Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13819.905698/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3402-006.577
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13819.905698/2009-25
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6008586
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.577
nome_arquivo_s : Decisao_13819905698200925.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 13819905698200925_6008586.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7746173
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051909918556160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1359; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.905698/200925 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.577 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria COFINS Recorrente LABSYNTH PRODUTOS PARA LABORATORIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 56 98 /2 00 9- 25 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13819.905698/200925 Acórdão n.º 3402006.577 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior, tendo em vista a venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus e apresenta suas razões para o acolhimento da compensação efetuada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 05036.549. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, ora em apreço, oportunidade em que continuou alegando a juridicidade do seu crédito, uma vez que as operações de vendas destinadas à Zona Franca de Manaus seriam equiparadas à operações imunes. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.574, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 13819.905701/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.574): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. A imunidade das operações de venda à ZFM e a impertinência da discussão no presente caso 6. Para a devida compreensão do presente tópico deste voto, mister se faz destacar que o despacho decisório que Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13819.905698/200925 Acórdão n.º 3402006.577 S3C4T2 Fl. 4 3 denegou o pedido de compensação do contribuinte o fez ao fundamento de que o contribuinte já havia compensado o crédito vindicado com outro débito, o que fez nos seguintes termos: 7. Em outros termos, em momento algum a motivação do aludido ato administrativo trata da (in)juridicidade do crédito do contribuinte, mas sim pelo fato do crédito vindicado ter sido integralmente utilizado para previamente saldar outro débito (pagamento n. 3005660928; cód. 2172, PA de 31/05/2001) que não o aqui tratado 8. Acontece que, tanto em sua manifestação de inconformidade quanto em seu recurso, o contribuinte alega que seu crédito seria válido, haja vista que as operações de venda para Zona Franca de Manaus seriam equiparadas a operações imunes. 9. Nesse sentido, convém novamente repisar que o contribuinte figura como titular da pretensão de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. 10. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19721. Em outros termos, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho: Assunto: Processo Administrativo Fiscal 1 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13819.905698/200925 Acórdão n.º 3402006.577 S3C4T2 Fl. 5 4 Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...) (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifos nosso). 11. Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida, a qual limitase a discutir, em abstrato, a validade material do suposto crédito por ela vindicado. Dispositivo 12. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000680/2009-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
CSP. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AI 37. AUSÊNCIA DE DESTAQUE DA RETENÇÃO DE 11% NAS NOTAS FISCAIS. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. PROVIMENTO DO RECURSO.
Não tendo a autoridade fiscal se desincumbido de demonstrar a ocorrência da infração deve-se dar provimento ao recurso. O vício material confundi-se com o próprio provimento do recurso, posto que a fiscalização, com as informações constantes do autos não conseguiu demonstrar a ocorrência da infração de existência de cessão de mão de obra que determinasse a exigência do destaque de 11% nas notas fiscais.
Numero da decisão: 9202-007.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 CSP. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AI 37. AUSÊNCIA DE DESTAQUE DA RETENÇÃO DE 11% NAS NOTAS FISCAIS. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. PROVIMENTO DO RECURSO. Não tendo a autoridade fiscal se desincumbido de demonstrar a ocorrência da infração deve-se dar provimento ao recurso. O vício material confundi-se com o próprio provimento do recurso, posto que a fiscalização, com as informações constantes do autos não conseguiu demonstrar a ocorrência da infração de existência de cessão de mão de obra que determinasse a exigência do destaque de 11% nas notas fiscais.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10976.000680/2009-34
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6013468
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.678
nome_arquivo_s : Decisao_10976000680200934.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10976000680200934_6013468.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7760413
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051909938479104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1471; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10976.000680/200934 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.678 – 2ª Turma Sessão de 26 de março de 2019 Matéria CSP Vício Formal x Vício Material Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GOOD LIFE SAÚDE S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 CSP. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AI 37. AUSÊNCIA DE DESTAQUE DA RETENÇÃO DE 11% NAS NOTAS FISCAIS. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. PROVIMENTO DO RECURSO. Não tendo a autoridade fiscal se desincumbido de demonstrar a ocorrência da infração devese dar provimento ao recurso. O vício material confundise com o próprio provimento do recurso, posto que a fiscalização, com as informações constantes do autos não conseguiu demonstrar a ocorrência da infração de existência de cessão de mão de obra que determinasse a exigência do destaque de 11% nas notas fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 06 80 /2 00 9- 34 Fl. 316DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração (obrigação acessória), DEBCAD 37.218.4928, totalizando R$ 1.329,18 e consolidada em 28/10/2009, por a empresa ter deixado de destacar em nota fiscal ou fatura de prestação de serviços o valor da retenção para a previdência social, na competência 03/2005. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento. Em sessão plenária de 20/06/2012, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403001.411, (efls. 262/268) com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.” O acórdão encontra se assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE DESTAQUE 11% SOBRE O VALOR BRUTO. CESSÃO DE MÃO DEOBRA. DEFINIÇÃO LEGAL. LEI 8.212/91. NÃO CONSTATAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. A cessão de mãodeobra é conceituada segundo a Lei n 8.212/91, e que, uma vez constatada, obriga o cedente de mãodeobra a destacar sobre a nota fiscal de prestação de serviço 11% (onze por cento), nos termos do art. 31, parágrafo 1, da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 11.941/2009, sistemática interpretada como legal e constitucional pelos Tribunais Superiores. Todavia, tal retenção só poderá acontecer se for constatada a cessão de mãodeobra, o que não foi feito pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Provido. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 30/08/2012 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs tempestivamente, em 13/09/2012, Recurso Especial (efls. 270/281). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido, ao argumento de que a falta da evidenciação do fato gerador implica na nulidade do lançamento por vício formal, uma vez que descumprido o artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. Vejamos trechos da argumentação do citado recurso: Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10976.000680/200934 Acórdão n.º 9202007.678 CSRFT2 Fl. 3 3 À luz desses ensinamentos, temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura. Na hipótese em apreço, a descrição deficiente do fato gerador, não pode ser considerado como de tal natureza e intensidade a ponto de determinar a nulidade material do lançamento, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu. Contudo não é essa a situação retratada nos autos, pois o fato que originou o lançamento – ausência de pagamentos de contribuições previdenciárias devidas pela empresa, resta devidamente evidenciado na NFLD. Vejase que o Colegiado, em nenhum momento, afirmou peremptoriamente a não ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Tãosomente apontou deficiências na motivação do lançamento pela fiscalização. Ou seja, entendeu que o Fisco não demonstrou (não descreveu) no lançamento que se tratava de “serviço contínuo, realizado nas dependências da empresa contratante ou nas de terceiros, executado através de pessoas físicas à disposição desta”. Neste ponto, caso constatado tal vício, deveria o Colegiado ter concluído pela necessidade de anulação parcial do lançamento por vício formal quanto às retenções. (Com os grifos do original.) Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 4ª Câmara, de 22/07/2013 (efls. 305/307), levandose em consideração como paradigmas o Acórdão nº 2302000.386 e o Acórdão nº 240100.018. A recorrente, em suas alegações finais, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, mantendose o lançamento em sua integralidade, ou, em eventualidade, declarar que, se vício houve, ele foi de natureza formal. Cientificado do Acórdão nº 2403001.411, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o RESP da PGFN, em 1º/10/2013, o sujeito passivo quedouse silente. É o relatório. Fl. 318DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 305. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito A questão objeto do recurso referese, resumidamente, ao fato de no acórdão recorrido ter sido dado provimento ao recurso, desconstituindo o auto de infração pelo descumprimento da obrigação acessória de deixar a empresa cedente de mãodeobra de destacar em nota fiscal ou fatura de prestação de serviço o valor da retenção 11% (onze por cento) para a Previdência Social. Segundo o acórdão recorrido, a auditoria fiscal não desincumbiuse da obrigação de demonstrar que os serviços foram efetivamente prestados por cessão de mãode obra. Eis o que o Relator considerou que Diante de todo o exposto, percebese que somente esses serviços, se constatada a cessão de mãodeobra, serão tributados pela regra do art.31 da Lei n 8.212/91. No caso em tela, a auditoria entendeu que a Recorrente prestou serviços de cobertura de assistência médica mediante cessão de mãodeobra. Todavia, não obstante a fiscalização ter tido esse entendimento, acredito que houve um equívoco quando da lavratura do Auto de Infração em epígrafe, tendo em vista que não ficou constatado que a prestação de serviço realizada ocorreu mediante cessão de mãodeobra. (...) Desse modo, sendo o serviço contínuo, realizado nas dependências da empresa contratante ou nas de terceiros, executado através de pessoas físicas à disposição desta, ele será considerado cessão de mãodeobra. No caso em tela, a fiscalização não conseguiu provar que ocorreu a cessão de mãodeobra na prestação desses serviços, destacandose mais uma vez a subjetividade da autoridade lançadora, que, lança crédito com base em suposições e ainda determina que o contrário deve ser provado pelo contribuinte. Não pode a auditoria entender que pelo simples fato de existir notas fiscais emitidas pela recorrente, caracterizase a prestação de serviço por cessão de mãodeobra. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10976.000680/200934 Acórdão n.º 9202007.678 CSRFT2 Fl. 4 5 Sendo assim, diante da exposição acima, entendo que à recorrente não poderá ser imputada a multa no valor de R$ 1.329,18 (hum mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos) por ter deixado de destacar os 11% sobre os valores brutos das notas fiscais emitidas, tendo em vista que o fisco não conseguiu provar a ocorrência dessa prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra. A Fazenda Nacional, por sua vez, argumenta que no caso de o Relatório Fiscal não demonstrar de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário e descrevendo de forma completa o fato gerador devese anular o lançamento por vício formal. Nesse sentido, trago meu posicionamento acerca da natureza dos vícios. Da nulidade do Lançamento natureza do vício. Primeiramente, entendo que a falta da descrição pormenorizada no relatório fiscal, desde que demonstrado o fato gerador no conjunto apresentado pelo auto de infração, levaria a anulação do AI por vício formal, por se tratar do não preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo, implicando cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo. Ao meu ver, no lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. Como exemplo, nas contribuições previdenciárias se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas com as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no pressupostos de fato e de direito. Agora, se houve lançamento como segurado empregado, mas o relatório fiscal falhou na descrição dos elementos, cerceando o direito de defesa, embora esteja evidente a existência do fato gerador; entendo que haveria falha na motivação, devendo o lançamento ser anulado por vício formal. A autoridade julgadora deverá analisar a observância dos requisitos formais do lançamento, previstos no art. 37 da Lei n ° 8.212, podendo efetivar novo lançamento sem diligenciar ou buscar novos elementos, mas tão somente efetivando novo lançamento consubstanciado nos mesmos elementos constantes nos autos. Nessa concepção, o vício material confundise com o próprio provimento do recurso, posto que a fiscalização, com as informações constantes do autos não conseguiu provar a ocorrência do fato gerador, ou seja, não teriam sido apresentados elementos suficientes para determinar a existência do fato gerador que gerou o lançamento, seja da obrigação principal ou mesmo do fato gerador que implicou a aplicação da multa. Vencida essa etapa de esclarecimentos, importante identificar no caso concreto, qual a motivação da autuação. Conforme descrito no relatório fiscal, o auditor pauta o lançamento do presente AIOA na existência de uma Guia de Recolhimento código 2631, Fl. 320DF CARF MF 6 atribuindo a esta a comprovação de que a empresa havia prestado serviços de sessão de mão de obra. Nos restaria identificar, por fim, se a falta atribuída ao auto de infração importaria nulidade por vício formal ou material. Conforme me manifestei acima, a decretação de nulidade por vício formal darseá quando houver simples falha na motivação, mas for possível, na análise dos elementos contantes dos autos, identificar a efetiva ocorrência do fato gerador. No caso ora sob análise não vejo essa simples falha, posto que não seria possível a mera reconstituição do lançamento sem que se tenha que promover nova fiscalização ou solicitação de outros documentos e elementos de prova. No presente caso, os pontos trazidos pelo autoridade fiscal, passam ao longe na demonstração de existência de cessão de mão de obra, posto que notas fiscais colacionadas e o próprio contrato entre o sujeito passivo e a empresa Teksid não demonstram a colocação de mão de obra a disposição da empresa contratante, mas a simples prestação de serviços médicos, assemelhandose a contratação de plano de saúde. Da mesma forma, o fato de identificar uma guia com código de recolhimento 2631, também não tem o condão de atribuir presunção absoluta de que a empresa prestou serviços mediante cessão de mão de obra, posto que não foi trazido nenhum outro elemento para corroborar o fato gerador de contribuição. Novamente, valhome dos pontos já trazidos para esclarecer que entendo que o vício material confundise com o próprio provimento do recurso, face a não demonstração do fato gerador. Isso posto, considerando o caso ora apresentado, encaminho por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, posto que o lançamento realmente padece de vício material. Conclusão Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.000298/2004-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
Os pagamentos de aulas de idioma estrangeiro não são dedutíveis, por falta de previsão legal
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2101-000.889
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pot unanimidade de votos, cm negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201012
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Os pagamentos de aulas de idioma estrangeiro não são dedutíveis, por falta de previsão legal Recurso voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10845.000298/2004-10
conteudo_id_s : 6002328
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-000.889
nome_arquivo_s : Decisao_10845000298200410.pdf
nome_relator_s : JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10845000298200410_6002328.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pot unanimidade de votos, cm negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
id : 7725990
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051909941624832
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T13:08:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T13:08:59Z; Last-Modified: 2011-03-10T13:08:59Z; dcterms:modified: 2011-03-10T13:08:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:6350afc5-ce56-4b12-b94a-7678ada6c484; Last-Save-Date: 2011-03-10T13:08:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T13:08:59Z; meta:save-date: 2011-03-10T13:08:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T13:08:59Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T13:08:59Z; created: 2011-03-10T13:08:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-03-10T13:08:59Z; pdf:charsPerPage: 1053; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T13:08:59Z | Conteúdo => 52-C1 I - 1 F I 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA coNsELno ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SECA() DL JULGAMENTO Processo n' 10845.00029g/2004- .10 Recurso n" 17ft56.3 Voluntário Acóithion" 2191-90.889 — .1" Câmara /1" Turma Ordinária Sessão de Of de dezembro de 2010 Matéria Recorrente LUCA G-ESTEIRA MARI -EFT° Recorrida FAZENDA NACIONAL AssuNTo: ImposTo SORRE A RENDA DE PESSOA FiSICA - !RN; Exercício: 2003 DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Os pagamentos de aulas de idioma estrangeiro na(s) sao dedutiveis, por falta de previsao Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pot unanimidade de votos, cm negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Cal Marcos Cândido - .Pre dente José Raunundj To t Santos - Relator EDITADO EM: 1 1 FEV•2011 Participaram do presente julgamento Os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Jose Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naold .Nishioka, Gonçalo Bonet Allage, Odmir Fernandes e Ana Neyle Olímpio TIolanda.. Relatório 0 recurso voluntãrio em exame pretende a reforma do AcOrddo de if 17- 28,846, 11. 37, que julgou procedente em parte o lançamento, para restabelecer as dedue6es relativas aos dependentes, mantendo-se a glosa das despesas com instruydo. A decisdo recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO IMPOST() 50131/E A RENDA DE PESSOA FiSICA - IRPF io 2003 DEPEND.EN'ILS.GLOSA Comprovada a efitividadc dos dependentes . declarados, estabelece-se a dcthição a este find() pleiteada na dead!. ação. DLSPESAS COM INSTRT.100.GLOSA Por firlta de compj ovação da cfttividade das despesas a este !auto declarada e glosada. , deve a glosa da dedução respectiva . sei Mani" (10 . . Lançainente Procedente ern POPle Em seu apelo a este CARF, a tI. 45, a contribuinte junta os comprovantes de pagamento do curso de extensão (inglês) da Universidade Santa Cecilia, relativo ao ano- calendário de 2002 (fls. 52/61), e pede esclarecimento a respeito do DARF, que indica como período de apuração a data de 08/08/1980 (if 51), o relatOrio„ Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator 0 recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, verifica-se que a dedução com instrução, relativo a curso de idioma estrangeiro (ing lês) ado é dedutivel da base de cálculo do impost() de Fonda, por talta de previsão legal, nos termos do artigo 8', inciso H, alínea "h", da I ,ei n' 9 250, de 1995: At t. 8" A base de calculo do imposto devido no ano-ealenddrio .sera a diletenÇ'a entre as .somas.. -- de todos os rendimentos percebidos durante o ano- calenddrio, excel() os isentos, o.s não-Iributdveis, (..rs nibutdveis exc.: hrsi vamenie rd lOnte e os spjellos à tributação dçfi.nrtiva, .11 - da.s dechiOes telativas a) aos pdarnentos(.,jetuados, no ano-ealendório, a médicos, dentistas, psicólogos, fisiotcrveulas, fimoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem coin° as despesas corn CVO MO - laboratoriais, serriços tadiológicos, aparelhos ortop(Wicos e oteses ortopédicas e den/crias; 2 1 ) 10eCStiú 71" 10845 000298/2004-10 52-C 1 F I AcónVio n" 2101-00.889 ii 2 b) a pagamentos cletuados a estabelecimentos de ensino relatiramente à educação pré-escolar, de 1, 2" e grafts, creches., cur.sws de especialização ou profissionalizantes do contribuinie e de seas dependentes, ate o limite anual individual de R$ 1.998,00 (um mil, novecentos e noventa e oito reetis);(Redação dada pela rei a 10.451, de 10 5 2002). GI ifis acrescidos Para fins de deducilo de despesas relacionadas li inst1u0o da (la:Aar - ante, a Instrueao Normativa SR1 n" 1 5, de 2001, assim dispõe: Art. 40. Alao SC enquadram no conceito de despesas de iustrução - - as. despesas coin uni/o; me, material e trairsporte. escolar, as relativas é elaboração de dissertação de mestrado ou tese de doutorado, contratação de estagiórios, compulação eletrónica de dados, papel, xetov, datile"gralia, tradução de textos„ intpres.são de questionárias e de tese elaborada, gastos postais e de viagem, 11 - as despesas coin aquisição de enciclopédias, hvros, evistas e jornais; Iii - o pagamento de aulas de niiisiea, dança, natação„,,,),imistica, lads, pilotageni, dícçao, cork e costura, informality' e assemelhados; IV - o pagamento de eursos preliaratórios para conctusos 011 vestibulenes, - 0 pagamento de auks de idiomas estr(JnA.,reiros; ai rest4dos) VI - os pagamentos leitos a entidades que tenham. poi objetivo a cria(eio e a educação de incnores desvalido.s e abandonados, - as contsibuiçOes pagas as Associações de ;Pais e Mestres e àc associa<Oes voltadas papa a educação. Art. 41. Considera-se instituição (IC ensino ovula regularinerue autorizada, pelo Poder PUblico, a ministrar educação &kit:a educayio ensino fundamentai e ensino médio — e educação superior, nos termos da Lei n" 9.394, de 20 de dezembro de 1996 I" Eilucação inlantil, primeira clap(' da educação básica, etquela que precede o ensino fundamental obrigatório, oferecida ein creches ou entidadcs equivalentes e pré-escolas, compreendendo a educação de menores na faiva ciaria de zero a ,seis anos de idade, § 2° Ensino . fundantental e aquele, obrigatório, pie precede o ensino intWio e tan duração minima de oito anos. § 3 Ensino médio é a etetpa final da educação básieri e tem duração minima de trés anos j, 4' A educação superior abrange os seguintes cia;sos piogramas 1 - de giaduação, abertos a c.:amhdatos que tenham concluido o ensino médio ou equivalente e tenham .sido classifieados em proces.so .11 - de pOs-graduação, compreendendo programas de mestrado e doutwado, bem assim cursos de especialização abertos a c..andidatos diplotnados elf2 cursos de graduação e que atendam exigCncias das inslituiçães de ensino. educação profissional compreende os seguintes- uivei s - técnico, destinado a proporcionar habilitação profissional a alunos man icii/acio OU egres.sas de ensino médio, e cup titulação pressupãe a conclu.são da educação básica de 1 I anos, - lecnológico. coaesponde a cursos de nível superior na area teenohigica, destinados- a egressos do ensino médio e técnico Quanto ao período de aputay5o indicado no DARF à fl 51, a reparti.cao de origem deve observar a sua correcao. Ern lace ao exposto, nego provimento ao recurs°, José Rairn. -§ta Santos 4
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900869/2014-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/02/2010
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 25/02/2010 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.900869/2014-55
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6012548
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.923
nome_arquivo_s : Decisao_10880900869201455.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880900869201455_6012548.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7757864
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051909968887808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1441; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.900869/201455 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.923 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA ÔNUS DA PROVA Recorrente HOUSE OF VISION COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/02/2010 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 08 69 /2 01 4- 55 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10880.900869/201455 Acórdão n.º 3301005.923 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarado pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/RPO, no acórdão n° 14056.756, negou provimento ao apelo.. Em recurso voluntário, aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa está prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10880.900869/201455 Acórdão n.º 3301005.923 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.922, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900868/201419, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.922): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur do IPI, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10880.900869/201455 Acórdão n.º 3301005.923 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar o IPI pago. Dessa forma, não há como se afirmar qual ou quais valores integraram a base de cálculo do IPI ao arrepio do art. 47 do CTN. Em pedido de sua iniciativa, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo do IPI; b) Sustentar o indébito no livro de apuração do IPI e em notas fiscais; c) Exibir DIPJ, DCTF original e DARF e demais livros fiscais. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito: CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10880.900869/201455 Acórdão n.º 3301005.923 S3C3T1 Fl. 6 5 I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720818/2013-24
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-001.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10140.720818/2013-24
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6007337
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-001.000
nome_arquivo_s : Decisao_10140720818201324.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
nome_arquivo_pdf_s : 10140720818201324_6007337.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7738668
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051909970984960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1393; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 62 1 61 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.720818/201324 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002001.000 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 24 de abril de 2019 Matéria IRPF DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente SHIRLEY GURGEL DE ALENCAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 08 18 /2 01 3- 24 Fl. 62DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 27/32) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2010 (efls. 17/23), onde se apurou a Dedução Indevida de Despesas Médicas de R$ 16.910,00. A contribuinte apresentou Impugnação (efls. 02/04), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 40): Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, em 10/05/13, mediante as alegações relatadas a seguir: Estaria apresentando documentos comprovando o direito a deduzir as despesas pleiteadas, uma vez que não existe obrigação legal para que o contribuinte efetue pagamentos por meio de cheques como se não tivesse curso legal a moeda nacional. A Impugnação foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/BSB em decisão assim ementada (efls. 39/42): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO A validade da dedução de despesas médicas, quando impugnadas pelo Fisco, depende da comprovação do efetivo pagamento e/ou da prestação dos serviços. Cientificada do acórdão de primeira instância em 14/08/2015 (efls. 46), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 10/09/2015 (efls. 48/51) com os argumentos a seguir sintetizados. Afirma que os recibos emitidos pela Dra. Leila Tannous Guimarães referemse a tratamento psicanalítico realizado no ano de 2009 pago em dinheiro. Apresenta breve descrição dos fatos processuais. Alega que os recibos apresentados são passíveis de credibilidade e seguem acompanhados de declaração com firma reconhecida em cartório da própria psicanalista, ratificando o pagamento de seus honorários e atestando a realização dos serviços. Sustenta que possui renda declarada para cobrir as despesas médicas lançadas e que a alegação de pagamento com dinheiro, de forma compatível com os recibos e a declaração juntada, não pode ser presumida inidônea, pois não existe obrigação legal do pagamento através de cheques. Apresenta jurisprudência sobre o tema. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10140.720818/201324 Acórdão n.º 2002001.000 S2C0T2 Fl. 63 3 Defende que não se presume infração, fraude, falsidade ou simulação, cabendo ao Fisco provar a conduta irregular frente à presunção de boafé, o que impede a glosa de despesas médicas por suspeitas ou desconfianças sem amparo em fatos e provas específicas. Informa que é profissional liberal, não possuindo renda fixa e não recebendo pagamento através de depósito em conta corrente. Aduz que os valores recebidos em espécie não são, necessariamente, depositados em conta bancária, mas sim repassados para pagamentos também em espécie. Conclui que dificilmente haverá coincidência entre os pagamentos em dinheiro e saques em sua conta bancária, o que de forma alguma pode lhe gerar penalidade, posto que não existe legislação que disponha a respeito. Observa que não é novidade para o fisco que esteve em tratamento psicanalítico com a Dra. Leila Tannous, uma vez que os valores pagos a título de honorários referentes aos anos de 2003 a 2010 foram regularmente declarados e deduzidos, não havendo motivos para a glosa ora impugnada. Indica a juntada de documentos comprobatórios. Requer a abertura de investigação fiscal com a devida intimação da Dra. Leila Tannous Guimarães para que não reste dúvida de que o pagamento das despesas médicas foi efetuado e que estas se referem a tratamento próprio. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extraise da Notificação de Lançamento que a autoridade fiscal procedeu à glosa da despesa declarada para Lelia Tannous Guimarães por não ter a contribuinte, devidamente intimada, comprovado o seu efetivo pagamento através de cheques, extratos bancários ou de cartões de crédito (efls. 24/25, 29/30). Verificase, contudo, que a interessada não juntou à Impugnação ou ao Recurso Voluntário nenhum documento a fim de demonstrar a correspondência de datas e valores entre as movimentações realizadas em sua conta bancária e os recibos por ela acostados, permanecendo a pendência apontada pelo auditor. Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que a contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelo profissional, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Impõese ressaltar que tal exigência não está relacionada à presunção de Fl. 64DF CARF MF 4 fraude ou de máfé ou à constatação de inidoneidade dos recibos examinados, ao contrário do que sugere a recorrente, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) A contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ela e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10140.720818/201324 Acórdão n.º 2002001.000 S2C0T2 Fl. 64 5 É possível que o sujeito passivo tenha feito seus pagamentos em espécie, tal como alega, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, para comproválos caberia a ele trazer aos autos documentos bancários que atestassem a coincidência de datas e valores entre os saques efetuados em suas contas e as despesas supostamente realizadas, o que não ocorreu no presente caso. Importa salientar que não é o Fisco que precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas a contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitadas. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe à interessada provar que faz jus ao direito pleiteado. Cabe mencionar, por fim, que no caso em exame não há que se falar em intimação do profissional para confirmar os pagamentos efetuados e os serviços prestados, haja vista que o ônus dessa comprovação pertence tão somente à recorrente. A finalidade da realização de diligências é elucidar questões comprometidas e não produzir provas em favor do contribuinte. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002489/2006-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LC Nº. 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL DE CINCO ANOS SOMENTE ÀS AÇÕES AJUIZADAS OU PEDIDOS FORMULADOS A PARTIR DE 09/06/2005 AINDA QUE OS PAGAMENTOS SEJAM ANTERIORES.
A jurisprudência do STJ albergava a tese de que o prazo prescricional de cinco anos para repetição de indébito, nos termos da Lei Complementar nº 118/2005, somente incidiria sobre os pagamentos indevidos ou a maior ocorridos a partir da entrada em vigor da referida lei, ou seja, 9/06/2005. Porém, esse entendimento restou superado quando, sob o regime de Repercussão Geral, o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária realizada em 4/08/2011, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, pacificou a tese de que o prazo prescricional de cinco anos, definido na Lei Complementar nº 118/2005, incide sobre as ações de repetição de indébito ajuizadas ou pedidos de restituição formulados a partir da entrada em vigor da nova lei (9/06/2005), ainda que essas ações ou pedidos digam respeito a recolhimentos indevidos realizados antes da sua vigência.
Para os pleitos de restituição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ajuizados ou apresentados administrativamente antes do término da vacatio legis da referida Lei Complementar, prevalece a aplicação do prazo de prescrição de que trata a Tese "5+5 do STJ. Ou seja: para o pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Súmula CARF nº 91-Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217.
De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em: (i) por unanimidade de votos, declarar a prescrição dos pedidos de restituição de pagamentos realizados até 13/09/2001; e (ii) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar o óbice da impossibilidade de aplicação do coeficiente de presunção de 8% para determinar a base de cálculo do lucro presumido, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, oportunizando ao contribuinte a complementação de provas do fato constitutivo do seu direito pleiteado, reiniciando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, vencido o Conselheiro Nelso Kichel (Relator) que votou por lhe negar provimento. Designada a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel - Relator.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto -Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LC Nº. 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL DE CINCO ANOS SOMENTE ÀS AÇÕES AJUIZADAS OU PEDIDOS FORMULADOS A PARTIR DE 09/06/2005 AINDA QUE OS PAGAMENTOS SEJAM ANTERIORES. A jurisprudência do STJ albergava a tese de que o prazo prescricional de cinco anos para repetição de indébito, nos termos da Lei Complementar nº 118/2005, somente incidiria sobre os pagamentos indevidos ou a maior ocorridos a partir da entrada em vigor da referida lei, ou seja, 9/06/2005. Porém, esse entendimento restou superado quando, sob o regime de Repercussão Geral, o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária realizada em 4/08/2011, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, pacificou a tese de que o prazo prescricional de cinco anos, definido na Lei Complementar nº 118/2005, incide sobre as ações de repetição de indébito ajuizadas ou pedidos de restituição formulados a partir da entrada em vigor da nova lei (9/06/2005), ainda que essas ações ou pedidos digam respeito a recolhimentos indevidos realizados antes da sua vigência. Para os pleitos de restituição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ajuizados ou apresentados administrativamente antes do término da vacatio legis da referida Lei Complementar, prevalece a aplicação do prazo de prescrição de que trata a Tese "5+5 do STJ. Ou seja: para o pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Súmula CARF nº 91-Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10920.002489/2006-20
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6010445
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1301-003.821
nome_arquivo_s : Decisao_10920002489200620.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : NELSO KICHEL
nome_arquivo_pdf_s : 10920002489200620_6010445.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em: (i) por unanimidade de votos, declarar a prescrição dos pedidos de restituição de pagamentos realizados até 13/09/2001; e (ii) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar o óbice da impossibilidade de aplicação do coeficiente de presunção de 8% para determinar a base de cálculo do lucro presumido, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, oportunizando ao contribuinte a complementação de provas do fato constitutivo do seu direito pleiteado, reiniciando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, vencido o Conselheiro Nelso Kichel (Relator) que votou por lhe negar provimento. Designada a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel - Relator. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto -Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7751748
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051909983567872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2372; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 429 1 428 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.002489/200620 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.821 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2019 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO Recorrente CLÍNICA DE REABILITAÇÃO FISIOVILLE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LC Nº. 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL DE CINCO ANOS SOMENTE ÀS AÇÕES AJUIZADAS OU PEDIDOS FORMULADOS A PARTIR DE 09/06/2005 AINDA QUE OS PAGAMENTOS SEJAM ANTERIORES. A jurisprudência do STJ albergava a tese de que o prazo prescricional de cinco anos para repetição de indébito, nos termos da Lei Complementar nº 118/2005, somente incidiria sobre os pagamentos indevidos ou a maior ocorridos a partir da entrada em vigor da referida lei, ou seja, 9/06/2005. Porém, esse entendimento restou superado quando, sob o regime de Repercussão Geral, o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária realizada em 4/08/2011, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, pacificou a tese de que o prazo prescricional de cinco anos, definido na Lei Complementar nº 118/2005, incide sobre as ações de repetição de indébito ajuizadas ou pedidos de restituição formulados a partir da entrada em vigor da nova lei (9/06/2005), ainda que essas ações ou pedidos digam respeito a recolhimentos indevidos realizados antes da sua vigência. Para os pleitos de restituição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ajuizados ou apresentados administrativamente antes do término da vacatio legis da referida Lei Complementar, prevalece a aplicação do prazo de prescrição de que trata a Tese "5+5” do STJ. Ou seja: para o pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Súmula CARF nº 91Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 24 89 /2 00 6- 20 Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 430 2 CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadramse como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ Recursos Repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em: (i) por unanimidade de votos, declarar a prescrição dos pedidos de restituição de pagamentos realizados até 13/09/2001; e (ii) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar o óbice da impossibilidade de aplicação do coeficiente de presunção de 8% para determinar a base de cálculo do lucro presumido, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, oportunizando ao contribuinte a complementação de provas do fato constitutivo do seu direito pleiteado, reiniciandose, a partir daí, o rito processual de praxe, vencido o Conselheiro Nelso Kichel (Relator) que votou por lhe negar provimento. Designada a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Redatora Designada. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 431 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 321/404) em face do Acórdão da 1ª Turma da DRJ/Curitiba (efls. 307/315), que julgou Manifestação de Inconformidade improcedente, ao denegar o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 13/09/2006, a contribuinte protocolizou Pedido de Restituição de IRPJ dos anoscalendário 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004 (períodos: 30/06/2000 e 28/09/2004), no valor de R$ 4.076,33, em formulário papel (efls. 03/62), do qual se extrai: a) nos anoscalendário citados, atuou ou exerceu atividades na área de prestação de serviços de reabilitação e fisioterapia, conforme objeto social. Juntou cópia da 7ª Alteração e Consolidação do Contrato Social, de 25/07/2005 (efls. 72/80), objeto social, Cláusula Terceira, in verbis: CLÁUSULA TERCEIRA. A sociedade tem como objeto social a prestação de serviços de reabilitação e fisioterapia. b) por realizar atividades destinadas a atender pacientes internos e externos, com o intuito de recuperar o estado de saúde dos pacientes (serviços de reabilitação e fisioterapia) e com supedâneo no ordenamento jurídicotributário (Lei 9.249/95, arts. 15 e 20), entende que, no regime do lucro presumido, faz jus a coeficientes reduzidos de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL atinentes a serviços hospitalares, pois entende que se equipara a serviços hospitalares; c) submetida ao lucro presumido, efetuou a apuração do IRPJ e CSLL com coeficiente de presunção do lucro de 32%, quando seria respectivamente 8% e 12%, o que implicou pagamento a maior, pleiteando, por conseguinte, a restituição, no caso, do que pagara a maior a título do IRPJ. Juntou demonstrativo de cálculo planilha (efls. 86/92) e cópia de DARF pagos (efls. 94/130), cópia da DIPJ 2001, anocalendário 2000, lucro presumido (efls. 132/187); cópia da DIPJ 2002, anocalendário 2001, lucro presumido (efls. 188/240); d) ainda, por fim, teceu longo arrazoado acerca da legislação tributária que trata da apuração do lucro presumido para atividade serviços hospitalares. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 432 4 que, em 09/10/2006, o pedido de restituição foi denegado pela DRF/Joinville, conforme fundamentação constante do Despacho Decisório (efls. 242/247), in verbis: (...) RELATÓRIO O contribuinte solicita a restituição de recolhimentos de IRPJ efetuados entre 30/06/2000 e 28/09/2004, pois entende que exerce atividades enquadradas como serviços hospitalares, devendo, por isso, aplicar o percentual do lucro presumido igual a 8%, e não 32% como fora utilizado à época dos pagamentos. FUNDAMENTAÇÃO A principio cabe ressaltar que o pedido de restituição referente aos recolhimentos efetuados entre 31/10/2001 e 30/09/2004 devem ser apresentados por meio do programa PER/DCOMP, conforme prevê o 2°, IV, "c" da Instrução Normativa n° 598/2005, abaixo transcrito: (...) Considerando que os pagamentos realizados entre 31/10/2001 e 30/09/2004 foram efetuados há menos de cinco anos, contados da data do protocolo, o pedido de restituição deverá ser formulado por meio do programa PER/DCOMP, cabendo a esta autoridade administrativa declarar o pedido não formulado, nos termos do art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. (...). (...) Em relação aos pagamentos efetuados entre 30/06/2000 e 31/07/2001, passaremos à análise do mérito. O Código Tributário Nacional concede o direito à restituição de tributos pagos indevidamente, mas prevê que esta restituição deve ser solicitada dentro do prazo de cinco anos, contado da data do pagamento, (...). (...) No presente caso o direito à restituição já decaiu, pois o pedido de restituição foi apresentado apenas em 13/09/2006, transcorridos mais de cinco anos desde os pagamentos, efetuados entre 30/06/2000 e 31/07/2001. DECISÃO No uso da competência definida pelo artigo 250, XXI do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30/2005, e delegada pela Portaria DRF/Joinville n° 08/2006, declaro não formulado o pedido de restituição referente aos recolhimentos efetuados entre 31/10/2001 e 30/09/2004 e indefiro o pedido de restituição Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 433 5 relativo aos recolhimentos efetuados entre 30/06/2000 e 31/07/2001. (grifei) (...) Ciente desse Despacho Decisório em 16/10/2006 por via postal AR (efls. 248/250), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 09/11/2006 (efls. 252/292), cujas razões, em síntese, são seguintes: a) serviços hospitalares: que atua na prestação de serviços de reabilitação e fisioterapis, encontrando respaldo jurídico para que seja equiparada a prestação de serviços hospitalares, atividades destinadas a pacientes internos e externos, com o intuito de recuperar o estado de saúde dos pacientes, não se considerando a qualificação ou composição do prestador de serviço, mas a natureza do serviço, ou seja, de promoção da saúde humana. Entendimento do STJ; que o conceito de serviços hospitalares esta ligado à finalidade para os quais os serviços são prestados (proteção da saúde), e não ao local onde são prestados ou por quem são prestados. Tal interpretação se dá em razão do caráter finalístico da Lei n. 9.249/95 (arts. 15 e 20), que, busca concretizar o objetivo constitucional; que a IN SRF306/03, a IN SRF 480/04, a IN SRF 539/05, e, posteriormente a IN SRF 791/07, exorbitaram, extrapolaram, o comando legal, e não podem determinar o conceito de serviço hospital e sua equiparação. que inaplicável as restrições da legislação tributária infralegal; que, em suma, a abrangência da expressão em voga, qual seja, a de serviço hospitalar está na atividade do prestador e não na "pessoa" do prestador (nem nas suas "dependências", ou "instalações"), devendo apenas estar ligado às atividades de atenção e de assistência à saúde; deve ser tratado com base na natureza do serviço desenvolvido pelo estabelecimento assistencial de saúde, e não na figura do prestador do serviço; que a importância de se saber a abrangência do conceito de serviço hospitalar está na determinação do coeficiente de presunção do lucro, base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no caso do prestador de serviço hospitalar está sujeito, no caso do regime de tributação do lucro presumido, à redução do coeficiente de lucro de 32% para 8% (no caso de IRPJ) e CSLL apurada em 12%; que, assim, a legislação citada permite ou assegura à recorrente o direito ao recolhimento do IRPJ e da CSLL (sob o regime do lucro presumido) com coeficientes de presunção de 8% e 12% respectivamente, vez que a recorrente é equiparada aos prestadores de serviços hospitalares. b) prazo de decadência/prescrição: que o prazo para repetição do indébito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, depois de diversas discussões, foi resolvido no âmbito do ST), mas voltou a ser alvo de debates com a edição da Lei Complementar n.o 118/05; que tal LC (arts. 3º e 4º) é totalmente ilegal; Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 434 6 que o STJ, apreciando a constitucionalidade do dispositivo legal em debate, decidiu, em 17 de maio de 2005, pela irretroatividade da novel lei, pois não tem caráter interpretativo, mas sim prospectivo; que, assim, resta claro não se admitir que a Lei Complementar no 118/2005, a título de veicular norma interpretativa, inove no ordenamento jurídico com inobservância de preceitos que estruturam o sistema tributário nacional e em clara desobediência aos ditames constitucionais, sendo certo que, se por um lado é licito ao legislador efetuar alterações na legislação, por outro lhe é vedado atingir as relações jurídicas préexistentes, instaurando a insegurança jurídica e tornando letra morta o texto constitucional; que se aplica, no caso, a Tese "5+5" do STJ para os pedidos de restituição. Direito à restituição com atualização pela taxa Selic: que tem o direito inarredável ao crédito decorrente do pagamento indevido a titulo de IRPJ (CTN, art. 165), por estar equiparada a serviços hospitalares; que tem direito à restituição do que pagou a maior com atualização do valor. Na sessão de 12/02/2009, a 1ª Turma da DRJ/Curitiba julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, ao não reconhecer o crédito pleiteado pela ocorrência da prescrição e pelo fato da atividade da recorrente não se enquadrar no conceito de "serviços hospitalares", conforme Acórdão (efls. 307/315), cuja ementa e parte dispositiva transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001,.2002, 2003, 2004 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO. O prazo para pleitear restituição/compensação de tributos, mesmo os sujeitos a lançamento por homologação, é de cinco anos e se conta do pagamento indevido seja qual for a sua causa, nos temos do art. 3º da Lei Complementar n° 118/2005. ATIVIDADE DE FISIOTERAPIA. SERVIÇOS NÃO ENQUADRADOS COMO "SERVIÇOS HOSPITALARES". COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32% SOBRE A RECEITA BRUTA. Para fins de definição do coeficiente de presunção de lucro, as atividades prestadas por empresa de fisioterapia não se enquadram no conceito de "serviços hospitalares" e suas receitas submetemse ao coeficiente de presunção de lucro de 32%. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a apreciação, por autoridade julgadora da esfera administrativa, de argüição de inconstitucionalidade de lei, por Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 435 7 tratarse de matéria inserta na competência privativa do Poder Judiciário. Solicitação Indeferida Acordam os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), por unanimidade de votos, em conhecer da manifestação de inconformidade e indeferir a solicitação. (...) Ciente desse decisum em 16/03/2009 segundafeira, por via postal AR (e fl. 319), a interessada apresentou Recurso Voluntário via postal SEDEX ECT (efls. 321/404), data de postagem 14/04/2009 (efls. 426/428), reiterando, em suma, as razões já apresentadas na instância a quo e, por fim, pediu provimento integral ao presente recurso para reformar por completo a decisão recorrida, deferindose, em conseqüência, o direito creditório pleiteado, para que os valores pagos indevidamente ou a maior a titulo de IRPJ possam ser, posteriormente, compensados. É o relatório. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 436 8 Voto Vencido Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Por isso, conheço do recurso. Conforme relatado, em 13/09/2006 a contribuinte solicitou, em formulário papel, a restituição de recolhimentos, pagamentos a maior, de IRPJ efetuados de 30/06/2000 a 28/09/2004, pois entende que exerce atividades enquadradas como serviços hospitalares por equiparação, devendo, por isso, aplicar coeficientes reduzidos de presunção do lucro (regime de apuração lucro presumido); que, no caso, para o IRPJ é cabível coeficiente de 8%, e não 32% que utilizara, indevidamente, à época dos pagamentos. O Despacho Decisório da DRF/Joinville denegou o pleito, por duas razões: a) que os pagamentos realizados entre 31/10/2001 e 30/09/2004 foram efetuados há menos de cinco anos, contados da data do protocolo, o pedido de restituição deverá ser formulado por meio do programa PER/DCOMP, cabendo a esta autoridade administrativa declarar o pedido não formulado, nos termos do art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005; b) que, em relação aos pagamentos efetuados de 30/06/2000 a 31/07/2001, estão atingidos pela prescrição. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 437 9 Na sequência, em face de Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, a DRJ/Curitiba julgou a irresignação improcedente, ao não reconhecer o crédito pleiteado pela ocorrência: a) da prescrição de parte do crédito pleiteado; e, b) pelo fato da atividade da recorrente não se enquadrar no conceito de "serviços hospitalares". Nas razões do recurso nesta instância do CARF, a recorrente, em suma, apresenta as seguintes razões pela reforma da decisão recorrida: a) pela inocorrência da prescrição, com base na Tese "5+5" do STJ; b) que exerce, sim, atividade equiparada a "serviço hospitalar". Identificados os pontos controvertidos, passo a enfrentálos. PRESCRIÇÃO. PRAZO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO Diversamente do alegado pela recorrente, quanto ao crédito tributário pleiteado, relativo aos pagamentos a maior ou indevidos a título do IRPJ anteriores a 13/09/2001 estão, sim, prescritos, pois o pedido de restituição foi protocolizado após 09/06/2005, ou seja, em 13/09/2006 (efls. 03/62). Inaplicável, no caso, a Tese "5+5" do STJ, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF. A questão do prazo para repetição do indébito tributário, em face do art.4º da Lei Complementar nº 118/2005, já foi enfrentada, no mérito, pelo Pleno do STF, Corte Suprema guardiã da Constituição da República Federativa do Brasil, no RE nº 566.621/RS. Ou seja: na sessão plenária de 04/08/2011, no RE nº 566.621/RS, Relatora Min. Ellen Gracie, sob regime de repercussão geral, o STF – por maioria de votos declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, cuja ementa desse decisum transcrevo a seguir, in verbis: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA A REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE2005. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 438 10 Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados de seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts.150,§4º,156,VII,e168,I,doCTN. A LC 118/05, embora tenha se auto proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. (...) A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. (...). Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (...) Em face dessa decisão do STF, a Tese "5+5” do STJ para repetição do indébito tributário restou superada para pleitos ajuizados ou reclamados em sede administrativa a partir de 09/06/2005, ainda que relativos a pagamentos ou recolhimentos indevidos anteriores à vigência dessa novel Lei Complementar. Por outro lado, permaneceu válida a Tese"5+5”do STJ apenas para pleitos ajuizados ou formulados antes dessa data. Por oportuno, colaciono a ementa do julgado do próprio STJ que, nesse sentido, elucidou a questão em julgamento posterior à decisão do STF: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. LC N. 118/2005. NOVEL ENTENDIMENTO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 439 11 APLICAÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL DE 5 ANOS SOMENTE ÀS AÇÕES AJUIZADAS A PARTIR DE 9.6.2005. 1. A jurisprudência do STJ alberga a tese de que o prazo prescricional na repetição de indébito de cinco anos, definido na Lei Complementar n. 118/2005, somente incidirá sobre os pagamentos indevidos ocorridos a partir da entrada em vigor da referida lei, ou seja, 9.6.2005. Vide o REsp 1.002.032/SP, julgado pelo regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC). 2.Este entendimento restou superado quando, sob o regime de Repercussão Geral, o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária realizada em 4.8.2011, no julgamento do Recurso Extraordinário n. 566.621/RS (acórdão não publicado), pacificou a tese de que o prazo prescricional de cinco anos, definido na Lei Complementar n.118/2005, incidirá sobre as ações de repetição de indébito ajuizadas a partir da entrada em vigor da nova lei (9.6.2005), ainda que estas ações digam respeito a recolhimentos indevidos realizados antes da sua vigência. Agravo regimental provido em parte. (STJ, AgRg no REsp 1215642/SC, Rel. MIN. HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/09/2011, DJe 09/09/2011). Ainda, a matéria é tratada na Súmula CARF 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de2005,no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018) No caso, a recorrente protocolizou o pedido de restituição, quanto aos recolhimentos efetuados no lapso temporal de 30/06/2000 a 28/09/2004, em 13/09/2006. Logo, quanto aos pagamentos efetuados antes de 13/09/2001 houve a prescrição, pois inaplicável a Tese "5+5" do STJ. Portanto, reconheço a ocorrência, no caso, da prescrição parcial. SERVIÇO DE NATUREZA HOSPITALAR OU EQUIPARADO A legislação tributária federal de regência de apuração do lucro presumido e pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), quanto à atividade serviços hospitalares estabeleceu condições, critérios, que devem ser observados pelos contribuintes para fazer jus à apuração e pagamento desses tributos com coeficientes reduzidos de presunção do lucro (Lei nº 9.249/1995, arts. 15 e 20; IN SRF nºs 306/2003, ADI 18/2003, IN SRF 480/2004, IN RFB 791/2007, ADI RFB 19/2007, Lei 11.727/08 e IN RFB 1.234/2012), ou seja, necessidade de comprovar: a) serviço de natureza hospitalar, nos termos da legislação da ANVISA; Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 440 12 b) estrutura material/física e de pessoal; c) forma de exploração/organização da atividade. Entretanto, esses requisitos ou condições estabelecidos na legislação tributária citada, estão mitigados no seu rigor, na sua aplicação, conforme atual entendimento do STJ, ou seja: Serviços hospitalares: O Superior Tribunal de Justiça pronunciouse no sentido de que o benefício fiscal previsto na Lei nº 9.249/95 deve ser concedido de forma objetiva, a empreendimentos "relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade" (RESP nº 951.251PR). Serviços hospitalares são "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que,"em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Custos diferenciados: A jurisprudência do STJ consolidouse no sentido de que a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL não inclui as consultas médicas, visto que somente os serviços especializados de saúde, com custos diferenciados, inseremse no conceito de serviços hospitalares. Sociedade empresária: Entende o STJ que a partir da data da vidência da Lei 11.727 , de 2008, apenas as sociedades empresarias fazem jus ao benefício previsto na Lei 9.249 /95 para atividade de serviços de natureza hospitalar. Nesse sentido, transcrevo a ementa do Acórdão do REsp nº 951.251PR da 1ª Seção do STJ, Relator Ministro Castro Meira, Sessão de Julgamento de 22/04/2009, publicado no DJe 03/06/2009, in verbis: EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, 1º, III, A, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR. INTERNAÇÃO. NÃO OBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. O art. 15, 1º, III, a, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. Observação de que o Acórdão recorrido é anterior ao advento da Lei nº 11.727/2008. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 441 13 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (STJ REsp: 951251 PR 2007/01102360, Relator: Ministro CASTRO MEIRA, Data de Julgamento: 22/04/2009, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: 20090603 > DJe 03/06/2009). Ainda, transcrevo a ementa do Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, que se reporta ao citado REsp nº 951.251 PR, in verbis: (...) DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 442 14 INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1 . Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR , da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que,"em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 443 15 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso Especial não provido. (...) Por fim, ainda por ser esclarecedor e sintetizar o entendimento do STJ, quanto às condições para apuração do IRPJ e da CSLL mediante coeficientes reduzidos de presunção do lucro, transcrevo a ementa do Acórdão do TRF/4ª Região, Primeira Turma, Sessão de Julgamento de 22/04/2015, Relatora Maria de Fátima Freitas Labarrère, in verbis: (...) Ementa TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSLL. REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS. LEI Nº 9.249/95. LEI 11.727/98. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. 1. Os artigos 15, § 1º, III, a e 20, da Lei nº 9.249/1995, prevêem a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSSL para as prestadoras de serviços hospitalares. 2. O Superior Tribunal de Justiça pronunciouse no sentido de que o benefício fiscal previsto na Lei nº 9.249/95 deve ser concedido de forma objetiva, a empreendimentos 'relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade' (RESP nº 951.251). 3. A jurisprudência do STJ consolidouse no sentido de que a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL não inclui as consultas médicas, visto que somente os serviços especializados de saúde, com custos diferenciados, inseremse no conceito de serviços hospitalares. 4. A partir da data da vidência da Lei 11.727, de 2008, apenas as sociedades empresarias fazem jus ao benefício previsto na Lei 9.249/95. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 444 16 (TRF4 APELREEX: 50285396820124047000 PR 5028539 68.2012.404.7000, Relator: MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE, Data de Julgamento: 26/11/2014, PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: D.E. 27/11/2014) Como visto, pelo entendimento do STJ o benefício fiscal previsto na Lei nº 9.249/95 deve ser concedido de forma objetiva, a empreendimentos "relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade" (RESP nº 951.251). Compulsando os autos, constato que 1) Quanto à natureza da atividade prestação de serviço de natureza hospitalar: A contribuinte apenas juntou cópia do Instrumento da 7ª Alteração e Consolidação do Contrato Social, de 25/07/2005 (efls. 72/80), objeto social, Cláusula Terceira, in verbis: CLÁUSULA TERCEIRA. A sociedade tem como objeto social a prestação de serviços de reabilitação e fisioterapia. Ora, data venia, a mera juntada de cópia do Instrumento da 7ª Alteração Contratual, onde consta o objeto social "serviço de reabilitação e fisioterapia, não tem o condão de comprovar atividade, efetivamente, exercida, muito menos atividade de natureza hospitalar para efeito da legislação tributária, ou seja, para gozo de coeficientes reduzidos de presunção do lucro (regime de apuração do lucro presumido). Essa cópia da 7ª alteração contratual sequer é do período objeto do pedido de repetição do indébito tributário; é de ano posterior (2005), e os pretensos pagamentos a maior seriam de 30/06/2000 a 28/09/2004. A contribuinte não juntou cópias de licenças do Poder Público Municipal, estadual ou federal para funcionamento do estabelecimento. Não consta licença do órgão de saúde, da vigilância sanitária. Não consta licença da ANVISA. Essas licenças se existissem no autos poderiam comprovar atividade efetiva do exercício da atividade, porém nada consta do autos. Não consta cópia de notas fiscais emitidas no período de que prestara serviços de reabilitação e fisioterapia. Portanto, a contribuinte não comprovou a atividade efetiva de serviço de natureza hospitalar ou equiparada nos anoscalendário 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. Custos diferenciados Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 445 17 A jurisprudência do STJ consolidouse no sentido de que a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL não inclui as consultas médicas, visto que somente os serviços especializados de saúde, com custos diferenciados, inseremse no conceito de serviços hospitalares. A contribuinte não comprovou nos autos que teve e tem o mínimo de estrutura física e material humano para o exercício efetivo da atividade empresarial de prestação de serviços de natureza hospitalar ou equiparada, no período. Não juntou, como visto, sequer licenças do Poder Público de autorização para funcionamento do estabelecimento comercial, no período. Portanto, a contribuinte tem ônus probatório de comprovar custos diferenciados da sua atividade de prestação de serviços de natureza hospitalar em relação ao mero exercício intelectual e pessoal de profissão regulamentada, atividade exercida nos consultórios médicos (consultas médicas). Sociedade empresária. Forma da exploração da atividade de natureza hospitalar: Diz respeito à organização da atividade de prestação de serviço hospitalar em caráter empresarial, existência de custos diferenciados, adicionais, em relação a mera sociedade civil de profissão regulamentada (atividade intelectual de prestação de serviço de consulta médica, serviço prestado em consultório médico). Segundo o STJ, a partir da vigência da Lei 11.727/2008 (art.29), ou seja, a partir de 01/01/2009, ainda é condição sine qua non a exploração da atividade de serviços hospitalares na forma de sociedade empresária para fazer jus ao benefício fiscal da redução dos coeficientes de presunção do lucro. Entende o STJ, interpretando (Lei 9.249/95, arts. 15 e 20), portanto, que a partir da data da vidência da Lei 11.727 , de 2008 (art. 29), apenas as sociedades empresarias fazem jus ao benefício previsto na Lei 9.249/95 para atividade de serviços de natureza hospitalar. Entretanto, no período objeto do pedido de repetição do indébito tributário, ainda que a firma ou sociedade tivesse natureza civil Sociedade Civil de Quotas de Responsabilidade Ltda , não seria óbice (mitigação dessa exigência), porém a recorrente nada comprovou nos autos acerca do exercício efetivo da atividade de prestação de serviços de natureza hospitalar ou equiparada. REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS PROBATÓRIO Quantos ao direito alegado, no pedido de restituição do direito creditório, é ônus da contribuinte provar os fatos, suas alegações, cujas provas devem acompanhar a defesa apresentada na instância a quo, sob preclusão da faculdade processual de produzir prova na instância recursal (Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16). Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 446 18 No caso, a contribuinte não produziu prova do fato constitutivo do seu direito alegado, nem na primeira instância, muito menos nesta instância recursal. Ainda, reitero, é ônus da contribuinte produzir prova do fato constitutivo do seu direito alegado, conforme art. 373, I, do CPC/2015, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal. Por tudo que foi exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Voto Vencedor Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Redatora Designada. Em que pesem o avalizado voto do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para discordar de seu entendimento quanto à questão relativa à aplicação do coeficiente de presunção de 8% para determinar a base de cálculo do lucro presumido. A recorrente apresentou Pedido de Restituição, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pagos a maior, em razão da alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta, em razão da sua atividade. Alega a recorrente que presta serviços de fisioterapia e reabilitação. E que sobre a matéria não pende mais discussão diante do Resp 1.116.399/BA, que foi decidido sob o rito dos recursos repetitivos. Tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido entenderam que a atividade prestada pela recorrente não era de serviço hospitalar, já que não prestada num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução do percentual. A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão: Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15, § 1º, inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será deter minada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8. 981, de 20 de janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este arti go será de: (...) III – trinta e dois por cento, para as atividades de: Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 447 19 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10920.002489/200620 Acórdão n.º 1301003.821 S1C3T1 Fl. 448 20 àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Matéria, conforme acima, acerca do que se trata como serviços hospitalares: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1º de janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. E como verificamos, por se tratar de fatos relativos a período anterior, inaplicável aqui. Desta feita, considerando que em momento algum o recorrente foi intimado para comprovar o efetivo crédito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para superar o óbice da impossibilidade de aplicação do coeficiente de presunção de 8% para determinar a base de cálculo do lucro presumido, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, oportunizando ao contribuinte a complementação de provas do fato constitutivo do seu direito pleiteado, reiniciandose, a partir daí, o rito processual de praxe. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 448DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.910747/2012-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/05/2010
COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO.
Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.036
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/05/2010 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13888.910747/2012-23
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6016648
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-006.036
nome_arquivo_s : Decisao_13888910747201223.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 13888910747201223_6016648.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7769768
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051909995102208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1296; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.910747/201223 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401006.036 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de abril de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 25/05/2010 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 07 47 /2 01 2- 23 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13888.910747/201223 Acórdão n.º 3401006.036 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, sob o fundamento da integral vinculação do crédito indicado a outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. A decisão de 1ª instância julgou o recurso improcedente ao argumento de que não havia prova exaustiva da liquidez e certeza do crédito vindicado, pois não foram juntados os registros contábeis da operação, imputando ao recorrente o ônus da prova do direito requerido. O Recurso Voluntário sustentou a possibilidade de juntada de documentos nessa fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução dos autos à unidade de origem para revisão do despacho eletrônico, por força do Parecer Normativo Cosit nº 02/2015; e ratificou as alegações já deduzidas em primeira instância quanto ao direito pleiteado. Foram anexados à peça recursal o ADE nº 53/06 (CARTEPILLAR BRASIL LTDA, admissão no RECOF), laudo técnico contábil e extrato do livro Registro de Saídas. Considerando a documentação carreada aos autos pela Recorrente no Recurso Voluntário, este Colegiado converteu o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse acerca da procedência e quantificação do direito creditório, bem como da disponibilidade e da suficiência do crédito para a compensação pretendida. O processo retornou para julgamento com Informação Fiscal no sentido da procedência, disponibilidade e suficiência do crédito para extinguir o débito declarado no PER/DCOMP. A Recorrente ratifica as razões recursais. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.017, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.910728/201205. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.017): "A controvérsia posta nos autos cingiase à existência de crédito de COFINS decorrente de pagamento a maior no valor de R$ 36.019,17 (competência MAI/2008), recolhido mediante DARF, Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13888.910747/201223 Acórdão n.º 3401006.036 S3C4T1 Fl. 4 3 hábil a ser compensado com débito do mesmo tributo no valor de R$ 19.860,91 (competência AGO/2012). O feito tramitou em 1ª instância sem que a Recorrente fizesse prova suficiente do indébito, posto que alegava ser beneficiária da suspensão do tributo por vender mercadorias à pessoa jurídica habilitada no RECOF sem juntar os respectivos documentos contábeis e fiscais que espelhassem as operações. Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente supriu tal carência probatório, de modo que este Colegiado resolveu converter o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse conclusivamente acerca da procedência, disponibilidade e suficiência do direito creditório. Assento pois as informações apresentadas pela autoridade fiscal em sede de diligência: 3. Em nossa análise verificamos que o crédito alegado pelo contribuinte na Dcomp (R$ 36.019,17), encontrase disponível para compensação, em nossos sistemas, após as retificações efetuadas na DCTF e DACON, relativas ao período de apuração 05/2008. A emissão Despacho Decisório de nº de Rastreamento 042024158 foi realizada em 03/01/2013 e as retificações citadas foram realizadas em 29/01/2013 e 30/01/2013, respectivamente. Portanto, não havia saldo disponível quando da emissão do Despacho Decisório, o que motivou seu indeferimento inicial. 4. Ademais, da análise do Livro de Registro de Entradas e Saídas, do DACON, dos documentos fiscais apresentados pela recorrente e tendo em vista que as notas fiscais apresentadas são de venda de produtos a empresa beneficiária do RECOF e, por consequência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, dentro das condições previstas no ADE nº 53, de 24 de julho de 2006 e da IN SRF 417/2004 (alterada pela IN SRF 547/2005 e posteriores), concluímos que a manifestante faz jus a compensação dos créditos de R$ 36.019,17, de Cofins (cód. 5856), período de apuração 30/05/2008, demonstrados na Dcomp nº 28653.88994.190912.1.3.046142. Conforme verificamos nos relatórios do Sistema de Apoio Operacional (fls. 198 a 200), o crédito utilizado na Dcomp tratada nesse processo é suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 19.860,91, Cofins (5856), vencido em 25/09/2012). O saldo do crédito não utilizado nessa Dcomp foi utilizado em outra Dcomp relacionada, de nº 04211.25185.270912.1.3.040704, tratada no processo nº 13888.910730/201276, sendo que também nessa Dcomp relacionada o crédito utilizado também foi suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 30.778,44, CSLL (2484), vencido em 28/09/2012), conforme vemos no relatório de fls. 200. (grifo nosso) É de se concluir que, ante a informação de que o crédito existe, está disponível e é suficiente para se homologar a compensação pretendida, cai por terra a matéria antes controvertida, de modo Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13888.910747/201223 Acórdão n.º 3401006.036 S3C4T1 Fl. 5 4 que deve ser acolhido o resultado da diligência para se reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada no PER/DCOMP 28653.88994.190912.1.3.046142. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.720079/2017-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2012
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. SUPRESSÃO OU REDUÇÃO FRAUDULENTA DE TRIBUTOS.
Correta a exclusão do Simples Nacional, fundada na prática reiterada de infração à legislação, caracterizada pela supressão ou redução fraudulenta de tributos, mediante reiterada omissão de escrituração de notas fiscais, nos termos do inciso XI do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006.
Comprovada a utilização de qualquer meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de reduzir o pagamento de tributo relativo ao Simples Nacional, eleva-se o prazo de impedimento à nova opção pelo regime diferenciado de tributação Simples Nacional para dez anos, nos termos do art. 29, § 2º, da Lei Complementar nº 123/2006.
Numero da decisão: 1301-003.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. SUPRESSÃO OU REDUÇÃO FRAUDULENTA DE TRIBUTOS. Correta a exclusão do Simples Nacional, fundada na prática reiterada de infração à legislação, caracterizada pela supressão ou redução fraudulenta de tributos, mediante reiterada omissão de escrituração de notas fiscais, nos termos do inciso XI do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006. Comprovada a utilização de qualquer meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de reduzir o pagamento de tributo relativo ao Simples Nacional, eleva-se o prazo de impedimento à nova opção pelo regime diferenciado de tributação Simples Nacional para dez anos, nos termos do art. 29, § 2º, da Lei Complementar nº 123/2006.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10783.720079/2017-39
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6019300
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1301-003.896
nome_arquivo_s : Decisao_10783720079201739.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
nome_arquivo_pdf_s : 10783720079201739_6019300.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
id : 7777520
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051910012928000
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-07T01:38:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-06-07T01:38:02Z; Last-Modified: 2019-06-07T01:38:02Z; dcterms:modified: 2019-06-07T01:38:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-07T01:38:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-07T01:38:02Z; meta:save-date: 2019-06-07T01:38:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-07T01:38:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-06-07T01:38:02Z; created: 2019-06-07T01:38:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2019-06-07T01:38:02Z; pdf:charsPerPage: 1598; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-07T01:38:02Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 371 1 370 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.720079/201739 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.896 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2019 Matéria SIMPLES EXCLUSÃO Recorrente MARMOARIA SANTO ANTÔNIO LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. SUPRESSÃO OU REDUÇÃO FRAUDULENTA DE TRIBUTOS. Correta a exclusão do Simples Nacional, fundada na prática reiterada de infração à legislação, caracterizada pela supressão ou redução fraudulenta de tributos, mediante reiterada omissão de escrituração de notas fiscais, nos termos do inciso XI do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006. Comprovada a utilização de qualquer meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de reduzir o pagamento de tributo relativo ao Simples Nacional, elevase o prazo de impedimento à nova opção pelo regime diferenciado de tributação Simples Nacional para dez anos, nos termos do art. 29, § 2º, da Lei Complementar nº 123/2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 00 79 /2 01 7- 39 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10783.720079/201739 Acórdão n.º 1301003.896 S1C3T1 Fl. 372 2 (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. Relatório MARMORARIA SANTO ANTÔNIO LTDA ME, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 7a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) DRJ/RPO (fls. 336 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e manteve a sua exclusão do regime de SIMPLES NACIONAL, nos termos do ADE DRF/VIT 22, de 27/03/2017. Do Lançamento Segundo o ADE e Relatório do acórdão recorrido, as razões da exclusão ocorreu em razão da prática reiterada de infração à disposição da Lei Complementar nº 123/2006, conforme previsto no inciso XI do caput c/c incisos I e II do § 9º, todos do art. 29 do mesmo diploma legal. Os efeitos da exclusão de ofício foram a partir de 01/12/2012, ficando impedida a empresa de efetuar nova opção ao Simples Nacional pelos próximos dez anos calendário, conforme disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006. A fiscalização emitiu o Termo de Exclusão do Simples Nacional nº 06 – 668/16, que, em resumo, conforme se segue, trouxe os seguintes elementos fáticos e de direito que levaram à DRF Vitória a proceder a referida exclusão. Dispõe inicialmente o Termo de Encerramento Parcial nº 05 – 668/16, de fls. 19 a 57, sobre o quadro societário e atividade da empresa conforme CNAE 2391503, qual seja, aparelhamento de placas e execução de trabalhos em mármore, granito, ardósia e outras pedras. Aduz que os dois sócios da empresa MARMORARIA SANTO ANTÔNIO LTDA ME, doravante denominada neste Acórdão de MARMORARIA, também compõem o quadro societário da empresa SEMIL SERRARIA DE MINÉRIOS VARGEM ALTA LTDA ME – CNPJ: 39.311.113/000143, doravante denominada neste Acórdão de SEMIL, localizada igualmente em Vargem Alta – ES e que tem o mesmo CNAE acima descrito. A manifestante é optante do Simples Nacional desde 01/07/2007. Iniciado o procedimento fiscal através do Termo de Início da Fiscalização nº 01668/2016, com confirmação do recebimento pela empresa em 19/08/2016, Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10783.720079/201739 Acórdão n.º 1301003.896 S1C3T1 Fl. 373 3 foi o contribuinte cientificado de distorções entre os valores de receita declarada por ele informados em PGDASD nos anos de 2013 e 2014 relativamente à sua movimentação bancária, conforme informações prestadas pelas instituições financeiras relacionadas, apresentando os respectivos valores confrontados. Foi, assim, o contribuinte intimado a apresentar os arquivos eletrônicos dos Livros Diários 2012 a 2014 e extratos bancários concernentes às contas bancárias que deram origem às citadas movimentações financeiras. Em resposta, encaminhou à fiscalização “planilhas que demonstram a real movimentação financeira, bem como seus extratos bancários”. O contribuinte almejou com isso comprovar que parcela dos recursos financeiros transitados nas contas correntes da MARMORARIA pertencia às atividades comerciais de outras duas empresas do grupo familiar: SEMIL e ALMIROANA MÁRMORES E GRANITOS EIRELI – EPP, CNPJ: 07.736.745/000162, doravante chama de ALMIROANA. Emitiu então a fiscalização novo Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 02 668/2016, requerendo da manifestante informações e detalhamento das operações relacionadas às suas contas correntes relativamente à SEMIL e ALMIROANA, inclusive com tabela com as respectivas notas fiscais, além dos Livros Diário/Razão 2012 a 2014, registrando que na hipótese de não elaboração desses livros, apresentar o Livro Caixa. Foram apresentados os Livros Diário e Caixa, nos 2012 e 2014, registrados na Junta Comercial somente em 2017. Na seqüência, a fiscalização apresenta detalhada descrição da Operação Âmbar, deflagrada em 10/11/2015, pelo Ministério Público Estadual do Espírito Santo em parceria com a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória e Receita Estadual, cujo objetivo era desarticular uma organização criminosa que atuava no setor de rochas ornamentais no município de Cachoeiro do Itapemirim. O esquema consistia na constituição e utilização de empresas de fachada (NOTEIRAS) que vendiam notas fiscais frias para empresas e empresários do setor, buscando dissimular o verdadeiro fornecedor de blocos e chapas de mármore e granito, e, conseqüentemente, sonegar tributo. Entre as noteiras identificadas era explícita a divergência entre o montante elevado de notas fiscais emitidas e a inexistente ou insignificante movimentação bancária/financeira, acrescida da falta de recolhimento dos tributos devidos. Passa, então, a fiscalização a detalhar todos os procedimentos, depoimentos prestados e informações pertinentes trazidas pelos envolvidos nas empresas de fachada, identificando diversas dessas empresas, entre elas a ACB METAS (ACB MÀRMORES) e ÁGATA GRANITOS. Em continuidade, dispõe a fiscalização acerca das operações fraudulentas envolvendo a empresa noteira ÁGATA GRANITOS LTDA, doravante chamada de ÁGATA. Informa que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória recebeu denúncia da existência de esquema organizado de venda de notas fiscais por empresas de fachada (“laranjas”), que eram utilizadas em operações ilícitas de compra e venda de mármore e granito, com o intuito de encobrir o verdadeiro fornecedor e, por conseguinte, a sonegação de tributos. Nesse esquema, estaria envolvida a empresa ÁGATA, cujos sócios de fato Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10783.720079/201739 Acórdão n.º 1301003.896 S1C3T1 Fl. 374 4 são identificados na referida denúncia anônima, José Alexandre Leal Santanna, CPF: 882.874.59753, e Silvana Mara Louzada de Souza, CPF: 997.879.54720. Aduz a fiscalização que a ÁGATA foi inscrita da RFB em 1997 e mantevese inativa de 1999 a 2007, apresentando para os anos de 2008, 2009, 2010 e 2012 declaração lucro presumido com valores zerados, mantendose omissa nos demais anos. Não obstante, no período de 2011 a 2014 emitiu notas fiscais no valor de pouco mais de R$ 20 milhões sem qualquer recolhimento de tributo federal. Foi baixada pela RFB, por inexistência de fato, em 21/07/2016, após decurso das investigações. Os dados das notas fiscais emitidas foram extraídos do Sped e foram selecionados para diligência os destinatários que apresentaram valores mais expressivos. Estes foram intimados a apresentar comprovantes de pagamentos efetuados pelas respectivas compras, informar a pessoa que havia negociado tais operações, juntando documentação pertinente. Do exame da documentação apresentada foi possível identificar a existência de operações fraudulentas. Neste contexto, envolvendo empresas que lançaram mão de notas fiscais da empresa laranja ÁGATA, consta a MARMORARIA, conforme na seqüência demonstra a fiscalização, relatando diligências efetuadas em diversas empresas destinatárias das notas fiscais. METALLAR MÓVEIS TUBOLARES LTDA EPP – CNPJ: 73.543.639/000197. Instada a apresentar comprovantes de pagamentos e outros documentos relativos às compras realizadas e que foram objeto das notas fiscais emitidas pela ÁGATA, a Metallar encaminhou farta documentação comprobatória das operações de venda de mercadorias pela MARMORARIA e que foram fraudulentamente documentadas com notas fiscais da ÁGATA, além de cópia dos comprovantes de pagamentos efetivados a crédito das contas correntes da MARMORARIA mantidas no Bradesco e no Baco do Brasil referentes a estas operações. Todos os comprovantes de depósito foram identificados nos extratos bancários fornecidos pela MARMORARIA, apresenta respectiva tabela demonstrativa, com informações de pagamentos efetuados de forma parcelada relativos aos meses de 02/2014 a 09/2014. Ainda para confirmar o verdadeiro fornecedor, a Metallar apresentou os romaneios emitidos pela MARMORARIA relativos às notas fiscais emitidas pela ÁGATA relacionadas na tabela citada. Junta cópia por amostragem. Também apresenta cópia de formulários de controle das mercadorias adquiridas, relacionando todas as informações supra sintetizadas, destacandose que nestes formulários, além das mercadorias adquiridas, identificase a forma de pagamento parcelado, valores e contas correntes da MARMORARIA. Informa ainda que as compras foram realizadas pelo vendedor José Carlos Oliveira de Jesus, vulgo Serginho. Prestando esclarecimentos à fiscalização, o vendedor dispôs que intermediava negociações entre a compradora Metallar e as empresas vendedoras de granito e mármore, cabendo a fornecedora a entrega da mercadoria ao adquirente, que os pagamentos eram feitos ora por depósito na conta corrente do fornecedor ora por cheques, que não conhece a empresa ÁGATA e que as operações em questão foram vendas da empresa MARMORARIA. V E F DE BRITO E CIA LTDA – CNPJ: 08.629.915/000172. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10783.720079/201739 Acórdão n.º 1301003.896 S1C3T1 Fl. 375 5 A referida empresa, cujo nome de fantasia é FABONE Móveis Tubulares, questionada pela fiscalização sobre operações documentadas com notas fiscais da ÁGATA, devidamente identificadas, apresentou cópia de cheques que foram emitidos em contrapartida pelas mercadorias adquiridas, os quais evidenciam claramente tratarse de vendas da empresa MARMORARIA, uma vez que no verso dos mesmos sempre consta uma referência à MARMORARIA, inclusive número de sua conta junto ao SICOOB. Informa ainda a Fabone, que as negociações sempre ocorreram através do representante Serginho, que retirava as mercadorias na MARMORARIA e que, a pedido do representante, os respectivos cheques nominais à ÁGATA fossem enviados para a MARMORARIA. Apresentou cópia dos romaneios expedidos pela MARMORARIA e apresenta tabela com respectivos comprovantes de pagamentos. CIPLAFE COM. E IND. DE MÓVEIS LTDA – CNPJ: 47.841.911/0001 05. De igual modo, a CIPLAFE encaminhou a fiscalização documentação comprobatória de mercadorias adquiridas da MARMORARIA com utilização de notas fiscais da empresa ÁGATA. Apresenta depósito bancário feito em conta da MARMORARIA no Banco do Brasil referente à operação de venda documentada pela nota fiscal nº 1.257 da ÁGATA. Desta forma, conclui a fiscalização que não há dúvida sobre a utilização de empresas laranjas pela MARMORARIA visando ocultar vendas de mercadorias de sua titularidade, e que esta prática não se resume à empresa laranja ÁGATA e ao anocalendário de 2014. Em continuidade, aduz a fiscalização que demonstrará que a MARMORARIA já utilizava deste expediente desde 2012, com notas fiscais da noteira ACB METAS, conforme discorre a seguir. A empresa NK INDÚSTRIA DE MÓVEIS EPP – CNPJ: 15.673.559/0001 50 foi diligenciada objetivando fornecimento de cópia de comprovantes de pagamentos decorrentes de compras realizadas e que foram documentadas por meio de notas fiscais da ACB METAS, bem como para informar a identificação das pessoas com as quais as negociações foram realizadas, no período de 09/2012 a 11/2012, apresenta planilha detalhada demonstrativa das vendas. resposta a NK apresentou planilha com todos os dados de seus pagamentos via cheque de sua titularidade junto ao Banco Itaú, cheques estes quase na sua totalidade nominais à MARMORARIA e com anotação no verso da sua conta corrente na SICOOB ou identificação do sócio da MARMORARIA, Dedé (sr. Antônio José Ofranti). Informa ainda que todos os pedidos foram feitos ao representante Serginho ou diretamente com as funcionárias da MARMORARIA de nome Sônia ou Ângela via telefone ou email. Outra empresa diligenciada foi a IND. E COM. DE MÓVEIS MOURA – METALÚRGICA MOURA – CNPJ: 01.488.894/000173. Informa que as operações respaldadas pelas notas fiscais da empresa ACB METAS se deram por intermédio de email e telefone da MARMORARIA, período das notas fiscais 09/2012 a 11/2012. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10783.720079/201739 Acórdão n.º 1301003.896 S1C3T1 Fl. 376 6 Traz ainda a fiscalização a declaração do representante de vendas Serginho, que conclui que a MARMORARIA é o verdadeiro fornecedor que acobertou suas vendas com notas fiscais da ACB METAS. O item seguinte do Termo de Encerramento Parcial nº 05 – 668/16 traz a tentativa por parte da MARMORARIA em provar a origem da movimentação financeira verificada em suas contas correntes como sendo relativa ao grupo de empresas da família, ALMIROANA e SEMIL. Apresenta para tanto planilhas onde buscar vincular a origem dos recursos bancários. Neste contexto, faz o cotejamento dos pagamentos trazidos pela Metallar com os registros contidos nas planilhas elaboradas pela MARMORARIA e constata que inexiste sintonia entre as informações da diligenciada com as supostas vendas indicadas pela MARMORARIA. Os pagamentos trazidos pela Metallar constam na planilha da impugnante como supostas vendas envolvendo outras várias pessoas jurídicas, tudo demonstrado pela fiscalização em planilha elucidativa. Mais uma vez conclui que a MARMORARIA realizou vendas sem emissão de notas fiscais e as dissimulou com notas fiscais de empresas laranjas (ACB METAS e ÁGATA). Da infração a dispositivo da Lei Complementar nº 123/2006. Aduz a auditoria fiscal que ao arrimo do inciso XI, art. 29, da Lei Complementar nº 123/2006, restou comprovado que a MARMORARIA descumpriu de forma reiterada a obrigação contida no inciso I do caput do art. 26 do mesmo diploma legal, qual seja, a obrigatoriedade de emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviços. Constatouse que a MARMORARIA não emitiu documentário fiscal obrigatório para efetivar as operações de venda de mercadorias às empresas NK e Metalúrgica Moura ocorridas nos meses de setembro a novembro de 2012. Também no ano de 2014 tal prática se repetiu. Em seqüência a fiscalização traz legislação que embasa os recolhimentos de tributos devidos pela impugnante à RFB e declarações à RFB de empresas optantes do Simples Nacional, que trata da competência da RFB em fiscalizar todos os tributos instituídos pela Simples Nacional e as formas de exclusão de empresas do Simples Nacional, se de ofício ou mediante comunicação da própria pessoa jurídica. Continua trazendo o art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006 que trata de hipóteses que implicam em exclusão de ofício, especificamente trazendo do inciso XI e o § 9º, incisos I e II, além dos §§ 1º e 2º do mesmo art. 29 que trata da produção de efeitos da exclusão e do prazo de impedimento para nova opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica excluída. Já o art. 32 do mesmo diploma legal prescreve o tratamento tributário ao qual se sujeitará a excluída. Já o art. 13 da Lei Complementar nº 123/2006 estabelece a obrigação do recolhimento mensal dos tributos que especifica pelas pessoas jurídicas optantes pelo Simples Nacional, concluindo a fiscalização que estes são os dispositivos legais necessários para a análise dos fatos contidos no Termo de Exclusão do Simples Nacional. Da apuração do crédito tributário e da exclusão do Simples Nacional. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10783.720079/201739 Acórdão n.º 1301003.896 S1C3T1 Fl. 377 7 O art. 18 da Lei Complementar nº 123/2006, alterada pela Lei Complementar nº 147/2014, estabelece a base de cálculo e as alíquotas dos tributos devidos pelas pessoas jurídicas optantes do Simples Nacional. Por sua vez o art. 3º, § 1º, da referida Lei, conceitua receita bruta. A partir das Declarações do Simples Nacional apresentadas pela MARMORARIA, sob regime de competência, elaborou a fiscalização uma planilha com os valores da receita bruta declarada da empresa em 2012, competência a competência. Dispõe ainda: Ocorre que o descumprimento reiterado da obrigação contida no inciso I do caput do art. 26 da Lei Complementar nº 123, de 2006, importa em exclusão de ofício da pessoa jurídica do SIMPLES NACIONAL (inciso XI, do art. 29). Não resta dúvida, por todo o relatado, de que a MARMORARIA SANTO ANTÔNIO transgrediu o conteúdo da referida lei pelos seguintes fatos: a) deixou de emitir documento fiscal de venda por 02 (dois) ou mais períodos de apuração, consecutivos ou não, de idênticas infrações, o que se subsume ao disposto no inciso I do §9º do art. 29; b) lançou mão do artifício de notas fiscais de empresa laranja visando dissimular venda de mercadorias de fabricação própria, e assim impedir o conhecimento pela autoridade administrativa da ocorrência do fato gerador, suprimindo ou reduzindo o pagamento dos tributos, nos exatos termos do inciso II do §9º do art., ambos da LC nº 123/2006 . MARMORARIA SANTO ANTÔNIO infringiu dispositivos da Lei Complementar nº 123, de 2006, nos períodos de apuração 09/2012 a 11/2012, ao não emitir documento fiscal das vendas de mercadorias e, ato contínuo, dissimulálas com nota fiscal da empresa laranja ACB METAS. Desde modo, para fins de dar cumprimento ao disposto nos §§1º e 2º do art. 29, que tratam da produção de efeitos da exclusão e do prazo de impedimento para a nova opção pelo SIMPLES NACIONAL pela pessoa jurídica excluída, serão objeto de lançamento de ofício, em encerramento parcial do procedimento fiscal objeto do TDPF – F nº 2016006682, os fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de 09 a 11/2012, necessários e suficientes para caracterizar a prática reiterada de infração à Lei Complementar nº 123, de 2006. A reiteração se deu no período de apuração de 11/2012, dando início aos efeitos da exclusão do mês 12/2012. Em continuidade, através da planilha demonstrativa abaixo, informa os fatos geradores que constaram no lançamento de ofício dos períodos de apuração 09 a 11/2012, com tributação na forma do Simples Nacional, em decorrência do encerramento parcial do procedimento fiscal, consolidando na referida planilha os valores omitidos pela empresa para os meses acima. Informa ainda que relativamente aos períodos de apuração de 12/2012 a 12/2014 serão lançados de ofício oportunamente. Discorre a seguir das razões que levaram a fiscalização a qualificar a multa aplicada no lançamento de ofício e a legislação que rege sua aplicação. Neste contexto, dispõe que em virtude dos fatos descritos anteriormente, e considerando, sobretudo a intenção fraudulenta do contribuinte em suprimir Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10783.720079/201739 Acórdão n.º 1301003.896 S1C3T1 Fl. 378 8 tributos/contribuição social devidos, omitindo mediante fraude receitas que deveriam constar em sua escrituração contábil, aplicouse multa de 150% sobre o Simples Nacional (IRPJ, Cofins, ICMS, PIS, IPI e CPP) cuja exigência decorre da omissão de receitas, caracterizada pela falta de emissão de documentos fiscais, lançando mão de notas fiscais de empresas de fachada (noteiras). Transcreve art. 44 da Lei nº 9.430/96, que por sua vez remete aos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, que definem sonegação e fraude fiscal. Dispõe ainda que: Em razão da convicção firmada pela fiscalização quanto à intenção da MARMORARIA SANTO ANTÔNIO em se eximir dos tributos devidos por meios defesos em lei caracterizada, de forma inequívoca, pela falta de emissão de documentos fiscais de venda, cumulado com a utilização de notas fiscais de empresa laranja. Tais ações inseremse no contexto de fraude à fiscalização tributária, configurando o dolo necessário para a qualificação da multa de ofício. Fato é que a MARMORARIA SANTO ANTÔNIO procedeu à redução dos valores dos tributos devidos declarados nas Declarações do SIMPLES NACIONAL, pela falta da emissão das notas fiscais de vendas de mercadorias e utilização de notas fiscais de empresa laranja, com único objetivo de suprimir ou reduzir o pagamento do tributo devido. Os fatos descritos se subsumem à prescrição do art. 71, I da Lei nº 4.502, de 1964, na figura da Sonegação, tendo em vista a tentativa, por meio de ação dolosa, de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Por fim, trata da seara penal e conclui aduzindo que a ação fiscal encerrada parcialmente examinou fatos geradores ocorridos nos meses de setembro a novembro/2012, tudo documentado no referido Termo de Encerramento Parcial nº 05, nos demonstrativos de descrição dos fatos e enquadramento legal e demais documentos que serviram de prova. Da Manifestação de Inconformidade Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Manifestação de Inconformidade, de fls. 319/325, que aduziu os seguintes argumentos: Faz breve relato de sua opção pelo Simples Nacional, sobre seus recolhimentos nesse sistema, confirma a ciência do ADE de exclusão e o prazo de seus efeitos, dispondo que a razão da exclusão é equivocada, estando eivada de nulidade e representa uma afronta aos princípios básicos do direito. A fiscalização utilizou fatos posteriores para fundamentar a exclusão e a autuação. Pela leitura do Termo de Encerramento Parcial de Fiscalização e do Termo de Exclusão (que fundamenta o ADE), verificase que a fiscalização baseia sua decisão em fatos geradores ocorridos nos meses de setembro a novembro de 2012. Ocorre que o que se observa é que a fiscalização elabora planilhas e se atém, quase que totalmente, a supostos fatos ocorridos nos anos de 2013 e 2014, ou seja, em período posterior ao excluído, que ainda se encontram sob verificação e não são conclusivos, isso sem falar que poderão ser contestados no momento oportuno. Os relatórios deveriam se ater Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10783.720079/201739 Acórdão n.º 1301003.896 S1C3T1 Fl. 379 9 estritamente a fatos e documentos referentes ao período autuado e excluído, o que gerou uma falsa convicção negativa sobre a empresa. Tal fato, além de ilegal e indevido, fere o contraditório da impugnante, visto que a presente defesa somente deverá se manifestar sobre o período autuado (09 a 11/12) que gerou a exclusão, até porque a impugnação não pode se manifestar acerca de fatos não conclusivos e que ainda estão sob análise da fiscalização. Por uma questão de legalidade o Termo de Exclusão e o conseqüente ADE devem ser anulados e refeitos para descrever unicamente supostos fatos imputados relacionados ao período anterior ao da exclusão. Da inexistência de infração a dispositivo da Lei Complementar nº 123/2006 e do não cometimento de prática reiterada de infração. A fiscalização para fundamentar a indevida exclusão, relata que a impugnante teria, de forma comprovada, descumprido reiteradamente a obrigação contida no inciso I do caput do art. 26 da Lei Complementar nº 123/2006, a obrigatoriedade de emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviços. Para tanto, a impugnante teria se utilizado de notas fiscais da ACB METAS para dissimular suas operações de vendas para as empresas NK e Metalúrgica Moura, nos meses de setembro a novembro de 2012. Além de não restarem cabalmente comprovados os fatos, a impugnante não cometeu qualquer infração, devido a: i) a fiscalização utiliza depoimento de operadores e dos sócios das empresas noteiras, que, sem passar pelo crivo do contraditório, em nenhum momento tais operadores e laranjas fazem menção a impugnante como participante deste suposto esquema; ii) a impugnante desconhece as operações mencionadas pela fiscalização junto as empresas NK e Metalúrgica Moura, em que supostamente foram utilizadas notas fiscais da empresa noteira ACB METAS, isso porque essas empresas tinham diversos fornecedores na região e eram atendidas por um representante autônomo que fazia todas as transações. iii) o citado representante comercial conhecido pela alcunha de Serginho declarou que era vendedor autônomo e que vendia tampos de mesas para diversos fornecedores e para diversas empresas, não podendo dessa forma presumir a origem e o destino das operações, além de receber valores e fazer pagamentos entre seus fornecedores, utilizando valor de uma empresa para pagar a outra. Assim, não existem provas cabais que a impugnante não tenha emitido notas fiscais nas operações de venda para as empresas NK e Metalúrgica Moura ocorridas nos meses de 09 a 11/2012, lançando mão para tanto da empresa noteira ACB METAS, evidenciando que a fiscalização não comprovou suas alegações e que inexistiu qualquer infração à Lei Complementar nº 123/2006, devendo o ADE ser considerado nulo e insubsistente. O ADE é nulo visto que se baseou em uma presunção, representada pelo contido no processo 10783.720078/201794 onde a fiscalização lavrou o respectivo Auto de Infração, presunção que ainda não é capaz de gerar qualquer efeito já que, devidamente impugnado, está pendente de julgamento administrativo. Da ilegalidade da manutenção da exclusão pelo prazo de dez anos. Até pela inexistência de provas e não ocorrência de infração reiterada, acreditase que Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10783.720079/201739 Acórdão n.º 1301003.896 S1C3T1 Fl. 380 10 o ADE será anulado, porém, caso contrário, pelo menos o impedimento a nova opção deverá ser expurgado, pena severa que poderá inviabilizar o funcionamento da empresa, sem falar que é medida ilegal e desproporcional. Requer a insubsistência do Ato Declaratório Executivo ADE nº 22/2017, não devendo gerar qualquer efeito, mantendose a empresa como optante do Simples Nacional, ou, no mínimo, seja expurgado o impedimento de nova opção pelo prazo de dez anos. Em julgamento realizado em 28 de setembro de 2017, a 7ª Turma da DRJ/RPO, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte e prolatou o acórdão 1470.457 assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. SUPRESSÃO OU REDUÇÃO FRAUDULENTA DE TRIBUTOS. Correta a exclusão do Simples Nacional, fundada na prática reiterada de infração à legislação, caracterizada pela supressão ou redução fraudulenta de tributos, mediante reiterada omissão de escrituração de notas fiscais, nos termos do inciso XI do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006. Comprovada a utilização de qualquer meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de reduzir o pagamento de tributo relativo ao Simples Nacional, elevase o prazo de impedimento à nova opção pelo regime diferenciado de tributação Simples Nacional para dez anos, nos termos do art. 29, § 2º, da Lei Complementar nº 123/2006. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Do Recurso Voluntário O recorrente apresentou recurso voluntário às fls. 356 e ss, onde reforça os argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade e requer a insubsistência do ADE 22/2017. Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 22/01/2019. É o relatório. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10783.720079/201739 Acórdão n.º 1301003.896 S1C3T1 Fl. 381 11 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora A contribuinte foi excluída do regime do SIMPLES NACIONAL, conforme o ADE 22/2017, fls. 60, a partir de 01/12/2012, em virtude de prática reiterada de infração à disposição da Lei Complementar 123/2006, conforme previsto no inciso XI do caput c/c incisos I e II, do § 9º, todos do art. 29 do mesmo diploma legal. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/RPO em 24/04/2018 (AR de fl. 352), e apresentou em 11/05/2018, recurso voluntário, juntado às fls. 356 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. Bom se ressaltar que nestes autos discutemse somente a questão relativa à exclusão do regime do SIMPLES NACIONAL, que se deu conforme o ADE 22/2017. Conforme se verifica do TVF, a fiscalização identificou através de programa de fiscalização que a recorrente efetuou vendas sem a devida emissão de notas fiscais, bem como lançou mão de forma reiterada de notas fiscais inidôneas de empresas de fachada (noteiras) para acobertar tais operações, dissimulando suas próprias vendas. Diante desses fatos, foram lavrados auto de infração referente aos meses de setembro a novembro de 2012, de omissão de receitas, com imputação de multa qualificada. Segundo o ADE, o fundamento para a exclusão foi a prática reiterada de infração à disposição da LC 123/06, essa infração está prevista no art. 26, I. Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: I emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com instruções expedidas pelo Comitê Gestor; Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10783.720079/201739 Acórdão n.º 1301003.896 S1C3T1 Fl. 382 12 Bem como inciso XI do caput e I e II do §9º, ambos do art. 29 também da referida LC. Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) XI houver descumprimento reiterado da obrigação contida no inciso I do caput do art. 26; Ou seja, a prática reiterada de ação que deveria ser obrigatória emissão de notas fiscais levou à exclusão de ofício da contribuinte. Vejamos agora o que diz os incisos I e II do §9º do art. 29 da mesma norma: § 9º Considerase prática reiterada, para fins do disposto nos incisos V, XI e XII do caput: I a ocorrência, em 2 (dois) ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada em relação aos últimos 5 (cinco) anoscalendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento; ou II a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. Este Colegiado já se posicionou em caso semelhante, no Acórdão 1301 003.364, do ilustre Conselheiro Roberto Silva Junior, seguem partes do V. Acórdão: O § 9º contempla duas situações distintas. A primeira fala em infrações idênticas, verificadas em mais de um período de apuração, nos últimos cinco anos, formalizadas em auto de infração ou notificação de lançamento. As infrações referidas no inciso I são as praticadas sem dolo, sem intenção de fraudar. A existência de auto de infração anterior (nos últimos cinco anos) é indispensável para caracterizar a reiteração. Destarte, se a autoridade fiscal fiscalizar dois anos e encontrar uma determinada infração cometida em todos os meses pelo fiscalizado, não se poderá iniciar qualquer procedimento de exclusão do Simples com base na reiteração do ilícito, já que não existe auto de infração anterior colhendo infração idêntica. Ao contrário, se a auditoria fiscal abrangesse apenas um ano e apurasse a prática de certa infração, efetuando a respectiva autuação, e, depois, em nova auditoria abrangendo períodos subsequentes, fosse encontrada a prática do mesmo ilícito, aí sim caberia a exclusão do Simples Nacional. A razão para esse tratamento é a seguinte: ao ser autuado, o contribuinte, que agia de boa fé, passa a ter formalmente ciência do entendimento do Fisco acerca da matéria. Assim, tem ele a possibilidade de espontaneamente corrigir o procedimento adotado (em períodos não abrangidos pela fiscalização antes realizada), e passar a observar, Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10783.720079/201739 Acórdão n.º 1301003.896 S1C3T1 Fl. 383 13 para o futuro, o entendimento que ao Fisco parece correto. Não o fazendo, ficará sujeito à nova autuação e à exclusão do Simples por infração reiterada. É por isso que, sem auto de infração ou notificação de lançamento, nos últimos cinco anos, não se tem como caracterizada a reiteração. Já no item II, temse a infração dolosa, praticada com intuito de fraude. Nesse caso, em que o fiscalizado age com inequívoca máfé, não se exige a existência de lançamento anterior (nos últimos cinco anos) colhendo idêntica infração. Basta que o ilícito se reproduza em dois ou mais períodos, ainda que constatados na mesma auditoria fiscal, para que se materialize a reiteração que autoriza excluir do Simples Nacional o infrator. No presente caso, o que se tem é a existência de duas infrações distintas, sendo uma delas a omissão de receitas, que foi apenada com multa qualificada, em auto de infração objeto do processo nº 13855.720480/201423 (apensado a este processo). O lançamento, incluindo a multa qualificada, foi mantido no Acórdão nº 0131.360, da 1ª Turma da DRJ Belém, que entendeu caracterizado o dolo da recorrente. Neste processo, não cabe rediscutir se existiu a infração e tampouco se foi praticada com dolo. Deve ser considerado o quanto decido no processo em que se discutia a infração. Nele a multa qualificada foi mantida. Portanto, a prática reiterada de infração está caracterizada, na forma do § 9º, inciso II, do art. 29 da LC nº 123/2006. A DRJ, por sua vez, também manteve a exclusão, de igual forma, no que tange à prática reiterada: Neste ponto, cabível trazer toda a disposição da fiscalização quando demonstra a prática de infração reiterada pela impugnante: Não resta dúvida, por todo o relatado, de que a MARMORARIA SANTO ANTÔNIO transgrediu o conteúdo da referida lei pelos seguintes fatos: a) deixou de emitir documento fiscal de venda por 02 (dois) ou mais períodos de apuração, consecutivos ou não, de idênticas infrações, o que se subsume ao disposto no inciso I do §9º do art. 29; b) lançou mão do artifício de notas fiscais de empresa laranja visando dissimular venda de mercadorias de fabricação própria, e assim impedir o conhecimento pela autoridade administrativa da ocorrência do fato gerador, suprimindo ou reduzindo o pagamento dos tributos, nos exatos termos do inciso II do §9º do art., ambos da LC nº 123/2006. Ou seja, nenhuma dúvida existe quanto subsunção dos atos constatados e comprovados pela fiscalização à legislação acima, no que tange à reiteração da infração, nos termos da Lei Complementar nº 123/2006. Conforme posicionamento acima exarado, também no presente caso, temos a existência de duas infrações distintas, uma delas é a omissão de receitas, com multa qualificada, em auto de infração objeto do processo nº 10783.720078/201794 (apensado a este processo). Nesse processo, a multa qualificada também foi mantida, conforme Acórdão 14 70.458 da 7ª Turma da DRJ de Ribeiro Preto (SP). Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10783.720079/201739 Acórdão n.º 1301003.896 S1C3T1 Fl. 384 14 Assim, de se manter a exclusão do SIMPLES NACIONAL. Quanto a outros pontos trazidos pela recorrente, aqueles que tratam da omissão de receitas em si, e da multa respectiva, são analisados no processo respectivo. Quanto ao prazo de impedimento, repito o que disse a DRJ: Já relativamente ao prazo de impedimento de nova opção pelo Simples Nacional, temse que se a fiscalizada deixou de emitir notas fiscais de suas vendas e mais, lançou mão do artifício da utilização de notas fiscais da empresa noteira ACB METAS para dissimular suas operações de vendas com a clara intenção de reduzir seus tributos devidos, é evidente que ela valeuse da “utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro”. E o fim específico de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo é facilmente deduzido, já que é conseqüência natural de todo o comportamento da empresa amplamente já tratado acima. Bem como é o que determina a norma em seus parágrafos 1º, 2º e 3º do art. 29: § 1o Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. § 2o O prazo de que trata o § 1o deste artigo será elevado para 10 (dez) anos caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo apurável segundo o regime especial previsto nesta Lei Complementar. § 3o A exclusão de ofício será realizada na forma regulamentada pelo Comitê Gestor, cabendo o lançamento dos tributos e contribuições apurados aos respectivos entes tributantes. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15758.000521/2010-61
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA
Nos casos em que ficar demonstrado nos autos que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual
descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, deve ser mantida a
penalidade qualificada de 150%.
Na hipótese, ficou demonstrada nos autos a prática reiterada de deduções
inexistentes em valores relevantes.
Numero da decisão: 2003-000.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Nos casos em que ficar demonstrado nos autos que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, deve ser mantida a penalidade qualificada de 150%. Na hipótese, ficou demonstrada nos autos a prática reiterada de deduções inexistentes em valores relevantes.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15758.000521/2010-61
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5995278
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2003-000.027
nome_arquivo_s : Decisao_15758000521201061.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 15758000521201061_5995278.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7711153
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051910018170880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1294; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T3 Fl. 115 1 114 S2C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15758.000521/201061 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2003000.027 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 28 de março de 2019 Matéria IRPF MULTA QUALIFICADA Recorrente VLADEMIR DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Nos casos em que ficar demonstrado nos autos que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, deve ser mantida a penalidade qualificada de 150%. Na hipótese, ficou demonstrada nos autos a prática reiterada de deduções inexistentes em valores relevantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 05 21 /2 01 0- 61 Fl. 129DF CARF MF 2 Relatório Autuação Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício qualificada e juros de mora, nos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, conforme Termo de Verificação de Ação Fiscal de fls. 52 a 55. Transcrevo a seguir trechos do TVF que descrevem os lançamentos apurados: Aos 12/02/2010 lavrei o Termo de lnício de Fiscalização, intimando o fiscalizado a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, as comprovações de todas as deduções dos rendimentos tributáveis efetuadas em suas Declarações de Ajuste Anual, acima citadas, ao que deu ciência aos 23 de Fevereiro de 2010, conforme Aviso de Recebimento dos Correios AR; os quais foram anexados ao procedimento de fiscalização. Porém, dado ao não atendimento da intimação tratada no parágrafo anterior, aos 13/05/2010 ReIntimamos o contribuinte à em no prazo de novos 20 (vinte), contados da ciência, naquela mesma data, do Tenho de ReIntimação, o qual é anexo do procedimento de fiscalização, a proceder às entregas dos comprovantes das despesas/deduções levadas a efeitos nas suas DIRPF/2007; 2008 e 2009. Atendendo ao Termo de ReIntimação citado, o contribuinte, aos 18/05/2010 compareceu a esse Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André SEFIS/DRF/SAE, munido de uma Carta Resposta e dos documentos nela citados, os quais foram copiados; certificados e juntados ao procedimento da fiscalização para análise posterior, conforme fizemos constar na citada Carta Resposta. No mesmo ato, perguntamos ao contribuinte se sabia os dados (nome, endereço, CPF) de quem preencheu suas declarações ao IRPF nos exercícios de 2007, 2008 e 2009; pelo que, nos informou desconhecer a referida pessoa, lembrando apenas que, no inicio de cada ano, a mesma comparecia á portaria da fabrica para retirar os documentos pertinentes ao preenchimento das referidas DIRPF, nada mais anexado aos procedimentos dessa fiscalização. Desta forma, analisamos os documentos comprobatórios das despesas/deduções informadas pelo fiscalizado nas suas DIRPF/2007, 2008 e 2009, tendo lavrado o competente Termo de Constatação e Intimação para constatar o quanto das despesas/deduções, informadas nas DIRPF em questão, havia sido comprovado com documentação hábil e idônea; e, para intimarmos o contribuinte à em no prazo de 20 (vinte) dias, comprovar as despesas/deduções, até aquela data, não comprovadas; ou seja, as que constaram como “Não Comprovadas”, 'Glosadas" ou “inexistentes” no referido Termo ao qual o contribuinte deu ciência aos 30/09/2010. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 15758.000521/201061 Acórdão n.º 2003000.027 S2C0T3 Fl. 116 3 Contudo, o contribuinte não nos apresentou novas comprovações até a presente data, tendo por telefone confessado em síntese que, aquelas despesas/deduções que constam como comprovadas no Termo de Constatação e Intimação recepcionado aos 30/09/2010 são as únicas que realizou, com autorização legal para dedução dos rendimentos tributáveis no cálculo para apuração do Imposto de Renda Devido nos Anos Calendários em questão. E que, quanto às demais despesas que compuseram as deduções de seus rendimentos tributáveis nas DIRPF, relativas aos Exercícios de 2007, 2008 e 2009, que desconhece as razões pelas quais o escritório contratado para preencher os formulários de suas declarações naqueles exercícios, as declarou e as deduziu, já que, nem ele próprio ou os seus dependentes, as contrataram, receberam ou pagaram. Desta forma verificamos que, das deduções levadas a efeitos pelo contribuinte nas suas DIRPF/2007; 2008 e 2009 foram comprovadas nessa fiscalização, as descritas no quadro seguinte, nos montantes correspondentes às rubricas em cada um dos anos calendário sob fiscalização, as quais, depois de verificadas através da documentação própria, foram consideradas legais para fins de dedução dos rendimentos tributáveis, na apuração dos IRPF Devidos naqueles Anos Calendários. E que, o contribuinte não logrou comprovar, em parte as deduções declaradas e levadas a efeitos em suas DlRPFI2007; 2008 e 2009, por que tais despesas são inexistentes e, assim, estamos glosando as correspondentes deduções nos montantes indicados, nas rubricas e nos anos calendários a seguir Fl. 131DF CARF MF 4 Por outro lado, constatamos, conforme os espelhos do Sistema Eletrônico de Dados da Receita Federal do Brasil, conhecido como “IRPF/RESTITUIÇÕES”, os quais são anexados ao procedimento dessa fiscalização; que o contribuinte resgatou ou lhe foram creditadas as restituições do imposto, informadas nas DIRPF/2007, 2008 e 2009, respectivamente, nos importes originais de R$ 2.140,66, R$ 8.080,13 e R$ 6.683,04. Impugnação Inconformado com a autuação da qual tomou ciência pessoal em 08/11/2010, o contribuinte apresentou impugnação em 26/11/2010 (fls. 69 a 74). Por bem descrever os argumentos trazidos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: 3.1. que a fundamentação de as deduções foram pleiteadas indevidamente não merecem prosperar já que o contribuinte não agiu com intuito de sonegar ou fraudar o fisco; 3.2. que é cidadão de bem, que sempre cumpriu com suas obrigações fiscais, pessoais, entre outras; 3.3. que não tem noções da área e, por isso, é que contratou terceiros para assim proceder. O fato é que, como muitos, entregou os documentos para terceiro proceder a digitação das declarações de imposto de renda, fornecendo para tanto os documentos que foram solicitados: informe de rendimentos; nomes e demais dados de dependentes, comprovantes de despesas médicas; entre outras; 3.4. diz que, somente tomou ciência dos dados inclusos nas declarações de imposto de renda, após intimação e contato com o Sr. Auditor Fiscal; 3.5. afirma que não houve autorização de acréscimos de quaisquer informações ou valores inverídicos, até porque, não sabendo como proceder com a digitação e envio de declaração de imposto de renda, o contribuinte, por ser pessoa idônea, conhece perfeitamente suas obrigações e responsabilidades; 3.6. faz citação de jurisprudência; Fl. 132DF CARF MF Processo nº 15758.000521/201061 Acórdão n.º 2003000.027 S2C0T3 Fl. 117 5 3.7. “...requer respeitosamente a Vossa Senhoria, que seja concedido provimento a presente impugnação, anulandose o auto, para o fim de excluir a multa imposta ao impugnante de 150% cento e cinqüenta por cento. Requer, ainda, respeitosamente, ante a impugnação parcial apresentada, que seja deferido o parcelamento do montante existente em 60 (sessenta) parcelas, para solução da presente lide. Acórdão de Primeira Instância Os membros da 7a Turma de Julgamento da DRJ SP2, por unanimidade de votos, consideraram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme transcrição de ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 MATÉRIA INCONTROVERSA. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA ADESPESAS COM INSTRUÇAO. GLOSA DEDUÇAO PREVIDENCIA PRIVADA. Consideramse não impugnadas as matérias não contestadas pelo interessado, consolidandose administrativamente o crédito tributário a elas correspondentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Configurada a existência de dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário Cientificado dessa decisão em 14/02/2010 (fl.105), o contribuinte interpôs em 25/02/2010 recurso voluntário (fls. 107 a 110), e apresenta os mesmos argumentos da impugnação, os quais destaco a seguir: O ora recorrente entregou os documentos para terceira pessoa confeccionar as declarações de imposto de renda. Cumpre por oportuno consignar que a contratação do profissional se deu com base na relação consumerista e visava uma atividade fim, ou seja, a entrega regular da declaração de imposto de renda. Nas relações consumeristas a boafé do consumidor é objetiva e presumida até prova em contrário. Fl. 133DF CARF MF 6 Assim, para aplicação da multa deveria a Secretaria da Receita Federal indicar peremptoriamente os pontos que fundamentaram a “intenção de agir no fraudar o fisco", o que “in casu", não ocorreu. Denotase que a entrega da declaração por profissional da área contábil, presumese verdadeira até prova em contrária e dita prova deve ser disponibilizada ao consumidor de forma que permita sua retratação, sem a aplicação das sanções pertinentes. Ademais, presumese a boafé de quem contrata um serviço e não dispõe do conhecimento técnico específico da área financeira. Imperioso ressaltar que a mudança constante das Leis e a variação da Jurisprudência impedem uma pessoa no padrão do “homem médio" da sociedade de adquirir a gama de conhecimento necessário sobre todos os seus direitos, por isso, delegase tais funções, mediante contrato, para terceiros. E, para proteger o interesse dessas pessoas que contratam para atividades meios e fins é que o Código de Defesa do Consumidor atribuiu a Boafé objetiva como paradigma a ser observado por todo o sistema jurídico. Assim, “data vènia", não procede a alegação de que o contribuinte quando contrata um profissional, assume a responsabilidades pelos dados a serem registrados, principalmente porque a Justiça Federal e a própria Policia Federal, foram responsáveis pela apreensão dos documentos, estes cabíveis a localizar os contribuintes que foram vítimas da fraude, estes que estão assumindo por erros que não cometeram, além de multas elevadas, até a inclusão do nome em denuncia por crime previsto em Lei. Infelizmente, somente foi cientificado o ora recorrente dos fatos e do que constava nas declarações de imposto de rendo, quando o senhor Auditor Fiscal responsável pelo autuação demonstrou quais informações foram lançadas, sem autorização daquele, este que desconhecia completamente.. Diante do exposto, requer respeitosamente a V/ossas senhorias, que seja dado provimento ao presente RECURSO, para o fim de excluir a multa aplicada, pois o recorrente não agiu de forma criminosa como alegado desde o início do procedimento fiscal, principalmente porque o Secretario do Receito Federal está ciente de quem foi o responsável pelo digitação e envio dos declarações e de tontos outros contribuintes que foram prejudicados, com o inclusão, por aquele, de informações falsas. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 15758.000521/201061 Acórdão n.º 2003000.027 S2C0T3 Fl. 118 7 Voto Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminares Não há argüição de qualquer preliminar no recurso voluntário. Mérito O recorrente insurgese contra a decisão de primeiro grau, alegando descabimento da multa qualificada aplicada em decorrência das glosas de despesas apuradas no auto de infração de fls. 56 a 66. Sobre o tema, cumpre apresentar os dispositivos legais que regulamentam a matéria (conforme legislação em vigor à época dos fatos): Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifei) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; Já os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, assim definem: Fl. 135DF CARF MF 8 Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% terá aplicação sempre que, em procedimento fiscal, a autoridade lançadora reunir elementos que a convençam da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vê se que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade de que esteja indicado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade, é pressuposto de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502/64, ou seja, a vontade de obtenção de um fim em desacordo com o ordenamento jurídico ao se praticar determinada conduta. Ou ainda, nos termos do inciso I do art. 18 do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 7/12/1940), é doloso o crime quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Assim, a autoridade fiscal deve estar convencida e apresentar os motivos que a convenceram de que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado ao fim de suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. Para identificação do dolo em termos tributários é importante aferir o que é aceitável/razoável, para fins de convencimento da intenção de agir. E nesta aferição, são muito importantes os critérios de relevância (magnitude do que está em jogo) e de recorrência/reiteração (repetição ao longo do tempo) da conduta. Certamente é natural que se cometam erros de razoável magnitude e, da mesma forma, é natural que se cometam erros durante um certo lapso de tempo. Não obstante, a medida que crescem a relevância e a duração da prática no tempo; decresce, na mesma medida, a probabilidade de algo ter sido fruto de mero erro e aumenta a probabilidade de ter sido premeditado ou intencional. São duas faces da mesma moeda: num lado está o erro, o equívoco; no outro a intenção (de fazer algo errado ou de deixar de fazer algo certo a que se estava obrigado), a vontade de obtenção de um fim ao se praticar uma conduta. A combinação desses critérios também pode ser determinante: podese errar pouco durante muito tempo, assim como errar muito num curto espaço de tempo; agora errar muito durante muito tempo é algo que desafia o bom senso do homem comum. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 15758.000521/201061 Acórdão n.º 2003000.027 S2C0T3 Fl. 119 9 Na mesma linha da aferição a partir dos critérios da relevância e da recorrência (ou reiteração), situamse os seguintes acórdãos proferidos por este órgão colegiado: Acórdão nº 1201001.048 CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO. Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por três anos consecutivos (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração possa ter sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o dolo do agente.(grifei) Acórdão nº 9101003.970 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. A omissão reiterada de informações ao Fisco (recorrência) em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância) pode caracterizar o dolo ensejador da multa qualificada. Não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. A conduta da contribuinte durante os trabalhos de auditoria também reforça o dolo na supressão dos tributos, em momento anterior. Foram inúmeros os termos de intimação, e conforme registrado no Termo de Constatação de Infração, o contribuinte não logrou êxito em respondêlos, nem tão pouco justificou e ou comprovou a origem dos recursos depositados em suas várias contas bancárias. A informação de que a contribuinte poderia estar vendendo a particulares veículos adquiridos com benefícios fiscais só agrava a infração de omissão de receita pela falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício.(grifei) Acórdão nº 210101.362 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Nos casos em que ficar demonstrado nos autos que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, deve ser mantida a penalidade qualificada de 150%. Na hipótese, ficou demonstrada nos autos a prática reiterada de deduções inexistentes.(grifei) Fl. 137DF CARF MF 10 De acordo com o TVF, a multa foi majorada em razão da conduta, demonstrada nos três anoscalendário submetidos a exame, de inserir despesas dedutíveis inexistentes ou muito superiores, conforme o próprio recorrente assume em suas respostas por escrito, e que, por seus valores e quantidade demonstram evidente intuito de reduzir o imposto de renda devido, nos termos da Lei n° 9.430/96, em seu artigo 44, inciso II. Transcrevo a seguir trecho do TVF sobre o assunto: Constatase, do quadro acima, intitulado “DEDUÇÕES NÃO COMPROVADAS/GLOSADAS', elaborado a partir do que não foi comprovado documentalmente pelo contribuinte, ou, lhe foi glosado pelo fisco com as devidas justificativas; em face do que declarou em suas DIRPF, dos exercícios de 2007 a 2009, que o contribuinte incluiu indevidamente várias deduções inexistentes no cálculo do imposto devido, naquelas DIRPF sob fiscalização, mais especificamente com despesas a título de Contribuições a Previdência Privada e FAPI, Despesas com Instruções e Despesas Médicas, caracterizando, assim, a contumácia da inclusão ilegal de despesas inexistentes nos quadros próprios de suas declarações, com o fito de provocar uma redução ilegal dos rendimentos tributáveis e, com isto, reduzir o valor do imposto devido, obtendo como resultado, um menor valor de imposto a pagar ou um ressarcimento do IRPF a maior, no ano calendário correspondente; e, assim sendo, é aplicada a multa qualificada de 150%, sobre as diferenças verificadas nos impostos devidos em cada Ano Calendário, conforme o enquadramento legal que consta do Auto de Infrações, além, da necessária formalização da Representação Fiscal Para Fins Penais. Os fatos apontados configuram evidências suficientes de que a infração apurada tem a marca do dolo do contribuinte. Pois não é razoável admitir se que tenha sido fruto de mero erro ou negligência o fato de a pessoa física, declarar deduções indevidas em valores tão significativos, por três exercícios consecutivos. Há relevância na infração, porque o contribuinte deduziu valores bastante significativos quando comparados com os recibos originais por ele apresentados. E também há recorrência, porque essa forma de proceder foi constatada ao longo três consecutivos. Sobre as alegações de ignorância, de desconhecimento das leis, de que teria agido através da contratação de um terceiro, ou de que agiu de boafé, entendo que não merecem propespar. No voto da decisão de piso estão muito bem elucidadas essas questões. Peço vênia para colacionar trechos do acórdão recorrido que trazem os fundamentos aos quais me filio: Sobre esse aspecto, temse que, de nada vale o interessado alegar ignorância e desconhecimento das leis, ou que teria agido através da contratação de um profissional, ou, muito menos, que agiu de boafé, dizendo ignorar a inclusão de despe s não realizadas, pois, tais alegações não têm o condão de afastar a responsabilidade do contribuinte. A culpa, no âmbito estrito do direito tributário, em regra, não tem qualquer relevância jurídica, pois a responsabilidade por infrações à legislação tributária é objetiva, não comportando a aferição da culpabilidade, nos termos de outros ramos do direito. Tal é o comando do artigo 136 do CTN: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 15758.000521/201061 Acórdão n.º 2003000.027 S2C0T3 Fl. 120 11 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Por fim, a alegação de que as infrações apontadas na declaração de ajuste anual, objeto da autuação, teriam sido causadas por erro de terceiro não pode ser acolhida, pois a responsabilidade pelo Imposto de Renda da Pessoa Física tem natureza objetiva, bastando que ocorra o fato gerador para o tributo ser devido, e a responsabilidade pelo pagamento é sempre daquele que auferiu a renda e realizou todos os fatos que porventura venham repercutir na apuração do valor devido do imposto (por exemplo, despesas com instrução e despesas médicas). Este entendimento se extrai do art. 136, do Código Tributário Nacional Lei n° 5.172, acima transcrito. Vêse que, ao contratar escritório com a finalidade de preencher e entregar suas DIRPF”s, o contribuinte deu anuência a este, responsabilizandose, portanto, pelos atos por ele praticados e assumindo também o risco por eventuais ilegalidades. A despeito de todo o acima exposto, compete destacar que os argumentos do impugnante de que um terceiro teria inserido em suas DIRPF, por iniciativa própria, deduções de despesas que não ocorreram, sem o seu conhecimento, apresentamse inverossímeis, pois, o único a se beneficiar com as referidas irregularidades foi o contribuinte em causa. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele de cujo beneficio se aproveita. Cabe assim, ao contribuinte, no seu interesse, produzir as provas dos fatos consignados em sua declaração de rendimentos, sob pena de não têlos aceitos pelo Fisco. No que tange as irregularidades apuradas, o próprio contribuinte não as contesta, afirmando expressamente que, de fato, tais despesas não ocorreram, em sendo assim, a prática reiterada de redução de base tributável através de deduções pleiteadas indevidamente em suas DIRPF de 2007, 2008 e 2009, anoscalendário 2006, 2007 e 2008, denota o intuito de fraude, conduta essa, em tese, dolosa, consoante o disposto no art. 72 da Lei 4.502/64, fato que ocasionou a qualificação da multa conforme o inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/ 1996, para fatos geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007, e inciso I e § 1°, do artigo 44 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007, para os fatos geradores a partir de 15/06/2007. Destaco aqui, também, que não é cabível a alegação de desconhecimento da inserção de despesas inexistentes pelo profissional contábil. Conforme se depreende da leitura do TVF fls. 52 a 55, o próprio contribuinte recebeu nos anoscalendário 2006 a 2008 restituições em sua conta bancária e gozou dos benefícios financeiros da redução de impostos obtida pela declaração de deduções a maior. Fl. 139DF CARF MF 12 Por outro lado, constatamos, conforme os espelhos do Sistema Eletrônico de Dados da Receita Federal do Brasil, conhecido como “IRPF/RESTITUIÇÕES”, os quais são anexados ao procedimento dessa fiscalização; que o contribuinte resgatou ou lhe foram creditadas as restituições do imposto, informadas nas DIRPF/2007, 2008 e 2009, respectivamente, nos importes originais de R$ 2.140,66, R$ 8.080,13 e R$ 6.683,04. Assim, estando prevista pela legislação de regência e, tendo sido apurados todos os pressupostos para sua aplicação, encontrase plenamente justificada a aplicação da multa qualificada de 150% em relação às glosas de despesas apuradas. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe total provimento, mantendo a multa qualificada no percentual de 150%. É como voto (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.731891/2014-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. CONHECIMENTO PARCIAL DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01.
De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento das alegações da peça recursal objeto da ação judicial.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. SUJEIÇÃO PASSIVA CARACTERIZADA.
Conforme confessado pelo contribuinte a atividade é exercida através de seus membros. Portanto a legitimidade passiva restou caracterizada, pois a relação jurídica originária é estabelecida sempre com a contribuinte.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BOLSAS DE EXTENSÃO. NÃO INCIDÊNCIA.
Conjunto probatório condizente com as atividades da contribuinte. Bolsas de extensão transferidas aos membros em decorrência da prática da docência em hospital de clínicas, pela ministração de aulas aos médicos residentes, de acordo com a Lei 8.958/94.
In casu, não restou caracterizado o caráter remuneratório da verba destinada a bolsa extensão, sendo incabível a incidência de contribuição previdenciária sobre a rubrica.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BOLSAS DE PESQUISA. NATUREZA MERCANTIL. INCIDÊNCIA.
Constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o pagamento de bolsas de pesquisa com características mercantis, quando importa contraprestação de serviços e os resultados revertem-se economicamente em benefício do patrocinador.
Numero da decisão: 2401-006.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o levantamento BE do DEBCAD 51.045.116-0. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial em menor extensão para, quanto ao levantamento BE, retificar a base de cálculo e excluir a multa e os juros. Vencidos em primeira votação os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator) e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. CONHECIMENTO PARCIAL DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento das alegações da peça recursal objeto da ação judicial. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SUJEIÇÃO PASSIVA CARACTERIZADA. Conforme confessado pelo contribuinte a atividade é exercida através de seus membros. Portanto a legitimidade passiva restou caracterizada, pois a relação jurídica originária é estabelecida sempre com a contribuinte. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BOLSAS DE EXTENSÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Conjunto probatório condizente com as atividades da contribuinte. Bolsas de extensão transferidas aos membros em decorrência da prática da docência em hospital de clínicas, pela ministração de aulas aos médicos residentes, de acordo com a Lei 8.958/94. In casu, não restou caracterizado o caráter remuneratório da verba destinada a bolsa extensão, sendo incabível a incidência de contribuição previdenciária sobre a rubrica. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BOLSAS DE PESQUISA. NATUREZA MERCANTIL. INCIDÊNCIA. Constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o pagamento de bolsas de pesquisa com características mercantis, quando importa contraprestação de serviços e os resultados revertem-se economicamente em benefício do patrocinador.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.731891/2014-27
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6005481
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.052
nome_arquivo_s : Decisao_11080731891201427.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080731891201427_6005481.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o levantamento BE do DEBCAD 51.045.116-0. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial em menor extensão para, quanto ao levantamento BE, retificar a base de cálculo e excluir a multa e os juros. Vencidos em primeira votação os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator) e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7736528
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051910043336704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2081; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.731891/201427 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401006.052 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FUNDAÇÃO MÉDICA DO RIO GRANDE DO SUL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. CONHECIMENTO PARCIAL DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento das alegações da peça recursal objeto da ação judicial. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SUJEIÇÃO PASSIVA CARACTERIZADA. Conforme confessado pelo contribuinte a atividade é exercida através de seus membros. Portanto a legitimidade passiva restou caracterizada, pois a relação jurídica originária é estabelecida sempre com a contribuinte. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BOLSAS DE EXTENSÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Conjunto probatório condizente com as atividades da contribuinte. Bolsas de extensão transferidas aos membros em decorrência da prática da docência em hospital de clínicas, pela ministração de aulas aos médicos residentes, de acordo com a Lei 8.958/94. In casu, não restou caracterizado o caráter remuneratório da verba destinada a bolsa extensão, sendo incabível a incidência de contribuição previdenciária sobre a rubrica. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BOLSAS DE PESQUISA. NATUREZA MERCANTIL. INCIDÊNCIA. Constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o pagamento de bolsas de pesquisa com características mercantis, quando importa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 18 91 /2 01 4- 27 Fl. 5245DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 3 2 contraprestação de serviços e os resultados revertemse economicamente em benefício do patrocinador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o levantamento BE do DEBCAD 51.045.1160. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial em menor extensão para, quanto ao levantamento BE, retificar a base de cálculo e excluir a multa e os juros. Vencidos em primeira votação os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator) e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Fl. 5246DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 4 3 Relatório FUNDAÇÃO MÉDICA DO RIO GRANDE DO SUL, contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Fortaleza/CE, Acórdão nº 0833.307/2015, às efls. 2.767/2.784, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias devidas ao INSS, referente aos valores pagos aos segurados contribuintes individuais e obrigação acessória, em relação ao período de 01/2010 a 12/2011, conforme Relatório Fiscal, às fls. 2.372/2.413 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciado nos seguintes Autos de Infração: a) DEBCAD 51.045.1152 contribuição patronal incidente sobre as remunerações de segurados contribuintes individuais, prevista na Lei nº 8.212/91, art. 22, III. BE – BOLSA DE EXTENSÃO; BP – BOLSA DE PESQUISA. (fatos geradores do ano 2010) b) DEBCAD 51.045.1160 contribuição patronal incidente sobre as remunerações de segurados contribuintes individuais, prevista na Lei nº 8.212/91, art. 22, III BE – BOLSA DE EXTENSÃO; BP – BOLSA DE PESQUISA. (fatos geradores do ano de 2011) c) DEBCAD 51.045.1179 contribuição patronal incidente sobre as remunerações de segurados contribuintes individuais, prevista na Lei nº 8.212/91, art. 22, III. CH – CONTR HOSPITAIS E UNIVERSIDADE. (fatos geradores de 2010 e 2011 oriundos de contratos firmados com hospitais) d) DEBCAD 51.045.1195 contribuição patronal incidente sobre as remunerações de segurados contribuintes individuais, prevista na Lei nº 8.212/91, art. 22, III. CE – BOLSA PESQ ESPECFICOS. (fatos geradores de 2010 e 2011 citados no item 16 do Relatório Fiscal – Casos Específicos) e) DEBCAD 51.045.1187 CFL 35 Deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme previsto na Lei nº 8.212/1991, art. 32, III e §11, combinada com o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Fl. 5247DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 5 4 Conforme seu estatuto, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul constituise em fundação de apoio ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre – HCPA, enquanto hospital escola da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, mediante credenciamento junto a Ministério da Educação – MEC e ao Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT. Foi constatado que a Fundação remunera, a título de bolsas, professores médicos, médicos pesquisadores e outros vinculados à área de saúde, os quais compõem o corpo docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul concomitantemente. Tais bolsas são denominadas “bolsas de pesquisa” e “bolsas de extensão”. As Bolsas de Pesquisa são valores pagos pela Fundação para desenvolvimento de projetos de pesquisa apresentados por empresas diversas, geralmente laboratórios farmacêuticos, mediante contratos de pesquisa firmados, em sua maioria, entre a Fundação, o Hospital das Clínicas de Porto Alegre, o laboratório interessado na pesquisa e o Pesquisador/Investigador vinculado à Fundação. Pela análise dos contratos referentes às Bolsas de Pesquisa, vêse que têm o caráter de prestação de serviços, com a propriedade das invenções pertencendo aos laboratórios, que têm direito de monitorar os estudos e o ambiente no qual se desenvolvem, além de definir a forma como são efetuadas as pesquisas, dentre outras características. O fato de a totalidade dos dados gerados, descobertas e invenções, bem como quaisquer direitos de propriedade intelectual relacionados a essas descobertas, ser de propriedade do laboratório denota que a pesquisa reverte em benefício do contratante. As Bolsas de Extensão são valores pagos pela Fundação a professores/médicos e outros profissionais vinculados à área de saúde que compõem o corpo docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mediante convênio entre a Fundação e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, respectivamente denominados convenente e concedente. Entre 2010 e 2011 encontravamse em vigor os seguintes convênios: Convênio Operacional nº 001/2010 e 001/2011 – Programa de Extensão de Preceptoria de Residência Médica; Convênio Operacional nº 004/2010 e 004/2011 – Programa de Docência em Residência Integrada Multiprofissional em Saúde; Convênio Operacional nº 005/2010 e 005/2011 – Programa de Extensão de Atividades Didáticas Complementares, de Gestão de Informações Hospitalares e de Qualidade Assistencial no Hospital de Clínicas de Porto Alegre; Convênio Operacional nº 006/2010 e 006/2011 – Programa de Extensão em Odontologia. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRS oferece cursos de graduação e pósgraduação na área de saúde (Medicina, Enfermagem e Odontologia), todavia não dispõe de estrutura hospitalar própria capaz de viabilizar o desempenho das atividades práticas na área de saúde. Para preencher tal lacuna a UFRS estabeleceu ser o Hospital de Clínicas de Porto Alegre seu Hospital Escola, o qual disponibiliza suas instalações e seus pacientes para o exercício das atividades acadêmicas práticas. Conforme os contratos firmados, os professores da UFRS vinculados à Fundação Médica exercem atividades de preceptoria dos médicos residentes/enfermeiros/dentistas e também são responsáveis pelas internações e procedimentos efetuados nos pacientes do Hospital das Clínicas atendidos pelos residentes. Os serviços objeto dos convênios são realizados por médicos/enfermeiros/dentistas membros da Fundação Médica, os quais assinam um documento Fl. 5248DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 6 5 padrão, com cláusulas iguais para os quatro convênios. A variação ocorre apenas no que tange ao objeto do convênio e o valor da bolsa. É padronizado também o documento intitulado “Relatório do Bolsista”, no qual são discriminados a carga horária, a área de atuação, o tipo de atividade realizada, dentre outras informações. Os tipos de atividades são iguais para todas as especialidades médicas no Convênio 001. Para os demais convênios esse formulário não foi apresentado, apesar de solicitado por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 3, o que ensejou a lavratura do Auto de Infração com Código de Fundamentação Legal nº 38. Constitui parte integrante das atividades dos bolsistas vinculados à Fundação a prestação de serviços médicos a pacientes atendidos no Hospital de Clínicas de Porto Alegre pelo Sistema Único de Saúde – SUS. A Auditoria entende que as bolsas de extensão concedidas configuramse como pagamento pela prestação de serviços médicos, odontológicos, de enfermaria e de controle de qualidade do Hospital executados por membros da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, juntamente com o treinamento dos médicos residentes. Em resposta a consulta formulada, o Ministério da Educação emitiu a Informação nº 0001/2001, na qual conclui que os professores da Universidade não estão obrigados ao exercício de atividades assistenciais no âmbito do Hospital, pois os deveres inerentes ao cargo de magistério na área de saúde não abrangem a prestação de assistência aos pacientes e as atividades assistenciais na área de saúde integram os fins institucionais do Hospital e não da Universidade. No documento do Ministério da Educação foi declarado que os professores da área de saúde da UFRS podem ser contratados pela Fundação para prestar serviços assistenciais no Hospital e que essas relações de trabalho são estabelecidas com exclusividade entre eles e a Fundação. A bolsa recebida deve ser caracterizada como contraprestação de serviços prestados no âmbito do Hospital para cumprimento das obrigações de atendimento ambulatorial e assistencial à população atendida pelo SUS. Nesse sentido já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil na Solução de Consulta SRRF/10 a RF/DISIT nº 18, provocada pela Fundação Médica, na qual foi dito que por ter a característica de contraprestação por serviços prestados, a bolsa de extensão está em desacordo com o disposto no caput do art. 6º do Decreto nº 5.205/2004. Os objetos dos contratos vigentes em 2010 não podem ser considerados doação civil, pois têm natureza eminentemente comercial e o valor é repassado em contraprestação a um serviço prestado. Assim, foi descumprido o disposto no Decreto nº 5.205/2004. Para o período de 2011 foi descumprido o art. 2º da Lei nº 8.958, alterado pela Lei nº 12.349/2010, que determina para as fundações a observância do princípio da publicidade. É necessária a divulgação integral em sítio na rede mundial de computadores dos instrumentos contratuais e dos relatórios semestrais de execução dos contratos, entretanto os contratos em questão têm normas de confidencialidade extremamente rigorosas. Em consulta ao sítio da Fundação, a Auditoria constatou o descumprimento à disposição legal. Ademais, o Decreto nº 7.423/2010 impôs também, no seu art. 6º, §1º, que nos planos de trabalho que embasam o projeto devem estar precisamente definidos os participantes Fl. 5249DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 7 6 vinculados à instituição apoiada autorizados a participar, bem como o valor das bolsas concedidas e os pagamentos previstos a pessoas físicas e jurídicas, o que não foi observado pelo sujeito passivo. Assim, o pagamento das bolsas de pesquisa e as bolsas de extensão em tela constituem fato gerador das contribuições previdenciárias, sendo os médicos e pesquisadores caracterizados como contribuintes individuais. A Fundação interpôs a Ação Ordinária 501531185.2010.404.7100/RS, em face da Fazenda Nacional, objetivando a declaração de não obrigatoriedade do recolhimento de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a professores e pesquisadores vinculados a projetos de pesquisa e extensão. A MM. Juíza Federal, na sua sentença, disse que o último decreto apresenta maiores restrições e condições a serem observadas no desenvolvimento dos projetos do que o anterior, não mais caracterizando como doações civis as bolsas, com evidente possibilidade, a qual já existia por força da própria Lei nº 9.250/1995, de que assuma caráter remuneratório. Acrescenta a MM. Juíza, que o Decreto nº 7.423/2010, ao prever a proporcionalidade com relação à remuneração do beneficiário e ao estabelecer aplicabilidade do teto constitucional aos valores, evidencia o caráter remuneratório das bolsas percebidas pelos docentes. A par dos contratos analisados até aqui, há outros com características distintas, mas que descumpriram o art. 6º, §4º, do Decreto nº 5.205/2004 ou o art. 6º, §1º, do Decreto nº 7.423/2010. O Contrato 001767 (contratante: APAE de Caxias do Sul) foi assinado em 1º/03/2003 e mantido até o ano de 2011, contrariando o art. 1º do Decreto nº 5.205/2004 e o art. 1ºB da Lei nº 8.958/1994 que prevêem prazo determinado. A possibilidade de renovações sucessivas dos contratos contraria o Decreto nº 7.423/2010, que veta a reapresentação reiterada. Os contratos visam ao apoio a projeto de pesquisa, mas também atendimento assistencial aos pacientes da APAE, configurando contraprestação de serviços e objeto genérico (Decreto nº 7.423/2010, art 8º). Não há nos contratos definição expressa de valor, periodicidade, duração e beneficiários da bolsa de pesquisa (Decreto nº 5.205/2004, art. 6º, §4º). Não há nos contratos execução limitada no tempo, definição precisa dos resultados esperados e metas, quem são os participantes autorizados e o valores das bolsas a serem concedidas, pagamentos previstos a pessoas físicas e jurídicas (Decreto nº 7.423/2010, art. 6º). 25. Em alguns contratos, o objeto é uma doação com a finalidade específica de custear um evento promovido pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Alguns também incluem financiamento para participação em outros eventos no exterior e até mesmo objetos genéricos, como no contrato com a Shire de 13/09/2011. Esses contratos não são destinados a um projeto de pesquisa nos termos da legislação que rege a matéria. No Contrato 004308 (Elsa), não foram especificados os beneficiários e os valores das bolsas. Foi citado o valor total a ser pago a bolsistas e estagiários, sem identificação de quantos seriam e quanto receberiam. Há referência a trinta e seis bolsistas não nominados, que receberão bolsa em valor determinado por 36 meses, todavia consta planilha com os valores mensais recebidos por cerca de 40 a 70 bolsistas. Há um Auto de Infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória (Código de Fundamento Legal 68) com decisão transitada em julgado administrativamente dentro dos últimos cinco anos (Auto de Infração 37.385.1324). Fl. 5250DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 8 7 O Auto de Infração nº 51.045.1187 (Código de Fundamentação Legal 38) foi lavrado por não terem sido apresentados todos os documentos solicitados, o que caracteriza a conduta de deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previstas na Lei nº 8.212/1991. Não foram apresentados todos os contratos em que houve pagamentos no período fiscalizado, conforme planilha 22, e não foram apresentados os Relatórios dos Bolsistas relacionados também nessa planilha. Foi aplicada a reincidência genérica, com a elevação do valor da multa em duas vezes. Inconformada com a Decisão recorrida, autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 2.812/2.837, procurando demonstrar sua improcedência, repisando em número, grau e gênero as razões da impugnação, motivo pelo qual, neste aspecto, adoto o relatório da DRJ, em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, suscita o que segue: 1. Não há prestação de serviços, adequandose as bolsas de estudo ao disposto na Lei nº 8.958/1994. Tais doações, inclusive, já passaram pelo crivo do Tribunal de Contas da União e da Procuradoria Geral das Fundações de Apoio (órgão do Ministério Público Estadual), que atestaram a inexistência de qualquer relação de prestação de serviço que acarretem vantagem para a impugnante. 2. O próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF já examinou a relação jurídica estabelecida entre os médicos preceptores dos projetos de pesquisa e de residência médica do HCPA e chancelou a isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física dos professores, por entender que a bolsa recebida da Fundação Médica tem caráter de doação e não decorre de contraprestação de serviços, tampouco acarreta vantagem para o doador. 3. Ainda que se admita ter havido prestação de serviços, a relação teria como sujeitos de um lado os professores da UFRS, de outro, o Hospital de Clínicas e as outras entidades patrocinadoras, que seriam os beneficiários. No relato da Auditoria, em momento algum a impugnante foi descrita como beneficiária dos “serviços” ou destinatária do seu resultado econômico, tampouco como titular da disponibilidade utilizada para o seu financiamento (não efetua pagamento, mas apenas repassa os valores doados). 4. A relação de prestação de serviços é regulada pelo Código Civil, envolvendo tomador e prestador. O sujeito passivo da contribuição previdenciária prevista no art. 22, III, é sempre o credor do serviço (tomador). Do próprio relatório fiscal, concluise que os financiadores e tomadores dos serviços prestados são as entidades, como o Hospital de Clínicas de Porte Alegre e os laboratórios, sendo a impugnante mera repassadora dos valores pagos. Houve, pois, erro crasso por parte da fiscalização quando indicou a impugnante como sujeito passivo do lançamento. Fl. 5251DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 9 8 5. Em 1998, foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 32.722.3111, contra o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, com a exigência das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos a título de bolsas de pesquisa e extensão (doações) que não cumpriram os requisitos da legislação. Os pressupostos de fato e de direito foram os mesmo agora suscitados pela fiscalização. O Hospital teve êxito na Ação Anulatória de Débito Fiscal nº 1999.71.00.0266656, processo judicial no qual foi reconhecida a nulidade da NFLD por ausência de vínculo empregatício. O Judiciário entendeu que não há subordinação do corpo docente da UFRS com o Hospital, permanecendo a relação estatutária do corpo funcional com a Universidade. Se a fiscalização entendeu que houve a prestação de serviços, deveria ter agora autuado o Hospital e não a Fundação, o que seria mais coerente. 6. Além de o Auditor Fiscal ter, por equívoco, desconsiderado os depósitos judiciais, errou no cômputo da base de cálculo. A quantia por ele apurada corresponde ao valor efetivamente gasto com cada bolsista, porém nesse montante estão inclusos o valor líquido da bolsa, a retenção de 11% depositada em Juízo (valor que varia caso o bolsista comprove reter por outras fontes), a retenção de Imposto sobre a Renda de 27,5% depositado em Juízo e a contribuição previdenciária patronal depositada em Juízo. O valor da contribuição patronal deve incidir sobre o valor da bolsa consideradas as retenções (R$ 6.000,00) e não sobre o valor que a Fundação despende com cada bolsista (R$ 7.200,00). Deve, pois, ser efetuada diligência, para que sejam revistos os valores lançados. 7. A impugnante interpôs a Ação Declaratória nº 5015311 85.2010.404.7100, requerendo que fosse declarada a isenção do Imposto sobre a Renda e a não incidência das contribuições previdenciárias sobre as bolsas de ensino, pesquisa e extensão doadas no âmbito da Lei nº 8.958/1994 e regulada pelo Decreto nº 5.205/2004. A sentença de primeiro grau determinou a extinção da ação judicial sem resolução de mérito, em virtude da alteração da legislação objeto de questionamento e da impossibilidade de proferir declaração em abstrato, o que foi mantido pelo Tribunal Regional Federal – TRF da 4ª Região. A ação encontrase pendente de análise do Recurso Especial interposto pela Fundação (nº 1.437.578). 8. Nesse ínterim, desde 2011, a impugnante realiza depósito judicial dos valores referentes às contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados a título de bolsa de extensão, os quais são objeto do lançamento. Dessa forma, desde 2011, a impugnante não está em mora, não havendo motivo para a imputação de multa e juros. Transcritas as preliminares argüidas, passaremos a dispor sobre os fundamentos de mérito, senão vejamos: 9. A Fundação age como intermediária entre o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (IFES apoiada) e as entidades públicas Fl. 5252DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 10 9 e privadas que desejam utilizar a sua estrutura para desenvolvimento de pesquisas e extensão. 10. Os projetos de extensão são desenvolvidos por meio de 4 (quatro) convênios operacionais firmados anualmente entre o Hospital e a Impugnante. Os programas são financiados com verbas recebidas pelo Hospital do Ministério da Educação, destinadas a ações que integrem as rotinas hospitalares à formação profissional dos médicos residentes do Hospital (Programa de Residência Médica). Tais quantias são utilizadas para a contratação de bolsistas (professores da UFRS) que conduzem os residentes em reuniões de equipe, quando se discutem os casos de responsabilidade de cada aluno. 11. As atividades do professor preceptor (supervisor) não se confundem com o atendimento ambulatorial a pacientes, efetivado pelos residentes e médicos do hospital. O Hospital tem uma estrutura de mais de 700 (setecentos) médicos contratados cuja função é atender aos milhares de pacientes do SUS. Apesar de esses médicos contratados poderem interagir com os residentes nos atendimentos realizados no âmbito do Programa de Residência Médica, a sua função não se confunde com a dos professores membros da Fundação, que é o ensino prático do médico residente. 12. Nos projetos de pesquisa, os pesquisadores (membros da Fundação), juntamente com os médicos residentes e alunos da graduação (Hospital e UFRS) encampam pesquisas nas áreas de sua especialidade e de acordo com as necessidades dos pacientes do SUS atendidos no Hospital e buscam patrocínios de instituições públicas e privadas para custeio dos projetos. 13. O projeto de pesquisa tem finalidade acadêmica e científica e seus efeitos alcançam toda a comunidade médica na construção de novos medicamentos e tratamentos na área de saúde, beneficiando toda a sociedade, podendo contemplar os patrocinadores de forma indireta. Há estudos científicos, publicações de artigos, apresentação dos resultados em eventos acadêmicos, etc. 14. Assim, a impugnante entende, com base na singularidade das relações nos projetos de pesquisa, que o pagamento dos profissionais em forma de bolsa está em total conformidade com o art. 4º da Lei nº 8.958/1994 e regulamentação. 15. O Tribunal de Constas da União auditou todos os convênios, contratos e termos de concessão de bolsas firmados pela Fundação e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, tendo concluído que se enquadram no que determina a Lei nº 8.958/1994 e no Decreto nº 5.205/1994. Além de demonstrar a boa fé da impugnante, tal decisão evidencia que ela sustentouse em uma análise técnica de um órgão jurisdicional vinculado ao ente responsável pela tributação. Fl. 5253DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 11 10 16. O CARF chegou às mesmas conclusões no Acórdão nº 2801 003.779, quando examinou a isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física sobre as bolsas recebidas. 17. As tarefas de análise de indicadores de eficiência do hospital, análise de prontuários, análise de críticas e sugestões dos funcionários e pacientes, busca de aperfeiçoamento dos processos licitatórios, auditoria dos exames, dos óbitos e das prescrições medicamentosas e análise de solicitações de estágios encaminhadas ao hospital encaixamse no conceito de “desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da IFES apoiada” previsto no §3º do art. 6º do Decreto nº 5.205/2004. 18. Ao contrário do que disse a Auditoria, as pesquisas científicas realizadas pelos membros da Fundação não constituem prestação de serviços no interesse exclusivamente comercial dos laboratórios patrocinadores e outras entidades. Os contratos se originam de interesse público de produção de conhecimento e de sanar as necessidades do SUS. Os próprios pesquisadores buscam os patrocínios, que são concedidos por instituições públicas e privadas, as quais fornecem seus medicamentos gratuitamente, entre outros subsídios. 19. O pesquisador não desenvolve fórmulas medicamentosas, não opina profissionalmente sobre elas e não influencia na montagem dos remédios pesquisados, não sendo responsável pelos lucros que o laboratório patrocinador possa vir a ter caso o medicamento venha a ser comercializado. 20. As cláusulas de confidencialidade e propriedade intelectual suscitadas pela autoridade fiscal como caracterizadoras da prestação de serviços não decorrem de exigência contratual, mas sim por força do art. 6º e seguintes da Lei nº 9.279/1996 e das normas éticas relativas aos sujeitos do experimento (paciente, formulação química dos fármacos e dados do fabricante). 21. A existência de vantagem econômica nos contratos de patrocínio firmados com os laboratórios é mera presunção da fiscalização, não comprovada nos autos e discordantes com os seguintes fatos: a. Há projetos que não estão vinculados ao teste de medicamentos; b. Alguns dos medicamentos utilizados já são comercializados e fornecidos gratuitamente pelos laboratórios; c. Muitas das pesquisas constatam a ineficácia dos fármacos testados, não trazendo lucro algum para o fabricante; d. Os estudos produzidos não garantem o registro e a distribuição dos medicamentos fabricados, que devem respeitar uma série de normas impostas pela Lei nº 6.390/1976 e avaliação da Anvisa. Fl. 5254DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 12 11 22. O descumprimento das obrigações acessórias de publicidade das informações dos contratos e no sítio da Fundação não é suficiente para extirpar as bolsas do regime jurídico aplicável a elas. Ademais, não foi provado esse fato para os contratos de 2010 e 2011. Em todos os termos de Concessão de Bolsa e contratos anexados ao Auto de Infração, há especificação dos valores doados e das bolsas, período de vigência do contrato, etc. Quanto ao sítio da Fundação na internet, este foi examinado somente em 02/10/2014, após mais de 3 (três) anos dos períodos fiscalizados, não se prestando a provar a falta de publicidade. 23. Mesmo tendo sido revogado o Decreto n 5.205/2004, a natureza das verbas não se altera enquanto estiverem de acordo com a Lei nº 8.958/1994 e não haverá prestação de serviços. Ao final, a recorrente requer: (a) seja recebido e provido o seu recurso, com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; (b) seja cancelado o Auto de Infração em face da sua ilegitimidade passiva; (c) não acolhido o pedido anterior, seja cancelado o lançamento por as atividades se enquadrarem na Lei nº 8.958/1994, afastando o caráter de remuneração das bolsas doadas. (d) se for mantida a autuação, que seja efetuada diligência, para a exclusão da contribuição exigida a maior. Não houve apresentação de contrarrazões. Em 25/10/2017, a contribuinte apresentou 'Complemento ao Recurso" às fls. 2.892/2.898, explicitando o que segue: Esclarece que a hipótese normativa tributária da contribuição previdenciária, como é cediço, tem como materialidade uma relação jurídica estabelecida entre tomador e prestador. Se a prestação de serviço existe (fato gerador), nascem as respectivas obrigações tributárias, tanto para o prestador de serviço (limitada ao salário de contribuição), como para o empregador (incidente sobre a remuneração paga ao prestador de serviço). Se não existe, não nascerá nenhuma relação tributária, conforme princípio lógico do terceiro excluído. No caso em tela, os preceptores/pesquisadores vinculados à Recorrente irresignados com o posicionamento da RFB que lhes exigia tanto o IRPF, como a contribuição do INSS sobre as bolsas ajuizaram ações perante a Justiça Federal em Porto Alegre, através das quais buscaram o reconhecimento de que sua atividade não configura prestação de serviço à Recorrente e, consequentemente, não está sujeita ao IRPF nem à contribuição para o INSS . Analisando os pleitos ajuizados pelos preceptores/pesquisadores, que têm como objeto a percepção das bolsas repassadas pela Recorrente, o Poder Judiciário reconheceu a procedência, de modo definitivo, de TODAS as ações, cristalizando a inexigibilidade da contribuição para o INSS, pela inexistência da contraprestação de serviços, que constitui a materialidade do crédito tributário ora discutido, anexando documentação. Aduz que o Poder Judiciário definiu, com caráter de definitividade, o regime jurídico aplicável ao caso , fixando que: (i) as bolsas administradas pela FMRS caracterizam doação; (ii) não há benefício econômico à FMRS; e (iii) a atividade desenvolvida pelos preceptores/pesquisadores constitui regime Fl. 5255DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 13 12 jurídico próprio inconfundível com a prestação de serviços, razão por que não está sujeita ao recolhimento de INSS. Repisar que, embora não tenham sido propostas pela Recorrente, as decisões advindas das ações propostas pelos “pretensos prestadores de serviços” qualificam, de modo definitivo, a natureza jurídica das bolsas a eles repassadas pela Recorrente (objeto do presente lançamento). Se a Administração Fazendária deve respeitar decisão judicial transitada em julgado na esfera trabalhista reconhecendo a inexistência de vínculo empregatício em reclamatória proposta pelo pretenso empregado (processo no qual a Fazenda sequer foi parte), com maior razão deve respeitar as decisões judiciais proferidas em processos ajuizados pelos preceptores/pesquisadores, nos quais a Fazenda foi ré, cujas decisões reconheceram a inexistência de prestação de serviços deles à Recorrente. Explana quando a nova redação do art. 9° da Lei n° 10.973/04 e, mais uma vez, insurgese quanto a legitimidade passiva. Após, regular processamento do feito, em 05 de junho de 2018, foi proposta resolução por este Conselheiro Relator, acatada pela unanimidade do Colegiado, às efls 3.605/3.616, in verbis: Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, os Autos de Infração sob análise referemse a exigência de crédito tributário concernente às contribuição previdenciária incidentes sobre as parcelas que atribui a professores universitários e pesquisadores vinculados aos programas e projetos de pesquisa e extensão levados a efeito pela entidade. Com efeito, a Recorrente impetrou Ação Ordinária n° 501531185.2010.404.7100/ RS, perante a 2° Vara Tributária de Porto Alegre/RS, em face da União, visando a declaração de inexigibilidade de pagamento de imposto de renda e contribuição previdenciária incidentes sobre as parcelas que atribui a professores universitários e pesquisadores vinculados aos programas e projetos de pesquisa e extensão levados a efeito pela entidade. Entrementes, inobstante constar dos autos a informação de que a contribuinte se valeu do Judiciário com o fito de discutir a matéria objeto do presente lançamento, não fora acostado ao processo a documentação pertinente à aludida discussão judicial, o que inviabiliza verificar se há, efetivamente, concomitância entre as discussões administrativa e judicial. Ora, como a contribuinte registra a discussão judicial da regularidade/legalidade da presunção, o qual fora adotado na conclusão da fiscalização, impõese tomar conhecimento do teor do pedido formulado nos autos da Ação Ordinária, bem como das eventuais decisões e/ou recursos apresentados até o presente momento, tendo em vista que podem guardar similitude com as razões recursais da entidade, o que inviabilizaria o conhecimento de tais alegações em face da concomitância, na esteira do disposto na Súmula CARF nº 01, ou mesmo a Fl. 5256DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 14 13 necessária observância por parte desse Colegiado na hipótese de rechaçar o Ato Cancelatório. No entanto, somente com o conhecimento do inteiro teor da exordial, bem como dos demais atos processuais e/ou decisões proferidas no decorrer do processo judicial em epígrafe é que este Conselheiro poderá se manifestar sobre o assunto, com a segurança que o caso exige, buscando evitar, sobretudo, proferir eventual voto contrário à Súmula CARF nº 01. Assim, mister se faz converter o julgamento em diligência com a finalidade de a autoridade fazendária intimar a contribuinte à apresentar cópia do Mandado Judicial e certidão de objeto e pé, nos autos do processo judicial sob nº 501531185.2010.404.7100/ RS. Inclusive, se for de interesse da contribuinte, manifestese acerca dos documentos solicitados Em resposta a diligência encimada, a contribuinte anexou aos autos cópia integral da ação judicial, efls. 3.660/5210, além de apresentar manifestação no sentido de que não há concomitância (efls. 3.626/3.630). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator RECURSO VOLUNTÁRIO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE CONCOMITÂNCIA DELIMITAÇÃO DA LIDE Apesar de presente o pressuposto de admissibilidade, ser tempestivo, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, o conhecimento de parte do recurso, como passaremos a demonstrar. Com efeito, a Recorrente impetrou Ação Ordinária n° 5015311 85.2010.404.7100/RS, perante a 2° Vara Tributária de Porto Alegre/RS, em face da União, postulando a declaração de inexigibilidade de pagamento de imposto de renda e contribuição previdenciária incidentes sobre as parcelas que atribui a professores universitários e pesquisadores vinculados aos programas e projetos de pesquisa e extensão levados a efeito pela entidade, senão vejamos o pedido constante da Petição Inicial (efls. 3.709): Fl. 5257DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 15 14 Assentado que a citada medida judicial versa no tudo e no todo sobre o mérito da matéria tratada no presente Processo Administrativo Fiscal (contribuição previdenciária incidentes sobre bolsa pesquisa e extensão), e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. Da leitura da norma esculpida no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. A matéria em apreço já foi enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 5258DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 16 15 Contudo, ambos os atos apontam a propositura de ação judicial como ato suficiente para impedir a apreciação, no contencioso administrativo, de matéria levada à apreciação do Poder Judiciário. Não se exige, portanto, a coexistência dos processos administrativo e judicial para se concluir pela renúncia às instâncias administrativas, mas apenas o ato de propor ação judicial por qualquer modalidade processual. Diante desse quadro, pugnamos pelo não conhecimento dos temas levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterados no vertente Instrumento Recursal interposto perante este Colegiado, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º da Lei nº 8.213/91, em interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual. A renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Impetrante. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário. Salientamos ainda que referida renúncia não está condicionada ao resultado da demanda judicial, ou seja, com ou sem resolução de mérito, o ato de renúncia é perfeito e acabado. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Em consulta ao sítio do CARF, verificamos que há diversos julgados nesse sentido, senão vejamos: Acórdão n° 1101000.920 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2005 CONCOMITÂNCIA. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual é suficiente para caracterizar a renúncia as instâncias administrativas. A extinção do processo judicial sem julgamento do mérito não descaracteriza a renúncia às instâncias administrativas, decorrente, apenas, da propositura da ação judicial. Interpretação da Súmula CARF nº 1. (Acórdão n° 1101000.920 Sessão de 08 de agosto de 2013) Acórdão n° 2201002.469 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012 Fl. 5259DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 17 16 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 1. “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. EXTINÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. IRRELEVÂNCIA. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação.(Acórdão n° 2201002.469 Sessão de 12 de agosto de 2014) (GRIFAMOS) No entanto, o caso concreto, exige uma análise mais aprofundada. Vale dizer que a concomitância deve ser vista no momento em que se inicia o litígio, ou seja, na apresentação da impugnação. In casu, quando da interposição da defesa inaugural já havia a decisão do TRF confirmando a sentença de primeiro grau de "extinção sem julgamento do mérito". Portanto, devemos observar em qual medida às alegações apresentadas na defesa estão atingidas pela concomitância? Pois bem, quando no final de 2010 há uma alteração na legislação, seja pela MP que originou a Lei, seja pelo Decreto, conclui se, assim, ter havido uma alteração na causa de pedir, tanto é verdade que o prórpio relatório fiscal procura fazer essa separação dessa alteração. Neste diapasão, notase que há concomitância apenas em relação aos fatos geradores (argumentos) referentes ao anocalendário 2010, devendo ser conhecido o recurso no que tange as razões referentes ao anocalendário 2011. Afora às razões sobre não incidência de contribuições sobre as bolsas extensão e pesquisa, verificamos a existência de argumentos distintos daqueles ventilados na demanda judicial, neste aspecto, por preencher o pressuposto de admissibilidade, conheço também das alegações sobre a ilegitimidade passiva e a majoração da base de cálculo. PRELIMINAR ILEGITIMIDADE PASSIVA Fl. 5260DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 18 17 A contribuinte esclarece que os projetos de pesquisa e residência médica são solicitados pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre, sendo a Recorrente mera gestora de projetos e repassadora de recursos. Afirma que o cumprimento dos contratos não acarreta benefícios econômicos à recorrente, sendo uma entidade sem fins lucrativos e exerce suas atividades em estrita conformidade com as obrigações legais de uma fundação de apoio. Explicita não ter benefícios com as atividades dos bolsistas, não auferindo nenhum rendimento por esta forma de contratação. Aduz não ser parte legítima para figurar no polo passivo da cobrança. Cita entendimento do CARF, nos programas de residência médica, quem assume o risco pelas atividades é a instituição acadêmica de saúde que promove e financia os programas no caso, o Hospital de Clínica de Porto Alegre , e não a sua fundação de apoio. Sem razão a recorrente! A meu ver o relatório fiscal é claro no sentido de que está efetuando o lançamento sobre os valores repassados pela contribuinte a seus membros a título de doação na forma de bolsas de extensão e pesquisa, sendo certo que a autoridade fiscal está retirando o caráter de doação e isenção indicado na lei de regência para considerálos como remuneração, senão vejamos: Portanto, conforme transcrição acima, estão caracterizados os termos da sujeição passiva tributária de acordo com art. 22, III da Lei 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; No estatuto social da contribuinte às fls. 46 em seu artigo 3º encontrase elencado seus objetivos como entidade: Fl. 5261DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 19 18 Logo, verificase que para a consecução de seu objeto social e demais atividades da entidade são provenientes da prestação de serviço de seus membros, não sendo crível entender, na forma como sustentada pela recorrente, que tais membros estivessem prestando serviço de forma unilateral e direta sem qualquer vínculo fundacional com a entidade. O entendimento esposado pela recorrente teria êxito apenas nos casos em que os referidos membros fossem remunerados e prestando serviço diretamente a terceiros (laboratórios, Universidades e Hospitais) sem qualquer atuação ou convênio da Fundação. Com certeza não seria interessante aos membros da Fundação esse modelo de prestação de serviço a terceiros, pois os valores recebidos diretamente desses terceiros seriam tributados, ao contrário dos repassados a título de bolsa pela Fundação. Há, pois, prestação de serviços por parte dos profissionais envolvidos, não podendo ser aceita a alegação de que os verdadeiros beneficiários seriam o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e os laboratórios envolvidos, pois a Fundação se beneficiou da atividade dos beneficiários das bolsas, na medida em que conseguiu cumprir os contratos e convênios firmados e com isso auferiu rendimentos pelos serviços prestados. A não demonstração de vantagem econômica por parte da Fundação não desvirtua o lançamento, pois a vantagem se consubstancia na medida em que os profissionais possibilitaram o cumprimento de seus objetivos institucionais. Restando patente que o vínculo jurídico se dá entre a Fundação e os segurados contribuintes individuais, não há que se falar em prestação de serviços ao Hospital e Fl. 5262DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 20 19 aos laboratórios. O fato de esses segurados prestarem os serviços em estabelecimentos de terceiros não descaracteriza o liame jurídico com a Fundação, que foi quem os contratou. Não há óbice nenhum no Código Civil a que se contrate um prestador de serviços para atuar em local diverso do estabelecimento do contratante. A relação do contratante com o segurado contribuinte individual não tem os mesmos contornos daquela existente quando há segurados empregados envolvidos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário no que tange à matéria da ilegitimidade passiva. MÉRITO NATUREZA DAS BOLSAS PAGAS Em relação às bolsas concedidas por Fundações de Apoio, para desenvolvimento de projetos de extensão, importante destacar que a Lei n° 8.958/94 estabelece um regime jurídico específico no tocante às contratações e aos pagamentos dos servidores participantes dos projetos. Assim, tendo em vista a necessidade de desburocratizar as contratações para impulsionar a evolução científica e tecnológica das IFES e ICT's, até então engessadas frente à velocidade dos progressos na área, instituiuse um regime jurídico próprio, tratando das relações entre as Instituições Federais de Ensino Superior e de Pesquisa Cientifica e Tecnológica e as fundações de apoio. Esse é o teor do art. 1° do mencionado diploma legal: Art. 1°. As Instituições Federais de Ensino Superior IFES e as demais Instituições Científicas e Tecnológicas ICTs, de que trata a Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004, poderão celebrar convênios e contratos, nos termos do inciso XIII do caput do art. 24 da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, por prazo determinado, com fundações instituídas com a finalidade de apoiar projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e tecnológico e estímulo à inovação, inclusive na gestão administrativa e financeira necessária à execução desses projetos. Por conseguinte, a referida lei permitiu, ainda, que as instituições federais apoiadas autorizassem a participação de seus servidores nas atividades desenvolvidas pelas Fundações de Apoio, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. A participação do servidor, neste caso, é voluntária, tem prazo determinado (pode ser prorrogado) e não gera vínculo empregatício de qualquer natureza, conforme se depreende do art. 4º, §1º, na redação vigente à época do fato gerador, verbis: Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações Fl. 5263DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 21 20 contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. Cumpre notar que a Lei nº 8.958/94, foi alterada pela Lei nº 12.349, de 15 de dezembro de 2010 e pela Lei nº 12.863, de 24 de setembro de 2013, sendo as principais modificações no tocante às bolsas concedidas pelas fundações de apoio as que se seguem: Art. 1° As Instituições Federais de Ensino Superior IFES e as demais Instituições Científicas e Tecnológicas ICTs, de que trata a Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004, poderão celebrar convênios e contratos, nos termos do inciso XIII do caput do art. 21 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, por prazo determinado, com fundações instituídas com a finalidade de apoiar projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e tecnológico e estímulo à inovação, inclusive na gestão administrativa e financeira necessária à execução desses projetos. [...] Art. 4º. As IFES e demais ICTs contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente e limites e condições previstos em regulamento, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1o desta Lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1° A participação de servidores das IFES e demais ICTs contratantes nas atividades previstas no art. 1o desta Lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, conceder bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão, de acordo com os parâmetros a serem fixados em regulamento. [...] Art. 4°B. As fundações de apoio poderão conceder bolsas de ensino, pesquisa e extensão e de estímulo à inovação aos estudantes de cursos técnicos, de graduação e pósgraduação e aos servidores vinculados a projetos institucionais, inclusive em rede, das IFES e demais ICTs apoiadas, na forma da regulamentação específica, observados os princípios referidos no art. 2°. (grifo nosso) Desse modo, a redação atual da Lei nº 8.958/94 reconhece de forma expressa o pagamento de bolsas de estudos para alunos de graduação e pósgraduação por fundações. A meu ver, tratase apenas de reconhecimento expresso da não incidência. Vale citar ainda o Parecer PGFN/CAJE nº 593, de 31 de julho de 1990, da Procuradoria da Fazenda Nacional, anterior, portanto, à Lei nº 8.958, de 1994, e ao Decreto nº 5.205, de 2004, quando analisou as bolsas de estudo e pesquisas frente ao instituto da doação, assim dispôs: Fl. 5264DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 22 21 A bolsa de estudo ou de pesquisa será doação civil, negócio de liberalidade, desde que o pagamento feito pelo doador, atribuindo o encargo da realização de estudo ou de pesquisa, não reverta esse resultado economicamente para ele, doador, ou para pessoa interposta. Será doação, pois, o pagamento de valor, em pecúnia ou in natura, à pessoa, sob condição de que realize um curso acadêmico ou uma pesquisa para o domínio público, sem que o resultado do estudo ou da pesquisa seja diretamente aproveitado economicamente para o doador. Ao contrário, se o resultado do estudo ou da pesquisa reverter ao doador, estarseá diante de relação de emprego contra salário. No primeiro caso, sem dúvida alguma, estão as bolsas de estudo conferidas pelo Ministério da Educação ou Secretarias de Educação dos Estados e dos Municípios, como verdadeiras doações civis de mera liberalidade; no segundo caso, estão as ‘bolsas’ de estudo ou de pesquisa custeadas pelos empregadores para a melhoria profissional de seus empregados ou de seus laboratórios empresariais para o desenvolvimento de drogas e produtos químicos economicamente aproveitáveis Tal Parecer traz elementos esclarecedores sobre a natureza jurídica dos valores pagos a título de bolsas de estudo e pesquisa, demonstrando o caráter de doação civil. Dessa forma, em que pese a redação original da Lei nº 8.958/94 tenha previsto a não incidência da contribuição previdenciária apenas para os pagamentos a servidores, o texto do Parecer demonstra que o que é relevante para determinar se tratase ou não de verba remuneratória passível de tributação de contribuição previdenciária é a natureza em si do pagamento, e as bolsas de estudos configurariam uma forma de doação civil, de modo que não há que se falar em incidência da contribuição previdenciária. Por fim, cumpre destacar a publicação da Solução de Consulta Interna nº 9/2015 da Cosit, que reconheceu que as bolsas de ensino, pesquisa e extensão não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária desde que se constituam como doação civil, cujos resultados dos projetos não revertam economicamente a benefício do doador e não importem remuneração decorrente de prestação de serviço, conforme pode ser observado abaixo: Solução de Consulta Interna nº 9 Cosit Data: 23 de junho de 2015 Origem: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM BELO HORIZONTE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. BOLSAS DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. 1. O Decreto nº 7.423, de 2010, aplicase aos fatos geradores futuros e o fato de este ato, diferentemente do Decreto nº 5.563, de 2005, não consignar expressamente que as bolsas de ensino, pesquisa, e extensão não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária quando concedidas nos termos da Lei nº 8.958, de 1994, não constitui motivo isolado para inclusão Fl. 5265DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 23 22 de tais bolsas no campo de incidência previdenciário, uma vez que a tributação ocorrerá ou não em função da natureza jurídica do pagamento. 2. As bolsas de ensino, pesquisa e extensão concedidas nos termos da Lei nº 8.958, de 1994, e do Decreto nº 7.423, de 2010, não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária desde que se constituam como doação civil, cujos resultados dos projetos não revertam economicamente a benefício do doador e não importem remuneração decorrente de prestação de serviço. 3. No caso concreto, diante dos fatos e do conteúdo probatório encontrado, é que poderá a fiscalização verificar a natureza remuneratória ou não da verba paga pela prestação dos serviços. Dispositivos Legais: Código Tributário Nacional CTN, arts. 96, 101, 105 e 106; Código Civil, art. 538; Lei nº 8.212, de 1991, art. 22, incisos I, II e III e art. 28, incisos I e III; Lei nº 8.958, de 1994, arts. 1º, 2º, 4º e 4ºB; Lei nº 10.973, de 2004, art. 9º; Lei nº 12.349, de 2010, art. 3º; Lei nº 12.863, de 2013, art. 6º; Decreto nº 5.205, de 2004, arts. 5º, 6º, 7º e 8º; Decreto nº 5.563, de 2005, art. 10; Decreto nº 7.423, de 2010, arts. 7º, 15 e 16; Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, art. 58, XXVI; Parecer PGFN/CAJE nº 593, de 1990, itens 18 e 19. Como se vê tratase de sistemática específica de trabalho que, através de um Convênio Operacional visa à cooperação das partes envolvidas (professores da UFRGS, Fundação Médica do RS, HCPA e Universidade Federal) todos com um único objetivo que é aperfeiçoar a saúde pública no país, através da capacitação dos médicos residentes do hospital. As bolsas de extensão tem como finalidade o desenvolvimento do projeto aprovado pelo MEC e pelo Ministério da Saúde. Não há como confundir tais atribuições, seja como coordenador e preceptor com uma contraprestação de serviços onerosa com vantagem direta ao doador. Não se trata aqui de uma simulação de relação de emprego ou de prestação de serviço, mas sim de uma sistemática legal criada para apoiar o desenvolvimento tecnológico e científico da UFRGS e do seu hospitalescola. Especificamente quanto as bolsas de extensão o único motivo para desconsiderar tais valores como doação de acordo com a decisão da DRJ foi o seguinte: Do conjunto probatório, contudo, mormente nos instrumentos dos convênios, vêse que os profissionais, na verdade, são responsáveis pelos pacientes atendidos pelos residentes, e prestam atendimento ambulatorial e assistencial à população atendida pelo SUS, ao contrário do alegado pela Fundação. Segue, como exemplo, trecho do Convênio Operacional nº 001/2010 – Programa de Extensão de Preceptoria de Residência Médica: 7.2. todos os atendimentos, internações e procedimentos em pacientes através do programa desenvolvido junto ao CONCEDENTE, serão realizados em nome de membros da CONVENENTE, que serão responsáveis na forma da legislação vigente. Fl. 5266DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 24 23 Deve ser observado que por mais mérito que tenha a atividade assistencial aos pacientes do SUS, que necessitam de amparo à saúde, esses mesmos pacientes e suas famílias precisarão de amparo quando se tornarem inativos, inclusive por doenças crônicas, consubstanciado nos benefícios da Seguridade Social, em especial da Previdência Social. Esta última foi instituída em nosso país na forma de um sistema contributivo de repartição, onde os recursos saem de um fundo para o qual contribuem os trabalhadores em atividade. Dessa forma, embora a impugnante tenha alegado que os efeitos das pesquisas e demais atividades desenvolvidas beneficiam a sociedade, não se pode olvidar que o sistema previdenciário favorece essa mesma sociedade, na medida em que se destina a pessoas que necessitam de amparo em momentos de doença, acidentes de trabalho e demais situações previstas na legislação previdenciária. Assim, o que interessa, no caso, é se os trabalhadores em questão são segurados obrigatórios contribuintes individuais, independentemente dos destinatários das atividades desenvolvidas por eles. Pois bem! Entendo que merece retoques a r. decisão de piso, quanto a valoração e interpretação da prova quanto a esses convênios. Os convênios e demais documentos entre a contribuinte e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre foram aos autos. Ao contrário do quanto decidido e pela análise desses documentos entendo que os preceitos da Lei 8.958/94 e o Decreto 5.202/04, bem como as alterações ocorridas pela Lei n° 12.349/2010 e o Decreto n° 7.423/10, não foram infringidos. A meu ver não houve contraprestação de serviço propriamente dita para o SUS, mas a prática da docência pelos membros da contribuinte em um hospital de clínicas ministrando aulas aos médicos residentes. Nesse sentido, transcrevo trecho do acórdão n. 2801003.300 que examina exatamente a mesma questão: Quanto ao raciocínio de haver uma contraprestação de serviço, dou razão ao Recorrente quando diz que em qualquer caso a pesquisa ou a extensão sempre trará em seu bojo a realização de algum “serviço”. Obviamente que o bolsista sempre terá que realizar uma tarefa, produzir alguma coisa, gerar algo, para que receba a bolsa. Caso não o faça, deverá ter a bolsa suspensa ou cancelada. Mas, no caso essa não é a razão principal da bolsa, que se trata de mera decorrência de sua participação no Projeto. Mesmo que tenha ocorrido eventual prestação de serviço, nesse caso o ônus seria da fiscalização que, a meu ver, não se desincumbiu em proválo, efetuando o lançamento apenas por amostragem com análise superficial em alguns contratos e relatórios de docentes. O caput do art. 1º da Lei 8.958/94, alterada pela Lei n° 12.349/10, em vigor na época da autuação previa que: “As Instituições Federais de Ensino Superior IFES e as demais Instituições Científicas e Tecnológicas ICTs, sobre as quais dispõe a Lei no 10.973, de 2 de dezembro de 2004, poderão celebrar convênios e contratos, nos termos do inciso XIII Fl. 5267DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 25 24 do art. 24 da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, por prazo determinado, com fundações instituídas com a finalidade de dar apoio a projetos de ensino, pesquisa e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico, inclusive na gestão administrativa e financeira estritamente necessária à execução desses projetos..” Os termos desse artigo devem ser interpretados em conjunto com o artigo 6º do Decreto, pois senão, haveria sobreposição do decreto regulamentador sobre a Lei o que de fato não pode ocorrer. Ora, o conhecimento produzido no projeto de extensão voltado ao SUS tem como única decorrência o aprimoramento da saúde pública, através da capacitação dos médicos residentes. Notese que o benefício desse projeto atinge toda a sociedade, pois o conhecimento adquirido pelo médico residente permanece e segue com esse profissional onde quer que ele exerça a sua profissão. Por sinal, a realidade conhecida dos hospitais escola nos mostra que, na maioria das vezes o médico residente, ao concluir a Programa de Residência Médica, procura outros locais de trabalho, como clínicas e outros hospitais particulares. Nessa linha, não consigo enxergar vantagem para a Fundação Médica ou para o HCPA, que são meros veículos (meios) para o desenvolvimento de projetos científicos e tecnológicos. O regime jurídico instituído para fins de contratação de fundações de apoio por parte de instituições de ensino visou proteger projetos públicos que, no presente caso, foram financiados por entes públicos, como os Ministérios da Educação e da Saúde, notadamente, em vista da finalidade pública atrelada ao resultado das atividades desenvolvidas pelos membros participantes de cada projeto. De notar, portanto, que como forma de incentivar a participação dos projetos de ensino, pesquisa e extensão, o §1º do referido artigo permitiu que as fundações concedessem bolsas de ensino, pesquisa e extensão, aos participantes dos projetos, de modo a fomentar o desenvolvimento cientifico e tecnológico nas áreas de atuação das IFES e ICT’s. O benefício, nestes casos, não é revertido a uma pessoa em específico, mas sim a toda sociedade, que terá atendimento de melhor qualidade e com profissionais cada vez mais habilitados ao exercício da atividade profissional da área da saúde. Entendo que mesmo que tenha ocorrido a referida contraprestação, tenho que é do escopo do contrato entre a instituição federal e a contribuinte, pois encontrase dentro do escopo do “desenvolvimento institucional” e de interesse das instituições federais contratantes de acordo com o que se encontra na Lei de regência na época. Ora, se o HCPA é voltado para o atendimento à população, não vejo nenhum óbice criado pela Lei ou limitação em qualquer sentido. Neste diapasão, não tenho dúvidas que pela análise dos convênios que nada mais são que a formalização dos projetos entre a instituição federal e a contribuinte, no caso, ficou bem caracterizado todos esses itens indicados na lei e decreto regulamentador. Da mesma forma, apesar de ter suas especificidades, o raciocínio acima, também se aplica as bolsas de pesquisas que, a meu ver, também não restou caracterizado a prestação de serviços. As pesquisas são feitas de diversas maneiras, tais como: estudos de determinadas comunidades para averiguação da ocorrência de certa doença e/ou síndrome. estudos de pacientes com sintomas, pesquisa de medicamentos para tratamentos de patologias etc. Fl. 5268DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 26 25 Os projetos tem finalidade acadêmica e científica e seus efeitos são abrangentes a toda a comunidade médica na construção de novos medicamentos e tratamentos na área da saúde. O benefício é para toda a sociedade, podendo conteplar os patrocinadores, mas de forma indireta. Como já dito, equivocamse a fiscalização e a DRJ ao alegarem que as pesquisas realizadas pelos membros da contribuinte tratamse de prestação de serviços, no interesse exclusivamente comercial dos laboratórios patrocinadores. Isto porque, os contratos não são gerados por interesse dos laboratórios com a intenção de obter autorizações regulatórias para seus medicamentos, mediante uma "prestação de serviços". Ao que se observa, os contratos se originam do interesse público, para produção de conhecimento e de sanar as necessidades do SUS, Vale salientar ainda que vários medicamentos empregados nos estudos, já são comercializados e amplamente consolidados no mercado (ex.: refesnol), ou seja, rechaçando a prestação de serviços para a autorização regulatória. Ademais, da análise dos contratos objeto da autuação, resta claro que o pesquisador não é o desenvolvedor de fórmulas medicamentosas, além de não opinar profissionalmente em relação a elas. Assim, não há influencia na montagem dos remédios pesquisados, não sendo o pesquisador responsável pelos lucros que o laboratório patrocinador possa vir a ter caso o medicamento venha a ser comercializado, baseandose o auditor em mera presunção. Pelo exposto acima, percebese que as atribuições previstas para o recebimento da bolsa encaixamse perfeitamente nas definições de ensino, pesquisa e extensão reguladas pelos Decretos n° 5.205/04 e 7.423/10, e a Lei n° 8.958/94, não havendo falar em desrespeito ao regime jurídico. Ademais, importa mencionar que a relação ora debatida já foi objeto de auditoria realizada pelo TCU. Enquanto órgão competente para analisar a regularidade das bolsas doadas pelas Fundações de Apoio, por força do art.3°, inc. IV, da Lei n° 8.958/94. O Tribunal de Contas da União auditou todos os convênios, contratos e termos de concessão de bolsa firmadas pela contribuinte. A conclusão daquele órgão vai de encontro a toda a fundamentação do lançamento, como se pode ver no Acórdão 001.622/2010 2, que afirmou expressamente: Fl. 5269DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 27 26 Observase ter o Tribunal de Contas confirmado que as bolsas concedidas pela recorrente obedecem ao disposto no Decreto n° 5.205/04 e seu art. 6°, ou seja, que são doações civis para proceder a estudos e pesquisas e que não se caracterizam como contraprestação de serviços e nem revertem economicamente para o doador. Portanto, apesar de todas as razões do lançamento fiscal, a meu ver, não restou caracterizado o caráter remuneratório da verba destinada a bolsa extensão e a bolsa pesquisa. Apesar de concluir pela não incidência de contribuição previdenciárias sobre os valores pagos a título de bolsa extensão e bolsa pesquisa, há nos autos questões que não poderiam deixar de ser abordadas, o que faremos a seguir: MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Aduz a contribuinte ter a fiscalização se confundido no cálculo das contribuições previdenciárias, pois considerou o montante de 20% relativo a cota patronal depositado em juízo, como integrante da base de calculo. Pois bem. Para uma melhor elucidação do tema, colacionamos, a título de amostragem, os termos de compromissos entre a fundação e os bolsistas, senão vejamos: 1. FUNDAÇÃO X DÉBORA FEIJÓ VILLAS BOAS VIEIRA 2. FUNDAÇÃO X CELSO DALLIGNA Fl. 5270DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 28 27 Conforme se depreende dos documentos que instruem o processo, notase que o fiscal claramente equivocouse quanto a base de calculo dos valores pagos a título das bolsas, pois incorporou a base o percentual de 20% referente a cota patronal depositada em juízo, vejamos a "TABELA I": TABELA I Fl. 5271DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 29 28 Portanto, diante da vasta documentação acostada aos autos e do evidente equivoco cometido pelo auditor, é de se restabelecer a ordem legal, para retificar a base de calculo apurada das contribuições, conforme planilhas 7, 9, 11 e 13, o percentual de 20% relativo a cota patronal depositada em juízo (conforme tabela encimada). MULTA DE OFÍCIO E JUROS Cumpre salientar que o lançamento tributário efetuado para prevenir a decadência não deve incluir os juros e multas, segundo pressupõe a legislação e a jurisprudência uníssona deste Tribunal, inclusive com elaboração de súmulas como veremos a posteriori. No entanto, para que não haja a incidência das multas e dos juros, os depósitos judiciais devem corresponder a integralidade das contribuições devidas, conforme dispõe os enunciados das Súmulas CARF n° 17 e 5, in verbis: Súmula CARF nº 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Em análise a informação fiscal e ao manifesto da contribuinte, especialmente pela decisão de piso e o resultado do tópico anterior, concluise ter razão a recorrente, pois vislumbro o depósito correspondente a totalidade das contribuições exigidas no levantamento BE Bolsa de Extensão (DebCad n° 51.045.1160). Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER EM PARTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO para rejeitar a preliminar de ilegitimidade e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 5272DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 30 29 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço licença ao I. Relator para divergir do seu voto, na medida em que cabível apenas o provimento parcial ao recurso voluntário. Não é única a motivação do lançamento fiscal, tendo o agente fiscal procedido à analise em separado dos pagamentos a título de bolsas para professores/médicos, médicos/pesquisadores e outros profissionais de saúde, denominadas de "bolsas de extensão" e "bolsas de pesquisa". Em breve síntese, a fiscalização dividiu os fatos geradores e as bases de cálculos em 4 (quatro) levantamentos: BP Bolsa de Pesquisa; BE Bolsa de Extensão; CH Contratos Hospitais e Universidades e CE Bolsas de Pesquisa Casos Específicos (fls. 2.409/2.411). No item 13 do Relatório Fiscal, o agente lançador descreveu a contratação para o desenvolvimento de projetos de pesquisa mediante pagamento de bolsas, cujos instrumentos de acordo de vontade eram dotados de diversas características em comum (fls. 2.376/2.390). Mais a frente, no item 16 da narrativa fiscal, o diagnóstico se concentrou nos pagamentos a título de bolsas de pesquisa em casos específicos, para os quais o agente fazendário observou a existência de aspectos distintos do conjunto anterior, que demandavam explanação individualizada (fls. 2.397/2.407). Por fim, no item 17 do Relatório Fiscal, consta o detalhamento dos pagamentos efetuados a médicos vinculados à recorrente para prestação de serviços a universidades e hospitais (fls. 2.407/2.409). À exceção das bolsas de extensão, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório de apresentar elementos de fato e/ou de direito hábeis e suficientes para refutar o lançamento fiscal. O Decreto nº 5.205, de 14 de setembro de 2004, foi revogado pelo Decreto nº 7.423, de 31 de dezembro de 2010, irradiando efeitos a partir de 1º de janeiro de 2011, quando passou a regulamentar, na íntegra, as disposições da Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994, e suas alterações posteriores. Em que pese o Decreto nº 7.423, de 2010, não reproduzir exatamente a regulamentação anterior, que fazia menção às bolsas concedidas pelas fundações de apoio como doação civil, não integrantes da base de cálculo da contribuição previdenciária, a incidência tributária pressupõe o pagamento de remuneração destinado a retribuir o trabalho prestado. Fl. 5273DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 31 30 Vale dizer que as bolsas de pesquisa que não importem a contraprestação de serviços, cujos resultados do projeto não se revertem economicamente para o contratante/patrocinador, escapam à incidência da contribuição previdenciária. Porém, a partir da transcrição das diversas cláusulas contratuais, a fiscalização é convincente na demonstração que os resultados das pesquisas beneficiam economicamente o patrocinador, em geral um laboratório farmacêutico, caracterizando a contraprestação de serviço pelo pesquisador. Pois bem. Em primeiro lugar, conforme bem assentou o agente responsável pelo lançamento, os dados obtidos com a pesquisa, invenções ou quaisquer descobertas são propriedades exclusiva do laboratório contratante. A definição de exclusividade não se trata de uma imposição legal, porque a propriedade intelectual e a participação nos resultados são asseguradas às partes contratantes nos termos pactuados no contrato, podendo, eventualmente, existir previsão de alguma compensação financeira ou não financeira quando de cessão de direitos ao parceiro. Ademais disso, o pesquisador está submetido à ação fiscalizatória do contratante, não se constituindo em mera atividade de acompanhamento do andamento do projeto de pesquisa. Longe disso, poderá haver a determinação de inspeções no centro de pesquisa, nomeação de supervisores/monitores encarregados de auditar o trabalho realizado, sugestão de adoção de procedimentos técnicos e operacionais na condução das atividades e, periodicamente, a prestação de contas através de relatórios entregues para avaliação do patrocinador. É verdade que os efeitos dos projetos de pesquisa podem ser abrangentes, com prováveis benefícios para toda a sociedade na construção de medicamentos e tratamentos da área de saúde. Contudo, não significa que os resultados das pesquisas são alheios a vantagem econômica para o patrocinador, mesmo quando não envolvam autorização regulatória para a comercialização de medicamentos. Com efeito, a pesquisa e desenvolvimento de medicamentos e/ou substâncias compreendem diversas etapas, desde a pesquisa básica e passando pelos ensaios préclínicos e testes clínicos que podem demandar anos e anos de trabalho, além de diferentes pesquisadores envolvidos. Características análogas são possíveis identificar nos estudos sobre doenças, síndromes e respectivos tratamentos. Nesse segmento, portanto, o proveito econômico não é necessariamente imediato, pois assume a feição de investimento para o patrocinador, podendo representar retorno financeiro a médio ou longo prazo, tal como no desenvolvimento/aperfeiçoamento de medicamentos e/ou substâncias diversas, redirecionamento de pesquisas/estudos e cancelamento de outras, considerando que os resultados obtidos com os projetos, segundo cláusulas contratuais, revestemse em benefício do patrocinador. Ao contrário do alegado no recurso voluntário, a vantagem econômica não resta afastada pela possibilidade de realização de projetos com medicamentos já comercializados, ou quando as pesquisas revelam a ineficácia dos fármacos testados ou mesmo porque os estudos produzidos não garantam o registro e a distribuição dos medicamentos fabricados. Fl. 5274DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 32 31 De acordo com a documentação carreada aos autos, a auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União abordou questões sobre a manutenção de programas de residência médica e cursos de extensão para alunos e profissionais das áreas de enfermagem e odontologia. Não se conseguiu identificar que a fiscalização na fundação de apoio ao Hospital das Clínicas de Porto Alegre avaliou os aspectos anteriormente enumerados sobre as bolsas de pesquisa (fls. 2.529/2.538). É pertinente também assinalar que em relação às bolsas de pesquisa a fiscalização listou inicialmente projetos financiados por laboratórios, embora tenha deixado claro que os contratos apresentados pelo sujeito passivo foram integralmente analisados no curso do procedimento fiscal (item 13, do Relatório Fiscal). De fato, quanto aos projetos com verbas públicas e/ou mistas, tratou separadamente, descrevendo as peculiaridades nos itens 16 e 17 do Relatório Fiscal. No entanto, a recorrente não refutou os motivos específicos da sua natureza eminentemente comercial, conforme retratou o agente lançador, que resulta, sob o prisma do investigador/pesquisador, em contraprestação de serviços. Conclusão Ante o exposto, na parte conhecida do recurso voluntário DOU PARCIAL PROVIMENTO para excluir tão somente o lançamento fiscal referente às bolsas de extensão, nos termos do voto do I. Relator. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 5275DF CARF MF
score : 1.0
