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Numero do processo: 10805.908443/2011-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES.
De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
Numero da decisão: 1401-002.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES Recorrente LAB HORMON LABORATÓRIO ESPECIALIZADO EM DOSAGENS HORMONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 84 43 /2 01 1- 08 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10805.908443/201108 Acórdão n.º 1401002.273 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que, por meio do Acórdão 03054.249, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 15), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 14397.98340.310107.1.3.046471, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do IRPJ, PA 30/06/2001, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/09/2010 (AR fl. 18). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Francisco Ferreira Neto), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 21 a 27) em 19/10/2010, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e escorandose em jurisprudenciais e manifestações doutrinárias, em síntese, argumenta o seguinte: vinha apurando normalmente o IRPJ e a CSLL com base no lucro presumido aplicando 32% sobre a receita bruta para as prestadoras de serviços em geral. Com a nova redação dada pela Lei n° 10.684/2003, alterou a alíquota de 12% para 32%, exceto para "serviços hospitalares", para a apuração da CSLL; após a edição da IN SRF n° 539/2005 e da resposta a Solução de Consulta (anexa), verificouse que havia pago a maior os tributos de Código 2089 e 2372, nos períodos de 30/10/2000 a 28/07/2005. Em 19/01/2006, formulou vários pedidos de restituição, um para cada pagamento indevido ou a maior. Se valendo da faculdade do contribuinte, ao invés de aguardar o depósito em conta bancária do valor a restituir optou pela compensação; a forma da apuração do IRPJ e da CSLL, nos períodos de 2000 em diante, foram externadas nas DCTF relativas à época, no entanto, como a IN/SRF e a Solução de consulta só foram dadas em 2005/2006, mas de conteúdo interpretativo e retroativo, as DCTF não mais condizem com a verdade dos fatos; com a edição da IN/SRF n° 539 de 25/04/2009, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF n° 480/2004, a interessada foi equiparada a "serviços hospitalares". Assim, começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente; os impostos e as contribuições já pagas foram recalculadas e se verificou pagamentos maior os tributos devidos. Assim, providenciou o Pedido de Restituição por meio do programa Per/DComp, devidamente informado em suas Declarações de compensação; uma vez que a IN/SRF n° 539/2005 atribuiu nova interpretação a lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão; uma vez que já havia pago os respectivos DARF e lançado em DCTF o valor recolhido, bem como o valor apurado, segunda a legislação na época, o sistema da Receita Federal do Brasil não foi capaz de identificar o pagamento a maior; Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10805.908443/201108 Acórdão n.º 1401002.273 S1C4T1 Fl. 4 3 para se verificar o pagamento a maior, a fiscalização deverá examinar a aplicação das novas alíquotas nas bases de cálculos já conhecidas pela RFB, onde se constatará que cada pedido de restituição realizado corresponde a um DARF pago à maior. Por ultrapassar o qüinqüênio, está impedida de prestar estas informações através de retificadora de DCTF; não bastasse toda a legislação que dá amparo legal para que procedesse a compensação com estes novos créditos apurados, resta ainda trazer à baila o Comunicado SEORT n° 831/2006, que dá ciência da SOLUÇÃO DE CONSULTA, elaborado especialmente pela interessada (anexo), no Processo Administrativo n° 10805.000720/200403; a resposta ofertada à consulta contém uma interpretação autorizada que garante a segurança jurídica da consultante. A própria solução apresentada orienta o contribuinte a proceder com o novo enquadramento e reconhece o pagamento a maior efetuado ao longo do tempo; o Ato de NãoHomologação deve ser anulado e a fiscalização deve oportunizar a interessada em prestar esclarecimentos quanto ao montante apurado, com os devidos documentos fiscais que podem ser livremente exigidos por intimação; a 1N/SRF nº 791, de 10/12/2007, revogou a redação dada pela IN/SRF nº 539/2005, do artigo 20, da IN/SRF nº 480/2004. Ocorre que a nova interpretação só surtirá efeito após 10.12.2007, enquanto os pedidos de restituição foram realizados antes da nova interpretação e na vigência da resposta a consulta; outro não é o entendimento do Conselho de Contribuintes que conclui assim, certo de ter demonstrado que mesmo diante de uma infinidade de normas tributárias que cercam a interessada, esta não procurou obter vantagem indevida ou se aproveitar do instituto da restituição e da compensação para se livrar de suas obrigações tributárias. Pelo contrário, formulou o pedido de consulta e só depois da orientação dada pela autoridade competente é que procedeu aos pedidos eletrônicos de restituição e as declarações de compensação. Por fim, requer seja conhecida e julgada procedente esta interposição, anulando a decisão administrativa que nãohomologou as compensações realizadas, restaurar e manter os efeitos da extinção do crédito tributário compensado. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 03054.249, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10805.908443/201108 Acórdão n.º 1401002.273 S1C4T1 Fl. 5 4 Cientificada da decisão da DRJ na data de 19/11/2013 via ARECF de efls. 59 e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 04/12/2013 (efls. 61 a 70), conforme protocolo de efl. 61, repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas precipuamente atacando a decisão da DRJ nos seguintes pontos: É ausente, no v. acórdão, qualquer menção, ainda que de passagem, de que a recorrente não teria direito à aplicação dos coeficientes de 8% e 12%, respectivamente para a determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por não atender aos requisitos exteriorizados. E nesse ponto, peca a decisão, que deixou de analisar concretamente o caso para apenas expor a legislação tributária de caráter geral. Noutras palavras, para exemplificar, é como negar um pedido à uma empresa sob o fundamento de que somente indústria pode formular tal pedido, sem se perguntar se a empresa é, ou não, indústria. Outrossim, a recorrente reproduz a ementa da DRJ, que indica que o fundamento para indeferir o direito creditório pautase na falta de apresentação de documento expedido pela vigilância sanitária estadual e municipal. E conclui com o seguinte: Nobres Julgadores, o direito creditório deve ser reconhecido exatamente pelos mesmos fundamentos que o negaram, e para comprovar, segundo restou consignado na decisão hostilizada, que o fato se subsume à norma, faz juntar os documentos expedidos pelos órgãos de vigilância sanitária, responsáveis pela fiscalização e controle de cada um dos estabelecimentos da recorrente. Assim, não havendo divergência quanto ao direito invocado e aplicado, a questão se resume à matéria de fato, cuja prova conduz à reforma da decisão combatida. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.246, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10805.902133/201091. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.246): O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. No presente processo, devese avaliar se a atividade exercida pela empresa se enquadra no conceito de atividades hospitalares, para que possa tributar o IRPJ e a CSLL se servindo da base de presunção de tais atividades. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10805.908443/201108 Acórdão n.º 1401002.273 S1C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, convém reproduzir a legislação vigente à época dos fatos geradores apurados, incluídas suas alterações posteriores, aplicada às empresas que exercem atividades hospitalares (Lei nº 9.249/1995): IRPJ Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (Vide Lei nº 11.119, de 205) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ................... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ......... CSLL Art. 20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário. Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10805.908443/201108 Acórdão n.º 1401002.273 S1C4T1 Fl. 7 6 jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014 (Vigência) Como se pode ver, a redação contemporânea à realização dos fatos geradores permitia que os serviços hospitalares poderiam se enquadrar nas alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento) para o IRPJ e CSLL, respectivamente. É de se notar, também, que não havia nenhuma outra condição para tal enquadramento. Em resposta à consulta formulada por meio do processo administrativo nº 10805.000720/200403, a Receita Federal estabeleceu as seguintes condições para que a empresa pudesse se enquadrar nas atividades de serviços hospitalares. Veja as conclusões da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT/Nº 273, de 15 de agosto de 2006 (efls. 46 a 53): (início do trecho da conclusão da Solução de Consulta) 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de calculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sabre o Lucre Liquido, respectivamente; 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresaria que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; (destaquei) 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10805.908443/201108 Acórdão n.º 1401002.273 S1C4T1 Fl. 8 7 concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. (destaquei) (término do trecho da conclusão da Solução de Consulta) Como visto, para que a empresa pudesse ter o direito ao enquadramento nas alíquotas de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), além de exercer uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela Resolução RDC nº 50, de 2002, entendeu a Receita Federal que também deveria possuir estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por licença sanitária estadual ou municipal. Independentemente das atividades exercidas pela recorrente, vejo que a licença sanitária municipal mais remota apresentada licença nº 0208/2003 remete aos idos de 2003 (10/06/2003), período posterior ao crédito aqui solicitado. Desta forma, se fosse seguir o que dispõe a solução de consulta, não haveria como atestar que, no período objeto dos créditos solicitados, a recorrente se enquadrava nas condições estabelecidas pela Receita Federal. Não obstante o entendimento exarado pela Receita Federal, todavia, não posso compartilhar com tal decisão. O STJ, por meio da resolução constante no Recurso Repetitivo nº 217, entendeu que a atividade hospitalar caracterizase tão somente pela prestação de serviços de atendimento à saúde, e independe do local de prestação, excluindose desta regra, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar, veja: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 1 Dentre forma, os serviços de diagnóstico, tratamento, internação, desenvolvidos nos hospitais ou (inclusive) fora deles, enquadramse como serviços hospitalares nos termos do art. 15, III, "a" e art. 20, ambos da Lei nº 9.249/1995. 1 extraído do seguinte endereço eletrônico: http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10805.908443/201108 Acórdão n.º 1401002.273 S1C4T1 Fl. 9 8 Como a alegação da Receita Federal e da DRJ para o indeferimento do crédito pleiteado pela empresa pautouse na falta de apresentação de licença sanitária contemporânea aos fatos geradores e, uma vez vencida tal proposição pelo STJ, concluo que a referida empresa se enquadra no conceito de serviços hospitalares, podendo usufruir das alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e de 12% (doze por cento), para o IRPJ e CSLL, respectivamente, razão pela qual proponho dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.902960/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A simples retificação da DCTF e a apresentação dos registros contábeis consolidados, desacompanhados dos documentos hábeis de suporte, não autorizam a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-002.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 14/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A simples retificação da DCTF e a apresentação dos registros contábeis consolidados, desacompanhados dos documentos hábeis de suporte, não autorizam a homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. EDITADO EM: 14/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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ANDRADE ADMINISTRACAO DE BENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A simples retificação da DCTF e a apresentação dos registros contábeis consolidados, desacompanhados dos documentos hábeis de suporte, não autorizam a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 14/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 29 60 /2 00 9- 31 Fl. 935DF CARF MF 2 Relatório A Recorrente transmitiu DCOMP (fls. 120/124), pleiteando a compensação de crédito de IRPJ relativo ao primeiro trimestre de 2008, no montante de R$ 19.865,37, com determinado débito de sua responsabilidade. O Despacho Decisório (fl.19) não homologou a compensação, sob a alegação de insuficiência de saldo credor. Mais precisamente, alega que o crédito em questão já teria sido utilizado para quitar débito do mesmo montante, conforme foi informado pelo próprio contribuinte em DCTF. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2/7), argumentando que a DCTF originária foi objeto de retificação que foi desconsiderada pelo fisco. Sustenta que, na apuração originária, não havia incluído as retenções de IR que sofreu. Dessa forma, após informar tais retenções, o débito apurado passou a totalizar a quantia de R$ 3.434,18, montante este inferior ao que foi pago (R$ 19.865,37). A diferença, portanto, constituiria crédito líquido e certo. Em Sessão de 13 de dezembro de 2011, a DRJ/RJI, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por meio do Acórdão nº 12.42.936 (fls. 145/148), cuja ementa ora transcrevo: RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a menor de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 152/159). Reitera as alegações de defesa e anexa documentação adicional tendente a comprovar suas alegações (fls. 160/181). O julgamento do recurso foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 1802000.459 fls. 184/191, que determinou o retorno dos autos a unidade de origem para as seguintes providências: 1) Juntar de cópia completa da DIPJ 2009, anocalendário 2008, com respectivo comprovante de entrega (verificar também se há eventual DIPJ retificadora desse PA). Confirmar a data de transmissão/recepção da DIPJ 2009, anocalendário 2008; 2) Confirmar o pagamento do imposto, recolhimento mediante DARF, objeto do pedido de crédito nestes autos; 3) Intimar a Contribuinte para à luz da escrituração contábil/fiscal e respectivos documentos de suporte: a) comprovar o alegado erro de fato que possa justificar a DCTF retificadora apresentada; Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10725.902960/200931 Acórdão n.º 1201002.000 S1C2T1 Fl. 3 3 b) comprovar a retenção do IRRF no valor de R$ 3.434,18, juntando cópia das DIRF respectivas, cópia de informe de retenção ou nota fiscal. 4) Elaborar relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do direito creditório original pleiteado nos presentes autos e se disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos; 5) Intimar a Contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para, em querendo, apresentar manifestação. Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuite, retornem os autos para julgamento. Em atendimento, a autoridade fiscal responsável assim se manifestou no Relatório de Diligência (fls. 916/925): Diante de todo o exposto, concluise o seguinte: 1. Caso considerados somente os livros, demonstrativos e o computo geral/total de receita e despesas, entendemos que o interessado faz jus ao crédito declarado/ pleiteado, que, por sua vez, é suficiente à compensação do débito informado na DCOMP em questão. 2. Caso considerada a necessidade de apresentação dos documentos que deram/dão suporte à escrituração do 1° trimestre de 2008, entendemos que o interessado não faz jus ao crédito declarado/pleiteado, e consequentemente, que não deve ser homologada a compensação informada na DCOMP em questão. A contribuinte foi intimada sobre o resultado da diligência (fls. 928), mas não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. No item 3 das providências solicitadas na Resolução que determinou a diligência, foi determinada a intimação da Recorrente para, "à luz da escrituração Fl. 937DF CARF MF 4 contábil/fiscal e respectivos documentos de suporte" (grifei), comprovar o alegado erro de fato que pudesse justificar a DCTF retificadora apresentada. O interessado, através do Item 7 da Intimação n. 015/2014 (fls. 241), foi notificado a apresentar os documentos relacionados em 8 (oito) itens, dentre eles os "Documentos que deram/dão suporte a escrituração do 1o trimestre de 2008" (item 7) e os comprovantes da retenção do IRFonte informado (item 8). Essa notificação foi cumprida apenas de forma parcial, tendo a autoridade fiscal se certificado já por ocasião da entrega que os documentos relativos aos itens 7 e 8 não foram entregues (vide fls. 246/247). Não obstante, a partir do que foi disponibilizado, concluiu a autoridade diligenciante que, com base no que foi registrado nos livros contábeis e nos demonstrativos de apuração, é possível constatar que o contribuinte faria jus ao crédito. Caso, porém, seja considerada imprescindível a "necessidade de apresentação dos documentos suporte à escrituração", a conclusão seria de forma desfavorável ao direito creditório. Nesse sentido, assim se manifestou o auditor fiscal responsável: [...] Diante dessa passagem, e tendo em vista competir a esta unidade da RFB (DRF/CGZ) elaborar relatório completo, circunstanciado e conclusivo do resultado da diligência, o interessado, através do Item 7 da Intimação n° 015/2014, foi intimado a apresentar os "Documentos que deram/dão suporte a escrituração do 1° trimestre de 2008". Como já exposto, o interessado não atendeu este item (Item 7 da Intimação n° 015/2014). Buscouse fazer um batimento entre o declarado na DIPJ 2009 com as demonstrações financeiras apresentadas pelo interessado. Com relação ao Balanço Patrimonial (BP), este batimento não é possível, uma vez que o crédito, e consequentemente o BP intimado/apresentado, referese ao 1° trimestre de 2008 (31/03/2008), e a DIPJ só contém o último BP do ano (31/12/2008). De todo modo, batimento do BP nada ou quase nada acrescentaria à análise, uma vez que a questão passa precipuamente pela análise do resultado do exercício, objeto do Balanço de Resultado Econômico (BRE) antigamente, Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE) e do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). [...] Exame da DIPJ, Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral do 1° trimestre de 2008 (fls. 205/206), e do BRE apresentado pelo interessado (fls. 263/266) evidenciam que as receitas brutas ali consignadas coincidem: R$ 724.541,96. O total de custos/despesas/gastos, excluídas as provisões de CSLL e IRPJ, também coincidem: R$ 701.647,46. [...] Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10725.902960/200931 Acórdão n.º 1201002.000 S1C2T1 Fl. 4 5 Logo, caso considerado somente os livros/DIPJ e esse cômputo geral (total de receita total de despesas), os cálculos estão corretos, resultando em IRPJ a pagar = 0 (zero), conforme tabela acima; tendo o interessado, consequentemente, direito ao crédito pleiteado (R$ 19.865,37), que, por sua vez, é suficiente para extinguir, por compensação, o débito informado na DCOMP (R$ 7.079,56), conforme cálculos anexados às fls. 903/905. [...] Não se conseguiu fazer um batimento total mais profundo entre as rubricas/contas lançadas no BRE (fls. 263/266) com as lançadas nas Fichas 04A, 05A e 06A da DIPJ, relativas ao 1° trimestre de 2008 (fls. 197, 201 e 205/206). Às fls. 911/914, segue tabela evidenciando o batimento feito. É claro que grande parte da dificuldade na tentativa de batimento se deve ao fato de a diagramação das peças (BRE e respectivas fichas da DIPJ) ser diferente, conforme já exposto; o que, por si só, não constitui inconsistência. De todo modo, sem prejuízo de qualquer outra por ventura existente, foram detectadas situações que merecem destaque. Na DIPJ, a soma de Compras de Mercadorias (à Vista e a Prazo) é R$ 8.365,92, enquanto que no BRE, as constas Mercadorias p/ revenda (Matriz e Filial), que, s.m.j., seriam as suas correspondentes, totalizam R$ 6.741,71. Na DIPJ, foi lançado R$ 8.634,60 a título de Arrendamento Mercantil. Não se detectou qualquer conta no BRE que espelhasse tal encargo. Não se conseguiu também um batimento dos valores lançados nas rubricas "Remuneração a Dirigentes e a Conselho de Administração", "Ordenados Salários Gratif. e Outras Remun. a Empreg", e "Encargos Sociais (inclusive FGTS)" da DIPJ, com o que se entendeu serem as suas correspondentes rubricas do BRE, ocasionando diferenças, conforme a já citada tabela de fls. 911/914. Por fim, verificase que tanto na Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral da DIPJ quanto no BRE, o interessado nada informou a título de Outras Receitas Financeiras. Não obstante, a consulta ao sistema DIRF (fls. 867/884), consolidada na tabela de fls. 885/887, evidencia que houve IRRF sob o código de receita 3426 Aplicações financeiras de renda fixa, exceto em fundos de investimento; cujos rendimentos, sobre os quais incidiram as retenções no 1° trimestre de 2008, foram na ordem de R$992,07. É claro que o lançamento de tal montante nos demonstrativos geraria um imposto de renda devido a mais (além dos R$ 3.434,18 declarados) na ordem de R$ 148,81 (R$ 992,07 x 15%). Contudo, esse imposto seria fatalmente consumido por IRRF, Fl. 939DF CARF MF 6 uma vez que já foi constatado que o IRRF do interessado no 1° trimestre de 2008 foi na ordem de R$ 8.158,39, havendo sido aproveitado pelo mesmo, nas apurações, apenas R$ 3.434,18. Não obstante, como se observa, pelas únicas informações disponíveis nas bases desta RFB (sistema DIRF), constatouse inconsistências nos demonstrativos levantados/ apresentados pelo interessado. Como se nota, apesar de existir compatibilidade entre o valor global escriturado e o valor declarado, não houve comprovação da origem dos lançamentos e a fiscalização encontrou inconsistências que comprometem a certeza e a liquidez do crédito apurado. Já o contribuinte, mesmo intimado em mais de uma oportunidade, não apresentou os documentos que suportam seus registros contábeis, assim como não contrapôs os exemplos de inconsistências indicados no relatório de diligência. Não há cópia da nota fiscal, extrato bancário, comprovação da inclusão das receitas financeiras na base de cálculo ou qualquer outro esclarecimento acerca das divergências verificadas. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado com documentos hábeis. Ocorre, porém, que, nos termos do art. 170 do CTN1, a certeza e liquidez do crédito são requisitos fundamentais para homologação da compensação. Vale assinalar, nesse contexto, que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de retificação de DCTF após a entrega da DCOMP, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, o que não ocorreu no caso. A DCTF retificadora, por si só, nada prova na linha dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). 1 Art. 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10725.902960/200931 Acórdão n.º 1201002.000 S1C2T1 Fl. 5 7 “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). A contabilidade, desacompanhada de sua documentação de suporte, não é suficiente para fazer prova do direito creditório. O artigo 9232 do RIR/99 é claro ao prescrever que os fatos registrados na contabilidade somente fazem prova se comprovados por documentação hábil, documentação esta que não foi produzida pelo contribuinte. Feitas essas considerações, entendo que o direito creditório alegado não restou comprovado. Ante o exposto, NEGO provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli 2 Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Fl. 941DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.901966/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
Numero da decisão: 1302-002.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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IRPJ. ATIVIDADE HOSPITALAR. Recorrente LABORATÓRIO DE ANATOMIA PATOLÓGICA E CITOPATOLOGIA S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 19 66 /2 00 9- 43 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10835.901966/200943 Acórdão n.º 1302002.610 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso apresentado em relação ao Acórdão nº 1432.274, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional." O sujeito passivo apresentou o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp) nº 33162.10940.240206.1.3.044362, por meio do qual compensa suposto crédito de sua titularidade, referente a pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ, período de apuração de outubro de 2002, com débito(s) relativo(s) à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) , período de apuração de 2º trimestre de 2001. Por meio do Despacho Decisório a citada compensação não foi homologada, por inexistência do alegado crédito. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo se limita a alegar a existência do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) que embasaria o crédito compensado via PER/Dcomp. O Acórdão recorrido entendeu que não foram comprovadas a liquidez e certeza necessárias para haver o reconhecimento do direito creditório. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual sustenta que: a) o motivo da compensação pelo contribuinte é o desenvolvimento de atividade hospitalar; b) o Fisco, ao homologar várias compensações promovidas sob os mesmos fundamentos, reconheceu o direito da Recorrente à aplicação da alíquota de 8% incidente sobre a receita bruta na apuração do IRPJ sobre o lucro Presumido; Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10835.901966/200943 Acórdão n.º 1302002.610 S1C3T2 Fl. 4 3 c) a Recorrente está cadastrada sob a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 8640202 "Laboratórios clínicos"; d) tal atividade corresponde à designada na atribuição 4, mencionada no art. 27, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, que, por sua vez, reportase à Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), parte II, subitem 2.1, atribuição 4, tópico 4.4, "Anatomia patológica e citopatologia"; e) à luz dos documentos apresentados, a Recorrente atende à legislação relativa à definição de "serviços hospitalares"; f) o Acórdão recorrido "contraria as conclusões de procedimento fiscal realizado pela própria Receita Federal (Termo de Verificação Fiscal nº 0810500200700032 2), no qual se reconheceu que a Recorrente atende às exigências legais e regulamentares concernentes à referida condição e, portanto, faz jus ao percentual diferenciado para apuração do lucro presumido na prestação de seus serviços"; g) a exigência do Fisco de exigir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atender casos de internação de pacientes é ilegal e inconstitucional; h) eventuais dúvidas foram dissipadas com a edição de Instruções Normativas, da Solução de Divergência nº 11, de 21 de julho de 2003, e do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, que considerou "serviços hospitalares" aqueles prestados por pessoas jurídicas diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução, dentre outras atividades, da relativa à anatomia patológica; i) igualmente, considerarseia serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias, cujos serviços sejam prestados não apenas pelos sócios, mas provenham de uma atividade empresarial (organização de fatores intelectuais e materiais visando ao lucro); j) apenas nos casos em que a receita provém, unicamente, do trabalho intelectual e pessoa dos sócios, o percentual aplicável será o de 32%; k) as Instruções Normativas que regulamentaram a matéria em comento acabaram por imputar requisitos subjetivos contrários ao art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; l) ainda assim, a estrutura da Recorrente atende a todas as normas acima referidas, conforme citado Termo de Verificação Fiscal; m) o Superior Tribunal de Justiça, por meio do julgamento do REsp nº 1.141.299/SC, consolidou o seu posicionamento no sentido de que os arts. 15, §1º, III, "a", e 20, da Lei nº 9.249, de 1995, explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços prestados, e não no contribuinte que os executa; n) por fim, requer que, para contrapor fatos trazidos na decisão combatida, por ocasião do julgamento do recurso voluntário, sejam requisitadas informações ou cópias do Termo de Verificação Fiscal nº 08105002007000322 / DRF Presidente Prudente (SP). É o Relatório. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10835.901966/200943 Acórdão n.º 1302002.610 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.563, de 22.02.2017, proferido no julgamento do processo nº 10835.901867/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.563): O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 30 de março de 2011 (fl. 23), tendo apresentado recurso em 27 de abril de 2011 (fls. 24 a 56), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por sócioadministrador, com poder de representação, conforme fls. 48 a 55. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Ocorre que o cotejo entre a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo (fl. 11) e o recurso ora tratado permite a constatação de que todas as matérias contidas neste último apelo não foram trazidas naquela primeira peça. Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10835.901966/200943 Acórdão n.º 1302002.610 S1C3T2 Fl. 6 5 A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. Todas as conclusões acima expostas em relação à impugnação são aplicáveis à manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação, em decorrência do art. 74, §§9º e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. É patente que as matérias e provas trazidas no recurso de fls. 24 a 56 não se encaixam nas exceções acima tratadas, de modo que se torna imperioso o reconhecimento da preclusão do direito do Recorrente em trazêla aos autos neste momento, quando deveriam ter sido alegadas na manifestação de inconformidade. Tratando da preclusão consumativa, Fredie Didier Jr (Curso de Direito .Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." É exatamente o caso dos presentes autos. Se o Recorrente se limitou, em sua Manifestação de Inconformidade, a alegar a existência do Darf que motivou a Declaração de Compensação, sem explicitar minimamente a composição do suposto crédito que ensejou a compensação, não pode, em sede de Recurso ao CARF, inovar completamente os seus argumentos de defesa, para traz matéria que poderia, e deveria, ter sido oposta naquele primeiro recurso. A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo dos recursos, sobre a qual o mesmo autor (Curso de Direito Processual Civil, 13a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3, p. 143) se manifesta nos seguintes termos: "A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum apellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)." Há diversos precedentes, no âmbito de todas as Seções deste Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluem pelo reconhecimento da preclusão consumativa em relação às matérias não apreciadas pelo julgado a quo. Apenas para citar algumas mais recentes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10835.901966/200943 Acórdão n.º 1302002.610 S1C3T2 Fl. 7 6 incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Não se conhece de recurso voluntário que traz exclusivamente argumentos novos, não aventados na manifestação de inconformidade.Recurso Voluntário Não Conhecido." (Acórdão nº 1401002.047 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção, de 16 de agosto de 2017, Relatora Conselheira Lívia de Carli Germano) "ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão." (Acórdão nº 3401004.146 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção, de 24 de outubro de 2017, Relator Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72." (Acórdão nº 9303005.208 3ª Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 20 de junho de 2017, Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello) Isto posto, voto pelo não conhecimento do recurso do sujeito passivo. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10835.901966/200943 Acórdão n.º 1302002.610 S1C3T2 Fl. 8 7 No presente processo a ciência da decisão de primeira instância deuse em 30 de março de 20111, e o recurso voluntário foi apresentado em 27 de abril de 2011. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.954405/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/01/2002
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.166
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/01/2002 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2002 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 44 05 /2 00 8- 11 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.954405/200811 Acórdão n.º 3401004.166 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório Tratase de declaração de compensação apresentada em meio eletrônico, que restou não homologada face a inexistência de crédito, conforme despacho decisório que integra os autos ora em apreço. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, na qual alegou, em síntese, que: (i) o DARF indicado na DCOMP pela Manifestante como sendo a fonte de seu crédito foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil; (ii) foi identificada também a existência de um pagamento vinculado ao referido DARF; (iii) o crédito utilizado na DCOMP efetivamente existe, tendo sido o Despacho Decisório proferido unicamente em razão de um simples equívoco cometido pela contribuinte, o de se esquecer de retificar a respectiva DCTF no momento em que foi constatado que o pagamento da contribuição havia sido feito a maior; (iv) no caso de não ser acatada a defesa apresentada, prevalecerá o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional em prejuízo de direito liquido e certo da manifestante. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) prolatou o Acórdão DRJ nº 1630.783, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade manejada, de forma a não reconhecer o direito creditório pleiteado. Regularmente notificada desta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.146, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.954389/200866, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Na apreciação de tal processo, o relator (Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) propôs conversão em diligência, rechaçada por todos os demais conselheiros que compõem o colegiado, sendo designado para redigir o voto vencedor em relação à matéria o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira. Vencida a proposta de Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.954405/200811 Acórdão n.º 3401004.166 S3C4T1 Fl. 4 3 diligência, o colegiado, no mérito, foi unânime na negativa de provimento ao recurso voluntário. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.146): "Com as devidas vênias ao entendimento do i. Conselheiro Relator, apresento nas linhas a seguir os motivos pelos quais divergi da proposta de conversão do julgamento em diligência, votando pela apreciação da Recurso Voluntário. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.954405/200811 Acórdão n.º 3401004.166 S3C4T1 Fl. 5 4 destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. Como se verifica pela análise do despacho decisório e da decisão recorrida, o motivo para a não homologação da declaração de compensação foi o equívoco cometido pela Recorrente, de não ter retificado a DCTF referente ao alegado pagamento a maior, qual seja referente ao PIS de Setembro de 2000. Diante disso, as autoridades fiscais constataram uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de PIS naquele período de apuração, não sendo possível a identificação pela Administração Tributária de qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente e ficando claro à Recorrente que tal decisão se deu em razão da ausência de DCTF, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente apenas reitera a afirmação de que teria ocorrido um pagamento a maior e que o excesso em tal pagamento corresponderia ao exato valor objeto da declaração de compensação. Segundo a Recorrente, “foi constatado que o pagamento de PIS realizado em 13/10/2000 havia sido feito a maior, para assim reduzir o valor do débito de PIS relativo ao mês de outubro/2000 de R$ 539.691,85 para R$ 529.519,48, medida essa necessária para evidenciar o direito creditório na importância de R$ 10.172,37”. (fls. 42) Porém, a Recorrente inicia e encerra ali as suas explicações acerca do pagamento a maior que teria realizado. A Recorrente deixa de expor as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida e não apresenta documento algum que Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.954405/200811 Acórdão n.º 3401004.166 S3C4T1 Fl. 6 5 porventura pudesse dar suporte à ocorrência do indébito, como documentos contábeis e notas fiscais, ainda que de modo rudimentar, para indicar um princípio de prova, a ser potencialmente aprofundada em diligência. Nesse cenário, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Ressaltese que esse direito não foi obstado pela ausência de retificação de DCTF, providência que já se afirmou não é entendida por essa Turma como condição para homologação da compensação, mas por carência probatória do direito alegado, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a Recorrente. Ante o exposto, apresento divergência em relação ao Relator, por entender que não é hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória por parte do Recorrente, motivo pelo qual voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo a decisão recorrida e o despacho decisório que não reconheceu a homologação da compensação declarada pela Recorrente. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000505/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista.
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
PRAZO DECISÃO ADMINISTRATIVA. ART. 24, 5º DA LEI Nº 11.457/2007. 360 (TREZENTOS E SESSENTA) DIAS. INAPLICABILIDADE NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO.
O prazo previsto no art. 24, § 5º da Lei nº 11.457/2007 é aplicado aos julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.126
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. Recorrente SORANA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista. PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. PRAZO DECISÃO ADMINISTRATIVA. ART. 24, 5º DA LEI Nº 11.457/2007. 360 (TREZENTOS E SESSENTA) DIAS. INAPLICABILIDADE NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. O prazo previsto no art. 24, § 5º da Lei nº 11.457/2007 é aplicado aos julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 05 05 /2 01 0- 18 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 12585.000505/201018 Acórdão n.º 3302005.126 S3C3T2 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ/FOR, que manteve a decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento formulado pela contribuinte recorrente, relativo a crédito de COFINS nãocumulativa/mercado interno, vinculado a receitas tributadas à alíquota 0(zero) no mercado interno. O despacho decisório estava assim ementado: AQUISIÇÃO PARA REVENDA. MÁQUINAS, VEÍCULOS E AUTOPEÇAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITO. Não geram créditos as aquisições para revenda de máquinas, veículos e autopeças sujeitos à incidência monofásica ainda que a pessoa jurídica adquirente esteja sujeita à nãocumulatividade e que a sua respectiva receita de venda seja sujeita à alíquota zero. (art. 3º, I, b, c/c o art. 2º, §1º, III e IV, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003) Cientificado do decisório o contribuinte manifestou inconformidade na qual pede o crédito de ressarcimento, com base nas seguintes razões: · Como se passaram mais de cinco anos entre a apresentação do PER e a ciência do Despacho Decisório, não caberia mais à Administração Tributária denegar o crédito pleiteado, devendo ser ele reconhecido tacitamente, por força do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (art. 37, §5º, da Constituição Federal); Fl. 262DF CARF MF Processo nº 12585.000505/201018 Acórdão n.º 3302005.126 S3C3T2 Fl. 4 3 · O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, possibilita o creditamento que gera a existência do crédito pleiteado. A 4ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 08033.389. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.113, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 12585.000491/201024, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.113): "O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Como dito anteriormente, estamos diante de Recurso Voluntário que insurgise contra a decisão da DRJ de Fortaleza, que manteve o indeferimento de suposto crédito em favor da contribuinte recorrente, relacionados a crédito de COFINS nãocumulativa/mercado interno, vinculado a receita tributadas com alíquota 0 (zero), referente ao 3º trimestre de 2004, bem como a inexistência da figura da homologação tácita de pedido de restituição/ressarcimento realizado por contribuintes. I Pedido de Ressarcimento. Homologação Tácita Sustenta a contribuinte que teria ocorrido a homologação tácita do crédito objeto do pedido de ressarcimento, tendo em vista ter transcorrido o prazo quinquenal, previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Pois bem. A Lei n. 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei n. 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que é aplicável aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 12585.000505/201018 Acórdão n.º 3302005.126 S3C3T2 Fl. 5 4 No regime acima referido, a extinção do crédito tributário se dá de forma tácita após o decurso do prazo de 5 anos, nos exatos termos do § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, conforme podemos observar abaixo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administradas por aquele órgão. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (Redação dada pela Medida Provisória n. 135, de 2003, depois convertida na Lei n. 10.833/2003). Conforme podemos observar, o prazo de 5 anos para a homologação tácita não diz respeito aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato de os pedidos de ressarcimento/restituição serem transmitidos pelo mesmo sistema em que é feita a transmissão dos pedidos de compensação não autorizam a necessidade de se obedecer tal prazo pelo Fisco. Vale dizer, nos pedidos de ressarcimento/restituição não existe a extinção de uma dívida tributária, o que se visa com tal procedimento é o reconhecimento de um direito do contribuinte. Para que o pedido de ressarcimento/restituição seja deferido, fazse necessária a comprovação de sua existência por parte do contribuinte, não havendo a comprovação não ha que se falar em homologação, muito menos em homologação tácita. Desta forma, pela necessidade de haver a contribuição direta do contribuinte em sua comprovação, não existe prazo legal para que o fisco reconheça ou não a existência dos créditos sobre os quais recaia o pedido de ressarcimento/restituição. Nesse sentido, peço vênia para transcrever parte do voto do I. Conselheiro Jorge Olmiro Loch Freire, no Acórdão nº 3402004.569, que tratou da mesma matéria, vejamos: " (...) Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, Fl. 264DF CARF MF Processo nº 12585.000505/201018 Acórdão n.º 3302005.126 S3C3T2 Fl. 6 5 ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação (...)". A contribuinte recorrente alega que a autoridade fiscal deveria obedecer os prazos previstos no Decreto nº 70.235, e no § 5º do art. 24 da Lei n. 11.457/2007 para apreciar o seu pedido de ressarcimento. É o texto do mencionado artigo: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos). Da simples leitura do dispositivo transcrito, seja por sua redação, seja por estar inserido no Capítulo II da Lei n. 11.457/2007 que trata sobre as regras as serem observadas pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quando esta for parte em litígios tributários, concluise que o prazo reclamado pela contribuinte não é pertinente, já que o prazo previsto se aplica para os julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pela contribuinte. E tal conclusão parte da premissa que o legislador não economiza e também não apresenta em opulência os termos contidos na lei e, portanto, quando estipula o prazo de 360 dias, o fez a contar da apresentação de petições, defesas e recursos administrativos, e não incluiu os pedidos de ressarcimento/ restituição. Desta forma, não se acolhe o pleito da contribuinte recorrente quanto a possibilidade de existência de suposta homologação tácita do pedido de ressarcimento/restituição. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 12585.000505/201018 Acórdão n.º 3302005.126 S3C3T2 Fl. 7 6 II Tributação Monofásica e a Impossibilidade de Apuração de Crédito de PIS/COFINS A Lei 10.485/02, com a redação dada pela Lei nº 10.865/04, instituiu regime de tributação monofásico da contribuição supracitada. O modelo foi implementado com a fixação de alíquota majorada para fabricantes e importadores de máquinas e veículos nas classificações indicadas e aplicação da alíquota de 0% (zero por cento) quando da ocorrência da venda desses produtos por parte dos revendedores, ou seja, dos comerciantes atacadistas ou varejistas. As Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 trouxeram situações que devem ser observadas a tributação nãocumulativa em relação à contribuição para o PIS e COFINS, respectivamente. Entretanto, no caso dos produtos sujeitos ao recolhimento na sistemática monofásica, quando adquiridos para revenda, não há direito a crédito, por expressa vedação legal, nos exatos termos do art. 3o , inciso I, alínea "b” das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, com a redação dada pela Lei n° 10.865/04, que estabelece expressamente que não darão direito a crédito, as mercadorias e produtos referidos no § 1º, do artigo 2º, das mencionadas leis, quando adquiridas para revenda. Desta forma, adquirindo a contribuinte para revenda máquinas e veículos nas classificações destacadas, não poderá se creditar, para fins de apuração do PIS e da COFINS nãocumulativa, dos custos de aquisição dos referidos produtos. Para melhor compreensão transcrevemos os artigos pertinentes das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, com a redação dada pela Lei nº 10.865/04: Lei nº 10.637/02 Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 12585.000505/201018 Acórdão n.º 3302005.126 S3C3T2 Fl. 8 7 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; Lei nº 10.833/03 Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos:[...] b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei;[...] Segundo as alegações da contribuinte recorrente o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, quando determina que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, este teria autorizado o creditamento pretendido. No entanto, quando nos debruçamos para analisar o artigo acima citado, é fácil perceber que não é possível sustentar a conclusão utilizada pela contribuinte, vejamos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O referido artigo, como se observa, é uma regra geral, que coexiste, sem qualquer incompatibilidade, com as vedações de creditamento constantes de regras específicas, referentes a situações específicas (tais como a “tributação Fl. 267DF CARF MF Processo nº 12585.000505/201018 Acórdão n.º 3302005.126 S3C3T2 Fl. 9 8 monofásica” e as aquisições de bens não tributados); notese que o art. 17 fala em “manutenção” de créditos, no entanto, por força da referida vedação legal, esses créditos sequer existem. Salientese que também é essa a posição sustentada pelo STJ, conforme observase do julgado colacionado a seguir: AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1.109.354 SP (2017/01242898) RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES AGRAVANTE : RIZATTI & CIA LTDA ADVOGADOS : JOSÉ LUIZ MATTHES SP076544 FABIO PALLARETTI CALCINI E OUTRO(S) SP197072 LUÍS ARTUR FERREIRA PANTANO SP250319 AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. PIS E COFINS. ART. 17 A LEI Nº 11.033/2004. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Nos termos da jurisprudência esta Corte, o disposto no art. 17 da Lei 11.033/2004 não possui aplicação restrita ao Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO (STJ, AgRg no REsp 1.433.246/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 02/04/2014; REsp 1.267.003/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 04/10/2013). Contudo, a incompatibilidade entre a apuração de crédito e a tributação monofásica já constitui fundamento suficiente para o indeferimento da pretensão do recorrente. Nesse sentido: STJ, AgRg no REsp 1.239.794/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 23/10/2013. 2. É que a incidência monofásica do PIS e da COFINS não se compatibiliza com a técnica do creditamento. Precedentes: AgRg no REsp 1.221.142/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler. Primeira Turma, julgado em 18/12/2012. DJe 04/02/2013; AgRg no REsp 1.227.544/PR. Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 17/12/2012: AgRg no REsp 1.256.107/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/05/2012; AgRg no REsp 1.241.354/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 10/05/2012. 3. Agravo interno não provido. ACÓRDÃO Fl. 268DF CARF MF Processo nº 12585.000505/201018 Acórdão n.º 3302005.126 S3C3T2 Fl. 10 9 Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." A Sra. Ministra Assusete Magalhães (Presidente), os Srs. Ministros Herman Benjamin e Og Fernandes votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília (DF), 05 de setembro de 2017. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator Desta forma, com base em todos os ensinamentos e julgado acima relacionados, entendo que não há como garantir o ressarcimento/restituição pretendido pela contribuinte recorrente. II Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, no entanto, negarlhe provimento, mantendose em sua totalidade a decisão de piso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, ressalvada a minha posição pessoal pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 269DF CARF MF
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Numero do processo: 11962.000106/2001-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração:01/02/1992 a 31/01/1996
PRAZO PRESCRICIONAL/DECADENCIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
Numero da decisão: 9303-006.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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PRAZO PRESCRICIONAL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SUPERMERCADOS CALVI LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:01/02/1992 a 31/01/1996 PRAZO PRESCRICIONAL/DECADENCIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 2. 00 01 06 /2 00 1- 41 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11962.000106/200141 Acórdão n.º 9303006.299 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 340300.174, de 17 de novembro de 2009 (efolhas 159 e segs), que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração:01/02/1992 a 31/01/1996 DECADÊNCIA. EFEITO DA RESOLUÇÃO N. 49/95 DO SENADO FEDERAL. PRAZO DECADENCIAL. Pedido de restituição/Compensação de indébitos referentes à contribuição para o PIS deve ser formulado antes do prazo de cinco anos, contados da data da publicação da Resolução n. 49, do Senado Federal, há de se reconhecer a perda do direito quando pleiteado após 10 de outubro de 2000. DECADÊNCIA. EFEITO DA ADIn nº 1.4170/DF. O prazo decadencial para pleitear indébitos decorrentes dos pagamentos realizados sob a égide da Medida Provisória n. 12/12/1995, contase o prazo decadencial iniciado na data da publicação da ADIn nº 1.4170/DF, 16 de agosto de 1999, extinguido o direito em 16/08/2005. CORREÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31.12.95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n. 8, de 27.06.97, devendo incidir a Taxa Selic a partir de 01.01.96, nos termos do art. 39, parágrafo 4º da Lei n. 9.250/95. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11962.000106/200141 Acórdão n.º 9303006.299 CSRFT3 Fl. 4 3 Recurso provido em parte. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 169 e segs) referese ao dies a quo do prazo decadencial/prescricional para restituição de Contribuição para o PIS/Pasep indevidamente recolhida por força do disposto na MP n° 1.212/95; se a data do pagamento indevido ou da publicação do acórdão do STF na ADIn no 1.4170/DF1. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 229 e segs. A contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. 1 Às efolhas 164 e 165 fica claro que o acórdão foi favorável à contribuinte apenas em relação à declaração de inconstitucionalidade da MP. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Não há reparos a fazer no exame de admissibilidade. O recurso foi apresentado dentro do prazo. Dele tomo conhecimento. Mérito Discutese o dies a quo do prazo prescricional/decadencial para repetição do indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. O art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, ao interpretar o disposto no inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional, esclareceu que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 do Código. Desta forma, segundo o entendimento que prevaleceu, não há razão para discussão sobre os efeitos da decisão do STF na ADIn nº 1.4170/DF sobre a contagem do prazo decadencial para o pedido Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11962.000106/200141 Acórdão n.º 9303006.299 CSRFT3 Fl. 5 4 de restituição. O prazo contase, sempre, da data do pagamento do tributo/contribuição ou, como adiante de verá, do fato gerador correspondente. Em 04 de agosto de 2011, o Supremo Tribunal Federal julgou o Recurso Extraordinário 566.621, modulando os efeitos do que fora disposto no retrocitado art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. A sentença determinou que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição, no caso de pagamento indevido, é de 10 anos contados do fato gerador nas ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos contados da data do pagamento indevido para as ações ajuizadas após essa data. Observese. RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11962.000106/200141 Acórdão n.º 9303006.299 CSRFT3 Fl. 6 5 no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. O artigo 62, § 2º, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 343/2015 e alterações, determina que as matérias de Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11962.000106/200141 Acórdão n.º 9303006.299 CSRFT3 Fl. 7 6 Repercussão Geral sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte2. Uma vez que o pedido de restituição de que se trata foi apresentado em 26/03/2001 (efolha 2) e os pagamento indevidos ocorreram no período 01/02/1992 a 31/01/1996, não há que se falar em prescrição/decadência do direito de repetição. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 245DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720025/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
ERRO FORMAL. CONSTATAÇÃO. CORREÇÃO.
Se alegado erro formal de escrita na decisão administrativa por um dos legitimados a opor embargos, deve-se corrigi-lo para fins de maximizar a efetividade dos princípios da ampla defesa e do contraditório.
ORDEM DOS ARGUMENTOS. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA.
Não resta caracterizada a omissão quando o julgador, em sua fundamentação, não segue a mesma ordem dos argumentos trazidos pelo contribuinte para solucionar a controvérsia. Importa, na realidade, que todos os argumentos sejam analisados, sendo irrelevante a ordem em que se apresentem no papel.
Numero da decisão: 1402-002.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanear os erros formais alegados pela Embargante, rerratificando-se o teor do Acórdão 1402-002.215. Declarou-se suspeito o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 ERRO FORMAL. CONSTATAÇÃO. CORREÇÃO. Se alegado erro formal de escrita na decisão administrativa por um dos legitimados a opor embargos, devese corrigilo para fins de maximizar a efetividade dos princípios da ampla defesa e do contraditório. ORDEM DOS ARGUMENTOS. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. Não resta caracterizada a omissão quando o julgador, em sua fundamentação, não segue a mesma ordem dos argumentos trazidos pelo contribuinte para solucionar a controvérsia. Importa, na realidade, que todos os argumentos sejam analisados, sendo irrelevante a ordem em que se apresentem no papel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanear os erros formais alegados pela Embargante, rerratificandose o teor do Acórdão 1402002.215. Declarouse suspeito o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 25 /2 01 4- 11 Fl. 1378DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 16561.720025/201411 Acórdão n.º 1402002.890 S1C4T2 Fl. 1.379 3 Relatório Tratase de processo administrativo instaurado pela impugnação da fiscalizada quanto à cobrança fiscal de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, dos anoscalendário de 2009 a 2012, que considerou conjuntamente os juros de mora e multa de ofício qualificada, no valor total de R$ 4.971.350,31. A cobrança exarada por meio de auto de infração e dois termos de verificação fiscal pautouse na constatação, mediante fiscalização, de que a pessoa jurídica Erches adquiriu as ações da ora Embargante com ágio, e que aquela teria sido adquirida pela empresa mexicana Maiorem sem preencher adequadamente o requisito do propósito negocial, o que caracterizaria a adquirente como uma empresa veículo, posto que, segundo o termo de verificação fiscal, o único e real motivo para tal aquisição seria a dedução da despesa com a amortização do ágio. A ora Embargante também foi glosada com a qualificação da multa de ofício, com fulcro no artigo 72, da Lei nº 4.502/1964 (fraude). Sua impugnação foi julgada parcialmente procedente na primeira instância (acórdão nº 1454.756) e, em segunda instância, a fiscalizada recebeu provimento parcial ao seu recurso voluntário. Esta última decisão – identificável pelo nº 1402002.215 – reduziu a multa qualificada para o patamar de 75%, acolheu a decadência em relação ao anocalendário de 2007 e negou provimento ao recurso de ofício. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012 AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. O Fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. ÁGIO. SIMULAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. OPERAÇÕES SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. Nas operações estruturadas em seqüência, o fato de cada uma delas, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto das operações, quando restar comprovado que os atos foram praticados sem propósito negocial, vez que não houve no presente caso a incorporação da real investidora, afastando a possibilidade da amortização do ágio pago na aquisição. Fl. 1380DF CARF MF 4 MULTA QUALIFICADA. Não há que se falar em multa qualificada, pois à época da realização dos atos societários com vistas ao aproveitamento do ágio, não havia entendimento consolidado neste Conselho sobre a abusividade dos planejamentos tributários e, portanto, injusto tratar a operação realizada como sendo fraudulenta, dolosa ou simulada. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sobre a multa de ofício que não tenha sido paga no vencimento, incidem juros de mora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS. Em se tratando de exigências reflexas de contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. Contudo, ainda inconformada, a fiscalizada opõe Embargos de Declaração (e fl. 1.183) alegando omissões, contradições e erros formais quanto ao acórdão nº 1402002.215. O despacho de admissibilidade – que admitiu parcialmente os Embargos – de forma bastante sistemática, elenca tais alegações (efls. 1.3731.374). Confirase: a) Contradição Quanto à Demonstração do Propósito Negocial e da Necessidade da Erches; b) Contradição Quanto à Fundamentação de seu Voto Condutor e a Jurisprudência deste E. Conselho Suscitada no Recurso Voluntário; c) Contradição Quanto à Constatação de Ausência de Critérios Objetivos para Aproveitamento do Ágio e Fundamentação da Decisão na Suposta Falta de Propósito Negocial; d) Contradição Quanto à Ausência de Regulamentação do Parágrafo Único do Artigo 116 do CTN Impossibilidade de se Desconsiderar a Participação da Erches na Operação em Análise; e) Omissão Quanto à Operação Detalhada em Sede de Recurso Voluntário para Demonstrar a Efetiva Aquisição de Participação Societária com Ágio Diretamente pela Erches; f) Omissão Quanto aos Argumentos Preliminares Acerca da Inaplicabilidade do Artigo 299 do RIR/99 ao Caso Específico; g) Omissão Quanto à “Tipificação” do Ágio Ágio Legítimo ou Ágio Interno; e h) Erros Formais Existentes no Acórdão ao Indicar Matéria Não Debatida no Presente Processo Administrativo e Numeração Equivocada do Processo Administrativo nº 16561.720182/201346. Registrese, por fim, que o Despacho de Admissibilidade admitiu apenas e tão somente as alegações manifestadas nas alíneas “f” e “h”, acima expostas. É o relatório. Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 16561.720025/201411 Acórdão n.º 1402002.890 S1C4T2 Fl. 1.380 5 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Iniciase esta decisão fazendo referência ao posicionamento exarado no Despacho de Admissibilidade que acolheu parcialmente os Embargos ora analisados. Isto porque, das nove alegações opostas pela Embargante, o Despacho de Admissibilidade somente admitiu duas; são elas: i) a omissão quanto aos argumentos preliminares acerca da inaplicabilidade do artigo 299 do rir/99 ao caso específico (alínea f do Despacho de Admissibilidade) e ii) a presença de erros formais existentes no acórdão ao indicar matéria não debatida no presente processo administrativo e numeração equivocada do processo administrativo nº 16561.720182/201346 (alínea h do Despacho de Admissibilidade). Tratandose, então, da primeira questão, a suposta omissão quanto aos argumentos sobre a inaplicabilidade do artigo 299 do RIR/99 no caso específico, entendo que não subsiste razão a Embargante. Isto porque, no que pese a autoridade julgadora não ter apreciado a questão utilizando a mesma "formatação" de exposição de argumentos que a Embargante adotara em seu Recurso Voluntário, tratou sim dos questionamentos referentes a (in)aplicabilidade do artigo 299 do RIR/99. Analisando, por exemplo, a efolha 1.194, do acórdão combatido, temse um esclarecimento sobre a incidência do artigo 386, do RIR/99 e dos artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532/1997 que se equiparam àquele. Percebase: "De acordo com o artigo 386 do RIR/99, o qual repete os artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997, quando uma pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em conseqüência de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o artigo 385 do RIR/99, e o valor de mercado utilizado for embasado na previsão dos resultados de exercícios futuros, é possível desde já a dedução ou tributação da amortização do correspondente ágio ou deságio na apuração do IRPJ e da CSLL. Por meio dessa exceção, a legislação tributária considera que o investimento foi extinto com a incorporação, fusão ou cisão patrimonial. Tal dedução ou tributação, contudo, observará certas condições estipuladas na legislação (por exemplo, amortização de no mínimo 1/60 para cada mês do período de apuração, etc). Em verdade, desde o DecretoLei 1.598/77, é bastante claro que o ágio não seria amortizável da base de cálculo do IRPJ, mas comporia o custo do investimento na sua alienação. Fl. 1382DF CARF MF 6 Ocorre que na extinção do investimento com a incorporação, o efeito de reduzir a base de cálculo do IRPJ na alienação desse investimento (mediante a agregação do ágio ao seu custo art. 33 do DL 1598/77) restaria inviabilizado. Por esse motivo, os arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97 permitiram que na incorporação do investimento fosse possível amortizar o ágio. Portanto, a finalidade do disposto nos arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97 é regular o efeito fiscal da recuperação do ágio na aquisição do investimento, quando este é extinto mediante a incorporação. Se é essa a finalidade do dispositivo legal, não faz sentido permitir a amortização quando não há extinção nem do investidor e nem da sociedade investida. Esta é a questão que impõe seja solucionada no presente caso." Ou seja, o acórdão combatido está no mesmo sentido das alegações da contribuinte neste ponto. Não assistelhe, portanto, razão, posto que não restou configurada omissão alguma neste caso. No tocante a segunda alegação, diz a Embargante que o acórdão combatido apresenta os seguintes erros formais (efl. 1.261): i) o acolhimento da decadência quanto ao anocalendário de 2007, sendo que sequer foi requerido tal reconhecimento, posto que os anoscalendário do presente processo são 2009, 2010, 2011 e 2012 e ii) erro de digitação na efl. 1.204, em seu último parágrafo, no qual se confunde a numeração do processo 16561.720182/201346, numerandoo – na parte final – como 16561.720182/201357. Acolho, nesta parte, as alegações da Embargante, pois, de fato tais erros formais podem ser identificados no acórdão ora combatido. Retifico, então, o número do processo citado à última linha da efolha 1.024, devendose ler “16561.720182/201346”, no lugar de “16561.720182/201357”. Corrijase, ainda, a decisão do Acórdão nº 1402002.215, que equivocadamente foi registrada da seguinte forma: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Paulo Mateus Ciccone acompanhou pelas conclusões. Por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa ao percentual de 75%. Por maioria de votos, acolher a decadência em relação ao ano calendário de 2007 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que votou por negar provimento integralmente ao recurso e os Conselheiros Gilberto Baptista e Roberto Silva Junior que votaram por dar provimento integralmente ao recurso." (grifo meu) ...a qual deverá, portanto, ser lida e ao final registrada da seguinte forma: Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 16561.720025/201411 Acórdão n.º 1402002.890 S1C4T2 Fl. 1.381 7 "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Paulo Mateus Ciccone acompanhou pelas conclusões. Por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que votou por negar provimento integralmente ao recurso e os Conselheiros Gilberto Baptista e Roberto Silva Junior que votaram por dar provimento integralmente ao recurso." Diante do exposto, ACOLHO PARCIALMENTE os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para reconhecer os erros formais alegados pela Embargante, processandose as retificações devidas conforme acima reparado. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 1384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16637.000022/2008-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2005
SIMPLES. EXCLUSÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO MAIOR QUE 10% DO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. RECEITA BRUTA GLOBAL SUPERIOR AO LIMITE LEGAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO.
Tendo o sócio participado do capital de outra pessoa jurídica, com mais de 10% de participação e tendo a receita bruta global ultrapassado o limite legal, não é permitido à pessoa jurídica ser optante do Simples. Tendo o sujeito passivo optado pelo regime do Simples durante a vigência da Lei 9.317/96,
que impôs a restrição contida no seu art. 9º, IX, e levando em conta o disposto no art. 15, II, da mesma Lei, com a redação da MP 255/2005, descabe sua pretensão de que a exclusão se dê somente a partir da ciência do Ato Declaratório.
Numero da decisão: 1402-000.247
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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EXCLUSÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO MAIOR QUE 10% DO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. RECEITA BRUTA GLOBAL SUPERIOR AO LIMITE LEGAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO. Tendo o sócio participado do capital de outra pessoa jurídica, com mais de 10% de participação e tendo a receita bruta global ultrapassado o limite legal, não é permitido à pessoa jurídica ser optante do Simples. Tendo o sujeito passivo optado pelo regime do Simples durante a vigência da Lei 9.317/96, que impôs a restrição contida no seu art. 9º, IX, e levando em conta o disposto no art. 15, II, da mesma Lei, com a redação da MP 255/2005, descabe sua pretensão de que a exclusão se dê somente a partir da ciência do Ato Declaratório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. EDITADO EM: 23/09/2010 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16637.000022/2008-99 Acórdão n.º 1402-00.247 S1-C4T2 Fl. 2 3 Relatório O presente processo refere-se a exclusão do regime do Simples, por meio do ADE DRF/PEL nº. 7, de 10.06.2008, fl. 50, sob o fundamento de que o sócio titular da pessoa jurídica participava no capital de outra empresa com mais de 10%, e de que a receita bruta global ultrapassou o limite legal, fato que veda a opção pelo Simples, nos termos do art. 9º, IX, da Lei 9.317/96, regulamentado pelo art. 20 da IN 608/2006. Os efeitos da exclusão se deram a partir de 15.09.2005, data da opção pelo regime do Simples, em obediência ao disposto no art. 15 da Lei 9.317/96, com suas alterações, regulamento pelos arts. 22 a 24 da IN mencionada, sujeitando-se a pessoa jurídica, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos termos do art. 16 da mencionada Lei. O sócio Flávio Luiz Maahs de Castro participava com 60% do capital social na empresa Frigorífico Castro Ltda desde 02.09.2004 e o somatório da receita bruta de ambas as empresas ultrapassou o limite previsto no inciso II, do art. 2º da Lei 9.317/96. O ADE foi emitido com base no despacho decisório de fl. 49 e Parecer de fl. 45/48. Segundo o Parecer da autoridade administrativa, conforme consulta ao quadro societário do sistema do CNPJ, de fls. 39 a 44, comprova-se que o sócio Flávio Maahs de Castro, participa com 95% do capital social da empresa Choperia Cruz de Malta Ltda, desde 15.09.2005, e com 60% do capital social na empresa Frigorífico Castro Ltda, desde 02.09.2004, e que segundo a Representação fiscal, o somatório da receita bruta de ambas as empresas ultrapassa o limite previsto no inciso II do art. 2º da Lei 9.317/96. Concluiu pela opção indevida, em razão da IN SRF 608/2006, que prevê que a exclusão do Simples será feita de ofício quando não comunicada pela pessoa jurídica, nos termos dos arts. 22 e 23 da IN, surtindo seus efeitos a partir da data da opção, haja vista que a situação excludente ocorreu naquela data, conforme art.24, IX, da IN. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, fls. 63/86, com o argumento de que houve mudança de critério, uma vez que apresentava as mesmas condições do momento de sua opção em 2005, quando foi admitida no regime do Simples, havendo presunção de legitimidade. Também insurge-se contra os efeitos retroativos do ADE. Pediu a anulação do ADE. A Turma Julgadora indeferiu a solicitação da interessada. As ementas proferidas relativas ao acórdão 10-17.769 da 4ª Turma da DRJ de Porto Alegre são as seguintes: EXCLUSÃO DO SIMPLES – PARTICIPAÇÃO DE SÓCIO EM OUTRA PESSOA JURÍDICA. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 4 Participando um sócio do capital social de outra pessoa jurídica com mais de 10% e a receita bruta global tendo ultrapassado o limite legal, não pode a empresa ser optante do Simples. EXCLUSÃO DO SIMPLES – EFEITOS. Para a hipótese de exclusão do Simples, fundada no inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/96, os seus efeitos é o previsto no inciso II do art. 15 da mesma Lei, ou seja a partir da data de ocorrência da situação excludente. Afirmou que o sócio Sr. Flávio Luiz Maahs de Castro participava de outras sociedades com mais de 10% do capital social, cujo total das receitas ultrapassou o limite legal, fls. 1, 2 e 37 a 44, o que não permitia que a contribuinte fosse optante pelo regime do Simples, nos termos do art. 9º, IX, do art. 9º da Lei 9.317/96. Ressaltou que para esses casos, conforme o art. 15, II, a exclusão do Simples, deverá surtir efeito a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, e que a situação excludente não é a notificação, mas sim, a participação em outra sociedade, cuja receita bruta global ultrapassou o limite legal, que neste caso, se deu a partir de 15.09.2005. Sobre a invocação do art. 3º, § 4º, IV da LC 123/2006, como suposta mudança de interpretação fazendária, alegando que seria vedado, anteriormente, só a participação do sócio em outra ME ou EPP, fl. 68, vindo a ser vedada a participação em empresas sob outras formas de tributação, somente após a LC 123/2006, a Turma Julgadora destacou que o enquadramento legal a que se subsume a ocorrência é o reproduzido pelo inciso IX, do art. 9º da Lei 9.317/96, que em nada difere da especificação dada pelos incisos III e IV do art. 3º, § 4º, da LC 123/2006, que apenas abriu e determinou o termo genérico e abrangente “outra” do mencionado inciso IX, como já o fazia a IN SRF 608/2006, fl. 69. Conclui que não houve inovação jurídica para o impedimento de opção ao Simples, o que deveria ser observado pela contribuinte, no momento de sua opção. Destacou que não tendo sido observado o impedimento pela contribuinte, no momento da opção, a autoridade administrativa deverá fazer a exclusão de ofício, conforme arts. 12 a 14 da Lei 9.317/96, não existindo presunção de legitimidade. Afirma que o ADE de fls. 50, está de acordo com a Lei 9.317/96, e suas alterações posteriores, e que a normatização da SRF mencionada que tinha vigência para o período, trata meramente de aplicação de lei material, não possuindo natureza de infração ou punição. Lembra ainda que a IN SRF 608/2006 é ato que vincula os julgadores da DRJ, nos termos do art. 7º da Portaria MF 58/2006. A ciência da decisão foi dada em 24.12.2008. Em 20.01.2009, a contribuinte apresentou recurso voluntário. A recorrente argumenta que não incorreu nas hipóteses excludentes do regime do Simples e que manteve as mesmas condições originais que permitiram o ingresso no Simples, e que em último caso, os efeitos da referida exclusão não poderiam retroagir, uma vez que decorrentes de atos do próprio ente público. Alega que a exclusão fere as normas, uma vez ausente fato novo que viesse a justificar o afastamento do regime de tributação menos gravoso. Aduz que a condição de EPP é a mesma desde o momento da opção pelo Simples. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16637.000022/2008-99 Acórdão n.º 1402-00.247 S1-C4T2 Fl. 3 5 Acrescenta que o ingresso da empresa nesse regime ocorreu em 15.09.2005, início da vigência do regime, e que já houvera ultrapassado mais de 3 anos, período em que a RFB deferiu a opção, fiscalizou e a manteve no regime sem objeção; que o Sr. Flávio ingressou como sócio em 24.10.90 no Frigorífico Castro Ltda e que em 06.09.2005, Flávio juntamente com Graziela Maahs de Castro constituíram a EPP, a Choperia Cruz de Malta Ltda, conforme registro na JUCESP de 15.09.2005. Salienta que dessa forma, a participação societária de Flávio no Frigorífico Castro Ltda, era de pleno conhecimento da RFB quando da opção pelo Simples e que não houve qualquer insurgência por parte da autoridade administrativa desde a opção por esse regime em 15.09.2005. Aduz que se a opção foi admitida, o ato administrativo estaria revestido de presunção de legitimidade, que só pelos meios próprios poderá ser desconstituído. Argumenta que não alterou a atividade, manteve a mantém Flávio como sócio, não superou o limite de faturamento e nem incorreu nas causas excludentes do Simples e que o sócio Flávio já participava com 60% do capital social do Frigorífico Castro quando a autoridade administrativa concedeu a admissão da empresa no regime. Reforça que houve mudança de critério jurídico, aplicando-se na espécie, caso mantido o ADE, o disposto no art. 146 do CTN. Aduz que a autoridade administrativa ao examinar a documentação da recorrente e investigar a respeito dos sócios integrantes do CPF, conduta rotineira como provaria a documentação de fls. 37 a 40, interpretou (nos idos de 2005 e no correr dos anos seguintes) como inaplicável à espécie dos autos a vedação contida no inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/96. Salienta que agiu assim porque a expressão “outra empresa” foi interpretada corretamente como sendo “outra empresa” do tipo microempresa ou empresa de pequeno porte, diante do que dispõe o cap. I, das disposições preliminares do Estatuto do Simples, pois ali o legislador fixou o marco divisor de águas, atribuindo às regras de regência apenas às ME e EPP (restrito às empresas do Simples), e quando no texto legal faz referência à “empresa” estaria sempre focando aquelas empresas beneficiadas pelo Simples, e que no caso, o Frigorífico Castro Ltda, empresa de porte médio, sempre se sujeitou à tributação pelo regime do lucro real, conforme DIPJ de fls. 4 a 7, e 9 a 12. Destaca que com a advento da IN, a interpretação a respeito era a mesma adotada desde 01.01.97, considerando como impedidas de ingresso ao regime àquelas ME e EPP em que o titular ou sócio participasse com mais de 10% do capital de outra empresa (ME ou EPP, regime simplificado), desde que a receita bruta global ultrapassasse o limite de que trata o inciso II do art. 2º da Lei 9.317/96. Afirma que somente com a LC 123/2006, art. 3º, § 4º, IV, passou a existir a vedação do ingresso no Simples as empresas cujo titular ou sócio participe, dentro das condições previstas na disposição mencionada, no capital social de outra empresa não beneficiada pelo regime tributário de menor onerosidade. Acrescenta que mantida a exclusão, os efeitos não poderiam se dar a contar de 03.06.2005, e que a posição da irretroatividade dos efeitos da exclusão encontraria respaldo no art. 146 e na jurisprudência do TRF04, chancelada pelo STJ, vertida no RESP 996.098-RS. Aduz que em caso análogo, o TRF04, entendeu que a alteração de critério jurídico por parte da administração não tem o condão de ensejar a revisão do lançamento, e por conseguinte, atribuir Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 6 efeitos retroativos ao ato de exclusão, respaldando a exigência do pagamento de diferenças de tributos. Diz que a situação da recorrente guarda extrema semelhança com o caso julgado pelos Tribunais Federais, pois tal qual a microempresa REMOSUL, a condição original permaneceu inalterada entre o momento da admissão no regime e o evento de exclusão do Simples (apelação cível 2004.71.00.020285-8/RS). Cita também jurisprudência do TRF03. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. A interessada foi excluída do Simples, em razão do sócio-gerente Flávio Luiz Maahs de Castro deter mais de 10% do capital social da empresa Frigorífico Castro Ltda. Os efeitos da exclusão se deram desde a data inicial de ingresso no regime do Simples. Transcrevo o caput do art. 9º e inciso IX da Lei 9.317/96: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: IX - cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ; A legislação é clara. A pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa, não poderá optar pelo Simples, caso o somatório da receita bruta de ambas empresas ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2º. A contribuinte quer caracterizar o termo “outra empresa” como sendo outra empresa submetida a tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte, a que se refere o art. 1º da Lei 9.317/96, mas, não é essa a interpretação que deve ser feita. Se o legislador quisesse se referir apenas a outra empresa submetida a esse regime, assim, o teria explicitado. A LC 123/2006 não inovou em relação a essa restrição. Transcrevo o art. 3º, § 4º, III e IV: Lei Complementar nº 123 de 14.12.2006: Art.3 o Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei n o 10.406, de 10 de janeiro de 2002, devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16637.000022/2008-99 Acórdão n.º 1402-00.247 S1-C4T2 Fl. 4 7 §4 o Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: III- de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos desta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; IV- cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento)do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; O inciso IV utilizou o termo “outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar”, em razão do inciso III referir-se a restrição de participação no capital da pessoa jurídica (sem restringir o percentual de participação) que receba tratamento diferenciado nos termos daquela Lei Complementar. Sobre os efeitos da exclusão que se deram a partir da opção ao regime, argumenta a recorrente que a Receita Federal não se opôs à opção e que somente após três anos se manifestou contrariamente à adesão, e que se fosse o caso, os efeitos deveriam se dar somente após a ciência da exclusão. Transcrevo alguns dispositivos legais da lei 9.317/96: Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica dar-se-á: II - obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; Art. 14. A exclusão dar-se-á de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I - exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II - a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9 o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Portanto, quando da adesão ao Simples, em 15.09.2005, já vigia a MP 255, de 01.07.2005, que resultou na Lei 11.196, de 21.11.2005. Não houve mudança de critério jurídico, pois a legislação era clara desde o momento da opção da contribuinte ao regime do Simples. Apenas a detecção da irregularidade por parte da autoridade fiscal se deu após o prazo de 3 anos da adesão ao regime, entretanto, a Fl. 7DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 8 situação de impossibilidade de adesão ao regime do Simples no momento da opção já era de conhecimento da contribuinte. Consequentemente, não é o caso de aplicação do art. 146 do CTN, pleiteada pela recorrente, que a seguir transcrevo: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Da jurisprudência judicial, cito decisão do STJ, Recurso Especial nº 1.124.507 – MG (2009/0029627-7), de relatoria do Ministro Benedito Gonçalves: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543-C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discute-se se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. 2. Não merece conhecimento o apelo especial quanto às alegações de contrariedade aos artigos 458 e 535 do CPC, porquanto a recorrente apresentou argumentação de cunho genérico, sem apontar quais seriam os vícios do acórdão recorrido, que justificariam sua anulação. Incidência da Súmula 284/STF. 3. No caso concreto, foi vedada a permanência da recorrida no SIMPLES ao fundamento de que um de seus sócios é titular de outra empresa, com mais de 10% de participação, cuja receita bruta global ultrapassou o limite legal no ano-calendário de 2002 (hipótese prevista no artigo 9º, inciso IX, da Lei 9.317/96), tendo o Ato Declaratório Executivo n. 505.126, de 2/4/2004, da Secretaria da Receita Federal, produzido efeitos a partir de 1º/1/2003. 4. Em se tratando de ato que impede a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES em decorrência da superveniência de situação impeditiva prevista no artigo 9º, incisos III a XIV e XVII Fl. 8DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16637.000022/2008-99 Acórdão n.º 1402-00.247 S1-C4T2 Fl. 5 9 a XIX, da Lei 9.317/96, seus efeitos são produzidos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da mesma lei. Precedentes. 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõe-se que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitir-se que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, provido. Cito também decisão do STJ, AgRg no Recurso Especial nº 791.832 – MG (2005/0168533-1), de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. REGIME TRIBUTÁRIO "SIMPLES". EXCLUSÃO. RETROAÇÃO DOS EFEITOS. POSSIBILIDADE. PREVISÃO PROIBITIVA DA OPÇÃO PELA EMPRESA JÁ EXISTENTE À ÉPOCA DA ADESÃO. 1. É firme a jurisprudência entre as Turmas de Direito Público no sentido da possibilidade de conferir efeitos retroativos ao ato de exclusão do regime tributário "SIMPLES", caso a Administração constate que a empresa optante não preenche os requisitos legais para a permanência no sistema. 2. No caso, a empresa optou pelo regime em 20.3.1997, ou seja, durante a vigência da Lei n. 9.137/96. Portanto, à época do cadastro, deveria ter conhecimento da restrição contida no art. 9º, XIII, da referida legislação, razão pela qual mostra-se Fl. 9DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 10 descabida qualquer pretensão da empresa no sentido de beneficiar-se de sua própria torpeza. 3. Agravo regimental não provido. Do exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso. Albertina Silva Santos de Lima - Relatora Fl. 10DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 18470.728279/2014-22
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2014
SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. PRAZO PARA OPÇÃO.
A ME ou a EPP só poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade antes de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ e observado o prazo de até 30 (trinta) dias, contado do último deferimento de inscrição
municipal ou estadual.
Numero da decisão: 1001-000.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2014 SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. PRAZO PARA OPÇÃO. A ME ou a EPP só poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade antes de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ e observado o prazo de até 30 (trinta) dias, contado do último deferimento de inscrição municipal ou estadual.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. PRAZO PARA OPÇÃO. A ME ou a EPP só poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade antes de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ e observado o prazo de até 30 (trinta) dias, contado do último deferimento de inscrição municipal ou estadual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 82 79 /2 01 4- 22 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 18470.728279/201422 Acórdão n.º 1001000.346 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 53 a 90) interposto contra o Acórdão nº 1669.202, proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (fls. 43 a 46), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2014 SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. PRAZO PARA OPÇÃO. A ME ou a EPP só poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade antes de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ e observado o prazo de até 30 (trinta) dias, contado do último deferimento de inscrição municipal ou estadual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Este processo trata de Pedido de Inclusão no Simples Nacional desde a data de abertura constante do CNPJ, protocolizado pela contribuinte em epígrafe em 30/09/2014 (fls. 2). Alega que registrou seu contrato social na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 27/01/2014, mesma data em que foi obtido o cadastro no CNPJ. Acrescenta que, a partir de então, passou a providenciar os demais registros obrigatórios. Informa que o alvará de licença foi concedido pelo município do Rio de Janeiro somente em 11/09/2014. Alega que está dentro do prazo de trinta dias contados da data de liberação da última inscrição para solicitar o ingresso no Simples Nacional. Ante o exposto, requer sua inclusão no Simples Nacional desde a data de abertura. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 18470.728279/201422 Acórdão n.º 1001000.346 S1C0T1 Fl. 4 3 O pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro II por meio do despacho decisório de fls. 16. A autoridade a quo alega que a contribuinte poderia manifestar sua opção pelo Simples Nacional somente antes de decorridos 180 dias da data de abertura constante do CNPJ. Cientificada do despacho decisório em 17/10/2014 (fls. 19), a contribuinte apresentou, em 11/11/2014, a manifestação de inconformidade de fls. 21 e 22. Alega que registrou seu ato constitutivo na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 27/01/2014, mesma data em que obteve seu registro no CNPJ e a inscrição estadual. Acrescenta que o processo perante o município do Rio de Janeiro para a obtenção do alvará de licença apresentou exigências, tendo sido concedido o alvará somente em 11/09/2014. Alega que o alvará constitui requisito indispensável para o deferimento do pedido de opção pelo Simples Nacional, não podendo ser solicitada a opção antes da obtenção do alvará. Argumenta que seguiu todas as formalidades exigidas para a legalização da sociedade, tendo sido a demora ocasionada pela burocracia dos próprios órgãos regulamentadores. Assim, requer sua inclusão no Simples Nacional desde a data de abertura." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando que deva ser considerada a data do efetivo inicio de suas operações como data de "Início de Atividades" e não a data constante no seu cartão de CNPJ; e que o atraso para a opção pelo SIMPLES se deu em virtude da burocracia da Municipalidade do Rio de Janeiro em expedir o alvará de funcionamento.. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme relatado, o contribuinte torna a alegar em seu Recurso que a data correta a ser considerada como "início de atividade" seria a data da efetiva inauguração de suas operações, e não a data de abertura da empresa constante no cartão do CNPJ. Quanto a este ponto a decisão de piso já tratou detalhadamente, razão pela qual tomo a liberdade de transcrevêla: Fl. 100DF CARF MF Processo nº 18470.728279/201422 Acórdão n.º 1001000.346 S1C0T1 Fl. 5 4 " Tendo sido a manifestação de inconformidade apresentada com a observância do prazo estipulado no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e atendidos os demais requisitos legais, dela se toma conhecimento. A Lei Complementar n° 123/2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, dispõe que a opção pelo Simples Nacional darseá na forma a ser estabelecida pelo Comitê Gestor do Simples Nacional – CGSN. Lei Complementar n° 123/2006: “Art.16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário.” Por sua vez, a Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional n° 94/2011, regulamentou a opção ao Simples Nacional, cujos excertos abaixo transcritos aplicamse ao caso: Resolução CGSN n° 94/2011: “Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, §2º) (...) § 5º No caso de início de atividade da ME ou EPP no anocalendário da opção, deverá ser observado o seguinte: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, §3º) I a ME ou EPP, após efetuar a inscrição no CNPJ, bem como obter a sua inscrição municipal e, caso exigível, a estadual, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (...) § 7º A ME ou EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 5 º . (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 3º)” (g.n.) Portanto, a Resolução estabelece duas condições concomitantes: a opção pelo Simples Nacional deverá ser feita em até 30 dias depois do último deferimento de inscrição estadual ou municipal e não poderá ser feita após decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante no CNPJ. Cabe ressaltar que a Resolução CGSN nº 94/2011 não prevê exceção a essa regra, cabendo à autoridade julgadora de 1ª instância administrativa dar Fl. 101DF CARF MF Processo nº 18470.728279/201422 Acórdão n.º 1001000.346 S1C0T1 Fl. 6 5 cumprimento às normas legais e regulamentares, conforme preceituado no art. 116 da Lei nº 8.112/90, e no art. 7º, inciso V, da Portaria do Ministro da Fazenda nº 341/2011, disciplinadora da constituição das turmas e do funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, dispositivos reproduzidos a seguir: Lei nº 8.112/1990: “Art. 116. São deveres do servidor: (...) III – observar as normas legais e regulamentares;” Portaria MF nº 341/2011: “Art. 7º São deveres do julgador: (...) V observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos.” Ante o exposto, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade." Conforme magistralmente exposto na decisão de piso, a adoção da data de abertura da empresa, constante no cartão do CNPJ, como termo inicial para o prazo de 180 dias para a opção do SIMPLES na qualidade de empresa em início de atividade se dá por expressa determinação legal, não cabendo ao julgador desobedecer tal disposto. Sobremais, ainda poderiase adicionar ao que já foi colacionado o art. 2º da Resolução CGSN nº 94/11: "Art. 2º Para fins desta Resolução, considerase: (...) IV empresa em início de atividade aquela que se encontra no período de 180 (cento e oitenta) dias a partir da data de abertura constante do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ); (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 2º, inciso I e § 6º) V data de início de atividade a data de abertura constante do CNPJ. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 2º, inciso I e § 6º) (...)" Notese que a Resolução CGSN nº 94/2011 é literal, logo em seus primeiros dispositivos já determina expressamente o que deve ser entendido como "Empresa em início de Fl. 102DF CARF MF Processo nº 18470.728279/201422 Acórdão n.º 1001000.346 S1C0T1 Fl. 7 6 atividade", para os fins deste regulamento. Logo, seria ilegal qualquer interpretação que subvertesse esse sentido. Assim, não há como se acolher as alegações da contribuinte quanto ao dever de se usar a data de inauguração de sua loja como marco inicial. Ademais, igualmente não há que se acolher a justificativa de que a demora se deveu por conta da burocracia em se conseguir o alvará de funcionamento por parte da autoridade municipal. Ora, cada Município tem autoridade para estabelecer seus procedimentos e medidas de controle e fiscalização que acharem adequados no tocante à gestão dos novos estabelecimentos que operam dentro de seus limites. Se a municipalidade entendeu que as requisições apresentadas pela Recorrente careciam de reparos e/ou achou por bem pedir novos documentos e esclarecimentos, tais exigências estão dentro de seu regular poder. Tal situação é algo a que todas as empresas estão sujeitas, por sua conta e risco. No âmbito jurídico não existe um prazo objetivo para que o Município conclua esta atividade. Destarte, não há que se falar em permitir a Opção ao SIMPLES requerida pela Recorrente fora do prazo em decorrência do "atraso" por parte da autoridade municipal, porquanto não houve qualquer ilegalidade quanto a isso. Vejase, qualquer crítica quanto a burocracia e morosidade deste processo deve ser feita no campo político, a este julgador cabe tão somente aplicar as normas como estão postas, e não modificálas ou dizer como elas "deveriam ser". Assim, diante de todo o exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000954/2005-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2003
PIS. DECRETOS-LEI N° 2445/88 E 2449/88. PROCESSO JUDICIAL. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS. A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo órgão administrativo de julgamento. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais Decretos-Lei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores.
PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante.
DILIGÊNCIA. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. SETEMBRO/2003. Em processo de diligência fiscal, determinado nos autos do processo n° 10855.000880/2003-78, foi reconhecido o indébito alegado pelo contribuinte. Crédito extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN, para o período de apuração de setembro/2003.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 PIS. DECRETOS-LEI N° 2445/88 E 2449/88. PROCESSO JUDICIAL. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS. A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo órgão administrativo de julgamento. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais Decretos-Lei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante. DILIGÊNCIA. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. SETEMBRO/2003. Em processo de diligência fiscal, determinado nos autos do processo n° 10855.000880/2003-78, foi reconhecido o indébito alegado pelo contribuinte. Crédito extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN, para o período de apuração de setembro/2003. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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DECRETOSLEI N° 2445/88 E 2449/88. PROCESSO JUDICIAL. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS. A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo órgão administrativo de julgamento. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais DecretosLei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante. DILIGÊNCIA. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. SETEMBRO/2003. Em processo de diligência fiscal, determinado nos autos do processo n° 10855.000880/200378, foi reconhecido o indébito alegado pelo contribuinte. Crédito extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN, para o período de apuração de setembro/2003. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 09 54 /2 00 5- 38 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10855.000954/200538 Acórdão n.º 3301004.270 S3C3T1 Fl. 327 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase, na origem, de declaração de compensação de créditos de PIS dos meses de outubro de 1990 a abril de 1994, com vistas a compensar créditos de PIS, relativo ao período de apuração de setembro de 2003, previamente reconhecidos e apurados nos termos da Ação Ordinária n° 95.09044393, cujo acórdão transitou em julgado na data de 06/04/2000. Do relatório da decisão recorrida, efls. 287s, consta: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 89 a 97) contra o Despacho Decisório de fl. 85, proferido pela Delegacia da Receita Federal em Sorocaba, SP. Segundo consta no despacho supra, inexiste crédito a compensar conforme despacho extraído do processo 10855.00880/200378 de fl. 84. Desta forma, diante do não reconhecimento do direito creditório, a Declaração de Compensação (DCOMP) apresentada pela contribuinte não foi homologada. Irresignada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade em comento, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: Correção monetária dos indébitos apurados, adotando como índice a Taxa Selic e aplicação da semestralidade na base de cálculo no cálculo do PIS. Dando prosseguimento ao processo, este foi encaminhado para a DRJ em Ribeirão Preto para julgamento. A 4ª Turma da DRJ/POR, no acórdão n° 1414.750, negou provimento à manifestação de inconformidade, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP BASE DE CALCULO. FATURAMENTO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS é o faturamento do próprio mês de ocorrência do fato gerador. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO A COMPENSAR. Ante a inexistência de crédito a compensar, não se homologa a declaração de compensação apresentada. Em seu recurso voluntário, a empresa reiterou os fundamentos de sua impugnação, requerendo a aplicação da semestralidade e da atualização pela taxa SELIC. Ao final, defendeu o acolhimento do pleito com a consequente homologação da DCOMP. Tratase o presente, de processo vinculado ao processo n° 10855.000880/200378, ao qual, inclusive, está apenso. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10855.000954/200538 Acórdão n.º 3301004.270 S3C3T1 Fl. 328 3 Nos autos do processo n° 10855.000880/200378, a 3ª Turma Especial do CARF, por meio da Resolução n° 3803000.116, converteu o julgamento em diligência, para determinar: o retorno do processo à delegacia fiscal de origem, para que se proceda a apuração do crédito em questão, observandose a semestralidade da base de cálculo do PIS do período de outubro de 1990 a abril de 1994 e, ainda, a correção monetária do crédito, até a data da compensação do PIS da competência abril de 2003 objeto da presente demanda, com base na variação da taxa Selic, nos exatos termos da decisão judicial proferida pelo TRF 3ª Região. A diligência foi cumprida, nos termos da informação fiscal que lá consta, e fls. 1253 e s. Sobre o resultado, a empresa manifestouse, nas efls. 1296 e s. Ressaltase que a diligência investigou e certificou também se o direito creditório cobre os débitos de PIS de setembro/2003, que é objeto deste presente processo, bem como de outros processos também apensados ao de n° 10855.000880/200378. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. É pacífico o entendimento de que a base de cálculo do PIS, sob o regime da Lei Complementar nº 7/70, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, e, sendo inconstitucionais os Decretoslei nº 2445 e 2449/88, conforme a Resolução do Senado nº 49/95, deve prevalecer a Lei Complementar, nos termos em que imposta até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95, convertida na Lei nº 9.715/98. A matéria é inclusive tema da Súmula CARF nº 15 (vinculante): “A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.” Por conseguinte, exsurgiu o direito de o contribuinte compensar os valores recolhidos indevidamente a título de PIS de acordo com os atos inconstitucionais, naquilo que superou o previsto na Lei Complementar n° 7/70, direito que fora reconhecido na Ação Judicial Ordinária n° 95.09044393, de titularidade da Recorrente. Dessa forma, andou bem a Resolução n° 3803000.116, do processo n° 10855.000880/200378, ao determinar de ofício a aplicação da semestralidade. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10855.000954/200538 Acórdão n.º 3301004.270 S3C3T1 Fl. 329 4 Como resultado da diligência, a Delegacia competente verificou que quase a totalidade dos valores em litígio no processo n° 10855.000880/200378, no presente e ainda nos outros processos em apenso ao primeiro, foram objeto de compensação. Relata a autoridade fiscal que do confronto dos débitos apurados com os recolhimentos havidos no mesmo período, obtémse, como resultado, conforme relatório “Demonstrativo de Saldo de Pagamentos”, o montante de R$ 300.809,62 (trezentos mil, oitocentos e nove reais e sessenta e dois centavos) que corresponde ao efetivo direito creditório do contribuinte antes de realizadas as compensações por ele declaradas em DCTF e em Declarações de Compensação (a partir de 2003). Transcrevo parte do teor da informação fiscal, efls. 1253s do processo n° 10855.000880/200378: III – Das Compensações – Até o Limite do Crédito Apurado e Reconhecido As compensações foram realizadas até o limite do crédito apurado e reconhecido, por ordem direta dos períodos de apuração dos débitos de PIS informados/declarados pelo contribuinte, do mais antigo para o mais recente. No demonstrativo “Quadro Resumo – Demonstrativo de Utilização de Crédito do PIS para Compensação com o próprio PIS” juntado às fls. 1189, é possível se verificar a consumação do crédito apurado após a amortização de cada um dos débitos de PIS, até a sua completa exaustão. Nos demonstrativos, listagens e demonstrativos citados adiante, as compensações serão tratadas pormenorizadamente. Para fins de operacionalização e controle nos sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB, as compensações informadas e declaradas pelo contribuinte foram divididas em dois períodos distintos, a saber: • período de apuração de 07/1996 a 10/2000 – compensações informadas em DCTF; • período de apuração de 02/2003 a 01/2004 – compensações declaradas em DCOMP. Para o primeiro conjunto – PA 07/1996 a 10/2000 – o crédito reconhecido foi suficiente para a amortização de todas as contribuições de PIS, conforme demonstrado nos seguintes relatórios: • Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes, fls. 1190/1191; • Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes, fls. 1192/1193; • Demonstrativo Analítico de Compensação, fls. 1194/1230. Já para o segundo conjunto – PA 02/2003 a 01/2004 – o crédito apurado foi suficiente para a compensação total das contribuições do PIS relativas aos períodos de apuração de fevereiro/2003 até novembro/2003 e parcial do período de apuração dezembro/2003, conforme relatórios anexos: • Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes II, fls. 1231; • Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes II, fls. 1232; • Demonstrativo Analítico de Compensação II, fls. 1233/1240. Dessa forma, conforme “Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes” de fls. 1232, remanesceram os débitos de PIS de dezembro/2003 (parcial), no valor de R$ 7.980,88, e janeiro de 2004, no valor de R$ 8.378,17, valores estes sujeitos à cobrança final e inscrição em dívida ativa. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10855.000954/200538 Acórdão n.º 3301004.270 S3C3T1 Fl. 330 5 Sobre o resultado da diligência, a Recorrente reclamou apenas que a diferença a pagar existente em 12/2003 e 01/2004 se devia por erro na conversão entre as moedas, de cruzeiro real para real, concordando com os demais termos da informação fiscal: Ocorre que, de acordo com os cálculos da ora Requerente (planilha juntada aos autos do processo, o direito creditório antes de realizadas as compensações corresponde ao valor de R$ 307.182,97 (trezentos e sete mil, cento e oitenta e dois reais e noventa e sete centavos), e não de R$ 300.809,62 (trezentos mil, oitocentos e nove reais e sessenta e dois centavos) como apontado pela autoridade administrativa. Aparentemente, a autoridade administrativa considerou todos os pagamentos realizados pela ora Recorrente, mas, ao converter os valores de Cruzeiros (CR$) para Reais (R$), na planilha denominada “Demonstrativos de Saldos e Pagamentos”, não mencionou a fórmula utilizada para tanto, o que impede a Requerente de contraditar os cálculos da Receita Federal e que implica em nítido cerceamento do direito de defesa. Com efeito, nos termos da informação fiscal, partindose do valor apurado pela Receita Federal antes das compensações (R$ 300.809,62), ao final, remanescerão os débitos de PIS de dezembro/2003, no valor de R$ 7.098,88 e janeiro de 2004, no valor de R$ 8.378,17, pois o crédito não seria suficiente para liquidar integralmente as compensações declaradas. Por outro lado, partindose do valor apurado pelo contribuinte (R$ 307.182,97), verificarseá que, realizadas as compensações, não remanescerá débito algum. Tal alegação foi afastada no acórdão n° 3301004.085, com os seguintes fundamentos do voto condutor: Não há o que se deferir quanto ao pleito de esclarecimento do método de cálculo utilizado na conversão de valores de cruzeiros para reais, com o apontamento dos índices aplicados. Isso Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10855.000954/200538 Acórdão n.º 3301004.270 S3C3T1 Fl. 331 6 porque as conversões são realizadas automaticamente pelo sistema da Receita Federal, o SICALQ, que está, inclusive, disponível para download no site www.receita.fazenda.gov.br. De todo modo, o sistema atende ao comando da Medida Provisória n° 542/1994 e reedições e da Lei n° 9069/1995. As regras de conversão do cruzeiro real para real estão postas no art. 12 e seguintes da Lei n° 9069/1995. Logo, a argumentação da Recorrente não desqualificou o trabalho da auditoria fiscal. Diante disso, considerando as premissas apontadas pela Recorrente, a partir das quais a diligência foi efetuada (itens i a iv citados acima), bem como o resultado avalizado pela interessada, entendo que é imperioso reconhecer o indébito devidamente comprovado. Restou a ementa daquele acórdão, assim redigida: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 28/02/2003 PIS. DECRETOSLEI N° 2445/88 E 2449/88. PROCESSO JUDICIAL. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS. A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo órgão administrativo de julgamento. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais DecretosLei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores. Reconhecimento parcial do indébito alegado pelo contribuinte, conforme o demonstrado no procedimento de diligência fiscal. Crédito parcialmente extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante. Recurso voluntário parcialmente provido. Então, a conclusão do acórdão n° 3301004.085, do Processo n° 10855.000880/200378, foi de reconhecer que se operou a extinção do crédito, nos termos do art. 156, II, do CTN, até o limite reconhecido pela autoridade fiscal, no procedimento de diligência fiscal, dando provimento parcial ao recurso voluntário. Isso porque, como apontou a autoridade diligenciante, restou saldo a pagar de PIS de dezembro/2003 (parcial), no valor de R$ 7.980,88, e janeiro de 2004, no valor de R$ 8.378,17. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10855.000954/200538 Acórdão n.º 3301004.270 S3C3T1 Fl. 332 7 Resta, por conseguinte, neste processo, aplicar o resultado do processo n° 10855.000880/200378. Logo, deve ser reconhecido que o crédito apurado foi suficiente para compensar integralmente os débitos de PIS do período de setembro/2003, que é o objeto do presente processo. Portanto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 332DF CARF MF
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