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Numero do processo: 10820.003043/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 13/04/2003 a 19/04/2003, 11/05/2003 a 17/05/2003
IRPF - COMPENSAÇÃO DE IRRF - SOCIEDADE COOPERATIVA - NOTAS FISCAIS - DUPLICATA
Conforme o art. 20, § 1º da Lei nº 5.474/68 é permitido às sociedades cooperativas a emissão de faturas e duplicatas, desde que discriminem a natureza dos serviços prestados.
IRPF - COMPENSAÇÃO DE IRRF - PROVA DA RETENÇÃO - CONGRUÊNCIA DE VALORES CONSTATADA PELA FISCALIZAÇÃO
Uma vez reconhecido pela própria Fiscalização que os valores apresentados pelo contribuinte, a título de retenção sofrida, foram devidamente lançados no referido Livro Razão Auxiliar e conferem integralmente com os contidos nas duplicatas apresentadas, deve ser homologada a compensação requerida.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-002.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente em exercício), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barrando de Souza (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente) e Pedro Anan Junior.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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IRPF COMPENSAÇÃO DE IRRF PROVA DA RETENÇÃO CONGRUÊNCIA DE VALORES CONSTATADA PELA FISCALIZAÇÃO Uma vez reconhecido pela própria Fiscalização que os valores apresentados pelo contribuinte, a título de retenção sofrida, foram devidamente lançados no referido Livro Razão Auxiliar e conferem integralmente com os contidos nas duplicatas apresentadas, deve ser homologada a compensação requerida. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 30 43 /2 00 8- 11 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente em exercício), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barrando de Souza (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente) e Pedro Anan Junior. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10820.003043/200811 Acórdão n.º 2202002.862 S2C2T2 Fl. 495 3 Relatório 1 Declaração de Compensação Em 11/07/03, a recorrente apresentou Pedido de Ressarcimento ou Restituição – Declaração de Compensação (fls. 0313 do eprocesso), informando a compensação dos débitos referentes ao Código Receita 05881 IRRF – Rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício nos valor de R$ 4.736,93 (referente à 3ª semana de abril de 2003) e de R$ 4.977,12 (referente à 3ª semana de maio de 2013). Na oportunidade foi informado que os valores abaixo listados corresponderiam ao crédito do contribuinte, referente à IRRF pago pelas Cooperativas: Mês CNPJ da Fonte Pagadora Valor Mês CNPJ da Fonte Pagadora Valor Março 51.528.560/000154 26,15 Abril 51.528.560/000154 26,15 Março 51.663.763/001044 12,23 Abril 51.663.763/001044 12,23 Março 51.660.942/000137 11,72 Abril 60.851.961/000131 11,81 Março 60.851.961/000131 15,07 Abril 01.597.168/001322 1.625,31 Março 01.597.168/001322 1.653,22 Abril 01.597.168/000601 462,02 Março 01.597.168/000601 595,17 Abril 01.597.168/001080 130,38 Março 01.597.168/001080 127,12 Abril 53.907.341/000705 21,05 Março 53.907.341/000705 22,53 Abril 01.597.168/000784 183,17 Março 01.597.168/000784 187,22 Abril 01.597.168/001160 68,21 Março 01.597.168/001160 71,53 Abril 51.528.289/000157 12,77 Março 51.528.289/000157 12,73 Abril 43.430.099/000174 36,16 Março 43.430.099/000174 38,41 Abril 54.721.808/000197 107,49 Março 54.721.808/000197 110,48 Abril 55.926.919/000110 14,02 Março 55.926.919/000100 28,57 Abril 57.266.207/000120 58,53 Março 57.266.207/000120 58,53 Abril 44.530.327/000140 10,71 Março 44.530.327/000140 10,42 Abril 51.657.005/000122 15,11 Março 51.528.560/000154 47,13 Abril 51.528.560/000154 47,13 Março 49.859.952/000154 26,34 Abril 49.859.952/000154 26,34 Março 47.463.179/000187 130,79 Abril 47.463.179/000187 257,73 Março 02.136.480/000148 15,17 Abril 02.136.480/000148 15,71 Março 03.226.149/002478 98,44 Abril 03.226.149/002478 98,44 Março 54.409.461/002438 160,39 Abril 54.409.461/002438 161,23 Março 51.666.279/000188 58,40 Abril 51.666.279/000188 59,26 Março 44.530.327/000140 10,42 Abril 51.665.727/000129 216,21 Março 51.528.560/000154 47,13 Abril 51.660.876/000103 82,59 Março 49.859.952/000154 26,34 Abril 03.444.193/000168 12,39 Março 47.463.179/000187 130,79 Abril 45.958.295/000141 21,96 Março 02.136.480/000148 15,17 Abril 03.767.376/000114 36,98 Março 03.226.149/002478 98,44 Abril 01.597.168/001080 49,85 Março 54.409.461/002438 160,39 Abril 51.660.942/000137 52,64 Março 51.666.279/000188 58,40 Abril 01.597.168/004297 192,10 Março 51.665.727/000129 214,75 Abril 51.528.289/000157 21,56 Março 51.660.876/000103 83,76 Abril 51.660.876/000103 42,92 Março 03.444.193/000168 27,60 Abril 47.597.083/000101 462,83 Março 45.958.295/000141 21,96 Abril 01.498.887/000152 11,56 Março 03.767.376/000114 36,98 Abril 43.358.647/000100 24,48 Março 01.597.168/001080 49,85 Abril 55.618.128/000105 44,60 Março 51.660.942/000137 50,58 Abril 03.444.193/000168 19,81 Março 01.597.168/004267 13,87 Abril 44.530.855/000108 20,14 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Março 01.597.168/004267 35,07 Abril 47.463.179/000187 21,77 Março 54.721.808/000197 192,30 Abril 47.463.179/000187 21,19 Março 51.528.289/000157 21,56 Abril 46.227.849/000101 15,50 Março 51.660.876/000103 42,92 Abril 01.597.168/000601 98,16 Março 47.597.083/000101 238,82 Total 4.930,20 Março 55.618.128/000105 38,78 Março 03.444.193/000168 39,00 Março 44.530.855/000108 20,14 Março 44.534.089/000141 55,38 Março 47.463,179/000187 20,35 Março 46.227.849/000101 15,50 Total 5.284,01 Também foram apresentados aos autos Declarações de IRRF – Resumo do Beneficiário – Detalhamento Mensal dos seguintes contribuintes: Caixa Econômica Federal; 37 Batalha de Infantaria Motorizado; CEMIC Centro de Estudos do Menor e Int Comunidade; Bertin Ltda.; Unimed do Centro Paulista Fed. Reg. das Coop. Medica; AFUPEGE – Associação dos Func. da Penitenciária de Getulina; Sanofi Pasteur Ltda.; Medial Saúde S/A; Unimed Est. S.P. Conf. Esta. Coop. Medica; Lins Country Club; Nava e Cia Ltda.; Intermedica Sistema de Saúde S.A; Caixa de Assistencia dos Advogados de São Paulo; Café Canecão Ltda.; Assoc. Benef. e Recreativa dos Func das Empresas Bertin; Assoc dos Funcionários da Justiça da Comarca de Lins; Instituto Americano de Lins da Igreja Metodista; Lojas Tanger Ltda.; Fundação Paulista de Tecnologia e Educação; Comapi Agropecuária Ltda.; Instituto Educacional Piracicabano; Sind dos Func e Servidores Publicos Municipais de Lins; Cooperativa de Lacticinios de Promissão; Nestlé Brasil Ltda.; Assoc. a Assist. Mutua a Saude SBC; Fundação SABESP de Seguridade Social – SABESPREV; Unimed de Ituverava Coop. Trabalho Médico (fls. 1441 do eprocesso). Todas as declarações tinham como beneficiária a recorrente. 2 Parecer Saort A Delegacia da Receita Federal em Araçatuba – SP, em 12/06/08, através da Seção de Orientação e Análise Tributária, proferiu o Parecer (fls. 6162 do eprocesso), propondo a homologação parcial dos débitos constantes do PER/Dcomp nº 34807.20840.110703.1.3.059092, correspondentes ao IRRF incidente sobre rendimentos do trabalhado prestado por médicos cooperados, apurado nos meses de abril e maio de 2003, regulamente confessados em DCTF, até o limite do crédito reconhecido, de R$ 7.760,32. Salientouse que foram retidas, relativamente, aos meses de março e abril de 2003, as importâncias de R$ 3.919,72 e R$ 3.840,60, totalizando R$ 7.760,32, no período referido no PER/Dcomp. Entretanto, no caso, as compensações realizadas montam R$ 9.714,05, demonstrando insuficiência de crédito de R$ 1.953,53, motivo pelo qual não poderiam ser integralmente homologadas. 3 Decisão Tendo em vista o Parecer Saort, a fiscalização, em 12/06/08, homologou (fls. 6364 do eprocesso) parcialmente a compensação requerida, decidindo: a) reconhecer o direito creditório da recorrente, no montante de R$ 7.706,32, referente ao IRRF por pessoas jurídicas em razão de serviços prestados por profissionais médicos associados à cooperativa de trabalho, nos meses de março e abril de 2003; Fl. 497DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10820.003043/200811 Acórdão n.º 2202002.862 S2C2T2 Fl. 496 5 b) homologar em parte da Declaração de Compensação que constitui objeto deste processo, por ter sido demonstrada a inexistência parcial dos créditos relativos à retenção do IRRF, pelas beneficiárias da prestação de serviços de assistência médica pela recorrente, conforme tabela abaixo: c) não homologar a compensação do débito restante, em virtude de ter sido realizada com o aproveitamento de crédito de IRRF em montante superior ao reconhecido. A recorrente foi intimada da decisão em 23/06/08. 4 Impugnação Inconformada com a Decisão, a recorrente apresentou, em 22/07/08, impugnação (fls. 8284 do eprocesso) alegando que: a) a fiscalização somente homologou a compensação baseada nas DIRF apresentadas pelas pessoas jurídicas beneficiárias dos serviços, contudo, as demais compensações são legítimas e de acordo com a legislação; b) a divergência se deve ao fato da fiscalização verificar junto às DIRF’s apresentadas pelos pessoas jurídicas beneficiárias dos serviços, o fato dos contratantes da impugnante não declararem a retenção e pagamentos das fatos em DIRF não pode servir de argumento para o não acolhimento da compensação; c) para comprovar a legitimidade das compensações anexa planilha onde demonstra todas as operações realizadas, inclusive as que não consta em DIRF. Em anexo a recorrente apresentou, dentre outros documentos, a planilha denominada “Relatório DIRF versos faturas compensadas” (fls. 166209 do eprocesso). 5 Acórdão de Manifestação de Inconformidade A solicitação foi indeferida pela 5ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade (fls. 215219). Os fundamentos foram os seguintes: a) o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório recai sobre o contribuinte interessado; b) resta à administração, à luz do disposto na legislação de regência, verificar se o pedido de restituição/compensação encontrase devidamente instruído, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza dos créditos pleiteados; Débito P.A Vencimento Valor IRRF (0588) 3ª semana 04/2003 24/04/2003 4.736,93 IRRF (0588) – parte 3ª semana 05/2003 21/05/2003 1.917,73 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 c) o documento apresentado (Relatório DIRF vs. Faturas Compensadas) não substitui a documentação fiscal para efeitos da instrução probatória. 6 Recurso Voluntário Notificada da decisão em 14/09/11, a recorrente, não satisfeita com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls. 227231) em 30/09/11, nos seguintes termos: a) a recorrente é sociedade cooperativa, nos termos da Lei nº 5.764/71 e seus Estatutos Sociais e se encontra devidamente autorizada à emissão de faturas, sendo totalmente descabida a exigência de notas fiscais; b) as faturas emitidas e acostadas aos presentes autos comprovam que as retenções foram sofridas posto que todas se encontram devidamente destacadas e sofrem, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.541/92, retenção do IRRF à alíquota de 1,5%; c) os saldos devedores acumulados em decorrência dessas retenções que a cooperativa sofre são os valores que são utilizados para compensação com o IRRF, por ocasião dos repasses de produção efetuados aos seus sócios; d) apresenta cópia da conta que registra as retenções sofridas no livro razão analítico (fls. 201410 do eprocesso), e pede a baixa dos autos em diligência para verificar a idoneidade dos crédito utilizados por meio de prova pericial. 7 Da Conversão em Diligência Em 13/08/13, a 2ª Turma Ordinária determinou, na Resolução nº 2202 000.523 (fls. 443446 do eprocesso), a conversão do julgamento em diligência, para: a) intimação da recorrente para que apresentasse cópia integral do livro “razão auxiliar dos clientes”, de modo a corrigir a falha da prova apresentada (ausência das páginas 152186); b) solicitação à Fiscalização para que confrontasse os valores contidos nas duplicatas (fls. 167187 e 189209 do eprocesso) com os lançados no Livro Razão apresentado pela recorrente, de modo a verificar se todos os valores apresentados a título de retenção sofrida estavam devidamente comprovados por esses documentos. 8 Da Diligência A recorrente foi intimada, em 25/03/14, para atendimento da diligência. (fl. 451 do eprocesso). Foram juntados ao processo às fls. 152186 do Livro Razão Auxiliar de Clientes (fls. 452486 do eprocesso). A fiscalização, através da Informação Fiscal (fls. 487488 do eprocesso), constatou que todos os valores apresentados a título de retenção sofrida pela interessada foram devidamente lançados no referido Livro Razão e conferem integralmente com os contidos nas duplicatas citadas, conforme se depreende do trecho abaixo: Fl. 499DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10820.003043/200811 Acórdão n.º 2202002.862 S2C2T2 Fl. 497 7 “3) Os valores contidos nas duplicatas (fls. 167/187 e 189/209 do eprocesso) foram conferidos integralmente com os valores lançados no Livro Razão Auxiliar de Clientes apresentado pela interessada. 4) Foi verificado que todos os valores apresentados a título de retenção sofrida pela interessada foram devidamente lançados no referido Livro Razão Auxiliar e estes conferem integralmente com os contidos nas duplicatas citadas. 5) Sem mais, encaminho para prosseguimento. (fl. 488)” É o relatório. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Conforme se verifica, a controvérsia ora analisada por ser sintetizada do seguinte modo: a) a decisão recorrida manteve o reconhecimento do direito creditório da recorrente no montante de R$ 7.706,32 e homologou, em parte, a Declaração de Compensação que constitui objeto deste processo, por ter sido demonstrada a existência parcial dos créditos relativos à retenção do IRRF, pelas beneficiárias da prestação de serviços de assistência médica pela recorrente, pois a documentação apresentada pela recorrente não substituiria a documentação fiscal para efeitos da instrução probatória; b) a recorrente entende que por ser sociedade cooperativa, encontrase devidamente autorizada a emitir faturas, as quais comprovam que as retenções foram sofridas. A recorrente é sociedade cooperativa que congrega médicos cooperados, nos termos do art. 45 da Lei nº 5.764/71, e desenvolve apenas a prestação de serviço aos seus cooperados para que esses possam desenvolver a atividade de medicina. Desta forma, a recorrente sofre a retenção na fonte do Imposto de Renda à alíquota de 1,5%, sendo o valor retido recolhido pelos contratantes dos serviços cooperados: Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. Conforme art. 20, § 1º, da Lei nº 5.474/68, pode a recorrente emitir faturas e duplicatas, desde que discriminem a natureza dos serviços prestados: Art. 20. As emprêsas (sic), individuais ou coletivas, fundações ou sociedade civis, que se dediquem à prestação de serviços, poderão, também, na forma desta lei, emitir fatura e duplicata. § 1º A fatura deverá discriminar a natureza dos serviços prestados. Assim, as faturas apresentadas pela recorrente são documentos hábeis a comprovar a existência do direito à compensação pleiteada pela recorrente – pois discriminam Fl. 501DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10820.003043/200811 Acórdão n.º 2202002.862 S2C2T2 Fl. 498 9 o serviço prestado – desde que acompanhadas de escrituração que corrobore as informações contidas nas referidas faturas. Entendo que Assiste razão à recorrente. A um, porque em face da plausabilidade das alegações e comprovações então existentes (da análise da documentação apresentada, constatouse que as duplicatas apresentadas conferiam com o relato apresentado no pedido de compensação), esta Turma converteu o julgamento em diligência para que a contribuinte apresentasse cópia integral do livro “razão auxiliar de clientes”, de modo a corrigir a falha da prova apresentada (não havia nos autos a cópia integral do referido livro), e para que, ato contínuo, a fiscalização confrontasse os valores contidos nas duplicatas com os lançados no livro apresentado, de modo a verificar se todos os valores informados a título de retenção sofrida estariam devidamente comprovados por esses documentos (fls. 443446 do eprocesso). De acordo com a informação fiscal, todas as duplicatas trazidas pela recorrente conferem integralmente com os valores apresentados a título de retenção por ela sofrida, os quais foram devidamente escriturados no Livro Razão Auxiliar de Clientes: “1) Em conformidade com o entendimento do CARF consubstanciado no voto do Conselheiro Relator Rafael Pandolfo, contido na Resolução nº 2002000.523, de 13/08/2013 da 2ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária, fls. 443/446, realizamos uma Diligência Fiscal junto à interessada, na qual a intimamos, através da Intimação SAORT n.º 10820/043/2014, fls. 1450/451, a apresentar os seguintes elementos: a) Livro “razão auxiliar de clientes”, relativo ao ano calendário 2003 em papel e em meio digital; b) Disponibilizar os documentos comprobatórios (faturas, duplicatas) relativos ao ano 2003 que corroborem os lançamentos, no livro razão citado; c) Demais informações que julgar necessárias. 2) Os elementos citados foram apresentados dentro do prazo da intimação. Juntei, às fls. 452/486 do eprocesso, as cópias das folhas faltantes do Livro Razão Auxiliar (folhas 152/186). 3) Os valores contidos nas duplicatas (fls. 167/187 e 189/209) do eprocesso foram conferidos integralmente com os valores lançados no Livro Razão Auxiliar de Clientes apresentado pela interessada. 4) Foi verificado que todos os valores apresentados a título de retenção sofrida pela interessada foram devidamente lançados no referido Livro Razão Auxiliar e estes conferem integralmente com os contidos nas duplicatas citadas.” (fls. 487488 do eprocesso). Fl. 502DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 A dois, porque conforme art. 923 do RIR/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. No caso, o atendimento da contribuinte à diligência corrigiu a falha da prova trazida aos autos, tornando a documentação apresentada, no caso, o livro “razão auxiliar de clientes” prova dos fatos nela registrados e das alegações da recorrente. A própria fiscalização, quando da análise da documentação apresentada em diligência é clara no sentido de que todos os valores apresentados a título de retenção sofrida pela interessada foram devidamente lançados no referido Livro Razão Auxiliar e estes conferem integralmente com os contidos nas duplicatas citadas. A três, porque uma vez constatado que os valores referentes à retenção sofrida pela recorrente foram devidamente lançados no Livro Razão Auxiliar e conferem total e integralmente com os contidos nas duplicatas e no pleito da contribuinte, a exigência de notas fiscais – considerando que a recorrente pode emitir faturas e duplicatas, nos termos do art. 20, § 1º, da Lei nº 5.474/68, mostrase incompatível com o princípio da proporcionalidade (subprincípio da necessidade), pois não poderiam tais notas fiscais sobreporse à realidade acobertada pela prova constante nos autos. Sobre a interação entre os subprincípios da necessidade e da adequação, versa o Ministro Gilmar Mendes: O subprincípio da adequação (Geeignetheit) exige que as medidas interventivas adotadas mostremse aptas a atingir os objetivos pretendidos. O subprincípio da necessidade (Notwendigkeit oder Erforderlichkeit) significa que nenhum meio menos gravoso para o indivíduo revelarseia igualmente eficaz na consecução dos objetivos pretendidos. Em outros termos, o meio não será necessário se o objetivo almejado puder ser alcançado com a adoção de medida que se revele a um só tempo adequada e menos onerosa. Ressaltese que, na prática, adequação e necessidade não têm o mesmo peso ou relevância no juízo de ponderação. Assim, apenas o que é adequado pode ser necessário, mas o que é necessário não pode ser inadequado. Pieroth e Schlink ressaltam que a prova da necessidade tem maior relevância do que o teste da adequação. Positivo o teste da necessidade, não há de ser negativo o teste da adequação. Por outro lado, se o teste quanto à necessidade revelarse negativo, o resultado positivo do teste de adequação não mais poderá afetar o resultado definitivo ou final. (MENDES, Gilmar. O princípio da proporcionalidade na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: novas leituras. Revista Diálogo Jurídico, Salvador, CAJ Centro de Atualização Jurídica, v. 1, nº. 5, agosto, 2001. Disponível em: <http://www.direitopublico.com.br>. Acesso em: 02 de março de 2012.) Ademais, a própria Lei nº 9.784/99, em seu art. 2º, parágrafo único, inciso VI, explicita o princípio da informalidade, ou do formalismo valorativo: Fl. 503DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10820.003043/200811 Acórdão n.º 2202002.862 S2C2T2 Fl. 499 11 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; Portanto, deve ser acolhido o pleito da contribuinte no sentido de que a documentação por ela apresentada comprova, integralmente, os valores apresentados a título de retenção sofrida e devem, portanto, ser totalmente restituídos. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para que seja reconhecido e homologado o direito creditório da recorrente como integralmente pleiteado. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 504DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10920.907159/2012-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 71 59 /2 01 2- 71 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907159/201271 Acórdão n.º 3801002.692 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907159/201271 Acórdão n.º 3801002.692 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907159/201271 Acórdão n.º 3801002.692 S3TE01 Fl. 5 4 indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907159/201271 Acórdão n.º 3801002.692 S3TE01 Fl. 6 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907159/201271 Acórdão n.º 3801002.692 S3TE01 Fl. 7 6 Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907159/201271 Acórdão n.º 3801002.692 S3TE01 Fl. 8 7 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907159/201271 Acórdão n.º 3801002.692 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13727.000761/2008-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. ERRO DE ESCRITA. PROCEDÊNCIA.
Resta evidente a ocorrência de lapso manifesto quando se constata que o dispositivo do acórdão versa um resultado equivocado do somatório de valores, sendo admissível a oposição de Embargos Inominados visando à sua correção.
Embargos acolhidos apenas para esclarecer o montante correto da quantia tomada por isenta.
Numero da decisão: 2101-002.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos, com efeito infringente, para rerratificar o acórdão n° 2101-002180, corrigindo a decisão para "reconhecer a isenção dos rendimentos no valor de R$ 30.260,00, por serem decorrentes de aposentadoria de portador de moléstia grave, prevista na Lei n° 7.713/88".
MARIA CLECI COTI MARTINS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 30/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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LAPSO MANIFESTO. ERRO DE ESCRITA. PROCEDÊNCIA. Resta evidente a ocorrência de lapso manifesto quando se constata que o dispositivo do acórdão versa um resultado equivocado do somatório de valores, sendo admissível a oposição de Embargos Inominados visando à sua correção. Embargos acolhidos apenas para esclarecer o montante correto da quantia tomada por isenta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos, com efeito infringente, para rerratificar o acórdão n° 2101002180, corrigindo a decisão para "reconhecer a isenção dos rendimentos no valor de R$ 30.260,00, por serem decorrentes de aposentadoria de portador de moléstia grave, prevista na Lei n° 7.713/88". MARIA CLECI COTI MARTINS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 30/09/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 72 7. 00 07 61 /2 00 8- 83 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Embargos Inominados opostos pela Ilustre Conselheira CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY (fl. 58/59), face a percepção de que o Acórdão nº 2101 002.180 carece de ajuste, porquanto apresenta equívoco no resultado do somatório dos rendimentos auferidos do INSS e da Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social Refer, reconhecidos como isentos do imposto sobre a renda pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, por serem decorrentes da aposentadoria do contribuinte, portador de moléstia grave prevista na Lei nº 7.713, de 1988. O citado erro foi conferido no voto da Ilustre Relatora e repetido na conclusão do julgado. Reconhecida a desconformidade do resultado, e ao entendimento que os autos deveriam retornar à apreciação do Colegiado para que se pronuncie acerca do relatado, os presentes embargos foram submetidos à análise do Insigne Presidente da 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento, que determinou providências administrativas e posterior movimentação do processo à Conselheira Relatora. Desta feita, distribuído o feito para nossa relatoria, coloco em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13727.000761/200883 Acórdão n.º 2101002.462 S2C1T1 Fl. 3 3 Tratase de Embargos Inominados contra Acórdão da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, amparado na existência de equívoco no resultado do somatório de valores dispostos no voto condutor e na conclusão do julgado. O caso se enquadra como evidente inexatidão material – lapso manifesto, de acordo com o artigo 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), in verbis: "Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente." Senão vejamos a situação em comento. Como dito, a egrégia 1ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF proferiu o Acórdão nº 2101002.180, que restou assim ementado, tendo sido proferida a seguinte conclusão do julgado: “CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. São isentos do imposto sobre a renda os proventos de reforma, aposentadoria ou pensão recebidos por contribuintes portadores de moléstia especificada em lei, devidamente comprovada por meio de laudo médico oficial. Na hipótese, o contribuinte comprovou auferir rendimentos de aposentadoria e ser portador de moléstia grave prevista em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para reconhecer a isenção dos rendimentos de R$ 29.630,00, por serem decorrentes de aposentadoria de contribuinte portador de moléstia grave prevista na Lei n.º 7.713, de 1988.” Transitado em julgado, os autos foram baixados à Agência da Receita Federal do Brasil em Três Rios/RJ, tendo retornado a este Conselho, por despacho, apontando equívoco Fl. 68DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 no somatório dos rendimentos auferidos do INSS e da Refer, reconhecidos como isentos do imposto sobre a renda, por serem decorrentes da aposentadoria do contribuinte, portador de moléstia grave prevista na Lei nº 7.713, de 1988. Examinado os autos, foi constatado que, de fato, ocorreu um erro de cálculo na soma dos rendimentos do recorrente. Conforme se verifica às fls. 19 e 21 dos autos, nos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte emitidos pela Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social – Refer, e pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, o recorrente auferiu R$ 7.819,04 e R$ 22.440,96, respectivamente, valores inclusive consignados no voto da relatora, às fls. 43. Deste modo, resta clara a intenção do julgado em afastar da tributação os valores referentes ao total recebido pelo contribuinte, a título de proventos de aposentadoria por tempo de serviço e benefícios de entidade de previdência privada, no montante de R$ 30.260,00. Todavia, ao totalizar os dois rendimentos considerados isentos do imposto sobre a renda, o resultado disposto no voto, foi, equivocadamente, R$ 29.630,00, quando deveria ter sido de R$ 30.260,00. O equívoco terminou repetido na conclusão do julgado, acima transcrito. Ora, resta evidente o lapso manifesto que trouxe o valor de “R$ 29.630,00” em desacordo com o resultado correto do somatório, no montante de R$ 30.260,00. Deste modo, em que pese a retificação proposta não alterar o desfecho do processo, entendo que deva ser considerado no Acórdão os valores corretos do somatório, de R$ 30.260,00, em vez de R$ 29.630,00, e assim a conclusão do julgado deve ser retificada exclusivamente para consignar que “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para reconhecer a isenção dos rendimentos de R$ 30.260,00, por serem decorrentes de aposentadoria de contribuinte portador de moléstia grave prevista na Lei nº 7.713, de 1988”. Diante do exposto, voto pelo ACOLHIMENTO dos Embargos Inominados para rerratificar o acórdão embargado, nestes exatos termos. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13727.000761/200883 Acórdão n.º 2101002.462 S2C1T1 Fl. 4 5 É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10283.002528/99-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1993, 1994, 1995
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
É procedente o lançamento com base no lucro arbitrado da pessoa jurídica quando, intimado, o contribuinte não apresenta à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração feita de acordo com a legislação comercial e fiscal.
LANÇAMENTOS REFLEXOS - Dada a estreita relação de causa e efeito existente entre o Lançamento principal e seus reflexos, a decisão proferida naquele é extensiva a estes.
DECADÊNCIA
Nos casos de lançamento por homologação, em que há pagamento parcial dos débitos, deve-se reconhecer a aplicação do artigo 150, parágrafo 4ª, do CTN, nos termos da jurisprudência firmada do STJ com efeitos repetitivos.
Reconhece a decadência quanto aos tributos objeto da presente lide (IRPJ, CSL e IR-Fonte) em relação aos fatos geradores de janeiro de 1993 a março de 1994.
Recurso conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 1201-000.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário para acolher a alegação de decadência dos créditos tributários de IRPJ, CSLL e IRRF relativos aos fatos geradores ocorridos em todos os meses do anos de 1993 e de janeiro a março de 1994.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (presidente substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Rafael Correia Fuso, José Sérgio Gomes, Marcos Vinicius Barros Ottoni e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1993, 1994, 1995 ARBITRAMENTO DO LUCRO. É procedente o lançamento com base no lucro arbitrado da pessoa jurídica quando, intimado, o contribuinte não apresenta à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração feita de acordo com a legislação comercial e fiscal. LANÇAMENTOS REFLEXOS Dada a estreita relação de causa e efeito existente entre o Lançamento principal e seus reflexos, a decisão proferida naquele é extensiva a estes. DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, em que há pagamento parcial dos débitos, devese reconhecer a aplicação do artigo 150, parágrafo 4ª, do CTN, nos termos da jurisprudência firmada do STJ com efeitos repetitivos. Reconhece a decadência quanto aos tributos objeto da presente lide (IRPJ, CSL e IRFonte) em relação aos fatos geradores de janeiro de 1993 a março de 1994. Recurso conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário para acolher a alegação de decadência dos créditos tributários de IRPJ, CSLL e IRRF relativos aos fatos geradores ocorridos em todos os meses do anos de 1993 e de janeiro a março de 1994. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 25 28 /9 9- 05 Fl. 691DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARCELO CUBA NETTO 2 (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (presidente substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Rafael Correia Fuso, José Sérgio Gomes, Marcos Vinicius Barros Ottoni e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face da contribuinte, na qual cobra débitos de IRPJ dos anos calendários de 1993, 1994 e 1995 (mês a mês), com base em lucro arbitrado, considerando a seguinte imputação fiscal: 001 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS Valor apurado conforme dados constantes de suas Declarações de Rendimentos dos Exercidos de 1994, Períodobase 1993, Declaração entregue em 29/07/94, Exercício de 1995, Período base 1994, Declaração entregue em 25/05/95. Exercício de 1996, Períodobase de 1995, Declaração entregue em 05/08/97, onde intimado na data de 05/03/99, consoante Termo em anexo,aduziu estar impossibilitado para tanto, devido ao extravio ocorrido quando da mudança da sede da empresa, para cidade de Manaus, conforme documento acostado datado de 12/03/99. Intimado novamente, na data de 24/03/99, a apresentar os documentos que comprovassem haver o contribuinte ter informado ao órgão competente do Registro do Comércio, o extravio de sua documentação, bem como, da sua comunicação dentro das 48 (quarenta e oito ) horas seguintes, ao Órgão da Secretaria da Receita Federal e ainda na mesma intimação, perguntamos: se houve por parte do contribuinte a tentativa de legalização de novos livros e o esforço no sentido de reconstituição da escrituração. O mesmo respondeu através nova de Declaração que: "Não apresentou qualquer informação ao registro do comércio, como também à nenhum Órgão da secretaria da Receita Federal, sobre o extravio de toda documentação da empresa". Respondeu ainda na mesma Declaração que infelizmente não tinha nenhum elemento, para dar suporte à documentação necessária para apreciação por nossa parte. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10283.002528/9905 Acórdão n.º 1201000.827 S1C2T1 Fl. 3 3 A multa aplicada foi de 75% quanto ao IRPJ. Da mesma forma, a empresa foi autuada quanto à CSL e IRFonte do mesmo período (janeiro de 1993 a dezembro de 1995) com base no lucro arbitrado e multa de 75%, com fundamento em informações descritas nas declarações de rendimentos do contribuinte (DIPJs). O Auto de Infração foi lavrado em 28/04/1999, prazo esse considerado da intimação da contribuinte, sendo apresentada defesa administrativa em 27/05/1999, alegando que: 2. PRELIMINARMENTE 2.1 DA NOVA AUTUAÇÃO 2.1.1. É de se observar que, os cálculos que originaram os créditos tributários não levaram em consideração diversos fatores importantes, o que aumentou os valores da autuação. 2.1.2. No caso presente, a ação fiscal gerou tributos cujos valores estão além do conceito de confisco. Tratase de valor que simplesmente é impagável. 2.1.3. Isto decorre da falta de critério para fixação do crédito tributário. Ao se utilizar da base de cálculo arbitrada, criouse uma situação irreal e surrealista. Não há a certeza necessária, no que tange aos valores, quanto ao real valor do crédito, o que pode ser danoso para o Fisco, por que pode estar aquém do que é devido, e com certeza à Impugnante, pois não reflete sua real condição fiscal e contábil. 2.1.4. Há a possibilidade de recomposição da documentação contábil de fiscal da Impugnante, o que possibilitaria a recomposição dos cálculos através da base real. 2.1.5. Se houver impossibilidade de se obter o lucro real, e tendo em vista que há ainda a possibilidade de se utilizar o critério de lucro presumido, e este se aproxima do lucro real, a aplicação do lucro presumido é de rigor. 2.1.6. Dessa forma, o verdadeiro ideal de Justiça estaria sendo alcançado, possibilitando a Impugnante de pagar ou de comprovar que pagou o que lhe é realmente devido, e a Receita Federal ter a segurança e a certeza de ter cobrado da contribuinte o que lhe competia cobrar. 2.1.7. A manutenção do presente auto de infração, da maneira que foi imposto, impossibilita a continuidade da empresa, condenandoa à quebra. O arbitramento é uma medida por demais dura e rigorosa. 2.1.8. Ante o exposto, preliminarmente, requer se digne Vossa Senhoria, diante dos fatos expostos, determinar a concessão de prazo razoável para que a Impugnante possa recompor sua escrituração fiscal e contábil, e após, determinar nova autuação sobre as contas da Impugnante, já com base no lucro real. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARCELO CUBA NETTO 4 2.2. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Ainda em preliminar cabe a análise da nulidade do auto de infração, conforme a seguir exposto. 2.2.1. DA FALTA DE NOTIFICAÇÃO PARA O ARBITRAMENTO 2.2.1.1. Conforme podemos observar no auto de infração, tendo em vista, a impossibilidade da Impugnante de oferecer os elementos necessários à Receita Federal, os valores que serviram de base cálculo para fixação do lucro foram arbitrados, atingindose valores exorbitantes. 2.2.1.2. Ocorre que, quando das notificações da Impugnante para apresentar os elementos que serviriam de base para a ação fiscal, ela deveria ter sido cientificada de que a não apresentação de tais elementos, mesmo em caso fortuito como no presente caso, os valores seriam arbitrados segundo critérios da Receita Federal. 2.2.1.3. Ora, a Impugnante desde que verificou o extravio dessas caixas contendo documentos de ordem fiscal, administrativo, financeiro e contábil, está tentando reconstituílos de forma a retratar sua condição da época, da melhor maneira possível, não medindo esforços para tanto. 2.2.1.4 Não poderia cumprir a exigência no prazo exíguo de 72 (setenta e duas) horas, pois, a quantidade de documentos extraviados é enorme. Ressaltese que, o extravio se deu por razões alheias a sua vontade. 2.2.1.5. Observese que, na época do extravio, a Impugnante não possuía, em sua nova sede na cidade de Manaus, profissional qualificado para tentar reconstituir sua escrituração contábil, tanto que, um motorista da empresa foi quem levou a notícia do extravio junto à Delegacia de Manaus. 2.2.1.6. A falta de menção no termo de início da ação fiscal de que os valores seriam arbitrados, como efetivamente ocorreu, inquina de nulidade o termo, devendo o ato ser repetido. 2.2.2. DA CUMULATIVIDADE INDEVIDA DE TRIBUTOS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO 2.2.2.1. Prescreve o art. 9°, do Decreto 70.235/72: Art. 9°. A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada ao "caput" pela Lei n° 8.748, de 09.12.93, DOU 10.12.93) 2.2.2.2. Conforme se pode observar do auto de infração n° 0220100/00210/19, a Receita Federal incluiu no mesmo auto, a exigência ao crédito tributário referente ao Imposto de Renda Fl. 694DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10283.002528/9905 Acórdão n.º 1201000.827 S1C2T1 Fl. 4 5 Pessoa Jurídica, o Imposto de Renda na Fonte e a Contribuição Social. 2.2.2.3. Tal cumulação é defeso pela lei, devendo o auto de infração ser distinto para cada um dos créditos reclamados pela Receita Federal. 2.2.2.4. Justificase a exigência do art. 9°, do Decreto 70.235/72, pela simples razão de proporcionar ao contribuinte a maior amplitude se sua defesa, com o distinção da conduta ilícita atribuída ao contribuinte. 2.2.2.5. Por atentar contra direito do contribuinte, previsto, não somente, pela legislação ordinária, mas também, pela Constituição Federal, a cumulatividade indevida torna nula o auto de infração objeto da presente, impondose o sua repetição. 2.2.3. DA FALTA DE DESCRIÇÃO DO SUPOSTO ILÍCITO 2.2.3.1. Observase no auto infração a falta de descrição da conduta ilícita da Impugnante, passível das sanções a ela imposta. 2.2.3.2. Com efeito, o auto de infração deveria trazer elementos e descrições minuciosas da conduta da Impugnante, que caracterizariam as infrações fiscais a ela atribuídas. 2.2.3.3. Limitase o auto de infração a descrever o que foi apurado, porém, deixa de fazêlo no que diz respeito à descrição da conduta. 2.2.3.4. Tal fato atenta contra o princípio da ampla defesa, garantido pela Constituição Federal, ainda que seja em procedimento administrativo como é o caso. 2.2.3.5. A nãoobservância do preceito constitucional acarreta a nulidade do auto de infração, objeto da presente impugnação. 3. NO MÉRITO 3.1. DA APLICAÇÃO INDEVIDA DA MULTA 3.1.1. O auto de infração aplica a multa de 75% (setenta e cinco por cento), em razão do disposto no art. 44, inc. I, da Lei 9.430/96, valendo sua transcrição: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Fl. 695DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARCELO CUBA NETTO 6 II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." 3.1.2. É de se observar que a Impugnante não incorre em nenhum dos incisos acima. Com efeito, a Impugnante não deixou de recolher o tributo, e não deixou de emitir sua declaração de renda, tanto que o Sr. Auditor utilizou a declaração para obter o lucro arbitrado. 3.1.3. No que tange às penalidades, seja em qualquer campo do direito, é necessário que a conduta do agente se amolde ao que prescreve a lei, sendo defeso a sua interpretação extensiva. 3.1.4. Destarte, é incabível a aplicação da referida multa, por absoluta falta de justa causa, devendo ser expurgada do cálculo do crédito tributário, Por seu turno, vale observar o disposto no artigo 112, do CTN: "A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I capitulação do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos efeitos;... IV – à natureza da penalidade aplicável, ou sua graduação". 3.2. DA FIXAÇÃO INDEVIDA DO LUCRO ARBITRADO 3.2.1. Em razão da falta de documentos, que repitase a Impugnante não está medindo esforços para reconstituílos, a Receita Federal estimou o lucro da Impugnante mediante o arbitramento pelo valor bruto. 3.2.2. Ocorre que, além da falta de notificação com a menção expressa de que o lucro seria arbitrado, haveria possibilidade de reconstituir os livros, o que a Impugnante vem fazendo às duras penas. 3.2.3. Uma vez reconstituída a documentação, a Impugnante teria seus lucros apurados não pelo arbitramento, mas pelo que realmente obteve no período fiscalizado. 3.2.4. Por outro lado, vez que o arbitramento é realizado a critério da Receita Federal, este poderia ter sido apurado pela média do período fiscalizado, e não exercício a exercício, como se efetivou. 3.2.5. Há que se considerar que, os exercícios dos anos de 1993, 1994 e 1995, justamente os que sofrem a ação fiscal, foram atípicos, em que a Impugnante obteve altas receitas brutas, porém, teve altos fatores de dedução, que acabaram por produzir baixas receitas líquidas, como podese observar das declarações de renda do período. 3.2.6. Não se pode olvidar para o fato que, nos períodos de 1993, 1994 e 1995, havia um grande incentivo às importações, o que já não mais ocorre, pois, a Impugnante sofre com a crise econômica, que lhe acarretou brutal queda de vendas, e Fl. 696DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10283.002528/9905 Acórdão n.º 1201000.827 S1C2T1 Fl. 5 7 conseqüentemente de lucros. Há que se ressaltar que o objetivo social da Impugnante é a importação, e 100% de sua atividade é voltada para esse fim. 3.2.7. O critério mais justo seria a obtenção dos reais valores de lucro real. Se não possíveis, a apuração mediante a média global. 3.2.8. Na verdade, da forma como foi lavrado o auto de infração, o lucro arbitrado não reflete a realidade da situação vivida pela Impugnante, e os resultados, por que não dizer, são ilíquidos. 3.2.9. Aliás, é oportuno transcrever o entendimento perfilhado pela jurisprudência pátria: "ATRASO NA ESCRITA A desclassificação da escrita somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração do lucro real da empresa, não se justificando simples atraso na escrita (Súmula 76 TFR). Destarte, se o contribuinte quer comprovar, em juízo, através de prova pericial, o seu lucro real, o indeferimento dessa prova importa cerceamento de defesa". (Ap. Cível 91.034SE – Decisão de 24/10/84 do TFR, 4a Turma Resenha Tributária, Seção 1.2, Ed. 37/84, pág. 974). "ATRASO NA ESCRITURAÇÃO Irregularidade formal não justifica, por si só, o abandono da escrituração e a adoção do lucro arbitrado. É de concederse, por escrito, prazo razoável para a sua correção. A irregularidade material, por sua vez, deve ser demonstrada". (Ac. 1° CC 1035.551/83 – Resenha Tributária, Seção 1.2, Ed. 30/84, pág. 768). 3.2.9. Por tudo isso, impõese a realização de nova ação fiscal, com prazo suficiente para que a Impugnante possa reconstituir sua documentação fiscal e contábil. 4. DO PEDIDO Ante o exposto, requer se digne Vossa Senhoria preliminarmente determinar nova autuação, tendo em vista a falta de um único critério para fixação da base de cálculo, eis que em tema de Imposto de Renda, a desclassificação da escrita somente é legitima na ausência de elementos concretos para apuração, o que inocorreu. Ainda em preliminar, requerse seja declarado nulo o auto de infração FM n° 00220100/00210/19, em razão da falta de notificação para o arbitramento do lucro, cumulação indevida de tributos no mesmo auto de infração e falta de descrição do suposto ilícito, devendo o auto ser novamente realizado. Se assim não entender Vossa Senhoria, o que admitimos apenas a título de argumentação, no mérito, julgar improcedente a presente ação fiscal, em razão da indevida aplicação da multa de 75%, que deverá ser expurgada do cálculo, bem como, em razão da fixação indevida do lucro arbitrado, devendo o auto ser novamente lavrado, por ser essa medida de inteira justiça. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARCELO CUBA NETTO 8 Para provar o alegado, requerse a produção de prova documental, que segue anexo a presente, diligências contábeis, e demais que se fizerem necessária. A DRJ manteve o lançamento fiscal, conforme íntegra da decisão abaixo transcrita: 2. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL 2.1. Dada a tempestividade, acolhese a impugnação, para apreciação das razões de preliminar e de mérito, apresentadas pelo impugnante. PRELIMINARES: 2.2. Não procede a alegação do contribuinte de que não foram considerados fatores importantes, inclusive porque não citou quais fatores foram desconsiderados. Tratase de lançamento com base no lucro arbitrado, quando não são considerados deduções justamente pela falta de documentação que as comprove, inclusive de prejuízos. O valor do lançamento, obedecidas as regras legais do arbitramento do lucro e a alíquota pertinente, por elevado que seja, não constitui confisco. No caso, o arbitramento está de acordo com a norma. Improcede tal alegação. 2.3. Não procede a alegação, nem acatamento, da possibilidade de recomposição da escrituração contábil para posterior fiscalização e lançamento. Primeiro, o arbitramento não é um lançamento condicional sujeito à reformulação por outro regime de apuração do lucro tributável. Segundo, o contribuinte não adotou as providências legais, antes do início da fiscalização, junto ao Registro do Comércio e à Receita Federal, nem comprovou que já tenha adotado os devidos esforços para recomposição de sua escrita. Terceiro, o contribuinte já declarou às fls.54 a impossibilidade de fazêlo. 2.4 Não procede também a alegação de adotar a sistemática de cálculo pelo lucro presumido, o qual é uma opção do contribuinte. A lei é contudente: não atendidas as condições de opção por qualquer dos regimes de apuração do IRPJ seja Simples, Lucro Presumido ou Lucro Real aplicase a regra do arbitramento. É o que reza, para o caso específico, o artigo 539, inciso I, do RIR/94. Portanto, não merece acatamento tal alegação. 2.5 Quanto à alegação de que a manutenção do lançamento levaria a empresa à quebra, impedindo a sua continuidade, tratase de juízo de valor, sobre o qual não cabe julgamento, nem justifica a concessão de prazo para recompor a escrita, quando já se iniciou a fiscalização e não comprova a empresa que já tenha adotado as providências estabelecidas em lei, no caso, o art. 165, §§ I o e 2o, do RIR/80 (art. 210, §§ I o e 2o, do RIR/94) 2.6 Também improcede a preliminar de nulidade do Auto de Infração, invocada pelo contribuinte, por não constar dos termos de início e de intimação a informação de que a não apresentação Fl. 698DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10283.002528/9905 Acórdão n.º 1201000.827 S1C2T1 Fl. 6 9 dos elementos solicitados implicaria no arbitramento do lucro. Nem a lei exige, nem a jurisprudência condiciona o arbitramento ao conhecimento do contribuinte de que seu lucro será arbitrado se não apresentar a escrituração contábil e fiscal. É uma determinação legal para a atividade legalmente vinculada do agente fiscal. 2.7 Quanto à sua afirmação de que vem adotando esforços para recomposição de sua escrituração desde o extravio da documentação não parece verdadeira. Não apresentou com a impugnação qualquer prova dos procedimentos para tal, nos termos do art. 165, §§ I o e 2o, do RIR/80 (Art. 210, §§ I o e 2o, do RIR/94), até porque informou (fls. 54) que não fez qualquer comunicação à Junta Comercial e à Receita Federal, requisito inicial para a legalização de novos livros. 2.8 Não houve, como alega o contribuinte, afronta ao artigo 9o do Decreto 70.235/72. Foram lavrados autos independentes para cada tributo – IRPJ (fls.05/23) e seus reflexos C. SOCIAL (fls. 24/38) e IRRF (fls.39/49) – decorrendo o erro da alegação do contribuinte, possivelmente, por considerar o Termo de Encerramento de Ação Fiscal, no qual estão resumidos os valores do lançamento, como Auto de Infração. Não há suporte para a alegação de cerceamento do direito de defesa. 2.9 Não procede também a alegação de que o A.I. não traz a descrição da conduta ilícita. Em princípio, o arbitramento não é decorrente de conduta ilícita, até porque não é penalidade, mas forma de apuração do lucro tributável. E o recurso colocado à disposição do fisco para apuração do lucro tributável quando a escrituração contábil e fiscal não contem os requisitos estabelecidos em lei para respaldar a opção de regime efetuada pelo contribuinte. As condições previstas no inciso I, do artigo 539 do RIR/94 para aplicação do arbitramento do lucro estão devidamente descritas no Auto de Infração de IRPJ, às fls.06, já resumidas no subitem 1.2. Assim, não é a descrição da conduta ilícita, mas a indicação dos requisitos não cumpridos para confirmação dos valores declarados que embasa e torna legal o arbitramento, sem qualquer ofensa ao princípio da ampla defesa garantido pela Carta Magna. Não procede a preliminar de nulidade do auto de infração. MÉRITO 2.10 Procede a aplicação da multa de 75%. Na realidade, o contribuinte apresentou suas DIRPJ e recolheu o tributo devidamente apurado nelas. É a base de suas alegações. No entanto, não podendo comprovar os valores declarados em suas DIRPJ, por extravio de toda a documentação, inclusive dos livros contábeis e fiscais, é atribuição do fisco arbitrar e não mais se consideram possíveis deduções de despesas e de prejuízos compensáveis, resultando do cálculo imposto a maior que o declarado e recolhido. Abatido o que foi comprovadamente recolhido, através de extratos do sistema Fl. 699DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARCELO CUBA NETTO 10 informatizado da SRF, sobre a diferença se aplica a penalidade, pois se constitui tal diferença em falta de recolhimento. E, portanto, procedente a aplicação da penalidade prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. Complementese, em contra argumentação ao alegado pelo contribuinte, que não houve interpretação extensiva na aplicação da penalidade. Arbitrado o lucro, calculado o imposto e abatido o recolhido, sobre a diferença entre ambos cabe aplicação da citada penalidade. 2.11 Não merece acatamento a sugestão do contribuinte de se adotar a média do período fiscalizado. A lei estabelece, primeiro, a apuração do lucro por anocalendário, portanto, exercício a exercício. Segundo, o arbitramento obedece a regras precisas, conforme art. 542 do RIR/94, complementado pela Port. MF n° 524/93 e INSRF n° 79/93, para os anoscalendário de 1993 e 1994, e a Lei 8.981/95, para os anoscalendários a partir de 01/01/95, para não ficar ao talante do agente fiscal. 2.12 Não merece apreciação a alegação de que nos exercícios fiscalizados obteve o contribuinte altas receitas e agora, com a crise econômica, vem sofrendo quedas de vendas, por se tratar de juízo de valor. 2.13 Não tem aplicação a jurisprudência socorrida pelo contribuinte, pois não se trata de atraso de escrita. Simplesmente não existe a escrituração contábil, por extravio, sem que tenham sido adotados os procedimentos exigidos por leí.o arbitramento decorreu da falta de apresentação da escrita contábil e dos documentos que serviram ao assentamento de tal escrita. A certidão apresentada pelo contribuinte, às fls.52, por declaração sua perante a Polícia Civil, confirma que os livros e documentos contábeis e fiscais foram extraviados durante a transferência da sede da empresa de São Paulo para Manaus. Consequentemente, não dispõe o contribuinte dos livros originais e dos documentos nos quais se basearam os lançamentos contábeis e fiscais, que serviram de fonte para as DIRPJ apresentadas. Também, não prova o contribuinte que tenha adotado as providências junto ao Fisco, quer quanto à comunicação da ocorrência, quer quanto à reconstituição de sua escrita, conforme dispõe o art. 165, §§ I o e 2o, do RIR/80 (art. 210, §§ I o e 2o, do RIR/94). É correto o fundamento do arbitramento no art. 400 do RIR/80 (art. 541 do RIR/94), pois sua escrituração não está de acordo com as leis comerciais e fiscais, como estipula o inciso I do artigo 539 do RIR/94. 2.14 Centrandose as alegações do contribuinte no tocante ao IRRF e C.SOCIAL lançados, no mesmo diapasão contra o IRPJ, ficam extensivas aos mesmos tributos as razões que fundamentam a manutenção do IRPJ. 2.15 Sendo procedentes os lançamentos dos tributos impugnados pelo contribuinte, pela diferença ou falta de recolhimento, são devidos a penalidade e demais encargos legais. 2.16 Por último cabe declarar a improcedência das alegações preliminares de nulidades pela contra argumentação contida nos subítens 2.2 a 2.9 que atacaram as preliminares de persi, inclusive quanto ao cerceamento ao direito de ampla defesa, Fl. 700DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10283.002528/9905 Acórdão n.º 1201000.827 S1C2T1 Fl. 7 11 devendo ser indeferida a pretensão de nova fiscalização, pelo fato de o arbitramento não ser condicional, nem provar o contribuinte que tinha sua escrituração atualizada, no momento da fiscalização, com a declaração de procedência dos lançamentos pelos fundamentos legais contidos nos autos de infração. 3. CONCLUSÃO 3.1. Considerando que o processo está revestido das formalidades legais; considerando a competência que me é atribuída pelo art. 25, inciso I, alínea "a", do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. I o da Lei n° 8.748/93, e a atribuição do art. 5o, item I, da Portaria MF n° 384/94, e face ao exposto, DECIDO: I acolher a Impugnação, por tempestiva a sua apresentação; II declarar improcedentes as preliminares de cerceamento do direito de defesa pois garantido lhe foi o direito de impugnação, dada a lavratura de autos independentes para cada tributo, e de nulidade do auto de Infração, por não demonstrar o contribuinte a ocorrência das condições definidas no artigo 59, do Decreto n° 70.235/72, alterado pela Lei n° 8.748/93; III indeferir o pedido de nova fiscalização, visto que o arbitramento não é lançamento condicional e de que não apresentou o contribuinte qualquer prova que exija diligência, referida como condição de prova, mas formulada em desacordo com o diploma processual, com possível reforma do lançamento; III no mérito, julgar PROCEDENTE o lançamento representado pelos Autos de Infração IRPJ (fls. 05/23) e seus reflexos C. SOCIAL (fls. 24/38) e IRRF (fls.39/49), lavrados contra o contribuinte TREBORRE COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTA DORA LTDA, C.G.C/MF N° 66.658.865/000158, para exigirlhe o crédito tributário neles formalizado, acrescido de multa de ofício e juros de mora, calculados por ocasião do pagamento. Intimada da decisão em 16/02/2000, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 14/03/2000, alegando em síntese que: 1) A r. decisão de primeira instância acolheu a Impugnação da Recorrente, mas deixou de apreciar as alegações preliminares, alegando que os fatos não têm vinculação com o lançamento. Ora, os fundamentos suscitados com vista à anulação do Auto de Infração são válidos conforme a lei, merecendo, por isso, o exame amplo na decisão. Como se sabe, a sentença deve ser clara e coerente. Clara, para não ensejar dúvidas em sua interpretação. Coerente no sentido de que o dispositivo deve ser uma conclusão lógica dos fundamentos. Além disso, a sentença deve ser pertinente, isto é, dizer respeito ao pedido com certeza e precisão. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARCELO CUBA NETTO 12 Com a omissão tais princípios não foram observados, o que viabiliza o reexame da decisão impugnada, (art. 93,IX,CF) 2) Em 26 de abril de 1999, a Receita Federal lavrou auto de infração F M n° 0220100/00210/19, em que impõe a Recorrente o recolhimento do crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no período de 01/93 a 12/95: o Imposto de Renda na Fonte, no período de 31/01/93 a 31/12/95; e a Contribuição Social, no período de 31/01/93 a 31/12/95, tendo apurado o montante descrito fls. 553. O direito do fisco de constituir o crédito tributário, nos termos do artigo 173 do CTN extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Acrescenta, ainda, que a extinção definitiva desse direito ocorre com o decurso de prazo de cinco anos, contados da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Segundo a jurisprudência dominante, o auto de infração consuma o lançamento tributário, não havendo mais, depois de sua lavratura, de cogitar de decadência. Assim, considerase consumado o lançamento na oportunidade em que o fisco lavra o auto de infração ou, por outra forma, determina o valor do crédito tributário e intima o sujeito passivo para fazer o respectivo pagamento. (Súmulas 108, 153 e 219, TFR). Conjuga se com este dispositivo a norma do artigo 150, parágrafo 4°, CTN. Portanto, o auto de infração lavrado em 26/04/99, para formalizar a constituição do crédito tributário consignou períodos de apuração já atingidos pela decadência, ou seja, pela extinção do direito da Fazenda ao crédito, dado período de cinco anos em que o lançamento poderia ter sido efetuado. E, portanto, nulo o auto de infração ao lançar tributo atingido pela extinção do direito da Fazenda constituir seu crédito, merecendo justa reforma do decisum de primeira instância. 3) Conforme se pode observar no auto de infração, os valores da base de cálculos foram arbitrados, somandose valores elevadíssimos, ante a impossibilidade da Recorrente em oferecer, por motivos de força maior, os elementos básicos necessários ao levantamento fiscal. Tal motivo está amplamente demonstrado na Impugnação de fls. da Recorrente. No entanto, o fisco deixou de observar a norma do artigo 148 do CTN ao impor a modalidade de lançamento por arbitramento, uma vez que esta norma existe, ainda, que seja feito mediante "processo regular", e, havendo contestação, que seja assegurada a avaliação contraditória, administrativa ou judicial. O arbitramento, como o próprio nome diz, representa uma decisão unilateral, tomada ao arbítrio de outrem. Ele não se adapta ao processo dialético. Assim, quando o artigo exige que o arbitramento se faça mediante processo regular, não o está transformando em incidente, mas determina à Fazenda que realize uma série de atos orientados no sentido de levantar dados e elementos, Fl. 702DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10283.002528/9905 Acórdão n.º 1201000.827 S1C2T1 Fl. 8 13 concretos e verdadeiros, que conduzem de forma lógica e racional à verdade. Como houve contestação, face à impugnação de fls. devese assegurar a avaliação contraditória, ou seja, o contrário na avaliação da base de cálculo arbitrada com o lançamento. Como se nota, o Fisco não comprovou, ainda que mediante indícios, a existência que legitimou a prática do arbitramento contra a Recorrente, embora esta tenha justificado amplamente a impossibilidade da apresentação, em tempo exíguo de 72 (setenta e duas) horas, de um enorme volume de documentos comprovadamente extraviados, sem culpa ou por motivos alheios a sua vontade. Portanto, a norma do artigo 5o, LIV; da Constituição Federal ficou violada, data vênia, importando, assim, o reexame da decisão atacada. De tudo quanto foi exposto, a decisão de primeira instância não encontra suporte na vontade da lei a atendimento aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ficando evidente que a Recorrente tem pleno direito de pleitear a anulação do auto de infração FM n° 00220100/00209/99, em razão da extinção do direito da Fazenda constituir o crédito tributário, bem como pelo arbitramento efetuado sem regular processo, ratificando, aqui, todos os termos da Impugnação de fls.. Por consequência, é de Justiça que este Colendo Conselho reforme totalmente a decisão de primeira instância, julgando procedente toda a pretensão exposta pela Recorrente. A Receita Federal entendeu pelo não conhecimento do Recurso, visto que a contribuinte não havia indicado bens que garantissem pelo menos 30% do débito fiscal (malsinado depósito recursal de 30%). O débito acabou sendo inscrito em dívida ativa, contudo, a procuradoria, após a Súmula n° 21 do STF, acabou cancelando as inscrições e remeteu os autos para julgamento do CARF. Este é o relatório. Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Inicialmente, não acolho os argumentos do contribuinte quanto à nulidade do lançamento, visto que como bem decidido pela DRJ, a contribuinte foi intimada a apresentar os documentos fiscais e contábeis relativos à sua receita. Não o fazendo, seja em razão do extravio noticiado pela contribuinte, seja por não conseguir reconstituir eventuais informações e documentos que demonstrasse sua efetiva Fl. 703DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARCELO CUBA NETTO 14 receita, seja porque não comunicou o fisco quanto à ocorrência, não dá como acatar tal nulidade. Da mesma forma, o arbitramento é a medida correta para esse tipo de caso, quando o contribuinte não apresenta escrita fiscal e contábil, conforme prescreve o artigos 399 e 400 do RIR/80, Art. 399 A autoridade tributária arbitrará o lucro da pessoa jurídica, inclusive da empresa individual equiparada, que servirá de base de cálculo do imposto, quando (Decretolei nº 1.648/78, art. 7º): I o contribuinte sujeito à tributação com base no lucro real não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras de que trata o artigo 172; II o contribuinte autorizado a optar pela tributação com base no lucro presumido não cumprir as obrigações acessórias relativas à sua determinação; III o contribuinte recusarse a apresentar os livros ou documentos da escrituração à autoridade tributária; IV a escrituração mantida pelo contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real ou presumido, ou revelar evidentes indícios de fraude; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto na alínea a do § único do artigo 270; VI o contribuinte, na situação referida no inciso I, e não autorizado a optar pela tributação com base no lucro presumido, espontaneamente apresentar declaração de rendimentos. Art. 400 A autoridade tributária fixará o lucro arbitrado em percentagem da receita bruta, quando conhecida (Decretolei nº 1.648/78, art. 8º). § 1º Compete ao Ministro da Fazenda fixar a percentagem a que se refere este art., a qual não será inferior a 15% (quinze por cento) e levará em conta a natureza da atividade econômica do contribuinte (Decretolei nº 1.648/78, art. 8º, § 1º). § 2º O Ministro da Fazenda poderá fixar percentagem menor que a prevista no § 1º para atividades em que a relação entre o lucro bruto e a receita de vendas ou de serviços for notoriamente inferior àquele limite (Decretolei nº 1.648/78, art. 8º, § 2º). § 3º Nos casos de comissários ou representantes de pessoas jurídicas estrangeiras o lucro será arbitrado no mínimo em 20% (vinte por cento) do preço de venda, das mercadorias ou dos serviços prestados (Decretolei nº 1.648/78, art. 8º, § 3º). Fl. 704DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10283.002528/9905 Acórdão n.º 1201000.827 S1C2T1 Fl. 9 15 § 4º Na falta de outros elementos a autoridade poderá, observadas as normas baixadas pelo Secretário da Receita Federal, arbitrar o lucro com base no valor do ativo, do capital social, do patrimônio líquido, da folha de pagamento de empregados, das compras, do aluguel das instalações ou do lucro líquido auferido pelo contribuinte em períodos anteriores (Decretolei nº 1.648/78, art. 8º, § 4º). § 5º O lucro arbitrado, sem quaisquer deduções, será a base de cálculo do imposto (Decretolei nº 1.648/78, art. 8º, § 5º). § 6º Verificada a ocorrência de omissão de receita, será considerado lucro líquido, o valor correspondente a 50% (cinqüenta por cento) dos valores omitidos (Decretolei nº 1.648/78, art. 8º, § 6º). § 7º O arbitramento do lucro não exclui a aplicação das penalidades cabíveis (Decretolei nº 1.648/78, art. 8º, § 7º). Da mesma forma, dispõe o artigo 539 e 540 do RIR/94 quanto ao arbitramento: Art. 539. A autoridade tributária arbitrará o lucro da pessoa jurídica, inclusive da empresa individual equiparada, que servirá de base de cálculo do imposto, quando (DecretoLei n° 1.648/78, art. 7°, e Leis n°s 8.218/91, arts. 13 e 14, parágrafo único, 8.383/91, art. 62, e 8.541/92, art. 21): I o contribuinte obrigado à tributação com base no lucro real não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração mantida pelo contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real ou, ainda, revelar evidentes indícios de fraude; III o contribuinte recusarse a apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal à autoridade tributária; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de atender ao estabelecido no art. 534; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto na alínea a do parágrafo único do art. 339; VI o contribuinte não apresentar os arquivos ou sistemas na forma e prazo previstos nos arts. 212 e 213; VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no diário. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARCELO CUBA NETTO 16 Art. 540. Excepcionalmente, nos casos fortuitos ou de força maior, como definido na lei civil e devidamente comprovados, a pessoa jurídica poderá calcular o imposto mensal com base no lucro arbitrado (Lei n° 8.541/92, art. 21, § 2°). Com isso, andou bem a decisão da DRJ, vejamos: Não tem aplicação a jurisprudência socorrida pelo contribuinte, pois não se trata de atraso de escrita. Simplesmente não existe a escrituração contábil, por extravio, sem que tenham sido adotados os procedimentos exigidos por leí.o arbitramento decorreu da falta de apresentação da escrita contábil e dos documentos que serviram ao assentamento de tal escrita. A certidão apresentada pelo contribuinte, às fls.52, por declaração sua perante a Polícia Civil, confirma que os livros e documentos contábeis e fiscais foram extraviados durante a transferência da sede da empresa de São Paulo para Manaus. Consequentemente, não dispõe o contribuinte dos livros originais e dos documentos nos quais se basearam os lançamentos contábeis e fiscais, que serviram de fonte para as DIRPJ apresentadas. Também, não prova o contribuinte que tenha adotado as providências junto ao Fisco, quer quanto à comunicação da ocorrência, quer quanto à reconstituição de sua escrita, conforme dispõe o art. 165, §§ I o e 2o, do RIR/80 (art. 210, §§ I o e 2o, do RIR/94). É correto o fundamento do arbitramento no art. 400 do RIR/80 (art. 541 do RIR/94), pois sua escrituração não está de acordo com as leis comerciais e fiscais, como estipula o inciso I do artigo 539 do RIR/94. Assim, não há nulidade quanto ao lançamento em razão do arbitramento, muito menos podemos aceitar que o contribuinte goze de presunção de que suas declarações estão corretas, visto que: a) o contribuinte sequer informou o fisco quanto à suposta perda de documentos na transferência de sua empresa para Manaus; b) a empresa foi negligente em não reconstituir sua escrita contábil e fiscal; c) não especificou no Boletim de Ocorrência os documentos extraviados, não se sabendo ao certo se os documentos fiscais e contábeis se referiam aos livros Razão ou Diário, e de qual período. Portanto, não acolho os argumentos do contribuinte quanto à nulidade e o arbitramento. Já em relação à decadência, a mesma deve ser acolhida quanto ao todos os tributos cobrados em relação ao ano de 1993 (todos os meses) e janeiro a março de 1994, visto que os tributos cobrados foram lançados mensalmente, houve pagamento parcial de tributos (fls. 131 e seguintes e fl. 299 e seguintes) e o lançamento fiscal se deu em 28/04/1999. É exatamente o caso de aplicação do disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, conforme jurisprudência firmada pelo STJ em recurso repetitivo. Vejamos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO Fl. 706DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10283.002528/9905 Acórdão n.º 1201000.827 S1C2T1 Fl. 10 17 POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 707DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARCELO CUBA NETTO 18 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Resp n° 973.733/SC, Min. Relator Luiz Fux, Primeira Seção, Julgado em 12/08/2009) Assim, entendo pela decadência do crédito tributário quanto aos tributos objeto da presente lide (IRPJ, CSL e IRFonte) quanto aos fatos geradores de janeiro de 1993 a março de 1994, devendo ser aplicado ao disposto no presente caso o entendimento sufragado do STJ, nos termos do artigo 62A do RICARF. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer a decadência quanto aos fatos geradores de janeiro de 1993 a março de 1994, mantendose os demais fundamentos da decisão da DRJ. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 708DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000267/2010-91
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Uma vez formalizada a omissão de receita com base em presunção legal, resta ao contribuinte, na pretensão de descaracterizá-la, demonstrar especificadamente que o valor depositado não se sujeita à tributação, não decorreu da empresa ou, tendo dela decorrido, já passou pelo crivo da tributação.
Numero da decisão: 1801-002.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Uma vez formalizada a omissão de receita com base em presunção legal, resta ao contribuinte, na pretensão de descaracterizála, demonstrar especificadamente que o valor depositado não se sujeita à tributação, não decorreu da empresa ou, tendo dela decorrido, já passou pelo crivo da tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 67 /2 01 0- 91 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 17883.000267/201091 Acórdão n.º 1801002.134 S1TE01 Fl. 388 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório CEL CONI ENGENHARIA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1256.962 (fl. 345), pela DRJ Rio de Janeiro I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de quatro autos de infração realizados para exigir créditos tributários relativos ao ano 2006, conforme os valores contidos na tabela seguinte: TRIBUTO PRINCIPAL JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO (75%) TOTAL FLS. IRPJ 46.947,88 14.646,99 35.210,89 96.805,76 190 PIS/PASEP 18.839,43 6.117,43 14.129,52 39.086,38 197 COFINS 86.951,38 28.234,52 65.213,50 180.399,40 205 CSLL 31.302,49 9.796,87 23.476,86 64.576,22 213 Conforme a narrativa contida no Termo de Verificação de Infração Fiscal (fl. 187), a empresa foi autuada em razão da constatação de que parte de sua movimentação financeira não teve a origem demonstrada pelo contribuinte. O autuado apresentou impugnação (fl. 226), cujas razões foram assim resumidas, no relatório da decisão recorrida (fl. 347): • que “todos os valores, considerados como de origem não comprovada, com exceção do depósito de R$ 10.000,00 efetuado em 14/12/2007 no banco Real, (...) referemse a recebimentos de serviços prestados, cujas notas fiscais foram devidamente emitidas e declaradas”, conforme tabela de fls. 230/231, que demonstra que “o valor total das notas no ano R$ 3.027.155,57 é exatamente o mesmo do declarado na DIPJ 2008, Ficha 06 A, copia anexa, (Doc. 08), na linha Receita de Prestação de Serviços”; • que “as notas fiscais (...) deram sustentação para o preenchimento da DIPJ 2008 e deram origem ao IRPJ de R$ 14.981,41 (Ficha 12 A) e CSLL de R$ 8.988,84 (Ficha 17), que foram recolhidos conforme DARFs em anexo”; • que, em relação ao PIS e à Cofins, “a apuração das contribuições (...) foram realizadas com base nos valores das notas fiscais”; • que “na apuração da inconsistente base tributável, considerou os valores de R$ 34.950,00, R$ 230.062,50, R$ 22.626,20 e R$ 5.752,56 creditados em 10/01//2007, 30/01/2007, 30/01/2007 e 23/04/2007, respectivamente, como presunção de omissão de Fl. 388DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 17883.000267/201091 Acórdão n.º 1801002.134 S1TE01 Fl. 389 3 receita ocorrida nos meses de janeiro e abril de 2007”. Contudo, “tais valores referemse a recebimentos das notas fiscais números 121, 117, 119 e 120 emitidas em 21/12/2006, 22/11/2006, 20/12/2006 e 20/12/2006, respectivamente”, do que resultou um indevido deslocamento do fato gerador; • que, “de forma alguma, poderia ter tido seu lucro arbitrado, principalmente pela não apresentação de seus livros. Ora, é sabido e comprovado que a não apresentação dos livros deuse por motivo alheio a vontade da lmpugnante, ou seja, os mesmos foram apreendidos pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), conforme cópia do Auto de Apreensão”, sendo que “na data em que foi feita a apreensão dos livros a escrituração já havia sido efetivada, bem como realizada tempestivamente a entrega da declaração de rendimentos relativa ao ano calendário 2007”; • que “resta claro que a impossibilidade de apresentação dos livros e documentos decorreu de infortúnio casual, sem culpa alguma da Impugnante. (...) é de suma importância registrar que em momento algum houve recusa, mas sim impossibilidade de apresentação ao fisco dos livros e documentos pelo simples motivo de terem sido apreendidos”. A DRJ considerou a impugnação procedente em parte, retirando da base de cálculo valores que, embora creditados em 2007, são da competência de 2006. A decisão foi assim ementada (fl. 345): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. PRESUNÇÃO LEGAL. Não demonstrada a origem de depósitos bancários em contas de titularidade do sujeito passivo, fazse mister a aplicação da presunção legal de omissão de receita dos valores lá creditados, a serem considerados conforme o regime de competência. Cientificado dessa decisão em 09/07/2013, por via postal (fl. 356), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 360), em 01/08/2013, em que reitera as razões trazidas na impugnação e reforça seus argumentos informando que a diferença entre os valores das notas fiscais apresentadas para justificar as movimentações financeiras e os valores dos respectivos depósitos ocorre em razão de não ter sido depositado os valores correspondentes aos tributos recolhidos na fonte. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 17883.000267/201091 Acórdão n.º 1801002.134 S1TE01 Fl. 390 4 O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Em procedimento de fiscalização, o contribuinte foi intimado para apresentar sua escrituração contábil e sua movimentação financeira. Em relação à primeira exigência, a empresa fiscalizada deixou de cumprila. Justificase informando que estava impossibilitada de apresentar sua escrituração em razão de esta ter sido apreendida pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), fazendo juntar um Auto de Apresentação e Apreensão (fl. 50). A não apresentação da escrituração contábil levou a fiscalização a apurar o IRPJ e a CSLL com base no lucro arbitrado, o que foi combatido no presente recurso. O referido Auto de Apreensão não faz menção direta aos livros contábeis e fiscais do recorrente, citando apenas a apreensão de “01 (uma) caixa contendo diversos documentos da empresa CEL CONI ENGENHARIA”, o que torna esse documento insuficiente para demonstrar que os registros contábeis requeridos foram retirados da guarda do contribuinte. Ademais, o contribuinte apresentou à fiscalização (fl. 49) uma declaração de próprio punho assinada pela contadora Cristiane A. V. Paim, dirigida a Alfredo/Júlio, informando que a empresa é uma cliente nova, que a contadora anterior faleceu e que não foi possível recuperar, junto a sua família, os arquivos que estavam em seu computador, por isso não seria possível enviar os arquivos eletrônicos da escrituração contábil. Essa informação é contraditória em relação. Portanto, as versões contraditórias sobre o motivo pelo qual a contabilidade da empresa não foi entregue afastam a credibilidade do argumento do contribuinte. De toda forma, é certo que a contabilidade da empresa não foi entregue à fiscalização e, nesse caso, a medida fiscal legalmente determinada é o arbitramento, nos termos do artigo 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 1999): Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I omissis; II omissis; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Assim, entendo adequado o arbitramento do lucro. Ainda em resposta à intimação inicial, o contribuinte apresentou sua movimentação financeira (fl. 52), que foi objeto de análise pela fiscalização, resultando na intimação de fl. 172, em que o contribuinte foi instado a comprovar a origem dos depósitos bancários contido na planilha de fl. 173 (38 créditos). Em resposta, o contribuinte apresentou Fl. 390DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 17883.000267/201091 Acórdão n.º 1801002.134 S1TE01 Fl. 391 5 documentação insuficiente para comprovar a origem dos depósitos, o que deu ensejo aos lançamento. Todavia, em sede de impugnação, o contribuinte apresentou notas fiscais correspondentes aos referidos depósitos (fl. 247) e uma planilha em que demonstra a correlação entre as notas e os depósitos (fl. 246). A DRJ rejeito o valor probante das referidas notas, com o seguinte fundamento: Rolando a rocha de sísifo, a interessada relaciona em sua impugnação um rol de notas fiscais que, não sendo coincidentes em valores com os depósitos bancários objeto da ação fiscal, totalizam a receita anual informada na DIPJ. Tal fato opera em seu desfavor, já que permite concluir que os tributos apurados com base naqueles valores são outros que não os exigidos pela fiscalização. Noutros termos, restou claro que a receita declarada não está contida nos depósitos bancários que serviram de base de cálculo para o lançamento. No presente recurso voluntário, o contribuinte insiste que as notas supracitadas comprovam que os depósitos são devidos a sua atividade empresária e que a respectiva receita foi tributada, conforme declarado na ficha 06 A da DIPJ/2008 (receita de prestação de serviços). Assiste razão ao contribuinte. De fato, o valor das notas fiscais juntadas divergem dos valores depositados apenas pelos valores do ISS e do INSS retidos na fonte pelo órgão público tomador dos serviços, conforme as informações consignadas nas próprias notas fiscais e conforme demonstrado claramente pelo contribuinte, já na sua impugnação. Portanto, restou comprovada a origem dos depósitos bancários associados às referidas notas fiscais e a sua devida tributação, o que afasta a presunção de omissão de receitas. Todavia, o recorrente deixou de demonstrar a origem do depósito realizado no Banco Real, no dia 14/12/2007, no valor de R$ 10.000,00 (última linha da planilha juntada à intimação). Assim, os lançamentos devem ser corrigidos para que considerem apenas omissão de receitas no valor de R$ 10.000,00, com fato gerador em 31/12/2007, conforme a tabela seguinte: TRIBUTO OMISSÃO BASE DE CÁLCULO VALOR DEVIDO IRPJ R$ 10.000,00 R$ 960,00 R$ 144,00 PIS/PASEP R$ 10.000,00 R$ 10.000,00 R$ 65,00 COFINS R$ 10.000,00 R$ 10.000,00 R$ 300,00 CSLL R$ 10.000,00 R$ 1.200,00 R$ 108,00 Fl. 391DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 17883.000267/201091 Acórdão n.º 1801002.134 S1TE01 Fl. 392 6 Devem também ser exigidos os respectivos acréscimos legais. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 392DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10675.907442/2009-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 07 44 2/ 20 09 -4 6 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.907442/200946 Resolução nº 9303000.069 CSRFT3 Fl. 308 2 Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSK Fl. 267DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.907442/200946 Resolução nº 9303000.069 CSRFT3 Fl. 309 3 Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.907442/200946 Resolução nº 9303000.069 CSRFT3 Fl. 310 4 A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Maria Teresa Martínez López Fl. 269DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19515.006250/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. DECLINADA A COMPETÊNCIA.
Deve ser declinada a competência quando o recurso versar sobre matéria de competência de outra Seção de Julgamento, nos termos das disposições regimentais.
Numero da decisão: 3201-001.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 30/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. DECLINADA A COMPETÊNCIA. Deve ser declinada a competência quando o recurso versar sobre matéria de competência de outra Seção de Julgamento, nos termos das disposições regimentais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 30/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva e Winderley Morais Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. DECLINADA A COMPETÊNCIA. Deve ser declinada a competência quando o recurso versar sobre matéria de competência de outra Seção de Julgamento, nos termos das disposições regimentais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 30/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva e Winderley Morais Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 62 50 /2 00 9- 28 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, segue abaixo a transcrição do relatório da decisão recorrida seguida da sua ementa: 4. O processo em exame, composto de 3 volumes numerados até a fl. 486, versa sobre lançamento de Pis realizado pela DEFIS/SPO em 28/12/2009 contra o contribuinte acima identificado, em virtude da falta de declaração e recolhimento de débitos relativos ao período de 01/2003 a 12/2005, calculados segundo o regime não cumulativo, sob a égide da lei n° 10.637/2002. 5. O lançamento se acha formalizado no auto de infração anexo às fls. 167/171, cujos demonstrativos figuram nas fls. 158/166. Os autores do feito lavraram ainda um Termo de Verificação Fiscal (fls. 148/157), em que relatam pormenorizadamente o desenrolar da ação fiscal, bem como seu resultado. Os valores lançados foram extraídos de demonstrativos elaborados pela empresa a pedido da fiscalização, anexos às fls. 86 (2003), 113 (2004) e 140 (2005). 6. O crédito tributário exigido, composto de principal, multa agravada de 112,50% e juros de mora (calculados até 30/11/2009), perfaz o montante de R$ 3.489.562,52. 7. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação anexa às fls. 177/223, cujo teor resumo a seguir, acompanhada de diversos documentos (fls. 224/374 e 376/445). Resumo I. Afirma representar verdadeiro confisco ao seu patrimônio a exorbitante multa aplicada, cuja conseqüência, a seu ver, não poderá ser outra senão o aniquilamento de sua situação financeira. II. Impugna os Termos de Embaraço à Fiscalização, os quais acoima de desmotivados, desarrazoados, equivocados e desnecessários. Alega que, por motivos alheios a sua vontade, não teve conhecimento deles nem das notificações fiscais numeradas de 03 a 09, fato que atribui à circunstância de terem sido expedidos por meio de edital interno do órgão fiscalizador. Acrescenta que não agiu com dolo ou máfé; muito pelo contrário, “não só atendeu os Auditores Fiscais desde o início do procedimento fiscal, como também, apresentou todos os documentos solicitados” (fl. 179). III. Afirma ser inverídica a afirmação de que “findo o prazo da prorrogação, a Impugnante não apresentou os documentos” (fl. 180). Alega que, embora a autoridade fiscal lhe houvesse concedido dilação de prazo de 120 dias para fornecer a documentação mencionada no Termo de Início de Procedimento Fiscal, viuse surpreendida por novo Termo de Intimação, o qual Fl. 575DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.006250/200928 Acórdão n.º 3201001.564 S3C2T1 Fl. 952 3 lhe concedia o prazo de 20 dias. Informa que, mesmo assim, o atendeu em 27/02/2008, apresentando todos os documentos solicitados, como atesta a própria autoridade fiscal na fl. 20. IV. Observa que o auditor fiscal que encetou a fiscalização sabia perfeitamente não haver movimentação de mercadorias no endereço da impugnante, tendo conhecimento do endereço e das pessoas a quem deveria enviar as notificações fiscais e solicitar esclarecimentos. V. Assinala o caráter confuso e incerto do procedimento fiscal, atribuindoo às substituições de agentes ocorridas no decorrer da fiscalização. VI. Chama a atenção para o Termo de Destruição de Documentos anexo aos autos, relativo a documentos que teve de reapresentar posteriormente. Conclui daí que, se os documentos que apresentara em fevereiro de 2008 foram destruídos, não pode ser acusada de embaraço à fiscalização, o qual se deve aos “próprios efeitos dos confusos, e incertos procedimentos ocorridos no trâmite do Procedimento Fiscal Administrativo” (fl. 181). VII. Alega outrossim que, como não tomou conhecimento dos termos de intimação de n° 3 a 9, não poderia ter dado causa ao aludido embaraço fiscal, tendo inclusive chegado a supor, em face da inexistência de notícias, que a fiscalização havia sido suspensa. Com efeito — salienta — tendo em vista que o auditor atuante no início do procedimento fiscal “tinha pleno conhecimento da descentralização do seu Sistema Administrativo, e, das pessoas aptas a representála, a presunção não poderia ser outra, senão, a da suspensão da ação fiscal” (fl. 182). VIII. Afirma que somente em 26/11/2009 a notificaram de que dois novos auditores haviam sido designados para dar prosseguimento ao procedimento fiscal, tendo em vista que o auditor que o vinha conduzindo fora deslocado para outra divisão. Ressalta que a referida autoridade já atuava nesse procedimento como substituta do auditor que o iniciara, alteração de que ela, impugnante, não tinha conhecimento. IX. Observa que, prosseguindo a ação fiscal, foi notificada, por meio dos termos de intimação n° 10, 11 e 12, a fornecer diversos documentos, bem como apresentar esclarecimentos relativos a alguns fatos. Acrescenta haver atendido tempestiva e satisfatoriamente a todas essas solicitações, como se infere do próprio Termo de Verificação Fiscal constante nos autos. X. Afirma que os fatos expostos demonstram não ter havido de sua parte intenção de embaraçar ou dificultar a fiscalização, não se tendo configurado portanto a infração a que alude o art. 33 da lei n° 9.430/96, até porque se concluiu a ação fiscal com base em documentos por ela apresentados. Assim, requer preliminarmente a descaracterização e a nulidade dos Termos de Embaraço Fiscal lavrados em 25/02/2008 e 02/06/2008. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI 4 XI. Passa a discorrer longamente sobre a suposta inconstitucionalidade e nulidade da base de cálculo definida pela lei n° 9.718/98, a qual, ampliada em relação ao valor tributável estabelecido na legislação anterior, passou a corresponder à receita bruta das empresas, incluindo valores que não ingressam no patrimônio da empresa, tais como os tributos embutidos no preço de venda — particularmente o ICMS agregado ao valor da mercadoria. XII. Observa que a receita bruta, tal como a define a lei em apreço, não corresponde ao conceito de faturamento contido no art. 195, I, da Constituição Federal, o qual foi acatado pelo STF por ocasião do julgamento ADCON n° 11/DF e já era previsto na Lei Complementar n° 70/91. XIII. Acrescenta que a modificação da base de cálculo do Pis não poderia ser feita senão por lei complementar, o que não é o caso da lei n° 9.718/98, que exibe status de lei ordinária. Afirmando que essa lei acabou por criar nova fonte de custeio da Seguridade Social, assinala que a Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/1998, sendolhe posterior, não tem o condão de afastarlhe a flagrante inconstitucionalidade. XIV. Em abono de sua tese, passa a citar vários excertos de doutrina (fls. 189/195), bem como copiosa jurisprudência de tribunais federais (fls. 195/201). XV. Finalmente, encerrando suas considerações a respeito da matéria, advoga a tese da obrigatoriedade da exclusão do ICMS da base de cálculo do Pis, fundado sobretudo no argumento de que esse tributo estadual não tem natureza de faturamento ou receita, constituindo mero ingresso contábil posteriormente repassado ao Estado Credor. XVI. Salienta a necessidade de os tributos incidirem apenas sobre fatos que denotem riquezas, regra a que a Constituição Federal dá o nome de capacidade contributiva, observando ser inadmissível que o ICMS, mero imposto agregado ao valor das mercadorias vendidas, sirva de base de cálculo para contribuições sociais. XVII. Assevera por fim que a questão vertente continua sub judice no STF, que atualmente a aprecia em sede de recurso extraordinário, já tendo alguns ministros (citados na fl. 204) proferido voto favorável à tese da inconstitucionalidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo do Pis e da Cofins. XVIII. Fazendo farta citação de doutrina e jurisprudência, impugna a multa de ofício aplicada, alegando em síntese que, em face do princípio constitucional da vedação ao confisco, que proíbe a utilização de tributo com efeito confiscatório, ela é exorbitante e inconstitucional. Afirma ainda que o princípio da supremacia do interesse público, principal fundamento que justificaria a imposição de pesadas multas aos contribuintes, encontra obstáculo no princípio constitucional da proporcionalidade — sobre o qual discorre nas fls. 211/215; que o princípio da vedação ao confisco também se aplica às multas fiscais, consoante teria entendido o STF em julgado comentado Fl. 577DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.006250/200928 Acórdão n.º 3201001.564 S3C2T1 Fl. 953 5 na fl. 210; que o princípio da proporcionalidade deve ser observado não só pelo legislador, senão também pelas autoridades tributárias; enfim, que a relação jurídicotributária está adstrita aos princípios da vedação ao confisco, da proporcionalidade e da capacidade contributiva, seja na instituição do tributo, seja na aplicação da multa pecuniária. XIX. Ponderando ser inaceitável que o valor original do tributo seja majorado em mais de 100% devido à aplicação da multa imposta, declara não haver razão para impor sanção tributária por descumprimento de obrigação acessória, visto que o crédito tributário relativo ao Pis decorrente do faturamento foi devidamente escriturado, contabilizado e declarado em DIPJ (em substituição às DCTF), como consta do próprio procedimento administrativo. XX. Reitera que a multa em apreço tem, indubitavelmente, caráter de confisco, podendo vir a representar não apenas o aniquilamento de seu patrimônio, mas também o enriquecimento ilícito da Administração. Afirma ainda que “a multa imposta por descumprimento de obrigação acessória é desarrazoada; haja vista, que no Procedimento Fiscal Administrativo foram apresentados documentos substitutivos como Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Livros Fiscais (Entrada, Saída, e, Apuração), e, Livros Contábeis (Diário, Razão, e, LALUR) — fl. 221. XXI. Assevera que “a constatação do crédito tributário não se dá por indício de sonegação; mas sim, por inadimplência, em razão de insuficiência financeira e econômica da Impugnante” (fl. 221). XXII. Rematando o arrazoado, requer: em caráter preliminar, a desconsideração e a nulidade dos Termos de Embaraço Fiscal; a exclusão do ICMS da base de cálculo do Pis exigido; a exclusão da multa aplicada no percentual de 112,50%; e a impugnação e improcedência do auto de infração. 8. Posteriormente, mediante requerimento anexo às fls. 446/447, a impugnante fez juntar aos autos os documentos constantes nas fls. 448/482. 9. Em 12/03/2010 o processo foi encaminhado a esta DRJ (fl. 486). A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a impugnação, conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 16 25.094, de 28/04/2010, in verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2003, 2004, 2005 FALTA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI 6 Procede o lançamento de débitos não declarados nem recolhidos pelo sujeito passivo. BASE DE CÁLCULO. AMPLITUDE. A lei n° 10.637/2002, entrando em vigor em 01/12/2002, manteve a base de cálculo universal instituída pela lei n° 9.718/98, a qual corresponde ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE. EFEITOS. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal no exercício do controle difuso de constitucionalidade não vinculam senão as partes litigantes, produzindo efeitos erga omnes apenas na hipótese de o Senado Federal emitir resolução suspendendo a execução da norma declarada inconstitucional. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada à jurisprudência judicial existente sobre a matéria. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. CONSERVAÇÃO OBRIGATÓRIA. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal, bem como os comprovantes dos lançamentos neles registrados, enquanto não prescritos os créditos tributários correspondentes. TERMO DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. A relutância contumaz e prolongada em atender às intimações expedidas pela autoridade fiscal caracteriza nitidamente a prática de embaraço à fiscalização, acarretando a lavratura de termo próprio (art. 919 do RIR/99 e art. 33 da lei n° 9.430/96). INTIMAÇÃO POR EDITAL. REGULARIDADE. Revelandose infrutífera a tentativa de intimar a empresa por via postal, é perfeitamente legítimo recorrer à intimação por edital, nos termos do art. 23, § 1o, do PAF. Tendose afixado as intimações assim realizadas em dependência do órgão tributário franqueada ao público, não escusa seu descumprimento a alegação de que não teriam chegado ao conhecimento do contribuinte. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.006250/200928 Acórdão n.º 3201001.564 S3C2T1 Fl. 954 7 SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA ENCARREGADA DA AÇÃO FISCAL. A eventual substituição da autoridade administrativa responsável pela fiscalização constitui procedimento de rotina, previsto no art. 9o da Portaria RFB n° 11.371/2007. No caso em exame, a impugnante foi devidamente cientificada das duas substituições ocorridas no curso da ação fiscal. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Sempre que o contribuinte deixar de atender, no prazo fixado, intimação para prestar esclarecimentos, ficará sujeito à aplicação de multa agravada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão supra, a empresa interpôs recurso voluntário tempestivamente, aduzindo, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O processo administrativo instaurado a partir da impugnação da ora Recorrente teve origem em uma fiscalização que apurou divergências entre as receitas contabilizadas e declaradas, fato este que justificou a lavratura de autos de infração de PIS (Processo Administrativo nº 19515.006250/200928), Cofins (Processo Adminstrativo nº 19515.006251/200972) e IRPJ/CSLL (Processo Administrativo nº 19515.006249/200901). Tal fato revelase incontestável a partir da leitura do Termo de Verificação Fiscal de fls. 148/157 (numeração da DEFIS). Confirase o trecho do referido documento em que essa assertiva revelase clara: D – DO LANÇAMENTO IRPJ/CSLL D.1 – LANÇAMENTO COM BASE NA ESCRITURAÇÃO O lançamento tributário será feito com base no Lucro Real, apurado com base na escrituração apresentada, uma vez que o IRPJ e a CSLL não foram declarados no tempo oportuno, tendo as DIPJ’s dos anos calendários de 2003, 2004 e 2005 sido apresentadas quando já vigorava a suspensão da espontaneidade. Também não foram apresentadas as DCTF’s correspondentes. D.2 – COFINS Fl. 580DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI 8 No que se refere à COFINS, também será feito lançamento dos débitos apurados na escrituração contábil, que embora escriturados, não foram incluídos nas respectivas DCTF’s. O lançamento será feito em processo em apartado. [...] D.3 – PIS Com relação ao lançamento do PIS, foi seguido o mesmo procedimento adotado em relação a (sic) COFINS. [...] D.4 – DO AGRAVAMENTO DA PENALIDADE O agravamento da penalidade foi aplicado tendo em vista que a fiscalizada no início do procedimento incorreu em comportamento tendente a dificultar a ação fiscal. [...] De acordo com o Regimento Interno do CARF, mais especificamente o inciso IV do artigo 2º do Anexo II, compete à Primeira Seção de Julgamento o processamento e julgamento de recursos voluntários como o presente, nos seguintes termos: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: [...] IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; [...] Com base no exposto, NÃO CONHEÇO o recurso voluntário, a fim de que o mesmo seja processado e julgado conforme as disposições regimentais do CARF. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 581DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 11040.721573/2011-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/11/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração.
No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias.
Correta a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa mais benéfica, entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos lançamentos da obrigação principal que lhes sejam correlatos.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 01/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2007 a 30/11/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Correta a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa mais benéfica, entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos lançamentos da obrigação principal que lhes sejam correlatos. Recurso especial provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2301; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11040.721573/201181 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.373 – 2ª Turma Sessão de 17 de setembro de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. FATOS GERADORES Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GASTREL DISTRIBUIDORA LTDA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/11/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Correta a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa mais benéfica, entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos lançamentos da obrigação principal que lhes sejam correlatos. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 15 73 /2 01 1- 81 Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 01/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº. 2402 03.527, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF em 17 de abril de 2013, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para adequação da multa ao artigo 32A da Lei nº 8.212/91, caso mais benéfico. Segue abaixo a sua ementa: OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11040.721573/201181 Acórdão n.º 9202003.373 CSRFT2 Fl. 10 3 pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. O apelo da Fazenda Nacional visa discutir como calcular a multa mais benéfica ao contribuinte. Nesse ponto, apresenta dois acórdãos paradigmas, de nºs 20601.782 e 240100.127, assim ementados: CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO Nº 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP – CORESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS MULTA – RETROATIVIDADE. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999: “informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97). A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa Incentive House é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa – pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte.” (Acórdão nº 20601.782) “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 150, § 4º, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP – Guia do recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL – PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA – APLICAÇÃO. Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” (Acórdão nº 240100.127) Afirma que a hipótese em análise nos acórdãos paradigmas é idêntica a do acórdão recorrido, ou seja, o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração, por descumprimento de obrigação acessória em que também se lavrou NFLD em decorrência da mesma ação fiscal. Ressalta que nos acórdãos paradigmas consignouse que o dispositivo legal a ser aplicado seria o art. 35A da Lei 8.212/91, que nos remete ao art. 44, I, da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Afirma que, havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A, da Lei 8.212/91, sob pena de bis in idem, rechaçado pelo ordenamento jurídico pátrio na aplicação de penalidades tributárias. Assinala que, embora diante de situações semelhantes, o acórdão recorrido entendeu que, por se tratar de infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal que legal que deve retroagir para regulamentar a multa aplicada é o art. 32A da Lei nº 8.212/91, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício. Registra que antes das inovações da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212/91 (multa isolada). Afirma que com o advento da MP nº 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: o art.32A e art. 35A, ambos da Lei nº 8.212/91. “Art. 32A – O Contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidentes sobre o valor do montante das Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11040.721573/201181 Acórdão n.º 9202003.373 CSRFT2 Fl. 11 5 contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observando o disposto no § 3º deste artigo.” “Art. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996". Assinala que o art. 32A tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91 e que o atual regramento não criou maiores inovações, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20%. Assim, a infração, antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. Diz que o art. 35A remete a aplicação do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (litteris abaixo), que abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". Argumenta que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social forem devidamente recolhidas; e por outro lado, quando houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no art. 35A da mesma Lei. O Despacho nº 2400752/2013 deu seguimento ao pedido em análise. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Na hipótese dos autos o contribuinte foi autuado pela entrega da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, com previsão legal no art. 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212, de 1991. Ocorre que a MP n.º 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, ao mesmo tempo em que revogou os referidos dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, promoveu nova sistemática de aplicação de multas. Assim dispunha o revogado art. 32, § 5º da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas, in verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão» desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." É Indubitável a aplicação da multa benéfica, conforme disciplina do art. 106, II, “c” do CTN. O ponto submetido a apreciação deste colegiado resumese em definir como deve ser aplicada a multa nos termos da atual regência normativa. O supracitado art. 32, § 5º, destinavase a punir a apresentação, pelo contribuinte, de declaração inexata quanto aos dados relativos a fatos geradores de tributos, independentemente da existência ou não de tributo a recolher. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11040.721573/201181 Acórdão n.º 9202003.373 CSRFT2 Fl. 12 7 Ante o exposto e em decorrência da alteração legislativa, o acórdão recorrido optou por aplicar a regra contida no art. 32A da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a constatação pelo Fisco de que o contribuinte apresentara declaração inexata ensejaria o direito de aplicação da multa do art. 32, § 5º, da Lei 8.212, de 1991, que poderia corresponder a 100% do valor relativo às contribuições não declaradas, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei 8.212, de 1991, in verbis: § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) 0 a 5 segurados1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados50 x o valor mínimo Nessa mesma hipótese, caso se verificasse, além da declaração incorreta, a existência de tributo não recolhido, terseia, em acréscimo, a incidência da multa prevista na redação anterior do art. 35, inciso II, da referida lei (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009), in verbis: Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).” Vêse, pois, na sistemática revogada, a existência de multas diversas para fatos geradores igualmente distintos e autônomos: uma, prevista no art. 32, § 5°, que tem natureza de multa por descumprimento de obrigação acessória e, portanto, constituirá o próprio crédito tributário, não guardando vinculação com a obrigação principal de pagamento do tributo devido no prazo de lei; e a outra, consistente em penalidade pecuniária que decorre do não recolhimento do tributo devido dentro do respectivo vencimento, prevista no art. 35, II. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11040.721573/201181 Acórdão n.º 9202003.373 CSRFT2 Fl. 13 9 Entendo que na atual sistemática, nos casos de lançamento de ofício, têmse uma única multa, prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, que faz remissão expressa ao art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ou seja, a multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Deste modo, a correta a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa mais benéfica, é entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos lançamentos da obrigação principal que lhes sejam correlatos. Isso posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, para recalcular o valor da multa, limitandoa de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos lançamentos da obrigação principal que lhes sejam correlatos. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13964.001216/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
São dedutíveis na DIRPF os valores pagos a título de pensão alimentícia decorrentes de cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou constituída por separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública, em face das normas do direito de família.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente e redator do voto vencedor
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 23/10/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, SIDNEI DE SOUSA PEREIRA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. São dedutíveis na DIRPF os valores pagos a título de pensão alimentícia decorrentes de cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou constituída por separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública, em face das normas do direito de família. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente e redator do voto vencedor Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 23/10/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, SIDNEI DE SOUSA PEREIRA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. São dedutíveis na DIRPF os valores pagos a título de pensão alimentícia decorrentes de cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou constituída por separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública, em face das normas do direito de família. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente e redator do voto vencedor Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 23/10/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 4. 00 12 16 /2 00 8- 10 Fl. 29DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, SIDNEI DE SOUSA PEREIRA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 03/09, através da qual foi alterado o valor do Imposto de Renda Pessoa Física a restituir declarado de R$1.060,13 (um mil e sessenta reais e treze centavos), para Imposto a Restituir Ajustado de R$154,49 (cento e cinquenta e quatro reais e quarenta nove centavos), relativo ao exercício 2007, anocalendário 2006, motivado pela “Dedução Indevida com Dependentes”,“Dedução Indevida com Despesa de Instrução” e “Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial”. Da descrição dos fatos e do enquadramento legal, o auditor fiscal assim sintetizou os fundamentos do lançamento: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Dedução Indevida com Dependentes Glosa do valor de R$1.516,32, correspondente à dedução indevida com dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência, conforme abaixo discriminado. Glosa do valor relativo e dependente Kamilla, tendo em vista que a mesma é beneficiária de Pensão Alimentícia Judicial, desde 2001. Dedução Indevida com Despesa de Instrução Glosa do valor de R$2.373,84, indevidamente deduzido a título de Despesas com Instrução, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Glosa do valor relativo à Instrução pelo fato da exdependente receber Pensão Alimentícia Judicial. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial Glosa do valor de R$3.354,54, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Dedução indevida no valor de R$3.354,54, haja vista ser o percentual estipulado pela Justiça, de 35% do valor da aposentadoria do contribuinte. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 02, por meio da qual alegou em suma – que desde 2006 vem pagando Pensão Alimentícia com 47% de seus rendimentos, tendo em vista as despesas com instrução de sua filha, Kamilla Rosa dos Santos, que cursa faculdade, e apresenta uma declaração da Sra. Rosa Vitorino dos Santos, informando o aumento da Pensão Alimentícia desde 2006. Na análise de suas alegações, os integrantes da 5ª Turma da DRJ/FNS, consideraram como não impugnada a dedução indevida com dependentes e despesas com Fl. 30DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13964.001216/200810 Acórdão n.º 2102003.129 S2C1T2 Fl. 30 3 instrução, tendo o Contribuinte se limitado apenas a impugnar a dedução com pensão alimentícia, considerandose assim tais matérias como não impugnadas, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, sendo definitiva a exigência no que se refere a estas partes do lançamento fiscal na esfera administrativa. Desta forma, os julgadores decidiram, por unanimidade de votos,pela improcedência da impugnação, mantendose integralmente o lançamento fiscal, conforme voto da il. Relatora, que diz: “(…) são dedutíveis apenas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, sempre em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. É o que determina a legislação tributária.Valores pagos além dos determinados pelo Poder Judiciário constituem mera liberalidade e não podem ser aceitos como dedução. As despesas com instrução pagas pelo alimentante em nome do alimentando, poderiam também ser deduzidas na declaração de rendimentos, porém se pagas em razão de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e em seu campo próprio,observado o limite anual estabelecido. Assim, não tendo o contribuinte logrado trazer aos autos decisão judicial determinando o pagamento de pensão alimentícia em valor acima do já, considerado, mantémse a glosa conforme efetuada pela autoridade revisora”. O Contribuinte teve ciência de tal decisão em 20.09.2011, e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 21, em 27.09.2011, por meio do qual reiterou integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, apresentando novos documentos (cópia do acordo judicial pertinente a Pensão Alimentícia, comprovantes de pagamento em nome de Kamilla Rosa dos Santos, em favor da Sociedade Educacional de Capivari de Baixo), e ressaltou ainda que: “Em relação a minha filha, Kamilla Rosa dos Santos, fiz acordo com a ex esposa, que a filha eu bancaria a faculdade. Pois a ex esposa pagaria a faculdade da outra filha Thatiane Lúcia dos Santos”. Por fim, o Contribuinte postula pelo acolhimento de seu recurso. Desta forma, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora Fl. 31DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 20.09.2011, como atesta o AR de fls. 20. O Recurso Voluntário foi interposto em 27.09.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de recurso em que a única matéria em discussão é a possibilidade de o Recorrente deduzir de sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao Exercício 2007 o montante pago a título de pensão alimentícia a uma de suas filhas. Através do lançamento que originou este processo, foi glosado o valor de R$ 3.354,00 pago a título de pensão alimentícia, pelo seguinte motivo: Dedução indevida no valor de R$ 3.354,54, haja vista ser o percentual estipulado pela Justiça, de 35% do valor da aposentadoria do contribuinte. O valor declarado pelo Recorrente a este título em sua Declaração de Ajuste Anual superou o percentual de 35% acima referido, justificandose então a glosa em comento. Em sua defesa, o Recorrente alegou desde a Impugnação, que celebrara acordo com sua exesposa, no sentido de que cada um arcaria com os custos de educação de cada uma das filhas, de forma que ele passou a ser o responsável por custear as despesas de educação com sua filha Kamilla Rosa dos Santos, o que implicou no pagamento de pensão alimentícia em valor que correspondia a aproximadamente 47% de seus rendimentos. A decisão recorrida afastou a sua pretensão, ao argumento de que não haveria decisão judicial que assim o determinasse, razão pela qual o pagamento efetuado por ele (em montante superior ao que fora determinado em juízo) seria mera liberalidade, não podendo ser deduzido na apuração do seu IR (Ajuste Anual). Em sede de recurso, o Recorrente reitera seus argumentos e anexa ao mesmo a cópia (fls. 22) de um acordo homologado em juízo no qual constou que: Referido acordo, a despeito de haver sido homologado em juízo somente em 2010, deixa claro que o Recorrente passou a pagar – desde o ano de 2004 – um percentual equivalente a 50% de seus rendimentos brutos à sua exesposa a título de pensão alimentícia. Tendo em vista que a motivação da decisão recorrida para negar a pretensão do Recorrente foi a de que não havia decisão judicial para acobertar sua pretensão, deve a decisão ser reformada, restabelecendose a despesa com pensão alimentícia, conforme declarado por ele no Exercício 2007. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13964.001216/200810 Acórdão n.º 2102003.129 S2C1T2 Fl. 31 5 Como esta era a única matéria trazida a julgamento, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Voto Vencedor Com a devida vênia, divirjo do entendimento manifestado pela i. Conselheira relatora, tendo em vista que o § 3º do artigo 8º da Lei nº 9.250, dispõe que as despesas médicas e de educação dos alimentandos, para serem dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda do alimentante, devem ser decorrente de cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou constituída por separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública. No caso de despesas de educação devese ainda observar o limite previsto na alínea b do inciso II do mesmo artigo. A fiscalização glosou o valor deduzido a título de pensão alimentícia judicial, na DIRPF do exercício de 2007, que excedeu 35% do valor da aposentadoria do contribuinte, percentual determinado pela Justiça para pagamento da pensão. Esse fundamento já seria suficiente para manterse a glosa. No presente caso, entretanto, há ainda o fato de ter sido deduzido como pensão alimentícia judicial valores relacionados ao pagamento de despesa com instrução da alimentanda (fls. 23/26), que, por óbvio, somente pode ser deduzido no campo específico da DIRPF e dentro dos limites previstos na alínea b do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995. Cumpre ressaltar que o Termo de Audiência à fl. 22 referese a acordo homologado em 26/10/2010, enquanto o lançamento em exame data de 29/09/2008 e reportase ao pagamento de pensão alimentícia judicial do anocalendário de 2006. Ou seja, após o início do procedimento de fiscalização e da lavratura da Notificação de Lançamento é que o interessado cuidou de majorar o percentual da pensão alimentícia. A natureza constitutiva deste ato certifica o acerto da glosa realizada pela fiscalização, que, por sua atuação vinculada à lei, agiu corretamente. De fato, na época do trabalho de malha fiscal não estava acobertada a pretensão do autuado em deduzir no imposto de renda pensão alimentícia em percentual diverso do acordo judicial vigente. Somente a partir da nova homologação é que houve alteração na relação obrigacional, tornando cogente a conduta de pagar a pensão alimentícia no novo patamar, sem alterações ou exclusões por vontade das partes. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 33DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906368/2012-38
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 121 1 120 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.906368/201238 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802002.666 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2014 Matéria PIS/PASEP Recorrente JUMBO ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/12/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 68 /2 01 2- 38 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.816, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 37839.53907.110209.1.2.040050, rastreamento nº 041906956, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 2.992,50, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 30/11/2007, efetuado em 20/12/2007, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906368/201238 Acórdão n.º 3802002.666 S3TE02 Fl. 122 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/12/2007 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906368/201238 Acórdão n.º 3802002.666 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906368/201238 Acórdão n.º 3802002.666 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906368/201238 Acórdão n.º 3802002.666 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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