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Numero do processo: 16095.720099/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2009 SALDO DE BASE NEGATIVA. REDUÇÃO DEVIDA A PROCEDIMENTOS FISCAIS ANTERIORES. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o lançamento de ofício devido ao excesso de compensação de base negativa de CSLL, quando o saldo disponível for insuficiente em função de ter sido absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anteriores, mesmo que os créditos tributários relativos a estes procedimentos encontrem-se com exigibilidade suspensa por força do litigio administrativo. A apuração de ofício do excesso de compensação deverá levar em consideração o saldo de base negativa de CSLL existente na data da lavratura do auto de infração. SALDO DE BASE NEGATIVA. RECOMPOSIÇÃO EM RAZÃO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA DE SEGUNDA INSTÂNCIA EM PROCESSO RELATIVO A PROCEDIMENTO FISCAL ANTERIOR. A decisão definitiva em processo administrativo que cuida de lançamento de CSLL em período anterior tem reflexo no saldo de base negativa disponível para compensação no período fiscalizado. Portanto, cabe a reapuração do saldo em razão da decisão tomada naquele processo. No caso, considerando as infrações que foram exoneradas, conclui-se que a contribuinte dispunha de saldo de base negativa de CSLL suficiente para a compensação realizada no ano-calendário 2009. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009 MULTA DE OFÍCIO. JUROS. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 PEDIDO PARA DETERMINAR SALDO DE BASE NEGATIVA. LIMITE DA COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA. ESCOPO DO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO. Na espécie, a Recorrente requereu que a autoridade julgadora determine à autoridade administrativa da RFB que registre o saldo de base negativa de CSLL conforme valor alegado em petição protocolada após a interposição de recurso voluntário. Entretanto, a competência para determinar de forma original tais valores é exclusiva da autoridade fiscal, mormente no caso concreto, em que o escopo do feito limita-se apenas à revisão do auto de infração relativo ao ano-calendário 2009 e o saldo final depende do resultado de diversos outros processos que não estão sob análise desta Turma.
Numero da decisão: 1401-005.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração relativo à CSLL devida no ano calendário 2009. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Leticia Domingues Costa Braga, André Severo Chaves, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: Carlos André Soares Nogueira

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2009 SALDO DE BASE NEGATIVA. REDUÇÃO DEVIDA A PROCEDIMENTOS FISCAIS ANTERIORES. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o lançamento de ofício devido ao excesso de compensação de base negativa de CSLL, quando o saldo disponível for insuficiente em função de ter sido absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anteriores, mesmo que os créditos tributários relativos a estes procedimentos encontrem- se com exigibilidade suspensa por força do litigio administrativo. A apuração de ofício do excesso de compensação deverá levar em consideração o saldo de base negativa de CSLL existente na data da lavratura do auto de infração. SALDO DE BASE NEGATIVA. RECOMPOSIÇÃO EM RAZÃO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA DE SEGUNDA INSTÂNCIA EM PROCESSO RELATIVO A PROCEDIMENTO FISCAL ANTERIOR. A decisão definitiva em processo administrativo que cuida de lançamento de CSLL em período anterior tem reflexo no saldo de base negativa disponível para compensação no período fiscalizado. Portanto, cabe a reapuração do saldo em razão da decisão tomada naquele processo. No caso, considerando as infrações que foram exoneradas, conclui-se que a contribuinte dispunha de saldo de base negativa de CSLL suficiente para a compensação realizada no ano-calendário 2009. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009 MULTA DE OFÍCIO. JUROS. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 00 99 /2 01 3- 11 Fl. 2348DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.177 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720099/2013-11 PEDIDO PARA DETERMINAR SALDO DE BASE NEGATIVA. LIMITE DA COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA. ESCOPO DO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO. Na espécie, a Recorrente requereu que a autoridade julgadora determine à autoridade administrativa da RFB que registre o saldo de base negativa de CSLL conforme valor alegado em petição protocolada após a interposição de recurso voluntário. Entretanto, a competência para determinar de forma original tais valores é exclusiva da autoridade fiscal, mormente no caso concreto, em que o escopo do feito limita-se apenas à revisão do auto de infração relativo ao ano-calendário 2009 e o saldo final depende do resultado de diversos outros processos que não estão sob análise desta Turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração relativo à CSLL devida no ano calendário 2009. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Leticia Domingues Costa Braga, André Severo Chaves, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL relativa ao ano calendário 2009 em razão de compensação indevida de base de cálculo negativa da atividade geral com resultado da atividade geral. Fl. 2349DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.177 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720099/2013-11 Em apertada síntese, a autoridade fiscal constatou que, em razão de procedimentos de fiscalização anteriormente realizados, houve a redução do saldo de base negativa de CSLL de períodos anteriores disponível no ano-calendário 2009. Desta forma, a compensação realizada no ano calendário 2009, no valor de R$ 32.639.574,64, seria parcialmente indevida. O excesso seria de R$ 11.149.049,21. Os lançamentos de ofício que resultaram nas reduções ou reversões das bases negativas de CSLL constam dos seguintes processos administrativos fiscais: 16561.000025/2007-72 16561.000026/2007-17 16561.000027/2007-61 16561.000028/2007-14 16561.000029/2007-51 Entretanto, no momento em que a fiscalização efetuou o presente lançamento de ofício, parte dos processos acima listados já havia sido julgada em primeira ou segunda instância administrativa. A autoridade fiscal teve o cuidado de levar em consideração, na sua apuração, os resultados dos julgamentos administrativos ocorridos até então. A partir dos resultados dos julgamentos em DRJ e CARF, elaborou a tabela abaixo, que demonstra como os lançamentos de ofício efetuados nas fiscalizações anteriores afetaram o saldo de base negativa de CSLL no ano calendário 2009: Fl. 2350DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.177 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720099/2013-11 Na tabela acima, observa-se que os lançamentos controlados nos processos nº 16561.000026/2007-17 (R$ 9.145.759,70) e 16561.000028/2007-14 (R$ 2.811.288,17) haviam sido inteiramente exonerados. Portanto, no lançamento de ofício ora sob exame, somente afetaram o saldo de base negativa de CSLL os lançamentos de ofício controlados nos processos 16561.000025/2007-72, 16561.000029/2007-51 e 16561.000027/2007-61, que haviam sido apenas parcialmente exonerados. A partir desse demonstrativo, a autoridade fiscal elaborou, de forma didática, a tabela abaixo, a qual demonstra a compensação de bases negativas de CSLL feita pela contribuinte nas DIPJ, bem como o ajuste feito no procedimento fiscal a partir dos lançamentos de ofício anteriormente mencionados, de acordo com os julgamentos até então realizados: Fl. 2351DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.177 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720099/2013-11 Fl. 2352DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.177 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720099/2013-11 Vê-se que, segundo a autoridade fiscal, a contribuinte dispunha, no ano calendário 2009, do saldo de base negativa de CSLL no montante de R$ 21.374.039,82. Como realizou uma compensação de R$ 32.523.089,03, teria incorrido num excesso de R$ 11.149.049,21. É oportuno destacar que o também foi apurado pela fiscalização um excesso no saldo de prejuízo fiscal de períodos anteriores na apuração do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ. Entretanto, o respectivo lançamento de ofício foi juntado a outro processo administrativo fiscal e, desta forma, não será aqui tratado. Inconformada com o lançamento de ofício, a contribuinte apresentou impugnação. Peço licença para reproduzir parcialmente o relatório da autoridade julgadora de piso, na parte que espelha as razões de fato e de direito lançadas pela impugnante: A contribuinte foi cientificada do feito fiscal em 11/09/2013 conforme comprovante de recebimento dos correios às fls. 1170, e, irresignada, apresentou impugnação em 10/10/2013 (fls. 1203/1258). A impugnação apresentada contém, em síntese, as seguintes alegações: a) Os processos administrativos 16561.000.026/2017-17 e 16561.000.028/2007-14 foram julgados integralmente improcedentes pelo CARF e não poderiam fundamentar a lavratura do auto de infração. b) Adicionalmente é necessário destacar que os autos de infração 16561.000.028/2007- 14 e 16561.000.026/2017-17 foram julgados integralmente improcedentes pelo CARF. Fl. 2353DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.177 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720099/2013-11 c) Tendo em vista que a glosa da compensação de prejuízo fiscal (sic) foi levada a efeito com base nos mesmos fundamentos que serviram de base às autuações dos processos administrativos nº 16561.000.025/2007-72 e 16561.000.027/2007-61 e 16561.000.029/2007-51 passa-se a demonstrar a improcedência das mencionadas autuações, cujo reconhecimento acarretará também a improcedência da autuação ora impugnada. (Na sequência a contribuinte adentra no mérito dos autos de infração objeto dos referidos processos). d) Ainda que se entenda pela manutenção da autuação é certo que os juros calculados com base na variação da taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada por absoluta ausência de previsão legal. (Menciona e faz observações sobre os artigo 13 da Lei nº 9.065/96, artigo 3º, 113 § 1º do CTN, artigo 5º, II, e 37 da CF, transcreve ensinamentos de renomados juristas e acórdãos do CARF e da CSRF favoráveis ao seu entendimento) É o relatório. A impugnação foi julgada parcialmente procedente. O Acórdão nº 12-63.694 da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I – DRJ/RJ1 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 APRECIAÇÃO DE PROCESSOS EM EXAME POR OUTRA UNIDADE JUDICANTE. A apreciação de processos distribuídos a outras unidades judicantes impede reexame de mérito. Cabe apenas verificar se as decisões proferidas influenciam na base tributável que serviu de esteio à autuação que está sendo impugnada e, se for o caso, fazer os ajustes necessários para amoldá-la. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2009 GLOSA DE BASE NEGATIVA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO INDEVIDAMENTE COMPENSADA. As alterações oriundas dos julgamentos proferidos sobre autuações que influenciaram na quantificação do saldo de base negativa de contribuição social sobre o lucro líquido indevidamente compensada enseja que a tributação levada a efeito sobre valores anteriores àqueles julgamentos sejam revistos e adequados aos reparos sofridos. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é um débito para com a Fazenda Nacional e, nessa condição, é passível de juros de mora a partir da sua constituição. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em apertada síntese, a DRJ/RJ1 levou em consideração os reflexos no presente processo do julgamento feito pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF no processo nº 16561.000025/2007-72, conforme se pode observar no seguinte excerto: Fl. 2354DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-005.177 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720099/2013-11 O processo nº 16561.000.025/2007-72 já foi julgado pelo CARF e aguarda apreciação de embargos de declaração. O julgamento do CARF afastou da base tributável de R$ 47.351.700,00 (referente a Ganhos e Perdas de capital na alienação de investimento avaliado pelo valor do Patrimônio Líquido) o valor de R$ 17.341.700,00, remanescendo o saldo de R$ 30.010.000,00. Este resultado influenciará no presente feito conforme cálculo abaixo demonstrado (valores em R$ extraídos do Demonstrativo de utilização de bases negativas CSLL reproduzido no relatório e do auto de infração) A DRJ/RJ1, a partir do resultado do julgamento no processo nº 16561.000025/2007-72, reapurou o saldo de base negativa de CSLL em 2009. Desta forma, o excesso de compensação foi reduzido de R$ 11.149.049,21 para R$ 5.946.539,24. A diferença entre a apuração da fiscalização e a da autoridade julgadora a quo pode ser resumida na seguinte tabela: Saldo de base negativa de CSLL Período de apuração Lançamento DRJ/RJ1 mar/02 -R$70.652.138,22 -R$70.652.138,22 jun/02 -R$75.402.560,70 -R$75.402.560,70 set/02 -R$75.086.501,75 -R$75.086.501,75 dez/02 -R$64.527.921,64 -R$64.527.921,64 abr/03 -R$53.256.902,02 -R$58.459.412,02 ago/03 -R$78.260.890,20 -R$83.463.400,20 dez/03 -R$70.036.553,28 -R$75.239.063,28 dez/04 -R$33.325.566,63 -R$38.528.076,63 dez/05 -R$35.426.173,56 -R$40.628.683,56 dez/06 -R$32.886.926,02 -R$38.089.436,02 dez/07 -R$33.032.562,47 -R$38.235.072,47 dez/08 -R$21.374.039,81 -R$26.576.549,81 dez/09 R$11.149.049,22 R$5.946.539,22 Irresignada com a decisão de piso, a contribuinte interpôs recurso voluntário. Na peça recursal, apresentou as seguintes alegações de fato e de direito: - Da violação aos princípios constitucionais e da iliquidez do Auto de Infração: neste tópico, a contribuinte alegou, inicialmente, que os créditos tributários relativos aos procedimentos fiscais anteriores teriam a sua exigibilidade suspensa nos termos do artigo 151, III, do Código Tributário Nacional – CTN e, desta forma, a autoridade fiscal não poderia ter efetuado o lançamento ora sob exame. Ademais, o lançamento careceria de liquidez. - Da recomposição do saldo de base negativa de CSLL: neste ponto, a recorrente aduziu que a decisão do CARF no processo nº 16561.000025/2007-72 não apenas reduziu a infração Ganhos e Perdas de capital na alienação de investimento avaliado pelo valor do Patrimônio Líquido de R$ 47.351.700,00 para R$ 30.010.000,00, como também cancelou integralmente a infração Rendimento de Participação Societária – equivalência patrimonial. A partir do cancelamento dessa infração, a recorrente refez a apuração do saldo de base negativa de CSLL, utilizando-se do mesmo critério adotado pela DRJ/RJ1 e chegou a um saldo credor no ano calendário 2009 de R$ 91.277.974,43. Desta forma, haveria saldo suficiente para a compensação de R$ 32.523.089,03 que foi realizada naquele período de apuração. Fl. 2355DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-005.177 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720099/2013-11 Em seguida, a contribuinte passou a discorrer sobre a improcedência dos lançamentos que são objeto dos processos nº 16561.000025/2007-72, 16561.000027/2007-61 e 16561.000029/2007-51. Deixo de detalhar aqui as matérias expostas pela recorrente em razão de desbordarem do escopo do presente feito. Os autos de infração vergastados não compõem o objeto do presente processo e são objeto de apreciação por outras autoridades julgadoras. Como bem apontado pela DRJ/RJ1, deve-se levar em consideração no presente julgamento apenas as decisões tomadas naqueles processos que venham a alterar o saldo de base negativa de CSLL disponível no ano calendário 2009. Por fim, a recorrente alegou a impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa de ofício. Em razão das alegações apresentadas, a contribuinte pediu a reforma da decisão de piso para que seja anulado o auto de infração. No mérito, pugnou pelo cancelamento do lançamento de ofício. Pediu, também, para que seja afastada a exigência de juros sobre a multa de ofício. Em 16/02/2017, esta Turma, com outra composição, emitiu a Resolução nº 1401- 000.447, por meio da qual decidiu sobrestar o feito até que fosse julgado o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face da decisão de segunda instância administrativa no processo nº 16561.000025/2007-72. A razão para tanto era a possibilidade da decisão naquele processo afetar o saldo de base negativa de CSLL e, por consequência, influir na matéria sob análise neste processo. Em 17/10/2019, a recorrente peticionou nos autos dando notícia do improvimento do recurso especial da Fazenda Nacional no processo nº 16561.000025/2007-72. Além disso, alegou terem ocorrido dois fatos supervenientes que alterariam o saldo de base negativa de CSLL. Cito suas palavras: 6. Ainda, em razão do lapso temporal decorrido desde a interposição de Recurso Voluntário (18/06/14), que permaneceu sobrestado, destaca-se que a base de cálculo negativa de CSLL do período de 2009 sofreu alterações decorrentes de fatos supervenientes consistentes (i) no pagamento de crédito tributário de CSLL (27/11/14) exigido pelo PA nº 16561.720052/2014-94 sobre a compensação de base de cálculo negativa de montante já computado no presente feito, e (ii) na oposição de Embargos à Execução Fiscal (14/05/15) para discutir parte dos valores exigidos pelo PA nº 16561.000027/2007-61, os quais aguardam julgamento. Assim, é a presente para demonstrar a suficiência da base de cálculo negativa de CSLL também com lastro nestes fundamentos. Ao final da petição, a recorrente reiterou o pedido de cancelamento do auto de infração e adicionou o pedido de recomposição do saldo de base de cálculo negativa de CSLL no ano calendário 2009. Era o que havia a relatar. Fl. 2356DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-005.177 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720099/2013-11 Voto Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, trata-se de lançamento de CSLL em razão de excesso de compensação de base negativa de períodos anteriores no ano calendário 2009. O excesso teria sido configurado em razão da redução do saldo após procedimentos de fiscalização que resultaram em lançamentos de ofício relativos aos fatos geradores ocorridos entre os anos calendário 2002 a 2004. No momento do lançamento, a autoridade fiscal levou em consideração que alguns dos lançamentos de ofício de 2002 a 2004 já haviam sido julgados nas instâncias administrativas e total ou parcialmente exonerados. No julgamento de primeira instância, a DRJ/RJ1 levou em consideração o julgamento de segunda instância do processo nº 16561.000025/2007-72 e deu provimento parcial à impugnação. Passo, então, a apreciar as alegações da contribuinte lançadas na peça recursal. Da violação aos princípios constitucionais e da iliquidez do Auto de Infração. Neste ponto, a recorrente, inicialmente, aduziu que os lançamentos de ofício controlados nos processo nº 16561.000025/2007-72, 16561.000027/2007-61 e 16561.000029/2007-51 seriam objeto do contencioso administrativo no momento do lançamento ora sob análise e, destarte, teriam a sua exigibilidade suspensa nos termos do artigo 151, III, do CTN.. Na esteira desse raciocínio, a recorrente alegou que o presente lançamento de ofício não poderia ter sido lavrado em razão dos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Tenho que a tese da contribuinte não deva prosperar. O lançamento de ofício constitui nova situação jurídica. No caso, os lançamentos de ofício realizados em 2007 e relativos aos anos calendários 2002 a 2004 alteraram o saldo de base negativa de CSLL. Tal redução do saldo disponível tem potencial efeito sobre a apuração da contribuição em períodos posteriores e deveria ter sido ajustada na escrituração fiscal da contribuinte. Entretanto, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário prevista no artigo 151 do CTN diz respeito tão somente aos créditos tributários relativos aos fatos jurídicos tributários ocorridos entre 2002 e 2004, que são o objeto dos ditos lançamentos de ofício. Fl. 2357DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-005.177 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720099/2013-11 No ano calendário 2009, ocorreu um outro fato jurídico tributário, distinto daqueles ocorridos entre 2002 e 2004. Portanto, a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários relativos aos anos calendário 2002 a 2004 não afeta esse novo lançamento de ofício, que deve ser efetuado conforme o saldo de base negativa de CSLL na data do lançamento. Somente a impugnação no presente processo teve o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário ora em discussão. Caso a tese da contribuinte prevalecesse, a fiscalização ficaria impedida de apurar de ofício os tributos devidos em períodos posteriores às fiscalizações originais e estes seriam inevitavelmente atingidos pela norma decadencial. Estar-se-ia podando indevidamente o dever imposto pelo artigo 142 do CTN à autoridade fiscal de apurar a ocorrência do fato jurídico tributário e realizar o competente lançamento de ofício. A matéria não é novidade nesta Turma e já foi decidida conforme a tese ora esposada. Destaco alguns precedentes nesse sentido: SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. Não cabe o sobrestamento de processos em caso de lançamentos de prejuízos fiscais utilizados a maior para que se aguarde a conclusão de outros processos que reduziram o montante e acarretaram o lançamento. O lançamento relativo aos prejuízos utilizados a maior é realizado a partir dos saldos de prejuízos existentes na data do lançamento. Não podendo ser aguardado indefinidamente a conclusão de todos os processos que modificaram estes saldos. (Acórdão CARF nº 1401-003.013, de 21/11/2018) – grifei. PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anteriores, mesmo que com exigibilidade suspensa por litigioso administrativo, mantém-se a glosa do valor a maior compensado pelo contribuinte. (Acórdão CARF nº 1401-003.315, de 16/04/2019) – grifei. Ainda neste tópico, a recorrente alegou que o auto de infração seria ilíquido. Reproduzo suas palavras: Parece-me haver uma confusão na argumentação da recorrente entre o auto de infração e a decisão administrativa de primeira instância. Ora, conforme relatado, a autoridade Fl. 2358DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-005.177 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720099/2013-11 fiscal, no momento do lançamento, levou em consideração todos os julgamentos administrativos relativos aos processos que alteraram o saldo de base negativa de CSLL no ano calendário 2009. Não vislumbro, portanto, no auto de infração qualquer mácula que pudesse levar à sua nulidade. A alegação de que a DRJ não teria considerado parte dos valores cancelados pelo CARF no julgamento do processo nº 16561.000025/2007-72 não poderia dar azo à nulidade do ato de lançamento feito pela autoridade fiscal. Ademais, não é ilíquido o auto de infração lavrado nessas circunstâncias. Como dito anteriormente, o dever da fiscalização é apurar o tributo conforme a situação constituída pelos autos de infração anteriores. No caso, a fiscalização teve o cuidado, inclusive, de pesquisar os julgamentos administrativos de primeira e segunda instância e adequar o lançamento de ofício conforme os créditos integral ou parcialmente exonerados até o momento da lavratura dos autos de infração relativos ao ano calendário 2009. Vale destacar também que a questão das infrações que foram afastadas pelo CARF no processo nº 16561.000025/2007-72 e que deveriam ter sido consideradas pela autoridade julgadora a quo na decisão de piso é matéria de mérito, que será apreciada à frente. Tenho, portanto, que não há nenhuma nulidade no auto de infração lavrado pela autoridade fiscal, que realizou o lançamento de ofício conforme as normas de regência. Assim, neste ponto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Da recomposição do saldo de base negativa de CSLL. Neste tópico, a recorrente, em síntese, pediu a reforma da decisão de piso em razão da autoridade julgadora ter deixado de considerar parte das infrações que foram afastadas no julgamento de segunda instância administrativa no processo nº 16561.000025/2007-72. Cito excerto que resume a matéria: [...] Fl. 2359DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-005.177 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720099/2013-11 [...] Nesta matéria, creio ter razão a recorrente. Inicialmente, verifico no sítio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF que, no Acórdão nº 1102-00.157, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento, de fato, afastou unanimemente a infração relativa a rendimento de participação societária – equivalência patrimonial (infração 02 mencionada pela recorrente). Transcrevo o decisum: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária do primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao voluntários: (i) Por unanimidade de votos, cancelar a exigência relativa a rendimento de participação societária - equivalência patrimonial; (ii) Por maioria de votos, reduzir da matéria tributável a título de ganho de capital o montante de R$ 17.341.700,00, vencidos os conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barrosos (Relator) e Marcelo Cubas Neto, que negavam provimento, e vencido parcialmente o Conselheiro José Carlos Passuello, que dava provimento. Na parte mantida, os Conselheiros Sandra Faroni, Valmir Sandri e João Carlos Lima Júnior acompanharam o relator quanto às conclusões, por entenderem não ter ocorrido simulação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. Por unanimidade de votos, cancelar a glosa de compensação de prejuízos no montante de R$ 1.711.961,19 e adequar a glosa da parcela de R$ 8.228.225,34 ao decidido neste julgamento. O Conselheiro José Caros Passuello fará declaração de voto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. – grifei. Fl. 2360DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-005.177 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720099/2013-11 Entretanto, ao examinar a decisão ora recorrida, constato que a autoridade julgadora a quo levou em consideração apenas o item (ii) do acórdão acima mencionado. Para que não pairem dúvidas, reproduzo trecho da decisão primeva: O processo nº 16561.000.025/200772 já foi julgado pelo CARF e aguarda apreciação de embargos de declaração. O julgamento do CARF afastou da base tributável de R$ 47.351.700,00 (referente a Ganhos e Perdas de capital na alienação de investimento avaliado pelo valor do Patrimônio Líquido) o valor de R$ 17.341.700,00, remanescendo o saldo de R$ 30.010.000,00. Este resultado influenciará no presente feito conforme cálculo abaixo demonstrado (valores em R$ extraídos do Demonstrativo de utilização de bases negativas CSLL reproduzido no relatório e do auto de infração) Também é oportuno lembrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais não deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Destarte, a decisão da câmara baixa é definitiva. Assim, impõe-se a reforma da decisão de primeira instância. É preciso expurgar da apuração de ofício os valores relativos à infração rendimento de participação societária – equivalência patrimonial nos seguintes valores: R$ 560.239,47 (03/2002), R$ 20.504.955,26 (06/2002) e R$ 40.990.309,21 (09/2002). Vejamos a tabela elaborada pela fiscalização: Partindo-se, então, da apuração feita pela fiscalização e ajustando os valores de saldo de base negativa de CSLL conforme a decisão no processo nº 16561.000025/2007-72 supra mencionada, obtém-se um saldo de base negativa de CSLL disponível no ano calendário 2009 de R$ 87.502.415,23. Saldo de base negativa de CSLL Período de apuração Lançamento DRJ/RJ1 Voto mar/02 -R$70.652.138,22 -R$70.652.138,22 -R$70.820.210,06 jun/02 -R$75.402.560,70 -R$75.402.560,70 -R$96.075.587,80 set/02 -R$75.086.501,75 -R$75.086.501,75 -R$136.012.367,17 dez/02 -R$64.527.921,64 -R$64.527.921,64 -R$125.453.787,06 abr/03 -R$53.256.902,02 -R$58.459.412,02 -R$119.385.277,44 ago/03 -R$78.260.890,20 -R$83.463.400,20 -R$144.389.265,62 dez/03 -R$70.036.553,28 -R$75.239.063,28 -R$136.164.928,70 dez/04 -R$33.325.566,63 -R$38.528.076,63 -R$99.453.942,05 dez/05 -R$35.426.173,56 -R$40.628.683,56 -R$101.554.548,98 dez/06 -R$32.886.926,02 -R$38.089.436,02 -R$99.015.301,44 dez/07 -R$33.032.562,47 -R$38.235.072,47 -R$99.160.937,89 Fl. 2361DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 1401-005.177 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720099/2013-11 dez/08 -R$21.374.039,81 -R$26.576.549,81 -R$87.502.415,23 dez/09 R$11.149.049,22 R$5.946.539,22 -R$54.979.326,20 Este saldo é suficiente para dar suporte à compensação feita pela contribuinte no valor de R$ 32.523.089,03. Assim, neste ponto, é de se dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração guerreado. Juros sobre multa de ofício. Embora tenha votado pelo cancelamento do auto de infração, penso que deva apreciar esta matéria em respeito à colegialidade, considerando a possibilidade de restar vencido. Trata-se de matéria já pacificada no seio do CARF conforme teor da Súmula CARF nº 108, verbis: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Determinação do saldo de base negativa de CSLL no ano calendário 2009. Conforme relatado, na petição protocolada em 17/10/2019, a recorrente alegou a ocorrência de dois fatos superveniente que, no seu entender, afetariam o saldo de base negativa de CSLL em 2009. Em vista desses fatos, a contribuinte reiterou o pedido de cancelamento do auto de infração e, adicionalmente, requereu que esta Turma de julgamento determinasse o efetivo saldo de base negativa de CSLL em 2009. Quanto à matéria de mérito deste processo, que versa sobre o auto de infração lavrado para apurar de ofício a CSLL do ano calendário 2009, esta já foi inteiramente resolvida conforme tópico anterior deste voto. Entretanto, quanto ao segundo pedido da contribuinte, que não havia sido feito no recurso voluntário, penso que seja caso de não ser conhecido. Explico. Inicialmente, reproduzo trechos da petição que tratam da matéria: 6. Ainda, em razão do lapso temporal decorrido desde a interposição de Recurso Voluntário (18/06/14), que permaneceu sobrestado, destaca-se que a base de cálculo negativa de CSLL do período de 2009 sofreu alterações decorrentes de fatos supervenientes consistentes (i) no pagamento de crédito tributário de CSLL (27/11/14) exigido pelo PA nº 16561.720052/2014-94 sobre a compensação de base de cálculo negativa de montante já computado no presente feito, e (ii) na oposição de Embargos à Execução Fiscal (14/05/15) para discutir parte dos valores exigidos pelo PA nº 16561.000027/2007-61, os quais aguardam julgamento. Assim, é a presente para Fl. 2362DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 1401-005.177 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720099/2013-11 demonstrar a suficiência da base de cálculo negativa de CSLL também com lastro nestes fundamentos. [...] 9. O Requerente reitera as razões de seu Recurso Voluntário, a fim de que seja determinada a reapuração da base de cálculo negativa de CSLL com lastro no julgamento do PA nº 16561.000025/2007-72 (Docs. 02A e 02B), que cancelou definitivamente a maior parte das infrações relativas aos anos-calendário de 2002 a 2003, as quais impactaram a apuração da base de cálculo negativa da CSLL de 2009, cancelando-se o crédito tributário de CSLL ora combatido. [...] 34. Em complementação ao exposto no Item anterior, o Requerente está certo que deve ser considerado no presente caso os efeitos do pagamento realizado no âmbito do REFIS (Lei nº 13.043/14) nos autos do PA nº 16561.720052/2014- 94, e seu desmembramento nº 10875.723.651/2014-40, que demanda a recomposição do saldo de base de cálculo negativa de CSLL no período de 2009 e a consequente extinção do débito em discussão. 35. Retome-se que o lançamento fiscal ora combatido considerou que o saldo de base de cálculo negativa de CSLL a que o Requerente teria direito no ano-calendário de 2009 remontaria apenas R$ 21.374.039,81, o que não seria suficiente para absorver a compensação do montante de R$ 32.523.089,03, resultando na diferença de valor considerado como indevidamente aproveitado de R$ 11.149.049,22 (ora em cobrança). É o que se depreende do seguinte excerto do “Histórico da Compensação de Base Negativa CSLL” anexa ao lançamento fiscal: [...] 36. Ocorre que, esta mesma compensação no valor de R$ 32.523.089,03 também foi objeto de glosa em item específico nos autos do PA nº 16561.720052/2014-94 (Doc. 03A): [...] 37. Todavia, este item foi integralmente pago no âmbito do REFIS, instituído pela Lei nº 11.941/09, no prazo de reabertura da Lei nº 13.043/14, tal como devidamente reconhecido pela RFB nos autos do PA nº 10875.723.651/2014-40, conforme comprovantes de pagamento e extrato anexos (Docs. 03B e 03C): [...] 38. Desta feita, o que se evidencia é que a recomposição da base de cálculo negativa de CSLL é fundamental para que não haja a cobrança em duplicidade, como está ocorrendo no presente caso, em que o Requerente já quitou integralmente a CSLL exigida sobre o valor de R$ 32.639.574,64, o que demanda o cancelamento do débito ora combatido e também a revisão do SAPLI pelo Fisco. 39. Com efeito, deve ser determinada a recomposição dos valores registrados no SAPLI para que também sejam considerados os pagamentos realizados, a fim de que seja reconhecido que o Requerente faz jus a saldo de base de cálculo negativa no ano- calendário de 2009 em valor muito superior ao valor ora discutido, o que afetará demais processos administrativos em que o Requerente discute a compensação de saldo de base de cálculo negativa de CSLL em períodos posteriores. [...] Fl. 2363DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 1401-005.177 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720099/2013-11 41. Assim, como consequência do pagamento ora noticiado, o saldo de base de cálculo negativa de CSLL a que faz jus neste período não só é suficiente para extinguir integralmente o débito em discussão, como também deverá ser reconhecido o saldo de base de cálculo negativa de CSLL no montante de R$ 91.277.974,43 ao fim do ano- calendário de 2009, o que impactará lançamentos reflexos que também decorreram originariamente das glosas deste período. 42. Some-se a isso que a necessidade de recomposição do saldo de base de cálculo negativa de CSLL a que o Requerente faz jus no período de 2009 também está lastreada no dever da Administração Tributária de revisão dos lançamentos tributários e controle de legalidade de seus próprios atos, nos moldes dos arts. 142, 145 e 149, do CTN e art. 2º, caput, da Lei nº 9.784/99. 43. Ainda, vale repisar que tanto a lavratura do PA nº 16561.720052/2014-94 (14/07/14), quanto o pagamento da CSLL com os benefícios do REFIS (27/11/14), constituem fatos supervenientes à interposição de Recurso Voluntário (14/06/14), não havendo que se cogitar de eventual preclusão. Penso que desbordam da competência das autoridades julgadoras e do escopo do presente processo tanto o pedido de reconhecimento do saldo negativo no montante de R$ 91.277.974,43, quanto o pedido para que esta Turma determine à unidade local da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB que recomponha no seu sistema interno (Sistema SAPLI) o saldo de base negativa de CSLL conforme os valores pretendidos pela recorrente. Primeiro, impende esclarecer a competência das autoridades julgadoras. Para tanto, valho-me da preciosa lição de Gilson Wessler Michels: O que resulta dessa distinção [entre recurso do tipo reexame e recurso do tipo revisão] é que, na medida em que no contencioso administrativo brasileiro foi adotada a separação entre órgãos de lançamento (Administração Ativa) e órgãos de julgamento (Administração Judicante), não sendo dada a esses a competência para praticar os atos primários de que são exemplos o lançamento e o despacho denegatório do pleito repetitório, mas sim a de praticar o ato secundário de reapreciação daqueles atos primários, só podem os órgãos julgadores administrativos prolatar decisões na esfera das quais anulam ou confirmam, parcial ou integralmente, o ato contestado (modalidade revisão), e jamais decisões nas quais substituem tal ato (modalidade reexame). (MICHELS, Gilson Wessler. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Cenofisco, 2018. p 33.) Portanto, a competência dos julgadores administrativos está limitada à revisão do ato primário realizado pela autoridade administrativa da RFB. No caso, o ato primário foi externado na forma do auto de infração por meio do qual houve a constituição de ofício do crédito tributário de CSLL relativo ao fato jurídico tributário ocorrido no ano calendário 2009. A competência para determinar originariamente o saldo de base negativa de CSLL que poderia influir na apuração de ofício de períodos futuros é exclusiva da autoridade fiscal da RFB. A esta autoridade julgadora incumbe apenas dizer se o auto de infração ora sob análise deve cancelado ou mantido total ou parcialmente. Ademais, a determinação do efetivo saldo de base negativa de CSLL depende do resultado de diversos processos administrativos e judiciais que extrapolam o escopo do presente processo. Ora, como poderia este julgador determinar que a unidade da RFB ajustasse seu controle sobre o saldo de base negativa de CSLL (Sistema SAPLI) com fulcro no processo Fl. 2364DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 1401-005.177 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720099/2013-11 administrativo nº 16561.720052/2014-94 ou nos Embargos à Execução Fiscal ofertados perante o Poder Judiciário? Os objetos de tais processos estão fora dos limites de cognição desta Turma. Tais providências incumbem privativamente à autoridade administrativa da RFB, em razão dos diversos procedimentos fiscais, bem como dos julgamentos dos processos administrativos e judiciais, conforme esses ocorrerem. Portanto, neste ponto, voto por não conhecer do pedido formulado na petição protocolada pela recorrente em 17/10/2019. Conclusão. Voto por dar provimento, no mérito, ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração relativo à CSLL devida no ano calendário 2009. (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Fl. 2365DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10835.720518/2011-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Feb 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Nos pedidos de ressarcimento ou restituição é poder-dever da autoridade administrativa a apuração da certeza e da liquidez do crédito pleiteado e esta análise compreende o cotejo de débitos e créditos do sujeito passivo, a fim de se aferir a existência e a extensão do crédito invocado. Este procedimento não se confunde com aquele de constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, não havendo que se falar em prazo decadencial. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS DE PRODUTOS A ASSOCIADOS A exclusão da base de cálculo da receita de vendas de produtos a associados limita-se aos produtos vinculados diretamente com a atividade por eles exercida e que seja objeto da cooperativa, desde que sejam contabilizadas destacadamente. CORREÇÃO MONETÁRIA NO RESSARCIMENTO. A teor da súmula CARF n. 125, de observância obrigatória por este Colegiado, no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 3302-009.830
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-009.828, de 22 de outubro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10835.720516/2011-76, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Vinícius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Nos pedidos de ressarcimento ou restituição é poder-dever da autoridade administrativa a apuração da certeza e da liquidez do crédito pleiteado e esta análise compreende o cotejo de débitos e créditos do sujeito passivo, a fim de se aferir a existência e a extensão do crédito invocado. Este procedimento não se confunde com aquele de constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, não havendo que se falar em prazo decadencial. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS DE PRODUTOS A ASSOCIADOS A exclusão da base de cálculo da receita de vendas de produtos a associados limita-se aos produtos vinculados diretamente com a atividade por eles exercida e que seja objeto da cooperativa, desde que sejam contabilizadas destacadamente. CORREÇÃO MONETÁRIA NO RESSARCIMENTO. A teor da súmula CARF n. 125, de observância obrigatória por este Colegiado, no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-009.828, de 22 de outubro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10835.720516/2011-76, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Vinícius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.

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Nos pedidos de ressarcimento ou restituição é poder-dever da autoridade administrativa a apuração da certeza e da liquidez do crédito pleiteado e esta análise compreende o cotejo de débitos e créditos do sujeito passivo, a fim de se aferir a existência e a extensão do crédito invocado. Este procedimento não se confunde com aquele de constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, não havendo que se falar em prazo decadencial. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS DE PRODUTOS A ASSOCIADOS A exclusão da base de cálculo da receita de vendas de produtos a associados limita-se aos produtos vinculados diretamente com a atividade por eles exercida e que seja objeto da cooperativa, desde que sejam contabilizadas destacadamente. CORREÇÃO MONETÁRIA NO RESSARCIMENTO. A teor da súmula CARF n. 125, de observância obrigatória por este Colegiado, no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-009.828, de 22 de outubro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10835.720516/2011-76, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 05 18 /2 01 1- 65 Fl. 2366DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-009.830 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.720518/2011-65 (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Vinícius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a créditos de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP, vinculados a receitas auferidas no mercado interno. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto, destacando-se, no que interessa: a impossibilidade de homologação tácita do pedido de ressarcimento; a imprescindibilidade da apresentação da documentação comprobatória da escrituração contábil fiscal de créditos não cumulativos; a incidência das normas relacionadas ao PIS e ao COFINS às cooperativas de consumo; a não incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos de Pis e Cofins reivindicados em pedidos de ressarcimento; a incumbência ao sujeito passivo de comprovar, mediante provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional; a admissão da exclusão, para as cooperativas de produção agropecuária, nas bases de cálculo do Pis e da Cofins, das receitas de vendas de bens e mercadorias a associados, desde que tais produtos estejam diretamente vinculados à atividade econômica por eles exercida e que seja objeto da cooperativa. Cientificado do acórdão recorrido, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual reitera os argumentos já trazidos e submete a questão ao CARF. Ao final, pugna pelo provimento do recurso. Fl. 2367DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-009.830 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.720518/2011-65 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1. Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e a matéria é de competência deste Colegiado, razão pela qual dele conheço. Os valores reconhecidos pela DRJ (e-fls. 2298) são inferiores aos valores de alçada do Recurso de Ofício 2. Mérito. Não havendo preliminares é de se adentrar no mérito. 2.1. Homologação tácita do pedido de ressarcimento (item 2.1 do RV, efls. 2310) A Recorrente alega que operou a homologação tácita em razão do fato de que se passaram mais seis anos entre a transmissão da DCOMP e a ciência do despacho decisório. Todavia esta regra não se aplica aos pedidos de RESSARCIMENTO ou restituição, mas tão somente aos de COMPENSAÇÃO, por expressa previsão legal, sendo regra que a autoridade administrativa possui o poder dever de realizar a apuração da certeza e da liquidez do crédito pleiteado. Tal análise compreende o cotejo de débitos e créditos do sujeito passivo, a fim de se aferir a existência e a extensão do crédito invocado. Este procedimento não se confunde com aquele de constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, não havendo que se falar em prazo decadencial no caso concreto. 2.2. Ônus da prova da liquidez e certeza dos créditos - Argumentos de que as glosas deveriam ter sido provadas pela fiscalização – glosas por falta de provas. (item 2.2 e 2.2.1 do RV efls. 2312) A Recorrente alega que entregou toda a documentação eletrônica necessária a comprovar o direito ao crédito mas que perdeu os documentos físicos originais em razão de evento meteorológico, bem como que era da fiscalização o ônus de provar que os créditos não eram líquidos. No processo administrativo fiscal, regido subsidiariamente pelo Código de Processo Civil, o ônus da prova dos fatos alegados é de quem alega e no caso concreto como quem alegou o direito ao crédito foi a Recorrente, é dela o ônus de prova-lo, bem como a sua liquidez e certeza. Em relação ao evento alegado pela Recorrente, que lamentavelmente destruiu a sua documentação, ele não possui o condão de afastar o referido ônus probatório, especialmente quando se constata que a Recorrente também não adotou o procedimento legalmente previsto diante da perda do documentos. 2.3. Glosa dos créditos presumidos - café em coco. Fl. 2368DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-009.830 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.720518/2011-65 A Recorrente alega que realiza sobre o “café em coco” (classificado no capitulo 09.01 da NCM) a atividade consistente em “padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial” e que esta atividade está prevista no parágrafo 6º do artigo 8º da Lei n. 10925/04, o que lhe confere o direito de “deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Todavia, o Acórdão em foco confirmou a glosa dos créditos em razão do argumento de que: No que respeita a esse tema, a glosa perpetrada decorre da falta de comprovação quanto ao exercício das atividades previstas no § 6º, art. 8º, da Lei nº 10.925/2004. Analisando os argumentos e documentos carreados na defesa, observa-se que nenhum elemento probatório novo foi trazido aos autos pois, segundo alega a recorrente, todas as informações e documentos internos (nos quais se encontram registradas as composições de cada lote de venda de café) foram apresentados à autoridade fiscal, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 05. Quando da fiscalização a Recorrente afirmou que não produzia documento em relação à composição dos lotes, mas realizou uma declaração posterior. Para comprovação das operações, estamos apresentando em anexo, os documentos internos da cooperativa que demonstram a composição dos lotes de venda. Por tratar-se de documentos internos, também formalizamos uma declaração assinada pelo presidente e o responsável técnico firmando que todas as operações são feitas por esse mesmo procedimento. Em relação às amostras, como na época não era formalizado nenhum documento referente à sua composição, nós elaboramos o documento que é feito atualmente detalhando os lotes e tipos de bebida que compõem cada lote de venda. Estamos apresentando os documentos referentes a uma operação do início e uma do final de cada ano em análise. Este foi o fundamento do entendimento esposado pela DRJ no sentido de que não havia prova do exercício da atividade pois, segundo o Acórdão, poderia haver produção de lotes, ou não. (e-fls. 2267) De fato, nos esclarecimentos prestados a própria contribuinte reconhece que, à época dos fatos verificados, não eram elaborados documentos de controle, motivo pelo qual os documentos pertinentes às amostras do café comercializado foram confeccionados após o recebimento do Termo de Intimação Fiscal 05. Lado outro, os documentos que se presumem elaborados à época dos fatos geradores sub examine permitem, apenas, identificar a quantidade de sacas vendidas e os produtores dos lotes de café; mas não comprovam de maneira inequívoca que a mercadoria comercializada resulta da mistura dos lotes de café descritos nesses documentos (blend), conforme exige o mencionado § 6º, art. 8º, da Lei nº 10.925/2004. O Acórdão em questão também apontou que as notas fiscais de venda do café que a Recorrente afirma ter sido padronizado, beneficiado, preparado e misturado, faz menção tão somente a “café beneficiado”, o que não garante, segundo a DRJ, tratar-se de um blend. Fl. 2369DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-009.830 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.720518/2011-65 No Recurso Voluntário (e-fls. 2314) a Recorrente argumenta que realiza todas estas operações, descrevendo-as, todavia não traz aos autos qualquer prova que possa ilidir os argumentos do Acórdão, limitando-se a afirmar, dentre outros argumentos: Insta esclarecer, que todas as operações de compra e venda de café da Recorrente passam obrigatoriamente por essa etapa, o que demonstra que os requisitos do § 6º citado anteriormente são todos cumpridos, gozando a Recorrente de pleno direito ao crédito presumido postulado. E o que fez o agente fiscalizador? Simplesmente alega que os elementos apresentados pelo contribuinte em 08/10/2012 mostram-se insuficientes para comprovar a operação, vez que estão baseados em documentos internos da cooperativa. Por entender que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de demonstrar que efetivamente vendia café padronizado, beneficiado, preparado e misturado, mas tão somente “café” nego provimento a este Capítulo Recursal. 2.4. Glosas de despesas operacionais (energia elétrica, despesas com aluguéis de prédios, fretes e carretos e despesas com manutenção das máquinas e equipamentos) por falta de provas. (item 2.2.3 do RV efls. 2315), ônus da prova dos créditos (item 2.2.4 do RV efls. 2316) e bens e serviços utilizados como insumos (item 2.3 do RV efls. 2319) A fiscalização glosou e a DRJ manteve as glosas sobre energia elétrica, despesas com aluguéis de prédios, fretes e carretos e despesas com manutenção das máquinas e equipamentos alegando a ausência de documentos. Para a análise deste capítulo recursal é necessário dividi-lo em alguns pontos específicos. 2.4.1. Conceito de Insumos. Inicialmente, cumpre destacar que a decisão sob exame já utiliza o conceito de insumo em conformidade com o que foi decidido no REsp. 1.221.170/PR, bem como com o Parecer COSIT n. 05/2018, sendo desnecessário expor a definição de conceito de essencialidade e relevância. 2.4.2. O Ônus da prova do requerimento de créditos. A Recorrente alega que apresentou toda a escrituração fiscal e contábil em meio eletrônico, mas deixou de apresentar os documentos que os embasam. A Recorrente entende que recai sobre o fisco o ônus de provar que os lançamentos contábeis eletrônicos apresentados são inverossímeis. Todavia, não é este o entendimento predominante neste Colegiado. No processo administrativo fiscal, regido subsidiariamente pelo Código de Processo Civil (CPC, art. 333), o ônus da prova dos fatos alegados é de quem alega e no caso concreto como quem alegou o direito ao crédito foi a Recorrente, é dela o ônus de prova-lo, bem como a sua liquidez e certeza. Este é o fundamento pelo qual cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite um crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Fl. 2370DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-009.830 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.720518/2011-65 Em relação ao evento alegado pela Recorrente, que lamentavelmente destruiu a sua documentação, ele não possui o condão de afastar o referido ônus probatório, e a adoção das medidas previstas no RIR, não tendo o condão de eximir-lhe do cumprimento dos deveres jurídicos imprescindíveis ao reconhecimento do crédito. Cumpre destacar que tratando-se do direito público, e que a pretensão da Recorrente pode ser sintetizada como o exercício do direito de obtenção, para si, de parte do erário a, o exercício de tal direito está condicionado ao cumprimento de alguns requisitos legalmente estabelecidos, e que não foram cumpridos pela Recorrente em razão de evento que, apesar de lamentável, não encontra-se elencado em lei como excepcionante, sendo este Colegiado absolutamente incompetente para estabelecer uma exceção não criada por lei. 2.4.3. As glosas realizadas sobre despesas operacionais. As despesas operacionais, foram glosadas em razão da Recorrente não haver impugnado algumas (Transporte de não produtos e frete pago pelo destinatário, por exemplo), ter impugnado apenas genericamente outras (fretes de não insumos, por exemplo), e não ter provado as demais. Tudo foi minuciosamente detalhado nos itens que integram o item 4 do Acórdão proferido pela DRJ. Todavia, em seu Recurso Voluntário a Recorrente não traz qualquer argumento ou documento novo, limitando-se a afirmar que recai sobre a fiscalização o ônus de demonstrar que a inverossimilhança da contabilidade eletrônica apresentada pela Recorrente, desacompanhada dos documentos que e embasam. Partindo-se da já mencionada premissa de que é do Contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito, e que para tanto é necessário trazer aos autos a escrituração contábil acompanhada da documentação que a embasa, voto por negar provimento a este capítulo recursal. 2.4.4. Glosas de bens e serviços utilizados como insumos (item 2.3 do RV efls. 2319) A Recorrente abordou expressamente as rubricas “fretes de não insumos” e “aquisição de não insumo” (efls. 2325) por entender tratar-se de bens essenciais e relevantes ao processo produtivo. Todavia, apesar de discorrer longamente sobre o que é um “insumo”, com remissões morfológicas, etimológicas, doutrinárias e jurisprudenciais, não exprimiu qualquer argumento no sentido de afirmar que o “transporte de não insumos” e a “aquisição de não insumos” deveria ser considerado um insumo, razão pela qual é de se negar provimento a este capítulo recursal. 2.5. Das mercadorias adquiridas para revenda sujeitas a Alíquota Zero nas saídas efetuadas pelos fornecedores. (item 5 do Acórdão efls 2273 e item 2.4 do RV efls. 2325) A Recorrente entendeu haver recolhido indevidamente os tributos incidentes sobre operações com as mercadorias, mas posteriormente constatou que elas estavam submetidas à alíquota zero, requerendo o crédito. A DRJ, na decisão ora sob análise, glosou créditos originados da aquisição, para revenda, de mercadorias que não estavam sujeitas ao pagamento das contribuições para o PIS e COFINS (alíquota zero), especificamente cereais, suas farinhas, exceto trigo e Fl. 2371DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-009.830 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.720518/2011-65 aveia e produtos lácteos. No mesmo sentido as farinhas de trigo e misturas em pasta para uso de padarias, após o início da vigência da Lei 11.787/2008, tratada especificamente no item 5.3 do referido Acórdão: Quanto aos demais créditos originados de aquisições, para revenda, de mercadorias sujeitas à alíquota zero, constantes do Anexo XI, a manifestante limitou-se a alegar que as mercadorias foram tributadas regularmente nas saídas (revendas) e, caso prevaleça o entendimento fiscal, as correspondentes saídas também sejam consideradas como tributadas à alíquota zero, situação que implica na exclusão das correspondentes receitas das bases de cálculo das contribuições. A análise, por amostragem, dos demonstrativos mensais de vendas apresentados no curso da fiscalização (planilhas "Vendas – Por Filial, Por Produto e por CFOP") revela que as operações de revenda dos demais produtos sujeitos à "alíquota zero" a que se refere a autoridade fiscal (arroz; feijão; leite pasteurizado, ultrapasteurizado e leite em pó destinados a consumo humano, bebidas lácteas, compostos lácteos; farinha de milho, frutas, tubérculos, ovos, entre outros) foram devidamente classificadas no gênero "Vendas de Mercadorias – Alíquota 0%", inclusive com observância dos marcos temporais de redução de alíquota fixados pela legislação, para cada tipo de produto. Esse contexto leva a concluir que as receitas originadas das operações de revenda das demais mercadorias tributadas com alíquota zero, constantes do Anexo XI, não foram incluídas nas bases de cálculo das contribuições, como quer fazer crer a Recorrente. Além disso, no que toca aos derivados lácteos, faz-se necessário destacar que está devidamente registrado no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal que foram glosados apenas os créditos originados de aquisições efetuadas a partir de 15 de junho de 2007 quando, por força das disposições contidas na Lei nº 11.448/2007, foram reduzidas a zero as alíquotas do Pis e da Cofins incidentes sobre tais produtos. De forma que a legitimidade dos créditos originados das aquisições anteriores a essa data foi integralmente reconhecida pela autoridade fiscal. Se não, vejamos: (...) Ou seja, não apenas o leite embalado para consumo direto, mas também seus derivados supracitados estão sujeitos à alíquota zero, exemplificativamente: iogurtes, leite fermentado, queijos e compostos lácteos para alimentação infantil. Quanto a esses incisos cabe, no entanto, uma observação: a Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, apenas entrou em vigor a partir dessa data, sendo, portanto, procedentes os créditos referentes a entradas desses produtos que lhe sejam anteriores. Destaquei. A Recorrente insurge-se contra a glosa dos créditos dos produtos sujeitos à alíquota zero, apontando exemplificativamente sete itens, quais sejam: água de colônia, cerveja, iogurte, queijo ralado, sustagen, yakult e todinho. Alega que tratam-se de produtos que geraram crédito na entrada e foram tributados na saída e a Recorrente requer, ao menos, que sejam excluídos da Base de Cálculo. Fl. 2372DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-009.830 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.720518/2011-65 Aparentemente, pelo que se pode compreender a partir da leitura do Recurso Voluntário, a Recorrente acredita que recolheu tributos sobre estes produtos, indevidamente, e requer o reconhecimento do crédito. Todavia, como bem pontuado pela DRJ no acórdão sob exame estes bens expressamente não foram incluídos na base de cálculo dos tributos, não havendo qualquer valor a ser apurado, devendo ser negado provimento a este capítulo recursal. 2.6. Exclusões de base de cálculo das cooperativas (item 2.5 do RV efls. 2326) A Recorrente alega que nenhuma atividade realizada pela Cooperativa deve gerar tributação: Assim, as operações realizadas entre os associados e a sociedade cooperativa, e entre esta e aqueles, não representam negócio mercantil, pois não há como fazer negócio mercantil consigo mesmo, não há como realizar operação de compra e venda com a mesma pessoa. A DRJ, por outro lado entendeu que as atividades de supermercado realizadas pela Recorrente devem ser tributadas, o que faz pelos seguintes fundamentos: Em seu recurso, a manifestante alega que os valores restabelecidos pela fiscalização abrangem, não só as receitas de vendas derivadas de sua atividade supermercadista, mas também as receitas de vendas de suas lojas agropecuárias, as quais fornecem insumos de produção necessários ao desempenho das atividades econômicas dos seus associados e que, portanto, seriam passíveis de exclusão. (...) E foi uma lei, mais precisamente, a Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997 (conversão da MP nº1.602, de 1997) que, em seu art. 69, estabeleceu que "as sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitam-se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas". Destarte, em que pese os argumentos expendidos pela reclamante, é inconteste que as receitas obtidas no desempenho de sua atividade como cooperativa de consumo (atividade supermercadista) estão sujeitas à tributação pelo Pis e pela Cofins sendo irrelevante, na análise, o fato de serem, ou não, derivadas da prática de atos cooperativos. Ultrapassado esse ponto, resta analisar se, como alega a interessada, no montante das exclusões demonstradas no Anexo XII do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal estariam incluídas, além das receitas derivadas de sua atividade supermercadista, as receitas obtidas com a revenda de insumos agropecuários aos seus associados. Isso porque, estando tais insumos diretamente relacionados às atividades desenvolvidas pelos cooperados (que sejam objeto da cooperativa), as correspondentes receitas de revenda são passíveis de exclusão das bases de cálculo do Pis e da Cofins, consoante o § 2º, art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 635, de 24 de março de 2006, retrotranscrito. A análise dos demonstrativos apresentados no curso do procedimento fiscal, bem como do demonstrativo anexo à manifestação de inconformidade, indica que, ao menos neste ponto, assiste razão parcial à manifestante. Fl. 2373DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-009.830 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.720518/2011-65 Ao se cotejar os dados constantes das planilhas "Totalização Mensal por Gênero de Tributação" com os dados das planilhas mensais "Vendas por Filial, por Produto e por CFOP" – ambas elaboradas pela contribuinte – verifica-se que, até o mês de dezembro de 2007, as operações classificadas no gênero "Vendas de Mercadorias – Tributadas – Cooperados" abrangiam não só o centro de custos SUPERMERCADO, mas também o centro de custos LOJA INSUMOS. Somente a partir do mês de janeiro de 2008, observa-se na planilha "Totalização Mensal por Gênero de Tributação" o fracionamento das operações de "Vendas de Mercadorias – Tributadas – Cooperados" em dois subgêneros: "Venda de Mercadorias Tributadas – Lojas Agropecuárias – Para Cooperados" e "Venda de Mercadorias Tributadas – Mercado – Para Cooperados". Oportuno ressaltar que, a partir dessa subdivisão (janeiro de 2008), as glosas fiscais consignadas no Anexo XII do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal recaíram, apenas, sobre as receitas de vendas vinculadas ao centro de custos SUPERMERCADO. A tabela abaixo, elaborada por esta Relatora, demonstra os montantes das "Vendas de Mercadorias – Tributadas – Cooperados", atribuíveis aos dois centros de custos (LOJA INSUMOS e SUPERMERCADO), em cotejo com os valores glosados pela fiscalização: (...) A análise, por amostragem, das operações de vendas tributadas para cooperados, relacionadas ao centro de custos LOJA INSUMOS, revela que, regra geral, os produtos revendidos relacionam-se diretamente com os objetivos institucionais da manifestante e com as atividades agropecuárias desenvolvidas por seus associados. Com efeito, trata-se de defensivos, fertilizantes, implementos, óleos e lubrificantes, produtos veterinários, sacarias, ferramentas, acessórios e outros materiais comumente utilizados em atividades agrícolas. Assim, de acordo com as disposições contidas no § 2º do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 635, de 24 de março de 2006, deve-se acolher o argumento da manifestante, para reconhecer que as receitas de vendas relacionadas ao centro de custos LOJA INSUMOS são passíveis de exclusão nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Por conseguinte, devem ser restabelecidos, no montante das glosas demonstradas no Anexo XII do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, os seguintes valores, pertinentes às receitas auferidas nos meses de agosto de 2006 a dezembro de 2007, relacionadas ao centro de custos LOJA INSUMOS. Em síntese, dos montantes de glosa demonstrados no Anexo XII do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal devem ser restabelecidos os seguintes valores, expressos em Reais (R$): (...) Sinteticamente, a DRJ entendeu que os produtos vendidos LOJA DE INSUMOS não integrariam a base de cálculo das contribuições, todavia os produtos de Fl. 2374DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-009.830 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.720518/2011-65 SUPERMERCADO deveriam perfazer a referida base de cálculo, na forma da legislação já apontada. Efetivamente, este Colegiado possui entendimento de que “a exclusão da base de cálculo da receita de vendas de produtos a associados limita-se aos produtos vinculados diretamente com a atividade por eles exercida e que seja objeto da cooperativa, desde que sejam contabilizadas destacadamente”, servindo como exemplo o Acórdão 3301.005.627 de relatoria do insigne Conselheiro Ari Vendramini, razão pela qual voto no sentido de negar provimento a este capítulo recursal. 2.7. Correção Monetária. Em relação ao pleito de que seja aplicada correção monetária aos valores eventualmente ressarcidos, a Súmula CARF n. 125, de observância obrigatória por este Colegiado, foi redigida no sentido de que “No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.” CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 2375DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10183.904632/2016-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Feb 09 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. PRECEDENTE JUDICIAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. No regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda. O REsp 1.221.170 / STJ, em sede de recurso repetitivo, veio ao encontro da posição intermediária desenvolvida na jurisprudência deste Conselho e, em razão do disposto no Art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, tem aplicação obrigatória. ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITO. DEMANDA CONTRATADA. O dispêndio com a demanda contratada, incluído na fatura de energia elétrica, tem caráter obrigatório, objetiva o efetivo funcionamento do estabelecimento e tem caráter social, tendo o sistema elétrico sido concebido de forma a atender satisfatoriamente toda a sociedade, razão pela qual ele deve ser incluído no desconto de crédito da contribuição não cumulativa. FRETE. TRANSPORTE DE LEITE IN NATURA. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. Por se tratar de frete relacionado a aquisições de bens passíveis de creditamento somente por meio do crédito presumido da agroindústria, eventual crédito somente pode ser tomado na condição de desconto de débitos da contribuição apurada na escrita fiscal da pessoa jurídica, não podendo ser objeto de ressarcimento. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. CRÉDITO. Conforme precedentes desta Turma de Julgamento e da CSRF deste Conselho, é permitido o creditamento sobre os gastos com frete entre estabelecimentos. FRETE. LENHA. CRÉDITO. Os dispêndios com frete no transporte da lenha utilizada como combustível, por se referir à prestação de um serviço considerado essencial ao processo produtivo, geram direito a crédito da contribuição não cumulativa, mas desde que observados os demais requisitos da lei, dentre os quais, terem sido esses serviços tributados pelas contribuições e prestados por pessoa jurídica domiciliada no País. AQUISIÇÕES DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. UTILIZAÇÃO NA PRODUÇÃO. Conforme previsão legal do inciso VI, Art. 3.º, das Leis 10.833/03 e 10.637/02, somente geram crédito as aquisições de máquinas e equipamentos utilizados na produção. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO. PARTES E PEÇAS. BENS E SERVIÇOS TRIBUTADOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CONDICIONANTES LEGAIS. Somente geram direito a desconto de crédito os dispêndios com manutenção de máquinas e equipamentos, abrangendo as partes e peças, cujas aquisições tiverem sido tributadas pela contribuição. Havendo aumento de vida útil da máquina ou do equipamento superior a um ano, os gastos de manutenção tributados serão incorporados ao ativo imobilizado, gerando crédito somente com base nos encargos de depreciação do bem em que aplicados. O crédito integral de dispêndios dessa natureza somente se encontra autorizado pela lei na hipótese de aquisição de máquinas e equipamentos novos. INSTALAÇÕES/EDIFICAÇÕES. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. Somente geram direito a desconto de crédito os dispêndios com instalações e edificações cujas aquisições tiverem sido tributadas pela contribuição, sendo que, havendo aumento de vida útil do bem superior a um ano, tais gastos tributados serão incorporados ao ativo imobilizado, gerando crédito somente com base nos encargos de depreciação do bem em que aplicados.
Numero da decisão: 3201-007.441
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (1) após votações sucessivas, nos termos do art. 60 do Anexo II do RICARF, reverter as glosa de energia elétrica, apenas em relação à demanda contratada, vencidos os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado) e Paulo Roberto Duarte Moreira, que negavam provimento no tópico. Em primeira votação, por maioria de votos, manteve a glosa sobre todos os dispêndios (diversos do efetivo consumo) relacionados à conta de energia elétrica, vencido o Relator, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que revertia a glosa integralmente; (2) manter as glosas dos créditos sobre fretes com transporte de leite in natura, vencido o conselheiro Relator, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que revertia as glosas; (3) reverter as glosas dos créditos sobre fretes entre estabelecimentos, vencidos os conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), que mantinham as glosas; (4) reverter as glosas dos créditos na rubrica “não identificados” que se caracterizaram como transporte de lenha para combustível, vencidos os conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), que mantinham as glosas, e o conselheiro Relator, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que revertia integralmente referidas glosas; e (5) manter as glosas dos créditos relativos aos gastos com instalações e manutenções de máquinas e equipamentos, vencido o Relator, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que entendia que os créditos foram aproveitados na medida da depreciação dos bens em que ocorreram as atividades (instalação e manutenção). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-007.437, de 17 de novembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10183.904627/2016-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Marcio Robson Costa, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (Vice-Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente).
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA

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INSUMOS. CONCEITO. PRECEDENTE JUDICIAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. No regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda. O REsp 1.221.170 / STJ, em sede de recurso repetitivo, veio ao encontro da posição intermediária desenvolvida na jurisprudência deste Conselho e, em razão do disposto no Art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, tem aplicação obrigatória. ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITO. DEMANDA CONTRATADA. O dispêndio com a demanda contratada, incluído na fatura de energia elétrica, tem caráter obrigatório, objetiva o efetivo funcionamento do estabelecimento e tem caráter social, tendo o sistema elétrico sido concebido de forma a atender satisfatoriamente toda a sociedade, razão pela qual ele deve ser incluído no desconto de crédito da contribuição não cumulativa. FRETE. TRANSPORTE DE LEITE IN NATURA. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. Por se tratar de frete relacionado a aquisições de bens passíveis de creditamento somente por meio do crédito presumido da agroindústria, eventual crédito somente pode ser tomado na condição de desconto de débitos da contribuição apurada na escrita fiscal da pessoa jurídica, não podendo ser objeto de ressarcimento. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. CRÉDITO. Conforme precedentes desta Turma de Julgamento e da CSRF deste Conselho, é permitido o creditamento sobre os gastos com frete entre estabelecimentos. FRETE. LENHA. CRÉDITO. Os dispêndios com frete no transporte da lenha utilizada como combustível, por se referir à prestação de um serviço considerado essencial ao processo produtivo, geram direito a crédito da contribuição não cumulativa, mas desde AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 46 32 /2 01 6- 72 Fl. 397DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-007.441 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.904632/2016-72 que observados os demais requisitos da lei, dentre os quais, terem sido esses serviços tributados pelas contribuições e prestados por pessoa jurídica domiciliada no País. AQUISIÇÕES DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. UTILIZAÇÃO NA PRODUÇÃO. Conforme previsão legal do inciso VI, Art. 3.º, das Leis 10.833/03 e 10.637/02, somente geram crédito as aquisições de máquinas e equipamentos utilizados na produção. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO. PARTES E PEÇAS. BENS E SERVIÇOS TRIBUTADOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CONDICIONANTES LEGAIS. Somente geram direito a desconto de crédito os dispêndios com manutenção de máquinas e equipamentos, abrangendo as partes e peças, cujas aquisições tiverem sido tributadas pela contribuição. Havendo aumento de vida útil da máquina ou do equipamento superior a um ano, os gastos de manutenção tributados serão incorporados ao ativo imobilizado, gerando crédito somente com base nos encargos de depreciação do bem em que aplicados. O crédito integral de dispêndios dessa natureza somente se encontra autorizado pela lei na hipótese de aquisição de máquinas e equipamentos novos. INSTALAÇÕES/EDIFICAÇÕES. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. Somente geram direito a desconto de crédito os dispêndios com instalações e edificações cujas aquisições tiverem sido tributadas pela contribuição, sendo que, havendo aumento de vida útil do bem superior a um ano, tais gastos tributados serão incorporados ao ativo imobilizado, gerando crédito somente com base nos encargos de depreciação do bem em que aplicados. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (1) após votações sucessivas, nos termos do art. 60 do Anexo II do RICARF, reverter as glosa de energia elétrica, apenas em relação à demanda contratada, vencidos os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado) e Paulo Roberto Duarte Moreira, que negavam provimento no tópico. Em primeira votação, por maioria de votos, manteve a glosa sobre todos os dispêndios (diversos do efetivo consumo) relacionados à conta de energia elétrica, vencido o Relator, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que revertia a glosa integralmente; (2) manter as glosas dos créditos sobre fretes com transporte de leite in natura, vencido o conselheiro Relator, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que revertia as glosas; (3) reverter as glosas dos créditos sobre fretes entre estabelecimentos, vencidos os conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), que mantinham as glosas; (4) reverter as glosas dos créditos na rubrica “não identificados” que se caracterizaram como transporte de lenha para combustível, vencidos os conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), que mantinham as glosas, e o conselheiro Relator, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que revertia integralmente referidas glosas; e (5) manter as glosas dos créditos relativos aos gastos com instalações e manutenções de máquinas e equipamentos, vencido o Relator, Pedro Rinaldi de Fl. 398DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-007.441 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.904632/2016-72 Oliveira Lima, que entendia que os créditos foram aproveitados na medida da depreciação dos bens em que ocorreram as atividades (instalação e manutenção). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-007.437, de 17 de novembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10183.904627/2016-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Marcio Robson Costa, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (Vice-Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório excertos do relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário apresentado em face de decisão de primeira instância administrativa que decidiu pela procedência parcial da Manifestação de Inconformidade, apresentada em defesa do créditos glosados no despacho decisório e Relatório Fiscal, relativo ao ressarcimento de COFINS não cumulativa do período indicado no PER/DCOMP apresentado. As glosas referem-se aos créditos correspondentes às aquisições de lenha para caldeira (não se trata de insumo), óleo diesel (não se trata de insumo e não incide PIS/COFINS - alíquota zero), despesas de frete com leite in natura (não incide PIS/COFINS sobre o leite in natura - suspensão), frete de produtos entre estabelecimentos da empresa, energia elétrica (taxa de iluminação pública, demanda contratada, juros, multa), gastos com edificações (aquisições não tributadas pelas contribuições) e peças e serviços para manutenção de bens já adquiridos. Os fundamentos do Despacho Decisório e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto, a seguir transcrita: APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Dão origem a crédito na apuração não cumulativa os bens e serviços essenciais ou relevantes ao desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, nos termos do Parecer Normativo COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018, que consolidou a interpretação da Receita Federal sobre o tema face aos Fl. 399DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-007.441 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.904632/2016-72 entendimentos contidos no Acórdão do REsp 1.221.170/PR e a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. LENHA PARA CALDEIRA E ÓLEO DIESEL. São considerados insumos geradores de créditos das contribuições os combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens ou de prestação de serviços. CRÉDITO PRESUMIDO. LEITE IN NATURA E FRETE. FORNECEDOR PESSOA JURÍDICA ENQUADRADA NO SIMPLES NACIONAL. O frete pago pela Cooperativa na aquisição do leite in natura usado para fabricação de bens destinados à venda, quando contratado com pessoa jurídica domiciliada no País, integra o valor de aquisição dos insumos e deve seguir o regime de crédito desses, que é o crédito presumido passível de ser deduzido das contribuições devidas em cada período de apuração, porquanto a norma legal não permite a compensação ou o ressarcimento. Entretanto, pode ser objeto de ressarcimento ou compensação, o crédito decorrente da aquisição do leite in natura quando o fornecedor for pessoa jurídica enquadrada no Simples Nacional, atendidos os demais requisitos da legislação, bem assim o frete para transporte desse insumo quando pago pelo adquirente, desde que comprovado pelas notas fiscais dos produtos e conhecimentos de transporte. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, não há possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos e na modalidade frete na operação de venda, em relação aos dispêndios com serviços de transporte suportados pela pessoa jurídica no deslocamento de produtos acabados ou em elaboração entre os seus diferentes estabelecimentos. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. Por expressa previsão legal, dão direito a crédito os valores gastos com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não gerando crédito o valor incluído na fatura correspondente à contribuição para o custeio da iluminação pública, os encargos financeiros cobrados na fatura de energia elétrica a título de demanda contratada, contribuição de iluminação pública, juros e multa por atraso no pagamento da fatura. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. CRÉDITOS. As despesas referentes à aquisição de serviços (i) adquiridos de pessoas jurídicas e (ii) vinculados à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na produção de bens destinados à venda, e que resultem em aumento da vida útil das máquinas e equipamentos em questão superior a um ano, podem ser incluídas na apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep na modalidade 'depreciação e amortização de máquinas e equipamentos' realizada com base na Lei n° 11.774, de 2008, art. 1°, caput e § 1°, desde que atendidas as exigências da legislação de regência. O crédito relativo ao serviço acompanha o regime de depreciação e amortização de máquinas e equipamentos do bem. EDIFICAÇÕES, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL. É vedada a apuração ou desconto dos créditos sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. A prova da tributação dos bens ou serviços adquiridos é verificada nos documentos fiscais emitidos pelos fornecedores, Fl. 400DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-007.441 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.904632/2016-72 que devem ser corrigidos em caso de erro. Dão direito ao crédito os materiais e serviços adquiridos de pessoas jurídicas optante pelo Simples Nacional. [...] MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. A prova documental referente a direito creditório alegado em pedido de ressarcimento deve ser apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, para fins de seu eventual deferimento. Cientificado do acórdão recorrido, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reforçando as argumentações da Impugnação e esclarecendo pontos levantados na decisão recorrida e, ao final, pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se os fundamentos exarados nos votos consignados no acórdão paradigma como razões de decidir: Conforme a legislação, o Direito Tributário, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de recondução e Regimento Interno, apresenta-se este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Da análise do processo, verifica-se que o centro da lide envolve a matéria do aproveitamento de créditos de PIS e COFINS apurados no regime não cumulativo e a consequente análise sobre o conceito de insumos, dentro desta sistemática. De forma majoritária este Conselho segue a posição intermediária entre aquela posição restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela posição totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo. Situação que retrata a presente lide administrativa. Fl. 401DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-007.441 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.904632/2016-72 No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda. O julgamento do REsp 1.221.170 / STJ, em sede de recurso repetitivo, veio de encontro à posição intermediária criada na jurisprudência deste Conselho e, em razão do disposto no Art. 62 de seu regimento interno, tem aplicação obrigatória. Portanto, é condição sem a qual não haverá solução de qualidade à lide, nos parâmetros atuais de jurisprudência deste Conselho no julgamento dessa matéria, definir quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, identificar a relevância, essencialidade e em qual momento e fase do processo produtivo e atividades da empresa estão vinculados. O contribuinte resumiu os dispêndios sobre os quais entende que possui crédito nos seguintes tópicos: energia elétrica, insumos não identificados, aquisição de leite cru, fretes com leite in natura, frete nas operações de venda, máquinas e equipamentos e edificações. Contudo, a “aquisição de leite cru” não foi objeto de glosa. Inclusive, no despacho decisório é possível verificar que a fiscalização permitiu o aproveitamento de crédito da industrialização de leite UHT, conforme trecho do despacho decisório reproduzido a seguir: “Cabe destacar, que a Lei n° 10.637/2002 e a Lei n° 10.833/2003 determinam a vedação da apuração de créditos referentes a mão-de-obra paga a pessoa física. Logo, a contratação da empresa Industria de Laticinios LACBOM S/A, CNPJ n° 01.592.103/0001-50, para envase do leite, não impede o aproveitamento de crédito de PIS/Cofins. Dessa forma, foram aceitos os valores informados pelo contribuinte para serviços utilizados como insumos – industrialização de leite UHT.” Ou seja, alguma confusão deve ter ocorrido nas peças recursais do contribuinte, visto que tal matéria (aquisição de leite cru) não foi objeto nem mesmo do julgamento anterior. Portanto, tal matéria não deve ser conhecida. Ainda, o que o contribuinte denomine como fretes nas operações de venda, são, na verdade, fretes entre estabelecimentos, conforme trecho do despacho decisório reproduzido a seguir: “Em análise aos Conhecimentos de Transportes (CTR e CTE) disponibilizados pelo contribuinte, constatou-se que o contribuinte solicita créditos em relação a fretes entre estabelecimentos do próprio contribuinte (onde ele é o remetente e o próprio destinatário). Entretanto, inexiste direito ao creditamento de despesas referentes às operações de frete interno de mercadorias entre estabelecimentos de uma única sociedade empresarial. Fl. 402DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-007.441 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.904632/2016-72 De acordo com o artigo 3° da Lei 10.833/2003 e 10.637/2002, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao frete somente nas operações de venda e quando o ônus for suportado pelo vendedor. O frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte não se caracteriza como venda, logo não dá direito ao crédito do PIS e Cofins. Logo, foram objetos de glosas essas operações enquadradas como frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte.” Considerando a informação acima, a discussão deve ser limitada à glosa, que ocorreu somente sobre os dispêndios com fretes entre estabelecimentos. As glosas sobre lenha para caldeira e óleo diesel foram revertidas na decisão a quo sobre a qual o recurso de ofício não pode ser aplicado em razão do não cumprimento do requisito valorativo de alçada. Os insumos não identificados, como explicado no recurso voluntário do contribuinte são, na verdade, dispêndios com fretes nas operações, razão pela qual tal tópico deve ser considerado dentro de um tópico específico que trate dos fretes em geral. Ao fim da análise do trâmite processual e das matérias constata-se que as matérias que restaram em litígio e que são objeto do presente julgamento são somente as seguintes: - energia elétrica; - fretes em geral (leite in natura, entre estabelecimentos e “não identificados”; - ativo imobilizado (máquinas, equipamentos, instalações, manutenções e edificações). Após as considerações iniciais, cumpre-se delimitar que o presente voto tratará das matérias na mesma ordem dos tópicos expostos acima, de forma individualizada e considerando o conceito intermediário de insumo já exposto. [...] 1 – Itens I, II, III e IV I. Energia elétrica. Outros dispêndios. A Fiscalização, amparada no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e no inciso III do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 2 , concluiu que o direito ao 1 Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator do processo 10183.904627/2016-60, que pode ser consultado no Acórdão 3201-007.437, de 17 de novembro de 2020, paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma de julgamento, expresso no voto vencedor do redator designado. 2 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 403DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-007.441 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.904632/2016-72 crédito sob comento se restringia à energia elétrica efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Nesse sentido, no entendimento do agente fiscal, tal direito não se estendia ao valor total da fatura de energia elétrica, pois deviam ser glosados os créditos relativos às rubricas identificadas como “taxas de iluminação pública”, “demanda contratada”, “juros”, “multa”, dentre outros, por se encontrarem dissociadas da energia elétrica efetivamente consumida. O relator votou por reverter toda a glosa, considerando como gerador de crédito todo o valor constante da fatura de energia, indiscriminadamente; contudo, a maioria votou por manter a glosa somente em relação aos outros gastos diversos do efetivo consumo e da demanda contratada, quais sejam, as taxas de iluminação pública, os juros, as multas etc., considerando que os dispositivos legais acima referenciados não autorizavam o desconto de crédito em relação a essas rubricas. Em relação à demanda contratada, a decisão de permitir o desconto de crédito em relação a ela se deveu ao fato de que se tratava de dispêndio imanente ao consumo de energia elétrica e não um acréscimo decorrente da mora no pagamento ou um tributo instituído pelo poder público. A demanda contratada é conceituada como a “demanda de potência ativa a ser obrigatória e continuamente disponibilizada pela distribuidora, no ponto de entrega, conforme valor e período de vigência fixados em contrato, e que deve ser integralmente paga, seja ou não utilizada durante o período de faturamento, expressa em quilowatts (kW)” 3 , nos termos da Resolução Normativa Aneel nº 401, de 9 de setembro de 2010. A “demanda contratada se aplica a unidades ligadas à alta tensão (Grupo A) e é utilizado como parâmetro no contrato de fornecimento de energia elétrica da unidade consumidora. Isto traz um compromisso do consumidor de alta tensão em se manter dentro dos limites de demanda contratada especificada em contrato. Evitando-se assim que haja uma sobrecarga no sistema por falta de planejamento por parte do consumidor em relação à sua demanda contratada de energia.” Havendo consumo superior ao contratado, “a concessionária cobrará uma multa pelo excesso, em que a tarifa aplicada será 3x o valor da demanda “normal” vigente.” 4 Constata-se, portanto, que o dispêndio com a demanda contratada não se refere a uma opção ou uma discricionariedade do consumidor, pois tem III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; 3 ((https://www.google.com/search?q=energia+el%C3% A9trica+demanda+contratada&ie=utf-8&oe=utf- 8&client=firefox-b) 4 (https://interenergia.com.br/single-post/2017/07/o-que-e-a-demanda-contratada-de-energia/). Fl. 404DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-007.441 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.904632/2016-72 caráter obrigatório, cujo intuito é o não comprometimento do próprio funcionamento do estabelecimento, tendo também caráter social, uma vez que o sistema elétrico se encontra concebido de forma a atender satisfatoriamente a toda a sociedade. Nesse sentido, em relação às faturas de energia elétrica, afasta-se a glosa do crédito decorrente da demanda contratada. II. Crédito. Fretes com transporte de leite in natura. A Fiscalização, amparada na Lei n° 10.925/2004, glosou os créditos relativos aos fretes nas aquisições de leite in natura, considerando que, nesses casos, as operações se deram com suspensão do pagamento das contribuições PIS/Cofins, não possibilitando, por conseguinte, a apuração de créditos básicos, inclusive no que se refere aos fretes. O Relator votou por reverter essa glosa; porém a maioria do colegiado considerou que, por se tratar de frete relacionado a aquisições passíveis de creditamento somente por meio do crédito presumido da agroindústria (art. 8º da Lei nº 10.925/2004 5 ), o crédito de tal natureza, independentemente de sua extensão (abarcando apenas o valor do insumo adquirido ou o valor do insumo acrescido do frete), somente era passível de fruição como desconto de débitos das contribuições apurados na escrita fiscal da pessoa jurídica, não podendo ser objeto de ressarcimento. III. Crédito. Transporte de lenha. O Recorrente alega que parte da glosa efetuada pela Fiscalização por falta de identificação precisa do bem ou serviço utilizado como insumo se referia a gastos com frete no transporte de mercadorias, tendo o Relator votado por sua reversão. Contudo, a decisão do Colegiado foi no sentido de reverter a glosa somente em relação aos dispêndios com frete no transporte da lenha utilizada como combustível, de acordo com documentos apresentados, por se tratar da prestação de um serviço considerado essencial ao 5 Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Fl. 405DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-007.441 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.904632/2016-72 processo produtivo, em conformidade com o art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 6 , mas desde que observados os demais requisitos da lei, dentre os quais, terem sido esses serviços tributados pelas contribuições e prestados por pessoa jurídica domiciliada no País. IV. Crédito. Gastos com instalações e manutenções de máquinas e equipamentos. Em relação às glosas dos créditos relativos aos gastos com instalações e manutenções de máquinas e equipamentos, o Relator entendeu que eles haviam sido aproveitados na medida da depreciação dos bens (instalação e manutenção). Contudo, consta da Informação Fiscal (fls. 18 a 21) que os créditos relativos a referidos dispêndios foram descontados pelo Recorrente com base no valor total das aquisições e não sobre os encargos de depreciação, sendo que, em relação a alguns bens adquiridos, eles se referiam a bens não tributáveis ou sujeito à tributação monofásica, contrariando o disposto no § 2º, inciso II, do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 7 . O Recorrente se defende, alegando que, na monofasia, há tributação concentrada do bem, dando direito, portanto, ao desconto de crédito, alegação essa afastada pelo Colegiado, por ter sido considerada incompatível com tal sistemática de apuração das contribuições, dada a opção do legislador pela concentração da tributação em apenas uma etapa da cadeia produtiva. Registrou, ainda, a Fiscalização, que as “peças e partes de reposição e os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda são considerados insumos, para fins de creditamento na sistemática não- cumulativa, com a condição de que a manutenção não repercuta num aumento de vida útil da máquina superior a um ano. Caso repercuta num aumento maior de vida útil, os gastos serão incorporados ao ativo 6 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; 7 § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 406DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-007.441 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.904632/2016-72 imobilizado, sendo que o crédito só poderá ser descontado com base na depreciação do bem.” (fl. 21) Destacou-se, também, que, opcionalmente, o contribuinte poderia calcular o crédito relativo à aquisição de máquinas e equipamentos com base no valor de aquisição, nos termos do art. 1° da Lei 11.774/2008 8 , mas desde que tais máquinas e equipamentos fossem novos e destinados apenas à produção de bens, situação em que não se inserem as peças e serviços de manutenção. O Recorrente contra argumenta, apresentando, por amostragem, uma nota fiscal de aquisição de serviços (fl. 293) que, segundo ele, era posterior a 2012, ensejando o direito à apuração integral do crédito, nos termos do referido art. 1° da Lei 11.774/2008. Contudo, referida nota fiscal se refere à aquisição de reforma do gerador e não à aquisição de uma máquina ou equipamento novo. Quanto às instalações (edificações), o Recorrente alega que as glosas se referem a aquisições de bens devidamente tributados e que equívocos cometidos por fornecedores na identificação do Código de Situação Tributária (CST) não podia ser fundamento a elas. O Recorrente alega, ainda, que três dos fornecedores eram optantes pelo Simples Nacional e que o Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 15, de 26 de setembro de 2007, autoriza o desconto de créditos das contribuições nas aquisições junto a fornecedores optantes pelo Simples Nacional. Contudo, tal ato interpretativo estipula que tal direito somente é assegurado se observadas as vedações previstas e demais disposições da legislação aplicável, dentre as quais, se encontra a restrição de crédito calculado somente sobre os encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado (inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 9 ). Nesse sentido, manteve-se a glosa dos créditos relativos aos gastos com instalações e manutenções de máquinas e equipamentos. 8 Art. 1o As pessoas jurídicas, nas hipóteses de aquisição no mercado interno ou de importação de máquinas e equipamentos destinados à produção de bens e prestação de serviços, poderão optar pelo desconto dos créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social/Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) de que tratam o inciso III do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, da seguinte forma: (...) 9 § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Fl. 407DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-007.441 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.904632/2016-72 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de reverter as glosa de energia elétrica, apenas em relação à demanda contratada; manter a glosa sobre todos os dispêndios (diversos do efetivo consumo) relacionados à conta de energia elétrica; manter as glosas dos créditos sobre fretes com transporte de leite in natura; reverter as glosas dos créditos sobre fretes entre estabelecimentos; reverter as glosas dos créditos na rubrica “não identificados” que se caracterizaram como transporte de lenha para combustível, e manter as glosas dos créditos relativos aos gastos com instalações e manutenções de máquinas e equipamentos, (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente Redator. Fl. 408DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 11128.730019/2013-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/10/2008 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETO-LEI Nº 37/66. Prestar as informações sobre carga transportada fora do prazo previsto na legislação de regência, tipifica a infração prevista na alínea ‘e’ do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente.
Numero da decisão: 3301-009.307
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-009.283, de 18 de novembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 11128.003806/2009-86, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ari Vendramini, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Candido Brandao Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: Liziane Angelotti Meira

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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-009.283, de 18 de novembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 11128.003806/2009-86, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ari Vendramini, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Candido Brandao Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Liziane Angelotti Meira (Presidente).

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PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETO-LEI Nº 37/66. Prestar as informações sobre carga transportada fora do prazo previsto na legislação de regência, tipifica a infração prevista na alínea ‘e’ do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-009.283, de 18 de novembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 11128.003806/2009-86, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ari Vendramini, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Candido Brandao Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 00 19 /2 01 3- 97 Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-009.307 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.730019/2013-97 Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório excertos do relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instância, que, apreciando a Impugnação do sujeito passivo, julgou procedente o lançamento, relativo a Auto de Infração lavrado para exigência de crédito tributário relacionado à multa estabelecida pelo art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-Lei n.º 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n.º 10.833, de 2003, aplicada pelo fato de a interessada haver deixado de prestar informações sobre carga transportada, no prazo então estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). As circunstâncias da autuação e os argumentos de Impugnação estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto, julgando procedente o lançamento. Cientificado do acórdão recorrido, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa seus argumentos já deduzidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário foi tempestivo e atendeu aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. No Recurso Voluntário, o Recorrente alegou em síntese os seguintes itens: 1 Prescrição Intercorrente do Processo Administrativo 2 Impossibilidade de Lavratura de Auto de Infração 3. Nulidade do Autor de Infração por Inadequada Descrição dos Fatos 4. Da Ilegitimidade Passiva da Recorrente 5. Do Siscomex e do Sixcomex Carga 6. Da Inexistência da Penalidade 7. Da Ilegal Imposição de Penalidades anes de 1º de Abril de 2009 8. Da Desproporcionalidade da Multa 9. Da Relevação de Penalidade 1. Prescrição Intercorrente do Processo Administrativo. A Recorrente alega, inicialmente, prescrição intercorrente no presente processo. Contudo, cabe esclarecer que o instituto não se aplica no Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-009.307 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.730019/2013-97 processo administrativo fiscal. Sobre o assunto, cite-se a Súmula CARF nº 11. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Portanto, carece de razão a Recorrente neste ponto. 2. Impossibilidade de Lavratura de Auto de Infração Alega a Recorrente que o lançamento em pauta são baseados em instrução normativa, mas que estas vinculam a Administração Pública mas não vinculam os contribuintes. Alega que os artigos 45 a 48 da IN RFB nº 800/2007 foram expressamente revogados pela IN RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014 e que o ato normativo revogado não poderia mais ser aplicado. Cumpre esclarecer, inicialmente, o supedâneo lega da multa em análise. O Decreto-Lei nº 37/66 que prevê, em seu art. 37, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, o dever de prestar informações ao Fisco, nos seguintes termos: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (...) (grifei) O art. 107 do Decreto-Lei nº 37/66, também com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, prevê a multa pelo descumprimento desse dever, nos seguintes termos: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a- porta, ou ao agente de carga; e Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-009.307 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.730019/2013-97 Vejamos o artigo 45 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007 (vigente à época): Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. § 1º Configura-se também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. § 2º Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. Vejamos também o Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008, publicado no DOU de 1/4/2008, que assim dispõe em seu Capítulo VII: CAPÍTULO VII DAS PENALIDADES POR INFORMAÇÃO APÓS OS PRAZOS Art. 64. Quanto às penalidades de que trata o art. 45, observado o art. 48, ambos da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007: [...]§ 2º No manifesto: I - A penalidade aplica-se a toda inclusão após a atracação, salvo quando previamente autorizada pela unidade da RFB jurisdicionante [...]§ 3º Nos CE ou item: I - A penalidade não se aplica: a) aos CE de exportação quando a retificação ocorrer dentro dos sete dias de que trata o § 3º, do art. 30, da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007; e b) aos CE agregados quando o CE genérico tiver sido incluído a menos de duas horas de antecedência da atracação no porto de destino e desde que a desconsolidação seja concluída até duas horas após a inclusão do respectivo CE genérico. [...]§ 4º Observados os parágrafos anteriores, a penalidade será aplicada por: I - escala incluída após o prazo; ou II - cada deferimento, automático ou não, de retificação do manifesto, CE ou item, independentemente da quantidade de campos retificados; Art. 65. Até desenvolvimento de função específica, a análise das retificações, para efeito de aplicação de penalidade, será realizada via consulta ao histórico de bloqueios, no Siscomex Carga. (Destaques na reprodução.) Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-009.307 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.730019/2013-97 Portanto, a legislação é clara as informações devem ser prestadas na forma e no prazo estabelecido pela Receita Federal, sob pena da multa indicada. Na data da infração em pauta, a forma e o prazo estavam estabelecidos na 45 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007. O tipo legal é não observar prazo e forma estabelecidos pela Receita Federal, naturalmente, estabelecidos por ato normativo vigente à época dos fatos. O fato de norma posterior passar a estabelecer o prazo e a forma, contudo aqueles que desobedeceram a norma vigente à sua época de seus atos continuam respondendo por conduta ilícita. O fato de a legislação atualizar os procedimentos não implica perdão às infrações já praticadas. Assim, carece de razão a Recorrente neste item. 3. Nulidade do Autor de Infração por Inadequada Descrição dos Fatos Alega a Recorrente que o auto de infração não na descrição dos fatos e isso não teria permitido ao recorrente exercer amplamente o seu direito de defesa. Argumenta que não basta apenas consultar o auto de infração verificando os documentos anexados e que é necessário que o próprio auto de infração esclareça os elementos que ensejaram a aplicação da multa. Consultando o Auto de Infração, às fls. 4/12, verifica-se que a descrição dos fatos é bastante minuciosa e há adequado enquadramento legal. Ou seja, verifica-se que o Auto de Infração indica objetiva e claramente a infração cometida, a base legal e as datas do fato gerador. Ademais, observa-se que a Recorrente exerceu de forma completa seu direito de defesa. Portanto, não se sustenta também esta preliminar de nulidade do auto de infração. Dessa forma, propõe-se rejeitar as preliminares apresentadas no Recurso Voluntário. 4. Da Ilegitimidade Passiva da Recorrente O recorrente alega sua ilegitimidade passiva, em razão de ausência de previsão legal que imponha a penalidade cominada ao agente de navegação. Contudo, o Decreto-Lei nº 37/66 que prevê, em seu art. 37, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, o dever de prestar informações ao Fisco, nos seguintes termos: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-009.307 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.730019/2013-97 § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (...) (grifei) O art. 107 do Decreto-Lei nº 37/66, também com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, prevê a multa pelo descumprimento desse dever, nos seguintes termos: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a- porta, ou ao agente de carga; e No caso em tela, tratando-se de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que o Recorrente concorreu para a prática da infração em questão, necessariamente, ele responde pela correspondente penalidade aplicada, de acordo com as disposições sobre responsabilidade por infrações constantes do inciso I do art. 95 do Decreto-leinº37,de1966: Art.95. Respondem pela infração: I – conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...). O art. 135, II, do CTN determina que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário ou representante com infração à lei. Em consonância com esse comando legal, determina o caput do art. 94 do Decreto-lei n° 37/66 que constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los”. Dessa forma, na condição de representante do transportador estrangeiro, o Recorrente estava obrigado a prestar as informações no Siscomex no prazo máximo determinado. Ao descumprir esse dever, cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-- lei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, e, com supedâneo também no do inciso I do art. 95 do Decreto-- leinº37,de1966, deve responder pessoalmente pela infração em apreço. Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-009.307 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.730019/2013-97 Transcreve-se Ementa de decisão do CARF no mesmo sentido, Acórdão n° 3401-003.884: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/01/2004 a 18/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE EMBARQUE. SISCOMEX. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. REPRESENTAÇÃO. A agência marítima, por ser representante, no país, de transportador estrangeiro, é solidariamente responsável pelas respectivas infrações à legislação tributária e, em especial, a aduaneira, por ele praticadas, nos termos do art. 95 do Decreto-lei nº 37/66. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CLAREZA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.Descritas com clareza as razões de fato e de direito em que se fundamenta o lançamento, atende o auto de infração o disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, permitindo ao contribuinte que exerça o seu direito de defesa em plenitude, não havendo motivo para declaração de nulidade do ato administrativo assim lavrado. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETO-LEI Nº 37/66. O contribuinte que presta informações fora do prazo sobre o embarque de mercadorias para exportação incide na infração tipificada no art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decreto-lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente. Recurso voluntário negado. (grifei) Consigna-se, por fim, que esse entendimento é amplamente adotado na jurisprudência recente deste Conselho, conforme se depreende das seguintes Acórdãos: n o 3401-003.883; n o 3401-003.882; n o 3401-003.881; n o 3401-002.443; n o 3401-002.442; n o 3401-002.441, n o 3401-002.440; n o 3102-001.988; n o 3401-002.357; e n o 3401-002.379. 5. Do Siscomex e do Sixcomex Carga Neste item, a Recorrente discorre sobre a penalidade prevista no artigo 45 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007, e afirma que se trata de tema de grande discussão. Esse ponto não caracteriza exatamente um questionamento, ademais, o CARF, conforme mencionado no item anterior, tem densa jurisprudência sobre a matéria em pauta. 6. Da Inexistência da Penalidade Defende o Recorrente que sua conduta não caracteriza o tipo legal sob o qual se justifica a imposição de multa. Alega que não arguiu duplicidade na multa. Afirma que a penalidade do artigo107, IV, alínea “e” do Decreto- Lei 37/66 aplica-se à não prestação das informações. Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-009.307 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.730019/2013-97 Defende que ainda que tal informação não tenha sido prestada dentro do prazo previsto ou tenha havido eventual incorreção, não poderia a autoridade aduaneira impor-lhe a aplicação de uma multa com base em um fundamento legal que, a despeito da indicação de forma e prazo, caracteriza como tipo a ausência de informação. Defende que houve mero ajuste de informações. Conclui o Recorrente afirmando que todas as informações foram prestadas e que não há supedâneo para as multas impostas pelo Fisco. Quanto à hipótese de aplicação da penalidade em pauta, voltemos à sua base legal. Decreto Lei no. 37/66 "Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a- porta, ou ao agente de carga;" Voltemos também ao artigo 45 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007 (vigente à época): Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. § 1o Configura-se também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. § 2o Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. Vejamos novamente o Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008, publicado no DOU de 1/4/2008, que assim dispõe em seu Capítulo VII: Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-009.307 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.730019/2013-97 CAPÍTULO VII DAS PENALIDADES POR INFORMAÇÃO APÓS OS PRAZOS Art. 64. Quanto às penalidades de que trata o art. 45, observado o art. 48, ambos da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007: [...]§ 2º No manifesto: I - A penalidade aplica-se a toda inclusão após a atracação, salvo quando previamente autorizada pela unidade da RFB jurisdicionante [...]§ 3º Nos CE ou item: I - A penalidade não se aplica: a) aos CE de exportação quando a retificação ocorrer dentro dos sete dias de que trata o § 3º, do art. 30, da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007; e b) aos CE agregados quando o CE genérico tiver sido incluído a menos de duas horas de antecedência da atracação no porto de destino e desde que a desconsolidação seja concluída até duas horas após a inclusão do respectivo CE genérico. [...]§ 4º Observados os parágrafos anteriores, a penalidade será aplicada por: I - escala incluída após o prazo; ou II - cada deferimento, automático ou não, de retificação do manifesto, CE ou item, independentemente da quantidade de campos retificados; Art. 65. Até desenvolvimento de função específica, a análise das retificações, para efeito de aplicação de penalidade, será realizada via consulta ao histórico de bloqueios, no Siscomex Carga. (Destaques na reprodução.) Portanto, a legislação é clara as informações devem ser prestadas na forma e no prazo estabelecido pela Receita Federal, sob pena da multa indicada. Assim, carece de razão a Recorrente neste item. 7. Da Ilegal Imposição de Penalidades antes de 1º de Abril de 2009 A Recorrente menciona parte do artigo 50 da IN RF no. 800/2008, para defender que a multa em pauta somente poderia ser aplicada em 2009. Contudo, a decisão recorrida muito bem esclareceu esse aspecto, razão pela qual adoto sua posição: É de se informar, também, que, atendendo ao determinado pela norma acima referida, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) publicou a Instrução Normativa RFB n.º 800, de 27/12/2007, a qual dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados. Note-se, ainda, que, relativamente aos prazos mínimos para a prestação das informações à RFB, a retro mencionada instrução normativa assim estabeleceu em artigo 22: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-009.307 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.730019/2013-97 I - as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II - as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III - as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. (...)Cumpre registrar, ademais, que o artigo 50 da IN RFB n.º 800/2007 previa a data a partir da qual os prazos referidos em seu artigo 22 seriam implementados, tornando-se, pois, obrigatórios; dessa forma: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I - a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II - as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos nossos) Dessa forma, tem-se que, nos termos do dispositivo normativo retro transcrito, os prazos previstos no artigo 22 da IN RFB n.º 800/2007 seriam obrigatórios somente a partir do dia 01/01/2009. É de se ressaltar, todavia, que o parágrafo único do artigo 50 da referida IN prescreve o comando de que a postergação daqueles prazos não eximia o Fl. 173DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-009.307 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.730019/2013-97 transportador/agente de navegação da obrigação de prestar as informações sobre as cargas em momento anterior ao da atracação/desatracação da embarcação. E, no caso aqui considerado, restou comprovado que a prestação das informações deu-se em momento posterior ao da atracação da embarcação. Com efeito, as informações exigidas somente foram prestadas às 17h22 e às 18h17 do dia 30/06/2008 (data/hora da inclusão dos conhecimentos eletrônicos – CEs 150805127502017 e 150805127590986), ou seja, após a atracação da embarcação no porto de Santos, ocorrida às 11h06 de 30/06/2008. Cabe observar que a defesa apresentada baseou suas alegações somente no caput do artigo 50 da IN RFB n.º 800/2007, não sendo por ela levado em conta, pois, a exceção estipulada pelo parágrafo único deste dispositivo, o qual consiste no ponto nevrálgico do conflito, haja vista que tal descreve a infração em comento, fundamentando-a. Restando, pois, caracterizada a infração pelo atraso, houve por bem a Autoridade Fiscal proceder à exigência da multa, aplicada por meio do AI que integra este processo administrativo. Note-se que, tendo a fiscalização verificado o descumprimento de obrigação tributária, pela interessada, não podia se abster da lavratura do Auto de Infração em tela, aplicando-lhe a penalidade cabível, observando as disposições normativas vigentes à época, sendo a atividade administrativa do lançamento vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional (CTN). E, no caso, não há que se falar que multa aplicada ofenderia os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, pois a instância administrativa não é fórum adequado a estas discussões, devendo a Administração cumprir a lei, sob pena de responsabilidade funcional. Também neste ponto, carece de razão a Recorrente. 8. Da Desproporcionalidade da Multa Alega a Recorrente que a multa de R$ 5.000,00 seria desproporcional à infração praticada. No entanto, conforme já se verificou neste voto, tal multa tem base legal e não acabe a este CARF afastar lei por alegada ofensa aos princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade, nos termos da Súmula no. 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. . Da Relevação de Penalidade A Recorrente menciona o artigo 736, no Decreto 6.759/2009, que trata de relevação de penalidade. Contudo, ainda que coubesse ao presente caso, não seria o CARF o foro adequado. A relevação somente é aplicável nos casos em que o contribuinte admita a infração, solicite a relevação, que é um perdão, e ainda se enquadre nas condições específicas. Este CARF não é o foro para analisar solicitação de relevação, perdão e, ademais, a simples controvérsia no tribunal Fl. 174DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-009.307 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.730019/2013-97 administrativo é, em si, incompatível com o reconhecimento da prática de ilícito e a solicitação de seu perdão ou relevação. Dessa forma, demonstrada a infração e a legitimidade passiva da recorrente para responder pela multa capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10, voto por conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente Redatora Fl. 175DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 13971.721226/2018-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/02/2018 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CONTESTAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE DEFESA. INOVAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nula, por inovação, a decisão de primeira instância que apresenta argumentos contrários às alegações de defesa suscitadas pelo contribuinte. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/02/2018 SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA INCLUÍDA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA POR COMUNICAÇÃO. PROVA EM CONTRÁRIO POR PARTE DO CONTRIBUINTE. ADMISSIBILIDADE O fato de o contribuinte comunicar que exerce atividade vedada, conforme código de Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), constitui um elemento de prova por ele próprio construído em seu desfavor, sendo, porém, plenamente admissível que ocorram equívocos na referida comunicação, de modo que possa haver a revisão da exclusão automática, mediante a apresentação de provas cabais por parte do contribuinte. SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA INCLUÍDA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA POR COMUNICAÇÃO. ATIVIDADES EFETIVAMENTE DESEMPENHADAS. ÔNUS DA PROVA AO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS. MANUTENÇÃO DA EXCLUSÃO. Em analogia com o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, em decorrência do exercício de atividade vedada, no caso da exclusão por comunicação realizada pelo contribuinte, a impossibilidade de recolhimento dos tributos pelo regime beneficiado não decorre de uma constatação do Fisco, mas de uma informação prestada pelo próprio contribuinte, de modo que recai sobre este o ônus de comprovar as atividades efetivamente desempenhadas. Na ausência da referida comprovação, deve-se manter a exclusão do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1302-005.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Fabiana Okchstein Kelbert e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO

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CONTESTAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE DEFESA. INOVAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nula, por inovação, a decisão de primeira instância que apresenta argumentos contrários às alegações de defesa suscitadas pelo contribuinte. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/02/2018 SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA INCLUÍDA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA POR COMUNICAÇÃO. PROVA EM CONTRÁRIO POR PARTE DO CONTRIBUINTE. ADMISSIBILIDADE O fato de o contribuinte comunicar que exerce atividade vedada, conforme código de Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), constitui um elemento de prova por ele próprio construído em seu desfavor, sendo, porém, plenamente admissível que ocorram equívocos na referida comunicação, de modo que possa haver a revisão da exclusão automática, mediante a apresentação de provas cabais por parte do contribuinte. SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA INCLUÍDA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA POR COMUNICAÇÃO. ATIVIDADES EFETIVAMENTE DESEMPENHADAS. ÔNUS DA PROVA AO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS. MANUTENÇÃO DA EXCLUSÃO. Em analogia com o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, em decorrência do exercício de atividade vedada, no caso da exclusão por comunicação realizada pelo contribuinte, a impossibilidade de recolhimento dos tributos pelo regime beneficiado não decorre de uma constatação do Fisco, mas de uma informação prestada pelo próprio contribuinte, de modo que recai sobre este o ônus de comprovar as atividades efetivamente desempenhadas. Na ausência da referida comprovação, deve-se manter a exclusão do Simples Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 12 26 /2 01 8- 40 Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.119 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.721226/2018-40 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Fabiana Okchstein Kelbert e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em relação ao Acórdão nº 02-90.462, de 27 de fevereiro de 2019, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo (fls. 56/62). O presente processo se originou de Pedido de reinclusão no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), apresentado pela Recorrente, em 26 de março de 2018 (fl. 2). No referido documento, afirma que foi, indevidamente, excluída do referido Regime, a partir de 1º de fevereiro de 2018, em decorrência de haver registrado alteração contratual em 24 de janeiro de 2018 na qual, por erro de digitação, inseriu o código Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 78.20-5-00 em seu cadastro. Afirma que o referido CNAE não faz parte de sua atividade, tendo promovido a sua exclusão e a retificação do cadastro. Pugna, assim, que se torne sem efeito a sua exclusão do Simples Nacional por comunicação obrigatória do contribuinte. Por meio do Despacho Decisório de fl. 23, amparado no Relatório de fls. 20/22, a autoridade administrativa indeferiu o pedido em questão, tendo em vista a inexistência de “previsão legal para o cancelamento da exclusão comunicada nos termos acima, ou para reinclusão com data retroativa”. Cientificada do referido ato, a Recorrente apresentou a Impugnação de fls. 32/35, na qual reitera as alegações contidas no Pedido de Inclusão, esclarecendo o código CNAE que julga apropriado para as atividades por ela desenvolvidas, e fundamentando a possibilidade de deferimento do seu pleito na existência de mero erro formal. Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.119 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.721226/2018-40 Na decisão de primeira instância, destacou-se, inicialmente, a aplicação do rito previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, aos pedidos semelhantes ao formulado nos presentes autos, conforme esclarecido na Solução de Consulta Interna nº 6, de 2017. Em relação ao mérito da controvérsia, contudo, os julgadores entenderam que o erro de fato suscitado pela Recorrente não estava comprovado. Pelo contrário, o seu contrato social prevê a atividade de “fornecimento de mão de obra para construção civil”, a qual se amoldaria à vedação à opção pelo Simples Nacional constante do art. 17, inciso XII, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Por fim, a decisão rejeitou a alegação de que a referida atividade se enquadraria no código CNAE 43.99-1-00. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2018 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte que realize cessão ou locação de mão-de- obra. Após a ciência, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário de fls. 68/70, em que, mais uma vez, reitera os argumentos já apresentados, afirmando, ainda, que os julgadores de primeira instância teriam reconhecido o erro de fato cometido na alteração cadastral, mas se desviado da razão original para a exclusão do Simples Nacional. A decisão, então, conteria inovação; e se pautaria pelas atividades constantes do Contrato Social, as quais não estariam, necessariamente, vinculadas ao código CNAE e às atividades efetivamente praticadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, Relator 1 DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via eletrônica, em 18 de março de 2019 (fl. 65), tendo apresentado seu Recurso Voluntário, em 17 de abril daquele ano (fl. 66), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado pelo responsável legal pela pessoa jurídica. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso V, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.119 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.721226/2018-40 Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2 DA NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO Embora a Recorrente não invoque, expressamente, a nulidade da decisão recorrida, aponta, na sua peça recursal, a existência de “inovação quanto aos motivos de exclusão, distorcendo a motivação do ato fiscalizatório”. A existência de inovação poderia configurar prejuízo à defesa da Recorrente, de modo a implicar a nulidade do Acórdão de primeira instância, com base no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Ocorre que, facilmente, constata-se que inexiste qualquer inovação por parte dos julgadores a quo. A suposta inovação é assim descrita pela Recorrente: Porém, ao tentar respaldar o indeferimento do pedido de reinclusão, o órgão julgador desviou-se do real motivo de desenquadramento e exclusão ocorrido – que foi a inserção indevida do CNAE por erro formal de digitação-, passando a alegar e afirmar que o objeto social descrito no contrato social da empresa elenca atividade vedada ao Simples Nacional. Ora, foi a Recorrente, na sua Impugnação, quem apontou que à atividade “FORNECIMENTO DE MÃO DE OBRA PARA CONSTRUÇÃO CIVIL”, constante do seu contrato social, corresponderia o código CNAE 43.99-1-00, referente a atividade não vedada ao Simples Nacional. Na decisão recorrida, tão somente, é contraposto o referido argumento. Afasto, portanto, a existência de qualquer inovação ou nulidade na decisão recorrida. 3 DO MÉRITO A controvérsia posta nos autos diz respeito à alegação da Recorrente de que se equivocou, ao promover, em 24 de janeiro de 2018, alteração cadastral perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), de modo que incluiu a atividade secundária de “Locação de mão-de-obra temporária”, correspondente ao código CNAE 78.20-5-00, cujo desempenho é vedado aos optantes pelo Simples Nacional, levando à sua exclusão por comunicação, na forma do art. 30, §3º, caput e inciso II, da Lei Complementar nº 123, de 2006. In verbis: Art. 30 (...) §3ºA alteração de dados no CNPJ, informada pela ME ou EPP à Secretaria da Receita Federal do Brasil, equivalerá à comunicação obrigatória de exclusão do Simples Nacional nas seguintes hipóteses: (...) Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-005.119 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.721226/2018-40 II-inclusão de atividade econômica vedada à opção pelo Simples Nacional; A Recorrente sustenta que não desempenha a referida atividade, a qual já teria sido retirada das suas informações cadastrais, de modo que deveria ser tornada sem efeito a citada exclusão. Afirma, ainda, como já exposto, que à atividade “FORNECIMENTO DE MÃO DE OBRA PARA CONSTRUÇÃO CIVIL”, constante do seu contrato social, corresponderia o código CNAE 43.99-1-00 (“EXECUÇÃO DE TRABALHOS DE PEDREIRO PARA OBRA DE ALVENARIA”). Na decisão recorrida, porém, como relatado, entende-se que não está comprovado o erro de fato alegado e que a atividade acima citada, constante do contrato social da Recorrente, implica a impossibilidade de opção pelo Simples Nacional e não corresponde ao código CNAE por ela apontado. Antes de se iniciar a análise, é importante que se realize uma distinção. O caso sob apreciação não guarda relação direta com a Súmula CARF nº 134: A simples existência, no contrato social, de atividade vedada ao Simples Federal não resulta na exclusão do contribuinte, sendo necessário que a fiscalização comprove a efetiva execução de tal atividade. O posicionamento consolidado no referido enunciado (destinado ao Simples Federal, mas de aplicação analógica ao Simples Nacional) diz respeito à hipótese de exclusão de ofício do contribuinte, pelo desempenho de atividade vedada. O que restou consagrada foi a impossibilidade de que a autoridade fiscal promova a exclusão do contribuinte do Regime tão somente pelo fato de o seu ato constitutivo prever o exercício de atividade vedada. Evidenciou- se, portanto, a necessidade de que o efetivo exercício da referida atividade seja comprovado por meio de provas colhidas pela fiscalização. O caso sob análise, por outro lado, guarda correlação com o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, em decorrência do exercício de atividade vedada (analogia , inclusive, que justifica a competência para o julgamento do Recurso). Tanto no caso da opção, quanto no caso da exclusão por comunicação realizada pelo contribuinte, a impossibilidade de recolhimento dos tributos pelo regime beneficiado não decorre de uma constatação do Fisco, mas de uma informação prestada pelo próprio contribuinte. Deste modo, o ônus da prova é diverso na hipótese de exclusão de ofício (ônus do Fisco de comprovar o exercício da atividade vedada) e do indeferimento da opção ou da exclusão por comunicação (ônus do contribuinte de comprovar as atividades efetivamente desempenhadas). O fato de o contribuinte comunicar que exerce atividade vedada, conforme código de Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), constitui um elemento de prova por ele próprio construído em seu desfavor. É plenamente admissível, contudo, que (como alegado no caso sob análise) ocorram equívocos na referida comunicação, de modo que possa haver a revisão do indeferimento ou da exclusão automáticos, mediante a apresentação de provas cabais por parte do contribuinte. Nesta linha, manifestou-se a Coordenação-Geral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Solução de Consulta nº 66, de 30 de dezembro de 2013: Fl. 88DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-005.119 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.721226/2018-40 10. O fato de o sistema informatizado da RFB vedar a opção pelo Simples Nacional, na hipótese de constar CNAE impeditivo vinculado ao CNPJ da ME ou EPP (nesse caso, o CNAE 4929-9/02 e o CNAE 4929-9/04), constitui dado importante a ser considerado, todavia é a natureza da atividade efetivamente exercida pela empresa, confrontada com as vedações e permissões estabelecidas em lei que devem determinar a possibilidade ou não de sua opção pelo Simples Nacional. No mesmo sentido, a decisão desta Turma Julgadora no Acórdão nº 13020- 004.594, de 14 de julho de 2020, de relatoria da Conselheira Andréia Lúcia Machado Mourão, do qual este Conselheiro foi o redator do voto vencedor: SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA INCLUÍDA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA POR COMUNICAÇÃO. PROVA EM CONTRÁRIO POR PARTE DO CONTRIBUINTE. ADMISSIBILIDADE Em analogia com o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, em decorrência do exercício de atividade vedada, no caso da exclusão por comunicação realizada pelo contribuinte, a impossibilidade de recolhimento dos tributos pelo regime beneficiado não decorre de uma constatação do Fisco, mas de uma informação prestada pelo próprio contribuinte, de modo que recai sobre este o ônus de comprovar as atividades efetivamente desempenhadas. O fato de o contribuinte comunicar que exerce atividade vedada, conforme código de Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), constitui um elemento de prova por ele próprio construída em seu desfavor, sendo, porém, plenamente admissível que ocorram equívocos na referida comunicação, de modo que possa haver a revisão da exclusão automática, mediante a apresentação de provas cabais por parte do contribuinte. Deve-se examinar, portanto, nos presentes autos, se as provas apresentadas pela Recorrente comprovam que as atividades por ela efetivamente exercidas não incluem os serviços de cessão ou locação de mão-de-obra, vedada aos optantes pelo Simples Nacional, na forma do art. 17, inciso XII, da Lei Complementar nº 123, de 2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) XII - que realize cessão ou locação de mão-de-obra; Pois bem. O contrato social da recorrente elenca o seguinte objeto social: Observe-se que há atividades de comércio, prestação de serviços de engenharia e manutenção e, também, locação de máquinas e equipamentos. Há que se concordar com a decisão recorrida no sentido de que a atividade de FORNECIMENTO DE MÃO DE OBRA Fl. 89DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-005.119 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.721226/2018-40 PARA CONSTRUÇÃO CIVIL” é melhor enquadrada no código CNAE 78.20-5-00, do que no 43.99-1-00, conforme detalhamento a seguir (obtido no site cnae.ibge.gov.br): Fornecer mão-de-obra para construção civil não significa executar serviços de construção, mas locar mão de obra para a referida atividade. Acertada, portanto, a fundamentação adotada pelos julgadores de primeira instância. De outra parte, a Recorrente não traz aos autos qualquer elemento de prova no sentido de comprovar, efetivamente, quais os serviços por ela desempenhados (notas fiscais, livros contábeis, contratos de prestação de serviço, por exemplo). Assim, a previsão da atividade correspondente à locação de mão-de-obra no seu contrato social, somada à declaração da Recorrente na alteração cadastral promovida por ela perante o CNPJ é contraposta meramente por suas afirmativas. Conforme destacado acima, era ônus da Recorrente a comprovação das atividades por ela desenvolvidas, de modo a afastar a sua declaração no sentido de desempenhar atividade vedada ao Simples Nacional. Na ausência da referida comprovação, deve-se manter a exclusão por comunicação, na forma prevista pela legislação. 4 CONCLUSÃO Isto posto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 90DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 35464.003157/2003-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2002 EMPRESAS TOMADORAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. OBRIGATORIEDADE DE RETENÇÃO 11%. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MATERIAL DA CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. AUTUAÇÃO FISCAL CANCELADA. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mão-de-obra os serviços de operação de transporte de cargas e de passageiros, envolvendo o deslocamento de pessoas ou de cargas por meio terrestre, aquático ou aéreo, cujo contrato obrigue a empresa contratada a manter equipe à disposição da empresa contratante. A cessão de mão-de-obra não pode ser objeto de presunções e, portanto, deve restar, sempre, materialmente comprovada, de modo que a menção abstrata aos dispositivos normativos que dispõem sobre a retenção de 11% incidentes sobre os valores brutos das notas fiscais ou das faturas de prestação de serviços a que estão sujeitas, em tese, as empresas tomadoras de serviços executados mediante cessão de-mão-de obra não têm o condão de, por si só, caracterizar materialmente a prestação dos serviços mediante cessão de mão-de-obra. A comprovação de que houve, de fato, a prestação de serviços mediante cessão de mão-de-obra caberá à autoridade fiscal, já que é ela quem tem o dever de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação corresponde.
Numero da decisão: 2201-007.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fofano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Sávio Salomão de Almeida Nobrega

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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. OBRIGATORIEDADE DE RETENÇÃO 11%. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MATERIAL DA CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. AUTUAÇÃO FISCAL CANCELADA. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mão-de-obra os serviços de operação de transporte de cargas e de passageiros, envolvendo o deslocamento de pessoas ou de cargas por meio terrestre, aquático ou aéreo, cujo contrato obrigue a empresa contratada a manter equipe à disposição da empresa contratante. A cessão de mão-de-obra não pode ser objeto de presunções e, portanto, deve restar, sempre, materialmente comprovada, de modo que a menção abstrata aos dispositivos normativos que dispõem sobre a retenção de 11% incidentes sobre os valores brutos das notas fiscais ou das faturas de prestação de serviços a que estão sujeitas, em tese, as empresas tomadoras de serviços executados mediante cessão de-mão-de obra não têm o condão de, por si só, caracterizar materialmente a prestação dos serviços mediante cessão de mão-de-obra. A comprovação de que houve, de fato, a prestação de serviços mediante cessão de mão-de-obra caberá à autoridade fiscal, já que é ela quem tem o dever de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação corresponde. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 31 57 /2 00 3- 75 Fl. 263DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-007.691 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35464.003157/2003-75 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fofano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se, na origem, de Auto de Infração consubstanciado no DEBCAD n° 35.416.614-0 que tem por objeto exigências de Contribuições Previdenciárias devidas e não recolhidas pela empresa tomadora de serviços executados mediante cessão de mão de obra à alíquota de 11% incidente sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativas às competências de 04.2000 a 08.2001 e 09.2002, 11.2002 e 12.2002, de modo que o crédito tributário foi apurado no montante total de R$ 133.438,87, incluindo-se aí o valor do principal, multa e juros (fls. 2). Depreende-se da leitura do Relatório Fiscal de fls. 20/22 que a autoridade autuante entendeu por lavrar o correspondente Auto de Infração com base nos motivos a seguir reproduzidos: “1. Este relatório é integrante da Notificação Fiscal de Lançamento ,de Débito - NFLD de contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à retenção devida, porém não efetuada, pela empresa contratante decorrente da contratação de serviços prestados de transporte de carga mediante cessão de mão de obra por parte da empresa Mesquita S/A Transportes e Serviços. 1.1. Nas Faturas emitidas pelo prestador dos serviços, não houve o destaque do valor de 11% referente à retenção à Seguridade Social nem a retenção de valores pelo tomador dos serviços para posterior recolhimento em nome do prestador. Não se configurou, desta forma, a ocorrência de Crime contra a Seguridade Social, razão pela qual não foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais. 1.2. No período de 04/2000 a 08/2001 e 09/2002, 11/2002 e 12/2002, a empresa prestadora dos serviços não efetuou o destaque do valor de 11% referente a retenção à Seguridade Social. A empresa prestadora, conforme declaração apresentada, é associada à Associação Nacional do Transporte de Cargas - NTC, que em razão do Processo Judicial 1999.61.00.311629-2 obteve a segurança pleiteada e confirmou liminar deferida afastando a incidência da retenção dos 11% em sentença em 31/01/2001, conforme documentação apresentada. Em Sessão de julgamento, em 20/02/2001, a Procuradoria Geral da República deu provimento ao recurso em Mandado de Segurança impetrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS contra a sentença proferida em Mandado de Segurança impetrado com o objetivo de afastar a exigência prevista no art. 31 da Lei 93711/98, conforme Certidão de Objeto e PÉ e cópia de parte dos Autos em anexo. 2. Constitui Fato Gerador das contribuições lançadas a retenção de 11% sobre 30% do valor bruto dos serviços contidos em faturas devidas pela empresa contratante de serviços de operação de transporte de cargas executados mediante cessão de mão de obra , conforme estipulado pelo Artigo 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98. 2.1. No período de 04/2000 a 08/2001 e 09/2002, 11/2002 e 12/2002, não foram discriminados nas faturas de prestação de serviços os valores referentes à mão-de-obra envolvida e nem a respectiva retenção de 11% para a Seguridade Social. Verificou-se que, neste período, as faturas foram pagas pelo seu valor bruto, ou seja, não houve a retenção de valores para posterior recolhimento em nome da prestadora do serviço. Desta forma, a base de cálculo considerada para se calcular a retenção foi 30% do Fl. 264DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-007.691 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35464.003157/2003-75 valor bruto da nota fiscal, de acordo com o Artigo 106, II da Instrução Normativa INSS/DC 71/2002 . [...] 3. Os documentos examinados foram os seguintes: Faturas de prestação de serviços emitidas pela empresa Mesquita S/A Transportes e Serviços, e a contabilização do pagamento das faturas, evidenciando que as mesmas foram pagas pelo seu valor bruto, portanto sem o desconto referente à retenção dos 11%.” A empresa foi devidamente intimada da autuação fiscal e apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 49/66 em que suscitou, em síntese, as seguintes alegações: (i) Que a retenção apenas seria válida caso os requisitos previstos no artigo 103 da IN/RFB n° 71/2002; (ii) Que autoridade havia interpretado erroneamente o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, já que os serviços de transporte de cargas não estariam ali enquadrados; (iii) Que o legislador havia alterado o artigo 219, inciso XIX do Decreto n° 3.048/99 e suprimira os serviços de transporte de carga; (iv) Que a empresa prestadora dos serviços havia adimplido as obrigações previdenciárias; (v) Que alguns dispositivos da Lei n° 9.711/98 eram ilegais e inconstitucionais; e (vi) Que a empresa Mesquita S.A. Transportes e Serviços Ltda havia impetrado Mandado de Segurança e que o respectivo juízo da 24ª Vara Federal havia proferido sentença concedendo a segurança a fim de que a impetrante recolhesse a contribuição prevista na Lei n° 8.212/91 sem as alterações introduzidas pela Lei n° 9.711/98, daí por que a autuada estava impedida de efetuar qualquer retenção durante as competências de 04.2000 a 06.2001. Com base em tais alegações, a empresa requereu o conhecimento da impugnação e o seu provimento para que a insubsistência da autuação fosse declarada. Em despacho de fls. 136/139, a autoridade competente entendeu pelo retorno dos autos à autoridade autuante, nos termos do artigo 106, parágrafos 2º e 3º da IN/INSS n° 71/2002 e item 17 da OS INSS/DAF n° 209, de 20 de maio de 1999, sendo que, na oportunidade, a autoridade competente dispôs pela realização da diligência nos seguintes termos: “17. Cabe ressaltar que não foi juntado aos autos, contrato de prestação de serviços realizado entre a notificada e a contratada, que permita identificar as condições em que tais serviços são prestados, o que também não é esclarecido no Relatório Fiscal. 18. Tendo em vista as alegações da impugnante e o exame dos autos, sugerimos o retorno à AFPS Autuante para: 19. Verificação e manifestação à respeito dos valores utilizados na apuração da base de cálculo considerada para o cálculo da retenção. 20. Pronunciar-se sobre o item 17 e demais procedimentos que julgar pertinentes. Fl. 265DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-007.691 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35464.003157/2003-75 21. Ao Sr. Chefe do Serviço de Análise de Defesas e Recursos.” Em resposta de fls. 142, a autoridade autuante dispôs o seguinte: “1. Conforme solicitado através de TIAD - Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, a empresa confirma que não possui contrato com a prestadora de serviço. 2. A empresa para demonstrar as etapas que envolvem as transações com a prestadora, apresenta copias do relatório elaborado pelo Diretor Financeiro e de outros documentos, em anexo. 3. Esclarecemos que os valores utilizados na apuração da base de calculo da retenção da contratação de serviço de transporte mediante cessão de mão de obra encontram-se na CIRCULAR CONJUNTA INSS/ DIRARI CGFISC/ CGCOB no. 05 de 28 de outubro de 2002”. Na sequência, os autos foram encaminhados para que autoridade julgadora de 1ª instância pudesse apreciar a peça impugnatória e, aí, em Acórdão de fls. 224/240, a 13ª Turma da DRJ de São Paulo – SP entendeu por julgá-la parcialmente procedente, uma vez que, por força da sentença judicial em que o juízo entendeu que a Mesquita S.A Transportes e Serviços Ltda deveria recolher a contribuição prevista na Lei n° 8.212/91 sem as alterações introduzidas pela Lei n° 9.711/98, as competências de 04.2000 a 08.2001 deveriam ser excluídas da presente autuação, de modo que a Turma entendeu por exonerar R$ 128.536,80 do crédito apurado, o qual, a rigor, restou mantido no montante de R$ 4.902,07. Ao final, o referido Acórdão restou ementado nos seguintes termos: “ASSUNTO CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2002 Ementa: RETENÇÃO 11% A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa cedente da mão-de-obra. A obrigação da retenção de onze por cento independe da empresa prestadora estar ou não adimplente com as contribuições previdenciárias. INEXIGIBILIDADE DO CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO DA TOMADORA EM FACE DE DECISÃO JUDICIAL. Não é cabível o lançamento do crédito previdenciário relativo à retenção de 11% (onze por cento) no casos em que esta exação se encontra afastada por decisão judicial eficaz no momento de emissão das correspondentes notas fiscais. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE Compete exclusivamente ao Poder Judiciário decidir sobre matéria relativa a constitucionalidade / legalidade. Lançamento Procedente em Parte.” A empresa foi regularmente intimada do resultado da decisão de 1ª instância em 11.06.2008 (fls. 245) e entendeu por apresentar Recurso Voluntário de fls. 248/259, protocolado em 10.07.2008, sustentando, pois, as razões do seu descontentamento. E, aí, os autos foram Fl. 266DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-007.691 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35464.003157/2003-75 encaminhados a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF para que o recurso seja apreciado. É o relatório. Voto Conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Relator. Verifico, inicialmente, que o presente Recurso Voluntário foi formalizado dentro do prazo a que alude o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72 e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, daí por que devo conhecê-lo e, por isso mesmo, passo a apreciar as alegações meritórias tais quais formuladas. Observo, de logo, que a empresa recorrente encontra-se por sustentar as seguintes alegações: (i) Da necessária distinção entre a prestação de serviços e a cessão de mão-de- obra: - Que nos termos do artigo 31, § 3º da Lei n° 8.212/91, entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação; - Que no momento dos fatos discutidos a IN/RFB n° 71/02 apontava, de maneira exaustiva, as modalidades de serviços que estavam sujeitos à retenção de 11%, sendo que, nos termos do seu artigo 103, inciso XVI, os serviços de transporte de cargas só estariam sujeitos à retenção nas hipóteses em que o contrato obrigasse a empresa contratada a manter equipe à disposição de empresa contratante; e - Que, em conclusão, a exigência só seria válida se os seguintes requisitos , fossem preenchidos cumulativamente: (a) cessão de mão-de-obra de segurados à empresa contratante; (b) que a cessão deveria ser realizada nas dependências da empresa tomadora dos serviços ou nas dependências de terceiros; (c) que os serviços seriam tão-somente aqueles previstos no artigo 103 da IN n° 71/02; e (d) que os serviços fossem objeto de contrato que obrigasse a contratada a manter equipe à disposição da contratante; e - Que os serviços de transporte de cargas não equivalem aos serviços de cessão de mão-de-obra e que, no caso, em nenhum momento houve cessão de mão-de-obra à empresa, uma vez que a empresa contratada jamais colocou equipe à disposição da empresa contratante. (ii) Das disposições contidas no Decreto n° 4.729/2003: - Que com a edição do Decreto n° 4.729/2003 alterou o inciso XIX do artigo 291 do Decreto n° 3.048/99 e acabou suprimindo os serviços de transporte de cargas, restando-se destacar, pois, não sobre o momento em Fl. 267DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-007.691 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35464.003157/2003-75 que a nova regra passou a produzir efeitos, mas, sim, acerca de que os serviços de transporte de cargas não envolvem em cessão de mão-de-obra e, portanto, nunca estiveram alinhados ao que preconiza o artigo 31 da Lei n° 8.212/91. (iii) Do adimplemento das obrigações previdenciárias pela empresa prestadora dos serviços dos transportes de cargas (contratada): - Que não estava obrigada a reter os 11% nos termos da legislação de regência e que, portanto, os valores cobrados na presente autuação foram adimplidos pela empresa contratada, de modo que as cobranças aqui discutidas jamais poderiam ser exigidas da empresa contratante. Com base em tais alegações, a empresa recorrente que o presente recurso seja provido para que a autuação fiscal seja declarada insubsistente. Passando, de logo, ao exame das alegações propriamente formuladas, destaque-se que o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.711, de 21/11/98, vigentes à época dos fatos aqui discutidos 1 , dispunham pela obrigatoriedade que a empresa tomadora de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra tinha de reter e recolher os 11% incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Confira-se: “Lei n° 8.212/91 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de- obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5 o do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).” À época dos fatos aqui discutidos, a redação original do artigo 219, § 2º, inciso XIX do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, previa que as operações de transporte de cargas estavam enquadradas no rol dos serviços realizados mediante cessão de mão-de-obra. Veja-se: “Decreto n° 3.048/99 Seção II - Da Retenção e da Responsabilidade Solidária Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão-de-obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. § 2º Enquadram-se na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mão-de-obra: 1 Confira-se que de nos termos do artigo 144 do Código Tributário Nacional, "o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada". Fl. 268DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-007.691 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35464.003157/2003-75 XIX - operação de transporte de cargas e passageiros.” A Instrução Normativa INSS/DC n° 71, de 10 de maio de 2002, a qual dispunha sobre as normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social, vigente à época dos fatos discutidos, também previa sobre a retenção dos 11% no que diz com os serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra. É ver-se: “Instrução Normativa DC/INSS nº 71 de 10/05/2002 Norma Federal - Publicado no DO em 15 maio 2002 Dispõe sobre normas gerais de Tributação Previdenciária e de Arrecadação no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). [...] Art. 103. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mão-de-obra, os serviços de: XVI - operação de transporte de cargas e de passageiros, envolvendo o deslocamento de pessoas ou de cargas por meio terrestre, aquático ou aéreo, cujo contrato obrigue a empresa contratada a manter equipe à disposição da empresa contratante.” (grifei) Pelo que se pode observar, a referida Instrução Normativa era clara no sentido de dispor que os serviços de operação de transportes de cargas estariam sujeitos à retenção de 11% caso fossem contratados mediante cessão de mão-de-obra apenas nas hipóteses em que o contrato obrigasse a empresa contratada a manter equipe à disposição da empresa contratante. Na hipótese dos autos, verifique-se que a relação contratual estabelecida entre a empresa recorrente, enquanto tomadora dos serviços de transporte de cargas, e a empresa Mesquita S/A Transportes e Serviços, na condição de empresa contratada, não confirma que a empresa contratada manteve equipe de trabalhadores à disposição da empresa recorrente, sendo que apenas nas hipóteses em que restar devidamente caracterizada e comprovada pela autoridade lançadora que houve prestação de serviços mediante cessão de mão-de-obra é que a retenção dos 11% restará devida. Em síntese, para que a retenção de 11% seja mantida é imprescindível que a cessão de mão-de-obra reste devidamente caracterizada e configurada, o que não é o caso dos autos. É nesse sentido que a jurisprudência deste Conselho Administração tem se manifestado, conforme se pode observar da ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2003 PREVIDENCIÁRIO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. A legislação determina no § 3º do art. 31 da Lei nº 8.212 e § 1º do Decreto 3.048/99 que para caracterizar a cessão de mão de obra se impõe a colocação dos segurados empregados à disposição da empresa contratante. Cabe afastar o lançamento fiscal quando a relação contratual entre as partes não confirma a colocação dos trabalhadores à disposição da empresa contratante na execução de serviços de transporte de cargas, indispensável para a caracterização da cessão de mão de obra. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. NÃO EXIGÊNCIA DE RETENÇÃO. Fl. 269DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-007.691 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35464.003157/2003-75 Os serviços de transportes de cargas deixaram de ser passíveis de retenção, com a alteração do Decreto nº 3.048/1999, realizada pelo Decreto nº 4.729/2003. (Processo n° 15546.000565/2007-15. Acórdão n° 2402-007.299. Conselheiro Relator Mauricio Nogueira Righetti. Redator Designado Gregório Rechmann Junior. Sessão de 4 de junho de 2019. Acórdão publicado em 23.07.2019)”. (grifei). A propósito, note-se que há muito que esse entendimento predominara no âmbito da Câmara Superior deste Conselho, conforme se verifica da ementa reproduzida adiante: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2003 PREVIDENCIÁRIO. TRANSPORTE DE CARGA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. INOCORRÊNCIA. Em relação aos serviços de transporte de carga, a retenção prevista no art. 31 da Lei n° 8.212/91, somente ocorre quando comprovada e devidamente caracterizada a presença da cessão de mão-de-obra. Recurso especial negado. (Processo n° 36216.000055/2006-35. Acórdão n° 9202-01.730. Conselheiro Relator Francisco Assis de Oliveira. Sessão de 26.09.2011. Acórdão publicado em 02.11.2011).” Além do mais, verifique-se do documento denominado Procedimento de Contratação de Transporte Voridian do Brasil Ltda (fls. 76) que a ora recorrente descrevera as etapas da contratação dos serviços de transporte que, aliás, inicia-se com os pedidos dos clientes com a programação de quantidades e datas de entrega e finaliza-se com a realização de contato com a transportadora para envio do caminhão ao armazém para carregamento e respectiva entrega, restando-se observar, portanto, que não há disponibilização de caminhões e/ou funcionários exclusivos para atendimento da ora recorrente, mas, sim, contratações eventuais vinculadas às necessidades da empresa. Confira-se, portanto, todas as etapas do procedimento de contratação de transporte tal qual descrito no referido documento: “PROCEDIMENTO DE CONTRATAÇÃO DE TRANSPORTE VORIDIAN DO BRASIL LTDA. PRODUTOS ARMAZENADOS NO ARMAZÉM GERAL – MESQUITA Descrevemos abaixo o procedimento para contratação de transportadora de carga, para materiais em armazém geral, cito Mesquita Logística Ltda. A Voridian do Brasil recebe os pedidos dos clientes, com a programação de quantidades e datas de entrega. Estes pedidos são processados no sistema da Voridian, e após a confirmação do cliente é gerada uma Nota de Entrega para cada embarque (Delivery/Shipping Order). Da nota de entrega constam as seguintes informações: destino (Ship To), quantidade, produto (Delivery Products), data de entrega (Sched. Ship). A nota de entrega é enviada ao armazém da Mesquita sendo recepcionada por um assistente administrativo. A partir do recebimento deste documento o assistente administrativo selecionará a transportadora adequada àquele transporte: Fl. 270DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-007.691 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35464.003157/2003-75 O Assistente Administrativo do armazém, entra em contato, via telefone, com a transportadora, informando a quantidade, destino e data de embarque. Caso haja disponibilidade, a transportadora confirma e agenda o horário para carregamento de acordo com a data de entrega. Uma vez recebida a confirmação da transportadora o Assistente Administrativo solicita a emissão da Nota Fiscal de Venda e a envia por fax à transportadora. A transportadora utiliza a nota fiscal de venda para emitir o CTRC, documento necessário para o transporte e envia o caminhão na data marcada ao armazém para o carregamento e procede com a entrega ao nosso cliente. Para exemplificar, anexamos ao presente cópia seis processos de períodos diferentes, onde constam a nota fiscal e respectiva Ordem de entrega (Delivery/Shipping Order). As entregas são agendadas em geral com um dia de antecedência, conforme demonstrado nos processos em anexo, onde a data de solicitação (Last Change) antecede à data de embarque das mercadorias (Sched. Ship), portanto inexiste a caracterização da cessão de mão de obra, pois não há disponibilização de caminhões ou funcionários exclusivos para Atendimento da Voridian, e sim contratações conforme necessidade da empresa.” De fato, o lançamento aqui discutido não está lastreado em elementos probatórios suficientes no que diz com a demonstração e comprovação de que os empregados da empresa contratada estiveram efetivamente à disposição da empresa tomadora dos serviços, sendo que a caracterização da cessão de mão-de-obra é de todo relevante e até imprescindível para que as autuações fiscais que tenham adotado tais premissas sejam mantidas. Nos termos da legislação de regência, pode-se afirmar que para que a cessão de mão-de-obra resta configurada, independentemente da natureza dos serviços, faz-se necessário que os segurados empregados das empresas contratadas permaneçam à disposição exclusiva das empresas tomadora dos serviços, restando-se observar aí que são as empresas contratantes quem acabam dispondo sobre os procedimentos e gerenciamento da realização dos serviços. O que deve restar claro é que a cessão de mão-de-obra não pode ser objeto de presunções e, portanto, deve restar, sempre, materialmente comprovada, de modo que a menção abstrata aos dispositivos normativos que dispõem sobre a retenção de 11% incidentes sobre os valores brutos das notas fiscais ou das faturas de prestação de serviços a que estão sujeitas, em tese, as empresas tomadoras de serviços executados mediante cessão de-mão-de obra não têm o condão de, por si só, caracterizar materialmente a prestação dos serviços mediante cessão de mão-de-obra. Afinal, para que o Direito irrompa seus respectivos sobre as condutas intersubjetivas é necessário que haja a subsunção do fato à norma, o que, no caso, ocorreria tão- somente com a comprovação inequívoca de que a contratada tenha mantido sua equipe ou parte dela à disposição da empresa contratante em caráter de subordinação. De toda sorte, note-se que a cessão de mão-de-obra não pode ser presumida a partir da natureza do serviço prestado. É necessário que haja a comprovação material da sua realização, sendo que esse juízo comprobatório de que houve, de fato, a prestação de serviços mediante cessão de mão-de-obra caberá à autoridade fiscal, já que é ela quem tem o dever de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação corresponde, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Considerando, pois, que, no caso, não houve a comprovação de que a empresa contratada manteve sua equipe ou parte dela à disposição da empresa tomadora dos serviços em Fl. 271DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-007.691 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35464.003157/2003-75 suas dependências ou de terceiros de acordo como que dispunha legislação tributária vigente à época dos fatos aqui discutidos, entendo que a presente autuação fiscal não deve ser mantida. Conclusão Por todo o exposto e por tudo que costa nos autos, conheço do presente recurso voluntário e entendo por dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega Fl. 272DF CARF MF Documento nato-digital

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8674608 #
Numero do processo: 10950.001123/2001-71
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL Não configurada a alegada contrariedade à lei, não se conhece do recurso especial.
Numero da decisão: 9101-001.168
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: VALMIR SANDRI

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Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0619.15091.WQN2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.001123/2001­71  Acórdão n.º 9101­001.168  CSRF­T1  Fl. 2          2 Relatório  O  presente  Recurso  Especial  foi  interposto  pela  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional (União), ao amparo do artigo 5º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior  de  Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria MF  n°  55/98  e  alterações  posteriores,  contra  a  decisão consubstanciada no Acórdão n° 302­36.468, cuja ementa transcrevo:  EXCLUSÃO POR PENDÉNCIAS JUNTO À PGFN  Não  pode  optar  pelo  Simples  a  empresa  que  possua  débitos  inscritos  junto  à PGFN,  cuja  exigibilidade não  esteja  suspensa  (art.  9º,  inciso  XV,  da  Lei  nº  9.317/96).  Regularizadas  as  pendências  que motivaram  a  exclusão,  os  efeitos  do  respectivo  Ato Declaratório  podem  ser  cancelados  a  partir  de  janeiro  do  exercício  seguinte,  desde  que  satisfeitos  os  demais  requisitos  para ingresso no Sistema.  RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.   Com o Recurso Especial, a D. Procuradora da Fazenda Nacional pretende ver  reformada a decisão supracitada para restabelecer o acórdão de primeira instância.  Alega a ilustre representante da Fazenda Nacional que o acórdão impugnado  merece ser  reformado por  ter violado os artigos 128 e 460 do CPC, bem como os princípios  constitucionais  do  devido  processo  legal  e  do  contraditório,  tendo  decidido  além  do  pedido  pelo contribuinte (extra petita).  Além disso, afirma que a decisão criou hipótese de reinclusão automática de  contribuinte na sistemática do Simples, ao interpretar equivocadamente o artigo 8°, §2°, da Lei  9.317/96. Observa que, com a regularização das pendências, seria possível que a contribuinte  exercesse novamente sua opção pelo Simples. No entanto, essa reinclusão seria objeto de nova  análise pela autoridade fiscal.  A  Presidência  da  Segunda  Câmara  do  extinto  Terceiro  Conselho  deu  seguimento ao recurso, por entender atendidos os pressupostos de admissibilidade.  O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 120 e seguintes.  É o relatório.            Fl. 181DF CARF MF Excluído Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0619.15091.WQN2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.001123/2001­71  Acórdão n.º 9101­001.168  CSRF­T1  Fl. 3          3 Voto             Conselheiro Valmir Sandri, Relator  O  caso  litigado  refere­se  à  exclusão  de  empresa  do  Simples  em  razão  da  existência de débitos perante a PGFN, os quais foram regularizados em data posterior à edição  do Ato Declaratório.  O voto  condutor  do  acórdão  guerreado  assentou  que  o Ato Declaratório  de  exclusão  foi  corretamente  emitido,  uma  vez  que  a  interessada  encontrava­se  em  situação  impeditiva de exercer  a opção pelo Simples. Entendeu, porém, que, com a  regularização das  pendências, ocorrida em 2001, tornou­se possível a reinclusão da empresa no Simples, a partir  de janeiro de 2002, conforme o art. 8º, §2°, da Lei n° 9.317/96. Assim, manteve os efeitos do  Ato Declaratório  até dezembro de 2001, cancelando seus efeitos a partir de  janeiro de 2002,  desde que satisfeitos os demais requisitos para ingresso no sistema.   Reportou­se,  a  Relatora,  a  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento em Ribeirão Preto/SP (Acórdão DRJ/RPO n° 5.287, de 22/03/2004) que, julgando  situação  análoga,  decidiu  ter  sido  correta  a  emissão  do  ato  em  janeiro  de  1999.  Contudo,  desaparecidas  as  causas  que motivaram  a  exclusão  em  setembro  deste mesmo  ano  (1999),  e  considerando que a norma que disciplina o reingresso no sistema é a mesma que disciplina o  ingresso,  deferiu  parcialmente  a  solicitação  de  revisão  para  cancelar  a  exclusão  a  partir  de  01/01/2000.  A PFN contesta a decisão, alegando violação aos arts. 128 e 460 do CPC, e  errônea interpretação do §2º do art. 8º da Lei nº 9.317, que transcrevo:  CPC  Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta,  sendo­lhe  defeso  conhecer  de  questões,  não  suscitadas,  a  cujo  respeito a lei exige a iniciativa da parte.  (...)  Art. 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de  natureza  diversa  da  pedida,  bem  como  condenar  o  réu  em  quantidade  superior  ou  em  objeto  diverso  do  que  Ihe  foi  demandado.  Parágrafo  único.  A  sentença  deve  ser  certa,  ainda  quando  decida relação jurídica condicional  Lei nº 9.317/96  Art. 8° A opção pelo SIMPLES dar­se­á mediante a inscrição da  pessoa  jurídica  enquadrada  na  condição  de  microempresa  ou  empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes  do  Ministério  da  Fazenda  ­  CGC/MF,  quando  o  contribuinte  prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto:  (...)  Fl. 182DF CARF MF Excluído Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0619.15091.WQN2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.001123/2001­71  Acórdão n.º 9101­001.168  CSRF­T1  Fl. 4          4 §  2°  A  opção  exercida  de  conformidade  com  este  artigo  submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir  do primeiro dia do ano­calendário subseqüente, sendo definitiva  para todo o período.  Inicialmente,  observo  que  a  legislação  processual  civil  só  tem  aplicação  ao  processo administrativo de forma subsidiária.   Além  disso,  não  me  parece  que  tenha  havido  decisão  extra  petita.  O  contribuinte pleiteou o reenquadramento no Simples desde 01/11/2000, e a Câmara recorrida  admitiu o  reingresso  a partir  de 01/01/2002. Portanto,  não  conheceu questões não  suscitadas  nem decidiu em favor da requerente sentença de natureza diversa da pedida.  Por outro lado, não restou demonstrada violação ao art. 8º da Lei nº 9.317/96.   A  Lei  nº  9.784/99,  que  rege  o  processo  administrativo  federal,  e  que,  nos  termos  do  seu  art.  69,  também  tem  aplicação  subsidiária  aos  processos  administrativos,  consagra, entre outros, os princípios do formalismo moderado, da finalidade, da razoabilidade,  da segurança jurídica e da eficiência.   O parágrafo único do seu art. 2º determina seja observada a adequação entre  meios  e  fins,  vedada  a  imposição  de  obrigações,  restrições  e  sanções  em  medida  superior  àquelas  estritamente  necessárias  ao  atendimento  do  interesse  público,  com  observância  das  formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados (incisos VI e VIII).  E o seu art. 65 admite a revisão, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, dos  processos  administrativos  de  que  resultem  sanções,  quando  surgirem  fatos  novos  ou  circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada.  Entendo que a decisão vergastada não viola  a  legalidade, pois  só  admitiu  a  reinclusão  da  empresa  no  Sistema  a  partir  de  janeiro  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  regularizada a pendência, e desde que satisfeitos os demais requisitos para ingresso.   Assim, não configurada a contrariedade à lei, não conheço do recurso.    Sala das Sessões, em 12 12 de setembro de 2011.  (assinado digitalmente)  Valmir Sandri                            Fl. 183DF CARF MF Excluído Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0619.15091.WQN2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.001123/2001­71  Acórdão n.º 9101­001.168  CSRF­T1  Fl. 5          5     Fl. 184DF CARF MF Excluído Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0619.15091.WQN2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por VALMIR SANDRI em 03/10/2011 18:13:56. Documento autenticado digitalmente por VALMIR SANDRI em 03/10/2011. Documento assinado digitalmente por: OTACILIO DANTAS CARTAXO em 17/11/2011 e VALMIR SANDRI em 03/10/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 21/06/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP21.0619.15091.WQN2 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 0090FBE910A3F08B0DF2C47465EE2415C5AAB45E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10950.001123/2001-71. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.

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Numero do processo: 10630.720195/2018-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 14 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2016 PIS/PASEP E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROPECUÁRIA E COOPERATIVA. VEDAÇÃO LEGAL. A pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária não faz jus ao crédito presumido por expressa vedação do art.8º, §4º, I da Lei nº 10.925/2004. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO/RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. SUJEITO PASSIVO. Em processos de ressarcimento, restituição e compensação, recai sobre o sujeito passivo o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a natureza, a certeza e a liquidez do crédito pretendido.
Numero da decisão: 3302-010.155
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso. Na parte conhecida, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green que davam parcial provimento para admitir o direito ao crédito presumido em relação a aquisição de leite in natura, registrando que a contribuinte não estava habilitada no programa Mais Leite Saudável, e o direito de ressarcimento/compensação dos créditos presumidos das contribuições em análise, nos termos do voto do redator. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-010.144, de 14 de dezembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10630.720171/2018-23, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROPECUÁRIA E COOPERATIVA. VEDAÇÃO LEGAL. A pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária não faz jus ao crédito presumido por expressa vedação do art.8º, §4º, I da Lei nº 10.925/2004. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO/RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. SUJEITO PASSIVO. Em processos de ressarcimento, restituição e compensação, recai sobre o sujeito passivo o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a natureza, a certeza e a liquidez do crédito pretendido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso. Na parte conhecida, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green que davam parcial provimento para admitir o direito ao crédito presumido em relação a aquisição de leite in natura, registrando que a contribuinte não estava habilitada no programa Mais Leite Saudável, e o direito de ressarcimento/compensação dos créditos presumidos das contribuições em análise, nos termos do voto do redator. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-010.144, de 14 de dezembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10630.720171/2018-23, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 01 95 /2 01 8- 82 Fl. 355DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-010.155 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720195/2018-82 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Por bem retratar os fatos, adoto o relatório da decisão de piso: O interessado apresentou pedido de ressarcimento de crédito presumido de PIS/Cofins não-cumulativos referentes ao 1º trimestre de 2016; A DRF-Governador Valadares/MG emitiu Despacho Decisório nº 165/2019/RFB/VR06A/DICRED/RESSARC, no qual não reconhece o direito creditório pleiteado; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a) LIMITES E FINALIDADE DO PRESENTE RECURSO; b) DOS FUNDAMENTOS; c) DA NÃO CUMULATIVIDADE DO PIS/COFINS; d) DA POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES DO PIS E DA COFINS NO CASO DOS INSUMOS AGROPECUÁRIOS (LEITE); e) DA POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS POR COOPERATIVAS AGROPECUÁRIAS COM BASE NO ART. 8° DA LEI N° 10.925/2004; e) DO CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE AQUISIÇÕES DE LEITE IN NATURA DE NÃO ASSOCIADOS; f) DOS CRÉDITOS DEDUZIDOS DO SALDO A PAGAR NA APURAÇÃO; g) DA PERÍCIA; A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PIS/PASEP E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária não faz jus ao crédito presumido por expressa vedação legal. Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, reproduzindo suas alegações de defesa. É o relatório. Fl. 356DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-010.155 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720195/2018-82 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor no acórdão paradigma como razões de decidir: (...) 1 Quanto ao conhecimento do Recurso Voluntário do contribuinte, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O recurso voluntário foi interposto dentro do prazo legal de 30 (trinta) dias, portanto, é tempestivo. Inicialmente, constatasse no despacho decisório que a fiscalização trouxe um demonstrativo extraído do Dacon apontando que a Recorrente utilizou créditos para desconto das contribuições devidas e apurou saldo 0,00 de contribuição devida no mês, senão vejamos: Ou seja, ao que parece o crédito presumido apurado pela Recorrente já tinha sido utilizado para deduzir o montante da contribuição devida no 1º trimestre de 2016, o que acarretaria na utilização em duplicidade do crédito presumido, caso se admite-se o direito ao ressarcimento/compensação aqui discutido. Entretanto, embora a fiscalização tenha noticiado tal ocorrência, fato é que a questão sobre a suposta utilização em duplicidade do crédito, já que aparentemente o crédito que foi utilizado para deduzir seu débito do trimestre é objeto do pedido de ressarcimento/compensação, não fez parte do despacho decisório que, limitou a indeferir o pedido da Recorrente por (i) vedação ao direito de apurar o crédito presumido; e (ii) direito apenda de deduzir, não ressarcir/compensar, eventual crédito presumido reconhecido pela administração tributação. Ao meu ver, a questão acima mencionada deverá ser objeto de nova análise por parte da fiscalização que, apurando a utilização integral, por meio de dedução, do crédito presumido, indeferir o pedido de ressarcimento/compensação, ou se caso admitir o ressarcimento de eventual saldo remanescente. Assim, deve-se não conhecer do recurso nesse ponto. (...) Quanto ao mérito do Recurso Voluntário do contribuinte, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: 1 Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultado no acórdão paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 357DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-010.155 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720195/2018-82 Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à subsistência do crédito presumido de PIS/COFINS, tratado no caput do art. 8º da Lei nº. 10.925/2004, postulado pela recorrente. Explico. Primeiramente, é de se lembrar que o §4º, inciso I, do art. 8º da Lei nº. 10.925/2004 veda expressamente o aproveitamento de crédito presumido de PIS/COFINS pelas pessoas jurídicas que exerçam atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária – como é o caso da recorrente. Nesse ponto, o aresto recorrido traz, ao meu ver, motivação precisa para a negativa do direito ao crédito postulado pelo sujeito passivo: O artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 estabelece: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); II - pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (...) § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I - do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (grifei) Como se vê no dispositivo legal acima, as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificada nos códigos da NCM citados no caput e destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir das contribuições para o PIS e para a Cofins crédito presumido sobre o valor das aquisições, efetuadas de pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física, de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Também geram o mesmo crédito presumido as aquisições efetuadas pessoas jurídicas relacionadas nos incisos I a III do § 1º do artigo em questão. No entanto, o § 4º do mesmo artigo faz duas vedações expressas quanto ao aproveitamento de crédito, ambas para as pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1, entre as quais se encontra a pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, como a manifestante. São elas: - a primeira (inciso I do parágrafo), veda a apropriação do crédito presumido previsto no caput pelas pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º; Fl. 358DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-010.155 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720195/2018-82 - a segunda (inciso II do parágrafo), veda o aproveitamento de todo e qualquer crédito (ordinário e/ou presumido) em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput do artigo, ou seja, àquelas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificada nos códigos da NCM ali citados e destinadas à alimentação humana ou animal. Assim, se uma pessoa jurídica elencada entre aquelas citadas nos incisos I a III do § 1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (entre elas, repita-se, a que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, como a manifestante) efetua vendas com suspensão das contribuições ela não pode se aproveitar dos créditos (ordinários e/ou presumidos) que poderiam ser gerados com as aquisições de insumos usados na produção ou fabricação dos bens ou produtos vendidos com isenção, ainda que a aquisição seja feita de uma pessoa jurídica. Da mesma forma, ela não pode aproveitar o crédito presumido oriundo das aquisições efetuadas de pessoas físicas, tudo por expressa vedação legal imposta pelos incisos I e II do § 4º do citado art. 8º da Lei nº 10.925/2004. A manifestante, ao alegar que a vedação à apropriação do crédito presumido prevista no caput do artigo se aplica "às pessoas jurídicas que COMERCIALIZAM produtos de origem vegetal ou animal com SUSPENSÃO das contribuições previstas no art. 9 da Lei n° 10.925/2004", faz uma combinação dos incisos I e II que não existe no diploma legal, vistos que os dois incisos são distintos com vedações que não se comunicam nem se entrelaçam. Portanto, correto o indeferimento do crédito pleiteado, com base no inciso I do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004. São precisos os fundamentos acima transcritos, de maneira que os adoto como razões de decidir no presente voto, com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, no art. 2º, § 3º do Decreto nº 9.830, de 10 de junho de 2019. Conforme se depreende do aresto recorrido, o simples fato de a recorrente se afigurar como pessoa jurídica que exerce atividade agropecuária e cooperativa de produção agrícola já é suficiente para obstar o aproveitamento dos créditos postulados no presente processo. Saliente-se, além disso, como bem sublinhou a decisão recorrida, que não tem razão a recorrente quando postula pelo crédito presumido de PIS/COFINS, vinculado à comercialização e produção de leite, tomando como base o art. 9-A da Lei nº. 10.925/2004, incluído pelo art. 4º da Lei nº. 13.137/2015. Nesse contexto, o voto condutor do acórdão de primeira instância trata, de forma irretocável, a negativa de creditamento, cujos fundamentos a seguir transcritos são tomados como razões de decidir neste voto: Quanto ao segundo argumento da negativa (item b), a manifestante alega que "cumpre referir que o Art. 9-A da Lei nº 10.925/2004, incluído pelo art. 4º da Lei nº 13.137/2015 possibilita o pedido de ressarcimento do saldo de crédito presumido vinculado à produção e à comercialização de leite". O citado art. 9º-A, incluído pela Lei nº 13.137/2015, estabelece: Art. 9º-A. A pessoa jurídica poderá utilizar o saldo de créditos presumidos de que trata o art. 8º apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite, acumulado até o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8º deste artigo ou acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário a partir da referida data, para: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação aplicável à matéria; ou, II - ressarcimento em dinheiro, observada a legislação aplicável à matéria. Fl. 359DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-010.155 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720195/2018-82 § 1º O pedido de compensação ou de ressarcimento do saldo de créditos de que trata o caput acumulado até o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8º somente poderá ser efetuado: I - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2010, a partir da data de publicação do ato de que trata o § 8º;) II - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2011, a partir de 1º de janeiro de 2016; III - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2012, a partir de 1º de janeiro de 2017; IV - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2013, a partir de 1º de janeiro de 2018;) V - relativamente aos créditos apurados no período compreendido entre 1º de janeiro de 2014 e o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8º , a partir de 1º de janeiro de 2019. § 2º O disposto no caput em relação ao saldo de créditos presumidos apurados na forma do inciso IV do § 3º do art. 8º e acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário a partir da data de publicação do ato de que trata o § 8º deste artigo somente se aplica à pessoa jurídica regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante o Poder Executivo. § 3º A habilitação definitiva de que trata o § 2º fica condicionada: I - à regularidade fiscal da pessoa jurídica em relação aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda; II - à realização pela pessoa jurídica interessada, no ano-calendário, de investimento no projeto de que trata o inciso III correspondente, no mínimo, a 5% (cinco por cento) do somatório dos valores dos créditos presumidos de que trata o § 3º do art. 8º efetivamente compensados com outros tributos ou ressarcidos em dinheiro no mesmo ano-calendário; III - à aprovação de projeto pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para a realização de investimentos destinados a auxiliar produtores rurais de leite no desenvolvimento da qualidade e da produtividade de sua atividade; IV - à regular execução do projeto de investimento de que trata o inciso III nos termos aprovados pelo Poder Executivo; V - ao cumprimento das obrigações acessórias estabelecidas pelo Poder Executivo para viabilizar a fiscalização da regularidade da execução do projeto de investimento de que trata o inciso III. § 4º O investimento de que trata o inciso II do § 3º : I - poderá ser realizado, total ou parcialmente, individual ou coletivamente, por meio de aporte de recursos em instituições que se dediquem a auxiliar os produtores de leite em sua atividade, sem prejuízo da responsabilidade da pessoa jurídica interessada pela efetiva execução do projeto de investimento de que trata o inciso III do § 3º ; II - não poderá abranger valores despendidos pela pessoa jurídica para cumprir requisito à fruição de qualquer outro benefício ou incentivo fiscal. § 5º A pessoa jurídica que, em determinado ano-calendário, não alcançar o valor de investimento necessário nos termos do inciso II do § 3º poderá, em complementação, investir no projeto aprovado o valor residual até o dia 30 de junho do ano-calendário subsequente. § 6º Os valores investidos na forma do § 5º não serão computados no valor do investimento de que trata o inciso II do § 3º apurado no ano- calendário em que foram investidos. § 7º A pessoa jurídica que descumprir as condições estabelecidas no § 3º: Fl. 360DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-010.155 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720195/2018-82 I - terá sua habilitação cancelada; II - perderá o direito de utilizar o saldo de créditos presumidos de que trata o § 2º nas formas estabelecidas nos incisos I e II do caput, inclusive em relação aos pedidos de compensação ou ressarcimento apresentados anteriormente ao cancelamento da habilitação, mas ainda não apreciados ao tempo desta; III - não poderá habilitar-se novamente no prazo de dois anos, contados da publicação do cancelamento da habilitação; IV - deverá apurar o crédito presumido de que trata o art. 8º na forma do inciso V do § 3º daquele artigo. § 8º Ato do Poder Executivo regulamentará o disposto neste artigo, estabelecendo, entre outros: I - os critérios para aprovação dos projetos de que trata o inciso III do § 3º apresentados pelos interessados; II - a forma de habilitação provisória e definitiva das pessoas jurídicas interessadas; III - a forma de fiscalização da atuação das pessoas jurídicas habilitadas. § 9º A habilitação provisória será concedida mediante a apresentação do projeto de que trata o inciso III do § 3º e está condicionada à regularidade fiscal de que trata o inciso I do § 3º. § 10. No caso de deferimento do requerimento de habilitação definitiva, cessará a vigência da habilitação provisória, e serão convalidados seus efeitos. § 11. No caso de indeferimento do requerimento de habilitação definitiva ou de desistência do requerimento por parte da pessoa jurídica interessada, antes da decisão de deferimento ou indeferimento do requerimento, a habilitação provisória perderá seus efeitos retroativamente à data de apresentação do projeto de que trata o inciso III do § 3º , e a pessoa jurídica deverá: I - caso tenha utilizado os créditos presumidos apurados na forma do inciso IV do § 3º do art. 8º para desconto da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas, para compensação com outros tributos ou para ressarcimento em dinheiro, recolher, no prazo de trinta dias do indeferimento ou da desistência, o valor utilizado indevidamente, acrescido de juros de mora; II - caso não tenha utilizado os créditos presumidos apurados na forma do inciso IV do § 3º do art. 8º nas formas citadas no inciso I deste parágrafo, estornar o montante de créditos presumidos apurados indevidamente do saldo acumulado. De fato, como se vê no dispositivo legal pessoa a jurídica que fizer jus ao crédito presumido apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite, poderá utilizá-lo para compensação com débitos próprios e/ou ressarcimento em dinheiro, desde que obedecidas as condições impostas nos §§ 1º a 11 do mesmo artigo. Mas convém repetir e frisar que, para usar o benefício instituído pela Lei nº 13.137/2015, que incluiu o aludido art. 9º A na lei nº 10.925/2004, é necessário que a pessoa jurídica tenha direito ao aproveitamento do crédito presumido previsto no caput do art. 8º, que como se viu no tópico anterior, não é o caso da manifestante visto a vedação expressa do inciso I do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004. A manifestante discute ainda a argumentação da autoridade fiscal de que "o crédito presumido limita-se ao saldo a pagar do PIS e da COFINS", porém tais Fl. 361DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-010.155 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720195/2018-82 alegações ficam sem objeto tendo em vista a impossibilidade dela se aproveitar do crédito presumido, como visto anteriormente. Como consignou corretamente a decisão recorrida, o benefício instituído pela Lei nº 13.137/2015, que incluiu o art. 9º-A na Lei nº 10.925/2004, pressupõe que a pessoa jurídica tenha direito ao aproveitamento do crédito presumido previsto no caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004: tendo em vista que a recorrente, como visto, não faz jus ao crédito presumido do referido art. 8º, pela vedação expressa do inciso I do § 4º daquele artigo, também não faz jus ao benefício previsto no art. 9º-A da Lei nº 10.925/2004. Importa sublinhar, ademais, que a restrição enfática e vigorosa, expressa no art. 8º, §4º, I e II, do art. 8º da Lei nº. 10.925/2004, ao aproveitamento de créditos por pessoas jurídicas que exerçam atividade agropecuária e de cooperativa de produção agropecuária, somente poderá ser afastada mediante comprovação, com instrução probatória substancial e robusta por parte do sujeito passivo, de que a vedação não se aplica ao seu caso. No caso concreto, entendo que o sujeito passivo não logrou demonstrar que sua situação não se amolda à vedação prevista no inciso I do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004. Na verdade, da leitura dos autos, depreende-se que a fiscalização fundamentou sua decisão em resposta oferecida pelo próprio contribuinte acerca das atividades por ele desenvolvidas. Com efeito, ao contrário do que alega em seus recursos, o sujeito passivo afirmou, em resposta à Intimação Fiscal nº. 11/2019, que a “receita obtida no período em análise com o produto de código de Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM nº 04011010 (leite l.v.) e de outros produtos lácteos, como por exemplo, queijos e manteiga, refere- se à atividade de beneficiamento da produção recebida de associados e não associados”, restando evidente que seu caso se enquadraria plenamente na vedação a que se refere o §4º, I do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Para afastar tal informação e a própria conclusão a que chegou a fiscalização, caberia ao sujeito passivo apresentar provas robustas em sede recursal. Observe-se, ainda, que a alegação recursal de que o leite in natura, recebido de associados e não associados, passaria por processo industrial para a produção de leite longa vida, manteiga e outros produtos, não é acompanhada de provas suficientes e necessárias. Não há, por exemplo, qualquer comprovação, acompanhada de elucidação específica e detalhada, da utilização do leite in natura e a precisa mensuração e determinação (quantidade, valor, destinação específica, etc.) de seu emprego na suposta produção industrial: não há documentos que comprovem, de forma concreta e individualizada, o vínculo entre as entradas (aquisições) do leite in natura e sua utilização, como insumo, na industrialização de outros produtos. Desse modo, ao contrário do que entendeu o i. relator, penso que a mera descrição do CNAE da cooperativa, o conteúdo do Estatuto Social, o fluxograma de processo produtivo e, mesmo, Razão com os registros contábeis das aquisições de leite não são suficientes para demonstrar as alegações da recorrente: esta deveria ter produzido provas específicas, a fim de comprovar a utilização do leite in natura nos alegados processos de industrialização. É de se lembrar, por fim, que, no contexto de pedidos de restituição, ressarcimento e declarações de compensação, a demonstração da certeza e liquidez do crédito postulado se revela fundamental, recaindo sobre o sujeito passivo o ônus da prova, a teor do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 362DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-010.155 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720195/2018-82 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer de parte do recurso. Na parte conhecida, em negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 363DF CARF MF Documento nato-digital

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8640066 #
Numero do processo: 13971.722458/2011-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 02 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 PRELIMINAR. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A alegação de cerceamento ao direito de defesa só tem espaço quando comprovado nos autos que o contribuinte, ainda na fase inicial do procedimento fiscal, não teve ampla oportunidade de se manifestar e apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados. Comprovado, nos autos, que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, afastam-se as alegações de nulidade processual ou nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU DECLARAÇÃO DE ILEGALIDADE DE NORMAS. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-008.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA

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CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A alegação de cerceamento ao direito de defesa só tem espaço quando comprovado nos autos que o contribuinte, ainda na fase inicial do procedimento fiscal, não teve ampla oportunidade de se manifestar e apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados. Comprovado, nos autos, que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, afastam-se as alegações de nulidade processual ou nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU DECLARAÇÃO DE ILEGALIDADE DE NORMAS. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 24 58 /2 01 1- 49 Fl. 263DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-008.006 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.722458/2011-49 Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário da decisão de fls. 201/216 proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, referente ao lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física, ano-calendário 2006, 2007 e 2008, acrescido de multa lançada e juros de mora. Peço vênia para transcrever o relatório produzido na decisão recorrida: DA AUTUAÇÃO Trata-se de auto de infração (fls. 168 a 1721), no qual exige-se da contribuinte acima identificada a importância de R$ 46.740,63 a título de imposto de renda, acrescido de juros de R$ 11.740,37 devidos até 30/09/2011, de multa proporcional de R$ 35.055,46, totalizando R$ 93.535,46, relativos a fatos geradores verificados nos anos-calendário 2006, 2007 e 2008 (exercícios 2007, 2008 e 2009). Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) e ao Termo de Verificação Fiscal, além dos dispositivos legais infringidos, constata-se que a autuação decorre da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, caracterizada por valores creditados em contas de depósito, de poupança ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, de titularidade de direito ou de fato do sujeito passivo, em relação aos quais, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No Termo de Verificação Fiscal e Encerramento da Ação Fiscal, fls. 175 a 177, as autoridades lançadoras relatam que trata-se de auditoria derivada de fiscalização contra o esposo da contribuinte, Eduardo Fogaça Oliver, onde foi apurada a omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, por força da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.460, de 1996. Constatada a titularidade conjunta da contribuinte em epígrafe e Eduardo Fogaça Oliver em relação à conta corrente/poupança mantida junto à Caixa Econômica Federal (CEF) nº 28055-3 agência 0411, desde março de 2006, em face do parágrafo 6º do mesmo artigo, a contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos depósitos ali identificados através dos Termos de Intimação nº 2009.00123-0-90 e 2009.00123-0-92, de 10/06/2011 e 19/07/2011, respectivamente (documentos 11 e 12). Os depósitos foram identificados pela análise dos extratos bancários obtidos em regular procedimento fiscal em face do cônjuge Eduardo Fogaça Oliver, via expedição de Requisição de Movimentação Financeira (RMF). Em sua resposta, a contribuinte afirmou desconhecer a movimentação financeira havida em sua conta, assim como rechaça a condição de responsável por ela. Não apresentou documentos comprobatórios (documentos 10 e 13). Registra o citado Termo que, não comprovada a origem dos depósitos bancários, e, considerando a titularidade conjunta da conta corrente investigada, os créditos havidos na conta corrente da CEF, antes identificada, foram atribuídos na razão de 50% para cada cônjuge. O rol das movimentações bancárias não justificadas consta nas planilhas anexas às fls. 168 a 172. Destaca o mesmo termo que o cônjuge da contribuinte também foi intimado a justificar os créditos havidos na conta da CEF e de outras contas de titularidade deste último (Termos de Intimação nºs 2009.00123-0 -85 e 2009.00123-9-89). Fl. 264DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-008.006 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.722458/2011-49 Registram as autoridades lançadora, no que refere ao Termo de Intimação nº 2009.00123-0–85, que demandou Eduardo Fogaça Oliver a justificar créditos bancários havidos não somente na conta da CEF, mas em outras de sua titularidade única. A resposta por ele apresentada contemplou a negativa de titularidade de todas as contas bancárias, inclusive de sua titularidade única, e, ainda, que apresentou documentos, todavia incapazes de provar suas alegações. A resposta de Eduardo Fogaça Oliver, inclusive com os documentos apresentados, não foram anexados ao presente feito, com vistas a preservar o sigilo bancário, uma vez que não se referiam somente à conta da CEF. Já em relação ao Termo de Intimação nº 009.00123-9-89, reporta-se exclusivamente à conta conjunta da CEF, referente ao ano-calendário 2008, e a resposta do esposo da contribuinte foi anexada na integralidade nesses autos. Da Impugnação O contribuinte foi intimado e impugnou o auto de infração, e fazendo, em síntese, através das alegações a seguir descritas: DA IMPUGNAÇÃO A contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração, fls. 180 a 191, alegando, em síntese, as razões abaixo expostas: I – Dos fatos: Nesse tópico, relata que foi intimada a prestar esclarecimentos quanto à origem dos depósitos bancários verificados na conta mantida juntamente com seu marido na CEF e a apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos valores depositados. Que na ocasião informou que desconhece as movimentações financeiras havidas na conta corrente, restando impossível o atendimento da intimação, sobremaneira quando lhe foi negado o acesso de documentos pela fiscalização, que poderiam ajudá-la a apresentar justificativas. Entrementes, apresentou os documentos de que dispunha, e a despeito destes foi lavrado o presente auto de infração. II – Das presunções legais de omissão de rendimentos e do imposto de renda Discorre quanto à presunção legal veiculada pela Lei nº 9.430, de 1996, a partir de 01.01.1997, que passou a caracterizar como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ressalta que o procedimento do Fisco, a despeito da previsão legal, não pode adotar outro norte que não o que conduza à verdade material, e não apenas a verdade formal, e que esta não pode ser erigida como causa de lançamento, quando obtemperada por elementos de provas e justificativas plausíveis apresentadas pelo contribuinte. Lembra que o fato gerador do imposto de renda ocorre sempre que há um acréscimo patrimonial, transcrevendo o art. 43, incisos, do CTN, apresentando doutrina quanto ao conceito de rendas e proventos, e jurisprudência pátria no sentido de que a presunção em favor do Fisco não autoriza a tributação imediata de todos os valores movimentados como rendimentos omitidos, cabendo ao Fisco, diante destes fatos, apoiar-se em outros meios de prova (renda consumida, sinais exteriores de riqueza, variação patrimonial a descoberto, etc), para proceder ao arbitramento da base de cálculo e exigir o imposto de renda. Pondera, nesse sentido, que de acordo com suas declarações de ajuste anual, o patrimônio do contribuinte e de sua esposa não sofreu evolução patrimonial que justifique a tributação de toda a quantia apurada. Outrossim, independentemente da comprovação ou não da origem da quantia de R$ 183.981,74 ou de parte dela, é inequívoco que em seu bojo encontram-se valores que não são rendimentos tributáveis. Fl. 265DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-008.006 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.722458/2011-49 Manifesta que é indiscutível a ofensa ao direito e garantia fundamental da propriedade e aos seus corolários da capacidade contributiva e da vedação da utilização de tributos com efeito confiscatório, e, para que não se chegue ao extremo e se evite a decretação de inconstitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, pugna pela interpretação da norma na forma defendida, somando-se às movimentações financeiras tidas por não comprovadas a outros meios de provas que possibilitem apurar o montante possível de ser considerado como base de cálculo, método chamado de interpretação conforme a constituição. Conclui que, caso não seja aplicada a norma do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, nos moldes defendidos, é nulo de pleno direito o auto de infração. III – Mérito No mérito, alega que é notório que a fiscalização conduziu as investigações no sentido de atribuir responsabilidade pela sonegação à contribuinte, em virtude da mesma ser co- titular da conta bancária mantida na CEF com seu esposo Eduardo Fogaça Oliver. Afirma que jamais tomou conhecimento da movimentação bancária havida na citada conta, mas que tem conhecimento, através do processo administrativo nº 13971.722274/2011-89, que a fiscalização atribui ao seu esposo Eduardo Fogaça Oliver toda a movimentação bancária na citada conta e que este seria o único beneficiário dos valores ali transitados. Diz que como não era titular de fato da citada conta, não há nenhum documento nos autos que aponte que a interessada tenha se utilizado ou de alguma forma se beneficiado da referida conta. Que não há cheques assinados, saques, enfim, nenhum elemento que lhe atribua a responsabilidade de fato pela conta. E, se nunca foi titular de fato dos recursos, não há porque lhe atribuir a responsabilidade tributária. Reforça que o depósito bancário, mesmo após o advento da Lei nº 9.430, de 1996, não se constitui, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, pois é necessária a prova cabal e robusta que ele foi utilizado como renda consumida. Isto porque a posse de numerário alheio, por exemplo, descaracteriza a respectiva presunção de disponibilidade econômica, e que nem todo ingresso se caracteriza acréscimo patrimonial, sendo necessário verificar o caso concreto. Ao final, requer: (...) a)cancelar integralmente e declarar nulo o auto de infração, em razão do cerceamento de defesa, uma vez que a Impugnante não teve acesso aos depoimentos e documentos; b) cancelar integralmente o auto de infração, posto ter sido indevidamente interpretado e aplicado o art. 42, da Lei n° 9.430/96, conforme exposto no tópico II, supra; c) cancelar integralmente o auto de infração, posto quedar-se o mesmo destituído de liquidez e certeza, por incluir no montante levado à tributação valores comprovadamente indevidos, insuscetíveis de serem considerados como receita omitida; 43. Requer-se, ainda, a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial a testemunhal, acaso se faça necessária, e a documental ora acostada, com a posterior juntada dos documentos que se fizerem pertinentes, na forma do artigo 17, do Decreto n° 70.235/72. 44. Requer-se, por derradeiro, que todas as intimações expedidas neste processo sejam feitas pessoalmente ou por outro meio legal ao procurador constituído, que esta subscreve, com endereço profissional na Rua Padre Gattone, n° 20, Ed. Arnoldo Bauer Schaefer, Térreo, sala 12-A, Centro, Brusque/SC, CEP 88.350-350, fone: (47) 3355- 5571. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Fl. 266DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-008.006 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.722458/2011-49 Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fl. 201/202): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. Constatado que o procedimento fiscal foi realizado com estrita observância das normas de regência, não tendo sido praticado qualquer ato com preterição do direito de defesa e estando os elementos de que necessita o contribuinte para elaborar suas razões de mérito juntados aos autos, fica de todo afastada a hipótese de nulidade do procedimento fiscal. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ENDEREÇO PARA CIÊNCIA POSTAL. PREVISÃO LEGAL. A legislação vigente determina que as intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. Inexiste previsão legal para envio ao endereço do procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte, devidamente intimada da decisão da DRJ em 28/08/2012 (fl. 237) e apresentou recurso voluntário de fls. 241/257 em que alega, em apertada síntese: a) cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa, ante a impossibilidade de acesso aos documentos e depoimentos; b) suposta omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, presunção legal; e c) confisco da renda objeto da notificação fiscal ora atacada. É o relatório do necessário. Fl. 267DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-008.006 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.722458/2011-49 Voto Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, Relator. Recurso Voluntário O presente Recurso Voluntário foi apresentado no prazo a que se refere o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72 e por isso, dele conheço e passo a apreciá-lo. Preliminar de nulidade da autuação pelo cerceamento do direito de defesa. De acordo com esta preliminar de nulidade, a autuação deveria ser declarada nula pelo cerceamento do direito de defesa ante a impossibilidade de acesso aos documentos e depoimentos, relacionados ao PAF nº13971.722274/2011-89, deduzido em face de seu esposo Eduardo Fogaça Oliver, co-titular da conta bancária junto à CEF, que não foram anexados aos presentes autos para preservação do sigilo fiscal do citado contribuinte. São considerados nulos, no processo administrativo fiscal, os atos expedidos por pessoa incompetente ou com a falta de atenção ao direito de defesa, conforme preceitua o artigo 59 do Decreto nº 70.235 de 1972: "Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) " Ou seja, para que uma decisão ou mesmo para que o auto de infração seja declarado nulo, deve ter sido proferido por pessoa incompetente ou mesmo violar a ampla defesa do contribuinte. Por outro lado, a decisão recorrida assim justificou o não acolhimento da preliminar arguída: Os argumentos não podem ser acolhidos. Em análise desses autos, especialmente dos anexos que o acompanham, verifico que todos os documentos essenciais para a lavratura do auto de infração instruem o processo administrativo fiscal, e estão contemplados no abaixo (fl. 173 dos autos): Fl. 268DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-008.006 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.722458/2011-49 Destarte, não se vislumbra o alegado malferimento ao direito de ampla defesa, porquanto, ao ser intimada do Auto de Infração e seus anexos, a contribuinte teve acesso a todos os elementos constantes da peça da autuação, fundamentada nos dispositivos legais que a regem, assim como gozou do prazo de 30 (trinta) dias, da data da ciência da exigência tributária para apresentar impugnação, conforme preceitua o artigo 15 do Decreto n° 70.235, de 1972. O motivo da autuação está claramente exposto na peça básica e a autuada, na forma da lei, tomou conhecimento de todos os procedimentos fiscais efetuados, sendo-lhe proporcionado a oportunidade de exercer o seu mais amplo direito de defesa, tanto que apresentou a impugnação ora analisada. Além disso, consoante relatado, a contribuinte foi intimada pelos Termos de Intimação n° 2009.00123-0-90 e 2009.00123-0-92, de 10/06/2011 e 19/07/2011 (documentos 11 e 12) a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes, conforme relação elaborada pelo Fisco a partir dos extratos bancários fornecidos pelos bancos Caixa Econômica Federal, constante de planilhas anexas aos referidos Termos. Fazendo uma análise minuciosa do caso, a decisão recorrida não merece reparos, de modo que utilizo os argumentos expendidos como razão de decidir. – merece destaque que o PAF nº 13971.722274/2011-89, deduzido em face de seu esposo Eduardo Fogaça Oliver, co- titular da conta bancária junto à CEF já foi julgado conforme trechos extraídos do acórdão: Em outras palavras, ou o contribuinte identifica a origem de cada depósito, um a um, ou então se sujeita à caracterização da omissão de receitas por via presuntiva. Justificativas genéricas, como as realizadas pelo recorrente, desacompanhadas de prova documental, não podem, neste contexto, ser acatadas. Ainda, o dispositivo legal que ampara o lançamento tem como fundamento lógico o fato de não ser comum o depósito de numerário, de forma gratuita e indiscriminada, em conta bancária de terceiros. Como corolário dessa afirmativa tem-se que, até prova em contrário, o que se deposita na conta de determinado titular a ele pertence. Desta forma, demonstrado o fato presuntivo depósito de origem não comprovada provado está o fato presumido omissão de rendimentos por força de dispositivo legal, mais precisamente o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Sendo assim, não prosperam as alegações, tendo em vista que não houve prejuízo à defesa e a juntada de peças tem nítido caráter protelatório. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 269DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-008.006 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.722458/2011-49 A recorrente foi autuada por omissão de receita ou rendimento, nos termos nos termos do disposto no artigo 42 e parágrafos da Lei nº 9.430/96. Lei n° 9.430/1.996: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). (art. 42, § 3°, II, da Lei n° 9.430/1996 c/c art. 4° da Lei n°9.481, de 13/08/1997)." Os arts. 1º a 3º, e §§, da Lei n° 7.713/1.988, dispõem sobre a tributação de rendimentos, nos seguintes termos: "Art. 1° Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei. § 1° Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2° Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerando-se como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3° Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4° A tributação independe da denominarão dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título." Fl. 270DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-008.006 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.722458/2011-49 Por outro lado, o Processo Administrativo Tributário é do tipo que comporta a produção de provas iuris tantum, ou seja, a fim de ilidir a acusação, o contribuinte autuado deve produzir todos os elementos de prova possíveis a fim de comprovar tudo aquilo que alega, sob pena de tomar-se o que consta nos autos, como verdade absoluta para aquele processo. É da prática processual que o ônus da prova incumbe ao autor, sobre fato constitutivo de seu direito e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, nos termos do que dispõe o artigo 373, do Código de Processo Civil: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo tudo aquilo que foi alegado pelo Recorrente deveria vir acompanhado de prova a fim de demonstrar que os fatos ocorreram da forma como alegou. Ainda, o contribuinte pode apresentar provas que entender cabíveis, em regra, até a apresentação da defesa, nos termos do disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Em outros termos, a prova deve ser juntada até a impugnação salvo se demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, entre outros casos. Sendo assim, diante da carência de prova a comprovar de forma cabal que não houve omissão de rendimentos, deve ser mantida a cobrança referente aos presentes autos. Diante da carência de provas, não há o que prover. Confisco da renda objeto da notificação fiscal ora atacada. Com relação às alegações de ofensa a princípios constitucionais, como o do confisco, o próprio Decreto n. 70.235/72 veda que os órgãos de julgamento administrativo fiscal possam afastar aplicação ou deixem de observar lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido temos: “Decreto n. 70.235/72 Fl. 271DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-008.006 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.722458/2011-49 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” No mesmo sentido do mencionado artigo 26-A do Decreto n. 70.235/72, vemos o disposto no artigo 62 do Regimento Interno - RICARF, aprovado pela Portaria MF n. 343 de junho de 2015, que determina que é vedado aos membros do CARF afastar ou deixar de observar quaisquer disposições contidas em Lei ou Decreto: “PORTARIA MF Nº 343, DE 09 DE JUNHO DE 2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Além disso, a Súmula CARF nº. 2 também dispõe que este Tribunal não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Veja-se: “Súmula CARF n. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Portanto, não prospera a irresignação da Recorrente, devendo ser mantida a autuação. Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso Voluntário e nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 272DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 13116.000867/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. Os recursos administrativos apresentados pela recorrente, demonstrando compreensão da descrição dos fatos contida na autuação e enfrentando as imputações que lhe são feitas, afastam a alegação de nulidade por cerceamento de defesa, não restando caracterizado óbice ao exercício do direito de defesa. Inexistindo qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e observados todos os requisitos do artigo 10 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade da autuação. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. NECESSIDADE DE JUNTADA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL COMPLETA. Na ausência de elementos probatórios que comprovem o pagamento a maior, torna-se mister atestar o inadimplemento dos requisitos de liquidez e certeza, insculpidos no art. 170 do CTN. É imperativa a juntada completa de elementos de escrituração contábil, apta a lastrear a compensação perquirida. PRODUÇÃO ADICIONAL DE PROVAS. DESNECESSIDADE. TRANSCURSO REGULAR DO PAF E EXERCÍCIO PLENO DO DIREITO DE DEFESA. Havendo hígido transcurso do PAF, oportunizando-se ao Contribuinte a plena demonstração de seu direito e juntada de acervo probatório, não há que ser deferido pleito de diligência posterior. Esta se presta apenas a casos de última necessidade, em que há demonstração de razoável dúvida quanto ao direito vindicado e seu apontamento. Se o Recorrente não juntou provas suficientes ao longo da instrução processual, o fez por conta e risco e pura liberalidade
Numero da decisão: 3301-009.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Candido Brandao Junior, Jose Adao Vitorino de Morais, Semiramis de Oliveira Duro, Breno do Carmo Moreira Vieira, Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA

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AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. Os recursos administrativos apresentados pela recorrente, demonstrando compreensão da descrição dos fatos contida na autuação e enfrentando as imputações que lhe são feitas, afastam a alegação de nulidade por cerceamento de defesa, não restando caracterizado óbice ao exercício do direito de defesa. Inexistindo qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e observados todos os requisitos do artigo 10 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade da autuação. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. NECESSIDADE DE JUNTADA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL COMPLETA. Na ausência de elementos probatórios que comprovem o pagamento a maior, torna-se mister atestar o inadimplemento dos requisitos de liquidez e certeza, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 08 67 /2 00 7- 94 Fl. 951DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-009.441 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.000867/2007-94 insculpidos no art. 170 do CTN. É imperativa a juntada completa de elementos de escrituração contábil, apta a lastrear a compensação perquirida. PRODUÇÃO ADICIONAL DE PROVAS. DESNECESSIDADE. TRANSCURSO REGULAR DO PAF E EXERCÍCIO PLENO DO DIREITO DE DEFESA. Havendo hígido transcurso do PAF, oportunizando-se ao Contribuinte a plena demonstração de seu direito e juntada de acervo probatório, não há que ser deferido pleito de diligência posterior. Esta se presta apenas a casos de última necessidade, em que há demonstração de razoável dúvida quanto ao direito vindicado e seu apontamento. Se o Recorrente não juntou provas suficientes ao longo da instrução processual, o fez por conta e risco e pura liberalidade Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Candido Brandao Junior, Jose Adao Vitorino de Morais, Semiramis de Oliveira Duro, Breno do Carmo Moreira Vieira, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão n 03-35.609, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: Fl. 952DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-009.441 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.000867/2007-94 Fl. 953DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-009.441 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.000867/2007-94 Fl. 954DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-009.441 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.000867/2007-94 Percebe-se, pois, que a Autoridade Fiscal entende haver duas atividades distintas: a extração do minério (em estado bruto) e a produção de barras de ouro (beneficiamento). Assim, haveria uma cisão no processo produtivo: um seria a lavra do metal precioso e o outro a fabricação do bem a ser comercializado (barra de ouro). Ato seguinte, a DRJ opinou por julgar improcedente o pleito do Contribuinte. O Acórdão assim ementado: Fl. 955DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-009.441 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.000867/2007-94 Conforme se extrai do teor da decisão supramencionada, houve o acatamento fulcral à conclusão alcançada pela Fiscalização. Quanto ao mais, o Voto conduziu sua trilha no sentido de não enquadrar como insumos os créditos pleiteados pelo Contribuinte, bem como, nos eventuais casos permitidos em lei, destacar não haver provas suficientes a sustentar o requerimento carreado à Manifestação exordial. Por fim, em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte reitera os argumentos veiculados em sua defesa. Por primeiro, alega que sua defesa não foi apreciada devidamente, haja vista a ausência de constatação referente à unicidade do processo produtivo do ouro. Dessa forma, a DRJ teria se baseado em premissa falsa, “dividindo o processo produtivo em dois, afirmando que a matéria-prima para produção de barras de ouro é o minério de ouro, etc”. Em essência, (...) Como prova desta afirmação, vejamos que, ao considerar somente o “beneficiamento” como processo produtivo do ouro, toda e qualquer mercadoria (insumo) utilizada na “extração do minério" não geraria créditos da COFINS, por supostamente não estar em contato com o ouro, produto a ser comercializado. Ocorre que ouro é ouro desde sua origem, ou seja, desde a extração do minério de ouro até a produção de barras de ouro, o ouro não altera suas propriedades químicas. Ocorre apenas a transformação física, ou seja, o ouro finamente disseminado no minério é agrupado para transformação em barras. Isto posto, refutando a falsa premissa de que a “extração de minério” não constitui processo produtivo, refutadas estarão as glosas perpetradas nos créditos devidamente apropriados de insumos utilizados na fase de extração do minério de ouro (minério com ouro finamente disseminado). Em seguida, reitera que lhe cabe direito aos créditos apurados desde sua etapa extração do minério, eis que o processo de fabricação seria uno. E que a exploração mineral seria divisível em várias etapas, as quais compõem parte de um todo, cujo início ocorre com a pesquisa e exploração e o final se dá com a efetiva fundição do metal. Nessa esteira, sustenta que o próprio Código de Mineração robustece tal fato. Quanto ao mais, requer seja realizada perícia técnica para comprovar o que alega (e indica seus quesitos em anexo ao Recurso). Fl. 956DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-009.441 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.000867/2007-94 Em seu desfecho, o Contribuinte requer a reversão das glosas efetuadas, pois entende que todos os créditos pleiteados são insumos e bens efetivamente consumidos ou desgastados em contato direto com o ouro, em todas as etapas da produção. Apresenta, por fim, “justificativa técnica – da unicidade do processo produtivo do ouro”, elaborado por profissional competente. De arremate, requer sejam ponderados os princípios do formalismo moderado e da verdade material, bem como a realização de perícia técnica. É o que cumpre relatar. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do Regimento Interno do CARF. Portanto, opino por seu conhecimento. Breve introito fático O caso em tela trata essencialmente de glosas que decorreram segregação do procedimento da extração do ouro, conforme compreendido pela Fiscalização como duas etapas independentes e, portanto, com características particulares para fins de aferição de créditos: (i) uma etapa seria a mineração e lavra do ouro; (ii) a outra etapa seria o beneficiamento do ouro. O Contribuinte, por sua vez, advoga pela unicidade do processo produtivo, sendo todas as etapas interligadas e inseparáveis. Tendo como panorama basal esta divisão, a Fiscalização subsequentemente avaliou o acervo probatório atinente às etapas do processo produtivo. Para melhor demonstração casuística, transcrevo os trechos mais relevantes do Despacho Decisório (e-fls. 779 a 799): 20. Aqui, precisamos esclarecer alguns pontos fundamentais, para entender quais insumos podem gerar créditos nos DACONS da Serra Grande. O contribuinte tem como atividade-fim a produção de barras de ouro para exportação, utilizando o minério como matéria-prima. Com relação a este minério de ouro, o contribuinte fornece para si mesmo. Está claro, então, que há duas atividades distintas desenvolvidas pela Serra Grande: a de extração do minério, em seu estado bruto, e a de produção de barras de ouro (o beneficiamento, que significa, verdadeiramente, a fabricação do bem a ser comercializado). 21. A descrição das atividades desenvolvidas em Crixás — GO (parágrafo 7, acima) nos permite asseverar que, até a estocagem, o que se maneja são varias toneladas de rocha (material in natura), das quais apenas uma pequena parcela será convertida em ouro. Ressalte-se, ainda, que em parte considerável da rocha extraída não há ouro algum (estéril). Assim, estas etapas estão dentro da atividade de mineração (extração), cujos insumos, segundo a legislação supracitada, não se confundem com aqueles utilizados na produção do bem que será vendido (barras de ouro). Fl. 957DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-009.441 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.000867/2007-94 22. Depois da atividade de extração, outros procedimentos serão necessários, de forma a . produzir o que se pretende comercializar (atividade de beneficiamento, esta sim considerada na apuração da COFINS). Sendo assim, o contribuinte utilizou créditos indevidos, na linha "Bens Utilizados Como Insumos", pois só na atividade de beneficiamento é que se pode conseguir que algum material (insumo) exerça a ação direta sobre o produto em fabricação (ouro refinado, em barras) demandada pela IN SRF 404, de 12/0312004 (parágrafo 12, acima), na conceituação de "insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda". (...) 25. A descrição das atividades de Crixás (GO), no parágrafo 7 acima, em conjunto com as máquinas e equipamentos apresentados (fls. 219-225 e 276-283), mostra que os combustíveis e lubrificantes listados pelo contribuinte (gasolina, óleo diesel, e óleo lubrificante) não são utilizados na atividade de produção de barras de ouro, mas sim na atividade de extração do minério, logo, de acordo com a IN SRF 404/2004, também não geram créditos na apuração da COFINS, nem mesmo como insumos indiretos. Desta forma, devem-se retirar da apuração apresentada nos DACONs de 2007, mês a mês, os créditos relativos a combustíveis e lubrificantes. Os valores a abater são os seguintes: (...) 26. Os documentos apresentados pelo contribuinte não são suficientes para respaldar os créditos relativos aos "materiais de fusão e refino" utilizados na etapa que se desenvolve em Nova Lima (MG). Questionado sobre o que significam estes insumos, através da intimação 0355/08-SARAC/DRF-ANÁPOLIS/GO, de 04/06/2008 (fl. 304, item 7), respondeu que "trata-se de material aplicado no refino do 'bullion' por cloração e eletrólise para transformação em barras para comercialização, cujo teor é de 99,99% de ouro" (fl. 347). (...) 27. Apresentou cópias de notas fiscais (fls. 467-479) emitidas pela Anglogold Ashanti, nas quais os itens vendidos estão descritos, de forma reduzida, como "MAT. E SERV. APLICADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO". Não temos como aproveitar tais créditos, pela falta de detalhamento dos itens que a Serra Grande estava adquirindo. As exclusões são as seguintes: (...) 28. Finalizando a linha `Bens Utilizados Como Insumos", o contribuinte incluiu alguns fretes". Neste caso, os documentos emitidos pela BRINKS Segurança e Transporte de Valores Ltda não descrevem o item transportado, nem a origem e o destino da carga. O serviço é descrito apenas como "Transporte de Valores Nacional" (fls. 404, 412, 416, 423, 426, 430, 439, 445, 452, 459, 462 e 464). Como, praticamente , toda a produção é exportada, podemos afirmar que este frete está relacionado a alguma necessidade operacional da Serra Grande, e não é aquele contratado para entregar o produto vendido ao cliente, com ônus suportado pelo vendedor (previsto na IN SRF 40412004). Portanto, não temos como ratificar os créditos oriundos destes fretes. Os valores a excluir são os seguintes: (...) 30. As despesas com energia elétrica foram devidamente comprovadas, com notas fiscais (fls. 228-249 e 285-302), e estão todas incluídas na apuração da COFINS, segundo a legislação vigente (de artigo 82, inciso II, alínea "a", da IN SRF 404/2004 citada no parágrafo 12, acima). 31. Os "Aluguéis de Máquinas e Equipamentos" (fls. 527-606) estão abarcando alguns serviços, indevidamente. São "transpõrtes de rejeitos", na maior parte. Precisam ser retirados da apuração, porque também não poderiam figurar entre os "Serviços Utilizados Como Insumos". Os itens a retirar estão na planilha da folha 774, e os valores, em resumo, são: Fl. 958DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-009.441 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.000867/2007-94 (...) 32. Na apuração dos créditos dos "encargos de depreciação relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados à venda" (fls. 219-225 e 276-283), incluíram-se alguns itens que não são aplicados na atividade de beneficiamento (produção das barras de ouro para venda), e não devem gerar créditos, porque estão fora do especificado no artigo 3 2, inciso VI, da Lei n° 10.833/2003 (com redação dada pela Lei n° 11.196/2005). São itens como caminhões fora-de-estrada, jumbos, pás carregadeiras, escavadeiras, perfuratrizes, tratores agrícolas, entre outros, utilizados na atividade de extração, e que separamos numa planilha específica (fls. 767-773). Os créditos estornados são os seguintes: (...) 35. Desta forma, com base nos documentos anexados aos autos, na legislação citada, e nas pesquisas efetuadas em nossos sistemas, proponho HOMOLOGAR PARCIALMENTE as compensações analisadas no presente processo, com base nos créditos demonstrados no parágrafo 34, acima. 1. Do cerceamento do direito de defesa por ausência de apreciação de matéria de fato em Manifestação de Inconformidade Conforme relatado, o Contribuinte alega que a DRJ não apreciou o tema como deveria, eis que compreendeu que o processo produtivo do ouro não era uno. Contudo, sua percepção não merece guarida. A compreensão do tema – seja por uma vertente, seja por outra – não significa que o direito de defesa foi malferido. Trata-se de predicado inerente à dialética processual, em que o interlocutor (autoridade administrativa) erige seu convencimento conjugando os fatos e as normas. Se neste mister ocorre divergência frente àquela percepção do Contribuinte, isso claramente não implica violação ao direito de defesa. Ademais, anoto que o presente PAF encontra-se cunhado pela absoluta observância da legalidade desde sua gênese. Nesse espeque, tanto a análise da Unidade de Origem quanto o Acórdão da DRJ guardaram estrita observância aos ditames legais, prevendo em seus respectivos teores, todas as informações necessárias à defesa do Contribuinte e a perfeita intelecção da casuística. Somando-se a isso, o Recorrente falhou em demonstrar eventual enquadramento nos termos do art. 59 do Dec. n° 70.235/72. É de se concluir inequivocamente que o presente Processo Administrativo respeitou por completo todo regimento normativo, e queda-se livre de máculas inerentes ao direito de defesa. 2. Do Conceito de insumo Antes de avaliar detidamente os assuntos acima, impera exibir que o thema decidendum aborda a essência do que pode ser configurado insumo, e qual a amplitude de sua creditação na matriz tributária da não-cumulatividade. Nessa senda, sem maiores delongas ou redundâncias desnecessárias, é fundamental que se tenha em consideração os termos do REsp 1.221.170 (julgado sob o rito do art. 543-C do antigo CPC, e alusivo à indústria de alimentos), em que o STJ definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Fl. 959DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-009.441 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.000867/2007-94 COFINS, deve observar o critério da essencialidade e relevância, considerando-se a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo sujeito passivo. Vide a ementa do indigitado Acórdão (publicado em 24/04/2018): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Nessa esteira, cunhou-se a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF n° 247 e n° 404, de tal modo que as despesas e custos essenciais à atividade do Contribuinte devem implicar, como regra, no seu respectivo abatimento na base de cálculo. Assim, o binômio da “essencialidade e relevância” acaba por atingir uma ampla gama de elementos aplicados na cadeia produtiva de determinada atividade. E, por assim ser, a dimensão conceitual de insumo merece ser vista caso a caso, para que não ocorra ultraje nem aos ditames do Acórdão do Tribunal da Cidadania, tampouco aos regramentos normativos internos da RFB (COSIT/RFB Nº 05/2018, e Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF). Observa-se, pois, que tal intelecção jurisdicional vislumbrou alcançar a ampla escala de elementos utilizados nos processos produtivos, mas não de forma irrestrita. Assim, a casuística proporciona ao Contribuinte a segurança de que seus insumos serão efetivamente avaliados como tanto, desde que essenciais e relevantes em sua atividade. Logo, evita-se igualmente uma espécie de regresso ad infinitum, efetuando-se um corte dogmático pela exegese da legislação. Este, por sua vez, resolveria a situação pragmática quase que como a evitar um Fl. 960DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-009.441 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.000867/2007-94 impasse semelhante ao do Teorema de Agripa (referido na Filosofia Cética como um impasse decorrente de três alternativas, sendo nenhuma delas aceitável à meta de demonstrar fundamento filosófico para uma teoria: regressão infinita; escolha arbitrária; e petição de princípio ou argumento de autoridade). Por óbvio, os termos do Acórdão do REsp 1.221.170 foram doravante acompanhados pelo CARF, em estrita observância do comando de seu regimento ( art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015). Cito como exemplo: a. Acórdão n° 9303-010.107, Rel. Cons. Tatiana Midori Migiyama, sessão de 11 de fevereiro de 2020 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2006 CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre a (i) aquisição das embalagens utilizadas, eis que protegem a integridade da maçã e ainda possuem objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada; (ii) aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados nos transporte dos produtos e (iii) depreciação sobre carretão com rolete e registrador eletrônico de temperatura, eis que utilizados na produção de maçã. b. Acórdão n° 9303-010.118, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, sessão de 11 de fevereiro de 2020 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2007 CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre a (i) aquisição das embalagens utilizadas, eis que protegem a integridade da maçã e ainda possuem objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada; (ii) aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados nos transporte dos produtos e (iii) depreciação sobre carretão com rolete e registrador eletrônico de temperatura, eis que utilizados na produção de maçã. Fl. 961DF CARF MF Documento nato-digital https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Regress%C3%A3o_infinita&action=edit&redlink=1 https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Arbitrariedade&action=edit&redlink=1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Peti%C3%A7%C3%A3o_de_princ%C3%ADpio https://pt.wikipedia.org/wiki/Argumento_de_autoridade Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-009.441 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.000867/2007-94 Portanto, considerando como base o pressuposto exibido acima, ter-se-á a subsequente análise dos pontos em debate na presente instância recursal. 3. Da glosa de créditos Quanto ao sumo meritório, entendo não haver razão ao Contribuinte. E tal motivo funda-se essencialmente na ausência de elementos probatórios aptos a corroborar suas afirmações. Nesse sentido, anoto que o Recorrente faz uma análise assaz superficial de sua casuística; confesso, outrossim, que busquei nos autos todos os pormenores técnicos e documentais que seriam aptos a chancelar a intelecção defensiva, mas não foi possível detectá- los. De tal sorte, constrói-se a defesa sob panoramas amplos (e por vezes até genéricos), sendo impossível propiciar ao julgador elementos robustos que venham acompanhar-lhe em convencimento. Ora, impende recordar que o ônus da prova recai sobre o contribuinte interessado, que deve trazer aos autos elementos que não deixem nen uma d vida quanto ao fato questionado. A respeito do tema, disp e o C digo de rocesso Civil, em seu art. Art. . O ônus da prova incumbe I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto exist ncia de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Contudo, a despeito de saber desde a gênese a razão da negativa de seu crédito, o Recorrente não trouxe aos autos os elementos que viessem a chancelar seu direito. Nem mesmo o laudo técnico apresentado logrou detalhar o procedimento de produção do Contribuinte, tampouco o detalhamento dos insumos utilizados em cada etapa. Portanto, entendo que quaisquer discussões além desse aspecto figurariam como mera retórica, eis que ausente a viga-mestra construtiva de todo aproveitamento de crédito, qual seja: o efetivo enquadramento fático-normativo do insumo e a demonstração de sua correta escrituração fiscal. 4. Considerações sobre a necessidade de comprovação de liquidez e certeza Já no que cinge aos requisitos formais inerentes ao PER/DCOMP, conforme bem ressaltado no Acórdão de piso, é necessário que se apresente supedâneo probatório apto a corroborar a liquidez e certeza do direito creditório (art. 170 do CTN). Nessa trilha, para que se tenha a compensação torna-se necessário que o Contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir/compensar) é líquido e certo. Cuida-se de conditio sine qua non, isto é, sem a qual aquela não pode ocorrer. O encargo probatório do crédito alegado pela Recorrente contra a Administração Tributária é especialmente dela, devendo comprovar a mencionada liquidez e certeza. Portanto, não vejo como encampar a vertente intelectiva do Recorrente; sabe-se que a verdade material se prende, justamente, à observância do plexo probatório presente aos Fl. 962DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-009.441 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.000867/2007-94 autos, de modo que o Julgador procede sua avaliação com estrito rigor factual. Nesse espeque, mister ressaltar que o Contribuinte não traz ao PAF as escriturações contábeis e fiscais completas, o que esvazia seu pleito. Foi justamente esse o vértice decisório da DRJ, ao qual também me filio, expressando sintonia à já mencionada verdade material. Quanto ao mais, em contraponto à tese defensiva, sabe-se que seus documentos ora acostados em Recurso Voluntário são de produção unilateral, desprovidos de carga probatória suficiente a lastrear o pleito compensatório. Logo, a instrução processual deve ser acompanhada de escrituração contábil completa, a qual ofereça ao Julgador a possibilidade de ampla análise da composição creditória. Contudo, reitero, tal aspecto não se mostra presente neste PAF, sendo que, nem mesmo em sede recursal, a Recorrente acostou a integralidade das provas necessárias a corroborar seu direito. Sendo assim, vale apontar que o posicionamento consolidado no CARF é justamente no sentido oposto àquele defendido pelo Contribuinte, conforme relaciono abaixo: a. Acórdão n° 3001-000.868, sessão de 13/06/2019, Rel. Cons. LUIS FELIPE DE BARROS RECHE ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. a simples apresentação de DCTF retificadora não possibilita concluir pela existência do direito creditório. b. Acórdão n° 3001-000.867, sessão de 13/06/2019, Rel. Cons. LUIS FELIPE DE BARROS RECHE ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2014 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS DO ERRO COMETIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A retificação da DCTF realizada após a emissão do despacho decisório não impede o deferimento do pleito, desde que acompanhada de provas documentais hábeis e idôneas que comprovem a erro cometido no preenchimento da declaração original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2014 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Cabe ao julgador, na busca da verdade material, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do sujeito passivo, solicitar documentos complementares que possam auxiliar a formação de sua convicção, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Fl. 963DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-009.441 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.000867/2007-94 c. Acórdão n° 3003-000.346, sessão de 13/06/2019, Rel. Cons. VINICIUS GUIMARÃES ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do sujeito passivo o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. ANÁLISE DAS PROVAS PELO JULGADOR. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDENTE. Não há que se falar em ofensa aos princípios da verdade material, estrita legalidade, razoabilidade e proporcionalidade, quando a autoridade julgadora apreciou as provas dos autos e não encontrou elemento capaz de infirmar débito constituído. DIREITO DE DEFESA. OFENSA NÃO CARACTERIZADA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade do auto de infração: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentado clara fundamentação normativa, motivação e caracterização dos fatos; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando, no curso do processo administrativo, há plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa, com a compreensão plena, por parte do sujeito passivo, dos fundamentos fáticos e normativos da autuação. Quando a decisão administrativa encontra-se devidamente motivada, com descrição clara dos fundamentos fáticos e jurídicos, não há que se falar em violação à ampla defesa e contraditório, sobretudo quando resta demonstrado que o sujeito passivo atacou, em seus recursos, os fundamentos da decisão. PRODUÇÃO DE PROVAS E JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. INEXISTÊNCIA DE AMPARO LEGAL. Na ausência de elementos que configurem alguma das três hipóteses elencadas no § 4° do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, inexiste amparo legal para o acatamento de produção de provas e juntada de documentos em momento posterior à apresentação da impugnação. Não há que se falar em diligência ou perícia com relação à matéria cuja prova deveria ser apresentada já em sede de impugnação. Procedimentos de diligência ou de perícia não se afiguram como remédios processuais destinados a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova. Tal aspecto é de palmar importância quando da ponderação ao item que segue. 5. Do pedido residual de perícia técnica Por fim, volto a consignar que este PAF ofereceu ao Contribuinte toda oportunidade de edificação probatória, de modo que teve todas as chances de produzir aquilo que Fl. 964DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-009.441 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.000867/2007-94 entende por indispensável à garantia de seu direito. De tal sorte, mostra-se absolutamente incabível o pleito residual de provas, eis que cumpridos os ditames do Dec. n° 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Se não juntou documentos tidos como essenciais à comprovação de seu direito, o Contribuinte o fez com amplo gozo de sua liberalidade para tanto. Por todo o exposto, a despeito da recalcitrância do Recorrente, não identifico qualquer mácula ao presente PAF; quanto ao mais, reitero que a DRJ procedeu com percuciente observância às normas instrumentais, de modo que o Contribuinte furtou-se de juntar os elementos aptos a corroborar sua tese. Assim sendo, entendo que não há de se reconhecer a homologação pretendida. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 965DF CARF MF Documento nato-digital

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