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Numero do processo: 13509.000068/2011-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 9. 00 00 68 /2 01 1- 81 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 9202006.456 CSRFT2 Fl. 107 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2302002.768, prolatado pela 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 19 de setembro de 2013 (efls. 67 a 78). Ali, por unanimidade de votos, deu se parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 10/12/2001 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão em 24/10/13 (efl. 79), sua Procuradoria apresentou, em 12/11/2013 (efl. 90), Recurso Especial, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 9202006.456 CSRFT2 Fl. 108 3 com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009 (efls. 80 a 89). Alegase, no pleito, quanto à matéria de retroatividade benéfica da multa, divergência em relação ao decidido pela 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, em 03/12/09, no âmbito do Acórdão no. 240100.784 e, ainda, em relação ao decidido, por esta 2a. Turma da CSRF, em 09/03/10, no âmbito do Acórdão no. 920202.086, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 240100.784 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 30/11/2006 PREVIDENCIÁRIO.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP. INFRAÇÃO. A empresa é obrigada a declarar mensalmente na Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social(GFIP) os dados cadastrais, a totalidade dos fatos geradores ocorridos e outras informações de interesse para a Previdência Social. OBRIGATORIEDADE DE CONCESSÃO PELO FISCO DE PRAZOPARA O SUJEITO PASSIVO CORRIGIR A INFRAÇÃO ANTES DEEFETUAR A LAVRATURA. INEXISTÊNCIA. Não há previsão legal para que a autoridade fiscal, antes de aplicar a penalidade, faculte ao sujeito passivo corrigir infração verificada durante a ação fiscal. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA.APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendose em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. IRRELEVÂNCIA PARA FINSDE APLICAÇÃO DA MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. A responsabilidade por infração à legislação tributária independe da intenção do agente ou do resultado da conduta. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2003 a 30/11/2006 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA.INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 9202006.456 CSRFT2 Fl. 109 4 O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO.IMPOSSIBILIDADE DE EXAME POR ÓRGÃO ADMINISTRATIVO DE JULGAMENTO. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão: Por unanimidade de votos deuse provimento parcial ao recurso para, recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas , para as competências nas quais ocorreu lançamento da obrigação principal e o nos termos do art. 32A, II, da Lei n.º 8.212/1991, para as competências em que não houve lançamento da obrigação principal. Acórdão 920202.086 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/04/2001 a 30/0/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES.INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração.No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei,estabelecida no Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 9202006.456 CSRFT2 Fl. 110 5 igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo como disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas. Recurso especial negado. Decisão: por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) O ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; b) Nessa linha, constatase que antes das inovações da MP 449, de 2008, atualmente convertida na Lei no. 11.941, de 27 de maio de 2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei no. 8.212, de 24 de junho de 1991, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei no. 8.212, de 1991 (multa isolada). Com o advento da MP 449, de 2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei no. 8.212, de 1991. b.1) O art. 32A citado trata de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei no. 8.212, de 1991. O atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. b.2) Contudo, a MP 449, de 2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, que corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). Por certo, devese privilegiar a Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 9202006.456 CSRFT2 Fl. 111 6 interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei no. 8.212, de 1991, ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei no. 8.212, de 1991; c) houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito. Logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei no. 8.212, de 1991, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei no. 9.430,de 1996). Requer, assim, que seja conhecido e seja dado total provimento ao presente recurso a fim de que prevaleça o entendimento de que deve ser verificado, na fase de execução, qual norma mais benéfica ao contribuinte: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou aquela prevista no art. 35A da MP 449, de 2008 (Lei no. 11.941, de 2009). O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 92 a 96. Cientificada a autuada em 14/07/16 (efl. 99), esta apresenta, em 27/07/16 (e fl. 102), contrarrazões de efls. 103/104, onde, em breve síntese, alega: a) O art. 32–A da Lei nº 8.212 de 24 de julho de 1991, diz que o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 2o. da referida Lei, no prazo fixado, ou que a apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentála ou prestar esclarecimentos e sujeitarse às multas previstas nos incisos I e II do citado artigo. O § 1º do mesmo artigo diz que para efeito de aplicação da multa prevista no inciso IV do caput deste artigo, será considerado, como termo inicial, o dia seguinte ao término do prazo fixado para a entrega da declaração, e, como termo final, a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do Auto de Infração ou da notificação de lançamento; b) Na verdade, o que se discute nos presentes autos, não é o prazo fixado para entrega da declaração, mas, sim, a apresentação de declaração em que tenham sido omitidos fatos geradores de contribuições previdenciárias consubstanciados nas remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados contribuintes individuais. A Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015, em seus artigos 48 a 50, altera a Lei nº 8.212, de 1991: O artigo 49 da Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015, anistia as multas previstas no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991, lançadas até a publicação da Lei nº 13.097, de 2015, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do artigo 32 da Lei nº 8.212, de 1991 tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para entrega, o que ocorreu com a Recorrida. Em vista do exposto, devem ser declaradas anistiadas as mencionadas multas, ou, assim não atendendo esse Egrégio Conselho Administrativo, seja mantido o acordão nº 2302002.768. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 9202006.456 CSRFT2 Fl. 112 7 Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade, convergindose, aqui, com a análise constante do exame de admissibilidade de efls. 92 a 96 quanto à caracterização de divergência, a partir da análise do 2o. paradigma apresentado. Assim, quanto à matéria, conheço do recurso da Fazenda Nacional e passo à análise de mérito. Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 9202006.456 CSRFT2 Fl. 113 8 § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 9202006.456 CSRFT2 Fl. 114 9 no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 9202006.456 CSRFT2 Fl. 115 10 vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 9202006.456 CSRFT2 Fl. 116 11 (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por que a multa fosse calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o referido art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 9202006.456 CSRFT2 Fl. 117 12 qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 9202006.456 CSRFT2 Fl. 118 13 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 9202006.456 CSRFT2 Fl. 119 14 a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 9202006.456 CSRFT2 Fl. 120 15 como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto, limitado o somatório desta e das multas lançadas no auto de obrigação principal correlato ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Quanto à possibilidade de aplicação da anistia estabelecida pelo art. 48 da Lei no. 13.097, de 2015 à presente situação fática, reproduzo aqui o posicionamento ao qual acedi no âmbito do Acórdão CSRF no. 9.202006.291, de 12 de dezembro de 2017, perfeitamente aplicável aos presentes autos, da seguinte forma, expressis verbis: "(...) Desconheço decisão desta 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que tenha entendido aplicável ao caso a Lei n° 13.097, de 2015, tendo sido aplicado, de forma pacífica, o instituto da retroatividade benigna nos termos da Portaria Conjunta PGFN / RFB n° 14, de 2009. Entendo que o fato alcançado pela Lei n° 13.097, de 2015, é apenas aquele em que há efetiva informação da contribuição devida, relativa ao fato gerador, sem o respectivo recolhimento tempestivo. Essa seria uma decorrência do sistema de fluxo espontâneo de recolhimento de tributos, que iniciase pela confissão da dívida (em declaração própria), seguido de recolhimento espontâneo e, em sua ausência, a execução fiscal, sem necessidade de lançamento pela autoridade fiscal. Ora, sem lançamento necessário, restaria desnecessária a correspondente multa. Ocorre que esse não é o caso ora combatido, em que se discute a multa por falta de informação em GFIP da contribuição entendida como devida e exigida nos autos dos processos já acima referidos. (...)" Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 9202006.456 CSRFT2 Fl. 121 16 Faço notar que, em nenhum momento o contribuinte ou quaisquer dos elementos constantes dos autos demonstram ter havido informação, pelo contribuinte, dos fatos geradores aqui objeto de lançamento, não tendo sido, também, nenhum documento novo anexado à alegação de aplicação da referida anistia, suscitada somente em sede de contrarrazões de efls. 103/104. Por fim, de se notar, ainda, que o valor da multa constante do presente auto já se encontra ajustado ao teor remanescente da obrigação principal mantida (constante da NFLD 35.370.6949), na forma de Decisões de efls. 35 a 40 e 50 a 55, não havendo qualquer evidência de litígio pendente neste CARF referente à obrigação principal (assim mantida parcialmente na forma de efls. 35 a 40, com o reflexo ao presente auto já ajustado, agora na forma de efls. 50 a 55), a fim de que se cogitasse de obstar o presente julgamento, por necessidade de apreciação conjunta com a obrigação principal mencionada. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13836.000653/2002-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros: Luis Henrique Marotti Toselli (relator), Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso voluntário. Designado o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros: Luis Henrique Marotti Toselli (relator), Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso voluntário. Designado o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório A Recorrente apresentou, em 14/11/2002, Pedido de Restituição de IRPJ relativo ao ano base de 2001 (fls. 8), no montante originário de R$71.352,31, sendo este crédito RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 36 .0 00 65 3/ 20 02 -8 8 Fl. 862DF CARF MF Processo nº 13836.000653/200288 Resolução nº 1201000.338 S1C2T1 Fl. 3 2 compensado com débitos tributários de sua responsabilidade e indicados nos processos administrativos n. 13836.000656/200211 (apenso) e 13836.000657/200266. Por meio do Despacho Decisório de fls. 32/34, o pedido de restituição foi indeferido. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 58/74), aduzindo, em síntese, que: Sua pessoa jurídica foi constituída em fevereiro de 2001, mediante cisão seguida de incorporação, na qual a interessada Magneti Marelli Escapamentos Ltda. incorporou parcela do patrimônio da Magneti Marelli do Brasil Indústria e Comércio Ltda., tendo sido absorvido, dentre os ativos, créditos de IRPJ. Que a fiscalização equivocadamente não reconheceu os créditos sucedidos, que são líquidos e certos; e que O procedimento adotado para análise e homologação das compensações se mostra em desacordo com a legislação pertinente, pois não seria autorizada a compensação de ofício realizada entre os créditos reconhecidos no presente PAF (13836.000653/200288 créditos próprios) e os débitos objeto das compensações controladas no PAF n. 13839.000679/200719 (compensação de créditos sucedidos). Em Sessão de 11 de fevereiro de 2008, a 2ª Turma da DRJ/CPS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (cf. Acórdão nº 0521.081 fls. 434/440). A ementa da decisão recebeu a seguinte ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO: SALDO NEGATIVO. A restituição de saldo negativo do IRPJ condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito. Verificada a utilização total do saldo negativo do IRPJ, incabível o reconhecimento do direito creditório pleiteado. DCTF RETIFICADORA. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO. A retificação de declaração pela contribuinte, depois de iniciado o procedimento fiscal, somente é admitida quando comprovada a ocorrência de erro de fato nas informações anteriormente prestadas à RFB. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 451/468). Reitera os argumentos de defesa; esclarece que as compensações realizadas com a utilização do crédito sucedido foram efetuadas sem vinculação a processo, apenas mencionando como origem do crédito utilizado "IRPJ saldo negativo de períodos anteriores próprio"; e afirma que a autoridade fazendária adotou o trajeto inverso, utilizando, de ofício, os créditos relacionados nos processos para liquidar débitos compensados diretamente em DCTF, em total desacordo com o art. 74 da Lei n.° 9.430/96 e IN SRF n.° 210/02 vigente à época. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência (Resolução nº 120200.421 fls. 519/523), pois, segundo o I. Relator: Antes de adentrar no mérito do pedido, entendo, com fundamento no princípio do contraditório, que cabe colher a manifestação fazendária relativamente a documentação acostada aos autos, nesta fase recursal, para comprovar a origem do crédito decorrente da operação de incorporação e a sua utilização na compensação dos débitos Fl. 863DF CARF MF Processo nº 13836.000653/200288 Resolução nº 1201000.338 S1C2T1 Fl. 4 3 controlados no PAF n° 13839.000679/200719, em face das alegações da Recorrente. Ademais, pertinente que a autoridade de origem se pronuncie sobre a veracidade e regularidade fiscal do procedimento adotado pela Recorrente, em sua escrita fiscal, assim como sobre a suposta omissão em informar que houve utilização de saldo negativo de IRPJ da empresa cindida e incorporada, mas apenas a utilização de saldo negativo de IRPJ próprio, apurado no anocalendário 2001, a fim de se apurar a ocorrência de um erro no preenchimento da DCTF como alegado, em face a operação societária pressuposta para a adoção do pedido em comento. Assim, sou por propor a conversão do julgamento em diligência, a fim de buscar os esclarecimentos e confirmações documentais sobre a verdade material relatada nestes autos, para que a autoridade de origem efetue a auditoria como acima exposta, e, após a ciência da Recorrente, concedendolhe o prazo de 10 (dez) dias para sua manifestação, retorne os autos à esta instância recursal para o competente julgamento. Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal se manifestou por meio do Termo de Informação Fiscal de fls. 832/836. Conclui que: CONCLUSÃO Com base nas considerações acima, concluise que o valor vertido do patrimônio a título Saldo Negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica no montante de R$ 1.057.078,09 não é matéria tratada neste processo e mesmo que o fosse, o valor está além do que efetivamente pode ser confirmado a partir da documentação apresentada e dos sistemas da SRFB R$ 564.494,59 (Quinhentos e sessenta e quatro mil, quatrocentos e noventa e quatro reais e cinqüenta e nove centavos). Quanto às DCTF's, foram preenchidas com erro, pois deixaram de fazer constar a origem correta do crédito Saldo Negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica de Sucedida. Em relação ao processo 13839.000679/200719, formalizado para controlar os débitos declarados em DCTF e que excederam o valor do crédito de R$ 71.352,31 (Setenta e um mil, trezentos e cinqüenta e dois reais e trinta e um centavos) do processo 13836.000653/200288, aquele encontrase na Procuradoria da Fazenda Nacional em Campinas/SP. A situação atual do processo na PFN é: Ativa Ajuizada Garantia e em 18/04/2011 consta negociação de parcelamento pela Lei 11.941/2009. A contribuinte se manifestou às fls. 839/849. Afirma que possui direito ao total do crédito pleiteado (R$ 1.057.078,09). E que, "ao reconhecer apenas R$ 519.645,52 a título de saldo de declaração do ano calendário de 2001, a fiscalização desconsiderou parte das estimativas pagas e das retenções de IRRF sofridas no período, que restaram devidamente comprovadas nos presentes autos". Os autos retornaram a este Conselho e foram a mim distribuídos. É o relatório. Fl. 864DF CARF MF Processo nº 13836.000653/200288 Resolução nº 1201000.338 S1C2T1 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. De plano, cumpre observar que, na verdade, a presente lide não diz respeito à existência de créditos tributários originários de versão de patrimônio absorvido da cisão da empresa Magneti Marelli do Brasil Ind. e Com. S/A CNPJ 51.597.433/000107, como aparentemente possa parecer. A matéria ora discutida é diferente. Diz respeito à compensação de Saldo Negativo (próprio) apurado em 2001, no montante originário de R$71.352,31. E o fato é que esse crédito foi reconhecido pelas autoridades fiscais, mas alocado a outro processo. É justamente esse o motivo do indeferimento da não homologação da compensação que ora se discute, conforme atesta o despacho decisório (fls. 33): Devido ao fato de o interessado ter indicado compensações de diversos débitos de IRRF e IRPJ devido por estimativa mensal apurados em 2002, com saldo credor de IRPJ do anocalendário 2001, foi formalizado o processo n.º 13839.000679/200719. Neste processo foi verificado que de fato existia tal saldo credor de IRPJ, pois foram comprovados os valores de IRRF e de IRPJ pagos por estimativas mensais indicados pelo interessado no Ajuste Anual do IRPJ em 31/12/2001. Entretanto, este saldo credor de IRPJ do anocalendário 2001 foi insuficiente, inclusive, para liquidar todos os débitos tratados no processo n.º 13839.000679/200719. Diante do exposto, proponho o indeferimento do pedido, [...] Também a DRJ atesta a existência do crédito próprio, mas julga improcedente a Manifestação de Inconformidade por ter concordado com a referida alocação de ofício. Veja (fls. 438): No processo n° 13839.000679/200719, formalizado para controlar os débitos informados nas DCTF dos 1o, 2° e 3o trimestres de 2002, para os quais a contribuinte informou a compensação com saldo credor de IRPJ do anocalendário 2001, a Autoridade Fiscal reconheceu a integralidade do saldo negativo de IRPJ próprio, apurado pela contribuinte no período, no valor original de R$ 71.352,31, conforme cópia do despacho decisório acostado às fls, 31/33. Porém, verificou que o direito creditório reconhecido não era suficiente para a liquidação de todos os débitos controlados naquele processo. A Recorrente, a seu turno, além de alegar que a fiscalização teria deixado de considerar créditos da referida cisão seguida de incorporação, questiona o procedimento adotado na análise e homologação das compensações tomadas como base no PAF 13839.000679/200719, alegando que o critério empregado estaria em desacordo com a Fl. 865DF CARF MF Processo nº 13836.000653/200288 Resolução nº 1201000.338 S1C2T1 Fl. 6 5 legislação de regência, haja vista que houve indicação expressa da compensação do crédito próprio com os débitos ora exigidos. De fato, os débitos compensados com o crédito de Saldo Negativo apurado foram declarados em DCTF (fls. 224/236) com menção do número do referido pedido de restituição como origem. Houve, portanto, vinculação clara entre o crédito reconhecido e os respectivos débitos. Já as demais compensações (cujo crédito alegase provenientes de sucessão) foram declaradas sem vinculação a processo, apenas mencionando a origem do crédito utilizado (IRPJ saldo negativo de períodos anteriores próprio). Não houve, portanto, vinculação a nenhum processo (compensação sem processo). Nesse estado de coisas, percebese que o crédito líquido e certo utilizado pelo contribuinte na compensação em questão acabou, a bem da verdade, sendo utilizado de ofício pela autoridade fazendária em outro pleito. Ocorre, porém, que esse procedimento não tem base em lei e contraria a própria regra de que os débitos do sujeito passivo serão compensados na ordem por ele indicada na Declaração de Compensação, prevista no artigo 21, par. 7, da Instrução Normativa n. 210/2002 vigente à época. Nesses termos, a fiscalização deveria ter utilizado o crédito objeto do presente Pedido de Restituição (13836.000653/200288) para compensar os débitos a ele vinculados e informados nas Declarações de Compensação n. 13836.000656/200211 e 13836.000657/2002 66 e DCTF, conforme indicado pelo contribuinte. E nem se diga que eventual equívoco de preenchimento da DCTF poderia ser causa, por si só, da presente cobrança, uma vez que esse equívoco foi esclarecido e não prejudica a vinculação entre os créditos e débitos que integram as compensações sob análise. Diante dos princípios da moralidade administrativa e busca pela verdade material, o mero erro de preenchimento da DCTF não poderia sequer servir de fundamento para permitir a compensação de ofício levada a cabo pela fiscalização, ainda mais considerando a correta vinculação do crédito reconhecido com os débitos ora exigidos. Nesse sentido, voto por DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Voto Vencedor Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Redator designado. Pedese vênia ao i. relator para se discordar do seu voto relativamente ao provimento do recurso voluntário sem uma verificação mais detalhada sobre os débitos compensados e os créditos utilizados para tal, muito embora todo o trâmite processual ocorrido e a vasta documentação já acostada aos autos. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 13836.000653/200288 Resolução nº 1201000.338 S1C2T1 Fl. 7 6 Como visto, a matéria em discussão no presente processo é a compensação de saldo negativo (próprio), apurado no anocalendário 2001, no montante originário de R$ 71.352,31. Conforme relatado, os presentes autos já haviam baixado em diligência para a investigação sobre o efetivamente ocorrido. Na referida diligência, a autoridade fiscal faz um histórico do ocorrido (fls. 832 a 836): 1. O processo 13836.000653/200288 tratase de pedido de restituição do saldo negativo do IRPJ do Exercício 2002 — Ano Calendário 2001 apurado e informado na declaração de ajuste constante dos sistemas da SRFB sob n°20011085504; 2. Vinculados ao crédito pleiteado no processo 13836.000653/200288 foram protocolizados os processos 13836.000656/200211 e 13836.000657/200266. Este último teve seus débitos transferidos para o processo 13836.000656/200211; 3. O processo 13836.000656/200211 foi juntado por anexação ao processo 13836.000653/200288 — documentação de fls. 303 a 325; 4. Para controle de diversos débitos de IRRF e IRPJ devidos por estimativa mensal apurados no Ano de 2002, declarados em DCTF como compensados com suposto crédito de saldo credor do IRPJ do Ano Calendário 2001 — Exercício 2002, foi formalizado o processo 13836.000679/200719; 5. Em 23/02/2007 a DRF Jundiaí proferiu Despachos Decisórios — documentos de fls. 24 a 33 e 339 e 340, nos quais: • Processo 13836.000656/200211 — não homologa a compensação pela inexistência de crédito informado; • Processo 13836.000679/200716 — homologa parcialmente as compensações até o limite do crédito do saldo negativo do IRPJ EF 2002 — R$ 71.352,31 (Setenta e um mil, trezentos e cinqüenta e dois reais e trinta e um centavos); • Processo 13836.000653/200288 — indefere o pedido de restituição do saldo negativo do IRPJ EF 2002 — R$ 71.352,31 (Setenta e um mil, trezentos e cinqüenta e dois reais e trinta e um centavos), haja vista a utilização do valor nas compensações do processo 13836.000679/200716; [...] Entretanto, consultados os sistemas da SRFB — Sistema DCTF Gerencial versão 4.8, constatase os débitos que consumiram o saldo referenciado no processo 13836.000653/20288 foram informados na DCTF entregue em 15/02/2002, ou seja, muito antes do protocolo dos processos 13836.000656/200211 e 13603.000657/200266, ocorrido em 14/11/2002. Ainda, no resultado da diligência solicitada, constou a seguinte conclusão: CONCLUSÃO Fl. 867DF CARF MF Processo nº 13836.000653/200288 Resolução nº 1201000.338 S1C2T1 Fl. 8 7 Com base nas considerações acima, concluise que o valor vertido do patrimônio a título Saldo Negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica no montante de R$ 1.057.078,09 não é matéria tratada neste processo e mesmo que o fosse, o valor está além do que efetivamente pode ser confirmado a partir da documentação apresentada e dos sistemas da SRFB R$ 564.494,59 (Quinhentos e sessenta e quatro mil, quatrocentos e noventa e quatro reais e cinqüenta e nove centavos). Quanto às DCTF's, foram preenchidas com erro, pois deixaram de fazer constar a origem correta do crédito Saldo Negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica de Sucedida. (Destacouse) Em relação ao processo 13839.000679/200719, formalizado para controlar os débitos declarados em DCTF e que excederam o valor do crédito de R$ 71.352,31 (Setenta e um mil, trezentos e cinqüenta e dois reais e trinta e um centavos) do processo 13836.000653/200288, aquele encontrase na Procuradoria da Fazenda Nacional em Campinas/SP. A situação atual do processo na PFN é: Ativa Ajuizada Garantia e em 18/04/2011 consta negociação de parcelamento pela Lei 11.941/2009. A questão controvertida é que a recorrente afirma que os débitos controlados no processo nº 13839.000679/200719 teriam sido objeto de uma outra compensação, sem processo, com créditos de sucedida, e que teria ocorrido mero erro de preenchimento nas DCTFs quanto a tal compensação. O crédito pleiteado neste processo teria sido utilizado então para a compensação dos créditos indicados nos processos nº 13836.000656/200211 e nº 13603.000657/200266. Em face do exposto, e tendose em vista o indicado pela própria fiscalização quanto ao erro no preenchimento das DCTFs (conforme acima destacado), fazse necessário que os autos baixem em diligência para que a unidade da RFB da circunscrição da contribuinte verifique qual a origem do crédito utilizado para a compensação dos débitos indicados nas DCTFs como compensados sem processo (controlados no processo nº 13839.000679/200719), por meio da análise dos livros e documentos contábeis e fiscais. Deve ser confirmada, por meio dessa análise, em especial, se e como foi efetuada a compensação dos débitos considerados extintos no referido processo que, segundo as decisões administrativas, utilizou o crédito de R$ 71.352,31 pleiteado neste. Para tanto, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar os livros e documentos necessários. Deverá ser elaborado relatório conclusivo do qual se dará ciência à contribuinte para que, querendo, manifestese no prazo de trinta dias. Havendo ou não a manifestação, os autos devem retornar a este colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 868DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.010562/2001-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/05/1997
LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. SAÍDA DE AÇÚCARES. ART. 3º IN SRF Nº 67/98.
Saídas relativas a venda de açúcares dos tipos relacionados no art. 3º da IN SRF nº 67/98, no período nele especificado, serão sem destaque e sem o recolhimento do IPI, pelo que devem ser exonerados os valores exigidos em caso de lançamento em auto de infração.
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. AUTUAÇÃO FISCAL.
No procedimento fiscal de acusação de falta de recolhimento de tributo cabe ao Fisco o ônus da prova de que os produtos comercializados não são alcançados por normas que impedem sua incidência
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-003.312
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira- Presidente Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. SAÍDA DE AÇÚCARES. ART. 3º IN SRF Nº 67/98. Saídas relativas a venda de açúcares dos tipos relacionados no art. 3º da IN SRF nº 67/98, no período nele especificado, serão sem destaque e sem o recolhimento do IPI, pelo que devem ser exonerados os valores exigidos em caso de lançamento em auto de infração. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. AUTUAÇÃO FISCAL. No procedimento fiscal de acusação de falta de recolhimento de tributo cabe ao Fisco o ônus da prova de que os produtos comercializados não são alcançados por normas que impedem sua incidência Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 05 62 /2 00 1- 99 Fl. 737DF CARF MF Processo nº 11610.010562/200199 Acórdão n.º 3201003.312 S3C2T1 Fl. 3 2 O presente processo trata de auto de infração lavrado em 13/11/2001, para a exigência do IPI em virtude de falta de recolhimento, acrescido de multa de ofício e juros de mora, referente ao período de apuração de abril a junho de 1997. O crédito tributário lançado decorreu de auditoria interna em DCTF na qual, segundo a autoridade fiscal, não foi comprovada a suspensão da exigibilidade do IPI, como declarada pela contribuinte em sua DCTF. A contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1/6, na qual denunciou a arbitrariedade das autoridades responsáveis pelo lançamento, que deixaram de efetuar diligências para verificar, no período em questão, a existência de medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário e optaram por lançar os valores, com a imposição de penalidade, por meio de peça fiscal genérica e imotivada, sem que a empresa fosse previamente intimada a apresentar documentos. Alegou que parte dos açúcares comercializados pela impugnante estão abrangidos pela Instrução Normativa SRF n° 67, de 1998, que reconheceu serem isentas as saídas de determinados tipos de açúcar, no período de 06/07/1995 a 16/11/1997 (abrangendo todo o período objeto da autuação). Estaria a interessada ainda amparada por liminar (posteriormente ratificada por sentença concessiva da segurança) nos autos do Mandado de Segurança n° 96.00113238, o que implicaria na suspensão da ação fiscal e exclusão dos valores lançados a título de multa e juros, o que pleiteou nos termos da Lei n° 9.430, de 1996, art. 63 e ADN CST n° 1/97. A contribuinte fez parte do polo ativo no Mandado de Segurança impetrado em 18/04/1996 com o pedido de concessão liminar para que não ficasse sujeita à lavratura de auto de infração por promover saídas de açúcar relativo à safra 1996/97 a adquirentes não sujeitos ao pagamento do IPI em questão sem o destaque e conseqüente recolhimento deste imposto (fls. 55/56). Antes da sentença no MS, mas já com liminar, concedida em 03/05/1996 (fl. 57), foi edita a IN SRF nº 67, em 14/07/1998 que dispôs: Art. 3º Fica convalidado o procedimento adotado pelos estabelecimentos industriais que deram saídas a açúcares de cana do tipo demerara, cristal superior, cristal especial, cristal especial extra e refinado granulado, no período de 6 de julho de 1995 a 16 de novembro de 1997, e a açúcar refinado do tipo amorfo, no período de 14 de janeiro de 1992 a 16 de novembro de 1997, sem lançamento, em Nota Fiscal, do IPI. Art. 4º Para fins de identificação do tipo de açúcar saído dos estabelecimentos industriais deverão ser adotadas as especificações técnicas contidas na Resolução IAA N° 2.190, de 30 de janeiro de 1986, que estabeleceu a classificação dos vários tipos de açúcares de produção direta das usinas e refinarias autônomas do País. Parte dos açúcares produzidos e comercializados pela recorrente foi alcançado pela não incidência do IPI em suas saídas. Foram contemplados: açúcares de cana do Fl. 738DF CARF MF Processo nº 11610.010562/200199 Acórdão n.º 3201003.312 S3C2T1 Fl. 4 3 tipo demerara, cristal superior, cristal especial, cristal especial extra, refinado granulado e refinado do tipo amorfo. A sentença em MS foi prolatada em 31/03/2000 (fl. 84), confirmando a liminar (03/05/1996 fl. 57) e em sede do TRF da 3ª Região, contudo, alcançando somente os produtos não abrangidos pela IN SRF 67/98, comercializados na safra de 1996/1997. Após embargos de declaração interpostos pela Fazenda Pública restou assentado (fl. 426): Assim a segurança resta concedida para que a impetrante Cia. União dos Refinadores de Açúcar e Café, promova saídas de açúcar a adquirentes não sujeitos ao pagamento do IPI, sem o destaque em nota fiscal e consequente recolhimento do tributo, relativas à safra de 96/97, ressalvados tão somente os produtos abrangidos pela IN 67/98. (...) Esta era a situação dos autos enfrentadas no julgamento da DRJ, em 07/05/2010. Na decisão recorrida, entendeuse que a contribuinte encontravase amparada por liminar, concedida no Mandado de Segurança nº 96.0001.13238 devendo, portanto, o lançamento ter por objeto a prevenção da decadência. A decisão excluiu a multa de ofício por força do art. 63 da Lei nº 9.430/96 e manteve a incidência de juros de mora, por inexistir depósito do montante integral do crédito tributário. Contudo, entenderam os julgadores a quo que a contribuinte tem por objeto social operações (industrialização e comercialização, dentre outras) com açúcares, álcool e café, esses dois últimos produtos não foram alcançados pela IN SRF nº 67/98, e tampouco pelo MS nº 96.0001.13238 para que não lhes recaísse a incidência do IPI. Consignou a decisão da DRJ que diante da inércia da contribuinte em não segregar produtos com tributações distintas açúcares de álcool/café de forma a excluir do IPI informado como devido as operações com açúcares, os elementos constantes dos autos não permitiram apontar qual o valor lançado a ser excluído do auto de infração. Com esses argumentos, mantevese a exigência, com a ressalva da exclusão da multa de ofício, conforme mencionado alhures. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1997 MULTA. LIMINAR. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PREVENÇÃO. No lançamento destinado à constituição do crédito tributário para prevenir a decadência, cuja exigibilidade esteja suspensa em razão de medida liminar, excluise a aplicação da multa de oficio. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 11610.010562/200199 Acórdão n.º 3201003.312 S3C2T1 Fl. 5 4 O processo foi remetido ao CARF com o recurso voluntário que repisa as matérias e argumentos suscitados em impugnação. No primeiro julgamento, a turma decidiu convertêlo em diligência tendo em vista a juntada de algumas cópias de notas fiscais (exemplificativas) para que a unidade de origem verificasse nos livros, notas fiscais e outros elementos, quais tipos de açúcares foram comercializado, no período autuado. Após intimação e reintimações restaram não apresentados apenas 13 (treze) exemplares de notas fiscais, e conquanto determinado pela Turma a produção de "relatório pormenorizado a fim de confirmar quais os tipos de açúcares que foram por ela comercializados no período da autuação" a diligência foi encerrada encaminhandose ao CARF as informações pertinentes à coleta dos documentos juntados ao processo. Retornou os autos ao CARF e submetido a julgamento por Turma distinta constatouse que a diligência foi incompleta e inconclusiva, apontandose para ausência de auditoria dos documentos. Decidiu então a Turma pela conversão do julgamento em nova diligência para que a unidade de origem: a. Examinasse a documentação anexada a fim de elaborar relatório indicando o tipo de açúcar comercializado e em que período estaria ou não enquadrado nos termos da IN SRF n° 67/98 (não incidência do IPI); b. Informasse se o açúcar comercializado é do tipo inserido no ato normativo e se preenche os requisitos legais do benefício da citada IN; c. Discorresse acerca do impacto do trânsito em julgado do MS nº 9600113238 sobre o pleito da recorrente. d. Esclarecesse todos os fatos através de relatório fiscal. Com o objetivo de cumprir a nova resolução a autoridade fiscal intimou e reintimou a contribuinte para que apresentasse (i) uma relação discriminando todas as referidas notas fiscais do período e os correspondentes tipos de açúcares comercializados e a informação da incidência ou não do IPI, reconhecida pela IN SRF nº 67/98; (ii) todas as notas fiscais, cujos produtos foram contemplados pela IN SRF nº 67/98; (iii) memória de cálculo do IPI, referente ao período 01/04/1997 a 31/05/1997 com os valores a recolher apurados e declarados em DCTF; e (iv) Livros fiscais e de IPI. A recorrente apresentou a planilha solicitada no item "i"; CD contendo cópia digital da planilha e de todas as notas fiscais (item "ii" da intimação). Informou que não localizou seus Livros de IPI do período 04 e 05/1997, todavia, entende que os documentos outrora apresentados permitem o cumprimento da solicitação do CARF. No Relatório de Diligência Fiscal (fls. 721/724), após repisar as etapas do contraditório instaurado, apresentou suas respostas quanto aos dois quesitos elaborados no acórdão nº 3201000.704. Segue a descrição dos quesitos e as respostas: Fl. 740DF CARF MF Processo nº 11610.010562/200199 Acórdão n.º 3201003.312 S3C2T1 Fl. 6 5 I – Indicar os tipos de açúcar comercializados pela empresa e em que períodos estariam ou não enquadrados nos termos da IN SRF nº 67/98. Para responder ao quesito informa a autoridade fiscal que intimou a recorrente a apresentar somente as notas fiscais de saída no período autuado e mediante análise concluiu que 98% dos açúcares comercializados são do tipo refinado amorfo: 15. Diante do exposto, somente podemos afirmar que as notas fiscais apresentadas foram emitidas no período (04/1997 a 05/1997 ) contemplado pela IN SRF nº 67/98 e que, os tipos de açúcar comercializado, constantes desses documento, foram classificadas da seguinte forma: Pela empresa: refinados amorfos ou refinados granulados. Pelas Notas Fiscais: De acordo com as descrições dos produtos: nomes comerciais (Doçucar, Glauçucar, etc) De acordo com o NCM: açúcar de cana bruto s/ aromatizante ou corante e outros açúcares não citados anteriormente. II Impacto do Mandado de Segurança nº 9600113238, tendo em vista o pleito da recorrente. Considerou inicialmente que a sentença no MS nº 9600113238 concedeu a segurança para que a impetrante (Companhia União) promovesse saídas de açúcar a adquirentes não sujeitos ao pagamento do IPI, sem o destaque em nota fiscal e consequentemente recolhimento do tributo, relativos às safras 96/97, ressalvando tão somente os produtos abrangidos pela IN 67/98. A seguir, informa que a contribuinte tem por objeto operações diversas com açúcares e outros produtos (mencionada como exemplo: álcool e café). Diante desse fato, intimou a interessada para que apresentasse informações (memória de cálculo mensal) e documentos (livros fiscais do IPI e notas fiscais) com fins ao detalhamento das operações com os açúcares abrangidos na IN SRF 67/98. A resposta da contribuinte foi no sentido de que não localizara os Livros do IPI acrescentando que todos os açúcares comercializados no período estavam abrangidos na IN 67/98. Diante da impossibilidade de se confirmar se os valores declarados em DCTF foram ou não contemplados pela IN 67/98 e pelo Mandado de Segurança em decorrência da ausência das informações/documentos solicitados conclui que "não é possível fazer qualquer pronunciamento sobre o impacto do ação judicial com o pleito da recorrente". A recorrente manifestouse em relação ao resultado da diligência suscitando o que se segue (fls. 733/734): 1. Reitera suas manifestações anteriores consignando que " independentemente da não localização de alguns dos livros solicitados pela autoridade fiscal, Fl. 741DF CARF MF Processo nº 11610.010562/200199 Acórdão n.º 3201003.312 S3C2T1 Fl. 7 6 há prova inequívoca de que todos os açúcares comercializados no período estavam abrangidos na IN n. 67/98, o que evidencia a impossibilidade de cobrança do IPI"; 2. A autoridade reconheceu no relatório de diligência que mais de 98% dos açúcares comercializados, constantes das notas fiscais, são do tipo refinado amorfo; 3. O açúcar do tipo refinado amorfo é um dentre aqueles cuja sujeição à alíquota zero de IPI, no período em causa, restou reconhecida pela IN n. 67/98. Quanto aos 2% remanescentes, dizem respeito ao outro tipo de açúcar refinado, o granulado, igualmente previsto na IN n. 67/98; 4. Independentemente da não localização de alguns dos Livros solicitados, a documentação já juntada aos autos, complementada pelo Relatório produzido pela autoridade de primeiro grau, comprova que a totalidade dos açúcares comercializados pela Recorrente no período autuado – abril e maio de 1997 – está abrangida na IN n. 67/98 e, portanto, não há como prosseguir a ação fiscal; 5. Quanto ao impacto da decisão proferida no Mandado de Segurança n. 96.000113238, o próprio Auto de Infração aponta que o IPI fora questionado na referida ação, a partir dos apontamentos feitos nas DCTFs entregues no período; 6. A demanda judicial citada terminou com decisão final concessiva da segurança – houve o afastamento do IPI sobre todo e qualquer tipo de açúcar (a exigência do IPI, em si, foi considerada inconstitucional, independentemente do tipo de açúcar) – também por esse motivo não há como prosseguir a ação fiscal; 7. Pouco importa quais tenham sido os demais produtos comercializados à época, vez que a discussão judicial – e, por consequência, os respectivos montantes declarados em DCTF como sub judice – envolvia o IPI exigido nas vendas de açúcar. Ademais, ou bem se trata de operação abrangida pela IN 67/98 (como é fato, conforme antes referido) ou bem, ainda que assim não fosse, não haveria IPI devido em observância à coisa julgada. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. O Recurso Voluntário fora admitido na sessão de 27/01/2015 cujo julgamento foi convertido em diligência. Quanto ao direito, a razão está com a recorrente; quanto aos fatos, tratandose de procedimento de iniciativa do Fisco cabialhe o ônus da comprovação de que os valores informados em DCTF, dos quais decorreram a atuação fiscal, era composto por débitos de IPI de outros produtos distintos de açúcares, e de tal mister entendo que não se desincumbiu a autoridade fiscal. Para melhor esmiuçar as razões de decidir, analisase separadamente o direito e os fatos, a iniciar por estes. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 11610.010562/200199 Acórdão n.º 3201003.312 S3C2T1 Fl. 8 7 Questão que se mostra relevante para decisão é obter dos autos os produtos efetivamente industrializados pela contribuinte no período de autuação fiscal abril a maio de 1997; ou seja, devese perquirir se a produção estaria restrita à fabricação de açúcares ou também compreendia outros bens. Compulsando o auto de infração, não há qualquer referência aos produtos industrializados pela recorrente, sequer menção aos produtos saídas do qual decorreu o lançamento do IPI em DCTF. Constatase que a autoridade fiscal somente traz à discussão a possibilidade da contribuinte industrializar outros produtos, distintos de açúcares, em seu último relatório de diligência e ainda assim replicou argumento suscitado na decisão da DRJ de que "a empresa, na época, produzia, intermediava, industrializava e comercializava além de vários tipos de açúcar, outros produtos como álcool e café, entre outros (...)". Não se tem notícia nos autos de documentos que apontam operações industriais ou mercantis com "outros produtos como álcool e café, entre outros". Ademais, impende ressaltar a inexistência de qualquer intimação para que a contribuinte informe ou apresente notas fiscais com saída de produtos distintos de açúcares. Frisese que a autoridade fiscal em todos os termos de intimação e reintimações em que solicitou a apresentação de notas fiscais a fez exclusivamente àquelas relacionadas com os produtos mencionados no art. 3º da IN SRF nº 67/98, quais sejam, somente tipos de açúcares. É o que demonstra as imagens extraídas dos respectivos termos. 1. Termo de Intimação, de 30/04/2015, à fl. 533 para cumprir a primeira diligência determinada pelo CARF1: 2. Termo de Intimação, de 13/01/2017, à fl. 646 para cumprir a segunda diligência determinada pelo CARF: 3. Termo de (re)Intimação, de 07/02/2017, à fl. 707 para cumprir a segunda diligência determinada pelo CARF: 1 A menção à "todas notas fiscais relacionadas em anexo" referese à tabela apresentada pela contribuinte (fls. 90/324) com a indicação das notas fiscais emitidas nas saídas de açúcares. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 11610.010562/200199 Acórdão n.º 3201003.312 S3C2T1 Fl. 9 8 4. Termo de (re)Intimação, de 14/02/2017, à fl. 717 para cumprir a segunda diligência determinada pelo CARF: Em que pese a ausência de apresentação dos Livros de IPI, é exatamente na análise das notas fiscais que se poderá verificar a discriminação da natureza (identificação e qualidade) do produto comercializado se açúcar ou outro, e neste ponto, às folhas 567/570, constam anexadas ao processo, em arquivos nãopagináveis, milhares de notas fiscais apresentadas pela recorrente que estavam a disposição da autoridade para verificações. Outrossim, também não se pode relevar que a apresentação dos Livros Diário e Razão do período autuado (arquivos nãopagináveis às fls. 571/576) permitiram constatações acerca dos registros de notas fiscais a serem lançados nos livros pertinentes à apuração do IPI. Quanto aos fatos, concluo que não restou comprovada na autuação fiscal, e nas diversas diligências realizadas para instrução processual em face de suas deficiências, que a recorrente industrializou ou comercializou, no período autuado, produtos outros além de açúcares. Assim, descabe a acusação não fundamentada contida na decisão recorrida acerca da impossibilidade de se retificar os valores relativos ao IPI devido nas saídas de produtos em razão da ausência de segregação da natureza desses produtos que entende compor variedade tal que não se limita somente a açúcares. Passo a análise do direito, partindo da premissa assentada acima de que não há nos autos comprovação de que no período da atuação a recorrente tenha dado saída a outros produtos além de açúcares. Conforme relatado, parte dos açúcares produzidos e comercializados pela recorrente foi alcançado pela não incidência do IPI em suas saídas. O art. 3º da IN SRF nº 67/98, de 14/07/1998, convalidou o procedimento adotado pelos estabelecimentos industriais que deram saídas a açúcares sem lançamento do IPI em nota fiscal. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 11610.010562/200199 Acórdão n.º 3201003.312 S3C2T1 Fl. 10 9 Foram contemplados: açúcares de cana do tipo demerara, cristal superior, cristal especial, cristal especial extra, refinado granulado e refinado do tipo amorfo, os dois últimos, os vendidos nos período autuado, conforme notas fiscais apresentadas. Entendo suficiente o fundamento para exonerar o crédito tributário pois a totalidade das notas fiscais apresentadas apontam que todas os açúcares negociados enquadramse no dispositivo do art. 3º da IN SRF nº 67/98. Entretanto há de se ater aos efeitos da sentença proferida no Mandado de segurança, pois objeto de quesito de resolução que determinou a última diligência e, ao meu sentir, não fora respondido objetivamente pela autoridade fiscal. A sentença no MS nº 96.0001.13238, prolatada em 31/03/2000, que confirmou a liminar concedida em 03/05/1996 , mantida em sede de apelação no TRF da 3ª Região com trânsito em julgado em 28/09/2005, permitiu à recorrente promover saídas de outros açúcares não contemplados no art. 3º da IN SRF nº 67/98 sem o destaque em nota fiscal e o conseguinte recolhimento do tributo, relativas à safra de 96/97. Destarte, no que abrange as saídas de açúcares para adquirentes não sujeitos ao pagamento do IPI e não relacionados no art. 3º da IN SRF 67/98 fato que não se constatou nos autos o crédito estaria extinto por força do inciso X do art. 156 do CTN (decisão judicial passado em julgado). Conclusão Portanto, a recorrente teve assegurado o direito de promover, no período de abril a maio de 1997: (i) saídas sem o lançamento do IPI em nota fiscal de açúcares relacionados no art. 3º da IN SRF nº 67/98; e (ii) quanto às demais espécies de açúcares, por força do MS nº 96.0001.13238, transitado em julgado, saídas sem destaque em nota fiscal (e sem recolhimento do IPI) a adquirentes não sujeitos ao pagamento do Imposto, relativas à safra 96/97. Por tudo ante exposto, voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir o crédito tributário lançado. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Fl. 745DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11817.000164/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 22/12/2005 a 03/03/2008
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS.
Próteses mamárias, testiculares e penianas, de silicone, apresentadas em variados modelos e tamanhos, para implantes no corpo humano, classificam-se no código 9021.39.80 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 2006, nos termos das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado nºs 1 e 6 e Regra Geral Complementar nº 1 da NCM, na medida em que não se amoldam ao conceito de próteses articulares.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. DESEMBARAÇO ADUANEIRO SOB CANAL VERDE. HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE.
É possível a revisão aduaneira da classificação de mercadorias quando o seu desembaraço foi submetido ao canal verde de conferência, não constituindo necessariamente tal ato mudança de critério jurídico.
ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12/97. MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DE OUTRAS PENALIDADES. IMPOSSIBILIDADE.
O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97 dispõe sobre a exclusão da penalidade, em determinadas circunstâncias, para a multa administrativa ao controle das importações tipificada no art. 169, I, "b" do Decreto-lei nº 37/66 (art. 633, II, "a" do Regulamento Aduaneiro/2002) não podendo, à míngua de qualquer norma legal ou infralegal nesse sentido, ser estendido a outras infrações.
EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. NÃO QUALIFICADA. DESCRIÇÃO CORRETA DO PRODUTO. IMPOSSIBILIDADE.
A multa de ofício não qualificada, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não exige que a conduta da autuada seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja a falta de pagamento do tributo, falta de declaração ou declaração inexata, de forma que a eventual boa-fé da recorrente ou a descrição correta do produto na Declaração de Importação não a exime da penalidade.
A partir da vigência do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002, publicado em 11.09.2002, não é mais cabível a exclusão da multa de ofício para a "classificação tarifária errônea" nas circunstâncias especificadas no referido Ato Declaratório, que não traz em sua redação essa hipótese, remanescendo a desoneração apenas para as hipóteses de solicitação indevida de benefícios fiscais (imunidade, isenção, redução, preferência tarifária ou ex tarifário) nas mesmas circunstâncias.
Recurso voluntário negado
Crédito tributário mantido
Numero da decisão: 3402-004.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Relator, que dava provimento parcial ao Recurso para afastar a multa de 1% por erro de classificação fiscal. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrente BRASMÉDICA HOSPITALAR E ORTOPÉDICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 22/12/2005 a 03/03/2008 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Próteses mamárias, testiculares e penianas, de silicone, apresentadas em variados modelos e tamanhos, para implantes no corpo humano, classificam se no código 9021.39.80 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 2006, nos termos das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado nºs 1 e 6 e Regra Geral Complementar nº 1 da NCM, na medida em que não se amoldam ao conceito de próteses articulares. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. DESEMBARAÇO ADUANEIRO SOB CANAL VERDE. HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. É possível a revisão aduaneira da classificação de mercadorias quando o seu desembaraço foi submetido ao canal verde de conferência, não constituindo necessariamente tal ato “mudança de critério jurídico”. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12/97. MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DE OUTRAS PENALIDADES. IMPOSSIBILIDADE. O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97 dispõe sobre a exclusão da penalidade, em determinadas circunstâncias, para a multa administrativa ao controle das importações tipificada no art. 169, I, "b" do Decretolei nº 37/66 (art. 633, II, "a" do Regulamento Aduaneiro/2002) não podendo, à míngua de qualquer norma legal ou infralegal nesse sentido, ser estendido a outras infrações. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. NÃO QUALIFICADA. DESCRIÇÃO CORRETA DO PRODUTO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 81 7. 00 01 64 /2 00 8- 14 Fl. 335DF CARF MF 2 A multa de ofício não qualificada, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não exige que a conduta da autuada seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja a falta de pagamento do tributo, falta de declaração ou declaração inexata, de forma que a eventual boafé da recorrente ou a descrição correta do produto na Declaração de Importação não a exime da penalidade. A partir da vigência do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002, publicado em 11.09.2002, não é mais cabível a exclusão da multa de ofício para a "classificação tarifária errônea" nas circunstâncias especificadas no referido Ato Declaratório, que não traz em sua redação essa hipótese, remanescendo a desoneração apenas para as hipóteses de solicitação indevida de benefícios fiscais (imunidade, isenção, redução, preferência tarifária ou ex tarifário) nas mesmas circunstâncias. Recurso voluntário negado Crédito tributário mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Relator, que dava provimento parcial ao Recurso para afastar a multa de 1% por erro de classificação fiscal. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório 1. Por bem retratar o caso em tela, emprego como meu parte do relatório desenvolvido pela DRJ de São Paulo quando da lavratura do acórdão n. 1666.630 (fls. 285/294), o que passo a fazer nos seguintes termos: Em procedimento fiscal de Revisão Aduaneira tendo por objeto importações efetuadas pela interessada apurouse infração relacionada à classificação incorreta de mercadorias na NCM/TEC, então importadas por intermédio das Declarações de Fl. 336DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 3402004.892 S3C4T2 Fl. 336 3 Importação DI(s) mencionadas à fl. 40 do Relatório Fiscal. Consequentemente, foi lavrado, no dia 06/06/2008, pela fiscalização da Alfândega de Brasília, o Auto de Infração às fls. 02/27, para a cobrança do Imposto de Importação (II), no valor de R$ 246.532,95, acrescido dos juros de mora, no montante de R$ 31.690,49, da multa de ofício de 75%, no valor de R$ 184.899,71 e da multa de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias por classificação incorreta na NCM, no montante de R$ 20.103,61; o crédito tributário lançado totalizou o valor de R$ 483.226,76, consoante demonstrativo à fl. 20. Segundo descrição dos fatos constante do Relatório de Auditoria Fiscal, às fls. 40/43, a autoridade fiscal informa que a interessada importou, por intermédio das Declarações de Importação/DI(s) em comento, as mercadorias identificadas como próteses mamárias, testiculares e penianas de silicone, classificandoas no código NCM 9021.31.90 Esclarece que, embora a Posição 9021 e a Subposição de 1º nível 9021.3, adotadas pelo importador, estivessem corretas, a Subposição de 2º nível por ele indicada – 9021.31 – estava equivocada, haja vista ter a interessada ignorada as Regras Gerais de Interpretação para o Sistema Harmonizado, especificamente a Regra nº 6, segundo a qual A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das notas de subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições de mesmo nível. Para os fins da presente regra, as notas de seção e de capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Em assim considerando, prossegue a autoridade fiscal, a Subposição de 2º nível, levando em conta as mercadorias em questão, seria a 9021.39; argumenta que, enquanto a Subposição 9021.31 referese a próteses articulares, a Subposição 9021.39 trata de outras próteses não articulares, enquadrandose, pois, as mercadorias importadas nesta última classificação, vez que não têm por finalidade substituir, parcial ou totalmente, articulações humanas ou animais. Quanto ao desdobramento regional, a fiscalização classificou as mercadorias importadas no item 9021.39.80 – Outros. (...). 2. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs a impugnação de fls. 304/322, oportunidade em que, em síntese, alegou: (i) que a classificação apresentada pelo recorrente estaria pautada no teor da solução de consulta SRF n. 604, de 13 de dezembro de 2004, consulta esta formulada por um terceiro, porém em importação de mercadoria idêntica a aqui tratada; (ii) alternativamente, o lançamento deveria ser exonerado, já que a presente exigência fiscal decorreria de revisão aduaneira o que, por seu turno, implicaria alteração do critério jurídico adotado na importação das mercadorias internadas pela recorrente; e Fl. 337DF CARF MF 4 (iii) subsidiariamente, deveriam ser afastadas as multas moratória e por erro de classificação, uma vez que o contribuinte não agiu com mo intuito fraudulento, mas sim seguiu orientação fiscal veiculada em sede de consulta fiscal. 3. Devidamente processada, a citada impugnação foi julgada improcedente pelo acórdão alhures referido e assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 22/12/2005 a 03/03/2008 ClASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Próteses mamárias, testiculares e penianas, de silicone, apresentadas em variados modelos e tamanhos, para implantes no corpo humano, classificamse no código 9021.39.80 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 2006, nos termos das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado nºs 1 e 6 e Regra Geral Complementar nº 1 da NCM. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA DE MERCADORIAS. DIFERENÇA DE TRIBUTOS. PENALIDADES. A reclassificação de mercadorias importadas, do código NCM/TEC 9021.31.90 para o 9021.39.80, então vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, majorando a alíquota do Imposto de Importação incidente, de 0% para 14%, torna exigível a cobrança da diferença desse tributo, acrescido dos juros de mora e da multa de ofício, calculados na forma da legislação pertinente. As mercadorias classificadas incorretamente na NCM sujeitam se à aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro. PROCESSO DE CONSULTA. EFEITOS SOMENTE ENTRE AS PARTES. O processo administrativo de consulta formalizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária produz efeitos exclusivamente entre as partes, consulente e Fisco. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 304/322, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. 5. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro Fl. 338DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 3402004.892 S3C4T2 Fl. 337 5 6. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, o que passo a fazer a seguir. I. Da classificação das mercadorias em análise e os efeitos da solução de consulta n. 604/2004 7. Conforme relatado no presente voto, o contribuinte importou próteses mamárias, testiculares e penianas de silicone, classificandoas no código NCM 9021.31.90 e que apresenta a seguinte descrição: 1 Capítulo 90: Instrumentos e Aparelhos de Óptica, Fotografia e Cinematografia, Medida, Controle ou de Precisão, Instrumentos ou Aparelhos MédicoCirúrgicos, suas Partes e Acessórios. 2 Posição 9021: Artigos e aparelhos ortopédicos, incluídas as cintas e fundas médicocirúrgicas e as muletas; talas, goteiras e outros artigos e aparelhos para fraturas; artigos e aparelhos de prótese; aparelhos para facilitar a audição de surdos e outros aparelhos para compensar deficiências ou enfermidades, que se destinam a ser transportados a mio ou sobre as pessoas ou a ser implantados no organismo; 3 Subposição 9021.3: Outros artigos e aparelhos de prótese; 4 Subposição 9021.31: Próteses articulares; 5 Subitem 9021.31.90: Outras. 8. A fiscalização, por seu turno, entendeu que a classificação realizada pelo contribuinte estaria correta até a subposição 9021.3, mas que os materiais aqui tratados não poderiam ser subclassificados na subposição 9021.31, uma vez que não tratarseiam de próteses dotadas de articulação. 9. Assim, segundo a fiscalização, a devida classificação dos bens importados seria aquela descrita no código NCM 9021.39.80, in verbis: 1 Capítulo 90: Instrumentos e Aparelhos de Óptica, Fotografia e Cinematografia, Medida, Controle ou de Precisão, Instrumentos ou Aparelhos MédicoCirúrgicos, suas Partes e Acessórios. 2 Posição 9021: Artigos e aparelhos ortopédicos, incluídas as cintas e fundas médicocirúrgicas e as muletas; talas, goteiras e outros artigos e aparelhos para fraturas; artigos e aparelhos de prótese; aparelhos para facilitar a audição de surdos e outros aparelhos para compensar deficiências ou enfermidades, que se destinam a ser transportados a mão ou sobre as pessoas ou a ser implantados no organismo; 3 Subposição 9021.3: Outros artigos e aparelhos de prótese; 4 Subposição 9021.39: Outros. Fl. 339DF CARF MF 6 5 Subitem 9021.39.80: Outros. 10. Diante do quadro aqui delineado, resta claro que não há nos autos qualquer divergência acerca da natureza das mercadorias importadas, já que tanto o fisco como o contribuinte partem do pressuposto que as mercadorias são próteses de silicone mamária, peniana, urinária e uretral. Neste mesmo diapasão, não há dissenso quanto a posição de tais mercadorias no código 9021, bem como quanto ao desdobramento dessa posição na subposição de 1º nível, cujo código é o 9021.3. A divergência, portanto, se limita a subposição de 2o nível, o que demanda responder se as próteses importadas pela recorrente são ou não articulares. Tal questionamento foi muito bem respondido pelo acórdão recorrido, in verbis: (...). Pois bem, uma vez que a controvérsia, como restou evidente, diz respeito à Subposição na NCM, consoante já mencionado, as diretrizes da RGI nº 6 deverão nortear o enquadramento das mercadorias nesse desdobramento. Assim estabelece a RGI Nº 6: A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das notas de subposiçoes respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente regra, as notas de seção e de capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. (Grifamos) Dessa forma, levando em conta a primeira parte da regra, exceção feita aos artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas e aos artigos aparelhos de prótese dentária, os demais artigos classificamse na Subposição de primeiro nível 9021.3. Por seu turno, a Subposição de segundo nível 9021.31 compreende as próteses articulares, ou seja, aquelas próteses próprias para implante nas articulações, tais como próteses de joelho, de quadril etc.. É fácil percebermos que as mercadorias sob análise não se prestam ao implante nas articulações, não podendo, pois, serem classificadas naquela Subposição de segundo nível. Assim, restanos a Subposição residual de segundo nível 9021.39 , a qual inclui outros artigos e aparelhos de prótese que não sejam próteses articulares, tais como as mamárias, penianas, urinárias e uretrais, então objeto das importações e que nos interessam no atual julgamento. Quanto ao desdobramento regional, a RGC nº 1 dispõe que a classificação darseá pelo texto do Item e do Subitem e pelas Notas Complementares e que só se pode comparar desdobramentos regionais do mesmo nível. Dessa forma, as próteses de silicone em comento (mamárias, penianas, urinárias e uretrais), a serem implantadas no corpo humano, haverão de ser enquadradas no Item residual 9021.30.80, por serem mercadorias diversas daquelas especificadas nos outros Itens, tais como válvulas cardíacas, lentes intraoculares, próteses de artérias vasculares e próteses mamárias não implantáveis). (...) (grifos constantes no original). 11. Em suma, os bens aqui importados não são próteses articulares o que, inclusive, se depreende do documento de fls. 250/264. Assim, emprego tais fundamentos como Fl. 340DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 3402004.892 S3C4T2 Fl. 338 7 razão de decidir do presente voto, o que faço com fundamento no disposto no art. 50, § 1o da lei 9.784/94, motivo pelo qual rechaço a classificação fiscal pretendida pela recorrente. 12. Nem se alegue, como quer fazer crer a recorrente, que a citada classificação fiscal estaria em compasso com o teor da solução de consulta n. 604/2004, o que, por conseguinte, vincularia a Administração Pública. E isto se deve ao fato de que tal solução não foi ofertada para a recorrente, mas sim para outra pessoa jurídica em situação análoga a aqui tratada. Em outros termos, à época em que veiculada a sobredita solução de consulta, seus efeitos estavam restritos às partes envolvidas, exatamente como prescrito nos artigos 48 e 50 da lei n. 9.430/96, in verbis: Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. (...). § 5º Havendo diferença de conclusões entre soluções de consultas relativas a uma mesma matéria, fundada em idêntica norma jurídica, cabe recurso especial, sem efeito suspensivo, para o órgão de que trata o inciso I do § 1º. (...). § 10. O sujeito passivo que tiver conhecimento de solução divergente daquela que esteja observando em decorrência de resposta a consulta anteriormente formulada, sobre idêntica matéria, poderá adotar o procedimento previsto no § 5º, no prazo de trinta dias contados da respectiva publicação. § 11. A solução da divergência acarretará, em qualquer hipótese, a edição de ato específico, uniformizando o entendimento, com imediata ciência ao destinatário da solução reformada, aplicandose seus efeitos a partir da data da ciência. § 12. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial. (...). Art. 50. Aplicamse aos processos de consulta relativos à classificação de mercadorias as disposições dos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e do art. 48 desta Lei. § 1º O órgão de que trata o inciso I do § 1º do art. 48 poderá alterar ou reformar, de ofício, as decisões proferidas nos processos relativos à classificação de mercadorias. § 2º Da alteração ou reforma mencionada no parágrafo anterior, deverá ser dada ciência ao consulente. §3º Em relação aos atos praticados até a data da ciência ao consulente, nos casos de que trata o § 1º deste artigo, aplicam Fl. 341DF CARF MF 8 se as conclusões da decisão proferida pelo órgão regional da Secretaria da Receita Federal. § 4º O envio de conclusões decorrentes de decisões proferidas em processos de consulta sobre classificação de mercadorias, para órgãos do Mercado Comum do Sul MERCOSUL, será efetuado exclusivamente pelo órgão de que trata o inciso I do § 1º do art. 48. (...). 13. O efeito erga omnes pretendido pelo recorrente só passou a ser previsto com o advento da IN RFB n. 1.396/2013, cuja eficácia está limitada as consultas formuladas após o advento de tal instrução normativa, exatamente como estabelecem os artigos 9o e 32 do citado diploma normativo: Art. 9º A Solução de Consulta Cosit e a Solução de Divergência, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da RFB, respaldam o sujeito passivo que as aplicar, independentemente de ser o consulente, desde que se enquadre na hipótese por elas abrangida, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento. (...). Art. 32. O disposto nos arts. 9º e 22 aplicase somente às Soluções de Consulta Cosit e às Soluções de Divergência publicadas a partir da entrada em vigor desta Instrução Normativa. (...). 14. Nesse sentido, não há que se falar em aplicação do teor da solução de consulta n. 604/2004 para o caso em julgamento. II. A reclassificação fiscal como indutor de alteração de critério jurídico 15. Alternativamente, o contribuinte se opõe ao presente lançamento ao fundamento que a reclassificação fiscal perpetrada pela fiscalização implicaria alteração de critério jurídico o que, por sua vez, seria vedado pelo ordenamento jurídico nacional. 16. Em outras oportunidades já me manifestei que tal assertiva teria razão desde que as importações revisadas tivessem se submetido à conferência documental ou física, exatamente na linha do que vem decidindo o Superior Tribunal de Justiça como, por exemplo, no precedente veiculado quando do julgamento do REsp n. 412.904. Não é este, todavia, o caso dos autos, já que as DI's aqui tratadas não se sujeitaram a este tipo de análise quando do seu desembaraço alfandegário. 17. Logo, em situações como a aqui tratada, é possível que a fiscalização faça a revisão aduaneira, o que está em compasso com o art. 638 do Regulamento Aduaneiro, motivo pelo qual também refuto o presente fundamento do contribuinte. III. Do afastamento das multas aplicadas Fl. 342DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 3402004.892 S3C4T2 Fl. 339 9 18. Por fim, subsidiariamente, o contribuinte protesta pela exoneração da multa moratória decorrente da exigência fiscal, bem como da multa de 1% do valor aduaneiro por classificação incorreta (art. 84, inciso I da MP n. 2.15835/2001). 19. Tal questão não é nova neste colegiado e já foi bem decidida pela Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula no âmbito do acórdão n. 3402004.617, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 08/12/2003 (...). MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12/97. DESCRIÇÃO SUFICIENTE PARA IDENTIFICAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO. A teor do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97, cabe a exclusão da multa ao controle administrativo das importações, quando, embora a classificação tarifária errônea exija novo licenciamento de importação, o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. In casu, entendese como suficiente, para fins de identificação e classificação fiscal, a descrição do produto na Declaração de Importação que apresentou: o nome comum do ingrediente ativo ("Fludioxonil"), a marca comercial do produto ("Maxim Técnico"), bem como o registro do produto ("produto técnico registrado no MAPA sob o nr. 0587"), os quais não são discrepantes da descrição do laudo técnico oficial e dos certificados do produto e do ingrediente ativo. (...) (g.n.) 20. É exatamente este o caso dos autos, tanto é verdade que não houve dúvida quanto à classificação dos bens importados até a sua 1a subposição. A única divergência aqui presente e já tratada neste voto foi apenas na 2a subposição da classificação, ou seja, em identificar tais mercadorias como próteses articulares ou não. 21. Neste sentido, deve ser afastada a multa de 1% do valor aduaneiro por classificação incorreta (art. 84, inciso I da MP n. 2.15835/2001). Tal ratio, entretanto, não se aplica a multa moratória pelo não pagamento de tributos, uma vez que aqui o que se pretende punir é a inadimplência fiscal, enquanto que lá é o eventual embaraço à fiscalização dolosamente criado pelo contribuinte em razão do erro de classificação fiscal. Nesse sentido, aliás, mais uma vez me valho do já citado voto da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que assim já se manifestou: (...). Fl. 343DF CARF MF 10 Como se vê, a multa de ofício não qualificada, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não exige que a conduta da autuada seja dolosa, bastando, para a sua imputação no caso presente, que haja a falta de pagamento do Imposto sobre a Importação, de forma que a eventual boafé da recorrente ou a descrição correta do produto na Declaração de Importação não lhe socorre neste caso. Não obstante isso, há que se esclarecer que, à época do fato gerador sob análise (...), já não mais vigia na Receita Federal o entendimento veiculado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 10/1997, o qual foi expressamente revogado pelo Ato Declaratório Interpretativo nº 13, de 10 de setembro de 2002, que assim dispõe: ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF Nº 13, DE 1092002 (DOU DE 1192002) O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do artigo 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o disposto no artigo 84, e seu § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, DECLARA: Art. 1º – Não constitui infração punível com a multa prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. Art. 2º – Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 10, de 16 de janeiro de 1997. [grifos da Relatora]. Dessa forma, à época da importação da recorrente, não mais era cabível a exclusão da multa de ofício para a "classificação tarifária errônea" nas circunstâncias especificadas acima, eis que o Ato Declaratório Interpretativo nº 13/2002, vigente à época do fato gerador, não traz em sua redação essa hipótese, remanescendo a desoneração apenas para as hipóteses de solicitação indevida de benefícios fiscais (imunidade, isenção, redução preferência tarifária ou ex tarifário). (...). (grifos constantes no original). 22. Assim, mais uma vez amparado pelo disposto no art. 50, § 1o da lei 9.784/94, emprego tais fundamentos como razão de decidir do presente voto, exonerando, pois, apenas a multa de 1% por erro de classificação fiscal. Dispositivo Fl. 344DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 3402004.892 S3C4T2 Fl. 340 11 23. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de controle administrativo das importações. 24. É como voto. Relator Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 345DF CARF MF 12 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento divergi parcialmente do Ilustre Relator no que concerne à exclusão da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria por incorreção na classificação fiscal, no que fui acompanhada por outros Conselheiros, razão pela qual apresento abaixo minhas razões de decidir. O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97 assim dispõe: Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12, de 21 de janeiro de 1997 (Publicado(a) no DOU de 22/01/1997, seção 1, pág. 1301) "Declara que o embarque de mercadoria antes da obtenção do licenciamento não automático no SISCOMEX não constitui infração administrativa ao controle das importações." O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. [negritei] Como se vê, o ato normativo exclui a penalidade nas circunstâncias especificadas somente para a "infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro". O art. 526 do Regulamento Aduaneiro/85, vigente à época da publicação do ato normativo, assim tipificava a referida infração, cuja matriz legal está no art. 169, I, "b" do Decretolei nº 37/66: Art. 526 Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decretolei nº 37/66, art. 169, alterado pela Lei nº 6.562/78, art. 2º): (...) II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Fl. 346DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 3402004.892 S3C4T2 Fl. 341 13 (...) Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) I importar mercadorias do exterior: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. (...) De outra parte, a previsão legal para a multa por incorreção na classificação fiscal passou a existir somente com a publicação Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, nos seguintes termos: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: (Vide) I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou (...) As duas infrações foram consolidadas no Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos do presente processo, nos seguintes dispositivos: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): (...) II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e (...) Art. 636. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; (...) Dessa forma, a multa por classificação incorreta, de 1% sobre valor aduaneiro da mercadoria, prevista no art. 84, I da Medida Provisória nº 2.15835 (art. 636, I do Regulamento Aduaneiro/2002), não se confunde com a "multa administrativa ao controle das Fl. 347DF CARF MF 14 importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro [85]", depois consolidada no art. 633, II, "a" do Regulamento Aduaneiro/2002, sendo que somente esta última multa foi contemplada no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97. O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97 dispõe sobre a exclusão da penalidade, em determinadas circunstâncias, para a multa administrativa ao controle das importações tipificada no art. 169, I, "b" do Decretolei nº 37/66 (art. 633, II, "a" do Regulamento Aduaneiro/2002) não podendo, à míngua de qualquer norma legal ou infralegal nesse sentido, ser estendido a outras infrações. Para as outras infrações praticadas pelo importador, não contempladas no referido ato normativo desonerativo, devem ser aplicadas as penalidades previstas em lei, à qual estão vinculados o AuditorFiscal e o julgador administrativo. Dessa forma, entendo que deve ser mantida a multa por incorreção na classificação fiscal, de 1% do valor aduaneiro da mercadoria, e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário também quanto a esse aspecto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada Fl. 348DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.905787/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DCOMP. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo.
DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA.
O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento.
A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-004.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicando-se integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo. DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA. O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 87 /2 00 8- 21 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10980.905787/200821 Acórdão n.º 3401004.326 S3C4T1 Fl. 184 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto os relatórios das Resoluções que converteram os feitos em diligências, os quais, por economia, reservome o direito de não transcrever. Considerando que o processo não se encontrava em condições de julgamento, foi resolvida sua conversão em diligência para que fosse apurado o valor que é devido em cada um dos códigos, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. A informação fiscal proferida confirmou a homologação parcial da compensação declarada, "...isto porque o contribuinte não compensou a multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido." Após ciência sobre a informação fiscal, apresentase manifestação, contestando as conclusões alcançadas pela diligência fiscal, em essência, alegando estar amparada pelo art. 138, da Lei n° 5.172/66 (CTN), que excluiria a responsabilidade pela denúncia espontânea, quanto à multa de mora. Voto O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às contribuições sociais para o PIS. Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito pleiteado tem origem no recálculo da contribuição em razão da redução à alíquota a zero (%) por centro para o PIS no período. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não ter sido trazido aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado. Diante destas razões, posteriormente trazidas, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, os autos foram e retornaram de diligência com a confirmação da homologação parcial da compensação declarada, restando saldo devedor, em razão da não compensação da multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10980.905787/200821 Acórdão n.º 3401004.326 S3C4T1 Fl. 185 3 Entendo, no mesmo sentido da decisão recorrida, que o art. 138, da Lei n° 5.172/66, exclui a responsabilidade pela denúncia espontânea, mas, quando acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora. Pagamento. Não compensação como é o caso. Aplicase ao caso, o teor do julgamento do REsp 1.149.022/SP, submetido ao rito dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973, determinandose que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; decisão judicial de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10980.905787/200821 Acórdão n.º 3401004.326 S3C4T1 Fl. 186 4 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. SÚMULA STJ nº. 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Aplicando o instituto da denuncia espontânea, à caso concreto semelhante, sob o aspecto da existência de compensação, ao invés de pagamento, o voto vencedor da Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, no Acórdão nº 3302002.772, de 13/11/2014, abaixo transcrito, adotadas suas razões de decidir para o presente processo: "Denúncia Espontânea O CTN somente excluiu, em seu art. 138, a responsabilidade tributária em razão de denúncia espontânea quando esta for acompanhada do pagamento do tributo devido com os respectivos juros moratórios. O comando do art. 138, do CTN, visa incentivar a regularização fiscal e o incremento da arrecadação, por meio da concessão de incentivo (qual seja, a exclusão da responsabilidade por infração) pelo pagamento de tributos em atraso espontaneamente denunciados. E como a compensação seja aos moldes pretéritos (em que era objeto de pedido e era passível de eventual Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10980.905787/200821 Acórdão n.º 3401004.326 S3C4T1 Fl. 187 5 posterior indeferimento), seja aos moldes atuais (em que é declarada e está sujeita, dentro do prazo de 5 anos, a ser fortuitamente não homologada na forma do art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/96) –, trata de forma precária (não definitiva) da extinção do crédito tributário, não goza do benefício conferido por sobredito art. 138. O entendimento acima se afina com a jurisprudência do STJ a respeito desta questão peculiar, conforme patenteia a ementa do acórdão, recentemente publicado no DJE de 26/08/2010, proferido AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.303.103/RS, no qual foi Relatora a Exma. Sra. Ministra Eliana Calmon: “TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL DENÚNCIA ESPONTÂNEA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO PRINCIPAL E DOS JUROS DE MORA DEVIDOS NÃO CONFIGURAÇÃO. 1. A configuração da denúncia espontânea pressupõe o pagamento do principal da dívida acompanhado dos juros de mora devidos antes de qualquer procedimento fiscal, o que não ocorreu na espécie, na qual houve mero pedido de compensação. 2. Agravo regimental não provido.” (g.n.) De se ver que a jurisprudência colacionada pela contribuinte em suas peças de defesa atestam como requisitos para a não incidência de multa moratória em face da denúncia espontânea o atendimento de dois requisitos: a existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e a inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A contribuinte não atendeu ao primeiro dos requisitos mencionados. (grifei/sublinhei) No mesmo sentido, o voto condutor do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, no Acórdão nº 3101001.631, de 27/03/2014, abaixo transcrito, por unanimidade, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade, nos termos do art. 138 do CTN, no casos de mera compensação: "É pacífica a jurisprudência, inclusive com diversos precedentes do E. STJ, no sentido de que é possível ao contribuinte sanar o inadimplemento de crédito tributário, ainda que a destempo, sem que haja aplicação da sanção legal, desde que mediante PAGAMENTO. Está assim pacificada a jurisprudência no âmbito do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRETENSÃO QUE ENCONTRA ÓBICE NA SÚMULA N. 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. 1. A revisão da conclusão do acórdão recorrido, no sentido da ausência de direito líquido e certo a ser amparado pelo mandamus, importaria em novo exame do conjunto fáticoprobatório dos autos. Precedentes: AgRg no AREsp 144.012/MA, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 15/05/2012; AgRg no AREsp 98.066/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/04/2012; REsp 1206178/DF, Rel. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10980.905787/200821 Acórdão n.º 3401004.326 S3C4T1 Fl. 188 6 Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/11/2011; AgRg no Ag 1378589/DF, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13/09/2011. 2. A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 174.514, Rel. Min. Benedito Gonçalves, 1A T, julg. 04/09/2012) Como no presente caso, diferentemente dos demais que foram por mim analisado, a Recorrente realizou a compensação dos débitos liquidados em atraso, conforme se verifica da planilha transcrita no relatório acima, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade nos termos do art. 138 do CTN." (grifei) Portanto, no presente caso, inaplicável o instituto da denuncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, e indevida a exclusão da penalidade da multa de mora. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.912363/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2002
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ.
Inexiste falta de motivação ou violação de princípios constitucionais que maculem de nulidade a decisão recorrida em face do enfrentamento de todas as matérias suscitadas nas peças de defesa.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado, cabe a este afastar os motivos que levaram ao não reconhecimento do crédito pretendido, comprovando a existência deste.
Numero da decisão: 1301-002.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2002 NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. Inexiste falta de motivação ou violação de princípios constitucionais que maculem de nulidade a decisão recorrida em face do enfrentamento de todas as matérias suscitadas nas peças de defesa. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado, cabe a este afastar os motivos que levaram ao não reconhecimento do crédito pretendido, comprovando a existência deste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 23 63 /2 00 9- 41 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13896.912363/200941 Acórdão n.º 1301002.800 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada e, DCOMP nº 31219.10489.030606.1.3.043038, referente a alegado crédito de valor original na data transmissão de R$ 11.100,77, relativo a pagamento indevido ou a maior de código de receita nº 2362, DARF de valor total de R$ 11.161,18, período de apuração de 31/12/2001 e data de arrecadação de 31/01/2002. Segundo o Despacho Decisório de não homologação, o DARF informado na DCOMP foi integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, conforme processo nº 13896.004119/200821, não restando assim crédito disponível para a compensação do(s) débito(s) informado(s) na DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade a interessada pediu a homologação da compensação. Para tanto, assim resumiu seus argumentos: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente c) Excluir o lançamento referente à IRPJ código 2362, da DCTF do 4 trimestre/2001, constante na página 5, no valor de R$ 11.161,18, pois esse valor não é devido para o período Dezembro/2001. A decisão da autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.796, de 23.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 13896.911728/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13896.912363/200941 Acórdão n.º 1301002.800 S1C3T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.796): O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. 1. Nulidade da decisão de 1a instancia por falta de motivação e inobservância ao principio da verdade material Alega a Recorrente que a decisão de primeira instancia violou os princípios constitucionais da ampla defesa e do devido processo legal, pois entendeu não estar clara a motivação que levou o julgador às conclusões exportas na parte dispositiva do julgamento. Defende que o argumento ensejador do não provimento da manifestação de inconformidade se baseou em alegações de que a recorrente não trouxe aos autos sua escrituração contábil, sem sequer analisar os documentos juntados a manifestação de inconformidade. Compulsandose os autos verificase que a recorrente descreve como documentos anexados a DCTF 4° trimestre/2001, DIPJ Anocalendário 2001, DARF no valor de R$ 11.161,18, Despacho Decisório n°. 848664496 de 07/10/2009, CNPJ, Última Alteração Contratual Consolidada e documentos do representante legal. No entanto, em linha com a decisão de primeira instancia, tais documentos não são capazes de comprovar os argumentos da Recorrente de que o valor do DARF relativo a pagamento de Dezembro 2001 não seria deveras devido. Contrariamente ao alegado, o julgador de primeira instancia, buscando a verdade material dos fatos, buscou nos sistemas disponíveis a Receita Federal informações detalhadas sobre o crédito tributário perquirido. Solicitou, ainda, desarquivamento do processo relativo ao restabelecimento da DCTF relativa que havia sido cancelada pela Recorrente. Em resumo, não vejo qualquer razão nos argumentos apresentados pela Recorrente que possam dar ensejo a nulidade da decisão de primeira instancia. 2. Compensação Em relação a compensação, sabese que o art. 170 do CTN determina que os créditos tributários líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda pública podem ser objetos de compensação, na forma que a lei estipular. Como liquido e certo, entendese aquele crédito tributário cuja existência seja garantida e cujo valor seja mensurável. No caso em tela, temse que a interessada não logrou êxito em comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Nos moldes do art. 214, do Código Civil, para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, conforme Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13896.912363/200941 Acórdão n.º 1301002.800 S1C3T1 Fl. 5 4 disposto no art. 333, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente os contábeis e fiscais, não sendo suficiente, por si só, como prova, a mera apresentação da DIPJ, que, ao contrário da DCTF, não se constitui em instrumento de confissão de dívida. Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. No presente caso verificase que a recorrente descreve como documentos anexados a DCTF 4 trimestre/2001, DIPJ Anocalendário 2001, DARF no valor de R$ 11.161,18, Despacho Decisório n°. 848664519 de 07/10/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002018/2002-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998
TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Numero da decisão: 9303-006.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 18 /2 00 2- 44 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 19515.002018/200244 Acórdão n.º 9303006.542 CSRFT3 Fl. 187 2 conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, contra ao acórdão nº 20313.356, proferido pela 3º Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, por entender que o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º , do CTN. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "A interessada, em 09/01/2003, foi cientificada via Auto de Infração da exigência da COFINS, referente ao período de apuração janeiro de 1997 a dezembro de 1998, "em decorrência da apuração de divergência entre os valores escriturados e aqueles declarados e ou pagos" (fl. 96). O Acórdão DRJ/CPS, consubstancia decisão pela procedência do lançamento, uma vez que o controle de constitucionalidade de lei somente pode ser exercido pelo Poder Judiciário. Contra o acórdão, a interessada maneja recurso voluntário a este Segundo Conselho de Contribuintes, repisando seus argumentos de impugnação e, em preliminar, reclamando a decadência do direito da Fazenda lançar a exigência da Cofins. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 COFINS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DO CTN. LEI COMPLEMENTAR. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 19515.002018/200244 Acórdão n.º 9303006.542 CSRFT3 Fl. 188 3 Para a Cofins, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o do CTN, afastandose a incidência do art. 45 da Lei n" 8.212/91 por esta se tratar de lei ordinária, sendo a decadência matéria reservada a lei complementar por força do art. 146, III, b da Constituição Federal. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Nos lançamentos de ofício promovidos pelos Auditores Fiscais aplicase a multa de 75% prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO AO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGALIDADE. É legítima a aplicação da taxa Selic ao ativo fiscal, nos termos do art. 13 da Lei n° 9.065/95. A administração tributária deve guardar observância pela presunção de constitucionalidade da lei que impõem a aplicação do referido índice. Recurso provido em parte". Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, suscitando contrariedade a lei quanto aplicação do prazo decadencial para constituição de crédito tributário quando da inexistência de pagamentos antecipados, se nos termos do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN. O Presidente da 4º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, nos termos do parágrafo 6º do Anexo II, Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovados à época pela Portaria MF nº147, de 2017. No essencial, é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra Acórdão proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto para reconhecer a decadência da COFINS como sendo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador nos termos do art. 150 parágrafo 4 do CTN, independente de ter havido ou não pagamento. Compulsando aos autos, verifico que não consta nenhum pagamento dos tributos em discussão. Portanto, para fins de contagem de prazo decadencial, deve ser aplicado o art. 173, I do CTN, com antecipação de pagamento. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 19515.002018/200244 Acórdão n.º 9303006.542 CSRFT3 Fl. 189 4 Com efeito, a questão do prazo para a Fazenda Nacional lançar as contribuições sociais foi objeto de intermináveis discussões e acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Nada obstante, o Código Tributário Nacional CTN, estabelece duas formas para se contar o prazo decadencial: na primeira delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, ainda que parcial, e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Quanto essa matéria, qual seja, o prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, como é o caso da contribuição para o PIS e da COFINS, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se posicionou na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao Fl. 189DF CARF MF Processo nº 19515.002018/200244 Acórdão n.º 9303006.542 CSRFT3 Fl. 190 5 lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio STJ o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não havendo pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 19515.002018/200244 Acórdão n.º 9303006.542 CSRFT3 Fl. 191 6 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) No novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 323, de 2015, a questão encontrase disciplinada nos seguintes termos: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, em sintonia com a jurisprudência do STJ, aplicandose a regra do inciso I, do artigo, 173, do CTN, no presente caso, para o fato gerador ocorrido em dezembro de 1997, o lançamento somente poderia ser efetuado em janeiro de 1998, fazendo com que o início do prazo decadencial fosse para o dia 1º de janeiro de 1999. Contandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 31/12/2003. Como a ciência do auto se deu em janeiro de 2003 (fls. 50), o lançamento desse período não ocorreu a destempo. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 19515.002018/200244 Acórdão n.º 9303006.542 CSRFT3 Fl. 192 7 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 192DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.003013/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÕES.
É devida a contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais (remuneração de autônomos não declarados em GFIP).
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Entendimento do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática do recurso repetitivo.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
A Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, estabelece os procedimentos sobre a aplicação retroativa das multa de que tratam os do disposto nos arts. 35 e 35-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.
Numero da decisão: 2401-005.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÕES. É devida a contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais (remuneração de autônomos não declarados em GFIP). DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Entendimento do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática do recurso repetitivo. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. A Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, estabelece os procedimentos sobre a aplicação retroativa das multa de que tratam os do disposto nos arts. 35 e 35-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.
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BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÕES. É devida a contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais (remuneração de autônomos não declarados em GFIP). DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Entendimento do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática do recurso repetitivo. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. A Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, estabelece os procedimentos sobre a aplicação retroativa das multa de que tratam os do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 30 13 /2 00 8- 18 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13888.003013/200818 Acórdão n.º 2401005.355 S2C4T1 Fl. 0 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13888.003013/200818 Acórdão n.º 2401005.355 S2C4T1 Fl. 0 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 1425.502 (fls. 49/54) da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2007 DECADÊNCIA. PRAZO. PREVISÃO EM LEI ORDINÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. O artigo 45 da Lei n° 8.212/91 é inconstitucional, consoante súmula vinculante n° 8 do STF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. PRAZO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, existindo antecipação do pagamento, ainda que parcial, a decadência operase com o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, mediante aplicação do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional. RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O benefício da relevação, previsto no artigo 291, §1.° do Decreto n. 3.048/99, somente alcança a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória. Lançamento Procedente em Parte Às fls. 2 e seguintes, consta Auto de Infração (DEBCAD n° 37.135.0484) lavrado para constituição do crédito tributário no valor de R$ 13.431,19 (treze mil quatrocentos e trinta e um reais e dezenove centavos), referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondente a parte devida pelos segurados contribuintes individuais (remuneração de autônomos não declarados em GFIP). Os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas ou creditadas pela empresa autuada a segurados empregados e contribuintes individuais, no período descontínuo de 04/2003, 06/2003, 08 a 12/2003, 01 a 04/2004, 07/2007, 03 a 12/2005, 01 a 10/2006, 01 a 06/2007, conforme informado em folha de pagamento. As bases de calculo foram obtidas por meio dos arquivos em meio digital entregues pela autuada, contendo todos os registros contábeis do período de 01/2003 a 06/2007. Do relatório da decisão de piso, extraemse, em resumo, os principais argumentos de sua peça impugnatória: Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13888.003013/200818 Acórdão n.º 2401005.355 S2C4T1 Fl. 0 4 Este Auto de Infração é uma repetição do AI Debcad 37.135.0746. A escrituração contábil às vezes serve para apuração da base de cálculo, outras vezes e desprezada, exigindose folhas de pagamento para autônomos, quando sabe que essas pessoas fornecem R.P.A. ou nota fiscal. Consta do Auto de Infração que, apesar da empresa apresentar os lançamentos contábeis em sistema eletrônico de dados, ela foi autuada por não apresentar o livro Diário. Se tudo foi apresentado ao fiscal, a falta do livro Diário não é bem o que ocorreu. O livro foi apresentado em folhas soltas porque os originais estavam sendo encadernados. A própria legislação do Imposto de Renda permite essa apresentação ao final da encadernação. Não houve omissão ou sonegação de tributo. Todas as legislações fiscais declaram que a infração regulamentar da qual não decorrer falta ou insuficiência de tributo a penalidade será relevada. A empresa já foi fiscalizada no período de 12/2004 a 03/2005, o que impede o lançamento no período abrangido pela decadência, conforme artigo 174 do Código Tributário Nacional CTN. Requer a procedência da impugnação. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/08/2010 (fls. 69), apresentou Recurso Voluntário em 18/08/2010 (fls. 70). Do qual transcrevo o seu inteiro teor: Weiser Veículos S/A. já qualificada no processo acima, vem com o devido respeito, por seu procurador abaixo, apresentar recurso voluntário, contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pelos seguintes motivos de fato e de direito: 1. Na realidade, foram lavrados 19 (dezenove) autos de infração, tendo por base os mesmos fatos geradores. Alguns, com infração regulamentar simplesmente, e apenas dois com cobrança de contribuição social ao INSS. Os valores foram extraídos de lançamentos que não estavam os pagamentos, sujeitos a essa contribuição social. 2. Salienta ainda, que a empresa foi fiscalizada em 2003 e 2004 e outros lançamentos nesse período, ou somente em relação a 2003, estão abrangidos pela decadência, a teor do artigo 174 de C.T.N. porque os autos são de 2008. 3. A frondosa legislação transcrita nos autos dificulta sobremaneira a impugnação, como reconhecido pela autoridade julgadora. 4. Reitera, que não houve falta de pagamento de qualquer contribuição, pois os arquivos, documentos e livros estiveram Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13888.003013/200818 Acórdão n.º 2401005.355 S2C4T1 Fl. 0 5 à disposição do fiscal autuante, muitos documentos nem foram verificados, tal o volume apresentado. 5. Quanto à multa aplicada e a retroatividade benigna reconhecida no julgamento, deve ser retificado o auto de infração e não como foi decidido, prolongando “essa providência para a ocasião do pagamento. Reitera todos os temas da Impugnação, comprovada por documentos. Enfim, são autos destituídos de fundamento, aleatórios e por essa razão requer a sua insubstituência, como medida de inteira Justiça. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13888.003013/200818 Acórdão n.º 2401005.355 S2C4T1 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Preliminar de decadência Alega a recorrente que já foi fiscalizada em 2003 e 2004 e outros lançamento nesse período, ou somente em relação a 2003, estão abrangidos pela decadência. Pois bem. Quanto ao prazo de constituição do crédito tributário (prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça – STJ consagrou o entendimento de que a regra do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do inciso I do art. 173, nos demais casos. Veja a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13888.003013/200818 Acórdão n.º 2401005.355 S2C4T1 Fl. 0 7 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Sobre o caráter vinculante da decisão do STJ, a Portaria Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, Regimento Interno do CARF (RICARF), traz as seguintes disposições: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13888.003013/200818 Acórdão n.º 2401005.355 S2C4T1 Fl. 0 8 [...] § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Veja, nesse processo estão abrangidas as competências (fatos geradores) de 04/2003, 06/2003, 08 a 12/2003, 01 a 04/2004, 07/2007, 03 a 12/2005, 01 a 10/2006, 01 a 06/2007, de acordo com o Discriminativo Analítico de Débito (fls. 5/10). Como o sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 31/07/2008, temse, portanto, a seguinte análise: a) em relação às competências 04 e 06/2003, crédito tributário exonerado em função da decisão do r. acórdão recorrido, nestes termos: No caso em tela, conforme pesquisa realizada junto ao sistema informatizado da Receita Federal, o sujeito passivo efetuou recolhimentos parciais para todas as competências objeto deste lançamento, acarretando assim a aplicação do prazo decadencial previsto no §4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional para estas competências. O presente crédito previdenciário, relativo a fatos geradores ocorridos no período de 04/2003 e 06/2003, foi constituído, pela formalização do lançamento tributário, devidamente notificado ao sujeito passivo, apenas em 31/07/2008, quando, portanto, já decadente o direito de constituílo em relação ao período de 04/2003 e 06/2003 (grifouse)". b) em relação às competências 08 a 12/2003, 01 a 04/2004, 07/2007, 03 a 12/2005, 01 a 10/2006, 01 a 06/2007, independente de aplicação da regra do § 4º do art. 150 ou inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, não há que se falar em decadência do período fiscalizado. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13888.003013/200818 Acórdão n.º 2401005.355 S2C4T1 Fl. 0 9 Esclarece ainda que o art. 174 do CTN dispõe sobre o prazo de prescrição do crédito tributário, ou seja, tratase do prazo de cobrança que se inicia somente após a constituição definitiva do crédito tributário, após a fase litigiosa. Aduz ainda a recorrente ter sido fiscalizada em 2003 e 2004. Esse informação, por si só, não implica em decadência. Nesse sentido, foi a conclusão da decisão de piso: " ... o simples fato da empresa autuada ter sido supostamente fiscalizada em 12/2004 a 03/2005 não implica em decadência do direito do Fisco constituir o crédito previdenciário de qualquer período objeto deste lançamento, nem tão pouco é relevante para o resultado deste julgamento. Apenas o seria se, havendo fiscalização anterior sobre o mesmo período, dela decorresse o lançamento das mesmas contribuições que ora são exigidas, fatos estes que dependem de provas, não produzidas nos autos. Diante do exposto, rejeito a preliminar de decadência do lançamento. Sem razão a recorrente. Mérito Ao contrário do que afirma a recorrente, o auto de infração foi lavrado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para sua feitura, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, dele constando a descrição precisa dos fatos, detalhados nos Discriminativos Analítico e Sintético de Débito, Relatório de Lançamento, Relatório Legais do Débito e Termo de Encerramento da Fiscalização (fls. 2/29). Além disso, o sujeito passivo demonstra com clareza o teor da infração que lhe foi imputada, pelo que logrou apresentar suas razões de defesa dentro do prazo legal e com especial profundidade, a demonstrar o perfeito entendimento às matérias que compunham o lançamento. Portanto, deve ser rejeitada a alegação de que houve ofensa ao art. 142 do CTN. Também, deve ser rechaçado o argumento que os autos estão destituídos de fundamento, aleatórios. Como se observa, nos termos descrito no Relatório Fiscal do AI (fls. 28/29), as bases de calculo foram obtidas mediante arquivos em meio digital entregues pela autuada, contendo todos os registros contábeis do período de 01/2003 a 06/2007 no formato do MANAD Manual Normativo de Arquivos Digitais. Relata a auditoria fiscal que as informações foram validadas por meio de testes, por amostragem, realizados em confronto com documentos impressos a partir do sistema contábil (modulo 007 Contabilidade Livro Diário), de onde foram extraídas os valores brutos pagos aos segurados citados da conta 5.120.101.001 Serviços Profissionais Pessoa Física, os quais se encontram vinculados ao Código de Levantamento AFG AUTÔNOMOS FORA DA GFIP. Os valores apurados por meio de registros contábeis configuram fatos geradores das contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, correspondente a parte devida pelos segurados contribuintes individuais (remuneração de autônomos não declarados em GFIP), nos termos dos fundamentos legais (fls. 19/20). Como bem pontuado na decisão de piso, a alegação de que foram lavrados autos repetitivos não procede, considerando que cada um deles tem por objeto o lançamento de contribuições ou a aplicação de penalidade distintas, ou seja, não foi lavrado nenhum Auto de Infração em repetição a outro. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13888.003013/200818 Acórdão n.º 2401005.355 S2C4T1 Fl. 0 10 Em relação à aplicação da multa mais benéfica, retroatividade das alterações da Lei nº 11.941/09 que foi reconhecida no r. acórdão recorrido, necessário esclarecer que o órgão responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deve efetuar o cálculo da multa, nos termos em que está disposto no art. 476 da Instrução Normativa nº 971/09, conforme: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) [...] Também, são essas as disposições da Portaria Conjunta PGFN /RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, estabelece os procedimentos sobre a aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, nos seguintes termos: Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). [...] § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Salientase ainda a necessidade de observância pela unidade local, por ter sido reconhecida a decadência das competências 01 a 06/2003, da conclusão do r. acórdão Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13888.003013/200818 Acórdão n.º 2401005.355 S2C4T1 Fl. 0 11 recorrido, nos seguintes termos: " ...voto pela procedência em parte do lançamento, para o cancelamento do crédito previdenciário relativo às competências abrangidas no período de 04/2003 e 06/2003, em razão do reconhecimento da decadência, retificando o valor originário lançado para R$ 7.791,16 (sete mil setecentos e noventa e um reais e dezesseis centavos), conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado anexo, sem prejuízo dos acréscimos legais devidos". Conclusão Pelo exposto acima, voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a preliminar de decadência, e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 13709.000521/2002-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2002
DEMANDA JUDICIAL PROPOSTA POR SINDICATO. REPRESENTAÇÃO SINDICAL. ART. 8º, III, DA CF/88. AMPLA LEGITIMIDADE. COMPROVAÇÃO DA FILIAÇÃO NA FASE DE CONHECIMENTO. DESNECESSIDADE.
O artigo 8º, III da Constituição Federal estabelece a legitimidade extraordinária dos sindicatos para defender em juízo os direitos e interesses coletivos ou individuais dos integrantes da categoria que representam. Essa legitimidade extraordinária é ampla, abrangendo a liquidação e a execução dos créditos reconhecidos aos trabalhadores, independentemente da comprovação de filiação ao sindicato na fase de conhecimento. Por se tratar de típica hipótese de substituição processual, é desnecessária também qualquer autorização dos substituídos. Inteligência de precedentes do STF nos RE 210.029-3, 193.503 e RE 696845 Ag /DF, AI 760.327-AgR e ADI 1.076.
Numero da decisão: 1301-002.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a compor o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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REPRESENTAÇÃO SINDICAL. ART. 8º, III, DA CF/88. AMPLA LEGITIMIDADE. COMPROVAÇÃO DA FILIAÇÃO NA FASE DE CONHECIMENTO. DESNECESSIDADE. O artigo 8º, III da Constituição Federal estabelece a legitimidade extraordinária dos sindicatos para defender em juízo os direitos e interesses coletivos ou individuais dos integrantes da categoria que representam. Essa legitimidade extraordinária é ampla, abrangendo a liquidação e a execução dos créditos reconhecidos aos trabalhadores, independentemente da comprovação de filiação ao sindicato na fase de conhecimento. Por se tratar de típica hipótese de substituição processual, é desnecessária também qualquer autorização dos substituídos. Inteligência de precedentes do STF nos RE 210.0293, 193.503 e RE 696845 Ag /DF, AI 760.327AgR e ADI 1.076. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a compor o presente julgado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 05 21 /2 00 2- 10 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13709.000521/200210 Acórdão n.º 1301002.754 S1C3T1 Fl. 244 2 Relatório O presente processo foi alvo da Resolução nº 3011.878 exarada pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que converteu o julgamento em diligência. Adoto seu relatório, complementandoo ao final: Em 31.01.2002, o interessado REQUEREU, junto à Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro (Derat/RJ), sua INCLUSÃO no regime do SIMPLES, afirmando que, embora exista vedação para sua atividade econômica (ensino de informática), está amparado em sentença proferida pela 18ª Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, nos autos do Mandado de Segurança nº 99.00094069, impetrado pelo SINDELIVRERJ – Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro, em defesa dos interesses de seus filiados (docs. fls. 01/24). Em 05.03.2002, o CAC – Penha/RJ NEGOU O PEDIDO do interessado, sob a alegação de que somente aqueles substituídos no momento da impetração do MS podem se valer da decisão favorável ao SindeLivre (fl. 26). Em 02.07.2002, o interessado apresentou Solicitação de Revisão da Vedação à Opção pelo Simples – SRS (fls. 28/31), alegando, em síntese, que: a) A sentença proferida no MS nº 99.00094069 alcança todos os filiados do SindeLivre e não somente os cursos estabelecidos à época da sentença, e os embargos de declaração foram recebidos para esclarecer que a segurança beneficia os filiados do SindeLivre no RJ; e b) A Lei nº 10.034/2000, alterando a Lei nº 9.317/96, permitiu a opção pelo Simples para as Creches e para as Escolas de Ensino Fundamental, o que, por semelhança, também deve se aplicar aos Cursos Livres (como o de informática). Em 30.11.2004, a Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário (Dicat) da Derat/RJ, considerou IMPROCEDENTE a solicitação do Interessado (fl. 45verso), sob as seguintes justificativas: 1) Sócio participa com mais de 10% do Capital de outra empresa e a receita bruta global ultrapassa o limite legal conforme dispõe o inciso IX do artigo 9º da Lei nº 9.317/96. As pesquisas de fls. 38/44 comprovam este fato; e 2) Atividade vedada pelo inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/96. A empresa não consta da listagem fornecida pelo SindeLivre no mandado de segurança, nos autos do processo administrativo nº 10768. 007236/9971. Cientificado do indeferimento de sua solicitação (AR, fl. 46v), o interessado apresentou, em 26.01.2005, a impugnação de fls. 47/48 e 66/68, instruída com os documentos de fls. 49/65 e 69/91, alegando, em síntese, que: Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13709.000521/200210 Acórdão n.º 1301002.754 S1C3T1 Fl. 245 3 a) As cópias das declarações anuais simplificadas dos anoscalendários 2002 e 2003 e o demonstrativo de faturamento de 2004 (juntados), relativos às duas empresas de que o Sr. Roberto Antonio Gaspar é sócio, demonstram que a receita bruta global não ultrapassa o limite referido no inciso IX do artigo 9º da Lei nº 9.317/96 (R$ 1.200.000,00); e b) Com relação ao óbice erigido no artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96 (atividade econômica), o acórdão proferido no Mandado de Segurança Coletivo nº 99.00094069, confirmando a sentença concessiva, beneficiou todos os filiados do Sindicato SindeLivre no Estado do Rio de Janeiro, sem restrições de filiação à época do ajuizamento da referida ação. A 7ª Turma de Julgamento da DRJ/Rio de Janeiro/RJ, por meio do Acórdão nº 8.181, fls. 94/99, indeferiu solicitação do interessado, ora Recorrente, de inclusão na Sistemática do SIMPLES, nos seguintes e exatos termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 Ementa: MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ENTIDADE ASSOCIATIVA. EXTENSÃO DOS EFEITOS. MOMENTO DA PROPOSITURA. FILIAÇÃO. A sentença prolatada em mandado de segurança coletivo, proposto por entidade associativa, produzirá efeitos apenas em relação aos filiados que, na data da impetração, tenham sido relacionados na petição inicial, não alcançando, portanto, aqueles que só vieram a se associar posteriormente ao ajuizamento da ação. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 Ementa: ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. CURSOS DE INFORMÁTICA. As pessoas jurídicas que têm por objeto o ensino de informática estão impedidas de optar pelo Simples, por exercerem atividade própria de professor ou a ela assemelhada. Solicitação Indeferida. Inconformada com o teor do acórdão proferido, a interessada interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, fls. 102/148, no qual, em síntese, repisa as razões e argumentos expendidos nas suas manifestações de fls. 28/31, 47/65 e 66/91, bem como os pedidos ali consignados. Por meio da Resolução nº 3011.878, assim decidiu a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes: Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13709.000521/200210 Acórdão n.º 1301002.754 S1C3T1 Fl. 246 4 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13709.000521/200210 Acórdão n.º 1301002.754 S1C3T1 Fl. 247 5 Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13709.000521/200210 Acórdão n.º 1301002.754 S1C3T1 Fl. 248 6 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13709.000521/200210 Acórdão n.º 1301002.754 S1C3T1 Fl. 249 7 O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Pelo que se verifica do relato, a recorrente formalizou a alteração de dados no CNPJ – porque teria alterado o objeto social previsto em seu contrato social e, conseqüentemente, no CNAE Fiscal. Entendeu a administração tributária, no despacho decisório de exclusão, que a partir da alteração contratual promovida em 12/07/2012, a recorrente passou a dispor da possibilidade de exercer a atividade de “representação por conta própria ou de terceiros”, que é considerada atividade vedada para ingresso e permanência na sistemática do Simples Nacional, pela Lei Complementar nº 123, de 2006. Assinalou que, nesse mesmo sentido, o CGSN, pela Resolução n º 94, de 2011, determinou, no art. 74, que a alteração de dados no CNPJ, informada pela ME ou EPP à RFB, equivalerá à comunicação obrigatória de exclusão do Simples Nacional na hipótese de inclusão de atividade econômica vedada à opção pelo Simples Nacional. A recorrente, ao seu turno, informa que apesar de sempre ter constato de seu contrato social, desde a constituição, em 1998, nunca teria exercido a atividade de “representação por conta própria ou de terceiros”, e que já teria providenciado a exclusão da previsão dessa atividade de seu objeto social. Observo que nos autos se encontram anexadas, apenas, cópias do contrato social e alterações contratuais apresentadas pela empresa recorrente. Não há nenhum outro documento ou elemento inserido no presente processo. Esta Turma de Julgamento vem decidido no sentido de que, para manutenção da exclusão de pessoa jurídica do Simples por exercício de atividade vedada, é necessário que fique comprovado que a pessoa jurídica de fato exerceu a atividade proibida. Em face do exposto, voto pela conversão do julgamento na realização de diligências, para que a unidade de jurisdição da recorrente a intime a apresentar (i) as notas fiscais emitidas no período objeto dos autos, devidamente acompanhadas dos respectivos registros contábeis; (ii) contratos porventura celebrados no período; (iii) registros e anotações de empregados, dentre outros necessários a comprovar a real atividade praticada pela interessada. Ao final dos trabalhos deverá ser elaborado relatório circunstanciado e conclusivo das verificações efetuadas, do qual deverá ser cientificado a interessada, com prova de seu recebimento nos autos para, no prazo de trinta dias, a contar da ciência, manifestarse sobre as conclusões da diligência, se assim o desejar, retornandose, posteriormente, os presentes autos a este Colegiado para prosseguimento. Em cumprimento ao determinado em resolução, os autos retornaram ao CARF com cópias de peças e decisões judiciais, digase, a propósito, todas apresentadas pela recorrente em atendimento à intimação lavrada pela unidade de origem. É o relatório. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13709.000521/200210 Acórdão n.º 1301002.754 S1C3T1 Fl. 250 8 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. Tratase de exclusão do Simples Federal levado a efeito pela Derat/RJ. Destaco o conteúdo do voto condutor do aresto recorrido que bem resume o litígio, bem como, em decisão concisa, mas devidamente fundamentada, as razões da turma julgadora a quo para indeferir o pleito da interessada: O primeiro motivo invocado pela Derat/RJ, para negar o plei to do interessado, foi o excesso de receita bruta global das duas empresas com sócio comum, no anocalendário 2003. Tal motivação deve ser afastada, pois a receita bruta acumulada em 2003 da empresa DTBRio Transportadora de Bebidas (f l . 44) foi de R$ 870.739,00, que, somada à receita bruta da empresa PluggRio Cursos de Informática (interessado) no mesmo ano (R$ 147.274,03, f ls . 50 e 93), resulta o valor global de R$ 1.018.013,03, que não ultrapassa o l imite de R$ 1.200.000,00, previsto no inciso II do art igo 2º e no inciso IX do artigo 9º, da Lei nº 9.317/96, al terada pela Lei nº 9 .732/98. O outro motivo que fundamentou o indeferimento da opção pelo SIMPLES foi a atividade econômica exercida pelo interessado, curso de informática, que é vedada pelo inciso XIII do art igo 9º da Lei nº 9.317/96. A atividade de ensino de informática caracterizase como prestação de serviço profissional de professor ou assemelhado, o que impede o interessado de optar pelo SIMPLES, nos termos do disposit ivo legal acima. A Lei 10.034/2000 (al terada pela Lei nº 10.684/2003) excetuou da restrição acima as atividades de “creches e préescolas” e “estabelecimentos de ensino fundamental”. Ao contrário do que pretende o interessado, entendo que os cursos de informática não se enquadram nesses dois úl t imos grupos e, por isso, permanecem vedados de optar pelo SIMPLES. Para não se sujei tar ao impedimento acima, o Interessado plei teia inclusão no Simples, ao abrigo de sentença proferida pela MM. Juíza da 18ª Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, confirmada por Acórdão (nº 2000.02.01.0057828), nos autos do Mandado de Segurança nº 99.00094069, impetrado pelo SINDELIVRE – Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro. A controvérsia, no caso, reside em saber se os efei tos da sentença concessiva da segurança alcançam o interessado, considerandose que esse não era f i l iado ao SINDELIVRE por ocasião do ajuizamento da ação. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13709.000521/200210 Acórdão n.º 1301002.754 S1C3T1 Fl. 251 9 A Medida Provisória nº 1.7982, de 11/03/1999, no intento de tornar viável a execução das sentenças proferidas em ações colet ivas propostas em face de pessoas jurídicas de direi to público, acabou l imitando o alcance de tais decisões, por fazer restringir seus efei tos apenas aos associados relacionados na petição inicial: “Medida Provisória nº 1.7982, de 11/03/1999 Art . 5º A Lei no 9.494, de 10 de setembro de 1997, passa a vigorar acrescida dos seguintes art igos: (. . . ) Art . 2ºA. A sentença civi l prolatada em ação de caráter colet ivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direi tos dos seus associados, abrangerá apenas os substi tuídos que tenham, na data da propositura da ação, domicíl io no âmbito da competência terri torial do órgão prolator. Parágrafo único. Nas ações colet ivas propostas contra entidades da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distr i to Federal e dos Municípios, a petição inicial deverá obrigatoriamente estar instruída com a ata da assembléia da entidade associativa que a autorizou, acompanhada da relação nominal dos seus associados e indicação dos respectivos endereços.” Sendo assim, por força do disposit ivo legal supracitado, sou levado a concluir que a segurança concedida na ação judicial proposta pelo SINDELIVRE, não pode aproveitar ao interessado, que não t inha sequer existência jurídica na data da propositura da ação. Ao contrário do que afirma o interessado na defesa, as peças do processo judicial juntadas aos autos não fazem menção à desnecessidade de os substi tuídos estarem fi l iados ao SINDELIVRE na data da impetração do mandado de segurança. A sentença de primeiro grau (f ls . 09/15) e Embargos de Declaração Recebidos (f ls. 16/19) concluem expressamente: “esclarecendo que a segurança concedida beneficia os f i l iados ao Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro”. O Acórdão do TRF 2ª Região (f l . 79) conclui: “Sentença confirmada” e, após os embargos de declaração opostos pelo SINDELIVRE (f ls . 82/85), o Desembargador Federal esclareceu: “Nos embargos de declaração opostos à sentença em Primeira Instância, foi esclarecido que a segurança concedida beneficiaria os f i l iados ao Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro, o que integraria a fundamentação e disposit ivo da sentença, tendo o acórdão ora embargado mantido a decisão de Primeira Instância”. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13709.000521/200210 Acórdão n.º 1301002.754 S1C3T1 Fl. 252 10 Por f im, a Decisão do Presidente em exercício do TRF2ª Região de f ls . 86/87 e o Mandado de Intimação de f l . 88, também invocados na defesa do interessado, referemse, apenas, à pessoa jurídica “Centro Eletrônico de Línguas Modernas Ltda”, f il iada ao SINDELIVRE. Em face do exposto, voto por INDEFERIR A SOLICITAÇÃO do interessado de inclusão na Sistemática do SIMPLES. Pois bem, embora este relator entenda que, no mérito, a Recorrente não faria jus à inclusão no Simples Federal por expressa vedação legal (inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/96), uma vez que o ensino de informática caracterizase como prestação de serviço profissional de professor ou assemelhado, há de se analisar os efeitos das decisões judiciais proferidas no bojo dos autos 2000.02.01.0057828 em trâmite junto à Justiça Federal do Rio de Janeiro. Para a decisão de primeira instância, aplicase o disposto na Lei nº 9.494, de 1997, em especial no que diz respeito à necessidade de, nas ações coletivas propostas contra entidades da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, a petição inicial dever obrigatoriamente estar instruída com a ata da assembleia da entidade associativa que a autorizou, acompanhada da relação nominal dos seus associados e indicação dos respectivos endereços. Como a recorrente sequer estava constituída à data da propositura da demanda coletiva, entende que os efeitos das decisões judiciais proferidas não se aplicariam à recorrente. Discordo do entendimento da decisão de primeira instância. As limitações impostas pela Lei nº 9.494, de 1997, aplicamse somente a demandas propostas por associações, não se aplicando àquelas propostas por sindicatos. Corroborando tal entendimento, o Supremo Tribunal Federal, com base no inciso XXI do art. 5º da Constituição Federal, entendeu pela necessidade de cláusula estatutária autorizativa e de autorização pela assembleia geral dos filiados para o ajuizamento de ações coletivas por associações, conforme se depreende pela leitura do julgamento da Reclamação nº 5215, julgada em 2009 e da Ação Ordinária 1528/RS, julgada em 1999, pelo Pleno do STF. A mesma restrição não se aplica às demandas propostas por sindicatos em razão de atuarem como substitutos processuais, nos termos do inciso III do artigo 8° da Constituição Federal. Segundo tal dispositivo, essa substituição processual aplicase a toda categoria, não se limitando os efeitos de determinada decisão somente aos filiados no momento da propositura da demanda. No mesmo sentido dispõe o art. 3º da Lei 8.073/90, reforçando que “as entidades sindicais poderão atuar como substitutos processuais dos integrantes da categoria”. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal, interpretando o inciso III do artigo 8° da Constituição Federal, reconheceu o interesse e a legitimidade extraordinária dos Sindicatos de forma ampla, sem qualquer restrição aos direitos individuais, in verbis: Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13709.000521/200210 Acórdão n.º 1301002.754 S1C3T1 Fl. 253 11 Processo civil. Sindicato. Artigo 8º, III da Constituição Federal. Legitimidade. Substituição processual. Defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais. Recurso conhecido e provido. O artigo 8º, III da Constituição Federal estabelece a legitimidade extraordinária dos sindicatos para defender em juízo os direitos e interesses coletivos ou individuais dos integrantes da categoria que representam. Essa legitimidade extraordinária é ampla, abrangendo a liquidação e a execução dos créditos reconhecidos aos trabalhadores” Por se tratar de típica hipótese de substituição processual, é desnecessária qualquer autorização dos substituídos” (STF – RE 210.0293). AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO CONSTITUCIONAL E DIREITO PROCESSUAL CIVIL. REPRESENTAÇÃO SINDICAL. ART. 8º, III, DA CF/88. AMPLA LEGITIMIDADE. COMPROVAÇÃO DA FILIAÇÃO NA FASE DE CONHECIMENTO. DESNECESSIDADE. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. “O artigo 8º, III, da Constituição Federal estabelece a legitimidade extraordinária dos sindicatos para defender em juízo os direitos e interesses coletivos ou individuais dos integrantes da categoria que representam. Essa legitimidade extraordinária é ampla, abrangendo a liquidação e a execução dos créditos reconhecidos aos trabalhadores. Por se tratar de típica hipótese de substituição processual, é desnecessária qualquer autorização dos substituídos” (RE 210.029, Pleno, Relator o Ministro Carlos Velloso, DJ de 17.08.07). No mesmo sentido: RE 193.503, Pleno, Relator para o acórdão o Ministro Joaquim Barbosa, DJ de 24.8.07. 2. Legitimidade do sindicato para representar em juízo os integrantes da categoria funcional que representa, independente da comprovação de filiação ao sindicato na fase de conhecimento. Precedentes: AI 760.327 AgR, Segunda Turma, Relatora a Ministra Ellen Gracie, DJ de 03.09.10 e ADI 1.076MC, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 07.12.00). 3. A controvérsia dos autos é distinta daquela cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Plenário desta Corte nos autos do recurso extraordinário apontado como paradigma pela agravante. O tema objeto daquele recurso referese ao momento oportuno de exigirse a comprovação de filiação do substituído processual, para fins de execução de sentença proferida em ação coletiva ajuizada por associação, nos termos do artigo 5º XXI da CF/88. Todavia, in casu, discutese o momento oportuno para a comprovação de filiação a Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13709.000521/200210 Acórdão n.º 1301002.754 S1C3T1 Fl. 254 12 entidade sindical para fins de execução proferida em ação coletiva ajuizada por sindicato, com respaldo no artigo 8º, inciso III, da CF/88. 4. O acórdão originalmente recorrido assentou: “PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. GRATIFICAÇÃO DE DESEMPENHO DE ATIVIDADE DO CICLO DE GESTÃO. CGC. DECISÃO EM EXECUÇÃO DE SENTENÇA PROFERIDA EM MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. LIMITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA. AFILIADOS ÀS ENTIDADES IMPETRANTES APÓS A DATA DA IMPETRAÇÃO. DIREITO GARANTIDO DA CATEGORIA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. FUNDAMENTOS NOVOS NÃO FORAM CAPAZES DE INFIRMAR A DECISÃO AGRAVADA. Agravo regimental improvido.” 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 696845 AgR/DF, Primeira Turma, DJe 19112012) Ademais, na instrução dos autos em razão do requerido na Resolução já proferida, retornou a informação do decidido no bojo do Agravo de Instrumento em Mandado de Segurança nº 2005.02.01.0133993 (fls. 225224), cuja ementa do acórdão transcrevo a seguir: PROCESSO CIVIL – AGRAVO DE INSTRUMENTO – MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO – LIMITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA – EXTENSÃO – ASSOCIAÇÕES FILIADAS AO SINDICATO O entendimento do julgado é de que o Sindicato impetrante, ora agravante, tem direito líquido e certo ao postulado, uma vez que a natureza da ação no mando de segurança coletivo aplicase a todos os associados da entidade, mesmo os inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação. Os excertos do relatório e do voto condutor de aresto transcritos a seguir esclarecem as circunstâncias em que foi proferido: [...] Quando do cumprimento do acórdão transitado em julgado, várias Sociedades de Ensino Livre requereram à Autoridade Impetrada a expedição, ora de Ofício, ora de Certidões de Objeto e Pé, sempre com a finalidade de garantirlhes a opção pelo SIMPLES, tendo a Receita Federal indeferido a inscrição e permanência das mesmas no referido regime tributário. Em consequência da negativa da Receita Federal em cumprir o v. acórdão transitado em julgado, o SINDELIVRE impetrou novo Mandado de Segurança contra ato do Delegado da Receita Federal que indeferiu Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13709.000521/200210 Acórdão n.º 1301002.754 S1C3T1 Fl. 255 13 a inscrição e permanência dos substituídos no regime tributário do SIMPLES. Ao apreciar o novo writ, o Juízo a quo entendeu que ficou decidido nos Embargos de Declaração julgados por este Tribunal, que a segurança concedida para declarar o direito do impetrante de optar pelo regime tributário do SIMPLES, beneficia os filiados do Sindicato, ora agravante. Contudo, entende, também, que isso não significa que o decisum poderia ser estendido para todos os associados do SINDELIVRE, mas somente àqueles associados substituídos no momento do ajuizamento da ação. Dessa decisão, o SINDELIVRE interpôs o presente Agravo de Instrumento, com vistas a reformar a decisão supracitada, pugnando para que seja determinado o envio à autoridade coatora, para imediato cumprimento da decisão transitada em julgado, sem restrições subjetivas de natureza temporal. Alega, ainda, que à época do ajuizamento do mandamus, a jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de justiça já era pacífica no sentido de que não cabe limitação objetica de beneficiados em ação coletiva. [...] É o relatório. Voto [...] O Acórdão não deixa dúvida quanto sua aplicação a todos filiados em qualquer tempo ao SINDELIVRE nos termos em que ficou enunciado: [...] Isso posto, dou provimento ao agravo de instrumento. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13709.000521/200210 Acórdão n.º 1301002.754 S1C3T1 Fl. 256 14 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por dar provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.902803/2011-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA.
A manutenção em boa guarda de documentos comprobatórios de pedido de compensação e de ressarcimento de tributos administrados pela Receita Federal precede à própria entrega do PER/DCOMP, razão pela qual indefere-se pedido de diligência adicional ou de apresentação de documentos após o prazo concedido pela fiscalização.
RECONHECIMENTO DO IRRF SOBRE RECEITA DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO (JCP). EXCEÇÃO AO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Em regra, aplica-se o regime de competência ao reconhecimento do JCP e do IRRF incidente sobre a operação. Excepcionalmente, admite-se a transposição do reconhecimento do crédito de IRRF para período de apuração imediatamente posterior (i) quando a fonte pagadora não informou ao beneficiário do pagamento que efetuaria o crédito ou pagamento do JCP no ano corrente, apenas o fazendo no período posterior; (ii) que o reconhecimento da receita dos JCP também seja efetuado em tal período posterior; e (iii) que o fisco não seja prejudicado em razão desse reconhecimento.
No caso concreto, não há comprovação de que a recorrente desconhecia do creditamento dos JCP no próprio ano de 2004. Pelo contrário, tudo indica que a recorrente intentou apenas considerar o crédito de IRRF no ano em que recebeu os JCP, razão pela qual indefere-se o pedido de aproveitamento de crédito em período posterior.
ART. 100 DO CTN. INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA.
Não havendo dúvidas quanto à matéria de infrações e penalidades, imperativo o afastamento de pedido de exoneração de penalidades, da cobrança de juros de mora e da atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.
Numero da decisão: 1401-002.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. A manutenção em boa guarda de documentos comprobatórios de pedido de compensação e de ressarcimento de tributos administrados pela Receita Federal precede à própria entrega do PER/DCOMP, razão pela qual indefere-se pedido de diligência adicional ou de apresentação de documentos após o prazo concedido pela fiscalização. RECONHECIMENTO DO IRRF SOBRE RECEITA DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO (JCP). EXCEÇÃO AO REGIME DE COMPETÊNCIA. Em regra, aplica-se o regime de competência ao reconhecimento do JCP e do IRRF incidente sobre a operação. Excepcionalmente, admite-se a transposição do reconhecimento do crédito de IRRF para período de apuração imediatamente posterior (i) quando a fonte pagadora não informou ao beneficiário do pagamento que efetuaria o crédito ou pagamento do JCP no ano corrente, apenas o fazendo no período posterior; (ii) que o reconhecimento da receita dos JCP também seja efetuado em tal período posterior; e (iii) que o fisco não seja prejudicado em razão desse reconhecimento. No caso concreto, não há comprovação de que a recorrente desconhecia do creditamento dos JCP no próprio ano de 2004. Pelo contrário, tudo indica que a recorrente intentou apenas considerar o crédito de IRRF no ano em que recebeu os JCP, razão pela qual indefere-se o pedido de aproveitamento de crédito em período posterior. ART. 100 DO CTN. INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA. Não havendo dúvidas quanto à matéria de infrações e penalidades, imperativo o afastamento de pedido de exoneração de penalidades, da cobrança de juros de mora e da atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.
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DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. A manutenção em boa guarda de documentos comprobatórios de pedido de compensação e de ressarcimento de tributos administrados pela Receita Federal precede à própria entrega do PER/DCOMP, razão pela qual indefere se pedido de diligência adicional ou de apresentação de documentos após o prazo concedido pela fiscalização. RECONHECIMENTO DO IRRF SOBRE RECEITA DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO (JCP). EXCEÇÃO AO REGIME DE COMPETÊNCIA. Em regra, aplicase o regime de competência ao reconhecimento do JCP e do IRRF incidente sobre a operação. Excepcionalmente, admitese a transposição do reconhecimento do crédito de IRRF para período de apuração imediatamente posterior (i) quando a fonte pagadora não informou ao beneficiário do pagamento que efetuaria o crédito ou pagamento do JCP no ano corrente, apenas o fazendo no período posterior; (ii) que o reconhecimento da receita dos JCP também seja efetuado em tal período posterior; e (iii) que o fisco não seja prejudicado em razão desse reconhecimento. No caso concreto, não há comprovação de que a recorrente desconhecia do creditamento dos JCP no próprio ano de 2004. Pelo contrário, tudo indica que a recorrente intentou apenas considerar o crédito de IRRF no ano em que recebeu os JCP, razão pela qual indeferese o pedido de aproveitamento de crédito em período posterior. ART. 100 DO CTN. INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 28 03 /2 01 1- 70 Fl. 1209DF CARF MF 2 Não havendo dúvidas quanto à matéria de infrações e penalidades, imperativo o afastamento de pedido de exoneração de penalidades, da cobrança de juros de mora e da atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), que, por meio do Acórdão 1271.590, de 29 de dezembro de 2014, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) O presente processo trata de 04 (quatro) Declarações de Compensação DCOMP’s de nos 41410.32636.011007.1.7.029319 (fls. 20/42), 41824.01796.271206.1.3.024608 (fls. 43/46), 41899.35930.310107.1.3.027577 (fls. 47/52) e 09210.72105.160207.1.3.028293 (fls. 02/05) —, todas lastreadas no aproveitamento do Saldo Negativo de IRPJ apurado pelo contribuinte no ano calendário de 2005, no valor de R$ 54.214.005,75. O pleito da Interessada foi indeferido pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJO, nos termos do Despacho Decisório nº 005553417, de 04/10/2011 (fls. 51/58): “1 – SUJEITO PASSIVO / INTERESSADO CNPJ 00.383.281/000109 NOME EMPRESARIAL BNDES PARTICIPAÇÕES S/A BNDESPAR. 2 – IDENTIFICADOR DO PER/DCOMP Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 16682.902803/201170 Acórdão n.º 1401002.210 S1C4T1 Fl. 1.210 3 PER/DCOMP COM DEMONSTRATI VO DE CRÉDITO 41410.32636.011007.1.7.029319 PERÍODO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO Exercício 2006 – 01/01/2005 a 31/12/2005 TIPO DE CRÉDITO Saldo Negativo de IRPJ Nº DO PROCESSO DE CRÉDITO 16682902.803/201170 3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas da composição do crédito informa das no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DA COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CRÉDITO IR Exterior Retenções Fonte Pagamentos Estim. Comp. SNPA Estim. Parceladas Dem. Estim. Comp. Soma Parc. Créd. PER/DCOMP 0,00 374.015.844,08 105.566.417,68 48.243.746,47 0,00 0,00 527.826.008,23 CONFIRMADAS 0,00 311.663.529,49 105.566.417,68 48.243.746,47 0,00 0,00 465.473.693,64 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 54.214.005,75 Valor na DIPJ: R$ 54.214.005,75 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 527.826.008,23 IRPJ devido: R$ 473.612.002,48 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas da DIPJ) – (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre o saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 41410.32636.011007.1.7.029319 41824.01796.271206.1.3.024608 41899.35930.310107.1.3.027577 09210.72105.160207.1.3.028293” O motivo do indeferimento teve origem na não confirmação integral dos valores de Imposto de Renda Retido na Fonte cfr. Análise do Crédito (fls. 53/55): ANÁLISE DAS PARCELAS DE CRÉDITO • IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (...) Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PER/DCOMP Valor Confirmado Valor Não Confirmado Justificativa 00.000.000/000191 5706 7.813.789,30 7.521.982,21 291.807,09 Retenção comprovada em DIRF 00.001.180/000126 5706 3.784.795,00 3.035.658,16 749.136,84 Retenção comprovada em DIRF 00.169.331/000150 8045 329,43 0,00 329,43 Retenção na fonte não comprovada 00.336.036/000140 8045 262,22 0,00 262,22 Retenção na fonte não comprovada 00.806.535/000154 8045 233,28 0,00 233,28 Retenção na fonte não comprovada 00.835.899/000127 3426 1.980,87 0,00 1.980,87 Retenção na fonte não comprovada 01.402.946/000147 3426 4.385.488,10 3.227.034,60 1.158.453,50 Retenção comprovada em DIRF 01.451.084/000142 6813 2.727.452,41 2.651.642,11 75.810,30 Retenção comprovada em DIRF 02.125.990/000110 6813 17.246.251,90 0,00 17.246.251,90 Retenção na fonte não comprovada 02.295.843/000198 6813 1.258.401,63 901.214,74 357.186,89 Retenção comprovada em DIRF 02.320.739/000106 5706 171.097,81 95.897,74 75.200,07 Retenção comprovada em DIRF 02.332.397/000144 5706 2.747.44 0,00 2.747.44 Retenção na fonte não comprovada 02.332.886/000104 8045 253,33 172,19 81,14 Retenção comprovada em DIRF 02.474.103/000119 5706 4.131.452,99 2.121.427,17 2.010.025,82 Retenção comprovada em DIRF 02.558.129/000145 5706 260,35 0,00 260,35 Retenção na fonte não comprovada 02.558.132/000169 5706 84.879,96 29.467,27 55.412,69 Retenção comprovada em DIRF 02.670.590/000195 8045 365,69 0,00 365,69 Retenção na fonte não comprovada 02.871.007/000104 3426 105.447.370,03 84.950.890,54 20.496.479,49 Retenção comprovada em DIRF 03.010.016/000173 5706 73.683,66 16.451,05 57.232,61 Retenção comprovada em DIRF 03.825.345/000172 3426 48.882,27 0,00 48.882,27 Retenção na fonte não comprovada 03.950.583/000100 3426 275.000,00 0,00 275.000,00 Retenção na fonte não comprovada 04.169.504/000190 8045 249,35 168,92 80,43 Retenção comprovada em DIRF 04.557.307/000149 8045 39.812,16 0,00 39.812,16 Retenção na fonte não comprovada 04.668.779/000179 3426 1.042.478,71 0,00 1.042.478,71 Retenção na fonte não comprovada 07.237.373/000120 3426 2.366,81 0,00 2.366,81 Retenção na fonte não comprovada 10.805.893/000104 3426 174.612,59 163.214,14 11.398,45 Retenção comprovada em DIRF 17.155.730/000164 5706 1.622.461,29 1.373.687,04 248.774,25 Retenção comprovada em DIRF Fl. 1211DF CARF MF 4 Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PER/DCOMP Valor Confirmado Valor Não Confirmado Justificativa 17.281.106/000103 5706 832,03 499,43 332,60 Retenção comprovada em DIRF 17.352.220/000187 8045 253,89 0,00 253,89 Retenção na fonte não comprovada 19.527.639/000158 3426 3.661.366,80 2.436.019,84 1.225.346,96 Retenção comprovada em DIRF 20.730.099/000194 5706 71.274,53 26.662,98 44.611,55 Retenção comprovada em DIRF 27.251.974/000102 5706 136.912,13 0,00 136.912,13 Retenção na fonte não comprovada 27.652.684/000162 8045 208,16 155,99 52,17 Retenção comprovada em DIRF 28.048.783/000100 8045 231,99 0,00 231,99 Retenção na fonte não comprovada 30.131.502/000112 8045 11.960,00 0,00 11.960,00 Retenção na fonte não comprovada 31.911.548/000117 3426 5.628.989,37 0,00 5.628.989,37 Retenção na fonte não comprovada 33.009.911/000139 5706 50.732,54 38.710,77 12.021,77 Retenção comprovada em DIRF 33.390.170/000189 5706 3.738.463,44 2.898.553,03 839.910,41 Retenção comprovada em DIRF 33.700.394/000140 5706 157.873,72 89.131,60 68.742,12 Retenção comprovada em DIRF 33.775.974/000104 8045 329,30 0,00 329,30 Retenção na fonte não comprovada 33.884.941/000194 8045 253,07 0,00 253,07 Retenção na fonte não comprovada 33.894.445/000111 8045 376,94 0,00 376,94 Retenção na fonte não comprovada 33.918.160/000173 8045 228,85 0,00 228,85 Retenção na fonte não comprovada 33.968.066/000129 8045 274,55 0,00 274,55 Retenção na fonte não comprovada 35.754.969/000132 8045 204,33 0,00 204,33 Retenção na fonte não comprovada 36.092.302/000184 8045 256,39 0,00 256,39 Retenção na fonte não comprovada 36.178.887/000150 8045 159,26 0,00 159,26 Retenção na fonte não comprovada 42.157.511/000142 5706 2.588.151,57 0,00 2.588.151,57 Retenção na fonte não comprovada 43.060.029/000171 8045 199,58 0,00 199,58 Retenção na fonte não comprovada 43.815.158/000122 8045 309,55 0,00 309,55 Retenção na fonte não comprovada 49.474.463/000184 8045 99,00 0,00 99,00 Retenção na fonte não comprovada 50.657.675/000186 8045 297,95 0,00 297,95 Retenção na fonte não comprovada 51.014.223/000149 8045 148,98 0,00 148,98 Retenção na fonte não comprovada 51.468.791/000110 5706 131.788,37 65.894,18 65.894,19 Retenção comprovada em DIRF 52.904.364/000108 8045 342,53 0,00 342,53 Retenção na fonte não comprovada 60.208.493/000181 5706 5.218.813,43 4.610.596,76 608.216,67 Retenção comprovada em DIRF 60.444.437/000146 8045 110.239,29 0,00 110.239,29 Retenção na fonte não comprovada 60.746.948/000112 5706 842.820,56 398.301,10 444.519,46 Retenção comprovada em DIRF 60.783.503/000102 8045 328,87 0,00 328,87 Retenção na fonte não comprovada 60.830.833/000101 3426 1.977.492,86 0,00 1.977.492,86 Retenção na fonte não comprovada 60.872.504/000123 5706 614.918,51 394.024,39 220.894,12 Retenção comprovada em DIRF 60.889.144/000172 8045 274,84 0,00 274,84 Retenção na fonte não comprovada 61.194.353/000164 8045 206,51 0,00 206,51 Retenção na fonte não comprovada 61.723.847/000199 8045 311,95 0,00 311,95 Retenção na fonte não comprovada 61.732.954/000183 8045 251,00 0,00 251,00 Retenção na fonte não comprovada 61.739.629/000142 8045 276,06 0,00 276,06 Retenção na fonte não comprovada 61.769.790/000169 8045 277,81 0,00 277,81 Retenção na fonte não comprovada 61.787.776/000198 8045 126,67 0,00 126,67 Retenção na fonte não comprovada 61.809.182/000130 8045 153,36 0,00 153,36 Retenção na fonte não comprovada 61.855.045/000132 8045 253,45 0,00 253,45 Retenção na fonte não comprovada 61.870.200/000190 8045 254,91 171,19 83,72 Retenção comprovada em DIRF 62.051.263/000187 8045 205,55 0,00 205,55 Retenção na fonte não comprovada 62.178.421/000164 8045 106,83 0,00 106,83 Retenção na fonte não comprovada 62.285.390/000140 8045 250,30 0,00 250,30 Retenção na fonte não comprovada 63.062.749/000183 8045 270,76 179,55 91,21 Retenção comprovada em DIRF 65.913.436/000117 8045 124,35 0,00 124,35 Retenção na fonte não comprovada 66.429.895/000192 3426 37.316,76 0,00 37.316,76 Retenção na fonte não comprovada 72.679.145/000171 3426 4.779,67 4.718,83 60,84 Retenção comprovada em DIRF Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 16682.902803/201170 Acórdão n.º 1401002.210 S1C4T1 Fl. 1.211 5 Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PER/DCOMP Valor Confirmado Valor Não Confirmado Justificativa 73.004.715/000196 8045 348,65 0,00 348,65 Retenção na fonte não comprovada 74.014.747/000135 8045 229,11 194,07 35,04 Retenção comprovada em DIRF 74.451.022/000104 8045 254,45 0,00 254,45 Retenção na fonte não comprovada 76.483.817/000120 5706 3.458.207,36 0,00 3.458.207,36 Retenção na fonte não comprovada 76.535.764/000143 5706 896.961,59 676.427,48 220.534,11 Retenção comprovada em DIRF 77.043.511/000115 3426 63.932,70 0,00 63.932,70 Retenção na fonte não comprovada 83.878.892/000155 5706 324.640,13 0,00 324.640,13 Retenção na fonte não comprovada 84.683.374/000149 5706 135.707,40 129.109,04 6.598,36 Retenção comprovada em DIRF 89.560.460/000188 8045 361,18 0,00 361,18 Retenção na fonte não comprovada 96.477.906/000170 8045 398,43 0,00 398,43 Retenção na fonte não comprovada TOTAL 180.210.572,70 117.858.258,11 62.352.314,59 (...)” Cientificada do despacho decisório em 18/10/2011, conforme pesquisa de fl. 60, a Interessada apresentou, em 25/11/2011, a manifestação de inconformidade de fls. 61/87, instruída com os documentos de fls. 88/299, alegando, em síntese: • QUE a glosa do imposto de renda retido na fonte foi efetuada sem nenhuma análise por parte da Fiscalização, não tendo havido qualquer pedido de esclarecimentos ao contribuinte ou mesmo às fontes pagadoras, resultando daí flagrante cerceamento do direito de defesa; • QUE as inconsistências apuradas pelo Fisco decorreram, principal mente, de erros de informação (códigos de receita, números de CNPJ etc.), e de falta de inclusão dos valores retidos nas Dirf’s; • QUE, como a Impugnante agiu de boafé, sem nenhuma intenção de causar dano ao Erário, deve ser exonerada de qualquer penalidade ou juros de mora, por força do disposto no art. 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional; • QUE, em face das mais de 80 (oitenta) inconsistências apuradas, é justo que se conceda um prazo adicional de defesa, com fundamento no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, cabendo à autoridade fazendária, por sua vez, realizar diligências junto às fontes pagadoras, para fim de comprovação das retenções. Em 31/05/2012, a Interessada apresentou a petição de fls. 308/309, solicitando a juntada dos documentos de fls. 310/314. Após a distribuição do feito, verificouse a necessidade de confirmar algumas retenções junto à requerente, razão pela qual o julgamento foi convertido em diligência cfr. Resolução DRJ/RJO de 19/05/2014 (fls. 509/510). Regularmente intimada, a Interessada apresentou os esclarecimentos de fls. 519/528, acompanhados da documentação de fls. 530/691. É O RELATÓRIO. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 1271.590, de 29 de dezembro de 2014, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: Fl. 1213DF CARF MF 6 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. GLOSA DE IRFONTE. COMPROVAÇÃO PARCIAL DAS RETENÇÕES. Diante da confirmação parcial dos valores de IRFonte glosados, cumpre recalcular o saldo negativo de IRPJ do período, reconhecendo, em favor do contribuinte, o direito creditório correspondente. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificada da decisão da DRJ eletronicamente na data de 20/02/2015 (efl. 834) e, não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 19/03/2015 (efls. 940 a 972), conforme comprovante de efl. 1.101, repetindo os argumentos apresentados na impugnação. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Como visto, do valor de saldo negativo pleiteado pela recorrente R$ 54.214.005,75 , a DRJ homologou o montante de R$ 47.338.332,47. Logo, este acórdão cinge se à verificação da solicitação do crédito no montante de R$ 6.875.673,28 (54.214.005,75 47.338.332,47), que se resume na seguinte tabela: Parcela Valor do IRRF declarado na PER/DCOMP Valor do IRRF confirmado Valor do IRRF não confirmado pela RFB código de retenção 3426 4.115.327,07 2.599.233,98 1.516.093,09 código de retenção 8045 (5557) 13.086,10 129,01 12.957,09 código de retenção 5706 5.374.738,73 28.115,63 5.346.623,10 Total 6.875.673,28 Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 16682.902803/201170 Acórdão n.º 1401002.210 S1C4T1 Fl. 1.212 7 MÉRITO A recorrente alega que, apesar da redação abaixo, a DRJ não reconheceu seu direito creditório, dando importância mais ao aspecto formal, não levando em consideração o princípio da razoabilidade. Lei 7.450/1985 Art. 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Assim, a recorrente apresenta argumentos e indica documentos, por fonte pagadora, para que seu pedido seja atendido. Suplica, para tanto, a aplicação da alínea "a", do § 4º, do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Antes de adentrar nos casos trazidos na peça recursal, convém ressaltar que a pessoa jurídica que pleiteia crédito tributário deve manter documentação hábil e idônea da certeza e liquidez do crédito tributário. Por outro lado, a verdade material é princípio que deve nortear o processo administrativo fiscal. Não obstante, querer atribuir à autoridade julgadora o dever que é inerente a quem quer provar um direito, é mirar na controvérsia da tão almejada busca da verdade material, assim como é agredir profundamente a celeridade processual. Partindo desta premissa, nos casos em que os documentos não fazem prova inequívoca do direito creditório, terei por conclusão indeferir o pedido da recorrente. A recorrente segregou sua defesa de acordo com a natureza do rendimento. Assim, utilizarei a mesma ordem disposta no recurso voluntário: 4.IV. DO DIREITO À COMPENSAÇÃO DE IRRF INCIDENTE SOBRE PAGAMENTOS DE RENDIMENTOS DE DEBÊNTURES A seguir quadro com as glosas do código 3426 e esclarecimentos sobre cada item do quadro: Fl. 1215DF CARF MF 8 Nº CNPJ da Fonte Pagadora Valor do IRRF declarado na PER/DCOMP Valor do IRRF confirmado pela RFB Valor do IRRF não confirmado pela RFB 1 00.835.889/000127 1.980,87 1.980,87 2 03.950.583/000100 275.000,00 275.000,00 3 07.237.373/000120 2.366,81 2.366,81 4 10.805.893/000104 174.612,59 163.214,14 11.398,45 5 19.527.639/000158 3.661.366,80 2.436.019,84 1.225.346,96 Total 4.115.327,07 2.599.233,98 1.516.093,09 Item 1 Ouro Fértil Fibras Naturais S/A (CNPJ 00.835.889/000127) A DRJ indeferiu o pedido do crédito porque o informe de rendimentos juntado pela recorrente indica que ela é a fonte pagadora, e não a beneficiária do rendimento. A empresa, por sua vez, juntou os lançamentos contábeis, os extratos bancários e os DARFs da fonte pagadora (efls. 974 a 980), com objetivo de comprovar que efetivamente sofreu a retenção da citada empresa, não obstante a fonte pagadora não ter informado o pagamento na DIRF e, também, o informe de rendimentos ter sido informado como se a recorrente fosse a fonte pagadora. Embora o extrato bancário indique a recorrente recebeu o montante de R$ 4.772,44 (em 04/2005) e de R$ 3.713.37 (09/2005), ou seja o valor dos rendimentos menos o IRRF, ocorre que a conta contábil juntada pela recorrente representa uma obrigação perante terceiros conta 2149919109, denominada CREDORES VINCULADOS A LIQUIDAÇÃO DE OPERAÇÕES. O que se percebe é que não se trata de um direito que a empresa tem perante terceiros, e sim o contrário. Somado isso ao fato de que o informe de rendimentos também tem como fonte pagadora a empresa recorrente, afasto o pedido da recorrente e nego provimento quanto ao valor de R$ 1.980,87. Item 2 CCE Indústrias Eletrônicas S/A (CNPJ 03.950.583/000100) A DRJ indeferiu o pedido do crédito de R$ 275.000,00 porque o documento apresentado pela ora recorrente, para fins de comprovar o crédito, evidencia que o crédito teve origem no ano de 2004, e não de 2005, como informou a recorrente no PER/DCOMP. A empresa, por sua vez, argumenta que apresentou ficha contábil de 18/05/2005. Como visto, a empresa não apresentou o informe de rendimentos. Tampouco, a fonte pagadora informou o valor retido na DIRF. Além disso, percebo que os rendimentos a retenção na fonte se referem ao período de 2004, conforme também concluiu a DRJ. Aceitar a retenção na fonte de período que não se refere ao anocalendário de 2005, é violar o princípio contábil da competência, de modo que deve ser afastado o argumento da recorrente. Assim, nego provimento quanto a este ponto do recurso voluntário, para manter a glosa do montante de R$ 275.000,00. Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 16682.902803/201170 Acórdão n.º 1401002.210 S1C4T1 Fl. 1.213 9 Item 3 Banco do Nordeste do Brasil S/A (CNPJ 07.237.373/000120) A DRJ indeferiu o pedido do crédito de R$ 2.366,81 porque a empresa não apresentou documentos que comprovassem o direito creditório. No recurso voluntário, a recorrente alega que apresentou ficha contábil em que foi registrado o lançamento de IRF e do respectivo rendimento de recebimento com prazo de dividendos. Informa que também anexou extrato bancário do crédito do valor líquido avisado pela CBLC. Com muito custo, consegui achar a ficha contábil apresentada pela empresa (efl. 1.006). Apesar de constar valores supostamente retidos, incluindo o valor de R$ 2.366,81, o fato de a empresa não ter apresentado o informe de rendimentos somado ao fato de que, na peça impugnatória, informou que estava diligenciando junto à fonte pagadora para que ela apresentasse a DIRF, mas que, como visto, restou improfícua sua tentativa, concluo que deve ser afastado o pedido do crédito de R$ 2.366,81. Item 4 Leon Heimer S/A (CNPJ 10.805.893/000104) A DRJ manteve a glosa do crédito de R$ 11.398,45 porque a empresa não comprovou a retenção do IR no período de 11 e 12/2005 e que, mesmo que existam DARFs no montante do crédito indeferido, não há prova de que tais recolhimentos se refiram aos rendimentos decorrentes da Debêntures emitidas pela fonte pagadora. A empresa argumenta que apresentou documentos que comprovassem o direito creditório. Pois bem. Por mais que os recolhimentos coincidam em data e valores do crédito pleiteado pela recorrente, entendo que os documentos apresentados não fazem prova inequívoca de que o crédito efetivamente exista. Somase a isto o fato de que não há informação na DIRF sobre o IR retido na fonte, tampouco foi apresentado de informe de rendimentos. Desta feita, proponho manter a glosa do valor de R$ 11.398,45. Item 5 Companhia Força e Luz Cataguases Leopoldina (CNPJ 19.527.639/000158) A DRJ manteve a glosa do crédito de R$ 1.225.346,96 porque os rendimentos foram auferidos e pagos, líquidos de IR Fonte, no ano de 2004. Alega a DRJ, digase, equivocadamente, que os rendimentos decorriam de recebimento de Juros sobre o Capital Próprio. Fl. 1217DF CARF MF 10 A recorrente informa que os rendimentos decorrem de recebimento de debêntures e justifica que o valor fora considerado na apuração de 2005, tendo em vista que a fonte pagadora efetuou o pagamento das debêntures ao acionista controlador da recorrente Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES (CNPJ 33.657.248/0001 89). Ao apurar o erro, o BNDES transferiu os valores para a conta da recorrente nos dias 05/01/2005 e 10/01/2005. Em razão disso, a recorrente considerou o valor de R$ 1.225.346,96 no período de apuração de 2005. Não obstante todos os argumentos trazidos pela recorrente, é notório que o rendimento foi auferido e pago no ano de 2004, e que o IR Fonte foi descontado também no ano de 2004. Não há razão nenhuma para que o referido valor tenha sido reconhecido no ano de 2005, mesmo com o equívoco alegado pela recorrente. Desta forma, mantenho a glosa de R$ 1.225.346,96. 4.V. DO DIREITO À COMPENSAÇÃO DE IRRF INCIDENTE SOBRE ALIENAÇÕES DE AÇÕES A seguir quadro com as glosas do código 5557 e esclarecimentos sobre cada item do quadro: Nº CNPJ da Fonte Pagadora Valor do IRRF declarado na PER/DCOMP Valor do IRRF confirmado pela RFB Valor do IRRF não confirmado pela RFB 6 17.352.220/000187 253,89 129,01 124,88 7 30.131.502/000112 11.960,00 11.960,00 8 33.884.941/000194 253,07 253,07 9 33.968.066/000129 274,55 274,55 10 43.815.158/000122 309,55 309,55 11 74.014.747/000135 229,11 194,07 35,04 Total 13.280,17 323,08 12.957,09 Item 6 Senso Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários S/A (CNPJ 17.352.220/000187) Do valor total pleiteado pela recorrente (R$ 253,89), a DRJ deferiu o crédito de R$ 129,01, em razão da DIRF da fonte pagadora somente constar o valor de R$ 129,01 como sendo pago à recorrente. Assim, resta confirmar a retenção do valor de R$ 124,88 (= R$ 253,89 R$ 129,01) neste recurso voluntário. A recorrente, por sua vez, alega que a fonte pagadora deixou de informar duas notas de corretagem e apresenta o seguinte quadro para demonstrar o valor do IR efetivamente retido: Nota de Corretagem Nº Base de Cálculo Valor do IRRF 105.758 1.698.500,00 84,92 105.780 799.200,00 39,96 Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 16682.902803/201170 Acórdão n.º 1401002.210 S1C4T1 Fl. 1.214 11 108.904 1.153.500,00 57,67 108.939 373.500,00 18,67 109.691 1.053.425,00 52,67 Total 253,89 Em análise das notas de corretagem nº 105.758 e nº 105.780 (efls. 1.049 a 1.052), percebo que a recorrente sofreu retenção dos valores de R$ 84,92 e 39,96, respectivamente. Desta feita, proponho dar provimento quanto a este ponto, concedendo o crédito adicional de R$ 124,88. Item 7 Banco UBS S/A (CNPJ 30.131.502/000112) A DRJ manteve a glosa de R$ 11.960,00 por falta de comprovação da retenção pela fonte pagadora. Segundo a delegacia de piso, não há informação da suposta retenção na DIRF, tampouco não foram apresentados o informe de rendimentos e a nota de corretagem referente à venda de ações. A recorrente, por sua vez, alega que os documentos juntados ao processo fazem prova da retenção do IR na fonte. Entendo que tem razão a recorrente. Não obstante a falta da DIRF, do informe de rendimentos ou das notas de corretagem, a recorrente apresentou documentos que demonstram que houve uma apuração de um rendimento no caso, venda de ações da Tractebel Energia S/A, através de oferta pública realizada na Bovespa , como os lançamentos contábeis que demonstram a retenção do montante de R$ 11.960,00 (efl. 648), os extratos bancários que demonstram que foram recebidos os valores da venda das ações, líquidos de IR Fonte e outros custos (efls. 653 a 658), e as fichas de lançamento da operação, que, juntamente com os demais documentos comprovam que a empresa sofreu a retenção na fonte do IR. Desta feita, proponho dar provimento quanto a este ponto, concedendo o crédito de R$ 11.960,00. Item 8 BANIF – Banco Internacional do Funchal (Brasil) S/A (CNPJ 33.884.941/000194) A DRJ manteve a glosa de R$ 253,07 por falta de comprovação da retenção pela fonte pagadora. Segundo a recorrente, houve um erro no preenchimento da DCOMP, pois duas notas de corretagem da fonte pagadora CNPJ 33.753.740/000158 foram indevidamente declaradas no CNPJ desta fonte pagadora, CNPJ 33.884.941/000194, pertencente a outra empresa do mesmo grupo econômico, e apresenta planilha dos valores de cada fonte pagadora. Como alega sobre de IR Fonte na outra fonte pagadora, pede pela concessão do crédito de R$ 253,07. Fl. 1219DF CARF MF 12 Apesar de seus argumentos, a empresa não trouxe nenhum documento que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCOMP, razão pela qual nego provimento quanto este ponto, mantendo a glosa de R$ 253,07. Item 9 Umuarama S/A Corretora de Títulos e Valores Mobiliários (CNPJ 33.968.066/000129) A DRJ manteve a glosa de R$ 274,55 por falta de comprovação da retenção pela fonte pagadora. A recorrente anexou ao recurso voluntário as notas de corretagem que compõem o montante de R$ 274,55 (efls. 1.069 a 1.074), conforme abaixo destacado: Nota de Corretagem Nº Base de Cálculo Valor do IRRF 10 905.000,00 45,25 11 578.000,00 28,90 13 1.011.200,00 50,56 7 300.000,00 15,00 7 1.321.993,00 66,09 11 1.375.100,00 68,75 Total 274,55 Em análise das notas de corretagem destacadas no quadro acima, percebo que a recorrente sofreu retenção no mesmo montante pleiteado (R$ 274,55). Desta feita, proponho dar provimento quanto a este ponto, concedendo o crédito de R$ 274,55. Item 10 BTG Pactual Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S/A (CNPJ 43.815.158/000122) A DRJ manteve a glosa de R$ 309,55 por falta de comprovação da retenção pela fonte pagadora. A recorrente anexou ao recurso voluntário as notas de corretagem que compõem o montante de R$ 309,55 (efls. 1.075 a 1.080), conforme abaixo destacado: Nota de Corretagem Nº Base de Cálculo Valor do IRRF 504.131 1.675.000,00 83,75 504.136 8.978,00 0,45 504.876 2.486.000,00 124,30 508.017 2.021.000,00 101,05 Total 309,55 Em análise das notas de corretagem destacadas no quadro acima, percebo que a recorrente sofreu retenção do valor total de R$ 309,55. Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 16682.902803/201170 Acórdão n.º 1401002.210 S1C4T1 Fl. 1.215 13 Desta feita, proponho dar provimento quanto a este ponto, concedendo o crédito de R$ 309,55. Item 11 Ágora Senior Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S/A (CNPJ 74.014.747/000135) A DRJ manteve a glosa de R$ 35,04 por falta de comprovação da retenção pela fonte pagadora. A recorrente anexou ao recurso voluntário as notas de corretagem que compõem o montante de R$ 35,04 (efls. 1.081 a 1.085), conforme abaixo destacado: Nota de Corretagem Nº Base de Cálculo Valor do IRRF 908.594 1.116.000,00 55,80 909.676 431.541,00 21,57 927.700 3.034.933,00 151,74 Total 229,11 Em análise das notas de corretagem destacadas no quadro acima, percebo que a recorrente sofreu retenção do valor total de R$ 229,11. Entretanto, nenhum valor é compatível com o valor glosado de R$ 35,04, razão pela qual proponho negar provimento quanto a este ponto, mantendo a glosa do montante R$ 35,04. 4.VI. DO DIREITO À COMPENSAÇÃO DE IRRF INCIDENTE SOBRE PAGAMENTOS DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO RECEBIDOS NO ANOCALENDÁRIO 2005 A recorrente alega que o indeferimento dos créditos de IRRF incidente sobre o recebimento de JCP advém da violação ao regime de competência. Segundo a recorrente, a DRJ alegou que o IRRF deveria ser apurado no ano em que a fonte pagadora apurou o JCP, qual seja, em 2004, e não em 2005 como fez a ora recorrente. A recorrente, por sua vez, alega que não teve conhecimento do pagamento do JCP no ano de 2004, mas tão somente em 2005. Desta forma, não havia como contabilizar uma receita, e por conseguinte o crédito decorrente do IRRF. Apresenta ainda fundamento legal, contido no art. 2º da IN SRF nº 41/1998, para demonstrar que a fonte pagadora teria até o dia 10 do mês subsequente para entregar os informes de rendimentos aos beneficiários in casu, a recorrente , e não o fez. Pede que seja feita diligência para que as fontes pagadoras se manifestem sobre o atraso na entrega dos informes de rendimentos. Além disso, alega que o fisco não foi prejudicado em razão do aproveitamento do crédito no ano de 2005, e que deve ser aplicado o teor do § 5º do art. 6º do DecretoLei nº 1.598/1977: Fl. 1221DF CARF MF 14 § 5º A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. Pois bem. Entendo que o creditamento do JCP também deve seguir o regime de competência. É o que prega o disposto na IN SRF nº 29/1996: Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. (grifei) Por outro lado, a fonte pagadora deve informar a proposta de pagamento de JCP à empresa beneficiária em tempo hábil, suficiente para que esta contabilize a receita dos juros e subsequentemente possa aproveitar o crédito surgido com o IRRF. A redação do inciso II do art. 2º da IN SRF nº 41/1998 c/c com o art. 4º da mesma norma assim dispõe: “Art. 2º O valor dos juros a que se refere o artigo anterior, creditado ou pago, deve ser informado ao beneficiário. (...) II pessoa jurídica até o dia 10 do mês subseqüente ao do crédito ou pagamento, por meio do Comprovante de Pagamento ou Crédito a Pessoa Jurídica de Juros sobre o Capital Próprio a que se refere o Anexo Único a esta Instrução Normativa. (...) Art. 4º Na hipótese de beneficiário pessoa jurídica o valor dos juros creditados ou pagos deve ser escriturado como receita, observado o regime de competência dos exercícios. Da conjugação dos dispositivos legais acima descritos, entendo que se pode aceitar o crédito de IRRF no ano de 2005. Entretanto, esta exceção parte de premissas que não vejo terem sido preenchidas no caso concreto. A recorrente deveria comprovar que a comunicação pela fonte pagadora se deu no ano de 2005. E não é o que vejo no caso concreto. No caso, o que percebo é a morosidade da recorrente em contabilizar o valor do IRRF. Não há comprovação de que efetivamente a fonte pagadora apresentou informe de rendimentos com tamanho atraso. Por exemplo, a contabilização do IRRF da empresa Tractebel Energia S/A, CNPJ 02.474.103/000119, foi efetuada em 20/04/2005, ou seja, quase 4 meses após a apuração do JCP por parte da fonte pagadora. Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 16682.902803/201170 Acórdão n.º 1401002.210 S1C4T1 Fl. 1.216 15 Apesar de constar o valor no informe de rendimentos de 2005 da fonte pagadora efl. 236 , não há como afirmar que a recorrente não sabia do pagamento do JCP. Vejase no informe de rendimentos que há informação de que o pagamento foi efetuado em 2005, mas não há prova de que o creditamento do JCP já não havia sido informado no ano de 2004. E esta minha digressão se confirma quando se analisa o JCP creditado no ano de 2005, que também faz parte do informe de rendimentos do próprio ano de 2005. Vejase: Ou seja, se o valor creditado em 2005 foi informado no informe de rendimentos do ano de 2005, por que no informe de rendimentos de 2004 não havia informação do creditamento do JCP do ano de 2004, mesmo que tenha sido pago em 2005? Como se vê, não há comprovação de que a recorrente não sabia do creditamento do JCP no próprio ano de 2004. Ainda, o argumento apresentado pela recorrente na manifestação de inconformidade evidencia, mesmo que tangencialmente, que a recorrente quis contabilizar o IRRF, e por conseguinte aproveitar seu crédito, somente no ano em que recebeu o JCP, independentemente do seu creditamento, vejase (efl. 76): Este argumento repetese em relação a todo o pedido de crédito de IRRF decorrente de JCP que foi indeferido por conta de violação ao regime de competência. Fl. 1223DF CARF MF 16 Em razão disso, proponho negar provimento ao recurso voluntário quanto a este ponto, mantendo as glosas efetuadas pela fiscalização e mantidas pela DRJ. 4.II. DA AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA PARA IMPOSIÇÃO DE MULTA A recorrente alega que deve ser excluída da imposição de penalidades, juros de mora e de atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, em razão de ter agido de boafé. Assim, pugna pelo reconhecimento do o benefício da dúvida em matéria de infrações e penalidades e pela interpretação mais benigna, nos termos do art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Não entendo ter razão a recorrente. Não há dúvidas sobre a interpretação da legislação tributária, tampouco de qualquer ato administrativo lavrado no processo em julgamento. O pedido de ressarcimento comporta legislação clara sobre as condutas a serem praticadas pelo contribuinte e pelo fisco, razão pela qual afasto o pedido da recorrente. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para conceder os créditos nos seguintes valores: Item do Voto Nome da Fonte Pagadora CNPJ da Fonte Pagadora Valor do Crédito Concedido 6 Senso Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários S/A 17.352.220/000187 124,88 7 Banco UBS S/A 30.131.502/000112 11.960,00 9 Umuarama S/A Corretora de Títulos e Valores Mobiliários 33.968.066/000129 274,55 10 BTG Pactual Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S/A 43.815.158/000122 309,55 (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 16682.902803/201170 Acórdão n.º 1401002.210 S1C4T1 Fl. 1.217 17 Fl. 1225DF CARF MF
score : 1.0
