Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
4458205 #
Numero do processo: 10920.003512/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201209

camara_s : Terceira Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10920.003512/2009-46

anomes_publicacao_s : 201301

conteudo_id_s : 5181431

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 2301-000.277

nome_arquivo_s : Decisao_10920003512200946.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : MAURO JOSE SILVA

nome_arquivo_pdf_s : 10920003512200946_5181431.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.

dt_sessao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012

id : 4458205

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:03 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713041217664581632

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1369; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 1.521          1 1.520  S2­C3T1                          SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10920.003512/2009­46  Recurso nº  999.999   Resolução nº  2301­000.277  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  19 de setembro de 2012  Assunto  CONT. PREV.   Recorrente  WOOD WORK DO BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o conselheiro Damião  Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o  recurso. Declaração de voto: Damião  Cordeiro de Moraes.    (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Mauro José Silva ­ Relator.  Participaram,  do  presente  julgamento,  a  Conselheira  Bernadete  de  Oliveira  Barros,  bem  como  os  Conselheiros  Leonardo  Henrique  Pires  Lopes,  Adriano  Gonzáles  Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.       RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 03 51 2/ 20 09 -4 6 Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.003512/2009­46  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301­000.277  S2­C3T1  Fl. 1.522          2 Relatório e Voto:  O presente processo  trata do descumprimento da obrigação acessória de exibir  qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei, ou apresentar  documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação  diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.  Observamos  que  os  fatos  que  ensejaram  o  presente  lançamento  ensejam  a  conexão  do  presente  com  o  processo  que  cuida  da  obrigação  principal  pelos  motivos  que  abaixo serão expostos.  O  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (RICARF) determina que seja feita a distribuição dos processos conexos para a mesma Câmara  (art. 47, caput) e para o mesmo Relator (art. 49, § 7º). Vejamos o teor dos dispositivos:  Art.  47.  Os  processos  serão  distribuídos  aleatoriamente  às  Câmaras  para  sorteio,  juntamente  com  os  processos  conexos  e,  preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração  temática, observando­se a competência e a tramitação prevista no art.  46.  (...)  Art.  49.  Os  processos  recebidos  pelas  Câmaras  serão  sorteados  aos  conselheiros.  (...)  § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de  declaração  opostos  e  os  conexos,  decorrentes  ou  reflexos  serão  distribuídos  ao  mesmo  relator,  independentemente  de  sorteio,  ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não  mais  pertença  ao  colegiado,  que  serão  apreciados  pela  turma  de  origem, com designação de relator ad hoc.  (...)  O desafio para a interpretação de tais dispositivos é estabelecer em que situações  ocorre a conexão entre processos. Para enfrentá­lo, buscamos a disciplina existente no Processo  Civil. No Código Processual temos os arts. 103 a 106 que tratam da matéria:  Art.103.  Reputam­se  conexas  duas  ou  mais  ações,  quando  lhes  for  comum o objeto ou a causa de pedir.  Art.104. Dá­se a continência entre duas ou mais ações sempre que há  identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma,  por ser mais amplo, abrange o das outras.  Art.105.  Havendo  conexão  ou  continência,  o  juiz,  de  ofício  ou  a  requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações  propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente.  Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.003512/2009­46  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301­000.277  S2­C3T1  Fl. 1.523          3 Art.106. Correndo em separado ações conexas perante juízes que têm a  mesma  competência  territorial,  considera­se  prevento  aquele  que  despachou em primeiro lugar.  O art. 103 do CPC, acima transcrito, exige, portanto, que haja objeto comum ou  causa de pedir comum entre duas ou mais ações para que lhes seja reconhecida a conexidade.  Tomando  a  lição  de  Cândido  Rangel  Dinamarco,  assumimos  que  objeto  do  processo consiste no pedido formulado pelo demandante (Cf. DINAMARCO, Cândido Rangel.  Instituições  de  direito  processual  civil.  Vol.  II.  2ª  ed.  revista  e  atualizada.  São  Paulo:  Malheiros, 2002, p. 184).  A  causa  de  pedir,  segundo  o  mesmo  autor,  é  a  descrição  dos  fatos  caracterizadores da crise jurídica lamentada( op. cit., p. 126).  Em  resumo,  portanto,  há  conexão  quando  há  um  pedido  comum  ou  os  fatos  narrados  são  comuns  a  dois  processos.  Ou,  nas  palavras  de  Cândido  Rangel  Dinamarco:  ”ocorre conexidade quando duas ou várias demandas tiverem por objeto o mesmo bem da vida  ou forem fundadas no contexto de fatos”(op. cit., p. 149)  No caso do processo administrativo fiscal, as situações mais comuns de conexão  advirão da identidade de fatos narrados. Em situações nas quais determinados fatos dão ensejo  a  lançamento  para  cobrança  da  obrigação  principal  e  penalidade  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  teremos  nítida  conexão. Outro  exemplo  comum diz  respeito  a  fatos  que  estão capturados na hipótese de  incidência de mais de um tributo. Caso do  IRPJ e da CSLL,  por exemplo.  A  jurisprudência deste Colegiado  já acolheu em diversos  julgados a existência  de conexão em situações similares a essas. Vejamos:  Acórdão  nº  20401549  do  Processo  13364000073200375  Data  27/07/2006  Ementa  PIS.  COMPETÊNCIA  DO  1º  CONSELHO  DE  CONTRIBUINTES. Quando  lastreada,  no  todo  ou  em parte,  em  fatos  cuja  apuração  serviu  para  determinar  a  prática  de  infração  à  legislação  pertinente  à  tributação  de  pessoa  jurídica,  a  competência  para julgamento do recurso do PIS conexo será do Primeiro Conselho  de Contribuintes.  Acórdão  nº  20401655  do  Processo  13603002864200370  Data  22/08/2006  Ementa  NORMAS  PROCESSUAIS.  Havendo  matéria  idêntica  a  ser  decidida  em  processos  conexos  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  Cofins, a  responsabilidade pelo crédito  tributário  sob exação, mesmo  que estes últimos decorram de lançamento isolado, oriundas de mesma  base  fática  e  decorrentes de mesma  verificação  fiscal,  a  competência  para análise e julgamento dos mesmos é de mesmo órgão julgador do  Primeiro Conselho de Contribuintes. Recurso não conhecido.  Acórdão nº 20212088 do Processo 138080049149630 Data 09/05/2000  Ementa  NORMAS  PROCESSUAIS  ­  CONEXÃO  PROCESSUAL  ­  DECORRÊNCIA:  O  exame  da  exigência  principal  e  da  acessória,  quando  processadas  em  autos  distintos,  deve  observar  os  efeitos  da  prevenção  a  fim  de  evitar  decisões  contraditórias  em  processos  nitidamente conexos, cabendo à  exigência acessória o mesmo destino  Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.003512/2009­46  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301­000.277  S2­C3T1  Fl. 1.524          4 da exigência principal,  em  face da  inquestionável  relação de  causa e  efeito que as entrelaça. Recurso provido.  o  Acórdão  nº  20500720  do  Processo  37284007953200410  Data  04/06/2008  Ementa  Assunto:  Contribuições  Sociais  Previdenciárias.  Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/200. Ementa(...)  AUTO DE  INFRAÇÃO CONEXO À NFLD.  Sendo o  descumprimento  de obrigação acessória conexo a matéria tratada em Notificação Fiscal  de Lançamento de Débito, deve seguir a decisão emanada para aquela.  Processo  Anulado  Acórdão  nº  10708449  do  Processo  16327000591200242  Data  22/02/2006  Ementa  MULTA  ISOLADA  ­  Considerada  não  cabível  a  exigência  do  próprio  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica,  formalizada  em  processo  conexo,  incabível  a  aplicação da multa isolada, por  falta de recolhimento do IRPJ, sobre  base  de  cálculo  estimada,  referente  ao  mesmo  período­base  de  apuração. Recurso provido.   Acórdão  nº  10808585  do  Processo  10680000555200435  Data  10/11/2005 Ementa  IRPJ  e CSL  ­ DEDUÇÕES DE OFÍCIO  ­  PIS E  COFINS ­ JUROS DE MORA ­ Deve se admitir a dedução, das bases  tributáveis  do  IRPJ  e  da  CSL,  dos  valores  do  PIS  e  da  COFINS  lançados de ofício, assim como dos juros de mora sobre eles incidentes  até o encerramento do período de apuração dos tributos, de forma a se  adequar  o  lançamento  de  ofício  ao  valor  que  efetivamente  influiu  na  apuração  do  lucro  líquido.  ADESÃO  AO  PAES  ­  Não  logrando  o  contribuinte  correlacionar  os  débitos  informados  no  PAES  com  os  valores  autuados  não  há  como  se  exonerar  os  valores  pleiteados.  LANÇAMENTOS CONEXOS ­ PIS E COFINS ­ Os efeitos do decidido  no  lançamento  principal  do  IRPJ,  se  estendem,  por  decorrência  aos  processos conexos.  Da leitura dos  julgados  acima podemos observar que a  identidade de causa de  pedir, de fatos narrados, não precisa ser completa, podendo ser parcial.  Identificada  as  situações  ensejadoras  da  conexidade,  resta­nos  identificar  as  conseqüências processuais daí advindas .  Ocorrendo a conexão, o CPC determina a distribuição por dependência:  Art.  253.  Distribuir­se­ão  por  dependência  as  causas  de  qualquer  natureza: (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001)  I ­ quando se relacionarem, por conexão ou continência, com outra já  ajuizada; (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001)  (...)  De modo similar, o RICARF, como já ressaltamos, determina a distribuição por  dependência para a Câmara e para o Relator.  Mas  deveria  tal  distribuição  por  dependência  ocorrer  em  todos  os  casos?  Ou  haveria casos nos quais esta seria dispensável?  Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.003512/2009­46  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301­000.277  S2­C3T1  Fl. 1.525          5 A doutrina de Cândido Rangel Dinamarco  (op.  cit.,  p.  151)  aponta  a utilidade  como  critério  suficiente  para  impor  a  reunião  dos  processos.  Tal  utilidade  está  presente  naquelas  situações  nas  quais  as  providências  a  tomar  (reunião  de  processos)  sejam  aptas  a  proporcionar a harmonia de  julgados ou a convicção única do  julgador em relação a duas ou  mais demandas. Ainda que a  identidade dos  fatos  seja parcial,  a utilidade da providência de  reunião  dos  processos  se  justifica.  De  modo  similar  ao  que  acontece  no  processo  civil,  no  processo  administrativo  a  reunião  dos  processos  tem  por  objetivo  evitar  a  contradição  de  julgados e está sujeita à avaliação do julgador de sua utilidade. Ressaltamos que a utilidade não  se  esgota  na  possibilidade  ou  não  de  decisões  contraditórias,  mas  diz  respeito  também  ao  interesse  das  partes.  Assim,  se  nos  autos  não  constam  todos  os  elementos  que  permitem  a  compreensão  da  crise  jurídica  a  ser  sanada,  permitindo  que  seja  prejudicado  o  fisco  na  sua  pretensão de cobrança do crédito tributário ou o contribuinte na sua ampla defesa, há utilidade  na indicação de reunião dos processos. Nesses casos, diante do eminente prejuízo para uma das  partes,  a  reunião  dos  processos  é  obrigatória,  sob  pena  de  nulidade  do  decisum  que  a  desconsiderar.   Situação  diversa  temos  quando  não  há  prejuízo  possível  para  quaisquer  das  partes advindo diretamente do trâmite separado dos processos, mas subsiste a possibilidade de  decisões  contraditórias. Nesses  casos,  a  reunião  dos  processos  para  julgamento  simultâneo  é  providência que tem óbvio apelo para a segurança jurídica, na medida em que assegura que não  haverá decisões contraditórias. A mesma situação contribui para a concretização da eficiência  que  está  consagrada  no  art.  37  como  princípio  da  administração  pública,  pois  evita  que  as  análises sejam totalmente refeitas por relatores distintos. Porém, nessa situação, caso não tenha  ocorrido a reunião dos processos não haveria nulidade processual a ser declarada.  No caso em análise, continuarmos com o julgamento isolado do presente poderá  resultar em prejuízo para a defesa, ou para o fisco, se optássemos pela nulidade ou provimento  por  falta  de  provas  nos  autos,  uma  vez  que,  em  geral,  o  processo  que  cuida  da  obrigação  principal traz a totalidade dos documentos citados pela fiscalização.   Como  cuidamos  de  julgamento  de  penalidade  por  não  apresentação  ou  apresentação  deficiente  de  livros  e  documentos  e  tais  deficiências  relacionam­se  com  a  aventada simulação e interposição de empresa do SIMPLES, a identidade com o contexto dos  fatos que envolvem a obrigação principal é óbvia de modo a restar evidenciada a conexão.  Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  CONHECER  o  RECURSO  VOLUNTÁRIO  e CONVERTER  O  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA  de  modo  que  sejam cumpridos os arts. 47, caput e 49, §7º do RICARF.  (assinado digitalmente)  Mauro José Silva ­ Relator    Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA

score : 1.0
4334505 #
Numero do processo: 10580.725086/2009-01
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Sun Oct 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA. Somente não incide imposto de renda sobre os juros moratórios quando a verba principal (trabalhista) tiver natureza indenizatória. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a multa de ofício de 75%, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que davam provimento parcial ao recurso em maior extensão, para exclusão também da parcela incidente sobre os juros moratórios. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201209

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA. Somente não incide imposto de renda sobre os juros moratórios quando a verba principal (trabalhista) tiver natureza indenizatória. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.

turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Sun Oct 21 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 10580.725086/2009-01

anomes_publicacao_s : 201210

conteudo_id_s : 5173976

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2012

numero_decisao_s : 2801-002.684

nome_arquivo_s : Decisao_10580725086200901.PDF

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : TANIA MARA PASCHOALIN

nome_arquivo_pdf_s : 10580725086200901_5173976.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a multa de ofício de 75%, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que davam provimento parcial ao recurso em maior extensão, para exclusão também da parcela incidente sobre os juros moratórios. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.

dt_sessao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012

id : 4334505

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:27 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713041217691844608

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2213; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 287          1 286  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.725086/2009­01  Recurso nº  912.843   Voluntário  Acórdão nº  2801­002.684  –  1ª Turma Especial   Sessão de  19 de setembro de 2012  Matéria  IRPF  Recorrente  VILMA CECILIA BATISTA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2005, 2006, 2007  NULIDADE. LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA.  Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos  nenhuma  uma  das  hipóteses  previstas  no  art.  59  do Decreto  nº  70.235,  de  1972.  COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL.  A  repartição  da  receita  tributária  pertencente  à  União  com  outros  entes  federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar  e fiscalizar o  Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da  condição de sujeito ativo.  ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12  Constatada  a  omissão  de  rendimentos  sujeitos  à  incidência  do  imposto  de  renda  na  declaração  de  ajuste  anual,  é  legítima  a  constituição  do  crédito  tributário  na  pessoa  física  do  beneficiário,  ainda  que  a  fonte  pagadora  não  tenha procedido à respectiva retenção.  RENDIMENTOS  TRIBUTÁVEIS.  VALORES  INDENIZATÓRIOS  DE  URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO­INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.  As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia  não  têm  natureza  indenizatória  do  abono  variável  previsto  pelas  Leis  nºs  10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de  cálculo do imposto de renda.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  JUROS  MORATÓRIOS.  AÇÃO  TRABALHISTA.  Somente  não  incide  imposto  de  renda  sobre  os  juros  moratórios  quando  a  verba principal (trabalhista) tiver natureza indenizatória.  MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 50 86 /2 00 9- 01 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10580.725086/2009­01  Acórdão n.º 2801­002.684  S2­TE01  Fl. 288          2 Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores  espontaneamente  declarados  pelo  contribuinte  que,  induzido  pelas  informações  prestadas  pela  fonte  pagadora,  incorreu  em  erro  escusável  no  preenchimento da declaração de rendimentos.  Preliminares Rejeitadas.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso  para  excluir  do  lançamento  a  multa  de  ofício  de  75%,  nos  termos  do  voto  da  Relatora.  Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre  e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que  davam  provimento  parcial  ao  recurso  em maior  extensão,  para  exclusão  também  da  parcela  incidente sobre os juros moratórios.    Assinado digitalmente  Antonio de Pádua Athayde Magalhães ­ Presidente     Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin ­ Relatora  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Antonio  de  Pádua  Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos  de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.  Relatório  Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de  Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o  montante de R$ 87.820,85, referente ao exercício de 2005, 2006 e 2007.  A  autuação  decorreu  de  apuração  de  omissão  de  rendimentos  recebidos  do  Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”.  Em  sua  impugnação,  a  contribuinte  apresentou  as  razões  de  defesa  abaixo,  extraídas do acórdão recorrido:  “a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo  impugnante  a  título  de  diferenças  de  URV,  que  não  representaram  qualquer  acréscimo  patrimonial,  mas  sim  o  ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo  da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de  agosto de 2001;  b)  o  referido  erro  ocorreu  no  procedimento  de  conversão  de  cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos  aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento  Fl. 288DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10580.725086/2009­01  Acórdão n.º 2801­002.684  S2­TE01  Fl. 289          3 tinha  o  intuito  de  preservar  o  ganho  mensal,  compensando  as  perdas em face dos altos  índices de inflação, o que evidencia a  feição indenizatória da URV;  c)  o  acordo  para  o  pagamento  das  diferenças  de  URV  se  deu  através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro  de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos  anos de 2004, 2005 e 2006;  d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital,  ou  seja,  recomposição  de  quantias  que  deveriam  integrar  a  remuneração ao  longo  do  tempo passado. Não  correspondeu a  qualquer  permuta  do  trabalho/serviço  por  moeda  que  configurasse  a  natureza  salarial.  Assim,  por  ser  mera  atualização  do  principal,  e  por  não  ter  sido  implementada  em  tempo  certo,  não  deveria  ser  levada  à  tributação,  haja  vista  o  entendimento  doutrinário  e  jurisprudencial,  que  veda  a  tributação da correção monetária;  e)  a  mera  correção  monetária  não  aumenta  ou  acresce  patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas  inflacionárias,  portanto,  não  integra  a  base  de  cálculo  do  imposto de renda;  f)  havia  um  evidente  caráter  compensatório  da URV desde  sua  gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação  por  danos,  tendo  clara  natureza  de  indenização,  e  não  de  salário.  Dessa  maneira,  por  não  caracterizar  aumento  patrimonial,  a  verba  recebida  não  subsume  nos  conceitos  de  renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do  CTN;  g)  o  STF,  através  da  Resolução  nº  245,  de  2002,  deixou  claro  que  o  abono  conferido  aos magistrados  federais  em  razão  das  diferenças  de  URV  tem  natureza  indenizatória,  e  que  por  esse  motivo  está  isento da contribuição previdenciária  e do  imposto  de renda;  h)  apesar  da  citada  resolução  ter  sido  dirigida  à magistratura  federal,  é  impositiva  e  legítima  a  equiparação  do  tema  por  analogia  às  verbas  recebidas  pelos  magistrados  estaduais,  conforme  preceitua  o  art.  108  do  CTN.  Negar  o  caráter  indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional  da  isonomia, não só na  sua concepção geral, mas,  também, no  que  tange  a  tratamento  diferenciado  entre  membros  do  Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também,  o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que  proíbe  o  tratamento  desigual  entre  os  contribuintes  que  se  encontrem em situação equivalente;  i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao  estabelecer no art.  3º  da Lei Estadual Complementar nº 20, de  2003,  a  natureza  indenizatória  da  verba  paga.  Implementou  todos  os  pagamentos  sem  qualquer  retenção  de  IR  e  informou  aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como  indenizatória;  Fl. 289DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10580.725086/2009­01  Acórdão n.º 2801­002.684  S2­TE01  Fl. 290          4 j)  o  sujeito passivo da obrigação de  tributária, na  condição de  responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o  imposto. Desta  forma,  a  discussão  acerca  da  classificação  dos  rendimentos pagos deveria ser  travada entre o fisco federal e a  fonte  pagadora.  Entretanto,  não  se  instaurou  qualquer  procedimento  fiscal contra a  fonte pagadora, mas sim contra o  impugnante,  que  sofreu  os  dissabores  e  ônus  da  ação  fiscal,  inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios;  l) de  forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação  mensal de  retenção  não exauriu  sua  obrigação  e  gerou  para  o  contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o  Estado se beneficia com os acréscimos que  sua  inação causou.  Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra  da capacidade contributiva do signatário;  m) o  impugnante não agiu com intuito de  fraude, simulação ou  conluio,  simplesmente  seguiu  a  informação  prestada  pela  fonte  pagadora,  e  fez  constar  em  suas  declarações  de  rendimentos  relativas  aos  períodos  bases  de  2004  a  2006  as  parcelas  recebidas  como  isentas  de  tributação.  Isto  posto,  mantida  a  exigência fiscal, deve­se observar o princípio da boa­fé, da qual  estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de  ofício e juros de mora;  n)  a  informação  prestada  pela  fonte  pagadora  estava  fundamentada  na  Lei  Estadual  Complementar  nº  20,  de  2003,  que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de  URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante  trata­se  de  informação  lastreada  em  ato  normativo  expedido  por  autoridade  administrativa,  que  se  enquadra  na  hipótese  do  inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo  único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e  os juros de mora;  o)  o  lançamento  fiscal  tributou  isoladamente  os  rendimentos  apontados  como  omitidos,  deixando  de  considerar  os  rendimentos  e  deduções  já  declarados,  conforme  determina  o  art.  837  do  RIR/1999.  Caso  fosse  mantida  a  tributação  das  verbas  recebidas,  caberia  sujeitá­las  ao  ajuste  anual,  o  que  resultaria em um imposto devido menor;  p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que  vigorava  era  de  25%,  e  não  as  alíquotas  de  26,6%  e  27,5%  aplicadas no lançamento fiscal;  q)  parte  dos  valores  recebidos  a  título  de  URV  se  referia  à  correção  incidente  sobre  13º  salários  e  férias  indenizadas  (abono  férias),  que  respectivamente  estão  sujeitas  à  tributação  exclusiva e  isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse  o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais  parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento  fiscal;  r) os  juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV  representam um indenização pelos danos emergentes do não uso  Fl. 290DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10580.725086/2009­01  Acórdão n.º 2801­002.684  S2­TE01  Fl. 291          5 do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da  originária  do  principal  ao  qual  incidiu  acessoriamente,  porque  não  se  constituíram  em  aquisição  de  disponibilidade  de  renda,  produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia;”  A 3ª Turma da DRJ/SDR/BA julgou improcedente a impugnação, conforme  Acórdão de fls. 182/189, que restou assim ementado:  DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF.  As  diferenças  de  remuneração  recebidas  pelos  membros  do  Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art.  2º  da  Lei  Complementar  do  Estado  da  Bahia  nº  20,  de  2003,  estão sujeitas à incidência do imposto de renda.  MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO.  A  aplicação  da multa  de  ofício  no  percentual  de  75%  sobre  o  tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte  Regularmente  cientificada  daquele  Acórdão  em  27/05/2010  (fl.  279),  a  interessada,  representada  por  seu  advogado  (fls.  136),  interpôs  recurso  voluntário  de  fls.  192/278, em 02/06/2010.   Em sua defesa, discorre sobre a a Edição da Lei Estadual Complementar nº  20, de 2003, que reconhece a natureza indenizatória das diferenças recebidas a título de URV.  Sustenta que não  foi  a causadora do erro de classificação dos valores  recebidos. Aduz que a  fonte pagadora também não errou ao considerar  tais diferenças indenizatórias, eis que o STF,  ao pagar idêntica parcela, editou a Resolução 245, que trata tais rendimentos como não sujeitos  ao Imposto de Renda.   Entende que o acórdão recorrido não enfrentou o argumento da ilegitimidade  da União  para  cobrar  Imposto  de Renda  que,  por  determinação  judicial,  pertence  ao Estado  Membro.  Igualmente deixou de apreciar  a alegação de quebra da capacidade  contributiva da  recorrente. Por tais motivos, protesta pela nulidade do acórdão recorrido.   Renova  os  argumentos  quanto  à  natureza  indenizatória  das  diferenças  recebidas  de  URV,  trazendo  entendimentos  doutrinários  para  elucidar  o  raciocínio  adotado.  Protesta  pela  observância  do  disposto  na  Resolução  STF  nº  245,  de  2002,  para  fins  de  apreciação do caso em discussão, sob pena de quebra do princípio da isonomia.   Questiona os  cálculos  efetuados,  reclamando que  foram  desconsideradas  as  deduções cabíveis, ainda que em tese, no cálculo do imposto devido. Pondera que não se pode  invocar o art. 845 do RIR/1999, que trata da perda do benefícioo das deduções, pois declarara  os rendimentos objeto do lançamento conforme informação recebida da fonte pagadora.   Discorda da exigência de multa de ofício e juros de mora.  Posteriormente,  em  25/03/2011,  adicionou,  às  fls.  281/282,  peça  recursal  complementar,  aduzindo  que  pode  ser  beneficiada  pela  redução  da  alíquota  para  os  RRA  recebidos, haja vista que, por meio da Instrução Normativa nº 1.127/2011, publicada no Diário  Oficial  da  União  em  08/02/2011,  a  Receita  Federal  reduziu  a  carga  tributária  sobre  os  rendimentos recebidos acumuladamente.  Fl. 291DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10580.725086/2009­01  Acórdão n.º 2801­002.684  S2­TE01  Fl. 292          6 É o relatório.  Voto             Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto merece ser conhecido.  A recorrente alega que o acórdão recorrido seria nulo por não ter enfrentado  todos os argumentos da impugnação em especial a  ilegitimidade ativa da União e a perda da  capacidade contributiva.  Entretanto,  não  verifico  razão  nas  alegações  trazidas  pela  recorrente,  mormente considerando que a decisão recorrida possui todos os requisitos exigidos em lei para  sua validade em termos formais, ou seja, está em consonância ao que preceitua o artigo 31 do  Decreto 70.235/72, in verbis:  Art.  31.  A  decisão  conterá  relatório  resumido  do  processo,  fundamentos  legais,  conclusão  e  ordem  de  intimação,  devendo  referir­se,  expressamente,  a  todos  os  autos  de  infração  e  notificações  de  lançamento  objeto  do  processo,  bem  como  às  razões  de  defesa  suscitadas  pelo  impugnante  contra  todas  as  exigências.  Ademais,  especificamente  quanto  à  questão  de  analise  de  ilegalidade  de  normas,  não  é  de  competência  dos  órgãos  administrativos  de  julgamento,  haja  vista  a  competência  privativa  do  Poder  Judiciário,  e,  portanto,  fora  do  alcance  da  competência  administrativa, não podendo o contribuinte invocar nulidade por esta razão.  Aliás, no tocante à análise das demais alegações de inconstitucionalidade de  normas que respaldam o procedimento fiscal, importante esclarecer que não pode ser objeto de  verificação  inclusive por parte deste Conselho de Contribuintes, pois é questão pacificada na  Súmula CARF nº 2, a saber:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.   Além disso, não se verifica em qualquer hipótese o cerceamento ao direito de  defesa  da  contribuinte  em  relação  à  decisão  recorrida,  nota­se  que  todos  os  pontos  foram  abordados  e  fundamentados,  permitindo  inclusive  à  contribuinte  a  interposição  do  Recurso  Voluntário,  ora  em  análise,  rebatendo  todas  as  argumentações  trazidas  tanto  no  auto  de  infração, quanto na decisão atacada.  No  que  tange  à  ilegitimidade  da  União  para  atuar  como  pólo  ativo  no  presente procedimento  administrativo  fiscal, uma vez que competiria aos Estados  reclamar o  imposto indevidamente não recolhido, nos termos do que dispõe o art. 157, I, da Constituição  Federal  de  1988,  importa  ressaltar  que  o  objetivo  do  disposto  no mencionado  artigo  é  a  de  promover  a  repartição  da  receita  tributária  pertencente  à União  com  outros  entes  federados,  sem afetar a competência tributária do ente eleito pela Constituição como titular do poder de  tributar  relativo  a  determinado  tributo.  No  caso  do  Imposto  de  Renda,  a  competência  para  Fl. 292DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10580.725086/2009­01  Acórdão n.º 2801­002.684  S2­TE01  Fl. 293          7 instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda é da União, a teor do que estabelece o  art. 153, III., da Constituição Federal.  O  art.  6º,  parágrafo  único,  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN  didaticamente explicita:  "Art. 6° ­ A atribuição constitucional de competência  tributária  compreende  a  competência  legislativa  plena,  ressalvadas  as  limitações  contidas  na Constituição  Federal,  nas  Constituições  dos  Estados  e  nas  Leis  Orgânicas  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios, e observado o disposto nesta Lei.  Parágrafo  único  .  Os  tributos  cuja  receita  seja  distribuída,  no  todo ou em parte, a outras pessoas  jurídicas de direito público  pertencem à competência legislativa daquela a que tenham sido  atribuídos." (grifos acrescidos)  Assim, não implicando a repartição de receitas transferência da condição de  sujeito ativo, rejeita­se a ilegitimidade ativa da União reclamada pela autuada.   Ainda  importa  observar  que  nos  autos  deste  procedimento  administrativo  fiscal não se está discutindo o destino do imposto de renda retido na fonte mas, sim, o fato de a  recorrente  ter  omitido  na  declaração  de  ajuste  anual  os  rendimentos  auferidos  nos  anos­ calendário de 2004, 2005 e 2006.  Neste  caso,  cabe  à  contribuinte,  como  titular  da  disponibilidade  econômica  desses rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação.  Esse entendimento já é posição sumulada neste Conselho:  Constatada  a  omissão  de  rendimentos  sujeitos  à  incidência  do  imposto  de  renda  na  declaração  de  ajuste  anual,  é  legítima  a  constituição  do  crédito  tributário  na  pessoa  física  do  beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à  respectiva retenção.( Súmula CARF nº 12)  Rejeito, portanto, as preliminares suscitadas.  Quanto  ao  mérito,  a  interessada  discute,  essencialmente,  o  caráter  indenizatório dos valores recebidos.  Insta frisar que o imposto em questão incide sempre que houver aquisição de  disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. O termo  “proventos de qualquer natureza” é fórmula ampla da qual lançou mão o legislador para evitar  controvérsias sobre o conceito de renda. Nele se inclui todo o acréscimo do patrimônio contábil  do contribuinte, mensurável monetariamente.  No presente caso, a contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos  e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual, exercícios 2005 a 2007, valores recebidos  do Ministério Público do Estado da Bahia, por entendê­las isentas de imposto de renda à luz do  disposto na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, e por analogia à Resolução nº 245, de  2002, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria deixado claro que o abono conferido aos  magistrados federais em razão das diferenças de URV possui natureza indenizatória.  Fl. 293DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10580.725086/2009­01  Acórdão n.º 2801­002.684  S2­TE01  Fl. 294          8 Ora, de acordo com a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245,  de 2002, o abono, tratado no artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002 e no artigo 6º da Lei nº 9.655,  de 2 de junho de 1998, foi considerado de natureza indenizatória. Entretanto, o referido ato do  STF atribuiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável devido apenas aos Magistrados  do Poder Judiciário Federal, tratado pela Lei nº 9.655, de 1998 e pela Lei nº 10.474, de 2002.   Registre­se ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os  membros do Ministério Público da União passaram a fazer  jus ao abono variável criado pela  Lei nº 9.655, de 1998, nos termos do art. 2º, abaixo transcrito:  Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei  nº  9.655,  de  2  de  junho  de  1998,  é  aplicável  aos  membros  do  Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da  data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a  remuneração  mensal  percebida  pelo  membro  do  Ministério  Público  da  União,  vigente  à  data  daquela  Lei,  e  a  decorrente  desta Lei.  §1o  Serão  abatidos  do  valor  da  diferença  referida  neste  artigo  todos  e  quaisquer  reajustes  remuneratórios  percebidos  ou  incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a  qualquer  título,  por  decisão  administrativa  ou  judicial,  após  a  publicação da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998.  §2o  Os  efeitos  financeiros  decorrentes  deste  artigo  serão  satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas,  a partir do mês de janeiro de 2003.  §3o O valor do abono variável da Lei nº 9.655, de 2 de junho de  1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo.  Destaque­se  que  referido  abono  variável,  nos moldes  da  Lei  nº  10.477,  de  2002, se restringia ao Ministério Público da União.  Todavia, neste caso, a contribuinte não faz parte dos quadros da Magistratura  Federal nem do Ministério Público da União, pertencendo ao Ministério Público do Estado da  Bahia, não podendo tal Resolução do STF ser estendida às verbas pagas ao recorrente, pois isto  resultaria na concessão de isenção sem lei federal especifica.  Saliente­se que,  em momento  algum, houve pronunciamento do STF ou do  Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com  base  na  Lei  Estadual  Complementar  nº  20,  de  2003.  Atribuir  aos  rendimentos  em  exame  a  mesma  natureza  do  abono  variável  destacado  nas  Leis  nºs  10.474  e  10.477,  de  2002,  seria  estender os limites da não incidência tributária sem previsão de lei federal para tal.  Não se pode olvidar que é defeso ao aplicador do direito valer­se da analogia  para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. As exceções fiscais devem constar  expressamente do texto legal, em conformidade com o disposto no art. 111, do CTN.  Assim,  incabível atribuir aos  rendimentos  recebidos pela  recorrente idêntica  natureza  do  abono  variável  pago  aos  Magistrados  Federais  e  aos  membros  do  Ministério  Público da União, não havendo nisso nenhuma ofensa ao Princípio Constitucional da Isonomia  Fl. 294DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10580.725086/2009­01  Acórdão n.º 2801­002.684  S2­TE01  Fl. 295          9 (art. 150, II, da Constituição Federal), posto que não existe lei federal conferindo identidade de  tratamento tributário entre essas verbas.   Quanto  ao  questionamento  dos  cálculos  efetuados,  é  de  se  observar  que  foram utilizadas as alíquotas corretas na apuração do imposto devido pela contribuinte, como  também  foram  excluídas  da  base  de  cálculo  do  tributo  a  parcela  que  incidiu  sobre  férias  indenizadas e 13º salário. Como bem esclareceu a decisão recorrida, o imposto de renda devido  foi  apurado  com  base  nas  tabelas  e  alíquotas  das  épocas  próprias  a  que  se  referiam  os  rendimentos em questão, conforme disposto no Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, em razão das  diferenças terem sido recebidas acumuladamente, sendo que as bases de cálculo declaradas já  se sujeitavam à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como já tinham  sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Nesta situação, o imposto apurado  mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os  rendimentos omitidos coincide com o  imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da  omissão.  Neste  sentido,  considerando  que  já  foi  aplicado  ao  caso  o  regime  de  competência,  é  inócuo  suscitar  a  aplicação  da  Instrução  Normativa  1.127/11,  da  Receita  Federal,  que,  de  certa  forma,  determina  a  apuração  do  valor  do  imposto  de  renda  incidente  sobre os RRA pelo regime de competência, afastando a tributação pelo regime de caixa.  Relativamente aos juros moratórios recebidos pela contribuinte em virtude da  decisão  judicial,  anteriormente  me  posicionava  pela  não  incidência  de  IR  sobre  o  correspondente  valor,  adotando  o  entendimento  do  STJ  no  julgamento  do  Resp  nº  1.227.133/RS  (submetido  à  sistemática  do  art.  543C  do CPC  e  Res.  nº  8,  de  2008STJ,  que  tratam  dos  recursos  repetitivos),  no  sentido  de  que  os  juros  moratórios  recebidos  acumuladamente em decorrência de sentença  judicial  trabalhista não se sujeitam à incidência  do  Imposto  de  Renda,  por  se  tratarem  de  verbas  indenizatórias,  haja  vista  a  ementa  dos  Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS (2010cedo/0230209­8), julgado  em 23 de novembro de 2011:  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  ERRO  MATERIAL  NA  EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO.to  –  Havendo  erro  material  na  ementa  do  acórdão  embargado,  deve­se  acolher  os  declaratórios  nessa  parte,  para  que  aquela  melhor  reflita  o  entendimento  prevalente,  bem  como  o  objeto  específico  do  recurso  especial,  passando  a  ter  a  seguinte  redação :  "RECURSO  ESPECIAL.  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  JUROS  DE  MORA  LEGAIS.  NATUREZA  INDENIZATÓRIA.  VERBAS  TRABALHISTAS.  NÃO  INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA.  – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais  vinculados  a  verbas  trabalhistas  reconhecidas  em  decisão  judicial.  Recurso  especial,  julgado  sob  o  rito  do  art.  543­C  do  CPC,  improvido."  Embargos de declaração acolhidos parcialmente.  Fl. 295DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10580.725086/2009­01  Acórdão n.º 2801­002.684  S2­TE01  Fl. 296          10 No entanto, de acordo com recentes decisões do STJ, cujas ementas seguem  citadas abaixo, restou esclarecido que o precedente em questão somente se aplica à hipótese em  que a verba principal  (trabalhista),  sobre  a qual  incidiram os  juros moratórios,  tiver natureza  indenizatória. Ou  seja,  só não  incidirá  imposto de  renda  sobre os  juros moratórios quando  a  verba principal (trabalhista) tiver natureza indenizatória.  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA.  INCIDÊNCIA.  JUROS  DE MORA.  CARÁTER  REMUNERATÓRIO.  TEMA  JULGADO  PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543­C DO CPC.  1.  Por  ocasião  do  julgamento  do  REsp  1.227.133/RS,  pelo  regime do art. 543­C do CPC (recursos repetitivos), consolidou­ se  o  entendimento  no  sentido  de  que  "não  incide  imposto  de  renda  sobre  os  juros moratórios  legais  em  decorrência  de  sua  natureza  e  função  indenizatória  ampla."  Todavia,  após  o  julgamento  dos  embargos de  declaração da Fazenda Nacional,  esse  entendimento  sofreu  profunda  alteração,  e  passou  a  prevalecer  entendimento  menos  abrangente.  Concluiu­se  neste  julgamento que "os  juros de mora pagos em virtude de decisão  judicial  proferida  em  ação  de  natureza  trabalhista,  devidos  no  contexto  de  rescisão  de  contrato  de  trabalho,  por  se  tratar  de  verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto  de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da  lei".  2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de  despedida  ou  rescisão  contratual  de  trabalho,  assim  como  por  terem  referidas  verbas  (horas  extras)  natureza  remuneratória,  deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora.  Agravo regimental improvido.  (AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012)  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NOS  EMBARGOS  DE  DIVERGÊNCIA  EM  RECURSO  ESPECIAL.  IMPOSTO  DE  RENDA.  JUROS  DE  MORA  DECORRENTES  DO  PAGAMENTO  EM  ATRASO  DE  VERBAS  TRABALHISTAS.  NÃO  INCIDÊNCIA.  MATÉRIA  JÁ  PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL  REPETITIVO 1.227.133/RS.  1.  A  Primeira  Seção,  por  ocasião  do  julgamento  do  REsp  1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação  no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros  de  mora  decorrentes  do  pagamento  a  destempo  de  verbas  trabalhistas de natureza  indenizatória, oriundas de condenação  judicial.  2. Agravo regimental não provido.”  (AgRg nos EREsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012)  No  tocante  à  multa  de  ofício,  consoante  vem  sendo  decidido  por  este  Colegiado  (confiram­se  os  julgados  2801­01.675,  2801­01.676  e  2801­01.677,  todos  de  27/07/2011,  relatados  pelo Conselheiro Antonio  de  Pádua Athayde Magalhães  é  incabível  a  Fl. 296DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10580.725086/2009­01  Acórdão n.º 2801­002.684  S2­TE01  Fl. 297          11 exigência  de  tal  penalidade  quando  a  contribuinte  demonstra  ter  sido  induzida  pelas  informações prestadas pela fonte pagadora quanto à não tributação dos rendimentos recebidos,  incorrendo, deste modo, em erro escusável.  Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito,  dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício de 75%.    Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin                                 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES

score : 1.0
4289930 #
Numero do processo: 10640.005370/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 SALÁRIO INDIRETO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91 e § 9º do art. 214, do Regulamento da Previdência Social. SEGURO DE VIDA O prêmio de seguro de vida em grupo estará excluído do salário de contribuição e, conseqüentemente, da incidência das contribuições previdenciárias, desde que haja a sua previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho e a extensão à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Adriano Gonzales Silvério divergiram, pois entenderam que a parcela relativa a seguro de vida não integra o salário-de-contribuição. Marco Andre Ramos Vieira - Presidente. Liege Lacroix Thomasi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201208

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 SALÁRIO INDIRETO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91 e § 9º do art. 214, do Regulamento da Previdência Social. SEGURO DE VIDA O prêmio de seguro de vida em grupo estará excluído do salário de contribuição e, conseqüentemente, da incidência das contribuições previdenciárias, desde que haja a sua previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho e a extensão à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Recurso Voluntário Negado

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 10640.005370/2008-17

anomes_publicacao_s : 201209

conteudo_id_s : 5167529

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012

numero_decisao_s : 2302-002.026

nome_arquivo_s : Decisao_10640005370200817.PDF

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : LIEGE LACROIX THOMASI

nome_arquivo_pdf_s : 10640005370200817_5167529.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Adriano Gonzales Silvério divergiram, pois entenderam que a parcela relativa a seguro de vida não integra o salário-de-contribuição. Marco Andre Ramos Vieira - Presidente. Liege Lacroix Thomasi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato

dt_sessao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012

id : 4289930

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:07 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713041217745321984

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2079; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 265          1 264  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10640.005370/2008­17  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2302­002.026  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de agosto de 2012  Matéria  Salário Indireto Seguro de Vida  Recorrente  BECTON DICKINSON INDÚSTRIAS CIRÚRGICAS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006  SALÁRIO  INDIRETO.  Incidem  contribuições  previdenciárias  sobre  a  remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não  incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91 e § 9º do art. 214, do  Regulamento da Previdência Social.  SEGURO DE VIDA  O  prêmio  de  seguro  de  vida  em  grupo  estará  excluído  do  salário  de  contribuição  e,  conseqüentemente,  da  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  desde  que  haja  a  sua  previsão  em  acordo  ou  convenção  coletiva de trabalho e a extensão à totalidade dos empregados e dirigentes da  empresa.  É  OBRIGATÓRIO  O  RECOLHIMENTO  DA  CONTRIBUIÇÃO  DO  SEGURADO.  As  empresas  são  obrigadas  a  arrecadar  e  recolher  as  contribuições  dos  segurados  empregados  a  seu  serviço,  descontando­as  da  respectiva  remuneração.  PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL.  A  prova  documental  deve  ser  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito de o impugnante fazê­lo em outro momento processual.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  da  relatora. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 53 70 /2 00 8- 17 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     2 Júnior e Adriano Gonzales Silvério divergiram, pois entenderam que a parcela relativa a seguro  de vida não integra o salário­de­contribuição.  Marco Andre Ramos Vieira ­ Presidente.     Liege Lacroix Thomasi ­ Relatora.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:Marco Andre Ramos  Vieira  (Presidente),  Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Adriano  Gonzales  Silverio,  Arlindo  da  Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato   Fl. 330DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005370/2008­17  Acórdão n.º 2302­002.026  S2­C3T2  Fl. 266          3   Relatório  O  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  foi  lavrado  e  cientificado  ao  sujeito passivo em 08/12/2008,  referindo­se às contribuições previdenciárias  relativas a parte  dos segurados, conquanto não descontadas, incidentes sobre valores pagos a título de seguro de  vida,  em  desconformidade  com  a  norma  legal,  no  período  compreendido  entre  01/2003  a  11/2006.  O relatório fiscal de fls.17/22, traz que os fatos geradores foram apurados na  contabilidade  da  empresa,  onde  são  lançados,  de  forma global,  valores  a  título  de  seguro  de  vida em grupo, beneficiando os empregados do estabelecimento matriz. O levantamento ateve­ se  á  parte  custeada  pela  empresa  e  não  há  previsão  do  benefício  no Acordo  ou  Convenção  Coletiva de Trabalho.   Após  a  impugnação, Acórdão  de  fls.220/225,  julgou  a  autuação  procedente  em parte  para  excluir  as multas  nas  competências  em que  era mais  gravosa  ao  contribuinte,  considerando  a  sistemática  trazida  pela  MP  449/2008,  e  considerando  as  autuações  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias  e  principais.,  conforme  planilha  constante  da  decisão.  Ainda  inconformado,  o  contribuinte  apresentou  recurso  onde  alega  em  síntese:  a)  a  decadência  qüinqüenal  para  as  competências  até  12/2003, em vista do artigo 150,§4º do CTN;  b)  que a verba paga a título de seguro de vida não integra o  salário de contribuição;  c)  que todas as normas coletivas aplicáveis aos seus demais  estabelecimentos  prevêem  a  concessão  do  seguro  de  vida,  tanto que o lançamento ateve­se à unidade de Juiz  de Fora;  d)  que  as  convenções  obrigam a  concessão  do  benefício  a  todos os empregados;  e)  a  convenção  coletiva  estabelece  que  os  benefícios  não  possuem natureza salarial;  f)  que  o  decreto  3048/99  é  ilegal  ao  exigir  a  previsão  da  verba em convenção coletiva;  g)  que  a  verba  não  retribui  o  trabalho  e  os  beneficiários  participam de seu custeio;  h)  que  a  representação  fiscal  para  fins  penais  só  pode  ser  expedida após o término do processo administrativo.  Fl. 331DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     4 Requer  o  reconhecimento  da  decadência  e  no  mérito,  a  insubsistência  da  autuação, protestando pelo direito da posterior juntada de documentos adicionais  É o relatório.  Fl. 332DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005370/2008­17  Acórdão n.º 2302­002.026  S2­C3T2  Fl. 267          5   Voto             Conselheira Liege Lacroix Thomasi, relatora  Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do  recurso e passo ao seu exame.  Da Preliminar  Quanto à decadência qüinqüenal argüida pela recorrente é de se asseverar que  de fato, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal  Federal ­ STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212,  de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, cujos efeitos são previstos no artigo 103­A da  Constituição  Federal,  regulamentado  pela  Lei  n°  11.417,  de  19/12/2006  e  obrigam  todos  os  órgãos judiciais e administrativos:   Súmula Vinculante n° 08:  “São  inconstitucionais  os  parágrafo  único  do  artigo  5º  do  Decreto­lei  1569/77  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  que  tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.  Entretanto,  o  crédito  lançado  nesta  notificação  não  se  encontra  abrangido  pelo  período  decadencial,  eis  que  compreende  competências  de  01/2003  a  12/2006  e  foi  lavrado em 08/12/2008, com ciência pelo sujeito passivo na mesma data.  Para elucidar,  informo à recorrente que as contribuições previdenciárias  são  tributos lançados por homologação e devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o  do Código Tributário Nacional. Havendo,  o  pagamento  antecipado,  observar­se­á  a  regra  de  extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento,  caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art.  173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no  art. 156, inciso V do CTN. No caso de dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto  no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso  I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado.  No  presente  processo,  não  há  recolhimentos  parciais  relativos  ao  crédito  lançado referente a pagamentos a título de Participação nos Lucros e Resultados, assim, aplica­ se o artigo 173, I do CTN, não havendo que se falar em período decadente:  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Fl. 333DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     6 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.  O  pedido  de  juntada  de  documentos  após  a  impugnação  não  deve  ser  acolhido,  uma  vez  que  a  Portaria  RFB  n.º10.875/2007,  no  art.  7º,  inciso  III  e  §  1º,  acompanhando os preceitos do  art.  16,  inciso  III,  e § 4º,  do Decreto nº 70.235/72,  limitou o  momento  para  a  apresentação  de  provas,  dispondo  que  a  prova  documental  deve  ser  apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual.  Portaria RFB n.º 10.875/2007:  Art. 7º A impugnação mencionará:  (...)  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir;  (...)  §  1º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:  I  ­  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;  II ­ refira­se a fato ou a direito superveniente;   III  ­  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.  §  2º  A  juntada  de  documentos  após  a  impugnação  deverá  ser  requerida  à  autoridade  julgadora,  mediante  petição  em  que  se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições previstas nos incisos do § 1º.  Decreto nº 70.235/72  Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)   III  ­  os motivos de  fato  e de direito  em que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  (...)  §  4º.  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;  Fl. 334DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005370/2008­17  Acórdão n.º 2302­002.026  S2­C3T2  Fl. 268          7 b) refira­se a fato ou a direito superveniente;  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.”  A  preclusão  temporal  para  a  apresentação  de  provas,  no  entanto,  foi  ressalvada  nas  situações  previstas  nas  alíneas  do  §  1º  do  art.  7º  da  Portaria  RFB  acima  transcritas.   Ressalte­se  que,  de  acordo  com  o  §  2º  do  mesmo  art.  7º,  a  juntada  de  documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, demonstrando­se  a ocorrência de uma das hipóteses do § 1º do mesmo artigo.No caso em análise, o impugnante  não demonstrou, em sua peça de defesa, a ocorrência de nenhuma dessas situações, razão pela  qual indefiro o pedido de juntada de documentos.  Do Mérito  O levantamento refere­se às contribuições previdenciárias relativas à cota do  segurado  empregado,  incidente  sobre  as  parcelas  relativas  a  seguro  de  vida  em  grupo,  consideradas como salário indireto, porque a recorrente não comprovou que o benefício consta  de acordo ou convenção coletiva de trabalho, para se subsumir à condição expressa no inciso  XXV,  do  parágrafo  9º  do  artigo  214,  do Regulamento  da Previdência Social,  aprovado pelo  Decreto n.º 3.048/99.  A matéria  de  ordem  tributária  é  de  interesse  público  e por  isso  é  a  lei  que  determina  as  hipóteses  em  que  valores  pagos  aos  empregados  não  integram  o  salário  de  contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições sociais.   Nessa  linha,  da  análise  dos  autos,  verifica­se  que  os  valores  pagos  pela  empresa  aos  segurados  não  se  enquadram  nas  hipóteses  previstas  em  Lei  como  isentas  de  contribuições sociais.   O  artigo  28  da  Lei  n.º  8.212/91,  conceitua  salário  de  contribuição  para  o  segurado  empregado  como  sendo  a  totalidade  dos  rendimentos  destinados  a  retribuir  o  trabalho, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades:  "Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...)  Todavia,  certas  parcelas  não  são  base  de  incidência  contributiva  previdenciária, tanto por possuir natureza indenizatória quanto assistencial e estão elencadas no  artigo 28, §9º da citada Lei n.º 8.212/91:  Fl. 335DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     8 Art. 28 (...)  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)  a)  os  benefícios  da  previdência  social,  nos  termos  e  limites  legais, salvo o  salário­maternidade;  (Redação dada pela Lei nº  9.528, de 10/12/97)  b)  as  ajudas  de  custo  e  o  adicional  mensal  recebidos  pelo  aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973;  c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de  1976;  d)  as  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  respectivo  adicional  constitucional,  inclusive  o  valor  correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o  art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho­CLT; (Redação  dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  e)  as  importâncias:  (Alínea  alterada  e  itens  de  1  a  5  acrescentados  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97,  e  de  6  a  9  acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98)  1.  previstas  no  inciso  I  do  art.  10  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais Transitórias;  2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de  outubro  de  1988,  do  empregado  não  optante  pelo  Fundo  de  Garantia do Tempo de Serviço­FGTS;  3.  recebidas a  título da  indenização de que  trata o art.  479 da  CLT;  4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei  nº 5.889, de 8 de junho de 1973;  5. recebidas a título de incentivo à demissão;  6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e  144 da CLT;  7.  recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente desvinculados do salário;     8. recebidas a título de licença­prêmio indenizada;   9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei  nº 7.238, de 29 de outubro de 1984;   f)  a  parcela  recebida  a  título  de  vale­transporte,  na  forma  da  legislação própria;  g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente  em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado,  na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528,  de 10/12/97)  Fl. 336DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005370/2008­17  Acórdão n.º 2302­002.026  S2­C3T2  Fl. 269          9 h)  as  diárias  para  viagens,  desde  que  não  excedam  a  50%  (cinqüenta por cento) da remuneração mensal;  i)  a  importância  recebida a  título de bolsa de complementação  educacional  de  estagiário,  quando  paga  nos  termos  da  Lei  nº  6.494, de 7 de dezembro de 1977;  j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;  l)  o  abono  do  Programa  de  Integração  Social­PIS  e  do  Programa  de  Assistência  ao  Servidor  Público­PASEP;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  m)  os  valores  correspondentes  a  transporte,  alimentação  e  habitação  fornecidos  pela  empresa  ao  empregado  contratado  para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em  canteiro  de  obras  ou  local  que,  por  força  da  atividade,  exija  deslocamento  e  estada,  observadas  as  normas  de  proteção  estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada  pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  n)  a  importância  paga  ao  empregado  a  título  de  complementação  ao  valor  do  auxílio­doença,  desde  que  este  direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;  (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  o)  as  parcelas  destinadas  à  assistência  ao  trabalhador  da  agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870,  de  1º  de  dezembro  de  1965;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528, de 10/12/97)  p)  o  valor  das  contribuições  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica  relativo  a  programa  de  previdência  complementar,  aberto  ou  fechado,  desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º  e  468  da  CLT;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)  q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela  Lei nº 9.528, de 10/12/97)  r)  o  valor  correspondente  a  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  ao  empregado  e  utilizados  no  local  do  trabalho  para  prestação  dos  respectivos  serviços;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  s)  o  ressarcimento  de  despesas  pelo  uso  de  veículo  do  empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite máximo  de  seis  anos  Fl. 337DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     10 de  idade,  quando  devidamente  comprovadas  as  despesas  realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  t)  o  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos  os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98)  u)  a  importância  recebida  a  título  de  bolsa  de  aprendizagem  garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo  com  o  disposto  no  art.  64  da  Lei  nº  8.069,  de  13  de  julho  de  1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  v)  os  valores  recebidos  em  decorrência  da  cessão  de  direitos  autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  Com relação ao prêmio de seguro de vida em grupo, a previsão para exclusão  da base de cálculo surgiu com a publicação do Decreto n ° 3.265, publicado no DOU em 30 de  novembro de 1999, que acrescentou o inciso XXV ao § 9º do art. 214 do RPS, aprovado pelo  Decreto n ° 3.048/1999:   Art. 214 (...)  XXV ­ o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa  jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que  prevista  em  acordo  ou  convenção  coletiva  de  trabalho  e  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados  e  dirigentes,  observados,  no  que  couber,  os  arts.  9º  e  468  da Consolidação  das Leis do Trabalho.    Desta forma, após a publicação do referido Decreto n.º 3265/99, o prêmio de  seguro  de  vida  em  grupo  estará  excluído  do  salário  de  contribuição  e  consequentemente  da  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  desde  que  haja  a  sua  previsão  em  acordo  ou  convenção  coletiva  de  trabalho  e  a  extensão  à  totalidade  dos  empregados  e  dirigentes  da  empresa..  Sendo  a  isenção  é  uma  das  modalidades  de  exclusão  do  crédito  tributário  deve  ser  interpretada  literalmente  a  legislação  que  disponha  sobre  esse  benefício  fiscal,  conforme prevê o Código Tributário Nacional em seu artigo 111, I,:  Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha sobre:  I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;  É  certo  que,  onde  o  legislador  não  dispôs  de  forma  expressa,  não  pode  o  aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de se infringir os princípios da reserva legal  e  da  isonomia.  Assim,  as  condições  impostas  pelo  legislador  para  excluir  da  incidência  de  contribuições previdenciárias a parcela referente ao seguro de vida devem ser obedecidas para  que a verba se beneficie do caráter isencional previsto na norma, o que não ocorreu no caso em  tela.  Fl. 338DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005370/2008­17  Acórdão n.º 2302­002.026  S2­C3T2  Fl. 270          11 Ao  não  apresentar  comprovação  de  que  a  rubrica  em  questão  consta  de  Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho, referente à base territorial do estabelecimento em  que  está  sendo  paga  a  verba  concedida  aos  seus  empregados,  a  recorrente  descumpriu  o  requisito legal que a dispensava da incidência contributiva previdenciária. Ainda, assevero que  constam dos autos às fls. 114/150, os Acordos Coletivos celebrados para o estabelecimento em  foco, onde não está expressa a concessão do benefício.  A  própria  recorrente  admite  que  para  seu  estabelecimento  de  CNPJ  final  0001­06,  situado  em Juiz de Fora/MG, o  acordo coletivo não  traz  a  concessão de  seguro de  vida,  mas  argúi  que  os  acordos  celebrados  nos  demais  estabelecimentos  com  os  seus  respectivos sindicatos devem servir para amparar também os valores aqui levantados. Contudo,  entendo que não é possível abstrair a territorialidade do sindicato. Não é possível utilizar regras  e parâmetros impostos a trabalhadores abrigados por uma entidade sindical para outros filiados  a entidade diversa, uma vez que cada entidade possui autonomia, piso salarial próprio e regras  trabalhistas com relação aos empregados que lhes são assistidos.  Portanto, a verba paga a título de seguro de vida em grupo em desacordo com  a  legislação,  possui  natureza  remuneratória  estando  no  campo  de  incidência  do  conceito  de  remuneração, já não houve subsunção do fato à norma de exclusão da base de cálculo, estando  correto o lançamento efetuado.   Quanto à representação fiscal para fins penais, o auditor fiscal, em virtude de  exercer  atividade  vinculada,  sem  poder  discricionário,  deve  formalizar  tal  documento,  na  mesma data da lavratura do auto de infração, quando no curso da ação fiscal apurar fatos que,  em tese, constituem crime de sonegação previdenciária, conforme artigo 337 A, incisos  I,II e  III  do Código Penal  aprovado pelo Decreto­Lei  n.º  2.848,  de 07/12/1940,  com  as  alterações  introduzidas pela Lei n.º 9.983, de 14/07/2000.  A disposição para o encaminhamento ao Ministério Público da representação  fiscal para fins penais está disciplinada pelo artigo 83, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de  1996:  Art.  83.  A  representação  fiscal  para  fins  penais  relativa  aos  crimes  contra  a ordem  tributária  previstos  nos  arts.  1º  e  2º  da  Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a  Previdência  Social,  previstos  nos  arts.  168­A  e  337­A  do  Decreto­Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal),  será  encaminhada ao Ministério Público  depois  de  proferida  a  decisão  final, na esfera administrativa,  sobre a exigência  fiscal  do crédito tributário correspondente. (Redação dada pela Lei nº  12.350, de 20 de dezembro de 2010)  Por derradeiro, no que se refere à aplicação da multa, a decisão de primeira  instância  entendeu  que  deveriam  ser  consideradas  as  obrigações  principal  e  acessória  para  o  cálculo  da  mesma,  conforme  interpretou  do  contido  na  MP  449/2008  e  excluiu  do  levantamento  as  multas  para  as  competências  que  se  mostraram  mais  gravosas  nesta  sistemática.  Entretanto,  entendo  que  à  luz  da  legislação  vigente,  as  multas  devem  ser  aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de  obrigação  acessória,  da  forma  mais  benéfica  ao  contribuinte,  de  acordo  com  o  disposto  no  artigo 106, do Código Tributário Nacional.   Fl. 339DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     12 Embora,  em  algumas  vezes,  a  obrigação  acessória  descumprida  esteja  diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de  multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser  lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação  acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada.  O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre  a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata.  Portanto,  está  claro  que  as  três  condutas  não  precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  (...)  Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal,  não  será  aplicada  a multa de 75% prevista no  art.  44 da Lei n  º  9.430;  porém,  se  apesar do  pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32­A  da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas.   Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da  Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os  débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento.   A multa  do  art.  44  da Lei  n  º  9.430  somente  se aplica  nos  lançamentos  de  ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da  Lei  9.430  não  é  aplicado  pelo  motivo  de  o  contribuinte  não  ter  recolhido,  mas  ter  declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois  o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o  contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por  não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplica­se a multa de 75%; e por  não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32­A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito,  a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto  no inciso I do art. 32 A.  Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar  o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44  da  Lei  nº  9.430/96.  A  lei  ao  tipificar  essas  infrações,  inclusive  em  dispositivos  distintos,  demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se  confundem e tampouco são excludentes.   No caso em tela, à época do fatos geradores, pelo não recolhimento em época  própria  do  tributo  devido,  a  legislação  previdenciária  previa  a  aplicação  de  multa  moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99.  A MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, excluiu  do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91,  conferindo­lhe  outras  condições,  eis  que  se  tratando  de  recolhimento  espontâneo  pelo  contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada  Fl. 340DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005370/2008­17  Acórdão n.º 2302­002.026  S2­C3T2  Fl. 271          13 será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia  subsequente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para  o  pagamento  do  tributo  ou  da  contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento:  Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo  35  da  Lei  n.º  8.212/91,  na  redação  vigente  à  época  da  ocorrência  dos  fatos  geradores  e  do  lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o  processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez  em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A  da  Lei  n.º  8.212/91,  o  valor  da  multa  seria  mais  oneroso  ao  contribuinte,  pois  deveria  ser  aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente.  Pelo exposto,   Voto por negar provimento ao recurso    Liege Lacroix Thomasi ­ Relatora                                  Fl. 341DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA

score : 1.0
4414206 #
Numero do processo: 19311.000135/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO Não se conhece de matéria veiculada em recurso voluntário que não foi objeto de lançamento e, portanto, de litígio processual. NÃO ENTREGA DE GFIP. INFRAÇÃO. DOLO. A constituição da infração de não entregar a GFIP independe da vontade do sujeito passivo. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em princípio, houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual deve incidir na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente AI calculada nos termos do artigo 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2301-002.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) na parte conhecida do recurso, em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201208

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO Não se conhece de matéria veiculada em recurso voluntário que não foi objeto de lançamento e, portanto, de litígio processual. NÃO ENTREGA DE GFIP. INFRAÇÃO. DOLO. A constituição da infração de não entregar a GFIP independe da vontade do sujeito passivo. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em princípio, houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual deve incidir na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente AI calculada nos termos do artigo 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 19311.000135/2010-70

anomes_publicacao_s : 201212

conteudo_id_s : 5177244

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012

numero_decisao_s : 2301-002.997

nome_arquivo_s : Decisao_19311000135201070.PDF

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : ADRIANO GONZALES SILVERIO

nome_arquivo_pdf_s : 19311000135201070_5177244.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) na parte conhecida do recurso, em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes

dt_sessao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012

id : 4414206

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:23 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713041217756856320

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2473; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 2          1 1  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19311.000135/2010­70  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  2301­002.997  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de agosto de 2012  Matéria  GFIP ­ Multa   Recorrente  CONSÓRCIO INTERMUNICIPAL PARA CONSERVAÇÃO E  MANUTENÇÃO DAS VIAS PÚBLICAS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008  RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO  Não  se  conhece  de  matéria  veiculada  em  recurso  voluntário  que  não  foi  objeto de lançamento e, portanto, de litígio processual.  NÃO ENTREGA DE GFIP. INFRAÇÃO. DOLO.  A constituição da infração de não entregar a GFIP independe da vontade do  sujeito passivo.  MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.  Em princípio, houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo  qual deve  incidir na espécie a  retroatividade benigna prevista na alínea “c”,  do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código  Tributário Nacional,  devendo  ser  a multa  lançada  no  presente AI  calculada  nos termos do artigo 32­A, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941,  de  27  de  maio  de  2009,  se  mais  benéfica ao contribuinte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  I)  Por  maioria  de  votos:  a)  na  parte  conhecida do recurso, em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo  da multa o art. 32­A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do  voto  do(a)  Relator(a).  Vencidos  os  Conselheiros  Bernadete  de  Oliveira  Barros  e  Marcelo  Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a  multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art.  35­A da Lei 8.212/1991, deduzindo­se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se  utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente;  II) Por unanimidade de votos: a) em     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 01 35 /2 01 0- 70 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO   2 conhecer parcialmente do recurso, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento às  demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator.     Marcelo Oliveira ­ Presidente.     Adriano Gonzales Silvério ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira  (Presidente), Adriano Gonzales  Silvério, Bernadete  de Oliveira  Barros, Damião Cordeiro  de  Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes    Relatório  Trata­se de Auto de Infração nº 37.170.430­8, o qual exige multa do sujeito  passivo por ter deixado de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo  de  Serviço  e  Informação  a  Previdência  Social  –  GFIP,  os  valores  pagos  a  título  de  contraprestação  de  serviços  prestados  pelos  terceirizados­cooperados,  relativo  aos  períodos  11/2007 a 12/2007, 01/2008 a 03/2008 e 09/2008.  Nesse sentido, descreve o Relatório Fiscal (fls. 61 a 63) que: “2­Face abertura  de  fiscalização  na  empresa  em  questão,  conforme MPF  ­  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  acima  mencionado,  para  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  relativas  às  Contribuições  Sociais  administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil,  conforme determina o artigo 2º,  da Lei  11.457/2007  e  aquelas  relativas  a  Terceiros,  conforme  determina  o  artigo  3º  dessa  mesma  lei,  nas  competências 01/2007 a 12/2008, especifica no que se referem a contribuição previdências incidentes  sobre remuneração dos empregados e serviços terceirizados­cooperativas. Foram solicitados por meio  dos Termo de Início de Procedimento Fiscal ­ TIPF, de 19/10/2009, Termo de Intimação Fiscal n° 01,  de 09/11/2009, Termo de Intimação Fiscal n° 02, de 24/02/2010, Termo de Intimação Fiscal n° 03, de  01/03/2010, Termo de Intimação Fiscal n° 04, de 04/03/2010 e Termo de Reintimação Fiscal n° 01, de  09/03/2010.  a  documentação  necessária  para  esse  procedimento,  tais  como  Folhas  de  Pagamento,  GFIP­Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência  Social, Contratos com Cooperativas e Relatório de Empenhos, Relação Anual de Informações Sociais­ RAIS, ano­base 2007 e 2008, comprovantes de Adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador­ PAT,  Relação  de  Funcionários  que  Receberam  Cesta  Básica  e  correspondentes  valores  por  competência, Esclarecimentos ou Apresentação de GFIP Retificadoras das Divergências constatadas.”  Relata ainda que: “3­Apesar de regularmente intimado o Consórcio "Pro Estrada"  deixou  de  informar  por  intermédio  de  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  tempo  de  Serviço  e  Informações  à Previdência Social­GFIP,  os  dados  cadastrais,  todos os  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  e  outras  informações  de  interesse  da Receita Federal  do Brasil. Estes  fatos  foram observados nas  competências  de  novembro  de  2007 à março  de  2008  e  na  competência  outubro de 2008.”   Diante dessa autuação, o sujeito passivo, regularmente intimado, apresentou  impugnação  alegando  em  síntese:  i)  a  impossibilidade  da  incidência  das  contribuições  previdenciárias  sobre  os  valores  pagos  aos  seus  empregados  a  título  de  cesta  básica;  e  ii)  a  Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 19311.000135/2010­70  Acórdão n.º 2301­002.997  S2­C3T1  Fl. 3          3 ausência de dolo na  falta da declaração do  fato gerador da  contribuição  em comento,  por  se  tratar de simples erro, não passível de multa.    A  8ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  em  Campinas  julgou  a  impugnação  improcedente, mantendo, assim, o crédito tributário.  Inconformado  com  a  decisão,  o  Recorrente  apresentou  recurso  voluntário,  alegando que não deve incidir contribuição previdenciária sobre a cesta básica e que não teria  agido com dolo.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Adriano Gonzales Silvério  O recurso há de ser conhecido em parte. Explico.  Da análise do Auto de Infração nº 37.170.430­8, constata­se claramente que a  sua lavratura se deu em razão do sujeito passivo ter efetuado a entrega da GFIP, com dados não  correspondentes  a  todos  os  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias,  infringindo,  assim, a regra contida no artigo 32, inciso IV, §9ª, da Lei nº 8.212/1991.  De acordo com o  relatório  fiscal, a referida multa  foi aplicada com base na  constatação  da  prática  de  omissão  na  GFIP,  em  relação  aos  valores  pagos  decorrentes  da  contraprestação de serviços prestados por cooperativas durante o período 11/2007 a 12/2007,  01/2008 a 03/2008 e 09/2008.  Insurgindo­se  contra  a  lavratura  do  referido  auto  de  infração,  o  Recorrente  apresentou  impugnação,  alegando,  basicamente,  a  impossibilidade  da  incidência  das  contribuições  previdenciárias  sobre  os  valores  pagos  aos  seus  empregados  a  título  de  cesta  básica, sem, contudo, rebater os principais fundamentos de fato e direito que consubstanciaram  a atuação.  Com  efeito,  cotejando  o  objeto  do Auto  de  Infração  e  a matéria  de  defesa  articulada  na  impugnação  e,  posteriormente,  reprisada  em  sede  de  recurso  voluntário,  é  possível perceber que há descompasso entre a acusação do fisco e defesa apresentada.   Este fato, inclusive, foi o principal motivo que levou a Delegacia da Receita  Federal  de  julgamento  em  Campinas  a  julgar  improcedente  a  impugnação  do  Recorrente,  conforme se depreende dos trechos extraídos da r. decisão ora recorrida, confira:  “Ao examinar a tabela de aplicação da multa, à fl.63, verifica­se que sua apuração  foi feita em função do número de segurados da empresa, conforme se visualiza no  quadro demonstrativo, o qual indica a aplicação da multa em V2 de 1.410,79 (R$  705,40).  O  valor  mínimo  de  R$  1.410,79  é  valor  devidamente  atualizado  pela  Portaria  Interministerial  n°  350,  de  30/12/2009,  publicado  no  Diário  Oficial  da  União  ­ DOU, de 31/12/2009. Essa quantia  é acrescida do percentual de 5% por  mês calendário ou fração de atraso, a partir do mês subseqüente àquele em que o  documento deveria ter sido entregue, resultando no valor total de do R$ 9.240,68.  Fl. 137DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO   4 Por  outro  lado,  a  impugnante  em momento  algum  contesta  os  cálculos  efetuados  pela  autoridade  autuante,  limitando­se  a  discutir  se  o  benefício  da  cesta  básica,  previsto  na  convenção  coletiva  de  trabalho  deveria  ser  informado  na GFIP,  pois  entende que tal benefício não integra o salário de contribuição, e cita entendimento  jurisprudencial para corroborar sua tese, acrescentando que a empresa autuada em  nenhum  momento  apresentou  a  intenção  de  forjar  ou  omitir  dados  referentes  às  contribuições previdenciárias, já que agiu de boa­fé.”  Embora a DRJ tenha esclarecido que o objeto central do auto de infração está  relaciona com a prática de omissão na prestação de informações na GFIP, especificamente em  relação valores pagos a cooperativa de trabalho pela contraprestação de serviços prestados, não  foram, em sede recursal, apresentados fundamentos jurídicos aptos a rebater o lançamento.  Ao contrário disso, recorre o sujeito passivo sustentando a impossibilidade da  incidência  das  contribuições  previdenciárias  sobre  os  valores  pagos  aos  seus  empregados  a  título de cesta básica, o que não é o caso dos autos.  Assim,  não  conheço  do  recurso  na  questão  relativa  à  não  incidência  das  contribuições  previdenciárias  em  relação  ao  fornecimento  de  cesta  básica,  haja vista  não  ser  matéria objeto da autuação.  Dolo  Sustenta a recorrente que não teria agido com dolo em razão da ausência de  declaração.  Ocorre  que  a  infração  tributária  ocorre  independentemente  da  culpabilidade  do  agente, isto é, basta a ação ou omissão vedada pela norma para que seja aplicada a penalidade  prevista.  Logo, não merece prosperar esse argumento.  Multa  É  certo  que  o  artigo  da  multa  ora  aplicada  foi,  no  curso  desse  processo,  alterado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, cabendo, portanto, analisar a viabilidade ou  não da aplicação do que dispõe a alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25  de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.  Segundo as novas disposições  legais, a multa prevista no artigo 32, § 6º da  Lei  nº  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  qual  seja,  aquela  aplicada  em  razão  de  erro  no  preenchimento  nos  dados  não  relacionados  aos  fatos  geradores,  a  qual  culminava  com  determinado valor por campo  inexato, omisso ou  incompleto, passou a ser prevista no artigo  32­A,  cujo  inciso  I,  limita  o  valor  a  R$20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas.  Incabível a multa prevista no artigo 35­A da Lei 8.212/91, uma vez que este  dispositivo,  ao  fazer  referência  ao  artigo  44  da  Lei  9.430/61,  restringe  sua  aplicação  ao  lançamento de créditos relativos às contribuições previdenciárias e não ao descumprimento de  obrigação acessória.  Tanto isso é verdade que o novel artigo 35­A acima mencionado faz menção  “às contribuições referidas no art. 35 desta Lei”. Seguindo essa linha vemos que o artigo 35, ao  tratar das contribuições faz nova remissão, agora às alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único  do  artigo  11  da  Lei  8.212/91,  o  qual  dispõe  que  constituem  contribuições  sociais  as  das  empresas, as dos empregadores domésticos e as dos trabalhadores. Não há, portanto, permissão  Fl. 138DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 19311.000135/2010­70  Acórdão n.º 2301­002.997  S2­C3T1  Fl. 4          5 para  que  a multa  do  artigo  35­A  seja  lançada  em  decorrência  do  descumprimento  de  dever  instrumental.  A meu ver, em princípio, houve beneficiamento da situação do contribuinte,  motivo  pelo  qual  deve  incidir  na  espécie  a  retroatividade  benigna  prevista  na  alínea  “c”,  do  inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional,  devendo ser a multa lançada no presente AI calculada nos termos do artigo 32­A, inciso I, da  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de  2009, se mais benéfica ao contribuinte.  Pelo exposto, voto no sentido de CONHECER EM PARTE O RECURSO  e na parte conhecida, DAR­LHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar a aplicação da  multa nos termos do artigo 32­A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada  pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.    Adriano Gonzales Silvério ­ Relator                            Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO

score : 1.0
4422344 #
Numero do processo: 10120.006945/2009-79
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. REQUISITOS. Para serem considerados hábeis e permitirem a dedução de despesas médicas na declaração de IRPF, é necessário que os recibos apresentados contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, bem como o responsável pelo pagamento e o beneficiário dos serviços prestados. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201211

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. REQUISITOS. Para serem considerados hábeis e permitirem a dedução de despesas médicas na declaração de IRPF, é necessário que os recibos apresentados contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, bem como o responsável pelo pagamento e o beneficiário dos serviços prestados. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. Recurso Voluntário Negado.

turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 10120.006945/2009-79

anomes_publicacao_s : 201212

conteudo_id_s : 5178261

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 27 00:00:00 UTC 2012

numero_decisao_s : 2801-002.787

nome_arquivo_s : Decisao_10120006945200979.PDF

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : TANIA MARA PASCHOALIN

nome_arquivo_pdf_s : 10120006945200979_5178261.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho.

dt_sessao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012

id : 4422344

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:38 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713041217763147776

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1762; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 126          1 125  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10120.006945/2009­79  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2801­002.787  –  1ª Turma Especial   Sessão de  20 de novembro de 2012  Matéria  IRPF  Recorrente  LOURIVAL DE MORAES FONSECA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2007  DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. REQUISITOS.  Para serem considerados hábeis e permitirem a dedução de despesas médicas  na declaração de IRPF, é necessário que os recibos apresentados contenham a  indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas  Físicas ­ CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ­ CNPJ de quem os  recebeu,  bem  como  o  responsável  pelo  pagamento  e  o  beneficiário  dos  serviços prestados.  ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.   O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula CARF nº 2).  MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.   Presentes  os  pressupostos  de  exigência,  cobra­se  multa  de  ofício  pelo  percentual legalmente determinado.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.    Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente em exercício e Relatora.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 69 45 /2 00 9- 79 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.006945/2009­79  Acórdão n.º 2801­002.787  S2­TE01  Fl. 127          2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin,  Sandro  Machado  dos  Reis,  José  Evande  Carvalho  Araujo,  Carlos  César  Quadros  Pierre  e  Marcelo  Vasconcelos  de  Almeida.  Ausente,  justificadamente,  o  Conselheiro  Luiz  Claudio  Farina Ventrilho.  Relatório  Trata  o  presente  processo  de  notificação  de  lançamento  que  diz  respeito  a  Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2007, por meio do qual se  exige do contribuinte o crédito tributário no montante de R$ 6.094,38.  O  lançamento  é  decorrente  da  apuração  de  dedução  indevida  a  título  de  despesas médicas.  Em sua impugnação, o contribuinte alegou que:  ·  não recebeu a intimação que motivou a notificação de lançamento;   · a  entrega da  intimação  pode  ter ocorrido  a pessoa desconhecida por  ele, o que torna a notificação de lançamento nula;   · anexa todos os comprovantes das despesas médicas.  A  impugnação  foi  julgada  improcedente,  conforme  Acórdão  de  fls.  81/86,  que restou assim ementado:  VALIDADE DA INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL.  É válida a  intimação  feita por via postal entregue no domicílio  do  contribuinte,  não  sendo  necessário  que  o  AR  seja  assinado  pessoalmente  pelo  sujeito  passivo,  podendo  constar  assinatura  do porteiro ou zelador do edifício.  DEDUÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.  Mantém­se  a  glosa  efetuada  quando  os  valores  deduzidos  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  não  são  comprovados  por  documentação hábil e idônea.  Regularmente  cientificado  daquele  acórdão  em  24/01/2012  (fl.  90),  o  interessado, representada por seu advogado (fl. 119), interpôs recurso voluntário de fls. 93/118,  em 23/02/2012. Em sua defesa, argumenta que a sanção pecuniária lhe imposta pela Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  nos  termos  do  julgamento  realizado,  ofende  os  princípios  da  razoabilidade, proporcionalidade e segurança jurídica. Aduz que os recibos apresentados com o  fim de  comprovar despesas médicas preenchem os  requisitos  formais definidos  em  lei  como  condição  para  a  dedutibilidade  da  despesa,  de  maneira  que  não  cabe  desconsiderá­los  em  virtude  da  ausência  de  descrições  pormenorizadas.  Neste  sentido,  cita  decisões  do  antigo  Conselho de Contribuinte e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Admite que  o  valor  de R$  922,94  declarado  da Caixa  de Assistência  à  Saúde  dos  Empregados  do BEG  encontra­se, por equívoco, somado em duplicidade, bem como houve erro formal, de digitação,  no  valor  declarado  no Comprovante  de Rendimentos  da Agência  de Fomento  de Goiás,  que  Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.006945/2009­79  Acórdão n.º 2801­002.787  S2­TE01  Fl. 128          3 resultou num valor excedente de R$ 2.000,00, e  , ainda, que não houve o pagamento de três  planos de saúde durante o exercício e, sim, de apenas dois (Caixa de Assistência à Saúde dos  Empregados do BEG e IPASGO ­ Instituto de Assistência dos Servidores Públicos do Estado  de Goiás). Suscita, ainda, que pelo fato dele – contribuinte ­ não ter dependentes, presume­se  que  beneficiário  é  o  próprio,  como  de  fato  é.  Conclui  que  deve  ser  afastada  a  imposição  principal  e  acessória  de  modo  que  não  há  necessidade  de  análise  de  quaisquer  outros  argumentos  relativos  a  aplicação  de  multa  de  ofício  qualificada  para  o  caso  de  glosa  de  despesas médicas.  É o relatório.  Voto             Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto merece ser conhecido.  O litígio cinge­se à glosa de despesas médicas no montante de R$ 16.416,50,  uma vez que o recorrente concorda com a glosa no valor de R$ 2.922,94, sendo R$ 2.000,00  referente a Ipasgo Inst de Assist a Saúde e R$ 922,94 referente a Casbeg Caixa Assit a Saúde.  A  glosa  das  despesas  médicas  em  questão  foi  motivada  por  falta  de  comprovação decorrente do não atendimento à intimação.  A decisão recorrida assim justificou a manutenção da glosa:  · Caixa de Assistência à Saúde dos Empregados do BEG (R$ 922,94) _  sem identificação do beneficiário;  · Caixa de Assistência à Saúde dos Empregados do BEG (R$ 5.266,49)  _ sem identificação do beneficiário;  · Carmem  Mendonça  Lisboa  Nascimento  (R$  3.000,00)  _  sem  identificação do beneficiário sem endereço;  · Marcelo Alessandro Sá Lopes  (R$ 2.000,00) _  sem  identificação do  beneficiário sem endereço;  · Renato  Brasil  Muniz  (R$  2.200,00)  _  sem  identificação  do  beneficiário sem endereço;  · Agência de Fomento de Goiás  (R$ 3.027,07) _ sem identificação do  beneficiário.  Em sede de  recurso o contribuinte pretende suprir as  faltas verificadas pelo  Fisco com informações por ele prestadas, porém, desacompanhadas de documentos adicionais  emitidos pelo beneficiários dos pagamentos.  Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.006945/2009­79  Acórdão n.º 2801­002.787  S2­TE01  Fl. 129          4 Conforme  expressa  previsão  legal  (art.  8º  ,  §  2o  ,  II,  da  Lei  9.250/95),  a  dedução  de  despesas  médicas  restringe­se  aos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte,  relativos  ao  próprio  tratamento  e  ao  de  seus  dependentes.  Por  este  motivo,  além  da  identificação de quem arcou com a despesa, é imprescindível que esteja identificado quem foi  o beneficiário do tratamento. Assim, caberia ao sujeito passivo, em face da motivação da glosa,  apresentar documentos outros (laudos ou declarações dos profissionais, retificação dos recibos)  no sentido de sanar o vício formal nos comprovantes apresentados.   D acordo com o § 2°, incisos III e IV do precitado dispositivo, a dedução fica  condicionada ainda a especificação e comprovação dos pagamentos, com indicação do nome,  endereço e CPF ou CNPJ de quem os  recebeu, podendo, na falta de documentação,  ser  feita  indicação de cheque nominativo por meio do qual foi efetuado o pagamento.  Assim, é de se considerar que os recibos carreados aos autos (fls. 58/66) não  atendem  às  exigências  apontadas  pela  autoridade  fiscal,  devendo  ser  mantida  a  glosa  das  correspondentes despesas médicas.  No tocante à análise das alegações de ilegalidades e inconstitucionalidade de  normas que  respaldam o procedimento  fiscal,  importa  esclarecer que não pode  ser objeto de  verificação  inclusive por parte deste Conselho de Contribuintes, pois é questão pacificada na  Súmula nº 2, do CARF, a saber:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  Ademais, havendo lançamento de ofício de 75%, como neste caso, essa multa  é devida, eis que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar  a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração, nos termos do artigo 44, inciso  I, da Lei nº 9.430/1996.   Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso    Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin                                Fl. 129DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN

score : 1.0
4454055 #
Numero do processo: 10932.000311/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 IRPJ E CSLL. ATIVIDADES LABORATORIAIS E DE DIAGNÓSTICO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO E BASE DE CÁLCULO DA CSLL Se a pessoa jurídica presta serviços laboratoriais e de diagnóstico, atividade diretamente ligada à promoção da saúde e que demanda maquinário específico sem similaridade a simples consultas médicas, faz jus ao coeficiente de presunção de 8% para apuração do lucro presumido e de 12% para apuração da base de cálculo da CSLL. (STJ, Resp 1116399/BA, sob o regime do art. 543-C, do CPC, em 28/10/2009).
Numero da decisão: 1402-001.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar. LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201212

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 IRPJ E CSLL. ATIVIDADES LABORATORIAIS E DE DIAGNÓSTICO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO E BASE DE CÁLCULO DA CSLL Se a pessoa jurídica presta serviços laboratoriais e de diagnóstico, atividade diretamente ligada à promoção da saúde e que demanda maquinário específico sem similaridade a simples consultas médicas, faz jus ao coeficiente de presunção de 8% para apuração do lucro presumido e de 12% para apuração da base de cálculo da CSLL. (STJ, Resp 1116399/BA, sob o regime do art. 543-C, do CPC, em 28/10/2009).

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10932.000311/2010-91

anomes_publicacao_s : 201301

conteudo_id_s : 5180983

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 1402-001.307

nome_arquivo_s : Decisao_10932000311201091.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO

nome_arquivo_pdf_s : 10932000311201091_5180983.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar. LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.

dt_sessao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012

id : 4454055

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:00 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713041217795653632

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 2          1 1  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10932.000311/2010­91  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1402­001.307  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  6 de dezembro de 2012  Matéria  IRPJ E CSLL  Recorrente  INSTITUTO DE RADIOLOGIA FREI GASPAR LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005, 2006  IRPJ  E CSLL. ATIVIDADES  LABORATORIAIS  E DE DIAGNÓSTICO.  COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO E BASE DE CÁLCULO DA CSLL  Se a pessoa jurídica presta serviços laboratoriais e de diagnóstico, atividade  diretamente  ligada  à  promoção  da  saúde  e  que  demanda  maquinário  específico  sem  similaridade  a  simples  consultas  médicas,  faz  jus  ao  coeficiente de presunção de 8% para apuração do lucro presumido e de 12%  para apuração da base de cálculo da CSLL. (STJ, Resp 1116399/BA, sob o  regime do art. 543­C, do CPC, em 28/10/2009).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que passam a integrar o presente julgado.  Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar.     LEONARDO DE ANDRADE COUTO ­ Presidente e Relator.      Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de  Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva,  Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 03 11 /2 01 0- 91 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO     2   Relatório  Trata  o  presente  de  Autos  de  Infração  do  IRPJ  e  da  CSLL,  exigidos  nos  quatro trimestres dos anos­calendário de 2005 e 2006, no montante de R$ 1.406.452,60 e R$  508.226,96 respectivamente, aí incluídos multa de ofício e juros de mora.  De acordo com o Termo de Verificação e de Constatação Fiscal, a interessada  apurou o lucro presumido e base de cálculo da CSLL utilizando os percentuais de 8% e 12%,  sob  a  alegação  de  que  o  objeto  social  da  pessoa  jurídica  seria  a  prestação  de  serviços  hospitalares.  Entretanto, não teria demonstrado a prática de atividades dessa natureza, nos  termos  da  Resolução  de  Diretoria  Colegiada  (RDC)  da  Anvisa  que  serviu  de  base  para  a  Instrução Normativa SRF nº  539/2005,  ainda  que  regularmente  intimada  a  fazê­lo. Assim,  o  correto seria a aplicação do percentual de 32% referente à prestação de serviços em geral.   Em  impugnação  ao  feito,  a  autuada  argumenta  ser  prestadora  de  serviços  médicos  hospitalares  e  de  acordo  com  o  contrato  social,  atuaria  na  prestação  de  serviços  médicos, clínica de radiologia médica,  laboratório de análises e pesquisas clinicas cientificas,  transcrevendo excerto do contrato  social em que destaca a exploração do  ramo de clínica de  radiologia médica.  Argumenta  que  a  RDC  n  º  50/2002  da  Anvisa  que  serviu  de  base  para  a  IN/SRF  nº  539/2005,  alterou  o  regramento  pertinente  à  organização  físico­funcional  dos  estabelecimentos assistenciais de saúde, classificando­os de acordo com as atribuições de cada  estabelecimento, correspondentes à organização técnica do trabalho. As atribuições­fim, isto é,  as  funções  diretamente  ligadas  à  atenção  e  assistência  à  saúde,  envolvem,  em  síntese,  a  prestação  de  atendimento  eletivo  em  regime  ambulatorial  e  de  hospital­dia,  atendimento  imediato  em  situações  de  urgência  ou  emergência,  atendimento  em  regime  de  internação  e  atendimento a pacientes internos e externos em ações de diagnóstico e terapia.   Reporta­se a fotografias do espaço físico da clínica, alegando demonstrarem  estar a mesma enquadrada nos exatos termos requeridos e que comprovam seu enquadramento  legal, bem como que com exceção ao item "quarto de plantão", (opcional quando se tratar de  clínica  exclusiva  de  imagens  extra hospitalar),  comprovarem  o  enquadramento  da  clínica  no  "item 3 da parte II da RDC 50", constantes nas páginas 51 e 58 de referida RDC.  Conclui que o Auto de Infração teria perdido o objeto, pois o STJ afastou os  requisitos estabelecidos pelas IN/SRF nº 480/2004 e 539/2005, conforme decisão proferida no  Agravo  Regimental  nos  Embargos  de  Divergência  em  Recurso  Especial  n.  2007/00622651  (AgRg nos EREsp 883537/RS), Relator Ministro Luiz Fux — Primeira Seção — Julgado em  23/06/2010 (DJ 01/07/2010), cuja ementa transcreveu.   A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Campinas  prolatou  o  Acórdão  05­37.293  considerando  integralmente  procedente  o  lançamento,  em  decisão consubstanciada na seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Fl. 374DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10932.000311/2010­91  Acórdão n.º 1402­001.307  S1­C4T2  Fl. 3          3 Ano­calendário:2005, 2006  IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS DE RADIOLOGIA.  Em se  tratando de  empresa  prestadora  de  serviços médicos  na  área  de  radiologia,  que  não  se  caracteriza  como  hospital,  mantémse o  lançamento decorrente da aplicação do percentual  de 32% sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido.  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL.  Aplica­se  ao  lançamento  reflexo  (CSLL)  a  mesma  orientação  decisória que coube ao lançamento principal.   Devidamente cientificada, a  interessada recorre a este Colegiado ratificando  as razões expedidas na peça impugnatória.  É o Relatório.          Fl. 375DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO     4 Voto             Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO  O  cerne  da  questão  consiste  em  avaliar  se  a  interessada  exerce  atividade  definida como serviço hospitalar o que lhe possibilitaria, ao apurar o resultado na sistemática  do  lucro  presumido  e  a  base  de  cálculo  da  CSLL,  utilizar  os  percentuais  de  8%  e  12%,  respectivamente, e não de 32 % aplicável aos prestadores de serviço em geral.  Como  documentos  comprobatórios  de  suas  alegações,  apresenta  cópia  de  notas fiscais emitidas em nome de diversas operadoras de planos de saúde fazendo referência a  “serviços prestados”; cópia da RDC e ficha cadastral na Anvisa.  Na ausência de outros elementos de prova, a intenção do sujeito passivo não  foi bem sucedida.   Em  relação  às  notas  fiscais,  o  que  se  tem  é  a  indicação  da  realização  de  “prestação de serviços” sem qualquer especificação. Na ausência de outros elementos de prova,  não  há  como  saber  se  as  atividades  exercidas  pela  recorrente  se  enquadrariam  efetivamente  como serviços hospitalares, nos termos das normas que regem a matéria.   Na  peça  recursal,  a  reclamante  transcreve  trechos  da  legislação  destacando  dispositivos onde entende que estaria albergado. No caso da IN/SRF nº 539/2005, farei aqui o  mesmo destaque:  Art.  27.  Para  fins  do  disposto  nesta  Instrução  Normativa,  são  considerados  serviços  hospitalares  aqueles  diretamente  ligados  à  atenção  e  assistência  à  saúde,  de  que  trata  o  subitem 2.1  da  Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência  Nacional  de  Vigilância  Sanitária  nº  50,  de  21  de  fevereiro  de  2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e  pela  RDC  nº  189,  de  18  de  julho  de  2003,  prestados  por  empresário  ou  sociedade  empresária,  que  exerça  uma  ou mais  das:  I ­ seguintes atribuições:  a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à  saúde em regime ambulatorial e de hospital­dia (atribuição 1);  b)  prestação  de  atendimento  imediato  de  assistência  à  saúde  (atribuição 2); ou  c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de  internação (atribuição 3);  II  ­  atividades  fins  da  prestação  de  atendimento  de  apoio  ao  diagnóstico e terapia (atribuição 4).  § 1° A estrutura física do estabelecimento assistencial de saúde  deverá atender ao disposto no  item 3 da Parte II da Resolução  de  que  trata  o  caput,  conforme  comprovação  por  meio  de  Fl. 376DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10932.000311/2010­91  Acórdão n.º 1402­001.307  S1­C4T2  Fl. 4          5 documento  competente  expedido  pela  vigilância  sanitária  estadual ou municipal.  (.....)  Assim,  a  interessada  entende  que  estaria  enquadrada  no  que  seriam  “atividades  fins  de  prestação  de  atendimento  de  apoio  ao  diagnóstico  e  terapia  (atribuição  4)”.Conforme mencionado no caput do dispositivo supra transcrito, a definição almejada está  contida  na  Resolução  de  Diretoria  Colegiada  (RDC)  nº  50/2002,  emitida  pela  Anvisa  que  dispõe, nos termos da ementa, sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação,  elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde.   As  atividades  mencionadas  nos  incisos  e  alíneas  supra  transcritos  foram  extraídas do item 2.1 da RDC e foram denominadas atribuições fim. Representam os serviços  hospitalares em essência. Com maiores detalhes, nos termos da RDC, são elas:  1­Prestação  de  atendimento  eletivo  de  promoção  e  assistência  à  saúde  em  regime  ambulatorial  e  de  hospital­dia  ­  atenção  à  saúde  incluindo  atividades  de  promoção,  prevenção,  vigilância  à  saúde  da  comunidade  e  atendimento  a  pacientes  externos  de  forma  programada e continuada;   2­Prestação de atendimento  imediato de assistência à saúde ­ atendimento a  pacientes externos em situações de sofrimento, sem risco de vida (urgência) ou com risco de  vida (emergência);   3­Prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação­  atendimento a pacientes que necessitam de assistência direta programada por período superior  a 24 horas (pacientes internos);   4­Prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia­ atendimento a  pacientes  internos  e  externos  em  ações  de  apoio  direto  ao  reconhecimento  e  recuperação  do  estado da saúde (contato direto);   O  item  2.2  da  RDC  apresenta  as  atividades  e  subatividades  de  cada  um  desses serviços. Para o serviço correspondente à atividade 4, a que o sujeito passivo entende se  adequar a RDC indicou as subatividades de Patologia clínica, Imagenologia, Métodos Gráficos,  Anatomia  patológica  e  citopatologia,  Desenvolvimento  de  atividades  de  medicina  nuclear,  Realização  de  procedimentos  cirúrgicos  e  endoscópicos,  Realização  de  partos  normais,  cirúrgicos  e  intercorrências  obstétricas,  Desenvolvimento  de  atividades  de  reabilitação  em  pacientes externos e internos, Desenvolvimento de atividades hemoterápicas e hematológicas,  Desenvolvimento  de  atividades  de  radioterapia,  Desenvolvimento  de  atividades  de  quimioterapia,  Desenvolvimento  de  atividades  de  diálise,  Desenvolvimento  de  atividades  relacionadas ao leite humano, e Desenvolvimento de atividades de oxigenoterapia hiperbárica  (OHB).  Cada  uma  dessas  subatividades  veio  acompanhada  de  uma  descrição  das  instalações  físicas necessárias  ao  enquadramento do  estabelecimento de  saúde. A  interessada  afirma exercer as subatividades de imagenologia e medicina nuclear.   Através  das  fotografias  que  seriam  do  estabelecimento,  tenta  demonstrar  a  adequação das instalações e equipamentos ao disposto no item 3, da Parte II da RDC. Tem­se  aqui uma questão controversa, pois a autoridade  fiscal  foi categórica em afirmar que efetuou  Fl. 377DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO     6 procedimento  de  diligência  no  estabelecimento  e  constatou  a  inexistência  de  estrutura  física  que atenda ao dispositivo normativo mencionado.  A  princípio,  poder­se­ia  suscitar  a  realização  de  uma  perícia  com  pontos  específicos  a  serem  esclarecidos  a  fim  de  se  verificar  a  compatibilidade  da  recorrente  às  especificações da RDC. Entretanto, importa atentar para o posicionamento do STJ sobre o tema  (Resp  1116399/BA,  Ministro  Benedito  Gonçalves,  S1­  Primeira  Seção,  28/10/2009,  Dje  24/02/2010)   DIREITO  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  VIOLAÇÃO  AOS  ARTIGOS  535  e  468  DO  CPC.  VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95.  IRPJ  E  CSLL  COM  BASE  DE  CÁLCULO  REDUZIDA.  DEFINIÇÃO DA  EXPRESSÃO  "SERVIÇOS  HOSPITALARES".  INTERPRETAÇÃO  OBJETIVA.  DESNECESSIDADE  DE  ESTRUTURA  DISPONIBILIZADA  PARA  INTERNAÇÃO.  ENTENDIMENTO  RECENTE  DA  PRIMEIRA  SEÇÃO.  RECURSO  SUBMETIDO  AO  REGIME  PREVISTO  NO  ARTIGO 543­C DO CPC.  1.  Controvérsia  envolvendo  a  forma  de  interpretação  da  expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para  fins  de  obtenção  da  redução  de  alíquota  do  IRPJ  e  da  CSLL.  Discute­se  a  possibilidade  de,  a  despeito  da  generalidade  da  expressão  contida  na  lei,  poder­se  restringir  o  benefício  fiscal,  incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles  estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente,  mediante internação e assistência médica integral.  2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251­PR, da relatoria  do  eminente Ministro Castro Meira,  a  1ª  Seção, modificando a  orientação  anterior,  decidiu  que,  para  fins  do  pagamento  dos  tributos  com  as  alíquotas  reduzidas,  a  expressão  "serviços  hospitalares",  constante  do  artigo  15,  §  1º,  inciso  III,  da  Lei  9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a  perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto  a  lei,  ao  conceder  o  benefício  fiscal,  não  considerou  a  característica  ou  a  estrutura  do  contribuinte  em  si  (critério  subjetivo),  mas  a  natureza  do  próprio  serviço  prestado  (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado  que  os  regulamentos  emanados  da  Receita  Federal  referentes  aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir  que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei  (a  exemplo  da  necessidade  de  manter  estrutura  que  permita  a  internação  de  pacientes)  para  a  obtenção  do  benefício.  Daí  a  conclusão  de  que  "a  dispensa  da  capacidade  de  internação  hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que  se mostra  irrelevante para  tal  intento as disposições constantes  em atos regulamentares".  3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles  que  se  vinculam  às  atividades  desenvolvidas  pelos  hospitais,  voltados diretamente à promoção da  saúde",  de  sorte que,  "em  regra,  mas  não  necessariamente,  são  prestados  no  interior  do  estabelecimento  hospitalar,  excluindo­se  as  simples  consultas  Fl. 378DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10932.000311/2010­91  Acórdão n.º 1402­001.307  S1­C4T2  Fl. 5          7 médicas,  atividade  que  não  se  identifica  com  as  prestadas  no  âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos".  (.......)  6.  Recurso  afetado  à  Seção,  por  ser  representativo  de  controvérsia, submetido ao regime do artigo 543­C do CPC e da  Resolução 8/STJ.  7. Recurso especial não provido.  Vê­se  que  o  STJ  amplia  sobejamente  o  conceito  de  serviços  hospitalares,  abstraindo de qualquer  critério  subjetivo dentre eles  a característica ou  a  estrutura da pessoa  jurídica, para fixar­se apenas na atividade desenvolvida.   Sob a ótica dessa decisão, o Tribunal manifestou­se expressamente quanto às  atividades exercidas pela ora  recorrente  (Resp nº 939.749­PR, Ministra Eliana Calmon, T2 –  Segunda Turma, 17/11/2009, Dje 02/12/2009):  TRIBUTÁRIO  –  IMPOSTO  DE  RENDA  –  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE O  LUCRO  –  SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICO  POR  IMAGEM  –  SERVIÇOS  HOSPITALARES  –  ALÍQUOTA  REDUZIDA – LEI 9.249/95.  1.  As  empresas  prestadoras  de  serviços  de  diagnóstico  por  imagem,  cuja  atividade  prestada  se  classifica  como  "serviços  hospitalares",  têm  direito  à  alíquota  reduzida  do  imposto  de  renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, nos termos  da Lei 9.249/95. Precedentes.  2. Recurso especial improvido.   Tendo em vista que a ampliação do conceito foi matéria submetida ao regime  previsto no art. 543­C do CPC (recurso repetitivo) e, nos termos do art. 62­A do Anexo II, da  Portaria  MF  nº  256/2009,  que  aprovou  o  Regimento  Interno  do  CARF,  voto  por  dar  provimento ao recurso.     LEONARDO DE ANDRADE COUTO ­ Relator                                Fl. 379DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO

score : 1.0
4419122 #
Numero do processo: 10730.720184/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão recorrida. Recurso não conhecido
Numero da decisão: 2201-001.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestividade. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 25/10/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201210

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão recorrida. Recurso não conhecido

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 10730.720184/2008-01

anomes_publicacao_s : 201212

conteudo_id_s : 5177976

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012

numero_decisao_s : 2201-001.848

nome_arquivo_s : Decisao_10730720184200801.PDF

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA

nome_arquivo_pdf_s : 10730720184200801_5177976.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestividade. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 25/10/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.

dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012

id : 4419122

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:34 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713041217798799360

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1634; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10730.720184/2008­01  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­001.848  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de outubro de 2012  Matéria  ITR  Recorrente  COMPANHIA DE BEBIDAS DO RIO DE JANEIRO  Recorrida  DRJ­BRASÍLIA/DF    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2006  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  INTEMPESTIVIDADE.  Não  se  conhece  de  apelo, contra decisão de autoridade  julgadora de primeira  instância, quando  formalizado  depois  de  decorrido  o  prazo  regulamentar  de  trinta  dias  da  ciência da decisão recorrida.  Recurso não conhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  NÃO  CONHECER do recurso, por intempestividade.    Assinatura digital  Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente     Assinatura digital  Pedro Paulo Pereira Barbosa ­ Relator    EDITADO EM: 25/10/2012  Participaram  da  sessão:  Maria  Helena  Cotta  Cardozo  (Presidente),  Pedro  Paulo  Pereira  Barbosa  (Relator),  Eduardo  Tadeu  Farah,  Rodrigo  Santos  Masset  Lacombe,  Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 01 84 /2 00 8- 01 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     2 Relatório  COMPANHIA  DE  BEBIDAS  DO  RIO  DE  JANEIRO  interpôs  recurso  voluntário contra acórdão da DRJ­BRASÍLIA/DF (fls. 121) que julgou procedente lançamento,  formalizado por meio da Notificação de Lançamento de fls. 01/05, para exigência de Imposto  sobre a Propriedade Territorial Rural –  ITR,  referente  ao  exercício de 2005, no valor de R$  64.246,57, acrescido de multa de ofício e de  juros de mora, perfazendo um crédito  tributário  total lançado de R$ 128.512,40.  Segundo o  relatório  fiscal, o  lançamento decorre da  revisão da DITR/2006,  da  qual  foi  glosado  o  valor  declarado  como  área de  reserva  legal  (753,7ha)  e  foi  alterado  o  Valor da Terra Nua – VTN, de R$ 342.604,48 para R$ 1.370.340,00. A descrição dos fatos e os  fundamentos da autuação estão detalhados no instrumento da autuação.  A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que a exclusão  da área de  reserva  legal do cálculo do  ITR prescinde da averbação à margem da matricula e  não está sujeita à prévia comprovação, bastando a mera declaração, de boa­fé, da contribuinte  no DIAC/DIAT, de acordo com o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.363/1996,  inserido pela MP nº  2.16667/2001 (transcrito), e que caberia ao fisco o ônus de comprovar a  inexistência da área  ambiental;  que  o  VTN  declarado  no  DIAC/DIAT  é  exatamente  o  valor  de  mercado  para  o  exercício, no teor do art. 8º da Lei nº 9.393/1996, e merece subsistir ao VTN irreal arbitrado  com base no SIPT.Ao final, a contribuinte requer seja julgado improcedente o auto de infração  (sic) impugnado e protesta pela anexação de documentos comprobatórios do alegado.  A  DRJ­BRASÍLIA/DF  julgou  procedente  o  lançamento  com  base,  em  síntese, na consideração de que não foram comprovadas as exigência legais para a exclusão da  área de reserva legal de apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA e da averbação da  área à margem da matrícula do imóvel. Quanto ao VTN, a DRJ considerou que a discrepância  entre  o  valor  declarado  e  aquele  constante  da  avaliação  feita  pelo  SIPT  caracteriza  a  subavaliação,  e  como  a Contribuinte  não  apresentou  laudo  ou  outra  comprovação  idônea  da  regularidade do valor declarado, justificava­se o arbitramento do VTN com base no SIPT.  A  Contribuinte  tomou  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  em  07/06/2011 (fls. 137) e, em 09/08/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 139/162, que ora  se examina, e no qual apresenta documentos que comprovariam o  imóvel em questão possui  uma área não­tributável de 753,7ha.  É o relatório.    Voto             Examino,  inicialmente,  a  tempestividade  do  recurso. A decisão  de  primeira  instância foi entregue no domicílio fiscal do Contribuinte, conforme Aviso de Recebimento ­  AR  de  fls.  137,  em  07/06/2011  e,  em  09/08/2011/2009,  a  Contribuinte  interpôs  o  recurso  voluntário de fls. 139/162.  Sobre  a  forma  de  intimação  e  o  prazo  para  interposição  do  recurso  a  legislação que rege o processo administrativo fiscal é bastante clara, senão vejamos.  Fl. 174DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10730.720184/2008­01  Acórdão n.º 2201­001.848  S2­C2T1  Fl. 3          3 Art. 23. Far­se­á a intimação:  [...]  II ­ por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito  passivo;  (Redação  dada  pelo  art.  67  da  Lei  nº  9.532/1997).  Art. 30. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com  efeito  suspensivo,  dentro  dos  30  (trinta)  dias  seguintes  à  ciência da decisão.  Considerando  como  data  da  ciência  a  data  da  entrega  da  encomenda  no  domicílio fiscal do Contribuinte, o recurso poderia ser apresentado até 07/07/2011 e, conforme  datas acima, foi apresentado muito depois deste prazo.  É forçoso concluir, pois, pela intempestividade do recurso.  Conclusão  Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de não conhecer do recurso,  por intempestivo.    Assinatura digital  Pedro Paulo Pereira Barbosa                                  Fl. 175DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO

score : 1.0
4422363 #
Numero do processo: 10469.903963/2009-60
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201212

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).

turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Dec 27 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 10469.903963/2009-60

anomes_publicacao_s : 201212

conteudo_id_s : 5178280

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 27 00:00:00 UTC 2012

numero_decisao_s : 1802-001.523

nome_arquivo_s : Decisao_10469903963200960.PDF

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

nome_arquivo_pdf_s : 10469903963200960_5178280.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.

dt_sessao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012

id : 4422363

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:38 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713041217848082432

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2130; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 2          1 1  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10469.903963/2009­60  Recurso nº  000.001   Voluntário  Acórdão nº  1802­001.523  –  2ª Turma Especial   Sessão de  6 de dezembro de 2012  Matéria  PERDCOMP  Recorrente  CLINORT SERVIÇOS MÉDICO HOSPITALAR E LABORATORIAL  LTDA.            Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2002  IRPJ.  PAGAMENTO  INDEVIDO.  RESTITUIÇÃO.  COMPENSAÇÃO.  FALTA DE COMPROVAÇÃO.  O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo  74 da Lei nº 9.430/96 permite  a  sua compensação com débitos próprios do  contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das  provas  hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega  possuir  junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela  autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a  compensação pretendida.   As  Declarações  (DCTF,  DCOMP  e  DIPJ)  são  produzidas  pelo  próprio  contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a  obrigação  do  recorrente  em  comprovar  os  fatos  mediante  a  escrituração  contábil  e  fiscal,  tendo  em  vista  que,  apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  comprovados  inequivocamente  pelo  contribuinte  são  passíveis  de  compensação  tributária,  conforme  preceituado  no  artigo  170  da  Lei  nº  5.172/66 (Código Tributário Nacional ­ CTN).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.  (documento assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente e Relatora.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 39 63 /2 00 9- 60 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA     2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira  Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.    Relatório  Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida  (fl.18) que a seguir transcrevo:  A  interessada  acima  qualificada  apresentou  Declaração  de  Compensação  —DCOMP  de  fls.  11/15,  por  meio  da  qual  compensou credito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica ­ IRPJ  código  2089  com  débitos  de  sua  responsabilidade.  0  crédito  informado,  no  valor  de  R$  4.263,88  seria  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  do  imposto  apurado  no  2°  trimestre do ano­calendário 200 2.  Através  do  despacho  de  fl.01,  emitido  eletronicamente,  a  Delegacia da Receita Federal em Natal — DRF/Natal identificou  integral  utilização  anterior  do  pagamento  para  quitação  de  debito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação  declarada.  A  interessada  apresentou manifestação  de  inconformidade  (fls.  03/07), fazendo, em síntese, as seguintes alegações:  ­  que o  crédito é  fruto da redução da base de  cálculo do  IRPJ  para  sociedades  que  desenvolvem  atividades  hospitalares  de  32% para 8%, descreve sobre a matéria às fls. 04/06;  ­  não  procedeu  à  retificação  da  DCTF  por  ocasião  da  compensação pleiteada, para deixar patente que seu pagamento  foi  a  maior,  porque  já  havia  transcorrido  o  tempo  hábil  para  retificação, o sistema da Receita Federal não aceita retificação  "após cinco anos da data prevista";  ­  o  crédito  subsiste  porque  o  descumprimento  de  obrigação  acessória, não interfere na principal;  ­  requer  a  procedência  da  manifestação  de  inconformidade,  homologação  das  compensações  e  a  retificação  de  oficio  das  DCTFs corn base no art. 149, inciso II do CTN.  A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife/PE) indeferiu  o  pleito,  conforme  decisão  proferida  no Acórdão  nº  11­35.006,  de  26  de  setembro  de  2011  (fls.18/21), cientificado ao interessado em 05/12/2011.   A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.18):  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2002   COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.  Fl. 44DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903963/2009­60  Acórdão n.º 1802­001.523  S1­TE02  Fl. 3          3 A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis  para a compensação autorizada por lei.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  UTILIZAÇÃO  INTEGRAL.  COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.  Mantém­se  o  despacho  decisório  que  não  homologou  a  compensação  quando  constatado  que  o  recolhimento  indicado  como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de  débito confessado em DCTF.  A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais ­ CARF, em 15/12/2011.  Eis a defesa da Recorrente:      ...  O presente Recurso tem por escopo sanar defeito correspondente  a uma  formalidade do procedimento das  compensações,  não  se  pretendendo,  pois,  discutir  o  mérito  dos  crédito  tributários  respectivos.  Não há que se falar em inexistência dos créditos,  isto pelo  fato  de  que  os  tributos  pagos  forma  a  maior  resultado  de  recolhimento do 1o. Trimestre do ano calendário 2000, ao qual a  empresa tem créditos e, por via de conseqüência, poderia utilizá­ los para posteriores compensações.  Entretanto,  efetuados  os  pagamentos,  a  contribuinte,  não  oferecera retificação da DCTF para restar patente o pagamento  a  maior,  o  que  aparentemente  demonstraria  que  não  haveria  crédito para a citada compensação.  Quando a recorrente realizou as compensações em tela, já havia  transcorrido o  tempo hábil para retificar as DCTFs e, por esta  razão, não mais poderia ser feito, ainda que intempestivamente,  porque o  sistema da Receita Federal  não  opera  as  retificações  após cinco anos da data prevista.  Nesse  contexto,  a  obrigação  de  apresentar  a  DCTF  é  uma  obrigação tributária acessória que, ainda quando descumprida,  não interfere na obrigação principal, ou seja, ainda que não se  tenha procedido às retificações, o crédito subsiste.  Observa­se  que  as  compensações  não  foram  homologadas  somente  em  virtude  do  mero  descumprimento  de  obrigação  acessória,  havendo  crédito  suficiente  para  legitimar  as  compensações.  III­DO PEDIDO:  À  vista  de  todo  exposto,  demonstrada  a  insubsistência  e  improcedência da ação  fiscal,  fundada na  lavratura do auto de  infração,  espera  e  requer  a  Recorrente  que  seja  acolhido  o  Fl. 45DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA     4 presente  Recurso  Administrativo,  homologando­se  as  compensações  administrativas  realizadas  e  cancelando  os  débitos ora determinados.  Para tanto, requer à Receita Federal que retifique as DCTFs de  ofício, em conformidade com o art. 149, II, do CTN, que prevê o  lançamento de ofício pela autoridade administrativa quando "a  declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na  forma da legislação tributária". Finalmente, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário.      É o relatório.      Voto             Conselheira Ester Marques Lins de Sousa  O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos  no Decreto nº 70.235/72, dele conheço.   O  presente  processo  tem  origem  no  PER/DCOMP  nº  09688.39474.300106.1.3.04  ­  4527  (fls.11/15),  transmitido  em  30/01/2006,  em  que  a  contribuinte  pretende  compensar  débito de CSLL: R$ 1.993,64, código 2372 e IRPJ: R$ 1.278,31, código 2089, relativos ao 4º  trimestre de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior  do IRPJ (DARF: código – 2089, Período de Apuração: 30/06/2002; Vencimento: 31/07/2002,  Valor: R$ 7.735,40).   Conforme o despacho decisório de  fl.01,  emitido  em 25/05/2009 não  foi  reconhecido  qualquer  direito  creditório  a  favor  da  contribuinte  e,  por  conseguinte,  não­homologada  a  compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como  origem  do  crédito  foi  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débitos  da  contribuinte,  "não  restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP".    Em  sede  de  primeira  instância,  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  em  02/07/2009 (fls.03/07),  foi  julgada  improcedente mediante o Acórdão nº 11­35.006, de 26 de  setembro  de  2011  (fls.18/21)  mantendo  o  despacho  decisório  que  não  homologou  a  compensação  porque  constatado  que  o  recolhimento  indicado  como  fonte  de  crédito  foi  integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF.    A Recorrente diz que não pretende discutir o mérito do crédito tributário e que, não há  falar  em  inexistência  do  crédito,  pelo  fato  de  que  o  tributo  pago  a  maior  foi  resultado  de  recolhimento do 1o. Trimestre do ano calendário 2000, ao qual a empresa tem créditos e, por  via de conseqüência, poderia utilizá­los para posteriores compensações.    A  defesa  não  pode  prosperar,  pois,  como  explicado  acima,  nos  presentes  autos  se  discute a compensação de débito de CSLL e  IRPJ com a utilização de crédito decorrente de  pagamento  indevido  ou  a  maior  do  IRPJ  (DARF:  código  –  2089,  Período  de  Apuração:  30/06/2002; Vencimento: 31/07/2002, Valor: R$ 7.735,40).  Fl. 46DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903963/2009­60  Acórdão n.º 1802­001.523  S1­TE02  Fl. 4          5   Verifica­se  que  a  Recorrente  se  reporta  a  crédito  relativo  ao  1º  trimestre  de  2000,  portanto, distinto do constante no PER/DCOMP em comento relativo ao 2º  trimestre/2002, o  que por si só já desqualifica o objeto do Recurso.  Sobre  o  pagamento  a  maior,  a  Recorrente  aduz  que  efetuados  os  pagamentos,  a  contribuinte, não oferecera retificação da DCTF para restar patente o pagamento a maior, o que  aparentemente demonstraria que não haveria crédito para a citada compensação. E, quando a  recorrente realizou as compensações em tela, já havia transcorrido o tempo hábil para retificar  as DCTFs e, por esta razão, não mais poderia ser feito, ainda que intempestivamente, porque o  sistema da Receita Federal não opera as retificações após cinco anos da data prevista.  Ainda  que  se  admita  como  equívoco  da Recorrente  ao  se  reportar  ao  1º  trimestre  de  2000 e não ao 2º trimestre de 2002, depreende­se de suas alegações que a contribuinte pretende  que o indébito se exteriorize tão somente com os dados declarados na DCTF comparados com  o PER/DCOMP.  Cabe  assinalar  que  o  reconhecimento  de  direito  creditório  contra  a Fazenda Nacional  exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo,  fazendo­se  necessário  verificar  a  exatidão  das  informações  a  ele  referentes,  confrontando­as  com  os  registros  contábeis  e  fiscais  efetuados  com  base  na  documentação  pertinente,  com  análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo  devido e compará­lo ao pagamento efetuado.  Registre­se  que,  nos  termos  do  artigo  333,  inciso  I,  do Código  de Processo Civil,  ao  autor  incumbe o  ônus da prova dos  fatos  constitutivos do  seu direito. Logo,  a declaração de  compensação  deve  estar,  necessariamente,  instruídas  com  as  devidas  provas  do  indébito  tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento.  No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito  de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior  que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de  prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos.  Com  efeito,  os  registros  contábeis  e  demais  documentos  fiscais,  acerca  da  base  de  cálculo do IRPJ, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do  direito creditório aqui pleiteado.  Nesse  sentido,  na  declaração  de  compensação  apresentada,  o  indébito  não  contém  os  atributos necessários de  liquidez e certeza, os quais são  imprescindíveis para reconhecimento  pela  autoridade  administrativa  de  crédito  do  contribuinte  na  Fazenda  Pública,  sob  pena  de  haver  reconhecimento  de direito  creditório  incerto,  contrário,  portanto,  ao  disposto  no  artigo  170 do Código Tributário Nacional (CTN).  O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei  nº  9.430/96  permite  a  sua  compensação  com  débitos  próprios  do  contribuinte, mas,  cabe  ao  sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência  do crédito que alega possuir  junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e  certeza  pela  autoridade  administrativa.  À  míngua  de  tal  comprovação  não  se  homologa  a  compensação pretendida.  É  cediço  que  as  Declarações  (DCTF,  DCOMP  e  DIPJ)  são  produzidas  pelo  próprio  contribuinte,  de  sorte  que,  havendo  inconsistências  nas mesmas  não  retiram  a  obrigação  do  Fl. 47DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA     6 recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que,  apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  comprovados  inequivocamente  pelo  contribuinte  são  passíveis de  compensação  tributária,  conforme preceituado no artigo 170  da Lei nº 5.172/66  (Código Tributário Nacional ­ CTN).  Repise­se  que  o  ponto  nodal  da  lide  reside  no  fato  de  que  o  contribuinte  pretende  a  restituição  de  valor  na  ordem  de  R$  3.271,95,  adotando  a  via  do  PER/DCOMP  no  qual  pretende utilizar crédito de IRPJ relativo ao 2º trimestre do ano calendário de 2002.   A  busca  da  verdade  material  não  autoriza  ao  julgador  substituir  o  interessado  na  produção  das  provas.  A  apresentação  dos  documentos  juntamente  com  a  defesa  é  ônus  da  alçada da recorrente.   No  presente  caso,  a  recorrente  teria,  em  tese,  à  sua  disposição  todos  os  meios  para  provar o alegado crédito. Não o fez.  Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido  a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim  dispõe:  § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo  sujeito  passivo  será  de  5  (cinco)  anos,  contado  da  data  da  entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei  nº 10.833, de 2003)  Conforme  dito  acima,  o  PERDCOMP,  foi  transmitido  pela  pessoa  jurídica  em  13/12/2005,  tomou  ciência  do  despacho  decisório  expedido  em  25/05/2009,  e  apresentou  a  manifestação de inconformidade em 02/07/2009 (fls.03/07). Portanto, o despacho decisório se  deu antes do prazo de 05 (cinco) anos da entrega do PERDCOMP.   É  dever  do  Fisco  proceder  a  análise  do  crédito  desde  a  sua  origem  até  a  data  da  compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a  certeza e liquidez do crédito reclamado.  No  tocante  à  revisão  de  ofício  da  DCTF,  aventada  pela  interessada,  como  bem  ressaltado na decisão recorrida, não se aplica ao caso a determinação do inciso II do art. 149 do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  uma  vez  que  não  se  discute  no  presente  processo  lançamento  de  ofício  de  crédito  tributário  decorrente  de  lavratura  do  auto  de  infração  como  aduzido pela Recorrente.  Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário.      (documento assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa.                            Fl. 48DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903963/2009­60  Acórdão n.º 1802­001.523  S1­TE02  Fl. 5          7     Fl. 49DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

score : 1.0
4459313 #
Numero do processo: 11330.000871/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira – Presidente Bernadete De Oliveira Barros – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Wilson Antônio de Souza.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201211

camara_s : Terceira Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 11330.000871/2007-92

anomes_publicacao_s : 201301

conteudo_id_s : 5181474

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 2301-000.320

nome_arquivo_s : Decisao_11330000871200792.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS

nome_arquivo_pdf_s : 11330000871200792_5181474.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira – Presidente Bernadete De Oliveira Barros – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Wilson Antônio de Souza.

dt_sessao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012

id : 4459313

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:04 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713041217856471040

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1254; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 163          1 162  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11330.000871/2007­92  Recurso nº  999.999Voluntário  Resolução nº  2301­000.320  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  20 de novembro de 2012  Assunto  CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA  Recorrente  SENDAS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado:  I)  Por  unanimidade  de  votos:  a)  em  converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).   Marcelo Oliveira – Presidente   Bernadete De Oliveira Barros – Relator   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira  (Presidente), Adriano Gonzales  Silvério, Bernadete  de Oliveira  Barros, Damião Cordeiro  de  Moraes, Mauro José Silva e Wilson Antônio de Souza.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 13 30 .0 00 87 1/ 20 07 -9 2 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 20 /01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000871/2007­92  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301­000.320  S2­C3T1  Fl. 164          2   RELATÓRIO  Trata­se de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada,  referente  às  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  correspondentes  à  contribuição  dos  empregados, à da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos  ambientais do trabalho.  Consta do Relatório da NFLD (fls. 36) que a recorrente contratou serviços com  cessão  de  mão­de­obra  junto  à  empresa  SEGMAR  GUARDA  DE  SEGURANÇA  E  VIGILÂNCIA  LTDA  e  não  comprovou  o  recolhimento  da  contribuição  incidente  sobre  a  remuneração dos segurados incluída em notas fiscais correspondentes aos serviços realizados,  não  se  elidindo,  assim,  da  responsabilidade  solidária  de  que  trata  o  art.  31  da  Lei  8.212/91,  antes da alteração antes da redação dada pela MP nº 1.663­15, de 22/10/98, convertida na Lei  nº 9.711, de 20/11/98, com vigência a partir de 02/99.  A autoridade lançadora informa que a base de cálculo foi aferida com base nas  notas fiscais de serviço emitidas pela contratada, e que sobre cada valor do serviço constante  nos documentos encontrados, foi aplicado um percentual para se apurar o valor correspondente  à mão­de­obra empregada, conforme planilha anexa.  A recorrente apresentou defesa e, de sua análise, o processo foi convertido em  diligência, nos termos do Despacho de fls. 73, resultando na Informação Fiscal de Fls 89.  Cientificada do resultado da diligência fiscal, a recorrente se manifestou às fls.  94  e  a  empresa  contratada,  regularmente  cientifica do  lançamento  e da diligência  fiscal,  não  apresentou defesa.  A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 12­34.928, da  14a  Turma  da  DRJ/RJ1  (fls.  120),  julgou  a  impugnação  improcedente,  mantendo  o  crédito  tributário,  e  a  recorrente,  inconformada  com  a  decisão,  apresentou  recurso  tempestivo  (fls.  139), alegando, em síntese, o que se segue.  Preliminarmente,  discorda  quanto  ao  não  reconhecimento  da  decadência  das  competências de 01/98 a 04/98, trazendo a jurisprudência do CARF no sentido de que, quando  se  trata  de  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação,  há  que  ser  seguida  a  previsão  contida no art. 150, § 4o, do CTN, independente da constatação de recolhimento.  No mérito, defende o entendimento de que, nos termos da legislação vigente à  época  do  fato  gerador,  a  responsabilidade  somente  emerge  com  a  constituição  regular  do  crédito  em  face  da  prestadora  de  serviços,  e  que,  se  houvesse  a  regular  fiscalização  e  constituição do suposto crédito em face da prestadora, a tomadora seria solidária no pagamento  de eventuais débitos, o que não ocorreu no caso.  Esclarece  que  não  se  pretende  o  benefício  de  ordem,  pois,  se  regulamente  constituído o crédito, tanto a tomadora quanto a prestadora poderiam e deveriam ser chamadas  ao pagamento sem ordem de preferência.  Fl. 164DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 20 /01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000871/2007­92  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301­000.320  S2­C3T1  Fl. 165          3 Discorre  sobre  o  instituto  da  solidariedade  passiva  em matéria  tributária  para  concluir  que,  inexistindo  o  crédito  tributário,  não  há  o  objeto  ao  qual  é  atribuída  a  responsabilidade do terceiro e, consequentemente, falta o pressuposto para seu chamamento à  relação jurídica.  Argumenta  que,  como  o  crédito  surge  com  o  lançamento,  que  lhe  confere  liquidez e certeza, a cobrança previdenciária com base no instituto da solidariedade prevista em  lei  somente  pode  ser  efetivada  nos  casos  em  que  a  fiscalização,  preliminarmente,  determine  junto ao contribuinte praticante do fato gerador a devida e efetiva contribuição não recolhida  para, então e só então, a sua opção, cobrar do co­responsável pela obrigação.  Entende  que,  no  caso  sob  análise,  o  fisco,  em  vez  de  se  dirigir  à  Empresa  tomadora  de  serviços,  simplesmente  deduziu  que  as  prestadoras  não  haviam  efetuado  o  recolhimento regular dos tributos, desvirtuando assim a essência do instituto da solidariedade,  já  que  não  existiu  a  necessária  fiscalização  do  devedor  originário,  inexistindo,  portanto,  caracterização e certeza da dívida tributária.  Argumenta que, mesmo ausente qualquer hipótese que  justificasse a utilização  da  sistemática  extraordinária,  procedeu  o  Fisco  à  forma  indireta  de  aferição,  apurando  o  suposto  débito  por meio  da  documentação  apresentada  pelo  tomador de  serviços,  tendo  sido  ignorada,  não  se  sabe  por  que,  a  contabilidade  do  devedor  originário,  em  clara  afronta  aos  cristalinos preceitos da legislação previdenciária.  Sustenta que, não tendo sido sequer feita a solicitação de documentos à empresa  fiscalizada, impensável se torna a utilização da sistemática indireta, ante a ausência de expressa  determinação legal nesse sentido.  Traz a jurisprudência do STJ para reforçar seus argumentos e insurge­se contra  os  juros  e  multa  aplicados,  alegando  excesso  e  incompatibilidade  com  a  base  de  cálculo  questionada.  Finaliza  requerendo  a  reforma  da  decisão  recorrida  e  a  anulação  integral  do  débito lançado.  É o Relatório   Fl. 165DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 20 /01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000871/2007­92  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301­000.320  S2­C3T1  Fl. 166          4 VOTO  Conselheiro BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  todos  os  pressupostos  de  admissibilidade  foram  cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento.  Da análise do autos, verifica­se que a  recorrente  foi contratante de serviços de  segurança  e  vigilância  junto  à  empresa  SEGMAR  GUARDA  DE  SEGURANÇA  E  VIGILÂNCIA  LTDA,  sendo,  portanto,  responsável  solidária  com  a  prestadora  pelas  contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos empregados a ela cedidos.  Constata­se,  também,  que  não  houve manifestação  da  contratada  em  nenhum  momento do processo e nem consta informações sobre a existência ou não de fiscalização na  prestadora.  A  autoridade  notificante  não  informou  se  há  lançamentos  de  débitos  na  contratada  para  o  período  compreendido  na  presente  notificação,  ou  se  houve  adesão,  pela  prestadora, a parcelamentos especiais, e mesmo se existe CND de baixa já emitida.  Entendo  que,  nos  casos  de  lançamento  por  responsabilidade  solidária,  tais  informações se fazem necessárias para se evitar a duplicidade de lançamento.   Como a empresa prestadora não  se manifestou nos  autos  e como a  autoridade  lançadora  não  informou  se  o  prestador  do  serviço  já  foi  submetido  a  alguma  espécie  de  fiscalização total (com contabilidade), entendo que o processo deva ser baixado em diligência  para que o agente notificante se manifeste sobre as questões acima expostas.  Tal procedimento é  imprescindível para  revestir  a decisão de plena convicção,  pois permite ao julgador aferir efetivamente se existe obrigação inadimplida.  E,  ainda,  para  que  não  fique  configurado  o  cerceamento  do  direito  de  defesa,  que  seja  dada  ciência  ao  sujeito  passivo  do  teor  dos  esclarecimentos  a  serem prestados  pela  fiscalização e aberto novo prazo para sua manifestação.  Nesse  sentido,  VOTO  por  CONVERTER  O  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA.  É como voto.  Bernadete de Oliveira Barros ­ Relatora  Fl. 166DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 20 /01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA

score : 1.0
4515318 #
Numero do processo: 10820.000347/2005-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. CÁLCULO ALTERNATIVO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Pelo cálculo alternativo do crédito presumido do IPI, a que se refere a Lei nº 10.276/01, somente se admite as aquisições sobre as quais efetivamente incidiu o PIS/Pasep e a Cofins e que foram suportadas pelo produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. IPI SOBRE INSUMOS. O valor do IPI destacado nas notas fiscais relativas às aquisições de insumos não é despesa e sim direito do contribuinte contra o Fisco. Não sendo custo de produção, não integra a base de cálculo do crédito presumido do IPI. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CULTURA PRÓPRIA. BASE DE CÁLCULO. Pela fórmula alternativa da Lei nº 10.276/01, o custo do cultivo da cana-de-açúcar, tributado pelo PIS e pela Cofins e apropriado como custo da atividade industrial quando da colheita da cana-de-açúcar, integra a base de cálculo do crédito presumido do IPI. ENERGIA ELÉTRICA CONSUMIDA NA ATIVIDADE INDUSTRIAL. BASE DE CÁLCULO. Somente o custo de aquisição da energia elétrica consumida na atividade industrial compõe a base de cálculo do crédito presumido do IPI, calculado pela fórmula da Lei nº 10.276/01. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OUTROS INSUMOS. Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, de veículos e o serviço de telefonia. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REAJUSTE DE PREÇO. Nas vendas para entrega futura destinadas a exportação, o valor da diferença de preço prevista em contrato e ocorrida entre a data do faturamento e a data da entrega da mercadoria no porto de embarque, constante de nota fiscal, constitui-se em receita de exportação e integra a base de cálculo do crédito presumido do IPI. CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto incluído no campo de incidência do IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago quando da aquisição destes insumos. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro José Antonio Francisco, que não reconhecia o direito ao crédito da atividade agrícola. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201301

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. CÁLCULO ALTERNATIVO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Pelo cálculo alternativo do crédito presumido do IPI, a que se refere a Lei nº 10.276/01, somente se admite as aquisições sobre as quais efetivamente incidiu o PIS/Pasep e a Cofins e que foram suportadas pelo produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. IPI SOBRE INSUMOS. O valor do IPI destacado nas notas fiscais relativas às aquisições de insumos não é despesa e sim direito do contribuinte contra o Fisco. Não sendo custo de produção, não integra a base de cálculo do crédito presumido do IPI. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CULTURA PRÓPRIA. BASE DE CÁLCULO. Pela fórmula alternativa da Lei nº 10.276/01, o custo do cultivo da cana-de-açúcar, tributado pelo PIS e pela Cofins e apropriado como custo da atividade industrial quando da colheita da cana-de-açúcar, integra a base de cálculo do crédito presumido do IPI. ENERGIA ELÉTRICA CONSUMIDA NA ATIVIDADE INDUSTRIAL. BASE DE CÁLCULO. Somente o custo de aquisição da energia elétrica consumida na atividade industrial compõe a base de cálculo do crédito presumido do IPI, calculado pela fórmula da Lei nº 10.276/01. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OUTROS INSUMOS. Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, de veículos e o serviço de telefonia. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REAJUSTE DE PREÇO. Nas vendas para entrega futura destinadas a exportação, o valor da diferença de preço prevista em contrato e ocorrida entre a data do faturamento e a data da entrega da mercadoria no porto de embarque, constante de nota fiscal, constitui-se em receita de exportação e integra a base de cálculo do crédito presumido do IPI. CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto incluído no campo de incidência do IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago quando da aquisição destes insumos. Recurso Voluntário Provido em Parte

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10820.000347/2005-75

anomes_publicacao_s : 201303

conteudo_id_s : 5189962

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 3302-001.931

nome_arquivo_s : Decisao_10820000347200575.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : WALBER JOSE DA SILVA

nome_arquivo_pdf_s : 10820000347200575_5189962.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro José Antonio Francisco, que não reconhecia o direito ao crédito da atividade agrícola. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.

dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013

id : 4515318

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:45 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713041217859616768

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2311; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 2          1 1  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10820.000347/2005­75  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3302­001.931  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  30 de janeiro de 2013  Matéria  IPI ­ RESSARCIMENTO  Recorrente  CLEALCO AÇÚCAR E ÁLCOOL S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003  CRÉDITO  PRESUMIDO.  CÁLCULO  ALTERNATIVO.  INSUMOS  ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.  Pelo cálculo alternativo do crédito presumido do IPI, a que se refere a Lei nº  10.276/01,  somente  se  admite  as  aquisições  sobre  as  quais  efetivamente  incidiu  o  PIS/Pasep  e  a  Cofins  e  que  foram  suportadas  pelo  produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito.  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. IPI SOBRE INSUMOS.  O valor do IPI destacado nas notas fiscais relativas às aquisições de insumos  não é despesa e sim direito do contribuinte contra o Fisco. Não sendo custo  de produção, não integra a base de cálculo do crédito presumido do IPI.  CUSTO DE AQUISIÇÃO. CULTURA PRÓPRIA. BASE DE CÁLCULO.  Pela fórmula alternativa da Lei nº 10.276/01, o custo do cultivo da cana­de­ açúcar, tributado pelo PIS e pela Cofins e apropriado como custo da atividade  industrial quando da colheita da cana­de­açúcar, integra a base de cálculo do  crédito presumido do IPI.  ENERGIA  ELÉTRICA  CONSUMIDA  NA  ATIVIDADE  INDUSTRIAL.  BASE DE CÁLCULO.  Somente  o  custo  de  aquisição  da  energia  elétrica  consumida  na  atividade  industrial compõe a base de cálculo do crédito presumido do  IPI,  calculado  pela fórmula da Lei nº 10.276/01.  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OUTROS INSUMOS.  Os  conceitos  de  produção,  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não  abrangendo  os  produtos  empregados  na  manutenção  das  instalações,  das  máquinas e equipamentos, de veículos e o serviço de telefonia.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 03 47 /2 00 5- 75 Fl. 874DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.000347/2005­75  Acórdão n.º 3302­001.931  S3­C3T2  Fl. 3          2 CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REAJUSTE DE  PREÇO.  Nas vendas para entrega futura destinadas a exportação, o valor da diferença  de preço prevista em contrato e ocorrida entre a data do faturamento e a data  da  entrega  da  mercadoria  no  porto  de  embarque,  constante  de  nota  fiscal,  constitui­se em receita de exportação e  integra a base de cálculo do crédito  presumido do IPI.  CRÉDITO.  INSUMOS  ISENTOS,  SUJEITOS  À  ALÍQUOTA  ZERO  OU  NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE.  A  aquisição  de  matéria­prima,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  isentos, não  tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na  industrialização  de  produto  incluído  no  campo  de  incidência  do  IPI,  não  enseja  direito  ao  creditamento  do  tributo  pago  quando  da  aquisição  destes  insumos.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,    por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencido  o  conselheiro  José  Antonio  Francisco,  que  não  reconhecia  o  direito  ao  crédito  da  atividade  agrícola.    (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Presidente e Relator.     EDITADO EM: 02/02/2013  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva,  José  Antonio  Francisco,  Fabiola  Cassiano  Keramidas,  Maria  da  Conceição  Arnaldo  Jacó,  Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.          Relatório  Fl. 875DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.000347/2005­75  Acórdão n.º 3302­001.931  S3­C3T2  Fl. 4          3 No  dia  29/09/2004  a  empresa  CLEALCO  AÇÚCAR  E  ÁLCOOL  S/A  transmitiu pedido de ressarcimento de crédito presumido e de crédito básico de IPI, relativo ao  4º semestre de 2003.  A DRF em Araçatuba ­ SP deferiu parcialmente o pedido da recorrente, pelas  razões constante no Parecer Saorte 10820/38/2008 ­  fls. 645/660 ­ que pode ser  resumido da  seguinte forma:  1­ exclusão, do valor dos custos de produção, do valor do IPI destacado nas  notas fiscais de aquisição de insumos. O valor do IPI foi escriturado regularmente e está sendo  objeto de pedido de ressarcimento também neste processo;  2­ exclusão, dos custos de produção, do valor da cana­de­açúcar adquirida de  pessoa física;  3­ exclusão, dos custo de produção, do valor da  energia  elétrica consumida  nas dependências administrativas da Recorrente, fixada em laudo técnico;  4­ exclusão, dos custo de produção, das despesas com telefone;  5­  exclusão,  dos  custos  de  produção,  dos  insumos  (calcário,  fertilizantes,  herbicidas) utilizados na lavoura de cana­de­açúcar;  6­  exclusão,  dos  custo  de  produção,  dos  gastos  com  peças  para  veículos,  peças para máquinas, material elétrico e outros materiais que não se enquadram no conceito de  MP, PI e ME a que se refere a legislação do IPI;  7­ exclusão, do valor da receita de exportação e da receita bruta, do valor da  variação cambial ativa escriturada como receita de exportação decorrente da diferença de preço  do açúcar para entrega futura;  8­ glosa de crédito básico na aquisição de insumos isentos, NT e de alíquota  zero;  9­ glosa de crédito básico de insumos adquiridos de comerciantes atacadistas  em face dos mesmos serem isentos, NT ou de alíquota zero;  Ciente  da  decisão,  a  empresa  interessada  ingressou  com  a manifestação  de  inconformidade  de  fls.  1.304/1.354,  cujas  razões  estão  sintetizadas  no  relatório  do  acórdão  recorrido, abaixo transcrito.  Insubmissa  à  decisão  administrativa  da  qual  teve  ciência  em  22/01/2008, conforme o AR nos autos, a contribuinte apresentou,  em 20/02/2008 (carimbo de protocolo à fl. 678), a manifestação  de inconformidade, de fls. 653/678, subscrita pelos patronos da  pessoa  jurídica  qualificados  na  procuração de  fl.  749,  em que,  resumidamente,  sustenta  que  é  indevida  a  exclusão  das  aquisições de insumos de pessoas físicas, considerando que a lei  não  faz  tal  restrição;  que  são  indevidas  as  glosas  dos  valores  relativos  à  energia  elétrica,  óleo  diesel  e  telefonia  sob  o  argumento  de  que  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumos,  sendo  contestada  a  validade  do  Parecer  Normativo  65/79  que  Fl. 876DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.000347/2005­75  Acórdão n.º 3302­001.931  S3­C3T2  Fl. 5          4 restringe  o  conceito  de  insumo;  que  a  fiscalização  excluiu  indevidamente o valor de IPI contido nas aquisições de insumos,  pois o valor de IPI constante das notas fiscais compõe a base de  cálculo do PIS e da COFINS; que também é indevida a exclusão  dos  demais  insumos  (calcário,  fertilizantes  e  adubos  utilizados  na  lavoura  e  produtos  intermediários  como  lâmpadas,  mangueiras,  rolamentos e outros  itens  totalmente necessários à  fabricação do produto, que tem contato direto com o produto, se  desgastam  no  processo  produtivo  e  compõem  os  custos  deste  processo); que, quanto ao ajuste da receita de exportação, não  se  trataria de variação cambial, mas de complemento de preço  no momento da entrega do produto, sendo o caso de vendas para  entrega futura com preços estimados nas notas fiscais de simples  remessa; que, quanto às aquisições sem destaque do imposto, há  o  direito  ao  crédito  de  insumos  adquiridos  de  comerciantes  atacadistas  não  contribuintes  do  imposto mediante  a  aplicação  da  alíquota  sobre  o  valor  de  50%  do  preço  do  produto,  nos  termos do RIPI/2002, art. 165, e que o art. 11 da Lei n° 9.779, de  1999,  permitiria  o  creditamento  do  imposto  inclusive  sobre  produtos isentos, não tributados e sujeitos à alíquota zero, sendo  o  procedimento  da  interessada  consentâneo  com  a  jurisprudência judicial. Ao final da peça de defesa é requerido o  cancelamento  das  glosas  e  o  reconhecimento  do  direito  creditório  com o  julgamento  como procedente  da manifestação  de inconformidade.  A  2a  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  em  Ribeirão  Preto  ­  SP  indeferiu  a  solicitação  da  recorrente,  nos  termos  do Acórdão  no  14­29.918,  de  23/06/2010,  cuja  ementa  abaixo transcrevo:  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA.  Os  valores  referentes  às  aquisições  de  insumos  de  pessoas  físicas,  não­contribuintes  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  não  integram  o  cálculo  do  crédito  presumido  por  falta  de  previsão  legal.  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. IPI SOBRE INSUMOS.  O  valor  do  IPI  destacado  nas  notas  fiscais  relativas  às  aquisições  de  insumos  deve  ser  excluído  da  apuração  do  incentivo,  porque  o  IPI  não  compõe  a  base  de  cálculo  do  PIS/Pasep e da Cofins.  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATIVIDADE AGRÍCOLA.  A  legislação  referente  ao  crédito  presumido  somente  admite  a  inclusão  dos  insumos  aplicados  na  produção  industrial,  não  sendo abrangidos os materiais aplicados na produção de cana­ de­açúcar, por se tratar de atividade agrícola.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  RECEITA  DE  EXPORTAÇÃO.  VARIAÇÃO CAMBIAL.  É insuscetível de cômputo no montante da receita de exportação  a  variação  cambial  ocorrida  entre  a  data  de  emissão  da  nota  Fl. 877DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.000347/2005­75  Acórdão n.º 3302­001.931  S3­C3T2  Fl. 6          5 fiscal de exportação e a data do efetivo embarque dos produtos e  apropriada na contabilidade, ainda que haja a emissão de nota  fiscal complementar.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  REGIME  ALTERNATIVO.  PRODUÇÃO E INSUMOS. CONCEITOS.  Os  conceitos  de  produção,  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  são  os  admitidos  na  legislação aplicável ao IPI, não abrangendo os produtos que não  tiveram  contato  físico  direto,  nem  exerceram  diretamente  ação  no produto industrializado, bem como, não incluem os materiais  destinados  ao  ativo  permanente,  os  serviços  de  telefonia  e  a  energia elétrica e os combustíveis não utilizados diretamente no  processo industrial.  CRÉDITO ESCRITURAL. INSUMOS. ADMISSIBILIDADE  Somente  podem  gerar  crédito  os  insumos  adquiridos  com  a  incidência  do  imposto  e  que  sejam empregados  diretamente  no  processo produtivo, com o desgaste físico caracterizado ou que  componham o produto final.  MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.  A  matéria  submetida  a  glosa  em  revisão  de  pedido  de  ressarcimento  de  credito  presumido  de  IPI,  não  especificamente  contestada  na  manifestação  de  inconformidade,  é  reputada  como  incontroversa,  com  a  aceitação tácita da interessada, e é insuscetível de ser trazida  à baila em momento processual subseqüente.  A  recorrente  tomou  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  no  dia  26/07/2010, conforme AR de fl. 807, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 09/08/2010,  com o  recurso voluntário de  fls.  808/836, no qual  reprisa os  argumentos da manifestação de  inconformidade, acima resumido.  Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído.  Na sessão de 29 de novembro de 2012, a 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara,  da  3ª  Seção  de  Julgamento  do CARF  (2ªTO/3ªC/3SJ)  aprovou,  por  unanimidade  de votos,  o  sobrestamento do  julgamento do recurso voluntário do contribuinte, nos  termos do art. 62­A,  §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do Carf.  Formalizado  a  Resolução  nº  3302­00.265,  foi  comprovado  a  existência  de  erro de fato na decisão porque a matéria em litígio não se enquadra entre as que estão sujeitas a  sobrestamento do julgamento de recurso voluntário, no CARF.  Embargada  a  decisão,  o  Presidente  da  Turma  de  Julgamento  determinou  a  inclusão do processo em Pauta para julgamento do recurso voluntário, nos termos do Despacho  nº 3302­108, acostado aos autos.    Fl. 878DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.000347/2005­75  Acórdão n.º 3302­001.931  S3­C3T2  Fl. 7          6 É o Relatório.  Voto             Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator.    O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  requisitos  legais.  Dele  se  conhece.  Como relatado, trata­se de pedido de ressarcimento de crédito presumido de  IPI  deferido  parcialmente  pela  RFB.  Não  se  conformando,  a  empresa  ingressou  com  manifestação de inconformidade que restou sendo indeferida pela DRJ. Desta decisão da DRJ a  empresa apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa passamos à analise.    1­ Apuração do Crédito Presumido ­ Fórmula alternativa  O  crédito  presumido  pedido  pela  Recorrente  foi  calculado  pela  fórmula  alternativa  da  Lei  nº  10.276/01,  regulamentada  pelas  Instruções  Normativas  SRF  nº  69/01,  315/03, 420/04, 441/04 e 1.159/11. Para uma compreensão dos fatos,  reproduz­se o artigo 1º  desta Lei.  Art.  1º Alternativamente  ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de  dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de  mercadorias  nacionais  para  o  exterior  poderá  determinar  o  valor  do  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI),  como  ressarcimento  relativo  às  contribuições  para  os  Programas  de  Integração  Social  e  de  Formação  do  Patrimônio  do  Servidor  Público  (PIS/PASEP)  e  para  a  Seguridade  Social  (COFINS),  de  conformidade  com  o  disposto em regulamento.  §  1º A base  de  cálculo  do  crédito  presumido  será  o  somatório  dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições  referidas no caput:  I ­ de aquisição de insumos, correspondentes a matérias­primas,  a  produtos  intermediários  e  a  materiais  de  embalagem,  bem  assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado  interno e utilizados no processo produtivo;  II  ­  correspondentes  ao  valor  da  prestação  de  serviços  decorrente  de  industrialização  por  encomenda,  na  hipótese  em  que  o  encomendante  seja  o  contribuinte  do  IPI,  na  forma  da  legislação deste imposto.  §  2o  O  crédito  presumido  será  determinado  mediante  a  aplicação,  sobre  a  base  de  cálculo  referida  no  §  1o,  do  fator  calculado pela fórmula constante do Anexo.  Fl. 879DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.000347/2005­75  Acórdão n.º 3302­001.931  S3­C3T2  Fl. 8          7 §  3o  Na  determinação  do  fator  (F),  indicado  no  Anexo,  serão  observadas as seguintes limitações:  I ­ o quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior;  II  ­  o  valor dos  custos previstos no § 1o  será apropriado até o  limite de oitenta por cento da receita bruta operacional.  §  4o  A  opção  pela  alternativa  constante  deste  artigo  será  exercida  de  conformidade  com  normas  estabelecidas  pela  Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente:  I ­ o último trimestre­calendário de 2001, quando exercida neste  ano;  II  ­  todo  o  ano­calendário,  quando  exercida  nos  anos  subseqüentes.  §  5o Aplicam­se  ao  crédito  presumido  determinado  na  forma  deste  artigo  todas  as  demais  normas  estabelecidas  na  Lei  no  9.363, de 1996. (os destaques não são do original).  A  primeira  conclusão  que  se  tira  destes  dispositivos  legais  é  que,  diferentemente da base de cálculo da Lei nº 9.363/96, a base de cálculo do crédito presumido  da  Lei  nº  10.276/01  é  formada  exclusivamente  por  custos  sobre  os  quais  incidiu  o  PIS  e  a  Cofins.  A  segunda  conclusão  fundamental  é  que  as  Instruções Normativas  da  SRF  que regulamentam as disposições da Lei nº 10.276/01, acima indicadas, não foram apreciadas  e, consequentemente, declaradas  ilegais pelo STJ ao  julgar o RESP nº 993164 MG. Somente  disposições das Instruções Normativas que regulamentam a Lei nº 9.363/96 foram declaradas  ilegais pelo STJ na referido julgado.  A terceira conclusão importante é que as demais normas estabelecidas na Lei  nº 9.363/96 aplicam­se ao crédito presumido apurado com base na Lei nº 10.276/01.    2­ Aquisições de cana­de­açúcar de pessoas físicas  Como dito acima, o valor do crédito presumido pleiteado pela Recorrente foi  calculado pela fórmula alternativa da Lei nº 10.276, de 2001.  A Lei nº 10.276/01, no seu § 1º, do art. 1º, é muito clara ao dispor que a base  de  cálculo  do  crédito  presumido  será  o  somatório  de  custos  “sobre  os  quais  incidiram  as  contribuições” para o PIS e Cofins. Reza este dispositivo:  Art.  1º Alternativamente  ao  disposto  na Lei  nº  9.363,  de  13  de  dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de  mercadorias  nacionais  para  o  exterior  poderá  determinar  o  valor  do  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI),  como  ressarcimento  relativo  às  contribuições  para  os  Programas  de  Integração  Social  e  de  Formação  do  Patrimônio  do  Servidor  Público  (PIS/PASEP)  e  Fl. 880DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.000347/2005­75  Acórdão n.º 3302­001.931  S3­C3T2  Fl. 9          8 para  a  Seguridade  Social  (COFINS),  de  conformidade  com  o  disposto em regulamento.  §  1º A base  de  cálculo  do  crédito  presumido  será  o  somatório  dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições  referidas no caput:  Com  relação aos  insumos oriundos da atividade  rural,  a  IN SRF nº 315/03,  vigente à época do pedido de ressarcimento do crédito presumido pela Recorrente, determina  que o crédito presumido “será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas  de  pessoas  jurídicas  sujeitas  à  contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  à  Cofins”:  Isto  porque  as  pessoas  físicas  não  são  contribuintes  do  PIS  e  da  Cofins  e,  portanto,  os  produtos  por  elas  vendidos  aos  contribuintes do  IPI não  estão  sujeitos  à  incidência destas  contribuições. Diz o  art. 5º desta normativa:  Art. 5º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o art. 1º a  pessoa  jurídica  produtora  e  exportadora  de  produtos  industrializados nacionais.   § 1º O direito ao crédito presumido aplica­se inclusive:   I – a produto industrializado sujeito a alíquota zero;   II  –  nas  vendas  a  empresa  comercial  exportadora,  com  o  fim  específico de exportação.  §  2º  O  crédito  presumido  relativo  a  produtos  oriundos  da  atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de  12  de  abril  de  1990,  utilizados  como  MP,  PI  ou  ME,  na  industrialização  de  produtos  exportados,  será  calculado,  exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas  jurídicas sujeitas à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins.  A alegação de que no preço dos produtos agrícolas vendidos pelos produtos  rurais está incluído o PIS e a Cofins que incidiram nos insumos utilizados na lavoura de cana­ de­açúcar (que é o produto em discussão nestes autos) não pode prosperar pelo simples fato de  que o produto adquirido como matéria­prima para fabricar açúcar é a cana­de­açúcar e não os  insumos  adquiridos  e  usados  pelo  produtor  rural. É  o  valor  da MP, PI  e ME adquirido  pela  Recorrente que entra no cálculo do crédito presumido e não o valor do  insumo adquirido de  pessoa jurídica pelo produtor/vendedor da cana­de­açúcar.  Correto  a  glosa  efetuada  pela  autoridade  fiscal,  ratificada  pela  decisão  recorrida..      3­ Inclusão na base de cálculo do crédito pleiteado do IPI incidente sobre insumos  A Recorrente incluiu, na base de cálculo do crédito presumido, o valor do IPI  lançado  nas  notas  fiscais  de  aquisição  de  insumos  empregados  na  produção  do  produto  exportado. Tal procedimento é ilegal por duas razões, principalmente. Primeiro, o valor do IPI  destacado nas notas fiscais de aquisição de insumos não é custo de produção. Tanto não o é que  Fl. 881DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.000347/2005­75  Acórdão n.º 3302­001.931  S3­C3T2  Fl. 10          9 a  Recorrente  está  pleiteando,  neste  processo,  o  seu  ressarcimento.  Segundo,  o  valor  do  IPI  destacado nas notas fiscais de entrada não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. Sobre  estes  valores  não  incidiu o PIS  e  a Cofins  e,  conforme determina  §  1º,  do  art.  1º,  da Lei  nº  10.276/01, eles não entram na base de cálculo do crédito presumido.  Correto  a  glosa  efetuada  pela  autoridade  fiscal,  ratificada  pela  decisão  recorrida.    4­ Insumos usados na cultura da cana­de­açúcar  Sobre  este  tema,  preliminarmente,  há  que  se  demarcar  alguns  limites  que  envolvem a questão.  O  crédito  presumido  é  calculado  pelo  valor  das  matérias­primas,  produtos  intermediários e material de embalagem utilizados na atividade industrial e estes conceitos são  extraídos  da  legislação  do  IPI.  Portanto,  nem  todo  custo  de  produção  (art.  290  do  RIR/99)  enquadra­se em um destes conceitos.  A  recorrente  exerce  duas  atividades:  uma  agrícola  e  outra  industrial.  O  crédito presumido do  IPI não pode ser concedido para a atividade agrícola, por estar  fora do  campo de  incidência do  IPI. O  fato de a  recorrente destinar parte ou  toda a  sua produção de  cana­de­açúcar para a fabricação de açúcar em nada muda esta realidade. A contabilização dos  custos  com  a  formação  da  lavoura  de  cana­de­açúcar  é  feita  separadamente  dos  custos  incorridos na fabricação de açúcar.   Os  custos  incorridos  com  a  formação  da  lavoura  (adubos,  defensivos,  fertilizantes,  etc.)  não  são  custos  da  atividade  industrial  e  devem  ser  contabilizados  como  investimento no ativo imobilizado. Se são imobilizados não são custos ou despesas e, portanto,  não  podem  gerar  direito  ao  crédito  presumido  do  IPI,  mesmo  para  quem  entende  que  a  atividade agrícola é uma parte da fabricação de açúcar. Tal afirmativa (a atividade agrícola é  uma  parte  da  fabricação  de  açúcar)  é  falaciosa  porque  quem  fabrica  açúcar  não  é  obrigado  cultivar cana­de­açúcar, do mesmo jeito de quem fabrica automóvel não é obrigado a fabricar  pneus. E vice­versa.  Não resta nenhuma dúvida de que a cana­de­açúcar é matéria­prima utilizada  na fabricação do açúcar e o valor do seu custo de aquisição deve ser considerado no cálculo do  crédito  presumido,  independente  do  tipo  de  aquisição  (compra,  troca,  cultivo,  etc.). Entendo  que o fato do fabricante de açúcar produzir a cana­de­açúcar não lhe tira o direito de considerar  o custo de aquisição da cana­de­açúcar produzida no cálculo do crédito presumido. A despesa  foi realizada, embora no pretérito. No entanto, o custo de produção da cana­de­açúcar não pode  ser computado na data do seu dispêndio porque o mesmo é contabilizado como investimento.  Por uma questão de equidade e porque a Lei fala em “custo de aquisição” e não em “compra”,  quando  da  colheita  e  utilização  da  cana­de­açúcar  para  a  fabricação  da  açúcar,  deve  ser  incluído  no  cálculo  do  crédito  presumido  o  seu  custo  de  produção,  contabilizado  como  investimento  e  apropriado  como  custo  de  produção  da  atividade  industrial  por meio  de  sua  contabilização como despesa de depreciação.  Todos  os  dispêndios  realizados  para  a  formação  da  lavoura  de  cana­de­ açúcar,  incluindo  mão­de­obra,  combustível,  manutenção  de  equipamentos  utilizados  na  Fl. 882DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.000347/2005­75  Acórdão n.º 3302­001.931  S3­C3T2  Fl. 11          10 atividade,  etc.,  são  dispêndios  formadores  do  custo  de  produção  da  cana­de­açúcar  e,  consequentemente, determinam o seu valor econômico ou preço. Na hipótese de a  recorrente  adquirir  no  mercado  a  cana­de­açúcar  usada  na  fabricação  da  açúcar,  o  preço  (custo  de  aquisição)  pago  entra  no  cálculo  do  crédito  presumido,  pela  fórmula  da  Lei  nº  9.363/96.  Também na hipótese de a recorrente produzir cana­de­açúcar para a fabricação da açúcar, todo  o  valor  despendido  para  a  formação  da  lavoura  (custo  de  formação),  calculado  e  apropriado  quando da colheita da cana­de­açúcar (via depreciação), representa o custo de aquisição desta  matéria­prima e deve entrar no cálculo do crédito presumido, desde que calculado pela fórmula  estabelecida na Lei nº 9.363/96.  As  conclusões  acima  referem­se  ao  cálculo  da  Lei  nº  9.363/96  porque,  no  crédito presumido calculado pela fórmula alternativa da Lei nº 10.276/01, somente os custos de  aquisição que  sobre os  quais  incidiu o PIS  e a Cofins podem entrar no  cálculo do benefício  fiscal, por força do que determina o § 1º, do art. 1º, desta lei.  Em face desta restrição, somente a depreciação relativa a insumos da lavoura  de cana­de­açúcar, que sobre os quais incidiu o PIS e a Cofins, compõem a base de cálculo do  crédito presumido calculado pela fórmula da Lei nº 10.276/01.  Esclareça­se, por oportuno, que no REsp 993164 MG o STJ não declarou a  ilegalidade das IN SRF nºs 69/01, 315/03 e 420/04, que regulamentam a Lei nº 10.276/01.  Conclui­se que é de se reconhecer o direito de a Recorrente incluir na base de  cálculo do crédito presumido, calculado pela fórmula da Lei nº 10.276/01, o valor dos insumos  empregados da lavoura de cana­de­açúcar, tributados pela PIS e pela Cofins, apropriado como  custo da atividade industrial no período de apuração objeto do pedido, desde que obedecido a  legislação de regência, especialmente a do Imposto de Renda Pessoa Jurídica.    5­ Gastos com energia elétrica e combustível  Os  argumentos  da  recorrente  sobre  despesas  de  combustíveis  não  serão  apreciados porque inexiste glosa desta despesa.  Com relação à despesa de energia elétrica, foi incluído no cálculo do crédito  presumido  98,27%  do  valor  desta  despesa.  Tal  percentual  fundou­se  em  laudo  técnico  apresentado pela empresa e representa a energia consumida na atividade industrial.  No  recurso  voluntário  a  Recorrente  reporta­se  a  fatos  e  situações  absolutamente estranhos aos descritos na Informação Fiscal  (fls. 443/459) e no Parecer Saort  (1.230/1.258), que embasaram a decisão da DRF.  A Recorrente  não  trouxe  nenhuma  prova  que  possa  se  contrapor  à  que  ela  mesma entregou à Fiscalização quando da realização da diligência destinada a apurar o crédito  pleiteado, relativamente às despesas com energia elétrica.  Sem prova do alegado, não há como reformar a decisão recorrida.    Fl. 883DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.000347/2005­75  Acórdão n.º 3302­001.931  S3­C3T2  Fl. 12          11 6­ Gastos com manutenção de bens do ativo imobilizado  Quanto à pretensão da recorrente de incluir no cálculo do crédito presumido  os dispêndios realizados com a manutenção de bens do ativo permanente (veículos, máquinas e  imóveis) entendo que os produtos/serviços adquiridos com esta finalidade não se enquadram no  conceito de matéria­prima e de produtos intermediários a que se refere o 164, I, do RIPI/2002  e, consequentemente, não geram direito nem a crédito básico do IPI e nem entram no cálculo  do crédito presumido do IPI, a que se refere a Lei nº 10.276/01.  Pela  legislação  do  IPI,  para  que  os  insumos  sejam  caracterizados  como  matéria­prima, produto intermediário ou material de embalagem, faz­se necessário o consumo,  o desgaste ou alteração desses insumos, em virtude de ação direta exercida sobre o produto em  fabricação.  Conforme  afirma  a  decisão  recorrida,  o  Parecer  Normativo  CST  n°  65,  de  1979, elucida a correta exegese do inciso I do art. 66 do RIPI/79, que corresponde ao art. 164,  I, do RIP1/2002, aprovado pelo Decreto n°4.544/2002.  Pelas disposições do referido parecer, que adotamos, é  incontestável que os  produtos produtos/serviços  empregados na manutenção de veículos,  imóveis  e máquinas não  podem  ser  incluídos  na  base  de  cálculo  do  crédito  presumido  de  IPI  como  matéria­prima,  produto intermediário ou material de embalagem empregados na fabricação de açúcar. Alguns  desses  produtos/serviços  podem  até  ser  insumos, mas  certamente  não  se  caracterizam  como  nenhum daqueles antes referidos (MP, PI e ME); enquadram­se, em contrapartida, como gastos  gerais de fabricação, ou custos  indiretos,  incorridos na produção. Fato é que inexiste contato  direto com o açúcar em fabricação, ou incorporação a este.    7­ Gastos com serviço de telefonia.  O  que  se  disse  no  item  anterior  vale  para  as  despesas  com  serviços  de  telefonia porque, como disse a decisão recorrida, os gastos com telefonia não se enquadram no  conceito mais amplo de insumo usado na produção de açúcar.    8­ Receita de exportação ­ Receita de reajuste de preço.  As vendas realizadas pela Recorrente para a empresa CARGILL AGRÍCOLA  S/A,  uma  comercial  exportadora,  objeto  deste  processo,  foram  na modalidade  “para  entrega  futura”, com base em contrato previamente firmado entre as partes, no qual contém cláusula de  reajuste de preço, quando da entrega da mercadoria.  As diferenças de preço são faturadas pela Recorrente em momento posterior a  entrega  da  mercadoria  e  o  valor  lançado  em  nota  fiscal  de  complementação  de  preço  do  produto exportado.  Independente  do  critério  pactuado  para  o  reajuste  do  preço,  o  valor  desta  receita tem a mesma natureza da receita gerada pela nota fiscal de venda para entrega futura,  Fl. 884DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.000347/2005­75  Acórdão n.º 3302­001.931  S3­C3T2  Fl. 13          12 ou  seja,  é  receita de exportação. Quem está obrigado  a  efetuar o pagamento da diferença de  preço é a empresa adquirente da mercadoria.  A diferença de preço, aqui referida, não se confunde com receita de variação  cambial  (mesmo que seja a  taxa de câmbio usada como referência de preço), que decorre de  contrato de câmbio. Aqui a diferença decorre de variação, em bolsa de mercadoria, do preço de  mercadoria vendida para entrega futura, cujo preço final pactuado é o preço na data da entrega  da mercadoria e não o preço na data da emissão da nota fiscal de venda para entrega futura.  Desta  forma,  entendo que deve ser  incluído no valor da  receita operacional  bruta e da receita de exportação, o valor das Notas Fiscais nº 39997, 39998 e 39999, relativas a  reajuste  de  preço  de  mercadoria  vendida  para  empresa  comercial  exportadora,  CARGILL  AGRÍCOLA  S/A,  para  entrega  futura.  No  caso  dos  autos,  as  notas  fiscais  totalizam  R$  2.711.966,16 e as notas do 3º  trimestre  totalizam R$ 796.235,31. O valor acumulado  totaliza  R$  3.508.201,47.  Este  foi  o  valor  excluído  pela  Fiscalização  e  que  está  sendo  restabelecido  nesta decisão.    9­ Créditos escriturais ­ Lei nº 9.779/99.  A  Fiscalização  constatou  que  a  Recorrente  efetuou  a  escrituração,  e  está  pleiteando o ressarcimento nestes autos, de créditos básicos de IPI por ela apurado na aquisição  de insumos e de bens de consumo isentos, de alíquota zero ou não tributados pelo IPI.  Independente de quem a Recorrente adquiriu esses produtos (se do fabricante  ou de comerciante atacadista), certo é que no dia 29.09.2010 o Pleno do STF, ao julgar o RE  566819, rel. Min. Marco Aurélio, decidiu inexistir direito do contribuinte do IPI de creditar­se  do valor do tributo nas aquisições de insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributados  pelo IPI.  Apenas para contra­argumentar, os insumos que dão direito ao crédito básico  do IPI são exclusivamente aqueles que se enquadram no conceito de matéria­prima, produtos  intermediários e material de embalagem da legislação do IPI, já exposto no item 6 deste voto.  Não é o caso dos produtos objeto da glosa, que não entram na composição do açúcar ou, no  processo produtivo, com ele tem contato.  No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico  os fundamentos do acórdão de primeira instância.  Por  tais  razões,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  (i)  incluir  o  valor  das  notas  fiscais  de  reajuste  preço  no  valor  da  Receita  Operacional  Bruta  e  da  Receita  de  Exportação;  e  (ii)  incluir  na  base  de  cálculo  do  crédito  presumido, calculado pela  fórmula da Lei nº 10.276/01, o valor dos  insumos empregados da  lavoura  de  cana­de­açúcar,  tributados  pela  PIS  e  pela  Cofins,  apropriado  como  custo  de  produção  da  atividade  industrial  no  período  de  apuração  objeto  do  pedido,  nos  termos  da  legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica.                                                              1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:  [. . .]  § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de  anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.  Fl. 885DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.000347/2005­75  Acórdão n.º 3302­001.931  S3­C3T2  Fl. 14          13   (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Relator                             Fl. 886DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA

score : 1.0