Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,621)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,034)
- Primeira Turma Ordinária (15,998)
- Primeira Turma Ordinária (15,960)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,348)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,399)
- Quarta Câmara (84,588)
- Terceira Câmara (66,999)
- Segunda Câmara (55,305)
- Primeira Câmara (19,845)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,995)
- Segunda Seção de Julgamen (114,032)
- Primeira Seção de Julgame (76,215)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,845)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,373)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,717)
- HELCIO LAFETA REIS (3,595)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,216)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,468)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 18184.000047/2008-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/04/2006
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2002 a 30/04/2006 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18184.000047/2008-93
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5885693
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.555
nome_arquivo_s : Decisao_18184000047200893.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 18184000047200893_5885693.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. Douglas Kakazu Kushiyama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7372914
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585909952512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1573; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 857 1 856 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18184.000047/200893 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2201004.555 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 6 de junho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INPAR PROJETO RESIDENCIAL GRANDS JARDINS SPE LTDA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2002 a 30/04/2006 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 4. 00 00 47 /2 00 8- 93 Fl. 857DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso de ofício, interposto em face da decisão de fls. 840/851, a qual julgou improcedente o lançamento do débito, lavrado em 27/12/2006, relativo ao período de 01/09/2002 a 30/04/2006. De acordo com o relatório da decisão recorrida, que adoto, assim restou descrita a infração: Autuação 1. Tratase de Auto de Infração (AIOACFL68DEBCAD nº 37.013.7183) relacionado ao artigo 32, inciso IV e § 3º, da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97 regulamentada pelo Decreto 3.048/99, uma vez que, segundo o Relatório Fiscal da Infração de fls. 23 a Autuada deixou de informar em GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação à Previdência Social todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias no período de 09/2002 a 04/2006, relativo à obra matrícula CEI 43.490.03544/72. 1.1. Num apontamento preliminar, anotase que o presente processo, ora digital, foi iniciado em papel e assim numerado, sendo certo que após sua digitalização a numeração sofreu alterações, razão da eventual divergência nas referências dos documentos, ficando ressalvado que as folhas ora indicadas correspondem as da numeração atual, digital. 1.2. O Auto de Infração no valor de R$ 50.905,80 (cinquenta mil, novecentos e cinco reais e oitenta centavos) foi lavrado em 27/12/2006, data esta também da ciência pessoal do contribuinte, fls. 02. 1.3. O procedimento fiscal teve início em 18/10/2006, com a ciência do Mandado de Procedimento Fiscal –MPF dada ao contribuinte e se desenvolveu com várias intimações para apresentação de livros e documentos, culminando no lançamento realizado por aferição indireta, com base no CUB, motivado pela apresentação deficiente de informações/documentos e sem preencher formalidades legais (Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, Debcad nº 37.013.7140, processo nº 18184.000049/200882). 1.4. A obrigação acessória descumprida, objeto do presente processo, tem correspondência com a apuração e lançamento constantes da NFLD Debcad nº 37.013.7140. 1.5. Destacase do Relatório Fiscal da Infração, fls. 23, que a remuneração relativa à obra de construção civil matrícula CEI nº 43.490.03544/72 foi apurada por aferição indireta pelos motivos e métodos expostos no Relatório Fiscal anexo à NFLD 37.013.7140, no valor de R$ 4.557.204,05 (quatro milhões, quinhentos e cinqüenta e sete mil, duzentos e quatro reais e cinco centavos) corresponde a fato gerador de contribuição previdenciária não declarada à Previdência Social em todo o período da obra, de 09/2002 a 04/2006, uma vez que somente parte da remuneração da MãodeObra conseguiu ser comprovada de forma inequívoca pela empresa, através da Fl. 858DF CARF MF Processo nº 18184.000047/200893 Acórdão n.º 2201004.555 S2C2T1 Fl. 858 3 apresentação das respectivas GFIPs Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. 1.6. Em decorrência da infração aqui tratada foi aplicada a multa prevista no art. 32, § 5º da Lei 8.212/91, combinado com o art. 284, II do Decreto 3.048/99, o Regulamento da Previdência SocialRPS, atualizada nos termos da Portaria MPS Nº 342/06, correspondente ao valor de R$ 50.905,80 (cinquenta mil, novecentos e cinco reais e oitenta centavos), valor este consolidado em 27/12/2006, conforme demonstrado no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, fls. 24/25. 1.7. A Autoridade Fiscal instruiu o processo com os seguintes documentos, fls. 27/60: cópia do Aviso para Regularização de Obra – ARO; Memorial de Incorporação relativo à obra; Alvará de Aprovação e Execução de Edificação Nova; Certificado de Conclusão; alteração de contrato social; Termo de Verificação de Antecedentes de Auto de Infração; procuração; documentos pessoais do procurador. O contribuinte foi notificado e apresentou impugnação. Da Impugnação A Recorrida apresentou sua Impugnação de fls. 66/72 acompanhada dos documentos de fls. 73/697, alegando, em suma, os seguintes aspectos: 2.1. Afirma a imprescindibilidade de conexão entre os processos administrativos lavrados na mesma ação fiscal – a NFLD Debcad nº 37.013.7140 e os Autos de Infração Debcad nº 37.013.7159, 37.013.7167, 37.013.7175 e 37.013.7183 (este), pois dependem dos mesmos elementos de provas e de sua produção, do que conclui que a apreciação deve ser conjunta, inclusive para evitar divergência entre decisões. 2.2. Alega ilegalidade da aferição indireta para o presente caso porque entende que foi autuada, em suma, por suposto não atendimento às solicitações da fiscalização para apresentação de documentos à fiscalização, em desconsideração aos valores contábeis apresentados pela impugnante e também pela não apreciação de todos os documentos comprobatórios dos recolhimentos por ela efetuados. 2.3. Assevera que sua contabilidade cumpre todos os requisitos necessários, além de refletir, fielmente, todas as movimentações financeiras e que, em contrariedade ao que afirmou o Auditor Fiscal, atendeu a todos os pedidos da fiscalização e disponibilizou todos os documentos solicitados, juntando como prova os Termos de Intimação anotados pela Autoridade Fiscal. 2.4. Apesar de ter disponibilizado durante o procedimento fiscal, apresenta, mais uma vez, junto com a impugnação, todos os documentos. Fl. 859DF CARF MF 4 2.5. Assim, pretende o cancelamento da presente autuação, sob pena de evidente infração ao princípio da verdade material dos fatos, já que a contabilidade da impugnante é clara e eficiente, além de restarem comprovados os recolhimentos de todos os valores devidos pela impugnante 2.6. Ademais, pleiteia a relevação da multa em função do princípio da boafé. 2.7. Articula no sentido de que a multa possui um perfil punitivo e, excepcionalmente, cunho indenizatório e, assim, considerando que cumpriu suas obrigações tributárias de forma diligente, não deve ser punida e espera que a multa não seja mantida. 2.8. Em seu pedido requer, por fim, deferimento de diligência para verificação de todos os documentos que se façam necessários para comprovar suas alegações e requer, ainda, diante das razões apresentadas, seja considerada insubsistente o Auto de Infração e, assim, cancelado. Diligências O processo foi convertido em diligência, conforme restou muito bem explicado na decisão proferida pela DRJ, que adoto integralmente: 3. A conclusão do então Serviço de Contencioso Administrativo após a análise de todo o acostado ao processo foi no sentido de necessidade de manifestação da Fiscalização, tendo em vista que o presente auto de Infração decorreu do lançamento (NFLD) realizado por aferição indireta, com fundamento na apresentação deficiente dos documentos e informações, bem como pelo não preenchimento das formalidades legais, enquanto que a documentação juntada pela empresa neste processo (fls. 73/705) e especialmente nos autos da NFLD Debcad nº 37.013.7140 mostrouse potencialmente indicativa a modificar os lançamentos e autuações, razão da necessária avaliação fiscal, em busca da verdade material. 3.1. Nos termos do Despacho datado de 04/04/2007, fls. 707/708, determinada a apreciação da documentação apresentada quando da impugnação, bem como outros documentos colocados à disposição da Fiscalização conforme mencionado na defesa e, em decorrência, fosse apresentada manifestação conclusiva sobre a documentação, com a manutenção ou revisão do lançamento e autuação, sempre fundamentada e, ainda, que após o exame, ficasse esclarecido de forma clara e objetiva, qual a deficiência dos documentos e das informações que seriam justificadores da apuração do débito por aferição indireta, prevista nos §§ 3º, 4º e 6° do art. 33 da Lei 8.212/91 e procedimento fiscal conforme os arts. 473 e 597 da Instrução Normativa IN SRP n° 03/2005. 3.2. A diligência que teve início em 08/05/2008 foi concluída 09/12/2009 com a apresentação de relatório (fls. 724/729) contendo o mesmo teor para todos os processos da ação fiscal que haviam sido encaminhados em diligência para a Fiscalização, a saber, DEBCAD nº 37.013.7140 (NFLD); DEBCAD nº 37.013.7183 (CFL68); 37.013.7159 (CFL38); Fl. 860DF CARF MF Processo nº 18184.000047/200893 Acórdão n.º 2201004.555 S2C2T1 Fl. 859 5 37.013.7167 (CFL 35) e 37.013.7175 (CFL 34). Em suma, a Autoridade Fiscal não confirmou a necessidade de aferição indireta e lançamento pelo CUB e atestou a regularidade da contabilidade. 3.3. Os trechos a seguir reproduzidos da informação fiscal resume a manifestação da AuditoraFiscal responsável pela realização da diligência: “5. NFLD – Notificação de Lançamento de Débito – DEBCAD nº 37.013.7140. Não poderia o levantamento ser feito por arbitramento, pois, como foi detalhado nos itens 1 a 4 acima o AFRFB que fiscalizou recebeu os documentos conforme sua solicitação. Em se tratando de aferição não há como comparar as competências verificadas nesta diligência com o que foi lançado já que a lavratura foi de uma só competência, ou seja, a de 11/2006”. ... AI Auto de Infração CFL (código de fundamentação legal) 68 – DEBCAD 37.013.7183.” Apresentar a empresa o documento a que se refere o art. 32, inc. IV, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.” Pode a empresa ter elaborado GFIP com alguns valores diferentes dos valores encontrados em Folhas de Pagamento e/ou lançados em sua contabilidade, isso verificaremos em planilha anexa ao presente despacho, contudo claro deve ficar que não serão os valores arbitrados pelo AFRFB que fiscalizou a INPAR. 3.4. Importa ressaltar que a AuditoraFiscal responsável pela diligência concluiu que a contabilidade estava lançada em contas próprias; informou as contas contábeis de estoque relacionadas por centro de custos e afirmou que a movimentação da obra ocorreu a partir de 07/2003 até 06/2006, fls. 4187/4197. Junto com o relatório foi apresentada uma planilha com valores retificados, relativa a este Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação acessória (GFIP). 3.5. A interessada, manifestouse quando da diligência (fls. 731/734). 3.6. Em seguida, os autos foram encaminhados à esta DRJ em 23/03/10 que, em nova análise, conforme Despacho nº 84/2010 (fls. 739/743), conclui pela necessidade de complementação da diligência, tendo em vista que apesar de ter sido apresentada a planilha retificadora para o presente processo, este continuava dependendo da manifestação conclusiva no processo que apura as Fl. 861DF CARF MF 6 respectivas obrigações principais, inclusive com reflexos na referida planilha. 3.7. As informações prestadas pela Autoridade Fiscal fizeram remissão aos argumentos e documentos apresentados pelo Contribuinte, fls. 749/751 e junto constou nova planilha retificadora da multa (fls. 752). 3.8. Apesar de ter sido cientificado da diligência e do prazo para manifestação, o Contribuinte quedouse inerte (fls. 765) e os autos foram encaminhados a esta DRJ/Turma. 3.9. As informações resultantes da segunda diligência, acima relatadas, não atenderam in totum ao Despacho nº 84/2010 (fls. 739/743) nem ao Despacho nº 83/2010 do processo relativo à obrigação principal (DEBCAD nº 37.013.7140) quanto à apresentação de planilha demonstrativa dos créditos, dos valores devidos e também de relatório fiscal contendo todas as explicações quanto aos valores apurados, resultando na terceira diligência conforme Despacho nº 26/2011, fls. 766/769, para cabal cumprimento, do qual merece especial destaque o seguinte trecho: 4.3.1. Efetivo cumprimento da diligência com a elaboração de planilha dos valores devidos/recolhidos/históricoorigem dos valores verificados consoante anteriormente determinado no Despacho nº 84/2010; 4.3.2. devem constar do relatório e/ou planilha as bases de cálculo apuradas quando da diligência E respectivos documentos de origem (indicação dos livros e/ou documentos verificados e suas respectivas identificações: ano; número e data de registro, conta, fls.), mês a mês; 3.10. Este processo e os demais foram encaminhados à mesma Auditora Fiscal para atendimento da Diligência e assim, após nova intimação para a empresa apresentar documentos e esclarecimentos, a conclusão fiscal, diferentemente das diligências anteriores, fls. 777, manteve a autuação, não apresentou planilha com os valores devidos/retificados e concluiu nos seguintes termos: “A empresa INPAR PROJETOS RESIDENCIAL GRAND JARDINS SPE LTDA. sofreu o auto de infração DEBCAD n° 37.013.7183, por não apresentar documentação a que se refere a Lei n° 8212/99 art 32, inciso IV e § 3o e alterações, conforme relatório às fls 01. Não havendo alteração no cumprimento da obrigação mantenho o presente auto de infração.” 3.11. Após a terceira diligência e mais uma vez cientificada a Interessada apresentou a manifestação juntada às fls. 782/789 na qual reitera seus argumentos, reafirma que disponibilizou toda a documentação e que efetuou regular pagamento das contribuições previdenciárias devidas; rebateu todos os itens dos documentos ditos como não Fl. 862DF CARF MF Processo nº 18184.000047/200893 Acórdão n.º 2201004.555 S2C2T1 Fl. 860 7 apresentados com a afirmação de que foram acostados aos autos. 3.12. Ainda, a Interessada destaca que na primeira diligência a manifestação da Autoridade Fiscal foi “no sentido de que o lançamento fiscal seria insubsistente”, transcrevendo o respectivo trecho do relatório fiscal. 3.13. Lado outro, anotou que em razão da contradição de informações foi determinada nova diligência para esclarecimentos e elaboração de planilha contemplando todas as informações decorrentes dos documentos examinados e, pelo não atendimento pleno, mais uma vez foi solicitada manifestação fundamentada. 3.14. Ademais, destacado que “em total contrariedade aos argumentos apresentados nas duas manifestações anteriores, o Auditor Fiscal, em vez de apresentar as planilhas detalhadas e refazer o trabalho fiscal do Agente fiscal Autuante com a demonstração da insubsistência do lançamento fiscal, conforme já havia atestado de forma expressa, resolveu, simplesmente e sem qualquer fundamento jurídico, fazer argumentos genéricos no sentido de que o contribuinte não teria apresentado alguns documentos ...”. 3.15. Assim, rebate a última manifestação fiscal entendendo que “é NULA porque contraria as duas outras manifestações fiscais proferidas pelo mesmo Auditor Fiscal...” bem como porque as afirmações da Autoridade Fiscal são genéricas e infundadas, reiterando suas alegações quanto à apresentação de documentação comprobatória de sua defesa. 3.16. Em conclusão pugna pelo cancelamento deste lançamento e dos demais autos de infração lavrados sobre o mesmo fato. Da Decisão Recorrida Conforme já exposto, o lançamento foi cancelado, conforme se verifica da parte final da decisão de fls. 840/851, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2002 a 30/04/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Fl. 863DF CARF MF 8 Constitui infração a empresa apresentar GFIP não contendo todos os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração a lei. (AIOA CFL 68) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2002 a 30/04/2006 NULIDADE. É nulo o lançamento se não tiver sido assegurado o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa do contribuinte, com os meios e recursos a ela inerentes. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Do Recurso de Ofício A DRJ/SP recorreu de ofício com relação à parte exonerada pela decisão e o presente recurso de ofício compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Apesar do esforço feito pela DRJ/SP ao tentar fundamentar o conhecimento do presente recurso de ofício nos seguintes termos: RECORRESE DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão do presente processo estar relacionado ao processo n° 18184.000049/200882, cujo valor exonerado ultrapassa o limite de alçada, em conformidade com o art. 366, inciso I, § 2°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, na redação dada pelo Decreto n° 6.224/07, bem como com o art. 34 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei n° 9.532/97, combinados com o artigo 1° da Portaria MF n° 03, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, que estabeleceu o limite para interposição de recurso de ofício. Devese ressaltar que quanto à admissibilidade do recurso de ofício, aplicase o teor do §1º do art. 1º da Portaria/MF nº 63/2017, publicada no DOU de 10/02/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do Fl. 864DF CARF MF Processo nº 18184.000047/200893 Acórdão n.º 2201004.555 S2C2T1 Fl. 861 9 pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. No caso em tela, temos que o valor exonerado, somando tributo, multa e juros corresponde a R R$ 50.905,80 (cinquenta mil, novecentos e cinco reais e oitenta centavos), portanto, abaixo do mínimo estabelecido pela Portaria/MF nº 63/2017, publicada no DOU de 10/02/2017. Aplicável ao caso, o teor da súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 865DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900595/2006-94
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3002-000.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para intimar a contribuinte a apresentar os livros e documentos necessários, visando a elaboração de relatório conclusivo e justificado sobre: a) as receitas mensais auferidas no 1º trimestre de 2003; b) as respectivas exclusões mensais pertinentes; c) as corretas bases de cálculo mensais da Cofins e d) os efetivos recolhimentos realizados.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.900595/2006-94
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897182
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.012
nome_arquivo_s : Decisao_10880900595200694.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
nome_arquivo_pdf_s : 10880900595200694_5897182.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para intimar a contribuinte a apresentar os livros e documentos necessários, visando a elaboração de relatório conclusivo e justificado sobre: a) as receitas mensais auferidas no 1º trimestre de 2003; b) as respectivas exclusões mensais pertinentes; c) as corretas bases de cálculo mensais da Cofins e d) os efetivos recolhimentos realizados. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
dt_sessao_tdt : Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7409148
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585923584000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1437; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 157 1 156 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.900595/200694 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3002000.012 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Data 12 de julho de 2018 Assunto DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COFINS Recorrente SANTA VERÔNICA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. (INCORPORADA POR SAINTGOBAIN DO BRASIL PRODUTOS INDUSTRIAIS E PARA CONSTRUÇÃO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para intimar a contribuinte a apresentar os livros e documentos necessários, visando a elaboração de relatório conclusivo e justificado sobre: a) as receitas mensais auferidas no 1º trimestre de 2003; b) as respectivas exclusões mensais pertinentes; c) as corretas bases de cálculo mensais da Cofins e d) os efetivos recolhimentos realizados. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 00 59 5/ 20 06 -9 4 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.900595/200694 Resolução nº 3002000.012 S3C0T2 Fl. 158 2 Relatório O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP 42663.53627.080703.1.3.045717 (fl. 02/06), transmitido em 08/07/2003, cujo crédito teria origem em recolhimento da COFINS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 07), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada dessa decisão em 24/06/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 22/07/2008 (fl. 14/17), na qual alegou que recolheu errado a Cofins referente a março/2003, R$ 8.186,09, assim como informou este valor incorreto na DCTF original. Contudo, o valor realmente devido, R$ 1.425,85, foi declarado corretamente na DIPJ 2004. A ora recorrente continuou suas alegações, informando que, após ter verificado a inconsistência por meio do Despacho Decisório, transmitiu DCTF retificadora regularizando a situação em 18/03/2008. Ademais, o Sujeito passivo segue discorrendo sobre a legislação aplicável ao caso e apresenta tabela explicativa dos valores realmente devidos, dos valores efetivamente pagos e dos créditos utilizados em compensações. Para comprovar o seu suposto crédito, a recorrente juntou cópia do DARF e cópias parciais das DCTF´s, original e retificadora, e da DIPJ 2004. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. DCTF. RETIFICAÇÃO A retificação da declaração por iniciativa do próprio sujeito passivo com o fito de reduzir tributo — mormente quando feita após a ciência de despacho decisório fundado na informação que se pretende alterar — só é admissível mediante comprovação documental. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.900595/200694 Resolução nº 3002000.012 S3C0T2 Fl. 159 3 Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 73/83), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que o DARF apresentado já seria documento hábil e idôneo para garantir o direito creditório, devendo ser analisado em conjunto com a ficha 26A da DIPJ e com a DCTF retificadora. Além disso, a recorrente informou que a movimentação das contas de receitas financeiras, no montante de R$ 47.528,25, deu origem a base de cálculo da contribuição no mês de março. Por outro lado, a contribuinte alegou que não possuía todos os documentos necessários, quando da apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, devido ao tempo decorrido e por estarem guardados em arquivo externo. Por fim, a recorrente alegou que, para corroborar o seu direito, anexou ao Recurso Voluntário planilha com a base de cálculo da Cofins utilizada durante o ano calendário de 2003 e o balanço patrimonial datado de 30/04/2004. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.900595/200694 Resolução nº 3002000.012 S3C0T2 Fl. 160 4 Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ................................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.900595/200694 Resolução nº 3002000.012 S3C0T2 Fl. 161 5 circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a necessidade de apresentação de outros elementos, visando a comprovação das alegações. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Nesse ponto, creio ser oportuno discorrer sobre o momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.900595/200694 Resolução nº 3002000.012 S3C0T2 Fl. 162 6 circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e a juntar cópias parciais das DCTF's, original e retificadora, e da DIPJ 2004. Se, por um lado, é certo que a DIPJ faz prova em favor do contribuinte, por outro, seu valor probatório é tênue e, por isso mesmo, não afasta a necessidade de apresentação de outros documentos contábeis e fiscais, que também comprovem o crédito de forma mais robusta. Então, considerandose todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório desenvolvido ao longo do presente voto e nas circunstâncias do caso concreto, isto é, já ter sido apresentada uma prova mínima, DIPJ transmitida em 28/06/2004, entendo que é admissível a apresentação de novas provas juntamente com o Recurso Voluntário. Assim, analisando os novos documentos apresentados, constatase que, a princípio, os lançamentos contábeis confirmam as afirmações da contribuinte. Entretanto, entendo que tais documentos ainda não são suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, tendo em vista que não foram juntados os documentos fiscais que embasaram os lançamentos contábeis. Porém, por outro lado, compulsando os autos, percebese que o voto condutor do Acórdão recorrido mencionou a necessidade de juntada apenas de livros contábeis. Dessa forma, embora fosse ônus da recorrente comprovar seu crédito de forma inequívoca, entendo que o teor do Acórdão recorrido pode têla induzido a considerar suficientes os documentos contábeis. Dessa forma, a fim de privilegiar o Direito à Ampla Defesa, voto por converter o julgamento em diligência para a unidade de origem intimar a contribuinte a apresentar os livros e documentos necessários, visando a elaboração de relatório conclusivo e justificado sobre: a) as receitas mensais auferidas no 1º trimestre de 2003; b) as respectivas exclusões mensais pertinentes; c) as corretas bases de cálculo mensais da Cofins e d) os efetivos recolhimentos realizados. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.900595/200694 Resolução nº 3002000.012 S3C0T2 Fl. 163 7 Por fim, deverá ser dada ciência à contribuinte do teor do relatório de diligência e oportunizado prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse. Após, os autos deverão retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14485.003386/2007-03
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2001 a 28/02/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2001 a 28/02/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 14485.003386/2007-03
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888311
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.927
nome_arquivo_s : Decisao_14485003386200703.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 14485003386200703_5888311.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7382682
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585938264064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1843; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14485.003386/200703 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.927 – 2ª Turma Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PHILIPS DO BRASIL LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 28/02/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 33 86 /2 00 7- 03 Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 14485.003386/200703 Acórdão n.º 9202006.927 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.915, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202006.915): Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 14485.003386/200703 Acórdão n.º 9202006.927 CSRFT2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1602DF CARF MF Processo nº 14485.003386/200703 Acórdão n.º 9202006.927 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei nº 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 14485.003386/200703 Acórdão n.º 9202006.927 CSRFT2 Fl. 6 5 previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarse á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 14485.003386/200703 Acórdão n.º 9202006.927 CSRFT2 Fl. 7 6 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 14485.003386/200703 Acórdão n.º 9202006.927 CSRFT2 Fl. 8 7 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 14485.003386/200703 Acórdão n.º 9202006.927 CSRFT2 Fl. 9 8 a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 14485.003386/200703 Acórdão n.º 9202006.927 CSRFT2 Fl. 10 9 imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1608DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.724650/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/11/2011
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.964
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/11/2011 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11065.724650/2014-10
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5882507
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.964
nome_arquivo_s : Decisao_11065724650201410.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 11065724650201410_5882507.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7368464
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585958187008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1505; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.724650/201410 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.964 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria DACON MULTA POR ATRASO OU FALTA DE ENTREGA Recorrente COMERCIAL GAUCHA DE COMPONENTES PARA CALCADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/11/2011 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 46 50 /2 01 4- 10 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11065.724650/201410 Acórdão n.º 3201003.964 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 076.175, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11065.724650/201410 Acórdão n.º 3201003.964 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11065.724650/201410 Acórdão n.º 3201003.964 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 11065.724650/201410 Acórdão n.º 3201003.964 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.001431/2008-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
DESISTÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. OBSTÁCULO AO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
A manifestação expressa da Recorrente nos autos a respeito da desistência da exordial defensiva, objetivando a inclusão do débito contestado em parcelamento, implica na impossibilidade de conhecimento do recurso voluntário.
Recurso Voluntário não conhecido
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 DESISTÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. OBSTÁCULO AO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A manifestação expressa da Recorrente nos autos a respeito da desistência da exordial defensiva, objetivando a inclusão do débito contestado em parcelamento, implica na impossibilidade de conhecimento do recurso voluntário. Recurso Voluntário não conhecido Sem crédito em Litígio
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10935.001431/2008-61
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887627
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.273
nome_arquivo_s : Decisao_10935001431200861.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10935001431200861_5887627.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7375755
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585960284160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1365; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 132 1 131 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.001431/200861 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.273 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria SIMPLES EXCLUSÃO POR DÉBITOS Recorrente ROCAMP INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 DESISTÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. OBSTÁCULO AO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A manifestação expressa da Recorrente nos autos a respeito da desistência da exordial defensiva, objetivando a inclusão do débito contestado em parcelamento, implica na impossibilidade de conhecimento do recurso voluntário. Recurso Voluntário não conhecido Sem crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 14 31 /2 00 8- 61 Fl. 132DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 107 à 112) interposto contra o Acórdão n° 0636.205, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (efls. 93 à 102), que, por unanimidade de votos, não conheceu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente. A Manifestação de Inconformidade (efls. 47 e 51) vislumbrava desconstituir o Ato Declaratório Executivo (ADE), de número 06, de 03 de março de 2008 (efl. 44), que excluiu a contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Federal, com efeitos a partir de 1.º de janeiro de 2005, aplicouse o inciso IV do art. 15 da Lei n° 9.317/96, com a redação dada pelo art. 73 da Medida Provisória 2.15835/2001, e art. 24, inciso VI, da Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006. Chefe da Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Cascavel, por Delegação de Competência, conforme disposto no art. 4°, inciso XXXI, da Portaria/DRF/CVL/PR n° 74, de 18 de maio de 2.007, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelos artigos 238 e 249 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovada pela Portaria n° 95, de 30 de abril de 2007, do Sr. Ministro da Fazenda, publicada no DOU em 02/05/2007, de acordo com o disposto nos artigos 9° a 16 da Lei 9.317, de 05 de dezembro de 1996, com as alterações introduzidas pelo art. 4 o da Lei 9.528, de 12 de dezembro de 1997, pelo art. 3 o da Lei 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e pelo art. 73 da Medida Provisória 2.15835 de 24 de agosto de 2001, e de acordo com o disciplinado na Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006, DECLARA o contribuinte acima identificado EXCLUÍDO da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o artigo 3 o da Lei 9.317/96, pelo(s) motivo(s) abaixo indicado(s), em conformidade com representação fiscal e demais elementos probatórios constantes do processo administrativo fiscal n° 10935.001431/200861: Motivo da exclusão Ultrapassagem do limite de receita previsto no art. 2o , inciso II, da Lei 9.317/96, no ano calendário de 2004, sem que fosse feita a alteração cadastral prevista no art. 13 da mesma Lei. Base legal Arts. 9° inciso II, 12 e 14, inciso I, da Lei n° 9.317/96. Esta exclusão produz efeitos a partir de 01 de janeiro de 2005, conforme inciso IV do art. 15 da Lei n° 9.317/96, com a redação dada pelo art. 73 da Medida Provisória 2.15835/2001, e art. 24, inciso VI, da Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006. O contribuinte poderá, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência deste ato, apresentar impugnação à DRJ/Curitiba/PR, assegurandose assim o contraditório e a ampla defesa. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10935.001431/200861 Acórdão n.º 1002000.273 S1C0T2 Fl. 133 3 Não havendo manifestação neste prazo, a exclusão tornarseá definitiva. Conforme se extrai dos autos, o indigitado Ato Declaratório Executivo sumariou, em síntese, que a contribuinte deveria ser excluída do SIMPLES Federal em virtude de omissão de receitas (receitas escrituradas e nãodeclaradas) e auferimento de receita em patamar superior ao permitido na legislação daquele regime tributário. Vide Representação Fiscal, a qual lastreou o aludido ADE: 1. DOS FATOS 1.1. O contribuinte formalizou a opção pelo Simples através de Termo próprio, com efeitos a partir de 14/08/1997, conforme tela do sistema CNPJ; 1.2. No entanto, no decorrer da ação fiscal desenvolvida, constatouse que o contribuinte ultrapassou no ano de 2004 o limite de receita de R$ 1.200.000,00, previsto no art. 9o , inciso I I da Lei 9.317/96, com a alteração introduzida pelo art. 6 o da Lei 9.779/99. 1.3. Na ação fiscal mencionada foram lavrados Autos de Infração por diferença de Base de Cálculo (receitas escrituradas e nãodeclaradas), sendo que a receita tributável apurada no anocalendário de 2004 (receita escriturada) foi de R$ 2.590.886,93 (dois milhões, quinhentos e noventa mil, oitocentos e oitenta e seis reais e Q noventa e três centavos), conforme registros constantes da conta contábil representativa de vendas extraída do Livro Razão e das informações constantes do Demonstrativo do Resultado do Exercício extraído do Livro Diário. Em 25 de novembro de 2009 a Contribuinte apresentou pedido de desistência de sua Manifestação de Inconformidade, conforme atesta o teor acostado à efl. 82: ROCAMP INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA EPP, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob n° 82.203.373/000124, localizada na Rua Antonio Niehues, n° 442, na Cidade de Capanema PR, por seu representante legal infrafirmado, vem, respeitosamente, perante Vossa Senhoria, nos autos do processo administrativo originário do Ato Declaratório Exclusão do Simples n. 6/2008 Processo Administrativo Fiscal n° 10935.001431/200861,proveniente de auto de infração MPF n° 0910300/00679/07, com ciência do sujeito passivo em 11 de março de 2008, informar que desiste da impugnação apresentada relativamente a exclusão do SIMPLES para o ano de 2005, a fim de se aceitar de forma expressa e irretratável a sua exclusão no ano referido, renunciando a quaisquer alegações de direito sobre os quais se fundam o respectivo processo. Outrossim, informase que em vista da exclusão do SIMPLES ref. ao ano de 2005 e considerandose os débitos originados pela entrega da nova declaração IRPJ pelo lucro real, pretende aderir ao parcelamento especial a que alude a Lei n. 11.941/2009, regulamentado pela Portaria Conjunta n. 06/2009. Fl. 134DF CARF MF 4 Em seguida, impetrou Mandado de Segurança, objetivando sua manutenção na sistemática do SIMPLES Federal, onde obteve sentença resolutiva de mérito (efls. 88 à 91), com a concessão de seu pedido Neste sentido, cumpre frisar que o processo administrativo n° 10935.001431/200861, referese à exclusão do SIMPLES FEDERAL levada a efeito por meio do Ato Declaratório Exclusão do Simples n° 6/2008, cuja impugnação foi apresentada e se encontra pendente de julgamento, fatos estes confirmados pela autoridade impetrada. O processo administrativo n° 10935.720837/201142, reúne os autos de infração 37.271.3173, 37.328.1153 e 37.328.1161, referentes às competências 01/2006 a 12/2008 (fl. 06 documento OUT10 evento 1). No campo designado 'descrição sucinta do crédito', do processo administrativo n° 10935.720837/201142, verificase que os autos de infração supracitados decorrem de 'Contribuições sociais incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, lançadas em razão da Autuada ter sido excluída do sistema de substituição tributária do SIMPLES FEDERAL e ter indeferida sua opção pelo SIMPLES NACIONAL. Mesmo estando excluída dos sistemas simplificados de tributação, no período apurado, a Autuada continuou declarando em Guias do FGTS e Informações à Previdência Social GF1P como optante' (grifei). Logo, constatase que os autos de infração produzidos no âmbito do processo administrativo n° 10935.720837/201142, desconsideraram a situação de pendência de julgamento da impugnação administrativa relacionada ao processo administrativo n° 10935.001431/200861, referente à exclusão do SIMPLES FEDERAL (Ato Declaratório Exclusão do Simples n° 6/2008). (...) Assim, resta claro que qualquer manifestação de inconformidade ou impugnação ao ato de exclusão do SIMPLES tem o condão de suspender os efeitos da decisão, sendo certo, também, que o contribuinte tem o direito de ser notificado da decisão, bem como ser cientificado de seu direito de se opor ao resultado do julgamento do processo administrativo fiscal, contanto que o faça pelos meios e prazos adequados. No caso concreto, a impetrante foi informada de que a simples protocolização de Manifestação de Inconformidade contra o Ato Declaratório de Exclusão, no prazo de 30 dias, teria o efeito de suspenderlhe os efeitos (OUT6 evento I). Tal manifestação foi protocolada em tempo hábil, conforme documento OUT7 evento 1, sob a forma de impugnação. Contudo, apesar de suspensos os efeitos da exclusão e antes de julgada a manifestação de inconformidade, a impetrante teve lavrados contra si os autos de infração 37.271.3173, 37.328.1153 e 37.328.1161, que, como demonstrado anteriormente, referemse a lançamentos de contribuições Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10935.001431/200861 Acórdão n.º 1002000.273 S1C0T2 Fl. 134 5 sociais incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, em razão de a impetrante ter sido excluída do sistema de substituição tributária do SIMPLES FEDERAL. Dessa forma, restou caracterizada a alegada violação aos princípios do contraditório e ampla defesa, merecendo acolhida o pleito da impetrante. Procedentes, pois, os pedidos da impetrante. III DISPOSITIVO Ante o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA, extinguindo o processo com resolução do mérito, com base no artigo 269, I, do CPC, para determinar à autoridade impetrada que atribua efeito suspensivo à manifestação de inconformidade apresentada pela impetrante era relação a sua exclusão do SIMPLES FEDERAL na esfera administrativa e, desse modo, declaro a nulidade dos autos de infração n° 37.271.3173, n° 37.328.1153 e n° 37.328.1161, constantes do processo administrativo n° 10935.720837/201142. O Despacho de Encaminhamento (efl. 92) resumiu o status do processo até então: Trata o presente processo de Representação Fiscal para exclusão do Simples Federal formalizada em 03/03/2008. Tal exclusão esta embasada no ATO DECLARATÓRIO EXLCUSÃO DO SIMPLES nº 6/2008, datada de 03 de março de 2008, com efeitos a partir de 01 de janeiro de 2005 e ciência ao contribuinte em 11/03/2008.Em 08 de abril de 2008 o contribuinte protocolou impugnação, sendo o processo encaminhado à DRJ/CTA/PR em 16 de abril 2008. Em 25 de novembro de 2009 o contribuinte protocolou pedido de desistência da impugnação relativamente à exclusão do SIMPLES para o ano de 2005, o qual foi encaminhado à referida DRJ. Em decorrência deste documento, o processo retornou a esta IRF sem julgamento do mérito.Em 2011 foram lavrados autos de infração constituindo créditos tributários relativos a Contribuições sociais sobre folha de pagamento para o período de 01/2006 a 12/2008, em decorrência de contribuinte ter sido excluído do Simples, conforme Processo Administrativo Fiscal 10935.720837/201142 Quando do retorno para julgamento da Manifestação de Inconformidade pela DRJ, restou prolatado Acórdão negando conhecimento do pleito da Recorrente. Isso porque a decisão de piso reconheceu a desistência pleiteada em ocasião pretérita. Segue, assim, a ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 Fl. 136DF CARF MF 6 EXCLUSÃO DO SIMPLES. DESISTÊNCIA DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A expressa desistência da manifestação de inconformidade contra o ato que excluiu a pessoa jurídica do Simples por excesso de receitas, com efeitos a partir de 01/01/2005, afasta o litígio e encerra o processo. Qualquer pretensão de voltar à sistemática depende da ação direta do sujeito passivo, a quem cabe formalizar a opção, que deve ser apreciada pela DRF. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio No Recurso Voluntário, inconformada com a decisão a quo, a Recorrente, rechaçou a inocorrência da aludida desistência. Transcrevo a seguir alguns dos trechos que evidenciam tal pleito: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10935.001431/200861 Acórdão n.º 1002000.273 S1C0T2 Fl. 135 7 (...) Fl. 138DF CARF MF 8 É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Admissibilidade O presente Recurso Voluntário é tempestivo. No entanto, não é possível conhecêlo em virtude de manifesta desistência da exordial defensiva, a qual representa verdadeira óbice à análise meritória. Mérito De início, tornase imperativo reconhecer a desistência da Manifestação de Inconformidade, alusiva a todos os aspectos em debate no atual processo. Isso é perceptível com hialina clareza quando da leitura da própria petição da Recorrente, a qual transcrevo novamente: ROCAMP INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA EPP, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob n° 82.203.373/000124, localizada na Rua Antonio Niehues, n° 442, na Cidade de Capanema PR, por seu representante legal infrafirmado, vem, respeitosamente, perante Vossa Senhoria, nos autos do processo administrativo originário do Ato Declaratório Exclusão do Simples n. 6/2008 Processo Administrativo Fiscal n° 10935.001431/200861, proveniente de auto de infração MPF n° 0910300/00679/07, com ciência do sujeito passivo em 11 de março de 2008, informar que desiste da impugnação apresentada relativamente a exclusão do SIMPLES para o ano de 2005, a fim de se aceitar de forma expressa e irretratável a sua exclusão no ano referido, renunciando a quaisquer alegações de direito sobre os quais se fundam o respectivo processo. Outrossim, informase que em vista da exclusão do SIMPLES ref. ao ano de 2005 e considerandose os débitos originados pela entrega da nova declaração IRPJ pelo lucro real, pretende aderir ao parcelamento especial a que alude a Lei n. 11.941/2009, regulamentado pela Portaria Conjunta n. 06/2009. GN Portanto, não há como sequer se conhecer do Recurso Voluntário. A decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF e com as circunstâncias fáticas presentes nos autos. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57, do RICARF: 11. Pois bem, como se pode observar pelo relatório o processo foi devolvido à DRJ devido à sentença judicial acima transcrita. Ali consta a ordem para que a autoridade impetrada atribua Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10935.001431/200861 Acórdão n.º 1002000.273 S1C0T2 Fl. 136 9 efeito suspensivo à manifestação de inconformidade apresentada contra o ato que excluiu a contribuinte ao Simples. 12. Primeiramente é importante salientar que a decisão de dar efeito suspensivo significa deixar de fazer qualquer exigência ao contribuinte em decorrência do ato contestado, atribuição esta que só pode ser exercida pela Delegacia de jurisdição. À DRJ cabe analisar se o ato administrativo, neste caso o ADE, está de conformidade com a situação apurada pelo fisco. 13. Impõese destacar, também, que em nenhum momento do processo de exclusão a autoridade fiscal fez menção à possibilidade de a reclamante retornar à sistemática nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008. 14. Percebase que, o fato de o contribuinte ter renunciado a quaisquer alegações de direito sobre os quais se funda o respectivo processo de exclusão conduz ao raciocínio de que a manifestação de inconformidade deveria ser desconsiderada como um todo. De fato esta é a atitude correta face à legislação que rege a matéria. Na seqüência se demonstra porque. (...) 19. O litígio que aqui se apresentou foi a exclusão do Simples por excesso de receitas, ou seja, a conformidade do ADE frente à legislação, fato que face a desistência do contribuinte, deixou de existir. (...) 25. Desta forma, tendo o interessado desistido expressamente da exclusão para o ano de 2005, o processo simplesmente perdeu o objeto. A exclusão ocorreu porque no ano de 2004 a pessoa jurídica auferiu receitas acima do limite estabelecido pela legislação então vigente. Paralelamente à exclusão sofreu autuação onde lhe foram exigidos os tributos correspondentes. Assim, quando apresentou o termo de desistência da manifestação de inconformidade, aderiu ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009 conforme fl.84. 26. Ora, a desistência da manifestação de inconformidade, cumulada com o pedido de parcelamento dos processos de autuação dela decorrentes fizeram com que a situação excludente restasse reconhecida, fazendo com que o litígio deixasse de existir. O processo restou concluso. Quaisquer delongas a respeito desse tópico representariam apenas digressões retóricas, tamanha clareza do assunto ora exposto. Entendo, portanto, haver clara circunstância de desistência da instância administrativa, cujo consectário inabilita o conhecimento meritório recursal por este Colendo Colegiado. Fl. 140DF CARF MF 10 Dispositivo Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, com a conseqüente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720293/2014-70
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio, oportunidade em foram observados os princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa.
OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital, a falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias, prestação de serviços, operações de alienação de bens móveis, locação de bens móveis e imóveis ou quaisquer outras transações realizadas com bens ou serviços, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação.
Numero da decisão: 1003-000.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio, oportunidade em foram observados os princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital, a falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias, prestação de serviços, operações de alienação de bens móveis, locação de bens móveis e imóveis ou quaisquer outras transações realizadas com bens ou serviços, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10675.720293/2014-70
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5895290
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.073
nome_arquivo_s : Decisao_10675720293201470.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10675720293201470_5895290.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7405197
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585981255680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 447 1 446 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.720293/201470 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.073 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 05 de julho de 2018 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente TONINHO CARPINTARIA LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio, oportunidade em foram observados os princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital, a falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias, prestação de serviços, operações de alienação de bens móveis, locação de bens móveis e imóveis ou quaisquer outras transações realizadas com bens ou serviços, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 02 93 /2 01 4- 70 Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10675.720293/201470 Acórdão n.º 1003000.073 S1C0T3 Fl. 448 2 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às e fls. 0289 com a exigência do crédito tributário no valor de R$36.875,72 a título de Imposto sobre Serviços (ISS) do município de Uberlândia/MG, juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional referente ao anocalendário de 2011. Em conformidade com o Relatório Fiscal, efls. 9093, temse que: 1 A empresa supra foi submetida a ação fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal acima identificado. No ano calendário de 2011 a mesma apresentou Declaração Anual do Simples Nacional – DASN com valores inferiores ao real faturamento, deixando dessa forma de declarar parte da Receita Bruta decorrente da prestação de serviços na área de construção civil. 2 Com base no procedimento de fiscalização instaurado, a empresa foi intimada pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal, com ciência pessoal em 07/11/2013, a apresentar as Notas Fiscais, Livros Diário e Razão ou, na falta destes, o Livro Caixa e o Livro de Registro de Serviços Prestados. 3 O contribuinte não apresentou a escrita contábil e o Livro Caixa. Com base nas notas fiscais apresentadas discriminamos nas planilhas constantes dos Anexos I e II e III a Receita Bruta Apurada, da seguinte forma: 3.1 Anexo I Planilha contendo de forma globalizada as Notas Fiscais de prestação de serviços. 3.1 Anexo II Receita Bruta sem retenção ou substituição tributária, com ISS devido ao próprio município; 3.2 Anexo III Receita Bruta com retenção ou substituição tributária do ISS. 4 Totalizamos as notas fiscais de serviço mensalmente e por tomador, conforme os anexos citados, e chegamos a uma receita bruta de [R$2.926.208,87] da qual só foi declarado o montante de R$1.064.127,12. Conseqüentemente sobre a diferença de R$1.861.979,75 não houve declaração na DASN e nem foram efetuados os devidos recolhimentos dos tributos. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, efls. 0289: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Oficio, nos termos do art. 33, §§ 1° B, 1° C e 3°, da Lei Complementar n° 123/2006 e alterações, e art. 77, § 1°, incisos I e II, art. 79, §§ 1°, 3° e 4° art.80, parágrafo único e art. 81, da Resolução CGSN n° 94/2011, tendo em vista que foi(ram) apurada(s) a(s) infração(ões), abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 33330011 Omissão de Receitas Receitas Omitidas [...] 33332001 Insuficiência de Recolhimento Diferença de Alíquota [...] 33332002 Insuficiência de Recolhimento Segregação Incorreta de Receitas Verificase que em 31.03.2014 os créditos tributários constituídos pelos lançamentos de ofício originalmente nos presentes autos de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) foram transferidos para o processo nº 10675.720563/201442, conforme Termo de Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10675.720293/201470 Acórdão n.º 1003000.073 S1C0T3 Fl. 449 3 Transferência de Crédito Tributário, efls. 383387, Extrato do Processo, efls. 388399 e Despacho de Encaminhamento, efl. 400 (art. 23A do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015). Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/FNS/SC nº 0735.828, de 17.10.2014, fls. 403414: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE REGISTRO DE RECEITAS. PESSOAS JURÍDICAS OPTANTES PELO SIMPLES NACIONAL. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no anocalendário a que corresponder a omissão. No presente caso a tributação da omissão se dará com base nas regras do SIMPLES NACIONAL. Impugnação Improcedente Notificada em 05.11.2014, efls. 417418, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 03.12.2014, efls. 420430, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge alegando a apresentação tempestiva da peça. No que se refere à nulidade menciona que: No auto de infração e notificação fiscal menciona que o sujeito passivo, recebeu cópia do eprocesso, em meio digital, contendo documentos do AI termo de início de ação fiscal, com ciência em 09/10/2013; DASN do ano de 2011; notas fiscais de prestação de serviços; planilha "Receita Bruta Apurada Conf. Notas Fiscais de Serviço 2011 anexos I, II e III;". A despeito da alegação, não consta do eprocesso (meio digital CD ) a cópia dos documentos supra mencionados na presente ação fiscal, o é obstáculo ao direito de defesa. Ao contrário do alegado pelo fisco, não merece prosperar a pretensão de ausência de nulidade, pois houve efetivo prejuízo a defesa do contribuinte, em face da documentação correta. Nesse sentido, a Constituição Federal assegura a todos o direito ao devido processo legal, contraditório, ampla defesa, livre produção de provas e recurso. [...] Ademais, a própria legislação correlata Decreto 70.235/72 determina quando da intimação do sujeito passivo a cópia da ação fiscal, buscando garantir o direito de defesa. Logo, restou demonstrado o prejuízo a defesa do contribuinte, devendo o feito ser anulado o lançamento. Relativamente ao lançamento afirma que: No tocante ao ISS, tenho que houve bi tributação ou bis in idem, pois conforme consta do processo n° 20.780/2013 OSTIF 6193/2013, relativo à fiscalização do Município de Uberlândia/MG, houve constatação dos dados fiscais no período de 01/09/2008 a 31/07/2013. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10675.720293/201470 Acórdão n.º 1003000.073 S1C0T3 Fl. 450 4 Em primeiro momento, o fisco municipal no processo n° 20.780/2013 e OSTIAF N° 6193/2013 efetuou fiscalização especifica no período de 01/01/2011 a 31/12/2011, período que contribuinte estava abrangido pelo simples nacional. Na conclusão deste processo, o fisco constatou que o contribuinte tinha efetuado o recolhimento com alíquota de 2%, quando na verdade deveria ser 5% (anexo II) , diante disso, lavrou auto de infração n° 36.130, no valor de R$40,651,80 reais, tendo o contribuinte feito o parcelamento (doe anexo). Lado outro, no mesmo processo n° 20.780/2013, o fisco municipal constou irregularidades nos períodos 01/09/2008 a 31/12/2010 e 01/01/2012 a 31/07/2013, auto de infração n° 36.129 e pedido de parcelamento anexo. Portanto, dentro de mesmo processo de fiscalização instaurado no ano corrente de 2013, o fisco municipal efetuou a fiscalização do período de 01/09/2008 a 31/07/2013. Em conclusão ao processo, o fisco lavrou dois auto de infração, o primeiro de n° 36.129 perfazendo o total de R$5.649,15 e segundo auto de infração de n° 36.130 perfazendo um total de R$40.651,59. Posteriormente, o fisco federal em fiscalização de rotina, onde houve instauração de processo fiscal, em 07/11/2013, onde constatou irregularidades nos recolhimentos do relativo ao ano calendário 2011, período que o contribuinte foi optante pelo simples nacional. [...] No referido auto de infração, consta especificamente o valor de ISS 36.875,72. Diante disso, é cristalina a dupla cobrança do mesmo tributo por duas pessoas jurídicas de direito público distintas, o que acarreta a exclusão do lançamento efetuado pela SRFB, no tocante ao ISS. No mais, a empresa Requerida solicita o parcelamento do débito tributário, vez que informada pelo funcionários da SRFB que não estava autorizado a fazer parcelamento do simples nacional. Ressaltase que não é possível proceder ao parcelamento diretamente pela rede mundial de computadores, devido a cobrança dupla do ISS, devendo haver a exclusão do mesmo para após efetuar o parcelamento. Concernente ao pedido expõe que: À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer seja o presente recurso conhecido e, no mérito provido declarar a nulidade do presente auto de infração, e caso superado a presente alegação, requer seja cancelando o débito fiscal reclamado no tocante ao ISS no valor de R$ 36.875,72, com posterior concessão do parcelamento do restante do débito tributário. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10675.720293/201470 Acórdão n.º 1003000.073 S1C0T3 Fl. 451 5 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente afirma que houve cerceamento do direito de defesa. O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia (art. 142 do Código Tributário Nacional). As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Com a notificação válida do Auto de Infração e apresentação da peça de defesa de forma regular há instauração na fase litigiosa no procedimento e aperfeiçoamento da relação processual (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). O robusto conjunto probatório produzidos nos autos e sólidos esforços investigativos da autoridade fiscal na identificação do ilícito tributário estão indicados de forma explícita, clara e congruente no mencionado Relatório Fiscal, efls. 9093, parte integrante do Auto de Infração, efls. 0289. Ademais, nos termos do art. 146 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, é facultada vista do eprocesso a Recorrente onde constam: Documentos Diversos Outros DASN 2011, efls. 94103; Documentos Diversos Outros Planilha Anexo I, efls. 104114; Documentos Diversos Outros Planilha Anexo II, efls. 115119; Documentos Diversos Outros Planilha Anexo III, efls. 120126; Documentos Diversos Outros Cópia das NF de Janeiro, abril, agosto e novembro, efls. 127200; Documentos Diversos Outros Contratos de Prestação de Serviços, efls. 201326; Documentos Diversos Outros TIPF e Resposta do Contribuinte, efls. 327332; Documentos Diversos Outros Contrato Social e Alterações, efls. 333348; Documentos Diversos Outros Recibo de entrega de arquivos digitais, efl. 349; e Termo de Ciência Eprocesso (ciência Pessoal), efs. 350. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10675.720293/201470 Acórdão n.º 1003000.073 S1C0T3 Fl. 452 6 Sobre a matéria, cabe indicar o entendimento emanado em algumas oportunidade pelo Supremo Tribunal Federal1: Não há falar em negativa de prestação jurisdicional quando, como ocorre na espécie vertente, "a parte teve acesso aos recursos cabíveis na espécie e a jurisdição foi prestada (...) mediante decisão suficientemente motivada, não obstante contrária à pretensão do recorrente" (AI 650.375 AgR, rel. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 1082007), e "o órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento" (AI 690.504 AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, DJE de 2352008).[AI 747.611 AgR, rel. min. Cármen Lúcia, j. 13102009,1ª T, DJE de 13112009.] =AI 811.144 AgR, rel. min. Rosa Weber, j. 2822012, 1ª T, DJE de 1532012 = AI 791.149 ED, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 1782010, 1ª T, DJE de 2492010 (grifos do original) Por conseguinte, a Recorrente validamente intimada do lançamento, enfrenta as questões na peça de defesa de modo a denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio, oportunidade em foram observados os princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. A Recorrente afirma que houve lançamento pela Prefeitura Municipal de Uberlândia/MG no processo n° 20.780/2013 OSTIF 6193/2013, período de 01.09.2008 a 31.07.2013 e por essa razão há que ser cancelado o Auto de Infração às efls. 0289 com a exigência do crédito tributário no valor de R$36.875,72 a título de Imposto sobre Serviços (ISS). A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é mensal e regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção da pessoa jurídica deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que 1 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. A constituição e o supremo do art. 93. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp#visualizar>. Acesso em: 30 mai. 2018. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10675.720293/201470 Acórdão n.º 1003000.073 S1C0T3 Fl. 453 7 presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. É determinado destacadamente, mensalmente e por estabelecimento, para fim de pagamento pela aplicação da alíquota que se refere ao somatório dos percentuais correspondente à faixa do valor acumulado nos doze meses anteriores ao período de apuração das receitas decorrentes da revenda de mercadorias, da venda de mercadorias industrializadas, da prestação de serviços, da locação de bens móveis, da venda de mercadorias sujeitas a substituição tributária e tributação concentrada em uma única etapa (monofásica), bem como, em relação ao ICMS, antecipação tributária com encerramento de tributação, da exportação de mercadorias para o exterior, inclusive as vendas realizadas por meio de comercial exportadora e da atividade industrial. Considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, CPP, IPI, ICMS e ISS. A optante deve manter a escrituração do Livro Diário, do Livro Razão, do Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, do Livro Registro de Inventário e do Livro Registro de Entradas, modelo 1 ou 1A, e ainda se for o caso do Livro Registro dos Serviços Prestados e do Livro Registro de Serviços Tomados, do Livro de Registro de Entrada e Saída de Selo de Controle, do Livro Registro de Impressão de Documentos Fiscais, pelo estabelecimento gráfico, dos Livros específicos aos comerciantes de combustíveis, do Livro Registro de Veículos, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para os registros. A apresentação da escrituração contábil, em especial do Livro Diário e do Livro Razão, dispensa a apresentação do Livro Caixa. Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital, a falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias, prestação de serviços, operações de alienação de bens móveis, locação de bens móveis e imóveis ou quaisquer outras transações realizadas com bens ou serviços, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação. A falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, enseja a determinação do valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente2. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta no voto condutor do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/FNS/SC nº 07 35.828, de 17.10.2014, fls. 403414, cujos fundamentos de fato e de direito são adotados nesta segunda instância de julgamento: 2 Fundamentação legal: art. 35 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, art. 81 e art. 87 da Resolução CGSN nº 94 de 29 de novembro de 2011, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 2º da Lei 8.846, de 21 de janeiro de 1994. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10675.720293/201470 Acórdão n.º 1003000.073 S1C0T3 Fl. 454 8 A contribuinte – como já visto – foi optante pelo SIMPLES NACIONAL no anocalendário de 2011, período de autuação fiscal. Detectada a omissão de receita perpetrada pela contribuinte a autoridade fiscal procedeu à constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício consubstanciado nos autos de infração de fls. 2 e seguintes. O art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, determina que verificada a omissão de receita esta deverá ser tributada respeitandose a forma de tributação adotada pela contribuinte. Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. A interessada é pessoa jurídica optante pelo SIMPLES NACIONAL, o art. 13, da Lei Complementar nº 123, de 2006, diz quais tributos integram o regime simplificado, e em seu inciso VIII está o ISS,: [...] Resolução do CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008, que dispõe sobre o cálculo e o recolhimento dos impostos e contribuições devidos pelas microempresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional, em seu art. 3º, inciso XII, alínea ‘b’, art. 5º, §§ 1º ao 4º, e art. 6º, inciso XII: [...] Temse que a tributação do ISS – no caso de microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo SIMPLES NACIONAL – é parte integrante do recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação instituído pelo art. 13 da já citada Lei Complementar nº 123, 2006. A autoridade fiscal agiu nos limites da determinação legal e constituiu com acerto o crédito tributário de ISS que, digase de passagem, é tributo de competência municipal, no caso o município de UberlândiaMG, como dispõe o art. 156 da CF. [...] Não há que se falar em bitributação e nem em bis in idem uma vez que não há tributação por dois entes federados diversos ou dupla tributação de um mesmo fato gerador pelo mesmo ente tributante. A discordância com relação a exigência de ISS realizada pela Prefeitura de Uberlândia deve ser a ela dirigida, não dispondo as Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil de competência para apreciar litígio específico desta exação fiscal. Ademais, a atuação levada a cabo pela RFB referese a fatos ocorridos no anocalendário de 2011, enquanto que a autuação procedida pela Prefeitura de Uberlândia referese aos exercícios de 2008, 2009 e 2013. Portanto, não há qualquer conexão entre as exigências fiscais estabelecidas pelos citados entes tributantes. Verificase que o Auto de Infração, efls. 0289, lavrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil tem como fundamento o art. 33 da Lei Complementar nº 123, 14 de dezembro de 2006: Art. 33. A competência para fiscalizar o cumprimento das obrigações principais e acessórias relativas ao Simples Nacional e para verificar a ocorrência das hipóteses previstas no art. 29 Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10675.720293/201470 Acórdão n.º 1003000.073 S1C0T3 Fl. 455 9 desta Lei Complementar é da Secretaria da Receita Federal e das Secretarias de Fazenda ou de Finanças do Estado ou do Distrito Federal, segundo a localização do estabelecimento, e, tratandose de prestação de serviços incluídos na competência tributária municipal, a competência será também do respectivo Município. Tem cabimento esclarecer as especificidades do Auto de Infração de ISS lavrado pela RFB , efls. 0289, conforme Tabela 1. Tabela 1 Auto de Infração de ISS lavrado pela RFB Meses Receita Bruta Mensal Declarada R$ Receita Bruta Mensal Apurada R$ Valor do ISS Omissão de Receita R$ Valor do ISS Insuficiência de Recolhimento Diferença de Alíquota R$ Valor do ISS Insuficiência de Recolhimento Segregação Incorreta de Receita R$ Janeiro 74.572,51 213.412,41 309,60 Fevereiro 62.270,41 187.234,32 18,68 2.634,03 Março 80.158,05 194.334,27 Abril 61.178,19 161.842,20 4.189,55 Maio 134.275,99 234.632,46 993,64 Junho 20.917,34 251.798,74 5.970,91 144,33 Julho 136.429,76 284.193,41 958,64 Agosto 109.160,52 174.085,81 345,86 753,21 Setembro 168.217,05 298.986,97 595,01 Outubro 108.650,11 224.390,25 423,73 Novembro 38.232,34 332.863,61 315,02 Dezembro 70.064,85 368.434,42 973,91 Total R$ 18.626,12 Está especificado no Relatório Fiscal, efls. 9093: Totalizamos as notas fiscais de serviço mensalmente e por tomador, conforme os anexos citados, e chegamos a uma receita bruta de [R$2.926.208,87] da qual só foi declarado o montante de R$1.064.127,12. Conseqüentemente sobre a diferença de R$1.861.979,75 não houve declaração na DASN e nem foram efetuados os devidos recolhimentos dos tributos. Por seu turno, de acordo com o Relatório Fiscal do processo nº 20.780/2013 em que foi formalizado o Auto de Infração pela Secretaria Municipal de Finanças da Prefeitura Municipal de Uberlândia nº 36.130 referente ao período de 01.01.2011 a 31.12.2011, efls. 437438, consta que o enquadramento legal do Auto de Infração é o art. 21 da Lei Complementar nº 123, 14 de dezembro de 2006: Art. 21. Os tributos devidos, apurados na forma dos arts. 18 a 20 desta Lei Complementar, deverão ser pagos: [...] § 4º A retenção na fonte de ISS das microempresas ou das empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10675.720293/201470 Acórdão n.º 1003000.073 S1C0T3 Fl. 456 10 somente será permitida se observado o disposto no art. 3o da Lei Complementar no 116, de 31 de julho de 2003, [...] Vale ressaltar as circunstâncias do Auto de Infração de ISS lavrado pela Prefeitura Municipal de Uberlândia/MG, efls. 437438, conforme Tabela 2. Tabela 2 Auto de Infração de ISS lavrado pela Prefeitura Municipal de Uberlândia/MG Ano Receita Tributável R$ Valor do ISS R$ 2011 492.117,20 24.605,86 Comparando as informações nos lançamentos de ofício no âmbito federal e na circunscrição da municipalidade, bem como cotejando os dados constantes na Tabela 1 e na Tabela 2 não se pode inferir, de forma inequívoca, que houve tributação em duplicidade. Assim, não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada na peça recursal, nesse caso, não é acertada. A Recorrente solicita a concessão de parcelamento do crédito tributário constante no presente processo. Em relação a matéria, o Anexo I do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017, determina: Art. 270. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil (DRF), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro (DemacRJ), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas (Derpf) e às Alfândegas da Receita Federal do Brasil (ALF) compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, gerir e executar as atividades de cadastros, de arrecadação, de controle, recuperação e garantia do crédito tributário, de direitos creditórios, de benefícios fiscais, de atendimento e orientação ao cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas e de planejamento, avaliação, organização e modernização. O parcelamento de débitos tributários é tema de competência da Unidade de Origem, conforme Regimento Interno da RFB. Por conseguinte, os argumentos trazidos no recurso voluntário atinentes a esta questão não pode ser analisado pela presente autoridade judicante de segundo grau por falta de objeto, uma vez que a autoridade fiscalizadora é a competente para este fim. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10675.720293/201470 Acórdão n.º 1003000.073 S1C0T3 Fl. 457 11 julho de 2015). Por conseguinte, mantémse incólume a constituição do presente crédito tributário pelo lançamento de ofício consubstanciado no Auto de Infração, efls. 0289. Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 457DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.008121/2009-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/03/2007
AGENTE MARÍTIMO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. LEGITIMIDADE PASSIVA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. Logo, o recorrente, investido na qualidade de representante do transportador estrangeiro, ao não prestar as informações devidas, no prazo regulamentar, sobre carga destinada ao exterior, no âmbito do despacho aduaneiro de exportação, responde pela respectiva sanção pecuniária, em face da referida infração.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração.
INFRAÇÃO CONTINUADA. CÓDIGO PENAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE.
A gradação da pena baseada na tese da ocorrência de infração continuada, prevista no Código Penal, não tem aplicabilidade no Direito Tributário, pois este ramo do direito adota o critério objetivo, conforme prevê o CTN, em que a cada ato praticado ou omitido do contribuinte redunda na aplicação da penalidade cabível.
Numero da decisão: 3001-000.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Renato Vieira de Avila que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/03/2007 AGENTE MARÍTIMO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. LEGITIMIDADE PASSIVA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. Logo, o recorrente, investido na qualidade de representante do transportador estrangeiro, ao não prestar as informações devidas, no prazo regulamentar, sobre carga destinada ao exterior, no âmbito do despacho aduaneiro de exportação, responde pela respectiva sanção pecuniária, em face da referida infração. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. INFRAÇÃO CONTINUADA. CÓDIGO PENAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE. A gradação da pena baseada na tese da ocorrência de infração continuada, prevista no Código Penal, não tem aplicabilidade no Direito Tributário, pois este ramo do direito adota o critério objetivo, conforme prevê o CTN, em que a cada ato praticado ou omitido do contribuinte redunda na aplicação da penalidade cabível.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11128.008121/2009-26
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5886250
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.418
nome_arquivo_s : Decisao_11128008121200926.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
nome_arquivo_pdf_s : 11128008121200926_5886250.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Renato Vieira de Avila que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7374354
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586020052992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2052; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 114 1 113 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.008121/200926 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.418 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 11 de julho de 2018 Matéria PENALIDADES OUTRAS COMÉRCIO EXTERIOR Recorrente RELIANCE AGENCIAMENTO E SERVIÇOS PORTUÁRIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/03/2007 AGENTE MARÍTIMO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. LEGITIMIDADE PASSIVA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. Logo, o recorrente, investido na qualidade de representante do transportador estrangeiro, ao não prestar as informações devidas, no prazo regulamentar, sobre carga destinada ao exterior, no âmbito do despacho aduaneiro de exportação, responde pela respectiva sanção pecuniária, em face da referida infração. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. INFRAÇÃO CONTINUADA. CÓDIGO PENAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE. A gradação da pena baseada na tese da ocorrência de infração continuada, prevista no Código Penal, não tem aplicabilidade no Direito Tributário, pois este ramo do direito adota o critério objetivo, conforme prevê o CTN, em que a cada ato praticado ou omitido do contribuinte redunda na aplicação da penalidade cabível. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 81 21 /2 00 9- 26 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 115 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Renato Vieira de Avila que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 81 a 109) interposto contra o Acórdão 16048.976, da 23ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1 DRJ/SP1 que, na sessão de julgamento realizada em 30.07.2013 (efls. 62 a 72), julgou improcedente a impugnação e, por consequência, manteve o crédito tributário lançado de ofício. Dos fatos Por sua clareza e síntese, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo em seguida: Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 20/10/2009, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa regulamentar no valor de R$ 20.000,00 em virtude dos fatos a seguir descritos. Concluído levantamento realizado na Equipe de Averbação de manifesto e Retificação de RE Averbado (EQMAX) do Setor de Exportação da Alfândega do Porto de Santos, através do qual se apurou informação que os dados de embarque no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), foram inseridos pela transportadora RELIANCE AGENCIAMENTO E SERVIÇOS PORTUÁRIOS LTDA EPP no ano de 2006 e 2007 em prazo superior a 07 (sete) dias em 09 embarques/SD realizados através de 04 navios/viagem por ela representados. O atraso na informação dos dados de embarque no Siscomex, de acordo com o art. 44 da IN SRF nº 28/1994, constitui embaraço à fiscalização, e sujeita o Transportador Marítimo ao pagamento de multa no valor de R$ 5.000,00, conforme previsão legal do art. 107 do DecretoLei 37/1966, alterado pelo art. 77 da Lei 10.833/2003. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 25/11/2009 (fls. 20), o contribuinte, protocolizou Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 116 3 impugnação, tempestivamente em 18/06/2007, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 21 à 41, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 57 Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, a impugnante alegou que: DA INÉPCIA DA AUTUAÇÃO A fiscalização autuante não anexou nenhum documento que comprove a infração apontada atraso no registro de informações no SISCOMEX referentes a 10 navios agenciados nos anos de 2006 e 2007 (o auto de infração limitase a apontar uma PLANILHA com uma relação de dados de embarque supostamente registrados no Siscomex fora do prazo legal). A não disponibilização dos documentos que levaram a fiscalização a impingir a cobrança de vultosa multa, maculam o auto de infração com a eiva da nulidade, uma vez que impossibilitam o julgamento do processo, a compreensão da infração, o enquadramento legal correto e as razões que justificam o entendimento da autoridade autuante, impossibilitando o direito à ampla defesa assegurado constitucionalmente. Nessas condições, a arbitrariedade na imposição de multa, sem a devida fundamentação alicerçada nos documentos que supostamente comprovariam o atraso apontado, pretere o direito de defesa do contribuinte e torna insubsistente a autuação nos termos do artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, pois, como se sabe, o ato nulo não produz efeitos. CONDUTA IMPOSSÍVEL DE SER PRATICADA É impossível cumprirse o prazo de 07 dias para o registro de declarações de despacho de exportação no SISCOMEX em embarques de navios, enquanto o exportador não fornecer ao transportador o número da sua Declaração de Despacho de Exportação. Perguntase: A SD/DDE supostamente entregue com atraso é um documento EMITIDO pelo transportador? A resposta é negativa. A DDE/SD que a Alfândega exige que o transportador registre no SISCOMEX não é um documento emitido pelo transportador, mas sim pelo exportador. O transportador prescinde obrigatoriamente que a informação, ou seja, que o número da DDE/SD lhe seja informado pelo exportador. Sem esta informação do exportador o sistema não efetua o registro, ainda que o transportador queira fazêlo no mesmo dia do embarque. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 117 4 Portanto, só pelo fato de que a Declaração de Despacho de Exportação não é um documento emitido pelo transportador, o lançamento fiscal é improcedente. A NORMA SÓ PUNE O ATRASO NO REGISTRO COM BASE NOS DOCUMENTOS EMITIDOS PELO INFRATOR. Como se verifica, conforme se estipula no art. 52 da IN 37, combinado com o art. 56, III, ao mesmo tempo em que a norma estipula o prazo de 07 dias para o transportador efetuar o registro no SISCOMEX, concede o prazo de 10 dias para o exportador efetuar este mesmo registro, sendo que sem a informação do exportador o transportador não consegue efetuar o registro no sistema. Ora, essa conduta exigida pela norma, inviabiliza a prestação da informação pelo transportador marítimo. Se o exportador não cumprir o prazo de 10 dias, o transportador continuará impedido (pelo sistema) de efetuar o registro determinado pelo art. 37 da INSRF28/94. Ou seja, o que se exige, neste caso é uma obrigação impossível de ser cumprida, mormente porque esta obrigação está condicionada à informação de terceiros que nem sempre a fornecem no momento adequado. O ente administrativo não pode exigir do contribuinte uma conduta impossível de ser realizada. Em sendo assim, é evidente que não se pode penalizar esta requerente pela prestação de informações eventualmente fora de prazo em virtude de não dispôla por razões alheias a sua vontade. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA DO AGENTE MARÍTIMO É de se ressaltar, outrossim, que a Requerente não é parte legítima para figurar no pólo passivo da autuação, tendo em vista que, na qualidade de mero agente marítimo não responde pelas obrigações tributárias do seu representado. A penalidade em discussão foi instaurada em nome da Requerente, que atuou como Agente de Navegação Marítima dos navios que supostamente registraram as Declarações de Despachos de Exportação com atraso. A matéria, na espécie, é regulamentada pelo art. 37 da Instrução Normativa SRF n. 028, de 27 de abril de 1994, publicada no DOU de 28.04.1994, com a redação dada pela IN 510 de 2005. Portanto, a obrigação de registrar o embarque da mercadoria no prazo de 07 dias após a efetivação do embarque era e é do TRANSPORTADOR MARÍTIMO. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 118 5 Logo, o entendimento adotado pela fiscalização é equivocado, uma vez que o agente marítimo não pode ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária e nem se equipara ao próprio transportador, para os efeitos do DecretoLei nº 37/66. Junta textos da Jurisprudência do STF a respeito do assunto. Como agente marítimo, a Requerente é considerada mera representante do armador, e, como mandatária que é, não responde pelas falhas imputáveis a seus representados, entendimento este também aplicável no âmbito fiscal, consoante a Súmula 192 do extinto, mas sempre Egrégio TRIBUNAL FEDERAL DE RECURSOS. Nem se diga, por outro lado, que o TERMO DE RESPONSABILIDADE firmado pela agência de navegação teria o condão de caracterizar a sua responsabilidade pelas multas aplicáveis ao transportador marítimo (o que é discutível na espécie), mormente porque somente a LEI pode fazer nascer a obrigação de se impor uma penalidade. Junta textos da Jurisprudência do STJ a respeito do assunto. DO NÃO ENQUADRAMENTO DA MULTA PREVISTA NA alínea “e”, IV, art. 107 do Decretolei 37/66 (ausência de tipicidade legal) Como a autuada, ora Requerente, não é uma empresa de transporte internacional, não é uma prestadora de serviços de transporte expresso portaaporta, nem tampouco um agente de carga (agente desconsolidador de cargas), não há, na espécie, tipicidade legal para o seu enquadramento, de modo que a autuação não merece prosperar. Nem se diga, por outro lado que, na espécie, haveria solidariedade entre o agente marítimo e a empresa de transporte internacional, a quem é imputada a obrigação acessória em discussão. A solidariedade, como se sabe, decorre apenas da LEI ou de contrato entre as partes. Evidentemente, não há contrato entre a Requerente e o fisco federal a justificar a solidariedade arguida. Não quis o legislador, na hipótese descrita, aplicar esta multa ao agente marítimo. Quando quis fazêlo, o fez expressamente, como se observa no art. 32 do mesmo diploma legal em relação a solidariedade ao pagamento do imposto de importação. Mas aqui não se discute imposto de importação, mas, sim, uma obrigação tributária acessória específica a um dispositivo legal, situação totalmente distinta. Como se sabe, a norma tributária não pode ser ampliada para albergar hipóteses que a lei não previu. Em resumo, a multa estabelecida na alínea ‘e’ do inciso IV do art. 107 do DecretoLei 37/66, não pode ser aplicada ao agente Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 119 6 marítimo, nem tampouco a este pode ser estendida a solidariedade passiva por absoluta falta de previsão legal a respeito desta obrigação acessória. DENUNCIA ESPONTÂNEA descabimento de multa Se fosse possível considerar como infração a conduta da recorrente, hipótese de que se cogita exclusivamente para só argumentar, ainda assim, não seria cabível a aplicação de qualquer penalidade. Isso porque, como reconhecido pela fiscalização, as DDEs mencionadas no auto de infração, foram inseridas no SISCOMEX, ANTES da lavratura do auto de infração ora impugnado. Vale dizer, o procedimento fiscalizatório só foi iniciado após o noticiado pela Requerente. Cita o artigo 138 do Código Tributário Nacional. Alegase também a boa fé do impugnante. INFRAÇÕES IDÊNTICAS. APLICAÇÃO DA TEORIA DA INFRAÇÃO CONTINUADA. A continuidade delitiva ocorre sempre que há irregularidade praticada, embora composta de mais de uma ação ou omissão, possa ser reconduzida a uma unidade de resolução e a uma unidade de direito violado, como ocorre no caso em análise. Na hipótese aventada, é forçoso concluir que toda e qualquer ação imputada à Requerente decorre de um mesmo fato descumprimento do prazo para o registro no SISCOMEX dos dados relativos ao embarque das mercadorias no período 2006/2007 e, portanto, corresponde a uma só infração, praticada de forma continuada, que deve ser penalizada tão somente mediante a aplicação de uma multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), e não de uma multa para cada ato isolado, como havia suposto a fiscalização. Junta textos da Jurisprudência do STJ. DO PEDIDO Diante de todo o exposto, pede e espera a Requerente: • que seja dado provimento a esta impugnação, declarandose a nulidade ou a improcedência do lançamento, cancelandose a multa a que este se refere; ou • caso assim não entendam, julgálo parcialmente procedente a fim de reduzir todas as multas imputadas a esta Requerente e as futuras que possam ser impostas para R$ 5.000,00 (cinco mil reais), caso se observe a Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 120 7 característica da continuidade inerente a suposta infração; É o relatório. Da ementa da decisão de primeira instância Com a apresentação da manifestação de inconformidade sobreveio, então, o acórdão da 23ª Turma da DRJ/SP1, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO Data do fato gerador: 16/03/2007 Multa regulamentar. Informação dos dados de embarque foram inseridos pela transportadora em prazo superior a 07 (sete) dias. Legislação do Imposto de Exportação autoriza aplicar subsidiariamente a legislação relativa ao Imposto de Importação. A eventual responsabilidade do exportador alegada pelo impugnante de não entregar as informações em tempo hábil deve ser discutida em outro âmbito. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé. Para cada uma das 04 (quatro) condutas praticadas o autuado deve suportar a multa correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do recurso voluntário Inconformado com a decisão da 23ª Turma da DRJ/SP1, o contribuinte interpôs recurso, no qual, em apertada síntese, trouxe à discussão os temas/pontos abaixo. II EXCLUSÃO DA PUNIBILIDADE FATO NOVO Denúncia Espontânea Retroatividade Benigna Lei 12.350/2010 alterou o parágrafo 2º, do art. 102, do DecretoLei 37/66 Alega que na espécie o procedimento fiscal só foi iniciado após a inserção das DDE/SDe no "Siscomex", circunstância que caracteriza, a seu ver, a denúncia espontânea que impôs a presente exigência fiscal. Nesse passo, com a vigência da Medida provisória 497 de 27.07.2010, transformada na Lei 12.350 de 2010, que alterou a redação do parágrafo 2º, do artigo 102, do Decretolei 37 de 1966, referida norma reconheceu que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa, exatamente o caso sob apreço. Devendo, portanto, tal regramento, retroagir para alcançálo, de acordo co o disposto na alínea "a", do inciso II do artigo 106, do Código tributário Nacional, por tratarse de exclusão de punibilidade. Restando, por fim, prejudicado o presente Auto de Infração. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 121 8 III INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO AGENTE MARÍTIMO Aduz que a não responsabilização do agente marítimo, inclusive, é matéria já sumulada pelos tribunais, consoante proclamado pela Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Logo, sendo agente marítimo, "é considerada mera representante do armador, e, como mandatária que é, não responde pelas falhas imputáveis a seus representados, entendimento este também aplicável no âmbito fiscal". IV AUSÊNCIA DE TIPICIDADE LEGAL Assevera que a norma é extremamente clara e que o legislador excluiu o agente marítimo do rol daqueles imputáveis pela presente penalidade, pois, quando quis fazê lo, o fez expressamente, como observase do teor do artigo 32 Decretolei 37 de 1966, em relação à solidariedade ao pagamento do Imposto de Importação, situação distinta do presente processo, por tratarse de uma obrigação tributária acessória, não podendose ampliar o alcance da norma para albergar hipóteses que a lei não previu. Logo, "não há embasamento legal para sua autuação, tendo em vista que o dispositivo legal que serviu de base para a aplicação da multa em discussão só pode ser aplicado ao (i) transportador internacional, a (ii) prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta e/ou ao (iii) agente de carga". V INFRAÇÕES IDÊNTICAS APLICAÇÃO DA TEORIA DA INFRAÇÃO CONTINUADA Defende que, ao contrário do que sustenta a decisão recorrida, a presente autuação decorre de infrações da mesma natureza, praticadas no período de abril a dezembro de 2004, devendo, por conseguinte, ser consideradas como infração continuada, para aplicação da penalidade cabível, correspondente, na verdade, a um só infração, praticada de forma continuada, devendo, portanto, ser penalizada tãosomente mediante a aplicação de uma única multa, limitada ao valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), posto que até na esfera do direito penal, a sequência de ações idênticas é considerado um único delito, cometido de forma continuada, conforme expressamente prevê o artigo 71 do Código penal. Aliás, é também neste sentido o entendimento da RFB, consubstanciado na Solução de Consulta SRFB Interna 8 de 14.02.2008, que trata das regras para aplicação do artigo 37 da IN/SRF 28 de 27.04.1994, que disciplina o despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação. Colaciona jurisprudências. Portanto, pede que seja reformada a decisão recorrida, julgandose improcedente o presente lançamento fiscal. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 10.09.2013 (efl. 113), que posteriormente foi distribuído para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, e na forma regimental, sorteado a este relator. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 122 9 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, na medida em que foi protocolado na Alfândega do Porto de Santos em 09.09.2013, conforme depreendese da chancela gravada na "Folha de Rosto" da respectiva peça recursal, após ciência no dia 12.08.2013, conforme observase do Aviso de Recebimento AR juntado (efls. 79/80), tendo respeitado o trintídio legal, conforme exige o artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Da competência para julgamento do feito Observo, ainda, a competência deste Colegiado, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Do litígio Como muito bem salientado na decisão recorrida, é "ponto incontroverso que os dados de embarque no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) no ano de 2006 e 2007 foram inseridos em prazo superior a 07 (sete) dias em 09 embarques/SD realizados através de 04 navios/viagem por ela representados". O litígio cingese, portanto, aos seguintes pontos: a1) ilegitimidade passiva do recorrente e, complementarmente, a2) impossibilidade de aplicação da multa, por ausência de tipicidade legal; b) excludente de responsabilidade, por denúncia espontânea da infração, notadamente em razão da alteração legal promovida pela Lei 12.350 de 2010; e c) adoção da tese infração continuada, por se tratar de infrações da mesma natureza. Da preliminar de ilegitimidade do agente marítimo Para o recorrente, o agente marítimo não é considerado responsável tributário, uma vez que não pode ser equiparado ao transportador para efeito da responsabilização tributária, porque esta atribuição não se aplica à natureza de sua atividade de mandatária. Para tanto, cita a Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que possui o seguinte verbete: O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei nº 37, de 1966, bem como outras jurisprudências. Em vista disso, requer seja dado provimento ao seu recurso voluntário para cancelamento do auto de infração. De plano, conforme se demonstrará a seguir, não lhe assiste razão neste tópico preliminar. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 123 10 Dispõe o artigo 32 do Decretolei 37 de 18.11.1966, verbis: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (grifei) II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) Ressaltese que a redação do parágrafo único dada pelo Decretolei 2.472 de 1988, foi mantida na redação dada pela Medida Provisória 2.15835 de 24.08.2001. Além disso, a solidariedade tributária passiva encontra guarida no CTN, nos seguintes dispositivos: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (grifei) Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 124 11 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (grifei) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (grifei) A respeito da legitimidade da solidariedade tributária do agente marítimo em relação ao transportador estrangeiro, citese a decisão do REsp 1.129.430/SP, relator ministro Luiz Fux, Primeira Seção do STJ, DJE de 14/12/2010, em sede de recurso repetitivo, que assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei 2.472 de 1988 (que alterou o artigo 32, do Decretolei 37 de 1966), não ostentava a condição de responsável tributário, porque inexistente previsão legal para tanto. Entretanto, a partir da vigência do Decretolei 2.472 de 1988 já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. Em decorrência do exposto, o Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Consignase, por fim, que para os dois primeiros argumentos tecidos pelo recorrente em seu voluntário, este E. Tribunal em inúmeros precedentes idênticos ao caso concreto já teve a oportunidade de se manifestar, mantendo as autuações, dentre outros, citese os acórdãos 3401003.883, 3401003.882, 3401003.881, 3401002.443, 3401002.442, 3401 002.441, 3401002.440, 3102001.988, 3401002.357, 3401002.379, 3302002.733, 3802 003.962, 3403003.252, 3802001.127 e 3302002.732. Por economia, cito apenas a primeira parte da ementa do acórdão 3301 002.972, cujo julgado ocorreu em 17.06.2016, verbis: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração. (...) Recurso de Ofício negado e Recurso Voluntário negado. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 125 12 É também nesse sentido o Acórdão 9303003.276, da 3ª Turma da Câmara Superior, cujo julgado ocorreu já em 05.02.2015, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE IMPORTAÇÃO Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO. O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. Recurso Especial da Fazenda provido. Afastase, portanto, esta contestação preliminar. Da impossibilidade de aplicação da multa, por ausência de tipicidade legal Esclareçase, que embora o tema agora abordado ser concorrente ao tratado no tópico anterior ilegitimidade passiva do agente marítimo, em homenagem ao pleno direito de defesa, procederseá a breves considerações sobre referida temática. O enquadramento legal da infração praticada pelo recorrente é a alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, que assim dispõe, verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. No caso em tela, não se discute se a informação foi prestada tempestiva ou intempestivamente, pois o descumprimento do prazo foi confessado pelo recorrente, não sendo, portanto, objeto de contenda. Apenas em reforço, sabese que o agente marítimo, na qualidade de representante do transportador estrangeiro, no país, por força do artigo 95 do Decretolei 37 de 1966, responde pela infração consistente na prestação de informações sobre embarques de exportação, no SISCOMEX, fora do prazo, sendo legitimado sujeito passivo a figurar na presente exação fiscal. Conforme também já abordado no tópico anterior, a conduta do recorrente está enquadrada de forma correta, de modo que não cabe o cancelamento do auto de infração, logo, não acode o direito ao recorrente, haja vista que prevista a obrigação de informar em prazo definido os embarques de exportação no sistema próprio e não observada a temporalidade da informação plenamente cabível a infração prescrita na alínea "e" do inciso IV Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 126 13 do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, consoante o qual é aplicável a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), àquele que deixa de prestar informação sobre carga ou sobre as operações que execute, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, à empresa de transporte internacional ou ao agente de carga. Neste contexto, portanto, não há falar em inaplicabilidade da penalidade em comento, sob a equivocada alegação de falta de tipicidade legal, por suposta inimputabilidade dos agentes marítimos. Da denunciação espontânea da infração O recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a penalidade que lhe fora aplicada, sob o argumento de que com a alteração legislativa do parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, promovida pela Lei 12.350 de 20.12.2010, resultante da conversão da Medida Provisória 497 de 27.07.2010, passouse a reconhecer que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa. Porém, melhor sorte também não assiste ao recorrente, porque, como veremos, a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea. A fim de justificar e, por conseguinte, fundamentar o por quê de a penalidade ora objetada não comportar o instituto da denúncia espontânea, previsto no CTN, peço licença ao ilustre conselheiro José Fernandes do Nascimento para colacionar trechos do voto de sua lavra, consignado no Acórdão 3102002.187, exarado em 26.03.2014: (...) Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 127 14 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 128 15 (...) De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. (...) Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. (...) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, de 26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: (...) No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 129 16 [...] Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Em reforço, é de relevo destacar que a presente situação envolve operações de exportação cujos dados foram obtidos junto ao SISCOMEX EXPORTAÇÃO. O Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX é o instrumento administrativo que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior, conforme artigo 2º do Decreto 660 de 25.09.1992. A Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, como um dos órgãos gestores do Siscomex é responsável pelas áreas aduaneira e tributária, assim, a fiscalização no âmbito de sua competência objete os dados junto ao referido sistema. Para contextualizar a situação fática, observese que toda mercadoria destinada ao exterior, inclusive a reexportada, está sujeita a despacho de exportação, com as Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 130 17 exceções estabelecidas na legislação específica. (RA/2002, artigo 520) e (RA/2009, artigo 581). Em geral, o despacho de exportação será processado por meio de Declaração de Despacho de Exportação (DDE), registrada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), tendo a si vinculados um ou mais Registros de Exportação (RE). Assim, constatase da planilha elaborada pela autoridade lançadora, como fundamento a exação em discussão, que os dados obtidos pela fiscalização junto ao SISCOMEX EXPORTAÇÃO foram prestados pelo próprio recorrente, já que é também, como interveniente, usuário do sistema e responsável pelos dados do embarque das mercadorias, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, contemplam as informações necessárias para a individualização dos dados referentes aos 9 (nove) embarques dos 4 (quatro) navios, no Sistema Integrado de Comercio Exterior (Siscomex), ocorridos no ano de 2006 e 2007. Portanto, sabedores que tais processamentos de embarques são determinantes para propiciar o desembaraço aduaneiro das respectivas mercadorias e, por consequência, procede à conclusão dos despachos de exportação (DDE's), não há como prevalecer a hipótese do recorrente para adotarse a tese da denúncia espontânea da infração prevista no artigo 138 do CTN. Isto por que, como já salientado, em se tratando de penalidade aduaneira, a denúncia espontânea possui tratamento específico. Com efeito, reproduzse os preceitos dos artigos 612 do Decreto 4.543 de 26.12.2002 Regulamento Aduaneiro à época vidente e do atualmente em vigor, qual seja o 683 do Decreto 6.759 de 05.02.2009: Regulamento Aduaneiro/2002 Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, § 1o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Regulamento Aduaneiro/2009 Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 131 18 § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Da leitura dos enunciados normativos acima transcritos, verificase que, depois do ano de 2010, com o advento das novas redações do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, dadas pelo Decretolei 2.472 de 01.12.1988 e pela Lei 12.350 de 20.12.2010, em alguns casos a denúncia espontânea passou a alcançar também as multas de natureza administrativa. Entretanto, este mesmo regramento é taxativo em determinar, desde muito antes da ocorrência do fato gerador da infração que culminou na exigência da multa sob exame, que "não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria". E é justamente este o caso dos autos, tendo em vista que o recorrente prestou extemporaneamente as informações exigidas e, por óbvio, antes do desembaraço aduaneiro das mercadorias/cargas descritas nos respectivos despachos de exportação; isto porque tal procedimento desembaraço aduaneiro somente é passível de perfectibilizarse depois de prestadas as informações que estavam sob a responsabilidade do agente marítimo ora autuado. Da hipótese da tese da infração continuada Da adoção da decisão recorrida Dispõe a Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf vigente: (...) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 132 19 segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) (...) Verificado que o recorrente não apresentou novas razões de defesa perante este Colegiado, com amparo no permissivo regimental acima reproduzido, valhome das razões de decidir contidas no acórdão recorrido, para dar início às contraargumentações aos questionamentos reapresentados, neste tópico, na peça recursal, cujo voto condutor reproduzo abaixo: Voto (...) • A aplicação da teoria da infração continuada por serem infrações idênticas e a boa fé alegada. O instituto alegado da infração continuada é próprio do Direito Penal e está ligado a conduta subjetiva do agente. Oportuno agora se faz trazer comentários a respeito do artigo 136 do Código Tributário Nacional: Responsabilidade por Infrações Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O artigo 136 do CTN seja taxativo no sentido de que a responsabilidade tributária é objetiva. Ainda agindo de boafé, cercado das cautelas de praxe, com razões suficientes para acreditar que está praticando um ato em conformidade com o direito, ainda que ignore o fato de seu ato ou de seus representantes estar em descompasso com a legislação, o Impugnante não pode se furtar de sua responsabilidade. O Código Tributário Nacional, ao preceituar a aplicação de sanção por infrações tributárias, utiliza a expressão “independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”, ou seja, desconsidera a intenção do agente ou responsável como pressuposto para a aplicação da devida punição, bem como dispensa a comprovação dos efeitos e extensão dos danos à Fazenda Pública. A boa fé alegada, ainda que preponderante, por força do artigo 136 do Código Tributário Nacional, não tem o condão de afastar a responsabilidade por infrações da legislação tributária. Assim, o legislador consagrar a responsabilidade objetiva por atos infracionais tributários, dispensando a Fazenda Pública de perquirir fatos comprovadores da presença do dolo ou da culpa Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 133 20 e elementos de materialidade efetiva para aplicar a sanção correspondente. Isto porque No campo tributário, existe uma estrutura na qual se estabelece uma norma criadora da obrigação tributária (hipótese de incidência + lançamento tributário), de modo que o seu não cumprimento acarretará sanções. A responsabilidade objetiva garante de forma mais eficaz a coercibilidade do sistema punitivo tributário. De outro modo, a atividade de fiscalização se inviabilizaria se a cada infração tivesse que se provar que o contribuinte não autorizou determinada operação por negligência, imperícia ou imprudência. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé. Para cada uma das 04 (quatro) condutas praticadas o autuado deve suportar a multa correspondente. (...) Do prosseguimento da fundamentação Continuando a enfrentar as razões de recorrer do autuado, quanto a aplicação da "teoria da infração continuada", devese, de plano, asseverar que o direito tributário adota o critério objetivo previsto no artigo 136 do Código Tributário Nacional CTN e, portanto, a cada ato praticado ou omitido do contribuinte redunda na aplicação da penalidade cabível. Logo, a gradação da penalidade, levando em conta a existência de infração continuada, presente no artigo 71 do Código Penal, não tem aplicabilidade na seara tributária. Demais disso, inexiste dispositivo semelhante no referido código CTN prevendo a possibilidade de unificação de multa em razão da continuidade da ilicitude cometida pelo contribuinte. Observase que nem mesmo a aplicação do Código Penal seria possível haja vista que as condutas de deixar de prestar informações, no prazo regulamentar, sobre os dados de embarques de mercadorias destinadas ao exterior são independentes e autônomas, tanto que o fato de o infrator deixar de cumprir a referida obrigação acessória no prazo legalmente estipulado para uma determinada embarcação não tem qualquer influência nos dados de embarque de outro, in casu, navio. Observese inclusive que, no caso sob exame, sequer o período da apuração é contínuo, uma vez que as lavraturas sob discussão referemse tão somente as operações realizadas relativamente aos dados de nove embarques e quatro navios, cujos fatos geradores reportamse aos dias 16 de março, 20 de abril e 27 de abril de 2007. Assim, não resta dúvida de que a multa deve ser aplicada de forma individualizada, por navio, conforme assentado no auto de infração, em absoluta submissão ao previsto na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, que impõe a incidência de multa pecuniária no valor de cinco mil reais para quem, estando legalmente obrigado, "deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 134 21 Da conclusão Dessa forma, evidenciada a legitimidade passiva do recorrente, demonstrada a infração praticada e a correta aplicação da penalidade ora objurgada, voto por conhecer do recurso voluntário interposto, para rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10516.720004/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011
POLO PASSIVO DA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO.
A solidariedade no pólo passivo da relação jurídica tributária não permite dizer que houve erro na identificação do sujeito passivo, pois podem constar no pólo passivo tanto ambos (responsável solidário e o contribuinte) ou apenas um isoladamente, até porque não há benefício de ordem na solidariedade tributária aqui tratada. Inteligência do art. 95, I, do DL nº 37/66.
MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PROVADA. DANO AO ERÁRIO.
A pena de perdimento, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, inclusive por meio da interposição fraudulenta de terceiros, deve ser substituída pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta houver sido consumida, revendida, ou não localizada.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), que davam provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011 POLO PASSIVO DA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO. A solidariedade no pólo passivo da relação jurídica tributária não permite dizer que houve erro na identificação do sujeito passivo, pois podem constar no pólo passivo tanto ambos (responsável solidário e o contribuinte) ou apenas um isoladamente, até porque não há benefício de ordem na solidariedade tributária aqui tratada. Inteligência do art. 95, I, do DL nº 37/66. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PROVADA. DANO AO ERÁRIO. A pena de perdimento, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, inclusive por meio da interposição fraudulenta de terceiros, deve ser substituída pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta houver sido consumida, revendida, ou não localizada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10516.720004/2012-01
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887183
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.305
nome_arquivo_s : Decisao_10516720004201201.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PEDRO SOUSA BISPO
nome_arquivo_pdf_s : 10516720004201201_5887183.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), que davam provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7375047
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586075627520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 45; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1825; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 6.873 1 6.872 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10516.720004/201201 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.305 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2018 Matéria IIINTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA Recorrente GLOBAL DISTRIBUICAO DE BENS DE CONSUMO LTDA (ANTIGA MADEIREIRA HERVAL LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011 POLO PASSIVO DA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO. A solidariedade no pólo passivo da relação jurídica tributária não permite dizer que houve erro na identificação do sujeito passivo, pois podem constar no pólo passivo tanto ambos (responsável solidário e o contribuinte) ou apenas um isoladamente, até porque não há benefício de ordem na solidariedade tributária aqui tratada. Inteligência do art. 95, I, do DL nº 37/66. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PROVADA. DANO AO ERÁRIO. A pena de perdimento, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, inclusive por meio da interposição fraudulenta de terceiros, deve ser substituída pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta houver sido consumida, revendida, ou não localizada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), que davam provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 72 00 04 /2 01 2- 01 Fl. 6873DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de autos de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor total de R$ 109.384.456,21 referentes a multa prevista no art. 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002, imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, contribuição COFINS – importação, contribuição PIS/PASEP – importação, multa de ofício e juros de mora (calculados até 30/04/2012). Depreendese da “Descrição dos Fatos” dos autos de infração (fls. 197, 200, 201, 347, 354 e 361), que a Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre – RS, com base nos documentos acostados aos autos, concluiu que as importações em nome da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. (CNPJ nº 08.008.172/000113) foram registradas com ocultação da MADEIREIRA HERVAL LTDA., real adquirente das mercadorias importadas, mediante fraude, simulação e utilização de documentos ideologicamente falsos para fins de desembaraço aduaneiro; prática que configura dano ao Erário punível com a aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas, mas que em vista da impossibilidade de localizar e apreender tais mercadorias acabou por resultar na aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro. Informa ainda que, em algumas operações de importação (seis declarações) foi constatada a redução indevida do valor aduaneiro em razão da apropriação de descontos retroativos e relacionados a ressarcimentos concedidos pelo exportador em virtude de direitos antidumping incidentes em operações anteriores, fato que culminou na recomposição da base de cálculo dos tributos e autuação da diferença dos mesmos. À folhas 2.226 a 2.380 a fiscalização anexou aos autos o “RELATÓRIO DE AUDITORIA”, onde apresenta detalhadamente os motivos e indica as provas (anexadas aos autos) que levaram à conclusão de que houve a prática das infrações em análise, e cujo teor, em síntese, é apresentado abaixo. A ação fiscal foi realizada de forma conjunta, entre a Secretaria da Fazenda Estadual do Rio Grande do Sul (SEFAZRS) e a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por intermédio da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre – RS. O trabalho de auditoria foi desenvolvido com o objetivo de demonstrar que o contribuinte utilizouse de um planejamento tributário concebido de forma irregular, com o Fl. 6874DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.874 3 objetivo de obter vantagens tributárias mediante a ocultação da MADEIREIRA HERVAL LTDA., de sua condição de real importador ou real adquirente de pneus adquiridos da empresa coreana HANKOOK TIRES. Diligências realizadas em estabelecimentos da MADEIREIRA HERVAL LTDA. (matriz Dois Irmãos – RS, filial Araranguá – SC, filial São José – SC e filial Dois Irmãos RS), da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. (matriz São José – SC) e da HANKOOK TIRE DO BRASIL SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS NO RAMO DE PNEUS LTDA. (CNPJ n° 00.018.404/000102, São Paulo – SP) acarretou na lavratura de diversos termos e coleta das provas anexadas aos autos. Registra a fiscalização que as operações de importação do GRUPO HERVAL (conjunto de empresas variadas que atua em diversos ramos, com mesmo quadro societário, com atuação no comércio e indústria, do qual fazem parte tanto a MADEIREIRA HERVAL LTDA. quanto a FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA.) foram realizadas em 5 formas diferentes: por conta própria da Herval filial 0016; por encomenda da Herval matriz ao importador Free Trade; por conta própria da Herval matriz; por conta própria da Herval filial 0036 e; por conta própria da Free Trade. A fiscalização constatou a ocultação do real importador/adquirente nesta última forma (fl. 2.234). Após apresentar conceitos inerentes ao Direito Cível sobre “Sociedade Empresária”, sua personalização e autonomia, compra e venda civil e mercantil, a fiscalização, considerando os resultados (prejuízo e baixa margem de lucro) da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. apresentados na Ficha Demonstração do Resultado (DIPJ), conclui que os preços supostamente praticados por ela, no mínimo não são fixados seguindo regras normais de mercado. Aduz que referida empresa só pode ser entendida como tal na condição de uma prestadora de serviços, pois, de fato, ela não opera de forma autônoma como empresa comercial, não possui condições necessárias para que possa ser considerada tanto compradora de produtos estrangeiros, como vendedora de tais produtos no mercado interno.), com objetivo de lucro, assumindo os riscos da atividade (recursos financeiros e a estrutura administrativa advêm da MADEIREIRA HERVAL LTDA.; falta atividade organizada, através da coordenação dos fatores da produção; exercício profissional – a operacionalização é coordenada por MADEIREIRA HERVAL LTDA; ausência de risco empresarial). Os recursos financeiros (especialmente em 2007) foram aportados à FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. por meio de adiantamentos e ou empréstimos – contratos de mútuo – que foram “quitados” por subscrição e integralização de capital social. À fls. 2.301 a fiscalização apresenta uma síntese da forma utilizada para aumento de capital na FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. durante o período de 12/2006 a 08/2007: Pelo que se expõe, constatase que a “capitalização” da pessoa jurídica FREE TRADE, ocorreu assim: 1. A HERVAL reconhece o direito dos sócios à percepção de “juros sobre capitais próprios”, criando um “passivo” a ser pago aos sócios. 2. A HERVAL concede empréstimos à FREE TRADE, valores utilizados como adiantamento de recuros para as Fl. 6875DF CARF MF 4 despesas de importações, criando um ativo na HERVAL e um passivo na FREE TRADE. 3. A fim de “quitar” esses empréstimos (sem ter de pagá los com dinheiro), FREE TRADE aumenta seu capital social, fazendo com que os sócios (HERVAL e FREE TRADE possuem o mesmo quadro social)subscrevamno. Logo, os SÓCIOS DEVEM A FREE TRADE. 4. Finalmente, há um encontro de “dívidas” e conseqüentemente suas extinções por “termo de quitação e ou cessão de créditos”. Logo, o DEVER da HERVAL em pagar JUROS aos sócios é “baixado” contra o DEVER dos sócios de integralizarem o capital social da FREE TRADE. O entendimento é de que os recursos financeiros continuam tendo origem exclusivamente na MADEIREIRA HERVAL LTDA., vez que as saídas da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. possuem como “destinatário” (comprador formal) único e ou principal a própria MADEIREIRA HERVAL LTDA. (fl. 2.302). À folhas 2.279 a 2.283 apresenta, a título demonstrativo, desde a operação de importação até a venda da mercadoria pneu ao comerciante que fará a venda ao consumidor final, a evolução do preço unitário da mercadoria, evidenciando a margem de lucro praticada pela FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. 25% (mero repasse de custos e despesas incorridas entre o desembaraço aduaneiro e o registra de entrada na escrita fiscal); e aquela praticada pela MADEIREIRA HERVAL LTDA. 130% (97% se considerada a passagem pela filial de Araranguá – SC). Prossegue o relato indicando que até mesmo nas operações declaradas como tendo sido por encomenda da MADEIREIRA HERVAL LTDA, o pressuposto de que a compra internacional seja feita pelo importador FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. para atender à encomenda, não se configura, pois as operações comerciais que deram origem a estas importações foram, de fato, realizadas pela própria MADEIREIRA HERVAL LTDA. Aliás, isso fica evidente no próprio contrato de importação por encomenda, formalizado entre as empresas, no qual consta, de forma expressa, que a responsabilidade pela compra internacional é do encomendante, contrariando o próprio conceito desta modalidade de operação, previsto no Artigo 11 da Lei 11.281/2006 e no Artigo 1º da IN SRF 634/2006, segundo o qual este tipo de operação se caracteriza quando um importador adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado. Fundamentado no princípio da verdade material (ou real), o procedimento fiscal aponta para a existência de elementos característicos de simulação, a pretexto de planejamento tributário. Relata que ficou de fato configurado tratarse de uma tentativa de maquiar ou disfarçar, como operações de comércio, atividades de outra natureza, como serviços de armazenamento, logística, etc., ocultandose assim as efetivas atividades de comércio realizadas entre a MADEIREIRA HERVAL LTDA e seu fornecedor HANKOOK, com vistas a diminuir o custo tributário das importações. O “planejamento” é irregular e ilegítimo, posto que está fundamentado em formalidades e registros que divergem completamente dos atos efetivamente praticados. Objetivando a redução do ICMS – pelo não recolhimento nos desembaraços aduaneiros em Santa Catarina, bem como de IPI, em decorrência da quebra de sua cadeia de incidência, os sócios da MADEIREIRA HERVAL LTDA criaram a empresa FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., sediada em Santa Catarina para fazer uso do Fl. 6876DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.875 5 Regime Especial “COMPEX” (inicialmente) e “PRÓEMPREGO” (a partir de 2008). O quadro societário de ambas as empresas é exatamente o mesmo. Relatam as autoridades que as negociações para compra de pneus, no entanto, acontecem sempre a partir de contatos efetuados entre a matriz da MADEIREIRA HERVAL LTDA., por meio de seus sócios e funcionários, e a HANKOOK, através de sua representante em São Paulo. Documentos apreendidos revelam que , para a HANKOOK seu cliente é efetivamente a MADEIREIRA HERVAL LTDA., cujo código de cliente é o número 100343. Contudo, a despeito deste fato, os documentos visando o desembaraço aduaneiro eram emitidos identificando a FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. como suposto importador. Também as “ordens de compra” (PO) indicam em sua formatação numérica as letras HE, clara referência ao cliente “HERVAL”. De igual sorte, as vendas realizadas pela FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. não decorrem de uma relação de compra e venda, mas simplesmente de uma decisão unilateral da própria MADEIREIRA HERVAL LTDA. Apresenta o seguinte fluxo (fl. 2.251): a as notas fiscais da FREE TRADE eram emitidas “venda” (de fato, houve transferência – preço sem valor agregado) de pneus hankook para as filiais ARARANGUÁ e ITAIÓPOLIS da HERVAL em SC; b a filial Araranguá/SC “transferia” as mercadorias para a matriz da HERVAL em DOIS IRMÃOS/RS; c a filial Itaiópolis/SC “transferia” as mercadorias para a filial da HERVAL em SÃO PAULO; d a partir dessas operações de “transferências” para os estabelecimentos da HERVAL (Filial 0061 de Araranguá SC 1Matriz de Dois IrmãosRS e Filial 0005 de Itaiópolis/SC 1Filial 0036/0046 de Itaquera/São Paulo/SP), não há mais incidência de IPI.(...) Como resultado, o preço de venda final da MADEIREIRA HERVAL LTDA., referente ao produto pneu HANNKOOK, é reduzido em razão da manobra tributária. Observa a fiscalização que a partir de março de 2009, visando aperfeiçoar a aparência da legalidade aos negócios, a saída dos produtos da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. passou também a ser direta para os varejistas da MADEIREIRA HERVAL LTDA., não circulando por esta, ainda que tais vendas continuem a ser operadas da mesma forma. A simulação das vendas das mercadorias importadas resta evidente na mensagem eletrônica comercial dirigida aos gerentes da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. e da filial da MADEIREIRA HERVAL LTDA. em Araranguá – SC (fls. 1976, 1977 a 1979), onde são transmitidas orientações relacionadas à emissão e apresentação dos documentos fiscais por ocasião do transporte para a matriz da MADEIREIRA HERVAL LTDA. Também a mensagem eletrônica comercial (fl. 2.340), datada de 02/02/2009, do Sr. GERMANO GRINGS ao Sr. ARNALDO (contabilidade) ratifica o entendimento de que, em relação às vendas internas para a MADEIREIRA HERVAL LTDA. não passavam de meras Fl. 6877DF CARF MF 6 transferências com margens variáveis de acordo com os interesses do Grupo HERVAL e não das condições de mercado: Arnaldo, ficou uma margem de 2.795 milhões para a Free, acho que isso encerra o ciclo do cambio, gostaria de diminuir a margem para 10% entre Free e Herval a partir de 01.02, verifica se é possível e conversa comigo segunda pela manhã. Carolina, antes de faturar qualquer coisa da Free para Herval, conversa comigo amanhã. Att Germano Registram as autoridades que em 04/05/2007 houve a formalização de Contrato de Importação por Encomenda entre a MADEIREIRA HERVAL LTDA. (encomendante) e a FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. (importador) com prazo de vigência de 6 meses (fls. 525 a 528), tendo sido encontrado, em meio magnético, por ocasião de diligência, adendo ao referido contrato com vigência por prazo indeterminado (não foi apresentado tal instrumento assinado, ainda que intimado o administrador). Mesmo fora do “prazo” de vigência, a fiscalização indica que houve registro de declarações de importação na modalidade por encomenda, fato que ratifica a validade do “adendo” (último registro em 27/05/2008). No entender da fiscalização (fl. 2.257) referido contrato se trata claramente de um contrato de importação por conta e ordem (e não por encomenda), já que à exceção dos recursos, seus artigos deixam evidente que as mercadorias são adquiridas no exterior pela MADEIREIRA HERVAL LTDA. Não se vislumbra que a FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. tenha participado, de forma efetiva, em qualquer negociação comercial, seja com a HANKOOK, tampouco com a própria MADEIREIRA HERVAL LTDA. Após a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas pela FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. no ano de 2007 por ocultação do real adquirente, a mesma passou a registrar, durante alguns meses, as operações na modalidade por encomenda. Em relação à estrutura da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., a fiscalização registra que a mesma possui um ativo permanente modesto se comparado ao seu capital social de mais de 10 milhões de Reais. Igualmente entende ser incoerente a existência de um pequeno número de funcionários (entre 7 e 9 ao longo do período) para realizar o volume de operações de comércio exterior que declara praticar. O entendimento é de que a empresa em nenhum momento teve estrutura administrativa e comercial suficientes para operar importações “por conta própria”. Sob a ótica da auditoria todos os controles administrativos e financeiros das importações de pneus registradas em nome da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. são realizados pela MADEIREIRA HERVAL LTDA., por intermédio de seu Diretor (GERMANO GRINGS) e seus funcionários registrados, evidenciando assim a ausência de autonomia para a realização de todas as operações comerciais como quer fazer parecer em seus registros. A única funcionária que participou de algum controle nas operações de pneus foi a Sra. DEISE CAROLINA FILERENO WASEM, porém esta trabalhava no estabelecimento da matriz da MADEIREIRA HERVAL LTDA. na Cidade de Dois Irmãos – RS e usava endereço eletrônico “@herval”. Já a administração financeira e ou contábil é realizada pelo Sr. ARNALDO RIHL, funcionário da MADEIREIRA HERVAL LTDA. Fl. 6878DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.876 7 Documentos encontrados no computador do Sr. JEAN PIERRE ROCKENBACH, funcionário da MADEIREIRA HERVAL LTDA. tratam de controles relacionados às operações e declarações de importação da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., o que não se coaduna com as práticas usuais mercantis. Não obstante as provas coletadas e acostadas aos autos, declaração da funcionária Sra. DEISE CAROLINA FILERENO WASEM (fls. 589 e 590), prestada aos Agentes Fiscais do Tesouro do Estado do Rio Grande do Sul, referenda o entendimento da fiscalização de que o real importador é a MADEIREIRA HERVAL LTDA. Resposta do Sr. ARNALDO RIHL, relacionada a procedimento Especial de Controle Aduaneiro realizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Itajaí – SC (fls. 591 a 594), encontrada em seu computador por ocasião da diligência ratifica a conclusão de que a FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. operaria na importação de produtos para o GRUPO HERVAL. A partir de março de 2009 algumas operações (poucas no relato da fiscalização) passaram a ser realizadas como vendas diretas aos clientes varejistas da MADEIREIRA HERVAL LTDA. (fl. 2.264). Diferentemente das vendas realizadas para o GRUPO HERVAL, estas tem margem de lucro de 126% (fl. 2.286). Tais vendas, segundo a fiscalização, tinham por objetivo evitar chamar a atenção do Fisco em razão da existência de um único “cliente”. Com vistas a comprovar as conclusões firmadas no relatório, a fiscalização traz no “ANEXO II” (fls. 1.884 a 2.033) cópias de diversas mensagens eletrônicas comerciais que ratificam a relação comercial existente entre a MADEIREIRA HERVAL LTDA. e o exportador HANKOOK, dado que são funcionários da MADEIREIRA HERVAL LTDA. que participam das operações de importação consignadas em nome da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. Também apresenta no “ANEXO V (fls. 2.066 a 2.131) cópias de diversas mensagens eletrônicas comerciais encontradas nos computadores da HANKOOK TIRE DO BRASIL SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS NO RAMO DE PNEUS LTDA. em São Paulo – SP, que igualmente demonstram firmemente o vínculo negocial entre as duas empresas. Quanto aos pagamentos das importações registradas pela FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., os mesmos vem sendo garantidos por meio de cartas de crédito, cujas notas promissórias a elas relacionadas são normalmente avalizadas pela MADEIREIRA HERVAL LTDA., além do sócio Sr. JOSÉ AGNELO SEGER. Assim, não obstante não possuir conta bancária no Estado de Santa Catarina, onde se encontra a matriz da empresa, os pagamentos de suas importações necessitam de um “prévioaval” da MADEIREIRA HERVAL LTDA., já que perante a instituição financeira aquela empresa não possui estrutura patrimonial suficiente para garantir suas próprias operações. Outro aspecto importante é o fato de a MADEIREIRA HERVAL LTDA. ser responsável pela “garantia e assistência técnica” após a venda dos pneus HANKOOK, como comprova a declaração de folhas 759. Em seu relatório a fiscalização chama a atenção para o fato de o exportador HANKOOK participar financeiramente de convenção organizada pela MADEIREIRA HERVAL LTDA., custeando parte dos gastos em publicidade/propaganda. Fl. 6879DF CARF MF 8 Também são anexados aos autos cópias de documentos aprendidos durante as diligências realizadas e que tratam notadamente de “planejamento tributário”, inclusive com alertas claros quanto aos aspectos inerentes ao procedimento adotado, como a hipótese de caracterização de simulação em razão da “venda” para filial seguida de transferência para matriz da MADEIREIRA HERVAL LTDA. Em sua conclusão a fiscalização aduz que sendo a real adquirente dos Pneus HANKOOK, a MADEIREIRA HERVAL LTDA. deveria ter sido declarada nas declarações de importação, contudo não houve tais registros nas mesmas, uma vez que estão em nome da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. Com tal conduta a MADEIREIRA HERVAL LTDA. deixou de recolher irregularmente tributos ( ICMS, PIS, COFINS, IPI – fl. 2.372) Finalmente, considerando tudo o que foi relatado, a fiscalização entende que tanto na condição de responsável solidário, quanto na de contribuinte, o sujeito passivo MADEIREIRA HERVAL LTDA. permaneceu oculto nas importações. Da mesma forma, na condição de real adquirente, comprador das mercadorias estrangeiras. A conduta causou dano ao Erário. Quanto às faturas comerciais utilizadas para fins de desembaraço aduaneiro, considera que as mesmas foram falsificadas ideologicamente, pois identificam, como comprador, pessoa jurídica interposta, sem identificar o real adquirente. Assim, as mercadorias importadas estão sujeitas à aplicação da pena de perdimento, contudo considerando a impossibilidade de aplicação efetiva da pena de perdimento em razão de ser impossível localizar referidas mercadorias (já revendidas no mercado nacional), foi então aplicada a multa decorrente da conversão do valor aduaneiro das mercadorias. Paralelamente, em razão de 6 operações de importação terem sido beneficiadas com descontos do exportador (relacionado ao pagamento de direitos antidumping ocorridos em operações anteriores), a fiscalização com base no Acordo de Valoração Aduaneira refez a valoração das mercadorias correspondentes, fato que resultou na constituição de crédito tributário decorrente da diferença existente entre os tributos recolhidos no momento do registro das declarações e do efetivamente devido, calculado com base no valor aduaneiro considerado correto. Intimada, a empresa MADEIREIRA HERVAL LTDA. apresentou impugnação de folhas 2.440 a 2.564, anexando os documentos de folhas 2.565 a 5.676. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, há ilegitimidade passiva da ora impugnante. A pena de perdimento, segundo os dispositivos legais, deve ser aplicada à pessoa do importador, e não a uma terceira pessoa, a quem as autoridades fiscais desejam imputar como “real adquirente”. A autuação deveria ter sido lavrada contra o importador que realizou o desembaraço das mercadorias importadas, por ter sido este que “supostamente” teria incorrido na ocultação do real adquirente. O próprio relatório fiscal é enfático ao dizer que não está desconsiderando a constituição da pessoa jurídica da Free Trade, mas sim desconsiderando as operações de importação que a mesma realizou. No processo administrativo n° 10909.001939/200704, mesmas razões do presente auto, a pena de perdimento foi aplicada à Free Trade (posteriormente anulada por decisão judicial), não se observando qualquer diferença no suporte fático que seja apta a afastar a Free Trade do pólo passivo no presente caso; Fl. 6880DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.877 9 Que, a única explicação plausível para que as autoridades fiscais tenham lavrado o auto de infração em testilha contra a ora impugnante é o fato da sua incompetência para autuar a Free Trade (9ª Região Fiscal), já que a fiscalização está na 10ª Região Fiscal. Afrontaram o artigo 12 do Decreto n° 70.235/72 Que, em relação aos tributos há idêntico erro na sujeição passiva da autuação; Que, embora o período autuado seja de 2008 a 2011, a fiscalização aplicou a redação da Medida Provisória nº 497,de 28 de julho de 2010, para fatos geradores anteriores à sua vigência, já que a redação anterior não previa a pena de multa quando a mercadoria fosse revendida (produto nacionalizado, etapa posterior); Que, as operações de importação em tela já foram devidamente analisadas pela autoridade fiscal nos respectivos desembaraços aduaneiro, momento em que foram submetidas à analise documental e física, para verificação da exatidão das informações prestadas, como a identificação do importador e a devida correspondência das mercadorias importadas; Que, falta motivação para revisão aduaneira, não houve respeito ao preceituado no artigo 149 do CTN (lançamento de ofício de revisão), a autoridade fiscal não fundamentou o motivo pelo qual ocorreu o procedimento de revisão, o auto de infração é desmotivado, eivado de nulidade; Que, o Fisco em vários momentos aponta como uma prova préconstituída, em seu favor, o fato de ter sido aplicada uma pena de perdimento contra a empresa Free Trade, a qual teria sido confirmada definitivamente. Porém, não labora com a verdade a fiscalização, haja vista que é de seu conhecimento que há mais de 02 anos foi proposta ação anulatória visando invalidar aquele ato. A sentença de mérito prolatada pelo Poder Judiciário reconheceu como indevida a pena de perdimento aplicada, condenando a União a indenizar aquela empresa no valor da mercadoria leiloada, além de lucros cessantes e danos morais; Que, em outra ação judicial impetrada por aquela empresa, a sentença prolatada pelo Poder Judiciário (antecipação de tutela) reconhece a não incidência do IPI nas operações de revenda do produto importado, o qual não passe por nenhum processo produtivo, ou seja, que apenas seja revendido. Tal informação, omitida pela fiscalização, contraria a assertiva feita por esta e relacionada a “quebra de cadeia do IPI”. A União foi condenada à restituir à Free Trade os valores de IPI sobre “revenda”; Que, a inexistência de incidência do IPI nas operações de revenda afasta por completo a afirmação de que poderia haver qualquer prejuízo ao Erário Público. Os tributos, quando da importação, foram recolhidos; Que, o caso representa uma represália imposta pela fiscalização em razão do ajuizamento das ações judiciais; Que, ocorreu nulidade em face da ausência de convênio específico na fiscalização e protocolo de autoridades incompetentes; Que, tanto o procedimento de fiscalização, quanto o auto de infração são nulos em face das provas terem sido obtidas de forma ilícita, houve violação ao direito ao Fl. 6881DF CARF MF 10 sigilo fiscal, ao direito de correspondência e ao direito à inviolabilidade do domicílio. Não havia mandado judicial. Os documentos instrutórios do presente processo administrativo devem ser desentranhados e devolvidos aos seus titulares, haja vista a ilicitude no meio de obtenção das referidas provas; Que, há ausência de motivação fática e impossibilidade jurídica para capitular fato diverso. Há verdadeira tentativa de desconsiderar as operações de importação diante da impossibilidade jurídica de desconsiderar a operação de revenda da Free Trade para a impugnante; Que, a interposição de terceiros para poder ser considerada fraudulenta, deve estar demonstrada com a falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Contudo não conseguindo enquadrar o caso dos autos nesta situação, a fiscalização tratou dos fatos aplicandoos em normas incompatíveis; Que, a fiscalização não possui competência para tratar de tributo estadual (ICMS), contudo trata de dano ao Erário em razão do benefício fiscal concedido pelo Estado de Santa Catarina; Que, o marco decadencial para a Administração Fazendária se insurgir contra o contribuinte é a data do registro da Declaração de Importação. Requer seja cancelado parcialmente o auto de infração (DI’s registradas antes de 03/08/2012 – fl. 2.488); Que, a própria documentação juntada pela fiscalização dá conta de demonstrar a veracidade das informações acerca da constituição da importadora; Que, após os primeiros anos de importações, os quais inicialmente eram feitas pela impugnante, tanto para si, quanto para as demais empresas do Grupo Herval, percebeuse da necessidade de que tal atividade fosse individualizada, separada e concentrada em uma nova empresa, surgindo, com isto, a Free Trade, visando também fins logísticos e de menor custo portuário, além dos incentivos fiscais concedidos pelo Estado de Santa Catarina (fl. 2.490); Que, o próprio Poder Judiciário já exarou medida judicial, que reconheceu a Free Trade como importadora e a regularidade das suas importações, ademais o parágrafo único, do artigo 116 do CTN carece de regulamentação em lei, a autoridade fiscal não pode simplesmente desconsiderar a Free Trade como importadora e as operações por ela realizadas; Que, quanto a integralização do capital social da Free Trade, questionado pela fiscalização em razão do capital que veio dos sócios, que também são sócios da impugnante, nunca se negou que exista um grupo econômico, tampouco que sejam os mesmo sócios, como o são em várias outras empresas do mesmo grupo, tais como na H. LAR CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA., HERVAL NORDESTE INDÚSTRIA DE MÓVEIS, COLÇÕES E ESPUMAS LTDA., ...além de empresas do segmento de consórcio, corretora, financeira e tantas outras. Não houve qualquer ato oculto ou simulado relacionado a integralização, os sócios simplesmente em vez de receber os valores relacionados aos juros sobre capital próprio devido pela impugnante, optaram por receber o crédito que a impugnante possuía junto à Free Trade. Por sua vez, os sócios ao invés de cobrar a dívida daquela empresa, integralizaram tais valores com a subscrição de novas quotas, ato legal e realizado em apenas uma operação de subscrição, as demais o foram por formas diversas, como incorporação de outra empresa, ou mesmo aporte direto de dinheiro pelos sócios; Fl. 6882DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.878 11 Que, os Balanços Patrimoniais indicam que a Free Trade é uma empresa que não depende do financiamento junto a terceiros, com passivo circulante reduzido e excelente ativo circulante, com liquidez exemplar, estando entre as empresas de maior potencial no País. Não se trata de empresa deficitária e sem qualquer capacidade financeira ou econômica. Apresenta atestados de instituições financeiras; Que, a Free Trade possui capacidade e autonomia estrutural. A administração comercial é realizada pelo Sr. Germano Grings, fato este constante nos atos constitutivos daquela importadora. O Sr. Germano é diretor comercial daquela empresa, atuando como tal, fato que nunca foi negado ou ocultado. Não há nenhum empecilho para que o mesmo administrador o seja presente em mais de uma empresa, principalmente quando se está diante um mesmo grupo econômico, como no caso em tela (vide atos constitutivos das empresas do Grupo Herval anexados). Que a Free Trade dispõe de área construída de aproximadamente 5.000m² , espaço suficiente para realizar as atividades, anexa “ata notarial” para ratificar suas afirmações; Que, o fato do administrador encontrarse em município diverso da matriz em nada altera a capacidade, ou a autonomia das empresas, tampouco retira a credibilidade das suas determinações. Os meios de comunicação permitem a perfeita administração de tais empresas. De igual sorte o Sr. Arnaldo não é apenas contador da impugnante, como também o é de todas as outras empresas do Grupo Herval, incluída a Free Trade, não existindo qualquer vedação a que um contador possa atuar em mais de uma empresa ao mesmo tempo; Que, como comprovam os livros de saída da Free Trade, verificase que a mesma não importou apenas pneus, como faz crer a fiscalização, tampouco, portanto, que tenha sido criada apenas para a importação destes produtos. Seus clientes, além da impugnante, estão em vários Estados da Federação Brasileira, sendo compostos por várias pessoas; Que, a quantidade de funcionários não está diretamente vinculada ao faturamento, ou mesmo à lucratividade de uma empresa. A atividade desenvolvida pela Free Trade não necessita de uma quantidade exacerbada de funcionários, o sistema “just in time” implica em um melhor gerenciamento das mercadorias. Não é necessário inchar o quadro de pessoas, com controles e estruturas desorganizadas para que se considere legítima e qualificada a gestão ou personalidade de uma empresa. Deve é ser prestigiada a eficiência e não a incompetência. Este fundamento demonstrase desprovido de qualquer razoabilidade; Que, os questionamentos relacionados ao ativo permanente (baixo) para o volume do seu faturamento beiram o despautério. As empresas não podem mais alugar imóveis para trabalhar?; Que, o prejuízo na Free Trade, observado pela fiscalização, decorre de dois fatores importantes: a aplicação da pena de perdimento em 2007 e a crise mundial de 2008 (variação cambial). Anexa laudo de empresa de contabilidade especializada. Lucro é diferente de preço de venda; Que, não é possível comparar o preço de venda ao consumidor final com o preço de venda de mais de milhares de unidades por mês feitas à impugnante (juros, transporte, risco, comissões, etc.); Fl. 6883DF CARF MF 12 Que, embora a Hankook mencione em alguns emails “Herval” nunca mencionou Madeireira Herval, mas sim Grupo Herval. Quanto ao controle interno (códigos) realizados por aquela empresa, este decorre do fato de tal abreviação ter sido criado em época anterior (anos antes) e não ter sido alterado pelo fornecedor; Que, como destacado e comprovado, a Herval comercializa sim pneus da marca Hankook, fato este, também, sempre declarado e comprovado, nunca negado, razão pela qual, por lógica de qualquer mercado, a Hankook tem todo o interesse em estimular que o mercador se desenvolva, decorrendo daí os auxílios com ações de marketing, fato normal para quem trabalha diretamente no comércio, como no caso da impugnante, que é quem vende às pessoas físicas que transitam pelas avenidas e estradas ( o que não acontece com o importador); Que, em mais de 05 (cinco) anos, em todas as vendas feitas para a Madeireira Herval de SP, nunca houve nenhuma venda para a sua filial de Itaiópolis, basta que analise as cópias dos livros de entrada da ora impugnante e do livro de saída da própria importadora. As vendas para o Estado de São Paulo sempre foram diretas; Que, quanto ao conteúdo dos emails apreendidos houve interpretação equivocada por parte da fiscalização. O projeto oferecido pela Alliance Consultoria sequer foram adotados pelas empresas do grupo. Em tais correspondências resta clara a preocupação do Sr. Germano para todos os procedimentos sejam realizados dentro da lei. Sequer houve operações nos termos em que o consultor da Consultoria Tozzini Freire Teixeira e Silva Advogados estaria questionando. Os emails particulares comprovam a licitude de sua constituição. Nas correspondências relacionadas ao dumping resta clara a preocupação do grupo em manterse tudo em conformidade com a legislação. Os emails relacionados ao problema com DANFE há solicitação para que não se repita o erro, qual seja, circulação com cópia de DANFE, ao invés da própria DANFE; Que, o email relacionado a declaração feita pelo Sr. Germano, na qualidade de diretor da Herval, destaca que a Madeireira Herval tinha autorização da Hankook para comercializar e dar assistência técnica (e não importar); Que, os tributos recolhidos por ocasião do desembaraço aduaneiro tornaramse indevidos e devem ser objeto de dedução do débito lançado no auto de infração ora combatido; Que, deve ser excluída da autuação a parcela de valores relacionadas às vendas da importadora para terceiros que não a impugnante; Que, desconto não pode ser objeto de tributação. O desconto foi obtido na própria operação e não em anteriores, cita o artigo 21 da Instrução Normativa SRF n° 327/03; Requer seja cancelado o auto de infração em razão dos argumentos preliminares e de mérito apresentados na peça de defesa; não sendo acolhido o pedido, seja parcialmente cancelado em face dos motivos já consignados na impugnação apresentada. Ato contínuo, a DRJFLORIANÓPOLIS (SC) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011 Fl. 6884DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.879 13 LEGITIMIDADE PASSIVA NA INFRAÇÃO. A responsabilidade pela infração pode ser atribuída conjuntamente ou isoladamente ao responsável solidário e ao contribuinte, quando da práticas de infrações que recaiam sobre o adquirente ou encomendante de mercadorias de procedência estrangeira PERDIMENTO DE MERCADORIA POR OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NA IMPORTAÇÃO. A falta de identificação da pessoa jurídica encomendante ou contratante por conta e ordem na declaração de importação, mediante utilização de fraude ou simulação, acarreta a pena de perdimento da mercadoria importada. Impugnação Improcedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A lide ora analisada gira em torno de lançamento fiscal de multa relacionada à prática de infração de dano ao erário por ocorrência de interposição fraudulenta comprovada, mediante simulação ou fraude. Preliminares Inicialmente, a Recorrente suscita várias questões preliminares e prejudiciais, visando a nulidade do auto de infração, que a seguir serão analisadas individualmente. Parte das preliminares e prejudiciais suscitadas pela Recorrente já foi objeto de análise na 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção do CARF, por ocasião do julgamento do processo administrativo nº 10516.720006/201292, referente aos mesmos fatos aqui discutidos que levaram a autuação da empresa FREE TRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA atinente a multa por cessão de nome. Tendo em vista a conexão de ambas as multas (cessão de nome e substitutiva da pena de perdimento) e a similaridade das Fl. 6885DF CARF MF 14 alegações, utilizome de parte das conclusões tomadas pelo Conselheiro Relator Winderley Morais Pereira no acórdão nº 3201002.985 proferido em 29 de junho de 2017, in verbis: Ilegitimidade ativa pela incompetência das autoridades autuantes; A embargante alega ilegitimidade da autoridade autuante, em razão dos Auditores Fiscais responsáveis pelo lançamento estarem lotados na Inspetoria da ReceitaFederal do Brasil em Porto Alegre 10ª Região da RFB e a empresa possuir seu domicílio na cidade de São José no Estado de Santa Catarina na 9ª Região RFB. Quanto a competência do Auditor Fiscal para o lançamento fiscal em domicilio diverso do contribuinte, este Conselho já enfrentou a matéria existindo posição pacifica pela validade do lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil independente de sua lotação ou do domicilio do sujeito passivo. Posição formalizada na Súmula CARF nº 27. Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Preclusão lógica e da falta de motivação para revisão aduaneira, sem o competente lançamento de revisão de ofício; Alega a Recorrente, que a revisão aduaneira prevista no art. 638 do Decreto nº6.759/09, somente poderia ocorrer nas hipóteses previstas no art. 149 do CTN, que segunda a Recorrente, traz um rol taxativo de situações em que a revisão de ofício seria possível e por consequência a Revisão Aduaneira. Os diplomas legais alegados pela Recorrente são os seguintes: Art. 638, do Decreto nº 6.759/09. Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2º; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I do registro da declaração de importação correspondente (DecretoLei nº º37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei nª 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3º Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Art. 149, do CTN. Fl. 6886DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.880 15 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusase a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Entendo, não assistir razão ao Recurso, a redação do art. 638 do RA deixa cristalino que a revisão aduaneira é o procedimento de verificação da regularidade da operação de importação, podendo a atividade da Fiscalização revisar todos as informações prestadas pelo importador. A alegação que a revisão aduaneira por tratarse de revisão de ofício não poderia existir sem a comprovação de um dos itens previstos no art. 149 do CTN, não guarda nenhuma relação com a legislação tributária. Por mais que a Recorrente tente fazer ligações entre os dois diplomas legais previstos no Regulamento Aduaneiro e no Código Tributário Nacional, não vislumbro nenhuma ilegalidade no procedimento de revisão aduaneira adotado pela Fiscalização Aduaneira da Receita Federal. O procedimento de revisão existe em previsão própria do Regulamento Aduaneiro e ocorrendo dentro do prazo de 5 (cinco) anos previstos na legislação, não possui restrições vinculadas ao art. 149 do CTN. A existência de precedentes judiciais; Inveracidade da premissa do fisco pena de perdimento afastada anulação do processo administrativo nº 10909001.939/200704; reconhecimento do Fl. 6887DF CARF MF 16 poder judiciário da inexistência de relação jurídicatributária de IPI sobre as operações de "revendas" da ora embargante; condenação da união para restituir à ora embargante os valores de IPI sobre "revenda"; inexigibilidade de IPI nas operações de "revenda", por força de antecipação de tutela na sentença; represália imposta pela fiscalização em razão do ajuizamento das ações judiciais; Quanto a alegação de obediência a precedentes judiciais, é mister ressaltar que o julgador administrativo somente está vinculado a decisões judiciais em que a Recorrente esteja atuando como parte e que trate de matéria referente ao objeto submetido ao julgamento administrativo. Decisões judiciais que não tratem especificamente da mesma matéria tratada no presente processos não interferem no presente julgamento. As alegações que existiria uma represália da Fiscalização em razão da ações judiciais movidas com a União são argumentos que carecem de base legal para alterar o lançamento. A irresignação da Recorrente necessita de argumentos jurídicos, questões genéricas desamparadas de comprovação não interferem no julgamento. Inexistência de dano ao erário; Alega a Recorrente a inexistência da incidência do IPI nas operações de revenda, confirmaria a inexistência de dano ao erário. Também para esta matéria entendo não assistir razão ao recurso. A turma já analisou as alegações da Recorrente quanto ao mérito da existência da cessão de nome, conforme bem esclarecido no mérito da decisão, portanto, tendo a turma decidido pela existência da interposição fraudulenta com a cessão de nome para terceiros, a incidência do IPI não é condição exigida para que seja declarada a interposição e a cessão de nome. Ademais a matéria já foi objeto de deliberação por parte da turma e os embargos no que concernem ao mérito da decisão da turma não foi admitido. Portanto, mantendose a decisão de mérito, tornase irrelevante a discussão sobre a incidência do IPI na revenda como matéria possível de alterar o julgamento, já decidido no mérito. Nulidade da fiscalização e do auto de infração em face das provas obtidas de forma ilícita; Alega a Recorrente que a obtenção de provas a partir da operação realizada na sede da empresa, deveria ocorrer com amparo de medida judicial e que os procedimentos da Autoridade Fiscal ofenderam os princípios constitucionais previstos no Art. 5ª, incisos X, XI, XII. Entendo não assistir razão a Recorrente, nos termos constantes do relatório fiscal todos os documentos apreendidos foram objeto da operação dentro da sede da empresa, em nenhum momento ocorreu operação fora do estabelecimento da pessoa jurídica. ou que tenha apreendido ou utilizado documentos pessoais dos sócios ou quaisquer outros funcionários da empresa. Todos os documentos e correspondência eletrônicas apreendidas tratam de documentos comerciais e referentes as atividades da pessoa jurídica fiscalizada. Assim, descabe a alegação de violação de individualidade e residência. Quanto a alegada falta de competência do Auditor Fiscal em buscar documentos referentes a contas bancárias e correspondências eletrônicas, a legislação é robusta em permitir ao Auditor Fiscal que realize as diligência e retenções de documentos necessários ao trabalho da auditoria fiscal, conforme pode ser verificado nos diplomas normativos a seguir transcritos: Art. 159 do CTN. Fl. 6888DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.881 17 Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Lei nº 9.430/96 Art. 34. São também passíveis de exame os documentos do sujeito passivo, mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, encontrados no local da verificação, que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida. Art. 35. Os livros e documentos poderão ser examinados fora do estabelecimento do sujeito passivo, desde que lavrado termo escrito de retenção pela autoridade fiscal, em que se especifiquem a quantidade, espécie, natureza e condições dos livros e documentos retidos. § 1º Constituindo os livros ou documentos prova da prática de ilícito penal ou tributário, os originais retidos não serão devolvidos, extraindose cópia para entrega ao interessado. § 2º Excetuado o disposto no parágrafo anterior, devem ser devolvidos os originais dos documentos retidos para exame, mediante recibo. Portanto, a Autoridade Fiscal possui competência legal para acessar e se necessário realizar as apreensões de documentos, inclusive arquivos magnéticos em procedimento de auditoria fiscal levado a termo em pessoa jurídica. Não existindo nenhuma ilegalidade no procedimento realizado pela Auditoria Fiscal constante do Procedimento Fiscal, que deu origem ao lançamento fiscal controlado no presente processo. Ausência de motivação fática e impossibilidade jurídica para capitular fato diverso; capitulação formal em fato diverso do apresentado, face à impossibilidade de enquadramento do dano ao erário " ocultação" x "interposição de terceiros"; Não vislumbro assistir razão as alegações do recurso também quanto a estas matérias. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade autuante à lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, foi interposto recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas pela autoridade de primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Fl. 6889DF CARF MF 18 As demais questões preliminares e prejudiciais suscitadas, não coincidentes com o voto anteriormente transcrito, serão a seguir analisadas. Nulidade em face da ausência de convênio específico na fiscalização e protocolo de autoridades incompetentes O compartilhamento de informações entre as Fazendas Públicas tem fundamento no Código Tributário Nacional, podendo ser instituído por lei ou convênio, conforme preceitua o seu art.199: Art.199 A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Parágrafo ùnico. A Fazenda Pública da União, na forma estabelecida em tratados, acordos ou convênios, poderá permutar informações com Estados estrangeiros no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Nessa direção, a Secretaria da Receita Federal firmou em 12/09/2000 convênio de cooperação com a Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul, publicado no Diário Oficial nº179, Seção 3, página 4, de 15/09/2000, objetivando o intercâmbio de informações econômicofiscais e a prestação de mútua assistência na fiscalização dos tributos que administram, nos seguintes termos: 1 NATUREZA Convênio de Cooperação Técnica que entre si celebram a União, representada pela Secretaria al Receita Federal SRF, e o Estado do Rio Grande do Sul, representado pela Secretaria da Fazenda. 2 OBJETO I – intercâmbio de informações cadastrais e econômicofiscais, inclusive sobre comércio exterior, II Uniformização e atualização de dados cadastrais dos contribuintes, III Aperfeiçoamento da coleta e organização de dados, para subsidiar as atividades de fiscalização e cobrança, inclusive cooperação para o desenvolvimento de sistemas de informação na área tributária; IV Permuta e aperfeiçoamento de técnicas e metodologias adotadas no trabalho fiscal, V Realização de atividades conjuntas de fiscalização e cobrança dos tributos administrados pelos convenentes, com utilização de recursos providos pelos respectivos órgãos; e VI Intercâmbio de informações decorrentes de lançamentos de oficio realizados pelos convenentes. 03 PRAZO DE VIGÊNCIA. Prazo indeterminado a partir da data de sua assinatura, e poderá ser rescindido a qualquer momento por qualquer dos convenentes. 4 DATA DA ASSINATURA: 12 de setembro de 2.000. 5 NOME DOS SIGNATÁRIOS. Pela Secretaria da Receita Federal. Sr Everardo de Almeida Maciel Secretario da Receita Federal e pelo Estado do Rio Grande do Sul, Sr. Amo Hugo Augustin Filho Secretário da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul Fl. 6890DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.882 19 (negritos nossos) Ademais, firmouse também, entre os citados órgãos, o protocolo 01/2000, de 01/07/2011, com o objetivo de se criar o grupo especial de trabalho para desenvolver atividades de pesquisa, investigação, diligências e fiscalizações, pelas equipes de fiscalização estadual e federal. Observase que todos os procedimentos desenvolvidos pelas autoridades fiscais dos entes tributários, em ação fiscal conjunta, estavam devidamente fundados no convênio e protocolo celebrados entre eles. O item 2Objeto, IV do convênio, anteriormente reproduzido, dispõe exatamente sobre autorização de realização dos procedimentos de fiscalização realizados no caso ora analisado. Portanto, entendo que a existência de convênio de cooperação entre os entes tributantes, juntamente com protocolo de criação de grupo especial, são instrumentos legais necessários e suficientes para autorizar os procedimentos fiscais realizados em conjunto pelos Auditores da Receita Federal e da SEFAZRS. Quanto a alegação de que o convênio necessariamente deveria ter sido lavrado com a SEFAZSC, estado no qual as mercadorias ingressaram no país, ao invés da SEFAZRS, como foi feito pelos Auditores Fiscais, também não tem qualquer fundamento, uma vez que cabe aos representantes da SRF avaliar quais tipos de procedimentos fiscais que deseja realizar e qual a forma mais adequada de executálos. No presente caso, nada mais natural o estabelecimento de convênio com a SEFAZRS tendo em vista que o grupo empresarial ao qual a acusada pertence tem predominânia de gestão e operação no estado do Rio Grande do Sul e as mercadorias importadas irregularmente tiveram como destino a Recorrente, que possui sede no mesmo estado. Dessa forma, os atos praticados pelos Auditores Fiscais com fundamento no citado convênio são válidos para fundamentar o auto de infração ora analisado. Irretroatividade da Lei nº 12.350/2010 aos fatos anteriores à sua vigência e sua repercussão ao presente auto de infração Nesse ponto, a Recorrente questiona a possibilidade de aplicação da multa (conversão da pena de perdimento) decorrente da infração de dano ao erário em operações de importações, cujos fatos geradores ocorreram anteriores a vigência da medida provisória nº497/2010 (convertida na Lei nº12.350/2010), porque não existiria previsão de aplicação da referida multa para os casos em que as mercadorias foram revendidas. Transcrevese a seguir a redação original do dispositivo legal (art.23 do Decretolei nº1.455/76) que regulava a matéria anteriormente à vigência da Lei nº12.350/2010: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou Fl. 6891DF CARF MF 20 simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (negrito nosso) O parágrafo terceiro do artigo transcrito sofreu substancial alteração por meio da MP nº497/2010, posteriormente convertida na Lei nº12.350/2010, in verbis: (...) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (negrito nosso) Percebese pela redação original do art.23, inciso V, do Decretolei nº1.455/76 que já havia previsão da caracterização de dano ao erário em razão de interposição fraudulenta tanto nas operações de importação como nas de exportação. No entanto, só havia previsão de conversão da pena de perdimento em multa equivalente para os casos relacionados de interposição fraudulenta ligada a operações de importação. A edição da MP nº497/2010 veio justamente suprir a lacuna existente na lei quanto a não previsão de punição para os casos de interposição fraudulenta ocorridos em operações de exportação, em nada afetando, portanto, as operações de importações que já possuíam previsão legal de punição na sua redação original. A Recorrente alega, entretanto, que no caso de mercadoria importada revendida, inexistiria previsão legal antes da edição da MP nº497/2010 para a aplicação da multa de valor equivalente em substituição à pena de perdimento, isto porque somente a partir da nova redação do dispositivo em comento é que se passou a prever a aplicação da multa nesses casos de mercadorias revendidas. Equivocase a Recorrente em sua argumentação, uma vez que o motivo determinante para a conversão da pena de perdimento em multa, no caso concreto, foi a sua não localização, como se pode conferir em trecho do Relatório Fiscal (fls.201), in verbis: Tendo em vista a impossibilidade de localizar e apreender as referidas mercadorias, aplicase a multa equivalente ao valor Fl. 6892DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.883 21 aduaneiro, conforme demonstra o Relatório de Fiscalização anexo. (negrito nosso) As mercadorias envolvidas na importação (pneus) são por natureza bens de consumo não duráveis de difícil recuperação pela Fiscalização depois que entram no mercado nacional. Os Auditores atestam em seu Relatório Fiscal a impossibilidade de localização dos pneus importados. Assim, comprovados nos autos a impossibilidade de localização dos bens importados irregularmente para apreensão, e caracterizada a infração de dano ao erário, resta evidente que os fatos apurados pela Fiscalização se subsumem a hipótese legal de aplicação da multa de 100% do valor aduaneiro das mercadorias, prevista no art.23, inciso V, § 3º,do Decretolei nº1.455/76. Ilegitimidade Passiva da Recorrente A ilegitimidade passiva alegada pela Recorrente deve ser rechaçada porque não se identifica no lançamento fiscal qualquer erro na identificação do sujeito passivo. Não há benefício de ordem na solidariedade aqui discutida, podendo figurar na posição de contribuinte o real adquirente das mercadorias importadas A redação do art. 95, I, do DL nº 37/66 é clara quanto a isso: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei no 11.281, de 2006) (negritos nossos) Fl. 6893DF CARF MF 22 Nesse sentindo, também é a jurisprudência deste Colegiado, a exemplo do acórdão nº 3101001.009 da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção, de 13 de fevereiro de 2012, que trata de caso envolvendo interposição fraudulenta comprovada, cujo trecho da ementa é a seguir reproduzido: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 26/04/2004 a 21/01/2005 Ementa: PÓLO PASSIVO DA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO. A solidariedade no pólo passivo da relação jurídica tributária não permite dizer que houve erro na identificação do sujeito passivo, até porque não há benefício de ordem na solidariedade tributária aqui tratada. Inteligência do art. 95, I, do DL nº 37/66. Assim, nenhum vício foi identificado na identificação do sujeito passivo no presente auto de infração, podendo ser indicado isoladamente o real adquirente de mercadoria importada ou o encomendante e o importador, conforme institui o Decretolei nº 37/66, artigo 95. Inovação na fundamentação Alega a Recorrente que o fundamento basilar do auto de infração foi a ocultação do real importador, tendo em vista a total ausência de condições estruturais, financeiras, operacionais, administrativas da interposta importadora FREE TRADE para realizar a sua atividade econômica de importação de bens para revender. No entanto, segundo o seu entendimento, o Julgador no acórdão vergastado teria promovido inovação na fundamentação do lançamento fiscal, uma vez que se utilizou de outras argumentações não presentes na acusação fiscal e se esquivou de analisar as suas argumentações contra a fundamentação original do auto de infração. Não procede a reclamação da Recorrente, pois não foi identificada inovação da fundamentação do lançamento fiscal. Ao contrário do afirmado pela Recorrente, conforme se depreende do Relatório da Fiscalização, a acusação fiscal não se baseou apenas na falta de estrutura da Imprtadora FREE TRADE, mas sim no conjunto dos fatos apurados e provas obtidas no transcorrer do procedimento fiscal. Nessa direção, noticiase no Relatório Fiscal outros elementos para suportar a acusação, além daquele indicado pela Recorrente, tais como: i) a MADEIREIRA HERVAL é detentora da marca Hankook e a única autorizada a comercializar e dar assistência técnica dos pneus; ii) apreensão de relatório da PERSONALITY ASSESSORIA EMPRESARIAL, datado de 03 de março de 2010, no qual demonstra as preocupações da empresa de consultoria quanto ao planejamento tributario operado pelo grupo Herval, com possíveis repercussões tributárias indesejáveis; iii) documentos apreendidos e mensagens eletrônicas que corraboram com a acusação de que as importações da FREE TRADE são realizadas por decisão e interesse da MADEIREIRA HERVAL; iv) inúmeras mensagens eletrônicas que comprovam funcionários da Madeireira Herval como únicos responsáveis pelas negociações quanto aos modelos e quantidade referentes aos pedidos para a fornecedora dos pneus Hankook; e v) a margem de lucro praticada nos preços de “revenda”da FREE TRADE para a empresa MADEIREIRA HERVAL. em nada se equiparam a condições de livre negociação. Fl. 6894DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.884 23 Observase que a autuação foi baseada em um conjunto abundante de provas e indícios que foram ricamente detalhados pelos Autores Fiscais em seu Relatório Fiscal. Na decisão recorrida, o Julgador analisou todo esse suporte fático e jurídico apurado pela Fiscalização a fim de obter o seu convencimento quanto a procedência da autuação. Não houve, assim, inovação na fundamentação do lançamento, pois todos os fatos indicados pelo julgador como suporte da sua decisão tiveram como origem o próprio Relatório Fiscal do auto de infração, inexistindo qualquer agressão ao direito de defesa da Recorrente. Quanto ao não pronunciamento do Relator no acórdão sobre todos os pontos suscitados na sua defesa, é entendimento predominante neste Colegiado que o julgador não é obrigado a fazer referência ou rebater cada um dos argumentos apresentados pelo Contribuinte na sua defesa se os argumentos abordados na decisão já se mostram suficientes para a formação do seu convencimento. Ausência de apreciação da Impugnaçãoviolação ao direito da ampla defesa, contraditório e devido processo legal A Recorrente pede a nulidade do acórdão recorrido pois o Auditor da DRJ teria deixado de julgar as matérias suscitadas na impugnação apresentada para repetir todos os fundamentos do voto condutor do acórdão proferido no processo administrativo nº10516.720006/201292. Noticiase nos autos a existência de outro processo de auto de infração (nº10516.720006/201292) de multa decorrente da mesma fiscalização que autuou a empresa FREE TRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA por cessão de nome. Em seu voto o Conselheiro Redator do acórdão recorrido informa sobre o julgamento por outra turma da DRJ do processo citado e se utliza das razões de decidir da decisão já proferida, tendo em vista a conexão de ambas as multas e a similaridade das alegações nas impugnações, transcrevendo parte do julgamento do referido processo. Constatase que ambos os processos foram fundamentados nos mesmos fatos apurados pela Fiscalização. A infração atribuída a cada empresa e a correspondente penalidade caracterizada é que foram diferentes em observância das condutas das envolvidas. Enquanto no caso aqui discutido foi caracterizada a infração de dano ao erário, no outro processo a conduta da FREE TRADE levou a acusação de infração de “cessão de nome”. Embora as infrações caracterizadas nos dois processos sejam diferentes, é notório que os fatos apurados ensejadores da imputação as acusadas são idênticos, inclusive embasados no mesmo Relatório Fiscal. Dessa forma, entendo que não houve qualquer mácula ao presente processo, se neste foi adotado parte da fundamentação daquele referente a ”cessão de nome”, uma vez que esta se mostra clara e congruente com a matéria ora analisada. Aliás, a legislação de processo tributário prevê a possibilidade do julgador fundamentar o seu voto em decisão anteriomente proferida, desde que expresse a sua concordância com tais fundamentos da decisão utilizada, conforme se depreende do § 1o do art.50 da Lei nº9.784/98, a seguir reproduzido: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) Fl. 6895DF CARF MF 24 § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) Temse que tal procedimento de fundamentar uma decisão, utilizando os fundamentos de outra com a qual tenha similaridade nos fatos, é corriqueiro no âmbito do processo administrativo, abrigado pelo disposito acima transcrito. Assim, estando explicitadas no auto de infração as fundamentações fática e jurídica ensejadoras da autuação, não se identifica ocorrência de cerceamento do direito de defesa da Recorrente. Necessidade de julgamento conjunto do presente processo com processo administrativo nº10516.720006/201292 (autuação multa cessão de nome) Subsidiariamente, no caso de não acolhimento das nulidades argüidas, a Recorrente solicita o julgamento conjunto do presente processo com o de multa de cessão de nome lavrado contra a empresa FREE TRADE, visando obter uma decisão conjunta e uniforme deste Colegiado. Embora reconheça a conexão entre os processos das multas lançadas, por se basearem em fatos idêncicos, e desejável o julgamento conjunto conforme indicado no § 1o do art.6º, I, do RICARF, infelizmente, conforme antes informado, o processo de multa por “cessão de nome” já foi objeto de julgamento por outra turma deste Conselho, o que torna irrealizável a demanda da Recorrente. Mérito Conforme já consignado, a acusação fiscal é de ter ocorrido importação de mercadorias com ocultação do real adquirente na modalidade comprovada, mediante simulação ou fraude, restando caracterizada a infração de Dano ao Erário, na forma prevista no inciso V do artigo 23, do DecretoLei nº1.455/1976. Como se sabe, a legislação aduaneira, visando o combate à prática de interposição fraudulenta de terceiros, tipificou a conduta de dano ao erário punível com a aplicação da pena de perdimento de mercadorias decorrente da ocultação do real sujeito passivo em operações de importação ou exportação, por meio do artigo 23 do Decreto n. 1.455/76, abaixo transcrito: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) Fl. 6896DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.885 25 § 1oO dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2oPresumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Depreendese, quanto à comprovação, que a legislação transcrita prevê dois tipos de interposição fraudulenta: presumida.e comprovada. A interposição fraudulenta presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Destarte, com base em presunção legalmente estabelecida no § 2º do art.23 do Decretolei nº 1.455/1976), configurase a interposição fraudulenta e aplicase o perdimento (ou a multa que a substitui). É do importador o ônus de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação por ele declaradas, mediante documentação hábil e idônea, dentre elas contrato de câmbio, comprovante da liquidação cambial, extrato das movimentações financeiras correspondentes, etc. Assim, para a caracterização da interposição fraudulenta presumida basta que a empresa não consiga comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. A presunção legal em questão se caracteriza como relativa, ou juris tantum, admitindo prova em contrário. Após o lançamento, o ônus da prova de não ocorrência da interposição presumida recai sobre a empresa, devendo esta trazer ao contencioso administrativo documentação hábil para desconstruir as conclusões da presunção lançada. Na interposição comprovada, por sua vez, cabe à fiscalização buscar elementos probatórios no sentido de demonstrar que a empresa fiscalizada está realizando a operação de importação acobertando um terceiro que se constitui no real beneficiário da operação. Quando resta demonstrado a interposição, aplicase a pena de perdimento (ou a multa que a substitui), com fundamento no inciso V do art.23, do Decretolei nº1.455/76 e em seu § 3º. O sujeito passivo que deve ser penalizado pela referida multa é o terceiro acobertado, enquanto o acobertante responde como responsável solidário, nos termos do art.95 do Decreto lei nº37/66, além da multa por acobertamento prevista no art.33 da Lei nº11.488/2007. Para a caracterização da interposição fraudulenta comprovada é necessário que as condutas realizadas pelas envolvidas se subsumam ao tipo previsto no inciso V do art.23, do Decreto Lei nº1.455/76. Os elementos do tipo previsto nesse dispositivo legal são a interposição ou Fl. 6897DF CARF MF 26 ocultação do real comprador e a fraude ou simulação. Sem a comprovação de ambas elementares, não pode ser caracterizada a interposição fraudulenta. Ainda nos casos de acusação de interposição fraudulenta comprovada, a fim de caracterizar a conduta ilícita, a fiscalização deve carrear aos autos um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com a intenção de incluir interposta pessoa entre o real adquirente e a Autoridade Aduaneira, sempre com o objetivo da primeira permanecer oculta nas operações de comércio exterior. Portanto, o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta, é do fisco, que deve trazer aos autos um conjunto de elementos probatórios suficiente para atestar a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. No presente caso, a fiscalização apurou que, embora a empresa FREE TRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA tivesse identificado nas DIs como importadora por conta própria, na realidade, ela atuara como interposta pessoa, acobertando o real adquirente, que no caso foi a Recorrente MADEIREIRA HERVAL LTDA. Com efeito, o caso ora analisado trata de acusação de interposição fraudulenta provada, uma vez que nas diligências efetuadas pela Ficalização apuraramse diversos fatos e provas que levaram a conclusão de que as operações entre a FREE TRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e a MADEIREIRA HERVAL LTDA foram simuladas, com o objetivo de burlar os controles aduaneiros e obtenção de economia de impostos tanto federais, como estaduais. Em sua defesa, a Recorrente equivocase ao afirmar que para a caracterização da interposição fraudulenta seria necessária a demostração da falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Conforme já consignado no presente voto, a interposição fraudulenta pode se dar nas modalidades presumida e comprovada. A presumida é que envolve a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, fundada no § 2º do inciso V do Decretolei nº1.455/76. Pelos elementos constantes nos autos, percebese facilmente que o lançamento fiscal está relacionado com a interposição fraudulenta comprovada, uma vez que foi identificadoo real adquirente da mercadoria. Transcrevese a seguir trecho do Termo de Verificação Fiscal (TVF) que demonstra a qual modalidade de interposição fraudulenta os fatos apurados se subsumiram: Fl. 6898DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.886 27 Resta demonstrado que a autuação se fundamentou na interporsição fraudulenta comprovada, não guardando nenhuma relação com a modalidade presumida alegada pela Recorrente. Cabe analisar, a partir de agora, se as provas e fatos apurados nas diligências fiscais se subsumem a norma caracterizadora da interposição fraudulenta. Quanto ao financiamento das importações, a Fiscalização demonstrou que no período inicial de funcionamento da FREE TRADE, no período de 12/2006 a 08/2007, as operações de importação foram lastreadas por empréstimos concedidos pela MADEIREIRA HERVAL no montante aproximado de R$ 10.000.000,00 no período. Tais empréstimos não exigiram desembolso para quitação, uma vez que a sua baixa na contabilidade da FREE TRADE se deu por meio de compensação com o aumento do capital social em valor equivalente no nome dos sócios em comum das duas empresas. Transcrevo, a seguir, a descrição da Fiscalização de como se deram essas operações: Pelo que se expõe, constatase que a “capitalização” FREE TRADE, ocorreu assim: da pessoa jurídica 1 A HERVAL reconhece o direito dos sócios à percepção de “juros sobre c apitais próprios”, criando um “passivo” a ser pago aos sócios. 2 A Herval concede empréstimos à Free Trade, valores utilizados como adiantamento de recursos para as despesas de importações, criando um ativo na Herval e um passivo na FREE TRADE. 3 A fim de quitar esses emprétimos(sem ter que pagálos com dinheiro), Free Trade aumenta seu capital fazendo com que os Fl. 6899DF CARF MF 28 sócios (Herval e Free Trade possuem o mesmo quadro social), subscreemno. 4 Finalmente, há um encontro de “dívidas” e conseqüentemente suas extinções por “termo de quitação e ou cessão de créditos”. Logo, o DEVER da Herval em pagar JUROS aos sócios é “baixado” contra o DEVER o dever dos sócios de integralizarem o capital social da FREE TRADE. Ai está, portanto, o planejamento que garantiu uma “suposta” autonomia financeira” para a Free Trade interporse nas importações realizadas, DE FATO, por MADEIREIRA HERVAL LTDA durante todo o período Reiterase que a aparente autonomia financeira, construída a partir das primeiras antecipações de recursos para importações é que permitiuà HERVAL manterse oculta em todas as operações realizadas. Utilizandose dessas operações, a empresa FREE TRADE aumentou o seu capital social de R$ 100.000,00 para R$ 10.000.000,00 no referido período. Após essa capitalização inicial, segundo a informa a Fiscalização, a FREE TRADE seguiu o ciclo econômico normal, financiando as suas importações por meio dos recebimentos das vendas referentes a importações passadas: compra/importa > vende > recebe > compra/importa. Embora a fiscalização tenha demonstrado como se deu a capitalização inicial da FREE TRADE, não fundou a sua autuação nesse fato, haja vista que ocorreram em período anterior ao período autuado (14/05/2008 a 21/12/2011). São pouco importantes para a solução da lide as considerações da Recorrente afirmando a legalidade das citadas operações porque os próprios Auditores informam que no período fiscalizado as importações foram financiadas pelo ciclo econômico normal da empresa, conforme já informado. Assim, a infração aqui analisada, interposição fraudulenta comprovada, não exige para a sua caracterização a comprovação da falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação. Noutro giro, em diligências realizadas pela Fiscalização nas empresas envolvidas foram apurados fatos e apreendidos inúmeros documentos que embasam a acusação fiscal. O Relatório de Auditoria apresenta de forma minuciosa como se deram as operações entre as empresas acusadas, restando comprovado por inúmeros elementos coletados que o controle da importações era exercido unicamente pela MADEIREIRA HERVAL e que a FREE TRADE atuava apenas como interposta pessoa, cedendo o seu nome para as importações realizadas. Nessa direção, noticiase nos autos que foi apreendido o “relatório conclusivo”, datado de 03 de março de 2010, referente a trabalho de “revisão fiscal e tributária” e de autoria da PERSONALITY ASSESSORIA EMPRESARIAL, empresa responsável pelas orientações ao grupo Herval quanto ao planejamento tributario operado, no qual, em seu conteúdo, demonstra as preocupações dos Consultores quanto as possíveis repercussões da forma como as operações se encontravam estruturadas entre as empresas do grupo, dos quais se destaca o contido a folhas 971: 6. PROCEDIMENTO ADOTADO COM A IMPORTAÇÃO DE PNEUS PELA FREE TRADE A PARTIR DE 01/06/2008 Fl. 6900DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.887 29 ... * Free Trade localizada em SC, beneficiada pelo COMPEX, importa as mercadorias por conta própria; ... * Por esta razão são utilizadas as unidades de Itaiopolis e Ararangua, posto que as mercadorias importadas pela Free Trade são “vendidas” para referidas filiais do grupo Herval, estas localizadas em SC e, posteriormente, estas transferem para o RS, disfarçando, assim, a origem para possam fazer uso do crédito ... * Simulação. Note que se a mercadoria tem como destino estabelecimento comercial localizado no RS e , este referido estabelecimento é, na verdade, o real adquirente da mercadoria, razão ... * Madeireira Herval e/ou demais empresas do grupo são os ÚNICOS clientes/destinatários. (grifos e negritos nossos) Tais trechos demonstram que os envolvidos tinham consciência das irregularidades cometidas e estruturam as suas operações de forma deliberada para ocultar o real adquirente das mercadorias com o objetivo de economia tributária nas importações, restando caracterizado o dolo. Ainda nesse cenário, a fiscalização obteve mensagem de email entre o Diretor da FREE TRADE, o Sr. Germano Grings, e o Consultor da Personality, Alexandre, na qual é expresso a preocupação da empresa com problemas fiscais e legais com a estrutura de venda praticada pela FREE TRADE para um único cliente, que no caso é a MADEIREIRA HERVAL: Em outras mensagens de email, obtidas do Sr. Germano Grings, discutese a mudança de modelo de venda da FREE TRADE, que era para um único cliente Fl. 6901DF CARF MF 30 (MADEIREIRA HERVAL), para a venda direta a consumidor final, bem como os custos envolvidos na nova estrutura: De fato, a MADEIREIRA HERVAL, entre 01/2007 a 02/2009, foi o único cliente da FREE TRADE, no entanto, a partir desse período a empresa passou a realizar parte de suas vendas de forma direta para consumidor final, na ordem de 20%. Tal procedimento, segundo a Fiscalização, visou dissipar as suspeitas de interposição pelos fiscos estadual e federal. No entanto, conforme restará demonstrado adiante, apesar da mudança verificada na estrutura com parte de vendas da FREE TRADE feita diretamente a clientes finais, a MADEIREIRA HERVAL continuou, de fato, sendo a responsável direta da compra dos pneus da HANKOOK, bem como manteve o controle da revenda aos seus clientes varejistas. Nas diligências realizadas nos estabelecimentos da MADEIREIRA HERVAL e HANKOOK foram copiados arquivos dos computadores da empresa que ratificam que a MADEIREIRA HERVAL era a única responsável pelas negociações diretas com o fornecedor externo e seu representante no Brasil dos pneus Hankook. Dentre os diversos elementos comprobatórios apreendidos de que as negociações de fato são realizadas por MADEIREIRA HERVAL, destacamse pedidos, contatos ou correspondências eletrônicas trocadas entre o Fl. 6902DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.888 31 exportador HANKOOK e a real adquirente HERVAL, planilhas eletrônicas arquivadas na HANKOOK. Tais documentos dizem respeito apenas ao importador e em situações de normalidade não deveriam estar na posse daquele que se diz adquirente no mercado interno. O documento de folhas 872 (indicado como confidencial e exclusivo para uso interno) apresenta fluxo do processo de importação e prazo dos pedidos, restando claro que o pedido é realizado junto ao fornecedor pela HERVAL, ou seja, não é realizado pela FREE TRADE (“Herval envia Pedido”), e que a chegada ao depósito da FREE TRADE ocorre 5 meses após a data do pedido. Já o documento de folhas 912 (indicado como confidencial e exclusivo para uso interno) traz a seguinte informação: “FREETRADE COMPANY (MADEREIRA HERVAL)”. Como se observa, é notório que a MADEIREIRA HERVAL é a única responsável pelas tratativas relacionadas aos pedidos feitos ao fornecedor externo, restando claro que as importações são realizadas sob controle total da HERVAL e a FREE TRADE tem uma função meramente formal nas operações de importações. A empresa alega em sua defesa que quando se cita em tais documentos o nome “HERVAL” significa, na verdade, referência ao Grupo Herval, ao qual a FREE TRADE faz parte. Por isso, aduz que a dedução da Fiscalização de que se trata MADEIREIRA HERVAL é equivocada. No entanto, é difícil se acolher a justificativa da Recorrente porque, ao se conferir os documentos, percebese que em um mesmo documento é feita referência tanto a HERVAL, como a FREE TRADE, o que leva a crer que são empresas distintas citadas e com funções específicas indicadas no demonstrativo de fluxo de importação apreendido. Abaixo, transcrevese mensagem da MADEIREIRA HERVAL explicando a HANKOOK a criação da FREE TRADE: De: Germano Grings [germano@herval.com.br] Enviado em: Quintafeira, 31 de agosto de 2006 18:44 Para: Mario Fugita Hankook Cc: m9102640@hanta.co.kr Assunto: Re: REf; Criação Free Trade Importação e Exportação Ltda 1 Por questões de incentivos fiscais que o estado de SC nos oferece. 2 Menos tributação de ICMS e como estaremos importando por uma importadora teremos um IPI menor também. 3 O produto será importado pela Free Trade e depois repassado para o atacado Herval. Serão duas empresas distintas. 4 Num primeiro momento sim, teremos nossos estoques no RS e SP sem estoques em SC. Num segundo momento poderemos ter o estoque regulador em SC, o que evitaria as faltas em um estado e a sobra em outro. A operação ficaria mais redonda. Mas dentro desse ano e inicio do próximo não teremos estoque em SC. Fl. 6903DF CARF MF 32 5 De maneira nenhuma, tanto os estoques como as equipes continuam iguais e aumentando conforme a venda. Nossa logistica de entrega nos pneus é imediata quando o cliente retira e de 12 horas quando ele solicita. Para isso é essencial termos estoques fortes tanto em SP quanto no RS. 6 A sede inicial ficará em Itajai. 7 Como é uma operação inicial e não terá estoque, basicamente será um escritório alugado. Contudo, já estamos procurando áreas grandes para a implantação de um CD próprio, visando também nossa rede de lojas que estará abrindo a primeira unidade em SC no mês de setembro. 8 Importamos ferramentas elétricas e manuais, alguns eletrônicos como MP3 etc., pisos cerâmicos (porcelanatos), tijolos de vidro, produtos para nossa indústria (tecidos etc..) e diversos outros itens. 9 Mário, o último item é ofensivo. Somos pessoas de palavra, somos empresa de palavra, e não precisamos tocar nesse tipo de assunto. Claro que poderemos com a importadora faturar para qualquer estado, e talvez isso no futuro seja interessante para a Hankook quando for necessário atender algum cliente sem estoque ou algum estado onde alguém queira Hankook e a Hankook não tenha distribuidor. Mas isso somente acontecerá se a Hankook pedir para nós, e jamais faremos qualquer venda fora dos dois estados conforme já combinamos. A intenção da importadora é simplificar a operação tirando o peso de um grande grupo nesse negócio, diminuir a carga tributária desses produtos dentro do que permite a lei e reforçar nossa parceria principalmente com a Hankook, procurando aumentar os volumes e representar bem essa marca. Esperamos contar com o apoio de todos da Hankook. Att. Germano Grings Embora a Recorrente afirme em sua defesa que os únicos propósitos do Grupo Herval para a criação da FREE TRADE foi por questões logísticas e de desvincular as operações de importação do grupo, constatase pelos elementos aqui apresentados que as importações continuaram sendo totalmente controladas pela principal empresa do grupo, a MADEIREIRA HERVAL. Nenhuma ilicitude há realmente em o grupo HERVAL criar uma empresa especializada em importação. A infração ocorre quando essa empresa não cumpre, de fato, o seu papel de importadora, sendo apenas utilizada formalmente para encobrir o real responsável pelas importações. Muito esclarecedores também são os depoimentos coletados de funcionários das empresas envolvidas que confirmam o entendimento de que as importações ocorrem única e exclusivamente de acordo com os interesses e necessidades da empresa MADEIREIRA HERVAL. Como exemplo, a declaração da Sra Deise Carolina Filereno, funcionária da FREE TRADE desde 17/05/2008 e responsável pelas importações das mercadorias: ...; que as importações são motivadas pela necessidade da Madeireira Herval de suprir suas lojas com produtos para atender a demanda de mercado ... [...]...;parte dos pneus Fl. 6904DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.889 33 importados é remetida para a Madeireira Herval de Dois Irmãos (RS), parte é remetida para a empresa Dobler, outra empresa do grupo Herval sediada em São Paulo, e uma pequena parte dos pneus é retirada diretamente pelos clientes nos depósitos da Free Trade, em São José (SC), apesar de serem comercializadas pela unidade da Dobler de São Paulo, ou da Madeireira Herval de Dois Irmãos; que desconhece que a Free Trade possua unidade de comercialização;... (grifos e negritos nossso) Nessa direção, também a declaração prestada pelo Sr. ADRIANO ESCHER (fl. 393 e 394), funcionário da FREE TRADE, indicando a vinculação das mercadorias com a empresa MADEIREIRA HERVAL LTDA.: ...; que todas as notas fiscais de saída emitida pela Free Trade são efetuadas conforme orientação da matriz da empresa Herval Ltda, sede em Dois Irmãos; ...; que em geral as notas fiscais de saída emitidas pela empresa Free Trade são destinadas às filiais do grupo Herval em Araranguá e ou São Paulo; que eventualmente podem ser emitidas notas fiscais de saída para outros clientes quando indicados pela empresa Herval Ltda. ... . Informa também que os documentos e livros de contabilidade não ficam armazenadas no endereço da empresa, e estão armazenadas na matriz da empresa Herval em Dois Irmãos. ... (grifos e negritos nossos) Relevantes também são as mensagens trocadas pela funcionária da MADEIREIRA HERVAL, Sra. Micheli Scholles, com a HANKOOK, relativos a pedidos de pneus, cujas importações vieram consignadas em nome da FREE TRADE: 16/08/2007 From: Carlos (Hankook Tire) To: HK (Meire) Sent: Thursday, August 16, 2007 3:19 PM Subject: Fw: Programação Herval Original Message From: Micheli CIH Herval To: carlos@hankookpneus.com.br Sent: Thursday, August 16, 2007 2:50 PM Subject: Programação Herval Boa tarde... Em anexo segue a programação. Fl. 6905DF CARF MF 34 Abaixo segue algumas medidas que não localizei na Planilha/Hankook e, peço para que sejam incluídos em nossa programação. 1000R20 AM01 250 215/75R17,5 AH06 100 295/75R22,5 AL01 60 195R14 RA06 40 195/75R16 RA08 150 205/80R14 RA08 40 235/75R15 RF09 80 31X10,5R15 RT01 60 33X12,5R15 RT01 60 33X12,5R15 Z36 60 650R15 F3 40 145R12 K819 40 165/70R12 K402 60 185R14 RA07 40 185/55R15 K102 40 195/R14 RA17 60 195/60R15 K407 40 205/50R15 K102 – 20 205/55R16 K406 60 225/35R19 K105 20 225/50R16 H405 20 225/50R16 K102 20 295/50R15 Z88 20 500R13 F2 20 295/50R15 Z88 20 500R13 F2 20 315/80R22,5 DL02 80 275/80R22,5 AU02 80 275/80R22,5 DL02 80 315/70R22,5 AL02 80 Fl. 6906DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.890 35 315/70R22,5 DL02 80 Obrigada Micheli De: "Meire" <meire@hankookpneus.com.br> Enviado em: 16/08/2007 18:20 ZW3 Para:"Micheli CIH Herval" <micheli@herval.com.br> Cc: "Carlos \(Hankook Tire\)" <carlos@hankookpneus.com.br> Assunto Fw: Programação Herval Cara Micheli, boa tarde! Estou enviando em anexo a programação feita pela Herval, com algumas modificações. Refiz o pedido em uma planilha mais atualizada, onde podese observar que não consta mais os modelos K702 e K406 (Coréia), pois eles foram substituídos pelos modelos K715 e K415, respectivamente. Por esta razão, estamos automaticamente mudando para o modelo novo. Os equipamentos originais do modelo K406 foram mantidos, porém com um limite na quantidade de 60 pneus por modelo. Vale lembrar que o modelo K702 continua normal na fábrica da China. Algumas medidas que constava na sua tabela, que está desatualizada, já não está mais disponível. Segue abaixo a relação destas medidas: P225/70R15H RA03 P255/70R15H RA03 P255/70R15T RA07 235/70R15T RA03 P235/75R15T RA03 P185/70R14S H725 900R20 AH02 385/65R22.5 TH02 Na programação da China, informamos que não será possível incluir os pneus convencionais. Referente as medidas que você não encontrou em nossa planilha, segue as informações abaixo: Fl. 6907DF CARF MF 36 Muitos modelos listados abaixo já foram substituídos por modelos novos. Por favor, confirmar se irão incluir no pedido. CÓDIGO MATERIAL MODELO PRICE 1000R20 AM01 250 3000860 1000R20 AM06 179.66 215/75R17,5 AH06 100 3000771 215/75R17.5 AH11 96.75 295/75R22,5 AL01 60 INDISPONÍVEL 195R14 RA06 40 2000180 195R14 RA08 35.83 195/75R16 RA08 150 2000590 195/75R16 RA08 48.27 205/80R14 RA08 40 235/75R15 RF09 80 2001372 LT235/75R15 RF10 57.67 31X10,5R15 RT01 60 2000789 31X10.50R15 RT03 71.15 33X12,5R15 RT01 60 2000977 33X12.50R15 RT03 84.19 33X12,5R15 Z36 60 INDISPONÍVEL 650R15 F3 40 INDISPONÍVEL 145R12 K819 40 2000170 145R12 RA08 19.24 165/70R12 K402 60 1007038 165/70R12T K715 15.70 185R14 RA07 40 INDISPONÍVEL 185/55R15 K102 40 1005120 185/55R15V K105 41.06 195/R14 RA17 60 INDISPONÍVEL 195/60R15 K407 40 1006583 195/60R15H K415 31.36 205/50R15 K102 20 INDISPONÍVEL 205/55R16 K406 60 INDISPONÍVEL 225/35R19 K105 20 INDISPONÍVEL 225/50R16 H405 20 INDISPONÍVEL 225/50R16 K102 20 1005064 225/50R16W K105 46.27 295/50R15 Z88 20 INDISPONÍVEL 500R13 F2 20 INDISPONÍVEL 295/50R15 Z88 20 INDISPONÍVEL 500R13 F2 20 INDISPONÍVEL 315/80R22,5 DL02 80 INDISPONÍVEL 275/80R22,5 AU02 80 INDISPONÍVEL 275/80R22,5 DL02 80 INDISPONÍVEL Fl. 6908DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.891 37 315/70R22,5 AL02 80 INDISPONÍVEL 315/70R22,5 DL02 80 INDISPONÍVEL De: "Meire" <meire@hankookpneus.com.br> Enviado em: 21/08/2007 15:13 ZW3 Para: "Micheli CIH Herval" <micheli@herval.com.br> Cc: "Carlos \(Hankook Tire\)" <carlos@hankookpneus.com.br> Assunto: Pedido Herval Agosto Cara Micheli, Segue em anexo o pedido da Herval com os modelos K702 e K406 (Coréia) que foram aceitos para este mes. Como pode observar, os preços também estão atualizados e as medidas que foram colocados pela Herval, mas que estão indisponíveis, estão grifados em verde e zerados. Peço a gentileza de confirmar o pedido. Grata, Meire 16/01/2008 From: Micheli Scholles To: Meire Sent: Wednesday, January 16, 2008 4:09 PM Subject: Programação Herval Boa tarde Meire... Em anexo estou enviando a programação e, abaixo relaciono várias medidas que não localizei nesta planilha atual e que peço para incluir na programação. 225/60R15 K406 40pçs 225/75R16 RA07 30pçs 195/55R15 K406 200pçs 195/60R14 K406 200pçs 195/60R15 K406 600pçs 205/40R17 K104 200pçs Fl. 6909DF CARF MF 38 205/45R16 K104 100pçs 205/50R15 K104 100pçs 205/50R17 K104 200pçs 205/55R15 K102 40pçs 205/55R16 H105 600pçs 205/60R15 K406 200pçs 215/40R17 K104 200pçs 215/45R17 K104 200pçs 225/35R18 K104 20pçs 225/40R18 K104 100pçs 225/45R17 K104 40pçs 235/40R17 K104 60pçs 235/40R18 K107 60pçs 235/45R17 K104 20pçs 245/35R19 K104 60pçs 245/40R18 K104 20pçs 245/40R20 K104 20pçs 295/50R15 Z88 20pçs 205/80R14 RA08 60pçs 235/75R16 Z36 80pçs 275/70R16 Z36 60pçs 295/50R15 RH06 60pçs 175/70R14 K406 100pçs 175/80R14 K702 60pçs 185/55R15 K102 60pçs 185/60R14 K702 200pçs 185/65R14 K406 300pçs 185/70R13 K702 1000pçs 205/45R17 K104 40pçs 205/65R15 K406 100pçs 215/40R16 K104 20pçs 215/50R17 K104 40pçs Fl. 6910DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.892 39 225/35R19 K105 40pçs 245/40R17 K104 20pçs 255/45R18 K104 20pçs Sei que os modelos K104 já estão substituidos por outros modelos porém, os relacionei junto para verificar se ainda tens condições de incluir na programação. Dúvidas, favor retornar... Obrigada Micheli 12/11/2008 De Micheli Scholles Para Carlos@hankookpneus.com; meire. Enviado em: 12/11/2008 Assunto: Programação Novembro Herval Boa tarde, Em anexo segue nossa programação. A mesma foi preenchida na Planilha Hankook mas, por orientação do Germano as proformas deverão estar com os valores unitários 5% menor do que consta na planilha, ou seja, terá quer ser aplicado um desconto de 5%sobre a última tabela. Abaixo relaciona algumas medidas solicitadas e não encontradas na planilha e que peço para incluílas. 295/60R22,5 AL02 80pçs 225/75R16 RA07 80pçs 275/70R16 Z36 20pçs 235/35R20 H105 40pçs 235/30R20 K107 40pçs 295/80R24,5 AL02 60pçs 1100R22 DM04 ou DM03 40pçs 305/40R22 20pçs 305/45R22 RH07 20pçs 285/45R22 20pçs 255/70R15 RH03 100pçs 225/50R17 K110 60pçs Fl. 6911DF CARF MF 40 Dúvidas favor retornar, Obrigada Micheli Não menos relevantes também são as mensagens trocadas por outros funcionários da MADEIREIRA HERVAL, Sr. Everton Sander e Sra. Deisi Diel, com a HANKOOK, na qual é tratado assunto relacionado com os embarques da FREE TRADE: 27/08/2007 De: "Everton Herval" <everton@herval.com.br> Enviado em: 27/08/2007 19:20 ZW3 Para: "Carlos \(Hankook Tire\)" <carlos@hankookpneus.com.br>, <meire@hankookpneus.com.br> cc: "Deisi" <deisi@herval.com.br> Assunto: Fw: EMBARQUE DA HERVAL Maersk em Busan [Our Ref:ACD46597] Olá Carlos!! Por gentileza verifique com a origem o nr do bookings registrados os quais a Maersk diz não ter espaço para os próximos navios. Com este nr de booking a Ana da Maersk poderá tentar espaço. A partir de 29/08 estarei em período de férias e qualquer assunto relacionado aos embarques da Free Trade poderão ser discutidos com a Colega Deisi (deisi@herval.com.br 51 3564 8473) em conjunto com a Clemar. sds _____________________________ Everton Sander Comercial Exportação/ Importação Grupo HERVAL Fone: 55.51.3564.8487 Fax: 55.51.35648499 Email: import@herval.com.br everton@herval.com.br Web Site: www.herval.com.br Dois Irmãos/ RS Brasil Fl. 6912DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.893 41 Em sua defesa, a Recorrente apenas afirma a normalidade das mensagens do Sr. Germano Grings que tratam de negociações comerciais da FREE TRADE com o seu fornecedor HANKOOK tendo em vista que ele, embora seja diretor da MADEIREIRA HERVAL, também é diretor comercial da importadora FREE TRADE, sendo natural participar dessas tratativas. No entanto, a Recorrente não explica o porquê de funcionários da MADEIREIRA HERVAL realizarem as tratativas e pedidos das importações da FREE TRADE com o fornecedor Hankook, conforme restou comprovado pelas várias mensagens aqui transcritas. Conforme demonstrado, o corpo funcional da MADEIREIRA HERVAL era responsável por todos os pedidos, estabelecendo a quantidade, preço, prazo e os modelos de pneus a serem produzidos nas fábricas da HANKOOK no exterior e posterior envio para o Brasil por meio da FREE TRADE. De igual forma, está demonstrado nos autos que a FREE TRADE, dentre os poucos funcionários de que possuía (total de sete a nove), nenhum era ligado a área de comércio exterior. Disso, concluise que a MADEIREIRA HERVAL sempre foi a única responsável pelas negociações e pedidos a fornecedoras dos pneus HANKOOK, exercendo o controle do fluxo das mercadorias envolvidas nas importações dos pneus. Vale ainda frisar, que não foi encontrada, ou a Recorrente juntou em sua defesa, qualquer documentação comprobatória de que a FREE TRADE participou efetivamente de qualquer negociação comercial, seja com a HANKOOK, ou com a própria MADEIREIRA HERVAL. Além disso, apurou a Fiscalização que a MADEIREIRA HERVAL detinha a exclusividade de comercialização e assistência técnica dos pneus HANKOOK no Brasil. Tal fato foi inclusive confirmado por declaração tomada do Diretor em comum das duas empresa (HERVAL e FREE TRADE), o Sr. Germano Grings, in verbis: Declaramos para os devidos fins e a quem interessar possa, que a Madeireira Herval Ltda, possui a concessão oficial da marca Hankook, fabricante Coreano de pneus, para representar a referida marca no Brasil, respectivamente nos estados do Rio Grande do Sul e São Paulo, sendo responsável pela comercialização e assistência técnica. (grifos e negritos nossos) É fato incontroverso, assim, que a MADEIREIRA HERVAL detém a exclusividade de comercialização dos pneus HANKOOK em território nacional. Embora a FREE TRADE tenha passado a negociar parte dos produtos importados diretamente a terceiros consumidores finais, a fim de evitar "problemas fiscais", o faz com a permissão e ordem da MADEIREIRA HERVAL detentora da marca, conforme indicado nas mensagens eletrônicas antes reproduzidas. Se a MADEIREIRA HERVAL é detentora da marca no Brasil, deduzse que a FREE TRADE não possui liberdade para importar de acordo com as necessidades de mercado, mas é vinculada as necessidades indicadas pela MADEIREIRA HERVAL. Os elementos até aqui apresentados demonstram que a ocultada MADEIREIRA HERVAL, além de deter o controle total das importações realizadas, da mesma forma, controla toda a comercialização dos pneus em território nacional e, ainda que permita a FREE TRADE realizar algumas de suas vendas diretamente a terceiros, tal fato não é capaz de infirmar a acusação de interposição fraudulenta no presente caso. Isso se constitui em mais um elemento que confirma que a FREE TRADE não opera de forma autônoma como empresa comercial, mas tão somente age a serviço da MADEIREIRA HERVAL. Noticiase, ainda, nos autos que a FREE TRADE adota preços normalmente formados apenas pelo custo e valores para reposição de impostos. Disso resulta que em suas Fl. 6913DF CARF MF 42 operações com a MADEIREIRA HERVAL opera com margens de lucro baixas ou quase zero, em condições diferentes daquelas normais de mercado. Como se sabe, esse tipo de definição de preço de venda próximo ou abaixo do custo de importação é típico nas operações em que se dão por conta e ordem, na qual o importador ostensivo age como mero prestador de serviço, não guardando características de operação de compra e venda. Nesse cenário, restou comprovado nos autos que as margens de lucro praticadas nas operações de vendas da FREE TRADE para a MADEIREIRA HERVAL são definidas por essa última de acordo com os interesses do Grupo HERVAL. A mensagem eletrônica comercial (fl. 2.340), datada de 02/02/2009, do Sr. GERMANO GRINGS ao Sr. ARNALDO (contabilidade) ratifica esse entendimento de que, em relação às vendas internas feitas à MADEIREIRA HERVAL LTDA, não passam de meras transferências, distantes das condições normais de mercado: Arnaldo, ficou uma margem de 2.795 milhões para a Free, acho que isso encerra o ciclo do cambio, gostaria de diminuir a margem para 10% entre Free e Herval a partir de 01.02, verifica se é possível e conversa comigo segunda pela manhã. Carolina, antes de faturar qualquer coisa da Free para Herval, conversa comigo amanhã. Att Germano (negrito nosso) Tais fatos demonstram que a FREE TRADE não opera de forma autônoma na comercialização das mercadorias importadas no mercado interno, inexistindo, assim, nessas operações qualquer propósito negocial. A fim contestar essa constatação, a empresa discorreu longamente sobre o resultado anual da FREE TRADE que em alguns anos apresentou prejuízo, devido a fatores externos a atuação da empresa, e em outros apresentou resultado positivo. Afirma ainda que a Fiscalização não atentou para os fatos que afetaram o resultado da empresa, tais como a pena de perdimento aplicada em 2008 e a crise mundial no mesmo ano que causou um variação cambial absurda. Mas que, superados esses fatos excepcionais, a importadora FREE TRADE passou a apresentar lucros nos anos subseqüentes, inclusive recuperando os prejuízos que estavam se acumulando nos primeiros anos de operação. A Fiscalização verificou especificamente as operações de vendas de pneus da FREE TRADE para a MADEIREIRA HERVAL, nas quais constatou que os preços praticados entre elas eram próximos ao “preço de custo” (custo da mercadoria + tributos incidentes) ou com baixa margem de lucro. Isso denota na operação mais semelhanças com “transferência” do que com venda de mercadoria nas operações entre as empresas, uma vez que foge das condições normais de mercado. Quanto aos preços praticados bem abaixo aos de mercado nas operações de venda da FREE TRADE para a MADEIREIRA HEVAL, nada foi falado pela Recorrente. O fato também de nos últimos anos a empresa destinar parte das suas vendas (20%) para terceiros em condições normais de mercado, com margem de lucro de 126%, não altera a situação, pois como já demonstrado anteriormente, tais vendas somente são realizadas pela FREE TRADE com a autorização e controle da MADEIREIRA HERVAL que detém a Fl. 6914DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.894 43 exclusividade da marca HANKOOK no país, conforme restou demonstrado em várias mensagens de email antes reproduzidas e documentos constantes nos autos. Ou seja, ainda que parte das vendas sejam realizadas diretamente a terceiros, a importadora continua agindo a conta e ordem da MADEIREIRA HEVAL. Cabe ressaltar, que no julgamento do processo nº 10516.720006/201292, referente a multa de cessão de nome lavrada contra a empresa FREE TRADE, o Conselheiro Winderley Morais Pereira analisou a mesma situação fática envolvida e entendeu que constam nos autos elementos comprobatórios suficientes de suporte para a acusação fiscal de que a Recorrente (FREE TRADE) operou no comércio exterior cedendo o seu nome para que fossem realizadas operações de importação de terceiros, reais adquirentes da mercadoria. Reproduzse a seguir trechos do voto vencedor proferido que expressam o entendimento do Conselheiro quanto a matéria analisada: A Fiscalização identificou por diversos informações e documentos fiscais, a relação da Free Trade com a empresa Herval. O trabalho da auditoria da receita federal foi detalhado e consegue comprovar de forma cristalina, o modo de operação e a relação comercial e econômica entre as duas empresas. O relatório que consta do presente acórdão traz as comprovações das operações realizadas, bem como o relatório fiscal que motiva o lançamento (fls. 2227 a 2381). O trabalho realizado pela fiscalização aduaneira comprova que a Free Trade atuava em nome da Herval, as provas colhidas durante o trabalho fiscal não deixam dúvida, que a Free Trade além de fazer parte do mesmo grupo da Herval, apenas cedia o nome para as operações de importação. O eminente Redator designado prossegue a análise apresentando amostras de diálogos apreendidos pela Fiscalização representativos do controle da MADEIREIRA HERVAL sobre as importações realizadas em nome da FREE TRADE, bem como identifica e reproduz trechos do Termo de Verificação Fiscal que demonstram a relação de subordinação da última a primeira e, por fim, arremata a sua análise dos fatos e documentação dos autos nos seguintes termos: As informações citadas alhures é uma pequena amostra de todo o trabalho fiscal que além das conclusões traz cópias de mensagens e documentos que deixam prova robusta da que as operações de importação eram declaradas como de importação direta pela Free Trade, mas na verdade sempre tiveram como real adquirente a Madeira Herval. Depreendese, assim, que o conjunto de provas juntadas pela Fiscalização são robustas para demonstrar a ocorrência de interposição fraudulenta comprovada operada por meio da prática de atos simulados que visaram a ocultação do real adquirente da mercadoria, com consequente burla dos controles aduaneiros e economia no pagamento de tributos estaduais (ICMS) e federais (IPI), nos termos do art. 23, V, §1º do Decreto Lei nº 1.455/76. Restando comprovada a ocorrência da interposição fraudulenta, fica evidente a procedência da multa lançada. Subsidiariamente, a Recorrente solicita que os tributos incidente sobre as importações envolvidas no caso sejam abatidos do valor da multa lançada. Fl. 6915DF CARF MF 44 A “lei” prevê a não incidência dos tributos incidentes na importação nos casos de aplicada a pena de perdimento, porém, ressalva expressamente, mantendo a incidência, nos casos de não localização, consumo ou revenda, conforme as legislações indicadas a seguir. Assim, não há possibilidade de compensação no caso pois, conforme informado nos autos, as mercadorias não foram localizadas e, por isso, os tributos são devidos. Para o imposto de importação, inciso III, do § 4º, do artigo 1º, do Decreto Lei n° 37/66: Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) ... § 4o O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ... III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (negritos nossos) Para as contribuições incidentes na importação, inciso III, do artigo 2º, da Lei n° 10.865/04: Art. 2o As contribuições instituídas no art. 1o desta Lei não incidem sobre: ... III bens estrangeiros que tenham sido objeto de pena de perdimento, exceto nas hipóteses em que não sejam localizados, tenham sido consumidos ou revendidos; ...(negritos nossos) Quanto a excluir da autuação as vendas efetuadas para terceiros que não a Recorrente, também não pode prosperar, pois ainda que a menor parte dos pneus importados tenha sido destinada a terceiros não ligados ao grupo HERVAL, restou demonstrado nos autos que todas as importações de pneus foram realizadas de fato pela MADEIREIRA HERVAL, que se utilizou da FREE TRADE como interposta pessoa para efetuar tais operações. Assim, não apresenta diferença se a mercadoria foi destinada ao real importador ou diretamente a terceiros, pois também nesse último caso a venda foi realizada com a autorização e controle da MADEIREIRA HERVAL que detém a exclusividade da marca HANKOOK no país, fato comprovado nos autos. Assim, a destinação de parte das mercadorias a terceiros não ligados ao grupo HERVAL não tem potencial para infirmar a acusação de que a modalidade de importação realmente ocorrida se deu “Por Conta e Ordem”, ao invés da modalidade “Por Conta Própria” como consta nas Declarações de Importação. Dispositivo Fl. 6916DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.895 45 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 6917DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720494/2013-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010
VÍNCULO EMPREGATÍCIO. APURAÇÃO. COMPETÊNCIA.
A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho.
DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO COMPROVADA.
Não se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN quando comprovada a prática de ato simulado por parte do sujeito passivo, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do 1 dia do exercício seguinte, nos termos do artigo 173, I do mesmo código
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA.
A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação.
MULTA QUALIFICADA.
Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS.
Os valores recolhidos pelas empresas optantes pelo SIMPLES, cujos empregados foram caracterizados como da empresa principal podem ser deduzidos da base de cálculo. (Súmula CARF nº 76)
Numero da decisão: 2202-004.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que sejam deduzidos da base de cálculo da infração os recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do SIMPLES, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que negou provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010 VÍNCULO EMPREGATÍCIO. APURAÇÃO. COMPETÊNCIA. A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO COMPROVADA. Não se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN quando comprovada a prática de ato simulado por parte do sujeito passivo, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do 1 dia do exercício seguinte, nos termos do artigo 173, I do mesmo código ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS. Os valores recolhidos pelas empresas optantes pelo SIMPLES, cujos empregados foram caracterizados como da empresa principal podem ser deduzidos da base de cálculo. (Súmula CARF nº 76)
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13971.720494/2013-30
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897540
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.697
nome_arquivo_s : Decisao_13971720494201330.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 13971720494201330_5897540.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que sejam deduzidos da base de cálculo da infração os recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do SIMPLES, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que negou provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7409296
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586099744768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2014; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.878 1 1.877 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720494/201330 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.697 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente LULI INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010 VÍNCULO EMPREGATÍCIO. APURAÇÃO. COMPETÊNCIA. A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO COMPROVADA. Não se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN quando comprovada a prática de ato simulado por parte do sujeito passivo, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do 1 dia do exercício seguinte, nos termos do artigo 173, I do mesmo código ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 04 94 /2 01 3- 30 Fl. 1878DF CARF MF 2 Os valores recolhidos pelas empresas optantes pelo SIMPLES, cujos empregados foram caracterizados como da empresa principal podem ser deduzidos da base de cálculo. (Súmula CARF nº 76) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que sejam deduzidos da base de cálculo da infração os recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do SIMPLES, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que negou provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Conforme se verifica pelo Relatório Fiscal de fls. 1079/1107 tratam os presentes autos do lançamento de contribuições previdenciárias e obrigações acessórias correspondentes formalizado contra a Recorrente em virtude de serviços prestados por empregados das empresas OM TÊXTIL LTDA e TECELAGEM EMBALAGEM SALTO LTDA. De acordo com a fiscalização a Recorrente criou as duas empresas (OM TÊXTIL e TECELAGEM) para que pudesse optar pelo SIMPLES NACIONAL e, assim, efetuar o recolhimento a menor das contribuições previdenciárias. Embora a criação das empresas não seja vedada, a fiscalização apontou os seguintes fatos que demonstrariam a existência meramente formal das mencionadas empresas: a) os trabalhadores das empresas prestadoras de serviços, OM TÊXTIL e TEC. EMB. SALTO, trabalhavam na realidade para a empresa LULI. Essas empresas foram incorporadas pela empresa LULI em janeiro/2009; Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 13971.720494/201330 Acórdão n.º 2202004.697 S2C2T2 Fl. 1.879 3 b) a empresa LULI LTDA iniciou suas atividades em 02/01/1985, no endereço Praça Dr. Blumenau, 11, Centro, Blumenau/SC. Em 10/12/1998 mudouse para a Rua Engenheiro Udo Deeke, 600, Sala 01, Bairro Salto do Norte, Blumenau/SC, conforme 7ªAlteração Contratual, onde permanece até hoje; c) a empresa OM TÊXTIL LTDA ME iniciou suas atividades em 17/05/1999, no endereço Rua Ari Barroso, 80, Salto do Norte, Blumenau/SC, que fica nos fundos da empresa LULI. De acordo com os funcionários da empresa OM TÊXTIL o acesso à empresa sempre foi pela frente (do prédio da LULI), na Rua Udo Deeke, 600, concluindo que, de fato, a empresa instalouse no mesmo endereço da empresa controladora LULI, onde permaneceu até a data da incorporação; d) a empresa TECELAGEM E EMBALAGEM SALTO LTDA iniciou suas atividades em 01/06/1999, no endereço Rua Engenheiro Udo Deeke, 600, Bairro Salto do Norte, Blumenau/SC mesmo endereço da LULI , lá permanecendo até o momento de sua incorporação; e) as três empresas não possuem sede própria. O imóvel situado na Rua Engenheiro Udo Deeke, 600 foi locado pelas empresas e está registrado em nome da empresa PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS INA LTDA, a qual possuía atividades interligadas com as atividades da Recorrente, conforme objeto Social de cada uma em 2008; f) as empresas OM TÊXTIL e TEC. EMB. SALTO eram empresas meramente formais ou fictícias e que eram interligadas e operavam de fato como uma única empresa pois; f.1) quadro societário das empresas era composto por parentes dos proprietários da empresa LULI e/ou empregados e ainda exempregados; f.2) as empresas controladas instalaramse dentro da empresa controladora, LULI, sem qualquer distinção ou separação, como afirmaram os exempregados das empresas prestadoras de serviços (empregados atuais da LULI); f.3) no exercício de 01/2008 a 12/2008 o Capital Social da LULI era de R$ 15.000,00 (quinze mil reais). No mesmo período o Capital Social das empresas OM TÊXTIL e da TEC. EMB. SALTO era de R$ 5.000,00 (cinco mil reais); f.4) o patrimônio das empresas concentrase na empresa LULI, conforme Balancetes Contábeis que anexa (DOC. 11 a 13), pois as empresas OM TÊXTIL e TEC. EMB SALTO, não possuíam patrimônio nenhum, nem mesmo máquinas, cadeiras, ou um telefone, bem como mercadorias, salvo mercadorias de terceiros, lançadas na conta “1.1.4.04 CONTA DE COMPENSAÇÃO”; f.5) as empresas OM TÊXTIL e TEC. E BEM. SALTO eram deficitárias e acumulavam prejuízos; f.6) a Folha de Pagamento de Salários da empresa da LULI LTDA correspondeu a 4,2% (do Faturamento da empresa (R$ 53.797.950,57), enquanto que o Faturamento das empresas Prestadoras de Serviços foi insuficiente para cobrir o valor da Folha de Pagamento; Fl. 1880DF CARF MF 4 f.7) a empresa LULI possuía custos excessivos se comparados com as empresas prestadoras de serviços, considerando que aquela possuía uma média de 134 (cento e trinta e quatro) funcionários e as empresas terceirizadas (somadas) uma média de 320 (trezentos e vinte); f.8) as empresas OM TÊXTIL e TEC. E EMB. SALTO nada pagavam a título de Água, Energia Elétrica, Telefone, Manutenções de Instalações, Máquinas e Equipamentos, Móveis e Utensílios. Também não tinham custos com Material de Segurança, Materiais de Consumo, Expediente e Limpeza. Tais custos corriam por conta da empresa LULI, em cuja contabilidade eram lançados; g) em razão da incorporação das empresas OM TÊXTIL e TEC. EMB. SALTO, em janeiro/2009, pela empresa LULI, aquelas foram declaradas extintas, conforme Décima Terceira Alteração e Consolidação do Contrato Social. A maioria dos empregados das empresas incorporadas migraram para a empresa LULI em janeiro/2009, sem efetuarem a Rescisão de Contrato de Trabalho e com a mesma data de admissão que haviam sido registrados nas empresas incorporadas; h) de acordo depoimentos de alguns exfuncionários das empresas incorporadas nunca houve mais de uma empresa. Afirmaram que as empresas operavam em conjunto e alguns funcionários sequer sabiam da existência de outras empresas no local. A maioria dos funcionários não conhecia os sócios da empresas incorporadas. Reconheciam proprietários das mesmas os Srs. JAIR CORDEIRO e LUZIA CORDEIRO (LULI). Além disso, confirmaram que o acesso às três empresas sempre foi pela porta principal da empresa LULI; que sempre houve um só Escritório, um RH, uma Portaria e um Refeitório; e assim permanece até hoje; Em decorrência dos fatos relatados a fiscalização entendeu que os empregados e sócios formais das empresas OM TÊXTIL e TEC. EMB. SALTO atendem aos pressupostos necessários à caracterização de segurados empregados da empresa LULI LTDA, conforme o disposto no art. 3º da CLT e no art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei n.º 8.212/91: Pessoalidade; NãoEventualidade; Subordinação e Onerosidade; Além disso, a fiscalização considerou que as empresas LULI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA e PARTICIPAÇÕES INA LTDA configuram um Grupo Econômico de Fato, uma vez que possuem os mesmos sócios. Essa identidade do quadro societário se dá porque JAIR CORDEIRO e LUZIA CORDEIRO, possuem o usufruto vitalício dos bens e quotas doadas para as filhas KATIUSCIA, CAMILA e CELINA. Diante disso, são, indiretamente, proprietários da empresa INA, possuindo o direito de extinguir a sociedade a qualquer tempo; O lançamento se fundamentou nos art. 121, 124, 128, 134 e 135 do CTN; art. 2º, § 2º da Consolidação das Leis do Trabalho; art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212, de 24/07/1991; Em virtude da edição da Lei 11.941/2009 foi efetuado comparativo entre as multas do CFL 68 + multa de mora x Multa de Ofício de 75%, (Período 01/2008 a 11/2008) a fim de verificar qual a multa mais benigna, conforme demonstrativo em anexo, “SAFIS – Comparação de Multas” e, no período autuado (01/2008 a 11/2008) a multa menos severa foi a anterior à vigência da Lei 11.941/2009; Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 13971.720494/201330 Acórdão n.º 2202004.697 S2C2T2 Fl. 1.880 5 Na competência 12/2008 foi aplicada a multa de ofício qualificada (art. 35A da lei 11.941/2009, c/c art. 44 da Lei 9.430/96) por restar caracterizada a prática de sonegação, conforme artigo 71 da Lei 4.502/64; Foi também efetuado o lançamento da obrigação acessória no AI DEBCAD Nº 37.359.3767 (CFL 68), por ter a empresa elaborado a GFIP no período de 01/2008 a 11/2008 com dados não correspondentes a todas as contribuições previdenciárias ( art. 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela lei 9.528/97, combinado com o artigo 225, IV, parágrafo 4o., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99); A impugnante (LULI) e os sujeitos passivos solidários (Luzia Cordeiro e Participações e Investimentos INA Ltda) foram notificadas dos Autos de Infração e apresentaram suas respectivas impugnações alegando, resumidamente, o seguinte: a) Erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que os fatos geradores (vínculos empregatícios) não estavam atrelados diretamente a ela, mas, sim, às reais empregadoras ("Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. ME e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME") cuja existência é admitida pela fiscalização, tanto que nenhum procedimento foi adotado para desconstituílas. Defende que o lançamento tributário deveria ter sido formulado contra o contribuinte direto, cabendo à autuada, empresa Luli Ltda, apenas a responsabilização como coobrigada (responsável). b) Incompetência da Previdência Social Para Reconhecer Vínculo Empregatício, pois somente o Juiz do Trabalho, na sua função inquisitória, é competente para declarar a qualificação de um determinado vínculo jurídico de trabalho, conforme previsão expressa contida no art. 114 da Constituição Federal de 1988, a qual não pode ser derrogada por normativas de inferior hierarquia. c) Decadência do Direito de Lançar, uma vez que vez que entre a ocorrência do fato gerador (jan/08 e fev/08) e a data da formalização do lançamento (mar/13), transcorrera mais de cinco (05) anos. Afirma que não houve a comprovação da prática de ato doloso, fraudulento ou simulado, o que torna impossível transmudar a regra do prazo decadencial fincada no artigo 150, §4°, para o artigo 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. d) Inexistência de Vínculo Direto Para Fins de Recolhimento Previdenciário, pois em nenhum momento restou comprovado que a autuada detinha qualquer relação com as empresas desconstituídas, anteriormente ao ano de 2009 (quando então adquiriuas por incorporação). d.1) A manifestação unilateral do fiscal é incipiente para embasar a desconsideração da existência das empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME e a interferência na esfera jurídicopatrimonial da insurgente é medida extrema, que não pode estar lastreada em dúvida, como ocorre no presente caso d.2) As empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME detinham vida própria, inclusive com a prestação de serviços para várias empresas do mercado, conforme registros anexados da empresa Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda cujo registro contábil demonstra contas à receber de vários clientes, inclusive empresas de grande porte, tais como Malharia Kyly, Malhas Soft, Hering, entre outros. Fl. 1882DF CARF MF 6 d.3) no período fiscalizado a empresa Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME vinha prestando serviços exclusivos à autuada em face das peculiaridades que norteavam seus produtos, como também, porque encontravase com sua capacidade produtiva totalmente voltada para tal fim. d.4) Defende que não se afigura razoável sustentar a autuação fiscal em meros registros contábeis de uma empresa de pequeno porte, porque a contabilização dos atos e fatos econômicos nestas sociedades nem sempre se afiguram exatos, vez que contabilização completa dos eventos importaria em gastos excessivos para uma sociedade de pequeno porte, como àquelas que a fiscalização supõe serem "de fachada" d.5) Alega que a coleta dos depoimentos dos funcionários não foi acompanhada pela impugnante, de forma que podem ter sido coletados de forma direcionada, através da formulação de perguntas induzidas ou distorcidas a pessoas simples, que não detém conhecimento acerca dos negócios, nem tampouco detém capacidade para compreensão da sistemática de funcionamento das instituições, de forma que não podem ser considerados em nenhuma hipótese, por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa e) Inexistência de Grupo Econômico de Fato e Solidariedade Tributária, pois este requer a "coligação" e/ou o "controle", haja vista que as sociedades fiscalizadas sequer detêm investimentos (relevantes ou irrelevantes) em outras empresas, quanto menos, nas empresas fiscalizadas. e.1) Defende que no presente caso também não se identifica a "combinação de esforços de sociedades para realizar seus objetivos sociais" haja vista tratarse de 03 (três) sociedades distintas e autônomas, com quadro societário, funcional, atividade, objeto e endereços absolutamente distintos, não denotando qualquer ligação as mesmas. e.2) Ressalta que há absoluta distinção dos sócios das empresas envolvidas e que todas as empresas possuem sócios pessoas físicas, o que, por si só afasta a possibilidade de coligação ou controle necessário para caracterizar o "Grupo Econômico de Fato". e.3) Contesta que o simples fato de alguns dos sócios das sociedades terem sido empregados ou deter quaisquer outro laço com outras empresas, em especial, da empresa autuada, não pode ser considerado como elemento para caracterização de grupo econômico;. e.4) Assinala que as atividades e objeto social das empresas são absolutamente distintas, sendo a autuada empresa especializada na produção de artigos têxteis, ao passo que as empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME destinamse a atividades próprias, de tinturaria, estamparia, tecelagem, entre outros, o que afasta ainda mais a possibilidade de caracterização de qualquer tipo de vínculo entre as sociedades, pois a identidade de objeto e atividade para a caracterização do "grupo econômico de fato" deve ser tal, a ponto de causar verdadeira confusão entre as atividades, não se sabendo onde termina uma e começa a outra. f) Quantificação da Base de Cálculo e Compensação dos Tributos Recolhidos Pondera que, na hipótese de mantença da exigência fiscal, deve ser excluído da base de cálculo do lançamento, o valor relativo ao recolhimento da contribuição previdenciária patronal, já recolhido pelo real empregador, pelo sistema Simples de recolhimento de tributos, no período autuado, a fim de se proceder a devida compensação e evitar dupla incidência, uma vez que as empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME procederam à regular recolhimento das obrigações previdenciárias pelo Simples Nacional. Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 13971.720494/201330 Acórdão n.º 2202004.697 S2C2T2 Fl. 1.881 7 g) Pleiteia que, na hipótese de não admissão da compensação requerida no tópico anterior, seja reconhecido o direito da autuada ao ressarcimento dos valores pagos a título de Simples pelas empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME. h) Discorda do entendimento do agente fiscal quando afirma que os atos praticados pela autuada caracterizam as hipóteses de "sonegação" e de "conluio" (arts. 71 e 73 da Lei n. 4.502/1964), motivando assim a aplicação da multa qualificada (150%), com fulcro no art. 44 da Lei . 9.430/1996. i) Aponta que a prevalência do presente AI relativo à obrigação acessória (CFL 68) encontrase diretamente ligada a subsistência da imposição fiscal principal de forma que, inexistindo o reconhecimento de formação de "grupo econômico de fato" entre as empresas fiscalizadas e a condição da autuada como empregadora dos segurados das empresas "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. ME" e "Tecelagem e Embalagens Salto Ltda. ME", não pode ser imposta a autuada penalidade pelo não reconhecimento dos segurados como seus funcionários. As responsáveis solidárias apresentaram as seguintes alegações a) que a responsabilidade tributária mencionada na autuação em nada se difere da responsabilidade comum, decorrente da culpa, de forma que a simples invocação dos dispositivos mencionados no AI não se constitui em fundamento autônomo para responsabilização do impugnante. a) as disposições legais contidas nos art. 121, 124 e 128 nas quais se fundamenta o lançamento, são apenas remissivas, não atribuindo nenhuma responsabilidade específica; b) a fundamentação do art. 134, inciso III do CTN detém destinação específica, não podendo ser utilizado para a hipótese de responsabilização do 'administrador' da sociedade, vez que confere responsabilidade aos "administradores de bens de terceiros", hipótese esta que não se alinha à condição da impugnante que é detentora de quotas sociais; c) excluemse as hipóteses mencionadas nos incisos I e II do art. 134, pois não foi mencionada nenhuma das pessoas ali, bem como não há que se falar aqui em 'mandatário', prepostos e empregados, no presente caso; d) a hipótese do art. 135, inciso III, do CTN, única viável por se alinhar à condição da impugnante de administradora, não trata de responsabilidade solidária, mas sim de responsabilidade pessoal, de forma que na sua aplicação pressupõe a exclusão da pessoa jurídica do pólo passivo, o que não ocorreu no presente caso; além do quê também não ocorreu a prática de atos praticados com "excesso de poderes" ou "infração de lei, contrato social ou estatutos", e) o art. 2º, § 2° da CLT e o art. 30, inciso IX da Lei n. 8.212/1991, não tem aplicabilidade nesta hipótese visto que tratam de 'grupo econômico', o que não se alinha à responsabilização pessoas de sócios ou administradores, cuja fundamentação legal é outra, bem diversa. Fl. 1884DF CARF MF 8 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém julgou improcedente a impugnação em decisão cuja a ementa é a seguinte (fls. 1705/1707): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 SIMULAÇÃO. PRAZO DE DECADÊNCIA. Em caso simulação, o prazo de decadência, é contado segundo a regra do inciso I do art. 173 do CTN. SIMULAÇÃO. A constatação de negócios simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato, devendo o correspondente tributo ser exigido da pessoa que efetivamente teve relação pessoal e direta com o fato gerador. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS SIMULADOS. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. A fiscalização tem o dever de desconsiderar os atos e negócios jurídicos simulados, a fim de aplicar a lei sobre os fatos geradores efetivamente ocorridos. Esse dever está implícito na atribuição de efetuar lançamento e decorre própria essência da atividade de fiscalização tributária, que deve buscar a verdade material, com prevalência da substância sobre a forma. VÍNCULO TRABALHISTA FORMALIZADO COM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA OPERACIONAL E PATRIMONIAL. SIMULAÇÃO CARACTERIZADA. A ausência de atividade econômica própria e de autonomia operacional e patrimonial da empresa optante pelo Simples Nacional caracteriza a ocorrência de simulação na formalização de contratos de trabalho, tornando cabível a caracterização do vínculo dos segurados com a verdadeira empregadora, da qual deve ser exigido o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento. Presente os requisitos da relação de emprego é cabível à autoridade fiscal a caracterização dos segurados empregados de uma empresa como trabalhadores de outra, tendo em vista que a legalidade formal dos contratos celebrados não se sobrepõe à realidade fática encontrada na empresa, em decorrência do princípio da primazia da realidade e da busca da verdade material, norteadores do contencioso administrativo. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. OCORRÊNCIA Identificada a infração à lei, é imputada aos sócios administradores a responsabilização solidária do artigo 135, inciso III, do CTN. Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 13971.720494/201330 Acórdão n.º 2202004.697 S2C2T2 Fl. 1.882 9 RECOLHIMENTOS. COMPENSAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DO SIMPLES FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. Não se pode acolher pedido de compensação da dívida do contribuinte com recolhimentos ao SIMPLES em razão de vedação legal, de os recolhimentos apontados terem sido efetuados por terceiro e com a utilização do artifício da simulação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. Comprovada a intenção de impedir/ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária das contribuições sociais previdenciárias e modificar suas características de modo a reduzir o montante do tributo devido, resta caracterizada a sonegação e a fraude, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Constitui infração à legislação previdenciária, sujeita a multa variável em função do número de segurados da empresa, deixar de entregar, mensalmente, GFIP na rede bancária autorizada, com as informações acerca dos fatos geradores das contribuições previdenciárias e outras do interesse da RFB. Constatado que a empresa apresentou suas GFIP omitindo as informações referentes aos segurados empregados registrados formalmente em empresas interpostas para simular o real vínculo empregatício, cabe a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória, relativa à omissão de fato gerador em GFIP. PROVAS. JUNTADA POSTERIOR. INDEFERIMENTO A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; que se refira a fato ou a direito superveniente;ou que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Considerase existente grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. Caracterizada a existência do Fl. 1886DF CARF MF 10 “grupo”, impõese a imputação de responsabilidade solidária a cada um seus integrantes, pelo cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, por expressa determinação contida no inciso IX do art. 30 do referido normativo. DILAÇÃO PROBATÓRIA. Regra geral, toda prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito do interessado fazêlo em momento processual diverso. Inteligência dos artigos 15 e 16 do Decreto n.º 70.235/72. Cientificado da decisão acima (AR´s fls. 1752 e 1755), o contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram os Recursos Voluntários de fls. 1757 à 1801 (Luli Indústria e Comercio), fls. 1820 à 1841 (Participações INA), fls. 1852 à 1874 nos quais reiteram as alegações formuladas quando das Impugnações. É o Relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, deles conheço. Conforme se verifica pelo Relatório fiscal o lançamento centrase em 3 questões: a) Existência da denominada "pejotização" (contratação de empregado por meio de pessoas jurídicas para reduzir os custos previdenciários e trabalhistas) b) Lançamento de obrigações acessórias relativas às contribuições sobre os empregados contratados por meio de pessoa jurídica. c) Lançamento da multa agravada de 150% sobre os valores não recolhidos. d) Responsabilidade solidária da Empresa INA Participações em função da caracterização de grupo econômico. f) Responsabilidade solidária da sócia Luzia Cordeiro por atos praticados com excesso de poderes, infração à lei ou estatutos (art. 135, III do CTN). 1) PRELIMINARES 1.1) Erro na identificação do sujeito passivo. A preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, tendo em vista a ausência do procedimento de desconsideração das pessoas jurídicas por meio das quais foi efetuada a pejotização se confunde com o mérito e, por isso, será juntamente com ele analisada. Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 13971.720494/201330 Acórdão n.º 2202004.697 S2C2T2 Fl. 1.883 11 1.2) Incompetência da Previdência Social para reconhecer vínculo empregatício. Alega o Recorrente que somente o Juiz do Trabalho, na sua função inquisitória, é competente para declarar a qualificação de um determinado vínculo jurídico de trabalho, conforme previsão expressa contida no art. 114 da Constituição Federal de 1988, a qual não pode ser derrogada por normativas de inferior hierarquia. Antes de mais nada é importante registrar que, conforme previsto da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, alegações de inconstitucionalidade da legislação previdenciária não podem ser conhecidas. A competência para que a fiscalização reconheça o vínculo laboral vem expressamente prevista no artigo 229, §2º do Regulamento da Previdência Social que assim dispõe: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado O Superior Tribunal de Justiça, por sua vez, já se manifestou, diversas vezes, quanto a possibilidade de reconhecimento de vínculo laborar pela fiscalização para efeito de cobrança das contribuições previdenciárias PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. FISCALIZAÇÃO DE EMPRESA. CONSTATAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO DECLARADO. COMPETÊNCIA. AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (...) II O INSS, "ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte, possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços.Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação" (REsp nº 515.821∕RJ, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 25.04.2005). III Destaquese que remanesce hígida a competência da Justiça do Trabalho na chancela da existência ou não do aludido vínculo empregatício, na medida em que: "O juízo de valor do Fl. 1888DF CARF MF 12 fiscal da previdência acerca de possível relação trabalhista omitida pela empresa, a bem da verdade, não é definitivo e poderá ser contestado, seja administrativamente, seja judicialmente" (REsp nº 575.086∕PR, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 30.03.2006). (grifamos) Improcedente, portanto, a preliminar suscitada. 1.3) Da decadência Alega a Recorrente que entre a ocorrência do fato gerador (jan/08 e fev/08) e a data da formalização do lançamento (mar/13), transcorrera mais de cinco (05) anos, ocorrendo, portanto, a decadência do direito de lançar em relação à essas competências. Verificase que o pressuposto essencial da alegação de decadência é o de que a contagem do prazo deveria ser feita a partida da data da ocorrência do fato gerador, nos termos previstos no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Ocorre que, conforme demonstrado no relatório, o pressuposto da presente autuação é a simulação da prestação de serviços por meio de empresas meramente formais. Conforme restará demonstrado da análise do mérito, entendo que a simulação restou satisfatoriamente demonstrada, motivo pelo qual a contagem do prazo decadencial deverá ser feita a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme previsto no artigo 173 do Código Tributário Nacional. Sendo assim, as competências relativas ao ano de 2008, não estão abrangidas pela decadência, uma vez que a ciência ocorreu em 27/03/2013 e o prazo do fisco efetuar o lançamento somente se esgotaria em 31/12/2013 para as competências 01 a 11 e 13/2008 e 31/12/2014 para o mês 12/2008. 2) MÉRITO 2.1) DA "PEJOTIZAÇÃO" ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO DIREITO PARA FINS DE RECOLHIMENTO PREVIDENCIÁRIO. Alega a Recorrente que inexiste vinculo para fins de recolhimento pois em nenhum momento restou comprovado que a autuada detinha qualquer relação com as empresas desconstituídas, anteriormente ao ano de 2009 (quando então adquiriuas por incorporação), sem, contudo, demonstrar satisfatoriamente a existência autônoma das empresas utilizadas para redução dos recolhimentos previdenciários. Por outro lado, o extenso conjunto probatório trazido aos autos no trabalho fiscal deixa clara a inexistência das referidas pessoas jurídicas. Tais fatos, como já evidenciado no relatório, permitem concluir pela existência de vínculo de emprego diante da presença dos elementos de onerosidade, subordinação e habitualidade constantes do artigo 12 da Lei 8.212/91. Tais elementos podem ser identificados pelas seguintes situações, já descritas no relatório: a) As empresas LULI LTDA, OM TÊXTIL E TECELAGEM E EMBALAGEM SALTO ALTO estavam localizadas no mesmo endereço na a Rua Engenheiro Udo Deeke, 600, Sala 01, Bairro Salto do Norte, Blumenau/SC b) quadro societário das empresas era composto por parentes dos proprietários da empresa LULI e/ou empregados e ainda exempregados; Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 13971.720494/201330 Acórdão n.º 2202004.697 S2C2T2 Fl. 1.884 13 c) no exercício de 01/2008 a 12/2008 o Capital Social da LULI era de R$ 15.000,00 (quinze mil reais). No mesmo período o Capital Social das empresas OM TÊXTIL e da TEC. EMB. SALTO era de R$ 5.000,00 (cinco mil reais); d) o patrimônio das empresas concentrase na empresa LULI, conforme Balancetes Contábeis que anexa (DOC. 11 a 13), pois as empresas OM TÊXTIL e TEC. EMB SALTO, não possuíam patrimônio nenhum, nem mesmo máquinas, cadeiras, ou um telefone, bem como mercadorias, salvo mercadorias de terceiros, lançadas na conta “1.1.4.04 CONTA DE COMPENSAÇÃO”; e) as empresas OM TÊXTIL e TEC. E BEM. SALTO eram deficitárias e acumulavam prejuízos; f) a Folha de Pagamento de Salários da empresa da LULI LTDA correspondeu a 4,2% (do Faturamento da empresa (R$ 53.797.950,57), enquanto que o Faturamento das empresas Prestadoras de Serviços foi insuficiente para cobrir o valor da Folha de Pagamento; g) a empresa LULI possuía custos excessivos se comparados com as empresas prestadoras de serviços, considerando que aquela possuía uma média de 134 (cento e trinta e quatro) funcionários e as empresas terceirizadas (somadas) uma média de 320 (trezentos e vinte); h) as empresas OM TÊXTIL e TEC. E EMB. SALTO nada pagavam a título de Água, Energia Elétrica, Telefone, Manutenções de Instalações, Máquinas e Equipamentos, Móveis e Utensílios. Também não tinham custos com Material de Segurança, Materiais de Consumo, Expediente e Limpeza. Tais custos corriam por conta da empresa LULI, em cuja contabilidade eram lançados; i) em razão da incorporação das empresas OM TÊXTIL e TEC. EMB. SALTO, em janeiro/2009, pela empresa LULI, aquelas foram declaradas extintas, conforme Décima Terceira Alteração e Consolidação do Contrato Social. A maioria dos empregados das empresas incorporadas migraram para a empresa LULI em janeiro/2009, sem efetuarem a Rescisão de Contrato de Trabalho e com a mesma data de admissão que haviam sido registrados nas empresas incorporadas; j) de acordo depoimentos de alguns exfuncionários das empresas incorporadas nunca houve mais de uma empresa. Afirmaram que as empresas operavam em conjunto e alguns funcionários sequer sabiam da existência de outras empresas no local. A maioria dos funcionários não conhecia os sócios da empresas incorporadas. Reconheciam proprietários das mesmas os Srs. JAIR CORDEIRO e LUZIA CORDEIRO (LULI). Além disso, confirmaram que o acesso às três empresas sempre foi pela porta principal da empresa LULI; que sempre houve um só Escritório, um RH, uma Portaria e um Refeitório; e assim permanece até hoje; O conjunto de indícios trazidos pela fiscalização permitem concluir pela inexistência fática das pessoas jurídicas. Nesse sentido, valiosas as ponderações de FÁBIO PIOVESAN BOZZA: Por se tratar de prova indireta, a conclusão sobre a existência do fato principal desconhecido, a partir do indício, estará sujeita Fl. 1890DF CARF MF 14 a diferentes graus de crença. Se o fato desconhecido pode ter multiplicidade de causa, ou ser causa de muitos efeitos, o indício isolado perde a força e impede o emprego da presunção. Por isso o quadro de indícios deve ser: (i) preciso: o fato controvertido deve ter ligação direta com o fato conhecido, podendo dele extrair consequências claras e efetivamente possíveis, a ponto de rechaçar outras possíveis soluções; (ii) grave: resultante de uma forte probabilidade e capacidade de induzir à persuasão; (iii) harmônico: com indícios concordantes entre si e não contraditórios, os quais convergem para a mesma solução, de modo a aumentar o grau de confirmação lógica sobre uma dada ilação. (BOZZA, Fábio Piovesan Planejamento Fiscal e Autonomia Privada ed. Quartier Latin, p. 193) (grifos no original) Dessa forma, improcedente as alegações de ilegitimidade do lançamento no perante a Recorrente. Isso porque restou demonstrada a simulação. O Código Civil, ao tratar dos efeitos dos negócios jurídicos simulados, assim dispõe: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados (grifamos) A Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF reconheceu a simulação e a validade do lançamento efetuado em situações como a dos autos (interposição se pessoas jurídicas), conforme se verifica pelo acórdão CSRF/0105.543 que recebeu a seguinte ementa: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – INTERPOSTA PESSOA – SIMULAÇÃO. Comprovada a interposição fictícia de pessoa jurídica, deve o fisco exigir o imposto do beneficiário da renda tributável auferida em nome da empresa individual. O artigo 149 do CTN, VII, autoriza realizar o lançamento de ofício diretamente naquele que agiu com dolo, fraude ou simulação, afastandose os sujeitos aparentes, cuja constituição formal visava apenas ocultar os reais titulares da renda. Essa, aliás, é a também regra inscrita na Lei nº 9.430/96, art. 42, § 5º, que determina que, no caso de interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito bancário. SOCIEDADE DE FATO – evidenciada a existência de vários beneficiários do ilícito, organizados sobre a gerência do principal interessado, configurase a sociedade de fato e a imputação de responsabilidade tributária por força do interesse comum (art. 124, I, do CTN). LEGITIMIDADE PROCESSUAL – Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 13971.720494/201330 Acórdão n.º 2202004.697 S2C2T2 Fl. 1.885 15 Admitese a defesa administrativa dos responsáveis solidários no processo administrativo fiscal, por força do disposto no art. 58 da Lei nº 9.784/99, que atribui legitimidade aqueles cujos interesses forem indiretamente afetados pela decisão. COMPETÊNCIA – Dada a identificação dos coresponsáveis pelo pagamento da obrigação tributária, é legitima sua inclusão no lançamento de ofício (art. 202 do CTN). Entendemos que, em situações como essa, não há que se falar em desconsideração da pessoa jurídica, pois esse procedimento pressupõe a existência material das empresas interpostas. Nos termos do artigo 149, inciso VII do CTN, a autoridade fiscal está autorizada a rever de ofício o lançamento e exigir o tributo diretamente daquele que agiu com dolo ou simulação, afastando o sujeito aparente. Por fim, a alegação de que o fato das provas testemunhais terem sido colhidas unilateralmente pela fiscalização maculariam a conclusão do trabalho fiscal por ofensa ao princípio do contraditório não se sustenta. Em primeiro lugar, porque os depoimentos dos funcionários são apenas um dos diversos indícios trazidos no trabalho fiscal. Além disso, não há se que falar em contraditório no procedimento de fiscalização, uma vez que esse é, essencialmente, inquisitorial, não havendo, portanto que se falar em contraditório de ampla defesa. Nesse sentido esclarecedoras as lições de JAMES MARINS: Na etapa fiscalizatória, não há porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento ou de imposição de penalidades e sua respectiva impugnação. Nesse caso, por já estar configurada a litigiosidade diante da pretensão estatal (tributária ou sancionatória) poderá haver fiscalização com o objetivo de carrear provas ao Processo Administrativo. A fiscalização levada a efeito como etapa preparatória do ato de lançamento tem caráter meramente procedimental. Disso decorre que as discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial as garantias do due process of law, confundem momentos logicamente distintos. Primeiramente, não há processo, há procedimento que atende a interesses da Administração. O escopo de tal procedimento é justamente fundamentar um ato de lançamento e, em certos casos, instruir um eventual processo futuro. “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte. É justamente a presença, ou não, de uma pretensão deduzida ante ao contribuinte, que separa o procedimento, atinente exclusivamente ao interesse do Estado, do processo, que vincula, além dos Estado, o contribuinte.” (MARINS, James – Direito Processual Tributário Brasileiro – ed. Dialética, 4ª edição, p. 231) Sendo assim, não há que se falar no direito ao contraditório pleiteado pela Recorrente. Fl. 1892DF CARF MF 16 2.2) INEXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO Alega a Recorrente a inexistência de grupo econômico de fato e solidariedade tributária, pois este requer a "coligação" e/ou o "controle", haja vista que as sociedades fiscalizadas sequer detêm investimentos (relevantes ou irrelevantes) em outras empresas, quanto menos, nas empresas fiscalizadas. Assinala que as atividades e objeto social das empresas são absolutamente distintas, sendo a autuada empresa especializada na produção de artigos têxteis, ao passo que as empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME destinamse a atividades próprias, de tinturaria, estamparia, tecelagem, entre outros, o que afasta ainda mais a possibilidade de caracterização de qualquer tipo de vínculo entre as sociedades, pois a identidade de objeto e atividade para a caracterização do "grupo econômico de fato" deve ser tal, a ponto de causar verdadeira confusão entre as atividades, não se sabendo onde termina uma e começa a outra. Improcedentes as alegações do Recorrente. Isso porque, como bem observado pela decisão recorrida: Todavia, examinando os autos não se constata a caracterização de grupo econômico entre a empresa Luli Ltda e as empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda ME, nos moldes combatido na impugnação. Segundo o Relatório Fiscal em seu item 25, bem como os termos de Sujeição Passiva Solidária 1 e 2 (fls. 1158 a 1161) houve tão somente a caracterização de grupo econômico e configuração de solidariedade entre a autuada e a empresa PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS INA LTDA e a sócia administradora, LUZIA CORDEIRO. Em relação à responsabilidade da sócia Luzia Cordeiro entendo que uma vez comprovada a prática de simulação, correta a imputação da responsabilidade solidária prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional. 2.3) DA QUANTIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO E COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES Pleiteia a Recorrente que seja excluído da base de cálculo do presente lançamento, os valores relativos à contribuição previdenciária patronal recolhidos pelas empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME no sistema Simples no período autuado, a fim de evitar dupla incidência. Entendo corretas as alegações da Recorrente. Ao desconsiderar a existência das demais pessoas jurídicas a conseqüência natural é admitir que os pagamentos por elas realizados, foram, na verdade, efetuados pela Recorrente. Esse entendimento é corroborado pela Súmula CARF nº 76 que assim dispõe: Súmula CARF nº 76 na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Em face dos exposto, entendo que deve ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 13971.720494/201330 Acórdão n.º 2202004.697 S2C2T2 Fl. 1.886 17 2.4) DA MULTA AGRAVADA Alega a Recorrente que não houve, no caso dos autos, dolo fraude ou simulação, mas mera divergência quanto a interpretação dos conceitos da legislação de regência. Nesse ponto, como já extensamente demonstrado pelo trabalho fiscal e pela decisão recorrida, entendo que resta claramente demonstrada a simulação da qualidade de "sócios" por parte da Recorrente para se esquivar das suas obrigações tributárias e trabalhistas. Sendo assim, considero correto o procedimento fiscal e a decisão recorrida, devendo ser mantida a penalidade qualificada, porquanto aplicada nos exatos termos das disposições contidas no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Em face do exposto, entendo correta a imputação da multa qualificada. 2.5) DA INCORRETA APLICAÇÃO DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Conforme afirma a própria Recorrente a prevalência do lançamento relativo à obrigação acessória está diretamente ligada a imposição fiscal. Sendo assim, uma vez que evidenciado nos autos que os empregados constantes das folhas de pagamento das empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. ME e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME, eram na verdade empregados da autuada, cabia a esta a inclusão dos mesmos nas suas GFIP, como sujeito passivo da obrigação tributária acessória, obrigada, portanto, ao cumprimento de obrigações que constituam um fazer ou não fazer determinado em lei, não sendo possível atribuir essa responsabilidade a terceiros. Em face disto também não há que se cogitar em descumprimento parcial da obrigação de prestar informações com redução do percentual de multa aplicável. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso para que sejam deduzidos da base de cálculo recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do SIMPLES, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Fl. 1894DF CARF MF 18 (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 1895DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13909.000006/2002-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
Não existe previsão legal para incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois antes deste prazo não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência.
Numero da decisão: 9303-006.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a aplicação da Taxa SELIC apenas a partir de 360 dias do protocolo do pedido. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois antes deste prazo não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13909.000006/2002-75
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891813
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.801
nome_arquivo_s : Decisao_13909000006200275.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 13909000006200275_5891813.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a aplicação da Taxa SELIC apenas a partir de 360 dias do protocolo do pedido. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7390964
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586120716288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 786 1 785 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13909.000006/200275 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.801 – 3ª Turma Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria RESSARCIMENTO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MACSOL MANUFATURA DE CAFÉ SOLÚVEL LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois antes deste prazo não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reconhecer a aplicação da Taxa SELIC apenas a partir de 360 dias do protocolo do pedido. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 9. 00 00 06 /2 00 2- 75 Fl. 786DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 787 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 739 a 745), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, contra o Acórdão 340200.536, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 728 a 736), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS A PESSOAS FÍSICAS E SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCLUSÃO. LEI 9.363/96 IN/SRFs nºs 23/97 e 103/97. RESTRIÇÕES INDEVIDAS. ARTS. 96, 99 E 100 DO CTN. Incluemse na base de cálculo do beneficio as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem a pessoas físicas e a cooperativas de produtores, ainda que não tenham sofrido a incidência da contribuição para o PIS e da COFINS. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1°, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do beneficio do crédito presumido do IPI as aludidas aquisições feitas de pessoas físicas e de cooperativas de produtores, incidindo em violação ao disposto nos arts. 96,99 e 100 do CTN. CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição a partir de 01.01.96 (art. 39, § 40 da Lei n° 9.250/95) e, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, a referida Taxa incide também sobre o ressarcimento de créditos de IPI. Precedentes da CSRF. Recurso Provido em Parte. Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 752), a PGFN contesta tãosomente a aplicação da Taxa SELIC, alegando que “... além de inexistir previsão legal, aqui não há repetição, porque não há pagamento indevido ou a maior que o devido”, ou seja, o ressarcimento não é espécie do gênero restituição, tratandose de institutos completamente distintos. O contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 788 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas as formalidades previstas no RICARF, pelo que dele conheço. A matéria que nos foi trazida à apreciação restringese à atualização monetária pela aplicação da Taxa SELIC no caso de Pedidos de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI. Utilizome aqui do Voto Vencedor do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, no Acórdão nº 9303005.425, desta mesma 3º Turma da CSRF: A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp n° 1.035.847 e no REsp n° 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, Fl. 788DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 789 4 descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp n° 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) Fl. 789DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 790 5 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidência da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividemse em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção dariase somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do Fl. 790DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 791 6 protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidência da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp n° 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5°, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: ..........) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7°, § 2°, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7° O procedimento fiscal tem início com: Fl. 791DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 792 7 o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1°, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução Fl. 792DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 793 8 aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Pareceme um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Assim, no presente processo, tendo entendido a turma de julgamento, a despeito de voto contrário deste julgador, que é possível o aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre os serviços de industrialização por encomenda, sobre esta parcela permitese a incidência da taxa Selic a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva utilização. Somente a título de esclarecimento, contestase especificamente o argumento da ilustre relatora, em seu voto, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei n° 9.250/95, o qual, segundo o entendimento dela, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento de tributos. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 794 9 O § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei n° 9.363/96. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. Neste sentido, voto ... para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. Resta saber então se houve oposição ilegítima estatal ou não na análise, pela Unidade de Origem, do direito creditório, posteriormente revertida nas instâncias de julgamento. Houve, sim. a inclusão, na base de cálculo do Crédito Presumido das aquisições de nãocontribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, não é mais passível do discussão no CARF, pois há decisão do STJ admitindo estes créditos, em Acórdão submetido ao regime do art 543C do Antigo CPC (Recursos Repetitivos), no REsp nº 993.164/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, publicado em 17/12/2010. Transcrevo excerto da Ementa do referido acórdão, no que interessa à discussão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. Por força regimental – Portaria MF nº 343/2015, art. 62, § 2º, a decisão deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) Fl. 794DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 795 10 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda que: 1) Existe inclusive Súmula do STJ a respeito, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. 2) Antes disto, já havia sido editado o Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN, nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. JURISPRUDÊNCIA: AGREsp 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE REsp 995285/PE, REsp 1008021/CE, REsp 921397/CE, REsp 840056/CE, REsp 767617/CE, todas do STJ. 3) Na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, mas em razão da manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.155/2012 (...) Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543B e 543C, do Código de Processo Civil, ... encaminhase a presente nota na qual se acrescenta o item 84 da lista do art. 1º, V, da Portaria PGFN nº 294/2010, correspondente ao Recurso Especial nº 993.164/MG, acrescentado a esta lista na sua última atualização realizada no dia 10 de agosto de 2012. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 796 11 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, encaminhase o item relativo à delimitação do tema para fins de complementação do anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, com a seguinte redação: 84 – REsp 993.164/MG Relator: Min. Luiz Fux (...) Resumo: o tribunal julgou ilegal a IN RFB Nº 23/97, por ter ela extrapolado os limites da Lei 9.363/96, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para reconhecer a aplicação da Taxa SELIC apenas a partir de 360 dias do protocolo do pedido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 796DF CARF MF
score : 1.0
