Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,953)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,943)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,140)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,299)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,523)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10120.916492/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL - COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES NÃO EFETIVADAS
Deve ser glosada a parcela do SNIRPJ de um período resultante da indevida declaração de SNIRPJ de períodos anteriores na linha 06 (dedução relativa ao IRPJ devido nos meses anteriores) da Ficha 11 da DIPJ. O IRPJ devido sobre a receita bruta ou sobre balancete de redução só pode ser compensado por meio de apresentação de DCOMP e limitado ao valor devido.
Numero da decisão: 1302-001.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Leonardo Marques.
.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL - COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES NÃO EFETIVADAS Deve ser glosada a parcela do SNIRPJ de um período resultante da indevida declaração de SNIRPJ de períodos anteriores na linha 06 (dedução relativa ao IRPJ devido nos meses anteriores) da Ficha 11 da DIPJ. O IRPJ devido sobre a receita bruta ou sobre balancete de redução só pode ser compensado por meio de apresentação de DCOMP e limitado ao valor devido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10120.916492/2011-13
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5416951
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1302-001.565
nome_arquivo_s : Decisao_10120916492201113.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10120916492201113_5416951.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Leonardo Marques. .
dt_sessao_tdt : Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5783724
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477415837696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1853; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 143 1 142 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.916492/201113 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.565 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de novembro de 2015 Matéria Compensação Recorrente CIAASA MERCANTIL DE VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES NÃO EFETIVADAS Deve ser glosada a parcela do SNIRPJ de um período resultante da indevida declaração de SNIRPJ de períodos anteriores na linha 06 (dedução relativa ao IRPJ devido nos meses anteriores) da Ficha 11 da DIPJ. O IRPJ devido sobre a receita bruta ou sobre balancete de redução só pode ser compensado por meio de apresentação de DCOMP e limitado ao valor devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Leonardo Marques. . Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 03051.480 da 4ª Turma da DRJ/BSB, cuja ementa assim dispõe: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 64 92 /2 01 1- 13 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – VÍCIO FORMAL – ARGÜIÇÃO REJEITADA. Incabível a alegação de cerceamento de defesa se constam dos autos os elementos de prova necessários à solução do litígio, relatórios e documentos de análise, bem assim consta que a contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório e apresentou tempestivamente sua inconformidade, inclusive. SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL – COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES NÃO EFETIVADAS. Valores de Saldos Negativos de exercícios anteriores só podem integrar o Saldo Negativo do período quando efetivadas no respectivo anobase. Na espécie, a contribuinte não comprova que compensou débitos de 2006 com créditos de saldos negativos de exercícios anteriores. DILIGÊNCIA/PERÍCIA DESNECESSIDADE Desnecessária a realização de diligência ou perícia, haja vista a suficiência dos elementos de prova contidos nos autos para formar convicção sobre a matéria, objeto da lide. FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE – PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – VEDAÇÃO. É vedado ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. DEVER DO JULGADOR – OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. É dever do julgador observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente, cientificada do Acórdão nº 03051.480 em 24/06/2013 (AR a fls. 120), interpôs, em 24/07/2013 (Termo a fls. 121 e 139), recurso voluntário (doc. a fls. 122 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que a contribuinte foi cientificada sobre a não homologação de seus pedidos de compensação através de Despacho Decisório, por meio do qual a douta Delegacia deixou de homologar o valor principal de R$ 10,00 (dez reais); b) que contrariamente ao que restou decidido no acórdão recorrido, o Despacho Decisório é nulo em razão da falta de intimação prévia da recorrente para prestar esclarecimentos sobre o crédito detido que se pretendia compensar; c) que se trata de SNIRPJ apurado com base no lucro real anual, o qual foi utilizado para compensação de débitos diversos da contribuinte; d) que o crédito em questão foi constituído a partir do anocalendário 2003, conforme demonstra o gráfico abaixo: COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ DATA Saldo negativo anterior CRÉDITOS DÉBITOS Saldo negativo (credor) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.916492/201113 Acórdão n.º 1302001.565 S1C3T2 Fl. 144 3 31/12/2003 97.518,62 171.524,16 0,00 269.042,78 31/12/2004 309.775,86 54.498,22 0,00 364.274,08 31/12/2005 428.240,61 205.277,09 245.809,61 387.708,09 31/12/2006 437.015,83 719.121,86 219.248,06 936.889,63 e) que o saldo existe de fato e sua composição está demonstrada, vez que fruto de acúmulos de saldos negativos de períodos anteriores a 2005, que com este foi somado para fins de apuração do saldo credor total, tudo facilmente identificado pelos documentos já incluídos; f) que ditos saldos negativos, relativos ao AC 2005 e anteriores, são facilmente identificados mediante consulta ao próprio banco de dados da RFB; g) que, quanto ao SNIRPJ/2002, requer que seja observado, no presente caso, para efeito de decadência, a tese dos 5 mais 5 anos, conforme jurisprudência que cita; h) que deve ser permitida a recorrente a produção da imprescindível prova pericial. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatária com poderes para tal, conforme procuração a fls. 19, razão pela qual dele conheço. Primeiramente, há que se afastar a preliminar de nulidadade, pois o que se verifica dos autos é que o rito processual estabelecido pelo Decreto 70.235/72 foi observado. Ademais, não estava a Delegacia da Receita Federal obrigada a intimar a recorrente a prestar esclarecimento antes de proferir a sua decisão. Por sua vez, foi dada ciência do Despacho Decisório à recorrente e ela recorreu tempestivamente. Tratase assim de alegação de nulidade totalmente descabida. A prova pericial tem como destinatário o julgador e só ele pode avaliar a sua necessidade, a qual não se faz necessário para conhecimento das questões postas em julgamento, conforme a seguir restará demonstrado, razão pela qual voto por indeferir o pedido de perícia. No mérito, incialmente, vale a transcrição do seguinte excerto da decisão recorrida: “No mérito, a própria interessada afirma que o saldo negativo de IRPJ/CSLL é apurado pela soma positiva de créditos provenientes dos pagamentos mensais (Darf) a título de antecipações, mais Impostos Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Retidos na Fonte sobre receitas e créditos de saldos anteriores utilizados, deduzido do débito anual do imposto apurado com base no balanço. Ora, examinandose os autos não se constata que a empresa tenha entregue Dcomp para compensar débitos do anobase de 2005 com créditos de saldos negativos de exercícios anteriores, condição necessária para incluir aqueles valores compensados na composição do saldo negativo de 2005. Na verdade, a contribuinte adotou procedimento equivocado quando adicionou os saldos negativos de exercícios anteriores diretamente ao saldo negativo de 2005. Deveria ter adicionado somente os valores que foram efetivamente compensados. Observese que o fato dos saldos negativos estarem registrados em sua escrituração e nos documentos fiscais (Declarações de Imposto de Renda da empresa), não significa que houve compensação daqueles valores, esta se consuma pela entrega da Dcomp no respectivo período. Portanto, os valores de Saldos Negativos de exercícios anteriores só podem integrar o Saldo Negativo do período quando efetivadas no respectivo anobase. Na espécie, a contribuinte não comprova que compensou débitos de 2005 com créditos de saldos negativos de exercícios anteriores e nem os sistemas de informação da Receita Federal acusam qualquer recepção de referidas compensações.”. Não obstante não conste dos autos a DIPJ do AC 2005 (o que consta a fls. 56 e segs é a DIPJ/07), ela consta das fls. 326 e segs. do PAF nº 10120.907902/201127, o qual está sendo julgado nesta mesma assentada e sob a minha Relatoria. Assim, os documentos acostados a estes autos e a referida DIPJ/06 são suficientes para deixar claro que são perfeitas as conclusões do I. Relator do Acórdão recorrido, se não vejamos o que se segue. Primeiro, como informa o Despacho Decisório (a fls. 102), foram confirmados, no ano de 2005, IRRF no montante de R$ 44.826,19 e IRPJestimativas pagas no total de R$ 160.450,90 (doc. a fls. 38), totalizando assim créditos no montante de R$ 205.277,09, logo, não houve SNIRPJ no AC 2005, já que o IRPJ devido foi de R$ 245.809,61. Lembro que o crédito pleiteado na PER/DCOMP ora em julgamento (40327.48382.310108.1.3.028006) era o SNIRPJ do AC 2005. Ora, só se forma SNIRPJ em um ano se os valores pagos nesse mesmo ano, sejam a título de IRRF ou de IRPJestimativa, forem superiores ao IRPJ devido. É verdade que os IRPJestimativas poderiam ter sido compensados com SNIRPJ de PA anteriores, o que poderia levar a SNIRPJ no ano, caso a soma dos IRPJ estimativas compensados fosse maior que o IRPJdevido. Ocorre, porém, que a recorrente, embora não tendo declarado qualquer base mensal no mês de janeiro (cf. doc. a fls. 331 do nº 10120.907902/201127) e tendo pago R$ 1.835,20 a título de IRPJestimativa no mês de janeiro de 2005 (vide doc. a fls. 95), declarou na linha 6 da Ficha 11 relativa ao mês de fevereiro ter “Imp. de renda devido nos meses anteriores” no valor de R$ 442.180,91. Com isso, começou a gerar um imposto de renda a pagar negativo na apuração do IR com base em balancete de suspensão a partir de fevereiro, resultando, ao final, no indevido SNIRPJ/AC 2005 no valor de R$ 387.708,09. Segundo afirma, esse valor decorreria de SNIRPJ de PA anteriores, logo, é um equívoco rotundo têlo declarado na linha 6 da Ficha 11, na qual só deve ser informado os valores devidos nos meses do próprio ano que antecedem o de referência. É verdade que o SNIRPJ de PA anteriores poderiam ser utilizado para compensar IRPJestimativa devido, mas ocorre que, segundo a DIPJ/06 apresentada pela recorrente, sequer havia IRPJmensal a pagar no mês de fevereiro de 2005, já que apresentou Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.916492/201113 Acórdão n.º 1302001.565 S1C3T2 Fl. 145 5 todas linhas em branco, embora tenha recolhido a título de IRPJestimativa de fevereiro R$ 12.105,10. Notese que poderia ter compensado os R$ 12.105,10, mas para tanto seria necessário a apresentação de PER/DCOMP e a comprovação do crédito. A declaração equivocada da linha 6 da Ficha 11 da DIPJ, revela que a recorrente não somente inflou indevidamente o SNIRPJ, como também deixou de fazer as antecipações mensais que estava obrigada por lei. Ao final, tal procedimento resultou na seguinte composição da Ficha 12A: Discriminação Valor IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01.À Alíquota de 15% …………………………………………………………………………………………………164.764,28 02.À Alíquota de 6% ………………………………………………………………………………………………………….0,00 03.Adicional ………………………………………………………………………………………………………..........84.842,85 DEDUÇÕES 04.()Operações de Caráter Cultural e Artístico …………………………………………………………………..…………..0,00 05.()Programa de Alimentação do Trabalhador …………………………………………………………..……………..4.797,52 06.()Desenvolvimento Tecnológico Industrial / Agropecuário ………………………………………………………………0,00 07.()Atividade Audiovisual …………………………………………………………………………………………..............0,00 08.()Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente ………………………………………………………………….….. 0,00 09 ()Isenção de Empresas Estrangeiras de Transporte ………………………………………………………………….……0,00 10.()Isenção e Redução do Imposto …………………………………………………………...……………………………...0,00 11.()Redução por Reinvestimento ……………………………………………………………………………………………0,00 12.()Imp. Pago no Ext. s/ Lucros, Rend. e Ganhos de Capital………………………………………………………………..0,00 13.()Imp. de Renda Ret. na Fonte ………………………………………………………………………………........44.826,19 14.()IR Retido na Fonte por Órgãos, Aut. e Fund. Fed. (Lei nº 9.430/1996) ………………………………………………...0,00 15.()IR Retido na Fonte p/ Demais Ent. da Adm. Púb. Fed. (Lei n° 10.833/2003) ………………………………………….0,00 16.()Imp. Pago Inc. s/ Ganhos no Mercado de Renda Variável ………………………………...............................................0,00 17.()Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa ………………………….………………………………............588.691,51 18.()Parcelamento Formalizado de IR sobre a Base de Cálculo Estimada …………………………………………………...0,00 19.IMPOSTO DE RENDA A PAGAR ………………………………………………………………..…………….387.708,09 20.IMPOSTO DE RENDA A PAGAR DE SCP ……………………………………………………………………………...0,00 21.IMPOSTO DE RENDA SOBRE A DIFERENÇA ENTRE O CUSTO ORÇADO E O CUSTO EFETIVO……………...0,00 22.IMPOSTO DE RENDA POSTERGADO DE PERÍODOS DE APURAÇÃO ANTERIORES…………………………...0,00 Confirma tudo o quanto antes dito o fato de que o valor declarado na linha 16 como IRPJ pago por estimativa (R$ 588.691,51) foi indevidamente inflado, pois resultou, conforme se pode verificar da PER/DCOMP a fls. 95/99, do somatório de todos os IRPJ estimativas pagos (R$ 160.450,90) mais o SNIRPJ de PA anteriores que a recorrente alega ter direito em sua peça recursal no início de 2005 (R$ 428.240,61). Assim, correto Despacho Decisório (a fls. 102) ao reduzir o SNIRPJ do AC 2005 de R$ 387.708,09 para R$ 0,00, pois ao ser glosado o valor indevidamente declarado na linha 6 da ficha 11 do mês de fevereiro, constatase que o IRPJ devido era maior que os créditos. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720178/2011-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Cabe à empresa reter e recolher a contribuição previdenciária dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços incidente sobre suas remunerações junto com as suas próprias contribuições.
As vantagens econômicas auferidas pelos sócios-gerentes configuram remuneração quando não comprovada a origem dos recebimentos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-004.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues acompanhou o relator pelas conclusões.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Cabe à empresa reter e recolher a contribuição previdenciária dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços incidente sobre suas remunerações junto com as suas próprias contribuições. As vantagens econômicas auferidas pelos sócios-gerentes configuram remuneração quando não comprovada a origem dos recebimentos. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.720178/2011-60
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5423795
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2402-004.437
nome_arquivo_s : Decisao_19515720178201160.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 19515720178201160_5423795.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues acompanhou o relator pelas conclusões. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
id : 5801884
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477442052096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1829; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 546 1 545 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720178/201160 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.437 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de novembro de 2014 Matéria CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Recorrente ITORORÓ VEÍCULOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Cabe à empresa reter e recolher a contribuição previdenciária dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços incidente sobre suas remunerações junto com as suas próprias contribuições. As vantagens econômicas auferidas pelos sóciosgerentes configuram remuneração quando não comprovada a origem dos recebimentos. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 78 /2 01 1- 60 Fl. 546DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues acompanhou o relator pelas conclusões. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.720178/201160 Acórdão n.º 2402004.437 S2C4T2 Fl. 547 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal de 02/03/2010 com base nos valores registrados em escrituração contábil. As contribuições previdenciárias patronais incidiram sobre os valores lançados contabilmente em conta de remuneração indireta a sócios. O recorrente sustenta que se trata de restituição de empréstimo contraído dos sócios. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração. Em conseqüência, as matérias que deixaram de ser expressamente questionadas na Impugnação não serão objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas, nos termos do artigo 17 do Decreto no 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ALTERAÇÃO NOS CÁLCULOS E LIMITES DA MULTA. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUJEITO PASSIVO. RETENÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições sociais dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, mediante desconto na respectiva remuneração, e a recolher o produto arrecadado conforme previsto no art. 30, I, ‘a’, da Lei nº8.212/91 e art. 4o da Lei nº10.666/03. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INOCORRÊNCIA. De acordo com o entendimento sumulado da Egrégia Corte (Súmula nº08/2008) e do Parecer PGFN/CAT no 1.617/2008, aprovado pelo Sr.Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, não há que se falar em decadência nos créditos previdenciários lançados dentro dos prazos previstos no CTN. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTOS OU INFORMAÇÕES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Quando o Contribuinte recusase a apresentar documentos ou informações, ou as apresenta de forma deficiente, deve a Autoridade Fiscal inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, nos termos do § 3º do art. 33 da Lei nº8.212/91. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.PRESTAR INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS.OBRIGATORIEDADE. Constitui infração deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DE PRESTAR ESCLARECIMENTOS, INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS. INOCORRÊNCIA. Nos termos do parágrafo único do art. 195 do CTN, os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Inexistindo créditos tributários lançados, deverá o contribuinte, quanto à guarda dos documentos, respeitar o prazo decadencial do direito da Fazenda Pública de apurar as obrigações tributárias porventura existentes. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Deixar a empresa de arrecadar contribuição previdenciária de segurado empregado e do contribuinte individual (a partir da competência 04/2003), mediante desconto de sua remuneração, constitui infração ao art. 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.720178/201160 Acórdão n.º 2402004.437 S2C4T2 Fl. 548 5 AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... 1.1. Integram o presente processo administrativo os seguintes Autos de Infração de Obrigação Principal: 1.1.1. Debcad nº 37.312.5780, no qual foram lançadas as contribuições devidas pela empresa (quota patronal) no valor total de R$ 2.249.690,97 (dois milhões, duzentos e quarenta e nove mil, seiscentos e noventa reais e noventa e sete centavos), incidentes sobre remuneração paga aos segurados contribuintes individuais (prestadores de serviços autônomos e administradores) nas competências 01/2006 a 12/2006. 1.1.2. Debcad nº 37.312.5798, no qual foram lançadas as contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais (prestadores de serviços autônomos e administradores) no valor total de R$ 226.925,54 (duzentos e vinte e seis mil, novecentos e vinte e cinco reais e cinquenta e quatro centavos), incidentes sobre remuneração paga pela empresa nas competências 01/2006 a 12/2006. 1.2. Integra também o presente processo administrativo os seguintes Autos de Infração de Obrigação Acessória: 1.2.1. Debcad nº 37.312.5763, lavrado por ter o Contribuinte deixado de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, totalizando R$ 15.235,55 (quinze mil, duzentos e trinta e cinco reais e cinquenta e cinco centavos). 1.2.2. Debcad nº 37.312.5771, lavrado por ter o Contribuinte deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais incidentes sobre remuneração paga no período 01/2006 a 12/2006, totalizando R$ 1.523,57 (um mil, quinhentos e vinte e três reais e cinquenta e sete centavos). Fl. 550DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 1.2.3. Debcad nº 37.312.5755, lavrado por ter o Contribuinte deixado de preparar, no período 01/2006 a 12/2006, folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, totalizando R$ 1.523,57 (um mil, quinhentos e vinte e três reais e cinquenta e sete centavos). 1.2.4. Debcad nº 37.303.6973, lavrado por ter o Contribuinte apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP – do período 01/2006 a 12/2006, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, totalizando R$ 182.828,40 (cento e oitenta e dois mil, oitocentos e vinte e oito reais e quarenta centavos). Em síntese, a fiscalização constatou em contas contábeis que havia pagamentos em benefício de sócios da empresa (contas contábeis “despesas diversas” 33377.05, “serviços externos – diversos” 33369.11, “manutenção imóvel” 33482.01, “c/c sócio C” 1141.06 e “c/c sócio Sr. Miro” 1141.39. O recorrente não trouxe aos autos os comprovantes dessas despesas. 2.3.4. Os pagamentos incluídos nas citadas contas foram considerados integrantes do salário de contribuição dos sócios da empresa (prólabore) e estão relacionadas nos Anexos D (fls. 192/205) e E (fls. 206/212). As contribuições previdenciárias devidas estão incluídas nos levantamentos PL dos Autos de Infração nº 37.312.5780 (quota patronal) e 37.312.5798 (contribuição dos segurados). Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: 4.2. Sustenta que as contribuições previdenciárias estão sujeitas ao lançamento por homologação, concluindose, portanto, que a essa modalidade de lançamento (por homologação) é inapelavelmente aplicável a regra prevista no artigo 150, § 4º, do CTN. 4.2.1. O objeto da homologação não é o pagamento, mas sim a apuração do montante devido. Assim, na hipótese de não pagamento, mas de prestação antecipada de informações que demonstrem o quantum devido em favor da Fazenda, incidiria a hipótese do artigo 150, § 4º, do CTN. 4.2.2. No presente caso, foram fiscalizadas as competências de jan/2006 a dez/2006 estando, portanto, decaído o direito do Fisco de exigir as contribuição previdenciárias do período de jan/2006 a abr/2006, já que a contribuinte foi intimada do Auto de Infração em 31/05/2011. 4.3. Alega que cabia ao Fisco Federal provar que o contribuinte remunerou segurados contribuintes individuais a seu serviço sem oferecer à tributação a totalidade dos fatos geradores ocorridos. Para a responsabilização tributária é imprescindível a prova irrefutável nos autos de que houve o inadimplemento de obrigação principal. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.720178/201160 Acórdão n.º 2402004.437 S2C4T2 Fl. 549 7 4.3.1. Afirma que a Autoridade Fiscal analisou apenas amostras, a título explicativo, de diversos grupos de contas. Porém, ao autuar, considerou todos os lançamentos como base de calculo de contribuições. Apresenta alguns exemplos de lançamentos discriminados nos anexos “A”, “B”, “C”, “D” e “E”, cujos históricos impossibilitariam sua caracterização como serviço prestado ou prolabore. 4.3.2. Sustenta que os comprovantes das operações mencionadas sempre estiveram à disposição da fiscalização. 4.4. Esclarece que as operações referente a prólabore que serviram de base de cálculo às contribuições incluídas nestes Autos de Infração referemse, de fato, a pagamentos de despesas particulares dos sócios. No entanto, tais valores não se referem a pagamento de prolabore mas sim de restituição de valores objeto de contrato de mútuo assinados entre os sócios e a empresa, valores estes devolvidos na forma de pagamento de empréstimo e também como pagamento de contas pessoais. Anexa documentos probatórios. 4.5. Sobre os valores escriturados pelo contribuinte e discriminados pela fiscalização nos anexos “A”, “B” e “C”, considerados como base de cálculo da remuneração a contribuintes individuais por serviços prestados, afirma a Impugnante, primeiramente, que a empresa mantém em seus arquivos documentos relativos a operações realizadas pelo prazo de cinco anos, nos termos da legislação. Assim, levando em consideração que inúmeros fatos referemse à competências já decaídas (janeiro a abril de 2006), algumas operações estão sustentadas na escrituração regular contábil, que faz prova em favor da contribuinte. 4.5.1. Reitera a alegação de que a empresa colocou à disposição da Auditora Fiscal, para análise na sede da empresa ou para envio a própria Secretaria da Receita Federal, todos os documentos que dão suporte a sua contabilidade. 4.5.2. Apresenta alguns exemplos de lançamentos discriminados nos anexos “A”, “B” e “C”, cujos históricos impossibilitariam sua caracterização como serviço prestado por pessoa física. 4.6. Sustenta que não só deixou a fiscalização de provar a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, como também, afastou a regular escrituração contábil da contribuinte sem qualquer justificativa, não podendo prosperar o processo fiscal combatido. 4.7. Uma vez acatada a irresignação exposta, afirma a Impugnante que não há como prosperar a penalidade imputada em razão do não cumprimento de obrigação acessória, que decorrem, exclusivamente, do não cumprimento das obrigações principais. 4.8. Ante o exposto, requer (a) o reconhecimento da decadência das competências de jan/2006 a abril/2006; (b) a declaração de Fl. 552DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 nulidade do processo em razão da inversão do ônus da prova; (c) e, no mérito, a improcedência do processo fiscal em sua totalidade, com o afastamento da imputação de não oferecimento à tributação dos valores escriturados em contas contábeis, entendidos pela fiscalização como pro labore e serviços prestados por pessoas físicas (37.312.5780 e 37.312.5798) e com o consequente cancelamento das multas aplicadas pelo não cumprimento de obrigação acessória (37.303.6973, 37.312.5771, 37.312.5763 e 37.312.5755). É o Relatório. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.720178/201160 Acórdão n.º 2402004.437 S2C4T2 Fl. 550 9 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 554DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° Fl. 555DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.720178/201160 Acórdão n.º 2402004.437 S2C4T2 Fl. 551 11 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração Fl. 556DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, no presente caso, considerando os fatos geradores e a data de lavratura, qualquer que seja a regra aplicada não ocorreu a decadência. No mérito Nesse processo discutese tanto as contribuições patronais quanto as descontadas dos contribuintes individuais e não repassadas à Previdência Social, além do descumprimento de obrigações acessórias decorrentes: deixar de informar os pagamentos realizados aos sócios como geradores de contribuições previdenciárias, deixar de prestar esclarecimentos sobre a escrituração contábil desses valores, deixar de preparar folhas de pagamentos com esses valores e deixar de arrecadar dos sócios a contribuição previdenciária na condição de segurado contribuinte individual. A fiscalização demonstrou contabilmente o recebimento pelos sócios gerentes e pelo Sr. Oduvaldo Miramar Viana de valores repassados; no entanto, o recorrente somente trouxe aos autos suposto contrato de mútuo e autorização dos beneficiários para que suas despesas particulares fossem por ele quitadas a título de amortização da dívida, fls. 403. Esses documentos juntados aos autos não trazem um mínimo de formalização que lhe confiram credibilidade de sua veracidade. Nesses casos, considerando que os sóciosgerentes são os representantes legais do recorrente, assistindolhe o poder de praticar todos os atos jurídicos, os ajustes entre recorrente e sócios gerentes devem ser acompanhados de provas de sua veracidade. Não foram trazidos aos autos sequer o comprovante de movimentação financeira. Coube a fiscalização cumprir todo o ônus probatório que lhe era possível. Na busca da verdade material, é dever do recorrente demonstrar que os lançamentos contábeis se tratavam de amortização de empréstimo. A condição de representante legal da recorrente atrai para ambos o ônus de comprovação do fato que alega com todos os meios que lhe estão a disposição. Não se prestam suficientemente para esse fim os documentos juntados pelo recorrente e preparados pelos sóciosgerentes. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.720178/201160 Acórdão n.º 2402004.437 S2C4T2 Fl. 552 13 Quanto aos demais lançamentos e autuações, a conclusão aqui expressa acompanhada de seus fundamentos lhes é reproduzida. São decorrência da obrigação principal em não terem esses pagamentos sido considerados fatos geradores de contribuições previdenciárias. Quanto ao cálculo da multa pelo descumprimento da obrigação de declarar em GFIP os pagamentos aos sóciosgerentes, o recorrente foi informado da decisão e instado a se manifestar; no entanto, no recurso voluntário nada alegou: Tendo em vista que, no referido Acórdão, a DRJ/SPOI menciona que deverá ser aplicada a legislação mais benéfica ao contribuinte no momento do pagamento do débito, este deverá se manifestar junto à equipe discriminada no rodapé da página, no prazo de até 5 (cinco) dias após a ciência do Acórdão, conforme disposto na Lei 9.784/99, artigo 24, solicitando o cálculo da multa mais benéfica, caso opte pelo pagamento. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 558DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000903/2009-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RS-RG.
Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62-A de seu Regimento Interno.
Numero da decisão: 3403-003.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Mônica Monteiro Garcia de los Rios (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: Rosaldo Trevisan
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RS-RG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62-A de seu Regimento Interno.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11634.000903/2009-05
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414394
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3403-003.476
nome_arquivo_s : Decisao_11634000903200905.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Rosaldo Trevisan
nome_arquivo_pdf_s : 11634000903200905_5414394.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Mônica Monteiro Garcia de los Rios (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
dt_sessao_tdt : Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5778707
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477463023616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 126 1 125 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.000903/200905 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.476 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2014 Matéria AIPISCESSÃO/CRÉDITOICMS Recorrente COMPANHIA IGUAÇU DE CAFÉ SOLÚVEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62 A de seu Regimento Interno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Mônica Monteiro Garcia de los Rios (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 09 03 /2 00 9- 05 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração, lavrado em 30/10/2009 (fls. 56 a 60, com ciência em 03/11/2009 fl. 59)1 para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP (de outubro a dezembro de 2008, acrescida de juros de mora e multa de 75%, no total de R$ 120.210,10), na sistemática da não cumulatividade. No Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (TVEAF) de fls. 49 a 55, narra a fiscalização que a empresa deixou irregularmente de oferecer à tributação valores registrados como “outras receitas operacionais” (R$ 167.642,44) e vendas de créditos de ICMS (que só foram excluídas da base de cálculo em 2009, com a Lei no 11.945/2009). A empresa apresenta sua impugnação em 25/11/2009 (fls. 62 a 73), alegando que: (a) o valor de R$ 167.642,44 (registrado como “outras receitas operacionais”) resulta de recuperação de despesas, resumindose à da soma de R$ 112.390,47 (referente a recuperação de recolhimento efetuado a maior de Seguro de Acidente de Trânsito SAT, de junho de 2007 a dezembro de 2008) com R$ 55.253,98 (referente a prescrição de juros sobre o capital próprio do exercício de 2005), diminuído de R$ 2,01 (a título de resíduos); e (b) as operações realizadas pela empresa se referem a transferências de direito de crédito de ICMS, não registradas em conta de resultado justamente porque a cessão de créditos não constitui receita, como vem entendendo o Conselho de Contribuintes (hoje CARF). Em 17/08/2011 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 82 a 88), acordandose unanimemente pela parcial procedência da impugnação, afastandose a exigência em relação aos valores registrados como “outras receitas operacionais” (recuperação de recolhimento efetuado a maior de SAT, e reversão de provisão para o pagamento de juros sobre o capital próprio. Os valores referentes a cessão de crédito de ICMS são mantidos na base de cálculo da contribuição pelo fato de a Lei no 11.945/2009 não ter retroagido seus efeitos. Cientificada da decisão de piso em 27/09/2011 (AR à fl. 98), a empresa apresenta recurso voluntário em 19/10/2011 (fls. 99 a 112), afirmando que a interpretação efetuada pelo fisco e pela DRJ a respeito da inclusão dos valores referentes a cessão de crédito de ICMS na base de cálculo da contribuição é equivocada, reiterando que tais valores não foram registrados em contas de resultado porque não representam receitas, e que a jurisprudência administrativa assim vem entendendo (tanto do Conselho de Contribuintes quanto do CARF). O processo foi apreciado pela Primeira Turma Ordinária desta Quarta Câmara do CARF em 26/06/2012, resolvendo o colegiado de forma unânime, pelo sobrestamento do julgamento (Resolução no 3401000.512, fls. 120 a 123), tendo em vista a Repercussão Geral reconhecida no julgamento do RE no 606.107/RS, pelo Supremo Tribunal Federal, e o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF no 256/2009 (com a redação dada pela Portaria MF no 586/2010). Com o advento da Portaria MF no 545, de 18/11/2013, que revogou os §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o presente processo volta a ser 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11634.000903/200905 Acórdão n.º 3403003.476 S3C4T3 Fl. 127 3 distribuído, por sorteio, para a Conselheira Silvia de Brito Oliveira, que não mais faz parte do colegiado, sendo a mim distribuído em novo sorteio, em setembro de 2014. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Como destacado ainda por ocasião da emissão da Resolução no 3403 000.512, a matéria que resta controversa nos autos resumese a um tópico: a inclusão/exclusão na/da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP dos valores referentes a cessão de créditos de ICMS. A discussão sobre a inclusão ou não da cessão de créditos de ICMS na base de cálculo da COFINS é frequente neste CARF. Contudo, não se pode afirmar que esteja assentado o posicionamento sobre a matéria, como sugere a recorrente, acrescentando diversos julgados (o mais recente proferido em dezembro de 2010). Analisandose julgados mais recentes (anos de 2011 e 2012) deste CARF, tribunal que substituiu o antigo Conselho de Contribuintes, encontramse tanto posicionamentos alinhados com o externado pela recorrente2, quanto em sentido diverso3, pela incidência da Contribuição para o PIS/Pasep (e da COFINS) sobre o resultado da cessão de créditos de ICMS a terceiros. Também judicialmente a matéria é controversa, tanto que foi reconhecida sua repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal em 1/7/2010, no RE no 606.107/RS: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3. As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de 2 Acórdãos no 3202000.498 e 499, ambos relatados pela Cons. Irene Souza da Trindade Torres (vencida), maioria, sessão de 23.mai.2012; e Acórdãos no 3801001.041 a 043, todos relatados pelo Cons. Jose Luiz Bordignon, unânime, sessão de 22.mar.2012. 3 Acórdãos no 3301001.373 a 376, todos relatados pelo Cons. Antonio Lisboa Cardoso (vencido), qualidade, sessão de 22.mar.2012; Acórdãos no 3801001.343 a 353, todos relatados pela Cons. Andrea Medrado Darze (vencida), qualidade, sessão de 15.fev.2012; Acórdãos no 3301000.916 a 920, todos relatados pelo Cons. José Adão Vitorino de Morais, unânime, sessão de 2.mai.2011; e Acórdão no 3402000.988, Cons. Júlio Cesar Alves Ramos, unânime, sessão de 3.fev.2011. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida4.(grifo nosso) Reconhecida a repercussão geral, a suprema corte vem determinando a devolução dos autos à origem, sobrestandoos (v.g. RE no 650.767/RS, RE no 641.035/RS, RE no 605.195/RS, RE no 631.574/DF, RE no 600.384/RS, e RE no 614.307/RS). Exatamente por isso ocorreu o sobrestamento do julgamento do presente processo. Contudo, dois eventos posteriores possibilitam (em verdade, obrigam) o retorno da análise, agora de forma definitiva, por este CARF. O primeiro é a revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, pela Portaria MF no 545, de 18/11/2013, que permitia o sobrestamento administrativo dos processos sobre as matérias com repercussão geral reconhecida pelo STF, ainda não julgadas definitivamente pela corte suprema. Permaneceu vigente no referido art. 62A somente o comando do caput: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” (grifo nosso) O segundo evento é exatamente a decisão definitiva, pelo STF, em relação à matéria. Em 22/05/2013 (com publicação em 25/11/2013), o pleno da corte julgou o RE no 606.107/RS, acordando, por maioria de votos (vencido o Min. Dias Toffoli), que: “EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. 4 RE no 606.107/RS, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 1.jul.2010, public. Em 20/8/2010. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11634.000903/200905 Acórdão n.º 3403003.476 S3C4T3 Fl. 128 5 III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida se de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe231 DIVULG 22112013 PUBLIC 2511 2013) (grifo nosso) Em consulta ao sítio web do STF, atestase que tal acórdão transitou em julgado ainda em dezembro de 2013. Aplicável, então, o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, devendo esta corte administrativa reproduzir a decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. É de se reconhecer, assim, a obrigatoriedade de afastamento do lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10935.003848/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTO REFLEXO.
Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos.
ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. PIS. COFINS.
A empresa arrendatária não tem direito a crédito de PIS e Cofins pelo regime não-cumulativo, antes do exercício da opção de compra, porque, até então, o bem arrendado faz parte do ativo imobilizado da arrendadora.
ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). VALOR RESIDUAL GARANTIDO (VGR). REGIME NÃO-CUMULATIVO. CREDITAMENTO. PIS. COFINS.
Pagamentos de valor residual garantido (VGR) correspondem a antecipações, pelo arrendatário, do valor residual do bem, e não caracterizam o exercício da opção de compra, não gerando direito a crédito da Cofins pelo regime não-cumulativo, porque, antes dessa opção, o bem arrendado faz parte do ativo imobilizado da arrendadora.
AMORTIZAÇÃO DE FINANCIAMENTO LANÇADA COMO DESPESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é possível que se considere como despesas financeiras o gasto realizado com amortizações considere como despesas financeiras o gasto realizado com amortizações de contrato de financiamento que não se comprova sua natureza e os requisitos da usualidade, normalidade e necessidade.
Numero da decisão: 1302-001.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonça Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTO REFLEXO. Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos. ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. PIS. COFINS. A empresa arrendatária não tem direito a crédito de PIS e Cofins pelo regime não-cumulativo, antes do exercício da opção de compra, porque, até então, o bem arrendado faz parte do ativo imobilizado da arrendadora. ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). VALOR RESIDUAL GARANTIDO (VGR). REGIME NÃO-CUMULATIVO. CREDITAMENTO. PIS. COFINS. Pagamentos de valor residual garantido (VGR) correspondem a antecipações, pelo arrendatário, do valor residual do bem, e não caracterizam o exercício da opção de compra, não gerando direito a crédito da Cofins pelo regime não-cumulativo, porque, antes dessa opção, o bem arrendado faz parte do ativo imobilizado da arrendadora. AMORTIZAÇÃO DE FINANCIAMENTO LANÇADA COMO DESPESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível que se considere como despesas financeiras o gasto realizado com amortizações considere como despesas financeiras o gasto realizado com amortizações de contrato de financiamento que não se comprova sua natureza e os requisitos da usualidade, normalidade e necessidade.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10935.003848/2010-83
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5415148
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1302-001.587
nome_arquivo_s : Decisao_10935003848201083.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCIO RODRIGO FRIZZO
nome_arquivo_pdf_s : 10935003848201083_5415148.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonça Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5779895
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477502869504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2251; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2.238 1 2.237 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.003848/201083 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.587 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2014 Matéria GLOSA DE DESPESAS Recorrente IRMÃOS MUFFATO & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 DESPESAS FINANCEIRAS. ARRENDAMENTO MERCANTIL DE AERONAVE. DEDUTIBILIDADE. Comprovado que a aeronave é utilizada nas atividades intrinsicamente relacionadas aos fins sociais e empresarias da pessoa jurídica, é cabível a dedução das despesas efetuadas com o arrendamento mercantil (leasing) daquele bem. DESPESAS FINANCEIRAS. CONTRAPRESTAÇÃO ARRENDAMENTO MERCANTIL. INDEDUTIBILIDADE DE VALOR RESIDUAL GARANTIDO VRG. Não há como se considerar, para fins de redução da base de cálculo de tributos, o Valor Residual Garantido de contrato de arrendamento mercantil (leasing) operacional, porquanto tal valor corresponde, em verdade, a adiantamento para futura aquisição do bem, objeto do contrato. ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A empresa arrendatária não pode apropriar despesas de depreciação de bem arrendado, entes do exercício da opção de compra, porque, até então, o bem arrendado faz parte do ativo imobilizado da arrendadora. AMORTIZAÇÃO DE FINANCIAMENTO LANÇADA COMO DESPESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível que se considere como despesas financeiras o gasto realizado com amortizações considere como despesas financeiras o gasto realizado com amortizações de contrato de financiamento que não se comprova sua natureza e os requisitos da usualidade, normalidade e necessidade. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 38 48 /2 01 0- 83 Fl. 2708DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTO REFLEXO. Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos. ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. PIS. COFINS. A empresa arrendatária não tem direito a crédito de PIS e Cofins pelo regime nãocumulativo, antes do exercício da opção de compra, porque, até então, o bem arrendado faz parte do ativo imobilizado da arrendadora. ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). VALOR RESIDUAL GARANTIDO (VGR). REGIME NÃOCUMULATIVO. CREDITAMENTO. PIS. COFINS. Pagamentos de valor residual garantido (VGR) correspondem a antecipações, pelo arrendatário, do valor residual do bem, e não caracterizam o exercício da opção de compra, não gerando direito a crédito da Cofins pelo regime não cumulativo, porque, antes dessa opção, o bem arrendado faz parte do ativo imobilizado da arrendadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonça Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 2709DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.003848/201083 Acórdão n.º 1302001.587 S1C3T2 Fl. 2.239 3 Relatório Tratase de recurso voluntário. Na origem foi lavrado auto de infração em razão da glosa de despesas que totalizaram os seguintes valores: IRPJ (R$ 5.071.857,66), CSLL (R$ 2.347.063,73), PIS (R$ 111.962,44) e COFINS (R$ 498.760,03) (fls. 510/514). Em resumo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Termo de Constatação Fiscal (fls. 480/487): (i) Que a recorrente deduziu indevidamente do lucro real as despesas (contraprestações) decorrentes do contrato de arrendamento mercantil (leasing) que possuía como objeto uma aeronave, pois tal bem não esta relacionado, direta e intrinsicamente, à atividade econômica exercida pela empresa; (ii) Que, em relação a diversos outros contratos de leasing, efetuou a contabilização como despesas tanto o valor das contraprestações dos contratos quanto os valores referentes ao exercício da opção de compra (valor residual), sendo que estes últimos deveriam integrar o ativo do adquirente pelo seu custo de aquisição, como se demonstra na tabela a seguir: Contrato Valor Arrendamento Mensal (R$) Valor Residual Mensal (R$) 02505118 2.406,47 1.321,19 30.740 16.272,41 8.098,60 100003046 3.610,82 1.984,45 75.107.1951 3.161,06 6.098,39 75.110.1508 5.670,61 11.047,59 5140552 11.578,95 60.000,00 75.149.2663 537,38 1.348,88 1107881 1.380,42 1.666,26 116715 17.987,83 2.222,77 (iii) Que a recorrente passou a contabilizar, a partir de junho/2006, como despesas mensais, pagamentos feitos para o Banco Safra, contabilizados na Conta 501115002, como histórico de “leasing”, sendo que o comprovante apresentado pela recorrente demonstra tratarse de amortização de Finame, tendo sido procedida a glosa integral destas despesas pois não se comprovou quais valores correspondiam aos juros, que seriam dedutíveis para fins de apuração do Lucro Real. (iv) Que a recorrente, durante o período de junho/2006 a dezembro/2008, lançou a débito da conta 501.115.002, valores decrescentes entre R$3.471,55 (jun/06) e R$2.733,77 (dez/08), todos feitos em contrapartida a crédito na conta 101.113.011 – Banco Safra, com menção, na movimentação e histórico, a “leasing”, “leasing Banco Safra” ou “pgto cfe recibo Banco Safra”. Fl. 2710DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 (v) Que intimada a apresentar contratos ou documentos que comprovassem a origem das despesas, a empresa apresentou comprovante de pagamento de parcela vencida em 11/12/2007, no valor de R$3.030,24, onde se pode verificar se tratar de amortização de financiamento Finame, e não de operação de leasing (fl. 206). (vi) Que intimada a comprovar quanto de cada parcela se referia efetivamente a despesa financeira, para fins de eventual dedutibilidade do IRPJ e CSLL, nada foi apresentado, sendo, portanto, todas as despesas glosadas; (vii) Que, em relação à primeira infração (despesas decorrentes de arrendamento mercantil de aeronave), esta não reflete na apuração de PIS e COFINS, pois enquanto a Lei n.º 9.249/95 veda a dedutibilidade de despesas de arrendamento mercantil de bens não intrinsicamente relacionados com a produção ou comercialização, as leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, que regulamentam a apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, no art. 3º, V, vedam a utilização destas despesas apenas no caso das mesmas serem oriundas de contratos firmados com empresas optantes pelo Simples, o que não é o caso; (viii) Que, quanto à segunda infração (valores residuais de leasing indevidamente apropriados como despesas), os bens, objetos dos contratos de arrendamento mercantil (leasing), apenas poderiam ter suas depreciações utilizadas para abatimento nos valores devidos a título de PIS e COFINS quando se efetivasse a sua devida transferência para o patrimônio da empresa recorrente, o que apenas se daria com o término do contrato de arrendamento. Assim, não havendo nem mesmo a ativação dos valores pagos a título residual antecipado e, consequentemente, não tendo se iniciado a depreciação destes bens, não haveria que se falar em créditos de PÍS e COFINS; (ix) Que, sobre a terceira infração (amortizações de financiamento lançadas como despesas), os valores glosados também não dariam direito à qualquer crédito de PIS e COFINS por se tratar de amortização de financiamento ou pagamento de juros, cujo crédito foi extinto pela nova redação dada pela Lei n.º 10.865/2004, ao art. 3º, V, da Lei n.º 10.833/2003; (x) Que a recorrente, até julho/2006, não havia considerado qualquer valor de arrendamento mercantil como base de cálculo de PIS e COFINS, tendo somente a partir de agosto/2006 passado a incluir estes valores na base de cálculo dos créditos destas contribuições e que, para compensar a não apropriação dos créditos a que, supostamente, teria direito, nos meses de setembro, novembro e dezembro de 2006, e em janeiro de 2007, apropriou créditos extratemporâneos, calculados sobre R$7.794.234,22, no caso do PIS, e de R$7.466.074,64, no caso da COFINS; (xi) Que a recorrente apresentou planilha demonstrando a origem dos valores apropriados nos meses de setembro/2006 a janeiro/2007. A recorrente mencionou que o aproveitamento dos créditos não utilizados anteriormente se deu com base no art. 3º, §4º, da Lei n.º 10.833/2003 que, assim como o mesmo dispositivo da Lei n.º 10.637/2002, prevê o aproveitamento dos créditos não aproveitados nos meses devidos; Fl. 2711DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.003848/201083 Acórdão n.º 1302001.587 S1C3T2 Fl. 2.240 5 (xii) Que, conforme o art. 13 das mesmas leis acima, a apropriação de qualquer forma de correção ou atualização destes créditos é expressamente vedada; (xii) Que procedeu à compensação de alguns valores de pagamento de contraprestação de leasing, sobre os quais a empresa recorrente teria direito de calcular créditos de PIS e de COFINS, mas não o fez, tendo sido procedida à comparação entre os valores utilizados pela empresa recorrente com aqueles a que ela teria efetivo direito de utilizar, tendo sido realizada a compensação entre eles; (xiii) Que os valores contabilizados pela recorrente nas contas 112013 – DONATIVOS E CONTRIBUIÇÕES e 112019 – BRINDES E PRÊMIOS não foram adicionados ao LALUR; (xiv) Que a recorrente apurou prejuízo fiscal de R$3.299.627,21 e base de cálculo negativa de Contribuição Social de R$3.366.181,51, tendo sido tais valores compensados pelo contribuinte no 4º trimestre de 2006 e no ano calendário de 2007, conforme previsão legal; (xv) Que se procedeu a redução do prejuízo, levando em conta as infrações apuradas naquele período, que totalizaram R$ 791.642,21, na apuração do IRPJ, e R$ 858.196,51, na apuração da CSLL, reduzindo, também, a base negativa da CSLL; (xvi) Que no 4º trimestre de 2006 foram apuradas infrações que totalizaram R$ 963.715,88, na apuração do IRPJ, e R$ 968.147,92, na apuração da CSLL. Assim, uma vez que o contribuinte dispunha de saldos de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, estas infrações foram parcialmente compensadas, até o limite de 30% permitido por lei, reduzindo o saldo de prejuízo fiscal disponível para compensação no ano de 2007, assim como o saldo negativo da Contribuição Social, conforme quadros demonstrativos de fl. 487. Encerrada a fiscalização, a recorrente teve ciência do auto de infração em 28/06/2010 (fl. 558). Na sequência, apresentou impugnação em 26/07/2010 (fl. 560/609), a qual foi julgada totalmente improcedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue transcrita (fl. 618/664): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 DESPESAS. CONTRAPRESTAÇÕES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). INDEDUTIBILIDADE. AERONAVE. Por expressa vedação legal, as contraprestações de arrendamento mercantil são indedutíveis para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços, situação esta que não Fl. 2712DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 alcança o arrendamento de aeronave para o uso de locomoção de seus diretores. ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). CONTABILIZAÇÃO DO BEM ARRENDADO. LEI Nº 6.099/74. Conforme a Lei n.º 6.099/74, o bem arrendado pertence ao ativo imobilizado da arrendadora, podendo esta considerar como custos as cotas de depreciação do preço de aquisição do bem, enquanto que, na contabilidade da arrendatária, o bem somente passará a integrar seu ativo fixo a partir do exercício da opção de compra, podendo ela lançar como custo ou despesa operacional tão somente as contraprestações pagas ou creditadas, desde que intrinsecamente relacionadas com a produção ou comercialização de seus bens e serviços. ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). CONTABILIZAÇÃO DO BEM ARRENDADO. ALTERAÇÕES NA LEI DAS S/A. NOVO CRITÉRIO CONTÁBIL. ATIVO IMOBILIZADO. LEI COMERCIAL. EFEITOS EM ÂMBITO TRIBUTÁRIO. CRITÉRIO DA ESPECIALIDADE. As modificações na Lei n.º 6.404/76 (Lei das SAs), introduzidas pela Lei nº 11.638/2007, dando nova definição aos bens do ativo imobilizado, incluindo aqueles com transferência de benefícios, riscos e controle, não alteram as regras de contabilização contidas na Lei n.º 6.099/74, seja porque lei de direito privado não pode afastar os efeitos tributários de determinado instituto, seja porque a regra especial convive e prevalece sobre a regra geral, ainda que anterior a esta. ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). VALOR RESIDUAL GARANTIDO (VGR). INDEDUTIBILIDADE. Pagamentos de valor residual garantido (VGR) correspondem a antecipações, pelo arrendatário, do valor residual do bem, e não caracterizam o exercício da opção de compra, sendo indedutíveis porque não são despesas. ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A empresa arrendatária não pode apropriar despesas de depreciação de bem arrendado, entes do exercício da opção de compra, porque, até então, o bem arrendado faz parte do ativo imobilizado da arrendadora. GLOSA DE DESPESAS. FINANCIAMENTO. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. USUALIDADE. NORMALIDADE. NECESSIDADE. É cabível a glosa de despesas quando o contribuinte alega tratarse de financiamento, cuja existência não foi comprovada, mediante documentação idônea, ou quando foram indedutíveis, isto é, se ausentes os requisitos da usualidade, normalidade e essencialidade. DESPESAS. BRINDES. INDEDUTIBILIDADE. Fl. 2713DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.003848/201083 Acórdão n.º 1302001.587 S1C3T2 Fl. 2.241 7 Despesas com brindes são indedutíveis, por expressa vedação legal, ainda que considerado no âmbito de despesas com propagando e marketing, descabendo alegar diferença conceitual entre “simples brinde” e “brinde voltado para a divulgação da empresa”, cuja distinção é nenhuma. DESPESAS. CONTRIBUIÇÕES E DOAÇÕES. ENTIDADES FILANTRÓPICAS. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS DO ART. 365 DO RIR/99. DECLARAÇÃO. Para fins de dedução, as despesas com contribuições e doações, inclusive para entidades filantrópicas, sujeitamse aos requisitos estipulados no art. 365 do RIR/99, que exige, entre outras condições, declaração fornecida pela beneficiária, segundo modelo aprovado pela RFB. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. AJUSTES DECORRENTES DE INFRAÇÕES APURADAS PELA FISCALIZAÇÃO. Correta a glosa parcial bem como os ajustes da compensação de prejuízos, em virtude das infrações apuradas na fiscalização, que alteraram as bases de períodos anteriores. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). VALOR RESIDUAL GARANTIDO (VRG). REGIME NÃO CUMULATIVO. CREDITAMENTO. Pagamentos de valor residual garantido (VRG) correspondem a antecipações, pelo arrendatário, do valor residual do bem, e não caracterizam o exercício da opção de compra, não gerando direito a crédito do PIS pelo regime nãocumulativo, porque, antes dessa opção, o bem arrendado faz parte do ativo imobilizado da arrendadora. ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. A empresa arrendatária não tem direito a crédito do PIS pelo regime nãocumulativo, antes do exercício da opção de compra, porque, até então, o bem arrendado daz parte do ativo imobilizado da arrendadora. Fl. 2714DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 DESPESAS DE EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS. CREDITAMENTO. LEI 10.865/2004. A partir do advento da Lei n.º 10.865, de 30/04/2004, que deu nova redação ao inciso V do art. 3º das Lei n.º 10.637/2002 e n.º 10.833/2003, não há mais possibilidade de creditamento do PIS sobre despesas de empréstimos e financiamentos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). VALOR RESIDUAL GARANTIDO (VGR). REGIME NÃO CUMULATIVO. CREDITAMENTO. Pagamentos de valor residual garantido (VGR) correspondem a antecipações, pelo arrendatário, do valor residual do bem, e não caracterizam o exercício da opção de compra, não gerando direito a crédito da Cofins pelo regime nãocumulativo, porque, antes dessa opção, o bem arrendado faz parte do ativo imobilizado da arrendadora. ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. A empresa arrendatária não tem direito a crédito da Cofins pelo regime nãocumulativo, antes do exercício da opção de compra, porque, até então, o bem arrendado faz parte do ativo imobilizado da arrendadora. DESPESAS DE EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS. CREDITAMENTO. LEI 10.865/2004. A partir do advento da Lei nº 10.865, de 30/04/2004, que deu nova redação ao inciso V do art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, não há mais possibilidade de creditamento da Cofins sobre despesas de empréstimos e financiamentos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Nos termos da legislação do PAF, os pedidos de perícia devem ser indeferidos, quando impertinentes ou desnecessários ao deslinde da causa e toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão supratranscrita em 01/12/2010 (fl. 670), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário 15/12/2010 (fl. 674/724), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: Fl. 2715DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.003848/201083 Acórdão n.º 1302001.587 S1C3T2 Fl. 2.242 9 (i) Quanto à natureza das operações realizadas com a aeronave objeto de arrendamento mercantil (leasing), alegou serem de natureza direta e intrinsecamente ligada às suas atividades. (ii) Que, muito embora não preste serviço de transporte de cargas ou de passageiros (um dos principais argumentos utilizados pela fiscalização para a glosa destas despesas específicas), a utilização da aeronave é essencial para o bom desempenho de suas atividades. (iii) Que os trajetos realizados pela aeronave, fatos estes corroborados por farta documentação juntada aos autos, em sua maioria, se realizaram entre cidades do Estado do Paraná que possuiam filiais da empresa recorrente, caracterizando, assim, o exercício do gerenciamento destes estabelecimentos, à época mais de 30 (trinta). (iv) Sustentou, ainda, ser a aeronave o meio mais econômico para o deslocamento de seus sócios e diretoria entre os seus estabelecimentos, porquanto a utilização de aviação comercial comum, ou aluguel de veículos, acarretaria em gasto de tempo e verbas maiores. (v) Que não deveria ser mantida a glosa das despesas financeiras, atinentes ao arrendamento mercantil (leasing) de aeronave. (ii) Quanto à infração consistente na contabilização de valor residual de leasing como despesa, alegou, primeiramente, que os valores pagos a titulo de Valor Residual de Garantia (VRG) nos contratos de arrendamento mercantil (leasing), cujas despesas foram glosadas, não poderiam ser escrituradas no ativo imobilizado da empresa, porquanto, conforme preceitua o art. 3º da Lei n.º 6.099/74, deveriam ser escriturados no ativo imobilizado da arrendadora. (iii) Que não foram consideradas, pela autoridade fiscal, as implicações legais decorrentes da inserção do VRG como sendo integrante do Ativo Permanente da Recorrente, porquanto o AFRFB não teria procedido à apuração do montante a título de depreciação do bem inserido na conta do Ativo Permanente. (iv) Que mesmo durante a vigência dos contratos de arrendamento mercantil (leasing) celebrados, os bens, objetos destes contratos, sofreram depreciação, e que esta depreciação deveria ter sido levada em conta na apuração das bases de cálculo dos tributos nestes autos discutidos. (v) Que deveria ser aplicada ao caso a depreciação acelerada dos bens componentes do ativo imobilizado através do pagamento da VRG, porquanto tais bens seriam utilizados em turnos de revezamento, aumentando, assim, o período diário de utilização dos referidos bens, o que amplia alíquota utilizada para definição da quantia a ser amortizada. (vi) Quanto à infração apurada, consistente em “amortizações de financiamento lançadas como despesa”, alegou serem dedutíveis as despesas com financiamentos do FINAME, ainda que o AFRFB tenha desqualificado Fl. 2716DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 tais despesas como financeiras, por não se tratarem de contratos de arrendamento mercantil (leasing). (vii) Que o AFRFB não levou em consideração, em momento algum, a depreciação dos bens adquiridos através dos referidos financiamentos, nem normal e nem acelerada. (viii) Quanto aos reflexos na apuração do PIS e da COFINS, correspondente à contabilização de valor residual de leasing como despesa financeira, não haveria como se manter tais reflexos, porquanto, em sendo acatada a fundamentação específica quanto a tal infração, ela não seria mantida. (ix) Que, com a exclusão de tais créditos da categoria de despesas financeiras, não haveria como haver reflexos de tal infração no atinente à PIS e COFINS, porquanto, deveria ser apurada a correspondente inclusão de créditos em virtude da depreciação acelerada dos bens adicionados ao ativo imobilizado da empresa recorrente. (x) Que o art. 3º, §1º, III, da Lei n.º 10.637/2002 (idêntico na Lei n.º 10.833/2004), é expresso em determinar que a aquisição de bens do Ativo Permanente somente gerará créditos de PIS e de COFINS, através da aplicação das alíquotas previstas para estas contribuições, sobre os valores da depreciação dos bens integrantes do Ativo Permanente. Assim, na medida em que o VRG seja contabilizado como Ativo, chegase à conclusão de que imediatamente após a contratação do arrendamento mercantil financeiro, há de ser iniciada a depreciação. (xi) Que o AFRFB utilizouse de critérios distintos para especificar a contabilização do VRG, quais sejam, o critério contábil de um lado, para especificar a contabilização do VGR no Ativo Imobilizado, e o critério contratual e civil do outro, para especificar o momento de ativação da depreciação. (xii) Que, segundo o critério contabil estabelecido a partir da Lei n.º 11.638/2007, é possível afirmar que o VRG de contratos de arrendamento mercantil financeiro seja contabilizado no Ativo Imobilizado da arrendatária, e que, por este critério, excluise qualquer consideração quanto à propriedade efetiva do bem, ou seja, apesar de o bem arrendado não participar formalmente do acervo patrimonial do arrendatário, já deve participar de seu Ativo Imobilizado, prevalecendo a essencia da operação havida entre arrendador e arrendatário sobre a forma contratual. (xiii) Que os bens, objetos dos contratos de arrendamento mercantil (leasing) financeiro, já eram utilizados, desde o início do contrato, pela arrendatária, ou seja, desde aquele momento já ocorria a sua depreciação, razão pela qual, desde o inicio dos contratos de leasing, deveria ser considerada a depreciação de tais bens na amortização das bases de cálculo dos tributos devidos. (xiv) Quanto aos reflexos da infração “amortizações de financiamento lançadas como despesa”, que o acolhimento da argumentação específica quanto a este tema, faz cair por terra qualquer possibilidade de manutenção da infração apurada pelo AFRFB neste sentido. Fl. 2717DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.003848/201083 Acórdão n.º 1302001.587 S1C3T2 Fl. 2.243 11 (xv) Que, em se reconhecendo tratarse de uma operação de aquisição de veículo, deve ser ativada, desde a realização da operação, a depreciação acelerada do bem, para o fim de abatimento de tais valores da base de cálculo dos tributos apurados, objetos do auto de infração e, reflexamente, acabará por ser derrubada qualquer infração atinente à PIS e COFINS. (xvi) Que é indevida a glosa efetuada pelo AFRFB, sobre a correção monetária aplicada aos créditos extemporâneos aproveitados pelo contribuinte. (xvii) Que a aplicação do art. 13 da Lei n.º 10.637/2002 e do art. 13 da Lei n.º 10.833/2003 levou à glosa de valores correspondentes à correção monetária efetuada pela empresa recorrente, sobre créditos tributários extemporâneos, não utilizados na época devida, mas que tal aplicação viola diversos princípios constitucionais aplicáveis à ordem tributária. (xviii) Que a correção monetária não implica em acréscimo ao crédito tributário, mas, tãosomente, atualiza o valor da moeda em face do fenômeno inflacionário, para preservar seu valor real. (xix) Quanto às adições efetuadas ao Lucro Real, referente aos brindes e donativos, afirma que por erro no momento da classificação contábil dos gastos, acabou por classificar como “brindes e donativos” despesas que, na realidade, referemse a “publicidade e propaganda”, o mesmo ocorrendo com despesas tipicamente operacionais, e dedutíveis pela sua própria natureza jurídica, conforme respaldo de diversos precedentes da jurisprudência administrativa. (xx) Enumerou despesas operacionais contabilizadas como “brindes e donativos” (fl. 714), especificando que se tratavam, em verdade de despesas com “cursos e treinamentos, feiras e eventos”, “prestação de serviços de consulta a créditos”, dentre outras, todas dedutiveis para fins de IRPJ e CSLL. (xxi) Quanto às doações e contribuições, alegou que os donativos e as contribuições que foram por ela ofertadas, foram direcionadas a instituições beneficentes e filantrópicas. Sustentou a aplicação do art. 55 da Lei n.º 4.506/64, onde se admite a dedução de despesas relacionadas a doações e contribuições. (xxii) Quanto à compensação de prejuízos, argumentou que, de forma reflexa, deveria ser cancelada a recomposição dos prejuízos fiscais apurados, ao passo em que acatados os fundamentos apresentados nas impugnações específicas às infrações verificadas. É o relatório. Fl. 2718DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Da Glosa de Despesas com Arrendamento de Aeronave Em síntese, alega a recorrente ser indevida a glosa de despesas referentes ao arrendamento mercantil de aeronave, pois tal bem teria sua utilização direta e intrinsecamente ligada às atividades econômicas por ela praticadas, vez que seu uso traz agilidade na administração dos diversos estabelecimentos espalhados em todo o território do estado do Paraná e outros estados. O AFRFB conclui que devido a atividade empresarial da recorrente (ramo de supermercado e atacado de secos e molhados) não seria possível aceitar que a utilização da aeronave estaria intrinsicamente relacionada ao seu fim social, nos termos que se destaca (fls. 480): O contribuinte atua no ramo de supermercado e atacado de secos e molhados. Não presta serviços de transporte, de cargas ou de passageiros. Assim, mesmo reconhecendo que a aeronave arrendada tenha sua utilização relacionada as atividades do contribuinte, no transporte de diretores e, eventualmente, funcionários de primeiro escalão. Assim, não há como aceitar que a aeronave pudesse estar “relacionada intrinsicamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços”. Portanto, procedese à glosa destas despesas. Desta maneira, com fundamento no art. 13, II, da Lei n.º 9.249/95, e art. 249, I, art. 251, parágrafo único, e art. 356, todos do RIR/99, o AFRFB glosou as despesas do arrendamento mercantil da aeronave. Assim ensinam estes preceitos legais: L. 9.249/95. Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; (...) RIR/99 Fl. 2719DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.003848/201083 Acórdão n.º 1302001.587 S1C3T2 Fl. 2.244 13 Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real;(...) Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). (...) Art. 356. Serão consideradas, como custo ou despesa operacional da pessoa jurídica arrendatária, as contraprestações pagas ou creditadas por força de contrato de arrendamento mercantil (Lei nº 6.099, de 12 de setembro de 1974, art. 11). Ora, no caso em análise, o próprio AFRFB reconheceu que a aeronave é utilizada para atender as necessidades relacionadas à atividade da recorrente, contudo entendeu que tais necessidades não estavam intrinsicamente relacionadas com a atividade fim da empresa, pois a recorrente “não presta serviços de transporte, de cargas ou de passageiros” e, assim, a aeronave supostamente servia apenas para trânsito dos diretores e funcionários. O art. 13, da Lei n.º 9.249/95, traz a possibilidade de dedução das contraprestações de arrendamento mercantil quando os bens objetos de tais contratos estiverem intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços, nos termos supracitados. Não há, assim, dúvidas quanto à possibilidade de abatimento das despesas decorrentes do pagamento de contraprestações de contrato de arrendamento mercantil (leasing), subsistindo a discussão quanto à possibilidade de classificação do bem como de uso intrinsecamente ligado à atividade do contribuinte, ou seja, quanto à valoração dos elementos probatórios trazidos aos autos pela recorrente. Como se viu, o AFRFB fiscal conclui no primeiro momento que, como a recorrente é empresa que “não presta serviços de transportes de cargas ou de passageiros”, já seria possível concluir pela desnecessidade intrínseca da utilização da aeronave com sua atividade. Analisando os autos entendo que a conclusão da autoridade fiscal não é a mais arrazoada. Nos dias atuais é cediço que cada vez mais o serviço de transporte aéreo, seja ele particular ou comercial, tem se tornado necessário e o mais adequado para o empresariado Fl. 2720DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 brasileiro gerir seus negócios, em especial nos casos como o da recorrente, que possui diversos estabelecimentos no interior do Paraná, em municípios onde não há voos comerciais regulares ou diretos, demonstrando como primordial a utilização de um meio de locomoção, rápido, seguro e o qual ela entende adequado, neste caso aeronave particular. Até mesmo governantes (presidente, governadores, prefeitos) utilizam deste meio de transporte como meio de cumprir suas agendas e efetivar seus trabalhos. Do empresário não seria crível exigir que fosse diferente, até porque este paga, com seus recursos e não do povo, tal alternativa de transporte. Não cabe ao Auditor, principalmente neste caso, medir qual é o adequado meio de transporte, qual o limite de gasto, ou entrar na valoração das decisões estratégicas dos empresários na condução de seus negócios. Aqui somente caberia ao Auditor verificar se a despesa realmente ocorreu e se ela foi efetivada dentro do objetivo de fomentar a atividade objeto da empresa recorrente. Compulsando os autos, não resta dúvida que o bem objeto da presente glosa (aeronave) foi utilizado para fomentar a atividade objeto da recorrente, pois vejamos: i) Primeiro, as informações do sítio eletrônico da recorrente (http://www.supermuffato.com.br/Institucional/lojas/) afirmam que a empresa possui estabelecimentos nas seguintes cidades: Apucarana PR Cambé PR Campo Mourão PR Cascavel PR Curitiba PR Foz do Iguaçu PR Ibiporã PR Londrina PR Maringá PR Paranaguá PR Paranavaí PR Ponta Grossa PR São José dos Pinhais PR Toledo PR Araçatuba SP Presidente Prudente SP ii) Posteriormente, do Relatório de Bordo (fls. 1.100/1.129), documento oficial da aeronave no qual é possível verificar diversas informações dos voos, tais como tripulação, trajeto, passageiros, data e tempo de percurso, pode se concluir que a maioria dos percursos realizados com a aeronave foi para cidades onde a recorrente possui estabelecimentos, como se destaca exemplificativamente: Referência Trecho Data Ida Data Retorno Fls. 1.101 Cascavel/Curitiba/Cascavel 01/11/04 01/11/04 Fls. 1.102 Cascavel/Ponta Grossa/Curitiba/Cascavel 08/11/04 09/11/04 Fls. 1.104 Cascavel/Curitiba/Ponta Grossa/Londrina/Presidente Prudente/Cascavel 18/11/04 19/11/04 Fls. 1.107 Cascavel/Foz do Iguaçu/Brasília/Foz do Iguaçu/Cascavel 03/12/04 03/12/04 Fls. 1.108 Cascavel/Londrina/Cascavel 04/12/04 04/12/04 Fls. 1.109 Cascavel/Londrina/Ponta 09/12/04 10/12/04 Fl. 2721DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.003848/201083 Acórdão n.º 1302001.587 S1C3T2 Fl. 2.245 15 Grossa/Curitiba/Cascavel Fls. 1.110 Cascavel/Londrina/Cascavel 14/12/04 14/12/04 Fls. 1.111 Cascavel/Sapezal/Foz do Iguaçu/Cascavel 16/12/04 18/12/04 Veja que em certos voos os tripulantes passavam por quatro cidades (Cascavel/Londrina/Ponta Grossa/Curitiba/Cascavel) em dois dias (09/12/04 e 10/12/04) (relatório fls. 1.109), fato que talvez com qualquer outro meio de transporte seria impossível, pois só de Cascavel a Curitiba existe uma distância de mais de 500 quilômetros. Assim, vêse que tal opção foi para otimizar tempo, e agilizar trabalhos, bem como organizar a vida da empresa. Decisão certa ou errada, foi a escolhida pelo administrador na condução de seus negócios. Não há outra prova, que o ARFB tenha produzido, que possa me levar a conclusão diferente. Ressalto que tais relatórios de bordo são numerados sequencialmente, o que demonstra a veracidade da alegação de que a utilização da aeronave se dava para atender as necessidades empresariais e comerciais da recorrente, pois como se demonstrou acima, os percursos de todos os voos eram essencialmente para cidades onde ela possui estabelecimentos ou para grandes centros de negócios, como São Paulo e outras capitais. Importante ressaltar, mais uma vez, que a maioria das cidades em que a recorrente possui estabelecimentos não possui voos comerciais ou, naquelas em que estes existem, os horários são limitados e com escalas em outros centros maiores, como São Paulo ou Curitiba, o que dificulta a dependência destes para gestão empresarial. Tal dificuldade é verificada por todo o empresariado que atua no Paraná, em especial nas cidades interioranas. De todo o exposto, o que se quer enfatizar é que faltou razoabilidade na conclusão do AFRFB de que, apenas por a atividade da empresa não ser de transporte de cargas ou passageiros, a utilização da aeronave não poderia estar intrinsicamente relacionada a sua atividade fim. Portanto, o trabalho do AFRFB não se encontra devidamente apoiado em evidências e comprovações suficientes para que se conclua que as despesas glosadas não atendem os requisitos legais, pelo que não pode subsistir. Neste mesmo sentido já se manifestou este Conselho: DESPESAS COM LEASING DE AERONAVES. Inadmissível a glosa de despesas quando dissociada da análise das operações realizadas pela fiscalizada. (...) (CARF. Acórdão n.º 1101 000.863. Rel. Valmar Fonseca de Menezes. Sessão de 07/03/2013) Outrossim, ao contrário do que concluiu o AFRFB, vislumbro que a recorrente juntou aos autos provas de que a utilização da aeronave se dá essencialmente para gestão empresarial de todo o grupo, atualmente com 49 estabelecimentos comerciais (vide http://www.supermuffato.com.br/Institucional/lojas/), além de outros eventuais negócios do grupo (http://www.muffato.com.br/marcasexclusivas/). Fl. 2722DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 Isto pois, a recorrente apresentou vasta documentação, tal como relatório da Infraero, Diário de Bordo da aeronave e, também, relatórios de bordo (fls. 731/1.129), através da qual se denota que a esmagadora maioria dos voos realizados pela aeronave objeto do arrendamento mercantil em análise se deram em trajetos entre cidades nas quais a recorrente possui estabelecimentos, ou tiveram como destino os grandes centros de negócios empresariais, como São Paulo e outros, conforme documentos apontados na tabela abaixo: Documento Folhas Relatórios Infraero 2004 731/737 Relatórios Infraero 2005 738/754 Relatórios Infraero 2006 755/766 Relatórios Infraero 2007 767/775 Relatórios Infraero 2008 776/786 Relatórios Infraero 2009 787/803 Relatórios Infraero 2010 804/809 Diário de Bordo n.º 001/PTWAC/03 997/1100 Diário de Bordo n.º 001/PTWAC/05 933/996 Diário de Bordo n.º 003/PTWAC/06 863/925 Diário de Bordo n.º 004/PTWAC/07 810/862 Relatórios de Bordo 1100/1129 Destacase dos documentos supracitados que os principais destinos dos voos em que se utilizou a aeronave nos períodos fiscalizados são: Destino Sigla Aeroporto Cascavel SBCA Curitiba SBBI (Bacacheri) Curitiba SBCT (Afonso Pena) Campinas SBKP (Viracopos) Londrina SBLO Presidente Prudente SBDN Ponta Grossa SSZW São Paulo SBSP Campo Mourão SSKM Arapongas SSOG Paranavaí SSPI Guarulhos SBGR Francisco Beltrão SSFB Vale ressaltar, outrossim, que em todos os trechos realizados com a aeronave o retorno sempre se dava no mesmo dia ou no dia seguinte, demonstrando a finalidade empresarial da viagem, mormente porque sempre para cidades onde a recorrente possui estabelecimentos. Assim, evidenciada está pelo campo probatório, que o bem em questão era utilizado para atividades de gerenciamento dos estabelecimentos e para o melhor exercício da atividade empresarial pela recorrente. Neste ínterim, importante destacar como já decidiu este Conselho em caso análogo, como reproduzo abaixo: Decadência. Não tendo sido identificada ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também não havendo omissão do contribuinte que impedisse que o fisco pudesse ter conhecimento da ocorrência dos fatos geradores dos tributos objeto de lançamento, aplicase o prazo previsto no art. 150 do CTN para contagem do prazo decadencial. Dedutibilidade de despesas com arrendamento mercantil de aeronave. Demonstrado pelo contribuinte por indícios congruentes a necessidade da despesa, Fl. 2723DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.003848/201083 Acórdão n.º 1302001.587 S1C3T2 Fl. 2.246 17 cabe ao fisco aprofundar a investigação para demonstração da falta do atributo e consequente glosa da despesa. Inconstitucionalidade de Lei. Não cabe ao CARF afastar Lei vigente, valida e eficaz no sistema jurídico. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF. Acórdão 130200056. Rel. Marcos Rodrigues de Mello. Sessão em 28/09/2009) (grifo não original). Vale frisar as razões lançadas no voto proferido pelo relator e que serviram de baliza para o acórdão acima, nos termos seguintes: AERONAVE ARRENDADA — GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS Fato gerador: 31/12/2000 — Valor tributável: R$ 5.667.374,51; 31/12/2001 : R$ 9.774.442,66; 31/12/2002 : R$ 14.632.608,08; 31/12/2003 : R$ 13.656.661,17. Convém transcrever a descrição dos fatos efetuada pela Fiscalização e constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1187/1190), verbis: "() 4 DESPESAS DESNECESSÁRIAS CUSTOS DE AERONAVE (fls. 272 a 415 contratos de leasing e registros e delis 416 a 533 estão juntados demonstrativos de custos e razões de contas relativas ao assunto). No desenvolvimento dos trabalhos constatamos que a fiscalizada fez um leasing de uma aeronave Turbofan, marca Dassault Falcon Jet, modelo, com número de série 110, junto a empresa Orly Leasing, com prefixo AP 703.246/0301. (...)” Questionado sobre a necessidade, do relacionamento intrínseco do bem com a produção ou comercialização de bens ou serviços, com documentação hábil e idônea, nos responderam que: (FLS. 39/40) "A IESC tem como sua atividade principal a administração de Shopping Centers, que estão situados em diversos locais, tais como Rio de Janeiro, Porto Alegre, Campinas e Sao Carlos. A lesc possuía, também, nesse período, participação societária relevante na companhia Grande Moinho Cearense S/A sediada em Fortaleza (CE). Para gerir e acompanhar os negócios, maximizando o resultado das ações e tornando eficientes os diversos empreendimentos, situados, como descrito acima, em diversas localidades, é indispensável à rotineira presença de executivos. Por essa razão é que a companhia deliberou realizar um contrato de arrendamento mercantil, cuja finalidade é a de otimizar a locomoção de seus administradores. Os gastos com a aeronave, dessa forma, guardam intrínseca relação com a atividade e operação da companhia, sendo necessários ao Fl. 2724DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 18 desenvolvimento de seus objetivos sociais, do que resulta sua caracterização como despesas dedutíveis ". (...) O que diz a legislação pertinente: (...) 1.3 Da Conclusão com Relação As Intimações Fiscais: Conforme se depreende das indagações formuladas pelo Sr. Auditor Fiscal, no curso do procedimento fiscalizatório, verifica se que o Recorrente não foi intimado, em nenhum momento, a apresentar os planos de voo da aeronave Falcon 200 PPC FF durante o período autuado (2000 a 2003). Vale dizer, o Sr. Agente Fiscal encerrou a Fiscalização sem a coleta desses documentos, o que seria indispensável para a comprovação de que as despesas incorridas pela Recorrente com o arrendamento da aeronave não seriam operacionais. Não obstante a ausência de solicitação pela Fiscalização, a Recorrente apresentou, na peça impugnatória, tanto os relatórios de voo quanto os diários de bordo, os quais comprovam, de forma inequívoca, que a aeronave em questão foi efetivamente utilizada para a consecução dos seus objetivos sociais, propiciando maior gerência na administração dos shopping centers espalhados por todo o território nacional (vide tabela anexa). E o que se passará a demonstrar. 2. Relatórios de Voo x Diários de Bordo O Relatório de Voo é um documento, elaborado pela empresa que gerencia a aeronave (in casu, TAM Táxi Aéreo Marilia), que contém todas as informações relativas ao voo realizado por um determinado dia, tais como: (i) as escalas realizadas; (ii) os horários de pouso e decolagem; (iii) o tempo de voo; (iv) o numero de pousos; (v) o numero de passageiros; (vi) a tripulação; (vii) o tipo de voo e (viii) outros dados técnicos. O Diário de Bordo, por sua vez, é um documento elaborado pela própria Recorrente que "registra todas as ocorrências relacionadas ao voo, estabelecido no CBA, RBHA e Legislação Complementar aplicáveis", conforme estabelece o "Prefácio" desse documento, que contém, basicamente, todas as informações consignadas no Relatório de Voo, anteriormente mencionados. Importante ressaltar, ainda, que não há, no diário de bordo e no relatório de voo, nenhum campo para a identificação dos passageiros, como indevidamente supôs a Turma Julgadora na Fl. 2725DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.003848/201083 Acórdão n.º 1302001.587 S1C3T2 Fl. 2.247 19 decisão ora recorrida, para fundamentar a manutenção da autuação fiscal, bem como a Procuradoria da Fazenda Nacional em suas contrarrazões de recurso voluntário. De qualquer forma, a fim de demonstrar a necessidade, a usualidade e a normalidade das despesas incorridas pela Recorrente com a aeronave em questão, fazse necessário reproduzir, de forma ilustrativa, os aludidos documentos, os quais comprovam que as viagens feitas pelos seus executivos estavam, de fato, diretamente relacionadas com a consecução dos objetivos sociais da companhia. Como se verá, tratase de uma análise feita com base no critério da razoabilidade que não deixa dúvidas quanto utilização da aeronave para a consecução dos objetivos sociais da Recorrente. Confirase, a propósito, os seguintes exemplos: 1° Exemplo: Voo realizado em 11/08/00 (...) Pela análise do relatório de voo acima reproduzido, verificase que no dia 11/08/00, a aeronave transportou os executivos da Recorrente de: • São Paulo (sede da Recorrente + Shopping) para o Rio de Janeiro (Shopping); • do Rio de Janeiro (Shopping) para São Paulo (sede da Recorrente + Shopping); • de São Paulo (sede da Recorrente + Shopping) para o Rio de Janeiro (Shopping) e • do Rio de Janeiro (Shopping) para Fortaleza (Grande Moinho). Vale dizer, a aeronave decolou as 12:00 de São Paulo e pousou as 22:20 em Fortaleza, sendo que a Recorrente possui empreendimentos (Moinho Cearense) e shopping centers em todas as capitais visitadas. 2° Exemplo: Voo realizado em 24/01/01 (...) De acordo com o referido relatório de voo, a aeronave realizou o seguinte itinerário: • de São Paulo (sede da Recorrente + Shopping) para Fortaleza (Grande Moinho); • de Fortaleza (Grande Moinho) para São Paulo (sede da Recorrente + Shopping); • de São Paulo (sede da Recorrente) para o Rio de Janeiro (Shopping); e Fl. 2726DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 20 • do Rio de Janeiro (Shopping) para São Paulo (sede + Shopping). Vale dizer, a aeronave decolou às 08:25 de São Paulo e retornou, à São Paulo, a 00:30, passando pelas capitais do Rio de Janeiro e Fortaleza onde estão os negócios (Shoppings e Moinho) da Recorrente. 2.1 Da Conclusão com Relação aos Diários de Bordo/Planos de Voo: Conforme se depreende da análise dos relatórios de voo acima reproduzidos de forma ilustrativa, notase que os dirigentes da Recorrente visitaram, no mesmo dia, diversas capitais brasileiras onde estão localizados os shopping centers e empreendimentos por ela administrados. Assim, não é crível supor que as viagens realizadas pelos dirigentes da Recorrente não estavam intrinsecamente realizadas com os seus objetivos sociais, como alegou, de forma absolutamente presuntiva, a Fiscalização e referendou a Turma Julgadora. Ou seja, não é razoável imaginarse que a grande maioria das viagens realizadas não tenha sido feita com a finalidade de se desenvolver ou acompanhar os negócios realizados pela Recorrente. • Ora, qual dirigente visitaria, no mesmo dia, 03 ou 04 capitais brasileiras durante as suas férias ou para fins não profissionais? • Ademais, é razoável supor que algum executivo permaneceria por tão pouco tempo, em cada uma das capitais, fazendo turismo? • É imaginável supor que o roteiro de ferias de um alto executivo da Recorrente incluiria Brasília ou Campinas? As respostas a essas indagações são óbvias e denotam a total subjetividade e generalidade da análise feita pelo Sr. Auditor Fiscal, que em nenhum momento preocupouse em solicitar ao órgão competente (DECEA), ou mesmo à Recorrente, os relatórios de voo e os diários de bordo, que foram espontaneamente apresentados na sua peca impugnatória para infirmar a indevida presunção fiscal firmada quanto à desnecessidade das despesas incorridas com a aeronave em questão. (...) Embora entenda que os elementos trazidos aos autos pela recorrente sejam indiciários e não submetidos ao contraditório o que poderia fragilizálos, entendo que não andou bem a fiscalização ao reduzir a investigação a apenas uma intimação ao contribuinte sobre o tema. Diante da relevância dos valores deduzidos da base de cálculo dos tributos, entendo que caberia à fiscalização aprofundar a investigação, esclarecendo ao contribuinte que eram necessárias provas mais contundentes de sua alegação, em especial em relação utilização da aeronave para atingir a finalidade lucrativa da recorrente. Fl. 2727DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.003848/201083 Acórdão n.º 1302001.587 S1C3T2 Fl. 2.248 21 Nos casos em que trouxe aos autos, a recorrente demonstrou que os roteiros eram compatíveis com suas atividades e não eram próprios de viagens de turismo (diversos locais em apenas um dia) e mesmo para as viagens ao exterior, foi demonstrado o interesse da recorrente. Caberia à fiscalização ter aprofundado a análise e, mesmo que fosse por amostragem, demonstrar a falta de conexão, pela não comprovação de necessidade da despesa. As afirmações sobre o excesso da despesa não possuem base legal e poderia ser utilizada como indicio para demonstrar a falta de necessidade da despesa. Também labora contra a tese da fiscalização o fato da glosa ter atingido 100% das despesas com o pagamento do arrendamento da aeronave quando teria de ficar evidenciado que não havia qualquer elo da atividade da recorrente com a despesa. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso em relação a esta matéria. Ora, no mesmo raciocínio exposto no voto supracitado, indagase: i) Qual diretor ou dirigente visitaria, no mesmo dia, diversas (duas, três, quatro) cidades do interior do Paraná, ou mesmo de outro estado, senão para fins profissionais? ii) Ou ainda, quem permaneceria tão pouco tempo em seu destino (algumas horas ou um pernoite apenas, retornando para casa) se tivesse como finalidade férias ou lazer? A documentação trazida aos autos pela recorrente, ou seja, os diários de bordos e relatórios de voo (731/1129), como já tratado acima, comprova de maneira irrefutável que a utilização da aeronave estava relacionada intrinsicamente com os fins sociais da recorrente. Ficou evidente pelos relatórios de bordo (fls. 1100/1129) que os dirigentes da recorrente visitavam no mesmo dia, diversos estabelecimentos em cidades distintas, o que comprova a utilidade empresarial da aeronave. Outrossim, é clarividente que as viagens realizadas com a aeronave tinham como destinação as cidades onde a recorrente mantém suas filiais. Assim, entendo que restou infirmado a presunção indevida do AFRFB de que, devido a finalidade social da recorrente, a aeronave era desnecessária e, portanto, deveria glosar as despesas correlatas. Não há como concluir contrariamente ao fato de que as viagens realizadas através da aeronave foram feitas com a finalidade de gerir, administrar e desenvolver os negócios comerciais da recorrente. Assim, da documentação juntada pela recorrente, em conjunto com as alegações por ela formuladas, concluise que o bem é utilizado em atividades intrinsicamente relacionadas aos seus fins sociais e empresariais. Fl. 2728DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 22 Dessa forma, voto no sentido de afastar a glosa efetuada quanto às contraprestações do contrato de arrendamento mercantil (leasing) da aeronave, visto que tais pagamentos possuem natureza de despesas operacionais. 2. Da Contabilização de Valor Residual de Leasing como Despesa A recorrente alega que os bens, objetos dos contratos de arrendamento mercantil (leasing) celebrados entre ela e instituições financeiras diversas, não poderiam ser contabilizados no seu ativo imobilizado, pois deveriam figurar no ativo imobilizado da arrendadora, por expressa disposição legal (art. 3º da Lei n.º 6.099/74). Alega ainda que a autoridade fiscal não levou em consideração que se o Valor Residual de Garantia (VRG) dos contratos de leasing não puder ser considerado como despesa financeira para fins de dedução da base de cálculo de tributos, então deveria ser considerado para fins de apuração da depreciação dos bens correlatos, acumulado mês a mês, vez que desde o início do contrato estariam já sendo usados. Argumentou ainda a necessidade de se reconhecer a depreciação acelerada dos referidos bens, porquanto preencheriam os requisitos legais para tal qualificação do seu uso. Primeiramente, a partir da análise do instituto do arrendamento mercantil, chegase à conclusão que o Valor Residual Garantido tem natureza de pagamento que garante a opção de compra ao término do contrato, ou seja, é pagamento efetuado pelo arrendatário para que, em momento futuro, possa optar por adquirir o objeto do contrato de leasing que celebrou. Na hipótese, foram celebrados contratos de leasing financeiro, ou seja, modalidade de arrendamento mercantil em que ocorre o pagamento do Valor Residual Garantido, diferenciandose do chamado leasing operacional neste particular, vez que nesta última modalidade não existe a obrigatoriedade de pagamento Valor Residual Garantido. Para melhor diferenciar tais modalidades de leasing, aqui se reproduzem os arts. 5º e 6º da Resolução BACEN n.º 2.309/96: Art. 5º Considerase arrendamento mercantil financeiro a modalidade em que: I as contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato, devidos pela arrendatária, sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operação e, adicionalmente, obtenha um retorno sobre os recursos investidos; II as despesas de manutenção, assistência técnica e serviços correlatos à operacionalidade do bem arrendado sejam de responsabilidade da arrendatária; III o preço para o exercício da opção de compra seja livremente pactuado, podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado. Art. 6º Considerase arrendamento mercantil operacional a modalidade em que: Fl. 2729DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.003848/201083 Acórdão n.º 1302001.587 S1C3T2 Fl. 2.249 23 I as contraprestações a serem pagas pela arrendatária contemplem o custo de arrendamento do bem e os serviços inerentes a sua colocação à disposição da arrendatária, não podendo o valor presente dos pagamentos ultrapassar 90% (noventa por cento) do "custo do bem;" II o prazo contratual seja inferior a 75% (setenta e cinco por cento) do prazo de vida útil econômica do bem; III o preço para o exercício da opção de compra seja o valor de mercado do bem arrendado; IV não haja previsão de pagamento de valor residual garantido. (...) (grifos não originais) Assim, por se tratarem de contratos de leasing financeiro, com a devida previsão de pagamento de Valor Residual Garantido, temse que tal importância consiste em verdadeira antecipação, pelo arrendatário, do valor do bem objeto do contrato, independentemente de exercitar, ou não, sua opção de compra ao final. Portanto, ao término do contrato, poderá o arrendatário optar por adquirir o bem arrendado, depositando o valor residual para sua compra, ou não fazêlo, tendo, então, direito à restituição do VRG depositado. Assim, importante trazer a previsão dos arts. 3º, 11 a 15, todos da Lei n.º 6.099/74, os quais apresentam como deve ser contabilmente tratadas as despesas oriundas deste tipo de contrato, senão vejamos: Art 3º Serão escriturados em conta especial do ativo imobilizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento mercantil. (...) Art 11. Serão consideradas como custo ou despesa operacional da pessoa jurídica arrendatária as contraprestações pagas ou creditadas por força do contrato de arrendamento mercantil. (...) Art 12. Serão admitidas como custos das pessoas jurídicas arrendadoras as cotas de depreciação do preço de aquisição de bem arrendado, calculadas de acordo com a vida útil do bem. (...) Art 13. Nos casos de operações de vendas de bens que tenham sido objeto de arrendamento mercantil, o saldo não depreciado será admitido como custo para efeito de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda. Art 14. Não será dedutível, para fins de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda, a diferença a menor entre o valor contábil residual do bem arrendado e o seu preço de venda, quando do exercício da opção de compra. Art 15. Exercida a opção de compra pelo arrendatário, o bem integrará o ativo fixo do adquirente pelo seu custo de aquisição. Fl. 2730DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 24 Parágrafo único. Entendese como custo de aquisição para os fins deste artigo, o preço pago pelo arrendatário ao arrendador pelo exercício da opção de compra. (grifos não originais) Portanto, temse que o bem arrendado pertencerá ao ativo imobilizado do arrendador, e não do arrendatário, pelo que, o bem arrendado apenas passará a integrar o ativo imobilizado do arrendatário a partir do exercício da opção de compra. Sabendo que os bens arrendados não integram o ativo imobilizado da arrendatária, e tendo em mente que Valor Residual Garantido não tem natureza de contraprestação do contrato de leasing, mas de pagamento pela aquisição do bem, não há como considerar contabilmente tais valores como despesas financeiras. Apenas serão despesas financeiras, nestes casos, as contraprestações previstas no art. 5º, I, da Resolução BACEN n.º 2.309/96, já acima reproduzido. Assim sendo, incabíveis as alegações da recorrente em sentido contrário, devendo ser mantido o Acórdão impugnado neste particular. Já quanto à necessidade alegada pela recorrente de se considerar, para fins de dedução na base de cálculo dos tributos devidos, a depreciação dos bens arrendados, melhor sorte não lhe assiste. Isto pois, uma vez que os bens objeto do contrato de arrendamento deve permanecer registrado no ativo imobilizado da arrendadora até que seja realizado a opção de compra pelo arrendatário, como demonstrado acima, não há como se deduzir da base de cálculo dos tributos devidos os valores correspondentes à depreciação dos bens arrendados. Tal impossibilidade decorre, ainda, de expressa imposição legal, qual seja, o art. 12, caput, da Lei n.º 6.099/74, onde se coloca que a dedutibilidade da depreciação dos bens do ativo imobilizado poderá ser feita pelo arrendador, nos termos que segue: Art 12. Serão admitidas como custos das pessoas jurídicas arrendadoras as cotas de depreciação do preço de aquisição de bem arrendado, calculadas de acordo com a vida útil do bem. Portanto, prejudicada a alegação da recorrente de que deveria incidir a depreciação acelerada, decorrente, em tese, do uso constante dos bens arrendados, vez que nem sequer se pode considerar a depreciação “normal” para fins de abatimento. Assim sendo, voto no sentido de negar provimento às alegações formuladas pela recorrente no que tange à infração de contabilização da VRG como despesa financeira, mantendose as glosas de despesas realizadas. 3. Das Amortizações de Financiamentos Lançadas como Despesas No que se refere à glosa de amortizações de financiamentos lançadas como despesas, alega a recorrente ter sido omisso o AFRFB, porquanto em momento algum fez qualquer referência aos valores correspondentes à depreciação dos bens objetos da contratação do Finame, discordando da Autoridade Fiscal quando esta considerou não haver contratos de leasing para efetuar a glosa das despesas, citando diversas modalidades de Finame que, em tese, poderiam ensejar a amortização de valores devidos a titulo de tributos, concluindo ainda que deveria ser considerada, no caso, a depreciação acelerada dos bens. Fl. 2731DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.003848/201083 Acórdão n.º 1302001.587 S1C3T2 Fl. 2.250 25 Devese aqui manter o conteúdo decisório do Acórdão impugnado, porquanto não restou comprovada a natureza dos contratos celebrados, muito menos a comprovação de que seriam contratos de leasing que teriam servido de base para os supostos dispêndios que quer a recorrente deduzir da Base de Cálculo dos tributos de que trata o auto de infração. Assim sendo, voto no sentido de negar provimento à pretensão deduzida pela recorrente também neste tópico de impugnação em particular, mantendo o auto de infração neste sentido. 4. Dos Reflexos na Apuração de PIS e COFINS Quanto aos reflexos das infrações apuradas pelo AFRFB naquilo que tange aos PIS e a COFINS, vejase que nos períodos autuados o contribuinte apurou o PIS e a COFINS pelo regime nãocumulativo, ou seja, através do disposto nas leis n.º 10.637/2002 e n.º 10.833/2003, que, com relação às operações de leasing, autorizam apenas o creditamento atinente às contraprestações dos arrendamentos mercantis realizados, mas não com relação ao Valor Residual Garantido (VGR). Cabe aqui reproduzir o art. 3º, §1º, III, das referidas leis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (...) VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. (...) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) Ocorre aqui a mesma discussão já tratada no item “2” da presente Decisão, sendo incabível acatar os argumentos trazidos pela recorrente em sentido contrário, pelas razões lá explanadas, afinal, não pode a empresa arrendatária apropriar despesas de VRG e de depreciação para fins de apuração do lucro real, assim como não pode utilizálas como crédito para fins de apuração de PIS e COFINS, antes de exercer a opção de compra, pois até este momento o bem se encontrará no campo patrimonial da arrendadora. Outrossim, não há previsão legal para amortização de despesas financeiras decorrentes de financiamentos, sendo correta a autuação também neste sentido, mantendose a glosa das despesas que visava a recorrente utilizar como crédito para fins da apuração do valor devido a titulo de PIS e COFINS. Por fim, não há como se dar provimento às alegações da recorrente no que tange à correção monetária calculada sobre créditos extemporâneos, pois, segundo a recorrente, Fl. 2732DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 26 o art. 13, das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, não poderia incidir no presente caso, por violar princípios constitucionais, tratando de maneira desigual o contribuinte e o Fisco, além de importar em enriquecimento sem causa do segundo. Ocorre que não cabe a este Conselho decidir quanto à constitucionalidade, ou inconstitucionalidade, de leis, nos termos do art. 26A do Decreto n.º 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, não se pode, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, realizar analise da constitucionalidade de dispositivo legal, sendo este assunto, inclusive, objeto de Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Concluo por negar provimento às razões recursais deduzidas pela recorrente também neste particular, não merecendo, assim, reforma o Acórdão recorrido. 5. Das Adições ao Lucro Real Do anexo VI do Auto de Infração (fls. 508) verificase que o AFRFB comparou os valores das seguintes contas de despesas indedutíveis, lançadas na contabilidade, com o LALUR da recorrente: Conta Tipo de Despesas 112013 Donativos e Contribuições 112019 Brindes e Prêmios 114003 Multas e Infrações Fiscais 114004 Multas Rodoviárias Constatouse, então, que os valores das contas “112013 – Donativos e Contribuições” e “112019 – Brindes e Prêmios” não foram adicionados ao LALUR conforme previsto no art. 13, VI e VII, da Lei 9.249/95: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) VI das doações, exceto as referidas no §2°; VII das despesas com brindes. A recorrente alega, quanto à infração de falta de adição ao lucro real e base de cálculo da CSLL de despesas indedutíveis que, por erro no momento da classificação contábil das despesas, acabaram sendo identificadas no campo “Brindes e Donativos”, mas que na verdade se tratavam de gastos com “Publicidade e Propaganda”. Primeiramente, quanto às despesas consistentes em “Brindes e Prêmios”, temse que não podem ser classificadas como “Publicidade e Propaganda”, cabendo, antes de explanações mais detalhadas, reproduzir o art. 366 do RIR/99: Art. 366. São admitidos, como despesas de propaganda, desde que diretamente relacionados com a atividade explorada pela Fl. 2733DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.003848/201083 Acórdão n.º 1302001.587 S1C3T2 Fl. 2.251 27 empresa e respeitado o regime de competência, observado, ainda, o disposto no art. 249, parágrafo único, inciso VIII (Lei n º 4.506, de 1964, art. 54, e Lei n º 7.450, de 1985, art. 54): I os rendimentos específicos de trabalho assalariado, autônomo ou profissional, pagos ou creditados a terceiros, e a aquisição de direitos autorais de obra artística; II as importâncias pagas ou creditadas a empresas jornalísticas, correspondentes a anúncios ou publicações; III as importâncias pagas ou creditadas a empresas de radiodifusão ou televisão, correspondentes a anúncios, horas locadas ou programas; IV as despesas pagas ou creditadas a quaisquer empresas, inclusive de propaganda; V o valor das amostras, tributáveis ou não pelo imposto sobre produtos industrializados, distribuídas gratuitamente por laboratórios químicos ou farmacêuticos e por outras empresas que utilizem esse sistema de promoção de venda de seus produtos, sendo indispensável: a) que a distribuição das amostras seja contabilizada, nos livros de escrituração da empresa, pelo preço de custo real; b) que a saída das amostras esteja documentada com a emissão das correspondentes notas fiscais; c) que o valor das amostras distribuídas em cada anocalendário não ultrapasse os limites estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, tendo em vista a natureza do negócio, até o máximo de cinco por cento da receita obtida na venda dos produtos. § 1 º Poderá ser admitido, a critério da Secretaria da Receita Federal, que as despesas de que trata o inciso V ultrapassem, excepcionalmente, os limites previstos na alínea "c", nos casos de planos especiais de divulgação destinados a produzir efeito além de um anocalendário, devendo a importância excedente daqueles limites ser amortizada no prazo mínimo de três anos, a partir do anocalendário seguinte ao da realização das despesas (Lei n º 4.506, de 1964, art. 54, parágrafo único). § 2 º As despesas de propaganda, pagas ou creditadas a quaisquer empresas, somente serão admitidas como despesa operacional quando a empresa beneficiada for registrada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica e mantiver escrituração regular (Lei n º 4.506, de 1964, art. 54, inciso IV). § 3 º As despesas de que trata este artigo deverão ser escrituradas destacadamente em conta própria. O Acórdão impugnado (fls. 655/656) expõe a relação da documentação acostada aos autos pela recorrente, pela qual tenta classificar tais operações como despesas com Publicidade e Propaganda. No entanto, não há como se reconhecer tais alegações, já que na realidade se tratam efetivamente de brindes, como se verifica na descrição do material, vez que mesmo Fl. 2734DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 28 realizando a divulgação da recorrente não retira a característica de brindes dos objetos em questão. Cabe lembrar que, para os fins aqui tratados, brindes não podem ser considerados como despesas dedutíveis da base de cálculo de imposto, nos termos do art. 249, p. único, VIII, do RIR/99: Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 6 º, § 2 º ): (...) Parágrafo único. Incluemse nas adições de que trata este artigo: (...) VIII as despesas com brindes (Lei n º 9.249, de 1995, art. 13, inciso VII); (...) Assim sendo, não há que se falar em afastamento das glosas de despesas realizadas em face dos gastos com brindes, mantendose o Acórdão recorrido neste particular. Quanto às alegações atinentes à nulidade da glosa das despesas classificadas como “Despesas Operacionais: cursos e treinamentos, feiras e eventos, 2005 a 2008”, colocase que o art. 299 do RIR/99 fixa as condições de dedução das despesas em geral, devendo estar presentes, para sua dedutibilidade, os requisitos de usualidade, normalidade e necessidade, ou seja, devem ser despesas que a empresa recorrente não poderá dispensar, para fins de manutenção de suas atividades produtoras de bens e de serviços. No caso, não se verificam preenchidos tais requisitos, razão pela qual deve persistir a glosa de despesas realizada. Quanto às despesas lançadas no campo “Donativos e Contribuições”, a documentação juntada sob o título “Doações Entidades Beneficentes” (fl. 1895) não é suficiente para comprovar a dedutibilidade de tais despesas da base de cálculo de tributos, ou seja, não ocorre aqui a incidência das exceções previstas nos arts. 365 e 371 do RIR/99: Art. 365. São vedadas as deduções decorrentes de quaisquer doações e contribuições, exceto as relacionadas a seguir (Lei n º 9.249, de 1995, art. 13, inciso VI, e § 2 º , incisos II e III): I as efetuadas às instituições de ensino e pesquisa cuja criação tenha sido autorizada por lei federal e que preencham os requisitos dos incisos I e II do art. 213 da Constituição, até o limite de um e meio por cento do lucro operacional, antes de computada a sua dedução e a de que trata o inciso seguinte; II as doações, até o limite de dois por cento do lucro operacional da pessoa jurídica, antes de computada a sua dedução, efetuadas a entidades civis, legalmente constituídas no Brasil, sem fins lucrativos, que prestem serviços gratuitos em benefício de empregados da pessoa jurídica doadora e respectivos dependentes, ou em benefício da comunidade onde atuem, observadas as seguintes regras: a) as doações, quando em dinheiro, serão feitas mediante crédito em conta corrente bancária diretamente em nome da entidade beneficiária; b) a pessoa jurídica doadora manterá em arquivo, à disposição da fiscalização, declaração, segundo modelo aprovado pela Fl. 2735DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.003848/201083 Acórdão n.º 1302001.587 S1C3T2 Fl. 2.252 29 Secretaria da Receita Federal, fornecida pela entidade beneficiária, em que esta se compromete a aplicar integralmente os recursos recebidos na realização de seus objetivos sociais, com identificação da pessoa física responsável pelo seu cumprimento, e a não distribuir lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma forma ou pretexto; c) a entidade civil beneficiária deverá ser reconhecida de utilidade pública por ato formal de órgão competente da União, exceto quando se tratar de entidade que preste exclusivamente serviços gratuitos em benefício de empregados da pessoa jurídica doadora e respectivos dependentes, ou em benefício da comunidade onde atuem. (...) Art. 371. Sem prejuízo da dedução do imposto devido, e observado o disposto no art. 475, a pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá deduzir integralmente, como despesa operacional, os valores efetivamente contribuídos em favor de projetos culturais ou artísticos, na forma da regulamentação do Programa Nacional de Apoio à Cultura PRONAC (Lei n º 8.313, de 1991, art. 26, § 1 º , e Lei n º 9.249, de 1995, art. 13, § 2 º , inciso I). Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos dispêndios com doações e patrocínios na produção cultural dos segmentos de que trata o art. 476 (Lei n º8.313, de 1991, art. 18, § 2 º , e Medida Provisória n º 1.73919, de 1999, art. 1 º ). A documentação juntada consiste, basicamente, em comprovantes de pagamentos efetuados a determinados beneficiários, justificando a recorrente que se tratam de entidades beneficentes, sem que, contudo, a análise documental comprove, efetivamente, tal natureza, ou seja, as provas produzidas pela recorrente não comprovam a dedutibilidade das despesas. No caso, não foi cumprida a formalidade exigida na alínea “b” do inciso II, do art. 365 do RIR/99, ou seja, não foram trazidos aos autos documentos legalmente previstos como essenciais para a caracterização das despesas realizadas como dedutíveis, cabendo ainda reproduzir o teor da Instrução Normativa SRF n.º 87, de 31 de dezembro de 1996: Art. 1º Aprovar o modelo anexo de declaração, a ser prestada pelas entidades civis, legalmente constituídas no Brasil, sem fins lucrativos, quando do recebimento de recursos sob forma de doação, nos termos do art. 13, § 2º, inciso III, alíneas "a", "b" e "c", da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Art. 2º A falsidade na prestação das informações contidas na declaração constitui crime na forma do art. 299 do Código Penal, e também crime contra a ordem tributária na forma do art. 1º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Art. 3º A pessoa jurídica doadora deverá manter em arquivo, à disposição da fiscalização, a declaração firmada com base nesta Instrução Normativa. Fl. 2736DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 30 Art. 4º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 1997. (grifo não original) Assim sendo, incabível a dedução de tais gastos, porquanto não há, nos autos, documentação hábil a comprovar a natureza das entidades que receberam os valores. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto também neste particular, mantendo as adições ao lucro real efetuadas pelo AFRFB. 6. Da Compensação de Prejuízos Quanto à compensação de prejuízos, a recorrente argumentou que, de forma reflexa, deveriam ser canceladas a recomposição dos prejuízos fiscais apurados, ao passo em que fossem acatados os fundamentos apresentados nas impugnações específicas às infrações verificadas. O AFRFB glosou parte da compensação de prejuízos e base negativa da CSLL para o período de 2007, ajustandoos em virtude das infrações apuradas, que acabaram por alterar as bases de cálculo dos períodos referentes ao terceiro e quarto trimestres de 2006, consistindo tais ajustes meros reflexos das autuações efetuadas. Tendo sido provido o recurso apenas em relação à irregularidade na glosa de despesas financeiras consistentes no arrendamento mercantil de aeronave, quanto ao restante se reconhece a procedência dos ajustes de compensação dos prejuízos e da base de cálculo negativa da CSLL. Deste modo, voto pela manutenção dos ajustes procedidos pela Autoridade Fiscal, apenas com a ressalva relativa ao provimento dado com relação às despesas financeiras advindas de arrendamento mercantil de aeronave, devendo neste ponto ser realizado novo ajuste para considerar tais despesas. 7. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto, para afastar a glosa de despesas realizada em relação ao arrendamento mercantil de aeronave, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 2737DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912517/2009-31
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-002.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 Restituição. Compensação. Admissibilidade. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10680.912517/2009-31
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5425665
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1801-002.231
nome_arquivo_s : Decisao_10680912517200931.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARIA DE LOURDES RAMIREZ
nome_arquivo_pdf_s : 10680912517200931_5425665.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
id : 5812709
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477524889600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2259; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.912517/200931 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801002.231 – 1ª Turma Especial Sessão de 3 de fevereiro de 2015 Matéria Compensação Pgto a Maior Estimativa Recorrente REFRIGERANTES MINAS GERAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Declarouse impedido de votar o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 25 17 /2 00 9- 31 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Refrigerantes Minas Gerais Ltda., recorre a este Conselho de acórdão proferido pela 2a. Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa em referência contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas nos autos. A empresa interessada apresentou PERDCOMP, em 15/05/2006, visando compensar débitos próprios de sua responsabilidade, com direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ do mês de fevereiro de 2006. A unidade de origem, pelo Despacho Decisório de fl. 33, proferido em 30/04/2009, não reconheceu o direito creditório ao argumento de que, pagamentos efetuados a título de estimativas, não podem ser utilizados como direito creditório em compensações, a esse título, e somente podem compor o saldo negativo porventura apurado ao final do período de apuração. Em manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada aduziu a empresa, em síntese, que nem o CTN, nem a Lei n º 9.430, de 1996, estipularam tal vedação. A Turma Julgadora de 1a. Instância, apoiandose nas disposições das IN SRF n º 460, de 2004, e n º 600, de 2005, acompanhou a tese da unidade de origem e negou o pedido da recorrente. Cientificada da decisão, em 14/12/2011 (AR efl. 49), apresentou a interessada, em 12/01/2012, recurso voluntário, no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na manifestação de inconformidade, ilustrado com acórdãos deste CARF. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. No mérito observase que o órgão de jurisdição da recorrente, acompanhado pela Turma Julgadora de 1a. instância, indeferiu o pleito ao argumento de que não pode haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.912517/200931 Acórdão n.º 1801002.231 S1TE01 Fl. 3 3 CSLL no curso do anocalendário a gerar um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Tal questão já foi superada neste órgão de julgamento como se verifica da seguinte Súmula: Súmula CARF n º 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. O pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. No presente caso, a contribuinte afirma ter efetuado o recolhimento de estimativa de IRPJ do mês de fevereiro de 2006, indevidamente ou em valor maior que o devido. Imperioso, entretanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante o órgão de jurisdição, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito pleiteado e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. Em virtude de o mérito da decisão daquele órgão ter sido a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não nos permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade da DRF em Belo Horizonte/MG centrou sua decisão na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela DRF em Belo Horizonte/MG, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de um novo despacho decisório quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser permitida a apresentação de manifestação de inconformidade junto à DRJ de sua jurisdição, e, caso a referida decisão lhe seja desfavorável e em respeito ao duplo grau de jurisdição, a apresentação de novo recurso voluntário, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação em todas as instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pelo órgão de jurisdição da recorrente, com o conseqüente retorno dos autos àquela autoridade, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Maria de Lourdes Ramirez Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005656/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99.
Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóia-se na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atrai-se, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação.
Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99.
AFERIÇÃO INDIRETA. CABE AO FISCO INSCREVER DE OFÍCIO IMPORTÂNCIA QUE REPUTAR DEVIDA
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, compete à autoridade fiscal, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Outrossim, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN.
VALE-TRANSPORTE
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011.
RELEVAÇÃO DA MULTA
Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar a decadência e excluir do lançamento as competências até 11/2004, inclusive, pela homologação tácita exposta no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional e para excluir do lançamento as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores relativos ao vale-transporte pago em pecúnia, nos termos da Súmula n.º 60 da AGU.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóia-se na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atrai-se, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99. AFERIÇÃO INDIRETA. CABE AO FISCO INSCREVER DE OFÍCIO IMPORTÂNCIA QUE REPUTAR DEVIDA Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, compete à autoridade fiscal, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Outrossim, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN. VALE-TRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. RELEVAÇÃO DA MULTA Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.005656/2009-93
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414736
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2302-003.522
nome_arquivo_s : Decisao_19515005656200993.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
nome_arquivo_pdf_s : 19515005656200993_5414736.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar a decadência e excluir do lançamento as competências até 11/2004, inclusive, pela homologação tácita exposta no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional e para excluir do lançamento as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores relativos ao vale-transporte pago em pecúnia, nos termos da Súmula n.º 60 da AGU. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5779049
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477538521088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2633; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 278 1 277 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.005656/200993 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302003.522 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de dezembro de 2014 Matéria Terceiros Recorrente DACALA SEGURANCA E VIGILANCIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99. AFERIÇÃO INDIRETA. CABE AO FISCO INSCREVER DE OFÍCIO IMPORTÂNCIA QUE REPUTAR DEVIDA Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, compete à autoridade fiscal, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Outrossim, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 56 56 /2 00 9- 93 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN. VALETRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. RELEVAÇÃO DA MULTA Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar a decadência e excluir do lançamento as competências até 11/2004, inclusive, pela homologação tácita exposta no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional e para excluir do lançamento as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores relativos ao valetransporte pago em pecúnia, nos termos da Súmula n.º 60 da AGU. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005656/200993 Acórdão n.º 2302003.522 S2C3T2 Fl. 279 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedentes as impugnações da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo, que bem resume o quanto consta dos autos: 1.Tratase de Auto de Infração Debcad n° 37.180.0757, lançado pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, procedimento fiscal instaurado pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0819000.2008.00965, no valor total de R$ 767.514,01 (setecentos e sessenta e sete mil e quinhentos e quatorze reais e um centavo), consolidado cm 07/12/2009, onde foram lançados valores referentes às contribuições destinadas ao FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. O contribuinte era optante pelo Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME), restando comprovado que no período fiscalizado possuía convênio com o FNDE. 1.1. A fiscalização solicitou a apresentação das guias de pagamento que comprovasse recolhimento do salárioeducação diretamente ao FNDE, constatamse que as solicitações não foram atendidas pela Impugnante, as contribuições devidas ao FNDE foram apuradas no levantamento FNDFNDE, lançamentos cujos valores foram apurados por aferição em indireta: (i) SE Salário educação correspondente ao lançamento: VAL – Valetransporte pago em dinheiro; (ii) SE Salário educação correspondente ao lançamento: DIF Diferença GFIP e GFIP WEB; (iii) SE Salário educação correspondente ao lançamento: COM Serv Apoio Depto Comercias (iv) SE Salário educação sobre o valor reconhecido pela empresa cuja base de cálculo foi declarada em GFIP WEB 2.Consoante o Relatório Fiscal REFISC foi constatado que os valores registrados pela empresa em seus livros contábeis (Livro Diário e Razão) eram menores que os constantes nos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil, alimentados pelo envio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) por parte do contribuinte e, que após a ciência do início do procedimento fiscal, o contribuinte reapresentou as GFIP do ano de 2004 pelo sistema GFIP WEB, reduzindo significativamente o total da massa salarial sob a alegação de que as GFIP entregues anteriormente continham informações erradas acerca da remuneração dos segurados. 2.1.Destaca a fiscalização que o número de empregados permanecia praticamente o mesmo, mudando apenas sua remuneração, tudo demonstrado no Anexo I comparação GFIP Fl. 280DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 WEB X GFIP inicial, fls. 98/199, 202/221 do processo 19515.005657/200938, correspondente ao DEBCAD 37.180.0730. 2.1.1.Após o reenvio das GFIP do ano de 2004 pelo sistema GFIP WEB,complementarmente, a empresa apresentou Folhas de Pagamento (em papel e em meio magnético arquivo TXT) já com as reduções efetuadas nas remunerações dos seus funcionários. 2.1.2.Informa a fiscalização que realizou consulta às informações prestadas pela empresa na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), ficando constatado que as remunerações que lá constavam declaradas eram compatíveis com os valores informados na GFIP que foram alteradas no decorrer do procedimento fiscal. 2.2. Consta do Refisc que o levantamento "DIF" é referente aos valores declarados inicialmente pela empresa em GFIP e substituídos, durante o procedimento fiscal, pela GFIP WEB. Para cada segurado, foi subtraído da base de cálculo informada na GFIP inicial o valor informado atualmente na GFIP WEB, observando que tais informações constam da base de dados da Receita Federal do Brasil e constituem confissão de dívida, assim, da diferença obteve os valores correspondentes das remunerações que foram alteradas 2.2.1. Relata que não constam informações referentes a competência 13° no sistema GFIP WEB e que para o décimo terceiro salário, em 2004, não havia declaração em GFIP. Que solicitada a correspondente folha de pagamento aquela não lhe fora fornecida pela empresa, assim o valor da remuneração correspondente ao 13° salário foi arbitrado por aferição indireta, aplicandose a média simples das remunerações do período. Explica a fiscalização que foram somadas as remunerações de cada competência e o total, dividido por 12 (doze) e, sobre o valor aferido foram calculadas as contribuições devidas pelos segurados empregados aplicandose a alíquota mínima de 8% (oito por cento). 3. Sobre o levantamento: VAL Vale transporte pago em dinheiro, informa o Refisc que ficou constatado que a empresa pagou valetransporte aos seus funcionários em dinheiro, conforme registrado na rubrica "valetransporte" da folha de pagamento, o valor foi incluído no total pago como salário mensal a cada funcionário, assim,por ter sido pago em desacordo com a Lei n° 7.418, de 16/12/1985, os valores pagos aos funcionários a título de valetransporte foram integrados ao saláriodecontribuição. 3.1. Esclarece a fiscalização que as bases de cálculo utilizadas no lançamento foram os valores encontrados nas Folhas de Pagamento entregues pela empresa em meio digital (CD autenticado sob o número 705e795b bb38d54b66719364 a224a7aí). 3.2. Sobre o cálculo da contribuição dos segurados, informa o Refisc que integrado o valor do valetransporte pago em dinheiro ao salário de contribuição, feito de forma individualizada, para cada trabalhador. Consta do Anexo II fls. 340/399, 402/437, do processo 19515.005657/200938, correspondente ao DEBCAD 37.180.0730. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005656/200993 Acórdão n.º 2302003.522 S2C3T2 Fl. 280 5 3.2.1. Explica a Auditora que em cada competência, foi somada a rubrica"Valetransporte" da Folha ao total da remuneração informada na GFIP inicial, por empregado, para se chegar à base de cálculo sobre a qual a contribuição devida pelos segurados deveria ter sido calculada. Sobre este total foi aplicada a tabela de contribuição vigente à época, obtendose, então, o valor devido pelos funcionários sobre o montante total recebido. Em seguida, foi subtraída da contribuição apurada aquela contribuição que fora informada na GFIP WEB, para se chegar ao valor devido. Salienta que para os dois levantamentos, "DIF" e "VAL", só há um correspondente lançamento referente aos segurados, já que ambos foram somados a fim de se apurar com precisão os valores realmente devidos (esta contribuição está lançada no levantamento "DIF", código de lançamento CS contribuição dos segurados). O cálculo encontrase demonstrado no Anexo III que integra o Refisc, lis. 222/339. 4. Sobre o levantamento COM Serv Apoio Depto Comercias informa o Refisc que a empresa possui uma conta contábil denominada "Serviço de apoio – Departamento Comercial" (3.3.1.2.0.000.00038) que contém no histórico de parte de seus lançamentos a palavra "comissão". 4.1. Que foi solicitada por Termo de Intimação para Apresentação de Documentos e Termo de Reintimação Fiscal a relação dos funcionários que receberam comissões e os respectivos valores, bem como os demais documentos que corroborassem todos os lançamentos contábeis efetuados naquela conta com o intuito de determinar a natureza das despesas registradas diferenciando quais representavam comissões pagas aos funcionários e quais não. 4.2. Face à impossibilidade de determinação da natureza das operações registradas na conta mencionada, pois nenhuma documentação foi apresentada à fiscalização e, considerando à existência de diversos valores pagos a título de Comissões, todos os valores contabilizados na conta Serviço de Apoio ao Departamento Comercial foram consideradas Comissões que, nos termos da Lei n° 8.212 que se entende por saláriode contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. 4.3. As comissões, por representarem uma forma de rendimento pago aos funcionários, são consideradas remuneração, constituindo base de incidência de contribuição providenciaria. Os valores registrados na conta contábil "Serviço de Apoio Departamento Comercial" (3.3.1.2.0.000.00038 foram considerados como base de cálculo de contribuições previdenciárias, nas competências: 03 e 05 a 12/04, tendo ocorrido apenas no estabelecimento matriz. Devido à falta de fornecimento dos elementos necessários à individualização dos valores pagos como comissões, foi aplicada a alíquota mínima de 8% (oito por cento) para se chegar ao valor correspondente à contribuição devida pelos segurados. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 5. Também consta do Refisc que com relação às contribuições para Outras Entidades e Fundos (Terceiros) foi aplicada, em todo período, unicamente a multa de mora 24% sobre o valor do debito original, uma vez que, em relação a essas contribuições, não há previsão legal de multa pelo descumprimento de obrigações acessórias referentes à GFIP, o que torna a legislação da época dos fatos sempre mais benéfica. (...) DA IMPUGNAÇÃO 9. Dentro do prazo legal, a Notificada contestou o lançamento através do instrumento de fls. 44/78 e 122/168 e, documentos de fls. 79/109 e 169/176, onde alega: (...) (destaques nossos) É de se considerar que a recorrente, no prazo de impugnação, apresentou requerimento de prorrogação de prazo de impugnação, justificando o pleito pelo fato de os documentos entregues à fiscalização não terem sido devolvidos. Após cerca de um ano do trâmite dos autos, em análise, à solicitação referida, a DRJ, deferiu a solicitação, reabrindo o prazo de defesa por mais trinta dias, tendo sido apresentada nova impugnação. Após referido procedimento, como afirmado, as impugnações apresentadas pela recorrente foram julgadas improcedentes, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, recurso voluntário, no qual alega, em apertada síntese, que: * decadência de todos os fatos geradores ocorridos até 10 de dezembro de 2004 (art. 150, § 4°, do CTN); * nulidade por cerceamento de defesa, na medida em que os documentos indispensáveis à elaboração das peças de defesa permaneceram com a fiscalização quando já havia decorrido praticamente todo o prazo de impugnação. Durante a defesa, também não teve acesso ao processo administrativo; * nulidade por ausência de vinculação e de suporte fático. Destaca que, em especial nos processos 19515.005657/200938 (parte patronal e SAT) e 19515.005655/200949 (segurados), restou estabelecida uma presunção de que em 2004 houve prestação horas extras superiores às reconhecidas pela empresa, pelo simples fato de ter ocorrido a prática recorrente de horas entras no ano de 2005. Afirma haver justificativa para o aumento das horas extras a partir de 2005 (incremento da violência do crime organizado); * as diferenças encontradas seriam decorrentes de erro de preenchimento e foram corrigidas pela entrega de novas GFIP´s após o início do procedimento fiscal; * os valores de valetransporte não poderiam sofrer incidência de contribuições previdenciárias. Tais valores teriam sido tributados quando da retificação da GFIP pela recorrente; Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005656/200993 Acórdão n.º 2302003.522 S2C3T2 Fl. 281 7 * quanto aos valores contabilizados como Serviço de Apoio ao Departamento Comercial, tributados como comissões, aduz que estão incluídos nessa rubrica dispêndios com impressão de material de divulgação, despesas de postagem de impressos, visitas a clientes e a clientes em perspectiva, deslocamentos de representantes e funcionários da empresa com vistas ao desenvolvimento de novos contratos e outros procedimentos (cita documentos de fls. 795 a 799 e 802/803); * não foram considerados créditos tributários decorrentes dos pagamentos e retenções de 11% nas notas fiscais da empresa; * caso as multas não seja canceladas pelo reconhecimento da inexistência de falta de recolhimento, requer sejam relevadas, nos termos do artigo 291 do Decreto n° 3.048/99; * ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic. É o relatório. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Cerceamento de defesa. Assevera a recorrente que deve ser reconhecida a nulidade por cerceamento de defesa, na medida em que os documentos indispensáveis à elaboração das peças de defesa permaneceram com a fiscalização quando já havia decorrido praticamente todo o prazo de impugnação. Durante a defesa, também não teve acesso ao processo administrativo. Como destacado no relatório supra, a recorrente, no prazo de impugnação, apresentou requerimento de prorrogação de prazo de impugnação, justificando o pleito pelo fato de os documentos entregues à fiscalização não terem sido devolvidos. Após cerca de um ano do trâmite dos autos, em análise, à solicitação referida, a DRJ, deferiu a solicitação, reabrindo o prazo de defesa por mais trinta dias, tendo sido apresentada nova impugnação. Portanto, concluise que, com a reabertura do prazo de defesa, não se consolidou qualquer prejuízo à recorrente, razão pela qual a sua argumentação não merece prosperar. Decadência. Alega a recorrente a decadência de todos os fatos geradores ocorridos até 10 de dezembro de 2004 (art. 150, § 4°, do CTN). É cediço que o pagamento antecipadamente realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, § 4º, do CTN em relação aos fatos geradores para os quais houve o pagamento antecipado. Assim, se há recolhimento em uma determinada competência e não em outra, àquela competência seria aplicável a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, mas não a esta, que seguiria o disposto no artigo 173, I, do CTN, quanto ao cálculo do prazo decadencial. Ocorre que, quanto às contribuições previdenciárias, temos ainda a particularidade de ela ser integrada por diversas rubricas ou levantamentos, que são as parcelas integrantes da totalidade da remuneração. Por tal especificidade, indagase, de forma recorrente, se o fato gerador, e consequentemente o pagamento, deve ser analisado por rubrica/levantamento ou pela totalidade da remuneração no mês. Antes, porém, é preciso justificar que a expressão fato gerador, está sendo utilizada aqui de forma equivalente à hipótese de incidência, indicando “tanto aquela figura conceptual e hipotética – consistente no enunciado descritivo do fato, contido na lei – como o próprio fato concreto que, na sua conformidade, se realiza, hic et nunc, no mundo fenomênico” (ATALIBA, Geraldo. Hipótese de incidência tributária. 6. ed. São Paulo: Malheiros, 2000, p. 54). Pois bem. O Código Tributário Nacional define o fato gerador como a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Então, voltando à questão tratada, perguntase: qual é esta situação necessária e suficiente para a configuração da Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005656/200993 Acórdão n.º 2302003.522 S2C3T2 Fl. 282 9 ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária? Vejamos o quadro normativo para chegarmos a uma conclusão. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites da instituição de contribuições previdenciárias, estabelecendo, assim, o seu arquétipo constitucional. Sem especificação muito pormenorizada do fato gerador das aludidas contribuições, dispõe que são devidas pela empresa e que incidem sobre “a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados.” Subordinado a tais ditames e concretizando a hipótese de incidência/fato gerador, os incisos I, II e III do art. 22 da Lei n° 8.212/1991 são repetitivos ao estipularem que a contribuição previdenciária das empresas incide “sobre o total das remunerações” pagas ou creditadas a qualquer título “no decorrer” ou “durante o mês”. Do cotejamento dos referidos dispositivos, extraímos os elementos essenciais da hipótese de incidência / fato gerador, de sorte que podemos concluir que o legislador não atomizou o fato gerador da contribuição previdenciária tomando por base cada levantamento ou cada rubrica. Pelo menos não há menção expressa neste sentido. Da mesma forma ocorre com a contribuição do segurado. Vejamos a contribuição dos segurados empregados e avulsos, a qual leva em consideração o denominado saláriodecontribuição mensal (art. 20 da Lei n° 8.212/91), que está definido no inciso I do artigo 28 da Lei n° 8.212/91 com critérios semelhantes aos da contribuição da empresa, naquilo que nos interessa. Para o referido dispositivo legal, o saláriodecontribuição corresponde à “totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês”. Depreendese da análise atenta do dispositivo legal que, novamente, o legislador congrega todos os rendimentos daquela competência em um único instituto – saláriodecontribuição. É verdade que o saláriodecontribuição representa a base de cálculo, e não propriamente o fato gerador, todavia, o corte temporal (mensal) e quantitativo (totalidade) da descrição indica, novamente, que a situação necessária e suficiente para a ocorrência do fato gerador é o pagamento ou crédito da totalidade da remuneração, “no decorrer” ou “durante o mês”. Voltando para a contribuição da empresa, se consideramos que a Lei n° 8.212/91, ao estabelecer que a contribuição previdenciária incide “sobre o total das remunerações” pagas ou creditadas a qualquer título no “decorrer” ou “durante o mês” (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991) está definindo o seu fato gerador, podemos concluir que este fato gerador constituise da totalidade da remuneração no mês e não de cada parcela, rubrica ou levantamento isoladamente. Se a definição do fato gerador apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês, consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico – vejase novamente a definição da alíquota para segurados empregados e avulsos. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN. Ocorre que, em razão da persistência da divergência, este Conselho editou a Súmula CARF n° 99: SÚMULA CARF Nº 99 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Acórdãos Precedentes: 9202002.669, de 25/04/2013; 9202002.596, de 07/03/2013; 9202002.436, de 07/11/2012; 920201.413, de 12/04/2011; 2301003.452, de 17/04/2013; 2403001.742, de 20/11/2012; 2401 002.299, de 12/03/2012; 2301002.092, de 12/ 05/ 2011. Destarte, estando comprovado que há recolhimentos a homologar, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Analisandose os autos, constatase que foram lançadas apenas as diferenças de recolhimentos, razão pela qual, para todas as competências, aplicase o art. 150, § 4°, do CTN. Tendo a recorrente sido foi cientificada da NFLD em dezembro de 2009, somente poderiam ter sido lançadas competências a partir de 12/2004, restando decadentes, portanto, as competências de 01/2004 a 11/2004, inclusive. ValeTransporte. Aduz a recorrente que os valores de valetransporte não poderiam sofrer incidência de contribuições previdenciárias. Razão assiste à recorrente. Estabelece a Súmula nº 60, da Advocacia Geral da União – AGU, que: Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba . (de 08/12/2011, publicada no DOU em 09/12/2011, pág.32) Assim, sem maiores considerações sobre o acerto de tal entendimento, em cumprimento à referida Súmula, deve ser excluído do lançamento o levantamento referente ao valetransporte pago em pecúnia. Aferição indireta. Divergência GFIP. Comissões. SalárioEducação. A recorrente entende ser nulo o lançamento por ausência de vinculação e de suporte fático. Destaca que, em especial nos processos 19515.005657/200938 (parte patronal e SAT) e 19515.005655/200949 (segurados), restou estabelecida uma presunção de que em 2004 houve prestação horas extras superiores às reconhecidas pela empresa, pelo simples fato de ter ocorrido a prática recorrente de horas entras no ano de 2005. Afirma haver justificativa para o aumento das horas extras a partir de 2005 (incremento da violência do crime organizado). Aduz ainda que as diferenças encontradas seriam decorrentes de erro de preenchimento e foram corrigidas pela entrega de novas GFIP´s após o início do procedimento fiscal. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005656/200993 Acórdão n.º 2302003.522 S2C3T2 Fl. 283 11 A argumentação da recorrente não procede. Da análise dos autos, constata se que a recorrente deixou de apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, conforme já mencionado na decisão de origem: 16.7. Constatase que a Impugnante deixou de apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, como: 16.7.1. Às fls. 77 do processo 19515.005657/200938, constam Termo de Intimação Fiscal n° 7, datado de 24/06/2009, recebido pela empresa cm 01/07/2009 (11. 78), para que em 3 dias úteis, para o período de 01/2004 a 12/2004, fosse justificado por escrito, apresentando a respectiva documentação hábil e idônea, a diferença entre remunerações dos segurados informadas em GFIP entregues antes do início do procedimento fiscal (em 22 e 23/03/2006) e após o início do procedimento fiscal em (03,04 c 05/2008), que resultaram cm redução da base de cálculo das contribuições previdenciárias. 16.7.2. Às fls. 79 do processo 19515.005657/200938, Termo de Intimação Fiscal n° 8, datado de 24/08/2009, recebido pela empresa em 31/08/2009 (11. 80), para que em 3 dias úteis, para o período de 01/2004 a 12/2004, a composição da contabilização da folha de Pagamento dos meses de janeiro a abril 2004 (especificar quais contas foram utilizadas para contabilização e, esclarecer por escrito sobre o que c contabilizado na conta Serviço dc Apoio Departamento Comercial e respectiva documentação de apoio. 16.7.3. Às fls. 68 do processo 19515.005657/200938, Termo de Intimação Fiscal n° 3, datado de 15/12/2008, recebido pela empresa em 16/12/2008 (fl. 69) e, Intimação Fiscal n° 4, datado de 01/04/2009, recebido pela empresa em 05/04/2009 (fl. 71), para que em 3 dias úteis, apresentasse os comprovantes de pagamento do FGTS, para o período de 01/2004 a 12/2004. 16.8. A relação contida no item 16.7, não é exaustiva, haja vista o número de documentos que deixaram de ser apresentados como constam dos autos. 16.9. Ao descumprir o seu dever legal de fornecer a documentação solicitada e necessária, por deixar de informar e prestar esclarecimentos de interesse da fiscalização, o Contribuinte deu razão à inversão do ônus da prova. (...) 16.12. Como se constata dos autos, a Impugnante foi instada, mais de uma vez, a esclarecer os motivos que a levaram a incorrer em despesas contraídas pelos empregados sem que houvesse o devido recolhimento das correspondentes contribuições sociais, porém, conforme relatado no Relatório Fiscal deixou de fazêlo, satisfatoriamente, fato esse que ensejou a imposição de multa, através da lavratura dos Autos de Infração: DEBCAD 37.180.0790 CFL 35 PA 19515.005661/200904 porque a empresa não apresentou esclarecimentos solicitados ao longo da fiscalização; Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 DEBCAD 37.180.0811 CFL 38 PA 19515.005662/200941, porque a empresa apresentou livros relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 (Diário e Razão) com informação diversa da realidade. DEBCAD 37.180.0676. CFL 21 PA 19515.005658/200982 porque a empresa não apresentou informações em meio digital correspondentes à folha de pagamentos na forma estabelecida pela RFB. DEBCAD 37.180.0803 CFL 23 <» PA 19515.005659/2009 27 porque a empresa não apresentou informações em meio digital correspondentes aos registros contábeis. Posto isso, também, não há que se falar em ausência de vinculação c de suporte fático como articulado na impugnação, foi correto o procedimento da fiscalização cm lançar de ofício o crédito tributário exigido no presente auto de infração. Com efeito, ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, compete à autoridade fiscal, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Outrossim, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Tudo nos termos do art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/91 e do art. 148 do CTN: CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Lei n° 8.212/91 Art. 33. (...) (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005656/200993 Acórdão n.º 2302003.522 S2C3T2 Fl. 284 13 não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Portanto, legítimo o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Especificamente quanto às diferenças entre GFIP originária e retificadora, acrescento que a Fiscalização analisou DIRF e RAIS e conclui que valores antes da retificação estavam compatíveis. Assim, diante da não apresentação de diversos documentos e não prestação de esclarecimentos e dos indícios de que a declaração originária era mais fidedigna, lançou diferença entre declaração originária e retificadora. Note que foram considerados, arbitrados indiretamente, os valores informados pela empresa nas GFIP transmitidas nas épocas próprias e, posteriormente retificadas após o início da ação fiscal, pois a autoridade fiscal também desclassificou as informações constantes nos livros contábeis e nas folhas de pagamentos, tanto que lavrou o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória: DEBCAD n° 37.180.0811 CFL 38 – PA 19515.005662/200941. No que tange, ao lançamento contábil de comissões, estas foram consideradas remunerações de empregados, em razão da recorrente ter se quedado inerte quanto à solicitação de documentos de suporte e de esclarecimentos. Referentemente à alegação de que não foram considerados créditos tributários decorrentes dos pagamentos e retenções de 11% nas notas fiscais da empresa, trata se de argumentação vazia, sem a precisa indicação dos créditos faltantes, sendo de se considerar que consta dos autos anexo com os créditos apropriados ao lançamento. Ademais, o que se lançou aqui foram as diferenças de recolhimentos, sendo certo que as guias recolhidas pela recorrente são apropriadas, prioritariamente, aos valores declarados em GFIP (retificadora) e que não são objeto do presente lançamento. Por fim, cumpre esclarecer com referência ao salárioeducação que não houve apresentação de comprovantes de recolhimentos ao FNDE, fato que deu ensejo à lavratura do Auto de Infração DEBCAD 37.180.0790 (PA 19515.005661/200904), por descumprimento de obrigação acessória. No que tange à competência para fiscalização, acrescentamos que a Lei n° 11.501/07 revogou o art. 94 da Lei n° 8.212/91 e, é a Lei n° 11.457, de 16/03/2007, em seu artigo 3o e parágrafos, que trata das contribuições devidas a terceiros, dentre elas as contribuições destinadas ao FNDE SalárioEducação, e não restam duvidam quanto a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, Brasil de planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições destinadas ao FNDE. Relevação da Multa. Caso não se reconhecese a inexistência de falta de recolhimento, a recorrente requer sejam as multas relevadas, nos termos do artigo 291 do Decreto n° 3.048/99. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 Dispunha o revogado art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.72 7, de 2009) § 1 ° A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstancia agravante. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) § 2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) § 3°Da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de oficio, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) Além do dispositivo se referir exclusivamente às multas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória e do não preenchimento de seus requisitos por parte da recorrente, é preciso considerar ainda que, em virtude da revogação de tal dispositivo, a partir da data publicação do Decreto 6.727/2009, ocorrida em 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária, como é o caso do presente lançamento. Taxa Selic. Aduz a recorrente a ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, (i) reconhecendo a decadência das competências de Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005656/200993 Acórdão n.º 2302003.522 S2C3T2 Fl. 285 15 01/2004 a 11/2004, inclusive, por força da aplicação do art. 150, § 4°, do CTN; e (ii) para excluir do lançamento os valores relativos ao valetransporte pago em dinheiro (Súmula n.º 60 da AGU). (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001722/2002-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1997
NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento.
APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4°, DO CTN. OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO.
A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (PIS/COFINS/IPI/etc) a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento e a declaração do débito sem prévio exame da autoridade administrativa. Nestes casos, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral (art. 173, do Código Tributário Nacional) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Tal entendimento também é aplicável em face do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF - RICARF - e do recurso repetitivo RESP 973.733, de relatoria do Min. Luiz Fux.
SELIC. ILEGALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF NO 4.
O Código Tributário Nacional prevê que os juros moratórios serão calculados à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º), in casu, o art. 13 da Lei nº 9.065/1995, dispõe expressamente que, para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, os juros de mora incidentes sobre tributos não pagos no vencimento, serão calculados, a partir de 01/04/1995, com base na taxa SELIC acumulada mensalmente. Incidência da Súmula 4 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor, nesta parte. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 14/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1997 NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4°, DO CTN. OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (PIS/COFINS/IPI/etc) a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento e a declaração do débito sem prévio exame da autoridade administrativa. Nestes casos, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral (art. 173, do Código Tributário Nacional) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Tal entendimento também é aplicável em face do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF - RICARF - e do recurso repetitivo RESP 973.733, de relatoria do Min. Luiz Fux. SELIC. ILEGALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF NO 4. O Código Tributário Nacional prevê que os juros moratórios serão calculados à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º), in casu, o art. 13 da Lei nº 9.065/1995, dispõe expressamente que, para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, os juros de mora incidentes sobre tributos não pagos no vencimento, serão calculados, a partir de 01/04/1995, com base na taxa SELIC acumulada mensalmente. Incidência da Súmula 4 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15374.001722/2002-81
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5424100
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3302-002.812
nome_arquivo_s : Decisao_15374001722200281.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
nome_arquivo_pdf_s : 15374001722200281_5424100.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor, nesta parte. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora. EDITADO EM: 14/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5805249
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477547958272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2475; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.001722/200281 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.812 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2014 Matéria IPI AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente ALPEDA REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1997 NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4°, DO CTN. OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (PIS/COFINS/IPI/etc) a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento e a declaração do débito sem prévio exame da autoridade administrativa. Nestes casos, a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral (art. 173, do Código Tributário Nacional) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Tal entendimento também é aplicável em face do artigo 62A do Regimento Interno do CARF RICARF e do recurso repetitivo RESP 973.733, de relatoria do Min. Luiz Fux. SELIC. ILEGALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF NO 4. O Código Tributário Nacional prevê que os juros moratórios serão calculados à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º), in casu, o art. 13 da Lei nº 9.065/1995, dispõe expressamente que, para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, os juros de mora incidentes sobre tributos não pagos no vencimento, serão calculados, a partir de 01/04/1995, com base na taxa SELIC acumulada mensalmente. Incidência da Súmula 4 do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 17 22 /2 00 2- 81 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.001722/200281 Acórdão n.º 3302002.812 S3C3T2 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor, nesta parte. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 14/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para o fim de exigir valores relativos ao IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, cientificado em 20/12/2002. Por retratar a realidade dos fatos, reproduzo os termos da decisão de primeira instância administrativa: “No termo de verificação fiscal de fls. 74/79 a autoridade tributária relata, em síntese, o seguinte: a) a presente auditoria foi provocada por representação fiscal formulada pela DRF em Taubaté/SP, segundo a qual: (i) a Alpeda Comércio de Plásticos Ltda., com sede no Rio de Janeiro, teria sido criada com a finalidade de atuar como distribuidora de produtos plásticos industrializados pela empresa Valplast Ind. e Com. de Pásticos Ltda. e outras indústrias do mesmo ramo, todas pertencentes a um mesmo grupo familiar e estabelecidas na cidade de Lorena SP; (ii) a Alpeda não é conhecida em seu antigo endereço, e atualmente ocupa uma "sala" no bairro de BonsucessoRJ; (iii) intimados para tanto, o Sr. Augusto César Moreira Franco e a Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.001722/200281 Acórdão n.º 3302002.812 S3C3T2 Fl. 4 3 Sra. Aline Florentina da Silva Cardoso, que por algum tempo constaram como sócios da Alpeda, negaram ter tido qualquer participação nesta empresa, tendo sido constatado que suas assinaturas são completamente diferentes das apostas nas alterações do contrato social; (iv) foram encontrados extratos bancários da Alpeda nas dependências de algumas daquelas indústrias domiciliadas em Lorena, o que demonstra a ligação entre aqueles estabelecimentos industriais, além de reforçar a suspeita de que a Alpeda é uma empresa de "fachada"; (v) na venda dos produtos industrializados por encomenda, o IPI deveria ser lançado pela Alpeda nas notas fiscais de sua emissão à alíquota de 15%, vigentes tanto para películas quanto para sacolas plásticas; (vi) os atos praticados pela Alpeda indicam que ela foi criada para "desonerar" a tributação incidente sobre as indústrias do grupo, mediante operação de industrialização por encomenda; b) de posse da citada representação, comparecemos ao domicilio da fiscalizada (Alpeda) nos dias 20 e 21/08/2002, e constatamos que o imóvel encontravase fechado. Intimamos então o contador da empresa (fl. 6) a apresentar os livros contábeis, fiscais e documentos correspondentes, bem como para comparecer ao domicilio da empresa no dia 17/09/2002, a fim de que pudéssemos conhecer suas dependências (fl. 7). Na data marcada retornamos ao domicilio da contribuinte e constatamos que se tratava de uma sala de aproximadamente 18m2 contendo uns alguns poucos móveis e utensílios (fl. 8). Fomos recebidos pela Sra. Cinthia Dias Bassetti, que nos informou que começou a trabalhar na empresa em 16/09/2002, que não foi oficializada a sua admissão, que desconhece a existência de talões de notas fiscais em uso ou a serem utilizadas, que não sabe da existência de qualquer outro funcionário que trabalhe na empresa, e que nos dias trabalhados não recebeu qualquer telefonema ou pedido de clientes; c) no mesmo dia 17/09/2002 o Sr. Paulo César Mendonça, atual sóciogerente da fiscalizada, compareceu ao escritório do contador e informou o seguinte (fl. 10): (i) a entrega da mercadoria industrializada vem acompanhada de nota fiscal de retorno de beneficiamento e prestação de serviço; (ii) quando da chegada dos produtos, a empresa entrega ao transportador a nota fiscal de venda, que segue junto com os produtos diretamente para o estabelecimento do cliente; (iii) no antigo estabelecimento da fiscalizada, como também no atual, nunca houve espaço físico para guarda de mercadorias, matériasprimas ou produtos, e que a empresa nunca manteve estoque físico em seu poder; d) de posse das notas fiscais de compra e das notas fiscais de venda, apresentadas pela fiscalizada, constatamos que no período de março a dezembro de 1997 a maior parte dos produtos vendidos foi de sacolas plásticas (fls. 59/73), sem que tenha havido qualquer compra deste produto no período de março a novembro de 1997. Constatamos também que todas as compras foram realizadas junto A Valplast, e que em todas as respectivas notas fiscais constavam como produto adquirido película de polietileno, cuja alíquota do IPI, até 16/11/1997, era zero; e) como o Sr. Paulo César Mendonça já havia declarado que os produtos adquiridos pela fiscalizada eram entregues diretamente a seus clientes, não restaram dúvidas de que a Valplast emitia notas fiscais de venda de película de polietileno, mas em verdade vendia sacolas plásticas, cuja alíquota era de 15%. Tal fato pode ser comprovado mediante o confronto entre as notas ficais emitidas pela fornecedora industrial e as notas fiscais emitidas pela fiscalizada (vide demonstrativo de fls. 2/14 do anexo 1 e respectivas notas fiscais As fls. 16/249 do anexo 1 e as fls. 2/85 do anexo 2). De ver também que a partir de 16/11/1997, quando a película de Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.001722/200281 Acórdão n.º 3302002.812 S3C3T2 Fl. 5 4 polietileno passou a ser tributada h. mesma alíquota da sacola plástica (15%), a Valplast passou a descrever os produtos nas notas fiscais ora como sacolas plásticas ora como película de polietileno; f) assim, tudo leva a crer que houve conluio entre a Valplast e a fiscalizada, com o objetivo de se eximirem do pagamento do IPI incidente sobre as sacolas plásticas produzidas por aquela empresa e revendidas por esta. Entretanto, o fato de a Valplast ter vendido para a fiscalizada sacolas plásticas e não películas de polietileno, caracteriza, na fiscalizada, operação de revenda sem incidência do IPI. Em tais operações o IPI deve ser exigido da fornecedora industrial; g) foi constatado também que a fiscalizada emitiu no dia 01/09/1997 a nota fiscal n° 477 (fl. 28), com código de operação 693, remetendo para a Valplast 350.000 kg de polietileno para fins de industrialização por encomenda. Por sua vez a Valplast emitiu nos dias 03, 04, 05 e 06/09/1997 as notas fiscais de retorno de 363.750 kg de bobinas de polietileno, no valor total de R$ 844.627,50, relativo ao valor das matérias primas e dos serviços prestados (fls. 29/58). Intimada a justificar a destinação das citadas bobinas de polietileno (fls. 19/21), a fiscalizada declarou que "As bobinas de polietileno compradas pelo tempo decorrido não me lembro de como foi feita as sacolas" (fl. 22); h) pelo exposto, tendo em vista o precedente da Valplast em ter descrito como sendo película de polietileno as vendas de sacolas plásticas, e não tendo a fiscalizada apresentado qualquer justificativa para o destino dos 363.750 kg de bobinas de polietileno, restou caracterizada a omissão de vendas de sacolas plásticas no montante de R$ 971.212,50, pelo fato de a fiscalizada ser estabelecimento equiparado a industrial na condição de encomendante de produtos da posição 39.20.10.10 da TIPI; i) o valor da omissão é o resultado dos 363.750 kg de bobinas de polietileno, multiplicados por R$ 2,67/kg, que é o valor médio por quilo de sacolas plásticas vendidas pela fiscalizada no mês de dezembro de 1997; j) foi constatado ainda que no ano de 1997 a fiscalizada não efetuou nenhum recolhimento a titulo de IPI, nem declarou débitos deste imposto em DCTF. Cientificada da autuação, a interessada impugnou a exigência (fls. 96/105) pedindo ao final seja julgado nulo ou improcedente o lançamento, sob as seguintes alegações, em síntese: a) ilegalidade do procedimento fiscal em relação ao IPI, já que o mandado de procedimento fiscal complementar (MPFC) n° 07.1.90.002002 0461691, que determinou a inclusão do IPI para fins de fiscalização, só foi dado a conhecer à impugnante no dia 20/12/2002, isto é, na mesma data da ciência do auto de infração. Este procedimento é manifestamente ilegal, porquanto tal ciência deve preceder o inicio da verificação fiscal concernente ao tributo fiscalizado, a teor do art. 10 da Portaria SRF n° 1.265/99; b) decadência do crédito tributário, uma vez passados mais de cinco anos entre a data da ocorrência do fato gerador do IPI (mês de setembro de 1997), e a data da ciência do auto de infração (20/12/2002). A omissão de venda apurada pelo Fisco resultou de suposta saída de sacolas plásticas no mês de dezembro de 1997, determinada a partir do retorno, nos dias 03, 04, 05 e 06/09/1997, de bobinas de polietileno industrializadas por encomenda na Valplast. Como, segundo o auditor, a fiscalizada não justificou a destinação das bobinas de polietileno, presumiu ele que Fl. 163DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.001722/200281 Acórdão n.º 3302002.812 S3C3T2 Fl. 6 5 houve transformação das bobinas em sacolas plásticas, e que tais sacolas foram vendidas em dezembro de 1997. Considerando, até por questão de lógica, que o fato gerador ocorreu em setembro de 1997, o respectivo crédito tributário estaria atingido pela decadência (art. 150 do CTN); c) incerteza da ocorrência do fato gerador, pois a partir de uma suposta não comprovação da destinação dada às bobinas de polietileno, o auditor entendeu que a impugnante vendeu sacolas plásticas, e não as referidas bobinas. A autoridade verificou que a fiscalizada, além de sacolas plásticas, vendeu também polietileno. Por que não poderia também ter vendido bobinas de polietileno? Como se sabe, este produto é normalmente vendido aos supermercados, que os utiliza ou revende para embalagem de produtos diversos. Então, não há elementos suficientes que permitam identificar, de maneira clara e precisa, que a impugnante vendeu sacolas ao invés de bobinas; d) inconsistência do montante tributável, uma vez que é também incerto o valor tributável apurado pelo auditor, porquanto utilizou o valor médio de R$ 2,67/kg de sacolas plásticas, e não o preço médio de venda das bobinas. Afora isso, o Fisco baseouse no valor médio de venda de sacolas plásticas para o mês de dezembro de 1997, ao passo que, mesmo considerando que se tratasse de vendas de sacolas, deveria ter adotado o preço médio do mês de setembro de 1997, que foi de R$ 2,45/kg de sacolas plásticas; e) o crédito tributário não pode se valer de sua própria dúvida. A certeza do crédito tributário apurado em procedimento de auditoria de estoque há de ser cristalina, inabalável. A dúvida sobre o período de ocorrência do fato gerador e sobre o valor utilizado para fins de arbitramento do montante tributável sinaliza inconsistência, o que elimina a certeza que legitimaria os valores lançados; f) ilegalidade da cobrança de juros de mora equivalentes à taxa referencial Selic frente ao disposto no art. 161, § 1o do CTN, conforme já decidido pelo STJ (Resp 215881/PR).” Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 126 e segs. e fls.129 e segs), por meio do qual reiterou suas razões de impugnação. É o relatório. Voto Vencido Voto Vencido exclusivamente quanto à preliminar de nulidade do Auto de Infração. Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.001722/200281 Acórdão n.º 3302002.812 S3C3T2 Fl. 7 6 Conforme relatado, nos presentes autos são discutidos os seguintes assuntos: (i) nulidade do lançamento em virtude de inexistência de Mandado de Procedimento Fiscal; (ii) decadência; (iii) irregularidades acerca da auditoria de estoque e (iv) ilegalidade da aplicação da Taxa Selic. (i) Da Nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal Preliminarmente cumpre analisar a regularidade do procedimento de fiscalização, bem como dos Mandados de Procedimentos Fiscais expedidos. É inconteste dos autos que a fiscalização em comento, referente ao IPI, foi realizada posteriormente (e provavelmente em decorrência) da fiscalização de IRPJ, tanto é assim que para tal foi emitido um “MPFC” (Mandado de Procedimento Fiscal Complementar). A questão posta é se gera nulidade o procedimento fiscal de noticiar ao contribuinte a existência do MPFC juntamente com a entrega do auto de infração, portanto, no momento de lavratura do auto de infração. Discordo da decisão administrativa quando, para justificar a regularidade da operação de fiscalização, declara que o MPF é procedimento de controle da fiscalização que não tem o condão de controlar os atos administrativos Defendo, exatamente, o posicionamento oposto. Os mandados de procedimentos fiscais, assim como todos os atos administrativos que visam regular a fiscalização, não existem apenas como sugestão a ser ou não seguida pelos agentes administrativos. Primeiro porque os agentes fiscais estão sim vinculados aos atos administrativos, sejam eles Portarias ou Instruções Normativas. Segundo porque estas determinações foram criadas justamente para limitar, orientar, traçar os contornos necessários à discricionariedade dos atos fiscais os quais, conforme é cediço, estão limitados aos princípios gerais do direito administrativo. Tais regras pretendem conferir aos contribuintes, assim como ao Fisco, seus direitos e garantias em um procedimento de fiscalização. O contrário, a meu ver, parece caminhar em sentido oposto à segurança jurídica. Permitir que, justamente quando executa a fiscalização do contribuinte, o agente administrativo não siga os procedimentos determinados para ele pelo próprio órgão ao qual está vinculado, é viabilizar o descumprimento de todas regras estabelecidas como se inexistentes fossem, e isso não se pode admitir. É esta a premissa que adoto, todavia, cada situação deve ser analisada de maneira específica, para que seja possível aferir a ocorrência da nulidade. Os argumentos trazidos para análise reportam a nulidade em razão de o MPFC ter sido noticiado ao contribuinte apenas quando da lavratura do Auto de Infração. DRJ e recorrido discutem se o MPFC deve “preceder” ou “proceder” a fiscalização, nos termos do artigo 10 da Portaria SRF no 1.265/99 “Art. 10. As alterações no MPF, decorrentes de substituição, inclusão ou exclusão de AFRF responsável pela sua execução, bem assim as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar (MPFC), pela autoridade outorgante do MPF originário, conforme modelo constante do Anexo V, do qual será dada ciência ao sujeito passivo.” destacamos Fl. 165DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.001722/200281 Acórdão n.º 3302002.812 S3C3T2 Fl. 8 7 Pareceme irrelevante, para o deslinde da questão a discussão em referência. É claro que se para se proceder a fiscalização de outros tributos é necessário a emissão de MPFC, esta emissão tem que ser prévia ao procedimento de auditoria fiscal. Outra conclusão não encontra qualquer lógica. Até porque, a existência de um MPF limitando a fiscalização serve, por via transversa, como garantia do contribuinte do que está sendo fiscalizado, de quais documentos é obrigado a apresentar, etc. A jurisprudência desta casa, trazida pela Recorrente em seu recurso, aplicase integralmente ao caso em análise: "MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL INVALIDADE EXERCÍCIO DA COMPETÊNCIA CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE PARA O LANÇAMENTO VALIDO Uma vez constatada a ausência válida e regular, nos moldes determinados pelas normas administrativas pertinentes, expedidas pela Secretaria da Receita Federal, do Mandado de Procedimento Fiscal e se tratando de ato procedimental imprescindível à validade do atos fiscalizatórios, no exercício de competência do agente fiscal, é de se considerar inválido o procedimento, e, com efeito, nulo o lançamento tributário conforme efetuado, sem a necessária observância do ato mandamental precedente e inseparável do ato administrativo fiscal conclusivo.’ (Acórdão n° 10613.156, DOU de 03.05.04, Rel. Luiz Antonio de Paula Recurso 131628 destacamos). “(...) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. A fiscalização não pode ser estendida além dos períodos contidos no Mandado de Procedimento Fiscal MPF, sem que seja precedido da emissão de MPF expedido pela autoridade competente, nos termos do art, 10 da Port. SRF 3.007/2001. Preliminar acolhida. (....)”(Acórdão n° 20309809, sessão de 20/10/2004 destacamos) Ainda, em relação à necessidade de Mandado de Procedimento Fiscal: “MPF. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal — MPF confere aos lançamentos e autuações legitimidade de que decorreram dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento de controle da atividade de fiscalização. A ausência de MPF torna nulo todo o procedimento. Processo Anulado.” Em razão destes fatos, acolho a preliminar de nulidade argüida para o fim de considera nulo o procedimento de fiscalização e dar provimento ao Recurso Voluntário apresentado. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.001722/200281 Acórdão n.º 3302002.812 S3C3T2 Fl. 9 8 Todavia, em vista de tratarse de um órgão Colegiado e ante a possibilidade de meu posicionamento restar vencido, passo à análise do mérito. (ii) Da Decadência No que se refere à decadência, a discussão referese ao mês “escolhido” pelo agente fiscal como fato gerador (setembro ou dezembro), porque a ciência do lançamento ocorreu em 20/12/2002, logo, mantido o mês correto como sendo setembro, o auto de infração estaria decaído. A despeito de toda esta celeuma, pareceme que a questão perde relevância ao se constatar que não houve pagamento no período que se pretende ver reconhecida a prescrição. É o que se depreende da decisão recorrida: “Seja como for, como a impugnante nada recolheu a titulo de IPI no ano de 1997 e nem mantinha escrituração fiscal referente ao IPI (RAIPI) que pudesse demonstrar a existência de créditos em montante superior aos débitos, o prazo decadencial não deve ser contado a partir do art. 150, § 40, do CTN (já que não houve pagamento), e sim com base no art. 173, I, do mesmo Código.” destaquei De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, proferida em sede de Recurso Repetitivo (REsp 973733), no caso de inocorrência de pagamento, para a contagem do prazo decadencial aplicase o artigo 173 do Código Tributário Nacional – CTN e não o pleiteado artigo 150, a saber: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 167DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.001722/200281 Acórdão n.º 3302002.812 S3C3T2 Fl. 10 9 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” – destaquei. Em vista da obrigação regimental (artigo 62A – RICARF) aplicase o entendimento do Superior Tribunal de Justiça afastando assim, o pleito de decadência. (iii) Da Auditoria de Estoque Neste tópico a Recorrente discorre sobre o erro na apuração da auditoria de estoque em virtude de terse considerado os valores referentes ao término do período, bem como de terse considerado que houve venda de sacolas de plástico e não de bobinas, adotandose, ainda, o preço médio de dezembro e não o de setembro. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.001722/200281 Acórdão n.º 3302002.812 S3C3T2 Fl. 11 10 Pela clareza de fundamento, adoto como razões de decidir os termos da decisão administrativa de primeira instância,a saber: “Alega a defendente que o auditor não apurou, com a necessária certeza, que houve omissão de venda de sacolas plásticas, e não omissão de venda das próprias bobinas de polietileno que retornaram da industrialização por encomenda na Valplast. Argumenta ainda que o auditor deveria ter adotado o preço médio de venda de sacolas plásticas do mês de setembro, e não o de dezembro. Quanto ao preço médio de venda, conforme visto no item 2 deste voto, quando a apuração de omissão de venda é realizada mediante auditoria de estoque, considerase que o fato gerador do IPI (saída dos produtos) ocorreu na data em que foi levantado o inventário, ou seja, no último dia do ano. Isso posto, agiu corretamente o auditor ao adotar o preço médio de venda do mês de dezembro de 1997. Em relação à incerteza na identificação do produto efetivamente saído do estabelecimento, há que se registrar que a própria fiscalizada não soube informar (fl. 22) qual o destino dado aos 363.750 kg de bobinas de polietileno supostamente retornados da Valplast após a industrialização por encomenda. Ora, como as vendas da empresa no ano de 1997 foram, em sua grande maioria, de sacolas plásticas (fl. 80), e como não há registro de que tenha havido naquele ano sequer uma única venda de bobinas de polietileno, a autoridade presumiu corretamente que a fiscalizada recebeu da Valplast sacolas plásticas, e não bobinas de polietileno. Tal presunção se justifica em razão de ter ficado comprovado, mediante o confronto entre as notas fiscais emitidas pela Valplast e as notas fiscais emitidas pela contribuinte, que no ano de 1997 as remessas feitas pela Valplast para a fiscalizada referemse a sacolas plásticas, e não a bobinas de polietileno (vide demonstrativo e respectivas notas fiscais constantes dos anexos 1 e 2 do presente processo).” Ante o exposto, nego o recurso voluntário neste particular. (iv) Da Ilegalidade da Aplicação da Taxa Selic Por derradeiro, cumpre analisar a alegação de inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC. O art. 13 da Lei nº 9.065/1995, dispõe expressamente que, para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, os juros de mora incidentes sobre tributos não pagos no vencimento, serão calculados, a partir de 01/04/1995, com base na taxa SELIC acumulada mensalmente. Por sua vez, o Código Tributário Nacional prevê que os juros moratórios serão calculados à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º). No caso, a Lei dispôs de modo diverso, estando, também, em consonância com o CTN. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.001722/200281 Acórdão n.º 3302002.812 S3C3T2 Fl. 12 11 Ademais, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF firmou entendimento de que a Taxa Selic deve ser aplicada para atualização dos débitos federais, conforme dispõe a Súmula no 4, aprovada em Sessão Plenária e abaixo reproduzida: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Fica claro, portanto, que não há qualquer ilegalidade no cálculo dos juros de mora efetuado com base na taxa SELIC. Ante o exposto, conheço do presente recurso para o fim de NEGARLHE provimento, mantendo a decisão de primeira instância administrativa. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Voto Vencedor Voto Vencedor exclusivamente quanto à preliminar de nulidade do Auto de Infração. Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Conforme consta do resultado do julgamento, fui designado para redigir o voto exclusivamente quanto à preliminar de nulidade do auto de infração, arguída pela Recorrente e acolhida pela Ilustre Redatora, em face de eventuais vícios de emissão de MPFC. Antes de adentrar no mérito da questão, é conveniente relatar o histórico dos MPFs vinculados ao presente procedimento fiscal, constantes das efls. 2, 4 e 5. No dia 23/08/2002 a empresa Recorrente tomou ciência do MPFDiligência emitido no dia 15/08/2002 (Final nº 032184), com o seguinte objetivo: verificação do cumprimento das obrigações tributárias. No dia 18/11/2002 a empresa Recorrente tomou ciência do MPFFiscalização emitido no dia 12/11/2002 (Final nº 046169), com o objetivo de realizar a fiscalização do IRPJ de 01/1997 a 12/2001 e para realizar as seguintes verificações obrigatórias: "correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos" Fl. 170DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.001722/200281 Acórdão n.º 3302002.812 S3C3T2 Fl. 13 12 No dia 20/12/2002 a empresa Recorrente tomou ciência do MPFC emitido no dia 17/12/2002 (Final nº 0461691), com o objetivo de incluir o IPI no MPFF acima referido. No mesmo dia 20/12/2002 a empresa Recorrente tomou ciência do auto de infração objeto deste processo. Vêse, portanto, que, para o mesmo período objeto da Fiscalização do IRPJ, o IPI e todos os tributos administrados pela RFB estavam sob investigação fiscal desde o início da diligência em 23/08/2002. Portanto, ao contrário do alegado pela Recorrente, existia sim MPFFiscalização que alcançava a IPI. Quanto a necessidade de ciência do MPFC em data anterior à da ciência do auto de infração, não há essa previsão na portaria de regência. A exigência é tão somente da existência do MPFC. E o MPFC foi emitido e dele a Recorrente tomou ciência. Independente dos fatos acima, certo é que o Mandado de Procedimento Fiscal era um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O mesmo foi extinto pelo Decreto nº 8.303/14. É imprescindível destacar que o regramento acerca do Mandado de Procedimento Fiscal não se sobrepõe à atividade vinculada e obrigatória a que estão submetidos os agentes tributários. A obrigatoriedade do lançamento tributário, sob pena de responsabilidade funcional, constatada irregularidade cometida pelo sujeito passivo da obrigação tributária, deflui do Código Tributário Nacional, arts. 3º e 142, § único, conforme transcrição a seguir. “Art. 3º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. (grifos acrescidos) (...) “Art.142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, (...) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Conforme citou a decisão recorrida, há farta jurisprudência administrativa no sentido de que eventuais irregularidades na emissão ou utilização de MPF não têm o condão de macular o auto de infração. No caso concreto, sequer houve falhas na emissão do MPF. A ordem para proceder as verificações obrigatórias de todos os tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, nos últimos cinco anos, está consignada expressamente no MPFFiscalização nº 07.1.90.002002046199. Concluo que o lançamento não fere os arts. 7º e 10 e não ocorreu a hipótese do 59, todos do Decreto nº 70.235/72, que regula o PAF. Portanto, não pode ser admitida a preliminar de nulidade do lançamento argüida pela recorrente. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.001722/200281 Acórdão n.º 3302002.812 S3C3T2 Fl. 14 13 Quanto as demais matérias suscitadas pela Recorrente, acompanho o voto da Ilustre Conselheira Relatora. Isto posto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, argüida pela Recorrente. No mérito, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Redator Designado. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 13964.000324/2003-52
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1998
PAGAMENTO DO CRÉDITO REALIZADO PARCIALMENTE POR COMPENSAÇÃO E PARCIALMENTE POR DARF.
Reconhecido o crédito e quitado parcialmente por compensação e o remanescente por DARF, importa o reconhecimento da extinção do crédito.
VALORES A COMPENSAR - ATUALIZAÇÃO.
Na apuração do direito creditório adota-se os índices de atualização monetária especificados nas normas internas da RFB.
DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO.
De acordo com o princípio da retroatividade benigna, afasta-se a multa de ofício no lançamento de ofício decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declarações prestadas pelo contribuinte, de acordo com o disposto no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.413
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que dava provimento parcial para excluir a multa de oficio de 75% e o Conselheiro Paulo Sérgio Celani que negava provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
(assiantura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente e Relator.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1998 PAGAMENTO DO CRÉDITO REALIZADO PARCIALMENTE POR COMPENSAÇÃO E PARCIALMENTE POR DARF. Reconhecido o crédito e quitado parcialmente por compensação e o remanescente por DARF, importa o reconhecimento da extinção do crédito. VALORES A COMPENSAR - ATUALIZAÇÃO. Na apuração do direito creditório adota-se os índices de atualização monetária especificados nas normas internas da RFB. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. De acordo com o princípio da retroatividade benigna, afasta-se a multa de ofício no lançamento de ofício decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declarações prestadas pelo contribuinte, de acordo com o disposto no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13964.000324/2003-52
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5404633
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.413
nome_arquivo_s : Decisao_13964000324200352.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 13964000324200352_5404633.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que dava provimento parcial para excluir a multa de oficio de 75% e o Conselheiro Paulo Sérgio Celani que negava provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. (assiantura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente e Relator. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5750424
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477553201152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2062; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13964.000324/200352 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.413 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria COFINS AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO Recorrente INQUIL INDÚSTRIAS QUÍMICAS INDÍGENA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 PAGAMENTO DO CRÉDITO REALIZADO PARCIALMENTE POR COMPENSAÇÃO E PARCIALMENTE POR DARF. Reconhecido o crédito e quitado parcialmente por compensação e o remanescente por DARF, importa o reconhecimento da extinção do crédito. VALORES A COMPENSAR ATUALIZAÇÃO. Na apuração do direito creditório adotase os índices de atualização monetária especificados nas normas internas da RFB. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. De acordo com o princípio da retroatividade benigna, afastase a multa de ofício no lançamento de ofício decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declarações prestadas pelo contribuinte, de acordo com o disposto no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que dava provimento parcial para excluir a multa de oficio de 75% e o Conselheiro Paulo Sérgio Celani que negava provimento integral ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 4. 00 03 24 /2 00 3- 52 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13964.000324/200352 Acórdão n.º 3801003.413 S3TE01 Fl. 3 2 Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. (assiantura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13964.000324/200352 Acórdão n.º 3801003.413 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Por meio do auto de infração de folhas 8 e 9, de 17/06/2003, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 45.442,84, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em virtude da não confirmação do processo judicial indicado para compensação com os débitos declarados nas competências de janeiro a julho de 1998. Os dispositivos legais infringidos constam do respectivo auto de infração. O sujeito passivo apresenta impugnação, de fls. 01 a 05, argüindo que não é devedora de qualquer quantia ao Fisco Federal, pois se sagrou vitorioso em ação ordinária obtendo o direito a compensar valores pagos a título de Finsocial, tendo utilizado estes créditos para compensar débitos referentes a Cofins, no período de janeiro a julho de 1998. Requer, por fim, que seja cancelado este auto de infração. Em Despacho Decisório de fls. 84/85, a DRF/Florianópolis, diante da decisão judicial aludida pelo sujeito passivo, cancela de ofício parte do crédito tributário exigido pelo lançamento, mantendo a exigência de R$ 14.073,66, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, referente as competências de abril a julho de 1998. Apresenta então o sujeito passivo recurso voluntário, argumentando ser desnecessário o arrolamento de bens, devido à inconstitucionalidade declarada pelo STF. Argumenta que a Guia DARF encaminhada com os valores para pagamento encontrase com vícios, pois os juros nela constante apresentam valores diferentes dos valores exigidos no despacho decisório. Aduz que os valores exigidos no auto de infração não são devidos, pois representam aproveitamento do crédito decorrente de ação judicial transitada em julgado. A DRF/Florianópolis não reconheceu parte dos créditos, sem, no entanto, demonstrar os motivos que levaram a tanto. Afirma que inexiste qualquer débito, uma vez que o procedimento fiscal trata exclusivamente das compensações realizadas regularmente pela impugnante neste mesmo período, devidamente chancelada pelo Poder Judiciário. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13964.000324/200352 Acórdão n.º 3801003.413 S3TE01 Fl. 5 4 A DRJ em Florianópolis (SC) julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa abaixo transcrita: DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS DE FINSOCIAL. AÇÃO JUDICIAL. LIMITES. A compensação reconhecida judicialmente limitase ao crédito apurado conforme estabelecido na decisão judicial. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, alegou desnecessidade de arrolamento de bens, tendo apresentado as mesmas alegações suscitadas na impugnação ao despacho decisório, acrescentando basicamente que: mesmo tendo a ora Recorrente demonstrado, e comprovado documentalmente, que a compensação implementada foi operacionalizada nos exatos termos da decisão exarada ação ordinária n° 94.80.009331, com a chancela da coisa julgada, entendeu por bem o Fisco Federal em manter parte da exigência inicialmente imputada a Recorrente, no Auto de Infração n° 1136/98; não pode pactuar com a tamanha afronta ao cumprimento de decisão judicial amparada pela coisa julgada material; em nenhum momento o Fisco Federal demonstrou a apropriação dos montantes pagos pelo Recorrente, comprovados nas guias DARF's anexadas como documentos nºs. 05 e 06 da Impugnação apresentada pela Recorrente, abatendo do suposto saldo devedor tais valores, uma vez que os mesmos sequer foram lançados no demonstrativo de apuração de débito apresentado pelo Fisco Federal; referidos recolhimentos foram anunciados e comprovados (docs. 05 e 06) na Impugnação em foco, uma vez que a Recorrente buscou comprovar que os únicos períodos da compensação implementada que não foram brindados com a suficiência do crédito em questão foram, tempestivamente, objeto de recolhimento do saldo faltante, extinguindo assim o crédito tributários, nos termos do art. 156, I e II do CTN; o cálculo apresentado pelo Fisco Federal encontrase equivocado na forma de baixa das compensações já realizadas pela Recorrente, e essa circunstância está reduzindo drasticamente o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, em análise no presente procedimento administrativo fiscal; quando da compensação iniciada, diferentemente do critério adotado pela própria Receita Federal, abstevese a mesma de vincular o valor de cada parcela apropriada, na data em que ocorreu cada evento dessa natureza, ao saldo credor da Recorrente, regularmente acrescido da taxa SELIC; Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13964.000324/200352 Acórdão n.º 3801003.413 S3TE01 Fl. 6 5 manifesto que a cada apropriação (compensação) efetivada, o correto (e utilizado pela própria Secretaria da Receita Federal), é vincular o valor da cada parcela compensada ao saldo credor da Recorrente, regularmente acrescido da SELIC. Assim, tanto o crédito do indébito tributário, quanto o débito compensado, seguirão a mesma forma da atualização, evitando prejuízos para qualquer das partes; na sistemática de imputação de cálculo praticada pela Receita Federal habitualmente, é levado em conta o saldo inicial, decorrente da diferença entre os valores dos créditos e débitos, atualizados, acrescidos da taxa SELIC e, por ocasião das compensações efetuadas pelos contribuintes, essas são deflacionadas desde a sua ocorrência até o saldo inicial, mediante a imputação da taxa SELIC ocorrida em janeiro de 1996 até o mês anterior ao da compensação, acrescida de 1% em relação ao mês em que a compensação é efetivamente efetuada; não merece prosperar os argumentos da decisão ora atacada, posto que fundamentada exclusivamente nos demonstrativos apresentados pelo Fisco Federal, sendo os mesmos vagos e imprecisos na demonstração dos índices utilizados para a correção monetária dos créditos/débitos objetos da compensação ora analisada, bem como, que esta ausência de clareza quanto aos procedimentos adotados na apuração em foco, certamente vem a encobrir o equívoco no sistema de compensações e baixas utilizado, não tendo desse modo a mesma solidez para elidir a legitimidade do crédito demonstrado e comprovado pela Recorrente, até mesmo pelo fato deste ser decorrente de uma decisão judicial imortalizada pela coisa julgada material. Por fim, protesta a Recorrente pela reforma da decisão "a quo”, sendo mantidos os aproveitamentos chancelados pela Recorrida, e determinando a homologação das compensações não aceitas pela mesma, bem como, dos recolhimentos complementares efetuados via DARF, consoante comprovado (docs. 05 e 06 da Impugnação), de forma a baixar tais exigências do controle fiscal da Recorrente ante ao amparo de decisão judicial transitada em julgado que deu ensejo ao crédito aproveitado pelo contribuinte e que não está sendo reconhecido pelo órgão fiscalizatório. Postula ainda, pela declaração de nulidade do auto de infração n° 1136/98, processo administrativo n° 13964.000324/200352, com a sua baixa e arquivamento. Alternativamente, requer que seja determinada a baixa dos autos para a autoridade Fiscal, com a determinação de que a mesma abra o seu sistema de atualização dos créditos em análise, bem como, de apuração e baixa dos montantes objeto da compensação ora analisada, demonstrando ainda o equívoco apontado nos cálculos apresentados pela Recorrente, já que estes foram, de certo modo, impugnados, de forma precisa e dentro dos limites da decisão judicial em questão, em razão da coisa julgada material que protege a mesma, nos termos da Lei. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13964.000324/200352 Acórdão n.º 3801003.413 S3TE01 Fl. 7 6 Outrossim, a Recorrente postula a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do presente processo administrativo, por força dos §§ 9º a 11 do art .74 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 10.833/03, até o julgamento definitivo deste processo administrativo. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13964.000324/200352 Acórdão n.º 3801003.413 S3TE01 Fl. 8 7 Voto Vencido Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Registrese, por oportuno, que assiste razão à recorrente em relação a inexigibilidade do arrolamento de bens para a interposição de seu recurso voluntário, visto que a Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio do Ato Declaratório nº 9/2007 dispôs que não será exigido o arrolamento de bens e direitos como condição para seguimento de recurso voluntário em face que na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1976 o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional o disposto no art. 32 da Lei nº 10.522/2002, que deu nova redação ao artigo 33, § 2º o Decreto nº 70.235/1972. Deste modo, uma vez que a administração tributária, não poderia ser de outra forma, reconheceu o efeito vinculante da decisão do STF, não se exige mais o arrolamento de bens para o conhecimento do recurso voluntário. A recorrente sustenta que nos cálculos de apuração do direito creditório não foram considerados os recolhimentos nos valores de R$ 6.481,32 e R$ 8.041,48, períodos de apuração 30/06/1998 e 31/07/1998, respectivamente, DARFs anexados como documentos nºs. 05 e 06 da Impugnação, fls. 50 e 51. Não assiste razão à recorrente. Do exame do lançamento de ofício, constata se que nos períodos de apuração 30/06/1998 e 31/07/1998, os recolhimentos acima citados foram apropriados aos débitos declarados, remanescendo saldos devedores de R$ 840,66 e R$ 11,15, fls 10 e 12. Assim, os valores citados pela recorrente foram aproveitados por ocasião da lavratura do auto de infração. De sorte que esses valores não poderiam ser considerados na apuração do direito creditório, como bem assentou a autoridade fiscal. De outro giro, a recorrente sustenta em alegação genérica erros na apuração do direito creditório. Ainda que de maneira confusa, argumenta que a cada apropriação (compensação) efetivada, o correto (e utilizado pela própria Secretaria da Receita Federal), é vincular o valor da cada parcela compensada ao saldo credor da Recorrente, regularmente acrescido da SELIC. Diferentemente do alegado, a administração fazendária no despacho decisório utilizou as regras de atualização monetária e de aplicação de juros em consonância com os termos da decisão judicial. Pontuase que os índices de atualização foram fixados pela Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 8, de 27 de junho de 1997, correspondente à variação dos índices BTNF, FAP e UFIR, no período considerado. Além do mais, no recurso voluntário apresentou alegações genéricas, isto é, não apontou eventuais erros nos cálculos dos índices. Desta forma, as alegações genéricas sem Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13964.000324/200352 Acórdão n.º 3801003.413 S3TE01 Fl. 9 8 maiores fundamentos ou demonstração de equívocos nos cálculos, não merecem acolhidas por essa instância julgadora. Por outro lado, em que pese não tenha contestado a multa de ofício, ela deve ser exonerada em razão do princípio da retroatividade benigna. A propósito, a Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei nº 10.833, promoveu alteração no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Assim dispõe seu art. 18: Art. 18.O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. §1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. §2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme o caso. §3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Esclarecendo esse dispositivo, a Instrução Normativa SRF nº 482/2004 dispôs que os saldos a pagar relativos a cada tributo informado em DCTF, assim como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, seriam enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos. Do Tratamento dos Dados Informados Art. 9o Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem assim os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13964.000324/200352 Acórdão n.º 3801003.413 S3TE01 Fl. 10 9 § 2º Os saldos a pagar relativos ao IRPJ e à CSLL das pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, apurados anualmente, serão objeto de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União.(grifou se) Esta instrução normativa foi alterada posteriormente, entretanto as demais instruções mantiveram as mesmas disposições. Como se nota a aplicação do art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 ficou restrita à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicase nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Deste modo, após a vigência da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, deixou de ser considerada infração a declaração inexata prestada pelo sujeito passivo em DCTF, razão pela qual não mais haveria de ser exigida a multa de oficio. De outro giro, o art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I(...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; ........ c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (...) (Grifouse) Assim sendo, constatase que para a hipótese dos autos não há mais previsão de lançamento de multa de ofício, portanto a exclusão da multa de ofício se impõe pela retroatividade benigna da legislação hoje vigente. Ressaltese que no lugar da multa de ofício deve ser exigida a multa de mora. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto para excluir a multa de oficio lançada no valor de 75%. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes – Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13964.000324/200352 Acórdão n.º 3801003.413 S3TE01 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Apesar do bem fundamentado entendimento expresso no voto condutor tenho por discordar do voto do Eminente Conselheiro Relator, pelas razões abaixo. Consultados os autos, observase que a recorrente foi autuada pelo não recolhimento de COFINS, do qual realizou quitação de parte do crédito por intermédio de compensação de crédito em ação judicial transitada em julgado. O contribuinte apresentou planilha sobre o valor recuperado utilizado na compensação na qual se observa saldo remanescente. Colacionase, às fl. 52/53, os DARFs que apontam a quitação do remanescente. Contrariamente ao que se poderia esperar, na revisão do lançamento, a auditoria verificou a existência de um crédito equivalente a R$14.073,66 (fl.93) o qual tem equivalência ao valor recolhido pelo contribuinte sobre o que seria o remanescente da compensação. Colacionase a planilha elaborada pelo Fisco e a Planilha do contribuinte pela qual recolheu o remanescente de seu crédito pelas DARF FL. 52/53. Planilha da Receita: Planilha do Contribuinte: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13964.000324/200352 Acórdão n.º 3801003.413 S3TE01 Fl. 12 11 Como é possível verificar o somatório do que foi evidenciado como em aberto é praticamente o mesmo valor apurado pelo contribuinte como saldo remanescente do crédito, o qual não mais deveria existir diante da quitação. Entendo que, o que caberia a este conselho seria o reconhecimento de que o crédito apurado na revisão do lançamento fora quitado antes da conclusão da revisão, conforme os DARFs colacionados nos autos, fazendose extinto o crédito na forma do art.156, I, do CTN. Nestes termos, voto por DAR provimento do recurso voluntário para fins de reconhecer o crédito encontrase quitado em sua totalidade e cancelar o lançamento. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10074.001535/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA.
Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado.
Embargos Rejeitados
Acórdão Ratificado
Numero da decisão: 3102-002.286
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. A Conselheira Nanci Gama se declarou impedida.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Rejeitados Acórdão Ratificado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10074.001535/2010-78
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414538
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3102-002.286
nome_arquivo_s : Decisao_10074001535201078.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10074001535201078_5414538.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. A Conselheira Nanci Gama se declarou impedida. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5778851
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477574172672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1700; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 185 1 184 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10074.001535/201078 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3102002.286 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de outubro de 2014 Matéria Embargos de Declaração Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Interessado S. A. VIAÇÃO AÉREA RIOGRANDENSE EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Rejeitados Acórdão Ratificado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. A Conselheira Nanci Gama se declarou impedida. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório Tratase de Embargos de Declaração manejados pela Procuradoria da Fazenda Nacional em desfavor do Acórdão 310201.526, de 26 de junho de 2012, que recebeu a seguinte ementa. Assunto: Auto de Infração Aduaneiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 15 35 /2 01 0- 78 Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.001535/201078 Acórdão n.º 3102002.286 S3C1T2 Fl. 186 2 Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. BENEFÍCIO FISCAL. INEXIGIBILIDADE. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) é vedada a exigência de certidão negativa de débitos federais, por ela emitida, para fins de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. A verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo cabe à unidade da RFB encarregada da análise do pedido. ISENÇÃO DE IMPOSTOS NA IMPORTAÇÃO. NORMAS APLICÁVEIS. As normas a serem observadas na concessão ou reconhecimento de isenção de impostos na importação de mercadorias são aquelas que regem a matéria especifica. Cumpridos os requisitos específicos instituídos para a concessão ou reconhecimento da isenção esta deve ser deferida. Recurso de Ofício Negado Reproduzo o Relatório no qual baseouse o Acórdão pelo presente embargado. Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição e exigência de crédito tributário no valor de R$ 4.448.962,33 referente a imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, PIS/Pasepimportação e Cofins importação. Depreendese do relatório de fiscalização, anexo ao auto de infração, que: A interessada promoveu importações no período entre janeiro de 2006, e dezembro de 2007, invocando a isenção de imposto de importação e imposto sobre produtos industrializados prevista na alínea "j" do inciso II do artigo 2° da Lei n° 8.032/1990, que se refere a "partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações", e no inciso I do artigo 3°, da mesma lei, respectivamente. Da mesma forma, foram invocadas as reduções a zero das alíquotas das contribuições ao PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, previstas no inciso VII do parágrafo 12 do artigo 8° da Lei n° 10.865/2004. Considerando as normas que regulamentam as isenções de impostos e reduções de alíquotas das contribuições em apreço, notadamente o Decreto n° 4543/2002, com a redação dada pelo Decreto n° 5268/2004, e esse mesmo Decreto n° 5268/2004, concluise que se tratam de isenções de caráter misto, nas quais, além de se considerar o aspecto objetivo relacionado à mercadoria importada, há que se considerar o caráter subjetivo, ou sei a, o importador. Partindo desse entendimento, há que se verificar o cumprimento dos requisitos por parte do importador, notadamente o disposto no artigo 60 a Lei n° 9.069/1995, que determina que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica da quitação de tributos e contribuições federais. Intimada a apresentar certidões negativas de débitos, a interessada deixou de apresentálas, informando que não possuía no momento e que já haviam sido solicitadas certidões positivas com efeito de negativas. Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.001535/201078 Acórdão n.º 3102002.286 S3C1T2 Fl. 187 3 Portanto, a interessada não comprovou a quitação de tributos e contribuições federais, não cumprindo uma das condições que poderia amparar a fruição do beneficio fiscal no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007. Não fazendo prova da quitação de tributos e contribuições, foram revogadas a isenção das importações relacionadas As fls. 875 890, cobrando os tributos renunciados acrescidos de juros e multa de mora. Dentre as importações realizadas pela interessada constam como bens importados com isenção "ferramentas". Ocorre que "ferramentas" não são bens amparados pelas isenções de imposto de importação e imposto sobre produtos industrializados, por não se enquadrarem como partes, peças ou componentes de uma aeronave. Assim, foram listadas na tabela de folhas 889 todos os itens que não fazem jus As isenções e que, caso não houvesse sido anteriormente revogada a isenção dos impostos, agora seria revogada por não se enquadrarem entre os itens previstos na legislação. A fiscalização registra que, por razões de logística, optou por proceder ao lançamento parcial do período fiscalizado, lançandose no presente processo os fatos geradores (registros de Declarações de Importação) compreendidos entre 01/01/2006 e 31/03/2006, se reservando o direito de lançar posteriormente o período entre 01/04/2006 e 31/12/2007. O período de abril a dezembro de 2006 foi autuado no processo administrativo fiscal n° 10074.002059/201011 e o período de janeiro a dezembro de 2007 no processo administrativo fiscal n°10074.000051/201192. (nota do relator) Regularmente cientificada pela via pessoal (ciência fls. 830) a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 940 a 949, com os documentos de folhas 950 a 953 anexados. A impugnante alega, em síntese, que: O momento para que se solicitem os documentos comprobatórios do atendimento dos requisitos é quando da apresentação do pedido de isenção à autoridade competente, o que já foi cumprido pela impugnante. Assim, não é concebível a exigência de nova apresentação dos documentos de regularidade fiscal como condição para manutenção dos benefícios fiscais concedidos, posto que o momento da comprovação de quitação de tributos federais ocorreu em momento pretérito. Decisões judiciais e administrativas amparam esse entendimento. Há ofensa ao princípio da legítima confiança, sendo que a revogação do benefício agride frontalmente o princípio da segurança jurídica. A empresa passou por dificuldades financeiras que culminaram com pedido de recuperação judicial, devidamente aprovado pelos credores e chancelado pelo Poder Judiciário, nos autos do processo n° 2005.001.0728877. Em cumprimento ao disposto na Lei n° 11.101/2005 foram criados mecanismos para a manutenção das atividades da empresa, com inclusive, o afastamento de apresentação de certidões de regularidade fiscal. Assim, a presente autuação vai de encontro As determinações do Juízo da Recuperação judicial, sendo condição ilegal e, portanto, devem ser anulados. Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.001535/201078 Acórdão n.º 3102002.286 S3C1T2 Fl. 188 4 Requer a anulação integral dos autos de infração. "A Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu pela cancelamento parcial da autuação, mantendo a exigência no valor de R$ 1.838,00, acrescido de juros e multa de mora. A decisão da DRJ foi assim ementada. “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. BENEFÍCIO FISCAL. INEXIGIBILIDADE. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) é vedada a exigência de certidão negativa de débitos federais, por ela emitida, para fins de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. A verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo cabe à unidade da RFB encarregada da análise do pedido. (IN RFB n° 734/2007) ISENÇÃO DE IMPOSTOS NA IMPORTAÇÃO. NORMAS APLICÁVEIS. As normas a serem observadas na concessão ou reconhecimento de isenção de impostos na importação de mercadorias são aquelas que regem a matéria especifica. Cumpridos os requisitos específicos instituídos para a concessão ou reconhecimento da isenção esta deve ser deferida. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Diante dessa decisão, cuja exoneração do sujeito passivo ultrapassou o limite de alçada, foi apresentado pela Turma Julgadora o competente recurso de ofício. Os fundamentos dos Embargos podem ser resumidos nas observações e excertos a seguir reproduzidos, estes extraídos da peça recursal. O r. acórdão negou provimento ao recurso de ofício, sob o fundamento de que (...) no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) é vedada a exigência de certidão negativa de débitos federais, por ela emitida, para fins de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. A verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo cabe à unidade da RFB encarregada da análise do pedido. (...) Contudo, smj, o entendimento do r. acórdão fez tábua rasa da Lei nº 9.069, art. 60, que prescreve: (...) Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.001535/201078 Acórdão n.º 3102002.286 S3C1T2 Fl. 189 5 No r. acórdão, não seria aplicável o preceito veiculado na Lei nº 9.069, art. 60, por força do princípio da especialidade. Diz a respeito a ementa do r. acórdão, verbis: (...) Contudo, ainda que exista norma específica, isso de per se não elide a obrigação de exibição da certidão negativa de débito. Cita e transcreve REsp 1041237, decidido em Regime de Recursos Repetitivos, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, que considera corroborar seu entendimento. Outrossim, considera que, ao afastar a aplicação da Lei nº 9.069/95 teria, por equivalência, declaradoa inconstitucional, procedimento vedado aos integrantes deste Conselho Administrativo. É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos Embargos de Declaração interpostos. Segundo pedido final expresso na peça recursal, a Embargante deseja que sejam sanadas a contradição e a omissão demonstradas. Em apertada síntese, elas estariam presentes no decisum por conta de duas ocorrências. Primeiro, porque este Colegiado teria descumprido o artigo 62 do Regimento Interno deste Conselho ao declarar, pela via transversa, a inconstitucionalidade da Lei nº 9.069/95. Depois, por ter descumprido o 62A, pela inobservância da decisão tomada em Regime de Recursos Repetitivos, pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1041237. Peço vênia para dizer que não me parece que tenha ocorrido nem omissão nem contradição. Com efeito, se há nos autos algo que se possa aventar em sede de embargos de declaração, creio que estaria melhor classificado como falta de pronunciamento sobre ponto a respeito do qual devesse a Turma se manifestar, já que o Acórdão não foi omisso acerca daquilo sobre o qual foi provocado e não contém nenhuma contradição interna. Quanto a isso, de grande utilidade a lição de Candido Rangel Dinamarco sobre o que sejam as contradições e omissões passíveis de serem resolvidas em sede de embargos de declaração1: Contradição é a colisão de dois pensamentos que se repelem (p.ex., negar a medida principal pedida e conceder a acessória, que dela depende; julgar improcedente a reintegração de posse e procedente o pedido de indenização etc.). Omissão é a falta de exame de algum fundamento da demanda ou da defesa, ou de 1 Instituições de Direito Processual Civil. São Paulo, Malheiros, 2005, 5ª ed., pp. 687/688. Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.001535/201078 Acórdão n.º 3102002.286 S3C1T2 Fl. 190 6 alguma prova, ou de algum pedido etc. (decidir sobre a demanda principal sem se pronunciar sobre a acessória, deixar de indicar o nome de algum dos litisconsortes ativos ou passivos etc.). A despeito disso, fato é que não me parece que tenham acontecido quaisquer dos dois entraves apontadas pela Embargante e nem falta de pronunciamento sobre assunto a respeito do qual devesse o Colegiado terse manifestado. Em relação ao disposto na Lei nº 9.069/95, o que se percebe é que o Colegiado se viu obrigado a decidir por uma ou por outra disposição normativa. Decidiuse pelas normas editadas pelo próprio Órgão responsável pela fiscalização dos tributos, à luz do critério da especialidade. Houvesse decidido por aplicar a Lei nº 9.069/95 e, igualmente, terminaria afastando norma federal que regulamenta as obrigações e deveres da Administração e do administrado2. Quando existem duas disposições normativas comandando em sentido contrário uma da outra, nenhuma outra solução se apresenta, se não a escolha de uma das duas, em detrimento da outra. O critério da especialidade é, segundo me parece, muito apropriado. A esse respeito, contudo, deve ser sublinhado que nenhuma razão existe para que se adentre ao mérito dessa decisão. A escolha já foi feita. Certa ou errada, não será em sede de embargos que a mesma haverá de ser modificada. Pelo mesmo caminho entendo que se deva decidir em relação à omissão/contradição alegada em face da inobservância do disposto no REsp 1041237. Data maxima venia, a decisão tomada no REsp apenas dispensa o contribuinte da obrigação de apresentar uma nova Certidão Negativa de Débitos, quando ele já o tenha feito em momento prévio (sendo eles, na decisão, o despacho aduaneiro e a concessão do Regime de Drawback). Para maior clareza, reproduzo o texto transcrito em sede de Embargos, sem os grifos lá incluídos. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais". 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira 2 Lei. 9.784/99 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.001535/201078 Acórdão n.º 3102002.286 S3C1T2 Fl. 191 7 Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1041237/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 19/11/2009). A meu sentir, o que estava em discussão na lide que originou a ementa acima transcrita não guarda relação com o que se tinha para decidir no Acórdão embargado. O Superior Tribunal de Justiça, por meio do REsp 1041237, segundo a leitura que faço, passou muito longe de decidir que o administrado está obrigado a apresentar os documentos existentes no Órgão Administrativo (ainda mais quando por ele próprio dispensado de sua apresentação, por Ato Normativo editado para este fim específico). Como disse acima, em lugar disso, apenas considerou descabida a exigência em fases sucessivos da aplicação do benefício, sem em momento algum adentrar à legalidade ou pertinência da exigência de sua apresentação em face de disposições legais conflitantes. Não restando identificadas a contradição ou a omissão apontadas pela Embargante, VOTO pela rejeição dos Embargos de Declaração interpostos. Sala das Sessões, 14 de outubro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13877.000017/2001-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. SÚMULA DO STJ.
De acordo com a Súmula 494, do Superior Tribunal de Justiça, "o benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias-primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP."
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COMBUSTÍVEIS. LUBRIFICANTES. ENERGIA ELÉTRICA E ÁGUA. SÚMULA N 19 DO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com a Súmula CARF nº 19, "não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário." O mesmo raciocínio deve ser aplicado à água, pois não se enquadra como matéria-prima nem como produto intermediário.
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. CÁLCULO PERCENTUAL ENTRE RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA. APURAÇÃO CENTRALIZADA.
Não é o fato da apuração ser centralizada ou não que altera o valor do crédito presumido, eis que deve ser levado em conta apenas as receitas de exportação afetadas pelo crédito presumido, que sejam decorrentes de operação de industrialização e a receita operacional bruta dos estabelecimentos produtos exportadores, sob pena de completa distorção do cálculo e distanciamento do próprio benefício.
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APLICAÇÃO OU NÃO DA SELIC.
O Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial n 1.035.847/RS, relatado pelo então Ministro Luiz Fux, submetido ao rito dos Recursos Repetitivos (Código de Processo Civil, artigo 543-C), firmou o entendimento de que é devida a atualização pela SELIC dos créditos objeto de pedido de ressarcimento por resistência ilegítima da Administração, ainda que seja decorrente da simples demora na análise do respectivo processo administrativo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3403-003.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer ao contribuinte o direito: a) de incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas; b) de apurar o coeficiente de exportação considerando a receita operacional bruta dos estabelecimentos produtores exportadores e; c) de atualização do crédito pela aplicação da taxa SELIC entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e o seu efetivo aproveitamento. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern quanto à questão do coeficiente de exportação. Sustentou pela Recorrente a Dra. Fabiana Carsoni A. Fernandes da Silva, OAB/SP 246.569.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. SÚMULA DO STJ. De acordo com a Súmula 494, do Superior Tribunal de Justiça, "o benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias-primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COMBUSTÍVEIS. LUBRIFICANTES. ENERGIA ELÉTRICA E ÁGUA. SÚMULA N 19 DO CARF. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 19, "não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário." O mesmo raciocínio deve ser aplicado à água, pois não se enquadra como matéria-prima nem como produto intermediário. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. CÁLCULO PERCENTUAL ENTRE RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA. APURAÇÃO CENTRALIZADA. Não é o fato da apuração ser centralizada ou não que altera o valor do crédito presumido, eis que deve ser levado em conta apenas as receitas de exportação afetadas pelo crédito presumido, que sejam decorrentes de operação de industrialização e a receita operacional bruta dos estabelecimentos produtos exportadores, sob pena de completa distorção do cálculo e distanciamento do próprio benefício. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APLICAÇÃO OU NÃO DA SELIC. O Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial n 1.035.847/RS, relatado pelo então Ministro Luiz Fux, submetido ao rito dos Recursos Repetitivos (Código de Processo Civil, artigo 543-C), firmou o entendimento de que é devida a atualização pela SELIC dos créditos objeto de pedido de ressarcimento por resistência ilegítima da Administração, ainda que seja decorrente da simples demora na análise do respectivo processo administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13877.000017/2001-99
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5427164
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3403-003.468
nome_arquivo_s : Decisao_13877000017200199.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
nome_arquivo_pdf_s : 13877000017200199_5427164.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer ao contribuinte o direito: a) de incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas; b) de apurar o coeficiente de exportação considerando a receita operacional bruta dos estabelecimentos produtores exportadores e; c) de atualização do crédito pela aplicação da taxa SELIC entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e o seu efetivo aproveitamento. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern quanto à questão do coeficiente de exportação. Sustentou pela Recorrente a Dra. Fabiana Carsoni A. Fernandes da Silva, OAB/SP 246.569. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
dt_sessao_tdt : Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5817885
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477580464128
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-01-14T23:34:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-01-14T23:34:18Z; Last-Modified: 2015-01-14T23:34:18Z; dcterms:modified: 2015-01-14T23:34:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:5e1c6069-ea16-4de8-9d87-43f3b8cfbdf6; Last-Save-Date: 2015-01-14T23:34:18Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-01-14T23:34:18Z; meta:save-date: 2015-01-14T23:34:18Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-01-14T23:34:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-01-14T23:34:18Z; created: 2015-01-14T23:34:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2015-01-14T23:34:18Z; pdf:charsPerPage: 2416; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-01-14T23:34:18Z | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 11 1 10 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13877.000017/200199 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.468 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria IPI Recorrente CARGILL AGRICOLA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. SÚMULA DO STJ. De acordo com a Súmula 494, do Superior Tribunal de Justiça, "o benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COMBUSTÍVEIS. LUBRIFICANTES. ENERGIA ELÉTRICA E ÁGUA. SÚMULA N 19 DO CARF. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 19, "não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário." O mesmo raciocínio deve ser aplicado à água, pois não se enquadra como matériaprima nem como produto intermediário. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. CÁLCULO PERCENTUAL ENTRE RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA. APURAÇÃO CENTRALIZADA. Não é o fato da apuração ser centralizada ou não que altera o valor do crédito presumido, eis que deve ser levado em conta apenas as receitas de exportação afetadas pelo crédito presumido, que sejam decorrentes de operação de industrialização e a receita operacional bruta dos estabelecimentos produtos exportadores, sob pena de completa distorção do cálculo e distanciamento do próprio benefício. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APLICAÇÃO OU NÃO DA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 7. 00 00 17 /2 00 1- 99 Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 O Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial n 1.035.847/RS, relatado pelo então Ministro Luiz Fux, submetido ao rito dos Recursos Repetitivos (Código de Processo Civil, artigo 543C), firmou o entendimento de que é devida a atualização pela SELIC dos créditos objeto de pedido de ressarcimento por resistência ilegítima da Administração, ainda que seja decorrente da simples demora na análise do respectivo processo administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer ao contribuinte o direito: a) de incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas; b) de apurar o coeficiente de exportação considerando a receita operacional bruta dos estabelecimentos produtores exportadores e; c) de atualização do crédito pela aplicação da taxa SELIC entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e o seu efetivo aproveitamento. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern quanto à questão do coeficiente de exportação. Sustentou pela Recorrente a Dra. Fabiana Carsoni A. Fernandes da Silva, OAB/SP 246.569. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI relativo ao 3 trimestre de 2000, que contou com despacho decisório que o deferiu parcialmente e homologou as compensações até o limite de crédito apurado. De acordo com a descrição constante no Relatório Fiscal o montante pleiteado (R$3.671.611,71) foi apurado de forma centralizada e distribuído proporcionalmente Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13877.000017/200199 Acórdão n.º 3403003.468 S3C4T3 Fl. 12 3 entre as unidades fabris, que solicitaram individualmente o ressarcimento das parcelas que lhes couberam, no âmbito do presente processo, bem como dos processos 13811.000423/200116, 13520.000012/200104 e 13164.000006/200145,a ele apensados. Foi reconhecido o valor de R$ 767.787,75. As glosas praticadas decorrem das seguintes inclusões indevidas na base de cálculo do benefício: aquisições de matériasprimas de fornecedores não contribuintes de PIS e COFINS (cooperativas e pessoas físicas); aquisições não admitidas como combustíveis e lubrificantes, água e energia elétrica. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, em que alega, de início, que a redução do valor do incentivo decorre da majoração indevida da receita operacional bruta de R$ 1.107.090.910,61 para R$ 2.412.742,385,19, sem que a Fiscalização tenha apresentado justificativa para tanto, fato que afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, e implica nulidade do despacho decisório. Também defende que a Lei n 9.363/1996 não veda o cômputo da aquisição de matérias primas de pessoas físicas e sequer prevê expressamente que tais valores não podem ser incluídos no cômputo do crédito presumido, exigindo, tãosomente, que esses bens sejam consumidos em processo de industrialização, motivo pelo qual teria direito ao crédito presumido sobre as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Com respeito às glosa de aquisições de energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha alega que se trata de produtos intermediários, conforme a legislação do IPI, e que embora não integrando o produto final, são utilizados no processo de industrialização. Prossegue ratificando o argumento de que a fiscalização teria alterado sem qualquer justificativa o percentual Receita de Exportação/Receita Bruta Total, para apuração da base de cálculo do benefício. Esclarece que tendo em vista a determinação de apuração centralizada na matriz, trazida pelo art. 15 da Lei nº 9.779, de 1999, no seu cálculo considerou apenas a receita operacional e as aquisições de insumos dos seus estabelecimentos produtores exportadores, que se beneficiam do crédito presumido do IPI, preservando assim a lógica de apuração deste, que não foi modificada, seja por ato normativo de regulamentação da Lei nº9.363, de 1996, seja pela alteração desta pela Lei nº 9.779, de 1999. Isto porque a Lei n° 9.363/96 possibilitava às empresas optarem pela apuração do crédito presumido de IPI de forma centralizada no estabelecimento matriz, ou de forma descentralizada em cada estabelecimento produtor exportador, o que não alteraria seu valor. Conclui que desse modo os valores da receita operacional bruta dos estabelecimento não exportadores, bem como os insumos por eles adquiridos, não poderiam ser computados, seja na apuração centralizada ou descentralizada, sob pena de distorção do cálculo. Afirma que seria ilegal a inclusão dos valores correspondentes às receitas auferidas por estabelecimentos não exportadores na apuração do percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 Por fim, a Recorrente protesta pela aplicação da taxa SELIC sobre os créditos a serem ressarcidos. A DRJ afastou a nulidade arguida sob o fundamento de que não houve prejuízo à defesa, decidindo ainda que todas as formalidades legais foram observada e o despacho decisório foi expedido por órgão competente. Acerca das aquisições de pessoas físicas e das cooperativas, decidiu a DRJ que, pelos termos da legislação de regência do crédito presumido do IPI, somente as aquisições de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME), que tenham sofrido a incidência das contribuições para o PIS e a Cofins, podem ser incluídos no cálculo do benefício, como se depreende da redação do art. 1º da Lei 9.363, de 1996 e do mesmo artigo da Lei n.º 10.276, de 2001. E prossegue seu raciocínio, fundamento que logicamente que, se o crédito em questão se destina a ressarcir o valor das contribuições que tenham gravado os insumos (MP, PI e ME), não havendo a incidência dessas exações na operação, não haverá o que ressarcir, sob pena de proporcionar o benefício em dobro. Está implícita na lei, como condição para usufruir o benefício, a incidência das contribuições (PIS e Cofins) na aquisição dos insumos empregados na industrialização de produtos exportados, razão pela qual as Instruções Normativas que a regularam não desbordaram de sua competência, não inovando em relação ao texto legal. Relativamente à exclusão de gastos com combustíveis e lubrificantes, água e energia elétrica, decidiu a DRJ que ela é legítima porque somente produtos conceituados como insumos pela legislação do IPI, podem ser computados no cálculo do crédito presumido do IPI. E segundo seu raciocínio, a referida conceituação não compreende todos os insumos utilizados no setor industrial das empresas, de forma genérica, mas tãosomente as à matériaprima (MP), ao produto intermediário (PI) e ao material de embalagem (ME), nominalmente citados no art. 2o da Lei no 9.363, de 1996, conceitos em que não se enquadram as referidas aquisições. Fundamenta a DRJ que para efeito de crédito do imposto na escrita fiscal, o art. 147, I, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 1998 – RIPI/1998, esclarece que se incluem no conceito de MP e PI os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente. Por seu turno, o Parecer Normativo CST no 65, de 30 de outubro de 1979 (DOU de 6 de novembro de 1979), norma complementar da legislação tributária, por força do inciso I do art. 100 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), esclarece a expressão: “consumidos no processo de industrialização”, condição para que os bens sejam considerados insumos. O aludido parecer orienta no sentido de que se deve considerar no conceito de MP e PI, em sentido lato, os bens que se consumirem em decorrência de um contato físico, ou de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou, por esse diretamente sofrida. No parecer, à guisa de exemplo, são mencionadas lixas, lâminas de serra e catalisadores, desde que não integrem o ativo permanente. No tocante à forma de cálculo do crédito presumido atacada pela Recorrente, a DRJ fundamenta que o artigo 2 da Lei n 9.363/1996 dispõe que o crédito presumido deve ser calculado na proporção entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do exportador, in verbis: Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13877.000017/200199 Acórdão n.º 3403003.468 S3C4T3 Fl. 13 5 “Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. A DRJ cita os conceitos utilizados pela legislação do Imposto de Renda, para reiterar o procedimento adotado pela Fiscalização na análise do ressarcimento pleiteado, mencionando complementarmente o artigo 3 da Portaria MF n 38/1997: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: I apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção; II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. E conclui a DRJ decindo que nos termos dos dispositivos, concluise que a centralização do cálculo do crédito presumido de IPI, implica no cômputo da receita operacional bruta segundo o montante apurado pela pessoa jurídica, independentemente de quantos sejam os estabelecimentos produtores que a integrem e do tipo de atividade que exercer, além daquela propriamente de industrialização. E, por fim, quanto ao pleito de aplicação da taxa SELIC, a DRJ fundamenta a sua decisão afirmando que a legislação tributária distingue perfeitamente as hipóteses de restituição, compensação e ressarcimento, sem considerar esta última uma espécie da primeira. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 É o caso, por exemplo, dos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e do § 4o do art. 39 da Lei no 9.250, de 1995, que ampara o abono de juros Selic apenas nos casos de restituição e compensação, não contemplando o ressarcimento pleiteado. Dessa forma, segundo a DRJ, não haveria amparo legal para o pedido de aplicação de correção pela taxa SELIC. Inconformada a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em que basicamente repete os argumentos constantes em sua Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista A discussão relativa à aquisição de insumos de pessoas física no cálculo do crédito presumido da Lei n. 9363/1996 já encontrase sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio da Súmula 494, assim vazada: "O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." Portanto, equivocada a decisão da DRJ relativamente a este ponto, visto que o cálculo do crédito presumido a que a Recorrente faz jus deve sim conter as aquisições junto às pessoas físicas (produtores rurais). Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, sob a sistemática do recurso repetitivo previsto no art. 543C do CPC, de que o condicionamento do incentivo fiscal aos insumos adquiridos de fornecedores sujeitos à tributação pelo PIS e pela Cofins criado via instrução normativa exorbita os limites impostos pela lei ordinária. RECURSO ESPECIAL Nº 993.164 MG (2007/02311873) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13877.000017/200199 Acórdão n.º 3403003.468 S3C4T3 Fl. 14 7 REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. Condicionamento do incentivo fiscal aos insumos adquiridos de fornecedores sujeitos à tributação pelo PIS e pela COFINS. Exorbitância dos limites impostos pela lei ordinária. Súmula Vinculante 10/STF. Observância. Instrução Normativa (ato normativo secundário). Correção monetária. Incidência. Exercício do direito de crédito postergado pelo fisco. Não caracterização de crédito escritural. Taxa SELIC. Aplicação. violação do artigo 535, do CPC inocorrência Relativamente à discussão sobre a inclusão ou não de gastos com combustíveis e lubrificantes, água e energia elétrica, a matéria hoje também já se encontra pacificada pela Súmula n 19 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. A Súmula não aborda a água, porém o mesmo raciocínio deve ser aplicado a ela, vez que não se traduz em bem intermediário e sequer em matéria prima, pois não integra o produto final e sequer se desgasta mediante utilização no processo de fabricação. No mesmo sentido, transcrevo a seguinte ementa de decisão da presente Câmara, em que foi relatora a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel: Ementa Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 21/01/2003 a 31/03/2006, 21/06/2003 a 15/06/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS. Somente as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal. Vapor d’água e água clarificada, empregados no processo de fabricação de polietileno, não se subsumem no conceito de matériaprima, nem no de produto intermediário (PI), pois não se incorporam ao produto em fabricação, nem se desgastam no contato direto com o mesmo. Já o nitrogênio, por entrar em contato direto com o produto em fabricação, pode ser computado na apuração da base de cálculo do crédito presumido. RO Negado e RV Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Acórdão 3403002.194 Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 8 No tocante ao cálculo do crédito presumido do IPI, entendo acertada a posição da Recorrente. a Lei n 9.363/1996 estabelecia a possibilidade do crédito presumido ser tanto apurado pela matriz como por cada um dos estabelecimentos produtores exportadores, in verbis: Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2o No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3o O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Ora, obviamente, que o crédito presumido deve ser determinado pelo estabelecimento produtor exportador, pois é justamente ele quem tem direito a tal benefício, sendo que, nos termos do artigo 2 da Lei n 9.363/1996, tanto poderia ser realizada por cada estabelecimento produtor exportador como centralizada pelo estabelecimento matriz, caso a empresa tenha mais de um estabelecimento produtor exportador. Naturalmente que o valor do crédito presumido não se altera se realizado por cada estabelecimento ou de maneira centralizada, eis que a Lei simplesmente previu provas distintas de se realizar o mesmo cálculo ao livre arbítrio do contribuinte, que realizandoo de forma centralizada pode transferilo para outros estabelecimentos. O artigo 15 da Lei n 9.779/1999 previu que serão efetuados de forma centralizada a apuração do crédito presumido de IPI, suprimindo, portanto, a faculdade anteriormente outorgada ao contribuinte: Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996; III a apuração e o pagamento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servido Público PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; IV a apresentação das declarações de débitos e créditos de tributos e contribuições federais e as declarações de Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13877.000017/200199 Acórdão n.º 3403003.468 S3C4T3 Fl. 15 9 informações, observadas normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Ora, seguindo a linha de raciocínio anterior, penso que não é a forma de cálculo, se centralizada ou por cada um dos estabelecimentos que altera o cálculo do benefício, não tendo sido esse o objetivo do artigo 15 da Lei n 9.779/1999. Isso porque, o contribuinte deve calcular para o crédito presumido, conforme jurisprudência copiosa deste CARF, apenas os produtos por ele industrializados que sejam exportados, sendo que o cálculo percentual deve ser apenas da receita de exportação afetada pelo crédito presumido de IPI, aplicandose o mesmo raciocínio para a receita operacional bruta. E por essa razão que a legislação designa receita operacional bruta, que é a receita bruta afetada pelo crédito presumido de IPI, caso contrário o contribuinte poderia, no cálculo de seu crédito presumido incluir as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem de todos os estabelecimentos, utilizados no processo produtivo, e computar a receita bruta total de todos os estabelecimentos. Não se pode perder de vista que o artigo 1 da Lei n 9.363/1996 expressamente prevê o benefício para a empresa produtora e exportador de mercadorias nacionais, sendo que ao indicar, originalmente, que se tratava de determinação separada ou centralizada, ele denotou que apenas devem ser considerados os elementos exclusivamente afetados pelo crédito presumido de IPI: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Nesse sentido, entendo que o cálculo do crédito presumido deve ser realizada considerandose a receita de exportação e a receita operacional bruta dos estabelecimentos exportadores, ainda que calculada de forma centralizada, não incluindo, portanto, a receita operacional bruta de estabelecimentos não exportadores, conforme calculado pela Fiscalização. Por fim, quanto à taxa SELIC, acertado, em princípio, o posicionamento da DRJ. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial n 1.035.847/RS, relatado pelo então Ministro Luiz Fux, submetido ao rito dos Recursos Repetitivos (Código de Processo Civil, artigo 543C), firmou o entendimento de que é devida a atualização pela SELIC dos créditos objeto de pedido de ressarcimento por resistência ilegítima da Administração, ainda que seja decorrente da simples demora na análise do respectivo processo administrativo, conforme segue: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 10 NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima anecessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." Ante o exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer o crédito presumido sobre as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, bem como a forma de cálculo pleiteada pela Recorrente, de modo que a relação percentual do crédito presumido leve em conta apenas as receitas de exportação e a receita operacional bruta dos estabelecimentos exportadores. Reconheço ainda a aplicação da taxa SELIC em razão da resistência injustificada do Fisco. É como voto. Luiz Rogério Sawaya Batista Relator Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13877.000017/200199 Acórdão n.º 3403003.468 S3C4T3 Fl. 16 11 Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
score : 1.0
