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Numero do processo: 13963.001772/2008-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O pagamento do salário utilidade em espécie caracteriza descumprimento da legislação do PAT e da Lei de Custeio da Previdência Social, por conseguinte, deve sofrer a incidência de contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.689
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento do salário utilidade em espécie caracteriza descumprimento da legislação do PAT e da Lei de Custeio da Previdência Social, por conseguinte, deve sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 166/167, interposto pela empresa acima epigrafada contra decisão da DRJ em Florianópolis (SC), fls. 161/163, a qual declarou procedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração – AI n. 37.155.5809, posteriormente cadastrado sob o número de processo constante no cabeçalho. O crédito em questão contempla o período de 01/2004 a 12/2007 e diz respeito às contribuições destinadas a outras entidades e fundos. O crédito, com data de consolidação em 13/06/2008, assumiu o montante de R$ 37.753,13 (trinta e sete mil, setecentos e cinquenta e três reais e treze centavos). Nos termos do Relatório da Auditoria, fls. 48/53, o lançamento teve como base tributável os valores constantes nas folhas de pagamento relativos ao pagamento de salário utilidade a título de alimentação aos empregados que prestavam os serviços nas atividades de conservação, limpeza, digitação e afins. Asseverou o Fisco que a empresa era inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, na modalidade “AlimentaçãoConvênio”, cuja execução deveria se dar através da empresa Ticket Serviços Ltda, todavia, verificouse que programa não foi cumprido tendo em vista que a alimentação foi paga em pecúnia diretamente aos empregados. Diante desse fato, o Fisco considerou a aludida verba como saláriodecontribuição. Esclarece ainda o Fisco que, pelo fato da contribuinte não lançar nas folhas de pagamento os valores correspondentes à verba “alimentação”, no período de 01/2004 a 02/2006,, a base de cálculo foi extraída com base nos descontos que eram feitos dos trabalhadores, os quais correspondiam a 20% do valor repassado. De acordo com o citado Relatório, foram aproveitados na apuração os recolhimentos efetuados, as retenções destacadas nas notas fiscais emitidas pela empresa, em decorrência da Lei 9.711/1998, nas respectivas competências de sua emissão, inclusive os saldos remanescentes das retenções relativas às obras de construção civil. Também houve o aproveitamento dos créditos constituídos mediante Intimações para Pagamentos (IP) emitidas pela Receita Federal do Brasil. No seu recurso, a empresa argumentou, em apertada síntese, que: a) não poderia se manifestar favoravelmente à compensação dos seus créditos no presente lançamento, uma vez que entende que não há incidência de contribuições sobre a verba “alimentação; b) a farta jurisprudência citada demonstra não haver tributação previdenciária sobre a rubrica em questão; c) a apuração fiscal efetuada no período de 06/2004 a 02/2006 carece de um critério mais preciso, posto que tais valores não constavam em folha de pagamento; d) o Fisco, ao levar em conta os descontos da parte dos empregados, acabou por reconhecer que a empresa cumpria as normas do PAT, posto que esse desconto é previsto nas mesmas. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 13963.001772/200898 Acórdão n.º 240101.689 S2C4T1 Fl. 171 3 Ao final, requer a declaração de nulidade do AI. É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. O argumento de que a empresa cumpria as normas do PAT e que, por conseguinte, não poderia haver a incidência de contribuições sobre a verba “alimentação” não merece acatamento. Sobre a questão, façamos uma breve análise da legislação aplicável, desde a Constituição Federal até as normas infralegais editadas pela Administração Tributária. As contribuições incidentes sobre as remunerações pagas às pessoas físicas com e sem vínculo empregatício encontram fundamento máximo de validade no art. 195, alínea “a” do inciso I da Constituição Federal de 1988 (redação dada pela EC n.º 20/1998): Art.195.A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Observese que a Lei Maior, a princípio permite a exação para a Seguridade Social sobre pagamentos efetuados pelo empregador a qualquer título a pessoa que lhe preste serviço, sendo irrelevante o fato da quantia ter sido paga ou creditada ao obreiro. A Lei n.º 8.212/1991 confere eficácia à citada determinação constitucional, tratando da contribuição patronal sobre as remunerações disponibilizadas aos empregados nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo Fl. 179DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 13963.001772/200898 Acórdão n.º 240101.689 S2C4T1 Fl. 172 5 de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/1999). (...) Temos que o conceito previdenciário de remuneração, o chamado saláriode contribuição, é bastante amplo, o qual também é cuidado no inciso I do art. 28 da Lei n.º 8.121/1991, nesses termos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997). Como se pode observar, a princípio, qualquer rendimento pago em retribuição ao trabalho, qualquer que seja a forma de pagamento, enquadrase como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Tendose em conta a abrangência do conceito, o legislador achou por bem excluir determinadas parcelas da incidência previdenciária, enumerando em lista exaustiva as verbas que estariam fora deste campo de tributação. Essa relação encontrase presente no § 9.º do artigo acima citado. É importante que se diga que o propósito do legislador foi de explicitar na lei todas as hipóteses de não incidência de contribuição, em lista exaustiva. Vejase que a Medida Provisória nº 1.59614, de 10/11/1997, posteriormente convertida na Lei nº 9.528/97, introduziu o termo “exclusivamente” ao citado dispositivo, ficando claro que, no preceptivo em questão (§ 9.º do art. 28), estão dispostas hipóteses de não incidência em lista numerus clausus. Enfocando as hipóteses previstas na alínea “c”, a impugnante afirma que o lançamento sob desvelo não encontra amparo na legislação de regência. Eis o dispositivo invocado: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; (...) Fl. 180DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Observese do dispositivo transcrito que a previsão de não incidência de contribuição sobre a alimentação fornecida aos empregados condiciona a desoneração a dois requisitos: que a alimentação seja fornecida “in natura” e que a sua disponibilização esteja em conformidade com as normas do PAT. Na apreciação do alcance da norma sob comento, temos que ter em vista que, nos termos do art. 111, I, do Código Tributário Nacional – CTN, a norma isentiva tem que ser interpretada restritivamente, não cabendo ao aplicador ampliarlhe o alcance para dispensar o contribuinte do pagamento de tributo. Nessa linha, a norma é enfática ao prescrever que as condições para que o fornecimento de alimentação aos trabalhadores fique a margem do campo da tributação previdenciária são a sua disponibilização “in natura” e em conformidade com as regras do PAT. Consultando a legislação específica que trata do PAT, pude verificar que inexiste a previsão de seu fornecimento em pecúnia. É que se pode concluir da leitura da alínea “c” do § 1. do art. 2. da Portaria Interministerial n. 05, de 30/11/1999, in verbis: § 1°A adesão ao PAT consistirá na apresentação do formulário oficial instruído com os seguintes elementos.. (...) c) modalidade de serviços de alimentação e percentuais correspondentes (próprio, fornecedor, convênio e cesta de alimentos); Não é razoável, então, que se deixe de tributar a verba que foi repassada aos empregados da recorrente, a qual foi paga em total desconformidade com as normas do PAT. Observese o que dispunha a Instrução Normativa SRP n. 03/2005 quando tratava do fornecimento de alimentação: Art. 753. (...) §2° O pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais. (...) Pois, então, não há como ser acatada a alegação de que o fornecimento de alimentação em espécie, ou seja, em desacordo com as normas aplicáveis, possa ficar livre incidência de contribuições previdenciárias. Não encontrei também desacerto do fisco quando fixou a base de cálculo, no período de 01/2004 a 02/2006, com base no desconto efetuado dos trabalhadores a título de alimentação. Considerandose que o desconto correspondia a 20% do valor repassado, com um simples cálculo aritmético chegouse ao valor do saláriodecontribuição. Vejase que o fato do Fisco haver excluído da base de cálculo a parcela descontada dos trabalhadores não indica ter havido o entendimento de que as normas do PAT estariam cumpridas, mas decorreu da impossibilidade de haver tributação sobre verbas que não se constituíram em repasse da empresa. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 13963.001772/200898 Acórdão n.º 240101.689 S2C4T1 Fl. 173 7 Por fim, há de se ter em conta que, por força da legislação citada do anexo Fundamentos Legais do Débito – FLD, as contribuições devidas ao INCRA, SESC, SENAC, SEBRAE e SalárioEducação incidem sobre a mesma base tributável apurada para as contribuições previdenciárias. Diante do exposto, voto por conhecimento do recurso para, no mérito, negar lhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 182DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 15563.000390/2007-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
TRIBUTAÇÃO DO IRRF. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÕES DE CÂMBIO REALIZADAS POR INSTITUIÇÃO AUTORIZADA.VALORES INFERIORES A US$ 10.000,00 DÓLARES AMERICANOS. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO VENDEDOR DA MOEDA.
Não configura a hipótese de incidência prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995, o pagamento em reais tendo como causa operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada, em valores inferiores ao limite de US$ 10.000,000 estipulados por norma expedida pelo Banco Central do Brasil, que dispensava a identificação do vendedor da moeda estrangeira. Aplica-se a
excepcionalidade da não incidência do IRRF prevista no caput do referido diploma legal, pela existência de norma especial sobre matéria cambial.
Numero da decisão: 1202-000.563
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 TRIBUTAÇÃO DO IRRF. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÕES DE CÂMBIO REALIZADAS POR INSTITUIÇÃO AUTORIZADA.VALORES INFERIORES A US$ 10.000,00 DÓLARES AMERICANOS. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO VENDEDOR DA MOEDA. Não configura a hipótese de incidência prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995, o pagamento em reais tendo como causa operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada, em valores inferiores ao limite de US$ 10.000,000 estipulados por norma expedida pelo Banco Central do Brasil, que dispensava a identificação do vendedor da moeda estrangeira. Aplica-se a excepcionalidade da não incidência do IRRF prevista no caput do referido diploma legal, pela existência de norma especial sobre matéria cambial.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 1.593 1 1.592 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15563.000390/200702 Recurso nº 000000 Voluntário Acórdão nº 120200.563 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 02 de agosto de 2011 Matéria IRPJ E REFLEXOS Recorrente VICATUR CÂMBIO E TURISMO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 TRIBUTAÇÃO DO IRRF. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÕES DE CÂMBIO REALIZADAS POR INSTITUIÇÃO AUTORIZADA.VALORES INFERIORES A US$ 10.000,00 DÓLARES AMERICANOS. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO VENDEDOR DA MOEDA. Não configura a hipótese de incidência prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995, o pagamento em reais tendo como causa operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada, em valores inferiores ao limite de US$ 10.000,000 estipulados por norma expedida pelo Banco Central do Brasil, que dispensava a identificação do vendedor da moeda estrangeira. Aplicase a excepcionalidade da não incidência do IRRF prevista no caput do referido diploma legal, pela existência de norma especial sobre matéria cambial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator. Fl. 1593DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000390/200702 Acórdão n.º 120200.563 S1C2T2 Fl. 1.594 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Jorge Celso Freire da Silva e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Trata o presente processo da lavratura de Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ Lucro Arbitrado, no valor principal de R$ 8.814,15, relativo ao anocalendário de 2002, e do Imposto de Renda Retido na FonteIRRF – Pagamentos a beneficiário não identificado, no valor principal de R$ 38.447.655,16, relativo ao período de 09/2002 a 03/2005, acrescido de juros de mora, com base na taxa Selic, e multa de oficio, no percentual de 75%, fls. 1.123 a 1.180. Segundo relatado no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 1088 a 1122, o lucro da pessoa jurídica foi arbitrado em razão da fiscalização ter constatado não ter havido a escrituração dos lançamentos correspondentes à movimentação da conta nº 6.155.086/8, mantida na agência 272 do Banco Mercantil de São Paulo e da conta nº.1210442 mantida na agência 236 do Banco UNIBANCO. A única movimentação contabilizada no livro Caixa, foi da conta nº 10.4507, agência 34029 do Banco BRADESCO. A autuada optou por apurar o seu lucro com base no lucro presumido e, segundo o agente fiscal, estaria obrigada a manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial ou manter livro Caixa, livro no qual deveria estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária, nos termos do art. 527 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99). Face aos erros/vícios acima mencionados, a contabilidade da fiscalizada tornouse imprestável, tanto para apuração do lucro presumido como para a apuração do lucro real. Cópias dos livros Diário, Razão e Caixa constam das fls. 845 a 970. Dessa forma, o imposto a pagar foi calculado com base no lucro arbitrado, sendo a receita bruta obtida da declaração DIPJ do anocalendário de 2002. Como conseqüência do lançamento do IRPJ com base no lucro arbitrado, também foi lavrado auto de infração da CSLL, fls. 1.127/1.131. No entanto, não foi apurada contribuição a pagar. Quanto ao lançamento do IRRF, a fiscalizada foi inicialmente intimada a apresentar documentos originais hábeis e idôneos que comprovassem qual o beneficiário dos pagamentos efetuados nas operações de compra de moeda estrangeira registrados nos Livros Caixa n° 01, 02, 03 e 04 (fls. 949/1.074), relativo ao período de 09/2002 a 03/2005. A autuada esclareceu que não houve a identificação dos beneficiários dos pagamentos pela compra de moeda estrangeira, pois estaria dispensada dessa identificação pelo Banco Central do Brasil BACEN, conforme Circular n° 2.685/96, para operações de compra de moeda estrangeira em negociações com valores menores de US$ 10.000,00. Entendeu a fiscalização que, em razão da não identificação dos beneficiários dos pagamentos, listados às fls. 397/603 e 690/844, estariam as operações sujeitas à tributação exclusiva na fonte, à alíquota de 35% sobre o rendimento líquido, cabendo o reajustamento da base de cálculo, com fundamento no artigo 674 do RIR/99 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). Fl. 1594DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000390/200702 Acórdão n.º 120200.563 S1C2T2 Fl. 1.595 3 Regularmente intimada a interessada apresentou a sua impugnação, tempestivamente, mediante arrazoado, de fls.1.192/1.217, trazendo, em síntese, as seguintes alegações, transcritas do relatório do Acórdão da DRJ, de fls. 1507 a 1515, o qual também adoto: “• Realiza operações de câmbio de moeda estrangeira, compra e venda, observando rigorosamente as normas e circulares emitidas pelo BACEN e pelo Conselho Monetário Nacional. • Foi intimada a apresentar documentos e informações acerca de operações de compra de moeda estrangeira sem a identificação do vendedor. • Foi autuada com base na suposta inobservância ao artigo 61 da Lei n° 8981/95, bem como do artigo 674 do RIR/99. Afirma que é uma autuação ilegal. • Afirma que são legais os procedimentos operacionais realizados no período de 2002 a 2005 no que concerne à compra de moeda estrangeira sem a identificação do vendedor, efetuados por empresas autorizadas pelo BACEN. • 0 BACEN ratificou as operações realizadas, pois se sujeitavam aos ditames da Circular n° 2.685/96, que prevê a licitude da operação de compra de beneficiário não identificado para valores até US$ 10.000,00 (dez mil dólares), cujo motivo é a extinção do mercado paralelo. • Aduz que a Circular ordenava a dispensa da identificação do vendedor, e que não era uma opção. • Logo, nenhuma das instituições compradoras poderia se recusar a comprar moedas estrangeiras, em valores menores que US$ 10.000,00, pela negativa do vendedor em se identificar mediante o fornecimento de seu nome e número de CPF. Não se trata de praxe de mercado, mas da não incidência do IRRF, alíquota de 35 %, nas operações de câmbio com beneficiários não identificados. • Traz indagações acerca de possíveis autuações a outras instituições, que afirma que não serão realizadas em decorrência da não incidência do artigo 61 da Lei 8.981/95. • 0 dispositivo legal contido no citado artigo é cristalino ao prever a não incidência da retenção do tributo no caso de existência de norma reguladora especifica, como ocorre in casu. • Logo, atuava sob a égide de norma especifica, que norteava a excepcionalidade contida no artigo 61 da Lei n° 8.981/95, ou seja, sob os auspícios da Circular n° 2.685, de 1996, não podendo ser punida por ter operado em absoluta consonância aos preceitos legais elegidos pelo Estado, vigentes à época. • Traz ementa de acórdão no Conselho de Contribuintes no sentido de que, quando não há impedimentos legais para o pagamento a beneficiário não identificado, sendo certo que no presente caso existe previsão legal expressa, não subsiste a retenção e a alíquota de 35 %. • No contrato de câmbio, há duas características que também excluem a incidência da alíquota de 35 %: a comprovação da operação e da sua causa. • Traz ementas de acórdãos que determinam a não incidência do IRRF quando houver a inequívoca comprovação da operação ou da causa. Fl. 1595DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000390/200702 Acórdão n.º 120200.563 S1C2T2 Fl. 1.596 4 • Impossível deixar de reconhecer que, alem da legalidade, resta comprovada a sua causa, pois se trata de operação de câmbio, além da existência das operações, comprovada a seguir. • O BACEN exerce rigorosa fiscalização, que era informado, diariamente, dos valores totais das operações, registrados em boletos emitidos pela interessada, e consolidados pelo agente centralizador (Ferraro Câmbio e Turismo LTDA). • O BACEN envia mensalmente ao agente centralizador o relatório globalizado das operações realizadas pelos agentes credenciados, discriminando o quantitativo mensal de operações' de câmbio, com descrição de valores quantitativos de compra e de venda de moedas, taxa cambial média utilizada, valores em moeda nacional e a quantidade de operações realizadas. • Também emite documento chamado de MERTAF, que resume todas as operações de compra e venda, onde apresenta o somatório de todas as operações de compra realizadas no dia, sem a identificação do vendedor, ostentando a informação "não consta no cadastro da receita". • Tais procedimentos comprovam a existência da operação. • O Auditor Fiscal atestou que os valores apresentados como movimentação diária de compra de dólares confere com o movimento informado pelo BACEN, e que a interessada tem cumprido as normas regulamentadoras daquela instituição. • Concluise que exsurgem a excludente de aplicação do artigo 61 da Lei n° 8.981/95, pois estamos diante de inequívoca comprovação da operação e da causa, conforme artigo 6°, XVII da IN SRF 15/2001. E ainda, acresçase a existência da previsão legal das operações. • A excepcionalidade do sobredito artigo atende ao Principio da Razoabilidade, pois, se houvesse a incidência do IRRF a alíquota de 35%, não existiria o mercado de câmbio para vendedores não identificados e restaria inócua a Política Pública de injeção de dólares na economia formal levada a cabo pela Circular n° 2.685/96 do BACEN. 0 artigo 61 da Lei n° 8.981/95 tem como objetivo impedir práticas ilegais, ostentando caráter punitivo. • As operações da Vicatur são rigorosamente legais e devidamente escrituradas. • Considerando a exceção do artigo 61 da Lei n° 8.981/95, inexiste o fato gerador para a retenção na fonte do Imposto de Renda, razão pela qual tal retenção não é realizada por nenhum dos agentes credenciados pelo BACEN para compra de moeda estrangeira. • A tributação das operações de câmbio dáse de acordo com IN SRF n° 118/2000, que não guarda similitude com a forma de arrecadação ou com a alíquota eleita pela Lei n° 8.981/95, que em regra se dá na fonte. • Apresenta 3 (três) diferenças entre a norma especifica de tributação dos indivíduos que vendem dólares para casas de câmbio, no caso de beneficiários não identificados (IN SRF no 118/2000), e a norma inaplicável da Lei n° 8.981/95, artigo 61. Fl. 1596DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000390/200702 Acórdão n.º 120200.563 S1C2T2 Fl. 1.597 5 • A aplicabilidade da IN SRF n° 118/2000 afasta qualquer outra norma, sendo responsabilidade do vendedor, terceiro, declarar e recolher os valores devidos, afastada qualquer necessidade de retenção na fonte. • Afirma que vem recolhendo rigorosa e fielmente o Imposto de Renda. • Alega que teve cerceado seu direito de defesa, posto que teve negado por diversas vezes seu direito de vista dos autos. • Foi compelida a pedir vista de processo por escrito, e até a presente data não teve vista dos autos, tampouco o seu direito a obtenção de cópias.” Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 1219.593da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 1507 a 1515, contendo o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: LUCRO ARBITRADO PAGAMENTO Considerase definitivamente constituído o crédito tributário lançado, com base no lucro arbitrado, porquanto a autuada providenciou seu parcelamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA REJEIÇÃO 0 cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão por parte da autoridade lançadora que impeça o sujeito passivo de conhecer os dados ou fatos que, notoriamente, impossibilitem o exercício de sua defesa. No presente caso, a própria interessada contribuiu para que as vistas do processo fosse efetuada próximo do fim do prazo para apresentação da impugnação. Ademais, verificase, em sua impugnação, que a autuada entendeu perfeitamente o lançamento, combatendo todos os pontos que entendeu necessário, não caracterizando qualquer cerceamento do exercício de seu direito de defesa. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte todo pagamento efetuado pelo contribuinte a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa. 0 valor pago será considerado liquido, cabendo o seu reajustamento para efeito de apuração da base de cálculo sobre a qual recairá o imposto. Lançamento Procedente Fl. 1597DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000390/200702 Acórdão n.º 120200.563 S1C2T2 Fl. 1.598 6 Os principais fundamentos utilizados pelo acórdão recorrido se resumem nos seguintes pontos do voto condutor, a seguir transcritos, em parte: “ [...]verificase em sua defesa que a interessada claramente contesta as infrações apuradas, debatendo os pontos que entendeu necessário, demonstrando perfeita compreensão do auto de infração. Logo, não há como considerar procedente a alegação de que o auto não contempla todos o requisitos necessários, muito menos o cerceamento de defesa, quando se verifica que a presente exação preenche todos os pressupostos legais, e que a interessada pode plenamente exercer o seu direito de defesa, como assim o fez. [...] 0 artigo 61 da Lei n° 8.981/95 determina que cabe a incidência do IRRF de 35% sobre os pagamentos efetuados, quando não identificado o beneficiário, "ressalvado o disposto em normas especiais ". Considerando disposto pelo CTN acima (art. 97 do CTN), e interpretando citado artigo, entendo que a norma especial se refere a uma lei ordinária, já que se trata de uma hipótese de isenção ou de não incidência. Deve, portanto, passar por todo o processo legislativo para sua promulgação e sua eficácia. A Circular do Banco Central, cujo principal objetivo é regulamentar os procedimentos utilizados no Mercado de Câmbio, dispondo que as operações de compra de moeda estrangeira são formalizadas mediante o preenchimento de boleto, não pode ser equiparada a uma lei que estabelece isenção ou não incidência. [...] Assim, apenas a titulo de argumentação, ainda que se considerasse que a Circular atuaria como uma norma complementar, ela não pode inovar os ditames da lei. Os atos administrativos não podem inovar. No caso concreto, a mencionada Circular nem sequer é ato administrativo com o objetivo de esclarecer qualquer norma tributária. Esta circular se presta tão somente a regular o Mercado de Câmbio de Taxas Flutuantes, dispondo sobre seus procedimentos. 0 próprio Banco Central declarou, em sua resposta A autuada, fls. 1.231, que "lembramos que o Conselho Monetário Nacional, a Secretaria da Receita Federal e este Banco Central tem suas atribuições definidas por Lei e atuam em conformidade com suas competências". [...] A interessada também se defende que estaria comprovada a operação que deu origem aos pagamentos, uma vez que o Banco Central emitiu os relatórios totalizadores, através do MERTAF. Assim, comprovada a operação, não caberia a tributação com base no artigo 15, XVII da IN SRF no 15/2001. Aduz, ainda, que nas operações de câmbio, a tributação é regida pela IN SRF n° 118/2000, cabendo a tributação do ganho de capital auferido pelos indivíduos que vendem as moedas estrangeiras. Primeiramente, cumpre destacar que todas as normas trazidas em sua defesa se referem A tributação de pessoa fisica. No entanto, compulsando os documentos trazidos aos autos, não há qualquer comprovação de que as operações foram realizadas exclusivamente com pessoas físicas. Já que não há a comprovação do beneficiário, fica prejudicada a afirmação de que a hipótese de incidência seria a prevista na IN SRF n° 118/2000, não cabendo a aplicação do disposto do artigo 61 da Lei n° 8.981/95. Fl. 1598DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000390/200702 Acórdão n.º 120200.563 S1C2T2 Fl. 1.599 7 [...] A lei é clara (art. 61 da Lei nº 8.981/95), em seu §1°, determinando que, caso identificado o beneficiário, devese também comprovar sua causa. Se não comprovado, cabe a aplicação da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte. No caso aventado pela interessada, ou seja, comprovada a operação, mas o beneficiário não for identificado, estaremos diante da hipótese prevista no próprio caput do artigo. Ressaltese que não há qualquer condicionante no fato descrito no dispositivo legal, bastando não identificar aquele que recebeu o pagamento.” Irresignada com a decisão proferida pela DRJ, a interessada apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, mediante arrazoado, de fls. 1540 a 1571, repisando praticamente os mesmos argumentos trazidos na sua peça impugnatória. Deixa de se manifestar, entretanto, em relação à alegação de cerceamento de defesa trazida na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso apresentado é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre registrar que nos termos do mencionado no voto condutor do acórdão recorrido, os valores referente ao lançamento do imposto de renda da pessoa jurídicaIRPJ, exigidos na autuação, foram parcelados, consoante processo administrativo n° 15559.000524/200746, fls. 1502. Resta, portanto, como litígio no presente processo, o exame do lançamento do imposto de renda retido na fonteIRRF, pela falta de retenção desse imposto nos pagamentos efetuados a beneficiário não identificado, com fundamento no art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Alega recorrente que o seu objeto é a realização de operações de câmbio de moeda estrangeira, compra e venda, e que observa rigorosamente as normas e circulares emitidas pelo BACEN e pelo Conselho Monetário Nacional. Afirma que são legais os procedimentos operacionais realizados no período de 2002 a 2005 no que concerne à compra de moeda estrangeira sem a identificação do vendedor da moeda, posto que as operações estavam de acordo com a Circular BACEN n° 2.685, de 1996, que prevê ser desnecessária a identificação do vendedor da moeda estrangeira nas operações de até US$ 10.000,00 (dez mil dólares). Já o agente fiscal e o acórdão recorrido sustentam que o artigo 61 da Lei n° 8.981, de 1995 determina a incidência do IRRF de 35% sobre os pagamentos efetuados, quando não identificado o beneficiário, ressalvado o disposto em normas especiais. Considerando o disposto no art. 97 do CTN entendeu o acórdão recorrido que a norma especial mencionada no caput do art. 61 mencionado, se refere a lei ordinária, já que se trata de uma hipótese de isenção ou de não incidência de imposto. A Circular n° 2.685, de 1996 do Banco Central, que dispensou a identificação do beneficiário do pagamento, não poderia ser equiparada a lei, único normativo hábil a estabelecer isenção ou não incidência de imposto. Fl. 1599DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000390/200702 Acórdão n.º 120200.563 S1C2T2 Fl. 1.600 8 Em que pese os argumentos trazidos no acórdão recorrido, entendo que o mesmo merece ser reformado. Inicialmente, cabe transcrever a atividade desenvolvida pela autuada segundo objeto do seu Contrato Social, fls. 1185: “A sociedade terá por fim, com dedicação exclusiva, as atividades e ‘Agencia de Viagens e Turismo’ prevista na legislação em vigor, Câmbio manual, compra e venda e travelers cheques, esse que autorizado pelo Banco Central o Brasil.” Na sequência, cabe dizer que resta evidenciado nos autos que a recorrente efetivamente desenvolvia as atividades constantes do seu objeto social, especificamente no que se refere à compra e venda de moedas estrangeiras (câmbio), tendo autorização do Banco Central do Brasil para operar nesse tipo de mercado, conforme extrato da fl. 1274. Além disso, as afirmações efetuadas pelo próprio agente fiscal, em seu Termo de Verificação Fiscal, atestam a regularidade das operações de câmbio efetuadas pela autuada, segundo as seguintes transcrições, fls. 1104 e 1105: “Os valores apresentados pelo contribuinte como movimentação diária de compra de dólares confere com o movimento informado pelo Banco Central do Brasil.” “O contribuinte tem cumprido as normas regulamentares do Banco Central do Brasil.” Dessa forma, creio não restar dúvidas de que as operações de câmbio realizadas pela recorrente estavam de acordo com as Normas Cambiais emitidas pelo Banco Central do Brasil, órgão que regula o mercado cambial. Passemos a transcrição e análise das normas tributárias e cambiais em questão. Assim dispõe o art. 61, da Lei nº 8.981, de 1995: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. Fl. 1600DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000390/200702 Acórdão n.º 120200.563 S1C2T2 Fl. 1.601 9 § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. (grifei) Da leitura do dispositivo legal acima transcrito, verificase que o legislador quis tributar pelo imposto de renda na fonte, à alíquota de 35%, aqueles pagamentos efetuados pela pessoa jurídica aos beneficiários não identificados, ressalvadas as disposições contidas em normas especiais (caput),. Essa alíquota, em vigor a partir de 1995, foi instituída como forma de desestimular as empresas a procederem pagamentos sem identificação do beneficiário do rendimento, cuja responsabilidade pela retenção recai sobre o pagador. A tributação exclusivamente na fonte vem ao encontro dos interesses tributários da Fazenda Nacional, dada a dificuldade de controle, por parte do fisco, em fazer a cobrança do imposto de renda aos rendimentos percebidos por beneficiário não identificado. Além disso, a incidência do imposto também ocorre nos pagamentos em que há identificação do beneficiário, mas efetuado sem uma causa específica, evitandose a redução do lucro das pessoas jurídicas pela contabilização de pagamentos por mera liberalidade ou de despesas desnecessárias, conforme § 1º do art. 61 acima transcrito. Já a Circular n° 2.685, de 1996 do Banco Central do Brasil, na parte que disciplina a compra e venda de moedas estrangeiras, objeto do presente exame, encontrase reproduzida no normativo denominado Consolidação de Normas CambiaisCNC, a seguir reproduzido (na parte que interessa), fls. 346: “1. As operações de compra de moeda estrangeira de clientes são formalizadas mediante o preenchimento (*) de boleto (ANEXO N°1 deste capítulo). (Circ. 1.500, Reg. anexo IV1, Circ. 2202, Circ. 2.685) 2. É permitida a compra de moeda em espécie e de “traveller's cheques", cheques, ordens de pagamento e demais instrumentos normalmente aceitos no mercado financeiro internacional como representativos de valor, emitidos em favor de pessoas fisicas ou jurídicas, inclusive prestadores de serviços relacionados com turismo receptivo ou emissivo. (Circ. 1.500, Reg. anexo 1V2. Circ. 2202) 3. As operações a que se refere o tem 2 podem ser realizadas por qualquer montante, mediante comprovação documental, cabendo notar que nas compras de moeda em espécie devem ser observados ainda os seguintes procedimentos: (Circ. 2243, Circ. 2.685) 3.1 Identificação compulsória do vendedor: operações de valor igual ou superior a US$ 10.000,00 (dez mil dólares dos Estados Unidos), ou seu equivalente em outras moedas, fazendo constar no campo Informações Complementares" do boleto o número do documento de identificação do vendedor; (Circ. 2243) Fl. 1601DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000390/200702 Acórdão n.º 120200.563 S1C2T2 Fl. 1.602 10 3.2 Identificação dispensada: operações de valor inferior a U$$ 10.000,00 (dez mil dólares dos Estados Unidos) ou seu equivalente em outras moedas. Nesta hipótese deve ser anotado no campo ‘Vendedor Nome' do respectivo boleto a expressão 'Não identificado', inutilizandose os demais campos relativos à identificação do vendedor; (Res. 1.552 1c2 e 142, Res. 1.946, Art 1 911, Circ. 1.500. Reg. anexo IV3, Circ. 2.172. Circ. 2202, Circ. 2243) “ (grifei) Pois bem. No caso em análise, verificase que a autuada era instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil a operar na compra e venda de moedas estrangeiras, de modo que as suas operações encontravamse regularmente registradas. Segundo a Circular n° 2.685, de 1996, naquelas operações em que a recorrente comprava a moeda estrangeira, de valor inferior a U$ 10.000,00 (dez mil dólares dos Estados Unidos) ou seu equivalente em outras moedas, havia dispensa de identificação do vendedor da moeda, conforme item 3.2 acima transcrito. Os pagamentos em reais efetuados pela interessada tinham uma causa, que era a troca de moedas pelo correspondente em moeda estrangeira, operação que fazia parte do seu objeto social. Portanto, podese concluir que a autuada exercia suas atividades dentro da legalidade e nos termos do que estipulava as normas regulamentares. No que se refere à incidência do IRRF nos pagamentos a beneficiário não identificado, o próprio caput do art. 61 excepciona a tributação para o caso de haver “norma especial” sobre a matéria. No meu entender, quando o texto legal se refere a “normas especiais”, para deixar de considerar “pagamento a beneficiário não identificado”, significa qualquer norma emanada por ente público e não somente aquelas normas de caráter tributário. Com efeito, sou forçado a discordar da interpretação dada pelo acórdão recorrido no sentido de que a “norma especial” a que se refere o caput do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, deve ser entendida unicamente como “lei ordinária”, já que se trata de uma hipótese de isenção ou de não incidência imposto. Da leitura do texto em análise não há como chegar a essa conclusão. Primeiro, porque se a lei quisesse tributar todos os pagamentos a beneficiário não identificado, descaberia a ressalva ao final do artigo 61. Em segundo lugar, quisesse a lei que a ressalva fosse regulada por norma especial tributária (Portaria, Instrução Normativa), aí sim teríamos a vontade do legislador para que as autoridades tributárias editassem regulamento disciplinando a matéria. Mas não. Pretendeu o legislador que outras normas emanadas pelo poder público também excepcionassem a tributação. Dessa forma, é perfeitamente possível se admitir que a Circular n° 2.685, de 1996, emitida pelo Banco Central do Brasil, ao dispensar a identificação do vendedor de moeda estrangeira, em valores inferiores a U$ 10.000,00 (dez mil dólares dos Estados Unidos) ou seu equivalente em outras moedas, encontrase caracterizada como “norma especial” a que se refere o caput do art. 61, dispensandose a retenção do imposto de renda na fonte, diferentemente do que entendeu o acórdão recorrido. Entendo que essa é a interpretação mais razoável que se pode dar ao art. 61 em comento. Afinal, seria ilógico e sem razão admitirse que uma empresa trabalhando dentro da legalidade fosse penalizada por cumprir os procedimentos emanados pelo poder público. Hely Lopes Meirelles, em sua clássica obra Direito Administrativo Brasileiro, 28ª Ed., Malheiros Editores, 2003, p.125, o renomado mestre assim aborda a questão da regulamentação das leis: “Sendo o regulamento, na hierarquia das normas, ato Fl. 1602DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000390/200702 Acórdão n.º 120200.563 S1C2T2 Fl. 1.603 11 inferior à lei, não a pode contrariar, nem restringir ou ampliar as suas disposições. Só lhe cabe explicitar a lei, dentro dos limites por ela traçados, ou completála fixando critérios técnicos e procedimentos necessários para a sua aplicação.” (destaquei) Ora, no presente caso, a própria lei previu ressalvas à incidência do imposto de renda aos pagamentos efetuados pela pessoa jurídica ao beneficiário não identificado. E uma das hipóteses ressalvadas ocorreu com a edição da Circular n° 2.685, de 1996, com características de “norma especial”, que trata de operações de câmbio e que explicitou o determinado pela lei, fixando critérios técnicos – “dispensa de identificação” exatamente como esclarecido pelo ilustre doutrinador Hely Lopes Meirelles, na obra acima mencionada. De tudo o que foi exposto, entendo que em face das operações de câmbio terem sido realizadas dentro da legalidade, aplicase a ressalva da redação final do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, não podendo subsistir a tributação do imposto de renda retido na fonte IRRF exigido na autuação. Nesse sentido, voto para que seja dado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1603DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 11080.010933/2005-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2001
Ementa:
ANTECIPAÇÃO OBRIGATÓRIA. PAGAMENTO.
Considera-se estimativa efetivamente paga a parcela da exigência extinta por meio da utilização do imposto de renda incidente na fonte sobre as receitas que integram a base de cálculo das referidas antecipações.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Descabe falar em cerceamento do direito de defesa na situação em que se constata que a descrição da infração imputada pela autoridade fiscal, o motivo que lhe deu causa e o correspondente enquadramento legal, encontram-se adequadamente explicitados nas peças acusatórias.
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). PRECLUSÃO.
O prazo estabelecido pelo parágrafo 5º do art. 15 do DecretoLei
nº 1.376, de 1974, na redação que lhe foi dada pelo DecretoLei
nº. 1.752, de 1979, tem natureza preclusiva, de modo que a ausência de manifestação do contribuinte acerca da rejeição da sua opção implica, uma vez expirado o prazo conferido
pela lei, desaparecimento do direito de agir.
Numero da decisão: 1302-000.522
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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PAGAMENTO. Considerase estimativa efetivamente paga a parcela da exigência extinta por meio da utilização do imposto de renda incidente na fonte sobre as receitas que integram a base de cálculo das referidas antecipações. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Descabe falar em cerceamento do direito de defesa na situação em que se constata que a descrição da infração imputada pela autoridade fiscal, o motivo que lhe deu causa e o correspondente enquadramento legal, encontramse adequadamente explicitados nas peças acusatórias. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). PRECLUSÃO. O prazo estabelecido pelo parágrafo 5º do art. 15 do DecretoLei nº 1.376, de 1974, na redação que lhe foi dada pelo DecretoLei nº. 1.752, de 1979, tem natureza preclusiva, de modo que a ausência de manifestação do contribuinte acerca da rejeição da sua opção implica, uma vez expirado o prazo conferido pela lei, desaparecimento do direito de agir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. “documento assinado digitalmente” Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.010933/200500 Acórdão n.º 1302000.522 S1C3T2 Fl. 363 2 Marcos Rodrigues de Mello Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.010933/200500 Acórdão n.º 1302000.522 S1C3T2 Fl. 364 3 Relatório A 1ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, tendo exonerado parte do crédito tributário constituído em desfavor de AVIPAL S/A AVICULTURA E AGROPECUÁRIA, amparada nas disposições da Portaria MF nº. 3, de 2008, recorre de ofício a este Colegiado administrativo. Outrossim, diante da exoneração parcial do crédito tributário constituído, a contribuinte autuada impetrou recurso voluntário objetivando reformular os termos da decisão exarada em primeira instância. Trata o processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativa ao anocalendário de 2000, formalizada a partir da imputação das seguintes infrações: a) dedução indevida de incentivo fiscal; e b) insuficiência de recolhimento do imposto em razão da apropriação a maior de valores pagos a título de antecipação (estimativas). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 194/216), momento em que ofereceu os seguintes argumentos: que o auto de infração seria nulo devido ao cerceamento do seu direito de defesa, haja vista que "o demonstrativo de apuração do excesso de aplicação em Fundo de Investimento FINAM apresentado pela autoridade fiscal seria ininteligível vez que utiliza argumentos incompreensíveis (IF/16 + IF/18 IF/REC) com os dados da DIPJ revisada"; que teria ocorrido a decadência do direito de constituição do crédito tributário, à luz do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional; que, à época da opção pelo incentivo fiscal, não apresentava qualquer pendência junto ao FGTS, conforme documentação que disse anexar; que, relativamente à suposta divergência no cálculo do IRPJ devido em função da utilização de valores a título de estimativa maior que o saldo efetivamente recolhido, esclarecia que o montante informado na DIPJ/2001 como sendo valor de estimativas recolhidas englobaria o valor de IRRF utilizado na composição das referidas antecipações. Apreciando os argumentos expendidos pela autuada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, por meio do acórdão nº. 1019.661, de 28 de maio de 2009, julgou parcialmente procedente os lançamentos tributários efetivados. O referido julgado, foi assim ementado: CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Se o lançamento tem seus fundamentos detidamente descritos pela autoridade, suportado por cálculos que demonstram a apuração da receita omitida e dos tributos decorrentes, não há que se falar em cerceamento de direito de defesa. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.010933/200500 Acórdão n.º 1302000.522 S1C3T2 Fl. 365 4 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. IRPJ. FATO GERADOR. APURAÇÃO ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, que se dá, no caso de apuração anual do lucro real, no dia 31 de dezembro do anocalendário respectivo. APLICAÇÃO DE RECURSOS EM COTAS DO FINAM MEDIANTE DARF. SUBSCRIÇÃO VOLUNTÁRIA PARA O FUNDO. RECURSOS PRÓPRIOS. OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO DA TOTALIDADE DO TRIBUTO DEVIDO. A falta de apresentação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (Perc) no prazo estipulado determina a preclusão do direito de discutir o mérito da glosa da dedução fiscal. ESTIMATIVAS. QUANTIFICAÇÃO DO VALOR MENSAL PAGO.UTILIZAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. Comprovado que o valor utilizado no cálculo do ajuste anual a título de estimativas pagas está de acordo com a legislação de regência, cancelase a infração correspondente. Por relevante, transcrevo, abaixo, excertos do voto condutor da decisão em referência. Apuração incorreta do imposto em virtude de informação a maior do valor do imposto de renda mensal pago por estimativa No que tange a esta infração, merece acolhida a defesa da impugnante. A infração apontada pela fiscalização não subsiste aos fatos efetivamente ocorridos. A suposta divergência entre o valor do imposto de renda mensal pago por estimativa e o valor efetivamente utilizado no cálculo do imposto inexiste. De acordo com o "Ajuda DIPJ 2001", a ficha 12A Linha 16 — Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa deve compreender não só os recolhimentos efetuados em DARF a titulo de estimativas, mas também o valor relativo ao IRRF utilizado como pagamento das estimativas mensais, justamente o procedimento adotado pela impugnante. Vejamos o que diz as instruções de preenchimento da DIPJ2001: “O valor do imposto efetivamente pago por estimativa corresponde ao somatório dos valores mensais relativos à seguinte operação: IEFP = Imposto Mensal Efetivamente Pago por Estimativa IEFP = (11/07 + 11/08 + 11/09 + 11/10 + Pagamentos de IRPJ mensal + Pagamentos Finor/Finam/Funres + Compensação de Pagamento Indevido ou a Maior + Compensação do Saldo Negativo de Períodos Anteriores de IRPJ + Outras Compensações (grifos não constam do original)”. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.010933/200500 Acórdão n.º 1302000.522 S1C3T2 Fl. 366 5 Ora, na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, as linhas 07 e 09 referemse, respectivamente, justamente ao Imposto de Renda Retido na Fonte e Imposto de Renda Retido na Fonte por Órgão Público. Observase que o valor da infração imputado pela fiscalização, R$ 1.550.015,09 é justamente o valor de IRRF relativo à soma das linhas 07 e 09 da Ficha 11 da DIPJ/2001, valor coincidente com o indicado à fl. 03 do processo n° 11080.010282/200540, apensado ao presente processo (Demonstrativo de Apuração Excesso de Aplicação em Incentivos Fiscais do IRPJ). Cumpre ressaltar ainda que o valor de IRRF utilizado como pagamento das estimativas mensais não deveriam ser informado na Linha 13 da Ficha 12A Imposto de Renda Retido na Fonte (ajuste anual). Nesta linha deveriam constar somente os valores excedentes de IRRF não utilizados como quitação do imposto de renda mensal. Novamente recorrese ao "Ajuda" do programa de preenchimento da DIPJ2001 para melhor esclarecimento da questão: Atenção: I) No caso de apuração anual do imposto, não deverão ser incluídos os valores do imposto retido ou pago durante o ano calendário e que tenham sido deduzidos nos recolhimentos mensais do imposto. 2) Os valores excedentes de imposto de renda retido na fonte não utilizados na apuração do imposto de renda mensal, no transcorrer do anocalendário, deverão ser informados nesta linha, independentemente de limite. (grifos não constam do original) Por oportuno, esclarecese que, em consulta aos sistemas da RFB, constatase que os valores utilizados à título de IRRF pelo contribuinte são compatíveis com os contidos em DIRF. Desse modo, devese acolher os argumentos da impugnante, dando provimento para cancelamento dessa infração. Diante do acolhimento parcial das razões de defesa apresentadas, PERDIGÃO S/A, sucessora por incorporação da contribuinte autuada, impetrou a peça recursal de fls. 299/317, por meio da qual sustenta: que, não obstante todo o esforço envidado, não compreendeu a metodologia empregada pela Fiscalização para alcançar sua conclusão de que há excesso de aplicação em Fundo de Investimento FINAM, no valor de R$ 259.620,01, o que se constitui em cerceamento do direito de sua defesa, direito este protegido na Constituição Federal; que as justificativas apresentadas pela autoridade julgadora de primeira instância não melhoraram a compreensão da suposta infração; que, quando afirmou que os termos "IF/16, IF/18 e IF/REC" são ininteligíveis e incompreensíveis, não estava se referindo à falta de significação, mas à falta de correspondência do significado com a DIPJ/2001 apresentada; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.010933/200500 Acórdão n.º 1302000.522 S1C3T2 Fl. 367 6 que o Auditor Fiscal disse que IF/16 corresponde ao valor destinado aos fundos incluídos na linha 16/ficha 12 (DIPJ 2001), mas, examinando a respectiva declaração Ficha 12, linha 16 (fls. 23), temos: 16 ( ) Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa 8.912.000,01 que a legenda IF/18 representa o valor recolhido em DARF especifico, utilizado no pagamento do saldo apurado na linha 12/18, contudo na Ficha 12, linha 18 da declaração (fls. 23) consta valor negativo de imposto a pagar: 18 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 55.946,58 que a autuação foi motivada por excesso de aplicação no fundo de investimento FINAM em detrimento do imposto de renda, todavia, na explicação da autoridade julgadora de que "os valores que teriam sido destinados ao FINAM, seriam superiores ao total devido, assim, mesmo desconsiderandose os recolhimentos do FINAM como se imposto fosse, o saldo de imposto não recolhido foi inferior ao recolhido a titulo de FINAM" não consta de que maneira ela se aproveitou a maior do incentivo fiscal; que o Relator destacou no seu Voto que “...a impugnante incorreu em equívoco ao correlacionar o valor recolhido a título de FINAM e o valor da infração: o primeiro, se refere única e exclusivamente aos valores recolhidos sob esta rubrica e o segundo ao valor de imposto recolhido a menor. De fatos (sic) os dois valores, no caso concreto, são distintos e a razão para tanto é que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte ...". porém, se o equivoco ocorreu, este é fruto da falta de clareza no demonstrativo da suposta irregularidade, o que vem reforçar a alegação do cerceamento do direito de defesa; que é verdade que na impugnação ao lançamento de oficio questionou o mérito da autuação, mas o fez a partir da legislação autorizativa do incentivo fiscal, demonstrando a legitimidade do seu direito, de modo a que não fosse declarada sua revelia, como determina o art. 21, do Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto n° 70.235, de 1972; que a descrição dos fatos constante da folha de continuação do Auto de Infração e o Relatório da Ação Fiscal, por serem ininteligíveis, não a favoreceram construir sua defesa; que o artigo 9° do Decreto n° 70.235, de 1972, determina que a exigência tributária deverá estar instruída com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, não bastando a entrega ao contribuinte desse aparato, para legitimar o lançamento de oficio, pois ocorrendo a ausência de informações necessárias a habilitar a defesa eficiente do sujeito passivo contra a imputação de infração, fica caracterizado cerceamento do direito de defesa; que, nos termos do art. 59 do Decreto nº. 70.235/72, o lançamento é passível de nulidade, por representar cerceamento do direito à ampla defesa da Recorrente, considerando que as obscuridades antes referidas dificultam a compreensão do fato apontado pela Fiscalização como sendo hipótese de incidência do imposto, notadamente quanto ao cálculo do montante devido, requisitos indispensáveis ao ato administrativo de lançamento, ex vi do disposto no art. 142 do CTN; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.010933/200500 Acórdão n.º 1302000.522 S1C3T2 Fl. 368 7 que a alegada preclusão aludida pela autoridade julgadora a quo também se constitui em cerceamento da defesa, visto que a Constituição Federal, art. 5°, inciso LV, assegura aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, promoverem o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, constituindo a violação desse direito causa de nulidade; que o referido prazo aberto para pedido de revisão da ordem de emissão de incentivo regionais não é um prazo decadencial, quer para a Administração Tributária revisar as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), quer para os contribuintes contestar possíveis glosas dos incentivos pleiteados nas referidas declarações; que, considerando que não há prazo decadencial previsto em norma legal específica, por analogia, são aplicáveis aos contribuintes os mesmos prazos deferidos para que solicitem restituição ou ressarcimento de impostos e contribuições, ou previstos à administração fiscal para revisar as DIPJ; que, ainda que não tenha se valido da prorrogação do prazo assinalado no citado ADE CORAT n° 52, de 2003, há que se considerar que com a lavratura do Auto de Infração, foilhe criada a oportunidade processual para contestação da exação, o fazendo com os meios e recursos previstos na legislação; que a matéria tributável não está determinada com precisão e clareza, quer no Auto de Infração, quer no Relatório da Ação Fiscal, o que tornou impossível a defesa da suposta infração a partir do valor de R$ 269.620,06 glosado pela Fiscalização, a título de excesso de aplicação destinada ao Fundo de Investimento FINAM; que as aplicações no FINAM no anocalendário de 2000 foram calculadas com base no IRPJ mensal devido por estimativa apurado em Balancete de Suspensão/Redução, e recolhidas mensalmente em favor do fundo por meio de DARF específico (cód. 6692) e mediante ajuste anual (cód. 7933), no total de R$ 984.994,95 conforme consulta feita pela fiscalização no Sistema SINAL (fls. 08/15 do Processo n° 11080 010933/200500); que na apuração das aplicações verificase pequena diferença de R$100.140,77 (R$ 884.854,18 R$ 984.994,95) entre o valor permitido face ao lucro estimado mensal e o total recolhido a titulo de FINAM; que, se a diferença apontada no item anterior corresponde à aplicação com recursos próprios, como determina a legislação, o valor encontrado é bem diferente do glosado pela Fiscalização (R$ 259.620,06); que não se pode dizer que houve prejuízo para o erário face as inexatidões na apuração estimada do investimento regional no curso do anocalendário, pois os valores recolhidos em favor do FINAM correspondem a antecipações do devido apurado em 31.12.2000, sendo ajustado ao final do período na DIPJ; que relativamente aos valores informados na DIPJ, a diferença encontrada de R$ 35.728,06 (R$ 949.266,89 R$ 984.994,95) entre o valor permitido na legislação com base no imposto de renda devido à alíquota de 15% e o total recolhido em favor do FINAM, também diverge do valor glosado pela Fiscalização, não se admitindo procedência do valor de R$ 259.620,06 como recursos próprios aplicados no respectivo investimento regional; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.010933/200500 Acórdão n.º 1302000.522 S1C3T2 Fl. 369 8 que no quadro demonstrativo elaborado pela autoridade julgadora a quo consta como imposto de renda a pagar o valor de R$ 706.083,78 (fls. 293) após as deduções aceitas pela legislação do imposto de renda relativas ao PDTI, PDTA, IRRF e IRPJ pago por estimativa, sendo que a autoridade julgadora observou, laconicamente, que não foram considerados como imposto os DARFs dos recolhimentos feitos sob os códigos 6692, no total de R$ 762.030,31 (FINAM por estimativa) e 7933, no valor de R$ 222.964,60 (FINAM ajuste anual), assim, se foi destinado na DIPJ do anocalendário 2000 parte do imposto apurado com base no lucro real no final do período para aplicação no FINAM no percentual admitido na legislação de 18%, correspondente a R$ 949.266,89 e, considerando que foram pagos R$446.463,72 a titulo de ajuste anual do IRPJ, há que se concluir não haver excesso de aplicação no FINAM em detrimento do IRPJ; que não há qualquer irregularidade com os recolhimentos feitos sob os códigos 6692 e 7933, a considerar que a motivação para a não aceitação da aplicação foi a falta de comprovação da regularidade junto ao FGTS, pois sempre esteve em situação de regularidade, tendo procedido aos recolhimentos em todos os meses do anocalendário de 2000, e com relação a todas as suas filiais. É o Relatório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.010933/200500 Acórdão n.º 1302000.522 S1C3T2 Fl. 370 9 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço os apelos. Trata a lide de exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativa ao anocalendário de 2000, formalizada a partir da imputação das seguintes infrações: a) dedução indevida de incentivo fiscal; e b) insuficiência de recolhimento do imposto em razão da apropriação a maior de valores pagos a título de antecipação (estimativas). De acordo com o Relatório da Ação Fiscal (fls. 04/05), a opção feita pela contribuinte para destinar parcela do imposto para aplicação no FINAM foi rejeitada, em virtude da constatação da existência de pendência junto ao FGTS. Assim, os pagamentos feitos por meio de documento de arrecadação com código específico para o FINAM (6692 e 7933), num total de R$ 984.994,95, foram considerados subscrição voluntária para o referido Fundo, sendo constituído o crédito tributário de R$ 259.620,06. Constatouse, ainda, que a contribuinte teria apropriado valores a maior do que o efetivamente recolhido a título de estimativas. Da planilha de fls. 07, extraemse os seguintes dados: Descrição Contribuinte Fiscalização LUCRO REAL 36.622.950,84 36.622.950,94 Imposto de Renda 5.493.442,63 5.493.442,63 Adicional 3.638.295,08 3.638.295,08 Total Devido 9.131.737,71 9.131.737,71 () Desenvolvimento Tecnológico Industrial/Agropecuário 219.737,71 219.737,71 () Imposto de Renda na Fonte 55.946,57 55.946,57 () ESTIMATIVA A Fiscalização considerou, apenas, os recolhimentos feitos com o código 2362, isto é, desconsiderou o montante de R$ 762.030,31, recolhido com o código 6692 (FINAM), e a parcela de estimativa compensada com o imposto de renda na fonte. 8.912.000,01 6.599.954,56 Imposto de Renda a Pagar (55.946,58) 2.256.098,87 Pagamento (AJUSTE) – A Fiscalização não considerou o pagamento feito com o código 7933 (FINAM), no montante de R$ 222.964,60 446.463,72 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.010933/200500 Acórdão n.º 1302000.522 S1C3T2 Fl. 371 10 LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1.809.635,16 A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, exonerou o sujeito passivo do crédito tributário relativo à insuficiência de recolhimento do imposto em virtude da apropriação a maior de valores pagos a título de estimativa, recorrendo de ofício em razão do disposto na Portaria MF nº. 3, de 2008. Em virtude da manutenção parcial do crédito tributário, a contribuinte impetrou recurso voluntário, aditando razões de defesa. Passo, pois, a apreciar os recursos interpostos. RECURSO DE OFÍCIO Não merece reparo o decidido em primeira instância. De fato, a autoridade autuante, ao promover a verificação dos valores recolhidos a título de estimativa, fixouse, única e exclusivamente, nos pagamentos para os quais identificou o documento de arrecadação pertinente (DARF) e o correspondente registro em DCTF, não atentando para o fato de que o imposto retido na fonte incidente sobre as receitas que integraram a base de cálculo das antecipações obrigatórias constituíram, para todos os efeitos, estimativa efetivamente paga. Como destacado pelo voto condutor da decisão exarada em primeira instância, o valor tido como insuficiente pela autoridade fiscal corresponde exatamente ao que foi extinto por meio da compensação do imposto de renda retido na fonte (linhas 07 e 09 da Ficha 11 da DIPJ/2001, fls. 19/23). Nego, portanto, provimento ao recurso necessário. RECURSO VOLUNTÁRIO Não obstante a variada argumentação, a Recorrente, em última análise, protesta pela nulidade do lançamento com base na alegação de cerceamento do direito de defesa. Nessa linha, sustenta que, apesar de todo o esforço envidado, não compreendeu a metodologia empregada pela Fiscalização para alcançar sua conclusão de que há excesso de aplicação em Fundo de Investimento FINAM, no valor de R$ 259.620,01, o que, para ela, se constitui em cerceamento do direito de sua defesa, direito este protegido na Constituição Federal. Diz, também, que a alegada preclusão aludida pela autoridade julgadora a quo também se constitui em cerceamento da defesa, visto que a Constituição Federal, art. 5°, inciso LV, assegura aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, promoverem o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, constituindo a violação desse direito causa de nulidade. Argumenta que, ainda que não tenha se valido da prorrogação do prazo assinalado no citado ADE CORAT n° 52, de 2003, há que se considerar que com a lavratura do Auto de Infração, foilhe criada a oportunidade processual para contestação da exação, o fazendo com os meios e recursos previstos na legislação. Adita que não há qualquer irregularidade com os recolhimentos feitos sob os códigos 6692 e 7933, a considerar que a motivação para a não aceitação da aplicação foi a falta de comprovação da regularidade junto ao FGTS, pois sempre esteve em situação de regularidade, tendo procedido Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.010933/200500 Acórdão n.º 1302000.522 S1C3T2 Fl. 372 11 aos recolhimentos em todos os meses do anocalendário de 2000, e com relação a todas as suas filiais. A autoridade autuante consignou no Relatório da Ação Fiscal (fls. 04): ... 2.1. Excesso de destinação ao FINAM em detrimento de imposto. 2.1.1 A empresa aplicou recursos no FINAM mediante o recolhimento por meio de Documento de Arrecadação (DARF), no código 6692 (extrato de consulta do sistema SINAL de fls. 54 e 55). Através da entrega da DIPJ/2001, a contribuinte complementou sua opção no FINAM, conforme ficha 29 (fl. 41); 2.1.2 Por meio do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais IRPJ/2001, anocalendário 2000, recebido em 14.08.2003 (Aviso de Recebimento de fls. 56 e 57), a empresa teve sua opção rejeitada, visto que incidiu na ocorrência 14 (CONTRIBUINTE COM PENDÊNCIAS JUNTO AO FGTS). Conforme informação constante do processo n° 11080.0102821200540, doc. de fl. 02, não houve solicitação, por parte do interessado, de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, dentro do prazo legal, que, no anocalendário de 2000, foi até 28.11.2003, conforme ADE/CORAT/052, de 30072003; 2.1.3 A Lei n°8036, de 11 de maio de 1990, determina em seu artigo 27, alínea c, que – para obtenção de benefícios concedidos por órgão da administração Federal é necessária a apresentação de Certificado de Regularidade junto ao FGTS, emitido pela Caixa Econômica Federal; 2.1.4 Em decorrência, todos os pagamentos efetuados através de DARF com código específico para o FINAM (6692, 7933), cujo montante totalizou R$ 984.994,95, foram considerados como subscrição voluntária para o fundo destinatário da opção manifestada no DARF. Em virtude deste fato, efetuouse o lançamento do crédito tributário correspondente a R$ 259.620,06, apurado conforme Demonstrativo de Apuração — Excesso de Aplicação em Incentivos Fiscais (FINAM) em Detrimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica doc. de fl. 03 do processo n° 11080.010282/200540, apensado a este (vide, também, planilhas de fls. 06 e 07). Ainda que a expressão EXCESSO DE DESTINAÇÃO AO FINAM não seja de todo apropriada, eis que sugere o acolhimento de parcela de aplicação, a descrição acima é de clareza solar em relação aos seguintes aspectos: 1. a contribuinte teve a sua opção pela aplicação de parcela do imposto no FINAM rejeitada; 2. a rejeição em referência se deu em virtude da constatação de pendências junto ao FGTS; Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.010933/200500 Acórdão n.º 1302000.522 S1C3T2 Fl. 373 12 3. apesar de devidamente cientificada do fato (rejeição da opção), a contribuinte não impetrou, no prazo devido, pedido de revisão; 4. além do art. 60 da Lei nº. 9.069/95, expressamente citado no auto de infração (fls. 03), foi feita referência à alínea “c” do art. 27 da Lei nº. 8.036, de 1990, que trata especificamente do FGTS; 5. todos os pagamentos efetuados por meio de documento de arrecadação com código específico para o FINAM (6692 e 7933) foram considerados como subscrição voluntária para o referido Fundo. O valor de R$ 259.620,06, que corresponde ao imposto derivado de tal infração, é facilmente identificado no quadro de fls. 07, e resulta da recomposição da apuração do imposto a pagar a partir do cômputo das infrações (redução da estimativa e dos valores destinados ao FINAM). Assim, o total submetido ao lançamento de ofício, conforme tabela de fls. 07 (R$ 1.809.635,16), nada mais é do que a soma das infrações apuradas (R$ 1.550.015,09 + R$ 259.620,06), desprezados eventuais arredondamentos. Nesse contexto, não vejo como acolher o argumento da Recorrente no sentido de que a metodologia adotada pela Fiscal tornou incompreensível a infração imputada. É certo que a descrição contida no processo nº. 11080.010282/200540, apenso ao presente, apresentase de certa forma confusa, porém, é relevante destacar que o referido processo serviu, apenas, para demonstrar a origem da constatação da irregularidade (AUDITORIA DE DECLARAÇÃO). Observo, ainda, que o formulário utilizado para descrever o “excesso de aplicação”, ao que tudo indica, tem características de modelo padrão, o que torna imprópria a sua utilização no caso vertente, pois, como já foi dito, todo o valor aplicado pela contribuinte foi rejeitado, não havendo que se falar, assim, em “excesso”. Não obstante, entendo que os elementos que serviram de suporte para a imputação da infração são os que foram trazidos ao presente processo, e, nesse particular, como já visto, a contribuinte teve total possibilidade de apresentar a sua defesa, eis que a descrição feita no Relatório da Ação Fiscal lhe permitiu tomar conhecimento da infração (rejeição da opção pela aplicação de parcela do imposto em incentivos fiscais), conhecer a sua motivação (irregularidade junto ao FGTS) e o correspondente suporte legal (art. 60 da Lei nº. 9.069/95 e art. 27, alínea “c”, da Lei nº. 8.036/90). No que tange ao motivo (irregularidade junto ao FGTS), alinhome ao entendimento da autoridade julgadora de primeira instância no sentido de que não cabe, nesse momento, apreciálo, eis que a Recorrente, apesar de devidamente cientificada a respeito (e quanto a isso não há controvérsia, vez que ela própria admite tal fato), quedouse inerte, ou seja, a contribuinte tomou conhecimento de que sua opção pela aplicação de parcela do imposto no FINAM havia sido rejeitada e não adotou nenhuma providência, dentro do prazo legal estabelecido, para reverter tal situação. Como destacado pela decisão recorrida, o parágrafo 5º do art. 15 do Decreto Lei nº. 1.376, de 1974, na redação que lhe foi dada pelo DecretoLei nº. 1.752, de 1979, abaixo reproduzido, deixa claro que as ordens de emissão que não forem procuradas pelas pessoas Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.010933/200500 Acórdão n.º 1302000.522 S1C3T2 Fl. 374 13 jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do segundo ano subsequente ao exercício financeiro a que corresponder a opção, serão revertidos para os Fundos de Investimento. Art. 15 A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, encaminhará, para cada exercício, aos Fundos referidos neste Decretolei e à EMBRAER, registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos e ações novas da EMBRAER, em favor das pessoas jurídicas optantes. ... §5º Reverterão para os Fundos de Investimento os valores das ordens de emissão cujos títulos pertinentes não forem procurados pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder a opção. Notese, ainda, que, relativamente ao anocalendário de 2000, o prazo foi prorrogado para o dia 28 de novembro de 2003 (Ato Declaratório Executivo do Coordenador Geral de Administração Tributária nº. 52, de 30 de julho de 2003). A meu ver, não merece reparo a interpretação feita pela Receita Federal no sentido de que o prazo estabelecido pela norma legal acima reproduzida tem caráter preclusivo, isto é, conferido o prazo pela lei sem que o contribuinte se manifeste, desaparece o direito de agir. Não obstante, destaco que, ainda que assim não fosse, isto é, se admitida a possibilidade de discutirmos, nesta fase processual, o motivo que levou à rejeição da opção feita pela Recorrente (irregularidade junto ao FGTS), inexiste nos autos elementos capazes de tornar insubsistente a razão do lançamento tributário. Com efeito, na fase impugnatória a contribuinte argumentou: ... Quanto a mencionar que a falta da apresentação do Certificado de Regularidade do FGTS motivou a não homologação das aplicações ao Fundo de Investimento FINAM, cabe aqui registrar que a Impugnante sempre esteve em situação de regularidade perante o FGTS, como faz prova o Certificado de Regularidade do FGTS anexado à presente impugnação, que se refere ao período de abril/1999 a maio/2001. Comprovadamente, assim, a Impugnante procedeu aos recolhimentos em favor do FGTS em todos os meses do ano calendário de 2000, e com relação a todas as suas filiais: Teutônia, Passo Fundo, Roque GonzálesRS, Guarani das MissõesRS, UruguaianaRS, ljuíRS, AlecrimRS, Campina das MissõesRS, São PauloSP, Luiz GonzagaRS e São LeopolsoRS (GFIPs em anexo). O documento referenciado pela contribuinte foi juntado às fls. 276, e, a meu ver, não é hábil para servir como prova da ausência de irregularidade, eis que, além de estar Fl. 13DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.010933/200500 Acórdão n.º 1302000.522 S1C3T2 Fl. 375 14 desprovido de conteúdo que indique de forma clara tal situação, sequer contém assinatura do responsável pela sua emissão. Na fase recursal, a contribuinte alegou: Cabe registrar que a Recorrente sempre esteve em situação de regularidade perante o FGTS, tendo procedido aos recolhimentos em favor do FGTS em todos os meses do ano calendário de 2000, e com relação a todas as suas filiais; TeutônioRS, Passo FundoRS, Roque GonzálesRS, Guarani das MissõesRS, UruguaianaRS, IjuíRS, AlecrimRS, Campina das MissõesRS, São PauloSP, Luiz GonzagaRS e São Leopoldo RS, como provam as GFIPs em anexo. Não identifico, nos autos, as GFIPs referenciadas pela Recorrente. Vêse, pois, que ainda que se ultrapasse a questão da natureza jurídica do prazo estabelecido para a impetração do Pedido de Revisão da Ordem de Emissão dos Incentivos Fiscais (PERC), se preclusivo ou não, a Recorrente, apesar de defender o restabelecimento da fase para discutir a glosa da sua opção, não traz ao processo comprovação da inexistência do motivo que ensejou a constituição do crédito tributário. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recursos interpostos. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 14DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003087/2003-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
NULIDADE DO LANÇAMENTO. PROVA ILÍCITA. INOBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO DECRETO N° 3.724, DE 2001.
O acesso aos extratos bancários não é de livre disposição do Auditor-Fiscal.
Os elementos de prova nos autos dão suporte à conclusão de que a RMF foi regularmente expedida.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
MULTA AGRAVADA.
O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-001.402
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir o percentual da multa de ofício de 112,5% para 75%.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 NULIDADE DO LANÇAMENTO. PROVA ILÍCITA. INOBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO DECRETO N° 3.724, DE 2001. O acesso aos extratos bancários não é de livre disposição do Auditor-Fiscal. Os elementos de prova nos autos dão suporte à conclusão de que a RMF foi regularmente expedida. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. MULTA AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1772; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 278 1 277 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.003087/200317 Recurso nº 164.356 Voluntário Acórdão nº 210201.402 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2011 Matéria IRPF Depósitos bancários Recorrente JOÃO GASPARINI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 NULIDADE DO LANÇAMENTO. PROVA ILÍCITA. INOBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO DECRETO N° 3.724, DE 2001. O acesso aos extratos bancários não é de livre disposição do AuditorFiscal. Os elementos de prova nos autos dão suporte à conclusão de que a RMF foi regularmente expedida. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. MULTA AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.003087/200317 Acórdão n.º 210201.402 S2C1T2 Fl. 279 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir o percentual da multa de ofício de 112,5% para 75%. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 17/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra JOÃO GASPARINI foi lavrado Auto de Infração, fls. 188/202, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao ano calendário 1998, exercício 1999, no valor total de R$ 2.607.848,85, incluindo multa de ofício agravada, no percentual de 112,5%, e juros de mora, estes últimos calculados até 30/04/2003. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 191/194, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Para contextualizar a ação fiscal e a infração imputada ao contribuinte transcrevese a seguir partes do Termo de Verificação Fiscal: O contribuinte foi inicialmente intimado a apresentar os extratos das contas bancárias que deram origem à movimentação financeira no Banco Itaú S/A e Bradesco S/A. As informações sobre a movimentação financeira, para o anocalendário 1998, foram apresentadas à Secretaria da Receita Federal pelas instituições financeiras, nos termos do art. 11, §2º, da Lei nº 9.311/96. Em 22.05.01, o fiscalizado solicitou prorrogação de prazo para apresentação dos extratos. Nesta mesma data apresentou cópia de protocolo do Banco Itaú, datado de 25.04.01, onde solicitava os referidos extratos bancários. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.003087/200317 Acórdão n.º 210201.402 S2C1T2 Fl. 280 3 Entretanto, em 05.06.01, esta fiscalização recebeu cópia da liminar em Mandado de Segurança, processo 2001.61.05.0050661, proferida pelo juiz da 4ª Vara Federal de Campinas, datada de 01.06.01, concedida nos seguintes termos: "Ante o exposto e por vislumbrar em parte os requisitos para o deferimento do pedido de liminar, CONCEDO APENAS EM PARTE a liminar para, mantido o procedimento de ação fiscal, condicionar a quebra efetiva de sigilo bancário do Impetrante à prévia oitiva da autoridade judiciária, mediante provocação prévia e com base nos requisitos reiteradamente consagrados pelo E. STF." Esta liminar foi cassada em agravo de instrumento interposto pela União (nº 2001.03.00.0179774), sendo publicada a correspondente decisão em 20.08.01. Posteriormente, em sentença proferida no dia 10.01.02, a ação proposta pelo contribuinte foi julgada improcedente, nos seguintes termos: "Isto posto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido formulado na inicial e DENEGO A SEGURANÇA, extinguindo o processo com julgamento do mérito, nos termos do artigo 269, inciso I, do Código de Processo Civil". Foi então o contribuinte novamente intimado, através de Termo datado de 08.02.02, a apresentar cópia dos extratos das contas bancárias acima citadas, bem como comprovar, mediante apresentação de documentação hábil, a origem dos recursos que possibilitaram a realização dos depósitos e/ou créditos nas referidas contas bancárias, não tendo o fiscalizado apresentado os documentos solicitados. Através de sentença proferida pela juíza 1ª Vara Federal Criminal de Campinas, datada de 01.02.02, foi decretada a quebra do sigilo bancário e fiscal nos autos de nº 2002.61.05.0000994. Logo, além do fiscalizado não ter obtido êxito na ação judicial em que pretendia ver sobrestada a ação fiscal, passou a existir, também, determinação judicial em processo penal que quebrou o sigilo bancário do contribuinte. Após receber e examinar os extratos bancários, constatei que foram efetuados depósitos/créditos que totalizaram R$ 3.370.653,83 (três milhões, trezentos e setenta mil, seiscentos e cinqüenta e três reais e oitenta e três centavos), na conta bancária nº16.127/6, do Banco Bradesco, agência 3190, e na conta 223809, agência 0670 do Banco Itaú. (...) Como ficou claramente demonstrado, o contribuinte não atendeu às intimações nos prazos estipulados, o que justifica o agravamento da multa nos termos do inciso I e parágrafo 2° do artigo 44, da Lei nº 9.430/96. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.003087/200317 Acórdão n.º 210201.402 S2C1T2 Fl. 281 4 Ressaltese que os extratos bancários foram obtidos, mediante Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), fls.82/85, dado que a autoridade fiscal somente foi cientificada da decisão judicial de quebra do sigilo bancário do contribuinte depois de já ter emitido e remetido as RMF. No lançamento, a autoridade fiscal imputou ao contribuinte a multa de ofício, na sua forma agravada, no percentual de 112%, em razão de o contribuinte ter deixado de atender às intimações nos prazos estipulados. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 205/218, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/BEL nº 018.352, de 30/05/2007, fls. 221/236. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 22/09/2007, Aviso de Recebimento (AR), fls. 240, o contribuinte apresentou, em 10/10/2007, recurso voluntário, fls. 243/275, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Vício no Exercício do Direito de Fiscalizar – É nulo o lançamento, pois a autoridade fiscal obteve seus extratos bancários, mediante RMF, sem que fossem apontados os motivos que justificariam a indispensabilidade do exame de dados bancários para a realização da ação fiscal, conforme previsto no Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001. Da base de cálculo utilizada no Auto de Infração Depósito bancário, puro e simplesmente, não pode servir de base de cálculo para imposto de renda, pois não é rendimento, ou melhor dizendo, não representa acréscimo patrimonial. Como neste processo, não foi provado pela autoridade fiscal a utilização dos valores depositados como renda consumida, errôneo é o lançamento de oficio, violando o disposto no artigo 43 do Código Tributário Nacional, e assim, requer seja invalidado o Auto de Infração. Da multa de 112,5% A autoridade fiscal exigiu a multa de ofício na sua forma agravada, entretanto, deixou de identificar no Auto de Infração em qual dos incisos do parágrafo 2º do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, o contribuinte teria se enquadrado. Contudo, importa observar que o contribuinte não incidiu em nenhuma das hipóteses delineadas nos incisos do § 2°, mencionado. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.003087/200317 Acórdão n.º 210201.402 S2C1T2 Fl. 282 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, devese apreciar a alegação da defesa de que é nulo o lançamento, pois a autoridade fiscal obteve os extratos bancários do contribuinte, mediante Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), sem que fossem apontados os motivos que justificariam a indispensabilidade do exame de dados bancários para a realização da ação fiscal, conforme previsto no Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001. De fato, o Decreto n° 3.724, de 2001, estabeleceu regras e limites aos agentes do Fisco para o acesso às informações financeiras dos contribuintes. Os arts. 2° e 3°, inciso VII, desta norma assim dispõem: Art.2º A Secretaria da Receita Federal, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. Art.3º Os exames referidos no caput do artigo anterior somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (...) VII previstas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996; Por sua vez, o artigo 33, I, da Lei nº 9.430, de 1996 traz a seguinte previsão: Art. 33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxilio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966; Logo, não havendo por parte do contribuinte o fornecimento de informações sobre a movimentação financeira, esta situação, por si só, já caracteriza a hipótese de exame Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.003087/200317 Acórdão n.º 210201.402 S2C1T2 Fl. 283 6 indispensável, conforme disposto no Decreto nº 3.724, de 2001, conferindo ao titular da unidade fiscal o poder de requisitar os extratos diretamente aos bancos. Com efeito, as RMF dirigidas aos Bancos Bradesco e Itaú S/A foram regularmente expedidas pelo Delegado da Receita Federal em Campinas/SP, após a suspensão da medida liminar concedida ao sujeito passivo. O contribuinte estava omisso com a apresentação da Declaração de Ajuste Anual (DAA) e não forneceu as informações solicitadas pela autoridade fiscal a respeito de sua movimentação financeira, sendo tal fato relevante para que fossem expedidas as RMF, conforme dispõe o §2° do artigo 3° do mencionado Decreto. Destaquese que o acesso aos extratos bancários não é de livre disposição do AuditorFiscal responsável pela execução do procedimento fiscal, que não pode requisitar diretamente às instituições financeiras as informações sobre as contas bancárias do contribuinte. Tal ato, conforme disposto no art. 4° do Decreto n° 3.724, de 2001, é privativo do Delegado, Inspetor ou Superintendente da Secretaria da Receita Federal do Brasil. O relatório, apesar de não estar presente nos autos, certamente foi encaminhado ao Delegado de Campinas, que considerou indispensável requisitar as informações aos bancos. Em assim sendo, expedida a RMF, presumese a indispensabilidade das informações requisitadas, sendo certo que os elementos de prova contidos nos autos, tais como a existência de procedimento de fiscalização instaurado, a ausência de óbice à requisição aos bancos (suspensão da liminar, conforme sentença exarada pela Juíza Eliana Borges de Mello Marcelo da 4ª Vara Cível Federal 5ª Subseção Judiciária de Campinas, fls. 66/76), a prévia intimação ao sujeito passivo para fornecer os documentos bancários e a regular expedição da RMF pelo Delegado de Campinas, impõem a rejeição da preliminar suscitada. Destarte, vale acrescentar que o contribuinte buscou a Justiça Federal, visando o afastamento das disposições contidas na Lei nº 10.174, de 2001 e na Lei Complementar nº 105, de 2001, de sorte que restou caracterizada a renúncia à instância administrativa, no que se refere às mencionadas matérias. No mérito, o contribuinte afirma que depósito bancário, puro e simplesmente, não pode servir de base de cálculo para imposto de renda, pois não representa acréscimo patrimonial e que o lançamento, na forma como implementado pela autoridade fiscal violou o disposto no art. 43 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). Optando por essa linha de argumento, o contribuinte parece pretender negar validade ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que determinou que se considere, por presunção legal, como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ao assim proceder o contribuinte subtrai a discussão do âmbito da competência deste Colegiado. Isso porque o processo administrativo tributário materializa um instrumento de controle da legalidade do lançamento, espécie de ato administrativo. Vale dizer, sua atribuição consiste em aferir o grau de consentaneidade existente entre o lançamento e a legislação que o rege. Mas isso, sempre tendo por premissa básica a presunção de constitucionalidade e legalidade que são inerentes aos diplomas legais. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.003087/200317 Acórdão n.º 210201.402 S2C1T2 Fl. 284 7 Partindo deste pressuposto (legalidade e constitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996), fazse um rápido histórico da legislação vigente sobre a tributação de depósitos bancários, com o objetivo de se aclarar a evolução do ordenamento jurídico que regeu e rege a matéria tributária objeto do presente lançamento. A Lei nº 8.021, de 14 de abril de 1990, determinou: Art. 6º O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) §5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. À vista de tais regras temse que os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. A omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. A partir de 1997, entretanto, o assunto em tela passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei nº 8.021, de 1990. Foi promulgada a Lei nº 9.430, de 1996, que aplicase aos fatos geradores futuros ou pendentes ocorridos a partir de 01/01/1997: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Art. 88. Revogamse: (...) XVIII – o §5º do art. 6º da Lei n.º 8.021, de 12 de abril de 1990. Desta forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos. Caso o titular da conta bancária deixe de comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais – o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.003087/200317 Acórdão n.º 210201.402 S2C1T2 Fl. 285 8 Assim, o legislador substituiu uma presunção por outra, as duas relativas ao lançamento do rendimento omitido com base nos depósitos bancários, porém diversas nas condições para sua aplicação: a da Lei nº 8.021, de 1990, condicionavase à falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza e que fosse este o critério mais benéfico ao contribuinte; já a presunção da Lei nº 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras. Veja que o lançamento não foi amparado única e exclusivamente em depósitos bancários, conforme argumenta o contribuinte. Pelo contrário, o fato gerador é a aquisição de disponibilidade de rendimentos representada pelos recursos que ingressam no seu patrimônio por meio dos depósitos ou por créditos bancários cuja origem não foi esclarecida. A ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal. Por fim, devese apreciar as alegações trazidas pela defesa no que concerne à aplicação da multa de ofício agravada, no percentual de 112,5%, que se deu com supedâneo no artigo 44, inciso I e parágrafo 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Da legislação acima transcrita verificase que o nãoatendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos é uma das hipóteses previstas para a incidência da multa de ofício na sua forma agravada. Contudo, este não é o caso dos autos. Durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi intimado, conforme Termo de Início de Fiscalização, fls. 31/32, e Termos de Intimação, fls. 45/46, 48, 77/79, 154/155 e 171/173, os quais foram respondidos, conforme correspondências, fls. 34, 47, 49, 80, 169 e 174. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.003087/200317 Acórdão n.º 210201.402 S2C1T2 Fl. 286 9 É bem verdade que o contribuinte não apresentou seus extratos bancários e também não esclareceu a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias. Entretanto, ao assim proceder atuou contra si próprio. Ressaltese que a nãoapresentação dos extratos bancários e da documentação comprobatória da origem dos recursos depositados em suas contas bancárias não obstou a atividade fiscal, pelo contrário, a facilitou, pois tal conduta teve como conseqüência direta a caracterização da infração de omissão de rendimentos por presunção legal. Nessa conformidade, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido de 112,5% para 75%. Ante o exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir o percentual da multa de ofício de 112,5% para 75%. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10240.901521/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORA
APRESENTADA APÓS A DECISÃO QUE INDEFERIU A
COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega pelo contribuinte
de Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF
e do Demonstrativo de
Apuração de Contribuições Sociais DACON,
após a decisão que indeferiu a
compensação, visto que demandaria a análise de documentação e escrita
contábil do contribuinte, o que não seria possível na fase recursal, sem a
prévia apreciação pela Fiscalização. Inteligência do art. 74, §§1º e 3º, inciso
VI, da Lei nº 9.430, de 1996.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-000.886
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos
do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORA APRESENTADA APÓS A DECISÃO QUE INDEFERIU A COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega pelo contribuinte de Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, após a decisão que indeferiu a compensação, visto que demandaria a análise de documentação e escrita contábil do contribuinte, o que não seria possível na fase recursal, sem a prévia apreciação pela Fiscalização. Inteligência do art. 74, §§1º e 3º, inciso VI, da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Improvido.
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IMPOSSIBILIDADE. Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega pelo contribuinte de Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, após a decisão que indeferiu a compensação, visto que demandaria a análise de documentação e escrita contábil do contribuinte, o que não seria possível na fase recursal, sem a prévia apreciação pela Fiscalização. Inteligência do art. 74, §§1º e 3º, inciso VI, da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente Antônio Lisboa Cardoso Fl. 97DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros:José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de recurso em face de acórdão da DRJ/BELÉM, que não homologou as compensações de débitos constantes da PER/DCOMP transmitida em 20.12.2006, com crédito de PIS/Pasep, decorrente de pagamento indevido ou a maior efetuado através do DARF (fl. 3), no valor original de R$252,24, conforme ementa de fl. 65, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada em 30/08/2010 (AR – fl. 69), a recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 70/73 (e documentos de fls. 74/91) em 25/08/2010, alegando, em síntese, que sua atividade econômica preponderante é o comércio atacadista de defensivos agrícolas e produtos agropecuários, tendo incluído na base de cálculo do PIS faturamento, do período de apuração de novembro de 2005, o valor das vendas de produtos isentos deste imposto, conforme dispõe o art. 10 da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004: “Art. 1° Ficam reduzidas a O (zero) as aliquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: I adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matériasprimas; II defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI e suas matériasprimas; III sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei no 10.711, de 5 de agosto Fl. 98DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS Processo nº 10240.901521/200953 Acórdão n.º 330100.886 S3C3T1 Fl. 11.6 3 de 2003, e produtos de natureza biológica utilizados em sua produção; IV corretivo de solo de origem mineral classificado Capitulo 25 da TIPI;” Assim sendo, o fato gerador do PIS FATURAMENTO foi majorado indevidamente, em virtude da desconsideração do benefício fiscal imputado para tais produtos, sendo pago a maior o valor de R$ 1.104,40, pois houve um pagamento no valor de R$ 1.725,75 sendo que o valor devido é de R$ 623,35. Constatado o erro, argumenta que efetuou as retificações das informações da Declaração de Débitos e Créditos Tributários federais — DCTF e Do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — DACON, onde foi corrigida a base de cálculo do imposto e, consequentemente o valor devido do PIS FATURAMENTO do período de Novembro de 2005, para R$ 623,35, demonstrando e comprovando, desta forma, o surgimento de um crédito tributário e, portanto, legitimidade para compensar com qualquer tributo, caso que foi efetivado através da PER/DCOMP n° 15159.04038.201206.1.3.042883, requerendo seja a mesma homologada, uma vez comprovada a legitimidade e total existência dos créditos. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e revestido dos demais requisitos indispensáveis à sua admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. De acordo com o despacho decisório de fls. 6/7, de 25/05/2009, o indébito foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação ou restituição: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos ( ) integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do credito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". Entretanto, após o referido despacho decisório, a recorrente procedeu à retificação das DACON/DCTF, em 23/06/2009, conforme se observa à fl. 28. Existe óbice de ordem legal ao pleito da recorrente, conforme consta do art. 74, §3, VI, da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: Fl. 99DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS 4 “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)” É neste sentido que perfilha a jurisprudência deste E. CARF, conforme depreendese pelas seguintes ementas parcialmente transcritas: “PROVA DECLARAÇÃO RETIFICAÇÃO A apresentação de um formulário, apenas no momento do recurso voluntário com valores alterados em relação à declaração original, não tem o valor de uma declaração retificadora. Pode servir como uma planilha demonstrativa de cálculos, mas a modificação dos valores deveria ter sido comprovada por documentos efetivos”. (Ac. 120100.033, 2ª Câmara da 1ª TO da 1ª Seção/CARF, DOU01 14/02/2011, pág. 68) No mesmo sentido: “Assunto: normas de administração tributária anocalendário: 2001 Dcomp, retificação do débito após decisão que negou homologação à compensação, a manifestação de inconformidade contra a decisão da autoridade fiscal que não homologa a compensação declarada pelo sujeito passivo, ou mesmo o recurso voluntário que fustiga decisão de primeiro grau que manteve o entendimento nãohomologatório, não constituem meios adequados para veicular a retificação do débito indicado na declaração de compensação.” (Ac. nº 110200.174 (DOU01, 20/09/2010 pág. 33) Fl. 100DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS Processo nº 10240.901521/200953 Acórdão n.º 330100.886 S3C3T1 Fl. 12.6 5 Desta forma, nova declaração de compensação somente pode ser apresentada, após a apreciação ao pedido de retificação apresentado pelo contribuinte, pois, demandaria a análise de documentação e escrita contábil do contribuinte, o que não seria possível neste momento recursal, sem a prévia apreciação pela Fiscalização. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 7 de abril de 2011 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 101DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000209/2006-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PARCELA CONFESSADA COMO RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA INFRAÇÃO. Eventual parcela de rendimentos discutida pelo contribuinte na via judicial e informada por ele próprio como rendimento
tributável não pode constar na base de cálculo do lançamento feito para prevenir a decadência.
MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA DAS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, deve-se trancar a via administrativa. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência do enunciado sumular CARF nº 1 (DOU
de 22/12/2009), verbis: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de
julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”.
Recurso conhecido em parte.
Numero da decisão: 2102-001.300
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER do recurso na parte discutida no Poder Judiciário, por concomitância das instâncias Judicial e Administrativa, e, na parte conhecida, DAR parcial provimento para reduzir a omissão de rendimentos para R$ 7.372,51. Ainda, deve a autoridade preparadora acompanhar o desenrolar do mandado de segurança nº 2004.61.04.0052534, impetrado na 4ª Vara Federal de Santos (SP), aplicando a decisão judicial que transitar em julgado ao imposto
remanescente.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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PARCELA CONFESSADA COMO RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA INFRAÇÃO. Eventual parcela de rendimentos discutida pelo contribuinte na via judicial e informada por ele próprio como rendimento tributável não pode constar na base de cálculo do lançamento feito para prevenir a decadência. MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA DAS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, devese trancar a via administrativa. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência do enunciado sumular CARF nº 1 (DOU de 22/12/2009), verbis: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Recurso conhecido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso na parte discutida no Poder Judiciário, por concomitância das instâncias Judicial e Administrativa, e, na parte conhecida, DAR parcial provimento para reduzir a omissão de rendimentos para R$ 7.372,51. Ainda, deve a autoridade preparadora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 acompanhar o desenrolar do mandado de segurança nº 2004.61.04.0052534, impetrado na 4ª Vara Federal de Santos (SP), aplicando a decisão judicial que transitar em julgado ao imposto remanescente. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 25/05/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Atílio Pitarelli, Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Em face da contribuinte Josette Rosas, CPF/MF nº544.910.53804, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 23/06/2006, auto de infração (fls. 02 a 08), com ciência postal em 30/06/2006 (fl. 79), Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, lançado com exigibilidade suspensa, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 3.829,61 A autoridade fiscal reclassificou rendimentos declarados pela autuada como isentos ou nãotributáveis, no montante de R$ 13.925,84, passandoos para tributáveis, com a motivação que segue (fl. 04), verbis: A contribuinte classificou indevidamente como isentos na Declaração de Ajuste os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de férias indenizadas e em dobro acrescidas do terço constitucional e do abono de férias por ocasião da rescisão de seu contrato de trabalho com a empresa EDN Poliestireno do Sul LTDA. A contribuinte informou como isenta a parcela relativa a férias conforme consta no Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho apresentado pela contribuinte cuja data do afastamento foi 31/05/2004. Neste termo, verificase que a parcela relativa a férias foi discriminada da seguinte maneira: férias indenizadas: R$4.915,00 férias proporcionais: R$2.047,92 adicional 100% férias indenizadas:R$6.962,92 total: R$13.925,84 Verificamos que a contribuinte declarou como rendimentos tributáveis em sua DIRPF/2005 o valor de R$116.092,74 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 15983.000209/200628 Acórdão n.º 210201.300 S2C1T2 Fl. 2 3 recebidos da EDN Poliestireno do Sul LTDA e como retido na fonte o valor de R$25.040,63. Verificamos também que conforme DIRF apresentada pela fonte pagadora a empresa pagou no mês de maio/2004 a quantia de R$17.202,51 e reteve na fonte R$3.750,34. Conforme Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho onde foi discriminado as verbas rescisórias, a contribuinte fez jus ao total de R$31.128,34, que descontadas as férias mencionadas acima no total de R$13.925,84, chegase a quantia de R$17.202,51 informada pela empresa em sua respectiva DIRF no mês de maio/2004. Desta forma, concluímos que a contribuinte não informou as férias recebidas como rendimentos tributáveis em sua DIRPF. A contribuinte impetrou o Mandado de Segurança 2004.61.04.0052534 buscando a não incidência do imposto de renda na fonte incidente sobre férias não gozadas pagas em dobro pelo empregador, bem como sobre abono de férias recebidos quando da rescisão de seu contrato de trabalho. A Liminar foi deferida em 28/05/2004 e na sentença foi julgado procedente o pedido para que a empregadora pagasse as férias indenizadas sem a retenção do imposto de renda na fonte. Desta forma, lavramos o presente auto de infração com suspensão da exigibilidade. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 2ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0416.647, de 13 de fevereiro de 2009 (fls. 123 a 126), em decisão assim ementada: IMPOSTO DE RENDA SOBRE FÉRIAS INDENIZADAS. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial implica renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, e desistência do recurso acaso interposto. MATÉRIA NÃO DISCUTIDA JUDICIALMENTE. APRECIAÇÃO. A argüição de que tais verbas foram objeto de tributação, por não estar compreendida no âmbito da discussão judicial, é de ser apreciada e refutada, por contrariar a prova dos autos. A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 09/03/2009 (fl. 129). Irresignada, interpôs recurso voluntário em 08/04/2009 (fl. 130). No voluntário, a recorrente alega, em síntese, que: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 I. O suposto crédito tributário estava com exigibilidade suspensa por decisão judicial exarada no mandado de segurança nº 2004.61.04.0052534, a qual já teve trânsito em julgado, tendo o contribuinte recebido o IRRF depositado. Protesta pela juntada posterior de certidão de objeto e pé do feito judicial; II. “Conforme cópia da declaração de Imposto de Renda AnoBase 2004/Exercício 2005, juntada quando da apresentação da Impugnação, os valores foram declarados de acordo com o informe de rendimentos fornecido pela exempregadora. Assim, com base no referido documento a Autuada informou que recebeu da ex empregadora durante o exercício de 2004 — como rendimentos tributáveis — a quantia de R$ 116 :092,74 (cento e dezesseis mil, noventa e dois reais e setenta e quatro centavos), que é composta, dentre outros valores, das férias indenizadas (não gozadas), acrescidas do terço constitucional e do abono de férias. Portanto, como demonstrado, equivocouse o Sr. Agente Fiscal ao afirmar que a Autuada indevidamente declarou como isentos os valores recebidos a título de férias por ocasião da rescisão de seu contrato de trabalho. Os documentos que foram anexados comprovaram que a autuada agiu com absoluto acerto e respeito às normas tributárias, não tendo cometido nenhuma infração que fosse passível de autuação pelo ente fiscal, notadamente com relação à falta de recolhimento do tributo em discussão, que foi regularmente pago. Ademais, ressaltouse que o único tributo que não foi recolhido —embora tenha sido declarado como rendimento tributável — foi o imposto de renda incidente sobre as férias indenizadas (não gozadas), acrescidas do terço constitucional e do abono de férias — que, como foi ressaltado, era objeto de discussão nos autos do mandado de segurança no 2004.61.04.0052534, processo que se encontra definitivamente julgado para desobrigar a contribuinte do recolhimento do tributo incidente sobre as verbas em comento. De outro lado, cumpre salientar que a exempregadora não reteve o imposto de renda incidente sobre as férias indenizadas e acréscimos, em razão de liminar deferida no processo Mencionado, tendo depositado o respectivo valor — R$ 2.674,10 — na conta corrente da contribuinte, conforme cópia do extrato bancário anexada quando da apresentação da impugnação. (...) Neste prisma, de se consignar que o entendimento exarado pelo Sr. Fiscal, no sentido de que o valor da rescisão declarado pela fonte pagadora no mês de maio de 2004, no total tributável de R$ 17.202,51 nada mais seria que o resultado do total apurado no termo de rescisão do contrato de trabalho, de R$ 31.128,34 () R$ 13.925,84, resultando em R$ 17.202,50 foi apenas mera coincidência matemática” (fls. 133 e 134 – transcrição do recurso voluntário). É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 15983.000209/200628 Acórdão n.º 210201.300 S2C1T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que a contribuinte foi intimada da decisão recorrida em 09/03/2009 (fl. 129), segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 08/04/2009 (fl. 130), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 08/04/2009, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Compulsando os rendimentos informados na DIRF apresentada pela EDN POLIESTIRENO DO SUL em nome da autuada (fl. 74), vêse que há um rendimento com exigibilidade suspensa (R$ 6.553,33), no mês de maio de 2004 (neste mês houve a rescisão do contrato de trabalho da autuada com a empresa citada fl. 13). Tal rendimento, agregado aos demais rendimentos tributáveis que constam na DIRF (R$ 109.539,41), montam R$ 116.092,74, que é exatamente o valor que a contribuinte confessou como rendimento tributável em sua declaração de imposto de renda do anocalendário 2004 (fl. 70), inclusive em valor igual ao que constou no comprovante de rendimento emitido pela empresa (fl. 13). A autoridade fiscal, por seu turno, percebeu que os rendimentos tributáveis do mês de maio informado na DIRF (R$ 17.202,51), agregado daqueles combatidos na ação judicial descrita no relatório (R$ 13.925,84), montaria R$ 31.128,35, que seria exatamente o valor percebido na rescisão trabalhista de maio de 2004 (fl. 14). Daí inferiu que o montante discutido na ação judicial não havia sido confessado na declaração de ajuste anual, o que deu azo ao lançamento, com exigibilidade suspensa por medida judicial. Entretanto, não percebeu que havia uma parcela de rendimentos com exigibilidade suspensa na mesma DIRF (R$ 6.553,33), a qual foi informado como rendimento tributável pela contribuinte. Parece claro que a contribuinte confessou em sua declaração de ajuste anual, pelo menos parcialmente, os rendimentos com exigibilidade suspensa, pois, como acima anotado, incluiu no rol de rendimentos tributáveis uma parcela (R$ 6.553,33) que estava na DIRF com exigibilidade suspensa. Dessa forma, como a contribuinte confessou em sua DIRPF parcialmente o montante dos rendimentos discutidos judicialmente, deve a omissão de rendimentos apurada pela autoridade fiscal ser reduzida de R$ 13.925,84 para R$ 7.372,51 (R$ 13.925,84 menos R$ 6.553,33). Do valor remanescente acima, que versa sobre férias indenizadas, a documentação dos autos comprovou que a contribuinte discutiu a tributação dos rendimentos na via judicial, não havendo nestes autos a comprovação do trânsito em julgado da decisão proferida no Mandado de Segurança 2004.61.04.0052534, impetrado na 4ª Vara Federal de Santos (SP). Ora, no momento em que o contribuinte decidiu discutir a incidência do imposto de renda sobre as férias indenizadas no Poder Judiciário, ficou trancada a via administrativa nesse ponto. A pretensão aqui deduzida pela recorrente não pode ser julgada nesta instância administrativa, pois somente cabe a Administração se submeter ao decidido pelo Poder Judiciário, no bojo do mandado de segurança citado. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 Considerando a unicidade de jurisdição que tem vigência no Brasil, com supremacia do direito dito pelo Poder Judiciário, somente cabe a esta Segunda Turma da Primeira Câmara de Julgamento do CARF reconhecer a concomitância das instâncias, e, em analogia com o determinado pelo parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80, declarar, neste ponto, que a recorrente desistiu tacitamente do recurso interposto na esfera administrativa. É de se evidenciar que recentemente o Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80, ou seja, a propositura de demanda com o mesmo objeto da lide administrativa implica em renúncia a esta última instância. Assim, nessa questão, vejase a transcrição do informativo STF nº 476, de 22 agosto de 2007, verbis: Em conclusão de julgamento, o Tribunal, por maioria, negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei 6.830/80 (“Art 38. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.”). Tratavase, na espécie, de recurso interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que negara provimento à apelação da recorrente e confirmara sentença que indeferira mandado de segurança preventivo por ela impetrado, sob o fundamento de impossibilidade da utilização simultânea das vias administrativa e judicial para discussão da mesma matéria — v. Informativos 349 e 387. Entendeuse que o art. 38, da Lei 6.830/80 apenas veio a conferir mera alternativa de escolha de uma das vias processuais. Nesta assentada, o Min. Sepúlveda Pertence, em votovista, acompanhou a divergência, no sentido de negar provimento ao recurso. Asseverou que a presunção de renúncia ao poder de recorrer ou de desistência do recurso na esfera administrativa não implica afronta à garantia constitucional da jurisdição, uma vez que o efeito coercivo que o dispositivo questionado possa conter apenas se efetiva se e quando o contribuinte previa o acolhimento de sua pretensão na esfera administrativa. Assim, somente haverá receio de provocar o Judiciário e ter extinto o processo administrativo, se este se mostrar mais eficiente que aquele. Neste caso, se houver uma solução administrativa imprevista ou contrária a seus interesses, ainda aí estará resguardado o direito de provocar o Judiciário. Por outro lado, na situação inversa, se o contribuinte não esperar resultado positivo do processo administrativo, não hesitará em provocar o Judiciário tão logo possa, e já não se interessará mais pelo que se vier a decidir na esfera administrativa, salvo no caso de eventual sucumbência jurisdicional. Afastou, também, a alegada ofensa ao direito de petição, uma vez que este já teria sido exercido pelo contribuinte, tanto que haveria um processo administrativo em curso. Concluiu que o dispositivo atacado encerra preceito de economia processual que rege tanto o processo judicial quanto o administrativo. Por fim, registrou que já se admitia, no campo do processo civil, que a prática de atos incompatíveis com a Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 15983.000209/200628 Acórdão n.º 210201.300 S2C1T2 Fl. 4 7 vontade de recorrer implica renúncia a esse direito de recorrer ou prejuízo do recurso interposto, a teor do que dispõe o art. 503, caput, e parágrafo único, do CPC, nunca tendo se levantado qualquer dúvida acerca da constitucionalidade dessas normas. Vencidos os Ministros Marco Aurélio, relator, e Carlos Britto que davam provimento ao recurso para declarar a inconstitucionalidade do dispositivo em análise, por vislumbrarem ofensa ao direito de livre acesso ao Judiciário e ao direito de petição. RE 233582/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, rel. p/ o acórdão Min. Joaquim Barbosa, 16.8.2007. (RE233582) – grifouse Por fim, no caso ora em debate, também incide a inteligência da Súmula 1ºCC nº 1 – “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”, e, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda1, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), devese ressaltar que os enunciados sumulares, dos Conselhos de Contribuintes e do CARF, são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau. Dessa forma, não pode prosperar, neste ponto, a irresignação da recorrente. Ante o exposto, não conheço do recurso na parte discutida no Poder Judiciário, por concomitância das instâncias Judicial e Administrativa. Na parte conhecida, reduzo a omissão de rendimentos para R$ 7.372,51. Por fim, deve a autoridade preparadora acompanhar o desenrolar do mandado de segurança nº 2004.61.04.0052534, impetrado na 4ª Vara Federal de Santos (SP), aplicando a decisão judicial que transitar em julgado ao imposto remanescente. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1º a §3º Omissis. § 4º As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10875.003091/2003-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 31/08/1998, 30/09/1998, 31/12/1998
AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. COMPENSAÇÃO COMPROVADA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Atestado pela Unidade de origem a correção da compensação efetuada, de se cancelar a exigência remanescente da decisão recorrida.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3401-001.329
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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Numero do processo: 11516.001955/2007-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002
Ementa: PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. AÇÃO DE COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. HIPÓTESE NÃO APLICADA AOS AUTOS.
INDEFERIMENTO DE RESTITUIÇÃO. PROCEDIMENTO DO FISCO QUE FLUI A PARTIR DA APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO RETIFICADORA.
Não há que se falar em prescrição da ação de cobrança nestes autos, em termos de tributo, pois o que se tem aqui é um indeferimento de direito creditório (restituição) perseguido pelo contribuinte. Apresentada a declaração retificadora, daí se abre prazo impróprio para a Administração Fiscal averiguar a procedência, ou não, da restituição vindicada.
RENDIMENTO REFERENTE AO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO DE SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. LEI FEDERAL Nº 8.852/94. RENDIMENTO NÃO ENQUADRADO NO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. A EXCLUSÃO DO CONCEITO DE
REMUNERAÇÃO, POR SI SÓ, NÃO É CONDIÇÃO SUFICIENTE E NECESSÁRIA PARA ISENTAR DETERMINADO RENDIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. HIGIDEZ DA TRIBUTAÇÃO SOBRE O ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO.
Somente as verbas não enquadradas no conceito de remuneração, com caráter indenizatório, reconhecidas por lei tributária específica, são isentas do imposto de renda da pessoa física. A Lei nº 8.852/94 regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse
último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatório, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias, o pagamento das horas extraordinárias ou o adicional por tempo de serviço. A Lei nº 8.852/94, em si mesma, não outorga qualquer isenção no âmbito do imposto de renda. Entendimento cristalizado
na Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.184
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a preliminar e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 Ementa: PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. AÇÃO DE COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. HIPÓTESE NÃO APLICADA AOS AUTOS. INDEFERIMENTO DE RESTITUIÇÃO. PROCEDIMENTO DO FISCO QUE FLUI A PARTIR DA APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO RETIFICADORA. Não há que se falar em prescrição da ação de cobrança nestes autos, em termos de tributo, pois o que se tem aqui é um indeferimento de direito creditório (restituição) perseguido pelo contribuinte. Apresentada a declaração retificadora, daí se abre prazo impróprio para a Administração Fiscal averiguar a procedência, ou não, da restituição vindicada. RENDIMENTO REFERENTE AO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO DE SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. LEI FEDERAL Nº 8.852/94. RENDIMENTO NÃO ENQUADRADO NO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. A EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO, POR SI SÓ, NÃO É CONDIÇÃO SUFICIENTE E NECESSÁRIA PARA ISENTAR DETERMINADO RENDIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. HIGIDEZ DA TRIBUTAÇÃO SOBRE O ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. Somente as verbas não enquadradas no conceito de remuneração, com caráter indenizatório, reconhecidas por lei tributária específica, são isentas do imposto de renda da pessoa física. A Lei nº 8.852/94 regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatório, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias, o pagamento das horas extraordinárias ou o adicional por tempo de serviço. A Lei nº 8.852/94, em si mesma, não outorga qualquer isenção no âmbito do imposto de renda. Entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso negado.
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AÇÃO DE COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. HIPÓTESE NÃO APLICADA AOS AUTOS. INDEFERIMENTO DE RESTITUIÇÃO. PROCEDIMENTO DO FISCO QUE FLUI A PARTIR DA APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO RETIFICADORA. Não há que se falar em prescrição da ação de cobrança nestes autos, em termos de tributo, pois o que se tem aqui é um indeferimento de direito creditório (restituição) perseguido pelo contribuinte. Apresentada a declaração retificadora, daí se abre prazo impróprio para a Administração Fiscal averiguar a procedência, ou não, da restituição vindicada. RENDIMENTO REFERENTE AO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO DE SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. LEI FEDERAL Nº 8.852/94. RENDIMENTO NÃO ENQUADRADO NO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. A EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO, POR SI SÓ, NÃO É CONDIÇÃO SUFICIENTE E NECESSÁRIA PARA ISENTAR DETERMINADO RENDIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. HIGIDEZ DA TRIBUTAÇÃO SOBRE O ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. Somente as verbas não enquadradas no conceito de remuneração, com caráter indenizatório, reconhecidas por lei tributária específica, são isentas do imposto de renda da pessoa física. A Lei nº 8.852/94 regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatório, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias, o pagamento das horas extraordinárias ou o adicional por tempo de serviço. A Lei nº 8.852/94, em si mesma, não outorga Fl. 74DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 qualquer isenção no âmbito do imposto de renda. Entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 04/04/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Abaixo segue a descrição da infração e da impugnação apresentada pelo contribuinte, extraída da decisão recorrida (fl. 48v), verbis: Tratase de Notificação de Lançamento, conforme revisão de oficio da declaração de ajuste anual do exercício de 2002 — anocalendário de 2001 — do contribuinte acima identificado, da qual resultou em "Imposto a Restituir" no valor de R$ 333,41, valor o qual consta como já restituído. Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, ocorreu omissão de rendimentos no valor de R$ 13.345,16, recebidos da fonte pagadora Comando da Aeronáutica. Em sua defesa, o contribuinte inicialmente coloca conceitos sobre rendimentos do trabalho assalariado e vantagens. Após, remete à Lei n°. 8.852 de 04 de fevereiro de 1994, em seu art. 1°., III, alínea "n", para alegar que o adicional por tempo de serviço está excluído da remuneração. Em relação ao o art. 43 do Decreto n°. 3.000 de 26 de março de 1999 —RIR199, o impugnante argumenta que o mesmo, em momento algum, se reporta à tributação do adicional por tempo de serviço; que este estabelece a tributação sobre a remuneração do trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, sendo que a Lei n°. 8.852/94 enfatiza a exclusão do adicional por tempo de serviço da remuneração. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11516.001955/200775 Acórdão n.º 2102001.184 S2C1T2 Fl. 2 3 Ainda em relação a este artigo, argumenta ser ele a transcrição da Lei n° 4.506/64, (no caso o art. 16) do qual foram excluídos os incisos II e III, que tratam de rendimentos sob os títulos de adicionais, extraordinários, suplementação, abonos, gratificações, dentre outros, tendo sido aproveitado o restante do dispositivo. Alega, ainda, que a Lei n°. 8.852/94 sobrepõe a Lei n°. 7.713/88 quando exclui da base de remuneração o Adicional por Tempo de Serviço, dentre outras verbas. Cita alguns dispositivos da Lei no. 8.134/90, a Lei n°. 9.250/95, a Lei n°. 9.532/97, a Lei n°. 9.887/99 e a Lei n°. 9.532/97, para concluir que os fundamentos esposados pelo Ministério da Fazenda são inconsistentes por não tratarem do fundamento da discussão, ou seja, a nãotributação sobre os adicionais. Por fim o impugnante esclarece que não se refere à isenção do adicional em questão pois a lei n° 8.852/94 em momento algum menciona tal vocábulo mas defende a exclusão deste, sendo que a própria lei e o decreto são mais que suficientes para justificar tal exclusão. Devese anotar que o contribuinte havia apresentado declaração original de ajuste anual do exercício 2002, no prazo da legislação, apurando um imposto a restituir de R$ 333,41 (fl. 28). Já em 28/09/2006, retificou tal declaração, efetuando a exclusão de valores dos rendimentos tributáveis declarados (no montante de R$ R$ 13.590,72), agora apurando um imposto a restituir de R$ 4.033,33. A autoridade fiscal discordou do procedimento acima, colacionou novamente os rendimentos excluídos, voltando a apurar o mesmo valor a restituir que outrora constou na declaração original. A 4ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0716.524, de 05 de junho de 2009 (fls. 49 a 50). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 17/08/2009 (fl. 52). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 15/09/2009 (fl. 53). No voluntário, o recorrente alega repisa os argumentos da impugnação, afirmando, em síntese, que o adicional de tempo de serviço está fora do campo de incidência do imposto de renda, conforme art. 1º, III, “n”, da Lei nº 8.852/94, sendo indevido o presente lançamento. Ainda, a cobrança do imposto lançado prescreveu em 31/12/2006, para os fatos geradores ocorridos em 2001, respectivamente. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 17/08/2009 (fl. 52), segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 15/09/2009 (fl. 53), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 16/09/2009, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Inicialmente, não há que se falar em prescrição da ação de cobrança nestes autos, em termos de tributo, pois o que se tem aqui é um indeferimento de direito creditório (restituição) perseguido pelo contribuinte. Observe que o contribuinte apresentou sua declaração original no prazo da legislação, em 15/03/2002, lá apurando um imposto a restituir de R$ 333,41 (fl. 28). Posteriormente, em 28/09/2006, o contribuinte retificou a declaração, majorando o imposto a restituir para R$ 4.003,33 (fl. 31). O contribuinte poderia ter retificado sua declaração até 31/12/2006, e de fato o fez. A Administração Fiscal também somente poderia lançar algum imposto do ano calendário 2001, como no caso em debate, até 31/12/2006, porém poderia rever a declaração para glosar eventuais restituições indevidas em prazo indefinido após a apresentação da retificadora. Insistese que o prazo qüinqüenal em desfavor da Fazenda Pública, que venceu em 31/12/2006, foi o de lançamento de tributo, jamais o prazo para obstar eventuais restituições indevidas. Em princípio, sequer haveria algum prazo para obstar a revisão de declaração com o fito de reduzir o imposto a restituir, ou seja, o tempo não teria o condão de convalidar um pedido indevido de restituição. Dessa forma, correto o procedimento da autoridade fiscal que, em 2007, obstou a fruição de restituição considerada indevida. Assim, no ponto, sem razão o contribuinte. Superada a preliminar acima, vêse que o contribuinte busca afastar a incidência do imposto de renda sobre os valores percebidos a título de adicional por tempo de serviço, escudandose na Lei nº 8.852/94. Aqui também não assiste razão ao recorrente. O recorrente defende que o adicional por tempo de serviço não se encontra no âmbito de incidência do imposto de renda da pessoa física, com base no art. 1º, III, “n”, da Lei nº 8.852/94 (que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal), verbis: Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: I como vencimento básico: (...) II como vencimentos, a soma do vencimento básico com as vantagens permanentes relativas ao cargo, emprego, posto ou graduação; Fl. 77DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11516.001955/200775 Acórdão n.º 2102001.184 S2C1T2 Fl. 3 5 III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: a) diárias; b) ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte; c) auxíliofardamento; d) gratificação de compensação orgânica, a que se refere o art. 18 da Lei nº 8.237, de 1991; e) saláriofamília; f) gratificação ou adicional natalino, ou décimoterceiro salário; g) abono pecuniário resultante da conversão de até 1/3 (um terço) das férias; h) adicional ou auxílio natalidade; i) adicional ou auxílio funeral; j) adicional de férias, até o limite de 1/3 (um terço) sobre a retribuição habitual; l) adicional pela prestação de serviço extraordinário, para atender situações excepcionais e temporárias, obedecidos os limites de duração previstos em lei, contratos, regulamentos, convenções, acordos ou dissídios coletivos e desde que o valor pago não exceda em mais de 50% (cinqüenta por cento) o estipulado para a hora de trabalho na jornada normal; m) adicional noturno, enquanto o serviço permanecer sendo prestado em horário que fundamente sua concessão; n) adicional por tempo de serviço; o) conversão de licençaprêmio em pecúnia facultada para os empregados de empresa pública ou sociedade de economia mista por ato normativo, estatutário ou regulamentar anterior a 1º de fevereiro de 1994; p) adicional de insalubridade, de periculosidade ou pelo exercício de atividades penosas percebido durante o período em que o beneficiário estiver sujeito às condições ou aos riscos que deram causa à sua concessão; q) hora repouso e alimentação e adicional de sobreaviso, a que se referem, respectivamente, o inciso II do art. 3º e o inciso II do art. 6º da Lei nº 5.811, de 11 de outubro de 1972; Fl. 78DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 r) outras parcelas cujo caráter indenizatório esteja definido em lei, ou seja reconhecido, no âmbito das empresas públicas e sociedades de economia mista, por ato do Poder Executivo. § 1º O disposto no inciso III abrange adiantamentos desprovidos de natureza indenizatória. (...) A Lei acima regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatório, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias ou o pagamento das horas extraordinárias. Aqui se deve observar que é a lei tributária do imposto de renda da pessoa física que define quais as verbas que transcendem o conceito de remuneração são isentas do IRPF, notadamente constando tais isenções no art. 6º da Lei nº 7.713/88. Assim, por exemplo, no art. 6º, II e XX, da Lei nº 7.713/88 constam as isenções relativas às diárias e à ajuda de custo em decorrência da mudança de sede. As isenções tributárias não são definidas pela Lei nº 8.852/94, como equivocadamente defende o contribuinte. Se assim fosse, por exemplo, o pagamento do décimoterceiro salário seria isento (art. 1º, III, “f”, da Lei nº 8.852/94), o que demonstra o equívoco do raciocínio do recorrente, pois não se conhece quem já tenha defendido a ausência de tributação sobre o décimoterceiro salário (esta verba consta como tributável especificamente no art. 25 da Lei nº 7.713/88). Ainda, o legislador, no art. 1º, § 1º, da Lei nº 8.852/94, tomou o cuidado de alertar que as verbas que transcendem à remuneração, previstas no art. 1º, III, da Lei aqui citada, abrangem adiantamentos desprovidos de natureza indenizatória, ou seja, alertou que há rendimentos em tal inciso que não tem caráter indenizatório, sendo, assim, tributáveis pelo imposto de renda. Em relação ao adicional por tempo de serviço dos agentes públicos federais não há qualquer legislação que o isente do imposto de renda da pessoa física. É, pois, tributável. Do entendimento acima não discrepa a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se pode ver no Acórdão nº 10423.174, sessão de 24/04/2008, relatora a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França, unânime, que restou assim ementado, verbis: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS SERVIDORES PÚBLICOS ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. A Lei nº. 8.852, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas físicas, portanto as verbas recebidas a título de adicional por tempo de serviço constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, à míngua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado. Por último, a comprovar a mansidão da jurisprudência administrativa em desfavor do recorrente, o CARF fez editar a Súmula CARF nº 68 (A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Fl. 79DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11516.001955/200775 Acórdão n.º 2102001.184 S2C1T2 Fl. 4 7 Pessoa Física), na qual se vê que a Lei nº 8.852 não outorga qualquer isenção no âmbito do imposto de renda. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 80DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10930.000846/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS.Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO.Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais.CRÉDITO. MÃODEOBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO.Não geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com mão-de-obra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores.RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de Cofins não cumulativa.CONSTITUCIONALIDADE. LEIS.Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente.Recurso Voluntário NegadoVistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-000.854
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. CRÉDITO. MÃODEOBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO. Não geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com mãodeobra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de Cofins não cumulativa. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 02/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andréa Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Mercado Externo (fl. 01), protocolizado em 08/03/2005, relativo ao 4º trimestre de 2004, apurado no regime de incidência não cumulativa, com fundamento na Lei n° 10.833/2003. Posteriormente, a recorrente apresentou declarações de compensação vinculadas ao seu pedido de ressarcimento. A DRF em Londrina/PR, por meio do Despacho Decisório de fl. 571, deferiu parcialmente o pedido da recorrente, tendo efetuado a glosa de créditos concernentes aos custos/despesas com serviços relacionados à fl. 551/552 e aos pagamentos feitos a Sindicato de Trabalhadores. Incluiu na base de cálculo receitas financeiras, inclusive as decorrente de hedge, e outras receitas no mês de dezembro 2004. Excluiu da base de cálculo do mês de outubro de 2004 valores referentes à devoluções de compra da divisão de alimentos. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 582/609, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0620.355, de 15/12/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo da COFINS, o sujeito passivo poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.000846/200515 Acórdão n.º 330200.854 S3C3T2 Fl. 735 3 COFINS NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM MÃODE OBRA PESSOA FÍSICA. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No sistema de nãocumulatividade, não geram créditos passíveis de desconto do COFINS, as despesas com mãodeobra pessoa física, ainda que pagas por meio de sindicato da categoria, por força da legislação. TRIBUTAÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS. A COFINS incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. As exclusões permitidas da base de cálculo são apenas as listadas de forma taxativa na legislação de regência. RECEITA FINANCEIRA. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ALÍQUOTA ZERO. A partir de 2 de agosto de 2004, ficam reduzidas a zero as alíquotas da COFINS e do PIS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, com exceção da receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge, auferidas até 31/03/2005. INDENIZAÇÃO DE SEGUROS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO Integra a receita bruta para efeito de cálculo da COFINS o valor recebido, pela Pessoa Jurídica, a título de indenização de seguro pela perda ou sinistro de seus bens do Ativo Permanente e do Circulante. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos à COFINS, por falta de previsão legal. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/02/2009, conforme AR de fl. 688, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 10/03/2009, com o recurso voluntário de fls. 689/718, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade, que abaixo resumo no essencial. 1 insumo é uma combinação dos fatores de produção (matériasprimas, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização, etc.) que entram na produção de determinada quantidade de bens ou serviço. Portanto, o conceito de insumo alcança tudo aquilo que é consumido em um processo, seja para fabricação de bens ou prestação de serviços e/ou aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social. Por este conceito, são dispêndios financeiros (gastos) com insumos os gastos realizados com a aquisição dos seguintes bens e serviços: Alimentação; Cesta Básica; Vale Transporte; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Assistência Médica/Odontológica; Uniforme e Vestuário; Equipamento de Proteção Individual; Materiais de Manutenção/Conservação; Materiais Químicos e de Laboratórios; Materiais de Limpeza; Materiais de Expediente; Lubrificantes e Combustíveis; Outros Materiais de Consumo; Serviço Temporário; Serviços de Segurança e Vigilância; Serviços de Conservação e Limpeza; Serviços de Manutenção e Reparos; Outros Serviços de Terceiros; e Gastos Gerais. 2 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR reconhece o direito ao crédito da Cofins sobre os valores dos custos/despesas das seguintes rubricas: materiais de manutenção, serviços de industrialização, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes; 3 Discorre sobre a natureza jurídica dos sindicatos, alega que não contratou mãodeobra de pessoa física e, com relação aos serviços prestados pelo Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral, alega que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR alterou o seu posicionamento para o fim de validar e legitimar os créditos da Cofins sobre os valores dos pagamentos efetuados ao referido sindicato, conforme transcrição abaixo (Processo Administrativo n° 16366.000113/200861 COFINS Nãocumulativa do 3° TR/2007 fls. 980): c.3) Serviço temporário Constatei ainda que em relação ao item "Serviço Temporário", os dispêndios também contemplam insumos cuja aplicação foi feita diretamente na fabricação de produtos destinados à venda, e pagos para pessoas jurídicas estabelecidas no país. Cabe salientar, a título de ilustração e para estabelecer diferenciação dos serviços mencionados nos itens 1 a 15, que os pagamentos relativos ao item "serviço temporário" foram feitos para outra empresa proceder, mediante cessão de sua mãode obra, serviços que implicam no manuseio direto da matéria prima (café) utilizado pela empresa requerente em seu parque industrial. Assim, concluo que neste caso existe o direito de aproveitamento do crédito, em razão do disposto no artigo 8º, letra b, item b.1, §4º, inciso I, letra b da Instrução Normativa SRF nº 404, de .12 de março de 2004. (grifei) 4 é ilegal a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da Cofins porque o disposto no artigo 3°, §1º da Lei nº 9.718/98 extrapolou o conceito de faturamento previsto na legislação societária, contábil e fiscal. Discorre sobre o conceito de receita; 5 não prospera a alegação da decisão recorrida de que as receitas financeiras integram a base de cálculo da Cofins em razão da Lei nº 10.833/2003 porque a EC nº 20/2003 acabou por determinar que a legislação infraconstitucional definirá os setores de atividade econômica para os quais a Cofins será nãocumulativa. É, portanto, ilegal e inconstitucional a exigência da Cofins sobre as receitas financeiras; 6 sobre a forma de apuração da receita decorrente de contratos de renda fixa e renda variável, a recorrente entende que os ajustes diários são marcações diárias dos ativos financeiros e devem ser calculados na forma que exemplifica, apurados no mês, considerando as perdas e os pagamentos efetuados pela outra parte contratante; 7 o valor das indenizações de seguro incluído pela DRF na base de cálculo da Cofins não é receita e, portanto, não deve integrar a base de cálculo; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.000846/200515 Acórdão n.º 330200.854 S3C3T2 Fl. 736 5 8 o valor a ressarcir deve ser atualizado pela Taxa Selic, conforme previsto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95. Cita decisão da CSRF sobre aplicação da taxa Selic no ressarcimento de crédito presumido de IPI (art. 1º da lei nº 9.363/96); Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório do essencial Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de Cofins não cumulativa, cujo crédito pleiteado foi aproveitado para efetuar a compensação com débitos também da recorrente, devidamente declarados à RFB. A RFB deferiu parte do crédito pleiteado por ter efetuado a glosa de créditos sobre despesas que não se enquadram no conceito de insumo e/ou que não existe previsão legal, além de incluir receita financeiras na base de cálculo da exação. Com relação aos créditos, a RFB efetuou a glosa em relação aos seguintes gastos da recorrente: 1. Alimentação; 2. Cesta básica; 3. Vale transporte; 4. Assistência médica/odontológica; 5. Uniforme e vestuário; 6. Equipamento de proteção individual; 7. Matérias de manutenção/conservação; 8. Materiais químicos e de laboratórios; 9. Materiais de limpeza; 10.Materiais de expediente; 11.Lubrificantes e combustíveis; (exceto os utilizados na indústria) 12.Outros materiais de consumo; 13.Serviço temporário, contratado com sindicato; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 14.Serviços de segurança e vigilância; 15.Serviços de conservação e limpeza; 16.Serviços de manutenção e reparos; 17.Outros serviços de terceiros; 18.Gastos gerais. Adoto integralmente os fundamentos da decisão recorrida quando à legitimidade das glosas efetuadas pela RFB, aos quais acrescento os argumentos abaixo. Em sua defesa, a recorrente parte de um equivocado conceito de insumo, tanto do ponto de vista fiscal, como econômico ou fabril. Em termos fiscais, a Lei nº 10.833/2003, em seu artigo 3º, afirma que o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Não precisa muito esforço de hermenêutica jurídica para concluir que equivocase a recorrente quando afirma que insumo é tudo “aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social”. Como bem disse a decisão recorrida, os insumos são consumidos ou aplicados diretamente na produção ou fabricação de bens e produtos. Os outros dispêndios não relacionados diretamente com a produção dos bens são custos indiretos e somente geram direito a crédito se houver expressa previsão legal. Nesse passo, as despesas realizadas com os bens e serviços acima listados não geram direito a crédito ou por não se constituírem em insumo ou por existir expressa vedação legal, quando forem insumos, como é o caso de mãodeobra adquirida de pessoa física, inclusive via sindicato de trabalhadores. Esclareçase que não foi realizado glosa de gastos com materiais de manutenção de máquinas industriais, com serviços de industrialização prestado por pessoa jurídica, com serviços de manutenção de máquinas industriais prestado por pessoa jurídica e com combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Portanto, não há que se falar em mudança de entendimento da DRF Londrina. Sobre os gastos com serviços temporários, realizados via sindicato de trabalhadores, enganas e a recorrente quando afirma que a DRF Londrina admite o crédito para tais gastos. Os gastos admitidos pela DRF em Londrina, a que se refere o processo nº 16366.000113/200861, foram feitos para outra empresa, pela cessão de sua mãodeobra, e não a sindicato, pela contratação da mãodeobra de seus filiados. Quanto à inclusão na base de cálculo da Cofins das receitas financeiras decorrentes de operação de hedge, não conheço dos argumentos da recorrente sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei nº 10.833/03, por força do que dispõe a Súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à forma de contabilização e apuração da receita financeira decorrentes de contratos de renda fixa e de renda variável, é de observar que somente as receitas das operações de hedge foram incluídas na base de cálculo da exação. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.000846/200515 Acórdão n.º 330200.854 S3C3T2 Fl. 737 7 De fato, é incorreto o procedimento adotado pela recorrente de contabilizar os ganhos e perdas na mesma conta e transferir no final de cada mês apenas uma parte para uma conta de perdas com estas operações, conforme descrito pela autoridade da RFB na Informação Fiscal (fls. 556/557). As receitas devem ser contabilizadas em conta distinta das despesas e estas, quando foram contabilizadas em conta própria geraram direito a crédito. Quanto às indenizações de seguro recebidas pela recorrente, contablizadas no Grupo 81 Outras Receita Operacionais, não conheço dos argumentos da recorrente porque as mesmas não foram incluídas na base de cálculo da exação. Conforme se constata na Informação Fiscal, foi incluído na base de cálculo da Cofins de Dezembro de 2004, a título de outras receitas, R$ 465.108,36, resultado do somatório das seguintes receitas do Grupo 81: CONTA VALOR 81101005 Pagamentos não Efetuados R$ 129.014,92 81101099 Outras Recuperações (336.217,36 486,34) R$ 335.731,02 81102003 Recuperação de Créditos IPI R$ 220,97 81201001 Aluguéis Recebidos de Terceiros R$ 141,45 TOTAL TRIBUTADO R$ 465.108,36 Por fim, pretende a recorrente que incida a taxa Selic no valor do ressarcimento pleiteado, pelos fundamentos que cita. Ratifico o entendimento da decisão recorrida de que o art. 13 da Lei nº 10.833/2003 veda expressamente a atualização monetária ou a incidência de juros sobre os valores objeto de ressarcimento. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Portanto, ao contrário do entendimento da recorrente, há proibição legal para a incidência de juros, calculado pela selic ou por outro índice qualquer, no ressarcimento de Cofins nãocumulativa. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13411.001036/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracteriza-se
omissão de rendimento o crédito bancário sem origem comprovada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.092
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracteriza se omissão de rendimento o crédito bancário sem origem comprovada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) __________________________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 20/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Maria Paula Farina Weidlich, Celia Maria De Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1124.489 (fl. 374/409), proferido pela 1ª Turma da DRJ Recife, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o Auto de Infração de fls. 03/12, sob a acusação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. Ao apreciar o litígio instaurado com a impugnação tempestiva de fls. 338/343, o Órgão julgador de primeiro excluiu da base de cálculo valores considerados em duplicidade, cheques depositados posteriormente devolvidos, créditos bancários decorrentes de resgates de fundos de investimento do titular da conta, consoante ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos " recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE QUE OS VALORES PERTENCEM A TERCEIROS. A alegação de que os depósitos bancários sujeitos à comprovação de origem pertencem a terceiros somente pode ser aceita se for comprovada com documentos que possibilitem demonstrar o fato, inequivocamente. DOAÇÃO EM ESPÉCIE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A doação tem natureza contratual, devendo, quando se tratar de dinheiro em valor expressivo, ser comprovada por instrumento particular, pela transferência do numerário e, além da disponibilidade econômicofinanceira do doador, pela informação nas declarações do doador e donatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Argüida, pelo contribuinte, ilegitimidade passiva, deve trazer aos autos comprovação de sua alegação, visto que, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1 0 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13411.001036/200703 Acórdão n.º 210101.092 S2C1T1 Fl. 435 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Lançamento Procedente em parte. O recurso voluntário interposto (fls. 414/420) reitera que os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento baseado em depósitos bancários somente seria admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que representa omissão de rendimentos. Com suporte em decisões administrativas e judiciais conclui que os depósitos bancários não devem constituir, por si só, fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. Argumenta que em 11/10/1999 sua irmã, Maria Vilmani Brandão Leite Araújo, foi contemplada no prêmio da Mega Sena, concurso 188, recebendo a importância bruta de R$43.789.655,53 sendo retido imposto de renda exclusivo na fonte no valor de R$13.136.896,66, restando a quantia liquida de R$30.652.758,87. Da mesma forma, também foi contemplado no mesmo concurso 188, recebendo a importância bruta de R$142.857,14 sendo retido imposto de renda exclusivo na fonte no valor de R$42.857,14 restando a quantia líquida de R$100.000,00. Juntos, recolheram para os cofres da Fazenda Nacional a importância total de R$13.179.755,80. Apresentou cópias das declarações dos anos de 2003 e 2004 da irmã, onde constam vários imóveis, inclusive em construção, a qual, por questões de segurança, enviava importâncias em dinheiro para as suas contas correntes, a fim de que pudesse pagar aos vendedores dos imóveis e fornecedores de materiais de construção e mão de obra diversa. Aduz que além de ter sua atividade comercial, também funcionava como um representante de sua irmã, nos investimentos realizados por ela, fazendo a intermediação dos negócios. Portanto, grande parte dos depósitos feitos na conta corrente do Recorrente, foram realizados pela sua irmã, para realização de compras de materiais, pagamento a diversos fornecedores e pagamento de mão de obra. Contudo, considera impraticável neste momento, precisar qual determinado depósito foi dirigido para esta ou àquela pessoa ou empresa. A verdade é que não decorreu de renda do Recorrente e sim de investimento de sua irmã. Tanto é verdade, que não houve variação patrimonial do Recorrente. Sempre foi um pequeno comerciante, sem possuir outros bens que possam justificar a presunção da autoridade Fiscal. Conclui que as quantias objeto da autuação não se caracterizam como renda ou rendimentos tributáveis pelo Recorrente. O depósito bancário apesar de significar um princípio de presunção de rendimento, não representa o próprio rendimento, pois não existe nos autos nada que vincule este valor a uma presumida renda. Por fim, aduz que todos os depósitos incluídos na coluna depósitos comprovados na planilha juntada ao processo, teve origem em depósitos realizados pela sua irmã, parte a título de doação por mera liberalidade e parte de importância entregue a vários familiares, e para pagamento a diversos fornecedores e pagamentos de mão de obra para Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 construção de prédio, utilizando a sua conta corrente. Também referese a erro em depositar numerários pertencente à pessoa jurídica em conta corrente da pessoa física, como exemplo deste procedimento equivocado cita os valores de R$2.598,08 e R$103.158,00. Reconhece o recorrente que não atentou para o correto preenchimento das suas declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, quando a informação das doações recebidas, das aplicações financeira, quando de repente possuía aplicado em renda fixa o valor de R$500.000,00 e na declaração do ano seguinte foi apresentado zerada, não existindo na declaração de bens qualquer outra aplicação financeira, depósito bancário ou dinheiro em espécie declarado, apenas um terreno e dois automóveis. Isto demonstra os erros cometidos pelo Recorrente, que não compromete o seu verdadeiro rendimento e não trazendo nenhum prejuízo para o Fisco, uma vez, que não houve omissão de receitas em hipótese alguma, nem sonegação, apenas incorreções na declaração anual de ajuste, que é passível de retificação. Voto Conselheiro José Raimundo tosta Santos O recurso atende os requisitos de admissibilidade. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97 é regida pelo art. 42, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).(Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13411.001036/200703 Acórdão n.º 210101.092 S2C1T1 Fl. 436 5 § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado como fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Alfredo Augusto Becker1, alicerçado na doutrina francesa e espanhola, ao distinguir presunção legal e ficção legal, assim escreveu: Existe uma diferença radical entre a presunção legal e a ficção legal. ‘A presunção tem por ponto de partida a verdade de um fato: de um fato conhecido se infere outro desconhecido. A ficção, todavia, nasce de uma falsidade. Na ficção, a lei estabelece como verdadeiro um fato que é provavelmente (ou com toda a certeza) falso. Na presunção a lei estabelece como verdadeiro um fato que é provavelmente verdadeiro. A verdade jurídica imposta pela lei, quando se baseia numa provável (ou certa) falsidade é ficção, quando se fundamenta numa provável veracidade é presunção legal`. A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõese a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos. 1 BECKER, Alfredo Augusto, Teoria Geral do Direito Tributário, 3ª. ed. – São Paulo: Lejus, 1998, pág. 509. Ed. Lejus Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 A regra jurídica cria uma ficção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é improvável (ou falsa) porque falta correlação natural de existência entre os dois fatos. Para Pontes de Miranda2, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm como verdadeiros e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem como verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratarse de dinheiro novo no seu patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial ou consumo capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. A atuação da administração tributária é vinculada à lei (artigo 142 do CTN), sendo vedado ao fisco declarar a inconstitucionalidade de lei devidamente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República. Neste diapasão, o Primeiro Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula n° 02 consolidando sua jurisprudência no sentido de que o Órgão “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A jurisprudência do CARF, consubstanciada na Súmula 26, é mansa e pacífica a esse respeito: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da 2 MIRANDA, Pontes, Comentários ao Código de Processo Civil, vol. IV, pág. 234, Ed. Forense, 1974. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13411.001036/200703 Acórdão n.º 210101.092 S2C1T1 Fl. 437 7 renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A partir da vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser “modalidade de arbitramento” — que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário (súmula TFR 182) e pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (conforme arestos colacionados no recurso) e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei nº 2.471/88, que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários — para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Pública Federal. Durante o procedimento de fiscalização o contribuinte foi devidamente intimado a comprovar a origem dos créditos bancários, cumprindo requisito fundamental estabelecido pelo artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, para que a presunção legal utilizada no lançamento em exame possa ser validamente aplicada. Os argumentos de que parte dos recursos pertenciam à sua irmã Maria Vilmani Brandão Leite Araújo e que outra parte decorre de confusão entre a pessoa física e a sua empresa individual, pessoa jurídica, foram muito bem examinados pelo Colegiado de primeiro grau, com fundamentos que estão em consonância com as provas dos autos: 41. Aduz que os depósitos de R$ 2.598,08 e aquele de R$ 103.158,00 na conta 12.816 do Bradesco, "assim como outros valores constantes da coluna depósitos comprovados", da sua planilha anexa, foram equivocadamente depositados em contas correntes da pessoa física, mas que tiveram origem nos seus negócios comerciais de locação de veículos, e, referindose especificamente aos depósitos de R$ 2.598,08, alega que "tais valores foram tributados na pessoa jurídica" que "tudo está provado na planilha anexa" (fls. 341, 342). 42. Acontece que o contribuinte não comprova o alegado. Não basta apresentar uma planilha com os seus cálculos e distinção dos valores que entende serem comprovados se não apresenta efetivamente as provas documentais — tais como notas fiscais de emissão da pessoa jurídica, contabilização por parte desta dos referidos valores e comprovação do oferecimento dos mesmos à tributação através da inclusão destes no faturamento declarado da pessoa jurídica — de que os valores pertenciam a pessoa jurídica e que tais valores teriam sido tributados nesta, como argumentou o impugnante. 43. Com relação ao documento "Declaração de Acréscimo Patrimonial Pagamento de Prêmio das Loterias", de emissão da Caixa Econômica Federal, fl. 346, em nome da Sra. Maria Vilmani Brandão Leite de Araújo que o contribuinte informa ser sua irmã , referente ao pagamento de prêmio lotérico, esclareçase que tal documento está em nome da irmã do contribuinte não restando comprovação de transferências para as contas bancárias do contribuinte nos anos de 2003 e 2004. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 44. A transferência no valor de R$ 1.000.000,00, da qual teria restado a quantia líquida R$ 927.359,16, a título de doação da sua irmã, conforme se refere o contribuinte, ocorreu no ano de 2000, como o próprio destacou, quando os anoscalendário aqui tratados são os de 2003 e 2004. 45. Observase que contribuinte anexou Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física – DIRPF dos anoscalendário de 2000 e 2001, fls. 352 a 360, sendo que naquela do ano calendário de 2000 declarou o recebimento de doação no valor de R$ 900.000,00 e aquisição de bens no valor de R$ 845.000,00, entre os quais se incluíam uma aplicação de Renda Fixa na Caixa Econômica Federal no valor de R$ 500.000,00 (fl. 355), não havendo outras quantias em moeda, seja em espécie ou na forma de depósitos bancários ou aplicações financeiras. No final do anocalendário de 2001, o valor da aplicação de Renda Fixa na Caixa Econômica Federal, que era no início do ano de R$ 500.000,00, foi zerado, não havendo na declaração de bens qualquer outra aplicação financeira, depósito bancário ou dinheiro em espécie declarados, mas apenas um terreno e dois automóveis (fl. 359). 46. Os documentos relacionados pelo contribuinte às fls. 349 a 351 se referem a quatro transferências de, ou para, contas na Caixa Econômica Federal em nome do contribuinte, tendo todas essas transações ocorrido no ano de 2000, não tendo o contribuinte apresentado outros documentos que comprovem a transferência de valores de contas em seu nome na Caixa Econômica Federal para as contas de outros Bancos, identificadas pela fiscalização. A esse respeito, o contribuinte sequer demonstrou que ainda possuía conta corrente na Caixa Econômica Federal nos anos de 2003 e 2004 e muito menos apresentou extratos bancários de contas suas na Caixa Econômica comprovando transferências para as contas nos outros Bancos, com coincidência de datas e valores. 47. O documento de fl. 348 se refere à "Declaração de Acréscimo Patrimonial Pagamento de Prêmio das Loterias", de emissão da Caixa Econômica Federal, em nome do contribuinte, Sr. Augusto Kleber Brandão Leite, referente ao pagamento de prêmio lotérico no valor de R$ 142.857,14, com 1RRF de R$ 42.857,14, valor líquido de R$ 100.000,00, tem data de 11/10/1999, não tendo o contribuinte comprovado que tal valor não tenha sido gasto ou que parte dos depósitos nas contas bancárias identificadas pela fiscalização tenham se originado da transferência de contas da Caixa Econômica Federal. 48. Na DIRPF do anocalendário de 2003, fls. 310 a 312, não consta da declaração de bens do contribuinte a informação de qualquer contabancária. 49. Na DEPRF do anocalendário de 2004, consta da sua declaração de bens a informação do saldo de R$ 353,18 em 31/12/2003 e de R$ 280,82 em 31/12/2004, na conta bancária 47235, agência 22187, da Caixa Econômica Federal. 50. Entretanto, ainda que tenha declarado no exercício 2005, anocalendário 2004, conta bancária na Caixa Econômica Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13411.001036/200703 Acórdão n.º 210101.092 S2C1T1 Fl. 438 9 Federal, não apresentou os extratos bancários desse Banco, quando intimado para apresentar todos os extratos bancários e nem comprovou na impugnação que os depósitos relacionados pela fiscalização, ou pelo menos parte deles, tiveram origem em transferências de contas suas na Caixa Econômica Federal. 51. Também não demonstrou isso em relação à sua irmã ou a terceiros, ou seja, não demonstrou que os depósitos em suas contas se originaram sequer de sua irmã ou de terceiros. 52. De toda sorte, ainda que tivessem se originado de sua irmã, não consta a informação das doações nas Declarações de Ajuste Anual do contribuinte nos respectivos anoscalendário de 2003 e 2004, nem que tenha havido nas Declarações da sua irmã nos mesmos anos, e nem a escritura pública ou instrumento particular da doação, tal como exigido pelo art. 541 da Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil) registro em Cartório, tendo em vista os seus valores significativos. Art. 541. A doação farseá por escritura pública ou instrumento particular. Parágrafo único. A doação verbal será válida, se, versando sobre bens móveis e de pequeno valor, se lhe seguir incontinenti a tradição. 53. Com relação à alegação de que os valores dos depósitos já teriam sido tributados em função do IRRF quando o contribuinte e sua irmã ganharam os prêmios lotéricos, esclareçase que sequer os depósitos bancários foram comprovados como te origem em transferências de outras contas de titularidade do mesmo contribuinte. 54. Além disso, mesmo que um rendimento já tenha sido tributado naquela pessoa que o auferiu, tal como ocorrido com a pessoa que ganhou o prêmio lotérico, isso não impede que também seja tributada na outra pessoa a quem for repassada quantia sem a comprovação de ser doação, pois nesse momento se constitui renda do segundo, sendo fato gerador do imposto de renda. 55. Alega que haveria depósitos em valores repetidos de R$ 2.598,08 no Banco Bilbao Viscaya e na contacorrente 10.113 do Bradesco. Verificase, entretanto, através da relação de depósitos questionados ao contribuinte, fls. 287 a 294, que os extratos na conta 10.113 do Bradesco referemse a depósitos no período de 07/07/2003 a 30/12/2003, enquanto os extratos na conta 0100001993 do Banco Bilbao Viscaya referemse a depósitos no período de 01/01/2003 a 30/06/2003, pelo que se constata não haver duplicidade desses depósitos. O que se percebe é que o valor de R$ 2.598,08 foi depositado mensalmente na conta do Banco Bilbao Viscaya de janeiro a junho de 2003 e de julho a setembro de 2003 na referida conta do Bradesco, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 logo, os mesmos valores de R$ 2.598,08 são depósitos distintos, não se evidenciando também serem transferências entre contas, que tivessem sido consideradas em qualquer duplicidade como depósitos de origem não comprovada. Acrescentese que a DIPF da irmã do autuado, do exercício de 2004, apresentada juntamente com a peça recursal, não traz qualquer informação específica relacionada aos depósitos bancários do autuado. Não informa doação nem transferência de numerário para os fins mencionados pelo contribuinte em seu recurso ao Conselho. Da mesma forma, não há prova de que recursos tributados da pessoa jurídica transitaram pela conta bancária da pessoa física. Nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os depósitos terão sua origem comprovada, individualizadamente, através de documento hábil e idôneo. É muito comum a defesa entender que ao possuir recursos auferidos em ano anterior, regularmente tributado, os créditos bancários de anos subseqüentes estariam comprovados. Isso ocorre apenas com as transferências entre contas do mesmo titular e resgates de aplicação financeira, já excluídos da tributação, mas não para novos depósitos em cheque ou dinheiro. Para estes, necessária a comprovação da operação que lhe deu suporte: seja empréstimo, doação, repasse para investimento, transação da pessoa jurídica da qual o titular da conta bancária faz parte do quadro societário etc. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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