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Numero do processo: 10660.720689/2014-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
DECADÊNCIA SALDO DE PREJUÍZO GLOSA. A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco revise o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado.
IRPJ. COMPENSAÇÃO. REVISÃO DE SALDOS NEGATIVOS ALCANÇADOS PELA DECADÊNCIA. Constitui revisão de lançamento a redução do saldo negativo decorrente da alteração da base de cálculo, razão pela qual não se opera a decadência
EXCLUSÃO A TÍTULO DE DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. GLOSA. IMPROCEDÊNCIA. Afasta-se a exigência a esse título, quando demonstrado que os valores excluídos correspondem às aquisições de imobilizado do ano, para a atividade rural, e a análise dos lançamentos constantes dos razões contábeis evidencia de forma detalhada e individualizada as exclusões efetuadas pela empresa.
Numero da decisão: 1301-002.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Milene de Araújo Macedo que votaram por negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Jose Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco revise o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado. IRPJ. COMPENSAÇÃO. REVISÃO DE SALDOS NEGATIVOS ALCANÇADOS PELA DECADÊNCIA. Constitui revisão de lançamento a redução do saldo negativo decorrente da alteração da base de cálculo, razão pela qual não se opera a decadência EXCLUSÃO A TÍTULO DE DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. GLOSA. IMPROCEDÊNCIA. Afastase a exigência a esse título, quando demonstrado que os valores excluídos correspondem às aquisições de imobilizado do ano, para a atividade rural, e a análise dos lançamentos constantes dos razões contábeis evidencia de forma detalhada e individualizada as exclusões efetuadas pela empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Milene de Araújo Macedo que votaram por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 06 89 /2 01 4- 86 Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.703 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Jose Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Cuida o presente processo de auto de infração de IRPJ relativo aos anos calendário de 2009 a 2012, no valor de R$ 31.031.682,78, incluindo os juros e multa qualificada. As infrações são decorrentes da: (i) compensação indevida de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa, nos montantes de R$ 7.991.268,79, R$ 3.092.651,95, R$ 10.439.915,01 e R$ 6.943.340,10, com os resultados apurados nos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012, respectivamente, (ii) compensação indevida, no ano de 2009, do lucro apurado com saldo inexistente de prejuízo fiscal no valor de R$ 2.941.422,15; e (iii) exclusão indevida, no ano de 2012, do montante de R$ 4.601.022,72, a título de depreciação acelerada incentivada. Vejamos as descrições dos fatos do auto de infração e seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão prolatado pela 2ª Turma da DRJ/BSB (fls. 1484/1492): I. DO PROCEDIMENTO FISCAL Informa o agente fiscal, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 28/47, que o contribuinte, em 1994, impetrou mandado de segurança (nº 94.00238258), objetivando aplicar em suas demonstrações financeiras a correção integral do IPC de 1989 e 1990. 1. Da análise do MS nº 94.00238258 Esclarece que, após minuciosa análise da documentação apresentada, verificou divergências de saldo de prejuízos fiscais e da base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, quando confrontados com os dados existentes no Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido SAPLI, da Receita Federal do Brasil, sendo a contribuinte questionada, por várias vezes, pela fiscalização e intimada a apresentar os seus controles relativamente a tais saldos, além de prestar os devidos esclarecimentos sobre tais divergências. Informa a autoridade fiscal que o contribuinte pleiteou a utilização do percentual de 70,28%, referente ao mês de janeiro de 1989, para fins da correção monetária de suas demonstrações financeiras e que anexou, no processo judicial, demonstrativos, por meio do qual pretendeu demonstrar as perdas sofridas com o expurgo inflacionário daquele período. Ressalta, contudo, o agente fiscal: “Anexou aquilo que chamou "demonstrativos", onde pretendeu demonstrar suas "perdas", porém numa verificação mais apurada, tratase de demonstrativos de apuração do Lucro Real onde inclui lançamentos das correções relacionadas às Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.704 3 despesas de depreciação/amortização/exaustão/baixas, ignorando todas as demais contas sujeitas à correção (Ativo Permanente e Patrimônio Líquido). Ou seja, a empresa aplicou suas modificações a alguns itens do Ativo Permanente (contas retificadoras), desrespeitando as normais legais que regem a correção monetária (DOC 40 fls. 40 a 46).” Do referido Termo de Verificação Fiscal, destaco também as seguintes passagens, que bem sintetizam o trabalho fiscal: “(...) a edição da Lei nº 8200/91 pretendeu corrigir o que foi considerado uma injustiça cometida contra os contribuintes, com a supressão de parcela substancial da inflação ocorrida naquele período, permitindo a esses que aplicassem a correção aos itens das demonstrações contábeis a ela sujeitos. Não há que se falar em aplicação a ALGUNS itens. Não bastasse isso a aplicação da correção monetária a contas representativas de despesas acarretaria um saldo CREDOR de correção monetária, o que representaria um ganho a ser oferecido à tributação. (...) Neste ponto, registrese o arrazoado trazido aos autos pela autoridade coatora (DOC 40 Fls.48 a 51) . E o parecer do Procurador Regional da República discorrendo sobre o saldo da correção monetária, inequivocamente traduzindo os efeitos da lei n° 8200/91 , deixando cristalinamente claro que os percentuais por ela definidos deveriam ser aplicados tanto nas contas do Ativo Permanente (inclusive as retificadoras: depreciação, amortização, exaustão) e do Patrimônio Líquido (DOC 40 Fls. 52 a 54) . (...) Esse confronto resultaria num ganho (Resultado da correção monetária credor) ou numa perda (Resultado da correção monetária devedor). Tão descabida e matreira é pretensão da empresa em alegar judicialmente lhe foi deferida a autorização de apenas corrigir alguns itens do Ativo Permanente que sequer foi cogitada em qualquer momento do trâmite do feito (vide DOC 40 Fls. 53). Nesse ponto, a empresa entra com pedido de reconsideração e, novamente seu pedido versa sobre a aplicação integral do percentual de 70,28% e a dedução de 100 % para apurar o resultado do exercício. (DOC 40 Fls. 55 a 63 Em sentença prolatada pela Exma. Juíza Federal, Dra. Nizete Antónia Lobato Rodrigues, também versando sobre a utilização do IPC em lugar do BTNF como indexador da correção monetária em demonstrações financeiras e compensar de uma só vez o indébito apurado (se apurado!), além do direito de utilizar, para efeito de dedução fiscal, o IPC no percentual de 70,28 %, foi, novamente, denegada a segurança, com menção ao reconhecimento do percentual de 42,72% (ao invés dos 70,28% pretendidos) devido ao fato de ser matéria de entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça (DOC 40 Fls. 64 a 69). Apresentados os Embargos de Declaração fica claro o pedido da empresa em deduzirem a correção monetária de balanço (DOC 40 Fls. 71 ) e o questionamento quando ao percentual dessa correção, inovando ao incluir o percentual de 10,14% aplicável ao mês de Fevereiro/1989. Mais óbvio ainda que essa dedução ocorreriam se a empresa apurasse um resultado negativo de correção monetária (DOC 40 Fls 70 a 74) . Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.705 4 A mesma Juíza reforma seu entendimento ao julgar esses embargos e concede parcialmente a segurança, desconhecendo o percentual de 10 , 14% e reconhecendo a utilização do percentual de 42 , 72% para aplicação na correção das demonstrações financeiras (DOC 4 0 Fls. 75 a 77) . (...) O trânsito em julgado se deu 11/04/2005, e, questionada pela fiscalização, a empresa informou à fiscalização que teria um saldo negativo no montante de R$ 20.469.480,51 (DOC 24 Fls. 03), tentando a empresa convencer a fiscalização de que já utilizara totalmente tais valores (DOC 38 Fls. 04). Para a CSLL a empresa computou o montante de R$ 20.469.925,93, apresentando sua apuração no DOC 19 explicitado no DOC 24 Fls. 06. Também elaborou e apresentou planilhas com o que chamou de "critérios para utilização dos expurgos de janeiro e fevereiro de 1989", querendo fazer crer à fiscalização que tais planilhas constavam do processo judicial e refletiam o montante a que a empresa faria jus (o que não é verdadeiro, as planilhas constantes do processo (DOC 40 Fls. 41 a 46), já foram anteriormente comentado); acrescentandose que, mesmo essas planilhas, trazem apenas uma espécie de demonstração do lucro real, com acréscimo de valores dito de despesas de depreciação, sem maiores comprovações, tipo: em quais contas foram aplicadas essa depreciação, em que percentuais e quais eram os saldos dessas contas (...). (...) A empresa tentou durante todo o procedimento fazer crer que judicialmente lhe foi concedido o direito de corrigir apenas suas contas retificadoras do Ativo Permanente, que visualizando a planilha é composta pela conta "Depreciações, amortizações, cotas de exaustão" com saldo de Cz$ 4.317.286 (já na moeda cruzados). De forma inovadora, lança as supostas despesas de depreciação em cada subconta, corrigindoas, porém SEM corrigir as patrimoniais. (...) Ainda, se torna necessário registrar que, do período de 1988 a 1990, a empresa não apresentou resultado negativo da correção monetária, pois seu Ativo Permanente corrigível sempre foi maior que o Patrimônio Líquido, menos se deduzindo os saldos das contas retificadoras do Permanente (DOC 45 a 48). (...) Patente a malicia, a máfé e o desrespeito à inteligência alheia, nessa tentativa de fazer crer que a empresa poderia apenas corrigir alguns itens de seu balanço, e de um só lado, sendo judicialmente autorizada a fazêlo. (...) Mas, e apenas para demonstrarse a improcedência das alegações da empresa, ilustrativamente, apresentase o resultado da correção monetária da empresa, no anobase 1988 (Declaração ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica anexada – DOC 42 Fls. 05): (...) Conforme se observa, o Ativo Imobilizado Corrigível (Terrenos; Edifícios e Construções; Equipamentos, Máquinas e Instalações; Veículos, Móveis; Utensílios e Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.706 5 Instalações; Outras Imobilizações) apresenta um total devedor de Cr$ 25.123.054.724, e a conta retificadora "Depreciações" que traz um saldo credor de Cr$ 4.317.286.776. Por outro lado, no Patrimônio Líquido Corrigível (Capital Domiciliados no País; Reservas de Capital; Reservas de Reavaliação; Reservas de Lucros; Lucros Acumulados) o saldo credor é de Cr$ 14.080.148.236. 2. Da compensação indevida de prejuízos fiscais A seguir, o agente fiscal ressalta que somente podem ser compensados prejuízos fiscais se a pessoa jurídica mantiver os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado nessa compensação. Informa que verificou os saldos das contas de Prejuízo Fiscal Acumulado a Compensar e da Base de Cálculo Negativa da CSLL, para efeito de recomposição dos LALUR do periodo 1991 a 2008, e que promoveu o confronto dos valores constantes nas Declarações ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Livros de Apuração do Lucro Real LALUR, com os dados existentes nos sistemas informatizados da RFB. Informa que anexou aos autos somente os LALUR e as Declarações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica em que foram encontradas divergências entre os valores lançados pela empresa e os valores apurados pela fiscalização (DOC 41 a 44, DOC 53 e DOC 58 a 69). Lembra que o prejuízo fiscal da atividade rural pode ser compensado com o lucro real das demais atividades do mesmo período de apuração, sem limite. Com essas premissas, a autoridade fiscal, examina, um a um, no mesmo Termo de Verificação Fiscal, os LALUR dos mencionados períodos, tecendo comentários sobre as compensações realizadas, os índices de correção monetária, os saldos remanescentes, entre outros. Ao final elabora planilha a que denomina “Consolidação dos Livros de Apuração do Lucro Real – Prejuízo Fiscal – Período 1990 a 2008” (fls. 20/23). 3. Da compensação indevida, no ano de 2009, do lucro apurado com “saldo inexistente de prejuízo fiscal” no montante de R$ 2.941.422,15. Neste item do auto de infração, o agente fiscal apurou, em 31/12/2009, a exigência de imposto (IRPJ) no valor de R$ 735.355,54. Esta exigência tem origem na aludida recomposição dos LALUR do período de 1991 a 2008, na qual a Fiscalização apurou excessos de compensação de prejuízos fiscais da atividade rural desde o ano de 2004, resultando em “excedente de utilização do prejuízo fiscal da atividade rural acumulado até 2008” no montante de R$ 2.941.422,15. 4. Da exclusão indevida, no ano de 2012, do montante de R$ 4.601.022,72, a título de depreciação acelerada incentivada. Quanto a este item da autuação, informou a autoridade fiscal que, no ano calendário 2012, verificou uma exclusão ao lucro líquido do exercício, na determinação do lucro real, no valor de RS 4.601.022,72, a titulo de Fl. 1706DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.707 6 “Depreciação/Amortização Acelerada Incentivada Demais Hipóteses” (DOC 69 Ficha 9A Linha 82 da DIPJ 2013, Fls. 17). Assevera que, intimada a prestar os devidos esclarecimentos (DOC 51, Fls.04), a empresa limitouse a entregar planilhas que não se prestariam à comprovação dessa exclusão (DOC 56), razão pela qual promoveu a glosa correspondente. 5. Da qualificação e do agravamento da multa de ofício Segundo o agente fiscal, os fatos narrados pela Fiscalização demonstram o evidente intuito de fraude do contribuinte, no que concerne ao aproveitamento de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, a título de determinação judicial, aplicandose ao caso a qualificação da multa de ofício, consoante o disposto no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1966, c/c os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502. Por outro lado, assevera que o agravamento da multa de ofício também é medida que se impõe, pois, no seu entender, o art. 44, parágrafo 2o, da Lei n° 9.430/96, é claro quando prevê a aplicação da multa no percentual de 225% em face de omissão na obrigação de prestar esclarecimentos à autoridade administrativa, no prazo marcado. Afirma que não basta atendêla. Deve o contribuinte agir no lapso de tempo definido pela fiscalização. No presente caso, demonstrando um certo desprezo à ação que se desenvolvia, a empresa só remetia à Fiscalização o que entendia suficiente, mesmo diversas vezes alertada pela fiscalização (vide termos lavrados DOC 06 fls. 03; DOC 11 Fls. 01; DOC 14 Fls. 02; DOC 16 Fls.01; DOC 22 Fls. 02 e 03; DOC 26 Fls. 02 e 03; DOC 33 Fls 01 e 02; DOC 45 Fls 02 e 03 e DOC 51 Fls. 05). II. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do auto de infração em 31/03/2014, a contribuinte apresentou, em 29/04/2014, a impugnação de fls. 781/834. Em sua peça de defesa, aduz a suplicante, em síntese, as seguintes razões, na ordem em que apresentadas. 1. Quanto às exigências derivadas da decisão judicial no MS nº 94.00238258 Assevera a impugnante que impetrou mandado de segurança requerendo que lhe fosse assegurado o direito de deduzir, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL, as despesas de depreciação, amortização e baixas correspondentes à diferença de correção monetária do ativo permanente, assim como o direito de atualizar os prejuízos fiscais, computando os efeitos do expurgo inflacionário do Plano Verão (1989). Informa que a Companhia saiu vitoriosa na ação, sendolhe reconhecido, por decisão transitada em julgado, o direito à correção, pelos índices de 42,72% (janeiro de 1989) e 10,14% (fevereiro de 1989), das despesas de depreciação, amortização e baixas do ativo permanente e do saldo de prejuízos fiscais, nos limites do pleito que fez ao Poder Judiciário. Eis o pedido: Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.708 7 "Conceder a ordem, julgando totalmente procedente o pedido da impetrante, confirmandose a liminar, para que assegure o direito líquido e certo de deduzir fiscalmente as despesas de 1989, computandose a variação do IPC de janeiro de 1989 de 70,28%, substituindose a OTN de NCz$ 6,92 pela NCz$ 10,51, a qual espelha a inflação real do período, segundo o IBGE e arts. 5 e 6 do DL 2.283/86, (...), na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social Sobre o Lucro, como se fosse ajuste de exercícios anteriores (art. 186, §. 1°, da Lei n° 6.404/76 e arts. 154 e 171 do RIR/80), com todos os efeitos daí decorrentes, tais como os de depreciação, exaustão, baixas e amortização dos bens do ativo permanente." Informa que a medida liminar foi indeferida em um primeiro momento e a segurança denegada. Em 14 de maio de 1998, protocolou Embargos de Declaração O referido recurso foi apreciado pelo Juízo de 1a instância em 30 de junho de 1998, que houve por bem o prover para conceder parcialmente a segurança, nos seguintes termos: “(...) declarar o direito das Impetrantes ao cômputo, na dedução fiscal das despesas do exercício de 1989, da variação do IPC de janeiro daquele ano, à base de 42,72%, descontada a correção efetivamente considerada". Após detalhar as fases seguintes da demanda judicial, esclarece que o STJ negou provimento ao Agravo Regimental da Fazenda Nacional, e, portanto, confirmou a decisão que lhe foi imediatamente anterior, tendo o acórdão transitado em julgado em 11 de abril de 2005. Conclui que se encontra amparada por provimento judicial definitivo (sentença complementada pelo acórdão do STJ) que reconheceu o seu direito de proceder à dedução fiscal das despesas de depreciação, amortização e baixas do ativo permanente existentes em janeiro de 1989, computandose a variação do IPC de janeiro de 1989 (índice de 42,72%) e de fevereiro de 1989 (índice de 10.14%). Ressalta que as normas do Código de Processo Civil determinam que a coisa julgada material referese ao conteúdo normativo da decisão transitada em julgado, considerandose os contornos da lide, como postos na inicial, delimitados pelo pedido e pela causa de pedir. Reitera que a decisão judicial transitada em julgado não impôs dever algum à impugnante, ou seja, não determinou a apuração de saldo credor de correção monetária de balanço a partir da aplicação dos expurgos inflacionários. Pondera que, nessa hipótese, a impugnante simplesmente não teria interesse de agir, o que causaria a extinção do processo sem julgamento de mérito, assunto que não teria sido alegado pela Fazenda Nacional no curso da lide. Conclui que os efeitos da decisão judicial encontramse limitados ao pedido, portanto os índices reconhecidos como expurgados devem ser aplicados exclusivamente sobre as reversões do ativo permanente e sobre os saldos da parte B do LALUR, como fez a impugnante. A seguir, destaca, em termos didáticos, o que seria o alcance do pedido inicial do mandado de segurança: Fl. 1708DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.709 8 a) "deduzir fiscalmente(...)" não se trata de lançamentos contábeis, como pretende a fiscalização; b) "(...) as despesas de depreciação, amortização e baixas (...)" limite material da dedução fiscal requerida. Despesas afetadas, reduzidas, pelo expurgo de correção monetária do Plano Verão; c) "(...) na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social (...)" confirmação de que o direito da Impugnante se limita aos ajustes fiscais decorrentes do Plano Verão, ou seja, às deduções fiscais equivalentes a aplicação dos índices expurgados sobre as depreciações, amortizações e baixas do ativo permanente existente em janeiro de 1989 d) "(...) com todos os efeitos daí decorrentes, (...)" evidência de que a Impugnante limitou seu pedido aos efeitos fiscais do expurgo que lhe eram prejudiciais, a exemplo da falta de correção integral dos créditos existente na parte B do LALUR, entre os quais os prejuízos fiscais já gerados até 1989, e nunca prejuízos futuros, evidentemente. Prossegue a suplicante, agora em outra linha de defesa, para sustentar que, além de ignorar o comando da coisa julgada, a autoridade fiscal também teria se equivocado na aplicação das normas gerais sobre correção monetária de balanço. Em outras palavras, alega a impugnante que mesmo que a autoridade fiscal estivesse correta em sua pretensão quanto à necessidade de se aplicar os índices expurgados sobre as demonstrações financeiras como um todo, e não apenas sobre as contas do ativo permanente, o presente crédito tributário não teria condições de subsistir. Sustenta que “a fiscalização simplesmente ignorou os efeitos que seriam produzidos nos períodos seguintes em função da realização dos encargos de depreciação, amortização e baixas do ativo permanente corrigido, que acabam por anular o efeito da suposta falta de tributação da diferença de saldo credor de CMB pela Impugnante.” A seguir, de forma didática, aponta os seguintes erros que teriam sido cometidos pelo agente fiscal: “a) não aplicação da norma individual decorrente da Ação Ordinária n° 95.00.087464, pois ignorada a coisa julgada material determinante do direito de deduzir, na apuração fiscal, as depreciações, amortizações e baixas expurgadas pelo Plano Verão, além dos efeitos de parte B do LALUR; Assim, mesmo em se aplicando as normas gerais em detrimento da norma individual COISA JULGADA MATERIAL, os erros de subsunção permanecem os seguintes: b) não aplicação da norma (art. 20 do Decretolei n° 2.341/1987) que determina a tributação do saldo credor de correção monetária de balanço de forma diferida, como lucro inflacionário, com todos os efeitos decorrentes realizações ocorridas, pagamentos realizados e decadência; c) ignorar a norma geral, e não só a individual da coisa julgada material, que admite a dedução dos efeitos de correção monetária da depreciação, amortização e baixa do ativo permanente; Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.710 9 d) aplicar dispositivos legais que já se encontravam revogados até mesmo em 1989, o que dizer então à época dos períodosbase objeto da autuação: art. 39 do DecretoLei n° 1.598/77.” Prossegue a suplicante, agora para destacar que a Fiscalização analisou seus livros e demais documentos fiscais desde o ano de 1991, “reconstituindo o crédito tributário (sic) de todo o período analisado” (fl. 811). Ressalta que, em se tratando de lançamento por homologação, tem incidência a norma do art. 150, parágrafo 4o, do CTN, devendo ser aplicado o prazo quinquenal a partir do fato gerador do tributo. Assevera que “desde que o prejuízo é formado e declarado, o que é informado em suas declarações fiscais, o Fisco já tem condições de analisar a sua pertinência e quantificação.” Pugna pela devida observância do prazo decadencial, de forma que no presente lançamento seja limitado o direito do Fisco analisar os prejuízos fiscais efetivamente apurados no período do lançamento (2009 a 2012), cancelando, portanto, as glosas relacionadas com o estorno de parcelas apuradas anteriormente a 2009. Prosseguindo, sustenta a impugnante, ad argumentandum tantun, que será necessária a recomposição dos prejuízos fiscais do período, visto que a autoridade fiscal teria considerado os valores apurados de forma incorreta. Alega que, no ano de 1995, apurou prejuízo fiscal no montante de R$ 2.032.130,49 na atividade geral e R$ 10.828.164,01 na atividade rural. Afirma que, para o referido ano, efetuou retificação na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois a DIPJ entregue contemplava o valor de receitas nãooperacionais no montante de R$ 23.118.099,00, mas o valor correto seria de R$ 10.172.419,55 Assevera que é possível comprovar o saldo utilizado na composição das receitas nãooperacionais através dos lançamentos nos razões contábeis no ano de 1995, que anexa. Conclui que, considerando os valores das receitas nãooperacionais extraídos dos lançamentos contábeis, a composição dos prejuízos fiscais corresponde aos valores informados na parte B do LALUR, razão pela qual não prosperaria a glosa efetuada pela autoridade fiscal. 2. Quanto à exigência derivada da exclusão a título de depreciação acelerada incentivada Assevera a impugnante que esta exclusão foi glosada pela Fiscalização com a justificativa de impossibilidade de verificação dos valores pleiteados. Pugna pelo cancelamento da exigência, pois o agente fiscal não teria indicado os motivos pelos quais a documentação foi desconsiderada. Ressalta que o incentivo fiscal de depreciação acelerada incentivada concedida às atividades rurais é, na realidade, uma diminuição da carga tributária no ano de aquisição do bem que será diferida para os exercícios subseqüentes. Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.711 10 Informa que, no caso em concreto, os valores excluídos correspondem às aquisições de imobilizado do ano de 2012 para a atividade rural, conforme composição que apresenta. Assevera que os valores apresentados poderão ser confirmados pelo exame dos razões contábeis disponibilizados pela sociedade, bem como sua respectiva adição no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), referentes ao anocalendário de 2013. Anexa documentos. Informa que os seus controles indicam que os valores que ultrapassaram o custo de aquisição do bem estão sendo devidamente tributados no ano subsequente ao da exclusão dos valores oriundos da depreciação acelerada incentivada. Conclui, ad argumentandum tantun, que, ainda que os valores não sejam considerados pela autoridade fiscal, seriam devidos somente multa e juros. 3. Quanto à qualificação e ao agravamento da multa de ofício Sustenta que a qualificação da multa aplicada no caso em tela não possui suporte legal, uma vez que não teria restado configurada a prática de dolo, fraude ou conluio. Alega que a discussão no presente processo se refere ao alcance processual de uma decisão judicial transitada em julgado na apuração da empresa, e ainda a glosas decorrentes da desclassificação arbitrária das informações prestadas sobre temas como prejuízos fiscais e depreciação na produção rural. Assevera que a autoridade fiscal, para impor a multa qualificada, deve apontar e provar os elementos que demonstrem a fraude, o que não teria sido feito no caso em tela. Sustenta que “o máximo que alcançou o Termo de Verificação Fiscal foi demonstrar que há controvérsia sobre a forma como uma decisão judicial deve se inserir na apuração do contribuinte, por desconhecer a lógica do Processo Civil pátrio, e ainda outros temas que envolvem exclusivamente apuração tributária.” Alega que o agravamento da multa de ofício também é descabido, pois a documentação solicitada pelo agente fiscal não é algo fácil e rápido de se localizar, ainda mais por que já se passaram mais de 24 anos, e, somente por este motivo, é que houve pedidos de prorrogação de prazo pela impugnante. Assevera que, dentro de suas possibilidades, visou atender completamente os requerimentos da Fiscalização, tanto que fez juntar aos autos documentos suficientes para que a mesma conseguisse apurar o suposto crédito tributário. Cita precedentes do CARF que não autorizariam o agravamento da multa de ofício em situação como a dos autos. Pede o deferimento da impugnação A DRJ, ao analisar a impugnação de fls 781/834, julgou parcialmente procedente o lançamento fiscal, mantendo em parte o crédito tributário constituído. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1507/1560), no qual repisa os argumentos da Impugnação e contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.712 11 Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual dele conheço. Igualmente, o Recurso de Ofício preenche os requisitos de admissibilidade, de acordo com a Portaria/MF nº 63/2017, sendo também conhecido. Tratase de auto de infração de IRPJ, o qual descreve três irregularidades apontadas pelo agente fiscal, a saber: (i) compensação indevida de prejuízos fiscais, nos montantes de R$ 7.991.268,79, R$ 3.092.651,95, R$ 10.439.915,01 e R$ 6.943.340,10, com os resultados apurados nos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012, respectivamente; (ii) compensação indevida, no ano de 2009, do lucro apurado com “saldo inexistente de prejuízo fiscal” no montante de R$ 2.941.422,15; e (iii) exclusão indevida, no ano de 2012, do montante de R$ 4.601.022,72, a título de depreciação acelerada. DO RECUSO VOLUNTÁRIO DA GLOSA DERIVADA DO MANDADO DE SEGURANÇA Nº 94.00.238258 Inicialmente o Termo de Verificação Fiscal traz os aspectos legais e fiscais da correção monetária, objeto do Mandando de Segurança em referência, bem como da interpretação da decisão judicial no Mandamus que fundamentou as infrações (i) e (ii) do auto de infração. Confirase abaixo no excerto a seguir, conforme fls. 28/31, a saber: “Resumidamente, o sistema de correção monetária do Brasil foi estabelecido em linhas gerais, pela Lei n° 6.404/76 (Lei das Sociedades por Ações), que determinava a correção de todas as contas integrantes do ativo permanente e do patrimônio liquido, sendo as contrapartidas dessa correção monetária (investimentos, ativo imobilizado, ativo diferido e patrimônio liquido) computadas em conta denominada "Resultado de Correção Monetária". Essa conta era classificada na demonstração do resultado do exercício após o resultado operacional. Pelo Decretolei n° 1.598/77 e, posteriormente pela Lei 7 799/89 a legislação do imposto de renda, seguindo os padrões da lei societária, instituiu os procedimentos específicos de correção monetária, estendendo os critérios dessa correção a todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. O Índice básico para correção, também definido pelo referido decretolei, era variação no valor nominal de uma Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional – ORTN. Esse índice foi substituído pela OTN, que por sua vez foi substituída pelo BTN Fiscal. Com a extinção desse último (Lei 8.177/91), o índice de correção utilizado, a partir do mês de fevereiro de 1991, de acordo com a Lei 8.200/91, passou a ser o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC. Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.713 12 A Lei 8.383, de 30.12.91, em seu art. 48, determinava que, a partir de 1º de janeiro de 1992, a correção monetária das demonstrações financeiras fosse efetuada com base na UFIR diária. No entanto, a Lei 9.249/95 extinguiu a correção monetária das demonstrações financeiras. Portanto, a correção monetária das demonstrações consistia em corrigir o ativo permanente e o patrimônio líquido, sendo o valor dessa atualização computado no resultado do exercício, após o resultado operacional, como um ganho ou uma perda, dependendo da estrutura patrimonial da companhia. Longe de representar apenas uma atualização dos investimentos, do ativo imobilizado, do ativo diferido, do capital social, das reservas de capital, de reavaliação, de lucros e dos lucros ou prejuízos acumulados, o objetivo principal do sistema de correção monetária era reconhecer no resultado do exercício os efeitos da perda do poder aquisitivo da moeda vigente sobre os ativos e passivos expostos à inflação e classificados fora do ativo permanente e do patrimônio liquido, ou seja, itens monetários (disponibilidades, direitos e obrigações realizáveis e exigíveis em moeda, independente de estarem sujeitos a variações pósfixadas ou préfixadas ou de incluírem juros).” (...) 1.2 O conceito de Lucro Inflacionário Entretanto, por força da aplicação da correção monetária às demonstrações financeiras, surge o conceito de lucro inflacionário, uma vez que o resultado positivo dessa aplicação acaba por gerar um lucro fictício. Em cada período de apuração, resultando um saldo credor de correção monetária deveriase diminuílo da diferença positiva entre os seguintes valores, computados no Lucro Líquido, (despesas financeiras + variações monetárias passivas) (receitas financeiras + variações monetárias ativas), conforme previsão da Lei nº 7.799/89, em seu artigo 21, § 1º. Se o valor da soma das receitas financeiras com as variações monetárias ativas fosse igual ou superior à soma das despesas financeiras com as variações monetárias passivas, o lucro inflacionário do período seria igual ao saldo credor da conta de correção monetária. Para fins de tributação, o lucro inflacionário do período de apuração, caso houvesse, era passível de diferimento, devendo a empresa realizar parte do lucro inflacionário, com base em critérios definidos em lei, resultando em um lucro inflacionário acumulado (lucro inflacionário do período de apuração + saldo de lucro inflacionário a tributar transferido de períodos anteriores, corrigido monetariamente lucro inflacionário realizado). O artigo 4º da lei nº 9.249/95 ao revogar a sistemática de correção monetária das demonstrações financeiras, extinguiu o lucro inflacionário do período, sendo que, para os valores acumulados até 31/12/1995, permaneceriam em vigor as regras de tributação, conforme art. 7º da Lei nº 9.249/95. A partir de 1º/01/1996, o lucro inflacionário acumulado passível de ser realizado e tributado posteriormente, de acordo com as regras vigentes em 31/12/1995, passou a ser o saldo do lucro inflacionário remanescente, corrigido monetariamente até essa data, registrado na parte B do LALUR, conforme art. 416,§ 2º. Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.714 13 1.3 Sobre a Edição da Lei nº 8.200/91 A edição da Lei nº 8.200/91 se deu em decorrência de uma das mais expressivas manipulações que o Governo fez nos índices inflacionários oficiais, ao pretender ignorar a inflação de janeiro de 1989, abandonando a variação de preços pelo IPC/IBGE, o qual era o indexador na ocasião. O legislador tentou fixar, através do art. 75 da Lei nº 7.799 e do art. 3º da Lei nº 7.801/89, o percentual de 28,79% para a inflação de janeiro/89, assim como a Circular 1.517/89 do Banco Central do Brasil. Nesse ponto, releva frisar que pela Lei 8.200/91, o legislador autorizou a dedução, na determinação do lucro real das empresas, quando se tratasse de saldo devedor, da parcela de correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990, que correspondesse à diferença entre a variação do IPC e a do BTNF. Ocorre que, se a aplicação do BTNF sobre as demonstrações financeiras daquele ano de 1990 resultasse em um lucro inflacionário, acarretaria um aumento da carga tributária. Assim, o citado diploma legal diferiu a dedução desse lucro inflacionário (com início em 1993) e impôs um parcelamento em seis anoscalendário. Diversas empresas alegaram a inconstitucionalidade de tal diferimento, sob o argumento de tratase de um disfarçado empréstimo compulsório, apelando, então, ao judiciário. Nesse ponto, é relevante transcrever alguns artigos da lei 8.200/91, aqui citada: Art. 2º As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão efetuar correção monetária especial das contas do Ativo Permanente, com base em índice que reflita a nível nacional, variação geral de preços. § 2º A correção deverá ser registrada em subconta distinta da que registra o valor original do bem ou direito, corrigido monetariamente, e a contrapartida será creditada à conta de reserva especial. § 3º O valor da reserva especial, mesmo que incorporado ao capital, deverá ser computado na determinação do lucro real proporcionalmente à realização dos bens ou direitos, mediante alienação, depreciação, amortização, exaustão ou baixa a qualquer título. § 4º O valor da correção especial, realizado mediante alienação, depreciação, amortização, exaustão ou baixa a qualquer título, poderá ser deduzido como custo ou despesa, para efeito de determinação do lucro real. § 7º A correção especial não se aplica em relação a investimentos avaliados pelo valor de patrimônio líquido. Art. 3º A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990, que corresponder à diferença verificada no ano de 1990 entra a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal: I Poderá ser deduzida, na determinação do lucro real, em seis anos calendário, a partir de 1993, à razão de 25% em 1993 e de 15% ao ano, de 1994 a 1998, quando se tratar de saldo devedor. Fl. 1714DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.715 14 II será computada na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor. Art. 4º A parcela da correção monetária especial de que trata o § 2º do art. 2º desta lei que corresponder à diferença verificada no ano de 1990 entre a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal não terá o tratamento previsto no § 3º daquele artigo, servindo de base para a dedução, na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993 de depreciação, amortização, exaustão ou baixa a qualquer título, dos bens ou diretos. A fiscalização constatou, em resumo, que o contribuinte impetrou o MS em referência, visando aplicar em suas demonstrações financeiras a correção integral do IPC de 1989 e 1990 Lei nº 8.200/91, conforme Doc 40 fls. 01 a 39. Tal correção deve ser aplicada tanto nas contas do Ativo Permanente (inclusive nas contas de depreciação/amortização/exaustão/baixa) quanto na conta de Patrimônio líquido. Ocorre que, o contribuinte apenas aplicou a correção para algumas contas retificadoras dos ativos, não aplicando nas demais contas sujeitas à correção (Doc 40 fls. 40 a 46), o que desrespeita as normais legais que regem a correção monetária, conforme explanado acima. Nesse ponto, ressalta que o confronto entre as contas do Ativo Permanente com as contas do Patrimônio Líquido é o que poderia resultar num ganho ou numa perda, para fins fiscais. Dessa maneira, a alegação do contribuinte de que lhe foi deferida a autorização judicial de apenas corrigir alguns itens do Ativo Permanente que sequer foi cogitada em qualquer momento do feito (conforme DOC fls. 53) seria descabida. A decisão da DRJ entendeu no mesmo sentido da fiscalização, em que a aplicação da correção monetária se abrange as demonstrações financeiras, isto é, pela necessidade do contribuinte aplicar os índices expurgados sobre as demonstrações financeiras como um todo, e não apenas sobre as contas do ativo permanente. Isso porque ao examinar o teor da inicial do Mandado de Segurança, verifica se que a fundamentação jurídica do pedido está respaldada no instituto da correção monetária das demonstrações financeiras. Dessa maneira, concluiu que a sentença judicial deve ter seu alcance delimitado, conforme o contorno da lide. A Recorrente, por sua vez, se insurge alegando que a ação foi ajuizada em junho de 1994 com o objetivo de que lhe fosse assegurado o direito de deduzir, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, as despesas de depreciação, amortização e baixas correspondentes à diferença de correção monetária do ativo permanente, assim como o direito de atualizar prejuízos fiscais existentes no LALUR, computando os efeitos dos expurgos inflacionários oriundo do Plano Verão. Assim, aduz que teria o Poder Judiciário reconhecido o seu direito à correção das despesas de depreciação, amortização e baixas do ativo permanente e do saldo de prejuízo Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.716 15 fiscais, pelos índices de 42,72% para o mês de janeiro e 10,14% para o mês de fevereiro relativo ao ano de 1989. Dessa maneira, a Recorrente alude que teve seu pedido reconhecido, com a tutela do poder judiciário, para reconhecer a diferença de índices para essas atualizações, por meio de decisão transitada em julgado, reconhecendo a possibilidade de dedução fiscal de expurgos inflacionários da correção monetária de especificas contas do seu balanço, pela utilização de índices efetivos de inflação IPC dos meses de janeiro e fevereiro. Pois bem. Como visto, a correção monetária de balanço tinha como objetivo ajustar o patrimônio da pessoa jurídica registrado no balanço a custo de aquisição (histórico), e trazêlo a valor presente, bem como o custo do capital próprio na apuração dos resultados da pessoa jurídica. A questão posta no presente processo é a abrangência dos efeitos da decisão transitada em julgada, a qual visa assegurar o direito da Recorrente de corrigir monetariamente, pelo IPC, as conta do seu balanço patrimonial. Se de um lado seus efeitos se relacionam apenas à dedução fiscal das despesas com depreciação, exaustão, baixas e amortização dos bens do ativo permanente ou, de outro, abarca as demonstrações financeiras como um todo. Assim, verificase um confronto de interpretação decorrente do provimento jurisdicional obtido pela Recorrente. De antemão, importante frisar que o provimento jurisdicional deve circunscreverse ao pedido formulado pelo auto em sua inicial, nos termos do art. 460 do CPC. Outrossim, o pedido e a decisão judicial não podem estar dissociados de seus fundamentos. Vejamos o conteúdo da coisa julgada material no âmbito do MS em comento, bem como de seus desdobramentos. A referida medida judicial foi proposta pela recorrente com o objetivo de efetuar correção monetária de balanço. Nesse ponto a fiscalização observou que o cerne da questão foi a utilização da correção dos demonstrativos financeiros no percentual de 70,28% e sua dedução integral como despesa, alegando que a Lei nº 8.200/91 reconheceu a existência de uma defasagem inflacionária, porém de forma parcelada, a partir do anocalendário de 93, pretendia postergar a utilização de um direito. Por sua vez, teve a segurança denegada às fls. 48 a 51 do DOC 40, em virtude da inconstitucionalidade do índice a ser aplicado. Além disso, o parecer do Procurador Regional da Republica deixa claro os efeitos da Lei 8.200/91, que tais percentuais definidos devem ser aplicados nas contas do Ativo Permanente e do Patrimônio Líquido. Nesse ponto, a Recorrente apresentou pedido de reconsideração, versando sobre a aplicação integral do percentual de 70,28% e a dedução das despesas para apurar o resultado do exercício. (DOC 40 fls. 55/63). Em face disso, foi proferida sentença, que em seu bojo versou sobre a utilização do IPC em lugar do NTNF como indexador da correção monetária em demonstrações financeiras e compensar de uma só vez o indébito apurado, além do direito de Fl. 1716DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.717 16 utilizar, para efeito de dedução fiscal, a qual novamente denegou a segurança, com menção ao reconhecimento do percentual de 42,78%, em vez de 70,28% pleiteados. A Recorrente opôs embargos em que deixa claro sua pretensão em deduzir a correção monetária do balanço e o questionamento quando ao percentual dessa correção, adicionando o percentual de 10,14% para o mês de fevereiro. Sendo que a dedução seria possível caso a empresa viesse apurar eventual perda quando da correção monetária. (DOC 40 fls. 70 a 74). Ao julgar esses embargos, a decisão reformou seu entendimento de forma a conceder parcialmente a segurança, desconhecendo o percentual de 10,14% e reconhecendo a utilização do percentual de 42,72% para aplicação na correção monetária das demonstrações financeiras. Contra a decisão acima, a Recorrente interpôs Apelação (DOC 40 fls. 78/93), a qual deixa claro estar tratando da correção monetária de balanço, citando o art. 3º da Lei nº 8.200/91, com o seguinte pedido: "reconhecer o índice integral de 70,28% (IPC/89) para fins de correção monetária de balanço referente ao período de janeiro/89, descontada a variação da OTN fiscal de 6,91 para 10,51, conforme pedido n inicial, ou, subsidiariamente, reconhecer o índice de 10,14%, relativo a fevereiro de 1989, a ser acrescentado ao índice de 42,72%, relativo a janeiro de 1989, deferido na decisão do Juízo a quo, também conforme pedido inicial, ou ainda outro índice que V.Exas, entendam mais adequado para correção fiscal do balanço anual do contribuinte (1989), com os efeitos dai decorrentes, e Assegurar o direito das oras Apelantes à dedução integral da diferença do IPC/BTNF de 1990, sem qualquer postergação, como pretendeu a Lei nº 8.200/91, na base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro, como se fosse ajuste de exercícios anteriores (art. 186, §1º da lei nº 6.404/76 e arts. 154 e 171 do RIR/80), com todos os efeitos daí decorrentes, tais como os de depreciação, exaustão, baixas e amortização dos bens do ativo permanente. " A Procuradoria da República se manifestou contra o provimento do recurso às fls. 94/100 e 101/105 do DOC 40, sempre fazendo menção às demonstrações financeiras. Em contrarazões, a Recorrente faz menção de alguns julgados, os quais reportamse às demonstrações financeiras (DOC 40 fls. 106/112). Ademais, a Procuradoria Regional da República novamente se manifesta, tendo seus fundamentos relacionados às demonstrações financeiras O Recurso de Apelação foi julgado improcedente e versa sobre a correção monetária das demonstrações financeiras (DOC 40 fls. 124/132). O contribuinte, inconformado, interpôs Recurso Especial, formulando o seguinte pedido (DOC 40 fls133/152): Admitido o recurso, as Recorrentes requerem a reforma do r. acórdão recorrido, para que seja reconhecido o seu direito à aplicação, na correção monetária de suas demonstrações financeiras, do índice de 10,14%, relativo a fevereiro de 1989, a ser acrescentado ao índice de 42,72%, relativo a janeiro de 1989, deferido no r. acórdão. Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.718 17 O STJ, por meio do Relator Ministro Francisco Falcão acatou o Recurso Especial, garantindo a aplicação dos percentuais de 42,72% para o mês de janeiro e 10,14% para o mês de fevereiro para correção monetária das demonstrações financeiras e silenciouse quanto ao percentual de dedução a ser aplicado. (DOC 40 fls. 168/170). A referida decisão transitou em julgado em 11/04/2005. Logo, pelo exposto, resta claro que foi assegurado o direito à correção monetária de suas demonstrações financeiras, com índice de 10,14%, relativo a fevereiro de 1989, a ser acrescentado ao índice de 42,72%. Importante frisar, por fim, que a decisão não quantificou o direito concedido à Requerente, de forma que os demonstrativos apresentados pela Recorrente, os quais demonstravam os critérios para utilização dos expurgos de janeiro e fevereiro de 1989 não foram apreciados pelo Poder Judiciário. (Doc 39). DOS EFEITOS DA COISA JULGADA MATERIAL Como visto no tópico anterior, a decisão transitada em julgado assegurou ao contribuinte o direito de corrigir suas demonstrações financeiras do ano 1989 mediante a adoção do índice de 42,72% para o mês de janeiro e de 10,14% para o mês de fevereiro, e não o direito a corrigir apenas as contas de depreciação, amortização e baixa de ativos. A fiscalização verificou que o ajuste realizado pela Recorrente foi tão somente sobre as contas que compõem o Ativo Permanente, sem computar a correção do Patrimônio Líquido. Desta feita, a fiscalização confrontou a planilha apresentada pela empresa (DOC 39) e acabou por desconsiderálos na recomposição do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. Em sua defesa, a Recorrente alegou que a autoridade fiscal, (i) deixou de aplicar a norma do art. 20 do Decretolei n° 2.341/1987, que determina a tributação do saldo credor de correção monetária de balanço de forma diferida, como lucro inflacionário, com todos os efeitos decorrentes; (ii) ignorou a norma geral, que admite a dedução dos efeitos de correção monetária da depreciação, amortização e baixa do ativo permanente; e (iii) aplicou dispositivos legais que já se encontravam revogados até mesmo em 1989 (art. 39 do Decreto Lei n° 1.598/77). Ressaltou ainda que, o fato da correção monetária de balanço apurar um saldo credor ou devedor, não influenciaria na pretensão da Recorrente e somente quando da tributação de eventual lucro inflacionário apresentado pela empresa, pelo fato de haver disposição especifica nesse sentido. Assim, a Recorrente entende que apuração de um saldo credor, não interfere no direito à dedução de despesa com depreciação, amortização e baixas em períodos. Isso porque, mesmo entendendo que a decisão judicial determinou a correção das demonstrações financeiras em detrimento de apenas a correção das contas do Ativo Permanente, ainda persistiria o direito à dedução de tais despesas da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.719 18 DECADÊNCIA Não obstante os tópicos acima, imperioso se faz a análise decadencial dos períodos analisados pela fiscalização, objeto da autuação fiscal. Conforme TVF às fls 27 a 37, foram verificadas divergências de saldo de prejuízo fiscais e base negativa de CSLL lançados no LALUR e DIPJ da Recorrente quando confrontados com os saldos existentes pelo sistema da Receita Federal (SAPLI). A recomposição compreendeu o período de 1991 a 2008. A partir de então foi constituído o crédito tributário resultante, com nova composição dos LALUR ano calendário 2009 até 2012, período da autuação fiscal. Nesse ponto, a Recorrente alega que a fiscalização ao realizar tal recomposição acabou por retroceder abusivamente no tempo, vez que apurou as bases de cálculo do IRPJ e CSLL de período 1991 a 2008. Dessa forma, conclui, que as apurações dos referido período já estavam consolidadas no tempo e imutáveis, vez que já alcançadas pela decadência, com base no parágrafo 150 §4º do CTN. Assim, apesar do lançamento se referenciar aos períodos base de 2009 a 2012, o fisco incorreu em glosas referentes períodos pretéritos, refazendo os valores apurados pelo contribuinte. Tal conduta foi verificada na recomposição dos anoscalendário de 1996 a 1998, conforme fl. 14 do TVF. Tal conduta reforça a intempestidade da glosa, ante o instuto da decadência, uma vez que a autoridade fiscal tem 5 anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador para efetuar o lançamento fiscal. Por sua vez, a DRJ refuta tais argumentos, ressaltando que a conduta do agente fiscal foi a de verificar os saldos das contas de Prejuízo Fiscal Acumulado a compensar e da Base de Cálculo negativa da CSLL, para efeito de recomposição dos LALURs do período de 1991 a 2008, e promover o confronto dos valores constantes nas Declarações ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Livros de Apuração do Lucro Real LALUR, com os dados existentes nos sistemas informatizados da RFB. Pontuou que o agente fiscal considerou todos os prejuízos apurados e declarados pela Recorrente, por meio de planilha apresentada às fls. 20/23, no período de 1990 a 2008. Pois bem. Concordo com as alegações trazidas pela Recorrente, uma vez que o Fisco não poderia ter auditado em períodos já alcaçados pela decadência, o que restou evidenciada pela glosa de parcelas apuradas anteriormente a 2009. Esse entendimento é corroborado por este Colegiado, no sentido de que a alteração de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL deve ser realizada por meio de lançamento. Nesse sentido adoto o entendimento utilizado no voto vencedor do Acórdão 1402 001.850, proferido pelo Rel. Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Confirase: Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.720 19 Conforme relatado, "a questão a ser enfrentada, no processo em questão, é se em 2010 o Fisco podia retroagir aos anoscalendário de 1996 a 1999 para verificar inconsistências cometidas pelo contribuinte e revisar o saldo negativo daqueles períodos concluindo, a partir de tais fatos, que os valores das estimativas do ano calendário de 2005 foram satisfeitas com saldo inconsistente de exercícios anteriores". No entendimento do relator, o artigo 9°, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972, impõe o lançamento ainda que, tendo sido constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário, o que implicaria, por consequência, o início da contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do encerramento do período de apuração correspondente. É certo que a decadência opera no sentido do princípio da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. Em consequência, em 2010 (caso dos autos) o Fisco não mais poderia formalizar lançamento para exigência de crédito tributário e impor penalidades quanto a infrações incorridas no ano calendário de 1999, ou seja, constituir exigências tributárias. Isso por disposição expressa dos artigos 150 e 173 do CTN. O “prazo de homologação tácita” alegado pelo contribuinte que seria de cinco anos corresponderia ao mesmo prazo decadencial para o lançamento (constituição da obrigação tributária), previsto no CTN. Não há dúvidas de que na modalidade de lançamento por homologação, cabe ao Fisco exercer o controle da legalidade do ato praticado (ou mesmo omitido) pelo contribuinte, a fim de determinar se foram obedecidas as diretrizes que determinam a apuração correta do resultado tributável do exercício. O controle de legalidade envolve a averiguação, entre outras coisas, do cômputo correto e adequado das receitas tributáveis, das despesas incorridas e do resultado final do exercício. Caso o Fisco detecte qualquer divergência na apuração do resultado tributável, a menor ou mesmo a maior que o correto, tem o dever de exigir que o contribuinte faça as correções necessárias. Se for o caso, deve providenciar o lançamento de ofício do tributo que eventualmente não foi apurado ou recolhido corretamente. Isso porque, em matéria de declaração de compensação, assim como o contribuinte está sujeito a datas e procedimentos determinados para realizar a tarefa prevista em lei, o Fisco também está sujeito a prazos e procedimentos para verificar se o contribuinte cumpriu o que a lei determina. Resta claro, que o Código Tributário Nacional se refere ao lançamento por homologação como a “atividade”exercida pelo contribuinte, que é realizada quando o objeto da “atividade” é um tributo que deve ser apurado e recolhido pelo próprio contribuinte, caso do IRPJ. Claro está de que no ordenamento pátrio existe prazo de caducidade aquisitiva. Todavia, tais prazos devem ser expressos. Ademais, não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além da possibilidade da interpretação, especialmente porque não haveria limites para o indébito tributário. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por Fl. 1720DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.721 20 decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes elevados. Ademais, os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Assim, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório (liquidez e certeza) invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos tacitamente, independentemente da existência dos créditos, a teor do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No mesmo sentido, assim concluiu a Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 2012: 31.1. Após transcorrido o prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, assim como o prazo para homologação de compensação de que trata o art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996 (homologação tácita), há apenas a impossibilidade de lançamento de diferenças do imposto devido. Tal vedação não se aplica à compensação de débitos próprios vincendos que tenha sido homologada tacitamente, quando ainda não se tenha operado a decadência para o lançamento do crédito tributário. 31.2. Todavia, pode a Administração Tributária, dentro do lapso de que esta dispõe (art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996), não homologar a compensação declarada em momento posterior, em que se utilizem créditos de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, inclusive os oriundos de estimativas quitadas por meio de Dcomps homologadas tacitamente, se verificada a inexistência de liquidez e certeza desses créditos. A respeito dos argumentos específicos do ilustre Conselheiro Relator, passo a demonstrar de modo mais específico o porquê de minha divergência. De fato, constatada infração à legislação tributária, ainda que dela não implique exigência de crédito tributário, há de ser realizado o lançamento, conforme bem observado pelo Conselheiro Relator, a teor do que dispõe o § 4º do art. 9ª do Decreto nº 70.235/72. Ocorre que a necessidade de lançamento baseiase única e exclusivamente nas hipóteses em que se constatar divergências na apuração das bases de cálculos dos tributos em questão, ou ainda da correta alíquota aplicável. Vejase que na redação original do art. 9º do Decreto nº 70.235/72 falavase em lançamento para retificação de prejuízo fiscal, e a alteração trazida pela redação dada pela Lei nº 11.941/2009 somente veio adaptar tal aplicabilidade a novos tributos que também poderiam ter suas bases de cálculo alteradas, sem, contudo, Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.722 21 haver exigência de crédito tributário, tais como o PIS e a Cofins em seus sistemas de apuração não cumulativos. Resta evidente que a necessidade de lançamento somente diz respeito, portanto, à aferição das bases de cálculo, e até mesmo alíquotas, dos tributos, ou seja, na quantificação do tributo devido, o qual terá como valor mínimo, zero, insuscetível, de per si, na caracterização de saldo negativo de IRPJ ou CSLL Com a devida vênia, acho que foi justamente nesse ponto que o Conselheiro Relator equivocouse, fazendo uso de tal dispositivo legal nas hipóteses em que se constata irregularidades após a definição do tributo devido, ou seja, nos valores eventualmente deduzidos em face de recolhimentos de estimativas, de retenções na fonte ou de compensações anteriores. Tais procedimentos referemse à definição de eventual tributo a recolher, ou, como no caso dos autos, justamente na formação do indébito pleiteado, e não a alterações no prejuízo fiscal do período. Sublinhese que sequer há necessidade de apuração de prejuízo fiscal ou saldo negativo de CSLL para se apurar indébito, bastandose que o valor do tributo devido seja menor que as retenções, recolhimentos de estimativas e compensações realizadas, ou seja, o tributo a recolher seja "negativo". No caso em exame, não houve qualquer alteração na base de cálculo ou de alíquota de forma a alterar o saldo de tributo devido. Caso houvesse discordância em relação à base de cálculo, ou no montante de tributo devido, sem dúvida, o prazo para o Fisco alterar os valores apurados pelo contribuinte seria de cinco anos, contados na forma do art. 150 ou 173, I, do CTN, a depender da existência de pagamentos antecipados e na ausência de dolo, fraude ou simulação. Ocorre que, no caso concreto, o Fisco somente discordou do valor de estimativas recolhidas informado pelo contribuinte, o que, evidentemente, não pode se confundir com redução de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, tema jamais questionado pela autoridade fiscal. Em resumo, entendo que o Fisco possui o prazo de cinco anos para alterar a base de cálculo de um tributo ou para aplicar a correta alíquota, alteração essa que deve ser realizada mediante lançamento, ainda que não haja exigência de crédito tributário. Contudo, tratandose de divergências nos valores de recolhimentos de estimativas, retenções na fonte ou compensações, não há que se falar em lançamento. No máximo, pode vir a ocorrer a homologação tácita de eventual compensação. Portanto, no caso de alteração de base de cálculo, ou de tributo devido, o Fisco deve valerse de lançamento, sujeito ao prazo decadencial. Por outro lado, se a questão disser respeito a divergências entre valores de tributos extintos por recolhimentos anteriores ou retenções na fonte e que vieram a formar o indébito pleiteado, o Fisco pode retroagir tanto quanto for necessário, desde que o faça no prazo de cinco anos contados da transmissão da declaração de compensação. E, em relação a esse último prazo, o Fisco agiu dentro do interregno fixado em lei. [grifos não contidos no original] No caso em tela, ficou evidenciado que a fiscalização retroagiu a períodos em que não era mais possível alterar a base de cálculo dos tributos, em razão da necessidade de lançamento fiscal para tanto, desde que, como apontado, observado o prazo decadencial. Fl. 1722DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.723 22 Desse modo, como não poderia ser realizado o lançamento em períodos anteriores, o agente fiscal procedeu a "compensação retroativa de prejuízo fiscais, quando apurou bases de cálculo positivas, em razão dos ajustes efetuados, inclusive quanto ao mérito da exação fiscal diferença dos IPC/BTNF, ocorrido pela primeira vez no AC 2004 e posteriormente nos anos de 2005 a 2008. Como o lançamento não poderia ter sido efetuado, a fiscalização "carregou" essa base de cálculo positiva para períodos posteriores em que o contribuinte auferiu prejuízos fiscais, consumindo esses prejuízos em com esses lucros anteriores. Com efeito, os períodos futuros em que o contribuinte compensou tais prejuízos, redundou em insuficiência de prejuízos a compensar. O primeiro período de apuração objeto de lançamento foi em 2009, pois, em relação a tal período, não havia decadência em 2014, época da formalização do lançamento. Desse modo, a fiscalização realizou em 2014 lançamentos que somente poderiam ter sido efetuado em 5 anos da suposta base de cálculo positiva, ora, resultante de períodos retroativos, que fora consumados pela decadência. Assim, entendo que o fisco agiu erroneamente tanto na questão da compensação retroativa para amortizar prejuízos apurados em períodos anteriores, quanto na requalificação das bases de cálculo do IRPJ e CSLL, uma vez que alcançados pela decadência. Diante o acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, a fim de exonerar o crédito tributário lançado no tocante a infração (i). DO RECURSO DE OFÍCIO O Recurso de Ofício versa sobre a parcela do crédito tributário exonerada pela decisão recorrida e, que foi submetida ao duplo grau, no que diz respeito às infrações; (ii) e (iii) do auto de infração, a saber: (ii) compensação indevida, no ano de 2009, do lucro apurado com saldo inexistente de prejuízo fiscal no valor de R$ 2.941.422,15; e (iii) exclusão indevida, no ano de 2012, do montante de R$ 4.601.022,72, a título de depreciação acelerada incentivada. Adicionalmente, houve também o cancelamento da multa qualificada e agravada no presente caso. DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA, NO ANO DE 2009, DO LUCRO APURADO COM SALDO INEXISTENTE DE PREJUÍZO FISCAL. Conforme se depreende do TVF à fl. 43, a fiscalização efetuou a glosa com base no seguinte esclarecimento: “2.4 Do Saldo Resultante de Compensação Indevida de Prejuízos Fiscais Verificado o excedente de utilização representado pelo saldo inicial da conta Prejuízos Fiscais Acumulados (R$ 2.941.422,15) , ainda existente em 31/12/2009 e perdurando por todo o período analisado. Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.724 23 Estabelecido que tal excedente representa compensação indevida de lucro apurado com saldo inexistente de prejuízo fiscal, apurase um imposto devido mais adicional no valor de R$ 735.355,54 (R$ 441.213,32 + R$ 294.142,22), ao qual serão aplicados os acréscimos legais.” A decisão da DRJ entendeu que tal exigência fiscal não deve prosperar, em virtude de que no ano de 2009, o lucro real antes da compensação de prejuízos fiscais da atividade rural de exercícios anteriores (R$ 7.991.268,79) foi integralmente compensado com os prejuízos fiscais objeto da glosa (R$ 7.991.268,79), conforme DIPJ do anocalendário de 2009. Destacou que, conforme demonstrado pela fiscalização, o contribuinte não dispunha, em 31/12/2009, qualquer saldo de prejuízos fiscais passíveis de compensação. No entanto, considerou para o anocalendário de 2009 uma outra compensação indevida de prejuízo fiscal, representado pelo "excedente de utilização do prejuízo fiscal da atividade rural acumulado até 2008", no valor de R$ 2.941.422,15. Dessa forma, concluiu, que tal excedente de utilização de prejuízo fiscal apurado em 31/12/2008, somente poderia ser objeto de exigência fiscal, observado o prazo decadencial. Assim, o agente fiscal, ao transferir a tributação do referido excedente de utilização de prejuízo fiscal do ano de 2008 para o ano 2009 acabou por infringir o art. 147 do CTN, in verbis: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela Concordo com entendimento da decisão, não devendo subsistir a glosa nesse ponto. Mantenho, portanto, a decisão da DRJ, devendo ser cancelada a exigência fiscal sobre compensação indevida do lucro apurado com saldo inexistente de prejuízo fiscal, no ano de 2009. DA EXCLUSÃO A TÍTULO DE DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA A fiscalização verificou uma exclusão ao lucro líquido no anocalendário de 2012, no valor de R$ 4.601.022,72, a título de "Depreciação/Amortização Acelerada Incentiva Demais Hipóteses", conforme fl. 17 do DOC 69 Ficha 9A Linha 82 da DIPJ de 2013. Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.725 24 Ressalta que intimou a Recorrente para prestar os devidos esclarecimentos sobre a referida exclusão, conforme fl. 04 DOC 51, e a empresa se limitou a entregar planílhas que não comprovaram o valor excluído. Dessa forma, não tendo feita as provas necessárias, assumindo o ônus de sua inação, acabou por efetuar a glosa em referência. No entanto, em sede de impugnação, o contribuinte demonstrou que o valor exclúido corresponde às aquisições de imobilizado do anocalendário de 2012 para atividade rural, demonstrando a composição do valor conforme tabela às fls. 819/823, bem como pela documentação anexa à petição. Dessa forma, a DRJ, ao analisar os lançamentos dos referidos razões contábeis às fls. 1305/1336, entendeu que os mesmos envidenciam de forma detalhada e individualizada as exclusões efetuadas pela empresa, acabando por cancelar também a exigência fiscal nesse ponto. Entendo que a decisão da DRJ deve ser mantida nesse ponto, conquanto foi realizado um controle dos valores das aquisições do imobilizado relativo a produção rural no anocalendário de 2012, sendo possível a verificação minuciosa dos valores, de maneira individualizada. Entendo, portanto, pela improcedência do item (iii) da autuação fiscal. DA QUALIFICAÇÃO E DO AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO A Fiscalização entendeu que a Recorrente reduziu o montante de impostos devidos mediante a indevida utilização de valores inexistentes em seu prejuízo fiscal/base de cálculo negativa de CSLL. Dessa forma, considerou sua conduta como dolosa, de acordo com a teoria da vontade, pois havia consciência sobre o resultado de sua conduta (ação ou omissão). A decisão da DRJ entendeu que não ficou comprovada o dolo da contribuinte, a despeito da interpretação equivocada sobre a aludida decisão judicial no MS nº 94.00238258, conforme se demonstrou quando do exame da matéria no item (i) do voto, no sentido de retardar ou impedir, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Destacou que a jurisprudência administrativa se consolidou no sentido de que cabe ao Fisco a prova da intenção dolosa do contribuinte em pagar menos tributos, provando que agiu deliberadamente com o único objetivo de modificar as características essenciais do fato gerador do tributo. Ainda, que os pedidos de prorrogação formulados não caracterizaram o embaraço à fiscalização, como quis pretender o agente fiscal, sobretudo, pela dificuldade de levantar documentos de período bem antigos. A Recorrente reforça o entendimento da decisão combatida, entendendo que não faz jus à multa qualificada no crédito tributário, uma vez que não restou comprovado a ação dolosa e o intuito de fraude em sua conduta. Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.726 25 Pois bem, em razão do quanto decidido no tópico acima relativa a infração (i), resta prejudicada a análise da qualificação da multa de ofício, CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conheço dos Recursos Voluntário e de Ofício para, no mérito, negar provimento ao Recurso de Ofício e dar total provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, cancelamento integralmente o crédito tributário formalizado. É como voto (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 1301002.553 S1C3T1 Fl. 1.727 26 Fl. 1727DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.003780/2008-31
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário:2005
RECEITAS FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. LUCRO PRESUMIDO.
As receitas financeiras consistentes na correção monetária/juros incidentes sobre os preços pactuados nas vendas de lotes de terreno a prazo são somadas à base de cálculo sobre a qual incide a alíquota do tributo para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei nº 11.196/05. Não integram a receita bruta utilizada para a apuração do lucro presumido.
Numero da decisão: 1801-000.589
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 RECEITAS FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. LUCRO PRESUMIDO. As receitas financeiras consistentes na correção monetária/juros incidentes sobre os preços pactuados nas vendas de lotes de terreno a prazo são somadas à base de cálculo sobre a qual incide a alíquota do tributo para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei nº 11.196/05. Não integram a receita bruta utilizada para a apuração do lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 214DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Em procedimento de fiscalização foi verificado que a empresa em epígrafe não ofereceu à tributação “outras receitas”, conforme Demonstrativo elaborado pela fiscalização às fls., ensejando a lavratura do Auto de Infração de fls. 04 a 11 para a exigência das diferenças de CSLL relativas aos quatro trimestres do anocalendário de 2005. A empresa optou pelo regime de apuração do Lucro Presumido.. Assim constou no corpo do Auto de Infração: “Tendo,optado,pela tributação com base no lucro presumido no ano calendário de 2005, a empresa foi intimada em 14/11/2007 a esclarecer acerca das divergências apontadas em planilhas elaboradas por esta fiscalização, concernentes a CSLL, que, de acordo com os dados colhidos dos livros Razão, foram declarados a menor em DCTF durante o mencionado ano. Referidas planilhas demonstram a base de cálculo da CSLL, composta pelas receitas de vendas sujeitas ao coeficiente de 12%, somadas às demais receitas, comparandose a CSLL:apurada com os respectivos débitos declarados/pago em DCTF. Em resposta à nossa intimação, sobreveio a correspondência datada de 22/11/2007, através, da qual o contribuinte tenta justificar as divergências apontadas, explicando que os valores lançados na conta (41301.00016 Variações Monetárias.Ativas) são decorrentes da atualização monetária das parcelas que constam nos contratos de promessa de compra e venda de lotes de terrenos, baseada na variação anual do IGPM, conforme cláusula contratual dos ditos instrumentos, e que portanto, são valores que compõem a receita bruta da empresa, pois, conforme a atividade geradora, a mesma é constituída pelo produto da exploração da atividade imobiliária relativa a loteamento de terrenos, conforme preconizado no art.227 do RIR/99, sujeitandose ao percentual aplicável de 8% para determinação do lucro presumido, e que, aludida receita (Variação Monetária Ativa) não pode ser considerada como receita financeira a ser adicionada, por inteiro, ao valor determinado como .lucro presumido, sob pena de.distorção grave do enunciado do conceito de receita bruta. Entretanto, a justificativa do contribuinte não pode ser, acatada, uma.vez que o dispositivo legal que autorizou a aplicação.do percentual de presunção (12%) sobre as receitas ,em apreço, , previsto no art. 34 da Lei no 11.196/2005, por parte das imobiliárias, só vigorou a partir de 1° de janeiro de 2006, conforme art. 132, inciso IV, letra "b",da citada Lei, não se aplicando portanto ao períodobase de 2005, objeto da presente autuação.” Irresignada, a empresa impugnou o lançamento tributário às fls. 163 a 177, entre outros tópicos, esclarecendo que as variações monetárias ativas, no caso créditos oriundos das vendas de lotes de terreno, atividade operacional da empresa, não podem ser consideradas receitas financeiras, mas integram o conceito de receita bruta, devendo incidir o percentual de 8% sobre o total do faturamento, não podendo ser tratada de forma dissociada. Invoca os artigos 15 da Lei nº 9.249/95 e 25 da Lei nº 9,430/96 Às fls. 188 a 190, a Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza/CE exarou o Acórdão nº 0819.345/10 julgando improcedente a impugnação apresentada. Assim restou ementado o voto: LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. VENDAS DE IMÓVEIS A PRAZO. ENCARGOS. As variações monetárias dos direitos de crédito do contribuinte, em função de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão Fl. 215DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.003780/200831 Acórdão n.º 180100.589 S1TE01 Fl. 208 3 consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro liquido, como receitas financeiras. Até o anocalendário de 2005, as receitas financeiras oriundas de variações monetárias obtidas em função da utilização de índices aplicáveis por disposição contratual são adicionadas diretamente ao lucro. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, excetuandose as súmulas vinculantes e sentenças definitivas prolatadas pelo Pleno do STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não vinculam as instancias julgadoras. restringindose às matérias e às partes envolvidas no litígio. Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso Voluntário de fls. 196 a 202, argüindo, em suma: “Até 31 de dezembro de 1999 todas as empresas dedicadas às atividades imobiliárias deveriam, obrigatoriamente, optar pela sistemática de tributação pelo lucro rea1. Tal aplicação, vale ressaltar, fundavase no art. 30 da Lei no. 8.981/50, verbis: "Art.30 As pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias relativa a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, deverão considerar como receita bruta o montante efetivamente recebido, relativo às unidades imobiliárias vendidas". Grifos nossos Por importante, merece lembrar que o dispositivo legal foi devidamente mencionado na Impugnação julgada improcedente (fls.5) e, convenientemente ignorado pelos nobres julgadores. Ocorre que, não se tem noticia de que a disposição contida no art. 30 da Lei no. 8.981/95 tenha sido expressa ou tacitamente revogada. Assim, o fato de lei posterior (9.718/98) dispor sobre variações monetárias como sendo receitas financeiras não invalida a regra contida naquele primeiro diploma legal. De igual modo, a Instrução Normativa (IN/SRF no. 25/99), como norma hierarquicamente inferior à lei (em sentido estrito), não tem o condão de suprimirlhe os efeitos, dispondo de maneira diversa. Na custa lembrar, que a Lei no. 8.981/95 é uma lei especifica ao setor imobiliário! O entendimento adotado pela Autoridade Tributária no caso concreto com relação ao cálculo do imposto de renda pela sistemática do lucro presumido por empresa loteadora, sobretudo quando arrimado nas disposições da INSRF 25/99, chocase inteiramente com o que o próprio fisco definiu para a atividade imobiliária. Neste sentido, o exauditor da Receita Federal, Hiromi Higushi, assim se pronunciou acerca da INSRF25/99: "A Instrução, sem base legal, fez distinção entre a tributação pelo lucro real e presumido. No caso de lucro real, as variações monetárias ativas vão agregando às receitas das vendas diferidas, não sendo tratadas como receitas financeiras. No caso do lucro presumido, as variações monetárias ativas são adicionadas ao próprio lucro que é à base de cálculo do lucro." [...] Fl. 216DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Dessa forma, a alíquota a ser aplicada sobre a receita bruta auferida para a determinação da base de cálculo foi definida em 8% nos termos do art. 15 da Lei no. 9.249/95 e art. 25 da Lei no. 9.430/96. Nos termos do art. 25 da Lei no. 9.430/96, o lucro presumido será determinado pela soma das seguintes parcelas: "I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei no. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei no. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1º desta Lei": "II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período." Para aplicar corretamente o disposto no art. 25 da Lei 9.430, devemos buscar na legislação o entendimento dos seguintes termos: a) Receita bruta: o inciso I do art. 25 da Lei no. 9.430/96 estabelece que a aliquota de 8% deve ser aplicada sobre a receita bruta definida no art. 31 da Lei no. 8.981, que trata das atividades de forma geral. Todavia o artigo 30 da mesma lei define "receita bruta" para a atividade imobiliária: "Art. 30. As pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias relativa a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, deverão considerar como receita bruta o montante efetivamente recebido, relativo as unidades imobiliárias vendidas". Assim, definese como receita bruta na atividade imobiliária o "montante efetivamente recebido relativo às unidades imobiliárias vendidas." Quanto aos ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, ganhos de capital e demais receitas, evidentemente que não se confundem com a receita bruta auferida em operações de venda de imóveis a comercializar. Não pode restar dúvida quanto ao verdadeiro entendimento quanto ao montante recebido relativo b venda de unidades imobiliárias, normalmente efetivadas para recebimento em longo prazo. O montante tem que incluir o principal e sua atualização monetária. Este é o cerne da questão!” A recorrente traz exemplos práticos de cálculos adotando a sistemática que defende em confronto com a adotada pela fiscalização, resumo: Venda de um terreno à vista – 10.000,00 “Temos então: base de cálculo= 12% s/ R$ 10.000,00= 1.200,00 IRPJ a recolher = 9% s/ 1.200,00= 108,00” Venda do mesmo terreno em três anos, com atualização monetária de 3.000,00: Tese 1 – atualização monetária = receita bruta: “Temos então: base de cálculo = 12% s/ R$ 13.000,00= 1.560,00 IRPJ a recolher = 9% s/ 1.040,00= 140,40” Fl. 217DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.003780/200831 Acórdão n.º 180100.589 S1TE01 Fl. 209 5 Tese 2 – atualização monetária = receitas financeiras: “Temos então: base de cálculo= 12% s/ R$ 10.000,00= 1.200,00 + 3.000,00= 4.200,00 IRPJ a recolher= 9% s/ 4.200,00= 378,00” Discorre sobre os princípios da capacidade contributiva e da vedação constitucional ao confisco. É o suficiente para o relatório. Passo à análise das razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne do litígio está firmado no fato de a recorrente entender que as parcelas recebidas em razão das vendas a prazos de lotes de terrenos, corrigidas pelos índices de correção contratuais, no caso, IGPM , devem compor a receita bruta, nos termos do artigo 30 da Lei nº 8.981/95, e não serem lançadas diretamente ao lucro tributável para aquelas empresas imobiliárias que optaram pela apuração pelo lucro presumido. Defende que tais parcelas não constituem variações monetárias ativas, mas sim receita bruta, devendo compor as base de cálculo para a apuração do lucro. Ciente das argumentações da recorrente, no curso do procedimento fiscal, o auditor explicou no próprio Auto de Infração que somente a partir da edição da Lei nº 11.196/05, em seu artigo 34, o legislador tributário permitiu o tratamento diferenciado para as receitas financeiras advindas da comercialização de imóveis. Destarte, para dirimirse o conflito instaurado, cumpre verificarse as normas tributárias regentes da matéria. Em primeiro lugar, cumpre esclarecer que a recorrente para o anocalendário de 2005 optou pelo Lucro Presumido, fato este incontroverso. Cumpre também ressaltar que a fiscalização elaborou duas planilhas às fls. 09 e 10, a primeira intitulada “Demonstrativo das Receitas das Vendas de Terrenos” e “Demonstrativo das outras receitas Auferidas pela Empresa”, composta por receitas de juros, rendimentos de aplicações, correção monetária p. ativa, receitas de aluguel, receitas de laudêmio e ganho de alienação de imobilizado, ambas preenchidas com os dados escriturados no Livro Razão pela empresa. Às fls. 11, consolidando os valores, aplicou o percentual de 12% sobre as receitas de vendas de terrenos e somou o resultado com os totais trimestrais extraídos de “Outras Receitas”. Fl. 218DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Não verifico dos autos que a recorrente comprove que os valores advindos de vendas parceladas, integralmente, foram indevidamente contabilizados como juros ou correção monetária em “Outras Receitas”, ou seja, não comprovado o erro de escrituração contábil, pressupõese que somente foram escrituradas como variações monetárias ativas, efetivamente, juros e correções, ainda que contratualmente préfixadas. Passamos então a verificar as disposições legais sobre a matéria. O artigo 375, e seu § único, do Regulamento do Imposto de Renda vigente – RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) dispõe: Variações Monetárias Variações Ativas Art. 375. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º). Parágrafo único. As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei nº 9.718, de 1998, art. 9º). (grifos não pertencem ao original) Por sua vez, o artigo 279 do mesmo RIR/99 conceitua receita bruta para os fins tributários: Disposições Gerais sobre Receitas Receita Bruta Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). (grifos não pertencem ao original) Partese, portanto, de premissa legal que os índices contratuais de correção, a despeito do que a recorrente defende não integram o conceito de receita bruta (grifei), mas sim constituem variações monetárias ativas, para os efeitos da legislação tributária. Observo que estas disposições legais não foram revogadas e foram observadas na Lei nº 8.981/95 citada pela recorrente: Art. 30. As pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias relativa a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, deverão considerar como receita bruta o montante Fl. 219DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.003780/200831 Acórdão n.º 180100.589 S1TE01 Fl. 210 7 efetivamente recebido, relativo às unidades imobiliárias vendidas. [...] Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta, não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. (grifos não pertencem ao original) As disposições do artigo 30, observo, não são conflitantes com aquelas inseridas no artigo 31, mas se completam. Não se pode interpretar, lato sensu, que a expressão “o montante efetivamente recebido” engloba o conceito de variações monetárias ativas, como pretende a recorrente. Em um segundo momento a legislação tributária veio a cuidar do tratamento das receitas financeiras consoante a opção dos contribuintes pela forma de apuração do lucro, pois as pessoas jurídicas com atividades de compra e venda, incorporação e loteamento de imóveis puderam, a partir de 1999, (art. 14 da Lei nº 9.718/99) optar pelo lucro presumido. Anteriormente, para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real com esta atividade, a administração tributária previu formas de tratamento para as receitas financeiras, no caso de imobiliárias, mas em nenhuma das Instruções Normativas expedidas – IN SRF nºs 84/79, 23/83, 67/88 – deixou de considerar as correções monetárias préfixadas contratualmente como receitas financeiras. Saliento que as contestações da recorrente quanto à edição da Instrução Normativa SRF nº 25/1999 tampouco procedem. A referida norma infralegal não dispôs contrariamente às normas legais vigentes, mas esclareceu quanto às pessoas jurídicas exatamente como disciplinaram as normas anteriores: Art. 1º Nas atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis, as variações monetárias a que se refere o art. 9º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, para efeitos do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, terão o seguinte tratamento: I no caso de tributação com base no lucro real, as receitas e despesas serão reconhecidas segundo as normas constantes das Instruções Normativas nºs. 084, de 20 de dezembro de 1979, 023, de 25 de março de 1983, e 067, de 21 de abril de 1988; II na caso de tributação com base no lucro presumido, as receitas serão adicionadas ao próprio lucro, pelo regime de competência ou de caixa, conforme opção do contribuinte. Fl. 220DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Divirjo do entendimento esposado, por conseqüência, da recorrente quando alicerçada no entendimento do r. Hiromi Higuchi quanto à ausência de disposição legal para a emissão da IN em apreço. Para corroborar a fundamentação da tese esposada neste voto, saliento, como já o fez a autoridade fiscal, que o legislador tributário somente em 2005, com a edição da Lei nº 11.196, veio a admitir – e não dar novo conceito ou interpretar retroativamente – tratamento diferenciado às receitas financeiras das pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias, pela inclusão do § 4º ao artigo 15 da Lei nº 9.249/95: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. [...] § 4º O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Por todo o exposto, correto o procedimento fiscal que observou estritamente a legislação tributária vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, aplicandoa e tratando das receitas financeiras como “outras receitas”, sendolhe vedado procedimento diverso, assim como defeso é a este órgão colegiado deixar de aplicar norma tributária em plena vigência. Assim estabeleciam os artigos 518, 519 e 521 do RIR/99, para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, mesmo àquelas que se dedicam às atividades imobiliárias, antes das novas disposições inseridas pela Lei nº 11.196, publicada em 22/11/2005: Base de Cálculo Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei no 9.430, de 1996, arts. 1o e 25, e inciso I). Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. [...] Ganhos de Capital e Outras Receitas Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do Fl. 221DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.003780/200831 Acórdão n.º 180100.589 S1TE01 Fl. 211 9 adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). Voto em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 222DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11040.902461/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 24 61 /2 00 9- 13 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11040.902461/200913 Acórdão n.º 1402002.648 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da DRF que não reconheceu direito creditório de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), não homologando as compensações com base no valor pretendido. A interessada apresentou PER/Dcomp informando disponibilidade de crédito em seu favor, derivada do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ, efetuado por Darf. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão da DRF e apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade. A contribuinte alega a existência de pagamento a maior do tributo. Sustenta que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF: as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim em outro trimestre. Acrescenta que a DIPJ também não relacionou, equivocadamente, os pagamentos por estimativa. Reconhece que haveria que se retificar a DCTF e DIPJ. A manifestação de inconformidade restou julgada improcedente, não lhe reconhecendo o direito creditório. Essencialmente, o contribuinte não teria apresentado provas do erro alegado e admitido pelo contribuinte, na forma dos arts. 15 e 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, posto que o Darf foi utilizado inicialmente para quitar débito, em princípio devido até que se provasse o contrário , de estimativa. Inconformada com tal entendimento, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando, principalmente com base no Princípio da Verdade Material, que o equívoco do contribuinte não pode resultar na supressão de seu direito creditório, e que não há amparo legal para a negativa de seu pleito. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.628, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 1040.900104/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.628): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11040.902461/200913 Acórdão n.º 1402002.648 S1C4T2 Fl. 4 3 MÉRITO Ainda que o contribuinte não tenha explicitado em seu Recurso, considerando que recolhe IRPJ e CSLL por estimativa mensal, concluise que apure tais tributos pelo lucro real anual. Nos termos do art. 10 da IN SRF nº 460/2004 e art. 10, da IN SRF nº 600/2005, “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Ou seja, durante a vigência de ambas as instruções normativas, não era permitido, mesmo por PER/DCOMP, utilizarse diretamente de créditos decorrentes de pagamento com DARF em valores indevidos ou maior do que o devido. Essa situação perdurou até o advento da IN RFB 900/2008, que revogou a IN SRF 600/2005 e não trouxe, em seu bojo, a vedação contida na instrução normativa revogada, de tal forma que, a partir de sua vigência, poderia o contribuinte optar em realizar, de imediato, a compensação de DARF pago a título de IRPJ ou CSLL por estimativa de forma indevida ou maior do que a devida e/ou, a seu critério, aguardar o ajuste na DIPJ, de tal forma que os valores recolhidos a maior compusessem o seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL. As instruções normativas posteriores – IN RFB 1.300/2012 e alterações posteriores, que tratam da compensação, mantiveram a possibilidade inaugurada com o advento da IN RFB 900/2008. Para por fim a quaisquer dúvidas, foi expedida a Solução de Consulta Interna nº 19 COSIT, que pacificou o seguinte entendimento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11040.902461/200913 Acórdão n.º 1402002.648 S1C4T2 Fl. 5 4 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fixada a premissa que o contribuinte poderia apresentar PER/DCOMP em razão de pagamento indevido ou maior do que o devido de IRPJ ou CSLL por estimativa, passase a análise de certeza e liquidez dos créditos. A DRF responsável pela análise do PER/DCOMP e emissão do despacho decisório respectivo não questionou a existência do DARF e o seu recolhimento. Apontou, contudo, que o referido DARF teria sido integralmente utilizado para o pagamento da própria estimativa informada como devida e, desta forma, não haveria saldo para a compensação pleiteada pelo contribuinte ou, em alguns casos, reconheceu o pagamento a maior, homologando a compensação até o limite do crédito confirmado. O contribuinte reconhece, notadamente em sua impugnação, que cometeu erros nas informações prestadas em DCTF, embora não esclareça quais, bem como que não informou, nem em DCTF, nem em DIPJ, os recolhimentos das estimativas. Não é possível, à míngua de provas, especular qual seria o erro do contribuinte nas informações prestadas em DCTF. Contudo, a informação de que não teria informado, em DIPJ, os recolhimentos das estimativas, denota que é possível que mesmo no ajuste anual não tenha apurado os saldos negativos de IRPJ e CSLL que faria jus, os quais seriam, nos termos da legislação, passíveis de compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, exceto previdenciários. Mesmo com a decisão da DRJ em mãos, o que possibilitou a apresentação de recurso voluntário dirigido a este Conselho, o contribuinte não apresentou documentos que pudessem dar a este Julgador elementos para aferir se, de fato, ele possui créditos líquidos e certos passíveis de compensação que pudessem justificar uma mudança no teor da decisão recorrida. Não foi apresentado, por exemplo, uma memória de cálculo com a apuração mensal das estimativas devidas, correlacionadas com os DARF’s pagos e, ao final do período de apuração, o fechamento do valor devido a título de IRPJ e CSLL, em linha com a DIPJ apresentada, para que se pudesse aferir que as estimativas recolhidas durante o ano pudessem ser em valor maior do que os tributos devidos e, assim, verificar a existência de saldo negativo passível de compensação. Desta forma, como não foi possível aferir a liquidez e certeza dos créditos oferecidos à compensação, pressuposto para a homologação (art. 170, CTN), pela inexistência de documentos Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11040.902461/200913 Acórdão n.º 1402002.648 S1C4T2 Fl. 6 5 que pudessem comprovar o quanto alegado pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância e a não homologação das compensações declaradas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.904346/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 43 46 /2 00 9- 75 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11040.904346/200975 Acórdão n.º 1402002.662 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da DRF que não reconheceu direito creditório de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), não homologando as compensações com base no valor pretendido. A interessada apresentou PER/Dcomp informando disponibilidade de crédito em seu favor, derivada do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ, efetuado por Darf. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão da DRF e apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade. A contribuinte alega a existência de pagamento a maior do tributo. Sustenta que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF: as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim em outro trimestre. Acrescenta que a DIPJ também não relacionou, equivocadamente, os pagamentos por estimativa. Reconhece que haveria que se retificar a DCTF e DIPJ. A manifestação de inconformidade restou julgada improcedente, não lhe reconhecendo o direito creditório. Essencialmente, o contribuinte não teria apresentado provas do erro alegado e admitido pelo contribuinte, na forma dos arts. 15 e 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, posto que o Darf foi utilizado inicialmente para quitar débito, em princípio devido até que se provasse o contrário , de estimativa. Inconformada com tal entendimento, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando, principalmente com base no Princípio da Verdade Material, que o equívoco do contribuinte não pode resultar na supressão de seu direito creditório, e que não há amparo legal para a negativa de seu pleito. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.628, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 1040.900104/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.628): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11040.904346/200975 Acórdão n.º 1402002.662 S1C4T2 Fl. 4 3 MÉRITO Ainda que o contribuinte não tenha explicitado em seu Recurso, considerando que recolhe IRPJ e CSLL por estimativa mensal, concluise que apure tais tributos pelo lucro real anual. Nos termos do art. 10 da IN SRF nº 460/2004 e art. 10, da IN SRF nº 600/2005, “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Ou seja, durante a vigência de ambas as instruções normativas, não era permitido, mesmo por PER/DCOMP, utilizarse diretamente de créditos decorrentes de pagamento com DARF em valores indevidos ou maior do que o devido. Essa situação perdurou até o advento da IN RFB 900/2008, que revogou a IN SRF 600/2005 e não trouxe, em seu bojo, a vedação contida na instrução normativa revogada, de tal forma que, a partir de sua vigência, poderia o contribuinte optar em realizar, de imediato, a compensação de DARF pago a título de IRPJ ou CSLL por estimativa de forma indevida ou maior do que a devida e/ou, a seu critério, aguardar o ajuste na DIPJ, de tal forma que os valores recolhidos a maior compusessem o seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL. As instruções normativas posteriores – IN RFB 1.300/2012 e alterações posteriores, que tratam da compensação, mantiveram a possibilidade inaugurada com o advento da IN RFB 900/2008. Para por fim a quaisquer dúvidas, foi expedida a Solução de Consulta Interna nº 19 COSIT, que pacificou o seguinte entendimento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11040.904346/200975 Acórdão n.º 1402002.662 S1C4T2 Fl. 5 4 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fixada a premissa que o contribuinte poderia apresentar PER/DCOMP em razão de pagamento indevido ou maior do que o devido de IRPJ ou CSLL por estimativa, passase a análise de certeza e liquidez dos créditos. A DRF responsável pela análise do PER/DCOMP e emissão do despacho decisório respectivo não questionou a existência do DARF e o seu recolhimento. Apontou, contudo, que o referido DARF teria sido integralmente utilizado para o pagamento da própria estimativa informada como devida e, desta forma, não haveria saldo para a compensação pleiteada pelo contribuinte ou, em alguns casos, reconheceu o pagamento a maior, homologando a compensação até o limite do crédito confirmado. O contribuinte reconhece, notadamente em sua impugnação, que cometeu erros nas informações prestadas em DCTF, embora não esclareça quais, bem como que não informou, nem em DCTF, nem em DIPJ, os recolhimentos das estimativas. Não é possível, à míngua de provas, especular qual seria o erro do contribuinte nas informações prestadas em DCTF. Contudo, a informação de que não teria informado, em DIPJ, os recolhimentos das estimativas, denota que é possível que mesmo no ajuste anual não tenha apurado os saldos negativos de IRPJ e CSLL que faria jus, os quais seriam, nos termos da legislação, passíveis de compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, exceto previdenciários. Mesmo com a decisão da DRJ em mãos, o que possibilitou a apresentação de recurso voluntário dirigido a este Conselho, o contribuinte não apresentou documentos que pudessem dar a este Julgador elementos para aferir se, de fato, ele possui créditos líquidos e certos passíveis de compensação que pudessem justificar uma mudança no teor da decisão recorrida. Não foi apresentado, por exemplo, uma memória de cálculo com a apuração mensal das estimativas devidas, correlacionadas com os DARF’s pagos e, ao final do período de apuração, o fechamento do valor devido a título de IRPJ e CSLL, em linha com a DIPJ apresentada, para que se pudesse aferir que as estimativas recolhidas durante o ano pudessem ser em valor maior do que os tributos devidos e, assim, verificar a existência de saldo negativo passível de compensação. Desta forma, como não foi possível aferir a liquidez e certeza dos créditos oferecidos à compensação, pressuposto para a homologação (art. 170, CTN), pela inexistência de documentos Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11040.904346/200975 Acórdão n.º 1402002.662 S1C4T2 Fl. 6 5 que pudessem comprovar o quanto alegado pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância e a não homologação das compensações declaradas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 13688.000277/2005-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES - INSTALAÇÃO, REPARAÇÃO E MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS. Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no Simples Federal.
Numero da decisão: 1802-000.926
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES INSTALAÇÃO, REPARAÇÃO E MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS. Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no Simples Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, André Almeida Blanco, Nelso Kichel, Gilberto Baptista e Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 10/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13688.000277/200515 Acórdão n.º 180200.926 S1TE02 Fl. 82 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que indeferiu a solicitação da Contribuinte para que fosse mantida no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições de Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES). A exclusão do regime simplificado operouse pelo Ato Declaratório Executivo n° 511625, de 02/08/2004, emitido pela DRF Uberaba/MG (fl. 21), com efeitos a partir de 01/01/2002 e assim fundamentado: Data da opção pelo Simples: 01/01/1997 Situação excludente (evento 306): Descrição: atividade econômica vedada 29319/02 Instalação, reparação e manutenção de máquinas e equipamentos para agricultura, avicultura e obtenção de produtos animais. Data da ocorrência: 02/09/2000. Fundamentação legal: Lei n° 9.317, de 05/12/1996: art. 9º, XIII; art. 12; art. 14, I; art. 15, II. Medida Provisória n° 2.158 34, de 27/07/2001: art. 73. Instrução Normativa SRF n° 355, de 29/08/2003: art. 20, XII; art. 21; art. 23; I; art. 24, II, c/c parágrafo único. Instaurada a fase litigiosa, com a manifestação de fl. 1 a 11, a Contribuinte trouxe os seguintes argumentos de defesa, conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 0921.710 (fls. 30 a 37): 1) Inconstitucionalidade da MP 215834/2001 e da IN SRF 355/2003; 2) Sua atividade está no ramo de manutenção e reparação de máquinas e implementos agrícolas, como consta do Termo de Opção ao Simples. Opção realizada em 01/01/1997, em conformidade com a Lei 9.317/1996. O enquadramento é automático e renovável anualmente (art. 6º e 8º, § único, anexo 18). Traz decisão da 9ª RF sobre empreiteira de mãodeobra. Afirma que não exerce atividade de engenharia mecânica. Traz decisão da 2ª RF sobre empresas que atuam na execução de obras de construção civil. Pelas decisões de consultas realizadas junto à SRF, através da IN SRF 09/99, percebese a incongruência no tratamento que lhe foi dado. Com a edição da Lei 11.051/2004 sua atividade foi excluída das vedações ao Simples; 3) O texto do ADE declara o contribuinte excluído do Simples, tomando como data da ocorrência a data de opção por aquele Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 10/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13688.000277/200515 Acórdão n.º 180200.926 S1TE02 Fl. 83 3 sistema, ou seja: os efeitos da exclusão retroagiram. A cientificação do ADE se deu em agosto de 2004 e a data da exclusão a partir de janeiro de 2005. Para sua surpresa, após apresentação da impugnação a decisão retrocedeu a data do ADE. Ora o despacho decisório feriu de morte o ato jurídico perfeito e acabado, instituindo a reforma do ato declaratório em prejuízo da requerente, ao retroagir seus efeitos. As decisões sejam administrativas ou judiciais não podem ser reformadas em prejuízo de quem manejou qualquer tipo de irresignação. Cita obra sobre o Princípio Constitucional da irretroatividade. Discorre sobre irretroatividade da lei. Quando fez sua opção pelo Simples estava em pleno vigor a Lei 9.317/96, não havendo nenhuma oposição por parte do Fisco à sua opção. O ato guerreado fere o princípio do direito adquirido. A exclusão somente poderia ocorrer se houvesse mudança de sua atividade. Como já mencionado, a DRJ Juiz de Fora/MG indeferiu a solicitação da Contribuinte, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Data do fato gerador: 01/01/2002 EXCLUSÃO. SIMPLES. O exercício de atividade impeditiva implica na exclusão do Simples. EFEITOS. EXCLUSÃO. Como definido na legislação, para a vedação ao Simples especificada nos autos, os efeitos da exclusão têm início em 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. INCONSTITUCIOALIDADE. Apreciação de alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade foge à competência da esfera administrativa. Solicitação Indeferida Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento considerou que a atividade de “Manutenção e Reparação de Máquinas e Implementos Agrícolas” é privativa dos profissionais de engenharia, afirmando ainda que tais profissionais, sejam eles técnicos, tecnólogos ou engenheiros, dependem de habilitação legalmente exigida para o exercício da profissão, conforme se depreende da leitura da Lei no 5.194, de 24 de dezembro de 1966, que regula o exercício das profissões de engenheiro, de arquiteto e de engenheiroagrônomo. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 13/01/2009, a Contribuinte apresentou em 10/02/2009 o recurso voluntário de fls. 41 a 63, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 10/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13688.000277/200515 Acórdão n.º 180200.926 S1TE02 Fl. 84 4 Este é o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 10/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13688.000277/200515 Acórdão n.º 180200.926 S1TE02 Fl. 85 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito à possibilidade ou não de a Contribuinte optar pelo regime de tributação simplificada Simples. O ato de exclusão foi motivado pela atividade da empresa – “Instalação, reparação e manutenção de máquinas e equipamentos para agricultura, avicultura e obtenção de produtos animais”, que foi considerada como privativa dos profissionais de engenharia, e, portanto, vedada ao Simples, nos termos do art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Realmente, como afirma a Recorrente, a jurisprudência do CARF foi consolidando o entendimento de que a simples atividade de instalação, manutenção e reparo de equipamentos não configura atividade privativa de engenheiro: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2003 Ementa: SIMPLES. ATIVIDADE NÃO IMPEDIDA. CANCELAMENTO DO ADE DE EXCLUSÃO. As informações constantes dos autos revelam que a atividade exercida pela recorrente, de serviços de instalação, manutenção e reparo de máquinas e equipamentos em geral, de nenhuma forma se assemelha à atividade de engenharia, e não é impeditiva ao SIMPLES. O contribuinte vem desde o início de sua opção, em 23.10.2001, apresentando suas declarações e recolhimentos de tributos à SRF na sistemática do SIMPLES, pelo que se reconhece seu direito de estar incluída no regime simplificado desde a data do início de suas atividades sem interrupção.(Acórdão nº 30334467, de 03/07/2007). Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 10/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13688.000277/200515 Acórdão n.º 180200.926 S1TE02 Fl. 86 6 Porte Simples Anocalendário: 2002, 2003, 2004 SIMPLES. INCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS de COMÉRCIO E MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE USO GERAL. Não sendo a atividade prestada pela recorrente específica de engenharia ou assemelhada a esta, bem como não exigindo o emprego de conhecimentos técnicos de profissional de engenharia, já que de baixa complexidade, não pode ensejar sua exclusão do SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Acórdão nº 39300049, de 20/10/2008). A matéria, inclusive, já foi sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. A realidade prática demonstra que serviços de instalação, manutenção e reparo não evidenciam, por si só, a execução de atividade que demande a qualificação técnica de engenheiro. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 10/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002369/00-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1995, 1996
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I, DO CTN.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo antecipação de pagamento, o prazo decadencial tem sua contagem iniciada no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado.
AUSÊNCIA DE RETENÇÃO. REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE.
Não tendo a fonte pagadora efetuado a retenção que lhe cabia realizar, presume-se que assumiu o ônus do IRRF, hipótese em que a base de cálculo deve ser reajustada para considerar o valor efetivamente transferido ao beneficiário como líquido.
Numero da decisão: 2201-003.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 17/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1995, 1996 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I, DO CTN. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo antecipação de pagamento, o prazo decadencial tem sua contagem iniciada no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO. REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. Não tendo a fonte pagadora efetuado a retenção que lhe cabia realizar, presume-se que assumiu o ônus do IRRF, hipótese em que a base de cálculo deve ser reajustada para considerar o valor efetivamente transferido ao beneficiário como líquido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 17/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1448; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 707 1 706 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.002369/0014 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.745 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2017 Matéria IRRF Recorrente TREVO SEGURADORA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1995, 1996 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I, DO CTN. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo antecipação de pagamento, o prazo decadencial tem sua contagem iniciada no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO. REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. Não tendo a fonte pagadora efetuado a retenção que lhe cabia realizar, presumese que assumiu o ônus do IRRF, hipótese em que a base de cálculo deve ser reajustada para considerar o valor efetivamente transferido ao beneficiário como líquido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 23 69 /0 0- 14 Fl. 707DF CARF MF 2 EDITADO EM: 17/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de processo que retorna para análise após a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais ter anulado a decisão anteriormente proferida nesta câmara baixa através do Acórdão nº 920202.031, de 21 de março de 2011 (fls 660). Originalmente, foi lançado contra o sujeito passivo crédito tributário relativo a Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF e acréscimos legais totalizando R$ 747.017,51 (fl 2) e tendo por base de cálculo o valor informado na DIRPJ (fls 24) de Dividendos e Lucros Distribuídos de R$ 1.496.641,00, que foi reajustado com base no art. 796 do Regulamento do Imposto de Renda 1994 (fl 26). O fato gerador do tributo foi identificado como 31/12/1995 (fl 30) e a ciência do auto de infração ocorreu em 21/12/2000 (fl 38). Na impugnação apresentada (fls 41), a empresa reconhece parte do crédito tributário que teve por origem os pagamentos de dividendos realizados em 03 de maio de 1996, impugnando apenas o valor relativo ao reajustamento da base de cálculo. Por outro lado, considera que o tributo incidente sobre os dividendos pagos em agosto de 1995, pertinente ao lucro apurado no primeiro semestre desse ano, estaria atingido pela decadência. A DRJ/SPOI, através do Acórdão 8.855, de 16 de fevereiro de 2006, deu parcial provimento ao apelo para excluir parte dos juros incidente sobre os dividendos que foram pagos em 1996. Este acórdão recebeu a seguinte ementa (fls 137): Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINARES. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Inexistindo pagamento e não tendo o contribuinte procedido à apuração do crédito tributário, nada há a homologar pela autoridade fiscal. O prazo decadencial a ser considerado para o caso, então, não é o previsto pelo artigo 150, do CTN, do lançamento por homologação, mas sim o estabelecido pelo artigo 173, inciso I, do CTN, do lançamento de oficio, que fixa como data inicial o primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MÉRITO. REAJUSTAMENTO DA BASE DE CALCULO. CABIMENTO., O rendimento recebido pelo beneficiário deve ser considerado líquido, sendo, portanto, necessário procederse ao seu reajustamento para a obtenção do correspondente valor bruto, base de cálculo do IRRF, sobre o qual incide a alíquota legal. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 16327.002369/0014 Acórdão n.º 2201003.745 S2C2T1 Fl. 708 3 JUROS MORATORIOS. DATA INICIAL ANTERIOR À DO VENCIMENTO. DESCABIMENTO. A data inicial de exigência de encargos moratórios deve ser a do vencimento do tributo. A ciência dessa decisão foi dada através do AR de fl 166, pelo qual não é possível precisar a data em que isto ocorreu, sendo certo que foi no início de abril de 2006, e o recurso voluntário foi protocolado em 08/05/2006 (fl 168). Em suas razões recursais a empresa alega, em síntese, que: Os dividendos foram distribuídos em dois momentos distintos, parte em agosto de 1995 e parte em maio de 1996, de modo que o fato gerador referente ao primeiro pagamento já estaria atingido pela decadência quando o lançamento foi efetuado; O fato gerador previsto no art. 44 do Código Tributário Nacional equivale ao montante real dos proventos tributáveis e não há base legal prevendo o seu reajustamento; É impossível a utilização da taxa Selic para apuração dos juros de mora. Chegando a este Conselho o recurso foi inicialmente apreciado pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, que julgou nulo o auto de infração por erro na verificação do fato gerador. A ementa do Acórdão então proferido (nº 10248.935) foi assim redigida (fl 529): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1996 ERRO NA VERIFICAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. É nulo o lançamento que apura crédito tributário utilizando como parâmetro aspecto temporal e base de calculo diferente da estabelecida pela regramatriz de incidência tributária. Não pode prosperar o lançamento que contém erro na apuração do crédito tributário por não respeitar a forma semanal de apuração prevista na regramatriz de exigência do crédito tributário. Tendo o fisco apurado que as infrações ocorreram em diversas datas, mas considerado o fato gerador ocorrido no último dia de cada mês, resta cancelar a exigência em face do erro material em sua constituição. Recurso provido. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial (fls 554) e a empresa interessada contrarazões ao recurso especial (fls 577). A 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelo Acórdão nº 9202 02.031 (fls 660), deu provimento ao recurso interposto pela PGFN, afastando a nulidade reconhecida pelo Acórdão recorrido: Fl. 709DF CARF MF 4 Assunto: Imposto sobre a Renda RetidoIRRF Exercício: 1995, 1996 AFASTAMENTO DA NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. MATÉRIA OBJETO DO LITÍGIO ADMINISTRATIVO. O decisum recorrido entendeu, por maioria de votos e com espeque no Acórdão n. 10247.747, que houve nulidade do auto de infração, pois decorrente de erro na verificação da ocorrência do fato gerador. Não obstante a nulidade apontada pela Câmara a quo, essa deve ser afastada por esse r. Órgão Colegiado, pois: (i) litígio administrativo cingese na legalidade do reajustamento da base de cálculo levado a efeito pela autoridade lançadora; e (ii) O Auto de Infração conteve interpretação no sentido de que todas as distribuições foram efetuadas no anocalendário de 1995, com referencial de 31 de dezembro, mais benéfico ao contribuinte, por força da falta de conhecimento a respeito de que data especifica houve o crédito. Recurso especial provido. Retornando ao autos para análise do recurso voluntário por esta Seção de Julgamento, o processo foi distribuído em sessão pública a esta relatora. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O Acórdão nº 920202.031 da 2ª Turma da CSRF, que devolveu o processo para análise no âmbito desta Seção de Julgamento, cingiu o litígio administrativo à análise da legalidade do reajustamento da base de cálculo levado a efeito pela autoridade julgadora. A despeito disso, observo que, em suas razões de recorrer, a empresa interessada apresentou argumentos que podem ser assim sintetizados: Os dividendos foram distribuídos em dois momentos distintos, parte em agosto de 1995 e parte em maio de 1996, de modo que o fato gerador referente ao primeiro pagamento já estaria atingido pela decadência quando o lançamento foi efetuado; O fato gerador previsto no art. 44 do Código Tributário Nacional equivale ao montante real dos proventos tributáveis e não há base legal prevendo o seu reajustamento; É impossível a utilização da taxa Selic para apuração dos juros de mora. Assim, para evitar lacuna nesta decisão e preterição do direito de defesa, tratarei de todas essas matérias. Decadência Fl. 710DF CARF MF Processo nº 16327.002369/0014 Acórdão n.º 2201003.745 S2C2T1 Fl. 709 5 Em relação à contagem do prazo decadencial, o Superior Tribunal de Julstioça STJ fixou, em julgamento de recurso representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a existência de pagamento antecipado ou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, são relevantes para definição do prazo decadencial. Com efeito, é o que se observa na ementa do REsp 973.733/SC, 1ª Seção, Dje 18/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na hipótese em questão, não há notícia de que tenha havido qualquer antecipação de pagamento pertinente ao fato gerador em análise, o que remete à aplicação do art. 173, I, do CTN, contandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 711DF CARF MF 6 Como o fato gerador ocorreu em 1995, o primeiro dia do exercício seguinte corresponde a 1º de janeiro de 1996, encerrandose o prazo decadencial em 31/12/2000, data posterior à ciência do auto de infração ocorrida em 21/12/2000 (fl 38). Por outro lado, tendo a decisão da CSRF fixado a data do fato gerador em 31/12/1995, ficaria prejudicada a alegação de decadência também pela contagem do prazo pela regra do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Com isto, resta superada a alegação de decadência do direito de lançar. Reajustamento da base de cálculo Quanto ao reajustamento da base de cálculo, afirma a recorrente que tal prática ofenderia o princípio da legalidade, uma vez que não haveria previsão legal. Ocorre, entretanto, que a Lei nº 4.154, de 28 de novembro de 1962, expressamente prevê que: Art. 5º Ressalvados os casos previstos nos artigos 100 e 101 do Regulamento mencionado no artigo 1º, quando a fonte pagadora assumir o ônus do impôsto devido pelo beneficiado, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada como líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sôbre o qual recairá o tributo. Esta é uma medida de isonomia, já que garante ao mesmo benefício percebido a mesma tributação, de forma que haverá idêntica incidência tributária quando dois contribuintes tiverem recebido de suas fontes pagadoras idêntico valor. É também uma medida de controle fiscal, já que impede a manipulação do valor que serve como base de cálculo, impedindo que a fonte considere apenas a parcela efetivamente transferida ao beneficiário (líquido) e não o rendimento efetivo (bruto). E a assunção do ônus se presume não por declaração de vontade, mas pelo comportamento adotado pela fonte pagadora ao fazer a transferência do valor integral ao beneficiário do rendimento, quando cabia a ela proceder à retenção de parte dele. Além do que foi acima exposto, adoto também como razões de decidir o que foi consignado pela decisão de piso, no trecho que transcrevo abaixo: 15. De fato, a autoridade lançadora realizou o reajustamento do valor total distribuído e declarado na DIRPJ96/95, de R$ 1.496.641,00, que inclui todos os pagamentos realizados em 95 e em 96 comprovados por documentos bancários e, uma parcela residual distribuída de R$ 6.774,10 sem data de pagamento , elevandoo para R$ 1.760.754,12 (= R$ 1.496.641,00/0,85 / 0,85 fls. 16 e 19). Ao adotar esse procedimento, não fez outra coisa senão cumprir as normas fiscais que regulam o regime de exigência do IRRF, a teor do artigo 2°, caput, e parágrafo 1°, da Lei 8.894/94, a seguir reproduzido, o qual se refere a imposto descontado dos dividendos pagos. Assim, por ser descontado, o IRRF incide sobre os valores brutos dos dividendos, de forma que desses valores seja obtido o IRRF a ser transferido à Fazenda Pública, cabendo ao beneficiário o valor restante, denominado valor liquido. Assim, o montante tributável pelo IRRF, ou seja, a base de cálculo da exação, é o valor bruto a ser pago, não o valor liquido transferido ao beneficiário, como defende o impugnante. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 16327.002369/0014 Acórdão n.º 2201003.745 S2C2T1 Fl. 710 7 Nego provimento ao recurso quanto a essa matéria. Taxa Selic para apuração dos juros de mora Esta matéria já se encontra pacificada no âmbito deste colegiado, conforme evidencia o seguinte enunciado da Súmula CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nego provimento. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, rejeitando a preliminar de decadência, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 713DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720338/2006-27
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCROLÍQUIDO CSLL
Ano calendário:2003, 2004 e 2005
LANÇAMENTO DE OFÍCIO
O lançamento será efetuado de oficio quando o sujeito passivo não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento da contribuição social devida.
ARBITRAMENTO DO LUCRO BASE DE CÁLCULO Não havendo escrita regular, mas havendo receita bruta conhecida é cabível o arbitramento do lucro para apuração da CSLL devida, tendose
por base as vendas registradas no Livro de Movimentação de Combustíveis – LMC. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido devida pelas pessoas jurídicas corresponderá a doze ou trinta e dois por cento da receita bruta,
conforme a atividade.
Numero da decisão: 1802-001.251
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso, os termos do voto do relator.
Nome do relator: Gustavo Junqueira Carneiro Leão
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCROLÍQUIDO CSLL Ano calendário:2003, 2004 e 2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO O lançamento será efetuado de oficio quando o sujeito passivo não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento da contribuição social devida. ARBITRAMENTO DO LUCRO BASE DE CÁLCULO Não havendo escrita regular, mas havendo receita bruta conhecida é cabível o arbitramento do lucro para apuração da CSLL devida, tendose por base as vendas registradas no Livro de Movimentação de Combustíveis – LMC. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido devida pelas pessoas jurídicas corresponderá a doze ou trinta e dois por cento da receita bruta, conforme a atividade.
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ARBITRAMENTO DO LUCRO BASE DE CÁLCULO Não havendo escrita regular, mas havendo receita bruta conhecida é cabível o arbitramento do lucro para apuração da CSLL devida, tendose por base as vendas registradas no Livro de Movimentação de Combustíveis – LMC. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido devida pelas pessoas jurídicas corresponderá a doze ou trinta e dois por cento da receita bruta, conforme a atividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso, os termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.720338/200627 Acórdão n.º 1802001.251 S1TE02 Fl. 37 2 (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.720338/200627 Acórdão n.º 1802001.251 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que considerou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Contra a empresa anteriormente identificada foram lavrados dois autos de infração, sendo o primeiro referente ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 03 a 13) e o outro referente a Constribuição Social sobre o Lucro Liquido – CSLL (fls. 14 a 24), compostos da seguinte forma: a) IRPJ Imposto R$ 50.398,45 Juros de Mora (até 24/02/2006) R$ 27.942,90 Multa (Passível de Redução) R$ 37.798,81 Crédito Tributário Apurado R$ 116.140,16 Enquadramento legal RIR/99, artigos 530, I, 532 e 537 do RIR/99. b) CSLL Contribuição R$ 188.994,29 Juros de Mora (até 24/02/2006) R$ 104.786,11 Multa (Passível de Redução) R$ 141.745,68 Crédito Tributário Apurado R$ 435.526,08 Enquadramento legal: artigo 2° e §§ da Lei n° 7.689/88; artigos 19 e 24 da Lei nº 9.249/95; artigo 29 da Lei n° 9.430/96; e artigo 6° da MP n° 1.858/99 e reedições. O procedimento fiscalizatório foi motivado por suposta omissão de receitas caracterizada pela diferença entre as receitas informada ao fisco estadual e a receita declarada ao fisco federal. Enquanto que a contribuinte informava a SEFAZ de Minas Gerais movimentação de combustíveis e emissão da notas fiscais, as declarações apresentadas a Receita Federal nos anoscalendário de 2001 a 2003 constava como a mesma estando “inativa”. Intimada a apresentar todos os Livros da Escrituração Contábil e Fiscal, a autuada disponibilizou apenas uma parte da documentação e, em sua resposta (fls. 35), alegou não possuir os Livros Caixa ou Diário e Razão, nem tampouco os Livros Auxiliares da escrituração. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.720338/200627 Acórdão n.º 1802001.251 S1TE02 Fl. 39 4 Vale salientar que as DCTF’s apresentadas pelo contribuinte para o período sob fiscalização não relacionam nenhum débito ou crédito, estando seus campos de valores “zerados” para o período em questão (fls. 58/67). Deste modo, não tendo sido apresentado os livros comerciais e fiscais e tendo a contribuinte entregue as DIPJ como inativa, procedeuse ao arbitramento do lucro no período mencionado. O lançamento teve por base os valores de receita bruta informados no Livro de Movimentação de Combustíveis LMC, devidamente registrado na Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais (fls. 27/31). Cientificada do lançamento em 29/03/2006, a Recorrente apresentou impugnação (fls. 85/93), contra o lançamento do IRPJ, acompanhada dos documentos de fls. 94/141 e contra o lançamento da CSLL, acompanhada dos documentos de fls. 142/177. Alega o Recorrente que o lançamento do IRPJ deve ser reduzido em 70,35% em cada item do auto de infração, pela incorreta não dedução dos tributos indiretos (ICMS, COFINS e PIS), todos recolhidos antecipadamente por substituição tributária para frente, até o preço final do ciclo econômico no consumidor final (MP 199115 para fatos ocorridos a partir de 01/07/2000). Em relação a CSLL requereu a exclusão dos valores dos tributos indiretos, recolhidos por substituição tributária, ICMS 25,00%, COFINS 3,00% e PIS 0,65%, da base de cálculo, que a fiscalização meramente considerou o registrado no LMC e no DAMEF, parâmetros exclusivos para a fiscalização da Agência Nacional do Petróleo e do fisco estadual. Além disso, informa alega que houve adoção de base de cálculo excessiva de 10,08%, já que foi lançado o coeficiente de 12,00%, quando o correto seria o coeficiente de 1,92%, o seja, 1,60% acrescido de 20%, nos casos de arbitramento do lucro. A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou procedente o lançamento efetuado, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO O lançamento será efetuado de oficio quando o sujeito passivo não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento do imposto e da contribuição social devida. ARBITRAMENTO DO LUCRO BASE DE CÁLCULO Não havendo escrita regular, é cabível o arbitramento do lucro, para apuração do imposto devido, com base na receita bruta conhecida, baseada nas vendas registradas no Livro de Movimentação de Combustíveis LMC, previsto no artigo 260, inciso V, do RIR/99. PERCENTUAL DE ARBITRAMENTO DO LUCRO Para as atividades de revenda de combustíveis derivados de petróleo e álcool, inclusive gás, o percentual aplicável é de 1,92% sobre a receita bruta. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.720338/200627 Acórdão n.º 1802001.251 S1TE02 Fl. 40 5 RECEITA BRUTA Para efeitos de determinação da base de cálculo do imposto, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único do RIR/99. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da contribuição ocial sobre o lucro líquido devida pelas pessoas jurídicas corresponderá a doze ou trinta e dois por cento da receita bruta, conforme a atividade. Lançamento Procedente” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 05/10/2009, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 179 a 184) em 21/10/2009, onde basicamente reitera todas as alegações anteriormente apresentadas em sua impugnação. Em 12/01/2010 a Recorrente protocolou requerimento de desistência parcial do presente recurso administrativo (fl. 230) em relação ao débito de IRPJ. Este é o Relatório. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.720338/200627 Acórdão n.º 1802001.251 S1TE02 Fl. 41 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ em Belo Horizonte (MG) que julgou procedente o lançamento por arbitramento do IRPJ e da CSLL do contribuinte nos anoscalendário de 2001 a 2003. Conforme descrito no relatório, a Recorrente desistiu parcialmente do presente recurso voluntário, eis que manifestou a opção pelo parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009 (REFIS IV), remanescendo apenas a parte do auto referente a CSLL. De forma sucinta a Recorrente defende que o arbitramento da base de cálculo da CSLL deve ser apurada com o mesmo percentual de 1,96% que é aplicado para o IRPJ, além de serem excluídos da base de cálculo todos os tributos incidentes sobre a venda e/ou com incidência monofásica por substutuição tributária. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado está prevista nos seguintes artigos: Lei nº 9.430/96, art. 29: “Art. 29. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e pelas demais empresas dispensadas de escrituração contábil, corresponderá à soma dos valores: I de que trata o art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. Lei nº 9.249/95, art. 20: “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III Fl. 251DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.720338/200627 Acórdão n.º 1802001.251 S1TE02 Fl. 42 7 do § 1º do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) § 1º A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao 4º (quarto) trimestre calendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos 3 (três) primeiros trimestres. (Renumerado com alteração pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2º O percentual de que trata o caput deste artigo também será aplicado sobre a receita financeira de que trata o § 4º do art. 15 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Sendo assim, o resultado arbitrado (a base de cálculo da CSLL) será o percentual da receita bruta auferida no trimestre, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor dos bens ou prestador de serviços seja mero depositário, correspondente a: a) 12% (doze por cento), para as pessoas jurídicas em geral; ou b) 32% (trinta e dois por cento), para as pessoas jurídicas que desenvolvam as atividades a que se refere o inciso III do § lº do art. 15 da Lei nº 9.249/95. A fiscalização corretamente aplicou o percentual de 12% na imputação da base de cálculo da CSLL devida pelo contribuinte. De acordo com a legislação pertinente a matéria , Lei nº 8.981/95, art. 51, vale elucidar que somente aplicase a mesma base de cálculo para o IRPJ e a CSLL nos casos em que a receita bruta do contribuinte não for conhecida. A pretensão da Recorrente de excluir da base de cáclulo da CSLL os valores de ICMS, PIS e da COFINS recolhidos em etapa anterior de comercialização por substituição tributária, não pode prosperar por falta de previsão legal. A esse respeito disciplina a Lei nº 8.981/95, art. 31: “Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta, não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.” Por todo o exposto, entendo que o lançamento deve ser considerado procedente, de modo que voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso, mantendo o crédito tributário. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.720338/200627 Acórdão n.º 1802001.251 S1TE02 Fl. 43 8 (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 253DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10600.720007/2015-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 28/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 28/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório O presente processo administrativo é decorrente de Autos de Infração (fls. 2/61) de IRPJ e Reflexos (CSLL, PIS e COFINS), relativos aos anos base de 2010, 2011 e 2012, acrescidos parte de multa de ofício (de 75% Infração 0002) e parte de multa qualificada (150% Infração 0001), de multa isolada em razão das estimativas apuradas e juros Selic, em razão das seguintes infrações: "0001 OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS RECEITAS NÃO ESCRITURADAS SOCIEDADE EM CONTA DE RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 00 .7 20 00 7/ 20 15 -2 1 Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 10600.720007/201521 Resolução nº 1201000.272 S1C2T1 Fl. 3 2 PARTICIPAÇÃO. Omissão de receita caracterizada pela fragmentação ilícita de atividades/receitas do contribuinte, mediante a criação de Sociedades em Conta de Participação sem propósito negocial e com vícios formais em suas constituições, conforme detalhadamente descrito no relatório fiscal em anexo, parte integrante do presente Auto de Infração. 0002 AJUSTES DO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Valores contabilizados na conta de receita 13191 Incentivos Fiscais SEFAZ/GO, excluídos do Lalur sem cumprimento ao disposto no Artigo 18, III da Lei 11.941/09, conforme relatório fiscal em anexo. 0003 MULTA OU JUROS ISOLADOS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, conforme relatório fiscal e demonstrativo em anexo. " Abaixo reproduzo os principais pontos abordados pelo auditor fiscal responsável no Termo de Verificação Fiscal TVF de fls. 62/105 que motivam os lançamentos: 2.HISTÓRICO DA EMPRESA FISCALIZADA [...] Em 02/01/2010 ocorre a transformação da sociedade de limitada para sociedade anônima, que passa a se denominar Rede Eletrosom S/A, tendo por objeto "o comércio atacadista e varejista de máquinas, móveis e aparelhos de uso doméstico, equipamentos eletroeletrônicos, produtos para informática, artigos para presentes, como brinquedos e utilidades domésticas." As quotas representativas do capital social são convertidas em igual n° de ações ordinárias nominativas e sem valor nominal, assim distribuídas entre os acionistas: Natal Acir Rosa, 7.200.000 ações, no valor de R$7.200.000,00; Antônio Acir Rosa, 800.000 ações, no valor de R$800.000,00. A administração da sociedade passa a ser exercida por uma Diretoria, composta por dois membros: Natal Acir Rosa, no cargo de DiretorPresidente; e Antônio Acir Rosa, no cargo de Diretor VicePresidente. No mesmo ato é ratificada a existência de 127 filiais da sociedade, abertas e em funcionamento. Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 01/07/2010, deliberou e aprovou sobre: a alteração da denominação social de Rede Eletrom S/A para Eletrom S/A; a abertura do capital social da Companhia e a submissão à CVM de pedido de registro de emissor de valores mobiliários admitidos à Fl. 3020DF CARF MF Processo nº 10600.720007/201521 Resolução nº 1201000.272 S1C2T1 Fl. 4 3 negociação em mercados regulamentados de valores mobiliários, categoria B, nos termos da Instrução CVM 480/2009; a criação do Conselho de Administração que, juntamente com a Diretoria, será responsável pela administração da Companhia, com mandato de dois anos, sendo admitida a reeleição; a eleição de Natal Acir Rosa para o cargo de Presidente do Conselho de Administração. 3. INFRAÇÕES APURADAS No período fiscalizado, o contribuinte apurou o IRPJ e CSLL com base no Lucro Real, apuração anual, sendo as estimativas mensais apuradas com base em balancetes de suspensão/redução, conforme Lalur e DIPJ 2011 a 2013 apresentados. Quanto ao PIS e COFINS, estava submetido à incidência não cumulativa. Já as Sociedades em Conta de Participação, nas quais o contribuinte fiscalizado figura como sócio ostensivo, apuraram o IRPJ e CSLL com base no lucro presumido, e o PIS e COFINS, incidência cumulativa. 3.1. SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO/SCP SCP Rede Eletrosom Recebíveis Foram apresentados o contrato de constituição, datado de 01/01/2007 e as 1a e 2a alterações, datadas de 01/01/2009 e 02/01/2010, respectivamente. O contrato dispõe sobre a constituição de uma sociedade não personificada que se regerá pelos artigos 991 a 996 da Lei 10.406/2002, tendo como objetivo os serviços de consultoria, negociação, apoio administrativo e gestão dos recebíveis do sócio ostensivo, bem como a elaboração da estratégia e gestão de vendas do mesmo. Para a consecução de suas atividades a SCP utilizará o sócio ostensivo REDE ELETROSOM LTDA (antiga razão social do contribuinte), com o nome empresarial sociedade em Conta de Participação Rede Eletrosom Recebíveis. Os sócios participantes são: Maria Selvina Rosa e Natal Acir Rosa. A sociedade iniciará suas atividades em 01/01/2007 com prazo de duração de 5 (cinco) anos (cláusula 5a) e a administração da sociedade caberá a Srta. Maria Selvina Rosa com os poderes e atribuições de administrar e gerenciar os contratos e recursos advindos do objeto da SCP, autorizado o uso do nome empresarial (cláusula 8a). A cláusula 9ª dispõe sobre a remuneração pelos procedimentos objeto do referido contrato da seguinte forma: Fl. 3021DF CARF MF Processo nº 10600.720007/201521 Resolução nº 1201000.272 S1C2T1 Fl. 5 4 a) Somente os recebíveis gerados pelo próprio sócio ostensivo podem ser inseridos no objeto desta SCP; b) As vendas serão realizadas pelo sócio ostensivo sempre devidamente formalizada pelas respectivas notas fiscais de venda e contratos de financiamento; c) A SCP será responsável pelo cálculo e cobrança dos recebíveis gerados pelas vendas e contratos de financiamento; d) Os valores recebidos acima da respectiva nota fiscal serão registrados como receita da SCP; e) As comissões decorrentes do processo de cobrança e gestão de recebíveis negociados com terceiros também serão registrados na SCP. [...] A 2a alteração da SCP, vigente no período fiscalizado, dispõe sobre a saída da sócia participante Maria Selvina Rosa; a prorrogação da duração da sociedade por mais cinco anos; e a administração da sociedade pelo Sr. Natal Acir Rosa. SCP Rede Eletrosom Seguros Foram apresentados o contrato de constituição, datado de 01/01/2007 e as 1ª e 2ª alterações, datadas de 01/01/2009 e 02/01/2010, respectivamente. O contrato de constituição dispõe sobre a constituição de uma sociedade não personificada que se regerá pelos artigos 991 a 996 da Lei 10.406/2002, tendo como objetivo os serviços de consultoria, apoio administrativo e gestão dos contratos de seguro firmados pelo sócio ostensivo, bem como a elaboração da estratégia e gestão de vendas do mesmo. Para a consecução de suas atividades a SCP utilizará o sócio ostensivo REDE ELETROSOM LTDA (antiga razão social do contribuinte), com o nome empresarial sociedade em Conta de Participação Rede Eletrosom Seguros. O sócio participante é Maria Selvina Rosa. A sociedade iniciará suas atividades em 01/01/2007 com prazo de duração de 5 (cinco) anos e a administração caberá à Maria Selvina Rosa. A cláusula 9a dispõe sobre a remuneração pelos procedimentos objeto do referido contrato da seguinte forma: a) Somente contratos firmados com terceiros pelo próprio sócio ostensivo podem ser inseridos no objeto desta SCP; b )As vendas serão realizadas pelo sócio ostensivo sempre devidamente formalizadas pelos respectivos contratos; c) A SCP será responsável pelo cálculo e cobrança dos recebíveis gerados pelos contratos de seguros. [...]A 2a alteração da SCP dispõe sobre a saída da sócia participante Maria Selvina Rosa, que cede e transfere o total de sua participação Fl. 3022DF CARF MF Processo nº 10600.720007/201521 Resolução nº 1201000.272 S1C2T1 Fl. 6 5 para Natal Acir Rosa; a prorrogação da duração da sociedade por mais cinco anos; e a administração da sociedade pelo Sr. Natal Acir Rosa. SCP Rede Eletrosom Cobrança Foram apresentados o contrato de constituição, datado de 01/01/2009 e a 1a alteração, datada de 02/01/2010. O contrato dispõe sobre a constituição de uma sociedade não personificada que se regerá pelos artigos 991 a 996 da Lei 10.406/2002, tendo como objetivo os serviços de consultoria, negociação, apoio administrativo, gestão dos recebíveis do sócio ostensivo, e em especial a cobrança dos recebíveis vencidos. Para a consecução de suas atividades a SCP utilizará o sócio ostensivo REDE ELETROSOM LTDA (antiga razão social do contribuinte), com o nome empresarial sociedade em Conta de Participação Rede Eletrosom Cobrança. Os sócios participantes são Maria Selvina Rosa e Natal Acir Rosa. A sociedade iniciará suas atividades em 01/01/2009 com prazo de duração de 5 (cinco) anos (cláusula 5a) e a administração da sociedade caberá a Srta. Maria Selvina Rosa com os poderes e atribuições de administrar e gerenciar os contratos e recursos advindos do objeto da SCP, autorizado o uso do nome empresarial (cláusula 8a). A cláusula 9a dispõe sobre a remuneração pelos procedimentos objeto do referido contrato da seguinte forma: a)Somente os recebíveis gerados pelo próprio sócio ostensivo podem ser inseridos ao objeto desta SCP; b)As vendas serão realizadas pelo sócio ostensivo sempre devidamente formalizada pelas respectivas notas fiscais de venda e contratos de financiamento; c)A SCP será responsável pelo cálculo e cobrança dos recebíveis gerados pelas vendas e contratos de financiamento; d) Os valores recebidos acima da respectiva nota fiscal serão registrados como receita da SCP; e) As comissões decorrentes do processo de cobrança e gestão de recebíveis negociados com terceiros também serão registrados na SCP. A 1a alteração da SCP dispõe sobre a saída da sócia participante Maria Selvina Rosa; a prorrogação da duração da sociedade por mais cinco anos; e a administração da sociedade pelo Sr. Natal Acir Rosa. [...] 3.1.2. Vícios encontrados na constituição das SCPs em comento. Infração à Lei 10.406/2002. Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 10600.720007/201521 Resolução nº 1201000.272 S1C2T1 Fl. 7 6 De acordo com os conceitos legais e doutrinários acima explanados, verificamos os seguintes fatores que descaracterizam a formação das SCP em comento: Segundo a cláusula 8a das alterações contratuais das referidas SCPs, datadas de 02/01/2010, a administração das SCPs é exercida pelo sócio participante, o Sr. Natal Acir Rosa, o que infringe o artigo 991 da Lei n. 10.406/2002 que dispõe que o sócio participante entra com os recursos para a sociedade, participando apenas dos resultados das SCPs, ou seja, o sócio participante não pode exercer poder de gerência na SCP nem participar nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este, cabendo a ele apenas fiscalizar a gestão do sócio ostensivo; O Sócio participante, Sr. Natal Acir Rosa, é acionista majoritário do sócio ostensivo, detentor de 90% de suas ações e de cargo na sua administração: quando da criação das SCPs Recebíveis e Seguros (Janeiro/2007) era sócioadministrador do sócioostensivo; em Janeiro/2010 tornouse Diretor Presidente e em Julho do mesmo ano, Presidente do Conselho de Administração, que juntamente com a Diretoria, responde pela administração do sócio ostensivo (vide histórico da empresa fiscalizada). Sendo assim, o Sr. Natal Acir Rosa confundese nas figuras de sócio participante e acionista/administrador do sócio ostensivo. Ressaltese que no curso do procedimento fiscal, foram apresentados vários documentos que comprovam o efetivo exercício da administração da Eletrosom (sócio ostensivo das SCPs) pelo Sr. Natal Acir Rosa (sócio participante das SCPs). [...]junta exemplos Na causa típica de uma SCP está presente o fortalecimento do empreendimento do sócio ostensivo com os investimentos feitos pelo sócio participante, o que leva alguns doutrinadores a definila como um "contrato de investimento". Dados os ínfimos valores investidos pelo sócio participante nas referidas SCPs não se vislumbra qualquer finalidade econômica ou negocial na criação das mesmas que não a economia de tributos, propiciada pelo desmembramento de atividades operacionais que se complementam, para que parte dela fosse tributada pelo Lucro Presumido, na forma de receita das SCPs. [...] Escrituração das SCPs livros próprios apresentados em atendimento ao TIAF [...] Conforme acima demonstrado, 99% do lucro das SCPs retornou à ELETROSOM na forma de resultado de equivalência patrimonial (receita não tributável), conseqüência do insignificante investimento do sócio participante nas referidas sociedades. Concluindo, constatouse no presente caso, o desmembramento de atividades operacionais complementares do contribuinte fiscalizado, com o intuito de tributar parte delas pelo Lucro Presumido, mediante a criação de sociedades em conta de participação com vícios formais que as descaracterizam como tal, uma vez que ferem seu próprio propósito de criação, face ao insignificante investimento do sócio participante, Fl. 3024DF CARF MF Processo nº 10600.720007/201521 Resolução nº 1201000.272 S1C2T1 Fl. 8 7 sócio este que toma parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, uma vez ser o administrador e acionista controlador do sócio ostensivo. Logo, tais sociedades em conta de participação foram criadas sem qualquer propósito negocial/finalidade econômica que não a economia de tributos, uma vez que não se prestam para a causa verdadeira de uma SCP, qual seja o fortalecimento do empreendimento do sócio ostensivo com os investimentos feitos pelo sócio participante, que, segundo os preceitos legais, deverá ser um terceiro, sem qualquer participação nos negócios praticados, participando apenas dos resultados do empreendimento. Deste modo, a inexistência de propósito negocial na constituição dessas sociedades em conta de participação, torna ilícita a fragmentação das atividades do contribuinte fiscalizado. [...] 3.1.3. Demais vícios encontrados Além de ferir frontalmente o artigo 991 da Lei 10.406/2001 e de inexistir propósito negocial na criação das referidas sociedades, foram encontrados outros vícios, que demonstram o artificialismo na criação das mesmas: As SCPs não possuem estrutura operacional nem despesas próprias. Intimado a comprovar as despesas escrituradas pelas SCPs, o contribuinte fiscalizado informou que as SCPs não possuem despesas próprias, sendo suas despesas oriundas do rateio das despesas do sócio ostensivo (resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 05). Seus endereços coincidem com o do contribuinte fiscalizado (sócio ostensivo). As mesmas exercem atividades complementares do sócio ostensivo, ou seja, seus objetos não abrangem um empreendimento específico, temporário e de risco, características comumente verificadas nesse tipo de sociedade. Os contratos sociais das mesmas até tentaram "aparentar" um empreendimento temporário, instituindo um prazo de cinco anos para sua duração, prazo esse prorrogado por mais cinco anos em alteração contratual posterior. Notase que as três sociedades desempenham as mesmas atividades: consultoria, negociação, apoio administrativo e gestão de recebíveis (oriundos de contratos de financiamentos e seguros firmados com terceiros pelo próprio sócio ostensivo). Tendo as referidas SCPs os mesmos sócios (ostensivo e participante) e a mesma atividade (consultoria, negociação, apoio administrativo e gestão de recebíveis), surge a indagação: qual o propósito da criação de várias sociedades em conta de participação, inclusive duas delas sendo criadas na mesma data? A resposta é evidente: para não extrapolar o limite estabelecido do Lucro Presumido, de receita bruta anual do anocalendário anterior de R$48.000.000,00 (artigo 14 da Lei 9.718/98, com redação dada pela Lei n° 10.637/2002), conforme abaixo discriminado: [...] Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 10600.720007/201521 Resolução nº 1201000.272 S1C2T1 Fl. 9 8 A criação de uma única SCP tornaria inviável o planejamento do contribuinte, pois o único objetivo da criação das referidas sociedades foi o de tributar parte de suas receitas pelo Lucro Presumido. Conforme já mencionado, a escrituração das SCPs Cobrança, Recebíveis e Seguros foi feita em livros próprios, apresentados em atendimento ao Termo de Início do Procedimento Fiscal. [...] No entanto, verificouse na escrituração do sócio ostensivo, bem como nas notas explicativas às demonstrações financeiras de 2010 a 2012 do mesmo, publicadas na imprensa oficial de Minas Gerais, a ausência de lançamentos nas contas pertinentes à SCP Eletrosom Cobrança. [...] Ou seja, a escrituração do sócio ostensivo não contempla lançamentos na SCP Cobrança, estando os resultados desta incluídos no resultado da SCP Recebíveis, o que se depreende que a escrituração das SCPs apresentadas no curso do procedimento fiscal foi feita extemporaneamente. Quanto às notas fiscais escrituradas pelas SCPs, apresentadas por amostragem em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 05, não consta nos referidos documentos qualquer indicação de modo a permitir identificar sua vinculação com a referida sociedade, contrariando o disposto no art. 254, III, do RIR/1999: [...] Logo, inaceitáveis as Sociedades em Conta de Participação por todos os motivos expostos ao longo do presente item, procedemos à recomposição dos resultados no contribuinte fiscalizado, retornando tanto as receitas escrituradas pelas SCPs, quanto as despesas a elas rateadas (originalmente do contribuinte fiscalizado) e, dos tributos apurados de ofício, deduzimos os tributos declarados/pagos pelo Lucro Presumido (DCTFs apresentadas antes do início do procedimento fiscal), conforme demonstrativos anexos: Anexo I A: Receitas escrituradas pelas SCPs; Anexo I B: Despesas SCPs (oriundas do rateio de despesas do sócio ostensivo), lançamentos extraídos do razão do contribuinte fiscalizado (sócio ostensivo) lançamentos a créditos em contas de despesas; Anexo I C: demonstrativo da base de cálculo tributável Resultado SCPs, IRPJ e CSLL; Anexo I D: demonstrativo da base de cálculo PIS/COFINS incidência não cumulativa; Anexo I E: tributação das SCPs valores apurados e declarados. 3.1.4. Multa de ofício aplicada A criação de uma ou mais empresas com a mesma atividade econômica ou desmembramento das atividades operacionais (fragmentação de empresas) quando tiver como único objetivo a realização de economia tributária é artificiosa, ilícita e evasiva, uma vez que as próprias circunstâncias que as envolvem são apenas formais. Ficou caracterizado o dolo e o evidente intuito de fraude na conduta do contribuinte, por seu comportamento intencional e reiterado de causar Fl. 3026DF CARF MF Processo nº 10600.720007/201521 Resolução nº 1201000.272 S1C2T1 Fl. 10 9 prejuízos à Fazenda Pública, ao criar artificialmente várias sociedades em conta de participação para usufruir de um regime de tributação mais benéfico, e, mesmo nesse regime (Lucro Presumido), ainda declarou e recolheu os tributos devidos pelas SCPs em valores significantemente inferiores ao longo de todos os meses do período fiscalizado (2010 a 2012), conforme abaixo demonstrado (vide Anexo IE): Tributo Montante apurado pelo contribuinte (p.a. 2010 a 2012) Montante declarado/pago (p.a. 2010 A 2012) IPPJcódigo 2089 16.740.501,66 7.333.736,45 CSLLcódigo 2372 6.124.587,01 2.687.893,94 COFINScódigo 2172 5.135.488,20 1.746.074,82 PIScódigo 8109 1.112.689,10 378.293,81 Logo, comprovado o artificialismo na criação das sociedades em conta de participação, uma vez inexistente o aporte de capital de terceiros, sociedades estas criadas sem qualquer propósito negocial que não a economia de tributos, bem como a prática reiterada de declarar tributos inferiores aos apurados, estando presentes, portanto, o dolo e fraude, efetuamos o lançamento de ofício com imposição de multa de ofício qualificada (150%), nos termos do art. 44, § 1° da Lei 9.430/96. 3.1.5 Decadência PIS/COFINS Comprovada a ocorrência de dolo/fraude/simulação na constituição das sociedades em conta de participação, aplicase o disposto no art. 173, I, do CTN aos lançamentos por homologação. [...] 3.1.6. Ações judiciais existentes Em atendimento à intimação fiscal, o contribuinte apresentou cópia da Decisão proferida em 17/08/2007 no Processo n° 2007.38.03.005558 3, impetrado na 2a Vara da Justiça Federal em Uberlândia/MG, deferindo liminar em Mandado de segurança para que o contribuinte proceda à exclusão do ICMS incidente sobre o faturamento da base de cálculo do PIS e COFINS, com exceção do ICMS incidente sobre os produtos ou serviços adquiridos pela impetrante como consumidora final. [...] Como os valores de PIS e COFINS lançados de ofício no presente Auto são provenientes de receitas de prestação de serviços escrituradas pelas sociedades em conta de Participação/SCP, não há parcela de ICMS a ser excluída da base de cálculo das referidas contribuições. 3.2. INCENTIVOS FISCAIS 3.2.1. IRPJ e CSLL [...] Ou seja, no período fiscalizado não houve a destinação da parcela decorrente da subvenção governamental para investimento para a conta de reserva de incentivos Fiscais (conta 1301), que se manteve sem lançamentos no período em questão. Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 10600.720007/201521 Resolução nº 1201000.272 S1C2T1 Fl. 11 10 Na verdade, após a destinação de 5% do lucro líquido do exercício à reserva legal, o mesmo foi destinado ao pagamento de dividendos (conta 8059) e à reserva de lucros a distribuir (conta 80081), para posterior distribuição de dividendos obrigatórios. Logo, os incentivos fiscais em questão não foram creditados em conta de reserva de incentivos fiscais, contrariando o disposto no art. 18, III, da Lei 11.941/09, motivo pelo qual adicionamos ao Lucro Real e à base de cálculo da CSLL os valores excluídos indevidamente pelo contribuinte, com fulcro no art. 18, IV, da referida Lei. 3.3.FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL As infrações apuradas ocasionaram falta de recolhimento de estimativas mensais, gerando multa de 50% sobre os valores não recolhidos, conforme demonstrativo em anexo (Anexo II), com fulcro no art. 44, II, "b" da Lei 9.430/96. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1.595/1.647), alegando, no que diz respeito ao tópico das SCP: ausência de fundamento legal para a desconstituição das operações praticadas; que, conforme se verifica nos contratos de constituição das SCPs: a sociedade Rede Eletrosom Cobrança foi criada exclusivamente para cálculo e cobrança dos recebíveis gerados pelas vendas e contratos de financiamento da sócia ostensiva, atividade acessória ao objeto principal da Impugnante, qual seja, a venda de produtos no mercado varejista; a SCP Eletrosom Recebíveis tem como objeto os serviços de consultoria, negociação, apoio administrativo e gestão de recebíveis, bem como a elaboração da estratégia e gestão de vendas do sócio ostensivo. Frisese que o objeto da referida sociedade é totalmente distinto do da SCP Rede Cobrança; e que a SCP Eletrosom Seguros tem como objeto os serviços de consultoria, apoio administrativo e gestão de contratos de seguro firmados pelo sócio ostensivo. Essas atividades não fazem parte do objeto principal da sócia ostensiva, o que revela que não se está diante de um caso de simples repartição de receitas da Impugnante. Com efeito, a constituição de 3 (três) sociedades reguladas pelos arts. 991 a 996 do CC/2002 foram, na verdade, criadas para segregar os riscos de atividades secundárias desenvolvidas pela Impugnante (predominantemente financeiras), que não se confundem com a sua atividade principal, que é a venda de eletrodomésticos e afins no mercado varejista. não há na legislação qualquer impedimento de que uma pessoa física seja concomitantemente sócia participante da SCP e indiretamente sócia ostensiva da referida sociedade. A constituição das SCP’s, pois, é fruto do exercício do seu direito de reorganização das atividades e está amparado pelo Princípio da Autonomia da Vontade e Livre Iniciativa que regem o direito privado. a Fiscalização afirma que não teriam sido registradas despesas na SCP o que denotaria a simulação na constituição de tais sociedades , mas se contradiz, pois ao recompor a base de cálculo do PIS e da COFINS foram levadas em conta as receitas líquidas descontadas das despesas de energia, comunicação e aluguel de imóvel. se analisado o histórico dos resultados auferidos pela Impugnante ao longo do período autuado (situação de prejuízo ao invés de lucro operacional), verificase que, Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 10600.720007/201521 Resolução nº 1201000.272 S1C2T1 Fl. 12 11 efetivamente, houve aumento em sua carga tributária, já que foram recolhidos tributos na SCP, ainda que sob o regime do lucro presumido, quando tais receitas, se incorporadas ao lucro real da Impugnante, seriam absorvidas pelos prejuízos acumulados no período. com relação à multa qualificada de 150%, aduz que os motivos acima despendidos já seriam plenamente suficientes, por si só, para afastar sua aplicação. Ademais, ainda que assim não se entenda, a aplicação da referida multa viola o artigo 112 do CTN e se apresenta totalmente descabida, uma vez ausente qualquer prova de circunstâncias agravantes aptas a ensejar sua aplicação. além da multa de 150% ter feição confiscatória e ser totalmente agressiva aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do nãoconfisco, não há que se falar em evidente dolo ou fraude a ensejar a qualificação da penalidade no caso concreto. que deve ser afastada a premissa de que a Impugnante não efetuou o recolhimento dos tributos devidos nas SCPs. A Fiscalização, no momento da lavratura dos Autos de Infração, detinha pleno conhecimento de que os débitos supostamente "em aberto" nas SCPs haviam sido incluídos no parcelamento federal, sobretudo porque a Impugnante retificou todas as suas DCTFs para confessar esses débitos, conforme determinado pela IN/RFB 1.491/2014, como condição para a inclusão dos valores no REFIS. com base no art. 150, §4° do CTN, ocorreu a decadência dos valores exigidos a título de PIS e COFINS nos meses de janeiro e fevereiro de 2010, bem como das multas isoladas exigidas no mês de fevereiro de 2010. ocorreu também ilegal mudança de critério jurídico. Subsidiariamente, invoca a impossibilidade de inclusão de receitas financeiras na base de cálculo do PIS/COFINS nãocumulativo; pede a exclusão dos valores pagos no REFIS; e o reconhecimento de créditos de IRRF para fins de abatimento do eventual saldo devido e dos efetivos pagamentos de IRPJ e CSLL feitos no lucro presumido. Quanto ao tópico do incentivo fiscal, aduz que: apesar das conclusões apresentadas no trabalho fiscal, foi demonstrado que, não obstante ter incorrido em equívocos no registro dos valores recebidos a título de subvenção, sob o ponto de vista de uma interpretação econômica e mais condizente com a legislação tributária aplicável a benefícios fiscais, a Impugnante não foi contra o objetivo principal da norma inserta no art. 18 da Lei 11.941/2009. a acusação fiscal se refere exclusivamente à destinação contábil: a empresa tirou recursos da subvenção para distribuir dividendos, mas esses recursos poderiam perfeitamente ter saído, ainda que parcialmente, dos lucros acumulados que ela detinha. é inegável que não ocorreu no caso concreto a situação que a lei tributária visa evitar, em se tratando de incentivos fiscais enquadráveis como subvenção para investimento, pois, ao fim e ao cabo, os recursos decorrentes dos incentivos fiscais acabaram, ainda que parcialmente, permanecendo no patrimônio líquido da Impugnante, dando à autuação um caráter absolutamente formal. ainda que o erro não seja admitido, que seja aos menos reduzida a base de cálculo do IRPJ autuado, para refletir o valor líquido que, ao final, teria sido destinado aos sócios, considerando os lucros acumulados existentes na Companhia e que embasariam a distribuição de dividendos. Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 10600.720007/201521 Resolução nº 1201000.272 S1C2T1 Fl. 13 12 Finalmente, a contribuinte também pleiteia o cancelamento da multa isolada, ainda mais considerando sua concomitância com a multa de ofício. Por meio da Resolução n° 2.001.946 (fls. 2.423/2.426), o julgamento da defesa foi convertido em diligência, no intuito de: (i) determinar se as receitas ou rendimentos correspondentes às retenções sofridas na fonte pelo contribuinte constantes das DIRFs relativas aos períodos autuados foram ou não efetivamente oferecidos à tributação ou em qual medida o foram ou ainda se correspondem às infrações aqui apuradas; (ii) apurar dentre as receitas levantadas, notadamente, na infração capitulada no item "001" do Auto de Infração do IRPJ qual montante mensal referese às receitas financeiras (recebimentos de juros por inadimplências dos clientes do contribuinte); (iii) verificar se houve divergência no aproveitamento dos valores efetivamente pagos a título de IRPJ e CSLL no lucro presumido, indicando, se for o caso, o verdadeiro valor a ser deduzido das exigências apuradas. Em atendimento ao quanto solicitado, a fiscalização elaborou Relatório Fiscal (fls. 2.516/2.531), por meio do qual propõe determinadas alterações a serem promovidas no lançamento, em conformidade com o quadro resumo de fls. 2.530/2.531. A contribuinte se manifestou (fls. 2.628/2.640). Ressalta que o pedido de abatimento dos valores pagos no REFIS pelas SCPs, no montante de R$26.418.118,22, estranhamente não foi objeto da diligência e que, por equívoco, o Relatório Fiscal deixou de somar o montante de R$ 4.781.616,51, relativo às retenções na fonte sofridas pelas SCPs, mesmo tendo a autoridade fiscal expressamente acatado este pleito. Questionou, ainda, o fato do relatório ter mantido a tributação sobre as receitas financeiras. Em Sessão de 26 de setembro de 2016, a 10 Turma da DRJ/BHE julgou os lançamentos parcialmente procedentes. O Acórdão (fls. 2.704/2.760) n. 02.69.937, que foi objeto de recurso de ofício em razão do valor do crédito tributário excluído, recebeu a seguinte ementa: PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. DESCONSIDERAÇÃO DE SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. Revestese de legalidade a ação do Fisco, sendo cabível o lançamento do imposto que deixou de ser recolhido, uma vez evidenciado robustamente em procedimento fiscal a existência de planejamento tributário com fraude à lei fiscal, visando diminuir ou suprimir o recolhimento do imposto de renda, na medida em que foi ferido o limite legal de receita que deve ser observado para determinação do imposto e contribuição social no regime do lucro presumido, via criação artificial de Sociedade em Conta de Partição SCP, gerada formalmente, com a aparente ocorrência de sociedade. Tendo por base o regime do lucro real, é procedente a recomposição do resultado do contribuinte, adicionandose ao seu lucro o das SCP, considerados os prejuízos fiscais e bases negativas por ele declarados. Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 10600.720007/201521 Resolução nº 1201000.272 S1C2T1 Fl. 14 13 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Por decorrência, o mesmo procedimento aplicase à CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. Para determinação do PIS e da COFINS, pelo regime nãocumulativo, procede a tributação das receitas de prestação de serviços auferidas pelas SCP, descontados os créditos levantados. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. DILIGÊNCIAS REALIZADAS. São cabíveis ajustes nos valores exigidos dos tributos lançados, em função das retenções na fonte sofridas, cujas receitas foram oferecidas à tributação, e dos pagamentos efetuados pelo contribuinte, consoante DIRF e DARF constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil, como devidamente confirmado em relatório fiscal de diligências efetuadas. SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO RTT. Na vigência do RTT, as subvenções governamentais para investimento só poderiam ser excluídas na apuração do Lucro Real, desde que (a) mantidas na conta de reserva de incentivos fiscais a parcela da subvenção apurada até o limite do lucro líquido do exercício, não podendo ser distribuída aos sócios/acionistas; e (b) caso no período o contribuinte apure prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela da subvenção governamental, e neste caso, não puder ser constituída como parcela de lucros, a parcela não destinada à reserva de incentivos fiscais deverá ser destinada nos exercícios subseqüentes. No caso concreto, no período fiscalizado, não houve destinação da parcela da subvenção governamental para investimento para a conta de reserva de Incentivos Fiscais. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Mais precisamente, a decisão de piso ajustou os "valores exigidos dos tributos lançados, em função das retenções na fonte sofridas, cujas receitas foram oferecidas à tributação, e dos pagamentos efetuados pelo contribuinte, consoante DIRF e DARF constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil, como devidamente confirmado em relatório fiscal de diligências efetuadas." Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 2.839/2.982), onde basicamente reitera os argumentos de defesa. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 2.938/2.982). Sustenta que não houve qualquer mudança de critério jurídico por parte do fisco. Aduz que o caso concreto revela um planejamento tributário sem propósito negocial, afinal as SCPs são apenas aparente e desrespeitam sua função típica. Pede a manutenção da multa qualificada, por entender presente a intenção de mascarar o que de fato se pretendia e que a Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 10600.720007/201521 Resolução nº 1201000.272 S1C2T1 Fl. 15 14 multa isolada possui previsão legal. Manifestase em sentido oposto ao da decadência e afirma que a infração relativa à subvenção para investimento restou bem caracterizada. Quanto ao pedido de abatimento de valores pagos no Refis, esclarece que não há base legal e que as SCPs seriam contribuintes diversos. Posteriormente, em petição datada de 29 de maio de 2017, o Recorrente apresenta sua desistência parcial do recurso voluntário, em razão da inclusão de parte do débito objeto do presente processo no Programa de Regularização Tributária – PRT, instituído pela MP nº 766/2017. Mais precisamente, a desistência se refere à discussão dos valores glosados decorrentes da escrituração e contabilização de incentivos fiscais pelo Estado de Goiás (ou seja, a Infração nº 0002). É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Na impugnação, a Recorrente requereu expressamente a baixa do processo ao Fiscal Autuante para que possam ser decotados os valores que indica do crédito tributário exigido ou, quando menos, suspensa a sua exigibilidade em razão do parcelamento ainda em curso, ressaltando que eventual diferença no recebimento deverá ser discutido no âmbito do REFIS, conforme legislação específica, e não nos autos do presente processo. Elaborou quadro resumo na peça de defesa (fl. 1.619) e anexou, como Doc. 06 (fls. 1.993/2.012), documentos que consistem em uma planilha resumo de parcelamento, protocolo de três pedidos de adesão ao Refis, tabelas de abatimento de valores e guias Darfs de pagamentos. Considerando que a diligência requerida pela DRJ não abordou este pedido, a contribuinte reiterou esta necessidade ao se manifestar (fls. 2.630). Sobre o tema, assim decidiu a decisão de primeiro grau (fls. 2.750/2.751): 4.1.5 – PAGAMENTOS. REFIS A defesa, mencionando o “doc. 6”, postulou pela reformulação do credito tributário exigido em razão de valores pagos pelas SCPs no REFIS da Lei 12.996/2014. Todavia, de pronto, digase que a autoridade julgadora não é competente para dirimir questões afetas ao parcelamento indicado pelo contribuinte. Cabe, pois, à Impugnante dirigirse à autoridade competente responsável pelas questões afetas ao mencionado parcelamento na repartição de origem e apontar objetivamente quais seriam os valores lançados (segregados por tributo e período de apuração) e que foram lá incluídos, para que sejam adotadas as providências cabíveis, notadamente, a transferência dos correspondentes valores do auto de infração para o processo de cobrança que controla o alegado parcelamento. A contribuinte, no recurso voluntário, explica que: Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 10600.720007/201521 Resolução nº 1201000.272 S1C2T1 Fl. 16 15 O que a Recorrente requereu foi que fosse determinada a baixa do processo ao Fiscal Autuante para que fosse analisado os argumentos apresentados pela Recorrente e decotado os valores que foram parcelados, os quais totalizam o montante de R$26.418.118,22 (incentivado), que compreende os valores devidos no período de 2010 a 2013, portanto englobando o período objeto da presente autuação fiscal. Vejamse: [...] Em vista disso, a Recorrente requer a reforma do r. acórdão para que seja determinada a baixa do processo ao Fiscal Autuante para que possa ser decotado os valores acima do crédito tributário exigido ou, quando menos, suspensa a sua exigibilidade em razão do parcelamento ainda em curso, ressaltando que eventual diferença no recolhimento deverá ser discutido no âmbito do REFIS, conforme legislação específica, e não nos autos do presente processo. A Procuradoria questiona o direito desse abatimento, mas não nega que "pelo que consta dos autos não se pode sequer precisar se a Eletrosom S.A. requereu regularmente participação no referido programa de parcelamento, nem se seu pedido foi deferido". (fl. 2.980). Diante desse quadro, a meu ver ainda permanece a dúvida se houve ou não inclusão de valores incluídos neste levantamento, ainda que pelas SCP, no aludido parcelamento. A propósito, não se pode perder de vista que a própria autoridade autuante deduziu os valores pagos no lucro presumido pelas SCP já na apuração originária. O relatório de diligência reconheceu também o abatimento dos tributos retidos sobre aplicações financeiras e prestação de serviços, o que demonstra que o direito ao abatimento de eventuais valores incluídos no Refis, quando menos, deverá ser enfrentado por este Colegiado após o esclarecimento acerca da existência e suficiência de "créditos". Dessa forma, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade de origem apure se as SCP de fato incluíram valores objeto de cobrança no presente processo administrativo no REFIS da Lei nº 12.996/2014 ou outro parcelamento. Caso positivo, indicar os correspondentes montantes, segregando os valores a título de principal, multa e juros por tributo e competência e apresentar justificativa acerca da necessidade de abatimento destes valores em relação aos créditos tributários ora exigidos. O resultado da diligência deve constar de relatório conclusivo, do qual a contribuinte deverá ser intimada para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Após isso devem os autos retornar ao CARF para julgamento dos recursos. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 3033DF CARF MF
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Numero do processo: 16641.000022/2006-68
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III).
Numero da decisão: 1801-000.649
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 282 1 281 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16641.000022/200668 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.649 – 1ª Turma Especial Sessão de 2 de agosto de 2011 Matéria AI IRPJ Recorrente SERGIO FERREIRA DE FERREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 Relatório Trata o presente processo de autos de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, lavrados em 28/09/2006 (fls. 127 a 158), que constituíram o crédito tributário no montante total de R$ 89.206,87, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta as irregularidades apuradas no anocalendário 2004, descritas no folha de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos Autos de Infração. De acordo com o relato da auditoria fiscal tratase de empresa individual que optou, no anocalendário 2004, pela apuração dos resultados com base no lucro presumido e na respectiva DIPJ do período declarou ter auferido receitas apenas nos 2o., 3o. e 4o. trimestres do anocalendário. No curso dos trabalhos a empresa teria sido intimada a apresentar sua escrituração contábil ou Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, além de extratos bancários do período fiscalizado. De posse da documentação a fiscalização constatou que o Livro Caixa apresentado não continha o registro de toda a movimentação financeira retratada nos extratos bancários. A contribuinte foi, então, intimada a justificar a origem dos recursos depositados em suas contascorrentes bem como a refazer a escrituração do Livro Caixa de modo a abranger toda a movimentação financeira. A contribuinte não teria apresentado justificativas a respeito dos depósitos bancários e, no novo Livro Caixa reescriturado também não fora contemplada toda a movimentação financeira constante dos extratos bancários apresentados à auditoria. Por tais fatos a empresa foi autuada por omissão de receitas e teve seu lucro do anocalendário 2004 arbitrado, em face de a escrituração do Livro Caixa permanecer em desacordo com as normas legais. Cientificada das exigências em 28/09/2006, a empresa apresentou impugnação tempestiva, na qual contesta apenas a forma de apuração dos resultados, pelo lucro arbitrado, concordando com a omissão de receitas apurada por meio de depósitos bancários de origem não comprovada. Analisando o litígio a 5a. Turma da DRJ em Porto Alegre/RS julgou os lançamentos procedentes em parte. Quanto ao arbitramento dos lucros consignou que a exigência nesses moldes estaria justificada em face de a escrituração mantida pela empresa não refletir toda a sua movimentação financeira. A parcela exonerada se refere ao desconto dos valores exigidos, das parcelas recolhidas espontânea e tempestivamente com base no lucro presumido. Notificada da decisão, em 23/10/2008, como demonstra a cópia do AR à fl. 273, apresentou a contribuinte, em 20/11/2008, o recurso voluntário de fls. 274 a 278 no qual argúi, resumidamente, que a documentação apresentada ao fisco no decorrer da auditoria extratos bancários e livro caixa teria permitido a aferição do faturamento e a reconstituição do fluxo financeiro da empresa, ensejando inclusive, a apuração das receitas omitidas, não se justificando assim, o arbitramento do lucro por tratarse de medida extrema, pugnando, ao final, pelo cancelamento das exigências. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 16641.000022/200668 Acórdão n.º 180100.649 S1TE01 Fl. 283 3 É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminarmente Delimitandose o presente litígio cumpre observar que a matéria relativa à omissão de receitas de prestação de serviços apurada por meio de depósitos bancários de origem não comprovada pela recorrente já se encontra consolidada na esfera administrativa e não se encontra em discussão nesta instância de julgamento. As alegações de defesa voltamse, apenas, contra a forma de apuração, pelo lucro arbitrado, dos valores exigidos. Mérito. ARBITRAMENTO DOS LUCROS O arbitramento dos lucros se justifica. A empresa, optante pela apuração de seus resultados com base nas regras do lucro presumido fica obrigada a escriturar, ao menos, o Livro Caixa englobando toda a sua movimentação financeira. A respeito, transcrevo os respectivos comandos do Decreto no. 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, que tem por base os artigos 47 da Lei no. 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e 1o. da Lei no. 9.430, de 1996: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária Art. 529. A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá as disposições previstas neste Subtítulo. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei no. 8.981, de 1995, art. 47, e Lei no. 9.430, de 1996, art. 1o.): ... III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; ... Dessa forma, a pessoa jurídica que optar pela tributação com base no lucro presumido estará obrigada a comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, e a escriturar os recebimentos e pagamentos ocorridos em cada período em Livro Caixa de forma a refletir toda a sua movimentação financeira, inclusive a bancária. A escrituração do Livro Caixa nessas condições está dispensada apenas se a pessoa jurídica mantiver escrituração contábil de acordo com a legislação comercial. No presente caso a empresa recorrente apresentou à auditoria o Livro Caixa que, entretanto, não refletia toda a sua movimentação financeira pois nele não foram escriturados, em sua totalidade, todos os créditos bancários recebidos em suas contascorrentes bancárias, o que foi admitido pela própria contribuinte que concordou com a exigência fiscal no que respeita à omissão de receitas de prestação de serviços apurada justamente com base nos depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas pela recorrente. A auditoria fiscal, inclusive, concedeu oportunidade para que a recorrente efetuasse as devidas correções no Livro Caixa e, posteriormente, o apresentasse para análise, já com a escrituração de toda a movimentação financeira. A empresa, entretanto, não efetuou as correções e apresentou, novamente à auditoria fiscal, o Livro Caixa sem conter toda a sua movimentação financeira. Dessa forma, os fatos apurados pelo agente fiscal determinavam a aplicação dos artigos 527, 529 e 530 do RIR/99, acima citados, pois a contribuinte se enquadrava na situação descrita no inciso III do artigo 530. A auditoria fiscal cumpriu, assim, as determinações da Lei. Agiu com plena legalidade e em respeito, também, ao comando do art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 16641.000022/200668 Acórdão n.º 180100.649 S1TE01 Fl. 284 5 Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabil idade funcional . (destaques acrescidos). Notese, ainda, in casu, que os fatos apurados pela auditoria fiscal que levaram ao arbitramento dos lucros da pessoa jurídica não foram modificados pela impugnação, e persistem até hoje, tendo em conta que até o presente momento a recorrente não dispõe de escrituração regular, com base nas leis comerciais e fiscais assim como documentação que lhe dê suporte que possibilitem a apuração dos tributos de acordo com as regras do lucro real. Dito de forma direta: a recorrente não apresentou, até esta data, escrituração completa de suas receitas na forma das leis comerciais e fiscais, ou ainda, Livro Caixa escriturado com toda a movimentação financeira da empresa. E vale ressaltar. Ainda que a impugnante tivesse logrado providenciar escrituração contábil e fiscal nos termos das leis comerciais e tributárias, no prazo para apresentação de sua impugnação, ainda assim o arbitramento formalizado pela auditoria fiscal não seria invalidado. Não existe arbitramento condicional e nesse sentido já se encontra pacificada, de há muito, a jurisprudência deste órgão colegiado, como ilustro com as ementas de recentes julgados, adiante transcritas: EMENTA: ARBITRAMENTO. ENTREGA DE DOCUMENTOS APÓS A IMPUGNAÇÃO. Regularmente intimado durante a ação fiscal e não tendo atendido a fiscalização, foi necessário o arbitramento da base de cálculo. Não sendo possível lançamento condicional, não se permite rever aquele por entrega posterior de documentos. Ac. no. 10517.325 / 1o. C.C / 5a. Câmara, em 13/11/2008 – DOU 09/03/2009. EMENTA: IRPJ/CSLL. ARBITRAMENTO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DA DOCUMENTAÇÃO. INEFICÁCIA. Inexistindo o arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação do documentário cuja falta de apresentação durante a ação fiscal restou plenamente caracterizada. Ac. no. 10248.560 / 1o. C.C. / 2a. Câmara, em 24/05/2007 – DOU 23/11/2007. Por derradeiro, cumpre observar que a única infração capitulada pela auditoria fiscal foi a omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O arbitramento dos lucros não é infração. Referese à forma de apuração do imposto que a Lei impõe, quando presentes determinadas condições. E foi a forma adotada para exigir os tributos devido sobre as infrações apuradas. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
score : 1.0
Numero do processo: 13603.905783/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 83 /2 01 2- 14 Fl. 292DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 34.291,22. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.494, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13603.905783/201214 Acórdão n.º 3401003.942 S3C4T1 Fl. 281 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 294DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13603.905783/201214 Acórdão n.º 3401003.942 S3C4T1 Fl. 282 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 296DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13603.905783/201214 Acórdão n.º 3401003.942 S3C4T1 Fl. 283 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 298DF CARF MF
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