seguir fazse o mesmo procedimento com o débito (principal) remanescente de janeiro que será atualizado até 25/11/2009 e pela imputação verificar quanto do principal seria quitado com o pagamento de R$ 1.320.622,58. Extinto o débito de janeiro, os procedimentos acima descritos devem ser feitos com o débito de fevereiro (R$ 722.341,52) e assim por diante utilizandose os valores recolhidos a maior indicados na tabela. A consolidação do débitos com multa de mora, para efeito de imputação, devese ao fato dos pagamentos terem sido realizados antes da autuação. Por outro lado, os valores remanescentes serão devidos com multa de ofício (além dos juros) nos termos da autuação. Em relação ao PIS, temse: MÊS Valor apurado Fisco Valor pago Sujeito passivo Valor pago a maior Data do pagamento outubro 266.209,18 287.716,35 89.320,65 25/11/2009 novembro 227.961,58 317.282,23 21.507,17 23/12/2009 dezembro 328.782,18 431.815,18 103.033,00 05/02/2010 Cabe aqui o mesmo procedimento de compensação indicado para a Cofins, a partir da contribuição devida no mês de janeiro (R$ 145.398,71). Ressaltese que cabe à autoridade executora desta decisão efetuar as devidas verificações quanto a eventual pedido de restituição/compensação dos valores em questão com outros débitos para evitar o uso em duplicidade do crédito. Em relação à multa de ofício, a inobservância da norma jurídica tendo como conseqüência o não pagamento do tributo importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Assim, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da penalidade. Argüição de violação à legalidade e a princípios constitucionais fogem à alçada desta Corte administrativa nos termos da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, no que se refere ao juros de mora sobre a multa de ofício, é tema que adquiriu relevância neste Colegiado em vista de julgamentos recentes que poderiam direcionar a jurisprudência para a não incidência do acréscimo sob exame. Fl. 29962DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.720023/201418 Acórdão n.º 1402002.065 S1C4T2 Fl. 29.958 11 Argumentos dignos de respeito foram trazidos à baila para rechaçar a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício não isolada, particularmente em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, e sensibilizeime com eles em alguns julgados. Entendo que a lide merece cuidadosa reflexão, inclusive por envolver interpretações de natureza semântica, terreno escorregadio para quem, como este relator, está longe de ser um exegeta. A meu ver, a previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício estaria plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN: Art. 161.0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......) Em primeiro lugar, a acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que após o lançamento de ofício a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Não há base para a segregação almejada, pois a obrigação tributária principal é composta tanto pelo tributo como pela penalidade pecuniária. Não se quer dizer que a norma equipare penalidade pecuniária a tributo pois, por definição, esse último não tem natureza de sanção. No acórdão 10422.508 de lavra do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, a questão foi magnificamente tratada conforme transcrição: Ora, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Isso não quer dizer em absoluto que o CTN equipare penalidade pecuniária a tributo, que não tem natureza de sanção. Nesse mesmo sentido, no art. 142 que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a "crédito" no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Fl. 29963DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão "o crédito não integralmente pago" possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição, de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual "A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário". Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse tato à prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. Esse é o entendimento manifestado por Luciano Amaro, que não se desapercebeu dessa incoerência gramatical do texto. Vejase: A circunstância de o sujeito passivo sofrer imposição de penalidade (por descumprimento de obrigação acessória, ou por falta de recolhimento de tributo) não dispensa o pagamento integral do tributo devido, vale dizer, a penalidade é punitiva da infração à lei; ela não substitui o tributo, acrescese a ele, quando seja o caso. O art. 157 diz que a penalidade não ilide o pagamento integral "do crédito tributário", mas como, na conceituação dos arts. 113, § 1°, e 142, a obrigação e o crédito tributário englobariam a penalidade pecuniária, o que o Código teria que ter dito, se tivesse a preocupação de manter sua coerência interna, é que a penalidade não ilide o pagamento integral "do tributo", pois não haveria sequer possibilidade lógica de uma penalidade excluir o pagamento de quantia correspondente a ela mesma.(Amaro, Luciano – Direito Tributário Brasileiro, 10 ed., Atual São Paul, pág. 379). Do até aqui exposto, estaria esclarecida a possibilidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Considerando que o parágrafo primeiro do art. 161, do CTN estabelece que os juros devem ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo disposição de lei em sentido diverso, cabe agora avaliar a existência de norma prevendo a incidência da taxa Selic. Ainda que a discussão envolva, precipuamente, fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, cabe um resumo cronológico da questão com vistas a uma análise mais abrangente, começando pelo DecretoLei nº1.736/1979 (todos os destaques foram acrescidos): Art 1° O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto Fl. 29964DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.720023/201418 Acórdão n.º 1402002.065 S1C4T2 Fl. 29.959 13 único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. (......) Art 2° Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°. Art 3° Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decretolei n°. 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis n°. 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (......) Constatase a previsão da incidência de juros de mora, a razão de 1% ao mês, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional calculados sobre o valor originário, o que incluiria a multa de ofício como se pode concluir pelo exame do art. 3º. Nesse ponto, notase que o parágrafo único do art. 2º expressamente registrava a não incidência dos juros sobre a multa de mora, e não sobre a multa de oficio. Posteriormente, o Decreto Lei nº 2.323/87 ao tratar da matéria manteve em essência a redação supra transcrita, o que implica na incidência dos juros sobre a multa de ofício, ressalvando apenas que o cálculo seria feito sobre o débito atualizado monetariamente: Art. 16. Os débitos, de qualquer natureza, para com a Fazenda Nacional e para com o Fundo de Participação PISPASEP, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior. A seguir, a Lei nº 7.738/89 trouxe uma inovação, qual seja, restringiu os juros de mora aos tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda o que implicou na não incidência sobre as penalidades, inclusive a multa de ofício: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. Fl. 29965DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 (........) Na mesma linha conduziuse a Lei nº 7.799/89. Algum tempo depois, com o advento da Lei 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional, e calculados com base na TRD: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional,bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e II multa de mora aplicada de acordo com a seguinte Tabela: (.......) §2 – A multa de mora de que trata este artigo não incide sobre o débito oriundo de multa de ofício A exclusão determinada pelo § 2º, no que se refere à não incidência da multa de mora, deixa claro que o legislador inclui a multa de ofício no rol dos “débitos exigíveis de qualquer natureza” de que trata o caput e, portanto, sujeita a juros de mora equivalente à TRD. Logo após, a Lei nº 8.383/91, com vigência a partir de 01/01/1992, estabeleceu que os débitos tributários seriam expressos em UFIR, o que incluiria a multa de ofício. Além disso, a norma trouxe de volta a taxa de juros de 1% ao mês, com incidência sobre tributos e contribuições: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. (......) Com o advento da Lei nº 8.981/95, deflagrouse o processo de adequação dos débitos tributários ao novo padrão monetário voltado para a desindexação da economia. Além de estabelecer a conversão dos débitos de UFIR para Real a norma trouxe o cálculo dos juros com base na taxa de captação pelo Tesouro Nacional da Dívida Pública: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; (.....) A Selic foi introduzida pela Lei nº 9.065/95: Fl. 29966DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.720023/201418 Acórdão n.º 1402002.065 S1C4T2 Fl. 29.960 15 Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n°. 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art 6° da Lei n°. 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°. 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n°. 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Importantíssimo detalhe quanto ao art. 84 da Lei 8.981/95, foi a inclusão do § 8º no seu texto, alteração trazida pela Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995, nos seguintes termos: § 8º O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Divida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Também merece destaque os artigos 25 e 26 da Medida Provisória nº 1.542, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei nº 10.522/2002, arts. 29 e 30) Art. 25. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 30 de agosto de 1995, ou que, na data de início de vigência desta norma ainda não tenham sido encaminhados para a inscrição em Dívida Ativa da União, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para Real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. (...) Art. 26. Em relação aos débitos referidos no artigo anterior, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Antes de adentrar à legislação específica aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 (Lei nº 9.430/96) cabe uma avaliação do arcabouço legal supra transcrito. Vêse que a legislação anterior que versou sobre a matéria referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996, houve períodos em que não incidiria os juros sobre a multa de ofício por disposição legal, ou pela ausência dela? Fl. 29967DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 A resposta é que, na prática, com as sucessivas alterações legislativas isso não ocorreu. Vamos aos fatos: O arts.25 c/c art. 26 da MP nº 1.542/96 estabelece a incidência da taxa Selic a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional com fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, o que inclui a multa de ofício. A Lei nº 8.383/91 determinou que os débitos para com a Fazenda Nacional fossem convertidos em UFIR ,o que abarcou a multa de ofício nos termos do parágrafo único do art. 58 dessa norma. A Lei nº 8.383/91 não estabelece textualmente a incidência de juros de mora sobra a multa de ofício mas, na verdade, essa penalidade foi estipulada em UFIR, sofrendo a variação desse indicador até 31/12/1994 e a taxa Selic a partir daí. Quanto à alegação de que os dispositivos mencionados serviriam de limitação à incidência dos juros de mora sobra a multa apenas a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, volto a usar os argumentos do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, no voto acima mencionado: Cabe analisar, por fim, o comando constante dos artigos 29 e 30 da Lei n°. 10.522, de 2002, introduzidos pela MP 1.542, de 18 de dezembro de 1996. Esses dois artigos em conjunto prevêem a incidência de juros Selic sobre débitos de qualquer natureza cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, o que é invocado às vezes como argumento no sentido de que a lei limitou a incidência dos juros Selic sobre os débitos de qualquer natureza aos fatos geradores ocorrido até 1994. Tal conclusão, todavia, é fruto de uma análise meramente gramatical e isolada dos dispositivos, sem preocupação com a natureza da matéria que se pretende regular. É que os dois artigos claramente regularam uma situação pendente, decorrência desse processo de desindexação dos tributos, relacionada com a Lei n°. 8.981, de 1995, em especial com o seu artigo 5°, transcritos acima. Relembrese que a Lei n°. 8.981, de 1995 determinou que a partir de 1° de janeiro de 1995, os tributos e contribuições seriam apurados em Reais (art. 6°), e não mais em Ufir, como até então. Mas os débitos relativos aos fatos geradores até 31 de dezembro de 1994, continuavam sendo apurados em Ufir e convertidos para Reais apenas quando do pagamento (art. 5"), e sobre esses incidiam juros de mora de 1% ao mês (art. 84, § 5°). O que a Medida Provisória n°. 1.541, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei n". 10.522, de 2002) fez foi regular a situação dos débitos relativos a fatos geradores até 31/12/1994 que, por não terem sido pagos ou parcelados, continuavam sendo controlados e apurados em Ufir, ao mesmo tempo em que determinava que, a partir de 1° de janeiro de 1997, os débitos relativos a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994 seriam lançados em Reais. E determinou também que, a partir de 1° de janeiro de 1997, esses mesmos débitos, que antes eram atualizados monetariamente e acrescidos de juros de mora de 1% ao mês, e, a partir de 1° de janeiro de 1997 não mais sofreriam correção monetária, passariam a incidir juros de mora com base na taxa Selic. Portanto, não há como entender que os artigos 25 e 26 da Medida Provisória n°. 1.541, de 1996, estivessem limitando a incidência de juros Selic aos débitos referentes a fatos geradores até 31/12/1994, mas apenas que eles regulavam uma situação especifica desses débitos. Ao contrário, o fato de a lei determinar a incidência de juros Selic, a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza, relacionados com fatos geradores até 31/12/1994, denota uma clara tendência de aplicação de juros Selic sobre os débitos em geral. Fl. 29968DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.720023/201418 Acórdão n.º 1402002.065 S1C4T2 Fl. 29.961 17 No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, já transcrito em momento anterior deste voto, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Do até aqui exposto, pareceme ter ficado patente a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996 ainda que se considere, o que não é meu caso salientese, que as disposições do art. 161, do CTN seriam insuficientes para autorizar essa cobrança. Para os fatos geradores ocorridos a partir da 01/01/1997, a análise envolve fundamentalmente o alcance do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Grande parte da controvérsia gira em torno do sentido, conteúdo e alcance de determinados vocábulos e locuções do texto da lei, aos quais se atribuem diferentes significações, o que reclama uma apreciação preliminar sobre esse tipo de ocorrência. Como afirmei no início deste voto, meu desconhecimento da ciência hermenêutica mostrase agora um limitador. Cabeme buscar apoio no mestre maior com vistas a embasar minhas conclusões. Assim, vejamos Carlos Maximiliano1 (todos os destaques não são do original): a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso – vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem como a idéia inserta no dispositivo. b) O juiz atribui aos vocábulos o sentido resultante da linguagem vulgar, porque se presume haver o legislador, ou escritor, usado expressões comuns; porém, quando são empregados termos jurídicos, deve crerse ter havido preferência pela linguagem técnica. Não basta obter o significado gramatical e etimológico, releva, ainda, verificar se determinada palavra foi empregada em acepção geral ou especial, ampla ou restrita; se não se apresenta às vezes exprimindo conceito diverso do habitual. O 1 Maxirniliano, Carlos Hermenêutica e Aplicação do Direito Rio de Janeiro, Forense, 2002. pág. 89/91. Fl. 29969DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 18 próprio uso atribui a um termo sentido que os velhos lexicógrafos jamais previram. Enfim, todas as ciências, e entre elas o Direito, têm a sua linguagem própria, a sua tecnologia; deve o intérprete levála em conta; bem como o fato de serem as palavras em número reduzido, aplicáveis, por isso, em várias acepções e incapazes de traduzir todas as graduações e finura do pensamento. No Direito Público usam mais dos vocábulos no sentido técnico; em Direito Privado, na acepção vulgar. Em qualquer caso, entretanto, quando haja antinomia entre os dois significados, prefirase o adotado geralmente pelo mesmo autor, ou legislador, conforme as inferências deduzíveis do contexto. Pois bem. Com base nas explanações do mestre, tentarei analisar o sentido do art. 61, da Lei nº 9.430/96, no que se refere aos juros de mora, num contexto mais amplo do que a simples literalidade do texto. O dispositivo em questão estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A interpretação literal levou julgadores de muito respeito nesta Corte a entenderem que a expressão “decorrentes” excluiria a multa de ofício do dispositivo, pois esta não decorreria dos tributos ou contribuições, mas do descumprimento do dever legal de pagá lo. Tenho dificuldade de vislumbrar base razoável para, diante de diferentes possibilidades semânticas de um vocábulo, assumirse apenas uma delas como ponto de partida da interpretação do texto de uma lei, quando essa acepção deveria ser o ponto de chegada. Podemos fazer o que também se poderia denominar de interpretação literal da norma em comento e chegar a uma conclusão diametralmente oposta. Dizer que os “débitos decorrentes de tributos e contribuições” ou, em outras palavras,”débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições” se sujeitam a juros de mora, não é o mesmo que afirmar que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterseiam aos juros de mora. Assim, para que os juros moratórios atingissem apenas os tributos e contribuições a redação do dispositivo deveria ser: Os débitos de tributos e contribuições para com a União, administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Essa redação seria mais condizente com a sistemática historicamente usada pelo legislador para definir a incidência dos juros de mora. Como visto em momento anterior neste voto, a norma referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros Fl. 29970DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.720023/201418 Acórdão n.º 1402002.065 S1C4T2 Fl. 29.962 19 sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Entretanto a redação não é essa, Não apenas é impossível ignorar a expressão “decorrentes de” , como devese dar a ela efeito includente, e não excludente como quer ver a corrente de entendimento da qual discordo. Além disso, não é demais ratificar a indissociabilidade da multa de ofício e do principal, após a formalização do lançamento. Não é lógico que valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, enquanto que a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo. Ainda resta o argumento no sentido de que o entendimento quanto à inclusão da multa de ofício na expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” implicaria na incidência de multa de mora sobre a multa de ofício. Nesse ponto, socorrome novamente do voto pelo proferido pelo Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA que enfrenta a questão com maestria: Sustentam os que defendem a interpretação de que o art. 61 da Lei n°. 9.430, de 1996 dirigese apenas aos tributos e contribuições; que, a se entender que a multa de oficio está contida no termo débitos decorrentes de tributos e contribuições, o dispositivo estaria prevendo a incidência de multa de mora sobre a multa de oficio. Assim como quando da análise do art. 161 do CTN, aqui, da mesma forma, esse argumento está associado a um critério de interpretação do texto legal com base na leitura que melhor harmoniza, do ponto de vista gramatical, o próprio texto o que, como se viu, não é a melhor forma de se apreciar a questão. Verifico, contudo, que neste caso sequer existe a contradição na forma como apontada e que a interpretação proposta não a soluciona. De fato, ao prever que sobre os débitos incidirá multa de mora, entendendose que a multa de oficio integra o débito, a análise meramente gramatical do texto leva à conclusão de que o dispositivo prescreve a incidência da multa de mora sobre a multa de oficio. Superandose, entretanto, a mera leitura gramatical do texto e examinandoo como parte de um conjunto normativo mais amplo, verseá que tal conclusão não é possível, o que afasta a contradição. É que, como se sabe, a multa de mora e a multa de oficio se excluem mutuamente, de modo que uma não se aplica onde se aplica a outra. Assim, não haveria hipótese de que, quando da aplicação da multa de mora, na sua base esteja a multa de oficio. Esse fato não pode ser visualizado com a mera leitura isolada dos dispositivos, mas é facilmente percebido quando se examina conjuntamente os artigos 44 e 61 da Lei n°. 9.430, de 1996. O primeiro, prescreve que, nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas multa de oficio de 75% ou 150%, conforme o caso, o que exclui a incidência, nas mesmas hipóteses, da multa de mora. Portanto, não há como se concluir que o art. 61, ao prever a aplicação da multa de mora no caso de pagamento de débitos decorrentes de tributos e contribuições, inclusive a multa de oficio, em atraso estaria determinando a incidência daquela sobre esta. O Decreto nº 3000/99 que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda para 1999 (RIR/99) tem dispositivo específico sobre a incidência da multa de mora, com matriz legal justamente no art. 61 da Lei nº 9.430/96: Fl. 29971DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 20 Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei d. 9.430, de 1996, art. 61). (.......) § 3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. O dispositivo supra transcrito expõe em definitivo a fragilidade da interpretação do texto sob o aspecto exclusivamente gramatical. Aqui, a exceção estabelecida no § 3º deixa claro que o caput do art. 950, bem como de sua matriz legal o caput do art. 61, da Lei nº 9.430/96, englobam a multa de ofício. Em termos jurisprudenciais, convém transcrever julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que utiliza justamente o fundamento acima exposto para manter os juros sobre a multa de ofício2: "TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa." (TRF4ª Região, Ap. Cível nº 2005.72.01.0000311/SC, Rel. Des. DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, 2ª T., v.u., j. em 29/01/2008, DE de 21/02/2008). Confirase o voto do Relator: "Não merece acolhida a tese da apelante. O artigo 113, § 3º, do CTN dispõe que "a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." A respeito do mencionado artigo, Leandro Paulsen teceu o seguinte comentário: "o legislador quis deixar certo é que a 2 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. . 11 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. Fl. 29972DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.720023/201418 Acórdão n.º 1402002.065 S1C4T2 Fl. 29.963 21 multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável ao tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para a sua cobrança (...)" (in Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 5ª edição, p. 774) Ou seja, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. Tampouco há falar em violação ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária como quer a impetrante. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifos meus) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Ante o exposto, nego provimento ao apelo." Registrese que o STJ também tem decisões nesse sentido: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL MULTA PUNITIVA CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ: 11/05/2010) Fl. 29973DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 22 TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, publ: 14/09/2009) De todo o exposto, a meu ver o entendimento correto é no sentido de considerar perfeitamente legal a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. Em resumo do voto, manifestome por dar provimento parcial ao recurso voluntário para deduzir da exigência do PIS e da Cofins, com as devidas imputações nos termos expostos neste voto, os valores recolhidos a maior dessas contribuições. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 29974DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11030.720608/2010-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO.
Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado.
Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO. Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado. Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 06 08 /2 01 0- 01 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 161), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: "(...)Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em relação a restituição por meio eletrônico relativo a créditos que a interessada alega possuir, originados de valores de Cofins nãocumulativa que deveriam ser corrigidos monetariamente ou ter incidência da taxa Selic. Analisado ao pleito original da contribuinte pela DRF em Passo Fundo, foi reconhecida integralidade do direito creditório originalmente pleiteado, tendo a empresa sido cientificada da decisão em 10/11/2010, conforme AR juntado ao processo. Não obstante, a contribuinte encaminhou pelo Correio em 10/12/2010 (com carimbo de recepção em 13/12/2010 aposto pela DRF Passo Fundo) manifestação de inconformidade, encaminhada a esta DRJ para análise, pleiteando a correção monetária ou aplicação da taxa Selic sobre os créditos reconhecidos administrativamente pela DRF pelos valores originais. Transcreve jurisprudência a seu favor. Nesta peça não aborda o prazo para a apresentação da inconformidade. Entendendo que a Manifestação de Inconformidade era intempestiva, haja vista a data de 13/12/2010, então considerada Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720608/201001 Acórdão n.º 3802002.295 S3TE02 Fl. 163 3 pelos elementos constantes no processo, este órgão julgador encaminhou o processo de volta à origem para que fosse lavrado o termo de revelia. Entretanto, ao tomar ciência do Despacho DRJ, a interessada compareceu novamente ao processo, apresentando solicitação de revisão do despacho, esclarecendo o engano ocorrido quanto à data correta de postagem, 10/12/2010, comprovandoo mediante documentação hábil e argumentando pela tempestividade com base no Ato Declaratório Normativo No 19, de 26/05/1997, pelo qual deve ser considerada a data de postagem da petição. Assim sendo, o processo foi remetido novamente à DRJ em 17/06/2011". Ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, restando superada a discussão acerca da sua tempestividade, a 2ª Turma da DRJ/POA entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 Face à existência de expressa vedação legal, inaceitável a correção monetária ou a incidência de juros no ressarcimento de créditos de Pis/Cofins não cumulativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário (fls. 130 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, reforçando seu argumento no sentido de que a demora na análise do pleito – não atendido até o momento da interposição do Recurso Voluntário – configura a resistência indevida do fisco, viabilizando a incidência de correção monetária sobre seu crédito a receber, desde a data do protocolo do pedido administrativo, alternativamente, a partir do primeiro dia subsequente ao término do prazo concedido pela legislação para que se julgasse o pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 161), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de pedido de restituição formulado após processo de ressarcimento, cujo deferimento somente foi proferido após decurso de prazo superior a um ano. Em sua manifestação de inconformidade original (fls. 03 e seguintes), o contribuinte afirma que, até aquele momento, não havia sido efetivamente ressarcido dos valores reconhecidos no pedido formulado em 2010. Ao ser intimado da decisão que equivocadamente considerou intempestiva a Manifestação de Inconformidade, o contribuinte apresentou petição (fls. 88 e seguintes) esclarecendo o erro e afirmando que o crédito foi ressarcido pelo seu valor nominal, todavia sem especificar o momento de sua ocorrência. Dessa petição seguiuse o julgamento de mérito da DRJ, que, mesmo reconhecendo a tempestividade da manifestação de inconformidade, negou o pleito do contribuinte ante a ausência de previsão legal para correção monetária dos créditos de PIS/COFINS objeto de pedido de ressarcimento. Contra essa decisão, o Recurso Voluntário (fls. 130 e seguintes) indica que, até o momento de sua interposição, os créditos ainda não haviam sido efetivamente ressarcidos. Estou de acordo com os fundamentos jurídicos do pedido do contribuinte, porém não percebo materialidade no direito de crédito suscitado. Explico. A causa de pedir do sujeito passivo se dá em razão do fato de que a demora injustificada no ressarcimento de tributos, configura a resistência indevida do fisco a que a jurisprudência do STJ se refere, em sede de recurso repetitivo (cuja reprodução é obrigatória por este Conselho, nos termos do artigo 62A do RICARF). PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720608/201001 Acórdão n.º 3802002.295 S3TE02 Fl. 164 5 postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Além disso, entende o STJ que o raciocínio da correção monetária para os créditos de IPI decorrentes da não cumulatividade se estende para os créditos de PIS e COFINS objeto de pedidos de ressarcimento: PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. CRÉDITO ESCRITURAL. DEMORA NA ANÁLISE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXEGESE DO RESP 1.035.847/RS. 1. A alegação genérica de violação do art. 535 do Código de Processo Civil, sem explicitar os pontos em que teria sido omisso o acórdão recorrido, atrai a aplicação do disposto na Súmula 284/STF. 2. O entendimento firmado no REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, atrai conclusão no sentido de que é devida a incidência de correção monetária aos créditos escriturais que não são gozados pelo contribuinte, na forma de ressarcimento, compensação ou aproveitamento, por resistência ilegítima do Fisco ainda que a demora seja em decorrência de análise de processo administrativo. 3. "O ressarcimento em dinheiro ou a compensação, com outros tributos dos créditos relativos à nãocumulatividade das contribuições aos Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) art. 3º, c/c art. 5º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.637/2002 e para a Seguridade Social (COFINS) art. 3º, c/c art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.833/2003, quando efetuados com demora por parte da Fazenda Pública, ensejam a incidência de correção monetária. " (REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011). (...) Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 4. Embora o REsp paradigma 1.035.847/RS trate de crédito escritural de IPI, o entendimento nele proferido alberga o reconhecimento de que não incide correção monetária sobre créditos escriturais em geral, salvo se o seu ressarcimento, compensação ou aproveitamento é obstado por resistência ilegítima do Fisco. 5. O termo inicial para a incidência da correção monetária é do protocolo dos pedidos administrativos cuja fruição foi indevidamente obstada pelo Fisco. REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011; EDcl nos EDcl no REsp 897.297/ES, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 16/12/2010, DJe 02/02/2011. Recurso especial conhecido em parte, e parcialmente provido. (STJ. Segunda Turma. REsp 1.268.980/SC. Relator Min. Humberto Martins. Julgado em 19/06/2012. Publicado no DJe de 22/06/2012) Ainda que o segundo julgado transcrito acima não seja de reprodução obrigatória, entendo ser a melhor interpretação ao primeiro, não somente ao estender o raciocínio dos créditos de IPI para os ressarcimentos de PIS e da COFINS, como também no que diz respeito ao termo inicial do prazo para fins de aplicação da correção monetária devida. Isso porque, formulado o pedido de ressarcimento, o fisco dispõe de todo o aparato (inclusive sistêmico) para efetivação da análise do pedido. A sobrecarga de pedidos, em si, não me parece argumento razoável para justificar a negativa de correção monetária aos créditos pleiteados. Nesse sentido, para não se submeter à fluência de correção monetária, o fisco deve apresentar seus fundamentos jurídicos – e não somente fáticos e conjunturais – a justificar a demora no atendimento do pedido de ressarcimento. Frisese que, nesse caso em particular, o fisco (assim como o contribuinte nos casos de recolhimento extemporâneo de tributos) está de posse de dinheiro que não lhe pertence, sendo no mínimo razoável a aplicação de correção monetária quando, além de tudo, ainda se demora na análise e/ou no cumprimento do pedido do sujeito passivo, que restar demonstrado como procedente. Contudo, no caso em particular, o Recorrente não apresenta a materialidade do seu crédito, o que motiva concretamente a negar provimento ao seu Recurso. Isso porque, como visto no começo do voto, a empresa apresenta argumentos sinuosos quanto à efetivação do deferimento do seu pedido: ora alega que já foi ressarcido, ora alega que não o foi. Essa afirmação, de aparente sutileza e irrelevância, ao meu ver é fundamental para o deslinde de seu pedido, pois entendo que o pedido de restituição da diferença de valores decorrentes de correção monetária de montante ressarcido a desoras, depende do efetivo cumprimento do pleito originário pelo fisco. Somente nesse momento se pode verificar o quantia devida que lastreará o pedido de restituição. Tal me parece a melhor interpretação sobre a hipótese trazida a lume, até porque, enquanto o ressarcimento originário não se houver efetivado, a quantia devida (quantum debeatur) será ilíquido – dificultando a verificação das diferenças a restituir. E ainda que se diga, com relação à ilação acima, que o pedido de valor a menor não seria obstável (pois indiscutivelmente há mais valores a restituir do que os Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720608/201001 Acórdão n.º 3802002.295 S3TE02 Fl. 165 7 pleiteados), atender a pedidos parciais de restituição provocaria não somente uma eternização na relação jurídica – pois haverá o risco de sempre haver novos pedidos de restituição em decorrência da análise da parcela ainda não apreciada –, como também dificulta a análise de eventual duplo benefício pelo contribuinte (que multiplicará seus pedidos de correção monetária ao longo do tempo em diversos pedidos). Importante também esclarecer que não verifiquei nos autos qualquer documento que comprove a data em que efetivamente teria ocorrido o ressarcimento, o qual, na petição de defesa da tempestividade da Manifestação de Inconformidade, foi alegado como já ter ocorrido pelos valores nominais do pedido original. Destarte, mesmo entendendo que, em tese, o contribuinte tem razão na sua causa de pedir, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, negandose o direito creditório, por ausência de materialidade no seu pleito. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 36498.004253/2006-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 19/05/2006
NORMAS GERAIS. EMBARGOS. CONTRARIEDADE.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pela extinto Conselho de Contribuintes, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
No presente caso, devem ser acatados os embargos para correção da data de julgamento.
Numero da decisão: 2301-004.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em rerratificar o acórdão embargado, a fim deixar claro que a data do julgamento é de 01/12/2009, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR (Relator), NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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EMBARGOS. CONTRARIEDADE. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pela extinto Conselho de Contribuintes, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. No presente caso, devem ser acatados os embargos para correção da data de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em rerratificar o acórdão embargado, a fim deixar claro que a data do julgamento é de 01/12/2009, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 49 8. 00 42 53 /2 00 6- 59 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR (Relator), NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, ADRIANO GONZALES SILVERIO. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 36498.004253/200659 Acórdão n.º 2301004.283 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Feito o registro. Tratamse de embargos da autoridade preparadora, para correção da data do acórdão, que consta como 01/12/2010. Em análise, verificouse que houve equívoco quanto à data do julgamento 01/12/2010, quando deveria registrar 01/12/2009. É o Relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui que utilizarei do registro em ata do que foi decidido. Feito o registro. Consultando os arquivos do CARF, verificase que a data do julgamento ocorreu em 01/12/2009, com o seguinte resultado: "Recurso: 147298 Tipo: RV Processo: 36498.004253/200659 Recorrente: MARDES LIMA MONTEIRO DE ALMEIDA Recorrida: SRPSECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA DECISÃO: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). ACÓRDÃO Nº 230100.813" Portanto, deve ser corrigida a data do acórdão, para 01/12/2009, sem resultado em sua decisão, que foi, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em acolher os embargos, para rerratificar o acórdão embargado, a fim deixar claro que a data do julgamento é de 01/12/2009, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 36498.004253/200659 Acórdão n.º 2301004.283 S2C3T1 Fl. 4 5 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11516.720366/2011-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
Sujeito Passivo. Equiparação da Pessoa Física à Pessoa Jurídica. Empresa Individual.
Para fins tributários, independente de registro ou não, são empresas individuais as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços.
Ônus Da Prova. Presunção Legal.
Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário.
Arbitramento. Hipóteses Legais.
A não escrituração dos livros contábeis a que se sujeita o contribuinte, acarreta o arbitramento consoante previsto no artigo 530 e incisos do Regulamento do Imposto de Renda vigente - RIR/99 (Decreto nº 3.000/99).
Tributação Reflexa.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1302-001.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(documento assinado digitalmente)
ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Relatora
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 Sujeito Passivo. Equiparação da Pessoa Física à Pessoa Jurídica. Empresa Individual. Para fins tributários, independente de registro ou não, são empresas individuais as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços. Ônus Da Prova. Presunção Legal. Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. Arbitramento. Hipóteses Legais. A não escrituração dos livros contábeis a que se sujeita o contribuinte, acarreta o arbitramento consoante previsto no artigo 530 e incisos do Regulamento do Imposto de Renda vigente - RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). Tributação Reflexa. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2218; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.720366/201176 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.814 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2016 Matéria IRPJ e tributação reflexa Omissão de Receitas; Pessoa Física Equiparada à Pessoa Jurídica Recorrente RUBENS MACHADO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção legal de omissão de receitas preceituada no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 autoriza o lançamento tributário quando, devidamente intimada, a contribuinte não logre comprovar a origem dos recursos que ingressaram em suas contas bancárias. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova invertese e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. ARBITRAMENTO. HIPÓTESES LEGAIS. A não escrituração dos livros contábeis a que se sujeita o contribuinte, acarreta o arbitramento consoante previsto no artigo 530 e incisos do Regulamento do Imposto de Renda vigente RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007, 2008 SUJEITO PASSIVO. EQUIPARAÇÃO DA PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA. EMPRESA INDIVIDUAL. Para fins tributários, independente de registro ou não, são empresas individuais as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 03 66 /2 01 1- 76 Fl. 764DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 2 comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Trata de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1046.725/13, proferido pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS, efls. 662 a 668, que manteve as exigências fiscais de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativas aos anoscalendários de 2006, 2007 e 2008, no valor total de R$ 376.527,96, incluídos juros de mora e multa de ofício regular (75%). Os Autos de Infração e Termo de Verificação Fiscal encontramse às efls. 430 a 528. A fiscalização iniciouse na pessoa física de Rubens Machado e foi provocada por demanda do Poder Judiciário, em vista da possibilidade de ocorrência de crime contra a ordem tributária em vista da vultosa movimentação financeira verificada em suas contas bancárias (efls. 14 e 15). Em depoimento pessoal prestado à Polícia Federal em 12/07/2007, o autuado esclareceu: (...) “QUE no ano de 2001 abriu uma conta na Caixa Federal número 164684, agência 0409 a qual tinha por finalidade a retirada de um financiamento imobiliário, sendo a mesma conjunta com a sua esposa CECILIA SOIKA MACHADO, que é funcionária pública; QUE, a sua atividade profissional é de comerciante, mais especificamente adquire materiais e equipamentos ligados ao fornecimento e transmissão de energia elétrica, ou seja, cabos, transformadores, geradores, etc; Fl. 765DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 11516.720366/201176 Acórdão n.º 1302001.814 S1C3T2 Fl. 3 3 QUE, para esta finalidade, os seus clientes depositam o dinheiro na sua conta para que possa efetuar o pagamento ou a aquisição dos bens; QUE, de regra as aquisições são feitas no nome das próprias empresasclientes, sendo que eventualmente a nota é emitida em seu nome como pessoa física; QUE as empresas, no caso de aquisição de bens em seu nome por vezes recusam os produtos, hipótese em que revende esses produtos a outras empresas; QUE os seus clientes principais são PAMPELL, TRG, ISOTRAFO, MOGISE, CMONTINI, VILLAREAL, COMERCIAL LIMA DE METAIS, DINÂMICA MATERIAIS INDUSTRIAIS LTDA, MOGI WATTS, DW MOTORES E TRANSFORMADORES E SIANFER; QUE não recorda de ter feito negócios com uma empresa de nome PACKFER, sendo que caso tenha realizado isso ocorreu em pequenos valores; QUE os valores que recebia das empresascliente transitavam pela conta mantida junto a CEF; QUE não recebia comissão dessas empresas, apenas adquiria os produtos pelo preço mais baixo possível e o revendia pelo valor de mercado, lucrando com a diferença e também assumindo os riscos de eventual prejuízo; (...); QUE, perguntado a respeito da comprovação dos negócios realizados com as citadas empresas responde que teria como comproválos documentalmente; (...); QUE conhece o proprietário da COMERCIAL LIMA DE METAIS (...), que se chama ROBERTO OU ALBERTO, sendo que não detém nenhuma participação junto a essa empresa, mesmo que informal; QUE não possui nenhuma empresa constituída em seu nome e nem em nome de terceiros; QUE não apresentou os seus rendimentos a tributação por não ter renda suficiente, na sua opinião; (...)” A fiscalização verificou que havia alta movimentação financeira na referida conta bancária (CEF) para os anoscalendários de 2006, 2007 e 2008, nos valores de R$ 883.476,00, R$ 1.021.197,00 e R$ 1.305.197,00, respectivamente, e, em contraposição, o contribuinte, pessoa física, havia entregue DIRPF "zeradas" para estes anoscalendários e nem possuía firma individual ou empresa. Intimado e reintimado a esclarecer sobre seus rendimentos e apresentar documentação pertinente, bem como extratos bancários e comprovantes dos valores que transitavam em contas correntes e/ou aplicações fianceiras/poupanças, o contribuinte nada apresentou a este respeito, pelo que a fiscalização obteve os referidos extratos bancários mediante a emissão das Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras (RMF). De posse dos extratos bancários, a fiscalização relacionou os depósitos individualmente, excluindo os valores estornados (por devolução), e intimou novamente o contribuinte a esclarecer a origem dos recursos depositados, bem como apresentar documentação comprobatória correspondente, e, mais uma vez, o contribuinte não respondeu à intimação (efls. 372 a 385). Visando identificar se a conta bancária realmente era movimentada pelo contribuinte e as origens dos valores depositados e creditados (TED), foram intimadas algumas pessoas (22) identificadas nos depósitos, denotando as suas respostas que o contribuinte comercializava sucatas, arrematava lotes de sucatas em leilões, intermediava compras e vendas de equipamentos/sucatas, fazia fretes diversos, desembaraço de equipamentos de Manaus, recebia comissões, vendia transformadores usados, venda de caminhão, entre outros, consoante respostas transcritas no Termo de Verificação Fiscal. Todavia, apesar das respostas que demonstraram as atividades empresariais do contribuinte a grande maioria dos clientes não possuía, ou não enviou, documentação hábil que pudesse justificar os depósitos/créditos havidos na conta corrente do contribuinte. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 4 Detectado que a pessoa física exercia atividades empresariais na informalidade, a fiscalização equiparoua à pessoa jurídica, com fulcro no artigo 150, § 1º, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/99 RIR/99) primeiro intimou o contribuinte a inscreverse no CNPJ, como não o fez, realizou a inscrição de ofício. Nesta Intimação Fiscal o contribuinte também foi intimado a apresentar os livros contábeis obrigatórios, sendo alertado que o lucro poderia ser arbitrado, nos termos do artigo 530, inciso III, do RIR/99 (efls. 411). Foi continuada a ação fiscal na pessoa jurídica constituída de ofício e a fiscalização lavrou novo Termo de Intimação Fiscal, nos seguintes termos: Em 11/03/2011 encaminhamos à pessoa física equiparada a pessoa jurídica Rubens Machado, CNPJ 13.307.507/000134, o Termo de Início de Fiscalização e Intimação Fiscal Nº 081/11 (fls. 413 a 426), solicitando: comprovantes da origem dos recursos creditados em conta corrente listados no anexo “VALORES CREDITADOS EM CONTA CORRENTE DE TITULARIDADE DE RUBENS MACHADO CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA”; e os livros de escrituração contábil obrigatórios, relativos ao período de 01/01/2006 a 31/12/2008, para a pessoa jurídica Rubens Machado, CNPJ 13.307.507/000134. Neste Termo informamos ao contribuinte: que, no relatório citado estavam listados os depósitos efetuados nos anoscalendário de 2006 a 2008 cuja origem não havia sido comprovada até a data de lavratura do Termo; que os cheques depositados devolvidos estavam lançados a débito no citado relatório, de modo a não serem considerados como receita omitida; que os depósitos cuja origem não fosse comprovada seriam considerados receita omitida pela pessoa jurídica Rubens Machado, CNPJ 13.307.507/000134, nos termos do artigo 42 da lei 9.430/96, tendo em vista que a conta da pessoa física Rubens Machado era utilizada para que este exercesse atividades primordialmente empresariais; e que a não apresentação da escrituração contábil sujeitaria o contribuinte ao arbitramento do lucro com os elementos disponíveis, conforme disposto no artigo 530, inciso III do RIR/99. Mais uma vez, o contribuinte quedouse silente e não respondeu ao Termo de Intimação Fiscal. A fiscalização utilizou os documentos fiscais (Notas Fiscais e Recibos) encaminhados pelos clientes do contribuinte para fundamentar a tributação de receita omitida decorrente de revenda de mercadorias, no caso, sucatas de ferro e transformadores, consoante tabela demonstrativa elaborada no Termo de Verificações Fiscais. Após o cotejo entre as informações dos referidos recibos e Notas Fiscais e lista de depósitos/créditos havidos na conta corrente do contribuinte Rubens Machado, alguns valores foram excluídos, consoante explicado: [...] b) em relação aos recibos emitidos para Smiles Transformadores, estão sendo considerados como comprovados os créditos bancários listados na tabela a seguir, os quais estão sendo excluídos do relatório “VALORES CREDITADOS EM CONTA CORRENTE DE TITULARIDADE DE RUBENS MACHADO CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA”. Destacamos que a TED de 01/11/2007, no valor de R$ 5.000,00 permaneceu sem origem comprovada, pois o recibo apresentado, no valor de R$ 13.490,00 não foi emitido pelo contribuinte. [tabela] Fl. 767DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 11516.720366/201176 Acórdão n.º 1302001.814 S1C3T2 Fl. 4 5 Destaquese ainda que todos os demais créditos bancários na conta corrente do contribuinte permaneceram com origem não comprovada, tendo em vista que não foram apresentados comprovantes rendimentos tributáveis (Notas Fiscais ou recibos emitidos pelo contribuinte), isentos ou não tributáveis ou sujeitos à tributação exclusiva coincidentes com as transferências bancárias. (grifos não pertencem ao original) Desta forma, a fiscalização procedeu à tributação da pessoa jurídica de Rubens Machado, para a exigência de IRPJ e tributação reflexa (CSLL, PIS e Cofins), relativamente aos anoscalendários de 2006, 2007 e 2008, por detectadas as seguintes infrações tributárias na auditoria: omissão de receitas na revenda de mercadorias e presunção legal de omissão de receitas evidenciada por créditos bancários, cuja origem não foi justificada pelo contribuinte, devidamente intimado a fazêlo. O regime de tributação foi o arbitramento do lucro em face da não apresentação de livros contábeis obrigatórios pelo contribuinte. Todo o relato dos procedimentos fiscais consoante documentos dos autos e Termo de Verificações Fiscal de efls. 430 a 462. A Turma de Julgamento de Primeira Instância manteve os lançamentos tributários e assim restou ementado o aresto: PESSOA FÍSICA EQUIPARADA À PESSOA JURÍDICA. São empresas individuais, equiparadas às pessoas jurídicas, as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A não apresentação da escrita contábil na forma das leis comerciais e fiscais, em estando a elas obrigado, implica tributação pelo lucro arbitrado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONSTITUCIONALIDADE. ANÁLISE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A instância administrativa não detém competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. CONTRIBUINTES E TRIBUTAÇÃO REFLEXA As empresas individuais equiparadas às pessoas jurídicas pela legislação do imposto de renda são também contribuintes da CSLL, da Contribuição para o PIS e da Cofins. Os lançamentos reflexos da CSLL, Contribuição para o PIS e Cofins observam o mesmo procedimento adotado no auto de infração do IRPJ, devido à relação de causa e efeito que os vincula. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 6 Importante salientar neste relatório que as matérias aventadas na impugnação aos lançamentos tributários foram as seguintes, consoante relatório do acórdão recorrido e da referida defesa acostada às efls. 535 a 548: Razões de defesa A contribuinte diz que pratica atividade comercial, mas não em nome próprio. O comércio seria praticado por conta de terceiros. O recorrente seria um representante comercial. Na doutrina predominaria o entendimento de que os representantes comerciais são comerciantes, mesmo que operem em nome alheio, porque exercem atividade auxiliar do comércio, preparatório da compra e venda. Os verdadeiros adquirentes das mercadorias seriam os clientes e não o recorrente. Diz (fl. 537): Esta intermediação comercial ou comércio por conta de terceiros, tornase mais evidente ns situações em que o cliente adquirente das mercadorias recusa os produtos, por razões diversas e exige que o Recorrente revenda esses produtos para outras empresas para ressarcir o valor que lhe foi depositado. Nesta situação, é obvio que quem está vendendo as mercadorias é o cliente, então o Recorrente, pois foi este quem as adquiriu, o Recorrente fez apenas a intermediação do negócio. As declarações prestadas à polícia federal confirmariam ser essa a atividade realizada. Transcreve trechos dos depoimentos. O fato de o recorrente ter emitido algumas notas fiscais não lhe retiraria a condição de intermediário, haja vista que o Recorrente somente o fez por determinação do cliente pra conseguir transportar as mercadorias do local da compra até a sede ou outro local que lhe foi indicado pelo cliente representado. A remuneração que percebia seria de 5%, assim, todos os depósitos efetuados em sua conta bancária, somente 5% são rendimentos seus. Os clientes circularizados teriam ratificado a situação de representante comercial praticada pelo recorrente. À fl. 537/541 reproduz as informações prestadas por diversos clientes, destacando informações que dariam conta de realizar intermediação de negócios. Traz jurisprudência da Receita Federal acerca da matéria. Em razão das razões expostas, o recorrente não estava obrigado a manter registros das operações e transações que realizou, exigência que seria aplicável tão somente aos clientes pessoas jurídicas que representou. Submeter o montante de todos os depósitos em conta bancária à tributação ofenderia o princípio da capacidade contributiva e teria caráter confiscatório. Fixados os termos do litígio, o votocondutor apreciou as razões de defesa, fundamentando o decisório: A defesa consente que atendia todos os requisitos para se enquadrar como empresa individual: exploração do comércio, habitual e profissionalmente, vendendo bens com objetivo de lucro. Um único requisito diz não cumprir: atuar em nome próprio. A matéria litigiosa é, então, definir se o interessado atuava em nome próprio ou em nome de terceiros. Entendo que está demonstrada a atuação em nome próprio do Sr. Rubens Machado, pelas razões abaixo. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 11516.720366/201176 Acórdão n.º 1302001.814 S1C3T2 Fl. 5 7 1 – Em declaração à polícia federal, informou que não recebia comissões; que adquiria produtos para revendêlos por preço maior, lucrando com a diferença e assumindo os riscos de eventual prejuízo. Esse excerto do depoimento está à fl. 18. 2 – Em que pese afirme ter recebido comissões de 5% sobre o preço das mercadorias comercializadas, nenhuma prova nesse sentido foi trazido aos autos. A prova poderia ser efetuada com os extratos bancários, demonstrando, exemplificativamente, o ingresso dos recursos, o pagamento da mercadoria correspondente e o recebimento ou retenção da comissão correspondente. Mas nenhuma demonstração disso foi feita. 3 – Não há indicativo de compra por ordem de terceiros, nenhum documento veio ao processo que demonstre isso. Não existem as alegadas ordens para que compre tais ou quais materiais, podendo pagar até determinado preço. As informações prestadas pelas empresas demonstram que o Sr. Rubens Machado adquiria os produtos e os revendia, às vezes comprando lotes maiores e revendendo para diversas empresas. Vejase informações prestadas por: – Comercial Lima de Metais. Conforme relatório fiscal, teria havido compras de partes de lotes de sucatas arrematadas, pois a compradora não tinha condições de adquirir lotes inteiros. Afirma que o Sr. Rubens Machado comprava os lotes e saía entregando as mercadorias nos mais diversos estados da federação, que prometia enviar notas de venda, mas nem sempre o fazia. – Smile Transformadores Ltda., informou que pagou pela compra de transformadores usados; – Flavel Multimarcas de Veículos Ltda., pagou pela aquisição de um caminhão; – Osmar Noronha informa que pagou pela compra de material elétrico, mas o devolveu por estar em desacordo com o pedido. 4 – A devolução de produtos ao Sr. Rubens Machado também evidencia que ele agia em nome próprio. Se a aquisição tivesse sido por conta de terceiro, não caberia a devolução ao suposto intermediário, mas sim a devolução ao vendedor. Assim, se ‘A’ vende para ‘B’ em negócio intermediado pelo Sr. Rubens e o produto está em desacordo, caberia a devolução do produto à ‘A’. A devolução para o suposto intermediário demonstra que ele era o vendedor. 5 – Houve a emissão de notas fiscais avulsas pelo Sr. Rubens Machado. A defesa não demonstrou que essas mercadorias haviam sido adquiridas por ordem e conta de terceiros. Portanto, são vendas autônomas efetuadas pelo autuado. Muitas das pessoas jurídicas circularizadas informaram que o Sr. Rubens Machado intermediava a compra e venda de sucatas e produtos do gênero. Mas essa intermediação, pelo que defluo das respostas, não era realizada por conta do futuro destinatário do produto, mas por conta própria do autuado, pois é ele quem assumia o risco do negócio. Até é possível que houvesse também aquisições por conta de terceiros e mediante comissionamento, apesar de isso não estar comprovado por documentos. Mas seguramente havia a realização de vendas de produtos de forma habitual, profissional, com fim de lucro, realizadas por conta própria do Sr. Rubens Machado. E, assim, acertado foi equiparálo à pessoa jurídica, com base na legislação anteriormente citada. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 8 [...] Segue o voto apreciando a questão do arbitramento do lucro e sobre a arguição de confisco e ofensa à capacidade contributiva. Tempestivamente1, o autuado interpôs o Recurso Voluntário de efls. 684 a 730 acrescentando diversas argumentações contestatórias àquelas arguídas na defesa inicial, em suma: a) nulidade do procedimento fiscal ao obter os extratos bancários da conta corrente do recorrente por quebra de sigilo sem autorização judicial, alegando que existem dois julgados do Supremo Tribunal Federal que vedam este procedimento do fisco federal, ainda que amparado pela Lei Complementar nº 105/01, processados sob o rito processual que concede os efeitos da repercussão geral, pelo que o Carf está vinculado aos termos destes julgados RExt. STF nºs 389.808 e 387.604; b) nulidade do procedimento fiscal por ausência de processo específico para a realização do arbitramento, citando o artigo 148 do CTN; destaca que não houve intimação prévia, nem foi lavrado Termo de Arbitramento; c) decadência das exigências de tributos relativa aos meses anteriores a abril de 2006, tendo em vista a ciência do recorrente em 05/05/2011; d) no mérito, ataca o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, defendendo tese sobre a sua inaplicabilidade, e a impossibilidade da utilização de extratos bancários; alega, entre outras razões, que a fiscalização é obrigada a comprovar a renda consumida, a efetiva ocorrência do fato gerador, além de reprisar que o acesso às informações ao CPMF não autorizam a quebra do sigilo bancário etc; f) argumenta que todos os depósitos foram tributados, sem a fiscalização extrair dos totais os adiantamentos de clientes, empréstimos etc; invoca a súmula nº 182 do TRF; g) requer que a fiscalização deveria ter aplicado a legislação mais favorável ao recorrente e tributar pelo Simples e não arbitrado o lucro do contribuinte; h) ataca a multa de ofício cominada (75%) por ofender os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e por ter natureza confiscatória. A matéria que foi ventilada na impugnação e reiterada no recurso voluntário, em termos, versa sobre ser indevida a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica em razão de: i) as informações dos clientes do recorrente demonstram cabalmente que este era apenas um intermediário comercial, que recebia comissões no percentual de 5%; ii) as operações detectadas pela fiscalização, utilizadas para a comprovação do comércio, para estabelecer a equiparação, não retratam qualquer habitualidade, ou profissionalismo, pois foi apenas uma em 2006, cinco em 2007 e seis em 2008; 1 Termo de Ciência Pessoal 23/12/13 (efls. 677) Recurso Voluntário 23/01/14 (efls. 683) Fl. 771DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 11516.720366/201176 Acórdão n.º 1302001.814 S1C3T2 Fl. 6 9 iii) ataca o arbitramento do lucro por ter sido realizado sobre a totalidade das receitas, sem que a fiscalização separasse as operações por comerciais e prestações de serviço, sendo que estas últimas deveriam ter sido levadas à tributação da pessoa física e não da jurídica. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Inicio o voto pela apreciação das matérias relatadas, questões de fato suscitadas pela recorrente, que foram tanto argumentações ventiladas na impugnação oferecida contra os lançamentos tributários objetos deste litígio, quanto no recurso ora analisado. A recorrente argumenta que a fiscalização detectou pouquíssimas operações negociais nos extratos bancários da conta corrente que espelhou as movimentações financeiras ocorridas em 2006, 2007 e 2008, o que inviabiliza a equiparação da pessoa física à jurídica, pois não restou plenamente caracterizado nem a habitualidade, nem o profissionalismo, atributos necessários à equiparação e caracterização das atividades empresariais. A recorrente, na verdade, não captou a integralidade dos esclarecimentos tecidos pela fiscalização no Termo de Verificações Fiscal e a abrangência dos trabalhos fiscais. A movimentação da conta corrente do recorrente evidencia mais de 100 depósitos/créditos por ano, sem que houvesse qualquer justificativa por sua parte de esclarecer a origem destes recursos. Basta checar nos Termos de Intimações Fiscais enviados à pessoa Física e repetido à empresa constituída de ofício, além do próprio Termo de Verificações Fiscais nos quais todos os créditos bancários foram devidamente relacionados, de forma individual. Ademais, em razão da recorrente não haver respondido qualquer pedido de esclarecimento da fiscalização, pretendendo entender as atividades empresariais da pessoa física detentora da conta corrente bancária, justamente em vista da alta movimentação financeira, resolveu intimar, aleatoriamente, algumas das pessoas que depositaram valores na conta (22 pessoas), ao que informaram quais as atividades negociais praticadas pela pessoa física. Cada resposta também está descrita minuciosamente do Termo de Verificações Fiscais, bem como acostados aos autos em suas integralidades. Da relevante movimentação financeira e respostas elucidativas dos clientes dos negócios de Rubens Machado e, ainda, do seu próprio depoimento à Polícia Federal, é que aplicouse as disposições do artigo 150, § 1º, inciso II, do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) e equiparouse a pessoa física à pessoa jurídica, estando correto o procedimento fiscal, sem qualquer mácula. Assim dispõe o remissivo legal: Fl. 772DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 10 Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). § 1º São empresas individuais: (...) II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "b"); As operações comerciais invocadas pela recorrente no recurso voluntário, como insuficientes para estabelecer a equiparação realizada, são concernentes apenas àquelas operações cujas empresas apresentaram documentos hábeis para que o lançamento tributário fosse efetuado como omissão de receitas de vendas. Todavia, não foram as operações comerciais mais significativas e que evidenciaram o profissionalismo e a habitualidade empresarial retratada nas mais de trezentas movimentações bancárias só de crédito existentes na conta corrente do fiscalizado, bem como esclarecimentos prestados por terceiros e pelo próprio equiparado em depoimento à Polícia Federal. No que respeita à contestação de que Rubens Machado não pode ser equiparado à pessoa jurídica, pois recebia somente comissões e atuava na verdade como representante comercial, e que as informações prestadas pelos clientes demonstram este fato e que só recebia 5% a título de comissões nestas operações comerciais, a recorrente não logrou apresentar documentação que assim comprovasse. E as respostas dos clientes nem sempre assim evidenciaram. Além do mais, aqueles clientes que entregaram comprovantes hábeis das operações, comprovaram, ao contrário, o comércio realizado por Rubens Machado, tanto que as receitas, omitidas, foram tributadas. A recorrente não apresentou um documento hábil que fosse a título de comissão recebida por Rubens Machado, em trabalho por conta de terceiros, e não por conta própria. A Turma de primeira Instância rechaçou com firmeza esta argumentação, vejamos: Entendo que está demonstrada a atuação em nome próprio do Sr. Rubens Machado, pelas razões abaixo. 1 – Em declaração à polícia federal, informou que não recebia comissões; que adquiria produtos para revendêlos por preço maior, lucrando com a diferença e assumindo os riscos de eventual prejuízo. Esse excerto do depoimento está à fl. 18. 2 – Em que pese afirme ter recebido comissões de 5% sobre o preço das mercadorias comercializadas, nenhuma prova nesse sentido foi trazido aos autos. A prova poderia ser efetuada com os extratos bancários, demonstrando, exemplificativamente, o ingresso dos recursos, o pagamento da mercadoria correspondente e o recebimento ou retenção da comissão correspondente. Mas nenhuma demonstração disso foi feita. 3 – Não há indicativo de compra por ordem de terceiros, nenhum documento veio ao processo que demonstre isso. Não existem as alegadas ordens para que compre tais ou quais materiais, podendo pagar até determinado preço. As informações prestadas pelas empresas demonstram que o Sr. Rubens Machado Fl. 773DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 11516.720366/201176 Acórdão n.º 1302001.814 S1C3T2 Fl. 7 11 adquiria os produtos e os revendia, às vezes comprando lotes maiores e revendendo para diversas empresas. Vejase informações prestadas por: – Comercial Lima de Metais. Conforme relatório fiscal, teria havido compras de partes de lotes de sucatas arrematadas, pois a compradora não tinha condições de adquirir lotes inteiros. Afirma que o Sr. Rubens Machado comprava os lotes e saía entregando as mercadorias nos mais diversos estados da federação, que prometia enviar notas de venda, mas nem sempre o fazia – Smile Transformadores Ltda., informou que pagou pela compra de transformadores usados; – Flavel Multimarcas de Veículos Ltda., pagou pela aquisição de um caminhão; – Osmar Noronha informa que pagou pela compra de material elétrico, mas o devolveu por estar em desacordo com o pedido. 4 – A devolução de produtos ao Sr. Rubens Machado também evidencia que ele agia em nome próprio. Se a aquisição tivesse sido por conta de terceiro, não caberia a devolução ao suposto intermediário, mas sim a devolução ao vendedor. Assim, se ‘A’ vende para ‘B’ em negócio intermediado pelo Sr. Rubens e o produto está em desacordo, caberia a devolução do produto à ‘A’. A devolução para o suposto intermediário demonstra que ele era o vendedor. 5 – Houve a emissão de notas fiscais avulsas pelo Sr. Rubens Machado. A defesa não demonstrou que essas mercadorias haviam sido adquiridas por ordem e conta de terceiros. Portanto, são vendas autônomas efetuadas pelo autuado. Muitas das pessoas jurídicas circularizadas informaram que o Sr. Rubens Machado intermediava a compra e venda de sucatas e produtos do gênero. Mas essa intermediação, pelo que defluo das respostas, não era realizada por conta do futuro destinatário do produto, mas por conta própria do autuado, pois é ele quem assumia o risco do negócio. As colocações acima foram bem pontuadas e a recorrente não logrou rechaçá las, nem apresentou documentação, de forma a convencer do contrário esta turma julgadora de segunda instância. Ademais, o que importa no presente litígio é que a fiscalização procedeu aos lançamentos tributários com fulcro em documentos hábeis e idôneos que obteve junto a terceiros (da revenda de mercadorias e não do recebimento das alegadas comissões) e também com respaldo no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, por duas razões fundamentais: a primeira porque o contribuinte não declarou receita alguma ao fisco durante três anos, a despeito de intensa movimentação financeira; a segunda, porque a fiscalização assim procedeu em resposta à absoluta inércia e descaso do próprio contribuinte, que não atendeu a um termo de intimação fiscal para possibilitar que os lançamentos tributários fossem realizados em outras bases legais. Se a recorrente pretendeu que as autuações, por omissão de receitas, fossem realizadas na forma não presumida (artigo 42 da lei nº 9.430/96), deveria ter exibido durante a fiscalização, quando intimada, os documentos comprobatórios de sua alegada condição de representante comercial. Alegar e não comprovar, e o mesmo que nada alegar. Esta mesma linha de convicção serve para rebater a argumentação que a fiscalização deveria ter arbitrado o lucro separando as operações comerciais das operações de Fl. 774DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 12 prestações de serviços e que, estas últimas, deveriam ter sido tributadas na pessoa física. A argumentação é descabida e ausente de amparo legal. A prestação de serviços, de forma habitual e profissional, também enseja a equiparação da pessoa física à jurídica. E na tributação realizada com estrita observância aos preceitos legais, como se verifica no presente caso, com fulcro em presunção legal de omissão de receitas evidenciada por depósitos bancários cuja origem não é justificada pelo detentor da conta, não faz a menor diferença se a receita da pessoa jurídica adveio de prestação de serviços ou do comércio. Por conseguinte, o acórdão proferido em primeira instância deve ser mantido na íntegra. Com relação às demais argumentações trazidas em sede recursal deve restar claro algumas posições adotadas neste julgado. Da decadência alegada, que teria ocorrido em relação aos meses de janeiro a abril de 2006 (ou primeiro trimestre de 2006, para as exigências de IRPJ e CSLL), mister é salientar que a recorrente não procedeu a qualquer recolhimento, ou confessou qualquer débito (em DCTF), nos termos do Recurso Especial STJ nº 973.733/SC, cujo rito processual (recursos representativos de controvérsia) impõe a observância obrigatória pelas turmas julgadoras do Carf: Relator: Min Luiz Fux PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.055/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007 [...]) 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase reguladas por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). [...] Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 775DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 11516.720366/201176 Acórdão n.º 1302001.814 S1C3T2 Fl. 8 13 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (grifos não pertencem ao original) No caso em concreto, a recorrente não procedeu a qualquer antecipação de pagamentos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ou sequer confessou à Administração Tributária os débitos tributários, pelo que o preceito a ser aplicado na contagem do prazo decadencial é o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. Afastase a arguição da decadência. Da nulidade do procedimento fiscal, por suposta quebra de sigilo fiscal sem a autorização judicial, tese que estaria sendo acolhida no Supremo Tribunal Federal e, segundo entendimento da recorrente, as decisões exaradas nos Recursos Extraordinários nºs 389.808 e 387.604 se processaram sobre o rito processual que concede os efeitos da repercussão geral, deve restar esclarecido que assim não ocorreu. As referidas decisões têm o condão de só serem válidas entre as partes, não possuindo efeitos erga omnis, pelo que não pode ser invocada em favor próprio da recorrente, e não foram declaradas, pela Corte Suprema, para a aplicação em repercussão geral. A fiscalização, no presente caso, pautouse por observar todos os procedimentos legais vigentes exigidos para a obtenção dos extratos bancários que serviram de indícios para a caracterização da presunção de omissão de receitas preceituada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Da necessidade, inarredável de "processo específico de arbitramento", prescrito no artigo 148 do CTN2, é absurda a interpretação cognitiva da recorrente a respeito do assunto. Primeiro, porque o artigo do código trata de arbitramento de preços e valores e não do regime de tributação para apuração de lucro, cujo preceito legal está no artigo 530 do RIR/99. Segundo, porque o processo a que se refere o dispositivo legal é o processo administrativo fiscal e não um processo específico para arbitramento de preços e valores, o que não se aplica de forma alguma ao caso em concreto. Da inaplicabilidade do artigo 42 da lei nº 9.430/96, importante esclarecer que a Súmula TRF nº 182 encontrase superada após a edição desta norma jurídica tributária e, de igual forma, as argumentações quanto à comprovação, por parte da fiscalização, a respeito da efetividade da ocorrência do fato gerador, consumo da receita ou qualquer outro fato, para subsidiar os lançamentos tributários, com exceção aos créditos bancários que evidenciam a omissão de receitas. As presunções legais vêm expressas na lei tributária. O próprio legislador destaca situações especiais nas quais os indícios pressupõem a ocorrência do fato gerador, no caso, a obtenção de receita. São situações que de tão excepcionais denunciam o ilícito tributário. O numerário depositado em conta bancária, não justificado pelo contribuinte interpelado, constitui omissão de receita. 2 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 14 Saliento, por oportuno, que os fiscalizados, pessoas física e jurídica, foram regularmente intimados a justificar os créditos, individualmente, relacionados. Todavia, sequer responderam às intimações fiscais. E, como já relatado, não há nos autos documentos capazes de justificar as origens dos créditos tributários, que compuseram as bases de cálculo dos valores exigidos nos Autos de Infração, com exceção àqueles obtidos junto a terceiros pela própria fiscalização. As presunções legais, pois, surgem de situações nas quais, com tranqüilidade, os indícios denotam a ocorrência do ilícito tributário e erguemse sobre indícios (no caso os depósitos bancários) que devem ser devidamente e fartamente provados, como no presente lançamento. Vale a pena transcrever o artigo 239 do CPP, que conceitua indício: Art.239.Considerase indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluirse a existência de outra ou outras circunstâncias. Este link entre os indícios e o fato tributariamente relevante é fornecido pela norma tributária: depósitos não justificados Þ omissão de receitas; saldo credor de caixa Þ omissão de receitas; passivo fictício Þ omissão de receitas, e assim por diante. As presunções enunciadas na norma tributária não são absolutas (juris et juris). São presunções legais relativas (juris tantum) o que significa que comportam provas em contrário. Estas provas deverão ser apresentadas pelo contribuinte e a própria norma traz esta condição expressa em seu bojo, pois foge à regra geral relativa ao ônus da prova (pertinente ao fisco). Em todos os casos em que a lei expressamente declare a presunção, o ônus da prova é invertido e, na seara tributária, há muitos casos de presunções legais como a prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Assim dispõem os artigos 925 e 926 do RIR/99: Ônus da Prova Art.924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). Inversão do Ônus da Prova Art.925.O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §3º). Destarte, irrelevante para a aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, no lançamento tributário, a identificação da origem dos ingressos nas contas bancárias ou estabelecerse qualquer nexo com o faturamento da empresa, ou outro objeto. E com fulcro no artigo 926 acima reproduzido, quem tem o dever de provar que a origem dos valores depositados em conta de sua titularidade não provêm da obtenção de receitas (fato gerador), até então omitidas, é o sujeito passivo da obrigação tributária. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 11516.720366/201176 Acórdão n.º 1302001.814 S1C3T2 Fl. 9 15 Inapropriada, ainda, a argumentação que a fiscalização deveria ter deixado de realizar o arbitramento do lucro, consoante impõe o artigo 530, inciso III, do RIR/99 e aplicar ao contribuinte faltoso a opção de aderir à sistemática do Simples, regime de favor fiscal que deve ser optado pelos contribuintes. Absoluta falta de amparo legal para esta arguição. Inverossímil a alegação de que a autoridade fiscal não computou no levantamento dos valores creditados na conta corrente os valores a serem excluídos por não consistirem em créditos, tais como empréstimos, devoluções de cheques, estornos etc. Basta a leitura sequer acurada do Termo de Verificações Fiscal, bem como checarse nos demonstrativos elaborados, que a fiscalização tomou este cuidado. Se houve qualquer erro no levantamento dos valores, individualmente relacionados, compete à recorrente apontar acuradamente tal erro. Por derradeiro, as arguições de inconstitucionalidade/ilegalidade de normas tributárias vigentes (cominação da multa de ofício e a respeito do artigo 42 da Lei nº 9.430/96), por ofensivas a princípios constitucionais, tais como, razoabilidade, proporcionalidade ou constituírem normas de natureza confiscatórias, fogem estas discussões do âmbito do tribunal administrativo, devendo ser levadas ao Supremo Tribunal Federal. Esta matéria já foi sumulada: Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 778DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA
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Numero do processo: 16561.000065/2009-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
OMISSÃO NO REGISTRO DA DECISÃO. LAPSO MATERIAL. CORREÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração para suprir omissão no registro da decisão e adequá-la ao voto condutor do acórdão.
Numero da decisão: 1402-002.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração para suprir a omissão e retificar o registro da decisão no Acórdão 1402-001.713 que terá o seguinte teor : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência referente à controlada Holdtotal. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá que votou por negar provimento integralmente. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência referente à coligada Yguazú Cemento S/A e a exigência da CSLL referente à coligada Loma Negra. O conselheiro Carlos Pelá acompanhou o Relator pelas conclusões.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Mateus Ciccone, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 OMISSÃO NO REGISTRO DA DECISÃO. LAPSO MATERIAL. CORREÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração para suprir omissão no registro da decisão e adequá-la ao voto condutor do acórdão.
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LAPSO MATERIAL. CORREÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração para suprir omissão no registro da decisão e adequála ao voto condutor do acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração para suprir a omissão e retificar o registro da decisão no Acórdão 1402001.713 que terá o seguinte teor : “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência referente à controlada Holdtotal. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá que votou por negar provimento integralmente. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência referente à coligada Yguazú Cemento S/A e a exigência da CSLL referente à coligada Loma Negra. O conselheiro Carlos Pelá acompanhou o Relator pelas conclusões”. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Mateus Ciccone, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 65 /2 00 9- 86 Fl. 699DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000065/200986 Acórdão n.º 1402002.134 S1C4T2 Fl. 700 3 Relatório A interessada apresentou embargos de declaração contra o Acórdão 1402 001.713 prolatado por este Colegiado e que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência referente à controlada Holdtotal.; e, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência referente às coligadas Yguazú Cemento S/A (IRPJ e CSLL) e Loma Negra (CSLL). De acordo com a embargante a decisão teria incorrido em contradição, pois no bojo do voto condutor está expresso o cancelamento da exigência da CSLL referente à coligada Loma Negra enquanto a parte dispositiva da decisão menciona apenas o cancelamento da autuação referente à empresa Yguazú. Em despacho regimental, a presidência do colegiado entendeu pela admissibilidade do recurso. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto A interessada apresentou embargos de declaração contra o Acórdão 1402 001.713 prolatado por este Colegiado e que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência referente à controlada Holdtotal.; e, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência referente às coligadas Yguazú Cemento S/A (IRPJ e CSLL) e Loma Negra (CSLL). De acordo com a embargante a decisão teria incorrido em contradição, pois no bojo do voto condutor está expresso o cancelamento da exigência da CSLL referente à coligada Loma Negra enquanto a parte dispositiva da decisão menciona apenas o cancelamento da autuação referente à empresa Yguazú. O voto condutor deixa claro que pela aplicação do entendimento do STF deveria ser cancelada a exigência da CSLL para a coligada Loma Negra (destaque acrescido): [...] Por outro lado, excluise da tributação o valor da CSLL referente aos rendimentos das empresas Loma Negra e Yguazú, pela aplicação da decisão do STF. [...] Entretanto, no que se refere à apreciação do recurso voluntário, o registro da decisão faz menção apenas ao cancelamento da autuação referente à coligada Yguaçu. Dessa forma cabe a correção da parte dispositiva para adequála ao resultado do julgamento. O registro da decisão deve ficar com o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência referente à controlada Holdtotal. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá que votou por negar provimento integralmente. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência referente à coligada Yguazú Cemento S/A e a exigência da CSLL referente à coligada Loma Negra. O conselheiro Carlos Pelá acompanhou o Relator pelas conclusões. É como voto. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 702DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000065/200986 Acórdão n.º 1402002.134 S1C4T2 Fl. 701 5 Fl. 703DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10580.012347/2007-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/10/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO DO DÉBITO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 13.155/2015, com a inclusão dos Créditos Tributários objeto do vertente lançamento, implica a desistência da impugnação ou do recurso interposto e, cumulativamente, renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos.
Recurso Voluntário não conhecido, em razão da perda do objeto, decorrente da renúncia ao contencioso administrativo.
ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72.
As intimações dos Atos Processuais devem ser feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, como também por via postal ou por meio eletrônico, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado, respectivamente, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária ao Sujeito Passivo, desde que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III, do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, inexistindo ordem de preferência.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-004.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, pela perda do objeto, em razão da renúncia ao Contencioso Administrativo, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PARCELAMENTO DO DÉBITO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 13.155/2015, com a inclusão dos Créditos Tributários objeto do vertente lançamento, implica a desistência da impugnação ou do recurso interposto e, cumulativamente, renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos. Recurso Voluntário não conhecido, em razão da perda do objeto, decorrente da renúncia ao contencioso administrativo. ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. As intimações dos Atos Processuais devem ser feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, como também por via postal ou por meio eletrônico, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado, respectivamente, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária ao Sujeito Passivo, desde que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III, do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, inexistindo ordem de preferência. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, pela perda AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 23 47 /2 00 7- 50 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 do objeto, em razão da renúncia ao Contencioso Administrativo, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.012347/200750 Acórdão n.º 2401004.077 S2C4T1 Fl. 133 3 Relatório Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007. Data da lavratura do AIOA: 19/10/2007. Data da Ciência do AIOA: 26/10/2007. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo Sujeito Passivo do Crédito Tributário lançado mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.106.9203, CFL 34, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso II do art. 32 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 225, II e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, lavrado em razão de o Autuado ter deixado de lançar, mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, no período auditado, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 09/10. CFL 34 Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. A multa foi aplicada no valor básico de R$ 11.951,23 (onze mil, novecentos e cinquenta e um reais e vinte e três centavos), de acordo com a cominação prevista nos artigos 92 e 102 ambos da Lei nº 8.212/91 c.c. artigos 283, II, "a" e art. 373 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, reajustado nos termos da Portaria MPS nº 119, de 18 de abril de 2006, publicada no DOU de 19/04/2006, de acordo com a resenha a fl. 232, in fine, do Relatório Fiscal da Infração. Informa a Fiscalização que a empresa deixou de especificar em título próprio de sua contabilidade os fatos geradores de contribuições previdenciárias consistentes em Direito de Imagem, Direito de Arena, Luva, etc., sendo todas elas consideradas parcelas incidentes. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 47/53. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1522.514 – 5ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 66/73, julgando procedente o lançamento em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 11/10/2010, conforme Aviso de Recebimento a fl. 82. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 83/115, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Nulidade pela falta de clareza na autuação o que dificulta o contraditório e ampla defesa; · Nulidade por falta de fundamentação legal; · Que, em decorrência do princípio da verdade material as formalidades deverão ser relegadas a segundo plano quando em confronto com o conteúdo dos documentos; · Que a quantia paga pela entidade desportiva para a exploração do atleta profissional, não possui natureza salarial; · Que a reincidência não restou comprovada nos autos; · Que a receita proveniente do contrato de cessão de uso da imagem do atleta não constitui remuneração, tendo em vista ser alheia e estranha ao contrato de trabalho desportivo; · Que o lançamento ora atacado, realizado em desobediência à legalidade, se prosperar, resultará em aplicação de penalidade despropositada, permitindo o enriquecimento do Fisco, sem causa que o justifique; · Que a decisão administrativa em que tenha ignorado, desprezado, ou negligenciado os preceitos contidos na Constituição Federal, revelase imprestável para permitir a execução judicial do crédito tributário; · Que a multa aplicada no valor acima apontado pela auditora é totalmente inaceitável, uma vez que aplica valores atualizados; · Que a multa aplicada em valor tão alto fere o princípio constitucional da vedação do confisco, contido no art. 150, IV, da Constituição Federal; · Que a comunicação quanto ao resultado do Recurso Voluntário seja feita no endereço profissional dos patronos da contribuinte, sob pena de nulidade art. 39, I, do CPC; Ao fim, requer o deferimento do recurso. Nada obstante, em 16/12/2015, a Recorrente protocolizou perante a CAC/DRF/SDR petição a fl. 134 informando a adesão da Autuada ao Programa PROFUT instituído pela Lei nº 13.155/2015, requerendo expressamente a DESISTÊNCIA do Recurso Voluntário interposto, em atenção ao disposto no art. 6º, §3º, do suso mencionado Diploma Legal. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.012347/200750 Acórdão n.º 2401004.077 S2C4T1 Fl. 134 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 11/10/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 11/11/2010, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Devidamente cientificado da decisão de 1ª Instância aviada no Acórdão nº 1522.514 – 5ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 66/73, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário, a fls. 83/115, requerendo a reforma da decisão recorrida. Na sequência, em 16/12/2015, a Recorrente protocolizou perante a CAC/DRF/SDR petição a fl. 134 informando a adesão da Autuada ao Programa PROFUT instituído pela Lei nº 13.155/2015. De acordo com o §2º do art. 6º da Lei nº 13.155/2015, o requerimento de parcelamento implica confissão irrevogável e irretratável dos débitos abrangidos pelo parcelamento e configura confissão extrajudicial, podendo a entidade de prática desportiva profissional, a seu critério, não incluir no parcelamento débitos que se encontrem em discussão na esfera administrativa ou judicial, estejam ou não submetidos à causa legal de suspensão de exigibilidade. Nada obstante, para inclusão no parcelamento em tela de débitos que se encontrem vinculados a discussão administrativa ou judicial, submetidos ou não a hipótese legal de suspensão, o devedor deve desistir de forma irrevogável, até o prazo final para adesão, de impugnações ou recursos administrativos, de ações judiciais propostas ou de qualquer defesa em sede de execução fiscal e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, a teor do §3º do suso mencionado dispositivo legal. Lei nº 13.155, de 04 de agosto de 2015 Art. 6o As entidades desportivas profissionais de futebol que aderirem ao Profut poderão parcelar os débitos na Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda, na ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e no Banco Central do Brasil, e os débitos previstos na Subseção II, no Ministério do Trabalho e Emprego. §1o O disposto neste artigo aplicase aos débitos tributários ou não tributários, cujos fatos geradores tenham ocorrido até a data de Fl. 140DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 publicação desta Lei, constituídos ou não, inscritos ou não como dívida ativa, mesmo que em fase de execução fiscal ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento. §2o O requerimento de parcelamento implica confissão irrevogável e irretratável dos débitos abrangidos pelo parcelamento e configura confissão extrajudicial, podendo a entidade de prática desportiva profissional, a seu critério, não incluir no parcelamento débitos que se encontrem em discussão na esfera administrativa ou judicial, estejam ou não submetidos à causa legal de suspensão de exigibilidade. §3o Para inclusão no parcelamento de que trata este Capítulo de débitos que se encontrem vinculados a discussão administrativa ou judicial, submetidos ou não a hipótese legal de suspensão, o devedor deverá desistir de forma irrevogável, até o prazo final para adesão, de impugnações ou recursos administrativos, de ações judiciais propostas ou de qualquer defesa em sede de execução fiscal e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, observado o disposto na parte final do § 2o deste artigo. §4o O devedor poderá ser intimado, a qualquer tempo, pelo órgão ou autoridade competente a comprovar que protocolou requerimento de extinção dos processos, com resolução do mérito. Nessa esteira, cumprindo a exigência prevista no citado §3º do art. 6º da Lei nº 13.155/2015, a Recorrente protocolizou perante a CAC/DRF/SDR petição a fl. 134 informando a adesão da Autuada ao Programa PROFUT instituído pela Lei nº 13.155/2015, requerendo expressamente a DESISTÊNCIA do Recurso Voluntário interposto. Iluminese que o §2º do art. 78 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, estatui que o pedido de parcelamento, por qualquer de suas modalidades, tem por consequência direta a desistência tácita do recurso eventualmente interposto. Regimento Interno do CARF Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. §1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. §2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. §4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à Fl. 141DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.012347/200750 Acórdão n.º 2401004.077 S2C4T1 Fl. 135 7 unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. §5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Ante o exposto, pugnamos pelo não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em razão da perda do objeto, tendo em vista o requerimento de parcelamento formulado pelo Recorrente, e o requerimento de desistência do Recurso Voluntário interposto, circunstancia que implica a renúncia ao contencioso administrativo. 2. DA INTIMAÇÃO. Por fim, o Recorrente requer que a comunicação quanto ao resultado do Recurso Voluntário seja feita no endereço profissional dos patronos da contribuinte, sob pena de nulidade art. 39, I, do CPC. A lei que rege o Processo Administrativo Fiscal determina expressamente que as intimações sejam feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, ou por via postal, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou ainda por meio eletrônico, com prova de recebimento, a teor dos incisos I, II e III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) §1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) §4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §7o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subsequente à formalização do acórdão. (Incluído pela Lei nº 11.457/2007) §8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. (Incluído pela Lei nº 11.457/2007) §9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os Fl. 143DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.012347/200750 Acórdão n.º 2401004.077 S2C4T1 Fl. 136 9 respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do §8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457/2007) Registrese que a conveniência e comodidade do Patrono do Autuado não possui poderio suficiente para subjugar a vontade da lei. O contrário sim. 3. CONCLUSÃO: Nesse contexto, pugnamos pelo não conhecimento do recurso voluntário interposto, pela perda do objeto, em razão da renúncia ao Contencioso Administrativo. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 15586.000031/2006-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005
MULTA ISOLADA, COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA
A Lei nº 10.833/2003, art.18, §4o c/c com o art. 74 §12, II, c da Lei n. 9430/96 prescrevem o cabimento da multa isolada nas hipóteses de compensação com títulos da dívida pública.
Numero da decisão: 3201-001.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA, COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA A Lei nº 10.833/2003, art.18, §4o c/c com o art. 74 §12, II, c da Lei n. 9430/96 prescrevem o cabimento da multa isolada nas hipóteses de compensação com títulos da dívida pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Charles Mayer Castro Souza – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 31 /2 00 6- 06 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Referese o presente processo administrativo a aplicação de multa isolada decorrente de compensação indevida de Cofins. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 03/07, lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Vitória (ES) — DRF/Vitória, no qual consta a exigência de multa isolada no valor de R$ 3.628.765,19, calculada em relação a débitos de COF1NS dos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2004 e fevereiro a dezembro de 2005, indevidamente compensados. De acordo com o relatório de descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 04, o lançamento decorreu de compensações não homologadas, efetuadas em DCTF e notificações extrajudiciais, utilizandose de títulos da divida pública, conforme explicitou o autuante no Relatório de Encerramento da Ação Fiscal em fls. 100/116. No referido relatório, o autuante registra, ainda, que a) A interessada apresentou seguidas notificações extrajudiciais à DRF Vitória, nas quais requeria compensação de débitos tributários com títulos da divida pública; b) as compensações não foram homologadas, conforme decisões da DRF Vitória exaradas nos processos n's 11543.000700/2004 15 e 11543.000701/200460; c) o sujeito passivo violou dispositivos da legislação tributária correspondente a compensações indevidas, realizadas sem previsão legal e falta de recolhimento de tributos devidos; d) quanto aos débitos declarados e indevidamente compensados, o procedimento legal adequado é a aplicação da multa isolada, conforme art. 18 da Lei 10.833/2003, por tratarse de crédito de natureza não tributária. Em relação à falta de recolhimento de tributos não declarados e não pagos no período de janeiro/2005, a diferença apurada foi objeto de lançamento em processos próprios; e) A interessada efetuava pagamentos mensais correspondentes a 1% do total efetivamente devido e pleiteava compensação do restante em DCTF, acobertada com pretensa ação judicial; f)Apesar do indeferimento, a interessada continuou apresentando as notificações de compensação e não efetuou os pagamentos dos débitos indevidamente compensados; Com base nas DCTFs e notificações extrajudiciais apresentadas, o autuante demonstrou os débitos de IRPJ, CSLL, Cofins, PIS e IPI indevidamente compensados pela interessada nos períodos de janeiro a dezembro/2004 e de fevereiro a junho/2005 (fls. 108 a 111), sobre os quais aplicou a multa isolada a que se refere o art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15586.000031/200606 Acórdão n.º 3201001.937 S3C2T1 Fl. 94 3 No presente processo, é exigida a multa isolada relativa aos débitos de COFINS compensados indevidamente. Cientificada do lançamento em10/02/2006 (AR fls. 11), a interessada apresentou em 14/03/2006 a impugnação de fls. 121/139, na qual alega, em síntese, que: a) houve nulidade por vicio material, pois o MPF autorizava a fiscalização do IRPJ do período de 01/01/2004 a 30/06/2005, mas o auto de infração se refere à multa isolada por compensação indevida da Cofins; b) é possuidora de apólices da divida pública dos Estados Unidos do Brasil, autênticas, que foram encaminhadas à SRF acompanhadas do laudo de autenticidade elaborado por perito qualificado, o que atesta a certeza dos títulos. Além disso, também foram instruídas com laudo de avaliação, o que confere liquidez aos títulos, e representam um crédito da interessada contra a União; c) apesar de toda a comprovação, os autuantes consideraram tais compensações indevidas; d) o art. 156 do Código Tributário Nacional CTN dispõe que tanto o pagamento como a compensação são formas de extinção do crédito tributário; e) o art. 368 do Código Civil — CC prevê o instituto da compensação e o direito brasileiro filiouse à teoria francesa, pela qual a compensação se opera por força de lei, mesmo contra a vontade do credor; 1) o art. 170 do CTN dispõe que poderão ser compensados os créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública; g) uma lei ordinária não pode limitar a compensação dos créditos tributários, visto que o art. 170 do CTN, lei complementar, permite a compensação com qualquer tipo de crédito do contribuinte, exigindo somente os requisitos de certeza e liquidez; h) o art. 10 do Decreto n° 2.138/1997 também autoriza a compensação (de créditos com débitos); i) fica amplamente demonstrado que é perfeitamente possível a compensação de tributos com títulos da divida pública, pois existe lei que autoriza a SRF a homologála, diferentemente do alegado pela Seção de Orientação e Análise Tributária da DRF/Vitória; j)a doutrina reconhece a permissão do uso de títulos da divida pública para pagamento de tributos; k) o art. 162, II, do CTN admite o pagamento de tributo em papel selado, ou seja, documento que contenha o selo ou a chancela governamental, o que é o caso da apólice da divida pública; Fl. 209DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 l) todos os títulos da divida pública, inclusive os da interessada, são recepcionados pela lei como forma de pagamento, conforme estabelecem o art. 5° do Decreto n° 19.412, de 19/11/1930; o art. 5°, § 4° do Decretolei n°2.376, de 25/11/1987; o art. 6° da Lei n° 10.179/2001; m) deve ser suspensa a exigibilidade do crédito tributário enquanto não for homologada a compensação e/ou pagamento, conforme art. 151, III, do CTN; n) os autuantes não respeitaram o principio da ampla defesa, ao se insurgirem contra as apólices sem aguardar o julgamento dos recursos; o) a interessada teve ferido seu direito constitucional da ampla defesa, que não pôde elaborar adequadamente, uma vez que seus recursos e impugnações administrativas, que têm o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, encontramse pendentes de julgamento; p) por esse motivo, o auto de infração ora impugnado deve ser declarado nulo; q) a multa de 75% imposta pela Lei n° 10.833/2003 tem caráter confiscatório e ofende às disposições contidas no art. 150, IV, da Constituição Federal CF, porque interfere no exercício da livre iniciativa privada, consagrada no art. 170 da CF; e r) não houve infração tributária, mas, ainda que houvesse, a multa deve ser relevada, pelo motivos já aduzidos e pelo fato de a interessada haver agido de boafé, conforme corroboram citações jurisprudenciais; s) Por fim, pede a nulidade ou a improcedência do auto de infração e o arquivamento do processo administrativo. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 30/06/2005 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE. Não se verificando a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72 e observados todos os requisitos do artigo 10 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade da autuação. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA COM TÍTULOS PÚBLICOS. Incabível a discussão quanto à possibilidade de compensação de títulos de divida pública com débitos informados em DCTF em sede de impugnação de lançamento de multa isolada por Fl. 210DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15586.000031/200606 Acórdão n.º 3201001.937 S3C2T1 Fl. 95 5 compensação indevida, visto que a compensação já foi discutida no processo próprio e lá não foi homologada. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No recurso voluntário apresentado, reiteramse os argumentos aduzidos na peça de impugnação. O recurso voluntário foi processado e distribuído para essa 3a Seção de Julgamento, que declinou a competência, por se entender que a multa isolada estaria compreendida na competência residual da 1a Seção de Seção de Julgamento. A 1a Seção de Seção de Julgamento, por sua vez, devolveu o processo para a 3a Seção de Julgamento, sob o argumento de que o que consta dos autos que embora tenha havido lançamento de crédito de IRPJ, CSLL, PIS e IPI, não se pode afirmar que os lançamentos são conexos, decorrentes ou reflexos, relativamente ao lançamento do IRPJ, sendo cada lançamento autônomo, embora sejam todos derivados da conduta da Recorrente em compensar débitos tributários com títulos da dívida pública. Retornado o processo a este 3a Seção, foi processado e distribuído a essa turma. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, o presente processo tem como objeto o lançamento de multa isolada, por compensação indevida de suposto direito creditório oriundo de títulos da dívida pública. Inicialmente, a Recorrente reitera o argumento segundo o qual padeceria de nulidade o lançamento, pois o respectivo Mandado de Procedimento Fiscal teria sido constituído para o IRPJ. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 Não obstante, conforme consta da decisão recorrida, no MPF de fls.01 consta a informação expressa de que o procedimento fiscal tratava de fiscalização do tributo IRPJ como também de procedimentos referente a "verificações obrigatórias", explicitadas como "a "correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos e no período de execução deste Procedimento Fiscal". Ademais, em consonância com a remansosa jurisprudência do CARF, o MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não havendo nulidade do lançamento, se não se cogitar que a autoridade autuante foi irregularmente designada para executar os procedimentos fiscalizatórios. Portanto, não há que se falar em nulidade, não se configurando as hipóteses do art. 59 do Decreto n. 70.235/72. Quanto ao mérito, dispunha a Lei n. 9430/96, com a redação vigente à época: Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] c) refirase a título público; O art. 18 da Lei n. 10833/2003, com a redação vigente à época, por sua vez, determina a incidência da multa, nas hipóteses de compensações qualificadas como "não declaradas", como se depreende: Artigo 18 O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. [...] § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15586.000031/200606 Acórdão n.º 3201001.937 S3C2T1 Fl. 96 7 Nesse contexto, indiscutível o cabimento da multa isolada, não sendo cabível, nessa esfera, a discussão quanto a constitucionalidade da sanção, por força do mandamento disposto na Súmula CARF n. 2. Em face do exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 213DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 11543.002360/2005-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o advogado Mário Junqueira Franco Jr., OAB/SP nº 140284.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o advogado Mário Junqueira Franco Jr., OAB/SP nº 140284. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 02 36 0/ 20 05 -4 8 Fl. 2234DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.002360/200548 Resolução nº 3201000.590 S3C2T1 Fl. 2.234 2 "Tratase de reconhecimento de direito creditório de COFINS decorrentes do regime de nãocumulatividade, no período de 01/04/04 a 30/06/04, no valor de R$4.210.060,76, para fins de compensação. A autoridade fiscal decidiu (fl. 325) homologar parcialmente as compensações efetuadas, porque entendeu que a contribuinte não possuía o direito creditório no montante declarado. Reconheceu o valor de R$531.935,49, argumentando por meio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 2977/09 (fls. 296 e ss), em resumo, que: 1. a requerente tem por objeto social o comércio atacadista de café, comércio atacadista de algodão em pluma, fabricação de óleos vegetais e fiação de fibras de algodão, todas atividades com vendas no mercado interno e no mercado externo; 2. em razão da atividade desenvolvida e tendo em vista a apuração do IRPJ com base no lucro real no anocalendário 2004, neste ano ficou sujeita ao regime de incidência nãocumulativa da Cofins; 3. a contribuinte informou despesas não passíveis de aproveitamento de crédito, visto que não se enquadraram na definição de insumos esboçada pela legislação tributária, e em outras situações, não discriminou os serviços efetivamente incorridos, o que impossibilitou o seu deferimento; 4. as vendas de mercadorias realizadas pela CONAB são vendas dos estoques estratégicos do Governo Federal que não são tributadas, portanto, não fazem jus ao crédito; 5. o mesmo entendimento adotado nas aquisições realizadas junto a Conab é aplicado sobre as aquisições do Ministério da Agricultura e do Abastecimento; 6. há compras de mais de 200 diferentes fornecedores, porém uma amostragem de mais de 80% das compras de café acabou por definir análise da situação dos 36 maiores fornecedores, 6 são cooperativas, restando 28 fornecedores; 7. aproximadamente 94% destes fornecedores analisados, enquadramse como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão, outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com a requerente; 8. registrase que as compras de café de cooperativas foram desconsideradas do cálculo por possuírem tratamento diferenciado no que tange a apuração das contribuições nãocumulativas; 9. se tomados os valores de aquisição que foram declarados, das empresas analisadas, o percentual de aquisições que, em tese, sofreu a incidência da Cofins na etapa anterior é de impressionantes 0,45%, sublinhando que o levantamento se contentou em esquadrinhar apenas os valores declarados, independentemente do efetivo recolhimento de tais exações; 10. no caso examinado há presunção de que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 33% (trinta e três inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002 (fls. 255/263), quando foi publicada a Medida Provisória n° 66/2002, que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas; 11. assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas Fl. 2235DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.002360/200548 Resolução nº 3201000.590 S3C2T1 Fl. 2.235 3 inescrupulosas, que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da nãocumulatividade para as contribuições em comento; 12. não se está afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho; 13. nesse contexto, a ausência de provas que unam a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor, todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal; 14. não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual; 15. nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé; 16. com estes fundamentos foi providenciado o reenquadramento dessas compras, consideradas irregulares pela presente fiscalização, para aquisições de pessoas físicas garantindose o direito ao crédito presumido, de acordo com a planilha de apuração das contribuições nãocumulativas; 17. o sujeito passivo apurou créditos referentes a embalagens adquiridas, de acordo com o DACON/Demonstrativo Analítico de apuração da Cofins, referidas aquisições estão enquadradas nos CFOP de n°s 1920 e 2920, os quais se referem à entrada de sacaria e vasilhame; 18. foram desconsideradas as entradas de mercadorias sob os CFOP de n°s 1122, 2122, 1125 e 2125, visto que referidas aquisições foram contempladas no item Compras Terceiros PJ, conforme declaração do próprio contribuinte às fls. 191/192; 19. verificase, pelo somatório da documentação apresentada, que o contribuinte não logrou êxito em confirmar as despesas de aluguel informadas, razão pela qual essa diferença foi desconsiderada para fins de apuração dos créditos a descontar; 20. o contribuinte ofereceu à base de cálculo dos créditos despesas de condomínio, mas não há previsão no texto legal para a inclusão desta despesa no âmbito da despesa de aluguel, visto que possuem naturezas jurídicas distintas, desta forma, despesas de condomínio não foram consideradas como créditos passíveis de aproveitamento, tendo sido glosadas pela fiscalização; 21. foi excluído do cômputo da base de cálculo do estoque de abertura o item estoque do almoxarifado; 22. são receitas financeiras todas as variações cambiais ativas apuradas, vez que não há previsão para que se realize a compensação na contabilidade das variações cambiais passivas, reconhecendo como receita apenas o resultado mensal; 23. desta forma, é considerada receita da variação cambial o somatório das variações ativas, desconsiderandose as variações passivas; 24. procedeuse, então, à utilização dos créditos na dedução do débito da Cofins apurado no mês, além dos créditos vinculados ao mercado interno, consumiramse, também, créditos atrelados ao mercado Fl. 2236DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.002360/200548 Resolução nº 3201000.590 S3C2T1 Fl. 2.236 4 externo, de sorte que restou saldo credor, a ser utilizado nas compensações de outros tributos ao final do 2º Trimestre de 2004 no montante de R$ 531.935,49; 25. por outro lado, nos meses de abril e maio de 2004, o crédito apurado foi insuficiente para cobrir o valor devido para a Cofins, restando saldo a pagar, cabendo, pois o lançamento. Cientificada da Decisão (fl. 350), em 08/03/10, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 353 e seguintes), em 07/04/10, onde alegou, em resumo, que: 1. as razões que fundamentaram a homologação parcial do presente pedido de ressarcimento de créditos de COFINS, contidas no Parecer DRF/VIT/SEORT n° 2.977/2009, encontramse espelhadas no Parecer DRF/VIT/SEORT n.° 2.985/2009 (Processo Administrativo n° 11543.000492/200535), o qual homologou parcialmente pedido de ressarcimento de PIS relativo ao mesmo período aqui tratado; 2. assim, mister se faz o apensamento destes autos àqueles, tudo com vistas a que sejam julgados simultaneamente, evitando se decisões conflitantes acerca da mesma matéria; 3. teve limitado seu direito a uma parcela do crédito pleiteado sem que tenham sido dados os fundamentos para a glosa, portanto, pleiteia a nulidade do processo; 4. o crédito tributário constituído pelo Sr. AFRF, mediante a inclusão na base de cálculo da Cofins, de receitas de variação cambial não tributadas pela Requerente não é exigível, vez que alcançado pelo instituto da decadência; 5. o Parecer aponta que o crédito relativo às despesas com a manutenção e reparo de equipamentos da Requerente foi glosado em razão da falta de discriminação dos serviços contratados, bem como pelo não enquadramento de parte dessas despesas no conceito de insumos contido na legislação da Cofins; 6. a Requerente esclarece que todas essas despesas são registradas na conta 752.600 e referemse à utilização de serviços no beneficiamento do algodão; 7. as despesas pagas às pessoas jurídicas responsáveis pela manutenção e reparos de seus ativos se enquadram verdadeiramente no conceito de insumos albergado pela legislação fiscal de regência; 8. o direito ao crédito da contribuição nascerá em relação a toda e qualquer aquisição de bens e serviços, desde que: (i) tratemse de elementos sem os quais a receita de vendas não se realizaria; e, (ii) não haja vedação legal à apropriação de créditos calculados sobre tais dispêndios; 9. se o art. 3º, II da Lei n.° 10.833/03 não restringiu o direito ao crédito apenas para as hipóteses em que os serviços são aplicados ou consumidos na produção, o ato administrativo ora mencionado (IN nº 247/02 com redação dada pela IN 358/03) não poderia criar este limite, sob pena de ofensa ao Princípio da legalidade, alçado a patamares constitucionais por força do art. 150, I da Constituição Federal; 10. o art. 3º, §2°, II da Lei n.° 10.637/02 (com a redação dada pelo art. 37 da Lei n.° 10.865/04), veda o direito ao crédito calculado em relação às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção; 11. entretanto, o fato que o Sr. AFRF não levou em consideração é que essa limitação ao crédito só passou a existir, tão somente, após a entrada em vigor da Lei n.° 10.865/04, isto é, em agosto/2004; 12. em razão da sua similitude com a glosa dos créditos apropriados em relação às aquisições da CONAB, as razões para o cancelamento da glosa efetuada dos créditos relativos às aquisições do Ministério da Agricultura e Abastecimento são as mesmas já expostas acima; 13. em relação aos fornecedores inidôneos, a Fl. 2237DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.002360/200548 Resolução nº 3201000.590 S3C2T1 Fl. 2.237 5 Requerente acosta notas fiscais, comprovantes de pagamentos e de entrada de mercadorias, que comprovam as transações elencadas pelo Sr. AFRF; 14. cumpre destacar que a Lei nº 10.833/2003 não condicionou a apropriação de créditos ao pagamento do produto adquirido, mas sim a sua aquisição; 15. exigir que a Requerente tome os créditos apenas de pessoas jurídicas que estejam em dia com suas obrigações tributárias (principais e acessórias) é no mínimo paradoxal, na medida em que a Requerente não dispõe do mesmo aparato que o Fisco detém para constatar irregularidades tributárias; 16. ainda que existisse regra condicionando o crédito ao pagamento na etapa anterior, tratarseia de dispositivo absolutamente inócuo, na medida em que em virtude do sigilo fiscal (arts. 198 e 199 do CTN) não há como a Requerente constatar se seus fornecedores estão em dia com o Fisco; 17. assim, solicita o cancelamento da glosa referente às aquisições de pessoas jurídicas inidôneas; 18. o Parecer equivocouse ao glosar o crédito pleiteado pela Requerente (registrado na linha 02 da ficha 04 do DACON), na medida em que as embalagens registradas nessa linha do DACON (contabilizadas na conta 755.000) referemse àquelas consumidas na industrialização do óleo de algodão, não guardando qualquer/relação com aquelas adquiridas, sob o CFOP n°s 1.122, 2122, 1125 e 2125; 19. as demais despesas com embalagens citadas referemse às aquisições de sacaria utilizada na exportação, de café (linha 01 do DACON); 20. não há registro em duplicidade e, consequentemente, não há valores à serem glosados; 21. não há como prosperar a glosa efetuada em relação à aluguel, pois todos os dispêndios encontramse devidamente suportados por recibos e comprovantes de pagamento que à Requerente anexará posteriormente a esta manifestação de inconformidade; 22. os dispêndios de condomínio compõem o valor da própria despesa de aluguel e, dessa forma, também geram direito ao crédito; 23. o Sr. AFRF se equivocou ao invalidar os créditos de COFINS por ela apropriados sobre o item do estoque de abertura relativo ao estoque de almoxarifado, pois, as mercadorias adquiridas sob essa rubrica possuem sim vinculação ao seu processo produtivo; 24. tratamse de itens auxiliares de produção empregados pela Requerente na produção do óleo de algodão por ela comercializado; 25. não restam mais argumentos para que não se possa excluir, do âmbito de abrangência da imunidade constitucional, as variações cambiais incidentes sobre ACC (adiantamento de contrato de câmbio), haja vista ser inequívoca a circunstância de que tais variações cambiais decorrem de exportações; 26. se a receita de exportações é imune; nada mais natural do que também excluir do campo de incidência tributária a variação cambial sobre elas verificada, ademais, doutrina e, jurisprudência são uníssonas ao asseverarem que "assim como a correção monetária, a variação cambial nada acresce ao objeto, sendo mera expressão formal da mesma entidade substancial"; 27. no que se refere aos lançamentos à crédito na conta 675.000, deverá ser adotado o mesmo raciocínio, pertinente às variações monetárias registradas na conta 869.000 tendo em vista que se tratam, igualmente, de receitas de exportação; 28. a partir de 01/01/2000, especialmente em virtude da expressiva oscilação cambial experimentada no ano anterior, passou a viger o tratamento instituído pela Medida Provisória atualmente sob o nº 2.15835/ 01, determinando que as variações cambiais, em regra, deveriam ser reconhecidas no momento da liquidação (regime de caixa); 29. caso Fl. 2238DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.002360/200548 Resolução nº 3201000.590 S3C2T1 Fl. 2.238 6 não se admita a anulação dos débitos registrados nas mencionadas contas pelas razões expostas acima, é de se adotar, por outra via, a interpretação de que as variações cambiais deveriam ser tributadas pelo seu valor líquido. A inconformada cita legislação e jurisprudência, requerendo reconhecimento do direito de crédito e homologação das compensações efetuadas. O processo fora baixado em diligência (fl. 1.297) para a Unidade a quo examinar, em resumo, se há alguma repercussão na controvérsia aqui instaurada e no crédito pleiteado dos mesmos fatos apurados nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, pedindo ainda esclarecimentos acerca de outros itens glosados. A Delegacia de origem no “Relatório Fiscal”, à fl. 1.622 e seguintes, responde positivamente a tal indagação, junta variados documentos, e, em síntese, justifica que: 1. a operação fiscal “TEMPO DE COLHEITA” foi deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, que resultou na operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; 2. no rol de supostos fornecedores da contibuinte, é importante mencionar a ACÁDIA, COLÚMBIA, DO GRÃO, L&L, J.C. BINS e V. MUNALDI, hipotéticas atacadistas de café localizadas na cidade de COLATINA, norte do ES, uns dos principais alvos na “Operação Tempo de Colheita”, deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória – ES; 3. a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; 4. dezenove (53%) das empresas atacadistas fiscalizadas foram criadas a partir de 2002, e passaram a ter movimentação financeira crescente e vultosa a partir do ano de 2003; 5. ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas; 6. entre os documentos obtidos ao longo da operação “TEMPO DE COLHEITA” estão declarações de produtores rurais, maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada, e, ainda, documentos relacionados a tais empresas; 7. do Ministério Público e da Polícia Federal a Fiscalização recebeu documentos fiscais e contábeis em papel e meio magnético; 8. com o objetivo de colher provas sobre o modus operandi do esquema, coletouse, durante as mencionadas operações, documentos além de realizar diligências nas atacadistas e principais empresas exportadoras de café; 9. junto aos produtores rurais foi apurado que havia uma negociação direta, ou por meio de corretores, entre os produtores rurais e tradicionais maquinistas e empresas do ramo atacadistas, exportadoras ou indústrias, porém, nas notas fiscais apareciam como compradores pseudoatacadistas, tais como, Colúmbia, Do Grão, V. Munaldi, JC Bins, e outras; 10. os produtores rurais, via de regra, não preenchiam as notas fiscais, sendo que as mesmas eram preenchidas nos escritórios dos corretores e/ou compradores; 11. os corretores de café convergiram para firmar os pontos levantados pelos produtores rurais, especialmente, no que tange à utilização das pseudoempresas jurídicas para intermediar a venda do café do produtor para a comercial atacadista, inclusive, do pleno conhecimento da empresa, ora autuada, de tais operações; 12. os corretores afirmaram que as próprias empresas tradicionais Fl. 2239DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.002360/200548 Resolução nº 3201000.590 S3C2T1 Fl. 2.239 7 de exportação e industrialização do café passaram a dificultar a compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoas jurídicas; 13. os corretores afirmaram que algumas empresas foram constituídas com a única e exclusiva finalidade de vender notas fiscais, e, ainda, que as Exportadoras/Indústrias tinham pleno conhecimento do esquema fraudulento; 14. a migração para empresas laranjas foi um movimento orquestrado, onde exportadoras e indústrias caminharam no mesmo sentido, com exigência inclusive de que as notas fiscais anotassem ficticiamente a incidência do PIS/COFINS, bem como as mesmas cautelas adotadas de consultar os cadastros fiscais no momento do recebimento do café por meio de empresas laranjas na tentativa de evitar problemas futuros; 15. restou demonstrado que a EISA não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas gerados por empresas atacadistas de fachada. Intimada do resultado da diligência (fl. 1784), a contribuinte ratificou os termos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando (fls. 1788 e ss), em resumo, que: 1. nenhum dos sócios, administradores ou empregados da Requerente foi investigado no âmbito do Inquérito Policial nº 541/2008 DPF/ SR/ES ou denunciado nos autos do Processo Criminal n° 2008.50.05.0005383, ou em qualquer outro processo criminal oriundo das operações "Tempo de Colheita" e "Broca"; 2. ao revés, em momento algum das investigações ocorridas houve a vinculação da Requerente ao suposto sistema fraudulento; 3. assim, resta evidente a precariedade da acusação da d. autoridade fiscal de que a Requerente teria se utilizado de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores, com o intuito exclusivo de apropriação de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS; 4. o volume de operações mantido com pessoas físicas pouco sofreu alterações com a instituição da nãocumulatividade das contribuições e previsão de direito ao crédito (anoscalendários 2002 e 2003), e com a mudança da legislação aplicável ao setor em 2012 (Lei n° 12.599/2012); 5. ainda que o nome do produtor rural, da fazenda de café e/ou da região fosse informado ao adquirente em referidas situações, como até hoje o é, este adquire o produto da empresa atacadista, que ao final é responsável pela entrega do produto em determinada quantidade, em boa qualidade e em determinado prazo e local; 6. as empresas atacadistas, comerciantes e exportadoras de café cru em grão não necessitam de estrutura física própria para operarem a não ser uma sala, onde localizado o estabelecimento comercial utilizado para a formalização da compra e venda do café, na medida em que referido produto, após adquirido, pode perfeitamente permanecer depositado em armazém geral até a ocasião da revenda; 7. em nenhum dos depoimentos constantes dos autos é feita menção à pessoa da Requerente ou de algum administrador/funcionário seu como participante do alegado esquema fraudulento; 8. em sendo inegável a boafé da Requerente, verificase a completa improcedência da glosa dos créditos apurados sobre aquisições de café cru em grão de pessoas jurídicas no período compreendido entre o 1º trimestre de 2004 e o 3° trimestre de 2005; 9. demonstrou a completa improcedência da glosa dos créditos originais das contribuições apurados pela Requerente sobre aquisições de café de pessoas jurídicas; 10. considerando a indiscutível boafé da Fl. 2240DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.002360/200548 Resolução nº 3201000.590 S3C2T1 Fl. 2.240 8 empresa e nos termos do artigo 82, parágrafo único, da Lei n° 9.430/96, deve ser cancelada a glosa dos créditos levada a efeito em razão da suposta inidoneidade dos fornecedores da Requerente; 11. na remota hipótese da glosa em questão ser mantida, o que se admite apenas para fins de argumentação, há que ao mínimo se reconhecer o direito à apuração do crédito presumido de que trata a Lei n° 10.925/04, como fora inicialmente realizado pela d. autoridade fiscal; 12. ainda que não tivesse ocorrido a decadência para inovação dos fundamentos da glosa, apenas a título de argumentação, restará comprovado que a posição da 16ª Turma da DRJ/RJ1 quanto à apuração de crédito presumido de aquisições de café de produtores rurais não deve prosperar; 13. um dos requisitos para a apropriação do crédito presumido na aquisição de produto in natura consiste no fato de que o adquirente exerça a atividade agroindustrial, e a Requerente, na condição de encomendante, é considerada, para todos os fins fiscais, produtora de café e, por conseguinte, beneficiária do crédito presumido. Reitera, “com base nos argumentos constantes da Manifestação de Inconformidade apresentada, somados aos argumentos que aqui são apresentados”, pela reforma da decisão que não homologou os pedidos de compensação, a fim de que seja reconhecido o crédito pleiteado em sua integralidade." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Créditos a Descontar. Incidência nãoCumulativa. Não dá direito a crédito gastos ou despesas com bens ou serviços utilizados nas atividades da Empresa, quando não corresponderem ao conceito de insumo ou a outra expressa hipótese legal. Aquisições. Nãosujeitas ao PIS. Crédito Vedado. A Partir de 01/05/04. A alteração promovida pela Lei nº 10.865, de 30 de abril 2004, na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, no sentido de vedar o direito ao crédito da nãocumulatividade do PIS, nos casos de aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, passou a produzir efeitos a partir de 01/05/04. Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de Fl. 2241DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.002360/200548 Resolução nº 3201000.590 S3C2T1 Fl. 2.241 9 simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando as alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Estáse as voltas novamente com a discussão sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. Matéria que tem sido objeto de julgamento em diversas turmas desta terceira seção. É cediço que a situação atual do julgamento no CARF é de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Em razão destes posicionamentos, nos deparamos com situações distintas no processo. A Fiscalização ao auditar a empresa, utilizando as regras constantes das instruções normativas da Receita Federal, não se atem ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas incorridas no processo produtivo, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. De outro giro, o contribuinte ao se deparar com a posição adotada pelo Fisco e considerando o seu próprio entendimento sobre o conceito de insumo. Apresenta os seus recursos administrativos alegando que as aquisições de bens e serviços informados como insumo em sua totalidade são procedentes, aplicando um conceito amplo em que todas as despesas seriam aptas a serem consideradas para fruição dos créditos das contribuições. Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.002360/200548 Resolução nº 3201000.590 S3C2T1 Fl. 2.242 10 estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída tais verificações, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 2243DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000946/2008-56
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA - INCONSISTÊNCIA DE VALOR DECLARADO COM VALORES INFORMADOS PELA FONTE PAGADORA - MERA ALEGAÇÃO DE QUE OS RENDIMENTOS TEM NATUREZA DE NÃO TRIBUTÁVEIS, DESACOMPANHADA DE QUALQUER PROVA - LANÇAMENTO MANTIDO
Mera alegação de que os rendimentos omitidos objeto do lançamento tem natureza não tributável, desacompanhada de qualquer prova que demonstre tal natureza, não é suficiente para elidir o lançamento com base em informação prestada pela fonte pagadora ao Fisco quanto ao pagamento de rendimentos tributáveis ao contribuinte.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DENUNCIAÇÃO À LIDE - INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL
Não há fundamento legal para denunciação à lide no processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2802-003.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado ad hoc.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA - INCONSISTÊNCIA DE VALOR DECLARADO COM VALORES INFORMADOS PELA FONTE PAGADORA - MERA ALEGAÇÃO DE QUE OS RENDIMENTOS TEM NATUREZA DE NÃO TRIBUTÁVEIS, DESACOMPANHADA DE QUALQUER PROVA - LANÇAMENTO MANTIDO Mera alegação de que os rendimentos omitidos objeto do lançamento tem natureza não tributável, desacompanhada de qualquer prova que demonstre tal natureza, não é suficiente para elidir o lançamento com base em informação prestada pela fonte pagadora ao Fisco quanto ao pagamento de rendimentos tributáveis ao contribuinte. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DENUNCIAÇÃO À LIDE - INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL Não há fundamento legal para denunciação à lide no processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado ad hoc. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DENUNCIAÇÃO À LIDE INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL Não há fundamento legal para denunciação à lide no processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 09 46 /2 00 8- 56 Fl. 33DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13976.000946/200856 Acórdão n.º 2802003.319 S2TE02 Fl. 34 2 Marcelo Vasconcelos de Almeida Redator Designado ad hoc. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório O Relator originário, Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, está impossibilitado de formalizar o presente acórdão, razão pela qual fui designado como Redator ad hoc, conforme despacho de fls. 32. Reproduzo o conteúdo lido em sessão pelo Relator e disponibilizado no repositório oficial do CARF. Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF (fls. 08 e ss.) lavrada em face da revisão de declaração de ajuste anual do exercício 2006, anocalendário 2005, em razão de suposta omissão de rendimentos. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 e ss., por meio da qual alega, em síntese, que se trata de valores recebidos em virtude de reparação por dano moral, por meio de processo judicial; que sustenta o caráter não tributável de valores recebidos como indenização por dano moral, citando a jurisprudência; que solicita subsidiariamente a transferência do pólo passivo para a empresa pagadora dos rendimentos, de vez que a decisão judicial supostamente haveria determinado que o pagamento do imposto seria de sua responsabilidade. Em julgamento, a 5ª Turma da DRJ/CTA, em sessão realizada no dia 12/08/2011, por maioria, face o impedimento de um dos julgadores, deu por procedente o lançamento, ao fundamento de que o contribuinte não trouxe aos autos provas da natureza dos rendimentos, se limitando a alegála, e de que, ainda que se tratasse de valor recebido em razão de dano moral, a DRJ entende tributáveis tais receitas; que não há fundamento legal para a alteração do sujeito passivo da obrigação tributária requerida pelo contribuinte. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 23, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 24 e ss., repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado ad hoc O Relator originário, Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, está impossibilitado de formalizar o presente acórdão. Tendo sido nomeado ad hoc para Fl. 34DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13976.000946/200856 Acórdão n.º 2802003.319 S2TE02 Fl. 35 3 formalização do acórdão, registro que não necessariamente concordo com a conclusão ou com os fundamentos do Relator. Reproduzo o conteúdo lido em sessão pelo Relator e disponibilizado no repositório oficial do CARF. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido nos limites de seu objeto, qual seja, a irresignação contra o lançamento por omissão de rendimentos tributáveis. Sendo o fundamento principal da decisão da DRJ a não demonstração pelo contribuinte, por qualquer meio de prova, de que os rendimentos auferidos teriam natureza de valores não tributáveis e não trazendo aos autos tal prova, nem mesmo em fase recursal, nenhum reparo há a fazer ao decidido pela DRJ. Demais disso, também assiste razão à mesma ao afirmar a inexistência de denunciação à lide no processo administrativo fiscal ou da substituição do sujeito passivo da obrigação tributária requerido pelo Recorrente. Isto posto, nego provimento ao recurso. É como voto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado ad hoc Fl. 35DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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