Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19515.002213/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
Ementa:
PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. Ademais, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não tendo o contribuinte apresentado documentação hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários, deve o lançamento ser julgado procedente.
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária e não quebra do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Estando devidamente consubstanciado nos autos o intuito doloso do contribuinte, o multa qualificada deve ser aplicada
Numero da decisão: 1301-003.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as argüições de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. Ademais, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não tendo o contribuinte apresentado documentação hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários, deve o lançamento ser julgado procedente. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária e não quebra do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Estando devidamente consubstanciado nos autos o intuito doloso do contribuinte, o multa qualificada deve ser aplicada
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.002213/2007-89
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5866324
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-003.027
nome_arquivo_s : Decisao_19515002213200789.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 19515002213200789_5866324.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as argüições de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7305502
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307761537024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1895; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 562 1 561 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002213/200789 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.027 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria Omissão de Receitas Recorrente CASA DAS BATATAS DE RIBEIRO FILHO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. Ademais, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não tendo o contribuinte apresentado documentação hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários, deve o lançamento ser julgado procedente. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária e não quebra do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Estando devidamente consubstanciado nos autos o intuito doloso do contribuinte, o multa qualificada deve ser aplicada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as argüições de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 13 /2 00 7- 89 Fl. 562DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 563 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase o presente processo de autuação fiscal decorrente de omissão de receitas no anocalendário de 2004, o que culminou com a lavratura dos autos de infração, exigindo os créditos tributários no montante de R$ 3.103.965,42, relativos ao Simples. Vejamos as descrições dos fatos do auto de infração e seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão nº 1617.273 prolatado pela 1ª Turma da DRJ/SPOI (fl. 497/500): “Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 29/08/2007 (fls. 221, 231, 241, 251 e 261), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, à contribuição para o PIS, à COFINS, à CSLL, à Contribuição para a Seguridade Social INSS, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2004. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 196 a 199) e demonstrativos anexos, a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada, e por depósitos bancários também não escriturados cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada, mas que possuem históricos que configuram vendas efetivamente realizadas; 2.2. insuficiência de recolhimento decorrente da mudança de faixa de percentual do Simples incidente sobre a receita declarada em função do aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo da receita omitida, conforme demonstrativos de fls. 209 a 214. (...) 4. O enquadramento legal das multas de ofício aplicadas no percentual de 75% sobre a receita omitida caracterizada por depósito bancário de origem não comprovada é o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o artigo 19 da Lei nº 9.317/1996, e o das multas de ofício aplicadas no percentual de 150% sobre a receita omitida caracterizada por depósitos bancários Fl. 563DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 564 3 com históricos que configuram vendas efetivamente realizadas é o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o artigo 19 da Lei nº 9.317/1996 (fls. 217, 227, 237, 247 e 257). O enquadramento legal dos juros de mora é o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996 (fls. 217, 227, 237, 247 e 257). 5. Irresignada com os lançamentos, em 19 de setembro de 2007, a empresa apresentou, representada por procurador (fls. 290 a 298) a impugnação de fls. 277 a 290, instruída com os documentos de fls. 291 a 376, na qual alega em síntese, o seguinte: 5.1. a impugnante, que é tradicional no ramo das batatas (constituída em 20/12/1979), e seus sócios são pessoas de reputação ilibada e ótimo conceito perante clientes, fornecedores, instituição financeiras, órgãos governamentais e sociedade em geral, cumpridores de suas obrigações, principalmente no que se refere ao pagamento de impostos, mantenedores de documentação em dia e de acordo com a legislação; 5.2. a impugnação é tempestiva, pois tomou ciência dos lançamentos em 29/08/2007, e o prazo legal de trinta dias para apresentação da impugnação encerrar seá no dia 28/09/2007; 5.3. os lançamentos são nulos devido a cerceamento do direito de defesa, já que no demonstrativo da segunda folha do Termo de Verificação Fiscal (fl. 197) o auditor fiscal apenas sintetizou mensalmente a movimentação financeira, não demonstrando de forma analítica qual a origem dos depósitos e de que forma houve omissão de receitas, ao passo que o § 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 diz que os créditos deverão ser analisados de forma individualizada; 5.4. outro motivo que caracteriza o cerceamento do direito de defesa é que no demonstrativo de fl. 198 são utilizadas abreviaturas (COB COMPE, COB DH AG, COB DH LOT, SICOB OlD e COB/CNR DISPONÍVEL) não encontradas nos dicionários da Língua Portuguesa, a respeito das quais em momento algum foi intimada a esclarecer e que segundo interpretação do auditor fiscal tratase de vendas efetivamente realizadas sujeitas à multa agravada de 150%, a respeito da qual "a impugnante sequer foi informada do que seria a multa agravada de 150%, pois no referido Termo de Verificação Fiscal não consta o Direito aplicado ao fato"; 5.5. "a impugnante em momento algum foi intimada a demonstrar as razões das diferenças apontadas no Termo de Constatação de Irregularidades"; 5.6. o Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu que a falta de entrega ao contribuinte de todos os demonstrativos, termos e esclarecimentos mencionados no lançamento, que o impeça de conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe é imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável, caracteriza cerceamento do direito de defesa e implica nulidade da decisão de primeira instância e ofensa aos artigos 9° e 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/1972, e 5°, inciso LV, da Constituição Federal; 5.7. os lançamentos são nulos de pleno direito, padecendo dos princípios da segurança e certeza, pois estão baseados em depósitos bancários que não constituem renda, nem disponibilidade econômica de renda e proventos, mas são apenas meros indícios, inexistindo, no presente caso, a necessária prova, cujo ônus é das autoridades fiscais a teor do disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, do nexo causal entre os depósitos bancários e a omissão de receitas; Fl. 564DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 565 4 5.8. a pretensão da Receita Federal não pode prosperar porque está calcada em atos administrativos que quebraram, sem autorização judicial, o sigilo bancário da contribuinte baseados, por sua vez, em legislação inconstitucional (Decreto n° 3.724/2001, artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996 e Leis Complementares 104 e 105) em razão de ferir os incisos X (direito à intimidade e à vida privada) e XII (inviolabilidade do sigilo de dados) do artigo 5° da Constituição Federal; 5.9. o § 30 do artigo 11 da Lei n°9.311, de 24 de outubro de 1996, veda expressamente a utilização de informações obtidas junto às instituições financeiras para fins de lançamento do imposto de renda; 5.10. a Receita Federal descumpriu o § 1° do artigo 4° da Lei Complementar n° 105/2001, pois deveria primeiro pedir informações ao autuado e somente depois aos bancos e não, como fez, primeiramente às instituições financeiras; 5.11. a multa qualificada de 150% é indevida, pois o lançamento é decorrente de presunção e a legislação aplicável (§ 1°, inciso II, do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996) exige a presença de evidente intuito de fraude, e em momento algum houve a evidente intenção de prática de fraude; 5.12. a exclusão do Simples a partir do anocalendário 2005, referida no Termo de Verificação Fiscal, deve permanecer sobrestada até o trânsito em julgado do presente processo administrativo, já que a impugnação tempestivamente apresentada possui efeito suspensivo; 5.13. conforme artigos 22, inciso I, e 24, inciso I, da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal n° 355/2003, a exclusão se dará por opção do contribuinte e não através de excesso de receitas apurado pela fiscalização; 5.14. requer que as publicações e intimações sejam remetidas ao advogado e procurador que assina a impugnação. A DRJ, ao analisar a impugnação apresentada, julgoua improcedente, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (424/437), no qual repisa os argumentos da Impugnação e contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Este Colegiado, por meio da Resolução nº 110300.053, sobrestou o feito, uma vez a exigência fiscal, uma vez que a material relativa a quebra do sigilo bancário, sem autorização judicial era objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314 do STF, a qual estava pendente de análise. Nesse sentido, a decisão deste colegiado devolveu os autos ao tribunal de origem repercussão geral reconhecida no referido RE nº 601.314, a exemplo dos Agravos de Instrumento nº 668.843 e 765.714. Os autos retornaram novamente para este Colegiado para prosseguimento do feito. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 566 5 Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator. O recurso voluntário foi tempestivamente interposto e atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. PRELIMINAR NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA Sustenta a Recorrente que houve cerceamento de defesa, em razão de estar consignada a omissão de rendimentos, não havendo prova da ocorrência do fato gerador do tributo. Adiante, destaca que no Termo de Constatação e Instimação, o agente fiscal apenas sintetizou mensalmente oss valores constantes nos extratos bancários com as abreviaturas, a saber: COB COMPE, COB DHAG, COB DH LOT, SICO 01D e COB/CN DISPONIVEL, lançadas a crédito na conta corrente, deixando de explicar o significado dos referidos créditos e tampouco intimou a empresa a prestar esclarecimento sobre eles. Ainda, argumento que as bases imponíveis e respectivas memórias de cálculo, devem estar de modo inteligível, a fim de que se permita a qualquer pessoa a exata compreensão dos seus termos, consignando as razões. Argüindo que não foi intimado a demonstrar as razões das diferenças apontadas no referido Termo. Dessa forma, estaria caracterizado a preterição do direito de defesa acerca da matéria apresentada como diferença apontada pelo Fisco. A decisão da DRJ rebate tais argumentos. No tocante a intimação, cita a lei tributária que determina que a administração tributária tem a obrigação de enviar as intimações ao domicílio tributário do sujeito passivo, o qual é fornecido pelo próprio contribuinte. Confirase: PAF (Decreto 70.235/72) Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II — por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a)envio ao domicilio tributário do sujeito passivo; ou Fl. 566DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 567 6 b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (.) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (...) Além disso, a decisão destacou que o Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 173/174 e respectivos anexos de fls. 175/192, foram entregues aos mesmo sócio da autuada que assina a procuração de fls. 292. Dessa forma, a alegação da recorrente de que não tinha o conhecimento dos depósitos que a fiscalização se refere, de que nunca foi intimada sobre as abreviaturas contidas no extratos bancários e de que nunca foi intimada a esclarecer razões das diferenças apontadas pela autoridade fiscal não prospera. Vejamos o excerto do referido Termo às fls 173/174: 13.Com efeito, referido Termo de fls. 173 e 174 diz textualmente: "O QuadroResumo abaixo apresenta os valores extraídos dos extratos bancários relativo ao anocalendário de 2004. Confrontandose com os • valores declarados na 'Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES', ficou constatada as divergências em todos os meses do referido anocalendário. Neste sentido, intimamos o contribuinte a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contascorrente, conforme relação detalhada no Anexo 1 (CEF) e Anexo 2 (HSBC) a esta Termo e cujo resumo está demonstrado no quadro abaixo. Informamos que os valores apresentados representam depósitos de terceiros, igual ou acima de R$ 1.000,00, efetuados nas contas bancárias, tendo sido já eliminados todos os valores creditados a título de transferências de mesma titularidade, empréstimos, resgate de aplicações, créditos diversos relativos a operações de câmbio e demais créditos que não representam depósitos de terceiros." A esse respeito a decisão ainda dispõe que: 14. Nos referidos Anexos 1 e 2 (fls. 175 a 189) ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal, todos os depósitos bancários que compõem o QuadroResumo mensal de fls. 173/174, reproduzido no Termo de Verificação Fiscal (fl. 197), estão relacionados por banco, agência, conta, mês e tipo de histórico e com número de documento e valor. Portanto, a contribuinte foi cientificada da divergência entre os valores mensais dos depósitos bancários e a receita bruta declarada mensalmente e foi intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários relacionados individualmente com elementos que os permitissem identificar, agrupados por conta, mês e histórico (inclusive aqueles cujos valores foram considerados vendas efetivamente realizadas), já expurgados os depósitos inferiores a R$1.000,00 e os referentes a transferências, empréstimos, resgate de aplicações, créditos relativos a operações de câmbio e demais créditos que não representam depósitos de terceiros. O § 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 assim dispõe: Fl. 567DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 568 7 § 3º. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; 15. Como se observa, para a validade do procedimento fiscal quanto à análise individual dos créditos bancários que beneficiam pessoa jurídica basta o cumprimento do inciso I do § 3º do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, requisito que foi satisfeito no lançamento ora em análise. 16. O fato de as abreviaturas utilizadas nos históricos não constarem nos dicionários não é de se estranhar, a menos que fossem dicionários de abreviaturas. De qualquer forma, todos os históricos dos depósitos considerados vendas efetivamente realizadas contém a expressão "COB", cuja única palavra do léxico bancário a qual pode estar relacionada é cobrança, e, a respeito destes depósitos bancários, como já dito, a contribuinte foi intimada a esclarecer a origem, o que não fez, nem por ocasião do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 173 e 174, nem por ocasião da impugnação. Não se pode esquecer que estes históricos constam de extratos de conta de titularidade da própria contribuinte que teve acesso aos mesmos desde 2004, ano em que os créditos bancários aqui discutidos lhe favoreceram. 17. Portanto, o que se observa é que a autuada recebeu todos os demonstrativos, termos e elementos mencionados nos lançamentos e teve inteira ciência de como a infração que lhe foi imputada foi constatada, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa, nem em conseqüente nulidade dos lançamentos. Concordo com a decisão nesse tocante, não há que se falar aqui em cerceamento de defesa. Ademais, vejamos o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, o qual estabelece as seguintes hipóteses de nulidade das decisões: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Observase, pois, que este dispositivo não é aplicável ao presente caso. Logo, não há que se falar em nulidade do auto de infração por preterição do direito de defesa, devendo ser rejeitada a preliminar suscitada pela Recorrente. Destarte, o auto de infração se serviu de todos os requisitos formais exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não invalidando o exercício da ampla defesa no processo, bem como apontando a capitulação legal e a descrição da infração cometida. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 569 8 Assim, os argumentos trazidos em sede de impugnação e replicados em sede recursal não devem prosperar. Portanto, julgo no sentido de não acatar as preliminares de nulidades argüidas pela Recorrente. MÉRITO DA OMISSÃO DE RECEITA Como visto, a origem da ação fiscal foi em razão de omissão de receita apurada por presunção legal a partir da falta de comprovação da origem dos depósitos efetuados em conta corrente de titularidade da Recorrente. A Recorrente foi intimada em 04/04/07 a apresentar seus extratos bancário, seus livros contábeis, entre outros documentos, bem como seu livro caixa relativo aos fatos ocorridos no anocalendário de 2004 De posse dos documentos, a Fiscalização intimou o contribuinte a apresentar documentação comprobatória sobre a origem e natureza dos valores lançados, que circularam pelas contas correntes mantidas nos Bancos Caixa Econômica Federal e HSBC, conforme listado pela fiscalização às fls.175 a 192. Todavia, o contribuinte não apresentou nada nesse sentido. Nesse ponto, a decisão destacou que: (...) mesmo o contribuinte optante pelo Simples deve escriturar ao menos o Livro Caixa com toda sua movimentação financeira inclusive bancária e guardar em boa ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações pertinentes, todos os documentos que serviram para esta escrituração. E como o optante pelo Simples está obrigado a escriturar suas movimentações bancárias e a guardar os respectivos documentos comprobatórios embasadores, diante da disposição do acima transcrito artigo 18, ele também está sujeito à presunção de omissão de receita existente na legislação do imposto de renda apurável com base em depósito bancário de origem não comprovada. (...) O § 1° do artigo 7° e o artigo 18 da Lei n° 9.317/1996, assim dispõe: "Art. 7°(... § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; Fl. 569DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 570 9 b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. "(negrito meu) Desse modo, as movimentações financeiras realizadas no período (valores creditados nas contas bancária do contribuinte) foram consideras como receitas omitidas pela fiscalização, por força do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Assim, foram lavrados autos de infração com a exigência do crédito tributário na monta de R$ 3.103.965,42, relativo ao anocalendário de 2004. Adiante com relação as diretrizes do processos de criação das presunções legais, à medida em que Recorrente defende que não há nexo causal entre o depósito bancário e rendimento omitido ressalto que: Com o advento de legislações supervenientes, especificamente a Lei nº 9.430/96, o objeto da tributação deixou de ser os depósitos bancários em si, mas a omissão de receitas por eles representada e exteriorizada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal legislação criou a presunção legal que vincula autoridade fiscal. Assim, quando presentes seus pressupostos, quais sejam, a intimação ao contribuinte e a não comprovação da origem dos recursos usados nos depósitos bancários, deve ser feito o lançamento tributando esses valores como omissão de receita., com base no referido artigo 42. Portanto, o objeto da autuação deixou de ser os depósitos bancários em si, mas sim a omissão de receita por eles representada e exteriorizada, nos termos do artigo 42 supra. Assim, as alegações da recorrente no sentido de que o lançamento com fulcro em depósitos bancários são ilegítimos pelo fato de não podermos conceituar tais atos jurídicos como renda tributável são improcedentes. Destaco, por oportuno, que o enquadramento legal utilizado nos autos de infração é o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Isso equivale dizer que omissão de receitas caracteriza Fl. 570DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 571 10 pelos valores creditados em contas de depósito mantida perante as instituições financeiras, as quais a contribuinte regularmente intimada não comprovou a origem dos recursos usados nos depósitos bancários. Na situação atual, a presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Trata se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Incube, portanto, a Recorrente o ônus da prova, por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo este negar os fatos alegados pelo Fisco ou, ainda, poderá alegar outro fato que ateste a inexistência do fato objeto da autuação,. No caso em análise, foi constatada a manutenção de conta bancária com expressiva movimentação (no presente caso R$9.709.194,17 diante de uma receita bruta anual declarada em R$1.091.371,53). A presunção não foi afastada, visto que não houve comprovação da origem dos valores depositados/creditados por parte do contribuinte, mesmo tendo sido intimada para tanto. Desse modo, entendo ser correta a autuação fiscal, tendo em vista que o titular da conta bancária foi regularmente intimado e não comprovou, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta bancária, estando o Fisco autorizado a proceder o lançamento do imposto correspondente. DA ILEGAL QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO A Recorrente alega que ocorreu a quebra de seu sigilo bancário sem autorização judicial. Destaca, ainda, que os valores da movimentação financeira foram obtidos com base nas informações prestados a Secretaria da Receita FEderal, pelas instituições financeiras, de acordo com o art. 11, §2º, da Lei 9.311/96. Verificase que o acesso pelas autoridades administrativas às informações bancária tem fundamento na Constituição Federal, destacase: Art. 145 (...) § 1º Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Por sua vez, encontra guarida no CTN, a saber: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) Fl. 571DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 572 11 II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; A Lei Complementar nº 105/2001 regulou os pormenores da solicitação de informações às instituições financeiras. Confirase: Art.1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §3o Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9o desta Lei Complementar. (...) Art.5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. §5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 573 12 Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Notese que também foram editados Lei nº 10.174, de 2001 e o Decreto nº 3.724, de 2001, que vieram regrar com mais precisão a obtenção de dados, compondo o cenário jurídico no qual a autoridade fiscal está autorizada, nos casos previstos, a requisitar informações bancárias dos contribuintes fiscalizados. Inferese do apanhado legislativo a acima que o acesso às informações bancária não configura quebra do sigilo bancário, haja vista que as autoridades administrativas possuem tal condão durante todo o procedimento fiscalizatório. Isso, pois as informações se prestam apenas à constituição do crédito tributário ou eventual apuração do ilícito penal. Observase ainda que a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, feita pelo Auditor Fiscal no curso da fiscalização efetuada em face da Recorrente, tem como matriz legal o artigo 6º da Lei Complementar 105/2001 que determina: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Assim, o fiscal agindo dentro das hipóteses específicas, em que o acesso é permitido, utilizando destes com o fim na constituição do crédito tributário, a prova obtida é válida para este fim. Nesse sentido, a mais recentemente decisão do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314 SP, em 24/02/2016, tratou da matéria, com reconhecimento da repercussão geral prevista no art. 543 B do antigo CPC, tendo proferido acórdão assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. Em sua decisão, o Supremo Tribunal Federal fixou as seguintes teses na sistemática da repercussão geral: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade Fl. 573DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 574 13 contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para fiscal”. Embora a referida decisão do STF ainda não tenha transitado em julgado, restou confirmado a constitucionalidade da LC 105/01, afastando qualquer violação ao dispositivo constitucional relativo ao sigilo de dados. Ademais, esse artigo de lei está em plena vigência, não possuindo este Colegiado competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante de todo o exposto, por estar o acesso às informações bancárias regularmente autorizado nas leis mencionadas, bem como no Decreto n° 3.724, de 2001, regulares são os procedimentos aqui adotados e as provas assim obtidas, inexistindo qualquer prejuízo à validade da exigência. Por fim,conforme (fl. 04) os extratos bancários foram solicitados pela fiscalização, sendo que estes fornecidos pela própria Recorrente, conforme fls. 63/162 Assim, entendo que a pretensão da Recorrente nesse sentido não deve prosperar. DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA E COMPROVAÇÃO DO DOLO Em relação à aplicação da multa qualificada, a fiscalização entendeu que houve dolo, em razão da conduta da Recorrente relativa aos depósitos bancários listado às fls. 175 a 192. Apesar da apuração de receitas, com base na movimentação financeira considerada não comprovada, por si só não justifica a aplicação da multa qualificada nos termos da Súmula CARF n º 25, in verbis: Súmula CARF nº 25 (VINCULANTE): A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 No presente caso, o dolo por parte da Recorrente ficou comprovado em virtude da prática reiteirada de omissão de receita com relação a omissão e a falta de documentação comprobatória sobre a origem e natureza os valores lançados, que circularam pelas contas correntes, inclusive pela caracterização de vendas efetivamente realizadas (não presumidas) no montante total anual de R$7.178.559,83 (fl. 198), sendo que a Recorrente declarou apenas uma receita bruta anual de R$1.091.371,53, o que demonstra o dolo (intenção) de praticar as condutas descritas nos artigos 71 e 72 da Lei n°4.502/1964. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 575 14 Note que as demais parcelas do crédito tributário decorrentes das receitas omitidas pelas demais depósitos bancários que não possuem vinculação com abreviaturas em seus históricos, foram lançadas com a multa de oficio regular de 75%. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 575DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13784.720257/2016-29
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando aposentadoria, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de doença grave.
Numero da decisão: 2001-000.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando aposentadoria, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de doença grave.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13784.720257/2016-29
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5857303
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.282
nome_arquivo_s : Decisao_13784720257201629.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JORGE HENRIQUE BACKES
nome_arquivo_pdf_s : 13784720257201629_5857303.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7251269
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307781459968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1303; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13784.720257/201629 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.282 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 27 de fevereiro de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente WILSON PEREIRA DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando aposentadoria, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de doença grave. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 4. 72 02 57 /2 01 6- 29 Fl. 67DF CARF MF 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. REFORMA. PENSÃO. A isenção decorrente da condição de portador de moléstia grave enumerada na legislação tributária somente se aplica aos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. Destacamos algumas passagens do Acórdão de Impugnação: No caso, não obstante as falhas referentes ao laudo encontrem se sanadas (fls. 9, 38 e 39), até o presente momento, não foi apresentado o documento hábil à comprovação da condição de reformado do impugnante. Ressaltese que o único método de hermenêutica jurídica permitido para a definição do verdadeiro sentido e alcance da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção é o literal (inciso II do art. 111 do CTN). Assim, o benefício invocado não pode ser estendido a quem não preencha rigorosamente as condições e requisitos exigidos para sua concessão, especificados em consonância com o art. 176 do CTN. Os documentos e passagens do Recurso Voluntário, que constam do presente processo, foram vistos pelos conselheiros durante à sessão. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Contribuinte apresentou cópia da Portaria em que foi concedida sua reforma, suprindo a motivação apresentada pelo acórdão de impugnação para negar seu recurso. Assim, faz jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de doença grave. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13784.720257/201629 Acórdão n.º 2001000.282 S2C0T1 Fl. 3 3 Jorge Henrique Backes Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003423/2008-40
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10855.003423/2008-40
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5865049
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.088
nome_arquivo_s : Decisao_10855003423200840.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE RICARDO MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10855003423200840_5865049.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
id : 7295075
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307841228800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1599; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.003423/200840 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.088 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 27 de outubro de 2017 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente PAULO ARMANDO DE CARVALHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e redator designado (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 34 23 /2 00 8- 40 Fl. 115DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento (f. 12/16), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2006, anocalendário de 2005, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 27.760,00, por ausência de comprovação do efetivo pagamento. Foi objeto da autuação, também, omissão de rendimentos (aluguel), no valor de R$ 2.987,55. O contribuinte apresentou impugnação (f. 02/09), que foi julgada, mediante Acórdão da DRJ SÃO PAULO II de f. 74/81, que manteve integralmente a glosa das despesas médicas. A Decisão exclui do lançamento o valor referente a omissão de rendimentos. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 99/104. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte.. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão posta aqui para análise cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10855.003423/200840 Acórdão n.º 2001000.088 S2C0T1 Fl. 3 3 Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. . Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 117DF CARF MF 4 Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10855.003423/200840 Acórdão n.º 2001000.088 S2C0T1 Fl. 4 5 prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13027.000227/2010-89
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
Numero da decisão: 1002-000.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Ailton Neves da Silva - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13027.000227/2010-89
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5868967
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.185
nome_arquivo_s : Decisao_13027000227201089.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13027000227201089_5868967.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Ailton Neves da Silva - Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
id : 7320399
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307853811712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1501; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 47 1 46 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13027.000227/201089 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.185 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 09 de maio de 2018 Matéria IRPJ. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Recorrente MUNICIPIO DE CHARRUA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 7. 00 02 27 /2 01 0- 89 Fl. 47DF CARF MF 2 Ailton Neves da Silva Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 37 à 41) interposto contra o Acórdão n° 0242.914, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (efls. 27 à 29), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2010 DCTF. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário, de modo que pretende a Contribuinte o reconhecimento da denúncia espontânea. Pugna, também, pela constitucionalidade das normas que regem o cumprimento da obrigação acessória da entrega da DCTF. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13027.000227/201089 Acórdão n.º 1002000.185 S1C0T2 Fl. 48 3 1. Da ausência da denúncia espontânea Sustenta a Recorrente que a entrega da DCTF, embora a destempo, enseja a incidência do art. 138 do CTN. Advoga, portanto, que a penalidade imposta seria afastada pelo instituto da denúncia espontânea. Ademais, entende que não caberia a multa, haja vista sua suposta ilegalidade. Não vejo como acolher os pleitos da Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57, do RICARF: No Direito Tributário, devese observar o princípio da responsabilidade objetiva do sujeito passivo em relação às suas obrigações tributárias e ao cometimento de infrações, ou seja, a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). De acordo com o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, na redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004, o sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, estará sujeito à multa. Esse é o fundamento legal para a aplicação da multa. Os princípios constitucionais invocados norteiam o legislador e não o aplicador da lei. As hipóteses de aplicação da punição, as variações de intensidade em razão do tempo de atraso e de outros critérios, bem como as reduções e dispensas são fixadas de forma categórica na própria legislação, não havendo oportunidade para discricionariedade da autoridade fiscal. Portanto, o lançamento efetuado conforme manda a legislação e com base em fatos e dados cuja veracidade a impugnante não logra abalar, atende, no âmbito de atuação do agente do fisco, os princípios invocados. No que se refere à jurisprudência, por falta de lei que lhe atribua eficácia normativa, não constitui norma geral de direito tributário decisão judicial que produz efeito apenas em relação às partes que integram o processo (art. 100 do CTN). O argumento denúncia espontânea utilizado para o pedido de cancelamento não pode ser acolhido no âmbito administrativo, pois a matéria se encontra sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes termos: Súmula CARF nº 49 Fl. 49DF CARF MF 4 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Ante o exposto, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação para manter a exigência do crédito tributário lançado. Pontuo, ainda, que tanto na instituição, quanto na aplicação da multa pelo não cumprimento da obrigação acessória, a base legal do lançamento consta no referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, o qual criou uma regra específica de sanção para o descumprimento da obrigação relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON. Destaco, também, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). De arremate, em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Por fim, consigno que o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. 2. Da impossibilidade de cotejo constitucional Quanto à alegação de incompatibilidade das normas infralegais, as quais impõem obrigações acessórias, à ordem constitucional, reforço que não cumpre ao CARF exercer qualquer forma de controle de constitucionalidade. Há, inclusive, enunciado sumular a reger o tema: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13027.000227/201089 Acórdão n.º 1002000.185 S1C0T2 Fl. 49 5 Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35403.000857/2005-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/05/2005
CIÊNCIA. VIA POSTAL. REGULARIDADE.
É regular a ciência por via postal do auto de infração para exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória relativa às contribuições previdenciárias.
PENALIDADE. RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é possível a relevação de penalidade aplicável quando a exigência imposta pela legislação que a previa não foi atendida.
Numero da decisão: 2201-004.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/05/2005 CIÊNCIA. VIA POSTAL. REGULARIDADE. É regular a ciência por via postal do auto de infração para exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória relativa às contribuições previdenciárias. PENALIDADE. RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível a relevação de penalidade aplicável quando a exigência imposta pela legislação que a previa não foi atendida.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 35403.000857/2005-94
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5872828
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.559
nome_arquivo_s : Decisao_35403000857200594.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIONE JESABEL WASILEWSKI
nome_arquivo_pdf_s : 35403000857200594_5872828.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7341242
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307858006016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1343; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 168 1 167 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35403.000857/200594 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.559 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de junho de 2018 Matéria Multa Obrigação Acessória Recorrente MICRO JACAREÍ EDIÇÕES CULTURAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/05/2005 CIÊNCIA. VIA POSTAL. REGULARIDADE. É regular a ciência por via postal do auto de infração para exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória relativa às contribuições previdenciárias. PENALIDADE. RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível a relevação de penalidade aplicável quando a exigência imposta pela legislação que a previa não foi atendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 40 3. 00 08 57 /2 00 5- 94 Fl. 168DF CARF MF 2 Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de auto de infração por inobservância ao comando contido no art. 32, IV, §§ 3º e 9º, da Lei nº 8.212, de 1991, por ter a empresa deixado de informar, por meio da GFIP, os fatos geradores de contribuições previdenciárias da competência 05/2004, relativos aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. Originalmente, a empresa não contestou a autuação, tendo ela sido mantida pela DecisãoNotificação nº 21.437.4/0183/2005 (fls. 37/39). Inconformada com essa decisão, a empresa interpôs recurso tempestivo (fls. 42/51) dirigido ao Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, alegando, em síntese, que: 1. O auto é nulo, uma vez que não há demonstrativo evidenciando como foi efetuado o cálculo da multa aplicada. 2. O auto foi remetido pelo correio, quando deveria ser entregue na sede da empresa. 3. Não foi concedido prazo para regulamentação da falta antes da autuação. 4. A falta de demonstração dos critérios utilizados na gradação da multa implica ofensa aos princípios da legalidade e razoabilidade. 5. O valor da multa foi incorretamente calculado e deveria se limitar a R$ 318,08. 6. A multa deve ser relevada, já que a empresa atende aos pressupostos do art. 291 do Regulamento da Previdência Social. A fiscalização apresentou contrarazões (fls. 115/118) alegando a existência de inconsistências nas informações prestadas pela empresa. De acordo com a autoridade fiscal: 1. A empresa comprovou a entrega da GFIP referente ao mês de maio/2004, mas ela foi preenchida "sem movimento". Na Relação Anual de Informações Cadastrais RAIS, declarou a transferência dos segurados empregados em 01/05/2004, apesar de haver remuneração a esses empregados no mesmo mês, sem declaração em GFIP. 2. Apesar de ter apresentado GFIP sem movimento em maio de 2004, não declarou os afastamentos em 04/2004, de forma que os vínculos remanesceram em aberto. 3. Embora os segurados tenham sido declarados na GFIP de 05/2004 pela empresa para a qual foram supostamente transferidos, os recolhimentos foram realizados no CNPJ da autuada. 4. A falta não foi corrigida, já que a GFIP foi entregue sem movimento embora haja pagamento de remuneração. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 35403.000857/200594 Acórdão n.º 2201004.559 S2C2T1 Fl. 169 3 Neste CARF, o julgamento do processo foi convertido em diligência pelo documento de fls. 120/123. O relatório de diligência fiscal (fl. 130) apresenta constatações que podem ser assim sumariadas: 1. Constam recolhimentos de contribuições previdenciárias nas competências 05 e 06/2004 no conta corrente da empresa autuada. 2. Consta da RAIS/2004 que os últimos empregados foram transferidos em 01/05/2004, e esta informação foi prestada após o auto de infração. 3. A contribuinte declarou receita de revenda e serviços de maio/2004 a setembro/2004. 4. A GFIP sem movimento foi entregue em 14/03/2006, data posterior à lavratura do auto de infração. Intimada acerca do conteúdo desse relatório (fl. 153), a empresa autuada deixou transcorrer in albis o prazo para manifestação (fl. 155). Novamente neste Conselho, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta relatora. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Preliminar nulidades A autuada alega, inicialmente, a nulidade do auto de infração, uma vez que não teria evidenciado como foi efetuado o cálculo da multa aplicada. A multa exigida neste processo é de R$ 2.279,02. Segundo o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 4), "o valor foi obtido conf. Portaria 479 do Ministério Previdência Social de 07/05/2004". À fl. 7 do processo consta planilha evidenciando como se chegou ao valor aplicado. Fl. 170DF CARF MF 4 Confrontandose essa planilha com as normas mencionadas, vêse que ela contém informação suficiente para sua perfeita compreensão. Rejeito, portanto, a alegação de nulidade. Alega também a recorrente, como evidência de vício no procedimento adotado, que o auto foi remetido pelo correio, quando deveria ser entregue na sede da empresa. Essa alegação tem cunho genérico, uma vez que não evidencia a regra na qual estaria amparada. Fato é que não existe tal previsão no Decreto nº 3.048, de 1999, e a Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 2003, em vigor à época dos fatos, continha as seguintes regras acerta da ciência do sujeito passivo: Seção III Da Cientificação do Sujeito Passivo Art. 692. O sujeito passivo será cientificado da NFLD e do AI da seguinte forma: I pessoalmente, após a lavratura da NFLD ou do AI, comprovandose o recebimento mediante a assinatura do representante legal ou do mandatário; II por via postal ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento tomada no domicílio tributário do sujeito passivo; ou III por edital, quando os meios previstos nos incisos I e II resultarem infrutíferos. § 1º Na hipótese do inciso I do caput, ocorrendo recusa de recebimento dos documentos, o AFPS deixará a via destinada ao sujeito passivo no local da ocorrência e registrará, em todas as vias, a expressão "recusouse a assinar" seguida da identificação do responsável pela recusa, considerandose, dessa forma, cientificado o sujeito passivo. § 2º Quando da ciência pessoal a mandatário do sujeito passivo será juntada cópia autenticada da procuração que deverá, em se tratando de instrumento particular, conter firma reconhecida do representante legal. § 3º Na hipótese do inciso II do caput, o encaminhamento dos documentos deverá ser efetuado, preferencialmente, após a lavratura da NFLD ou do AI, considerandose cientificado o sujeito passivo na data do efetivo recebimento ou, se omitida a mencionada data do recebimento, quinze dias após a data da expedição da intimação. § 4º Os meios de intimação previstos nos incisos I e II do caput não estão sujeitos a ordem de preferência. § 5º Na hipótese do inciso III do caput, o edital será publicado uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência do órgão encarregado da intimação, franqueada ao público, considerandose cientificado o sujeito passivo quinze dias após a publicação ou afixação do edital. § 6º A ciência a órgão do poder público farseá mediante ofício Fl. 171DF CARF MF Processo nº 35403.000857/200594 Acórdão n.º 2201004.559 S2C2T1 Fl. 170 5 a seu dirigente, subscrito pela chefia da Divisão ou Serviço de Receita Previdenciária da GerênciaExecutiva circunscricionante do órgão. § 7º No procedimento fiscal em empresa sob regime especial de falência, se o síndico renunciou ou foi destituído do cargo, não tendo sido nomeado o substituto, a remessa da NFLD farseá mediante ofício ao juízo da falência. Portanto, as normas de regência não estabelecem ordem a ser seguida entre a intimação pessoal e a realizada por via postal, sendo válida qualquer uma das adotadas. Esse regramento está de acordo com a Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, estabelecendo em seu art. 23, § 3º, o que segue: § 3o A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado. A comprovação da regular entrega efetuada pelos correios está no AR de fl. 17, fato que não foi contestado pela fiscalizada. Portanto, há certeza acerca da ciência da interessada, fato suficiente para evidenciar a regularidade do procedimento no que diz respeito à comunicação dos atos. Improcedente, neste caso, o questionamento quanto à regularidade do método de intimação adotado. Ainda com o objetivo de combater o procedimento da autoridade fiscal, a contribuinte alega que não foi concedido prazo para regulamentação da falta antes da autuação. Também essa alegação é efetuada de forma genérica, sem apresentar qualquer fundamento legal. É de se registrar que, à época dos fatos, a legislação concedia à autuada o benefício de relevação da penalidade caso houvesse correção da falha até a data da ciência da decisão da autoridade julgadora do auto de infração (art. 684, §1º). Evidenciase, assim, que existia possibilidade de correção da falha em momento posterior à autuação. A despeito disso, a informação fiscal de fl. 104, de data bastante posterior à autuação (23/03/2006), dava conta de que a empresa não havia corrigido a falta até então, já que teria apresentado a GFIP em 14/03/2006, sem movimento, embora tenha havido recolhimento da contribuição na mesma competência. Assim, também essa alegação deve ser rejeitada. Mérito Em relação ao mérito, é alegada ofensa aos princípios da legalidade e razoabilidade, já que não teriam sido demonstrados os critérios utilizados na gradação da multa. Fl. 172DF CARF MF 6 Essa alegação não merece acolhida, já que o cálculo da multa aplicada é bastante simples e foi evidenciado pelo documento de fl. 7. Da mesma forma, deve ser rejeitada a alegação de que o valor da multa foi incorretamente calculado, devendo ser limitado a R$ 318,08. No caso dos autos, foi identificada a ausência de informações relativas a 19 segurados. Neste caso, o art. 284, I, do RPS estabelece que o valor mínimo deve ser multiplicado por 2. O art. 373 desse regulamento prevê o reajustamento do valor mínimo, o que foi feito pela Portaria 479 do Ministério Previdência Social de 07/05/2004, cujo valor foi adotado pela fiscalização como base para o cálculo (R$ 1.032,92). O acréscimo de 5% (cinco por cento) por mês calendário ou fração foi aplicado de acordo com o art. 284, §1º, do RPS. Portanto, nenhum reparo deve ser feito em relação ao cálculo da multa. No que diz respeito ao pedido de relevação da penalidade, vêse ser inaplicável ao caso concreto já que, conforme foi anteriormente mencionado, a falta não foi corrigida até a data da ciência da decisão que julgou o auto de infração DecisãoNotificação nº 21.437.4/0183/2005 (fls. 37/39) ciência em 31/08/2005 (fl. 41). Conclusão Pelas razões expostas, voto por conhecer do recurso apresentado para lhe negar provimento. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914244/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2010
INTEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVANTE DE INTIMAÇÃO. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO.
Não havendo nos autos o comprovante da ciência do sujeito passivo por via postal, mas mero relatório dos Correios de que a correspondência contendo o Despacho Decisório foi entregue, não há como se aferir que a ciência se deu na data nele constante, eis que se trata de documento apócrifo, não comprovando a intimação do sujeito passivo.
De acordo com o diploma legal que rege o Processo Administrativo Fiscal, na ausência de prova do recebimento, considera-se a intimação efetuada quinze dias após a sua expedição. Em face da não observância da regra processual pela decisão a quo, houve um erro no exame de admissibilidade da manifestação de inconformidade, a qual não poderia ser considerada intempestiva, devendo o acórdão recorrido ser anulado, com o retorno à primeira instância, para o proferimento de nova decisão, desta feita com o enfretamento do mérito das razões da Manifestação de Inconformidade.
Numero da decisão: 2201-004.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2010 INTEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVANTE DE INTIMAÇÃO. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Não havendo nos autos o comprovante da ciência do sujeito passivo por via postal, mas mero relatório dos Correios de que a correspondência contendo o Despacho Decisório foi entregue, não há como se aferir que a ciência se deu na data nele constante, eis que se trata de documento apócrifo, não comprovando a intimação do sujeito passivo. De acordo com o diploma legal que rege o Processo Administrativo Fiscal, na ausência de prova do recebimento, considera-se a intimação efetuada quinze dias após a sua expedição. Em face da não observância da regra processual pela decisão a quo, houve um erro no exame de admissibilidade da manifestação de inconformidade, a qual não poderia ser considerada intempestiva, devendo o acórdão recorrido ser anulado, com o retorno à primeira instância, para o proferimento de nova decisão, desta feita com o enfretamento do mérito das razões da Manifestação de Inconformidade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.914244/2009-75
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861591
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.447
nome_arquivo_s : Decisao_16327914244200975.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DANIEL MELO MENDES BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 16327914244200975_5861591.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7279838
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307868491776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1854; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 234 1 233 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.914244/200975 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.447 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de abril de 2018 Matéria DCOMP ELETRÔNICO Recorrente BANCO NOSSA CAIXA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 INTEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVANTE DE INTIMAÇÃO. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Não havendo nos autos o comprovante da ciência do sujeito passivo por via postal, mas mero relatório dos Correios de que a correspondência contendo o Despacho Decisório foi entregue, não há como se aferir que a ciência se deu na data nele constante, eis que se trata de documento apócrifo, não comprovando a intimação do sujeito passivo. De acordo com o diploma legal que rege o Processo Administrativo Fiscal, na ausência de prova do recebimento, considerase a intimação efetuada quinze dias após a sua expedição. Em face da não observância da regra processual pela decisão a quo, houve um erro no exame de admissibilidade da manifestação de inconformidade, a qual não poderia ser considerada intempestiva, devendo o acórdão recorrido ser anulado, com o retorno à primeira instância, para o proferimento de nova decisão, desta feita com o enfretamento do mérito das razões da Manifestação de Inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 42 44 /2 00 9- 75 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.914244/200975 Acórdão n.º 2201004.447 S2C2T1 Fl. 235 2 Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1633.455 8a Turma da DRJ/SP1, o qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face da não homologação da DCOMP nº 40033.04199.200409.1.3.048336, protocolizada em 19/11/2009. A manifestação de inconformidade (fls. 01 a 04), em face do Despacho Decisório eletrônico n° (de Rastreamento) 848708603 (fl. 12), de 07/10/2009, no qual a autoridade não homologou, por inexistência de direito creditório, a compensação declarada na DCOMP. Na Fundamentação da decisão, a autoridade informa que, consoante os sistemas de controle da RFB, o valor recolhido em DARF, em 20/02/2009, de R$ 5.975.661,67, código de receita 0561, relativo ao período de apuração de 31/01/2009, declarado na DCOMP como indevido ou a maior, teria sido integralmente utilizado na quitação de débito do interessado (mesmo tributo, valor e período de apuração mencionados), não restando, assim, crédito disponível para compensação. Em conseqüência, apurou valor devedor consolidado para pagamento até 30/10/2009, referente ao débito indevidamente compensado mediante a referida DCOMP, de R$ 486.960,58, de principal, R$ 22.887,14, de juros, e de R$ 97.392,11, de multa. Cientificado da decisão, em 19/10/2009 (fl. 26), o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 19/11/2009 (fl. 01), oferecendo, em síntese, as seguintes informações e razões: i) o direito creditório invocado, de R$ 477.552,79, seria líquido e certo porque integraria o pagamento a maior de “IRRF Rendimento do trabalho assalariado”, código 0561, efetuado mediante recolhimentos que totalizariam R$ 5.975.611,67, referentes ao período de apuração 31/01/2009, em lugar do total correto, de R$ 5.498.058,88 (R$ 477.552,79 = R$ 5.975.611,67 R$ 5.498.058,88); ii) declarado, equivocadamente, o débito de R$ 5.975.611,67 na DCTF que teria sido retificada em 29/10/2009 (fl. 13) para conter o valor correto (fl. 16); iii) considerando seu direito à compensação assegurado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 e pelos artigos 165 e 170 do CTN, requer seja revisto o Despacho Decisório, homologandose a compensação declarada. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16327.914244/200975 Acórdão n.º 2201004.447 S2C2T1 Fl. 236 3 Foi prolatado o Acórdão nº 1633.455 8a Turma da DRJ/SP1 (fls. 144/149), que julgou pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade, nos termos da seguinte ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. TEMPESTIVIDADE NÃO PROVADA. MÉRITO NÃO CONHECIDO. A contestação da data constante de comprovante emitido pelos Correios, de ciência da Decisão, mostrase inócua quando o contribuinte não logra trazer aos autos prova documental de outra data, alegada, que tornaria tempestiva a interposição da peça irresignatória. Eventual petição apresentada fora do prazo, mas suscitando questão de tempestividade, caracteriza impugnação e instaura a fase litigiosa do procedimento, comportando julgamento apenas dessa matéria preliminar, não do mérito. Impugnação Não Conhecida. Sem Crédito em Litígio. Em face dessa decisão, cuja ciência se deu em 08/09/2011 (fl.152) e o recurso voluntário foi protocolado tempestivamente em 06/10/2011 (fls. 153/165), tendo apresentado as razões recursais, a seguir sintetizadas: A tempestividade do recurso voluntário; Que o presente recurso seja recebido com efeito suspensivo, nos termos do artigos 33, do Decreto 70.235/72. Ainda sobre o efeito suspensivo, alegou o art. 151, III, do CTN que prevê que as reclamações e recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário; Que, ao contrário do alegado pela DRJ, há sim prova nos autos de que a intimação se deu no dia 20/10/2009. A ausência de AR contraria o disposto no artigo 23, II, do Decreto 70.235/72. O sistema de rastreamento dos correios não é prova da ocorrência da regular intimação. Por fim, requer seja provido o recurso voluntário para que os autos voltem à Delegacia da Receita Federal para julgamento do mérito da manifestação e inconformidade e, caso seja necessário, que seja intimada novamente para apresentar eventuais documentos, nos termos do artigo 16, §4º, alíneas "a" e "b", do Decreto 70.235/72. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.914244/200975 Acórdão n.º 2201004.447 S2C2T1 Fl. 237 4 Mérito O julgamento da presente lide se restringe à análise da tempestividade da Manifestação de Inconformidade. No entendimento da DRJ, o protocolo foi intempestivo, uma vez que se deu em 19/11/2009, um dia após findo o prazo legal de 30 (trinta) dias. De acordo com o entendimento da autoridade julgadora de primeira instância, a prova da intimação do sujeito passivo é um relatório dos Correios atestando que a entrega de deu no dia 19/10/2009. Não há nos autos comprovante do recebimento da intimação (Aviso de Recebimento AR). Para o caso que se cuida, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece que ausente o comprovante de recebimento da intimação deverá ser considerada realizada 15 (quinze) dias após a sua expedição. Vejamos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Grifouse). Ocorre que, também não há nos autos a cópia da intimação para se aferir a data de sua expedição. Todavia, essa ausência pode ser suprida por uma dedução lógica. Se o Despacho Decisório foi emitido em 07/10/2009, a expedição da intimação só poderá ter se dado em data igual ou posterior à sua emissão. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.914244/200975 Acórdão n.º 2201004.447 S2C2T1 Fl. 238 5 Considerando a data da expedição como sendo 07/10/2009, temse que o 15º dia posterior a esta data é 22/10/2009, dia em que efetivamente deve ser considerada realizada a intimação, nos termos das disposições normativas do Decreto nº 70.235/1972 supra transcritas. Com base nessas considerações, temse que a decisão de primeira instância padece de vício, eis que proferida em desacordo com o que estabelece o Decreto nº 70.23/1972, culminando em inegável preterição ao direito de defesa do contribuinte. Destarte, deve ser anulado o acórdão recorrido, com retorno dos autos à DRJ de origem para o proferimento de nova decisão, desta feita, com o enfretamento do mérito. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720721/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996
A presunção legal de omissão de receitas reverte ao contribuinte o ônus de comprovar a origem direta dos recursos (isto é, o depositante), bem como a causa dos pagamentos (isto é, a natureza da operação que deu origem aos valores) referentes aos depósitos bancários efetuados em contas de sua titularidade, de forma que, em não o fazendo, o respectivo valor será considerado receita de sua atividade.
MULTA. CONFISCO. Súmula CARF no. 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1401-002.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: 09482231708 - CPF não encontrado.
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996 A presunção legal de omissão de receitas reverte ao contribuinte o ônus de comprovar a origem direta dos recursos (isto é, o depositante), bem como a causa dos pagamentos (isto é, a natureza da operação que deu origem aos valores) referentes aos depósitos bancários efetuados em contas de sua titularidade, de forma que, em não o fazendo, o respectivo valor será considerado receita de sua atividade. MULTA. CONFISCO. Súmula CARF no. 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.720721/2009-56
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5873711
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.640
nome_arquivo_s : Decisao_10580720721200956.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : 09482231708 - CPF não encontrado.
nome_arquivo_pdf_s : 10580720721200956_5873711.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7347822
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307886317568
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-06-12T13:52:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; Last-Modified: 2018-06-12T13:52:19Z; dcterms:modified: 2018-06-12T13:52:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2018-06-12T13:52:19Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-06-12T13:52:19Z; meta:save-date: 2018-06-12T13:52:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-06-12T13:52:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; pdf:charsPerPage: 1455; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.328 1 1.327 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.720721/200956 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.640 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. Recorrente PAPEL. COM COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996 A presunção legal de omissão de receitas reverte ao contribuinte o ônus de comprovar a origem direta dos recursos (isto é, o depositante), bem como a causa dos pagamentos (isto é, a natureza da operação que deu origem aos valores) referentes aos depósitos bancários efetuados em contas de sua titularidade, de forma que, em não o fazendo, o respectivo valor será considerado receita de sua atividade. MULTA. CONFISCO. Súmula CARF no. 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 07 21 /2 00 9- 56 Fl. 1328DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de auto de infração para a cobrança de tributos referentes ao ano calendário de 2005, na sistemática do Simples, por ter sido constatada movimentação financeira superior à receita declarada pela pessoa jurídica na DSPJSimples, não tendo o seu titular comprovado no curso da fiscalização a origem dos recursos utilizados nessas operações. Presumiuse omissão de receitas nos termos do art. 199 combinado com o art. 287 do RIR/99 (art. 42 da Lei 9.430/1996) e apurou se, também, insuficiência de recolhimento dos tributos em face da alteração das alíquotas aplicáveis sobre a receita bruta acumulada. Consta do Termo de Verificação da Ação Fiscal: A Ação Fiscal em questão decorreu da constatação, pela equipe responsável pela seleção, da discrepância entre os valores declarados de receita bruta na PJSI 2006, quer dizer, R$ 742.035,76 (setecentos e quarenta e dois mil, trinta e cinco reais e setenta e seis centavos) e as informações, presentes no sistema da RFB Dossiê Integrado, das compras efetivadas frente a terceiros, no anocalendário de 2005, pelo fiscalizado, as quais totalizaram R$ 6.639.131,08 (seis milhões, seiscentos e trinta e nove mil, cento e trinta e um reais e oito centavos). Face ao exposto, foi aberta a sobredita ação fiscal, para o Sistema de Tributação SIMPLES, relativa ao anocalendário de 2005, determinando a realização dos procedimentos concernentes à operação CLIENTES X FORNECEDORES COMPRAS. Compulsadas os demais informes componentes do conteúdo denominado dossiê integrado, esta fiscalização decidiu por ampliar a ação fiscal incluindo a operação MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL COM RECEITA DECLARADA PJ, para o mesmo sistema tributário e período, em decorrência da averiguação que a movimentação financeira no ano calendário sob fiscalização consistiu no montante de R$ 28.586.992,11 (vinte e oito milhões, quinhentos e oitenta e seis mil, novecentos e noventa e dois reais e onze centavos). (...) Diante da explicação supra e perante a constatação nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que há movimentações financeiras nas seguintes Instituições: Bradesco S/A, Banco do Brasil S/A, Itaú S/A, Mercantil do Brasil S/A, Rural S/A, Safra S/A, Sudameris Brasil S/A, HSBC BANK BRASIL S/A e UNIBANCO S/A, as quais, conjuntamente, demonstram uma movimentação financeira extremamente superior às receitas declaradas na PJSI 2006 SIMPLES. Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 10580.720721/200956 Acórdão n.º 1401002.640 S1C4T1 Fl. 1.329 3 O supramencionado fato cominado com a não manifestação pelo contribuinte, embora intimado, quanto à apresentação dos extratos bancários relativos as suas operações financeiras no período de 2005, acarretou a subsunção ao disposto no art. 33, I, da Lei n° 9.430/96, c/c com o art. 3º, VII, do Decreto n° 3.724/2001, abrindose precedente para autorização, por parte do Gestor da Delegacia que o jurisdiciona, em favor da emissão da Requisição de Movimentação Financeira, para que os dados pudessem ser obtidos diretamente das próprias instituições financeiras envolvidas. Da materialização da mencionada requisição, decorreu as respectivas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira: (...) Averiguados, tratados e conciliados todas as movimentações financeiras apresentadas pelas instituições bancárias, em estrito cumprimento as determinações dispostas no art. 849 do RIR/99, onde, é importante, destacar, que fundamentandose no princípio da materialidade, foram descartados todos os créditos inferiores a R$1.000,00 (mil reais), elaboraramse planilhas dos VALORES CREDITADOS NAS CONTAS CORRENTES, segregadas por instituição financeira. Em favor de dar possibilidade ao Sujeito Passivo de se manifestar sobre as citadas movimentações financeiras e de cumprir as normatizações impostas pelo mencionado ordenamento legal em vigor, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal nº 0001, cientificado através do EDITAL SEFIS/DRF/SDR/BA Nº 14/09, cuja afixação se deu em 11/02/2009 e a desafixação em 26/0272009, no qual foram anexadas as supraditas planilhas e requerida a comprovação, concedendo um prazo de 20 (vinte) dias, a partir da regular intimação, da origem dos depósitos/créditos bancários, mediante documentação hábil e idônea, alertandoo que a não comprovação ensejaria presunção legal de omissão de receitas sujeitas a a lançamento de ofício, sem prejuízos de outras sanções legais cabíveis. O Sujeito Passivo não se pronunciou quanto à intimação sobredita, ou seja, quanto à comprovação da origem dos depósitos bancários. Quer dizer, não buscou, através de documentação hábil e idônea, justificar a demanda, configurando, perante a documentação sob a posse da fiscalização, a presunção de omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários. Diante do sobredito, procederemos a seguir a elaboração das planilhas e descrição do modo como foram levantadas as bases de cálculo passíveis de lançamento de ofício do SIMPLES. A partir das planilhas, relativas a cada banco, dos VALORES CREDITADOS NAS CONTACORRENTES, incluíramse as colunas referentes aos totais mensais e anuais, cujos montantes alimentaram a planilha que consolidou todos os valores creditados nos bancos e não comprovados, denominada "PLANILHA DE CONSOLIDAÇÃO DOS VALORES CREDITADOS NAS CONTASCORRENTES E NÃO Fl. 1330DF CARF MF 4 COMPROVADOS AC 2005". Estes dados foram transferidos para a coluna "RB OMITIDA TOTAL" da planilha de "APURAÇÃO DA RECEITA BRUTA AC 2005". Através desta planilha buscouse demonstrar a Receita Bruta Total, isto é, a omitida e a declarada. Em prol deste intento, foram somados os valores omitidos aos declarados findando na coluna RECEITA BRUTA TOTAL MENSAL E ACUMULADA, redimensionando os percentuais a serem aplicados para apuração do SIMPLES EPP, e, por fim, culminando nas colunas SIMPLES DEVIDO EPP BASE DECLARADA e SIMPLES DEVIDO EPP BASE OMITIDA. Cotejando o conteúdo da coluna SIMPLES DEVIDO EPP BASE DECLARADA com os montantes de SIMPLES declarados na PJSI 2006 SIMPLES, chegase à diferença passível de lançamento de ofício por insuficiência de recolhimento, constante da coluna DIF. REC DECLARADA. Portanto, as colunas em destaque, na sobredita planilha, são reflexos da receita omitida e representam as diferenças de SIMPLES passíveis de lançamento de ofício, as quais foram rateadas no Auto de Infração, do qual este Termo de Verificação faz parte, pelos tributos: IRPJ, PIS, CSLL, COFINS e INSS, de acordo com os enquadramentos legais vigentes à época dos fatos. (...) A qualificação da multa de ofício, quer dizer, a aplicação da multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre o valor do imposto e das contribuições acima elencados, oriundos dos lançamentos de ofício fundamentados na omissão de depósitos bancários, segue a determinação do Art. 957, II, do RIR 99, concomitante com o Art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, pois houve evidente intuito de sonegação por parte do contribuinte em epígrafe, quando visou impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, uma vez que à luz dos elementos demonstrados acima, em especial o fato do contribuinte não ter comprovado, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos/créditos bancários efetuados nos Bancos (...), presumindose omissão de receita, conforme supra relatado. O relatório da decisão recorrida assim descreve o desenvolver do processo após a apresentação da impugnação: Cientificada do lançamento de ofício por meio do Edital nº 29/09 (fl. 866), afixado em 20/03/2009, a contribuinte apresentou impugnação em 07/05/2009 (fls. 885/898), considerada intempestiva nos termos da Informação SECAT/SDR nº 858/2009 (fl. 1070), da qual a contribuinte foi cientificada em 04/08/2009 (fls. 1071/1078). Os débitos foram, então, encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União (fls. 1096/1115). À folha 1117 consta o Ato Declaratório Executivo DRF/SDR/SEFIS nº 002, de 20 de março de 2009, excluindo a contribuinte do Simples Federal com efeitos a partir de 01/01/2006, do qual foi cientificada através do Edital nº 28/09 (fl. 1118), também afixado em 20/03/2009. Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 10580.720721/200956 Acórdão n.º 1401002.640 S1C4T1 Fl. 1.330 5 Por meio do Ofício nº 493/2009 (fl. 1120), a DRF/Salvador foi intimada acerca de decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.33.00.0163040 (fls. 1121/1124), nos seguintes termos: Assim, defiro, em parte, o pleito de concessão de liminar, para o fim de determinar à autoridade impetrada que adote todas as providências para que, no processamento do recurso apresentado pela impetrante nos autos do procedimento administrativo n. 10580.720721/200956, não seja levado em conta, para o fim de formação do juízo de admissibilidade recursal, o fato de ser, ou não, intempestiva a impugnação anteriormente apresentada. Como consectário lógico, se o motivo da inadmissibilidade do recurso for apenas este, deverá o recurso ser integralmente processado, permanecendo igualmente suspensa, até o julgamento final do recurso administrativo, a exigibilidade do crédito tributário respectivo. Desta forma, foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 1143/1162), ao qual foi dado provimento pela 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do Acórdão nº 140200.749 (fls. 1180/1186), para rejeitar a preliminar suscitada pelo relator, de que a competência para o exame da contestação da revelia é da DRJ, e, no mérito, reconhecer a tempestividade da impugnação, em face da nulidade do edital, encaminhando os autos à DRJ para julgamento em primeira instância administrativa. Desta forma, são essas as razões de defesa apresentadas pela impugnante, em síntese: 1. No caso presente, a quebra do sigilo se deu de maneira ilegal, porque inidônea, desnecessária, ou, ainda, desproporcional aos fins a que se destina, sendo imprescindível a autorização judicial para a sua quebra, sob pena de considerarse ilícita, inconstitucional e absolutamente nula a prova dela decorrente, transcrevendo doutrina e jurisprudência que corroborariam seus argumentos; 2. A quebra do sigilo pela administração tributária sem a prévia autorização do Poder Judiciário, prevista nos artigos 5°, §49 e 6° da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001, não pode configurar invasão à privacidade do cidadão sem que haja motivo excepcional, o que significa muito mais do que a existência de "indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal" nas informações prestadas pelas instituições financeiras; 3. A quebra indevida do sigilo bancário fere, de maneira inequívoca, a intimidade e o devido processo legal, garantidos constitucionalmente, a par de configurar ilícito penal apenado com reclusão de um a quatro anos (art. 10 da Lei Complementar 105/01), daí resultando que as provas assim obtidas são ilícitas e, portanto, inadmissíveis no processo, nos termos do art. 5º, inciso LVI, da Constituição da República; 4. O Auto de Infração também deve ser declarado nulo porque foi efetuado com base na presunção júris tantum de que a autuada omitiu receitas, mas a existência apenas de indícios ou presunções não pode caracterizar o crédito tributário, uma vez que a autoridade fiscalizadora não conseguiu comprovar que os depósitos bancários advieram de operações que possam configurar receitas; 5. Ademais, a autoridade fiscalizadora não atentou para o fato de que a maioria dos depósitos, em verdade, consiste em transferências interbancárias entre contas de titularidade da autuada, conforme comprovam as planilhas anexadas, com as datas dos depósitos, os números dos cheques, os valores e as contas Fl. 1332DF CARF MF 6 bancárias de origem e destino, sendo as transferências também comprovadas através dos canhotos dos cheques e extratos bancários, o que desconstitui a tese da autoridade fiscalizadora, conforme dispõe o §3° do artigo 287 do RIR/99; 6. No que tange à multa de ofício, não há cabimento para a sua aplicação, uma vez que restou comprovada a inexistência de omissão de receitas por parte da autuada; 7. Ademais, a multa aplicada é escorchante, abusiva e confiscatória, ferindo os principios da proporcionalidade, do não confisco e da capacidade contributiva, sendo necessária a redução do seu percentual ao patamar de 2%; 8. A despeito de a impugnante apresentar os extratos bancários, os canhotos dos cheques e planilhas exemplificativas, não foi possível angariar os canhotos de grande parte dos cheques utilizados, em virtude do lapso temporal, razão pela qual requer que seja dilatado o prazo para apresentação de tais provas, visando solicitar as microfilmagens de tais cheques, ou, se for o caso, que esta Delegacia as solicite diretamente; 9. Por fim, protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a posterior juntada de novos documentos. Em 15 de maio de 2012 a DRJ em Salvador BA julgou a impugnação parcialmente procedente, tendo sido excluídas da base de cálculo algumas das transferências interbancárias entre contas de sua titularidade apontadas na impugnação. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DO SUJEITO PASSIVO. PROCEDIMENTO FISCAL. SIGILO FISCAL. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. AUTUAÇÃO. NULIDADE. O acesso às informações bancárias do sujeito passivo em sede de procedimento fiscal legalmente instaurado independe de autorização judicial. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizase omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. EXTRATOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS. Excluemse da apuração fiscal os valores decorrentes de transferências entre contas do próprio contribuinte. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO. QUALIFICAÇÃO. A conduta de não declarar a receita bruta ao Fisco caracteriza a figura típica da sonegação, ensejando a qualificação da multa de ofício. Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 10580.720721/200956 Acórdão n.º 1401002.640 S1C4T1 Fl. 1.331 7 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada em 12 de setembro de 2012 (fl. 1.282), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 9 de outubro de 2012 (fl. 1.283), alegando, em síntese: tempestividade do recurso sobre a quebra de sigilo bancário: (i) CARF pode aplicar diretamente decisões do Pleno do STF que considerem normas inconstitucionais mesmo que elas não tenha efeito erga omnes ou estejam sob o rito da repercussão geral, nos termos do artigo 62, par. 1o, I, do RICARF; (ii) nulidade do auto de infração em vista da ilegalidade da prova produzida (quebra de sigilo bancário); inexistência de certeza e liquidez do auto de infração, por estar baseado em mera presunção, já que a autoridade fiscalizadora não conseguiu comprovar que os depósitos bancários advieram de operações que possam configurar receitas; sob a alegação de que os mesmos não foram incluídos no demonstrativo elaborado pela Recorrente, ou em virtude de erros materiais como: falta de especificação dos centavos no valor transferido, erro na especificação da data do depósito não cabimento da multa de ofício, por seu caráter confiscatório Em 2013, em face da repercussão geral atribuída ao Recurso Extraordinário 601.314, pelo Supremo Tribunal Federal, e do artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF vigente à época, o julgamento do presente processo foi sobrestado para aguardar a decisão do STF em tal RE. O processo teve andamento após alteração do Regimento Interno do CARF que deixou de estabelecer o sobrestamento nestes casos. Recebi o processo em distribuição realizada em 15 de março de 2018. Voto Fl. 1334DF CARF MF 8 Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Quanto ao acesso às informações bancárias do sujeito passivo em sede de procedimento fiscal legalmente instaurado, já resta pacificado inclusive nos tribunais superiores que este independe de autorização judicial. Não há qualquer ilegalidade, nulidade ou irregularidade na requisição e obtenção de documentos bancários pela Receita Federal do Brasil junto às instituições financeiras, pois, para tanto há suporte jurídico na Lei Complementar 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto 3.724, de 2001, e na Lei 10.174, de 2001. Em 24/02/2016, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento das ADI 2859, 2390, 2386 e 2397 e do Recurso Extraordinário 601.314, que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001 que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial, concluindo pela constitucionalidade das normas. No julgamento do Recurso Extraordinário 601.314, submetido à sistemática da repercussão geral, decidiu o STF (Tema 225): “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal” e “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. Assim, não vislumbro qualquer nulidade nos autos de infração sob análise. No mérito, entendo que também, não assiste razão à recorrente. O fato de o auto de infração estar baseado em presunção legal não lhe retira a certeza e a liquidez. É que, em caso de presunção, uma vez que autoridade fiscal comprove os fatos indicados pela norma como indício de omissão de receitas, cabe ao contribuinte a prova em contrário no caso, o contribuinte têm o ônus de comprovar a origem direta dos recursos (isto é, o depositante), bem como a causa dos pagamentos (isto é, a natureza da operação que deu origem aos valores) referentes aos depósitos bancários efetuados em contas de sua titularidade, de forma que, em não o fazendo, o respectivo valor será considerado receita de sua atividade. Considerando que o Recorrente não teve sucesso em tal comprovação, opera se contra ele a presunção legal do artigo 42 da Lei 9.430/1996. Transferências entre contas de mesma titularidade: A decisão recorrida reduziu o crédito tributário consolidado do auto de infração de R$6.342.403,19 para R$5.947.025,98 por identificar, a partir das provas trazidas pela empresa em sede de impugnação, que alguns depósitos consistiam em transferências entre contas de sua titularidade, nos seguintes termos (grifamos): Quanto à alegação da impugnante de que a maioria dos depósitos consiste em transferências interbancárias entre contas de sua titularidade, vejase, a partir dos demonstrativos por ela elaborados, que de fato há valores a excluir da apuração. Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 10580.720721/200956 Acórdão n.º 1401002.640 S1C4T1 Fl. 1.332 9 Porém, nos quadros abaixo estão elencados valores indicados pela impugnante mas que não serão excluídos dos lançamentos de ofício, pelos motivos identificados na coluna “observações”. Notese que em algumas datas a impugnante listou transferências em montantes superiores aos depósitos de origem não comprovada considerados pelo autuante: Fl. 1336DF CARF MF 10 Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 10580.720721/200956 Acórdão n.º 1401002.640 S1C4T1 Fl. 1.333 11 Fl. 1338DF CARF MF 12 Em resposta, a Recorrente alega em seu recurso que a DRJ não considerou alguns depósitos "sob a alegação de que os mesmos não foram incluídos no demonstrativo elaborado pela Recorrente, ou em virtude de erros materiais como: falta de especificação dos centavos no valor transferido, erro na especificação da data do depósito". Nesse ponto, aparentemente a Recorrente não compreendeu bem a decisão da DRJ, não obstante esta tenha sido bem clara. Em sua maioria, os depósitos não foram aceitos porque não constaram dos demonstrativos elaborados pelo autuante, ou seja, porque não foram objeto do lançamento em questão. A recusa nada que teve a ver com os demonstrativos elaborados pela empresa mas sim com os demonstrativos elaborados pela autoridade fiscal e que serviram de base para o cálculo da autuação. Além disso, outros depósitos não foram aceitos porque as datas e/ou valores não coincidiam, de modo que não serviriam para provar transferências de mesma titularidade. Isso porque, a menos que se prove o contrário e essa prova competia ao contribuinte em virtude da presunção legal que contra ele se operou se uma pessoa transfere a outra um determinado valor aquele exato determinado valor é creditado em conta, naquela data especifica, não fazendo sentido que haja datas diversas ou centavos faltando. Desse modo, nesse ponto mantenho a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. Os argumentos relacionados à impossibilidade de se cobrar as penalidades aplicadas em face dos princípios da vedação ao confisco e à preservação do direito de propriedade demandariam uma análise da constitucionalidade das exações, eis que expressamente previstas no artigo 44 da Lei 9.430/1996. Estando tal lei em vigor, descabe a este colegiado manifestarse acerca de sua constitucionalidade, nos termos da Súmula CARF n. 2: Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 10580.720721/200956 Acórdão n.º 1401002.640 S1C4T1 Fl. 1.334 13 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vale ressaltar que a não observância de enunciado de súmula do CARF e de resolução do pleno da CSRF é, inclusive, causa de perda de mandato dos Conselheiros, nos termos do Regimento Interno do CARF (art. 45, VI do Anexo II da Portaria MF 343/2015). Diante de exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.900741/2013-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.549
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11060.900741/2013-27
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5868262
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.549
nome_arquivo_s : Decisao_11060900741201327.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 11060900741201327_5868262.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7315866
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307909386240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1690; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.900741/201327 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.549 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2018 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. Recorrente Dona Francisca Energética S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime nãocumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 07 41 /2 01 3- 27 Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11060.900741/201327 Acórdão n.º 3301004.549 S3C3T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria RS pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o crédito declarado é legítimo, decorrente de pagamento a maior, não sendo utilizado para quitação de outros débitos. Explica a interessada que, em razão de sua atividade, por estar sujeita ao regime cumulativo e não cumulativo, faz jus aos créditos previstos no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, podendo, assim, descontar créditos, relativos às operações de compra e aquisição de energia revendida, do valor apurado a título de débito de PIS e de Cofins, respectivamente, escriturandoos conforme determinam as normas aplicáveis nos campos próprio do Dacon. E que, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2012, realizou apuração dos débitos das contribuições sociais sem o desconto dos créditos permitidos na legislação tributária. Entretanto, posteriormente, decidiu pelo exercício extemporâneo de seu direito, retificando a apuração do período, para o fim de apropriar os créditos no mês de competência em que deveriam ter sido apropriados; para tanto, retificou e transmitiu o Dacon correspondente, em 29 de janeiro de 2013, acompanhado da respectiva DCTF, também retificadora. Em tópico específico – Princípio da verdade material – a contribuinte argumenta que, em razão dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do inquisitório na investigação dos fatos tributários, a negativa de homologação de compensação deve irrestrita obediência à lei. Desta forma, entende que o Fisco tem o dever jurídico de investigação, em busca da verdade material, mesmo nas hipóteses de compensação. A contribuinte solicita, ainda, a reunião dos processos que relaciona, para que tramitem em conjunto e sejam objeto de um único julgamento ou para que as decisões proferidas, ainda que separadamente, sejam todas no mesmo sentido, em atenção ao princípio da economia e eficiência processual e ao princípio da segurança, a fim de evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. Por fim, a contribuinte requer que, para evitar a ciência por edital, as intimações sejam encaminhadas ao endereço do escritório administrativo, que menciona. A Recorrente apontou os seguintes motivos que legitimam o recolhimento indevido do PIS/COFINS: · Suas atividades estatutárias envolvem a geração, comercialização e transmissão de energia elétrica. Para tanto, realiza operações de venda e comercialização de energia originária de seu próprio processo de geração ou adquirida de outras geradoras para revenda. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11060.900741/201327 Acórdão n.º 3301004.549 S3C3T1 Fl. 4 3 · Para as operações de revenda, o regime de apuração do PIS e COFINS é o não cumulativo. · Sustenta que o contrato de compra e venda de energia elétrica foi celebrado entre a Recorrente e a Gerdau em 03 de maio de 2011. · Então faz jus aos créditos do art. 3º, I da Lei n° 10.637/2002 e art. 3º, I da Lei n° 10.833/2003. · Todavia, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2002, a empresa apurou PIS e COFINS, sem o abatimento dos créditos referentes a aquisição e energia elétrica para revenda. · Em seguida, ao constatar que a existência de créditos de PIS e COFINS não apropriados, retificou sua apuração nos meses de competência (aproveitamento extemporâneo). · No presente caso, anexou a nota fiscal de aquisição de energia elétrica, sobre a qual incidiriam PIS e COFINS passíveis de creditamento. · Após a reapuração os novos e menores débitos de PIS e COFINS foram devidamente informados em DACON retificadora transmitida em 29/01/2013. Foi feita a retificação da DCTF posteriormente. A 4ª Turma da DRJ/FNS negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07037.009. Em seu recurso voluntário, a Recorrente: · Em preliminar, requer a vinculação e julgamento em conjunto deste processo com outros 33 recursos voluntários contra acórdãos idênticos da DRJ de Florianópolis, uma vez que os processos decorrem dos mesmos pressupostos de fato e direito; · Reitera os fundamentos de sua impugnação; · Acosta novas provas; · Afirma que o Direito à restituição via compensação decorre do pagamento indevido, e não da declaração do crédito em DCTF; · Assevera que, por imposição do princípio da verdade material, a análise quanto à existência do crédito deve se sobrepor à declaração formal do mesmo (em DCTF) ao tempo da apresentação da DCOMP; · Ataca a decisão da DRJ, ao defender que deixou de verificar a procedência do crédito para fazer análise meramente formal quanto à existência do crédito em DCTF ao tempo da transmissão da DCOMP; · Sustenta que a prova produzida é suficiente para atestar a existência do crédito; · Por isso, requer que o próprio CARF ateste a veracidade do crédito, considerandose a suficiência da prova já apresentada; ou, alternativamente, que baixe o processo em diligência para que a DRF o faça. Em petição datada de janeiro de 2016, a empresa pugna pela aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015. Esta turma de julgamento converteu o feito em diligência, Resolução n° 3301000.406, de 28 de junho de 2017, para que a unidade de origem analisasse a documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11060.900741/201327 Acórdão n.º 3301004.549 S3C3T1 Fl. 5 4 compensação pretendida. Assim, foi solicitado à autoridade que: a) aferisse a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informasse se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclarecesse se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elaborasse relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. A diligência foi realizada, cujo despacho segue acostado nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.545, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11060.900738/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.545): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Creditamento sobre a aquisição de energia elétrica para revenda Dispõem os art.3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003 que: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: A energia elétrica adquirida para revenda subsomese à previsão normativa de creditamento sobre “bens adquiridos para revenda”, porquanto a energia elétrica foi equiparada no sistema constitucional à mercadoria (art. 155, parágrafo 2º, X, alínea “b” e parágrafo 3º, CF/88). Diante disso, observase que há suporte legal que legitima o crédito de PIS sobre a energia elétrica adquirida para revenda. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11060.900741/201327 Acórdão n.º 3301004.549 S3C3T1 Fl. 6 5 Dessa forma, com razão a Recorrente ao pleitear o creditamento no regime da nãocumulatividade. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP em 30/01/2013 para compensar débito de IRPJ com crédito de pagamento indevido de PIS, decorrente da aquisição de energia elétrica para revenda. A DACON foi retificada em 29/01/2013 e a DCTF retificada em 05/09/2013. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente, quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: Acórdão n° 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Recurso provido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11060.900741/201327 Acórdão n.º 3301004.549 S3C3T1 Fl. 7 6 As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 11060.900741/201327 Acórdão n.º 3301004.549 S3C3T1 Fl. 8 7 O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da Dcomp. Por conseguinte, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Ônus da prova – recolhimento indevido No presente caso, a interessada trouxe elementos fiscais e societários para comprovar o valor pleiteado: estatuto social no qual consta a atividade de comercialização de energia elétrica; cópia do contrato de fornecimento de energia elétrica, celebrado em 03/05/2011, com a destinatária da energia nas operações de revenda; cópia da nota fiscal de compra de energia; DCTF e DACON retificadoras. Ressalta a empresa que o contrato de compra e venda de energia elétrica, que revendeu energia adquirida por meio da Nota Fiscal acostada aos autos, é suficiente para comprovação do direito de crédito de PIS. Em seu recurso voluntário, objetivando comprovar que a energia elétrica adquirida foi objeto de revenda, anexou: 1 planilha demonstrativa dos volumes comprados, que equivalem exatamente aos volumes vendidos; 2 o Relatório CCEE demonstrando que o balanço de energia elétrica negociada pela recorrente apresenta volumes idênticos na posição de compradora e vendedora e 3 as notas fiscais de venda de energia elétrica com os mesmos volumes apresentados nos demonstrativos. Além disso, acosta aos autos a DACON original para demonstrar que o crédito objeto da nota fiscal referida não havia sido considerado na apuração da contribuição originalmente. As DACON e DCTF retificadoras (acostadas na manifestação de inconformidade) se voltam a comprovar que o crédito calculado sobre a Fl. 404DF CARF MF Processo nº 11060.900741/201327 Acórdão n.º 3301004.549 S3C3T1 Fl. 9 8 energia adquirida através da nota fiscal apresentada, gerou a apuração de PIS com valor inferior ao recolhimento do DARF, representando pagamento indevido. Toda a documentação da Recorrente foi analisada em diligência fiscal, tendo a autoridade despachado o seguinte: 7. A contribuinte apresentou cópia dos registros contábeis, livro razão e Diário, fls. 314/382388/428, onde consta registro da compra de energia elétrica, com creditamento de PIS, com base no art. 3º, inciso I, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Com resumo dos lançamentos contábeis à folha 429. 8. Conforme NFE série 1, nº 189, de 21/03/2012, fl. 53, ou no portal da Nota Fiscal Eletrônica, fls. 383/387, foi adquirido energia elétrica pela Dona Francisca Energética S.A – RS da Gerdau Aços Longos S.A., CNPJ 07.358.761/005632, localizada no município de Cachoeira Alta – GO, dentro do sistema integrado de energia, valor R$ 2.684.844,00 com destaque de PIS em R$ 44.299,93. 9. Declaração de compensação com base legal no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (CTN); art. 74 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996; art. 49 da Lei nº 10.637, de 30.12.2002; art. 17 da Lei nº 10.833, de 29.12.2003; art. 4º da Lei nº 11.051, de 29.12.2004; art. 30 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009; IN RFB nº 1.300, de 20.11.2012; IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 10. Crédito acrescido de juros equivalentes à taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais, nos termos do artigo 39, § 4º da Lei n.º 9.250, de 26.12.1995 e do artigo 73 da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, e conforme inc. V do art. 143 da IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 11. De acordo com o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002; com o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966; Portaria RFB nº 1.453, de 29.09.2016; com a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e o art. 241, inc. I do Regimento da SRFB, foi constatado que a DACON retificadora de março de 2012, está em conformidade com os registros contábeis e amparada em documentação, sendo confirmado crédito de PIS não cumulativo, código 6912, pago a maior em 25/04/2012, no valor de R$ 44.299,92 e conforme indicado pela contribuinte, o valor de R$ 42.126,22 (quarenta e dois mil, cento e vinte e seis reais com vinte e dois centavos), com o acréscimo da taxa Selic acumulada, foi lançado em planilha de cálculo SAPO junto com o débito, que foi satisfeito, fls. 430/433. A diligência confirmou o crédito pleiteado e, ao cotejar com o débito apontado, reconheceu que foi suficiente para a sua satisfação, logo deve ser homologada a compensação. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 11060.900741/201327 Acórdão n.º 3301004.549 S3C3T1 Fl. 10 9 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 406DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.722458/2012-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Somente estão isentos de tributação os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia grave elencada em lei, devidamente reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Numero da decisão: 2002-000.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Somente estão isentos de tributação os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia grave elencada em lei, devidamente reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.722458/2012-46
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5863371
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.091
nome_arquivo_s : Decisao_10830722458201246.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : VIRGILIO CANSINO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 10830722458201246_5863371.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
id : 7287418
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307915677696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1325; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.722458/201246 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.091 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF Recorrente MARIO GONÇALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Somente estão isentos de tributação os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia grave elencada em lei, devidamente reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 24 58 /2 01 2- 46 Fl. 84DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.55/56) contra decisão de primeira instância (fls.44/47), que negou provimento a impugnação do sujeito passivo por falta de subsunção do caso concreto à norma legal em abstrato. Foi lavrado o auto de infração, por Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social de CNPJ 29.979.036/000140. Inconformado com o auto de infração, em razões preliminares o contribuinte alega que a Lei nº 11.052 de 29 de dezembro de 2004, no art. 1º que regulamenta a nova redação ao inciso XIV do art. 6ºda Lei 7.713 de 22 de dezembro de 1988, sendo que em seu preâmbulo há consistência para a isenção do pagamento do imposto. No mérito, aponta que os proventos de aposentadoria são isentos da cobrança de Imposto de Renda, nos termos do artigo suso citado. Em recurso voluntário, o contribuinte junta documentação médica (fls.57/64), alegando ser portador de Osteíte Deformante (fl.55). É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator A preliminar lançada em sede de Recurso Voluntário em verdade não se trata de questão processual antecedente ao mérito, mas apenas de esclarecimento a respeito da doença que diz o contribuinte ser portador, e com o mérito será analisada. Sem razão o contribuinte. Diz o artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ...XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão de medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (g.n). Com a interpretação gramatical do texto legal é possível afirmar que a lei não estende o benefício da isenção a todo e qualquer provento de aposentadoria, mas apenas e tão somente em duas hipóteses, quais sejam: a) quando a aposentadoria ou reforma foi motivada por acidente em serviço; b) quando os beneficiários dos proventos de aposentadoria ou reforma forem portadores da patologias descritas no texto legal. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10830.722458/201246 Acórdão n.º 2002000.091 S2C0T2 Fl. 3 3 A doença da qual o contribuinte alega ser portador, qual seja, Osteíte Deformante (fl.55) não está no rol taxativo que a lei tributária garante a isenção, sendo certo que o Laudo Médico (fl.71) que acompanha o recurso, além de não ser emitido por serviço médico oficial, não relata que referida patologia seja de origem profissional ou decorrente de acidente em serviço. Assim sendo, a doença apontada pelo contribuinte para ter o benefício da isenção não encontra respaldo na legislação pertinente, por absoluta falta de subsunção do fato à norma. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento, mantendo a r. decisão de origem. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.901718/2010-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10735.901718/2010-64
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861214
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-000.576
nome_arquivo_s : Decisao_10735901718201064.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 10735901718201064_5861214.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7273121
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307927212032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1084; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 248 1 247 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.901718/201064 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.576 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 11 de abril de 2018 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIAS Recorrente PERSONAL SERVICE RECURSOS HUMANOS E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 01 71 8/ 20 10 -6 4 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10735.901718/201064 Resolução nº 1302000.576 S1C3T2 Fl. 249 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1239.626, proferido pela DRJRJOI, em 18/08/2011, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório da DRFNova Iguaçu/RJ que indeferiu parcialmente o Pedido de Compensação de Saldo Negativo de IRPJ, efetuado através do PER/Dcomp nº 28871.57453.230206.1.3.036175 por meio do qual a interessada pleiteia compensar crédito que alega possuir decorrente de saldo negativo de CSLL referente ao 2º trimestre de 2003 com débitos nele declarados. O acórdão recorrido tem a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional. CSLL RETIDA NA FONTE. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. Incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de CSLL retida na fonte que não tenha sido informada em DIRF e, ainda, que não esteja confirmada por comprovante de retenção. Cientificada do acórdão recorrido em 12/04/2013 (fls. 98), a recorrente apresentou recurso voluntário em 13/05/2013 (fls. 101/118), no qual apresenta, em síntese, as seguintes razões recursais; i. apesar da minuciosa demonstração das retenções na fonte que elaborou, a DRJ preferiu a forma ao conteúdo, entendendo que apenas as DIRF's e Informe de Rendimentos seriam hábeis a fazer a prova necessária; ii. aduziu que em nenhum momento foi negada a existência do direito creditório e, portanto, sob a égide da Verdade Material deveria ter sido aceita a robustez das provas apresentadas com a manifestação de inconformidade; iii. as DIRFs estão sujeitas a erros, especialmente no caso de contratantes do setor público; iv. a Recorrente não poderia depender de informações apresentadas por terceiros, as quais não tem acesso; Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10735.901718/201064 Resolução nº 1302000.576 S1C3T2 Fl. 250 3 v. as notas fiscais apresentadas veiculariam informações sobre o recebimento, data, retenções de tributos e não detêm natureza contábil, porém, fiscal, com reflexos contábeis; vi. não era condição para reconhecimento do direito à compensação da contribuição retida na fonte o recolhimento do tributo retido pela fonte pagadora; vii. seja no despacho decisório, ou na decisão da DRJ, não foram invalidadas as informações prestadas na DIPJ referente ao período, não recebeu intimação sobre a sua irregularidade, o valor total das receitas sujeitas a retenções na fonte apresentadas no “anexo B” são compatíveis com as informações apresentadas na DIPJ e com o saldo negativo informado; viii. o art. 923/RIR determina que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, de sorte que não prosperaria a alegação de falta de comprovação das retenções, exceto se considerada a inércia e/ou falta de investigação da fiscalização, que não teria contestado as informações da DIPJ; ix. para corroborar as suas alegações, faz referência a diversos julgados dessa Corte Administrativa, em que se entende que a comprovação de retenções na fonte não se limita às DIRFs, sendo possível ao contribuinte demonstrar o seu direito creditório por outros elementos de convicção; x. afirma que, muito embora entenda que tenha apresentado suficientes provas para lastrear o seu direito, tendo em vista o fundamento inovador da decisão relativo à “tributação de receitas”, e que a efetividade das retenções poderia ser aferida nos seus registros, pugnou pela realização de perícia, formulando três quesitos a serem complementados no curso da demanda e indicando assistente técnico. Juntou ao recurso voluntário a respectiva DIPJ. É o relatório. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10735.901718/201064 Resolução nº 1302000.576 S1C3T2 Fl. 251 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Assim dele conheço. A controvérsia instaurada gira em torno da comprovação de IRRF retido pelas fontes pagadoras, no montante informado pela recorrente em suas PER/Dcomp's, que compõe o saldo negativo de IRPJ pleiteado para utilização nas compensações declaradas. A autoridade administrativa que analisou o pleito entendeu que, no cotejo entre os valores informados pela contribuinte e as informações prestadas pelas fontes pagadoras em suas DIRF's, restou confirmado o montante de CSLL retida de R$ 12.944,43, de um total pleiteado de R$ 10.272,01, resultando em uma glosa no valor de R$ 2.672,42, o que reduziu o saldo negativo apurado e declarado pela contribuinte de R$ 12.944,43 para R$ 10.272,01. A recorrente apresentou junto com sua manifestação de inconformidade, além das notas fiscais emitidas com destaque dos tributos retidos na fonte (Anexo C fls. 51/74), diversas planilhas de controle que demonstram individualizadamente as retenções sofridas em cada operação e a data de recebimento de cada fatura de serviços (Anexo A fls. 46, Anexo B fls. 48). Além disso, verificase nas notas fiscais anexadas o valor líquido de cada operação e, em parte delas, os dados bancários para o pagamento das faturas. Embora a recorrente não tenha trazido aos autos os documentos previstos nas instruções normativas instituídas pela administração tributária federal, apresenta outros elementos, de forma sistematizada, que servem ao menos como início de prova a favor do sujeito passivo. Especialmente, levandose em consideração que a maior parte delas, foi confirmada pela própria RFB por meio das DIRFs disponíveis no sistema. É fato que o contribuinte para ter direito a abater do valor da contribuição social devida ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação nesse mesmo período deve apresentar o comprovante de retenção, emitido em seu nome pela fonte pagadora, conforme o disposto no art.55 da Lei nº 7.450/1985, verbis: Art 55. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Todavia, essa exigência tem sido relativizada nas hipóteses em que o contribuinte não tenha recebido esse comprovante e/ou não tenha como obtêlo, desde que consiga fazer prova, por outros meios ao seu dispor, de que efetivamente sofreu as retenções que alega,conforme a jurisprudência deste CARF, verbis: Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10735.901718/201064 Resolução nº 1302000.576 S1C3T2 Fl. 252 5 Acórdão nº 130100.769, de 24/11/2011– 3ª Câmara/1ªTO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS.AUSÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. VALORES CONSTANTES DA DIRF. O contribuinte tem direito a abater do valor do imposto devido ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação nesse mesmo período. Para tanto, deve apresentar o comprovante de rendimentos fornecido pelas fontes pagadoras, ou fazer prova da efetividade das retenções mediante quaisquer outros meios ao seu alcance. Em assim não sendo,correta a decisão de primeira instância que considerou comprovados apenas os valores declarados pelas fontes pagadoras em DIRF. Acórdão nº 130200.945 – 05/07/2012 3ª Câmara/2ªTO IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMPROVANTES DE RETENÇÃO. O sujeito passivo tem direito à dedução do imposto retido pelas fontes pagadoras incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração,ainda que não tenha recebido o comprovante de retenção ou não possa mais obtêlo, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. No caso em apreço, entendo que, embora não estejam devidamente comprovadas as retenções existem fortes indícios de sua ocorrência e, tendo em conta os princípios da razoabilidade e da verdade material, que é justificável a conversão do julgamento em diligência com vistas a permitir à recorrente a apresentação de elementos complementares que demonstrem a efetividade das operações. Com efeito, tem razão a recorrente quando aponta que não pode ser responsabilizada pela falta ou incorreção de informações nas DIRF's pelas fontes pagadoras, ou mesmo, pela falta de recolhimento dos tributo retidos, se comprovados por outros meios que efetivamente ocorreu a retenção. Conforme acima destacado, a recorrente apresentou a cópia de cada nota fiscal/fatura contendo os valores brutos e líquidos de cada operação e informou a data do recebimento de cada uma delas. Assim, entendo que é perfeitamente possível que esta possa identificar e comprovar o recebimento dos valores de cada operação pelos seus montantes líquidos, a denotar a efetividade da retenção dos tributos pelas fontes pagadoras. Tais comprovações podem ser feitas mediante extratos ou avisos bancários e ainda pelos registros contábeis dos respectivos recebimentos nos livros Diário/Razão. E, ainda, que a própria fiscalização possa intimar as fontes pagadoras a confirmar as operações e respectivas retenções na fonte. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10735.901718/201064 Resolução nº 1302000.576 S1C3T2 Fl. 253 6 Noutro giro, é possível até mesmo que, tendo decorrido um prazo razoável entre a data de prolação do despacho decisório e a interposição do presente recurso, que as próprias fontes pagadoras tenham apresentados DIRF's retificadoras, que possam comprovar total ou parcialmente os valores anteriormente glosados. Assim, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligências, encaminhandose os autos à unidade preparadora, para que: a) seja designada autoridade fiscal competente para: a.1) intimar a interessada a apresentar a comprovação do recebimento dos valores informados nas notas fiscais, cujos montantes não foram reconhecidos (conforme as planilhas por ele apresentadas Anexos A, B e C da manifestação de inconformidade) pelos valores líquidos dos tributos retidos, mediante a apresentação de extratos ou avisos bancários respectivos (quando for o caso) e dos respectivos registros contábeis (livros Diário e/ou Razão) nas contas pertinentes; a.2) intimar, se necessário, as fontes pagadoras a confirmar a retenção dos valores que deixaram de ser reconhecidos, em face da ausência de informação em Dirf e da ausência de Comprovantes de Rendimentos; a.3) efetuar outras averiguações que julgar convenientes, inclusive nos sistemas da RFB, com vistas a identificar o montante efetivo de contribuição social retida pelas fontes pagadoras à contribuinte, no período ora examinado; a.4) elaborar relatório circunstanciado, detalhando as apurações realizadas e informando os novos valores que tenham sido comprovados pela contribuinte ou pelas fontes pagadoras, indicando o saldo adicional passível de reconhecimento, se for o caso. a.5) dar ciência do relatório à interessada para que esta, querendo, se manifeste sobre suas conclusões no prazo de 30 (dias), findo o qual o processo deve retornar a este colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 253DF CARF MF
score : 1.0
