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Numero do processo: 16327.721497/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101, DE 2000. CONDIÇÕES. INSTRUMENTO PRÉVIO. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INOBSERVÂNCIA. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO.
Os valores pagos a título de PLR em desconformidade com as exigências estabelecidas na Lei nº 10.101, de 2000, seja porque não estão suportados em instrumento prévio ao período de apuração do lucro a ser distribuído, seja pela carência de regras claras e objetivas quanto aos resultados a serem alcançados e aos direitos dos trabalhadores, ou mesmo pela impossibilidade demonstrada pela empresa em vincular os pagamentos realizados com o respectivo instrumento de negociação, constituem salário-de-contribuição, base de cálculo para a contribuição previdenciária.
MULTA DE OFÍCIO. SUCESSORA.
A multa de ofício integra o conceito de crédito tributário sendo por isso de responsabilidade do sucessor.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS.
A multa de ofício tem natureza jurídica de penalidade tributária e integra o conceito de crédito tributário nos termos do artigo 142 do CTN, razão pela qual está sujeita aos juros moratórios.
Numero da decisão: 2201-003.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que dava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101, DE 2000. CONDIÇÕES. INSTRUMENTO PRÉVIO. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INOBSERVÂNCIA. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. Os valores pagos a título de PLR em desconformidade com as exigências estabelecidas na Lei nº 10.101, de 2000, seja porque não estão suportados em instrumento prévio ao período de apuração do lucro a ser distribuído, seja pela carência de regras claras e objetivas quanto aos resultados a serem alcançados e aos direitos dos trabalhadores, ou mesmo pela impossibilidade demonstrada pela empresa em vincular os pagamentos realizados com o respectivo instrumento de negociação, constituem salário-de-contribuição, base de cálculo para a contribuição previdenciária. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSORA. A multa de ofício integra o conceito de crédito tributário sendo por isso de responsabilidade do sucessor. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. A multa de ofício tem natureza jurídica de penalidade tributária e integra o conceito de crédito tributário nos termos do artigo 142 do CTN, razão pela qual está sujeita aos juros moratórios.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101, DE 2000. CONDIÇÕES. INSTRUMENTO PRÉVIO. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INOBSERVÂNCIA. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os valores pagos a título de PLR em desconformidade com as exigências estabelecidas na Lei nº 10.101, de 2000, seja porque não estão suportados em instrumento prévio ao período de apuração do lucro a ser distribuído, seja pela carência de regras claras e objetivas quanto aos resultados a serem alcançados e aos direitos dos trabalhadores, ou mesmo pela impossibilidade demonstrada pela empresa em vincular os pagamentos realizados com o respectivo instrumento de negociação, constituem saláriodecontribuição, base de cálculo para a contribuição previdenciária. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSORA. A multa de ofício integra o conceito de crédito tributário sendo por isso de responsabilidade do sucessor. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. A multa de ofício tem natureza jurídica de penalidade tributária e integra o conceito de crédito tributário nos termos do artigo 142 do CTN, razão pela qual está sujeita aos juros moratórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que dava provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 14 97 /2 01 2- 01 Fl. 1141DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado em face do Acórdão 1649.018, da 14ª Turma da DRJ/SP1, que julgou improcedente impugnação apresentada pela empresa interessada em face do AIOP composto pelo Debcad nº 51.002.5439 (cota patronal e Rat) e pelo Debcad nº 51.002.5447 (terceiros), ambos tendo por base de incidência os valores pagos à título de participação nos lucros e resultados no período de janeiro a dezembro de 2009. A ciência do lançamento ao contribuinte foi dada em 18/12/2012 (fls 355 e 363). Lançamento De acordo com o relatório fiscal (fls 371), o procedimento de fiscalização teria o seguinte escopo: (a) o período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009, para a empresa Santander Brasil Asset Management Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.; (a) o período de janeiro de 2007 a dezembro de 2009, para a empresa Santander Asset Management Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. Em novembro de 2009, teria ocorrido a incorporação da segunda empresa pela primeira, em decorrência do que a ação fiscal abrangeria ambas. Durante o período fiscalizado, os pagamentos a título de PLR realizados pela empresa Santander Brasil Asset Management Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. teriam sido regido pelos seguintes instrumentos: (i) Plano Próprio de Participação nos Resultados PPR celebrado entre o Grupo ABN Amro e a comissão de representantes dos empregados, em 11 de junho de 2001; (ii) Programa Próprio de Gestão 2009/2010; e Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 16327.721497/201201 Acórdão n.º 2201003.592 S2C2T1 Fl. 1.142 3 (iii) Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2007, 2008 e 2009. Já os pagamentos realizados pela empresa Santander Asset Management Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. teriam por base os seguintes instrumentos: (i) Acordos Coletivos de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados (PPR), celebrados entre a distribuidora, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro CONTRAF e a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito CONTEC em 2006, 2007, 2008 e 2009; (ii) Programas Executivos PEX em 2007 e 2008 e Programa Próprio de Gestão 2009/2010; e (iii) Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2006, 2007, 2008 e 2009. A fiscalização faz uma análise de cada um desses instrumentos, apontando o que considera inadequado em relação à legislação de vigência. Plano Próprio de Participação nos Resultados PPR celebrado entre o Grupo ABN Amro e a comissão de representantes dos empregados, em 11 de junho de 2001 base para pagamentos realizados em 2008 e 2009 pela Santander Brasil Asset Mangement Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. Esse acordo teria sido firmado em nome da empresa por pessoas sem poder de representação, além disso haveria uma assinatura genérica em nome do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e região, mas não teria havido comprovação do registro e arquivamento do acordo na entidade sindical da categoria. Aduz ainda a inexistência de regras claras e objetivas como exigido pela legislação de regência: 5.37 No presente caso não há a presença nem de regras substantivas, nem de regras adjetivas. Não são fixadas as metas a serem atingidas para que haja conhecimento prévio por parte dos funcionários do esforço necessário para o recebimento da PLR, não é descrito o processo de avaliação e nem são apresentados os formulários que embasarão tal processo. É apenas citada a existência de metas préestabelecidas para cada área, bem como de uma avaliação quantitativa e qualitativa de desempenho dos empregados, sem que nenhum desses dois integre o acordo firmado. Inexistindo essas regras, não seria possível a aferição posterior do cumprimento do quanto acordado, também exigência expressa da lei. Esse acordo teria sido objeto de várias reuniões entre a Comissão de Representantes dos Empregados e da Empresa para as quais também não teriam sido comprovados os poderes de representação. A partir delas, teria havido a prorrogação do acordo originalmente firmado, mas teriam sido realizados no decorrer do próprio ano de apuração do lucro e também não haveria registro de participação de representação sindical. Fl. 1143DF CARF MF 4 Programa Próprio de Gestão exercícios 2009 e 2010 ambas as empresas Este programa também não conteria qualquer assinatura, qualificação ou data de celebração do instrumento que lhe lastreia. Não teria sido comprovada a participação sindical nem o seu registro e arquivamento nessa entidade. Aduz ainda a fiscalização que sua aplicação está restrita a uma parcela dos empregados e que, embora faça referência a metas quantitativas e qualitativas e competências individuais, elas não são definidas. Programa Executivos exercícios de 2007 e 2008 CNPJ 73.159 Assim como no programa anterior, a fiscalização aponta que este programa: não conteria qualquer assinatura, qualificação ou data de celebração do instrumento que lhe lastreia; não teria sido comprovada a participação sindical nem o seu registro e arquivamento na entidade em questão; embora faça referência a metas quantitativas e qualitativas e competências individuais, elas não são definidas. Acordos Coletivos de Trabalho da Participação nos Resultados (PPR) empresa Santander Asset Management Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. (i) Acordos Coletivos 2008, celebrados em 02 de fevereiro de 2009 e 30 de dezembro de 2008, respectivamente, entre o Grupo Santander S.A., a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro CONTRAF e a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito CONTEC, com vigência retroativa a 01 de janeiro de 2008, por um ano; (ii) Acordos Coletivos 2009, celebrados em 30 de dezembro de 2009, entre o contribuinte e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro CONTRAF e a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito CONTEC, com vigência retroativa a 01 de janeiro de 2009, válido por dois anos. Em relação a esses acordos, a fiscalização aponta o fato de serem retroativos ao início de seus anos bases. Além disso, o Acordo de 2008, que teria redação semelhante aos que lhe precederam e não estão sendo citados nesse relatório, teria como critério de aferição a melhoria do índice de satisfação dos clientes e a colocação do Banco no Painel das Instituições Financeiras. O Acordo de 2009 teria por base o relação percentual entre o ROE Médio do Banco Santander com a média do ROE de seus principais concorrentes, sendo entendido o ROE como a relação percentual entre o Lucro Líquido e o Patrimônio Líquido dos bancos. Neste caso, a fiscalização entende que também não existiriam regras claras e objetivas quanto às metas a serem alcançadas. Problemas Gerais A partir desse ponto (item 5.89), a fiscalização passa a apontar o que entende serem os problemas gerais dos instrumentos de negociação que deram origem à PLR, ou seja: Convenções Coletivas de PLR, Acordos Coletivos de PCR e Programa Próprio de PLR. Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 16327.721497/201201 Acórdão n.º 2201003.592 S2C2T1 Fl. 1.143 5 Em primeiro lugar, afirma que ambas as empresas realizaram para o mesmo empregado três ou quatro pagamentos de PLR no mesmo ano civil, o que é vedado pela legislação. Argumenta também que, comparando o Salário Anual x PLR é possível identificar uma variação, para o ano de 2009, entre 10,04% a 269,04%, em uma das empresas (S.A.), e entre 7,24% a 325,89% na outra (Ltda.). A existência de pagamentos no percentual de 700% dos salários anuais dos empregados indicaria existência de gratificação ajustada que estaria sendo substituída pelo PLR, o que também contraria a legislação de regência. Decisão DRJ A impugnação ao lançamento apresentada pela interessada deu origem ao Acórdão 1649.018, da 14ª Turma da DRJ/SP1, da sessão de 30 de julho de 2013, com a seguinte ementa (fls 963): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2009 a 31/03/2009, 01/06/2009 a 31/07/2009, 01/10/2009 a 30/11/2009 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária. Não há nulidade, por cerceamento de defesa, no lançamento que conta com a enumeração exaustiva dos fundamentos legais e descreve completamente a infração, praticando ato administrativo vinculado em observância a dever de ofício. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS. MULTA As contribuições sociais pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa SELIC, nos termos do artigo 35, da Lei 8.212/91 combinado com o artigo 61 da Lei nº 9.430/96, na redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Falta de Declaração com lançamento de ofício aplicase a multa de 75% sobre a totalidade da contribuição não declarada, nos termos do art. 44, I da Lei 9.430/96. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro Fl. 1145DF CARF MF 6 momento processual, salvo as situações elencadas no art.57, §4º do Decreto nº 7.574/2011 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/03/2009, 01/06/2009 a 31/07/2009, 01/10/2009 a 30/11/2009 DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Por força do mandamento constitucional, a Lei nº 8.212 de 24.07.1991, no seu artigo 28, incisos I e III, incluiu o salário utilidade no conceito de salário de contribuição. Considerase salário de contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive sob a forma de utilidades. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Integra o salário de contribuição pelo seu valor total o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando em desacordo com a legislação correlata e sobre ele incidem as contribuições devidas à Seguridade Social. Art. 22, I , III e § 1º c/c Art. 28, § 9º, “j”, ambos da Lei nº 8.212/91. EXCLUSÕES LEGAIS DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91 não integram o salário de contribuição. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2009 a 31/03/2009, 01/06/2009 a 31/07/2009, 01/10/2009 a 30/11/2009 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. Em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 16327.721497/201201 Acórdão n.º 2201003.592 S2C2T1 Fl. 1.144 7 A ciência deste acórdão foi dada em 12/08/2013 (AR fls 1004) e o Recurso Voluntário protocolado em 10/09/2013 (fls 1012), tempestivamente, portanto. Em suas razões de recorrer, a empresa, inicialmente, esclarece que: No período que deu ensejo ao AIOP em questão, a empresa Santander Asset S.A. realizou pagamentos a título de PLR com base em Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2008 (CCT 2008) e CCT sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2009 (CCT 2009); A empresa Santander Asset Ltda., por outro lado, teria realizado pagamentos no curso dos anoscalendário 2007 e 2008, com base no Acordo Coletivo de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados (PPR), celebrado em 30/12/2008 (ACT Santander 2008) e Acordo Coletivo de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados (PPR), celebrado em 30/12/2009 (ACT Santander 2009), bem como seus anexos denominados Plano Executivo (PEX) e Plano Próprio de Gestão (PPG). E como matéria de defesa: Preliminarmente a nulidade do auto de infração, uma vez que ao lavrálo a autoridade fiscal teria se limitado a listar os pagamentos efetuados sem, no entanto, relacioná los adequadamente aos instrumentos de negociação a que estariam atrelados. Nesse caso, em vista da indicação de múltiplos instrumentos que regeram os pagamentos, sem a exata identificação dos pretensos fatos geradores e sua vinculação com o instrumento, obrigaria a recorrente a desenvolver verdadeiro exercício de adivinhação; Não haveria qualquer informação acerca da rubrica em que se inseriram os pagamentos autuados ou qualquer outro dado que possibilitasse a identificação da verba, a exemplo do que transcreve os pagamentos listados ao Sr. Ademir Nogueira de Faria, que teria sido indicado pelo relatório fiscal como recebedor, no mês 02/2009, de três parcelas de PLR, o que seria errado, já que calculadas com base na CCT 2008 e ACT 2009, deveriam ter sido aglutinadas, evidenciando um único pagamento no primeiro semestre de 2009; A parcela paga em junho de 2009 referese ao adicional decorrente de determinação sindical, que não configura participação nos lucros ou resultados; Pela dicção de cada rubrica fica claro que referemse a instrumentos laborais diferentes de modo que devem ser consideradas isoladamente para fins de observância da periodicidade legalmente estabelecida; Exigir que a empresa demonstre a vinculação entre os pagamentos e os instrumentos equivale à inversão do ônus da prova sem qualquer base legal; Adentrando o mérito, afirma que os signatários do ACT ABN eram Diretor Presidente e Diretores Executivos do Banco ABN, o que evidencia seu poder de representação, e que esse acordo foi registrado no Sindicato dos Bancários de São Paulo, em 03/09/2001, conforme comprovaria o carimbo aposto em todas as suas páginas; Fl. 1147DF CARF MF 8 Esse acordo também conteria regras claras e objetivas em sua cláusula quarta, e a fim de aclarar quaisquer dúvidas quanto ao plano a entidade teria disponibilizado uma cartilha explicativa sobre o tema; O PPR ABN teria como base três dimensões de resultado: individual, área e área superior. No caso de Gerentes de Agência, a dimensão individual corresponderia a 50% da avaliação, ao passo que as dimensões área e área superior correspondem a 25% cada. Para os demais cargos avaliase apenas as dimensões área e área superior, cada uma correspondendo a 50% da avaliação; Exemplifica a forma de avaliação através de grades que mostrariam as notas atribuídas aos empregados nos anos de 2005, 2006 e 2007, o que está fora do escopo do lançamento em questão; O documento 12 da impugnação traria uma amostragem de avaliação dos empregados, evidenciando o cumprimento das exigências da Lei nº 10.101, de 2000; As reuniões ocorridas nos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009 entre os representantes da Santander Asset S.A. e os representantes dos seus funcionários para discussão da necessidade de adequação do ACT ABN não podem ser equiparadas a ACT, pois o ACT ABN permaneceu em pleno vigor durante todo o anocalendário de 2009, conforme preceitua sua cláusula décima; Apesar do que alega acima, transcreve trechos das atas dessas reuniões pelos quais foi aprovada a manutenção do ACT ABN; No item 110 de sua defesa, afirma que "no período autuado, o instrumento que fundamentou o pagamento de PPR ABN foi o ACT ABN, com base em sua Cláusula Décima pelo que descabe qualquer alegação de que as reuniões realizadas em 2008 e 2009 configuramse como novos acordos próprios e que teriam sido realizadas em desacordo com os requisitos da Lei nº 10.101/00"; Em relação aos pagamentos feitos pelo Santander Asset Ltda., defende que a assinatura dos ACT apenas em 30/12/2008 e 30/12/2009 não significa que os empregados não tinham conhecimento prévio das regras de distribuição de participação nos lucros e resultados, além disso, as metas nele contidas seriam semelhantes às previstas nos ACT que tinham por base a colocação do Santander Asset S.A. Banespa S.A. no critério de satisfação no Painel de Instituições Financeiras; A Lei nº 10.101, de 2000, não condiciona a legitimidade da PLR a um programa de metas e resultados pactuado previamente; Os anexos aos ACT Santander PEX e PPG seriam direcionados a segmentos específicos de negócio do Santander Asset Ltda., e, vinculados àqueles, não haveria necessidade de que fossem também assinados; Quanto aos problemas gerais apresentados pela fiscalização, inicia alegando que a defesa encontrase "demasiadamente prejudicada pela ausência de vinculação entre os pagamentos autuados e os respectivo acordos de pagamento das participações nos lucros ou resultados, a fim de se resguardar dos efeitos da preclusão, a Recorrente fará um esforço para demonstrar a observância à periodicidade estabelecida na Lei nº 10.101/00, bem como que as discrepâncias apontadas pela Fiscalização decorrem, exclusivamente, do cumprimento do quanto estabelecido nos respectivos acordos" (item 153); Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 16327.721497/201201 Acórdão n.º 2201003.592 S2C2T1 Fl. 1.145 9 O §2º do art. 3º da Lei 10.101, de 2000, não deve ser interpretado literalmente, mas buscando sua finalidade, de forma que não pode obstaculizar que empresa efetue mais de dois pagamentos por ano para fins de correção de erros ou cumprir determinação sindical; Não teria havido o desrespeito à periodicidade estabelecida uma vez que considerando cada instrumento foi feito apenas um pagamento por semestre civil; No primeiro semestre de 2009 a empresa teria efetuado apenas um pagamento de PLR em fevereiro, com base no resultado de 2008, e, no segundo semestre, uma antecipação do PLR relativo a 2009 e um adicional pago em junho que, por ser decorrente de determinação sindical, não configura parcela de PLR; Como cada uma das rubricas referese a um instrumento diferente foi observada a periodicidade estipulada por lei; A discrepância entre os valores pagos não é critério para desconsiderar o PLR; A autoridade fiscal não poderia ter desconsiderado a natureza jurídica da totalidade dos pagamentos efetuados a título de participação nos lucros ou resultados com base na CCT 2008/2009, vigentes no período autuado, já que esses instrumentos não foram questionados; Apenas os pagamentos realizados acima da periodicidade permitida por Lei deveriam ter sido desconsiderados; Colaciona jurisprudência que entende subsidiar sua defesa; O lançamento foi posterior à incorporação, de forma que as penalidades aplicadas ao Santander Asset Ltda. não podem ser exigidas do seu sucessor; Não é possível a aplicação do juros de mora sobre a multa de ofício. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Preliminar nulidade do auto de infração De acordo com a recorrente, no item 21 de seu recurso voluntário "verificase que há indicação dos múltiplos instrumentos que regeram o pagamento de participação nos lucros ou resultados no período autuado, mas não há um elemento essencial à exata Fl. 1149DF CARF MF 10 identificação dos pretensos fatos geradores, qual seja, a vinculação entre o pagamento autuado e o respectivo instrumento, fazendo com que a Recorrente tenha que desenvolver verdadeiro exercício de adivinhação para aferir, com exatidão, o que está sendo autuado". E na seqüência "De fato, a mera indicação dos pagamentos autuados impediria a própria fiscalização de chegar à sua conclusão de irregularidade da participação nos lucros ou resultados paga, pois sequer se cotejou os pagamentos com o seu lastro normativo i.e., CCT ou ACT". Esses argumentos, longe de revelaram matéria apta a sua defesa, constituem verdadeira confissão de que a empresa não é capaz de atrelar os pagamentos realizados a um determinado instrumento de PLR. Quanto a esse aspecto, notese que a Lei nº 8.212, de 1991, estabelece em seu art. 22 que a contribuição a cargo da empresa deve ser calculada sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja sua forma. Esta é a regra geral, da qual são excluídas situações excepcionais que, dada essa sua característica, devem ser comprovadas. Na hipótese em questão, a empresa não questiona a existência da relação de trabalho e os pagamentos, mas pretende atribuir à fiscalização o ônus de vincular cada pagamento a um programa de PLR que lhe garantiria um benefício fiscal. Enganase, no entanto. A fiscalização se desincumbiu de seu ônus de demonstrar a relação de trabalho e os pagamentos e cabia à interessada demonstrar que esses pagamentos não integram o salário de contribuição por estarem amparados em regra excepcional. A incapacidade da empresa de vincular os pagamentos que deram origem à autuação com os respectivos instrumentos de PLR é mais uma vez reafirmada ao fim de seu recurso voluntário: 170. Vejase que, a ausência de vinculação entre os pagamentos autuados com o seus respectivos instrumentos impossibilita a Recorrente de demonstrar que os pagamentos autuados foram feitos em conformidade com a periodicidade imposta na Lei nº 10.101/00, pelo que, conforme já amplamente demonstrado, é nula a autuação em tela. A meu ver, a impossibilidade da recorrente de vincular os pagamentos realizados a instrumentos de negociação que justificariam um tratamento privilegiado a eles, excluindoos da base de cálculo das contribuições previdenciárias, apenas demonstra a higidez do lançamento efetuado. Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade. Mérito Apesar da confessa impossibilidade da recorrente em vincular os pagamentos realizados com os instrumentos de PLR firmados por ela, será feito um esforço de sua análise, de forma a garantir a plenitude da defesa. Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 16327.721497/201201 Acórdão n.º 2201003.592 S2C2T1 Fl. 1.146 11 Nesse sentido, controvertese nesse processo se os pagamentos realizados a título de PLR pela recorrente no ano de 2009 atenderiam aos requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101, de 2000, para que não sejam incluídos no salário de contribuição, base de cálculo das contribuições previdenciárias. No item 5 de seu recurso, a empresa identifica os instrumentos que teriam servido como suporte para os pagamentos realizados a título de PLR pela empresa Santander Asset S.A., no ano de 2009, que seriam: a Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2008 (CCT 2008) e CCT sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2009 (CCT 2009). Segundo o item 5, (i), o Plano Próprio de Participação nos Resultados PPR celebrado em 11/06/2001 (ACT ABN), vigente nos anoscalendário de 2007 e 2008, não teriam justificado pagamentos no período autuado (2009). Já no item 7 de seu recurso, identifica os instrumentos que teriam servido como suporte para os pagamentos realizados a título de PLR pela Santander Asset Ltda., no curso dos anoscalendário 2007 e 2008, que seriam: Acordo Coletivo de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados (PPR), celebrado em 30/12/2008 (ACT Santander 2008) e Acordo Coletivo de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados (PPR), celebrado em 30/12/2009 (ACT Santander 2009), bem como seus anexos denominados Plano Executivo (PEX) e Plano Próprio de Gestão (PPG); e CCT 2008/2009. Notese que no item 7 não há menção expressa aos pagamentos realizados no anocalendário 2009. Estas informações levariam à compreensão de que os pagamentos realizados no ano de 2009, base para autuação cuja legalidade ora se analisa, teriam por base os seguintes instrumentos: CCT 2008, CCT 2009, ACT Santander 2008 e ACT Santanter 2009, com seus anexos denominados Plano Executivo (PEX) e Plano Próprio de Gestão (PPG). Por outro lado, no item 110 de sua defesa, afirma que "no período autuado, o instrumento que fundamentou o pagamento de PPR ABN foi o ACT ABN, com base em sua Cláusula Décima pelo que descabe qualquer alegação de que as reuniões realizadas em 2008 e 2009 configuramse como novos acordos próprios e que teriam sido realizadas em desacordo com os requisitos da Lei nº 10.101/00". Essa informação é parcialmente ratificada adiante, nos itens 192 a 195 do recurso voluntário que são transcritos a seguir: 192. Na remota hipótese de se entender pela manutenção dos AIs em tela, a despeito de sua inequívoca improcedência, o que se cogita a título meramente argumentativo, cumpre salientar que estes devem ser revistos, uma vez que a Autoridade Fiscal não poderia simplesmente ter desconsiderado a natureza jurídica da totalidade dos pagamentos efetuados a título de participação nos lucros ou resultados com base na CCT 2008/2009, vigente no período autuado. 193. Conforme demonstrado, em momento algum, a validade da CCT 2008/2009 foi questionada pela Autoridade Fiscal. Ou seja, Fl. 1151DF CARF MF 12 o debate do presente feito referese somente à periodicidade dos pagamentos. 194. Portanto, se as regras de PLR Santander e PLR ABN não são objeto de autuação, tendo sido a CCT 2008/2009 validada pela D. Autoridade Fiscal, não se pode admitir a desconsideração da natureza de todas as verbas pagas com base nos referidos acordos. 195. Isso porque, não se pode admitir que nenhuma das verbas pagas pela Recorrente caracterizase como PLR, inclusive para fins tributárioprevidenciário, uma vez que: a) foi apurado lucro no período relacionado; e b) a validade da CCT 2008/2009 não foi contestada pela D. Fiscalização. Por esses excertos, aquilo que já havida sido admitido fica também evidenciado, ou seja, a incapacidade da recorrente de justificar os valores pagos com base nos diversos instrumentos de negociação que são mencionados. Esse fato torna bastante difícil a compreensão de sua defesa. Em que pese isso, será realizado um esforço de análise dos instrumentos de negociação, no sentido de buscar verificar sua aptidão para justificar pagamentos de PLR nos termos da Lei nº 10.101, de 2000. Inicialmente, tomo a liberdade de transcrever trecho do voto proferido pelo Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, no Acórdão nº 2201003.417, sessão de 07 de fevereiro de 2017, que estabelece as balizas para a correta análise dos fatos trazidos à colação nesse processo: Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 16327.721497/201201 Acórdão n.º 2201003.592 S2C2T1 Fl. 1.147 13 trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 1153DF CARF MF 14 XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições préestabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 16327.721497/201201 Acórdão n.º 2201003.592 S2C2T1 Fl. 1.148 15 Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu Fl. 1155DF CARF MF 16 antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 16327.721497/201201 Acórdão n.º 2201003.592 S2C2T1 Fl. 1.149 17 ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Estabelecidas essas premissas, que colocam a análise da matéria na perspectiva correta, qual seja, de que enquadrar os pagamentos realizados a empregados como decorrentes de PLR constitui um ônus para a empresa que se pretende valer dos benefícios fiscais criados para essa modalidade de operação, vejamos se os instrumentos invocados pela recorrente, preenchem os requisitos legais para que possam amparar pagamentos a título de PLR com base na Lei nº 10.101, de 2000. Acordo do Plano de Participação nos Resultados do Grupo ABN Amro (fls 179) Em sua cláusula quarta, determina que o incentivo será aferido de acordo com o Lucro Líquido anual, a avaliação quantitativa e qualitativa de desempenho do empregado e o alcance de metas préestabelecidas para sua área e a área hierárquica imediatamente superior. No parágrafo primeiro dessa cláusula, estabelece que serão atribuídas unidades ao empregado de acordo com a sua grade e os percentuais de alcance de metas. O valor de cada unidade variará de acordo com o Lucro líquido a ser publicado (parágrafo segundo). Não está demonstrado o critério e metodologia para eleição da comissão de representação dos funcionários. O anexo I trata da quantidade de unidades e é de difícil compreensão, não restando claros os parâmetros de desempenho esperado. O anexo II trata do Valor da Unidade e afirma que os valores do lucro líquido serão definidos anualmente. Na ata de fls 210, relativa à reunião realizada no dia 16/07/2008, não há participação de representante sindical, não está claro como foram escolhidos os representantes dos empregados e não consta registro na entidade sindical. Fl. 1157DF CARF MF 18 Na ata de fls 215, relativa à reunião realizada no dia 26/11/2008, ficou consignado que, para o ano de 2009, apenas após a integração dos bancos seria definido o plano PPR. Assim como a anterior, não há participação de representante sindical, não está claro como foram escolhidos os representantes dos empregados e não consta seu registro na entidade sindical. Na ata de fls 220, relativa à reunião realizada no dia 30/04/2009, fica consignado que não será realizada a antecipação de PPR e que, apenas após a conclusão da incorporação do Banco Real pelo Santander, seria definido o modelo da Participação nos Lucros. Assim como as anteriores, não há participação de representante sindical, não está claro como foram escolhidos os representantes dos empregados e não consta seu registro na entidade sindical. Pelo teor desses documentos, concluise que não houve nenhum pagamento de PLR em 2009 com base nesse acordo de 2001 e suas sucessivas prorrogações, o que contraria o que foi alegado mais de uma vez pela recorrente em sua petição recursal. Acordo Coletivo de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados 2008 (fls 254) Este acordo foi assinado em 02/02/2009 tendo vigência de 01/01/2008 a 31/12/2008, retroativa, portanto, em mais de um ano. A base para o pagamento de PLR seria a classificação da instituição no Critério de Satisfação integrante do Painel das Instituições Financeiras PIF publicado pela Universidade de São Paulo. Nesse caso, haveria previsão dos seguintes pagamentos conforme a colocação da instituição em terceiro, segundo ou primeiro lugar no ranking: R$ 905,11, R$ 1.206,81 e R$ 1.810,18. O pagamento deveria ser realizado até março de 2009. Neste caso, ainda que se aceitasse como critério para pagamento de participação nos lucros a nota obtida no painel mencionado, o Acordo foi firmado após o período de apuração, o que demonstra sua inutilidade como meta a ser alcançada. A despeito disso, verificase na lista de pagamentos (fls 323/344) que não há lançamento de nenhum pagamento nos valores acima mencionados. Acordo Coletivo de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados 2008 (fls 261) Bastante semelhante ao anterior, também sem comprovação de registro na entidade sindical, foi firmado em 30/12/2008, com vigência entre 1º/01/2008 a 31/12/2008, ou seja, também retroativo, prevendo pagamento até 03/03/2009. Faz referência ao PEX Programa Executivos, que seria sua parte integrante, bem como ao pagamento de um valor de R$ 700,00 como mínimo a ser recebido por todos os empregados a título de PLR no âmbito desses programas próprios. Também nesse caso não é possível identificar nas planilhas de pagamentos valores que teriam por base esse acordo (R$ 905,11, R$ 1.206,81 e R$ 1.810,18). Acordo Coletivo de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados Santander (PPRS) biênio 2009/2010 (fls 266) Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 16327.721497/201201 Acórdão n.º 2201003.592 S2C2T1 Fl. 1.150 19 Firmado em 30/12/2009, com vigência entre 1º/01/2009 a 31/12/2010, o que implica que, para o período em análise, teve aplicação retroativa. Segundo sua cláusula terceira, os valores devidos a título de PLR seriam apurados levando em consideração o percentual do ROE (Return in Equity) do Banco Santander em relação ao ROE de seus principais concorrentes (Banco Bradesco, Itaú Unibanco e Banco do Brasil). O ROE seria obtido através da divisão do lucro líquido pelo patrimônio líquido. Apesar dessa explicação clara e objetiva do que seja o ROE e de como ele é obtido, não é estabelecido o percentual de lucro a ser distribuído de acordo com o índice atingido, ou seja, não é apresentada uma meta específica e o resultado dela para fins de PLR. Por outro lado, o anexo I, estabelece, a título exemplificativo: Rede de Agências e PAB'S Programa semestral com base em Targets de premiação em função da performance coletiva e individual. São elegíveis aos Programas Específicos todas as funções das rede de agência. Assim, além de não esclarecer as metas empresariais a serem alcançadas também não contém elementos para aferição dos critérios de distribuição do valor pelos empregados. Acordo Coletivo de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados Santander (PPRS) Biênio 2009/2010 (fls 271) Este acordo, datado de 30/12/2009, prevê sua aplicação retroativa a 1º/01/2009, foi firmado com a Contec Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito localizada em Brasília, a Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Estado do Paraná e o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Maringá. Estabelece também o ROE como parâmetro para pagamento, mas neste caso fixa um valor a ser pago de acordo com o índice obtido: Neste caso, mesmo que superado o fato de que o acordo teve aplicação retroativa, não foi possível estabelecer qualquer vínculo entre os valores acima identificados e aqueles constantes das planilhas de pagamento. O anexo também faz referência ao "programa semestral com base em Targets de premiação em função da performance coletiva e ou individual", mas não o detalha. Fl. 1159DF CARF MF 20 Programa Executivos PEX Dezembro de 2008 (fls 281) Estaria vinculado ao ACT/PPR 2008/2009 e estabelece como elegíveis "Executivos que tenham metas individuais acordadas e formalizadas através do formulário corporativo. A avaliação dessas metas será assinada e datada, ficando disponível para consulta a qualquer momento". Em relação ao valor a ser pago, afirma que "serão calculados de acordo com o cargo e área de atuação do Executivo e, serão sempre balizados pela renda total, representada pelo somatório da remuneração fixa mais distribuição PEX/PPR, por se tratar de um valor compatível aos Executivos das demais instituições do mercado, visando manter a competitividade externa." Estabelece como critérios de medição da performance metas quantitativas, qualitativas e competências individuais que são descritas de maneira subjetiva. Ou seja, não estabelece meta, prazo ou valor, e sequer contém data ou assinatura. Programa Próprio de Gestão exercícios 2009 e 2010 (fls 224) Este programa também não contém qualquer assinatura, qualificação ou data de celebração do instrumento que lhe lastreia. Não está comprovada a participação sindical nem o seu registro e arquivamento nessa entidade. Sua aplicação está restrita a uma parcela dos empregados e, embora faça referência a metas quantitativas e qualitativas e competências individuais, elas não são definidas. Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2008 (fls 304) Tem previsão de vigência de 1º/09/2008 a 31/08/2009 e não está clara a data em que foi firmado. A despeito da vigência fixada, diz respeito a lucros apurados no exercício de 2008, ou seja, presumese que seja também de aplicação retroativa. De acordo com a cláusula primeira, até a data de 02.03.2009, os empregados admitidos até 31/12/2007 e em efetivo exercício em 31/12/2008, deveriam receber 90% sobre o salário base mais verbas fixas mensais de natureza salarial reajustadas em setembro de 2008, acrescido do valor fixo de R$ 966,00 limitados ao valor de R$ 6.301,00. O pagamento desses valores estaria sujeito à observância dos limites de 5% e 15% do lucro líquido obtido pelo banco, em função do que o valor individual poderia ser majorado até alcançar 2,2 salários do empregado e limitado ao valor de R$ 13.862,00. Não estabelece qualquer índice de lucratividade a ser atingido. Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2009 (fls 314) Esta convenção está datada de 19/10/2009 e tem como data de vigência 01/09/2009 a 31/08/2010. Em que pese essa previsão de vigência, se refere ao lucro auferido no exercício de 2009, ou seja, é de aplicação retroativa. Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 16327.721497/201201 Acórdão n.º 2201003.592 S2C2T1 Fl. 1.151 21 Apesar disso, suas regras, que justificariam o pagamento de antecipação realizada em outubro de 2009, são claras quanto à parcela do lucro a ser distribuído mas também não fixam índice de lucratividade a ser atingido, assim como a convenção anterior. Conclusão sobre os instrumento avaliados Com base no que foi acima exposto, vêse que os instrumentos apresentados contêm várias lacunas no que diz respeito às exigências impostas pela Lei nº 10.101, de 2000, sendo que a maioria não estabelece metas relacionadas ao desempenho da instituição e outros, embora nomeiem critérios que poderiam ser aptos a justificar o pagamento de PLR, não chegam a descrevêlos, ou seja, as regras claras e objetivas exigidas pela lei não estão nos instrumentos resultantes da negociação. Outro ponto a ser ressaltado, é que nenhum dos instrumentos apresentados foi firmado em data prévia ao período de apuração do lucro. Quanto a essa matéria, reconheço a existência de divergência na jurisprudência deste Conselho a respeito da necessidade ou não do ajuste ser prévio ao período de obtenção do lucro a ser distribuído, havendo quem defenda que basta ser anterior ao pagamento. Contudo, filiome à corrente que entende que o acordo deve anteceder ao período de referência, pois essa é uma decorrência lógica da finalidade para a qual o benefício foi instituído. O benefício fiscal, nesse caso, é instrumento para estimular as empresas a adotarem programas de participação nos lucros e resultados e estes, por sua vez, visam promover a integração entre capital e trabalho, estabelecendo estímulos ao trabalhador através das metas a serem alcançadas e da premiação delas decorrentes. Em última análise, ganha o país com o incremento da produtividade e da eficiência. Nesse aspecto, não me sensibilizam argumentos quanto à inexistência de expressa previsão legal estabelecendo prazo para que o acordo seja firmado, pois as leis contém certa racionalidade em sua elaboração e exigem a mesma racionalidade em sua interpretação e aplicação. Ou seja, a lei não precisa estabelecer textualmente aquilo que decorre naturalmente do bom senso. Nesse diapasão, o estabelecimento de metas e critérios claros para a obtenção e aferição do direito só fazem sentido se estabelecidos previamente. E isso é também uma garantia para o trabalhador. Ademais disso, a lei, no §1º de seu art. 2º identifica os possíveis "critérios e condições" que devem constar do instrumento resultante da negociação. São critérios e são também condições, e o termo "condições", como é cediço, designa eventos futuros e incertos estabelecidos como premissas para a consolidação ou modificação de uma situação jurídica. Esse entendimento encontra eco na jurisprudência desse colegiado, do que serve como exemplo a seguinte manifestação da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no voto condutor do Acórdão nº 2401003.492 da 4ª Câmara/1ª TO, sessão de 15 de abril de 2014: Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa (essa é a base do texto constitucional), de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do Fl. 1161DF CARF MF 22 empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação no capital (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em envolvimento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas), que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Da mesma forma, vislumbrase a necessidade de critérios para que se mensure o alcance dos resultados inicialmente estipulados, assim, como descreveu a autoridade fiscal. Assim, não acato de forma alguma o argumento do recorrente de que as metas já eram conhecidas ou mesmo que não há grande alteração das mesmas razão, pela qual a pactuação, mesmo tardia, não fere o disposto na lei, pelo contrário ao adotar tal entendimento estaria o julgador violando o texto constitucional e o reconhecimento dos acordos coletivos, o que não venho a concordar. Novamente, entendo que o auditor não desconstitui o pagamento da verba, muito menos os reflexos trabalhistas ajustados entre empregado e empregador, mas tão somente não acata o acordo ali firmado para que a verba paga à título de participação nos lucros esteja excluída do conceito de salário de contribuição. Se assim, não fosse, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados, até para que o mesmo verifique seu interesse em dedicarse de forma mais profícua. Outro ponto, que merece destaque é o fato que um dos requisitos a serem apurados diz respeito a absenteísmo. Ora, em julho, ago, set ou mesmo dezembro é que o empregado saberá o quanto sua faltas irão influenciar no PLR que já está em curso??? No mesmo sentido, do Acórdão nº 9202004.347 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 24 de agosto de 2016, extraise do voto do relator, Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: Com relação à data de assinatura do PLR, acompanho o entendimento do voto do relator da decisão recorrida. Com efeito, entendo que a assinatura do acordo em data posterior à do período de apuração dos lucros ou resultados a serem distribuídos, retira da verba paga uma de suas características essenciais, a recompensa pelo esforço conjunto entre o capital e o trabalho, para alcance de metas, o que traria competitividade à empresa e, em última análise ao país. No caso dos autos, conforme esclarecido na decisão ora recorrida, todos os acordos para os anos de 2006, 2007 e 2008, foram pactuados no fim do exercício a que se referem, ou seja, o cumprimento ou não das metas já eram praticamente fatos pretéritos. Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 16327.721497/201201 Acórdão n.º 2201003.592 S2C2T1 Fl. 1.152 23 Acompanho o entendimento do acórdão recorrido e, para fins de ilustração, encontrase reproduzido o entendimento do conselheiro relator do voto condutor do acórdão recorrido, nesse ponto: Não procede, portanto, a alegação de que quando a Lei nº 10.101/2000 fala de pactuação prévia, ela o faz no sentido de que o acordo deve ser negociado e celebrado previamente ao pagamento de qualquer valor, o que não implica a impossibilidade de se assinar o instrumento no início do período de apuração; Tendo a PLR a finalidade de incentivar o trabalhador a realizar e oferecer à empresa um plus de produtividade que exceda ao resultado rotineiro e ordinário decorrente do contrato de trabalho, avulta que acordo tem que ser assinado antes do início do período de apuração, para que os trabalhadores saibam, com precisão, o quê, como, quando, quanto precisam fazer, para auferir o ganho patrimonial que lhes é prometido por intermédio do plano ajustado. Antes do início do período de apuração necessitam ter o claro e preciso conhecimento de quanto e quando irão ganhar, sob que forma, e como serão avaliados, para poderem decidir se vale ou não a pena se empenhar de maneira excessiva à ordinária e comum. São as tais das REGRAS CLARAS E OBJETIVAS quanto aos direitos substantivos dos trabalhadores. Portanto, é de se negar provimento do Recurso Especial do Sujeito passivo também quanto a esta matéria. É claro que, como toda regra jurídica, sua aplicação deve ser permeada pela razoabilidade. De forma que, se o acordo for estabelecido no início do período de referência, mas em data ainda compatível com a estipulação de metas adequadas para ele, impõese uma certa flexibilização da exigência. Na hipótese em questão, os acordos foram firmados ou no fim do período de apuração do lucro ou, em alguns casos, até no ano seguinte, portanto nenhum deles atende a necessidade de comprovação de negociação prévia. Nesse caso, embora seja patente pelas planilhas de pagamento que a periodicidade estabelecida em Lei também não foi observada, já que para a maioria absoluta dos empregados houve pagamento pelo menos nas competências 02/2009, 06/2009 e 10/2009, considero desnecessário continuar a enfrentar os argumentos trazidos pela recorrente, já que, como se demonstrou acima, além das demais deficiências apontadas, nenhum dos acordos mencionados preenche o requisito de negociação prévia. Por outro lado, o desinteresse ou impossibilidade da recorrente em estabelecer uma vinculação entre os valores pagos e os respectivos instrumentos de acordo, torna impossível que se reconheça procedência parcial ao seu pedido. Nesse caso, apenas o reconhecimento de que todos os pagamentos realizados foram feitos com base em instrumentos adequados à legislação, permitiria o acatamento do recurso voluntário. Mesmo nessa hipótese, seria necessário que a empresa conseguisse vincular cada um dos créditos efetuados aos respectivos instrumentos, o que não foi feito. Pelas razões expostas, nego provimento ao recurso. Fl. 1163DF CARF MF 24 Multa de Ofício e Sucessão Societária Como o lançamento foi posterior à incorporação, a recorrente alega que as penalidades aplicadas à Santander Asset Ltda. não podem ser exigidas de sua sucessora. Não lhe assiste razão entretanto, como demonstra o seguinte excerto do Acórdão nº 1402002.295, da 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, de lavra do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto: A discussão sobre a exigibilidade da multa de ofício aplicada sobre sucessora relativa à infração cometida pela sucedida, mas somente cominada pelo Fisco após a data da reestruturação societária, foi inteiramente pacificada pelo STJ. Por muito tempo a questão suscitou profundas discussões, em especial se prevaleceria a literalidade do disposto no art. 132 do CTN, o qual dispõe que a responsabilidade da sucessora somente diz respeito aos tributos devidos pela sucedida, ou se a interpretação de tal dispositivo deveria levar em consideração o art. 129 do Estatuto Tributário, qual seja, a responsabilidade diria ao respeito ao crédito tributário devido pelo sucedido, o que implicaria, por consequência, a responsabilidade dos sucessores também por penalidades aplicadas aos sucedidos. Pois bem, o STJ, no julgamento do REsp nº 923.012/MG sob o rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC/1973) dirimiu de forma definitiva a questão, de forma que, a teor do que dispõe o art. 62, § 1º, inciso II, alínea “b” do Anexo II do RICARF/2015, importa em adoção obrigatória da mesma tese pelos membros deste Colegiado. Por oportuno, transcrevese a seguir excerto da ementa do julgado em questão: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. [...] 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 16327.721497/201201 Acórdão n.º 2201003.592 S2C2T1 Fl. 1.153 25 transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) [...] 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (Resp 923.012/MG, 1ª Seção, Relator Ministro Luiz Fux, sessão de 09 de junho de 2010) Conforme se observa, o entendimento consolidado do STJ é no sentido de que o sucessor responde pelas multas fiscais, não havendo que se falar em aplicação, ao direito tributário, de princípios específicos à seara penal. Além disso, ao citar como um de seus fundamentos o art. 113, § 1º, do CTN, o I. Relator do acórdão paradigma deixa transparecer que a obrigação tributária surge com a ocorrência do fato gerador, sendo que o lançamento somente materializa tal obrigação (crédito tributário). Ademais, entre os precedentes citados também há ao menos um que claramente possibilita a cobrança de penalidade desde que o fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão, ainda que formalizado o lançamento posteriormente. Vejase, por exemplo, o REsp nº 959.389, cuja ementa recebeu a seguinte redação: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ARTIGO 159 DO CC DE 1916. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MULTA TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. 1. Não se conhece do recurso especial se a matéria suscitada não foi objeto de análise pelo Tribunal de origem, em virtude da falta do requisito do prequestionamento. Súmulas 282 e 356/STF. 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem penalidade pecuniária, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. 3. Segundo dispõe o artigo 113, § 3º, do CTN, o descumprimento de obrigação acessória faz surgir, imediatamente, nova obrigação consistente no pagamento Fl. 1165DF CARF MF 26 da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. E, no fechamento do voto condutor do aresto precedente em questão, ficou ainda mais evidente o entendimento firmado, verbis: Portanto, tratandose de obrigação anterior à sucessão empresarial, a responsabilidade é transferida à sucessora, mesmo que a constituição do crédito seja posterior ao ato, nos termos do artigo 129 do CTN. A bem da verdade, o próprio item 1 da ementa do REsp nº 923.012 (recurso repetitivo), já deixava evidente tal exegese: 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. [grifei] A fim de que não se alimentem dúvidas a respeito do tema, convém examinar novo acórdão do STJ no exame dos embargos opostos no processo julgado sob a forma de recurso repetitivo (REsp nº 923.012): [...] 4. Quanto à responsabilidade do sucessor pelas multas (moratórias ou punitivas), observese que o ordenamento jurídico tributário admite o chamamento de terceiros para arcar com o pagamento do crédito tributário, na forma dos arts. 128 e seguintes do CTN, sendo expresso o art. 132 do CTN ao dispor: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. 5. Ora, a incorporação, nos termos da legislação pátria (art. 227 da Lei 6.404/76 e art. 1.116 do CC/32) é a absorção de uma ou várias sociedades por outra ou outras, com a extinção da sociedade incorporada, que transfere integralmente todos os seus direitos e obrigações para a incorporadora. 6. Entendese que tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio do contribuinte incorporado que se transfere ao incorporador, de que modo que não pode Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 16327.721497/201201 Acórdão n.º 2201003.592 S2C2T1 Fl. 1.154 27 ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 7. Por fim, o art. 129 do CTN estabelece que a transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. 8. O que importa, portanto, é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. [grifei] Ora, tendo o STJ pacificado o entendimento de que é desinfluente se o crédito tributário estava ou não formalizado por meio de lançamento, e reforçado que a sucessora responde pelo crédito tributário devido pelas sucedidas, inclusive as multas, e considerandose que o julgamento na forma do art. 543C do CPC/1973 vincula os membros deste colegiado (art. 62, § 1º, inciso II, alínea “b” do Anexo II do RICARF/2015), há de se adotar tal entendimento, mantendose a exigência de penalidade no caso concreto. De se mencionar, ainda, o enunciado da Súmula Carf nº 47: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Rejeito as alegações. Juros de Mora sobre Multa de Ofício O Código Tributário Nacional, ao tratar da incidência de juros sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, preceitua o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (...) Como se vê, a alegação de que a exigência de juros sobre a multa de ofício lançada seria ilegal é totalmente improcedente, já que a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o dispositivo legal transcrito acima. Fl. 1167DF CARF MF 28 Quer dizer, tanto a multa de ofício como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, inclusive no que tange a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Cabe observar, ainda, que tanto o artigo 43 da Lei nº 9.430, de 1996, como o artigo 61 desta mesma Lei, trazem a previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, conforme demonstrado abaixo: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Como se vê, a incidência de juros sobre a multa de ofício está amparada pelo artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, já que a multa de ofício se enquadra dentro do conceito de “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Ademais, observase que a incidência de juros sobre a multa de ofício também está amparada pelo parágrafo único do artigo 43 desta mesma Lei, já que este estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário “correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente” incidem juros a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo. Com efeito, não há que se falar em nenhuma irregularidade no que tange a incidência de juros sobre a multa de ofício, visto que a mesma encontrase expressamente prevista em lei e que as autoridades administrativas estão plenamente vinculadas a legislação em vigor. Nesse sentido, cabe citar os seguintes precedentes judiciais e administrativos: Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 16327.721497/201201 Acórdão n.º 2201003.592 S2C2T1 Fl. 1.155 29 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (STJ, AgRg no Recurso Especial nº 1.335.688 PR (2012/01537730). Relator Ministro Benedito Gonçalves. Decisão: 04/12/2012. Dje de 10/12/2012). (...) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (...) (CARF, Acórdão nº 130100.810, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, Conselheiro designado para o voto vencedor Waldir Veiga Rocha, Sessão de 01/02/2012) (...) JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. (CARF, Acórdão nº 9202001.806, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Conselheiro designado para o voto vencedor Elias Sampaio Freire,Sessão de 29/11/2011) Fl. 1169DF CARF MF 30 Nego provimento. Conclusão: Com base no exposto, voto por conhecer o recurso voluntário apresentado e, rejeitando a preliminar, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 1170DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720667/2012-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Para que um colegiado tenha interpretado a legislação de forma divergente de outro, é necessário que ambos tenham analisado fatos semelhantes. Se há peculiaridades em um caso concreto, que motivaram o colegiado a adotar determinado posicionamento, e essa peculiaridade não ocorre nos casos trazidos como paradigma, não se pode dizer que há divergência de entendimento apta para se admitir recurso especial.
PRECLUSÃO DE INSTÂNCIA.
Ressalvados os casos expressos no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, não se pode admitir a prova trazida após a impugnação.
Numero da decisão: 9101-002.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (i) por maioria de votos, não conhecer do Recurso Especial quanto ao ágio, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Carlos Alberto Freitas Barreto, que conheceram dessa matéria; (ii) por voto de qualidade, conhecer quanto à preclusão, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram desse tema; e (iii) por maioria de votos, conhecer quanto à concomitância da multa isolada, vencido o Conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu dessa matéria. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento quanto à preclusão, com retorno dos autos ao colegiado de origem para anular a decisão recorrida, a fim de que outra seja proferida, considerando preclusa a prova apresentada por ocasião da sustentação oral, e, em face disso, fica prejudicada a questão da concomitância da multa, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro André Mendes de Moura. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os Conselheiros Cristiane Silva Costa e André Mendes de Moura. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. O Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão votou apenas quanto ao mérito, pois o conhecimento foi concluído em reunião anterior, conduzida pelo presidente Carlos Alberto Freitas Barreto, na qual esteve ausente.
Julgamento iniciado em 04/2017, teve continuidade na reunião de 05/2017 e foi concluído em 07/06/2017.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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Para que um colegiado tenha interpretado a legislação de forma divergente de outro, é necessário que ambos tenham analisado fatos semelhantes. Se há peculiaridades em um caso concreto, que motivaram o colegiado a adotar determinado posicionamento, e essa peculiaridade não ocorre nos casos trazidos como paradigma, não se pode dizer que há divergência de entendimento apta para se admitir recurso especial. PRECLUSÃO DE INSTÂNCIA. Ressalvados os casos expressos no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, não se pode admitir a prova trazida após a impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) por maioria de votos, não conhecer do Recurso Especial quanto ao ágio, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Carlos Alberto Freitas Barreto, que conheceram dessa matéria; (ii) por voto de qualidade, conhecer quanto à preclusão, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram desse tema; e (iii) por maioria de votos, conhecer quanto à concomitância da multa isolada, vencido o Conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu dessa matéria. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento quanto à preclusão, com retorno dos autos ao colegiado de origem para anular a decisão recorrida, a fim de que outra seja proferida, considerando preclusa a prova apresentada por ocasião da sustentação oral, e, em face disso, fica prejudicada a questão da concomitância da multa, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro André Mendes de Moura. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os Conselheiros Cristiane Silva Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 67 /2 01 2- 21 Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.718 2 e André Mendes de Moura. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. O Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão votou apenas quanto ao mérito, pois o conhecimento foi concluído em reunião anterior, conduzida pelo presidente Carlos Alberto Freitas Barreto, na qual esteve ausente. Julgamento iniciado em 04/2017, teve continuidade na reunião de 05/2017 e foi concluído em 07/06/2017. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial (efls. 1.430/1.472), contra o acórdão de nº 1102001.018 (efls. 11.339/1.394), que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindo a glosa de amortização de ágio e cancelando as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas mensais. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.719 3 Além disso, as novas provas foram admitidas com expressa autorização da Turma Julgadora, tendo se dado à PFN a oportunidade de contraditálas. Logo, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção do lançamento sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. Caso em que se demonstrou que o ágio foi pago com base na expectativa de resultados futuros, tanto por documentos contemporâneos ao investimento, quanto por laudo elaborado posteriormente com base em informações da época. INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. EXTINÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO AMORTIZADO CONTABILMENTE. INDEDUTIBILIDADE. Não há previsão legal para o aproveitamento do ágio já amortizado contabilmente quando da extinção da participação societária em virtude de fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra. Nesses casos, o ágio já amortizado e contabilizado no LALUR não pode mais ser aproveitado, devendo ser simplesmente baixado. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. APROVEITAMENTO POR OUTRA EMPRESA DO GRUPO. PROPÓSITO NEGOCIAL. POSSIBILIDADE. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago, decorrente de transação entre parte independentes Caso exista um propósito negocial válido e se demonstre ser possível a dedução do ágio por incorporação direta, não há óbices para que o grupo econômico “transfira” o ágio efetivamente pago para uma de suas controladas com o uso de empresa veículo, aproveitandose do benefício fiscal em outra parte da estrutura societária. Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.720 4 Do mesmo modo que é necessário frear os planejamentos que criem benefícios fiscais aos quais o contribuinte não faça jus, não se deve permitir que um formalismo exacerbado impeça o uso de direito legitimamente adquirido. IRPJ. CSLL. ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL. Incabível a aplicação simultânea da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo ano calendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre a mesma infração, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento tanto do tributo quanto da penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, e, portanto, envolve tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Como conseqüência, é legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre todo o crédito tributário, o que inclui o valor da multa de ofício proporcional, não paga no vencimento. LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrer da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a glosa mensal de amortização de ágio de R$ 11.613.065,32 para R$ 2.202.477,90, o que resulta na redução dos lançamentos de IRPJ, CSLL, como especificado no final da seção 2.4 do voto, e para cancelar as multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas, vencidos: (i) os conselheiros José Evande Carvalho Araujo (relator) e João Otávio Oppermann Thomé, que mantinham o lançamento das multas isoladas sobre a falta de recolhimento das estimativas, recalculandose o seu valor em face das exonerações procedidas; (ii) o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, que mantinha a glosa das amortizações de ágio no seu valor integral; (iii) o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito, que excluía os juros de mora sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor no tocante às multas isoladas sobre estimativas o conselheiro Ricardo Marozzi Fl. 1720DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.721 5 Gregório. Declararamse impedidos os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Participaram do julgamento, em seus lugares, os conselheiros Meigan Sack Rodrigues e Marcelo Baeta Ippolito. Para melhor contextualizar os fatos, e com base no relatório do acórdão recorrido, observo que trata o processo de Autos de Infração de IRPJ e de CSLL, com acréscimo de multa isolada, multa de ofício e juros. A infração principal lançada foi a de falta de adição ao lucro real, e à base de cálculo da CSLL, de despesas indedutíveis relativas à amortização de ágio, sendo que os lançamentos de janeiro a julho de 2007 se referem à empresa Banco Itaú Cartões S/A, pelos quais responde a interessada como sucessora, e os de agosto de 2007 a dezembro de 2008 se referem à própria interessada. As infrações de multa isolada decorrem do recálculo das estimativas mensais que foram reduzidas com base em balancetes de suspensão ou redução onde as despesas de amortização de ágio foram deduzidas. A Fiscalização analisou os efeitos tributários relativos à reorganização societária ocorrida quando da aquisição de mais uma parte da operação de cartões de crédito da empresa Credicard pelo Grupo Itaú, que era de titularidade dos Grupos Itaú, Citibank e Unibanco. A acusação concluiu pela diferença entre um primeiro ágio, apurado em 2004 (item 3.3 do Termo de Verificação Fiscal), e um segundo, calculado em 2006 (item 3.8), apesar de serem do mesmo valor. Provas disso seriam a apuração de ganho de capital quando da capitalização da Finaustria, a impossibilidade da transferência de ágio na aquisição de investimento por realização de capital e a contratação de nova avaliação em 2006. Concluiu, também, não ser possível se admitir que o fundamento do primeiro ágio seja a rentabilidade futura, pois o laudo de avaliação que assim o classificou foi elaborado somente em 2006. Isso contrariaria “o mandamento expresso no §3° do art. 20 do DecretoLei n° 1.598/77, que determina a elaboração de uma demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante de escrituração, o que não foi realizado, uma vez que esta demonstração do laudo só foi produzida 2 anos depois da operação societária analisada, deixando de ser análise de rentabilidade futura, para ser um atestado do que efetivamente ocorreu. Já o segundo ágio também não poderia ter sua dedutibilidade admitida, por ter se dado entre sociedades ligadas, todas sob o comando do Grupo ITAÚ, configurandose assim, um ágio interno. O relator do voto a quo entendeu, primeiramente, que poderiam ser aceitos novos documentos, ainda que apresentados somente por ocasião de sustentação oral em sessão de julgamento do Recurso Voluntário (efls. 1.339/1.394). Consignou que não haveria impedimentos legais de que o laudo fosse apresentado posteriormente, desde que houvesse demonstração da rentabilidade futura em demonstrações contemporâneas ao surgimento do primeiro ágio de 2004 e, com base nas provas carreadas aos autos, julgou comprovado que o ágio de 2004 estava fundamentado na rentabilidade futura, afastando a autuação relativamente a essa parte. Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.722 6 Desfez, ainda, outro fundamento da autuação que alegava diferença entre os ágios de 2004 e 2006. Assinalou tratarse do mesmo valor transferido pela conferência de capital do investimento adquirido com ágio. Aceitou que o propósito dessas operações societárias foi o de manter segregada a base de cartões de crédito oriunda da Credicard por certo tempo, para maximizar a precisão da avaliação de sua performance, afastando o último fundamento da autuação, que afirmava que o ágio de 2006 tinha sido criado artificialmente entre empresas do mesmo grupo, tratandose de “ágio interno”. Contudo, ainda que admitindo a validade das operações que permitiram o aproveitamento do ágio pelo Itaú Cartões, não concordou com a dedução em sua integralidade, pois entendeu não ser possível admitir que as operações societárias na parte em que “recriaram” o ágio de 2004 em sua integralidade, nele reincluindo a parcela já amortizada contabilmente pela Itaucard, lembrando que o ágio já amortizado contabilmente teve efeitos fiscais ao compor o custo de aquisição quando a Itaucard subscreveu o capital da Finaustria com o investimento da Tulipa evitando, assim, a ocorrência de ganho de capital tributável. Concluiu pela exclusão da parcela de R$ 132.148.674,46, chegandose a um ágio passível de amortização de R$ 564.635.245,01, em 60 parcelas mensais de R$ 9.410.587,42, reduzindo a glosa de amortização mensal de R$ 11.613.065,32 para R$ 2.202.477,90 (R$ 11.613.065,32 R$ 9.410.587,42), resultando na redução das infrações de IRPJ e CSLL. Em voto vencedor, o colegiado decidiu, ainda, pela exoneração das multas isoladas, por entender ser inaplicável a exigência concomitante de multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo ano calendário. Em Embargos de Declaração tempestivamente apresentados, a PFN apontou omissão do Acórdão de nº 1102001.018, que teria deixado de se pronunciar sobre a supressão de instância (efls. 1.396/1.397), vez que a juntada do Projeto Triatlo, elaborado supostamente em 18/02/2004, teria contrariado o princípio do efeito devolutivo dos recursos, já que esse documento não teria sido objeto de apreciação pela autoridade de primeira instância e, assim, também não poderia ser apreciado pela autoridade de segunda instância. Em despacho fundamentado (efls. 1.424/1.425), o Presidente da Turma rejeitou os aclaratórios, por considerar que a PFN teria apenas levantado, em suas contrarrazões ao Recurso Voluntário, o argumento da preclusão, e não o da supressão de instância e, que, de forma indireta, ao fazer referência ao art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, a decisão não teria incorrido em omissão. No Recurso Especial manejado (efls. 1.430/1.472) a PFN aponta divergência jurisprudencial em relação ao Acórdão nº 130100.058, que entendeu que a reorganização societária ocorrida entre as empresas do mesmo grupo econômico teve como intenção apenas forjar a existência de um ágio para reduzir o lucro tributável, cuja ementa, na parte afeta à matéria, ora transcrevo: Acórdão nº 130100.058 Fl. 1722DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.723 7 DESPESA DE ÁGIO. DESCARACTERIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE — Não há que se falar em despesas de ágio na situação em que os montantes correspondentes decorrem de expectativas de rentabilidade daquele que se beneficiou da redução do lucro tributável. Aduz, em suas palavras: Desse modo, a divergência jurisprudencial pode ser assim resumida. A Turma do acórdão paradigma julgou que a lei não autoriza a dedução do “ágio de si mesmo” (“despesa que tem por base a própria mais valia do seu patrimônio, isto é, a contribuinte, a partir de uma avaliação encomendada por ela própria, fez refletir no seu ativo os resultados de uma suposta rentabilidade futura e, por meio de uma reorganização societária, sem despender um único centavo, transformou essa mais valia em uma despesa”) da base de cálculo do IRPJ e da CSSL. Por outro lado, a Turma a quo julgou que a lei autoriza a dedução do “ágio de si mesmo” e que eventual pecha de artificialismo dessa despesa tem efeito apenas na área contábil, sem reflexos no campo tributário face a ausência de previsão legal que impeça a dedução da quantia. Para a mesma questão apresenta, ainda, um segundo acórdão paradigma, o Acórdão nº 1402001.338, que também teria decidido pela indedutibilidade de ágio criado de forma artificial. Segue a ementa do paradigma, no ponto que importa à presente análise: Acórdão nº 1402001.338 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. Aponta outra divergência jurisprudencial, agora em relação à possibilidade de juntada posterior de documentos, pois isso implicaria na supressão de sua análise pelo órgão de julgamento inferior e, em caso de ser admitida, o processo deve ser remetido à instância inferior para apreciação, de modo que seja preservada sua atribuição e autoridade. Indicou como paradigma o Acórdão nº 3403002.213, que traz a seguinte ementa, na matéria: Acórdão nº 3403002.213 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. PRECLUSÃO. O art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 dispõe sobre o momento de apresentação da prova documental. A análise de documento que já estava disponível quando da interposição da manifestação de inconformidade, apresentado pelo postulante somente em sede de recurso voluntário, implica supressão de instância. Como último tema, aponta divergência jurisprudencial em relação à aplicação concomitante de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas, em Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.724 8 concomitância com a exigência de multa de ofício, no mesmo anocalendário, indicando como paradigma o Acórdão nº 120200.410, que tem a seguinte ementa : Acórdão nº 120200.410 MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO ACOMPANHANDO EXIGÊNCIA DE TRIBUTO. COMPATIBILIDADE. A falta de recolhimento da CSLL sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual enseja a aplicação da multa de ofício isolada de que trata o inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. O lançamento é compatível com a exigência da contribuição apurada em procedimento fiscal, acompanhada da correspondente multa de ofício. APLICAÇÃO RETROATIVA DA MULTA MENOS GRAVOSA. A multa por falta de recolhimento da estimativa mensal, no percentual de 50%, de que trata o artigo 44, II, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007, sendo menos gravosa que a vigente ao tempo da ocorrência do fato gerador, aplicase retroativamente, tendo em vista o disposto no artigo 106, II, "c" do Código Tributário Nacional. E, ainda, na hipótese de não ser aceito o entendimento contido no item anterior, passa a demonstrar que o acórdão recorrido, ao cancelar a multa isolada, também divergiu da jurisprudência do Conselho, que admite a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, em relação a período posterior ao advento da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, considerando ser legítima, a partir do anocalendário 2007, a aplicação cumulativa de duas multas de ofício. Indicou como paradigma o Acórdão nº 1401000.761, assim ementado: Acórdão nº 1401000.761 IRPJ.CSLL. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido a título de estimativa. MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO, CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. Segundo o art. 115 do CTN, obrigação acessória “é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal”. No caso do recolhimento das estimativas do IRPJ, tratase de antecipação de imposto de renda, pelo que, ao final do ano calendário, com a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, as estimativas passam a ser absorvidas pelo imposto de renda devido em razão do ajuste anual, desnaturando a sua Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.725 9 natureza como obrigação instrumental. Não existe, assim, a possibilidade de se aplicar, cumulativamente, a multa de ofício pelo não recolhimento do imposto de renda apurado com o ajuste anual, e a multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória quando, em verdade, essa obrigação acessória converteuse em obrigação principal ao final do ano calendário, pela superveniência do fato gerador do imposto de renda. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS E PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL AO DIREITO TRIBUTÁRIO.DIVERSIDADE DE CONTEXTOS. DIVERSIDADE DA NATUREZA DAS SANÇÕES. As normas e princípios do direito penal, relativas a excludentes de ilicitude ou dirimentes, tendo em conta as sanções restritivas de liberdade ali cominadas, não são aplicáveis às sanções administrativas de caráter exclusivamente patrimonial, previstas no âmbito do direito tributário. Resumidamente, observa que o acórdão recorrido, ao afirmar que a multa de ofício e a multa isolada são excludentes, diverge do acórdão paradigma, que entende ser plenamente possível a exigência de ambas as multas, por se referirem a infrações distintas, mormente em face da alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Para este tema indica, ainda, o seguinte paradigma: Acórdão nº 910100.947 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Havendo obscuridade no acórdão embargado, acolhese os embargos de declaração interpostos para suprir a omissão apontada. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento da CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996. Assinala que a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no caso então analisado, excluiu do lançamento a multa isolada por se tratar de período anterior ao advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. Deixou registrado, entretanto, que após a alteração legislativa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, é possível a exigência concomitante da multa isolada com a multa de ofício. Nas razões meritórias de defesa aponta que a acusação fiscal se deu no seguinte sentido: indedutibilidade da amortização de um ágio interno, surgido após uma reorganização societária sem propósito negocial, sem motivação extratributária, que culminou com a geração de um “segundo ágio”, que teve como único objetivo conduzir a um Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.726 10 menor pagamento de imposto, no Banco Itaú Cartões, até Julho/2007." A partir desta data, o ágio foi transferido ao Banco Itaucard, que passou a amortizar este ágio. Depois de resumir o conceito de ágio afirma que, para existir, o ágio ou deságio deve sempre ter como origem um propósito negocial (aquisição de um investimento) e, assim, um substrato econômico (transação comercial), e que somente registros escriturais, não podem ensejar o nascimento dessa figura econômica e contábil. O ágio ou deságio, dessa forma, deve sempre decorrer da efetiva aquisição de um investimento oriundo de um negócio comutativo, onde as partes contratantes, interdependentes entre si e ocupando posições opostas, tenham interesse em assumir direitos e deveres proporcionais. Passa, então, a explicar o caso concreto, nestes termos: É preciso ter em mente, para uma correta compreensão da matéria, a existência de dois grupos de operações societárias realizadas no contexto desses autos. O primeiro grupo de transações ocorreu em 2004 e o segundo grupo em 2006. A Contribuinte defende em seu Recurso Voluntário que o ágio que se buscou amortizar a partir do anocalendário de 2006 é precisamente o mesmo ágio gerado nas operações de 2004. Por outro lado, a Fiscalização defende, e comprova, que o ágio gerado nas operações de 2004 fora utilizado pelo ITAUCARD para o não pagamento de ganho de capital devido com a baixa do investimento TULIPA, baixando assim, o ágio que tinha registrado em sua contabilidade. Como veremos, o ágio (artificial) das operações de 2006 consistiu “um segundo ágio”, nas palavras da Fiscalização, mas que causa imbróglio em sua visualização pelo fato de possuir o exato valor do ágio gerado em 2004. Mais adiante veremos, ainda que o ágio amortizado fosse aquele gerado em 2004, não procederia a sua amortização, pelo fato de faltarlhe requisito essencial em sua formação. Com efeito, o laudo que o suportaria, atestando sua suposta expectativa de rentabilidade futura, só foi elaborado 2 anos após, em 2006. Tal expediente ofende jurisprudência deste CARF. Na seqüência, detalha os fatos envolvendo a reorganização societária e o nascimento do ágio de 2004 e a sua transferência para 2006. E aponta: O que a Contribuinte Recorrente não consegue demonstrar é: 1. se o ágio é aquele decorrente das operações de 2004, porque razão foi providenciado novo Laudo de Avaliação (datado de 31/10/2006), a cargo de Hirashima & Associados, fundamentando a rentabilidade futura da TULIPA? Notem que tal laudo nada menciona sobre ágio decorrente das operações de 2004, que estaria sendo deslocado, como defende a Recorrente. Ademais, a Contribuinte não explica 2. por que deixou de tributar o ganho de capital experimentado com a baixa do investimento na TULIPA e capitalização da FINAUSTRIA? O que temos, em verdade, Srs(as) Conselheiros(as), é que as operações de 2006 exigiram novo laudo por tratarem da constituição de novo ágio, artificial e internamente gerado, e que, por isso, não pode ser aproveitado. Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.727 11 Igualmente, o ganho de capital na baixa do investimento na TULIPA não foi tributado justamente por ter sido exaurido, ou seja, seu efeito fiscal foi anulado, com a baixa do ágio registrado no ITAUCARD. Afirma que, ainda que o ágio que se pretende amortizar seja aquele gerado nas operações de 2004, mesmo assim sua dedutibilidade não seria possível, porque a legislação somente admite que o ágio pago com base em expectativa de rentabilidade futura seja passível de amortização e que, não se pode admitir como comprovada a expectativa de rentabilidade futura com base em um laudo feito dois anos após as aquisições, revelandose a necessidade da vontade econômica que levou ao pagamento de um ágio ser comprovada em um documento elaborado antes do seu efetivo desembolso. Assim, a anterioridade do laudo econômico é tanto uma imposição de ordem contábil, imposta pela norma, como uma questão de ordem lógica, e admitirse que o laudo econômico possa ser elaborado após o pagamento do ágio, além de ser um disparate hermenêutico, implicaria a permissão de inimagináveis situações fraudulentas, em face do poder de manipulação de situações que isso permitiria. Indica que o que de fato que se apresenta é a existência do segundo ágio, decorrente das operações de 2006, mas cuja dedutibilidade para fins tributários é igualmente incabível por ter sido forjado em operação artificial, intragrupo e que a questão a ser dirimida é a possibilidade de um ágio criado internamente ser hábil a gerar uma despesa dedutível nos termos do artigo 386 do RIR/99. Afirma que, nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, somente é amortizável na apuração da conta de resultado de uma empresa o ágio efetivamente decorrente da aquisição de uma pessoa jurídica por outra, por incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, mas que o caso dos presentes autos não se submete a essa norma uma vez que o ágio absorvido pela incorporadora não existiu, pois fora criado somente de forma artificial, e que se nunca houve ágio decorrente da aquisição de investimento (segundo o artigo 385 do RIR/99), não haveria que se falar em sua amortização no resultado da empresa que o absorveu por incorporação. Se ele nunca existiu, ele não pode ser utilizado. Defende que o ágio ou deságio criado por meio de negócios sem fins econômicos e/ou onde não houve o efetivo dispêndio do preço de aquisição do investimento não deve dar ensejo ao benefício previsto nos citados artigos. E além de não ser dedutível nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, o ágio utilizado pela pessoa jurídica não é passível de integrar a conta de resultado por nenhum outro dispositivo que autoriza a dedutibilidade de despesas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A despesa amortizada pelo sujeito passivo na apuração de seu lucro líquido não se enquadra em nenhuma das hipóteses de dedutibilidade previstas pelos artigos 324 a 327 do RIR/99. Aduz que, no presente caso, os reais investidores (BANCO ITAÚ S/A e outras empresas do Grupo) não deixaram de existir, nem perderam seus investimentos na fiscalizada – ITAUCARD. Dessa forma, requisito legal específico, constante da legislação aplicável à matéria, não foi cumprido, qual seja: a absorção do patrimônio da empresa que de fato realizou o investimento. Colaciona jurisprudência administrativa. No tocante ao tema supressão de instância, destaca que o colegiado a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário com base em documentos que existiam desde a Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.728 12 impugnação do lançamento, mas que foram juntados aos autos somente na fase recursal e que a juntada do Projeto Triatlo, elaborado supostamente em 18/02/2004, terminou por contrariar o princípio do efeito devolutivo dos recursos, vez que esse documento não foi objeto de apreciação pela autoridade de primeira instância e, logicamente, também não poderia ser apreciado pela autoridade de segunda instância. Aponta que o princípio da verdade real deve ser obedecido no PAF, mas caminha ao lado do devido processo legal, o qual incluiu o devido julgamento da causa por todas as instâncias administrativas e que a juntada posterior de documentos implica a supressão de sua análise pelo órgão de julgamento inferior. Na hipótese de ser admitida a juntada posterior de documentos, salienta a necessidade de o processo ser remetido à instância inferior para apreciação, de modo que seja preservada sua atribuição e autoridade. Quanto à questão da multa isolada, sucintamente, apóiase na fundamentação do acórdão paradigma, o qual reproduz em sua integralidade, pugnando pelo seu restabelecimento. E, ainda que não seja esse o entendimento, afirma que, ao menos a partir do anocalendário 2007, com a nova redação dada ao art. 44, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada passa a ser admitida de forma concomitante com a multa de ofício, por trataremse de penalidades distintas. Requer, ao final, o conhecimento e o provimento do recurso para que seja reformada, nesses pontos, a decisão recorrida. Em 30/09/2014, a interessada apresenta a petição de efls. 1.476, informando ter efetuado o pagamento do montante relativo ao crédito tributário mantido pelo Acórdão de nº 1102001.018, com os benefícios concedidos pela Lei nº 11.941/2009, conforme guia de recolhimento que apresentou, acompanhada de demonstrativo, e pugnando pela desistência do Recurso Especial interposto, advertindo que a desistência se refere apenas às parcelas de amortização de ágio que foram mantidas pela referida decisão, permanecendo, contudo, a discussão acerca das parcelas exoneradas, que foram objeto do Recurso Especial da PFN. Pelo despacho de admissibilidade de efls. 1.520/1.529, o Recurso Especial da PFN é admitido pelo Presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, em relação a todas as matérias divergentes suscitadas, com exceção da matéria multa isolada, cuja divergência restou caracterizada, apenas, em relação à aplicação da multa a partir do ano calendário 2007. Cientificada do Recurso Especial da PFN e do despacho que o admitiu, a interessada apresentou Contrarrazões (efls. 1.559/1.600). Em extenso arrazoado, invoca, primeiramente, que o Recurso Especial manejado não atendeu aos requisitos regimentais, já que, relativamente ao primeiro tema, amortização do ágio, deixou de fazer o cotejo analítico entre o acórdão recorrido e os paradigmas de nº 130100.058 e nº 1402001.338. Afirma, ainda, que as situações fáticas analisadas pelo recorrido e pelos paradigmas não guardam qualquer similitude, o que impediria a caracterização da divergência. No mesmo tom se refere ao tema supressão de instância, afirmando que mais uma vez a recorrente não demonstrou objetivamente a legislação interpretada de forma divergente, bem como deixou de fazer o cotejo analítico entre os trechos do acórdão recorrido Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.729 13 que seriam divergentes do paradigma nº 3403002.213. Aponta, ainda, ausência de semelhança fática entre as decisões comparadas. No que respeita à imputação da multa isolada, defende que o único paradigma admitido para caracterizar a divergência acórdão nº 1401000.761 afronta a Súmula CARF nº 105, uma vez que, a partir da interpretação dos paradigmas que lhe deram origem, verificarseia que nenhum deles fez dicotomia entre fatos geradores anteriores ou posteriores a 2007, somente fazendo menção ao princípio da consunção, do qual se extrai a interpretação de que "a infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano". Pede, assim, que o REsp da PFN seja não conhecido. No mérito defende que não pode ser admitida a indedutibilidade do ágio, porque não se trataria de caso de "ágio interno" ou "ágio de si mesmo", da geração de um "segundo" ágio, de "reorganização societária sem propósito negocial", porque a própria autoridade fiscal teria admitido que o ágio teria surgido de forma legítima. Aponta ter demonstrado no curso do processo que o ágio teve origem em face da aquisição do investimento na Tulipa, não havendo, em razão da reorganização societária processada no grupo Itaú, o surgimento de um "segundo ágio", reconhecendo que na transferência do investimento na Tulipa pelo Itaucard para a Finaustria, o ágio "pendurado" na Tulipa teria de acompanhar o investimento na Tulipa descolado para a Fináustria, não cabendo ao recorrido deduzir o ágio. Aduz que os laudos de avaliação analisaram o fundamento econômico do ágio em 2004, no momento em que foi pago, identificando como fundamento econômico, a perspectiva de rentabilidade futura e que o estudo elaborado por Hirashima não conflita com o estudo interno contemporâneo à avaliação. Acrescenta que se não houvesse essa perspectiva de rentabilidade futura, relativa ao acervo que migrou da Credicard para a Itaú Cartões, o Grupo Itaú não teria razão para concordar com a cisão da Credicard, deixando de ser acionista dessa empresa, já que o Itaú não tinha interesse em manter participação na Credicard, nem explorar sua marca. A cisão teria traduzido negócio entre partes não relacionadas, tornando evidente que ela só foi aprovada pelo Itaú à vista da expectativa de rentabilidade futura contida no acervo de operações da Credicard vertido para o Itaú Cartões. Demonstra, a seguir, as razões que teriam motivado a Tulipa a ser transferida para a Fináustria e ao Itaú Cartões, para concluir que a despesa diz respeito a ágio efetivo, nascido de investimento pertencente a terceiro, que teve por fundamento econômico a perspectiva de rentabilidade futura, com propósito econômico empresarial, sem surgimento de um "segundo ágio", apenas mantendose incólume o ágio experimentado em 2004. No que toca à supressão de instância, afirma que apresentou o estudo elaborado por Hirashima & Associados, bem como o Projeto Triatlo, por ter a DRJ infirmado a fundamentação econômica do ágio surgido na aquisição da Tulipa, de modo a afastar as dúvidas suscitadas por essa instância julgadora. Salienta que a supressão de instância somente ocorre quando a instância superior julga matéria não apreciada pelo juízo a quo. Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.730 14 Invoca o princípio da consunção em relação à aplicação da multa isolada, de forma concomitante com a multa de ofício, ainda que para períodos de apuração posteriores a 2007, colacionando jurisprudencial administrativa. Pede, ao final seja negado seguimento ao Recurso Especial e, no mérito, seja lhe negado provimento. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora 1 Preliminarmente. 1.1 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso é tempestivo porém, como a Recorrida traz em Contrarrazões argumentos no sentido do seu não conhecimento, passo a analisálos. No que toca ao tema da natureza do ágio, diz a Recorrida que a Recorrente não fez o cotejo analítico entre trechos do acórdão recorrido e dos paradigmas, e que, ainda que superada essa mácula, os paradigmas não teriam tratado da mesma situação fática analisada pelo recorrido. Vejamos. À época em que foi aviado o Recurso Especial, vigoravam as disposições regimentais aprovadas pela Portaria MF nº 256, de 2009, que determinava, no art. 67 do Anexo II: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.731 15 § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. Primeiramente, no preâmbulo do Recurso Especial, a PFN adverte: Anotese que as razões aduzidas abaixo para a configuração da divergência jurisprudencial e a tese encampada pelo paradigma servirá a um só tempo para a fundamentação do conhecimento do presente recurso especial e para subsidiar o pedido de reforma do acórdão hostilizado. O acórdão recorrido, na temática questionada, recebeu a seguinte ementa: ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.732 16 Caso em que se demonstrou que o ágio foi pago com base na expectativa de resultados futuros, tanto por documentos contemporâneos ao investimento, quanto por laudo elaborado posteriormente com base em informações da época. INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. EXTINÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO AMORTIZADO CONTABILMENTE. INDEDUTIBILIDADE. Não há previsão legal para o aproveitamento do ágio já amortizado contabilmente quando da extinção da participação societária em virtude de fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra. Nesses casos, o ágio já amortizado e contabilizado no LALUR não pode mais ser aproveitado, devendo ser simplesmente baixado. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. APROVEITAMENTO POR OUTRA EMPRESA DO GRUPO. PROPÓSITO NEGOCIAL. POSSIBILIDADE. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago, decorrente de transação entre parte independentes. Caso exista um propósito negocial válido e se demonstre ser possível a dedução do ágio por incorporação direta, não há óbices para que o grupo econômico “transfira” o ágio efetivamente pago para uma de suas controladas com o uso de empresa veículo, aproveitandose do benefício fiscal em outra parte da estrutura societária. Do mesmo modo que é necessário frear os planejamentos que criem benefícios fiscais aos quais o contribuinte não faça jus, não se deve permitir que um formalismo exacerbado impeça o uso de direito legitimamente adquirido. Os paradigmas indicados receberam, na matéria do ágio, as seguintes ementas: Acórdão nº 130100.058 DESPESA DE ÁGIO. DESCARACTERIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE — Não há que se falar em despesas de ágio na situação em que os montantes correspondentes decorrem de expectativas de rentabilidade daquele que se beneficiou da redução do lucro tributável. Acórdão nº 1402001.338 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Fl. 1732DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.733 17 Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. Vêse, da leitura das razões recursais, que a Recorrente fez a devida comparação entre o acórdão recorrido e os paradigmas, inclusive transcrevendo trechos de ambas as decisões, ou referindose a trechos de ambas as decisões, para demonstrar a divergência, o que já afasta a afirmação de que não fora feito o devido cotejo entre os paradigmas e o recorrido. Contudo, concordo com a recorrida que a situação enfrentada pelo acórdão recorrido é diferente daquela analisada por ambos os paradigmas colacionados. É que no acórdão recorrido havia uma discussão, desde a acusação fiscal, de que o ágio surgido em 2006 era diverso daquele que havia sido contabilizado na Itaucard em 2004, enquanto a contribuinte afirmava que era o mesmo ágio. A tese da Fiscalização de se tratar de um ágio interno decorre da premissa de que o ágio da integralização das ações da Tulipa na Fináustria não é o ágio que foi pago em 2004, quando a Itaucard adquiriu as ações da Tulipa e, por conseguinte, o ágio de 2006 era um ágio que já teria sido gerado intragrupo. Ao analisar os fatos, o acórdão recorrido afastou a tese da Fiscalização de que haveria dois ágios. Ou seja, de acordo com o voto condutor, o ágio de 2006 era o mesmo de 2004 e, por isso, correspondia a um ágio gerado entre partes independentes. É de se concluir, portanto, que este acórdão recorrido analisou uma acusação fiscal de ágio interno construída a partir de uma premissa com a qual ele não concordou, de que haveriam dois ágios. É uma situação bastante diferente, por exemplo, daquele que reconhece haver um ágio interno e, a despeito disso, mantém a amortização do ágio. O relator do acórdão recorrido não disse que aceitava a dedutibilidade da amortização do ágio interno; disse que a hipótese analisada não era ágio interno, posto que o ágio de 2006 era o mesmo gerado em 2004, entre partes independentes. Já os acórdãos paradigmas nº 130100.058 e 1402001.338 não trazem em seu bojo qualquer discussão de dois ágios, de um ser igual ao outro, de um ser pago e o outro ser gerado intragrupo, enfim, as discussões naqueles casos diziam respeito tãosomente ao ágio intragrupo. Em face dessas diferenças de situações fáticas, entendo que não restou caracterizada a divergência e, por conseguinte, não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional relativamente a essa matéria. Quanto ao segundo tema divergente proposto pela PFN em seu Recurso Especial (possibilidade de juntada posterior de documentos), a Recorrida, mais uma vez, afirma que a Recorrente não teria feito o cotejo analítico entre os pontos divergentes do acórdão recorrido e do paradigma indicado, que a matéria não teria sido objeto de prequestionamento, e que não haveria identidade fática entre o paradigma apresentado e o acórdão recorrido. Com relação aos argumentos da Recorrida de que não há prequestionamento quanto à divergência suscitada pela Fazenda Nacional, cumpre esclarecer que tal requisito não é exigido pelo Regimento Interno no caso de Recurso Especial da Fazenda Nacional. De acordo com o § 3º, do artigo 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, Fl. 1733DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.734 18 de 2009, o prequestionamento é requisito essencial à admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo contribuinte, e não pela Fazenda. Dispõe o supracitado dispositivo: § 3º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. No entanto, ainda no que se refere ao prequestionamento, não procede a alegação da Recorrida, uma vez que, ainda que de forma indireta, o tema foi abordado pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido ao tratar sobre o art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Senão, vejamos a abordagem do assunto no referido voto: Contudo, com as novas provas trazidas aos autos, sou obrigado a mudar de opinião. Antes de passar a análise dos novos documentos, devo tecer algumas considerações sobre a admissibilidade das novas provas, em especial porque a Fazenda Nacional defende o não conhecimento, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF. De fato, o §4o do art. 16 do PAF determina a apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazê lo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material. No caso, penso ser possível se admitir a análise das novas provas, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na impugnação os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Acrescentese que esta Turma decidiu, por unanimidade de votos, em aceitar as novas provas trazidas um pouco antes do julgamento, e permitiu que a PFN sobre elas se manifestasse. Logo, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção do lançamento sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo. Dessa forma, as novas provas são admitidas e serão analisadas. Tanto é assim que o despacho que analisou os Embargos de Declaração aviados pela Recorrente, que questionou, justamente, a falta de pronunciamento da turma a quo Fl. 1734DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.735 19 sobre a possibilidade de serem admitidas novas provas apresentadas em sede de sustentação oral em sessão de julgamento do Recurso Voluntário, sem que a autoridade julgadora de primeira instância delas tenha tido conhecimento, rejeitou a omissão ao fundamento de que a Procuradoria não teria se manifestado pela supressão de instância e, também, porque indiretamente tratou dessa supressão da instância ao afirmar que a admissão de novos documentos poderia ocorrer em face da alínea “c” do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Salientese que esse despacho foi assinado pelo próprio relator, ou seja, para ele, ao enquadrar a hipótese no art. 16, §4º, alínea “c” do Decreto nº 70.235, de 1972, ele de certa forma estaria dizendo que não estava havendo supressão de instância. Nesse sentido, colaciono trecho do referido despacho: Penso que a embargante se equivoca ao apontar omissão no acórdão. Primeiro, porque a matéria não havia sido trazida aos autos anteriormente, já que, quando teve a oportunidade de manifestar sobre os novos documentos, a Fazenda Nacional se opôs apenas com o argumento de preclusão, e não de supressão de instância. Assim, não se pode taxar de omissa decisão que não se manifesta sobre matéria não arguida. E segundo, porque o modo como o acórdão admitiu as novas provas afasta, ainda que indiretamente, a alegação de possível supressão de instância, pois entendeu que a admissão dos novos documentos poderia se dar com base no inciso “c” do §4o do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerouse que o contribuinte teria trazido, na impugnação, os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo que não lhe foram favoráveis, apresentou provas complementares. Desse modo, no caso concreto, a apresentação das novas provas seria resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Assim, a razão de decidir da decisão atacada já é suficiente para afastar o argumento de supressão de instância (repitase, inédito nos autos), ao entender que os novos documentos serviram para se contrapor ao decidido na primeira instância, não sendo, por óbvio, necessário a ela retornar. De resto, a PFN apontou objetivamente qual foi a questão divergente, nos seguintes termos: "...destacase que a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário com base em documentos que existiam desde a impugnação do lançamento, mas que foram juntados aos autos somente na fase recursal. Portanto, divergiu também da jurisprudência da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, na medida em que essa não autoriza a juntada posterior de documentos, pois isso implicaria na supressão de sua análise Fl. 1735DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.736 20 pelo órgão de julgamento inferior. Para o paradigma, na hipótese de ser admitida a juntada posterior de documentos, o processo deve ser remetido à instância inferior para apreciação, de modo que seja preservada sua atribuição e autoridade." E logrou caracterizála, eis que a ementa do paradigma é suficientemente clara a demonstrála: Acórdão 3403002.213 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. PRECLUSÃO. O art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 dispõe sobre o momento de apresentação da prova documental. A análise de documento que já estava disponível quando da interposição da manifestação de inconformidade, apresentado pelo postulante somente em sede de recurso voluntário, implica supressão de instância. Por último, quanto à suposta falta de identidade das situações fáticas comparadas, vale lembrar que o tema apontado como divergente não se refere, aqui, à compensação ou a dedutibilidade de ágio, mas à possibilidade de apresentação posterior de provas que já estariam de posse do sujeito passivo por oportunidade da impugnação, de forma que pouco importa, para tal análise, se a hipótese tratada diz respeito a um lançamento de ofício ou a uma compensação, porque, para ambos, a regra processual é a mesma, como dispõe o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ao dar à manifestação de inconformidade, o mesmo tratamento dado às impugnações. A verificação se a hipótese se enquadra ou não no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, passa a ser uma análise de mérito. O fato é que enquanto o paradigma fez um juízo que, se o documento já estava disponível ao contribuinte ao tempo da impugnação, o contribuinte não poderia apresentar a posteriori, para o recorrido, essa análise não ocorreu. Não foi feita essa avaliação. A leitura que esses colegiados têm a respeito do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 é flagrantemente diversa. Assim, conheço do recurso especial quanto a essa divergência. Em seu último questionamento a respeito do atendimento aos requisitos para conhecimento do Recurso Especial da PFN, invoca, a interessada, que o despacho que apreciou a admissibilidade do REsp no tocante ao tema da aplicação da multa isolada a partir do ano calendário 2007, cometeu erro ao interpretar que a Súmula CARF nº 105 teria feito dicotomia entre fatos geradores da imputação anteriores a 2007 e fatos geradores posteriores a 2007, afirmando que os paradigmas que deram ensejo à sua edição tiveram por fundamento o princípio da consunção, do qual se extrairia que "a infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano". Com a devida vênia, equivocase a interessada. Não cabe a quem examina se os requisitos de admissibilidade do Recurso Especial foram atendidos, interpretar se Súmula vinculante do CARF pretendeu dizer uma coisa ou outra totalmente diversa, exclusivamente para esse fim, qual seja, o de verificar se foram cumpridos os requisitos de admissibilidade previstos no art. 67, do Anexo II, do RICARF. Cabe ao examinador, apenas, analisar se o Fl. 1736DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.737 21 paradigma contraria o enunciado de Súmula do CARF. Se o paradigma não contraria enunciado de Súmula do CARF, ele deve ser aceito. A competência para o julgamento da pertinência do quanto disposto em determinada Súmula Vinculante do CARF, ao caso específico, é da Turma da CSRF que irá apreciar o mérito do litígio. Por pertinente, trago a ementa do acórdão paradigma nº 1401000.761: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 IRPJ.CSLL. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido a título de estimativa. MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO, CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. Segundo o art. 115 do CTN, obrigação acessória “é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal”. No caso do recolhimento das estimativas do IRPJ, tratase de antecipação de imposto de renda, pelo que, ao final do ano calendário, com a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, as estimativas passam a ser absorvidas pelo imposto de renda devido em razão do ajuste anual, desnaturando a sua natureza como obrigação instrumental. Não existe, assim, a possibilidade de se aplicar, cumulativamente, a multa de ofício pelo não recolhimento do imposto de renda apurado com o ajuste anual, e a multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória quando, em verdade, essa obrigação acessória converteuse em obrigação principal ao final do ano calendário, pela superveniência do fato gerador do imposto de renda. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS E PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL AO DIREITO TRIBUTÁRIO.DIVERSIDADE DE CONTEXTOS. DIVERSIDADE DA NATUREZA DAS SANÇÕES. As normas e princípios do direito penal, relativas a excludentes de ilicitude ou dirimentes, tendo em conta as sanções restritivas de liberdade ali cominadas, não são aplicáveis às sanções administrativas de caráter exclusivamente patrimonial, previstas no âmbito do direito tributário. Por outro lado, esta é a ementa do acórdão recorrido, a respeito do tema: IRPJ. CSLL. ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL. Incabível a aplicação simultânea da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.738 22 tributo devido apurado no balanço final do mesmo ano calendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre a mesma infração, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo. Em seu voto vencido, o relator do acórdão recorrido deixou claro que havia discussão jurisprudencial administrativa no sentido da inaplicabilidade da multa isolada em concomitância com a multa de ofício, por ambas possuírem a mesma base de cálculo, mas que essa discussão deixou de ter sentido com a alteração legislativa perpetrada no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488/2007, eis que essa alteração teria deixado claro trataremse de penalidades com base em fatos distintos. Observese: De qualquer modo, com a nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, essa interpretação não pode prosperar, pois a base de cálculo da multa por falta de recolhimento da estimativa deixou de ser “a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”, passando a ser “o valor do pagamento mensal”. Contudo, prevaleceu para o colegiado a quo o entendimento consignado no voto vencedor, que se apegou à discussão a respeito da natureza jurídica das estimativas, para concluir que estas tratariam de mera antecipação do tributo devido ao final do anocalendário, sendo irrelevante a alteração promovida na redação do art 44, da Lei n 9430/96. Diferente foi a conclusão do paradigma, que entendeu que, por conta da alteração legislativa promovida pela Lei nº 11.488/2007, no art. 44 da Lei nº 9.430/96, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais deveria ser mantida, ainda que concomitantemente com a multa de ofício aplicada pela falta de recolhimento do tributo devido ao final do período de apuração, mas apenas para fatos geradores ocorridos após essa alteração, ou seja, a partir de 2007: Em que pese as sempre bem postas razões proferidas pelo nobre Conselheiro Relator, a Turma Julgadora, por maioria, entendeu pelo cancelamento da multa isolada relativa aos anos calendário 2005 e 2006, mantendoa, no entanto, com relação ao ano calendário 2007, tendo este Conselheiro sido designado para a redação das razões de voto vencedor. E ainda que referido paradigma não fosse suficiente a caracterizar a divergência, a Recorrente ofertou um outro julgado, para comparação, que não foi apreciado no despacho de exame de admissibilidade. Tratase do Acórdão nº 910100.947, que tem a seguinte ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Havendo obscuridade no acórdão embargado, acolhese os embargos de declaração interpostos para suprir a omissão apontada. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento da CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada Fl. 1738DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.739 23 cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996. No voto proferido em sede de julgamento de Embargos de Declaração, assim se pronunciou sobre o tema o relator: Além destes argumentos, é necessário destacar que a Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de oficio pela Administração Pública Federal. A partir de janeiro de 2007, o mencionado art. 44 passou a apresentar a seguinte redação, verbis: [...] Da comparação entre a redação vigente e a anterior do mesmo dispositivo, constatase que com as alterações introduzidas recentemente a penalidade isolada não deve mais incidir "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a titulo de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustouse o percentual da multa pela falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Desta forma, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tomar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. Porém, este novo disciplinamento das sanções administrativas aplicadas no procedimento de oficio passaram a viger somente a partir de janeiro de 2007, portanto, após os fatos de que tratam os autos. Devidamente caracterizada a divergência, portanto, nesta matéria. Em face do exposto, conheço parcialmente do Recurso Especial da PFN em relação à possibilidade de juntada de documentos após a impugnação e em relação à concomitância da multa isolada. 2 Prejudicial de Mérito 2.1 PRECLUSÃO PROCESSUAL Alega, a Recorrente, que a interessada não poderia ter apresentado prova a seu favor em momento posterior à apresentação da impugnação porque, além de ferir o que dispõe o processo administrativo tributário, essas novas provas, por não terem sido apreciadas pela autoridade julgadora de primeira instância, implicariam supressão de instância de julgamento. Por outro lado, o relator do voto condutor desse tema no acórdão recorrido consignou que, apesar de a apresentação extemporânea de prova ferir o quanto dispõe o § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 1972, essas provas poderiam ser admitidas em face da exceção prevista no mesmo dispositivo, que permite a juntada de provas em momento Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.740 24 posterior, quando, além das outras hipóteses citadas nas alíneas “a” e “b”, destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Entendeu o ilustre relator que a contribuinte trouxe na impugnação os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito e, ao analisar os argumentos do julgador da DRJ em São Paulo/SPI, que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Esses argumentos do julgador da DRJ/SPI, então, seriam os "fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." Com a devida vênia, não posso concordar com o relator do acórdão recorrido, porque não foi exatamente isso o que aconteceu no presente caso. Compulsando os autos verificase que no curso da ação fiscal, mais precisamente em 22/11/2011, a interessada foi instada a apresentar: "(i) esclarecimento sobre a origem do ágio deduzido conforme documento CRTUAF692/2011, apresentando um demonstrativo com todos os eventos societários decorrentes, anexando os atos societários comprobatórios (tais como atas de assembléias ordinárias e extraordinárias, protocolos de justificação de incorporação, cisão, transferência de ações....; (ii) cópia dos laudos de avaliação dos patrimônios contábeis das sociedades envolvidas no processo de reorganização societária descrita no item 1 acima. Caso haja laudos de avaliação a valores econômicos e/ou de mercado das sociedades envolvidas, apresentar também..." (efls. 151/152). Em resposta a essa solicitação a interessada apresentou, apenas, as atas de assembléias que autorizaram a reorganização societária, como demonstram os documentos acostados às efls. 153/204. Solicitação para apresentação de laudo de avaliação constou, ainda, da intimação lavrada em 14/02/2012 (efls. 205/206, item "2"). Nessa oportunidade a interessada apresenta o laudo de Hirashima & Associados elaborado em 25/09/2006, do ágio de 2004 que estava sendo questionado pela auditoria fiscal (efls. 224/253). Em razão de o laudo apresentado não ser contemporâneo aos fatos que pretendeu avaliar, a auditoria fiscal, por considerar que nessas condições ainda não fora apresentada a prova da mais valia, volta a solicitar, em 04/2012, que a interessada apresentasse laudo contemporâneo de avaliação que justificasse o registro do ágio na aquisição da participação da Tulipa pelo Itaucard, em novembro/2004 (efl. 601). Novamente, a interessada volta a apresentar à auditoria, um laudo de avaliação elaborado em maio de 2006, por Hirashima & Associados. Posteriormente. no Termo de Verificação Fiscal, lavrado em 23/05/2012, o agente fiscal deixa claro que (efls. 673/711): "Cabe registrar, que o contribuinte, quando intimado a comprovar a fundamentação econômica pelo Termo de Intimação Fiscal nº 0013, apresentou um Laudo de Avaliação que suporta este "primeiro ágio", só que o laudo é de 2006, enquanto que a operação ensejadora do surgimento do ágio foi realizada em 2004, restando de sobremaneira prejudicada a sua possível dedutibilidade fiscal como ágio de rentabilidade futura, conforme será mais detalhado no item 3.8 deste Termo." E no referido item 3.8: Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.741 25 "Por fim, conforme mencionado no item 3.3 acima, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 0013 o contribuinte apresentou um laudo de avaliação de uma operação de 2004 que culminou com a formação de um ágio, cuja análise foi elaborada tão somente em 2006. Então, como pôde o contribuinte em 2004, ter a convicção de que a fundamentação econômica do "primeiro ágio", foi decorrente de rentabilidade futura ou não, uma vez que não existia laudo nesta época? Inclusive tal atitude contraria o mandamento expresso no § 3º do art. 20 do Decretolei 1.598/77, que determina a elaboração de uma demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante de escrituração, o que não foi realizado, uma vez que esta demonstração ou laudo só foi produzido 2 (dois) anos depois da operação societária analisada, deixando de ser análise de rentabilidade futura para ser um atestado do que efetivamente ocorreu. Assim, este "primeiro ágio" não poderia ter sido transferido, uma vez que por falta de comprovação não se pode aceitar que seja de rentabilidade futura, o que enseja a sua indedutibilidade tributária, por óbvia constatação, de que não se pode transferir o que não existe, restando cristalino de que houve realmente uma formação de um "segundo ágio". Vêse, assim, que a auditoria fiscal não admitiu que um laudo elaborado em 2006 fosse capaz de comprovar a avaliação de rentabilidade futura de um ágio nascido em 2004. Na impugnação apresentada (efls. 745/765), a interessada mostrouse ciente do impedimento levantado pela auditoria fiscal relativamente à possibilidade de uma laudo elaborado em 2006 comprovar a rentabilidade futura de uma operação realizada em 2004. Em sua defesa alegou que, apesar de o estudo laudo ter sido elaborado em 2006, este teria se prestado a avaliar o fundamento econômico do ágio pago em 2004 pertinentes às premissas econômicas presentes naquele momento. Afirmou que providenciou uma avaliação complementar dos trabalhos outrora elaborados, que acostou à sua impugnação, para demonstrar que a expectativa de rentabilidade futura teria se efetivado nos anos posteriores. A interessada juntou nessa ocasião, além dos laudos já apresentados elaborados por Hirashima & Associados, a referida avaliação complementar, também elaborada por Hirashima & Associados, datada de junho/2012. Todos esses laudos, tanto aqueles já constantes dos autos, quanto os novos apresentados, são referentes ao ágio de 2004 e ao ágio de 2006 e encontramse anexados como "Doc 4" às efls. 854 e ss. Ao julgar a impugnação e valorar as provas apresentadas pela defesa, a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SPI detectou o seguinte problema: Outro ponto que merece ser analisado é o laudo referente ao segundo ágio apresentado pela impugnante às fls. 854869. Para tanto, cabe reproduzir os dispositivos legais aplicáveis à amortização de ágio, a saber, o art. 20 do Decreto Lei nº 1.598/77 e o art.7º da Lei nº 9.532/97 (os quais são repetidos nas IN SRF nº 11/99 e 390/2004): Lei 9.532/97 [...] DecretoLei nº 1.598/77 [...] Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.742 26 Portanto, segundo o inciso III do art.7º da Lei nº 9.532/97, o ágio passível de amortização é aquele fundamentado no valor dos resultados de exercícios futuros da avaliada. No entanto, no laudo relativo ao segundo ágio, a empresa de consultoria não checou os dados que lhes foram passados pela interessada, recebendoos passivamente conforme os trechos a seguir: Na preparação deste laudo, a [empresa de consultoria] não conduziu verificação independente de quaisquer ativos ou passivos da Tulipa e do Itaú Cartões, tendo assumido como completas, exatas e verdadeiras as informações obtidas de fontes públicas e aquelas fornecidas pela Administração do Itaucard. (fls. 858) O presente laudo de avaliação não representa uma auditoria das demonstrações financeiras da Tulipa e do Itaú Cartões com objetivo de expressar opinião sobre as mesmas. (fls. 859) Coletados os dados, a empresa de consultoria calculou o valor econômico das ações da Tulipa no intervalo entre R$ 1.212.745 mil e R$ 1.351.133 mil, resultado da participação de 28,62% da Tulipa no Itaú Cartões (fls.861). Por sua vez, o valor econômico de mercado do Itaú Cartões foi estimado entre R$ 4.237.403 mil e R$ 4.720.938 mil, resultado da aplicação, pela empresa de consultoria, de uma taxa de desconto de 18,5% sobre os fluxos de caixa projetados (fls. 869). No entanto, a empresa de consultoria não justifica o motivo pelo qual escolheu o valor de 18,5% como taxa de desconto, tampouco justifica o valor de 18% indicado como custo do capital próprio às fls. 865. Quanto aos demais laudos confeccionados em 2012 e apresentados pela impugnante às fls. 870881, tais documentos detalham as operações societárias já analisadas neste voto, e comparam os valores reais e orçados, sendo, portanto, uma análise posterior à apuração do ágio, não influindo na fundamentação econômica desse ágio. Cabe dizer que a contribuinte deve instruir a impugnação com os elementos de prova que fundamentem suas alegações, conforme previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, a seguir transcrito: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (destacouse) [...] Resta, portanto, não comprovada a fundamentação econômica do ágio em tela, eis que o laudo apresentado não foi capaz de justificar a rentabilidade futura das operações da empresa avaliada. Mantidas, portanto, as adições não computadas na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL. [...] E continua.... Fl. 1742DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.743 27 Em relação à tese da impugnante de que o ágio gerado no aumento de 1.599% no capital da Tulipa (primeiro ágio) teria se transferido para a Finaustria, constata se, mesmo nessa hipótese, que a empresa não poderia efetuar a dedução fiscal desse ágio. É que, no caso em análise, não há fundamentação para o ágio relativo ao aumento de capital da Tulipa. A operação ocorreu em 2004, enquanto que o laudo apresentado pela contribuinte (fls. 657666) só foi confeccionado em 2006. Notase que a empresa de consultoria escreveu que a database do laudo é 31/05/2004 (fls. 844), todavia, utiliza dados posteriores a essa data para justificar a rentabilidade de exercícios da empresa, como se pode constatar às fls. 846, no trecho a seguir exposto: O 1º semestre de 2005 encerrouse com 55,4 milhões de cartões e 848,7 milhões de transações, que comparados com o mesmo período em 2004 apresentam crescimento de 10% e 21% respectivamente. (destacouse) Assim, no momento em que foi pago esse ágio, não possuía a empresa nenhuma fundamentação legal para registrálo como tal, eis que impossibilitada estava a empresa de manter na escrituração a demonstração que comprovaria o lançamento desse ágio, conforme o § 3º do art.20 do DecretoLei nº 1.598/77. Portanto, resta não comprovada a alegação da empresa de que o ágio apurado em 2004 seria baseado em uma estimativa de rentabilidade no ano de 2004 (fls. 756). Toda essa extensa transcrição tem por razão demonstrar que, desde a acusação fiscal até o julgamento da impugnação pela DRJ em São Paulo/SPI, deixouse claro que os laudos apresentados não se prestavam a comprovar a avaliação de rentabilidade futura de uma operação feita em 2004, já que elaborados somente em 2006. Além disso, a avaliação complementar trazida pela interessada junto de sua impugnação também foi considerada incapaz de demonstrar a rentabilidade futura porque possuía inconsistências gritantes, como a data base do próprio laudo frente às datas dos dados tomados como base para sua elaboração. Mas, prosseguindo no relato dos fatos, ao apresentar seu Recurso Voluntário, a interessada novamente reproduziu os mesmos argumentos já deduzidos na impugnação, no sentido de que apesar de o laudo de Hirashima & Associados ter sido elaborado em 2006, este teria tomado por data base 31/12/2004 e se prestou a avaliar o fundamento econômico do ágio pago em 2004 pertinentes às premissas econômicas presentes naquele momento. Afirmou, novamente, que providenciou uma avaliação complementar dos trabalhos outrora elaborados que acostou à sua impugnação para demonstrar que a expectativa de rentabilidade futura teria se efetivado nos anos posteriores. Ou seja, a interessada nada acrescentou de novo às suas razões de defesa no Recurso Voluntário, que foi apresentado em 19/03/2013. Somente após a distribuição dos autos para elaboração do voto, marcada a data para a sessão de julgamento a ser realizada no CARF ocasião em que o relator já estava com o voto proferido pronto para ser julgado, cujo resultado não era favorável à defesa, é que a interessada, após pesquisas exaustivas, como afirmou, apresenta novos documentos que localizou em seus arquivos, como constou do relatório do acórdão recorrido: Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.744 28 Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em junho de 2013 e pautado para julgamento na sessão de 8/10/2013 (transferido para o dia seguinte a pedido do contribuinte). Contudo, nessa mesma data, o contribuinte protocolou os documentos de fls. 1.154 a 1.181, onde informava ter localizado, após incessantes buscas em seus arquivos mortos, cópia do denominado “Projeto Triatlo”, elaborado em 18/2/2004, que justificava o pagamento do ágio ainda antes da ocorrência das operações societárias. Na primeira proposta de voto, a falta de comprovação do ágio com documentos contemporâneos a sua criação era uma das principais razões de decidir, e a apresentação das novas provas gerou intensa discussão entre os conselheiros, diante da possibilidade de alterar a conclusão até então proposta. (destaquei) Tudo isto demonstra que, diferentemente do que afirmou o relator do voto condutor do acórdão recorrido, não é verdade que a DRJ em São Paulo/SPI inovou na fundamentação para manutenção do lançamento, apresentando fatos novos e/ou novas razões. A acusação fiscal já estava posta desde a lavratura do Termo de Verificação Fiscal e restou mantida, sob a mesma fundamentação, pela DRJ em São Paulo/SPI e referiuse à impossibilidade de se admitir um laudo elaborado posteriormente à operação societária que deu origem ao ágio que o laudo pretendeu avaliar com base em expectativa de rentabilidade futura. E aqui cabe um parêntese: a Lei nº 9.532/97, alterou o Decreto nº 70.235/72, incluindo no parágrafo 4º do artigo 16, novo prazo para junta de prova documental. Assim, desde 1997, com relação ao prazo para a apresentação de provas, o PAF dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Grifei) [...] Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.745 29 Verificase, portanto, que é legalmente possível apresentar provas novas, após o prazo regulamentar para apresentação de impugnação, desde que estas se destinem a, por exemplo, contrapor fatos ou razões, posteriormente trazidos aos autos. Mas este não é o caso apresentado:não houve dedução, no acórdão da DRJ em São Paulo, de novos elementos de convicção do julgador. Volto a frisar: a acusação fiscal já estava posta desde a lavratura do Termo de Verificação Fiscal e restou mantida, sob a mesma fundamentação, pela DRJ em São Paulo/SPI e referiuse à impossibilidade de se admitir um laudo elaborado posteriormente à operação societária que deu origem ao ágio que o laudo pretendeu avaliar com base em expectativa de rentabilidade futura Tanto isso é verdade que o relator afirma, textualmente, que até o momento em que fora elaborada a primeira minuta do voto, consideravase sem comprovação a justificativa do ágio em face da ausência de documentos contemporâneos ao seu surgimento, como volto a reproduzir: Na primeira proposta de voto, a falta de comprovação do ágio com documentos contemporâneos a sua criação era uma das principais razões de decidir.... Na verdade, a interessada apresentou, como reconheceu o ilustre relator, provas complementares: No caso, penso ser possível se admitir a análise das novas provas, aplicando se a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na impugnação os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Contudo essas provas eram inéditas, em que pese já estarem de posse da contribuinte durante o curso de todo o procedimento fiscal, e durante o curso do próprio processo administrativo fiscal, e não foram ofertadas à autoridade julgadora de primeira instância, porque teriam sido localizadas, segundo alegou às efls. 1.154/1.182, "após incessantes buscas nos arquivos mortos da recorrente, denominado 'Projeto Triatlo', a toda evidência, nada mais representa do que o demonstrativo preparado pelo próprio contribuinte, reclamado pelo legislador como prova da justificativa do fundamento econômico do 'Ágio Tulipa' contabilizado, como se pode ver, especialmente, na penúltima folha do arquivo": Há que se reconhecer, assim, que: (i) as novas provas apresentadas em sessão de julgamento do CARF são inéditas e não meramente complementares e já se encontravam de poder da interessada por ocasião da lavratura do auto de infração, da apresentação da impugnação e da apresentação do Recurso Voluntária e não foram ofertadas nessas oportunidades; (ii) essas novas provas não tiveram por objetivo contrapor novos fatos ou novas razões de decidir adotadas pela turma julgadora de primeira instância, já que a fundamentação para a manutenção da glosa do ágio por aquela autoridade foi exatamente a mesma adotada pelo agente fiscal não comprovação da fundamentação econômica do ágio Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.746 30 com base em expectativa de rentabilidade futura, por ausência de documentos contemporâneos ao surgimento do ágio. Definidas essas premissas resta determinar, agora, se é possível conhecer de novas provas em face da preclusão processual expressamente prevista no §4º do art. 16 e quais as implicações, no caso, de se admitilas, ou não. De se ressaltar que, na apreciação da prova, o julgador não é totalmente livre, uma vez que o Direito estabelece regras de fixação formal da prova que regulam a conduta do julgador. São as denominadas normas de natureza "instrumentalprocessual" e disciplinam os modos e as formas nos meios de prova no processo. Cumpre ao Direito Processual regular o modo de oferecimento das provas, o momento de sua produção, as regras de sua apreciação, regulando o momento para a produção de provas periciais e diligências, a preclusão temporal do Direito probatório, o rito de julgamento dos processos, etc. Também existem normas jurídicas que impõem formalidades, solenidades, cuja finalidade é estabelecer requisitos para a validade do ato ou fato jurídico que constitui o direito da parte e sua admissibilidade como prova. Desse modo, a validade das provas depende da obediência aos condicionantes formais estabelecidos pelo direito, vinculados ao procedimento de produção da prova. Por tais razões o desenvolvimento da atividade probatória está amplamente regulamentado, submetendo julgadores, partes e tribunais a regras processuais que condicionam a validade da decisão final do processo. Nesse sentido explica Marcos Vinicius Neder1 : O Decreto nº 70.235/72, por exemplo, determina que as provas devem ser acostadas pelos sujeitos na fase inicial do processo. Na instrução do processo administrativo fiscal, que ocorre após o recebimento da impugnação pelo órgão julgador de primeira instância, podem ser produzidas novas provas por iniciativa do julgador ou por requerimento do contribuinte. [...]. Após esse momento, o contribuinte terá limitações a requerer ou produzir provas no processo. O parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 institui uma regra de preclusão probatória para o andamento lógico do processo administrativo. Decerto, a adoção de uma informalidade absoluta, com direito à prova ilimitado, poderia levar a manipulações indesejáveis e à protelação injustificada de seu término. Em que pese o apregoado informalismo em prol da verdade material, há que se reconhecer que o Processo Administrativo Fiscal prevê a concentração dos atos probatórios em momentos préestabelecidos, tanto no que diz respeito à instrução probatória por parte da Fazenda como por parte do contribuinte, estabelecendose, assim, em caso de inobservância do momento adequado, a necessária preclusão. A preclusão não é sanção. Não advém de ato ilícito. Mas ela foi definida processualmente para se proteger o Estado da protelação injustificada como também para garantir tratamento isonômico entre os contribuintes. Nesse sentido, Marcela Cheffer Bianchini2: 1 in "A Prova no Processo Tributário" São Paulo 2010 Dialética, pg.22 2 Op. Cit, pg. 37 Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.747 31 Sendo assim, o próprio devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. Como visto, o processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. Vale destacar que, a depender da situação, a norma aceita a apresentação de provas após a impugnação. Contudo, isso é possível desde que dentro das hipóteses previstas na lei. Moacyr Amaral dos Santos ensina3: [...] o que a lei visa, precipuamente, quando traça normas para apresentação de documentos, é vedar a ocultação deles na fase de integração da lide, quer dizer, na fase da formação da questão sujeita a debate das partes e sobre a qual deverá decidir o órgão judicial. O que a lei visa é afastar ou, ao menos reduzir a possibilidade de ficarem o Juiz e as partes à mercê de surpresas consistentes no aparecimento de documentos de que a parte, premeditadamente, guarde segredo para, ocasião propícia, quando não haja mais oportunidade para discussões e mais provas, oferecêlos em juízo. Devese observar que as justificativas comumente apresentadas para o entendimento de que ocorre afronta ao princípio da ampla defesa e da verdade material, quando não são apreciadas provas apresentadas após a impugnação, são de índole constitucional e, portanto, para afastar a aplicabilidade do parágrafo 4º do art. 16, do PAF, devese declarar a sua inconstitucionalidade, mas é proibido por lei aos órgãos administrativos de julgamento, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Além disso, é preciso interpretar a lei conforme a Constituição. Ora, quando a lei excepciona as hipóteses de que trata o §4º do art. 16, ela já está contemplando todos os casos em que, por motivos de força maior, a ampla defesa não pode ser exercida anteriormente. Por tudo o quanto exposto tenho plena convicção de que as provas complementares apresentadas pela pessoa jurídica, somente por ocasião da sessão de julgamento no CARF, por serem inéditas e se encontrarem de posse da interessada desde o curso do procedimento fiscal até a apresentação da impugnação, por violarem as disposições do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, são preclusas. Entendo, ainda, que sob o título de supressão da instância, na verdade, a recorrente trouxe à tona divergências no tocante à interpretação do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, cuja conseqüência é a preclusão processual. A proposta de anulação de uma decisão para que a instância a quo aprecie fatos que deixaram de ser analisados só tem lugar quando esses fatos não foram analisados em razão de alguma questão prejudicial ou por omissão da decisão, e não em casos em que a própria lei determina a preclusão processual. 3 "Prova Judicial no Civil e Comercial", vol. 4, Max Limonad, São Paulo, 1972, p. 416 Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.748 32 Inclusive, o próprio acórdão paradigma que a Procuradoria apresentou (nº 3403002.213) foi no sentido da rejeição da prova apresentada, entendendo ter ocorrido a preclusão, e não de retorno dos autos à DRJ. Assim, transcrevo a ementa do acórdão paradigma: ASSUNTO:NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. PRECLUSÃO. O art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 dispõe sobre o momento de apresentação da prova documental. A análise de documento que já estava disponível quando da interposição da manifestação de inconformidade, apresentado pelo postulante somente em sede de recurso voluntário, implica supressão de instância. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. EXISTÊNCIA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. CASOS DE DILIGÊNCIA. Incumbe ao postulante a prova da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação. Se a verificação da existência e da liquidez for possível a partir da documentação apresentada pelo postulante, mas demandar procedimento de verificação fiscal/contábil, cabível a realização de diligência. Não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência. Ausente ocasionalmente a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel. Vale transcrever, também, trechos do voto condutor do acórdão paradigma: Agora, em sede de recurso voluntário, a empresa apresenta adicionalmente seu Balancete referente ao período em análise (fls. 106 a 124), alegando que busca comprovar definitivamente o erro já apontado na peça impugnatória. O documento apresentado, contudo, encontrase fora do universo contemplado pelo art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, pois já estava disponível (e podia ser apresentado) desde a manifestação de inconformidade. O referido parágrafo do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 dispõe sobre o momento de apresentação da prova documental. A análise do documento (repitase, já disponível quando da manifestação de inconformidade) apresentado em sede de recurso voluntário implicaria supressão de instância. Incumbe ao postulante a prova da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação. Constando na manifestação de inconformidade os documentos necessários à prova do direito creditório alegado, imperiosa a declaração da procedência do pedido. Não havendo na manifestação de inconformidade a Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.749 33 apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito. E, por fim, havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála. Não se presta, entretanto, a diligência, para suprir deficiência probatória a cargo do postulante. Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, permanecem carentes de comprovação tanto o direito creditório quanto a liquidez do crédito utilizado em compensação pela postulante. É de se acrescentar, por derradeiro, que no caso concreto, ainda que considerado o documento apresentado fora do comando permissivo do Decreto no 70.235/1972, distante estaria a segurança do julgador para atestar a existência e a liquidez do crédito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Acrescento que, de acordo com o Novo Código de Processo Civil, uma vez admitido o recurso, o colegiado aplicará o direito. Nesse sentido, dispõe o art. 1.034 do Código, que consagra o já disposto na Súmula 456 do STF: Art. 1.034. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial, o Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de Justiça julgará o processo, aplicando o direito. Parágrafo único. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial por um fundamento, devolvese ao tribunal superior o conhecimento dos demais fundamentos para a solução do capítulo impugnado. Súmula nº 456, do STF: O Supremo Tribunal Federal, conhecendo do recurso extraordinário, julgará a causa, aplicando o direito à espécie. No caso, o “direito” determina a preclusão da prova. Por todas as razões até aqui expostas, voto no sentido de anular a decisão do colegiado a quo, para que outra seja proferida sem considerar as provas trazidas por ocasião da sustentação oral, posto que preclusas, nos termos do art. 16, §4º do Decreto nº 70.235, de 1972. Fica prejudicada, em face dessa decisão, a discussão sobre a matéria concomitância da multa isolada com a multa de ofício. Conclusão Em face ao exposto, manifestase por CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Especial da Fazenda Nacional para, no mérito, determinar a preclusão das provas trazidas por ocasião do julgamento realizado pelo colegiado a quo, com a consequente Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.750 34 anulação da decisão recorrida, devendo os autos retornarem para novo julgamento pela turma ordinária. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Com a devida vênia, ouso discordar da Ilustre Relatora, tanto no que se refere ao conhecimento da divergência a respeito da interpretação do artigo 16, §4º e alíneas, do Decreto nº 70.235/1972 tratado em recurso especial, quanto no mérito, conforme razões que serão expostas a seguir. Conhecimento: Entendo que o recurso especial não merece conhecimento quanto à possibilidade de juntada posterior de documentos, tema tratado em recurso especial que apontou divergência na interpretação da lei tributária a respeito do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, indicandose como paradigma o acórdão nº 3403002.213. Primeiramente, porque os acórdãos recorrido e paradigma tem entendimento coincidente ao interpretar o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. A ausência de divergência na interpretação da lei tributária impede o conhecimento do recurso especial. Reproduzo o artigo 16, §4º e alíneas, do Decreto nº 70.235/1972, para elucidar como os acórdãos estão adotando a mesma linha interpretativa: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.751 35 A leitura do dispositivo legal demonstra que a regra (bastante rigorosa) consta do §4º, exigindo a apresentação de prova documental no momento da impugnação administrativa e, apontando a preclusão para fazêlo em momento processual posterior. Como exceção, as alíneas do §4º trazer as hipóteses em que são admitidas provas posteriormente, sendo as seguintes: (a) se por motivo de força maior não foram apresentadas com a impugnação; (b) se tratam de fato ou direito superveniente e, finalmente (c) se a prova destina se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O acórdão recorrido aplicou o artigo 16, §4º, alínea "c" explicitando a Turma Julgadora que ao caso dos autos se aplicaria tal exceção para "contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos" , conforme trecho a seguir colacionado: De fato, o §4o do art. 16 do PAF determina a apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazê lo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material. No caso, penso ser possível se admitir a análise das novas provas, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(grifo nosso) A despeito de mencionar que ao caso se aplica a exceção da alínea "c" e, ainda, que o CARF tem temperado esta disposição legal, notese que o trecho acima ainda atesta que a Turma a quo entende pela preclusão do direito à apresentação de prova documental com a apresentação de impugnação administrativa como regra geral , nos exatos termos do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972. O acórdão paradigma decidiu de forma similar ao decidir que só poderiam ser apresentados novos documentos nas hipóteses tratadas pelas alíneas do §4º, do artigo 16, como se observa do trecho a seguir colacionado: O documento apresentado, contudo, encontrase fora do universo contemplado pelo art. 16, § 4º do Decreto no 70.235/1972, pois já estava disponível (e podia ser apresentado) desde a manifestação de inconformidade. O referido parágrafo do art. 16 do Decreto no 70.235/1972 dispõe sobre o momento de apresentação da prova documental. A análise do documento (repitase, já disponível quando da manifestação de inconformidade) apresentado em sede de recurso voluntário implicaria supressão de instância. Incumbe ao postulante a prova da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação. Constando na manifestação de inconformidade os documentos necessários à prova do direito creditório alegado, imperiosa a declaração da procedência do pedido. Não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito. E, por fim, havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.752 36 aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála. Não se presta, entretanto, a diligência, para suprir deficiência probatória a cargo do postulante. Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4º do Decreto no 70.235/1972. (grifamos) Como ambos os acórdãos aplicam o §4º, do artigo 16, mencionando que há preclusão ao direito de produção de prova, salvo nas exceções tratadas nas alíneas, não é possível vislumbrar divergência na interpretação da lei tributária. Acrescento que o acórdão recorrido aplica a exceção da alínea "c", enquanto o acórdão paradigma aplica o §4º, do artigo 16. Assim sequer a lei tributária aplicada é a mesma, para justificar o conhecimento do recurso e análise por esta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como se não bastasse, o acórdão paradigma tratou de caso sem similitude fática com o presente, eis que o paradigma trata de processo de compensação, com contornos probatórios distintos do processo originado por auto de infração (como o caso do acórdão recorrido). Destaco trecho do acórdão paradigma para atestar que se trata processo originado por compensação: Cientificada do despacho decisório, a empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls 10 a 14), sustentando que cometeu erro no preenchimento da última DCTF referente a setembro de 2003 enviada à RFB, pois o valor correto devido a título de Cofins para a competência é de R$ 19.225,16 (como se verifica na DIPJ de fls. 52 a 70), e não R$ 21.339,07 (como consta no DARF de fl. 72). Para sanar a incorreção comunica que já enviou DCTF retificadora (fls. 77 a 79). O contencioso restringese a matéria probatória. A empresa reitera em sede de recurso voluntário que errou no preenchimento da DCTF, mas efetivamente detém o crédito apresentado para compensação. O julgador de primeira instância, ao analisar a documentação carreada pela empresa, não identificou elemento probatório que pudesse amparar a liquidez do crédito em análise. E, tendo em conta que o ônus probatório é do postulante do crédito, negou de plano o direito à compensação. Agora, em sede de recurso voluntário, a empresa apresenta adicionalmente seu Balancete referente ao período em análise (fls. 106 a 124), alegando que busca comprovar definitivamente o erro já apontado na peça impugnatória. O documento apresentado, contudo, encontrase fora do universo contemplado pelo art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972, pois já estava disponível (e podia ser apresentado) Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.753 37 desde a manifestação de inconformidade. O referido parágrafo do art. 16 do Decreto no 70.235/1972 dispõe sobre o momento de apresentação da prova documental. A análise do documento (repitase, já disponível quando da manifestação de inconformidade) apresentado em sede de recurso voluntário implicaria supressão de instância. Em lançamento tributário (Auto de Infração), como o que originou o presente processo administrativo, a prova compete à autoridade fiscal autuante, em observância aos artigos 142, do CTN, 9º, do Decreto nº 70.235/1972 e artigo 25, do Decreto 7.574/2011: CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/1972: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Decreto nº 7.574/2011: Art. 25. Os autos de infração ou as notificações de lançamento deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito Na hipótese de lançamento tributário, portanto, a contribuinte apenas poderá se contrapor ao auto de infração, por provas que demonstrem os fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito. E poderá complementar sua prova na hipótese de força maior ter impedido originalmente a juntada das provas, para tratar de fato ou direito superveniente e, ainda, para contrapor fatos ou razões posteriormente surgidas no processo. Tal dinâmica se coaduna aos ditames do Código de Processo Civil, ao dispor que o ônus da prova: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.754 38 Art. 435. É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapôlos aos que foram produzidos nos autos. Parágrafo único. Admitese também a juntada posterior de documentos formados após a petição inicial ou a contestação, bem como dos que se tornaram conhecidos, acessíveis ou disponíveis após esses atos, cabendo à parte que os produzir comprovar o motivo que a impediu de juntálos anteriormente e incumbindo ao juiz, em qualquer caso, avaliar a conduta da parte de acordo com o art. 5o. Nesse sentido, e também se inserindo na lógica processual estabelecida notadamente pelo artigo 373, do atual CPC, o processo de compensação é o inverso: originase por declaração do contribuinte, que alega ter direito creditório contra a Fazenda Pública e, assim, deve comprovar o fato constitutivo de seu direito, sendo muito mais rigorosa a exigência de comprovação deste direito a quem por definição legal alega a sua existência. Destaco recentes acórdãos deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tratando do ônus da prova em compensação ser do contribuinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RENDIMENTOS PARCIALMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. PROPORCIONALIDADE. É direito do sujeito passivo computar, no saldo negativo apurado ao final do exercício, o imposto retido as sobre as receitas de aplicação financeira efetivamente contabilizadas e reconhecidas na base de cálculo, pois o tributo não pode ser utilizado como sanção pela omissão parcial de receitas, nos termos do art. 3º do CTN, respeitado o princípio da proporcionalidade. (acórdão 1301002.483, processo administrativo nº 13851.001631/200247, sessão em 18/05/2017) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.755 39 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 3201002.809, processo administrativo 13888.905588/201245, sessão de 26/04/2017) Por mais esta razão, não há similitude fática que justifique o conhecimento de recurso especial, quando contraposto julgamento conforme córdão paradigma de processo originado por compensação (no qual o ônus da prova é, fundamentalmente, do contribuinte) em face de processo originado por auto de infração como se depreende do acórdão recorrido (em que o ônus da prova é da Fazenda Nacional). Diante de tais razões, voto por não conhecer o recurso especial. Mérito: Como fui vencida no conhecimento, apresento também minhas considerações para divergir quanto ao mérito. A ilustre Relatora entendeu pelo provimento ao recurso especial, em síntese, porque "as provas complementares apresentadas pela pessoa jurídica, somente por ocasião da sessão de julgamento no CARF, por serem inéditas e se encontrarem de posse da interessada desde o curso do procedimento fiscal até a apresentação da impugnação, por violarem as disposições do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, são preclusas." (trecho do voto apresentado em sessão de julgamento). A Relatora ainda indicou que "a auditoria fiscal não admitiu que um laudo elaborado em 2006 fosse capaz de comprovar a avaliação de rentabilidade futura de um ágio nascido em 2004." Antes de adentrar o mérito é importante lembrar que o Auto de Infração é acompanhado por Termo de Verificação Fiscal que identifica 2 ágios, tratandoos como distintos. O denominado (pelo auditor fiscal autuante) "primeiro ágio" surgiu em aumento de capital da Tulipa pelo Itaucard em operação ocorrida em 05.11.2004, sendo descrito no item 3.3 dos fatos (fls. 678). O denominado "segundo ágio" teria surgido em 30.09.2006, em operação realizada dentro do Grupo Econômico. Ocorre que o lançamento tributário teve por fundamento principal a artificialidade do ágio criado em 2006 ("segundo ágio"). Tanto assim que no tópico denominado "4. SURGIMENTO DO ÁGIO ARTIFICIAL" no Termo de Verificação Fiscal não Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.756 40 há qualquer referência ao laudo quanto à operação de 2004, ou mesmo quanto à operação de 2006. Destaco trechos do tópico 4, que trata especificamente das razões de glosa do ágio: 4. SURGIMENTO DO ÁGIO ARTIFICIAL (...) Fica claro para que o contribuinte poder usufruir desse benefício fiscal deve existir uma negociação, um custo de aquisição, com um comprador que efetivamente pague por uma participação societária com ágio. Para isso o ágio deve ter efetividade e legitimidade, o que não é o caso do ágio de si mesmo amortizado pelo ITAÚ CARTÕES até Julho/2007 e pelo ITAUCARD a partir de Agosto/2007. A partir da segunda etapa, iniciada com o aumento de capital da FINAUSTRIA (item 3.8) na reorganização societária promovida pelo Grupo Itaú, foram realizadas operações estruturadas em sequencia para que aparentemente fosse entendido que existiu uma transferência de ágio. Porém, quando analisado o conjunto dos atos, identificamos que se trata de operações entre os próprios acionistas, submetidos ao mesmo controle, que culminou com o surgimento de um novo ágio (segundo ágio), sendo por este potno de vista, um ágio interno, portanto indedutível. (...) Admitir que a amortização do ágio interno possa reduzir as bases e cálculo do IRPJ e da CSLL é aceitar um ônus pago por toda a sociedade brasileira em favor de sócios que se beneficiam tributariamente de uma transação sem propósito negocial. A artificialidade do ágio interno revelase particularmente manifesta quando se verifica que, por meio de um"ativo" cujo custo foi nulo e originado de uma transação sem propósito negocial, é possível obterse um subsídio tributário advindo de sua "amortização". Não é alheio a esta fiscalização que o início de todo este processo em 2004 teve como causa, e legítima, o interesse do Grupo Itaú, em adquirir mais uma parte da operação de cartões de crédito da conhecida empresa CREDICARD, que era de titularidade dos grupos ITAÚ, CITIBANK e UNIBANCO. Todavia, o que está sendo quesionado é a baixa deste ágio em 2006 no ITAUCARD, no aumento de capital de FINAUSTRIA, inclusive com sua utilização para o não pagamento do ganho de capital, e sua "transferência" via subscrição de ações no aumento de capital da FINAUSTRIA, enquanto que as formas previstas de transferência de ágio são a incorporação, fusão ou cisão. Em nosso entendimento, o que ocorreu, foi o surgimento de um novo ágio na FINAUSTRIA, através de seu aumento de capital, com operações de empresas do mesmo grupo econômico e acionário, quais seja, o Grupo ITAÚ. (fls. 695 e 696) (...) Este "segundo ágio" originado foi, do ponto de vista econômico, um ágio gerado por meio de uma transação dos acionistas com eles próprios. O surgimento da maisvalia decorreu do aumento de capital da FINAUSTRIA com a integralização de cotas da TULIPA avaliadas economicamente, em uma operação "não caixa"entre empresas do mesmo grupo: em vez de incorporaá las pelo valor patrimonial, a FINAUSTRIA recebeu as cotas da Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.757 41 TULIPA por um valor econômico pelo qula não houve qualquer desembolso subjetivamente avaliadas segundo algum tipo de potencial de lucratividade futura. Além disso, a teoria contábil dá respaldo apenas ao ágio pago numa negociação entre comprador e venedor não relacionados entre si. O ágio gerado internamente não decorre de uma operação com propósito negocial daí, inclusive, a ausência de um desemoblso que O cerne da autuação fiscal, pela própria identificação no TVF pelo agente fiscal autuante, foi o "surgimento de ágio artificial" em 2006, fundamentalmente pelas razões a seguir arroladas: (i) ágio interno sem propósito negocial, pois as operações entre os acionistas do Grupo a partir da segunda etapa (3.8, ocorrida em Setembro/2006 item do TVF) , implicando no surgimento de novo ágio (denominado pelo auditor fiscal autuante como "segundo ágio"); (ii) "transferência" do ágio por subscrição de ações no aumento de capital da FINAUSTRIA, enquanto no entendimento do auditor fiscal autuante as formas previstas de transferência de ágio seriam unicamente a incorporação, fusão ou cisão. O laudo com relação à operação de 2004 é mencionado no item 3 do Termo de Verificação Fiscal (denominado pelo auditor fiscal autuante como "DOS FATOS") em apenas dois parágrafos a seguir reproduzidos, tratados nos subitens 3.3 e 3.8, respectivamente: 3) DOS FATOS (...) 3.3) Aumento de capital da TULIPA pelo ITAUCARD com dinheiro (...) (Novembro/2004) (...) Cabe registrar, que o contribuinte, quando intimado a comprovar a fundamentação econômica pelo TErmo de Intimação Fiscal n. 0013, apresentou o Laudo de Avaliação que suportaria este "primeiro ágio", só que o laudo é de 2006, enquanto que a operação ensejadora do surgimento do ágio foi realizada em 2004, restando de sobremaneira prejudicada a a sua dedutibilidade fiscal como ágio de rentabilidade futura, conforme será mais detalhado no item 3.8 deste Termo. (fls. 678 e 679) (...) 3.8) Aumento de capital da FINAUSTRIA através da conferência de cotas da TULIPA pelo ITAUCARD (Setembro/2006) Por fim, conforme mencionado no item 3.3 acima, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n. 0013 o contribuinte apresentou um laudo de avaliação de uma operação em 2004 que culminou com a formação de um ágio, cuja análise foi elaborada tão somente em 2006. Então, como pôde o contribuinte em 2004, ter a convicção de que a fundamentação econômica do "primeiro ágio", foi decorrente de rentabilidade futura ou não, uma vez Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.758 42 que não existia laudo nesta época? Inclusive tal atividade contraria o mandamento expresso no parágrafo 3o. do artigo 20 do DecretoLei n. 1.598/77, que determina a elaboração de uma demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante de escrituração, o que não foi realizado, uma vez que esta demonstração ou laudo só foi produzido 2 (dois) anos depois da operação societária analisada, deixando de ser análise de rentabilidade futura para ser um atestado do que efetivamente ocorreu. (...) Não obstante esta conclusão acima, mesmo que fosse apresentado um laudo de avaliação contemporâneo que suportasse o "primeiro ágio", isto não invalidaria as demais questões que demonstram a criação de um segundo ágio na operação de aumento de capital da FINAUSTRIA, sendo este, um ágio interno. (fls. 688) Além de não ser o cerne da autuação fiscal, já que a artificialidade foi anotada pelo agente fiscal autuante quanto às operações em 2006 que teriam criado "segundo ágio" o que consta do TVF é questionamento sobre a contemporaneidade do laudo elaborado pelo contribuinte quanto à operação anterior. Não há qualquer questionamento na fiscalização ou auto de infração sobre o conteúdo do laudo da operação de 2004. Pondero, ainda, que o acórdão recorrido descreve os fundamentos da DRJ em sua decisão: Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) os ágios apurados em 2004 e 2006 são distintos, por possuírem diferentes fundamentos; b) não houve qualquer propósito negocial na operação que ocasionou o segundo ágio, tratandose de um negócio entre partes relacionadas, uma mera troca de investimentos entre empresas do grupo Itaú; c) a reestruturação societária em análise contém as figuras clássicas de planejamento tributário, a saber: a) operações estruturadas em sequência, b) negócios jurídicos entre partes relacionadas (as empresas em questão – Tulipa, Itaucard, Finaustria e Itaú Cartões – pertencem ao mesmo grupo econômico, o Itaú), e c) uso de sociedade (no caso, a Finaustria, que foi cindida dois meses depois de ter seu capital aumentado em 117%, para permitir a criação de um ágio interno); d) estáse diante de uma estratégia de planejamento tributário na modalidade conhecida como “ágio de si mesmo”, porque, na essência, o ágio que o Itaú Cartões (e depois, o Itaucard) excluiu das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL não diz respeito a eventual participação dele em outra sociedade, mas é um ágio sobre ele próprio, um ágio interno; e) o laudo que justificou o segundo ágio apenas referendou os dados informados pela própria empresa, e não justificou os percentuais utilizados como taxa de desconto e custo do capital Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.759 43 próprio, não servindo para justificar o fundamento econômico de rentabilidade futura; f) também não restou comprovada a fundamentação econômica do primeiro ágio, pois a operação ocorreu em 2004, enquanto que o laudo apresentado pela contribuinte só foi confeccionado em 2006, e se utilizou de dados posteriores a 2004 para justificar a rentabilidade de exercícios da empresa; g) não se verifica a transferência de ágio mediante evento de fusão, aquisição ou incorporação, pois o ágio registrado na Finaustria foi apurado em operação de subscrição do capital da Finaustria pelo Itaucard, mediante conferência das ações da Tulipa; h) a exigência de multa isolada sobre estimativas mensais não recolhidas decorre de disposição expressa de lei, e tem fundamento diverso da multa de 75%, não merecendo acolhida a alegação de dupla penalidade/incidência; i) a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício não é objeto do lançamento em litígio, e decorre diretamente da lei, e a utilização da Taxa Selic está expressamente prevista no artigo 13 da Lei nº 9.065, de 1995, a qual não estabelece o limite de 1% para sua aplicação. (grifamos) Confirmase que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), novamente trata da contemporaneidade do laudo de 2006, quanto à operação de 2004, não questionando seu conteúdo. Até porque se alinha ao entendimento do auditor fiscal autuante no sentido de que existe um "segundo ágio". Ora, se há segundo ágio e esse é o fundamento da autuação fiscal é irrelevante o laudo de operação anterior. Destaco trecho da decisão da DRJ sobre o assunto: Da mesma forma, a circunstância de a amortização do segundo ágio ter se dado após evento de cisão da Finaustria não altera o fato de que o ágio registrado na Finaustria é um ágio interno. Esse ágio gerado entre empresas do grupo Itaú foi avaliado, segundo o laudo da empresa de consultoria, com base em investimento distinto daquele que serviu de base para apuração do primeiro ágio, não se confundindo, portanto, com este. Não se justifica, pois, a alegação da impugnante de que “sobre isso não controverteu o autuante” (fls.760), eis que a autuação resultou da constatação fiscal de que o ágio em questão é interno, baseado em operação sem propósito negocial entre empresas do mesmo grupo, conforme se extrai do trecho de fls.690 do Termo Verificação de Infração Fiscal: Concluise então, que a única finalidade destas operações (...) seria o surgimento de um "segundo ágio" de modo artificial, visando gozar de um benefício fiscal, que seguramente não foi criado pelo legislador para atender esta situação criada pelo contribuinte. A própria Recorrente (Fazenda Nacional) questiona o laudo (quanto à operação de 2004) diante de sua falta de contemporaneidade (elaborado em 2006, quando Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.760 44 operação foi em 2004), não por seu conteúdo. Com efeito, o acórdão recorrido descreve os memoriais da Procuradoria à ocasião da inclusão em pauta para julgamento, tratando do laudo da forma seguinte: Em 27/5/2013, o Procurador da Fazenda Nacional apresentou memoriais (fls. 1.006 a 1.052), onde argumenta que: (...) a) os ágios de 2004 e de 2006 são distintos. O primeiro foi utilizado pela Itaucard para o não pagamento de ganho de capital devido com a baixa do investimento na TULIPA, baixando assim, o ágio que tinha registrado em sua contabilidade. O segundo foi criado artificial e internamente, não existiu de verdade, foi criado apenas no papel, pois não apresenta propósito negocial e substrato econômico que justifique o seu surgimento; b) não há previsão legal para transferência de ágio; c) para justificar a igualdade entre os ágios, o contribuinte deveria responder a duas questões: 1 se o ágio é aquele decorrente das operações de 2004, porque razão foi providenciado novo Laudo de Avaliação (datado de 31/10/2006), fundamentando a rentabilidade futura da TULIPA? 2 por que deixou de tributar o ganho de capital experimentado com a baixa do investimento na TULIPA e capitalização da FINAUSTRIA?; d) as repostas das questões acima são: 1 as operações de 2006 exigiram novo laudo por tratarem da constituição de novo ágio, artificial e internamente gerado, e que, por isso, não pode ser aproveitado. 2 o ganho de capital na baixa do investimento na TULIPA não foi tributado justamente por ter sido exaurido, ou seja, seu efeito fiscal foi anulado, com a baixa do ágio registrado na Itaucard; e) o laudo apresentado para justificar o ágio de 2004 não se presta a esse propósito, por ter sido elaborado em 2006, e assim deixa de cumprir os requisitos do art. 20, §3º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, que exige a indicação do fundamento econômico e o arquivamento da demonstração desse fundamento como comprovante da escrituração; f) sem a comprovação da fundamentação, exigida pela legislação desde 1977, quaisquer manifestações posteriores, sobretudo aquelas que se dão anos após as aquisições, não passam de meras especulações sobre as razões do sobrepreço pago à época; g) a anterioridade do laudo econômico ao pagamento do ágio também decorre de uma questão de ordem lógica. Imaginar o contrário seria admitir que a parte adquiriu o bem e depois analisou se tinha interesse na compra já realizada, tendo o ato existido antes da vontade, o que é um absurdo; h) mesmo que se reconheça que o segundo ágio foi gerado entre partes independentes, devese destacar que o registro que originou a criação do ágio fora cancelado com a posterior Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.761 45 incorporação de uma empresa pela outra. Quando o ITAÚ CARTÕES incorporou a parcela cindida da TULIPA, tal investimento, traduzido em participação do próprio ITAÚ CARTÕES, teve que ser cancelado, pois ele não poderia ter, após a incorporação, participação societária de si mesmo. O registro do valor de mercado do ITAÚ CARTÕES nos livros da TULIPA, assim, acabou sendo cancelado; i) tendo por base que a incorporação de parte da TULIPA pela ITAÚ CARTÕES, seguida de sua cisão total e versão de patrimônio à ITAUCARD, sempre foi o objetivo final da reorganização empresarial realizada pelo Grupo, com vistas a viabilizar o aproveitamento do ágio pela ITAUCARD, e que tal junção importaria inevitavelmente o cancelamento de qualquer investimento recíproco que fosse feito entre as empresas (ITAÚ CARTÕES e TULIPA), temse que a integralização do aumento de capital da TULIPA com ações da ITAÚ CARTÕES, avaliadas com ágio, se mostrou uma medida totalmente inócua. Como tal investimento seria obrigatoriamente cancelado com a incorporação, o valor de mercado das ações da ITAÚ CARTÕES seria cancelado, restando à empresa resultante da reorganização somente o direito à amortização do ágio criado de forma artificial. Como resultado líquido da estruturação empresarial adotada, temse somente como efeito tributário o direito à amortização do ágio pela empresa resultante. O propósito negocial que deu origem ao ágio era a sua própria criação, um fim em si mesmo; j) mesmo se não tivéssemos enveredado pela ausência de propósito negocial ou sobre a discussão de tratarse ou não de ágio interno, ainda assim a dedutibilidade deste ágio seria impossível, porque há inobservância de requisitos legais expressos para a amortização do ágio efetivamente pago. Isso porque a permissão legal para que a empresa resultante de incorporação, em que houver investimento de uma em outra, adquirido com ágio, possa amortizar esse ágio (despesa dedutível), exige a absorção do patrimônio da incorporada; de outra forma (permanecendo a existir o investimento), não se caracteriza a situação prevista na norma, que é exatamente o de estabelecer uma regra de tributação para quando acontece a “confusão patrimonial do investimento”. No presente caso, os reais investidores (BANCO ITAÚ S/A e outras empresas do Grupo) não deixaram de existir nem perderam seus investimentos na fiscalizada – ITAUCARD, não tendo ocorrido a absorção do patrimônio da empresa que de fato realizou o investimento; l) incide juros de mora sobre a multa de ofício por expressa previsão legal. Caso se pense o contrário, há que ao menos se reconhecer a incidência de juros de mora à taxa de 1% ao mês, nos termos do art. 161 do CTN. (grifo nosso) Portanto, a discussão travada no decorrer do processo sobre o laudo elaborado em 2006 (correspondente à aquisição em 2004) não tratava de seu conteúdo, mas apenas da falta de contemporaneidade entre sua elaboração e o ato societário respectivo. Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.762 46 Pois bem. O Relator do acórdão recorrido (José Evande) menciona em seu relatório a juntada de documentos e sua inicial proposta de voto: Em 19/7/2013, o recorrente trouxe aos autos estudo, elaborado pela Hirashima & Associados, que ratifica e esclarece o quanto já consta nos autos (fls. 1.085 a 1.099). Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em junho de 2013 e pautado para julgamento na sessão de 8/10/2013 (transferido para o dia seguinte a pedido do contribuinte). Contudo, nessa mesma data, o contribuinte protocolou os documentos de fls. 1.154 a 1.181, onde informava ter localizado, após incessantes buscas em seus arquivos mortos, cópia do denominado “Projeto Triatlo”, elaborado em 18/2/2004, que justificava o pagamento do ágio ainda antes da ocorrência das operações societárias. Na primeira proposta de voto, a falta de comprovação do ágio com documentos contemporâneos a sua criação era uma das principais razões de decidir, e a apresentação das novas provas gerou intensa discussão entre os conselheiros, diante da possibilidade de alterar a conclusão até então proposta. Dessa forma, decidiuse, por unanimidade de votos, por retirar o processo de pauta para juntada aos autos de documentos trazidos pela parte, abrindose vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional para manifestação. Ainda, em 2/12/2013, o recorrente trouxe ao processo os documentos de fls. 1.191 a 1.312, que continham: a) memoriais complementares (fls. 1.194 a 1.197); b) documento de Hirashima e Associados afirmando que o Estudo sobre a Natureza e Fundamentação do ágio decorrente de participação acionária na Tulipa Participações e Administração S.A. teve como data base maio de 2004, época da transação, e que se baseou em dados históricos anteriores a 2004 e demonstração documental da época, constante nos anexos referidos no documento (fls. 1.200 a 1.281); c) cartas ao Banco Central do Brasil noticiando que, por razões gerenciais, a base de cartões de crédito oriunda da Credicard, por determinado tempo, seria mantida segregada (fls. 1.282 a 1.285). Nos memoriais complementares, afirmase que: a) a carta de Hirashima & Associados, agora apresentada, confirma que seu laudo se baseou em documentos contemporâneos à aquisição do investimento, confirmatórios da fundamentação econômica do ágio em rentabilidade futura, e Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.763 47 que chegou a resultados compatíveis com o estudo interno contemporâneo à aquisição (“Projeto Triatlo”) o estudo interno chegou ao valor de R$ 4.870 milhões (para 100% da Credicard), e o laudo a um range de R$ 4.269 milhões e R$ 4.825 milhões (media de R$ 4.531 milhões, também para 100% da Credicard); b) Esse estudo interno, na época da aquisição da Tulipa, denominavase (“Projeto Triatlo”) por compreender a avaliação de três empresas do segmento de cartões: a Credicard, a Redecard (acquirer) e a Orbital (processadora de dados de cartões); c) o valor de R$ 4.870 mi é composto pela somatória (i) do valor presente do fluxo de caixa livre ao acionista descontado a um custo de oportunidade de 18% ao ano, considerando um cenário em que o comprador continuará atuando (R$ 2.518 milhões); (ii) do prospect à taxa de desconto de 18% ao ano: potencialidade de lucro relativa a carteira de clientes (R$ 600 milhões); (iii) do cross selling usando a mesma taxa de custo de oportunidade de 18% ao ano: é o fluxo de caixa descontado da alavancagem gerável em face da expertise e estrutura que o comprador já possui aplicáveis aos clientes (R$ 1.752 milhões); d) o motivo de a Tulipa ser transferida à Finaustria e ao Itaú Cartões foi o de manter segregada a base de cartões de crédito oriunda da Credicard por certo tempo, para maximizar a precisão da avaliação da performance da referida base de cartões. Daí os 50% do acervo da Credicard terem sido vertidos ao Itaú Cartões (inclusive a parte do acervo pertinente ao investimento direto da Itaucard na Credicard). Isso se evidencia nas cartas ao Bacen, agora anexadas, protocoladas em 17/8/2005 e em 6/1/2006; e) nesse contexto, por razões gerenciais, a Finaustria passou a agregar diversos investimentos: o Banco Itaucred, a Finaustria Arrendamento Mercantil, a Fina Promoção (promotora do canal Fiat), a Finaustria Assessoria (promotora do canal Itaú BBA, e, por incorporação da Rio Elba, passou a ser a promotora de venda adquirida do Banco Intercap), e posteriormente a Tulipa e a Orbitall; f) caso as operações se tivessem inspirado apenas em razões fiscais, a Itaucard teria incorporado a Tulipa, com a versão do acervo da cisão da Credicard, e já passaria a amortizar fiscalmente o ágio. O Itaú Cartões recebeu o acervo da cisão da Credicard com o objetivo de manter a base de cartões oriunda da Credicard, sem qualquer motivação fiscal; g) assim, a transferência da Tulipa para a Finaustria não foi feita para sanar algum vício que o ágio pudesse ter, já que o ágio, desde sua origem, era bom e com fundamento na rentabilidade futura esperada, baseado no estudo interno e demonstrações documentais contemporâneos à aquisição da Tulipa. Destaco trecho do voto condutor, para elucidar que o próprio Relator da Turma a quo exigiu a comprovação de conteúdo do laudo: Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.764 48 2.1. 1o Momento: Criação do Ágio em 2004 Em 5/11/2004, a Itaucard subscreveu capital na empresa Tulipa, subsidiária integral do Unibanco e que detinha participações do grupo na Credicard. Essa subscrição se deu em dinheiro e gerou um ágio de R$ 720.810.951,18 contabilizado na Itaucard. (...) De início, há que se ressaltar que o simples fato de o laudo ter sido elaborado posteriormente à criação do ágio não impede sua utilização para esse fim. (pdf 30) Observese que o § 3º do art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, exige que o lançamento do ágio, com a indicação de seu fundamento, deve ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Assim, a lei não exige que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço pela expectativa de resultados futuros. Em uma primeira análise da matéria, entendi que os documentos até então apresentados não serviam para fundamentar o ágio com base na rentabilidade futura. Em primeiro lugar, porque o § 2º do art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, exige que o lançamento do ágio ou deságio indique seu fundamento econômico, mas a contabilização apresentada apenas afirmava que se tratou de ágio na aquisição, sem indicação do fundamento (fl. 306). Além disso, o laudo elaborado em 19/5/2006 por Hirashima & Associados (fls. 657 a 666), apesar de afirmar que teve como data base 31/5/2004, não trazia qualquer documento contemporâneo aos fatos que confirmasse que se considerou a rentabilidade futura para o pagamento do ágio. Existia apenas a afirmação, no item 3 do laudo, de que, na elaboração do estudo, os auditores se basearam em projeções, demonstrações financeiras, entrevistas, informações públicas e no “Master Agreement” celebrado em 31/1/2005 com o Citigroup, mas não haviam sido anexados quaisquer desses documentos para que se avaliasse sua consistência. Do mesmo modo, o laudo complementar datado de 18/6/2012 (fls. 871 a 881) não supria esses vícios, pois vinha também desacompanhado de provas contemporâneas à aquisição. Naquele momento, entendi que não era possível se admitir que documento tão genérico, elaborado dois anos após o fato, baseado apenas em análise geral do mercado de cartões de créditos, e sem estar escorado em documentos contemporâneos à aquisição, servisse para fundamentar o ágio com vistas a permitir a dedutibilidade de sua amortização. (...) (grifamos) Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.765 49 Nesse momento julgamento do recurso voluntário surge questionamento sobre o conteúdo do laudo, ressalvando o Relator que "o simples fato de o laudo ter sido elaborado posteriormente à criação do ágio não impede sua utilização para esse fim.". Continua o voto vencedor, tratando das provas então apresentadas no processo juntadas diante do questionamento surgido a respeito do conteúdo do laudo: Contudo, com as novas provas trazidas aos autos, sou obrigado a mudar de opinião. (...) O primeiro documento trazido aos autos é uma apresentação, estilo PowerPoint, do denominado “Projeto Triatlo”, que na capa traz estampada a data de 18/2/2004 (fls. 1.245 a 1.269). O documento traz diversos cálculos para se apurar o valor presente da Credicard, da Redecard e da Orbitall, todos baseados nos resultados futuros que tais empreendimentos gerariam. Esse texto somente pode ser compreendido com as explicações dadas pelo recorrente, uma vez que se trata de estudo interno para apuração do valor de cada investimento. Assim, esclareceuse que o valor atribuído à Credicard foi de R$ 4.870 milhões, conforme planilha de fl. 1.268 (último valor da segunda linha do primeiro quadro). Nesse quadro, apurase o valor dos resultados esperados para a Credicard corrigidos pela variação dos Certificados de Depósito Interbancário CDI, e esse mesmo valor descontado a um custo de oportunidade de 18% a.a. e de 25% a.a. O total de R$ 4.870 milhões era aquele com o desconto de 18% e era composto pela somatória: a) do valor presente do fluxo de caixa livre ao acionista, considerando um cenário em que o comprador continuará atuando (R$ 2.518 milhões); b) do prospect: potencialidade de lucro relativa a carteira de clientes (R$ 600 milhões); c) do cross selling: o fluxo de caixa descontado da alavancagem gerável em face da expertise e estrutura que o comprador já possui aplicáveis aos clientes (R$ 1.752 milhões). O segundo documento apresentado foi carta de Hirashima & Associados que melhor esclarecia o laudo de avaliação, trazendo diversos elementos para demonstrar que, apesar de feito em 2006, utilizouse de dados anteriores a 2004 (fls. 1.200 a 1.202). Assim, esclareceuse que, utilizandose do método do Fluxo de Caixa Descontado, que corresponde a apuração do máximo de dividendos que podem ser pagos no período, deduzidos de eventuais necessidades de aporte de capital por Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.766 50 parte dos acionistas, chegouse à conclusão de que a Credicard valeria entre R$ 4.269 milhões e R$ 4.825 milhões. (...) Além disso, anexo à carta de Hirashima & Associados, existe um documento que reputo de fundamental importância. Tratase de fato relevante divulgado pelo Banco Itaú Holding Financeira S.A. em 8/11/2004, apenas três dias após a subscrição de capital que fundamentou o ágio (fls. 1.216 a 1.219). Nele, o Grupo Itaú informa que o Conglomerado Credicard, composto das empresas Credicard Banco S.A., Orbitall e Redecard, tinha como sócios, em partes iguais, o Itaú, o Citigroup e o Unibanco, e que, naquela data, o Unibanco estava saindo do negócio. Quanto à Credicard, o Itaú e o Unibanco passariam a deter 50% do capital social. Para isso, o Itaú passou “a deter metade da participação indireta do Unibanco no Credicard Banco S.A., (...) resultando ao final em investimento da ordem de R$ 768 milhões que inclui ágio estimado de R$ 720 milhões, determinado com base na rentabilidade futura estimada para o Credicard Banco S.A.” Confirmei o conteúdo desse documento em pesquisa à Internet, em 23/1/2014, no seguinte endereço eletrônico: http://ww13.itau.com.br/Itausa/Content/Comunicado/ListaComu nicados.aspx?Comunicado=1294&idioma=ptBR Assim, existe documento comprovadamente elaborado à época dos fatos demonstrando que o ágio foi pago com base na rentabilidade futura da Credicard. Diante de tais razões, entendo que a juntada de documentos pelo contribuinte teve por finalidade contrapor fatos discutidos pelo Colegiado a quo (conteúdo do laudo), nos termos do artigo 16, § 4º, alínea c, do Decreto 70.235/1972, exatamente como decidiu a própria Turma Julgadora de origem: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.767 51 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Por fim, divirjo do entendimento da Relatora a respeito da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Mesmo que se entenda que havia a exigência desde o princípio de documentos que lastreavam (conteúdo) o laudo elaborado em 2006, não há qualquer irregularidade na juntada de documentos na forma procedida no processo. Lembro novamente o teor do artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.768 52 Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.769 53 aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Por tais razões, voto por não conhecer do recurso especial e, como vencida no conhecimento, voto por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Declaração de Voto Conselheiro André Mendes de Moura A princípio, rendo homenagens ao voto da I. Relatora, substancioso e preciso na análise dos fatos. Contudo, meu voto é pelas conclusões, por adotar uma outra fundamentação, em relação ao momento para apresentação das provas na fase contenciosa. A princípio, cumpre esclarecer que e o processo administrativo tributário emana da Lei Maior, que assegura o contraditório e a ampla defesa às partes, no art. 5º, inciso LV: aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Tratou a Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, de consagrar os princípios no art. 2º: A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.770 54 Devidamente consolidados no ordenamento jurídico, cabe à norma processual a missão de operacionalizar, de criar mecanismos para o exercício da ampla defesa e do contraditório. Nesse contexto, o Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, trata do assunto: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Grifei) Observase que, no exercício que lhe compete, a norma processual estabelece prazos para a apresentação das peças processuais pelas partes. Estabelece a necessária ordem ao processo, e permite a devida estabilidade para o julgamento da lide. Apesar de o texto mencionar apenas "impugnação", entendo que a interpretação mais adequada referese à possibilidade de apresentação das provas no decorrer das diferentes etapas do processo administrativo fiscal, desde que sejam provas que estejam no contexto da discussão da matéria em litígio. Nessa perspectiva, não haveria óbice para apresentação de documentação probatória em sede de recurso voluntário. Contudo, a apresentação das provas, em outra fase processual, segue o mesmo rito previsto pelo art. 16 do PAF, que estabelece com clareza prazo para sua Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.771 55 apresentação (30 dias da ciência da parte) e discorre sobre a preclusão processual ocorrida em face do descumprimento temporal. No caso concreto, alega a Contribuinte que, a partir da decisão proferida pela DRJ, emergiu aspecto quanto ao laudo de avaliação que ainda não havia sido suscitado. Nesse contexto, a partir do momento em que tomou ciência da decisão da DRJ, passou a correr o prazo de trinta dias para que pudesse ser apresentada a documentação suplementar relativa ao laudo de avaliação. Registrese que, no caso em tela, não há que se falar na aplicação da exceção prevista na alínea "c" do § 4º do art. 16 do PAF (destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos), vez que, como já dito, a Contribuinte tomou ciência da decisão da DRJ, sendo este o termo inicial para contagem do prazo. Ocorre que, no caso concreto, o que aconteceu foi que a prova complementar relativa ao laudo de avaliação não foi apresentada no prazo processual adequado (trinta dias), e sim no decorrer da sessão de julgamento. Transcrevo excerto do voto da Relatora: Mas, prosseguindo no relato dos fatos, ao apresentar seu Recurso Voluntário a interessada novamente reproduziu os mesmos argumentos já deduzidos na impugnação, no sentido de que apesar de o laudo de Hirashima & Associados ter sido elaborado em 2006, este teria tomado por data base 31/12/2004 e se prestou a avaliar o fundamento econômico do ágio pago em 2004 pertinentes às premissas econômicas presentes naquele momento. Afirmou, novamente, que providenciou uma avaliação complementar dos trabalhos outrora elaborados que acostou à sua impugnação para demonstrar que a expectativa de rentabilidade futura teria se efetivado nos anos posteriores. Ou seja, a interessada nada acrescentou de novo às suas razões de defesa no Recurso Voluntário, que foi apresentado em 19/03/2013. Somente após a distribuição dos autos para elaboração do voto, marcada a data para a sessão de julgamento a ser realizada no CARF ocasião em que o relator já estava com o voto proferido pronto para ser julgado, cujo resultado não era favorável à defesa, é que a interessada, após pesquisas exaustivas, como afirmou, apresenta novos documentos que localizou em seus arquivos, como constou do relatório do acórdão recorrido: Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em junho de 2013 e pautado para julgamento na sessão de 8/10/2013 (transferido para o dia seguinte a pedido do contribuinte). Contudo, nessa mesma data, o contribuinte protocolou os documentos de fls. 1.154 a 1.181, onde informava ter localizado, após incessantes buscas em seus arquivos mortos, cópia do denominado “Projeto Triatlo”, elaborado em 18/2/2004, que justificava o pagamento do ágio ainda antes da ocorrência das operações societárias. Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Acórdão n.º 9101002.890 CSRFT1 Fl. 1.772 56 Na primeira proposta de voto, a falta de comprovação do ágio com documentos contemporâneos a sua criação era uma das principais razões de decidir, e a apresentação das novas provas gerou intensa discussão entre os conselheiros, diante da possibilidade de alterar a conclusão até então proposta. (Grifos originais) A Contribuinte apresentou o recurso voluntário ratificando as alegações da impugnação. E, no dia do julgamento, aduziu ter encontrado no seu arquivo morto documentos complementares em relação ao laudo de avaliação. Sem adentrar no mérito quanto ao fato de ser peculiar que documento de tamanha importância estivesse "perdido" no arquivo morto durante anos, fato é que a tutela dos prazos no direito processual ocorre não por acaso. No dia de julgamento acostase documentação complementar, provocase um tumulto processual, e estabelecese uma dialética sem fim no decorrer do processo. A depender do encaminhamento do voto, a parte apresenta novos documentos, para se contrapor à convicção do julgador. Há que se tutelar uma mínima estabilidade no rito processual. Entendo, nesse sentido, que a apresentação de documentação complementar, que estava disponível no arquivo morto da parte há anos, no dia da sessão de julgamento, não se mostra admissível. Acompanho, nesse sentido, a relatora pelas conclusões. É como voto. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1772DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907195/2012-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2009
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.230
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2009 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 71 95 /2 01 2- 38 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907195/201238 Acórdão n.º 3302004.230 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.832. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907195/201238 Acórdão n.º 3302004.230 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907195/201238 Acórdão n.º 3302004.230 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10882.907195/201238 Acórdão n.º 3302004.230 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10882.907195/201238 Acórdão n.º 3302004.230 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10882.907195/201238 Acórdão n.º 3302004.230 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.901199/2013-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade.
Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1301-002.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1208; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.901199/201382 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.450 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente AÇOS GROTH LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 11 99 /2 01 3- 82 Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10875.901199/201382 Acórdão n.º 1301002.450 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AÇOS GROTH LIMITADA, pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra acórdão da DRJ que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada contra despacho denegatório do pedido de restituição formalizado pela recorrente. Por meio de Perdcomp, a recorrente havia pleiteado, perante a repartição fiscal de seu domicílio, restituição de valores pagos indevidamente, a título de IRPJ, ao argumento de que, na base de cálculo do tributo, teriam sido incluídos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos, oriundos de aquisições de bens e serviços. Indeferido o pedido, foi apresentada manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, fundada no fato de que não haveria norma legal permitindo excluíremse, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os créditos de PIS e de Cofins, calculados sobre custos e despesas. Portanto, em face da ausência de autorização legal, impossível, segundo o acórdão recorrido, excluir na DIPJ tais valores (créditos de PIS e Cofins), reduzindo o lucro tributável. Não resignada, a contribuinte apresentou recurso alegando, em síntese, os seguintes pontos: a) A incidência de IRPJ e de CSLL sobre os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos desrespeita o princípio da neutralidade tributária, além de implicar a tributação de valores que se caracterizam como subvenção de investimento. b) A finalidade dos "créditos" de PIS e Cofins é tão somente "servir de moeda de pagamento" dos débitos desses tributos. c) O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 3/2007 manda registrar contabilmente tais "créditos" como ativo fiscal, mas ressalta que a contrapartida não pode ser feita em conta de receita. A contrapartida, diz a recorrente, só pode ser em conta de redução do custo do bem ou de redução de despesa. Em qualquer hipótese, todavia, o registro contábil da contrapartida repercute aumentando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. d) Diz a recorrente que, de acordo com o § 10, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, o montante dos créditos apurados não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo apenas para dedução do valor devido. Entretanto, se tais créditos forem contabilizados como redução de custo ou de despesa, haverá impacto sobre o lucro, que é a diferença entre o total da receita e o total de custos e despesas. e) Por último, afirmou que os créditos de PIS e de Cofins revestiriam a natureza jurídica de subvenção de investimento, e, por essa razão, não estariam sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL. Tratase de valores cedidos pelo Poder Público ao contribuinte, caracterizandose como transferência de capital. Com esses fundamentos, pugnou pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10875.901199/201382 Acórdão n.º 1301002.450 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.445, de 18/05/2017, proferido no julgamento do processo 10875.901196/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.445): Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Impossibilidade de excluir créditos de PIS e de Cofins do lucro tributável O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, diz que o valor dos créditos apurados na forma daquele artigo não constitui receita bruta. A regra se aplica também ao PIS, por força do disposto no art. 15, inciso II, da mesma lei. Assim está redigido o § 10 do art. 3º, acima referido: § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. O dispositivo é um dos parágrafos do art. 3º da Lei nº 10.833, artigo esse que trata especifica e exclusivamente da Cofins não cumulativa. Daí se pode inferir que o dispositivo tem alcance restrito, aplicandose apenas à Cofins e, por força do art. 15, inciso II, também ao PIS não cumulativo. O objetivo legal é claramente impedir que PIS e Cofins, na sistemática não cumulativa, viessem a incidir sobre os valores dos próprios créditos, mitigando, pela dupla incidência, a não cumulatividade que a lei pretendeu assegurar. Assim sendo, quer se caminhe pela trilha da interpretação lógica (interação do dispositivo com outros dispositivos da mesma lei) ou da interpretação teleológica (considerando os fins que a lei pretende alcançar), a conclusão a que se chega é a mesma: o dispositivo, cingindose ao PIS e à Cofins, não irradia qualquer efeito sobre o IRPJ e a CSLL. É equivocado, portanto, afirmar que os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem interferir na apuração do lucro tributável, seja reduzindo custo ou reduzindo despesa. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10875.901199/201382 Acórdão n.º 1301002.450 S1C3T1 Fl. 5 4 Daí porque não se admite excluir do lucro líquido, quando da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores dos créditos de PIS e de Cofins. Fiel a essa linha de raciocínio está a orientação emanada da Receita Federal por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº 3/2007: Art. 1º O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo não constitui: I receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido das referidas contribuições; II hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (g.n.) Frisese que o E. Superior Tribunal de Justiça não discrepa desse entendimento. Ao contrário, a jurisprudência é firme no sentido da impossibilidade de excluir do lucro líquido o valor dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos, como se pode constatar da ementa abaixo transcrita. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO Nº 3 DO STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Ambas as Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça já se manifestaram no sentido da impossibilidade de exclusão dos créditos escriturais apurados pelos contribuintes no regime não cumulativo do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.447.382/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12/06/2014; AgRg no REsp 1.181.156/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 21/02/2013. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 913.315 SP) (g.n.) Subvenção Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não têm natureza jurídica de subvenção, nem a ela se equiparam para qualquer fim ou efeito. De acordo com o § 3º do art. 12 da Lei nº 4.320/1964, que estatui normas de Direito Financeiro, subvenções são transferências feitas pelo Poder Público em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas a cobrir despesas de custeio. Este é o texto legal: Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10875.901199/201382 Acórdão n.º 1301002.450 S1C3T1 Fl. 6 5 § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (g.n.) A Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), por sua vez, exige, para que o Poder Público possa realizar repasses a título de subvenção, que haja lei específica autorizando as concessão do benefício. Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica, atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais. § 1º O disposto no caput aplicase a toda a administração indireta, inclusive fundações públicas e empresas estatais, exceto, no exercício de suas atribuições precípuas, as instituições financeiras e o Banco Central do Brasil. § 2º Compreendese incluída a concessão de empréstimos, financiamentos e refinanciamentos, inclusive as respectivas prorrogações e a composição de dívidas, a concessão de subvenções e a participação em constituição ou aumento de capital. (g.n.) As subvenções, como deixam ver os dispositivos legais transcritos, exigem lei prévia que, além de autorizar a concessão, defina as condições e os requisitos a serem cumpridos pela entidade beneficiária. Não existe subvenção geral e incondicional, e tampouco desvinculada do interesse público. Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não se encaixam nessa moldura. Têm direito ao "crédito" todas as pessoas jurídicas que apurem o IRPJ pelo lucro real, independentemente de qualquer condição ou requisito, sendo desnecessária qualquer lei específica ou ato administrativo para concessão do direito. No obstante, ainda que o crédito de PIS e de Cofins não cumulativos pudesse ser enquadrado como um tipo de subvenção, como quer a recorrente, não haveria isenção. É que a isenção de IRPJ e CSLL só alcançam as chamadas subvenções para investimento, ou seja, aquelas que, a teor do art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda, se destinam a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10875.901199/201382 Acórdão n.º 1301002.450 S1C3T1 Fl. 7 6 Portanto, também sob esse prisma, não assiste razão à recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 435DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901339/2012-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.491
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 13 39 /2 01 2- 07 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10925.901339/201207 Acórdão n.º 3301003.491 S3C3T1 Fl. 3 2 indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.890. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10925.901339/201207 Acórdão n.º 3301003.491 S3C3T1 Fl. 4 3 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10925.901339/201207 Acórdão n.º 3301003.491 S3C3T1 Fl. 5 4 Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.725101/2012-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.886
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente ESPACIAL AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 51 01 /2 01 2- 95 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10469.725101/201295 Acórdão n.º 3302003.886 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.453. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10469.725101/201295 Acórdão n.º 3302003.886 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10469.725101/201295 Acórdão n.º 3302003.886 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10469.725101/201295 Acórdão n.º 3302003.886 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10469.725101/201295 Acórdão n.º 3302003.886 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 140DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.720023/2010-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.896
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBOVEL COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 00 23 /2 01 0- 44 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10909.720023/201044 Acórdão n.º 3302003.896 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.440. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10909.720023/201044 Acórdão n.º 3302003.896 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10909.720023/201044 Acórdão n.º 3302003.896 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10909.720023/201044 Acórdão n.º 3302003.896 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10909.720023/201044 Acórdão n.º 3302003.896 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 164DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.720174/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.928
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 74 /2 01 2- 41 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11516.720174/201241 Acórdão n.º 3302003.928 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06047.575. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11516.720174/201241 Acórdão n.º 3302003.928 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11516.720174/201241 Acórdão n.º 3302003.928 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11516.720174/201241 Acórdão n.º 3302003.928 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11516.720174/201241 Acórdão n.º 3302003.928 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 192DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.902796/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.166
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 27 96 /2 01 2- 11 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.902796/201211 Acórdão n.º 3302004.166 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02059.007. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.902796/201211 Acórdão n.º 3302004.166 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902796/201211 Acórdão n.º 3302004.166 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.902796/201211 Acórdão n.º 3302004.166 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.902796/201211 Acórdão n.º 3302004.166 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.902796/201211 Acórdão n.º 3302004.166 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.901108/2013-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 11 08 /2 01 3- 13 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901108/201313 Acórdão n.º 1302002.262 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901108/201313 Acórdão n.º 1302002.262 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901108/201313 Acórdão n.º 1302002.262 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
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