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Numero do processo: 13811.723055/2011-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS E DENTISTA. COMPROVAÇÃO PARCIAL. DEDUTIBILIDADE PARCIAL.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos (psicólogo) e dentista, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea a, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas e com dentista no valor de R$10.050,00.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS E DENTISTA. COMPROVAÇÃO PARCIAL. DEDUTIBILIDADE PARCIAL. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos (psicólogo) e dentista, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea a, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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COMPROVAÇÃO PARCIAL. DEDUTIBILIDADE PARCIAL. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos (psicólogo) e dentista, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas e com dentista no valor de R$10.050,00. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 72 30 55 /2 01 1- 50 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 05/09) relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) por meio da qual se exige crédito tributário oriundo das deduções indevidas da base de cálculo, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, referente ao exercício de 2009, ano calendário 2008, os seguintes fatos: 1. Dedução Indevida de Despesas Médicas, em decorrência do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos, no valor de R$ 22.455,74. Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento, de fls. 02, e dos documentos de fls. 11/61, alegando, em síntese, que o valor referese a despesas médicas próprias. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação, pois concluiu da seguinte maneira: “Sendo assim, com base no exposto, voto pela procedência em parte da impugnação apresentada e pela MANUTENÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO constituído na presente Notificação de Lançamento de acordo com os quadros abaixo: (...).” Cientificado da decisão de primeira instância em 20/09/2013 (fl. 77), o interessado interpôs, em 21/10/2013, o recurso de fls. 78/86. Nas razões recursais aduz que: “Frente a tais considerações, requer a ora recorrente a reforma do v. acórdão de fls., a fim de que sejam julgados totalmente improcedentes os lançamentos fiscais em epígrafe, afastandose todas as glosas dos créditos realizadas pelo d. agente fiscal, tendo em vista a demonstração de que a própria recorrente recebera o tratamentos médicos em questão, sendo legítima a integralidade das deduções indicadas em sua declaração anual. Caso assim não entenda este C. Conselho, requer a recorrente que sejam aceitas ao menos as despesas médicas com (i) a Dra. Maria Ines Ramos, no valor de R$ 9.000,00; (ii) A&F Godói Clínica Médica S/C, no valor de R$ 560,00; e (iii) Dr. Marcelo Silva Catelli, no montante de R$ 490,00, diante da apresentação de declarações e fichas que comprovam inexoravelmente que a recorrente recebeu os respectivos tratamentos médicos. Outrossim, protesta a ora recorrente pela produção de todas as provas em direito admitidas, bem como pela posterior juntada de documentos, inclusive daqueles que a autoridade julgadora entender necessários. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13811.723055/201150 Acórdão n.º 2402005.031 S2C4T2 Fl. 3 3 Por fim, requer sejam todas as intimações e avisos realizados no endereço da ora recorrente, qual seja, na Av. Professor Alceu Maynard de Araujo, n. 443, apto. 73, bloco C, São PauloSP, sob pena de nulidade.” Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS E DENTISTA Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutiveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, a título de despesas médicas, psicólogo, e com dentistas, os pagamentos especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou cópias dos pagamentos efetuados em favor dos seguintes profissionais: (i) Maria Inês Ramos, no valor de R$9.000,00, serviços médicos (fls. 89/95); (ii) A&F Godói Clínica Médica S/C, no valor de R$560,00, serviços médicos (fls. 96/97); e (iii) Marcelo Silva Catelli, no montante de R$490,00, serviços com dentista (fls. 98/103), contendo o nome do beneficiário e o endereço do profissional, acompanhado de seu nome e CPF. Esses documentos de pagamentos, acompanhados das declarações de prestações de serviços, apontam os serviços médicos e odontológicos prestados à Recorrente no ano calendário de 2008. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13811.723055/201150 Acórdão n.º 2402005.031 S2C4T2 Fl. 4 5 A decisão de primeira instancia entendeu que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Os demais documentos apresentados não contêm os requisitos legais exigidos pela Lei 9.250/95, acima colacionada, uma vez que não há nestes a indicação do paciente/beneficiário do tratamento/consulta, e, por este motivo, não são hábeis a comprovar as despesas médicas deduzidas neles consignadas. Cabe destacar que os recibos apresentados somente podem fazer prova das despesas médicas pleiteadas na declaração de ajuste se atenderem a todos os requisitos exigidos pela legislação do imposto de renda, uma vez que analogamente à legislação que concede isenções, a matéria relativa à redução de base de cálculo de tributos deve ser interpretada literalmente. (...) Sendo considerados inválidos, somente com a comprovação do efetivo pagamento é que se poderia aceitar as deduções efetuadas pelo contribuinte. Essa comprovação poderia ser feita por meio de cheques nominativos coincidentes em valores e datas (que podem ser próximas) aos recibos apresentados ou, se efetuado o pagamento em dinheiro, fosse provada a disponibilidade financeira vinculada aos pagamentos na data da realização dos mesmos, como apresentação de extratos bancários com saques que justificassem os pagamentos, permitindose, assim, a verificação inequívoca do nexo causal entre os recibos apresentados e os pagamentos efetuados, com base no artigo 73 do RIR. [...]” Entendo que os recibos, acompanhados da declaração do profissional que prestou os serviços à Recorrente (fls. 89/103) – contendo inclusive a assinatura, CPF, matrícula profissional e fichas dentárias –, são suficientes para demonstrar a efetividade dos pagamentos com despesas médicas e com dentista, pois evidenciam tanto a prestação do serviço como o seu respectivo tomador, no caso o Recorrente, e, além disso, tais recibos são documentos contábeis nos termos do art. 320 do Código Civil/2002. Código Civil/2002: Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida. Ademais, a mera falta de indicação do endereço do profissional e/ou do nome do paciente nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas, com psicólogos ou com dentistas não são, por si sós, fatos que autorizem ao Fisco glosar as despesas médicas, com psicólogos ou com dentistas, especificamente quanto não há nenhum outro elemento a evidenciar o uso de despesas médicas ou com dentistas “fictícias”, desde que existam outros Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 documentos hábeis e idôneos a comprovar a efetivada dos pagamentos e da prestação de serviços, no caso em tela as declarações dos profissionais da área de saúde e seus respectivos recibos (fls. 89/103). Com isso, é forçoso concluir que existe fundamento que autorize o restabelecimento das despesas médicas e odontológicas no valor de R$10.050,00 (9.000,00 + 560,00 + 490,00). Assim, não deve ser mantida a glosa oriunda das despesas médicas (fls. 89/97) e odontológicas (fls. 98/103). As demais despesas médicas não foram comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, pois o Recorrente sinalizou os pagamentos somente por meio de recibos sem qualquer indicação do paciente/beneficiário do tratamento/consulta. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas e com dentista no valor de R$10.050,00, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 35301.002378/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos da resolução do relator
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos da resolução do relator Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Marcelo Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1296; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 774 1 773 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35301.002378/200712 Recurso nº 142.251Voluntário Resolução nº 2402000.525 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 8 de março de 2016 Assunto Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente CBTU COMPANHIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos da resolução do relator Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 53 01 .0 02 37 8/ 20 07 -1 2 Fl. 775DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35301.002378/200712 Resolução nº 2402000.525 S2C4T2 Fl. 775 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), Rio de Janeiro – Centro/RJ, fls. 0100, que julgou procedente o lançamento, efetuado pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), por descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001, nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A responsabilidade solidária será elidida com o recolhimento prévio das contribuições sociais, mediante cópia de recolhimento quitada referente aos serviços inseridos em Nota Fiscal. LANÇAMENTO PROCEDENTE Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 043 a 046, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, dos segurados, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração dos empregados da empresa prestadora de serviço de obra de construção civil, aferida com base nas notas fiscais de serviços, emitidas para empresa tomadora, considerando o instituto da solidariedade. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos da NFLD. Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, tomadora e prestadora, fls. 055 a 058 e 090 a 096, acompanhada de anexos. onde alegam, em síntese, que: "Da Tomadora 3. A Cia Brasileira de Trens Urbanos CBTU, inconformada com a exigência fiscal, ofereceu impugnação, de fls. 55/58, argumentando, em preliminar, que não pôde apresentar tempestivamente a impugnação, por ter sido deflagrada a greve do INSS. Acrescenta a impugnante as alegações a seguir reproduzidas, em síntese: 3.1. requer a verificação, no cadastro do INSS, da situação da empresa contratada, o seu chamamento ao processo para fim de apresentar comprovantes de recolhimento ou ser responsabilizada em conjunto e, desde já, não lhe ser concedidas certidões negativas; 3.2. a CBTU inclui em suas faturas não só valores de mãodeobra, como também de materiais e equipamentos, o que, por si só, já demonstra ser incabível a simples imputação dos percentuais sobre os Fl. 776DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35301.002378/200712 Resolução nº 2402000.525 S2C4T2 Fl. 776 3 valores constantes das notas fiscais. Isto sem levar em conta que não está provado o não recolhimento; 3.3. quanto às autuações realizadas com base em fatos geradores anteriores a 02/07/1993, as mesmas devem ser consideradas prescritas por V. Sa., haja vista a inteligência do art. 46 da Lei ng 8.212/91; 3.4. a responsabilidade solidária, alegada no presente auto, merece ser reconsiderada, tendo em vista que a obrigação do recolhimento previdenciário a época cabia exclusivamente ao empregador e não ao contratante; 3.5. por fim, a impugnante solicita a intimação da empresa responsável pelos serviços para apresentação de documentos, para só então poder apontar com convicção o valor devido, esclarecendo, ainda, que serão trazidos outros elementos probatórios aos autos. Da Prestadora 4. A empresa CONSTRUÇOES E COMERCIO CAMARGO CORREA S.A. (CCCC) contratada para execução do serviços, solidária com a contratante, apresentou impugnação, fls. 90/96, com as alegações a seguir, reproduzidas em síntese. 4.1. Não é somente através de guias específicas que se elide a solidariedade, através da aferição indireta, que viabiliza a percepção de compatibilidade entre, a mensuração por arbitramento do salário decontribuição, com os recolhimentos apropriados pelo correspondente contacorrente, também se inibe o lançamento por solidariedade, aliás, conforme preconiza o inciso ll, § 3g, art. 220 do RPS (Decreto 3.048/99) e o inciso II, art. 28 da IN INSS/DAF 18/00; 4.2. “Independentemente da existência ou não de guias específicas, devem ser adotado nestes autos providências a cargo do lNSS, inclusive sob a ótica da Circular Conjunta ng 06/02, demonstrativas da impossibilidade de constituição de débitos por solidariedade como na espécie”; 4.3. A CCCC já fora fiscalizada, com cobertura total, razão por demais suficiente a não poder ser constituído em seu desfavor cobranças por solidariedade; 4.4. Não deve ser lançada contribuição da Andrade Guitierrez, vez que a mesma encontra se sob fiscalização do INSS; 4.5. O INSS deveria se valer adequadamente dos subsídios fiscais (arts 243 a 254, da IN INSS/DC ng 70/2002); 4.6. “Com efeito, e, para que os autos sejam efetivamente instruídos para um adequado julgamento, basta que o INSS, promovendo o cruzamento de informações sistematizadas em seus bancos de dados, informe a posição fiscal das empresas CCCC e AG, na esteira, inclusive, de recentes posicionamentos que o e. CRPS vem adotando, no sentido de se constatar se os contribuintes tidos como solidários nestes autos foram fiscalizados no período objeto desta NFLD (...)"; 4.7. Devese aplicar à presente lide o princípio da verdade material, precípuo escopo da processualística administrativa; Fl. 777DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35301.002378/200712 Resolução nº 2402000.525 S2C4T2 Fl. 777 4 4.8. “De qualquer forma, entendendo o INSS não ser o caso de cancelamento de plano da NFLD, que seja determinada a baixa em diligência para verificação do arsenal documental vinculado a esta NFLD, que o contribuinte ora defendente disponibiliza in totum”; A DRP analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0123 a 0132, assim como a prestadora, 0193 a 0207, acompanhados de anexos. No recurso, a recorrente alega, em síntese, que: O prazo decadencial é de cinco anos, conforme o Código Tributário Nacional; A apuração com base nas notas fiscais não possui qualquer embasamento legal; A fiscalização não levou em conta os recolhimentos efetuados; e Ante o exposto, a recorrente aguarda e requer que o recurso seja provido, com a reforma da decisão. Já a prestadora solidária alega, em síntese, no seu recurso, que: A fiscalização não reconheceu todos os recolhimentos efetuados; O critério de aferição deve ser revisto, pois o SaláriodeContribuição (SC) foi apurado por genérica e equivocada aplicação da alíquota de vinte por cento; Anexa documentos que devem ser considerados no recurso; A fiscalização deveria verificar a situação fiscal da prestadora; O lançamento foi efetivado em duplicidade; A escrituração contábil das prestadoras de serviços está regular; A legislação que deve ser respeitada é aquela vigente na época da ocorrência dos fatos geradores; Deveria se julgar em conjunto este lançamento e o expresso na NFLD 35.464.3096, pela conexão entre os lançamentos; Disponibiliza toda sua documentação ao Fisco, para análises e diligências; As empresas prestadoras encontramse ou já foram fiscalizadas; Demonstra interesse em promover sustentação oral; e Pede deferimento do recurso. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35301.002378/200712 Resolução nº 2402000.525 S2C4T2 Fl. 778 5 A DRP emitiu contrarazões, fls. 0254 a 0260, onde, em síntese, mantém a decisão proferida, enviando o processo ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). A Quarta Câmara de Julgamento (CAJ) do CRPS emitiu decisório, fls. 0262 a 0266, convertendo o julgamento em diligência, a fim de sanar dúvidas existentes. A DRP respondeu aos questionamentos, fls. 0290 e 0291. Ressaltese que a recorrente e as prestadoras não foram cientificadas da diligência efetuada, nem de seu resultado, apesar de constar no decisório determinação neste sentido. A CAJ emitiu decisão, anulando o lançamento, fls. 0292 a 0299, devido, em síntese, faltar fundamentação legal no relatório “Fundamentos Legais do Débito (FLD)”. A DRP elaborou pedido de revisão, fls. 0300 a 0302, cientificando as empresas envolvidas. Foram apresentadas contrarazões ao pedido de revisão, fls. 0308 a 0327. A CAJ não conheceu do pedido de revisão, fls. 0349 a 0368. A DRP, devido ao Enunciado 29, do Conselho Plano do CRPS, ingressou com novo pedido de revisão, fls. 0379 a 0382. JR/CRPS ENUNCIADO Nº 29 DE 13/12/2006 Nos casos de levantamento por arbitramento, a existência do fundamento legal que ampara tal procedimento, seja no relatório Fundamentos Legais do Débito FLD ou no Relatório Fiscal REFISC garante o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, não gerando a nulidade do lançamento. (Editado pela Resolução CRPS nº 6, de 13 de dezembro de 2006) As empresas envolvidas apresentaram novas contrarazões, fls. 0388 a 0390. A Presidência da Quinta Câmara, do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda acolheu o pedido de revisão, pelos motivos expressos na decisão, fls. 0293 e 0294. O Pedido de Revisão foi analisado pela Quinta Câmara, que decidiu, em síntese, acatar seus motivos e converter o julgamento em diligência, para a ciência dos sujeitos passivos quanto ao resultado da diligência. Os sujeitos passivos apresentaram suas razões, fls. 0429 a 0470 reafirmando suas alegações, constantes dos recursos. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35301.002378/200712 Resolução nº 2402000.525 S2C4T2 Fl. 779 6 Turma do carf, ao analisar os autos, decidiu converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização respondesse as seguintes questões: 1. O ConsórcIo “Construtora Andrade Gutierrez / Camargo Correa”, CNPJ 02.107.067/000155, para cumprimento do contrato firmado com a CBTU: 02197/ DT, foi fiscalizado com cobertura total? Está em dia com suas obrigações previdenciárias? A fiscalização emitiu Informação Fiscal para responder ao questionamento, informando, em síntese, que: Em consulta ao Cadastro Nacional de Ações Fiscais – CNAF, verificouse que a empresa prestadora contratada para o cumprimento do referido contrato firmado com a CBTU, Consórcio “Construtora Andrade Gutierrez / Camargo Correa”, CNPJ 02.107.067/000155, não foi objeto de nenhuma ação fiscal no período em questão, não constando registro de qualquer tipo de fiscalização ou diligência envolvendo tal CNPJ, em nenhuma data desde a criação do referido consórcio até hoje. 14.1. Portanto, em resposta ao questionamento contido na Resolução Nº 2301000.386, podemos afirmar que NÃO houve fiscalização com exame da contabilidade na prestadora dos serviços, Consórcio “Construtora Andrade Gutierrez / Camargo Correa”, no período de 02/99 a 12/00, bem como em nenhum outro período até a presente data. 15. Quanto ao questionamento sobre o Consórcio estar em dia com as obrigações previdenciárias, temos a informar que: 15.1. Verificouse, através do sistema de arrecadação da previdência social, que NÃO constam recolhimentos de contribuições previdenciárias no contacorrente do Consórcio “Construtora Andrade Gutierrez / Camargo Correa”, em nenhuma das competências no período de 02/99 a 12/00. 15.2. Em consulta aos sistemas do serviço de cobrança da previdência social, também NÃO foi constatada a existência de parcelamentos de contribuições previdenciárias relativas ao Consórcio “Construtora Andrade Gutierrez / Camargo Correa, incluindo as competências de 02/99 a 12/00. 15.3. Outrossim, acrescentamos que, ainda que fossem constatados recolhimentos ou débitos consolidados no período do lançamento, não seria possível estabelecer o vínculo dos mesmos com o débito em questão. 15.4. Destacamos ainda que, apesar de alegar ter efetuado os recolhimentos na matricula CEI 1190209499/71, que teria sido aberta especificamente para a obra da CBTU, a empresa recorrente, responsável solidária, não acosta em nenhum momento aos autos documentação capaz de provar a pertinência de suas alegações, a saber, as Guias de Recolhimento quitadas e as folhas de pagamento respectivas, relativas ao contrato e à matrícula CEI. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35301.002378/200712 Resolução nº 2402000.525 S2C4T2 Fl. 780 7 15.5. Portanto, com base nos documentos acostados ao processo e consultas realizadas nos sistemas internos da Previdência Social, NÃO podemos afirmar que o Consórcio “Construtora Andrade Gutierrez / Camargo Correa”, CNPJ 02.107.067/000155, tenha cumprido com suas obrigações previdenciárias decorrentes dos serviços prestados à CBTU, muito menos que esteja em dia com suas obrigações previdenciárias em geral. 16. Temos ainda a ressaltar, conforme já mencionado diversas vezes ao longo do processo, que o lançamento do crédito em questão foi realizado porque as recorrentes não cumpriram com suas obrigações legais, que constituem não só deveres das empresas prestadora e tomadora de serviços, mas também um modo da contratante elidir sua responsabilidade solidária. A Fiscalização agiu seguindo estritamente os dispositivos da legislação onde se encontra prevista a obrigação de exigência e guarda, pela tomadora de serviços, de documentos da prestadora, a saber, a guia de recolhimento quitada, vinculada à obra contratada, bem como a folha de pagamento pertinente, todos por cópia autenticada. 16.1. Nem a tomadora, nem a prestadora dos serviços cumpriram tais ditames. Conforme já citado, apesar de alegar ter efetuado recolhimentos na matrícula CEI da obra, a empresa recorrente não anexou a documentação capaz de comprovar inequivocamente o vínculo de tais recolhimentos ou da matricula CEI com o contrato em questão. 16.2. Ademais, a contratante, em que pese ter à sua disposição a possibilidade de se eximir da responsabilidade em questão, nada fez para elidir sua responsabilidade, não tendo mantido em sua guarda os documentos exigidos pela legislação. 16.3. Portanto, ainda que se procedesse a uma fiscalização completa nas empresas prestadoras de serviços integrantes do consórcio, com exame total de contabilidade, os dados que se pretenderiam comprovar em nada esclareceriam a situação do lançamento de que trata o presente processo, pois este foi constituído, como acima se explanou, pelo fato de não terem ambas as empresas fornecido os elementos suficientes à elisão da responsabilidade solidária. 17. Em síntese, em resposta aos questionamentos contido na Resolução Nº 2301000.386, temos a esclarecer que: 17.1. O Consórcio “Construtora Andrade Gutierrez / Camargo Correa” NÃO foi fiscalizado, com cobertura total, no período de 02/99 a 12/00, bem como em nenhum outro período até a presente data; 17.2. Com base nos documentos acostados ao processo e consultas realizadas nos sistemas internos da Receita Federal do Brasil ou da Previdência Social, NÃO podemos afirmar que o Consórcio “Construtora Andrade Gutierrez / Camargo Correa”, CNPJ 02.107.067/000155, tenha cumprido com suas obrigações previdenciárias decorrentes dos serviços prestados à CBTU, ou que esteja em dia com suas obrigações previdenciárias em geral. Não há, assim, elementos capazes de comprovar a inexistência do crédito Fl. 781DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35301.002378/200712 Resolução nº 2402000.525 S2C4T2 Fl. 781 8 lançado por solidariedade ou elidir a responsabilidade solidária da CBTU. A recorrente foi devidamente cientificada das conclusões do fisco e manifestou se, alegando sua contrariedade em relação às conclusões proferidas e reforçando argumentos já apresentados em seus recursos. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35301.002378/200712 Resolução nº 2402000.525 S2C4T2 Fl. 782 9 VOTO Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. Nos debates do colegiado surgiu dúvida sobre informações constantes dos autos. O Fisco, em seu Relatório Fiscal, informa que considerou recolhimentos efetuados pela contribuinte. A contribuinte, desde sua defesa até a presente fase do processo, vem pleiteando o reconhecimento de recolhimentos efetuados que não foram considerados. Há documentos nos autos que podem demonstrar recolhimentos da recorrente. Por sua vez, a fiscalização, na informação fiscal elaborada, informa, conforme demonstrado acima: 15.1. Verificouse, através do sistema de arrecadação da previdência social, que NÃO constam recolhimentos de contribuições previdenciárias no contacorrente do Consórcio “Construtora Andrade Gutierrez / Camargo Correa”, em nenhuma das competências no período de 02/99 a 12/00. Portanto, há dúvida, que merece ser sanada, conforme decidiu o colegiado em debate sobre o tema. Assim, resolvo converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização emita informação fiscal sobre a existência, ou não, de recolhimentos pela contribuinte, no período do lançamento. Solicitamos que a fiscalização informe se esses recolhimentos, caso existam, foram considerados no lançamento e que, caso não tenham sido, elabore planilha com a demonstração de necessidade de retificação da exigência. Após essa medida, a fiscalização deve dar ciência desta resolução e de seu parecer à contribuinte, a fim de apresentação, caso deseje, de seus argumentos, inclusive com provas. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, resolvo converter o julgamento em diligência, nos termos acima. Marcelo Oliveira. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10920.004177/2010-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
INTEMPESTIVIDADE.
Não demonstrada nulidade na intimação por edital, não se conhece de recurso voluntário manifestamente intempestivo.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-004.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão de sua apresentação intempestiva.
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INTEMPESTIVIDADE. Não demonstrada nulidade na intimação por edital, não se conhece de recurso voluntário manifestamente intempestivo. Recurso Voluntário não Conhecido.
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Não demonstrada nulidade na intimação por edital, não se conhece de recurso voluntário manifestamente intempestivo. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 41 77 /2 01 0- 37 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão de sua apresentação intempestiva. André Luis Marsico Lombardi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10920.004177/201037 Acórdão n.º 2401004.296 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 6ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis/SC que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado, especificamente em relação a este Processo Administrativo Fiscal, incluídos nos Autos de Infração ns. 372665942, 372665950, 372665926 e 372665934, lavrados em razão da incidência da contribuição previdenciária, da distribuição de lucro líquido, assim como da existência de débitos previdenciários não garantidos. Inconformada com o supracitado lançamento tributário, a ora Recorrente apresentou Impugnação a fls. 18 e seguintes, acompanhada de documentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0729.489 8ª Turma da DRJ/FLN, às fls. 71 e seguintes, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância por Edital, conforme o registro constante à fl. 82, datado de 30 de julho de 2012 e prazo de afixação até 29 de agosto de 2012. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o ora Recorrente interpôs, em 11 de outubro de 2012, Recurso Voluntário, a fls. 83 e seguintes, ratificando parte de suas alegações anteriormente expendidas e respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: Irregularidade procedimental na intimação do julgamento de primeira instância por edital, ao argumento de que o contribuinte possuía procuradores constituídos, os quais deveriam ter sido intimados pessoalmente antes da publicação do edital. Ausência de distribuição de lucros ou existência de débitos não garantidos com a União. Caráter confiscatório da multa. Enfim, repete os argumentos expendidos na Instância Regional para ao final requer o acatamento do recurso de modo a alterar a decisão recorrida, objeto do Acórdão epigrafado, para fins de declaração da insubsistência da autuação com sua total improcedência. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate fictamente no dia 30 de julho de 2012, tendo como prazo final de fixação o dia 29 de agosto de 2012, quando começou a transcorre o prazo para o impugnante. O prazo para interposição de recurso esgotouse 27 de setembro de 2012. O Recurso Voluntário foi interposto pelo contribuinte apenas em 11 de outubro de 2012, quando já exaurido o prazo recursal. A tese de nulidade da intimação editalícia, à vista da existência de procuradores (advogados) constituídos nos autos não prospera. O Decreto n. 70.2345/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal e determinação e exigência dos créditos tributários da União, dispõe sobre a intimação fiscal à luz de seu artigo 23, in verbis: “Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local.” Não há previsão normativa para que seja intimado o advogado constituído nos autos, caso improfícua a tentativa de intimação do contribuinte. Aliás, é dever do contribuinte manter seus endereços atualizados no processo, por força do que dispõe o artigo Fl. 104DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10920.004177/201037 Acórdão n.º 2401004.296 S2C4T1 Fl. 4 5 238, parágrafo único, do Código de Processo Civil, aplicável por analogia, mister de que não se desincumbiu a Recorrente. A matéria já foi enfrentada por este Conselho Administrativo, conforme se depreende do seguinte paradigma: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. [...]” (destaques acrescentados 2402004.799 Acórdão, Número do Processo: 19515.000843/200476, Data de Publicação: 07/01/2016, Contribuinte: PLINIO ANTONIO CHAGAS, Relator(a): RONNIE SOARES ANDERSON) Reputase, portanto, intempestivo o recurso interposto, dele não se conhecendo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário interposto. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
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Numero do processo: 13054.720157/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
Isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física. Moléstia Grave.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 72 01 57 /2 01 3- 02 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em 23/03/2015 contra o Acórdão nº 1053.704, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, f. 5053, cientificado ao contribuinte em 05/03/2015, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade quanto ao indeferimento da restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o décimo terceiro salário do anocalendário 2009. A restituição pretendida pelo contribuinte decorreria de isenção por moléstia grave, e foi denegada sob o fundamento que a patologia sofrida pelo contribuinte, sequelas da poliomielite, não se encontra dentre as relacionadas no inc. XIV, art. 6°, da Lei 7.713, de 1988, que o laudo médico oficial não comprova que o paciente está acometido de paralisia incapacitante e irreversível, e que não foi comprovado que recebia proventos de aposentadoria desde 16/08/1982. No recurso interposto, argumenta o contribuinte sofrer de síndrome pós poliomielite que, embora não relacionada no inc. XIV, art. 6°, da Lei 7.713, corresponde a paralisia incapacitante e irreversível que lhe acomete, razão pela qual tem direito à isenção. Por fim, requereu o provimento do recurso interposto. Junta documento, f. 67, que comprova aposentadoria como servidor público estadual, por tempo de serviço, publicado na imprensa oficial em 16/08/1982. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13054.720157/201302 Acórdão n.º 2301004.496 S2C3T1 Fl. 73 3 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A decisão recorrida considerou improcedente a manifestação de inconformidade quanto ao indeferimento da restituição do imposto de renda, por considerar não comprovadas as condições da isenção prevista no art. 6°, inc. XIV, da Lei 7.713, de 1988, a saber : a) rendimento percebido seja oriundo de aposentadoria; b) acometimento por moléstia relacionada no dispositivo legal supra mencionado. A questão é tratada na Súmula CARF n° 43 (Portaria MF n° 383 DOU de 14/07/2010), abaixo transcrita: Súmula CARF n ° 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. No que toca à natureza do rendimento, com o recurso foi apresentado documento relativo à aposentadoria do contribuinte, servidor do Estado do Rio Grande do Sul, desde 16/08/1992. O rendimento e o imposto retido, por sua vez, constam do contracheque também emitido pela mesma Unidade da Federação, f. 04. Resta saber de que moléstia padece o contribuinte e se esta consta do rol legal que enseja a isenção pretendida. O Laudo Médico emitido pelo Departamento de Perícia Médica e Saúde do Trabalhador, da Secretaria da Administração e dos Recursos Humanos do Governo do Rio Grande do Sul, f. 12 afirma, literalmente: “Para fins de isenção do Imposto de renda, o requerente é portador de moléstia enquadrável na Lei nº 7.713/88 e/ou Lei 8.541/92 e /ou Lei 9.250/95 e/ou Lei 11052/2004, a/c de 16 de agosto de 1982, em caráter definitivo. CID: B91” Antes de mais nada, cabe mencionar que o referido laudo foi emitido em 23 de agosto de 2012 e não faz referência à preexistência da doença, de modo que o contribuinte não faz jus à isenção relativamente aos rendimentos auferidos no anocalendário 2009, de que trata o lançamento, pois não ficou demonstrado que estaria acometido pela doença à época. Além disso, não ficou comprovado que a doença diagnosticada está inserida no rol de isenção por moléstia grave. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 O relator do Acórdão recorrido esclareceu que o código B91 corresponde a sequela de poliomielite e assim fundamentou a decisão de não a reconhecer inclusa no rol legal: A doença descrita no laudo médico não está prevista na listagem de isenção do art. 6º, incisos XIV da Lei nº 7.713/88. Para que seja considerada moléstia grave, a poliomelite deveria resultar em paralisia irreversível e incapacitante, o que não está comprovado nos autos. O recorrente, por sua vez, faz referência à literatura sobre a síndrome pós poliomielite, que seria a moléstia a acometêlo, e ao atestado de f. 11 (emitido por médico não integrante de serviço médico oficial) que descreve sua condição, “atrofia, encurtamento e falta de movimentos no membro inferior direito, assim como aneflexia profunda”. No que toca à síndrome póspoliomielite, há de se considerar a publicação “Síndrome póspoliomielite (SPP): orientações para profissionais de saúde” (coordenação: Acary Souza Bulle Oliveira e Abrahão Augusto Juviniano Quadros São Paulo: SES/SP, 2008. 126p.; il.), disponível no endereço da internet: http://www.saude.sp.gov.br/ resources/ses/perfil/profissionaldasaude/homepage//sindrome_pos_poliomielite_.pdf. Em sua página 44, a publicação esclarece os sintomas mais comuns da síndrome: Os sintomas mais comuns da SPP são: 1) aumento da fraqueza muscular; 2) fadiga; 3) dor muscular e articular; 4) novas dificuldades na realização das atividades da vida diária, particularmente tarefas relacionadas com a mobilidade. Outros sintomas incluem: 1) intolerância ao frio; 2) disfunção respiratória; 3) alterações do sono; 4) disfagia; 5) dificuldades na fala. Assim, o fato do contribuinte ser portador de sequelas da poliomielite ou de síndrome póspoliomielite não autoriza, por si só, a conclusão de que é portador de paralisia incapacitante, pois muitas condições são abrangidas pela síndrome em referência. Percebese que o laudo oficial foi extremamente parcimonioso ao apenas indicar um código de doença (não previsto no rol de moléstias que dão causa à isenção em tela), quando poderia, sem que fosse uma exigência desarrazoada, descrever a moléstia e indicar os elementos que fundamentaram seu diagnóstico. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13054.720157/201302 Acórdão n.º 2301004.496 S2C3T1 Fl. 74 5 Quanto ao atestado particular, não se confunde com laudo emitido pelo serviço médico oficial, como exige o art. 30 da Lei 9.250/95, questão já sumulada por este Conselho: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Por essas razões, acertado o Acórdão recorrido, cuja razão de decidir, neste pormenor, foi a não comprovação, mediante laudo do serviço médico oficial, de doença ou condição inclusa no inc. XIV, art. 6º da Lei 7.713, de 1988. Com base no exposto, voto por negar provimento ao recurso. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10469.730869/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
RENDIMENTOS. DISTRIBUÍDOS A SÓCIOS. SEM INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA NA PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO NAS PESSOAS FÍSICAS BENEFICIÁRIAS.
A não incidência do imposto de renda de que trata o art. 10 Lei nº 9.249, de 1995 refere-se a rendimentos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado. Não se aplica a situação em que os valores restituídos ou distribuídos aos sócios sejam decorrentes da incorporação e transformação de superávit de uma associação em lucro de uma sociedade. Neste caso, os lucros incorporados ao capital e restituídos ou distribuídos aos sócios, por não terem sido objeto de tributação na pessoa jurídica, estão sujeitos à tributação nas pessoas físicas que os receberam.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO INCIDÊNCIA
Se não houve intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido que levava ao enquadramento em regime ou previsão legal tributariamente mais favorável não se trata de caso regulado pelo inciso II do artigo 44, mas sim de divergência de qualificação jurídica dos fatos.
LANÇAMENTO DE OFICIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN).
Numero da decisão: 2202-003.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, quanto à infração de omissão de rendimentos, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), Martin da Silva Gesto, Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), que deram provimento. Quanto à multa qualificada, por unanimidade de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, tendo votado pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Quanto aos juros sobre a multa de ofício, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) e Martin da Silva Gesto, que deram provimento nessa matéria. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Fez sustentação oral, pela Contribuinte, a advogada Maria Carolina Bachur, OAB/SP nº 247.115/SP.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
RELATOR JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora.
(Assinado digitalmente)
MARCIO HENRIQUE SALES PARADA - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, DILSON JATAHY FONSECA NETO, MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA (Suplente convocada), JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) e MARCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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DISTRIBUÍDOS A SÓCIOS. SEM INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA NA PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO NAS PESSOAS FÍSICAS BENEFICIÁRIAS. A não incidência do imposto de renda de que trata o art. 10 Lei nº 9.249, de 1995 referese a rendimentos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado. Não se aplica a situação em que os valores restituídos ou distribuídos aos sócios sejam decorrentes da incorporação e transformação de superávit de uma associação em lucro de uma sociedade. Neste caso, os lucros incorporados ao capital e restituídos ou distribuídos aos sócios, por não terem sido objeto de tributação na pessoa jurídica, estão sujeitos à tributação nas pessoas físicas que os receberam. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO INCIDÊNCIA Se não houve intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido — que levava ao enquadramento em regime ou previsão legal tributariamente mais favorável — não se trata de caso regulado pelo inciso II do artigo 44, mas sim de divergência de qualificação jurídica dos fatos. LANÇAMENTO DE OFICIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 73 08 69 /2 01 2- 81 Fl. 360DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto à infração de omissão de rendimentos, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), Martin da Silva Gesto, Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), que deram provimento. Quanto à multa qualificada, por unanimidade de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, tendo votado pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Quanto aos juros sobre a multa de ofício, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) e Martin da Silva Gesto, que deram provimento nessa matéria. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Fez sustentação oral, pela Contribuinte, a advogada Maria Carolina Bachur, OAB/SP nº 247.115/SP. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) RELATOR JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora. (Assinado digitalmente) MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, DILSON JATAHY FONSECA NETO, MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA (Suplente convocada), JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) e MARCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório Adoto, no que for cabível, o Relatório da Delegacia Regional de Julgamento de Recife (PE): "Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado auto de infração (fls. 3 a 9), para exigência de imposto de renda pessoa física do anocalendário de 2007 no valor de R$ 4.825.882,16 acrescido de juros de mora calculados até novembro de 2012, no valor de R$ 2.237.221,10, e de multa de ofício no percentual de 150% no valor de R$ 7.243.323,24, totalizando R$ 14.309.426,50 de crédito tributário lançado. 2. A ação fiscal foi precedida de intimação à contribuinte para apresentar esclarecimentos e documentos relativos às suas participações societárias junto à Biofa Participações Societárias Fl. 361DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730869/201281 Acórdão n.º 2202003.323 S2C2T2 Fl. 361 3 e Administração de Bens Ltda e à APEC Sociedade Potiguar de Educação e Cultura S.A., conforme termos de fls. 25 e de fls. 27 a 30. Em atendimento, foram fornecidos os elementos de fls. 26 e de fls. 31 a 42. 3. Aditivamente, a fiscalização diligenciou junto à Biofa Participações Ltda , obtendo a documentação de fls. 46 a 169. 4. Constam ainda do processo a declaração de ajuste anual da contribuinte,relativa ao ano calendário de 2007 (fls. 170 a 178), assim como alguns dos livros razão da APEC Sociedade Potiguar de Educação e Cultura S.A abrangendo os meses de outubro e novembro de 2007 (fls. 240 a 248). 5. A fiscalização, em seqüência, lavrou o auto de infração, em razão da constatação da seguinte infração: 5.1 – omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas (omissão do valor de R$ 17.582.489,00, fato gerador em 31/12/2007), com enquadramento legal referido aos arts. 37 e 38 do Decreto nº 3.000/1999, ao art. 3º, §4º, da Lei nº 8.849/1994 com alterações promovidas pela Lei nº 9.604/1995, e ao art. 1º, inc. I, e parágrafo único, da Medida Provisória nº 340/2006. Foi aplicada multa qualificada de 150% sobre a infração, como enquadramento legal referido ao art. 44, inc. I e §1º, da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. 6. Como descrito no termo de verificação e encerramento de ação fiscal de fls. 11 a 24 a omissão de rendimentos decorreu da percepção, pela contribuinte, de parcela do capital social da APEC Sociedade Potiguar de Educação e Cultura S.A., cuja distribuição não foi apurada em balanço e, conseqüentemente, não foi submetida à tributação. 7. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 261 a 292, alegando em síntese: 7.1 – que não foi comprovada a ocorrência do fato gerador, pois a omissão de rendimentos decorrente da devolução do valor de R$ 17.582.489,00 recebida da APEC foi apurada com base no art. 3º, §4º, da Lei nº 8.849/1995, por meio de uma interpretação extensiva, que enquadrou a devolução de capital à acionista, ora impugnante, como passível de tributação, apesar da isenção prevista no art. 10 da Lei nº 9.249/1995. Que a fiscalização buscou apoio na interpretação do item 12 da exposição de motivos do art. 10 do PL nº 913/2005, do que resultou a Lei nº 9.249/1995, ferindo o princípio da legalidade e a regra relativa à interpretação literal das normas isentivas prevista no art. 111, II, do CTN; 7.2 – que “os acionistas não experimentaram ganho patrimonial algum em razão da transformação , eis que Fl. 362DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 suas participações foram avaliadas em zero” (fls. 267), pois que ausentes os documentos a que se refere o art. 18 e seu parágrafo único, da Instrução Normativa SRF nº 113/1998. Que a participação adquirida, com custo zero, possibilitou o recebimento das quotas da Biofa consubstanciadas em imóveis, pois “no negócio celebrado para a vendadas quotas da APEC os imóveis não foram incluídos” (fls. 275); 7.3 – que informou, na declaração de bens de sua declaração de ajuste anual, o valor contábil da participação societária recebida , de acordo com o art. 22 da Lei nº9.249/1995 e com o art. 61, I, ‘b’, da IN SRF nº 11/1996. Que “a regra insculpida na IN SRF nº 11/96 autoriza o recebimento pelo mesmo valor da participação societária extinta (alínea ‘b’), permitindo ao contribuinte pessoa física optar pelo não pagamento imediato do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital, podendo diferilo para o momento da efetiva percepção desse ganho, quando a alienação de bens e/ou direitos recebidos (no caso sua participação societária na Biofa)” (fls.268). Que, como o custo de aquisição da participação societária na APEC foi igual a zero, nos termos do art. 18 da IN SRF nº 113/1998, o valor da participação extinta também é zero, conforme art. 61 da IN SRF nº 11/1996; 7.4 que,mesmo que a impugnante houvesse informado em sua declaração de bens a participação recebida pelo valor de R$ 17.582.489,00, tal acréscimo patrimonial seria isento por força da isenção prevista no §4º do art. 22 da Lei nº 9.249/1995. Transcreve ementas do então Conselho de Contribuintes em favor de suas alegações; 7.5 que, ademais, o recebimento da participação societária não caracteriza disponibilidade econômica e sim mera potencialidade de renda, que apenas se materializará na alienação das quotas ou dos imóveis da pessoa física, pois os ganhos de capital somente sofrem tributação quando o valor de alienação for superior ao custo de aquisição. Que a simples aquisição não é fato gerador do imposto de renda, que somente ocorrerá quando efetivamente renda houver , em consonância com o Inc. II do art. 43 do CTN; 7.6 que o fato de os resultados (superávit) acumulados capitalizados e devolvidos ao contribuinte não terem sido submetidos à tributação na pessoa jurídica não enseja a tributação na pessoa física da acionista. Que a legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, novembro de 2007, é o art. 10 da Lei nº 9.249/1995 e não o art. 3º, §4º, da Lei nº 8.849/1994, sendo que o referido art. 10 determina a tributação dos lucros apenas no âmbito das pessoas jurídicas. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730869/201281 Acórdão n.º 2202003.323 S2C2T2 Fl. 362 5 Já o mencionado art.3º, §4º, não é aplicável aos fatos geradores ocorridos em 2007, conforme regra do art. 142 do CTN. Que a afirmação de que a isenção para os lucros distribuídos prevista no art. 10 da Lei nº 9.249/1995 é condicionada à prévia tributação dos rendimentos não encontra amparo em nenhum dispositivo legal. Que há, inclusive, permissão normativa para distribuição de lucros superiores aos apurados com base nos coeficientes de determinação do lucro presumido, conforme art. 51 da IN SRF nº 11/1996, isto é, desde que a empresa demonstre através de escrituração contábil que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto. Que de acordo com o art. 10 da Lei nº 9.249/1995, como a “restituição de capital sucedeu após 1996, ao passo que a APEC constitui pessoa jurídica tributada pelo lucro real, exsurgem integralmente preenchidos os requisitos da legislação vigente sendo, assim, indubitável que tal operação societária é abrangida pela isenção de que trata o referenciado dispositivo legal, eis que, vale reprisar, a restituição de capital equiparase à distribuição de lucros e dividendos” (fls. 273); 7.7 – que as disposições do art. 18 da IN SRF nº 113/1998 são aplicáveis, mesmo já havendo, no momento da versão do superávit acumulado, o capital de R$ 50.000,00 isto é “a incorporação ao capital social da pessoa jurídica tributada (constituída sob qualquer das formas admitidas em direito e com finalidade lucrativa) se opere pelo valor comprovado dos bens e direitos entregues para constituição da entidade educacional” (fls. 274). Que, no caso, ante a falta de comprovação de bens entregues, inclusive dinheiro, foi atribuído o valor zero à participação societária adquirida pela incorporação do superávit. Que, como a impugnante poderia “receber uma participação adquirida a custo zero por um valor maior, se não se comprovou aporte de valores (bens e direitos) para construção do superávit capitalizado, vez que esse decorre da entidade transformada” (fls. 275); 7.8 – que não se aplica ao caso a regra prevista no art. 169 da Lei nº 6.404/1976 pois a APEC tem seu capital estruturado em ações sem valor nominal; 7.9 – que quando a lei pretende tributar a totalidade dos lucros o faz de forma expressa, como sobressai do texto do art. 44, XIX, do RIR/1999, dispositivo já revogado pelo art. 36, V, da Lei nº 9.249/1995; Fl. 364DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 7.10 – que o art. 545, §1º, I, do RIR/1999, colacionado pela fiscalização é inaplicável ao caso concreto, visto que dirigido às pessoas jurídicas beneficiárias de isenção em razão de estabelecidas nas áreas de atuação da Sudene e da Sudam; 7.11 que a multa qualificada foi indevidamente aplicada pois, para efetuar o pagamento da devolução de capital aos acionistas não foi utilizado qualquer artifício, nem praticada simulação ou evasão. Que tanto a transformação societária da APEC quanto a aquisição, pela defendente e pelo Sr. Paulo, das empresas Biofa e Guelmim, assim como o negócio jurídico praticado com a Ice Inverziones, foram devidamente registrados, inclusive, quando pertinente, submetidos a registro público. Que as operações foram devidamente planejadas visando ao menor ônus tributário para a contribuinte , observando todavia as disposições legais cabíveis. Que não houve a intencionalidade da conduta ilícita prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, pois o fato de não terem sido informados os valores relativos ao recebimento da devolução de capital, a título de rendimentos isentos ou não tributáveis, não teve por fim ocultar a operação. Que todos os atos referentes à operação foram devidamente arquivados em registro público, nas Juntas Comerciais, de consulta pública, e as escriturações contábeis da APEC e da Guelim foram elaboradas de forma clara e regular. Que, em face do art. 9º da IN SRF nº 820/2008, a impugnante sequer era obrigada a informar na declaração de bens a participação societária no valor de R$ 500,00, inferior ao limite de R$ 1.000,00. Que, ainda que o aumento de capital fosse tributável, o dolo de omitir rendimentos não estaria comprovado, em razão da complexidade da matéria que requereu esforço interpretativo por parte da própria fiscalização. A defesa menciona jurisprudência do STF em apoio à sua explanação; 7.12 – que a exigência de juros sobre a multa é indevida por afrontar as disposições contidas no art. 907, §2º, do RIR/1999, além de ser inaplicável por falta de previsão, como se depreende da leitura do art. 161 do CTN, do art. 61 da Lei nº 9. 9430/1996 e do §2º do art. 907 do RIR/1999. A impugnante transcreve jurisprudência administrativa para reforçar suas razões; 7.13 – que requer, por fim, o acolhimento da impugnação e a extinção do crédito tributário contestado. A Delegacia Regional de Julgamento DRJ negou provimento a impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: Fl. 365DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730869/201281 Acórdão n.º 2202003.323 S2C2T2 Fl. 363 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Fica sujeita à incidência do imposto de renda a parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, que não corresponder a lucros ou dividendos distribuídos. RESPONSABILIDADE. BENEFICIÁRIO DO RENDIMENTO. Constatada a remuneração efetuada à pessoa física do sócio ou acionista de natureza tributável porém sem incidência tributária, o rendimento deve ser tributado na declaração de ajuste anual pelo respectivo beneficiário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. As regras de interpretação da lei tributária impedem se dê interpretação extensiva às normas que contemplam hipóteses de desoneração tributária, como é o caso da lei isentiva, que deve ser interpretada literalmente. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É cabível, por disposição literal da Lei nº 9.430/1996, a incidência da multa de ofício qualificada no percentual de 150% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, quando restar comprovada, por meio de fatos e documentos constantes do processo, a ocorrência das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964. JUROS INCIDENTES SOBRE MULTA APLICADA DE OFÍCIO Os créditos tributários não pagos até a data do vencimento serão acrescidos de juros de mora equivalentes à variação da taxa Selic. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previsto sem lei. A DRJ, em seu voto, depois de detalhar as operações realizadas pela Impugnante, aduz, resumidamente, os seguintes argumentos jurídicos: a) O imposto de renda é orientado pelos princípios constitucionais da universalidade, generalidade e progressividade e, sendo assim, a regra geral é a incidência de tributação sobre todas as renda e proventos assim entendidos quaisquer acréscimos patrimoniais. b) A não incidência de imposto sobre da rendas e proventos das pessoas físicas é, portanto, questão excepcional, estabelecida por normas jurídicas específicas e, por isso, o artigo 111 do CTN impede que se dê interpretação extensiva às normas que contemplam hipóteses de exoneração tributária. c) não há qualquer lei que considere isentos os proventos recebidos pela pessoa jurídica, pois: c.1) o aumento da participação societária da contribuinte de R$ 25.000,00 para R$19.560.271,17 em decorrência da incorporação de superávits acumulados não se enquadra nas hipóteses de isenção previstas no art. 10 da Lei nº 9.249/1995, nem nos incisos XXVI a XXIX do art. 39 do Decreto nº 3.000/1999, nem nos incisos XIX a XX do art. 5º da Instrução Normativa SRF nº15/2001 e nem tampouco no art. 51 da IN SRF nº 11/1996. Isso porque o aumento da participação societária não foi conseqüência de distribuição de Lucros ou de dividendos decorrentes da incorporação de lucros ou de reservas de lucros, como previsto na legislação de regência. c.2) a devolução do capital social à sócia por meio de dação em pagamento à Biofa Ltda de bens imóveis antes pertencentes à entidade imune, pelo valor de R$ 17.582.489, 79. ocorrida em novembro de 2007 (AGE da APEC S/A de fls. 201 a 204 e sua reratificação de fls. 206 a 238), em conseqüência da redução de capital social, não se enquadra na hipótese de isenção prevista na alínea 'b" do inciso I do art. 61 da IN SRF nº 11/96, pois o valor de que foi efetivamente beneficiado o contribuinte não foi igual a R$ 25.000,00, correspondente ao valor contábil de sua participação societária junto à APEC S/A. d) O caput do art. 3º da Lei nº 8.849/1994 e seus parágrafos deixam clara a incidência tributária em outros casos em que há aumento de capital, pois tratandose de empresas em que esse aumento se der por incorporação de lucros não submetidos à tributação na pessoa jurídica deverá haver exigência de imposto de renda na pessoa física do sócio ou acionista beneficiário do respectivo aumento. e) o §4º do artigo 3º da Lei nº 8.849/1994 é aplicável aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007, pois era norma válida e vigente à época da ocorrência do fato gerador, como determina o art. 144 do CTN. d) Não trata de questão envolvendo a formação de novo capital social da APEC S/A, resultante de transformação como previsto no art. 18 da IN 113/98, pois quando da Fl. 367DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730869/201281 Acórdão n.º 2202003.323 S2C2T2 Fl. 364 9 percepção pelo contribuinte dos proventos decorrentes de acréscimo patrimonial, a APEC já havia sido transformada em sociedade anônima. Notificada da decisão em 20/02/2013 (fls.328), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário tempestivo em 20/03/2013 (fls. 322 a 341) alegando, em síntese, que: ·a) não houve acréscimo patrimonial na redução de capital com devolução em bens.Isso porque como a aquisição da participação na APEC foi inferior ao seu valor patrimonial (“custo zero”), a pessoa física pode manter na sua Declaração de Ajuste Anual o mesmo valor da participação extinta (art. 61 da IN/SRF 11/96), qual seja, “custo zero” (simbólico de R$ 1,00), sem ser obrigado a registrar o valor contábil registrado na APEC (art. 22, § 4º da Lei nº 9.249/95). b) é inaplicável o art. 3º, § 4º da Lei nº 8.849/94. Defende o Contribuinte que referido dispositivo legal apenas teria aplicabilidade se a devolução do capital fosse pago em espécie. Sustenta que para fins de devolução de capital em bens há normas mais contemporâneas e especiais (art. 22, § 4º da Lei nº 9.249/95 e art. 61 da IN/SRF 11/96) que autorizam que a pessoa física mantenha o valor da participação extinta na sua Declaração de Ajuste Anual. c)· ainda que fosse entendida a redução de capital como distribuição de lucros/dividendos, os mesmos estariam albergados pela isenção prevista no art. 10 da Lei nº 9.249/95. Pondera que o dispositivo legal não pontua o fato de que os lucros devem ter sofrido tributação na pessoa jurídica que os distribui para fins de validade da isenção. Por se tratar de regra isentiva, defende que deve ser interpretada literalmente conforme disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN). Entende ser incabível a autoridade tributária se socorrer da Exposição de Motivos da Lei para fins de imposição tributária. d) · ainda que houvesse o acréscimo patrimonial, esse deveria ser tributado como ganho de capital. Por hipótese, o Contribuinte defende que se tivesse optado por declarar os bens recebidos em razão da redução de capital pelo valor apresentado contabilmente pela APEC (R$ 17.582.489,00), tal acréscimo estaria sujeito às normas de tributação de ganho de capital. ·e) a multa qualificada não deve ser mantida, tendo em vista que não houve ocultação dolosa de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual, mas sim convicção de que a Declaração de Ajuste Anual e o tratamento tributário dispensado à operação encontramse em conformidade com a legislação tributária. ·f) os juros de mora sobre a multa de ofício não devem prevalecer. É o relatório Voto Vencido Conselheira Relatora JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Fl. 368DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 O recurso está dotado dos pressupostos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Conforme se observa do relatório, a controvérsia jurídica está na divergência das normas aplicáveis ao caso concreto. A fiscalização defende que a redução de capital da APEC deve ser tributada como lucro/dividendo distribuído por pessoa jurídica, pois ocorreu em prazo inferior a 05(cinco) anos contado do aumento de capital com lucros ou reserva (art. 3º, § 4º da Lei nº8.849/94). Na sua interpretação, não caberia a isenção prevista no art. 10 da Lei nº 9.249/95, pois o superávit capitalizado não sofrera tributação do imposto de renda, em face da imunidade constitucional. O Contribuinte defende que não houve acréscimo patrimonial na redução de capital com devolução em bens, pois como a aquisição da participação na APEC foi inferior ao seu valor patrimonial (“custo zero”), a pessoa física pode manter na sua Declaração de Ajuste Anual o mesmo valor da participação extinta (art. 61 da IN/SRF 11/96), qual seja, “custo zero” (simbólico de R$ 1,00), sem ser obrigado a registrar o valor contábil registrado na APEC (art. 22, § 4º da Lei nº 9.249/95), Diante da controvérsia acima exposta, imprescindível a análise dos dispositivos legais em questão. A Lei nº 8.849/94 determinava, em seu artigo 3º, o regime jurídico do aumento de capital das pessoas jurídicas mediante incorporação de lucros ou reservas, nestes termos: Art. 3º Os aumentos de capital das pessoas jurídicas mediante incorporação de lucros ou reservas não sofrerão tributação do imposto sobre a renda. §1º Podem ser capitalizados nos termos destes artigos os lucros apurados em balanço, ainda que não tenham sido submetido a tributação. §2º A não incidência estabelecida neste artigo se estende aos sócios, pessoas físicas ou jurídicas, beneficiária de ações, quotas ou quinhões resultantes do aumento de capital social, e ao titular da firma ou empresa individual §3º O disposto no §2º não se aplica a pessoa jurídica, nos cinco anos anteriores à data de incorporação de lucros ou reservas ao capital, restituir capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social; neste caso, o montante dos lucros ou reservas capitalizados será considerado, até o montante da redução do capital, corrigido monetariamente com base na variação acumulada da Ufir diária, como lucro ou dividendo distribuído, sujeito, na forma da legislação em vigor, à tributação na declaração de rendimentos, quando for o caso, como rendimento dos sócios ou do titular pessoa jurídica. § 4º Se a pessoa jurídica, dentro dos cinco anos subseqüentes à data da incorporação de lucros ou reservas, restituir capital social aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social ou, em caso de liquidação, sob a forma de partilha do acervo líquido, o capital restituído considerarseá lucro ou dividendo distribuído, sujeito, nos termos da legislação em vigor, à tributação na fonte e na declaração de rendimentos, Fl. 369DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730869/201281 Acórdão n.º 2202003.323 S2C2T2 Fl. 365 11 quando for o caso, como rendimento dos sócios, dos acionistas ou do titular. (grifamos) Todavia, para melhor compreensão do artigo, é importante ressaltar que ele tratava da incorporação de lucros e reservas e sua devolução aos sócios à época em que a legislação tributava dividendos e lucros a eles distribuídos. Isso fica claro pela leitura do artigo 2º da mencionada lei que assim dispõe: "Art. 2º Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, quando pagos ou creditados a pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou domiciliadas no País, estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento §1º O imposto descontado na forma deste artigo será: (Redação dada pela lei nº 9.064, de 1995) a) Deduzido do imposto devido na declaração de ajuste anual do beneficiário pessoa física, assegurada a opção pela tributação exclusiva; (Incluída pela Lei nº 9.064, de 1995) (grifamos) Dessa forma, verificase que, no regime jurídico adotado pela Lei nº 8.849/94, a regra geral era a tributação dos valores pagos aos sócios à título de lucros ou dividendos. O artigo 3º e seu §2º, por sua vez, estabelecia uma isenção aumentos de capital das pessoas jurídicas mediante incorporação de lucros ou reservas, a qual se estendia aos sócios, pessoas físicas ou jurídicas, beneficiária de ações, quotas ou quinhões resultantes do aumento de capital social. Tal isenção, no entanto, estava sujeita à restrição prevista no prevista no § 4º, qual seja, "se a pessoa jurídica, dentro dos cinco anos subseqüentes à data da incorporação de lucros ou reservas, restituir capital social aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social ou, em caso de liquidação, sob a forma de partilha do acervo líquido, o capital restituído considerarseá lucro ou dividendo distribuído, sujeito, nos termos da legislação em vigor, à tributação na fonte e na declaração de rendimentos, quando for o caso, como rendimento dos sócios, dos acionistas ou do titular Todavia, com a publicação da Lei nº 9.249/95 o regime jurídico de tributação das pessoas jurídicas e as pessoas dos sócios sofreu expressiva alteração, uma vez que os lucros e dividendos distribuídos aos últimos se tornaram isentos, conforme se verifica pela leitura do artigo 10 da mencionada lei: Art. 10 Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base calculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior.” (grifamos) A referida lei dispôs, em seu artigo 22, que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista. a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado, nestes termos: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista. a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. (...) § 4º A diferença entre o valor de mercado e o valor constante da declaração de bens, no caso de pessoa física, ou o valor contábil, no caso de pessoa jurídica, não será computada, pelo titular, sócio ou acionista, na base de cálculo do imposto de renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido.(grifamos) Complementando a regulamentação da matéria, a Instrução Normativa SRF nº 11/96 determinou que na hipótese em que a pessoa jurídica que estiver devolvendo o capital tenha optado pela avaliação a valor contábil a pessoa física esta poderia optar por incluir os referidos bens em sua declaração pelo mesmo valor da participação extinta. Confirase IN/SRF 11/96 Art. 61. No caso de participação societária adquirida por valor inferior ao patrimonial, em que a pessoa jurídica que estiver devolvendo capital tenha optado pela avaliação a valor contábil, a pessoa física ou jurídica que estiver recebendo os bens ou direitos deverá proceder da seguinte forma: I se pessoa física, à sua opção: a) incluir, em sua declaração de bens, os bens ou direitos pelo valor pelo qual houverem sido recebidos, tributando como ganho de capital a diferença entre este e o valor declarado da participação extinta; ou b) incluir, em sua declaração de bens, os bens e direitos pelo mesmo valor da participação extinta.(grifamos) O que se percebe, portanto, é a existência de antinomia entre as duas normas, uma vez que dão tratamentos distintos sobre a mesma situação. Nesse caso, a solução se dá pelo critério cronológico. Assim, a norma posterior revoga a anterior naquilo que forem incompatíveis, ainda que não tenha ocorrido a revogação expressa. A fiscalização, assim como a DRJ, entendeu que não há que se falar em aplicação da norma prevista no art. 10 da Lei nº 9.249/95, pois essa só se aplicaria quando os lucros e dividendos distribuídos tivessem sido tributados, o que não teria ocorrido no caso em questão, em razão da imunidade de que gozava a sociedade da qual a Recorrente era sócia. Todavia, entendo que, nesse caso, a interpretação está tentando restringir o alcance da lei além da sua literalidade. Com efeito, a autoridade fiscal para afastar a aplicação da norma do artigo 10 da Lei nº 9.249/95 utilizouse da exposição de motivos da mencionada lei que pretendia concentrar a tributação na pessoa jurídica. Diante desse fato, concluiu que a norma só seria aplicável na hipótese da pessoa jurídica ter sido anteriormente tributada. Embora a exposição de motivos seja um dos recursos válidos para se buscar o sentido das leis (interpretação teleológica), no caso em questão entendo que tal recurso não pode alcançar o objetivo pretendido pela fiscalização. Isso porque, estamos tratando de norma Fl. 371DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730869/201281 Acórdão n.º 2202003.323 S2C2T2 Fl. 366 13 de isenção a qual, nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional, deve se ater a literalidade: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (grifamos) O legislador não restringiu o alcance do art. 10 da Lei nº 9.249/95 apenas ao pagamento de lucros e dividendos que tivessem sido anteriormente tributados. Se assim o quisesse poderia ter limitado o alcance da norma. Exemplo disso é o próprio §4º do artigo 3º da Lei nº 3º da Lei nº 8.849/94 utilizado pela fiscalização como base para o lançamento. Como esclarece Hugo de Brito Machado: "Há quem afirme que a interpretação literal deve ser entendida como interpretação restritiva. Isto é um equívoco. Quem interpreta literalmente por certo não amplia o alcance do texto, mas com certeza também não o restringe. Fica no exato alcance que a expressão literal permite. Nem mais, nem menos. Tanto é incorreta a interpretação do seu alcance, como sua restrição" (MACHADO, Hugo de Brito, Curso de Direito Tributário, 22 ed. Malheiros, São Paulo, 2003, p.105) (grifamos) É importante ressaltar, ainda, que caso se conclua, como fez a DRJ, que "o §4º do art. 3º da Lei nº 8.849/1994, com as alterações promovidas pela Lei nº 9.064/1995 é aplicável aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007 pois era norma válida e vigente à época da ocorrência do fato gerador, como determina o art. 144 da Lei nº 5.172/1966" o lançamento em questão estará incorreto, pois, nesse caso, também deveria ser aplicável a tributação prevista no artigo 2ºda referida lei. Vale dizer, os valores distribuídos a Recorrente deveriam ter sofrido tributação de fonte à alíquota de 15% e não na declaração utilizandose a tabela progressiva com a alíquota de 27,5% . Além disso, o argumento da fiscalização, corroborado pela decisão da DRJ, no sentido de que o superávit da APEC não fora tributado e, por isso, a redução de capital deve ser tributada, sob pena do “ganho do superávit” não ser tributado, não encontra respaldo. Isso porque, de fato, não há uma tributação imediata quando da redução de capital, por força da interpretação combinada dos art. 18 da IN/SRF 113/98 e art. 61 da IN/SRF 11/96. Entretanto, quando da realização dos bens recebidos em redução de capital, eventual ganho nessa realização será tributado. Não se trata de não tributação,mas sim do momento e da forma da tributação. A tributação é diferida para o momento da realização dos bens recebidos em devolução de capital e eventual acréscimo tributado na modalidade de ganho de capital. Finalmente, é importante destacar que não se encontram presentes os pressupostos para aplicação da multa qualificada. Como bem observa Marco Aurélio Greco: Fl. 372DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 "(...) a de que a incidência do inciso II do artigo 44 da Lei n°9.430/96, que leva à multa mais onerosa, supõe a ocorrência inequívoca de intuito fraudulento. (...) Se não houve intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido — que levava ao enquadramento em regime ou previsão legal tributariamente mais favorável — não se trata de caso regulado pelo inciso II do artigo 44, mas sim de divergência de qualificação jurídica dos fatos ; hipótese completamente distinta da fraude a que se refere o dispositivo. A multa agravada só tem cabimento se o elemento subjetivo do tipo for a fraude no sentido de enganar, esconder, iludir, etc.(Planejamento Tributário, São Paulo: Dialética, 2004, grifos nossos) Para que se possa falar em dolo, para além da intenção (elemento subjetivo), é necessário que o que se pretende seja ilícito (elemento objetivo), ou seja, é preciso que tal intenção seja direcionada à prática de ato ou omissão contrários ao direito. É neste sentido que os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 trazem as condutas típicas da sonegação, fraude e conluio, todas elas supondo a inequívoca constatação de dolo, elemento essencial do tipo Esse, inclusive, é o sentido que se extrai do teor da Súmula CARF nº 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Da mesma forma, essa foi a interpretação dada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento do Processo nº 18471.000009/200633 julgado na sessão de 21 de janeiro de 2016: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002 MULTA QUALIFICADA. Para que se possa preencher a definição do evidente intuito de fraude que autoriza a qualificação da multa, nos termos do artigo 44, II, da Lei 9.430/1996, é imprescindível identificar a conduta praticada: se sonegação, fraude ou conluio respectivamente, arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. A mera imputação de simulação não é suficiente para a aplicação da multa de 150%, sendo necessário comprovar o dolo, em seus aspectos subjetivo (intenção) e objetivo (prática de um ilícito). Em face de todo exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 373DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730869/201281 Acórdão n.º 2202003.323 S2C2T2 Fl. 367 15 Voto Vencedor Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, redator designado A par das bem fundamentadas considerações da ilustre relatora, Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio, peço licença para divergir em relação à tributação da operação em caso e em relação à aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. A análise dessa operação envolvendo a APEC Sociedade Potiguar de Educação e Cultura S.A., já foi apreciada neste CARF, tendo sido proferido o Acórdão 2201 002.471, cujo voto vencedor, da lavra do nobre relator designado Francisco Marconi de Oliveira, transcrevo, para concordar integralmente com ele e subsidiar minha conclusão sobre o assunto, pelo cabimento da autuação em debate: Acórdão 2201002.471 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de agosto de 2014. (...) VOTO VENCEDOR As questões levantadas nos autos estão relacionadas à transformação de entidade imune em Sociedade Anônima, transformação da natureza jurídica da conta Superávit Acumulado em Lucros Acumulados, incorporação da conta de Lucros Acumulados ao Capital Social com posterior redução do capital e devolução do excesso aos sócios e, ainda, a aplicação de multa qualificada em decorrência do planejamento fiscal intencional para elidir a tributação, sobre a qual incidiu juros de mora. A autoridade fiscal considerou que a operação teria transmudado a natureza jurídica de superávit para lucro, incorporado ao capital da S/A, acarretando um acréscimo patrimonial aos sócios (o capital inicial passou de R$ 50.000,00 para R$ 39.120.542,34) sem que essa alteração tenha sido reconhecida na declaração de bens do contribuinte. Assim, lavrou o auto de infração tendo por objeto a omissão de rendimentos/lucros recebidos pelos sócios, com base no art. 3º, § 4º, da Lei nº 8.849, de 1994, com as alterações introduzidas pela nº 9.064, de 1995, e do art. 43 do CTN, ressaltando que a incorporação de lucros não tributados ao capital, com a posterior redução e restituição aos sócios, dentro dos cinco anos subseqüentes à incorporação, seria considerado como rendimento das pessoas físicas sujeito à tributação, na declaração ou na fonte, conforme legislação então vigente. O contribuinte argumenta que, por ocasião da transformação do Patrimônio Social da APEC em Capital Social da Sociedade Anônima, devido à ausência de documentos que comprovasse a Fl. 374DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 efetiva entrega de numerários no ato da integralização, foi considerado o valor zero como custo de aquisição de tais ações, nos termos da IN 113/1998, sendo o “superávit acumulado” convertido em capital social em 31 de outubro de 2007, recebendo o recorrente as cotas da Guelmim então avaliadas em R$ 17.582.489,00. Entretanto, a redução do capital social da APEC teria sido realizada com base no art. 22, §2º da Lei nº 9.249, de 1995, sendo informado na DIRPF os bens avaliados nos termos do art. 61 da IN SRF 11/1996, que permite o registro dessa opção quando a participação societária tiver sido adquirida por valor inferior ao patrimonial. Nesse aspecto, é importante salientar que o art. 61 da IN não trata genericamente da devolução do capital em si, mas, especificamente, da aquisição de participação societária com deságio, com posterior devolução dessa participação (quotas ou ações). Tanto a alínea “a” quanto a “b” da citada IN se refere a “participação extinta”, e no presente caso não houve devolução ou extinção de participação no capital, e sim a entrega de bens e direitos em contrapartida à redução do valor. Também, como justificou a fiscalização, há uma clara distinção entre a expressão “devolução de participação no capital social”, referido no art. 22 da Lei nº 9.249, de 1995, e a simples devolução de capital proveniente de uma redução motivada “por ser excessivo às necessidades decorrentes do exercício das atividades compreendidas no objeto social da Companhia”, nos termos do disposto nos artigos 173 e 174 da Lei das S.A., como consignado no item 5, alínea (i) da Ata da AGE realizada em 13 de novembro de 2007. Observase que, no presente caso, o número de ações, tanto no aumento quanto na redução, permaneceu o mesmo, não ocorrendo extinção, total ou parcial, da participação, e os sócios permaneceram com o mesmo percentual de participação no capital social da APEC. Portanto, em nenhum momento, houve devolução de participação societária, já que os sócios permaneceram proprietários das 50.000 ações. Caso o contribuinte tivesse declarado corretamente o valor de sua participação no capital social da APEC, ao menos pelo custo contábil de R$ 19.046.261,00, na redução efetuada apenas faria a substituição em sua declaração de bens parte do valor pelas quotas da Guelmim. Porém, ao contrario disso, o contribuinte declarou como quotas de capital da empresa Guelmim apenas R$ 500,00 em 31/12/2007. O recorrente justifica que optou por registrar as 17 milhões de cotas da Guelmim recebidas em devolução do capital social da APEC pelo mesmo valor da participação extinta (zero) e, mesmo após a redução de capital da APEC, continuou proprietário das 25.000 ações, que permaneceram declaradas pelo valor (simbólico) de R$ 1,00, bem como das cotas da Guelmim, a um custo de R$ 500,00. Porém, o fato jurídico defendido pelo recorrente não condize com os fatos descritos dos autos. Primeiro, porque não houve participação extinta na APEC. Segundo, porque o recorrente Fl. 375DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730869/201281 Acórdão n.º 2202003.323 S2C2T2 Fl. 368 17 omite o aumento do capital social com a incorporação dos lucros acumulados. Sua participação não é de R$ 25.000,00 ou R$ 1,00, como informado, e sim de R$ 19.560.271,17, conforme consta na ata da assembléia do dia 31 de outubro de 2007. Tanto é que, na redução, recebeu como pagamento as quotas detidas pela APEC na Guelmim, no valor de R$ 17.582.489,00 (AGE da APEC S.A. de fls. 76 a 79 e sua rerratificação de fls. 81 a 114). Quando ocorreu o aumento do capital, de R$ 50.000,00 para R$ 39.120.542,34, com a incorporação da conta Lucros Acumulados, a participação do recorrente aumentou em valor. Isso estaria resguardado pelos rendimentos isentos e não tributáveis na sua declaração de imposto de renda apenas se estivessem abrangidos pelos critérios inseridos no art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995. Ou seja, se o imposto fosse apurado com base no lucro real, presumido ou arbitrado. Fora disso, o lucro incorporado ao capital e restituído aos sócios está sujeito à tributação nas pessoas físicas que o receberam. Outro ponto defendido no recurso voluntário é a inaplicabilidade do art. 3º, 4º da Lei nº 8.849, de 1995, que seria empregado apenas se a devolução tivesse sido paga em espécie. O recorrente argui que para a situação existiriam regras mais específicas e posteriores, quais sejam, o art. 22 da Lei nº 9.249, de 1995 e os arts. 60 e 61 da IN SRF 11, de 1996, que permitem às pessoas físicas reconhecer os bens recebidos em devolução de capital pelo valor da participação extinta. Porém, a referida lei, em momento algum, se refere a pagamento em espécie, como interpretado pelo contribuinte. Também, o tratamento dado aos bens a que refere o art. 22 da Lei nº 9.249, de 1995 e a IN SRF nº 11, de 1996, são aplicáveis à restituição de capital decorrente da extinção (total ou parcial) da participação, isto é, quando os sócios se desfazem ou reduzem suas quotas ou ações (alienam), o que não é o caso. O acréscimo patrimonial obtido, por sua vez, tem suporte em rendimentos isentos e não tributáveis (art. 10 da Lei nº 9.249/95), haja vista ser oriundo de entidade imune. E a norma citada trata de isenção na distribuição, qual seja apuração do imposto com base no lucro real, presumido ou arbitrado. Assim, o aumento da participação societária não foi consequência de distribuição de lucros ou de dividendos decorrentes da incorporação de lucros ou de reservas de lucros, como previsto na legislação tributária, e sim da transformação do superávit da Associação em lucros acumulados da Sociedade. O acréscimo patrimonial obtido, na qualidade de proventos de qualquer natureza, nos termos dispostos no art. 43, inciso II, do Código Tributário Nacional, é fato gerador do imposto de renda. Segundo essa regra, basta que haja a disponibilidade econômica ou jurídica, não é necessária a existência da disponibilidade financeira. A disponibilidade econômica traduzse pelo patrimônio acrescido e passível de avaliação econômica, sem Fl. 376DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 importar se o direito já é exigível ou se o crédito seja duvidoso ou difícil de ser liquidado pelo devedor. O recorrente reforça o seu posicionamento defendendo que, por forca do art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995, os lucros e dividendos apurados a partir de 1º de janeiro de 1996 pelas pessoas jurídicas passariam a não mais estar sujeitos a tributação do imposto de renda. A restrição constante do §4 do art. 3º da Lei nº 8849, de 1995, seria inócua no caso em questão, pois o capital restituído teria passado a ser rendimento não tributável. O dispositivo condicionaria apenas que o rendimento não tenha sido tributado na pessoa jurídica que os distribuiu e, por regra isentiva, deve ser interpretada literalmente nos termos do art. 111 do CTN. Porém, a isenção preconizada no art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995 não se aplica à entidade ora referida, cujo objetivo da lei, como expôs a auditoria, e evitar a dupla tributação. Ou seja, a não tributação e aplicável apenas às pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, presumido ou arbitrado, que não é o caso da APEC, que, à época, transformou o superávit em lucros acumulados, ora incorporados. Somente os lucros gerados a partir da transformação em 1º de outubro de 2007 poderiam entrar na regra prevista no dispositivo acima citado. Ou seja, para usufruir do benefício seria necessário que (i) o lucro tivesse sido apurado a partir de janeiro de 1996; e (ii) a pessoa jurídica fosse tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado. O recorrente argui que a tributação, se existisse, seria como ganho de capital e não rendimentos, mesmo que a APEC fosse isenta, como dispõe o art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997, e a IN SRF nº 11, de 1996. Assim, mesmo que a redução do capital social tivesse resultado em acréscimo patrimonial jamais seria tributável. O art. 17 citado além de não contemplar as entidades imunes – posto que estas não podem distribuir seu patrimônio aos associados, mas a uma entidade congênere –, referese taxativamente à devolução de patrimônio. E, no caso em questão não ocorreu devolução de patrimônio aos sócios, mas, tãosomente, uma redução do capital social, sem redução de participação, sem desfazimento das ações. Também, como já explicado, não se aplica neste caso a IN SRF nº 11, de 1996. Assim, em resposta ao argumento do contribuinte, como não houve alienação da participação societária, nem como os sócios se retiram da sociedade, e sim uma simples redução no valor patrimonial das ações, permanecendo os sócios com o mesmo percentual de participação no capital da sociedade, não há que se falar em apurar ganho de capital. APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO De acordo com o artigo 113, § 1º do CTN, a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730869/201281 Acórdão n.º 2202003.323 S2C2T2 Fl. 369 19 Entendo que obrigação e crédito tributário são duas faces da mesma moeda, sendo que o crédito nada mais é que a própria obrigação, tornada líquida, certa e exigível, pelo lançamento. Nesse sentido, o artigo 139 do Códex estatui que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Mais adiante, o artigo 161 traz que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Enquanto as obrigações acessórias tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (deixar de fazer), a obrigação principal constituise sempre em "dar" uma importância em moeda. Mesmo sabendo que "multa" não é tributo, conforme conceito disposto em seu artigo 3º, o legislador quis que a obrigação de dar, ou seja, aquela dita principal, tivesse como objeto tanto o tributo quanto a multa, dita "penalidade pecuniária". Está escrito no § 1º do artigo 113. Assim, "crédito tributário", que tem a mesma natureza da obrigação que o precede, também conforme expresso no artigo 139 engloba tanto o tributo, quanto a multa, que a ele se vincula. E esse "crédito tributário", ou seja, tanto o tributo quanto a multa, será acrescido de juros de mora, quando não pago no vencimento, como também está expresso no artigo 161. A única diferença reside no termo a quo para aplicação dos juros. Sobre o tributo, desde o seu vencimento, na forma da lei; sobre a multa, desde a constituição do crédito, pelo lançamento, com a lavratura do auto de infração. Não é possível que o valor da multa fique congelado no tempo. Assim, concluise que a multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN). Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 378DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13629.721094/2014-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/11/2012
IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece da impugnação apresentada após o trigésimo dia da ciência do lançamento, sendo que a contagem se dá a partir do primeiro dia útil após a intimação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece da impugnação apresentada após o trigésimo dia da ciência do lançamento, sendo que a contagem se dá a partir do primeiro dia útil após a intimação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 10 94 /2 01 4- 22 Fl. 653DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que não conheceu da sua impugnação por considerála intempestiva. Nos termos da decisão recorrida, o aviso de recebimento AR de fl. 35 comprova que tomou ciência do lançamento das exigências contidas nos autos de infração de DEBCAD nº 51.071.6067 e nº 51.071.6075 em 12 de novembro de 2014 (quartafeira). O órgão a quo conclui que a peça foi apresentada a destempo, posto que o autuado fez a sua apresentação somente em 15 de dezembro de 2014 (segundafeira), conforme comprova o carimbo de protocolo que consta à fl. 357. Inconformado, o sujeito passivo interpôs o recurso de fls. 618/649, onde inicialmente alega que não há nos autos prova da data da notificação das exigências, motivo pelo qual não poderia a defesa ser considerada tempestiva. Afirma que o não conhecimento da defesa impediu os julgadores de terem acesso aos fatos que redundaram nas lavraturas, prejudicando o princípio da verdade material e prejudicando o contribuinte. A seguir envereda pelo mérito tentando justificar a regularidade das compensações efetuadas e pugnando pela impossibilidade de imposição da multa isolada no patamar de 150%. Ao final, pede que a DRJ conheça do mérito da demanda ou que a Turma do CARF afaste pelo menos a multa isolada. É o relatório. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13629.721094/201422 Acórdão n.º 2402005.234 S2C4T2 Fl. 654 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade A ciência da decisão recorrida deuse em 23/04/2015 (fl. 617), tendo o recurso sido apresentado em 21/05/2015, portanto, dentro do trintídio legal. Por atender também ao requisito de legitimidade, merece conhecimento. Análise da tempestividade Acerca da tempestividade tenho que dar razão à DRJ. Verifico à fl. 35 o AR com data de recebimento em 12/11/2014, que caiu em uma quartafeira. Assim, o prazo de trinta dias para apresentar a impugnação expirouse em 12/12/2014, sextafeira. Nos termos do art. 15 do Decreto n.° 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal federal, o prazo para impugnar é de 30 dias, devendose contálo a partir do primeiro dia útil após a intimação (art. 5.° do mesmo Decreto). Tendose em conta que a impugnação foi protocolizada em 15/12/2014, fl. 557, de fato ocorreu a perda do prazo, posto que não consta dos autos que na data do seu vencimento tenha ocorrido alguma anormalidade no expediente da repartição competente para recepcionar a defesa. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720053/2013-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2009
Domicílio Fiscal. Endereços Inexistentes.
Na constatação de que o último endereço cadastral fornecido pelo contrbuinte inexiste, considerar-se-á como domicílio fiscal do contribuinte o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação tributária, podendo a autoridade administrativa recusar o domicílio eleito, quando este impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, nos termos do artigo 127, §§ 1º e 3º, do Código Tributário Nacional.
Nulidade. MPF Prorrogação. Ausência Entrega.
A ausência de entrega ao contribuinte sob fiscalização do demonstrativo de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta prejuízos ao fiscalizado, sobretudo porque o contribuinte tem acesso a este pela internet.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
Sujeição Passiva Solidária. Sócio da Empresa. Dissolução Irregular. Legitimidade.
Correto o estabelecimento da sujeição passiva solidária uma vez constatado nos autos, ser o sócio administrador de fato da empresa, com poderes de gestão, por possuir o interesse comum nos atos praticados por ela e pela sua dissolução irregular, bem como agente de atos fraudulentos praticados para se eximir das obrigações tributárias.
Multa Qualificada. Fraude. Conceituação Legal. Vinculação da Atividade do Lançamento.
A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identifica-se com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade.
Numero da decisão: 1302-001.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as arguições de nulidade do lançamento e NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(documento assinado digitalmente)
ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Relatora
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2009 Domicílio Fiscal. Endereços Inexistentes. Na constatação de que o último endereço cadastral fornecido pelo contrbuinte inexiste, considerar-se-á como domicílio fiscal do contribuinte o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação tributária, podendo a autoridade administrativa recusar o domicílio eleito, quando este impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, nos termos do artigo 127, §§ 1º e 3º, do Código Tributário Nacional. Nulidade. MPF Prorrogação. Ausência Entrega. A ausência de entrega ao contribuinte sob fiscalização do demonstrativo de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta prejuízos ao fiscalizado, sobretudo porque o contribuinte tem acesso a este pela internet. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 Sujeição Passiva Solidária. Sócio da Empresa. Dissolução Irregular. Legitimidade. Correto o estabelecimento da sujeição passiva solidária uma vez constatado nos autos, ser o sócio administrador de fato da empresa, com poderes de gestão, por possuir o interesse comum nos atos praticados por ela e pela sua dissolução irregular, bem como agente de atos fraudulentos praticados para se eximir das obrigações tributárias. Multa Qualificada. Fraude. Conceituação Legal. Vinculação da Atividade do Lançamento. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identifica-se com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as arguições de nulidade do lançamento e NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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ENDEREÇOS INEXISTENTES. Na constatação de que o último endereço cadastral fornecido pelo contrbuinte inexiste, considerarseá como domicílio fiscal do contribuinte o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação tributária, podendo a autoridade administrativa recusar o domicílio eleito, quando este impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, nos termos do artigo 127, §§ 1º e 3º, do Código Tributário Nacional. NULIDADE. MPF PRORROGAÇÃO. AUSÊNCIA ENTREGA. A ausência de entrega ao contribuinte sob fiscalização do demonstrativo de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta prejuízos ao fiscalizado, sobretudo porque o contribuinte tem acesso a este pela internet. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO DA EMPRESA. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. LEGITIMIDADE. Correto o estabelecimento da sujeição passiva solidária uma vez constatado nos autos, ser o sócio administrador de fato da empresa, com poderes de gestão, por possuir o interesse comum nos atos praticados por ela e pela sua dissolução irregular, bem como agente de atos fraudulentos praticados para se eximir das obrigações tributárias. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CONCEITUAÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE DO LANÇAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 00 53 /2 01 3- 00 Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 2 A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identificase com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as arguições de nulidade do lançamento e NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto às efls. 1669 a 1677 contra o Acórdão nº 0250.952/13, proferido pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte, por Federico Serrano Doblas, guindado a responsável solidário pelo crédito tributário consubstanciado nos Autos de Infração lavrados contra a empresa Casablanca Indústria e Comércio de Embalagens Ltda, para a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativos ao anocalendário de 2009, no valor total de R$ 624.144,78 (incluídos os acréscimos legais multa de ofício qualificada e juros de mora) efls. 1530 a 1572. A descrição dos fatos que ensejaram a autuação fiscal e os motivos de responsabilização tributária solidária com as pessoas a seguir discriminadas foram minuciosamente relatadas no Termo de Verificação e Constatação Fiscal juntado às efls. 1519 a 1529 e Termos de Sujeição Passiva lavrados para responsabilizar solidariamente : Clédio Dal Santo, João Carlos Farias, Mário José Fontana e Cassol Empreendimentos e Participações S/A, efls. 1497 a 1512, bem como contra o recorrente, Federico Serrano Doblas (efls. 1503 a 1506). Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 16095.720053/201300 Acórdão n.º 1302001.847 S1C3T2 Fl. 3 3 Somente o responsável solidário Federico Serrano Doblas insurgiuse contra os lançamentos tributários e contra a sujeição passiva solidária, apresentando impugnação e o presente recurso voluntário. O aresto restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. MULTA QUALIFICADA A conduta que tenha a finalidade de impedir o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, obtendose como resultado, a efetiva supressão de tributo, está sujeita à multa de 150% aplicada sobre a totalidade do tributo omitido. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA São solidariamente obrigadas as pessoas que possuem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE DA AÇÃO FISCAL. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Não constitui causa de nulidade do lançamento a ausência de prorrogação de Mandado de Procedimento Fiscal, mero instrumento gerencial, prescindível à constituição de crédito tributário, restando válido o ato constitutivo do crédito tributário quando efetuado por autoridade legalmente investida de competência para exercêlo, observados os requisitos de validade assentados no artigo 142 do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. O cancelamento de multa de ofício aplicada fundado no acolhimento do argumento de sua natureza confiscatória exigiria o exame da constitucionalidade do dispositivo legal que a instituiu e essa atividade é estranha ao contencioso administrativo, inserindose no âmbito da competência exclusiva do Poder Judiciário. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO PROVAS As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 4 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, consolidandose administrativamente o lançamento efetuado pela autoridade competente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ARBITRAMENTO O lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando o contribuinte, reiteradamente intimado, deixa de apresentar documentos e escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos dos demais tributos com os quais compartilha o mesmo fundamento de fato e para o qual não há outras razões de ordem jurídica que lhes recomenda tratamento. Aproveito trechos do minucioso relatório redigido no acórdão recorrido para historiar os fatos: [...] O Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades registra que a empresa não se encontrava no endereço informado à Secretaria da Receita Federal. Depois de várias diligências a fiscalização não logrou êxito em localizar a empresa, tendo constatado, pelo cadastro de contribuintes do ICMS do Estado de São Paulo que a empresa já se encontrava na situação de inapta, por não ter sido localizada. Diligências junto a instituições financeiras permitiram a obtenção de cópia de procuração outorgada pela empresa constituindo como procurador o Sr. Marcelo Venâncio Stern com poderes sempre em conjunto com o sócio Federico Serrano Doblas representarem a empresa perante o Banco SOFISA S/A, além de dados da ficha cadastral da referida empresa. Também foram efetuadas diligências junto aos clientes da empresa para apresentação de documentos fiscais que acobertaram as transações efetuadas, apurandose o valor total das notas fiscais emitidas em R$3.284.977,66, excluído o valor referente ao IPI. Também foram intimados os sócios, senhores Mario José e João Carlos, sendo que somente o primeiro atendeu à intimação comparecendo à sede da DRF, quando declarou que era sócio apenas de direito e que o sócio de fato seria o Sr. Federico. Considerando não ter sido possível localizar a empresa as intimações foram providenciadas via edital, inclusive cientificando do arbitramento do lucro pela falta de apresentação dos livros e documentos contábeis/fiscais. Por entender caracterizada a utilização de interpostas pessoas, simulação da venda da empresa, dissolução irregular da empresa e omissão deliberada de receitas foi aplicada a multa qualificada de 150%. [...] A impugnação é apresentada pelo senhor Federico Serrano Doblas, sendo o tópico 1. PRELIMINARES, desdobrado em: Da Nulidade em razão da competência territorial Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 16095.720053/201300 Acórdão n.º 1302001.847 S1C3T2 Fl. 4 5 Propugna pela nulidade do auto de infração sob o argumento de “que nada imputa a competência de Guarulhos para prática de autuação fiscal”, tendo em vista que os sócios residem na capital e São Bernardo do Campo e o endereço comercial da empresa era na Comarca de Piracaia, posteriormente alterado para a Comarca de Vargem Grande, alterações registradas na Junta Comercial de São Paulo e Receita Federal. [...] No que diz respeito a sua indicação como responsável solidário o senhor Federico Serrano Doblas afirma terse desvinculado totalmente das atividades da empresa e considera “ilegítimo permanecer nesta peça acusatória.” Da prescrição Defende que, por força do disposto nos artigos 1003 e 1032 do Código Civil, que limitam a responsabilidade civil de exsócio a 2 (dois) anos após a averbação de sua desvinculação, sua responsabilidade por atos da empresa perdurou até 03.04.2011, uma vez que se desvinculou em 03.04.2009. No tópico 2.Mérito, subdivido nos tópicos a seguir reproduzidos, defende: Do não cabimento da desconsideração da Pessoa Jurídica. Entende impossível o pedido de desconsideração da Personalidade Jurídica sem que todas as partes envolvidas possam manifestarse regularmente. [...] Da boafé administrativa Registra que administrou a empresa por quase 20 anos, sempre honrando seus compromissos, e que, se houve equívocos e débitos fiscais foram depois de sua saída. Extrapolado o prazo máximo para a conclusão dos trabalhos Destaca que a fiscalização foi iniciada no dia 22 de março de 2012 e encerrada em 19 de março de 2013, tendo extrapolado o prazo máximo, uma vez que não fora cientificado das prorrogações. Da aplicação de multa como pena de confisco Entende que a exigência da multa no percentual de 150% agride o artigo 150, IV, da Constituição Federal, que veda a utilização de tributo com efeito de confisco. No tópico 3 DO REQUERIMENTO, requer: A nulidade ab initio do auto de infração, acolhendose as preliminares argüidas. Improcedência do Auto de Infração e seu cancelamento, pelos motivos e documentação expostos no mérito, face a fundamentação e enquadramento legal sem nexo com o fato gerador. Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 6 (grifos no original) A Turma Julgadora de Primeira Instância decidiu: 1) REJEITAR as preliminares de nulidade; 2) JULGAR IMPROCEDENTE a impugnação contra a indicação de sujeição passiva solidária do Senhor Federico Serrano Doblas; 3)CONSIDERAR NÃO IMPUGNADAS as indicações de responsabilidade solidária de Mário José Fontana, João Carlos Farias, Clelio Dal Santo e Cassol Empreedimentos e Participações S/A, e 4) MANTER integralmente o crédito tributário. O Recurso Voluntário interposto por Federico Serrano Doblas é tempestivo1. A recorrente confundese no texto e diz estar interpondo Recurso Especial de divergência contra decisão proferida em segunda instância, dirigindose à Câmara Superior Recursos Fiscais. Todavia, como não houve apreciação em segunda instância de julgamento, não se trata de Recurso Especial, e a recorrente denomina a peça recursal de recurso voluntário, assim este será recebido e analisado. Neste reitera os termos da impugnação, a saber: a) Nulidade dos autos de infração em razão de competência territorial, em vista da empresa "Casablanca" encontravase na cidade de Piracaia, posteriormente Vargem Grande, à época da fiscalização; argumenta que desde 2008 alterou seu endereço, inclusive notificando a Junta Comercial e a Receita Federal, pelo que não podia ter sido fiscalizada pela DRF em Guarulhos/SP; b) Ilegitimidade de parte argumenta o recorrente: Salientase que de forma inquestionável houve alteração de contrato social em 01.08.2008, com averbação em 03.04.2009, quando o recorrente transferiu a totalidade de suas quotas sociais. Veja que o contrato social devidamente assinado pelas partes é cristalino no que diz respeito a responsabilidade dos sócios alienantes, que adentraram a sociedade com total conhecimento, sem qualquer surpresa do negócio. Nobres Julgadores, não parece crível basear um fiscalização e essencialmente a responsabilização de alguém pelo simples fato de existir documento ou autorização bancária para movimentar contas bancárias. Notase que são documentos antigos e sem qualquer valor legal, documentos frágeis para alegar que há fraude ou omissão por parte do recorrente. Não obstante, o ato fiscalizatório foi totalmente incoerente e desprovido do contraditório e a ampla defesa dos envolvidos, já que por empenho condenatório o agente somente ouviu o Sr. Mario Jose Fontana, sendo os demais envolvidos, o procrio recorrente e os Srs. João e Clélio desprezados. Ora como poderia os sócios anteriores e os atuais sócios serem desfavorecidos a favor de antigo sócio. Inegavelmente deveriam fazer parte desta autuação e essencialmente terem sido ouvidos e intimados. Nobres Julgadores, não parece crível basear um fiscalização e essencialmente a responsabilização de alguém pelo simples fato de existir documento ou autorização bancária para movimentar contas bancárias. Notase que são documentos antigos e 1 AR 14/11/03, efls. 1656; Recurso 16/12/13, efls. 1669 a 1677 Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 16095.720053/201300 Acórdão n.º 1302001.847 S1C3T2 Fl. 5 7 sem qualquer valor legal, documentos frágeis para alegar que há fraude ou omissão por parte do recorrente. Não obstante, o ato fiscalizatório foi totalmente incoerente e desprovido do contraditório e a ampla defesa dos envolvidos, já que por empenho condenatório o agente somente ouviu o Sr. Mario Jose Fontana, sendo os demais envolvidos, o procrio recorrente e os Srs. João e Clélio desprezados. Isto posto, não resta dúvida quanto as irregularidades procedimentais e desrespeitos aos direitos constitucionais dos envolvidos, bem como a inexistência de responsabilidade fiscal e civil do recorrente. c) Da prescrição o recorrente se desvinculou da empresa em 01/08/2008, pelo que a sua responsabilização pelos fatos praticados pela empresa perdurou até 03/04/2011, devendo ser excluído do pólo passivo da obrigação tributária, nos termos dos artigos 1003 e 1032 do Código Civil; d) Multa de 150% caráter confiscatório: argumenta que deve ser reduzida para o patamar de 2%, consoante Lei nº 9.289/96, ou não ultrapassar 30%, consoante julgado do STF que menciona; e) Expiração do prazo para encerrar os trabalhos fiscais a fiscalização não emitiu os Mandados de Procedimentos Fiscais de prorrogação dos trabalhos, que iniciaram em 22/03/2012 e encerraram em 22/07/2013, nem tampouco cientificou a contribuinte de qualquer prorrogação, sequer por internet, pelo que nula a autuação fiscal. ofensa às Portarias RFB nºs 4.066/2007 e 10.382/07. Requer, por fim, direito à sustentação oral. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. O recorrente, Federico Serrano Doblas, argúi vários pontos de defesa pretendendo a insubsistência dos lançamentos tributários realizados contra a empresa Casablanca Ind. e Com. de Embalagens Ltda. e a sua exclusão do pólo passivo das obrigações tributárias constituídas de ofício. Suscita que houve incompetência da autoridade fiscal por razão territorial, visto que a empresa localizavase em município que não estava sob a jurisdição fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Guarulhos (DRF/Guarulhos). Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 8 Ocorre que, o domicílio fiscal é eleito pelos contribuintes e é ônus destes comunicar à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) eventual mudança de domicílio, sendo válido até esta comunicação de alteração, pelas vias pertinentes, o último endereço comunicado à Administração Tributária. Assim dispõe o artigo 213 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (Decreto nº 3.000/99 RIR/99): Art. 213. Quando o contribuinte transferir, de um município para outro ou de um para outro ponto do mesmo município, a sede de seu estabelecimento, fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 195). No presente caso, de fato, o último endereço comunicado da matriz da empresa fiscalizada, em 24/07/2009, consoante ficha cadastral juntada às efls. 13 a 18, seria Rua Estrada Municipal Olímpipia Cardoso, 221, Vargem Grande Paulista, São Paulo. Todavia, a empresa apresentou em 02 de junho de 2010 a DIPJ/10, relativa ao anocalendário de 2009 (ano objeto da fiscalização), acusando estabelecerse à Rua Maria Paula Mota, nº 1550, Jd. Presidente Dutra, Guarulhos/SP efls. 23/24. Em visita a ambos endereços, a fiscalização obteve a informação de que a empresa realmente havia operado no endereço acusado na DIPJ/10, ao visitar o local (Termo de Visita e Constatação), enquanto que em relação ao segundo endereço que constou na alteração cadastral efetuada em julho de 2009, constou no Termo de Visita e Constatação nº 02 (efls. 550 e 551): Que foi constatado em 04/04/2012, conforme Termo de Visita e Constatação lavrado naquela data, que a empresa supra não se encontra no endereço acima, constante nos cadastros da RFB; Que na ficha cadastral da empresa, obtida junto à JUCESP (Junta Comercial do Estado de São Paulo), consta que a empresa teria alterado seu endereço para Rua Estrada Municipal Olipimpia Cardoso, 221, Centro, Vargem Grande PaulistaSP, cep: 12935000; Que em pesquisas efetuadas na "internet" não foi encontrada, na cidade de Vargem Grande Paulista, nenhuma Rua ou Estrada Municipal com o nome descrito no parágrafo anterior e, nem Rua ou Estrada Municipal com os nomes similares: Olímpia Cardoso ou Olimpio Cardoso; Que o cep informado pelo contribuinte (12935000) na JUCESP, na realidade é do seguinte endereço: Estrada Olimpio Cardoso Pinto, Município de Vargem, São Paulo; Em virtude do acima disposto, nos dirigimos ao endereço, acima, na cidade de Vargem; Chegando ao local, procuramos na Estrada Olimpio Cardoso Pinto pelo n° 221 e constatamos que o mesmo inexiste. Em um lado da rua existe o n° 211 e logo ao seu lado o n° 340. No outro lado da rua encontrase o n° 210; Falamos com moradores do n° 340, entre eles, um rapaz chamado Ailton. As pessoas que ali residem informaram que vivem no local há aproximadamente 18 (dezoito) anos e nunca ouviram falar de alguma fabrica de embalagens naquela estrada; Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 16095.720053/201300 Acórdão n.º 1302001.847 S1C3T2 Fl. 6 9 Ante o exposto concluímos que a empresa nunca esteve instalada no endereço informado na JUCESP (sic) (grifos no original) A fiscalização constatou, ainda, que desde 03/04/2009, antes portanto da suposta alteração de endereço da empresa nos registros da Jucesp, a empresa foi considerada inapta pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, por inexistente de fato. Há ainda o fato de que na mesma data desta alteração de endereço, que na verdade nunca ocorreu, houve a saída do recorrente do quadro societário, ato que a fiscalização entendeu ser fraudulento, consoante as razões que a seguir serão apreciados. Por todos estes fatos, temse como correto o procedimento da fiscalização em considerar o domicílio fiscal da empresa "Casablanca" na cidade de Guarulhos/SP, sobretudo pela razão de ter sido o último endereço informado pela própria empresa, local no qual praticou os atos de comércio e indústria, fatos geradores que ensejaram os lançamentos tributários objetos do presente litígio. O procedimento fiscal pois está de acordo com as disposições dos §§ 2º e 3º do artigo 213, do RIR/99, cujo caput, foi acima transcrito: Art. 213 (...) §1º (...) § 2º Quando não couber a aplicação das regras fixadas neste artigo, considerarseá como domicílio fiscal do contribuinte o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação tributária (Lei nº 5.172, de 1966, art. 127, § 1º). § 3º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose, neste caso, a regra do parágrafo anterior (Lei nº 5.172, de 1966, art. 127, § 2º). Há que se atentar, ainda, a respeito da matéria ora tratada da Súmula CARF nº 27, com a seguinte redação: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Bem como as disposições inseridas no artigo 9º, § 2º, do Decreto n^70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF): Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 10 (...) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Por conseguinte, nada obsta, pelo contrário, que a jurisdição da empresa fiscalizada seja exercida e pertencente à Delegacia da Receita Federal de Guarulhos/SP, pelo que afastase a arguição de nulidade do trabalho fiscal por exceção de competência territorial. No que se refere à matéria ilegitimidade da sujeição passiva do recorrente, o procedimento fiscal deixou suficientemente claro que a transferência de cotas da empresa a duas outras pessoas físicas e mais tarde a outros terceiros, foram realizadas após a empresa ter sido declarada inapta pela fiscalização estadual, por inexistente de fato, em primeiro lugar. Também asseverou, com razão, que a empresa "Casablanca" foi dissolvida irregularmente e que os últimos atos contratuais denotam a pretensão do então exsócio em 'desaparecer' com a empresa. Os atos praticados pelo recorrente atribuídos à simulação cometida são vários, devendo ressaltarse que desde a abertura da empresa, em 06/11/89 até a data de 03/04/2009 constou o recorrente como sócio da empresa. A própria DIPJ/10 entregue em junho de 2010 também continuou a informar como sendo o responsável pela pessoa jurídica, o recorrente. A pesquisa da situação fiscal da empresa perante a Secretaria da Fazenda Estadual, acostada às efls. 1462, também aponta como único responsável pela empresa o recorrente, Federico Serrano Doblas, desde a abertura, até a sua inaptidão, declarada em 03/04/2009, por inexistente de fato. Mais importante para o estabelecimento da responsabilidade tributária é o fato, incontestável, do recorrente constar nas instituições financeiras onde a empresa "Casablanca" manteve contas bancárias como a pessoa responsável pela empresa e com poderes aptos para movimentar recursos e todas as demais operações bancárias, não constando transferência destes poderes para outro ou sendo notificados os referidos bancos que houve transferência de cotas em qualquer momento a terceiros, consoante documentos bancários acostados aos autos às efls. 388, 395, 420 e 528 Bancos Safra, Sofisa e do Brasil. A escusa do recorrente que estes documentos/autorizações bancárias para movimentar as referidas contas são documentos antigos, frágeis e sem valor legal, devem ser repudiadas por pueris em face à movimentação de valores efetiva e existente nas referidas contas. Os referidos documentos comprovam não somente a continuidade dos poderes de Federico Serrano Doblas de administração e gerência na empresa "Casablanca" após as fictícias alterações contratuais para transferência de cotas a terceiros, mas também a disponibilidade econômica e jurídica sobre os valores transitados por estas contas. Há que se concordar, pois, com as conclusões do acórdão recorrido neste concernente: A alegação de que as informações dos bancos demonstram apenas que os cadastros não foram atualizados não favorece ao impugnante à vista dos elementos carreados aos autos. Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 16095.720053/201300 Acórdão n.º 1302001.847 S1C3T2 Fl. 7 11 O Termo de Verificação Fiscal constata que foi creditado nas contas das empresas um total de R$5.867.491,83 e debitado R$6.622.419,75. Constata ainda que o impugnante continuava com poderes para movimentar livremente as contas correntes em nome da empresa. Como destaca o TVF, os sócios indicados nos contratos sociais, diante das informações contidas nas fichas cadastrais que indicavam o impugnante como responsável, encontravamse impedidos de qualquer ação junto às instituições bancárias. Pelo exposto, outra conclusão não resta, senão que de fato o impugnante era sócio da empresa Casablanca Industria e Comercio de Embalagens Ltda, com plenos poderes para movimentar as contas correntes da empresa da maneira que entendesse conveniente, não havendo qualquer necessidade de informar a quem quer que seja o destino, beneficiário ou motivo de tais transações. Em outras palavras, era efetivamente o único dono da empresa. Assim, suas alegações não encontram respaldo. Por derradeiro, mas não menos importante, há os fatos que somam e formam robusta comprovação da fraude engendrada pelo recorrente, consistentes em: declaração prestada de Mário José Fontana, que teria recebido como prêmio pelo trabalho de vendedor as referidas quotas, mas continuou sem poder algum de administração e sem acesso às contas bancárias, nas quais Federico Serrano Dobles continuaria como gestor; DIRPF dos supostos sócios, que comprovam não possuírem respaldo economico financeiro para adquirir as cotas empresariais; e: Embora, o registro da 15a alteração contratual, pertinente à venda da empresa, tenha sido registrado na JUCESP cm 03/04/2009, na DIRPF 2009 do Sr. Federico, relativa ao anocalendário 2008, há informação de que a venda teria se dado em 01/08/2008, data em que teria sido assinada referida alteração contratual. Estranho, alguém adquirir uma empresa e não promover o seu registro de imediato, ou ao menos num curto intervalo dc tempo, possibilitando que um exsócio continue exercendo poderes de sócio perante terceiros por um período de tempo tão longo, ou seja, mais de oito meses. Conforme sua DIRPF do anocalendário 2008, como pagamento pelas suas quotas, o Sr. Federico teria recebido no anocalendário de 2008, os seguintes bens: RS 43.400,00 (quarenta c três mil e quatrocentos reais), mais uma prensa horizontal elétrica P Forzan, no valor de R$ 60.000,00, além de um emendador para onduladeira BHS, no valor de R$ 55.000,00, compondo um total de R$ 158.400,00. No ano seguinte, conforme sua DIRPF do anocalendário 2009, essas mesmas duas máquinas teriam sido recebidas cm pagamento da venda dc outra empresa até então pertencente ao Sr. Federico, a saber: Everest Embalagens Ind. e Com. Lida, CNPJ n° 52.873.692/000168, cujo comprador seria a empresa Grecn Best World Inc.. Na mesma DIRPF, observase que essas duas máquinas teriam sido agregadas ao patrimônio do Sr. Federico apenas em 2009, pois o valor final em 31/12/2008 informado na DIPJ 2010 foi zero e cm 31/12/2009 passou a ser R$ 55.000,00 e R$ 60.000,00, ou seja, os mesmos valores das máquinas que teriam sido recebidas chi 2008 pela venda'ua empresa Casablanca S/A.. Já no ano posterior, ou seja, 2010, em sua DIRPF 2011, volta a figurar no patrimônio daquele contribuinte a empresa Everest e as duas máquinas, porém desta vez Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 12 como se tivessem sido recebidas em decorrência da venda da empresa Casablanca S/A. Inapropriada, ainda, a argumentação da recorrente que outras pessoas envolvidas, no caso aquelas para quem houve a suposta transferência da pessoa jurídica, não prestaram depoimentos a respeito dos fatos, pois a fiscalização tentou localizálas, mas os endereços cadastrais estão desatualizados, não sendo possível a sua localização. Há que se salientar a este respeito que as referidas provas testemunhais não tem o mesmo valor probatório das diversas provas documentais carreadas aos autos pela fiscalização, que por si, já são suficientes para comprovar a simulação de transferência da empresa para terceiros, tornandose, no presente caso, desnecessárias para firmar a convicção neste julgamento. Pelo conjunto probatório amealhado pela fiscalização, correta a responsabilização solidária do recorrente pelo crédito tributário devido pela empresa "Casablanca". No que respeita à prescrição de eventual ação contra si imposta, na qualidade de sócio que retirouse da empresa limitada, por ter sido a ação fiscal promovida contra a empresa após dois anos, as disposições citadas do Código Civil não podem ser aproveitadas pelo recorrente, pois, em primeiro lugar, a dissolução da empresa se deu de forma irregular, as alienações de cotas foram simuladas, nunca deixando a empresa de pertencer ao sócio Federico Serrano Doblas e, por fim, não serem estes dispositivos legais aplicáveis no direito tributário e suas implicações, bem como nas execuções fiscais. O recorrente ataca a imposição da multa no patamar de 150%. O diploma legal invocado pelo recorrente (Lei nº 9.289/96) ou o julgado do Supremo Tribunal Federal não podem ser invocados, a uma porque não é a norma legal tributária de regência para a aplicação da multa cominada nos autos, na forma qualificada, e quanto ao julgado porque não tem qualquer efeito erga omnis, de aplicação vinculada aos julgados deste órgão colegiado. E não compete aos órgãos colegiados administrativos discutir sobre a ilegalidade/inconstitucionalidade das normas em vigência, matéria sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A última irresignação do recorrente é que não foram emitidos os Mandados de Procedimentos Fiscais de prorrogação, o que causaria a nulidade dos trabalhos fiscais e dos lançamentos tributários. O espírito da norma que instituiu o Mandado de Procedimento Fiscal é coibir abusos em procedimentos de fiscalização e conceder segurança aos contribuintes de que o procedimento realizado em sua pessoa (física/jurídica) é de natureza institucional. No presente caso, observase que a fiscalização pautouse pela observância das normas tributárias, materiais e procedimentais, em estrito cumprimento aos princípios da legalidade. Assim é que acolho a jurisprudência dominante deste CARF ao entender que o Mandado de Procedimento Fiscal é norma de natureza interna corporis e não possui o Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 16095.720053/201300 Acórdão n.º 1302001.847 S1C3T2 Fl. 8 13 condão de levar à nulidade o lançamento fiscal pautado na norma tributária vigente, sendo suprido pelos outros termos lavrados pela autoridade fiscal revestida da competência natural de sua função. Reproduzo ementa que espelha como tem se manifestado reiteradamente a jurisprudência administrativa, que acompanho: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislacão vigente. O MPF é mero instrumento de controle da atividade de fiscalizacão no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. (CSRF 2" Turma, Recurso n° 203126775, Sessão de 22/01/07, Relatora Maria Tereza Martinez Lopes, Acórdão n° CSRF/0202. 543) Importante salientar que, ao contrário do que afirma o recorrente, o código de acesso pela internet dos referidos Mandados de Procedimento Fiscais de Prorrogação, que são automaticamente revalidados a cada mês, após o término do primeiro MPF emitido, constou claramente no Termo de Início de Fiscalização: MPF nº 0811100201200134 ......código de acesso nº 77922319 Observo, ainda, que consta dos autos vários Termos de Ciência de Prorrogações, evitando que a contribuinte readquirisse a sua espontaneidade enquanto não findos os trabalhos fiscais efls. 1431, 1433 e 1459. Destarte, nenhuma ofensa aos procedimentos internos da RFB, o que aliás, se houvesse, não acarretariam qualquer nulidade dos lançamentos tributários realizados contra a empresa "Casablanca". Em nenhum momento a empresa ou o recorrente sofreram qualquer cerceamento em seu direito de defesa, tanto que o recorrente pode se exercer com amplitude o contraditório, em tempo hábil. Por todo o exposto, procede a tributação realizada de ofício para a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins contra a empresa "Casablanca", cuja matéria tributável, em face à apresentação de declarações zeradas ao fisco federal DIPJ, DCTF, Dacon , foi obtida nas Notas Fiscais de vendas obtidas junto a seus clientes e nos meios eletrônicos da RFB, segundo o regime do arbitramento em vista da não apresentação de livros contábeis, relativamente aos fatos geradores praticados no anocalendário de 2009, bem como procede a responsabilização solidária de Federico Serrano Doblas, por ser o sócio de fato da empresa, com poderes de gestão, por possuir o interesse comum nos atos praticados por ela e pela sua dissolução irregular e atos fraudulentos praticados para se eximir das obrigações tributárias. Voto em rejeitar as nulidades suscitadas, para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 14 Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA
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Numero do processo: 13896.721727/2014-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos retornem à Unidade Local a fim de que os coobrigados sejam intimados da decisão de primeira instância retomando-se o rito processual a partir daí, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Roberto Silva Júnior.
Relatório
VENBO COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA, na condição de contribuinte, e RICARDO FIGUEIREDO BOMENY e RÔMULO BORGES FONSECA, na condição de responsáveis tributários, recorrem a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão 06-51.477 lavrado pela 2ª Turma da DRJ em Curitiba que julgou improcedentes não só a impugnação por ela apresentada, mas também as impugnações interpostas pelos coobrigados.
Trata-se de autos de infração de IRPJ e de CSLL baseado nas seguintes infrações: i) glosa de despesas não comprovadas; ii) glosa de despesas operacionais/encargos não dedutíveis; iii) glosa de exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real, referentes a ágio e; iv) glosa de provisões para contingências trabalhistas. Houve ainda imputação de corresponsabilidade aos sócios administradores da autuada com base no art. 124, I, e no art. 135, III, ambos do Código Tributário Nacional CTN.
A pessoa jurídica e os coobrigados foram intimados do lançamento e os três apresentaram impugnações.
Em resumo, a turma julgadora de primeira instância julgou-as improcedentes, mantendo a totalidade do crédito tributário e também a corresponsabilidade dos sócios administradores da pessoa jurídica à época dos fatos geradores.
Conforme documentos de fls. 3547-3549, a pessoa jurídica foi intimada da decisão de primeira instância em 13 de maio de 2015 (fl. 3549).
Incoformada, a autuada apresentou recurso voluntário de fls. 3552-3623 em 11 de junho de 2015.
Por ora, basta informar que o recurso apresentado reafirma os termos de sua impugnação, em especial no tocante à suposta regularidade na amortização de ágio, apontando ainda vício no lançamento no que se refere às supostas exclusões indevidas do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Anexa ainda Parecer realizado por empresa de auditoria independente que demonstraria que as divergências apontadas pela autoridade fiscal em relação à apuração do lucro líquido e lucro real a partir de arquivos do SPED e ECD e a informada em DIPJ não afetaram o recolhimento de IRPJ e CSLL, uma vez que teriam o montante de cada um desses tributos teria sido calculado a partir de planilhas específicas, e não a partir da DIPJ. Em relação ao tema, afirma que se tratou somente de erros no cumprimento de obrigações acessórias. Por fim, contesta ainda a cominação de penalidade qualificada, da multa isolada em concomitância com a multa de ofício e a imputação de responsabilidade tributária aos seus sócios administradores à época dos fatos geradores.
É o relatório.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos retornem à Unidade Local a fim de que os coobrigados sejam intimados da decisão de primeira instância retomandose o rito processual a partir daí, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Roberto Silva Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .7 21 72 7/ 20 14 -4 2 Fl. 3774DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.721727/201442 Resolução nº 1402000.360 S1C4T2 Fl. 3.775 2 Relatório VENBO COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA, na condição de contribuinte, e RICARDO FIGUEIREDO BOMENY e RÔMULO BORGES FONSECA, na condição de responsáveis tributários, recorrem a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão 0651.477 lavrado pela 2ª Turma da DRJ em Curitiba que julgou improcedentes não só a impugnação por ela apresentada, mas também as impugnações interpostas pelos coobrigados. Tratase de autos de infração de IRPJ e de CSLL baseado nas seguintes infrações: i) glosa de despesas não comprovadas; ii) glosa de despesas operacionais/encargos não dedutíveis; iii) glosa de exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real, referentes a ágio e; iv) glosa de provisões para contingências trabalhistas. Houve ainda imputação de corresponsabilidade aos sócios administradores da autuada com base no art. 124, I, e no art. 135, III, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. A pessoa jurídica e os coobrigados foram intimados do lançamento e os três apresentaram impugnações. Em resumo, a turma julgadora de primeira instância julgouas improcedentes, mantendo a totalidade do crédito tributário e também a corresponsabilidade dos sócios administradores da pessoa jurídica à época dos fatos geradores. Conforme documentos de fls. 35473549, a pessoa jurídica foi intimada da decisão de primeira instância em 13 de maio de 2015 (fl. 3549). Incoformada, a autuada apresentou recurso voluntário de fls. 35523623 em 11 de junho de 2015. Por ora, basta informar que o recurso apresentado reafirma os termos de sua impugnação, em especial no tocante à suposta regularidade na amortização de ágio, apontando ainda vício no lançamento no que se refere às supostas exclusões indevidas do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Anexa ainda Parecer realizado por empresa de auditoria independente que demonstraria que as divergências apontadas pela autoridade fiscal em relação à apuração do lucro líquido e lucro real a partir de arquivos do SPED e ECD e a informada em DIPJ não afetaram o recolhimento de IRPJ e CSLL, uma vez que teriam o montante de cada um desses tributos teria sido calculado a partir de planilhas específicas, e não a partir da DIPJ. Em relação ao tema, afirma que se tratou somente de erros no cumprimento de obrigações acessórias. Por fim, contesta ainda a cominação de penalidade qualificada, da multa isolada em concomitância com a multa de ofício e a imputação de responsabilidade tributária aos seus sócios administradores à época dos fatos geradores. É o relatório. Fl. 3775DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.721727/201442 Resolução nº 1402000.360 S1C4T2 Fl. 3.776 3 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. INTRODUÇÃO O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. Contudo, não é possível avançar em seu exame em face da ausência de intimação dos coobrigados relativamente à decisão de primeira instância. A respeito do tema, tanto a Portaria RFB n.º 2.284, de 29/11/20101, quanto a Súmula CARF nº 712, legitimam os corresponsáveis a interpor recursos, o que, obviamente, pressupõe que esses sejam intimados das decisões contrárias aos seus interesses. Há de se ressaltar que ambos coobrigados haviam sido intimados do lançamento e apresentaram impugnações singulares contestando não só a exigência do crédito tributário, mas também a responsabilidade que lhes foi atribuída pela autoridade fiscal autuante. CONCLUSÃO Nesse cenário, impõese o retorno dos autos à unidade de origem para que seja dada ciência da decisão de primeira instância aos coobrigados, informandolhes ainda sobre a possibilidade de apresentação de recurso voluntário no prazo de 30 (trinta) dias. Transcorrido o prazo para a apresentação dos recursos e demais providências cabíveis pela unidade de origem, retornemse os autos a este colegiado para inclusão em nova pauta de julgamentos. É como voto. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator 1 Art. 3 º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. [...] Art. 7 º [...] § 2 º Os autos somente serão encaminhados para julgamento depois de transcorrido o prazo para apresentação de impugnação ou recurso para todos os autuados ou impugnantes, conforme o caso. 2 Súmula CARF nº 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Fl. 3776DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 15465.001999/2010-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
Despesas Médicas.Plano de Saúde. Dedução.Possibilidade
Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza, efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2201-002.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o valor da despesa dedutível havida com o plano da saúde da recorrente, no valor de R$ 8.074,41.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relator.
EDITADO EM: 28/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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Dedução.Possibilidade Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza, efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o valor da despesa dedutível havida com o plano da saúde da recorrente, no valor de R$ 8.074,41. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relator. EDITADO EM: 28/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 5. 00 19 99 /2 01 0- 02 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 15465.001999/201002 Acórdão n.º 2201002.779 S2C2T1 Fl. 54 2 DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 15465.001999/201002 Acórdão n.º 2201002.779 S2C2T1 Fl. 55 3 Relatório Tratase de recurso contra o acórdão 1248.971 – 20ª Turma da DRJ/RJ1, de 23 de agosto de 2012, fls. 21/23 que julgou improcedente a impugnação contra lançamento que exige imposto de renda das pessoas físicas, ano calendário de 2007, exercício de 2008, por glosa de despesas médicas. Transcrevo o relatório do acórdão combatido, por bem caracterizar o litígio: Tratase de impugnação apresentada em face de notificação de lançamento expedida em procedimento de revisão de declaração, por meio da qual está sendo exigido o IRPF suplementar, no valor de R$ 500,15, acompanhado da multa de 75% e dos juros de mora correspondentes. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes da notificação (fls. 06 e 07), foi apurada dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$ 18.085,19, “por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução”. A glosa abrange a totalidade da dedução com o plano de saúde Golden Cross Assistência Internacional e é decorrente da falta de discriminação dos valores pagos para cada integrante do plano. Em sua impugnação, a contribuinte contesta o lançamento e apresenta planilha denominada “IR 2008 – Marlene Barbosa Andrade”, com discriminação de valores mensais de dez/2006 a nov/2007 atribuídos a ela e a Jose Alpheu Andrade, que totalizam R$16.148,82 (fl. 10). A contribuinte toma ciência desta decisão em 03 de outubro de 2012 conforme AR de fls.47/48 (inserido após apresentação do recurso). Em 09 de outubro de 2012, às fls.31/32, há interposição de recurso voluntário onde a Recorrente, após narrar os fatos, alega que a dúvida postada sobre a idoneidade dos recibos apresentados não prospera. No mérito , conforme cópia do Comprovante de rendimento que anexa, descontou durante o exercício de 2008 o valor de R$ 40.664,15 para o IR, não sendo justo que ainda tenha que pagar mais imposto, visto que as despesas médicas foram pagas, mensalmente. Reconhece seu erro ao declarar o valor das despesas médicas na totalidade, mas continua afirmando que não houve dolo de sua parte, pois até repetiu o erro no ano seguinte. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 15465.001999/201002 Acórdão n.º 2201002.779 S2C2T1 Fl. 56 4 Pede o acolhimento de suas razões para considerar como despesas próprias o valor correspondente à parcela que faz jus, R$ 8.074,41 e, por consequência, o cancelamento da exigência que lhe é imputada. Anexos de folhas 35/37, onde há declaração da Superintendência de Seguros Privados, com os valores do seguro pagos no ano e aqueles incorridos mensalmente, bem como os destinatários. Às fls. 39 consta o informe de rendimentos da Recorrente onde está consignado o valor total do seguro pago no ano calendário. Junta cópia de todo procedimento, nas folhas seguintes, até 44. Às fls. 45 despacho através de Termo de Análise de Solicitação de Juntada. No despacho de encaminhamento de fls.51, por sorteio, recebo o processo para relato. É o Relatório. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 15465.001999/201002 Acórdão n.º 2201002.779 S2C2T1 Fl. 57 5 Voto Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Conforme anteriormente relatado tratase de exigência do imposto de renda de pessoa física, referente ao ano calendário de 2007, exercício de 2008, onde na descrição dos fatos e enquadramento legal, às fls. 04, consigna a autoridade lançadora, o seguinte: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 18.085,19, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. CNPJ 01618.211/000183 GOLDEN CROSS ASSITENCIA INTERN cod 026 – Declarado 18.085,19 Enquadramento Legal:Art.8° , inciso II, alínea 'a', e §§ 2. ° e 3º , da Lei nº 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n. ° 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto n. ° 3.000/99 RIR/99. Na impugnação de fls. 02 a contribuinte aduziu que no mês de outubro de 2009, recebeu 2(duas) Intimações referentes aos exercícios de 2008 e 2009. Informa que na ocasião procurou atender com o único documento disponível, que era o Comprovante de Rendimentos fornecido pela Superintendência de Seguros Privados SUSEP. E que encaminhou a declaração das despesas médicas, discriminadas por dependentes recebida da SUSEP, mas a autoridade julgadora entendeu que tal documento seria insuficiente para justificar a dedução e manteve a glosa sob o argumento de que ela se limitara a apresentar a planilha denominada “IR 2009 – Marlene Barbosa Andrade”, com discriminação de valores atribuídos a ela e a José Alpheu Andrade (CPF 042.601.47747), que consta como cônjuge/companheiro em sua declaração de ajuste (fl. 14). O julgador de primeiro grau consignou nas razões de decidir que a planilha apresentada pela contribuinte fora elaborada em papel sem timbre, sem título ou explicação sobre a natureza dos valores explicitados e nem assinatura ou identificação de quem a forneceu, não se prestando, por isso, para fazer prova no presente processo. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 15465.001999/201002 Acórdão n.º 2201002.779 S2C2T1 Fl. 58 6 No lançamento houve a glosa do valor de R$ 18.085,19. indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. A contribuinte juntou o recibo emitido pela SUSEP, mas A autoridade de primeiro grau concluiu que não bastava para respaldar a dedução pretendida. O artigo 16 do Processo Administrativo Fiscal, Decreto 70235/1972 determina o conteúdo da impugnação e o seu parágrafo 4º é claro quanto ao momento de juntada da prova. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Aqui o princípio da legalidade estrita. Todavia o Processo Administrativo Federal sofre a influência de diversos princípios, dentre estes, o do formalismo moderado e o da verdade material. Além do mais, no presente caso, também vejo permissão para aceitar as provas trazidas em sede de recurso, ante o comando da letra “c” do acima transcrito, parágrafo 4º do artigo 16 (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) . Os documentos utilizados para complementar as provas sugeridas pela autoridade de primeiro grau, são os seguintes fls: 35 – Declaração da Superintendência de Seguros Privados, onde atesta os pagamentos realizados para o Plano de Saúde, Golden Cross Assistência Internacional de Saúde Ltda; CNPJ 01518211/000183; 36 – valores mensais referentes ao plano de saúde; ano calendário 2007; 37 – valores mensais referentes ao plano de saúde; ano calendário de 2008; 38 – comprovante de rendimentos do ano calendário de 2007, onde consta o valor descontado a título de “Despesas MédicoOdontoHospitalares, no mesmo valor da glosa, de R$ 18.085,19. Pelos dados constantes no informe de rendimentos, vêse que a Contribuinte sofreu descontos nos salários, porque ali constaram valores dispendidos com despesas Médico OdontoHospitalares. Também o recibo da SUSEP aponta o valor que foi pago durante o ano calendário de 2007, bem como as parcelas mensais que totalizaram no ano a importância de R$8.074,41, valor que entendo restou justificado. Diante de tais evidências entendo que restaram atendidos os normativos de regência da matéria, tanto em relação à natureza do dispêndio, quanto à comprovação Fl. 58DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 15465.001999/201002 Acórdão n.º 2201002.779 S2C2T1 Fl. 59 7 propriamente dita, nos termos dos artigo 80, seus itens e III do § 1º do artigo do Decreto 3000/99 ((Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas,fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): (...) I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Refazendo os cálculos, nos termos do Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, fls. 08, temse o seguinte cálculo, ante a parcela que restou comprovada: 1) Total Rendimentos Tribtáveis declarados 191.022,00 3) total das deduções declaradas 36.501,28 4) Glosa das deduções indevidas (18.086,19‐*8074,41)*parcela comprovada 10.011,78 5)Base de Cálculo apurada (1‐3+4) 164.532,50 7) Imposto apurado após alteração tabela progressiva 38.944,16 11)Total imposto pago/declarado 40.664,15 15)Imposto a ser restituido 1.719,99 Portanto, ante o conjunto probatório apresentado, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o valor da despesa dedutível havida com o plano de saúde da Recorrente, no valor de 8.074,41. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 15465.001999/201002 Acórdão n.º 2201002.779 S2C2T1 Fl. 60 8 Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Relatora Fl. 60DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10980.724039/2011-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis.
Numero da decisão: 9202-003.861
Decisão: Recurso Especial provido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negaram provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis. Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negaram provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 40 39 /2 01 1- 44 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional, face ao acórdão 2403002.119, proferido pela 4ª Câmara/ 3º Turma Ordinária/2ª Seção de Julgamento do CARF. O processo teve início através do Auto de Infração (AI) DEBCAB nº 37.342.7689 (fls. 3), e, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 14/33), decorreu do lançamento das contribuições sociais previdenciárias a cargo do sujeito passivo, referentes aos valores de remuneração de contribuinte individual, abrangendo o período de 01/2006 a 12/2008, não declarados em GFIP. Constatouse que os valores lançados nas contas contábeis “Empréstimos a Sócios Quotistas” eram valores característicos de remunerações pagas por serviços prestados, pois, no período fiscalizado, janeiro de 2006 até dezembro de 2008, não houve nenhum pagamento de parte destes empréstimos, houve retirada de lucros pelo sócio administrador e não houve devolução dos empréstimos. Houve também aplicação de multa no percentual de 75%, observado o art. 106, II do CTN, que dispõe sobre aplicação da penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Do Auto de Infração, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 180/186) arguindo, em síntese, tratarse de contrato de compra e venda no qual a sócia Sra. Sandra Maria Graichen ficou com metade das cotas que pertenciam ao exmarido e sócio Sr. Armindo Vilson Angerer; porém, por não ter como arcar com o pagamento integral, efetuou empréstimo com a empresa impugnante, contabilizandose os valores pagos diretamente pela impugnante para a Sra. Sandra como empréstimo ao sócio Sr. Armindo. Que o fato de o sócio não ter restituído os valores devidos à empresa não significa que ele não iria fazêlo em momento futuro. Alegou que a tributação efetivada representou presunção simples, com base em indícios e mero julgamento subjetivo da fiscalização, procedimento contrário ao art. 142 do CTN por não se ter verificado com exatidão a ocorrência do fato gerador. Impugnou também a aplicação da multa, alegando que o maior percentual exigido de multa de mora prevista no art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, sobre o valor considerado devido, era no montante de 50%, notadamente muito mais benéfico do que o montante de 75% previsto atualmente. Além disso, a Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, também alterou a redação do artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, estabelecendo uma multa de mora no valor de 20%. Logo, deveria ser Fl. 512DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724039/201144 Acórdão n.º 9202003.861 CSRFT2 Fl. 11 3 aplicada a multa de mora de 20%, nos termos do art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba – DRJ/PR manteve o crédito tributário exigido pelo Fisco, votando pela improcedência da impugnação (fls. 383/387). A Contribuinte, fls. 393/402, interpôs Recurso Voluntário reiterando as argumentações anteriores. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, às fls. 407/417, votou pelo provimento parcial do recurso, mantendo o crédito fiscal exigido e determinando o recálculo da multa até a competência 11/2008, pelo fundamento de que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, aplicandose, assim, apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 11/2008, impõese o cálculo com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento, nos termos do art. 106 do CTN. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial, às fls.420/433, alegando que os acórdãos indicados como paradigmas, assim como o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/05/2009, e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, os paradigmas adotaram solução diametralmente oposta. Para os órgãos prolatores dos paradigmas, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35 A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Nos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Às fls. 436/439, em Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, o Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, considerou que, “de fato, em situações semelhantes, os paradigmas aplicaram o art. 35A, enquanto que a decisão recorrida aplicou o disposto no art. 35, ambos da Lei nº 8212/91”. Às fls. 446/496, o contribuinte igualmente interpôs Recurso Especial, no qual contesta a constituição do crédito, bem como a multa aplicada, contudo, não colaciona acórdãos paradigmas para sustentar a divergência jurisprudencial entre os tribunais administrativos. Às fl. 500, em Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, o Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, considerou que “o pedido em comento não foi devidamente instruído com cópias dos acórdãos indicados como paradigmas e/ou reprodução integral de suas ementas no corpo do recurso, nos moldes dos §§ 7º a 9º do artigo 67 do RICARF. Na verdade, o recorrente sequer apresentou divergências entre o aresto atacado e outras decisões prolatadas no âmbito do CARF para análise”. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Por outro lado, o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo, porém, não cumpriu com os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual nego provimento. Tratase o presente processo administrativo fiscal do Auto de Infração (AI) DEBCAB nº 37.342.7689 (fls. 3), e, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 14/33), decorreu do lançamento das contribuições sociais previdenciárias a cargo do sujeito passivo, referentes aos valores de remuneração de contribuinte individual, abrangendo o período de 01/2006 a 12/2008, não declarados em GFIP. Houve também aplicação de multa no percentual de 75%, observado o art. 106, II do CTN, que dispõe sobre aplicação da penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. A lide se concentra sobre a correta interpretação da aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106 do CTN. O acórdão recorrido determinou o recálculo da multa até a competência 11/2008, pelo fundamento de que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, Fl. 514DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724039/201144 Acórdão n.º 9202003.861 CSRFT2 Fl. 12 5 nos termos do art. 144 do CTN, aplicandose, assim, apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 11/2008, impõese o cálculo com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento, nos termos do art. 106 do CTN. O Recorrente, por sua vez, em sede de Recurso Especial, aduziu que os paradigmas adotaram solução diametralmente oposta à adotada pelo acórdão recorrido, no sentido de que o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35 A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Nos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa. O caso em tela trata da aplicação da multa no Direito Tributário no transcurso do tempo, pugnando assim pela análise dos artigos que se aplicam ao tema em todas as suas redações legais. Para isso, segue abaixo o quadro sinótico, que demonstra um panorama da evolução legislativa que se aplica ao tema: MULTA PELO NÃO PAGAMENTO LEI 8212/91 LEI 8212/91 LEI 8212/91 redação Lei 9876/99 redação original – recolhimento em atraso lançamento de ofício alterada MP 449/2008 convertida Lei 11.941/2009 Art. 35 Multa 60% (máximo) Art. 35 Multa 50% Art. 35 Manda aplicar o art. 61 (débitos lançados mas recolhimento em atraso) Insere Art. 35A Manda aplicar art. 44 (lançamento de ofício) Art. 61 Lei 9430/96 Multa 20% a 75% Art. 44 Lei 9430/96 Multa 75% MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA LEI 8212/91 LEI 8212/91 LEI 8212/91 Fl. 515DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 redação original redação Lei 9528/97 alterada MP 449/2008 Art. 32 sem Multa Art. 32, §5º Multa 100% Insere Art. 32A Multa 20% (limitada a) Deixo de transcrever aqui a redação original dos artigos legais utilizados no acórdão recorrido, uma vez que esta redação não estava vigente na época da constituição do crédito tributário. Ela consta no quadro sinótico apenas para contextualização dos percentuais de multa instituídos pelo legislador no transcurso do tempo. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, correspondem ao período em discussão nestes autos, vejamos seu texto: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. § 7º. A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (...) _______________________________________________________ Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Observese que o tema tem sido amplamente debatido neste tribunal administrativo, quando se trata de aplicação das referidas multas para descumprimento de obrigações principais ou acessórias ou até mesmo de ambas conjuntamente, sendo oportuno o esclarecimento. Em casos como este a Câmara Superior de Recursos Fiscais vem firmando posicionamento de que ambos os artigos 32 e 35, Lei 8212/91 tem conteúdo material análogo, e que, portanto a aplicação de ambos, embora possível na interpretação literal, seria vedada na interpretação sistemática da doutrina do Direito Tributário. Isso por que se ambos os artigos prevêem penalidade para conduta materialmente análoga estaria configurado “ bis in idem”. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724039/201144 Acórdão n.º 9202003.861 CSRFT2 Fl. 13 7 Nesse sentido, excerto do voto da relatora Maria Helena Cotta: Com efeito, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e de NFLD, não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. A norma transcrita anteriormente se encontra em sua redação vigente na data da constituição do crédito e de seu auto de infração, caso seguíssemos somente o princípio “tempus regit actum” esta seria a melhor aplicação da lei ao caso concreto (subsunção do fato a norma), contudo, o direito tributário abarca o instituto da Retroatividade Benigna, previsto no art. 106, CTN que assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desse modo, respeitando o instituto da retroatividade benigna temos que observar se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, Em 2008 foi aprovada a Medida Provisória n. 449/2008, que insere o artigo 35 – A e 32 A ao texto legal, cuja redação no tocante aos artigos aqui discutidos permaneceu inalterada quando da sua conversão na Lei nº 11.941, de 2009. Assim os artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, uniformizaram os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, nos seguintes termos: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Fl. 517DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 _______________________________________________________ Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) _______________________________________________________ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Desse modo, é possível afirmar que o artigo 35, da Lei 8212/91 na redação dada pela Lei 11.941/09 acima citada determina que nos casos em que se trate de tributo constituído (lançado e recolhido em atraso) aplicarseá o artigo 61 da Lei 9430/96. Enquanto que o artigo 35A esclarece que, nos casos de tributos cujo lançamento ocorreu de ofício, deve ser aplicado o comando legal do art. 44 da mesma Lei 9430/96. O caso em apreço não discute débitos de tributos lançados e não pagos, mas sim de lançamento de ofício realizado pela Receita Federal, desse modo o artigo 61 da Lei 9430/96, não guarda aplicabilidade com o presente processo, importando tão somente nesse caso o artigo 44 da já citada Lei 9430/96, vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Assim cito novamente decisão esclarecedora desta Câmara, no processo Nº 10935.006908/200714, que explicita a forma de interpretação e aplicação destes comandos legais ao longo do tempo: “ Resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da Fl. 518DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724039/201144 Acórdão n.º 9202003.861 CSRFT2 Fl. 14 9 contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996.” Observese que, quando o artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996 dispõe expressamente “nos casos do lançamento de ofício” e inciso I utiliza a expressão “nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” percebese, claramente, que está embutido no mesmo artigo o lançamento de ofício e a falta de declaração. Diante do exposto, é necessária a reforma do acórdão recorrido, pois embora este tenha decidido no sentido de aplicar ao contribuinte a norma mais benéfica, esta não pode ser escolhida aleatoriamente, ela precisa ser aplicada dentro uma interpretação coerente do ordenamento jurídico no qual esta inserida. O que se consegue através da aplicação do artigo 44, inciso I da Lei 9.430/1996. Desse modo dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que, na fase de execução desta decisão, se aplique a situação mais benéfica para a Contribuinte: Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte:, se a multa aplicada, na redação do art. 35, II, da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação vigente à época dos fatos geradores, ou a multa do art. 35A, incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, sendo que a soma das multas por descumprimento de obrigações principal e acessória deve ser limitada a 75%. É o voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Fl. 519DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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