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Numero do processo: 12269.004681/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/06/2003
CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES/TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.
A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA.
Em caso de declaração de nulidade do lançamento por vício formal, o crédito substitutivo deve ser lançado dentro do prazo de 05 anos a contar da data da decisão.
Não foi transcorrido o prazo de 05 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
ESTÁGIO. DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. SEGURADO OBRIGATÓRIO DO RGPS.
É segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), na condição de empregado, o estagiário que presta serviços a empresa, em desacordo com a Lei 6.494/1977.
GRATIFICAÇÃO E PAGAMENTOS EM FOLHA COMPLEMENTAR. PARCELAS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO.
A contribuição previdenciária incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados.
Incide contribuição previdenciária sobre remunerações pagas a empregados a título de gratificação não eventual.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO Recorrente CC PAVIMENTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 30/06/2003 CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES/TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. Em caso de declaração de nulidade do lançamento por vício formal, o crédito substitutivo deve ser lançado dentro do prazo de 05 anos a contar da data da decisão. Não foi transcorrido o prazo de 05 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. ESTÁGIO. DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. SEGURADO OBRIGATÓRIO DO RGPS. É segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), na condição de empregado, o estagiário que presta serviços a empresa, em desacordo com a Lei 6.494/1977. GRATIFICAÇÃO E PAGAMENTOS EM FOLHA COMPLEMENTAR. PARCELAS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. A contribuição previdenciária incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados. Incide contribuição previdenciária sobre remunerações pagas a empregados a título de gratificação não eventual. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 46 81 /2 00 9- 60 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.004681/200960 Acórdão n.º 2402004.335 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente às contribuições sociais destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 02/2003 a 06/2003. O Relatório Fiscal (fls. 10/17) informa que a primeira a ação fiscal teve início em 05/10/2006, com ciência do MPF n° 10.1.01.00.2008.00991, lavrada a NFLD de DEBCAD 37.019.0068, com ciência em 28/12/2006, todavia este lançamento foi considerado nulo, por vício formal, conforme Acórdão n°.0216.358 exarado pela 7' Turma de Julgamento em Belo Horizonte, na sessão datada de 27/11/2007. Esse Relatório Fiscal informa ainda que a decisão de nulidade decorreu de erro na aplicação da multa, em razão do enquadramento feito pelo auditorfiscal de salários de contribuição definidos mediante aferição indireta, tendo equivocadamente informado que estes valores estavam declarados em GFIP, o que implicou na redução em 50% no valor da multa de mora, determinandose, em conseqüência a emissão de novo documento de lançamento. O Fisco informa que a base de cálculo foi apurada por aferição indireta prevista na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, artigo 33, parágrafos 3° e 6°, e consignadas no levantamento EXT PAGAMENTO EXTRA FOLHA, pois foi constado, quando do exame da escrituração contábil da empresa e análise dos elementos apresentados à fiscalização, que sua contabilidade não registra o movimento real das remunerações pagas aos segurados empregados que lhe prestam serviços. As folhas de pagamento e gratificações extras foram encontradas nos controles financeiros da empresa. Como elemento motivador da adoção do procedimento da aferição cita os seguintes fatos: (i) a conta de despesa não registra o movimento real dos pagamentos realizados pela empresa, não informando assim a real remuneração dos segurados empregados; (ii) os serviços administrativos e de contabilidade da empresa são realizados na Empresa Ribas Construtora Ltda; (iii) a empresa C.C. Pavimentadora Ltda e a empresa Ribas Construtora Ltda são empresas de grupo familiar; (iv) na empresa Ribas Construtora Ltda foi apreendidos documentos de controles financeiros de pagamentos de remuneração em que constam também pagamentos a empregados da empresa C.C. Pavimentadora Ltda e que como estes pagamentos foram feitos fora da folha foram considerados para fins de apuração da remuneração dos segurados da empresa; (v) da análise dos livros Diário e Razão, constatouse que a conta 4.1.1.04 .00122 Salários e Ordenados, registra apenas os salários declaradas em folha de pagamento, sendo omitidos os registros das gratificações pagas aos seus empregados, bem como os pagamentos feitos e registrados em folha suplementar. Cita como exemplo de falta de registro de pagamento, ocorrências relativas aos segurados empregados Noeli da Costa, Evir Cristian Lara Ventura e José Amâncio Soares. Acresce o Auditor que além dos pagamentos “por fora” de gratificações que não foram contabilizados e nem incluídos em folhas de pagamentos, a empresa deixou de registrar, em época própria, pagamentos de salários a segurados empregados, citando como exemplo o fato ocorrido com os empregados Eder Fuck e João Batista Teodoro Cardoso. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 07/12/2009 (fls. 01 e 20), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 24/53), alegando, em síntese, que: 1. Preliminar. Defende que a lavratura de novo auto de infração sobre os fatos geradores objeto da NFLD 37.019.0068, julgada nula por enquadramento equivocado da multa, só poderia ser emitido dentro do prazo de cinco anos do pagamento contados do fato gerador, o que, se não feito até março de 2008, houve a decadência do direito de lançar. Sustenta a impropriedade da exigência fiscal dizendo que ao caso não se aplica a regra estabelecida no art. 173, inciso II no CTN, tendo em vista que “a nulidade do débito lançado não ocorreu por vício formal do lançamento, mas sim por vício material havido no lançamento que atingiu, inclusive, o valor lançado, por errônea tipificação da multa aplicável, tanto assim que o fisco não emitiu um novo lançamento, mas sim 3(três) autos de infração”. Aduz que somente o vício formal possibilita a realização de um novo lançamento, sobre os mesmos fatos e que, no caso, houve alteração dos fatos, razão pela qual não se poderá cogitar na reabertura de prazo para novo lançamento, muito menos para a realização de 3 (três) lançamento como agora feito. Assevera que, ao caso, não se aplica a regra do inciso II do art. 173 do CTN, estando, portanto, configurada a decadência do direito de lançar, por força do transcurso do prazo de 05 anos, contados da ocorrência do fato gerador; 2. Relativamente aos fatos geradores que motivaram a autuação, diz que a fiscalização presumiu a existência de vínculo empregatício, pois os trabalhadores relacionados pelo Fisco prestaram serviço na condição de autônomos. Cita como exemplo o nome de Eder Fluck que, segundo a impugnante no período do levantamento do débito (fevereiro/2003) seu vínculo com a empresa era na condição de estagiário. Alega que a fiscalização considerou como segurados empregados da empresa trabalhadores que nunca foram por ela registrados nessa qualidade, sem, contudo ter demonstrado os pressupostos inerentes à relação de emprego, levando em conta, para tanto, única e exclusivamente os pagamentos efetuados àqueles profissionais desprezando o fato de se tratarem de profissionais liberais. O lançamento se deu com base em mera presunção, porque o Fisco não provou a relação de emprego existente entre a empresa e os prestadores de serviços considerados empregados pela fiscalização. Acrescenta que em não havendo elementos que caracterizem a relação de emprego, não há que se cogitar da existência de vínculo empregatício e muito menos de contribuição lançada sobre a remuneração de supostos empregados e que não é do Fisco a competência para definir o vínculo empregatício e sim, à vista do contido no artigo 643, da CLT, é competência privativa da Justiça do Trabalho; 3. Relativamente à contribuição apurada sobre as gratificações pagas aos empregados da empresa, diz que, a rigor técnico, não podem ser qualificadas como “salário”, porque não correspondem à Fl. 118DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.004681/200960 Acórdão n.º 2402004.335 S2C4T2 Fl. 4 5 retribuição por serviços prestados e, em conseqüência, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciárias. Assevera que para a aplicação do artigo 22, inciso I da Lei 8.212/1991, é necessário analisar o artigo 457, da Consolidação das Leis do Trabalho, não podendo o INSS considerar de forma simplista o salário como sendo tudo que o empregado recebe do empregador em decorrência da relação de emprego. Diz que a verba paga a título de gratificação além não ter sido expressa ou tacitamente ajustada com o empregado, representa mero ato de liberalidade patronal, sem se revestir do caráter de habitualidade e insuscetível de ser considerada como salário e que a inclusão de tal verba para composição da base de cálculo da contribuição previdenciária, afronta o artigo 110, do Código Tributário Nacional. Isto porque, segundo o impugnante, a partir do momento em que o fiscal considera como salário as gratificações pagas aos empregados, alarga a base de cálculo da contribuição previdenciária; 4. Pede, ao final, seja julgada procedente a impugnação e cancelada a autuação com imediata suspensão de seus efeitos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG – por meio do Acórdão no 0930.651 da 5a Turma da DRJ/JFA (fls. 68/77) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Agência da Receita Federal do Brasil em Gravataí/RS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES: A Recorrente alega que deveria ser aplicado o instituto da decadência tributária, pois já teria ocorrido o prazo de 5 anos da decisão definitiva de nulidade. Tal alegação não será acatada pelas razões fáticas e jurídicas a seguir delineadas. No presente caso, ocorreu um novo lançamento em decorrência de ter sido anulado o lançamento fiscal anterior por conter vício formal, este foi veiculado por meio da NFLD n° 37.019.0068, de 26/12/2006, conforme Acórdão n° 0216.358, de 27/11/2007, proferido pela 7a Turma da DRJ/BHE, que registrou: “[...] Após a ciência da interessada, os autos deverão ser remetidos à Delegacia da Receita Federal de origem para as providências necessárias à lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em substituição à presente, que ora se anula. (...) Assim sendo, a contribuição apurada não foi objeto de lançamento por parte da empresa, na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, fato comprovado com a lavratura do Auto de Infração de n° 37.019.0092 . O lançamento aqui registrado considerou que as contribuições apuradas foram lançadas em GFIP e, em conseqüência, aplicou se com redução da multa em 50% (cinqüenta por cento) o que não poderia ser, tendo em vista que o § 4o do artigo 35 supracitado aplicase tão somente no caso de as contribuições terem sido informadas naquele documento. O fato ocorrido gerou a cobrança de multa a menor do que devido, o que é considerado um vício de saneamento inviável. Pelas razões acima expostas, voto no sentido de anular o presente débito com determinação no sentido de que seja efetuado novo lançamento em uma outra Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. [...]” (g.n.) (Acórdão n° 0216.358 da 7a Turma da DRJ/BHE) Percebese que foi devidamente noticiado, no conteúdo do Acórdão n° 02 16.358, que haveria a constituição de um novo lançamento fiscal em substituição à lavratura da Fl. 120DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.004681/200960 Acórdão n.º 2402004.335 S2C4T2 Fl. 5 7 Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 37.019.0068, que ora se anulava por conter vício formal. Constatase que, em decorrência do enquadramento equivocado, em opção no sistema informatizado de processamento do documento de lançamento, causou erro na valor da multa de mora. Isso ocasionou um defeito no processo de formação do lançamento fiscal originário, configurado como vício formal, sendo que isso permitese o lançamento fiscal substitutivo. Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza formal e não material, este pretendido pela Recorrente, pois a auditoria fiscal delineou todos os elementos do crédito tributário previstos no art. 142 do CTN1, ensejando um lançamento que, conquanto identifique a infração imputada, não atende de forma adequada a determinação da sua exigência nos termos da legislação previdenciária. Em outras palavras, o motivo determinante, pressuposto de existência material do lançamento permanece incólume, porém o lançamento carece de correção quanto ao vício procedimental na aplicação exclusivamente da multa de mora, vício este oriundo do enquadramento equivocado na opção do sistema informatizado de processamento do documento de lançamento. Para tanto, nos Fundamentos Legais do Débito (FLD), ficou consignado que haveria a incidência da multa de mora calculada com base na obrigação vencida incluída em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), nos seguintes termos: “[...] ACRÉSCIMOS LEGAIS – MULTA Competências: 02/2003, 04/2003 a 06/2003 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, til, "'a"" , 'b"' e "c', parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NÃO INCLUÍDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUÍDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DEBITO (NFLD): 24% em ate 15 dias do recebimento da notificação; 30% após o 15. dia do recebimento da notificação; 40% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ale quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% após o 15, dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa, PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não 1 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcela mento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO DO DEBITO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERÁ A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQUENTA POR CENTO). [...]” (NFLD n° 37.019.0068) De mais a mais, a multa de mora é um encargo decorrente do atraso de pagamento, originado do inadimplemento do contribuinte, e distinto do valor originário da obrigação principal. A regra prevista no art. 173, II, do Código Tributário Nacional (CTN) concede ao Fisco um prazo de 5 (cinco) anos, da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulada o lançamento anterior, para que o crédito seja constituído por meio de lançamento substitutivo. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (g.n.) Cumpre esclarecer que, para o lançamento de ofício, o crédito tributário é considerado definitivamente constituído com a regular ciência da decisão definitiva, momento em que não pode mais o lançamento ser contestado na esfera da Administração. Observase que a definitividade da decisão que anulou a NFLD n° 37.019.0068 deverá levar em consideração a regra estampada no inciso I do artigo 42 do Decreto 70.235/1972, in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (g.n.) II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de oficio. Dessa regra estatuída acima, percebese que as decisões de primeira instância das quais não caibam mais recursos, ou transcorrido o prazo de sua interposição, são definitivas. Com isso, a partir do momento em que não for mais cabível qualquer recurso ou tendo ocorrido o exaurimento das vias recursais, as decisões de primeira instância no âmbito do processo administrativo federal transitam em julgado e geram a coisa julgada formal Fl. 122DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.004681/200960 Acórdão n.º 2402004.335 S2C4T2 Fl. 6 9 administrativa, que é o impedimento de modificação da decisão por qualquer meio processual dentro do processo em que foi proferida, também chamada de preclusão máxima administrativa. Essas decisões são atos administrativos, e, portanto, estão sujeitas aos princípios e atributos inerentes ao regime jurídico público administrativo, seja em relação aos seus efeitos, seja em relação à sua validade. Constatase que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 07/12/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 20 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, apontam que a decisão veiculada por meio do Acórdão 0216.358 da 7a Turma DRJ/BHE, que, por vício formal, anulou o lançamento tributário anteriormente efetuado, foi proferida em 27/11/2007. Com isso, o lançamento fiscal substitutivo poderia ser lavrado até 27/11/2012, e foi lavrado em 07/12/2009. Logo, o lançamento fiscal substitutivo está em consonância com o prazo legal de 5 (cinco) anos previsto no art. 173, II, do CTN. Dentro desse contexto da decadência, a Recorrente alega a nulidade do lançamento por inadequação jurídica do instrumento de constituição do crédito, haja vista a formulação à época de somente um documento de lançamento, no caso, a Notificação Fiscal de Lançamento (NFLD) de n° 37.019.0068, e agora de três documentos, o que desvirtua a equivalência com o documento substituído. Afirma na sua argumentação que não houve substituição do lançamento anterior, mas sim a lavratura de novos autos de infração, dentre os quais o presente lançamento fiscal, porém fora do prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 173 do CTN. Essa alegação não procede para o caso ora analisado, além dela ser também impertinente para o deslinde da controvérsia instaurada, eis que a Recorrente foi notificada do primeiro lançamento antes de decorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, e, no lançamento substitutivo, foi notificada antes de decorridos 5 (cinco) anos da decisão que anulou o lançamento anterior, conforme já amplamente discutido. Cumpre esclarecer que, com o advento da Lei 11.457/2007, todos os procedimentos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições previdenciárias, inclusive a nomenclatura dos documentos fiscais, passaram a ser regidos pelas normas do Decreto 70.235/1972, dispondo em seu art. 9°: Art. 9o. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei 11.941, de 27/05/2009). Aliás, não é outra a previsão do §7o do artigo 37 da Lei 8.212/1991, alterado pela Lei 11.941/2009, em que está consignado que “(...) o crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte”. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 No presente caso, o lançamento anterior foi lavrado em 28/12/2006, utilizandose do documento de NFLD (lançamento da obrigação principal, abrangendo os valores relativos às contribuições patronais, às contribuições dos segurados e às destinadas aos Terceiros/Outras Entidades), perfazendo no campo identificado como “valor atualizado” o montante de R$4.663,98 (valor originário da obrigação principal), conforme documento de fls. 03, do Anexo I do presente processo. Por sua vez, o lançamento substitutivo seguiu as modificações legislativas que alteraram a nomenclatura do instrumento de formalização de exigência de contribuições previdenciárias, em substituição ao modelo anterior, foram emitidos três documentos de lançamento: (i) processo 12269.004679/200991, apurase as contribuições devidas pela empresa e as destinadas ao SAT/GILRAT; (ii) processo 12269004680/200915, os valores decorrentes das contribuições descontadas dos segurados; e (iii) processo 12269.004681/2009 60, as contribuições destinadas as outras Entidades/Terceiros. Assim, foi preservado o montante inicial lançado anteriormente (valor originário), conforme a soma do campo identificado como “valor atualizado”. Diante disso, não acato a alegação de nulidade do lançamento fiscal por inadequação jurídica do instrumento de constituição do crédito, eis que a mudança formal na nomenclatura do documento fiscal, decorrente de ordem imperativa legal, não ensejou qualquer cerceamento à garantia da ampla defesa nem ao devido processo legal. DO MÉRITO: A Recorrente alega que o Fisco presumiu a existência de vínculo empregatício, pois os trabalhadores relacionados pela autoridade fiscal prestaram serviço na condição de estagiários ou autônomos. Argumenta ainda que inexiste contribuição sobre pagamento de gratificações. Com relação à alegação da Recorrente de que os segurados seriam estagiários, tal fato não próspera pelas seguintes razões: (i) a Recorrente não apresentou os Termos de Compromisso com interveniência da instituição de ensino, conforme previam os artigos 5o e 6o do Decreto 87.497/1982, este regulamentou a Lei 6.494/1977; (ii) não demonstrou que cumpria a regra do art. 4o, alínea “b”, desse Decreto, eis que a duração do estágio era de 3 (três) meses, renovável por igual período, acompanhada de ausência de data da celebração do contrato entre as partes; (iii) não realizou o seguro contra acidentes pessoais em favor dos estagiários; (iv) não demonstrou a matrícula regular dos estudantes; dentre outros. Decreto 87.497/1982 – Regulamentou a Lei nº 6.494/1977, que dispõe sobre o estágio de estudantes de estabelecimentos de ensino superior e de 2º grau regular e supletivo: Art. 4º. As instituições de ensino regularão a matéria contida neste Decreto e disporão sobre: a) inserção do estágio curricular na programação didático pedagógica; b) cargahorária, duração e jornada de estágio curricular, que não poderá ser inferior a um semestre letivo; c) condições imprescindíveis, para caracterização e definição dos campos de estágios curriculares, referidas nos §§ 1º e 2º do artigo 1º da Lei nº 6.494, de 07 de dezembro de 1977; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.004681/200960 Acórdão n.º 2402004.335 S2C4T2 Fl. 7 11 d) sistemática de organização, orientação, supervisão e avaliação de estágio curricular. Art. 5º. Para caracterização e definição do estágio curricular é necessária, entre a instituição de ensino e pessoas jurídicas de direito público e privado, a existência de instrumento jurídico, periodicamente reexaminado, onde estarão acordadas todas as condições de realização daquele estágio, inclusive transferência de recursos à instituição de ensino, quando for o caso. Art. 6º. A realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza. § 1º O Termo de Compromisso será celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com a interveniência da instituição de ensino, e constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício. (g.n.) § 2º O Termo de Compromisso de que trata o parágrafo anterior deverá mencionar necessariamente o instrumento jurídico a que se vincula, nos termos do artigo 5º. § 3º Quando o estágio curricular não se verificar em qualquer entidade pública e privada, inclusive como prevê o § 2º do artigo 3º da Lei nº 6.494/77, não ocorrerá a celebração do Termo de Compromisso. Com isso, percebese que é necessário o Termo de Compromisso para a caracterização da inexistência de vínculo empregatício. Além disso, a Recorrente não demonstrou que os estagiários tinham seguro contra acidentes pessoais nem que eles cumpriam cargahorária (duração e jornada de estágio curricular) superior a um semestre letivo. É importante esclarecer que o seguro contra acidentes pessoais exigido pela Lei 6.494/1977 é requisito essencial para que o estagiário deixe de ser beneficiário do RGPS. O mesmo dispositivo, ao afastar o vínculo de emprego, preocupase com a previdência do estagiário contra os infortúnios a que se sujeita no ambiente de trabalho: Lei 6.494/1977: Art. 4º. O estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza e o estagiário poderá receber bolsa, ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada, ressalvado o que dispuser a legislação previdenciária, devendo o estudante, em qualquer hipótese, estar segurado contra acidentes pessoais. Com o advento da Lei 11.788, de 25/09/2008, foi estabelecido um novo regramento para a concessão de estágio de estudantes, e permaneceu como requisito da configuração de um estágio o seguro contra acidentes pessoais, podendo a obrigação ser assumida pela instituição de ensino interveniente: Lei 11.788/2008: Fl. 125DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Art. 3o O estágio, tanto na hipótese do § 1o do art. 2o desta Lei quanto na prevista no § 2o do mesmo dispositivo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, observados os seguintes requisitos: I matrícula e freqüência regular do educando em curso de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino; II celebração de termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino; III compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso. § 1o O estágio, como ato educativo escolar supervisionado, deverá ter acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, comprovado por vistos nos relatórios referidos no inciso IV do caput do art. 7odesta Lei e por menção de aprovação final. § 2o O descumprimento de qualquer dos incisos deste artigo ou de qualquer obrigação contida no termo de compromisso caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária. ......................................................................................................... Art. 9o. As pessoas jurídicas de direito privado e os órgãos da administração pública direta, autárquica e fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como profissionais liberais de nível superior devidamente registrados em seus respectivos conselhos de fiscalização profissional, podem oferecer estágio, observadas as seguintes obrigações: (...) IV contratar em favor do estagiário seguro contra acidentes pessoais, cuja apólice seja compatível com valores de mercado, conforme fique estabelecido no termo de compromisso; (g.n.) (...) Parágrafo único. No caso de estágio obrigatório, a responsabilidade pela contratação do seguro de que trata o inciso IV do caput deste artigo poderá, alternativamente, ser assumida pela instituição de ensino. Diante desse contexto fático, percebese, então, que a Recorrente não cumpriu todos os requisitos estabelecidos pela Lei 6.494/1977, vigente até 24/09/2008, quando foi revogada pela Lei 11.788, de 25/09/2008, tornando os valores pagos aos segurados empregados (designados pela Recorrente de estagiários) salário de contribuição previdenciária, a teor da regra estampada na alínea “t” do §9º do artigo 28 da Lei 8.212/91: Art. 28. (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Fl. 126DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.004681/200960 Acórdão n.º 2402004.335 S2C4T2 Fl. 8 13 i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; Constatase que o segurado empregado Eder Fulck, o qual a Recorrente alega à condição de estagiário, efetivamente ele foi estagiário em outra empresa (RIBAS CONSTRUTORA LTDA), distinta da Recorrente, conforme Termo de Compromisso de estágio e Aviso de Término de Estágio (fls. 57/58), no período de 15/08/2002 até 15/02/2003, tendo como participantes a Escola estadual Presidente Arthur Costa e Silva e a empresa concedente do estágio RIBAS CONSTRUTORA LTDA. Percebese ainda que o término desse estágio aconteceu em 15/02/2003 e a remuneração considerada como fato gerador do lançamento foi registrada na competência 05/2003, conforme comprovase no relatório de lançamento de fls. 13, do anexo I. Dentro do contexto fático e da alegação da caracterização de vínculo empregatício, em face do enquadramento de trabalhadores como segurados empregados, cumpre esclarecer que essa situação não configura como motivo do presente lançamento fiscal, eis que os valores apurados são decorrentes da verba paga a título de gratificação, esta evidenciada nas folhas complementares de pagamento (extra folha, nos controles financeiros apreendidos pelo Fisco), conforme documentos acostados aos autos (fls. 09/15 do Anexo I). A alegação de que a verba paga a título de gratificação não poderia ser qualificada como “salário”, porque não corresponderia a retribuição por serviços prestados e não foi expressamente ou tacitamente ajustada com o empregado, representando mero ato de liberalidade patronal, portanto desprovida de habitualidade, tal alegação também não merece ser acatada. Esse entendimento decorre do fato de que a verba designada de gratificação foi paga em folha complementar (por fora da folha normal, suplementar) e não foi devidamente registrada na contabilidade da Recorrente. Para tanto, o pagamento extra folha foi devidamente registrado no Relatório Fiscal (fls. 10/17) com os seguintes termos: “[...] 2. NARRATIVA DOS FATOS 2.1. As remunerações foram apuradas por aferição indireta, por não constar nas folhas de pagamento e, em razão da contabilidade da empresa não refletir a realidade dos lançamentos contábeis, conforme determina a legislação previdenciária e também as normas técnicas de contabilidade, estabelecidas pelo Conselho Federal de Contabilidade CFC. 2.2. Ao constatar, no exame da escrituração contábil e na análise dos elementos apresentados que a construtora não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, os salários de contribuições foram obtidos com base nos controles financeiros apreendidos pela Fiscalização, onde constam relacionados os valores líquidos das remunerações das folhas de pagamentos, bem como gratificações não incluídas em folhas de pagamentos. Este procedimento fiscal está amparado legalmente, conforme o disposto na Lei 8.212/91, abaixo transcritos: (...) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 2.2.1.1. Na visita in loco à empresa, constamos que os serviços administrativos de contabilidade e recursos humanos são realizados no prédio da empresa Ribas Construtora Ltda., que fica ao lado, tendo o Sr. Ivo José Ames, como Contador Departamento de Contabilidade, fone 33441121 e o Sr. Luciano da Silva Teixeira Departamento. de Recursos Humanos, fone 33441055: 2.2.1.2. Na análise foi possível constatar de que tratase de empresas familiares, pois o sóciogerente da C.C. Pavimentadora Ltda., Cristiano Lindner Ribas é filho do sócios gerentes Jandir dos Santos Ribas, CPF: 118.993.28068, CI 4005438355SSP/RS, e Marisa Lindner Ribas, Período: 08/05/1980 a 15/03/2006, CPF: 489.863.05020, CI 9013012597SSP/RS, residentes na Rua Desembargador Augusto Loureiro Lima, 141, apto.301, CEP 90470120, Bairro • Petrópolis, em Porto Alegre/RS; 2.2.1.3.Na ação fiscal desenvolvida na empresa Ribas Construtora Ltda. foram apreendidos documentos de controles financeiros de pagamentos de remunerações, em que constam também pagamentos a empregados da empresa C.C. Pavimentadora Ltda. Como nestes controles financeiros constam pagamentos realizados por fora das folhas de pagamentos, foram também utilizados para apuração de remuneração de segurados nesta empresa. (...) 2.2.3 . Na análise dos livros contábeis (Diário e Razão) verificamos que a conta 4.1.1.04.00122 Salários e Ordenados registra apenas os salários declarados nas folhas de pagamento, sendo omitidos os pagamentos de gratificações, além de pagamentos por fora (PF) discriminados em folha de pagamento suplementar, ficando caracterizada a exclusão de registro de fato contábil para encobrir fato gerador de contribuição previdenciária, numa demonstração inequívoca de que a escrituração não retrata a totalidade dos pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados. Por esta infração, foi lavrado auto de Infração. [...]” A materialidade dos fatos constantes no Relatório fiscal encontrase comprovada pelos documentos de fls. 41/57. A Recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial do gratificação alegando que é paga por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade (ganho eventual). Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer, eis que a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, ou anual, mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. Tanto ficou configurada a habitualidade que a Recorrente registrou os valores nos controles financeiros apreendidos pela Fisco (extra folha). Portanto, a habitualidade, no presente caso, resta caracterizada em decorrência da maneira com os valores foram disponibilizados para os segurados empregados: sem quaisquer registros na contabilidade da Recorrente (Livro Diário e Livro Razão) e registrados nos controles financeiros apreendidos pelo Fisco, os quais contêm os valores líquidos das remunerações das folhas de pagamentos e as gratificações não incluídas em folhas de pagamentos. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.004681/200960 Acórdão n.º 2402004.335 S2C4T2 Fl. 9 15 Como a remuneração decorrente da folha complementar (suplementar, controles financeiros apreendidos pelo Fisco) foi omitida da escrituração contábil, isso configura que os valores eram destinados a retribuir o trabalho, independentemente da sua forma de pagamento, a teor do inciso I do artigo 28 da Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10073.720342/2008-13
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ENTENDIMENTO AMPARADO NO DEVER DE COLABORAÇÃO DO CONTRIBUINTE COM A ADMINISTRAÇÃO, NO § 1º DO ART. 17-O DA LEI 6.938/91, E NO § 1º DO ART. 7 DO DECRETO 70.235/72.
A dedução das Áreas de Preservação Permanente das áreas tributáveis pelo ITR carece da protocolização de Ato Declaratório Ambiental anteriormente ao início da ação fiscal, tendo em vista a necessidade de o contribuinte observar o seu dever de colaboração com a administração tributária, e considerando o disposto no § 1º do art. 17-O da Lei nº 6.938/91, c/c o § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-003.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Vinícius Magni Verçoza e Julianna Bandeira Toscano que davam provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ENTENDIMENTO AMPARADO NO DEVER DE COLABORAÇÃO DO CONTRIBUINTE COM A ADMINISTRAÇÃO, NO § 1º DO ART. 17-O DA LEI 6.938/91, E NO § 1º DO ART. 7 DO DECRETO 70.235/72. A dedução das Áreas de Preservação Permanente das áreas tributáveis pelo ITR carece da protocolização de Ato Declaratório Ambiental anteriormente ao início da ação fiscal, tendo em vista a necessidade de o contribuinte observar o seu dever de colaboração com a administração tributária, e considerando o disposto no § 1º do art. 17-O da Lei nº 6.938/91, c/c o § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado.
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ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ENTENDIMENTO AMPARADO NO DEVER DE COLABORAÇÃO DO CONTRIBUINTE COM A ADMINISTRAÇÃO, NO § 1º DO ART. 17O DA LEI 6.938/91, E NO § 1º DO ART. 7 DO DECRETO 70.235/72. A dedução das Áreas de Preservação Permanente das áreas tributáveis pelo ITR carece da protocolização de Ato Declaratório Ambiental anteriormente ao início da ação fiscal, tendo em vista a necessidade de o contribuinte observar o seu dever de colaboração com a administração tributária, e considerando o disposto no § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938/91, c/c o § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Vinícius Magni Verçoza e Julianna Bandeira Toscano que davam provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 03 42 /2 00 8- 13 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) – DRJ/BSB, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) exigindo crédito tributário no montante total de R$ 46.546,01 relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda São Jorge/1", com área declarada de 488,3 ha e cadastrado na Receita Federal do Brasil sob o NIRF 2.323.7880, localizado no Município de Piraí/RJ. O lançamento glosou, por falta de comprovação, a área declarada na DITR (Declaração do Imposto Territorial Rural) do exercício 2004 como sendo de preservação permanente de 250,0 ha, e rejeitou o Valor da Terra Nua (VTN) informado, arbitrandoo com base no VTN/ha médio, apontado no Sistema de Preço de Terras (SIPT). No relatório da decisão atacada consta assim descrito o teor da impugnação vertida pela contribuinte: Cientificada do lançamento, em 02/10/2008 (AR/cópia de fls. 166), a interessada protocolou sua impugnação, em 29/10/2008, anexada às fls. 81/87, instruída com os documentos/extratos de fls. 91, 92, 93/105, 106/107, 108/113, 114, 115/116, 117/118, 119/132, 136, 137/139, 140, 141, 142, 144, 146, 148, 150, 152/154, 155/156, 158, 160/161, 163 e 164/165. faz um breve relato dos fatos relacionados com a presente Notificação de |Lançamento; a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental – ADA junto ao IBAMA é contraditória à Lei 9.393/96, e destituída de qualquer embasamento legal; essa exigência, imposta por ato administrativo da Receita Federal, para fins de isenção das áreas ambientais do ITR, fere direito líquido e certo dos proprietários rurais, constituindo patente ilegalidade; ainda que por hipótese seja considerada legal, a falta de entrega do ADA não é fato gerador do ITR sobre as áreas ambientais do imóvel; o ADA é um simples formulário burocrático, no qual o próprio produtor rural, sem a participação do órgão competente, realiza o seu preenchimento, ficando sob sua responsabilidade o conteúdo das informações prestadas; a Lei 4.771/65 (citada na Lei 9.393/96) foi exaustiva na definição das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que inviabiliza exigir, por meio de ato administrativo, qualquer tipo de documento para definir o que a Lei já dispôs. Muito menos, se a própria Lei não admitiu expressamente tal exigência; com o advento da Medida Provisória 2.16667, de 24/08/2001, a questão restou definitivamente superada, posto que passou a constar do art. 10 da Lei 9.393/96, o disposto no criado § 7º, que transcreve, ficando tais áreas dispensadas de prévia comprovação por parte do declarante; Fl. 290DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10073.720342/200813 Acórdão n.º 2802003.207 S2TE02 Fl. 290 3 enfim, de acordo com a citada legislação, NÃO É NECESSÁRIA A OBTENÇÃO DE QUALQUER ESPÉCIE DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA RELATIVA ÀS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL, INCLUINDOSE AÍ O ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL; não aplicar tal dispositivo (§ 7º do art. 10 da Lei 9.393/96) aos lançamentos já efetuados, contraria o disposto no art. 106, II, alínea “c” do CTN; mesmo não sendo necessário, para comprovar a área de preservação permanente declarada, estimada em 250,0 ha, providenciou a protocolização junto ao IBAMA do referido ADA, em 26/09/2007, só retificando após vistoria técnica no imóvel, para 275,0 ha, em 18/01/2008; justifica a não apresentação, naquela primeira oportunidade, dos laudos então exigidos, instruindo a sua defesa com o Laudo de Avaliação elaborado pelo engº agrônomo Carlos Patrício, em janeiro/2008, confirmado e aceito pelo autuante, mediante o qual foi apurado VTN de R$ 883.875,30, utilizado para lançamento do imposto do exercício de 2004; apresenta, mais uma vez o Laudo de Vistoria elaborado pelo engº florestal Evandro da Silva Batista, em janeiro/2008, também confirmado pelo Auditor Fiscal; em relação aos dois ADA apresentados, o primeiro com a área de preservação permanente de 250,0 ha e, o segundo, com a área alterada para 275,0 ha, apurada após vistoria técnica no imóvel, alega o Auditor Fiscal que não foi apresentado para o ano de 2004; assim, o Auditor Fiscal acatou Laudo de Avaliação e de Vistoria Técnica, elaborados em 01/2008 para apurar o imposto em 2004, porque não aceitar o ADA protocolado em 09/2007 para o mesmo exercício de 2004; invocando o princípio da razoabilidade, demonstra o cálculo do imposto que entende devido, considerada a área de preservação permanente de 275,0 ha, e demais alterações decorrentes; que o grau de utilização deverá ser diminuído e sem que a tributação do ITR deverá ter por base o VALOR DA TERRA NUA E NÃO O VALOR DA TERRA NUA TRIBUTÁVEL QUE GERA O INCENTIVO DEMINUINDO O VALOR A RECOLHER, E por fim, devidamente comprovada, por meio de laudos técnicos, a área de preservação permanente e o VTN do imóvel, espera que a presente impugnação seja acolhida, reformulando o cálculo do imposto devido e cancelandose a presente notificação. A instância de primeiro grau, considerando não impugnada expressamente a matéria relativa ao VTN, consubstanciou seu entendimento no acórdão assim ementado: DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Exigese que as áreas de preservação permanente, para fins de exclusão do cálculo do ITR, sejam objeto do Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado tempestivamente no IBAMA. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 27/3/2013, juntando documentos e aduzindo as seguintes razões, a seguir sumarizadas: trouxe na impugnação laudo técnico de vistoria, elaborado por profissional habilitado confirmando a existência de 275,0 ha de área de preservação permanente; nos termos do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96, a declaração para fins de isenção do ITR não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, do que se conclui que tal norma não do contribuinte não está obrigado a entregar o ADA como condição para o gozo da isenção, citando decisões administrativas e judiciais que iriam nesse sentido; a exigência de ADA é obrigação acessória, não autorizando sua falta de entrega a glosa das Áreas de Preservação Permanente (APP) existentes no imóvel; a natureza da ADA é declaratória, permitindo que o IBAMA ratifique as áreas declaradas como de reserva legal e preservação permanente, validando a sua retirada da base de cálculo do ITR, devendo assim ser interpretado o art. 17O da Lei nº 6.938/81, e o § 4º do art. 10 do Decreto nº 4.382/02; na ausência da ratificação pelo IBAMA, laudo técnico emitido por engenheiro competente permite tal ratificação, atestando a veracidade das informações, em consonância com o princípio da verdade material; a existência das áreas de preservação permanente, conforme o art. 2º da Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), prescindem de qualquer declaração do poder público; o prazo para entrega do ADA foi previsto em mera Instrução Normativa da RFB e/ou art. 10, § 3º do Decreto nº 4.382/02, não tendo amparo legal; o laudo técnico apresentado comprova, com detalhes e cabalmente, o enquadramento da área tratada como APP; traz decisões administrativas e judiciais que, entende, respaldam seus argumentos. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A exigência do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para fins de reconhecimento da isenção do ITR encontrase no § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 (Lei da Política Nacional do Meio Ambiente), com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10073.720342/200813 Acórdão n.º 2802003.207 S2TE02 Fl. 291 5 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (...) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. §§ 2º a 5º (omissis) Tratase, portanto, de exigência assentada em lei, e ainda que a notificada considere revestirse aquela do caráter de obrigação acessória, tal conclusão não favorece suas pretensões, pois os parágrafos únicos dos arts. 175 e 194 do Código Tributário Nacional (CTN) são bastante claros acerca da necessidade dos contribuintes cumprirem obrigações acessórias, ainda que eventualmente não estejam obrigadas ao pagamento do tributo. Nesse sentido, temse o entendimento tanto do Supremo Tribunal Federal (RE nº 250.844/SP, DJe de 19/10/2012), quanto da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (EDcl nos EDcl no REsp nº 1.116.792/PB, DJe de 6/9/2012), em julgamento do qual se transcreve o seguinte excerto de ementa: Afirmouse que os deveres instrumentais, previstos na legislação tributária, ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam, inclusive, as pessoas físicas ou jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal, ex vi dos arts. 175 e 194, parág. único do CTN; Dessarte, não há impedimento normativo para que a não tributação das APP pelo ITR esteja condicionada ao cumprimento de deveres formais, já que mesmo situações versando sobre imunidade, matéria de índole constitucional, podem assim restar limitadas. Asseverese, por outro lado, que a eventual dispensa de comprovação prévia relativa às áreas de interesse ambiental, conforme o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.9363, de 13 de dezembro de 1996, alude ao fato de que o contribuinte não tem de municiar o Fisco, quando da entrega da DITR, dos elementos probatórios que amparam as deduções pleiteadas, como sói acontecer com os tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Porém, uma vez sob procedimento fiscal, cabe ao contribuinte trazêlos para atestar o cumprimento das condições legais, de modo que possa excluir as áreas ambientais declaradas da incidência do ITR; nesse sentido, outrossim, o disposto no art. 10, § 3º, I, do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002. E, ainda que se reconheça a existência de decisões do STJ em sentido diverso do acima compartilhado, o fato é que estas, quando afastaram a tributação das APP pelo gravame contestado, não o fizeram ao lume do disposto no § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938/81. Portanto, na ausência de disposição normativa que imponha a observância a tais decisões por parte dos membros deste Colegiado, delas dissinto, por entender não perfilarem o melhor entendimento da questão ao não abordarem os efeitos daquela prescrição legislativa sobre a matéria. Nessa linha, vale também registrar que não está sob discussão se a existência das áreas de preservação permanente, conforme o art. 2º da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), prescindem ou não de declaração do poder público, mas sim dos requisitos para que áreas do gênero possam ser excluídas da tributação pelo ITR. Com efeito, Fl. 293DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 as repercussões tributárias dessa existência carecem de normatização própria, que ultrapassa a esfera da legislação estritamente ambiental. Noutro giro, é inegável que a entrega do ADA visa possibilitar ao IBAMA a verificação das informações prestadas pelos contribuintes em suas DITR, até mesmo porque aquele órgão é que dispõe de estrutura operacional e técnica apta a checar, in loco, as feições reais do imóvel e cotejálas a descrição contida naquela declaração. Assim, entregue o ADA conforme respectivo protocolo, há uma presunção relativa de que as áreas ali consignadas possuem, sendo o caso, interesse para fins de preservação dos sistemas ecológicos, permitindo a sua dedução da área tributável do imóvel. Ulterior fiscalização ambiental, entretanto, pode constatar a falta de correção das informações prestadas no ADA e na DITR, do que se dará a devida ciência à RFB. Dessa premissa, contudo, não se pode inferir, como equivocadamente cogita a contribuinte, de que ausência dessa "ratificação" por parte da fiscalização do IBAMA poderia ser "suprida" por laudo técnico particular, de lavra de engenheiro ambiental. A legislação prevê a fiscalização pelo IBAMA não só pelo inegável expertise que os técnicos desse órgão possuem na matéria, mas também pelo fato de que as vistorias e verificações por eles realizadas são levadas a efeito por agentes públicos, no exercício de suas competências funcionais. Nesse contexto, não há como aceitar, com base no princípio da verdade material, que o laudo pericial trazido pela contribuinte possa preencher a exigência legal do ADA. Esse princípio não pode preponderar na espécie, porquanto estabelecida pelo próprio legislador regra visando preservar o interesse público mediante a perspectiva de que um ato ou procedimento administrativo, promovido por órgão ambiental, venha a aferir a conformidade do conteúdo da DITR com a realidade dos fatos e com as normas de regência. Quanto ao prazo para apresentação do ADA, cabe asseverar, primeiramente, que não é matéria afeta à lei a fixação de prazo para o cumprimento de obrigações acessórias; por exemplo, o prazo para a entrega de declarações tais como DCTF e DIPJ costumam ser fixados, periodicamente, por meio da edição de Instruções Normativas da RFB, normas de caráter regulamentar exaradas com fulcro nos arts. 100, I do CTN, e 16 da Lei nº 9.779, de 10 de janeiro de 1999. Desta sorte, ainda que a disciplina do ADA enquanto documento a ser preenchido e entregue à administração federal seja de competência do IBAMA, não vislumbro óbices para que os efeitos tributários sejam atribuídos somente aos ADAs entregues dentro de um determinado prazo, definido por ato infralegal da RFB. Não obstante tais considerações, convém ponderar que o mero fato de a entrega do ADA ter se dado a destempo não configura motivo suficiente, por si só, para limitar o direito do contribuinte ao gozo da isenção a que faz jus no que diz respeito ao ITR. Poderia ensejar, por exemplo, a imposição de sanção pela protocolização do documento fora do prazo previsto, mas não a impossibilidade de se deduzir, da base de cálculo do imposto, as áreas preservadas. Vale lembrar que o art. 2º, caput, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, impõe à administração pública o dever de observância dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, sendo que o seu inciso XIII prescreve que nos processos administrativos Fl. 294DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10073.720342/200813 Acórdão n.º 2802003.207 S2TE02 Fl. 292 7 serão observados os critérios de interpretação da norma administrativa da forma que melhor atender o fim público a que se dirige. Destaquese, entretanto, que tais assertivas não favorecem ao contribuinte que infringe seu dever de colaboração para com a administração tributária, apresentando o ADA não só de maneira intempestiva, como também tão somente após premido pelo início de ação fiscal em seu desfavor, momento em que já não está abrigado pelo benefício da espontaneidade, nos termos do § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72. No particular, a contribuinte colacionou ao processo ADAs do exercício 2007 às fls. 111/112, transmitidos via internet e recepcionados pelo IBAMA em 26/9/007 e 18/1/2008, contemplando APP de 250,0 ha e 275,0 ha, respectivamente; ou seja, depois do início do procedimento fiscal o qual se deu em 17/9/2007 (fls. 9/12), não sendo possível, consequentemente, sua aceitação para fins de comprovação das APP relativamente ao ano calendário 2003. Ademais, os ADAs apresentados a partir do exercício de 2007 como no caso em tela são válidos apenas para o exercício em vigor, devendo ser tal apresentação realizada anualmente até 30 de setembro do anocalendário, forte no disposto no art. 9º da IN Ibama nº 96, 30 de março de 2006, e posteriores arts. 6º e 7º da IN Ibama nº 5, 25 de março de 2009. O prazo para sua retificação, segundo essas normas, estendese até 31 de dezembro. Por conseguinte, eventuais retificações realizadas do exercício 2007 em diante possuem o escopo limitado de modificar as informações constantes nos ADAs relativos aos mesmos respectivos exercícios, não tendo o efeito retroativo a períodos passados, como pretende a contribuinte. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 295DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 16636.000085/2008-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 11/12/2003 a 12/12/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA ALTERADA EM RAZÃO DE JULGAMENTO DO STF. INCLUSÃO NO REFIS.
Não há que se conhecer do Recurso Voluntário, quando o próprio Recorrente admite que não tem efetivamente direito ao crédito e que sua intenção era ingressar em parcelamento especial, fazendo pedido nesse sentido, inovando, pois, a discussão.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3403-003.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da Turma), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista (relator) e Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 11/12/2003 a 12/12/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA ALTERADA EM RAZÃO DE JULGAMENTO DO STF. INCLUSÃO NO REFIS. Não há que se conhecer do Recurso Voluntário, quando o próprio Recorrente admite que não tem efetivamente direito ao crédito e que sua intenção era ingressar em parcelamento especial, fazendo pedido nesse sentido, inovando, pois, a discussão. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/12/2003 a 12/12/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA ALTERADA EM RAZÃO DE JULGAMENTO DO STF. INCLUSÃO NO REFIS. Não há que se conhecer do Recurso Voluntário, quando o próprio Recorrente admite que não tem efetivamente direito ao crédito e que sua intenção era ingressar em parcelamento especial, fazendo pedido nesse sentido, inovando, pois, a discussão. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. Luiz Rogério Sawaya Batista Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 63 6. 00 00 85 /2 00 8- 55 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da Turma), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista (relator) e Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório Tratase de pedido de compensação de crédito de IPI, decorrente da aquisição de insumos tributados empregados na industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, com suporte em decisão judicial, processo n 2000.71.10.0045186, para a compensação de débitos da COFINS. A DRF, em Pelotas, não homologou as compensações, sob o fundamento de que a legislação não contempla a hipótese de compensação anteriormente ao trânsito em julgado, nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade argumentando que a compensação tem suporte em decisão de 2 instância, atacada pela interposição de Recurso Extraordinário, recebido somente com efeito devolutivo, e que a referida decisão teria autorizado a compensação dos créditos pleiteados com outros débitos para com a União Federal, sem condicionar tal utilização ao trânsito em julgado da sentença. Defende ainda que a limitação à compensação não se aplica às ações judiciais interpostas antes da entrada em vigor do artigo 170A do CTN, ocorrida em 10 de janeiro de 2001. Também encontrase apenso ao presente processo, o processo 16641.000162/200806, que tem por objeto lançamento de multa isolada de 75%, pela compensação indevida, com a utilização de crédito decorrente de ação judicial ainda não transitada em julgado, tendo por fundamento legal o artigo 18, parágrafo 2 , da Lei 10.833. A Recorrente apresentou Impugnação contra esse lançamento, em que repete a sua argumentação de que a compensação se deu de forma legítima. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que o artigo 170A do Código Tributário Nacional não diferencia a decisão judicial da qual tenha sido emanada a ordem de compensação, exigindo o trânsito em julgado da ação para ela ser realizada. A Decisão menciona que o artigo 74 da Lei n 9.430/1996 também dispõe sobre a compensação de crédito judicial transitado em julgado, e o artigo 37 da Instrução Normativa n 210/2002. Ressalta a Decisão que as compensações realizadas antes do trânsito em julgado não encontrariam amparo no próprio acordão, que não a teria excepcionado, e por essa razão a Recorrente prestou declaração falsa ao preencher sua PER/DCOMP informando que a decisão judicial teria transitado em julgado em 08 de maio de 2003, eis que o processo encotnrava no Supremo Tribunal Federal em decorrência do Recurso Extraordinário n 398.186, pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Menciona a Decisão que o referido RE foi submetido ao regime da repercussão geral, vinculado ao julgamento do Recurso Extraordinário n 562.980/SC, ocorrido em sessão de 06 de maio de 2009, que decidiu, por maioria, que no período anterior à vigência Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 16636.000085/200855 Acórdão n.º 3403003.289 S3C4T3 Fl. 6 3 da Lei n 9.779/1999, não haveria direito ao aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da entrada de insumos quando o produto final for isento do tributo sujeito à alíquota zero. Relativamente ao lançamento da multa isolada, a DRJ decidiu que com base no artigo 18 da Lei n 10.833/2003 devese aplicar a multa isolada, quando o débito não seja passível de compensação por expressa disposição legal, e, em sua visão, foi exatamente isso o que ocorreu, e concluiu pela manutenção da cobrança da multa. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário defendendo que sua compensação foi realizada de forma legítima e, por essa razão, não poderia ter sido apenada, visto que a compensação se refere a processo ajuizado antes da alteração do artigo 170 do Código Tributário Nacional, que passou a valer apenas a partir de 10 de janeiro de 2001, com base em decisão do Superior Tribunalo de Justiça (AgRg no Agravo de Instrumento n 872.309 SP). A Recorrente ainda argumentou fato novo, consistente no fato de que com o julgamento, pelo STF, da impossibilidade de creditamento, ela procurou parcelar todos os valores decorrentes do processo administrativo, mas apenas foram disponibilizados os valores relativos à multa isolada. E advoga que parcelado o valor da multa isolada não haveria qualquer lógica em não se autorizar o parcelamento do presente processo, que trata das compensações declaradas que foram indicadas de forma expressa ao parcelamento. Assim, requer que o Conselho determine a legalidade da compensação realizada, devido à irretroatividade do artigo 170A do CTN, e a inclusão do débito contido no presente processo no parcelamento da Lei n 11.941/2009. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista Realmente, analisando os documentos dos autos, verificase que a Ação Judicial proposta pela Recorrente data de 16 de outubro de 2000, data que é anterior ao obstáculo previsto no artigo 170A do Código Tributário Nacional, conforme jurisprudência pacífica do STJ "... 5. Por fim, é entendimento pacífico da Primeira Seção desta Corte que o disposto no art. 170A do CTN, a exigir o trânsito em julgado para fins de compensação de crédito tributário, somente se aplica às demandas ajuizadas após a vigência da LC Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 104/01, ou seja, a partir de 11.01.2001, o que se verifica na espécie. Nesse sentido: AgRg no REsp. 1.240.038/PR, Rel. Min. OG FERNANDES, DJe 02.05.2014 e AgRg no REsp. 1.429.680/SC, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 28.03.2014, dentre outros." AgRg nos EDcl no REsp 1202553 / PR AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL2010/01353870 Dessa forma, não havia obstáculo legal para a compensação realizada pela Recorrente, que havia obtido ordem judicial para tanto, e estava, pois, apta a realizar a compensação por sua conta e risco. Ou seja, alterado o curso de sua ação, como efetivamente ocorreu, a Recorrente teria que recolher aos cofres públicos as quantias indevidamente compensadas, acrescidas de juros, conforme o caso. No presente processo, a Recorrente informa que efetuou o parcelamento da multa isolada que lhe foi aplicada e que pretendia parcelar a quantia principal, mas que esta não foi liberada pela Receita Federal do Brasil e, por isso, alegando fato novo requer que este Colegiado profira julgamento sobre a matéria, determinando a sua inclusão no parcelamento da Lei n 11.941/2009. A Recorrente não chega a fazer pedido expresso de desistência de seu Recurso, mas acaba inovando, pois admite que não teria direito ao crédito pleiteado em decorrência de julgamento do Supremo Tribunal Federal e, ao final, requer a sua inclusão no Refis, alegando equívoco da Receita Federal do Brasil. Não consta nos autos o porquê efetivamente a Recorrente não conseguiu incluir tal crédito no parcelamento, tendo feito o parcelamento da multa isolada que lhe foi aplicada, mas tal matéria refoge ao âmbito do presente processo, que, ao meu ver, perdeu seu objeto ante o julgamento do Supremo Tribunal Federal e o reconhecimento, pela própria Recorrente, que não teria direito ao crédito pleiteado. A Recorrente, como observado anteriormente, tinha direito a realizar a compensação, mas esta não tendo sido feito e iniciado o processo administrativo, com a superveniência de decisão contrária do STF e a admissão da Recorrente, não faz nenhum sentido julgar acerca da compensação, posto que inexiste crédito. No tocante ao ingresso do débito no Refis, a Recorrente deverá adotar a própria para que seu apela seja considerado, visto que neste processo administrativo não se julga a suposta negativa de ingresso no Refis, mas sim o procedimento de compensação. Ante o exposto, não conheço do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 16636.000085/200855 Acórdão n.º 3403003.289 S3C4T3 Fl. 7 5 Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
score : 1.0
Numero do processo: 18186.000180/2007-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1996 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. Art. 173, I, DO CTN. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF.
É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias.
ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 173, I do CTN, vencidos os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam a regra de decadência no artigo 150, §4º do CTN. Apresentará voto vencedor Ana Maria Bandeira.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Ana Maria Bandeira Redatora designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/1996 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. Art. 173, I, DO CTN. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 173, I do CTN, vencidos os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam a regra de decadência no artigo 150, §4º do CTN. Apresentará voto vencedor Ana Maria Bandeira. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Ana Maria Bandeira Redatora designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1606; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 219 1 218 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18186.000180/200749 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.344 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. Recorrente ALBATROZ SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1996 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. Art. 173, I, DO CTN. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 01 80 /2 00 7- 49 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 173, I do CTN, vencidos os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam a regra de decadência no artigo 150, §4º do CTN. Apresentará voto vencedor Ana Maria Bandeira. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Thiago Taborda Simões – Relator Ana Maria Bandeira – Redatora designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18186.000180/200749 Acórdão n.º 2402003.344 S2C4T2 Fl. 220 3 Relatório Tratase de crédito lançado (NFLD DEBCAD n° 35.580.3810) contra a empresa Albatroz Segurança e Vigilância Ltda., identificado no montante de R$ 80.218,47 (oitenta mil duzentos e dezoito reais e quarenta e sete centavos), consolidado em 27/06/2003. De acordo com o relatório fiscal de fls. 31/33: As contribuições devidas correspondem à parte patronal, desconto dos segurados, financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas aos terceiros, relativas ao período de 10/96 a 12/98. Os fatos geradores referemse a remunerações pagas aos segurados empregados, relativas a acordos/processos trabalhistas, apuradas por meio da verificação dos livros contábeis da empresa; A empresa, embora devidamente notificada, por meio de TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, datado de 27/03/2003, deixou de apresentar a documentação pertinente aos processos trabalhistas, o que gerou a lavratura do auto de infração n. 35.510.6787. Inconformada, a Recorrente apresentou impugnação (Fls. 35/54) acompanhada de documentos (Fls. 55/115) alegando, em síntese: Que não poderia prosperar a ação fiscalizadora, pois não alicerçada em princípios que regem sua exatidão, liquidez e certeza; Que o fisco não poderia se utilizar de métodos unilaterais não fundados em lei; Que a autuação tornouse abusiva e inválida; Que há afronta aos princípios da legalidade, verdade material, investigação e oficialidade; Que a taxa Selic não deveria ser aplicada sobre contribuições ao SESC, SENAC e SEBRAE. Em 09/01/2006, foram os autos baixados em diligência fiscal. Referida diligência resultou em despacho (Fls. 173/174) no qual a autoridade fiscal informa que a empresa apresentou contratos de prestação de serviços, notas fiscais, todas as folhas de pagamento mês a mês e demais documentos solicitados; documentos referentes aos processos/acordos trabalhistas; documentos contábeis e os respectivos livros diários e que, ao final, foi verificado que a empresa era filiada a Sindicato favorecido por liminar cujo tero desobriga ao recolhimento das contribuições decidas ao SESC/SENAC. Em análise ao despacho da autoridade fiscal, a DRJ/SPO julgou necessária realização de nova diligência fiscal, sob o fundamento de que foram verificados recolhimentos Fl. 323DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 não apropriados ao processo e que, tendo sido apresentados novos documentos, deveria o fiscal verificar os valores exatos a serem objeto de autuação, deduzindo aqueles que por ventura já tenham sido pagos. Em face da decisão de nova diligência e intimação para apresentação de documentos, a empresa Recorrente apresentou manifestação (Fls. 191/194) baseada exclusivamente em alegações de decadência e prescrição do crédito lançado. Não houve apresentação dos documentos solicitados (Fls. 204). A DRJ/SPO se manifestou novamente (Fls. 217/225) determinando a realização de terceira diligência, na tentativa de tomar ciência dos documentos referentes à autuação em comento. Além disso, no que tange à pretensão da ora Recorrente em relação à decadência e prescrição do crédito previdenciário, a DRJ acolheu parcialmente para reconhecer a decadência dos créditos tributários de competência de 10/1996 a 11/1997. Iniciada a diligência (Fls. 218/219), a empresa Recorrente apresentou nova manifestação (Fls. 221/222) reiterando os termos da manifestação anterior para que fosse declarada decadência ou prescrição do crédito previdenciário e, ainda, alegando que a documentação já apresentada era suficiente. Não foram novamente apresentados os documentos solicitados (Fls. 224/226). Não havendo manifestação do contribuinte quanto ao Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal (TEPF), os autos foram encaminhados à DRJ/SP, a qual prolatou acórdão (Fls. 235/253) reconhecendo a regularidade do procedimento fiscal em discussão e mantendo em parte o crédito tributário, em razão do reconhecimento da decadência de parte do crédito tributário. Contra o acórdão foi interposto o Recurso Voluntário (Fls. 265/302) ora apreciado, no qual a Recorrente argumenta, em síntese, que: Em preliminar Houve cerceamento de defesa, uma vez que a Autoridade em momento algum comprova ou demonstra, mediante juntada de documentos, quais seriam as diferenças de apuração que deram origem ao lançamento suplementar efetuado; O lançamento é nulo por falta de vinculação, já que não comprovada a existência efetiva de serviços de mão de obra entre as empresas; Houve afronta ao princípio da verdade material, pois o lançamento não se pautou em documentos, mas sim em presunção da Autoridade Fiscalizadora; Todos os débitos em discussão encontramse fulminados pela decadência e, portanto, devem ser cancelados. No mérito Não há fato gerador que possa resultar em incidência de contribuições previdenciárias, pois os valores utilizados por base de cálculo referemse a todos os valores pagos aos funcionários e não exclusivamente àqueles pagos a título de acordo ou ação trabalhista; É ônus da fiscalização a comprovação dos valores a serem utilizados como base de cálculo. Não poderia esta se basear no valor total de cada um dos acordos, mas sim efetuar descontos das verbas que não compõem a base de calculo das contribuições previdenciárias; Fl. 324DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18186.000180/200749 Acórdão n.º 2402003.344 S2C4T2 Fl. 221 5 Houve inclusão de valores indevidos na base de cálculo do crédito exigido; Seria indevida a multa aplicada, uma vez que não houve infração. Inconstitucional a cobrança de juros superiores a 12% ao ano Por fim, requereu que fosse reconhecida a nulidade/improcedência do auto de infração, bem como das DEBCADs deste decorrentes e o conseqüente cancelamento dos correspondentes créditos tributários; Alternativamente, requereu a exclusão das multas e não aplicação de juros à taxa SELIC. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação do Recurso. É o relatório. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Vencido Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminarmente A notificação foi lavrada em 27/06/2003, tendo o contribuinte tomado ciência da mesma, via AR (Fls. 34), em 07/07/2003, contemplando o período de 10/1996 a 12/1998. Sendo observado que houve recolhimento parcial (Fl. 31) dos valores supostamente devidos e a inexistência de dolo, fraude ou simulação, aplicarseá ao presente feito o que dispõe o art. 150, § 4°, do CTN, que determina: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Assim, o prazo decadencial tem sua contagem iniciada da ocorrência do fato gerador. É o entendimento deste Tribunal em casos semelhantes: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003. COFINS E PIS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O termo inicial do prazo de decadência para lançamento do PIS é a data do fato gerador, no caso de haver pagamentos antecipados, ou o primeiro dia do exercício de sua ocorrência, em caso contrário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, Proc. n° 10530.001265/200422, Terceira Câmara/Terceira Seção De Julgamento, Acórdão n° 3302 001.627, Sessão de 24/05/2012) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Existindo pagamento antecipado, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN, decai em 5 anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, o direito de a Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, Fl. 326DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18186.000180/200749 Acórdão n.º 2402003.344 S2C4T2 Fl. 222 7 crédito tributário de PIS. Súmula Vinculante no 8, do STF. CRÉDITOS APURADOS DE OFÍCIO PELA FISCALIZAÇÃO. UTILIZAÇÃO. O pagamento a maior, ou indevido, feito no período fiscalizado e apurado pela Fiscalização, deve ser compensado pela autoridade fiscal lançadora, desde que disponível para alocação nos sistemas da RFB, com débitos apurados nos períodos fiscalizados e posteriores ao do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, Proc. n° 10725.001887/0041, Terceira Câmara/Terceira Seção De Julgamento, Acórdão n° 3302001.601, Sessão 24/05/2012) Destarte, já reconhecida em sede de acórdão da DRJ SP I decadência parcial do crédito previdenciário referente aos exercícios de 10/1996 a 11/1997, necessário o reconhecimento da decadência dos débitos previdenciários referentes às competências de 12/1997 a 06/1998. No Mérito Analisando os autos, verificase que diante das inconsistências vislumbradas quando da atividade fiscalizatória, a Recorrente foi notificada, por mais de uma vez, a apresentar os documentos entendidos pela autoridade como necessários ao saneamento das divergências localizadas. Em não sendo cumpridas estas notificações, o Fisco decidiu por aferir indiretamente os créditos tributários em aberto. Todavia, ainda que a Recorrente não tenha apresentado os documentos solicitados para esclarecer quais valores efetivamente se referem a acordos e ações trabalhistas, isto não dá ao fisco a liberdade de entender pela ocorrência do fato gerador sem qualquer indício de que tenha ocorrido. No que diz respeito às rubricas nas quais não se verifica a natureza de acordo, não está descrita no relatório qualquer evidência que demonstre a concretude dos valores lançados como sendo decorrentes de acordos/ações judiciais, limitando se a autoridade fiscal a deduzir tais valores em razão da não apresentação de documentos. Vale dizer que, mesmo que não houvesse documentos para elucidar os lançamentos contábeis apresentados pela empresa, o fisco tem o dever de caracterizar a ocorrência do fato gerador, trazendo aos autos elementos de convicção da existência do mesmo. Ainda, quanto ao mérito, para a constituição do crédito tributário o art. 142 do Código Tributário Nacional prevê que deve ser verificada a ocorrência do fato gerador e determinada a matéria tributada. O fato gerador da obrigação principal é definido pelo art. 114 do CTN como sendo “a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência”. Para que se considere o fato gerador ocorrido, por sua vez, devem estar presentes as circunstâncias materiais necessárias ao surgimento da obrigação tributária (arts. 142 e 116, I, CTN). A verificação das circunstâncias materiais do fato gerador do tributo é parte essencial do procedimento administrativo de lançamento. A ausência dessas circunstâncias gera ao lançamento vício insanável. Nesse sentido têm sido os pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social: Fl. 327DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 “EMENTA: DIREITO PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – NOTIFICAÇÃO – RELATÓRIO FISCAL – CLAREZA E PRECISÃO DOS FATOS GERADORES. A omissão da discriminação clara e precisa dos fatos geradores que ensejaram na Notificação Fiscal quando da elaboração do relatório fiscal gera vício insanável, acarretando a nulidade do ato. Avocatória conhecida por infringência de dispositivo legal.” (Parecer n° 1.747/99, Referência NFLD 32.145.6971) No caso em análise, foram considerados fatos geradores, além daqueles que efetivamente dizem respeito a acordos e ações trabalhistas, valores localizados nos livros contábeis da Recorrente sem qualquer referência a ações judiciais ou acordos, não restando demonstrada a ligação entre os valores apontados e a circunstância material necessária ao surgimento da obrigação tributária. Versando o lançamento exclusivamente sobre verbas decorrentes de acordos e ações trabalhistas, a efetiva ocorrência destas circunstâncias deveria estar cabalmente demonstrada no relatório fiscal. No caso, ao realizar atividade fiscalizatória, deveria o Fiscal comprovar, quando do lançamento, a natureza de todos os valores dados como pagos aos funcionários no período da autuação, uma vez que, ante a inexistência de documentos para comprovar a razão desses pagamentos, não pode o Fisco simplesmente imputar a ocorrência de um fato gerador. Todavia, como se pode verificar do Relatório Fiscal de fls. 31/33, a descrição da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária é abstrata em relação a alguns pagamentos, não trazendo qualquer elemento de convicção quanto à efetiva ocorrência do fato gerador. A simples suposição da existência de serviços não é suficiente como suporte para o lançamento. É necessário o cotejamento da situação fática com as características definidas pela norma como hipótese de incidência. A subsunção fática à regra de incidência deve ser detalhadamente consignada no relatório fiscal a fim de possibilitar as garantias constitucionais à ampla defesa e ao contraditório. Violálas contamina o ato administrativo de lançamento com vício insuscetível de convalidação. Cabe, portanto, à Autoridade lançadora a motivação adequada de suas afirmativas (art. 50, II, Lei n° 9.784/99), possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no inciso LV, art. 5°, da Constituição Federal, qual seja o contraditório e a ampla defesa. Ainda, no âmbito do processo administrativo fiscal, o Decreto n° 70.235/1972 e, mais especificamente no que diz respeito às contribuições previdenciárias, a Portaria RFB n° 10.875/2007, prevêem a nulidade dos “despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa” (art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72 e art. 27, II, da Portaria RFB n° 10.875/07). Mais ainda, ao deixar de motivar o lançamento mediante apresentação de fatos que poderiam configurar acordos ou ações trabalhistas, a Autoridade fiscalizadora agiu contra o Princípio da Verdade Material, segundo o qual o processo fiscal tem por finalidade a garantia da legalidade da apuração do crédito tributário, devendo a conduta do Fiscal proceder no sentido de verificar se a hipótese abstratamente prevista na norma de direito material efetivamente ocorrera. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18186.000180/200749 Acórdão n.º 2402003.344 S2C4T2 Fl. 223 9 No presente caso, ao analisar a Notificação de Lançamento, impossível a verificação de ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias em relação a alguns dos valores tributados, razão pela qual se impõe a CONVERSÃO DO PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que sejam apurados os valores efetivamente devidos, apontados nos livros contábeis e relatório fiscal como sendo referentes a acordos trabalhistas, considerandose os valores antecipadamente pagos pela Recorrente durante o período fiscalizado e seus respectivos abatimentos do total do crédito tributário. Conclusão Por todo o supra exposto, conheço do recurso voluntário e converto o julgamento em diligência nos termos do voto. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Voto Vencedor Conselheira Ana Maria Bandeira – Redatora Designada Ouso divergir do Conselheiro Relator quanto ao período abrangido pela decadência. Após a edição da Súmula Vinculando nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91, o cômputo da decadência se dá pela observação das disposições do Código Tributário Nacional. Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre 10/1996 a 12/1998 e foi efetuado em 07/07/2003, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Fl. 330DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18186.000180/200749 Acórdão n.º 2402003.344 S2C4T2 Fl. 224 11 Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipação. Nesse sentido, aplicase o art. 173, inciso I do CTN, para considerar que estão abrangidos pela decadência os créditos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 11/1997, inclusive. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para reconhecer que ocorreu a decadência até 11/1997, pela aplicação do art. 173, Inciso I, do CTN. É como voto. Ana Maria Bandeira. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13808.001246/2002-25
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos.
Restando identificada a origem dos recursos, não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula CARF nº 61)
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que acolhiam a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 364.799,09. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada e Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Relator
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FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Tratase de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Restando identificada a origem dos recursos, não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 12 46 /2 00 2- 25 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 541 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula CARF nº 61) Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que acolhiam a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 364.799,09. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ/SPOII/SP. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado, em 24/06/2002, o Auto de Infração de fls. 331/333, acompanhado dos demonstrativos de apuração de fls. 329/330, que lhe exige crédito tributário no montante de R$609.545,75, correspondente ao imposto (R$268.415,94), multa proporcional (R$201.311,95) e juros de mora (R$139.817,86, calculados até 31/05/2002), relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 1999, anocalendário 1998. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 542 3 Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) (fls. 332/333), o procedimento teve origem na apuração de omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, junto ao Unibanco — União de Bancos Brasileiros SA e Banco Bradesco SA cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, não foram comprovados mediante documentação hábil e idônea, conforme Termo de Verificação anexo. (...) Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões encontramse detalhadamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 324/328). Cientificado do lançamento em foco, por via postal (AR com carimbo da unidade de destino em 24/06/2002 fl. 338), a interessada apresentou, em 24/07/2002, por intermédio de sua representante legal (fl. 344), a impugnação de fls. 339/343, instruída com os documentos de fls. 344/354, aduzindo o que se segue. Por um lapso, não entregou a declaração de imposto de renda referente ao anobase 1998, exercício 1999. Mas a falta de entrega de tal declaração não gera qualquer prejuízo ao fisco ou suscita indício de omissão de rendimentos, visto que são rendimentos isentos e não tributáveis no Brasil, já que a impugnante é viúva e o único rendimento que recebe é proveniente da indenização pela morte de seu marido, paga pela empresa para qual laborava quando residente na Argentina, chamado Plano de Seguro por morte. O único rendimento recebido pela impugnante é a aludida indenização paga pela empresa na Argentina e, também, os rendimentos decorrentes da aplicação no mercado financeiro desses recursos recebidos regularmente do exterior, que se operacionalizararn por meio de operação de câmbio com expressa aprovação do Banco Central do Brasil. Além do mais, a legislação fiscal brasileira trata como isentos os rendimentos provenientes de seguros ou pecúlios pagos por morte do segurado, conforme disciplina o inciso XLIII do art. 39 do RIR11999. Além da aludida disposição legal interna, há que se observar, ainda, a existência entre Brasil e Argentina do Tratado Internacional visando evitar a bitributação da renda e a manutenção da natureza jurídica da renda percebida nos dois países. O citado tratado foi aprovado pelo Decreto Legislativo 74/81 e regulamentado pelo Decreto 87.976/82, Portaria 22/83 e ADN 6/90. Assim, os rendimentos auferidos em um país contratante do Tratado Internacional é isenta de tributação no outro país Fl. 542DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 543 4 contratante do mesmo tratado, respeitandose a natureza jurídica dada ao rendimento pelo país onde o mesmo foi auferido. Resta induvidoso que a integralidade dos rendimentos recebidos pela impugnante de fontes estrangeiras tem natureza tributária de rendimento isento, pelo que, indevido o lançamento de imposto de renda sobre referido montante. Quanto à existência de alienação de imóvel no anocalendário de 1998 pela impugnante, decorrente de informação constante da DOI, esclarece que houve uma permuta entre imóveis. O imóvel de propriedade da impugnante localizado na Al. Ministro Rocha Azevedo, 932 — São Paulo, foi dado como parte de pagamento na aquisição do imóvel na R.Bela Cintra, 2349 — apt° 61 — São Paulo. Dita alienação não gerou qualquer tipo de lucro imobiliário para a impugnante, ensejador do pagamento de imposto sobre ganho de capital. Apresenta a declaração de ajuste anual, incluindo como rendimentos isentos e não tributáveis o valor de R$991.767,07, por terem sido determinados pela autoridade fiscal, no que se aplica o art. 149, inciso II, do CTN e junta a guia DARF do recolhimento da multa por atraso na entrega da declaração, de R$165,74. Por fim, protesta pelo prazo de 30 dias para a juntada dos documentos provenientes da empresa do exterior 'com a finalidade de comprovar a origem e natureza jurídica dos rendimentos recebidos e do Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda para a comprovação da permuta entre imóveis ocorrida, sem que houvesse lucro imobiliário. Requer, após a juntada dos elementos de prova pertinentes, que a presente impugnação seja julgada procedente, cancelandose o lançamento decorrente do auto de infração. Em 23/08/2002, a representante legal da impugnante, mediante petição de fls. 358/360, protocolou documentos comprobatórios da inexistência de lucro imobiliário na alienação do imóvel localizado na Al. Ministro Rocha Azevedo, 932— apt° 151 (fls. 361/384). Em 22/08/2003, a impugnante, por intermédio de sua procuradora, apresentou os esclarecimentos (fls. 395/399) e documentos relativos à movimentação de quantias em sua conta corrente, aduzindo que: I — Do rendimento recebido da Argentina A contribuinte recebe mensalmente valores provenientes da empresa Du Pont localizada na Argentina por ocasião da morte de seu marido, o qual trabalhava para a mencionada empresa até seu falecimento. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 544 5 Tais rendimentos são decorrentes de pagamentos efetuados pela empresa estrangeira para a contribuinte, em razão de sua condição de cônjuge supérstite de um de seus funcionários, por força da existência de plano de pensão (seguro por morte) mantido pela empresa no qual consta como beneficiária a contribuinte em questão. Os valores referentes ao plano de pensão são remetidos mensalmente da Argentina para o Brasil através de operação de câmbio autorizada pelo Banco Central do Brasil, consoante comprovantes de fechamento de câmbio realizados em 1998 (doc. 01). Junta também declaração da empresa Du Pont Argentina SA (doc. 02), devidamente consularizada e traduzida por tradutor juramentado, que demonstra o rendimento bruto percebido pela contribuinte por conta do plano de pensão, bem como o valor retido a título de imposto de renda e o valor líquido remetido para o Brasil (expresso em dólares americanos), o qual é igual ao valor declarado nos contratos de câmbio. Por força do acordo, os rendimentos provenientes da Argentina que já sofreram tributação nesse país (país de origem), são considerados isentos pelo seu valor líquido no Brasil (país de residência do beneficiário), devendo ser informados na declaração de rendimentos apresentada nesse último país. Consoante documentos apresentados, a contribuinte recebeu da empresa da Argentina, durante o anocalendário 1998, Ô valor de R$506.474,99, os quais constituem rendimentos isentos e não tributáveis no Brasil, por força da aplicação do Tratado Internacional e, também, por já haverem sido tributados pelo imposto de renda argentino. Portanto, resta claro que tais valores não são passíveis de tributação no Brasil; conseqüentemente, imperiosa se faz a exclusão dos valores citados. II— Da transação imobiliária No anocalendário de 1998 ocorreram duas operações imobiliárias efetuadas pela contribuinte. A primeira consistiu na alienação do apartamento n° 151 do Edifico Mediterrannée, localizado na Al. Ministro Rocha Azevedo, 932 — São Paulo, para o Sr. Luiz Fernando Ferrari Neto, CPF 236.013.02853 e Sr' Maria Jandira Loconte Ferrari, CPF 051.204.01848, pelo valor de R$500.000,00, a serem pagos (i) R$200.000,00 no ato de assinatura do Compromisso de Compra e Venda — 13/01/1998, e (ii) R$300.000,00 através de quitação de nota promissória. Referido apartamento estava devidamente informado na declaração de bens da contribuinte, por seu valor de aquisição de R$575.000,00. Valor este que pode ser comprovado por meio Fl. 544DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 545 6 da Certidão de Registro do imóvel de matrícula n° 43370, demonstrando que não houve ganho de capital nessa operação. A outra operação imobiliária diz respeito à aquisição pela contribuinte do apartamento n° 61 no Edifício Mansão Jardim Europa, R. Bela Cintra, 2349 — São Paulo; pelo valor de R$850.000,00, conforme Certidão de Registro do imóvel de matrícula 71170 (doc. 04). A contribuinte utilizou os créditos a serem recebidos pela alienação do apartamento da Al. Ministro Rocha Azevedo para compor o valor pago ao apartamento adquirido na R. Bela Cintra, procedimento este registrado em Instrumento Particular de Cessão de Créditos. Tal procedimento comprova a origem dos R$300.000,00 depositados e sacados da conta corrente que a contribuinte possuía no Banco Bradesco, posto que tanto o Instrumento Particular de Compra e Venda do imóvel da Al. Ministro Rocha Azevedo como o Instrumento Particular de Cessão de Créditos dispõem que esse valor referente à alienação do imóvel pela contribuinte seria quitado através de resgate de nota promissória. Assim, o valor apontado pela Receita Federal constitui tão somente parcela do pagamento efetuado pela aquisição de imóvel de propriedade da contribuinte (Al. Mi. Rocha Azevedo) e, automaticamente convertido em pagamento do imóvel adquirido pela contribuinte (Rua Bela Cintra), restando comprovada a origem e o destino desse valor. III — Conclusão Diante do exposto, necessária se faz a exclusão dos valores de (i) R$506.474,99, referentes ao plano de pensão recebido pela contribuinte da empresa Du Pont Argentina SA, os quais são rendimentos isentos e não tributáveis pelas razões já apontadas; (ii) R$300.000,00, referentes a parcela de pagamento efetuado pelo adquirente de imóvel de propriedade da contribuinte, o qual não gerou ganho de capital, e utilizados para aquisição de novo imóvel pela contribuinte.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 449/461, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de oficio, os valores creditados em contas 'de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante Fl. 545DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 546 7 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo à contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas inequívocas e hábeis é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. Os créditos decorrentes de recebimentos de rendimentos do exterior devem ser excluídos da base de cálculo presumida, de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, pois que submetidos às normas de tributação específicas, previstas na legislação de regência. Lançamento Procedente em Parte Regularmente cientificada daquele Acórdão, a interessada, representada por sua advogada (fl. 32), interpôs o recurso de fls. 470/480, no qual, em síntese, requer a exclusão dos valores a seguir apontados e amplamente comprovados através dos documentos ora anexados, do crédito de R$ 478.230,54 (R$ 129.274,74 de principal, R$ 67.869,23 de multa e R$ 281.086,57 de juros.) mantido pela decisão recorrida, considerando como rendimento isento a quantia de R$ 300.000,00 referente a venda de apartamento e R$ 185.799,09 referente a diferença no cálculo dos rendimentos no exterior e valores de rendimentos. Conforme Resolução de fls. 531/539, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, tendo em vista que a quebra de sigilo bancário é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE 601314). Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento da apuração de omissão de rendimentos, no montante de R$ 991.767,07, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada em que a fiscalização se valeu de RMF para obtenção de informações bancárias do contribuinte. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 547 8 Ratificando decisões reiteradas desta Turma Julgadora, rejeito a preliminar suscitada, em sessão de julgamento, pelo Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, que foi vencido quanto à nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte. De acordo com o entendimento do STJ no julgamento de recurso especial Resp n° 1.134.665SP, tramitado sob o procedimento dos recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. Ou seja, a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte anteriores a 10.01.2001, como preconiza a Lei Complementar nº 105/01, sem o crivo do Judiciário, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, porquanto a Lei Complementar nº 105/01, como a Lei nº 10.174/01, não instituem ou majoram tributos, mas apenas dotaram a Administração Tributária de instrumentos legais aptos a promover a agilização e o aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais. Assim, até que o STF decida a questão de forma definitiva, o entendimento do STJ é de observância obrigatória pelos julgadores do CARF, a teor do que dispõe o art. 62 A do Regimento Interno do Conselho, verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No que tange à exigência do IRPF sobre omissão de rendimentos caracterizada pela existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Essa presunção em favor do Fisco transfere ao Contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, da origem dos recursos. Assim, após devidamente intimado a esclarecer a origem dos depósitos, passou a ser do Recorrente o ônus dessa comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com os depósitos bancários. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 548 9 A decisão recorrida cancelou a parcela de R$ 505.967,98 referente aos créditos cujos recursos teve a origem em pagamentos efetuados pela Du Pont Argentina SA no anocalendário de 1998 e transferidos para o Brasil. Entretanto, rejeitou, a justificativa da Impugnante no sentido de que o valor de R$300.000,00, creditado com histórico de "Estorno Lançamento POUP", em 16/04/1998, na conta corrente 8308216P, Agência 01341, do Banco Bradesco SA, referese à parcela de pagamento efetuado pelo adquirente de imóvel de propriedade da contribuinte, pois, consoante exame dos documentos juntados aos autos, concluiu que tanto o pagamento do sinal de R$200.000,00, quanto da parcela única de R$300.000,00 pelo Anuente Devedor, Sr. Luiz Fernando Ferrari Neto e sua mulher Maria Jandira Loconte Ferrari, devido em razão da compra do apartamento 151, sito à Al Ministro Rocha Azevedo, 932 — São Paulo/SP, foi realizado diretamente à Cessionária (INPARIncorporações e Participações Ltda), não transitou pela conta corrente da alienante do imóvel, Sra Nancy Beatriz Alonso de Rosas, conforme cessão de créditos realizada por Instrumento Particular (fls. 378/381). Em sede de recurso, foi apresentado, à fl. 525, o comprovante de depósito (Débito por Teleprocessamento) no qual foi identificado Sr. Luiz Fernando Ferrari Neto como o depositante da quantia de R$ 300.000,00 em 16/04/1998. Com a identificação do depositante, entendo que foi comprovada a origem do referido depósito, razão pela qual não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, até porque o §2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Portanto, cabe à autoridade lançadora implementar o disposto no §2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e não a autoridade julgadora sob pena de fazer um novo lançamento. Nessa linha de raciocínio, também decidiu, por unanimidade, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, conforme Acórdão 22010001.801, julgado na sessão de 16 de agosto de 2012, que foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 1999, 2000, 2001 Ementa: CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA DEFESA NULIDADE Não há que se falar em preterição do direito de defesa se o contribuinte não faz prova dos fatos que o impediram de contestar as acusações que lhe foram imputadas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada” (Súmula CARF n. 26) OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO– Não cabe o Fl. 548DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 549 10 lançamento com base no art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, quando claramente identificado o depositante, devendo ser aplicada a tributação específica aplicável ao tipo de rendimento, se for o caso. Por fim, é de se observar o comando existente no parágrafo 3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito: §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Dos citados dispositivos inferese que, no caso de pessoas físicas, não se admite a presunção de omissão de rendimentos, relativamente aos créditos de valor individual inferiores a R$12.000,00, cuja soma não atinja o montante de R$80.000,00, no anocalendário, sendo, inclusive, este o teor da Súmula CARF nº 61, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010). Assim, também deve ser cancelada a omissão de rendimentos correspondente aos créditos bancários de valores individuais inferiores a R$ 12.000,00 e cujo somatório é de R$ 64.799,09. Por falta de comprovação, deve ser mantida a tributação dos depósitos bancários abaixo relacionados, nos termos do art. 42 da Lei no 9.430/1996: DEPÓSITO DE R$ 15.000,00 realizado em 26/02/1998 DEPÓSITO DE R$ 15.000,00 realizado em 26/02/1998 DEPÓSITO DE R$ 61.000,00 realizado em 22/09/1998 DEPÓSITO DE R$ 30.000,00 realizado em 09/12/1998 Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 364.799,09. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 550 11 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 550DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 14485.000410/2007-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/07/2006
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE.
A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho.
Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados.
A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Elias Sampaio Freire.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 19/09/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/07/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 04 10 /2 00 7- 44 Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Elias Sampaio Freire. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 19/09/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório AJINOMOTO INTERAMERICANA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.095.5684, em 15/08/2007, exigindolhe crédito tributário referente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela notificada, concernentes à parte destinada a Terceiros (SalárioEducação), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, assim considerada a importância concedida a título de Participação nos Resultados em desconformidade com a legislação de regência, em relação ao período de 12/2000 a 07/2006 (intermitente), conforme Relatório Fiscal da Notificação, às fls. 44/50, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 12a Turma da DRJ em São Paulo/SP I, Acórdão nº 1615.738/2007, às fls. 1.157/1.173, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1a Turma Ordinária da 3ª Câmara, em 19/08/2009, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 230100.548, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 30/07/2006 DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000410/200744 Acórdão n.º 9202003.370 CSRFT2 Fl. 1.573 3 disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. SALÁRIO INDIRETO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS No que se refere à participação nos lucros, o que se exige é que o termo acordado traga previsão de regas e critérios, e até mesmo metas de conhecimento dos trabalhadores. É bem verdade que essas regras e esses critérios podem, numa avaliação pessoal, serem considerados como não sendo ideais para implementação de um programa de distribuição de lucros. Contudo, o que não se pode aceitar é que essa avaliação pessoal por parte do fisco se contraponha à vontade das partes externada no instrumento de negociação ferindo sua autonomia, contrariando assim o que a regulamentação da participação nos lucros mais valoriza, venha a ser pretexto para a desqualificação da natureza de um beneficio. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 1.403/1.412, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras/Turmas dos Conselhos/CARF a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos paradigmas trazidos à colação, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Suscita, que o decisório combatido afronta, ainda, a legislação de regência, notadamente as regras inscritas nos artigos 2° e 3° da Lei n° 10.101/2000, c/c artigo 28, § 9o, da Lei n° 8.212/91. Em defesa de sua pretensão, sustenta que o Acórdão n° 240100.276, ora adotado como paradigma, firmou entendimento no sentido de que o pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, enquanto no decisório recorrido entendeuse que a legislação regulamentadora da Participação nos Lucros e Resultados não veda que a negociação quanto à distribuição do lucro seja concretizada após a sua efetivação, devendo apenas proceder ao pagamento, mas não necessariamente ao avento do lucro obtido. Contrapõese ao entendimento consubstanciado no Acórdão recorrido, aduzindo para tanto não ter havido negociação entre as partes, deixando a empresa de comprovar a escolha através de eleições, dos representantes dos empregados para participar Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 da comissão, não cumprindo desta forma, o disposto no inciso I do artigo 2o do mencionado diploma legal. Sustenta que a ausência de atas de eleição da comissão de empregados e das reuniões para elaboração do acordo do PPR demonstra não ter existido qualquer modalidade de negociação de aludido programa, não havendo nenhum ajuste prévio entre empresa e empregados, conforme determina a legislação pertinente. Defende que a conduta utilizada pela contribuinte distorce a mens legis presente na legislação da Participação dos Lucros e Resultados, já que se infere da norma a anterioridade das regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, previamente ao exercício de aferição do lucro e resultado, para, ulteriormente, imunizarse o pagamento do benefício surgido pelo cumprimento dos dispositivos legais. Assevera que a interpretação teleológica das normas que regulamentam a matéria nos conduz à conclusão de que o trabalhador deve ter conhecimento dos critérios e condições para recebimento da PLR anteriormente ao período aquisitivo, sobretudo em face da exigência de fixação prévia das regras, metas ou mecanismos de aferição, sob pena, inclusive, de malferir os preceitos dos artigos 2° e 3° da Lei n° 10.101/2000, c/c artigo 28, § 9o, da Lei n° 8.212/91. Traz à colação os dispositivos legais que regulamentam a matéria, concluindo que a contribuinte não observou cumulativamente os pressupostos para o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados aos seus funcionários, de maneira a excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias, consoante restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Notificação, especialmente quanto à necessidade de acordo prévio ao exercício e inexistência de regras previamente ajustas. Dessa forma, tendo sido fornecida participação nos lucros e resultados da empresa aos seus funcionários em desconformidade com as normas legais que disciplinam a matéria, não há se falar na imunidade contemplada pela Constituição Federal, bem como no artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, devendo ser restabelecida a exigência fiscal na forma lançada. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 3ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras/Turmas dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, qual seja, a necessidade de acordo prévio para fins de não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR, conforme Despacho n° 2300077/2011, às fls. 1.424/1.425. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 1.429/1.445, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, mormente quando inobservados os pressupostos para conhecimento da peça recursal. É o Relatório. Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000410/200744 Acórdão n.º 9202003.370 CSRFT2 Fl. 1.574 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, notadamente Relatório Fiscal da Notificação, no presente lançamento exigese contribuições previdenciárias concernentes à parte destinada a Terceiros (SalárioEducação), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, assim consideradas as importâncias concedidas a título de Participação nos Lucros e Resultados pretensamente em contrariedade à legislação de regência, em relação ao período de 12/2000 a 07/2006 (intermitente). Com mais especificidade, em suma, entendeu a autoridade lançadora que tais verbas foram pagas em desconformidade à legislação de regência, especialmente a Lei nº 10.101/2000, diante das seguintes considerações: 1) Ausência de comprovação de negociação entre as partes, ou seja, ajuste prévio entre a empresa e empregados, malferindo o disposto no caput do artigo 2o, da Lei n° 10.101/2000; 2) Parte dos Acordos assinados posteriormente ao início do período de aferição dos resultados, ficando evidente que os empregados da matriz desconheciam as regras para concessão da PLR durante os primeiros meses de vigência do acordo; 3) Inexistência de regras claras e objetivas, passíveis de mensuração e acompanhamento; 4) Ausência de acordo para os empregados ocupantes de cargos de gerentes no estabelecimento MATRIZ; Por sua vez, ao analisar a demanda, a Turma recorrida entendeu por bem decretar a improcedência total do feito, acolhendo a tese da não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas pela empresa aos segurados empregados a título de Participação nos Resultados, nos termos da legislação de regência, razão do insurgimento da Procuradoria nesta oportunidade. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs o presente Recurso Especial, suscitando que o Acórdão guerreado malferiu a jurisprudência consolidada neste Colegiado, bem como o regramento específico de tal verba, mais precisamente os artigos 2o e 3o da Lei n° 10.101/2000, impondo seja conhecida a peça recursal, uma vez comprovada à divergência arguida. Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 A fazer prevalecer sua tese, sustenta que Acórdão n° 240100.276, ora adotado como paradigma, firmou entendimento no sentido de que o pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, enquanto no decisório recorrido entendeuse que a legislação regulamentadora da Participação nos Lucros e Resultados não veda que a negociação quanto à distribuição do lucro seja concretizada após a sua efetivação, devendo apenas proceder ao pagamento, mas não necessariamente ao avento do lucro obtido. Contrapõese ao entendimento consubstanciado no Acórdão recorrido, aduzindo para tanto não ter havido negociação entre as partes, deixando a empresa de comprovar a escolha através de eleições, dos representantes dos empregados para participar da comissão, não cumprindo desta forma, o disposto no inciso I do artigo 2o do mencionado diploma legal. Assevera que a ausência de atas de eleição da comissão de empregados e das reuniões para elaboração do acordo do PPR demonstra não ter existido qualquer modalidade de negociação de aludido programa, não havendo nenhum ajuste prévio entre empresa e empregados, conforme determina a legislação pertinente. Defende que a conduta utilizada pela contribuinte distorce a mens legis presente na legislação da Participação dos Lucros e Resultados, já que se infere da norma a anterioridade das regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, previamente ao exercício de aferição do lucro e resultado, para, ulteriormente, imunizarse o pagamento do benefício surgido pelo cumprimento dos dispositivos legais. Dessa forma, tendo sido fornecida participação nos lucros e resultados da empresa aos seus funcionários em desconformidade com as normas legais que disciplinam a matéria, não há se falar na imunidade contemplada pela Constituição Federal, bem como no artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, devendo ser restabelecida a exigência fiscal na forma lançada. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. De início, convém registrar que o insurgimento da Fazenda Nacional repousa, em síntese, no fato de os acordos terem sido formalizados após o início do anobase, trazendo a colação Acórdão paradigma que afasta a imunidade de aludida verba em situação idêntica, razão do conhecimento da peça recursal. Relativamente às demais alegação da recorrente, no sentido da ausência de tratativas do acordo ou mesmo da comprovação da escolha através de eleições, dos representantes dos empregados para participar da comissão, não contemplaremos em nosso voto, tendo em vista não haver sido indicado paradigma para amparar a pretensão da Fazenda Nacional, razão pela qual, inclusive, sequer fora objeto de análise por ocasião do conhecimento preliminar da peça recursal por parte do Presidente da Turma recorrida, que tratou o insurgimento da Procuradoria exclusivamente no que pertine a necessidade de acordo prévio. Antes mesmo de se adentrar as questões de mérito propriamente ditas, em relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila a legislação de regência que regulamenta a verba sub examine, bem como alguns estudos a propósito da matéria, senão vejamos: Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000410/200744 Acórdão n.º 9202003.370 CSRFT2 Fl. 1.575 7 A Constituição Federal, por meio de seu artigo 7º, inciso XI, instituiu a Participação dos empregados nos Lucros e Resultados da empresa, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, desvinculandoa expressamente da base de cálculo das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;” Por seu turno, a legislação tributária ao regulamentar a matéria, impôs algumas condições para que as importâncias concedidas aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados não integrassem o salário de contribuição, a começar pelo artigo 28, § 9º, alínea “j”, que assim preceitua: “Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei: [...] j – a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica.” (grifos nossos) Em atendimento ao estabelecido na norma encimada, a Medida Provisória nº 794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte: “Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva, a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o artigo 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário. Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. [...]” Após reedições a MP retro fora convertida na Lei nº 10.101/2000, trazendo em seu bojo algumas inovações, notadamente quanto a forma/periodicidade do pagamento de tais verbas, senão vejamos: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores. [...] Art.3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. [...]” Em suma, extraise da evolução da legislação específica relativa à participação nos lucros e resultados que existem dois momentos a serem apartados quanto aos requisitos para não incidência das contribuições previdenciárias. Para o período até 29/06/1998, era vedado o pagamento em periodicidade inferior a um semestre. Posteriormente Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000410/200744 Acórdão n.º 9202003.370 CSRFT2 Fl. 1.576 9 a 30/06/1998, além da exigência acima, passou a ser proibido o pagamento de mais de duas parcelas no mesmo ano civil. No que tange aos demais requisitos, especialmente àqueles inscritos no artigo 2º, as disposições legais continuaram praticamente as mesmas, exigindo regras claras e objetivas relativamente ao método de aferição e concessão da verba em comento. Atualmente, a Lei n° 10.101/2000 se apresenta com algumas alterações introduzidas pela Lei n° 12.832, de 20/07/2013, que deixaremos de contemplar em razão de não fazer qualquer efeito na hipótese dos autos, que trata de fatos geradores pretéritos a aludido Diploma Legal. A teor dos preceitos inscritos na legislação encimada, constatase que a Participação nos Lucros e Resultados, de fato, constitui uma verdadeira imunidade, eis que desvinculada da tributação das contribuições previdenciárias por força da Constituição Federal, em virtude de se caracterizar como verba eventual e incerta. Entrementes, não é a simples denominação atribuída pela empresa à verba concedida aos funcionários, in casu, PLR, que irá lhe conferir a não incidência dos tributos ora exigidos. Em verdade, o que importa é a natureza dos pagamentos efetuados, independentemente da denominação pretendida pela contribuinte. E, para que a verba possua efetivamente a natureza de Participação nos Lucros e Resultados, indispensável se faz a conjugação dos pressupostos legais inscritos na MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, dependendo do período fiscalizado. Nessa esteira de entendimento, é de fácil conclusão que as importâncias pagas aos segurados empregados intituladas de PLR somente sofrerão incidência das contribuições previdenciárias se não estiverem revestidas dos requisitos legais de aludida verba. Melhor elucidando, a tributação não se dá sobre o valor da PLR, mas, tão somente, quando assim não restar caracterizada. Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. Por outro lado, convém frisar que tratandose de imunidade, os pagamentos a título de PLR não devem observância aos rigores interpretativos insculpidos nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, os quais contemplam as hipóteses de isenção, com necessária interpretação restritiva da norma. Ao contrário, no caso de imunidade, a doutrina e jurisprudência consolidaram entendimento de que a interpretação da norma constitucional poderá ser mais abrangente, de maneira a fazer prevalecer a própria vontade do legislador constitucional ao afastar a tributação de tais verbas, o que não implica dizer que a PLR não deve observância ao regramento específico e que a norma constitucional que a prescreve é de eficácia plena. Na hipótese vertente, passando à análise das razões do lançamento, rechaçados todos os fundamentos da pretensão fiscal pelo Acórdão recorrido, a nobre Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Procuradoria entendeu por bem insurgirse exclusivamente quanto à necessidade de acordo prévio no Programa de Participação nos Lucros e Resultados, matéria que passamos a contemplar com mais especificidade, começando pela delimitação das datas dos acordos: 1) PLR 2000: assinado em 09/08/2000; 2) PLR 2001: assinado em 30/07/2001; 3) PLR 2002: assinado em 06/08/2002; 4) PLR 2003: assinado em 14/08/2003 Como se depreende dos autos, afora as demais razões do lançamento fiscal, afastadas pelo decisório combatido e que não fora objeto do Recurso da Procuradoria, a ilustre autoridade lançadora achou por bem descaracterizar os pagamentos efetuados pela contribuinte aos empregados a título de PLR, pelo simples fato de inexistir acordo prévio ao ano base, o que implicaria dizer não estarem presentes as exigências de metas e resultados para obtenção dos lucros. Inobstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pelo fiscal autuante em defesa da manutenção do crédito previdenciário, corroboradas pela Procuradoria da Fazenda Nacional, seu entendimento, contudo, não tem o condão de prosperar. Data vênia àqueles que divergem do entendimento deste Conselheiro, a conclusão da exigência de acordo prévio para concessão da PLR encontra sustentáculo nos incisos I e II, § 1º, artigo 2º, da Lei nº 10.101/2000 e/ou MP nº 794/1994 e reedições. De conformidade com esses dispositivos legais, visando a observância dos requisitos inseridos no § 1º, o legislador SUGERIU a utilização de “I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente”. Observese, que em momento algum a lei impôs a observância de tais incisos. Muito pelo contrário. Extraise do bojo do § 1º, artigo 2º, da Lei nº 10.101/2000, a expressão “podendo”, o que não representa uma obrigatoriedade, mas, sim, uma faculdade. O que a lei determina é a utilização de “[...] regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo [...]”. Assim, a exigência de acordo prévio é de cunho subjetivo do agente lançador ou do julgador, mormente quando visa dar efetividade aos incisos I e II, § 1º, artigo 2º, da Lei nº 10.101/2000, os quais não são de observância obrigatória. E, como já sedimentado acima, a isenção/imunidade não comporta subjetivismo. Mais a mais, tratandose de Participação nos Lucros e Resultados, não se pode cogitar em anormalidade no caso de acordo firmado entre as partes e o consequente pagamento ocorrer posteriormente a apuração dos lucros e resultados no final do ano calendário, após as deduções dos custos e despesas anuais, conquanto que observados os demais requisitos para tanto. Melhor elucidando a empresa apura o lucro/resultado, se dispõe a conceder participação aos funcionários, oportunidade em que procedem as tratativas entre as partes, acordando a forma e valores dos pagamentos. Não se pode vislumbrar qualquer irregularidade Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000410/200744 Acórdão n.º 9202003.370 CSRFT2 Fl. 1.577 11 em tal conduta, notadamente quando a verba atingiu seu fim precípuo, insculpido na Constituição Federal. Não bastasse isso, como a própria autoridade lançadora asseverou em seu Relatório Fiscal, a contribuinte vem pagando Participação nos Lucros e Resultados desde 2000, nos levando a concluir que já existia um costume da empresa em conceder PLR aos funcionários, criando no decorrer dos anos uma expectativa de direito por parte destes, fazendo com que se empenhassem no bom desempenho de suas funções, uma vez já terem conhecimento de que havendo lucro a contribuinte, como de praxe, iria participálo aos empregados. Ademais, é preciso reconhecer que o mundo real, distante daquele que seria o ideal para o bom andamento das relações interpessoais e, por conseguinte, entre empresa e funcionários, nos impõe barreiras, de certa forma até naturais, que convergem pela assinatura/formalização do acordo de PLR após iniciado o anobase. Isto porque, tratandose de discussão a propósito de direitos dos trabalhadores, escorados em lucros ou resultados de empresas, dificilmente um acordo contemplando os valores, regras, condições básicas, etc para a concessão da Participação nos Lucros e Resultados será de fácil resolução, exigindo, por certo, longo período de tratativas, mormente com a participação da empresa, empregados, seus representantes em comissões e/ou respectivos Sindicatos. Aliás, o eminente Conselheiro Júlio César Vieira Gomes, à época integrante da 2ª Caj do CRPS, atualmente Presidente da 2ª TO desta 4a Câmara, dissertou com muita propriedade a respeito do tema, espancando de uma vez por todas a pretensão fiscal, conforme se extrai do excerto do voto condutor do Acórdão nº 213/2007 abaixo transcrito: “[...] O programa de participação nos lucros da recorrente foi instituído em 1995 e é revisto anualmente de acordo com o resultado apurado em cada exercício financeiro. Essa sistemática autorizada pelo artigo 2º, §1º da Lei nº 10.101/2000 permite ajustes anuais para melhor aproximação aos valores reais apurados. As regras foram pactuadas quando da sua criação, logo após a primeira regulamentação através da Medida Provisória nº 794, de 29/12/1994. Desde essa época o programa de participação nos lucros ou resultados é formado por uma comissão permanente de empregados assistidos pelos sindicatos das categorias profissionais (fls. 162). Equivocadamente, a autoridade fiscal tomou cada acordo de revisão anual das regras isoladamente, ignorando que antes de cada um há outro que o precede e que a cada ano é revisto. Até que determinado acordo, estabelecendo critérios e condições, seja revogado por um outro, não se pode negar sua existência, vigência e aplicação. Como exemplo, o acordo de revisão assinado em 11/11/96 (fls. 168) permanece vigente até que outro o modifique; no caso, o acordo assinado em 12/11/97 (fls. 171) que aumentou a parcela fixa de R$ 350,00 para R$ 450,00 (fls. 166 e 170), mantendose, no entanto, o percentual de 75% do salário vigente. Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 [...]” (2ª Caj do CRPS – NFLD nº 35.132.8335, Sessão de 27/03/2007 – Unânime) A fazer prevalecer esse entendimento, a 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentíssima decisão (06/05/2014), afastou qualquer dúvida em relação à matéria, reafirmando que a simples ausência de acordo prévio não desnatura a Participação nos Lucros e Resultados, na linha do sustentado acima, consoante se positiva do Acórdão n° 9202003.192, da lavra do ilustre Conselheiro Gustavo Lian Haddad, com a seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Períodos de apuração: 01/01/2000 a 30/10/2004 [...] CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). ANTERIORIDADE DE CONVENÇÃO COLETIVA, ACORDO COLETIVO OU NEGOCIAÇÃO COLETIVA. NECESSIDADE. INEXISTENCIA DE PRAZO FIXADO EM LEI. ACORDO FIRMADO DURANTE O PERÍODO DE AFERIÇÃO DAS METAS ATENDE AOS REQUISITOS LEGAIS. A Lei 10.101/2000 exige que o fechamento do acordo para o pagamento da PLR ocorra antes do pagamento e ao menos durante o período de aferição dos critérios adotados para fixação do direito subjetivo dos trabalhadores. Referida lei não estabelece, contudo, prazo mínimo necessário entre o fechamento do acordo e o pagamento da PLR, não cabendo ao interprete fazêlo. [...]” (Processo n° 35366.001448/200507) Outro não foi o posicionamento manifestado, igualmente, pela 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos autos dos processos n°s 14485.000326/200721, 14485.000329/200764 e 14485.000327/200775, senão vejamos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2006 CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. METAS. PRESCINDIBILIDADE. LUCROS. NEGOCIAÇÃO POSTERIOR AO SEU ADVENTO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. [...] VI – A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido. Recurso especial negado.” (Acórdão n° 9202002.485 – Sessão de 29/01/2013) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000410/200744 Acórdão n.º 9202003.370 CSRFT2 Fl. 1.578 13 Data do fato gerador: 11/09/2007 [...] VI – A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido. Recurso especial negado.” (Acórdão n° 9202002.484 – Sessão de 29/01/2013) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 11/09/2007 [...] VI – A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido. Recurso especial negado.” (Acórdão n° 9202002.486 – Sessão de 29/01/2013) Partindo dessas premissas, é de se manter a ordem legal no sentido de considerar o Plano de Participação nos Lucros de Resultados da empresa em conformidade com a legislação de regência, decretando, portanto, a improcedência do feito. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com as normas que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA E NEGAR LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 14 Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10540.000313/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2803-000.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória da Conquista (BA) ou o responsável informe a data da ciência pelo contribuinte da Decisão da DRJ em Salvador (BA), anexando a comprovação. Após, encaminhar os autos para julgamento.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória da Conquista (BA) ou o responsável informe a data da ciência pelo contribuinte da Decisão da DRJ em Salvador (BA), anexando a comprovação. Após, encaminhar os autos para julgamento. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 40 .0 00 31 3/ 20 09 -5 1 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.000313/200951 Resolução nº 2803000.223 S2TE03 Fl. 311 2 Relatório DO LANÇAMENTO Trata de Auto de Infração (AI) de crédito previdenciário, relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas, por recibos, a segurados contratados pelo CENTRO DE EDUCAÇÃO TÉCNICA DE JEQUIÉ LTDA como estagiários, sem observação à legislação específica, que trata da realização de estágio curricular. Importa também em contribuições da empresa incidentes sobre as remunerações pagas, por recibos, a empregados sem contrato e sem registro. Receberam décimo terceiro salário, prestaram serviços relacionados à atividade fim da empresa e foram contratados em seguida para exercer as mesmas atividades. Essas remunerações foram omitidas de Folhas de Pagamento, não foram declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), nem as contribuições recolhidas no prazo legal. O crédito diz respeito às seguintes contribuições sociais lançadas no levantamento CSE — Caracterização Seg. Empregado, conforme segue: a) Contribuição a cargo da empresa destinada à Seguridade Social, incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviço, prevista no art. 22, inciso I e III, da Lei 8.212, de 24/07/1991. b) Contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, prevista no art. 22, inciso II, da Lei 8.212, de 24/07/1991. As remunerações não constam das Folhas de Pagamento e não foram declaradas em GFIP, sendo contabilizadas no livro Razão, conta: Prestação de Serviços, Despesas Operacionais, cód. 184 3.4.1.01.001. As bases de cálculo (remunerações pagas através de recibos), lançadas no levantamento CSE — Caracterização Seg. Empregado, constam de planilhas integrantes deste relatório fiscal, Anexos IV e VIII. O período dos lançamentos é de janeiro a dezembro de 2004, conforme determinado no Mandado de Procedimento Fiscal n° 05.1.03.0020080000905, de 13/06/2008. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. O órgão de primeira instância administrativa julgou procedente em parte o crédito fiscal, excluindo o período de 01 a 03/2004 em razão da decadência pela regra do art. 150, § 4º do CTN. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 311DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.000313/200951 Resolução nº 2803000.223 S2TE03 Fl. 312 3 O contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/07/2010, entretanto não foi possível identificar a data da ciência do Acórdão da DRJ pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.000313/200951 Resolução nº 2803000.223 S2TE03 Fl. 313 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator Compulsando os autos não foi possível identificar a data da ciência do Acórdão da DRJ em Salvador (BA) pelo contribuinte. No aviso de recebimento – AR dos Correios às fl. 299 não consta a data legível. A informação é importante para se analisar a admissibilidade do recurso voluntário. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em converte o julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória da Conquista (BA) ou o responsável informe a data da ciência pelo contribuinte da Decisão da DRJ em Salvador (BA), anexando a comprovação. Após, encaminhar os autos para julgamento. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 313DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000031/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP EM VALOR INFERIOR AO SALDO NEGATIVO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA SEM QUE TAL VALOR INFLUENCIASSE NO MONTANTE DE CRÉDITOS NECESSÁRIOS À HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. PROCEDIMENTO QUE TEM POR EFICÁCIA REGULARIZAR O MONTANTE DO SALDO NEGATIVO
Nos casos em que o valor do saldo negativo é superior às compensações realizadas e mesmo glosando parte dos valores que formaram o saldo negativo homologou-se as compensações por serem de valor inferior ao saldo negativo apurado, o recolhimento de diferença de estimativa, em atraso, com multa moratória e juros, produz eficácia para regularizar o saldo negativo, em relação ao montante do pagamento realizado.
RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. Apresentada a declaração de compensação a Fazenda Pública pode verificar a existência do saldo negativo indicado para fins de compensação. O que não é possível, após o prazo de 5 (cinco) anos, contados do lançamento original ou da retificação, é a glosa de despesas ou identificação de omissões como fundamento para diminuir o valor do saldo devedor. Tal hipótese, se admitida, importaria em violação do disposto no artigo 9º, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972 e, em levar a efeito procedimento fiscal para fazer exigência em relação a período já atingido pela decadência.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 1402-001.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do valor de R$ 15.236,19 na composição do saldo negativo no ano-calendário de 2003.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP EM VALOR INFERIOR AO SALDO NEGATIVO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA SEM QUE TAL VALOR INFLUENCIASSE NO MONTANTE DE CRÉDITOS NECESSÁRIOS À HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. PROCEDIMENTO QUE TEM POR EFICÁCIA REGULARIZAR O MONTANTE DO SALDO NEGATIVO Nos casos em que o valor do saldo negativo é superior às compensações realizadas e mesmo glosando parte dos valores que formaram o saldo negativo homologou-se as compensações por serem de valor inferior ao saldo negativo apurado, o recolhimento de diferença de estimativa, em atraso, com multa moratória e juros, produz eficácia para regularizar o saldo negativo, em relação ao montante do pagamento realizado. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. Apresentada a declaração de compensação a Fazenda Pública pode verificar a existência do saldo negativo indicado para fins de compensação. O que não é possível, após o prazo de 5 (cinco) anos, contados do lançamento original ou da retificação, é a glosa de despesas ou identificação de omissões como fundamento para diminuir o valor do saldo devedor. Tal hipótese, se admitida, importaria em violação do disposto no artigo 9º, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972 e, em levar a efeito procedimento fiscal para fazer exigência em relação a período já atingido pela decadência. Recurso Voluntário Parcialmente Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do valor de R$ 15.236,19 na composição do saldo negativo no ano-calendário de 2003. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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PER/DCOMP EM VALOR INFERIOR AO SALDO NEGATIVO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA SEM QUE TAL VALOR INFLUENCIASSE NO MONTANTE DE CRÉDITOS NECESSÁRIOS À HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. PROCEDIMENTO QUE TEM POR EFICÁCIA REGULARIZAR O MONTANTE DO SALDO NEGATIVO Nos casos em que o valor do saldo negativo é superior às compensações realizadas e mesmo glosando parte dos valores que formaram o saldo negativo homologouse as compensações por serem de valor inferior ao saldo negativo apurado, o recolhimento de diferença de estimativa, em atraso, com multa moratória e juros, produz eficácia para regularizar o saldo negativo, em relação ao montante do pagamento realizado. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. Apresentada a declaração de compensação a Fazenda Pública pode verificar a existência do saldo negativo indicado para fins de compensação. O que não é possível, após o prazo de 5 (cinco) anos, contados do lançamento original ou da retificação, é a glosa de despesas ou identificação de omissões como fundamento para diminuir o valor do saldo devedor. Tal hipótese, se admitida, importaria em violação do disposto no artigo 9º, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972 e, em levar a efeito procedimento fiscal para fazer exigência em relação a período já atingido pela decadência. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 00 31 /2 00 9- 06 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 10 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do valor de R$ 15.236,19 na composição do saldo negativo no anocalendário de 2003. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 11 3 Relatório A recorrente apresentou os pedidos de compensação de fls. 02 e seguintes objetivando compensar os valores neles indicados com saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2003. A DIPJ que consta à fl. 51 dos autos indica saldo negativo no valor de R$ 6.751.945,73. O despacho de fls. 148/153, reconheceu a existência de saldo negativo no valor de R$ 4.698.511,33, homologando as compensações de nº 25131.75152.180806.1.7.02 5012, 34749.16381.300404.1.3.021401 e 29005.03057.210806.1.7.024401 e, de forma parcial, a compensação de nº 40827.46790.210806.1.7.023906, restando um saldo devedor em relação a esta de R$ 1.278.490,84 (fl. 154). Pelo que se extrai do despacho decisório, em relação aos valores que formaram o saldo negativo, não foram reconhecidos os seguintes montantes: a) R$ 15.236,19 referente à estimativa devida em 10/2003; b) R$ 5.932,82 comprovado em DIRF referente a IRRF por órgãos públicos, frente a R$ 9.764,75 considerado pela recorrente; c) R$ 1.923.677,69 correspondente a IRRF da empresa SPLICE; d) R$ 108.999,90 correspondente a IRRF pelo Santander. Intimada da decisão de fls. 148/153, a parte interessada apresentou manifestação de inconformidade, sendo que a DRJ deu parcial provimento ao recurso para acolher o IRRF nos valores de R$ 5.932,82 e R$ 1.923.677,69 apontando, em relação a este último, que houve mero erro do contribuinte na designação da fonte retentora. No que se refere à glosa da estimativa devida em 10/2003, no valor de R$ 15.236,19, o acórdão referido está assim fundamentado: "O despacho decisório guerreado foi perfeito, no que se refere ao ponto agora sob análise, à luz dos fatos acontecidos até então, e não pode ser alterado pela DRJ em razão da superveniência do pagamento, em 15 de maio de 2009, após a ciência do despacho decisório, que aconteceu em 20 de abril de 2009, do IRPJ devido por estimativa no mês de outubro de 2003. Por fim, em no que tange à retenção feita pelo BANCO SANTANDER, o acórdão recorrido destacou: " No que tange à retenção feita pelo BANCO SANTANDER o contribuinte apresenta como documento comprobatório da sua ocorrência um Informe de Rendimentos Financeiros em que consta como tendo havido retenção do valor de R$ 607.600,57, no código 3426, exatamente o valor que foi aceito e considerado pela autoridade recorrida. Em sua impugnação, o contribuinte assevera que a diferença “na ordem de R$ 103.067,08 será oportunamente anexada aos autos, por tratarse de operações financeiras existentes em outra Fl. 423DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 12 4 instituição financeira”. Como não houve a juntada de qualquer elemento comprobatório da existência dessa retenção, referente à outra instituição financeira, e não tendo a autoridade recorrida encontrado elementos confirmatórios nos sistemas da RFB, não é possível acatarse a alegação do contribuinte, no ponto. Intimada em 31/01/2012 (fl. 248), de forma tempestiva a parte interessada apresentou o recurso de fls. 249 e seguintes, alegando, em síntese: a) que em 15/04/2009, quando proferido o despacho decisório, cuja intimação se deu em 20/04/2009, a análise do saldo negativo de IRPJ relativa ao anocalendário de 2003 não podia ser feita, uma vez que passados mais de 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores que formaram o saldo negativo. b) que no caso dos autos não se está a deduzir que ocorreu a decadência do Fisco de analisar a compensação pleiteada e sim a decadência do direito do Fisco de proceder com a recomposição do crédito tributário utilizado. b) que é nítido que o pagamento do DARF no valor de R$ 15.236,19 compõe o saldo negativo do IRPJ referente ao anocalendário de 2003. É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator O recurso manuseado pela parte encontrase previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, está devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. I Da questão relacionada ao pagamento, em 20 de abril de 2009, de R$ 15.236,19 referente à estimativa devida em 10/2003. Ciente de que a estimativa de outubro de 2003, devidamente declarada, no valor de R$ 15.236,19, não tinha sido quitada, em 31/10/2009, após intimação do despacho decisório, a fiscalizada realizou o pagamento desta, com multa moratória e encargos legais, recolhendo o montante de R$ 29.861,40 (fl. 230). Aqui, a situação dividese em dois pontos: a) O primeiro diz respeito a consequência do recolhimento de estimativa em atraso, quando o valor desta é necessário para formar o saldo negativo e este, por sua vez, é integralmente absorvido pelas compensações realizadas; b) O segundo, é a consequência do recolhimento de estimativa em atraso nas hipóteses em que tal valor não impede a homologação das compensações em face destas abrangerem montante inferior ao saldo negativo. Na primeira hipótese, isto é, quando o saldo negativo, sem a estimativa recolhida em atraso não é suficiente para homologar as compensações, em relação ao valor não homologado, há incidência de multa moratória de 20% e juros legais1. Nestas situações, do valor devido, com multa de 20% e juros, subtraise o valor recolhido em atraso. Considerando que a correção e a multa são idênticas em ambos os casos, resultado era zero. Nos casos em que o valor do saldo negativo é superior às compensações realizadas, como ocorreu na situação dos autos, e mesmo glosando os valores apontados homologouse as compensações apresentadas por serem de valor inferior ao saldo negativo apurado, não há o que se cobrar. O valor da estimativa recolhida em atraso, com multa moratória e juros, tem por eficácia a regularização do saldo negativo, na proporção paga. Assim, no caso concreto, do recolhimento da estimativa referente ao mês de outubro de 2003, recolhida em 20/04/2009, resultou a regularização da pendência referente a outubro de 2003. Não fosse este raciocínio, chegarseia ao equívoco de se afirmar que o recolhimento em 20/04/2009 caracterizaria pagamento indevido, o que não é. Com tais considerações, reconheço que o valor de R$ 15.236,19, deve integrar o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2003. II Da alegação de que passados cinco anos, da data dos fatos geradores, a Fiscalização não pode glosar saldo negativo apurado em DIPJ. 1 Atualmente, quando a estimativa não é homologada, aplicase multa de 50%, sendo que tal exigência encontrase em análise no STF, com repercussão geral. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 14 6 Em decisões anteriores já me manifestei em questões semelhantes, sendo que os acórdãos de minha relatoria podem ser sintetizados por meio das duas ementas que seguem a título exemplificativo: Ementa: DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Esse prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Todavia, após o prazo decadencial de 5 anos, contados do lançamento original, ou retificado pelo contribuinte, não é possível alterar o lucro real regularmente apurado e declarado, sob pena de, por vias transversas, levar a efeito procedimento fiscal em relação a período já atingido pela decadência. (Processo 10768.905686/200611. Acordão 140200.768. Jul. 20/10/2011). Ementa: RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Todavia, após o prazo decadencial de 5 anos, contados do lançamento original, ou retificado pelo contribuinte, não é possível alterar o lucro real regularmente apurado e declarado. (Processo nº 10923.000117/200809. Acórdão 140200.736. Jul. 29/09/2011). Recentemente, em declaração de voto que apresentei no processo nº 10640.720967/200976, julgado na sessão de 06/05/2014, resultando no acórdão nº 1402 001.662, em acórdão de relatoria do ilustre Conselheiro Fernando Brasil, tendoo acompanhado pelas conclusões, enfrentei a questão da regramatriz de incidência tributária, e a regramatriz de direito ao crédito por parte do contribuinte. Igualmente, quando da análise do processo nº 10880.950151/200861, também pautado nesta sessão, enfrentei a questão nos seguintes termos: "I Da Natureza jurídica, o momento da constituição do saldo negativo do imposto de renda das pessoas jurídicas e a questão relacionada à prescrição Fl. 426DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 15 7 Nos termos da Súmula 436 do STJ e do Resp 962.279/RS, submetido ao rito do artigo 543C, do CPC, “a entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco." Neste cenário, no momento da entrega da DCTF, à semelhança do que ocorre com o lançamento de ofício, temse uma norma individual e concreta constituindo o crédito tributário. Todavia, além da regramatriz de incidência tributária, da qual resulta o débito tributário, há a regramatriz de direito ao crédito. Da primeira surge a obrigação do particular em face da Administração e da segunda advém a obrigação da Administração frente ao particular. É da segunda que nasce a constituição do crédito em favor do contribuinte2. Assim, em se tratando de IRPJ, o saldo negativo do imposto de renda das pessoas jurídicas, decorrente de retenção de imposto de renda na fonte e ou recolhimento de estimativas, resulta constituído no momento em que o contribuinte, mediante procedimento adequado3, (i) informa as receitas e os rendimentos sujeitos à tributação; (ii) apura o montante dos tributos devidos e (iii) dele subtrai o que foi pago de forma antecipada, declarando tal procedimento à Administração. Neste momento temse a constituição do saldo negativo em favor do contribuinte, com prazo de cinco anos para ser utilizado em processo de compensação ou pedido de restituição. Em igual prazo, identificando irregularidades na constituição do saldo negativo, o Fisco pode efetuar as glosas que entender necessário, reduzindo o valor do saldo negativo, ou exigindo imposto a pagar, sempre por meio de auto de infração, conforme previsto no art. 9º, § 4º, do Decreto 70.235, de 1972, acrescentado pela Lei nº 11.941, de 2009. "Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em auto de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributos ou penalidades (...). § 4º. O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada a infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. Partindo do entendimento de que o direito ao crédito tributário do contribuinte frente à Fazenda advém de regra de incidência pertencente ao regime jurídico, tem razão o Conselheiro Carlos Pelá quando menciona que decorridos cinco anos da constituição/apuração do saldo negativo em favor do contribuinte e tendo este aproveitado tais valores mediante compensação, sem que a Fazenda 2 A questão da existência da regramatriz de incidência tributária, da qual decorre o débito do particular frente à Administração e a regramatriz de direito ao crédito tributário, da qual decorre a obrigação da Administro frente ao particular, foi apontada pelo Ministro Fux quando do julgamento dos Resp 773.675 e 1.065.234/RS. O fato dos referidos julgamentos versarem sobre ICMS em nada altera os pressupostos e a natureza jurídica do direito ao crédito. A propósito, do REsp 77.675, (DJ de 2.4.2007, p. 239), colho a seguinte passagem: "(...) O direito de crédito do contribuinte não decorre da regramatriz de incidência tributária do ICMS, mas da eficácia legal da norma constitucional que prevê o próprio direito ao abatimento (regramatriz de direito ao crédito) (...) porquanto a compensação se dá entre operações de débito (obrigação tributária) e crédito (direito ao crédito)." 3 A expressão "procedimento adequado" deve ser entendida como situação onde inexistam omissões a serem tributadas. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 16 8 Nacional tivesse glosado nos 5 (cinco) anos subsequentes à constituição, não é possível fazêlo após tal prazo. Assim como o sujeito passivo tem 5 (cinco) anos para requerer a restituição ou compensação do saldo negativo, uma vez constituído tal saldo a Fazenda também dispõe de 5 (cinco) anos para conferir as apurações feitas pelo sujeito passivo, informadas em DIPJ. Passados 5 (cinco) anos, e diante do que dispõe o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, acrescentado pela Lei nº 11.941, de 2009, não há como alterar o valor do saldo negativo. Em outras palavras, o sujeito passivo tanto pode entregar DCTF reconhecendo imposto a pagar, situação em que resta constituído o débito tributário em favor do Fisco, como pode realizar procedimento, previsto em lei, apontando crédito em seu favor. Neste sentido, conforme reiteradamente destacado pelo Conselheiro Carlos Pelá, temse que a relação entre Contribuinte e Fisco é de crédito e débito, que ora pode ser a favor de um e ora a favor de outro. Nesta mesma linha encontramse ensinamentos em artigos de doutrina de Jefferson Medina nas Revistas Dialética de Direito Tributário de nºs 225 e 226, editadas, respectivamente, nos meses de junho e julho de 20144. Pois bem, partindo do entendimento de que direito ao crédito tributário do contribuinte frente à Fazenda advém de regra de incidência pertencente ao regime jurídico, concordo com o Conselheiro Carlos Pelá quando menciona que decorridos cinco anos da constituição/apuração do saldo negativo em favor do contribuinte e tendo este aproveitado tais valores mediante compensação, sem que a Fazenda Nacional tivesse glosado nos 5 (cinco) anos subsequentes, não é possível fazêlo após tal prazo. Assim como o sujeito passivo tem 5 (cinco) anos para requerer a restituição ou compensação do saldo negativo, uma vez constituído tal saldo a Fazenda também dispõe de 5 (cinco) anos para conferir as apurações feitas pelo sujeito passivo e informadas em DIPJ. Isto tornase mais evidente nas situações em que o sujeito passivo, por equívoco, apura imposto a pagar ou saldo negativo diferente do efetivamente devido. Passados 5 (cinco) anos não poderá retificar a DIPJ para alterar os valores nela informados. Em que pese os fundamentos acima mencionados e a minha mudança de entendimento acerca da matéria, estou ressalvando meu ponto de vista e seguindo o entendimento da douta maioria de que a Fazenda, a qualquer tempo, pode verificar se houve o recolhimento dos valores que formaram o saldo negativo, não podendo, todavia, após o prazo de 5 (cinco) anos pretender glosar despesas ou apontar omissões, sob pena de, por vias 4 Jefferson Marcos Biagini Medina Natureza Jurídica do Crédito e Débito no ICMS e suas Implicações no Ordenamento Jurídico. In. Revista Dialética de Direito Tributário, 225, p. 113124. Junho 2014. Jefferson Marcos Biagini Medina Inconstitucional ide do Protocolo ICMS 21/2011 do Confaz. Efeitos Jurídicos para os Signatários e Consumidor Final não Contribuintes do ICMS. In . In. Revista Dialética de Direito Tributário, 226, p. 91105, julho 2014. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 17 9 transversas, exigir tributo em relação a período já atingido pela decadência, isto sem falar em violação do disposto no § 4º, do art. 9º, do Decreto nº 70.235, de 1972, acrescentado pela Lei nº 11.941, de 2009. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do valor de R$ 15.236,19 na composição do saldo negativo no anocalendário de 2003. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 429DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 16327.900588/2006-54
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2003
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2003 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2039; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 91 1 90 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.900588/200654 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.367 – 1ª Turma Especial Sessão de 14 de outubro de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente INDUSVAL FINANCEIRA CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2003 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 05 88 /2 00 6- 54 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/200654 Acórdão n.º 3801004.367 S3TE01 Fl. 92 2 (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/200654 Acórdão n.º 3801004.367 S3TE01 Fl. 93 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Tratase de manifestação de inconformidade (fis. 10/17) de INDUSVAL FINANCEIRA, CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A., supra qualificada, apresentada em face do Despacho Decisório de fis. 01. Em 13.06.2003, o contribuinte entregou a Declaração de Compensação de fls. 05/09 (PER/DCOMP n° 30130.97051.130603.1.3.049134), na qual declara a compensação de pretenso crédito de PIS, oriundo de pagamento indevido ou a maior contido no recolhimento efetuado em 15.05.2003 (PA 04/2003), com débitos do próprio PIS com vencimento em 13.06.2003 (PA 05/2003). Pelo Despacho Decisório de fls. 01 o contribuinte foi cientificado, em 27.02.2008 (fls. 04), que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o valor indevidamente compensado (principal: R$ 4.341,29). Irresignado, o contribuinte apresentou em 28.03.2008 a Manifestação de Inconformidade de fls. 10/17, alegando, em apertada síntese, a nulidade do despacho decisório, por falta de motivação e de fundamentação do ato, e, no mérito, que existiria um outro DARF, no valor de R$ 26.481,99, referente ao mesmo período de apuração do DARF discriminado no PER/DCOMP, mas que, por um lapso, não foi informado pelo contribuinte mediante retificação do PER/DCOMP. Pleiteia, assim, a homologação integral da compensação e cancelamento da cobrança, bem como, ante a existência de fato novo informado, seja o processo encaminhado à DEINF/SPO para nova análise do PER/DCOMP. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/200654 Acórdão n.º 3801004.367 S3TE01 Fl. 94 4 Descabe reparo ao despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte, por revelarse inexistente o crédito pleiteado. In casu, os alegados créditos seriam oriundos de recolhimentos que, não obstante, estavam integralmente alocados para a quitação de débitos confessados pelo contribuinte. Solicitação Indeferida Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual alega a preliminar de nulidade do despacho decisório, por falta de motivação e de fundamentação do ato, e, no mérito, que a origem ao crédito objeto da • PER/DCOMP em questão (R$ 4.341,29), resulta da diferença entre o valor do DARF (R$ 49.830,59) e o valor efetivamente devido (R$ 45.489,30). É o Relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/200654 Acórdão n.º 3801004.367 S3TE01 Fl. 95 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de PIS, Código de Receita 4574, PA 30/04/2003. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos de PIS, e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a PIS Código de Receita 4574, PA 30/04/2003, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. Apesar do contribuinte informar ter retificado a DCTF posteriormente, a analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/200654 Acórdão n.º 3801004.367 S3TE01 Fl. 96 6 Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente a recorrente indicou no PER/DCOMP um DARF, no valor total de R$ 49.830,59, referente a PIS Código de Receita 4574, PA 30/04/2003, pleiteando a compensação de um pagamento indevido ou a maior no montante de R$ 4.341,29. Na manifestação de inconformidade alegou que havia um outro DARF relativo ao mesmo período de apuração, o qual, se fosse considerado pela autoridade fiscal, evidenciaria a existência do crédito compensado. No entanto, conforme consta na decisão recorrida, o contribuinte, em sua DCTF retificadora entregue em 23.08.2004, declarou um débito de PIS referente ao período em questão no valor de R$ 73.608,98, vinculando os dois DARF mencionados, evidenciando a inexistência do crédito alegado pelo interessado. No recurso voluntário apresentado, por sua vez, a recorrente alega que o valor apurado a título de PIS, referente ao mês de abril/2003, na verdade seria de R$ 45.489,30, o que daria origem ao crédito objeto da PER/DCOMP em questão (R$ 4.341,29), resultado da diferença entre o valor do DARF (R$ 49.830,59) e o valor efetivamente devido (R$ 45.489,30). Alega ainda que o valor efetivamente apurado estaria consignado na DIPJ do anocalendário 2003 (DOC. 06), exercício 2004 e que procedeu à retificação da DCTF, referente ao 2° trimestre de 2003 (DOC. 07). Conforme já ressalvado, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito. Dos elementos de prova presentes nos autos verificase que consta copia de uma DIPJ 2004, ano calendário 2003, entregue em 26/06/2004, na qual foi calculado um valor de R$ 45.489,30, referente a contribuição para PIS/PASEP para o período de apuração de abril/2003. Já a DCTF retificadora, entregue em 23/08/2004, aponta um débito de PIS referente ao período em questão no valor de R$ 73.608,98. Apesar da recorrente ter providenciado a retificação extemporânea da respectiva DCTF, recebida em 02/12/2008, os documentos apresentados são insuficientes para Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/200654 Acórdão n.º 3801004.367 S3TE01 Fl. 97 7 se apurar o valor correto do PIS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior O Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento além das declarações sob sua responsabilidade que pudesse comprovar a origem do seu crédito, tais como a escrituração contábil e fiscal. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações em litígio. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000704/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. REGULAR INTIMAÇÃO.
Incabível o lançamento fundado na presunção de omissão de receitas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, se ausente a regular intimação para justificativa dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, conforme determina o artigo 42 da Lei n° 9.430/96.
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE.
Considera-se válida a intimação por via postal desde que haja prova de recebimento, pelo contribuinte ou seu preposto, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo.
INTIMAÇÃO POR EDITAL.
Restando improfícua a intimação pela via postal ou quando a inscrição do sujeito passivo for declarada inapta, e não havendo indicação de se endereçar a intimação a local diverso, a ciência dos atos administrativos deve ser realizada por edital (§ 1°, I, II, III do art. 23 do Dec. 70.235/72).
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado
no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula.
Recurso de ofício negado
Numero da decisão: 1401-001.331
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso ofício, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: Relator Maurício Pereira Faro
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. REGULAR INTIMAÇÃO. Incabível o lançamento fundado na presunção de omissão de receitas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, se ausente a regular intimação para justificativa dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, conforme determina o artigo 42 da Lei n° 9.430/96. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. Considera-se válida a intimação por via postal desde que haja prova de recebimento, pelo contribuinte ou seu preposto, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. INTIMAÇÃO POR EDITAL. Restando improfícua a intimação pela via postal ou quando a inscrição do sujeito passivo for declarada inapta, e não havendo indicação de se endereçar a intimação a local diverso, a ciência dos atos administrativos deve ser realizada por edital (§ 1°, I, II, III do art. 23 do Dec. 70.235/72). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Recurso de ofício negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso ofício, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro.
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OMISSÃO DE RECEITAS. REGULAR INTIMAÇÃO. Incabível o lançamento fundado na presunção de omissão de receitas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, se ausente a regular intimação para justificativa dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, conforme determina o artigo 42 da Lei n° 9.430/96. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. Considerase válida a intimação por via postal desde que haja prova de recebimento, pelo contribuinte ou seu preposto, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. INTIMAÇÃO POR EDITAL. Restando improfícua a intimação pela via postal ou quando a inscrição do sujeito passivo for declarada inapta, e não havendo indicação de se endereçar a intimação a local diverso, a ciência dos atos administrativos deve ser realizada por edital (§ 1°, I, II, III do art. 23 do Dec. 70.235/72). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Recurso de ofício negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 04 /2 01 0- 91 Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso ofício, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro. Relatório Tratase de recurso de oficio contra acórdão que julgou, por unanimidade de votos, a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório anterior elaborado pela 5º Turma da DRJ/SP1 São Paulo SP: Em ação fiscal levada a efeito sobre o contribuinte acima identificado, instaurada por força do MPF nº 0819000 2009 039049, foram lavrados Autos de Infração relativos aos anos calendário de 2006 e 2007, de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fls. 922/926); de Contribuição para o Programa de Integração Social (fls. 933/937); de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 944/948) e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 952/956). Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 914/916: • não foi dada ciência pela via pessoal ou postal em virtude de a contribuinte não ter sido localizada em seu endereço cadastral, tendo a mesma sido declarada INAPTA a partir de 01.01.2006, conforme ADE n° 234 de 09.09.2009, publicado no DOU de 11.09.2009; • com base em extratos bancários referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007 fornecidos pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal mediante autorização para quebra de sigilo bancário, a contribuinte foi intimada a esclarecer e comprovar a origem dos depósitos e créditos efetuados nas contas bancárias; Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 4 3 • como a contribuinte não se manifestou, à falta de comprovação da origem dos valores mencionados nas planilhas, nos termos do artigo 926 do RIR199, e após desconsideradas as transferências entre bancos, restou configurada presunção de omissão de receita no anocalendário de 2006 no valor de R$ 54.518.060,52 (cinquenta e quatro milhões, quinhentos e dezoito mil e sessenta reais e cinquenta e dois centavos) e no anocalendário de 2007 no valor de R$ 68.979.667,08 (sessenta e oito milhões, novecentos e setenta e nove mil e seiscentos e sessenta e sete reais e oito centavos), de conformidade com os artigos 287 e 849 do RIR199. 3 Fundamentação fática e legal e valores totais dos créditos tributários constituídos, incluída a multa proporcional e juros calculados até 31/03/2010, discriminados a seguir: 4. Irresignada com a autuação, da qual tomou ciência em 22/04/2010 (AR a fl. 958), a interessada apresentou, em 20/05/2010, a impugnação de fls. 962/968, acompanhada dos documentos de fls. 969/986, na qual apresentou as alegações abaixo sintetizadas: Preliminarmente, Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 5 4 4.1. a garantia ao contraditório e à ampla defesa foi completamente descurada, porquanto a tentativa de localização da pessoa jurídica foi promovida "Avenida Santa Maria 948 Jardim Colonial São Paulo", ao passo que o domicilio fiscal declarado e que forçosamente deveria constar dos registros e assentamentos da RFB era "Avenida Francisco Santa Maria n° 948 Jardim Colonial São Paulo"; 4.2. sem tentativa efetiva de localização da contribuinte no real endereço constante dos registros e assentamentos do órgão fiscalizador, não se considera cientificada a contribuinte, que é pressuposto essencial para o regular exercício do procedimento fiscal promovido, restando contaminados todos os atos praticados posteriormente; 4.3. em 11/12/2009, a contribuinte ingressou com de reativação do CNPJ, processo n° 13807.010088/200981, mediante o qual ao conhecimento da RFB a designação da ora subscritora como administradora a a impugnante e o novo endereço de sua sede, qual seja, Rua Dom José Mauricio, n° 133, Santana, São Paulo, CEP no 02028000; 4.4. se porventura a contribuinte tivesse sido oportuna e efetivamente notificada no endereço correto, o que poderia ocorrer, já que o feito fiscal foi concluído somente em 15/04/2010, a contribuinte poderia ter ingressado no curso da ação fiscal aparelhada e ter produzido documentos que certamente influiriam no resultado final encontrado pela auditora; 4.5. é inegável o prejuízo ou gravame experimentado pela impugnante, que constitui causa hábil e suficiente para a anulação da ação fiscal desde o inicio, tornando imperiosa a renovação dos atos, que desde logo se requer; No mérito, 4.6. A autuação desconsiderou que a contribuinte atua no ramo de "factoring", em que é comum e rotineiro o remanejamento de recursos próprios que constituem seu capital de giro, sem que isso signifique as propaladas receitas omitidas. As atividades realizadas constituem prestação de serviços de gestão empresarial e comercial executados em caráter cumulativo e continuo e, ainda, cobranças de títulos extrajudiciais por conta própria e de terceiros, que resultam na movimentação de valores a principio até expressivos, mas que não se constituem, integralmente, em receitas que tivessem sido omitidas para evitar o recolhimento de tributos legais; 4.7. Não houve análise individualizada para determinação da receita omitida, tal como previsto pelo artigo 4° da Lei n ° 9.481/97, e de onde se pudesse extrair a conclusão de que as movimentações constituíram receitas omitidas; Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 6 5 4.8. Durante o interregno de tempo que mediou a declaração de inaptidão da empresa, publicada no D.O. em 11/09/2009, e as autuações ora contestadas, verificadas em 15/04/2010, a contribuinte estava simplesmente impossibilitada de prestar as informações que lhe competiam visando demonstrar a real e verídica situação para efeitos fiscais e tributários. Embora aparentemente a tentativa de reativação do CNPJ não tenha chegado ao conhecimento da divisão de fiscalização, a conduta fiscal configura ofensa ao artigo 112 do Código Tributário Nacional, "segundo o qual a interpretação da lei tributária que define infrações ou comina penalidades sempre será feita de maneira mais favorável ao acusado, em existindo dúvidas quanto a natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou 11 natureza ou extensão dos seus efeitos" (fl. 967); 4.9. é inquestionável a boa fé da contribuinte, que protocolou em 11/12/2009 o pedido de reativação do CNPJ para buscar a regularização de sua situação fiscal, mormente com a apresentação das declarações apontadas como omitidas entre os exercícios de 2005 até 2008; 4.10. A autuação deve ser anulada, ainda, por cerceamento ao direito de ampla defesa da contribuinte, eis que os Autos Infracionais apresentamse em desacordo com o previsto no artigo 10, III, do Decreto n° 70.235/72, pois não foram elaborados com a descrição pormenorizada do fato tido por irregular e penalidade imposta; 4.11. Requer, por fim, a anulação da ação fiscal ou, no mérito, o integral refazimento da apuração dos tributos lançados e também das sanções sobre eles incidentes. Em face destes argumentos, a 5º Turma da DRJ/SP1, proferiu acórdão julgando improcedente o lançamento. Tendo em vista que dentre as questões em discussão no presente feito, encontrase a utilização da Requisição de Movimentação Financeiras – RMF, por parte da Autoridade Fiscal, como forma de conhecer os extratos bancários da Recorrente, e, sendo certo que a matéria encontrase no Supremo Tribunal Federal, sob o regime de repercussão geral, este i. Relator, em 03.07.2012, proferiu voto sobrestando o feito, até o pronunciamento final do Egrégio Supremo Tribunal Federal, nos termos da Portaria nº 138/2009 do STF. Ocorre que com o advento da Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os § 1º e § 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foi determinado a reinclusão em pauta para julgamento os processos referentes às matérias que estão em repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF) sem trânsito em julgado, de acordo com o rito do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC). Assim, tendo em conta o cancelamento do crédito tributário, a legislação vigente determina a reanálise da demanda por este Egrégio Conselho. É o relatório. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro Como exposto no relatório, tratase, na origem, de Auto de Infração instaurado por força do MPF nº 0819000 2009 039049, onde se lavrou Autos de Infração relativos aos anoscalendário de 2006 e 2007, de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fls. 922/926); de Contribuição para o Programa de Integração Social (fls. 933/937); de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 944/948) e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 952/956), com base em extratos bancários referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007 fornecidos pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal mediante autorização para quebra de sigilo bancário, não sendo a contribuinte regulamente intimada a esclarecer e comprovar a origem dos depósitos e créditos efetuados nas contas bancárias conforme descrito do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 914/946) que é parte integrante do presente Auto de Infração. Imperioso destacar, que o cerne da presente discussão se foca ao fato da não realização da intimação da contribuinte, uma vez que pela leitura dos autos, se constata que o contribuinte não foi oportunamente notificado no endereço correto, impossibilitando assim, seu ingresso no curso da ação fiscal e a produção de documentos que certamente influiriam no resultado final encontrado pela fiscalização. Como bem examinado pela DRJ, constatase que as correspondências enviadas à empresa e aos sócios desde o inicio do feito fiscal retomaram à RFB sem a ciência dos destinatários a despeito de essas correspondências terem sido enviadas ao correto endereço cadastral. Salientase que o erro material derivouse exclusivamente da RFB, que no momento da fiscalização, enviou as correspondências a endereço com nome de logradouro (Avenida Santa Maria) diferente do informado pela contribuinte e à época constante dos registros e assentamentos da RFB, qual seja "Avenida Francisco de Santa Maria”. Cabe observar que os termos de inicio de fiscalização foram enviados à empresa e a três sócios em seus distintos endereços cadastrais e, mesmo assim, todos eles também retornaram à fiscalização sem ateste de recebimento pelos destinatários, com informação dos correios de que os mesmos seriam desconhecidos naqueles endereços (fls. 9/17). A fim de elucidar a questão temporal do assunto, mister se faz transcreve a cronologia dos fatos expostas pela DRJ: 1. em 31/03/2008, os Termos de Inicio de Fiscalização enviados com AR à empresa e seus sócios nos endereços constantes no cadastro da RFB retornaram com a informação dos correios de que os destinatários eram desconhecidos nos referidos locais, ou seja, os destinatários (empresa e sócios) não foram encontrados nos endereços cadastrados (fls. 07, 12, 13 e 14). Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 8 7 2. em 11.09.2009 foi publicado o ADE n° 234/2009, que declarou a inaptidão da contribuinte com efeitos retroativos a 01.01.2006 (fl. 21); 3. em 11.12.2009, a contribuinte ingressou na RFB com Pedido de Reativação de CNPJ (fl. 984), no qual informou novo endereço, a Rua Dom José Mauricio, n° 133, Santana, São Paulo. O processo foi autuado sob n° 13807.010088/200981; 4. em 02.02.2010, foi enviada à empresa por via postal, no mesmo endereço constante no cadastro da RFB, intimação para comprovação da origem dos valores debitados e creditados constantes de extratos bancários fornecidos por instituições financeiras (fl. 30 ou 572), tendo essa correspondência sido devolvida pelos correios (AR a fl. 573) porque, novamente, a empresa não foi encontrada naquele endereço. 5. em 22.04.2010, a contribuinte foi cientificada dos Auto de Infração por correspondência enviada pela fiscalização ao endereço informado no pedido de Reativação de CNPJ, Rua Dom José Mauricio, n° 133, Santana, São Paulo. Desta forma, fundamental se faz a exposição do art. 23 do Decreto 70.325/72, que elucida algumas questões: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada con: a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem O intimar; (Redação dada pela Lei n°9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005) a) envio ao domicilio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei n° 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei n°11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 9 8 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005.) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005.) (...) § 3 Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005.) § 4º Para fins de intimação, considerase domicilio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005.) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005.) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005.) (grifouse). (...) Assim, importante destacar que segundo o ordenamento jurídico pátrio, observase que a intimação do sujeito passivo se fará, em regra, pela via pessoal ou pela via postal, em seu domicilio tributário, nos termos do §4º do art. 23 do Decreto 70.235/72, não estando tais meios sujeitos à ordem de preferência. Deste modo, constatase que não havendo prova do recebimento da correspondência no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, conforme estabelecido no inciso II do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72, a intimação de fl. 30, encaminhada à contribuinte por via postal não pode ser considerada válida, ainda que tenha sido enviada a endereço informado pela própria contribuinte aos cadastros da RFB. Nesse caso, mostrandose efetivamente improfícua a intimação por via postal, conforme atesta o AR de fl. 573, que foi devolvido pela agência dos correios com a informação de destinatário "desconhecido", a fiscalização teria que proceder à publicação de edital, nos termos do §1° do artigo 23 do Decreto 70.235/72, para concretizar a regular intimação da contribuinte. Frisese que, a atual redação do §1º do artigo 23 foi dada pela Lei n°11.941, publicada no DOU de 28.05.2009, sendo sua observância obrigatória, portanto, à época em que providenciada a cientificação da intimação para comprovar a origem dos recursos ao final admitidos como receitas omitidas, com base no artigo 42 da Lei 9.430/96. Diante do acima exposto e do que consta dos autos, concluise que, efetivamente não houve intimação válida, para o documento de fl. 30, não se observando assim,os art.23, inciso II e §1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 10 9 Por fim, fundamental se configura a exposição do que se encontra previsto no art. 42 da Lei nº 9430/96, reproduzido no art. 849 do RIR 99: Art. 849. Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei n º 9.430, de 1996, art. 42). Como de observar pela simples leitura a cima, a hipótese tributária prevista no dispositivo configurase com a não comprovação da origem dos recursos utilizados em operações bancárias, após ser a contribuinte "regularmente intimada", repitase, “regularmente intimada” a essa comprovação. Nesse sentido, este i. Conselho já se manifestou sobre a matéria: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. RPJ/CSLUPIS/COFINS — MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA — NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇAO E INTIMAÇÃO ESPECIFICA A utilização da presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/92 tem como um dos pressupostos indispensáveis a intimação especifica ao contribuinte para que justifique os créditos bancários individualizados pela fiscalização. Não pode prevalecer exigência tributária calçada somente nos valores da movimentação global apontada nos sistemas eletrônicos de preparo da ação fiscal, ponto de partida para os trabalhos fiscais. (Acórdão nº 10709.098 –Primeiro Conselho de Contribuintes 7ª Câmara Rel. Luiz Martins Valero Sessão de 04.07.2007 DOU 31.01.2008 Grifouse). Com efeito, a contribuinte necessariamente precisa ser regularmente intimada, na forma do Decreto n° 70.235/72, para que assim, possa prestar esclarecimentos a RFB, comprovando a origem dos créditos, garantindo a oportunidade de se manifestar sobre as movimentações bancárias, não se configura o fato indiciário (não comprovação da origem dos recursos) com que a lei permite presumirse omitidas as receitas. Pelo exposto, entendo que a falta de intimação válida da contribuinte para, querendo, se manifestar quanto à origem das movimentações bancárias afronta diretamente o disposto no art. 849 do RIR 99. Assim, configurase forçoso concluir que não houve a regular intimação exigida no dispositivo legal em que se fundou a autuação, de modo que a não comprovação da origem dos recursos utilizados nas movimentações financeiras não é suficiente para caracterizar a omissão de receitas presumida. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 11 10 Deste modo, não se constatando a regular intimação da contribuinte a prestar informações sobre as movimentações bancárias que foram utilizadas para a presente autuação voto pela improcedência do Recurso de Ofício, motivo pelo qual, mantenho a decisão da DRJ SP1 São Paulo, exonerando o Crédito Tributário. É como voto. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO
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