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Numero do processo: 19515.007715/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Embargante, pois eventual inconformismo deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis.
Numero da decisão: 1401-001.291
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER E REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Embargante, pois eventual inconformismo deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER E REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 77 15 /2 00 8- 87 Fl. 4030DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 2 Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega erro de fato, obscuridade e omissão no Acórdão nº 1401000.984, proferidos por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF que julgou o recurso voluntário, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 SÓCIOS. RETIRADA DA SOCIEDADE. FISCALIZAÇÃO POSTERIOR. NOTIFICAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não caracteriza cerceamento de defesa dos sócios aos quais se imputou responsabilidade pelos tributos devidos pela sociedade da qual se retiraram antes do início da ação fiscal, quando são regularmente notificados da autuação, momento em que lhes é facultado o exercício do contraditório e da ampla defesa, mediante a possibilidade de acesso aos autos e a apresentação de impugnação ao lançamento. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. PAGAMENTO. FATO GERADOR. EXERCÍCIO SEGUINTE. A contagem do prazo decadencial em desfavor do Fisco, na hipótese de constatação de infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude, iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173,1 do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO. PAEX. IMPUGNAÇÃO PARCIAL. RENÚNCIA. DECADÊNCIA. A confissão de débitos no curso de procedimento fiscal mediante Declaração Paex não constitui hipótese de suspensão do trâmite do superveniente lançamento quando a renúncia a sua impugnação é parcial, entretanto a data da confissão antecipa o prazo que se operaria a decadência. SUPERINTENDENTE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INFORMAÇÕES SOB SIGILO JUDICIAL. ENCAMINHAMENTO. AUTORIDADE TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. O titular de cargo em comissão de Superintendente Regional da Receita Federal exerce funções administrativas, não detendo competência para lançar tributos, razão pela qual informações enviadas por magistrado a referida autoridade administrativa com finalidade de instaurar possível procedimento de exigência tributária, ainda que protegidas por sigilo judicial, podem ser reencaminhadas a AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil que exerce autoridade tributária sobre o território em que está situado o domicílio fiscal do contribuinte, mantendose o status sigiloso das informações. DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE. EFEITOS. MOMENTO. O ato de declaração de inidoneidade de documentos fiscais surte efeitos a partir da data em que ele reconhece a existência da situação de fato que motivou sua expedição, e não, depois de sua publicação. Fl. 4031DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.007715/200887 Acórdão n.º 1401001.291 S1C4T1 Fl. 3.977 3 MULTA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. QUALIFICADORA. A infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude, caracterizada pela existência de interpostas pessoas no quadro societário da fiscalizada, objetivando ocultar e eximir da responsabilidade tributária os seus verdadeiros titulares, impõe a aplicação de multa de ofício qualificada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis, mas não exclusivamente, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. CUSTOS. DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. GLOSA. Os custos escriturados com base em documentos inidôneos são indedutíveis para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda, devendo ser glosados pela Autoridade Fiscal. OBRIGAÇÕES. DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. A escrituração de obrigações assentadas em documentos inidôneos caracteriza passivo fictício, autorizando a Autoridade Fiscal a presumir a ocorrência de infração de omissão de receitas. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. ESCRITURAÇÃO. FALTA DE NEXO CAUSAL. PAGAMENTO SEM CAUSA. Ausente o nexo causal entre o dispêndio de recursos efetuado pelo contribuinte e a operação comercial correspondente, ante a inidoneidade do documento que lhe daria suporte, fica caracterizado um pagamento sem causa, sujeito ao imposto de renda retido na fonte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto à infração que, além de implicar os lançamentos da contribuição para o Programa de Social (Pis), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.A Embargante aponta omissão e obscuridade no Acórdão embargado, nos seguintes termos: O resultado de julgamento restou assim assentado: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício para desfazer os efeitos do acolhimento da decadência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, bem assim não conhecer do Recurso Voluntário da PINK, em face da confissão de dívida; conhecer dos recursos dos responsáveis tributários, Sr. Adalberto Cardoso e o Sr. Paulo Victor Cardoso, para então rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento, mantendo os respectivos termos de responsabilidade tributária atribuídos aos mesmos A embargante aponta omissão e contradição no Acórdão indigitado: Fl. 4032DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 4 o primeira vício apontado é uma contradição. Diz respeito ao tratamento dado à decadência nos tributos sujeitos à homologação. Alega que a contradição existe, uma vez que foi afirmado no voto que, uma vez verificado o pagamento, o prazo decadencial deverá ser computado nos termos do artigo 150, §4° do CTN,, dessa forma, como houve declaração em DCTFS e recolhimentos, deveria ter sido aplicado a regra do art. 150, §4° do CTN e não a regra do art. 173, I. Não há no voto uma conexão lógica entre a fundamentação e a decisão do acórdão, tendo em vista que foi aplicado o artigo 173,1 do CTN para solução da lide. Afirma por fim, que não há que se falar que a adesão ao PAEX configuraria confissão de dívida irrevogável e irretratável, tendo em vista que a decadência tratase de matéria de ordem pública, podendo se conhecível, inclusive, de ofício. o segundo vício apontado tratarseia de uma obscuridade quanto a admissibilidade de provas ilícitas. Segundo ela, o fisco valeuse de provas extraídas do processo judicial em trâmite perante a 4a Vara Criminal da Justiça Federal de Belo Horizonte, que visa investigar a denominada "Operação Castelhana", a qual supostamente teria relação com as infrações administrativas imputadas à Embargante. Ocorre que o mencionado processo judicial tramita sobre o sigilo da Lei 9296/96, de forma que qualquer prova extraída deste processo deveria vir acompanhada de autorização judicial para o seu compartilhamento.No presente caso, verificouse apenas que o judiciário de Minas Gerais apresentou expressa autorização para que as informações do processo fossem compartilhadas com a Receita Federal de Minas Gerais, não havendo menção em momento algum quanto a possibilidade de compartilhamento destas informações com a Receita Federal do estado de São Paulo. Desta forma, as provas constantes na autuação fiscal em questão são ilícitas, pois constituem provas emprestadas, fato este expressamente vedado pela Constituição Federal em seu artigo 5o, inciso LVI. por fim, o terceiro vício apontado tratarseia de uma contradição quanto a manutenção da qualificação da multa aplicada. O julgador entendeu devida a multa qualificada, no patamar de 150%, por entender que houve fraude nas operações em análise, uma vez que supostamente foram utilizadas interpostas pessoas. Ocorre que tal entendimento é extremamente contraditório, uma vez que a fraude que justifica a aplicação de multa qualificada somente será configurada quando esta estiver vinculada ao fato gerador da obrigação e não aos sujeitos que a envolvem. É o relatório. Fl. 4033DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.007715/200887 Acórdão n.º 1401001.291 S1C4T1 Fl. 3.978 5 Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. Como se relatou, apontouse três supostos vícios: duas contradições e uma obscuridade. A princípio cabe esclarecer que a via dos embargos de declaratório é notoriamente estreita e o embargante a trata como um via bastante larga. Todos os três pontos foram minuciosamente tratados pelo Acórdão embargado, abrindose tópicos específicos para fundamentar cada uma das matérias envolvidas. Mas, ao que parece, o inconformismo do embargante referese ao fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto. Entretanto, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Isso porque eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis, porquanto os embargos declaratórios não se prestam a modificar o julgado ou a responder questionamentos das partes. O primeiro ponto, diz respeito a uma suposta contradição do Acórdão em relação ao trato da decadência. Não há tal contradição. Primeiro, porque a tese do Acórdão embargado foi no sentido de não reconhecer a decadência acolhida pela DRJ, em função da adesão efetuada ao PAEX, que implicou na renúncia irretratável da empresa em recorrer dos respectivos lançamentos do IRPJ/CSLL/PIS e COFINS. Certo ou errado, tratase de uma questão de direito assentada pelo colegiado que passou longe em relação à aplicação da regra que envolvia a presença ou ausência de pagamentos. Na verdade o Acórdão embargado tratou dessa questão tãosomente no que diz respeito à decadência do IRRF, que digase de passagem foi acolhido pelo Acórdão embargado de forma favorável ao contribuinte. Outrossim, a DRJ acolheu a decadência utilizandose de forma cumulativa, as duas condições: ausência de pagamentos e presença de dolo e fraude, o que conduziria por uma via ou outra para a regra do art. 173, I do CTN. Por fim, como foi colocado no voto, independentemente da confissão irretratável da dívida esse colegiado quedouse também ou tãosomente ao outro argumento independente trazido à baila pelo colegiado durante as discussões, qual seja: “Ademais, e aqui se trata de um argumento que foi efetivamente abraçado pelo colegiado, o fato de a confissão ter se dado em 16.02.2007, antes portanto do Fl. 4034DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 6 prazo final para se operar a decadência, implica dizer que ela também não se operou por este motivo.” Portanto, afasto essa contradição. No que concernente ao segundo vício apontado de obscuridade quanto a admissibilidade de provas ilícitas, também não merece maior sorte a embargante. Em primeiro lugar, a Recorrente não aponta especificamente que obscuridade seria essa. Não verdade, pelo relato dos embargos fica bem claro que a Recorrente na verdade entendeu perfeitamente os fundamentos do voto embargado e trata apenas de tentar combatêlo novamente, com os mesmo argumentos recursais, dessa feita por essa via bem mais estreita. Apenas para ilustrar melhor o que afirmo, segue abaixo trecho de parte da decisão que aborda com clareza essa matéria: (...) Em relação à primeira alegação de reserva do caso apenas ao Fisco Federal Mineiro, bem se vê pela leitura do contexto da ação judicial que se trata de uma interpretação deveras restrita e afastada da realidade. Em primeiro lugar, a ordem judicial não expressa tal restrição. Faz, sim, referência ao Superintendente da Receita Federal em Minas Gerais, como um ponto de partida espacial onde se situava a matriz do escritório envolvido no caso. Portanto, a ordem judicial para que o Superintendente da Receita Federal em Minas Gerais fosse intimado a ter acesso às informações contidas nos autos não implicou reconhecer que somente aquela autoridade poderia analisálas. E seria até um absurdo se esse fosse o caso, é que os clientes do escritório de advocacia denunciado se espalham pelo Brasil, sujeitando se às mais diversas circunscrições administrativas da Receita Federal, cada qual sob a esfera de influência fiscal de uma de suas unidades. Seria por demais contraproducente que o magistrado pesquisasse a abrangência das ramificações do caso para então requerer diretamente apenas às unidades da Receita Federal que atuavam nas jurisdições administrativas dos domicílios fiscais dos clientes dos acusados e assim instaurassem as respectivas devidas ações fiscais. Como bem colocou a decisão de piso: Todavia, não cumpre ao juiz conhecer a exata divisão e distribuição de competências administrativas de cada um dos órgãos dos demais poderes e, dessa maneira, o juízo da seção judiciária mineira, ao indicar o representante da Secretaria da Receita Federal naquela unidade federativa, buscou garantir que as informações seriam encaminhadas, com precisão, às exatas unidades da Receita Federal dos domicílios fiscais dos clientes dos réus. (....) os clientes dos denunciados encontravamse domiciliados em vários estados portanto, sujeitos a circunscrições administrativas diversas à da Superintendência da Receita Federal de Minas Gerais, seja porque o titular do cargo em comissão de Superintendente Regional da Receita Federal exerce funções administrativas, não detendo competência para lançar tributos. Nesse sentido, caberia ao superintendente mineiro determinar a formação de equipes de AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil para que, no exercício da autoridade tributária, efetuar os trabalhos de auditorias junto aos clientes domiciliados naquele estado da federação e, quanto àqueles localizados nos demais estados, encaminhar as informações às respectivas superintendências ou delegacias da Receita Federal, observando as cautelas necessárias à preservação do sigilo requerido e que são inerentes a toda e qualquer ação fiscal. Fl. 4035DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.007715/200887 Acórdão n.º 1401001.291 S1C4T1 Fl. 3.979 7 Portanto, as informações obtidas em razão da "Operação Castelhana" foram utilizadas nos estritos termos traçados pela ordem judicial e sendo assim, não há que se falar em ilicitude nas provas contidas neste processo administrativo a ensejar a nulidade do feito. (...) Portanto, também afasto essa obscuridade. Por fim, o terceiro vício apontado tratarseia de uma contradição quanto a manutenção da qualificação da multa aplicada. Segundo a embargante, o julgador entendeu devida a multa qualificada, no patamar de 150%, por entender que houve fraude nas operações em análise, uma vez que supostamente foram utilizadas interpostas pessoas. Ocorre que tal entendimento é extremamente contraditório, uma vez que a fraude que justifica a aplicação de multa qualificada somente será configurada quando esta estiver vinculada ao fato gerador da obrigação e não aos sujeitos que a envolvem. Primeiramente cabe esclarecer, que a contradição que se fala em sede de embargos declaratórios se dá internamente à estrutura da decisão, ou seja, entre suas partes internas. A contradição se dá entre premissas ou entre premissas e conclusão. Como se vê tem sempre a ver com dois componentes internos da decisão. O contribuinte traz apenas um componente (os fatos que envolveria o dolo, segundo ela, deveria haver vínculo com o fato gerador). Como se vê ela onde ela diz que há contradição, na verdade se traveste uma tentativa de se insurgir contra os fundamentos da decisão, ou por outras palavras, o seu inconformismo referese na verdade ao fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto. Entretanto, como já se colocou retro, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Portanto, também afasto esse último vício apontado. Por todo o exposto, conheço e rejeito os embargos da contribuinte. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 4036DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 8 Fl. 4037DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 16327.001678/2002-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1997
PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTÍCIA DE PAGAMENTO DOS DÉBITOS. CONCORDÂNCIA. PERDA DE OBJETO.
Tendo o contribuinte manifestado concordância com os valores apurados e informado que providenciou o seu pagamento, ocorre a perda de objeto por ausência de litígio. Não conhecimento do recurso nesta parte.
PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. PAGAMENTOS COMPROVADOS.
Deve ser declarada a improcedência do auto de infração, quando comprovado que os pagamentos foram efetuados antes de sua lavratura.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Não Conhecido em Parte
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, não tomar conhecimento parcial do recurso voluntário, por perda de objeto, e dar provimento ao recurso voluntário na parte conhecida, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Acompanhou o julgamento o advogado Leandro Cabral e Silva, OAB/SP 234687.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima Sidney Eduardo Stahl e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1997 PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTÍCIA DE PAGAMENTO DOS DÉBITOS. CONCORDÂNCIA. PERDA DE OBJETO. Tendo o contribuinte manifestado concordância com os valores apurados e informado que providenciou o seu pagamento, ocorre a perda de objeto por ausência de litígio. Não conhecimento do recurso nesta parte. PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. PAGAMENTOS COMPROVADOS. Deve ser declarada a improcedência do auto de infração, quando comprovado que os pagamentos foram efetuados antes de sua lavratura. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Não Conhecido em Parte Recurso Voluntário Provido em Parte
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EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MANDADO DE SEGURANÇA. MULTA DE OFÍCIO. RECURSO DE OFÍCIO. Demonstrado que o crédito tributário lançado estava com exigibilidade suspensa por força de liminar em mandado de segurança, correta a exoneração da multa de ofício aplicada, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997 PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTÍCIA DE PAGAMENTO DOS DÉBITOS. CONCORDÂNCIA. PERDA DE OBJETO. Tendo o contribuinte manifestado concordância com os valores apurados e informado que providenciou o seu pagamento, ocorre a perda de objeto por ausência de litígio. Não conhecimento do recurso nesta parte. PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. PAGAMENTOS COMPROVADOS. Deve ser declarada a improcedência do auto de infração, quando comprovado que os pagamentos foram efetuados antes de sua lavratura. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Não Conhecido em Parte Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, não tomar conhecimento parcial do recurso voluntário, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 78 /2 00 2- 37 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001678/200237 Acórdão n.º 3301002.484 S3C3T1 Fl. 257 2 perda de objeto, e dar provimento ao recurso voluntário na parte conhecida, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Acompanhou o julgamento o advogado Leandro Cabral e Silva, OAB/SP 234687. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima Sidney Eduardo Stahl e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001678/200237 Acórdão n.º 3301002.484 S3C3T1 Fl. 258 3 Relatório Por economia processual aproveito o relatório elaborado pelo então Conselheiro Maurício Taveira e Silva, por ocasião da edição da Resolução nº 20100743, abaixo transcrito: BANCO FIDIS DE INVESTIMENTO S/A, devidamente qualificado nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 105/110, contra o Acórdão nº 1611.788, de 04/12/2006, prolatado pela 10ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP, fls. 92/98, que julgou procedente em parte o auto de infração n° 0001698 (fls. 23/24), relativo ao PIS, decorrente de auditoria interna na DCTF, referente ao anocalendário de 1997, em razão de que os créditos vinculados ao Processo nº 97.00600475 não foram confirmados, sob a ocorrência: "Proc jud não comprovad", conforme fls. 25/26, e, ainda, em razão de que os pagamentos vinculados aos Darfs não foram localizados, conforme fl. 27, cuja ciência ocorreu em 19/03/2002 (fl . 84). O interessado apresentou impugnação de fls. 01/18, aduzindo os seguintes argumentos: 1. os Darfs de fls. 37/43 comprovam os pagamentos do principal e encargos, sendo que os valores de R$ 29.003,18 e R$ 26.331,83, relacionados como não pagos, foram recolhidos, equivocadamente, com o código 3885, ao invés de 4574, requerendo, desde já, a retificação dos Darfs acostados, nos termos dos formulários Redarf anexos (fls. 80/83); 2. o crédito tributário, objeto do presente lançamento, encontrase com a exigibilidade suspensa, conforme sentença no MS nº 97.00600475 (fls. 44/79), sendo imprópria a aplicação de multa e os juros de mora; e 3. somente após serem revertidas as sentenças procedentes é que se caracterizará o vencimento da obrigação, após transcorridos 30 (trinta) dias a contar de sua cassação. A DRJ julgou procedente em parte o lançamento, cujo acórdão foi assim ementado: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1997 MULTA DE OFICIO. DESCABIMENTO. MEDIDA LIMINAR OU DE TUTELA ANTECIPADA. Na constituição de crédito tributário, destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade estiver suspensa pela concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, descabe o lançamento de multa de oficio. JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, seja qual for o motivo determinante da falta. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001678/200237 Acórdão n.º 3301002.484 S3C3T1 Fl. 259 4 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade são de exclusiva competência do Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte ". Tempestivamente, em 30/03/2007, o contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 105/110, insurgindose contra a manutenção dos juros e, ainda, argumentando que medida judicial lhe autoriza o recolhimento do PIS conforme a LC nº 7/70, ou seja, no último dia do mês subseqüente ao de apuração do Imposto de Renda, que utilizou como base de cálculo, além de ter efetuado os pagamentos com o extinto código 3885, razão pela qual não foram localizados. Ao fim, postula a desconstituição do crédito tributário exigido, inclusive no que se refere à multa isolada, indevidamente lançada. Por meio do despacho de fls. 129/131, a DRF em Contagem MG analisou o andamento do processo, concluindo pela suspensão de exigibilidade do crédito tributário lançado com base em "não comprovação de processo judicial", por força de existência de medida judicial e, quanto aos créditos lançados e mantidos por "pagamento não localizado", a exigibilidade se encontra suspensa em virtude do recurso voluntário. Acrescentese a este relatório que a DRJ, em relação à parte por ela exonerada, apresentou recurso de ofício. Também determinou que fosse efetuada uma auditoria nos pagamentos apresentados devendo ser considerados, caso comprovados. Conforme mencionado, a 1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº 20100743, converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: Considerando que o Processo Administrativo Fiscal busca a verdade material e se pauta na formalidade moderada e ainda, com fulcro nos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, devido à estranha coincidência de a contribuinte ter recolhido exatamente a metade do valor devido e, ainda, tratarse de lançamento eletrônico, de modo que a autuação ocorreu sem que o contribuinte fosse previamente intimado, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência, a fim de que a DRF de origem assim proceda: 1) manifestese acerca do correto valor dos débitos, decorrentes de Darfs, cujos pagamentos não foram localizados, informando se os mesmos encontramse total ou parcialmente extintos pelos pagamentos efetuados, consoante os indigitados Darfs apresentados, podendo para tal intimar o contribuinte a apresentar documentos e/ou esclarecimentos necessários à elucidação dos fatos; 2) elabore relatório pormenorizado das providências levadas a efeito; 3) intime o contribuinte para que, no prazo de trinta dias, caso entenda conveniente, apresente manifestação, somente quanto à matéria decorrente dos itens acima; e 4) posteriormente, devolva os autos a este Conselho de Contribuintes para julgamento. Atendendo ao determinado, a Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo, elaborou minucioso Fl. 259DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001678/200237 Acórdão n.º 3301002.484 S3C3T1 Fl. 260 5 relatório de diligência. Ao analisar o andamento do processo judicial referente ao Mandado de Segurança 97.00600475 (JF/SP) apreciou a situação da seguinte forma: (...) “No Tribunal Regional Federal, a apelação da União e a remessa oficial tiveram parcial provimento. Conforme o acórdão publicado em 05/08/2008, a cobrança do PIS de 07/1997 a 02/1998 deverá ser efetuada com base na LC 07/70 pela sistemática do PISdedução e PISrepique. Para os períodos de 03/1998 a 12/1999, permanece a cobrança do PIS pela EC 17/97, incidindo o tributo sobre a receita da venda de bens e serviços, inclusive as provenientes dos juros, ganhos cambiais, correção monetária e variações monetárias das operações com recursos financeiros, entre outros. Os embargos de declaração do impetrante foram rejeitados. A União entrou com recurso extraordinário. O impetrante Banco Fidis SA entrou com recursos especial e extraordinário. Os recursos excepcionais aguardam exame de admissibilidade pelo TRF da 3ª região.” (...) Em seguida efetuou demonstrações da base de cálculo do PIS relativa ao período de 07/1997 a 12/1997, efetuando um comparativo dos valores devidos a título de PIS Dedução e PISRepique (LC nº 7/70), atendendo ao comando judicial, e o valor declarado suspenso na DCTF que seria referente ao PISfaturamento, objeto da demanda no judiciário. Após fazer o demonstrativo dos valores devidos a título de PISDedução e PISRepique, concluiu que o contribuinte havia efetuado todos os pagamentos a este título, restando somente em aberto os valores objeto do litígio judicial. Abaixo transcrevo a conclusão do relatório: (...) “Nas DCTFs do 3° e 4° trimestres de 1997, foram declarados débitos de PIS com base na receita bruta com o código de receita 4574. Deduzidos os pagamentos de PISdedução e PISrepique, o saldo devedor é a parte dos débitos em discussão administrativa, conforme calculado na tabela que segue. PIS (DCTF) – PIS (Dedução e repique) Período PIS (DCTF) PIS (LC 07/70) Saldo Devedor 07/1997 R$ 340.466,41 R$ 56.803,64 R$ 283.662,77 08/1997 R$ 335.559,49 R$ 58.006,36 R$ 277.553,13 09/1997 R$ 302.485,20 R$ 52.663,66 R$ 249.821,54 10/1997 R$ 353.065,89 R$ 63.967,04 R$ 289.098,85 11/1997 R$ 366.470,61 R$ 60.449,56 R$ 306.021,05 12/1997 R$ 396.316,17 R$ 56.461,00 R$ 339.855,17 Conclusão Os débitos de PIS declarados nas DCTFs dos 3° e 4° trimestres de 1997 com base na receita bruta foram parcialmente extintos por pagamentos, efetuados pela sistemática do PISdedução e do PISrepique, conforme autorizado por decisões judiciais no mandado de segurança 97.00600475 (JF/SP).” Fl. 260DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001678/200237 Acórdão n.º 3301002.484 S3C3T1 Fl. 261 6 Desta forma ficou evidenciado que o lançamento de ofício tratado no auto de infração referese somente aos valores constantes da coluna saldo devedor da planilha acima transcrita. Intimado do conteúdo do relatório de diligência, o contribuinte apresentou manifestação com as seguintes informações em síntese: concorda com o resultado da diligência que confirma que os valores constantes do auto de infração, anexo Ia, não localização de pagamento foram devidamente recolhidos e extintos nos termos ao art. 156, inc. I do CTN; quanto aos valores apontados de saldo devedor, constante do relatório de diligência, informa que efetuou o seu pagamento após ter sido revertida a sentença favorável que tinha no citado processo judicial. Apresenta cópias de comprovantes de recolhimentos e finaliza afirmando que a totalidade dos débitos lançados estão quitados. É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001678/200237 Acórdão n.º 3301002.484 S3C3T1 Fl. 262 7 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Os recursos voluntário e de ofício são tempestivos e atendem aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso devem ser conhecidos. Recurso de ofícío A DRJ exonerou do crédito tributário constituído, o valor correspondente à multa de ofício após constatar no presente processo os seguintes fatos, abaixo transcritos: (...) “A contribuinte, na data da autuação, estava amparada por liminar no Mandado de Segurança n° 97.00600475, conforme atesta a Certidão de Objeto e Pé de fls.78/79, sendo que a matéria se encontra sub judice, aguardando decisão no Egrégio Tribunal Regional Federal da 3' Região Fiscal, de acordo com a consulta de fls.89/91.” (...) Diante desta realidade afastou a aplicação da multa de ofício, com base no art. 63 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. Constatado que a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa em razão de liminar em Mandado de Segurança (art. 151, inc. IV do CTN), correta a exoneração efetuada pela decisão recorrida. Portanto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário O auto de infração está dividido em duas infrações: ANEXO I – Demonstrativo dos créditos vinculados não confirmados e ANEXO IA – Relatório de auditoria interna de pagamentos informados na DCTF. ANEXO I – Demonstrativo dos créditos vinculados não confirmados: Esta parte corresponde aos débitos que estavam suspensos por força da liminar no mandado de segurança. O relatório de diligência confirma a correção destes valores. Na manifestação após a realização da diligência, o contribuinte além de não contestálos, informa que providenciou o seu pagamento em face de reversão da decisão judicial no citado mandado de segurança. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001678/200237 Acórdão n.º 3301002.484 S3C3T1 Fl. 263 8 Diante destas informações, concluo que não existe litígio por ausência de objeto, cabendo somente à DRF de origem verificar a correção dos pagamentos efetuados a este título. Assim, quanto ao ANEXO I do auto de infração, voto por não conhecer do recurso voluntário, por perda de objeto. ANEXO IA – Relatório de auditoria interna de pagamentos informados na DCTF: Esta parte referese a valores informados na DCTF, cujos pagamentos não haviam sido localizados. A DRJ apontou inconsistências nos DARF apresentados que não permitiriam a confirmação destes recolhimentos. No recurso voluntário o contribuinte insiste que os pagamentos foram efetuados e solicita o cancelamento do auto de infração. O relatório de diligência confirma que todos os pagamentos foram confirmados e que não há débitos remanescentes desta infração. Assim, tendo sido os pagamentos efetuados antes da lavratura do auto de infração não resta configurada a acusação e deve ser exonerada esta exigência. Portanto, em relação ao ANEXO 1A, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 263DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 13502.720846/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência a fim de que a Unidade de Origem traga aos autos, cópias do Pedido de Ressarcimento (PER) Eletrônico nº 28131.49110.201006.1.1.09-5402, da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 12884.96693.201006.1.3.09-7043 e quaisquer outros documentos vinculados ao pedido de compensação em discussão nos autos.
Joel Miyazaki - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência a fim de que a Unidade de Origem traga aos autos, cópias do Pedido de Ressarcimento (PER) Eletrônico nº 28131.49110.201006.1.1.09-5402, da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 12884.96693.201006.1.3.09-7043 e quaisquer outros documentos vinculados ao pedido de compensação em discussão nos autos. Joel Miyazaki - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência a fim de que a Unidade de Origem traga aos autos, cópias do Pedido de Ressarcimento (PER) Eletrônico nº 28131.49110.201006.1.1.095402, da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 12884.96693.201006.1.3.097043 e quaisquer outros documentos vinculados ao pedido de compensação em discussão nos autos. Joel Miyazaki Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .7 20 84 6/ 20 11 -1 1 Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.504 S3C2T1 Fl. 1.382 2 "Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração de fls. 29/35 e 49/55, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do período de agosto de 2006, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$ 1.362.377,00. Conforme Termos de Verificação Fiscal de fls. 16/28 (PIS) e 36/48 (Cofins), e demonstrativos de fls. 14/15, a autuação é resultado de procedimento fiscal tendente a verificar a procedência de PER/DCOMPs apresentados pela empresa, alegando créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins passíveis de ressarcimento. Primeiramente, a fiscalização apurou indevida utilização de crédito de PIS e CofinsImportação, apurado na forma do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, por falta de previsão legal para sua compensação com outros tributos ou ressarcimento, podendo apenas ser utilizado como desconto da contribuição a recolher. Analisando o processo produtivo da empresa, bem como as informações adicionais por ela apresentadas, o autuante glosou os créditos relativos aos produtos descritos à fls. 40/41, por não se enquadrarem no conceito de insumo geradores de créditos de que tratam o inciso II, art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e § 4º, art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. No tocante aos produtos “óleo combustível”, “carvão REF.CET 3700”, “gás natural Sulgás” e “diesel marítimo”, eles seriam fontes energéticas utilizadas para geração de Energia e Vapor. Estes, por sua vez, podem ser classificados como produtos, se forem vendidos a terceiros, ou fatores de produção indiretos, se utilizados em sua produção. No caso venda a terceiros dessa energia, seus insumos diretos (os produtos mencionados) dão direito a crédito. Em caso de utilização da energia em sua produção, tais insumos não dão direito a crédito por não comporem a produção do produto final, e a energia consumida também não gera crédito por não ter sido adquirida de pessoa jurídica. Em seu relatório, o autuante explicou (fl. 43): .... (lido em sessão) E ainda, quanto ao gás natural e diesel marítimo, acrescentou (fl. 44): .... (lido em sessão) Quanto aos serviços utilizados como insumos, da rubrica “Píer IV”, constatouse (fls. 44/45) serem referentes a gastos com logística na operação de exportação do produto acabado e frete de produtos diversos, não ensejando geração de créditos por não se enquadrarem como “serviços aplicados na produção de bens ou serviços”. Glosouse também os créditos relativos aos pagamentos pelo serviço de transmissão de energia elétrica, por não se enquadrarem como energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica (fls. 45/46). No tocante às despesas de armazenagem e frete, o autuante entendeu como indevidos os créditos referentes a transferência de produto Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.504 S3C2T1 Fl. 1.383 3 acabado entre seus estabelecimentos, ou destes para empresa de armazenagem (fls. 46/47). O enquadramento legal encontrase a fls. 31, 33, 51 e 53. Cientificada, a interessada apresentou as impugnações de fls. 59/103 (Cofins) e 245/289 (PIS), nas quais contestou o procedimento fiscal, aduzindo as razões a seguir. Como as duas peças possuem conteúdo idêntico, diferenciandose apenas quando fazem referência às Leis instituidoras das contribuições nãocumulativas (10.637 para o PIS e 10.833 para a Cofins), serão feitas referências apenas à primeira (relativa à Cofins). Primeiramente, a impugnante alegou a decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito, uma vez que o prazo de cinco anos contados entre a data do fato gerador (31/08/2006) e a da ciência dos autos de infração (21/12/2011) teria sido suplantado. Assim, de acordo com o CTN, art. 150, § 4º, combinado com o art. 156, VII, ultrapassado tal prazo o lançamento estaria homologado e o crédito definitivamente extinto. A seguir, discorreu sobre a nãocumulatividade da Cofins, partindo de seu suporte constitucional, argumentando ser juridicamente inadmissível qualquer interpretação do conceito de insumo, posto na Lei nº 10.833/2003, “que implique na cumulatividade” da contribuição. Acrescentou que, diferentemente do entendimento da fiscalização, o art. 3º, § 3º da referida lei “preceitua que o direito ao crédito se circunscreve aos bens e serviços adquirido e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei.” Assim, todos os itens que compuserem o custo das mercadorias exportadas, bem com as despesas assumidas para esse fim, ensejam o direito ao creditamento. Não podem ser impostas limitações ao direito conferido pela Lei nº 10.833, eis que a única limitação admitida pela Constituição é quanto a “setores econômicos sujeitos à sistemática nãocumulativa.” Em síntese, propugnou pelo direito à apropriação de créditos sobre todos os “gastos incorridos pela pessoa jurídica para fabricar e vender mercadorias enquadradas nas hipóteses” mencionadas, “e não apenas os bens e serviços aplicados diretamente em tais atividades.” Transcreveu trechos de Acórdãos do CARF e da Câmara Superior de Recurso Fiscais, que dariam guarida à sua argumentação (fls. 69/72). Prosseguiu alegando que é na legislação do Imposto de Renda que o intérprete deve buscar a definição do alcance do direito ao crédito, transcrevendo o art. 290 do RIR aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, que trata do custo de produção de bens e serviços, para reafirmar a incidência do direito sobre todos os custos diretos e indiretos de produção. Transcreveu doutrina relativa ao tema (fl. 73), mencionando ainda, em relação aos gastos classificáveis como custos de produção, cuja Lei Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.504 S3C2T1 Fl. 1.384 4 das Sociedades Anônimas seria silente, o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, da FIPECAF, que discriminaria tais gastos, bem como norma do IBRACON (fl. 11133), trazendo a definição de custo e critérios para sua avaliação. Ainda nessa esteira, acrescenta serem geradoras de crédito, a teor do art. 299 do RIR e da NPC 14 do IBRACON, as despesas incorridas relacionadas às receitas em voga. Tratou da impropriedade da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, que teria adotado o conceito de insumo do IPI para fins de apuração de créditos da Cofins, transcrevendo doutrina (fls. 76/78). Caso não se aceitem os argumentos até então expendidos, a impugnante reclamou a interpretação de que a “ação direta” de que trata o art. 8º, § 4º, I, a, da IN 404/2004, não fique “adstrita ao contato físico do bem ou serviço (insumo) com a mercadoria em produção, mas sim à sua afetação direta à atividade econômica, em vista da essencialidade daquele para a consecução desta.” Disse ainda (fl. 80): .... (lido em sessão) Em resumo, sustentou que a caracterização do insumo se dá pela “imprescindibilidade do bem ou serviço no processo fabril, independente do contato físico direto com o bem produzido”, e que assim, “os bens e serviços adquiridos pela ora Impugnante são essenciais ao desempenho da sua atividade econômica, sendo diretamente afetados às atividades fabris”. Passou a tratar, um a um, dos produtos cujos créditos foram glosados pela fiscalização, descrevendo sua utilização no processo produtivo: I – Insumos utilizados no Tratamento de Água: sulfato de alumínio, cloro líquido, Polieletrólito, Purate, Elemento Filtrante, Hidróxido de Cálcio e Kuriverter são utilizados na obtenção de água desmineralizada, água clarificada e água potável, todos produtos finais da impugnante, e portanto geram direito a crédito (fls. 82/84); II – Gás Natural: possui duas funções distintas (laudo técnico – doc. 8, de fls. 163/181), sendo utilizado como matéria prima na produção de eteno e como combustível fornecendo energia térmica indispensável ao processo industrial, ambas gerando direito a crédito (fls. 84/85); III – Kurita: produto utilizado no tratamento químico da água de caldeira (laudo técnico – doc. 7, de fls. 148/162), necessário para produção de vapor de boa qualidade, como descrito à fl. 86, cuja essencialidade ao processo produtivo é inconteste, configurandose em insumo gerador de crédito; IV – Petroflo: solubilizante e antipolimerizante consumidos no processo produtivo, que “têm fundamental importância na obtenção do produto final, visto que é a água tratada com os referidos produtos que dará origem ao vapor que será misturado com a nafta e/ou condensado nas fases seguintes do processo”, restando claro sua natureza de insumo (doc.7); Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.504 S3C2T1 Fl. 1.385 5 IV – Carvão e Óleo Combustível: insumos utilizados na produção de vapor, o qual é utilizado como energia térmica e vendido como utilidade para outras empresas do Pólo Petroquímico. Se por um lado a fiscalização não efetuou glosas quanto ao carvão e óleo combustível utilizados na produção de vapor destinado à venda, as promoveu quando o vapor era utilizado como trocador de calor no processo produtivo. A alteração promovida pela Lei nº 11.488/2007, no inciso III do art. 3º da Lei nº 10.833, passou a prever o crédito também sobre a energia térmica consumida pela pessoa jurídica. Seria desarrazoado admitir que a aquisição de vapor gera direito ao crédito e os custos para produzilo não, mesmo restando comprovado que eles estão diretamente vinculados aos seus parques fabris (docs. 7 e 8); V – Betzdearborn: agente neutralizante, cuja principal função é reduzir o potencial corrosivo do meio, promovendo o aumento do pH da água (laudo técnico – docs. 7 e 9, este à fls. 182), sendo imprescindível ao processo produtivo; VII – Diesel Marítimo (fl. 90): ... lido em sessão No tocante aos serviços utilizados como insumos no processo produtivo, alegou ter por objeto, além das atividades industriais e comercias, a exploração de terminal portuário, conforme seu Estatuto Social (doc. 10, fls. 183/194). Nesse contexto, “o Píer IV era utilizado para exportações através de navio, com o seguinte roteiro: do Píer de Triunfo, os produtos petroquímicos (gases e líquidos) seguiam de navio via Lagoa dos Patos até o Terminal do Rio Grande, de onde eram exportados.” Assim, as despesas com os serviços prestados no Píer IV, de movimentação de contêineres do Terminal Santa Clara para o de Rio Grande, para subseqüente exportação, fazem parte da atividade econômica da impugnante, sendo imprescindíveis para a atividade de exploração de terminal portuário, sendo indevida sua glosa. A seguir, relacionou, a título exemplificativo, cinco serviços cujos créditos foram glosados pela fiscalização, para demonstrar sua imprescindibilidade. São eles: transporte, estufagem, empilhadeiras, descarga e manuseio de contêiner, realocação de pátio e armazenagem de contêiner cheio, manutenção ISPS Code, descritos às fls. 91/92. Com essas considerações, propugnou pela procedência do direito ao crédito, nos termos do art. 3º, IX da Lei nº 10.833. Quanto à glosa de créditos relativos ao “uso e transmissão de rede”, que estavam incluídos nos gastos com energia elétrica, discorreu sobre a reestruturação do setor elétrico (Lei nº 9.074/1995), que previu a obrigatoriedade dos consumidores, para viabilizar a utilização das redes de distribuição e transmissão no ambiente de contratação livre, de firmar Contrato de Uso do Sistema de Transmissão – CUST ou Contrato de Uso de Distribuição com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – NOS ou com os concessionários e permissionários do serviço público de distribuição (art. 15, § 6º da referida lei). A Aneel, por meio da Resolução nº 281/1999, disciplinou tal matéria (excertos transcritos à fl. 95). Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.504 S3C2T1 Fl. 1.386 6 Em síntese, à data dos fatos objetos do presente, a impugnante estava obrigada a usar a rede de transmissão das concessionárias ou permissionárias, sujeitandose ao pagamento da tarifa remuneratória do USO E TRANSMISSÃO DE REDE. Ressaltou ainda que, após sucessivos ofícios não respondidos pela Receita Federal, que objetivavam apurar eventuais impactos financeiros de seus reajustes e revisões tarifárias, a Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira da Aneel emitiu a Nota Técnica nº 554/2006, que menciona “jurisprudência administrativa” (fl. 237) concluindo pela inafastabilidade do direito ao crédito em discussão (fls. 97/99). Portanto, em se tratando de despesa obrigatória que compõe o custo da energia elétrica consumida, não procede a glosa efetuada. Refutando a glosa dos créditos sobre despesas com frete, efetuada ao argumento de se tratarem de transferência de produto acabado entre estabelecimentos da contribuinte e para empresas de armazenagem, alegou ter se baseado em “interpretação meramente literal do inciso IX, do art. 3º da Lei nº 10.833”. Discorreu sobre as dificuldades que enfrenta para a distribuição de seus produtos “no mais diversos rincões do país”, o que a levou a fixar diversos estabelecimentos que consistem em centros distribuidores em todo território nacional. Assim, a impugnante transfere continuamente os produtos de suas unidades industriais para os referidos centros de distribuição, para armazenamento e posterior venda. A “contínua contratação de serviço de transporte, cujo ônus recai sobre a impugnante”, são despesa consideradas na apuração dos créditos, importando “salientar que as mercadorias transferidas para os centros distribuidores ou remetidas para armazenagem têm sempre por destino a sua posterior comercialização.” Seriam, portanto, “etapas do percurso que os produtos percorrerão até seus destinatários finais.” Acrescentou (fls. 101/102): .... (lido em sessão) Transcreveu Acórdão do CARF para embasar seu entendimento (fl. 102). Por derradeiro, em razão de todas as razões expendidas, requereu que o auto de infração seja julgado improcedente, protestando ainda “pela juntada posterior de documentos e pela realização de diligência fiscal hábil a atestar tudo o quanto pontuado nesta Impugnação”." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela manutenção do lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2006 SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. Em razão da Súmula Vinculante nº 8, do STF, o prazo para o lançamento das contribuições sociais deve ser contado segundo os critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional. Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.504 S3C2T1 Fl. 1.387 7 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeitos da apuração de créditos a serem descontados da contribuição pela sistemática da nãocumulatividade, consideramse insumos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações , tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos dão direito ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa incidente em suas aquisições. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. OUTROS GASTOS. A interpretação relativa a gastos não incluídos no conceito de insumos, mas geradores de créditos da nãocumulatividade por expressa disposição legal, deve ser restritiva, sob pena de criação de benefício fiscal sem previsão em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2006 CONEXÃO. Por serem conexos, aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep as mesmas conclusões referentes ao lançamento da Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2006 SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INÉPCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha indicação de quesitos. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Cientificada a empresa interpôs recurso voluntário, pedindo a reforma do acórdão, repisando as alegações apresentadas na impugnação. É o Relatório. Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.504 S3C2T1 Fl. 1.388 8 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Em sede preliminar, a Recorrente pede o cancelamento do lançamento sob o arrimo que a exigência estaria alcançada pelo instituto da decadência. A teor do relatado, a auditoria procedida na Recorrente teve sua origem no Pedido de Ressarcimento (PER) Eletrônico nº 28131.49110.201006.1.1.095402 foi distribuído para Auditoria Manual no Sistema de Controles de Créditos SCC, estando a ele vinculada a Declaração de Compensação (DCOMP) nº 12884.96693.201006.1.3.097043. A Data do protocolo da Declaração de Compensação é necessária para delimitar o prazo para a homologação prevista no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Consultando os autos não foi possível identificar a data do protocolo da PER/DCOMP que serviram de base para o lançamento controlado no presente processo. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem traga aos autos, cópias do Pedido de Ressarcimento (PER) Eletrônico nº 28131.49110.201006.1.1.095402, da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 12884.96693.201006.1.3.097043 e quaisquer outros documentos vinculados ao pedido de compensação em discussão nos autos. Winderley Morais Pereira Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 16327.001495/2002-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1996, 1997
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS- RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - Não pode ser objeto de recurso especial matéria para a qual não tenha restado demonstrado o dissídio jurisprudencial.
Numero da decisão: 9101-002.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso. Vencida a Conselheira Karem Jureidini Dias. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado). Declarou-se impedido também de participar do julgamento, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Esteve presente e procedeu à sustentação oral, o Patrono da Recorrente, Dr. Jose Arnaldo da Fonseca Filho OAB-DF 7.893.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1996, 1997 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA Não pode ser objeto de recurso especial matéria para a qual não tenha restado demonstrado o dissídio jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso. Vencida a Conselheira Karem Jureidini Dias. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado). Declarouse impedido também de participar do julgamento, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Esteve presente e procedeu à sustentação oral, o Patrono da Recorrente, Dr. Jose Arnaldo da Fonseca Filho OABDF 7.893. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 95 /2 00 2- 11 Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001495/200211 Acórdão n.º 9101002.079 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Relatório BANCO ABN AMRO REAL S/A. apresenta recurso especial em face do Acórdão n° 108 09.724, mediante o qual, na sessão plenária de 18/09/2008, a Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negou provimento ao seu recurso voluntário. Alega o Recorrente dissídio jurisprudencial em relação a três matérias. O Presidente da 3ª Câmara deu seguimento ao recurso especial apenas em relação ao tema “possibilidade de restituição de créditos extintos mediante conversão de depósitos judiciais em renda da União”, acolhendo a seguinte proposição: “Examinando o acórdão recorrido em seu inteiro teor, bem como o acórdão que julgou os embargos interpostos, verificase que o colegiado admitiu implicitamente que pelo menos parte dos valores depositados em juízo e convertidos em renda seria indevida. No entanto, o colegiado não reconheceu o direito ao pedido de restituição/compensação a depositada indevidamente por considerar que “um depósito sem causa convertido como receita pública que deixou de ser um crédito tributário, mas sim um crédito de natureza indefinida pago indevidamente” e que “que a conversão do depósito judicial em renda da União não tem a natureza de CSLL paga indevidamente ou maior que a devida”. Por seu turno os acórdãos paradigmas trazem o entendimento de que “o depósito judicial, cujo valor convertido em renda for superior à obrigação tributária que deveria ser adimplida, pode ser objeto de restituição”. Verificandose a divergência de entendimento acima exposta é de se admitir o recurso em relação ao primeiro ponto.” O contribuinte interpôs agravo em relação as outras matérias não admitidas, porém o presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve o despacho agravado. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso especial de divergência tem por objeto uniformizar a jurisprudência quando, diante de situações fáticas semelhantes, diferentes colegiados divirjam quanto à interpretação a ser dada à legislação tributária aplicável. Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001495/200211 Acórdão n.º 9101002.079 CSRFT1 Fl. 4 3 A matéria objeto de recurso especial a ser apreciada por esta Turma encontra se assim sumariado na ementa: CSLL DEPÓSITO JUDICIAL CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO O depósito judicial tem como finalidade a garantia de instância e quando de sua conversão em renda da União tem destinação específica para quitar a CSLL que deu origem ao litígio e, portanto, não serve e nem pode ser computado como pagamento indevido ou a maior para dar origem a pedido de restituição/compensação exceto quando da decisão judicial transitado em julgado a favor do contribuinte. O voto condutor do acórdão guerreado assim enfrentou a questão: “Versam os autos sobre pedido de restituição/compensação de tributos e contribuições que o recorrente entende ter direito a reaver mediante restituição ou compensação com os tributos e contribuições devidos. Embora o sujeito passivo tenha protocolizado o PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, de fl. 01, em verdade, todos os procedimentos adotados pelo mesmo referemse à compensação de saldo credor de CSLL com o saldo devedor apurado posteriormente. A recorrente reconheceu, às fls. 1312, que cometeu erro de preenchimento da DIPJ/ I 997 quando expressa: 22. Ora, Ilustres Julgadores, a Recorrente concorda com o Sr. Chefe da D1ORT e com o Sr. Relator do acórdão recorrido em relação ao fato de que os créditos compensáveis não podem ser localizados em períodos anteriores, até porque esse montante de mais de 19 milhões de reais não possui tal origem, mas deflui, como dito e repetido, de conversão de depósito judicial em renda da União, ocorrido no próprio ano de 1996. O erro confessado foi corrigido mediante retificação da declaração de rendimentos do exercício de 1997, anocalendário de 1996 e em seguida deu entrada no PEDIDO DE RESTITUIÇÃO e PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO, originando o presente litígio. Independentemente do erro confessado, a recorrente esclarece que o saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido que deu origem a presente lide tem origem no depósito judicial que foi convertido em renda da União Federal, em 20 de setembro de 1996 e conforme cópia de DARF, anexada a fl. 360. O depósito judicial requerido e autorizado na Medida Cautelar n° 96.00134952, de 20 de setembro de 1996, estava vinculado ao processo n° 95.00574535 (mandado de segurança AMSSP 198754) da Justiça Federal da Capital de São Paulo e, posteriormente recebeu o n° 2000.03.99.0105116, no Tribunal Regional Federal da 3º. Região e discutia a dedutibilidade de PDD — Provisão para Devedores Duvidosos. Esta conversão deuse em virtude de o sujeito passivo ter solicitado e a Meritíssima Juíza Federal da 5ª. Vara da Justiça Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001495/200211 Acórdão n.º 9101002.079 CSRFT1 Fl. 5 4 Federal em São Paulo ter autorizado a conversão do depósito judicial em renda da União, na Medida Cautelar n° .00134952 e em 20 de setembro de 1996, foi efetivada a conversão, conforme cópia do anexada a fl. 360, do processo administrativo n° 16327.001495/200211. Nesta Medida Cautelar a recorrente enfatizou que o pedido de conversão de depósito judicial em renda da União não importava em renúncia ao direito pleiteado nos autos da ação principal (mandado de segurança n° 95.00134952) a qual deverá prosseguir até posterior julgamento (fls. 364/365, do processo administrativo n° 16327.001495/200211). Entretanto, o Meritíssimo Juiz Federal da 5ª. Vara Cível Federal de São Paulo prolatou a sentença vazada nos seguintes termos. DECIDO. Verificase, no caso presente, a perda superveniente do interesse processual, eis que o pedido nesta cautelar consistia no depósito de quantias sub judice dos tributos. Tendo a requerente decidido o destino dos depósitos efetuados nestes autos ao requererem a sua conversão em renda da União fls. 25/26), o que já foi realizada conforme consta a fls. 37/53, não subsiste o interesse processual das mesmas no presente feito. Destarte, impõese a EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO do presente processo cautelar, o que faço com fulcro no art. 267, VI, c/c o art. 462 do Código de Processo Civil." (fls. 367/368, do processo administrativo n" 16327.001495/20021 I). Com esta sentença, o litígio correspondente a dedutibilidade de PDD — Provisão para Devedores Duvidosos estaria extinto e, por via de consequência, a conversão de depósito judicial em renda da União (quitado sob código n° 2851 = CSLL — CONVERSÃO DEPÓSITO JUDICIAL) tem uma destinação específica qual seja a quitação da CSLL incidente sobre a Provisão para Devedores Duvidosos deduzidos indevidamente. Entretanto, em pesquisa realizada no sitio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região constatase que no processo judicial foi deferida a liminar, mas a liminar foi cassada e foi proferida sentença denegatória no mandado de segurança (AMSSP 198754) e, em 13 de setembro de 2007, foi negado provimento à Apelação interposta, (...) (...)” Assim, o valor correspondente à conversão de depósito judicial em renda da União não pode e nem poderia ter sido declarado como CSLL pago ou CSLL pago indevidamente ou a maior para ajuste da declaração de rendimentos do anocalendário de 1995.” (destaque em negrito não constante do original). O contribuinte embargou de declaração, alegando omissão, nos ternos assim resumidos no acórdão que apreciou os embargos: Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001495/200211 Acórdão n.º 9101002.079 CSRFT1 Fl. 6 5 a) a recorrente informou que fez o depósito em montante excessivo, e que compensou este excesso com tributos vencidos após a sua conversão em renda e informou, ainda, que essa compensação não encontraria qualquer óbice por parte da administração tributária, não fosse o equívoco incorrido por ocasião do preenchimento da DIPJ de 1997; b) assim, caberia a autoridade julgadora de 2º. grau averiguar o fato exposto e avaliar sua relevância no presente contexto, sob pena de incorrer em flagrante omissão, dando ensejo aos embargos ora interpostos; c) inexistindo na decisão embargada, informação precisa sobre o assunto, requer desde logo seja esse fato devidamente esclarecido, por se tratar de crucial à solução do litígio e que deveria ter sido enfrentada nos presentes autos, em face, inclusive, da impossibilidade de reapreciação de provas pela instância superior; e, d) nestas condições, ou bem esta Câmara apura e declara que o valor do saldo negativo considerado para fins de compensação existia, mas não poderia ser compensado em face do instituto da prescrição, prosseguindose a discussão em relação a esse ponto específico, ou bem declara que não existia, e nesse caso nem precisaria ter recorrido ao argumento da prescrição para fundamentar a decisão e o que não se pode admitir é que a existência do direito ao crédito seja simplesmente ignorada, sob cômodo argumento de que ainda que comprovada, padeceria em função da decadência ou da prescrição. Em seguida, alega obscuridade, requerendo resposta a cinco questões, uma das quais, a seguir reproduzida, relacionada ao tema objeto de recurso especial: c) inexiste previsão legal para compensação do valor de pagamento a maior, feito mediante conversão em renda de depósito judicial ? Os embargos foram rejeitados pelo Acórdão 130200271, e especificamente sobre o ponto que interessa ao recurso especial, constou do voto condutor: “No voto condutor do acórdão atacado registramse, as seguintes assertivas: Assim, o valor correspondente à conversão de depósito judicial em renda da União não pode e nem poderia ter sido declarado como CSLL pago ou CSLL pago indevidamente ou a maior para ajuste da declaração de rendimentos do anocalendário de 1995. A conversão de depósitos judiciais em renda da União foi autorizada pela Meritíssima Juíza Federal Dra. Daldice Maria Santana de Almeida no processo n° 96.0013495 2, conforme oficio n° 869/96 dirigido a Caixa Econômica Federal e materializada conforme cópia de DARF, anexada às fis. 360, destes autos. Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001495/200211 Acórdão n.º 9101002.079 CSRFT1 Fl. 7 6 Além disso, o processo judicial que tratava do litígio relativo aos valores de CSLL depositados, em tramitação da 5ª. Vara Cível Federal de São Paulo, foi extinto sem julgamento de mérito e, portanto, não paira qualquer dúvida sobre a indedutibilidade da PDD Provisão para Devedores Duvidosos, na apuração do lucro líquido (base de cálculo da CSLL). Em se tratando de conversão de depósito judicial onde a incidência da CSLL foi confirmada, esta conversão serviria apenas para a quitação da CSLL devida e, portanto, não cabe o registro na D1PJ/1996, como CSLL pagos em exercícios anteriores.” Alega o Recorrente que a interpretação dada pela 8º Câmara do 1º C.C diverge da adotada por outros colegiados para a mesma matéria, reportandose aos acórdãos 20281038, 20211495 e 20211404, cujas ementas expressam: "DEPÓSITO JUDICIAL CONVERSÃO EM RENDA — FORMA DE PAGAMENTO DE TRIBUTOS — O depósito judicial, se convertido em renda da União Federal, é forma de quitação de débitos tributários, permitindo que os valores sejam restituídos ao contribuinte no caso de inconstitucionalidade.” (AC. 20181038, processo n° 13502.000453/200205) "DEPÓSITO JUDICIAL CONVERSÃO EM RENDA – PAGAMENTO INDEVIDO O depósito judicial, cujo valor convertido em renda for superior à obrigação tributária que deveria ser adimplida, pode ser objeto de restituição em processo específico. Inapropriada a apreciação dessa matéria nos autos do Processo Administrativo Fiscal cujo objeto seja a revisão do ato administrativo do lançamento de crédito tributário, ainda que tal ato seja julgado improcedente." (AC. 20211498, processo n° 10580.005850/9607, Conselheiro Luiz Roberto Domingo). (grifamos) "FINSOCL4L —LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO — DEPÓSITO JUDICIAL — CONVERSÃO EM RENDA — PAGAMENTO INDEVIDO — O depósito judicial, cujo valor convertido em renda for superior à obrigação tributária que deveria ser adimplida, pode ser objeto de restituição em processo especifico. Inapropriada a apreciação dessa matéria nos autos do Processo Administrativo Fiscal cujo objeto seja a revisão do ato administrativo do lançamento de crédito tributário, ainda que tal ato seja julgado improcedente." (AC. 20211404, processo n° 10930.000597/9363, Rel. Luiz Roberto Domingo). Os acórdãos indicados como paradigmas não se prestam para comprovar o dissídio jurisprudencial. Em momento algum o acórdão vergastado manifestou entendimento de que depósito judicial que seja convertido em renda em valor superior à obrigação tributária que deveria ser adimplida não pode ser objeto de restituição, como afirmam os julgados trazidos como paradigmas. O que restou assentado foi que, no caso concreto, o valor correspondente à conversão de depósito judicial em renda da União destinouse a quitar a CSLL que deixou de pagar em virtude da concessão da liminar em Mandado de Segurança Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001495/200211 Acórdão n.º 9101002.079 CSRFT1 Fl. 8 7 relacionado com a dedutibilidade da PDD — Provisão para Devedores Duvidosos, não representando CSLL pagamento indevido ou maior que o devido. A questão decidida pelo acórdão foi que, no caso concreto, o depósito convertido em renda em setembro não poderia ser declarado como CSLL paga para fins de ajuste ao final do ano, porque teve a destinação específica de quitar a CSLL incidente sobre a PDD indevidamente deduzida ao abrigo de liminar em MS. Os paradigmas não veiculam interpretação diversa, mas apenas assentam que depósito judicial convertido em renda, cujo valor convertido em renda for superior à obrigação tributária que deveria ser adimplida, pode ser objeto de restituição em processo específico. Em momento algum a acórdão da 8ª Câmara manifestou entendimento divergente. Apenas, no caso concreto, entendeu que a obrigação a ser adimplida pelo depósito era a CSLL incidente sobre a PDD indevidamente deduzida, cuja exigibilidade estava suspensa. Não houve, no caso concreto, demonstração de que o valor convertido era superior à obrigação a ser adimplida, o que, nos termos do paradigma, daria direito a restituição em processo específico. Dessa forma, entendo não caracterizado o dissídio jurisprudencial, razão porque, não conheço do recurso. Sala das Sessões, em 20 de janeiro de 2015. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 16408.001061/2006-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006
LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Apurada a falta de declaração/recolhimento de PIS e Cofins em confronto com valores declarados/recolhidos, correta a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/96. Os conselheiros do CARF não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972.
TAXA DE JUROS SELIC. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Preclusão do direito de fazê-lo na segunda instância. Não conhecimento de matéria não impugnada na primeira instância e com ausência de provas do alegado.
Numero da decisão: 3301-002.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da parte do recurso voluntário que trata da discussão sobre a incidência de juros de mora à Taxa Selic, por preclusão e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os conselheiros Maria Teresa Martínez López, Mônica Elisa de Lima e Sidney Eduardo Stahl votaram pelas conclusões.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Sidney Eduardo Stahl e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006 LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Apurada a falta de declaração/recolhimento de PIS e Cofins em confronto com valores declarados/recolhidos, correta a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/96. Os conselheiros do CARF não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. TAXA DE JUROS SELIC. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Preclusão do direito de fazê-lo na segunda instância. Não conhecimento de matéria não impugnada na primeira instância e com ausência de provas do alegado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2112; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 313 1 312 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16408.001061/200645 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.474 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2014 Matéria Auto de Infração PIS e Cofins Recorrente INDÚSTRIAS NOVACKI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006 COFINS. APURAÇÃO. DCTF. DÉBITOS DECLARADOS. VALORES RECOLHIDOS. Está correta a apuração efetuada pela fiscalização que se limitou a lançar diferenças não declaradas em DCTF e nem recolhidas por meio de pagamento. COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. LEI 10.833/2003. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. A base de cálculo da Cofins nãocumulativa é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (art. 1º da Lei nº 10.833/2003). Os conselheiros do CARF não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006 PIS/PASEP. APURAÇÃO. DCTF. DÉBITOS DECLARADOS. VALORES RECOLHIDOS. Está correta a apuração efetuada pela fiscalização que se limitou a lançar diferenças não declaradas em DCTF e nem recolhidas por meio de pagamento PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. LEI 10.637/2002. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. A base de cálculo do PIS/Pasep nãocumulativo é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 8. 00 10 61 /2 00 6- 45 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 314 2 independentemente de sua denominação ou classificação contábil (art. 1º da Lei nº 10.637/2002). Os conselheiros do CARF não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. NULIDADE. Os meios de intimação previstos no caput do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, PAF, não estão sujeitos a ordem de preferência. Portanto válida a intimação efetuada por via postal no domicílio eleito pelo contribuinte. NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal do Brasil e não tem o condão de modificar a competência privativa do AuditorFiscal de efetuar o lançamento de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. TAXA DE JUROS SELIC. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Preclusão do direito de fazêlo na segunda instância. Não conhecimento de matéria não impugnada na primeira instância e com ausência de provas do alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Apurada a falta de declaração/recolhimento de PIS e Cofins em confronto com valores declarados/recolhidos, correta a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/96. Os conselheiros do CARF não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 315 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da parte do recurso voluntário que trata da discussão sobre a incidência de juros de mora à Taxa Selic, por preclusão e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os conselheiros Maria Teresa Martínez López, Mônica Elisa de Lima e Sidney Eduardo Stahl votaram pelas conclusões. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Sidney Eduardo Stahl e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 316 4 Relatório Por economia processual, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida, abaixo transcrita. Trata o presente processo de autos de infração de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, às fls. 109/115 e de contribuição para o Programa de Integração Social PIS, às fls. 118/124. 2. A titulo de Cofins o crédito exigido é de R$ 3.514.478,58 de contribuição e de R$ 2.635.858,85 de multa de oficio de 75%, além dos acréscimos legais, referindose aos períodos de apuração de 01/2005 a 05/2005 e de 08/2005 a 07/2006, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal de fis. 110/111 e demonstrativos de apuração de fls. 112/113 e de multa e juros de mora de fls. 114/115. 3. Quanto à contribuição para o PIS, o crédito exigido de oficio é de R$ 729.017,09 de contribuição c R$ 546.762,76 de multa de oficio de 75%, além dos acréscimos legais, referindose aos períodos de apuração de 01/2005 a 05/2005 e de 08/2005 a 07/2006, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 119/120 e demonstrativos de apuração de fls. 121/122 e de multa e juros de mora de fis. 123/124. 4. Às fls. 105/107, Termo de Verificação Fiscal n° 602/2006, parte integrante dos autos de infração, no qual é detalhado o procedimento administrativo. 5. Cientificada dos autos de infração, por via postal, em 11/10/2006 (fl. 127), a interessada, por intermédio de procurador constituído (fl. 158), interpôs, em 08/11/2006, a tempestiva impugnação de fls. 129/157, instruída com os documentos de fls. 159/216, a seguir sintetizada. 5.2. Após descrever os fatos, diz ser insubsistente o auto de infração, apontando equivoco da fiscalização ao se referir a "saldos a pagar" e alegando que se pretende constituir crédito tributário já declarado em DCTF. Quanto à questão, cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes, no sentido de que a apresentação de DCTF exime o contribuinte do lançamento de oficio. 5.3. Alternativamente, diz haver, consoante anexo à impugnação, recolhimentos que não foram considerados na apuração fiscal. 5.4. No tocante à multa de oficio, alega ser excessiva, posto que desproporcional às circunstâncias fáticas, além de desarrazoada, pelo que requer sua redução a percentual compatível. Discorre sobre os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, além do nãoconfisco, questionando o grau de culpabilidade da infração. Diz que agiu com boafé, vez que procedeu à entrega de DCTF, e, não obstante reconhecer a existência de previsão legal para a imposição da multa de 75%, suscita a necessidade de observância dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Transcreve doutrina e jurisprudência, concluindo com menção ao disposto no art. 112 do CTN e o argumento de que não tentou omitir as receitas durante o processo de fiscalização, tendo atendido as solicitações com presteza e boa vontade. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 317 5 5.5. A seguir, alega que obteve decisão judicial transitada em julgado que considerou inconstitucional a ampliação do conceito de faturamento pela Lei n°9.718, de 1998, pelo que alega haver valores indevidos no lançamento que dele devem ser excluídos. 5.6. Defende, também, a exclusão do ICMS das bases de cálculo das contribuições, aduzindo que aquele imposto é um tributo indireto, não componente do seu faturamento, do qual exerce a função de mera arrecadadora. Faz relato histórico das disposições legais que disciplinam as contribuições, concluindo que, como o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo promovida pela Lei ri° 9.718, de 1998, não houve modificação atinente à exclusão do ICMS. Prossegue discorrendo sobre a matéria, alegando ofensa à capacidade contributiva, por não compor o ICMS o seu faturamento; faz análise comparativa com o IPI, que não é incluído na base de cálculo; cita jurisprudência, suscitando ofensa ao principio da legalidade; quanto aos precedentes do Superior Tribunal de Justiça, defende que a matéria, em face do art. 195 da Constituição Federal de 1988, é de competência do Supremo Tribunal Federal; alega que não se justifica o tratamento diferenciado em relação ao IPI, findando com a transcrição de parte do voto do Ministro Marco Aurélio no julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.7852/MG. 5.7. Pelo exposto, requer que seja considerado nulo o auto de infração, por ser inveridica a acusação de que não entregou DCTF; alternativamente, que sejam excluídos os valores pagos, que seja reduzida a multa moratória, que sejam excluídos os valores que não se referem à venda de mercadorias e serviços e que sejam excluídos os valores relativos ao ICMS incluído na base de cálculo. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, notadamente por prova pericial. Ao julgar referida impugnação a 3ª Turma da DRJ/Curitiba proferiu o Acórdão nº 0612.916, de 29/11/2006, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2005, 01/08/2005 a 31/07/2006 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2005, 01/08/2005 a 31/07/2006 AUTUAÇÃO FISCAL. VALORES EXCEDENTES AO DECLARADOS E RECOLHIDOS. Se as autuações fiscais referemse à contribuição para o PIS e à Cofins excedentes às parcelas declaradas em DCTF e recolhidas, é descabida a pretensão de modificação dos lançamentos com base em parâmetros já considerados a tais títulos. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 318 6 MULTA DE OFICIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa de lançamento de oficio é previsto legalmente, não cabendo sua graduação subjetiva em âmbito administrativo. BASE DE CÁLCULO. DEMAIS RECEITAS. DECLARAÇÃO DE INCONST1TUCIONALIDADE. DISPOSITIVOS LEGAIS DIVERSOS. A virtual declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n°9.718, de 1998, não prejudica a incidência da contribuição para o PIS com base no art. 1° da Lei n° 10.637, de 2002, e da Cofins com fundamento no art. I° da Lei n° 10.833, de 2003. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS integra a receita bruta da empresa e, não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Lançamento Procedente Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual repete basicamente as mesmas questões trazidas em sua impugnação e que podem assim ser resumidas: alega nulidade do auto de infração por vício na intimação. Compara a intimação do auto de infração à citação do CPC e defende que ela devia ser feita de forma pessoal e não via postal, como foi no presente caso. Alega que desta forma houve cerceamento ao direito de defesa “pois o prazo para pagamento já havia se escoado quando os representantes legais da recorrente tomaram efetivo conhecimento do envelope, e do prazo de (30) trinta dias já havia transcorrido a metade”. Cita jurisprudência do STJ como precedente desta tese; cita atos normativos que regulamenta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF e afirma que houve vícios insanáveis no procedimento. Que os espaços destinados ao endereço e telefone do chefe do AFRF estão em branco. Não foi dado ciência ao contribuinte de nenhum Mandado de Procedimento Fiscal Complementar. Que quando da intimação do auto de infração o MPF já havia perdido sua validade. Que o MPF foi expedido somente para fiscalização/verificação dos tributos exigidos dos anoscalendário de 2001 a 2004, sendo que os períodos autuados são de 2005 e 2006. Em razão destes fatos, também pede nulidade do auto de infração; que os débitos exigidos por meio do auto de infração foram regularmente declarados em DCTF e não poderiam ter sido objeto de lançamento de ofício. Cita vasta jurisprudência; que a fiscalização, no lançamento, desconsiderou valores recolhidos por meio de DARF. Pede sua consideração e abatimento do valor do crédito tributário; apresenta um estudo da evolução da legislação do PIS e da Cofins e sua incidência sobre o faturamento e sobre a inconstitucionalidade do alargamento da sua base de Fl. 332DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 319 7 cálculo efetuado por meio do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Inclusive ressalta que possui ação judicial com trânsito em julgado que reconheceu esta inconstitucionalidade. Com base neste entendimento contesta a decisão recorrida, que considerou válido o lançamento com base na receita bruta pois fora efetuado com base nas Leis nº 10.637/2002, para o PIS, e 10.833/2003 para a Cofins. Segundo ele esta decisão não pode prevalecer pois “o vício jurídico é o mesmo, qual seja, as Leis posteriores continuam a exigir Cofins e PIS sobre base de cálculo indevida, a receita bruta”; faz também um longo arrazoado para defender a não inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, por entender que esta exigência é ilegal e inconstitucional; pede o cancelamento da multa de ofício em início, porque não houve falta de declaração e nem de pagamento/recolhimento, sendo que os valores exigidos são indevidos, ou foram pagos ou parcelados. Em seguida que a multa foi aplicada em excesso por violar vários princípios constitucionais que são norteadores e limitadores da atividade de imputação de multas fiscais. Afirma que foram violados os seguintes princípios: a) da legalidade; b) da autoridade da lei; c) da isonomia; d) da graduação da pena conforme a intensidade da lesão; e) da retroatividade da lei mais benigna; f) do in dubio pro reo; g) do não confisco; h) da capacidade contributiva; e i) da razoabilidade e da proporcionalidade. Apresenta um estudo sobre cada um destes princípios; defende a ilegalidade e inconstitucionalidade da incidência da taxa de juros Selic para correção de créditos tributários e pede que seja afastada a sua cobrança. É o relatório. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 320 8 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. De início o contribuinte suscita nulidades do auto de infração em razão de vícios na intimação e também de irregularidades constantes do Mandado de Procedimento Fiscal. Ressalto que estas matérias não foram apresentadas em sua impugnação e estariam preclusas por força do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72 – PAF. Porém por se tratar a nulidade de matéria de ordem pública, passo a analisar estas preliminares. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – VÍCIO NA INTIMAÇÃO O recorrente compara a intimação do auto de infração à citação do CPC e defende que ela devia ser feita de forma pessoal e não via postal, como foi no presente caso. Alega que desta forma houve cerceamento ao direito de defesa “pois o prazo para pagamento já havia se escoado quando os representantes legais da recorrente tomaram efetivo conhecimento do envelope, e do prazo de (30) trinta dias já havia transcorrido a metade”. Como é sabido, o processo administrativo fiscal possui regramentos próprios e estão estabelecidos no Decreto nº 70.235/72. É incabível trazer ao PAF regras do Código de Processo Civil, quando a situação está totalmente nele regulamentada, como é o caso do procedimento da intimação no âmbito do processo fiscal. A este respeito assim dispõe o citado decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 321 9 § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) OBS.: Redação do art. 23 na data do lançamento e intimação. O próprio contribuinte reconhece que recebeu a intimação por via postal, mas defende que ela deveria ser por via pessoal e alega que esta regra está disposta no próprio art. 23, acima transcrito. Como pode se ver o caput do artigo prevê três tipos de intimação: pessoal, postal e eletrônico e deixa claro por meio do § 3º que não há ordem de preferência entre eles. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 322 10 Portanto não há nenhum vício na intimação e não era obrigatório que se fizesse a intimação de forma pessoal. A alegação de que houve cerceamento do direito de defesa em razão de que os representantes legais da empresa só teriam tomado conhecimento da autuação quando já escoado metade do tempo para apresentação da impugnação não pode ser oponível ao fisco federal, pois são ocorrências de ordem interna à organização da recorrente. NULIDADE POR VÍCIOS NO MPF O recorrente aponta que houve várias irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, que levam a prática de vícios insanáveis, suficientes para decretar a nulidade do procedimento. 1º Vício apontado: que os espaços destinados ao endereço e telefone do chefe do AFRF estão em branco, contrariando exigência constante do art. 7º, inc. VI, da Portaria SRF nº 6.087/2005. Efetivamente o ato normativo faz esta exigência e, ao contrário do que afirma o recorrente, estas informações estão presentes em todos os MPF impressos no presente processo. Observem que nos MPF de fls. 1, 4, 5, 6 e 8, constam o nome do chefe da fiscalização, bem como seu telefone e endereço. 2º Vício apontado: que o art. 10 da Portaria SRF nº 6.087/2005 exige que seja dada ciência ao contribuinte da emissão de MPFComplementar e que não recebeu ciência de nenhum destes instrumentos constantes dos autos. O art. 13 da mesma Portaria, diz que na hipótese de MPFC para prorrogação de prazo, a informação estará disponível ao sujeito passivo na internet e que será dada ciência a ele, quando do primeiro ato de ofício praticado ao mesmo após a prorrogação. Mesmo com a possibilidade de ciência por consulta eletrônica, não é verdadeira a afirmação de que o contribuinte não tenha recebido nenhuma ciência da emissão de MPFC. A título ilustrativo seguem dois exemplos abaixo citados: por ocasião do Termo de Início de Fiscalização, fl. 64, ciência pessoal em 19/10/2005; por meio do Termo de Intimação nº 760/2005, fl. 66, tomou ciência do primeiro MPFC, inclusive com transcrição do seu número no Aviso de Recebimento – AR de fl. 67, em 19/12/2005; 3º Vício apontado: que quando da ciência do auto de infração em 21/11/2007, o MPF já havia perdido sua validade, pois fora emitido em 14/10/2005, sendo que o art. 12 da citada Portaria prevê que sua validade é de 120 dias. Primeiro que a lavratura do auto de infração foi realizada em 29/09/2006 e a ciência ao contribuinte, por via postal, 11/10/2006, AR de fl. 127 e por fim que o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF, fl. 6, demonstra que o MPF foi prorrogado no mínimo até o dia 09/10/2006; 4º Vício apontado: autuação fora dos limites autorizados pelo MPF. De acordo com o recorrente o MPF foi expedido somente para fiscalização/verificação dos tributos relativos aos anoscalendário 2001 a 2004 e os autos de infração são relativos aos anos de 2005 e 2006. Mais um engano do contribuinte. O MPF, fl. 1, consta a fiscalização dos tributos nos anoscalendário de 2001 a 2004 e mais que fossem efetuadas “Verificações Obrigatórias” que consistia em “verificar a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos e no período de execução deste Fl. 336DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 323 11 Procedimento Fiscal”. Portanto a autuação nos anoscalendário de 2005 e 2006 estava autorizado no MPF. O auto de infração somente seria nulo se tivesse sido lavrado por pessoa incompetente ou sem fundamentação legal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 59, inciso I: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; [...]. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Dispõe ainda o art. 10 do Decreto nº 70.235/72 os prérequisitos necessários ao auto de infração: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. No presente caso, o auto de infração em discussão foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal (RFB), servidor competente para exercer fiscalizações externas de pessoas jurídicas e, se constatadas faltas na apuração do cumprimento de obrigações tributárias, por parte da fiscalizada, tem competência legal para a sua lavratura, com o objetivo de constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício. Do seu exame, verificamos que nele estão demonstradas as infrações imputadas à recorrente, a fundamentação da exigência do imposto e das cominações legais, bem como consta com clareza a descrição dos fatos e o enquadramento legal. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória nos termos do § único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), isto é, quando o Auditor Fiscal identificar uma infração à legislação tributária, ele tem o dever funcional de efetuar o lançamento correspondente a esta infração. No caso o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal e Fl. 337DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 324 12 não tem o condão de modificar a competência privativa do AuditorFiscal de efetuar o lançamento de ofício. Ainda que fossem comprovados os vícios apontados no MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, estes devem ser resolvidos no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tem o poder de tomar nulo o lançamento tributário que atendeu aos requisitos do CTN, art. 142, e do Decreto nº 70.235/72, art. 10. Neste sentido tem sido a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisão unânime nas duas ementas citadas abaixo: Assunto: Ausência de autorização no MPF Mandado de Procedimento Fiscal MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA. A não inclusão, de forma expressa no MPF, de exigência de tributos que se encontram inclusos nas verificações obrigatórias constante no mandamus, não da azo à nulidade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Adriana Gomes Rêgo, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro; João Carlos de Lima Junior, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Carlos Alberto Freitas Barreto acompanham o relator pelas conclusões, sob o entendimento que o MPF é apenas instrumento de controle da Administração Tributária, conforme entendimento reiterado da CSRF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.(Grifei) (Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, Processo nº 13819.001388/200182, Sessão de 03/10/2009, Acórdão nº 9101 00.428. Relatoria do Conselheiro Valmir Sandri). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário.(Grifei) Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Grifei) Fl. 338DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 325 13 (Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, Processo nº 10120.002508/200391, Sessão de 11/11/1998, Acórdão nº 01 06.085. Relatoria do Conselheiro Alexandre Andrade de Lima da Fonte Filho). Portanto, diante do exposto, afasto também esta preliminar de nulidade do lançamento. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF O recorrente afirma que os débitos exigidos por meio dos autos de infração foram regularmente declarados em DCTF e não poderiam ter sido objeto de lançamento de ofício. Cita vasta jurisprudência neste sentido. Inicialmente quero ressaltar que o contribuinte está correto em seu entendimento. Efetivamente os débitos declarados em DCTF não devem ser objetos de lançamento de ofício por meio de auto de infração. Corretas as jurisprudências apontadas por ele. Outro detalhe, a decisão recorrida também não discorda deste entendimento. Inclusive este assunto foi enfrentado pela decisão recorrida nos seguintes termos: (...) 12. A impugnante, na sua contestação, fundase no pressuposto de que estão sendo exigidos de oficio valores que já teriam sido declarados em DCTF. 13. Tal fato, em verdade, não ocorreu. (...) 15. Ocorre que, cotejandose os valores constituídos e apurados à fl. 108 com aqueles que foram declarados em DCTF (que se encontram às fls. 02/11 do anexo 01), verificase que, pelo lançamento de oficio, encontramse em exigência no presente processo apenas as parcelas da contribuição excedentes àquelas declaradas em DCTF a título de "débitos apurados". Nesse sentido, quaisquer valores declarados em DCTF deixaram de ser objeto do lançamento. 16. Ou seja, o lançamento de oficio, além de não se referir a valores dc "saldos a pagar" informados em DCTF, também não contém parcelas de contribuição que a contribuinte declarou em DCTF a titulo de "Pagamentos com DARF", compensações e quaisquer outros "créditos vinculados". 17. Assim, é errônea a contestação da impugnante, vez que fundado no pressuposto inexistente de que haveria valores exigidos de oficio coincidentes com os declarados em DCTF. 18. Esclareçase, por oportuno, que as intimações de cobrança que a contribuinte traz aos autos, às fls. 196/204, quanto às contribuições dos períodos ora discutidos, referemse às parcelas declaradas em DCTF — e que não estão sendo objeto do lançamento de oficio (fl. 108) —, como facilmente se constata pelo cotejo com referidas declarações às fls. 02/11 do anexo 01. (...) Fl. 339DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 326 14 Efetivamente o cotejo apontado pela decisão recorrida demonstra que os valores declarados pelo contribuinte em DCTF não foram objetos do presente lançamento. Assim, nenhum reparo há de ser feito naquela decisão. VALORES RECOLHIDOS EM DARF ABATIMENTO O recorrente afirma que a fiscalização, no lançamento, desconsiderou valores recolhidos por meio de DARF. Pede sua consideração e abatimento do valor do crédito tributário. Esta matéria foi enfrentada pela decisão recorrida nos seguintes termos: (...) 19. Quanto aos valores recolhidos que a impugnante alega não terem sido considerados no lançamento, equivocase novamente a interessada. 20. Notese que a maior parte dos recolhimentos apresentados às fls. 205/216 não se refere aos períodos de apuração objeto da autuação. 21. Já quanto àqueles que, de fato, dizem respeito aos períodos de apuração objeto dos autos de infração (apenas os dos meses de junho a agosto de 2005) consistem, em verdade a complementações que a contribuinte efetuou para compor os valores que foram informados em DCTF (fls. 02/03 do anexo 01) e que, como antes exposto, já foram considerados pela autoridade fiscal na apuração de fl. 108. 22. A autoridade fiscal, como confirma o demonstrativo de fl. 108, procedeu ao lançamento das diferenças entre as contribuições devidas e as declaradas pela contribuinte em DCTF. Os valores recolhidos que a impugnante alega são referentes aos valores declarados, não se confundindo, portanto, com as diferenças apuradas de ofício. (...) O recurso voluntário repete a impugnação e não traz nenhum elemento novo para combater a decisão recorrida. De fato, os esclarecimentos efetuados e transcritos acima, deixam evidente que a fiscalização não deixou de considerar os pagamentos efetuados pelo contribuinte. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO Neste ponto, o contribuinte apresenta um estudo da evolução da legislação do PIS e da Cofins e sua incidência sobre o faturamento e sobre a inconstitucionalidade do alargamento da sua base de cálculo efetuado por meio do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Inclusive ressalta que possui ação judicial com trânsito em julgado que reconheceu esta inconstitucionalidade. Com base neste entendimento contesta a decisão recorrida, que considerou válido o lançamento com base na receita bruta pois fora efetuado com base nas Leis nº 10.637/2002, para o PIS, e 10.833/2003 para a Cofins. Segundo ele esta decisão não pode prevalecer pois “o vício jurídico é o mesmo, qual seja, as Leis posteriores continuam a exigir Cofins e PIS sobre base de cálculo indevida, a receita bruta”. É irrelevante que o contribuinte possua ação judicial própria para o presente caso, pois o STF já reconheceu em repercussão geral a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 conforme se depreende do seguinte julgado: Fl. 340DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 327 15 “EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871) Em 10/09/2008, foi reconhecida a repercussão geral do caso, sendo, inclusive sendo aprovada a edição de Súmula vinculante, consoante a seguinte decisão, in verbis: “Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008.” Porém os lançamentos efetuados de PIS e Cofins no presente processo tiveram como base legal as Leis nº 10.637/2002, para o PIS, e 10.833/2003, para a Cofins, que não tiveram sua inconstitucionalidade declarada. Este foi o fundamento acertado da decisão recorrida. Porém o contribuinte insiste na tese de sua inconstitucionalidade pois estas leis mantiveram o mesmo vício jurídico da Lei nº 9.718/98, ao manter como base de cálculo a receita bruta. Entendo que o recorrente está equivocado na medida em que a EC nº 20, de 15/12/1998, ao estabelecer nova redação ao art. 195 da CF, autorizou a incidência das contribuições sociais sobre a receita. Veja o que dispõe o art. 195: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 341DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 328 16 I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Porém, caso o meu entendimento estivesse equivocado, a verdade é que as exigências foram efetuadas com base em disposição expressa da lei tributária, sendo vedado aos conselheiros do CARF a análise sobre sua eventual inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS O contribuinte faz um longo arrazoado para defender a não inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, por entender que esta exigência é ilegal e inconstitucional. Esta matéria está em análise pelo STF na Ação Declaratória de Constitucionalidade – ADC nº 18, e ainda não foi julgada por aquele tribunal. Junto ao Superior Tribunal de Justiça esta matéria já encontrava se pacificada nos termos das súmulas 68 e 94, abaixo transcritas: Súmula 68: A parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do pis. Súmula 94: A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial. Por fim, entendo que o ICMS integra o faturamento, que é o fato gerador do PIS e da Cofins, não havendo qualquer contrariedade à Constituição Federal, uma vez que ela mesma determina que o ICMS integra a sua própria base de cálculo. Veja como está disposto no art. 155 da CF: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: I transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; Fl. 342DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 329 17 II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: XII cabe à lei complementar: i) fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço.(grifei) Ainda que assim não fosse, reconhecer este direito ao contribuinte implicaria afastar a aplicação de lei tributária, por inconstitucionalidade, o que não é permitido aos julgadores desta instância administrativa. Nestes termos, citase novamente a súmula Carf nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE E EXCESSO O contribuinte pede o cancelamento da multa de ofício em início, porque não houve falta de declaração e nem de pagamento/recolhimento, sendo que os valores exigidos são indevidos, ou foram pagos ou parcelados. Esta questão já foi enfrentada em tópico anterior e a conclusão foi que os tributos exigidos no presente processo não foram nem declarados em DCTF e nem recolhidos pelo contribuinte. Portanto, como a fiscalização constatou que os tributos não foram nem declarados e nem pagos, correta a aplicação da multa prevista no art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/96. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) (OBS.: redação na data dos fatos). Em seguida, o contribuinte afirma que a multa foi aplicada em excesso por violar vários princípios constitucionais que são norteadores e limitadores da atividade de imputação de multas fiscais. Afirma que foram violados os seguintes princípios: a) da legalidade; b) da autoridade da lei; c) da isonomia; d) da graduação da pena conforme a intensidade da lesão; e) da retroatividade da lei mais benigna; f) do in dubio pro reo; g) do não Fl. 343DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 330 18 confisco; h) da capacidade contributiva; e i) da razoabilidade e da proporcionalidade. Apresenta um estudo sobre cada um destes princípios. Entendo que os princípios constitucionais citados pelo contribuinte, amplamente conhecidos, são direcionados para o poder legislativo que devem observálos no momento da elaboração das leis e ao poder judiciário, nas situações em que instado a se pronunciar sobre a constitucionalidade das leis. Ao executor, mas precisamente no caso presente, a fiscalização tributária e os julgadores administrativos, cabe o dever de cumprilas. Assim, o procedimento adotado e a multa aplicada estão em consonância com disposição expressa da lei, acima transcrita, não cabendo no âmbito do julgamento administrativo apreciar eventual inconstitucionalidade por aplicação destes princípios. Neste sentido, volto a citar a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA DE JUROS SELIC – INAPLICABILIDADE O contribuinte defende, em seu recurso voluntário, a ilegalidade e inconstitucionalidade da incidência da taxa de juros Selic para correção de créditos tributários e pede que seja afastada a sua cobrança. Este pedido foi inovado no recurso voluntário. Esta matéria não foi suscitada em sua impugnação, fls. 129/157, e portanto não colocada à apreciação da primeira instância de julgamento. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessa nova tese deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal, o Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 344DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 331 19 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Os textos legais acima colacionados são muito claros. A fase litigiosa somente se instaura se a matéria for expressamente contestada e seus argumentos submetidos à primeira instância, determinando os limites do litígio. Não tendo sido apontada essa questão da incidência da taxa de juros Selic na Impugnação, não é possível a essa turma conhecêla. Portanto, diante do exposto, voto em negar conhecimento na parte do recurso voluntário que trata da discussão sobre a incidência dos juros de mora à Taxa Selic e negar provimento ao recurso voluntário na parte conhecida. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 345DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002592/2003-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998
PAGAMENTO NÃO LOCALIZADO NOS SISTEMAS DE CONTROLE DE ARRECADAÇÃO. CÓPIA AUTENTICADA DO DARF. PROVA INSUFICIENTE.
Não é meio de prova suficiente para comprovar o pagamento de tributos a simples apresentação de cópia autenticada de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), desacompanhada da prova do efetivo pagamento perante instituição financeira credenciada a receber tributos federais, quando o pagamento não é localizado nos sistemas de controle de arrecadação Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
Numero da decisão: 9303-003.136
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. As Conselheiras Nanci Gama, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Fabiola Kassiano Keramidas votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Danúbia Souto de Faria Costa, OAB/DF nº 29.043, advogada do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Antonio Carlos Atulim (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998 PAGAMENTO NÃO LOCALIZADO NOS SISTEMAS DE CONTROLE DE ARRECADAÇÃO. CÓPIA AUTENTICADA DO DARF. PROVA INSUFICIENTE. Não é meio de prova suficiente para comprovar o pagamento de tributos a simples apresentação de cópia autenticada de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), desacompanhada da prova do efetivo pagamento perante instituição financeira credenciada a receber tributos federais, quando o pagamento não é localizado nos sistemas de controle de arrecadação Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
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CÓPIA AUTENTICADA DO DARF. PROVA INSUFICIENTE. Não é meio de prova suficiente para comprovar o pagamento de tributos a simples apresentação de cópia autenticada de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), desacompanhada da prova do efetivo pagamento perante instituição financeira credenciada a receber tributos federais, quando o pagamento não é localizado nos sistemas de controle de arrecadação Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. As Conselheiras Nanci Gama, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Fabiola Kassiano Keramidas votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Danúbia Souto de Faria Costa, OAB/DF nº 29.043, advogada do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 25 92 /2 00 3- 11 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Antonio Carlos Atulim (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra acórdão que negou provimento ao Recurso Voluntário, conforme ementa abaixo transcrita: Relator: José Fernandes do Nascimento Acórdão: 3802 01.438 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998 PAGAMENTO NÃO LOCALIZADO NOS SISTEMAS DE CONTROLE DE ARRECADAÇÃO. CÓPIA AUTENTICADA DO DARF. PROVA INSUFICIENTE. A cópia autenticada de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), desacompanhada da prova do efetivo pagamento perante instituição financeira credenciada a receber tributos federais, não é prova suficiente para comprovar a efetiva realização de pagamento não localizado nos sistemas de controle de arrecadação Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Recurso Voluntário Negado. A discussão limitarseá aceitação, ou não, de cópia autenticada de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), desacompanhada da prova do efetivo pagamento perante instituição financeira credenciada a receber tributos federais, é prova suficiente para comprovar a efetiva realização de pagamento não localizado nos sistemas de controle de arrecadação Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). É o relatório Fl. 244DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.002592/200311 Acórdão n.º 9303003.136 CSRFT3 Fl. 714 3 Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. A única matéria trazida à apreciação deste colegiado é se a apresentação de cópia autenticada de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), desacompanhada da prova do efetivo pagamento perante instituição financeira credenciada a receber tributos federais, não localizado nos sistemas de controle de arrecadação Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), tem o condão de fazer a prova do pagamento. O voto do conselheiro José Fernandes do Nascimento, exaure totalmente o assunto, é vou usálo como razões de decidir. O voto foi acompanhado pela unanimidade dos conselheiros, visto se tratar de jurisprudência pacífica no CARF. Assim, o cerne da presente controvérsia limitarseá à comprovação do pagamento do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de janeiro de 1998, no valor de R$ 6.465,30, objeto da cobrança remanescente, formalizada por meio do auto infração de fls. 33/41. Os extratos dos sistemas SIEF e do Sinal08 (fls. 154/156) comprovam que o referido pagamento não foi efetivado em instituição financeira integrante da rede arrecadadora dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, uma vez que tal pagamento não foi confirmado na base de dados dos referidos sistemas de controle da arrecadação. Para contraditar tais provas, a Recorrente apresentou apenas uma cópia autenticada do DARF representativo do suposto pagamento, o que não é suficiente para infirmar as provas robustas coligidas aos autos que negam a existência do suposto pagamento perante instituição financeira integrante da rede arrecadadora dos tributos federais. O que está em questão, no presente caso, não é a autenticidade material do citado documento, com entendeu a Recorrente, mas a autenticidade do seu conteúdo, especialmente, da autenticação mecânica nele chancelada. Aliás, em relação esse ponto nada alegou a Recorrente, tampouco apresentou qualquer laudo técnico ou declaração de instituição financeira que confirmasse autenticidade da citada chancela mecânica, apesar dos julgados precedentes terem alertado que tais provas eram imprescindíveis para demonstrar a efetiva realização do pagamento em destaque. E na ausência de qualquer elemento idôneo que ponha em dúvida a veracidade da informação contida nos extratos dos Sistemas de controle da arrecadação, a diligência pleiteada pela Recorrente revelase prescindível, principalmente, tendo em Fl. 245DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 conta que a Recorrente não apresentou nenhum motivo plausível para que fosse realizada a citada diligência. Por conseguinte, com respaldo no caput do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, rejeito o pedido de diligência em referência. É oportuno ainda ressaltar que não foi a “suposta insuficiência da documentação apresentada” que motivou a decisão de primeiro grau, mas a existência de robustas provas (os extratos colacionadas aos autos) demonstrando que o suposto pagamento não foi efetivado em instituição financeira integrante da rede arrecadadora de tributos federais. Na ausência de provas que infirmem a informação contida nos referidos extratos ou que afirmem que o suposto pagamento registrado no referido DARF foi recebido por instituição financeira pertencente à rede arrecadadora de tributos federais, deve ser mantida a cobrança do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de janeiro de 1998, da forma como determinada na decisão recorrida. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. A partir do momento em que não foi localizado o pagamento nos sistemas informatizados da RFB, o contribuinte deve provar que o pagamento foi efetivamente realizado e efetivado. Quando ele apresentou apenas uma cópia do DARF, não se desincumbiu do ônus probatório que a ele interessava fazer, ou seja, a efetivação do pagamento. Do exposto, voto pelo não provimento do presente recurso, mantendose, na íntegra, a decisão do colegiado a quo. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.002592/200311 Acórdão n.º 9303003.136 CSRFT3 Fl. 715 5 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000305/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo as contribuições previdenciárias relativas à cota dos segurados, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo as contribuições previdenciárias relativas à cota dos segurados, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo as contribuições previdenciárias relativas à cota dos segurados, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 03 05 /2 01 0- 11 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11052.000305/201011 Acórdão n.º 2302003.483 S2C3T2 Fl. 80 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 54), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de Auto de Infração (AI DEBCAD 37.264.0800) lavrado em 16/07/2010, no valor de R$ 174.219,51, acrescidos de juros e multa, referente às competências 01/2006 a 12/2006, contra a empresa acima identificada, que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 25/33), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, referente à parte devida pelos segurados empregados e contribuintes individuais, retida pela empresa, constante em folha de pagamento e não declarada em GFIP. (destaques nossos) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 65 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * os valores apurados pela autoridade fiscal teriam sido liquidados mediante compensação judicial (Ação Declaratória n° 95.00249855). Não há que se falar em ausência de apresentação de documentação comprobatória, pois, se o lançamento é por homologação, uma fez efetuada a compensação, extinto está o crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação; * inaplicabilidade da taxa Selic. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11052.000305/201011 Acórdão n.º 2302003.483 S2C3T2 Fl. 81 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Compensação. Afirma a recorrente que os valores apurados pela autoridade fiscal teriam sido liquidados mediante compensação judicial (Ação Declaratória n° 95.00249855). Acrescenta que não há que se falar em ausência de apresentação de documentação comprobatória, pois, se o lançamento é por homologação, uma fez efetuada a compensação, extinto está o crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação. Como já destacada na decisão a quo, “além de a interessada não ter trazido qualquer comprovação documental do alegado, em consulta ao sistema GFIPWEB, verificou se que para as competências do lançamento 01/2006 a 12/2006, no campo relativo à compensação, não hi qualquer informação de valores compensados e/ou a compensar, pelo que não procede a argüição de extinção do crédito tributário”. Portanto, não há qualquer indício de veracidade na tese sustentada pela recorrente, que insiste em não trazer aos autos prova de suas alegações. Como não traz prova de sua alegação, aplicase ao caso o aforismo jurídico “allegatio et non probatio, quasi non allegatio”. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. No processo administrativo, há norma expressa a respeito: Lei n° 9.784/99 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Portanto, não cumprindo com seu ônus probatório de apresentar argumentos substanciosos quanto ao seu inconformismo, temos como improcedentes os argumentos relativos à suposta compensação. Taxa Selic. Aduz a recorrente a inaplicabilidade da taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722948/2012-35
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. GLOSA.
O recolhimento do imposto de renda efetuado pela fonte pagadora no ano-calendário de 2008 não autoriza a compensação do imposto retido na declaração de ajuste anual do ano-calendário de 2009.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
1.0 = *:*
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GLOSA. O recolhimento do imposto de renda efetuado pela fonte pagadora no ano calendário de 2008 não autoriza a compensação do imposto retido na declaração de ajuste anual do anocalendário de 2009. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 29 48 /2 01 2- 35 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.722948/201235 Acórdão n.º 2801003.954 S2TE01 Fl. 247 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fl. 156 deste processo digital), reproduzido a seguir: Mediante Notificação de Lançamento de fls. 06/09, exigese da contribuinte acima qualificado o recolhimento da importância de R$ 16.497,89, incluída a multa de mora e os juros de mora calculados até 29/02/2012, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual do exercício de 2010, anocalendário de 2009. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 07, a fiscalização informa ter glosado compensação indevida de IRRF no valor de R$ 11.816,29, referente à fonte pagadora Hospital Nossa Senhora da Conceição S/A. Destaca a ausência de comprovação do recolhimento via DARF do IRRF incidente sobre valores recebidos por meio da Reclamatória Trabalhista nº 00515.026/0186, que tramitou na 26ª Vara do Trabalho de POA/RS. Segundo destacou a notificada é beneficiária como sucessora e inventariante de seu falecido esposo Paulo de Castro Delgado (CPF 000.440.32072). A notificada interpôs impugnação ao lançamento, às fls. 02 dos autos. Segundo referiu, em decorrência da ação trabalhista Proc. 00515.2001.026.04.000, foram efetuados depósitos em juízo e emitidos alvarás de liberação dos rendimentos em anos fiscais diferentes, fato que ocasionou divergência nas DIRF’s. Observou que o reclamado, Hospital Nossa Senhora da Conceição declarou os valores de acordo com o registrado na sua contabilidade. Informou ter declarado os valores efetivamente recebidos no ano 2009 (sistema de caixa) de acordo com as parcelas tributáveis recebidas nos meses de janeiro, maio, novembro e dezembro de 2009. Consta nos autos às fls. 10 e seguintes cópias de documentos. A impugnação apresentada foi julgada procedente em parte por intermédio do acórdão de fls. 155/158, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO. GLOSA. Deve ser cancelada a glosa de valor compensado a título de Imposto de Renda Retido na Fonte informado na declaração de ajuste anual quando comprovado o recolhimento e mantidos os valores não comprovados. Cientificada da decisão de primeira instância em 10/05/2012 (fl. 162), a Interessada interpôs, em 24/05/2012, o recurso de fls. 164/165, acompanhado dos documentos de fls. 166/242. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Fl. 247DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.722948/201235 Acórdão n.º 2801003.954 S2TE01 Fl. 248 3 A Vara do trabalho expediu diversos alvarás e os pagamentos aconteceram em diversos anos fiscais. O imposto de renda sobre as receitas recebidas foram quitados pela fonte pagadora, que fez os recolhimentos no ano fiscal da perda da ação. Na declaração de ajuste anual foram lançados conforme o recebimento das parcelas liberadas por alvará. Em 18/11/2008 o Reclamado recolheu IRRF no valor de R$ 10.936.694,70; em 30/06/2008 foi quitado o DARF no valor de R$ 3.006.363,73; em 17/12/2008 foi quitado o DARF no valor de R$ 3.410.673,343; em 30/06/2009 foi quitado o DARF no valor de R$ 3.155.378,44; em 29/10/2009 foi quitado o DARF no valor de 3.147.366,28. Não houve erro na utilização dos valores de imposto de renda retido, que foram compensados em cada ano fiscal declarado. O Reclamado recolheu, em DARF conjunto, todos os valores devidos de cada um dos contribuintes que entraram com a reclamatória trabalhista. Ao final, requer seja acolhido o presente recurso e cancelado o débito fiscal reclamado. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia à glosa de imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 5.979,02, uma vez que o valor de R$ R$ 5.837,27 foi restabelecido pela decisão recorrida (fls. 155/158). O acervo probatório acostado aos autos não deixa nenhuma dúvida em relação ao acerto da decisão de piso, a ver: o “Resumo Geral dos Cálculos” de fls. 10/41 revela que houve quatro pagamentos à Recorrente (na qualidade de sucessora do Reclamante Paulo Geraldo de Castro Delgado) decorrentes de reclamatória trabalhista movida em face do Hospital Nossa Senhora da Conceição, sendo dois deles em 2008 e outros dois em 2009. No mesmo documento constam os valores de imposto de renda retido pela fonte pagadora relativamente a cada um dos reclamantes; às fls. 47/49 foram juntadas as telas “Consulta CONDARF” que demonstram que os quatro recolhimentos de imposto de renda efetuados pela Reclamada ocorreram em 30/06/2008, 17/12/2008, 30/06/2009 e 29/10/2009; no concernente ao pagamento e ao recolhimento de imposto efetuado em 30/06/2009 a fl. 31 dos autos evidencia que o favorecido Paulo Geraldo de Castro Delgado recebeu R$ 11.578,31 de rendimento bruto com R$ 2.916,77 de IRRF; Fl. 248DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.722948/201235 Acórdão n.º 2801003.954 S2TE01 Fl. 249 4 no atinente ao pagamento e ao recolhimento de imposto efetuado em 29/10/2009 a fl. 39 dos autos evidencia que o favorecido Paulo Geraldo de Castro Delgado recebeu R$ 11.593,12 de rendimento bruto com R$ 2.920,50 de IRRF; os recolhimentos de imposto de renda ocorridos em 2009 importam, portanto, o valor total de R$ 5.837,27 (R$ 2.916,77 + R$ 2.920,50), que corresponde exatamente ao montante de IRRF restabelecido pela decisão recorrida. os demais recolhimentos de IRRF foram efetuados no anocalendário de 2008, de modo que não podem ser compensados no anocalendário de 2009. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 249DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10840.003154/00-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/1995 a 31/10/1995, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/02/1999 a 30/06/2000
COFINS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA.
O prazo de decadência para lançamento da COFINS é de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. DEFEITO NO PRODUTO. DEVOLUÇÃO DE PARTE DO VALOR DA VENDA.
Descontos são excluídos da base de cálculo da Cofins apenas se concedidos incondicionalmente. Venda são excluídas apenas se canceladas. A não-comprovação em momento processual previsto na legislação da ocorrência da concessão de descontos incondicionais ou de cancelamento de vendas impede a exclusão da base de cálculo da Cofins de valores devolvidos por causa de defeitos dos produtos.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA FINANCEIRA. RECUPERAÇÃO DE IMPOSTOS.
A majoração da base de cálculo da COFINS realizada pela Lei n.º 9.718/98 já foi afastada por inconstitucional, motivo pelo qual não podem ser tributadas as receitas financeiras.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECUPERAÇÃO DE TRIBUTOS.
O ADI n.º 25/2003 emitido pela RFB esclarece que as recuperações de tributos não são tributáveis pela COFINS.
COFINS. PAGAMENTOS A MAIOR. COMPENSAÇÃO.
Pagamentos a maior de COFINS devem ser requeridos em via própria.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-001.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não acolher as preliminares de impossibilidade do lançamento e reconhecer a decadência no período referente a outubro de 1995. No mérito, por unanimidade, dar provimento quanto à recuperação de tributos e receitas financeiras e negar provimento com relação à compensação de créditos com valor lançado; e por maioria negar provimento no que se refere aos descontos de vendas de produtos com defeito, vencidos neste ponto os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes (relator) e Daniel Mariz Gudiño, designada Redatora a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente, que assina para efeitos de formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Luciano Lopes de Almeida Moraes - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator ad hoc (art. 17, inc. III, do Anexo II do RICARF).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Judith do Amaral Marcondes Armando, Mara Regina Sifuentes, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: Relator
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/1995 a 31/10/1995, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/02/1999 a 30/06/2000 COFINS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O prazo de decadência para lançamento da COFINS é de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. COFINS. BASE DE CÁLCULO. DEFEITO NO PRODUTO. DEVOLUÇÃO DE PARTE DO VALOR DA VENDA. Descontos são excluídos da base de cálculo da Cofins apenas se concedidos incondicionalmente. Venda são excluídas apenas se canceladas. A não-comprovação em momento processual previsto na legislação da ocorrência da concessão de descontos incondicionais ou de cancelamento de vendas impede a exclusão da base de cálculo da Cofins de valores devolvidos por causa de defeitos dos produtos. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA FINANCEIRA. RECUPERAÇÃO DE IMPOSTOS. A majoração da base de cálculo da COFINS realizada pela Lei n.º 9.718/98 já foi afastada por inconstitucional, motivo pelo qual não podem ser tributadas as receitas financeiras. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECUPERAÇÃO DE TRIBUTOS. O ADI n.º 25/2003 emitido pela RFB esclarece que as recuperações de tributos não são tributáveis pela COFINS. COFINS. PAGAMENTOS A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Pagamentos a maior de COFINS devem ser requeridos em via própria. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2237; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.003154/0099 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.006 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente CALDEMA EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1995 a 31/10/1995, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/02/1999 a 30/06/2000 COFINS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O prazo de decadência para lançamento da COFINS é de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. COFINS. BASE DE CÁLCULO. DEFEITO NO PRODUTO. DEVOLUÇÃO DE PARTE DO VALOR DA VENDA. Descontos são excluídos da base de cálculo da Cofins apenas se concedidos incondicionalmente. Venda são excluídas apenas se canceladas. A não comprovação em momento processual previsto na legislação da ocorrência da concessão de descontos incondicionais ou de cancelamento de vendas impede a exclusão da base de cálculo da Cofins de valores devolvidos por causa de defeitos dos produtos. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA FINANCEIRA. RECUPERAÇÃO DE IMPOSTOS. A majoração da base de cálculo da COFINS realizada pela Lei n.º 9.718/98 já foi afastada por inconstitucional, motivo pelo qual não podem ser tributadas as receitas financeiras. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECUPERAÇÃO DE TRIBUTOS. O ADI n.º 25/2003 emitido pela RFB esclarece que as recuperações de tributos não são tributáveis pela COFINS. COFINS. PAGAMENTOS A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Pagamentos a maior de COFINS devem ser requeridos em via própria. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 31 54 /0 0- 99 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10840.003154/0099 Acórdão n.º 3201001.006 S3C2T1 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não acolher as preliminares de impossibilidade do lançamento e reconhecer a decadência no período referente a outubro de 1995. No mérito, por unanimidade, dar provimento quanto à recuperação de tributos e receitas financeiras e negar provimento com relação à compensação de créditos com valor lançado; e por maioria negar provimento no que se refere aos descontos de vendas de produtos com defeito, vencidos neste ponto os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes (relator) e Daniel Mariz Gudiño, designada Redatora a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente, que assina para efeitos de formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator ad hoc (art. 17, inc. III, do Anexo II do RICARF). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Judith do Amaral Marcondes Armando, Mara Regina Sifuentes, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira e Daniel Mariz Gudiño. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10840.003154/0099 Acórdão n.º 3201001.006 S3C2T1 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) nos períodos de outubro de 1995, fevereiro de 1998 e de fevereiro de 1999 a junho de 2000, exigindoselhe contribuição de R$ 13.127,17, multa de ofício de R$ 9.845,31 e juros de mora de R$ 2.425,66, perfazendo o total de R$ 25.398,14. O lançamento foi baseado na Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, arts. 1º e 2º; Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, arts. 2º, 3º e 8º; Medida Provisória (MP) nº 1.807, de 28 de janeiro de 1999; Medida Provisória nº 1.858, de 29 de junho de 1999. Segundo o relatório de fl. 7, a fiscalização apurou que a contribuinte, no período acima, deduziu indevidamente da base de cálculo da Cofins os descontos concedidos e deixou de incluir as demais receitas operacionais. Sendo assim, foram lançadas de ofício as diferenças. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento, alegando, em síntese que: o auto seria nulo porque está discutindo na Justiça o direito de não se sujeitar à Lei nº 9.718, de 1998; os descontos concedidos seriam na verdade cancelamentos de vendas, dedução permitida pela lei e que tais cancelamentos estariam documentados por correspondências dos clientes; excluiu também da base de cálculo da contribuição, como outras receitas operacionais, valores referentes a recuperação de impostos e contribuições recolhidos a maior e que tais recuperações equivaleriam a recuperação de créditos baixados como perda, cuja dedução da base cálculo da Cofins está prevista na Lei nº 9.718, de 1998, por não caracterizar ingresso de receitas; o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) permite a dedução da base de cálculo do imposto de recuperações de custos e despesas desde que se comprove não os ter deduzido do lucro real em períodos anteriores, assim de acordo com o princípio da analogia, previsto no art. 108, I, do Código Tributário Nacional (CTN) tais recuperações também poderiam ser excluídas da base de cálculo da Cofins ou se poderia aplicar a eqüidade, prevista no inciso IV do mesmo artigo; Fl. 505DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10840.003154/0099 Acórdão n.º 3201001.006 S3C2T1 Fl. 5 4 há dupla tributação, haja vista que a Cofins está incluída no preço de venda; as receitas financeiras consideradas a menor configuram um engano, pois o único mês que gerou saldo a recolher foi junho, quando a contribuição foi recolhida conforme Darf anexo, no restante dos meses os valores foram inferiores a R$ 10,00, que não podem ser recolhidos; no mês de maio de 1999 o valor correto das receitas financeiras é R$ 31.733,30 em vez de R$ 37.733,30, utilizado pela fiscalização, apresentando cópia de demonstrativos contábeis. Como a contribuinte alegou que estava discutindo judicialmente sua submissão à Lei nº 9.718, de 1998, e que obteve Tutela Antecipada, mas não apresentou provas, e, de acordo com o sítio do TRF – 3ª Região, havia um processo em seu nome, o presente foi baixado em diligência para que a contribuinte apresentasse as peças do processo. Após a diligência os documentos foram anexados ao processo, conforme fls. 73 a 128. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP manteve parcialmente o lançamento realizado, conforme Decisão DRJ/RPO nº 5.863, de 13/08/2004, fls. 131/138, assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/1995 a 31/10/1995, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/02/1999 a 30/06/2000 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ABRANGÊNCIA. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo da Cofins passou a ser composta da totalidade das receitas auferidas pela empresa. Lançamento Procedente em Parte. Às fls. 145 o contribuinte é intimado, apresentado recurso voluntário de fls. 146/157. Após, é dado seguimento ao processo. Iniciado o julgamento, o processo é convertido em diligência, para sanar algumas dúvidas, sendo exarada conclusão pela autoridade fiscalizadora. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10840.003154/0099 Acórdão n.º 3201001.006 S3C2T1 Fl. 6 5 Intimado o contribuinte, este se manifesta, juntado novos documentos obtidos de instituições bancárias. Após, retornamos autos para julgamento. É o Relatório. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10840.003154/0099 Acórdão n.º 3201001.006 S3C2T1 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator Como vemos, discutese nos autos, dentre outros, a base de cálculo da COFINS. A decisão da DRJ manteve parcialmente a glosa ao analisar a impugnação interposta, mantendo a tributação das recuperações de tributos, das receitas financeiras e não aceitando os abatimentos das vendas de produtos com defeito. A recorrente interpõe recurso voluntário, pleiteando o afastamento integral do lançamento. Inicialmente, devemos analisar as preliminares levantadas. Das preliminares Quando à preliminar de impossibilidade de lançamento em face de decisão judicial, esta deve ser afastada, porque não há base legal para tal, haja vista não haver decisão transitado em julgado. Quanto à preliminar de decadência, entendo que esta é cabível, já que a contribuinte teve ciência do AI em 17/11/00, ou seja, as competências anteriores a novembro de 1995 estão decaídas, forte no art. 150, § 4º do CTN e na posição uníssona da jurisprudência administrativa e judicial. Nesse sentido, o CARF decide, exemplificativamente: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 3ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 3ª Turma Ordinária Acórdão nº 340300462 do Processo 16327000682200288 Data 29/07/2010 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS.PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/03/1996 A 31/12/1998.NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COFINS, DECADÊNCIA. O PRAZO DE DECADÊNCIA PARA LANÇAMENTO DO PIS E DA COFINS É DE CINCO ANOS, CONTADOS DA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, NOS TERMOS DO ART. 150, § 4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.VISTOS, Fl. 508DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10840.003154/0099 Acórdão n.º 3201001.006 S3C2T1 Fl. 8 7 Desta feita, é de ser acolhida a decadência de lançar a contribuição relativa ao mês de outubro de 1995. Dos abatimentos/vendas canceladas A fiscalização lançou valores a título de COFINS em face da não aceitação dos abatimentos realizados pela recorrente nos valores lançados a título de descontos para as empresas Diana e União São Francisco, pois não teria sido comprovado o defeito nas mercadorias vendidas. Neste sentido: Quanto ao mérito, a impugnante primeiramente alega que os descontos concedidos, utilizados para dedução da base de cálculo da contribuição, na verdade seriam valores relativos a vendas canceladas, cuja dedução está prevista na legislação de regência. Em tese, assistiria razão à contribuinte, pois há na legislação essa permissão. Entretanto, ela apenas alega, mas não traz ao autos qualquer prova ou evidência do alegado, tampouco as alegadas correspondências dos clientes. Logo, aplicase nesta situação em exame um conhecido brocardo jurídico: allegatio et non probatio quasi non allegatio (alegar e não provar é quase não alegar). Assim, não há como acolher a pretensão da contribuinte. A recorrente, a seu turno, trouxe aos autos declaração das referidas empresas, informando da referida ocorrência e a razão dos abatimentos realizados. Entendo assim que merece guarida a pretensão da recorrente, isso porque comprovou nos autos com sua contabilidade e com as declarações de seus clientes a ocorrência de problemas com seus produtos e a necessidade de ajuste do valor da venda em face de tal situação. A alegação da fiscalização de que a apenas existem os documentos contábeis da recorrente para comprovar sua alegação não é suficiente para afastar o informado pela empresa, até porque os documentos forma juntados posteriormente. Assim, entendo deva ser afastado do lançamento as parcelas referentes às vendas parcialmente canceladas debatidas nos autos, em face de produto com defeito, visto que comprovado com base na contabilidade da recorrente e nos documentos juntados. Da tributação das recuperações de tributos Entendo mereça guarida a pretensão da recorrente neste tópico, isso porque, além da recuperação de tributos não se equiparar a faturamento, existe posição da administração pública afastando esta tributação. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10840.003154/0099 Acórdão n.º 3201001.006 S3C2T1 Fl. 9 8 Quanto à definição de faturamento, o STF já teve várias oportunidades de se manifestar sobre o conceito de faturamento, como o fez no RE 346084/PR, onde, mais uma vez, esclareceu que o "faturamento" é entendido como a renda obtida das vendas de mercadorias e serviços. A administração tributária assim também entende, de que a recuperação de tributos não se enquadra naquele conceito, não pode ser tributado pela contribuição em análise. Ademais, o ADI SRF n.º 25/03 da é claro sobre o tema: Art. 2º Não há incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente.(...) Assim, deve ser afastada a tributação ora realizada. Da tributação das receitas financeiras A tributação das receitas financeiras já foi afastada pelo STF em face de decisão plenária. Ainda que assim não o fosse, a recorrente possui decisão judicial transitada em julgado afastando a majoração da base de cálculo da COFINS, ou seja, mantendo apenas o faturamento como tal. Desta feita, deve ser afastada a tributação das receitas financeiras pela COFINS. Dos valores recolhidos a maior Analisando a tabela de fls. 12 e os DARF´s de fls. 164/167, pode se verificar que em alguns meses houve recolhimento a maior que o lançado, como ocorreu em 11/99 e 05/00. Entretanto, esta situação deve ser apurada em procedimento próprio de compensação, não nestes autos, onde se discute o lançamento realizado sobre determinadas rubricas. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de impossibilidade de lançamento em face de processo judicial, de acolher a preliminar de decadência e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 510DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10840.003154/0099 Acórdão n.º 3201001.006 S3C2T1 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator ad hoc Tendo em vista que a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, redatora designada, aposentouse sem ter apresentado o voto vencedor, o Presidente da 2ª Câmara distribuiume o processo para redigilo. A matéria aqui tratada é apenas o desconto de vendas de produtos com defeito e sua exclusão da base de cálculo da Cofins, pois nas demais o voto do Conselheiro Relator foi acompanhado pela Turma. Não é qualquer desconto que pode ser excluído da base de cálculo da Cofins. Apenas os descontos incondicionais podem. Descontos concedidos por causa de alguma particularidade da operação não são excluídos. O faturamento, base de cálculo da contribuição, é constituído pelas vendas. A lei nº 9.718, de 27/11/1998, após determinar que a Cofins devida pelas pessoas jurídicas será calculada com base no seu faturamento, dispõe em seu artigo 3º que: “Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; (...)” Logo, para ter direito à exclusão da base de cálculo da Cofins dos valores descontados pela venda de produtos com defeito, a recorrente deveria provar que estes valores se caracterizam descontos incondicionais ou vendas canceladas. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10840.003154/0099 Acórdão n.º 3201001.006 S3C2T1 Fl. 11 10 Segundo art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. A recorrente não apresentou com a impugnação os documentos em que se baseava, nem comprovou a ocorrência de alguma das situações que permitiriam a apresentação em momento posterior. Também não os apresentou com o recurso voluntário. Não obstante isto, o julgamento do recurso foi convertido em diligência, por meio da Resolução nº 320100.265 (fls. 312/315 do eprocesso), dandose nova oportunidade para apresentação de documentos. Em atendimento à resolução, foi expedida a Intimação nº 770/2011/DRF/RPO/Secat/EQCCTLTM, de 30/9/2011, por meio da qual a recorrente foi intimada a apresentar, no prazo de 60 (sessenta) dias, entre outras coisas, “Comprovantes (carta de clientes, cópia de balancetes, duplicatas, etc) de que, no período lançado, o seu faturamento foi reduzido em face da redução do preço de venda dos produtos por defeito nas peças, bem como comprove que tal redução não foi abatida das apurações posteriores do tributo em análise”. Após a apresentação de documentos com vistas ao atendimento da intimação, a recorrente foi novamente intimada por meio do Termo de Diligência e Intimação Fiscal de 433, a apresentar, no prazo de 10 (dez) dias, entre outros elementos e informações, cópias dos comprovantes do efetivo recebimento dos valores relativos à Nota Fiscal Fatura nº 25.409, de 31/7/1995, emitida contra a empresa Usina São Francisco S/A, à Nota Fiscal nº 1.230, de 10/6/1998, e à Duplicata 1984, emitidas contra a empresa Diana – Destilaria de Álcool Nova Avanhandava Ltda e demais informações e documentos hábeis e idôneos necessários à comprovação das operações amparadas por estas notas fiscais. As empresas Usina São Francisco S/A e DianaDestilaria de Álcool Nova Avanhandava Ltda também foram intimadas a apresentar os mesmo documento. Em 25/11/2011, foi lavrado Termo de Constatação e Intimação Fiscal, por meio do qual a autoridade fiscal constatou que a recorrente e os clientes intimados não apresentaram os documentos que comprovariam os valores recebidos pela recorrente e pagos por seus clientes. Apesar de escrituradas as ocorrências, uma vez que os documentos que lhe dariam suporte não foram apresentados, constatouse que não foram comprovados os valores efetivamente pagos nas operações de venda e os desconto questionados. Apenas depois de ser cientificada do teor do Termo de Constatação e Intimação Fiscal, quando lhe foi dada oportunidade para se manifestar, a recorrente juntou documentos que comprovariam os valores das vendas e os descontos. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10840.003154/0099 Acórdão n.º 3201001.006 S3C2T1 Fl. 12 11 Conforme visto acima, a contribuinte deveria possuir os documentos que davam suporte a sua escrituração contábil e fiscal antes do início do procedimento fiscal, sendolhe permitido apresentálos com a impugnação. Porém, os documentos não foram apresentados nos momentos processuais previstos na legislação. E, mesmo após ter sido dada nova oportunidade, a recorrente não os apresentou no prazo estabelecido. Apenas os descontos concedidos incondicionalmente e as vendas canceladas poderiam ser excluídas da incidência da contribuição. Pelo exposto, considerando que não ficou comprovado que foram concedidos descontos incondicionais ou que as vendas foram canceladas, votase por negar provimento ao recurso voluntário em relação a esta matéria. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator ad hoc Fl. 513DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 10166.724227/2011-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2402-000.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 24 22 7/ 20 11 -7 6 Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.724227/201176 Resolução nº 2402000.427 S2C4T2 Fl. 2.382 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedentes os lançamentos e as autuações fiscais lavradas com ciência em 26/07/2011 que decorrem da incidência de contribuições previdenciárias sobre dois supostos fatos geradores: pagamentos a administradores e auxílioalimentação. A decisão recorrida excluiu dos lançamentos os valores relativos ao auxílioalimentação, o que repercutiu sobre algumas autuações pelo descumprimento de obrigações acessórias. Serão objeto de exame os lançamentos e autuações relacionadas aos pagamentos a administradores de valores a título de distribuição de lucros e seus desdobramentos. Seguem transcrições de trechos do acórdão recorrido: GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, conforme art. 30, inciso IX, da Lei Nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas pela empresa e equiparadas as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhes prestem serviços. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DIRETOR NÃOEMPREGADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Para o contribuinte individual, o fato gerador da contribuição previdenciária ocorre com o exercício de atividade remunerada, incidindo a contribuição sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título no decorrer do mês. Integra a remuneração a parcela recebida a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada a administradores não empregados. SALÁRIOUTILIDADE. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO IN NATURA. PAGAMENTO EM DESACORDO COM O PAT. IMPROCEDÊNCIA. O pagamento do auxílio alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, conforme determina o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.724227/201176 Resolução nº 2402000.427 S2C4T2 Fl. 2.383 3 A Relação de Vínculos e de Representantes Legais da Empresa são anexos que arrolam as pessoas que possuem ou possuíam poder de mando/direção à época da ocorrência dos fatos geradores, servindo para fins de cadastro e possível responsabilização nos casos em que a lei determina. FOLHASDEPAGAMENTO EM DESACORDO COM O REGULAMENTO. Constitui infração à Legislação Previdenciária deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Previdência Social. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Determina a lavratura de auto de infração, a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIP, conforme art. 32, inciso IV, e § 5º, da Lei n.º 8.212/91. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária não definitivamente julgado, aplicase a lei superveniente, quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. Segundo a Portaria Conjunta PGFN/RFBnº14, de 2009, a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera suas alegações iniciais: DOS AUTOS DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DEBCAD 37.349.8942, 37.313.9934 e 37.313.9861. Das preliminares DA INEXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DA JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ SOBRE O ASSUNTO. Alega a impugnante que o entendimento apresentado pela auditoria fiscal quanto à existência de grupo econômico entre ela e as empresas citadas no relatório fiscal, não se coaduna com sua realidade fática e nem com o entendimento dos nossos Tribunais, em destaque do Superior Tribunal de Justiça, quanto à interpretação da responsabilidade solidária trazida no art. 124, do Código Tributário Nacional. Fl. 2384DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.724227/201176 Resolução nº 2402000.427 S2C4T2 Fl. 2.384 4 De acordo com o citado artigo só se pode falar em solidariedade entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal. Portanto, resta clara a necessidade da demonstração da existência de interesse comum, ou seja, a situação em que o fato gerador seja praticado por mais de um integrante do mesmo grupo econômico, não bastando o vínculo entre as empresas. Cita jurisprudência. Que, no caso em análise, o fato gerador das contribuições previdenciárias, tidas devidas, foi praticado só e tão somente pela Impugnante quando do fornecimento do auxílioalimentação aos seus empregados ou quando do pagamento da participação de lucros aos seus administradores, não participando do fato gerador qualquer outra empresa a justificar a solidariedade; Que o fato de haver entre as empresas relações comerciais financeiras (rateios) ou societárias (participação no capital de outra sociedade) não configura justificativa suficiente para a conclusão da autoridade fiscal, logo, o simples fato de integrarem um grupo econômico, por si só, não induz responsabilidade tributária solidária, na forma do art. 124 do CTN; revelam, quando muito, interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal, e não o reclamado "interesse comum" ou "interesse jurídico", que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência da obrigação tributária fato gerador. Portanto, no presente lançamento fiscal não ficou comprovado o interesse comum na realização do fato gerador das contribuições previdenciárias lançadas, que devem ser imputadas, caso não sejam anuladas, apenas e tão somente à impugnante. Desta forma, requer, ao final, que seja desconsiderada a solidariedade tida presente pelo agente fiscal. Do Mérito Da Participação nos Lucros dos Administradores No mérito, aduz ser impossível equiparar a natureza jurídica do pró labore, cuja origem estatutária é diversa e sujeita a outra disciplina legal, à natureza jurídica de participação no lucro da companhia, que somente existirá com o respeito integral à disciplina jurídica estabelecida pela Lei n° 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas). Que a Lei n° 6.404/76, especialmente nos artigos 152, 190 e 201, assegura aos administradores da companhia o direito ao recebimento da participação no lucro, desde que: _ haja lucro no exercício; _ tenham sido pagos dividendos aos acionistas, em percentual mínimo de 25% do lucro líquido; _ exista previsão específica nos estatutos; e _ ocorra a aprovação pelo Conselho de Administração para pagar a participação no lucro aos administradores. Fl. 2385DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.724227/201176 Resolução nº 2402000.427 S2C4T2 Fl. 2.385 5 Alega, ainda, que constitui base de cálculo das contribuições previdenciárias apenas o valor da remuneração habitual, destinada a retribuir trabalho. E tal assertiva é confirmada pelo art. 28, da Lei n° 8.212/91, que, em seu § 9º, "e", item 7, estabelece que não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais. Que não há como caracterizar a habitualidade no pagamento de participação nos lucros ante a verificação de se tratar de verba eventual e, fundamentalmente, incerta, uma vez que depende da ocorrência do resultado lucro por parte da companhia. Da imunidade tributária Art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal Verba não remuneratória Alega que o art. 7º, inc. XI, da Constituição Federal de 1988, veicula norma de imunidade objetiva para os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, no que tange à exigência da contribuição previdenciária, nos seguintes termos: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...]XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;" Sem a necessidade de maiores digressões à respeito, vez que já foi exaustivamente discutida no âmbito do Poder Judiciário, o art. 7º, inc. XI, da CF veicula norma de eficácia plena no que diz respeito à natureza nãosalarial da verba destinada à participação nos lucros, pois explicita sua desvinculação da remuneração, acarretando o seu afastamento da base de incidência da contribuição previdenciária. No entanto, em relação à caracterização da participação nos lucros, o referido dispositivo veicula norma de eficácia contida, na medida em que depende de lei que a regulamente, razão pela qual não importa a qualificação jurídica atribuída pelos interessados à verba, mas sim a efetiva existência dessa participação nos termos da lei (sentido estrito). Assim, considerando a auto aplicabilidade da norma constitucional acerca da natureza jurídica da denominada participação nos lucros, e a estrita observância, por parte da impugnante, da Lei n° 6.404/76, bem como de seu respectivo estatuto, deve ser reconhecida a imunidade da aludida verba, afastandose a incidência da contribuição previdenciária. Por oportuno, para que não se alegue, com o objetivo de ilidir a aplicação do mandamento constitucional, que os administradores não são empregados, e, por isso não teriam direito à participação nos lucros ou resultados da empresa, impõese destacar que o art. 7º da Constituição Federal assegura tal benefício a todos os TRABALHADORES, indistintamente. Como trabalhador, sem esgotar o conceito, devem ser compreendidos tanto os empregados, cuja participação nos resultados é regulada pela Fl. 2386DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.724227/201176 Resolução nº 2402000.427 S2C4T2 Fl. 2.386 6 Lei n° 10.101/00, como os administradores, que encontram na Lei n° 6.404/76 regramento equivalente. O tratamento dado pelas leis previdenciárias no que pertine ao pagamento, da participação nos lucros ou resultados da empresa, aos empregados, não poderia ser diferente daquele previsto para a situação em que o beneficiário da participação for o administrador, sob pena de ofensa direta a princípio constitucional consagrado pela Carta Magna em seus artigos 52, caput e 150, II. Nesse sentido, inclusive, impõese reconhecer que a Constituição Federal instituiu a regra de imunidade em questão, afastando da incidência da contribuição previdenciária a participação nos lucros, buscando atender seus objetivos fundamentais, como a valorização social do trabalho e da livre iniciativa; garantir a aplicação do princípio da isonomia; do estímulo ao exercício livre de qualquer trabalho, ofício ou profissão, evitando que os cidadãos vejam apenas na relação de emprego (e não no empreendedorismo), uma maneira lícita e produtiva de subsistência; garantindo aos trabalhadores manuais, técnicos e Intelectuais igualdade de tratamento. Se não bastasse a regra constitucional supracitada a Lei n° 8.212/91 traz regra isencional que consagra o caráter não remuneratório dos pagamentos a título de participação nos lucros da empresa, por não integrarem o salário de contribuição. Da isenção veiculada no art. 22, § 9°, alínea "j", da Lei 8.212/91 Não integra o salário de contribuição. Alega que, além da regra de imunidade vertida do art. 7º, inc. XIII da Constituição Federal, o legislador federal ordinário, atento aos primados da Carta, cuidou de criar no bojo da própria lei de custeio (8.212/91), norma de isenção específica para a contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros. O legislador ordinário repetiu a previsão contida na Carta Magna de que a participação nos lucros não serve de base de cálculo da contribuição previdenciária, somando ao óbice constitucional para a incidência (art. 7º, inc. XIII da CF), a vedação legal em comento (art. 28, § 9º, alínea “j”). Observase que a disposição infraconstitucional citada também atribui, como o comando constitucional, à lei específica, o papel de regulamentar a participação nos lucros e no caso dos administradores, como amplamente vem sendo dito, é a Lei n° 6.404/76 que tem esta função legal. Do cumprimento por parte da impugnante de todos os requisitos exigidos pela Lei para o pagamento da participação nos lucros aos seus administradores. Aduz que a Lei n° 6.404/76 assegura aos administradores da companhia o direito ao recebimento da participação no lucro, desde que seja verificado o cumprimento de certos requisitos previstos naquele regramento. Fl. 2387DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.724227/201176 Resolução nº 2402000.427 S2C4T2 Fl. 2.387 7 Sendo assim, impõese ratificar que a verba destinada aos administradores a título de participação no lucro da companhia possui natureza jurídica própria diversa de qualquer verba remuneratória tendo sido paga em obediência aos ditamos da Lei n° 6.404/76 e, portanto, não podendo incidir contribuição previdenciária, de maneira que o lançamento em análise deve ser extinto por total improcedência. DA ILEGITIMIDADE DAS PESSOAS RELACIONADAS COMO COOBRIGADAS Dispõe que não há responsabilidade tributária dos administradores, uma vez que a companhia tem bens suficientes para garantia do suposto débito, bem como, o simples inadimplemento não caracteriza infração legal, nem caracteriza prova do excesso de poderes, ou infração ao estatuto social, inexistindo, assim, corresponsabilidade tributária. DA INEXISTÊNCIA DE DOLO PARA CONFIGURAR SUPOSTO CRIME DE SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OU CRIME CONTRA ORDEM TRIBUTÁRIA Ressalta que não há quaisquer indícios de crime previdenciário ou crime contra a ordem tributária no lançamento atacado, pois não restou comprovado o elemento subjetivo do tipo o dolo consubstanciado na vontade livre e consciente da empresa, por meio de seus gestores, de suprimir ou reduzir contribuição social, lesando, de conseqüência, o Estado, particularmente a Seguridade Social. Conforme restou comprovado por todos os argumentos acima expostos e as provas anexadas aos autos e as anexadas nesta defesa, não há qualquer elemento que comprove a intenção deliberada de suprimir ou reduzir contribuição previdenciária. O que ocorreu foram interpretações diversas da legislação tributária aplicada aos fatos geradores fiscalizados. A impugnante entende que os pagamentos efetuados por ela a título de auxílioalimentação e participação nos lucros não deve incidir contribuição previdenciária conforme a legislação de regência e a Jurisprudência de nossos Tribunais. Em posição contrária foi o entendimento da fiscalização. Interpretações diversas sobre a ocorrência da hipótese de incidência do tributo não justifica o elemento subjetivo do tipo penal em referência (337A, do CP) para se concluir pelo dolo específico de suprimir ou reduzir tributo. DOS AUTOS DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Preliminarmente, apresenta o mesmo argumento dos autos de infração de obrigação principal quanto à inexistência de grupo econômico. DEBCAD 37.349.8950 (CFL 30) Dispõe que os fatos descritos neste auto de infração como fatos geradores de contribuição previdenciária: pagamentos feitos a título de auxílio alimentação são inconsistentes, uma vez que sobre tais valores não há incidência de contribuições previdenciárias e, por conseguinte não era o caso de incluir em folha de pagamento o valor indicado, não havendo que se falar em descumprimento de obrigação acessória. Fl. 2388DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.724227/201176 Resolução nº 2402000.427 S2C4T2 Fl. 2.388 8 Apresenta os mesmos argumentos da defesa dos autos de obrigação principal (37.349.8942, 37.313.9934 e 37.313.9861), entendendo que uma vez anulados ou extintos os lançamentos principais, não subsistirá o presente lançamento referente à obrigação acessória. DEBCAD 37.349.8969 (CFL 59) Dispõe que os fatos descritos neste auto de infração como fatos geradores de contribuição previdenciária: pagamentos feitos a título de auxílio alimentação são inconsistentes, uma vez que sobre tais valores não há incidência de contribuições previdenciárias e, por conseguinte não era o caso de recolhimento, mediante desconto das remunerações, os valores correspondentes às contribuições dos segurados empregados. Apresenta os mesmos argumentos da defesa dos autos de obrigação principal (37.349.8942, 37.313.9934 e 37.313.9861), entendendo que uma vez anulados ou extintos os lançamentos principais, não subsistirá o presente lançamento referente à obrigação acessória. DEBCAD 37.349.8993 (CFL 68) Alega que não merece prosperar este auto de infração, por não ter ocorrido qualquer descumprimento de obrigação acessória, uma vez que os pagamentos a título de participação nos lucros possuem natureza jurídica própria – diversa de qualquer verba remuneratória tendo sido paga em obediência aos ditames da Lei n. 6.404/76 e, portanto, não sendo o caso de inclusão de informações em GFIP. DEBCAD 37.349.8985 (CFL 78) Dispõe que o presente lançamento deve ter sua multa relevada e, portanto, anulado, tendo em vista que a impugnante cumpriu com a obrigação acessória, dentro do prazo de defesa administrativa, corrigindo a falta apontada (SEFIP retificadoras – doc. 2), inexistindo circunstâncias agravantes contra a mesma, bem como por sua primariedade. Caso não seja relevada a multa, o lançamento deve ser anulado em razão de que a omissão verificada decorreu única e exclusivamente de limitações no processo do sistema da Receita Federal, em razão de falta de campo na SEFIP 8.30, que permitisse, para o mesmo empregado e um mesmo PIS, a informação de recebimento, também de honorários como contribuinte individual, além de não terem sido verificadas as 40 (quarenta) supostas omissões da competência de janeiro de 2008. Estas limitações foram corrigidas no SEFIP 8.40, o que demonstra que, à época dos fatos geradores apreciados, não havia a possibilidade de tais informações. O DEBCAD n. 37.349.8977 (CFL 34), foi baixado por pagamento, em 30/08/2011, conforme Consulta Dados Identificadores de Processo – SICOB, anexo às folhas 928. É o Relatório. Fl. 2389DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.724227/201176 Resolução nº 2402000.427 S2C4T2 Fl. 2.389 9 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Da análise dos itens 42 e 43 do REFISC (fls. 48/49), constatase que a fiscalização concluiu que o pagamento da distribuição de lucros era realizado em folha de pagamento, conforme Anexo XIII (fls. 906); contudo, ainda que juntada a planilha seria prudente se confirmar se os pagamentos a título de distribuição de lucros foram realizados como despesa de pessoal ou efetivamente já se teria apurado o lucro. Assim, é mister que a fiscalização junte aos autos os razões contábeis das contas onde transitaram os pagamentos efetuados a título de distribuição de lucros. Outrossim, aproveitase a oportunidade para se indagar se os valores pagos sob a rubrica de distribuição de lucros foram embasados pelas deliberações em atas de assembléia. Inclusive, a confirmação se as distribuições de lucros de 2007 e 2008 (objeto dos Levantamentos PL, PL1 e PL2) decorrem dos saldos constantes nas atas das assembléias que deliberaram sobre a distribuição de lucros de tais períodos (conforme atas de fls. 446 e 478/479, respectivamente). Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que as providências acima sejam realizadas, devendo a recorrente ser intimada a se manifestar sobre a informação fiscal no prazo de 30 dias. É o voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 2390DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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